Um introdução ao HCD 1 Uma introdução ao Design centrado no Ser Humano INSPIRAÇÃO IDEAÇÃO IMPLEMENTAÇÃO O Processo de Design O Curso para o Design Centrado no Ser Humano 1 Um introdução ao HCD INSPIRAÇÃO IDEAÇÃO IMPLEMENTAÇÃO O que é Design Centrado no Ser Humano? Design Centrado no Ser Humano é uma proposta criativa para resolução de problemas e a maneira central do nosso trabalho na IDEO.org. É um processo que começa com as pessoas para quem você está projetando e termina com novas soluções que são feitas com precisão para as necessidades dessas pessoas. Design centrado no ser humano tem tudo a ver com construir uma empatia profunda com as pessoas para quem se está projetando; gerar toneladas de ideias; construir muitos protótipos; compartilhar o que você fez com as pessoas para quem está projetando; e eventualmente colocar sua solução inovadora no mundo. O Curso para o Design Centrado no Ser Humano 3 Um introdução ao HCD Para que Pode Ser Usado Este Método? Design centrado no ser humano é um processo que pode ser usado por toda a indústria e diferentes setores para resolver qualquer tipo de desafio - desde o design de produtos e serviços até design de espaços ou sistema, para mencionar alguns. Produtos Serviços Quando as pessoas pensam em design, elas geralmente pensam em primeiro lugar em produtos caros e estilosos. Mas um design de produto consciente é também muito importante em inovação social. Não somente porque todas as pessoas merecem produtos bem projetados, mas porque os desafios que aparecem quando há recursos, serviços ou infraestrutura limitados requerem novas maneiras de resolver e soluções elegantes. Para que um serviço seja eficaz, ele precisa ser considerado do início ao fim: desde como é divulgado até como é entregue. Para que um serviço tenha o impacto desejado, é essencial ter uma compreensão profunda das pessoas a quem você vai servir - não somente o que eles precisam ou desejam, mas quais limitações eles enfrentam, o que os motiva e o que é importante para eles. Como podemos projetar um fogão que reduz a quantidade de fumaça inalada por uma pessoa enquanto cozinha? Como podemos projetar um serviço de distribuição de água que forneça água potável limpa em conjunto com produtos de saúde e nutrição? Como podemos construir uma bomba de irrigação que funcione sem energia elétrica? Como podemos projetar um banheiro para famílias vivendo em áreas sem qualquer infraestrutura sanitária? O Curso para o Design Centrado no Ser Humano Como podemos projetar novos serviços estimulando pais de baixa-renda na educação de seus filhos no contra-turno escolar? Como podemos projetar um modelo de negócios sustentável para um serviço de esvaziamento de fossas sanitárias? 4 Um introdução ao HCD Espaços Sistemas Espaços físicos fornecem às pessoas sinais sobre como se comportar e influenciam em como se sentem. Ao repensar o projeto de hospitais, salas de aula, transporte público, bancos, bibliotecas, entre outros, nós podemos criar novas experiências e interações nesses espaços. O design centrado no ser humano pode ajudar a tornar os aspectos emocionais de um espaço tão importantes quanto os funcionais. Projetar sistemas tem a ver com balancear a complexidade das necessidades de agentes muito diferentes com as necessidades do conjunto social. Por exemplo, se você estivesse projetando um novo modelo de escola, existem as necessidades do alunos, pais, funcionários e professores, comunidade e talvez investidores. O design de sistemas geralmente envolve desenvolver estratégias de alto nível como definir visões, prioridades, políticas e comunicações-chave em torno dessas ideias. Como podemos projetar salas de espera de hospitais que diminuam a transmissão de doenças pelo ar? Como podemos reprojetar o programa de almoço escolar de uma cidade inteira enquanto consideramos as diferenças individuais de cada escola? Como podemos reprojetar as áreas comuns de uma estrutura de moradia comunitária para encorajar a conexão e colaboração entre vizinhos? Como podemos fazer o espaço dentro de um banco menos intimidatório para clientes de primeira viagem que estão abrindo uma nova conta? O Curso para o Design Centrado no Ser Humano Como podemos projetar um sistema ligando empreendedores sociais ao redor do mundo? Como podemos reprojetar um sistema bancário para cidadãos de baixa renda que possuem conhecimento limitado sobre bancos? 5 Um introdução ao HCD O Processo de Design O processo de design centrado no ser humano tem três fases - a fase de Inspiração, a fase de Ideação e a fase de Implementação. Ao final, você sabe que sua solução será um sucesso porque você manteve as pessoas para quem está projetando no centro do processo. Na fase de Inspiração você vai aprender diretamente com as pessoas para quem está projetando ao fazer uma imersão nas vidas deles e virá a entender profundamente suas necessidades. Na fase de Ideação você organizará o que aprendeu, identificará oportunidades de projeto e prototipará possíveis soluções. E na fase de Implementação você dará vida à sua solução e, possivelmente, a levará ao mercado. Espere passar por um processo de "mudança de marcha" constante durante as fases, indo de observações concretas ao pensamento altamente abstrato, para logo entrar nos pormenores de seu protótipo. Nós chamamos isso