AU TO RA L 1 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU LA LE I DE DI R EI TO AVM FACULDADE INTEGRADA PE O ORIENTADOR EDUCACIONAL COMO INTERVENTOR NO Por: Geórgia Aurélia da Silva Tavares DO CU M EN TO PR OT EG ID O PROCESSO DISCIPLINAR Orientador Prof. Vilson Sérgio de Carvalho Rio de Janeiro 2009 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU AVM FACULDADE INTEGRADA O ORIENTADOR COMO INTERVENTOR NO PROCESSO DISCIPLINAR. Com esta publicação abordaremos o processo de intervenção do Orientador na disciplina, o nosso objetivo é elucidar os caminhos percorridos até a chegada das nossas conclusões, através da veracidade e empenho colocados nesta publicação... 3 AGRADECIMENTOS Agradeço em especial meus pais que sempre me possibilitaram e me incentivavam nesta jornada da busca do conhecimento. A toda equipe do instituto “A Vez do Mestre” que direta ou indiretamente colaboraram na realização deste trabalho. Ao professor Vilson e a todos que por algum motivo eu não tenha citado os seus nomes aqui, mas que de alguma forma colaboraram com a extensão pessoal para o crescimento deste trabalho. Os meus sinceros agradecimentos... 4 5 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a meu pai Jorge Carlos Machado Tavares e minha mãe Maria de Lourdes da Silva Tavares, pessoas que muito inspiram-me todos os dias da minha vida e que as amo muito. A Cristiano Santos que sempre esteve ao meu lado, no decorrer desta caminhada. E a todos os meus familiares e amigos. “O homem só consegue construir um futuro sólido com base na família.” Geórgia Aurélia da Silva Tavares 6 RESUMO Este trabalho monográfico técnico teve como tema “O Orientador Educacional como interventor no Processo Disciplinar”, contemplando algumas questões e definições referentes à indisciplina e a contribuição dos Orientadores Educacionais frente a está problemática, dentro da Unidade Escolar, a partir das observações e levantamentos de dados em uma Escola do Ensino Fundamental, utilizando uma abordagem de observação no processo, e o significado do comportamento disciplinar dentro de uma visão psicológica e pedagógica e contextualizada do aluno como condutor de suas ações e reações no espaço escolar e o Orientador Educacional como mediador destas problematizações e embates que ocorrem nas escolas. O embasamento teórico ocorreu a partir dos referenciais de Carvalho, Grispun e Luck entre outros, enfatizando também as conseqüências que a indisciplina pode trazer para o aluno e que o orientador tem que ter sempre uma visão holística para o seu aluno, visando o seu bem estar como futuro cidadão atuante desta sociedade globalizada e democrática. 7 METODOLOGIA O presente trabalho monográfico foi realizado a partir de uma pesquisa exploratória, de acordo com o tema enfocado, o Orientador Educacional Como Interventor no Processo Disciplinar. Para isso, a metodologia utilizada aplicou-se a partir de um levantamento de dados na própria escola, a verificação das fichas dos alunos indisciplinados e as providências tornadas pela Orientação Educacional e todo corpo docente para completar o referido levantamento. No que diz respeito aos procedimentos de elaboração dessa pesquisa, foi feita consulta bibliográfica e entrevista com os personagens envolvidos (docentes, discentes, administrativo e apoio). Com isso, a partir desses procedimentos, buscaram-se respostas para as causas que geram a indisciplina dentro do espaço escolar. 8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 09 CAPÍTULO I – O PAPEL DO ORIENTADOR EDUCACIONAL: 10 CAPÍTULO II – O QUE SABEMOS SOBRE A QUESTÃO DA INDISCIPLINA NA ESCOLA? 20 CAPÍTULO III – INDISCIPLINA: QUAL O PAPEL DO ORIENTADOR? 30 CONSIDERAÇÕES FINAIS 41 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 43 ANEXO 44 9 INTRODUÇÃO “A formação para a cidadania: acreditamos que a escola pode incorporar milhões de brasileiros à cidadania e deve aprofundar a participação da sociedade civil organizada nas instâncias de poder institucional”. (GADOTTI, 1991, p.43) Este trabalho monográfico teve como foco central o estudo do papel do Orientador Educacional como interventor no processo disciplinar, contemplando, de modo particular, sua atuação junto à algumas questões e definições referentes à indisciplina e a contribuição deste frente a esta problemática, dentro da unidade Escola, e no convívio social do aluno. Para tal utilizou-se uma abordagem do processo significativo do comportamento disciplinar dentro de uma visão pedagógica como condutor de suas ações e reações no espaço escolar e o Orientador Educacional como mediador destas problematizações e embates que ocorrem em escolas brasileiras. Através do trabalho ficou demonstrado a importância do Orientador Educacional na vida escolar e social fazendo parte do contexto social do aluno com grande relevância para seu futuro como cidadão da vida globalizada. No primeiro capítulo o Orientador Educacional faz o elo entre a escola e o aluno, facilitando as relações entre ambos, formando o elo social no ambiente escolar. Com o segundo capítulo iremos observar a trajetória da indisciplina no seu todo, como família, escola, sociedade em seu contexto social. E ao chegarmos ao terceiro capítulo iremos contemplar o Papel do Orientador Educacional frente ao aluno, escola, família e sociedade. E todos os benefícios que este traz para a sociedade como cidadão atuante em beneficio de todos, para que o convívio torne-se mais harmonioso. 10 CAPÍTULO I O PAPEL DO ORIENTADOR EDUCACIONAL 1.1 – O Orientador Educacional: O mediador de uma escola é o Orientador Educacional onde ele atua como um elo entre educadores, pais e estudantes, fazendo assim a administração do ponto de vista de todos inseridos neste contexto social. Algum tempo atrás o educador era rotulado como o responsável por encaminhar os estudantes “problemáticos” para os psicólogos, o orientador educacional ganhou uma nova função, perdeu o antigo rótulo pejorativo de “delegado” e atualmente faz um trabalho em conjunto com á comunidade escolar para intermediar os conflitos escolares e colaborar com os professores, para melhor lidar com os alunos que apresentam algumas dificuldades de aprendizagem, ou disciplina buscando as motivações destes problemas, em conjunto com a escola e com a família no seu âmbito social. Regulamentado por decreto federal, o cargo é desempenhado por um pedagogo especializado, (nas redes públicas, esta presença é obrigatória de acordo com as leis municipais e estaduais), porem nem sempre estas leis são cumpridas nos estados, em muitas escolas estaduais este pedagogo está dentro de sala de aula por falta de professores na rede. O coordenador pedagógico garante o cumprimento do planejamento e dá suporte formativo aos educadores. 11 Para o Orientador Educacional ter sucesso ele precisa construir uma “ponte” (relação de confiança) que permita administrar os diferentes de vista, ter a habilidade de negociar, a sensibilidade de observar e ouvir e prever ações. Pois somente assim terá chances de “garantir a integração dos atores educacionais e avaliar o processo evitando a dispersão” (AIDAR, 2009, p.23) Contudo na prática, muito ao contrário acaba por se dedicar a “apagar”os “incêndios” diários a maior parte do seu tempo. Orientador Educacional, pais, alunos e professores, necessitam de caminharem juntos para o bom andamento do processo e para que nada se perca nesta caminhada da busca em conjunto por resultados mais satisfatórios para todos os envolvidos deste processo, que irá encaminhar-se ao longo da vida escolar do aluno, e que quando bem administrado revela bons frutos. É também o papel do Orientador manter reuniões semanais com as classes para mapear problemas, analisar determinadas atitudes, dar suporte as crianças e os adolescentes com questões de relacionamento e estabelecer uma parceria com família, quando há desconfiança de que a dificuldade esteja em casa. Algum tempo atrás este cargo tinha um enfoque mais clínico. A rotina dos Orientadores era serem responsável por encaminhar alunos e especialistas, como médicos, fonoaudiólogos etc. Com essa responsabilidade o Orientador ficava cada vez mais distante do aluno e não havia como fazer uma parceria entre orientador, aluno, professor e família, por estar restringindo-se apenas a encaminhar para especialistas de cada área o aluno com seu problema e não trabalhar o seu todo, como aluno. Atualmente possui outra verdade, o Orientador passou a atuar de forma a atender os estudantes levando em conta que eles estão inseridos em um contexto social, que influência o seu processo de aprendizagem diretamente no convívio escolas, se o mesmo estiver desestruturado, tanto emocionalmente, como fisicamente e intelectualmente este processo irá quebrar-se. Desencadeando uma sequencia de problemas. Pode-se apontar como um dos indicadores destas mudanças a influência de teóricos construtivistas, como Jean Piaget (1896-1980), Vygostky (18961934) e Henri Wallon (1879-1962), nos projetos pedagógicos da escola. 12 Dentre as variadas funções existentes nas instituições escolares, podemos destacar a atuação do Orientador Educacional cujo papel principal é atuar com os educandos no individual e no coletivo. Segundo Ferreira (2001), orientar significa dirigir, guiar, adaptar ou ajustar à direção deles. O Orientador Educacional que possui essas características desempenhará a contento seu papel e encontrar-se-á envolvido com tudo que aconteça dentro da instituição na qual esteja inserido. Por outro lado, sabe-se que seu trabalho educacional não será feito isoladamente, ou seja, deverá ser visto como interventor diante de tudo o que é proposto pela equipe administrativa, pedagógica, docente e discente trabalhando em equipe junto à comunidade escolar. É preciso ressaltar que esse profissional vai lidar com os sentimentos e emoções de todos os integrantes da Unidade Escolar, em particular os alunos adolescentes e crianças. Com tudo, não se pode deixar de frisar a existência da diversidade desta clientela que é oriunda de diferentes classes sociais e suas bagagens culturais, com atitude e hábitos também diferentes e que buscarão dentro do espaço escolar, vários mecanismos para “chamar atenção” dos educadores consciente ou inconscientemente. Em linhas gerais, trata-se de um cliente carente, necessitado de uma intensa orientação que vislumbrem novos conhecimentos, novas direções, que contribuam para o progresso de sua caminhada e crescimento na vida, como cidadão. Toda via, é preciso ressaltar que o Orientador Educacional deve estar aberto às dificuldades que sempre estarão presentes no seu cotidiano como, por exemplo, a indisciplina. O autor Luck (1999) define a orientação educacional como: “um método pelo qual o orientador educacional ajuda o aluno, na escola a tomar consciência de seus valores e dificuldades, concretizando, principalmente através do estudo, sua realização em todas as suas estruturas e em todos planos de vida”. (p. 23) A partir desse referencial teórico, podemos afirmar que o Orientador deve assumir não apenas a função de assistente para alunos, professores e pais ou responsáveis, mas, também de educador que entenda as necessidades dos educandos em relação aos aspectos cognitivos, psicomotores e psicológicos. 