ISSN 1679-0189
o jornal batista – domingo, 20/10/13
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Órgão Oficial da Convenção Batista Brasileira
Fundado em 1901
1
Ano CXIII
Edição 42
Domingo, 20.10.2013
R$ 3,20
Pastor Isaltino: saudades...
Com o carinho merecido,
O Jornal Batista
homenageia o pastor
Isaltino Gomes Coelho
Filho. Um homem com
uma trajetória brilhante,
bem como intensa,
ensinou, alertou, divulgou
a mensagem de Deus,
e deixa saudades com
seus textos que falavam
de um Deus que não
estava preocupado com
o modismo, mas com a
essência. Conheça sua
biografia e os 44 livros de
sua autoria (págs. 12 e 13).
Curso de música do Seminário do Sul
tem aprovação do MEC
Oferecido há meio século pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil,
o curso de Licenciatura de Música agora
tem autorização concedida pelo Governo
Alegria e Fé pode ser o segredo
para chegar aos 108 anos com
muita saúde e disposição
Chegar aos 108 anos não é para qualquer um não.
Imagina então, alcançar essa marca com a saúde física
e mental em perfeito estado? Para irmã Leonídia Maria
da Silva, moradora de Santo Antônio de Inhapim isso é
simplesmente a história de uma vida de muito trabalho
e alegria (pág. 06).
Federal. Dessa maneira, a sólida formação
em música eclesiástica, agora soma-se a
formação para a docência profissional da
música (pág. 10).
2
o jornal batista – domingo, 20/10/13
reflexão
EDITORIAL
O JORNAL BATISTA
Órgão oficial da Convenção Batista
Brasileira. Semanário Confessional,
doutrinário, inspirativo e noticioso.
Fundado em 10.01.1901
INPI: 006335527 | ISSN: 1679-0189
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Perante a denominação batista,
as colaborações assinadas são de
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a opinião do Jornal.
DIRETORES HISTÓRICOS
W.E. Entzminger,
fundador (1901 a 1919);
A.B. Detter (1904 e 1907);
S.L. Watson (1920 a 1925);
Theodoro Rodrigues Teixeira
(1925 a 1940);
Moisés Silveira (1940 a 1946);
Almir Gonçalves (1946 a 1964);
José dos Reis Pereira
(1964 a 1988);
Nilson Dimarzio (1988 a 1995) e
Salovi Bernardo (1995 a 2002)
INTERINOS HISTÓRICOS
Zacarias Taylor (1904);
A.L. Dunstan (1907);
Salomão Ginsburg (1913 a 1914);
L.T. Hites (1921 a 1922); e
A.B. Christie (1923).
ARTE: Oliverartelucas
IMPRESSÃO: Jornal do Commércio
C
omo prometido,
nesta edição você
encontra a merecida homenagem
ao pastor Isaltino Gomes
Coelho Filho. Nela você
saberá um pouco da trajetória do pastor querido pelos
leitores de O Jornal Batista.
E uma das características
deixadas pelo pastor Isaltino
é a volta à essência. Ao ler
seus textos, alguns poderiam
achá-lo radical, ou atrasado
no tempo, mas o que foi
Recomendo!
• Sou assinante há décadas, e não consigo entender,
como um pastor batista faz
tão pouco caso deste veículo
informativo e doutrinário,
de suma importância para
o crescimento da obra do
Senhor Jesus Cristo. Nenhum
pastor batista deveria deixar
de lado O Jornal Batista, pois
considero de extremo valor,
para quem quer estar por
dentro daquilo que vai pelas
igrejas, convenções, CBB e
tudo mais.
Quanto a mim, recomendo
O Jornal batista a cada batista, visto ser “nosso”, e o que
é nosso, deve ser prestigiado
e valorizado, tanto como
prestigiamos e valorizamos
nossas famílias.
Pastor Gustavo Neumann
Marechal Cândido Rondon
deixado por seus textos é
a busca pela verdadeira essência de cumprir a vontade
de Deus. Mais do que andar
no modismo, a essência do
verdadeiro cristão deve ser
querer fazer a vontade de
Deus.
Voltar à essência é viver
num mundo corrompido,
mas buscar a pureza vinda
de Deus. É olhar o mundo
com olhos críticos, buscando sempre ver a verdade
de Deus. Como enfatizou
pastor Isaltino no texto que
escreveu sobre a visita do
Papa ao Brasil: “O Papa é
simpático. E dispõe de um
grande aparato midiático. É
matéria que vende jornais e
revistas. Mas não falou o que
devia: que só Jesus Cristo
salva”.
Voltar à essência é lembrar
do Cristo Salvador antes de
reclamar da vida. É acreditar
no cuidado e amor de Deus,
bem como espalhar com
ações esse cuidado e amor.
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Eu escolho OJB
• Em setembro de 1952 fiquei conhecendo este Jornal,
na Igreja Batista em Ipanema, Minas Gerais, onde fui
batizado no dia 4 de maio de
1948, pelo saudoso pastor
Tito Eler de Matos. Lembro
com saudade porque naquele tempo o Jornal Batista
tinha grande aceitação, hoje
com tristeza tenho lutado
As mensagens enviadas devem ser concisas e identificadas (nome completo, endereço e telefone). OJB se reserva o direito de publicar trechos.
As colaborações para a seção de Cartas dos Leitores podem ser encaminhadas por e-mail ([email protected]), fax (0.21.2157-5557)
ou correio (Caixa Postal 13334, CEP 20270-972 - Rio de Janeiro - RJ).
É escolher os caminhos de
Deus para viver, desde a
roupa que vai vestir, qual
palavra usar numa conversa,
qual profissão seguir. Que
seja pastor, músico, bailarina, advogado, médico,
secretária, mas que seja na
essência a vontade de Deus.
Voltar à essência é viver
com sede de Deus: “A minha
alma tem sede de Deus, do
Deus vivo. Quando poderei
entrar para apresentar-me a
Deus?” (Salmos 42.2). (AP)
muito para conseguir algumas assinaturas. Infelizmente os membros das nossas
igrejas estão mais interessados em ler os jornais seculares, do que o nosso querido
Jornal.
Por incrível que pareça
já encontrei até pastor que
não conhece este jornal, que
tanto me faz bem. Eu não sou
contra os jornais seculares,
eu também gosto de ler, mas
no caso de escolha eu fico
com O Jornal Batista. Eu sou
membro da Primeira Igreja
Batista em Coronel Fabriciano, sou o único assinante. Fiz
minha primeira assinatura em
1952. Estou com 84 anos e só
vou parar de ler este jornal
quando eu morrer.
João Moreira da Silva
Membro da PIB Coronel
Fabriciano, MG
o jornal batista – domingo, 20/10/13
reflexão
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GOTAS BÍBLICAS
NA ATUALIDADE
OLAVO FEIJÓ
Pastor, professor de Psicologia
Paulo Cezar
Membro da Igreja Memorial
Batista de Brasília
C
erta feita, em breve discurso em
minha igreja, disse
que três coisas me
provocam profunda emoção: criancinha, montanha
e música. E expliquei o porquê disso. Relativamente à
música, a razão é que ela
me faz olhar para dentro de
mim mesmo. Não entendo
música que não provoque
introspecção, prazer intelectual e, sobretudo, emocional.
E, no caso do louvor a Deus,
espiritual.
Ouvir Haendel, Bach, Vivaldi e Mozart, principalmente estes e nesta ordem, no
meu caso, além de elevar-me
o espírito, provoca emoções
que só a boa música sabe
despertar. Quantas vezes,
um simples acorde solto no
desenrolar de tema musical
faz nascer, instantaneamente,
e explodir, algo interno, quase inexplicável, que suplanta
até mesmo o senso estético
e se impõe como enlevo e
emoção! A boa música me
faz isso.
Cantei durante muitos anos
em diversos coros das igrejas
por onde tenho passado.
Lembro-me da musicalização
de um dos salmos de Davi.
O compositor sacro deu ao
poema uma interpretação
melódica e harmônica de tal
singeleza que, em determinado trecho, a modulação de
passagem para um simples
acorde era meu limite de autocontrole. A partir dali, tinha
certa dificuldade de continuar cantando, em razão
daquele fluxo espontâneo,
vindo do fundo de meu baú
de emoções, que me embargava a voz.
Isto se repete, muitas vezes,
durante o canto congregacional em minha igreja. Simples
emoções de um velho e avô?
Somente isto? Com certeza,
não!
Ouvi, recentemente, o som
emitido por uma galáxia, situada há milhões de anos-luz,
captado por certo radiotelescópio. É a antiga música
do universo anunciando que
Deus é o sublime compositor. Ele pôs boa música em
tudo o que criou: no farfalhar
dos ramos, no correr da brisa
brejeira, no rugir soturno
do furacão, no ribombar do
trovão, na flauta doce do rouxinol, no acalanto da mãe,
no riso cristalino da criança.
O universo é música. A criação é toda ela musical. Boa
música! O nascimento do
Salvador foi anunciado aos
pastores por coro de milhares
de anjos. Quem não gostaria
de ter estado lá para ouvir?
Um dia ouviremos...
Deus habita no meio dos
louvores, diz-se. Mas louvar
não é apenas cantar. No cerimonial de muitos cultos há
um item, específico, destacado: momento de louvor. Nessa hora cantam, geralmente,
apenas corinhos. Se as demais
partes constantes da ordem do
culto, inclusive os hinos tradicionais e a mensagem, não
forem louvor, este não será
culto verdadeiro, completo
em todos os sentidos. Louvor
é expressão de reconhecimento da divindade e do senhorio
de Deus, é demonstração
de gratidão, é oferta de vida
integral. Quer no templo, no
lar, na rua, onde estivermos,
seja em grupo ou individualmente, nossa vida deve ser
um louvor a Deus. A música
sacra há que ser a expressão
desse viver.
Nosso tempo pós-moderno,
neste que Tom Sine chama
MacMundo, tem relativizado
o sentido da boa música. Relativizado e banalizado. Até
mesmo em muitas de nossas
igrejas.
Nem sempre o pós-modernismo significa avanço
e bom gosto. Com isto não
quero dizer que não exista
música popular, erudita ou
sacra, de nível elevado em
nossos dias. No cancioneiro
brasileiro encontram-se joias
raras, de valor inestimável.
Em contrapartida, você há
de concordar, no caso da
música popular está sendo
comum o uso de letras sem
sentido ou intencionalmente
de duplo sentido e baixo
nível moral. É o mau gosto
musical e a cínica falta de
respeito impingidos à sociedade, e à saciedade, por manipuladores inescrupulosos
da opinião pública, em ataques diuturnos, sistemáticos
e massificadores.
Outro desvio é a imposição
de estilos musicais padronizados, que sufocam e deixam
em desuso o sentimento e a
cultura regionalistas.
