EQUIPE DE PESQUISA COORDENAÇÃO GERAL DA PESQUISA: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Lígia Giovanella Sarah Escorel Maria Helena Magalhães de Mendonça Pesquisadores associados Carla Lourenço Tavares de Andrade Maria Inês Carsalade Martins Mônica de Castro Maia Senna Márcia Cristina Rodrigues Fausto Cosme Marcelo Furtado Passos da Silva Pesquisadores assistentes Patty Fidelis de Almeida Mônica Mendonça Delgado Carina Pacheco Teixeira Marcela Silva da Cunha Lívia Mendes Mesquita Consultoria em amostragem Mauricio Teixeira Leite de Vasconcellos Consultoria máscara de entrada e construção do banco de dados Luiz Alberto Matzenbacher Bolsista de iniciação científica Carolina Vianna Apoio informática Gustavo da Silva Soares Apoio administrativo, formatação e reprodução dos textos Lincoln Xavier da Silva Luiz Cláudio Guimarães da Silva TRABALHO DE CAMPO: DM&P – TECNOLOGIA GERENCIAL DE MERCADOS E PRODUTOS Coordenador Executivo do trabalho de campo Rodrigo de Araújo Ferreira Coordenadora técnica do trabalho de campo Maria de Fátima Brant Drumond Coordenadora técnica do trabalho de campo de Aracaju Raquel Braga Rodrigues Coordenador do campo Alessandro Luiz Costa Auxiliar de coordenação do campo Jamile Neme de Queiroz Supervisoras de campo EM DESENVOLVIMENTO Edilene Mendes Rocha Silva, Danielle Melo Correia dos Santos, Michelle Melo Correia dos Santos, Kamila Andrade Mendonça Responsável pela elaboração do banco de dados Giselle Silva de Carvalho Auxiliares na elaboração do banco de dados Rafaela Soares Bueno e Natália Rodrigues Melo Entrevistadores de Famílias Liane Rocha Machado, Norma Cecília Alves Ribeiro, Simonize Cunha Cordeiro Barreto, Julian Katrin Albuquerque de Oliveira, Daiana Passos Rodrigues, Camila Feitosa Rocha, Elaine de Moura, Evaney Corrêa dos Santos, Ana Paula Andrade Reinoso, Marcelo Gomes Pereira, Ricardo Cley Silvestre Santos, Gustavo Ávila Dias, Talitha Carneiro de Oliveira Silva, Amália Guimarães Raimundo, Neylor Rodrigo Oliveira Aragão, Claudia Gabriela Santos de Oliveira, Ricardo Henrique Leal Souza, Luciana Rolemberg de Oliveira Farias, Ana Cristina Lima Santos, Victor Santana Santos Crítica dos dados Dênnea Coutinho Coelho, Letícia Maria Badaró de Carvalho, Maria das Graças Alves GESTÃO FINANCEIRA FIOTEC FINANCIAMENTO DAB/SAS/MS – Departamento de Atenção Básica, Secretaria de Atenção à Saúde, Ministério da Saúde APRESENTAÇÃO Este relatório apresenta os resultados da pesquisa Estudos de Caso sobre a Implementação da Estratégia Saúde da Família em Grandes Centros Urbanos para o município de Aracaju realizada pelo NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ e financiada pelo DAB/SAS/MS. A pesquisa teve por objetivo analisar a implementação da Estratégia Saúde de Família, com foco na integração à rede assistencial e à atuação intersetorial, em quatro grandes centros urbanos, para discutir as potencialidades da Saúde da Família (SF) como estratégia de atenção primária em saúde (APS) abrangente. Os eixos de análise são a integração e a intersetorialidade, elementos fundamentais de uma atenção primária abrangente. Implementar uma concepção abrangente ou integral de atenção primária implica a construção de sistemas de saúde orientados por esta atenção, articulados em rede, centrados no usuário e que respondam a todas as necessidades de saúde da população. Assim, a integração ao sistema é condição para se contrapor a uma concepção seletiva da atenção primária em saúde como programa paralelo, com cesta restrita de serviços de baixa qualidade, dirigido a pobres. Por sua vez, a atuação intersetorial é condição para que a atenção primária não se restrinja ao primeiro nível, mas seja base e referência para toda a atenção, contemplando aspectos biológicos, psicológicos e, principalmente, sociais, e incida sobre problemas coletivos nos diversos níveis de determinação dos processos saúde-enfermidade, promovendo a saúde. A partir dessas premissas foram realizados estudos de caso em quatro grandes centros urbanos com experiências consolidadas de implementação da Estratégia Saúde da Família, empregando uma estratégia de pesquisa sustentada em diversas fontes e métodos. Foram feitos entrevistas com gestores e gerentes municipais para estudo qualitativo e inquéritos com aplicação de questionários autopreenchidos à amostra de profissionais das equipes de saúde da família (ESF) e de questionários fechados a uma amostra representativa de famílias cadastradas e entrevistadas em seus domicílios no período de junho a setembro de 2008. O presente relatório está estruturado em capítulos que articulam os resultados das diversas fontes: gestores, profissionais e famílias. Iniciase por um sumário executivo com síntese dos principais resultados. Ligia Giovanella – coordenadora da pesquisa AGRADECIMENTOS A realização da pesquisa contou com o apoio de diversas instituições e de profissionais aos quais gostaríamos de agradecer. Em especial, agradecemos a todos os sujeitos de nossa pesquisa – atores-chave dos sistemas de saúde nos municípios estudados, gestores, gerentes, profissionais de saúde e famílias cadastradas – pela disponibilidade em compartilhar seu conhecimento, experiência e tempo na realização das entrevistas. Nossos agradecimentos aos secretários municipais e aos coordenadores de atenção básica dos quatro municípios pelo compartilhamento de suas experiências e análises, pela autorização para a realização do estudo e por todo o apoio para o desenvolvimento do trabalho de campo. Agradecemos a todos profissionais envolvidos nas diversas etapas do trabalho de pesquisa, consultores, pesquisadores de campo, digitadores, transcritores de entrevistas, auxiliares de pesquisa e assistentes administrativos. Finalmente, agradecemos a todos os profissionais de cada uma das unidades de saúde visitadas pelas informações prestadas e pelo apoio na realização das entrevistas. Ao grupo de profissionais técnicos e administrativos do NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ agradecemos o apoio logístico para a realização da pesquisa e a elaboração de relatórios. Ao Departamento de Atenção Básica, Secretaria de Atenção à Saúde, Ministério da Saúde agradecemos os incentivos e o apoio financeiro, sem o qual não teria sido possível a realização desta pesquisa. Equipe de coordenação SUMÁRIO SUMÁRIO EXECUTIVO.......................................................................................................................... I INTRODUÇÃO ..........................................................................................................................................1 JUSTIFICATIVA..........................................................................................................................................5 OBJETIVOS DO ESTUDO .............................................................................................................................7 I. EIXOS DE ANÁLISE: INTEGRAÇÃO/COORDENAÇÃO/CONTINUIDADE E INTERSETORIALIDADE........................................................................................................................9 EIXO 1. INTEGRAÇÃO/ COORDENAÇÃO / CONTINUIDADE ..........................................................................9 Dimensões da integração/coordenação/continuidade ......................................................................16 EIXO II. INTERSETORIALIDADE ...............................................................................................................17 Dimensões da intersetorialidade ......................................................................................................25 II. METODOLOGIA ...............................................................................................................................27 MUNICÍPIOS SELECIONADOS ...................................................................................................................31 INSTRUMENTOS DE PESQUISA .................................................................................................................32 Entrevistas semiestruturadas com o gestor e gerentes municipais ...................................................32 Questionários de autopreenchimento para os integrantes das Equipes de Saúde da Família ......... 33 Questionário aplicado a famílias usuárias da Estratégia Saúde da Família ...................................33 DESENHO DA AMOSTRA DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE E FAMÍLIAS ..........................................................34 Seleção das amostras de profissionais e famílias ............................................................................. 39 ETAPAS DA PESQUISA .............................................................................................................................39 Caracterização sociodemográfica e sanitária dos municípios .........................................................39 Trabalho de campo com gestores e gerentes ....................................................................................40 Processamento dos dados e crítica...................................................................................................43 Sistematização e análise das informações dos estudos de caso........................................................ 43 CONSIDERAÇÕES ÉTICAS ........................................................................................................................45 III. CARACTERIZAÇÃO SOCIODEMOGRÁFICA E SANITÁRIA DE ARACAJU ....................47 1. CARACTERÍSTICAS DEMOGRÁFICAS E SOCIOECONÔMICAS ..................................................................47 2. CARACTERÍSTICAS EPIDEMIOLÓGICAS ................................................................................................53 3. OFERTA DE SERVIÇOS DE SAÚDE EM ARACAJU ...................................................................................56 Atenção ambulatorial do SUS...........................................................................................................57 Atenção hospitalar do SUS ...............................................................................................................62 Cobertura por planos de saúde.........................................................................................................64 IV. CARACTERÍSTICAS DE VULNERABILIDADE DAS FAMÍLIAS ADSCRITAS AO PSF....65 1. CARACTERÍSTICAS DE VULNERABILIDADE DOS CHEFES DE FAMÍLIA ...................................................67 2. CARACTERÍSTICAS DE VULNERABILIDADE DOS MORADORES ..............................................................73 3. CARACTERÍSTICAS DE VULNERABILIDADE DOS DOMICÍLIOS ...............................................................78 4. VULNERABILIDADE DOS DOMICÍLIOS SEGUNDO A POSSE DE EQUIPAMENTOS DOMÉSTICOS .................85 5. CASOS DE VIOLÊNCIA E ACIDENTES NAS COMUNIDADES .....................................................................86 V. PROCESSO DE IMPLEMENTAÇÃO E CONSOLIDAÇÃO DA ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA NO MUNICÍPIO DE ARACAJU (SE)..........................................................................93 1. PROCESSO DE IMPLEMENTAÇÃO/CONSOLIDAÇÃO ...............................................................................94 Contexto político e institucional do município no momento de implantação do PSF....................... 94 Motivações para implantação do PSF..............................................................................................95 Antecedentes da implantação do PSF...............................................................................................96 Etapas / momentos da implementação da Estratégia Saúde da Família ..........................................96 Evolução das ESF segundo o SIAB...................................................................................................99 Unidades de Saúde da Família ....................................................................................................... 104 2. CONCEPÇÃO DO MODELO ASSISTENCIAL........................................................................................... 109 3. ATORES ENVOLVIDOS NA CONSOLIDAÇÃO ........................................................................................ 114 4. FINANCIAMENTO .............................................................................................................................. 117 Observações dos gestores sobre o financiamento da Estratégia Saúde da Família....................... 121 VI. GESTÃO DO TRABALHO EM SAÚDE DA FAMÍLIA ............................................................. 123 1. GESTÃO DO TRABALHO EM SAÚDE DA FAMÍLIA ............................................................................... 128 2. PERFIL DAS EQUIPES ......................................................................................................................... 129 Formação dos profissionais............................................................................................................ 131 Experiência de trabalho anterior em Saúde da Família................................................................. 137 3. INSERÇÃO PROFISSIONAL: VÍNCULO TRABALHISTA E MECANISMOS DE SELEÇÃO .............................. 139 Mecanismos de seleção................................................................................................................... 143 Inserção e vínculo profissional ....................................................................................................... 146 Composição da equipe multiprofissional da Saúde da Família...................................................... 150 Motivos para trabalhar em Saúde da Família................................................................................ 153 4. REMUNERAÇÃO ................................................................................................................................ 155 5. ROTATIVIDADE E ESTRATÉGIAS DE FIXAÇÃO DOS PROFISSIONAIS ..................................................... 160 6. CAPACITAÇÃO PARA A SAÚDE DA FAMÍLIA ...................................................................................... 166 7. SUPERVISÃO ..................................................................................................................................... 175 8. TRABALHO EM EQUIPE ...................................................................................................................... 182 9. AVALIAÇÃO DE ENTIDADES REPRESENTATIVAS ................................................................................ 189 10. DESAFIOS DA GESTÃO DO TRABALHO EM SAÚDE DA FAMÍLIA ........................................................ 192 VII. ORGANIZAÇÃO DO PROCESSO DE TRABALHO E PRÁTICAS ASSISTENCIAIS DAS EQUIPES DE SAÚDE DA FAMÍLIA .................................................................................................. 197 1. PROGRAMAÇÃO DAS ATIVIDADES DA EQUIPE ................................................................................... 197 2. AÇÕES PRIORITÁRIAS DA EQUIPE ...................................................................................................... 207 3. ATIVIDADES ROTINEIRAS REALIZADAS PELAS ESF........................................................................... 210 Visita domiciliar ............................................................................................................................. 222 4. RELAÇÃO EQUIPE/POPULAÇÃO ......................................................................................................... 223 VIII. CONHECIMENTO E USO DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMILIA ................................ 231 1. CONHECIMENTO DO PSF .................................................................................................................. 231 2. USO DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA ........................................................................................ 234 3. ATENDIMENTO DO PRÓPRIO ENTREVISTADO PELA ESF NOS ÚLTIMOS 30 DIAS ................................. 235 4. CONHECIMENTO DO AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE ................................................................... 237 IX. POSIÇÃO DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA NA REDE ASSISTENCIAL............... 239 1. PORTA DE ENTRADA PREFERENCIAL AO SISTEMA DE SAÚDE SEGUNDO GESTORES ............................ 239 2. ESTRATÉGIAS DE ATENDIMENTO À DEMANDA ESPONTÂNEA............................................................. 240 3. AVALIAÇÃO DOS PROFISSIONAIS QUANTO À POSIÇÃO DA ESTRATÉGIA NA REDE ASSISTENCIAL ....... 242 4. SERVIÇO DE PROCURA REGULAR DAS FAMÍLIAS ............................................................................... 245 Serviço de primeiro contato............................................................................................................ 245 Procura de serviços nos casos de adoecimento nos últimos 30 dias .............................................. 247 Iniciativas das famílias em caso de doença .................................................................................... 249 X. INTEGRAÇÃO DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA À REDE DE SERVIÇOS ............ 261 1. ACESSO A CONSULTAS ESPECIALIZADAS .......................................................................................... 262 Acesso das famílias usuárias da ESF à atenção especializada segundo profissionais e famílias .. 266 2. ACESSO AOS SERVIÇOS DE APOIO À DIAGNOSE E TERAPIA ................................................................ 279 Acesso das famílias usuárias da ESF aos serviços de apoio à diagnose e terapia segundo famílias e profissionais.................................................................................................................................... 281 3. ACESSO À ATENÇÃO HOSPITALAR ..................................................................................................... 286 Acesso das famílias usuárias da ESF à atenção hospitalar segundo profissionais........................ 288 4. ACESSO À URGÊNCIA E EMERGÊNCIA ................................................................................................ 288 5. AVALIAÇÃO DAS EQUIPES QUANTO À ATENÇÃO INTEGRAL PRESTADA PELA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA ............................................................................................................................................... 290 6. ACESSO DAS FAMÍLIAS A MEDICAMENTOS ........................................................................................ 296 7. INTEGRAÇÃO DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA COM OS PROGRAMAS DE SAÚDE COLETIVA E AÇÕES DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE..................................................................................................................... 297 8. DESAFIOS PARA MELHORAR A INTEGRAÇÃO DA ESTRATÉGIA SF À REDE DE SERVIÇOS .................... 299 XI. COORDENAÇÃO DOS CUIDADOS ............................................................................................ 303 1. ESTRATÉGIAS DE COORDENAÇÃO DOS CUIDADOS ............................................................................. 303 2. CONTINUIDADE INFORMACIONAL ..................................................................................................... 307 3. AVALIAÇÃO DA COORDENAÇÃO PELOS PROFISSIONAIS..................................................................... 312 XII. INTERSETORIALIDADE............................................................................................................ 315 1. INICIATIVAS DA SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE ....................................................................... 316 2. INTEGRAÇÃO DAS AÇÕES E CONTRIBUIÇÃO DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA ............................ 321 3. INSTITUCIONALIDADE DAS AÇÕES INTERSETORIAIS .......................................................................... 322 Abrangência.................................................................................................................................... 323 Dinâmica de funcionamento das ações intersetoriais..................................................................... 324 Financiamento ................................................................................................................................ 326 Avaliação dos gestores ................................................................................................................... 326 Recomendações a gestores de outras cidades ................................................................................ 328 4. PARCERIAS COM INSTITUIÇÕES ACADÊMICAS ................................................................................... 329 5. PRÁTICAS ASSISTENCIAIS DAS ESF PARA ATUAÇÃO INTERSETORIAL ............................................... 329 Conhecimento de fatores de risco social e condições de vida dos usuários ................................... 329 Capacitação dos profissionais para atuar segundo a diversidade sócio-cultural da comunidade. 333 Ações conjuntas da ESF com instituições, organizações ou grupos da comunidade ..................... 334 Reuniões na comunidade ................................................................................................................ 339 Problemas prioritários e da situação de saúde no bairro identificados pelas famílias e gerentes de unidades.......................................................................................................................................... 341 6. OUTRAS MODALIDADES DE ARTICULAÇÃO E PARCERIAS COM ONGS ............................................... 344 7. AVALIAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DAS ESF SOBRE O DESEMPENHO DAS EQUIPES NO DESENVOLVIMENTO DE AÇÕES INTERSETORIAIS ................................................................................... 345 8. PARTICIPAÇÃO SOCIAL ..................................................................................................................... 346 Ações comunitárias......................................................................................................................... 348 Participação no Conselho Municipal de Saúde.............................................................................. 352 Participação no Conselho Local de Saúde ..................................................................................... 355 Possibilidades de reclamação / denúncia sobre os serviços de saúde............................................362 XIII. ACOMPANHAMENTO DAS FAMÍLIAS E DOS GRUPOS PRIORITÁRIOS NA EXPERIÊNCIA DAS FAMÍLIAS ........................................................................................................365 1. ACOMPANHAMENTO DAS FAMÍLIAS PELOS AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE (ACS)..................365 2. PORTADORES DE DOENÇAS CRÔNICAS ..............................................................................................370 3. ACOMPANHAMENTO DE PORTADORES DE HIPERTENSÃO ARTERIAL ..................................................371 4. ACOMPANHAMENTO DE PORTADORES DE DIABETES .........................................................................375 5. ACOMPANHAMENTO PRÉ-NATAL ......................................................................................................379 6. ACOMPANHAMENTO DO CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO INFANTIL ..........................................383 7. ACOMPANHAMENTO DE IDOSOS OU DOENTES PERMANENTEMENTE ACAMADOS ...............................384 8. SÍNTESE DO ACOMPANHAMENTO A GRUPOS PRIORITÁRIOS ...............................................................386 9. COMPARAÇÃO 2002-2008 DO ACOMPANHAMENTO DE GRUPOS PRIORITÁRIOS .................................389 XIV. AVALIAÇÃO DAS FAMÍLIAS ..................................................................................................399 1. AVALIAÇÃO DO ATENDIMENTO DO PROFISSIONAL DA ESF NOS ÚLTIMOS 30 DIAS ...........................399 2. AVALIAÇÃO DAS FAMÍLIAS SOBRE O ACS DE SUA ÁREA ..................................................................400 3. AVALIAÇÃO DO ÚLTIMO ATENDIMENTO NOS ÚLTIMOS DOZE MESES .................................................401 4. AVALIAÇÃO GERAL DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA PELAS FAMÍLIAS ......................................407 XV. DESAFIOS, PROPOSTAS DE EXPANSÃO E AVALIAÇÃO GERAL DA ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA POR GESTORES, GERENTES E ENTIDADES........................................415 1. PRINCIPAL PROBLEMA DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA ............................................................415 2. PONTOS MAIS POSITIVOS DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA.........................................................416 3. RECOMENDAÇÕES PARA GESTORES DE OUTRAS CIDADES .................................................................416 XVI. FATORES FACILITADORES E LIMITANTES DA IMPLEMENTAÇÃO DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA PARA A INTEGRAÇÃO À REDE ASSISTENCIAL, A COORDENAÇÃO DOS CUIDADOS E A ATUAÇÃO INTERSETORIAL....................................419 XVII. REFERÊNCIAS .......................................................................................................................... 