Atividade física e qualidade de vida na gravidez
Resumo
Marilisa Cardoso Abdal, Vagner Luiz da Silva, Erica Passos Baciuk
O objetivo deste trabalho foi avaliar a resposta sobre
a qualidade de vida de gestantes carentes praticantes
de atividade física regular. As grávidas convidadas que
aceitaram participar do programa de atividade física regular
de preparação para o parto representaram o grupo “com
atividade”. O grupo “sem atividade”, refere-se àquelas
que não realizaram atividades físicas durante a gravidez.
As mulheres responderam ao questionário de qualidade de
vida – WHOQOL-bref, no início e no final da gravidez. O
protocolo de exercícios constou de 50 minutos de atividades
fisioterapêuticas, duas vezes por semana, da 16ª semana
de gestação até o parto. Não se verificou associação entre
a prática de atividade física e qualidade de vida durante a
gravidez. Ambos os grupos, apresentaram escores de 60 a 70
pontos, nos diferentes domínios. Para o grupo com atividade,
observou-se melhora no domínio físico (p= 0,02) e no
domínio psicológico (p=0,04). Para o grupo sem atividade,
observou-se piora no domínio meio ambiente (p= 0,007).
Concluiu-se que a prática de atividade física entre gestantes
carentes pode trazer benefícios físicos e psicológicos. No
entanto, orientação e atenção para grávidas de baixa renda
podem revelar uma postura mais crítica sobre aspectos de
sua qualidade de vida.
Palavras-chave
qualidade de vida, exercício, gravidez, fisioterapia
Autores
Marilisa Cardoso Abdal
Aluna do 8º semestre do curso de Fisioterapia do Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino – FAE.
e-mail:
[email protected]
Vagner Luiz da Silva
Professor do Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino – FAE; Licenciado em Matemática, com Mestrado
em Física pelo Instituto de Física da Universidade Estadual de Campinas-IF/UNICAMP.
e-mail:
[email protected]
Erica Passos Baciuk
Professora do Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino – FAE; Fisioterapeuta com Doutorado em Tocoginecologia pela Faculdade de Ciências Médicas
da Universidade Estadual de Campinas FCM/UNICAMP e Mestrado em Educação
Física pela Faculdade de Educação Física
da Universidade Estadual de Campinas FEF/UNICAMP.
e-mail:
[email protected]
Recebido em 29/outubro/2008
Aprovado em 19/novembro/2008
Pensamento Plural: Revista Científica do
, São João da Boa Vista, v.3, n.1, 2009
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ABDAL, M. C. SILVA, V. L. da e BACIUK, E. P.
1.
Introdução
Informações sobre a prática de atividade física durante
o período gestacional são diversificadas, no entanto, são
poucos os trabalhos que avaliam programas específicos
para gestantes, com atenção às necessidades da própria
gravidez e do feto, assim como no momento do parto.
A literatura demonstra que a relação entre exercício físico e gravidez é complexa. Existem alguns ensaios clínicos
controlados aleatorizados que avaliaram os efeitos da atividade física moderada, na água, na gestação e parto (SIBLEY et al., 1981; PREVEDEL et al., 2003; KRAMER, 2005;
BACIUK, 2005). A orientação aos profissionais (obstetras,
fisioterapeutas, educadores físicos, entre outros) que acompanham as mulheres durante a gestação tem sido baseada
em recomendações como as do American College of Obstetricians and Gynecologists - ACOG (2002).
Os benefícios da prática de atividade física durante a
gestação são diversos e atingem diferentes partes do organismo materno. O exercício reduz e previne lombalgias,
quando realizada em associação à orientação postural
correta para a gestante; contribui para adaptação de nova
postura física melhorando a habilidade durante a atividade
física e o trabalho diário. E mais, se houver dores nas mãos
e membros inferiores, a prática de atividade física regular
tem o efeito de diminuí-las promovendo menor retenção
de líquidos no tecido conjuntivo. (KATZ, 1999; BATISTA et
al, 2003).
De acordo com Batista et al (2003) a prática regular
de exercícios moderados reduz o estresse cardiovascular,
gerando freqüências cardíacas mais baixas, maior volume
sanguíneo em circulação, maior capacidade de oxigenação, menor pressão arterial, prevenção de trombose e varizes e redução do risco de diabetes gestacional.
