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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS AMBIENTAIS E TECNOLÓGICAS
CURSO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA
CLECIANO REBOUÇAS DA SILVA
ESPAÇOS LIVRES URBANOS: ESTUDO DAS PRINCIPAIS PRAÇAS
LOCALIZADAS NO CENTRO DA CIDADE DE MOSSORÓ/RN
MOSSORÓ-RN
2011
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CLECIANO REBOUÇAS DA SILVA
ESPAÇOS LIVRES URBANOS: ESTUDO DAS PRINCIPAIS PRAÇAS
LOCALIZADAS NO CENTRO DA CIDADE DE MOSSORÓ/RN
Monografia apresentada à Universidade Federal
Rural do Semi-Árido – UFERSA, Departamento
de Ciências Ambientais e Tecnológicas para a
obtenção do título de Bacharel em Ciência e
Tecnologia.
Orientador: Prof. Dr. Sc. Marco Antônio Diodato
– UFERSA.
MOSSORÓ-RN
2011
2
Ficha catalográfica preparada pelo setor de classificação e
catalogação da Biblioteca “Orlando Teixeira” da UFERSA
S586e Silva, Cleciano Rebouças da.
Espaços livres urbanos: Estudo das principais praças
localizadas no centro da cidade de Mossoró - RN. / Cleciano
Rebouças da Silva. -- Mossoró, 2011.
44f. il.
Monografia (Graduação em Bacharelado em Ciência e
Tecnologia) – Universidade Federal Rural do Semi-Árido.
Orientador: Prof°. Dr. Sc. Marco Antônio Diodato.
1. Praças - Estudo e história. 2. Praças – Espaços livre
público. 3. Praças – Evolução e uso. I.Título.
CDD: 711
Bibliotecária: Marilene Santos de Araújo
CRB5 1013
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CLECIANO REBOUÇAS DA SILVA
ESPAÇOS LIVRES URBANOS: ESTUDO DAS PRINCIPAIS PRAÇAS
LOCALIZADAS NO CENTRO DA CIDADE DE MOSSORÓ/RN
Monografia apresentada à Universidade Federal
Rural do Semi-Árido – UFERSA, Departamento
de Ciências Ambientais, para a obtenção do
título de Bacharel em Ciência e Tecnologia.
APROVADO EM: 07/07/2011
BANCA EXAMINADORA
________________________
Prof. Dr. Sc. Marco A. Diodato – UFERSA
Presidente
__________________________
Claudia R. Tavares – UERN
Primeiro Membro
_________________________
Roberto C. G. Ragagnin – UERN
Segundo Membro
4
AGRADECIMENTOS
Primeiramente, agradeço ao meu Senhor e Salvador Jesus Cristo, – Razão maior de
minha existência e é através dele que consigo todas as coisas.
Aos meus pais, familiares e amigos que estiveram sempre me apoiando e me
incentivando em todas as minhas escolhas, e nos momentos mais difíceis de minha vida.
Ao meu orientador – Dr. Marco Antônio Diodato – pela paciência e amizade que foi
muito importante durante todo o trabalho.
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RESUMO
Entre as propriedades de caráter público, os espaços livres urbanos representam locais de
convívio e entretenimento que corroboram para a formação e agregação da sociedade em
geral; constituindo em ambientes importantes para diversas manifestações. Particularmente
em regiões centrais, as praças reúnem características históricas, configurando assim como um
referencial na paisagem urbana. Através deste trabalho, é apresentada uma avaliação (do
ponto de vista histórico-social) das principais praças localizadas no centro de Mossoró/RN. A
coleta de dados envolveu uma análise prévia, pesquisa bibliográfica, análise histórica, social,
aplicação de questionário, etc. A utilização de cada espaço livre dá-se de diferentes formas,
dependendo dos recursos e/ou características que tais praças apresentam. A Praça da
Independência tem dentre suas características, a do comércio informal na qual contribui para
o fluxo de pessoas e utilização da praça. Já a Praça da Redenção apresenta uma marca
histórica muito honrosa. Além disso, por situar-se bem próximo de uma escola e da biblioteca
municipal tem os estudantes como seus principais frequentadores. Outro espaço livre que
possui grande marco histórico é a Praça Rodolfo Fernandes; porém, com o passar do tempo,
este espaço livre perdeu parte de seu referencial afetando no seu modo de utilização. Em
contrapartida, a Praça Vigário Antônio Joaquim por está situada próximo a um templo
católico, se inclui também no celeiro dos principais pontos históricos de Mossoró/RN tendo,
dentre suas características a aglomeração de pessoas nos eventos de fim de ano,
principalmente pela intensa movimentação da multidão devido o comércio existente em suas
imediações.
Palavras-chave: Praças – estudo e história, Praças – espaços livres públicos, Praças – evolução
e uso.
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ABSTRACT
Of the properties of a public character, free spaces represent urban conviviality and
entertainment sites that support for the formation and aggregation of society in General;
constitute important environments for various manifestations. Particularly in the central
regions, the squares together historical features, configuring as a benchmark in the urban
landscape. Through this work, you receive an evaluation (historically-social) of the main
plazas located in Mossoró/RN. Data collection involved a prior analysis, bibliographical,
historical analysis, social application questionnaire, etc. The use of each space gives it in
different ways, depending on the features and/or characteristics that such square. The
independence square has among its characteristics, the informal trade in which contributes to
the flow of people and use of the square. Since the square of redemption presents a historical
mark very honorable. In addition, located near a school and municipal library has students as
its main regulars. Another free space that has great landmark is square Rodolfo Fernandes;
however, over time, this free space lost part of its referential affecting in its manner of use. In
contrast, the Vicar Antonio Joaquim by lies near a Catholic Temple also includes in the barn
of the main sights of Mossoró/RN having among its characteristics the agglomeration of
people in the events of the end of the year, mainly by the intense movement of crowds
because of the existing trade in their vicinity.
Keywords: squares – study and history, public Squares – free spaces, Squares – evolution and
usage.
