UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
A IMPORTÂNCIA DA PSICOMOTRICIDADE NO ENSINO DA
DANÇA PARA CRIANÇAS DE SETE A DEZ ANOS
Por: Renata Torres Pereira Ribeiro
Orientador
Profa. /Mestre Fátima Alves
Rio de Janeiro
2011
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
A IMPORTÂNCIA DA PSICOMOTRICIDADE NO ENSINO DA
DANÇA PARA CRIANÇAS DE SETE A DEZ ANOS
Apresentação
de
Candido
Mendes
obtenção
do
monografia
como
grau
à
requisito
de
Psicomotricidade.
Por: Renata Torres P. Ribeiro.
Universidade
parcial
para
especialista
em
AGRADECIMENTOS
A Deus e a minha família
DEDICATÓRIA
Dedico aos meus alunos e professores
de dança.
RESUMO
Esta pesquisa tem a finalidade de investigar crianças de sete a dez anos
de idade, que dançam e são trabalhadas paralelamente com atividades
psicomotoras e que mostram mais facilidade no aprendizado da dança e
conseguem desenvolvê-la com maior entendimento. Portanto, esta pesquisa
contará com recursos para mostrar a importância da psicomotricidade neste
processo e verificar como são ministradas as aulas de dança. Utilizando-se de
observações e entrevistas, Podemos comparar o aprendizado entre crianças
que tem e não o contato com a psicomotricidade e propor um programa de
atividades psicomotoras nas escolas de dança, destinado a crianças de sete a
dez anos de idade.
METODOLOGIA
Este trabalho trata-se de uma pesquisa bibliográfica e de campo. Os
principais autores utilizados na realização deste trabalho foram: Lapierre, Vitor
da Fonseca e Fátima Alves.
Este estudo será realizado através de duas escolas de dança, uma que
se utiliza da Psicomotricidade e a outra não e com crianças de sete a dez anos
de idade.
Estudando-as através de observações de quatro aulas ministradas a
elas.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
08
CAPÍTULO I - A Psicomotricidade e os aspectos psicomotores de crianças de
sete a dez anos.
10
CAPÍTULO II - A Dança e sua relação com a Psicomotricidade.
16
CAPÍTULO III – Atividades psicomotoras no ensino da dança.
23
CONCLUSÃO
38
ANEXOS
39
BIBLIOGRAFIA
42
ÍNDICE
44
FOLHA DE AVALIAÇÃO
46
8
INTRODUÇÃO
O foco principal desta pesquisa é a Psicomotricidade na dança e a
escolha deste tema se deu devido à diferença percebida em alunos de dança,
quando estes trabalham paralelamente com atividades psicomotoras. A
psicomotricidade contribui de maneira expressiva para a formação e
estruturação do esquema corporal e tem como objetivo principal incentivar a
prática do movimento em todas as etapas da vida de uma criança.
Por meio das atividades, as crianças, além de se divertirem, criam,
interpretam e se relacionam com o mundo em que vivem, proporcionando com
isso, um ganho enorme nas aulas de dança que praticam.
Nas aulas de dança observamos mudanças significativas e positivas
quando a psicomotricidade é inserida nas mesmas. A intenção desta pesquisa
é demonstrar ao professor de dança e fazer o aluno que interage com a
psicomotricidade perceberem que a psicomotricidade tem uma importância
fundamental na aprendizagem da dança e que pode existir diferença de
aprendizagem quando a psicomotricidade é inserida e quando não. A
comprovação disto será o grande propósito desta pesquisa. Portanto, o tema
sugerido é de fundamental relevância, pois a Psicomotricidade segundo
Lapierre (1984) “É a ciência psicopedagógica que procura estudar o homem, o
seu corpo em movimento e através disto entender a relação que ele faz
consigo mesmo e com o mundo externo".
Sendo a psicomotricidade a relação entre o pensamento e a ação,
envolvendo também a emoção, ela como ciência da educação procura educar
o movimento, ao mesmo tempo em que envolve as funções da inteligência.
Portanto o intelecto que se constrói a partir do exercício físico, tem uma
importância fundamental no desenvolvimento não só do corpo, mas também,
da mente e da emotividade, e sem o suporte psicomotor, o pensamento não
poderá ter acesso aos símbolos e à abstração.
9
Visto isso, podemos observar o quanto é importante o trabalho
psicomotor na área da dança, sabendo-se que o principal instrumento de
trabalho desta, é o corpo, e junto a ele mente e emoção.
Com o propósito de aprofundamento do assunto, esta pesquisa se
restringirá a estudar crianças de sete a dez anos de idade, que praticam aula
de dança. Para entender como a psicomotricidade contribui no aprendizado da
dança dessas crianças, este estudo aborda em seu primeiro capítulo a
psicomotricidade e os aspectos psicomotores de crianças de sete a dez anos, e
em seu segundo capítulo define a dança e seus aspectos e relaciona a
psicomotricidade com a dança.
É portanto, objetivo desta pesquisa Analisar como a psicomotricidade
auxilia o ensino da dança para crianças de sete a dez anos comparando,
através de observações e entrevistas, o aprendizado de crianças de duas
escolas de dança, uma que trabalhe com a psicomotricidade e outra que não
trabalhe, propondo assim, em seu terceiro capítulo um programa de atividades
psicomotoras para as escolas de dança - destinado a crianças da faixa etária
estudada.
10
CAPÍTULO I
A PSICOMOTRICIDADE E OS ASPECTOS
PSICOMOTORES DE CRIANÇAS DE SETE A DEZ
ANOS DE IDADE.
“A Psicomotricidade é uma ciência que tem por objeto de estudo o homem
através do seu corpo em movimento nas suas relações com seu mundo interno
e externo”. (SPB, 1984).
De acordo com a SPB (1984), a Psicomotricidade, está relacionada ao
processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitiva,
afetiva e orgânica, e é sustentada por três conhecimentos básicos: o
movimento, o intelecto e o afeto.
Psicomotricidade, portanto, é um termo empregado para uma concepção
de movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo
sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua
socialização.
1.1 – Campos de atuação da Psicomotricidade
Os campos de atuação da Psicomotricidade são:
1.1.1 - Educação Psicomotora: segundo Machado (2010) “É uma técnica,
que através de exercícios e jogos adequados a cada faixa etária leva a criança
ao desenvolvimento global do ser. Devendo estimular de tal forma, toda uma
atitude relacionada ao corpo, respeitando as diferenças individuais e levando a
autonomia do indivíduo como lugar de percepção, expressão e criação em todo
seu potencial”.
É uma atividade preventiva que propicia desenvolver suas capacidades
básicas, sensoriais, perceptivas e motoras levando a uma organização mais
adequada para o desenvolvimento da aprendizagem. Ela se divide em dois
eixos: a Psicomotricidade Funcional e a Psicomotriciade Relacional. De acordo
11
com Silva e Falkenbach (2008), A Psicomotricidade Funcional tem por
finalidade melhorar as aprendizagens cognitivas e o comportamento da criança
com o auxílio das famílias de exercícios, atende as necessidades conteudistas
da escola como escrever, ler e calcular. A Psicomotricidade Relacional utilizase do brincar como um meio de ajudar na construção da personalidade integral
da criança.
1.1.2 - Reeducação psicomotora: É uma atividade terapêutica, que
através do movimento tem o objetivo de superar, reduzir ou aliviar sintomas
e/ou alterações do desenvolvimento psicomotor.
1.1.3 - Terapia Psicomotora: É uma atividade que utiliza o corpo, seus
movimentos e suas possibilidades expressivas como meio de readaptação a
uma estrutura de tipo social. Procura diagnosticar através da relação
corpo/movimento, atraso psicomotor ou características da personalidade.
A Psicomotricidade procura educar o movimento e desenvolve as
funções da inteligência; o intelecto se constrói a partir do exercício físico e este
tem importância no desenvolvimento não só do corpo, mas da mente e da
emotividade, permitindo à criança a estimulação das atividades respiratórias e
circulatórias; exploração do ambiente externo e descoberta do espaço físico,
assim, organizando e integrando o esquema corporal.
