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Ficha Descritiva X Boletim Escolar: Um olhar sobre a
Avaliação na Rede Municipal de Guarulhos na ótica dos
pais e mães de alunos
1
INTRODUÇÃO
2
Avaliação
2.1
Novas Concepções de Avaliação
2.2
Ficha Descritiva de Avaliação e a Rede Municipal de Guarulhos
3
METODOLOGIA
4
APRESENTAÇÃO DOS DADOS E ANÁLISE DOS RESULTADOS
5
CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
2
RESUMO
O trabalho em questão pretendeu investigar a opinião de pais e mães de
alunos da Rede Municipal de Guarulhos quanto à Avaliação por meio da Ficha
Descritiva. Daí a relevância da pesquisa: a ótica dos pais sobre a forma
avaliativa da rede em questão, uma vez que são os imediatos responsáveis
pelos cidadãos formados pela escola e, portanto também pelo seu
desenvolvimento, sendo sujeitos de primeira importância de ser ouvidos. O
objetivo geral se voltou à verificação da opinião que pais e mães dos alunos
tinham quanto à forma avaliativa da Rede Municipal de Guarulhos e os
específicos para a compreensão do conceito de Avaliação que estes sujeitos
tinham, além da opinião acerca do boletim Escolar. Sendo assim os sujeitos
desta pesquisa foram 20 pais dos alunos de 5º. Ano. Optamos pelo estudo
qualitativo, utilizamos o método de análise de conteúdo, seguindo com análise
categorial. O instrumento foi um questionário com duas questões abertas que
versavam sobre a opinião acerca da Ficha Descritiva de Avaliação e sobre a
preferência destes sujeitos entre a Ficha Descritiva de Avaliação e o Boletim
Escolar. A aplicação foi numa escola da região leste da Rede Municipal de
Guarulhos. Os dados revelam uma opinião em sua maioria favorável à ficha
descritiva de avaliação, no entanto também houve opiniões favoráveis ao
boletim escolar, o que enriqueceu a análise, mas ficou evidenciada preferência
à Ficha Descritiva de Avaliação com esclarecimentos plausíveis.
Palavras - chave: Ficha Descritiva. Boletim Escolar. Avaliação.
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ABSTRACT
The work in question sought to investigate the opinion of parents of students
of Municipal Guarulhos regarding the evaluation through the Fact Sheet . Hence
the relevance of the research : the parents' view on the evaluation form of the
network , since they are responsible for the immediate citizens trained by the
school and therefore also for its development , being subject of prime
importance to be heard . The overall goal turned the verification of the opinion
that parents of the students had about the evaluative form of Municipal
Guarulhos and specific to understanding the concept of rating these guys had ,
beyond belief about the School newsletter . Therefore the subjects in this study
were 20 parents of students in 5th . Year We chose qualitative study , we used
the method of content analysis , according to categorical analysis . The
instrument was a questionnaire with two open-ended questions that focused on
the impression of the Fact Sheet and Evaluation on the preference of subjects
between the Descriptive Data Evaluation and Report Card . The application was
a school in the eastern region of the Municipal Guarulhos . The data reveal an
opinion in favor of a descriptive evaluation form majority, however there were
also favorable to the school newsletter , which enriched the analysis reviews ,
but it was obvious preference to the Fact Sheet Assessment with plausible
explanations .
Keywords: Fact Sheet. Report Card. Assessment.
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1
INTRODUÇÃO
Em meio a um tempo de mudanças, adaptações são necessárias, as
exigências externas tem aumentado de maneira veloz, ao ponto de
necessitarmos recrutar a reflexão e reavaliação de maneira muito mais
constante, isso apenas para nos situarmos. Tendo em vista as quebras de
paradigmas e necessidade de mudança em práxis, surge esse trabalho
advindo do curso de especialização em Ética, valores e saúde na escola,
cursado justamente com a expectativa de modelar o olhar para essas temáticas
as quais se mostram complexas demais no dia-a-dia dos profissionais da
educação.
A princípio a ideia para este trabalho percorria outra dimensão, o tema seria
outro: “Rede Municipal de Guarulhos: Ficha descritiva X boletim escolar: Qual
deles atende de maneira mais eficiente as exigências avaliativas do MEC.”, o
que demandaria uma investigação profunda sobre cada um dos aspectos
mencionados. No entanto, por escassez de tempo (dois meses), optou-se pela
realização de um trabalho que investigasse a opinião de pais e mães de alunos
quanto à Avaliação por meio da ficha descritiva, o que nos revelaria a ótica dos
pais sobre a forma avaliativa da rede em questão, o que se mostra relevante à
medida que eles são os imediatos responsáveis pelos cidadãos formados pela
escola e, portanto também responsáveis pelo desenvolvimento dos seus, bem
como seus problemas e obstáculos. Deixamos a primeira ideia guardada para
futuras investigações.
Para o momento, convido a leitura dessa pesquisa, que teve como ponto de
partida um problema: “Qual a opinião de pais e mães de alunos da Rede
Municipal de Guarulhos quanto à avaliação por meio da ficha descritiva?”; um
objetivo geral: “Verificar a opinião que pais e mães dos alunos da Rede
Municipal de Guarulhos têm quanto à forma avaliativa da Rede Municipal de
Guarulhos”; e dois objetivos específicos que giraram em volta da verificação da
compreensão de avaliação que os pais e mães de alunos têm e da observação
da opinião dos pais acerca do boletim escolar e da ficha descritiva.
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Vale a pena destacar que essa pesquisa surgiu a partir de murmúrios e
inquietações no interior da escola, por parte dos professores, o que despertou
o interesse de saber quais eram os sentimentos dos pais acerca do
instrumento de avaliação da Rede, verificar se seriam as mesmas do interior da
escola, então surgiram as hipóteses que norteou todo o processo investigativo
a primeira era: acredita-se que os pais e mães dos alunos têm uma
compreensão de que a ficha descritiva não atende as expectativas de
mensurar aprendizagem dos alunos; a segunda: Supõe-se que os pais e mães
de alunos têm uma compreensão quantitativa de avaliação relacionada à nota
(0-10) e valorizam essa forma de avaliação; e a terceira: acredita-se que os
pais e mães não compreendem o papel da avaliação qualitativa através da
ficha descritiva e relatem a falta do boletim escolar.
Fomos à campo em busca dos sujeitos pais e mães dos alunos da Rede
Municipal da Cidade de Guarulhos. Os dados obtidos na pesquisa sinalizam
para uma satisfação acerca da ficha descritiva de avaliação, mas também
houve evidências de que alguns pais e mães de alunos sentem falta do registro
quantitativo de notas (0-10), sendo que a maioria dos sujeitos apresenta
compreensão do vem a ser avaliação através da ficha descritiva.