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LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Rio - Praça XV - 1906. A bela e urbanizada Praça XV de Novembro ......... 17
Figura 2 - Mossoró em 1772 ....................................................................................... 19
Figura 3 - Localização de Mossoró/RN ........................................................................ 20
Figura 4 - Mapa do Rio grande do Norte localizando a cidade de Mossoró ................ 20
Figura 5 - Praça da Redenção – Estátua da liberdade .................................................. 27
Figura 6 - Praça da Independência 2011 ..................................................................... 28
Figura 7 - Comércio informal – Característica marcante da Praça da Independência.. 28
Figura 8 - Praça da Redenção – 2011 .......................................................................... 31
Figura 9 - Praça Rodolfo Fernandes – 1937 ................................................................ 34
Figura 10 - Praça Rodolfo Fernandes em 2011 ........................................................... 35
Figura 11 - Praça Vigário Antônio Joaquim no ano de 1949 ...................................... 38
Figura 12 - Praça Vigário Antônio Joaquim em 2011 ................................................. 38
8
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 - Evolução da população Mossoroense ......................................................... 21
Gráfico 2 - Relação populacional da cidade de Mossoró/RN ........................................ 21
Gráfico 3 - Praça da Independência – Idade dos frequentadores. ................................. 29
Gráfico 4 - Praça da Independência – Renda salarial média mensal ............................. 29
Gráfico 5 - Praça da Redenção – Idade dos frequentadores ......................................... 32
Gráfico 6 - Praça da Redenção – Renda salarial média mensal ................................... 32
Gráfico 7 - Praça Rodolfo Fernandes – Idade dos frequentadores ................................ 37
Gráfico 8 - Praça Rodolfo Fernandes – Renda Salarial média mensal .......................... 37
Gráfico 9 - Praça Vigário Antônio Joaquim – Idade dos frequentadores ...................... 40
Gráfico 10 - Praça Vigário Antônio Joaquim – Renda Salarial média mensal ............. 40
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SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 10
2 OBJETIVOS .............................................................................................................. 12
2.1. GERAL .................................................................................................................... 12
2.2. ESPECÍFICOS ........................................................................................................ 12
3 REFERENCIAL TEÓRICO .................................................................................... 13
3.1. CIDADE E URBANISMO ...................................................................................... 13
3.2. CRESCIMENTO POPULACIONAL E PAISAGEM URBANÍSTICA................. 14
3.3. ESPAÇO LIVRE PÚBLICO ................................................................................... 15
3.4. PRAÇAS.................................................................................................................. 16
3.4.1. Significação essencial.......................................................................................... 16
3.4.2. Praças na história ............................................................................................... 17
3.5. A CIDADE DE MOSSORÓ E SUAS PRAÇAS .................................................... 18
3.5.1. Processo de formação ........................................................................................ 18
3.5.2. Localização geográfica ...................................................................................... 20
3.5.3. As praças mossoroenses .................................................................................... 22
4 PROCEDIMENTO METODOLÓGICO ................................................................ 24
4.1. SELECIONAMENTO DAS PRAÇAS ................................................................... 24
4.2. PESQUISA BIBLIOGRÁFICA .............................................................................. 25
4.3. COLETA DE DADOS ............................................................................................ 26
5 RESULTADOS E DISCUSSÕES ............................................................................ 27
5.1. PRAÇA DA INDEPENDÊNCIA ............................................................................ 28
5.2. PRAÇA DA REDENÇÃO ...................................................................................... 31
5.3. PRAÇA RODOLFO FERNANDES ....................................................................... 34
5.4. PRAÇA VIGÁRIO ANTÔNIO JOAQUIM ............................................................ 38
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 42
REFERÊNCIAS ........................................................................................................... 43
APÊNDICE
ANEXO
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1 INTRODUÇÃO
O número de habitantes nas cidades urbanizadas vem crescendo ao longo dos anos
através do desenvolvimento da industrialização e a crescente oferta e demanda de empregos
nestes grandes centros.
Com isso, ocorre um movimento de transição dos centros rurais para os urbanos e as
implicações deste êxodo rural podem ser observadas na crescente população periférica, na
mistura de culturas e etnias, no crescimento acentuado da demanda, da oferta de empregos e
conseqüentemente o aumento do trabalho informal além dos diversos impactos ambientais
afetando assim no modo e/ou qualidade de vida das pessoas.
Os moradores dos centros urbanos estão a cada vez mais firmados nos avanços
tecnológicos de tal maneira que acabam não valorizando a vida social da cidade, não
conhecendo os lugares de lazer, contribuindo com a diminuição das relações sociais entre as
pessoas e as respectivas utilizações dos bens públicos.
Dentre as propriedades de caráter público, as praças são áreas importantes para o
equilíbrio das cidades, pois representam locais de convívio social e de encontro com a
natureza, que contribuem para a formação e agregação da sociedade se constituindo em
ambientes importantes para manifestações culturais, sociais e políticas. Trata-se de espaços
destinados a abrigar festividades, encontros, atividades de troca, sendo um lugar de fácil
acesso para a sociedade realizar as mais variadas funções, em que se pode ver e ser visto,
comprar e fazer negócio, dentre outras.
Entre seus espaços livres, a cidade de Mossoró/RN, possui em sua região central
(centro da cidade) um total de dezesseis praças: Praça Bento Praxedes, Praça de eventos,
Praça Dix Neuf Rosado, Praça da Convivência, Praça Felipe Guerra, Praça Getúlio Vargas,
Praça Rodolfo Fernandes, Praça Vigário Antônio Joaquim, Praça da Redenção, Praça
Almeida Castro, Praça da Independência, Praça Miguel Faustino, Praça Antônio Gomes,
Praça Coração de Jesus, Praça Mossoroense e a Praça da Criança.
O zelo com as praças da cidade, principalmente as de maior visibilidade, tem sido uma
preocupação constante dos administradores mossoroenses, com o passar do tempo. Nos
últimos anos, a criação e, principalmente, a manutenção de espaços destinados ao lazer,
constitui uma das principais atividades da gestão atual, (ver Anexo), fazendo parte dos
projetos e programa urbanísticos das administrações municipais, chegando ao ponto da cidade
ser chamada por alguns críticos de “a cidade das praças”.
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Porém, mesmo com o apoio político – principalmente na parte financeira –, as praças
da cidade de Mossoró (bem como as de tantos outros grandes centros) estão deixando de ter
uma função primária de lazer coletivo.
Dentre os fatores influenciadores estão: Surgimento de shopping Center, mudança e
consequente perda do referencial histórico e cultural das praças, outros meios de descontração
(lazer e divertimento), dentre outros.
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2 OBJETIVOS
2.1. GERAL
Esse trabalho visa pesquisar e analisar os principais espaços livres urbanos (as praças)
localizados na região central (centro) da cidade de Mossoró/RN, através do perfil social dos
seus freqüentadores e da percepção que eles têm sobre estes espaços.
2.2. ESPECÍFICOS
Levantar um breve histórico da origem das praças estudadas e a evolução dos usos ao
longo do tempo;
Elaborar um questionário semi-fechado;
Avaliar o perfil social dos freqüentadores das praças em estudo;
Analisar a percepção dos frequentadores através das respostas obtidas por entrevistas;
Diagnosticar a situação geral das praças, utilização por parte da população, dentre
outros.
13
3 REFERENCIAL TEÓRICO
3.1. CIDADE E URBANISMO
Na década de noventa, como resultado do IV Congresso Internacional de Arquitetura
Moderna (CIAM), realizado em Atenas, foi publicado um documento chamado de carta de
Atenas, mundialmente divulgado, na qual define a cidade como uma unidade funcional, ou
seja, um espaço destinado ao exercício de quatro funções-chaves: Habitação, trabalho,
recreação e circulação (DIAS, apud LE CURBUSIER, 2009).
Em acordo com este documento, Mumford (1998) definiu cidade como uma estrutura
especialmente equipada para armazenar e transmitir os bens da civilização e suficientemente
condensada para admitir a quantidade máxima de facilidades num mínimo de espaço, mas
também capaz de um alargamento estrutural que lhe permite encontrar um lugar que sirva de
abrigo às necessidades mutáveis e às formas mais complexas de uma sociedade crescente e de
sua herança social acumulada.
O documento de Atenas mostra que para as suas funções serem bem desenvolvidas, a
cidade tem que submeter-se, dentre outros fatores aos interesses coletivos, amparados por lei;
e seu estudo (assim como o seu planejamento), se insere na área de conhecimento relativo ao
urbanismo.
De acordo com a carta de Atenas, o urbanismo tem quatro funções principais, que são:
 Assegurar aos homens moradias saudáveis, isto é, locais onde o espaço, o ar puro e o sol,
condições essenciais da natureza, lhe sejam largamente asseguradas;
 Organizar os locais de trabalho, de modo que, ao invés de serem uma sujeição penosa, eles
retomem seu caráter de atividade humana natural;
 Prever as instalações necessárias à boa utilização das horas livres, tornando-as benéficas e
fecundas;
 Estabelecer o contato entre essas diversas organizações mediante uma rede circulatória que
assegura as trocas, respeitando os direitos de cada um;
Enfim, qualquer conceito referente à cidade implica a compreensão de um espaço
coletivo e a ideia da associação, isto é, algo atrelado a junção de pessoas.
