UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” INSTITUTO A VEZ DO MESTRE A IMPORTÂNCIA DA PSICOMOTRICIDADE NO ENSINO DA DANÇA PARA CRIANÇAS DE SETE A DEZ ANOS Por: Renata Torres Pereira Ribeiro Orientador Profa. /Mestre Fátima Alves Rio de Janeiro 2011 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” INSTITUTO A VEZ DO MESTRE A IMPORTÂNCIA DA PSICOMOTRICIDADE NO ENSINO DA DANÇA PARA CRIANÇAS DE SETE A DEZ ANOS Apresentação de Candido Mendes obtenção do monografia como grau à requisito de Psicomotricidade. Por: Renata Torres P. Ribeiro. Universidade parcial para especialista em AGRADECIMENTOS A Deus e a minha família DEDICATÓRIA Dedico aos meus alunos e professores de dança. RESUMO Esta pesquisa tem a finalidade de investigar crianças de sete a dez anos de idade, que dançam e são trabalhadas paralelamente com atividades psicomotoras e que mostram mais facilidade no aprendizado da dança e conseguem desenvolvê-la com maior entendimento. Portanto, esta pesquisa contará com recursos para mostrar a importância da psicomotricidade neste processo e verificar como são ministradas as aulas de dança. Utilizando-se de observações e entrevistas, Podemos comparar o aprendizado entre crianças que tem e não o contato com a psicomotricidade e propor um programa de atividades psicomotoras nas escolas de dança, destinado a crianças de sete a dez anos de idade. METODOLOGIA Este trabalho trata-se de uma pesquisa bibliográfica e de campo. Os principais autores utilizados na realização deste trabalho foram: Lapierre, Vitor da Fonseca e Fátima Alves. Este estudo será realizado através de duas escolas de dança, uma que se utiliza da Psicomotricidade e a outra não e com crianças de sete a dez anos de idade. Estudando-as através de observações de quatro aulas ministradas a elas. SUMÁRIO INTRODUÇÃO 08 CAPÍTULO I - A Psicomotricidade e os aspectos psicomotores de crianças de sete a dez anos. 10 CAPÍTULO II - A Dança e sua relação com a Psicomotricidade. 16 CAPÍTULO III – Atividades psicomotoras no ensino da dança. 23 CONCLUSÃO 38 ANEXOS 39 BIBLIOGRAFIA 42 ÍNDICE 44 FOLHA DE AVALIAÇÃO 46 8 INTRODUÇÃO O foco principal desta pesquisa é a Psicomotricidade na dança e a escolha deste tema se deu devido à diferença percebida em alunos de dança, quando estes trabalham paralelamente com atividades psicomotoras. A psicomotricidade contribui de maneira expressiva para a formação e estruturação do esquema corporal e tem como objetivo principal incentivar a prática do movimento em todas as etapas da vida de uma criança. Por meio das atividades, as crianças, além de se divertirem, criam, interpretam e se relacionam com o mundo em que vivem, proporcionando com isso, um ganho enorme nas aulas de dança que praticam. Nas aulas de dança observamos mudanças significativas e positivas quando a psicomotricidade é inserida nas mesmas. A intenção desta pesquisa é demonstrar ao professor de dança e fazer o aluno que interage com a psicomotricidade perceberem que a psicomotricidade tem uma importância fundamental na aprendizagem da dança e que pode existir diferença de aprendizagem quando a psicomotricidade é inserida e quando não. A comprovação disto será o grande propósito desta pesquisa. Portanto, o tema sugerido é de fundamental relevância, pois a Psicomotricidade segundo Lapierre (1984) “É a ciência psicopedagógica que procura estudar o homem, o seu corpo em movimento e através disto entender a relação que ele faz consigo mesmo e com o mundo externo". Sendo a psicomotricidade a relação entre o pensamento e a ação, envolvendo também a emoção, ela como ciência da educação procura educar o movimento, ao mesmo tempo em que envolve as funções da inteligência. Portanto o intelecto que se constrói a partir do exercício físico, tem uma importância fundamental no desenvolvimento não só do corpo, mas também, da mente e da emotividade, e sem o suporte psicomotor, o pensamento não poderá ter acesso aos símbolos e à abstração. 9 Visto isso, podemos observar o quanto é importante o trabalho psicomotor na área da dança, sabendo-se que o principal instrumento de trabalho desta, é o corpo, e junto a ele mente e emoção. Com o propósito de aprofundamento do assunto, esta pesquisa se restringirá a estudar crianças de sete a dez anos de idade, que praticam aula de dança. Para entender como a psicomotricidade contribui no aprendizado da dança dessas crianças, este estudo aborda em seu primeiro capítulo a psicomotricidade e os aspectos psicomotores de crianças de sete a dez anos, e em seu segundo capítulo define a dança e seus aspectos e relaciona a psicomotricidade com a dança. É portanto, objetivo desta pesquisa Analisar como a psicomotricidade auxilia o ensino da dança para crianças de sete a dez anos comparando, através de observações e entrevistas, o aprendizado de crianças de duas escolas de dança, uma que trabalhe com a psicomotricidade e outra que não trabalhe, propondo assim, em seu terceiro capítulo um programa de atividades psicomotoras para as escolas de dança - destinado a crianças da faixa etária estudada. 10 CAPÍTULO I A PSICOMOTRICIDADE E OS ASPECTOS PSICOMOTORES DE CRIANÇAS DE SETE A DEZ ANOS DE IDADE. “A Psicomotricidade é uma ciência que tem por objeto de estudo o homem através do seu corpo em movimento nas suas relações com seu mundo interno e externo”. (SPB, 1984). De acordo com a SPB (1984), a Psicomotricidade, está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitiva, afetiva e orgânica, e é sustentada por três conhecimentos básicos: o movimento, o intelecto e o afeto. Psicomotricidade, portanto, é um termo empregado para uma concepção de movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização. 1.1 – Campos de atuação da Psicomotricidade Os campos de atuação da Psicomotricidade são: 1.1.1 - Educação Psicomotora: segundo Machado (2010) “É uma técnica, que através de exercícios e jogos adequados a cada faixa etária leva a criança ao desenvolvimento global do ser. Devendo estimular de tal forma, toda uma atitude relacionada ao corpo, respeitando as diferenças individuais e levando a autonomia do indivíduo como lugar de percepção, expressão e criação em todo seu potencial”. É uma atividade preventiva que propicia desenvolver suas capacidades básicas, sensoriais, perceptivas e motoras levando a uma organização mais adequada para o desenvolvimento da aprendizagem. Ela se divide em dois eixos: a Psicomotricidade Funcional e a Psicomotriciade Relacional. De acordo 11 com Silva e Falkenbach (2008), A Psicomotricidade Funcional tem por finalidade melhorar as aprendizagens cognitivas e o comportamento da criança com o auxílio das famílias de exercícios, atende as necessidades conteudistas da escola como escrever, ler e calcular. A Psicomotricidade Relacional utilizase do brincar como um meio de ajudar na construção da personalidade integral da criança. 1.1.2 - Reeducação psicomotora: É uma atividade terapêutica, que através do movimento tem o objetivo de superar, reduzir ou aliviar sintomas e/ou alterações do desenvolvimento psicomotor. 1.1.3 - Terapia Psicomotora: É uma atividade que utiliza o corpo, seus movimentos e suas possibilidades expressivas como meio de readaptação a uma estrutura de tipo social. Procura diagnosticar através da relação corpo/movimento, atraso psicomotor ou características da personalidade. A Psicomotricidade procura educar o movimento e desenvolve as funções da inteligência; o intelecto se constrói a partir do exercício físico e este tem importância no desenvolvimento não só do corpo, mas da mente e da emotividade, permitindo à criança a estimulação das atividades respiratórias e circulatórias; exploração do ambiente externo e descoberta do espaço físico, assim, organizando e integrando o esquema corporal. 