2. Avaliação
A avaliação escolar atual é concebida de maneira teórica tradicional, a qual
mantém a expectativa de um ensino mecânico e reprodutor das condições
sociais. Leite e Kager (2009, p.109-134). Avaliação é o resultado direto das
práticas escolares, segundo Kager (2006) ela é parte do processo da mediação
pedagógica do professor que envolve, também, aspectos afetivos, não se
restringindo apenas à dimensão cognitiva. Os alunos não são simplesmente
avaliados, cada um deles sente a avaliação de forma diferente, e no formato
atual de avaliação, aspectos afetivos não são levados em consideração.
Em 1984 Luckesi já subdividiu o modelo de avaliação que perpetua até hoje
em três tipos pedagógicos: a tradicional, a renovada e a tecnicista, tipos estes
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que vão contra a pedagogia libertadora de Paulo Freire, e a pedagogia sóciocultural de Dermeval Saviani. Sendo assim se têm em discussão duas formas
pedagógicas de avaliação antagônicas: a tradicional, que zela pela reprodução
de conceitos sociais através de um profissional autoritário cúmplice dessa
zeladoria e a libertadora que prega a necessidade de transformação dos
conceitos sociais, através de um profissional que valorize a construção
autônoma de cada indivíduo. Leite e Kager (2009, p.109-134).
É indispensável discutir avaliação estabelecendo relação imediata com o as
novas concepções que estão surgindo, portanto segue uma breve mostra de
pesquisas desenvolvidas na área, que utilizam de várias terminologias, mas
possuem objetivos muito em comum, inovações que proporcionem para a
educação, meios de avaliação mais eficientes.
2.1 Novas Concepções de Avaliação
Nas últimas décadas houve várias mudanças na concepção de ensino
aprendizagem, portanto “O saber não pode mais ser considerado como algo
estático, e muito menos ser exclusividade da escola.”, são esses os
argumentos utilizados por Vieira (2002, p. 149-153), quando apresenta o
portifólio como um instrumento promissor para avaliação, o qual segundo ela
apresenta clareza ao professor, quanto a aprendizagem do aluno, e referência
ao aluno quanto ao que necessitam aprender.
Nesse contexto de mudanças nas concepções de ensino e
aprendizagem, surge como proposta uma modalidade de avaliação
advinda do campo da arte: o portfólio. Nos Estados Unidos da
América, o uso do portfólio no meio educativo adquiriu um significado
tão importante, que levou a Association for Supervision and
Curriculum, a considerá-lo como uma das três metodologias de topo,
atualmente em uso naquele país (Sá-Chaves, 2000). Para Seldin &
cols. (1998), o portfólio tem sido usado no Canadá, por quase 20
anos, onde é chamado de dossiê de ensino e, atualmente, tem sido
adotado ou testado por mais de 1.000 universidades nos Estados
Unidos.
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E a partir de uma pesquisa que envolveu alunos, os reais sujeitos da
avaliação, verificou-se que o trabalho com portifólio favoreceu a compreensão
dos objetivos de aprendizagem e as notas de todos ficaram entre 7,5 e 9,0, o
que segundo a autora foi apenas um “reflexo da aceitação e funcionamento do
sistema portifólio de avaliação (...)”. Vieira (2002, p. 149-153).
Em uma pesquisa que objetivou e constatou “os efeitos aversivos das
práticas de avaliação da aprendizagem escolar” Leite e Kager (2009, p.109134), fundamentado em outros teóricos, como Luckesi (1984, p.12) e outros,
propõem a avaliação diagnóstica como uma “alternativa viável visto que, nesta
perspectiva, o ato de avaliar implica decisões sempre a favor do aluno (...)”, e
acrescenta que deve representar um momento de reflexão, que resulte em
transformações na condição de ensino, visando a lapidação do processo de
apropriação por parte do aluno, e para ele tal avaliação independe de um
sistema superior, ela nasce dentro da escola.
O primeiro passo seria um posicionamento claro e explícito sobre o
tipo de sociedade e de cidadão que se pretende formar. Um segundo
ponto seria a conversão/conscientização de cada educador para
novos rumos da prática educacional.
No entanto, essa
conscientização deve ser traduzida em práticas pedagógicas
assumidas pelo coletivo dos educadores da escola. O último aspecto
a ser considerado refere-se ao resgate da avaliação em sua função
diagnóstica: mesmo numa sociedade produtora de exclusão social, é
possível rever e alterar os rumos das práticas tradicionais de
avaliação. Para isso, o professor deve estar comprometido com uma
escola inclusiva, que esteja preocupada com o crescimento e o
desenvolvimento integral dos alunos.
Em 2010, Bertagna, publicou um estudo quanto à avaliação e a progressão
continuada, onde investigou a realidade de uma escola, acompanhando alunos
de todos os ciclos do ensino fundamental I, o qual evidenciou que a função da
progressão continuada, não conseguiu causar avanços “no sentido de
mudança de concepção de avaliação, ou mesmo na cultura avaliativa e
escolar, como a proposta do regime de progressão continuada apontava nos
documentos oficiais”. No decorrer de sua pesquisa, ela compartilha que uma
prática avaliativa com menos foco em provas classificatórias fora possível na
escola em questão graças a discussão da progressão continuada em sua
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essência e a implantação da ficha descritiva de avaliação como instrumento de
avaliação.
A adoção desta prática permitiu aos professores — com exceção das
professoras que acreditam na prova como um instrumento principal
de avaliação — discutir outras formas de avaliar, além das provas e
das formas que tradicional mente estavam acostumados a praticar,
mas transferiu todos os demais instrumentos para o âmbito da
avaliação pessoal do professor sobre o aluno. Bertagna (2010).
Embora esse processo de implantação tenha tido seus pontos favoráveis, a
autora fez questão de levantar, as opiniões de Dalben (1998, p. 208-9), que ao
analisar a ficha descritiva, “alertou para algumas dificuldades provenientes
desse recurso”.
[..] é possível admitir-se que não será com a introdução de uma
avaliação do tipo qualitativo-descritivo que se poderá alterar o
processo unidirecional e, por isso autoritário, de que vem se
revestindo a avaliação escolar, porque ela permanece totalmente
dependente da postura e do olhar do avaliador na leitura da realidade
pedagógica (Dalben, 1998, p. 208-9).
Ao abandonar as provas ou aplicá-las somente para cumprir um
ritual, o professor pautava a sua avaliação nas fichas descritivas e
nos julgamentos e juízos constituídos no dia a dia escolar. Ele passou
a valorizar a avaliação informal em detrimento da avaliação formal e a
transformar as avaliações informais em notas ou conceitos que, de
certa maneira, ainda se constituíam em uma forma de representar o
rendimento escolar do aluno. Bertagna (2010).
Mesmo com opiniões negativas e relevantes a cerca da ficha descritiva de
avaliação e da comprovação em pesquisa da prática inadequada de
professores, quanto a esse recurso, há quem acredite que a avaliação deve
seguir o canto de avaliação entoado pelos Parâmetros Curriculares Nacionais
(PCN’s), como Jussara Hoffmann (1995, p. 21) que alerta para que “a
avaliação deixe de ser o momento terminal do processo educativo [...] para se
transformar na busca incessante de compreensão das dificuldades do
educando e na dinamização de novas oportunidades de conhecimento”. Vieira
e Sforni (2010, p.45-57).