13 1.2 A Prática do Orientador Educacional no cotidiano escolar. O Orientador Educacional deve manter seu contato permanente com todos os envolvidos dentro e fora da sala de aula em situações formais ou informais, com o objetivo de se construir uma ponte entre ambos os lados ficando livre de qualquer obstáculo, com isso a troca de experiências e vivências partilhadas no dia-a-dia a tornar-se-á mais rica. Assim, todas essas experiências poderão possibilitar, a essa equipe, diferentes leituras da realidade, escolas e dessa forma possam atuar com clareza. Tornado cada vez mais forte os laços que unem a família com a escola. Na grande São Paulo em Guarulhos, o sistema é diferente com as escolas da rede este trabalho vem de fora, de uma organização nãogovernamental chamada Lugar de Vida é contratado pela prefeitura para prestar o serviço de orientação. O programa foi organizado para que a equipe da escola tenha encontros quinzenais, de duas horas cada um, com os profissionais da entidade para falar sobre dificuldades diversas. Nas primeiras reuniões geralmente se iniciavam com um longo silêncio, mas terminavam com os participantes contando experiências muitas vezes traumáticas. O que pode-se perceber que os docentes não costumam falar sobre esses problemas, não gostam de compartilhar com seus colegas, e acabam por não revelá-los (COLLI, 2009, p. 87). Quando há uma dinâmica incorporada, na instituição de ensino, o trabalho flui de maneira contínua como uma “engrenagem”. Para que se tenha uma melhor visão destes tópicos vamos observar este relato. Orientadora responsável por sete turmas do 6º ao 7º ano da escola. A demanda de acompanhamento dos jovens é grande. O desafio é não descuidar do coletivo, ao mesmo em que desenvolvemos uma série de intervenções individuais. 14 Recentemente, precisei sentar e conversar com um aluno que fez algo errado. Em nossa conversa ele chorou muito e desabafou: que ninguém enxergava suas qualidades. Eu disse: você tem que mostrar seu lado bom. É sua meta. Combinado. Ele respondeu que sim. Uma semana depois a escola promoveu um passeio Diálogo no Escuro (ambiente em que se simula o cotidiano dos deficientes visuais). Esse estudante foi. E para minha surpresa quando estávamos no escuro par conversar com os guias cegos, ele fez as melhores perguntas. No final do programa um deles perguntou o nome do aluno e disse: “Eu enxergo muitas coisas boas em você”. A reação do estudante foi incrível. “Ele me disse comovi: “Puxa”, o cara não enxerga, mas viu minhas qualidades”. Essas situações trazem um efeito positivo para toda vida das pessoas. Para fazer parte do convívio do estudante chego meia hora antes. Acho que o Orientador não tem que atuar somente em classe, além disso, temos um encontro semanal com todas as turmas. Então conversamos sobre cada assunto por categoria e as soluções vem do grupo. Todos pensam como vem administrando os seus conflitos incentivaram a formação de uma pessoa crítica em conjunto com os professores e a família. 1.3 Conhecimentos pertinentes a Orientação: Para ratificar a importância da diferença que o Orientador Educacional deve ter, a autora (Grispun, 1986), diz que “conhecer o cotidiano é como dar um mergulho nos conhecimentos e sentimentos que tecem nosso dia-a-dia”. (p.44). Diante dos argumentos apresentados anteriormente, pode-se afirmar que esses conhecimentos são desafios que a prática educacional exige despertando o sentido da busca de novos conteúdos e caminhos que irão possibilitar os acessos às novas informações que certamente ajudarão a 15 avançar na referida prática. Nesse sentido, o fazer do Oriente Educacional está relacionada em grande parte, a atividade que devem ser desenvolvidas pelo aluno de acordo com a potencialidade de cada um. Essas potencialidades são variáveis significativas no processo de orientação que auxilia o aluno em seu desenvolvimento integral e de sua personalidade. Schimid e Pereira (apud Grispun, 1993), apontam que o Orientador deve “propiciar ao educando o esclarecimento interior (insigh) que o capacite a tomar boas decisões, aproveitar ao máximo as oportunidades de desenvolvimento, encontrar soluções satisfatórias para seus problemas”. (p. 148) A partir desta reflexão, fica explícito que a prática do Orientador Educacional que está direcionada para o aluno é de acompanhá-lo e orientá-lo na sua formação sócio-educativa e humana dentro e fora da escola, possibilitando-lhe um melhor desempenho. Dando seguimento à reflexão, pode-se afirmar que o trabalho do Orientador Educacional está centrado também com o professor e com a escola propriamente dita, cuja proposta é compartilhar as idéias e metas destes conteúdos até as questões disciplinares, dando ao professor condições de conhecimento do aluno necessário ao processo de ensino aprendizagem. Este conhecimento do aluno é levado para o professor através do Orientador Educacional como enriquecimento necessário ao processo de ensino aprendizagem que resulta no ascessoramento para o mesmo. Ao tratar deste assunto, Carvalho (1979) aborda com propriedades estas questões, e diz que: “as vantagens de o professor ser ao mesmo instrutor e orientado, com a ajuda de um especialista em educação, são varias: é ele (o professor) quem tem melhores condições de reconhecer as diferenças individuais quanto ao nível de prontidão para aceitar tarefas, níveis de maturidade cognitiva e emocional, sociabilidade etc... Mas do que qualquer outro tem o professor a condição de relacionar-se com seus alunos de forma franca, possibilitando maior conhecimento”. (p. 61-62). Em face do exposto, pode-se também afirmar que o professor encaminha os alunos a um conhecimento, e a uma melhor oportunidade de também conhecer o seu próprio meio, estimulando-os a enfrentar suas problemáticas. 16 Nesse contexto, o Orientador surge para ascessorar o professor na elaboração das suas tarefas com os alunos, numa ação integrada, conjunta. Quanto à escola, o Orientador pode atuar em atividades que começam desde à matrícula dos alunos, horários, escolha de professores, etc... até as questões pedagógicas relacionadas com o currículo e com o projeto político pedagógico a ser desenvolvido pela instituição escolar. Em linhas gerais, essa momento representa para o Orientador Educacional a identificação da escola numa perspectiva contextualizada. Nessa linha de raciocínio Loffedi (apud Grispun, 1986) assinala que: “(...) o contexto existente na escola pela presença do aluno e que este aluno é alguém que tem valores experiências e daí que se deve partir e não da experiência da professora ou da escola...” (p. 44). A escola contextual referida anteriormente é a escola que trabalha sobre uma realidade, encarnada pelo aluno que a procura. Assim, esse significado contextual não é estático, mas se constrói e se modifica pela ação porque é um ser em experiência. Dessa forma, a prática do Orientador Educacional está envolvida com procedimentos que ajudam a conhecer a realidade do aluno e trazê-la para dentro da escola. Além disso, o Orientador contribui com a relação professor-aluno sem comprometer o processo de ensino aprendizagem, desenvolvendo estratégias que levam ao aluno a reflexão e ao exercício de uma análise crítica entre outros. Parafraseando Piaget (apud Grispun, 1993), “o sujeito é ativo na sua essência e que ele se constitui como o que é pela assimilação e acomodação que realiza ao longo do seu desenvolvimento”. Com isso, o aluno que está sendo orientado é visto como sujeito em construção, que amplia estes conhecimentos com determinada forma e conteúdo. Pois a prática do Orientador Educacional deve ser vista como um processo ativo e dinâmico, como construção, produção de conhecimento, de saberes de comunicações e interações. É preciso ressaltar que a orientação está sempre direcionada para compreender o desenvolvimento do aluno, do ponto de vista cognitivo, da afetividade, da tomada de decisões e da sua inserção social. Busca, também, a totalidade de conhecimento do aluno que está se desenvolvendo como cidadão ativo de uma sociedade, construindo sua personalidade e participando 17 consciente e ativamente de sua história de vida. Atuando junto ao aluno no cotidiano da escola valorizando todas as opções que formam o contexto de vida pessoal desse aluno. Faz-se necessário mencionar que a parte cognitiva é importante na escola, mas também é importante a construção afetiva a qual se apóiam subjetivamente os valores, os ideais a confiança sua estrutura psicológica e o elo que o unirá como cidadão ativo socialmente. No que diz à construção do conhecimento, é licito dizer que o mesmo engloba vários conhecimentos em várias dimensões, o que colabora para ampliação da prática específica do Orientador Educacional que está sempre aberta a conhecer a realidade de cada aluno e ampliar a análise da própria realidade, evidenciando-se nesse contexto a multiplicidade e diversidade de significado que dela emerge. A partir dessa construção pode se elaborar questões relativas às múltiplas inteligências que de certa forma, o Orientador Educacional tem que estar aberto ás mesmas. O Orientador não pode esquecer que o aluno traz consigo a leitura de mundo e dessa forma deve valorizar o modo pelo qual o aluno retrata essa linguagem. Como diz Vygostky, “a linguagem é a principal consigo mesma”. Pois a linguagem incide sobre a personalidade, a interação pessoal, o desenvolvimento cultural e social. Além disso, através da linguagem se trabalha a construção da subjetividade do sujeito. Sendo assim, a prática do Orientador deve estar sempre voltada para o aluno, ajudando-o a construir conhecimentos, facilitando as condições de aquisição desse conhecimento, promovendo as interações e toda relação que envolva o sujeito e meio. É um desafio que Orientador, na sua prática, tem de lidar, ou seja, ajudar o aluno, orientado-o a sentir e viver seus desejos, sonhos e paixões que se inter-relacionam com os saberes, os fazeres e com os próprios conhecimentos adquiridos através da realidade onde está inserido. Vale lembrar que a escola deve conhecer a linguagem que o aluno traz e estimulá-lo para que seja, capaz de criar e produzir com autonomia. Neste contexto a escola participa nas ações coletivas, nas escolhas efetuadas e na autonomia das decisões que o aluno faz, já que o trabalho do Orientador é contínuo, dinâmico e permanente, e desenvolvido principalmente em conjunto com professores e todos os integrantes da escola. 