Será tática de marketing o
vencer pela repetição, pelo
cansaço, pela falta de oferta
de opções? Faça um teste:
pergunte a muitos de nossos
contemporâneos, particularmente aos mais jovens, se,
por exemplo, sabem cantar o
Luar do Sertão, as músicas de
nosso rico folclore, os nossos
hinos pátrios. E se gostariam
de fazê-lo. Creio que a resposta muitas vezes será negativa (Tomara que eu esteja
enganado!). Se assim for, a
culpa cabe a eles, tão somente? Não! Antes de tudo, isso
é fruto da massificação dita
musical imposta em todas as
mídias. O canto orfeônico
deixou de ser matéria do
currículo de nossas escolas.
Entoar os hinos pátrios, parece, tornou-se o “maior mico”.
O que tenho observado, fato
incontestável, é a imposição,
goela abaixo, de um gosto,
no mínimo discutível, na
maioria das atuais manifestações musicais.
Parafraseando William
Shakespeare, é muito barulho por nada. Na maioria de
nossas igrejas o Cantor Cristão
caiu em desuso. O HCC vai
pelo mesmo caminho. Não
posso ser contra o cantar corinhos, desde que não sejam
apenas estes e que tenham
lógica em sua mensagem.
Muitos são de excelente qualidade, ternos e profundos em
sua mensagem, acessíveis, de
modo especial, às crianças.
Muitos, porém, afrontam, clara ou despercebidamente, as
doutrinas neotestamentárias
que integram a declaração de
fé dos batistas.
A música de louvor é extraordinário meio de aproximação, ou reaproximação,
da criatura com o Criador. E
de convencimento que leva
à conversão, porque toca,
ao mesmo tempo, coração
e mente.
Louvo e agradeço o persistente empenho do irmão
Rolando de Nassau em defesa da boa música em geral,
e especialmente da sacra,
entendida esta como a que
deve ser entoada em nossos
templos, em louvor a Deus.
Como pais temos o dever
de cultivar em nossos filhos o
gosto pela música de qualidade, seja de que categoria for.
Uma boa educação musical
se inicia no recesso do lar. A
boa cultura musical faz parte
da formação de expressiva
parcela de povos mais desenvolvidos.
Fraco, para
abençoar os
fracos
O
apóstolo Paulo
explica, de uma
forma aparentemente inadequada, qual deve ser a atitude
de empatia do cristão que
pretenda ganhar vidas para
Cristo. “Quando estou entre
os fracos na fé, eu me torno fraco também a fim de
ganhá-los para Cristo. Assim,
eu me torno tudo para todos
a fim de poder, de qualquer
maneira possível, salvar alguns” (I Coríntios 9.22).
Será que Paulo estará desrespeitando a ordem dada
por Jesus “Que o ‘sim’ de
vocês seja ‘sim’ e o ‘não’,
‘não’, pois qualquer coisa
mais que disserem vem do
Maligno” (Mateus 5.37)?
O ensino de Jesus é sobre
coerência e confiabilidade,
nas conversas do cristão. No
ensino de Paulo, a ênfase é
sobre a postura de empatia,
no nosso esforço de dar testemunho de Cristo. Assim
como Deus não é humano,
mas usa linguagem humana,
quando se revela aos seres
humanos. Às vezes, a linguagem da Bíblia nos lembra
um pai amoroso, explicando princípios complexos a
crianças de entendimento
imaturo.
As fraquezas que Deus
permite em nós é que nos
capacitam a sentir a dor e
a impotência que sempre
enfrentamos, quando vemos
as fragilidades das pessoas,
nas tentativas, muitas vezes
frustradas, de obedecer ao
Senhor. Mas, graças a Deus,
não somos nós quem convencemos: é o Espírito Santo
(João 16.8).
Mas, se ela se inicia no lar,
tem que continuar na igreja.
Não apenas para simples retorno ao bons e velhos hinos
evangélicos, de autores brasileiros ou não, mas, muito
além e acima disto, porque
nosso Deus, que nos dá de
graça tudo o de melhor, merece um retorno na mesma
medida.
Música não é placebo. Música é remédio certificado
para o espírito. Música sacra
é remédio certificado para a
alma. Não existe para entrar
por um ouvido e sair pelo
outro. Existe para penetrar
no fundo da mente e do coração, para fazer vibrar as cordas mais sensíveis da alma,
para subir como cheiro suave
ao Senhor. E até mesmo para
embargar a voz de quem a
escuta ou entoa.
Pensemos, todos, nisto.
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o jornal batista – domingo, 20/10/13
reflexão
PARÁBOLAS VIVAS
João Falcão Sobrinho
Nilson Dimarzio
Pastor, colaborador de OJB
N
ão poderia ser
mais sugestivo
o tema proposto
para a Campanha
de Missões Nacionais para
este ano. Sugestivo e desafiante, eis que viver para a
glória de Deus é a meta prioritária do verdadeiro cristão.
No dizer do teólogo João
Calvino, em suas famosas
Institutas da Religião Cristã,
“O fim do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para
sempre”. O que se ajusta perfeitamente com a revelação
divina, através do apóstolo
Paulo: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais
qualquer outra coisa, fazei
tudo para a glória de Deus”
(I Coríntios 10.31).
A Junta de Missões Nacionais da Convenção Batista
Brasileira, pela sua atuação
abençoadora, desde 1907,
demonstra vivenciar o tema
proposto. Em seu trabalho
meticuloso e produtivo, ela
nos ensina que viver para a
glória de Deus é atender o
chamado divino para a conquista de vidas para Cristo
e sair a campo, na dependência do Espírito Santo,
visando atingir o objetivo
colimado. O lema da Junta
é conquistar a Pátria para
Cristo através da pregação
do evangelho, mas a sua
atuação se espraia também
para as áreas da educação e
de assistência social, através
dos grandes colégios mantidos no sertão, dos Orfanatos,
onde são abrigadas crianças
desamparadas.
O programa de ação social
da Junta promove a resocialização em vários âmbitos.
Assiste menores em situação
de vulnerabilidade social,
marginalizados, presidiários
e seus familiares, apoia grupos minoritários como surdos
e ciganos, entre outras ações
realizadas por meio das frentes missionárias espalhadas
pelo país, sem esquecer a
grande obra de evangelização e integração realizada
entre os índios. Pelo vasto
trabalho que realiza e pelas
vitórias alcançadas, a Junta
atravessa uma fase áurea de
sua história.
Os 648 missionários espalhados pelo país, são homens
e mulheres de Deus que, ao
ouvir o chamado não se fizeram de rogados, mas, cada
um deu a positiva resposta:
“Eis-me aqui, envia-me a
mim” (Isaías 6.8). Nomeados
e orientados sabiamente pela
Junta, esses valorosos obreiros têm sido uma bênção
promovendo o crescimento
do reino de Deus. Ao longo
de sua história, dedicados
servos de Deus têm atuado
como secretários executivos,
desde L.M. Bratcher, David
Gomes e outros que muito
contribuiram para o seu progresso. O atual Diretor Executivo é o pastor Fernando
Brandão que, desde 2007,
por sua dedicaçãoe eficiência
conta com o apoio dos batistas brasileiros.
Pelas grandes vitórias alcançadas em sua gestão, ele
pode ser considerado o “The
right man in the right place”
(O homem certo no lugar
certo). Deus o tem usado
poderosamente, tanto na
superação de obestáculos,
quanto na ampliação do trabalho da Junta em todas as
frentes. Haja vista, o que
vem acontecendo na área
de combate às drogas. Um
gravíssimo problema que o
poder público não consegue
resolver, mas a Junta o vem
enfrentando com coragem,
determinação e, na dependência de Deus, alcançando
sucesso. O flagelo do crack
- uma das drogas mais mortíferas inventadas por Satanás
para destruição da juventude
- tem sido enfrentado corajosa e eficientemente pela
JMN. As Cracolândias de São
Paulo, Rio de Janeiro, Recife
e outras cidades são transformadas em Cristolândias,
onde os usuários da terrível
droga encontram amparo,
compreensão, ajuda material
e espiritual. Centenas deles
já foram libertados e hoje
louvam ao Senhor que deu
um novo sentido às suas vidas. Dezenas deles formam
um Coral que tem edificado
o povo de Deus em vários
eventos denominacionais,
inclusive durante a última
Assembleia da CBB em Aracaju. Como é emocionante
ouvi-los cantar e testemunhar
do poder transformador do
evangelho em suas vidas!
Porém, amados leitores, a
obra missionária ainda está
longe de sucesso absoluto.
O Brasil é um país continental, e grande parte da sua
população ainda vive sob o
domínio da idolatria, do fetichismo, das religiões pagãs
e da ignorância. A mensagem
de L.M. Bratcher pouco antes
de morrer ainda ressoa aos
nossos ouvidos: “Ainda há
muita terra para ser possuida”. Daí porque, a Junta de
Missões Nacionais, não só
para a mantença do seu trabalho, mas para a ampliação
do mesmo, necessita das orações do povo batista e de recursos materiais e humanos.
O número de missionários
precisa ser aumentado, mas
só o será mediante maior
liberalidade das nossas igrejas. Infelizmente, há igrejas
que não estão cooperando,
realizando apenas o seu trabalho local, sem a visão dos
campos brancos para a ceifa.
O momento é, pois, de
um despertamento espiritual voltado para as missões,
no desejo de ver um maior
número possível de vidas
resgatadas do pecado. Jesus
viu a desproporção entre
a imensidão da seara e o
diminuto número de obreiros. Daí o seu imperativo:
“Rogai ao Senhor da seara
que envie trabalhadores
para a sua seara” (Mateus
9.38).
Onde estão os futuros
obreiros para a seara do Mestre? Estão em nossas famílias,
em nossas igrejas. E aqueles
que se sentem chamados,
devem atender prontamente
e se prepararem para desempenho da grande missão, a
mais importante que qualquer mortal pode realizar.
Vem a calhar o apelo de
um dos nossos hinos: “Oh,
onde os obreiros pra trabalhar nos campos tão vastos
a lourejar? A causa requer
prontidão, vigor. Oh, quem
quer ceifar com desvelo e
ardor? Onde os obreiros? Oh,
quem quer ir, nos campos
tão vastos a escassez suprir?
Quem quer decidir hoje a se
entregar, e os frutos benditos
arrecadar?” (Cantor Cristão,
n°434).
O
cuco é uma ave
típica da Europa,
conhecida pelo
seu canto estridente, que pode ser ouvido
a um quilômetro de distância
e que anuncia a chegada da
primavera. Os cucos emigram para o norte da África
no inverno e retornam com
o advento da primavera. Na
sexta sinfonia de Beethoven,
há um momento em que os
moradores da vila caminham
até o bosque e ficam em silêncio para ouvir o cuco. Ao
ouvir o seu canto, o povaréu
prorrompe em gritos, danças
e abraços saudando a chegada da estação das flores.
O inverno passou, é hora de
começar a plantar a vida nos
campos até então cobertos
de neve.