1.2 – Elementos básicos da Psicomotricidade
Os elementos básicos da Psicomotricidade são:
1.2.1 - Esquema corporal: “É a representação que cada um faz de si
mesmo e que lhe permite orientar-se no espaço”. (H Pieron).
Segundo Fachada (1999) “é o que podemos dizer ou representar acerca
de nosso corpo, da idéia construída do mesmo, de ordem evolutiva e temporal”.
Elemento básico indispensável para a formação da personalidade da
criança, sua personalidade se desenvolverá graças a uma progressiva tomada
de consciência de seu corpo, de seu ser, de suas possibilidades de agir e
transformar o mundo a sua volta.
12
• Conhecimento das partes do corpo: tomada de consciência de cada
segmento corporal de forma proprioceptiva e externoceptiva. A criança deve
ser capaz de unificar todas as partes do corpo de forma a encontrar a imagem
corporal.
• Orientação espaço-corporal: consciência de que o corpo pode tomar
diferentes posições, não em movimento.
• Organização espaço-corporal: a criança poderá exercitar todas as
possibilidades corporais, conhece as partes do corpo, a disposição e as
posições. Portanto vai se movimentar de forma analítica (chegará a um
domínio corporal através de exercícios de coordenação, equilíbrio, inibição e
destreza.) e de forma sintética (prevendo e adaptando seus movimentos ao
objetivo a ser alcançado ou expressando por intermédio do seu corpo uma
ação, um sentimento, uma emoção). A criança será levada a descrever um
movimento, a compreender as situações refletidas pelas atitudes e expressões
das personagens, a exprimir-se através de desenho, em suma a compreender
e dominar o diálogo corporal.
Etapas de desenvolvimento do esquema corporal:
• O corpo vivido: segundo Alves (2008) “esta etapa é dominada pela
experiência vivida pela criança através da exploração do meio”. A criança será
capaz de dominar seus movimentos e perceber seu corpo globalmente através
de jogos livres e atividades integradas onde o mediador colocará a criança em
desequilíbrio ao lançar mão de questionamentos verbais, a sensações e a
representação.
• O corpo percebido ou descoberto: de acordo com Alves (2008)
“corresponde à organização do esquema corporal devido à função de
interiorização”.
• O corpo representado: segundo Alves (2008) “observa-se à estruturação
do esquema corporal, pois já apresenta a noção do todo e das partes do seu
corpo, conhece as posições e mantém um maior controle e domínio corporal”.
1.2.2 - Lateralidade: em Alves (2008) “o termo lateralidade se refere à
prevalência motora de um lado do corpo”. Durante o crescimento define-se a
13
dominância lateral de uma criança, esta dominância é baseada em fatores
neurológicos e também influenciado por hábitos sociais. Na observação de
criança para se saber o lado dominante das mãos, pés, olhos, basta verificar
qual a utilização dos membros na ação de qualquer movimento que exija força
e precisão. Pode-se concluir também; uma lateralidade homogênea, uma
lateralidade cruzada ou uma ambidestra. O importante é saber qual a utilidade
da lateralidade na evolução da criança, pois influi na idéia que a criança tem
dela mesma, na formação do esquema corporal, na percepção da simetria do
corpo e também contribui para determinar a estruturação espacial ao perceber
o eixo do seu corpo e o ambiente em relação a esse eixo.
1.2.3 - Estruturação espacial: É a orientação e a estruturação do mundo
exterior referindo-se primeiro ao seu referencial, depois a outros ou pessoas
em posição estática ou em movimento. A estruturação espacial é a tomada de
consciência do seu corpo em meio ao ambiente, Isto é, do lugar e da
orientação que pode ter em relação às pessoas e coisas; é a possibilidade de
organizar as coisas que o rodeiam, movimentando-as.
Para Alves (2008) “primeiro, a criança percebe a posição de seu próprio
corpo no espaço. Depois a posição de objetos em relação a si mesma e, por
fim, aprende a notar as relações das posições dos objetos entre si”.
Etapas:
• Conhecimento das noções: a criança deverá perceber as diversas
formas, grandezas e quantidades, para poder escolher o material e saber
manipulá-lo.
• Orientação espacial: quando a criança já domina os termos espaciais
pode-se orientá-la para movimentar o seu corpo de acordo com as noções
espaciais (frente, trás, para direita, para esquerda, ao lado, de costas, ao
contrário, em fila, em coluna...).
• Organização espacial: organizar é combinar, dispor para funcionar.
Nesta etapa a criança disporá os objetos para ocupar um espaço delimitado
para atingir um objetivo (labirinto, jogos de trajetos).
14
• Compreensão das relações espaciais: baseia-se no raciocínio a partir
de situações especiais bem precisas. Ex.: colocar em progressão diferentes
círculos, desta forma a criança deve dispor do conhecimento de que todos os
objetos representam o mesmo símbolo, que só diferem da grandeza,
discriminá-los para colocá-los em ordem.
1.2.4 - Orientação temporal: a capacidade de situar-se em função da
sucessão dos acontecimentos (antes, após, durante), da duração dos
intervalos (noção de tempo longo, curto, ritmo regular e irregular, cadência
rápida e lenta.), da renovação cíclica de certos períodos (dias da semana, os
meses), e do caráter irreversível do tempo, já passou não pode mais revivê-lo.
De acordo com Alves (2008) “a estruturação temporal garantirá experiências de
localização dos acontecimentos passados e uma capacidade de projetar-se
para o futuro, fazendo planos e decidindo sobre sua vida”.
Etapas:
• Ordem e sucessão: trata-se de perceber e memorizar o que passa,
(antes, depois, agora...), em que ordem os gestos foram feitos, o que foi feito
primeiro e por último.
• Duração dos intervalos: o que passa depressa, o que dura muito
tempo, a diferença em uma hora e um dia...
• Renovação cíclica de certos períodos: são os dias, semanas, as
estações aos quais associamos determinadas atividades ou um material.
• Ritmo: abrange a noção de ordem, de sucessão, de duração, de
alternância. Começa expressando seu ritmo próprio em exercícios de
locomoção livre sob os acordes de uma música, e depois associá-los a um
ritmo dado.
• Direção gráfica: escrever da esquerda para direita.
• Noções de em cima e em baixo: (n e u), de esquerda e direita (37 e
não 73).
• Noção antes e depois: para iniciar o gesto no lugar certo.
Obs.: O domínio dos gestos, da estruturação espacial e da orientação temporal
são três fundamentos da escrita.
15
Uma das definições de Psicomotricidade é que ela é uma ciência da
educação e saúde destinada a estudar, analisar, orientar todas as condutas do
indivíduo: motoras, neuromotoras, perceptomotoras. Tem como objetivo
estimular a percepção e a consciência do corpo como lugar da sensação,
expressão e criação; a integração harmoniosa entre cada segmento corporal e
suas inúmeras possibilidades de movimento: a sua relação com o tempo e com
o espaço, normalizando ou melhorando o comportamento geral do indivíduo,
de suas emoções e necessidades.
1.3 – Aspectos psicomotores de crianças de sete a dez
anos.
Sobre os aspectos psicomotores de crianças de sete a dez anos de idade,
de acordo com Fátima Alves (2008), dos sete aos dez anos ocorre a
estruturação de um “esquema corporal”, integrando os dados vividos com os
dados percepto-cognitivos e ingressando na fase das operações concretas. Os
esquemas de ação antecipatória vai lhe permitir encarregar-se de sua própria
motricidade, e por volta dos dez anos já tem capacidade de modificar um
automatismo em execução, sem demasiadas sincinesias, mantendo a estrutura
de conjunto.
Sabendo que o desenvolvimento da criança é muito mais rápido no
período do nascimento aos seis anos de idade, tanto psicologicamente como
fisicamente, é importante o profissional que irá trabalhar com crianças de sete
a dez anos saber a historia familiar da criança nesse período de vida, pois
compreenderá melhor seu aluno e assim realizará atividades apropriadas que
certamente darão resultados positivos.
