JB NEWS Informativo Nr. 425 Editoria: Ir Jerônimo Borges Loja Templários da Nova Era – GLSC Quinta-feira 20h00 – Templo Obreiros da Paz Praia de Canasvieiras Florianópolis (SC) 28 de outubro de 2011 Índice desta sexta-feira* 1. 2. 3. 4. Almanaque Minha Iniciação (Ir. Luiz Felipe Brito Tavares) A Corda de 81 Nós (Ir. Nicola Aslan) Destaques JB * Pesquisas e artigos da edição de hoje: Arquivo próprio - Internet - Colaboradores – Blogs - http:pt.wikipedia.org Imagens: próprias e www.google.com.br Livros Indicados conheça O Museu Maçônico Paranaense http://www.museumaconicoparanaense.com Avenida dos Búzios 470, Loja 03, Jurerê, Florianópolis, SC 55 48 3266 4913 - [email protected] http://advocaciaimobiliaria.googlepages.com (Ir Everton B. Staub – Loja Templários da Nova Era) 1 – Almanaque Hoje, 28 de outubro de 2011, é o 301º. dia do calendário gregoriano. Faltam 64 para acabar o ano. Eventos Históricos: 306 - Maxêncio, filho do anterior imperador romano, Maximiano, é proclamado imperador. o Flávio Valério Severo é proclamado Augusto por Galério. 312 - Batalha de Ponte Mílvio: Constantino I derrota Maxêncio numa batalha onde se decidiria quem seria aclamado como primeiro Augusto pelo senado romano. É também neste ano que Constantino se converte à religião Cristã. 1533 - Casamento de Henrique II de França com Catarina de Médicis. 1636 - É fundada a Universidade de Harvard. 1638 - Fundação da cidade de Ubatuba. 1746 - Um terremoto destrói quase que totalmente a cidade de Lima, no Peru. 1836 - O general Andrés Santa Cruz proclama a Confederação da Bolívia e do Peru. 1856 - Inauguração da primeira linha-férrea em Portugal entre Lisboa e o Carregado. 1886 - O presidente norte-americano Grover Cleveland inaugura a Estátua da Liberdade, em Nova York. 1892 - Animação: Émile Reynaud exibe a projeção do primeiro desenho animado 1911 - Fundação da sede internacional e Templo de Cura da Fraternidade Rosacruz em Mount Ecclesia, Oceanside, Califórnia, Estados Unidos. 1917 - Criação do município de Novo Horizonte. 1918 - É proclamada a independência da Tchecoslováquia. 1922 - A "Marcha contra Roma", liderada por Benito Mussolini, chega ao fim, marcando o início do regime fascista na Itália. 1924 - Irrompe no Rio Grande do Sul o movimento tenentista, composto por jovens oficiais das Forças Armadas. 1925 - Frase proferida por Mussolini em seu discurso: Tutto nello Stato, niente al di fuori dello Stato, nulla contro lo Stato ("Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado") 1937 - Considerada uma intelectual de esquerda, a escritora Rachel de Queiroz é presa no Ceará. 1940 - Durante a Segunda Guerra Mundial, tropas italianas invadem a Grécia. 1948 - É adotada a bandeira do Estado de Israel. 1951 - Juan Manuel Fangio vence seu primeiro título mundial de Fórmula 1, na Catalunha. 1958 - É eleito o Papa João XXIII, o 262º papa 1962 - Franceses aprovam eleição presidencial direta. 1962 - Crise dos mísseis de Cuba: Nikita Kruschov desiste de instalar mísseis balísticos naquele país. 1964 - Decretado estado de emergência no Sudão. 1966 - Carlos Lacerda publica manifesto da Frente Ampla no jornal Tribuna da Imprensa. 1968 - O programa Divino, Maravilhoso estréia na TV Tupi com a participação de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Os Mutantes, Jorge Benjor (então, apenas Jorge Ben) e Os Bichos. 1974 - Países árabes reconhecem representatividade da OLP. 1974 - Governo da Grécia exila ex-chefes militares. 1978 - Inaugurada pelo presidente Geisel a Rodovia dos Bandeirantes, a mais moderna e bem conservada estrada do Brasil. 1982 - A Fundação Oswaldo Cruz, localizada no Rio de Janeiro, anuncia a produção da vacina de sarampo no Brasil. 1982 - Realizada eleições na Espanha que trarão o PSOE de volta ao poder. 1995 - A inalação de um gás tóxico causa 289 mortos no metrô de Baku, capital do Azerbaijão. 1998 - O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais mostra que a seca na Amazônia é a maior em 118 anos. 2004 - Lançamento do IPod photo. Feriados e Eventos cíclicos: Dia de Senhor dos Milagres - Padroeiro de Lima, Peru Dia de São Judas Tadeu - Santo da Igreja Católica Dia de São Simão - Santo da Igreja Católica Dia do Servidor Público - Brasil Dia Internacional do Animador Dia do Engenheiro Aeronáutico - Brasil Dia do Flamenguista[1] (Rio de Janeiro, Brasil) Fundação da cidade de Ubatuba (Litoral Norte de São Paulo, Brasil) Criação do município de Novo Horizonte (São Paulo, Brasil) Criação do município de São Simão (São Paulo, Brasil) Criação do município de Mirassol d'Oeste (Mato Grosso, Brasil) Criação do Município de Itaocara, Rio de Janeiro, Brasil Históricos maçõnicos do dia: (Fonte: “o Livro dos Dias” e arquivo pessoal) 1807: Joseph Cerneau, aventureiro francês, visando lucro fácil, abre em Nova York um Consistório de Príncipes do REAL Segredo, que traria sérias confusões ao Rito Escocês nos Estados Unidos. 1822: Apesar de autorização de D. Pedro, não houve sessão no GOB. 1886: Inaugurada a Estátua da Liberdade, criada pelo escultor Francês, Irmão FrédericAuguste Bartholdi e assentada em base doada pelos Maçons de New York. 1904: Eclode o famoso escândalo das fichas. Guyot de Velleneuve, deputado francês, denuncia que o ministério da guerra baseia as fichas informativas dos oficiais em relatórios políticos do Grande Oriente de França. 1980: Foi fundado o Supremo Conselho do Gabão. 