Não se iluda, porém, com
o romantismo dos acordes
da pastoral de Beethoven. O
cuco é uma ave parasitária,
que nada tem de romântico
no seu cotidiano. Ele não
constrói seu ninho como
todas as aves, mas a fêmea
põe os seus ovos nos ninhos
de outros pássaros, tomando
o cuidado de jogar no chão
um dos ovos ou mesmo um
dos filhotes já nascidos, para
que os donos do ninho não
desconfiem que sua casa foi
invadida. O ovo do cuco leva
doze dias sendo chocado
e quando nasce, o filhote
joga no chão os ovos ou as
crias dos donos do ninho,
passando a receber todas as
atenções e alimentos dos pais
adotivos. As aves cujo ninho
foi invadido se desdobram
para poderem alimentar o
exigente filhote do cuco.
Uma fêmea de cuco pode
invadir vários ninhos alheios
para depositar seus ovos,
jamais colocando dois ovos
no mesmo ninho porque ela
sabe que se o fizer, um dos
seus filhotes será expulso do
ninho pelo outro.
Ao ler sobre esses hábitos
do cuco, logo me lembrei de
que há, em nossas igrejas,
muitos crentes que não constroem seus próprios ninhos
espirituais, não são dizimistas, mas se aproveitam da fidelidade dos outros. Esperam
que outros paguem as contas
de água e luz para que eles
tenham a sua aguinha gelada
no verão; outros irmãos pagam o salário do pastor que
eles possam ter assistência
espiritual; outros que paguem
as despesas de zeladoria para
que eles tenham bancos limpos onde sentar-se para assistir aos cultos. Não raro, esses
crentes são os mais críticos e
exigentes na administração
do dinheiro da igreja. Em
certa igreja, a equipe de louvor criou a maior quizumba
na assembleia, exigindo que
fosse aprovada a compra de
novos instrumentos musicais.
O tesoureiro da igreja, irmão
muito respeitado, pediu a
palavra e informou à igreja
que até aquela data, nenhum
dos componentes da equipe
contribuía com um centavo
sequer para o sustento da
igreja. Eram os cucos de plantão, aves parasitas, querendo
pôr seus ovinhos no ninho
construído pelos outros. Um
deles ainda argumentou dizendo que eles já estavam
dando o seu trabalho de graça para a igreja, mas o tesoureiro sabiamente lembrou
que os professores da EBD e
outros obreiros também trabalhavam para a igreja como
voluntários sem nada exigir
senão a satisfação de poderem trabalhar para Deus.
Na minha longa jornada
denominacional, conheci
“pastores cucos”, que invadiram ninhos já construídos
para ali botarem os seus ideais ministeriais, muitas vezes
jogando fora os filhotes que
lá encontraram. Sem exceção, porém, esses ministérios
invasores não prosperam porque, como dizia o querido
irmão Rubens Freitas, “Tudo
o que começa ruco-ruco, acaba truco-truco”. O problema
não é novo, como podemos
ler em Romanos 15.20, onde
Paulo diz, em outros termos,
que não quer ser um “missionário cuco”, edificando sobre
fundamento alheio.
O canto do cuco anuncia a
chegada do tempo de alegrar-se, pois o gelo acabou e aí
vem o verão. Aliás, o nome
“primavera” vem do latim e
significa “primeiro verão”. É
o começo de uma época de
luz, calor e festas, antes do
outono, tempo de colher e
aproveitar o que se plantou.
O meu desejo é que não
haja entre os meus leitores,
nenhum “crente cuco” e nenhum “pastor cuco”, mas
que todos sejam operosos
em construir seus próprios
ninhos, onde depositem os
seus sonhos para o Reino de
Deus.
o jornal batista – domingo, 20/10/13
reflexão
5
vida em família
Gilson Bifano
Esse grupo de fugitivos peVilmar Paulichen
Pastor e colaborador de OJB diu que o profeta orasse porque não sabiam o que fazer.
uem nunca errou? De fato, a oração é bênção
Podemos errar em todos os sentidos da nosfalando (Tg 3.2), sa vida, seja como gratidão,
no uso do dinhei- intercessão ou súplica. Mas
ro, no uso do tempo (Ef 5.16) aquelas pessoas tinham a ine até errar simplesmente por tenção errada; queriam uma
ignorância (Sl 19.12). Ser resposta que se “adaptasse”
humano é fato suficiente para ao coração deles. Sempre
errar. Mas existem erros mais que alguém procura a Deus
graves que outro, a ponto dessa forma, o resultado é fade ser fatal para nossa vida tal. A perfeição está na Palaespiritual. É a rejeição inten- vra de Deus e não no coração
cional da vontade de Deus, humano. Nosso coração é tão
depois de ter se comprome- complicado que precisamos
da ajuda do Espírito Santo
tido a obedecer.
“Estejam certos disto: Eu para orar (Rm 8.26).
A oração faz mal para quem
hoje os advirto que vocês
cometeram um erro fatal não tem certeza que Deus
quando me enviaram ao Se- sempre está certo. Quem
nhor, ao seu Deus, pedindo: pensa que Deus pode estar
‘Ore ao Senhor, ao nosso errado vive sofrendo, pois ao
Deus, em nosso favor. Diga- saber o que deve fazer, deci-nos tudo o que ele lhe falar de seguir outro caminho, e
e nós o faremos” (Jeremias isso significa seguir o engano
do próprio coração (Jr 17.9).
42.19b,20).
Para muitas pessoas, Deus
O contexto da narrativa acima, no livro de Jeremias, diz não passa de mais um “conque apenas um remanescente sultor” dentre outros; os que
de israelitas havia restado. se aproximam de Deus com
Quem não morreu duran- esse pensamento, nunca chete a invasão de Jerusalém, gam a conclusão que não
acabou sendo levado como existe outra fonte de verdade.
prisioneiros à Babilônia, ou Sabem a vontade do Senhor,
conseguiu fugir. O erro fatal mas vivem com o coração
foi cometido por fugitivos (Jr cheio de razão, como se Deus
42.1-3). O problema daque- estivesse errado. Ignorar a
les fugitivos é o problema de vontade do Senhor é um erro
muitos incrédulos hoje, que fatal. Inevitavelmente terá que
após saber qual é a vontade seguir a vontade do próprio
do Senhor, preferem fugir, coração, de onde nasce o enporque não creem a ponto gano, as imoralidades sexuais,
os roubos, os adultérios (Mc
de obedecer.
Q
7.21,22). Feliz quem desconfia do próprio coração, e não
teme contrariar a opinião da
maioria (Sl 1.1).
Quem se deixa dominar
pelo próprio coração chega
ao final da vida acumulado
de fracassos. O ser humano tem pressa de ser feliz,
mas não tem paciência para
se dedicar a oração, e nem
domínio próprio capaz de
fazê-lo parar e pensar se sua
escolha está certa. Consultar
o Senhor é inútil sem fé e
determinação de obedecer
(Jr 44.16).
Se você deseja saber qual
é a vontade do Senhor, será
inútil consagrar as mãos, pés,
ouvidos e olhos à obediência, sem antes oferecer seu
coração, pois dele depende
toda a nossa vida (Pv 4.23).
Transformação que não envolve o coração dura pouco.
A transformação que começa
no coração é essencial porque
faz parte do plano do Senhor
(Jr 31.33). No coração transformado pela Graça de Deus,
o arrependimento e confissão
têm mais valor do que o orgulho e a culpa (Sl 32.5).
A vida dominada pelo pecado é cheia de fatalidades.
A maior fatalidade é a morte.
Mas quem tem a Graça de
Deus, tem esperança eterna
(Rm 6.23). Se você já sabe
qual é a vontade do Senhor,
então obedeça. Deus enviou
seu Filho ao mundo (Jo 14.6),
para nos livrar de cometer o
erro fatal (Pv 16.25).
N
o último artigo publicado nesta coluna, abordamos
a importância dos
pais não irritarem seus filhos.
Alistamos várias situações em
que isto pode acontecer.
No mesmo versículo bíblico (Ef 6.4) o apóstolo Paulo
afirma que, em contrapartida,
os pais (pai e mãe) devem
criar seus filhos na doutrina
e admoestação do Senhor.
A tradução Almeida, da Imprensa Bíblica Brasileira, usa
as palavras “disciplina e admoestação do Senhor”. A
NVI (Nova Versão Internacional) já usa “instrução e
conselho do Senhor”.
A palavra grega para doutrina, disciplina e instrução
é “paideia”, que, em sua essência, indicava a disciplina
usada para corrigir a transgressão da lei e ordenanças
da família. No contexto da
cultura grega denotava a um
ideal de formação educacional, que procurava desenvolver o homem em todas as
suas potencialidades, de tal
maneira que pudesse ser um
melhor cidadão.
Pais que desejam criar filhos segundo as orientações
bíblicas, apontadas pelo
apóstolo Paulo, devem, então, valorizar a disciplina,
apropriando o termo usado
pela NVI.
Na Bíblia encontramos recomendações claras para que
os pais não se negligenciem
a disciplina no processo da
criação de seus filhos (Dt
8.5; Pv 3.11, 5.23, 6.26,
10.17,23.13; Hb 12.7,8).
Pais precisam se conscientizar, de uma vez por todas,
que seus filhos não somente
precisam ser disciplinados,
mas a desejam. Pais que não
disciplinam seus filhos são
desobedientes às orientações bíblicas. A disciplina
acompanha, com certeza,
a exortação, a instrução e o
consolo.
Alguns aspectos importantes sobre a disciplina: A dis-
ciplina é usada para corrigir
e treinar a criança a seguir
no caminho certo. Quando
pais disciplinam seus filhos
devem ter isto em mente.
Embora seja difícil muitas
vezes, o alvo da disciplina
é ensinar os pequeninos a
seguir os caminhos certos na
vida (Hb 12.11).
Há uma cena interessante
no filme “Meu nome não é
Jonny” que ilustra este ponto. Quando criança, João
Guilherme Estrela, o personagem principal do filme,
que na vida adulta é interpretado por Selton Mello,
faz estourar uma bomba conhecida como “cabeça de
nego” em plena sala. O pai,
mesmo sabendo do perigo,
não disciplinou. Pelo contrário, associou aquele fato,
o estourar da bomba, ao gol
do Vasco, time para qual torcia. Se tivesse disciplinado,
provavelmente seu filho não
teria trilhado o caminho das
drogas e do tráfico.
Uma outra verdade: Um pai
que não disciplina seus filhos
está deixando de demonstrar
o seu amor para com eles
(Hb 12.6; Pv 13.24). Pais que
amam, disciplinam. Deus
dá prova do seu amor, não
somente por nos dar Jesus
Cristo (Jo 3.16), que é a maior
prova do quanto nos ama,
mas também por nos disciplinar, enquanto filhos seus.
A disciplina, segundo as
orientações bíblicas, inclui o
aspecto físico. Por mais que
vejamos movimentos contrários à disciplina física, ela
é recomendada nas páginas
da Bíblia. Entretanto, alguns
lembretes: Não deve levar a
danos fisícos, deve ser adequada, moderada, benéfica,
apropriada, controlada, corretiva e amorosa (Pv 22.15.