18 Libâneo (2004) diz que: “(...) uma escola organizada e gerida é aquela que cria e assegura as melhores condições organizacionais, operacionais e pedagógicodidático de desempenho profissional dos professores de modo que seus alunos tenham efetivas possibilidades de serem bem sucedidas em suas aprendizagens e atitudes”. (p. 263) Nesse sentido a Orientação Educacional faz-se necessária na escola, pois desenvolve seu trabalho com todo embasamento teórico que lhe dá subsídios para melhorar as deficiências e continuar harmonizando a integração de todos os envolvidos da instituição escolar. Por outro lado, é preciso apontar que a escola trabalha com uma visão interdisciplinar do conhecimento do aluno de acordo com a realidade vivenciada por ele (aluno). Quanto ao Orientador dentro desse espaço interdisciplinar, ele se mantém aberto ao dialogo não só com os alunos como também seus demais parceiros. Para dar continuidade ao exposto acima, Fazenda (1979) diz que: “(...) somente na intersubjetividade, num regime de co-propriedade, de interação é possível o dialogo, única condição da interdisciplinaridade. Assim sendo pressupõe uma atitude engajada, um comprometimento pessoal”. (p. 8). Dentro deste comprometimento, o Orientador desperta no aluno sua intenção vocacional, descobrindo quais são as tendências daquele aluno para sua vida profissional, mas isto tudo é feito em conjunto com a família, o Orientador é apenas um agente condutor de todo esse processo. Pode-se afirmar que os alunos, na sua maioria, não possuem opiniões formadas no que dizem respeito à escola vocacional, eles carregam suas duvidas na vida. Mas com uma boa orientação o jovem é capaz de fazer boas escolhas na vida. O Orientador com suas habilidades promove, as condições e meios para uma escolha vocacional que melhor atenda suas necessidades, realidades, aspirações e interesses, num processo de conscientização gradativa para a maturidade individual e maior crescimento social. 19 Dentro dessa perspectiva, o Orientador Educacional vai trabalhar alguns aspectos que desenvolva no aluno a integração e ajustamento dentro do grupo que participa isto é de recreação, de equipe de estudos, de projetos, e ações comunitários, atuando em papéis individualmente satisfatórios e socialmente desejáveis. Pois a participação gradativa desse aluno fará com que este consiga descobrir suas próprias possibilidades e eficácia nas suas ações e assim, uma escolha profissional baseada num conhecimento e objetivos próprios de seus potenciais. Diante do exposto neste capítulo, convém neste trabalho de pesquisa ser abordada a questão do que se sabe ou não sobre a indisciplina escolar e suas conseqüências, pois entende-se que o professor e Orientador devem também estar atentos para tais em que suas práticas englobam vários fatores. O orientador e o professor têm, que trabalhar em conjunto a favor do bem estar dos alunos e da sociedade almejando sempre a harmonia entre todos. 20 CAPÍTULO II O QUE SABEMOS SOBRE A QUESTÃO DA INSCIPLINA ESCOLAR 2.1 – O Orientador Contextualizando com a Família O homem sofre influencias externos do meio que vive. E com uma construção alicerçada em diferentes instituições, família, igreja, clube e, principalmente, escola nesta, constata-se as dimensões humanos do aluno – movimento, transformação e inquietudes. Quando uma delas está desarticulada, diz-se que ele, o aluno está indisciplinado. Quando a família e a escola percebem mudanças no comportamento da criança ou do adolescente começa um jogo de empurra, empurra, a família cobra a escola a escola cobra a família e ambos querem saber quem é o culpado de todo esse processo que está desengrenando e a pergunta mais freqüente de ambos os lados é: “onde foi que vocês erraram?”. A família questiona a responsabilidade da escola ensinar. A escola questiona que se a maioria dos outros alunos aprendem o problema pode vir de fora. Todos tem razão, mas ninguém é culpado. As duas entidades precisam agir unidas para fortalecerem suas estruturas perante o individuo que delas depende, de nada adianta ausentarem-se dos fatos quando o que precisa ser feito é uma integração de forças. De modo que, não faz nem um sentido tomá-lo como culpados, nem mesmo os jovens. Os alunos são levados para a escola com objetivos de que aprendam os conteúdos e desenvolva competências que os preparem para a vida. Por sua vez os educadores esperam que cheguem à sala de aula interessados em aprender, prontos para o convívio social e para o trabalho disciplinado. 21 Quando as expectativas dos dois lados se frustram, surge um círculo vicioso de reclamações recíprocas, que devem ser evitadas com a adoção de atitudes de co-responsabilidade. Como os professores e pais querem dar exemplo para as crianças em casa ou na escola se os próprios adultos não estão tomando atitudes maduras e equilibradas com relação ás crianças, em assumir uma posição de atitude em conjunto com todos os envolvidos neste processo de crescimento da autonomia da criança e do adolescente. O começo seria parar de criticar e de dizer que “as famílias de hoje estão perdidas” ou que “as escolas de hoje estão perdidas”. Quando os alunos são pequenos, há o interesse da família pela vida escolar do aluno sendo maior a sua preocupação, os responsáveis querem saber como elas se comportam na sala de aula e as conquistas que fazem. O tempo passa, os alunos crescem e vão ficando mais independentes. Com isso os adultos acham que os adolescentes já sabem cuidar de si e que não precisam de tutoria. Errado, grande engano de todos: “Quanto mais autonomia o jovem tem, maior tem que ser a parceria entre o jovem e a família.” (GOMES, 2008, p. 78). Pois é na adolescência que os jovens irão montar sua identidade, seu projeto de vida, com isso suas duvidas começam a aflorar juntamente com sua mudança física, acumulando cada vez mais interrogações em sua vida, que torna tudo bem difícil e complicado do seu ponto de vista. Por isso quanto mais essas duas bases se fortalecerem, maior será a estrutura de apoio deste jovem e mais cedo ele irá construir o seu planejamento de vida para o seu futuro. Participar de reuniões e se informar sobre os aprendizados continua sendo fundamental, e essa é a hora da troca de informações que serão importantes para ambos os lados, tanto para a escola quanto para a família. Ao promover esse encontro, os orientadores e os professores juntamente com a direção precisam ter clareza das expectativas de aprendizado e de atividades. Nesse encontro os pais ou responsáveis participam da análise dos resultados do período anterior e recebem instrumentos e critérios para acompanhar em casa o desenvolvimento dos filhos no período seguinte e para ouvir as percepções pessoais dos estudantes sobre a vida escolar. No caso de omissão da família, o Orientador Educacional deve ser sinalizado de forma que vá ter de 22 tratar este caso em especial atenção investigar o que está verdadeiramente acontecendo. A escola por sua vez deve promover atividades que proporcionem o bem estar e o lazer de todos os alunos e que possam promover o desenvolvimento e a criatividade dentro da mesma através de exercícios e atividades prazerosas. Costa (1996) acha que: “É importante crias espaços para discutir valores e promover o protagonismo juvenil em ações sociais, campanhas comunitárias e a preparação para o mundo do trabalhou (p74). O Orientador Educacional pode muitas vezes auxiliar a família em alguns momentos na maneira de agir com as crianças ou jovens dando dicas. para seus responsáveis de como devem agir, por exemplo: Ø Fale sempre bem da escola para criar em seu filho uma expectativa em relação aos estudos: Ø Abrace-o e deseje sempre coisas boas a ele quando estiver de saida para escola; Ø Na volta procure saber como foi o dia dele, o que aprendeu e como se relacionou com todos; Ø Conheça o professor converse com ele sobre a criança e o seu desempenho na escola; Ø Em caso de notas baixas não espere ser chamado: Vá à escola para saber o que está acontecendo; Ø Mantenha uma relação de respeito, carinho e consideração com todos os professores; Ø Resolva diretamente os problemas entre você, seu filho e o professor e só recorra a outros em ultimo caso; Ø Crie hábitos de observar os materiais escolares e ajude na lição de casa; Ø Quando seu filho estiver com problemas, compartilhe-os com a escola sem omitir fatos ou julgar atitudes antecipadamente; Ø Comente com amigos e parentes os êxitos escolares dele, por menores que sejam para reforçar a auto-estima e a autoconfiança. Estas sugestões colocadas de forma plena e explicita para os pais converte em convivência mais harmônica para todos no convívio social da 23 escola, porque este aluno irá se sentir mais seguro, protegido e amado fazendo porte de seu contexto social de forma atuante e ao mesmo tempo este individuo chegará à escola mais harmônico, tranqüilo, e feliz para seguir o seu caminho da aprendizagem e formar novos conhecimentos junto a seus colegas de forma mais saudável e concreta. Ao mesmo tempo há algumas regras que a escola propõe que para o bom desenvolvimento do aluno precisam ser seguidas e os pais tem que tomar conhecimento das mesmas para que possam ser seguidas com a colaboração de todos, como por exemplo: Ø Observar a hora de entrada e saída; Ø Marcar o horário de estudo em casa com ou sem explicadora a fim de reforçar o que está aprendendo; Ø Verificar os cadernos, os livros, as data das aulas de testes, de trabalhos, de provas e os resultados; Ø Comparecer as reuniões de pais; Ø Conhecer bem os colegas do filho, se más companhias tomar as devidas providencias; Ø Disciplina com amor e firmeza; Ø Não falar palavrões; Ø Ensinar valores importantes para a vida dos seus filhos como: respeitar a todos independentes de credo, raça, ou idade. Com estas regras juntamente com a colaboração dos alunos, família, professores e orientadores todos estarão convertendo as forças para o mesmo cominho com a união da comunidade escolar. Regras são sempre necessárias em qualquer lugar em casa na escola e futuramente quando estes alunos forem para o mercado de trabalho nos seus empregos também haverá regras, que todos terão que seguir com disciplina e atenção para o melhor andamento e convívio social de todos. 