1989: Fundação da ARLS Jack Matl Nr. 49, de São Bento do Sul (GLSC) 1995: Fundação da ARLS Luz do Atlântico Sul, de Balneário Camboriú, que trabalha no Rito Brasileiro (GOB/SC) 2 – Minha Iniciação . .. Ir Luiz Felipe Brito Tavares da ARLS Luz do Planalto N. 76 São Bento do Sul/SC Impressões da Iniciação Meu padrinho Fabiano, uma pessoa sensata e muito equilibrada em nenhum momento deixou-me preocupado. Embora homem de poucas palavras, sempre as soube empregar de forma eficiente e ponderada. Soube assim me garantir, não apenas com seu sóbrio discurso, mas principalmente com seus exemplos, de homem de bem, um voto de confiança em relação a um grupo ainda desconhecido ao qual me propus de livre escolha a compor. Na família e dentre amigos também possuía ótimos exemplares de livres maçons e a influencia deles, principalmente de meu cunhado Leandro, foi da mesma forma decisiva na escolha realizada. Não poderia deixar de citar o nome do amigo Zoilo Enrique e de meu tio Jorge Soares que de forma semelhante me incentivaram ao ingresso na ordem. No dia 10 de abril de 2010 acordei consciente de que aquele seria um longo e proveitoso dia. Também tinha ciência que seria um daqueles dias que marcam para sempre as nossas vidas. Estes dias são raros e, portanto devem ser saboreados ao máximo. Desejando, portanto, fruir amplamente a experiência me permiti a certa ansiedade. Fazia pouco mais de um ano desde que fui convidado a participar da maçonaria e finalmente havia chegado o momento tão esperado. Embora tivesse acordado bem disposto naquela manhã especial, comecei a sentir clarões ocasionais em minha área de visão, alertando para uma crise de enxaqueca eminente. Este tipo especial de aura que precede a enxaqueca propriamente dita pode propiciar, em alguns casos, uma diminuição parcial da visãoque perdura de alguns minutos a algumas poucas horas. Fiquei um pouco preocupado, mas de forma nenhuma desanimado. Se tivesse que enfrentar a iniciação com enxaqueca, que fosse! Estava resolvido! Porém pouco antes de seguir em direção ao templo, por incrível que possa ser considerado, a visão embora apenas parcialmente afetada se restabeleceu plenamente ao normal. Após almoço antecipado fui ao encontro de meu padrinho que me conduziu ao local da iniciação. Durante o caminho conversamos sobre a questão do controle. Controlar totalmente a vida é ilusório, pois que em muitos momentos somos surpreendidos por fatos inesperados. Chegamos a conclusão momentânea de que o ideal é buscar segurar o leme de mãos firmes, mas sempre preparados para as mudanças de rumo que nossa embarcação pode sofrer. Sem perceber o tempo passar, devido a leveza de nossa conversa, chegamos a magnífica construção em estilo antigo, lembrando os imponentes templos gregos e romanos. Pude contemplar embevecido a harmonia e a altivez das linhas de construção até que meu padrinho me retirou deste estado a dizer: _Agora você deverá virar de costas para a loja e aguardar. Obedeci naturalmente e mudei meu foco de visão para a paisagem descortinada. A bela cidade de São Bento do Sul. Ainda de costas escutei ainda uma frase, dita com serenidade pelo padrinho: _Olhe com atenção para o mundo aqui fora, pois será a última vez que o verá desta forma. Palavras profundas que conseguiram calar por instantes meu espírito agitado. Um silêncio interior instalado que precede muitas vezes a tempestade. Sem pestanejar tentei com avidez sorver, quadro a quadro, a imagem que se apresentava ao meu campo de visão. Porém por mais que tentasse reter em minha memória o que entrava pela retina, percebia que meu cérebro nada retinha, pois que estava sendo arrastado por poderoso imã a focalizar um outro mundo. Estava olhando a paisagem, a bela cidade de são Bento, mas de fato não conseguia mais vê-la. Minha mente agora estava distraída do exterior a percorrer os meandros do significado daquela frase poderosa. Sempre tive a convicção de que a maçonaria seria um lugar de muito aprendizado e que poderia me fazer evoluir. Não obstante este credo sincero esperava que tal se desse aos poucos. Estava preparado sim para um dia marcante, mas o choque sereno daquelas palavras me fez perceber o quão intensa seria aquela experiência. Aquela bela loja maçônica teria a capacidade, como um túnel do espaçotempo, em mover tanto assim meu centro de percepção? Afinal era apenas uma bela e digna construção! Pelo que sabia pedra e argamassa não possuíam poderes mágicos. Talvez as pessoas que lá estivessem teriam o poder de transmutarmentes? Claro que ajudariam na mudança, mas com certeza não seriam deuses com poderes tão grandiosos a ponto de em tão pouco tempo realizar milagres. Então onde estaria a chave deste enigma? Meu padrinho uma pessoa sensata e com grande estudo não jogaria a esmo tais palavras. Neste momento em que escutava os primeiros ribombares de trovões a confirmar a tormenta que chegava a galope em meu cerne, fui gentilmente vendado. Uma venda física que apenas corroborava a falta de visão do exterior que já me assolava. Sentia que os relâmpagos e clarões de uma enxaqueca mental e emocional iriam novamente me jogar a escuridão; mas desta vez para a escuridão de meu ser. Entendi que daquele momento em diante teria que enfrentar um grande desafio do qual não poderia me furtar. Teria que das sombras de eu mesmo achar novamente o caminho das luzes. Percebi naquele instante que a chave do enigma realmente não estava simplesmente no templo, ou nos templários, mas sim em minha própria capacidade de enfrentar meus temores. Dentro do templo, já vendado, fui convidado a me despir parcialmente e dispor dos pertences que conduzia. Compreendi a metáfora. Ali aqueles apetrechos de nada me adiantariam! Pois as verdadeiras ferramentas que me ajudariam estavam em minha mente e em meu coração. Mais quais delas precisaria eu usar? Seria a atenção? Ou a compreensão? Ou mesmo a tolerância? Ou ainda quiçá a paciência? Com certeza teria que me entregar para descobrir! E foi o que fiz. Daquele momento em diante fui gentil e firmemente conduzido por irmãos desconhecidos, que me passaram a clara mensagem de que não estaria plenamente só. Na maioria dos momentos estive sentado a receber objetos em minhas mãos. Objetos que percebi faziam parte fundamental das reuniões maçônicas. Procurava entender o que cada objeto poderia representar. Muitos pensamentos e ilações eu busquei fazer. Objetos leves e pesados; lisos e ásperos; pontiagudos e rombos.Qualidades simplesmente materiais, mas que ecoavam em minha mente buscando ressonância com as qualidades morais. Pontes que vez por outra me tiravam da meditação e me faziam conectar com a idade exterior. Uma nova realidade exterior que desejava avidamente conhecer Porém como tais objetos poderiam servir