23.14, 29.15).
A disciplina é a segunda
coluna de sustentação para
criar filhos, segundo Paulo.
A outra é a admoestação,
conforme refletiremos no
próximo artigo.
6
o jornal batista – domingo, 20/10/13
notícias do brasil batista
Alegria e Fé pode ser o segredo
para chegar aos 108 anos com
muita saúde e disposição
Alexandro Albino de
Oliveira
Pastor em Inhapim
C
hegar aos 108 anos
não é para qualquer
um não. Imagina
então, alcançar essa
marca com a saúde física e
mental em perfeito estado?
Este é um desafio para a ciência e é o sonho de muita
gente. Para irmã Leonídia
Maria da Silva, moradora do
distrito de Santo Antônio de
Inhapim isso é simplesmente
a história de uma vida de
muito trabalho e alegria.
Com os passos firmes, uma
fala mansa, pensamentos em
ordem e um sorriso cativante,
ela leva sua rotina. Acorda,
arruma a casa, faz comida,
vai a igreja todas as quartas
feiras e domingos e participa do grupo da 3ª Idade do
distrito.
Uma pessoa simples e amorosa. Irmã Leonídia é mãe de
13 filhos, avó de 80 netos,
79 bisnetos e alguns tataranetos. Nasceu em Tabuleiro
do Pombo de Juiz de Fora,
onde passou a infância com a
família. Ela conta que chegou
a conhecer a tataravó, que
também passou dos 100 anos
de idade. “Sou neta de nego
da senzala, minha tataravó
era mucama de sinhá. Foi
ela que viveu mais da minha
família, o resto, nenhum passou dos 100”, afirma.
Ela conta que sua mãe era
professora na fazenda onde
moravam e que também frequentou a escola e aprendeu
a ler e escrever. “Estudei o
manuscrito, até o terceiro
ano do manuscrito. Sei algumas coisas... Naquela época
Irmã Leonídea com seu bolo
a gente respeitava os professores, na hora da merenda
a gente pegava o prato e as
cozinheiras colocavam o
que tinha e todos comiam
satisfeitos, hoje menino quer
escolher até o que comer.
Sempre dei valor aos estudos
e pedi a todos os meus filhos
que estudassem”.
Aos 17 anos, ela e o marido
se mudaram para Inhapim,
onde se casaram e tiveram os
filhos. “A gente veio com o
pessoal dos Rochas, trabalhamos muitos anos na fazenda
deles, criei meus filhos lá,
mas só depois de muitos anos
é que arrumamos a nossa casinha aqui no Santo Antônio.
Eu me lembro bem que aqui
ainda nem era BR, era só uma
estrada com muita plantação
de batata ”, conta.
A vida para irmã Leonídia
nunca foi fácil, mas ela se
orgulha de ter conseguido
criar os filhos. “Era muito
criolinho. Eu e o meu marido trabalhávamos demais
na roça. Eu apanhava café,
roçava e capinava. Já cheguei a trabalhar o dia inteiro
comendo o resto de comida
dos companheiros, mas para
os meus “criolinhos” nunca
faltou alimento. Naquela
época não tinha muito arroz,
mas sempre tinha um angu
de fubá, um angu de banana,
feijão ou uma canjiquinha”.
uma correia pendurada na
sala e às vezes tinha que
usá-la”.
Os filhos cresceram e ela
viu cada um seguir o seu
caminho. “Alguns passaram
uma vida mais difícil, outros
seguiram por uma estrada
mais tranquila. Criei ainda
quatro netos e cuido até hoje
da minha filha que tem problemas mentais. Ela tem 62
anos e mora comigo. Até
hoje eu sou o socorro dos
meus filhos e netos. Muitas
vezes a gente diz que não vai
ajudar, mas o coração não
aguenta e acaba fazendo”.
Criação dos filhos
Irmã Leonídia lembra que
sempre tratava os filhos com
muito amor, mas quando eles
brigavam entre si, ela não
hesitava em corrigi-los. “Não
era de bater não, bastava um
simples olhar para que eles
ficassem quietos, mas tinha
Segredo da juventude
No alto dos seu 108 anos,
irmã Leonídia goza de uma
saúde perfeita, sem qualquer
doença típica da terceira idade. Ela explica que o único
problema mais grave que
teve foi uma queimadura nos
braços e nas costas. “Foi há
Otimismo e conformação
Para Irmã Leonídia, “Deus
é o dono de todas as coisas,
por isso sempre preferi ver o
lado bom da vida e nas horas
de tristeza, recorro ao Criador. Quando nascia um filho
era uma grande alegria, mas
quando um morre é como
tivesse arrancado o meu coração, mas Deus sempre me
deu força para superar as
dores e também conformação
para seguir a vida sem amargura”, declara.
Dos 13 filhos, apenas cinco estão vivos. “Vi os meus
filhos nascerem e morrerem e
Deus vai me deixando aqui.
Não posso reclamar da vida
não. Tive uma vida muito
boa”, comenta a centenária.
Pr. Alexandro e sua esposa Priscila e filha
Ana Clara
pouco tempo... Estava fritando biscoito de polvilho e o
meu casaco pegou fogo, fora
isso, nunca tive nada”.
Para gastar a energia, dona
Leonídia frequenta o Grupo
da Terceira Idade do distrito.
Segundo a coordenadora do
projeto, Marília Sales, ela
é a grande animadora do
grupo. “É sempre a primeira
chegar e a última a sair. Ela
vai conosco em todos os
passeios que fazemos. Todos
gostam da sua companhia e
onde a gente chega ela faz
amizade”.
A agente de saúde do PSF
de Santo Antônio do Inhapim, Aline da Silva, completa que “Dona Leonídia tem
uma saúde de ferro. A gente
acompanha a saúde dela e
parece que ela tem 60 anos”.
Elas contam ainda que no
distrito, a centenária tem
lugar garantido no coração
da comunidade. “Desde que
ela completou 100 anos, a
comunidade e os familiares
dela fazem a festa dela na
rua”. De acordo com a jovem
senhora de 108 anos, ela
nunca bebeu e nem fumou,
“mas sempre curti a vida com
a minha família”.
Mas qual será mesmo o
segredo da jovialidade de
dona Leonídia? O segredo ela
disse não saber, mas acredita
que a fé em Deus é a explicação para uma vida tão
longa e boa. “Já fui católica,
hoje sou evangélica, adoro
participar da escola dominical, ficar vendo as crianças
aprenderem a Bíblia, mas
acredito em Deus acima de
tudo e não falo mal de igreja
nenhuma. Estou aqui até hoje
porque Deus quer e quando
ele quiser me levar será a
hora certa”, ressalta. Dona
Leonídia ainda completou:
“Quero morrer sorrindo, pois
chorando eu já nasci”.
Conversão e batismo
No ano de 1981, alguns
membros da Primeira Igreja Batista de Inhapim que
estava sobre o pastoreio do
pastor Eliel Genilhú, resolveram realizar um trabalho de
evangelismo no bairro Santo
Antônio, que é um bairro
um pouco distante e muito
carente. Na ocasião estavam
presentes os irmãos: Silvo
Rocha, Lizete Almeida, Maria
Dutra, Lêda Lígia e a irmã
Maria Genilhú que foi quem
pregou naquela tarde.
Ao ouvir a palavra de Deus
irmã Leonídia entregou sua
vida a Jesus juntamente com
mais três pessoas de sua família, seu esposo ainda acamado também aceitou à Cristo
e faleceu meses depois. No
ano de 1982, irmã Leonídea foi batizada, tornado-se
membro da Primeira Igreja
Batista de Inhapim, na qual
está “firme” até hoje. Com
108 anos ela é um exemplo
de fé e perseverança. É a
primeira a chegar na Igreja,
e quando termina o culto
temos que convencer ela a
deixar que um dos irmãos a
leve em casa. Sempre assim
sorrindo e respondendo a
quem pergunta o motivo de
tanta disposição: “Deus é
quem cuida de mim”.
Louvo a Deus por ter o
privilégio de junto com meu
pai, Pr. José Albino de Oliveira, pastorear uma ovelha
tão especial como a Irmã
Leonídea.
Irmã Leonídea com os membros da PIB Inhapim
o jornal batista – domingo, 20/10/13
missões nacionais
7
Vidas transformadas
nos Lares Batistas
Fachada dos lares F.F. Soren e David Gomes
Ana Luiza Menezes
Redação de Missões
Nacionais
A
cluindo o curso de Direito
e o mais importante: tendo
minha maravilhosa benção
que é minha esposa, Tayse
- benção especial de Deus.
Este é o Deus que caminha
por 10 anos no vale com seu
filho, e nunca me deixou só”,
disse ele.
Do Lar Batista F.F. Soren,
localizado em Luzimangues
(TO), também saem pessoas
com histórias de superação,
que comprovam o quanto
Deus tem usado esta obra
para abençoar vidas. Fundado em 1942 pelos missionários Pr. Francisco e Beatriz
Colares, na cidade de Itacajá
(TO), tem hoje, no novo endereço, uma das maiores
estruturas físicas e sociais
do Estado do Tocantins e é
mantido pela igreja batista e
outros colaboradores. “Cada
dia é um desafio: crianças
para cuidar, arrumar, enviar
para a escola, dar o reforço escolar, ensinar valores
morais e espirituais com a
Palavra de Deus. Sentimos
as misericórdias do Senhor
sendo renovadas em nossas
vidas”, relataram os diretores
Pr. Robson e Judite Pereira, que ressaltaram o apoio
de voluntários no funcionamento diário do Lar. Além
disso, os diretores fazem o
apelo por voluntários que
possam passar um tempo no
Lar, ajudando no cuidado
dos residentes, durante as
férias dos missionários. Entre
novembro e fevereiro, eles
recebem voluntários que
precisam apenas arcar com a
passagem de ida e volta para
o Tocantins, pois hospedagem e alimentação ficam a
cargo do lar. Para tanto, é
necessário apresentar carta
de apresentação do pastor de
sua igreja e entrar em contato
pelo e-mail: [email protected] .
Débora Cristina Ribeiro é
fruto da dedicação do povo
batista. Aos 9 anos de idade
perdeu sua mãe e foi acolhida no LBFFS, onde conheceu
a Cristo e teve acesso a uma
boa educação. Quando lá
chegou, já havia passado
por um lar adotivo, onde não
teve uma boa experiência.