2.2 - O Orientador e a Indisciplina Junto à Família O orientador quer contribuir juntamente com os pais para que os mesmos conheçam melhores os seus filhos e forneçam a estrutura adequada para 24 construção do conhecimento do seu filho junto á comunidade escolar. “A escola sozinha não ê responsável pela formação da personalidade, mas tem papel comp4emetar ao da família, Por mais que a escola propicie um clima familiar à criança, ainda assim é apenas uma escola. A escola oferece condições de educação muito diferentes da família. A criança passa a pertencer a uma coletividade, que é sua classe, sua escola. É um crês é um crescimento em relação ao “EU” de casa, pois ali ela é praticamente o centro.” (TIBA, 2002. p181). Todos os pais e tutores tem uma idéia de como educar as crianças. E muito natural que seja assim porque nossas idéias não se alicerçam em teorias bem racionadas; muitas vezes são baseadas em crenças que adquirimos de vivencias sociais. Porque pais autoritários podem levar a repetição do mesmo comportamento com nossos filhos. Como ao contrário também pode acontecer. Os pais quererem dar tudo aos filhos porque não puderam ter ou porque é isso que os deixa felizes inquestionavelmente. Mas estes acabam esquecendo que a criança é como uma planta cresce de maneira diferente conforme a qualidade da luz que recebe os alimentos que lhe oferecem o clima que a envolva. “Mesmo que nossa teoria seja não influenciar nosso filho, ele não escapará do nosso exemplo e ao clima da família.” (MUCCHIELLI, 1974, p. 208) Segundo Freire (1996): “Como educador preciso ir “lendo” cada vez melhor a leitura do mundo (p.51)”. E com os Orientadores não tem de ser diferente, a cada dia precisam estar atentos para o desenvolvimento do andamento sócio-escolar, sempre levando em conta a bagagem que este aluno trás com sigo, retirada do seu contexto social familiar que é o seu primeiro contato com o mundo e não podemos ignorar este fato tão importante da vida social do individuo que é o convívio familiar. Sendo assim está relação família—escola precisa estar em sintonia para que ambas se completem nesta tarefa de educar. Quando algo está fora de sintonia é dever do Orientado Educacional intervir neste momento e atuar como um mediador isso é necessário à sensibilidade neste profissional. Notar o aluno que vem sempre perturbado para a escola ou que não vem, muitas vezes sai de casa dizendo para os pais que vai para escola mas acaba ficando pelo caminho, essa atitude pode trazer conseqüência drásticas para a criança se não for trabalhada a tempo isso tudo com a ajuda dos responsáveis. 25 Muitas vezes os adolescentes não desabafam por não conviverem em ambiente que lhes propiciem está atitude de dialogo de conversa de cumplicidade. Muitas vezes a criança é vitima da própria família e dos acontecimentos, sem que a mesma possa perceber que envolvida nos seus conflitos. A família acaba por esquecer a criança ou o jovem que, viraram vitimas das circunstâncias. Como neste caso: “No ano 2007 um orientador constatou que através dos professores que havia um aluno vivenciando a separação dos pais. Por este motivo ele havia parado de freqüentar as aulas. Acontece, a criança fica perdida nessas horas. Não está pronto para passar por esta situação e pode até desistir de freqüentar. Diante desta situação o orientador reuniu os professores e com a ajuda de todos começaram a procurar saídas para o retomo do estudante, pois já estavam próximos do final do ano letivo. Ligaram para os pais pedindo que continuassem a trazer o aluno para a escola. Conversaram individualmente com amigos mais chegados do aluno, para que pudesse de alguma forma ajudar. Queriam incentivar - a solidariedade entre os alunos. O resultado foi incrível. Pouco a pouco o aluno foi retornando à escola e ao seu convívio social”. (VENTURA, 2008, p63). É incrível o quanto o problema familiar afetam o desempenho dos alunos e muitas vezes os pais não percebem o quanto isto pode afetar seus filhos em sua vida neste caso os professore tiveram a sensibilidade de avisar o orientador educacional, que tomou as providencias cabíveis para que a ordem fosse restabelecida e o aluno não ficasse prejudicado. Muitas vezes a família não tem a dimensão de quanto é importante o seu papel na escola. “A prática de velejar coloca a necessidade de saberes fundamentais como o do domínio do barco, das partes que o compõe e da função de cada uma delas, como o conhecimento dos ventos, de sua torça, de sua direção, os ventos e as velas a posição das velas, o papel do motor e da combinação entre motor e vela. Na pratica de velejar se confirmam, modificam ou se ampliam esses saberes.” (FREIRE, 1996, p.22). A escola é uma extensão da família, por isso a necessidade de observar, cuidar e zelar pelo seu aluno, que possui suas contextualizações de vida social e sua individualidade que precisa ser respeitada. Como Paulo Freire explana, o aluno é como a prática de velejar temos que observar todo conjunto de atitudes, ações e elementos que estão inseridos no contexto do mesmo para 26 que estabelecer uma comunicação clara, precisa e honesta entre a escola e o aluno e sua família e o profissional que irá se encarregar de fazer está conexão é o orientador educacional com sua sensibilidade, dinâmica e diplomacia que irá tomar a frente desta situação desempenhando seu papel da melhor forma possível para que se estabeleça a harmonia novamente e o aluno possa continuar rendendo ano letivo escolar e em sua vida social. Para que o plano escolar funcione é necessário e indispensável o apoio dos pais, alunos, orientadores e professores. O apoio deles é indispensável para que o ano transcorra de forma agradável e livre de conflitos. Mas, se não desenvolver o relacionamento certo, lidar com os pais pode ser um dos piores aspectos da profissão. No relato abaixo veremos o quanto é importante a parceria da escola com a família e todas aquelas regras observadas anteriormente para a boa convivência entre pais e filhos para que eles não tragam aquela carga negativa para a escola e consigam render mais nos estudos. “Havia um aluno que apresentava grave problema de indisciplina. Ao ligar para sua mãe e relatar tudo que o menino estava fazendo de errado na escola a resposta da mãe foi a seguinte para o orientador; Ele faz o mesmo tipo de coisa quando esta em casa comigo, e eu tenho que dar meu jeito, por tanto quando ele estiver ai de o seu jeito E desligou o telefone.” (CIARK, 1971, p.145). Esta experiência pode ser analisada de vários ângulos primeiro que havia realmente algo errado, segundo que a escola não estava tendo o apoio necessário da família, terceiro o aluno não estava tendo resposta dos seus responsáveis, para seguir em um bom desempenho na escola. Todas essas questões só podem ser ajustadas quando a escola consegue trazer para perto si os responsáveis da criança. Montando um trabalho em conjunto que ambas as partes fiquem de acordo com o desenvolvimento do trabalho. Outra questão que se pode levantar é a abordagem do orientador educacional com a mãe, afinal de contas o orientador é que é o profissional, portanto cabe a ele procurar a melhor forma de introduzir o assunto com o responsável. Bem provável que esse fosse o caso de manter-se uma conversa mais formal e pessoalmente, para que o assunto fosse abordado com delicadeza e seriedade que ele merece. Para John Dewey (apud. Pereira. 2002) (...) a educação se realiza pela 27 ação, como função social e individual. Se o individuo for disciplinado em casa receber valores que o valorizem e o respeite ele irá fazer o mesmo na escola e no seu meio social, porque de nada adianta somente um dos lados trabalhar a indisciplina de forma embasada e consistente enquanto o outro fica procurando culpados ou querendo se omitir da sua responsabilidade para com este individuo, que sem apoio acabará perdido sem perspectivas. E acabará por fazer a sua própria leitura de mundo distorcidamente levando a futuros erros muitas vezes com grandes gravidades que deixarão seqüelas difíceis de serem corrigidas, pois quando mais tarde este processo se iniciar maiores serão suas conseqüências tanto sociais como emocionais. (p28) Porque como Ovide Decroly (1871-1952) nos mostra que educar é uma atividade que deveria se efetuar a partir das necessidades infantis. Com isso podemos observar que de modo geral a educação necessita de uma atenção logo no inicio da vida social do individuo porque quanto mais tardia, mais difícil tornará o processo na construção da educação do individuo e a sua socialização com o mundo. Há sempre uma preocupação em buscar culpados para indisciplina da criança e do adolescente que acaba por vez descuidando do foco principal que é o aluno na sua integridade como pessoa. É necessário procurar a fundo o motivo de todas as revoltas, problemáticas, indisciplinas porque nem sempre os motivos estão explícitos para que se possa identificar imediatamente, em alguns casos o fato é mais simples do que parece e em outros casos é bem mais complicado do que se vê. Como nesse caso. “O menino de uma escola da perifena, tinha o comportamento ‘norma perante a turma era um aluno com os outros. Mas sua professora acabou por notar que seus desenhos eram sempre pintados de lápis preto, ela ficou muito preocupada, chamou os pais do menino para tentar investigar o que estava acontecendo e foi aquele alarme todos tentando procurar o motivo da atitude do menino. Ao final da investigação a professora pode notar, que no estojo do menino havia somente um lápis de cor preto, motivo o qual o menino fazia seus trabalhos de preto”. (GROSSI, 1990, p.89) Com este desfecho observar-se que nem tudo está explicito, que é preciso analisar cada caso de forma individual sem generalizar respeitando sempre a individualidade de cada um. Não podemos fazer um pré-jugamento dos fatos antes que todas as hipóteses sejam levantadas e as mais 28 importantes a escola deve sempre trabalhar em parceria com pais responsáveis e familiares. A comunidade precisa estar sempre engajada com a escola para que ambos possam apoiar-se em uma relação de confiança e cumplicidade mutua, para que se mantenha o equilíbrio e a harmonia dentro deste contexto educacional, com o foco no aluno e em seu futuro priorizando o seu sucesso na vida, como cidadão e como individuo atuante da sociedade. “(...) uma maturidade racional e emocional do adulto que se relaciona com ela: cabe ao adulto, a partir de suas atitudes, segurar à criança condições para que ela possa se organizar e realizar as conquistas que sua maturidade biológica lhe permite”. (CRAIDY, 1998, p.35) “Os pais cobram da escola o mau comportamento em casa: “O que vocês estão fazendo com meu filho que ele me responde mal?”Ou: “A escola não ensinou a respeitar seus pais?”Até parece que quem educa é a escola e cabe ao pai e a mãe uma posição recreativa. “Essa ida não pode prevalecer”. (TIBA, 2002, p.180) Analisando as duas citações acima podemos notar que na maioria das vezes os pais querem passar para a escola a responsabilidade de educar, sem que o mesmo tome conhecimento algum do que está acontecendo e só quer ser chamado na escola se for para falar de coisas boas do seu filho, é bem verdade que mãe alguma gosta de receber reclamações do seu filho, ou ligações da escola, pedindo que compareça à escola para falar da indisciplina do seu filho. Mas também é bem verdade que a escola por ter que cuidar de muitos alunos acaba também por falhar, por isso precisa reconhecer que nunca liga