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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
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AVM FACULDADE INTEGRADA
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O ORIENTADOR EDUCACIONAL COMO INTERVENTOR NO
Por: Geórgia Aurélia da Silva Tavares
DO
CU
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EN
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PR
OT
EG
ID
O
PROCESSO DISCIPLINAR
Orientador
Prof. Vilson Sérgio de Carvalho
Rio de Janeiro
2009
2
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
AVM FACULDADE INTEGRADA
O ORIENTADOR COMO INTERVENTOR NO PROCESSO
DISCIPLINAR.
Com esta publicação abordaremos o processo de
intervenção do Orientador na disciplina, o nosso
objetivo é elucidar os caminhos percorridos até a
chegada
das
nossas
conclusões,
através
da
veracidade e empenho colocados nesta publicação...
3
AGRADECIMENTOS
Agradeço em especial meus pais que
sempre
me
possibilitaram
e
me
incentivavam nesta jornada da busca
do conhecimento. A toda equipe do
instituto “A Vez do Mestre” que direta
ou
indiretamente
colaboraram
na
realização deste trabalho. Ao professor
Vilson e a todos que por algum motivo
eu não tenha citado os seus nomes
aqui,
mas
que
de
alguma
forma
colaboraram com a extensão pessoal
para o crescimento deste trabalho. Os
meus sinceros agradecimentos...
4
5
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho a meu pai Jorge
Carlos Machado Tavares e minha mãe
Maria de Lourdes da Silva Tavares,
pessoas que muito inspiram-me todos os
dias da minha vida e que as amo muito. A
Cristiano Santos que sempre esteve ao
meu lado, no decorrer desta caminhada.
E a todos os meus familiares e amigos.
“O homem só consegue construir um
futuro sólido com base na família.”
Geórgia Aurélia da Silva Tavares
6
RESUMO
Este trabalho monográfico técnico teve como tema “O Orientador Educacional
como interventor no Processo Disciplinar”, contemplando algumas questões e
definições referentes à indisciplina e a contribuição dos Orientadores
Educacionais frente a está problemática, dentro da Unidade Escolar, a partir
das observações e levantamentos de dados em uma Escola do Ensino
Fundamental, utilizando uma abordagem de observação no processo, e o
significado do comportamento disciplinar dentro de uma visão psicológica e
pedagógica e contextualizada do aluno como condutor de suas ações e
reações no espaço escolar e o Orientador Educacional como mediador destas
problematizações e embates que ocorrem nas escolas. O embasamento
teórico ocorreu a partir dos referenciais de Carvalho, Grispun e Luck entre
outros, enfatizando também as conseqüências que a indisciplina pode trazer
para o aluno e que o orientador tem que ter sempre uma visão holística para o
seu aluno, visando o seu bem estar como futuro cidadão atuante desta
sociedade globalizada e democrática.
7
METODOLOGIA
O presente trabalho monográfico foi realizado a partir de uma pesquisa
exploratória, de acordo com o tema enfocado, o Orientador Educacional Como
Interventor no Processo Disciplinar.
Para isso, a metodologia utilizada aplicou-se a partir de um levantamento de
dados na própria escola, a verificação das fichas dos alunos indisciplinados e
as providências tornadas pela Orientação Educacional e todo corpo docente
para completar o referido levantamento.
No que diz respeito aos procedimentos de elaboração dessa pesquisa, foi feita
consulta bibliográfica e entrevista com os personagens envolvidos (docentes,
discentes, administrativo e apoio). Com isso, a partir desses procedimentos,
buscaram-se respostas para as causas que geram a indisciplina dentro do
espaço escolar.
8
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
09
CAPÍTULO I – O PAPEL DO ORIENTADOR EDUCACIONAL:
10
CAPÍTULO II – O QUE SABEMOS SOBRE A QUESTÃO DA INDISCIPLINA
NA ESCOLA?
20
CAPÍTULO III – INDISCIPLINA: QUAL O PAPEL DO ORIENTADOR?
30
CONSIDERAÇÕES FINAIS
41
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
43
ANEXO
44
9
INTRODUÇÃO
“A formação para a cidadania: acreditamos que a escola pode
incorporar milhões de brasileiros à cidadania e deve aprofundar a
participação da sociedade civil organizada nas instâncias de poder
institucional”. (GADOTTI, 1991, p.43)
Este trabalho monográfico teve como foco central o estudo do papel do
Orientador
Educacional
como
interventor
no
processo
disciplinar,
contemplando, de modo particular, sua atuação junto à algumas questões e
definições referentes à indisciplina e a contribuição deste frente a esta
problemática, dentro da unidade Escola, e no convívio social do aluno. Para tal
utilizou-se uma abordagem do processo significativo do comportamento
disciplinar dentro de uma visão pedagógica como condutor de suas ações e
reações no espaço escolar e o Orientador Educacional como mediador destas
problematizações e embates que ocorrem em escolas brasileiras. Através do
trabalho ficou demonstrado a importância do Orientador Educacional na vida
escolar e social fazendo parte do contexto social do aluno com grande
relevância para seu futuro como cidadão da vida globalizada.
No primeiro capítulo o Orientador Educacional faz o elo entre a escola e o
aluno, facilitando as relações entre ambos, formando o elo social no ambiente
escolar. Com o segundo capítulo iremos observar a trajetória da indisciplina no
seu todo, como família, escola, sociedade em seu contexto social.
E ao chegarmos ao terceiro capítulo iremos contemplar o Papel do
Orientador Educacional frente ao aluno, escola, família e sociedade. E todos os
benefícios que este traz para a sociedade como cidadão atuante em beneficio
de todos, para que o convívio torne-se mais harmonioso.
10
CAPÍTULO I
O PAPEL DO ORIENTADOR EDUCACIONAL
1.1 – O Orientador Educacional:
O mediador de uma escola é o Orientador Educacional onde ele atua
como um elo entre educadores, pais e estudantes, fazendo assim a
administração do ponto de vista de todos inseridos neste contexto social.
Algum tempo atrás o educador era rotulado como o responsável por
encaminhar os estudantes “problemáticos” para os psicólogos, o orientador
educacional ganhou uma nova função, perdeu o antigo rótulo pejorativo de
“delegado” e atualmente faz um trabalho em conjunto com á comunidade
escolar para intermediar os conflitos escolares e colaborar com os professores,
para melhor lidar com os alunos que apresentam algumas dificuldades de
aprendizagem, ou disciplina buscando as motivações destes problemas, em
conjunto com a escola e com a família no seu âmbito social.
Regulamentado por decreto federal, o cargo é desempenhado por um
pedagogo especializado, (nas redes públicas, esta presença é obrigatória de
acordo com as leis municipais e estaduais), porem nem sempre estas leis são
cumpridas nos estados, em muitas escolas estaduais este pedagogo está
dentro de sala de aula por falta de professores na rede.
O coordenador pedagógico garante o cumprimento do planejamento e dá
suporte formativo aos educadores.
11
Para o Orientador Educacional ter sucesso ele precisa construir uma
“ponte” (relação de confiança) que permita administrar os diferentes de vista,
ter a habilidade de negociar, a sensibilidade de observar e ouvir e prever
ações. Pois somente assim terá chances de “garantir a integração dos atores
educacionais e avaliar o processo evitando a dispersão” (AIDAR, 2009, p.23)
Contudo na prática, muito ao contrário acaba por se dedicar a “apagar”os
“incêndios” diários a maior parte do seu tempo. Orientador Educacional, pais,
alunos e professores, necessitam de caminharem juntos para o bom
andamento do processo e para que nada se perca nesta caminhada da busca
em conjunto por resultados mais satisfatórios para todos os envolvidos deste
processo, que irá encaminhar-se ao longo da vida escolar do aluno, e que
quando bem administrado revela bons frutos.
É também o papel do Orientador manter reuniões semanais com as
classes para mapear problemas, analisar determinadas atitudes, dar suporte as
crianças e os adolescentes com questões de relacionamento e estabelecer
uma parceria com família, quando há desconfiança de que a dificuldade esteja
em casa. Algum tempo atrás este cargo tinha um enfoque mais clínico. A rotina
dos
Orientadores
era
serem
responsável
por
encaminhar
alunos
e
especialistas, como médicos, fonoaudiólogos etc. Com essa responsabilidade o
Orientador ficava cada vez mais distante do aluno e não havia como fazer uma
parceria entre orientador, aluno, professor e família, por estar restringindo-se
apenas a encaminhar para especialistas de cada área o aluno com seu
problema e não trabalhar o seu todo, como aluno.
Atualmente possui outra verdade, o Orientador passou a atuar de forma a
atender os estudantes levando em conta que eles estão inseridos em um
contexto social, que influência o seu processo de aprendizagem diretamente no
convívio escolas, se o mesmo estiver desestruturado, tanto emocionalmente,
como
fisicamente
e
intelectualmente
este
processo
irá
quebrar-se.
Desencadeando uma sequencia de problemas.
Pode-se apontar como um dos indicadores destas mudanças a influência
de teóricos construtivistas, como Jean Piaget (1896-1980), Vygostky (18961934) e Henri Wallon (1879-1962), nos projetos pedagógicos da escola.
12
Dentre as variadas funções existentes nas instituições escolares,
podemos destacar a atuação do Orientador Educacional cujo papel principal é
atuar com os educandos no individual e no coletivo.
Segundo Ferreira (2001), orientar significa dirigir, guiar, adaptar ou ajustar
à direção deles. O Orientador Educacional que possui essas características
desempenhará a contento seu papel e encontrar-se-á envolvido com tudo que
aconteça dentro da instituição na qual esteja inserido. Por outro lado, sabe-se
que seu trabalho educacional não será feito isoladamente, ou seja, deverá ser
visto como interventor diante de tudo o que é proposto pela equipe
administrativa, pedagógica, docente e discente trabalhando em equipe junto à
comunidade escolar.
É preciso ressaltar que esse profissional vai lidar com os sentimentos e
emoções de todos os integrantes da Unidade Escolar, em particular os alunos
adolescentes e crianças. Com tudo, não se pode deixar de frisar a existência
da diversidade desta clientela que é oriunda de diferentes classes sociais e
suas bagagens culturais, com atitude e hábitos também diferentes e que
buscarão dentro do espaço escolar, vários mecanismos para “chamar atenção”
dos educadores consciente ou inconscientemente. Em linhas gerais, trata-se
de um cliente carente, necessitado de uma intensa orientação que vislumbrem
novos conhecimentos, novas direções, que contribuam para o progresso de
sua caminhada e crescimento na vida, como cidadão.
Toda via, é preciso ressaltar que o Orientador Educacional deve estar
aberto às dificuldades que sempre estarão presentes no seu cotidiano como,
por exemplo, a indisciplina.
O autor Luck (1999) define a orientação educacional como:
“um método pelo qual o orientador educacional ajuda o aluno, na
escola a tomar consciência de seus valores e dificuldades,
concretizando, principalmente através do estudo, sua realização em
todas as suas estruturas e em todos planos de vida”. (p. 23)
A partir desse referencial teórico, podemos afirmar que o Orientador deve
assumir não apenas a função de assistente para alunos, professores e pais ou
responsáveis, mas, também de educador que entenda as necessidades dos
educandos em relação aos aspectos cognitivos, psicomotores e psicológicos.