431 XVIII. LISTA DE TABELAS E FIGURAS .........................................................................................441 XIX. SIGLAS E ABREVIATURAS.......................................................................................................465 SUMÁRIO EXECUTIVO SÍNTESE DOS PRINCIPAIS RESULTADOS – IMPLEMENTAÇÃO DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA EM ARACAJU INTRODUÇÃO A atenção primária à saúde (APS), como estratégia que permeia o setor saúde e outros setores sociais, exige o entendimento da saúde como direito social e a necessidade de enfrentar os determinantes sociais mais gerais para promovê-la. Uma boa organização dos serviços de atenção primária contribui para a melhoria da atenção, acarretando efeitos positivos à saúde da população e à eficiência do sistema (Delnoij et al., 2000). Comparações internacionais mostram que uma robusta atenção primária em saúde – com serviços de primeiro contato incorporados ao sistema de saúde e oferta integral de ações – produz impactos positivos sobre os indicadores de situação de saúde e promove ganhos de eficiência (Macinko, Starfield & Shi, 2003; Starfield & Shi, 2002). Na América Latina, a abordagem seletiva de atenção primária tornou-se hegemônica no contexto das estratégias macroeconômicas de ajustes estruturais dos anos 1980, e as agências multilaterais difundiram a implementação de uma cesta mínima de serviços para populações de baixa renda, incrementando-se as desigualdades em saúde (Conill & Fausto, 2008). Recentemente, em contexto democrático, com a assunção de governos de centroesquerda, diversos países na América Latina vêm desenvolvendo políticas que visam fortalecer a atenção primária como estratégia para melhor organizar os serviços de saúde e promover a equidade mediante a renovação de uma abordagem abrangente. No Brasil, durante os anos 1990, de modo a distanciar-se da concepção seletiva de atenção primária à saúde, passou-se a empregar o termo atenção básica (AB) em saúde para caracterizar a atenção de primeiro nível, definindo-a como um conjunto de ações, de caráter individual e coletivo, situadas no primeiro nível de atenção dos sistemas de saúde e voltadas à promoção, à prevenção de agravos, ao tratamento e à reabilitação da saúde. ii PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO A atenção básica sugerida à época, além de referir apenas o primeiro nível, sem apontar a integração ao sistema de saúde, não implicava um modelo assistencial diferenciado, e muitas vezes mantinha-se a atenção calcada somente na resposta ao pronto atendimento da demanda espontânea ou baseada nos tradicionais programas de saúde pública dos centros de saúde. Uma mudança mais profunda do modelo assistencial foi proposta ao final dos anos 1990, como desdobramento do Programa Saúde da Família (PSF). O PSF, dando continuidade ao Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), fora criado com características de seletividade ao priorizar a assistência para determinados agravos e dirigir-se, como programa paralelo, a populações em maior vulnerabilidade social, pelo que foi visto por vezes como “programa limitado, bom para os pobres e pobre como eles” (Capistrano, 1999:89). Todavia, ao final da década de 1990, a Saúde da Família (SF) foi assumido pelo Ministério da Saúde (MS) como estratégia para a reorganização do sistema de saúde e como modelo assistencial substitutivo na perspectiva da implementação de uma atenção primária abrangente, que fosse reordenadora do sistema. Recentemente, em 2006, a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), definida a partir de consenso em nível nacional entre gestores federais e representantes das esferas estaduais e municipais na Comissão Intergestores Tripartite, ampliou o escopo e a concepção da Atenção Básica no país, incorporando os atributos da atenção primária em saúde propostos por Starfield (2002), para caracterizá-la como abrangente; ademais de reafirmar a Saúde da Família como estratégia prioritária para a organização da atenção básica. Ponto de contato preferencial e porta de entrada do sistema de saúde, a atenção básica no Brasil, segundo a PNAB, tem como fundamentos: 1) o acesso universal e contínuo a serviços de saúde de qualidade e resolutivos; 2) a efetivação da integralidade em suas várias dimensões, ao articular ações programáticas e de atendimento à demanda espontânea, ao integrar ações de promoção da saúde, de prevenção de agravos, de tratamento e de reabilitação, além de coordenar o cuidado na rede de serviços; 3) o desenvolvimento de relações de vínculo e de responsabilização entre as equipes e a população, garantindo a longitudinalidade; 4) a valorização dos profissionais de saúde; NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo iii 5) a realização de avaliação e monitoramento sistemático dos resultados; e 6) o estímulo à participação popular e ao controle social (MS, 2006:10-1). Impulsionada por incentivos financeiros federais, a Saúde da Família está presente (dezembro 2008) em 94% dos municípios brasileiros, contando 29 mil equipes implantadas e cobertura populacional estimada de 48% da população do país (92 milhões de habitantes). Todavia, um olhar sobre as experiências em curso demonstra uma grande diversidade dos modelos assistenciais vis-à-vis as imensas disparidades inter e intrarregionais e as desigualdades sociais que marcam a realidade brasileira. Assim, a ampliação de cobertura nem sempre correspondeu à mudança do modelo assistencial preconizada pela Estratégia (Goulart, 2002; Escorel et al., 2002; Giovanella et al., 2003). Avançar na implementação de tal política exige conhecimento e análise aprofundados da atenção primária atualmente prestada, bem como a sua avaliação a partir da perspectiva de todos os envolvidos, dos profissionais de saúde, dos gestores e, especialmente, dos usuários, para identificar nós críticos e pontos de intervenção que possam orientar as políticas e as ações no sentido de concretizar os princípios gerais da proposta, garantindo atenção de saúde com qualidade à população. Desse modo, ao somar-se a diversas outras iniciativas (Elias et al., 2006, Ibañez et al., 2006; Szwarcwald, 2006, Facchini et al., 2006), a presente pesquisa tem por propósito analisar o modelo assistencial da atenção básica em saúde a partir da implementação da Estratégia Saúde da Família e discutir suas potencialidades para orientar a organização do sistema de saúde em quatro grandes centros urbanos quanto à integração à rede de serviços com coordenação dos cuidados e à atuação intersetorial, desde a perspectiva das famílias cadastradas, dos profissionais de saúde e dos gestores. O estudo toma como eixos de análise a integração da Saúde da Família ao sistema de saúde e à intersetorialidade, pois estes são aspectos cruciais de uma atenção primária abrangente e estratégica para a reorganização desse sistema. Implementar uma concepção abrangente ou integral de atenção primária implica a construção de sistemas de saúde que sejam orientados pela APS, articulados em rede, centrados no usuário e que respondam a todas as necessidades de saúde da população. Assim, a integração ao sistema é condição para se contrapor a uma concepção seletiva da APS como programa paralelo com cesta restrita, em geral de baixa qualidade, Aracaju iv PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO dirigido aos pobres. Do mesmo modo, a atuação intersetorial é condição para que a atenção primária não se restrinja ao primeiro nível de atenção, mas seja a base e a referência para toda a atenção, contemplando não apenas aspectos biológicos, mas também psicológicos e, principalmente, sociais, incidindo sobre problemas coletivos. Promovendo desta forma a saúde, ao atuar nos diversos níveis de determinação dos processos saúde-enfermidade. No processo de renovação da atenção primária observa-se a disputa de distintas concepções de atenção primária pelas agências internacionais com importantes repercussões sobre a equidade e o direito à saúde, principalmente entre a abordagem seletiva e a abordagem integral ou abrangente. As concepções seletiva e abrangente de APS compreendem questões teóricas, ideológicas e práticas muito distintas e têm consequências diferenciadas sobre a garantia do direito universal à saúde. A integração desse tipo de atenção ao sistema de saúde e a articulação intersetorial são princípios fundamentais da atenção primária abrangente, uma vez que esta é condição para a garantia de atenção integral, enquanto a intersetorialidade o é para o enfrentamento de determinantes sociais. A integração com os outros níveis assistenciais é atributo fundamental de uma APS abrangente, pois a garantia de atenção integral, no que concerne ao acesso a serviços adequados às necessidades de saúde, está condicionada à integração dos serviços de APS à rede assistencial em saúde. Já a principal característica da APS seletiva é a oferta de uma cesta restrita de serviços a algumas ações de baixo custo situadas no primeiro nível de atenção sem garantia de acesso a serviços de saúde (inclusive os especializados) adequados às necessidades de saúde, produzindo-se importantes desigualdades de acesso e na garantia do direito à atenção (Cueto, 2004). A integração do sistema de saúde contribui para o exercício de coordenação dos cuidados pelos serviços de atenção primária, assegurando a continuidade da atenção aos pacientes crônicos. A coordenação dos cuidados é desafio contemporâneo para qualquer sistema de saúde que vise garantir atenção integral e integrada, em particular, aquela voltada ao paciente crônico, em decorrência de mudanças demográficas e epidemiológicas e da baixa capacidade da atenção médica contemporânea, fragmentada pela especialização progressiva (Giovanella, 2006). Doentes crônicos, em geral, necessitam utilizar simultaneamente diversos serviços, exigindo a coordenação entre serviços e níveis de atenção. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo v A integração da rede de serviços na perspectiva da atenção primária requer: a existência de um serviço de procura regular, a constituição dos serviços de atenção primária como porta de entrada preferencial do sistema de saúde, a garantia de acesso aos diversos níveis de atenção por meio de estratégias que associem as diversas ações e serviços indispensáveis para resolver necessidades menos frequentes e mais complexas,17 mecanismos formalizados de referência e a coordenação das diversas ações pela equipe de atenção primária, garantindo o cuidado contínuo. Integração, coordenação e continuidade são processos inter-relacionados e interdependentes que se expressam em distintos âmbitos: no sistema, na atuação profissional e na experiência do paciente ao ser cuidado. Problemas relacionados à integração do sistema e à coordenação dos cuidados vêm recebendo ampla atenção nas reformas recentes dos sistemas de saúde, com iniciativas para fortalecer a APS. As propostas de fortalecimento da posição da atenção primária no sistema decorrem do reconhecimento da fragmentação na oferta dos serviços de saúde e da prevalência de doenças crônicas, que exigem maior contato com os serviços de saúde e outros equipamentos sociais em contexto de pressão por maior eficiência (Gérvas y Rico, 2005; Calnan et al., 2006; Hofmarcher et al., 2007). As estratégias de integração e de coordenação demandam mudanças na organização e na gestão dos serviços para que o paciente receba os cuidados de profissionais apropriados, em tempo e local adequados e de forma contínua (Feo et al., 2006). A coordenação dos cuidados para atender as doenças crônicas pode ser catalisada pela melhoria da resolutividade da APS e pelas mudanças nos modelos de cuidado (Hofmarcher et al., 2007) com habilitação dos serviços de atenção primária para conduzir o processo de atenção, articulando o suporte dos serviços especializados, hospitalares e sociais (WHO, 2008). Outra importante característica de uma atenção primária à saúde abrangente, que a diferencia das outras concepções, é a compreensão de que a saúde é inseparável do desenvolvimento econômico e social, como discutido em Alma Ata, o que implica a atuação dirigida a enfrentar os determinantes mais gerais dos processos saúdeenfermidade. Reconhecer a determinação social dos processos saúde-doença exige a articulação com outros setores de políticas públicas, desencadeando e mediando ações intersetoriais para o desenvolvimento social integrado e a promoção da saúde. Aracaju vi PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Se a integração enfrenta a concepção seletiva e é condição para se contrapor à cesta restrita, assumir o ponto de vista abrangente de atenção primária envolve a construção de sistemas de saúde orientados pela APS, no qual a atenção primária não se restringe ao primeiro nível de atenção, mas é base e referência para toda a atenção, contemplando não apenas aspectos biológicos, mas também psicológicos e, principalmente, sociais, buscando-se promover a saúde e enfrentar seus determinantes mais gerais que transcendem o setor e requerem a articulação de políticas econômicas e sociais. Assim, a intersetorialidade é atributo de uma abordagem de atenção primária que se quer comunitária, enfrenta os diversos níveis de determinação dos processos saúdeenfermidade e incide sobre problemas coletivos, não apenas individuais. Conforma uma atenção primária que responde às exigências dos ditames da Constituição Brasileira relativos ao dever do Estado de garantir a saúde mediante políticas sociais e econômicas que reduzam riscos de adoecimento e o acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. A ação intersetorial busca superar a fragmentação das políticas públicas e é entendida como a interação entre diversos setores no planejamento, na execução e no monitoramento de intervenções para enfrentar problemas complexos e necessidades de grupos populacionais (Junqueira, 2000). Em saúde, a articulação intersetorial é imprescindível para incidir sobre os determinantes sociais do processo saúde-enfermidade e promover a saúde. Os resultados (finais ou intermediários) de saúde alcançados por meio da intersetorialidade são mais efetivos do que o setor saúde alcançaria por si só (Teixeira & Paim, 2002). De fato, como apontam Carvalho e Buss (2008), a atuação sobre os diversos níveis dos determinantes sociais extrapola as competências e as atribuições das instituições de saúde e torna obrigatória a ação coordenada dos diversos setores e instâncias governamentais. A extensão na qual o setor saúde toma a iniciativa e lidera a intervenção intersetorial depende do tipo de problema a enfrentar: desde tomar a liderança até ser um entre muitos parceiros (WHO/PHAC, 2008). Na perspectiva da atenção primária em âmbito municipal, a atuação intersetorial deve se processar em diversos níveis: na ação NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo vii comunitária no território, na articulação, na Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e na articulação de políticas municipais. A atuação intersetorial é prevista na Saúde da Família. Cabe às equipes de saúde da família (ESFs) promover ações intersetoriais e parcerias com organizações presentes na comunidade para o enfrentamento conjunto dos fatores de risco e dos problemas identificados (MS, 2001). Esta atribuição das ESFs é reafirmada na PNAB de 2006, que orienta, em seu processo de trabalho, o “desenvolvimento de ações intersetoriais, integrando projetos sociais e setores afins, voltados para promoção da saúde” (MS, 2006). OBJETIVOS DO ESTUDO O presente estudo tem por objetivo geral analisar o modelo assistencial da atenção básica em saúde a partir da implementação da Estratégia Saúde da Família em quatro grandes centros urbanos quanto à coordenação dos cuidados com integração à rede de serviços e à atuação intersetorial, desde a perspectiva das famílias cadastradas, dos profissionais de saúde e dos gestores. A pesquisa tem como objetivos específicos: • Analisar o contexto político e institucional de implementação do PSF; • Avaliar a conformação de uma rede integrada de serviços de saúde com a constituição da Estratégia Saúde da Família /Unidade de Saúde da Família (USF) como porta de entrada ao sistema de saúde e o estabelecimento de mecanismos de referência e de contrarreferência; • Avaliar a coordenação, pela equipe de saúde da família, das diversas ações e serviços necessários para resolver necessidades mais complexas, garantindo a continuidade da atenção na rede de serviços; • Examinar as iniciativas da Secretaria Municipal de Saúde de articulação com outros setores de políticas públicas e analisar o papel desempenhado pela Estratégia Saúde da Família nestas iniciativas; • Estudar o processo de trabalho das equipes de saúde da família e a incorporação de práticas assistenciais em relação à coordenação dos cuidados e à atuação intersetorial; Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO viii • Identificar e analisar os fatores facilitadores e limitantes da implementação da Estratégia Saúde da Família nos municípios estudados, no que concerne à integração da rede assistencial, à coordenação dos cuidados e à intersetorialidade. O estudo considera as perspectivas dos principais atores envolvidos: gestores e gerentes de saúde, profissionais das equipes de saúde da família e famílias cadastradas. Este relatório apresenta os resultados da pesquisa no município de Aracaju, cujo trabalho de campo foi desenvolvido no período de junho a setembro de 2008, no qual foram realizadas entrevistas com gestores e gerentes municipais e aplicados questionários autopreenchidos aos profissionais das ESFs, do mesmo modo que questionários fechados a uma amostra de famílias cadastradas, entrevistadas em seus domicílios. Os estudos de caso e a análise das mudanças no modelo assistencial foram desenvolvidos por meio da adaptação de metodologia utilizada em estudo anterior (MS, 2002; Escorel et al., 2005), que incorpora informações obtidas dos gestores, dos profissionais de saúde e das famílias cadastradas no PSF. Os resultados apresentados em diversos capítulos buscam articular, na análise de cada dimensão em estudo, as perspectivas dos diversos sujeitos da pesquisa: gestores e gerentes, profissionais das ESFs e famílias cadastradas. METODOLOGIA A análise do modelo assistencial da atenção básica em saúde, a partir da implementação da Estratégia Saúde da Família e da discussão de suas potencialidades para orientar a organização do sistema de saúde, requer estratégias diversificadas de pesquisa e estudo desde diferentes perspectivas e níveis. A pesquisa consistiu no estudo de quatro casos de implementação da Estratégia Saúde da Família em grandes centros urbanos. Os estudos de caso realizados correspondem a uma estratégia de pesquisa alicerçada em metodologias quantitativa e qualitativa e em diversas fontes de informação convergentes, que foram trianguladas para responder às perguntas da investigação (Yin, 2005; Veney e Kaluzny, 1991; Becker, 1997). Estudos de caso correspondem a uma estratégia de pesquisa abrangente, alicerçada em diversas fontes de informação e de evidências que devem convergir para responder a perguntas de investigação com o sentido de explanação do como e do porquê (Yin, 2005; Veney e Kaluzny, 1991). Permitiriam a compreensão abrangente do grupo/tema NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo ix em estudo e o desenvolvimento de análises teóricas mais gerais sobre regularidades dos processos e estruturas sociais, considerando as múltiplas inter-relações dos fenômenos observados (Becker, 1997). Para Yin (2005), estudos de caso se adaptariam principalmente ao estudo de fenômenos sociais contemporâneos complexos, por possibilitarem a análise de situações em que há muitas variáveis de interesse, permitindo preservar características holísticas dos acontecimentos da vida real (Yin, 2005:34-5). Assim, teriam lugar de destaque em pesquisas de avaliação de programas sociais. Sua característica mais importante seria possibilitar a explicação das relações entre a implementação e os efeitos do programa, indicando prováveis vínculos causais em intervenções da vida real, que são complexas demais para outras estratégias de pesquisa (Yin, 2005:34). Na concepção de Veney e Kaluzny (1991:124), estudos de caso seriam apropriados para explicar as dinâmicas das organizações e as inter-relações entre a implementação e os resultados de programas sociais e de saúde. Contudo, os autores destacam que estudos de caso seriam estratégia útil para avaliação mais efetiva sob certas condições, quando seu propósito é prover informação para uma decisão que pode ser melhor produzida a partir da visão panorâmica de determinado programa, bem como para o caso de programas em cujos projetos de implementação os processos de avaliação não foram planejados, não tendo sido estabelecidos grupos de comparação nem desenhado modelo lógico que relacionasse insumos, processo e produtos (Veney e Kaluzny, 1991:120). Esses autores consideram que estudos de caso seriam ferramentas particularmente úteis quando avaliadores e implementadores querem conhecer o completo funcionamento do programa em foco, pois permitem uma visão abrangente deste, ao prover informações detalhadas e conhecimento extensivo. Assim, no campo das políticas públicas, a realização de estudos de caso referentes à implementação de determinado programa envolve conhecer o contexto mais geral no qual se insere, recorrer a diversas fontes e incorporar as perspectivas dos distintos atores envolvidos. A estratégia dos estudos de caso abrangeu a pesquisa em profundidade da singularidade da implementação da Estratégia Saúde da Família em cada município a partir de diversos métodos, técnicas, fontes de informação e perspectivas. Aracaju x PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Buscou-se analisar a integração e a intersetorialidade nos âmbitos da gestão do sistema de saúde, do processo de trabalho dos profissionais e do cuidado recebido pelas famílias. Nas quatro cidades foram levantadas informações de três fontes: gestores (secretários), gerentes municipais e representantes de entidades (77) com realização de entrevistas; profissionais das equipes de saúde da família, mediante questionários autoaplicados; e nos domicílios de famílias cadastradas, com aplicação de questionários estruturados, por pesquisadores de campo treinados. A análise das estratégias da gestão municipal de saúde para a integração da rede assistencial e a intersetorialidade foi feita a partir de abordagem qualitativa com análise de conteúdo de informações obtidas em entrevistas com gestores e gerentes da SMS (56), gerentes de outras secretarias relacionados a atividades intersetoriais (15) e representantes de entidades de profissionais de saúde (10). As experiências e perspectivas dos profissionais de saúde foram examinadas a partir de estudos quantitativos transversais com realização de inquéritos a partir de amostras de profissionais de saúde das equipes de saúde da família: médicos, enfermeiros, auxiliares/técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde. Um inquérito de base domiciliar com aplicação de questionários fechados em amostra de famílias cadastradas, entrevistadas em seus domicílios, permitiu conhecer experiências e avaliação dos usuários. Dados secundários de sistemas de informação subsidiaram a caracterização sociodemográfica e sanitária dos municípios. Para os estudos transversais, a população de pesquisa foi composta pelos profissionais das equipes de saúde da família existentes nos municípios de Aracaju, Belo Horizonte, Vitória e Florianópolis, em 31 de dezembro de 2007, bem como pelas famílias atendidas por essas equipes. Para a seleção de famílias cadastradas foi desenhado um plano de amostragem do tipo conglomerado em três estágios de seleção: equipe de saúde da família como unidade primária de amostragem, agente comunitário de saúde como unidade secundária e, como unidade elementar, a família cadastrada. Em cada equipe selecionada foram pesquisados, por meio de questionários autoaplicados, o médico da Saúde da Família, o enfermeiro, um auxiliar/técnico de enfermagem e dois ou três agentes comunitários de saúde (ACS) selecionados aleatoriamente. Para cada agente de saúde selecionado foram sorteadas aleatoriamente cinco famílias do conjunto de famílias da microárea sob sua responsabilidade. As famílias foram entrevistadas em seus domicílios por pesquisador treinado. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo xi Foram entrevistadas 3.312 famílias (em Aracaju, 800; em Belo Horizonte, 900; em Florianópolis, 789; e em Vitória, 822) e 1.336 profissionais responderam ao questionário do inquérito (em Aracaju: 66 enfermeiros, 56 médicos, 60 auxiliares/técnicos de enfermagem, 150 ACS; em Belo Horizonte: 75 enfermeiros, 72 médicos, 89 auxiliares/técnicos de enfermagem, 170 ACS; em Florianópolis: 70 enfermeiros, 61 médicos, 72 auxiliares/técnicos de enfermagem, 140 ACS; em Vitória: 50 enfermeiros, 35 médicos, 43 auxiliares/técnicos de enfermagem, 127 ACS). Os municípios foram selecionados intencionalmente de modo a escolher experiências consolidadas, considerando-se: a elevada cobertura populacional do PSF (> 50%), o tempo de implementação mínimo de cinco anos e a presença de práticas inovadoras e bem sucedidas na mudança do modelo assistencial, identificadas a partir de entrevistas com dirigentes do Ministério da Saúde. Outro critério de seleção para duas das cidades foi a possibilidade de comparação com resultados de estudo anterior (Escorel et al., 2002). As cidades selecionadas foram Aracaju, Belo Horizonte, Florianópolis e Vitória. Para levantamento dos dados foram revisados e adaptados instrumentos de pesquisa utilizados em estudo anterior (Escorel et al., 2002; 2005), que incorporou informações obtidas dos gestores, dos profissionais de saúde e das famílias cadastradas no PSF. A Pesquisa foi financiada pelo Departamento de Atenção Básica da Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde (DAB/SAS/MS). Eixo de análise I: Integração/coordenação/continuidade Integração, coordenação e continuidade são processos inter-relacionados e interdependentes que se expressam em distintos âmbitos: no sistema, na atuação profissional e na experiência do paciente ao ser cuidado. A integração se manifesta na organização do sistema de saúde. A coordenação depende da integração da rede de serviços e se realiza no cuidado individual exercido pelos profissionais de saúde no processo de atenção, articulando diferentes prestações, e se concretiza na continuidade da atenção. Por sua vez, uma dimensão qualitativa do serviço que é experienciada pelo paciente – dependente do grau de coordenação e de integração da rede – como atenção ininterrupta, adequada às suas necessidades de saúde e oportuna (ofertada em tempo hábil). Avaliar a coordenação dos cuidados e a integração do sistema de saúde requer, portanto, investigar diferentes dimensões desde distintos âmbitos. Exige um olhar sobre a Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO xii organização do sistema de saúde para identificar e examinar a implementação de instrumentos de integração do sistema de saúde; um olhar voltado aos processos de trabalho das equipes de saúde quanto ao uso desses instrumentos de integração, de realização das atividades de coordenação dos cuidados e de articulação da própria equipe; e a avaliação desde a perspectiva dos usuários em sua experiência de recebimento de cuidado contínuo, adequado e oportuno com garantia de acesso aos outros níveis assistenciais. No âmbito do sistema de saúde, a investigação da integração/ coordenação por meio de entrevistas com gestores, gerentes e análise documental buscou responder a questões como: Como está organizado o sistema municipal de saúde e qual o papel da Estratégia Saúde da Família? As USF são definidas como serviço de primeiro contato? Como a Saúde da Família se relaciona com os serviços especializados e hospitalares? Há mecanismos para garantir a referência e a contrarreferência? As filas de espera são monitoradas? Existem diretrizes formais para a transferência de informações entre os médicos de atenção primária e os especialistas? Existem canais de comunicação entre serviços de emergência e a Saúde da Família? Como esta se relaciona com os setores de saúde coletiva/ vigilância em saúde? No âmbito da ESF por meio de questionários autopreenchidos por amostra de profissionais se investigou a articulação ao interior da equipe multidisciplinar, o registro de informações e o uso de mecanismos para transferência de informações entre médicos de atenção primária e especialistas, as modalidades de agendamento de encaminhamento para especialistas, o acesso a serviços especializados. Junto à população usuária, mediante questionários fechados aplicados à amostra de famílias usuárias, investigaram-se as experiências de uso do Saúde da Família e de encaminhamentos, a USF como serviço de procura regular, as modalidades de agendamento/acesso, as trajetórias de atenção, o acesso aos serviços especializados, exames e medicamentos. Com base na revisão de literatura foram definidas quatro dimensões para a análise do modelo assistencial implementado a partir da Saúde da Família no que concerne à integração do sistema de saúde: i) posição da estratégia saúde da família na rede assistencial, ii) mecanismos de integração da rede assistencial; iii) disponibilidade e uso de informações sobre a atenção prestada; iv) integração do PSF com programas de NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo xiii saúde coletiva/ e ações de vigilância à saúde. Os instrumentos de coleta