A avaliação subsidia o professor com elementos para uma reflexão
contínua sobre a sua prática, sobre a criação de novos instrumentos
de trabalho e a retomada de aspectos que devem ser revistos,
ajustados ou reconhecidos como adequados para o processo de
aprendizagem individual ou de todo o grupo (BRASIL, 1997, p. 81).
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A ficha descritiva é um dos instrumentos de avaliação que busca preencher
a lacuna de uma nova perspectiva de avaliação, sabe-se que todo processo de
mudança é turbulento em sua implantação, e à medida que se tem ideias de
avaliação tão ricas em legislação, e práticas tão controversas, conclui-se que
de fato ainda há muitos pontos a ser refletidos, portanto para continuidade da
análise abordaremos de maneira geral as expectativas da Rede Municipal de
Guarulhos, em aquisição e manutenção da ficha descritiva de avaliação como
instrumento oficial de avaliação.
2.2 Ficha Descritiva de Avaliação e a Rede Municipal de
Guarulhos
O modelo de ficha de avaliação descritiva utilizadas durante essa pesquisa
(Anexo – C) está em vigor na Rede desde agosto de 2007, com objetivo geral
de:
“elaborar a síntese do acompanhamento do aprendizado e
desenvolvimento integral de cada educando, a fim de avaliar o
processo de construção de saberes e aprendizagens priorizados para
cada tempo da vida e fornecer subsídios para a prática pedagógica”
Guarulhos (2007, p.5).
Mas como o processo de avaliação depende de constantes mudanças para
que mantenha sua qualidade em fevereiro de 2010 a Secretaria Municipal de
Educação de Guarulhos, resolveu reavaliar o meio de avaliação que estava
sendo utilizado com os alunos de sua Rede, então:
“via Departamento de Orientações Educacionais e Pedagógicas
(DOEP), solicitou que todos os educandos e equipes gestoras, em
suas respectivas escolas, respondessem individualmente a duas
questões: a) Qual é a Avaliação que desejamos em nossa escola? b)
Em relação à Ficha Descritiva em uso na Rede, destaque pontos
positivos, negativos e dê sugestões.” Guarulhos (2011).
Esta pesquisa e seus resultados serviram de estudo sobre a concepção de
avaliação da Rede, então no dia 20 de março e dia 14 de abril de 2010, a
coordenadoria
pedagógica
da
Rede,
objetivando
aprofundamento
em
concepção de avaliação, encontrou-se com o professor Celso dos Santos
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Vasconcellos, um defensor de uma educação que promova, de fato, a
aprendizagem e a autonomia dos educandos.
No dia 24 de junho de 2010 chegou às escolas um “texto-síntese”, contendo
26 páginas, cujo título era “Proposta curricular: avaliação da aprendizagem e
seus registros”, este texto discursava a respeito dos dados interpretados em
pesquisa, que mostrava a opiniões e participação efetiva dos membros da
escola bem como a nova concepção de avaliação formada a partir de então, os
seus sub-tópicos discursava sobre avaliação como componente indissociável
do processo educativo, em oposição ao caráter excludente da avaliação
ressaltaram a importância da avaliação em sua essência diagnóstica, também
abordaram a necessidade de ter como recurso avaliativo algo que ao mesmo
tempo contemplasse a avaliação de todos e não deixasse de mostrar a
individualidade dos educando, enfatizando também a importância da prática
educacional ficar claramente registrada nesse documento avaliativo. Guarulhos
(2010, p. 1-7).
Entre os dias 11 e 15 de abril de 2011, foi realizado um “laboratório” com
nove escolas da Rede sobre uma nova proposta estrutural da ficha descritiva e
avaliação (Anexo - D), visando discutir “como este Registro pode descrever de
maneira real e eficiente o processo de aprendizagem e desenvolvimento de
nosso educando, constituindo-se em um instrumento diagnóstico da formação
humana.” Guarulhos (2011 p.01).
A partir de todo este estudo fora construída um novo formato de ficha
descritiva de avaliação (Anexo – D) que entrará em vigor em 2012, e como
evidenciam os documentos, fora pensada por todo meio escolar, ainda no dia
02 de setembro de 2011, chegou as escolas, orientação para a realização de
uma “Parada do Registro-Síntese do Processo Avaliativo”, onde mais uma vez
a escola foi recrutada em “apreciação, discussão e possíveis intervenções”,
quanto a ficha descritiva, chegado o dia da parada pedagógica que fora dia 13
de setembro de 2011, os profissionais da escola foram convocados a realizar
uma discussão coletiva e analítica sobre todos os itens do novo registro:
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cabeçalho, legenda, finalidades, campo dos objetivos, registro de faltas,
relatório semestral e auto avaliação do educando, da mesma forma fora
discutido o texto de “orientação para o preenchimento de registro-síntese do
processo avaliativo’, que foi enviado juntamente com as demais orientações.
Guarulhos (2011).
Dias depois os pais também foram convidados a responder em discussão e
análise, bem como fora feito entre os professores e gestores. Nesse sentido
fica claro o que também está descrito na proposta curricular da Secretaria de
Educação de Guarulhos, também chamado Quadro de Saberes Necessários
(QSN), evidencia seus horizontes da seguinte forma:
(...) projeto socientário que repensa, criticamente, as bases sociais,
econômicas e políticas de nossa sociedade, visando à construção de
uma realidade em que se possibilite concretamente o direito à vida, à
educação e aos direitos fundamentais dos sujeitos históricos. (2010,
p.15)
Esse tópico mostrou um pouco da história, objetivos e metas da Rede de
Guarulhos, quando optou pela avaliação descritiva, sob as reflexões mais
atuais que permeiam o meio escolar em Guarulhos, a partir desse tópico,
passamos para a metodologia desse trabalho, onde é possível verificar a forma
de estudo realizado, bem como as explicitações que fundamentaram a
realização dessa pesquisa.
3. METODOLOGIA
Optamos por realizar um estudo quali-quantitativo, já que é o que mais se
adéqua às nossas intenções. De acordo com Dantas e Cavalcante (2006) a
pesquisa qualitativa completa a quantitativa, portanto enquadramos a pesquisa
como quali-quantitativa, para maior clareza metodológica.
Tem caráter exploratório, isto é, estimula os entrevistados a
pensarem livremente sobre algum tema, objeto ou conceito. Mostra
aspectos subjetivos e atingem motivações não explícitas, ou mesmo
conscientes, de maneira espontânea. É utilizada quando se busca
12
percepções e entendimento sobre a natureza geral de uma questão,
abrindo espaço para a interpretação.
É uma pesquisa indutiva, isto é, o pesquisador desenvolve conceitos,
idéias e entendimentos a partir de padrões encontrados nos dados,
ao invés de coletar dados para comprovar teorias, hipóteses e
modelos pré-concebidos.