13
1.2 A Prática do Orientador Educacional no cotidiano escolar.
O Orientador Educacional deve manter seu contato permanente com
todos os envolvidos dentro e fora da sala de aula em situações formais ou
informais, com o objetivo de se construir uma ponte entre ambos os lados
ficando livre de qualquer obstáculo, com isso a troca de experiências e
vivências partilhadas no dia-a-dia a tornar-se-á mais rica. Assim, todas essas
experiências poderão possibilitar, a essa equipe, diferentes leituras da
realidade, escolas e dessa forma possam atuar com clareza. Tornado cada vez
mais forte os laços que unem a família com a escola.
Na grande São Paulo em Guarulhos, o sistema é diferente com as
escolas da rede este trabalho vem de fora, de uma organização nãogovernamental chamada Lugar de Vida é contratado pela prefeitura para
prestar o serviço de orientação. O programa foi organizado para que a equipe
da escola tenha encontros quinzenais, de duas horas cada um, com os
profissionais da entidade para falar sobre dificuldades diversas.
Nas primeiras reuniões geralmente se iniciavam com um longo silêncio,
mas terminavam com os participantes contando experiências muitas vezes
traumáticas. O que pode-se perceber que os docentes não costumam falar
sobre esses problemas, não gostam de compartilhar com seus colegas, e
acabam por não revelá-los (COLLI, 2009, p. 87).
Quando há uma dinâmica incorporada, na instituição de ensino, o trabalho
flui de maneira contínua como uma “engrenagem”.
Para que se tenha uma melhor visão destes tópicos vamos observar este
relato.
Orientadora responsável por sete turmas do 6º ao 7º ano da escola. A
demanda de acompanhamento dos jovens é grande. O desafio é não descuidar
do coletivo, ao mesmo em que desenvolvemos uma série de intervenções
individuais.
14
Recentemente, precisei sentar e conversar com um aluno que fez algo
errado. Em nossa conversa ele chorou muito e desabafou: que ninguém
enxergava suas qualidades. Eu disse: você tem que mostrar seu lado bom. É
sua meta. Combinado. Ele respondeu que sim.
Uma semana depois a escola promoveu um passeio Diálogo no Escuro
(ambiente em que se simula o cotidiano dos deficientes visuais).
Esse estudante foi. E para minha surpresa quando estávamos no escuro
par conversar com os guias cegos, ele fez as melhores perguntas.
No final do programa um deles perguntou o nome do aluno e disse:
“Eu enxergo muitas coisas boas em você”.
A reação do estudante foi incrível. “Ele me disse comovi: “Puxa”, o cara
não enxerga, mas viu minhas qualidades”.
Essas situações trazem um efeito positivo para toda vida das pessoas.
Para fazer parte do convívio do estudante chego meia hora antes. Acho
que o Orientador não tem que atuar somente em classe, além disso, temos um
encontro semanal com todas as turmas. Então conversamos sobre cada
assunto por categoria e as soluções vem do grupo.
Todos pensam como vem administrando os seus conflitos incentivaram a
formação de uma pessoa crítica em conjunto com os professores e a família.
1.3 Conhecimentos pertinentes a Orientação:
Para ratificar a importância da diferença que o Orientador Educacional
deve ter, a autora (Grispun, 1986), diz que “conhecer o cotidiano é como dar
um mergulho nos conhecimentos e sentimentos que tecem nosso dia-a-dia”.
(p.44).
Diante dos argumentos apresentados anteriormente, pode-se afirmar que
esses conhecimentos são desafios que a prática educacional exige
despertando o sentido da busca de novos conteúdos e caminhos que irão
possibilitar os acessos às novas informações que certamente ajudarão a
15
avançar na referida prática. Nesse sentido, o fazer do Oriente Educacional está
relacionada em grande parte, a atividade que devem ser desenvolvidas pelo
aluno de acordo com a potencialidade de cada um. Essas potencialidades são
variáveis significativas no processo de orientação que auxilia o aluno em seu
desenvolvimento integral e de sua personalidade.
Schimid e Pereira (apud Grispun, 1993), apontam que o Orientador deve
“propiciar ao educando o esclarecimento interior (insigh) que o capacite a tomar
boas decisões, aproveitar ao máximo as oportunidades de desenvolvimento,
encontrar soluções satisfatórias para seus problemas”. (p. 148)
A partir desta reflexão, fica explícito que a prática do Orientador
Educacional que está direcionada para o aluno é de acompanhá-lo e orientá-lo
na sua formação sócio-educativa e humana dentro e fora da escola,
possibilitando-lhe um melhor desempenho. Dando seguimento à reflexão,
pode-se afirmar que o trabalho do Orientador Educacional está centrado
também com o professor e com a escola propriamente dita, cuja proposta é
compartilhar as idéias e metas destes conteúdos até as questões disciplinares,
dando ao professor condições de conhecimento do aluno necessário ao
processo de ensino aprendizagem. Este conhecimento do aluno é levado para
o professor através do Orientador Educacional como enriquecimento
necessário
ao
processo
de
ensino
aprendizagem
que
resulta
no
ascessoramento para o mesmo.
Ao tratar deste assunto, Carvalho (1979) aborda com propriedades estas
questões, e diz que:
“as vantagens de o professor ser ao mesmo instrutor e orientado,
com a ajuda de um especialista em educação, são varias: é ele (o
professor) quem tem melhores condições de reconhecer as
diferenças individuais quanto ao nível de prontidão para aceitar
tarefas, níveis de maturidade cognitiva e emocional, sociabilidade
etc... Mas do que qualquer outro tem o professor a condição de
relacionar-se com seus alunos de forma franca, possibilitando maior
conhecimento”. (p. 61-62).
Em face do exposto, pode-se também afirmar que o professor encaminha
os alunos a um conhecimento, e a uma melhor oportunidade de também
conhecer o seu próprio meio, estimulando-os a enfrentar suas problemáticas.
16
Nesse contexto, o Orientador surge para ascessorar o professor na elaboração
das suas tarefas com os alunos, numa ação integrada, conjunta.
Quanto à escola, o Orientador pode atuar em atividades que começam
desde à matrícula dos alunos, horários, escolha de professores, etc... até as
questões pedagógicas relacionadas com o currículo e com o projeto político
pedagógico a ser desenvolvido pela instituição escolar. Em linhas gerais, essa
momento representa para o Orientador Educacional a identificação da escola
numa perspectiva contextualizada. Nessa linha de raciocínio Loffedi (apud
Grispun, 1986) assinala que: “(...) o contexto existente na escola pela presença
do aluno e que este aluno é alguém que tem valores experiências e daí que se
deve partir e não da experiência da professora ou da escola...” (p. 44).
A escola contextual referida anteriormente é a escola que trabalha sobre
uma realidade, encarnada pelo aluno que a procura. Assim, esse significado
contextual não é estático, mas se constrói e se modifica pela ação porque é um
ser em experiência. Dessa forma, a prática do Orientador Educacional está
envolvida com procedimentos que ajudam a conhecer a realidade do aluno e
trazê-la para dentro da escola. Além disso, o Orientador contribui com a
relação
professor-aluno
sem
comprometer
o
processo
de
ensino
aprendizagem, desenvolvendo estratégias que levam ao aluno a reflexão e ao
exercício de uma análise crítica entre outros.
Parafraseando Piaget (apud Grispun, 1993), “o sujeito é ativo na sua
essência e que ele se constitui como o que é pela assimilação e acomodação
que realiza ao longo do seu desenvolvimento”. Com isso, o aluno que está
sendo orientado é visto como sujeito em construção, que amplia estes
conhecimentos com determinada forma e conteúdo. Pois a prática do
Orientador Educacional deve ser vista como um processo ativo e dinâmico,
como construção, produção de conhecimento, de saberes de comunicações e
interações.
É preciso ressaltar que a orientação está sempre direcionada para
compreender o desenvolvimento do aluno, do ponto de vista cognitivo, da
afetividade, da tomada de decisões e da sua inserção social. Busca, também, a
totalidade de conhecimento do aluno que está se desenvolvendo como cidadão
ativo de uma sociedade, construindo sua personalidade e participando
17
consciente e ativamente de sua história de vida. Atuando junto ao aluno no
cotidiano da escola valorizando todas as opções que formam o contexto de
vida pessoal desse aluno.
Faz-se necessário mencionar que a parte cognitiva é importante na
escola, mas também é importante a construção afetiva a qual se apóiam
subjetivamente os valores, os ideais a confiança sua estrutura psicológica e o
elo que o unirá como cidadão ativo socialmente.
No que diz à construção do conhecimento, é licito dizer que o mesmo
engloba vários conhecimentos em várias dimensões, o que colabora para
ampliação da prática específica do Orientador Educacional que está sempre
aberta a conhecer a realidade de cada aluno e ampliar a análise da própria
realidade, evidenciando-se nesse contexto a multiplicidade e diversidade de
significado que dela emerge. A partir dessa construção pode se elaborar
questões relativas às múltiplas inteligências que de certa forma, o Orientador
Educacional tem que estar aberto ás mesmas. O Orientador não pode
esquecer que o aluno traz consigo a leitura de mundo e dessa forma deve
valorizar o modo pelo qual o aluno retrata essa linguagem. Como diz Vygostky,
“a linguagem é a principal consigo mesma”. Pois a linguagem incide sobre a
personalidade, a interação pessoal, o desenvolvimento cultural e social. Além
disso, através da linguagem se trabalha a construção da subjetividade do
sujeito. Sendo assim, a prática do Orientador deve estar sempre voltada para o
aluno, ajudando-o a construir conhecimentos, facilitando as condições de
aquisição desse conhecimento, promovendo as interações e toda relação que
envolva o sujeito e meio. É um desafio que Orientador, na sua prática, tem de
lidar, ou seja, ajudar o aluno, orientado-o a sentir e viver seus desejos, sonhos
e paixões que se inter-relacionam com os saberes, os fazeres e com os
próprios conhecimentos adquiridos através da realidade onde está inserido.
Vale lembrar que a escola deve conhecer a linguagem que o aluno traz e
estimulá-lo para que seja, capaz de criar e produzir com autonomia. Neste
contexto a escola participa nas ações coletivas, nas escolhas efetuadas e na
autonomia das decisões que o aluno faz, já que o trabalho do Orientador é
contínuo, dinâmico e permanente, e desenvolvido principalmente em conjunto
com professores e todos os integrantes da escola.
18
Libâneo (2004) diz que:
“(...) uma escola organizada e gerida é aquela que cria e assegura as
melhores condições organizacionais, operacionais e pedagógicodidático de desempenho profissional dos professores de modo que
seus alunos tenham efetivas possibilidades de serem bem sucedidas
em suas aprendizagens e atitudes”. (p. 263)
Nesse sentido a Orientação Educacional faz-se necessária na escola,
pois desenvolve seu trabalho com todo embasamento teórico que lhe dá
subsídios para melhorar as deficiências e continuar harmonizando a integração
de todos os envolvidos da instituição escolar.