1.2 – Elementos básicos da Psicomotricidade Os elementos básicos da Psicomotricidade são: 1.2.1 - Esquema corporal: “É a representação que cada um faz de si mesmo e que lhe permite orientar-se no espaço”. (H Pieron). Segundo Fachada (1999) “é o que podemos dizer ou representar acerca de nosso corpo, da idéia construída do mesmo, de ordem evolutiva e temporal”. Elemento básico indispensável para a formação da personalidade da criança, sua personalidade se desenvolverá graças a uma progressiva tomada de consciência de seu corpo, de seu ser, de suas possibilidades de agir e transformar o mundo a sua volta. 12 • Conhecimento das partes do corpo: tomada de consciência de cada segmento corporal de forma proprioceptiva e externoceptiva. A criança deve ser capaz de unificar todas as partes do corpo de forma a encontrar a imagem corporal. • Orientação espaço-corporal: consciência de que o corpo pode tomar diferentes posições, não em movimento. • Organização espaço-corporal: a criança poderá exercitar todas as possibilidades corporais, conhece as partes do corpo, a disposição e as posições. Portanto vai se movimentar de forma analítica (chegará a um domínio corporal através de exercícios de coordenação, equilíbrio, inibição e destreza.) e de forma sintética (prevendo e adaptando seus movimentos ao objetivo a ser alcançado ou expressando por intermédio do seu corpo uma ação, um sentimento, uma emoção). A criança será levada a descrever um movimento, a compreender as situações refletidas pelas atitudes e expressões das personagens, a exprimir-se através de desenho, em suma a compreender e dominar o diálogo corporal. Etapas de desenvolvimento do esquema corporal: • O corpo vivido: segundo Alves (2008) “esta etapa é dominada pela experiência vivida pela criança através da exploração do meio”. A criança será capaz de dominar seus movimentos e perceber seu corpo globalmente através de jogos livres e atividades integradas onde o mediador colocará a criança em desequilíbrio ao lançar mão de questionamentos verbais, a sensações e a representação. • O corpo percebido ou descoberto: de acordo com Alves (2008) “corresponde à organização do esquema corporal devido à função de interiorização”. • O corpo representado: segundo Alves (2008) “observa-se à estruturação do esquema corporal, pois já apresenta a noção do todo e das partes do seu corpo, conhece as posições e mantém um maior controle e domínio corporal”. 1.2.2 - Lateralidade: em Alves (2008) “o termo lateralidade se refere à prevalência motora de um lado do corpo”. Durante o crescimento define-se a 13 dominância lateral de uma criança, esta dominância é baseada em fatores neurológicos e também influenciado por hábitos sociais. Na observação de criança para se saber o lado dominante das mãos, pés, olhos, basta verificar qual a utilização dos membros na ação de qualquer movimento que exija força e precisão. Pode-se concluir também; uma lateralidade homogênea, uma lateralidade cruzada ou uma ambidestra. O importante é saber qual a utilidade da lateralidade na evolução da criança, pois influi na idéia que a criança tem dela mesma, na formação do esquema corporal, na percepção da simetria do corpo e também contribui para determinar a estruturação espacial ao perceber o eixo do seu corpo e o ambiente em relação a esse eixo. 1.2.3 - Estruturação espacial: É a orientação e a estruturação do mundo exterior referindo-se primeiro ao seu referencial, depois a outros ou pessoas em posição estática ou em movimento. A estruturação espacial é a tomada de consciência do seu corpo em meio ao ambiente, Isto é, do lugar e da orientação que pode ter em relação às pessoas e coisas; é a possibilidade de organizar as coisas que o rodeiam, movimentando-as. Para Alves (2008) “primeiro, a criança percebe a posição de seu próprio corpo no espaço. Depois a posição de objetos em relação a si mesma e, por fim, aprende a notar as relações das posições dos objetos entre si”. Etapas: • Conhecimento das noções: a criança deverá perceber as diversas formas, grandezas e quantidades, para poder escolher o material e saber manipulá-lo. • Orientação espacial: quando a criança já domina os termos espaciais pode-se orientá-la para movimentar o seu corpo de acordo com as noções espaciais (frente, trás, para direita, para esquerda, ao lado, de costas, ao contrário, em fila, em coluna...). • Organização espacial: organizar é combinar, dispor para funcionar. Nesta etapa a criança disporá os objetos para ocupar um espaço delimitado para atingir um objetivo (labirinto, jogos de trajetos). 14 • Compreensão das relações espaciais: baseia-se no raciocínio a partir de situações especiais bem precisas. Ex.: colocar em progressão diferentes círculos, desta forma a criança deve dispor do conhecimento de que todos os objetos representam o mesmo símbolo, que só diferem da grandeza, discriminá-los para colocá-los em ordem. 1.2.4 - Orientação temporal: a capacidade de situar-se em função da sucessão dos acontecimentos (antes, após, durante), da duração dos intervalos (noção de tempo longo, curto, ritmo regular e irregular, cadência rápida e lenta.), da renovação cíclica de certos períodos (dias da semana, os meses), e do caráter irreversível do tempo, já passou não pode mais revivê-lo. De acordo com Alves (2008) “a estruturação temporal garantirá experiências de localização dos acontecimentos passados e uma capacidade de projetar-se para o futuro, fazendo planos e decidindo sobre sua vida”. Etapas: • Ordem e sucessão: trata-se de perceber e memorizar o que passa, (antes, depois, agora...), em que ordem os gestos foram feitos, o que foi feito primeiro e por último. • Duração dos intervalos: o que passa depressa, o que dura muito tempo, a diferença em uma hora e um dia... • Renovação cíclica de certos períodos: são os dias, semanas, as estações aos quais associamos determinadas atividades ou um material. • Ritmo: abrange a noção de ordem, de sucessão, de duração, de alternância. Começa expressando seu ritmo próprio em exercícios de locomoção livre sob os acordes de uma música, e depois associá-los a um ritmo dado. • Direção gráfica: escrever da esquerda para direita. • Noções de em cima e em baixo: (n e u), de esquerda e direita (37 e não 73). • Noção antes e depois: para iniciar o gesto no lugar certo. Obs.: O domínio dos gestos, da estruturação espacial e da orientação temporal são três fundamentos da escrita. 15 Uma das definições de Psicomotricidade é que ela é uma ciência da educação e saúde destinada a estudar, analisar, orientar todas as condutas do indivíduo: motoras, neuromotoras, perceptomotoras. Tem como objetivo estimular a percepção e a consciência do corpo como lugar da sensação, expressão e criação; a integração harmoniosa entre cada segmento corporal e suas inúmeras possibilidades de movimento: a sua relação com o tempo e com o espaço, normalizando ou melhorando o comportamento geral do indivíduo, de suas emoções e necessidades. 1.3 – Aspectos psicomotores de crianças de sete a dez anos. Sobre os aspectos psicomotores de crianças de sete a dez anos de idade, de acordo com Fátima Alves (2008), dos sete aos dez anos ocorre a estruturação de um “esquema corporal”, integrando os dados vividos com os dados percepto-cognitivos e ingressando na fase das operações concretas. Os esquemas de ação antecipatória vai lhe permitir encarregar-se de sua própria motricidade, e por volta dos dez anos já tem capacidade de modificar um automatismo em execução, sem demasiadas sincinesias, mantendo a estrutura de conjunto. Sabendo que o desenvolvimento da criança é muito mais rápido no período do nascimento aos seis anos de idade, tanto psicologicamente como fisicamente, é importante o profissional que irá trabalhar com crianças de sete a dez anos saber a historia familiar da criança nesse período de vida, pois compreenderá melhor seu aluno e assim realizará atividades apropriadas que certamente darão resultados positivos. 