de divergir e convergir. Você irá divergir e convergir algumas vezes, e a cada novo ciclo você chegará mais próximo da solução que está mais adequada às pessoas para quem está projetando. IDEAÇÃO IMPLEMENTAÇÃO Eu tenho um desafio de design. Como eu começo? Como eu conduzo uma entrevista? Como eu me mantenho centrado no ser humano? Eu tenho uma oportunidade de design. Como eu interpreto o que eu aprendi? Como eu torno minhas percepções em ideias tangíveis? Como eu faço um protótipo? Eu tenho uma solução inovadora. Como eu torno real o meu coneito? Como eu meço se está funcionando? Como eu planejo para que se sustente? ER VE RG E GE DI RG VE NV DI CO E INSPIRAÇÃO O Curso para o Design Centrado no Ser Humano CO NV ER GE 6 Um introdução ao HCD Modos de Pensar de um Designer Centrado no Ser Humano Design centrado no ser humano significa trabalhar tanto com sua cabeça quanto com suas mãos. Esses Modos de Pensar revelam a filosofia por trás da nossa iniciativa para solução criativa de problemas e mostram que a maneira como pensa sobre design direciona diretamente se você vai chegar a soluções inovadoras, de alto impacto. Gaste um tempo estudando esses sete Modos de Pensar. Aprenda com os Erros Construa "Não pense nisso como fracasso, pense como experimentos de design através dos quais você irá aprender mais." "Você está tirando o risco do processo ao fazer algo simples no começo. E você sempre aprende com isso." O erro é uma ferramenta incrivelmente poderosa para o aprendizado. Projetar experimentos, protótipos e interações e testá-los está no centro do design centrado no ser humano. Assim como a compreensão de que nem tudo irá funcionar. Quando buscamos resolver grandes problemas estamos fadados a errar. Mas se adotarmos o modo correto de pensar, iremos inevitavelmente aprender algo com aquele erro. Como designers centrados no ser humano, nós construimos porque acreditamos no poder da tangibilidade e sabemos que tornar uma ideia real é uma maneira fantástica de pensar sobre ela. Quando o objetivo é conseguir soluções de impacto para o mundo você não pode ficar no campo da teoria. Você precisa tornar suas ideias realidade. Segurança Criativa Empatia "Segurança criativa é a noção de que você tem grandes ideias e que você tem a habilidade para agir a respeito delas." "Eu não posso ter qualquer ideia nova se tudo o que faço é existir em minha própria vida." Todo mundo pode agir no mundo como um designer. Geralmente tudo o que precisamos para destravar aquele potencial de um resolver dinâmico de problemas é a segurança criativa. Segurança criativa é acreditar que todos são criativos e que a criatividade não é a capacidade de desenhar ou compor ou esculpir, mas uma maneira de agir no mundo. Empatia é a capacidade de pisar com os sapatos do outro, compreender sua vida e começar a resolver problemas a partiri da perspectiva dele. O design centrado no ser humano está baseado na empatia, na ideia de que as pessoas para as quais está projetando são o caminho para soluções inovadoras. Tudo o que você precisa fazer é ter empatia, entendê-los, e trazê-los junto com você no processo de design. O Curso para o Design Centrado no Ser Humano 7 Um introdução ao HCD Abrace a ambiguidade Seja Otimista "Podemos não saber qual a resposta correta, mas sabemos que precisamos nos dar a permissão de explorar." "Otimismo é o que nos move para a frente." Os designers centrados no ser humano sempre começam do ponto em que não sabem a resposta para o problema que estão tentando resolver. E apesar de isto não ser particularmente confortável, permite que nos abramos de forma criativa para perseguir diversas ideias diferentes e chegar a soluções inesperadas. Abraçar a ambiguidade permite que nos demos a permissão para sermos fantasticamente criativos. Acreditamos que o design é inerentemente otimista. Pegar um grande desafio, especialmente um tão grande e tão difícil de tratar como a pobreza, precisamos acreditar que o progresso é uma opção. Se não acreditássemos, nem tentaríamos. Otimismo é dar chance à possibilidade, a ideia de que mesmo que não saibamos a resposta ela está aí fora e podemos encontrá-la. Iterar, iterar, iterar "O que uma proposta iterativa nos permite é que somos validados ao longo do caminho... porque estamos ouvindo das pessoas para as quais estamos projetando." O design centrado no ser humano é uma proposta inerentemente iterativa para resolução de problemas porque faz com que o retorno das pessoas para as quais estamos projetando seja uma parte crítica de como uma solução evolui. Ao iterar continuamente, refinando e melhorando nosso trabalho, nos colocamos em um lugar onde teremos mais ideias, tentaremos uma variedade de caminhos, destravaremos nossa criatividade e chegaremos mais rapidamente em soluções de sucesso. O Curso para o Design Centrado no Ser Humano 8 Um introdução ao HCD Em um lugar próximo a Hyderabad, entre a cidade e o campo, uma jovem mulher – nós a chamaremos de Shanti – busca água todos os dias de um poço a céu aberto que fica a 300 pés de sua casa. Ela usa um recipiente de plástico de 3 litros que consegue facilmente carregar em sua cabeça. Shanti e seu marido utilizam a água gratuita para consumo e banho. Mesmo que já tenham ouvido que essa água não é seguro como a da Fundação Comunitária Naandi de