de janelas para este novo mundo? Sem dúvida cada um deles representava toda uma simbologia, que por mais que tentasse naqueles instantes criar elos de entendimento, de certo só bem mais tarde entenderia seu verdadeiro significado. Porém para minha pessoa serviram como espelho a brilhar e a refletir uma imagem a princípio escura de meu mundo interior, que gradativamente foi ficando mais clara. Mundo de pensamentos e sentimentos pelo qual passamos sem neles de fato reparar. Os objetos naquele momento evocavam a mim mesmo, representando minha simbologia mundana.Percebi em minhas mãos um martelo e pensei na justiça. Questionei-me se era justo. Percebi também uma espada e pensei nas lutas que devemos travar conosco na medida em que desejamos crescer. De quantas lutas estaria eu fugindo? Senti em minha mão o esquadro e lembrei de que na medida em que julgarmos seremos julgados. Estaria sendo preconceituoso em minha vida? Um compasso que desenhava círculos perfeitos, que remetiam a necessidade da harmonia e do equilíbrio. Realmente a quanto tempo não fruía de certa paz interior? Reconheci uma almofada alertando para o perigo do conforto. Estaria acomodado perante minha vida? Um pano que parecia ser um avental usado pelos maçons indicando necessidade de servir. A quem estaria servindo em minha existência? Reconheci um grande livro que fazia rememorar a importância do aprendizado. Estaria eu respeitando as lições deixadas pelos nobres homens que as haviam escrito com seu próprio sangue, suor e lágrimas? Objetos que iam e retornavam as minhas mãos e a cada momento tempos necessitava caminhar amparado pelos irmãos da maçonaria por labirintos estreitos, sentia-me já algo que localizado. Não em uma geografia física, mas sim mental e emocional. Estava em um lugar de evolução, de trabalho e de solidariedade. Vivenciava a solidariedade dos irmãos que me conduziam e simplesmente me deixava por eles conduzir, pois que sentia grande confiança. Era ali que desejava estar! Não senti lacunas de tempo ou de espaço, pois começava a ficar interiormente preenchido. Não mais estava ansioso, estava, no entanto jubiloso. Não tenho vergonha de dizer que chorei muitas vezes ao repensar ali em minha existência. Nos enganos que cometi e na chance que Deus em sua augusta bondade me conferia naquele momento. Momento de reencontro, de perdão e de auto-superação. Quando fui levado a uma sala e convidado a retirar a venda pela primeira vez, e da mesma forma convidado a assinar testamento, o fiz sem quaisquer reservas. Não foi a morte que vi ali naquela pequena sala, mas renascimento. Vi o crânio de um ser que viveu uma vida cheia de experiências. E vi que ele não se encontrava mais ali. Vi sua presença e sua ausência. Mas que lacunas deixou no meio do caminho? Quais as lacunas e lapsos eu estou deixando em minha curta jornada neste orbe planetário? E como poderia preenchê-los? A resposta estava ali mesmo:O pão da vida! Agradecer a cada momento aproveitando cada instante para evoluir. Alimentar o espírito. Não apenas o meu espírito, mas de todos a minha volta.Amar eu deveria mais do que nunca. Legar aos meus e aos seus o fermento da multiplicação. Garantir a manutenção dos ideais com o sal da vida. Queria traduzir tais sentimentos e pensamentos no papel e nada melhor que um testamento, e também escrever para a posteridade de o quanto eu amava a minha família e o quanto eu desejava contribuir com a evolução da humanidade. A resposta para as perguntas fundamentais estava ali na minha frente. A mudança estava em mim. Uma vida plena e cheia de esperanças eu poderia alcançar. Precisava apenas manter viva dentro de mim aquela chama, que todos temos, mas que deixamos por vezes se apagar vagarosamente sob o açoite da cumplicidade acomodativa com os caprichos mundanos. Roguei a Deus mais uma vez, não por perdão, mas pela oportunidade de me burilar e vencer meus maus pendores. Foram eles que me seduziram e tiraram a paz, mas deles gostaria de me afastar. Meus sentimentos se misturavam com as frases ali expostas. Todas dizendo que o tempo urgia e que a sinceridade do espírito poderia nos ajudar a seguir por um caminho melhor. Frases que incentivavam a humildade, a fraternidade e a seriedade. Frases e imagens dialéticas mostrando a dicotomia entre a verdadeira vida e a morte em vida. Após mais alguns instantes de reflexão sentida dali fui retirado e novamente conduzido pelos labirintos. Pareciam agora um canal de parto, por onde eu estava renascendo. Sempre amparado por obstetras gentis a me retirar do ventre fechado do mundano. Novamente me confrontei com objetos e novamente me levaram a novas ilações. Os mesmos objetos, originais ilações. Como se a simbologia evocada começasse a ganhar vida própria e criar redes de conexões e de percepções mais avançadas. Quanto tesouro em minha alma. Adormecidos a esperar que os reencontrasse. Pensei novamente nas palavras que anteciparam minha viagem aos umbrais da loja: “_Olhe com atenção para o mundo aqui fora, pois será a última vez que o verá desta forma.” Com certeza se tudo parasse já naquele instante o mundo já estaria diferente ao meu olhar. Porém estava apenas no início da viagem e ainda muito me aguardava. Por fim fui posto em uma sala e lá senti a presença de mais dois navegantes. Percebi que a hora que mais aguardava se aproximava. A sensação de ansiedade e frio na barriga voltou.Estava aflito sim, mas para dizer aquelas pessoas que desejava verdadeiramente ser um deles. Nem os barulhos provocados, como anunciar a tempestade que retornava, me deixavam agora preocupado. Se haviam sons guturais e secos, havia também a musica que desde o começo funcionou como elo de coesão e harmonia para a jornada. Verdade que no final comecei a sentir um pouco de frio e cansaço, mas neste momento, como se ouvissem minhas necessidades fui levado a um ambiente onde senti grande calor a dar forças novas ao meu ser. Mais reconfortado, mas ainda ansioso voltei a aguardar o momento em que entraria no templo para completar o processo de iniciação. Segunda parte Ainda na ante-sala