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3.2. CRESCIMENTO POPULACIONAL E PAISAGEM URBANÍSTICA
Sabendo que as cidades se alteram de variadas formas no decorrer do tempo, pode-se
perceber que diversos fatores e períodos históricos foram responsáveis por transformações
nessa configuração. De todas as transformações que já ocorreram no mundo, as que tiveram
início no século XIX, decorrentes da revolução industrial, foram as mais significativas.
Uma das características marcantes dessa época diz respeito ao aumento da população
na cidade. No dizer de Dias (2009), o espaço urbano virou alvo de uma intensa ocupação,
estimulando o processo de urbanização voltado para a acomodação da nova ordem de
produção e dos seus atores.
Em um curto espaço de tempo e com o rápido desenvolvimento dos países ricos em
virtude do aumento tecnológico nos empreendimentos industriais, resultaram no grande
crescimento econômico da população.
Gonçalves (2008) descreve que com o capitalismo, as relações dos homens com a
natureza acirraram-se cada vez mais, pois cada um age de acordo com seus interesses. Cria–se
então, um sistema competitivo onde o maior objetivo é o lucro e, assim, a natureza é
fortemente atingida, devido os diversos impactos ambientais – alterações causadas pelas
atividades humanas que afetam direta ou indiretamente, dentre outras: a saúde, a segurança, o
bem estar da população, as atividades sociais e econômicas, resultando assim na degradação
devido esta intensificação da urbanização.
Atualmente grande parte da tecnologia tem sido dirigida para modificar o ambiente
natural; servindo justamente para adequar o lugar às necessidades de sobrevivência do homem
que por sua vez transforma a superfície terrestre, surgindo assim, as paisagens urbanas.
Santos (2008) define paisagem como o conjunto de forma que num dado momento
exprimem as heranças que representam as sucessivas relações localizadas entre homem e
natureza.
De acordo com Macedo (1999), pode-se atribuir à paisagem urbana três aspectos:
 Ambiental – que mede as possibilidades de vida e sobrevida de todos os seres vivos e das
comunidades na paisagem existente;
 Estética – que apresenta valores com características puramente sociais, atribuídos pelas
comunidades humanas a algum lugar, em um momento do tempo;
 Funcional – que avalia o grau de deficiência do lugar no tocante ao funcionamento da
sociedade humana;
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3.3. ESPAÇO LIVRE PÚBLICO
De acordo com o código civil brasileiro, bens públicos (ou espaço livre público) são
todos aqueles que integram o patrimônio da Administração Pública direta e indireta. “São
públicos os bens de domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público
interno; todos os outros são particulares, seja qual fora pessoa a que pertencerem” (art. 98 do
CC). Enfim, os bens de uso comum são aqueles destinados ao uso indistinto de toda a
população. Ex: Mar, rio, rua, praça, estradas, parques (art. 99, I do CC).
Para Leitão (2002), espaços públicos são espaços abertos, de uso comum, que podem
ser apropriados livremente pelas pessoas que vivem na cidade. Podem ser verdes (parques,
jardins, cemitérios, etc.), como não verdes (praças secas, ruas, pátios, etc).
A compreensão deste espaço é fundamentada através de três fatores: exterioridade
(espaço
aberto/público),
acessibilidade
(espaço
comum)
e
significado
(valor
simbólico/memória).
Os espaços livres desempenham importante papel na sociedade atual. De acordo com
Souza (2003), são funções dos espaços livres:
 A melhoria da qualidade ambiental na cidade com a presença da vegetação que ajuda a reter
a poeira urbana, proporcionando sombra, amenizando a temperatura e atraindo a fauna;
 Ampliação da função ecológica através das áreas de proteção ambiental, como reservas e
parques, que são asseguradas pela lei nº 9.985, de 18/07/2000, que estabelece critérios e
normas para a criação, implantação e gestão das unidades de conservação;
 A arborização urbana tem função organizacional, podendo contribuir na orientação e
hierarquização das vias nos bairros com a criação de elementos vegetais, pavimentação,
iluminação, estacionamentos, mobiliários, etc;
 A função social dos espaços livres ajuda a promover encontros e que muitas vezes estão
relacionados ao lazer;
 Estes espaços contribuem para o fortalecimento da identidade local, enfatizando as
características na paisagem com seus pontos fortes que contribuem para seu embelezamento;
 Têm grande influência psicológica quando se trata de troca de energias vitais com o meio
natural.
Segundo Macedo (1995), a vida útil de um determinado espaço livre urbano está
diretamente vinculada à possibilidade constante de apropriação que este permite ao seu
16
público usuário; logo, quando tais espaços não exercem as suas funções acabam sendo
banalizados e dá lugar a estacionamentos, invasão de camelôs, fazendo com que haja uma
incapacidade do fluxo normal de pessoas.
Com isso, a rua, a calçada, a praça (dentre outros espaços) deixam de ser prioridade de
circulação do pedestre que, por sua vez, se afasta e abandona estes espaços urbanos centrais
que não oferecem acesso e segurança.
As praças como um dos elementos do sistema de espaço público urbano, apresentam
grandes importâncias no cotidiano das cidades; por isso seu estudo (bem como de todos os
espaços livres) deve ser prioritário.
3.4. PRAÇAS
3.4.1. Significação essencial
As praças, assim como os jardins públicos, exercem um papel muito elevado, em se
tratando de significado social, pois são obras de arte, destinada a incentivar a cultura do
sentimento coletivo.
Dentre os bens de caráter público, as praças são áreas importantes para o equilíbrio das
cidades, pois representam locais de convívio social e de encontro com a natureza,
contribuindo para a formação e agregação da sociedade se constituindo em ambientes
importantes para manifestações culturais, sociais e políticas.
Nos dizeres de Silva (2009), tratam-se de espaços destinados a abrigar festividades,
encontros, atividades de troca, sendo um lugar de fácil acesso para a sociedade realizar as
mais variadas funções, em que se pode ver e ser visto, comprar e fazer negócio, política e
passear.
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3.4.2. Praças na história
Considerando que as praças são espaços públicos, é pertinente lembrar que entre os
mais antigos espaços livres conhecidos, merece menção o jardim suspenso da Babilônia,
justamente avaliado uma das sete maravilhas do mundo. Segundo Soares (1998), a impressão
que deixava desse jardim suspenso era devido à disposição em terraços, formada por
quadriláteros superpostos.
Em contrapartida, na idade média, existia a praça de mercado que, segundo Zucker
(1959), citado por Robba e Macedo (2003) “acontecia nela toda a atividade comercial da
cidade, normalmente estabelecida em lugar de grande movimento, às vezes na própria rua
principal ou em alargamentos adjacentes a ela”.
Enfim, a evolução dos parques, praças e jardins, em cada povo, tem acompanhado o
seu desenvolvimento cultural. Todos os grandes ciclos da história possuíram o seu estilo
característico de praças que se harmonizava com as construções, com o luxo ou sobriedade do
mobiliário, e até com caracteres mentais de cada época.
No Brasil a evolução de parques, praças e jardins não foi muito diferente do restante
do mundo. Conforme Silva (2009) relata, a Praça Municipal de Salvador foi a primeira praça
cívica do Brasil e nela “reunia a casa de câmara e cadeia, a relação, os negócios da fazenda e a
alfândega”. Esta praça foi criada por Tomé de Souza, e era o antigo endereço do poder federal
e depois estadual. Hoje, porém se verifica as mudanças, bem como seu uso com o
desenvolvimento cultural. No Rio de Janeiro, a Praça XV de Novembro (Figura 1), foi a
segunda praça criada no país; na imagem logo abaixo este espaço livre é visto sem as diversas
alterações que hoje nele hoje existem.