para casa de um aluno para elogiá-lo ou parabenizar seu comportamento, atitude ou nota. Com isso o telefonema da escola já é taxado como ruim, somente pelo fato da Orientadora identificar-se como sendo um profissional da escola, os pais ou responsáveis já começam a preparar-se para o pior. Não deveria ser assim esta relação deveria ser mais natural, menos tesa para evitar este tipo de atitude por parte dos pais, mas isto faz parte de uma boa relação entre escola e família e de uma política organizacional por parte da escola. O aluno muitas vezes não é indisciplinado por opção pessoal, ou conscientemente, na sua maioria os alunos são assim porque em algum momento algo se rompeu ou foi perdido, a confiança, atenção, carinho, cumplicidade algo desta forma pode estar rompido. E os adultos que o rodeiam devem estar atento para perceber estas atitudes que se não forem averiguada 29 acabam tornando-se algo maior e muito mais negativo. Assim como crianças que praticam o BULING muitas vezes, é porque já sofreram com esta prática ou às vezes sofrem em silêncio e acabam por revidar em algum colega menor ou mais frágil. Ás vezes estas manifestações podem até mesmo partir da família inconscientemente com um apelido que a criança não gosta, mas todos insistem em usar, e constrange-la perante os outros de forma inconsciente, todas essas “agressões” vão acumulando-se de maneira que esse aluno acaba por extravasar esta raiva de forma errada, com violência extrema através de brigas com violência física, verbal, espancamento ou da forma que muitas vezes testemunha-se nos jornais e televisores, a morte entre alunos que praticam a violência extrema com armas que em alguns casos são de familiares ou responsáveis que deveriam estar dando o exemplo, mas acabam por instigar a violência. Os pais e responsáveis tem que tomar muito cuidado com o que fazem e o que dizem para os seus filhos, pois todos esses exemplos estão sendo acompanhados, e a criança pode fazer uma leitura errada ou seguir o exemplo e praticá-lo na escola. “O limite é uma questão importante para disciplina juntamente com o uso de uma palavrinha tão pequena mais tão importante o não.” Tiba (2002) nos mostra que “O sim tem valor para quem conhece o não (p.53), por tanto de nada adianta ser um pai permissível sem limites se a criança ou jovem não conhece o não, ela não irá valorizar o sim porque a permissibilidade lhe é tão freqüente que não se atem as regras, pois ela avalia que sejam só perda de tempo, porque no final ela consegue o que quer. Disciplina, limites e não, são palavras que precisam estar no cotidiano das crianças e dos adolescentes em casa e na escola, um adolescente sem limite é como um “carro” desgovernado, não vai dar em lugar algum a não ser no fracasso de sua rota. 30 CAPÍTULO III INDISCIPLINA: QUAL É O PAPEL DO ORIENTADOR? 3.1 – A Prática do Orientador Educacional Mediante aos expostos, o Orientador Educacional é o mediador entre alunos e professores dentro da unidade escolar que orienta e propicia ao educando esclarecimentos que ajudam a tomar decisões conscientes. Além disso, este profissional vai trabalhar com a realidade desse aluno que é diferencial à medida que se apresentam frente às dificuldades que cada um possui. De acordo com o interesse que cada aluno demonstra dentro e fora de aula, pode gerar o que chamamos de falta de interesse e, conseqüentemente, a indisciplina, que muitas vezes é causada esta indisciplina por uma desmotivação pessoal do aluno ou através da escola que o esqueceu, como aluno e como pessoa. Dessa forma, o aluno que procede ou atua contrariamente dentro da escola como um todo, deve ser observado com uma atenção especial pelo Orientador Educacional. Pois a escola é local em que o aluno busca sua identificação e demonstra suas frustrações da sua vida social, trazendo sua carga cultural juntamente com suas duvidas e inquietações. Não se pode deixar de destacar que a família é o primeiro contato social que este aluno tem. E dependendo do contexto em que este aluno vive vai ser difícil adaptar-se à cultura escolar por isso a grande importância do Orientador Educacional no seu papel de mediador. Há uma carga cultural que todos carregam, mas os alunos necessitam da ajuda da escola para que os mesmos possam entender o funcionamento desta cultura dentro da sociedade que estão inseridos. 31 Com tudo, a disciplina escolar serve para modificar o comportamento do aluno, no sentido de ajustá-lo às exigências estabelecidas por aqueles que, sendo responsáveis pelo funcionamento escolar zelam por seu comprimento, não se pode deixar de se considerar as particularidades de cada aluno e da própria escola. E também, a indisciplina na escola ou na sala de aula se apresenta, às vezes, como um problema a ser solucionado de maneira que as propostas que se oferecem ou podem ser oferecidas, são formas possíveis de abordar os fracassos que surgem no sistema escolar. Estes fracassos podem ser apresentados através da evasão, repetência e transferências, entre outros. Sendo assim a indisciplina tem sempre que ser analisada em suas raízes, onde temos sempre que analisar o motivo desta indisciplina. Como no ocorrido com esta professora da escola municipal E. M. Capitão Fuzileiro Eduardo Gomes de Oliveira. A professora disse que em sua classe 4º ano do ciclo havia um com aluno grande problema de indisciplina. Este aluno chegava todos os dias atrasados, não cumpria com suas tarefas, não fazia sua higiene pessoal, agredia os outros alunos e a professora sua mãe fora chamada varias vezes à escola sem nem um sucesso. Até que este menino foi encaminhado para Orientadora Educacional e descobriu-se que o motivo de suas ações violentas, era que o menino fazia uso de drogas. O aluno foi encaminhado devidamente para um tratamento e um acompanhamento psicológico. Através deste relato é possível compreender que nem tudo é o que parece ser, tem-se sempre que investigar a fundo toda e qualquer causa possível dos motivos da ação do aluno. A princípio a professora achava que a indisciplina do aluno era pura rebeldia, quando na verdade era um quadro patológico muito grave para um adolescente de 12 anos com dependência química. A partir desse relato, é possível observar que para manter o controle sobre esse grupo de indisciplinados, professores e a Orientação Educacional devem trabalhar em conjunto, através das trocas de informações, criando possibilidades ilimitadas que mantenham o equilíbrio de forças que atuem juntamente com os alunos. Todavia é preciso que os pais e responsáveis desses alunos também participem dessa troca facilitando e colaborando com o 32 trabalho de intervenção feito pelo Orientador Educacional neste contexto, pois a escola como um todo não pode desenvolver um trabalho isolado. Por outro lado sabe-se que a escola deve contribuir como instituição sócia educativa, comprometida com a formação e o desenvolvimento dos cidadãos com a orientação e o processo de ensino — aprendizagem de cada aluno. Schmidt (apud Seria 2000) demonstra essa visão afirmando que: “(...) a atitude ideal do educando é aquela que se instala no estado de docilidade, de boa vontade, de co-responsabilidade de adesão às atuações educativas. Estes estados decorrem da confiança, do respeito, da estima dos jovens em relação aos mestres (professores), do seu acatamento natural às leis e regulamentos e da aceitação prazerosa da disciplina. É ainda obtido pelos exemplos de cordialidade do corpo docente e administrativo em relação ao diretor e entre si”. (p.32) Dessa forma, propiciar aos alunos o domínio de um referencial teórico que possibilite a compreensão dos trabalhos desenvolvidos pelo Orientador, e fornecer a eles condições para que analisem e desenvolvam atividades que colaborem para sua melhoria disciplinar resultará, conseqüentemente, na facilitação do aprendizado e interesse em tudo que aconteça na sala de aula. Toda via é preciso ressaltar que o manejo de sala, com vistas à manutenção da disciplina cabe ao professor. Ele deve atuar com procedimentos que mantenham essa disciplina, visando reduzir a indisciplina juntamente com a colaboração dos docentes e sua compreensão das regras com base nos valores comuns da escola e nos interesses de toda comunidade escolar. Nesta linha de raciocínio, Gttzens (2003) diz que: “A função do professor é criar condições que taclitem um encontro e um desenvolvimento harmónico de todas essas chaves, o que não é a mesma coisa que ter todos os ases nas mãos, garantindo, em uma só jogada, o êxito na partida.” (p.56) Vale lembrar, que a orientação educacional deverá promover programas educacionais adequados às necessidades dos alunos e eficazes na promoção da aprendizagem que contribuam como medidas suplementares para manter a disciplina. Tais programas devem incluir conseqüências reforçadoras para o comportamento de todos os alunos, as conseqüências naturais dos 33 desempenhos escolares inclusive á aprendizagem que deles resulta, pode ser reforçada e, garantir um bom desempenho desse alunado, de modo que estes tenham incentivos suficientes para se manterem e permanecerem interessados e engajados nas atividades propostas em sala de aula. Segundo Cohen (1989), uma das metas maiores da educação é fazer com que as conseqüências naturais do comportamento de estudar incluindo a aprendizagem resultante, tornem-se reforçadoras (p.21). No entanto, as conseqüências naturais do comportamento de estudar nem sempre são reforçadoras por si sós até que estas (conseqüências) tenham oportunidade de adquirir o poder reforçador. Com isso pode-se afirmar, que a indisciplina pode muitas vezes ser uma espécie de mensagem do aluno comunicando que algo esta fora dos padrões. Sabe-se que os professores nem sempre tem o preparo adequado, trabalham com poucos recursos e tem turmas grandes, nas quais existe uma significativa parcela de alunos que trazem com sigo uma carga cultural bem carregada e pouco abrangente sócio-cultural, com esse fica mais delicado trabalhar, pois sua visão de mundo e sociedade é restrita e o mesmo não faz esforço nem um para mudar, pois tem a convicção de estar correto. Diante dessas condições, os programas e atividades de ensino serão inadequados, não gerando o aprendizado nem conseguirão manter o engajamento e o interesse nas atividades propostas pelo professor. Estes alunos não participaram das aulas por falta de motivação. É ai que se faz necessário á intervenção do Orientador Educacional, cujo papel principal é criar e elaborar programas educacionais que possam amenizar ou inibir a indisciplina dentro ou fora da sala de aula. Em fase ao exposto, pode-se então destacar que estes programas educacionais devem ser elaborados a partir de discussões com os professores a respeito do que é realmente a indisciplina escolar. Os professores e Orientadores Educacionais precisam ver os alunos por uma perspectiva