16
CAPÍTULO II
A DANÇA E SUA RELAÇÃO COM A
PSICOMOTRICIDADE
Segundo Faro (2004), a dança surgiu como forma de encantamento, com
rituais e manifestações sagrados onde o homem se envolvia com o ambiente e
consigo mesmo. Primeiramente os índios extravasavam na dança as pressões
dos seus sub-conscientes, do ambiente físico e social e dos mistérios
sobrenaturais. A partir das infinitas formas regionais, movimentos de dança
evoluíram, tornando-se cada vez mais elaborados em termos técnico-formais,
em detrimento da espontaneidade e da possibilidade de uma participação
coletiva.
O advento do individualismo gerou na dança a gradual separação,
dançarino versus expectador, quebrando a antiga interação com a comunidade
nas manifestações da dança, onde todos os participantes atuavam conforme
seus papéis na sociedade. A dança, distanciada do povo, gerou uma corrida ao
estéreo exibicionismo, do virtuosismo técnico do bailarino, baseando em
temáticas alienantes, fora da realidade, restringindo a sua atuação a um mero
divertimento, deslumbrando o público com movimentos estereotipados
espetaculares.
Os professores precisam se manter atentos para não perderem a
liberdade de expressão do movimento, pois a dança cênica tende sempre a
voltar-se para formas convencionais acadêmicas, por mais avançadas que
sejam as suas propostas. E se a proposta é a formação da criança no ensino
da dança especializada, alguns temas devem ser abordados como:
espontaneidade e construção formal; desenvolvimento parcial e global.
Incluindo a Psicomotricidade na dança formal.
Muitos professores de dança procuram uma compreensão maior e mais
clara do processo artístico na formação do ensino da dança. Sabemos que o
fazer “bailarino” depende da sensibilidade, imaginação criadora e fértil e da
17
forma técnica aprimorada de quem ensina e de quem aprende. A pergunta é:
como podemos orientar crianças no descobrimento do seu potencial técnicocriativo, experimentando e permitindo-se procurar seu próprio corpo a caminho
da dança? Como ensiná-la a dançar sem lhe impor fórmulas e métodos
prontos, e por isso mesmo, estéreis?
O que se nota geralmente nas escolas e academias de dança é uma
disciplina rígida onde os alunos devem aceitar as regras sem questioná-las e
aprender que as técnicas são sagradas e imutáveis. A disciplina das aulas de
dança é importante e as regras devem ser estabelecidas entre professor e os
alunos para que os ensinamentos sejam absorvidos e com isso eles
compreendam corporalmente o que deseja da técnica, porém esse aprender
deve estar intimamente ligado ao experimentar, vivenciar, perguntar, opinar,
questionar para que o aluno tenha consciência do porquê e para que serve tais
ensinamentos que tanto repete e memoriza durante a aula técnica.
A educação que se busca deve possibilitar o autoconhecimento,
compreensão de si mesmo e de seu mundo, prazer, contato com o lúdico e
desenvolvimento de uma consciência crítica, favorecendo e incentivando o
aluno a manifestar idéias através de um agir pedagógico coerente, para que a
partir disto, o aluno possa expressar sua corporeidade e sua capacidade de
adaptação, favorecendo ao mesmo tempo acoplamentos estruturais nessa
relação biopsico-energética.
A dança, fonte rica e natural de expressão de corporeidade, entra a fundo
em qualquer proposta pedagógica, a partir do momento que trabalha com a
plasticidade dos corpos e integra os alunos como sujeitos formadores do
mundo em que vivem. Inversamente pode também ter uma falsa ideologia na
medida que deforma, destitui de valor, um ser, em prol somente de um corpo
atlético, assim sem identidade e personalidade para atuar como um verdadeiro
transmissor de sentimentos e emoções.
Analisaremos a seguir os elementos que constituem o ensino da dança
para que se possa vincular com os elementos da Psicomotricidade e verificar
suas semelhanças para uma verdadeira aliança, que constitui o enriquecimento
do ensino da dança, bem como o benefício à criança.
18
Na dança podemos observar quatro elementos fundamentais: tempo,
espaço, forma e movimento.
Segundo Robatto (1994) O movimento pode ser visto como um meio de
expressão quando representa uma idéia e pode ser um fim quando se
representa como uma idéia estética; expressa por si mesmo os valores de
quem executa e de quem coreografa.
O tempo e o espaço que integrados representam a dinâmica do
movimento, podem condicionar ou ser condicionados pelo movimento a partir
do momento que, organizam-se, revelam-se e aprimoram-se a partir do
movimento. Cada movimento corporal exige uma demanda de esforço físico,
específica, conforme a intensidade do seu impulso e fluxo, que irá determinar a
velocidade de duração, distância e dimensão do movimento no seu percurso.
A forma na dança surge através do movimento que organiza
esteticamente a relação do tempo e do espaço, determinando sua dinâmica e
assim criando a forma coreográfica. A forma é a conseqüência estética da
composição dos elementos da dança. Pode ser abstrata ou simbólica, mas
tratando-se da Arte deve ser significativa. A forma configura a proposta estética
e a mensagem do autor.
Esses quatros elementos devem ser tratados e desenvolvidos nas bases
da formação da criança sob pena de ter distorções a cerca dos objetivos na
dança. Se desde cedo empregarmos a forma pela forma deixando-a sem
significado e valor, dando a forma um sentido apenas aparente de resultados
formais, além dos resultados serem inférteis, no futuro, a dança não terá
sentido.
Quanto ao espaço e tempo, a sua educação faz parte do desenvolvimento
geral da criança, limitá-los e aprisioná-los em seqüências repetitivas e sem
criatividade, é utilizá-los em sua monotonia.
A análise mais profunda dos princípios do movimento se faz necessário
para a compreensão do trabalho de formação da criança na dança. Como diz
Robatto (1994) “O ideal é desenvolver com consciência e sensibilidade, cada
movimento, ou seja, carregar cada gesto da dança com uma intuição
expressiva através de uma imagem definida”. Isso só ocorrerá se o pleno
19
domínio dos elementos se fizer presente e só se fará presente se forem
vivificados corporalmente pela criança. Esse corpo em movimento expressa a
forma plástica na qual se destaca a postura e a posição corporal contida na
“cinesfera”, que de acordo com Rengel (2003) é a esfera de espaço em volta
do corpo de cada indivíduo na qual e com a qual cada um se move, ou seja,
refere-se primeiramente ao espaço individual onde o ponto chave é o eixo do
corpo e o espaço representado é o interno e o externo.
Em um segundo momento entra o espaço cênico onde a forma plástica e
o fluxograma (representação gráfica do espaço externo), podem representar o
espaço (ambiente) percorrido pelo intérprete ou grupo, em que os caminhos
são traçados. Quanto à dimensão do espaço, refere-se aos três planos, em
Rengel (2003): altura onde a verticalidade é o limite; largura que situa o corpo
ao nível da altura-largura (horizontalidade) e o transverso que enfatiza a
profundidade do espaço (abrange os três planos).
O fator proporção refere-se às relações entre os graus de grandeza, ou
seja, as extensões do movimento, amplo e restrito, volumosos, largos ou
estreitos, grandes, exagerados ou mínimos e sutis, e ainda alcançar distâncias
maiores ou menores. A direção e nível referem-se ao percurso do movimento
tomando-se como ponto o centro do corpo e o eixo em relação ao espaço, para
então definir para onde o movimento se dirige, de onde parte o movimento e
por onde esse movimento passa.
Quanto ao tempo na dança, pode ser percebido pela velocidade, duração,
acentuação e periodicidade de cada movimento, fatores que geram o ritmo e as
relações que antecedem e precedem o movimento como um todo.