do templo pensei em todo o processo por qual havia ali passado até aquele momento. Não há como não perceber toda a força da simbologia presente em cada centímetro, em cada canto do ambiente. Os símbolos são dobras que nos reposicionam, convergindo os elementos constituintes de nosso ser à ordem. Pensei nos questionamentos que fiz quando de minha entrada: “Aquela bela loja maçônica teria a capacidade, como um túnel do espaço-tempo, em mover tanto assim meu centro de percepção? Afinal era apenas uma bela e digna construção! Pelo que sabia pedra e argamassa não possuíam poderes mágicos. Talvez as pessoas que lá estivessem teriam o poder de transmutar mentes? Claro que ajudariam na mudança, mas com certeza não seriam deuses com poderes tão grandiosos a ponto de em tão pouco tempo realizar milagres.” Percebi que a pedra por si só não é mágica, e tão pouco os homens são deuses, mas quando o homem se dobra à força do padrão da natureza e o converte de forma concêntrica em símbolos e quando as pedras se permitem, pela própria natureza que a tudo dá sentido, a se moldarem na forma destes mesmos símbolos, tudo então passa a emanar um poder que provém do mais alto. Sem dúvidas meus pensamentos e sentimentos estavam sendo submetidos às forças emergentes dos símbolos. Sentia-me dobrar e curvar por eles. Sentia-me retorcer e me moldar. Estava com certeza sendo preparado para o ato final. Preparado para a reconstrução. Lembrei de Sócrates que utilizava da ironia para despir de toda a arrogância os visitantes e depois lhes reconstituir o conhecimento passo a passo. A vida mundana nos leva a um estado de acastelamento constante, nos obrigando a criar fortes defesas em relação ao imo. Passamos a olhar o mundo, que aparentemente nos agride, com desprezo e de forma desrespeitosa. Passamos a ser frios e estéreis. Como que nos tornamos sarcásticos e irônicos em relação a tudo que nos cerca. E desta forma acabamos por secar. Por sentir grande vazio em nossa alma. Deixamos de aproveitar o que as pessoas nos podem ensinar. Tudo isto porque fomos agredidos. Senti receio de ser irônico naquele momento. Senti vergonha de minha ironia, de minha prepotência e de meu sarcasmo. Desejei desesperadamente apenas respeitar. Respeitar a tudo e a todos. Olhar o que de bom havia sem perder tempo em criticar o que simplesmente ainda não havia sido construído. Pois é o que geralmente fazemos: Olhamos só para os defeitos; porém os defeitos são simplesmente lacunas a serem preenchidas. Como podemos criticar o vazio? Senti a necessidade desesperada de voltar a respirar o ar da consideração, reatando os elos da fraternidade e permitindo que o fluxo da vida voltasse a seguir por esta ponte salvadora. Se a vida me havia levado a ironia em relação ao que me cercava, estava agora mais do que preparado para a reconstrução de meu ser. Estava pronto a me entregar às forças de mudança. Tudo na existência obedece a padrões e às forças que os representam. Desejava naquele momento me permitir às forças de reconstrução. Queria novamente a ser um com o universo. Enquanto lutava para impor um espírito aberto e de respeito em meu ser, fui gentilmente erguido pelo meu condutor final. Seu aperto de mão firme e sua segurança resoluta em me apoiar foram muito significativos naquela hora. Hora em que sentia toda a falência de meu funesto ser despedaçado pelos cuidados da vida mundana. Recebi de bom grado aquela força amiga e companheira e me ergui resoluto para a luta final. Encararia destemido as provas finais! Que não apenas poderiam me conduzir à irmandade, mas principalmente me conduziria de retorno a harmonia comigo mesmo e com o mundo. Percebi pela sonoridade do ambiente que havia entrado em grande átrio. Fomos anunciados e meus próprios átrios internos começaram a bater com firmeza. As palavras ali pronunciadas por aquele que presidia o solene momento eram firmes e sérias. Obedeciam à ritualística com certeza. Os ritos são símbolos vivos em movimento. Também firmes e sérias as minhas resoluções. Minha simbologia naquele momento ressoava com o ambiente. Sincronia de sentimentos. Simetria de forças. Forças que segundo o dirigente da nobre reunião eram representadas pela terra, pelo ar, pela água e pelo fogo. E que seriam nossos desafios últimos antes de poderem ser julgadas nossas súplicas de ingresso. Desejei como nunca respeitar algo que para meu ser, que como poucas coisa na vida, se fizeram sagradas aos meus sentidos. Queria mostrar que estava a altura de pertencer a tal grupo. Que estava ali, falido pela vida mundana, mas disposto a me permitir reconstruir. Desta forma me entreguei com o coração aos comandos. Respondi com firmeza aos questionamentos. Propus-me de alma aberta à iniciação. Passamos a partir deste momento por várias provas. Provas decisivas. Ápices de grande iceberg. Senti que fomos preparados para isto. Todos aqueles momentos na loja antes do templo constituído foram meticulosamente programados para aquele momento. Momento de percorrermos com segurança os meandros de nossos próprios seres. Por isto a cegueira. Para que a luz interior se fizesse. Para que pudéssemos enxergar nossos pendores, maus e bons e para que escolhêssemos. Ali mais do sermos julgados pelos outros, estávamos sendo julgados por nós mesmos. Estava preparado internamente e também seguro pelas mãos firmes de meu guia. Lancei-me com coragem e com passos firmes. A primeira caminhada à que fui exposto, dentro do templo, me mostrou obstáculos terrenos. Representando as dificuldades que sempre teríamos em nossas vidas. Se no passado titubeamos e nos permitimos às fugas e às defesas asfixiantes, aos enganos e aos tropeços, agora deveríamos enfrentá-las com altivez e determinação, passando por elas sem mágoas e sem por elas nos determos. Aprendendo a cair e a levantar sem ressentimentos. A cada nova caminhada éramos alertados de seu simbolismo e das responsabilidades a que nos candidatávamos. E éramos questionados. E a cada pergunta dávamos por nossa vez a resoluta resposta da vontade de seguir adiante. De se deixar moldar por aquelas