multifocal, enxergando assim os seus alunos de vários focos, em varias direções, para obterem êxitos em seus resultados. Dando enfoque a valorização da auto-estima dos professores para que trabalhem, textos, música, dinâmicas, filmes etc... Para que suas aulas tornem-se mais 34 interessante. Além disso, a orientação para responsáveis e professores também se faz necessário, cujo objetivo visa desenvolver as relações interpessoais. Nessas relações interpessoais a escola também é co-responsável e nessa relação pode-se também, como estratégia e plano de ação trabalhar com projetos. Entende-se que a forma mais correta de se elaborar projetos é considerálos como um complemento aos elementos sistemáticos de uma ou algumas disciplinas. Não podemos acreditar que devemos apresentar ao aluno como um evento isolado desenvolvido em alguma ocasião, mas como um componente que integra uma linha de pesquisas estando claramente definido no Planejamento Pedagógico da escola. Usados para explorar conceitos e conteúdos, os Projetos também se prestam a programas de serviços comunitários, defesas de metas ecológicas, viagens da escola e uma infinidade de outras atividades extracurriculares. Essas práticas deverão facilitar o papel e o trabalho do Orientador Educacional em conjunto com a escola, pois assim todos estarão diretamente ligados ao projeto envolvendo-se e assim eliminando possibilidades que venham aparecer de algum tipo de indisciplina. Dando continuidade aos trabalhos, podem-se criar estratégias para conscientizar os responsáveis a respeito da importância de acompanharem os filhos, para que fiquem cientes de tudo o que acontece com os mesmos, até mesmo para formar uma parceria com a escola e mante-la informada para o melhor funcionamento do âmbito escolar. Neste contexto o Orientador vai intervir, dentro da sua prática, promovendo: Reuniões mais dinâmicas com os pais ou responsáveis, de modo que a família sinta-se importante e indispensável para seu filho; Ø Encontros para os responsáveis para os devidos esclarecimentos e, se necessário, assinatura do termo de responsabilidade; Ø Palestras com ações preventivas e informativas; e; 35 Ø Implementação de projetos que visem á integração da família à escola. Quanto aos alunos indisciplinados, o Orientador Educacional irá promover palestras preventivas e realizações de dinâmicas com os alunos, debatendo seus direitos e deveres, regras de convivência e nos mais graves encaminhamentos ao Conselho Tutelar ou vias responsáveis. É necessário que o Orientador provoque no aluno a participação em todos os eventos da escola, pois a interligação do corpo docente e discente para que o trabalho em conjunto possa servir de parâmetro das ações que devem ser tomadas para minimizar a indisciplina dos alunos junto á escola e a sociedade formando assim cidadãos com princípios, ética, moral, preparados para este mundo globalizado cheio de intercâmbios culturais prontos para serem explorados por todos estes jovens que estão formando seu “EU” e se descobrindo no âmbito ESCOLAR. “Está errada a educação que não reconhece na justiça raiva, na raiva que protesta contra as injustiças, contra a deslealdade, contra o desamor contra a exploração e a violência um papel altamente formador. O que a raiva não pode é, perdendo os limites que a confirmam, perde-se em raivosidade que corre sempre o risco de se alongar em odiosidade”. (FREIRE, 1996, p40). 3.2 A indisciplina e o orientador na escola. Todavia, é preciso ressaltar que muitos dos que chamamos de indisciplinados que na maioria das vezes pode ser inflexibilidade por parte dos Orientadores e professores Por que será que o professor necessita sempre se apoiar num modelo de autoridade? Seria por falta de proximidade com os seus alunos? Dentro deste contexto o aluno acaba por ser taxado de indisciplinado. Vale lembrar que os eventos indisciplinares ocorrem há séculos e hoje, mais do nunca, se houve falar desses desde a educação infantil até os cursos superiores, mas acredita-se que é na fase final do Ensino fundamental e inicio do ensino Médio que ela se faz mais presente. Aquino (2003) apresenta que “a indisciplina discente é típica do adolescente, uma vez que é a fase que tudo indaga e querem se legitimar 36 enquanto gente! É nessa fase que se quer valer seus direitos, transgredir normas e valores impostos pelo mundo adulto” (p. 73). Sendo assim, podemos afirmar que a causa da indisciplina escolar está na desagregação e desestrutura familiar e alguns na influência do seu contexto social, que acaba por influenciar a criança ou o adolescente que ainda está construindo os seus valor e que precisa de bons exemplos. Em linhas gerais trata-se de uma influência dessas e de outras mais aliadas ao bombardeiro de informações que os meios mediáticos oferecem aos adolescentes, sem contar nas cobranças impostas pela sociedade. Além disso, deve-se ter em mente que o que se deseja na escola ou em qualquer outra instituição social diz respeito à moral (normas, regras e leis). É preciso esclarecer que o desejo è formar cidadãos críticos. Então, porque não se pode permitir que os alunos exercitem a criatividade através das imposições feita pela escola? Será que ao invés de educadores, estamos sendo pregadores ou até fiscais da conduta, no caso de nossos alunos? A verdade é que precisa-se trabalhar conceitos relativos a parâmetros, condutas, normas, para que estes alunos saibam que somos educadores e temos, em tese, mais experiências sobre tais regras de conduta e comportamentos que essas regras são importantes para o bom viver. E o professor precisa rever o seu comportamento em sala de aula, começando por responder está pergunta; Eu gostaria de ser meu aluno? Pra que este paradigma possa ser quebrado de maneira a começar pelo próprio professor. Contudo, não podemos deixar de destacar que muitas vezes os comportamentos dos alunos podem ser reflexos de algumas patologias, que os professores sem uma informação prévia acabam por exigir uma conduta na qual o aluno não consegue se encaixar, não por indisciplina, mas por ter alguma patologia que não está sendo acompanhada. Quando o aluno levanta muito, pode ser que ele tenha TDAH (transtorno e déficit de atenção e hiperatividade); se seus desenhas tem muitas cores fortes traços pretos, este aluno pode ter problemas em casa; se tiver dificuldades em comunicar-se, é confuso nas expressões, provavelmente tem algum distúrbio de comunicação e precisa de tratamento fonoaudiólogo; apresenta trocas constantes, não consegue atribuir significados coerentes aos 37 signos lingüísticos, fazer seriação e classificação, tudo indica que ele seja disléxico. E esses só são alguns sintomas, existem outros que podem ser detectados através de um especialista. Assim podemos afirmar que as “desobediências” praticadas pelos alunos seriam, alguns sinais de problemas ligados aos fatores psicológicos, tais como:permeabilidade as regras comuns, co-responsabilidades,reciprocidade e cooperação (AQUINO, 2003, p.82). Diante do exposto acima se pergunta: Onde está o erro? Todos os momentos deveram buscar algo extrínseco, aquilo que é intrínseco. Caminhamos ou nos deixamos guiar pelo moral (ela tem sustentação legal); sentimo-nos amparados. Quando o que devíamos fazer é dar um mergulho em nos mesmos, uma inadiável viagem ético-política que se impõe aos educadores atuais. Desbravar e lutar sem o ranço dos antigos paradigmas que tivemos em nossos tempos e nos apropriamos do novo, do belo, daquilo que fica de verdade. Como apresenta Aquino (2003): “devemos provocar rupturas e estranheza nas concepções muitas vezes monolíticas das circunstâncias que, segundo os educadores, acometeriam a clientela escolar” (p. 95). Tudo isso faz parte de uma educação inclusiva, democrática e responsável que uma escola comprometida com seus alunos deve oferecer, juntamente com seus orientadores para que assim possam em trabalho de equipe suprir as necessidades de sua clientela escolar. Em face do acima exposto, questiona-se: não seria, então, a indisciplina um sintoma da incompatibilidade entre a escola que temos, a que idealizamos e a que fomos preparados para trabalhar? Não seria fruto de um ideal imaginário de alunos que não existem nas condições que oferecemos, hoje? Para dar continuidade à reflexão, faz-se necessário ressaltar um relato ocorrido dentro de uma unidade escolar, seria oportuno registrar um relato de indisciplina para contrapor e/ou ilustrar o que foi apontado. “A professora com sua experiência em escola pública e particular, ambos conversar com dois professores (Educ. Artística e Língua Portuguesa), cada um colocaram que já passaram por situações em sala de aula onde explicavam 38 um texto com a participação dos alunos e, num dos casos uma aluna levantouse de sua carteira no fundo da sala, pôs-se até a frente, com um álbum de fotografia para mostrar a um colega. Quando questionada pelo professor sobre sua atitude, esta lhe dissera um palavrão. O professor mais uma vez indagoulhe sobre seu comportamento e ela, simplesmente, dissera-lhe que era isso mesmo! Para tanto fazia se ele chamasse seus pais, ou se a diretora ficasse brava. Estava cheia das aulas.” (professora Lidia de Souza). Diante do relato acima, pode-se notar que é a indisciplina perpassando pela moral, normas, regras e combinações, uma vez que estas foram quebradas. Diante de todos os colegas e desrespeitando a figura do professor que nada havia feito (pelo menos naquele momento) para que isso acontecesse. Os limites, normas e regras juntamente com o respeito não parecem fazer muito sentido para esses alunos, que os quebram muitas vezes para ter uma auto-afirmação diante da turma ou chamar atenção de seus professores para algo que não está correto. Além disso, há quem possa refletir e a se contrapor a esse comentário. Embora se possam tecer muitos questionamentos acerca do que estaria se passando com essa adolescente. É necessário afirmar que ninguém tem o direito de desrespeitar o próximo. Contudo não se pode deixar de destacar que a aluna foi indisciplinada sim, rompeu com a moral e com a ética. Neste sentido, Aquino (2003), afirma que: “a indisciplina traduzir-se-ia numa espécie de conformidade, por parte do alunado, aos anacrônicos padrões de comportamentos nos quais as escolas ainda parecem inspirar-se” (p.95). Nessa linha de raciocínio pergunta-se então: Qual a posição da escola perante estes alunos? Dubet (apud Aquino, 2003), responde que: “Acredita-se que na “atualidade” ela exige sustentação continua por meio de praticas que a reinaugurem sem cessar, não se tratando de algo de véspera.” (p.95). Desse modo tem-se, portanto, uma longa tarefa de reconquista desse espaço que é a sala de aula, dentro e fora Uma reconstrução da autoridade que se reconstruirá paulatinamente e artesanalmente, conforme os sujeitos envolvidos se dispuserem laboriosamente a tal. Por isso o que se pretenderá é uma escola, de fato, democrática, as ações e relações escolares deverão ser reinauguradas sem cessar. 