de informações da pesquisa incorporaram as variáveis selecionadas para cada dimensão. Eixo de análise 2: Intersetorialidade A intersetorialidade, desde a perspectiva do setor saúde, pode ser entendida como a articulação deste setor com outros setores para atuar sobre um tema/problema visando alcançar resultados de saúde (ou resultados intermediários de saúde) de maneira mais efetiva do que o setor saúde alcançaria por si só (OMS, 1997 apud Teixeira & Paim, 2002:60). Para Teixeira & Paim (2002:64), a intersetorialidade “se apresenta como estratégia de reorganização das respostas aos problemas, necessidades e demandas sociais dos diversos grupos da população, seja em um Distrito Sanitário, um município ou uma microrregião”. (...) “Um processo em que os objetivos, as estratégias e os recursos de cada setor se consideram segundo suas repercussões e efeitos nos objetivos, estratégias, atividades e recursos dos demais setores”. Para Campos et al. (2004), intersetorialidade é processo de construção compartilhada, em que os diversos setores envolvidos são tocados por saberes, linguagens e modos de fazer que não lhes são usuais, pois pertencem ou se localizam no núcleo da atividade de seus parceiros. Intersetorialidade implica ações articuladas e coordenadas com prioridades estabelecidas em conjunto, utilizando-se os recursos de cada setor (materiais, humanos, institucionais) de modo mais eficiente. Assim, a intersetorialidade sempre pressupõe a existência de algum grau de abertura em cada setor envolvido para dialogar e estabelecer vínculos de corresponsabilidade e cogestão pela melhoria da qualidade de vida da população. Os espaços de governabilidade do setor saúde na intervenção sobre os determinantes sociais não estão predeterminados. Quais os limites de sua intervenção? Quando deve liderar? Estudo realizado pela Agência Canadense de Saúde em 18 países indica que o papel do setor saúde deve ser flexível (WHO/PHAC, 2008). A extensão na qual o setor toma a iniciativa e lidera a intervenção intersetorial para promover a equidade em saúde depende do tipo de problema a enfrentar. Deveria tomar a dianteira quando dispõe de conhecimentos e experiência, como no caso de prevenção de doenças específicas e melhoria de acesso à atenção à saúde. Quando a iniciativa envolve problemas sobre os Aracaju xiv PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO quais o setor saúde dispõe de conhecimento de medidas efetivas, mas não controla os meios para realizá-las, deve assumir a liderança para promover tais estratégias em estreita cooperação com outros setores. Todavia, quando a iniciativa dirige-se a determinantes sociais mais gerais, a exemplo da pobreza, o setor saúde deve ser um parceiro, pois não controla os meios ou conhecimentos para a ação (WHO/PHAC, 2008). Por conseguinte, para avaliar a abrangência da atuação intersetorial da Estratégia Saúde da Família, além de estudar o processo de trabalho das equipes de saúde da família e a incorporação de práticas relacionadas à atuação intersetorial, é necessário examinar as iniciativas da própria Secretaria Municipal de Saúde de articulação com outros setores de políticas públicas e identificar a presença de estratégias de atuação intersetorial de parte do Executivo municipal. Com o intuito de delimitar o escopo do estudo e analisar a intersetorialidade desde a perspectiva da saúde optou-se na presente pesquisa por examinar as iniciativas da SMS e analisar o papel desempenhado pela Estratégia Saúde da Família nestas iniciativas. A atuação intersetorial do Executivo municipal foi apreendida desde a perspectiva da Secretaria Municipal de Saúde e de gestores de outros setores identificados, pelo secretário municipal ou coordenador da atenção básica, como tendo maior articulação com a SMS. A atuação intersetorial é estratégia que abrange um conjunto amplo e diversificado de ações e projetos e exige o estabelecimento de uma série de fóruns e colegiados que discutam e estabeleçam objetivos, prioridades, estratégias, elaborem projetos, definam recursos financeiros e humanos, modalidades de acompanhamento e avaliação, e divulgação dos resultados. Na análise da atuação intersetorial da Estratégia Saúde da Família, por meio de informações coletadas em entrevistas com gestores da SMS e de outros setores selecionados, questionários de profissionais e inquérito com famílias cadastradas, buscou-se responder a algumas questões como: - As iniciativas de atuação intersetorial respondem a uma política municipal e a uma modalidade integrada de atuação governamental ou estão relacionadas a projetos específicos ou emergenciais? - Existem fóruns ou colegiados intersetoriais? Como estão constituídos? Quem está no comando dos colegiados, dos projetos ou das ações? Embora o setor saúde seja o mais NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo xv sensível para detectar os problemas e perceber a necessidade da ação intersetorial, não necessariamente é aquele que deve estar no comando da execução. - Existem recursos alocados para projetos intersetoriais? - Qual é a “base” do planejamento intersetorial? Neste aspecto distinguem-se três níveis: municipal, setorial e local. O planejamento intersetorial municipal estaria relacionado, por exemplo, aos parâmetros que a literatura apresenta de “cidades saudáveis” ou “políticas saudáveis”. A base setorial refere-se ao setor saúde que contemple uma modalidade de planejamento e gestão e, eventualmente, execução de projetos e ações em que há interferência de aspectos relacionados a outros setores, como meio ambiente, educação, desenvolvimento social. A base micro ou local relaciona-se a território/população definido em que há integração de um conjunto de ações e projetos orientados por parâmetros do que poderia ser denominado de “desenvolvimento local integrado e sustentável”. - Quais as parcerias estabelecidas pelas ESFs em nível local? - Qual é a participação da população na definição dos objetivos e prioridades para atuação intersetorial? - Como são estabelecidas as articulações entre setores governamentais, comunidade e organizações não governamentais? Ações conjuntas episódicas? Projetos mais permanentes? Assim na análise da intersetorialidade buscou-se identificar as estratégias de articulação intersetorial desenvolvidas nos municípios e o papel desempenhado pela Estratégia Saúde da Família. A atuação intersetorial do Executivo Municipal foi apreendida desde a perspectiva da Secretaria Municipal de Saúde e de gestores de outras secretarias identificadas como tendo maior articulação com a SMS. Foram examinadas as iniciativas governamentais de articulação intersetorial, sob a perspectiva dos gestores municipais, profissionais das ESFs e famílias cadastradas. As dimensões de análise priorizadas foram: campos de atuação; abrangência da intervenção; setores envolvidos tanto em âmbito local (ESF) como central (SMS e outras secretarias); existência e funcionamento de fóruns colegiados; e temas/problemas de intervenção intersetorial nos níveis central e local. Aracaju xvi PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Instrumentos de pesquisa Os casos foram estudados considerando as perspectivas dos principais atores envolvidos (stakeholders): gestores e gerentes de saúde, profissionais das equipes de saúde da família (ESFs) e famílias cadastradas. As principais fontes de informação foram entrevistas feitas a partir de roteiros semiestruturados e realizadas com gestores e gerentes municipais, questionários autopreenchidos pelos profissionais das ESFs, e questionários fechados aplicados a uma amostra representativa de famílias cadastradas entrevistadas em seus domicílios. Roteiros semiestruturados para entrevistas com o gestor e gerentes municipais Para conhecer a perspectivas dos gestores foram feitas entrevistas com informanteschave selecionados intencionalmente por ocuparem, na gerência, posições relacionadas aos temas de estudo, em especial os gestores de atenção básica e os responsáveis por departamentos relativos aos diversos níveis assistenciais, por mecanismos de integração e pela atuação intersetorial. As entrevistas com os secretários municipais de saúde e os coordenadores da Estratégia Saúde da Família foram orientadas por roteiro semiestruturado em torno de seis tópicos: • Processo de implementação do PSF – motivações para a expansão da Estratégia Saúde da Família, contexto político-institucional, posicionamento de atores no momento atual e etapas de implementação; • Organização e gestão da Estratégia Saúde da Família – coordenação da Atenção Básica, supervisão, monitoramento e avaliação; • Integração à rede assistencial, coordenação e continuidade dos cuidados e mudanças do modelo de atenção básica – posição da Estratégia Saúde da Família na rede assistencial, porta de entrada preferencial do sistema, estratégias de integração do PSF à rede de serviços, mecanismos de referência e contrarreferência, resultados da experiência de integração, principais dificuldades e ajustes necessários para a constituição de uma rede integrada de serviços de saúde; • Intersetorialidade: identificação dos temas/problemas de intervenção intersetorial, iniciativas da SMS, modalidades de articulação e parcerias entre setores, participação social; NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo xvii • Gestão e capacitação de recursos humanos – modalidades de seleção, processos de contratação, estratégias utilizadas para atrair e fixar recursos humanos, rotatividade dos integrantes das ESFs e modalidades de capacitação para a ESF; • Fatores limitantes e facilitadores para implementação e desempenho adequado da ESF – perspectivas de expansão da ESF, avaliação sobre dificuldades para efetivação da estratégia, aspectos positivos da implantação. As entrevistas com os demais gerentes municipais seguiram este roteiro geral de tópicos comuns, acrescidos de itens específicos sobre o papel do setor correspondente na relação com a Estratégia Saúde da Família e no desenvolvimento de estratégias de integração/coordenação/continuidade e intersetorialidade. Questionários de autopreenchimento para os integrantes das Equipes de Saúde da Família Foram aplicados aos profissionais três instrumentos de pesquisa específicos: para profissionais de nível superior (médicos e enfermeiros), para auxiliares de enfermagem e para agentes comunitários de saúde. Os questionários foram estruturados ao redor de cinco tópicos: • Perfil do profissional – idade, sexo, escolaridade e experiência de trabalho anterior • Inserção e capacitação da ESF • Organização do trabalho em equipe • Avaliação da integração da rede e coordenação dos cuidados • Desenvolvimento de ações intersetoriais Questionários aplicados a famílias usuárias da Estratégia Saúde da Família À amostra selecionada de famílias cadastradas foi aplicado, nos domicílios, um questionário estruturado. O informante familiar foi o chefe da família ou cônjuge, de modo a garantir informação mais precisa. O questionário destinado às famílias usuárias do PSF estruturou-se nos seguintes tópicos: • Caracterização dos moradores e famílias • Características do domicílio • Conhecimento do PSF Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO xviii • Demanda e uso dos serviços de saúde • Uso do PSF • Encaminhamento a especialistas • Realização de exames • Avaliação das ações do ACS • Satisfação com a USF e a ESF • Portadores de doenças crônicas: presença e acompanhamento – hipertensos, diabéticos e acamados • Acompanhamento de grávidas • Acompanhamento crescimento e desenvolvimento infantil • Problemas de saúde de seu bairro ou comunidade • Violência • Participação social • Avaliação do PSF pelas famílias Trabalho de campo O trabalho de campo foi desenvolvido no período de junho a setembro de 2008. Iniciado por visitas e entrevistas com gerentes, em junho e julho, foi seguido por inquéritos com profissionais e famílias cadastradas, em agosto e setembro. Em Aracaju foram entrevistadas 800 famílias e aplicados questionários a um total de 332 profissionais das ESFs, dos quais 56 médicos, 66 enfermeiros, 60 auxiliares/técnicos de enfermagem e 150 ACS. Foram realizadas 19 entrevistas com gestores e gerentes, dos quais dez eram gerentes da SMS (incluindo quatro gerentes de UBS), três eram gestores de outros setores participantes de atividades intersetoriais e dois eram representantes de entidades de profissionais de saúde. Em cada cidade, além do secretário municipal de saúde e coordenador da Estratégia Saúde da Família, foram entrevistados gerentes responsáveis por: regulação da atenção hospitalar/central de regulação de leitos, regulação do acesso à atenção especializada/ central de marcação de consultas, regulação de exames, coordenação de vigilância em saúde/epidemiológica, coordenação de urgência e emergência, coordenação de ações NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo xix programáticas/cuidado em saúde, setor responsável pela gestão de recursos humanos do PSF. Além dos gerentes da Saúde, foram entrevistados gestores de outros setores de políticas públicas indicados pela SMS: os gestores das secretarias municipais de Educação, de Assistência Social e Extraordinária de Participação Social. Considerando-se que um dos principais desafios para a adequada implementação da Estratégia SF é a adesão dos profissionais, foram também entrevistados dirigentes de entidades representativas de profissionais de saúde. No caso de Aracaju, o Sindicato dos Médicos e o Conselho Regional de Enfermagem (COREN) de Sergipe. As entrevistas com informantes-chave foram gravadas, transcritas e editadas. Seu conteúdo foi examinado conforme as dimensões de cada eixo de análise e cotejado às experiências e às percepções de profissionais e famílias pesquisados. CONSIDERAÇÕES ÉTICAS O projeto de pesquisa foi analisado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Ensp/Fiocruz (Parecer 27/08). A realização da pesquisa foi autorizada pelo secretário municipal de saúde de Aracaju por meio do ofício n. 2498/2008 NUPLAN/SMS/PMA de 16 de julho de 2008. CARACTERÍSTICAS PSF DE VULNERABILIDADE DAS FAMÍLIAS ADSCRITAS AO Em Aracaju foram pesquisados 3.078 integrantes de uma amostra representativa de 800 famílias, correspondente a 0,6 das famílias cadastradas no SIAB em dezembro de 2007 (127.214). As informações das 800 residências pesquisadas foram obtidas, em sua maior parte, por meio de entrevistas com o chefe de família (58%). O cônjuge foi o informante em 38% dos casos e outros familiares foram entrevistados em 4% das moradias. Em 2002, a pesquisa coletou informações de 1.085 integrantes de 240 famílias selecionadas entre a população cadastrada do PSF. Considerando-se as diferenças das amostras nos dois momentos, verificou-se que, ao contrário de 2008, em 2002 o cônjuge foi o informante na maior parte das entrevistas (54%), seguido pelo chefe de família (33%). Aracaju xx PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO A maior parte dos domicílios estava composta por três a cinco moradores (59%) e poucas eram as casas com apenas um morador (8%). Da mesma forma, em 2002, as famílias eram constituídas principalmente por três a cinco moradores (58%) e somente 4% das residências tinha um morador. A pobreza, segundo Rocha (1995), está fortemente correlacionada às características do chefe da família e da unidade familiar: chefia feminina, jovem, preto ou pardo, e com escolaridade de menos de quatro anos são mais vulneráveis à pobreza; indivíduos empregados sem carteira assinada ou desempregados e razão de dependência familiar zero são variáveis que aumentam a probabilidade do indivíduo ser pobre no Brasil. Além dessas, a autora considera duas variáveis locacionais: região de residência (Nordeste é mais vulnerável) e estrato de residência (rural é mais vulnerável) (Rocha, 1995: 231-2). No município de Aracaju, embora seja integralmente urbano, as variáveis locacionais eram parcialmente desfavoráveis por se tratar de cidade da região Nordeste, que apresenta desenvolvimento regional mais baixo quando comparada a outras regiões brasileiras. Características de vulnerabilidade dos chefes de família A maior parte dos entrevistados referiu a condição de chefia masculina da família (53%). No entanto, a vulnerabilidade da chefia feminina incidiu em 47% das famílias pesquisadas, superior à verificada em Aracaju (35%) e no Brasil (25%). Em 2002, a chefia masculina também foi referida pela maioria, todavia em percentual mais elevado (70%) que em 2008. Este quadro demonstra o crescimento da chefia feminina entre as famílias assistidas pela Saúde da Família. Os chefes de família situavam-se nas faixas etárias de 65 anos ou mais (22%), de 45 a 49 anos (12%), de 50 a 54 anos (10%) e de 35 a 39 anos (10%), indicando a prevalência de chefes de família maduros ou idosos. A chefia familiar jovem, entre 15 e 24 anos, correspondeu a apenas 4% do total de famílias pesquisadas. Em 2002, a distribuição de faixas etárias dos chefes de família apresentou pequenas variações em comparação a 2008, também com prevalência de chefes de família maduros ou idosos. A taxa de dependência foi calculada considerando-se como dependentes os moradores menores de 15 anos e maiores de 65 anos, e como população ativa os moradores entre 15 e 64 anos. Verificou-se, entre as famílias pesquisadas, uma taxa de dependência geral NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo xxi de 31%, menor que as verificadas, em 2005, no município de Aracaju (47%), no estado de Sergipe (62%) e no Brasil (57%). A razão de dependência em relação aos jovens com menos de 15 anos entre as famílias pesquisadas foi de 22%, menor que os percentuais encontrados em Aracaju (36%), no estado de Sergipe (50%) e em nível nacional (42%). A taxa de dependência para idosos no grupo pesquisado foi de 9%, um pouco mais baixa do que os percentuais encontrados no município (11%), no estado (12%) e no país (14%). Em geral, a razão de dependência para os idosos revela uma situação de menor vulnerabilidade à pobreza do que a encontrada entre os jovens. Em 2008, a caracterização do chefe de família segundo a cor ou raça autorreferida revelou que 53% consideraram-se ou foram considerados pardos, 27% brancos e 17% negros. As referências às cores ou raças amarela e indígena foram muito reduzidas, 1% e 0,9, respectivamente. Entre as famílias pesquisadas 71% apresentaram a vulnerabilidade à pobreza relacionada à cor ou raça do chefe. Igualmente, em 2002 a maior parte dos chefes de famílias considerou-se ou foram considerados como pardos (64%), seguidos por brancos (26%) e negros (9%). A referência à cor ou raça indígena também foi muito reduzida, somente 1%. Apenas 6% dos chefes de família estavam estudando. Ao redor de 12% referiram não ter escolaridade (analfabetos ou com menos de um ano de instrução), percentual inferior ao do município de Aracaju – 16% de chefes sem instrução ou com menos de um ano de escolaridade. Entretanto, 15% dos chefes das famílias pesquisadas tinham menos de quatro anos de estudo, totalizando 215 famílias (27% do total) com alta vulnerabilidade à pobreza, taxa mais alta que a verificada em Aracaju - 10% de chefes de família com escolaridade entre um e três anos. A vulnerabilidade educacional entre os chefes de família pesquisados era inferior à existente no Brasil: 16% dos chefes sem qualquer instrução ou menos de um ano de escolaridade e 19% com escolaridade entre um e três anos de estudo (IBGE, 2000). Quarenta e três por cento dos chefes de família pesquisados tinham menos de oito anos de estudos (excluídos os sem escolaridade). Dezesseis por cento tinham o ensino fundamental completo e 24% tinham o ensino médio completo. Cerca de 4% dos chefes de família haviam concluído o curso universitário. Aracaju xxii PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO O nível de instrução dos chefes das famílias cadastradas no PSF era, em 2002, menor que em 2008: tinham ensino elementar incompleto e médio incompleto 12%, ensino médio completo e superior incompleto 16%, e superior completo ou mais 3%. Da mesma forma, o percentual dos que tinham pouca ou nenhuma instrução (12%), ensino elementar incompleto (24%) e elementar completo e fundamental incompleto (30%) eram maiores que os verificados em 2008. Os chefes de famílias assistidas pela Saúde da Família em 2008, em geral, alcançaram níveis de instrução mais altos, com maiores proporções daqueles que concluíram o ensino médio. Dos 800 domicílios pesquisados, três chefes de família estavam desempregados. Um terço dos chefes de família era de aposentados ou pensionistas (31%), seguidos dos empregados do setor privado e dos que trabalhavam por conta própria (21% cada). Três por cento dos chefes de família informaram receber benefícios sociais. Empregadores e locadores totalizavam 1,5% dos chefes de família. A maior parte dos chefes de famílias em 2002 também era de empregados do setor privado (37%) ou pensionistas/aposentados (36%). Os trabalhadores por conta própria também ocupavam a terceira posição em 2002, seguidos pelos empregados do setor público (8%). Destaca-se ainda que o percentual de chefes de famílias que passaram a receber benefícios sociais quase triplicou, passando de 1% para 3% em 2008. A maioria (82%) dos 206 chefes de família empregados nos setores privado, público e doméstico trabalhava com carteira assinada. A vulnerabilidade à pobreza dada pela informalidade do vínculo trabalhista foi pesquisada apenas entre esses três grupos de trabalhadores (31% dos chefes de família), e atingia 16% nesse conjunto de trabalhadores. Ao contrário, em 2002 65% dos chefes de famílias que trabalhava não tinham vínculo formal e somente 35% tinham carteira assinada. Esses dados revelam que a vulnerabilidade à pobreza identificada em relação ao vínculo de trabalho reduziuse em 2008 entre as famílias assistidas pela Saúde da Família. Um quarto das famílias entrevistadas (25%) pode ser considerado miserável, pois apresentou renda familiar mensal inferior a um salário mínimo (R$ 415,00). Podem ser consideradas pobres as 275 (34%) famílias cuja renda familiar mensal estava situada entre um e dois salários mínimos (R$ 416,00 e R$ 830,00). A renda familiar mensal de 27% das famílias pesquisadas estava na faixa entre três e cinco salários mínimos nos valores de julho de 2008 (entre R$ 831,00 e R$ 2.075,00), situando-as acima da linha de pobreza. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo xxiii Em 2002, o percentual de famílias consideradas miseráveis era mais elevado, pois 40% delas ganhavam até um salário mínimo (R$ 200,00) inclusive, e aproximadamente, um quarto das famílias entrevistadas (26%) era pobre, ou seja, tinha renda entre um e dois salários mínimos (R$201,00 a R$400,00). Somente 10% das famílias entrevistadas estavam acima da linha da pobreza, com faixa de renda entre três e cinco salários mínimos (R$601,00 a R$1000,00), percentual menor que o encontrado em 2008. Considerando apenas a variável de renda familiar mensal, verificamos que a vulnerabilidade à pobreza atingia 60% das famílias pesquisadas em 2008. No outro extremo estavam situadas 16 famílias (2%) com renda familiar mensal superior a 10 salários mínimos (R$ 4.151,00 e mais). Ao contrario do verificado em 2008, o percentual de famílias consideradas miseráveis em 2002 era maior que o das pobres, o que sugere uma situação de vulnerabilidade à pobreza ainda mais elevada que em 2008. A vulnerabilidade à pobreza segundo as características dos chefes das famílias pesquisadas incidiu sobre 47% com chefia feminina, 71% com chefes pardos e negros, 26% com chefes com vulnerabilidade educacional e 0,4% com chefes desempregados. Entre os chefes de família empregados dos setores público, privado e doméstico, 18% não tinham vínculo formal representado pela carteira de trabalho. Características de vulnerabilidade dos moradores Entre os 3.078 moradores pesquisados, 56% eram do sexo feminino e 44% do sexo masculino, distribuição discretamente diferente da população total de Aracaju em que os percentuais eram, em 2008, respectivamente 53% e 47%. A maior parte dos 1.085 moradores pesquisados em 2002 também foi do sexo feminino (51%), embora a diferença apresentada entre os sexos tenha sido menor (5%). A distribuição da população pesquisada por faixa etária foi semelhante à observada no total de habitantes do município no que se refere ao percentual de crianças até 5 anos (8% entre as famílias pesquisadas e 8% no município de Aracaju) e à população com 65 anos ou mais (9% entre as famílias pesquisadas e 8% entre a população total de Aracaju). As faixas etárias de crianças e adolescentes até 14 anos concentraram 22% dos moradores pesquisados; entre 15 e 29 anos encontravam-se 28% dos moradores, mesmo percentual do grupo entre 30 e 49 anos. Em 2002, a faixa etária até 14 anos concentrava Aracaju xxiv PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 31% dos moradores, uma redução de quase 10% no total de crianças se comparado a 2008. Entre 15 e 29 anos concentravam-se 33% dos moradores, percentual um pouco acima do encontrado nesta mesma faixa em 2008, e entre 30 e 49 anos (22%) o percentual em 2002 foi um pouco menor que o da faixa em 2008. Ao redor de 34% dos moradores estavam estudando no momento da pesquisa, percentual similar ao de moradores entre 6 e 24 anos (33%). Em 2002, o percentual de moradores estudantes (37%) apresentou pouca diferença em relação ao de 2008. Entre os moradores com mais de 10 anos, 8% não tinham qualquer instrução ou tinham menos de um ano de estudo; no polo oposto, 5% tinham ensino superior completo. Doze por cento tinham o ensino elementar incompleto (entre um e três anos de estudos), 28% haviam concluído o ensino elementar e outros 28% tinham o ensino médio completo. Se, por um lado, o nível de escolaridade dos moradores acompanhados pela Saúde da Família era mais baixo em 2002 que em 2008, por outro os percentuais dos níveis de instrução mais avançados -- fundamental completo e ensino médio incompleto; ensino médio completo e superior incompleto; e superior completo ou mais – foram maiores em 2008. Isso sugere que, com a expansão de cobertura, a Estratégia SF passou a cobrir a população com níveis mais altos de instrução. O setor privado (13%) concentra o maior número de moradores empregados. Os aposentados/pensionistas constituíam a segunda maior fonte de renda (12%), seguido pelo trabalho por conta própria (10%) e o setor público (5%). Em 2002, o setor privado e também empregava o maior número de moradores (35%) e as aposentadorias/pensões (24%) eram as segundas maiores fontes de renda. Da mesma forma que em 2008, o trabalho por conta própria (21%) ocupava a terceira posição na escala de maiores fontes de renda dos moradores entrevistados em 2002. Por outro lado, o total de moradores que recebiam benefícios sociais (10%) em 2002 era proporcionalmente mais expressivo que em 2008 (3%). Do conjunto de trabalhadores empregados nos setores privado, público e doméstico – 18% dos moradores que trabalham ou auferem renda –, a maioria (81%) tinha vínculo formalizado em carteira de trabalho. O vinculo trabalhista das famílias pesquisadas em 2002 era mais precário que em 2008: 70% dos moradores que trabalhavam ou auferiam rendimentos não tinham carteira assinada e somente 30% possuía vinculo formal de trabalho. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo xxv A metade das famílias pesquisadas (51%) tem pelo menos um integrante aposentado, pensionista ou que recebe algum outro tipo de benefício governamental. Os tipos de benefícios mais comuns são aposentadoria (65%) e Bolsa Família (20%). Cerca de 29% das famílias pesquisadas informaram que um ou mais de seus integrantes tinham plano privado ou seguro de saúde. Em síntese, a vulnerabilidade à pobreza do conjunto de moradores pesquisados em Aracaju está concentrada na baixa escolaridade (19% dos moradores acima de 10 anos tem menos de três anos de estudo), e no alto percentual de aposentados e pensionistas (26%). Características de vulnerabilidade dos domicílios A infraestrutura habitacional é importante elemento na caracterização das condições de vida e saúde da população. Indicadores de vulnerabilidade habitacional são: tipo de construção, densidade do dormitório, banheiro interno ou externo, individual ou coletivo, abastecimento de água, esgotamento sanitário e coleta de lixo. Em conjunto, delimitam um ambiente mais ou menos saudável em que vivem as pessoas. Do conjunto de 800 residências pesquisadas em Aracaju, a grande maioria (99%) era de alvenaria. O tipo de construção dos domicílios pesquisados em 2002 era semelhante: 98% das casas também de alvenaria e 2% de taipa ou madeira. Cerca da metade das casas (53%) tinha de cinco a seis cômodos e 14% delas tinham sete, totalizando 67% dos domicílios pesquisados. Doze por cento tinha quatro cômodos e apenas 2% das casas estavam constituídas por um (0,4%) ou dois (1,9%) cômodos. No extremo oposto, também cerca de 2% das residências tinham 11 e mais cômodos. Ao redor de 12% dos domicílios tinham entre oito e dez cômodos. Em 2002, a maior parte dos domicílios, também tinha de cinco a seis cômodos (56%) e 13% tinham sete, somando 69%. No polo oposto, ou seja, casas com dez ou mais cômodos (3%), a situação também é semelhante à encontrada em 2008. A maioria das moradias tinha dois ou três cômodos servindo de dormitório (78%), um ou dois banheiros internos (92%), e uma cozinha (97%). Em 2002, a maior parte dos domicílios também possuía dois ou três cômodos (67%). O abastecimento de água por ligação com a rede geral supria a grande maioria dos domicílios pesquisados (99%). O mesmo acontecia com o abastecimento de energia Aracaju xxvi PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO elétrica que cobria 99% das residências. Em 2002, a maioria dos domicílios também possuía rede geral de água (91%) e energia elétrica (99%). Em 2008, cerca de 85% das residências tinha ligação à rede geral de esgoto, situação mais favorável que de 2002, quando somente 61% dos domicílios pesquisados o tinha. Das 116 casas (14%) sem ligação com a rede geral de esgoto, 51 (44%) utilizavam fossa, mas 60 (52%) lançavam os dejetos em vala negra. Situação pior que a encontrada em 2002, ano em que somente 13 (14%) dos 92 domicílios sem ligação com a rede geral de esgoto jogavam seus dejetos em vala negra. O sistema público de coleta de lixo atendia 98% dos domicílios pesquisados, na porta (89%) e por meio de caçamba (9%). Em 2002, a situação de coleta era um pouco pior: 84% dos domicílios possuíam coleta regular na porta, 7% depositavam o lixo em caçamba e um número maior de domicílios não dispunha de qualquer tipo de coleta (8%), percentual que se reduziu para menos de 2% em 2008. A vulnerabilidade habitacional nos domicílios pesquisados em Aracaju foi relativamente baixa, pois apenas três residências eram construídas com material inadequado, 20 (2%) não tinham banheiro interno, oito não tinham cozinha independente (1%), 11 não tinham ligação com a rede geral de água (1%), e cinco não recebiam fornecimento de energia elétrica (0,6%). Contudo, a falta de ligação com a rede geral de esgoto sanitário englobava 116 residências (14%), mais da metade das quais fazia uso de vala negra, e 12 casas não tinham seu lixo recolhido pelos serviços de limpeza pública. Comparando a distribuição de serviços públicos de saneamento básico entre os domicílios pesquisados e o total de domicílios do município, observa-se um percentual maior de moradias com coleta de lixo e ligação às redes gerais de esgoto e de água entre os usuários do PSF, embora a cobertura desses serviços seja alta em todo o município. A vulnerabilidade habitacional atinge baixos percentuais dos domicílios pesquisados, mas pode ser identificada por aqueles que dispõem apenas de vala negra para eliminação dos dejetos (7%) e pela utilização de outras formas de destino do lixo (1%), altamente agressivos ao meio ambiente, como a queima e a utilização de rios, ruas e terrenos baldios. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo xxvii Vulnerabilidade dos domicílios segundo a posse de equipamentos domésticos Outra forma de avaliar a vulnerabilidade à pobreza das famílias é levantar o número e o tipo de equipamentos domésticos existentes nos domicílios. Foi pesquisada a posse de dez tipos de equipamentos, entre os quais o automóvel. Um primeiro agrupamento separa as famílias de Aracaju em três conjuntos, segundo os tipos de equipamentos: bens que a grande maioria das famílias possui, como televisão (98%) e geladeira (98%); aqueles existentes em mais da metade das residências: aparelho de som (69%), telefone celular (77%); e, os tipos de equipamentos existentes em menos de 40% das casas: telefone fixo (39%), máquina de lavar (24%) computador (20%), carro (20%), e microondas (12%). Outra forma de agrupar as famílias é identificando o número de tipos de equipamentos, assumindo que maior variedade de eletrodomésticos revela rendimentos familiares mais elevados, isto é, uma posição mais elevada na hierarquia social. Observou-se que um número considerável de famílias pesquisadas estaria na posição mais baixa da escala social com até três tipos de eletrodomésticos (29%). No outro extremo encontramos apenas 4% de famílias com oito ou mais tipos de equipamentos; a maioria (67%) tem entre quatro e sete tipos de equipamentos domésticos. Casos de violência e acidentes nas comunidades Cerca de 55% dos entrevistados (442 famílias) afirmaram que são comuns os casos de violência ou acidentes em suas comunidades. Assinalaram como mais frequentes: assaltos à mão armada (52%), roubo de residência ou estabelecimento comercial (43%), assassinatos (42%), tiroteios e balas perdidas (34%), atropelamento e batida de carro (30%), furto ou roubo (25%), briga em lugares públicos (23%), tiroteio e bala perdida (18%) e facada (13%). Em 2002, a frequência de violência na comunidade era menor (48%). Os tipos de violência ou acidentes então informados como mais comuns foram brigas em lugares públicos (41%), atropelamento e batida de carro (40%), seguidos por assassinato e assalto à mão armada (38% cada), tiroteio/bala perdida (30%), roubo de residência ou estabelecimento comercial (29%) e facada (13%). A grande maioria das famílias (90%) não vivenciou qualquer situação de violência ou acidente nos últimos 12 meses. Das 78 famílias (10%) que relataram essas experiências, Aracaju xxviii PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO estiveram envolvidos em 66 delas somente um de seus membros e em 12 famílias dois de seus integrantes, totalizando 89 moradores (3%). Em 2002, a maioria das famílias (84%) também não vivenciou situação de violência ou acidente, embora as que a vivenciaram (16%) tenham sido em maior proporção que em 2008. A maior parte das 38 famílias que vivenciaram violência ou acidente (63%) teve somente um membro envolvido, seguido por dois (18%) e três membros (8%). Em 64 dessas famílias (82%), seus membros haviam passado por um episódio, mas em 12 famílias (15%) os integrantes tinham experimentado dois episódios de violência ou acidentes, e em uma família os integrantes tinham passado por três episódios, totalizando 91 episódios de violência ou acidentes. Já em 2002, foi menor que em 2008 o percentual de famílias cujos membros vivenciaram somente um episódio (71%) e maior o percentual das que vivenciaram dois episódios (24%). Entre as 78 famílias que relataram episódios de violência ou acidentes com seus integrantes no ano anterior à pesquisa, estes resultaram de assalto a mão armada (38%), atropelamento e batidas de carro (13%), furto (13%), roubo de residência ou de estabelecimento comercial (9%), briga em lugar público (6%) e queda (6%). Entre as famílias que relataram a experiência de violência ou acidente de pelo menos um integrante nos últimos 12 meses, mais da metade (61%) assinalou que os episódios não produziram ferimentos. Cerca de um quarto (26%) informou que os episódios resultaram em ferimentos sem gravidade e 13% relataram que os episódios tinham provocado ferimentos com gravidade. Da mesma forma, em 2002, a maior parte dos acidentes ou episódios de violência enfrentados não resultou em ferimentos (54%). Entretanto, entre aqueles que resultaram, 25% foram com gravidade, percentual maior que o verificado em 2008, e 21% sem gravidade. Em grande parte (70%) dos casos o morador não procurou atendimento em serviços de saúde. Entre os que procuraram, 15% dirigiram-se a um pronto-socorro ou emergência públicos, 7% dirigiram-se à Unidade de Saúde da Família (USF) e 2% solicitaram o SAMU. A policlínica do SUS, ambulatório de hospital público, clinica ou hospital privado, consultório particular e drogaria ou farmácia foram procurados por somente 1% cada. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo xxix Em 2002, a maior parte dos moradores (60%) que enfrentaram um episódio de violência ou acidente também não procurou qualquer serviço de saúde. Entre aqueles que procuraram, 35% o fizeram no serviço de emergência hospitalar/pronto socorro. Em síntese, em Aracaju, ao redor de 10% das famílias relataram que um ou mais integrantes passaram por episódio de violência ou acidente nos últimos 12 meses, a maioria dos quais não resultou em ferimentos. No entanto, os ferimentos, quando ocorreram, foram em sua maior parte sem gravidade. Coerente com a ausência de ferimentos, 61% dos que viveram episódios de violência ou acidente nos últimos 12 meses não procuraram qualquer serviço de saúde. Embora 14% dos episódios tenham provocado ferimentos graves, apenas 15% destes procuraram pronto-socorro ou emergência público. O Posto/USF do SUS foi um serviço de saúde pouco procurado nesses casos (7%). PROCESSO DE IMPLEMENTAÇÃO E CONSOLIDAÇÃO SAÚDE DA FAMÍLIA NO MUNICÍPIO DE ARACAJU (SE) DA ESTRATÉGIA DE Para examinar o contexto político e institucional de implementação e consolidação da Estratégia Saúde da Família no município de Aracaju são analisados motivações, etapas do processo de implementação, concepção do modelo de atenção em Saúde da Família implementado e atores envolvidos. Contexto político e institucional do município na implantação e consolidação do PSF O Programa Saúde da Família no município de Aracaju foi implantado no ano de 1998 em contexto político favorável, de estabilidade política. Contava com apoio da maioria na Câmara de Vereadores e tinha canal de diálogo aberto com o governo estadual. Em 2000, a eleição de um governo do Partido dos Trabalhadores reescreveu o panorama político no município. As relações com o governo estadual tornaram-se instáveis, sem prejuízo, entretanto, do desenvolvimento da Estratégia Saúde da Família. A gestão do prefeito petista, importante apoiador e indutor da política de saúde, foi um divisor de águas no processo de implementação da Estratégia Saúde da Família no município. O prefeito assumiu compromisso com as políticas sociais e especificamente Aracaju xxx PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO com a saúde, visando estabelecer uma política de saúde de base solidária, equitativa, inclusiva e coerente com os princípios constitucionais da saúde (Aracaju, 2003b:5). Em 2006, o prefeito de Aracaju concorreu às eleições para governador do estado de Sergipe e renunciou, assumindo a prefeitura seu vice, integrante do PC do B, que se reelegeu em 2008. A nova gestão deu continuidade às ações desenvolvidas no setor saúde e à implementação da SF. Contudo, alterações importantes ocorreram no contexto institucional, como discorremos mais adiante. Do ponto de vista institucional, no processo de municipalização da saúde, o município foi habilitado em gestão incipiente em 1994, e, como gestor pleno de atenção básica, em 1998, pela NOB/SUS/96. Em 2001, o município iniciou o processo de habilitação à gestão plena do sistema municipal, uma investida importante para fazer a gestão da atenção especializada. Inicialmente responsável pela gestão da média complexidade, paulatinamente a SMS foi incorporando a gestão da alta complexidade. Esta condição gestora foi determinante para o aprofundamento da política de saúde em curso, favorecendo a integração da APS ao sistema de serviços de saúde no município. Em 2007, quando o ex-prefeito assumiu o governo estadual, o então secretário de saúde de Aracaju foi convidado para gerenciar a Secretaria Estadual de Saúde (SES), o que provocou mudanças importantes na SMS. Um contingente importante de dirigentes desta se deslocou para a SES. A saída do secretário coincidiu com um momento de grande insatisfação dos médicos vinculados à Estratégia SF, apoiados por suas entidades representativas. A principal insatisfação relacionava-se à remuneração. Neste cenário, foi indicado para a Secretaria Municipal de Saúde um médico cardiologista, profissional conceituado na cidade, buscando-se obter apoio da categoria médica. Ainda que não tivesse uma trajetória profissional no campo da saúde pública ou no setor público, o novo secretário manteve o compromisso de dar continuidade a implementação da Estratégia SF. O cenário político e institucional de transição provocou certa desestruturação organizacional e ocasionou queda no ritmo das ações em curso. O ano de 2007 foi marcado pela reorganização da SMS e a definição de uma nova equipe gestora. Recentemente começou-se a discutir em Sergipe a possibilidade de conformação de um sistema estadual de saúde, a partir do que a SES-Sergipe denomina de rede interfederativa de saúde. Conforme pactuado com o Ministério da Saúde, Sergipe NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo xxxi assinou com a União o Pacto de Gestão (Termo de Compromisso e Gestão). O Pacto de Gestão do Estado de Sergipe com os municípios será substituído pela assinatura do Contrato de Ação Pública, que contempla todos os itens do Pacto de Gestão, além de ampliar este instrumento. Motivações para implantação do PSF O PSF no município de Aracaju foi implantado em 1998 com o apoio da SES, na perspectiva de mudança do modelo assistencial na atenção básica. A partir de 2001, com as mudanças ocorridas na gestão municipal, o grupo gestor da saúde deu continuidade à política de atenção básica iniciada no período anterior. O apoio do prefeito foi determinante para que houvesse continuidade da política, fortalecendo e aprofundando o processo de implementação da Estratégia Saúde da Família no município. O novo secretário de saúde, ao assumir a pasta, formulou uma agenda estratégica para a consolidação de um projeto de saúde para Aracaju, com ênfase na ampliação da rede de modo a garantir o acesso. Em 2007 o novo grupo gestor que assumiu a SMS propôs-se a avançar na consolidação da Estratégia Saúde da Família, visando a garantia do direito à saúde com enfoque na “elevação da consciência sanitária e na construção da autonomia”. Antecedentes da implantação do PSF Em Aracaju, o PACS e o PSF foram implantados em 1998 e a criação das primeiras Unidades de Saúde da Família ocorreu simultaneamente ao processo de municipalização da saúde. A implantação do PSF era parte do processo de ampliação da rede de serviços de saúde em curso naquele momento, prevendo investimentos em programas especiais, informatização das unidades de saúde e capacitação de recursos humanos (NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002). Etapas / momentos da implementação da Estratégia Saúde da Família Na percepção dos gestores da saúde, é possível identificar três fases da estratégia Saúde da Família no município de Aracaju. A primeira fase, demarcada pela implantação inicial, criou a base para a expansão do programa. A segunda fase, de 2001 a 2005, caracteriza-se pelo aprofundamento do processo de implementação da Estratégia SF com acolhimento para garantia de acesso. A terceira fase, a partir de 2007, é Aracaju xxxii PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO caracterizada por certa desorganização institucional e arrefecimento do processo de implementação. Unidades de Saúde da Família O município de Aracaju está organizado em oito regiões de saúde. Em 2008, dispõe de uma rede de serviços de atenção básica composta por 43 unidades básicas de saúde, sendo 41 de saúde da família: são 10 unidades novas construídas e 33 unidades básicas tradicionais redimensionadas. A rede de atenção básica está articulada a mais quatro redes de serviços de saúde: a Rede de Atenção Especializada, que compreende o Centro de Especialidades Médicas Siqueira Campos (CEMAR Siqueira Campos), o Centro de Especialidades Médicas da Criança e do Adolescente (CEMCA) e o Centro de Especialidades Médicas Augusto Franco (CEMAR Augusto Franco); a Rede de Atenção Hospitalar, composta por prestadores públicos e privados, denominado de Hospital Horizontal; a Rede de Urgência e Emergência, composta por Hospital Municipal Zona Norte, Hospital Municipal Zona Sul, SAMU e outros serviços sob gestão municipal; e a Rede de Atenção Psicossocial, composta por cinco Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), dois deles funcionando 24 horas, e quatro residências terapêuticas. (SMS Aracaju, 2008) Ao todo são 128 equipes de saúde da família (ESF) distribuídas entre 41 USF. Duas unidades não dispõem de ESF. Mais da metade das USF comporta até três equipes, e o número máximo é de seis equipes por unidade, conforme informações dos gestores. Esta situação foi confirmada pelos agentes comunitários de saúde, os auxiliares de enfermagem, médicos e enfermeiros da amostra entrevistados. As ESFs em Aracaju são formadas, conforme a recomendação do Ministério da Saúde, por um médico, um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e cinco a seis agentes comunitários de saúde. Cada USF conta com um assistente social. Todas as USFs dispõem de equipes de saúde bucal (ESB) (uma ESB para duas ESFs) e assistentes sociais que dão suporte às ESFs. Parte das unidades conta com pediatras e ginecologistas e algumas têm clínicos gerais de apoio. Em algumas unidades, elas são denominadas equipes ampliadas, em geral com o pediatra e o ginecologista de referência para uma ESF específica. Em outras, são denominadas equipes de apoio, vinculadas à Unidade Básica de Saúde (UBS) e referência para várias equipes, inclusive NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo xxxiii de outras unidades básicas da mesma região. A composição dessas equipes (ampliadas e de apoio) é decorrente do processo de conversão dos centros de saúde tradicionais ao modelo SF, em que profissionais vinculados aos centros e às unidades tradicionais decidiram permanecer nas USFs. Há aproximadamente 19 equipes ampliadas/apoio distribuídas em sete USFs. A maioria das unidades funciona das 7:00 às 17:00 e três unidades funcionam das 7:00 às 19:00. O horário de funcionamento é confirmado pelos profissionais, indicando intervalo para almoço. A maioria dos profissionais informou horário de 7:00 às 12:00 e 14:00 às 17:00 (63% dos médicos, 73% dos enfermeiros, 64% dos auxiliares e 43% dos ACS) (Tabela C2). As Unidades de Saúde da Família são gerenciadas por um gestor local que cuida da parte administrativa, da distribuição de fluxo e do processo do trabalho, entre outras atividades. Cada uma das oito regiões tem uma coordenação de apoio às USFs que a compõem. A estrutura física das unidades é diversificada; em geral são unidades com consultórios médicos, salas de vacinas, de curativos, de procedimentos, de nebulização, de observação, de reunião, recepção, sala de espera, farmácia, sala de preparo de material para esterilização, banheiros feminino e masculino. A maioria é informatizadas, dispondo de computadores ligados na intranet. Esses equipamentos, na maioria das vezes, ficam na recepção. Metade dos ACS (50%) e dos auxiliares de enfermagem (52%) considerou o espaço físico da USF inadequado para realização do trabalho em equipe (Tabela C22). Médicos e enfermeiros informaram que os espaços, inclusive consultórios, não são compartilhados por mais de uma ESF (72%), e 60% deles considera que o espaço não permite o atendimento de forma confortável para usuários e profissionais. A manutenção das unidades é considerada por 68% dos médicos como insatisfatória. Os enfermeiros (61%) foram um pouco mais críticos que os médicos (52%) com relação à inadequação do espaço físico para promover reuniões de grupos de risco ou de orientação em educação e saúde, assim como para promover reuniões de equipe e com privacidade (TabelaC19). Nas USF não há coleta de material para exames. Em geral os exames laboratoriais solicitados pelas ESFs são realizados em laboratórios privados que não disponibilizam Aracaju xxxiv PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO coleta nas USFs. Segundo médicos (68%) e enfermeiros (49%), poucas vezes ou nunca as unidades realizam coleta de material para exames (Tabela D6). Os gerentes das USFs informaram que as unidades realizam coleta para exames de escarro para TB, sorologia da dengue, hemograma, rubéola e colpocitologia. As equipes realizam consultas médicas, de enfermagem e odontológica, fazem acolhimento, vacina, curativo, nebulização, desenvolvem atividades para os grupos de gestantes, hipertensos e diabéticos, fazem visita domiciliar, realizam reuniões de equipe, com periodicidade semanal ou quinzenal, dependendo da unidade. As atividades desenvolvidas pela ESF são analisadas em detalhe no capítulo VII. Concepção do modelo assistencial A Estratégia SF é concebida de forma integrada ao sistema de saúde municipal e assumida como ação reorientadora do modelo assistencial na atenção básica. Integra o Projeto “Saúde e Cidaddania”, que segue as bases do Projeto “Saúde Todo Dia” – conjunto de ações realizadas no sistema municipal de saúde, formulado pelo grupo gestor anterior. Segundo a perspectiva teórica que norteia o modelo tecnoassistencial assumido no Projeto “Saúde Todo Dia”, que expressa a política de saúde no município de Aracaju, o a produção de cuidado em saúde orienta-se para as necessidades de saúde dos indivíduos e da coletividade, tendo como imagem-objetivo a produção de autonomia para indivíduos e coletivos e consequentemente, o alcance de melhor qualidade de vida (SMS Aracaju, 2003). A atenção básica é parte integrante de uma das cinco redes de atenção que compõem o sistema municipal de saúde (rede básica, psicossocial, urgência e emergência, média e alta complexidades ambulatorial e rede hospitalar). A rede assistencial em saúde é concebida como um conjunto de equipamentos assistenciais ligados entre si por suas características tecnológicas e organizadas a partir de um mesmo projeto assistencial. (SMS Aracaju, 2003) A partir da construção de um sistema ordenado dos serviços de saúde as ações devem ocorrer em uma lógica de redes de atenção interconectadas, com a finalidade de configurar linhas de produção do cuidado, compreendidas como rotas pelas quais o usuário percorre o sistema de saúde a fim de superar suas necessidades. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo xxxv O grupo gestor que assumiu a SMS em 2006 reiterou os princípios e o modelo teórico que fundamenta o Projeto “Saúde Todo Dia”, como pode ser observado na fala da Coordenação da Atenção Básica sobre a concepção do modelo de atenção adotado no município: A proposta “Saúde e Cidadania” traz como questão central o enfoque do controle social no sentido de avançar no aprofundamento dos direitos de cidadania. Pretende-se dar continuidade à proposta conduzida pelo grupo gestor anterior, e aprofundar aspectos que fortaleçam a participação do usuário, construindo uma consciência sanitária e ampliando a corresponsabilidade e a participação. É uma fala? Se sim, colocar em itálico. A organização do processo de trabalho nas Unidades Básicas de Saúde, seguindo a concepção formulada no Projeto “Saúde Todo Dia”, ocorre a partir de unidades de produção do cuidado em saúde, ou unidades produtivas, entendidas como “um agrupamento de processos com características comuns. Têm processos e produtos bem definidos e seus produtos podem ser insumos para outras unidades ou um produto final. Os serviços de saúde produzem o Cuidado em Saúde. Os insumos das unidades de produção do cuidado são as necessidades de saúde das pessoas e dos coletivos. Ao final do processo de trabalho em cada unidade produtiva, a necessidade deve ser resolvida, sempre tendo como resultado ganhos crescentes de autonomia de indivíduos, coletivos e da própria equipe de saúde” (secretário municipal de saúde Aracaju, 2003). Na atenção básica o processo de trabalho está organizado principalmente a partir de unidades produtivas por tipo de necessidades expressas pelos usuários e características do trabalho, buscando superar a lógica de intervenção centrada no procedimento (SMS Aracaju, 2003). A rede de atenção básica está organizada segundo as oito regiões de saúde e distritos sanitários do município. O conjunto de unidades de cada região está sob responsabilidade de uma equipe de supervisão multiprofissional composta por um coordenador geral e dois a três supervisores. Cada UBS possui um território com sua população cadastrada e cada usuário deve ter uma equipe de referência. Algumas unidades com equipes ampliadas trabalham com a lógica da adscrição, porém nem todos os moradores do território são cadastrados, ou o cadastramento ocorre a partir do que denominam de cadastramento ativo, em que o usuário procura a unidade de saúde do território e passa a ter ali um prontuário. Aracaju xxxvi PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO As unidades de saúde da família apresentam configurações diferenciadas de equipes. Há unidades com ESFs como a descrita acima, unidades com equipes ampliadas de SF que agregam também pediatra e ginecologista, e outras que contam com equipes de apoio às ESF, profissionais da especialidade básica (clínico geral, pediatra, ginecologista que dão suporte à ESF da unidade à qual estão vinculados e são referência para outras unidades básicas do mesmo território). Toda a rede básica de saúde no município de Aracaju, exceto duas UBS, se baseia no modelo de atenção da ESF. A intenção inicial dos gestores era que profissionais como o pediatra e o ginecologista fizessem apoio matricial às ESFs. Entretanto, em alguns casos estes profissionais fazem o atendimento direto, não sendo referenciados pela ESFs. Desde 2002 o grupo gestor tem procurado formar equipes de apoio matricial em saúde mental, mais especificamente o apoio das equipes dos Centros de Atenção Psicossocial às USF. Esta ação se consolidou na 1ª região de saúde, com perspectiva de que pudesse ocorrer nas demais regiões. O atual grupo gestor tem a intenção de implantar o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), mas considera que o fato de 2008 ser ano eleitoral pode dificultar a discussão neste momento. Atores envolvidos na consolidação Na visão do secretário municipal de saúde e da coordenadora de atenção básica, o principal apoio à implantação da Estratégia no município tem sido do prefeito e do Ministério da Saúde. O secretário considera que uma das razões da consolidação da Estratégia no município é a continuidade da política. A SES teve papel fundamental no primeiro momento da implantação, tendo sido sua principal indutora no município. Durante a gestão petista na prefeitura, os conflitos políticos interferiram na relação entre as secretarias municipal e estadual, mas atualmente, com o novo governo estadual petista, a SES voltou a ter papel importante no apoio à Estratégia no município. No início, alguns setores organizados da população se opuseram ao modelo por desconhecer a dinâmica de atuação do PSF. As pessoas não aceitavam deixar de utilizar os serviços já conhecidos, particularmente os médicos especialistas, pediatra e ginecologista, para serem atendidas apenas por um médico generalista. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo xxxvii A redução do número de profissionais também gerou polêmica. A população não compreendia que a redução estava associada ao aproveitamento integral da carga horária do médico. A população participou do processo de implantação do programa. Houve espaço para a representação popular e dos profissionais de saúde. Por decisão do gestor da saúde à época iniciou-se um processo de ampliação dos canais de interlocução no setor através da constituição de 44 Conselhos Locais de Saúde (CLS). A grande articulação em torno de uma nova proposta de saúde para o município permitiu que a VI Conferência Municipal de Saúde se efetivasse como fórum de formulação da política. Atualmente a população se manifesta no sentido de ter acesso às ações realizadas pelas equipes de saúde da família, além de exigir qualidade no atendimento, inclusive em áreas de população de maior renda que exigem o agente e sua visita domiciliar para cuidados de idosos e acamados. Os sindicatos profissionais de médicos e enfermeiros mostraram-se favoráveis à implantação do PSF. Em relação ao Sindicato dos Médicos, as divergências giravam em torno dos honorários para os médicos, da carga horária integral e da forma como é feita a gestão do PSF. Para os enfermeiros, a perspectiva de mudança no cenário profissional promoveu a adesão de vários profissionais da rede, atraídos pela inserção qualificada no PSF. A atuação como figura central das equipes provocou uma adesão em massa destes profissionais que já faziam parte da rede pública. Segundo avaliação dos gestores, embora conste que os profissionais da rede básica apoiaram sem restrições o novo modelo, na prática havia uma oposição ao programa, motivada pela defasagem salarial entre os profissionais da rede tradicional e os do PSF. Na fase inicial da implantação, embora houvesse consenso de que a Câmara dos Vereadores não se manifestava contrária à implantação do PSF, as dissonâncias eram contidas pela maioria da bancada na gestão atual, Atualmente, na visão do secretário, não haveria resistências explícitas à Estratégia, embora ele reconheça contestações por parte do CRM e do Sindicato dos Médicos em relação à política salarial e à carga horária integral. Aracaju xxxviii PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Em relação à categoria da enfermagem, a disputa permanente com a categoria médica tem gerado reivindicações de equiparação salarial e redução da carga horária. O setor privado não se manifestou contrário em nenhum momento, pois, na visão dos gestores da saúde, a estrutura da Estratégia Saúde da Família não interfere com seus interesses. GESTÃO DO TRABALHO NA SAÚDE DA FAMÍLIA O componente da gestão do trabalho em Saúde da Família diz respeito às diferentes dimensões das relações de trabalho estabelecidas entre os profissionais que atuam nas equipes nos diferentes municípios que compõem a pesquisa. Neste estudo, a abordagem sobre a gestão do trabalho na Estratégia Saúde da Família contemplou elementos que possibilitaram compreender como as relações de trabalho são estabelecidas. Para tanto, a pesquisa buscou conhecer o perfil dos profissionais que atuam na Estratégia Saúde da Família em relação a sexo, idade, formação e também o envolvimento desses profissionais em fóruns de formulação da política e de ações de saúde, bem como em entidades representativas. O detalhamento sobre a forma de inserção desses profissionais foi possibilitado por meio do mapeamento dos vínculos estabelecidos, mecanismos de seleção utilizados e remuneração dos profissionais. Nesse contexto, procurou-se verificar as estratégias de fixação, a rotatividade e os possíveis motivos de insatisfação que dificultam a fixação dos profissionais. A capacitação é componente essencial para compreender a adesão dos profissionais à Saúde da Família bem como os incentivos disponíveis para assegurá-la. Por fim, complementa-se a compreensão da gestão do trabalho através da análise dos mecanismos de supervisão estabelecidos e da avaliação que os profissionais fazem do processo de trabalho em equipe, pois são dimensões que influenciam direta e indiretamente o arranjo das relações de trabalho estabelecidas pelos profissionais no contexto de trabalho da Estratégia Saúde da Família. No município de Aracaju ainda são incipientes as parcerias entre Secretaria Municipal de Saúde e Universidades para a realização de cursos de Especialização seja na área de Saúde da Família, seja na constituição de residências de Medicina de Família e Comunidade ou Multiprofissionais em Saúde da Família, reproduzindo a distribuição NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo xxxix irregular da oferta de residências médicas, apontada pelo Relatório Final da Pesquisa de Identificação de Necessidades de Profissionais Especialistas na Área da Saúde realizada pelo Ministério da Saúde. Observa-se ainda a fragilidade na formação básica de profissionais de saúde, dado a limitada oferta de cursos e vagas nas universidades do Estado. A Gestão do Trabalho na estrutura da SMS do município de Aracaju divide-se entre o Núcleo de Gestão de Pessoas (NUGEP), responsável pela contratação e remuneração dos profissionais de saúde, e a Coordenação de Educação Permanente (CEP), responsável pelas atividades de capacitação que incluem cursos e oficinas. A divisão entre as duas estruturas é inclusive física, pois funcionam em prédios diferentes e trabalham de forma independente. O NUGEP se integra às áreas finalísticas da SMS apenas na discussão dos concursos e não realiza atividades de monitoramento e avaliação dos profissionais em atividade. Suas principais atividades são: seleção de profissionais para as ESFs através da realização de concursos, realização do processo de contratação dos profissionais, e acompanhamento dos direitos e das demandas trabalhistas. A CEP é ligada diretamente ao gabinete do secretário de saúde, sendo responsável pelos programas de Capacitação e Educação Permanente dos profissionais da rede de serviços. A sua proposição, dentro do Projeto Saúde Todo Dia implantado na gestão anterior, compreendia a organização de processos pedagógicos com etapas de desenvolvimento do aprendizado a partir da problematização de situações concretas do cotidiano da assistência e finalizando com o retorno à unidade para ressignificação dos problemas e consolidação dos saberes no processo de trabalho. Esse processo pedagógico se efetivaria pela participação de agentes educacionais preparados para estes papéis e responsáveis pelo acompanhamento dos educandos nos momentos de concentração e dispersão. “Os marcos conceituais da pedagogia adotada eram as necessidades de saúde como fator de exposição; o educando como sujeito do processo de aprendizado; o educador como mediador; a organização do processo de trabalho em saúde também como mediador; os saberes como insumo” (SMS/Prefeitura Aracaju, 2003). No entanto, a Secretaria Municipal de Saúde sofreu um forte impacto com a mudança da equipe dirigente para o âmbito estadual, em 2007. Ao assumir o governo do Estado, Aracaju xl PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO o antigo Prefeito convidou grande parte do quadro de gestores municipais a participarem da equipe dirigente estadual, o que provocou, num primeiro momento, a descontinuidade de alguns programas, entre eles o de Capacitação e Educação Permanente. Na gestão anterior, em face da degradação das relações trabalhistas com os profissionais de saúde do município com diversos vínculos para prestação de serviços sem garantia dos direitos trabalhistas e sociais, foi implantado um novo Plano de Cargos Carreiras e Vencimentos da Saúde, em 2003. Até então, as negociações e os acordos para contratação eram feitos por cada gestor, com cada categoria profissional, com remunerações e carga horária diferenciadas. Apesar de ainda haver conflitos, o PCCV tem funcionado como um instrumento importante de regulação, na visão da coordenadora do Núcleo. O momento atual, acompanhado pela pesquisa, é de transição com vistas à reorganização. Para isso estão sendo organizadas oficinas de Planejamento. Observa-se também como tendência recente a realização de concursos públicos para substituição dos quadros terceirizados nas categorias profissionais de saúde. Os gestores entrevistados são enfáticos ao apresentar este modelo de ingresso e vinculação dos profissionais como fator favorável à implementação da Estratégia Saúde da Família e determinante para o bom desempenho das ações, mas reconhecem a dificuldade encontrada para o preenchimento dos cargos. A política de substituição dos contratos não reduziu ainda a dificuldade de fixar os profissionais médicos e fazê-los cumprir a carga horária integral de 40 horas semanais, um dos principais problemas a ser enfrentado no campo da gestão do trabalho em Aracaju. Os gestores municipais e representantes de entidades profissionais com frequência apontam que esta dificuldade se deve ao alto investimento dos médicos em sua formação, sem um retorno material adequado e com falta de perspectiva de crescimento na carreira médica quando se trata de Saúde da Família. Neste relatório, também, procuramos comparar os resultados obtidos no trabalho de campo com os dados da pesquisa realizada em 2002, com o objetivo de registrar as diferenças e analisar tendências. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo xli Perfil das equipes O conjunto de profissionais pesquisados é composto essencialmente pelo sexo feminino - 70% dos médicos; 90% dos enfermeiros; 80% dos ACS e 87% dos técnicos/auxiliares de enfermagem. Comparado a 2002, o quadro permanece o mesmo em relação ao gênero, observando-se um discreto aumento da força de trabalho masculina entre os agentes comunitários de saúde. A faixa etária predominante entre os profissionais de nível superior distribui-se entre os intervalos de 41 a 50 anos (33%), 31 a 40 anos (25%) e 51 a 60 anos (23%), não havendo diferenças importantes quando considerados separadamente médicos e enfermeiros. Entre os ACS, a faixa etária que concentra cerca da metade dos profissionais está compreendida entre 31 e 40 anos (47%), sendo também expressiva a quantidade de ACS com até 30 anos (33%). Já entre os auxiliares/técnicos de enfermagem a média de idade é de 36 anos. Em 2002, a maior concentração de profissionais de nível superior estava na faixa entre 41 e 50 anos (52%), seguida da faixa entre 31 e 40 anos (29%); 61% dos ACS tinham até 30 anos e 31% entre 31 e 40 anos. O Programa Saúde da Família em Vitória caracteriza-se por uma força de trabalho em parte qualificada, onde 67% dos profissionais de nível superior possuem pós-graduação e 90% dos ACS concluíram o ensino médio. Todavia predomina a pós-graduação em outras áreas. A formação em Saúde Coletiva ou Saúde da Família são importantes para a atuação em SF. Considerando-se os vários cursos realizados, somente 21% dos médicos e 41% dos enfermeiros têm essa qualificação. Apenas 29% dos profissionais de nível superior informaram a realização do curso de especialização em Saúde da Família, sendo maior o percentual de enfermeiros (39%) que de médicos (16%). Apenas três médicos possuem o título de especialista em Medicina de Família e Comunidade. É também baixo o percentual dos profissionais que informam ter concluído qualquer residência: 15%. Comparando-se com a pesquisa anterior, é possível afirmar que houve pequena elevação no nível de qualificação destes profissionais, já que, em 2002, 49% informaram não ter Aracaju xlii PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO qualquer pós-graduação e somente 23% tinham curso de especialização em Saúde da Família. O mesmo se pode concluir em relação aos ACS e auxiliares e técnicos de enfermagem: em 2002, 66% e 81%, respectivamente, haviam concluído o nível médio. A maioria dos profissionais de nível superior teve experiência anterior em trabalho no PSF (79%), predominando a atuação em outro município (46%). É maior o percentual de médicos com essa experiência (59%). Em 2002, 49% dos médicos e enfermeiros não tinham experiência anterior em trabalho no PSF Ao comparar os resultados de 2008 e 2002 é possível inferir a permanência no Programa e também uma certa rotatividade de profissionais de nível superior intermunicípios, na medida em que cerca da metade relata experiência anterior no PSF em outro município. Para os profissionais de nível superior, o motivo mais assinalado para escolha do trabalho na ESF foi compartilharem a ideia de que a Saúde da Família pode reorganizar a atenção à saúde no SUS (39% dos médicos e 60% dos enfermeiros). Aproximadamente 30% dos médicos também citaram a motivação para trabalhar com comunidades pobres. A crença de que a Estratégia da Saúde da Família pode contribuir para um maior controle social da população sobre os serviços de atenção à saúde foi o outro fator mais frequentemente mencionado pelos enfermeiros. A Estratégia Saúde da Família não se coloca como um mercado de trabalho promissor para esses profissionais, especialmente os médicos. Apenas 44% dos enfermeiros e 18% dos médicos mencionaram esta motivação para escolha da ESF. Em 2002, o principal motivo que levou médicos e enfermeiros a optarem por trabalhar no PSF foi a ideia de que a Estratégia Saúde da Família poderia contribuir para um maior controle social da população organizada sobre os serviços de atenção à saúde (72%), seguida da crença de que poderia organizar a atenção à saúde no SUS municipal (67%) e da motivação de trabalho com a população pobre (56%) Nas categorias ACS e técnico/auxiliares de enfermagem, 59% e 55%, respectivamente, apontaram a motivação para trabalhar com a comunidade pobre como o principal fator que orientou a escolha do PSF; foi ainda apontado como um fator importante, por 52% dos ACS e 47% dos auxiliares a ideia de que o PSF pode resolver as necessidades de saúde da população. Destaca-se ainda que aproximadamente 50% dos ACS mencionam NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo xliii o fato de estarem desempregado como fator que os levou a trabalhar na ESF, embora apenas 2% considerem o PSF um mercado de trabalho promissor, com salário diferenciado. Para os ACS, em 2002, a motivação para trabalhar com a comunidade pobre foi considerada uma das principais ra os ACS em relação à escolha em trabalhar no PSF (63%) e a opção estar desempregado aparecia com maior frequência (64%) do que em 2008 (50%). Na categoria de auxiliares/técnicos de enfermagem, também se destacaram, como motivação, compartilharem da ideia que a estratégia do PSF pode resolver as necessidades de saúde da comunidade e a motivação para trabalhar com a comunidade pobre, mencionada por 55% e 47% dos profissionais, respectivamente. Também teve destaque a identificação com a proposta no município, citada por 40% dos auxiliares/técnicos. Grande parte dos auxiliares de enfermagem (71%) em 2002 mencionou como motivação para trabalhar no PSF compartilhar da ideia de que o PSF poderia resolver as necessidades de saúde da comunidade e organizar a atenção à saúde e 39% apontaram se sentir motivados a trabalhar com comunidades pobres. A mudança na percepção destes profissionais pode sugerir que no processo de implantação do Programa os mesmos passam a percebê-lo como uma estratégia dirigida mais direcionada à população carente Inserção profissional: vínculo trabalhista e mecanismos de seleção No processo de municipalização do SUS em Aracaju foram incorporados à rede municipal profissionais dos sistemas federal e estadual, além dos contratados pelo município. O secretário afirma que o quadro municipal de pessoal na área da saúde vem sendo ampliado por meio de concursos públicos. Os novos concursados, de acordo com o secretário, são distribuídos entre a rede básica, ambulatorial e hospitalar, em função de sua especialidade. A quase totalidade dos profissionais de nível superior tem o vínculo de trabalho estabelecido com a SMS. Apenas 5% dos enfermeiros tem vínculo com a Secretaria Estadual de Saúde. No entanto, o vínculo com empresa prestadora de serviços é predominante entre os ACS (79%), dos quais apenas 11% têm vínculo com a SMS. Aracaju xliv PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Entre os auxiliares/técnicos de enfermagem, 97% têm também o vínculo estabelecido com a SMS. O regime estatutário é a forma de contrato de trabalho predominante para médicos (93%) e enfermeiros (92%). Há uma pequena parcela de médicos (4%) contratados via CLT e o equivalente a 6% de enfermeiros cedidos de outras instituições. Ao contrário do quadro atual, em 2002 apenas 9% dos médicos e 71% dos enfermeiros eram estatutários, o que evidencia uma política de incorporação de pessoal para o PSF no município de Aracaju. Na categoria de ACS, a maior parte dos profissionais (71%) tem contrato celetista e 11% têm contratos temporários. Da mesma forma que para os médicos e enfermeiros, predomina o regime estatutário para os auxiliares/técnicos de enfermagem (95% têm este tipo de contrato), contrastando com 2002, quando os estatutários representavam 48% dos auxiliares e técnicos entrevistados. A carga horária cumprida, segundo os profissionais de nível superior, é de 40 horas semanais, observando-se diferença no que se refere à flexibilidade para médicos e enfermeiros. Metade dos médicos informou ter alguma flexibilidade para outra atividade, enquanto 30% dos enfermeiros relataram ter esta flexibilidade e 68% declararam cumprir 40 horas com dedicação exclusiva. Oitenta por cento dos ACS afirmaram cumprir 40 horas semanais com dedicação exclusiva e 17%, com flexibilidade para outras atividades; 70% dos auxiliares/técnicos de enfermagem mencionaram dedicar-se exclusivamente ao trabalho na ESF. A atuação em outra atividade é mais frequente entre os médicos. Cerca de 59% dos médicos e 41% dos enfermeiros possuem outro vínculo de trabalho além da SF. Para os ACS, não é comum outro emprego: apenas 5% têm outro vínculo. Em torno de 43% dos auxiliares/técnicos de enfermagem afirmaram ter outro vínculo de trabalho. Para a coordenadora do NUGEP, muitas vezes os profissionais preferem trabalhar como autônomos em função de maior flexibilidade. A própria SMS faz concessões aos contratados por RPA, como a jornada de trabalho de apenas 20 horas semanais em regime de plantão. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo xlv Observamos que só são considerados membros das equipes do PSF, pelos gestores, os profissionais com vínculo de 40 horas semanais, que, no caso dos médicos, são apenas os generalistas, embora, no PCCV, médicos pediatras, ginecologistas, enfermeiros, odontólogos, assistentes sociais em saúde, auxiliar de enfermagem e atendente de consultório dentário estejam vinculados ao PSF. O total de profissionais da Atenção Básica no município de Aracaju, de acordo com documento fornecido pelo NUGEP/SMS em julho de 2008, era de 1.775, sendo 1.262 vinculados às ESFs e os outros 513 atuando como apoio às equipes. As equipes de saúde da família são compostas por médico, enfermeiro, auxiliar de enfermagem e de quatro a dez ACS. Cada USF tem um assistente social, que não se vincula a uma equipe específica da SF, mas atende a toda a USF. As Equipes de Saúde Bucal são compostas por odontólogos e ACDs e cada uma atende a duas ESFs. Remuneração Na perspectiva dos profissionais, a remuneração bruta informada por 82% dos médicos situa-se na faixa entre R$4.001,00 a R$6.000,00, faixa de remuneração de 47% dos enfermeiros. Para estes, no entanto, predomina a remuneração entre R$2.001,00 e R$4.000,00. Em 2002, o salário máximo registrado para os profissionais de nível superior foi de R$4.000,00, mas 58% dos médicos e 91% dos enfermeiros percebiam entre R$2.001,00 e R$3.000,00 e 33% dos médicos entre R$. 3.001,00 e R$4.000,00. Apesar do número indicar, aparentemente, aumento significativo na remuneração, se tomarmos em conta o salário mínimo como referência observaremos que não houve mudança representativa. Em 01/04/2002, o salário mínimo era de R$200,00 e em 01/03/2008, de R$415,00, um aumento de 107%, enquanto o aumento do salário dos profissionais de nível superior no PSF foi de aproximadamente 50%. Para os ACSs, a faixa predominante está entre R$401,00 e R$600,00, enquanto 65% dos auxiliares/técnicos de enfermagem recebem entre R$801,00 e R$1.000,00. Nesta categoria há ainda 23% dos profissionais que recebem entre R$601,00 e R$800,00. Acompanhando o aumento do salário mínimo, registra-se diferença salarial entre os salários dos ACS de 2002 para 2008. Em 2002, 88% percebiam até R$200,00 e 12%, entre R$201,00 e R$500,00, enquanto em 2008 a faixa predominante está entre R$401,00 e R$600,00. Aracaju xlvi PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO A complementação para atuação na ESF em Aracaju é recebida por 77% dos médicos e 85% dos enfermeiros, sendo a mais comum a insalubridade, recebida por 52% dos médicos e 39% dos enfermeiros. O equivalente a 26% dos enfermeiros também recebe complementação para atuação em área de risco. Na categoria de ACS, 78% recebem algum tipo de benefício ou complementação salarial, sendo o mais frequente a insalubridade. Os auxiliares/técnicos de enfermagem, por sua vez, recebem com maior frequência a insalubridade e o auxílio transporte, e 93% declararam receber algum tipo de benefício ou complementação. A maior parte dos profissionais da Estratégia SF de Aracaju considera a remuneração incompatível com suas atribuições. A categoria dos médicos é a que expressa maior insatisfação, posto que 98% afirmaram que a remuneração não é compatível com suas atribuições na ESF; o percentual é de 76% na categoria dos enfermeiros. A incompatibilidade é mencionada por 91% dos ACS. Esta insatisfação foi registrada também na pesquisa de 2002, quando 79% dos profissionais de nível superior e 96% dos ACS disseram ser a remuneração incompatível com suas atribuições. Rotatividade e estratégias de fixação dos profissionais Existe dificuldade de fixar o médico na Atenção Básica. Sua permanência é por um curto período de tempo, que, segundo o secretário, não ultrapassa quatro anos. Uma tendência observada para a não fixação dos médicos em Sergipe, além da busca de melhores salários, é a de formação, visando à especialização ou a residência médica. O secretário municipal destaca ainda a violência como um fator de não fixação dos médicos nas USFs. Atualmente Sergipe conta com uma única Universidade para formar médicos e 80% a 90% dos formandos fazem residência fora do Estado. No caso do profissional da Saúde da Família um agravante considerado pelos gestores é a inexistência da opção de aumentar seu rendimento com outras atividades ou vínculos, em função da dedicação de 40 horas exigida pelo Programa. Como estratégia para fixação de profissionais o secretário municipal de saúde: i) programas de capacitação; ii) concursos públicos; iii) aperfeiçoamento da formação médica em Atenção Básica. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo xlvii O quantitativo de médicos atuante na Atenção Básica ainda é reduzido, de acordo com o secretário. Para ele, deveria haver um sistema de remuneração diferenciado para os médicos, considerando o investimento que fazem em sua formação, sendo necessário criar incentivos que os motivem e atraiam para o setor público na área de Atenção Básica. Para os demais profissionais da rede não haveria problemas de rotatividade. A coordenadora da Atenção Básica informa que os salários de enfermeiros e odontólogos são atrativos, pois estão acima da média do mercado. Os auxiliares de enfermagem são os profissionais das equipes de saúde da família que mais se mantêm no posto de trabalho. Existe incentivo de risco para atuação nas comunidades mais distantes, que têm maior dificuldade de fixação. Um dos desafios é fazer face às vantagens oferecidas pelos municípios no interior do Estado. Em algumas cidades, os médicos trabalhariam somente um turno, três vezes por semana, ganhando o mesmo ou mais do que na capital, onde é exigido o cumprimento da carga horária integral, argumentou um gestor. Este é um dos pontos de enfrentamento com o Sindicato dos Médicos, que defende a carga horária de 32 horas semanais, com o mesmo salário. Para fazer um acordo, o Ministério Público propôs um projeto piloto, a ser testado em quatro USFs, que destinava oito das 40 horas previstas no contrato de trabalho para processos de capacitação, reduzindo assim o tempo de atendimento para 32 horas semanais. A SMS montou então um projeto de capacitação para os três meses em que o projeto piloto seria experimentado. Para a compreensão da rotatividade sob a perspectiva dos profissionais identificou-se inicialmente o tempo de atuação no município e a sua permanência na mesma equipe. Do mesmo modo, buscou-se conhecer a percepção dos médicos e enfermeiros sobre possíveis razões de insatisfação que contribuam para sua rotatividade. O tempo de atuação dos profissionais de nível superior em Aracaju é mais elevado do que nas outras cidades estudadas: 66% atuam há mais de quatro anos. É pouco maior o percentual de enfermeiros (68%) que o de médicos (63%) neste caso. Em 2002, a situação era diversa: 70% dos médicos atuavam no máximo há dois anos no PSF, o que sugere rotatividade decrescente. Aracaju xlviii PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Entre os ACS, 65% atuam no município há mais de cinco anos e 30% entre dois e cinco anos. Há maior concentração de auxiliares/técnicos de enfermagem que atuam entre dois e cinco anos (58%) e 28% exercem sua atividade em Aracaju há mais de cinco anos. A atuação dos profissionais de nível superior na mesma equipe é predominante em Aracaju (54%). A troca de equipe no mesmo município já aconteceu a pedido do próprio profissional para 29% deles. Entre os ACS é, como esperado, maior o percentual de profissionais que atuam sempre na mesma equipe (72%). Para os auxiliares/técnicos de enfermagem também é maior o percentual (58%) dos que atuam sempre na mesma equipe. Entre os auxiliares/técnicos de enfermagem que mudaram de equipe no mesmo município predomina a mudança a pedido do próprio profissional (28%). Sobre as razões para a insatisfação e a rotatividade na Estratégia Saúde da Família, 82% dos profissionais de nível superior apontaram a remuneração inadequada como fator de insatisfação. É maior o percentual de médicos (98%) que de enfermeiros (68%) que consideram a remuneração inadequada. Outros fatores também considerados insatisfatórios dizem respeito à exigência de carga horária integral (66%) e às condições de trabalho precárias (63%). Ainda, a baixa oportunidade de progressão profissional é relatada por 47% dos profissionais de nível superior como fator de insatisfação, porém é maior o percentual de médicos (64%) que de enfermeiros (33%) com essa percepção. Já o baixo comprometimento dos profissionais com o PSF é motivo de insatisfação para 42% dos profissionais de nível superior, predominando essa percepção entre os enfermeiros (52%) em comparação aos médicos (30%). Capacitação para o PSF A Coordenação de Educação Permanente (CEP), segundo sua coordenadora, é responsável pelas capacitações oferecidas no âmbito da SMS. Para esta coordenadora, a existência de um Programa