16 CAPÍTULO II A DANÇA E SUA RELAÇÃO COM A PSICOMOTRICIDADE Segundo Faro (2004), a dança surgiu como forma de encantamento, com rituais e manifestações sagrados onde o homem se envolvia com o ambiente e consigo mesmo. Primeiramente os índios extravasavam na dança as pressões dos seus sub-conscientes, do ambiente físico e social e dos mistérios sobrenaturais. A partir das infinitas formas regionais, movimentos de dança evoluíram, tornando-se cada vez mais elaborados em termos técnico-formais, em detrimento da espontaneidade e da possibilidade de uma participação coletiva. O advento do individualismo gerou na dança a gradual separação, dançarino versus expectador, quebrando a antiga interação com a comunidade nas manifestações da dança, onde todos os participantes atuavam conforme seus papéis na sociedade. A dança, distanciada do povo, gerou uma corrida ao estéreo exibicionismo, do virtuosismo técnico do bailarino, baseando em temáticas alienantes, fora da realidade, restringindo a sua atuação a um mero divertimento, deslumbrando o público com movimentos estereotipados espetaculares. Os professores precisam se manter atentos para não perderem a liberdade de expressão do movimento, pois a dança cênica tende sempre a voltar-se para formas convencionais acadêmicas, por mais avançadas que sejam as suas propostas. E se a proposta é a formação da criança no ensino da dança especializada, alguns temas devem ser abordados como: espontaneidade e construção formal; desenvolvimento parcial e global. Incluindo a Psicomotricidade na dança formal. Muitos professores de dança procuram uma compreensão maior e mais clara do processo artístico na formação do ensino da dança. Sabemos que o fazer “bailarino” depende da sensibilidade, imaginação criadora e fértil e da 17 forma técnica aprimorada de quem ensina e de quem aprende. A pergunta é: como podemos orientar crianças no descobrimento do seu potencial técnicocriativo, experimentando e permitindo-se procurar seu próprio corpo a caminho da dança? Como ensiná-la a dançar sem lhe impor fórmulas e métodos prontos, e por isso mesmo, estéreis? O que se nota geralmente nas escolas e academias de dança é uma disciplina rígida onde os alunos devem aceitar as regras sem questioná-las e aprender que as técnicas são sagradas e imutáveis. A disciplina das aulas de dança é importante e as regras devem ser estabelecidas entre professor e os alunos para que os ensinamentos sejam absorvidos e com isso eles compreendam corporalmente o que deseja da técnica, porém esse aprender deve estar intimamente ligado ao experimentar, vivenciar, perguntar, opinar, questionar para que o aluno tenha consciência do porquê e para que serve tais ensinamentos que tanto repete e memoriza durante a aula técnica. A educação que se busca deve possibilitar o autoconhecimento, compreensão de si mesmo e de seu mundo, prazer, contato com o lúdico e desenvolvimento de uma consciência crítica, favorecendo e incentivando o aluno a manifestar idéias através de um agir pedagógico coerente, para que a partir disto, o aluno possa expressar sua corporeidade e sua capacidade de adaptação, favorecendo ao mesmo tempo acoplamentos estruturais nessa relação biopsico-energética. A dança, fonte rica e natural de expressão de corporeidade, entra a fundo em qualquer proposta pedagógica, a partir do momento que trabalha com a plasticidade dos corpos e integra os alunos como sujeitos formadores do mundo em que vivem. Inversamente pode também ter uma falsa ideologia na medida que deforma, destitui de valor, um ser, em prol somente de um corpo atlético, assim sem identidade e personalidade para atuar como um verdadeiro transmissor de sentimentos e emoções. Analisaremos a seguir os elementos que constituem o ensino da dança para que se possa vincular com os elementos da Psicomotricidade e verificar suas semelhanças para uma verdadeira aliança, que constitui o enriquecimento do ensino da dança, bem como o benefício à criança. 18 Na dança podemos observar quatro elementos fundamentais: tempo, espaço, forma e movimento. Segundo Robatto (1994) O movimento pode ser visto como um meio de expressão quando representa uma idéia e pode ser um fim quando se representa como uma idéia estética; expressa por si mesmo os valores de quem executa e de quem coreografa. O tempo e o espaço que integrados representam a dinâmica do movimento, podem condicionar ou ser condicionados pelo movimento a partir do momento que, organizam-se, revelam-se e aprimoram-se a partir do movimento. Cada movimento corporal exige uma demanda de esforço físico, específica, conforme a intensidade do seu impulso e fluxo, que irá determinar a velocidade de duração, distância e dimensão do movimento no seu percurso. A forma na dança surge através do movimento que organiza esteticamente a relação do tempo e do espaço, determinando sua dinâmica e assim criando a forma coreográfica. A forma é a conseqüência estética da composição dos elementos da dança. Pode ser abstrata ou simbólica, mas tratando-se da Arte deve ser significativa. A forma configura a proposta estética e a mensagem do autor. Esses quatros elementos devem ser tratados e desenvolvidos nas bases da formação da criança sob pena de ter distorções a cerca dos objetivos na dança. Se desde cedo empregarmos a forma pela forma deixando-a sem significado e valor, dando a forma um sentido apenas aparente de resultados formais, além dos resultados serem inférteis, no futuro, a dança não terá sentido. Quanto ao espaço e tempo, a sua educação faz parte do desenvolvimento geral da criança, limitá-los e aprisioná-los em seqüências repetitivas e sem criatividade, é utilizá-los em sua monotonia. A análise mais profunda dos princípios do movimento se faz necessário para a compreensão do trabalho de formação da criança na dança. Como diz Robatto (1994) “O ideal é desenvolver com consciência e sensibilidade, cada movimento, ou seja, carregar cada gesto da dança com uma intuição expressiva através de uma imagem definida”. Isso só ocorrerá se o pleno 19 domínio dos elementos se fizer presente e só se fará presente se forem vivificados corporalmente pela criança. Esse corpo em movimento expressa a forma plástica na qual se destaca a postura e a posição corporal contida na “cinesfera”, que de acordo com Rengel (2003) é a esfera de espaço em volta do corpo de cada indivíduo na qual e com a qual cada um se move, ou seja, refere-se primeiramente ao espaço individual onde o ponto chave é o eixo do corpo e o espaço representado é o interno e o externo. Em um segundo momento entra o espaço cênico onde a forma plástica e o fluxograma (representação gráfica do espaço externo), podem representar o espaço (ambiente) percorrido pelo intérprete ou grupo, em que os caminhos são traçados. Quanto à dimensão do espaço, refere-se aos três planos, em Rengel (2003): altura onde a verticalidade é o limite; largura que situa o corpo ao nível da altura-largura (horizontalidade) e o transverso que enfatiza a profundidade do espaço (abrange os três planos). O fator proporção refere-se às relações entre os graus de grandeza, ou seja, as extensões do movimento, amplo e restrito, volumosos, largos ou estreitos, grandes, exagerados ou mínimos e sutis, e ainda alcançar distâncias maiores ou