Quanto à velocidade, tempo gasto para a realização de uma
movimentação, pode coincidir com uma aceleração ou desaceleração,
indicando os padrões do mais rápido ao mais lento possível. A duração é o
tempo decorrido entre o inicio e o termino de cada movimento ou pausas, pode
ser medido pelos minutos, batidas do metrônomo ou com as métricas. A
acentuação é percebida quando algum relevo incide no percurso de um
movimento, quando o movimento apresenta em seu movimento total, diferentes
fases nas quais se distinguem pelo grau de volume de execução. Já a
20
periodicidade é a incidência de fatores: regulares e irregulares, constantes e
interrompidas, etc.
Como ultimo elemento destaca-se a intensidade do movimento que pode
ser percebida pelos fatores de acordo com Rengel (2003): peso, esforço, fluxo
e impulso empregados no seu desempenho.
O peso refere-se ao grau de resistência à força da gravidade, que podem
resultar de movimento que vão desde o leve ao pesado e do estado ativo ao
passivo. O esforço é a energia empregada na realização de cada movimento
ou partes do corpo, esses movimentos podem ser fortes ou fracos, tensos ou
relaxados em seus graus mais sensíveis. O fluxo é a natureza de curso de
movimento ou de como o movimento é dirigido pelo executante: solto, contínuo
e descontínuo, livres, conduzidos ou dirigidos ou até descontrolados. O impulso
é o ponto de aplicação no corpo da força que ativa o movimento e pode ser:
central, periférico, total, parcial, múltiplo.
Segundo Miranda (1980) “se por um lado podemos descrever um
movimento como uma série de ações: correr, pular, etc. Nós também
descrevemos o movimento em termos de como cada uma dessas ações é
executada, ou seja, rapidamente, levemente, livremente e assim por diante”.
Essa analise dos princípios do movimento pode aguçar nossa percepção
em: como se dá o desempenho tanto da criança em formação, como do
bailarino; como eles entendem, controlam e se entregam ao movimento; a
qualidade das diferentes gamas de esforço e desenhos formais e como se dá à
dinâmica de cada movimento, que é uma conseqüência da inter-relação desses
fatores aqui relacionados, que ainda enfatizam a expressividade do intérprete e
da coreografia.
A dança através da mobilidade no processo de ensino ainda estimula as
percepções táteis, visuais, auditivas, de competência manual e de certa forma
enriquece a linguagem, ou seja, atua definitivamente no processo de
maturação neuropsicomotora, prevenindo futuros problemas de aprendizagem.
Através de vivências corporais, onde a criança se coloca no espaço de
diferentes maneiras, em níveis: baixo, médio e alto. Rengel (2003), onde o
corpo penetra no chão, rolando, arrastando, engatinhando, equilibrando-se em
21
diversas posições, a criança vive sua percepção tátil, que a ajuda na
propriocepção de seu corpo. Com o trabalho de espelho, imitações com e sem
modelo a criança, segundo Vygotsky em Oliveira (1995) tem a oportunidade de
realizar ações que estão além de suas próprias capacidades, o que contribui
para o seu desenvolvimento e vivencia sua percepção visual-espacial e
percebe pequenas diferenças entre os gestos. Já a audição associada ao ritmo
da música levará ao domínio dos diferentes sons e ritmos fazendo-os seguir
distintos sons e reproduzir ritmos conhecidos. Através dos elementos e
adereços trabalhados nas vivências expressivas, a criança domina a
capacidade de coordenar o movimento corporal com o objeto escolhido, de
forma a torná-lo um elemento de expressão, melhorando sua coordenação
geral e fina.
Quanto à linguagem primeiramente, estabelece uma relação de troca
entre o professor-aluno, aluno-aluno, onde o diálogo é essencial para o
entendimento do que se deseja dela e vice-versa. Em segundo momento, a
dança tem uma linguagem própria, os passos de ballet são de terminologia
francesa e para melhor compreensão dessa linguagem, um tanto abstrata,
recorre-se a comparações as estruturas mentais já conhecidas pela criança,
como exemplo: jeté que o significado é jogar, atirar; sua execução é associada
ao riscar de um fósforo. E em ultimo momento, através de poesias, textos
diversos, pesquisas de assuntos ligados à Arte ou temas referentes a sua vida,
incentivam a criança, ampliando seu vocabulário, sua curiosidade e criatividade
expressiva.
Na dança diversos exercícios psicomotores podem ser feitos para que
com o corpo a criança adquira as noções de grandeza, formas e quantidades,
associando-se, por exemplo, aos animais, como se locomovem, qual o
tamanho de suas passadas, o peso que o animal tem e sua respectiva
correspondência ao ritmo do passo; movimento conforme as referências do
espaço da sala; com referência a diversas formações; e com referência a
trajetos elaborados para que o movimento seja feito, enfim, a liberdade de
experimentar o espaço é um aprendizado mesmo. A temporalidade vem dessa
associação, tempo - ritmo - corpo - movimento, que é trabalhada intensamente
22
na dança. Primeiro ao situar-se em função dos acontecimentos que ocorrem
durante a aula, rotina que se estabelece, onde a criança se organiza e associa
o tempo da aula com as diversas etapas da mesma. Através de brinquedos
cantados, ritmos variados, acentuações feitas em algum instrumento musical, a
criança estabelece a noção do tempo, de regularidade do compasso, da
cadência da música.
O professor tem a responsabilidade de fazer aparecer às múltiplas
possibilidades por intermédio de uma comunicação profunda com seus alunos.
E ainda mais, com a criação desse contexto que norteie o potencial dos alunos,
que os encorajem a libertarem-se das pressões externas fornecidas por um
modelo de sucesso. Cada um deve acreditar ser uma pessoa que é dançarina,
e não um dançarino que é uma pessoa.
23
CAPÍTULO III
ATIVIDADES PSICOMOTORAS NO ENSINO DA
DANÇA
(Dados retirados do artigo escrito por Rosana Fachada, professora da
disciplina de Psicomotricidade do curso de Licenciatura em Dança da
Univercidade.).
As atividades mencionadas a seguir foram elaboradas teoricamente junto
ao estudo da Psicomotricidade e, posteriormente, aplicadas para comprovação
de fatos, atitudes e descobertas quanto ao desenvolvimento da criança, mas
em qualquer área em que se faça necessária à descoberta do corpo em
movimento.
Os exercícios estão divididos de acordo com as fases de desenvolvimento
e cada um deles traz a forma como deve ser aplicado, respeitando-se a
individualidade do professor e de seus alunos, bem como os objetivos e sua
relação com a dança. Uma vez que a criatividade emanada durante as
atividades pode ser transferida como argumento e representação de uma
coreografia, o professor pode utilizar esses exercícios como recurso
coreográfico, além de ser ferramenta na descoberta do corpo e de suas
possibilidades.
1 – Exercício respiratório (deitado, sentado ou em pé) – trabalhar a
contração e a dilatação abdominal:
a) “bichinho” – contrair e dilatar o abdômen pensando em “esconder e expulsar”
algo de seu abdômen;
b) respiração acompanhado a fase abdominal, diafragmática e peitoral;
c) acompanhar a respiração através de um ritmo ditado pelo professor.
Desenvolvimento/objetivo: consciência corporal quanto à respiração de um
modo geral e, especificamente na dança, a contração abdominal é um
24
elemento fundamental para a postura e equilíbrio do bailarino. Desta maneira, a
criança desde cedo deve aprender a utilizar a contração abdominal, respirando
normalmente, durante a execução de qualquer movimento.
2 – “Pinóquio” ou “boneco duro e mole”.
Deitado, inicialmente em decúbito dorsal e depois em diversas posições
corporais, perceber através da contração muscular como conseguir o tônus
ideal e diferencial do corpo. O professor orienta a criança a fazer diversas
poses em contração. Toca seu corpo para ativar a atenção seletiva a
determinadas partes e buscar a consciência corporal.
Desenvolvimento/objetivo: o tônus muscular é básico para qualquer trabalho
que exija força; a criança deve aprender que a força que ela utiliza ao realizar a
atividade “pinóquio” nada mais é do que a contração muscular exigida em
todos os passos técnicos, e é através de sua aquisição que os desafios são
superados. Neste exercício, a propriocepção é o elemento chave para que
essa consciência se instale. Mais tarde, esta atividade deve ser desmembrada,
utilizando a contração diferencial para que a criança saiba onde a força deve
ser aplicada para a execução do movimento desejado, sem, no entanto,
desperdiçar energia em locais errados.