Figura 1 - Rio - Praça XV - 1906. A bela e urbanizada Praça XV de Novembro.
Fonte: http://www.fotolog.com.br/derani/34073822
18
Então, pode-se dizer que o evidente progresso dos parques, praças e jardins tem
acompanhado o desenvolvimento cultural e tecnológico dos povos, porém é inegável de que
cada espaço livre tenha sua utilidade urbanística definida (pelo menos para determinados
períodos temporais), bem como seus usos específicos, nas quais indicam como as pessoas se
apropriam desses lugares que a cidade lhes oferece.
Desse modo, embora Lima (2001) considere nos seus dizeres que, ao longo dos
tempos, as praças têm sido o lugar de encontro, de comunicação, de trocas de mercadorias, de
festas populares e de manifestações políticas, estando também, associadas à idéia de centro da
cidade ou do bairro, locais para onde convergem e se concentram seus habitantes; não se pode
negar que existem uma “queda” ou declínio no uso de tais espaços livres, por diversos fatores:
Segurança, avanço tecnológico, criação de outros meios de descontração e/ou divertimento,
etc.
3.5. A CIDADE DE MOSSORÓ E SUAS PRAÇAS
3.5.1. Processo de formação
De acordo com diversos historiadores, o nome de Mossoró provém dos primeiros
habitantes da região, os índios monxorós. O surgimento mossoroense se apóia nas tradições e
num passado ilustrado, que demonstram resistência, para espelhar um futuro digno e
promissor.
Dentre os diversos marcos históricos, sociais e culturais da cidade, pode-se destacar:
 A cidade antecipou-se à libertação da escravatura;
 Combateu o bando do cangaceiro Lampião e;
 Foi berço da primeira eleitora da América Latina.
Inicialmente, conforme os dizeres de Rocha (2005), o município de Mossoró surgira,
como muitas das cidades brasileiras, da concentração da população em torno de uma capela.
A cidade propriamente dita se originou de um povoado, surgido em 1772, após a tomada de
posse do sítio Santa Luzia pelo Sargento-Mor Antônio de Sousa Machado que era de origem
portuguesa e proprietário da primeira fazenda de gado localizada nas proximidades do rio
19
Mossoró. Em seguida foi erguida a capela e, no entorno desta, as primeiras casas e ruas
(Figura 2).
Figura 2 - Mossoró em 1772.
Fonte: Rocha, 2005, p. 24.
Conforme visto na figura 2, e de acordo com Rocha apud (Lima, 1941), de 1772 a
1844, a povoação mossoroense constava de um quadro fronteiro à capela de taipa e de
algumas casas de palha, cujos lados então se chamavam: Rua do cotovelo (hoje, o Colégio
Diocesano), Rua do desterro, aos lados da Capela, Rua Domingos da Costa e Rua Padre
Longino, em frente.
Vale salientar que historicamente os aspectos das ruas e das praças não são elementos
característicos específicos da cidade de Mossoró, mas de todas as cidades brasileiras de um
modo geral; pois, segundo Rocha (2005), as praças e as ruas surgiam e cresciam de forma
muito desordenada e seu alinhamento resultava da iniciativa, da vontade e do gosto dos seus
moradores.
De acordo com os relatos de Wanderley (1967), o arraial de Santa Luzia (Figura 2)
transformou-se numa vila em 15 de março de 1852, e por fim se constitui em cidade no dia 9
de novembro de 1870. A partir daí a evolução urbanística da cidade era algo evidente e
notório, expressada por meio de objetos que surgiram.
20
3.5.2. Localização geográfica
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e estatísticas (IBGE), o município se
encontra no estado do Rio Grande do Norte, a 5° 11' de latitude sul e 37° 20' de longitude
oeste a uma altitude de 16 metros (Figura 3) e divide-se em "Cidade-Sede" (zona urbana) e
"Zona Rural" (área rural).
Figura 3 - Localização de Mossoró/RN.
MOSSORÓ
Fonte: IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e estatísticas.
A cidade está às margens do rio Apodi–Mossoró, localizando-se em um
entroncamento rodoviário entre Natal (275 km) e Fortaleza (260 km). De acordo com o IBGE,
a área territorial mossoroense é de aproximadamente 2.099 km².
Figura 4 - Mapa do Rio grande do Norte localizando a cidade de Mossoró.
Mossoró
Fonte: Site da prefeitura municipal de Mossoró - http://www.prefeiturademossoro.com.br
21
Mossoró tem, atualmente, 259.815 habitantes e sua população segue crescendo a cada
ano. Em seguida, é mostrado o gráfico da última pesquisa realizada pelo instituto em questão
onde mostra tais crescimentos:
Gráfico 1 - Evolução da população Mossoroense.
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e estatísticas - IBGE
Como visto outrora, o movimento de transição dos centros rurais para os urbanos é um
processo antigo que até hoje vem ocorrendo. De acordo com o Instituto Brasileiro de
Geografia e estatísticas, em seu Censo 2010, a população mossoroense que mora na zona
urbana atingiu cerca de 91,30%. Veja:
Gráfico 2 - Relação populacional da cidade de Mossoró/RN
Fonte: IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e estatísticas.
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3.5.3. As praças mossoroenses
Entre seus espaços livres, a cidade de Mossoró, possui no centro da cidade exatamente
dezesseis praças, dentre as quais quinze estão em pleno funcionamento e apta para o fluxo e
utilização das pessoas.
O zelo com as praças da cidade tem sido uma preocupação constante dos
administradores mossoroenses, no decorrer do tempo. Nos últimos anos, a criação e,
principalmente, a manutenção de espaços destinados ao lazer, constitui uma das principais
atividades da gestão atual, fazendo parte dos projetos e programa urbanísticos das
administrações municipais, chegando ao ponto da cidade ser chamada por alguns críticos de
“a cidade das praças”. A atual gestão tem buscado em sua gestão o investimento em novas
praças bem como na reforma e modernização eminente das já existentes.
Porém, é inegável que as pessoas que moram nos centros urbanos, estão vivendo em
uma época onde a banalização da cultura é vista em contraste com o crescimento tecnológico
muito grande na vida do ser humano, de um modo geral. Segundo Alves (2007), grande parte
dos moradores das cidades urbanas têm a impressão de que não “habitam” a cidade onde
moram, ou seja, não participam da vida social da cidade, muitos não procuram conhecer os
lugares de lazer, pois estão sempre correndo contra o tempo; esta falta de tempo, juntamente
com outros fatores, faz com que haja uma diminuição das relações sociais entre as pessoas e
as respectivas utilizações dos bens públicos.
Em Mossoró, mesmo com os diversos investimentos por parte dos governantes, é
percebido que a cada dia o uso dos espaços livres urbanos, em se tratando do centro da cidade,
está diminuindo não só pelo motivo acima mencionado, mas por tantos outros.
Além dos fatores que já foram notificados, podem-se destacar outros que mostram
e/ou evidenciam os motivos nas quais as praças estão deixando de ter uma função primária de
lazer coletivo. Dentre elas estão o surgimento de shopping Center, que concorre com a praça
pública na cidade, uma vez que, teoricamente, oferecem maior segurança, por ser um espaço
fechado, além de contar com estruturas de lazer e de sociabilidade.