39 Cury (2007) cita que: “Os professores não são valorizados socialmente como merecem, não estão nos noticiários da 1V, vivem no anonimato da sala de aula, mas são os únicos que têm o poder de causar uma revolução social. Com uma das mãos eles escrevem na lousa, com a outra, movem o mundo, pois trabalham com a maior riqueza da sociedade: a juventude. Cada aluno é um diamante que, bem lapidado. brilhará para sempe.” (p.89) Vamos também, lembrar que a “qualificação do professor consiste em conhecer o mundo e ser capaz de instituir os outros a cerca desta, porém sua autoridade se assenta na responsabilidade que ele assume por este mundo” (ARENTI 1992, p.239). Com isso o que se pode verificar é que educador e a escola têm um papel crucial na vida social destes jovens e crianças. A cidadania é um dos grandes pontos em que o professor pode trabalhar juntamente com valores que ultimamente estão muitos perdidos. Todos estes pontos e outros podem ser trabalhados com liberdade, mas não devemos confundir liberdade com anarquia e falta de limites, porque é neste ponto que os adultos acabam perdendo o contato com os alunos e acaba por acontecer o distanciamento professor-aluno, conhecemos com como: aquelas evasão conseqüências escolar, negativas indisciplina, que violência nós e já outras conseqüências vividas por professores. Nessa perspectiva, Aquino (2003), diz que: “primeiro diga o que espera que eu faça e seja, para que eu possa esperar algo de você” (p.95). No âmbito dessa questão, faz-se fundamental que isso aconteça nos primeiros dias de aulas e sejam revistas quantas vezes se façam necessárias ao longo do ano. Enfatizar a importância do primeiro dia de aula faz-se necessário para que o educador comunique aos alunos ás normas que irão reger o comportamento e as interações deles na sala de aula juntamente combinações entre todos assim como as conseqüências resultantes das transgressões a essas normas, de forma que os educandos saibam, desde o inicio, que se espera deles no que diz respeito à ordem e combinações na sala de aula. Todavia, é preciso ressaltar que a expressão “primeiro dia de aula” deve ser entendida em um sentido amplo, referindo-se aos encontros iniciais do 40 professor com seus alunos, ainda que não necessariamente se limite as primeiras 24 horas de convívio. Contudo, é correto afirmar que esta atitude não basta. É fundamental que se faça propostas abertas e explicitas enquanto educadores, pois o importante é que o aluno e professor saibam o que um espera do outro. A partir dessas considerações pode-se obter um clima mais ameno e contribuições para o bom andamento das atividades propostas nas aulas. Vale lembrar que nem todo tipo de troca ou de relação afeta na mesma medida todos os envolvidos. È ai que o professor vai atuar com equilíbrio, transmitindo suas mensagens de modo que consiga efeito intenso sobre aqueles a quem se dirige, controlando e obtendo atenção deles. Do mesmo modo, deve-se ressaltar que já fomos alunos (ou ainda somos) e temos a certeza de que eles saibam o que deve ser feito, mas não podemos ficar distantes da realidade do adolescente, da necessidade que tem em estar sendo sempre relembrado — quem inicia a ação e supervisiona o cumprimento de tais combinados ainda é o Orientador Educacional, Reforçando todo o enfoque que foi tratado até agora neste trabalho. Colocou-se um anexo ao seu final, a fim de enfatizar e colaborar e colaborar com a busca do conhecimento pertinente ao Orientador Educacional. Temos que lembrar: “(...) sem dinheiro o homem não compra mercadorias, mas sem educação o ser humano não sabe o seu valor, não sabe que a vida e a sabedoria não têm preço (...)” (CURY, 2007. p.138). “É preciso lembrar que o diálogo ainda é o melhor e mais eficaz “remédio” para a democratização. Todavia é preciso ressaltar que a qualidade do diálogo é um dos objetivos essenciais e que a reconstrução e a reelaborarão dos papéis dos agentes escolares é que deve sempre permear a relação professor — aluno. Somente assim, pode-se-à (educadores e educandos) levar a sério ás questões referentes aos vínculos de amizade, hospitalidade, cortesia, respeito, lealdade, confiança e fidelidade, assim como a questão do reencantamento ou paixão pelo mundo”. (FREIRE & COSTA, 1997, p.8). 41 CONCLUSÃO Vimos juntos ao longo deste trabalho, que a tarefa de por um ponto final neste trabalho é uma condição inquietante, pois o mesmo nos levou a varias condições da Orientação mostrando que está monografia cujo titulo é “O Orientador Educacional no processo disciplinar”, ainda tem muito o ser explorado. Mas é dado o momento de sua finalização, no entanto, é hcito afirmar que defender estes trabalhos é apenas o inicio da aproximação do assunto abordado. Sobre tudo, não há como expressar o prazer de tecer minhas considerações finais a partir da certeza que este é apenas uma pequena parte de toda esta gama de reflexão. Mas não podemos esquecer que; “... uma maturidade racional e emocional do adulto que se relaciona com ela: cabe ao adulto, a partir de suas atividades, assegurar criança condições para que ela possa se organizar e realizar as conquistas que sua maturidade biológica lhe permites.” (CRAIDY, 1998, P.35) Sendo assim o adulto em geral tem um papel muito importante na vida de uma criança seja ele um familiar ou a equipe de Orientação Educacional, professores todos estes adultos tem um verdadeiro compromisso com estas crianças. Nesta linha de raciocínio é licito afirma que o Orientador deve ser capaz de: Ø Discutir com essa equipe pedagógica o currículo e o processo de ensino-aprendizagem frente á realidade sócio-econômica da clientela; Ø Analisar com todos os envolvidos na equipe as contradições da escola e as relações que exerçam influência na aprendizagem; Ø Contribuir afetivamente nas melhorias do ensino e das condições de aprendizagem na escola; Ø Estruturar seu trabalho a partir da análise e da critica da realidade social, politica e econômica dos pais; 42 Ø Fundamentar cientificamente sua ação buscando novas teorias. A escola tem o papel de formar seres humanos de caráter integro para interagir na sociedade globalizada, fazendo com que este produza e reflita suas ações através de princípios morais e educativos. 43 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AQUINO, J. G. Indisciplina: o contratempo das escolas democráticas. São Paulo: Moderna, 2003. ARENDET, H. Entre o passado e o futuro. 3° Ed. São Paulo: Perspectiva, 1992. In: AQUINO. J. G. Indisciplina: o contratempo das escolas democráticas. São Paulo, 2003. CARVALHO, Maria de Lourdes da Silva. A Função do Orientador Educacional. São Paulo. Cortes, 1979. COHEN, H. L. & FILIPCZACK (1989) A New Learning Enviromet. Boston: Authors Cooperative. CURY, Augusto: Filhos Brilhantes, Alunos Fascinantes. Ed: Planeta do Brasil, 2007. DUBET, F. Quando o sociólogo for saber o que é ser professor, Revista Brasileira Ed São Paulo, no 5-6,1997. In: Aquino, J. G Indisciplina: o contratempo das escolas democráticas São Paulo: Moderna, 2003. FAZENDA, lvani Catarina Arantes. Integração e Interdisciplinaridade no Ensino brasileiro. São Paulo, Loyola, 1979. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário da Língua Portuguesa. 2° edição, 2001. Editora Nova Fronteira. FREIRE & COSTA, J. A. A Etica Democrática e seus inimigos. ln: ROITMAN, A(org) O Desafio Ético, Rio de Janeiro: Garamond, 2000. FREIRE, PAULO. Pedagogia da Autonomia Ed: Paz e Terra. GOTZENS, Concepción. A disciplina escolar: prevenção intervenção nos problemas de comportamento. Fátima Murad. Porto Alegre: Artrned, 2003. GROSSI, ESTER, Didática do Nível Silábico, RJ: Paz e Terra, 1990. TIBA. IÇAMI. Quem Ama, Educa! SP: Ed Editora Gente-, 2002. 44 ANEXO PROJETO DE FORMAS DE TRABALHAR A DISCIPLINA ESCOLAR OU (DINAMICA). Caro Professor. Este trabalho foi feito pensando em você. Estão expostas algumas propostas de dinâmica para auxiliar no processo educativo. Atenciosamente, Orientação Educacional. 45 Planejamento PROJETO DE COMO TRABALHAR A INDISCIPLINA NA ESCOLA Projeto Específico: Ø Estimular professores à prática de dinâmica para orientar ou resolver problemas de indisciplina que ocorrem no cotidiano da sala de aula. Ø Demonstrar que através de dinâmicas podem gerar novos hábitos e atitudes. Ø Despertar para importância do uso da dinâmica para gerar novos hábitos e atitudes. Ø Despertar para importância do uso da dinâmica para transmitir o respeito ás regras, combinações e limites. Material: Ø Dinâmica Procedimentos: Ø Atividades lúdicas desenvolvidas nas dinâmicas propostas neste trabalho. 46 INTRODUÇÃO O tema “Disciplina” tem sido muito discutido atualmente nas escolas e famílias. Isto tem ocorrido porque as crianças e adolescentes estão tendo uma inversão de valores através de meios de comunicação que manipulam a massa, e esses Jovens e crianças são os alunos de que nos deparamos dentro de sala de aula, para continuação do trabalho de educação mas que já vem com os valores destorcidos de seu âmbito familiar. A entrada da criança no mundo moral “o que devo ou não fazer” se dá num primeiro momento por uma relação assimétrica de autoridade: o respeito à regra depende do respeito à regra depende do respeito pela pessoa que a expõem Os professores devem assumir que são autoridades, sem medo deste papel, lembrando que são modelos de atuação, referencia a ser seguida pela criança ou jovem. Assim sua ação vale muito mai que seu discurso. Não existem receitas prontas, a forma e a dose dependerão de muitos fatores, especialmente dos valores, expectativas e crenças, porém, vale compartilhar de algumas experiências que podem auxiliar os professores em situações que ocorrem no cotidiano da sala de aula. E nessa hora é que o “lúdico” deve entrar em ação possibilitando assim “despertar atitudes positivas”. Não se trabalha exatamente a disciplina nas dinâmicas, mas atividades realizadas em grupos, que permitem uma reflexão de vida, onde o adolescente descobre as forças vitais que possui e como as utilizá-las na sociedade em que está inserido. 