menores. A direção e nível referem-se ao percurso do movimento tomando-se como ponto o centro do corpo e o eixo em relação ao espaço, para então definir para onde o movimento se dirige, de onde parte o movimento e por onde esse movimento passa. Quanto ao tempo na dança, pode ser percebido pela velocidade, duração, acentuação e periodicidade de cada movimento, fatores que geram o ritmo e as relações que antecedem e precedem o movimento como um todo. Quanto à velocidade, tempo gasto para a realização de uma movimentação, pode coincidir com uma aceleração ou desaceleração, indicando os padrões do mais rápido ao mais lento possível. A duração é o tempo decorrido entre o inicio e o termino de cada movimento ou pausas, pode ser medido pelos minutos, batidas do metrônomo ou com as métricas. A acentuação é percebida quando algum relevo incide no percurso de um movimento, quando o movimento apresenta em seu movimento total, diferentes fases nas quais se distinguem pelo grau de volume de execução. Já a 20 periodicidade é a incidência de fatores: regulares e irregulares, constantes e interrompidas, etc. Como ultimo elemento destaca-se a intensidade do movimento que pode ser percebida pelos fatores de acordo com Rengel (2003): peso, esforço, fluxo e impulso empregados no seu desempenho. O peso refere-se ao grau de resistência à força da gravidade, que podem resultar de movimento que vão desde o leve ao pesado e do estado ativo ao passivo. O esforço é a energia empregada na realização de cada movimento ou partes do corpo, esses movimentos podem ser fortes ou fracos, tensos ou relaxados em seus graus mais sensíveis. O fluxo é a natureza de curso de movimento ou de como o movimento é dirigido pelo executante: solto, contínuo e descontínuo, livres, conduzidos ou dirigidos ou até descontrolados. O impulso é o ponto de aplicação no corpo da força que ativa o movimento e pode ser: central, periférico, total, parcial, múltiplo. Segundo Miranda (1980) “se por um lado podemos descrever um movimento como uma série de ações: correr, pular, etc. Nós também descrevemos o movimento em termos de como cada uma dessas ações é executada, ou seja, rapidamente, levemente, livremente e assim por diante”. Essa analise dos princípios do movimento pode aguçar nossa percepção em: como se dá o desempenho tanto da criança em formação, como do bailarino; como eles entendem, controlam e se entregam ao movimento; a qualidade das diferentes gamas de esforço e desenhos formais e como se dá à dinâmica de cada movimento, que é uma conseqüência da inter-relação desses fatores aqui relacionados, que ainda enfatizam a expressividade do intérprete e da coreografia. A dança através da mobilidade no processo de ensino ainda estimula as percepções táteis, visuais, auditivas, de competência manual e de certa forma enriquece a linguagem, ou seja, atua definitivamente no processo de maturação neuropsicomotora, prevenindo futuros problemas de aprendizagem. Através de vivências corporais, onde a criança se coloca no espaço de diferentes maneiras, em níveis: baixo, médio e alto. Rengel (2003), onde o corpo penetra no chão, rolando, arrastando, engatinhando, equilibrando-se em 21 diversas posições, a criança vive sua percepção tátil, que a ajuda na propriocepção de seu corpo. Com o trabalho de espelho, imitações com e sem modelo a criança, segundo Vygotsky em Oliveira (1995) tem a oportunidade de realizar ações que estão além de suas próprias capacidades, o que contribui para o seu desenvolvimento e vivencia sua percepção visual-espacial e percebe pequenas diferenças entre os gestos. Já a audição associada ao ritmo da música levará ao domínio dos diferentes sons e ritmos fazendo-os seguir distintos sons e reproduzir ritmos conhecidos. Através dos elementos e adereços trabalhados nas vivências expressivas, a criança domina a capacidade de coordenar o movimento corporal com o objeto escolhido, de forma a torná-lo um elemento de expressão, melhorando sua coordenação geral e fina. Quanto à linguagem primeiramente, estabelece uma relação de troca entre o professor-aluno, aluno-aluno, onde o diálogo é essencial para o entendimento do que se deseja dela e vice-versa. Em segundo momento, a dança tem uma linguagem própria, os passos de ballet são de terminologia francesa e para melhor compreensão dessa linguagem, um tanto abstrata, recorre-se a comparações as estruturas mentais já conhecidas pela criança, como exemplo: jeté que o significado é jogar, atirar; sua execução é associada ao riscar de um fósforo. E em ultimo momento, através de poesias, textos diversos, pesquisas de assuntos ligados à Arte ou temas referentes a sua vida, incentivam a criança, ampliando seu vocabulário, sua curiosidade e criatividade expressiva. Na dança diversos exercícios psicomotores podem ser feitos para que com o corpo a criança adquira as noções de grandeza, formas e quantidades, associando-se, por exemplo, aos animais, como se locomovem, qual o tamanho de suas passadas, o peso que o animal tem e sua respectiva correspondência ao ritmo do passo; movimento conforme as referências do espaço da sala; com referência a diversas formações; e com referência a trajetos elaborados para que o movimento seja feito, enfim, a liberdade de experimentar o espaço é um aprendizado mesmo. A temporalidade vem dessa associação, tempo - ritmo - corpo - movimento, que é trabalhada intensamente 22 na dança. Primeiro ao situar-se em função dos acontecimentos que ocorrem durante a aula, rotina que se estabelece, onde a criança se organiza e associa o tempo da aula com as diversas etapas da mesma. Através de brinquedos cantados, ritmos variados, acentuações feitas em algum instrumento musical, a criança estabelece a noção do tempo, de regularidade do compasso, da cadência da música. O professor tem a responsabilidade de fazer aparecer às múltiplas possibilidades por intermédio de uma comunicação profunda com seus alunos. E ainda mais, com a criação desse contexto que norteie o potencial dos alunos, que os encorajem a libertarem-se das pressões externas fornecidas por um modelo de sucesso. Cada um deve acreditar ser uma pessoa que é dançarina, e não um dançarino que é uma pessoa. 23 CAPÍTULO III ATIVIDADES PSICOMOTORAS NO ENSINO DA DANÇA (Dados retirados do artigo escrito por Rosana Fachada, professora da disciplina de Psicomotricidade do curso de Licenciatura em Dança da Univercidade.). As atividades mencionadas a seguir foram elaboradas teoricamente junto ao estudo da Psicomotricidade e, posteriormente, aplicadas para comprovação de fatos, atitudes e descobertas quanto ao desenvolvimento da criança, mas em qualquer área em que se faça necessária à descoberta do corpo em movimento. Os exercícios estão divididos de acordo com as fases de desenvolvimento e cada um deles traz a forma como deve ser aplicado, respeitando-se a individualidade do professor e de seus alunos, bem como os objetivos e sua relação com a dança. Uma vez que a criatividade emanada durante as atividades pode ser transferida como argumento e representação de uma coreografia, o professor pode utilizar esses exercícios como recurso coreográfico, além de ser ferramenta na descoberta do corpo e de suas possibilidades. 1 – Exercício respiratório (deitado, sentado ou em pé) – trabalhar a contração e a dilatação abdominal: a) “bichinho” – contrair e dilatar o abdômen pensando em “esconder e expulsar” algo de seu abdômen; b) respiração acompanhado a fase abdominal, diafragmática e peitoral; c) acompanhar a respiração através de um ritmo ditado pelo professor. Desenvolvimento/objetivo: consciência corporal quanto à respiração de um modo geral e, especificamente na dança, a contração abdominal é um 24 elemento fundamental para a postura e equilíbrio do bailarino. Desta maneira, a criança desde cedo deve aprender a utilizar a contração abdominal, respirando normalmente, durante a execução de qualquer movimento. 