Tratamento, eles usam do mesmo jeito. A família de Shanti tem bebido da água por gerações e, mesmo que isso traga doenças para ela e sua família periodicamente, ela não pretende parar de usá-la. Shanti tem muitas razões para não usar a água da central de tratamento Naandi, mas não é o que você deve estar pensando. A central fica a uma distancia que ela pode facilmente ir andando – aproximadamente um terço de milha – e, além de ser bem vista, oferece a água ao preço de 10 rupias (ou 20 cents) por cinco galões. A capacidade de pagar essa pequena taxa até se tornou um símbolo de status para alguns moradores. Shanti não utiliza a água tratada por causa de uma série de falhas no design do sistema. Apesar de shanti poder andar facilmente até a central de tratamento, ela não consegue carregar o recipiente de 5 litros que eles requerem que ela utilize. Quando cheio de água, o container de plástico fica simplesmente muito pesado. Esse recipiente não foi projetado para ser carregado nos quadris ou na cabeça, que são os lugares que ela prefere para carregar objetos pesados. O marido de Shanti também não pode ajudá-la a carregar. Ele trabalha na cidade e volta apenas quando a central está fechada. Além disso, DESIGNERS TEM, a central requer que eles TRADICIONALMENTE, comprem um cartão mensal para FOCADO EM MELHORAR A 5 galões por dia. Muito mais do APARÊNCIA E A que eles precisam. “Por que eu compraria mais do que preciso e FUNCIONALIDADE DE desperdiçaria dinheiro?” pergunPRODUTOS. RE CENTEMENTE tou Shanti, acrescentando que ELES COMEÇARAM A seria mais provável ela comprar UTILIZAR FERRAMENTAS DE água da central Naandi se eles DESIGN PARA RESOLVER permitissem a compra de quantidades menores. PROBLEMAS MAIS O centro comunitário de COMPLEXOS, BEM COMO tratamento foi criado para produENCONTRAR CAMINHOS PARA zir água limpa e potável, e ele OFERECER SAÚDE DE BAIXO teve sucesso fazendo apenas CUSTO AO REDOR DO isso. De fato, ele funciona bem para muitas pessoas que vivem MUNDO. EMPRESAS FORAM na comunidade, particularmente AS PRIMEIRAS A INCLUIR famílias em que maridos ou ESSA NOVA TÉCNICA – filhos mais velhos possuem CHAMADA DE DESIGN bicicleta e podem ir ao centro de THINKING – E AGORA ONGS tratamento durante as horas de ESTÃO COMEÇANDO A trabalho. Os designers, entretanADOTÁ-LA TAMBÉM. O Curso para o Design Centrado no Ser Humano 9 Um introdução ao HCD to, perderam a oportunidade de fazer um sistema ainda melhor, pois eles falharam em incluir a cultura e as necessidades das pessoas que vivem na comunidade. Essa oportunidade perdida, mesmo parecendo óbvia, é muito recorrente. Vez ou outra, iniciativas falham pelo fato de não se basearem nas necessidades dos usuários nem testarem protótipos para obtenção de feedback. Mesmo quando as pessoas vão a campo, elas vão com ideias pré-concebidas de quais são as necessidades e as soluções. Essa prática equivocada permanece tanto no setor de negócios quanto no social. Como foi comprovado pela situação de Shanti, desafios sociais requerem soluções sistemáticas baseadas nas necessidades dos usuários. É nesse ponto que muitas técnicas falham, mas é aonde o Design Thinking – novo meio de criar soluções – tem êxito. Tradicionalmente, designers focam sua atenção em melhorar a estética e a funcionalidade de produtos. Exemplos clássicos desse tipo de trabalho são o Ipod da Apple e a cadeira Aeron da Herman Miller. Recentemente, designers têm ampliado seu trabalho criando sistemas completos para entrega de produtos e sistemas. O Design Thinking incorpora, profundamente, ideias dos usuários e uma rápida prototipagem objetivando ultrapassar as suposições que bloqueiam soluções efetivas. O Design Thinking considera as necessidades das pessoas que utilizarão um produto ou serviço e a infraestrutura que possibilita isso. Empresas estão adotando o Design Thinking porque ele ajuda a elas serem mais inovadoras, diferenciarem suas marcas e levar seus produtos e serviços ao mercado mais rápido. Organizações sem fins lucrativos também estão começado a utilizar o Design Thinking para desenvolver melhores soluções para problemas sociais. O Design Thinking atravessa barreiras tradicionais entre os setores público, com fins lucrativos e sem fins lucrativos. Trabalhando com o cliente perto, o Design Thinking proporciona o surgimento e o crescimento de soluções de alto impacto a partir da base, ao invez de serem impostas do topo. D ES IG N T HI N KI N G N O T RABAL HO Jerry Sternin, fundador da Iniciativa Positive Deviance (Desvio Positivo) e professor na Universidade de Tufts até sua morte ano passado, era habilidoso em identificar o que ele chamava de soluções estrangeiras para problemas locais. Sua prática de inovação social é um bom exemplo do Design Thinking em ação. Em 1990, Sternin e sua esposa, Monique, estavam trabalhando no Vietnã para reduzir a subnutrição entre crianças em 10 mil aldeias. Na época, 65% das crianças vietnamitas com menos de 5 anos sofriam de subnutrição e a maioria das soluções dependiam de doações governamentais de suplementos nutricionais. Mas os suplementos nunca geravam os resultados esperados. Como uma alternativa, os Sternins utilizaram uma técnica chamada de desvio positivo, que busca por soluções entre indivíduos e TIM BROWN é o CEO e o presidente da IDEO, uma empresa global de inovação