forças contidas nos símbolos e ritos. Depois seguimos por uma caminhada onde ficávamos suspensos no ar por breves instantes. Sentimos no ar a mudança. Sentimos a necessidade da entrega confiante. Para a transformação não deveríamos temer o ar. O ar com sua fluidez foi para um filósofo grego, se não em engano Anaximandro, considerado como a origem de tudo. Além do ar, todos os elementos já foram considerados como originadores por diversos filósofos. Pois que são representantes da própria essência primeira. Após se permitir a força do ar, ainda fizemos mais algumas jornadas. Cada uma delas devassando as trevas e abrindo caminho para o retorno às luzes. Lembrei-me novamente do canal de parto e de suas forças constritoras a nos empurrar para a luz. Cada caminhada representava uma contração uterina a que precisávamos nos submeter para o renascimento. Seguimos então adiante e permitimos que nossas mãos fossem lavadas pela água. Sentimos nossa alma sendo renovada por aquela força de recomeço, de pureza e de limpeza que tanto precisávamos. Para adentrar em um reino precisamos estar limpos de impurezas. Limpo de preconceitos e de reservas. Limpos de nossas vergonhas. A água nos fez sentir o olhar solidário dos irmãos, como a perceber que precisávamos nos purificar para estar ali de fronte erguida. Pela água misericordiosa e por tudo o mais juramos; juramos com a dor de nossos joelhos como testemunha, de que gostaríamos de penetrar aquele reino. Fomos então confrontados com o fogo da verdade e estendemos nossas mãos a ele em sinal de que estávamos ali em sinceridade plena de nosso ser. Que o fogo queimasse nossas impurezas! Livre e voluntariamente também bebemos do doce, mostrando que seríamos sóbrios com a bonança, e depois sorvemos o amargo para demonstrar que não deixaríamos de aceitar as dificuldades e que as enfrentaríamos sem receio. Novamente juramos e juramos. Sempre com sinceridade e com ardor. Fomos conduzidos a uma sala onde pudemos, sem as vendas, olhar para o traidor. Quando traímos alguém traímos primeiro a nós mesmos. Deixamos de ser sinceros e perecemos na incoerência. Sem coerência não temos coesão e não temos integridade do ser. Se não somos íntegros nos despedaçamos na inexistência que por sua vez descortina o abismo do grande vazio. Juramos e juramos. Desta vez não juramos pelos irmãos encapuzados com espadas ameaçadoras. De fato não os tememos naquele momento. Temíamos sim a nós mesmos. Juramos para que pudéssemos ter sentido nossa vida. Para que pudéssemos permanecer vivos para sempre e não mortos em vida como o irmão no caixão. Percebemos que as ferramentas que dispúnhamos dentro de nossos seres nos ajudaram naqueles momentos, e eram os verdadeiros tesouros que possuíamos. Percebemos que os sentimentos e pensamentos superiores eram a fonte da vida eterna. Neste momento fomos novamente vestidos por inteiro e recebemos de retorno alguns objetos de pertence pessoal. De fato não mais sentíamos falta deles naquele momento. Possuíamos tudo o que precisávamos dentro de nós mesmos. Necessitávamos apenas confiança da importância das virtudes em nossas vidas. Entendemos por fim a mensagem, de que poderíamos manipulá-las de forma a se tornarem mais presentes em nossas vidas. Através da simbologia e do rito. Por fim após esta grande jornada simbólica fomos premiados com o renascimento. Com a luz no final do túnel. Com a luz no final do canal de parto. Pudemos então sorver a atmosfera presente e encher de vida nossos pulmões emocionais antes fechados. Atmosfera composta pelo sentimento dos bravos irmãos que ali estavam a nos receber com suas espadas, transmitindo suas energias positivas e seus votos de fraternidade. Finalmente sentíamos novamente em casa. Sabe aquela sensação de retorno ao lar? Sim, de fato me sentia plenamente acolhido e de retorno ao lar. Após o término da reunião recebemos as calorosas boas vindas de toda a nova família. De familiares já amados e de familiares que com certeza aprenderia a amar. E quando por último saí da loja, embora o breu da noite pude ver com clareza a nova vida que me aguardava. Meu padrinho tinha razão... 3 – A Corda de 81 Nós Ir Nicola Aslan O Ir Nicola Aslan é um dos mais eruditos entre os escritores maçônicos brasileiros. Brasileiro sim, pois, apesar de ter nascido na Grécia e conservado a nacionalidade italiana de seus pais, chegou ao Brasil com 23 anos de idade, tendo falecido aos 74 anos, meio século, portanto, de um período de vida laboriosa e produtiva neste país, onde educou seus filhos e conheceu os netos . Aos 50 anos de idade entrou para a Maçonaria. Em 24 anos de intensa atividade dentro da Ordem, deixou vários livros publicados. Percorreu várias Lojas fazendo conferências, pronunciando palestras, recebendo vários títulos honoríficos e diplomas, tendo ocupado a cadeira nº 6 da Academia Maçônica de Letras, no Rio de Janeiro, da qual foi também fundador. Ocupou vários cargos importantes nas administrações das Lojas a que pertenceu, bem como na Alta Administração da Obediência, em funções ligadas à cultura e ao ensino (Ir. João Fernando Moreira) Corda com Nós tem ligação direta com a Orla Dentada, o Pavimento Mosaico, a Cadeia de União e as Romãs, colocadas no topo das colunas B e J. Todos eles são símbolos equivalentes que a Corda com Nós sintetiza e complementa. Eis o significado desses símbolos na interpretação do exegeta Plantagenet: “Cada um desses símbolos nos lembra que todos os Maçons, espalhados na superfície do globo, formam, entre eles, uma única família de Irmãos. Conviria, entretanto, ressaltar que essa fraternidade não implica uma necessária identidade entre os inúmeros elos da cadeia. É o que faz o Pavimento Mosaico que – segundo os velhos rituais – tem por significado a união estreita reinante entre os IIrMM, ligados entre si pela verdade” (Edouard E. Plantagenet – “Causeries Initiatiques pour le Travail en Loge d’Apprentis”, p.140). A Corda de 81 Nós percorre o friso do Templo da Loja, formando, de distância em distância, nós, chamados “laços de amor”. Fazem-se formando um anel (fêmea) no