É mais adequada para apurar opiniões e atitudes explícitas e
conscientes dos entrevistados, pois utiliza instrumentos estruturados
(questionários). Deve ser representativa de um determinado universo
de modo que seus dados possam ser generalizados e projetados
para aquele universo. Seu objetivo é mensurar e permitir o teste de
hipóteses, já que os resultados são concretos e menos passíveis de
erros de interpretação. Em muitos casos cria-se índices que podem
ser comparados ao longo do tempo, permitindo traçar um histórico de
informação.
Mostra-se apropriada quando existe a possibilidade de medidas
quantificáveis de variáveis e inferências a partir de amostras
numéricas, ou busca padrões numéricos relacionados a conceitos
cotidianos.
Realizamos pesquisa bibliográfica e de campo. Severino (2007, p.122-123).
Na pesquisa bibliográfica fora investigado os mais atuais registros como
artigos, livros e teses ligados ao tema. Na pesquisa de campo, fomos à Escola
em busca do nosso público alvo, para que respondesse a duas questões
abertas que versavam sobre a opinião, preferência e justificativas sobre a ficha
descritiva de avaliação da Rede Municipal de Guarulhos.
Para tratamento dos dados obtidos no trabalho de campo, a metodologia
utilizada fundamenta-se nos pressupostos do método de Análise de Conteúdo,
definidos por Bardin (1977, p. 42), como:
(...) um conjunto de técnicas de análise das comunicações, visando
obter, por procedimentos objetivos e sistemáticos de descrição de
conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que
permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de
produção/recepção destas mensagens.
Para além da análise de conteúdo, também realizamos pesquisa
bibliográfica e de campo. Severino (2007, p.122-123). Em pesquisa
bibliográfica fora investigado os mais atuais registros como artigos, livros e
teses ligados ao tema, já em pesquisa de campo, fora proposto ao público alvo,
que respondesse a duas questões abertas que versavam acerca da opinião,
preferência e justificativas, quanto a ficha descritiva de avaliação tendo como
meio avaliativo para comparação o boletim escolar (Anexo-A). Logo a
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metodologia desse trabalho não poderia ser outra, pois como descreve
Severino (2007, p.121) tal metodologia trata e analisa informações de um
documento, sob diferentes linguagens.
(...) Trata-se de se compreender criticamente o sentido manifesto ou
oculto das comunicações.
Envolve, portanto, a análise do conteúdo das mensagens, os
enunciados dos discursos, a buscado significado das mensagens. As
linguagens, a expressão verbal, os enunciados, são vistos como
indicadores significativos, indispensáveis para a compreensão dos
problemas ligados às práticas humanas e a seus componentes
psicossociais. As mensagens podem ser verbais (orais ou escritas),
gestuais, figurativas, documentais.
Escolhida a modalidade da metodologia, e na expectativa de cumprir o
objetivo geral desse trabalho, fora escolhido como público alvo os pais e mães
de alunos do 5º ano E do ensino fundamental I, estudantes de uma Escola da
Rede Municipal de Guarulhos, localizada em um bairro de periferia da Região
Leste da Cidade. A escolha por esses sujeitos foi feita por se tratar dos
responsáveis imediatos da sala de aula que a autora deste trabalho leciona no
ano letivo de 2011.
Assim, após autorização da gestão escolar (Anexo - B), fora aplicado o
questionário aos 20 pais presentes na reunião de pais do 2º bimestre realizada
normalmente, para recebimento das fichas descritivas de avaliação, e trocas
verbais, entre pais e professores, acerca dos alunos e do processo de ensinoaprendizagem dos mesmos. A variável que houve nessa reunião, foi a
aplicação do questionário, entregue após o discurso de que se tratava de uma
pesquisa de opinião, pois havia uma preocupação da unidade escolar em saber
o que os responsáveis dos alunos, pensavam a respeito do instrumento de
avaliação da Rede.
Essa coleta de dados forneceu subsídios teóricos para a escolha do
procedimento metodológico específico: Análise Categorial, que segundo Bardin
(1977, p.37):
(...) pretende tomar em consideração a totalidade de um texto,
passando-o pelo crivo da classificação e do recenseamento, segundo
a freqüência de presença (ou de ausência) de itens de sentido. Isso
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pode constituir um primeiro passo, obedecendo ao princípio de
objetividade e racionalizando através de números e percentagem,
uma interpretação que, sem ela, teria de ser sujeita a aval. É o
método das categorias, espécie de gavetas ou rubricas significativas
que permitem a classificação dos elementos de significação
constitutivas, da mensagem. É, portanto, um método taxionômico
bem concebido para (...) introduzir uma ordem, segundo certos
critérios, na desordem aparente.
A decisão pela utilização da Análise Categorial Temática se deu por sua
adequação ao estudo da comunicação social, pois procura identificar os
núcleos de sentido dos enunciados, sendo que “a presença ou frequência de
aparição, pode significar alguma coisa para o objetivo analítico escolhido”
(Bardin, 1997, p. 105), principalmente porque o objetivo intrínseco do trabalho é
analisar as opiniões, preferências e justificativas.
Recolhidos os instrumentos de pesquisa, realizou-se a análise das
respostas, iniciada com uma leitura flutuante do material coletado, processo
que “consiste em estabelecer contacto com os documentos a analisar e em
conhecer o texto deixando-se invadir por impressões e orientações” Bardin
(2010, p. 122). Então apareceram em grifos as citações mais relevantes,
definindo assim as unidades de registro, que deu origem a diferentes núcleos
de sentido que constituíam a comunicação, e as categorias que foram
elaboradas após a análise dos instrumentos de pesquisa, a partir da
correspondência entre a significação e a lógica do senso comum. E para
qualidade na categorização, seguiu-se as indicações de Bardin (2010, p. 38):
1- exclusão mútua, encaixando cada elemento em uma única
categoria; 2- homogeneidade para definir cada categoria; 3pertinência às intenções do trabalho; 4- objetividade e fidelidade,
com indicadores claros para evitar distorções e subjetividade; 5produtividade das categorias, dando margem às inferências.
Na análise dos dados fornecidos pela primeira questão, que versava sobre a
opinião dos participantes, apareceram categorias subdivididas em favoráveis,
não favoráveis e não respondeu. E na análise dos dados fornecidos pela
segunda questão, que versava sobre a preferência quanto aos meios de
avaliação, apareceram categorias subdivididas em ficha descritiva de
avaliação, boletim escolar e não deu preferência. Todas as categorias foram
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criadas com base nas declarações dos sujeitos pesquisados. Será possível
apreciação detalhada desses dados no tópico a seguir.