3 – ocupar o espaço do colega (pequenos e grandes espaços, verificar a
noção de proporção).
Desenvolvimento/objetivo: ao ocupar o espaço criado pelo colega, a criança
assimila a dimensão do seu corpo e como ela pode passar seu corpo no
espaço apresentado a ela. A noção de proporção, de tamanho da forma, a
ajudam na consciência de seu corpo e espaço. Além disso, a criatividade é à
base da realização da atividade onde as crianças devem criar posições
estáticas, as mais variadas possíveis quanto ao nível, dimensão e espaço
utilizado para sua realização. Uma variação dessa atividade pode ser feita
quando as posições estáticas passam a ser dinâmicas; a coordenação entre
25
crianças deve ser mais ritmada e dirigida uma em função da outra (do
movimento alheio). É também, um trabalho de equilíbrio estático e dinâmico,
flexibilidade e força isométrica.
4 – Estátua – dizer como é sua pose, descrevendo-a e analisando seu
espaço e sua lateralidade. Fechar os olhos, constatar, desmanchar a pose e
retornar a ela.
Desenvolvimento/objetivo: ao ritmo de uma música, dançar livremente. Na
pausa da música, parar em uma pose e descrevê-la oralmente quanto a sua
forma no espaço. Ao observar-se, a criança passa a ter consciência de sua
pose, uma vez que a análise do seu corpo no espaço ajuda na sua
propriocepção. De olhos fechados, a visão que ela tem de si mesma se
intensifica, dando uma outra conotação de sua pessoa e de seu corpo. A
interdependência do membro, o ritmo e o equilíbrio dinâmico e estático são
desenvolvidos.
Variação: interromper a música por diversas vezes, a cada vez mencionar um
número que corresponda a pose criada. Depois pedir a criança que refaça a
pose de algum número correspondente, e depois deve se lembrar o espaço
onde fez a pose e qual criança estava ao seu redor. Trabalha com memória ao
memorizar a seqüência das poses e trabalha o fluxo do movimento, a
velocidade, enfim os princípios do movimento.
5 – Boneco de manipulação.
Desenvolvimento/objetivo: em dupla, uma criança manipula a outra como um
boneco articulável, colocando-a nas mais variadas posições no espaço.
Depois, deixa-a em uma posição final. Imita a sua pose e constata o que foi
criado, fecha os olhos para a maior interiorização da forma, relaxa e volta
imediatamente a mesma pose e verifica o que foi assimilado. O trabalho de
manipulação é fundamental para o registro do peso, da textura, do calor
corporal, das dimensões do corpo do outro e dos seus limites articulares, além
26
do trabalho de construir uma pose com o corpo do outro e, depois, imitar
fielmente o que foi criado por ele mesmo. Com este exercício, a criança
percebe também que seu corpo é similar ao que foi manuseado, observando as
igualdades e diferenças individuais, comparando-se. A criança que é
manipulada a propriocepção é acionada, dando-lhes informações sobre o seu
corpo nas mais diversas posições espaço-temporal, ajudando na construção do
seu esquema corporal. A relação se estabelece entre as crianças, e novas
possibilidades de relacionamentos são provocadas.
Dentre as qualidades físicas, o equilíbrio, a força isométrica e isotônica, a
postura e a flexibilidade são desenvolvidos.
6 – Níveis: deitada, sentada, ajoelhada, em pé.
Desenvolvimento/objetivo: trabalhar os níveis com diferentes posições e
associações rítmicas (palmas, instrumentos musicais, músicas variadas). A
cada mudança rítmica, mudar de nível. Melhora a atenção, coordenação global
e rítmica, percepção de que o corpo pode ocupar diferentes posições e níveis.
7 – Diferentes formas de locomoção: andar, correr, saltar e saltitar;
variando a direção, sentido, tamanho, forma, dimensão, peso, intensidade,
utilizando materiais diversificados (bola de gás, jornal, corda, EVA como forma
geométrica e recortes de mãos e pés, lixa,...).
Desenvolvimento/objetivo: as diferentes formas de se locomover promoverão o
aumento do vocabulário corporal. Trabalhando junto com os elementos da
dança (espaço, tempo, intensidade, fluxo) a percepção quantos as possíveis
maneiras de se executar um mesmo movimento aumenta, atuando na
consciência do seu corpo.
8 – Desenhar o corpo do colega no chão ou no papel; mudar de desenho
e deitar sobre o desenho do outro.
27
Desenvolvimento/Objetivo: Primeiramente a criança deve experimentar seu
corpo no chão através de uma pose e permanecer até o término do desenho.
Depois reparar na imagem visual exposta no chão e correlacionar com o que
foi pensado. Após o desenho, todas as crianças passam por todos os outros
desenhos, deitando sobre os mesmos, com o intuito de descobrir como as
outras crianças estavam posicionadas. Dançar livremente sobre as partes do
corpo e apagar o desenho com diferentes partes. Trabalha a consciência da
forma, criatividade e percepção visual e espacial e elabora o esquema corporal.
9 – Elevar do chão as diversas partes corporais, estimulando o maior
número de formas possíveis. Depois o professor menciona algumas partes do
corpo que podem tocar no chão, até retirar todas as partes.
Desenvolvimento/Objetivo:
Trabalho
de
equilíbrio
estático
e
dinâmico,
flexibilidade, tônus, força estática, ocasionando uma estrutura corporal firme,
segura e moldável.
10 – Posicionar-se: à frente, ao lado, atrás de objetos e pessoas, em fila,
em coluna, em círculo, em grupos variados, em trens, dando a mão, em fila
indiana segurando o ombro.
Desenvolvimento/Objetivo: Em dança, o trabalho do espaço externo (sala e
palco) é fundamental e um dos mais complexos, uma vez que as noções de
direito-esquerda, frente-trás, em baixo em cima, de lado, se estruturam com o
tempo. A atividade consiste em espalhar objetos pela sala e posicionar-se nos
referidos termos espaciais acima descritos utilizando o professor como
referencia espacial. Como variação pode-se colocar dois grupos de crianças,
um móvel e outro fixo no espaço, que servirá como referência para seu
posicionamento. Os pontos de referência também podem mover-se em local
determinado ou pela sala toda, dificultando a percepção das demais crianças.
Após a consciência que o corpo pode se direcionar em qualquer direção, às
crianças devem desenhar os objetos espalhados no chão e montarem um
28
fluxograma (percurso do corpo naquele espaço, referindo-se aos objetos).
Trocar de folha e tentar fazer o percurso do outro.
11 – Trabalhar os quatro cantos da sala numerando-os da direita para a
esquerda.
Desenvolvimento/Objetivo: Ao numerar os cantos, o trabalho das diagonais
pode ser incluído. Inicia-se assim que a criança tenha utilizado o seu espaço
nas referencias do exercício anterior. Depois utilizar as oito referências
espaciais para posterior compreensão do corpo na sala e no palco.
12 – Rolamentos: de lado estendido, de joelho flexionado, de perna
abduzida, rolar para frente e para trás.
Desenvolvimento/Objetivo: O rolamento é essencial na iniciação das destrezas
motoras, pois é uma das formas que os dois hemisférios cerebrais aprendem a
trabalharem juntos. Desenvolve o controle do corpo sobre o chão, a percepção
do tato, e a coordenação global.
13 – Reconhecimento auditivo: Gravar uma fita com diferentes ritmos e
pedir que as crianças dancem conforme a música: sozinhas, em duplas (livre e
com partes do corpo coladas), trocando de duplas conforme a mudança de
ritmo.
Desenvolvimento/Objetivo:
Com
o
reconhecimento
auditivo
estimulado,
permitirá à criança perceber os ritmos e como associá-los ao seu corpo para
que haja uma excelente coordenação música/movimento. Além do trabalho de
socialização e criatividade.