2 – “Pinóquio” ou “boneco duro e mole”. Deitado, inicialmente em decúbito dorsal e depois em diversas posições corporais, perceber através da contração muscular como conseguir o tônus ideal e diferencial do corpo. O professor orienta a criança a fazer diversas poses em contração. Toca seu corpo para ativar a atenção seletiva a determinadas partes e buscar a consciência corporal. Desenvolvimento/objetivo: o tônus muscular é básico para qualquer trabalho que exija força; a criança deve aprender que a força que ela utiliza ao realizar a atividade “pinóquio” nada mais é do que a contração muscular exigida em todos os passos técnicos, e é através de sua aquisição que os desafios são superados. Neste exercício, a propriocepção é o elemento chave para que essa consciência se instale. Mais tarde, esta atividade deve ser desmembrada, utilizando a contração diferencial para que a criança saiba onde a força deve ser aplicada para a execução do movimento desejado, sem, no entanto, desperdiçar energia em locais errados. 3 – ocupar o espaço do colega (pequenos e grandes espaços, verificar a noção de proporção). Desenvolvimento/objetivo: ao ocupar o espaço criado pelo colega, a criança assimila a dimensão do seu corpo e como ela pode passar seu corpo no espaço apresentado a ela. A noção de proporção, de tamanho da forma, a ajudam na consciência de seu corpo e espaço. Além disso, a criatividade é à base da realização da atividade onde as crianças devem criar posições estáticas, as mais variadas possíveis quanto ao nível, dimensão e espaço utilizado para sua realização. Uma variação dessa atividade pode ser feita quando as posições estáticas passam a ser dinâmicas; a coordenação entre 25 crianças deve ser mais ritmada e dirigida uma em função da outra (do movimento alheio). É também, um trabalho de equilíbrio estático e dinâmico, flexibilidade e força isométrica. 4 – Estátua – dizer como é sua pose, descrevendo-a e analisando seu espaço e sua lateralidade. Fechar os olhos, constatar, desmanchar a pose e retornar a ela. Desenvolvimento/objetivo: ao ritmo de uma música, dançar livremente. Na pausa da música, parar em uma pose e descrevê-la oralmente quanto a sua forma no espaço. Ao observar-se, a criança passa a ter consciência de sua pose, uma vez que a análise do seu corpo no espaço ajuda na sua propriocepção. De olhos fechados, a visão que ela tem de si mesma se intensifica, dando uma outra conotação de sua pessoa e de seu corpo. A interdependência do membro, o ritmo e o equilíbrio dinâmico e estático são desenvolvidos. Variação: interromper a música por diversas vezes, a cada vez mencionar um número que corresponda a pose criada. Depois pedir a criança que refaça a pose de algum número correspondente, e depois deve se lembrar o espaço onde fez a pose e qual criança estava ao seu redor. Trabalha com memória ao memorizar a seqüência das poses e trabalha o fluxo do movimento, a velocidade, enfim os princípios do movimento. 5 – Boneco de manipulação. Desenvolvimento/objetivo: em dupla, uma criança manipula a outra como um boneco articulável, colocando-a nas mais variadas posições no espaço. Depois, deixa-a em uma posição final. Imita a sua pose e constata o que foi criado, fecha os olhos para a maior interiorização da forma, relaxa e volta imediatamente a mesma pose e verifica o que foi assimilado. O trabalho de manipulação é fundamental para o registro do peso, da textura, do calor corporal, das dimensões do corpo do outro e dos seus limites articulares, além 26 do trabalho de construir uma pose com o corpo do outro e, depois, imitar fielmente o que foi criado por ele mesmo. Com este exercício, a criança percebe também que seu corpo é similar ao que foi manuseado, observando as igualdades e diferenças individuais, comparando-se. A criança que é manipulada a propriocepção é acionada, dando-lhes informações sobre o seu corpo nas mais diversas posições espaço-temporal, ajudando na construção do seu esquema corporal. A relação se estabelece entre as crianças, e novas possibilidades de relacionamentos são provocadas. Dentre as qualidades físicas, o equilíbrio, a força isométrica e isotônica, a postura e a flexibilidade são desenvolvidos. 6 – Níveis: deitada, sentada, ajoelhada, em pé. Desenvolvimento/objetivo: trabalhar os níveis com diferentes posições e associações rítmicas (palmas, instrumentos musicais, músicas variadas). A cada mudança rítmica, mudar de nível. Melhora a atenção, coordenação global e rítmica, percepção de que o corpo pode ocupar diferentes posições e níveis. 7 – Diferentes formas de locomoção: andar, correr, saltar e saltitar; variando a direção, sentido, tamanho, forma, dimensão, peso, intensidade, utilizando materiais diversificados (bola de gás, jornal, corda, EVA como forma geométrica e recortes de mãos e pés, lixa,...). Desenvolvimento/objetivo: as diferentes formas de se locomover promoverão o aumento do vocabulário corporal. Trabalhando junto com os elementos da dança (espaço, tempo, intensidade, fluxo) a percepção quantos as possíveis maneiras de se executar um mesmo movimento aumenta, atuando na consciência do seu corpo. 8 – Desenhar o corpo do colega no chão ou no papel; mudar de desenho e deitar sobre o desenho do outro. 27 Desenvolvimento/Objetivo: Primeiramente a criança deve experimentar seu corpo no chão através de uma pose e permanecer até o término do desenho. Depois reparar na imagem visual exposta no chão e correlacionar com o que foi pensado. Após o desenho, todas as crianças passam por todos os outros desenhos, deitando sobre os mesmos, com o intuito de descobrir como as outras crianças estavam posicionadas. Dançar livremente sobre as partes do corpo e apagar o desenho com diferentes partes. Trabalha a consciência da forma, criatividade e percepção visual e espacial e elabora o esquema corporal. 9 – Elevar do chão as diversas partes corporais, estimulando o maior número de formas possíveis. Depois o professor menciona algumas partes do corpo que podem tocar no chão, até retirar todas as partes. Desenvolvimento/Objetivo: Trabalho de equilíbrio estático e dinâmico, flexibilidade, tônus, força estática, ocasionando uma estrutura corporal firme, segura e moldável. 10 – Posicionar-se: à frente, ao lado, atrás de objetos e pessoas, em fila, em coluna, em círculo, em grupos variados, em trens, dando a mão, em fila indiana segurando o ombro. Desenvolvimento/Objetivo: Em dança, o trabalho do espaço externo (sala e palco) é fundamental e um dos mais complexos, uma vez que as noções de direito-esquerda, frente-trás, em baixo em cima, de lado, se estruturam com o tempo. A atividade consiste em espalhar objetos pela sala e posicionar-se nos referidos termos espaciais acima descritos utilizando o professor como referencia espacial. Como variação pode-se colocar dois grupos de crianças, um móvel e outro fixo no espaço, que servirá como referência para seu posicionamento. Os pontos de referência também podem mover-se em local determinado ou pela sala toda, dificultando a percepção das demais crianças. Após a consciência que o corpo pode se direcionar em qualquer direção, às crianças devem desenhar os objetos espalhados no chão e montarem um 28 fluxograma (percurso do corpo naquele espaço, referindo-se aos objetos). Trocar de folha e tentar fazer o percurso do outro. 