4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
Seguiremos com a apresentação dos dados obtidos em nossa pesquisa. Na
intenção de facilitar a apresentação e a análise dos dados coletados, foram
elaboradas 2 (duas) tabelas. A primeira se refere às unidades de registro
determinadas pelas respostas da 1ª questão do instrumento de pesquisa e
apresenta a opinião dos sujeitos sobre a ficha descritiva de avaliação. A
segunda tabela, que corresponde à segunda questão do instrumento, enumera
os sujeitos participantes, apresenta a preferência dos responsáveis, junto aos
respectivos “porquês” citados pelos mesmos; E para melhor visualização essa
2ª tabela é precedida de um gráfico fundamentado no estudo concomitante das
duas questões, que apresenta sinteticamente o percentual das preferências,
colocando ficha descritiva X boletim escolar.
Para uma melhor organização dos dados obtidos nessa questão optamos
por abrir categorias, definidas com base no material coletado. Seguimos então
com as especificações das categorias de opiniões favoráveis a ficha descritiva
de avaliação.
No que se refere à primeira questão, a primeira categoria: “Mostra o
Desenvolvimento” foi composta de respostas relacionadas ao desempenho,
rendimento e progresso, no sentido de acompanhamento do processo geral de
aprendizagem do aluno. A segunda categoria: “É Individualizada” contém
citações que consideraram a ficha clara, detalhada e, sobretudo particular. A
terceira categoria: “Revela os Sentimentos do Aluno”: compreende citações em
que o responsável considera possível, ver e entender a como se dá a
participação, colaboração, sentimentos, comportamentos e expectativas dos
alunos na rotina escolar. A quarta categoria: “Possibilita Intervenção dos
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Responsáveis”: fora elencada pelas citações em relação à correção do aluno e
colaboração com o professor.
Agora, vejamos as especificações das categorias que surgiram, mas de
opiniões não favoráveis a ficha descritiva de avaliação.
A primeira categoria: “Relativa e Vaga” refere-se a citações em que foram
mencionados os referidos termos e a segunda e última categoria: “Ilusória”
compreende as citações em que o sujeito descreve que o instrumento em
análise da seguinte forma: “não fala a real avaliação”. (Sujeito 13). (Anexo – E)
Na tabela a seguir é possível visualizar a quantidade de citações e o
percentual de concordâncias, totalizando 37 citações favoráveis. No que se
refere às não favoráveis, total de 4 citações, esclarecemos que todas foram
retiradas de um mesmo sujeito , motivo pelo qual o número de citações da
tabela 1, não casará com o nº( tira as siglas e escreva a palavra número) de
sujeitos que participaram da coleta. Ainda na tabela 1, é possível verificar o nº
e percentual dos participantes que responderam a questão, porém não com a
opinião, como foi proposto.
Cumprida a tarefa de explicitar o conteúdo das categorias da tabela 1,
apresentaremos os dados da primeira questão do instrumento de pesquisa que
solicitava ao leitor da seguinte forma: “Dê a sua opinião sobre a ficha descritiva
de avaliação.”
Tabela 1 – Categorização das Unidades de Registro das Opiniões sobre
Ficha Descritiva de Avaliação.
OPINIÕES SOBRE A FICHA DESCRITIVA DE AVALIAÇÃO
Opiniões
Categorias
1.Mostra o Desenvolvimento
Nº. e %
Arredondados
das CITAÇÕES
dos investigados
12
32,4 %
17
Favoráveis
NÃO
Favoráveis
NÃO deu a
Opinião
2.É individualizada
3.Revela os sentimentos do aluno
4.Possibilita Intervenção dos Responsáveis
1. Relativa e Vaga
15
7
3
3
40,5 %
18,9 %
8,1%
75 %
2.É Ilusória
1
25 %
1. Não respondeu
1
25%
Essa tabela deixa claro o fato da ficha descritiva de avaliação ser um meio
de avaliação que satisfaz a maioria dos pais em questão, a medida que
houveram trinta e sete opiniões favoráveis, contra apenas cinco não favoráveis,
cinco estas, que por estar em menor quantidade, não são menos relevantes,
vale lembrarmos aqui o que menciona o autor Dalben (1998, p. 208 e 209),
presente no tópico Novas Concepções e Avaliação, do quadro teórico desse
trabalho.
[..] é possível admitir-se que não será com a introdução de uma
avaliação do tipo qualitativo-descritivo que se poderá alterar o
processo unidirecional e, por isso autoritário, de que vem se
revestindo a avaliação escolar, porque ela permanece totalmente
dependente da postura e do olhar do avaliador na leitura da realidade
pedagógica.
Inferimos que as opiniões não favoráveis apresentadas, tenham intima
ligação com o aspecto negativo da ficha descritiva, levantado por Dalbem, pois
se no momento de descrição o profissional da educação manter-se confuso
nas idéias acerca do aluno, utilizar palavras metafóricas, pouco objetivas, ou
simplesmente não atentar-se a individualidade do aluno em questão, pode ser
que quando o seu responsável iniciar a leitura, ele simplesmente não entenda
os dizeres ali colocados, e se assim o for, para esse sujeito, esse meio de
avaliação não terá valor, parecerá “relativa, vaga e ilusória”, como levantaram
em categoria. No modelo atual de ficha descritiva de avaliação (Anexo – C), de
fato o sujeito fica “totalmente dependente da postura e do olhar do avaliador na
leitura da realidade pedagógica”, pois há eixos, porem não há uma legenda
referencial que nivele aproximadamente os conhecimentos dos alunos aos
critérios ali elencados, daí a “relatividade” colocada pelo sujeito, o mesmo lê
uma série de informações, mas não consegue comparar, categorizar, conforme
fora alienado pelo modelo conservador de avaliação.
18
O Departamento de Orientação Pedagógicas da Secretaria Municipal de
Educação de Guarulhos, em um texto por título: Proposta Curricular: avaliação
da aprendizagem e seus registros; fundamenta esses pontos negativos de
outra forma, a partir de pesquisa buscando melhorias no formato avaliativo, já
mencionada no quadro teórico desse trabalho, no tópico Ficha Descritiva de
Avaliação e a Rede Municipal de Guarulhos, a prefeitura menciona que:
Segundo a maioria das escolas da Rede, a Ficha Descritiva induz a
repetição, pois é pouco aprofundada e faz com que o educador utilize
frases já prontas, por se ver diante das mesmas questões
desnecessariamente. O que se relaciona com isso também é a sua
extensão, ou seja, ela é, por assim dizer, prolixa e cansativa, o que
faz com que se perca o aspecto da objetividade, não servindo, como
a Rede salientou, para o desenvolvimento integral do educando.
Por isso, o instrumento e seu preenchimento se tornam burocráticos,
pois não servem de consulta para os pais, contrariamente ao que se
salientou em outros pontos. A Ficha Descritiva não é suficiente para
dar ao pai elementos para pensar o desenvolvimento de seu(sua)
filho(filha) e o dele próprio quando educando, o que é ocasionado
pela terminologia incompreensível e desconhecida para ele.
Guarulhos (2010, p.14).