qual é introduzida a extremidade (macho) da corda. Trata-se de um dos símbolos mais antigos da humanidade. “Esquematicamente, esse símbolo figura a lemniscata, curva em formato de oito deitado que representa o infinito em matemática; osentido da corrente volta após uma dupla inversão ao seu sentido primitivo, e a figura central ou laço perfaz uma cruz dupla. Esse nónão foi escolhido arbitrariamente, por certo, entre todas as formaspossíveis de nós.” (Jules Boucher – “La Symbolique Maçonnique”, p. 172.) As extremidades da Corda têm uma borla e alcançam, respectivamente, as duas colunas. Outras vezes, pendem nos quatro pontos extremos da Loja e lembram quatro Virtudes: Temperança, Justiça, Coragem e Prudência. Segundo Leadbeater, as borlas podem, também, representar os quatro elementos: terra, água, ar e fogo. O mais certo, todavia, seria representar, nos Painéis, somente a “Corda com Nós”, sem a Orla Dentada. Três “laços de amor” no grau de Aprendiz e cinco no grau de Companheiro, relembrando a idade simbólica desses graus. “Deve-se notar que o laço de amor é um atributo assim definido em heráldica: cordão entrelaçado cujas pontas atravessam o centro, saindo por baixo à destra e à sinistra”. O cordão de seda preta e branca, com que as viúvas circundam o seu escudo, é feito de laços de amor; da mesma forma, os brasões dos cardeais, dos bispos e dos abades comportam, por baixo de um chapéu, o cordel formado por laços de amor e terminado por borlas.” (Jules Boucher – “La Symbolique Maçonnique”, pp. 172 e 173.) É de se notar, porém, que o número de borlas é proporcional à dignidade. Esses nós simbólicos figuram, também, no cordel dos franciscanos e dos capuchinhos, relembrando três votos: Castidade, Pobreza e Obediência. Segundo Octaviano de Menezes Bastos, a Corda com Nós significa União e tem o mesmo significado da Cadeia de União. A Corda com 81 Nós deve ser, evidentemente, um símbolo maçônico relativamente moderno e, portanto, desconhecido nos primórdios da Maçonaria Especulativa. Deve datar, como tantos outros, da segunda metade do século XVIII e ser originário da França. Em princípios desse século, os Maçons reuniam-se em tavernas ou cervejarias, onde realizavam as sessões maçônicas. Dava-se ao local designado um caráter particular, ainda que passageiro. Qualquer local podia ser transformado em Loja. Terminados os trabalhos, todos os traços da sessão maçônica eram apagados. “Traçou-se, de início, sobre o solo, com giz, um paralelogramo, dentro do qual todos os assistentes tomavam lugar. Figurou-se, a seguir, no meio desse paralelogramo, um quadriláteromenor, em volta do qual se alinhavam os Irmãos; dentro dele, os instrumentos de arquitetura eram traçados sobre a areia ou desenhados com giz no soalho. As figuras traçadas dentro do pequeno paralelogramo representavam duas colunas, B\e J\, que se erigiam, outrora, no vestíbulo do Templo de Salomão, o Pavimento Mosaico, a Orla Dentada, o Esquadro, a Régua, o Compasso, o Prumo, a Prancheta, a Estrela Flamejante, etc. Supunha-se que a Loja possuía três janelas: uma no leste, uma no sul e uma no oeste. Era iluminado por três velas colocadas sobre altos candelabros. O Mestre da Loja estava sentado no Oriente sobre uma poltrona, atrás de uma mesa sobre a qual estavam colocados uma Bíblia e o Malhete, do qual se servia para bater, sobre a mesa, as pancadas regulamentares. Os Irmãos alinhavam-se sobre duas “colunas” ao longo do tapete: os Aprendizes do lado de J\, os Companheiros do lado de B\. Na extremidade das duas fileiras, fazendo face ao Mestre, estavam colocados os dois Vigilantes.” (R. Le Forestier – “L’Occultisme et La Franc-Maçonnerie Ècossaise”; p. 152.)” Esses fatos são confirmados por Leadbeater: “Diz-se-nos que, no começo do século dezoito, marcavam-se, no solo, com giz, os símbolos da Ordem, e esse diagrama era circundado por uma corda pesada, ornamentada de borlas; era, por isso, chamada “borla dentada”, posteriormente, corrompida em “borda marchetada”. Os franceses a chamam “la houppe dentelée” e a descreveram como sendo “uma corda com lindos nós que rodeia o quadro de traçar” (C. W. Leadbeater – “A Vida Oculta na Maçonaria” p. 69). O pequeno paralelogramo, traçado no chão da sala onde se reunia a Loja, foi, posteriormente, substituído por um tapete pintado, sobre o qual eram desenhados os símbolos do Aprendiz e do Companheiro, desenrolado por ocasião das reuniões. Vimos um tapete semelhante na Loja Concórdia et Humanitas, do Rito de Schröeder, da Grande Loja da Guanabara. O tapete foi, por sua vez, substituído pelo painel das Lojas. Nesse painel, no grau de Aprendiz, existia uma corda com três “laços de amor”, que subiam a cinco no grau de Companheiro, circundando o painel. Essas cordas com “laços de amor” eram desenhadas primitivamente no pequeno paralelogramo, traçado no chão com giz, e circundavam o painel que continha os símbolos dos graus de Aprendiz e Companheiro: “Pode-se, portanto, razoavelmente, pensar que os primeiros Maçons especulativos, tendo substituído o “cordel” operativo por um cordão ornamental, deram, muito naturalmente, a esse cordão nós, figurando, nos brasões, o Painel ou Tapete da Loja, que enfeixa os símbolos essenciais da Maçonaria; pode ser considerado como o Armorial Maçônico” (Jules Boucher – “La Symbolique Maçonnique”, p. 173). ? 4 – Destaques JB O tempo passa, o tempo voa Prestou bem atenção na abertura do primeiro bloco (Almanaque)? Faltam 64 dias para terminar o ano. Argh.................. Quase deu samba do crioulo doido Nos “Destaques JB” de ontem sobre “Trono ou Sólio?” um mal entendido no tocante a esse tema. O texto é apócrifo e o Mano Pedro não é autor dessa aleivosia contra a Maçonaria. Republico, abaixo, a resposta do Ir. Juk na edição nr. 405, em que rechaça o texto: “RESPOSTA: 01 – Realmente, trono e sólio como substantivos são a mesma coisa. Não vejo qualquer razão para o escritor apócrifo do texto fazer tanto alarde, salvo uma pretensa preparação de terreno para expor certas ilações no mínimo tendenciosas e esdrúxulas. 