Outro aspecto que pode ser levado em conta e que contribui para a diminuição no uso
de tais espaços livres urbanos, diz respeito aos novos tipos de apropriação que com o tempo
resultaram na perda do referencial histórico e cultural, acarretando uma desfiguração da
paisagem urbana.
23
Conforme Silva (2009), a mudança de uso e o afastamento da população dos espaços
públicos aconteceram e acontecem de forma mais significativa nas praças centrais da maioria
das cidades, pois nestas áreas, acompanhando as transformações ocorridas na sociedade, a
atividade comercial suplantou a residencial, modificando a relação da praça com seu entorno;
enfim, quando estas mudanças não estão nos padrões esperados pela maioria da população,
resultam no abandono e no comportamento distorcido.
24
4 PROCEDIMENTO METODOLÓGICO
4.1. SELECIONAMENTO DAS PRAÇAS
Como visto anteriormente, na região central da cidade de Mossoró existe um total de
dezesseis praças: Praça Bento Praxedes, Praça de eventos, Praça Dix Neuf Rosado, Praça da
Convivência, Praça Felipe Guerra, Praça Getúlio Vargas, Praça Rodolfo Fernandes, Praça
Vigário Antônio Joaquim, Praça da Redenção, Praça Almeida Castro, Praça da
Independência, Praça Miguel Faustino, Praça Antônio Gomes, Praça Coração de Jesus, Praça
Mossoroense e a Praça da Criança, das quais quinze estão em pleno funcionamento e aptas
para o uso da população. Vale ressaltar que a Praça Bento Praxedes está passando por um
processo de reformulação e consequente reforma; dessa forma (até então) não está apta e
disponível para o uso das pessoas.
Para esta análise social, foram selecionadas as praças que têm do ponto de vista
histórico-social, maior importância para o município e que de certa forma são referenciais na
cidade. Abaixo, são mostradas as quatro praças que foram escolhidas para este estudo, bem
como suas principais características:
Praça da Independência – Localizada em frente ao Mercado Central da cidade, a praça da
independência tem grande marco histórico na cidade e dentre suas características está a de
amplo comércio informal, fator que contribui bastante para o fluxo excessivo de pessoas no
local.
Praça da Redenção – Por situar-se em frente a uma escola e a biblioteca pública municipal a
Praça da Redenção apresenta uma marca histórica muito importante, pois foi nela que ocorreu
a reunião na qual gerou o Motim das mulheres. Dentre seus principais usuários, destacam-se
os estudantes nas quais utilizam o espaço para o desenvolvimento de atividades de maior
permanência, como conversar, esperar o início das aulas, namorar, dentre outros.
Praça Rodolfo Fernandes – Mais popularmente chamada de Praça do Pax (cinema), retrata
um grande marco histórico principalmente no centro do município mossoroense. É claro que
com os avanços, reformas e as conseqüentes mudanças, este espaço livre perdeu parte de seu
25
referencial histórico; consequentemente o seu modo de utilização foi alterado. Contudo, a
Praça Rodolfo Fernandes continua sendo um dos principais cartões postais da cidade.
Praça Vigário Antônio Joaquim – Mais conhecida como Praça da Catedral (por se situar nas
proximidades de um dos maiores templos católicos da cidade); esta praça está incluída
também no celeiro dos principais pontos históricos e turísticos de Mossoró/RN e é
caracterizada, principalmente, pela multidão nos eventos de fim de ano. É válido ressaltar
também que o fluxo de pessoas é intenso e influenciado devido o comércio existente nas
imediações do local (como lanchonetes, banco, lojas, etc.).
4.2. PESQUISA BIBLIOGRÁFICA
O estudo bibliográfico foi feito com o intuito de se obter informações teóricas,
envolvendo conceitos, comentários e definições, relacionados ao significado e importância
dos espaços livres urbanos (as praças); priorizando aspectos que vai desde as transformações
de sua estrutura (análise histórica), mudanças de seu uso no dia-a-dia até as diversas funções
desempenhadas por cada um nesses espaços.
Deste modo, a revisão de literatura, envolveu acervo bibliográfico disponível,
principalmente em centros de pesquisas como também usando os recursos da internet;
contemplando dentre outros: livros, dissertações, monografias de conclusão de curso e
trabalhos em congressos.
O levantamento histórico-social foi baseado no resgate dos antecedentes das principais
espaços livres urbanos – as praças –, localizados no centro da cidade de Mossoró/RN, que de
certa forma são interligadas juntamente com o processo evolutivo da cidade tanto na parte
estrutural como também na sua utilização. Desta forma, foi realizado levantamento da
memória dos projetos e da construção das praças, principalmente através de fotos.
As informações de ordem histórica, e social foram coletadas na biblioteca municipal
Ney Pontes Duarte, nos jornais impressos que circulam na cidade, na Secretaria do
Planejamento Orçamento e Finanças, arquivos públicos, bem como de materiais extraídos da
internet (nas quais foram analisados minuciosamente).
26
4.3. COLETA DE DADOS
O estudo de campo foi dividido e analisado, levando em consideração, principalmente,
a análise precedente, questionário e as observações de traços físicos. Abaixo, é mostrada a
estruturação de cada uma delas:
Análise precedente – Primeiramente, conforme o método da observação de Reis e Lay (1995),
as quinze praças que estão em pleno funcionamento no centro da cidade de Mossoró/RN
foram vistas. Através desta visitação e tendo como base as pesquisas e os conhecimentos
prévios adquiridos, foram escolhidas dentre tais espaços livres urbanos, os principais (e
consequentemente mais importantes) levando em consideração a análise histórico-social das
mesmas. Em seguida, cada uma destas quatro praças foram analisadas e estudadas com maior
rigor.
Questionário – Foi estruturado com perguntas direcionadas no que diz respeito à função, uso,
segurança, etc. das praças; incluindo perguntas abertas sobre sugestões de melhorias quando
ao uso das mesmas. Foram aplicados no total 80 questionários nos turnos matutinos e
vespertinos, de segunda a sexta-feira; números que segundo Reis e Lay (1995) garantem a
representatividade dos resultados.
Observações de traços Físicos – É um Método de observação direta que, segundo Sanoff e
Coates apud (GUIMARÃES; MEDVEDOVSKI, 2010), busca estudar as evidências de
interações físicas entre o ambiente e o usuário. Dentre as várias observações e análises está à
visual – na qual auxiliou também na análise social dos frequentadores. Além disso, foram
feitos registros fotográficos durante todo o processo de coleta e análise de informações de
cada espaço livre, permitindo e assegurando tranquilamente posteriores avaliações depois de o
fato ter ocorrido.
27
5 RESULTADO E DISCUSSÕES
Sabe-se que as praças são, dentre os bens de caráter público, áreas de grande utilidade
e valor na quais corroboram para o desenvolvimento da sociedade em geral e para a
estabilização das cidades; representando locais de convívio e entretenimento social. Enfim, os
espaços livres urbanos se constituem em ambientes importantes para manifestações culturais,
sociais, históricas, etc. Particularmente em regiões centrais, as praças reúnem características
históricas, configurando assim como um referencial na paisagem urbana (Figura 5).
Figura 5 - Praça da Redenção – Estátua da liberdade.
Fonte: Autoria própria.
Com este estudo, observou-se que os espaços livres públicos localizados na região
central da cidade de Mossoró/RN, têm finalidade social, mas dependendo da localização e
equipamentos urbanos estes espaços agregam outras funções. A seguir são mostrados os
resultados obtidos na coleta de dados, principalmente através das entrevistas feitas aos
usuários de cada espaço livre urbano estudado.