Tal reconhecimento, por parte da Rede, revelada em pesquisa representa a
intenção em minimizar os aspectos negativos, e, portanto construir um
instrumento de avaliação descritivo, mas totalmente benéfico ao educando e a
compreensão facilitados de todos os interessados e envolvidos (profissionais
da educação, pais e educandos).
Partindo agora para as opiniões favoráveis, trazemos a tona às ideias de
Leite e Kager (2009, p. 109-134), também presente no quadro teórico desse
trabalho, mas no tópico Avaliação, pois suas idéias corroboram com as
opiniões favoráveis, que surgiram nessa pesquisa.
(...)é importante ressaltar a necessidade do resgate da avaliação
como função diagnóstica. Através dessa função, a avaliação é
planejada e desenvolvida como uma situação de reflexão,
preferencialmente envolvendo o conjunto dos educadores da escola,
no sentido de buscar não só o avanço cognitivo dos alunos, mas
propiciar as condições afetivas que contribuam para o
estabelecimento de vínculos positivos entre os alunos e os conteúdos
escolares. Com a função diagnóstica, a avaliação pode auxiliar o
progresso e o crescimento do aluno, através do aprimoramento das
condições de ensino.
19
O fato dos sujeitos da pesquisa ter em sua maioria citado algo peculiar a
primeira categoria “Mostra o Desenvolvimento” demonstra que de certa forma a
avaliação no formato descritivo precede uma avaliação diagnóstica que rompe
com o modelo tradicional, esses dados ainda se reafirma, pelo aparecimento
de sete citações favoráveis na categoria “Revela os sentimentos do aluno”, já
que para Leite Leite e Kager (2009, p. 109-134), uma avaliação diagnóstica, vai
além dos interesses cognitivos e “estabelece vínculos positivos entre os alunos
e os conteúdos escolares”, a partir de condições afetivas, condições essas que
foram perceptíveis aos sujeitos que deram origem a essa categoria, através da
ficha descritiva como meio de avaliação.
Ainda no texto, Proposta Curricular: avaliação da aprendizagem e seus
registros, a Secretaria Municipal de Educação de Guarulhos levanta os
aspectos positivos, também reconhecidos na categoria “É individualizada”,
onde tivemos o maior número de citações, o que deixa claro que o fator
particularidade, fica bem evidenciado através da ficha descritiva de avaliação.
A Ficha Descritiva, para a maioria das escolas da Rede, enfoca o
desenvolvimento individual e particular do educando, observando sua
trajetória em todos os aspectos. Com finalidade do registro da
formação integral, ela visa aos saberes necessários e contempla
aqueles priorizados para cada Tempo de Vida.
Além de respeitar aos Tempos de Vida dos educandos e,
considerando suas experiências e trajetórias, o instrumento abrange
todas as áreas do conhecimento, bem como suas habilidades e
aptidões. Dessa maneira, segundo as escolas, a Ficha Descritiva é
um subsídio para intervenções pedagógicas posteriores e, por isso,
serve como parâmetro de continuidade do trabalho para o educador
no ano seguinte. Guarulhos (2010, p.8).
Logo se há um concordância entre as escolas, que o instrumento é favorável
aos aspectos de individualidade e de subsídio para intervenções pedagógicas,
valida-se a categoria “Possibilita Intervenção dos Responsáveis”, pois os pais
são, além de imediatos responsáveis, educadores, e se a ficha descritiva
consegue ser clara nesses sentidos a medida que três sujeitos distintos
conseguiram identificá-los através de uma imediata leitura, é possível, sim,
que mesma resulte em intervenções familiares, quanto aos assuntos escolares.
20
Em resposta a pesquisa realizada pela Rede, foi elaborado um novo
instrumento de avaliação ainda descritivo, mas em uma estrutura diferente
(Anexo – D), como as opiniões dos pais dessa pesquisa estão em consonância
com os dados da pesquisa da Rede, talvez esse novo modelo também reflita
em mais satisfações, e sanando as insatisfações dos nossos sujeitos.
Cumprida a tarefa de detalhar a primeira questão, de acordo com a tabela 1,
passaremos à segunda questão, que trata da preferência dos responsáveis dos
alunos em relação aos instrumentos de avaliação. O questionamento fora feito
da seguinte forma:
Questão 2- “O que você prefere receber a ficha descritiva de avaliação, ou
um boletim onde conste as notas referentes a cada disciplina?
(
) Ficha descritiva
(
) Boletim – Por quê?”.
Com objetivo de maior clareza quantitativa fora elaborado um gráfico que
mostra de maneira resumida, o percentual assinalado na parte b da segunda
questão, onde os sujeitos apenas assinalavam com um X a sua preferência.
60%
50%
40%
30%
20%
10%
Boletim Escolar
0%
Preferem Boletim Preferem Ficha
Escolar
Descritiva de
Avaliação
Prefere os Dois
Ficha Descritiva de Avaliação
Prefere os Dois
Gráfico 1 – Apresentação sintética com o percentual do ranque das
preferências, colocando ficha descritiva X boletim escolar.
De acordo com o gráfico acima é possível vislumbrarmos que 55% dos
sujeitos preferem a ficha descritiva de avaliação. Segundo Hoffmann (1995, p.
21), talvez isso represente o entendimento dos pais, quanto a necessidade da
21
avaliação deixar de ser “(...) o momento terminal do processo educativo [...] e
de se transformar na busca incessante de compreensão das dificuldades do
educando e na dinamização de novas oportunidades de conhecimento”. Vieira
e Sforni (2010, p.45-57).
Conforme a citação do sujeito 2, presente em anexos: “Por ser a forma
correta de se demonstrar a evolução do aluno... facilita a compreensão dos
pais em relação aos filhos de maneira geral”, que é complementada pela
citação do sujeito 10: “Nesta ficha eu sei exatamente o que acontece com a
minha filha, sei o seu desenvolvimento com a visão da professora. E assim eu
posso ajudar no que ainda não está bom. De certa forma é um meio de
comunicação pais e professor.”; Destaca-se que ambos os sujeitos
demonstram entendimento de que a avaliação deve ser algo continuo, que
depende da comunicação entre a família e a escola, que ela apresenta
evolução, e que portanto é mutável, apresenta as dificuldades gerais, mas ao
mesmo tempo permite reflexão e intervenção. (Anexo – E).
Vê-se também que 40%, número significante de responsáveis, preferem o
boletim escolar, o que segundo Leite e Kager (2009, p.109-134), talvez se dê
ao fato da avaliação escolar atual ser concebida de maneira teórica tradicional,
a qual mantém a expectativa de um ensino mecânico e reprodutor das
condições sociais, o que está enraizado nos sujeitos sociais, conforme
mencionado por todos os sujeitos que preferiram o boletim escolar, exemplos:
“Porque mostra as notas.” (Sujeito 16), “... temos uma noção de como estão se
comportando nas provas...” (Sujeito 19), “... podemos avaliar melhor o
desempenho dos nossos filhos em relação às matérias...” (Sujeito 13). (Anexo
– E).