e design. Ele é o autor de Change by Design: How Design Thinking Transformas our Organizations and Inspires Innovation (HarperBusiness, 2009), um livro sobre como o design thinking transforma organizações e inspira a inovação. JOCELYN WYATT lidera o grupo de inovação da IDEO, que trabalha com empresas, fundações, organizações não governamentais e multinacionais para construir competências em design thinking e ofertas inovadoras de design que atingem os objetivos de consumidores locais. O Curso para o Design Centrado no Ser Humano famílias em comunidades que já estão bem. Os Sternins e colegas do Save the Children foram em quatro comunidades na província de Than Roa e perguntaram por exemplos de famílias “muito, muito pobres” que tivessem crianças saudáveis. Eles observaram a preparação da comida e os comportamentos na hora de servir de seis dessas famílias, chamadas de ‘desviantes positivas’, e encontraram alguns comportamentos consistentes e raros. Os pais das crianças bem nutridas coletavam pequenos camarões, caranguejos e caramujos nos arrozais e os colocavam na comida, junto com algumas partes de batata doce. Mesmo esses alimentos estando prontamente disponíveis, eles normalmente não eram consumidos por serem considerados perigosos para a alimentação das crianças. Essas famílias também alimentavam suas crianças em muitas refeições pequenas, o que permite aos estômagos pequenos segurarem e digerirem mais comida todos os Praticantes de Design dias. Thinking buscam Os Sternins e o resto do improvisar soluções e grupo trabalharam com as seis famílias para oferecer aulas de encontrar caminhos culinária para famílias com para incorporá-las na crianças subnutridas. No final oferta que eles do primeiro ano do programa, criaram. Eles conside80% das 1000 crianças ram o que nós chamaenvolvidas estavam adequadamente nutridas. Além disso, o mos de beiradas os programa foi replicado em 14 lugares aonde pessoaldeias no Vietnã. as ‘extremas’ vivem, O trabalho dos Sternins é pensam e consomem um bom exemplo de como o diferentemente. Desvio Positivo e o Design Thinking dependem de experiências locais para revelarem soluções locais. Praticantes de Design Thinking buscam improvisar soluções – como os camarões, caranguejos e caramujos – e encontrar caminhos para incorporá-las na oferta que eles criaram. Eles consideram o que nós chamamos de beiradas os lugares aonde pessoas ‘extremas’ vivem, pensam e consomem diferentemente. Como Monique Sternin, agora diretora da Iniciativa Positive Deviance, explica: “Tanto o Desvio Positivo quanto o Design Thinking são técnicas centradas no ser humano. As soluções são relevantes para um contexto cultural único e não necessariamente funcionarão fora dessa situação específica.” Um programa que pode ter se beneficiado com o Design Thinking é o de distribuição de redes contra mosquitos na África. As redes são bem projetadas e, quando utilizadas, são efetivas na redução da incidência da Malária. A Organização Mundial da Saúde elogiou as redes e deu crédito a elas pela queda de número de mortes por Malária em crianças menores de cinco anos: queda de 51% na Etiópia, 34% em Gana e 66% em Ruanda. A forma que as redes foram distribuídas, entretanto, teve consequências não intencionais. No norte de Gana, por exemplo, as redes são gratuitas para mulheres grávidas e mães com filhos menores de cinco anos. Essas mulheres podem pegar a rede pronta em hospitais públicos locais. Para 10 Um introdução ao HCD todos os outros, entretanto, as redes são de difícil obtenção. Quando perguntamos a um ganês bem instruído chamado Albert, que recentemente havia contraído Malária, se ele havia dormido sob um rede contra mosquitos, ele disse que não – não havia aonde comprar uma na cidade de Tamale. Pelo fato de muitos conseguirem essas redes de graça, não compensa para os donos de lojas vende-las. Mas os hospitais também não estão equipados para vender redes extras. Como a experiência de Albert mostra, é essencial que pessoas desenvolvendo programas considerem não apenas forma e função, mas também as formas de distribuição. Alguém pode dizer que as redes gratuitas não foram projetadas para pessoas como Albert – que ele estava simplesmente fora do escopo do projeto. Mas isso seria perda de uma grande oportunidade. Sem considerar o sistema todo, as redes não podem ser amplamente distribuídas, o que torna a erradicação da Malária impossível. A O RIG EM DO DE SI GN T HI N KI N G O IDEO foi formado em 1991 como uma fusão entre a David Kelley Design, que criou o primeiro mouse para o computador da Apple em 1982, e a ID Two, que criou o primeiro computador do tipo laptop, também em 1982. Inicialmente, o IDEO focou em trabalhos de design tradicional para negócios, criando produtos como o assistente pessoal digital Palm V, escovas de dente Oral-B e cadeiras Steelcase. Esses são os tipos de objetos que são exibidos em revistas e em pedestais nos museus de arte moderna. Em 2001, o IDEO estava sendo cada vez mais solicitado para solucionar problemas que pareciam distantes do campo do design tradicional. Uma fundação de saúde nos pediu para ajudá-los a reestruturar sua organização, uma antiga companhia de manufatura queria compreender melhor seus clientes e uma universidade queria criar ambientes alternativos de estudo. Esse tipo