28
5.1. PRAÇA DA INDEPENDÊNCIA
A Praça da Independência, que está localizada em frente ao Mercado público central
da cidade no mapeamento cultural de Mossoró (Figura 6), está entre os prédios históricos,
além de ser uma referência de destaque na cidade.
Figura 6 - Praça da Independência 2011.
Fonte: Autoria própria.
As características apresentadas pela Praça da Independência foram as de amplo
comércio informal (Figura 7), com o destaque para o mercado público central, vendedores
ambulantes, taxistas e moto-taxistas, etc. Tais fatores são preponderantes para o alto fluxo e
aglomeração de pessoas neste espaço.
Figura 7 - Comércio informal – Característica marcante da Praça da Independência.
Fonte: Autoria própria.
29
Os usuários deste ambiente são, em sua maioria, pessoas de idade entre 18 e 40 anos
(Gráfico 3); e grande parte destes frequentadores são trabalhadores com renda de um a três
salários mínimos (Gráfico 4).
Gráfico 3 - Praça da Independência – Idade dos frequentadores.
Nº de pessoas
Idade
Gráfico 4 - Praça da Independência – Renda salarial média mensal.
Nº de pessoas
Salário (mínimo)
mensal
30
Os entrevistados são oriundos de diversos bairros da cidade, principalmente dos
bairros Alto de São Manoel e Planalto 13 de Maio, mas também foram registradas três
pessoas do outras cidades. A maioria cursou até ensino médio – completo e incompleto (12
pessoas), seguido de pessoas com ensino fundamental (cinco pessoas), duas não estudaram e
uma declarou que está cursando o ensino superior. A relação entre a renda salarial média
mensal e grau de escolaridade se reflete nas profissões declaradas: Agricultor (a) (quatro
pessoas), Motorista (quatro pessoas), Estudante (duas pessoas), Autônomo (duas pessoas), e
com apenas uma ocorrência Marceneiro, Auxiliar de mecânico, Pedreiro, Professor,
Panfletagem, Funcionária pública, Montador de andaime e Representante.
Em relação às funções de uma praça, as mais citadas foram: Área de lazer (oito
pessoas), Descanso (seis pessoas) e Conversação (SIC) (três pessoas). Também foram citadas:
Encontro de namorados, Diversão, Chamar a atenção da cidade, Cultura, Sombra. Contudo, a
maioria dos entrevistados declarou estar na praça trabalhando (seis pessoas), só de passagem
(quatro pessoas), esperando o comércio abrir (três pessoas) e esperando alguém (três pessoas).
Apenas duas pessoas mencionaram de estar na praça para descanso. Isso sugere que a
percepção da função social de uma praça está presente no imaginário das pessoas, mesmo que
as utilizem para outras funções dissociadas desse modelo mental de praça.
A frequência se dá durante a semana, já que nenhum transeunte declarou estar nela nos
finais de semana. A maioria a frequenta uma vez por semana (8 pessoas) ou muitas vezes por
semana (cinco pessoas), ou ainda uma vez por dia (cinco pessoas). Essa frequência se dá mais
pela manhã (17 pessoas), sendo que seis o fazem pela tarde e apenas duas pela noite. Isso
provavelmente ocorra pela alta temperatura ambiental da cidade na parte da tarde e pela
insegurança de frequentá-la à noite. A falta de segurança foi citada por 12 pessoas, contra oito
que a consideram segura.
O conforto da praça é percebido por 14 dos entrevistados, contra seis que a acham
desconfortável, e provavelmente por isso que a maioria opta pelas praças (10 pessoas) como
opção de lazer e descanso que pelo shopping (seis pessoas)
Em relação a se os investimentos e reformas constantes das praças deveria ser
prioridade por parte do governo, 12 responderam que sim. As oito pessoas que responderam
que não, acham que os investimentos deveriam ser direcionados à saúde, educação e
segurança, duas citações cada.
A maioria declarou não ter nenhum aspecto da praça que não gostasse (11 citações), e
em menor número de citações registrou-se: limpeza precária (três citações), calor (três
citações), guarita e insegurança, uma citação cada. Entretanto, quando permitido dar sugestões
31
para possíveis melhorias da praça, o aumento da limpeza e da segurança foi citado quatro
vezes cada. Plantar mais árvores e ajardinamento foi citado duas vezes cada. Outros itens
sugeridos (cada um com uma citação) foram: melhoria e reforma geral, retirar os vendedores
ambulantes, melhoria dos bancos, colocação de coberturas, regarem mais as plantas e a
construção de um abrigo para o ponto de ônibus.
5.2. PRAÇA DA REDENÇÃO
Situada em frente à Escola Estadual Professor Solon Moura e à Biblioteca Pública
Municipal Ney Pontes Duarte, a Praça da Redenção apresenta pelo menos um marco histórico
admirável, pois, conforme os dizeres de Costa (2009) foi principalmente nela em que as
mulheres se concentraram e lutaram contra o alistamento militar de seus familiares. Essa
agitação ocorreu no ano de 1875 e ficou conhecida como Motim das mulheres. Atualmente,
este espaço livre é muito tranqüilo, limpo e arborizado; este fator vai tornando o lugar bem
mais aconchegante para os seus frequentadores (Figura 8).
Figura 8 - Praça da Redenção – 2011.
Fonte: Autoria própria.
Os usuários da praça são, em sua maioria, pessoas de idade menor que 18 anos
(Gráfico 5); e grande parte destes frequentadores são trabalhadores com renda menor de um
salário mínimo (Gráfico 6).
32
Gráfico 5 - Praça da Redenção – Idade dos frequentadores.
Gráfico 6 - Praça da Redenção – Renda salarial média mensal.
Os bairros de procedência dos entrevistados são - por ordem decrescente de citação:
Paredões (cinco citações), Alto de São Manoel (duas citações), Santo Antônio (duas citações).
Os seguintes bairros foram citados apenas uma vez: Alto da Conceição, Abolição IV, Inocop,
Boa Vista, Ilha de Santa Luzia, Bom Jardim, Dom Jaime Câmara, Centro e Nova Betânia.
33
No que se refere à escolaridade oito entrevistados cursaram ou estão cursando o ensino
fundamental, oito o ensino médio e quatro ensino superior. Talvez, pela proximidade com a
Escola Estadual Professor Solon Moura e com a Biblioteca Pública Municipal Ney Pontes
Duarte, é que a maioria dos entrevistados eram estudantes (13 citações). Mesmo assim, foram
registradas as profissões de vendedor, auxiliar de mecânico, autônomo, doméstica,
administrador e aposentado.
As árvores, a limpeza e o sombreamento foram os elementos que mais chamaram a
atenção entre os entrevistados. Também foram citados: calma, local agradável, aconchegante,
verde, organização, zelo, os prédios ao seu redor e os frequentadores. No imaginário dos
entrevistados a praça em estudo se percebe como um lugar incomum, onde a paisagem local
imprime uma sensação de beleza e tranquilidade. É oportuno mencionar que das 20 pessoas
entrevistadas 17 mencionaram que se sentem seguras na praça e 19 relacionam o conforto ao
espaço, o que contribui com a sensação de ser um lugar diferente do seu entorno. Mesmo
assim, 12 pessoas manifestaram preferir o shopping contra cinco que preferem a praça.