Por outro lado, é preciso apontar que a escola trabalha com uma visão
interdisciplinar do conhecimento do aluno de acordo com a realidade
vivenciada por ele (aluno). Quanto ao Orientador dentro desse espaço
interdisciplinar, ele se mantém aberto ao dialogo não só com os alunos como
também seus demais parceiros.
Para dar continuidade ao exposto acima, Fazenda (1979) diz que:
“(...) somente na intersubjetividade, num regime de co-propriedade,
de interação é possível o dialogo, única condição da
interdisciplinaridade. Assim sendo pressupõe uma atitude engajada,
um comprometimento pessoal”. (p. 8).
Dentro deste comprometimento, o Orientador desperta no aluno sua
intenção vocacional, descobrindo quais são as tendências daquele aluno para
sua vida profissional, mas isto tudo é feito em conjunto com a família, o
Orientador é apenas um agente condutor de todo esse processo.
Pode-se afirmar que os alunos, na sua maioria, não possuem opiniões
formadas no que dizem respeito à escola vocacional, eles carregam suas
duvidas na vida. Mas com uma boa orientação o jovem é capaz de fazer boas
escolhas na vida.
O Orientador com suas habilidades promove, as condições e meios para
uma escolha vocacional que melhor atenda suas necessidades, realidades,
aspirações e interesses, num processo de conscientização gradativa para a
maturidade individual e maior crescimento social.
19
Dentro dessa perspectiva, o Orientador Educacional vai trabalhar alguns
aspectos que desenvolva no aluno a integração e ajustamento dentro do grupo
que participa isto é de recreação, de equipe de estudos, de projetos, e ações
comunitários, atuando em papéis individualmente satisfatórios e socialmente
desejáveis. Pois a participação gradativa desse aluno fará com que este
consiga descobrir suas próprias possibilidades e eficácia nas suas ações e
assim, uma escolha profissional baseada num conhecimento e objetivos
próprios de seus potenciais.
Diante do exposto neste capítulo, convém neste trabalho de pesquisa ser
abordada a questão do que se sabe ou não sobre a indisciplina escolar e suas
conseqüências, pois entende-se que o professor e Orientador devem também
estar atentos para tais em que suas práticas englobam vários fatores. O
orientador e o professor têm, que trabalhar em conjunto a favor do bem estar
dos alunos e da sociedade almejando sempre a harmonia entre todos.
20
CAPÍTULO II
O QUE SABEMOS SOBRE A QUESTÃO DA INSCIPLINA
ESCOLAR
2.1 – O Orientador Contextualizando com a Família
O homem sofre influencias externos do meio que vive. E com uma
construção alicerçada em diferentes instituições, família, igreja, clube e,
principalmente, escola nesta, constata-se as dimensões humanos do aluno –
movimento,
transformação
e
inquietudes.
Quando
uma
delas
está
desarticulada, diz-se que ele, o aluno está indisciplinado.
Quando a família e a escola percebem mudanças no comportamento da
criança ou do adolescente começa um jogo de empurra, empurra, a família
cobra a escola a escola cobra a família e ambos querem saber quem é o
culpado de todo esse processo que está desengrenando e a pergunta mais
freqüente de ambos os lados é: “onde foi que vocês erraram?”. A família
questiona a responsabilidade da escola ensinar. A escola questiona que se a
maioria dos outros alunos aprendem o problema pode vir de fora. Todos tem
razão, mas ninguém é culpado. As duas entidades precisam agir unidas para
fortalecerem suas estruturas perante o individuo que delas depende, de nada
adianta ausentarem-se dos fatos quando o que precisa ser feito é uma
integração de forças. De modo que, não faz nem um sentido tomá-lo como
culpados, nem mesmo os jovens.
Os alunos são levados para a escola com objetivos de que aprendam os
conteúdos e desenvolva competências que os preparem para a vida. Por sua
vez os educadores esperam que cheguem à sala de aula interessados em
aprender, prontos para o convívio social e para o trabalho disciplinado.
21
Quando as expectativas dos dois lados se frustram, surge um círculo
vicioso de reclamações recíprocas, que devem ser evitadas com a adoção de
atitudes de co-responsabilidade. Como os professores e pais querem dar
exemplo para as crianças em casa ou na escola se os próprios adultos não
estão tomando atitudes maduras e equilibradas com relação ás crianças, em
assumir uma posição de atitude em conjunto com todos os envolvidos neste
processo de crescimento da autonomia da criança e do adolescente. O começo
seria parar de criticar e de dizer que “as famílias de hoje estão perdidas” ou
que “as escolas de hoje estão perdidas”.
Quando os alunos são pequenos, há o interesse da família pela vida
escolar do aluno sendo maior a sua preocupação, os responsáveis querem
saber como elas se comportam na sala de aula e as conquistas que fazem. O
tempo passa, os alunos crescem e vão ficando mais independentes. Com isso
os adultos acham que os adolescentes já sabem cuidar de si e que não
precisam de tutoria. Errado, grande engano de todos: “Quanto mais autonomia
o jovem tem, maior tem que ser a parceria entre o jovem e a família.” (GOMES,
2008, p. 78).
Pois é na adolescência que os jovens irão montar sua identidade, seu
projeto de vida, com isso suas duvidas começam a aflorar juntamente com sua
mudança física, acumulando cada vez mais interrogações em sua vida, que
torna tudo bem difícil e complicado do seu ponto de vista. Por isso quanto mais
essas duas bases se fortalecerem, maior será a estrutura de apoio deste jovem
e mais cedo ele irá construir o seu planejamento de vida para o seu futuro.
Participar de reuniões e se informar sobre os aprendizados continua
sendo fundamental, e essa é a hora da troca de informações que serão
importantes para ambos os lados, tanto para a escola quanto para a família. Ao
promover esse encontro, os orientadores e os professores juntamente com a
direção precisam ter clareza das expectativas de aprendizado e de atividades.
Nesse encontro os pais ou responsáveis participam da análise dos resultados
do período anterior e recebem instrumentos e critérios para acompanhar em
casa o desenvolvimento dos filhos no período seguinte e para ouvir as
percepções pessoais dos estudantes sobre a vida escolar. No caso de omissão
da família, o Orientador Educacional deve ser sinalizado de forma que vá ter de
22
tratar este caso em especial atenção investigar o que está verdadeiramente
acontecendo.
A escola por sua vez deve promover atividades que proporcionem o bem
estar e o lazer de todos os alunos e que possam promover o desenvolvimento
e a criatividade dentro da mesma através de exercícios e atividades
prazerosas. Costa (1996) acha que: “É importante crias espaços para discutir
valores e promover o protagonismo juvenil em ações sociais, campanhas
comunitárias e a preparação para o mundo do trabalhou (p74).
O Orientador Educacional pode muitas vezes auxiliar a família em alguns
momentos na maneira de agir com as crianças ou jovens dando dicas. para
seus responsáveis de como devem agir, por exemplo:
Ø Fale sempre bem da escola para criar em seu filho uma expectativa em
relação aos estudos:
Ø Abrace-o e deseje sempre coisas boas a ele quando estiver de saida
para escola;
Ø Na volta procure saber como foi o dia dele, o que aprendeu e como se
relacionou com todos;
Ø Conheça o professor converse com ele sobre a criança e o seu
desempenho na escola;
Ø Em caso de notas baixas não espere ser chamado: Vá à escola para
saber o que está acontecendo;
Ø Mantenha uma relação de respeito, carinho e consideração com todos
os professores;
Ø Resolva diretamente os problemas entre você, seu filho e o professor e
só recorra a outros em ultimo caso;
Ø Crie hábitos de observar os materiais escolares e ajude na lição de
casa;
Ø Quando seu filho estiver com problemas, compartilhe-os com a escola
sem omitir fatos ou julgar atitudes antecipadamente;
Ø Comente com amigos e parentes os êxitos escolares dele, por menores
que sejam para reforçar a auto-estima e a autoconfiança.
Estas sugestões colocadas de forma plena e explicita para os pais
converte em convivência mais harmônica para todos no convívio social da
23
escola, porque este aluno irá se sentir mais seguro, protegido e amado fazendo
porte de seu contexto social de forma atuante e ao mesmo tempo este
individuo chegará à escola mais harmônico, tranqüilo, e feliz para seguir o seu
caminho da aprendizagem e formar novos conhecimentos junto a seus colegas
de forma mais saudável e concreta.
Ao mesmo tempo há algumas regras que a escola propõe que para o bom
desenvolvimento do aluno precisam ser seguidas e os pais tem que tomar
conhecimento das mesmas para que possam ser seguidas com a colaboração
de todos, como por exemplo:
Ø Observar a hora de entrada e saída;
Ø Marcar o horário de estudo em casa com ou sem explicadora a fim de
reforçar o que está aprendendo;
Ø Verificar os cadernos, os livros, as data das aulas de testes, de
trabalhos, de provas e os resultados;
Ø Comparecer as reuniões de pais;
Ø Conhecer bem os colegas do filho, se más companhias tomar as
devidas providencias;
Ø Disciplina com amor e firmeza;
Ø Não falar palavrões;
Ø Ensinar valores importantes para a vida dos seus filhos como: respeitar
a todos independentes de credo, raça, ou idade.
Com estas regras juntamente com a colaboração dos alunos, família,
professores e orientadores todos estarão convertendo as forças para o mesmo
cominho com a união da comunidade escolar. Regras são sempre necessárias
em qualquer lugar em casa na escola e futuramente quando estes alunos
forem para o mercado de trabalho nos seus empregos também haverá regras,
que todos terão que seguir com disciplina e atenção para o melhor andamento
e convívio social de todos.
2.2 - O Orientador e a Indisciplina Junto à Família
O orientador quer contribuir juntamente com os pais para que os mesmos
conheçam melhores os seus filhos e forneçam a estrutura adequada para
24
construção do conhecimento do seu filho junto á comunidade escolar.
“A escola sozinha não ê responsável pela formação da
personalidade, mas tem papel comp4emetar ao da família, Por mais
que a escola propicie um clima familiar à criança, ainda assim é
apenas uma escola. A escola oferece condições de educação muito
diferentes da família. A criança passa a pertencer a uma coletividade,
que é sua classe, sua escola. É um crês é um crescimento em
relação ao “EU” de casa, pois ali ela é praticamente o centro.” (TIBA,
2002. p181).
Todos os pais e tutores tem uma idéia de como educar as crianças. E
muito natural que seja assim porque nossas idéias não se alicerçam em teorias
bem racionadas; muitas vezes são baseadas em crenças que adquirimos de
vivencias sociais. Porque pais autoritários podem levar a repetição do mesmo
comportamento com nossos filhos. Como ao contrário também pode acontecer.
Os pais quererem dar tudo aos filhos porque não puderam ter ou porque é isso
que os deixa felizes inquestionavelmente. Mas estes acabam esquecendo que
a criança é como uma planta cresce de maneira diferente conforme a qualidade
da luz que recebe os alimentos que lhe oferecem o clima que a envolva.