Apenas 5% dos participantes referiram que o ideal seria ter os dois meios de
avaliação, não dando preferência a nenhum, vejamos sua citação no Anexo - E
“Eu gostaria de receber os dois porque na ficha descritiva tem detalhado o
desenvolvimento, se fosse possível gostaria de receber os dois.” (Sujeito 20).
Tal ideia mostrava-se antagônica para o autor Luckesi em 1984, formando dois
22
eixos distintos, o primeiro seria composto pela avaliação tradicional, que zela
pela reprodução de conceitos sociais e o segundo pela avaliação libertadora
que prega a necessidade de transformação dos conceitos sociais.
Seguiremos com a tabela 2 que trata das justificativas das preferências
referidas pelos participantes, seguindo a metodologia, também foram
elaboradas categorias para maior clareza dos dados, sendo definidas com
base no material coletado, respeitam o seguinte critério: Porquês das
preferências das Fichas Descritivas de Avaliação.
A primeira categoria “Mostra o desempenho geral” abrange as justificativas
que consideram a ficha descritiva, como um instrumento claro em
demonstração
da
evolução,
dos
acontecimentos,
do
processo
de
aprendizagem, bem como do desempenho dos alunos. A segunda categoria “É
clara” trata das citações em que a ficha descritiva é considerada clara e capaz
de avaliar bem o aluno. A terceira categoria “O aluno não se preocupa só com
a nota” compreende a citação que utilizou exatamente os termos referidos.
Quanto ao critério de justificativas das preferências quanto ao Boletim
Escolar, tivemos as seguintes categorias: A primeira “Mostra as notas de cada
Matéria” categoria onde os participantes justificam sua preferência pelo boletim,
pois o mesmo mostra o desempenho dos alunos em relação a cada matéria. A
segunda “Não respondeu” categoria onde o participante mencionou que
considera o boletim escolar melhor, mas não justificou a resposta.
Nessa tabela também houve a necessidade de categorizarmos a justificativa
do indivíduo que não deu a preferência, “Um completa o outro”, referente à
citação do sujeito que mencionou, que gostaria de ter como parâmetros
avaliativos os dois instrumentos.
Cumprida a tarefa de explicitar o conteúdo das categorias da tabela 2,
apresentaremos os dados da segunda questão do instrumento de pesquisa que
questionava o participante da seguinte forma: “O que você prefere receber a
23
ficha descritiva de avaliação, ou um boletim onde conste as notas referentes a
cada disciplina?
Tabela 2 – Unidades de Registro das citações dos “porquês” das
preferências entre ficha descritiva de avaliação e o boletim escolar.
PREFERÊNCIAS FICHA DESCRITIVA DE AVALIAÇÃO X BOLETIM
ESCOLAR
“Porquês” das
preferências
FICHA DESCRITIVA
DE AVALIAÇÃO.
BOLETIM ESCOLAR
NÃO DEU
PREFERÊNCIA
Categorias
1.Mostra o desempenho geral
Nº. e percentual
de SUJEITOS
em relação aos
20 investigados
8
35%
2. É clara
3.O aluno não se preocupa só com a nota
1. Mostra as notas de cada Matéria
2
1
7
10%
5%
35%
2.Não respondeu
1
5%
1.Um completa o outro
1
5%
Nesta tabela também foram eleitas categorias quanto às justificativas dos
sujeitos em relação a sua preferência, no entanto é importante citar que junto
às explicitações de suas escolhas, houve apenas uma em relação aos vinte
sujeitos que comparou os meios de avaliação em questão, dando sua
preferência a ficha descritiva de avaliação criticando o boletim escolar: “Porque
a ficha descritiva avalia bem a aluna enquanto o boletim só mostra as notas.”
(Sujeito 7) e nenhum dos sujeitos que deram sua preferência ao boletim
escolar, menosprezaram a ficha descritiva de avaliação. Ainda nesse sentido,
houve um sujeito que simplesmente não assinalou sua preferência, antes
mencionou que gostaria de receber os dois se fosse possível. “Eu gostaria de
receber os dois porque na ficha descritiva tem detalhado o desenvolvimento, se
fosse possível gostaria de receber os dois.” (Sujeito 20). (Anexo – E)
A campeã das categorias da tabela 2, atende pelo seguinte título: “Mostra o
Desempenho Geral”, A Secretaria Municipal de Educação de Guarulhos,
concorda, em outras palavras, e fundamentada na opinião de 61 escolas, infere
que a ficha descritiva “Traz o desenvolvimento integral (Global) do educando”.
Guarulhos (2010, p.9).
24
“[Verifica] o desenvolvimento global da criança, jovem e adulto (físico,
motor, cognitivo, social, afetivo etc.) do educando individualmente,
não sendo apenas uma simples “medição” de conhecimentos...”;
“[Ela deve] manter seus aspectos avaliativos quanto ao psíquico,
social, emocional e também na aprendizagem...”;
“Faz pensar no educando de forma global, no aspecto social,
cognitivo, físico e emocional...” (em algumas aparecem integral);
“Um espaço, em outras observações, para a avaliação das
especificidades de cada educando, visa ao seu desenvolvimento
como um todo, envolvendo sua capacidade de se relacionar, forma
de expressar (lado emocional), habilidades físicas, desenvolvimento
das artes (físico) e aprendizagem. Abrange toda a área cognitiva,
emocional e comportamental do educando em si, seu
desenvolvimento e crescimento”.;
“É fundamental para que o educador tenha um olhar sensível e
abrangente sobre cada educando de forma global/integral
respeitando seus avanços (construção de saberes) e seu tempo...”;
“A Ficha demonstra o trabalho que o educador realizou com os
educandos, demonstra desenvolvimento, processo e isto favorece o
entendimento de desenvolvimento do ser humano.”.
Sendo a ficha descritiva tão global, em contemplação do educando, fica fácil
de entender a justificativa dos dois sujeitos que constituíram a categoria “É
clara”, o (Sujeito 1) cita “... Tem mais clareza a situação do aluno.” E o (Sujeito
4) complementa citando que na ficha descritiva há “Tudo que acontece, com a
criança... sua atitude, seu desenvolvimento...”, ambos demonstram satisfação
quanto aos seus conteúdos. (Anexo – E).
Partimos então para a categoria que dá preferência ao boletim escolar:
“Mostra as notas de cada Matéria”, ressalta-se que todos os sujeitos que
constituirão essa categoria, fizeram inferência a importância de ver notas em
relação a matérias e provas, sendo que uma ou mais dessas três palavras
aparecem na fala dos oito sujeitos que preferiram o boletim escolar. Exemplos:
“Pois sabemos realmente a nota dos alunos, e se pode melhorar mais.” (Sujeito
18), “... pois tem as notas de cada matéria... seria mais fácil reforçar o
aprendizado.” (Sujeito 14). Inicio então a discussão quanto as justificativas
colocadas, com a justificativa do (Sujeito 11), que deu sua preferência a ficha
descritiva: “Porque... a criança não se preocupa muito com a nota e não leva a
criança a colar só para mostrar nota.” Vejamos também o que cita o (Sujeito 9)
de maneira sábia consegue enxergar o aspecto “nota” na ficha sem que nela
haja: “É mais interessante saber seu desempenho, pois a partir daí sabemos as
notas e sua capacidade.” (Anexo – E).