47 PORQUE TRABALHAR COM DINAMICAS? As dinâmicas possibilitam as vivências, que ao serem refletidas partilhadas geram um aprendizado pessoal e grupal libertador, possibilitando, dentre outras coisas: Ø Autoconhecimento como ser único e social; Ø Exercício da escuta e acolhida do outro corno ser diferente; Ø Experiência de abertura ao outro e participação grupaI; Ø Percepção do todo e das partes, tanto da vida como da realidade que nos cerca; Ø Desenvolvimento da consciência critica; Ø Confronto e avaliação da vida e da prática; Ø Tomada de decisão de modo consciente e critico; Ø Sistematização de conteúdos, sentimentos e experiências; Ø Construções coletivas do saber; Ø Desenvolver atitudes disciplinares Para quem vai orientar a dinâmica É fundamental: Ø Conhecer todos os passos da dinâmica para aplicá-la com segurança; Ø Ter clareza de objetivos, a função da dinâmica dentro do processo a ser desenvolvido, entendendo-a como um instrumento; Ø Possibilitar um clima de espontaneidade em que os participantes sintam-se livres e á vontade para partilhar suas experiências; 48 Ø Perceber o nível de relações e entendimento do grupo, pois nem toda dinâmica se adapta bem a qualquer grupo; Ela pode ser um instrumento enriquecedor se for bem utilizada e se o grupo estiver em condições de vivenciá-la; Ø Observar as expressões faciais dos participantes no decorrer da dinâmica para valorizar os sentimentos e reações de cada um; Ø Qualquer que seja o resultado alcançado com uma dinâmica não tem resultado errado; Ø As dinâmicas podem ser adaptadas de acordo com a realidade e o tamanho do grupo; Ø E não se esqueça de que a preparação da dinâmica já é uma dinâmica a ser refletida. 49 DINAMICA DE GRUPO 1º dinâmica: Eu e o outro Material Utilizado: Opções: argila, massa de modelar, papel, lápis, borracha e música. Massa: 2 copos de farinha de trigo, 1/2 copo. Reunir grupos para os questionamentos: de água, 1 colher de sopa de óleo, corante ou não. Deixar descansar 15 minutos, colocar em saco plástico, Numero de participantes: 20 pessoas Tempo aproximado: 40 minutos Desenvolvimento: formar duplas. Cada participante receberá uma parte do material e ao som de um fundo musical deverá tentar se modelar (ou se desenhar). Após alguns minutos o orientador deverá interromper a música e o trabalho, e os alunos trocaram os materiais, para que o colega termine a sua modelagem e vice-versa, Observar as atitudes. Concluído o trabalho, as obras-primas deverão ser expostas. Ø O que senti ao ver meu colega terminando meu trabalho? Ø Aceitei que meu colega terminasse meu trabalho, ou fiquei com receio? Ø Como moldei meu colega? Com amor? Ø Como recebi o trabalho de volta? 50 Reflexão: No mundo, somos sempre colocados lado a lado com alguém. Quase sempre recebemos de volta o que oferecemos. Se sorrirmos, sorriem para nós, se agredimos também somos agredidos, se amamos, somos amados. Uma palavra, um gesto de carinho é tão fácil, custa tão pouco e pode transformar o dia do próximo. Material utilizado: Fita de vídeo, papel e caneta. Número de participantes: Máximo 25 pessoas. Tempo Aproximado: 50 minutos. Desenvolvimento: O orientador deverá levar uma fita de vídeo, por partes de uma novela, programas e propagandas. Gravações rápidas e fatos importantes. Deverá explorar o que está dando ibope no momento. Estas “tomadas” serão exibidas sem chamar atenção para nada. Serão formados grupos pequenos e cada um deverá apresentar um comentário sobre o que assistiram. Finalizando essa etapa, após a apresentação dos grupos, poderá ser repetida a fita e o orientador poderá comentar o que não foi percebido pelos jovens. 51 Itens a serem explorados: Ø A inversão dos valores morais nas novelas; Ø A exploração das classes inferiores nos programas Ø O incentivo das propagandas para o supérfluo; Ø Os pontos positivos dos programas. Reflexão: Demonstrar como é importante o jovem usar a capacidade de discernimento para que os avanços tecnológicos sejam analisados por ele e aproveitados os lados positivos de cada realização. 3ª dinâmica: Partilha Material utilizado: Cheques em brancos bem ampliados (tanto quantos forem os participantes), canetas. Números de participantes: Máximo 30 pessoas. Tempo aproximado: 50 minutos. Desenvolvimento: Formar grupos de 5 ou 6 componentes. Distribuir um cheque por pessoa. Estes cheques deverão estar preenchidos com valores relativamente altos para o nível social do grupo, valores diferentes, inclusive disparidades (ex: um de cinqüenta mil e outro de mil). 52 Todos deverão refletir o que farão com esta quantia que acabam de receber, deixando claro que poderão utilizar da maneira como desejarem. Anotar no verso a decisão tomada. Ø Durante o trabalho o orientador deverá observar as atitudes: Ø Questionaram a diferença dos valores recebidos? Ø Partiram para as compras desordenadamente ou refletiram primeiro? Ø Quem recebeu muito ficou envaidecido? Ø Utilizaram o dinheiro só para seu beneficio ou partilharam? Será dado um tempo para que comentem no grupo como cada um gastou seu dinheiro. Reflexão; Devemos valorizar o que temos e o que recebemos sem nos reocuparmos com o que o outro tem ou recebeu a mais. Sabemos usar com precisão sejam nossos dons, nossos bens materiais e até mesmo nosso tempo? Jesus se preocupou em partilhar o pão e o peixe não só para saciar a fome, mas também para manter o grupo unido. Nossa missão é sempre partilhar o que temos e promover a união. Colocar nossos talentos a serviços do próximo, evitando o egoísmo. 4ª dinâmica: Valores e contra valores 53 Material utilizado: Por participante: 6 círculos brancos e 4 retângulos de cores diferentes (vermelho, verde, azul e amarelo). Número de participantes: Máximo 20 pessoas Tempo aproximado: 50 minutos Desenvolvimento: Os participantes deverão formar pares (preferencialmente amigos mais íntimos). Distribuir para cada par seis círculos de papel branco onde estarão escritas qualidades como: otimista, justo, simpático, honesto, persistente, prudente, descontraído, sincero ou outras. Entregar também uma ficha vermelha com o escrito “mais amável” uma verde com “mais educado”, uma azul com “mais responsável”, uma amarela com “mais sincero” (ou outras palavras escolhidas pelo orientador). Será solicitado que as examinem bem (um ao outro), escolham dois círculos contendo as qualidades que apreciam no amigo e no retângulo contendo o que, em sua opinião, o colega precisa melhorar, que deverá ser entregue ao parceiro. Observar se entregam em primeiro lugar os círculos ou o retângulo Em seguida, todos deverão se reunir em grupos, de acordo com a cor do retângulo que recebeu, formando assim no máximo quatro grupos. O orientador solicitará que comentem os elogios recebidos; em seguida colocará em debate o que está no retângulo de cada grupo. Ex: grupo vermelho — O que é ser amável? Quando deixamos de ser amáveis? O que fazer para melhorar? Dessa maneira, em cada grupo será feita uma reflexão baseada no que os componentes do grupo estão limitados, ajustando-os a romper as barreiras do crescimento. Reflexão: No convívio com o outro, no diálogo do dia-a-dia, na sinceridade e na prática do amor desinteressado vamos galgando os degraus de nossa felicidade. A verdadeira sabedoria consiste em seguir os ensinamentos religiosos, sendo sensatos e fraternos. 54 5ª dinâmica: Cultivando valores Material utilizado; Flor feita em papel lustro, colorido, com 5 pétalas (com mais ou menos 5 cm de diâmetro), quadrados, de papel oficio de 3 cm, caneta, uma assadeira retangular com um pequeno vulcão, feito em alto relevo com algodão umedecido com álcool e uma assadeira rasa com água, fósforo. Número de participantes: Máximo 20 pessoas. Tempo aproximado: 50 minutos Desenvolvimento: O orientador distribuirá uma flor onde cada um deverá escrever (na parte branca) seu nome no miolo e nas pétalas, alguns valores que julga possuir. Dobrar as pétalas de maneira que o nome e as qualidades fiquem ocultos e formem um circulo (dobrar as pétalas uma a uma sobre o miolo) Distribuir também o quadrado de papel para que cada um escreva, sem que o colega tome conhecimento, uma falha que sabe ter e que gostaria de não ter. Dobrar bem. No centro estarão as duas assadeiras, O orientador acenderá o “vulcão” para que todos queimem suas falhas pedindo a Deus que os liberte das mesmas, em seguida deverão colocar as flores dobradas (com as pétalas para cima) na água. As flores irão se abrindo lentamente e todas as qualidades poderão ser lidas. Reflexão: Quantos valores nossos adolescentes possuem! (comentar alguns) 55 No momento atual estou conseguindo cultivar meus valores? Minha vida está semelhante a um jardim florido ou um vulcão? Tento eliminar o que fere minha integridade e o que pode ferir ao meu próximo? No Sermão da Montanha. Jesus nos deixou claro os valores que devemos cultivar: simplicidade, pureza, humildade, misericórdia, justiça, dentre outros. É importante cultivá-los, reconhecer quando falhamos e tiver humildade de pedir misericórdia de Deus. 6ª dinâmica: O caminho certo Material utilizado: Um mapa do mundo (xerocado), canetas, música de fundo. Número de participantes: Máximo 30 pessoas. Tempo aproximado: 50 minutos Desenvolvimento: Distribuir um mapa e uma caneta para cada participante Cada um deverá colocar um X no mapa, indicando o lugar onde mora. Coloca-se um fundo musical bem suave solicitando que relaxem, fechem os olhos e imaginem qual país ou cidade que gostariam de visitar, Como seria sua chegada neste local e quem gostaria de levar consigo. Após alguns minutos, todos deverão localizar no mapa o local de seu sonho, colocando um quadrinho, Para chegar ao lugar que escolheu, ele poderá passar por outros locais atraentes ou poderá ir diretamente. Pense, examine e desenhe a rota de sua viagem. 56 Reunir em grupos para comentar sobre a “viagem”. Trocas de sonhos’ Voltando ao plenário, o orientador questionará quais locais preferidos e (se tiver conhecido) comentar o que sabe de positivo dos mesmos. Observar se a maioria iria diretamente ou através de desvios e de levaria acompanhantes Reflexão: A vida é semelhante a uma viagem. Todos temos um objetivo. Nosso objetivo é a felicidade. Ela está no coração do homem e muitas vezes não se percebe, O homem foi predestinado para a felicidade, só que alguns se encantam com os desvios perigosos, levam a vida ao léu, não procuram seguir a rota mais segura e não escolhem o meio de transporte adequado. O jovem é dotado de qualidades, de carisma, de beleza interior e exterior, basta apenas saber discernir o que é melhor e lutar com garra por seu ideal. Os ensinamentos bíblicos nos mostram e necessidade e a prudência de questionar os mais experientes e de pesquisar o que é fundamental para atingir nosso objetivo. 57 ÍNDICE INTRODUÇÃO 09 CAPÍTULO I 10 PAPEL DO ORIENTADOR EDUCACIONAL 10 1.1 O ORIENTADOR EDUCACIONAL 10 1.2 A PRÁTICA DO ORIENTADOR EDUCACIONAL NO COTIDIANO ESCOLAR 13 1.3 CONHECIMENTOS PERTINENTES A ORIENTAÇÃO 14 CAPÍTULO II 20 O QUE SABEMOS SOBRE A QUESTÃO DA INDISCIPLINA ESCOLAR? 20 2.1 O EDUCADOR CONTEXTUALIZANDO COM A FAMÍLIA 20 2.2 O ORIENTADOR E A INDISCIPLINA JUNTO À FAMÍLIA 23 CAPÍTULO III 30 INDISCIPLINA: QUAL O PAPEL DO ORIENTADOR 30 3.1 A PRÁTICA DO ORIENTADOR EDUCACIONAL 30 3.2 A INDISCIPLINA E O ORIENTADOR NA ESCOLA 35 CONCLUSÃO 41 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 43 PROJETO: FORMAS DE TRABALHAR A DISCIPLINA NA ESCOLA 44 DINAMICA DE GRUPO 1º 49 DINAMICA DE GRUPO 2º 50 DINAMICA DE GRUPO 3º 51 DINAMICA DE GRUPO 4º 52 DINAMICA DE GRUPO 5º 54 DINAMICA DE GRUPO 6º 55