“Mesmo que nossa teoria seja não influenciar nosso filho, ele não escapará do
nosso exemplo e ao clima da família.” (MUCCHIELLI, 1974, p. 208)
Segundo Freire (1996): “Como educador preciso ir “lendo” cada vez
melhor a leitura do mundo (p.51)”. E com os Orientadores não tem de ser
diferente, a cada dia precisam estar atentos para o desenvolvimento do
andamento sócio-escolar, sempre levando em conta a bagagem que este aluno
trás com sigo, retirada do seu contexto social familiar que é o seu primeiro
contato com o mundo e não podemos ignorar este fato tão importante da vida
social do individuo que é o convívio familiar.
Sendo assim está relação família—escola precisa estar em sintonia para
que ambas se completem nesta tarefa de educar. Quando algo está fora de
sintonia é dever do Orientado Educacional intervir neste momento e atuar como
um mediador isso é necessário à sensibilidade neste profissional.
Notar o aluno que vem sempre perturbado para a escola ou que não vem,
muitas vezes sai de casa dizendo para os pais que vai para escola mas acaba
ficando pelo caminho, essa atitude pode trazer conseqüência drásticas para a
criança se não for trabalhada a tempo isso tudo com a ajuda dos responsáveis.
25
Muitas vezes os adolescentes não desabafam por não conviverem em
ambiente que lhes propiciem está atitude de dialogo de conversa de
cumplicidade.
Muitas vezes a criança é vitima da própria família e dos acontecimentos,
sem que a mesma possa perceber que envolvida nos seus conflitos. A família
acaba por esquecer a criança ou o jovem que, viraram vitimas das
circunstâncias. Como neste caso:
“No ano 2007 um orientador constatou que através dos professores
que havia um aluno vivenciando a separação dos pais. Por este
motivo ele havia parado de freqüentar as aulas. Acontece, a criança
fica perdida nessas horas. Não está pronto para passar por esta
situação e pode até desistir de freqüentar. Diante desta situação o
orientador reuniu os professores e com a ajuda de todos começaram
a procurar saídas para o retomo do estudante, pois já estavam
próximos do final do ano letivo. Ligaram para os pais pedindo que
continuassem a trazer o aluno para a escola. Conversaram
individualmente com amigos mais chegados do aluno, para que
pudesse de alguma forma ajudar. Queriam incentivar - a
solidariedade entre os alunos. O resultado foi incrível. Pouco a pouco
o aluno foi retornando à escola e ao seu convívio social”. (VENTURA,
2008, p63).
É incrível o quanto o problema familiar afetam o desempenho dos alunos
e muitas vezes os pais não percebem o quanto isto pode afetar seus filhos em
sua vida neste caso os professore tiveram a sensibilidade de avisar o
orientador educacional, que tomou as providencias cabíveis para que a ordem
fosse restabelecida e o aluno não ficasse prejudicado. Muitas vezes a família
não tem a dimensão de quanto é importante o seu papel na escola.
“A prática de velejar coloca a necessidade de saberes fundamentais
como o do domínio do barco, das partes que o compõe e da função
de cada uma delas, como o conhecimento dos ventos, de sua torça,
de sua direção, os ventos e as velas a posição das velas, o papel do
motor e da combinação entre motor e vela. Na pratica de velejar se
confirmam, modificam ou se ampliam esses saberes.” (FREIRE,
1996, p.22).
A escola é uma extensão da família, por isso a necessidade de observar,
cuidar e zelar pelo seu aluno, que possui suas contextualizações de vida social
e sua individualidade que precisa ser respeitada. Como Paulo Freire explana, o
aluno é como a prática de velejar temos que observar todo conjunto de
atitudes, ações e elementos que estão inseridos no contexto do mesmo para
26
que estabelecer uma comunicação clara, precisa e honesta entre a escola e o
aluno e sua família e o profissional que irá se encarregar de fazer está conexão
é o orientador educacional com sua sensibilidade, dinâmica e diplomacia que
irá tomar a frente desta situação desempenhando seu papel da melhor forma
possível para que se estabeleça a harmonia novamente e o aluno possa
continuar rendendo ano letivo escolar e em sua vida social.
Para que o plano escolar funcione é necessário e indispensável o apoio
dos pais, alunos, orientadores e professores. O apoio deles é indispensável
para que o ano transcorra de forma agradável e livre de conflitos. Mas, se não
desenvolver o relacionamento certo, lidar com os pais pode ser um dos piores
aspectos da profissão. No relato abaixo veremos o quanto é importante a
parceria da escola com a família e todas aquelas regras observadas
anteriormente para a boa convivência entre pais e filhos para que eles não
tragam aquela carga negativa para a escola e consigam render mais nos
estudos.
“Havia um aluno que apresentava grave problema de indisciplina. Ao
ligar para sua mãe e relatar tudo que o menino estava fazendo de
errado na escola a resposta da mãe foi a seguinte para o orientador;
Ele faz o mesmo tipo de coisa quando esta em casa comigo, e eu
tenho que dar meu jeito, por tanto quando ele estiver ai de o seu jeito
E desligou o telefone.” (CIARK, 1971, p.145).
Esta experiência pode ser analisada de vários ângulos primeiro que havia
realmente algo errado, segundo que a escola não estava tendo o apoio
necessário da família, terceiro o aluno não estava tendo resposta dos seus
responsáveis, para seguir em um bom desempenho na escola. Todas essas
questões só podem ser ajustadas quando a escola consegue trazer para perto
si os responsáveis da criança. Montando um trabalho em conjunto que ambas
as partes fiquem de acordo com o desenvolvimento do trabalho.
Outra questão que se pode levantar é a abordagem do orientador
educacional com a mãe, afinal de contas o orientador é que é o profissional,
portanto cabe a ele procurar a melhor forma de introduzir o assunto com o
responsável. Bem provável que esse fosse o caso de manter-se uma conversa
mais formal e pessoalmente, para que o assunto fosse abordado com
delicadeza e seriedade que ele merece.
Para John Dewey (apud. Pereira. 2002) (...) a educação se realiza pela
27
ação, como função social e individual. Se o individuo for disciplinado em casa
receber valores que o valorizem e o respeite ele irá fazer o mesmo na escola e
no seu meio social, porque de nada adianta somente um dos lados trabalhar a
indisciplina de forma embasada e consistente enquanto o outro fica procurando
culpados ou querendo se omitir da sua responsabilidade para com este
individuo, que sem apoio acabará perdido sem perspectivas. E acabará por
fazer a sua própria leitura de mundo distorcidamente levando a futuros erros
muitas vezes com grandes gravidades que deixarão seqüelas difíceis de serem
corrigidas, pois quando mais tarde este processo se iniciar maiores serão suas
conseqüências tanto sociais como emocionais. (p28)
Porque como Ovide Decroly (1871-1952) nos mostra que educar é uma
atividade que deveria se efetuar a partir das necessidades infantis. Com isso
podemos observar que de modo geral a educação necessita de uma atenção
logo no inicio da vida social do individuo porque quanto mais tardia, mais difícil
tornará o processo na construção da educação do individuo e a sua
socialização com o mundo.
Há sempre uma preocupação em buscar culpados para indisciplina da
criança e do adolescente que acaba por vez descuidando do foco principal que
é o aluno na sua integridade como pessoa. É necessário procurar a fundo o
motivo de todas as revoltas, problemáticas, indisciplinas porque nem sempre
os motivos estão explícitos para que se possa identificar imediatamente, em
alguns casos o fato é mais simples do que parece e em outros casos é bem
mais complicado do que se vê. Como nesse caso.
“O menino de uma escola da perifena, tinha o comportamento ‘norma
perante a turma era um aluno com os outros. Mas sua professora
acabou por notar que seus desenhos eram sempre pintados de lápis
preto, ela ficou muito preocupada, chamou os pais do menino para
tentar investigar o que estava acontecendo e foi aquele alarme todos
tentando procurar o motivo da atitude do menino. Ao final da
investigação a professora pode notar, que no estojo do menino havia
somente um lápis de cor preto, motivo o qual o menino fazia seus
trabalhos de preto”. (GROSSI, 1990, p.89)
Com este desfecho observar-se que nem tudo está explicito, que é
preciso analisar cada caso de forma individual sem generalizar respeitando
sempre a individualidade de cada um. Não podemos fazer um pré-jugamento
dos fatos antes que todas as hipóteses sejam levantadas e as mais
28
importantes a escola deve sempre trabalhar em parceria com pais
responsáveis e familiares. A comunidade precisa estar sempre engajada com a
escola para que ambos possam apoiar-se em uma relação de confiança e
cumplicidade mutua, para que se mantenha o equilíbrio e a harmonia dentro
deste contexto educacional, com o foco no aluno e em seu futuro priorizando o
seu sucesso na vida, como cidadão e como individuo atuante da sociedade.
“(...) uma maturidade racional e emocional do adulto que se relaciona
com ela: cabe ao adulto, a partir de suas atitudes, segurar à criança
condições para que ela possa se organizar e realizar as conquistas
que sua maturidade biológica lhe permite”. (CRAIDY, 1998, p.35)
“Os pais cobram da escola o mau comportamento em casa: “O que
vocês estão fazendo com meu filho que ele me responde mal?”Ou:
“A escola não ensinou a respeitar seus pais?”Até parece que quem
educa é a escola e cabe ao pai e a mãe uma posição recreativa.
“Essa ida não pode prevalecer”. (TIBA, 2002, p.180)
Analisando as duas citações acima podemos notar que na maioria das
vezes os pais querem passar para a escola a responsabilidade de educar, sem
que o mesmo tome conhecimento algum do que está acontecendo e só quer
ser chamado na escola se for para falar de coisas boas do seu filho, é bem
verdade que mãe alguma gosta de receber reclamações do seu filho, ou
ligações da escola, pedindo que compareça à escola para falar da indisciplina
do seu filho. Mas também é bem verdade que a escola por ter que cuidar de
muitos alunos acaba também por falhar, por isso precisa reconhecer que nunca
liga para casa de um aluno para elogiá-lo ou parabenizar seu comportamento,
atitude ou nota.
Com isso o telefonema da escola já é taxado como ruim, somente pelo
fato da Orientadora identificar-se como sendo um profissional da escola, os
pais ou responsáveis já começam a preparar-se para o pior. Não deveria ser
assim esta relação deveria ser mais natural, menos tesa para evitar este tipo
de atitude por parte dos pais, mas isto faz parte de uma boa relação entre
escola e família e de uma política organizacional por parte da escola.
O aluno muitas vezes não é indisciplinado por opção pessoal, ou
conscientemente, na sua maioria os alunos são assim porque em algum
momento algo se rompeu ou foi perdido, a confiança, atenção, carinho,
cumplicidade algo desta forma pode estar rompido. E os adultos que o rodeiam
devem estar atento para perceber estas atitudes que se não forem averiguada
29
acabam tornando-se algo maior e muito mais negativo.