25
Em sua pesquisa sobre “efeitos aversivos da prática de avaliação” Leite e
Kager (2009, p.109-134), conclui mediante depoimentos de jovens quanto as
provas e notas que:
(...) as práticas tradicionais de avaliação escolar podem ter efeitos
deletérios na relação que se estabelece entre os alunos e os objetos
de conhecimento em questão. A partir dos relatos dos sujeitos
participantes, é possível reafirmar que a avaliação constitui-se em um
dos pontos nevrálgicos do nosso sistema de ensino, podendo afetar
profundamente a qualidade da vida escolar dos alunos.
Em defesa dos aspectos positivos da ficha descritiva a Secretaria Municipal
de Educação de Guarulhos, coloca a ausência de notas como fator favorável:
“(...) ainda segundo as escolas, a Ficha Descritiva lhe permite a avaliação do
aprendizado de forma qualitativa, que não seja pautada na simples “mediação”
numérica”(...)”.
Contudo, entende-se que a temática de avaliação escolar, tem como
exigência estar em discussão continuamente, por hora ficaram claras as
intenções e investimentos da Rede Municipal de Guarulhos, em melhorar seu
instrumento de avaliação, o mantendo em formato diagnóstico e com foco
principal da individualidade do aluno. Quanto aos pais, em maioria apoiaram o
instrumento tanto em opinião quanto em justificativa, embora alguns apóiem a
ficha e ainda prefiram o boletim escolar, os dados revelam que é possível
pensar em novas concepções de avaliação com o apoio da família, da
comunidade, pois não se trata de algo inadmissível a eles, talvez ainda
obscuro, mas não inaceitável. Seguiremos com as considerações finais desse
trabalho, à medida que a apresentação de dados e análise dos resultados, aqui
finalizadas nos permite.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerando que os principais objetivos estabelecidos para este trabalho
se voltavam para a verificação da "opinião que pais e mães dos alunos da
Rede Municipal de Guarulhos têm da forma avaliativa da Rede Municipal de
26
Guarulhos” e os dois objetivos específicos voltados para a verificação da
compreensão de Avaliação que os pais e mães de alunos tinham bem como
quantificar a preferência dos pais acerca do Boletim Escolar em relação a Ficha
Descritiva, o problema de pesquisa estabelecido foi: “Qual a opinião de pais e
mães de alunos da Rede Municipal de Guarulhos quanto à Avaliação por meio
da Ficha Descritiva?”
A partir da pesquisa de campo e da análise de dados pudemos verificar que
os pais e/ou responsáveis declararam sua preferência pela ficha descritiva de
avaliação, o que demonstra que essa nova concepção de avaliação é aceitável
a comunidade escolar atual, que consequentemente revela que a concepção
de avaliação que os pais e mães de alunos têm, está voltada a uma análise
diagnóstica, que visa a individualidade do aluno, seja clara e descreva todo o
seu desenvolvimento escolar.
Logo, devemos trazer aqui as hipóteses, declarando que houve surpresas na
devolutiva dos instrumentos de pesquisa; Acreditávamos que os pais e mães
dos alunos tinham uma compreensão de que a Ficha Descritiva não atendesse
as expectativas de mensurar aprendizagem dos alunos: mas 55% dos
participantes da pesquisa, como descrito no gráfico – 1, demonstraram sua
preferência a ficha descritiva, e mais abaixo na tabela – 2 deixam explícito
através das suas justificativas, que consideram esse instrumento de avaliação
capaz não só de mensurar a aprendizagem dos alunos, mas também de deixar
claro outros aspectos das crianças, de maneira que se for bem preenchida,
revela a integralidade da mesma.
A segunda hipótese era que supúnhamos que os pais e mães de alunos
tinham uma compreensão quantitativa de Avaliação relacionada à nota (0-10) e
que valorizassem essa forma de avaliação; É, 45% dos participantes de fato
valorizam a avaliação em seu modo tradicional de administração, é possível
que essa valorização seja fruto da prática majoritária avaliativa, que vigora
desde que esses sujeitos frequentaram a escola até os dias atuais.
27
A terceira e última hipótese era a de que acreditávamos que os pais e mães
não compreendiam o papel da Avaliação qualitativa através da Ficha Descritiva
e que relatariam a falta do Boletim Escolar. De fato, boa parte dos
responsáveis sente a necessidade da presença do boletim escolar, como
referido em análise, para eles o boletim “mostra as notas”, “aponta as
dificuldades nas matérias”, “mostra como as crianças estão nas provas”.
(Anexo – E), mas não podemos afirmar que isso se dê mediante ao não
entendimento da Ficha Descritiva de Avaliação, pois a maioria dos
participantes, descreveu em opinião, características pertinentes aos objetivos
reais do instrumento de avaliação.
Respondido o nosso problema de pesquisa e checadas as nossas hipóteses
temos a dizer que as principais contribuições deste estudo voltam para a
compreensão de avaliação presentes nos pais e mães de alunos, sendo eles a
comunidade imediata da escola e partes fundamentais na educação dos
educandos que pertencem à escola, logo o interessante é que a escola, até por
ter interesse em comum com os familiares, que é a educação dos educando,
utilize um meio de registros de avaliação claro aos pais e responsáveis,
compreensível aos membros da comunidade, eficiente para o sistema nacional
e justo aos educandos.
Esse trabalho vislumbrou apenas um recorte dessa temática infindável em
discussão, é importante que novas pesquisas surjam na área, afinal para
quebra de paradigmas, faz-se necessária a união de muitas ideias, destacamos
que há a pretensão de futuramente prosseguir com essa pesquisa, juntando o
olhar dos professores à respeito dessa nova concepção de avaliação, a um
público maior de pais e responsáveis.
Deixamos como sugestões a prática da auto reflexão sobre avaliação que
deve estar presente periodicamente nas mentes dos profissionais de educação
que buscam uma prática avaliativa que valorize os conhecimentos de seus
educandos, e que estejam comprometidos com o real desenvolvimento dos
mesmos.
28
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Autora: Micheli de Oliveira Silva; Especialista em Ética, valores e saúde na
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Prefeitura Municipal de São Paulo; CEI Prestes Maia, Endereço comercial: Rua
Inácio Pinto Lima, 16 - Conjunto Residencial Prestes Maia, São Paulo - SP,
08490-020. Endereço residencial: Rua Koheiji Adachi, 300 apto 42, bl5 CEP:
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Ficha Descritiva X Boletim Escolar: Um olhar sobre a Avaliação na