11 – Trabalhar os quatro cantos da sala numerando-os da direita para a esquerda. Desenvolvimento/Objetivo: Ao numerar os cantos, o trabalho das diagonais pode ser incluído. Inicia-se assim que a criança tenha utilizado o seu espaço nas referencias do exercício anterior. Depois utilizar as oito referências espaciais para posterior compreensão do corpo na sala e no palco. 12 – Rolamentos: de lado estendido, de joelho flexionado, de perna abduzida, rolar para frente e para trás. Desenvolvimento/Objetivo: O rolamento é essencial na iniciação das destrezas motoras, pois é uma das formas que os dois hemisférios cerebrais aprendem a trabalharem juntos. Desenvolve o controle do corpo sobre o chão, a percepção do tato, e a coordenação global. 13 – Reconhecimento auditivo: Gravar uma fita com diferentes ritmos e pedir que as crianças dancem conforme a música: sozinhas, em duplas (livre e com partes do corpo coladas), trocando de duplas conforme a mudança de ritmo. Desenvolvimento/Objetivo: Com o reconhecimento auditivo estimulado, permitirá à criança perceber os ritmos e como associá-los ao seu corpo para que haja uma excelente coordenação música/movimento. Além do trabalho de socialização e criatividade. 14 – Amarelinha: 2/2, 2/1, 1/1, 1 outro 1, 1/2. Desenvolvimento/Objetivo: A amarelinha tradicionalmente trabalha a 29 coordenação, o equilíbrio e a lateralidade da criança. Além dessas qualidades físicas, o objetivo é associar o trabalho da amarelinha com o impulso necessário para se realizar diferentes tipos de saltito que ela desenvolverá durante seu estudo. Desta forma os diversos tipos de impulso dos pés (de 2 pés para 2 pés, de um para dois ... ) serão associados a passos (sissone, jeté, assemblé ... ) e à qualidade do movimento dos pés trabalhados (sua extensão durante o saltito). 15 – Com um pandeiro, desenvolver o ritmo dado pelo professor, com acompanhamento do Piano (com a mão dominante e depois com a outra mão). Desenvolvimento/Objetivo: Deve-se desenvolver a noção rítmica dos tempos binários, ternários e quaternários, conforme o amadurecimento da criança, e associar esses ritmos a passos pré-determinados para o trabalho de coordenação rítmica e corporal. 16 – Dançar com uma fita descrevendo: círculos (vertical, horizontal), zigue-zague serpentina (vertical, horizontal). Desenvolvimento/Objetivo: Os materiais fita e lenço, por serem leves e flexíveis, ajudam na destreza da criança, no desenvolvimento da coordenação fina, trabalham o espaço exterior e do corpo ao ser manipulado para fora e para dentro do eixo corporal. O exercício ajuda na descoberta do trabalho do punho e previne a rigidez articular na escrita. 17 – Equilibrar saquinhos de areia: formas de andar, dançando, em trabalhos de equilíbrio estático (poses). Desenvolvimento/Objetivo: Os saquinhos de diferentes tamanhos e pesos darão à criança a noção tão almejada na dança - a postura ereta e firme sem o estereótipo do "peito de pomba" (o quadril em anteversão e o peito estendido). Com o trabalho do equilíbrio, a criança aprende naturalmente como deve ser a 30 sua postura. 18 – Dançar conforme os movimentos coordenados. Desenvolvimento/Objetivo: Trabalho de coordenação geral, estruturação do esquema corporal, lateralidade e ritmo; Um exemplo: mão direita no quadril e a outra na cabeça, mão esquerda no joelho e a outra na barriga, e assim por diante. Variação: em círculo, dançando, ao sinal do professor colocar a mão direita no ombro esquerdo do seu amigo da frente, com o braço esquerdo tocar o tornozelo direito do amigo de trás. 19 – O professor bate no pandeiro: uma marcha, uma corrida, um saltito. (variando tempos fortes e fracos, regulares e irregulares). Desenvolvimento/Objetivo: As crianças se expressam livremente variando conforme o tempo dado. Para o ensino das batidas rítmicas, as crianças aprendem, em primeiro lugar, batendo no chão o ritmo dado; depois, sem os pés e, mais tarde, no pandeiro. Inventar ritmos do cotidiano, contar histórias com diferentes ritmos. Acompanhar ritmos de músicas conhecidas, com um colega e batendo palmas. Com essas atividades, a descoberta do tempo musical associada ao trabalho corporal auxilia na percepção auditiva, no ritmo coordenado ao gesto. 20 – Em grupos, apresentar uma história com o uso das mãos, pés e de ambos, sempre tentando alertar sobre o uso dos dedos e articulações das mãos e dos pés. Desenvolvimento/Objetivo: Desmembrando o corpo, a criatividade deve ser das mãos e pés, ajudando na coordenação fina, na desenvoltura das articulações e nos "Ports de Bras". 21 – Perceber, entre poses iguais, pequenas diferenças (da forma, 31 comprimento, quantidade, tamanhos, situações). Desenvolvimento/Objetivo: Perceber o que falta em alguma pose, o que tem a mais, as posições entre as crianças, mudanças de lugar. Trabalho de percepção visual - detalhe da figura e reconhecimento figura-fundo, além da criatividade e socialização do grupo. 22 – Com dois grupos, montar um quadro vivo com um grupo de crianças com ações em ordem cronológicas desorganizadas e pedir que o outro grupo coloque na ordem certa. Desenvolvimento/Objetivo: Em grupo, montar uma seqüência de passos ou da vida diária desorganizada, para o outro grupo reorganizar. A atividade desenvolve a criatividade, a percepção visual dos detalhes e figura-fundo, a noção temporal dos acontecimentos ao colocá-los em ordem. 23 – Exercício Sensório-Motor: Memória corporal. Desenvolvimento/Objetivo: Em círculo, criar e repassar movimentos; frases de movimento em grupos; frases de movimento individual. Desenvolver a criatividade e a memória corporal ao criar, repassar e reproduzir imagem. Aproveitar a seqüência elaborada e desenvolver os elementos do Princípio do Movimento, chegando em uma coreografia. 24 – Imaginar a careta que você fará se: Chupar um limão, morder algo duro, provar um doce gostoso, ouvir um barulho forte, sentir um cheiro desagradável, ver repentinamente uma luz muito forte, chorar de medo, ficar feliz por um presente, ficar muito brava, sentir dor de dente, frio, calor e fome... Desenvolvimento/Objetivo: Despertar a memória corporal a respeito de acontecimentos, emoções, para o resgate criativo, para posterior aplicação em coreografias. 32 25 – Desenhar movimentos ou passos criados ou já ensinados. Desenvolvimento/Objetivo: Através de folha de jornal ou revista (colagem), desenhos, ou mesmo através da escrita relembrar os passos já interiorizados. Ajuda na memória, no reconhecimento e na conscientização dos movimentos. 26 – Montar uma fila padronizada com todas as crianças. Em seguida, pedir que elas dancem livremente fora da fila e, ao término da música, retornar ao seu lugar na fila (círculo, coluna...). Objetivo: memória espacial, temporal (seqüência). 27 – Com giz desenhar no chão, formas geométricas variadas ou círculos de cores diferentes. Desenvolvimento/Objetivo: Atravessar o rio pisando nas pedras redondas ou nas pedras azuis, ou ainda com o pé esquerdo pisar no círculo vermelho, com o pé direito, no quadrado amarelo e assim por diante. Com esta atividade, a criança desenvolve sua lateralidade, reforça conhecimento acerca de formas e cores, e melhora sua coordenação geral, equilíbrio dinâmico e flexibilidade. 28 – Elaborar formações diferentes e brincar de mudar de formação. Desenvolvimento/Objetivo: Criar, junto com as crianças, diferentes formações espaciais e o fluxograma no qual cada criança deve percorrer até passar por todas as formações estabelecidas. O trabalho visa dar à criança a noção espacial da sala e do palco, a noção das relações entre as crianças, o cuidado no decorrer do percurso e a memória espacial das diferentes formações quanto ao seu fluxograma. 