Assim como crianças que praticam o BULING muitas vezes, é porque já
sofreram com esta prática ou às vezes sofrem em silêncio e acabam por
revidar em algum colega menor ou mais frágil. Ás vezes estas manifestações
podem até mesmo partir da família inconscientemente com um apelido que a
criança não gosta, mas todos insistem em usar, e constrange-la perante os
outros de forma inconsciente, todas essas “agressões” vão acumulando-se de
maneira que esse aluno acaba por extravasar esta raiva de forma errada, com
violência extrema através de brigas com violência física, verbal, espancamento
ou da forma que muitas vezes testemunha-se nos jornais e televisores, a morte
entre alunos que praticam a violência extrema com armas que em alguns casos
são de familiares ou responsáveis que deveriam estar dando o exemplo, mas
acabam por instigar a violência.
Os pais e responsáveis tem que tomar muito cuidado com o que fazem e
o que dizem para os seus filhos, pois todos esses exemplos estão sendo
acompanhados, e a criança pode fazer uma leitura errada ou seguir o exemplo
e praticá-lo na escola.
“O limite é uma questão importante para disciplina juntamente com o uso
de uma palavrinha tão pequena mais tão importante o não.” Tiba (2002) nos
mostra que “O sim tem valor para quem conhece o não (p.53), por tanto de
nada adianta ser um pai permissível sem limites se a criança ou jovem não
conhece o não, ela não irá valorizar o sim porque a permissibilidade lhe é tão
freqüente que não se atem as regras, pois ela avalia que sejam só perda de
tempo, porque no final ela consegue o que quer.
Disciplina, limites e não, são palavras que precisam estar no cotidiano das
crianças e dos adolescentes em casa e na escola, um adolescente sem limite é
como um “carro” desgovernado, não vai dar em lugar algum a não ser no
fracasso de sua rota.
30
CAPÍTULO III
INDISCIPLINA: QUAL É O PAPEL DO ORIENTADOR?
3.1 – A Prática do Orientador Educacional
Mediante aos expostos, o Orientador Educacional é o mediador entre
alunos e professores dentro da unidade escolar que orienta e propicia ao
educando esclarecimentos que ajudam a tomar decisões conscientes. Além
disso, este profissional vai trabalhar com a realidade desse aluno que é
diferencial à medida que se apresentam frente às dificuldades que cada um
possui.
De acordo com o interesse que cada aluno demonstra dentro e fora de
aula, pode gerar o que chamamos de falta de interesse e, conseqüentemente,
a indisciplina, que muitas vezes é causada esta indisciplina por uma
desmotivação pessoal do aluno ou através da escola que o esqueceu, como
aluno e como pessoa.
Dessa forma, o aluno que procede ou atua contrariamente dentro da
escola como um todo, deve ser observado com uma atenção especial pelo
Orientador Educacional. Pois a escola é local em que o aluno busca sua
identificação e demonstra suas frustrações da sua vida social, trazendo sua
carga cultural juntamente com suas duvidas e inquietações.
Não se pode deixar de destacar que a família é o primeiro contato social
que este aluno tem. E dependendo do contexto em que este aluno vive vai ser
difícil adaptar-se à cultura escolar por isso a grande importância do Orientador
Educacional no seu papel de mediador.
Há uma carga cultural que todos carregam, mas os alunos necessitam da
ajuda da escola para que os mesmos possam entender o funcionamento desta
cultura dentro da sociedade que estão inseridos.
31
Com tudo, a disciplina escolar serve para modificar o comportamento do
aluno, no sentido de ajustá-lo às exigências estabelecidas por aqueles que,
sendo responsáveis pelo funcionamento escolar zelam por seu comprimento,
não se pode deixar de se considerar as particularidades de cada aluno e da
própria escola. E também, a indisciplina na escola ou na sala de aula se
apresenta, às vezes, como um problema a ser solucionado de maneira que as
propostas que se oferecem ou podem ser oferecidas, são formas possíveis de
abordar os fracassos que surgem no sistema escolar. Estes fracassos podem
ser apresentados através da evasão, repetência e transferências, entre outros.
Sendo assim a indisciplina tem sempre que ser analisada em suas raízes,
onde temos sempre que analisar o motivo desta indisciplina.
Como no ocorrido com esta professora da escola municipal E. M. Capitão
Fuzileiro Eduardo Gomes de Oliveira. A professora disse que em sua classe 4º
ano do ciclo havia um com aluno grande problema de indisciplina. Este aluno
chegava todos os dias atrasados, não cumpria com suas tarefas, não fazia sua
higiene pessoal, agredia os outros alunos e a professora sua mãe fora
chamada varias vezes à escola sem nem um sucesso. Até que este menino foi
encaminhado para Orientadora Educacional e descobriu-se que o motivo de
suas ações violentas, era que o menino fazia uso de drogas. O aluno foi
encaminhado devidamente para um tratamento e um acompanhamento
psicológico.
Através deste relato é possível compreender que nem tudo é o que
parece ser, tem-se sempre que investigar a fundo toda e qualquer causa
possível dos motivos da ação do aluno. A princípio a professora achava que a
indisciplina do aluno era pura rebeldia, quando na verdade era um quadro
patológico muito grave para um adolescente de 12 anos com dependência
química.
A partir desse relato, é possível observar que para manter o controle
sobre esse grupo de indisciplinados, professores e a Orientação Educacional
devem trabalhar em conjunto, através das trocas de informações, criando
possibilidades ilimitadas que mantenham o equilíbrio de forças que atuem
juntamente com os alunos. Todavia é preciso que os pais e responsáveis
desses alunos também participem dessa troca facilitando e colaborando com o
32
trabalho de intervenção feito pelo Orientador Educacional neste contexto, pois
a escola como um todo não pode desenvolver um trabalho isolado. Por outro
lado sabe-se que a escola deve contribuir como instituição sócia educativa,
comprometida com a formação e o desenvolvimento dos cidadãos com a
orientação e o processo de ensino — aprendizagem de cada aluno.
Schmidt (apud Seria 2000) demonstra essa visão afirmando que:
“(...) a atitude ideal do educando é aquela que se instala no estado
de docilidade, de boa vontade, de co-responsabilidade de adesão às
atuações educativas. Estes estados decorrem da confiança, do
respeito, da estima dos jovens em relação aos mestres (professores),
do seu acatamento natural às leis e regulamentos e da aceitação
prazerosa da disciplina. É ainda obtido pelos exemplos de
cordialidade do corpo docente e administrativo em relação ao diretor
e entre si”. (p.32)
Dessa forma, propiciar aos alunos o domínio de um referencial teórico
que possibilite a compreensão dos trabalhos desenvolvidos pelo Orientador, e
fornecer a eles condições para que analisem e desenvolvam atividades que
colaborem para sua melhoria disciplinar resultará, conseqüentemente, na
facilitação do aprendizado e interesse em tudo que aconteça na sala de aula.
Toda via é preciso ressaltar que o manejo de sala, com vistas à
manutenção
da
disciplina
cabe
ao
professor.
Ele
deve
atuar
com
procedimentos que mantenham essa disciplina, visando reduzir a indisciplina
juntamente com a colaboração dos docentes e sua compreensão das regras
com base nos valores comuns da escola e nos interesses de toda comunidade
escolar.
Nesta linha de raciocínio, Gttzens (2003) diz que:
“A função do professor é criar condições que taclitem um encontro e
um desenvolvimento harmónico de todas essas chaves, o que não é
a mesma coisa que ter todos os ases nas mãos, garantindo, em uma
só jogada, o êxito na partida.” (p.56)
Vale lembrar, que a orientação educacional deverá promover programas
educacionais adequados às necessidades dos alunos e eficazes na promoção
da aprendizagem que contribuam como medidas suplementares para manter a
disciplina.
Tais programas devem incluir conseqüências reforçadoras para o
comportamento de todos os alunos, as conseqüências naturais dos
33
desempenhos escolares inclusive á aprendizagem que deles resulta, pode ser
reforçada e, garantir um bom desempenho desse alunado, de modo que estes
tenham incentivos suficientes para se manterem e permanecerem interessados
e engajados nas atividades propostas em sala de aula.
Segundo Cohen (1989), uma das metas maiores da educação é fazer
com que as conseqüências naturais do comportamento de estudar incluindo a
aprendizagem resultante, tornem-se reforçadoras (p.21). No entanto, as
conseqüências naturais do comportamento de estudar nem sempre são
reforçadoras por si sós até que estas (conseqüências) tenham oportunidade de
adquirir o poder reforçador.
Com isso pode-se afirmar, que a indisciplina pode muitas vezes ser uma
espécie de mensagem do aluno comunicando que algo esta fora dos padrões.
Sabe-se que os professores nem sempre tem o preparo adequado, trabalham
com poucos recursos e tem turmas grandes, nas quais existe uma significativa
parcela de alunos que trazem com sigo uma carga cultural bem carregada e
pouco abrangente sócio-cultural, com esse fica mais delicado trabalhar, pois
sua visão de mundo e sociedade é restrita e o mesmo não faz esforço nem um
para mudar, pois tem a convicção de estar correto.
Diante dessas condições, os programas e atividades de ensino serão
inadequados, não gerando o aprendizado nem conseguirão manter o
engajamento e o interesse nas atividades propostas pelo professor. Estes
alunos não participaram das aulas por falta de motivação. É ai que se faz
necessário á intervenção do Orientador Educacional, cujo papel principal é criar
e elaborar programas educacionais que possam amenizar ou inibir a
indisciplina dentro ou fora da sala de aula.
Em fase ao exposto, pode-se então destacar que estes programas
educacionais devem ser elaborados a partir de discussões com os professores
a respeito do que é realmente a indisciplina escolar. Os professores e
Orientadores Educacionais precisam ver os alunos por uma perspectiva
multifocal, enxergando assim os seus alunos de vários focos, em varias
direções, para obterem êxitos em seus resultados. Dando enfoque a
valorização da auto-estima dos professores para que trabalhem, textos,
música, dinâmicas, filmes etc... Para que suas aulas tornem-se mais
34
interessante. Além disso, a orientação para responsáveis e professores
também se faz necessário, cujo objetivo visa desenvolver as relações
interpessoais.
Nessas relações interpessoais a escola também é co-responsável e
nessa relação pode-se também, como estratégia e plano de ação trabalhar
com projetos.
Entende-se que a forma mais correta de se elaborar projetos é considerálos como um complemento aos elementos sistemáticos de uma ou algumas
disciplinas. Não podemos acreditar que devemos apresentar ao aluno como um
evento isolado desenvolvido em alguma ocasião, mas como um componente
que integra uma linha de pesquisas estando claramente definido no
Planejamento Pedagógico da escola. Usados para explorar conceitos e
conteúdos, os Projetos também se prestam a programas de serviços
comunitários, defesas de metas ecológicas, viagens da escola e uma infinidade
de outras atividades extracurriculares.
Essas práticas deverão facilitar o papel e o trabalho do Orientador
Educacional em conjunto com a escola, pois assim todos estarão diretamente
ligados ao projeto envolvendo-se e assim eliminando possibilidades que
venham aparecer de algum tipo de indisciplina.