de trabalho levou o IDEO de desenvolvedor de produtos para consumidores a desenvolvedor de experiências para consumidores. Para diferenciar esse novo tipo de design, nós começamos a chamá-lo de “design com o d pequeno”. Mas essa frase nunca parecia inteiramente satisfatória. David Kelley, também fundador do Instituto Hasso Plattner de Design na Universidade de Stanford, notou que toda vez que alguém o perguntava algo sobre design, ele pensava na palavra “thinking” (pensar) para descrever o que os designers faziam. Eventualmente, o termo Design Thinking passou a ser utilizado. O Design Thinking impulsiona capacidades que todos temos, mas estão bloqueadas pela constante prática tradicional de solução de problemas. Ele não é focado apenas em criar produtos e serviços centrados no ser humano, mas o processo com um todo é, também, profundamente humano. O Design Thinking depende da habilidade de ser intuitivo, reconhecer padrões, construir ideias que tenham tanto significado emocional quanto boa funcionalidade, e utilizar meios de comunicação além de palavras e símbolos. Ninguém quer administrar uma organização com base em sentimentos, intuição e inspiração, mas o excesso de confiança no racional e no analítico pode ser tão arriscado quanto. Design Thinking, a técnica integrada no centro do processo de design, fornece um terceiro caminho. O processo de Design Thinking é melhor ensinado como um sistema de espaços sobrepostos, que funciona em círculos, ao invés de uma sequência de passos ordenados. São três espaços para manter em O Curso para o Design Centrado no Ser Humano mente: inspiração, ideação e implementação. Pense na inspiração como o problema ou a oportunidade que motiva a busca por soluções; na ideação como o processo de gerar, desenvolver e testar ideias; e na implementação como o caminho que leva o projeto à vida das pessoas. O motivo para chamar de espaços, e não passos, é que eles não são sempre tomados sequencialmente. Os projetos podem ter que retornar para a inspiração, ideação e implementação mais de uma vez, à medida que o grupo refina suas ideias e explora novos caminhos. É normal iniciantes no Design Thinking achem o processo meio caótico. Mas durante a vida de um projeto, os participantes entendem que o processo faz sentido e alcança resultados. INSPIRAÇÃO Um ponto de partida clássico para a fase de inspiração é a visão geral. A visão geral é um conjunto de restrições mentais que proporcionam ao grupo do projeto uma noção de por onde começar, medidores para a avaliação do progresso e um conjunto de objetivos a serem realizados. Mas, assim como uma hipótese não é o mesmo que um algoritmo, a visão geral não é uma serie de instruções ou uma tentativa de resolver questões antes que elas sejam definidas. Entretanto, uma visão geral bem construída pode fazer toda a diferença no projeto. Ela não deve ser muito geral nem muito específica. Uma vez que a visão geral estiver pronta, é hora do grupo descobrir quais são as necessidades das pessoas. Meios tradicionais de fazer isso raramente geram ideias importantes. Na maioria dos casos, esses meios são simplesmente perguntar às pessoas o que elas querem. Isso pode ser útil para incrementar melhorias ao serviço ou produto, mas geralmente não leva ao tipo de descoberta que nos deixa ‘coçando nossas cabeças’ e nos perguntando por que ninguém nunca pensou nisso antes. Henry Ford entendeu isso quando disse: “Se eu perguntasse aos meus clientes o que eles queriam, eles teriam dito ‘um cavalo mais rápido’”. Apesar das pessoas geralmente não poderem nos dizer quais são suas necessidades, seus comportamentos podem nos fornecer pistas de valor inestimável. Um melhor ponto de partida é sair para o mundo e observar as experiências reais de pequenos fazendeiros, crianças em escolas, e trabalhadores de saúde comunitária enquanto elas improvisam caminhos para suas vidas diárias. É muito importante trabalhar com parceiros locais que sirvam como tradutores e guias culturais e apresentem o grupo às comunidades ajudando a criar credibilidade, assegurando o entendimento. No começo desse ano, Kara Pecknold, uma estudante na Universidade Emily Carr de Arte e Design em Vancouver, fez um estágio com a cooperativa de uma mulher em Ruanda. Sua tarefa era desenvolver um site para conectar tecelões rurais ruandeses com o mundo. Pecknold rapidamente descobriu que os tecelões tinham pouco ou nenhum acesso a computadores e internet. Ao invés de pedir para eles manterem um site, ela reformulou e ampliou a visão geral, para perguntá-los que serviços poderiam ser oferecidos para a comunidade melhorar sua forma de sustento. Pecknold utilizou várias técnicas do Design Thinking, utilizando parte de seu treinamento e parte do kit de ferramentas de Design Centrado no Ser Humano da IDEO. Como Pecknold não falava a língua das mulheres, ela pediu para que elas documentassem suas vidas e aspirações com uma câmera e 11 Um introdução ao HCD desenhassem figuras que expressassem o que seria o sucesso na comunidade. Por meio dessas atividades, as mulheres puderam ver por elas mesmas o que era importante e valioso, ao invés de ter uma pessoa de fora fazendo suposições. Durante o projeto, Pecknold também forneceu aos participantes quantias equivalentes ao salário de um dia (500 francos) para ver o que cada