29 – Imitar diferentes animais quanto: ao seu ritmo, tamanho de passo, postura corporal, expressão facial e peso. 33 Desenvolvimento/Objetivo: Ao imitar animais, as crianças fantasiam todas as situações reais quanto ao animal proposto. Cabe ao professor indagar sobre todas as características dos animais para que a criança possa representar corporalmente todas as sensações possíveis: A imagem que a criança traduz corporalmente trabalha sua destreza motora, força isotônica, equilíbrio dinâmico e recuperado, flexibilidade, ritmo, tônus, postura e estimula a criatividade. Além disso, os elementos fundamentais peso, tamanho e espaço são trabalhados conforme a estrutura do animal, possibilitando a criança verificar a relação existente entre os mesmos. 30 – Refazer concretamente ações ou ordens auditivas elaboradas pelo professor. Desenvolvimento/Objetivo: O professor estipula movimentos e/ou tarefas e os comunica verbalmente à criança. Esta deve imediatamente tentar executar o que foi pedido, lembrando dos pormenores acerca do que foi explicado. Por exemplo, colocar em ordem cronológica o cotidiano: o acordar; ir para a escola; ou uma seqüência de movimentos de aula. A atenção é o elemento fundamental para o êxito da tarefa, indicando ao professor qual a criança que necessita de maior número de estímulos/explicações para que a tarefa se realize. Memória e percepção auditiva, organização cronológica da tarefa estimulam a organização temporal. 31 – Expressar verbalmente como é feito à ação que se deseja ou o passo dado, ou o que foi criado, as sensações e expressões que representam uma idéia. Desenvolvimento/Objetivo: Com esta atividade, a criança começa não só a perceber seu corpo no espaço, como descreve o que o corpo faz em sua totalidade, além de tentar verbalizar as sensações que o movimento provoca ou aquilo que quer expressar. 34 32 – Exercícios de equilíbrio estático. Desenvolvimento/Objetivo: Equilíbrio de joelho, de gato, super-homem, sentado em V, sentado no calcanhar, equilíbrio com os pés no chão e uma das mãos, equilíbrio de avião e em uma perna, em mesa, vela. Estes exercícios devem ser trabalhados Iudicamente. Seu objetivo maior é o trabalho conjunto dos dois hemisférios cerebrais, e mais especificamente o trabalho de tônus, força isométrica e equilíbrio estático nas diversas posições descritas. 33 – Jogo do elevador. Desenvolvimento/Objetivo: A criança deve elevar um bambolê do seu pé à altura de sua cabeça (e posteriormente, no caminho inverso), falando as partes do corpo pela qual o bambolê passa. Numerar cada andar que corresponde às partes do corpo e pedir que o bambolê alterne os andares para o trabalho temporal de ordem cronológica. Este exercício estrutura o corpo, o espaço e o tempo na criança. 34 – Vamos entregar algo ao colega? Desenvolvimento/Objetivo: Entregar flores, mala, sorvete, lenço, saco de areia. A criança supostamente deve diferenciar o peso, a forma, o tamanho dos objetos entregue, representando-os corporalmente. Trabalham-se a diferenciação e conscientização, quanto ao tônus, à postura, a forma e intenção do corpo na ação de receber cada objeto. 35 – O professor fixa na parede cartazes com fotos de fenômenos da natureza: árvore, vento, chuva, mar, estrelas. Faz um breve comentário sobre os mesmos. As crianças divididas em grupos devem escolher cinco fenômenos do cartaz e representar na dança e teatralmente. Desenvolvimento/Objetivo: Trabalho de criatividade envolvendo um tema 35 previamente definido, socialização no trabalho de grupo, e elaboração coreográfica para representar a escolha dos elementos. Sugestões de orientação: Como o vento sopra? Como a chuva cai? Como é o balanço das árvores? Como é a onda do mar? Como é o brilho das estrelas? Dentro da coreografia, pedir o cuidado no espaço a percorrer, no tempo de entrada de cada fenômeno, e ritmo dos passos criados. Inicia-se o trabalho dos elementos da dança vinculado à criatividade da criança. 36 – Representar com o corpo as letras do alfabeto, depois cada criança dançará conforme as letras do seu nome. Desenvolvimento/Objetivo: Estimular a criatividade de cada letra do alfabeto para o reforço pedagógico com o corpo. Estrutura cada parte do corpo, dando função aos segmentos para a elaboração das letras, da ordem cronológica das letras; junção de letras para representar os nomes de cada criança e coordenação ao ritmo da música ao dançar o seu nome. 37 – Exercícios de espelho simétrico/assimétrico, hipnose e sombra. Desenvolvimento/Objetivo: Em duplas, uma criança é o espelho a outra o espelhado, onde a imagem deve ser reproduzida simetricamente como um espelho real. A relação espacial nas noções de níveis e tamanhos e relação do espaço circundante do movimento devem ser estimuladas, bem como a coordenação dos movimentos para que sejam amplos e globais. Nos exercícios assimétricos, além dos elementos anteriores, a lateralidade é o ponto chave para que o exercício se desenvolva corretamente. Já com a Hipnose, a criança comanda e direciona o corpo do outro através da mão, no espaço e no tempo que lhe convier. O objetivo destes exercícios está diretamente ligado à estruturação do Esquema Corporal, ao imitar o corpo do outro e perceber seu próprio corpo, à lateralidade na assimetria corporal, além da relação com a organização espaço-temporal. As qualidades físicas equilíbrio, flexibilidade, força isométrica e isotônica, e a coordenação são fundamentais para o 36 desenvolvimento das atividades. 38 – Montar com um grupo ou deixá-las montar uma figura, desenho ou formação, e pedir que o outro grupo se coloque da mesma forma, ao contrário, em diagonal, de frente, Repetir este exercício com mudanças corporais de cada criança (níveis ou direções diferentes). Desenvolvimento/Objetivo: Em dois grupos, um deve reproduzir o desenho ou a figura que o outro grupo criou, estabelecendo algumas regras na execução (ao contrário, de costas...), ou ainda modificando a estrutura de níveis dos componentes e/ou direções. O objetivo desta atividade está em perceber as posições dos membros opostos e ainda saber colocar-se de maneira diferente da imagem elaborada previamente. Trabalham percepção e acuidade visual, relações espaciais entre os componentes e criatividade do grupo. 39 – Apresentar ao grupo uma figura, formação ou desenho inacabado e pedir que acrescente elementos simétricos ou assimétricos à figura fornecida. Desenvolvimento/Objetivo: Dividir a turma em dois ou mais grupos. Cada um monta uma figura inacabada e apresenta aos demais grupos para que acrescentem elementos e terminem uma idéia. A atividade trabalha a criatividade e a percepção. 40 – passos determinados para percorrer uma distância. Desenvolvimento/Objetivo: Em trincas, percorrer uma determinada distância passos diferentes (normal, gigante e de formiga). A relação espaço-temporal é desenvolvida bem como a socialização e a cooperação para resolver a atividade. 41 – Levar um aluno a percorrer um determinado caminho de olhos fechados. 37 Desenvolvimento/Objetivo: Guiar seu colega especialmente dando as referências para que ele se movimente livremente. Com os olhos fechados, a propriocepção aumenta, melhorando a percepção corporal, a relação espacial e a lateralidade. 42 – Dizer ao colega o número de passos, a direção e o trajeto que ele deve percorrer (mencionar aos poucos, ½ giro, giro inteiro pela direita e pela esquerda, assim como passos e os elementos da dança). Desenvolvimento/Objetivo: Dizer o percurso que a colega deve percorrer, antes de sua execução, para trabalhar a memória espacial e corporal, a noção do espaço a percorrer e a lateralidade. 