Dando continuidade aos trabalhos, podem-se criar estratégias para
conscientizar os responsáveis a respeito da importância de acompanharem os
filhos, para que fiquem cientes de tudo o que acontece com os mesmos, até
mesmo para formar uma parceria com a escola e mante-la informada para o
melhor funcionamento do âmbito escolar.
Neste contexto o Orientador vai intervir, dentro da sua prática,
promovendo:
Reuniões mais dinâmicas com os pais ou responsáveis, de modo que a
família sinta-se importante e indispensável para seu filho;
Ø Encontros para os responsáveis para os devidos esclarecimentos e, se
necessário, assinatura do termo de responsabilidade;
Ø Palestras com ações preventivas e informativas; e;
35
Ø Implementação de projetos que visem á integração da família à
escola.
Quanto aos alunos indisciplinados, o Orientador Educacional irá promover
palestras preventivas e realizações de dinâmicas com os alunos, debatendo
seus direitos e deveres, regras de convivência e nos mais graves
encaminhamentos ao Conselho Tutelar ou vias responsáveis.
É necessário que o Orientador provoque no aluno a participação em todos
os eventos da escola, pois a interligação do corpo docente e discente para que
o trabalho em conjunto possa servir de parâmetro das ações que devem ser
tomadas para minimizar a indisciplina dos alunos junto á escola e a sociedade
formando assim cidadãos com princípios, ética, moral, preparados para este
mundo globalizado cheio de intercâmbios culturais prontos para serem
explorados por todos estes jovens que estão formando seu “EU” e se
descobrindo no âmbito ESCOLAR.
“Está errada a educação que não reconhece na justiça raiva, na raiva
que protesta contra as injustiças, contra a deslealdade, contra o
desamor contra a exploração e a violência um papel altamente
formador. O que a raiva não pode é, perdendo os limites que a
confirmam, perde-se em raivosidade que corre sempre o risco de se
alongar em odiosidade”. (FREIRE, 1996, p40).
3.2 A indisciplina e o orientador na escola.
Todavia, é preciso ressaltar que muitos dos que chamamos de
indisciplinados que na maioria das vezes pode ser inflexibilidade por parte dos
Orientadores e professores Por que será que o professor necessita sempre se
apoiar num modelo de autoridade? Seria por falta de proximidade com os seus
alunos? Dentro deste contexto o aluno acaba por ser taxado de indisciplinado.
Vale lembrar que os eventos indisciplinares ocorrem há séculos e hoje,
mais do nunca, se houve falar desses desde a educação infantil até os cursos
superiores, mas acredita-se que é na fase final do Ensino fundamental e inicio
do ensino Médio que ela se faz mais presente.
Aquino (2003) apresenta que “a indisciplina discente é típica do
adolescente, uma vez que é a fase que tudo indaga e querem se legitimar
36
enquanto gente! É nessa fase que se quer valer seus direitos, transgredir
normas e valores impostos pelo mundo adulto” (p. 73).
Sendo assim, podemos afirmar que a causa da indisciplina escolar está
na desagregação e desestrutura familiar e alguns na influência do seu contexto
social, que acaba por influenciar a criança ou o adolescente que ainda está
construindo os seus valor e que precisa de bons exemplos.
Em linhas gerais trata-se de uma influência dessas e de outras mais
aliadas ao bombardeiro de informações que os meios mediáticos oferecem aos
adolescentes, sem contar nas cobranças impostas pela sociedade. Além disso,
deve-se ter em mente que o que se deseja na escola ou em qualquer outra
instituição social diz respeito à moral (normas, regras e leis). É preciso
esclarecer que o desejo è formar cidadãos críticos. Então, porque não se pode
permitir que os alunos exercitem a criatividade através das imposições feita
pela escola? Será que ao invés de educadores, estamos sendo pregadores ou
até fiscais da conduta, no caso de nossos alunos? A verdade é que precisa-se
trabalhar conceitos relativos a parâmetros, condutas, normas, para que estes
alunos saibam que somos educadores e temos, em tese, mais experiências
sobre tais regras de conduta e comportamentos que essas regras são
importantes para o bom viver. E o professor precisa rever o seu
comportamento em sala de aula, começando por responder está pergunta; Eu
gostaria de ser meu aluno? Pra que este paradigma possa ser quebrado de
maneira a começar pelo próprio professor.
Contudo, não podemos deixar de destacar que muitas vezes os
comportamentos dos alunos podem ser reflexos de algumas patologias, que os
professores sem uma informação prévia acabam por exigir uma conduta na
qual o aluno não consegue se encaixar, não por indisciplina, mas por ter
alguma patologia que não está sendo acompanhada.
Quando o aluno levanta muito, pode ser que ele tenha TDAH (transtorno
e déficit de atenção e hiperatividade); se seus desenhas tem muitas cores
fortes traços pretos, este aluno pode ter problemas em casa; se tiver
dificuldades em comunicar-se, é confuso nas expressões, provavelmente tem
algum distúrbio de comunicação e precisa de tratamento fonoaudiólogo;
apresenta trocas constantes, não consegue atribuir significados coerentes aos
37
signos lingüísticos, fazer seriação e classificação, tudo indica que ele seja
disléxico. E esses só são alguns sintomas, existem outros que podem ser
detectados através de um especialista.
Assim podemos afirmar que as “desobediências” praticadas pelos alunos
seriam, alguns sinais de problemas ligados aos fatores psicológicos, tais
como:permeabilidade as regras comuns, co-responsabilidades,reciprocidade e
cooperação (AQUINO, 2003, p.82).
Diante do exposto acima se pergunta: Onde está o erro?
Todos os momentos deveram buscar algo extrínseco, aquilo que é
intrínseco. Caminhamos ou nos deixamos guiar pelo moral (ela tem
sustentação legal); sentimo-nos amparados. Quando o que devíamos fazer é
dar um mergulho em nos mesmos, uma inadiável viagem ético-política que se
impõe aos educadores atuais. Desbravar e lutar sem o ranço dos antigos
paradigmas que tivemos em nossos tempos e nos apropriamos do novo, do
belo, daquilo que fica de verdade.
Como
apresenta
Aquino
(2003):
“devemos
provocar
rupturas
e
estranheza nas concepções muitas vezes monolíticas das circunstâncias que,
segundo os educadores, acometeriam a clientela escolar” (p. 95). Tudo isso faz
parte de uma educação inclusiva, democrática e responsável que uma escola
comprometida com seus alunos deve oferecer, juntamente com seus
orientadores para que assim possam em trabalho de equipe suprir as
necessidades de sua clientela escolar.
Em face do acima exposto, questiona-se: não seria, então, a indisciplina
um sintoma da incompatibilidade entre a escola que temos, a que idealizamos
e a que fomos preparados para trabalhar? Não seria fruto de um ideal
imaginário de alunos que não existem nas condições que oferecemos, hoje?
Para dar continuidade à reflexão, faz-se necessário ressaltar um relato
ocorrido dentro de uma unidade escolar, seria oportuno registrar um relato de
indisciplina para contrapor e/ou ilustrar o que foi apontado.
“A professora com sua experiência em escola pública e particular, ambos
conversar com dois professores (Educ. Artística e Língua Portuguesa), cada
um colocaram que já passaram por situações em sala de aula onde explicavam
38
um texto com a participação dos alunos e, num dos casos uma aluna levantouse de sua carteira no fundo da sala, pôs-se até a frente, com um álbum de
fotografia para mostrar a um colega. Quando questionada pelo professor sobre
sua atitude, esta lhe dissera um palavrão. O professor mais uma vez indagoulhe sobre seu comportamento e ela, simplesmente, dissera-lhe que era isso
mesmo! Para tanto fazia se ele chamasse seus pais, ou se a diretora ficasse
brava. Estava cheia das aulas.” (professora Lidia de Souza).
Diante do relato acima, pode-se notar que é a indisciplina perpassando
pela moral, normas, regras e combinações, uma vez que estas foram
quebradas. Diante de todos os colegas e desrespeitando a figura do professor
que nada havia feito (pelo menos naquele momento) para que isso
acontecesse. Os limites, normas e regras juntamente com o respeito não
parecem fazer muito sentido para esses alunos, que os quebram muitas vezes
para ter uma auto-afirmação diante da turma ou chamar atenção de seus
professores para algo que não está correto.
Além disso, há quem possa refletir e a se contrapor a esse comentário.
Embora se possam tecer muitos questionamentos acerca do que estaria se
passando com essa adolescente. É necessário afirmar que ninguém tem o
direito de desrespeitar o próximo. Contudo não se pode deixar de destacar que
a aluna foi indisciplinada sim, rompeu com a moral e com a ética. Neste
sentido, Aquino (2003), afirma que: “a indisciplina traduzir-se-ia numa espécie
de conformidade, por parte do alunado, aos anacrônicos padrões de
comportamentos nos quais as escolas ainda parecem inspirar-se” (p.95).
Nessa linha de raciocínio pergunta-se então: Qual a posição da escola
perante estes alunos? Dubet (apud Aquino, 2003), responde que: “Acredita-se
que na “atualidade” ela exige sustentação continua por meio de praticas que a
reinaugurem sem cessar, não se tratando de algo de véspera.” (p.95).
Desse modo tem-se, portanto, uma longa tarefa de reconquista desse
espaço que é a sala de aula, dentro e fora Uma reconstrução da autoridade
que se reconstruirá paulatinamente e artesanalmente, conforme os sujeitos
envolvidos se dispuserem laboriosamente a tal. Por isso o que se pretenderá é
uma escola, de fato, democrática, as ações e relações escolares deverão ser
reinauguradas sem cessar.
39
Cury (2007) cita que:
“Os professores não são valorizados socialmente como merecem,
não estão nos noticiários da 1V, vivem no anonimato da sala de aula,
mas são os únicos que têm o poder de causar uma revolução social.
Com uma das mãos eles escrevem na lousa, com a outra, movem o
mundo, pois trabalham com a maior riqueza da sociedade: a
juventude. Cada aluno é um diamante que, bem lapidado. brilhará
para sempe.” (p.89)
Vamos também, lembrar que a “qualificação do professor consiste em
conhecer o mundo e ser capaz de instituir os outros a cerca desta, porém sua
autoridade se assenta na responsabilidade que ele assume por este mundo”
(ARENTI 1992, p.239).
Com isso o que se pode verificar é que educador e a escola têm um papel
crucial na vida social destes jovens e crianças. A cidadania é um dos grandes
pontos em que o professor pode trabalhar juntamente com valores que
ultimamente estão muitos perdidos. Todos estes pontos e outros podem ser
trabalhados com liberdade, mas não devemos confundir liberdade com
anarquia e falta de limites, porque é neste ponto que os adultos acabam
perdendo o contato com os alunos e acaba por acontecer o distanciamento
professor-aluno,
conhecemos
com
como:
aquelas
evasão
conseqüências
escolar,
negativas
indisciplina,
que
violência
nós
e
já
outras
conseqüências vividas por professores.
Nessa perspectiva, Aquino (2003), diz que: “primeiro diga o que espera
que eu faça e seja, para que eu possa esperar algo de você” (p.95).
No âmbito dessa questão, faz-se fundamental que isso aconteça nos
primeiros dias de aulas e sejam revistas quantas vezes se façam necessárias
ao longo do ano. Enfatizar a importância do primeiro dia de aula faz-se
necessário para que o educador comunique aos alunos ás normas que irão
reger o comportamento e as interações deles na sala de aula juntamente
combinações entre todos assim como as conseqüências resultantes das
transgressões a essas normas, de forma que os educandos saibam, desde o
inicio, que se espera deles no que diz respeito à ordem e combinações na sala
de aula.
Todavia, é preciso ressaltar que a expressão “primeiro dia de aula” deve
ser entendida em um sentido amplo, referindo-se aos encontros iniciais do
40
professor com seus alunos, ainda que não necessariamente se limite as
primeiras 24 horas de convívio.
Contudo, é correto afirmar que esta atitude não basta. É fundamental que
se faça propostas abertas e explicitas enquanto educadores, pois o importante
é que o aluno e professor saibam o que um espera do outro.
A partir dessas considerações pode-se obter um clima mais ameno e
contribuições para o bom andamento das atividades propostas nas aulas.
Vale lembrar que nem todo tipo de troca ou de relação afeta na mesma
medida todos os envolvidos. È ai que o professor vai atuar com equilíbrio,
transmitindo suas mensagens de modo que consiga efeito intenso sobre
aqueles a quem se dirige, controlando e obtendo atenção deles.
Do mesmo modo, deve-se ressaltar que já fomos alunos (ou ainda
somos) e temos a certeza de que eles saibam o que deve ser feito, mas não
podemos ficar distantes da realidade do adolescente, da necessidade que tem
em estar sendo sempre relembrado — quem inicia a ação e supervisiona o
cumprimento de tais combinados ainda é o Orientador Educacional,
Reforçando todo o enfoque que foi tratado até agora neste trabalho.
Colocou-se um anexo ao seu final, a fim de enfatizar e colaborar e colaborar
com a busca do conhecimento pertinente ao Orientador Educacional.
Temos que lembrar: “(...) sem dinheiro o homem não compra
mercadorias, mas sem educação o ser humano não sabe o seu valor, não sabe
que a vida e a sabedoria não têm preço (...)” (CURY, 2007. p.138).
“É preciso lembrar que o diálogo ainda é o melhor e mais eficaz
“remédio” para a democratização. Todavia é preciso ressaltar que a
qualidade do diálogo é um dos objetivos essenciais e que a
reconstrução e a reelaborarão dos papéis dos agentes escolares é
que deve sempre permear a relação professor — aluno. Somente
assim, pode-se-à (educadores e educandos) levar a sério ás
questões referentes aos vínculos de amizade, hospitalidade, cortesia,
respeito, lealdade, confiança e fidelidade, assim como a questão do
reencantamento ou paixão pelo mundo”. (FREIRE & COSTA, 1997,
p.8).
41
CONCLUSÃO
Vimos juntos ao longo deste trabalho, que a tarefa de por um ponto final
neste trabalho é uma condição inquietante, pois o mesmo nos levou a varias
condições da Orientação mostrando que está monografia cujo titulo é “O
Orientador Educacional no processo disciplinar”, ainda tem muito o ser
explorado. Mas é dado o momento de sua finalização, no entanto, é hcito
afirmar que defender estes trabalhos é apenas o inicio da aproximação do
assunto abordado.
Sobre tudo, não há como expressar o prazer de tecer minhas
considerações finais a partir da certeza que este é apenas uma pequena parte
de toda esta gama de reflexão.
Mas não podemos esquecer que;
“... uma maturidade racional e emocional do adulto que se relaciona
com ela: cabe ao adulto, a partir de suas atividades, assegurar
criança condições para que ela possa se organizar e realizar as
conquistas que sua maturidade biológica lhe permites.” (CRAIDY,
1998, P.35)
Sendo assim o adulto em geral tem um papel muito importante na vida de
uma criança seja ele um familiar ou a equipe de Orientação Educacional,
professores todos estes adultos tem um verdadeiro compromisso com estas
crianças.
Nesta linha de raciocínio é licito afirma que o Orientador deve ser capaz
de:
Ø Discutir com essa equipe pedagógica o currículo e o processo de
ensino-aprendizagem frente á realidade sócio-econômica da clientela;
Ø Analisar com todos os envolvidos na equipe as contradições da
escola e as relações que exerçam influência na aprendizagem;
Ø Contribuir afetivamente nas melhorias do ensino e das condições de
aprendizagem na escola;
Ø Estruturar seu trabalho a partir da análise e da critica da realidade
social, politica e econômica dos pais;
42
Ø Fundamentar cientificamente sua ação buscando novas teorias.
A escola tem o papel de formar seres humanos de caráter integro para
interagir na sociedade globalizada, fazendo com que este produza e reflita suas
ações através de princípios morais e educativos.
43
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AQUINO, J. G. Indisciplina: o contratempo das escolas democráticas. São
Paulo: Moderna, 2003.
ARENDET, H. Entre o passado e o futuro. 3° Ed. São Paulo: Perspectiva, 1992.
In: AQUINO. J. G. Indisciplina: o contratempo das escolas democráticas.
São Paulo, 2003.
CARVALHO, Maria de Lourdes da Silva. A Função do Orientador
Educacional. São Paulo. Cortes, 1979.
COHEN, H. L. & FILIPCZACK (1989) A New Learning Enviromet. Boston:
Authors Cooperative.
CURY, Augusto: Filhos Brilhantes, Alunos Fascinantes. Ed: Planeta do
Brasil, 2007.
DUBET, F. Quando o sociólogo for saber o que é ser professor, Revista
Brasileira Ed São Paulo, no 5-6,1997. In: Aquino, J. G Indisciplina: o
contratempo das escolas democráticas São Paulo: Moderna, 2003.
FAZENDA, lvani Catarina Arantes. Integração e Interdisciplinaridade no
Ensino brasileiro. São Paulo, Loyola, 1979.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário da Língua Portuguesa.
2° edição, 2001. Editora Nova Fronteira.
FREIRE & COSTA, J. A. A Etica Democrática e seus inimigos. ln: ROITMAN,
A(org) O Desafio Ético, Rio de Janeiro: Garamond, 2000.
FREIRE, PAULO. Pedagogia da Autonomia Ed: Paz e Terra.
GOTZENS, Concepción. A disciplina escolar: prevenção intervenção nos
problemas de comportamento. Fátima Murad. Porto Alegre: Artrned, 2003.
GROSSI, ESTER, Didática do Nível Silábico, RJ: Paz e Terra, 1990.
TIBA. IÇAMI. Quem Ama, Educa! SP: Ed Editora Gente-, 2002.
44
ANEXO
PROJETO DE FORMAS DE TRABALHAR A DISCIPLINA
ESCOLAR
OU (DINAMICA).
Caro Professor.
Este trabalho foi feito pensando em você.
Estão expostas algumas propostas de dinâmica para auxiliar
no processo educativo.
Atenciosamente,
Orientação Educacional.
45
Planejamento
PROJETO DE COMO TRABALHAR A INDISCIPLINA NA ESCOLA
Projeto Específico:
Ø Estimular professores à prática de dinâmica para orientar ou resolver
problemas de indisciplina que ocorrem no cotidiano da sala de aula.
Ø Demonstrar que através de dinâmicas podem gerar novos hábitos e
atitudes.
Ø Despertar para importância do uso da dinâmica para gerar novos hábitos
e atitudes.
Ø Despertar para importância do uso da dinâmica para transmitir o respeito
ás regras, combinações e limites.
Material:
Ø Dinâmica
Procedimentos:
Ø Atividades lúdicas desenvolvidas nas dinâmicas propostas
neste trabalho.
46
INTRODUÇÃO
O tema “Disciplina” tem sido muito discutido atualmente nas escolas e
famílias.
Isto tem ocorrido porque as crianças e adolescentes estão tendo uma
inversão de valores através de meios de comunicação que manipulam a
massa, e esses Jovens e crianças são os alunos de que nos deparamos dentro
de sala de aula, para continuação do trabalho de educação mas que já vem
com os valores destorcidos de seu âmbito familiar.
A entrada da criança no mundo moral “o que devo ou não fazer” se dá
num primeiro momento por uma relação assimétrica de autoridade: o respeito à
regra depende do respeito à regra depende do respeito pela pessoa que a
expõem
Os professores devem assumir que são autoridades, sem medo deste
papel, lembrando que são modelos de atuação, referencia a ser seguida pela
criança ou jovem.
Assim sua ação vale muito mai que seu discurso.
Não existem receitas prontas, a forma e a dose dependerão de muitos
fatores, especialmente dos valores, expectativas e crenças, porém, vale
compartilhar de algumas experiências que podem auxiliar os professores em
situações que ocorrem no cotidiano da sala de aula.
E nessa hora é que o “lúdico” deve entrar em ação possibilitando assim
“despertar atitudes positivas”.
Não se trabalha exatamente a disciplina nas dinâmicas, mas atividades
realizadas em grupos, que permitem uma reflexão de vida, onde o adolescente
descobre as forças vitais que possui e como as utilizá-las na sociedade em que
está inserido.
47
PORQUE TRABALHAR COM DINAMICAS?
As dinâmicas possibilitam as vivências, que ao serem refletidas
partilhadas geram um aprendizado pessoal e grupal libertador, possibilitando,
dentre outras coisas:
Ø Autoconhecimento como ser único e social;
Ø Exercício da escuta e acolhida do outro corno ser diferente;
Ø Experiência de abertura ao outro e participação grupaI;
Ø Percepção do todo e das partes, tanto da vida como da realidade que
nos cerca;
Ø Desenvolvimento da consciência critica;
Ø Confronto e avaliação da vida e da prática;
Ø Tomada de decisão de modo consciente e critico;
Ø Sistematização de conteúdos, sentimentos e experiências;
Ø Construções coletivas do saber;
Ø Desenvolver atitudes disciplinares
Para quem vai orientar a dinâmica
É fundamental:
Ø Conhecer todos os passos da dinâmica para aplicá-la com segurança;
Ø Ter clareza de objetivos, a função da dinâmica dentro do processo a
ser desenvolvido, entendendo-a como um instrumento;
Ø Possibilitar um clima de espontaneidade em que os participantes
sintam-se livres e á vontade para partilhar suas experiências;
48
Ø Perceber o nível de relações e entendimento do grupo, pois nem toda
dinâmica se adapta bem a qualquer grupo; Ela pode ser um
instrumento enriquecedor se for bem utilizada e se o grupo estiver em
condições de vivenciá-la;
Ø Observar as expressões faciais dos participantes no decorrer da
dinâmica para valorizar os sentimentos e reações de cada um;
Ø Qualquer que seja o resultado alcançado com uma dinâmica não tem
resultado errado;
Ø As dinâmicas podem ser adaptadas de acordo com a realidade e o
tamanho do grupo;
Ø E não se esqueça de que a preparação da dinâmica já é uma
dinâmica a ser refletida.
49
DINAMICA DE GRUPO
1º dinâmica: Eu e o outro
Material Utilizado: Opções: argila, massa de modelar, papel, lápis,
borracha e música. Massa: 2 copos de farinha de trigo, 1/2 copo. Reunir grupos
para os questionamentos: de água, 1 colher de sopa de óleo, corante ou não.
Deixar descansar 15 minutos, colocar em saco plástico,
Numero de participantes: 20 pessoas
Tempo aproximado: 40 minutos
Desenvolvimento: formar duplas. Cada participante receberá uma parte
do material e ao som de um fundo musical deverá tentar se modelar (ou se
desenhar). Após alguns minutos o orientador deverá interromper a música e o
trabalho, e os alunos trocaram os materiais, para que o colega termine a sua
modelagem e vice-versa,
Observar as atitudes. Concluído o trabalho, as obras-primas deverão ser
expostas.
Ø O que senti ao ver meu colega terminando meu trabalho?
Ø Aceitei que meu colega terminasse meu trabalho, ou fiquei com receio?
Ø Como moldei meu colega? Com amor?
Ø Como recebi o trabalho de volta?
50
Reflexão: No mundo, somos sempre colocados lado a lado com alguém.
Quase sempre recebemos de volta o que oferecemos. Se sorrirmos, sorriem
para nós, se agredimos também somos agredidos, se amamos, somos
amados. Uma palavra, um gesto de carinho é tão fácil, custa tão pouco e pode
transformar o dia do próximo.
Material utilizado: Fita de vídeo, papel e caneta.
Número de participantes: Máximo 25 pessoas.
Tempo Aproximado: 50 minutos.
Desenvolvimento: O orientador deverá levar uma fita de vídeo, por partes
de uma novela, programas e propagandas. Gravações rápidas e fatos
importantes. Deverá explorar o que está dando ibope no momento. Estas
“tomadas” serão exibidas sem chamar atenção para nada.
Serão formados grupos pequenos e cada um deverá apresentar um
comentário sobre o que assistiram.
Finalizando essa etapa, após a apresentação dos grupos, poderá ser
repetida a fita e o orientador poderá comentar o que não foi percebido pelos
jovens.
51
Itens a serem explorados:
Ø A inversão dos valores morais nas novelas;
Ø A exploração das classes inferiores nos programas
Ø O incentivo das propagandas para o supérfluo;
Ø Os pontos positivos dos programas.
Reflexão: Demonstrar como é importante o jovem usar a capacidade de
discernimento para que os avanços tecnológicos sejam analisados por ele e
aproveitados os lados positivos de cada realização.
3ª dinâmica: Partilha
Material utilizado: Cheques em brancos bem ampliados (tanto quantos
forem os participantes), canetas.
Números de participantes: Máximo 30 pessoas.
Tempo aproximado: 50 minutos.
Desenvolvimento: Formar grupos de 5 ou 6 componentes. Distribuir um
cheque por pessoa. Estes cheques deverão estar preenchidos com valores
relativamente altos para o nível social do grupo, valores diferentes, inclusive
disparidades (ex: um de cinqüenta mil e outro de mil).
52
Todos deverão refletir o que farão com esta quantia que acabam de
receber, deixando claro que poderão utilizar da maneira como desejarem.
Anotar no verso a decisão tomada.
Ø Durante o trabalho o orientador deverá observar as atitudes:
Ø Questionaram a diferença dos valores recebidos?
Ø Partiram para as compras desordenadamente ou refletiram primeiro?
Ø Quem recebeu muito ficou envaidecido?
Ø Utilizaram o dinheiro só para seu beneficio ou partilharam?
Será dado um tempo para que comentem no grupo como cada um gastou
seu dinheiro.
Reflexão; Devemos valorizar o que temos e o que recebemos sem nos
reocuparmos com o que o outro tem ou recebeu a mais.
Sabemos usar com precisão sejam nossos dons, nossos bens materiais e
até mesmo nosso tempo?
Jesus se preocupou em partilhar o pão e o peixe não só para saciar a
fome, mas também para manter o grupo unido. Nossa missão é sempre
partilhar o que temos e promover a união. Colocar nossos talentos a serviços
do próximo, evitando o egoísmo.
4ª dinâmica: Valores e contra valores
53
Material utilizado: Por participante: 6 círculos brancos e 4 retângulos de
cores diferentes (vermelho, verde, azul e amarelo).
Número de participantes: Máximo 20 pessoas
Tempo aproximado: 50 minutos
Desenvolvimento:
Os
participantes
deverão
formar
pares
(preferencialmente amigos mais íntimos). Distribuir para cada par seis círculos
de papel branco onde estarão escritas qualidades como: otimista, justo,
simpático, honesto, persistente, prudente, descontraído, sincero ou outras.
Entregar também uma ficha vermelha com o escrito “mais amável” uma verde
com “mais educado”, uma azul com “mais responsável”, uma amarela com
“mais sincero” (ou outras palavras escolhidas pelo orientador).
Será solicitado que as examinem bem (um ao outro), escolham dois
círculos contendo as qualidades que apreciam no amigo e no retângulo
contendo o que, em sua opinião, o colega precisa melhorar, que deverá ser
entregue ao parceiro.
Observar se entregam em primeiro lugar os círculos ou o retângulo
Em seguida, todos deverão se reunir em grupos, de acordo com a cor do
retângulo que recebeu, formando assim no máximo quatro grupos.
O orientador solicitará que comentem os elogios recebidos; em seguida
colocará em debate o que está no retângulo de cada grupo. Ex: grupo
vermelho — O que é ser amável? Quando deixamos de ser amáveis? O que
fazer para melhorar?
Dessa maneira, em cada grupo será feita uma reflexão baseada no que
os componentes do grupo estão limitados, ajustando-os a romper as barreiras
do crescimento.
Reflexão: No convívio com o outro, no diálogo do dia-a-dia, na
sinceridade e na prática do amor desinteressado vamos galgando os degraus
de nossa felicidade. A verdadeira sabedoria consiste em seguir os
ensinamentos religiosos, sendo sensatos e fraternos.
54
5ª dinâmica: Cultivando valores
Material utilizado; Flor feita em papel lustro, colorido, com 5 pétalas (com
mais ou menos 5 cm de diâmetro), quadrados, de papel oficio de 3 cm, caneta,
uma assadeira retangular com um pequeno vulcão, feito em alto relevo com
algodão umedecido com álcool e uma assadeira rasa com água, fósforo.
Número de participantes: Máximo 20 pessoas.
Tempo aproximado: 50 minutos
Desenvolvimento: O orientador distribuirá uma flor onde cada um deverá
escrever (na parte branca) seu nome no miolo e nas pétalas, alguns valores
que julga possuir. Dobrar as pétalas de maneira que o nome e as qualidades
fiquem ocultos e formem um circulo (dobrar as pétalas uma a uma sobre o
miolo)
Distribuir também o quadrado de papel para que cada um escreva, sem
que o colega tome conhecimento, uma falha que sabe ter e que gostaria de
não ter. Dobrar bem.
No centro estarão as duas assadeiras, O orientador acenderá o “vulcão”
para que todos queimem suas falhas pedindo a Deus que os liberte das
mesmas, em seguida deverão colocar as flores dobradas (com as pétalas para
cima) na água. As flores irão se abrindo lentamente e todas as qualidades
poderão ser lidas.
Reflexão: Quantos valores nossos adolescentes possuem! (comentar
alguns)
55
No momento atual estou conseguindo cultivar meus valores? Minha vida
está semelhante a um jardim florido ou um vulcão? Tento eliminar o que fere
minha integridade e o que pode ferir ao meu próximo?
No Sermão da Montanha. Jesus nos deixou claro os valores que devemos
cultivar: simplicidade, pureza, humildade, misericórdia, justiça, dentre outros. É
importante cultivá-los, reconhecer quando falhamos e tiver humildade de pedir
misericórdia de Deus.
6ª dinâmica: O caminho certo
Material utilizado: Um mapa do mundo (xerocado), canetas, música de
fundo.
Número de participantes: Máximo 30 pessoas.
Tempo aproximado: 50 minutos
Desenvolvimento: Distribuir um mapa e uma caneta para cada
participante Cada um deverá colocar um X no mapa, indicando o lugar onde
mora. Coloca-se um fundo musical bem suave solicitando que relaxem, fechem
os olhos e imaginem qual país ou cidade que gostariam de visitar, Como seria
sua chegada neste local e quem gostaria de levar consigo. Após alguns
minutos, todos deverão localizar no mapa o local de seu sonho, colocando um
quadrinho, Para chegar ao lugar que escolheu, ele poderá passar por outros
locais atraentes ou poderá ir diretamente. Pense, examine e desenhe a rota de
sua viagem.
56
Reunir em grupos para comentar sobre a “viagem”. Trocas de sonhos’
Voltando ao plenário, o orientador questionará quais locais preferidos e
(se tiver conhecido) comentar o que sabe de positivo dos mesmos.
Observar se a maioria iria diretamente ou através de desvios e de levaria
acompanhantes
Reflexão: A vida é semelhante a uma viagem. Todos temos um objetivo.
Nosso objetivo é a felicidade. Ela está no coração do homem e muitas vezes
não se percebe, O homem foi predestinado para a felicidade, só que alguns se
encantam com os desvios perigosos, levam a vida ao léu, não procuram seguir
a rota mais segura e não escolhem o meio de transporte adequado. O jovem é
dotado de qualidades, de carisma, de beleza interior e exterior, basta apenas
saber discernir o que é melhor e lutar com garra por seu ideal.
Os ensinamentos bíblicos nos mostram e necessidade e a prudência de
questionar os mais experientes e de pesquisar o que é fundamental para atingir
nosso objetivo.
57
ÍNDICE
INTRODUÇÃO
09
CAPÍTULO I
10
PAPEL DO ORIENTADOR EDUCACIONAL
10
1.1 O ORIENTADOR EDUCACIONAL
10
1.2 A PRÁTICA DO ORIENTADOR EDUCACIONAL NO COTIDIANO
ESCOLAR
13
1.3 CONHECIMENTOS PERTINENTES A ORIENTAÇÃO
14
CAPÍTULO II
20
O QUE SABEMOS SOBRE A QUESTÃO DA INDISCIPLINA ESCOLAR? 20
2.1 O EDUCADOR CONTEXTUALIZANDO COM A FAMÍLIA
20
2.2 O ORIENTADOR E A INDISCIPLINA JUNTO À FAMÍLIA
23
CAPÍTULO III
30
INDISCIPLINA: QUAL O PAPEL DO ORIENTADOR
30
3.1 A PRÁTICA DO ORIENTADOR EDUCACIONAL
30
3.2 A INDISCIPLINA E O ORIENTADOR NA ESCOLA
35
CONCLUSÃO
41
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
43
PROJETO: FORMAS DE TRABALHAR A DISCIPLINA NA ESCOLA
44
DINAMICA DE GRUPO 1º
49
DINAMICA DE GRUPO 2º
50
DINAMICA DE GRUPO 3º
51
DINAMICA DE GRUPO 4º
52
DINAMICA DE GRUPO 5º
54
DINAMICA DE GRUPO 6º
55
Download

Geórgia Aurélia da Silva Tavares