Acredita-se que os exercícios fortaleçam a musculatura
pélvica, sendo um importante fator para determinar nascimentos a termo; visto que existe uma preocupação com a
relação entre atividade física e prematuridade. (BATISTA et
al, 2003).
Analisando todos os aspectos que envolvem o exercício
e a gravidez, especialistas recomendam que mulheres que
já praticavam exercício antes da gravidez, podem mantêlo, e aquelas mulheres que escolhem modificar seus hábitos
de vida durante a gravidez, podem iniciar um programa de
exercício físico, desde que não tenham contra-indicações
para a prática de exercícios durante esse período. No entanto, em ambas as situações deve haver sempre o acompanhamento de profissionais capacitados (ACOG, 2002).
A prática da hidroginástica parece ser uma das atividades mais indicadas para gestantes, baseada nas orientações do ACOG (2002) e da Sociedade Canadense de
Obstetras e Ginecologistas - SOGC (DAVIES et al., 2003),
pois não depende da influência do aumento de peso corporal sobre a intensidade dos exercícios a serem realizados
(KATZ, 1999; RUOTI et.al., 2000), permitindo às mulheres
praticá-los até o final da gravidez, sem a falsa sensação
de descondicionamento (BACIUK, 2005). Mesmo não aumentando a capacidade cardiovascular das gestantes (BACIUK, 2005; PREVEDEL et al, 2003), a prática de exercícios
durante a gravidez pode trazer benefícios na experiência
do trabalho de parto como o menor uso de analgesia de
parto (CLAP III, 1990; BACIUK, 2005). Outros resultados
importantes são a não influência desta prática no tempo de
trabalho de parto ou tipo de parto, nem sobre os resultados
neonatais, confirmando que a prática de hidroginástica,
regular e moderada, por gestantes previamente sedentárias
mostra-se segura tanto para a mãe como para a criança
40
(BACIUK, 2005).
A literatura relaciona a prática de atividade física regular a uma mudança na qualidade de vida do indivíduo;
no entanto, esta mudança pode ser positiva ou negativa
quando se refere ao período gestacional (VALLIM, 2005).
Identificar os fatores que contribuem para a qualidade
de vida é uma tarefa árdua, pois os indivíduos têm valores
distintos e definem esse conceito de maneiras diferentes, o
que lhe confere um alto grau de subjetividade. A noção de
qualidade de vida está relacionada, por um lado, a condições e estilos de vida e, por outro, inclui as idéias de desenvolvimento sustentável e ecologia humana. Também se
refere ao campo da democracia, do desenvolvimento e dos
direitos humanos e sociais. É uma noção eminentemente
humana, que tem sido aproximada ao grau de satisfação
encontrado na vida familiar, amorosa, social e ambiental
e à própria estética existencial (Minayo et al., 2000 apud
VALLIM, 2005).
As intervenções que visam a melhorar a qualidade de
vida das populações, portanto, relacionam-se a vários aspectos da dinâmica social e política das sociedades.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) adotou a seguinte definição de Qualidade de vida: “a percepção do
indivíduo sobre sua posição na vida, no contexto da cultura
e dos sistemas de valores nos quais ele vive, e em relação
a seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”
(WHOQOL GROUP, 1995, p. 1405, apud ANDUJAR,
2006).
A qualidade de vida tem sido apontada como uma categoria analítica central para promover abordagens integradoras e interdisciplinares. É compreendida por diversos
autores (FLECK, 2000) como decorrente de uma construção subjetiva, multidimensional, composta por elementos
positivos e negativos. Desse modo, amplia o espectro de
análise dos processos envolvidos na perspectiva da ecologia humana.
A necessidade de avaliar a qualidade de vida em diferentes estudos científicos na área da saúde tem propiciado
o desenvolvimento de vários instrumentos. Entre os desafios
dessa tarefa está o desenvolvimento de instrumentos genéricos que possam ser utilizados de forma transcultural, a fim
de produzirem medidas comparáveis.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem enfrentado esse desafio desde o final dos anos de 1980, elaborando e utilizando mais recentemente o WHOQOL-100 e
o WHOQOL-bref (ANDUJAR, 2006).
O presente estudo poderá contribuir para a adequação
de programas direcionados para gestantes. O exercício físico possivelmente proporcionará uma melhora da condição física da gestante e diminuição de queixas comuns da
gravidez, permitindo experiência mais gratificante. Consequentemente, poderá promover melhora da qualidade de
vida da mulher.