O motivo de frequentar a praça, para a maioria, foi o de descanso (seis citações) e/ou
lugar para conversar (seis citações), mesmo para os sete entrevistados que mencionaram estar
só de passagem, que também assinalaram as duas primeiras opções em alguns casos. Talvez
por ser um ambiente mais de estudantes é que se registraram as seguintes motivações:
paquerar/namorar, esperando alguém, esperando a escola abrir e para fazer amizade. Essas
motivações para frequentar a praça sugere que é um espaço/palco para as relações sociais
extramuros da escola/biblioteca. Isso é condizente quando a maioria declara que a função de
uma praça é a de diversão e socialização (seis citações), lazer, entretenimento e descanso
(duas citações cada) e ainda, passeio, namorar, conversação, convívio, fazer amizade e
descontração (uma citação cada).
A frequência de uso do espaço declarado pela maioria é de uma vez por dia (12
citações), principalmente no período da manhã (12 citações) e da tarde (11 citações), o que
está em concordância com as atividades escolares.
Das pessoas entrevistadas 14 disseram que não deve ser prioridade investimentos e
reformas constantes nas praças da cidade, mas apenas uma sugeriu que a saúde é mais
importante e três se referiram que deve ser aplicado em outras coisas, sem especificar quais.
Quatro pessoas manifestaram positivamente à questão e duas relativizaram alegando que
depende da necessidade e do dinheiro envolvido.
Em relação ao que desagrada da praça a maioria (14 entrevistados) se manifesta
satisfeita como está. O local/posição dos bancos, o barulho das pessoas e a bagunça dos
34
estudantes, assim com a baixa quantidade de frequentadores no período da tarde foram
também citados como fontes de desagrado. A questão dos bancos é uma alusão recorrente
quando solicitado sugestões para o espaço. A melhoria dos bancos foi citada por três
entrevistados, assim como houve uma sugestão de modernizar os bancos de todas as praças de
Mossoró. A segurança e a disponibilidade do espaço para eventos também foram
mencionadas. Um entrevistado sugeriu a possibilidade de se criar uma quadra esportiva no
espaço, mas obviamente que a dimensão da praça não comporta esse tipo de construção.
5.3. PRAÇA RODOLFO FERNANDES
A Praça Rodolfo Fernandes ou Praça do Pax é historicamente um lugar muito
importante não só para o centro, mas para a cidade de Mossoró/RN, de um modo geral. A
figura abaixo (Figura 9) mostra este espaço livre no ano de 1937, com um visual bem
diferenciado e ao fundo o edifício do Cine Pax.
Figura 9 - A Praça Rodolfo Fernandes – 1937.
Fonte: Site da prefeitura municipal de Mossoró - http://www.prefeiturademossoro.com.br
Com o passar dos anos, a praça ainda continua sendo um atrativo na cidade. Porém, é
notório que este espaço público perdeu parte de seu referencial histórico, com os avanços,
reformas e as conseqüentes mudanças por parte dos governantes; o que resultou numa
mudança no seu modo e na forma de utilização por parte de seus usuários (Figura 10).
35
Figura 10 - A Praça Rodolfo Fernandes em 2011.
Fonte: Site da prefeitura municipal de Mossoró - http://www.prefeiturademossoro.com.br
Os usuários da praça são, em sua grande maioria, pessoas de idade entre 18 e 40 anos
(Gráfico 7); e grande parte destes frequentadores são trabalhadores com renda que varia de
um a três salários mínimos (Gráfico 8).
Os entrevistados são oriundos de diversos bairros da cidade, mas a maior frequência
registrada corresponde aos bairros Paredões, Santo Antônio, Alto de São Manoel, Abolição II
e Alto da Conceição. Os bairros citados me menor frequência foram: Nova Vida, Pereiros,
Alto Sumaré, Liberdade I, Ilha Santa Luiza, Redenção, Boa Vista e Santa Delmira.
O maior registro, em relação à escolaridade, foi ensino médio (concluído e cursando),
com 16 citações. Ensino fundamental com duas e ensino superior com quatro. A profissão
mais citada foi o de vendedor (a) (cinco citações), seguido de autônomo (quatro citações). As
categorias estudante, comerciante e desempregado foram citadas duas vezes cada. Também
foram mencionadas as profissões de professor, servente, técnico em automação, técnico
mecânico e auxiliar de limpeza.
Esperando o comercio abrir foi a motivo mais citado pelos entrevistados (13 pessoas)
para justificar a sua presença na praça. Essa resposta deve-se provavelmente ao horário em
que foi realizada a pesquisa. Acredita-se que em outros horários (com o comércio já aberto) as
respostas seriam outras. Para descansar foi a segunda opção (seis citações). O uso da praça
apenas para passagem foi citado duas vezes e para lanchar e trabalhar nela foram citadas
apenas uma vez cada.
No que diz respeito a principal função de uma praça as opções mais citadas foram:
lazer (cinco citações), descanso (quatro citações) e descontração (três citações).
Entretenimento, local de reunião com amigos/familiares e conversação foram citadas duas
36
vezes cada. Conforto, bem-estar, convívio, socialização, divertimento e passeio foram citados
uma vez cada.
Uma praça central e em plena área comercial sugere um espaço apenas de fluxo de
pessoas, movimento e ruído, no entanto essas variáveis não estão em consonância com o
manifestado pelos entrevistados, que o relacionam as funções de uma praça mais para um
ambiente que permita o lazer, o descanso e a descontração. Isso pode ser constatado quando
perguntado o que menos gostam da praça. O barulho dos veículos (carros e motos) foi um dos
itens mais citado (seis pessoas), junto com a alta temperatura (seis pessoas) por falta de
arborização (quatro pessoas). É evidente que há uma dissociação entre o que acreditam que
deveria ser uma praça e o que encontram na Praça Rodolfo Fernandes. Falta de segurança,
desconforto dos bancos e falta de opções foram citadas uma vez cada.
A maioria frequenta a praça uma vez por semana (oito citações), seguido de uma vez
por dia (seis citações) ou ainda mais de uma vez por dia (quatro citações). Apenas duas
pessoas disseram frequentá-la também nos finais de semana. A maioria (13 pessoas) o fazem
no período da manhã, contra sete que o fazem no período da tarde. Esses valores estão de
acordo com o que se tem visto nas outras praças: a população prefere se deslocar pelo centro
no período da manhã, provavelmente por que é o momento do dia em que as temperaturas são
mais amenas.
Mesmo a maioria dos entrevistados manifestarem que o espaço é seguro (18 pessoas) e
confortável (16 pessoas) preferem a opção de descanso e lazer o espaço do shopping (cinco
pessoas).
Devido, provavelmente, à alta temperatura que os entrevistados dizem sentir no
ambiente da praça é que melhoria na arborização é o item mais citados, quando solicitado
sugestões para a praça. A segurança está em segundo lugar, seguido da mudança/alteração dos
bancos, reforma geral da praça, readequação do estacionamento ao redor da praça, pois isso
atrapalha/impede a circulação dos transeuntes e, por último, foi sugerido a implantação de
uma lanchonete no espaço público.
37
Gráfico 7 - Praça Rodolfo Fernandes – Idade dos frequentadores.
Gráfico 8 - Praça Rodolfo Fernandes – Renda salarial média mensal.
38
5.4. PRAÇA VIGÁRIO ANTÔNIO JOAQUIM
A Praça Vigário Antônio Joaquim, também conhecida como a Praça da Catedral, está
incluída também no celeiro dos principais pontos histórico-cultural (Figura 11) de
Mossoró/RN e é caracterizada, principalmente, pela capacidade de atrair uma multidão de
pessoas nos eventos de fim de ano com a festa da padroeira da cidade.
Figura 11 - Praça Vigário Antônio Joaquim no ano de 1949.
Fonte: http://www.azougue.com/conteudo/dobumba163.htm
Atualmente, esta praça ainda apresenta um fluxo de pessoas intenso e influenciado
devido o comércio existente nas imediações do local como lanchonetes, instituição bancária,
lojas, teatro, etc. A figura abaixo mostra este espaço livre nos dias atuais.
Figura 12 - A Praça Vigário Antônio Joaquim em 2011.
Fonte: Autoria própria.
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Os frequentadores da Praça Vigário Antônio Joaquim são, em sua maioria, pessoas de
idade entre 18 e 40 anos (Gráfico 9). A maioria destes frequentadores são trabalhadores com
renda que varia de um a três salários mínimos (Gráfico 10).
Em relação ao bairro de residência dos entrevistados, percebeu-se uma diversidade
maior, quando comparada com as outras praças pesquisadas. Isso sugere que é a praça de
maior atração para os residentes da cidade. Isso pode ser explicado por uma combinação de
características peculiares do espaço, a saber: presença do Banco do Brasil, pelo tipo de
comércio ao redor dela (papelaria, óticas e bares, por exemplo), pela boa localização em
relação a outros pontos centrais e por ter ao lado a igreja catedral, referência na cidade.
Os bairros de residência dos entrevistados são: Santo Antônio, Liberdade I, Centro,
Costa e Silva, Nova Vida, Doze Anos, Santa Delmira, Vingt Rosado, Barrocas, Sumaré, Belo
Horizonte, Ilha Santa Luzia, Bom Jesus e Aeroporto.
No que se refere à escolaridade a maioria tem ensino médio, completo ou cursando (14
pessoas), seguido de ensino fundamental (três pessoas), ensino superior (duas pessoas) e,
ainda, uma pessoa sem instrução. Também se percebe um diferencial em relação às outras
praças estudadas, no que diz respeito à variedade de profissões, a saber: Estudante, Vendedor
(a), Professor, Autônomo, Comerciante, Pintor, Agricultor, Doméstica, Representante,
Aposentado (a), Recepcionista, Operador de sonda, Empresário, Técnico em Eletrotécnica e
Auxiliar de serviços gerais.
.
Essa riqueza de respostas permeia em várias perguntas da entrevista. É o caso quando
perguntado o que mais lhe chama a atenção da praça. A maioria referiu-se aos pássaros,
especificamente os pombos, à estátua, à igreja catedral, ao piso (formato, desenho e/ou
brilho), à organização e estrutura diferente da praça, ao chafariz presente no espaço, à
localização da praça em relação ao centro da cidade, à paisagem (cenário) local, às pessoas
que a frequentam.
Por outro lado, e provavelmente por ter o Banco do Brasil ao lado, a maioria disse
estar só de passagem, o que caracteriza um espaço que serve de atalho para os transeuntes.
Trabalhar no espaço da praça foi citado por três usuários, que são os vendedores atraídos ao
lugar pelo alto movimento de pessoas que vão ao banco. Também foram citados como
motivos de estar na praça o descanso, a alimentação com lanches, para namorar ou se divertir,
com uma citação cada.
40
Gráfico 9 - Praça Vigário Antônio Joaquim – Idade dos frequentadores.
Gráfico 10 - Praça Vigário Antônio Joaquim – Renda salarial média mensal.
Para a maioria, encontros com amigos, convívio com seus familiares, amigos e o resto
da sociedade e passeios familiares (15 citações) se encontra entre as principais funções de
uma praça, isto é, um lugar onde se oportuniza a socialização das pessoas. Em segundo lugar
destacam o ambiente como propício para o lazer, descanso, relaxamento, descontração e bemestar (11 citações). Entretanto, os ambientes urbanos se apresentam de maneira artificial, onde
as relações sociais nas áreas públicas frequentemente são impessoais, algumas vezes
41
educadas, outras vezes grosseiras e, não raro, até perigosas. Mesmo assim, e com toda a sua
artificialidade, uma praça é considerada, no imaginário da sociedade, como um território
favorável às relações sociais agradáveis, um ambiente benigno à saúde mental e corporal.
A maioria dos entrevistados (15 pessoas) frequentam a praça uma vez por semana,
alguns o fazem uma vez por dia (três pessoas), ou ainda, muitas vezes na semana (duas
pessoas). Essa frequência se dá tanto pela parte da manhã (12 citações) como pela tarde (12
citações). Apenas três pessoas disseram frequentá-la também à noite.
No quesito segurança 12 pessoas acharam a praça segura, contra oito que a consideram
insegura. Isso, mais o fato que a maioria acha a praça desconfortável (11 pessoas) podem
explicar a preferência do uso do shopping (14 pessoas) como espaço para descanso e lazer.
Somente três pessoas consideraram as praças como lugar de preferência para essas atividades.
A respeito do investimento prioritário em praças, por parte do poder público, a opinião
dos entrevistados se apresentou equilibrado, pois nove pessoas acham que deve ser prioritário
e oito acham que não, que devem ser prioritária a saúde, a geração de emprego e outras coisas
mais importantes.
A alta temperatura ambiental (cinco citações) e a sujeira provocada pelos pássaros
(quatro citações) foram os itens mais mencionados pelos entrevistados, quando perguntados
sobre aspectos da praça que menos gostam. A falta de árvores, que está relacionado com a alta
temperatura da praça durante o dia, foi referida por quatro pessoas. O desconforto da praça e
dos bancos foi mencionado por duas pessoas. Dessa maneira, não surpreende quando
sugeriram a melhoria da arborização (seis citações) e o aumento da limpeza (três citações)
como itens indispensáveis para ser realizado pela prefeitura na praça. O quesito segurança não
foi deixado de lado por cinco pessoas, assim como melhoria na organização dos elementos da
praça (duas pessoas).
42
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com este estudo, observou-se que os espaços livres públicos, localizados na região
central da cidade de Mossoró/RN, têm finalidade social, mas dependendo da localização estes
espaços agregam outras funções.
A Praça da Independência tem dentre suas características a de amplo comércio
informal contribuindo bastante para o fluxo excessivo de pessoas no local e muito de seus
frequentadores utilizam este espaço público para atividades de comércio.
A Praça da Redenção se apresenta como um espaço muito tranqüilo, limpo e
arborizado, tornando-se num lugar bem aconchegante para os seus frequentadores que, por
sua vez, utilizam desta praça para o desenvolvimento de atividades de maior permanência,
como conversar, esperar o início das aulas, namorar, dentre outros.
A Praça Rodolfo Fernandes ainda é um atrativo na cidade mesmo tendo perdido parte
de seu referencial histórico. O uso deste espaço, atualmente, é mesclado entre pessoas que
estão ali para descanso e também de outros que esperam o comércio abrir; e não raro existem
ainda pouquíssimas pessoas que utilizam esta praça como lazer.
A Praça Vigário Antônio Joaquim apresenta um fluxo de pessoas intenso e
influenciado devido ao comércio existente nas imediações do local. A arborização neste
espaço livre deixa a desejar e a grande parte de seus usuários utiliza este espaço como
passagem de um lugar para outro.
É formidável para os habitantes (inclui-se também os governantes) de uma cidade a
preservação das áreas que fazem parte da sua memória; por isso, torna-se necessário a busca
dos subsídios para auxiliar na formação da consciência e da importância que as praças
desempenham nas cidades, principalmente do ponto de vista histórico-social – servindo como
ponto de encontro, de manifestações e de atividades culturais que estes espaços livres
representam.
43
REFERÊNCIAS
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cleciano rebouças da silva - Biblioteca Orlando Teixeira On