um faria com o dinheiro. Isso lhe permitiu ter mais ideias sobre a vida e as aspirações dessas pessoas. Além disso, as mulheres descobriram que a simples quantia de 500 francos por dia poderia gerar uma significante mudança de vida. Esse processo de visualização ajudou tanto Pecknold quanto as mulheres a priorizarem seus planos para a comunidade. Em 2008, a fundação Bill & Melinda Gates pediu ao IDEO para codificarem o processo de Design Thinking para FERRAMENTAS PARA que ele pudesse ser facilmente utilizado por ONGs comunitárias que trabalham com pequenos fazendeiros no mundo. Um grupo de designers do IDEO trabalhou por três meses com a Heifer International, o Centro Internacional de Pesquisa de Mulheres e a International Development Enterprises para entender seus processos de design de novos produtos, serviços e programas e integrá-los com os processos da IDEO. O resultado desse esforço foi o Kit de Ferramentas de Design Centrado no Ser Humano, uma organização metodológica para ser utilizada na execução do Design Thinking. O kit está disponível para download gratuito no site www.hcdtoolkit.com. - T.B. & J.W. KIT DE DESIGN THINKING I DE AÇÃO A segunda parte do Design Thinking é a ideação. Após passar tempo em campo observando e fazendo pesquisas sobre Design, o grupo passa por um processo de síntese, no qual o que foi visto e ouvido deve ser refinado em insights (ideias) que possam gerar soluções ou oportunidades de mudança. Esse processo ajuda a multiplicar opções para criar diferentes insights sobre o comportamento humano. Esses insights podem ser visões alternativas de novos produtos, ou escolhas entre várias formas de criar experiências interativas. Por meio de um teste competitivo entre as idéias, aumenta-se a probabilidade de que o resultado seja mais ousado e concreto. Como Linus Pauling, cientista e duas vezes ganhador do prêmio Nobel, disse, “Para ter uma boa ideia, primeiramente você precisa ter muitas ideias.” Ideias verdadeiramente inovadoras desafiam o status quo e se destacam em meio às outras – elas são criativamente disruptivas. Elas proporcionam uma solução completamente nova para um problema que as pessoas nem sabiam ter. É claro, mais opções significam mais complexidade. A tendência natural da maioria das organizações é restringir as opções a favor do óbvio e do possível. Entretanto, essa tendência é eficiente apenas em curto prazo. Em longo prazo, isso tende a tornar a organização conservadora e inflexível. Pensamentos divergentes são a rota, não o obstáculo, para inovação. Para conseguir pensamentos divergentes, é importante ter um grupo diverso de pessoas envolvidas no processo. Pessoas multidisciplinares – arquitetos que estudaram psicologia, artistas com MBAs ou engenheiros com experiência em marketing – geralmente demonstram essa qualidade. São pessoas com a capacidade e a disposição para colaboração através das disciplinas. Para trabalhar em um ambiente interdisciplinar, o indivíduo deve der pontos fortes em duas dimensões – a pessoa “em forma de T”. No eixo vertical, todos os membros do grupo devem ter uma profundidade de habilidades que permitam a realização de contribuições tangíveis com o resultado. O topo do “T” é aonde o design thinker é feito. Tem a ver com empatia por pessoas e por disciplinas além das já conhecidas. Isso tende a ser expresso como ser aberto a mudanças, curiosidade O Curso para o Design Centrado no Ser Humano e otimismo. Uma tendência de aprendizado por meio da prática e da experiência. (Esses são os mesmos traços que procuramos em nossas novas contratações no IDEO.) Grupos interdisciplinares geralmente movem-se para um processo de brain-storming estruturado. Com uma pergunta provocativa de cada vez, o grupo pode gerar centenas de ideias, de absurdas a óbvias. Cada ideia pode ser escrita em um post-it e compartilhada com o grupo. Representações visuais de conceitos são encorajadas e geralmente ajudam no entendimento de ideias complexas. Uma regra para o brain-storming é diferir julgamentos. Participantes devem ser encorajados a ter o maior número de ideias possível. Isso faz com que o grupo avance para um processo de agrupamento e escolha de ideias. Boas ideias naturalmente se destacam, enquanto as ruins são logo deixadas de lado. InnoCentive fornece um bom exemplo de como o Design Thinking pode resultar em centenas de ideias. Eles criaram um site que permite às pessoas postarem soluções para desafios que são definidos por membros da InnoCentive, uma mistura de empresas e organizações sem fins lucrativos. Mais de 175000 pessoas – incluindo cientistas, engenheiros, e designers do mundo todo – postaram soluções. A Fundação Rockefeller tem amparado 10 desafios de inovação social por meio do InnoCentive, e possuem 80% de sucesso em obter soluções eficazes para desafios postados por organizações sem fins lucrativos. A inovação aberta é eficaz em produzir novas ideias. A responsabilidade da filtragem das ideias, testes em campo, interações e de colocá-las no mercado, por fim, é do implementador. I MP LE ME N TA Ç Ã O A terceira parte do processo de Design Thinking é a implementação, na qual as melhores ideias geradas durante a ideação se tornam um plano de ação concreto e inteiramente conceituado. O núcleo da fase de implementação é a prototipagem, tornar ideias em produtos reais e serviços que serão testados, iterados e refinados. Por meio da prototipagem,o processo de Design Thinking busca por descobrir imprevistos na parte de implementação e consequências não intencionais a fim de se ter um sucesso mais confiável e de longo prazo. A prototipagem é particularmente importante para produtos e 12 Um introdução ao HCD serviços destinados para o mundo em desenvolvimento, no qual a falta de infraestrutura, redes de comunicação, alfabetização, e outras peças essenciais do sistema geralmente dificultam o desenvolvimento de novos produtos e serviços. A prototipagem pode validar um componente de um dispositivo, o gráfico de uma tela ou um detalhe na interação entre um doador de sangue e um voluntário da Cruz Vermelha. Os protótipos neste ponto podem ser caros, complexos e até iguais ao produto final. Quando o projeto se aproxima da finalização, e caminha em direção à implementação no mundo real, os protótipos se tornam mais completos. Após o processo de prototipagem ser finalizado e o produto ou serviço final for criado, o time de design ajuda a criar uma estratégia de comunicação. Contar histórias, particularmente utilizando recursos de multimídia, é um bom caminho para comunicar a solução para diversos parceiros e ultrapassar as barreiras linguísticas e culturais. VisionSpring, uma organização de oftalmologia de baixo custo na India proporcionou um exemplo de como a prototipagem pode ser um passo crítico na implementação. A VisionSpring, que já vendia óculos de leitura para adultos, quis fornecer, também, cuidados oftalmológicos para crianças. O esforço da VisionSpring incluiu tudo menos o design de óculos. Desde marketing por meio de grupos de auto-ajuda, até o treinamento de professores sobre a importância dos cuidados com o olho e o transporte de crianças para o centro oftalmológico local. Trabalhando com a VisionSprings, designers da IDEO prototiparam o processo de um exame de vista com um grupo de 15 crianças com idades entre 8 e 12 anos. Os designers primeiramente tentaram examinar o olho de uma menina nova com testes tradicionais. Imediatamente ela começou a chorar – a pressão da experiência era muito grande. Com a esperança de acabar com a situação estressante, os designers pediram para a professora das crianças fazer o exame do próximo estudante. Mas, novamente, a criança começou a chorar. Os designers, então, pediram para a menina examinar sua professora. Ela levou a tarefa muito a sério, enquanto seus colegas de classe olhavam com inveja. Finalmente, os designers fizeram as crianças examinarem umas as outras e falarem sobre o processo. Elas adoraram brincar de médico, e todas respeitaram e cumpriram o processo. Por meio da prototipagem a da criação de um plano de implementação para guiar e medir o projeto, o IDEO foi capaz de criar um sistema de exames de vista que funcionou para os médicos da VisionSprings, os professores e as crianças. Em setembro de 2009 a VisionSprings havia examinado 3000 crianças indianas, transportado 202 para o centro oftalmológico local e fornecido óculos para as 69 que precisavam. “Examinar e fornecer óculos para crianças geram muitos problemas singulares, então nós recorremos ao Design Thinking afim de termos uma estrutura apropriada para desenvolver a melhor estratégia de marketing e distribuição,” explicou Peter Eliassen, vice presidente de vendas e operações da VisionSprings. Eliassen acrescentou que a prototipagem fez a VisionSprings focar em ações que deixassem as crianças à vontade durante os exames. “Agora que nos tornamos uma organização adepta ao Design Thinking, nós continuaremos a utilizar protótipos para avaliar o feedback de novos projetos de mercado, feitos pelos nossos vendedores e consumidores.” O Curso para o Design Centrado no Ser Humano P R OB LE MA S S I S TÊ MI COS P R E CI S A M D E S OLU Ç ÕE S S I S TÊ MI CA S Muitas empresas sociais já usam, intuitivamente, alguns aspectos do Design Thinking, mas muitos não vão além da forma tradicional de resolução de problemas. Certamente existem empecilhos para a adoção do Design Thinking em uma organização. Talvez essa técnica não seja aceita por todos, ou a organização resista em centrar o ser humano e não consiga equilibrar as perspectivas de usuários, tecnologia e organizações. Um dos maiores empecilhos para a adoção do Design Thinking é o medo do fracasso. A noção de que não há nada errado em experimentação ou falha, desde que aconteçam antecipadamente e sejam fontes de aprendizado, pode ser difícil de ser aceita. Mas a vibrante cultura do Design Thinking vai encorajar a prototipagem – rápida e barata – como uma parte do processo criativo e não apenas como um caminho para validar ideias finalizadas. Como Yasmina Zaidman, diretora de conhecimento e comunicação no Acumen Fund, disse, “Os negócios nos quais investimos requerem criatividade constante e resolução de problemas, então o Design Thinking é um fator de sucesso real para servir à base da cadeia econômica.” O Design Thinking pode conduzir para centenas de ideias e, por fim, soluções para o mundo real que geram melhores resultados para organizações e as pessoas que elas servem. Notas 13 Um introdução ao HCD Estudo de Caso: Clean Team Vasos sanitários para as casas da população urbana de baixa renda em Ghana Para os milhões de ghanianos sem vasos sanitários dentro de suas casas, existem algumas boas opções quando se trata das funções mais básicas do nosso corpo. Trabalhando com a Unilever e com a Water and Sanitation for the Urban Poor (WSUP), o IDEO e o IDEO.org desenvolveram o Clean Team, um sistema sanitário que entrega e mantém vasos sanitários nas casas dos assinantes. O Clean Team agora serve 3500 pessoas em Kumasi, Gana, tornando vidas mais limpas, saudáveis e dignas. O Curso para o Design Centrado no Ser Humano 14 Um introdução ao HCD O Resultado Os times da IDEO e IDEO.org criaram um sistema sanitário para servir às necessidades de ghanianos de baixa renda. O serviço do Clean Team é um vaso sanitário rentável com um sistema de remoção de dejetos, mas o trabalho de design se estendeu para todo o ambiente do serviço, incluindo a marca, uniformes, modelo de pagamento e um plano de negócios. A Unilever e a WSUP comandaram o projeto com aproximadamente 100 famílias na cidade de Kumasi, Ghana, antes do lançamento em 2012. INSPIRAÇÃO A fase de inspiração do projeto foi intensa, com a necessidade de muitas entrevistas para entender todas as facetas do desafio. “Pelo fato de saneamento ser um sistema, nós sabíamos que não poderíamos fazer apenas um vaso sanitário do Clean Team”, disse Danny Alexander, designer membro do time. Após seis semanas conversando com especialistas em saneamento, observando um operador higiênico, adentrando na história do saneamento em Ghana, e conversando com moradores, ideias-chave sobre como o vaso deveria ser e como os dejetos deveriam ser coletados surgiram. Uma importante nota histórica surgiu, também: durante anos, Ghana teve coletores noturnos de dejetos, pessoas que limpavam latrinas todas as noites. Mas pelo fato de muitos coletores derrubarem dejetos nas ruas, essa prátca foi banida nos anos 90 como O Curso para o Design Centrado no Ser Humano um favor à saúde pública. Isso significou que o time poderia alavancar um comportamento já existente de remoção de dejetos, mas teriam que evitar qualquer associação com dumping ilegal. IDEAÇÃO Essa foi uma fase muito rápida no projeto, pulou de aprendizados para protótipos em sete semanas. Após o brainstorming com clientes, o time decidiu que direção tomar e começou a testar suas ideias. De quais estéticas as pessoas gostaram? Vasos separados de urina iriam funcionar? As pessoas estavam confortáveis com funcionários entrando em suas casas? Aonde o vaso ficaria nas casas? Você consegue imaginar um vaso que possa ser esvaziado apenas por um facilitador do manejo de dejetos? Por meio da construção de muitos protótipos e da modificação de vasos portáteis já 15 Um introdução ao HCD existentes, o time forneceu elementos tangíveis do serviço aos ghanianos. Eles aprenderam, também que haviam algumas limitações técnicas. Por exemplo, mesmo surgindo a opção de descarga, a escassez de água era um fator determinante. Uma das melhores partes da prototipagem é que você recebe feedback real de uma de suas ideias. O time suspeitou que ter alguém indo nas casas dos assinantes para a coleta de dejetos seria um elemento a ser oferecido pelo Clean Team. O “fantasma” dos coletores noturnos e uma história de dumping ilegal foram pontos críticos para o sistema. Será que os usuários aceitariam? Quando o time discutiu a ideia com as pessoas, eles descobriram que os consumidores ficariam mais do que felizes em retirar seus próprios dejetos se isso gerasse redução de gastos. Os potenciais assinantes também foram relutantes em permitir a entrada de funcionários em suas casas. Apesar de o time ter um pressentimento de como o sistema iria ter que funcionar, eles testaram a ideia com protótipos. Botando em prática mesmo que apenas uma parte do sistema Clean Team, o time pode aprender não apenas como as pessoas reagiriam aos vasos sanirários em suas casas, mas também a outras pessoas esvaziando-os. Ainda que os vasos se tornaram populares, as pessoas rapidamente perceberam o valor de O Curso para o Design Centrado no Ser Humano se ter uma outra pessoa tomando conta da retirada de dejetos. Uma vez que os potenciais assinantes experimentaram o que significa ter um vaso sanitário completo e o descarte adequado de dejetos, seus desejos mudaram. IMPLEMENTATION Após muitas observações e análises, a WSUP criou um protótipo real do serviço Clean Team. Pelo fato de ferramentas para a manufatura de vasos serem muito caras, a WSUP utilizou vasos de banheiros de cabine, os quais se aproximavam em cerca de 80% com os banheiros que o IDEO.org utilizaria para testar o serviço. Eles tiveram ótimos resultados, e no ano de 2012 os vasos estavam presentes na vida de 3500 pessoas. Veja mais em: www.cleanteamtoilets.com 16 Um introdução ao HCD Dejetos utilizados para gerar eletricidade ou gerar fertilizantes para fortalecer os negócios locais. Vaso com biodigestor e container de dejetos removível. Operador local franqueado fornece o serviço de coleta dos dejetos. Caminhões a vácuo fazem a transferência dos tanques. Dejeto levado para um tanque de transferência temporário da vizinhança. O design final do Clean Team incluiu um produto, um serviço, o marketing e identidade visual, e os elementos-chave para implementar o serviço como um negócio sustentável. O Curso para o Design Centrado no Ser Humano 17