43 – Andar, correr e dançar por entre os colegas e ter atenção às pessoas à sua volta, a um objeto lançado no grupo. Desenvolvimento/Objetivo: Ao percorrer o espaço, as crianças devem ter atenção às demais, trabalhando, desta forma, o espaço circundante, a lateralidade, o olhar e a direção consciente do que deseja fazer. E, ao ser colocado um objeto alheio às crianças o foco de atenção é dobrado, pois, além dos dados anteriores, a relação com o objeto deve ser precisa, trabalhando a percepção visual, a coordenação geral e fina. 44 – Contração e relaxamento segmentar. Desenvolvimento/Objetivo: Contrair e relaxar isoladamente cada parte do corpo que o professor indicar. Verificar, após este exercício, o controle desse segmento em cada passo de dança que for feito, alertando a criança para descontrair a parte que não pertence à execução do movimento, sem gastar energia em excesso. 38 CONCLUSÃO A dança corre um sério risco de robotizar o corpo da criança ao transformá-la em mera reprodutora de passos estereotipados, porém segundo Fachada (1999) a dança pode também se tornar um veículo de transformação, auxiliando o sujeito a ter desejos para poder fazer, para saber fazer, agindo sobre seu próprio aprendizado, expandindo suas emoções, construindo imagens com significado. O ensino da dança de acordo com Calazans (2003), pode ser um lugar onde o aluno faz conexões entre o pessoal e o social, desenvolve sua percepção, suas habilidades imaginativas e sensuais, encontra sua própria voz, valida seus sentimentos e compaixão, e se torna poderoso, enquanto cocriador do seu mundo. Através das observações das aulas de dança, podemos notar que em uma escola, (onde não há o trabalho paralelo com a Psicomotricidade), a Psicomotricidade está inserida no processo de aprendizado da dança, o professor acaba por utilizá-la, só que de forma inconsciente, já na outra escola, (onde há o trabalho paralelo com a Psicomotricidade), podemos verificar que o professor a utiliza, porém de forma consciente, que é exatamente o que esta pesquisa quer elucidar, é de que maneira este trabalho pode ser feito (método consciente), para que o prazer pela prática da mesma esteja inserido desde a mais tenra idade, para que a dança não seja apenas a reprodução de mecanismos técnicos e para que o professor saiba classificar os objetivos de cada turma em detrimento de seus níveis de classificação psicomotora. Dessa forma, a Psicomotricidade vem a ser um meio de trabalhar a criança, com uma técnica definida e clara para que a consciência corporal seja atingida, melhorando de uma forma geral os objetivos pelos quais a dança se propõe. 39 ANEXO ROTEIRO DE OBSERVAÇÃO Roteiro de observação de quatro aulas de dança, em duas escolas de dança. Roteiro 1 – escola de dança que trabalha com a Psicomotricidade. Nome do Estabelecimento Centro de dança na Baixada Fluminense. (São João de Meriti) Data e horário das aulas Dias 06 e 13 de dezembro de 2010. Das 18:30 às 20:30. Considerações iniciais Linha estética Ballet Clássico e Jazz Nível da aula Iniciante Tempo de duração 1 hora Música Clássica para o ballet e Internacional para o Jazz. Número de alunos 13 Faixa etária Entre 7 e 10 Observações ● Nas aulas, a professora passou os exercícios específicos de cada estilo de dança, porém em cada aula ela fez uma ou duas atividades psicomotoras, relacionando a atividade com o exercício ensinado e enfatizando os objetivos pretendidos com a atividade. ● Podemos notar que as crianças absorveram facilmente o exercício específico (técnica) dado nas aulas, depois de terem participado da atividade fazendo a associação desta com o que foi ensinado. ● A hora das atividades era uma grande brincadeira, podemos perceber o prazer que as crianças tem em fazê-las, e ver a resposta quase que imediata 40 do aprendizado do exercício. ● Em todo o momento a professora trazia a memória dos alunos atividades já feitas anteriormente e que podiam ajudar na execução de algum exercício pedido. ● Podemos ver o prazer das crianças em estarem na aula, e para elas sempre acabava rápido, sempre que terminava as aulas, as crianças não queriam ir embora. O clima das aulas é muito agradável e as crianças pareciam bem felizes. 41 Roteiro 2 – escola de dança que não trabalha com a Psicomotricidade. Nome do Estabelecimento Academia de dança na Baixada Fluminense. (Nova Iguaçu) Data e horário das aulas 8, 10, 15, 17 de Dezembro de 2010. Das 18:00 às 19:00h. Considerações iniciais Linha estética Ballet Clássico e Jazz Nível da aula Iniciante Tempo de duração 1 hora Música Clássica para o ballet e pop nacional para o Jazz. Número de alunos 8 Faixa etária Entre 7 e 10 Observações ● Nas aulas, a professora passou os exercícios específicos de cada estilo de dança, demonstrando bastante preocupação com que as crianças decorassem as seqüências e executassem bem todos os exercícios, independente de sua disponibilidade e capacidade para fazê-los. ● Podemos notar que as crianças fizeram os exercícios porém sem um significado para tal, somente imitavam a professora sem ter acesso a importância ou a algo que facilitasse o aprendizado do mesmo. ● A professora em alguns momentos, trazia o lúdico para sua aula, porém não dava continuidade fazendo a aplicação deste lúdico à prática. ● Podemos perceber que as crianças gostavam de estar ali, mas não tinham muito prazer em executar os exercícios. O clima das aulas foi seco com momentos de brisa. 42 BIBLIOGRAFIA 1 - ALVES, Fátima, Psicomotricidade: corpo, ação e emoção/ Fátima Alves – 4. Ed. Rio de Janeiro: Wak, 2008. 2 - CALAZANS, Julieta e CASTILHO, Jacyan e GOMES, Simone. (orgs.). Dança e educação em movimento, São Paulo: Cortez, 2003. 3 - CAMINADA, Eliana, Programa de ensino de ballet: uma proposição/ Eliana Caminada, Vera Aragão – Rio de Janeiro: UniverCidade Ed., 2006. 4 - FACHADA, Rosana. “Implicações do pensamento corpóreo na formação do esquema e da imagem corporal da criança na dança” in Pereira, R. e Soter, S.(orgs.) Lições de dança 5, Rio de Janeiro:Univercidade,1999. 5 - FARO, Antonio José, 1933-1991, Pequena historia da dança/ Antonio José Faro – 6. Ed – Rio de janeiro: Jorge Zahar Ed. 2004. 6 - LAPIERRE, André e AUCOUTURIER, Bernard. Fantasmas corporais e prática psicomotora. São Paulo: manole, 1984. 7 - MIRANDA, Regina, O movimento expressivo. Rio de Janeiro: Funarte, 1980. 8 - OLIVEIRA, Marta K. Vygotsky. São Paulo, Scippione, 1995. 43 9 - RENGEL, Lenira, Dicionário Laban. São Paulo: Annablume, 2003. 10 - ROBATTO, Lia, Dança em processo – a linguagem do indivisível. Ufba: Salvador, 1994 11 - SILVA, Danielle Mendonça e FALKENBACH, Atos Prinz. Psicomotricidade: um olhar descritivo das suas vertentes, artigo, Porto alegre, 2008. 12 - www.ahmachado.vilabol.uol.com.br, - Educação psicomotora , artigo de Aurélio Henrique Machado, 20/12/2010. 13 - www.psicomotricidade.com.br – SBP 14/12/2010. - definição de Psicomotricidade, 44 ÍNDICE FOLHA DE ROSTO 2 AGRADECIMENTO 3 DEDICATÓRIA 4 RESUMO 5 METODOLOGIA 6 SUMÁRIO 7 INTRODUÇÃO 8 CAPÍTULO I 10 A PSICOMOTRICIDADE E OS ASPECTOS PSICOMOTORES DE CRIANÇAS DE SETE A DEZ ANOS. 1.1 - Campos de atuação da Psicomotricidade 10 1.1.1 – Educação psicomotora 10 1.1.2 – Reeducação psicomotora 11 1.1.3 – Terapia psicomotora 11 1.2 – Elementos básicos da Psicomotricidade 11 1.2.1 – Esquema corporal 11 1.2.2 – Lateralidade 12 1.2.3 – Estruturação espacial 13 1.2.4 – Orientação temporal 14 1.3 – Aspectos psicomotores de crianças de sete a dez anos. 15 CAPÍTULO II 16 A DANÇA E SUA RELAÇÃO COM A PSICOMOTRICIDADE CAPÍTULO III 23 ATIVIDADES PSICOMOTORAS NO ENSINO DA DANÇA CONCLUSÃO 38 45 ANEXOS 39 BIBLIOGRAFIA 42 ÍNDICE 44 46 FOLHA DE AVALIAÇÃO Nome da Instituição: Título da Monografia: Autor: Data da entrega: Avaliado por: Conceito: