FUNDAÇÃO ESCOLA DE SOCIOLOGIA E POLÍTICA DE SÃO PAULO Faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação A GESTÃO DO CONHECIMENTO E A ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO São Paulo 2002 FUNDAÇÃO ESCOLA DE SOCIOLOGIA E POLÍTICA DE SÃO PAULO Faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação A GESTÃO DO CONHECIMENTO E A ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO Andréia Gonçalves Silva Antonia Regina Q. de Oliveira Carlos Eduardo da Silva Débora Ferreira dos Santos Henrique M. Coimbra Ferreira Sadrac Leite Silva Sônia Duarte D'Ambrosio Trabalho de conclusão de curso - TCC, apresentado à Faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação - FaBCI, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo - FESPSP, como exigência parcial para obtenção do grau de Bacharel em Biblioteconomia. Coordenador: Prof. Cláudio Marcondes de Castro Filho Orientadora: Prof. Telma de Carvalho São Paulo 2002 G393 A gestão do conhecimento e a atuação do profissional da informação / Andréia Gonçalves Silva ... [et al.]; coordenador Cláudio Marcondes de Castro Filho; orientadora Telma de Carvalho – 2002 138 f. :il. ; 29 cm Demais autores: Antonia Regina Q. de Oliveira, Carlos Eduardo da Silva, Débora Ferreira dos Santos, Henrique M. Coimbra Ferreira, Sadrac Leite Silva, Sônia Duarte D'Ambrosio. Coordenador Cláudio Marcondes de Castro Filho; orientadora Telma de Carvalho. Trabalho de conclusão de curso (Bacharel) - Faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. 1. Gestão do conhecimento. 2. Profissional da Informação. 3. Bibliotecário. 4. Tecnologia da Informação. 5. Sociedade do Conhecimento. 6. Conhecimento. 7. Capital Intelectual. I. Silva, Andréia Gonçalves. II. Oliveira, Antonia Regina Q. de. III. Silva, Carlos Eduardo da. IV. Santos, Débora Ferreira dos. V. Ferreira, Henrique M. Coimbra. VI. Silva, Sadrac Leite. VII. D' Ambrosio, Sônia Duarte. CDD 658.403 Dedicamos a Deus, a nossos pais, familiares, amigos, professores e todos que colaboraram direta e indiretamente para a realização deste trabalho. Agradecimentos Agradecimentos A Deus, por nos conceder a capacidade de realizar este trabalho. Ao saudoso Professor Jaime Teixeira Filho, responsável pelo estudo da GC no Brasil. Foi uma das primeiras pessoas que contatamos quando buscávamos entender o que era a GC. Infelizmente, o prof. Jaime nos deixou de maneira repentina. Hoje, só nos resta na lembrança a sua dedicação e competência, no desenvolvimento deste tema de tão grande importância e, sua simplicidade e prontidão em nos atender sempre que foi necessário. Ao Professor Cláudio Marcondes de Castro Filho, pelas orientações, sugestões e críticas que nos incentivaram a realizar um trabalho de boa qualidade. À Prof. Telma, pelas orientações e sugestões. À Prof. Auta Barreto, pelas sugestões, explicações e envio de seus artigos. À Yara Rezende (Natura), pelas diversas leituras críticas , sugestões, envio de bibliografia e por ter nos concedido a entrevista. À Marinete (Promon), pela entrevista concedida. À Cristiane Giacomini (Promon), por fazer nosso contato com o Sr. Sérgio Alfredo. À Ana Maria Freire (Tozzini e Freire), pela entrevista concedida. À Alice Nonaka (Tozzini e Freire), pelo envio de informações referentes à biblioteca do escritório. À Nádia Hommerding, pelo envio de sua Tese - que foi de grande importância e pelas sugestões. Agradecimentos À Elisabete Neves, pela tese, sugestões, leituras críticas, incentivos e por ter se colocado à nossa disposição. À Elisabety Vargas, pelas indicações e sugestões. À Elisabety Braga Moreira (ACB), pelo envio do artigo solicitado. À Aracy Campos, pelo envio de referências e sugestões da literatura em GC. À Prof. Concilia Teodosio, pelos incentivos de sempre e revisão da ficha catalográfica. À Prof. Elisa, pelos elogios e sugestões. Ao corpo docente da FaBCI, cujos conhecimentos compartilhados ao longo de nossa formação contribuíram de forma fundamental para a execução deste trabalho Ao Prof. Fernando Duran, pelas leituras e releituras críticas, e por suas sugestões que foram de grande importância, contribuindo para a clareza deste trabalho. Ao Prof. Alfonso, pela leitura do capítulo referente à filosofia. Ao Gustavo Jacob (Andrade Gutierrez), pela entrevista concedida. Ao Sérgio Alfredo (Promon), pela entrevista concedida. Ao Cláudio Wilberg (Tozzini), por nos conceder a entrevista, enviar material referente a TI e realizar a revisão deste capítulo. Ao Dr. José Aníbal, pela revisão do português. Aos futuros bibliotecários - Marcos e Juliana - pela paciência que eles têm que ter com os alunos do 4º ano. Bem-aventurado o homem que acha sabedoria e o homem que adquire conhecimento. Melhor é a sabedoria do que as jóias; tudo o que se deseja, nada se compara com ela. - Provérbios de Salomão SUMÁRIO RESUMO / ABSTRACT LISTA DE ILUSTRAÇÃO APRESENTAÇÃO 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................ 12 2 OBJETIVOS ................................................................................................ 14 2.1 Objetivos gerais ................................................................................ 14 2.2 Objetivos específicos........................................................................ 14 3 JUSTIFICATIVA .......................................................................................... 15 4 METODOLOGIA.......................................................................................... 16 5 CONHECIMENTO: VISÃO FILOSÓFICA ................................................... 19 5.1 Tipos de conhecimento .................................................................... 23 5.2 Diferenças entre conhecimento, informação e dados .................. 26 5.3 Sociedade do conhecimento ............................................................ 32 6 GESTÃO DO CONHECIMENTO = KNOWLEDGE MANAGEMENT .......... 37 7 CAPITAIS DO CONHECIMENTO ............................................................... 53 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO ............................................................. 57 9 ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO NAS EMPRESAS: MUDANÇAS DE ATITUDES ............................................................................................. 67 9.1 Atuação do profissional da informação na Gestão do Conhecimento ............................................................................................ 75 9.2 A formação do bibliotecário: necessidade de atualização e aperfeiçoamento curricular ...................................................................... 83 10 CASES DE EMPRESAS QUE IMPLANTARAM A GESTÃO DO CONHECIMENTO ....................................................................................... 87 11 CONCLUSÃO............................................................................................. 106 12 REFERÊNCIAS .......................................................................................... 114 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ........................................................................ 121 ANEXOS ............................................................................................................. 123 GLOSSÁRIO....................................................................................................... 125 CURRÍCULOS .................................................................................................... 132 Resumo - Abstract RESUMO Este trabalho apresenta os conceitos e temas relacionados à Gestão do Conhecimento1 (GC), revelando os aspectos teóricos do conhecimento à época dos antigos filósofos e sob a ótica dos gerentes, pesquisadores e consultores empresariais da sociedade do conhecimento. Relata os objetivos buscados pelas empresas ao implantarem a GC, expondo as etapas, técnicas e ferramentas necessárias para a efetivação desse processo. Analisa a inserção dos bibliotecários no ambiente da GC, apontando o quão importante é para o profissional da informação redefinir seus objetivos, possuir uma nova postura, desenvolver determinadas habilidades comportamentais exigidas pela GC e investir em seu aperfeiçoamento curricular. Demonstra ainda a experiência de algumas empresas que implantaram a GC e a participação do bibliotecário nesse contexto. Palavras-chave: Gestão do Conhecimento – Profissional da Informação – Bibliotecário – Tecnologia da Informação – Sociedade do Conhecimento – Conhecimento – Capital Intelectual ABSTRACT This report contains the concepts and subjects related to Knowledge Management (KM). It demonstrates theoretical aspects of the knowledge that were developed by former philosophers. It also reveals how they have been analysed the knowledge society’s managers, researchers, and enterprise consultants. The goals that enterprises has to be intented in introducing KM, indicating the necessary stages, techniques and tools for reaching up this process. It also analyses the librarian’s insertion to the KM enviroment showing the importance of the information professional in redefining his intention, getting a new approach, developing specific behave skills required on KM, and investing in his career growing. Finally, demonstrate the experience taken from some enterprises which introduce the KM to their company structure, and the librarian’s participation in this context as well. Keywords: Knowledge Management - Information Professional - Librarian Information Technology - Knowledge Society – Knowledge – Intellectual Capital 1 No decorrer do trabalho o termo "Gestão do Conhecimento" será substituído pela sigla GC. Lista de Ilustrações LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 Teoria da conversão do conhecimento ................................ p. 24 Figura 2 A transformação de dados e informação em conhecimento ............................................................................................ p. 31 Figura 3 Gestão do Conhecimento nas organizações ....................... p. 43 Figura 4 Diagrama da Gestão do Conhecimento ................................ p. 45 Figura 5 Benefícios esperados pelas empresas com a implantação de um projeto de Gestão do Conhecimento ........................................... p. 49 Figura 6 Resultados esperados com a implantação da Gestão do Conhecimento ........................................................................................... p. 50 Figura 7 Os quatros capitais do conhecimento .................................. p. 54 Figura 8 Implantação da TI - Efeitos .................................................... p. 64 Figura 9 As formas de educação continuada ..................................... p. 84 Lista de Ilustrações LISTA DE ILUSTRAÇÕES Quadro 1 Exemplo didático para compreensão das diferenças entre dados, informação e conhecimento ........................................................ p. 28 Quadro 2 Os princípios da organização do conhecimento ................. p. 35 Quadro 3 Tecnologia para a Gestão do Conhecimento ....................... p. 61 Quadro 4 Evolução e características das bibliotecas nas empresas.. p. 69 Quadro 5 Perfil desejado para o profissional da informação ............. p. 71 Quadro 6 Comparação entre os perfis e atitudes dos tradicionais e dos atuais profissionais da informação .......................... p. 73 Apresentação “Descobrir consiste em olhar para o que todo mundo está vendo e pensar uma coisa diferente” - Albert Szent-Gyorgy – Prêmio Nobel de Medicina APRESENTAÇÃO O presente trabalho trata de um tema que está mobilizando gerentes, diretores, consultores empresariais e profissionais da informação/bibliotecários: a Gestão do Conhecimento - GC. A cada dia crescem a demanda de seminários, congressos e palestras que visam a discutir as questões relacionadas à GC. Deste modo, constata-se que o mercado necessitará de profissionais capacitados para atuarem no comando e implantação dessa nova ferramenta empresarial. Assim, inicia-se este trabalho com uma introdução sobre o contexto da GC e, em seguida, apresentam-se os objetivos, justificativas e metodologias aplicadas (capítulos, 2, 3 e 4). No capítulo 5 demonstram-se os temas e as definições necessárias ao estudo da GC e, o capítulo 6 trata dos conceitos, elementos e princípios da GC. O capítulo 7 aborda os fatores internos e externos que influenciam os processos da GC (capitais do conhecimento). A importância da Tecnologia da Informação para a GC é enfatizada no capítulo 8. O capítulo 9 aponta as competências e habilidades do profissional da informação, revelando a necessidade de uma nova postura diante do ambiente da GC. A experiência de algumas empresas com a GC é relatada nos cases (capítulo 10). Na conclusão, expõem-se alguns comentários e considerações sobre o tema abordado, com base nas premissas apresentadas nos capítulos anteriores. Introdução 12 “O novo paradigma da sociedade do conhecimento é ver o mundo pelo ponto de vista do conhecimento”. - Karl Sveiby 1 INTRODUÇÃO As organizações sempre se preocuparam em implantar ferramentas e instrumentos administrativos a fim de melhorar resultados, comportamentos, lucros e posição no mercado. Ao fazer uma retrospectiva na história da Administração de Empresas, constata-se que as práticas administrativas sempre acompanharam a existência das empresas, tais como: a Qualidade Total (TQM); o Downsizing; administrativa a Reengenharia implantada nas e a Empowerment. organizações é a Agora, chamada a ferramenta Gestão do Conhecimento – GC. Hoje, os métodos de produção de lucros e riquezas concentram-se no uso, controle e domínio da informação e conhecimento. Os ativos que outrora traziam riquezas (terra, trabalho, capital) não desapareceram, porém, tornaram-se secundários. Assim, informação e conhecimento transformaram-se em matériaprima para as empresas, sendo o novo motor da economia. No entanto, para que a informação e o conhecimento sejam de fato instrumentos para obtenção de riquezas, é necessário que os mesmos sejam gerenciados e, em seguida, compartilhados entre todos os membros da organização. Nesse contexto, surge a GC, cuja finalidade é identificar, coletar, armazenar e disponibilizar o conhecimento relevante para a empresa. Na prática a GC é uma ferramenta que habilita as empresas a identificarem o conhecimento tácito que circula entre seus diversos setores, deixando-o explícito Introdução 13 para toda a organização, isto é, as empresas identificam o conhecimento que está na “cabeça das pessoas”, as experiências e os talentos disponibilizando-os, por meio de banco de dados, portais do conhecimento ou páginas amarelas. Ao utilizar os processos da GC, a empresa aprende a aproveitar os recursos já existentes, aplicando as melhores práticas, sem precisar “reinventar a roda”. Este é um dos motivos que levam as organizações a aplicarem os ensinamentos da GC, uma vez que a dinâmica da sociedade, a concorrência e a competitividade do mercado não deixam espaço para aquelas empresas que não tenham soluções e criações rápidas. Entretanto, para que a GC produza “bons frutos” dentro da organização é necessário que esta seja gerenciada de uma maneira eficaz. Desta forma, surge a figura do gerente do conhecimento. Neste trabalho, pretende-se demonstrar que, apesar de não se encontrar na literatura autores que indicam a formação do gerente do conhecimento, o bibliotecário, assim como outros profissionais, poderá obter capacitação para atuar na GC. Todavia, do mesmo modo que a economia, o mercado e as organizações mudaram e se adaptaram à realidade da sociedade do conhecimento, o bibliotecário corporativo também deve fazê-lo. Logo, é fundamental que o profissional da informação adapte seu perfil a essa nova realidade, tenha uma postura agressiva e dinâmica, seja empreendedor, criativo, inovador e invista em seu aperfeiçoamento curricular. Com estas atribuições, acredita-se que o bibliotecário poderá ocupar uma vaga no “mundo das oportunidades” que estão surgindo no mercado. Capítulo 2 – Objetivos 14 “Não há vento a favor, quando não se sabe para onde vai” - Sêneca 2 OBJETIVOS 2.1 Objetivos gerais Apresentar os conceitos e temas relacionados a Gestão do Conhecimento GC, demonstrando-o como um novo campo de atuação para o profissional da informação/bibliotecário. 2.2 Objetivos específicos Relatar os aspectos teóricos do conhecimento e a evolução da sociedade do conhecimento; Demonstrar as atividades, funções e habilidades do profissional da informação/bibliotecário, diante do contexto da GC, apontando a necessidade de seu aperfeiçoamento curricular; Identificar as características e competências necessárias ao profissional que almeja atuar como gerente do conhecimento, Expor algumas experiências de empresas que ensinamentos da GC, por intermédio de estudos de casos. incorporaram os Justificativa 15 “Será útil, sem ser nocivo a ninguém”. - Descartes 3 JUSTIFICATIVA A principal razão em estudar a atuação do profissional da informação/bibliotecário no cenário da GC, justifica-se no fato do bibliotecário possuir formação acadêmica compatível e favorável às práticas da GC. Entretanto, possuir uma formação propícia não é o suficiente para inseri-lo no mercado da GC, tendo em vista que, neste novo contexto a habilidade deixa de ser técnica para se tornar comportamental. Tão logo, é fundamental que o bibliotecário desenvolva algumas habilidades comportamentais exigidas pela GC, redirecionando seus objetivos e se adaptando às transformações ocorridas na sociedade do conhecimento. Além disso, é essencial que o bibliotecário redefina alguns conceitos, aprimore e atualize seu currículo, assuma uma postura mais agressiva e inovadora, seja flexível para interagir com as mudanças que estão ocorrendo e esteja atento a evolução das Tecnologias da Informação. Para a área da Ciência da Informação, esta pesquisa visa a contribuir para os estudos sobre os novos desafios e perspectivas do profissional da informação/bibliotecário. Capítulo 4 - Metodologia 16 Não recearei dizer, porém, que julgo haver tido muita sorte em ter-me encontrado, desde a mocidade, em certos caminhos que me conduziram a considerações e máximas com as quais formei um método pelo qual, parece, tenho um meio de aumentar gradualmente o meu conhecimento. - Descartes 4 METODOLOGIA Para a execução deste trabalho, buscou-se na literatura os conceitos, princípios e temas relacionados à GC. Em seguida, efetuou-se revisão de literatura na área da Ciência da Informação, com o intuito de revelar o perfil, características, postura, competências e habilidades necessárias para o profissional da informação/bibliotecário atuar diante das oportunidades que estão surgindo no mercado. Utilizando o método de estudo de casos, retratou-se a experiência de empresas que implantaram a GC, demonstrando na prática o papel, funções e atividades do profissional que atua como gerente do conhecimento. De acordo com GIL (1997, p. 90) “o estudo de caso consiste em apresentar fatos ou resumos narrativos de situações ocorridas em empresas, órgão públicos ou em outras instituições ...”. Assim sendo, com o objetivo de narrar a situação das empresas que estão atuando na GC, realizou-se uma série de contatos com bibliotecários que de alguma forma estavam envolvidos com o estudo da GC. Para direcionar o enfoque do estudo de caso utilizou-se a monografia2 da bibliotecária Nádia 2 Ganhadora do IV Prêmio de Biblioteconomia Paulista "Laura Russo". Capítulo 4 - Metodologia 17 Hommerding que descreveu em sua dissertação de mestrado a experiência da KPMG, onde a bibliotecária Maria Luiza da Silva participou da implantação da GC. Logo após, foram mantidos contados com empresas que estavam aplicando a doutrina da GC, em seus negócios. Dentre as empresas contatadas escolheu-se o escritório de advocacia Tozzini, Freire, Teixeira e Silva e as empresas, Natura, Promon e Andrade Gutierrez. O estudo de caso foi realizado por meio de visitas às empresas quando se entrevistou o bibliotecário ou o responsável pela implantação da GC. Em algumas empresas o contato foi realizado com os dois profissionais. (Roteiro de entrevista - ANEXO A). GIL (1997) afirma ainda, que a entrevista identifica valores e padrões de ação. Desta maneira, no decurso das entrevistas coletaram-se dados referentes ao histórico da instituição, área de atuação, objetivos e expectativas quando da implantação da GC, enfatizando a participação do bibliotecário nesse processo. Para a revisão de literatura, realizou-se um levantamento bibliográfico em: livros e periódicos das áreas de Ciência da Informação, Administração e Tecnologia da Informação, Teses e Anais de Congressos de Biblioteconomia. Na Web pesquisou-se na Biblioteca Virtual nas áreas de Biblioteconomia e Ciência da Informação, nos sites voltados para a divulgação e estudo da GC, nas bases de dados do Sibi/Usp, na base da Biblioteca Digital Brasileira (link Revista Ciência da Informação) e no site de busca Google. Os descritores utilizados para elaboração da pesquisa foram: Bibliotecário e perfil e formação; Gestão e conhecimento; Gestão e conhecimento e profissional e informação; Informação e conhecimento; Profissional e informação e educação e continuada; Profissional e informação e atualização; Capítulo 4 - Metodologia 18 Profissional e informação e aperfeiçoamento; Profissional e informação e empresas; Profissional e informação e formação; Sociedade e conhecimento; Tecnologia e informação. O referido levantamento bibliográfico foi desenvolvido durante um período de seis meses. Convém ressaltar ainda, que além dos ensinamentos extraídos da literatura, buscou-se informações por intermédio de contatos pessoais com autores, pesquisadores, consultores e estudiosos da GC. Dentre eles, os professores Jayme Teixeira Filho e Auta Barreto, as bibliotecárias Yara Rezende, Elisabete Neves, Aracy Campos, a consultora Elisabety Vargas, entre outros. Deste modo, por meio destas atividades metodológicas iniciou-se a elaboração da pesquisa proposta. Capítulo 5 – Visão filosófica 19 "Sábio não é aquele que conhece muitas coisas, mas o que conhece coisas úteis" - Ésquilo - 525-456 a.C. 5 CONHECIMENTO: VISÃO FILOSÓFICA O termo “Conhecimento” sempre esteve presente nos trabalhos de muitos filósofos e pensadores, tais como: Platão, Aristóteles, René Decartes, Jonh Locke, Kant, Francis Bacon, Hegel entre outros. Segundo Nonaka e Takeuchi (1997) Platão foi quem inicialmente desenvolveu uma elaborada estrutura sobre o conhecimento, definindo-o como “crença verdadeira justificada”. Na Antigüidade (séc. V e IV a.C.), o conhecimento era considerado fonte de sabedoria e Atenas era o centro cultural, onde aconteciam as reuniões dos grandes filósofos no Areópago. O pensamento filosófico desse período pode ser caracterizado nas palavras de Pitágoras: o filósofo não é movido por interesses comerciais - não coloca o saber como propriedade sua, como uma coisa para ser comprada e vendida no mercado; também não é movido pelo desejo de competir - não faz das idéias e dos conhecimentos uma habilidade para vencer competidores ou "atletas intelectuais", mas é movido pelo desejo de observar, contemplar, julgar e avaliar as coisas, as ações, a vida; em resumo, pelo desejo do saber (CHAUÍ, 2002, p. 20). Chauí (2002, p. 112) explica que Platão distinguiu quatro formas ou graus de conhecimento que vão do grau inferior ao superior: crença, opinião, raciocínio e intuição intelectual, sendo que os dois primeiros graus deveriam ser afastados da filosofia - são conhecimentos ilusórios ou das aparências - e somente os dois últimos poderiam ser considerados válidos. Capítulo 5 – Visão filosófica 20 Aristóteles também estudou as questões relacionadas ao conhecimento, distinguindo seis formas ou graus de conhecimento: sensação, percepção, imaginação, memória, raciocínio e intuição. Ao contrário de Platão, Aristóteles afirmava que o conhecimento vai sendo formado e enriquecido por acumulação das informações trazidas por todos os graus, de modo que, em lugar de uma ruptura entre o conhecimento sensível e intelectual, Aristóteles estabeleceu uma continuidade entre eles. Embora o conhecimento tenha provocado reflexões na Antigüidade e na Idade Média, ele só se tornou uma disciplina independente da filosofia na Idade Moderna. Entre o período dos séculos XVII e XVIII a história assistiu ao apogeu da ciência, e o conhecimento passou a ser questionado pelos filósofos. René Descartes, considerado pai da filosofia moderna, iniciou os primeiros estudos sobre a capacidade e possibilidade do ser para o erro e a verdade, que resultou em um método de verificação controlável. Para Descartes a verdade definitiva só poderia ser deduzida a partir da verdadeira existência de um “eu pensante”. É de sua autoria a famosa frase “Penso, logo existo”. (NONAKA; TAKEUCHI, 1997). Francis Bacon, contemporâneo de Descartes, tinha um lema que o diferenciava dos filósofos anteriores: "Saber é poder". Bacon buscava no conhecimento não apenas um saber que não tivesse um fim em si, mas um saber instrumental que possibilitasse a dominação da natureza, isto é, o poder propriamente dito (ARANHA; MARTINS, 1993). Destas discussões surge, então, a disciplina que estuda o conhecimento sob a ótica da filosofia – a Teoria do Conhecimento ou Epistemologia - apresentada pela primeira vez pelo filósofo John Locke em sua obra "Ensaios sobre o entendimento humano", publicada em 1690. Conforme Aranha e Martins (1993, p. 23) a Teoria do Conhecimento é “uma disciplina filosófica que investiga quais são os problemas decorrentes da relação entre sujeito e objeto do conhecimento, bem como as condições do conhecimento verdadeiro". Capítulo 5 – Visão filosófica 21 Foram muitas as correntes que tentaram resolver as questões relacionadas ao conhecimento. Porém, duas se destacaram e influenciaram os filósofos da Idade Moderna, ao apresentarem soluções significativas para a problemática do conhecimento: Racionalismo: “afirmavam que a fonte do conhecimento verdadeiro é a razão operando por si mesma, sem o auxílio da experiência sensível (...). Para eles o verdadeiro conhecimento não é produto da experiência sensorial, mas sim um processo mental ideal” (CHAUÍ, 2002, p. 117). Segundo a visão dos racionalistas “existe um conhecimento a priori que não precisa ser justificado pela experiência sensorial” (NONAKA; TAKEUCHI, 1997). Empirismo: “acreditavam que a fonte de todo e qualquer conhecimento é a experiência sensível, responsável pelas idéias da razão e controlando o trabalho da própria razão (...). Suas principais formas são a sensação e a percepção. Eles alegam não existir conhecimento a priori e que a única fonte de conhecimento é a experiência sensorial” (CHAUÍ, 2002, p. 117). Como se pode observar e conforme declaram Nonaka e Takeuchi (1997, p. 27-8) as duas principais correntes filosóficas (racionalistas e empiristas) diferemse nos seus conceitos em relação à constituição da fonte do conhecimento. Jonh Locke não concordava com a posição dos racionalistas de que a mente humana já vem equipada com idéias ou conceitos inatos. Locke comparava a mente humana a uma tábula rasa ou uma folha de papel em branco, sem nenhuma idéia a priori. Por outro lado, Kant não concordava com os empiristas, os quais argumentavam que a experiência seria a única fonte de conhecimento. Kant afirmava que “embora todo conhecimento comece com a experiência isso não quer dizer que todo conhecimento surja da experiência” (p. 28). Além destas diferenças, os racionalistas e empiristas se divergem também no que diz respeito ao método pelo qual se obtém conhecimento. O racionalismo argumenta que se pode obter conhecimento por dedução (através de conceitos, leis ou teorias) e o empirismo Capítulo 5 – Visão filosófica 22 defende que o conhecimento é obtido por indução (por meio de experiências sensoriais específicas). Assim, estas foram algumas das inúmeras divergências que surgiram entre os filósofos que se posicionavam entre a razão dos racionalistas ou na experiência sensível dos empiristas. Naquela época os filósofos buscavam compreender a origem e a forma de se chegar ao conhecimento. Se era por meio da razão ou percepção, se a mente humana já nascia com algum conhecimento, ou se este era adquirido por meio de experiências. A preocupação maior era chegar ao verdadeiro caminho da fonte do conhecimento. Nos dias atuais, busca-se novamente entender as origens e conceitos do conhecimento, uma vez que este passou a ser um bem de valor na chamada sociedade do conhecimento. Nesta sociedade, o conhecimento é chamado de capital intelectual, o qual pode ser definido como a soma de experiência, talentos e conhecimentos dos indivíduos. Na ótica da sociedade do conhecimento, existem dois tipos de conhecimento: o tácito e o explícito. O conhecimento tácito é o que está na “mente das pessoas” e, o explícito é o conhecimento codificado, aquele encontrado em livros, manuais, memória de computador, entre outros. Percebe-se que, mesmo possuindo uma nova finalidade, as atuais definições de conhecimento são influenciadas pela visão dos antigos filósofos. As seis formas ou graus de conhecimento, segundo os estudos de Aristóteles sensação, percepção, imaginação, memória, raciocínio e intuição - estão presentes na teoria dos consultores e estudiosos da sociedade do conhecimento, quando estes se referem ao conhecimento tácito. Desta forma, justifica-se a razão de estudar as bases filosóficas do conhecimento antes de iniciar a apresentação do verdadeiro objetivo deste trabalho, que é abordar os temas relacionados à GC. Destarte, o conhecimento é objeto de estudo desde os tempos dos antigos filósofos. Ao estudá-lo eles buscavam o entendimento do ser, tentando descobrir a origem do conhecimento. Logo, o conhecimento era visto como fonte de Capítulo 5 – Visão filosófica 23 sabedoria. Hoje, o conhecimento é novamente fator de discussão, sendo estudado não apenas por filósofos, mas por consultores, diretores e gerentes empresariais que contemplam o conhecimento com uma visão diferente daquela exposta por Pitágoras, quando afirmava que o conhecimento não deveria ser usado para vencer competidores. Na sociedade empresarial o conhecimento é, sim, fonte para vencer competidores e gerar riquezas. Constata-se que há divergência entre a concepção do conhecimento da Antigüidade comparando-a com a atual sociedade. Entretanto, as bases filosóficas continuam influenciando os estudos da humanidade, inclusive as teorias da sociedade do conhecimento. Assim, o conhecimento tem hoje uma outra finalidade, permanecendo de maneira implícita a essência da filosofia. Nos próximos capítulos, apresenta-se a definição e conceito de conhecimento sob o ponto de vista da GC. 5.1 Tipos de conhecimento Dando prosseguimento aos conceitos relacionados à GC, expõe-se neste capítulo os tipos de conhecimentos importantes à compreensão deste tema. Segundo literatura consultada, estes conhecimentos são classificados em: tácito e explícito. O conhecimento tácito ou implícito é aquele que está na “mente das pessoas”, as experiências e insights. O conhecimento explícito é encontrado em relatórios, livros, banco de dados e palestras. É o conhecimento que outrora foi tácito e ao ser explicitado é compartilhado com todos os funcionários da instituição. Capítulo 5.1 – Tipos de conhecimento 24 Teixeira Filho (2001, p. 23) afirma que o conhecimento tácito “é aquele que as pessoas possuem, mas não está descrito em nenhum lugar, residindo apenas em suas cabeças” e, o “conhecimento explícito é aquele que está registrado de alguma forma e, assim, disponível para as demais pessoas”. Na visão de Neves (2002) o conhecimento tácito é a verdadeira chave para resolver problemas e está associado a experiências, emoções e valores do indivíduo, enquanto o conhecimento explicito é considerado um suporte para a organização. Nonaka e Takeuchi (1997, p. 68-78) argumentam que o conhecimento é criado por meio da interação entre o conhecimento tácito e explícito; assim, os autores criaram a teoria da conversão do conhecimento, conforme demonstra a Figura 1. Conhecimento tácito em Conhecimento explicito Conhecimento Tácito Socialização Externalização Internalização Combinação do Conhecimento explícito Figura 1: Teoria da conversão do conhecimento Socialização: conversão do conhecimento tácito em tácito: Na socialização, o indivíduo adquire conhecimento a partir da experiência de outros, sem utilizar a linguagem. Por exemplo, os aprendizes trabalham com seus mestres e aprendem sua arte, por meio de observação e não fazendo uso da linguagem. Capítulo 5.1 – Tipos de conhecimento 25 Externalização: conversão do conhecimento tácito em explícito: A externalização cria o conhecimento à medida que o conhecimento tácito se torna explícito, sendo expresso na forma de metáforas, analogias, conceitos, hipóteses ou modelos. Neste caso, utiliza-se a linguagem para contextualizar o conhecimento tácito. Combinação: conversão do conhecimento explícito em explícito: Na combinação, os indivíduos trocam e combinam conhecimentos utilizando meios como documentos, reuniões, conversas ao telefones ou redes de comunicação computadorizadas. Internalização: conversão do conhecimento explícito em tácito: A internalização incorpora o conhecimento explícito no conhecimento tácito; "é o aprender fazendo". O indivíduo utiliza o conhecimento encontrado em documentos, manuais ou histórias orais, e estes o ajudam a aumentar seu conhecimento tácito. É importante conceituar as diferenças entre o conhecimento tácito e explícito, uma vez que o princípio básico da GC é compartilhar o conhecimento tácito de seus funcionários e transformá-lo em conhecimento explícito por meio de banco de dados, portais do conhecimento, fóruns de discussão, entre outros. Deste modo, o sucesso das iniciativas em GC surtirá resultados positivos, à medida que a empresa disponibilizar as melhores práticas e experiências para todos os membros da organização. Capítulo 5.2 – Diferenças entre conhecimento, informação e dados 26 5.2 Diferenças entre conhecimento, informação e dados Para as empresas disponibilizarem o conhecimento tácito de seus funcionários, é necessário que saibam distinguir as diferenças existentes entre conhecimento, informação e dados. Segundo o artigo GESTÃO do conhecimento: um novo caminho, publicado na revista HSM Management (2000), muitas empresas fracassam em suas iniciativas de GC, tendo em vista que não reconhecem a diferença entre informação e conhecimento. Na doutrina da GC é importante saber distinguir as diferenças existentes entre informação, conhecimento e dados, pois, a função da GC é gerenciar o conhecimento, e não informação ou dados. Para os profissionais bibliotecários torna-se indispensável ressaltar estas diferenças, posto que os mesmos trabalham diretamente com a informação. É necessário, também, apontar as diferenças existentes entre GC e Gestão da Informação. O artigo GESTÃO do conhecimento: um novo caminho (HSM Management, 2000) destaca que a principal diferença entre as duas é o aspecto humano. Na Gestão da Informação há uma substituição do trabalhador pela máquina – automatiza-se para excluir o trabalhador, ao passo que, na GC verificase que o trabalhador é quem possui e gera conhecimento – neste caso o fator humano está sempre presente. Para Santos Jr. (2001): O conhecimento é, sem dúvida, o mais importante insumo das organizações, e sua gestão adequada cria vantagens competitivas a partir do tratamento sistemático das informações, do compartilhamento dos conhecimentos individuais para fomentar o conhecimento coletivo, a valorização do homem e de suas competências e experiências. Capítulo 5.2 – Diferenças entre conhecimento, informação e dados 27 Observa-se que, agora, o conhecimento é um fator de decisão que influenciará o destino das empresas na sociedade empresarial. Por este prisma, Santos & Sant´Ana (2002) argumentam que: transformar o conhecimento em diferencial competitivo é o grande desafio que se apresenta no novo cenário de alta competitividade do mundo atual. Desenvolver capacidades de controle e incremento do fluxo do conhecimento dentro das organizações e ambientes colaborativos será a diferença entre viver e desaparecer. A seguir, serão destacados alguns conceitos de conhecimento, informação e dados, extraídos de alguns estudiosos da GC. O “conhecimento não é nem dado nem informação mas está relacionado a ambos” (TEIXEIRA FILHO, 2001, p. 21). De acordo com o autor, os dados são valores sem significado, a informação é um dado com significado e o conhecimento é informação estruturada e contextualizada (p. 87). Nota-se, então, que conhecimento, informação e dados são conceitos relacionados que podem gerar alguns distúrbios de interpretação. Por isso, surge a necessidade de diferenciar estes conceitos na teoria da GC. A consultora da COLLECTA – Auta Barreto (2001)3 expõe uma idéia mais estruturada ao afirmar que os dados são “átomos de matéria-prima a ser trabalhada pelo homem”; a informação é a “disposição dos dados de modo que façam sentido, criando padrões e ativando significados na mente das pessoas” e, o conhecimento é o “conteúdo de valor agregado ao pensamento humano, derivado da percepção e manipulação inteligente das informações”. Dando prosseguimento aos conceitos, segundo Davenport e Prusak (1998, p. 2) “dados são um conjunto de fatos distintos e objetivos relativos a eventos”, sendo os dados os registros estruturados de uma transação. Nas organizações, os relatórios criados pelo departamento de finanças ou de contabilidade são exemplos de dados. Muitas empresas gerenciam e armazenam uma enorme 3 BARRETO, Auta Rojas. Conceitos básicos de gestão do conhecimento: apostila II. São Paulo, 2º semestre 2001. (Material didático). Capítulo 5.2 – Diferenças entre conhecimento, informação e dados 28 quantidade de dados julgando que estes são importantes e imprescindíveis, contudo, esses julgamentos são falsos. Na perspectiva dos autores “dados demais podem dificultar a identificação e extração de dados que realmente importam (...). Dados não têm significado inerente. Dados descrevem apenas parte daquilo que aconteceu; não fornecem julgamento nem interpretação e nem qualquer base sustentável para a tomada de ação. Embora a matéria-prima do processo decisório possa incluir dados, eles não podem dizer o que fazer”. (p. 3). Conforme os argumentos dos autores, conclui-se que os dados são registros que descrevem determinados elementos superficialmente, não podendo ser utilizados como base para a tomada de decisão. Entretanto, não se pode ignorar a importância dos dados, pois quando lhes são acrescentados significados estes tornam-se informação. Stewart (1998, p. 62) apresenta e exemplifica as diferenças entre dados, informação e conhecimento: Dados Informação A temperatura é de Está muito quente para essa 30 graus. época do ano (o contexto no qual os dados podem ser inseridos). Conhecimento Vamos adiar nossa viagem ou o aquecimento global é um problema mas grave que imaginávamos (conclusão tirada dos dados e da informação) Quadro 1: Exemplo didático para compreensão das diferenças entre dados, informação e conhecimento Seguindo a idéia do autor, compreende-se a diferença entre dados, informação e conhecimento por sua seqüência lógica, isto é, primeiro o indivíduo assimila os dados - a temperatura é de 30 graus, em seguida, interpreta a mensagem do dado – está muito quente para esta época do ano (informação), depois, estrutura e contextualiza esta informação para a ação, transformando-a em conhecimento – o aquecimento global é um problema mais grave do que imaginávamos. Capítulo 5.2 – Diferenças entre conhecimento, informação e dados 29 Para Onno van Ewyk4 (consultor da HCI Consulting) – “diferenciar informação de conhecimento não é tarefa muito fácil”. Para ele, “informação é um dado (fatos, números, etc), algo que se coleta e que se deixa disponível para um uso qualquer; já conhecimento é informação interpretada, colocada em um contexto específico e sempre associada a uma entidade ou pessoa”. Exemplifica a sua idéia com a seguinte questão: “saber que os EUA atacaram o Iraque em determinado dia e hora é informação; utilizar essa informação para antecipar os desembolsos adicionais que a empresa terá com suas dívidas em dólar em virtude da alteração dos preços do petróleo para reavaliar o fluxo de caixa, é conhecimento”. Conclui seu pensamento afirmando que o “conhecimento é qualquer informação que seja prontamente útil”. Também, nos comentários deste autor, o conhecimento é classificado como base para a ação, isto é, depois da informação ser estruturada e contextualizada torna-se conhecimento; no entanto, esse conhecimento deve ser relevante e utilizado para antecipar ou resolver problemas. Nos paradigmas da GC, este papel do conhecimento é fundamental, pois não adianta as organizações armazenarem uma grande quantidade de informações ou conhecimentos que não sejam úteis ou importantes. Pelo contrário, as organizações devem armazenar o conhecimento que pode ser utilizado para chegar a conclusões exatas e eficazes - o conhecimento estratégico. Contudo, para tornar-se estratégico, o conhecimento “precisa atender a alguns requisitos específicos que o transformem em algo alavancável, dentre os quais se destacam a qualidade, a exatidão, a disponibilidade, o acesso e os níveis de credibilidade, de controle e de segurança” (Onno van Ewyk). Nonaka e Takeuchi (1997) adotam a definição filosófica do conhecimento em seus argumentos “crença, verdadeira e justificada”. Para os autores, a distinção e semelhança entre conhecimento e informação são: “Primeira, o conhecimento ao contrário da informação, diz respeito a crenças e compromissos. O conhecimento é uma função de uma atitude, perspectiva ou intenção específica. 4 Fonte: Preparing for the knowledge era, de Onno van Ewyk. Artigo on-line da HCI Consulting. Disponível em <htttp://www.hci.com.au>. (Material didático). Capítulo 5.2 – Diferenças entre conhecimento, informação e dados 30 Segunda, o conhecimento ao contrário da informação, está relacionado à ação. É sempre o conhecimento ‘com algum fim’. E terceira, o conhecimento, como a informação, diz respeito ao significado. É específico ao contexto e relacional”. Os autores concluem a exposição afirmando que “a informação é um fluxo de mensagens, enquanto o conhecimento é criado por esse próprio fluxo de informação, ancorados nas crenças e compromissos de seu detentor”. Assim, “a informação é um meio ou material necessário para extrair e construir o conhecimento”. E “o conhecimento está essencialmente relacionado com a ação humana” (p. 63-64). Rezende (2002, p. 124) afirma que a “informação, por si só não gera novos conhecimentos. Informação gera conhecimento quando algo de novo é criado a partir das suas possíveis interpretações”. Os conceitos expostos requerem compreensão e conscientização da importância do conhecimento na sociedade pós-industrial, para que as organizações estejam aptas para trabalhar com os ensinamentos da GC, e colher resultados positivos e promissores. A importância da informação e do conhecimento nas organizações propicia propostas inovadoras, a informação passa a ser um elemento estruturante, contribuindo com eficácia, se se considerar que a gestão do conhecimento se apóia no valor da informação e na organização de sistema de informação e de conhecimento (CARVALHO, 2001). A figura a seguir, ilustra, num ambiente organizacional, a transição de dados em informação e a transformação de informação em conhecimento. Capítulo 5.2 – Diferenças entre conhecimento, informação e dados 31 Figura 2: A transformação de dados e informação em conhecimento5 Com base nos argumentos dos autores apresentados, percebe-se que existem pequenas nuances nas distinções entre conhecimento, informação e dados. O conhecimento é atingido pela soma e interpretação de dados e informação. A informação como única fonte de referência não é conhecimento, mas a partir do momento que esta informação é contextualizada se transforma em conhecimento. Com os dados acontece o mesmo processo: quando lhes são introduzidos significados transformam-se em informação. No novo cenário econômico, conhecimento e informação são utilizados como fator estratégico. 5 Fonte: SANTANA (2002) apud SANTOS & SANT´ANA (2002, p. 6). Capítulo 5.2 – Diferenças entre conhecimento, informação e dados 32 Logo, é necessário que a sociedade empresarial compreenda, na GC, as diferenças existentes entre estes conceitos. De acordo com Ferreira e Santos (1999/2000, p. 152) “para que o conhecimento se torne fator de vantagem na empresa, é preciso que o desempenho dos profissionais que tratam a informação seja eficaz”. Nesta perspectiva, surge a figura do bibliotecário, que também deverá estar capacitado para poder cumprir com as funções de seleção, codificação e armazenamento do conhecimento e informação relevantes para organização. 5.3 Sociedade do conhecimento “Uma nova civilização está emergindo em nossas vidas e por toda parte há cegos tentando suprimi-la”. Com esta afirmação Tofler (1997, p. 23) inicia um discurso falando de uma transformação da qual ele não tinha muitas informações. Contudo, considerava que esta transformação causaria mudanças extraordinárias na vida das pessoas batizando-a de “Terceira Onda”. Segundo suas afirmações, a Primeira Onda veio com a descoberta da agricultura, a segunda ocorreu com as mudanças impostas pela Revolução Industrial, e a Terceira Onda ainda estaria por vir. Hoje, com as transformações estabelecidas pela sociedade do conhecimento, pode-se considerar que o mundo vive em meio a Terceira Onda. Mesmo sem saber o alcance das mudanças que viriam, Tofler afirmava que a Terceira Onda traria consigo métodos de produção que tornariam secundárias as linhas de montagem das fábricas. Na realidade da Terceira Onda, a sociedade empresarial está vivenciando uma transformação nos modelos estratégicos de administração das empresas. A revolução que outrora foi industrial, hoje é tecnológica. A velocidade com que a Capítulo 5.3 – Sociedade do conhecimento 33 tecnologia está presente no mundo chega a ser surpreendente. O sistema bancário está totalmente informatizado - as pessoas podem efetuar transações bancárias sem precisarem sair de casa; as mesmas pessoas transportam um computador no bolso (palmtop) ou em uma mala (laptop), e podem, ainda, receber e-mails pelos seus aparelhos celulares (CAVALCANTI et al., 2001). Desta maneira, a tecnologia domina grande parte do sistema de produção e organização mundial, impondo-se na sociedade de uma forma que todos devem se adaptar a essa nova realidade. Neves (2002, p. 26) afirma que “assim como a Revolução Industrial provocou mudanças radicais na vida das pessoas, a ‘Revolução da Informação/Conhecimento’ também provocará”. Assim, a sociedade industrial vem sofrendo uma influência da sociedade do conhecimento. Se antes os conceitos básicos de produção, economia, riqueza e poder estavam concentrados nos elementos terra, trabalho e capital (teoria de Adam Smith (1723-1790) e Jean Baptiste Say (1767-1832), hoje, para esta mesma economia, riqueza e poder rendem-se a quem domina e mantém o conhecimento (CAVALCANTI et al., 2001). “Na verdade o conhecimento é hoje o único recurso com significado. Os tradicionais “fatores de produção” – terra (isto é, recursos naturais), mão-de-obra e capital – não desapareceram, mas tornaram-se secundários” (DRUCKER, 2001, p. 21). O autor ensina ainda, que a informação e o conhecimento passaram a ser os maiores produtores de riquezas. A Microsoft é um exemplo bem claro dessa nova realidade, seu proprietário - o empresário Bill Gates é um dos homens mais ricos do planeta. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) (...) mais de 55% da riqueza mundial advém do conhecimento e dos denominados bens ou produtos intangíveis, como softwares, patentes, royalties, serviços de consultoria e bens culturais como filmes, música e entretenimento em geral (OCDE, 1999 apud CAVALCANTI et al., 2001, p. 21). Com base na pesquisa da OCDE, pode-se concluir que na "nova sociedade" o conhecimento terá o papel de protagonista nas organizações, isto é, será o fator de produção de bens e riquezas. Na concepção de Peter Drucker Capítulo 5.3 – Sociedade do conhecimento 34 apud Cavalcanti et al. (2001, p. 24) "as empresas vitoriosas do século XXI deverão ser aquelas que tiverem condições de criar novos produtos e serviços intensivos em conhecimento”. De acordo com os autores, o conhecimento será o motor da economia na sociedade do conhecimento. Contudo, para que isso aconteça, será necessário que as empresas concentrem-se nas influências e ensinamentos da sociedade pós-industrial. Os autores citados, também afirmam que existem três leis da sociedade industrial, que são diferentes quando aplicadas à sociedade do conhecimento (p. 27-29). (a) Utilização de matéria-prima: Na sociedade industrial, quanto mais se consome uma determinada matéria prima, menos ela estará disponível. Por exemplo, quanto mais se extrair carvão de uma mina, menos carvão se terá. Nos paradigmas da sociedade do conhecimento a tendência é que este processo seja diferente. Quando se extrai o conhecimento de dentro das pessoas, elas não perdem nada com isso, pelo contrário, aumentam seu conhecimento, por interagir com outras pessoas. “Ao contrário dos recursos físicos, o conhecimento cresce quando é compartilhado” (SVEIBY, 1998, p. 33). A vantagem do conhecimento é sustentável porque gera retornos crescentes e dianteiras continuadas. Ao contrário dos ativos materiais, que diminuem à medida que são usados, os ativos do conhecimento aumentam com o uso: idéias geram novas idéias e o conhecimento compartilhado permanece com o doador ao mesmo tempo que enriquece o recebedor (DAVENPORT; PRUSAK, 1998, p. 20). (b) Relações de mercado: Na sociedade industrial quando alguém vende um bem transfere a propriedade e a posse para o comprador, o bem passa a ser de quem o comprou. Esta relação não ocorre na sociedade do conhecimento, pois, na venda de um software, a empresa fabricante transfere apenas a posse do suporte físico, isto é, Capítulo 5.3 – Sociedade do conhecimento 35 a concessão de direito de uso. Todavia, não há a transferência da propriedade do conhecimento utilizado para a criação do mesmo. (c) Custo do produto: Na sociedade industrial, o custo da produção de um automóvel depende de fatores como energia, matéria-prima e mão-de-obra. Logo, mesmo que se produza em grande escala o custo ainda é significativo. Ao contrário da sociedade industrial, na sociedade do conhecimento a tendência é de que o custo da produção se reduza à medida que ele se torne acessível a um número maior de pessoas. O quadro a seguir expõe os paradigmas e perspectivas da sociedade industrial e da sociedade do conhecimento. Visto pelo paradigma industrial, Visto pelo paradigma do ou de uma perspectiva industrial conhecimento, ou de uma perspectiva do conhecimento Item Pessoas Base do poder dos gerentes Luta de poder Principal tarefa da gerência Informação Produção Fluxo de informações Forma básica de receita Estrangulamento na produção Manifestação da produção Fluxo de produção Efeito do porte Relacionamento com o cliente Conhecimento Finalidade do aprendizado Valores do mercado acionário Economia Geradores de custo ou recursos Nível relativo na hierarquia organizacional Trabalhadores físicos versus capitalistas Supervisão de subordinados Instrumento de controle Geradores de receita Nível relativo de conhecimento Trabalhadores do conhecimento versus gerentes Apoio aos colegas Ferramenta para o recurso da comunicação Trabalhadores físicos processando Trabalhadores do conhecimento os recursos físicos para criar convertendo conhecimento em produtos tangíveis estruturas intangíveis Via hierarquia organizacional Via redes colegiadas Tangível (dinheiro) Intangível (aprendizado, novas idéias, novos clientes, P&D) Capital financeiro e habilidades Tempo e conhecimento humanas Produtos tangíveis (hardware) Estruturas intangíveis (conceitos e software) Regido pela máquina, seqüencial Regido pelas idéias, caótico Economia de escala no processo Economia de escopo das redes de produção Unilateral pelos mercados Interativo pelas redes pessoais Uma ferramenta ou um recurso O foco empresarial entre outros Aplicação de novas ferramentas Criação de novos ativos Regido pelos ativos tangíveis Regido pelos ativos intangíveis De redução de lucros De aumento e redução de lucros Quadro 2: Os princípios da organização do conhecimento6 6 Extraído de Sveiby (1998, p. 32). Capítulo 5.3 – Sociedade do conhecimento 36 Nota-se, com as exposições dos autores, que são inúmeras as mudanças e exigências impostas pela sociedade do conhecimento. A principal delas está em reconhecer o conhecimento como fator essencial para o desenvolvimento, competitividade e sucesso das organizações. Junto com o conhecimento, está a tecnologia que também se impõe no mercado, tornando-se um elemento fundamental na sociedade do conhecimento. A GC surge neste ambiente como uma ferramenta que ensinará as organizações a gerenciarem e organizarem o seu bem de maior valor: o conhecimento. Deste modo, será necessário uma mudança de conceitos, comportamentos e crenças da sociedade de um modo geral. As empresas deverão adaptar-se a essa nova realidade, para se garantirem no mercado. E o profissional da informação/bibliotecário precisará acompanhar essas transformações, inserir-se na realidade da Terceira Onda, atuando, assim, neste novo cenário, desempenhando um papel importante nas organizações, conforme argumenta Hommerding (2001, p. 4): Os profissionais da informação surgem então neste novo ambiente, dominado pela tecnologia e impregnado de profissionais com formações variadas, como elemento catalisador e tradutor de uma nova realidade, na qual a informação já não é mais o passivo, mas sim o grande ativo de uma sociedade ansiosa por sua captura, imprescindível para a sobrevivência e o desenvolvimento. Capítulo 6 - Gestão do Conhecimento = Knowledge Management 37 "Numa economia onde a única certeza é a incerteza apenas o conhecimento é fonte segura de vantagem competitiva" - Ikujiro Nonaka 6 GESTÃO DO CONHECIMENTO = “KNOWLEDGE MANAGEMENT” A preocupação e estudo com o conhecimento existem desde os tempos dos filósofos gregos. Ao longo dos anos, as empresas utilizavam o conhecimento implicitamente, sem ter ciência de sua importância. A partir da década de 90, com o surgimento da "Gestão do Conhecimento" (GC) – ou “Knowledge Management” (KM) – teoria de Karl Erik Sveiby (considerado pai da GC) e por meio do conceito "trabalhador do conhecimento" segundo a concepção de Peter Drucker7, o conhecimento passa a ser valorizado pelas organizações. Introduzidos os primeiros ensinamentos da GC, algumas empresas se lançaram a implantá-la - sem mesmo entender seu significado - enquanto outras afirmavam que era apenas um modismo passageiro. Durante toda a década de 90, autores e consultores empresariais escreveram sobre os conceitos, fundamentos e técnicas para implantação da GC. Hoje, verifica-se que a GC é o "tema da moda", apresentando-se como ferramenta estratégica em várias organizações. A cada dia, surgem cursos, congressos, palestras, seminários e discussões que abordam seus conceitos, 7 Não há um consenso na literatura em relação à criação do conceito GC, alguns autores afirmam que o criador foi Karl Sveiby, outros Peter Drucker”. Capítulo 6 - Gestão do Conhecimento = Knowledge Management 38 resultados e impactos. Com a GC romperam-se os paradigmas da economia baseada no capital físico (mão-de-obra, matéria-prima, capital financeiro), cedendo espaço para o capital humano (habilidades, competências e conhecimentos). A dinâmica da denominada sociedade do conhecimento “exige” que as organizações sejam inovadoras, criativas, pró-ativas, eficientes e tenham posicionamento estratégico. Assim, a GC é um instrumento que habilita as organizações a incorporarem o conhecimento como fator essencial para a produção e geração de produtos e riquezas. Conforme Rocha (2000), a grande missão da GC é “tornar conhecido o saber referente aos produtos, processos e tecnologias da empresa, nos níveis necessários e suficientes para a solução de problemas. É um processo articulado, contínuo e intencional de geração, codificação, disseminação e apropriação do conhecimento”. Santos (1996, p. 13) defende a necessidade de um projeto de gestão nas empresas que assegure o fluxo de informações úteis, contribuindo, assim, para o aumento de sua competitividade: Um dos principais problemas enfrentados pelas empresas para aumentar a sua competitividade, reduzir seus custos e desenvolver novos produtos e serviços é a falta de um serviço de gestão, com a missão específica de assegurar o fluxo perene das informações úteis, ou seja, aquelas informações cuja não-aquisição e não-mobilização do seu conhecimento pode comprometer, de forma irremediável os objetivos maiores da empresa. Embora, alguns autores argumentem que gerenciar e transferir conhecimentos entre pessoas sejam uma tarefa árdua, empresas como, Ernest Young, KPMG, Arthur Andersen, Hewlett-Packard e a Construtora Andrade Gutierrez já utilizam os ensinamentos da GC como fonte de vantagem competitiva. Segundo revisão bibliográfica, define-se GC como: Capítulo 6 - Gestão do Conhecimento = Knowledge Management 39 "Coleção de processos que governa a criação, disseminação e utilização do conhecimento para atingir plenamente os objetivos da organização" (TEIXEIRA FILHO, 2001, p, 22); "Trata-se de uma ferramenta gerencial para administrar a informação e agregar-lhe valor: ao filtrá-la, sintetizá-la e resumi-la, ajuda os profissionais a conseguir o tipo de informação que necessitam para passar a ação" (artigo GESTÃO do conhecimento: um novo caminho, publicado na revista HSM Management, 2000, p. 51); "A tarefa de identificar, desenvolver, disseminar e atualizar o conhecimento estrategicamente relevante para a empresa seja por meio de processos internos, seja por meio de processos externos às empresas" (FLEURY; OLIVEIRA, 2001, p. 19); "O sistema ou conjunto de sistemas utilizado para processar, refinar, capturar, analisar, interpretar, organizar, expressar e controlar informações no sentido de torná-las imediatamente útil como conhecimento" (Onno van Ewyk, consultor internacional filiado a HCI Consulting)8; "O conjunto de atividades que busca desenvolver e controlar todo tipo de conhecimento em uma organização visando à utilização na consecução de seus objetivos" (MORESI, 2001, p. 37); "Processo de criar valor pelo uso dos ativos intangíveis da empresa. É a transformação da informação em conhecimento e do conhecimento em negócio" (REZENDE, 2002, p. 125); "Processo empregado pelas empresas para capturar e compartilhar o conhecimento tácito, através da colaboração entre profissionais e permitir 8 Onno van Ewyk, op. cit. Capítulo 6 - Gestão do Conhecimento = Knowledge Management 40 acesso a toda a informação da empresa estruturada ou não" (Auta Barreto, consultora da COLLECTA S/C LTDA)9; "Na prática, gestão do conhecimento inclui: identificar e mapear os ativos intelectuais ligados à empresa; gerar novos conhecimentos para oferecer vantagens na competição do mercado; tornar acessíveis grandes quantidades de informação corporativas, compartilhando as melhores práticas e a tecnologia que torna possível tudo isso - incluindo groupware e intranets" (BARROSO; GOMES, 1999); "Conjunto integrado de ações que visa a identificar, capturar, gerenciar e compartilhar todo ativo de informações de uma organização. Essas informações podem estar sob a forma de banco de dados, documentos impressos e, principalmente, nas pessoas através de suas experiências, habilidades, relações pessoais e fundamentalmente de suas vivências" (HOMMERDING, 2002, p. 4); “Processo integrado destinado a criar, organizar, disseminar e intensificar o conhecimento para melhorar o desempenho global da organização” (CHIAVENATO, 2000, p. 681); “Gestión del conocimiento: Es el proceso sistemático de detectar, seleccionar, organizar, filtrar, presentar y usar la información por parte de los participantes de la organización, con el objeto de explotar cooperativamente los recursos de conocimiento basados en el capital intelectual propio de las organizaciones, orientados a potenciar las competencias organizacionales y la generación de valor” (PAVEZ SALAZAR, 2000). 9 BARRETO, op. cit. Capítulo 6 - Gestão do Conhecimento = Knowledge Management 41 Em linhas gerais, a GC é a ferramenta utilizada para criar, identificar, coletar, codificar, disponibilizar e compartilhar o conhecimento relevante para a organização. Em primeiro lugar, a GC transmite a importância do conhecimento às instituições, agregando-lhe valor. Em seguida, há o estímulo para criar novos conhecimentos - (identificando os já existentes), a coleta, a codificação e por último a disseminação e compartilhamento do conhecimento. Os dois fatores essenciais para a GC são o conhecimento e seu compartilhamento. Nesta realidade, o capital humano é o ativo principal para a organização. O conhecimento existente na “cabeça das pessoas” torna-se o bem de maior valor para as empresas. As estratégias de se investir em tecnologia, máquinas e outros ativos tangíveis são substituídas pelos investimentos em ativos intangíveis (conhecimento, habilidade e criatividade dos funcionários). Numa abordagem prática, a GC busca conscientizar as organizações a valorizarem o conhecimento, gerenciando-o, organizando-o e incentivando seus funcionários a criarem novos conhecimentos e não perderem tempo com questões ou problemas já resolvidos em outras situações. Com isso, quando for necessário, o funcionário encontrará a referência ou solução para o seu problema (se for uma questão reincidente) sem ter que perder tempo com a questão. O artigo GESTÃO do conhecimento: um novo caminho, publicado na revista HSM Management (2000, p. 53-4), declara que “o tema central da Gestão do Conhecimento é aproveitar os recursos que já existem na empresa para que as pessoas procurem, encontrem e empreguem as melhores práticas em vez de tentar reinventar a roda”. E que normalmente quando trabalham com a GC, as empresas escolhem alguns dos caminhos relacionados a seguir: “Capturar, armazenar, recuperar e distribuir ativos tangíveis de conhecimento, tais como patentes e direitos autorais; Capítulo 6 - Gestão do Conhecimento = Knowledge Management 42 Coletar, organizar e disseminar conhecimentos intangíveis, tais como knowhow e especialização profissional, experiência individual, soluções criativas, etc.; Criar um ambiente de aprendizado interativo, no qual as pessoas transfiram prontamente o conhecimento, internalizem-no e apliquem-no para criar novos conhecimentos”. De acordo com Teixeira Filho (2001, p. 41), no processo da GC “o conhecimento é transmitido por pessoas e para pessoas, através de meios estruturados como vídeos, livros, documentos, páginas da WEB, etc. Além disso, as pessoas obtêm conhecimento daqueles que já o têm, pelo aprendizado interpessoal e o compartilhamento de experiências e idéias”. Para o autor, este conhecimento que as pessoas conquistam em suas relações interpessoais deve ser facilmente captado, armazenado e comunicado entre as diversas áreas da empresa. Esta prática é um dos fatores essências para a GC. A figura a seguir, reproduz os elementos e atividades existentes no processo da GC. Capítulo 6 - Gestão do Conhecimento = Knowledge Management 43 Cultura e valores Processos Pessoas Outros usos Identificar Coletar Adaptar e usar Estratégias Gerência Criar Armazenar/ catalogar Compartilhar Disponibilizar Tecnologia 10 Figura 3: Gestão do Conhecimento nas organizações Criar: Criação de novas idéias e projetos que se transformem em estratégias e vantagens competitivas para a empresa; Identificar: Localizar modelos de conhecimento que agreguem valor para a organização. Estes conhecimentos podem provir de fontes internas (funcionários, Pesquisa e Desenvolvimento - P&D, projetos, reuniões, Intranet) ou externas (fontes de informação, Internet, cursos, livros); Coletar: Selecionam-se e avaliam-se as fontes de informação e conhecimento relevantes para a organização; 10 Fonte: MOURA, A. H. de. Algumas referências básicas para a Gestão do Conhecimento. Disponível em: <http://www.ddic.com.br>. Acesso em: 01 jun. de 2002. Capítulo 6 - Gestão do Conhecimento = Knowledge Management 44 Armazenar/Catalogar: Codifica-se ou representa-se o conhecimento coletado, armazenando-o em bancos de dados; Disponibilizar: Após o armazenamento do conhecimento, deve-se disponibilizá-lo para toda a organização, utilizando as interfaces de acesso (Internet e Intranet) ou por acesso direto ao banco de dados da empresa; Compartilhar: Esta fase exige um empenho e participação de todos funcionários, bibliotecários, gerentes e diretores. A organização que possui a capacidade de compartilhar o conhecimento estratégico, deixando-o ao alcance de todos, atinge os principais objetivos da GC – criar novos conhecimentos, utilizar e aperfeiçoar os já existentes, reduzir o tempo de resposta para a solução dos problemas e valorizar o conhecimento na empresa, transformando-o em um bem mensurável; Adaptar e usar: Efetuadas todas as fases do processo da GC, a organização estará com uma estrutura que lhe proporcionará aperfeiçoarse, desenvolver-se e impulsionar-se no mercado. Entretanto, as empresas devem ter consciência que o processo da GC (tal como foi apresentado na Figura 3) é um ciclo, não possuindo um fim, é um processo contínuo, que dever ser apoiado e incentivado por todos os membros da organização. O processo da GC não se limita apenas ao fator “organização do conhecimento”, sendo uma atividade mais complexa. Assim, além das atividades relacionadas anteriormente, o processo relaciona-se com outras “causas”, por exemplo, com a estrutura da empresa (funcionários, matéria-prima, clientes, métodos, equipamentos, contatos e colaboradores). A Figura 4, adaptada do “Diagrama Causa e Efeito”11 de Kaouru Ishikawa, demonstra a relação entre o “efeito” (GC) e todas as possíveis “causas” que 11 Conhecido também como Diagrama Espinha de Peixe, o Diagrama de Ishikawa é utilizado na Gestão da Qualidade Total (Total Quality Management - TQM), com o objetivo de relacionar um efeito, observando sua possíveis causas. Capítulo 6 - Gestão do Conhecimento = Knowledge Management 45 contribuem para este efeito (os 6 M’s: matéria-prima, máquina, medida, mão-deobra, meio ambiente e método). Matéria Prima Publicações Centro de Informação Máquina Conhecimento Explícito Hardware Documentos Internet Intranet Conhecimento Tácito Remuneração Variável Learning Organization Mão de Obra Equip. diversos Clima Organizacional Medida Pesquisa Mercado Inteligência Competitiva Indicadores desempenho Gestão Conhecimento Sist. Informação Corporativo Ambiente Sustentável Avaliação de Desempenho Planejamento Estratégico Meio Ambiente Método Rotinas padronizadas Conversão de Conhecimentos Compartilhamento do conhecimento Figura 4: Diagrama da Gestão do Conhecimento12 Quando a organização proporciona que todas as fases do processo da GC sejam realizadas em sua plenitude, alcança-se o verdadeiro objetivo da GC. Para Hommerding (2001, p. 88) um dos objetivos da GC “é possibilitar que as pessoas , contribuam para o conhecimento coletivo da empresa, retirando dele o que precisam para seu autodesenvolvimento e, ao mesmo tempo, o aperfeiçoamento das operações e do desempenho organizacionais”. 12 Fonte: VARGAS, Elisabeth. Gestão do conhecimento é efeito. Revista de Ciências da Administração 6. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, n. 6, p. 39-43, set. 2001. Capítulo 6 - Gestão do Conhecimento = Knowledge Management 46 Conforme Pavez Salazar (2000) os objetivos da GC estão relacionados com o plano estratégico da empresa: Formular uma estratégia de alcance organizacional para o desenvolvimento, aquisição e aplicação do conhecimento; Implantar estratégias orientadas para o conhecimento; Promover a melhora contínua dos processos de negócio, enfatizando a criação e utilização do conhecimento; Monitorar e avaliar os lucros obtidos mediante a aplicação do conhecimento; Reduzir os tempos gastos em desenvolvimentos de novos produtos e melhorar os já existentes; Reduzir os custos associados à repetição de erros. A questão relacionada à implantação da GC requer uma transformação na administração, doutrina, processos, estrutura e comportamento das empresas, dos seus funcionários e colaboradores. Terra (2001, p. 236-8) argumenta que a GC depende de uma análise profunda dos seguintes elementos: ambiente econômico e social, evolução tecnológica, lógica organizacional e concepções sobre a natureza humana. E não envolve apenas a adoção de algumas práticas gerenciais, mas também, “um grau elevado de compreensão, estímulo e mesmo empatia com os processos humanos básicos de criação e aprendizado, tanto individual, como coletivo”. Segundo o autor, a transformação de práticas gerenciais deve ser um processo permanente, não devendo ser exercida somente na fase de implementação. Santos (1996) possui a mesma opinião do citado autor em relação à implantação da GC, ao defender que na implantação de sistemas de GC, não basta pura e simplesmente transferir modelos exitosos de gestão e de Capítulo 6 - Gestão do Conhecimento = Knowledge Management 47 transferência de conhecimento. Barroso e Gomes (1999) corroboram que independente dos sistemas e ferramentas da GC e dos recursos da Tecnologia da Informação (TI), há algumas etapas que não podem ser esquecidas na aplicação da GC: Identificar que ativos de conhecimento a empresa tem, respondendo especificamente os seguintes itens: Onde está o ativo de conhecimento? No que ele consiste? Qual o seu uso? Em que forma se apresenta? O quão acessível ele é?; Analisar como o conhecimento pode agregar valor, examinando os aspectos a seguir: Quais são as oportunidades de uso do ativo de conhecimento? Quais seriam os efeitos deste uso? Quais os atuais obstáculos a este uso? Como o valor da empresa seria aumentado?; Especificar que ações são necessárias para atingir melhor utilização e agregação de valor, o que significa: Como planejar as ações para usar o ativo de conhecimento? Como deslanchar as ações?; Como monitorálas?; Revisar o uso do conhecimento para assegurar a agregação de valor, monitorando os resultados, desta forma: Este uso produziu agregação de valor desejado? Como o ativo de conhecimento pode ser mantido para este uso? O uso desse ativo criou novas oportunidades? Para os autores, estas bases devem estar presentes em qualquer implantação da GC. Na concepção de Terra (2001, p. 237-8), as mudanças necessárias às empresas para atuarem na GC relacionam-se com os seguintes fatores: Capítulo 6 - Gestão do Conhecimento = Knowledge Management “desenvolvimento Conhecimento” estratégico implica, e organizacional: necessariamente, o a 48 “Gestão do desenvolvimento de competências inter-relacionadas nos planos estratégicos, organizacionais e individuais (...); investimentos em infra-estrutura tecnológica: é evidente que tecnologias de comunicação que facilitam o compartilhamento de conhecimento explícito e implícito fazem parte da “Gestão do Conhecimento” (...); cultura organizacional: sem um ambiente que torne o aprendizado, a elaboração e o compartilhamento de conhecimentos (tácitos ou explícitos) parte do dia-a-dia dos funcionários, as estratégias corporativas e os investimentos em infra-estrutura dificilmente atingirão seus objetivos relacionados ao desenvolvimento e alavancagem dos vários níveis e formas de conhecimento organizacional (...)”. Quanto aos benefícios que as empresas poderão obter em implantar a GC, estes se relacionam à lucratividade das organizações. Com a GC a empresa poderá antecipar-se na resolução de problemas, ganhará tempo e terá oportunidade de competir no mercado. A vantagem competitiva impulsiona as empresas a implantarem a GC. Hommerding (2001, p. 87) afirma que “A Gestão do Conhecimento leva ainda à geração de novos conhecimentos que ofereçam vantagens competitivas no mercado, tornando acessíveis grandes quantidades de informações corporativas (...). A Gestão do Conhecimento aumenta a inovação na organização, o tempo de resposta, a competência e a eficiência das ações”. Toda organização deseja estar à frente de seu concorrente. Outro benefício que as empresas ganham ao implantar a GC é proteção contra possíveis desligamentos de funcionários. Assim, é fundamental que o conhecimento de um determinado funcionário seja compartilhado com os demais. Capítulo 6 - Gestão do Conhecimento = Knowledge Management 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 49 17,46 14,6 12,7 8,57 7,94 12,06 8,57 9,21 5,08 2,86 0,95 1 Abertura de novas oportunidades de negócios Cadeia de fornecimento mais eficiente Compartilhar melhores práticas Maior interação de produtos Maiores lucros Melhor retenção de especialistas Melhor serviço ao cliente Melhor tempo de resposta ao mercado Melhor tomada de decisão Saber quem possui que tipo de conhecimento Outros Figura 5: Benefícios esperados pelas empresas com a implantação de um projeto de Gestão do Conhecimento 13 No Brasil, a GC encontra-se em um patamar considerável. Segundo Cavalcanti e Gomes (2000), no Brasil há todos os elementos para um ambiente de inovação: empreendedores, pesquisadores, inventores e investidores. O único problema existente refere-se à questão da cultura do brasileiro em relação a outros países. Segundo pesquisa realizada, em setembro de 2000, pelo Centro de Referência em Inteligência Empresarial – CRIE da COPPE/UFRJ, mais de 75% das empresas brasileiras se interessam pelo assunto GC. Para Jayme Teixeira Filho, consultor da Informal Informática, as primeiras iniciativas inovadoras estavam restritas aos países do exterior, mas hoje, estas iniciativas inovadoras 13 Fonte: GOMES, Elisabeth; CAVALCANTI, Marcos. Quanto vale o mercado de gestão do conhecimento no Brasil? Inteligência Empresarial, Rio de Janeiro, n. 9, p. 10, out. 2001. Capítulo 6 - Gestão do Conhecimento = Knowledge Management 50 estão presentes nas empresas brasileiras, em especial nas organizações governamentais, que eram consideradas atrasadas tecnologicamente (informação verbal). O gráfico a seguir demonstra os resultados esperados pelas empresas brasileiras em suas iniciativas de GC. 22,33 25 20 15 12,94 10 16,50 16,18 14,24 7,13 6,80 3,88 5 0 Administrar o relacionamento com os demais Administrar propriedades industriais, patentes, etc. Adotar e compartilhar as melhores práticas Alocar as pessoas certas ao lugar certo Desenvolver o treinamento corporativo Fazer inteligência competitiva (monitorar o ambiente de negócios) Gerenciar a cadeia de suprimentos Outros Figura 6: Resultados esperados com a implantação da Gestão do Conhecimento 14 GOMES, Elisabeth; CAVALCANTI, Marcos, op. cit. p. 9. 14 Capítulo 6 - Gestão do Conhecimento = Knowledge Management 51 Desta forma, a GC surge como uma verdadeira revolução nas crenças, costumes e estrutura da sociedade empresarial no Brasil e no mundo, exigindo que a sociedade, as empresas, os funcionários e o profissional da informação/bibliotecário tenham um posicionamento diferente e redirecionem seus objetivos, de modo que, estes se adaptem aos paradigmas da GC. Entretanto, conforme ensinam Cavalcanti e Gomes (2000) as empresas não devem contentarse em gerar novos conhecimentos, fazer apenas a pesquisa pela pesquisa ou simplesmente coletar informações e guardá-las sem capacidade de inovar e criar novos produtos e serviços; uma empresa com essa visão de GC tende a fracassar. Para que isso não aconteça, é importante que os funcionários tenham autonomia dentro das empresas e estejam motivados a compartilhar seus conhecimentos, “sem medo de que o outro possa tomar o seu lugar”. Neste sentido, Neves (2002, p. 27) afirma que “o que vai determinar que o conhecimento informal seja bem aproveitado é a consciência dos trabalhadores da importância do seu papel de contribuintes no processo de Gestão de Conhecimento”. Destacase também, a indispensabilidade de uma mobilização, participação, e conscientização de todos os membros da instituição em identificar, criar, capturar, organizar e compartilhar o conhecimento relevante para a empresa, gerenciando-o de uma maneira eficaz. Nas correntes da administração, participação e autonomia são conceitos que aparecem em diversas técnicas administrativas, em vista disso, recomenda-se que esses conceitos sejam aplicados também na GC. Além destas características, outro fator importante para o processo de GC é a existência de uma comunicação assídua entre todos os membros da organização. Vallim (2000, p. 27) ensina que a “comunicação parece ser a palavra-chave para gerenciar o conhecimento nas organizações”. Para a autora, experiências não compartilhadas e informações armazenadas inadequadamente, não levam ao conhecimento útil. Somam-se a estas particularidades, a necessidade de iniciativas das empresas em incentivar o pensamento criativo do funcionário e estimular a participação de todos com bonificações ou premiações. Assim, através de um compromisso de todos os membros da empresa em contribuir para a disseminação e Capítulo 6 - Gestão do Conhecimento = Knowledge Management 52 compartilhamento do conhecimento, a organização poderá “colher bons frutos” na implantação da GC. Capítulo 7 – Capitais do conhecimento 53 “Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece, mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perdera todas as batalhas”. - Sun Tzu 7 CAPITAIS DO CONHECIMENTO Além de gerenciar e organizar o conhecimento corporativo, a doutrina da GC ensina que as empresas devem conhecer, investir e gerenciar, os chamados capitais do conhecimento, cuja formação é composta por: capital ambiental, capital estrutural, capital intelectual e capital de relacionamento (Figura 7). Estudando os capitais do conhecimento, as organizações compreendem que para o sucesso da implantação da GC é necessário haver uma integração de todos os fatores internos e externos que influenciam no funcionamento da organização. Assim, ambiente, cultura, estrutura, contatos, clientes, funcionários e colaboradores da organização devem ser incluídos e analisados num ambiente organizacional da GC. Santos (1996) declara que para a empresa concretizar sua missão de tomar iniciativas, inovar, investir, criar empregos, mostrar-se competitiva e vender deve não só conhecer o seu serviço/produto e os seus clientes, mas também seus concorrentes, seus fornecedores e mão-de-obra. Apresentam-se, a seguir, as definições dos capitais do conhecimento, destacando sua importância para a GC. Capítulo 7 – Capitais do conhecimento 54 Figura 7: Os quatros capitais do conhecimento15 Capital ambiental: “O capital ambiental é definido como o conjunto de fatores que descrevem o ambiente onde a organização está inserida”. (CAVALCANTI et al., 2001, p. 55). Para os autores, as características sócioeconômicas, os aspectos legais, governamentais e financeiros, os valores éticos e culturais da região ou país formam o capital ambiental. Por meio do capital ambiental torna-se possível definir o segmento da atuação do mercado, as necessidades dos consumidores/clientes e conhecer o ambiente de negócios. Dentro do contexto de “avaliar e conhecer o ambiente de negócios” destaca-se uma outra prática da GC: a Inteligência Competitiva, que é “um processo permanente e ético de coleta de informações das atividades desenvolvidas pelos concorrentes e das tendências gerais dos ambientes de negócios” (CAVALCANTI et al., 2001, p. 59). A Inteligência Competitiva visa a melhorar a posição competitiva da empresa no mercado, por intermédio de um processo de identificação, avaliação, disseminação, análise e coleta de informações,16 tais como: concorrentes, fornecedores, clientes e tecnologia que contribuam para a visão estratégica da organização. 15 Fonte: Centro de Referência em Inteligência Empresarial (CRIE) – COPPE/UFRJ. (apud CAVALCANTI, GOMES, PEREIRA, 2001, p. 56). 16 Verifica-se, que as atividades desenvolvidas no processo de Inteligência Competitiva (identificar, avaliar, disseminar, analisar e coletar informações) são incumbências do profissional da informação/bibliotecário. Capítulo 7 – Capitais do conhecimento 55 Capital estrutural: "É um conjunto de sistemas administrativos, conceitos, modelos, rotinas, marcas, patentes e programas de computador, ou seja, a infraestrutura necessária para fazer a empresa funcionar". (CAVALCANTI et al., 2001, p. 63). Segundo os autores, o capital estrutural é o único efetivamente possuído pela organização e possível de se calcular. Afirmam ainda, que as empresas na sociedade do conhecimento devem buscar uma estrutura integrada, ao invés de estar dividida em departamentos e permitir a participação de todos, em vez de possuir uma centralização das decisões. Logo, as informações precisas deixarão de ser uma arma nas mãos de poucos, para estar ao alcance de todos. A gerência do capital estrutural permite ainda, que a empresa acompanhe em tempo real cada atividade desenvolvida em seu núcleo. Capital intelectual: "Refere-se tanto à capacidade, à habilidade e à experiência quanto ao conhecimento formal das pessoas que integram uma organização". (CAVALCANTI et al., 2001, p. 67). Para os autores brasileiros, o capital intelectual pode ser denominado também de capital humano. No entanto, a corrente de autores estrangeiros, representada por Edvinsson e Malone (1998) afirma que o capital humano somado ao capital estrutural resulta-se no capital intelectual, havendo uma divergência de nomenclatura entre os autores. Para Edvinsson e Malone (1998, p. 31) “toda capacidade, conhecimento, habilidade e experiência individuais dos empregados e gerentes estão incluídos no termo capital humano”. O capital intelectual ou capital humano é o mais "famoso" de todos os capitais, estando sempre em destaque na literatura, este sucesso devese ao fato de ser por meio deste que a empresa identifica as habilidades e competências de seus funcionários e, com isso, cria o chamado mapa do conhecimento. Pelo mapeamento do conhecimento, a organização detecta o talento, habilidades e conhecimentos dos seus funcionários deixando-os disponíveis para todos os membros da empresa. Capital de relacionamento: Conhecido também como capital do cliente, é “a rede de uma organização com clientes, fornecedores e parceiros” (CAVALCANTI et al., 2001, p. 71). A gerência deste capital permite que a empresa Capítulo 7 – Capitais do conhecimento 56 conheça a necessidades de seus clientes e as novidades de seus fornecedores e parceiros. Além disso, adiciona valor à organização contribuindo para as perspectivas de crescimento futuro e também para as decisões estratégicas. Stewart (1998) afirma que entre as três grandes categorias de ativos intelectuais (capital humano, estrutural e do cliente) os clientes são os mais valiosos - eles pagam as contas. Em suma, a gerência dos capitais do conhecimento é uma importante atividade da GC, devendo ser praticada pelas organizações que visam a controlar a infra-estrutura da empresa, conhecer os seus parceiros, colaboradores, administrar e compartilhar o fluxo de informação e conhecimento de seus funcionários. Capítulo 8 – Tecnologia da Informação 57 “O computador é, sob qualquer aspecto, o mais extraordinário engenho tecnológico desenhado pelo homem, dado que é a extensão do nosso sistema nervoso” . McLuhan,1968 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO Em meados da década de 60, a Tecnologia da Informação (TI) se desenvolveu com o uso dos computadores nas empresas, quando as opções de tecnologia eram poucas em termos de equipamentos e softwares. (REINHARD, 1996). Na década de 90, a utilização da TI torna-se um fator essencial para as organizações, uma vez que a informação passa a ser tratada como um ativo importante e sua disseminação e disponibilização tornam-se um diferencial fundamental nos mercados competitivos. Por intermédio das chamadas redes de computadores, as empresas começam a compartilhar trabalhos, projetos, idéias e opiniões presentes em diversos lugares e meios. Assim, o problema das fronteiras geográficas não constitui barreiras para o desempenho das organizações. Conforme Pereira (2002, p. 161) “as redes criam uma infra-estrutura potencial para o intercâmbio de informações e conhecimentos, abrindo oportunidades para aplicações da gestão do conhecimento”. Deste modo, a TI passa a ser aplicada em diversos setores das organizações, tais como: planejamento, marketing, recursos humanos e automação de escritórios. A seguir, são apresentados alguns conceitos relacionados à TI, segundo revisão bibliográfica: Capítulo 8 – Tecnologia da Informação 58 “É um conjunto de métodos e ferramentas, mecanizadas ou não, que se propõe a garantir a qualidade das informações dentro da empresa” (FOINA, 2001, p. 21). “Conjunto de conhecimentos, pesquisas, equipamentos técnicos, recursos e procedimentos relativos a aplicação da informática em todos os setores da vida social, economia, administração, entretenimento, educação e telecomunicações” (RABACA; BARBOSA, 2001, p. 709). “Um conjunto de conhecimentos práticos ou científicos aplicados à obtenção, distribuição e comercialização de bens e serviços. Esses produtos não só satisfazem desejos e necessidades, como também substituem, aliviam ou simplificam o esforço físico e mental das pessoas” (LAUDON apud OLIVEIRA, J. 1999, p. 1). “Recursos tecnológicos e computacionais para geração e uso da informação. Esse conceito enquadra-se na visão de gestão da tecnologia da informação e do conhecimento” (REZENDE; ABREU 2001, p. 76). Hoje, a TI está presente em diversos setores da sociedade, sendo um fator normal e corriqueiro. No entanto, quando se observa a situação do Brasil há dez anos, nota-se que a utilização dos meios tecnológicos era uma novidade que, por muitas vezes, assustava as pessoas. Agora, o ser humano e as empresas no Brasil e no mundo já estão inseridos no contexto da chamada Era da Informação ou do Conhecimento. Parafraseando Albagli (1999), Era da Informação ou Era do Conhecimento é a configuração de um padrão sócioeconômico em que as atividades humanas estão centralmente baseadas e organizadas em torno das atividades de geração, recuperação e uso da informação e do conhecimento. A dinâmica do cenário econômico cada vez mais globalizado, a competitividade e a concorrência do mercado impulsionaram as empresas a valorizarem os ativos da informação e do conhecimento, mantendo-se atualizadas tecnologicamente e utilizando as ferramentas da TI. Capítulo 8 – Tecnologia da Informação 59 Informação e conhecimento são elementos-chave da nova gestão empresarial, e cabe aos gerentes e dirigentes das organizações a busca por formas mais eficazes de obtê-los e disponibilizá-los. Daí decorre a ânsia vivida nós últimos anos pela absorção de novas técnicas e o conseqüente aumento na aquisição de novas tecnologias pelas organizações (PEREIRA, 2002, p. 158). Foina (2001) salienta que, para atingir seus objetivos em relação à TI, as organizações deverão dedicar-se aos seguintes pontos: Definir conceitualmente os termos e vocábulos usados na empresa; Estabelecer o conjunto de informações estratégicas; Atribuir responsabilidades pelas informações; Identificar, otimizar e manter o fluxo de informações corporativas; Mecanizar os processos manuais; Organizar o fluxo de informações para o apoio às decisões gerenciais. No contexto da GC, as ferramentas da TI desenvolvem um papel essencial. Davenport e Prusak (1998, p. 149) afirmam que a GC é muito mais que tecnologia, contudo, a tecnologia faz parte da GC. Segundo Teixeira Filho (2001, p. 105) uma das funções da TI no âmbito da GC é “ajudar o desenvolvimento do conhecimento coletivo e do aprendizado contínuo, tornando mais fácil para as pessoas na organização compartilharem problemas, perspectivas, idéias e soluções”. Davenport e Prusak (1998, p. 151) ratificam a opinião do autor quando declaram que “a mais valiosa função da tecnologia na gestão do conhecimento é estender o alcance e aumentar a velocidade da transferência do conhecimento”. Para Teixeira Filho (2001) as tecnologias úteis são aquelas que proporcionam a integração das pessoas, que ajudam a prevenir a fragmentação da informação e permitem criar redes globais para o compartilhamento do conhecimento (p. 106). Capítulo 8 – Tecnologia da Informação 60 Assim, como a GC é uma ferramenta estratégica que busca posicionar a empresa no mercado de uma maneira competitiva, as tecnologias utilizadas na estrutura da GC devem ser também estratégicas, práticas e fáceis de se utilizar, tornando-se um meio, cuja função é proporcionar que as informações transitem nas “veias” da empresa de uma forma rápida e segura. Possuindo estas características a TI facilitará as atividades essenciais para a evolução da empresa, tais como troca de idéias e experiências, soluções de problemas e inovação. O desafio da tecnologia da informação é permitir a identificação, o desenvolvimento e a implementação de sistemas de informação que possam apoiar a comunicação empresarial e a troca de experiências, de maneira a facilitar e incentivar a união das pessoas em redes informais. A tecnologia da informação deve possibilitar que sejam formadas comunidades de trabalho, e não apenas servir para que as pessoas se comuniquem burocraticamente (ALMEIDA, 2002, p. 76). Nos dias atuais, existe no mercado uma oferta muito grande de tecnologias indicadas como suporte à GC. Autores como Davenport e Prusak (1998), Teixeira Filho (2001), Rezende e Abreu (2001) e Pereira (2002) recomendam alguns dos principais aplicativos disponíveis para o processo da GC (Quadro 3). Dentre estes aplicativos estão aqueles que armazenam o conhecimento e a informação, como os bancos de dados e data warehouse; e os que facilitam a transferência e compartilhamento de conhecimentos e experiências, como a Intranet e painéis eletrônicos. Além dos aplicativos, outro fator importante a ser analisado pelas empresas na implantação da TI, é a escolha do software. Davenport e Prusak afirmam que o Lotus Notes é um dos principais instrumentos utilizados para gerir os repositórios do conhecimento. Segundo os autores, empresas como Ernest & Young, Andersen Consulting e Price Waterhouse utilizam esse meio para gerenciar o conhecimento. Capítulo 8 – Tecnologia da Informação Tecnologias Videoconferência Groupware Painéis eletrônicos Banco de dados Workflow Internet Intranet Extranet Data warehouse (DW) Data mining (DM) Gerenciamento eletrônico de documentos. Definição e utilização Apesar de não captar e nem distribuir conhecimento, a videoconferência viabiliza a transferência de conhecimento tácito entre as pessoas. É o nome dado ao uso das tecnologias de informação como suporte ao trabalho em grupo, tais como reuniões e trabalhos de equipes a distância. São equipamentos de comunicação visual, capazes de exibir em sua tela imagens em movimento. Podem ser utilizados para transmitir mensagens, conduzir informações, divulgar produtos, serviços e integrar pessoas17. É uma coleção de dados organizada como num arquivo convencional. São utilizados para guardar e manipular dados, visando a sua transformação em informações. É a tecnologia que possibilita automatizar processos, racionalizando-os e potencializando-os por meio de dois componentes: organização e tecnologia. Desta forma, permite à organização sistematizar o fluxo de documentos, tornando acessível aos colaboradores o conhecimento de uma rotina. A rede mundial de comunicação é capaz de interligar computadores do mundo inteiro. As empresas podem ter com a Internet a possibilidade de expandir o seu mercado. As Intranets são soluções de redes privadas e completas, que permitem o gerenciamento de informações necessárias à organização por meio de processos e protocolos na Internet. A Intranet possibilita maior aproveitamento da inteligência da empresa, permitindo que os usuários criem, acessem e distribuam informações com grande facilidade. O objetivo da Intranet é permitir que cada funcionário tenha acesso fácil e instantâneo a todo o conhecimento da organização por meio de seu computador. Extranet pode ser definida como uma rede que combina os protocolos Transmission Control e Internet, interligando funcionários, clientes fornecedores e outros parceiros comerciais. O recurso da Extranet permite que os dados da empresa sejam acessados mesmo estando distante do local de trabalho. É um grande banco de dados que armazena dados de diversas fontes para futura geração de informações integradas. Conhecido também, como armazém de dados de uma empresa. É uma tecnologia capaz de selecionar dados relevantes, a fim de gerar informações e conhecimentos empresariais. As ferramentas do DM, permitem que o grande volume de dados disponíveis nas empresas sejam selecionados, transformando-os em informação ou conhecimento. Pode ser definido como o reagrupamento de um conjunto de técnicas e de métodos que tem por objetivo facilitar o arquivamento, acesso, consulta e a difusão dos documentos. O gerenciamento eletrônico de documentos, evita a duplicação de documentos, acaba com o problema de lugar para armazenagem e melhora a segurança e a durabilidade dos arquivos. Quadro 3: Tecnologias para a Gestão do Conhecimento 17 Fonte: http://www.displaypaineis.com.br. (Acesso em: 22 out. 2002). 61 Capítulo 8 – Tecnologia da Informação 62 Na prática, as funções básicas da TI no apoio à GC são: captar, armazenar e disseminar o conhecimento. Um exemplo da utilização da TI entre as empresas são as páginas amarelas ou mapas do conhecimento – que consistem em bancos de dados on-line de funcionários portadores do conhecimento. Trata-se de um guia, cujo objetivo é indicar às pessoas da empresa a quem devem dirigir-se quando necessitarem do conhecimento. E os repositórios do conhecimento – conjuntos de conhecimentos explícitos estruturados, obtidos de fontes internas e externas. O objetivo do repositório do conhecimento é capturar o conhecimento existente em memorandos, relatórios, apresentações e artigos disponibilizando-o num banco de dados (DAVENPORT; PRUSAK, 1998; MENDONÇA, 2000 e PEREIRA, 2002). Para a implantação da TI nas empresas, recomenda-se realizar uma avaliação minuciosa, bem como planejar, organizar e controlar todos os passos do processo de implementação, para que os objetivos gerais da empresa venham a ser cumpridos. De acordo com Teixeira Filho, (2001, p. 125) “a inserção da nova tecnologia no produto e/ou processo produtivo não é um evento, mas um processo de implantação: exige cuidados de logística, planos de contingência, investimentos de infra-estrutura e a administração de um cronograma detalhado de transformação”. Foina (2001, p. 35) salienta que “a tecnologia da informação, como as demais áreas da empresa, demanda recursos e esforços que exigem um planejamento prévio de suas ações”. Logo, o planejamento estratégico é uma etapa essencial na implantação da TI. Oliveira, D. (1997) assegura que o planejamento pressupõe a necessidade de um processo decisório que ocorrerá antes, durante e depois de sua elaboração e implementação na empresa. O processo de planejar envolve um “modo de pensar” e, um modo de pensar envolve indagações, que, por sua vez, envolvem questionamentos sobre o que será feito, como, quando, quanto, para quem, por que, por quem e onde será feito. Desta maneira, o planejamento não é um ato isolado, devendo ser visualizado como um processo composto de ações inter-relacionadas. Rezende e Abreu (2001, p. 106) corroboram a opinião do autor, quando sugerem que, para Capítulo 8 – Tecnologia da Informação 63 implantar a TI, é necessário planejar, da mesma forma como se planeja a construção de um complexo edifício. De acordo com a literatura estudada, não existem normas de procedimentos para a implantação da TI. Os responsáveis pela implantação da tecnologia deverão traçar um plano estratégico com base nas necessidades e objetivos da empresa. A seguir, são apresentadas algumas sugestões de Teixeira Filho (2001, p. 119) para o planejamento e implantação da TI: Etapa de identificação de oportunidades do planejamento tecnológico: prospecção de novas tecnologias; pesquisa de fornecedores; contato com heavy users; avaliação de produtos. Etapa de internalização da tecnologia: seleção de parceiros; preparação gerencial; reciclagem técnica; projeto-piloto; processo de aquisição; treinamento específico; terceirização/parceirização; Capítulo 8 – Tecnologia da Informação 64 implantação. Etapa de avaliação: avaliação do impacto organizacional; análise do impacto de mercado; identificação de perspectivas de evolução. Convém salientar, também, que a implantação da TI envolve toda a estrutura da empresa, causando algumas mudanças e necessidade de novas adaptações (Figura 8). IMPLANTAÇÃO TI Provoca modificação em Tecnologia Pessoas Sistemas Figura 8: Implantação da TI - Efeitos Apesar da TI ser um fator fundamental para a GC, a simples aquisição e aplicação de tecnologias não garante o sucesso dos processos da GC. O foco excessivo na tecnologia pode ser uma cilada para as empresas. Assim, o investimento no fator humano (capital intelectual) também é essencial. Esta visão é unânime entre os autores examinados: Capítulo 8 – Tecnologia da Informação 65 “Não é a tecnologia que garante o sucesso de um projeto de gestão do conhecimento, mas sim a profunda transformação dos processos das pessoas e dos meios de produção” (MARTINS, 2001, p. 48). “A tecnologia de informação é apenas um facilitador para a gestão do conhecimento, sozinha ela não vai conseguir extrair o conhecimento que está na mente das pessoas” (NEVES, 2002, p. 39). “A tecnologia isoladamente não transforma uma empresa em criadora do conhecimento” (DAVEPORT; PRUSAK, 1998, p. 171). “A simples existência da tecnologia não vai criar uma organização que aprende conhecimento ou se baseia nele. A tecnologia tem seu próprio papel neste processo, pois possibilita colocar a informação certa, na hora certa, para a pessoa certa, e também apoia a geração da necessária cultura do conhecimento na organização” (GONÇALVES FILHO; GONÇALVES, 2001). “Tecnologia da informação é somente um sistema de distribuição e armazenamento para o intercâmbio do conhecimento. Ela não cria conhecimento e não pode garantir nem promover a geração ou compartilhamento do conhecimento numa cultura corporativa que não favoreça tais atividades” (TEIXEIRA, M., 2000). “A vantagem competitiva de qualquer organização começa com as pessoas, sua disciplina, motivação, qualificação e participação. Assim, antes da compra de equipamentos intensivos em tecnologia avançada, deve-se investir no potencial criativo e inovador das pessoas, desenvolvendo nelas novas habilidades e integrando-as plenamente ao processo de trabalho, com treinamento e educação geral. A capacidade criativa do trabalhador é um ativo valioso, parte integral da tecnologia da empresa” (VALLE, 1996, p. 10). Capítulo 8 – Tecnologia da Informação 66 “Implementar gestão do conhecimento não é somente implantar um software. É muito mais que isso. É mudar comportamento, é transformar a visão que se tem do mercado e do seu negócio, é valorizar talentos” (CARVALHO; TAVARES, 2001, p. 86). Deste implantação modo, da pretendeu-se TI nas demonstrar organizações. algumas Para o diretrizes para profissional a da informação/bibliotecário esta não é uma atividade atípica, visto que uma das suas competências é conhecer e fazer uso eficiente das tecnologias da informação. Todavia, verifica-se que na GC a implantação das tecnologias da informação é um processo mais complexo. Logo, os bibliotecários deverão ter discernimento para indicarem a tecnologia que melhor se adapte às necessidades e exigências da empresa e estarem cientes que, embora a tecnologia seja importante para a GC, existem outros fatores que contribuirão para o sucesso da organização nos paradigmas da GC. Capítulo 9 – Atuação do bibliotecários nas empresas 67 “Para os bibliotecários garantirem seu papel no mundo da gestão do conhecimento, terão que redirecionar adaptando-os seus as objetivos novas e atividades, necessidades das empresas” . - Auta Barreto 9 ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO NAS EMPRESAS: MUDANÇAS DE ATITUDES A sociedade do conhecimento exige que a atuação e postura do bibliotecário corporativo sejam diferentes daquela “imagem do antigo bibliotecário” que atuava nas bibliotecas tradicionais, cuja função era organizar e manter o acervo da instituição. As mudanças econômicas, os avanços tecnológicos, o fator qualidade e a alta competitividade entre empresas, características da sociedade globalizada, modificam a realidade e necessidades das organizações. Assim sendo, o modelo de biblioteca tradicional deixou de atender às necessidades informacionais das corporações na sociedade pós-industrial. Observando a evolução das bibliotecas nas empresas, conforme literatura consultada, constata-se que ao longo do tempo, as bibliotecas corporativas procuraram adaptar-se à realidade da época. Contudo, por muitas vezes continuavam sendo as mesmas bibliotecas. Rezende (2002) ao apresentar a trajetória das bibliotecas nas empresas, declara que o modelo mais antigo é o da tradicional biblioteca técnica de empresa, representada, em geral, por uma sala com acervos de livros, periódicos e normas técnicas, mantidos, na maioria das vezes, com limitados recursos orçamentários. Segundo a autora, este tipo de biblioteca acabava transformando-se num depósito Capítulo 9 – Atuação do bibliotecários nas empresas 68 de livros. Logo em seguida, vieram os centros de documentação, que nada mais eram do que as mesmas bibliotecas de empresa, porém de menor tamanho, que tentavam ser mais seletivos quanto a abrangência de seus acervos. Ao mesmo tempo, surgiram os centros de informação, cuja proposta era simplesmente guardar livros e publicações. No início dos anos 90, apareceram bibliotecas virtuais ou “bibliotecas sem paredes”, cujo foco de atuação era o acesso à informação ao invés do acúmulo de acervos. As mudanças econômicas, os avanços tecnológicos, o aumento do fluxo de informação, associado à dinâmica e exigências da sociedade, levaram as empresas a se preocuparem em possuir informação precisa e relevante. Para isto, tornou-se necessário criar um sistema de informação flexível e eficiente – que não se limitasse apenas a localizar e acessar a informação, mas analisá-la, interpretá-la e adequá-la à realidade da empresa e do cenário econômico - transformando esta informação em conhecimento relevante. Surge assim, o “Centro de Conhecimento” ou “Knowledge Center”. O quadro a seguir demonstra a evolução, as características e as funções das bibliotecas nas empresas: Capítulo 9 – Atuação do bibliotecários nas empresas Biblioteca Tradicional Centro de documentação/informação Biblioteca Virtual Acesso local ao acervo (instituição) através de catálogos Acesso local ao acervo através de catálogos e bases de dados próprios em formatos eletrônicos (Intranet e Internet) e ópticos (CD-Rom) Acesso ao acervo através de sistemas eletrônicos/digitais próprios (Intranet) e externos (Internet) Suporte físico voltado para o papel Suportes físicos diversos, bem como eletrônicos e digitais Suportes físicos diversos, bem como eletrônicos e digitais Conteúdos integrais em suporte e papel e multimeios Conteúdos integrais em suporte papel, multimeios, conteúdos referenciais e integrais em suportes eletrônicos e digitais Conteúdos integrais em suportes eletrônicos e digitais Linguagem codificada Linguagem documentária através de através de Códigos de tesauros e terminologias Classificação Linguagem natural através de sistemas especialistas e inteligência artificial Administração centrada no processamento técnico Grande espaço para consultas/pesquisa por parte do usuário Administração centrada no planejamento e usuário Serviços e produtos gratuitos Serviços e produtos gratuitos e pagos, dependendo do tipo Administração centrada em produtos e serviços para o cliente Espaço quase inexistente, acesso e pesquisa elaborada pelo cliente remotamente Serviços e produtos pagos Altos gastos com aquisição de material informacional Disseminação da informação Gastos com aquisição de material de forma planejada e dirigida Gastos dirigidos repassados ao cliente Disseminação da informação Disseminação da informação Espaço planejado entre a administração, o atendimento e o usuário 69 Knowledge Center Acesso ao conhecimento e informação através de base de dados, sistemas eletrônicos e “páginas amarelas” (Internet e Intranet) Predominância de suportes eletrônicos e digitais Conteúdos integrais em suportes eletrônicos e digitais Linguagem natural através de sistemas especialistas e inteligência artificial Administração centrada em produtos e serviços para a organização Espaço planejado, pesquisa disponibilizada/ acessada remotamente Serviços e produtos disponíveis somente para membros da organização Gastos dirigidos repassados à empresa Disseminação da informação e conhecimento Quadro 4: Evolução e características das bibliotecas nas empresas18 18 Fonte: Adaptado de Valentim (2000a). Capítulo 9 – Atuação do bibliotecários nas empresas 70 Percebe-se que ocorreram mudanças que alteraram desde a nomenclatura, função, objetivos até o modo de recuperação da informação. A nomenclatura alterou-se em virtude da associação imediata biblioteca-livros. Nas novas denominações, a biblioteca não se limita a manter simplesmente um acervo de livros. Barbosa (1998) esclarece esta questão, afirmando que os nomes das profissões refletem o que os profissionais fazem. Desta forma, tem-se uma visão equivocada e estereotipada dos bibliotecários, que são vistos como profissionais cuja função é “lidar com livros em bibliotecas”. Claro que esta visão não mais reflete o que vem ocorrendo dentro das bibliotecas e menos ainda o que se desenvolve em outros domínios da informação. Sem dúvida, biblioteca e bibliotecários são termos que se tornaram mais amplos e não mais se referem exclusivamente a um edifício que guarda livros ou ao profissional que trabalha dentro dele (HAYES, 1988 apud BARBOSA, 1998, p. 54-5). Observa-se que as funções, objetivos e modos de recuperação da informação nas bibliotecas corporativas acompanharam o avanço das tecnologias. Entretanto, convém salientar que estas mudanças levaram um espaço de tempo considerável para acontecer. Hoje, muitas empresas ainda possuem um modelo de biblioteca tradicional. Analisando o quadro 4 e as afirmações apresentadas, nota-se que houve uma mudança nos modelos de bibliotecas das empresas. Com base nesta realidade, verifica-se a necessidade do bibliotecário, enquanto profissional da informação responsável pelas bibliotecas, adaptar-se a este novo ambiente, possuindo uma postura diferente daquele profissional que atuava nas bibliotecas tradicionais. Tomaél e Alvarenga (2000, p. 83) enfatizam que “para atuar no contexto das empresas privadas é importante o profissional da informação ter um perfil que incorpore facilmente as mudanças que permeiam o ambiente empresarial (....)”. Tão logo, torna-se necessário que os profissionais da informação redefinam algumas noções que os acompanharam durante a sua formação. Como afirma Henri-Jean Martin apud Pepulim (2001) “o livro não exerce mais o poder que teve, ele não é mais o mestre de nossos raciocínios ou de Capítulo 9 – Atuação do bibliotecários nas empresas 71 nossos sentimentos em face dos novos meios de informação e de comunicação dos quais dispomos”. Assim, o moderno profissional da informação não deve limitar-se a organizar e armazenar acervos; as empresas precisam de profissionais que sejam multidisciplinares, inovadores, empreendedores, críticos e criativos. Por este prisma destaca-se o trabalho de Tomaél e Alvarenga (2000, p. 83-8) que analisam o perfil desejado para o profissional da informação que atua em empresas. Para as autoras, algumas características são indispensáveis para bibliotecários corporativos (Quadro 5). Dominar as técnicas de controle e recuperação da informação; Possuir conhecimentos de administração e gerência; Controlar, tratar, recuperar e disseminar informação; Ter conhecimentos de softwares, domínio e manuseio de equipamentos e predisposição para incorporar as inovações que surgem nesse segmento; Reconhecer e identificar as fontes bibliográficas da área em que a empresa atua; Buscar e disponibilizar informações na Internet; Conhecer as redes e serviços de informação disponíveis para a empresa os quais possa utilizar como mais um recurso informacional que favoreça a sua atuação; Ter ciência da área em que a empresa atua é essencial para o provimento da informação que a mesma precisa; Interagir com o ambiente onde a empresa está inserida, tanto no ambiente interno Quanto no externo; Antecipar a demanda – fornecer a informação antes que a mesma seja solicitada; Dominar algumas técnicas de marketing; Agregar valor à informação que provê; Possuir conhecimentos de línguas estrangeiras; Desenvolver suas atividades em consonância com o interesse do cliente/usuário da informação. Quadro 5: Perfil desejado para o profissional da informação Segundo Pepulim (2001), o perfil do profissional moderno exige mudanças de conceitos e conseqüentemente de postura constantes. Capítulo 9 – Atuação do bibliotecários nas empresas 72 Para Castro (2000, p. 147) a necessidade crescente de informação, o aparecimento das novas tecnologias de informação e a ampliação das oportunidades de acesso à Internet, contribuem para que a “imagem do antigo bibliotecário” não mais atenda às exigências do mercado. O autor afirma, ainda, que “dominar os saberes biblioteconômicos tornou-se fator importante, mas não vital para a permanência do profissional e da profissão no mercado de trabalho”. Por meio dos ensinamentos e princípios da GC, que consistem em identificar, selecionar, conhecimento coletar, armazenar/catalogar relevante e imprescindível e disponibilizar/disseminar para o desenvolvimento o e aperfeiçoamento da organização, verifica-se a importância de “dominar os saberes biblioteconômicos”, tendo em vista que estas atribuições são inerentes à formação acadêmica do profissional da informação/bibliotecário. Logo, é essencial que o bibliotecário tenha o domínio das técnicas da biblioteconomia, que devem estar associadas ao conhecimento cultural abrangente, dinamismo, especialização em áreas específicas do conhecimento e competência para transformar informação e conhecimento em fontes de vantagens e lucros para as organizações. Aliás, é importante frisar que a demanda por um novo perfil profissional, na sociedade do conhecimento, não se restringe apenas ao profissional bibliotecário. As mudanças introduzidas na economia, no setor de produção e nos métodos de trabalho, exigem um trabalhador mais qualificado, como indicam Arruda et al. (2000, p. 23): O delineamento de um novo perfil profissional não é exclusivo da área da informação, mas endógeno ao novo modelo econômico, que introduz novas formas de gestão do trabalho e de socialização dos indivíduos, valorizando a atuação em equipe, a interdisciplinaridade, o aprendizado contínuo e atitudes comportamentais. Montalli (1997) possui a mesma opinião dos autores acima citados, quando afirma que qualquer profissional do novo século necessita dominar diferentes áreas do conhecimento, como o setor em que atua, as tendências econômicas e mercadológicas, conhecimentos gerais, bem como, conhecimentos de psicologia, comunicação, português, inglês e informática. Para a autora, esses Capítulo 9 – Atuação do bibliotecários nas empresas 73 conhecimentos são hoje sinônimos de alfabetização para o desempenho eficiente de qualquer profissional. Apresenta-se, a seguir, um quadro que ilustra o perfil do antigo profissional da informação, comparando-o com o perfil necessário para o atual profissional da informação da sociedade do conhecimento: ASPECTOS DO TRADICIONAL PROFISSIONAIS DA INFORMAÇÃO Demasiada atenção às técnicas biblioteconômicas Atitudes gerenciais ativas Desenvolvimento de práticas profissionais em espaços determinados: bibliotecas, centros de documentação Tratamento e disseminação de informação impressa em suportes tradicionais Espírito crítico e bom senso Atendimento real ao usuário (relação sujeito x sujeito) ASPECTOS DO PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO Atenção às técnicas biblioteconômicas e especialização em campos específicos do conhecimento Atitudes gerenciais pró-ativas Desenvolvimento de atividades em espaços onde haja necessidade de informação e conhecimento Tratamento e disseminação de informação, independentemente do seu suporte físico Espírito crítico e bom senso Atendimento real e virtual ao cliente (sujeito x sujeito, sujeito x máquina) Uso tímido das tecnologias de informação Intenso uso das tecnologias de informação Domínio de línguas estrangeiras Necessidade do domínio de línguas estrangeiras Práticas interdisciplinares pouco representativas Ativas práticas interdisciplinares Pesquisas centradas nas abordagens Quantitativas Fusão entre as abordagens qualitativas e quantitativas Estudo das necessidades de informação dos usuários Estudo das necessidades de informação das e avaliação de coleções de bibliotecas organizações e avaliação dos recursos dos sistemas de informação Relação biblioteca e sociedade Relação informação e sociedade Domínio acentuado nos saberes biblioteconômicos Domínio dos saberes biblioteconômicos e áreas afins Planejamento e gerenciamento de bibliotecas e Planejamento e gerenciamento de sistemas de centros de documentação informação e conhecimento Preocupação no armazenamento e conservação das Preocupação na análise, tratamento e coleções de documentação e objetos disponibilização de informação e conhecimento Educação continuada esporádica Intenso processo de educação continuada Treinamento em recursos bibliográficos Treinamento em recursos informacionais Tímida participação em políticas sociais, Ativa participação nas políticas sociais, educacionais, científicas e tecnológicas educacionais, científicas e tecnológicas Quadro 6: Comparação entre os perfis e atitudes dos tradicionais e dos atuais profissionais da informação19 19 Fonte: Adaptado de Castro (2000, p.151-2) Capítulo 9 – Atuação do bibliotecários nas empresas 74 As características apresentadas no quadro confirmam o resultado de uma pesquisa realizada, no ano de 1997, pela Federação Internacional de Informação e Documentação (FID), cujo objetivo era identificar o perfil do moderno profissional da informação. As respostas mais freqüentes para a questão das qualificações necessárias para ascensão profissional foram: domínio das tecnologias da informação, aquisição de mais de um idioma, capacidade de comunicação, de relacionamento interpessoal e gerenciamento (ARRUDA et al., 2000, p. 19). Assim, os novos paradigmas dos dias atuais apresentam uma sociedade cada vez mais dependente de produtos e serviços de informação. A informação e o conhecimento tornaram-se um fator caro e necessário para as organizações – precisando ser gerenciados por métodos rápidos e precisos. Nesta perspectiva, verifica-se a necessidade do profissional da informação/bibliotecário estar preparado para este novo desafio. Logo, recomenda-se que o bibliotecário esteja “sintonizado” com as mudanças ocorridas na sociedade, adapte seu aprendizado à nova realidade – atualizando-o constantemente – seja ágil, estratégico, multidisciplinar, talentoso, empreendedor, flexível e possua capacidade de desempenhar um excelente trabalho tanto em centros de informação e documentação como em knowledge center. Observando estes detalhes, o profissional da informação possuirá uma vaga garantida no meio empresarial, conforme afirma Pepulim (2001) “hoje se fala muito em áreas que poderiam ser absorvidas por outras, ou que poderiam ter seus trabalhos realizados por profissionais de nível técnico e até mesmo por computador. Este não é o caso dos bibliotecários”. Capítulo 9.1 – Atuação do profissional da informação na GC 75 9.1 Atuação do profissional da informação na Gestão do Conhecimento “A Gestão do Conhecimento envolve ativamente a captura, a seleção, a organização e a comunicação da informação, atos que são inerentes ao profissional da informação” (HOMMERDING, 2001, p. 6). Segundo Davenport e Prusak (1998, p. 133) “as organizações precisam de pessoas para extrair o conhecimento daqueles que o têm, colocar esse conhecimento numa forma estruturada e mantê-lo ou aprimorá-lo agregando-lhe valor ao longo do tempo”. Os autores afirmam que as universidades não ensinam essas habilidades, mas a atividade mais próxima está nos currículos de jornalismo e biblioteconomia. Carvalho (2001) argumenta que “a disseminação da informação e do conhecimento depende de modo significativo do mediador, do profissional da informação que cada vez mais se destaca na filtragem da informação através da comunicação formal e informal”. Pretende-se demonstrar neste capítulo que o bibliotecário possui capacitação para ser esse profissional que as organizações precisam. Contudo, é necessário esclarecer que o profissional da informação poderá atuar neste novo ambiente, desde que possua, além das habilidades técnicas, habilidade intelectual, gerencial e de comunicação. Assim, apresenta-se as características e perfil necessário ao profissional que deseja atuar no ambiente da GC. Todavia, em princípio, demonstra-se a importância da atuação do bibliotecário nas organizações, conforme literatura consultada. Davenport e Prusak (1998, p. 35) afirmam que “as empresas costumam não perceber a importância do papel dos bibliotecários como trabalhadores e gerentes Capítulo 9.1 – Atuação do profissional da informação na GC 76 do conhecimento”. Segundo os autores, os bibliotecários são freqüentemente subestimados e muitas vezes são vistos como “bisbilhoteiros ou fofoqueiros”. Além disso, “uma das primeiras coisas que as empresas fazem quando cortam os custos (e uma das últimas que elas deviam fazer !) é fechar a biblioteca corporativa”. Apesar de relatarem essa realidade da sociedade empresarial, para Davenport e Prusak a atuação dos bibliotecários nas organizações é extremamente importante, na medida que estes agem freqüentemente “como corretores do conhecimento disfarçados”, uma função apropriada por terem este temperamento e papel de guia de informações, para as tarefas de criar contatos pessoa-pessoa e pessoa-texto. Como as bibliotecas corporativas costumam atender a empresa inteira, os bibliotecários estão entre os poucos funcionários que têm contato com pessoas de vários departamentos. No curso de seu trabalho eles passam a entender bastante sobre os variados recursos e necessidades de conhecimento da organização. Tradicionalmente os bibliotecários valorizam o atendimento ao cliente e têm técnicas altamente desenvolvidas para encontrar aquilo que eles ainda não sabem. Todos esses fatores fazem deles corretores do conhecimento naturais. Bibliotecários corporativos podem se tornar indispensáveis corretores do conhecimento (DAVENPORT; PRUSAK, 1998, p. 34). Na concepção desses autores, as empresas fecham as bibliotecas uma vez que a vêem como pura despesa (custo de pessoal, espaço, livros, periódicos e assinaturas on-line), não dispondo de fatores para “quantificar os benefícios da biblioteca como fonte de informação e mercado do conhecimento” (p. 35). Embora as empresas saibam o valor que a biblioteca possui, comportam-se como se não soubessem, porque os serviços da biblioteca não aparecem na contabilidade ou em termos financeiros. Este é um grande problema da área da Ciência da Informação, pois é muito difícil medir a informação e dar-lhe seu devido valor. (...). Coletar, organizar, disponibilizar e encaminhar a informação correta para a pessoa certa é algo que pode agregar valor, possivelmente tangível, pois as conseqüências das providências ou estratégias desta ação são facilmente mensuráveis (HOMMERDING, 2001, p. 7). Neste contexto, surge o problema da valorização do bibliotecário e de suas atividades diante do mercado empresarial. Hommerding (2001) salienta que o Capítulo 9.1 – Atuação do profissional da informação na GC 77 profissional da informação é um importante elemento estratégico dentro das organizações. Segundo a autora, “o profissional que, ao assumir seu papel de parceiro ativo nos processos de informação, pode agregar valor, podendo, em alguns casos, inclusive interferir na tomada de decisões. Isso demonstra uma atuação pró-ativa, fator crítico e decisivo para o modelo de administração da era do conhecimento e para o reconhecimento do valor do bibliotecário nesta realidade” (grifo nosso). Pepulim (2001) enfatiza que “o primeiro dado a ser decodificado pelo bibliotecário é o de seu valor. A liberdade para se tornar um profissional criativo só pode ser conquistada a partir desta decodificação”. Segundo as reflexões dos autores, a atuação do bibliotecário é importante para as organizações, tendo em vista que este coleta, organiza e dissemina a informação relevante para empresa, cujos resultados muitas vezes são utilizados para tomada de decisões. Em vista disso, o bibliotecário pode ter uma participação ativa nas organizações, desde que tenha uma postura de auto-valorização, posicionando e atuando de modo a ser reconhecido no ambiente empresarial. No contexto da GC, a participação do bibliotecário ainda é tímida, embora alguns autores afirmem que o bibliotecário poderá atuar nesta nova realidade das organizações. Barreto20 (2001) declara que “os arquivistas, bibliotecários e jornalistas (...) começam a desempenhar importante papel na gestão do conhecimento” . Para a autora, estes profissionais só precisam “realizar algumas mudanças na forma de desempenhar o seu trabalho”. Barreto (2001) afirma, ainda, que a atuação do bibliotecário nas corporações é importante, pois “poucos são os funcionários capazes de esquematizar e estruturar o seu próprio conhecimento, e menos ainda são os que 20 BARRETO, Auta Rojas. O novo profissional: os trabalhadores do conhecimento. São Paulo, 2001. (Material didático) Capítulo 9.1 – Atuação do profissional da informação na GC 78 têm tempo disponível para colocar o conhecimento que detêm em um sistema que permita sua recuperação”. Teixeira Filho (2001, p. 59) também concorda que os bibliotecários podem atuar no ambiente da GC, embora não o faça de modo explícito. Em seu trabalho, quando analisa quem é o profissional da informação de hoje e do futuro capaz de trabalhar nas organizações, afirma que este pode ser “o responsável pelo acervo de documentação da empresa, que compreende textos, artigos, livros, periódicos, manuais, plantas, especificações, técnicas e etc, estruturando e mantendo a memória organizacional”. Valentim (2000a), ao relatar as perspectivas para atuação do profissional da informação, também aborda implicitamente o papel do bibliotecário no processo de GC. Outro setor em empresas privadas que necessita de um profissional bibliotecário é a área de planejamento estratégico, aqui o profissional da informação terá a função básica de buscar informação relevante para a organização disseminado-a para setores chave da empresa, utilizando-se das tecnologias de informação para distribuí-la . Para a autora, na instituição privada, o profissional da informação possui um papel fundamental para o desenvolvimento e competitividade da organização quando a informação passa a ser estratégica. Na concepção de Neves (2002, p. 20) “o profissional da informação que desenvolva suas habilidades de adquirir, captar, organizar e disponibilizar o conhecimento, e não apenas a informação, pode atuar na Gestão do Conhecimento”. A autora afirma, ainda, que o profissional da informação/bibliotecário “possui habilidades que o qualifica a atuar na área, porém o que se percebe é que ele não ocupa este espaço” (p. 21). Capítulo 9.1 – Atuação do profissional da informação na GC 79 Segundo Davenport e Prusak (1998, p. 134) “para os bibliotecários prosperarem no novo mundo da gestão do conhecimento, eles terão de mudar seus objetivos, atividades e predisposições culturais”. Assim, os argumentos dos autores apontam que há possibilidades dos bibliotecários atuarem neste novo cenário, desde que adaptem o seu perfil profissional. Para Teixeira Filho (2001, p. 75) o perfil necessário, do ponto de vista da GC, caracteriza-se por uma série de habilidades e capacidades: Pensamento sistêmico; Abertura cultural; Criatividade; Confiabilidade; Honestidade; Ética; Propensão ao aprendizado contínuo; Capacidade de comunicação, expressão oral e escrita; Capacidade de pesquisa e análise de informações relativas ao negócio; Capacidade de gerenciamento combinada com conhecimento técnico; Propensão ao trabalho em equipe e ao compartilhamento de conhecimento; Habilidade para transformar a grande quantidade de dados que correm nas veias das empresas em informações consistentes que agreguem valor ao negócio. Neves (2002, p. 56-61) ao estudar as habilidades e competências de um gerente do conhecimento21, relata que cabe a este possuir: 21 Convém esclarecer, que na literatura há outras denominações para este profissional, tais como, gestor do conhecimento e profissional do conhecimento. Contudo, no âmbito desta pesquisa optou-se em utilizar o termo gerente do conhecimento. Capítulo 9.1 – Atuação do profissional da informação na GC (a) 80 Habilidade para trabalhar em equipe, relacionamento interpessoal e comunicação. Visto que a facilidade no relacionamento interpessoal é fundamental para trabalhar em equipe e, a habilidade de comunicação, para apresentar o conhecimento a quem dele necessitar; (b) Intuição. Torna-se necessário ter esta habilidade para identificar o conhecimento existente na organização e para quem esse conhecimento poderá ser útil. Assim, destaca-se também, a capacidade para identificar informações e ter julgamento; (c) Saber negociar e argumentar, ao capturar ou extrair conhecimento, seja de pessoas ou não; (d) Senso de responsabilidade com a profissão. É importante ter esta habilidade em todas as fases da GC, principalmente na fase de organização do conhecimento, quando o profissional deverá estruturar e analisar o conhecimento que será utilizado por outros; (e) Conhecer a cultura organizacional da instituição. Conhecendo a cultura, missão e objetivos da instituição, o profissional poderá identificar com mais precisão, o conhecimento necessário, tornando-o acessível a todos os membros da organização; (f) Predisposição a mudanças. Por ser a GC uma atividade dinâmica, é necessário que o profissional esteja predisposto à mudanças; (g) Habilidade para trabalhar com a informação. Na GC as informações tornam-se conhecimento. Assim, o profissional deverá ter capacidade para identificar e manipular informações; (h) Criatividade. O gestor do conhecimento deverá mostrar-se criativo, em todo o processo da GC; Capítulo 9.1 – Atuação do profissional da informação na GC (i) 81 Habilidades gerenciais. Para administrar serviços e pessoas. Assim, cabe ao gestor, além de outras responsabilidades, saber administrar a melhor forma do conhecimento fluir na organização, isto é, possuir também a habilidade de simplificar as estruturas. Além disso, no contexto das competências de um gerente, torna-se necessário possuir desenvolvimento de relacionamentos aliado a habilidades estratégicas; (j) Conhecer e fazer uso eficiente das tecnologias de informação. A TI possui importante papel na GC; logo, torna-se necessário saber utilizar seus recursos no processo de organização e representação do conhecimento; (k) Liderança. O gestor do conhecimento deverá criar condições para que as pessoas sintam-se motivadas. Neste sentido, identifica-se também a habilidade da motivação; (l) Dinamismo e flexibilidade. São habilidades fundamentais para o profissional desempenhar suas tarefas, de uma forma que esteja extremamente envolvido com a organização; (m) Administrar eventos relacionados à Gestão do Conhecimento. O profissional deverá buscar experiências de outras organizações, ou outros eventos, que contribuam para a atualização profissional própria e dos demais membros da organização; (n) Ser empreendedor, interativo e ter iniciativa. Essas características possibilitam que o profissional tenha capacidade para administrar/ resolver conflitos e problemas, identificar oportunidades e ter determinação para buscar seus ideais. Diante das habilidades apontadas por Neves (2002), pode-se dizer que o profissional cujo perfil estiver de acordo com tais características, poderá encontrar na GC um novo campo de atuação. Capítulo 9.1 – Atuação do profissional da informação na GC 82 De acordo com a literatura, algumas empresas possuem um responsável geral pela GC, o chamado CKO (Chief Knowledge Officer), um cargo ocupado por executivos da alta gerência. Entre as diversas funções do CKO, está a identificação do conhecimento relevante para a empresa. Assim sendo, após a identificação do conhecimento, constata-se que as demais etapas do processo de GC: coletar, armazenar e disponibilizar o conhecimento podem ser efetuadas pelo gerente do conhecimento. Outra atividade que o gerente do conhecimento poderá desenvolver, é auxiliar a criação do mapa do conhecimento ou páginas amarelas. O mapeamento do conhecimento consiste em localizar o conhecimento importante para a organização e depois disponibilizá-lo entre seus diversos membros. Davenport e Prusak (1998) afirmam que a principal finalidade dos mapas do conhecimento é mostrar às pessoas onde devem ir quando necessitarem do conhecimento. O desenvolvimento de portais do conhecimento, estruturação de glossários e indexação do conteúdo das bases de dados, são outras áreas para a atuação do gerente do conhecimento. Em síntese, segundo a literatura, não há uma formação específica para atuar como gerente do conhecimento. Assim, como outros profissionais, o bibliotecário poderá obter capacitação para atuar na GC. As habilidades necessárias ao gerente do conhecimento são comportamentais. Desta forma, para que o profissional da informação ocupe este espaço no mercado empresarial, é fundamental que ele redefina seus objetivos e perfil, desenvolva habilidades comportamentais e invista em atualização permanente. Capítulo 9.2 – A formação do bibliotecário 83 9.2 A formação do bibliotecário: necessidade de atualização e aperfeiçoamento curricular A partir das reflexões dos autores anteriormente citados, constatou-se que o bibliotecário possui habilidades úteis que o possibilita a atuar na GC. Entretanto, com a dinâmica e mudanças da sociedade, economia, tecnologias e dos métodos de trabalho, verifica-se que o simples fato de possuir uma formação compatível não garante ao bibliotecário uma vaga no mercado de trabalho. Apesar dos autores terem afirmado que as atividades relacionadas à GC, podem ser desenvolvidas pelo bibliotecário, nota-se que a formação básica não é o suficiente para atingir este objetivo. Assim, o profissional da informação necessitará complementar, aperfeiçoar e atualizar constantemente o seu currículo. Neste sentido, Nascimento (2000) enfatiza que atualmente o diploma cumpre um mero requisito para o ingresso no mercado de trabalho. Como conseqüência, os profissionais deverão iniciar o processo de educação continuada que será o impulso da vida profissional. Ferreira e Santos (1999/2000) argumentam que, diante das oportunidades que estão surgindo, o caminho que o profissional da informação deve traçar é o de atualização contínua, por meio desta, o profissional aprenderá a lidar mais com processos do que com técnicas. Para Souza (2002) "a educação continuada é fator essencial para garantia da sobrevivência do profissional bibliotecário no mercado de trabalho no novo milênio". Tomáel e Alvarenga (2000, p. 89) declaram que “a educação continuada é fundamental durante o exercício da profissão, como forma de proporcionar ao profissional oportunidade de atualizar-se, especializar-se e consolidar seus conhecimentos”. Capítulo 9.2 – A formação do bibliotecário 84 Prosdócimo e Ohira (1999, p. 112) definem educação continuada como “o processo contínuo de atualização, aperfeiçoamento, treinamento e aprimoramento das qualificações e habilitações individuais de cada profissional". A figura a seguir apresenta as formas de educação continuada que contribuem para a atualização, reciclagem e aprendizado do bibliotecário. (VALENTIM, 2000b, p. 10-1). EDUCAÇÃO CONTINUADA Extensão e atualização Pós-graduação lato sensu Pós-graduação stricto sensu Atualização profissional, realizada por associações, conselhos entre outros. Cursos de especialização ou aperfeiçoamento, recomendados para profissionais que estão no mercado de trabalho e necessitam de conhecimentos especializados. Formam o profissional para a academia Figura 9: As formas de educação continuada O bibliotecário, assim como todos os profissionais que se dispõem a aperfeiçoar e atualizar constantemente seus currículos, possui uma grande vantagem no mercado de trabalho. A educação continuada é um “trunfo nas mãos” daqueles que desejam destacar-se e crescer profissionalmente. Pelo trabalho de Neves (2002) comprova-se a importância do bibliotecário investir no seu aperfeiçoamento. Como foi abordado no capítulo anterior, a autora constatou que o bibliotecário possui habilidade para atuar como gestor do Capítulo 9.2 – A formação do bibliotecário 85 conhecimento. Diante desta afirmação, Neves estudou o perfil de alguns bibliotecários, buscando encontrar a razão destes profissionais não estarem ocupando este mercado. Dos resultados desta pesquisa, a autora concluiu que muitos não estavam trabalhando na área empresarial porque se sentiam desatualizados para concorrer a uma vaga em outra instituição, uma vez que, não se propuseram a fazer nenhum curso de aperfeiçoamento ou especialização. Das bibliotecárias entrevistadas somente 1 (uma) informou ter realizado um curso de pós-graduação, conseqüentemente a mesma possuía um salário superior às demais. Deste modo, observa-se que nos dias atuais, a educação continuada é fundamental para garantir uma boa posição do profissional/bibliotecário nas empresas. Conforme Valentim (2002, p. 119) "o profissional da informação precisa buscar informação e conhecimento de forma contínua, pois estes são os mais valiosos recursos estratégicos. Investir nisso é muito importante para o crescimento profissional". A autora salienta ainda que, "a educação continuada é a base para uma profissão consolidada, assim como é base para um profissional competente" (p. 122). Santos (2002, p. 114) também defende a necessidade e importância da educação continuada: A formação continuada potencializa o processo de desenvolvimento de competência dos profissionais da informação como agentes contínuos de desenvolvimento, como produtores, consumidores/utilizadores e criadores/inovadores, fazendo uso de seus conhecimentos e criatividade. Ela dá ao profissional uma nova visão, a abertura em face das mudanças e a oportunidade de atualizar-se sempre. De fato, a necessidade de atualização constante está presente no contexto da GC, cujo elemento educação continuada é uma prática indispensável. Nos parâmetros da GC, verifica-se que a capacidade de trabalhar mais com processos do que com técnicas é essencial. O modelo de perfil profissional desejado traz algumas características como: criatividade, empreendedorismo, flexibilidade, inovação, multidisciplinariedade, conhecimento especializado, entre outras. Estas atribuições podem ser aprimoradas e renovadas por meio de cursos de aperfeiçoamento ou atualização. Contudo, como argumenta Pepulim (2001) muitos profissionais acreditam que, complementando sua formação acadêmica com um mestrado ou um doutorado, estão prontos, mas a realidade vai além Capítulo 9.2 – A formação do bibliotecário 86 disso. Afora o aperfeiçoamento, são necessários ao profissional alguns requisitos tais como: responsabilidade, ética, honestidade e dedicação. Somando estas características com uma prática de atualização constante, o bibliotecário ocupará o espaço que lhe está reservado no cenário da GC, tendo competência e capacidade para competir com profissionais de outras áreas e garantir seu lugar no mercado empresarial. Capítulo 10 – Cases: Tozzini e Freire 87 “Para enxergar a organização do conhecimento, os gerentes devem procurar ver suas organizações como se elas consistissem de estruturas de conhecimentos e não de capital”. - Karl Sveiby 10 CASES DE EMPRESAS QUE IMPLANTARAM A GESTÃO DO CONHECIMENTO Data: 29/08/2002 Empresa: Endereço: Ramo : Tozzini, Freire, Teixeira e Silva Advogados Associados Rua Líbero Badaró, 291, 21º andar, Centro, São Paulo Advocacia Entrevistado 1: Ana Maria Freire - Coordenadora da biblioteca Departamento: Biblioteca Graduação em Biblioteconomia Formação: Entrevistado 2: Cláudio Wilberg - Diretor de TI Departamento: Tecnologia e informação Formação: Graduação em Engenharia Eletrônica (PUC-RJ) e Especialização em Administração de Empresas (INSEADFrança) Equipe Ana Nonaka – Graduação em Biblioteconomia e Especialização em Sistema de Informação Helena - Graduação em Biblioteconomia Simone - Graduação em Biblioteconomia Cássio - Graduação em Direito e Biblioteconomia Jefferson. – Estudante de biblioteconomia Tomaz - Estudante de biblioteconomia Capítulo 10 – Cases: Tozzini e Freire 88 Missão: Criar uma marca, ultrapassar os limites, ter uma ousada visão de longo prazo, apostar no diferencial de seus profissionais. Histórico: Fundado em 1976, Tozzini, Freire, Teixeira e Silva é um dos principais escritórios de advocacia no Brasil, com sede em São Paulo, à Rua Líbero Badaró, 293, 21º andar. Possui filial no Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre, Fortaleza, Recife, Natal, João Pessoa e Nova York, atuando em diversas áreas do direito tais como: investimento estrangeiro, mercado de capitais, fusões e aquisições, assuntos tributários, direito trabalhista e relações de emprego, direito ambiental, propriedade intelectual, comércio internacional, defesa da concorrência, privatização e projetos de infra-estrutura, projeto de financiamento, direito administrativo, contencioso e soluções de controvérsias, direito imobiliário, Mercosul. A sede do escritório é formada por um corpo jurídico pelas seguintes categorias: advogado sênior, pleno, júnior e estagiário. A administração é dirigida por um administrador geral que coordena o centro de TI, a biblioteca, o arquivo, a secretaria entre outros setores. Gestão do conhecimento: Na concepção de Wiberg, diretor de TI do escritório, GC "é o processo através do qual as organizações geram valor a partir de seus recursos intelectuais e baseados em conhecimento. De uma forma geral, gerar valor a partir destes recursos envolve compartilhá-los entre empregados, departamentos e mesmo com outras empresas num esforço para desenvolver melhores práticas. É importante notar que esta definição não menciona tecnologia; apesar da GC ser normalmente facilitada por Tecnologia da Informação (TI), a pura utilização de tecnologia não é GC". Capítulo 10 – Cases: Tozzini e Freire 89 De acordo com os relatos da bibliotecária Ana Maria, a idéia de implantação da GC surgiu há três anos. Primeiro, o escritório buscou a orientação da consultora Auta Rojas Barreto, que realizou, junto com sua equipe um diagnóstico, o qual foi utilizado posteriormente pelo departamento que assumiu a responsabilidade pelo processo de implantação da GC: departamento de Tecnologia da Informação – TI. Os objetivos buscados ao implantar a GC eram: possuir uma ferramenta que agilizasse o acesso às informações para os clientes e disponibilizar os documentos por meio eletrônico, diminuindo, assim, o espaço do arquivo físico. O software escolhido para dar suporte à GC foi o PowerDocs, uma ferramenta desenvolvida nos EUA, cuja principal utilidade é o gerenciamento eletrônico de documentos - GED. A implantação efetuou-se por intermédio de um projeto piloto em alguns departamentos, o que possibilitou realizar ajustes no sistema para a efetiva implantação em todo o escritório. O PowerDocs apresentase como um formulário, onde o advogado, ao trabalhar em um determinado documento (contrato, petição, e-mail e outros), preenche os principais campos do formulário (nome do cliente, caso, palavra-chave). Paralelo ao sistema PowerDocs, a biblioteca utiliza a ferramenta Lotus Notes para o gerenciamento de todo o acervo e dos principais trabalhos desenvolvidos pelos advogados. Os recursos humanos utilizados na implantação, limitaram-se ao departamento de TI e biblioteca. Neste período, a biblioteca desempenhou um importante papel, criando a padronização dos campos e termos do vocabulário controlado, uma vez que os técnicos de TI não dominavam tais conhecimentos. Além disso, a biblioteca faz diariamente o tratamento das informações inseridas pelos advogados no PowerDocs, disponibilizando-as a todos os usuários. Desta forma, os documentos ficam armazenados em meio eletrônico, permitindo o acesso e consulta simultânea ao sistema. Capítulo 10 – Cases: Tozzini e Freire 90 Segundo a bibliotecária Ana Maria, as maiores dificuldades ocorreram durante o processo de adaptação. Ela afirma que houve resistência por parte dos advogados que por muitas vezes não estavam disponíveis para participarem dos treinamentos, além de não respeitarem as regras estabelecidas para o preenchimento correto do formulário do PowerDocs. De acordo com o diretor de TI – Wilberg, após um ano da implantação do sistema pode-se considerar que os resultados foram alcançados. Hoje, há mais de 90.000 documentos inseridos na base, proporcionando, assim, o compartilhamento rápido e preciso da informação. Para ele, o projeto está numa fase de integração e participação dos usuários que após assistirem aos primeiros resultados da implantação, sentiram-se motivados a contribuir cada vez mais para melhoria e qualidade do sistema. Quanto à formação necessária para atuar na GC, Wilberg afirma que os bibliotecários e os analistas de negócios são preparados para tal, por serem capazes de entender a estrutura e o fluxo de informações na empresa. Em relação as habilidades, ele acredita que o lado humano, backgrounds diferentes e saber lidar com pessoas de níveis diferentes é essencial. Para Wilberg, a TI é importante para facilitar a criação de diversas ferramentas no apoio à GC, tais como intranet, extranet, repositório de conhecimento, groupware e mapas do conhecimento. Capítulo 10 – Cases: Promon 91 Data: 17/09/2002 Empresa: Endereço: Ramo : Promon Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 1830, 12º andar Engenharia e tecnologia Entrevistado 1: Sérgio Alfredo – Membro do Comitê da GC Departamento: Diretoria Graduação em Engenharia civil. Mestrado e doutorado pela Formação: Poli-USP. Entrevistado 2: Marinete Costa Silva – Supervisora de Sistemas Departamento: CIT – Centro de Informações Técnicas Formação: Graduação em Biblioteconomia (FESPSP), Especialização em Análise de Sistemas (FAAP), Marketing (ESPM), atualmente Pós-graduada no curso Gerenciando a informação para a gestão do conhecimento (Faculdade SENAC) Maria Cecília Porto Amador – Analista da informação nível técnico (estudante de Administração de empresas) Equipe: Missão / Objetivos: Fornecer produtos e serviços que propiciem plenamente a satisfação de seus clientes; Manter com clientes, associados e fornecedores relações de alto nível profissional e ético, baseadas em confiança; Criar condições para a realização profissional e humana de seus integrantes e, Contribuir para o desenvolvimento das sociedades em que atua. Histórico: Fundada em 1960, a Promon é uma empresa, cujo quadro de acionistas é formado pelos seus funcionários. Sua atuação abrange as áreas de projeto, integração, implantação de empreendimentos e negócios para setores de infraestrutura da economia. Entre eles, destacam-se energia, indústrias, Capítulo 10 – Cases: Promon 92 telecomunicações, tecnologia da informação e gestão do conhecimento. É constituída por uma holding operacional, a Promon S.A., e pelas empresas Promon Engenharia, Promon Tecnologia, Trópico, Neogera – empreendimento conjunto com a Camargo Corrêa S.A e a Promon Ventures. A Promon figura entre as 5 melhores empresas para se trabalhar no Brasil, segundo o Guia Exame das 100 melhores empresas. Gestão do conhecimento: Segundo a concepção da bibliotecária Marinete, “Gestão do Conhecimento é um processo que tem como objetivo gerir o capital intangível da empresa e estimular a geração de novos conhecimentos". A idéia da GC surgiu por intermédio dos dirigentes da Promon ao notarem que algumas empresas de engenharia do mercado estavam implantando esta ferramenta. Inicialmente, criou-se um comitê corporativo formado por gerentes, diretores e profissionais executivos (arquitetos e engenheiros), com a finalidade de estudar uma possível implantação da GC na empresa. Um dos pontos considerados pela comissão para a implantação foi a preocupação com a cultura organizacional. Ao implantar a GC, a empresa buscava eficiência, competitividade, qualidade na entrega dos serviços para o cliente e melhorar a posição no mercado. Ainda não foi implantada uma ferramenta específica para dar suporte à GC. Segundo o Eng. Sérgio, o software só será adquirido ao término da etapa de adaptação dos funcionários, quando todos os processo internos estiverem consolidados. Para ele, é importante que os processos sejam definidos antes da aquisição da ferramenta, evitando-se, assim, que a empresa tenha que se moldar ao sistema. Desta forma, a Promon ainda se encontra em uma fase de transição da gestão da informação para a GC, segundo os relatos da bibliotecária Marinete, Capítulo 10 – Cases: Promon 93 o conhecimento está dentro da organização, porém, não há uma integração desse conhecimento entre os funcionários. Assim, o próximo passo rumo a implantação da GC é mapear todo o conhecimento da organização. Por enquanto, as lições apreendidas, conhecimentos e experiências relevantes são registradas em relatórios ou num banco de dados que já existia na organização. Há um projeto que visa a elaborar um Portal do Conhecimento, todavia, no momento esta sendo utilizado apenas os recursos da Intranet. Um meio utilizado para familiarizar os funcionários com a idéia da GC são os canais de comunicação, cuja finalidade é adaptar o funcionário a falar em conhecimento ao invés de informação. Para tanto, a empresa conta com a participação de engenheiros, administradores, bibliotecários, analistas de sistemas, entre outros. De acordo com o Eng. Sérgio, durante o processo de adaptação da GC, uma das principais dificuldades encontradas foi convencer os funcionários a transportar-se do mundo da informação para o mundo do conhecimento. Ele afirma que não houve resistência por parte das pessoas, tendo em vista que a cultura organizacional da empresa proporciona um ambiente colaborativo. Conforme o Eng. Sérgio, não existe formação acadêmica para o gerente do conhecimento, as pessoas que desejem sê-lo devem se atualizar com cursos de especialização. Ele salienta que, para o bibliotecário atuar na GC, faz-se necessário que o mesmo possua algumas características, tais como: Plano de formação teórico forte (para transformar informação em conhecimento); Habilidades comportamentais; Habilidade de comunicação e, Capacidade para saber lidar com o conhecimento. Para o Eng. Sérgio, o bibliotecário é um agente que detém habilidades de capturar, armazenar, disponibilizar ou disseminar a informação, e tais Capítulo 10 – Cases: Promon 94 características facilitam a implantação da GC. Ele acredita que, a partir do momento da identificação do conhecimento, o armazenamento, o acesso, e a recuperação podem ser efetuados pelo bibliotecário. Na Promon, o bibliotecário vem vivenciando este processo há 13 anos, com a prática da Gestão da Informação. Hoje, a bibliotecária Marinete está participando de um grupo que tem como missão detalhar o papel do CIT para a GC. Na opinião da bibliotecária Marinete, as habilidades são mais relevantes que a formação. Ela acredita que o bibliotecário bem capacitado, que sabe fazer gestão da informação, deve enxergar neste nicho uma nova oportunidade profissional. Marinete argumenta que a educação continuada é muito importante para o profissional da informação manter-se atualizado, além de considerar as habilidades ligadas ao comportamento fundamentais, uma vez que num trabalho de GC, lida-se com pessoas, com aquilo que elas sabem, objetivando extrair seu conhecimento tácito. Na concepção do Eng. Sérgio, a TI é conseqüência do processo da GC. Esta deve ser implantada após o período de adaptação de idéias e consolidação das metas e objetivos. Na empresa existe um setor de TI, responsável pela manutenção do software de gerenciamento eletrônico de documentos, imagens e plantas. Todas as atividades são realizadas em ambiente eletrônico, entretanto, na opinião do Eng. Sérgio, isto é gestão da informação e não GC. Capítulo 10 – Cases: Natura Data: 24/09/2002 Empresa: Endereço: Ramo : Natura Inovação e Tecnologia de Produtos Ltda. Rodovia Anhanguera, Km 30,5 – Cajamar - SP Cosmético e Saúde 95 Entrevistado 1: Yara Rezende – Gerente de Informações Departamento: Gerência de Informações Graduação em Biblioteconomia e Documentação (ECA-USP), Formação: Especialização no acesso às Bases de Dados dos Sistemas Dialog, Orbit e ERL (americano), Questel, (francês), STN (alemão), Datasta (europeu) Bireme (brasileiro) e especialização em Patentes e Propriedade Industrial (FEA/USP), Planejamento e uso de informação técnica (FEA/USP), Gerência de informações (FEA/USP), Informação industrial (CNPq/IBICT) e sistemas de informação (USP/IPEN). Equipe: Maria Cecília Candeias - Supervisora de Informações Graduação em Biblioteconomia e Documentação (ECA-USP), Especialização no acesso às Bases de Dados dos Sistemas Dialog, Orbit e ERL (americano), Questel, (francês), STN (alemão), Datasta (europeu) Bireme (brasileiro) e especialização em Marketing para centros de informação. Renato A. Barbosa – Coordenador de Conteúdos - Graduação em Comunicação Social e Marketing (ESPM). Patrícia Vanni – Coordenadora de Informações - Graduação em Biblioteconomia e Documentação (ECA-USP) Eliandra M. Caparroz – Analista de Informações - Graduação em Biblioteconomia e Documentação (ECA-USP) e Ciências da Computação (não concluído) - (Faculdades Metodista) Dirlene P. Oliveira - Assistente de Informações - Graduação em Biblioteconomia e Documentação (ECA-USP). Especialização em computação e web design. Liliane Coda - Auxiliar de Informações - 2º grau completo Capítulo 10 – Cases: Natura 96 Missão da Natura Cosméticos: Promover o bem estar bem, ou seja, a relação harmoniosa, agradável do indivíduo consigo próprio, com seu corpo; a relação empática, bem sucedida, prazerosa do indivíduo com o outro, com seu mundo; a dinâmica decorrente da interação destas relações. Missão do departamento de Gerência de Informações: "Pesquisar, buscar, analisar, selecionar, divulgar, sistematizar, organizar informações bibliográficas de caráter técnico, científico e de mercado, que contribuam para o aperfeiçoamento dos atuais produtos e processos da empresa ou para o desenvolvimento de novos, através de recursos humanos, conhecimentos e ferramentas modernas e especializadas que assegurem a atual posição de benckmark nacional, alinhado às mais significativas experiências mundiais no gênero. Identificar processos, rotinas e procedimentos do negócio que detenham ou gerem conhecimento. Criar, implementar e gerenciar ações que visem a estimular e valorizar o aproveitamento do conhecimento, experiências, competências e habilidades técnicas, criativas, intuitivas e a ampliação cultural. Proporcionar o acesso e a disseminação de informações de modo a estimular o capital intelectual da empresa e a geração contínua de conhecimento. Criar, implementar e gerenciar processos estruturados e ferramentas que proporcionem preservação, transferência, compartilhamento, absorção e multiplicação dos conhecimentos tácito e explícito existentes na empresa, propiciando a geração de novos conhecimentos, inovação e vantagem competitiva. Estimular a cultura do conhecimento e do aprendizado contínuo, ensinando pessoas a aprender, através de ações de conscientização e divulgação da sua importância e valor". Capítulo 10 – Cases: Natura 97 Histórico: A Natura surgiu em 1969, em uma pequena loja na Rua Oscar Freire, na cidade de São Paulo. Seus primeiros anos foram marcados pela limitação de capital e dificuldade de produção em escala. Foi a partir da década de 70 que os negócios começaram a expandir com a criação da Consultoria Natura, isto é, a venda direta. A partir de então, seguiram-se décadas de grande crescimento, fusões, conquistas no mercado e consolidação da marca Natura. A empresa Natura está presente em todas as regiões do Brasil e, no exterior atua no Chile, Argentina, Peru e Bolívia. Gestão do conhecimento: Segundo a concepção da bibliotecária Yara Rezende, “GC é um processo corporativo, focado na estratégia empresarial e que envolve a gestão das competências, a gestão do capital intelectual; a aprendizagem organizacional, a inteligência empresarial e a educação corporativa na busca da expertise coletiva da organização, em qualquer lugar em que se encontre, e de sua distribuição para onde houver o maior retorno”. Os primeiros passos da GC na empresa ocorreram no final de 1999, a partir da compreensão em compartilhar o conhecimento relativo aos diversos aspectos do negócio, de modo a não perdê-lo. Ao implantar a GC a empresa buscava criar uma área que fosse responsável pela identificação, compartilhamento e sistematização/explicação do conhecimento. A fim de minimizar custos, utilizou-se um software já existente na empresa e formou-se “times interdepartamentais” que lideraram a implantação e manutenção dos processos da GC em suas respectivas áreas. Foram ministrados Capítulo 10 – Cases: Natura 98 treinamentos aos “líderes departamentais” para que estes compartilhassem e multiplicassem o treinamento recebido. Quanto às campanhas de incentivo, segundo a bibliotecária Yara Rezende, estas encontram-se em fase de avaliação. Ela afirma que o projeto, como um todo, ainda esta na fase piloto, possuindo apenas a figura do Gerente, que trabalha com os times interdepartamentais. Para Yara, as dificuldades ocorridas durante a fase piloto relacionam-se aos aspectos culturais da empresa e ao comportamento das pessoas. No futuro, quando todas as etapas da GC estiverem consolidadas esperase implantar processos de estímulo comportamental que favoreçam, facilitem e estimulem a criação e o compartilhamento de conhecimento, bem como algumas ferramentas (softwares) de apoio a esses processos. Como gerente responsável pela implantação das funções de GC, a bibliotecária Yara Rezende tem participado de atividades diversas tais como: definição do escopo e abrangência de atuação da área junto à diretoria; formação dos times interdepartamentais; análise de viabilidade de implantação de processos de estímulo; análise e escolha de softwares; desenvolvimento de ferramentas (bases de dados), promoção de fóruns internos para o compartilhamento de conhecimentos adquiridos pelos colaboradores em congressos, feiras, cursos, viagens e visitas técnicas. Quanto à formação necessária para atuar na GC, Yara Rezende declara que mais importante que ter uma determinada formação profissional, é necessário possuir habilidades comportamentais, ligadas à comunicação, dinamismo, criatividade, macro-visão, liderança, entre outras. Na concepção da bibliotecária Yara Rezende, a TI pode ser um facilitador de alguns tipos de iniciativas de GC, sendo uma conseqüência, e nunca uma causa da GC. Capítulo 10 – Cases: Andrade Gutierrez 99 Data: 25/09/2002 Empresa: Endereço: Ramo : Andrade Gutierrez R. Dr. Geraldo de Campos Moreira, 375, Térreo Construção pesada Entrevistado 1: Gustavo Jacob – Gerente do Q&S Departamento: Q&S (Qualidade e Sistemas) diretoria que concentra quatro áreas: Qualidade, Sistemas, Meio ambiente e CDIC-GC (Centro de Documentação, Informação e Conhecimento) Graduação em Psicologia e Especialização em Gestão do Formação: Conhecimento (FGV-SP), Gestão de Projetos (IATEC) e Dinâmica Organizacional (FGV-SP) Carmen Priscila Bonani Siqueira – Graduação em Biblioteconomia Marilda Eleutério da Silva - Graduação em Biblioteconomia Equipe: Missão do departamento de Qualidade e Sistemas - Q&S: "Assegurar o tratamento, a guarda e a disponibilização rápida e precisa de documentos e informações, bem como identificar, administrar, proteger e compartilhar os conhecimentos necessários ao desempenho diferenciado do negócio da empresa, de acordo com o perfil de interesse e necessidades de suas equipes". Histórico: No ano de 1948, em Belo Horizonte, a construtora Andrade Gutierrez iniciava suas atividades. Atualmente é formada pelo Grupo Andrade Gutierrez, cuja área de atuação é construção pesada, concessões públicas, telecomunicações e investimentos imobiliários, possuindo instalações em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Capítulo 10 – Cases: Andrade Gutierrez 100 Gestão do conhecimento: Segundo a concepção da empresa: “GC é um processo sistemático de inovação, codificação, compartilhamento e assimilação dos conhecimentos estratégicos na vida da organização”. Esta definição é compartilhada entre todos os funcionários, os quais possuem a responsabilidade de Criar – Gerar, Codificar – Explicitar, Disseminar – Compartilhar e Apropriar – Assimilar o conhecimento da organização. O gerente Gustavo Jacob afirma, ainda, que a GC é um modelo de gestão que se baseia no conhecimento como elemento essencial para a competitividade e sobrevivência da empresa, de acordo com as tendências do cenário atual. Para isso, todas as pessoas da organização deverão estar cientes da importância do mesmo como fator decisivo de desenvolvimento organizacional. Estabelecer a competência essencial da organização. Planejar o caminho a ser alcançado, a longo prazo, em competências que deverão ser desenvolvidas. Os primeiros passos da GC na empresa ocorreram em outubro de 1997, quando um dos sócios - Sérgio Andrade - leu uma reportagem da Revista Bussiness Week, cujo conteúdo apresentava a experiência de uma construtora americana (Becton), que estava implantando a GC. A reportagem foi enviada para a área de Sistemas que ficou encarregada de pesquisar o assunto. Diante desta responsabilidade, os gerentes de desenvolvimento de sistemas resolveram ir até São Francisco e visitar a Becton para colher maiores informações. Ao implantar a GC, a empresa buscava alavancar novos conhecimentos e constituir uma base de conhecimentos, para que os funcionários não continuassem reinventando a roda. A dispersão geográfica das obras, também foi uma fator decisivo para a implantação da GC, tendo em vista que várias obras passam por experiências semelhantes, porém isto raramente era aproveitado. Assim, após o contato com a Becton, iniciou-se a fase de implantação do sistema. Primeiro, foram escolhidos os seguimentos que faziam o negócio da empresa: terraplanagem, concreto, pavimentação, escavação de rocha, gerência Capítulo 10 – Cases: Andrade Gutierrez 101 de contratos, engenharia jurídica, entre outros. Em seguida, procurou-se os experts para cada negócio, os quais eram incumbidos de levantar o conhecimento relevante e importante de sua área. Para incentivar a participação dos funcionários, a empresa realizou um processo maciço de divulgação, oferecendo premiação para aqueles funcionários que colaborassem. Na ocasião, o prêmio foi um automóvel. O software escolhido foi o KSM – Knowledge Site Management - base de dados desenvolvida pela Teltec (atualmente Sopheon). Para disseminar o conhecimento, informações e notícias referentes à empresa, desenvolveu-se um Portal do Conhecimento (página corporativa estruturada em áreas disponibilizada por meio da Intranet). O funcionamento da CG ocorreu em fevereiro de 1999, sem a implantação de um projeto piloto. Na época da implantação, o projeto de GC contava com a participação direta de dois gerentes de sistemas e o auxilio indireto de mais trinta pessoas, sendo estas engenheiros, diretores, encarregados, entre outros. Hoje, o departamento de Q&S é responsável pela manutenção e divulgação da GC na empresa. Conforme já mencionado, o produto (ferramenta) que auxilia as etapas da GC é um Portal do Conhecimento, cuja estrutura se apresenta da seguinte maneira: Grupos de conhecimento – Bases de dados do sistema: Execução de Obras, Mercado de Construção (Inteligência Competitiva) e Gestão de Riscos. Biografias de profissionais – Páginas amarelas da empresa – Buscam explicitar o conhecimento técnico dos profissionais; Experiências adquiridas - Experiência significativa que a unidade vivenciou e que serviu como forma de aprendizagem. Descreve Capítulo 10 – Cases: Andrade Gutierrez 102 informações sobre as pessoas envolvidas, bem como fenômenos ocorridos em determinado projeto (por exemplo, em uma construção na Amazônia ocorreu um problema no solo que até então não era conhecido pelos engenheiros; depois de vários estudos descobriram que tal problema era causado pela erosão). Na base de dados está toda informação relacionada ao fenômeno: histórico, procedimentos, fotos, profissionais envolvidos e contatos dos profissionais. Assim, se ocorrer este mesmo fenômeno em outro lugar do país, não será necessário “reinventar a roda”; Informações gerais sobre a unidade – Disponibiliza para a comunidade interna os conhecimentos sobre alguns aspectos técnicos da unidade. Exibe toda informação sobre uma obra efetuada: histórico, equipe, fotos, valor do contrato e nomes para contato; Lista de conhecimento - Disponibiliza termos técnicos de engenharia para indexação dos documentos no sistema da empresa, funciona como um vocabulário controlado; Padrões - Documentos que reúnem boas práticas de execução de serviços, inclusive os de obras certificadas. Descrevem o que fazer e como fazer. É o conhecimento registrado; Subcontratados - Informações sobre alguns subcontratados - (empresas e parceiros que prestaram serviços à empresa); Normas e padrões administrativos – Normas/diretrizes administrativas. Para consultar estas informações, o funcionário acessa a Intranet da empresa. Entretanto, para registrar o conhecimento no sistema os procedimentos são diferentes: Primeiro, o gerente de cada unidade identifica o conhecimento que ele julga ser importante para a empresa. Em seguida, o gerente registra o conhecimento em um formulário padrão que está no sistema, enviando-o para o Capítulo 10 – Cases: Andrade Gutierrez 103 CDIC, onde a bibliotecária responsável faz a inclusão do conhecimento na base de dados. Cabe, ainda, ao gerente, atualizar constantemente o conhecimento de sua unidade. De acordo com o gerente Gustavo, os objetivos foram alcançados. Um dos resultados da implantação da GC, foi a reprodução de informações em projetos com o mesmo perfil. Por exemplo, a estrutura utilizada em uma hidrelétrica de São Paulo, foi reproduzida em Tocantins, não havendo, assim, necessidade de contratar uma consultoria para o novo projeto, resultando economia de tempo e dinheiro, visto que a obra foi entregue antes do prazo. Quanto às dificuldades ocorridas, o gerente Gustavo explica que no início as pessoas imaginavam que a GC estava condicionada somente à base de conhecimento, além disso, existia algumas dúvidas em relação as diferenças entre informação e conhecimento. As bibliotecárias da Andrade Gutierrez participam dos processos da GC, efetuando a inclusão do conhecimento na base de conhecimentos (KSM), elaborando os perfis de interesses e criando e mantendo o Vocabulário Controlado. Na concepção do gerente Gustavo o papel do bibliotecário na GC é muito importante, devido aos seus conhecimentos na construção de uma arquitetura de informação. Ele afirma que as bibliotecárias e os profissionais de TI deveriam trabalhar integrados na construção de estruturas que permitam um fluxo de informações mais eficaz e consistente. As atividades dos bibliotecários, que ele julga serem essenciais na construção de sistemas de GC, são: Vocabulário Controlado e Indexação: É essencial para que as informações sejam organizadas e disponibilizadas numa lógica própria da empresa, utilizando termos técnicos para a indexação de documentos. Capítulo 10 – Cases: Andrade Gutierrez DSI - Disseminação Seletiva de Informação: 104 Extremamente importante, poucas empresas a utilizam de maneira eficaz. Se for potencializada, representa um fator crítico de sucesso no sistema de GC. Permitindo que a informação certa chegue para a pessoa certa, uma disseminação pró-ativa, que poderá ser decisiva para a mudança comportamental da organização. Perfis de Interesse: Para que a informação certa chegue à pessoa certa é necessário que sejam criados grupos de interesse sobre determinado assunto. Geralmente é utilizado o vocabulário controlado para estabelecimento destes grupos. Pelos grupos de interesse, poderemos adotar várias medidas em GC, tais como: Fóruns, Chats, DSI, grupos de acesso (proteção da informação), entre outros. Gustavo defende que a formação e habilidades necessárias para atuar na GC podem ser encontradas nos profissionais de RH e nos bibliotecários. Em seu entendimento, na GC há dois processos essenciais e distintos, os quais se interagem o tempo todo: a) alavancar novos conhecimentos; b) constituir uma base de conhecimento, efetivando o uso do mesmo na organização. A interação desses dois processos deve ser dinâmica. No primeiro, é interessante a incorporação de profissionais de RH, para estabelecimento das competências essenciais ao negócio (projeção do futuro). Ele observa que é essencial o efetivo envolvimento de uma liderança da alta administração a qual conheça todos os processos da empresa e tenha uma visão clara das estratégias e de “onde a mesma quer chegar”. Nesta fase, é importante estabelecer os sistemas e programas necessários à transmissão dos conhecimentos para a organização. No segundo, os conhecimentos dos profissionais de TI e Biblioteconomia são vitais para constituir uma base sólida de conhecimentos da organização. Não adianta alavancar novos conhecimento e não dedicar um tratamento adequado para os mesmos. Sem esse tratamento, o conhecimento se perde impossibilitando sua reutilização. Para Gustavo, é preciso cuidar muito bem do conhecimento aplicado Capítulo 10 – Cases: Andrade Gutierrez 105 pelos funcionários da organização e manter uma base que reúna este conhecimento, assim a empresa poderá alcançar novos patamares. Quanto a importância da TI no processo de GC, O gerente Gustavo declara que a TI é um fator determinante para o sucesso da GC. É a velocidade com que os conhecimentos são apropriados pela organização. A TI permite que haja uma velocidade maior na internalização do conhecimento, alcançando competitividade almejada. Ela é apenas um complemento; um suporte à GC. a Conclusão 106 “Podemos ser conhecedores com o conhecimento dos outros, ma não podemos ser sábios com a sabedoria dos outros”. - Michael Montaigne 11 CONCLUSÃO Diante das informações relatadas nos capítulos anteriores acredita-se que os objetivos propostos foram alcançados, permitindo, assim, realizar algumas considerações que serão apresentadas neste capítulo. No decorrer da pesquisa notou-se que a GC é um tema complexo, vasto e envolvente. Logo, espera-se que este trabalho estimule novas idéias e discussões na área da Ciência da Informação, fazendo com que o bibliotecário visualize a GC como um novo campo de atuação. Conforme os primeiros relatos observou-se que a preocupação com o conhecimento existe desde os tempos dos antigos filósofos. Naquela época, buscava-se o entendimento do ser e a verdadeira fonte do conhecimento. Hoje, o conhecimento é novamente fator de discussão sendo estudado não apenas por filósofos, mas por consultores, pesquisadores e gerentes empresariais. Segundo os “novos estudiosos” o conhecimento tornou-se fator de produção de lucros e riquezas. Os elementos que outrora garantiam o domínio do poder e riqueza terra, trabalho e capital - não desapareceram. Contudo tornaram-se secundários. Alguns pesquisadores batizaram esta nova realidade de Era do conhecimento, Sociedade do conhecimento ou Terceira Onda. Entretanto, seja qual for a nomenclatura utilizada, observa-se que o domínio e controle do conhecimento são o diferencial entre as organizações, uma vez que o conhecimento é considerado o novo motor da economia; é o recurso que contribui para o desenvolvimento, competitividade e sucesso nas organizações. Conclusão 107 Nesta perspectiva, percebe-se a importância que o conhecimento possui na nova sociedade, exigindo que as organizações sejam inovadoras, criativas, eficientes e estratégicas. Sendo assim, faz-se necessário que as empresas dominem os conceitos e temas relacionados ao conhecimento, sabendo diferenciá-lo de informação e dado. De acordo com os conceitos apresentados, conhecimento é informação estruturada; informação é um dado com significado e dado é um conjunto de fatos, números e valores relativos a eventos. A medida em que a informação é interpretada e contextualizada, gerando algo de novo, transforma-se em conhecimento. Tão logo, pode-se dizer, que o conhecimento é atingido pela soma de dados e informações. Esclarecidas as diferenças entre conhecimento, informação e dados, é importante compreender os tipos de conhecimento segundo a ótica da GC. Conhecimento tácito é aquele presente na mente das pessoas, é o conhecimento implícito, abstrato, a capacidade, as experiências e os talentos dos indivíduos. Conhecimento explícito é aquele que está registrado, de alguma forma, em livros, relatórios, bancos de dados, e outros. O conhecimento nas organizações é criado pela interação entre conhecimento tácito e explícito. As organizações capturam o conhecimento tácito dos funcionários transformando-o em conhecimento explícito por meio de bancos de dados ou portais do conhecimento. Em seguida, compartilha-o entre todos os funcionários da organização, gerando, assim, novos conhecimentos e produtos. Em meados da década de 90, o conhecimento tornou-se um ativo de valor mensurável, por intermédio da GC. Nos dias de hoje, nota-se que a GC não é um mero modismo, mas sim uma ferramenta estratégica aplicada nas empresas que desejam obter vantagem competitiva. A GC busca conscientizar as organizações a valorizarem o conhecimento, gerenciando-o, organizando-o e incentivando seus funcionários a criarem novos conhecimentos e aproveitarem os recursos já existentes - sem precisar reinventar a roda. Na prática, o processo de GC visa a criar, identificar, coletar, armazenar, catalogar, disponibilizar, compartilhar e Conclusão 108 adaptar o conhecimento relevante para a organização. Ao implantar a GC, as empresas objetivam reunir o conhecimento coletivo para contribuir com o desenvolvimento e aperfeiçoamento das operações, bem como, melhorar o desempenho da empresa diante do mercado. Além disso, ao utilizarem as técnicas e processos já existentes, as organizações reduzem gastos e ganham tempo, propiciando que os funcionários criem novos conhecimentos e com isso aumentem à lucratividade e a competitividade da empresa. Para implantar a GC é necessário que as empresas saibam identificar os conhecimentos relevantes e como estes poderão agregar valor a organização. Tais conhecimentos devem ser aqueles que fazem a diferença, o negócio da empresa, isto é, o conhecimento estratégico. Ainda, na implantação da GC é fundamental que exista uma transformação na administração, nos processos, na estrutura e no comportamento da empresa, funcionários e colaboradores. Também são essenciais o comprometimento e a participação de todos os integrantes da empresa em compartilhar as experiências e informações que contribuam para o desenvolvimento da organização. Na fase de implantação é importante que as empresas incentivem seus funcionários a compartilharem suas melhores experiências por meio da comunicação, discussão, conscientização e campanhas de bonificações e premiações. Todavia, é recomendável que as empresas tenham cautela ao tentar incentivar seus funcionários apenas com prêmios, tendo em vista que estes podem se prontificar a participar somente enquanto existir a campanha de premiação, desistindo do seu compromisso no "meio do caminho" e, deste modo, prejudicando a continuidade do processo de GC na organização. Observa-se que a GC não é uma prática isolada ou o ideal de uma única pessoa, pelo contrário, envolve todos os participantes, é um processo contínuo, a longo prazo, que exige mudanças de comportamentos e atitudes que alcancem todos os membros da organização. Desta maneira, é preciso existir uma integração entre todos os fatores que contribuem para a existência da organização: ambiente, estrutura, funcionários e colaboradores, os quais são denominados respectivamente de: capital ambiental Conclusão 109 (fatores externos à organização: aspectos legais, culturais, governamentais e regionais); capital estrutural (infra-estrutura interna da empresa: conceitos, sistemas administrativos, rotinas, modelos, marcas e patentes); capital intelectual ou humano (capacidade, habilidade e experiências das pessoas que integram a organização) e capital de relacionamento ou do cliente (contatos da organização: clientes, fornecedores, colaboradores e parceiros). A TI é outro fator importante na implantação da GC. Muitos autores afirmam que a GC não se limita apenas a implantar uma ferramenta tecnológica. Sendo assim, é recomendável que, ao implantarem um processo de GC, as empresas percebam que a tecnologia é uma conseqüência, um suporte. Trata-se de um sistema que armazena, distribui e permite maior velocidade no compartilhamento do conhecimento. Deste modo, a simples aquisição de equipamentos tecnológicos não garantem o sucesso da GC, tendo em vista que, quem promove a criação, geração e compartilhamento do conhecimento são as pessoas. Logo, o foco excessivo na tecnologia não trará grandes resultados à empresa. A GC exige que haja uma transformação de processos, pessoas, sistemas e meios de produção. Alguns exemplos da funcionalidade da TI na GC são as páginas amarelas, mapas e portais do conhecimento, que já estão sendo utilizados por várias empresas no armazenamento e disseminação do conhecimento. Existem inúmeras etapas e processos que compõem a GC, tais como: identificação do conhecimento relevante, transformação de idéias e conceitos da empresa e funcionários, escolha e implantação de ferramentas tecnológicas, entre outras. Assim, verifica-se a importância das pessoas que estão comandando ou participando deste processo estarem preparadas e capacitadas para fazer com que a GC seja um sucesso na organização. Como já mencionado, nos dias atuais, não há uma formação acadêmica específica que prepare uma pessoa a ser um gerente do conhecimento. Alguns autores, pesquisadores e entrevistados afirmam que as habilidades necessárias à GC são comportamentais, como: ser empreendedor, criativo, comunicativo, responsável, dinâmico, flexível, interativo, possuir características gerenciais, abertura cultural, facilidade para trabalhar em Conclusão 110 equipe, e outras. Tais habilidades não são apreendidas em nenhuma formação acadêmica, pelo contrário, são próprias do comportamento das pessoas. Logo, o bibliotecário como qualquer outro profissional pode obter capacitação para atuar na GC, desde que esteja disposto a redefinir seus objetivos, se adaptando a realidade da sociedade do conhecimento. Do mesmo modo que as empresas mudaram suas estratégias visando a obter vantagem competitiva, o bibliotecário também deve fazê-lo. Aquela “imagem do antigo bibliotecário corporativo” cuja ocupação era organizar e manter o acervo da empresa, não mais atende às necessidades informacionais das organizações. De acordo com a realidade de determinadas épocas, as bibliotecas corporativas foram se adaptando, transformando e recebendo ao longo do tempo várias nomenclaturas: Biblioteca Tradicional, Centro de Informação, Centro de Documentação e Bibliotecas Virtuais. Hoje, com o advento da GC as bibliotecas recebem novas denominações: Knowledge Center, Centro de Informações Técnicas, Centro de Documentação, Informação e Conhecimento, dentre outras. Percebe-se que no decorrer dos anos os modelos de bibliotecas passaram por várias transformações, justificando o dever do bibliotecário, enquanto profissional da informação responsável pelas bibliotecas, acompanhar tais transformações. Ao implantarem a GC as empresas necessitam identificar, armazenar e recuperar a informação e o conhecimento que circulam nas “veias da organização”. Isto comprova a importância do bibliotecário possuir as habilidades técnicas típicas da sua formação, somadas às habilidades comportamentais. Por enquanto, a participação do bibliotecário no contexto da GC é tímida. Todavia, analisando a realidade das empresas apresentadas nos cases e considerando a importância que as mesmas atribuem aos bibliotecários, pode-se constatar que aos poucos os profissionais da informação estão assumindo uma postura participativa e ativa neste campo do mercado. Conclusão 111 Entretanto, é fundamental insistir no fator educação continuada. O bibliotecário deve estar disposto a investir em seu aperfeiçoamento e atualização. Nos cases apresentados, averiguou-se que a educação continuada era um fator preponderante entre a maioria dos entrevistados. Muitos gerentes do conhecimento possuíam formações inesperadas, tais como psicólogos e engenheiros. O que torna estes profissionais capacitados para o exercício dessa função é a constante atualização e aperfeiçoamento curricular. Entre os bibliotecários entrevistados também se verificou a prática da educação continuada. Com isso, percebe-se que a mesma será uma grande aliada para o bibliotecário que deseja ocupar uma vaga no mercado da GC. Em relação aos cases estudados, verificou-se que as empresas se encontram em fase de transição e adaptação à GC, estando os processos consolidados apenas na construtora Andrade Gutierrez. No escritório Tozzini Freire, constatou-se que por meio do sistema PowerDocs os advogados compartilham conhecimento e informação, no entanto, a simples aquisição desta ferramenta não atende a todas as fases de um processo de GC. O foco do PowerDocs é a gestão da informação e sua função se relaciona com o gerenciamento eletrônico de documento – GED. Sendo assim, o sistema utilizado pela empresa pode ser considerado um suporte à GC, não bastando para consolidar uma estrutura de GC no escritório. Quanto às funções das bibliotecárias, as mesmas desenvolvem um importante papel ao preservar a qualidade da base de dados, realizando diariamente o tratamento das informações inseridas pelos advogados e mantendo a padronização dos campos por meio do vocabulário controlado. Na Promon o processo da GC permanece em fase de adaptação. Por enquanto, o seu foco é a gestão da informação, porém, os responsáveis já estão estudando qual o melhor caminho para se consolidar a GC na empresa. Em meio a este processo de transição, notou-se que, mesmo não estando definido o futuro Conclusão 112 da GC na empresa, a bibliotecária já está se preparando, ao investir em seu aperfeiçoamento curricular. Na Natura, os processos da GC estão sendo avaliados, permanecendo, até o momento, na fase piloto. A bibliotecária responsável pela implantação da GC na organização possui uma participação ativa e, também, investe no fator educação continuada. Na construtora Andrade Gutierrez encontrou-se uma estrutura de GC de acordo com os ensinamentos da literatura. O processo de GC já está consolidado, produzindo, assim, resultados positivos: as melhores práticas estão sendo reutilizadas; os funcionários estão sendo motivados a aperfeiçoar suas experiências e conhecimentos, sem precisar reinventar a roda e a empresa reduziu gastos após a implantação da GC. Verificou-se que os responsáveis pela implantação seguiram na íntegra a doutrina da GC, com exceção do projeto piloto que não foi implantando. Em contrapartida, no que se refere à conscientização de funcionários, aquisição de ferramentas (portal do conhecimento), divulgação e incentivos com premiações, todas as etapas foram cumpridas. Apesar de não ser um bibliotecário que comanda o departamento de GC na empresa, averiguou-se que as bibliotecárias exercem uma participação ativa nesse processo. Conforme os relatos do entrevistado a empresa reconhece a importância da figura do profissional da informação/bibliotecário diante da GC. Dentre as lições extraídas dos cases apresentados, convém destacar a necessidade de existir uma integração entre o bibliotecário e os profissionais de TI, bem como, a importância do bibliotecário saber trabalhar em equipe, possuindo a habilidade de relacionamento interpessoal, tendo em vista que este trabalhará com profissionais de diversas áreas. Destarte, conclui-se este trabalho alegando que a GC não é um mero modismo, mas sim, uma prática administrativa que aos poucos está se consolidando nas organizações que buscam se destacar no mercado empresarial. Conclusão 113 Para tanto, é fundamental que as empresas identifiquem a área que gera maior impacto em seus resultados, bem como, o conhecimento vital para sua existência. Além disso, é necessário haver o comprometimento e a participação dos funcionários em todas as etapas de implantação da GC. Quanto à atuação do bibliotecário neste contexto, verifica-se uma nova oportunidade de trabalho, tendo em vista que sua formação acadêmica é favorável as práticas da GC. No entanto, a GC não se restringe apenas as habilidades técnicas, mas sim, as habilidades comportamentais. Sendo assim, é recomendável que o profissional da informação/bilbiotecário possua uma postura agressiva e inovadora, seja empreendedor, criativo e flexível para lidar com as mudanças que estão ocorrendo no mercado. Ademais, é essencial investir no fator educação continuada. Com estas atribuições, acredita-se que o profissional da informação/bibliotecário estará apto a atuar em organizações que praticam a GC. Referências 114 12 REFERÊNCIAS ALBAGLI, Sarita. Novos espaços de regulação na era da informação e do conhecimento. In: LASTRES, Helena M. M.; ALBAGLI, Sarita (Coord.). Informação e globalização na era do conhecimento. Rio de Janeiro: Campus, 1999. p. 290313. ALMEIDA, Maurício Barcellos. A necessidade de integração de fontes heterogêneas de dados em projetos de gestão do conhecimento. Perspect. Cienc. Inf., Belo Horizonte, v. 7, n. 1, p. 69-77, jan./jun. 2002. ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à filosofia. 2. ed. São Paulo: Moderna, 1993. ARRUDA, Maria da Conceição Calmon; MARTELETO, Regina Maria; SOUZA, Donaldo Bello de. Educação, trabalho e o delineamento de novos perfis profissionais: o bibliotecário em questão. Ciência da Informação, Brasília, v. 29 n. 3, p. 14-24, set./dez. 2000. AVEDON, Don M. GED de A a Z: tudo sobre gerenciamento eletrônico de documentos. Tradução Roberta da Silva Aquino. São Paulo: CENADEN, 1999. 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Anexo A 123 ANEXO A ESTUDO DE CASO – ROTEIRO DE ENTREVISTA EMPRESA : ____________________________________ RESPONSÁVEL : _____________________________________ DATA : ____/ ____ / ____ 1. Na sua concepção o que é GC? 2. Como surgiu a idéia de implantação de GC? (HISTÓRICO, QUEM, COMO, QUANDO, ONDE) 3. Quais foram os objetivos buscados quando da implantação da GC. 5. Como foi a implantação da GC, em relação a tecnologia: softwares, ferramentas e aplicações e em relação aos processos: treinamento, campanha de incentivo e projeto piloto? 6. Quais foram os recursos humanos utilizados no processo da GC (antes e depois da implantação) 7. Quais os produtos e serviços oferecidos após a implantação da GC? 8. Os objetivos foram alcançados? Relacione problemas e dificuldades ocorridos durante a implantação. 9. O bibliotecário participou de alguma forma no processo de implantação da GC? No caso de resposta positiva, cite quais foram as atividades que o bibliotecário desenvolveu. 10. Qual deve ser a formação (educacional) e as habilidades do profissional que deseja atuar na GC? 11 Qual a importância da TI na GC? Anexo B ANEXO B SITES RECOMENDADOS http://www.cni.org.br http://www.conhecimentoempresarial.com.br http://www.crie.ufrj.br http://www.informal.com.br http://www.terraforum.com.br http://www.nie.pucpr.br http://www.kmci.org http://www.kmmagazine.com http://www.kmol.online.pt http://www.sbgc.org.br 124 Glossário 125 GLOSSÁRIO A Ativos intangíveis Ativos não passíveis de troca ou imitação, são recursos não-quantificáveis que podem ser representados por competências, experiências, sistemas de trabalho e estilos de gestão. (WILBERG, 2002, informação verbal). Ativos tangíveis Ativos passíveis de troca e de imitação, são recursos quantificáveis que podem ser identificados como capital, tecnologia, marcas e patentes (WILBERG, 2002, informação verbal). B Base de conhecimento É uma estrutura organizada de informação que facilita o armazenamento da inteligência no intuito de ser recuperada como apoio de um processo de gestão do conhecimento (CHIAVENATO, 2000, p. 699). Background Experiência, formação, educação (HOUAISS, 1995, p. 40). Glossário 126 Banco de dados Grupo de arquivos relacionados; mais especificamente, uma coleção de dados organizados para parecerem estar em um só local, de modo que possam ser acessados e utilizados em muitas aplicações diferentes (LAUDON; LAUDON, 1999, p. 375). Benckmarking É um processo contínuo e sistemático de pesquisa para avaliar produtos, serviços, processos de trabalho de empresas e organizações que são reconhecidas como representantes das melhores práticas, com o propósito de aprimoramento organizacional (CHIAVENATO, 2000, p. 671-2). C Capital estrutural É composto do que resta depois que os empregados vão para casa, ou seja, a infra-estrutura que respalda o capital humano da empresa, inclusive a TI, facilitando a criação do conhecimento (von KROGH, 2001, p. 118). Capital humano Abrange todas as capacidades individuais, ou seja, os talentos, conhecimentos e experiências dos empregados e gerentes da empresa (von KROGH, 2001, p. 118). Capital intelectual Abrange o investimento da empresa em sistemas, instrumentos e filosofia operacional que agilizam o fluxo do conhecimento pela organização, bem como, Glossário 127 em direção a áreas externas, como aquelas voltadas para os canais de suprimento e distribuição (EDVINSSON, MALONE, 1998, p. 32). Criação do conhecimento organizacional A capacidade de uma empresa de criar novo conhecimento, difundi-lo na organização como um todo e incorporá-lo a produtos, serviços e sistemas (NONAKA; TAKEUCHI, 1997, p. 1). CKO Diretor de Conhecimento (DAVENPORT; PRUSAK, 1998). Cultura organizacional É um conjunto de hábitos e crenças estabelecido através de normas, valores, atitudes e expectativas compartilhadas por todos os membros da organização (CHIAVENATO,1999, p. 550). D Downsizing É uma técnica administrativa que consiste na redução dos níveis hierárquicos, em especial, na gerência média, buscando desburocratizar e flexibilizar as atividades, reduzir custos, agilizar a tomada de decisão e melhorar a comunicação na empresa (TEIXEIRA FILHO, 2001, p. 54). Glossário 128 E Empowerment É uma abordagem fortemente baseada na descentralização das decisões, na participação ativa das pessoas no processo de trabalho e na autonomia para a ação em todos os níveis da empresa (TEIXEIRA FILHO, 2001, p. 54). Estratégia É um caminho ou maneira, ou ação estabelecida e adequada para alcançar os desafios os objetivos da empresa (OLIVEIRA, 1997, p. 175). Expertise Conhecimento especializado (STEWART, 1998, p. 45). G Gerenciamento eletrônico de documentos (GED) É uma configuração de equipamentos, software e normalmente, de recursos de telecomunicações baseada em computador e automatizada que armazena e gerencia imagens de documentos – e seus índices codificados – que podem ser lidas por máquinas e processadas por computador para recuperação sob solicitação (AVEDON, 1999, p. 3). Glossário 129 I Inteligência competitiva É o resultado da análise de dados e informações coletados do ambiente competitivo da empresa que irão embasar a tomada de decisões, pois gera recomendações que consideram eventos futuros e não somente relatórios para justificar decisões passadas (GOMES; BRAGA, 2001, p. 28). Insigths Discernimento, perspicácia (HOUAISS, 1995, p. 305). L Learning organization Organização que aprende (NONAKA; TAKEUCHI, 1997, p. 9). M Mapa do conhecimento Trata-se de um guia, não de um repositório, que indica o conhecimento, porém não o contém. O desenvolvimento de um mapa do conhecimento envolve localizar conhecimentos importantes dentro de uma empresa e depois publicar algum tipo de lista ou quadro que mostre onde encontrá-lo (DAVENPORT; PRUSAK, 1998, p. 88). Glossário 130 P Planejamento estratégico É a metodologia gerencial que permite estabelecer a direção a ser seguida pela empresa, visando maior interação com o ambiente (OLIVEIRA, 1997, p. 267). R Rede de computadores É um conjunto de meios de comunicações, dispositivos e softwares necessários para conectar dois ou mais sistemas de dispositivos de computador (STAIR, 1998, p. 156). T Tecnologia da informação São processos, práticas ou sistemas que facilitam o processamento e transporte de dados e informações (CHIAVENATO, 2000, p. 699). TQM - (Total Quality Management) É um sistema permanente e de longo prazo, voltado para alcançar a satisfação do cliente pela melhoria contínua da qualidade dos serviços e produtos da empresa (TEIXEIRA FILHO, 2001, p. 54). Glossário 131 Trabalhadores do conhecimento Empregados de uma organização que criam e/ou utilizam o conhecimento (LAUDON; LAUDON, 1999, p. 384). V Vantagem competitiva Um atributo de uma organização, que a faz ter desempenho melhor que o dos concorrentes (MAXIMIANO, 2000, p. 534).