2.
Objetivos
Avaliar a resposta sobre a qualidade de vida de gestantes carentes praticantes de atividade física regular.
3.
Método
Foram convidadas gestantes carentes da Casa da Gestante, município de São João da Boa Vista, administrada
pelas senhoras rotarianas, para participarem de atividade
física regular de preparação para o parto (com atividade).
Pertenceu ao grupo controle (sem atividade), gestantes que
frequentaram a Casa da Gestante e que não tinham inte-
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Atividade física e qualidade de vida na gravidez
resse em realizar atividades físicas durante a gravidez.
Os critérios de inclusão foram: mulheres que estavam
abaixo de 25 semanas de gestação, com feto único, sem
qualquer fator de risco gestacional e que estavam em
acompanhamento médico pré-natal comprovado.
Os critérios de exclusão foram: ter duas ou mais cesáreas anteriores e ter qualquer problema neurológico, cardiovascular, pulmonar, músculo esquelético ou endócrino
comprovado clínica ou laboratorialmente, obesidade excessiva (IMC ≥ 40) e qualquer outro que caracterizasse
risco para a gestação.
3.1 Descrição da Aplicação do Programa:
As mulheres que concordaram em participar voluntariamente do estudo, independente do grupo que escolheram,
assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido.
Foi realizado um Check-list preliminar, para verificação
dos critérios de exclusão. Pertencem ao grupo com atividade, grávidas, que demonstraram interesse e comprometimento, na realização das atividades físicas propostas. Pertencem ao grupo sem atividade, grávidas que participaram
da Casa da Gestante, e que não apresentaram interesse
em realizar atividade física regular durante a gravidez. Todas as mulheres responderam à ficha de coleta de dados
e ao questionário de qualidade de vida – WHOQOL bref,
no início do estudo (entre 12 a 25 semanas gestacionais) e
no final da gestação.
O protocolo de exercícios constou de 50 minutos de
atividades fisioterapêuticas, 2 vezes por semana, a partir
da 16ª semana de gestação até o parto, conforme o protocolo de atividade física.
O WHOQOL-bref é um questionário auto-aplicável,
com 26 questões que envolvem aspectos diversos da vida
cotidiana e abordam quatro domínios da qualidade de
vida: físico, psicológico, meio ambiente e relações sociais.
Para cada aspecto da qualidade de vida expresso no questionário WHOQOL-bref, o sujeito pode apresentar sua
resposta por meio de escores que variam de um a cinco,
sendo a condição pior no escore um e a melhor, cinco. Os
resultados dos domínios apresentam valores entre zero e
cem, sendo piores os mais próximos de zero e melhores, os
mais próximos de cem. Dessa forma, um sujeito que apresente valor igual a 50 para determinado domínio pode ser
considerado mediano para esse domínio. O cálculo dos
domínios padronizados do WHOQOL-bref segue as seguintes expressões (FLECK et.al., 2000):
Domínio Físico
Domínio Psicológico
Domínio de Relações Sociais
Domínio Meio Ambiente
O protocolo de atividade proposto compreende:
- 10 minutos de aquecimento da musculatura e articulações;
- 30 minutos de exercícios de fortalecimento muscular,
exercícios respiratórios, exercícios circulatórios e alongamentos. Os exercícios realizados neste período têm como
objetivo principal promover melhora da consciência corporal e prevenção e/ou alívio dos desconfortos próprios
da gestação;
- 10 minutos de relaxamento.
Este protocolo foi desenvolvido em solo.
As recomendações respeitadas estão discriminadas a
seguir:
- A freqüência cardíaca máxima durante o exercício
não deve exceder 140 batimentos por minuto e 15 minutos
de duração nessa freqüência;
- A realização de exercícios físicos entre 50 e 70% do
VO2 máximo. No caso de exercícios ininterruptos, no máximo 30 minutos;
- A temperatura corporal materna durante os exercícios, não deverá ultrapassar 38,5 ºC;
- Aporte calórico e hidratação adequados;
- Evitar realizar exercícios em ambientes quentes e úmidos;
- Nunca objetivar condicionamento físico;
- Evitar realizar exercícios na posição supina após o
quarto mês de gestação;
- Não objetivar ganho de flexibilidade no período gestacional;
- Não hiper estender/fletir as articulações;
- Realizar o programa de exercícios somente com a autorização médica;
- Em caso de dúvidas interromper o programa;
- Interromper a sessão de exercícios sempre para reposição de líquidos, pois é maior o risco de desidratação
durante os exercícios com a gravidez;
- Os exercícios de alongamento devem ser específicos
para um músculo ou grupo muscular e não devem envolver
diversos grupos de uma só vez;
- Evitar atividades que envolvam equilíbrio ou apoio
em somente uma perna, bem como exercícios envolvendo
saltos, impactos, reviravoltas rápidas.