14 – Amarelinha: 2/2, 2/1, 1/1, 1 outro 1, 1/2.
Desenvolvimento/Objetivo:
A
amarelinha
tradicionalmente
trabalha
a
29
coordenação, o equilíbrio e a lateralidade da criança. Além dessas qualidades
físicas, o objetivo é associar o trabalho da amarelinha com o impulso
necessário para se realizar diferentes tipos de saltito que ela desenvolverá
durante seu estudo. Desta forma os diversos tipos de impulso dos pés (de 2
pés para 2 pés, de um para dois ... ) serão associados a passos (sissone, jeté,
assemblé ... ) e à qualidade do movimento dos pés trabalhados (sua extensão
durante o saltito).
15 – Com um pandeiro, desenvolver o ritmo dado pelo professor, com
acompanhamento do Piano (com a mão dominante e depois com a outra mão).
Desenvolvimento/Objetivo: Deve-se desenvolver a noção rítmica dos tempos
binários, ternários e quaternários, conforme o amadurecimento da criança, e
associar esses ritmos a passos pré-determinados para o trabalho de
coordenação rítmica e corporal.
16 – Dançar com uma fita descrevendo: círculos (vertical, horizontal),
zigue-zague serpentina (vertical, horizontal).
Desenvolvimento/Objetivo: Os materiais fita e lenço, por serem leves e
flexíveis, ajudam na destreza da criança, no desenvolvimento da coordenação
fina, trabalham o espaço exterior e do corpo ao ser manipulado para fora e
para dentro do eixo corporal. O exercício ajuda na descoberta do trabalho do
punho e previne a rigidez articular na escrita.
17 – Equilibrar saquinhos de areia: formas de andar, dançando, em
trabalhos de equilíbrio estático (poses).
Desenvolvimento/Objetivo: Os saquinhos de diferentes tamanhos e pesos
darão à criança a noção tão almejada na dança - a postura ereta e firme sem o
estereótipo do "peito de pomba" (o quadril em anteversão e o peito estendido).
Com o trabalho do equilíbrio, a criança aprende naturalmente como deve ser a
30
sua postura.
18 – Dançar conforme os movimentos coordenados.
Desenvolvimento/Objetivo: Trabalho de coordenação geral, estruturação do
esquema corporal, lateralidade e ritmo; Um exemplo: mão direita no quadril e a
outra na cabeça, mão esquerda no joelho e a outra na barriga, e assim por
diante. Variação: em círculo, dançando, ao sinal do professor colocar a mão
direita no ombro esquerdo do seu amigo da frente, com o braço esquerdo tocar
o tornozelo direito do amigo de trás.
19 – O professor bate no pandeiro: uma marcha, uma corrida, um saltito.
(variando tempos fortes e fracos, regulares e irregulares).
Desenvolvimento/Objetivo: As crianças se expressam livremente variando
conforme o tempo dado. Para o ensino das batidas rítmicas, as crianças
aprendem, em primeiro lugar, batendo no chão o ritmo dado; depois, sem os
pés e, mais tarde, no pandeiro. Inventar ritmos do cotidiano, contar histórias
com diferentes ritmos. Acompanhar ritmos de músicas conhecidas, com um
colega e batendo palmas. Com essas atividades, a descoberta do tempo
musical associada ao trabalho corporal auxilia na percepção auditiva, no ritmo
coordenado ao gesto.
20 – Em grupos, apresentar uma história com o uso das mãos, pés e de
ambos, sempre tentando alertar sobre o uso dos dedos e articulações das
mãos e dos pés.
Desenvolvimento/Objetivo: Desmembrando o corpo, a criatividade deve ser das
mãos e pés, ajudando na coordenação fina, na desenvoltura das articulações e
nos "Ports de Bras".
21 – Perceber, entre poses iguais, pequenas diferenças (da forma,
31
comprimento, quantidade, tamanhos, situações).
Desenvolvimento/Objetivo: Perceber o que falta em alguma pose, o que tem a
mais, as posições entre as crianças, mudanças de lugar. Trabalho de
percepção visual - detalhe da figura e reconhecimento figura-fundo, além da
criatividade e socialização do grupo.
22 – Com dois grupos, montar um quadro vivo com um grupo de crianças
com ações em ordem cronológicas desorganizadas e pedir que o outro grupo
coloque na ordem certa.
Desenvolvimento/Objetivo: Em grupo, montar uma seqüência de passos ou da
vida diária desorganizada, para o outro grupo reorganizar. A atividade
desenvolve a criatividade, a percepção visual dos detalhes e figura-fundo, a
noção temporal dos acontecimentos ao colocá-los em ordem.
23 – Exercício Sensório-Motor: Memória corporal.
Desenvolvimento/Objetivo: Em círculo, criar e repassar movimentos; frases de
movimento em grupos; frases de movimento individual. Desenvolver a
criatividade e a memória corporal ao criar, repassar e reproduzir imagem.
Aproveitar a seqüência elaborada e desenvolver os elementos do Princípio do
Movimento, chegando em uma coreografia.
24 – Imaginar a careta que você fará se: Chupar um limão, morder algo
duro, provar um doce gostoso, ouvir um barulho forte, sentir um cheiro
desagradável, ver repentinamente uma luz muito forte, chorar de medo, ficar
feliz por um presente, ficar muito brava, sentir dor de dente, frio, calor e fome...
Desenvolvimento/Objetivo: Despertar a memória corporal a respeito de
acontecimentos, emoções, para o resgate criativo, para posterior aplicação em
coreografias.
32
25 – Desenhar movimentos ou passos criados ou já ensinados.
Desenvolvimento/Objetivo: Através de folha de jornal ou revista (colagem),
desenhos, ou mesmo através da escrita relembrar os passos já interiorizados.
Ajuda na memória, no reconhecimento e na conscientização dos movimentos.
26 – Montar uma fila padronizada com todas as crianças. Em seguida,
pedir que elas dancem livremente fora da fila e, ao término da música, retornar
ao seu lugar na fila (círculo, coluna...).
Objetivo: memória espacial, temporal (seqüência).
27 – Com giz desenhar no chão, formas geométricas variadas ou círculos
de cores diferentes.
Desenvolvimento/Objetivo: Atravessar o rio pisando nas pedras redondas ou
nas pedras azuis, ou ainda com o pé esquerdo pisar no círculo vermelho, com
o pé direito, no quadrado amarelo e assim por diante. Com esta atividade, a
criança desenvolve sua lateralidade, reforça conhecimento acerca de formas e
cores, e melhora sua coordenação geral, equilíbrio dinâmico e flexibilidade.
28 – Elaborar formações diferentes e brincar de mudar de formação.
Desenvolvimento/Objetivo: Criar, junto com as crianças, diferentes formações
espaciais e o fluxograma no qual cada criança deve percorrer até passar por
todas as formações estabelecidas. O trabalho visa dar à criança a noção
espacial da sala e do palco, a noção das relações entre as crianças, o cuidado
no decorrer do percurso e a memória espacial das diferentes formações quanto
ao seu fluxograma.
29 – Imitar diferentes animais quanto: ao seu ritmo, tamanho de passo,
postura corporal, expressão facial e peso.
33
Desenvolvimento/Objetivo: Ao imitar animais, as crianças fantasiam todas as
situações reais quanto ao animal proposto. Cabe ao professor indagar sobre
todas as características dos animais para que a criança possa representar
corporalmente todas as sensações possíveis: A imagem que a criança traduz
corporalmente trabalha sua destreza motora, força isotônica, equilíbrio
dinâmico e recuperado, flexibilidade, ritmo, tônus, postura e estimula a
criatividade. Além disso, os elementos fundamentais peso, tamanho e espaço
são trabalhados conforme a estrutura do animal, possibilitando a criança
verificar a relação existente entre os mesmos.
30 – Refazer concretamente ações ou ordens auditivas elaboradas pelo
professor.
Desenvolvimento/Objetivo: O professor estipula movimentos e/ou tarefas e os
comunica verbalmente à criança. Esta deve imediatamente tentar executar o
que foi pedido, lembrando dos pormenores acerca do que foi explicado. Por
exemplo, colocar em ordem cronológica o cotidiano: o acordar; ir para a escola;
ou uma seqüência de movimentos de aula. A atenção é o elemento
fundamental para o êxito da tarefa, indicando ao professor qual a criança que
necessita de maior número de estímulos/explicações para que a tarefa se
realize. Memória e percepção auditiva, organização cronológica da tarefa
estimulam a organização temporal.
31 – Expressar verbalmente como é feito à ação que se deseja ou o
passo dado, ou o que foi criado, as sensações e expressões que representam
uma idéia.
Desenvolvimento/Objetivo: Com esta atividade, a criança começa não só a
perceber seu corpo no espaço, como descreve o que o corpo faz em sua
totalidade, além de tentar verbalizar as sensações que o movimento provoca
ou aquilo que quer expressar.
34
32 – Exercícios de equilíbrio estático.
Desenvolvimento/Objetivo: Equilíbrio de joelho, de gato, super-homem, sentado
em V, sentado no calcanhar, equilíbrio com os pés no chão e uma das mãos,
equilíbrio de avião e em uma perna, em mesa, vela. Estes exercícios devem
ser trabalhados Iudicamente. Seu objetivo maior é o trabalho conjunto dos dois
hemisférios cerebrais, e mais especificamente o trabalho de tônus, força
isométrica e equilíbrio estático nas diversas posições descritas.
33 – Jogo do elevador.
Desenvolvimento/Objetivo: A criança deve elevar um bambolê do seu pé à
altura de sua cabeça (e posteriormente, no caminho inverso), falando as partes
do corpo pela qual o bambolê passa. Numerar cada andar que corresponde às
partes do corpo e pedir que o bambolê alterne os andares para o trabalho
temporal de ordem cronológica. Este exercício estrutura o corpo, o espaço e o
tempo na criança.
34 – Vamos entregar algo ao colega?
Desenvolvimento/Objetivo: Entregar flores, mala, sorvete, lenço, saco de areia.
A criança supostamente deve diferenciar o peso, a forma, o tamanho dos
objetos
entregue,
representando-os
corporalmente.
Trabalham-se
a
diferenciação e conscientização, quanto ao tônus, à postura, a forma e
intenção do corpo na ação de receber cada objeto.
35 – O professor fixa na parede cartazes com fotos de fenômenos da
natureza: árvore, vento, chuva, mar, estrelas. Faz um breve comentário sobre
os mesmos. As crianças divididas em grupos devem escolher cinco fenômenos
do cartaz e representar na dança e teatralmente.
Desenvolvimento/Objetivo: Trabalho de criatividade envolvendo um tema
35
previamente definido, socialização no trabalho de grupo, e elaboração
coreográfica para representar a escolha dos elementos. Sugestões de
orientação: Como o vento sopra? Como a chuva cai? Como é o balanço das
árvores? Como é a onda do mar? Como é o brilho das estrelas? Dentro da
coreografia, pedir o cuidado no espaço a percorrer, no tempo de entrada de
cada fenômeno, e ritmo dos passos criados. Inicia-se o trabalho dos elementos
da dança vinculado à criatividade da criança.
36 – Representar com o corpo as letras do alfabeto, depois cada criança
dançará conforme as letras do seu nome.
Desenvolvimento/Objetivo: Estimular a criatividade de cada letra do alfabeto
para o reforço pedagógico com o corpo. Estrutura cada parte do corpo, dando
função aos segmentos para a elaboração das letras, da ordem cronológica das
letras; junção de letras para representar os nomes de cada criança e
coordenação ao ritmo da música ao dançar o seu nome.
37 – Exercícios de espelho simétrico/assimétrico, hipnose e sombra.
Desenvolvimento/Objetivo: Em duplas, uma criança é o espelho a outra o
espelhado, onde a imagem deve ser reproduzida simetricamente como um
espelho real. A relação espacial nas noções de níveis e tamanhos e relação do
espaço circundante do movimento devem ser estimuladas, bem como a
coordenação dos movimentos para que sejam amplos e globais. Nos exercícios
assimétricos, além dos elementos anteriores, a lateralidade é o ponto chave
para que o exercício se desenvolva corretamente. Já com a Hipnose, a criança
comanda e direciona o corpo do outro através da mão, no espaço e no tempo
que lhe convier. O objetivo destes exercícios está diretamente ligado à
estruturação do Esquema Corporal, ao imitar o corpo do outro e perceber seu
próprio corpo, à lateralidade na assimetria corporal, além da relação com a
organização espaço-temporal. As qualidades físicas equilíbrio, flexibilidade,
força isométrica e isotônica, e a coordenação são fundamentais para o
36
desenvolvimento das atividades.
38 – Montar com um grupo ou deixá-las montar uma figura, desenho ou
formação, e pedir que o outro grupo se coloque da mesma forma, ao contrário,
em diagonal, de frente, Repetir este exercício com mudanças corporais de
cada criança (níveis ou direções diferentes).
Desenvolvimento/Objetivo: Em dois grupos, um deve reproduzir o desenho ou
a figura que o outro grupo criou, estabelecendo algumas regras na execução
(ao contrário, de costas...), ou ainda modificando a estrutura de níveis dos
componentes e/ou direções. O objetivo desta atividade está em perceber as
posições dos membros opostos e ainda saber colocar-se de maneira diferente
da imagem elaborada previamente. Trabalham percepção e acuidade visual,
relações espaciais entre os componentes e criatividade do grupo.
39 – Apresentar ao grupo uma figura, formação ou desenho inacabado e
pedir que acrescente elementos simétricos ou assimétricos à figura fornecida.
Desenvolvimento/Objetivo: Dividir a turma em dois ou mais grupos. Cada um
monta uma figura inacabada e apresenta aos demais grupos para que
acrescentem elementos e terminem uma idéia. A atividade trabalha a
criatividade e a percepção.
40 – passos determinados para percorrer uma distância.
Desenvolvimento/Objetivo: Em trincas, percorrer uma determinada distância
passos diferentes (normal, gigante e de formiga). A relação espaço-temporal é
desenvolvida bem como a socialização e a cooperação para resolver a
atividade.
41 – Levar um aluno a percorrer um determinado caminho de olhos
fechados.
37
Desenvolvimento/Objetivo:
Guiar
seu
colega
especialmente
dando
as
referências para que ele se movimente livremente. Com os olhos fechados, a
propriocepção aumenta, melhorando a percepção corporal, a relação espacial
e a lateralidade.
42 – Dizer ao colega o número de passos, a direção e o trajeto que ele
deve percorrer (mencionar aos poucos, ½ giro, giro inteiro pela direita e pela
esquerda, assim como passos e os elementos da dança).
Desenvolvimento/Objetivo: Dizer o percurso que a colega deve percorrer, antes
de sua execução, para trabalhar a memória espacial e corporal, a noção do
espaço a percorrer e a lateralidade.
43 – Andar, correr e dançar por entre os colegas e ter atenção às pessoas
à sua volta, a um objeto lançado no grupo.
Desenvolvimento/Objetivo: Ao percorrer o espaço, as crianças devem ter
atenção às demais, trabalhando, desta forma, o espaço circundante, a
lateralidade, o olhar e a direção consciente do que deseja fazer. E, ao ser
colocado um objeto alheio às crianças o foco de atenção é dobrado, pois, além
dos dados anteriores, a relação com o objeto deve ser precisa, trabalhando a
percepção visual, a coordenação geral e fina.
44 – Contração e relaxamento segmentar.
Desenvolvimento/Objetivo: Contrair e relaxar isoladamente cada parte do corpo
que o professor indicar. Verificar, após este exercício, o controle desse
segmento em cada passo de dança que for feito, alertando a criança para
descontrair a parte que não pertence à execução do movimento, sem gastar
energia em excesso.
38
CONCLUSÃO
A dança corre um sério risco de robotizar o corpo da criança ao
transformá-la em mera reprodutora de passos estereotipados, porém segundo
Fachada (1999) a dança pode também se tornar um veículo de transformação,
auxiliando o sujeito a ter desejos para poder fazer, para saber fazer, agindo
sobre seu próprio aprendizado, expandindo suas emoções, construindo
imagens com significado.
O ensino da dança de acordo com Calazans (2003), pode ser um lugar
onde o aluno faz conexões entre o pessoal e o social, desenvolve sua
percepção, suas habilidades imaginativas e sensuais, encontra sua própria voz,
valida seus sentimentos e compaixão, e se torna poderoso, enquanto cocriador do seu mundo.
Através das observações das aulas de dança, podemos notar que em
uma escola, (onde não há o trabalho paralelo com a Psicomotricidade), a
Psicomotricidade está inserida no processo de aprendizado da dança, o
professor acaba por utilizá-la, só que de forma inconsciente, já na outra escola,
(onde há o trabalho paralelo com a Psicomotricidade), podemos verificar que o
professor a utiliza, porém de forma consciente, que é exatamente o que esta
pesquisa quer elucidar, é de que maneira este trabalho pode ser feito (método
consciente), para que o prazer pela prática da mesma esteja inserido desde a
mais tenra idade, para que a dança não seja apenas a reprodução de
mecanismos técnicos e para que o professor saiba classificar os objetivos de
cada turma em detrimento de seus níveis de classificação psicomotora. Dessa
forma, a Psicomotricidade vem a ser um meio de trabalhar a criança, com uma
técnica definida e clara para que a consciência corporal seja atingida,
melhorando de uma forma geral os objetivos pelos quais a dança se propõe.
39
ANEXO
ROTEIRO DE OBSERVAÇÃO
Roteiro de observação de quatro aulas de dança, em duas escolas de dança.
Roteiro 1 – escola de dança que trabalha com a Psicomotricidade.
Nome do Estabelecimento Centro de dança na Baixada Fluminense.
(São João de Meriti)
Data e horário das aulas
Dias 06 e 13 de dezembro de 2010.
Das 18:30 às 20:30.
Considerações iniciais
Linha estética
Ballet Clássico e Jazz
Nível da aula
Iniciante
Tempo de duração
1 hora
Música
Clássica para o ballet e Internacional para o Jazz.
Número de alunos
13
Faixa etária
Entre 7 e 10
Observações
● Nas aulas, a professora passou os exercícios específicos de cada estilo de
dança, porém em cada aula ela fez uma ou duas atividades psicomotoras,
relacionando a atividade com o exercício ensinado e enfatizando os objetivos
pretendidos com a atividade.
● Podemos notar que as crianças absorveram facilmente o exercício específico
(técnica) dado nas aulas, depois de terem participado da atividade fazendo a
associação desta com o que foi ensinado.
● A hora das atividades era uma grande brincadeira, podemos perceber o
prazer que as crianças tem em fazê-las, e ver a resposta quase que imediata
40
do aprendizado do exercício.
● Em todo o momento a professora trazia a memória dos alunos atividades já
feitas anteriormente e que podiam ajudar na execução de algum exercício
pedido.
● Podemos ver o prazer das crianças em estarem na aula, e para elas sempre
acabava rápido, sempre que terminava as aulas, as crianças não queriam ir
embora. O clima das aulas é muito agradável e as crianças pareciam bem
felizes.
41
Roteiro 2 – escola de dança que não trabalha com a Psicomotricidade.
Nome do Estabelecimento Academia de dança na Baixada Fluminense.
(Nova Iguaçu)
Data e horário das aulas
8, 10, 15, 17 de Dezembro de 2010.
Das 18:00 às 19:00h.
Considerações iniciais
Linha estética
Ballet Clássico e Jazz
Nível da aula
Iniciante
Tempo de duração
1 hora
Música
Clássica para o ballet e pop nacional para o Jazz.
Número de alunos
8
Faixa etária
Entre 7 e 10
Observações
● Nas aulas, a professora passou os exercícios específicos de cada estilo de
dança, demonstrando bastante preocupação com que as crianças decorassem
as seqüências e executassem bem todos os exercícios, independente de sua
disponibilidade e capacidade para fazê-los.
● Podemos notar que as crianças fizeram os exercícios porém sem um
significado para tal, somente imitavam a professora sem ter acesso a
importância ou a algo que facilitasse o aprendizado do mesmo.
● A professora em alguns momentos, trazia o lúdico para sua aula, porém não
dava continuidade fazendo a aplicação deste lúdico à prática.
● Podemos perceber que as crianças gostavam de estar ali, mas não tinham
muito prazer em executar os exercícios. O clima das aulas foi seco com
momentos de brisa.
42
BIBLIOGRAFIA
1 - ALVES, Fátima, Psicomotricidade: corpo, ação e emoção/ Fátima Alves – 4.
Ed. Rio de Janeiro: Wak, 2008.
2 - CALAZANS, Julieta e CASTILHO, Jacyan e GOMES, Simone. (orgs.).
Dança e educação em movimento, São Paulo: Cortez, 2003.
3 - CAMINADA, Eliana, Programa de ensino de ballet: uma proposição/ Eliana
Caminada, Vera Aragão – Rio de Janeiro: UniverCidade Ed., 2006.
4 - FACHADA, Rosana. “Implicações do pensamento corpóreo na formação do
esquema e da imagem corporal da criança na dança” in Pereira, R. e Soter,
S.(orgs.) Lições de dança 5, Rio de Janeiro:Univercidade,1999.
5 - FARO, Antonio José, 1933-1991, Pequena historia da dança/ Antonio José
Faro – 6. Ed – Rio de janeiro: Jorge Zahar Ed. 2004.
6 - LAPIERRE, André e AUCOUTURIER, Bernard. Fantasmas corporais e
prática psicomotora. São Paulo: manole, 1984.
7 - MIRANDA, Regina, O movimento expressivo. Rio de Janeiro: Funarte, 1980.
8 - OLIVEIRA, Marta K. Vygotsky. São Paulo, Scippione, 1995.
43
9 - RENGEL, Lenira, Dicionário Laban. São Paulo: Annablume, 2003.
10 - ROBATTO, Lia, Dança em processo – a linguagem do indivisível. Ufba:
Salvador, 1994
11 - SILVA, Danielle Mendonça e FALKENBACH, Atos Prinz.
Psicomotricidade: um olhar descritivo das suas vertentes, artigo, Porto alegre,
2008.
12 - www.ahmachado.vilabol.uol.com.br, - Educação psicomotora , artigo de
Aurélio Henrique Machado, 20/12/2010.
13 - www.psicomotricidade.com.br – SBP
14/12/2010.
- definição de Psicomotricidade,
44
ÍNDICE
FOLHA DE ROSTO
2
AGRADECIMENTO
3
DEDICATÓRIA
4
RESUMO
5
METODOLOGIA
6
SUMÁRIO
7
INTRODUÇÃO
8
CAPÍTULO I
10
A PSICOMOTRICIDADE E OS ASPECTOS PSICOMOTORES DE CRIANÇAS DE
SETE A DEZ ANOS.
1.1 - Campos de atuação da Psicomotricidade
10
1.1.1 – Educação psicomotora
10
1.1.2 – Reeducação psicomotora
11
1.1.3 – Terapia psicomotora
11
1.2 – Elementos básicos da Psicomotricidade
11
1.2.1 – Esquema corporal
11
1.2.2 – Lateralidade
12
1.2.3 – Estruturação espacial
13
1.2.4 – Orientação temporal
14
1.3 – Aspectos psicomotores de crianças
de sete a dez anos.
15
CAPÍTULO II
16
A DANÇA E SUA RELAÇÃO COM A PSICOMOTRICIDADE
CAPÍTULO III
23
ATIVIDADES PSICOMOTORAS NO ENSINO DA DANÇA
CONCLUSÃO
38
45
ANEXOS
39
BIBLIOGRAFIA
42
ÍNDICE
44
46
FOLHA DE AVALIAÇÃO
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