02 – “O uso da palavra SÓLIO, como mobiliário de uma Loja Maçônica é corretíssimo, pois quer disser “assento do Rei”, “Trono” se levarmos em consideração que fazemos analogia entre a Loja Maçônica e o Templo de Salomão, nada mais plausível que chamemos a cadeira do Venerável Mestre de Trono de Salomão ou se quiserem Sólio de Salomão.” - Primeiro o Templo não era do Salomão, mais de Jerusalém. Salomão deveria possuir um palácio. Segundo, uma Loja maçônica não pode ser considerada como arquétipo do Templo de Jerusalém. Na exposição lendária são tomadas dele partes como alegoria moral, além de conceitos doutrinários que constituem um teatro moldado na fábula da construção e destruição do Templo conexo à Palavra perdida, todavia isso é mera conjectura e não fatos comprovados pela história acadêmica. A lenda do Terceiro Grau foi constituída com a finalidade de despertar lições de moral e sociologia, estando muito longe de se imaginar maçons construindo o Templo, muito menos sentados em certos “Tronos”. Essa “estória” de Trono, Cadeira, Sólio de Salomão pautada ao assento do Venerável é mera filigrana e copiada de arcaicas considerações inglesas do passado (Harry Carr já se referia a isso quando citava alguns trechos das Lições Prestonianas). A alusão está na presumida sabedoria do Rei, entretanto querer comparar o Venerável Mestre, ou o Mestre da Loja e o seu assento com o Rei Salomão e seu trono é querer subjugar a inteligência dos outros. Melhor mesmo seria comparar o sólio ao lugar da Sabedoria daquele que dirige um canteiro que constrói especulativamente um novo Homem para que seja ele parte integrante de uma sociedade justa e fraterna. 03 – “O mais famoso dos sólios é o sólio estelífero que enfeita o teto de nossas Lojas e talvez o mais poderoso seja o Sólio Pontifício que é a Cadeira de São Pedro (não se usa o termo Trono de São Pedro)”. – Sólio estelífero. Essa, pelo tamanho da bobagem, dispensa qualquer comentário. Agora, quanto ao sólio poderoso do Vaticano (Cadeira de São Pedro), pergunta-se: O que tem a Maçonaria a ver com isso? Ou será que o nosso articulista está querendo comparar a Basílica com uma Loja Maçônica tendo São Pedro como Venerável? Essa também é de cansar a inteligência. 04 – “Conte os degraus que elevam o Sólio Pontifício, de onde o Papa celebra as missas, irá encontrar 7 degraus. Não são 4 mais 3, são 7 degraus diretos, mesmo assim lembram alguma coisa!” - O que lembram eu não sei, todavia gostaria de esclarecer ao nosso articulista, já que ele menciona o Rito Escocês Antigo e Aceito e tenta relacionar os degraus da Loja ao Sólio Pontifício, que uma verdadeira Loja escocesa, além de ser de cor encarnada se sobe ao Oriente por apenas um degrau e não quatro, enquanto que ao Sólio se faz por três degraus. Agora, quererem se somar degraus além da conta para se chegar a sete é mero exercício de imaginação. É bem verdade que existem muitos rituais ditos escoceses espalhados pelo Brasil que preceituam erradamente o acesso ao Oriente por quatro degraus. Esclarecendo: Em linhas gerais nas Lojas escocesas sobe-se ao Oriente por um degrau, ao Sólio por três, à mesa do Primeiro Vigilante por dois e a do Segundo Vigilante por apenas um degrau. Se o nosso articulista quiser, fazendo uma ginástica imaginativa (isso me parece notório) ele até chega com o resultado da soma aos “sete degraus”, porém, daí ao Sólio Pontifício é de pulular os miolos. 05 – “O Trono de Salomão era grande, todo em marfim finamente trabalhado e coberto de ouro puríssimo, o espaldar do trono ao alto era redondo; de ambos os lados tinha braços junto ao assento, e dois leões junto aos braços. Também havia doze leões um em cada extremidade lateral dos degraus. Nunca houve um trono tão bonito em nenhum outro reino. O Trono ficava sobre um estrado de seis degraus (Liv. dos Reis)”. – Primeiro é preciso esclarecer que as citações bíblicas são muitas vezes figuradas e até mesmo exageradas, já que o intuito era o de dar majestade e esplendor ao fato, entretanto, não pode ser tomada ao pé da letra como conclusão acadêmica da história. Segundo, os seis degraus; Espero que isso não tenha nenhum caráter sugestivo por parte do autor da lauda acima transcrita no sentido de comparar o Sólio ocupado pelo Venerável ao luxuoso Trono do Rei que segundo a Bíblia ficava sobre um estrado de seis degraus!!! 06 – “Se o Sólio de Salomão ficava no alto de 6 degraus, por que o do Venerável fica no alto de 7 degraus? Faça uma pesquisa e quando ela estiver pronta, leve para sua Loja enriquecendo seu Quarto de Hora de Estudos”. – O duro mesmo é enriquecer o quarto de hora de estudos com essa baboseira toda. Mais uma vez querer se estabelecer um paralelo entre o Sólio da Loja e o Trono carece de muita imaginação. É bom lembrar ao articulista proponente que o Trono não é do Venerável, é da Loja, já que seu cargo é transitório e ao seu final ele não leva a cadeira para casa. Da mesma forma, se com muito esforço se quiser comparar uma Loja Maçônica que nada mais é do que um canteiro especulativo de obras, com o Templo de Jerusalém, é bom lembrar que no Santo dos Santos, recinto maior em importância religiosa no tabernáculo, tradicionalmente só entrava o Cohen Gadol (Sumo Sacerdote) uma vez por ano no dia da Expiação (Rosh Ashna - literalmente cabeça do ano) para ter com “IAVE” (nome impronunciável de “Deus” na tradição hebraica – Aquele que É, que Foi e que Será). Essa data está relacionada ao início do ano civil hebraico no mês de Tishrei, ponto de Libra, equinócio ou início do outono no hemisfério Norte. Não consta que o Rei tivesse um Trono no Santo dos Santos, todavia seria mais plausível no seu palácio. 