Os Sinais e sintomas para interrupção do exercício foram: Dor (Coluna / Região abdominal baixa); sangramento; falta de ar; batimento cardíaco irregular; tontura; ou
fraqueza.
4.
Análise dos Resultados
Os dados foram tabulados em planilhas do excel. Foi
calculada média e desvio-padrão para os escores do questionário.
A associação entre os domínios, nos momentos inicial
e final, foi descrita em tabelas de freqüências e avaliada
pelos testes t de Student. A relação entre os escores dos domínios de qualidade de vida com perguntas de satisfação e
os grupos de estudo foi avaliada de maneira multivariada
através do teste ANOVA (delineamento fatorial). A análise
estatística foi realizada com o auxílio do programa Microsoft Excel 2003, e o nível de significância adotado foram
fixados em 5%.
5.
Resultados e Discussão
Das 17 gestantes que participaram deste estudo, 9
(nove) escolheram pertencer ao grupo com atividade, e 8
(oito) ao grupo sem atividade física.
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ABDAL, M. C. SILVA, V. L. da e BACIUK, E. P.
Na avaliação da qualidade de vida (WHOQOL-bref)
inicial, tanto no grupo com atividade como no grupo sem
atividade, a maioria (66,7% e 100%, respectivamente)
considerou-a como “boa” ou “muito boa”, e ninguém a
considerou “ruim” ou “muito ruim”. Ao final da gravidez
as respostas foram semelhantes às do início. Quanto à satisfação com a saúde, no início (88,9% com atividade e
87,5% sem atividade) disseram estar “satisfeita” e ninguém
se considerou “insatisfeita”, mantendo-se ao final as respostas.
A média dos escores obtidos em cada domínio da qua-
Domínio
Com atividade
lidade de vida é apresentada na Tabela 1, onde é possível
observar que nos quatro domínios as gestantes responderam de forma semelhante no início, demonstrando a homogeneidade da amostra. No entanto, ao final da gravidez, não foi possível observar diferença estatisticamente
significativa entre os grupos em nenhum dos domínios, ou
seja, não se verificou associação entre a prática de atividade física e qualidade de vida durante a gravidez. Resultados que concordam com os resultados de Vallim (2005)
que não encontrou associação entre a prática do exercício
físico aquático e qualidade de vida durante a gestação.
Sem atividade
p-value
Físico início
71,4
68,7
p=0,20
Psicológico início
66,7
59,3
p=0,67
Relações Sociais início
61,5
77,8
p=0,72
Meio Ambiente início
59,0
66,4
p=0,67
Físico final
72,3
63,5
p=0,68
Psicológico final
67,7
58,8
p=0,68
Relações Sociais final
65,6
71,3
p=0,53
Meio Ambiente final
60,5
66,3
P=0,55
Tabela 1: Média dos escores dos domínios na qualidade de vida das gestantes, no início e no final da gravidez,
categorizadas por grupo.
Os dois grupos de mulheres, em geral, apresentaram
escores na casa dos 60 a 70 pontos, nos diferentes domínios de avaliação da qualidade de vida, o que poderia
não ser esperado em um grupo de mulheres consideradas
carentes e que recorre ao serviço público de saúde. Estes
resultados concordam com aqueles encontrados por Vallim
(2005).
Na avaliação dos domínios da qualidade de vida para
o grupo com atividade (Gráfico 1), observou-se uma melhora no domínio físico (p= 0,02) e no domínio psicológico (p=0,04). No entanto, para os domínios das relações
sociais e com o meio ambiente, não foi observada modificação estatisticamente significativa (p=0,35 e p=0,06,
respectivamente).