Segundo ela, sua vida no
lar mudou de maneira positiva. Ela, que antes tinha se
acostumado a gritos e surras,
tornou-se disciplinada sem
que precisasse apanhar, pois
as missionárias que ajudaram
em sua criação procuravam
sempre conversar quando
não apresentava um bom
comportamento. Passou a
frequentar a Primeira Igreja Batista em Itacajá, onde
participava da EBD e das
Mensageiras do Rei. Débora
saiu do lar aos 18 anos (idade
limite para permanência no
Lar) e em seguida foi acolhida pela Segunda Igreja
Batista em Palmas (TO), por
meio do projeto República da
Amizade do qual ela ainda
faz parte. Tendo concluído o
ensino médio, ela atualmente
está com 21 anos e estuda
Jornalismo na Universidade
Federal do Tocantins. “Deus
mudou minha vida por meio
do Lar Batista. Conheci crianças lá com histórias de vida
ainda mais sofridas que a
minha, e vê-las sorrindo me
fez perceber o quanto fui e
continuo a ser abençoada
pelo Senhor. Deus transforma
vidas através do Lar Batista e
daqueles que o têm servido
ali. Eu sou mais um dos frutos
de investimento nele. Vale a
pena orar, vale a pena dedicar tempo a ele e fazer algo
por ele”, concluiu.
A irmã Joana D’arc Teixeira
da Silva também é um exemplo de vida transformada por
Cristo por meio de um projeto missionário que acolheu
crianças. Ela cresceu no Lar
Espírito Santense da Criança (LESC), também fundado
pelo Pr. Francisco Colares,
em Alegre (ES), em 1958. Ela
foi levada para a instituição
aos 3 anos de idade e conta
que ali passou sua infância e
adolescência, tendo conhecido a Cristo e se batizado
aos 17 anos. Aos 18 anos,
foi enviada para o Rio de
Janeiro, onde vive até hoje
com seu esposo e filhos. “A
base de ensinos bíblicos que
recebi destes missionários
o longo dos anos,
temos desenvolvido
trabalhos na área
de ação social em
todas as regiões brasileiras.
São programas e projetos
de diversas áreas temáticas
voltados para diferentes faixas etárias e grupos sociais,
com objetivo de promover
a inclusão social e propagar
o evangelho de Cristo. Por
décadas, os lares batistas têm
não apenas acolhido crianças
e adolescentes, mas também
oferecido acesso à educação,
cultura, saúde, música, nutrição, esporte, profissionalização e cidadania, entre outros
benefícios.
Em Barreiras (BA), encontra-se o Lar Batista David Gomes, fundado em 1967 pelo
Pr. Edval Sodré. Desde seu
início, tem recebido (após encaminhamento do Conselho
Tutelar e Ministério Público)
crianças em vulnerabilidade
social, com vínculos familiares rompidos ou fragilizados.
A faixa etária atendida varia
entre 2 e 18 anos de idade.
Durante o tempo de acolhimento, esses menores são
assistidos em suas necessidades físicas, emocionais e
espirituais.
Rodrigo Leonel dos Santos
chegou ao LBDG aos 10 anos
de idade. Antes, ele viveu
nas ruas onde dormia, pedia
comida e também cometia
furtos para se alimentar e se
vestir. Ele conta que se adaptou bem ao lar batista, pois
sabia que aquele lugar era o
melhor para ele. No mesmo
ano em que chegou, Rodrigo
aceitou a Jesus, experiência
que ele descreve como a
melhor de sua vida. Em maio
de 1999, ele foi batizado e
ficou no Lar até completar
a maior idade. “Atualmente,
sou 3º sargento temporário
do Exército Brasileiro em
Barreiras. Tenho minha residência própria, estou con- Joana (na primeira fila, terceira menina da dir. para a esq.) no LESC em 1964 e hoje com sua família
Débora Cristina foi criada no
LB F.F. Soren e hoje estuda
jornalismo na UFT
me ensinou como eu deveria
enfrentar a vida digna. Além
do alimento espiritual, recebíamos tudo o que precisávamos graças às ofertas vindas
de várias igrejas batistas”,
conta Joana, que hoje sendo
membro da IB em Agostinho
Porto, São João de Meriti (RJ),
faz questão de incentivar
crianças e pessoas de outras
idades a amarem e investirem
em missões.
O LESC continua recebendo crianças e seu atual diretor é o Pr. Samuel Colares.
Ex-internos têm provomido
reencontros e visitas ao lugar que um dia os acolheu e
mudou suas vidas. Interceda
por todos os projetos missionários que são usados pelo
Senhor para acolher e assim
abençoar a Nova Geração.
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o jornal batista – domingo, 20/10/13
notícias do brasil batista
notícias do brasil batista
o jornal batista – domingo, 20/10/13
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notícias do brasil batista
Os desafios da nova geração
na PIB em Volta Redonda
Anderson Camino
Rodrigues
Pastor da PIB em Volta
Redonda, RJ
C
om o tema, “Os desafios da nova geração”, baseado nos
Salmos 24.6, a Primeira Igreja Batista em Volta
Redonda comemorou neste
último fim de semana, no seu
templo, situado na Rua Doutor
Altair Nogueira da Silva, 180,
bairro São João, os seus 71
anos de organização. Formam
dois dias de muita celebração
e gratidão a Deus por uma
história tão abençoada.
Sendo a segunda igreja
evangélica mais antiga de
Volta Redonda e pioneira do
trabalho batista na região,
a Primeira Igreja Batista em
Volta Redonda foi organizada no dia 20 de setembro de
1942. Há 71 anos vem anunciando Jesus Cristo como
único e suficiente Salvador
daquele que está perdido.
As comemorações deram
início no dia 22 de setembro,
O
Pr. Robson Ramos da PIB em Resende, um dos pregadores
domingo, com a participação do coral da Igreja, sob a
direção do maestro Willian
Esteves Louback e do grupo
Betânia, composto por vozes
masculinas. Ambos os conjuntos musicais trouxeram
inspiração para a Igreja. A
pregação da Palavra ficou a
cargo do pastor Sócrates de
Oliveira, Secretário Executivo da Convenção Batista
Brasileira, que nos trouxe
uma mensagem bíblica abençoada. Todos deixaram o
templo com seus corações
renovados.
As celebrações continuaram na segunda-feira, dia
23 de setembro, com um
grupo bem representativo de
irmãos, a Igreja estava cheia,
apresar de ser uma segunda-feira. O culto contou com a
presença de vários pastores
da região. O irmão Jairo Au-
Pr. Sócrates de Oliveira, Secretário Executivo da Convenção
Batista Brasileira
gusto Parreiras Silva louvou
ao Senhor com duas músicas.
A pregação da Palavra ficou
por conta do pastor Robson
Ramos da Primeira Igreja Batista em Resende que, tendo
como base o texto de Marcos
2.1-12. Ele desafiou a Igreja
a ser relevante nesta nova
geração. O culto foi encerrado com a participação da
congregação na Ceia da Comunhão. Foi um momento
de muita alegria espiritual.
Após o culto, foi oferecido
um delicioso bolo.
A Igreja continua caminhando em paz, com muitos
projetos a serem realizados
em várias áreas de ação. Esperamos continuar impactando esta nova geração, pois
acreditamos que o coração
de Deus se alegra quando
caminhamos em obediência
à Sua vontade.
Curso de música do Seminário
do Sul tem aprovação do MEC
ferecido há meio
século pelo Seminário Teológico Batista do Sul
do Brasil, o curso de Música agora tem autorização
concedida pelo Governo
Federal. Dessa maneira, a
sólida formação em música
eclesiástica, agora soma-se
a formação para a docência profissional da música.
O egresso pode atuar exclusivamente na gestão da
música eclesiástica, exclusivamente na gestão de Projetos Sociais relacionados à
música, exclusivamente na
docência formal da música,
ou em todas as frentes, concomitantemente.
A Licenciatura em Música é
um curso de Graduação que
tem diploma reconhecido
pelo MEC (Portaria Normativa Nº 40, de 12/12/2007,
art.63), sendo autorizado
pelo MEC através da Portaria
992 de 28 de julho de 2009.
Sua missão é formar músicos,
ministros de música e líderes
para a atuação musical em
igrejas, escolas, faculdade e
demais locais de atuação no
campo da música. O curso
destaca-se dos demais por valorizar e priorizar as práticas
musicais pedagógicas desenvolvidas em comunidades
eclesiásticas, em projetos sociais e em escolas de música.
O Curso de Licenciatura
em Música oferece forma-
ção alinhada com o mercado de trabalho em suas
perspectivas fundamentais
– de um lado, licencia o
profissional para o ensino da Música em contexto amplo (comunidades
religiosas/eclesiásticas,
ONG e empresas e esco-
las formais), cada uma das
formações contemplando
estágios específicos nas respectivas áreas de formação,
comuns a todos os alunos;
de outro lado, formação
sólida na gestão de música
eclesiástica, preparando o
músico licenciado para os
desafios contemporâneos
da g e s t ã o de m ús i c a na
igreja. Dado o vínculo da
FABAT (Faculdade Batista
do Rio de Janeiro) com a
tradição cristã, a ênfase
concentra-se, nesse caso,
na gestão da música sacra
em comunidades cristãs.
o jornal batista – domingo, 20/10/13
missões mundiais
11
Conquistas em Moçambique
as mãos na parede colorida.
Willy Rangel
Redação de Missões Mundiais Enfim, expressaram muita
surpresa e alegria pela nova
Senhor tem aben- sala”, conta a missionária
ç o a d o a o b r a Sirley.
Pr. Antonio e Sirley contam
missionária em
Nampula, nor- que a igreja está passando por
te de Moçambique, onde o um “sério, mas maravilhoso
casal Antonio e Sirley Silva problema”: a falta de espaço
tem visto o agir de Deus em para as pessoas que vão à
novas conquistas. Naquele igreja.
“Glórias a Deus, pois muitos
campo de Missões Mundiais,
foi construída uma sala para o têm dado várias opiniões, mas
PEPE (programa socioeducati- o terreno está completamente
vo), a participação de pessoas ocupado. Precisamos orar
nos cultos aumentou e foram muito para Deus dar visão à
iniciados dois novos trabalhos igreja”, conta Sirley. “Penso
que uma ótima solução é fade estudo bíblico.
O PEPE ganhou uma nova zer uma laje no atual templo
instalação na igreja em Nam- e construirmos a igreja em
pula. A sala foi construída cima. No andar de baixo, podurante as férias das crianças. demos transformar em salas”,
“Quando elas retornaram acrescenta.
Além das vidas que o Sedas férias e encontraram a
salinha construída, não con- nhor tem levado à igreja,
seguiam se conter de tanta foram iniciados dois novos
alegria. Pulavam, passavam trabalhos.
O
“O primeiro é em um bairro
afastado da cidade. Todos
os domingos à tarde, o Pr.
Anselmo (de uma de nossas
congregações) realiza estudos
bíblicos com um grupo de novos irmãos”, diz o Pr. Antonio
Silva. A segunda atividade é
realizada no terreno de uma
mesquita.
“Estamos muito felizes, pois
Deus tem feito milagres. Nós
nunca poderíamos imaginar
que a palavra de Deus pudesse
ser estudada ao lado de uma
mesquita, com alunos muçulmanos. Já realizamos dois cultos, e em um sábado, um grupo
de 30 jovens da nossa igreja
iniciou os estudos. O chefe da
localidade nos chamou para
uma conversa e pediu para
escolhermos o terreno que
quisermos para a construção
da ‘nossa igreja’. Glorifique a
Deus porque o desafio é grande”, relata nosso missionário.
Sirley Silva (ao centro) participa de atividade evangelística
Foi iniciado em setembro
um trabalho de formação de
39 professores de alfabetização bilíngue em português
(idioma oficial de Moçambique) e macua (língua local).
O índice de analfabetismo
na região de Nampula é três
vezes maior do que em outras
regiões moçambicanas.
Segundo nossos missionários, esse projeto nasceu das
experiências vivenciadas nas
visitas realizadas a várias vilas
no norte de Moçambique,
onde o analfabetismo e o
dualismo religioso são grandemente evidenciados.
“Como resposta a esses dois
grandes problemas, apresentamos uma proposta de alfabetização através da Bíblia.
Essa proposta visa a superação
do analfabetismo das mulheres macuas nas comunidades
onde estão as 54 congregações batistas”, explica Sirley.
“Outra razão é que o projeto de alfabetização de mulheres macuas se configura
em uma oportunidade para
elas, pois em toda a história
dessas vilas, nunca houve
chance para que mulheres
jovens e adultas pudessem
ter acesso à escola. A mulher
cristã e cidadã que pretende
se formar nessa concepção
é uma mulher crítica com
conhecimento bíblico e intelectual, com elementos
de entendimento da sua realidade, para que possa,
assim, compreender, interferir, provocar mudanças e
construir uma nova história”,
acrescenta a missionária.
Os missionários finalizam
pedindo oração pelo ministério em Moçambique.
“Agradecemos o seu apoio
e pedimos que continue nos
sustentando através de suas
orações”, conclui o casal.
Antonio e Sirley Silva
Pré-inscrições para SIM
2014 já estão abertas
Willy Rangel
Redação de Missões
Mundiais
O
congresso SIM,
Todos Somos
Vocacionados
terá uma nova
edição em 2014. As pré-inscrições para o SIM 2014,
que acontecerá no Rio de
Janeiro, podem ser feitas em
www.vocacao4d.com.br.
Assim como no congresso
realizado no ano passado, o
evento é para todo mundo
que está se perguntando:
“O que estou fazendo neste
mundo?”.
Segundo a coordenadora do Com.Vocação JMM,
missionária Analzira Nascimento, os participantes do
SIM terão a oportunidade de
ir um pouco mais fundo em
conversas sobre vocação.
“Queremos entender que
se não somos aquilo que
Deus quer que sejamos
ou se deixamos de fazer
aquilo que é a nossa missão, nós erramos. Não é
simplesmente decidir ou
não fazer. É uma questão
de errar se não fizermos”,
explica Analzira.
O congresso reserva muitas
surpresas. Os participantes se
aprofundarão em conceitos
de teologia bíblica da vocação, ouvirão os testemunhos
de nossos missionários e tam-
bém de pessoas que vivem
suas vocações no mundo
corporativo.
Para Analzira Nascimento,
a idealizadora do SIM, o congresso é uma oportunidade
para descobrirmos nosso
lugar na missão de Deus e
cumprir a sua vontade.
“Temos dificuldade de entender que Deus está presente em nossas rotinas, no
nosso trabalho, de segunda
a sexta, e também nos outros
lugares aonde vamos e em
outras coisas que fazemos.
Toda a nossa vida é de Deus,
por isso, em tudo o que vivemos e fazemos, devemos viver para a sua glória”, explica
Analzira.
Foto arquivo JMM
Analzira Nascimento durante primeira edição do SIM
O SIM 2014 acontece de 1
a 3 de maio na Primeira Igreja
Batista do Rio de Janeiro (Rua
Frei Caneca, 525 – Estácio).
Pré-inscrições em www.vocacao4d.com.br. Congresso
recomendado para pessoas a
partir de 16 anos.
12
1
o jornal batista – domingo, 20/10/13
948 - Nascimento do
Pastor Isaltino Gomes Coelho Filho no
Bairro de Tomaz Coelho, Rio de Janeiro, RJ. Batizado pelo Pastor João Falcão
Sobrinho no dia 10 de fevereiro de 1963 quando ele
tinha 15 anos. Na Primeira
Igreja Batista de Acari, Rio.
Recomendado pela Igreja
que o batizou estudou no
Seminário Teológico Batista
do Sul do Brasil, de 1967 a
1970, turma que teve como
Patrono o Pastor Francisco Fulgêncio Soren (talvez
numa homenagem a seu
centenário de nascimento,
1969) e como orador o Pastor Joaquim de Paula Rosa.
Entre seus contemporâneos
no Seminário mencionamos
Antônio Joaquim de Matos
Galvão, Osvaldo Ferreira
Bonfim, Levy Barbosa da Silva, missionários de Missões
Mundiais; Hélio Schwartz
de Lima; Eduardo Azevedo de Carvalho; João Brito
da Costa Nogueira e tantos
outros. Foi consagrado ao
ministério pastoral no dia 25
de novembro de 1970 no
templo da Igreja Batista de
Acari, atendendo solicitação
da Primeira Igreja Batista de
Marília, SP. Presidiu a reunião o Pastor Josias Cardoso
Machado e secretariou o
Pastor Misael Leandro. Participaram ainda do concílio
os pastores João Falcão Sobrinho, convidado para ser
o orador da solenidade; missionário Oscar Martin, que
fez a oração consagratória;
Paulo Roberto Sória, Examinador Geral; Mood Vieira
Moutinho que fez a entrega
da Bíblia. Pastoreou no Estado de São Paulo as seguintes
igrejas: Primeira de Marília,
Edu Chaves, Cambuí, Calvário (Santos); em Brasília;
no Amazonas, Primeira de
Manaus, organizou a Igreja Batista de Gileade; no
Amapá, a Igreja Batista Central de Macapá, seu último
pastorado. Na Convenção
Batista Brasileira foi duas
vezes membro da Junta de
Educação Religiosa e Publicações, JUERP, de 1988 a
1993 e de 1995 a 1999. Foi
Presidente da Associação
Brasileira de Instituições de
Ensino Teológico, ABIBET.
Foi um dos conferencistas
mais usados nos encontros
da ABIBET. Em Brasília além
notícias do brasil batista
de pastorear foi Diretor da
Faculdade Teológica Batista
de Brasília, de 9 de junho
de 1990 a 25 de junho de
1995; foi Orador oficial da
assembleia da Convenção
em 1989. No Amazonas foi
Professor de Homilética do
Seminário Teológico Batista.
Foi Presidente da Convenção em 1995 e 1996. Foi
orador oficial da assembleia
da Convenção em 1994.
Foi colaborador d’O Jornal
Batista desde a década de
setenta até os nossos dias
passando pelos diretores
José dos Reis Pereira; Nilson
Dimarzio; Salovi Bernardo e
Sócrates Oliveira de Souza.
Seu último artigo no Jornal
Batista, na seção “Da foz do
grande rio” foi “O jogo de
cena da visita do Papa”, em
18 de agosto último. Escreveu estudos para as revistas
da Junta de Educação Religiosa e Publicações, JUERP,
na área da Escola Bíblica
Dominical. Escreveu para
revistas específicas na área
de Adminsitração, Música.
Depois do ex-padre Anibal
Pereira Reis foi o batista
que mais produziu livros
acompanhado de perto pelo
Pastor Israel Belo de Azevedo e seguido pelos pastores
Ebenézer Soares Ferreira,
João Falcão Sobrinho e Antônio Neves de Mesquita.
São os nossos best-sellers.
A relação de livros do Pastor
Isaltino que tenho, dada por
ele, chega a 44 livros, afora
outros que talvez tenham
sido editados e não constem
da mesma. O Pastor Isaltino,
casado com Meacyr Carolina
Frederico, teve dois filhos,
Beny e Nélia e adotou outra
filha, médica, que agora, por
ocasião da enfermidade, o
recebeu em Campinas, SP. O
Pastor Isaltino Gomes Coelho
Filho descansou no Senhor
no dia 1º de outubro de 2013
com 65 anos de idade e foi
sepultado, no dia seguinte,
no Cemitério Flamboyant,
naquela cidade.
(*) Texto do livro em preparo “Efemérides Batistas
no Brasil”, de Othon Ávila Amaral, que será lançado em 2014, com mais de
1200 biografias de pastores
e líderes. Na data de 10 de
fevereiro temos ainda os
seguintes pastores: Jonas
Barreira de Macedo, 1885;
Alice May Wimer Reno,
1869; André Klawin, 1888
e Clifton Ayres Baker, 1889.
As informações biográficas
começam com a data de
nascimento e terminam com
a data do falecimento. Se
você tem interesse de ver
seu nome inserido em tal
publicação entre em contato
com o autor.
Transferência
Eusvaldo G Santos
Membro da IB Ebenézer de Americana
Não poderia deixar de render,
Minha pequena homenagem,
Ao homem que me fez aprender,
E compreender o que Cristo tem.
Transferido ao lar celestial,
Mais um que viveu e nos ensinou,
Combateu o bom combate,
E jamais na doutrina fraquejou.
Isaltino! Nome assim,
Não parece de homem não,
E sim de estrela alfa,
Da grande constelação.
É amargo, pastor e irmão,
Este sentimento neste mundo,
Para ser verdade não é a solução.
Aliás você sempre foi firme,
Na doutrina e no ensino,
De Cristo como nosso destino,
Meu caro pastor Isaltino.
Teu nome ficará para sempre,
Serás lembrado em todo tempo,
Por muitos serás lembrado,
Por isso gozarás eternamente.
o jornal batista – domingo, 20/10/13
notícias do brasil batista
1. Como ser salvo. Três edições. Cruzada Mundial de Literatura.
2. Astrologia. Três edições. JUERP.
3. Tiago, nosso contemporâneo. Três edições.
JUERP.
4. Santiago, nuestro contemporâneo. Tradução e
impressão artesanal e privada, em Cuba, para
pastores e seminaristas.
5. Malaquias, nosso contemporâneo. Duas edições. JUERP.
6. Ageu, nosso contemporâneo. Duas edições.
JUERP.
7. Jonas, nosso contemporâneo. Duas edições.
JUERP.
8. Habacuque, nosso contemporâneo. Três edições. JUERP.
9. Miquéias, nosso contemporâneo. Duas edições. JUERP.
10.Obadias e Sofonias, nossos contemporâneos.
Duas edições. JUERP. Com este ganhou o
Prêmio de Melhor Autor Nacional, pela ABEC.
11.Do coração do Pastor Isaltino. Edição especial
da PIB de Manaus, para comemorar seus cem
anos. Uma seleção de pastorais do boletim.
Foram mil exemplares.
12. Sua igreja pode transformar o mundo. Exodus.
13.A ética dos profetas para hoje. Exodus.
Gomes
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Deus. Não o conheci pesso
mecei a pregar a
acompanho desde que co
s de idade (hoje
Palavra de Deus aos 24 ano
a sua companhia
tenho 42 anos), tendo sempre
s da EBD, artigos,
através dos seus livros, revista
e e feliz surpresa
sermões, etc.. Tive uma grand
casse uma obra,
quando ao sugerir que publi
me convidou para
ele além de aceitar a ideia
apresentar do Pr.
apresentar a mesma (imagine,
u sentimento é de
Isaltino, que privilégio!). Me
a e instrumentagratidão a Deus, pela sua vid
po de perda e saulidade, mas ao mesmo tem
xava de responder
dades, deste que nunca dei
s, acompanhado
atenciosamente a seus leitore
dos seus amplexos.
a
Pr. Anderson Orofino da Silv
o
Alt
to
Ma
em
Igreja Metodista Wesleyana
Guaratiba - RJ
de Formação
o
Diretor do CEFORTE (Centr
Wesleyna) Teológica da Igreja Metodista
lo
Po Cascadura
14.À igreja com carinho. Missão Editora.
15.Isaías, o Evangelho do Antigo Testamento.
Duas edições. JUERP.
16.Profetas menores I. Duas edições. JUERP.
17.Profetas menores II. Duas edições. JUERP.
18.O Pentateuco. Duas edições. JUERP.
19.Bereshi – Gênesis. Duas edições. JUERP.
20.Atos, de Jerusalém a Roma. JUERP.
21.Teologia dos Salmos. JUERP.
22.O Espírito Santo nos ensinos de Jesus. JUERP.
23.À igreja, com carinho (edição ampliada, com
mais vinte páginas, do livro 14, com outro
ISBN). Igreja Batista do Cambuí.
24.Casamento, vale a pena acreditar. Duas edições, edição própria.
25.Família, vale a pena acreditar. Edição própria.
26.Neopentecostalismo, uma avaliação pastoral.
Edição própria.
27.A ética dos profetas para os nossos dias. Edição ampliada, contendo mais doze páginas,
do livro 12, com outro ISBN e 186 páginas.
28.A atualidade dos dez mandamentos. Exodus
Editora, com 143 páginas.
29.A atualidade dos dez mandamentos. JUERP,
edição ampliada, com outro ISBN e 186 páginas.
30.Por que as pessoas se casam. Editora Sabre.
os
amam e
s
ó
n
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que
soas r. Isaltino li o
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e
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suas pastorais e
seus artigos. M
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Francisco Tercei
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or, pastor
(desde fevereiro
de
história, sociolog ste ano) e professor de
ia e ensino relig
ioso
em São Gonçalo
, RJ, mas nasci em . Moro
quando meu pa
Macapá
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Cunha, pastorea . Francisco Terceiro da
va a PIB em M
acapá em
1975. Desde m
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de Deus para o
ministério pastor
al (na organização ER,
na qual trabalho
até hoje),
mas evitei esta
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por algum tem
po, pois conhec
ia - sendo
filho de pastor
- o sofrimento,
a solidão e
até mesmo o de
samor que circun
da a vida
de um obreiro.
É muito enriquec
edor ler e
aprender com a
vida de homens
que têm se
dedicado ao min
istério da palavr
a com autenticidade, com
lu
interpretação nã cidez e com clareza na
o só da própria
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Deus, mas tam
bém do próprio lavra de
comportamento cristão, nu
ma sociedade co
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deteriorados e
de conceitos “m valores
idiáticos”.
Fica aqui o meu
muito obrigado
!
Pr. Francisco Te
rceiro Jr
Jardim Catarina,
São Gonçalo, R
J
13
31.Família, vale a pena acreditar. Edição ampliada do livro 24, editado pela Sabre, com
outro ISBN.
32.Os livros poéticos II, editado pela JUERP
(escreveu com outro escritor. Ficou com o
comentário sobre Jó, com 159 páginas).
33.O drama do Calvário. Editora Abba.
34.Gênesis (diferente do livro 18). Editora Abba.
Aquele teve 230 páginas e este teve 286 e
capítulos a mais. E outro ISBN.
35.Marcos. Editora AbbaPress.
36.Eclesiastes. Editora AbbaPress.
37.Tiago e Judas, Editora AbbaPress.
38.O fruto do espírito.
39.A mais profunda, sensível e ignorada oração
de Jesus, Convicção.
40.O Pai nosso, JUERP.
41.Paulo, sua vida e sua presença, ontem, hoje e
sempre. (Escreveu dois capítulos e Lourenço
Stela Rega foi o coordenador). Editora Vida.
42.Com os olhos no futuro. Uma coletânea de
assuntos para a CBB. Escreveu dois capítulos.
43.Declaração Doutrinária da Convenção Batista
Brasileira. Escreveu dois artigos. Coordenado
pelo Dr.Ebenézer Soares Ferreira.
44.Obadias, Jonas e Miquéias em fase de conclusão. AbbaPress Editora.
O ano era 1998, eu e minha
família eramos
recém chegados de SP e pro
curávamos uma
igreja, quando chegamos na
PIB de Manaus.
Após o culto, à porta duran
te a despedida, o
Pr. Isaltino interessou-se po
r nós e pudemos
falar um pouco, mas o que
me marcou e eu
nunca esqueci, foi que, antes
de irmos embora
ele pediu para esperarmos
um pouco, foi ao
seu gabinete e pegou 2 piruli
tos e os entregou
aos meus filhos, que à épo
ca eram crianças.
Esta atitude ficou marcada
em minha mente
e coração e será difícil esq
uecer, pois como
diz o dito popular: “quem
meu filho agrada,
minha boca adoça”. Infeliz
mente logo ele foi
para SP, mas nós ficamos na
PIB de Manaus e
lá estamos até hoje.
Muito obrigado Pr. Isaltino.
Israel Patriani Jr.
Membro da PIB de Manaus,
uma das igrejas
pastoreadas pelo Pr. Isaltin
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admirá-lo rnal Bae
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14
o jornal batista – domingo, 20/10/13
notícias do brasil batista
Departamento de Ação Social da CBB
Lar da Criança Henrique Liebich:
Uma história, muitas vidas
A
história do Lar da
Criança é feita de
amor, desafios, lágrimas e vitórias.
Teve início na década de
50, quando Frida Liebich,
parteira da região de Monte
Alvão, RS, atendeu o parto
de uma moça que chegara há
um tempo na região, sozinha
e grávida, e que fora acolhida
por vizinhos dos Liebich.
Após o parto, a jovem pediu
a Sra. Frida que ficasse com
seu filho recém-nascido, pois
não tinha condições para
cuidá-lo. Para o casal que já
tinha nove filhos, não foi difícil amar mais um e aceitá-lo
como um dos seus.
Com o número de crianças
crescendo, cresciam também
as dificuldades, exigindo do
casal e seus filhos muito esforço e abnegação. Zidrone Liebich, a filha mais velha, ainda
residindo na casa dos pais,
passou a assumir integralmente a responsabilidade como
conselheira e professora das
crianças. Como secretária do
Lar fez parte da primeira diretoria sendo seu pai, Henrique
Liebich, o presidente. Em 11
de fevereiro de 1961 ocorreu
a oficialização da Instituição
(fundação) sob o nome de
“Orfanato Batista Henrique
Liebich”.
O legado dos Liebich
Nos anos 70, com Henrique Liebich gravemente
enfermo, o então Orfanato
recebe a visita do pastor Horst
Borkowski, da Alemanha,
que, tocado pela obra daquele homem simples, assume
o compromisso diante de
Deus e da família Liebich para
dar continuidade ao valioso
trabalho iniciado com tanto
amor, carinho e dedicação
(Pastor Horst é o fundador da
MASA – Ações Missionárias
para a América do Sul). Desta
forma, o Lar começa a receber
ajuda financeira dos batistas
europeus. Também nesta década, retorna ao Brasil a filha
de Henrique e Frida Liebich,
Sibila, que juntamente com
o esposo, Pr. Werner Geiger,
abraçam este ministério. Pr.
Werner trabalhou no Lar no
período de 1974 a 1979, na
função de administrador.
Em 1973 morre Henrique
Liebich. Neste mesmo ano
a Sociedade Batista de Beneficência TABEA assume a
responsabilidade do Orfanato
dando continuidade ao sonho que nasceu no coração
da família Liebich, passando a denominá-lo “Lar da
Criança Henrique Liebich”.
Nesta época é adquirida uma
propriedade de 40.000m 2
em Ijuí para a construção do
novo abrigo. Da Prefeitura
Municipal de Ijuí a Instituição
recebe mais 6.000m2 da área
que seria destinada às ruas
do respectivo loteamento. No
ano de 1976 é inaugurado o
primeiro bloco residencial.
Em 19 de novembro de
1978, ocorre a inauguração
oficial das novas instalações
do Lar da Criança Henrique
Liebich, localizado no Bairro
Storch, município de Ijuí.
A atualidade
Em seus 52 anos de existência o Lar da Criança Henrique Liebich abrigou mais de
700 crianças e adolescentes
contribuindo para a formação
de sua cidadania e construção de sua história.
Para o atendimento integral
aos acolhidos, cumprindo
todas as exigências da legislação brasileira pertinente a
área, a Instituição conta com
equipe técnica multidisciplinar nas áreas de Serviço Social, Psicologia, Fisioterapia,
Pedagogia e Nutrição; equipe
administrativa, cozinha e lavanderia industrial, brinquedoteca, horta, marcenaria,
quadra poliesportiva, campo
de futebol, pracinha para lazer e recreação. Desenvolve
projetos nas área de serviço
social, psicologia e pedagogia, promovendo o lazer,
profissionalização, cultura,
convivência familiar e comunitária e fortalecimento dos
vínculos familiares. Também
desenvolve oficinas nas áreas
de música, artes, informática;
apoio nas áreas de costura,
marcenaria, cuidadores hospitalares, corte de cabelo,
reforço escolar, hora do conto, assessoria jurídica, comunicação, marketing, relações
públicas e design gráfico.
Tudo através da participação
especial e importante dos
voluntários.
As crianças e adolescentes,
juntamente com as cuidadoras, participam das atividades
na Igreja Batista Esperança,
localizada ao lado da Instituição, através dos cultos, escola bíblica, grupo de juniores
e jovens, estudos bíblicos e
das programações especiais
como acampamentos e retiros.
Para manter toda esta estrutura o Lar da Criança conta
com o fundamental envolvimento e ajuda da comunidade, em seus mais variados
segmentos. São doações de
pessoas físicas e jurídicas,
projetos sociais e convênios
que contribuem para manutenção de todos os serviços
institucionais.
Os programas sociais
O Lar da Criança Henrique
Liebich (Unidade Prestadora
de Serviços da Sociedade Batista de Beneficência TABEA)
é uma instituição social, não
governamental, sem fins lucrativos, atuando dentro das
medidas de proteção social
básica e especial através de
dois programas sociais:
Casa lar (Medida de Proteção Social Especial de Alta
Complexidade): Instituição
de acolhimento para crianças e adolescentes de ambos
os sexos, com idade entre
zero e 18 anos, advindos
de situação de risco social
e pessoal; em caráter provisório e excepcional, funcionando em forma de aldeia e
da Instituição: investir na
transformação de vidas. Para
tanto, a missão do Lar é promover, através da prestação
de serviços e do Evangelho,
ações que visam transformar
e restaurar a vida de crianças
e adolescentes, obedecendo
aos valores nos quais acredita: ética, responsabilidade,
tendo como perspectiva de integridade, transparência e
trabalho o cunho familiar e a solidariedade.
promoção da efetivação dos
Gratidão
direitos dos acolhidos, con“Privilégio, Responsabiforme estabelece o Estatuto
lidade e Gratidão. Com esda Criança e Adolescente.
Núcleo Social de Ijuí (Medi- tas palavras posso expressar
da de Proteção Social Básica): como vejo o Lar da Criança
programa social educativo, Henrique Liebich hoje. Posso
desenvolvido em turno inver- afirmar com plena convicção
so à escola, para atendimento que, os diretores que me ana crianças e adolescentes mo- tecederam, também tiveram
radoras de bairros adjacentes esta visão e compromisso,
à Instituição, não participantes pois, nos 52 anos de exisde outros programas sociais, tência, cumpriu sua missão
com idades de 6 a 16 anos, com louvor o Lar da Criança
devidamente matriculadas e Henrique Liebich.
Privilégio, são poucos os
frequentando a escola regular. As atividades (oficinas) que são chamados a essa
propostas são apoio escolar, obra; Responsabilidade, pois
musicalização, esportes, artes nosso objeto de trabalho são
visuais, informática e mídias “vidas humanas”; e Gratidão.
sociais, teatro, reciclagem e Sim gratidão para com nosso
leitura. Neste programa, além Senhor, que fielmente nos
das oficinas, oferece ainda tem sustentado e direcionado.
apoio multidisciplinar e refei- Sem Ele, nada teria sido feito.
Obrigado, Senhor Jesus!
ções balanceadas.
Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas
O reconhecimento
Dentre os reconhecimentos obras, as quais Deus de anda sociedade pelo trabalho temão preparou para que
social realizado pelo Lar da andássemos nelas (Ef 2.10)”,
Criança Henrique Liebich, declarou Leandro Cesar Cordestacamos a Certificação rea, Diretor do Lar da Criança
através do Prêmio Respon- Henrique Liebich.
sabilidade Social, conferido
Rua José Bonifácio, 1623,
pela Assembleia Legislativa
do Rio Grande do Sul a en- Bairro Storch, Ijuí/RS.
Telefone: 55-3332tidades/empresas gaúchas.
Esta premiação de incentivo, 1095/3333-3412.
Facebook da Instituição:
reconhecimento e destaque
de ações que promovem uma www.facebook.com/henrisociedade melhor e mais que.liebich
Site da Convenção Batista
justa foi conferida ao Lar da
Criança por sete anos conse- Pioneira do Sul do Brasil:
cutivos (2007 a 2013) o que www.pioneira.org.br
muito alegra a Instituição e
Para contribuições:
todos que dela fazem parte.
Banco do Brasil: agência
0371-9 c/c 44.000-0
Um propósito
Banrisul: agência 0220 c/c
Todo o trabalho desenvolvido no Lar da Criança 06.214.225.0-4
Henrique Liebich através
Faça parte desta história de
de seus programas, ações
e atividades tem, como ob- amor. Contribua. Visite. Ore.
jetivo, atender ao que se Envolva-se. O Lar da Criança
determinou como a visão espera por você!
o jornal batista – domingo, 20/10/13
ponto de vista
15
SABEDORIA PARA HOJE
Pastor LÉCIO DORNAS
Um discipulado responsável
Ao lado de uma mensagem íntegra e de um culto
autêntico, a igreja precisa
ocupar-se de um discipulado responsável. O processo
de crescimento espiritual e
de amadurecimento cristão
precisa desenvolver-se de
maneira bem planejada e
bem coordenada. Quando
uma pessoa aceita o Evangelho em sua vida e se propõe
a seguir o caminho da fé,
precisa ser mentoreada de
forma séria, consistente e
comprometida.
O alvo é que a pessoa
torne-se como Cristo. Ela
precisa desenvolver agora
um caráter e uma conduta
coerentes com o Evangelho
que acabou de aceitar. A
partir daí, a igreja precisa
apresentar um programa educacional que supra as suas
necessidades como serva de
Deus vivendo num mundo
entenebrecido. Trata-se do
discipulado de Dietrich Bonhoeffer (1906-1945), do
Cristianismo básico de John
Stott (1921), da essência da
vida cristã ensinada por Hans
Küng (1928) e do crente, sal
da terra e luz do mundo, sonhado por Jesus de Nazaré.
O discipulado responsável
é aquele que segue o roteiro
do Sermão do Monte. Ao pregar este sermão, Jesus estava
explicando o que significava
ser um cristão. Assim, a cartilha básica do discipulado é
o sermão da montanha. As
questões de caráter ético,
moral, relacional, social e religioso, precisam ser consideradas junto ao novo crente à
luz das Escrituras, a partir de
uma hermenêutica que não
se furta à contextualização.
Ao aceitar o desafio de pertencer à comunidade da fé,
fazendo parte do corpo vivo
de Cristo, a pessoa precisa
conhecer a Palavra de Deus,
suas doutrinas e seus princípios de vida, bem como suas
implicações para sua vida
aqui e agora. A Bíblia precisa deixar de ser aquele livro
difícil e distante e passar a ser
o manual de vida; precisa sair
da condição de cartilha teoló-
gica, para se tornar um guia
para a vida prática. Ou seja,
discipular vai significando
ajudar o novo crente a aplicar
a Bíblia às diversas situações
concretas de sua vida, sejam
elas como forem.
Quando o aspecto educacional é esquecido ou ignorado por parte da igreja,
o campo fica livre para a
formação de mentes guiadas
pela paranóia. Aí, ao invés da
Bíblia ser buscada para guiar
e apontar o caminho, passa
a ser procurada, e torcida,
para subsidiar condutas que
jamais seriam aprovadas pelo
Senhor. A paranóia empurra
o recém chegado à igreja
para longe do discipulado e
vai moldando-o ao engodo e
à hipocrisia, numa reedição
do farisaísmo do primeiro
século.
Porém, a tarefa de fazer
discípulos (Mateus 28.19),
prossegue sendo definidora
dos rumos da igreja da metanóia. Ela não está interessada apenas em “fazer” novas
criaturas, mas em “fazer”
discípulos. O alvo é ajudar
pessoas a pensarem, sentirem
e agirem como Jesus. Sem
um discipulado responsável,
perseverante e contundente,
não é possível formar para
o Pai uma família cheia de
filhos semelhantes a Jesus.
Um testemunho luminoso
Aqui temos a derradeira
arma contra a paranóia. Uma
evidência indiscutível da
metanóia é a luminosidade
do testemunho. Quando a
mente muda como resultado
do verdadeiro arrependimento (Romanos 12.2), a conduta
retrata de forma imediata
e profunda esta mudança.
A luz começa a brilhar e o
contágio é inevitável.
Paranóia não gera martyria,
metanóia sim. O testemunho
de vida é fruto do arrependimento verdadeiro, pois todos
querem saber qual foi a força
que motivou tamanha transformação, quem conseguiu
motivar a pessoa, outrora
presa em vícios, delitos e
pecados, lutar contra tais
cadeias e vencer?
Esta inquietação generalizada, que captura o crente
de forma arrebatadora e, ao
mesmo tempo, atrai o não
crente de forma inescapável;
esse desejo de ver outros no
mesmo caminho e, por outro
lado, de querer andar no caminho da bênção, por onde
o crente anda, é despertado
pela luminosidade inofuscante da martyria.
Observe-se, porém, não
tratar-se de representação ou
de máscara. Mas sim de uma
vida brilhante, cheia de vigor
e de alegria. Uma vida que
vale a pena ser vivida e que
desperta em todos quantos
com ela se defrontam, na
experiência de um cristão, o
desejo de sorvê-la.
Dessa forma, o crescimento
da igreja se dá mais pelos relacionamentos do que pelos
ajuntamentos; mais pela influência do que pela afluência;
mais pelo impacto do advento
do que dos eventos; mais pelo
discipulado de que pelo culto
ao dissimulado. Como diz a
canção: “Se a vida de Cristo
fluir em você, será bem diferente o seu jeito de viver.”
O ‘crescimento’ sem relacionamentos, sem influência
e longe do advento, é promovido pela paranóia e é o que
produz mais paranóia ainda. É
mais como tumor que crescer
para o mal e não para a saúde.
Há muito de paranóia, em nossos dias, ditando os caminhos
da estruturação, definição de
valores e de missão para nossas igrejas. Precisamos estar de
olhos abertos para isso.
O crescimento no contexto
da metanóia segue na linha
dos frutos que marcam a vida
dos eleitos. É crescimento
natural, verdadeiro e profícuo. Surge do testemunho
luminoso da igreja, percorre
o caminho da autenticidade e
se desdobra numa produtividade extremamente benéfica
para o Reino de Deus.
Aterrissando
Nossa luta precisa ser por
uma igreja saudável, por uma
comunidade cheia de saúde
e de vida. Assim, lutamos a
favor da metanóia, da mudança de mente e de rumo,
da nova vida que só Jesus
pode dar. Nossa luta é, por
conseguinte, fortemente contra qualquer tipo de paranóia,
de confusão e de fuga.
Ser cristão implica no novo
nascimento. As coisas velhas
precisam passar e tudo precisa
se fazer novo na vida (II Coríntios 5.17). A mente precisa ter
sua estrutura e seu conteúdo
mudados de direção. A metanóia precisa ser uma realidade
na vida das pessoas.
Nessa luta, precisamos estar atentos à distorções da
Palavra, à esquisitices doutrinárias e aos desequilíbrios
de conduta que revelam fuga
do discipulado e construções
autônomas de caminhos alternativos (Provérbios 14.12)
que não são de vida, mas de
morte.
Nesta luta, precisamos dar
as mãos na construção de
uma comunhão verdadeira
e fazer um pacto a favor da
nossa unidade, no poder do
Espírito Santo.
Nessa luta precisamos, por
fim, zelar para que, ao entrar
em contato conosco, igreja do
Deus vivo, cada pessoa perceba-se desafiada à metanóia.
Pela mensagem, pelo culto,
pela proposta de discipulado
e pelo testemunho da nossa
vida, que cada um seja estimulado a abraçar o mais fascinante projeto de vida: a trilha do
verdadeiro Evangelho.
Resolvemos assim, os dilemas da metanóia e da paranóia, mas ainda temos o da
utopia…
*Gerente do Ministério
Brasileiro da Sociedade
Bíblica Americana e
Coordenador da Equipe
Ministerial da Primeira
Igreja Batista Brasileira em
Orlando, na Florida – EUA
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Pastor Isaltino: saudades... - Convenção Batista Brasileira