07 - “Lembre-se independente do Grau ou de Cargos somos responsáveis pela qualidade das Sessões Maçônicas”. – Muito bem lembrado, porém difícil é se ter responsabilidade ao se auferir induções dessa natureza para se preencher um tempo de estudo. Já que o assunto é o Templo, bem melhor seria pesquisar as suas tradições no arcabouço doutrinário maçônico e a sua relação com as corporações de ofício do passado medieval; Quando surgiu o primeiro Templo Maçônico e a sua disposição topográfica relacionada ao Parlamento Britânico; A influência da igreja na Maçonaria; As Associações Monásticas e as Confrarias Leigas; O período Operativo e o Especulativo; O Século das Luzes e a Maçonaria na França; A Moderna Maçonaria; As origens do escocesismo, etc., isso só para ficar no campo da História. Salvo se o articulista proponente possua documentação primária confiável concernente à pesquisa sobre o tema, não vejo nessa proposta nada com capacidade de enriquecer os nossos conhecimentos. Opa!!! Agora me ocorreu uma dúvida! Cheguei a sete considerações! Seriam elas sete ou seis? Preciso pesquisar!!! Desculpe a brincadeira, mas ninguém é de ferro. Tento exercitar a virtude da tolerância, todavia não consigo ser indulgente. O sério historiador sabe quanto custa pesquisar. Juntar velhos documentos, cheirar poeira nos arquivos, passar madrugadas tentando compor um mosaico histórico com fragmentos, antigas constituições, etc. Isso para não se falar das sonegações de informação e outras coisas mais. De repente, aparecem certos “luminares” que “acham”, supõe e escrevem verdadeiras “abobrinhas” e as espalham aos quatro ventos. Desabafando, devo dizer que infelizmente bons pesquisadores compromissados com a verdade ainda são poucos, enquanto que inventores imaginosos se propagam com ervas daninhas. É bem verdade que a evolução da ciência nos trouxe o correio eletrônico, comumente conhecido como “E-mails”. Se esse é um avanço inquestionável, ao mesmo tempo também é um repositório de certas... (prefiro não escrever). Vou encerrar parafraseando o saudoso Irmão e amigo Castellani – “Se só existe no Brasil e não é jabuticaba, ou é besteira ou é privilégio de alguns”. “Los Hermanos” chegaram Os Irmãos paraguaios da Loja Unión Y Progresso nr. 9 de Encarnación chegaram a Florianópolis nesta quinta-feira, para o 5º. Encontro de Confraternização e do 1º. Encontro Internacional de Cultura Maçônica, com programação a ser cumprida até o final de semana. Ao todo são 21 Irmãos que desfrutaram uma agradável tarde ensolarada de praia O JB News esteve presente na recepção do Marina`s Palace Hotel e do almoço de confraternização, com os seguintes registros: A programação prossegue nesta sexta-feira e sábado: Programação 5º Encontro de Confraternização e 1º encontro de Cultura Maçonica das Lojas Alferes Dia 28/10/2011 (Sexta-feira): Programação Social e Especial:l: Passeio à Ilha de Anhatomitim (barco exclusivo para a Loja Alferes Tiradentes); 08h00 - saída do trapiche de Canasvieiras; 12h00 - almoço em Governador Celso Ramos; 15h00 - chegada de retorno do passeio; Das 20h00 às 21h30min. : Palestra com o tema: "Jerusalém, minha viagem, minha visão" Palestrante: Ir.·. Almir El Haje. Das 21h30min. às 24h00: Jantar de confraternização. Local: Associação da CIDASC, Rodovia Admar Gonzaga, 1588, Itacorubi; Traje: esporte chic. 1º Encontro Internacional de Cultura Maçônica – ACADEPOOL (Canasvieiras) Das 14h00 às 15h00: Palestra: "História da Maçonaria em Santa Catarina": Palestrante: Ir.·. Sigfrido Maus (ARLS.·. Alferes Tiradentes nº 20); Das 15h00 às 16h00: Palestra: "História de la Masoneria en Paraguay y Encarnación"; Palestrante: H.·. Carlos Aguero (ARLS.·. Unión y Progreso nº 9); Das 16h00 às 16h30min.: Intervalo para o café; Das 16h30min. às 17h30min.: Palestra: "Rito Escocês Antigo e Aceito"; Palestrante: Ir.·. Eleutério Nicolau da Conceição (ARLS.·. Alferes Tiradentes nº 20); Das 17h30min às 18h30min.: Palestra: "El Rito Escoces Antiguo y Aceptado en el Paraguay"; Palestrante: H.·. Isabelino Ruiz Diaz (ARLS.·. Unión y Progreso nº 9); Das 18h30min. às 19h00 - Debates. A partir das 20h00 - jantar de confraternização na Associação dos Funcionários do DEINFRA, em Cacupé: Churrasco (picanha, contra filé, maminha, sobrecoxa de frango e linguiça). Encerramento: às 23h00. Traje: Esporte chic. Veja mais fotos da chegada dos irmãos paraguaios e do primeiro almoço de confraternização acessando o link picasa. Se surgirem três faixas de segurança, clique na do meio para abrir as fotos. https://picasaweb.google.com/111861652713235439847/LojaAlferesTiradentes5oEncontroE1oEncomntroInterna cionalDeCuLturaMaconica271011?authkey=Gv1sRgCKKI-67orsib_QE# Missa de Sétimo Dia A família do Sereníssimo Irmão José Domingos Rodrigues agradece as manifestações de solidariedade e pêsames por seu falecimento, e convida parentes e amigos para a Missa de Sétimo Dia, a ser celebrada às 18 horas do dia 29.10.2011(sábado), na Capela do Divino Espírito Santo, na Praça Getúlio Vargas(Praça dos Bombeiros), nº 212 Florianópolis SC. (Informação do Ir. Édio Coan) Agora, silêncio, por favor, eu estou ouvindo a www.radiosintonia33.com.br Rádio Sintonia 33 e JB News. Uma dobradinha incrível. Rede Catarinense de Informações Maçônicas Como estamos na "Era Digital", foi necessário rever os velhos ditados existentes e adaptá-los à nova realidade. 1. A pressa é inimiga da conexão. 2. Amigos, amigos, senhas à parte. 3. A arquivo dado não se olha o formato. 4. Diga-me que chat frequentas e te direi quem és. 5. Para bom provedor uma senha basta. 6. Não adianta chorar sobre arquivo deletado. 7. Em briga de namorados virtuais não se mete o mouse. 8. Hacker que ladra, não morde. 9. Mais vale um arquivo no HD do que dois baixando. 10. Mouse sujo se limpa em casa. 11. Melhor prevenir do que formatar. 12. Quando um não quer, dois não teclam. 13. Quem clica seus males multiplica. 14. Quem com vírus infecta, com vírus será infectado. 15. Quem envia o que quer, recebe o que não quer... 16. Quem não tem banda larga, caça com modem. 17. Quem semeia e-mails, colhe spams. 18. Quem tem dedo vai a Roma.com 19. Vão-se os arquivos, ficam os back-ups. 20. Diga-me que computador tens e dir-te-ei quem és. 21. Uma impressora disse para outra: - Essa folha é sua ou é impressão minha. 22. Aluno de informática não cola, faz backup. 23. Na informática nada se perde nada se cria. Tudo se copia... e depois se cola. Encontro de 2010 em Florianópolis entre as Lojas Alferes Tiradentes e lojas paraguaia e argentinas.