Gráfico 1: Qualidade de vida por domínios para o grupo com atividade, no início e no final da gravidez
Fonte: Resultados da pesquisa dos autores.
Os resultados acima, confirmam os achados da literatura (BATISTA et. al., 2003; DAVIS et al., 2003; NOGUES,
2004), de que iniciar uma prática de atividade física orientada durante a gravidez pode trazer benefícios, mesmo entre mulheres carentes. No caso deste estudo apresentando
melhoria nos domínios físico e psicológico.
Já, na avaliação dos domínios da qualidade de vida
42
para o grupo sem atividade (Gráfico 2), observou-se piora
no domínio meio ambiente (p= 0,007). No entanto, apesar de os domínios físico (p=0,44), psicológico (p=0,11) e
das relações sociais (p=0,59) parecerem piorar na avaliação das mulheres, estas não foram significativas.
Na admissão ao estudo, as mulheres entrevistadas nos
dois grupos sentiam-se satisfeitas com sua inserção em seu
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Atividade física e qualidade de vida na gravidez
meio sócio-cultural e diante dos objetivos e expectativas
que nutriam.
Os resultados indicaram que a participação no grupo
com atividade não modificou a percepção destas mulheres
com relação ao meio ambiente, mesmo reconhecendo uma
melhora física e psicológica. No entanto, a participação no
grupo sem atividade associou-se a uma percepção diferen-
ciada acerca da qualidade relacionada ao meio ambiente.
Aspecto que merece atenção, pois estas gestantes participaram de palestras educativas ministradas por profissionais
qualificados. O resultado da avaliação deste domínio pode
revelar uma maior exigência quanto às condições de infraestrutura do serviço ou do ambiente em que estas mulheres
estão inseridas.
Gráfico 2: Qualidade de vida por domínios para o grupo sem atividade, no início e no final da gravidez
Fonte: Resultados da pesquisa dos autores.
Referências
Segundo Vallim (2005), essa postura mais crítica pode
ser vista como desejável ao revelar uma atitude mais autônoma e menos passiva, indicando que as mulheres se
reconhecem como sujeitos das intervenções, e percebem
que estas não devem se limitar apenas a aspectos técnicos.
Relata ainda, que mesmo a prática de exercício físico de
modo geral, atualmente, estando relacionada à boa saúde
e à qualidade de vida, nem sempre se sabe qual é a real
aderência por parte das pessoas inseridas em um determinado contexto socioeconômico e cultural. Os fatores que
dificultam essa prática regular são: falta de tempo, dificuldades financeiras e falta de motivação própria e que,
evidentemente, a gestação representa uma dificuldade adicional, especialmente para as mulheres de baixa renda e/
ou que têm uma atividade de trabalho regular.
6.
Considerações Finais
A prática de atividade física entre gestantes carentes
pode trazer benefícios físicos e psicológicos. No entanto,
a orientação e atenção para grávidas de baixa renda podem revelar uma postura mais crítica sobre aspectos de sua
qualidade de vida.
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Referências
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Abstract
VALLIM, A. L. B. A. Exercícios Físicos Aquáticos, Qualidade de Vida e Experiência de Pré-natal em Gestantes Atendidas em Serviço Público de Saúde. Campinas 2005. [Dissertação – Mestrado – Faculdade de Ciências Médicas
da Universidade Estadual de Campinas].
The purpose of this study was to evaluate the response on the quality of life of needy pregnant women practicing
regular physical activity. The pregnants were invited to participate in regular physical activity to prepare for the
birth the ones who accepted were named the group with activity. Belonged to the group “no activity”, those who
did not performed physical activities during pregnancy. The women responded to the quality of life questionnaire
- WHOQOL-bref, at the beginning and at the end of pregnancy. The exercise consisted of 50 minutes
physiotherapeutic activity, two times a week, from the 16th week of pregnancy until delivery. No association was
found between physical activity and quality of life during pregnancy. Both groups had scores of 60 to 70 points in
the different domains. In the group with activity, it was observed improvement in the physical domain (p = 0.02)
and in psychological (p = 0.04). In the group without activity, we observed a deterioration in the environment (p
= 0007). Final considerations: The practice of physical activity among needy pregnants can bring physical and
psychological benefits. However, orientation and attention to low-income pregnant may bring about a more critical
attitude on their quality of life.
Key words
quality of life, exercise, pregnant, physiotherapy
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