de Capacitação é necessidade da Estratégia SF, considerando que os profissionais não estão preparados para trabalhar no novo modelo, que tem como uma das exigências saber trabalhar em equipe. Os desafios da Educação Permanente são o trabalho em equipe e o trabalho na perspectiva da integralidade, o que é aceito mais amplamente por enfermeiros, NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo xlix odontólogos e seus auxiliares do que pelos médicos, segundo a coordenadora da CEP. As capacitações são montadas tendo como referência tanto as necessidades do serviço quanto as do servidor. Para a elaboração das atividades de capacitação são ouvidos os coordenadores de Programa e as coordenações de Rede e, ao final de cada atividade, é feita uma avaliação, que inclui observações e demandas dos participantes. Os médicos demandam capacitações técnicas especificas com mais frequência. Embora a coordenação procure trabalhar com o foco nas equipes, os médicos solicitam sempre atividades dirigidas especificamente à categoria. A coordenadora do CEP justifica tal demanda pela necessidade que eles sentem de tirar dúvidas quanto aos procedimentos médicos específicos em nível de atenção primária. Apesar de terem feito o concurso para médicos generalistas, sua experiência anterior é o exercício da prática clínica especializada, o que os deixa inseguros quando o assunto foge à sua formação. A coordenadora deu como exemplo pediatras que passam a ter que atender idosos, gestantes, hipertensos etc. A capacitação geral ministrada pela SMS a toda a equipe não oferece aprofundamento da questão terapêutica. Os profissionais alegam que a formação específica permitiria a redução dos encaminhamentos aos especialistas, considerando que esses, muitas vezes, se devem à insegurança dos médicos quanto ao diagnóstico e à terapêutica. A SMS monta capacitações específicas em resposta à demanda. Os médicos e enfermeiros, em geral, reconhecem que o município oferece incentivos à formação; a liberação de carga horária para realização de cursos é a resposta mais frequente (78% dos médicos e 55% dos enfermeiros). Uma parcela de 30% dos enfermeiros menciona, ainda, o adicional financeiro de titulação, que é relatado por apenas 9% dos médicos. A maior parte dos médicos (89%) e dos enfermeiros (83%) considera que, para exercer sua atividade na Estratégia Saúde da Família, é fundamental receber capacitação permanente sobre atenção a grupos específicos e treinamento em atenção básica, além de participar de encontros entre profissionais de Saúde da Família para troca de experiências (73% e 76% respectivamente). Os enfermeiros, por sua vez, consideram igualmente importante receber treinamento introdutório. Aracaju l PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Os aspectos citados com mais frequência pelos auxiliares/técnicos de enfermagem também se relacionam à capacitação para ações focalizadas em grupos de risco, mencionada por 75% dos profissionais. Quando se considera a capacitação efetivamente recebida pelos agentes comunitários, observa-se que mais de 80% deles foram capacitados nos temas de: planejamento familiar, aleitamento materno, prevenção de câncer de colo de útero, controle de hipertensão e diabetes e prevenção de DST/AIDS. O treinamento introdutório em Saúde da Família foi realizado pela maior parte dos ACS (71%), mas por menos da metade dos auxiliares/técnicos de enfermagem (32%). As ações de educação permanente das quais os ACS e os auxiliares/técnicos de enfermagem mais participam são de capacitação para ações focalizadas em grupos de risco. Os ACS citaram também a participação em palestras, enquanto os auxiliares/técnicos de enfermagem ressaltaram as reuniões periódicas da equipe de Saúde da Família. Para 85% dos ACS e 80% dos auxiliares/técnicos, a participação em ações deste tipo é obrigatória. Os temas da educação permanente, para as duas categorias, são definidos com mais frequência pela coordenação municipal do PSF. Os ACS também citam que a equipe de Saúde da Família em conjunto pode definir os temas a serem abordados. Supervisão A supervisão das ESFs é realizada pelos gerentes locais e regionais. Há também a supervisão de Programas realizada pelas demais coordenações, como é o caso da Coordenadoria de Gestão do Cuidado e dos Programas de Saúde da Mulher, Saúde da Criança e Saúde do Adulto, em conjunto com a Coordenação de Atenção Básica. Não existe uma rotina no processo de supervisão; esta é feita ao ser identificada uma necessidade específica. Há também a Coordenação Clínica, que intervém quando há problemas na atenção clínica. O monitoramento das ações é feito com referência aos protocolos que são estabelecidos pelos Programas. Caso haja problemas em relação a estes ou se forem alterados, é providenciada a capacitação específica sobre a temática. Outro tipo de acompanhamento é feito através da identificação de indicadores clínicos, sociais ou o número de solicitações de exames, por exemplo. Nestes casos identifica-se NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo li o problema e se promovem discussões locais na Unidade. Os problemas são identificados através dos relatórios de Coordenadores de Programa. Os sistemas de informações SIM, SINASC e SIAB são utilizados como instrumentos de acompanhamento e de supervisão. Outras vezes, este processo é acionado a partir de denúncias de negligência ou falta de cuidado feitas pelo Ministério Público, e mais comum em relação a idosos e a casos de violência. O Conselho Local de Saúde também atua na denúncia e na reivindicação de bom atendimento à população. A pesquisa identificou se as diferentes categorias pesquisadas reconhecem a existência da supervisão e, também, sua forma e periodicidade, bem como o profissional responsável e o foco da supervisão. O processo de supervisão é reconhecido pelo conjunto das categorias pesquisadas: 80% dos profissionais de nível superior, 98% dos ACS e 82% dos auxiliares/técnicos de enfermagem. A diferença está no modelo e nos agentes que realizam a supervisão. Para 54% dos profissionais de nível superior, ela é dirigida para cada equipe de saúde da família, e 45% dão destaque também à supervisão por categoria profissional. Para os ACS, a supervisão é feita para a equipe de saúde da família (46%) sendo predominantemente exercida pelo enfermeiro (85%), opinião partilhada pelos auxiliares/técnicos de saúde. Avaliação das entidades representativas dos profissionais em relação ao modelo de gestão do PSF em Aracaju Para conhecer a perspectiva das categorias profissionais sobre o modelo de gestão do trabalho em Saúde da Família, foram realizadas entrevistas com duas entidades representativas dos profissionais de saúde no estado de Sergipe: o Sindicato dos Médicos e o Conselho Regional de Enfermagem. Para os gestores da SMS, há no estado uma forte e permanente pressão do Sindicato Médico por aumento de salário e diminuição da carga horária dos médicos, especialmente a redução da carga de trabalho dos médicos do PSF. Segundo eles, a resistência à mudança no processo de trabalho, em última instância, está relacionada ao novo modelo assistencial que vem sendo implantado desde 2001, que exige do médico mais do que o atendimento a um número de consultas pré-agendadas. Aracaju lii PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO O Conselho Regional de Enfermagem (COREN) manifesta apoio à Estratégia Saúde da Família, mas relata os problemas enfrentados pela categoria junto ao Ministério Público, causados pela denúncia do Conselho Regional de Medicina de que enfermeiros do PSF estariam prescrevendo medicamentos dos programas de saúde pública adotados pelo Ministério da Saúde e transcrevendo para pacientes prescrições médicas de cardiotônicos, sem posologia, para que fossem arquivadas nas farmácias que forneciam o medicamento. Apesar da situação ter sido esclarecida junto àquele órgão e aos enfermeiros, houve muita tensão e desgaste entre as duas categorias, permanecendo, no entanto, a tensão em relação à atuação de médicos e enfermeiros no PSF. O presidente do Sindicato dos Médicos também reconheceu a competição entre médicos e enfermeiros. Ressaltou, todavia, que o Sindicato seria contra essa competição, pois cada profissional deve exercer a sua competência. Todavia, esclarece e define o monopólio médico: “Diagnóstico, terapêutica e assinatura de óbito são atos médicos.” Outra insatisfação relatada pelos enfermeiros foi a quebra da isonomia salarial na saúde, feita pelo secretário na gestão do Prefeito anterior (atualmente Governador do Estado). Com a realização do concurso público e a criação de um Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos, que equipara os salários, a tensão diminuiu. Uma das questões críticas para a categoria era, até pouco tempo atrás, a escassez de profissionais de enfermagem no Estado, devido à baixa oferta de vagas nos cursos de enfermagem. O único órgão formador era a Universidade Federal, que colocava semestralmente uma média de 20 profissionais no mercado. O problema diminuiu em função da abertura de um número maior de vagas pela UNIT e da realização dos concursos públicos. “Sergipe é importador de enfermeiros paraibanos” (presidente do COREN). O Conselho preocupa-se com a ampliação do âmbito dos ACS, que vem sendo observada em Aracaju. De acordo com os enfermeiros, muitos agentes comunitários, que tiveram acesso à formação de auxiliares de enfermagem através do Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem (PROFAE), fazem atividades próprias a eles, como curativos e aplicação de injeções. O presidente do Sindicato dos Médicos de Sergipe ressaltou o relacionamento difícil entre médicos e gestores e criticou enfaticamente as precárias condições de trabalho dos NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo liii médicos no setor público, principalmente a falta de um plano de cargos e salário ‘digno’, e a remuneração, que seria muito aquém da ideal (a proposta é de R$7.500,00 para 20 horas e R$15.000,00 para 40 horas). Desafios para a gestão do trabalho em SF De maneira geral, as informações reunidas por meio das entrevistas com gestores e dos questionários respondidos pelos profissionais demonstram que a gestão de trabalho das equipes de saúde de família em Aracaju tem buscado equacionar as múltiplas variáveis que influenciam diretamente a dinâmica entre os profissionais e seu trabalho com a comunidade. No entanto, permanece a dificuldade para atração e retenção dos médicos. Do ponto de vista do perfil dos profissionais destaca-se a necessidade de ampliar a quantidade daqueles que tenham especialização própria para atuar na Estratégia Saúde da Família e forte identificação com essa proposta. A pouca oferta de formação de médicos dificulta sua vinculação à Estratégia; o fomento e a regulação no campo da graduação poderiam ampliar a intervenção da gestão no dinamismo do mercado de trabalho, sobretudo dos médicos. Sobre a rotatividade, deve-se considerar que a percepção dos profissionais ainda aponta a remuneração como fator de insatisfação. Outros fatores de insatisfação são as condições de trabalho, a exigência da carga horária integral, a baixa oportunidade de progressão profissional e o baixo comprometimento dos profissionais. Em especial, a remuneração dos médicos coloca-se como alvo de melhorias necessárias para ampliar sua atratividade, menos pelo seu valor absoluto e mais pelo seu valor de mercado, considerando a pouca oferta de profissionais na região. Embora a remuneração não seja suficiente para a fixação dos profissionais, seu desenho pouco atrativo pode funcionar como fator de repulsa, maximizando as dificuldades para atração dos profissionais. Os principais pontos de melhoria identificados na capacitação estão relacionados à consolidação das capacitações voltadas para que os profissionais estejam aptos a lidar com a diversidade sócio-cultural da comunidade. Ainda para os médicos verifica-se a necessidade de capacitações técnicas específicas. Tal demanda pode ser articulada através da Coordenação de Educação Permanente da SMS. Por fim, as dimensões analisadas da gestão do trabalho nas equipes do município de Aracaju reforçam os desafios na busca de minimizar a complexidade da inserção dos profissionais na Estratégia Saúde da Família face ao contexto de trabalho e seu entorno. Aracaju liv PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO ORGANIZAÇÃO DO PROCESSO DE TRABALHO E PRÁTICAS ASSISTENCIAIS DAS EQUIPES DE SAÚDE DA FAMÍLIA A descrição e a análise do processo de trabalho e das práticas assistenciais das equipes de saúde da família, a partir dos resultados do inquérito com os profissionais das ESFs em Aracaju, abordaram os seguintes aspectos: a programação das ações programáticas, o estabelecimento de ações prioritárias para o atendimento da população, a identificação das principais atividades realizadas por tipo de profissional e a avaliação da relação dos profissionais da equipe SF com a população atendida. Programação das atividades da equipe A programação das atividades realizadas pela ESF, de acordo com os profissionais de nível médio e superior entrevistados, é fortemente orientada pela demanda da população (70% dos médicos, 83% dos enfermeiros, 65% dos ACS e 48% dos auxiliares/técnicos de enfermagem); pelas orientações da Secretaria Municipal de Saúde (68% dos médicos, 77% dos enfermeiros, 49% dos ACS e 58% dos auxiliares/técnicos de enfermagem); pelo perfil epidemiológico realizado a partir da realidade da população local (57% dos médicos, 67% dos enfermeiros, 70% dos ACS e 55% dos auxiliares/técnicos de enfermagem); e pelas normas do Ministério da Saúde (55% dos médicos, 70% dos enfermeiros, 55% dos ACS e 58% auxiliares/técnicos de enfermagem). A programação realizada a partir dos dados do SIAB foi apontada por 43% dos médicos, 70% dos enfermeiros, 76% dos ACS e 45% dos auxiliares/técnicos de enfermagem como um instrumento importante para a orientação das atividades. Na pesquisa anterior, realizada em 2002, os parâmetros que orientaram a programação para os profissionais de nível superior e médio do PSF de Aracaju foram o perfil epidemiológico da população e da realidade local (72% dos profissionais de nível superior, 64% dos ACS e 62% dos auxiliares de enfermagem), a demanda da população (67% dos profissionais de nível superior, 44% dos ACS e 68% dos auxiliares de enfermagem), e as orientações da SMS (60% dos profissionais de nível superior, 49% dos ACS e 77% dos auxiliares de enfermagem). A programação das atividades ocorre sem regularidade de acordo com 45% dos médicos, 27% dos enfermeiros, 17% dos ACSs e 28% dos auxiliares/técnicos de enfermagem. Para 27% dos médicos e 38% dos enfermeiros, a programação das ações NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo lv realizadas pela sua equipe de saúde da família é mensal. Para 43% dos ACS e 30% dos auxiliares/técnicos de enfermagem, a mesma programação é semanal. Os integrantes da equipe básica são os profissionais que participam mais regularmente da programação das ações da Estratégia Saúde da Família. Na pesquisa de 2002 também se observou diversidade quanto à periodicidade da programação das atividades da equipe. Para 31% dos profissionais de nível superior e 19% dos ACS, não haveria regularidade. Para 30% dos profissionais de nível superior, 53% dos ACS e 48% dos auxiliares de enfermagem, a programação de atividades era discutida pela equipe semanalmente; 18% dos profissionais de nível superior e 17% dos ACS informaram periodicidade mensal. Em 2002, a maioria absoluta dos profissionais de nível superior e médio também considerou os membros da equipe mínima da Saúde da Família como os principais responsáveis pela elaboração da programação das atividades. Os dados do SIAB pela equipe SF, segundo os profissionais entrevistados, são remetidos mensalmente à Secretaria Municipal de Saúde (55% dos médicos, 70% dos enfermeiros e 48% dos auxiliares/técnicos de enfermagem) e discutidos entre a equipe (46% dos médicos e 70% enfermeiros). Entre os enfermeiros, 67% afirmaram ainda utilizar os dados para análise e tomada de decisão. Contudo, 29% dos médicos não souberam informar sobre sua utilização pela equipe. Entre os ACS, o uso do SIAB pela equipe parece estar voltado para análise e tomada de decisões (64%), mas os dados também são discutidos com a coordenação do PSF por 34% dos ACS e, segundo 45% deles, são remetidos mensalmente para a Secretaria Municipal de Saúde. Quarenta por cento dos auxiliares/técnicos de enfermagem não souberam informar acerca dos usos dos dados do SIAB pela equipe. Na pesquisa de 2002, as respostas foram semelhantes: os dados do SIAB eram utilizados pela maior parte dos profissionais para remeter mensalmente à Secretaria Municipal de Saúde (97% dos profissionais de nível superior, 86% dos ACSs e 48% dos auxiliares de enfermagem ) e para análise e tomada de decisões (51% dos profissionais de nível superior, 45% dos ACS e 19% dos auxiliares de enfermagem). Vale ressaltar que pouco menos da metade (42%) dos auxiliares de enfermagem não souberam informar os usos do SIAB pela equipe. Aracaju lvi PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Solicitou-se aos ACS e aos auxiliares/técnicos de enfermagem que indicassem a frequência com que utilizam instrumentos para facilitar o seu processo de trabalho. O cadastro das famílias (95% dos ACS e 58% dos auxiliares/técnicos de enfermagem) e a programação semanal (79% dos ACS e 62% dos auxiliares/técnicos de enfermagem) foram as opções citadas como de uso mais frequente. Os relatórios consolidados de informações do SIAB foram citados por 77% dos ACS e a reunião de equipe por 57% dos auxiliares/técnicos de enfermagem. Em 2002, os ACS manifestaram forte consenso quanto ao uso muito frequente de instrumentos de organização do trabalho em equipe, tais como cadastro de famílias (93%), programação semanal (62%) e reunião de equipe (52%). Os auxiliares de enfermagem do PSF de Aracaju se dividiam entre indicar um uso muito frequente da programação semanal (68%), do cadastro das famílias (45%), da reunião de equipe (45%) e do mapa da área (45%); 42% indicaram o Plano de Metas e os Relatórios Consolidados de Informações do SIAB. Ações prioritárias da equipe A grande maioria dos médicos (93%), enfermeiros (99%), ACS (95%) e auxiliares/técnicos de enfermagem (93%) informaram estabelecer prioridades no atendimento da população cadastrada por sua equipe. Entre as ações prioritárias mais destacadas pelos profissionais de nível médio e superior estão: o controle da hipertensão (94% dos médicos, 95% dos enfermeiros, 92% dos ACS e 91% dos auxiliares/técnicos de enfermagem) e diabetes (94% dos médicos, 97% dos enfermeiros, 91% dos ACS e 84% dos auxiliares/técnicos de enfermagem), a atenção pré-natal (90% dos médicos, 99% dos enfermeiros, 89% dos ACS e 89% dos auxiliares/técnicos de enfermagem), a atenção à criança (81% dos médicos, 89% dos enfermeiros, 87% dos ACS e 70% dos auxiliares/técnicos de enfermagem), o controle da hanseníase (79% dos médicos, 91% dos enfermeiros, 78% dos ACS e 73% dos auxiliares/técnicos de enfermagem) e tuberculose (77% dos médicos, 91% dos enfermeiros, 84% dos ACS e 79% dos auxiliares/técnicos de enfermagem). Ainda na esfera da saúde da mulher destacaram-se as ações de planejamento familiar (75% dos médicos, 94% dos enfermeiros, 80% dos ACS e 85% dos auxiliares/técnicos de enfermagem), controle do câncer uterino (67% dos médicos, 92% dos enfermeiros, 80% dos ACS e 70% dos auxiliares/técnicos de enfermagem) e atenção ao puerpério NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo lvii (46% dos médicos, 82% dos enfermeiros, 80% dos ACS e 57% dos auxiliares/técnicos de enfermagem). Na pesquisa realizada em 2002, foi consenso entre 96% dos profissionais de nível superior, 97% dos ACSs e 97% dos auxiliares de enfermagem a existência de prioridade de atenção à saúde para os grupos de risco. Entre as ações prioritárias mais destacadas pelos profissionais de nível superior e médio estavam: o controle da hipertensão (93% dos médicos e enfermeiros, 96% dos ACS e 97% dos auxiliares/técnicos de enfermagem) e diabetes (93% dos médicos e enfermeiros, 94% dos ACS e 97% dos auxiliares/técnicos de enfermagem), a atenção pré-natal (93% dos médicos e enfermeiros, 97% dos ACS e 93% dos auxiliares/técnicos de enfermagem), a atenção à criança (91% dos médicos e dos enfermeiros, 87% dos ACS e 97% dos auxiliares/técnicos de enfermagem). Ainda na esfera da saúde da mulher destacaram-se as ações de planejamento familiar (90% dos médicos e enfermeiros, 78% dos ACS e 90% dos auxiliares/técnicos de enfermagem), controle do câncer uterino (87% dos médicos e enfermeiros, 73% dos ACS e 90% dos auxiliares/técnicos de enfermagem) e atenção ao puerpério (87% dos médicos e enfermeiros, 89% dos ACS e 87% dos auxiliares/técnicos de enfermagem). Do mesmo modo, a atenção aos idosos aparecia entre os profissionais de nível superior e médio (88% dos médicos e enfermeiros, 93% dos ACS e 93% dos auxiliares/técnicos de enfermagem). Atividades rotineiras realizadas pelas ESFs Solicitou-se aos profissionais das equipes de saúde da família entrevistados que indicassem a frequência das atividades realizadas semanalmente nos últimos 30 dias. A maioria dos médicos respondeu que são realizadas diariamente atividades de atendimento à demanda espontânea da população (93%), procedimentos de rotina de sua responsabilidade (95%), consulta clínica individual para a população cadastrada (88%), atendimento de emergência/urgência (66%) e consulta clínica individual para grupos prioritários (64%). A grande maioria dos médicos realiza visitas domiciliares (98%), uma vez por semana para 88% deles. Uma vez por mês realizam atividades de capacitação continuada (57%) e reuniões com a coordenação/supervisão (48%). Atividades de grupo são realizadas por 45% dos médicos uma vez por semana (30%). Apenas 37% informaram realizar reuniões com a comunidade, dentre os quais 27% o fazem uma vez por mês. Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO lviii A maior parte dos enfermeiros informou realizar todos os dias atendimento à demanda espontânea da população (96%), consulta de enfermagem para a população cadastrada (92%), procedimentos de rotina de sua responsabilidade (85%), supervisão do trabalho dos auxiliares de enfermagem e agentes comunitários de saúde (69%) e consulta de enfermagem para grupos prioritários (58%). Realizam uma vez por semana visita domiciliar (88%) e reunião de equipe (42%). Reuniões com a comunidade são realizadas uma vez ao mês por 46% dos enfermeiros e reuniões com a coordenação/supervisão por 53%. Atividades de grupo são realizadas pela maior parte dos enfermeiros (73%), concentrando-se em uma vez por mês (38%). Todos os enfermeiros realizam visitas domiciliares (100%), uma vez por semana para 88% deles. Reuniões com a comunidade são feitas por 61% dos enfermeiros: 46% deles fazem-nas uma vez por mês. As respostas dos ACS foram bastante diversificadas. Cerca da metade informou realizar todos os dias as seguintes atividades: visita domiciliar (55%), trabalho de campo desenvolvendo atividades dirigidas para as famílias (48%), identificação das famílias de risco (47%), informação sobre alimentação saudável (46%) e prevenção do câncer do colo de útero (45%). A reunião de equipe foi informada por 39% dos ACS como realizada uma vez por semana. O acompanhamento a gestantes (60%), o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil (59%) e as reuniões com a coordenação/supervisão (49%) são realizados uma vez por mês pela metade ou mais dos ACS. As visitas domiciliares são realizadas por todos os ACS (100%), com frequência concentrando-se em todos os dias (55%), uma a três vezes por semana (15%) e uma vez por mês (21%). Setenta e nove por cento dos ACS informaram realizar trabalho de campo desenvolvendo atividades dirigidas para a comunidade em geral, 36% realizam todos os dias e 21% uma vez por mês. Cerca de 71% dos ACS realizam levantamento das necessidades da população na área de saneamento básico e meio ambiente, entre eles 17% o fazem todos os dias e 40% uma vez por mês. A organização de grupos de usuários é realizada por 68% dos ACS, 39% deles uma vez por mês. A grande maioria dos auxiliares/técnicos de enfermagem afirmou desenvolver todos os dias atividades de aplicação de injeção (91%), inalação (88%), aplicação de vacinas (83%), curativos (80%) e agendamento de consultas na própria USF (62%). As reuniões com a coordenação/supervisão acontecem uma vez por mês (47%) e as NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo lix reuniões de equipe não são realizadas para 37% dos auxiliares/técnicos de enfermagem. A maior parte informou que realiza visitas e procedimentos nos domicílios (95%), concentrando-se em uma vez por semana (28%) ou todos os dias (32%). Desenvolvem atividades de campo dirigidas à comunidade em geral 52% dos auxiliares/técnicos de enfermagem, tendo 16% afirmado realizá-las uma vez por mês e 13% diariamente. Apenas 27% dos auxiliares/técnicos organizam grupos de usuários, e entre eles 10% afirmaram que o fazem uma vez por mês. Destaca-se a baixa frequência de atividades de educação continuada para os profissionais de nível médio: mais da metade dos auxiliares/técnicos de enfermagem (68%) e 43% dos ACS não participaram de atividades de capacitação continuada nos 30 dias anteriores à pesquisa. Na pesquisa anterior, em 2002, fez-se essa pergunta de maneira diferente, dividida em duas partes. A primeira solicitava que o entrevistado assinalasse as atividades desenvolvidas pela ESF para a população cadastrada e a segunda pretendia organizar a semana típica do profissional solicitando que este registrasse as atividades assinaladas de acordo com os turnos e dias da semana. De acordo com os dados de 2002, 100% profissionais de nível superior consideraram a visita domiciliar a principal atividade desenvolvida pela ESF para a população cadastrada. Seguiam-se outras atividades desenvolvidas pela maioria dos entrevistados, como reuniões de equipe (97%), consulta clínica individual/consulta de enfermagem para a população cadastrada (96%), atendimento à demanda espontânea da população (94%), ações de educação em saúde (91%), consulta clínica individual/consulta odontológica/consulta de enfermagem para grupos prioritários (85%), supervisão do trabalho dos auxiliares de enfermagem e agentes comunitários de saúde (85%), reunião com a coordenação/supervisão (84%), reunião com a comunidade (79%), outras atividades programáticas com grupos prioritários (78%) e atividades de grupo com pacientes em atendimento na USF (76%). Em menor proporção foram informadas atividades administrativas/gerenciais (67%), atividades de capacitação (54%); atendimento de emergência/urgência (49%), contatos com outros órgãos governamentais e entidades (27%), pequenas cirurgias ambulatoriais (8%) e partos domiciliares (5%). Em 2002, os ACS realizavam com frequência visitas domiciliares (99,5%), seguidas por atividades de atualização de cadastro das famílias (97%), busca ativa e Aracaju lx PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO acompanhamento de grupos prioritários (93%) e identificação de famílias de risco (93%). Como atividades de campo dirigidas à comunidade também foram destacadas as ações de educação e vigilância à saúde (67%). A organização de grupos de usuários recebeu menor atenção dos ACS em Aracaju em 2002 (35%). A participação em reunião de equipe foi identificada como relevante (72%). A participação em reuniões com a coordenação/supervisão foi percebida por 48% e apenas 35% afirmaram que preenchem rotineiramente formulários de informações do SIAB. As atividades assistenciais voltadas para o indivíduo eram realizadas pelos ACS em menores proporções: atenção ao puerpério (84%), acompanhamento de consultas médicas e de enfermagem (70%) e o agendamento de exames e encaminhamentos necessários (66%). Em 2002, as atividades dos auxiliares de enfermagem foram agrupadas em seis conjuntos. Os procedimentos assistenciais de rotina sob sua responsabilidade incluíam: inalação (100%), aplicação de injeção (100%) e curativos (97%), pesagem de crianças (97%), vacinação (94%), realização de consultas (45%) e atendimento específico em casos de acidentes de trabalho (26%). Um segundo grupo de atividades referia-se a visitas e procedimentos nos domicílios, assinaladas por 100% desses profissionais, seguidos pelo acompanhamento de visitas de médicos e enfermeiros (77%) e de outras atividades assistenciais, como visitas a doentes de urgência (61%). Em terceiro lugar, destacou-se o trabalho de campo em atividades dirigidas à comunidade: ações de educação e vigilância à saúde (45%), levantamento das necessidades da população na área de saneamento e meio ambiente (36%), fornecimento de leite e óleo para desnutridos (19%), e organização de grupos de usuários (16%). Em relação às atividades de administração e gerência, os auxiliares/técnicos de enfermagem destacaram em 2002 o agendamento de consultas na USF (52%), a notificação de doenças de vigilância epidemiológica (52%), o agendamento de exames e encaminhamentos necessários (32%) e o preenchimento de formulários para o SIAB (32%). Entre as atividades de capacitação profissional, 65% deles apontaram a reunião com a coordenação e supervisão. Por fim, a reunião de equipe foi indicada como atividade realizada por 71% dos auxiliares/técnicos em 2002. Visita Domiciliar Todos os ACS de Aracaju realizam visitas domiciliares, e 55% o fazem todos os dias. Cerca de 40% visitam cada família uma vez por mês e 41% mais de uma vez por mês. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo lxi Muitos ACS assinalaram que fazem as visitas domiciliares dependendo da necessidade de cada família, mesmo sem a presença dessa opção no questionário. Embora na descrição de atividades 55% dos ACS tenham mencionado visitas diárias a alguma família, chamou a atenção que 21% indicaram realizar este tipo de atividade apenas uma vez por mês. Entre os auxiliares/técnicos de enfermagem, 78% informaram que realizam visita domiciliar em conjunto com os outros profissionais, entre os quais o ACS é o mais frequente, com 92%. Quando em 2002 indagamos sobre a frequência da visita domiciliar, 57% dos ACS declararam visitar cada família em seu domicílio mais de uma vez ao mês e 38% indicaram visita mensal. Relação equipe/população A maioria dos médicos (75%) e enfermeiros (82%) entrevistados afirmaram que a implantação do PSF mudou a relação entre os serviços e a população. Do mesmo modo, na pesquisa realizada em 2002, 81% dos profissionais de nível superior afirmaram que houve essa mudança. Em 2008, perguntados se a população valoriza a Saúde da Família e os novos procedimentos introduzidos pela Estratégia, os médicos e enfermeiros da ESF informaram que a população valoriza principalmente as visitas domiciliares de médicos e enfermeiros (89%), as ações desenvolvidas através das visitas domiciliares de ACS (75%) e as atividades para acompanhamento de grupos prioritários (67%). Valoriza pouco ou não valoriza as reuniões para discutir programação das ações coletivas (68%) e as reuniões para discutir diagnóstico de saúde da comunidade (61%). O atendimento pela equipe multiprofissional (61%) é considerado pelos médicos como valorizado pela população, contudo, com menor intensidade. Na pesquisa realizada em 2002, a percepção de 73% dos médicos entrevistados em Aracaju foi de que as ações desenvolvidas nas visitas domiciliares, por agentes comunitários de saúde e outros profissionais, eram muito valorizadas pela comunidade. Consideraram também que a população valorizava a realização de grupos de acompanhamento e orientação sobre riscos e promoção da saúde (64%). O atendimento por uma equipe multiprofissional foi apontado por apenas 36% como um procedimento Aracaju lxii PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO muito valorizado e por 52% como não valorizado ou pouco valorizado pela comunidade. Os enfermeiros (82%) também destacaram a valorização da comunidade em relação às ações desenvolvidas por visitas domiciliares. Quase a metade (48%) referiu-se ainda à valorização do atendimento pela equipe e a realização de grupos. As reuniões para discutir diagnóstico e a realização de grupos também foram vistas como pouco valorizadas pela comunidade, sendo citadas por 52% e 41% respectivamente. Em 2008, perguntados sobre a relação da ESF com a população que atendem, a maioria dos médicos (73%) e dos enfermeiros (74%) disse entender que a ESF estabelece vínculos com a população, com base no reconhecimento das famílias, de seus membros individuais e de suas necessidades específicas. Para 55% dos médicos e 67% dos enfermeiros, a relação da ESF com a população atendida melhora da qualidade de vida do cidadão, a partir de um conjunto de orientações sobre promoção da saúde e cuidados com a doença. Trinta e nove por cento dos médicos e 58% dos enfermeiros assinalaram a opção: a relação com a população é cordial e cooperativa. Também em 2002 perguntou-se aos profissionais de nível superior de Aracaju sobre a relação da ESF com a população atendida. Cerca de 70% indicaram que a ESF estabelecia vínculos com base no reconhecimento das famílias, de seus membros individuais e de suas necessidades específicas e 66% responderam que a relação da ESF com a população melhorava a qualidade de vida do cidadão, a partir de um conjunto de orientações sobre promoção da saúde e cuidados com a doença. Cerca de 55% destacaram que a comunidade estabelecia relação cordial e cooperativa na resolução dos problemas. A procura da família para discutir o problema de saúde do usuário é ação costumeira de 69% dos ACS. Já os auxiliares e técnicos de enfermagem disseram que o fazem raramente (40%) ou nunca (27%). Para cerca da metade dos ACS, a condição de morador da comunidade em que atuam interfere principalmente no acesso dos moradores para apresentar queixas e discutir soluções para problemas (53%) e na observação de riscos no ambiente familiar e social (47%). Na pesquisa de 2002, 95% dos ACS responderam que a condição de morador da comunidade favorecia a aceitação de sua presença nos domicílios e 77% responderam NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo lxiii que favorecia uma relação amistosa com as famílias. A facilitação à mobilização frente a problemas ambientais e a necessidade de participação nos CLS (72%), a observação de riscos no ambiente familiar e social (70%), a procura dos moradores para fazer queixas e discutir soluções (69%) e a participação da população nos CLS (69%) também foram respostas positivas da maioria dos entrevistados. Em 2002, entre os aspectos analisados como desvantagens da residência dos ACS na mesma comunidade da população vinculada à ESF, o fator prejudicial mais citado (36%) foi a falta de compreensão dos moradores quando suas solicitações à equipe de saúde da família não eram atendidas; mas 48% dos agentes comunitários de saúde responderam que morar na mesma localidade favorecia essa compreensão. CONHECIMENTO E USO DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA Como indicadores do conhecimento e uso da Estratégia SF pelas famílias foram investigados: o conhecimento espontâneo e estimulado sobre o PSF, o conhecimento da localização da USF, a forma e facilidade de acesso à USF, a experiência de atendimento das famílias e do entrevistado (alguma vez e nos últimos 30 dias), o profissional que prestou o atendimento, local e motivos de atendimento, visita domiciliar por médico ou enfermeiro e o conhecimento do ACS de sua área. Conhecimento do PSF A maioria dos entrevistados (84%) informou ter conhecimento da Estratégia Saúde da Família no município (resposta espontânea 57%, estimulada 27%.). Entre estes, 69% conheciam o local de funcionamento da USF e em sua maioria (96%) consideravam-no de fácil acesso. Entre os que conheciam a Estratégia SF (673), 89% informaram saber que seu domicílio é cadastrado na Unidade de Saúde da Família. Na pesquisa de 2002, 78% dos entrevistados entre as 240 famílias da amostra declararam conhecer o PSF, 94% informaram saber onde o PSF funcionava naquele momento e 95% consideraram que era fácil chegar ao local. Uso da Estratégia Saúde da Família O uso da Estratégia SF foi investigado entre os 673 entrevistados que a conheciam. A maioria (605 famílias, ou 90%) informou que já tivera alguma experiência de atendimento pela Estratégia na unidade ou no domicílio. O atendimento fora feito pelo Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO lxiv agente comunitário de saúde (76%), médico (61%) e enfermeiro (54%). Três por cento das famílias receberam visita domiciliar do médico e/ou enfermeiro da ESF nos últimos 30 dias. Na pesquisa de 2002, das 240 famílias entrevistadas, 100% informaram que um ou mais membros já tinham recebido atendimento na USF ou por profissionais das ESFs, exceto o ACS. Atendimento do próprio entrevistado pela ESF nos últimos 30 dias Nos 30 dias anteriores à pesquisa, 31% dos entrevistados foram atendidos por profissional da ESF. Destes, 48% foram atendidos pelo médico, 36% pelo enfermeiro e 33% pelo ACS. O atendimento foi realizado na unidade de saúde (70%). Principais motivos do atendimento: o entrevistado sentiu-se mal (29%), visita domiciliar de rotina da equipe (21%) e continuidade ao tratamento de doença crônica (hipertensão/diabéticos) (18%). Na pesquisa de 2002, em 73% das 240 famílias já atendidas na USF algum membro tinha entrado em contato com profissional da ESF (46% com médico e 29% com ACS) nos 30 dias anteriores à pesquisa. Os motivos de contato mais citados foram: ficou doente ou sentiu-se mal (38%), visita domiciliar de rotina da equipe de Saúde da Família (23%); e continuidade ao tratamento (18%). Conhecimento do Agente Comunitário de Saúde O agente comunitário de saúde de sua área de moradia era conhecido por 91% das 605 famílias com experiência de atendimento pela Estratégia Saúde da Família. Na pesquisa de 2002, 98% dos entrevistados conheciam o ACS da área em que residiam. POSIÇÃO DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA NA REDE ASSISTENCIAL A posição da Estratégia SF na rede assistencial é discutida a partir da análise da constituição da ESF/USF como porta de entrada preferencial ao sistema de saúde e serviço de procura regular e por meio dos mecanismos de atendimento à demanda espontânea. Pressupõe-se que a existência de uma porta de entrada preferencial com garantia de cuidado a cada nova necessidade de atenção à saúde facilita a constituição de vínculos e NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo lxv a continuidade da atenção. E que o atendimento das diversas demandas da população – programadas ou espontâneas – para ações de prevenção, tratamento e acompanhamento facilita a constituição da USF como serviço de procura regular. Porta de entrada preferencial ao sistema de saúde segundo gestores Em Aracaju, a porta de entrada do sistema de saúde municipal é a atenção básica. Organizado por regiões de saúde, o município dispõe em cada bairro de uma UBS de referência para a população definida, que se constitui no primeiro serviço procurado quando necessário. Embora haja um esforço no sentido de fortalecer as unidades de saúde da família como ordenadoras do cuidado no sistema de saúde municipal, é frequente a procura direta da população às emergências dos hospitais. Na visão do secretário municipal de saúde, são várias as portas de entrada que possibilitam o acesso ao sistema de saúde municipal, tais como a rede de atenção básica, a rede de urgência e emergência e os serviços de saúde mental, com papel preponderante do sistema de regulação neste processo. Além disto, Aracaju é referência para média e alta complexidade para outros municípios do estado de Sergipe, os quais acessam os serviços especializados a partir da referência municipal. Os gerentes de unidades de saúde da família consideram que os usuários cadastrados procuram primeiro a USF quando estão doentes. Em alguns relatos verificou-se que mesmo em situações em que caberia a procura direta ao serviço de emergência é comum o usuário procurar primeiro a USF. Estratégias de atendimento à demanda espontânea A principal estratégia para atendimento à demanda espontânea é o acolhimento, realizado diariamente na unidade de saúde. Cada unidade tem uma forma própria de organização do acolhimento. Em algumas unidades, o acolhimento ocorre nas duas primeiras horas da manhã, período em que a atividade fica sob a responsabilidade do enfermeiro. A partir deste horário o auxiliar de enfermagem assume a atividade. Em outras unidades o acolhimento é organizado por ESF e cada usuário é atendido no acolhimento realizado pela equipe à qual está vinculado. Aracaju lxvi PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Para articular a demanda espontânea e a programada as equipes procuram deixar uma margem de folga na agenda das atividades programadas, a fim de responder com maior presteza aos casos identificados no acolhimento. Na avaliação dos profissionais de saúde, prevalece, de modo geral, a percepção da demanda espontânea como ação inerente ao processo de trabalho nas USF. Contudo, nota-se uma possível tensão causada por este tipo de demanda às características do trabalho desenvolvido pelas ESFs. Médicos (93%) e enfermeiros (83%) consideram que a população apresenta uma forte demanda por atendimento médico, pressionando a ESF para o atendimento da demanda espontânea. Na pesquisa realizada pelo NUPES em 2002 (NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002), 82% dos médicos e 71% dos enfermeiros tinham esta mesma percepção. Médicos (96%) e auxiliares de enfermagem (82%) não concordam que o PSF atenda apenas com agendamento prévio, mas 39% dos ACS concordam com esta afirmativa. Para 48% dos médicos, 62% dos enfermeiros e auxiliares de enfermagem e 81% dos ACS, o PSF cumpre na prática as funções de pronto atendimento. Entre os ACS 60% consideram que a população resiste às ações das ESFs (Tabela D1a). Avaliação dos profissionais quanto à posição da Estratégia na rede assistencial No período inicial de implantação da Estratégia SF em Aracaju, o enfoque central da política de saúde no município era promover o acesso universal com equidade e integralidade aos serviços de saúde. Em 1998, a implantação do PSF fazia parte do processo de ampliação da rede de serviços de saúde e suas diretrizes foram concebidas como estratégias para melhorar a resolutividade e o acesso aos serviços (NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002). Na primeira fase de implantação o programa foi concebido como experiência piloto, a partir da qual constituíram-se as primeiras ESFs em áreas periféricas da cidade com concentração de população de baixa renda, insuficiência de serviços de saúde e de equipamentos coletivos em geral. Em 2002, o grupo gestor tinha como perspectiva implantar novo modelo de atenção no sistema de saúde municipal, de forma a superar o enfoque seletivo do PSF e desta forma se aproximar dos princípios do SUS, especialmente com relação à universalização do acesso aos serviços de saúde (NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002). NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo lxvii A pesquisa de 2002 revelou que os profissionais de saúde, em especial os de nível superior (73% dos médicos e 59% dos enfermeiros) já consideravam que o PSF havia ampliado o acesso de populações que historicamente se mantinham à margem do sistema de saúde. Esta percepção se mantém, alcançando maior adesão dos enfermeiros, como se confere no atual estudo. Para a maior parte dos profissionais entrevistados, a USF é acessível a toda a população cadastrada (79% dos médicos, 83% dos enfermeiros, 75% dos auxiliares de enfermagem e 88% dos ACS) e o PSF ampliou o acesso de novas parcelas da população aos serviços de saúde no município (84% dos médicos, 99% enfermeiros e 91% dos ACS). Contudo, os profissionais se dividem quanto à afirmação de que o PSF atende com exclusividade a população cadastrada. Para 76% dos ACS esta afirmativa é verdadeira, mas não o é para 66% dos médicos e 51% dos auxiliares de enfermagem. (Tabela D1b) Para 66% dos médicos, 62% dos enfermeiros, 65% dos auxiliares de enfermagem e 71% dos ACS, o PSF concentra-se em áreas pobres e periféricas no município, contrapondose em certa medida ao discurso dos gestores da saúde de que a Estratégia Saúde da Família é o modelo organizador de toda a rede de atenção básica em Aracaju. Nota-se também que há insatisfação dos profissionais com o número de pessoas sob responsabilidade das ESFs. Mais da metade dos profissionais entrevistados concordam que o PSF atrai as populações dos bairros vizinhos, o que sobrecarrega o atendimento (55% dos médicos, 53% dos enfermeiros, 66%dos auxiliares de enfermagem e 66% dos ACS). Os médicos (86%) e os enfermeiros (74%) consideram inadequado o número de famílias sob responsabilidade de uma ESF. Este tipo de insatisfação já era considerado por 15% dos médicos e 18% dos enfermeiros, em 2002, como um fator negativo de sua prática no PSF. Com relação à utilização dos serviços prestados nas USFs, 75% dos ACS consideram elevado o tempo médio entre o agendamento de consultas e o atendimento. Divergem dos ACS, entretanto, 79% dos médicos, 80% dos enfermeiros e 63% dos auxiliares de enfermagem, que discordam que o tempo de espera nas USFs seja elevado. Os dados da pesquisa demonstram um relativo consenso entre os profissionais de saúde em torno do entendimento de que as USFs têm se constituído como porta de entrada do sistema de saúde municipal. No estudo de 2002, médicos (70%) e enfermeiros (79%) consideraram que a USF tornara-se a porta de entrada. Esta percepção é compartilhada Aracaju lxviii PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO pela maior parte dos profissionais da Estratégia SF, como mostram os resultados do presente estudo. Para a maior parte dos profissionais entrevistados, o PSF vem substituindo as unidades básicas tradicionais de saúde no atendimento da população (79% dos médicos, 91% dos enfermeiros, 79% dos auxiliares de enfermagem e 93% dos ACS); a população procura primeiro a Unidade de Saúde da Família quando necessita de atendimento de saúde (91% dos médicos, 94% dos enfermeiros, 82% dos auxiliares de enfermagem e 97% dos ACS); e com o PSF a população atendida procura menos os serviços hospitalares e especializados (73% dos médicos, 79% dos enfermeiros, 70% dos auxiliares de enfermagem e 85% dos ACS). Contudo, 65% dos ACS concordam que a população procura primeiro a rede hospitalar ou de unidades tradicionais de saúde. (Tabela D1c) No tocante à integralidade das ações realizadas pelas ESF, os profissionais concordam que as ações do PSF ocorrem de forma articulada aos programas de saúde existentes (91% dos médicos, 100% dos enfermeiros, 93% dos auxiliares de enfermagem e 97% dos ACS). Serviço de procura regular das famílias A pesquisa procurou identificar a percepção da população cadastrada às USF sobre os atributos de porta de entrada e fonte de atenção contínua. As entrevistas com as famílias cadastradas por ESF identificaram aspectos positivos com relação à posição da estratégia SF na rede de serviços do sistema de saúde de Aracaju. Os serviços de atenção primária têm se configurado como importante fonte de cuidado regular no município. Das famílias cadastradas por ESF, 76% declararam que costumam procurar o mesmo serviço para assistência ou prevenção de saúde. (Tabela D10). Este percentual é bem próximo do valor estimado na PNAD 2003, em que 79% da população brasileira dispõem de um serviço de procura regular1 Agregando as respostas posto ou centro de saúde e unidade ou equipe de saúde da família do SUS, pode-se inferir que 70% das famílias cadastradas procuraram as UBS como fonte de cuidado para assistência ou prevenção (Tabela D11). Este valor é 1 Um resumo dos dados da PNAD 2003 sobre acesso e utilização dos serviços de saúde no Brasil pode ser verificado site do IBGE, no seguinte endereço eletrônico: http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_impressao.php?id_noticia=370 NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo lxix superior ao encontrado na PNAD, em que o posto de saúde foi a modalidade de serviço de saúde mais citada por 52% dos entrevistados. Procura de serviços nos casos de adoecimento nos últimos 30 dias Das famílias cadastradas que foram entrevistadas, 70% informaram não ter havido nenhum caso de adoecimento em sua família nos últimos 30 dias (Tabela D3). Dentre os que adoeceram nos 30 dias que antecederam a entrevista, 73% referiram ter procurado um serviço de saúde (Tabela D6). Entre as pessoas que procuraram atendimento no serviço de saúde quando adoeceram, 81% foram atendidas no primeiro serviço de saúde procurado e 15% no segundo (Tabela D8, D9). No estudo realizado em 2002, dentre os que adoeceram nos 30 dias anteriores à entrevista, 81% procuraram um serviço de saúde. Quando perguntados sobre o número de vezes que procuraram um profissional ou serviço para receber atendimento, 93% responderam ter sido atendidos no primeiro serviço procurado, 5% procuraram dois serviços e 2% procuraram três serviços. Entre os que procuraram atendimento, 61% foram atendidos por uma equipe de saúde da família. Em 2008, 41% dos que adoeceram foram atendidos nas UBS, que em Aracaju funcionam sob a lógica da Estratégia SF. Agregando a este percentual o atendimento em ambulatório do hospital público, pronto-socorro ou emergência e SAMU, pode-se inferir que 75% das pessoas que adoeceram acessaram e utilizaram o serviço de saúde do SUS (Tabela D7). Iniciativas das famílias em caso de doença Em Aracaju, a prática de procurar um serviço de saúde diante de mal-estar ou adoecimento corresponde ao comportamento de 70% das famílias entrevistadas, sendo que 28% procuraram diretamente a emergência hospitalar e 42% procuraram um outro serviço de saúde (Tabela D1). Nos finais de semana a principal iniciativa também é a de procurar os serviços de saúde em caso de adoecimento. O mais procurado é o pronto-socorro ou emergência do SUS, por 55% das famílias entrevistadas; 13% referiram procurar pronto-socorro ou emergência do setor privado (Tabela D2). Em síntese, pode-se dizer que, do ponto de vista da gestão, o sistema de saúde de Aracaju tem avançado na concepção da atenção primária como serviço de primeiro Aracaju lxx PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO contato e porta de entrada em uma rede integrada de serviços de saúde, com forte representação para os profissionais de saúde. Da mesma forma, a Estratégia SF tem se configurado para as famílias como espaço importante de atenção regular, quer para prevenção, quer para atenção médica, mesmo que o recurso aos serviços de emergência ainda seja alternativa frequente. COORDENAÇÃO DOS CUIDADOS A coordenação dos cuidados tem sido destacada internacionalmente como aspecto fundamental para a organização de sistemas integrais de saúde, sendo identificada como estratégia capaz tanto de garantir a continuidade da atenção quanto de otimizar o uso dos recursos em saúde. Na pesquisa, buscou-se conhecer as concepções e estratégias desenvolvidas pelos municípios estudados para implantação da coordenação dos cuidados, bem como a avaliação dos profissionais das ESFs sobre tais estratégias. Em Aracaju, embora o gestor municipal e demais gerentes da SMS tenham sido unânimes em apontar que a coordenação dos cuidados configura um tema constante no debate da política municipal de saúde, foi possível observar certa falta de informação por parte de alguns entrevistados sobre a temática. A percepção de que a Atenção Básica teria o papel de coordenação do cuidado dentro do sistema de saúde foi identificada pela coordenadora da AB, que ao mesmo tempo reconheceu dificuldades enfrentadas para que algumas ESFs se comprometam com a responsabilidade pela atenção prestada. Em certo sentido, a perspectiva de que a coordenação do cuidado está presente no debate da política municipal de saúde pode ser confirmada pela avaliação positiva dos profissionais de nível superior das ESFs a respeito do papel destas na função de porta de entrada e de coordenação na política local. Cerca 73% dos médicos e 79% dos enfermeiros concordaram ou concordaram muito que está especificado na política local o papel das ESFs nessa função. A coordenação do cuidado pelas enfermeiras das ESFs também foi positivamente avaliada pelos profissionais de nível superior: 80% dos médicos e 98% dos enfermeiros referiram concordar e concordar muito que as enfermeiras estão ativamente envolvidas no processo de coordenação dos cuidados. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo lxxi Por outro lado, a existência, no organograma da SMS de Aracaju, de uma coordenação da gestão do cuidado, é indicativa da prioridade da temática da coordenação do cuidado na gestão municipal de saúde. Há que se considerar, no entanto, que houve alterações importantes no quadro de pessoal do nível central da SMS em 2006, com a saída de uma parcela de gestores e gerentes para atuar na SES de Sergipe. Solicitou-se ao conjunto de gestores/gerentes entrevistados suas opiniões sobre os grupos populacionais mais afetados por uma inadequada coordenação do cuidado, a partir de uma lista. As respostas foram quase unânimes ao apontar que os idosos seriam os grupos mais afetados, ainda que alguns dos gerentes identificassem que todos os grupos populacionais que demandam atenção continuada (entre eles crianças, gestantes, portadores de doenças crônicas e doentes graves) seriam os mais afetados por uma inadequada coordenação dos cuidados. Em relação às estratégias de coordenação adotadas pelo município, a adoção das linhas de cuidado aparece como uma proposta implantada. De acordo com os gestores entrevistados, as linhas de cuidado foram adotadas a partir da construção da interface entre os programas que fazem a gestão do cuidado e da AB, média e alta complexidade, e têm a preocupação de organizar a trajetória do usuário na rede de serviços de saúde. A definição do perfil assistencial das unidades de saúde foi apontada como aspecto importante e condição necessária para a adoção das linhas de cuidado, e a integração entre os níveis do sistema foi destacada como um desafio permanente que a gestão municipal da saúde tem buscado enfrentar. No momento de realização da pesquisa de campo, o município não trabalhava com gestão de casos, tendo sido referida a sua interrupção no ano de 2006, quando da saída de técnicos e gerentes da SMS para a SES. O município tem protocolos implantados para todos os programas e todos os grupos populacionais considerados vulneráveis do ponto de vista sanitário. O processo de construção dos protocolos contou com a participação dos gerentes e profissionais de saúde envolvidos com cada área. Os protocolos são acompanhados de manuais explicativos para os profissionais da ponta dos serviços, que são submetidos a processo de capacitação para uso dos mesmos. Quase todos os gerentes entrevistados destacaram a rotatividade dos profissionais como um entrave ao processo de capacitação e, consequentemente, ao uso dos protocolos implantados. Aracaju lxxii PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Aracaju não dispõe de prontuários informatizados. O cartão SUS seria o instrumento de informatização dos prontuários, mas sua implantação no município encontrou resistência por parte dos profissionais que atuam na ponta em registrar as informações sobre a atenção prestada. Os gestores apontaram o TAS – Terminal de Atendimento ao SUS – como exemplo do processo de informatização da saúde no município, tendo sido Aracaju escolhido pelo Ministério da Saúde como um dos municípios pioneiros na sua implantação. No entanto, problemas de ordem tecnológica e de manutenção dos equipamentos foram relatados pelos gestores, além do fato de que as informações contidas no TAS são ainda limitadas ao registro das últimas consultas, medicamentos utilizados e exames solicitados. A disponibilidade de informações e a continuidade informacional entre os níveis do sistema também têm sido destacadas na literatura como estratégias fundamentais para a garantia da coordenação dos cuidados. Por isso, a pesquisa buscou conhecer como se dá o registro e o fluxo das informações produzidas pelas ESF. A maioria dos médicos das ESFs (63%) informou não haver normas para transferência de informações sobre pacientes entre os níveis de atenção, contrastando com o percentual de 62% dos enfermeiros que confirmaram sua existência. A forma predominante de organização dos prontuários de saúde é por família, como atestaram 71% dos médicos e enfermeiros, sendo a organização por família e por indivíduo indicada por quase ¼ (23%) dos profissionais. O prontuário de saúde é o principal instrumento de registro das ações desenvolvidas pelas ESF, haja vista que 99% dos médicos e enfermeiros relataram utilizá-lo sempre ou na maioria das vezes para fazer anotações sobre a saúde do usuário após cada consulta. Entre os auxiliares/técnicos de enfermagem, esse percentual foi de 83%. Já 17% dos ACS utilizam os prontuários de saúde para relatar as ações desenvolvidas, sendo as anotações para uso pessoal a forma preponderante de registro (62%). Ademais, os prontuários médicos estão sempre ou quase sempre disponíveis para uso do profissional durante o exame do usuário, como atestaram 91% dos médicos e enfermeiros das ESFs de Aracaju. A maioria de médicos (77%) e quase todos os enfermeiros (99%) declararam que sempre ou na maioria das vezes fornecem informações por escrito aos serviços referidos NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo lxxiii quando há encaminhamento dos pacientes. No entanto, quando se trata de recebimento de informações escritas a respeito dos resultados das consultas referidas a especialistas, a avaliação foi negativa: 93% dos profissionais de nível superior das ESFs informaram que isso poucas vezes ou nunca acontece. Ambas as categorias avaliaram positivamente a questão do agendamento da consulta de retorno. A maioria dos médicos e enfermeiros (79% cada) afirmou que sempre ou na maioria das vezes o agendamento é feito diretamente pela unidade e posteriormente avisado ao usuário. As opiniões dos profissionais de nível superior das ESFs sobre a procura das famílias pelos profissionais para discutir o problema de saúde do usuário foram, em geral, positivas: metade dos médicos e 71% dos enfermeiros relataram que os profissionais procuram a família para discutir o problema de saúde do usuário sempre e na maioria das vezes. Há que se considerar, contudo, que para 41% dos médicos essa ação poucas vezes se realiza. A supervisão periódica para revisar a necessidade de referência aos outros níveis de atenção é feita poucas vezes ou nunca de acordo com 71% dos médicos e 75% dos enfermeiros das ESFs. Quando perguntados se em seu município é permitido aos médicos do PSF acompanhar seu paciente durante a internação, 54% dos médicos e 42% dos enfermeiros discordaram ou discordaram muito, indicando uma avaliação negativa desse processo; 32% dos enfermeiros não souberam informar. De forma semelhante, ao responderem se os profissionais do PSF desfrutam do mesmo nível de reconhecimento profissional que os especialistas, a maioria dos médicos (77%) e enfermeiros (71%) das ESFs discordaram ou discordaram muito. Em síntese, pode-se afirmar que em Aracaju, o tema da coordenação do cuidado tem sido recorrente no debate da política municipal. A existência de uma coordenação da gestão do cuidado, diretamente vinculada ao secretário municipal de saúde, expressa a centralidade da questão na agenda municipal e um esforço de institucionalidade desse processo. Todavia, a saída de parte do corpo técnico e gerencial da SMS para a SES-SE, em 2006, representou uma certa “quebra” do processo que estava em curso. No caso da Aracaju lxxiv PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO coordenação do cuidado, foi possível observar, inclusive, que alguns gerentes desconheciam essa temática. A integração entre os níveis de assistência foi o aspecto mais comumente associado à questão da coordenação do cuidado e apontada frequentemente como um desafio que o município tem buscado enfrentar. A Estratégia Saúde da Família aparece como responsável, em tese, pela coordenação dos cuidados, mas reconhece-se que há dificuldades para que esse papel seja assumido, de fato, por algumas equipes. Em relação às estratégias de coordenação, o município adota as linhas de cuidado como possibilidade de interface entre os níveis de atenção e os programas implantados, e conta com o processo de definição do perfil das unidades assistenciais que compõem o sistema local de saúde. O município também dispõe de protocolos implantados para todos os programas e todos os grupos vulneráveis. Esses protocolos são construídos a partir de um processo de discussão com os profissionais dos serviços de saúde e contam com manuais destinados aos que serão capacitados a usá-los. A rotatividade dos profissionais das ESFs foi apontada, no entanto, como um limite ao processo de capacitação e, consequentemente, ao uso dos protocolos. A forma predominante de organização dos prontuários é por família, sendo também frequente a organização por família e indivíduo. O prontuário é o principal instrumento de registro do atendimento prestado pelo conjunto de profissionais das ESFs, exceto os ACS. Contudo, os prontuários não se encontram informatizados, limitando o alcance da continuidade informacional. O cartão SUS e o TAS, implantados no município, foram apontados como estratégias de informatização, porém avaliados como limitados, seja pela resistência dos profissionais em preencher os instrumentos (sobretudo o cartão SUS), seja pelos problemas de ordem tecnológica e o custo de manutenção dos equipamentos ou ainda pela própria limitação dos campos a serem preenchidos no TAS. INTEGRAÇÃO DA ESTRATÉGIA SF À REDE ASSISTENCIAL Em Aracaju a primeira habilitação do sistema de saúde na condição de gestão plena da Atenção Básica conforme Norma Operacional Básica dos SUS (NOB/96) ocorreu em 1998, mesmo ano de início da implantação da Estratégia Saúde da Família e do NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo lxxv Programa de Agentes Comunitários de Saúde. Em 2001 a SMS assumiu a gestão plena do sistema municipal, responsabilizando-se pela média complexidade e gradativamente pelos serviços de alta complexidade. A principal estrutura de regulação da SMS está composta pelo Núcleo de Controle, Avaliação, Auditoria e Regulação (NUCAAR). Entretanto, o município ainda não é responsável pela regulação de leitos e internações, embora seja gestor pleno do sistema, o que representa importante entrave à oferta de atenção integral e definição de fluxos formais. Acesso à atenção especializada É consenso entre gestores, médicos e enfermeiros das equipes de saúde da família que o percurso mais comum para acesso à atenção especializada acontece por encaminhamento dos centros de saúde. Segundo 68% dos 122 profissionais de nível superior entrevistados (56 médicos e 66 enfermeiros), as consultas com especialistas são agendadas pela própria USF: logo após o atendimento na USF (24%)a consulta é agendada por meio do TAS, e, posteriormente, avisada ao usuário por telefone ou pelo ACS (44%). Entretanto, entre usuários que declararam ter consultado um especialista nos últimos 12 meses, somente 39% afirmaram ter sido encaminhados pela equipe de saúde da família (E27). Cerca de um quarto (26%) afirmou que procurou o serviço especializado por conta própria, sem qualquer encaminhamento. Entre as estratégias de integração da rede destaca-se a implantação de sistema informatizado de marcação de consultas e exames especializados descentralizados para os centros de saúde, cuja existência já havia sido relatada desde 2002. O TAS permite a marcação de procedimentos especializados desde os centros de saúde, mas não desempenha funções de regulação, tais como a possibilidade de monitorar filas de espera. Segundo um gerente local, o TAS registra a entrada do paciente no sistema de saúde ao autorizar a marcação de determinado procedimento, mas não possibilita saber, por exemplo, se o usuário realizou a consulta ou o exame, informações fundamentais para o controle e avaliação. Segundo avaliação de gerentes, o TAS também não possibilita a produção de relatórios que permitam monitorar as filas de espera para consultas especializadas por unidade básica. Desta forma, a percepção sobre os tempos de espera é proveniente do controle de cada gerente de UBS sobre os encaminhamentos feitos por médicos e que necessitam de autorização dos reguladores na SMS e dos relatórios produzidos pelo NUCAAR. De Aracaju lxxvi PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO acordo com o gerente responsável pela regulação, o sistema mais adequado às funções de regulação e avaliação disponível no momento seria o SISREG. Ainda assim, a quase totalidade dos médicos e enfermeiros (90%) reconhece a existência de central de marcação de consultas especializadas nas unidades básicas. No caso da rede privada, o ticket gerado pelo TAS é levado pelo usuário diretamente ao prestador, responsável pela definição do dia e horário do exame ou da consulta. Gerentes da SMS informam que estão estabelecidas cotas físicas e financeiras para os prestadores de atenção especializada, mas não para os centros de saúde, mesma situação encontrada em 2002. Para alcançar este objetivo, o município teria que avançar em sua capacidade de regulação. As dificuldades de regulação refletem-se na avaliação dos médicos. Menos da metade (43%) afirmou que na maioria das vezes consegue realizar agendamento para serviços de média complexidade, sendo que nenhum profissional afirmou conseguir sempre. As dificuldades parecem maiores para os serviços de apoio à diagnose e terapia, conforme estes profissionais (38% conseguem geralmente realizar), assim como para os procedimentos de alta complexidade (apenas 13% dos médicos afirmaram conseguir agendamento na maioria das vezes). Gestores ressaltaram, entretanto, diferenças entre especialidades, com maior déficit principalmente para oftalmologia, ortopedia, urologia e otorrinoralingologia. A avaliação dos usuários referenciados para consulta com especialista parece ser mais positiva. Cerca de 60% afirmaram que o intervalo transcorrido entre o encaminhamento pela ESF e a consulta por especialista é de até 30 dias. A percepção dos médicos entrevistados é bastante diferente da dos usuários em relação ao tempo de espera. Apenas 13% afirmaram ser de até um mês. Quase a metade (45%) afirmou ser de três meses e mais a espera para consulta com especialista. As consultas com cardiologista apresentam maior agilidade, sendo realizadas em até um mês segundo 36% dos médicos. A SMS reconhece dificuldades para a oferta de atenção especializada. A contratação de procedimentos da rede privada e a realização de concursos públicos para especialistas têm sido estratégias adotadas, mas nem sempre efetivas. Para algumas especialidades sequer haveria candidatos inscritos. A baixa remuneração da Tabela SUS foi apontada como entrave à garantia de média complexidade. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo lxxvii Entre as famílias entrevistadas, 63% reconhecem que geralmente conseguem resolver seus problemas de saúde no atendimento prestado pela UBS. Contudo, 37% referiram necessidade de procurar um especialista. Entre as famílias que haviam sido atendidas pelo médico da equipe de saúde da família nos últimos 30 dias, o percentual das que relataram necessidade de encaminhamento para outro serviço de saúde ou profissional foi menor – 21%. Aliás, a necessidade de consulta médica com especialista foi o principal motivo de referência realizada pela equipe de SF, segundo famílias atendidas pelo PSF nos 30 dias anteriores ao estudo e que necessitaram de encaminhamento. Destaca-se o alto percentual de entrevistados que declararam ter consultado um especialista nos últimos 12 meses – aproximadamente 50%, sendo os serviços mais utilizados os postos ou centros de Saúde (21%), Policlínica do SUS (15%), e ambulatórios de hospitais públicos (14%). Cerca de 41% procuraram algum tipo de serviços de saúde privado, destacando-se os consultórios particulares (29%). A primeira instância de regulação é o centro de saúde, embora tenha sido avaliado que o município precisa avançar em sua capacidade regulatória como um todo. Foi mencionado que a não utilização dos protocolos clínicos representa grande dificuldade para a integração da rede. Mais da metade dos médicos entrevistados (59%) referiram que sempre e na maioria das vezes utilizam normas e procedimentos para referência e contrarreferência. Entre as famílias, 65% informaram receber informações por escrito quando encaminhadas ao especialista. Segundo avaliação dos gestores, a contrarreferência permanece como um desafio, embora estejam definidos fluxos formais. O especialista deveria registrar todos os procedimentos em formulário gerado na unidade de referência, mas o instrumento raramente é utilizado, o que acabou desmotivando também os profissionais de atenção básica. A avaliação das famílias difere da dos profissionais e gestores, sendo bastante positiva: 50% relataram retornar ao centro de saúde com informações por escrito após consulta com especialista. Entre os médicos apenas 5% relataram receber a contrarreferência sempre e na maioria das vezes após consulta com especialista. Acesso aos serviços de apoio à diagnose e terapia O acesso a serviços de apoio à diagnose e terapia é diferenciado conforme o tipo de exame, com maior facilidade para patologia clínica e maior dificuldade para imagem. Não há postos de coleta de material para exames nos centros de saúde. Quando os usuários necessitam realizar qualquer tipo de exame são encaminhados para os dois Aracaju lxxviii PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Centros de Especialidades Médicas ou os laboratórios conveniados. Apenas 5% das famílias cadastradas relataram coletar material para exames nas UBS, o que provavelmente se refere a material para colpocitopatologia e baciloscopia para tuberculose. A grande maioria (69%) informou que a coleta é realizada em local distante da USF. De acordo com 44% dos médicos e enfermeiros, os exames de patologia clínica são realizados em até três semanas. Cerca de 84% das famílias entrevistadas afirmaram sempre tomar conhecimento do resultado dos exames e 70% sempre conseguem uma consulta de retorno para recebimento e avaliação dos resultados. A regulação e a marcação de exames especializados seguem o mesmo fluxo das consultas. Mais de 90% dos médicos e enfermeiros entrevistados relataram que a equipe de saúde da família pode solicitar diretamente, além dos exames de patologia clínica, uma ampla gama de métodos diagnósticos que incluem bioquímica, sorologia, eletrocardiografia, radiologia simples, mamografia, ultrassonografia obstétrica e clínica. Os exames de alta complexidade, como tomografia computadorizada, ecocardiografia e audiometria, devem ser encaminhados pelo especialista e passam por processo de avaliação e autorização no NUCAAR. Protocolos clínicos, com a relação de exames que devem ser solicitados pelas equipes de SF e especialistas, foram implantados na rede, embora ainda não sejam amplamente utilizados. Ainda assim, 68% dos médicos relataram existência de normas definidas para a solicitação de exames laboratoriais sempre e na maioria das vezes. Exames bastante empregados, como o ultrassom ginecológico, também enfrentam problemas de oferta insuficiente, agravados pela pressão que a população exerce sobre os profissionais para sua solicitação. Segundo gerentes entrevistados, os médicos cederiam à pressão das usuárias e as filas de espera acabam aumentando. De acordo com dados de 2001, os exames de utrassonografia ocupavam o primeiro lugar na fila de espera para aquele ano (Escorel et al. 2002). Foi mencionado também por gestores que a quantidade, considerada excessiva, de referência para exames pela atenção básica pode refletir insegurança do profissional quanto à sua capacidade clínica e também uma certa cultura de valorização de procedimentos diagnósticos de alta complexidade. As dificuldades de acesso se expressam no baixo percentual de médicos das equipes de saúde da família que referiram conseguir realizar agendamento sempre e na maioria das vezes (38%) para a rede de apoio à diagnose e terapia; 59% informaram que poucas vezes e nunca conseguem agendar esse tipo de serviço. O tempo médio de espera para NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo lxxix exames de radiologia e ultrassonografia estimado por 46% dos médicos é de três meses e mais. De acordo com as famílias, 35% dos entrevistados conseguiram realizar todos os exames solicitados pelas equipes de saúde da família e 36% somente alguns exames, o que reafirma problemas de acesso aos serviços de apoio diagnóstico. Ainda assim, entre os entrevistados que apontaram necessidade de fazer exames solicitados nos últimos 12 meses pelo médico da ESF, 86% afirmaram ter conseguido realizá-los. Muito provavelmente, estas respostas referem-se a exames de patologia clínica. Corrobora esta afirmativa o fato de 68% terem informado que foi de até um mês, no máximo, o prazo transcorrido entre a solicitação e a realização de exames. Acesso à atenção hospitalar O município é gestor pleno do sistema, porém não foi referida a existência de central municipal de regulação de leitos e internações. Em Aracaju não foi mencionado o estabelecimento de fluxos formalizados para acesso à atenção hospitalar. Para as internações de urgência e emergência, a busca por vagas na rede hospitalar é realizada com frequência pelos serviços intermediários de pronto-atendimento ou diretamente pelo usuário. No caso de cirurgias eletivas, mecanismos informais são utilizados para garantia de internação. Quando o médico da rede municipal é também profissional de determinado hospital o fluxo é facilitado, pois a agenda é controlada diretamente pelo cirurgião. Caso contrário, o usuário é encaminhado pelo especialista à perícia médica na SMS e entra em uma fila de espera monitorada pelas coordenações (saúde da mulher, do idoso, da criança, entre outras) da SMS, que também se responsabiliza pela busca de vagas nos hospitais. As filas de espera são agravadas pelo déficit de algumas especialidades cirúrgicas, como ginecologia, ortopedia, pediatria e cabeça e pescoço, e pela baixa oferta de leitos de UTI, o que influencia a realização de alguns tipos de cirurgia, comoas de neurologia, informaram os gestores. As dificuldades de acesso à rede hospitalar e a não definição de fluxos refletem-se nos percentuais de médicos (29%) e enfermeiros (47%) das equipes de saúde da família que não souberam informar o tempo médio de espera do usuário encaminhado para cirurgias eletivas. Segundo gestores locais, como não estão estabelecidos fluxos formais e não existe central de regulação de leitos e internações, as filas de espera não são monitoradas de Aracaju lxxx PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO forma sistemática, o que impossibilita também a definição de prioridades clínicas. Avaliação mais positiva foi encontrada em relação à atenção à gestante. Mais da metade de médicos e enfermeiros (68%) relatou que sempre e na maioria das vezes consegue realizar agendamento para a maternidade. Além dos problemas acima, foi mencionado que a falta de conhecimento, tanto por parte de gerentes como de profissionais das USFs, sobre o funcionamento da rede e dos diversos níveis que a compõem, compromete a definição de fluxos. Acesso à urgência e emergência Em relação à atenção hospitalar, para os casos de urgência Aracaju conta com dois pronto-socorros em hospitais municipais e um em uma unidade estadual, além de algumas portas de entrada em hospitais filantrópicos. As unidades de pronto-atendimento não são referência para as regiões de saúde, mas para todo o município, a depender do tipo de encaminhamento. Não há fluxo estabelecido entre unidades básicas e serviços de urgência e emergência. A referência do centro de saúde para o pronto-atendimento acontece por meio do SAMU. As informações sobre o atendimento prestado são buscadas diretamente pelo profissional da atenção básica, ACS ou gerentes de UBS. Nos casos em que o usuário procura o atendimento de urgência por conta própria ou nos finais de semana, as informações são perdidas. Segundo gerentes, a falta de contra-referência para a atenção básica seria o principal problema enfrentado pela rede de urgência e emergência. Por ainda constituírem importante porta de entrada para o sistema de saúde, a ausência de relação com a rede básica vem aumentando o número de casos sem perfil para atendimento de urgência. Também foi relatado que, embora as USFs estejam equipadas para primeiros-socorros com sala de observação, muitos profissionais da atenção básica consideram não serem responsáveis pelo atendimento destes casos, o que aumenta o fluxo para os serviços de pronto-atendimento. Entretanto, foi avaliado pelos gestores que estes casos vêm diminuindo ao longo do tempo em função das capacitações realizadas. Avaliação das equipes quanto à atenção integral prestada pela Estratégia Saúde da Família Médicos e enfermeiros avaliaram o desempenho das equipes de saúde da família no desenvolvimento de uma série de ações consideradas importantes para o alcance de uma NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo lxxxi atenção integral. As mais bem avaliadas referem-se à capacidade da ESF conhecer os principais problemas de saúde da população (92%) e intervir (72%), acolher as demandas (79%), estabelecer vínculos (89%), acompanhar os grupos prioritários (79%), resolver 80% ou mais dos casos atendidos pela equipe de saúde da família (81%) e realizar atividades preventivas individuais (85%). Observa-se que as intervenções avaliadas por mais de 70% dos profissionais como muito satisfatórias e satisfatórias relacionam-se a atividades cuja maior governabilidade encontra-se no âmbito da própria equipe de saúde, sem maiores necessidades de articulação com a rede de serviços. Neste sentido, 76% dos entrevistados consideraram insatisfatório/muito insatisfatório o desempenho da equipe em garantir atendimento especializado, 64% para a realização de exames necessários e 61% em garantir internação. Destaca-se o alto percentual de médicos e enfermeiros (51%) que consideraram insatisfatório/muito insatisfatório o desempenho da equipe em realizar ações educativas. O desenvolvimento das ações acima mencionadas também pode ser otimizado por maior integração entre as ESFs e os programas de saúde coletiva e Vigilância em Saúde. De acordo com os gerentes da SMS de Aracaju, os programas de saúde pública/coletiva foram descentralizados e incorporados às atividades das equipes de saúde da família, tanto em relação aos agravos transmissíveis quanto aos não-transmissíveis, sendo a Vigilância em Saúde responsável pelo monitoramento de indicadores. Relata-se que até mesmo solicitações de atividades educativas encaminhadas diretamente à Vigilância por escolas ou outros órgãos são redirecionadas para os centros de saúde: “a unidade de saúde da família tem que ter esse vínculo com o território. Neste sentido, os fluxos estão bem estabelecidos” (gerente local de Aracaju). Um exemplo exitoso de ação integrada seria a investigação oportuna dos casos de sarampo e rubéola, desenvolvida pelas equipes de saúde da família. Por fim, gestores e gerentes avaliaram que Aracaju necessita de avanços na capacidade regulatória do sistema de saúde como um todo, com a implantação de central de regulação de leitos e cirurgias e sistemas de regulação que permitam monitorar filas de espera e definir prioridades clínicas. Ainda assim, foi destacado que a partir da implantação da Estratégia Saúde da Família observou-se melhor definição dos fluxos e otimização na utilização da atenção especializada. Aracaju lxxxii PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO INTERSETORIALIDADE A construção de uma APS abrangente exige, para além dos atributos relacionados à organização do sistema de serviços de saúde, estratégias intersetoriais capazes de responder aos determinantes mais gerais do processo saúde-doença, que ultrapassam as intervenções específicas em saúde e envolvem a ação coordenada e integrada dos diversos setores responsáveis por políticas públicas econômicas e sociais. Nesse sentido, a pesquisa procurou conhecer as práticas intersetoriais das ESFs tanto no que se refere à articulação com outros setores governamentais e organizações do chamado Terceiro Setor, como às suas ações para incentivar a participação da comunidade. Ademais, a pesquisa identificou as iniciativas da própria SMS para promover a articulação com outros setores de políticas públicas e analisou de que forma os gestores percebem o papel desempenhado pela Estratégia Saúde da Família nesse processo. Sobre esse aspecto, foram realizadas entrevistas com gestores de outras secretarias municipais de Aracaju voltadas à área social, além de gerentes de quatro USFs. O município de Aracaju não possui colegiados intersetoriais de abrangência municipal que reúnam todas as secretarias, instituídos formalmente, e a intersetorialidade não responde a uma modalidade integrada da gestão pública municipal. Apesar disso, são muitas as experiências de articulação intersetorial desenvolvidas no município e que contam com a participação ou a coordenação da SMS. Essas experiências envolvem tanto setores governamentais como não governamentais e são, em geral, eventuais e de caráter pontual. Uma exceção é a ação de controle da dengue, envolvendo a parceria da SMS com as secretarias municipais de limpeza urbana e de obras e caráter permanente. As parcerias com os setores governamentais mais comumente estabelecidas pela SMS são com as secretarias de Educação, de Assistência Social e de Participação Popular, envolvendo projetos diversos. Destaque deve ser dado ao projeto Saúde e Prevenção nas Escolas. Esse projeto conta com um Núcleo Gestor Municipal constituído por representantes das Secretarias Municipais de Educação, Saúde e de Assistência Social, além de representantes do Comitê de Violência Contra a Juventude, criado com a finalidade de executar e acompanhar as ações do projeto. A formação deste Núcleo foi estimulada pelo Núcleo Gestor Estadual do Projeto Saúde e Prevenção. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo lxxxiii Também com organizações não governamentais, há diversas iniciativas conjuntas, com destaque para a parceria entre a SMS e a Igreja Católica, sobretudo através das Pastorais da Criança e da Saúde. No âmbito local, as equipes de Saúde da Família se integram às diferentes redes sociais existentes, construindo parcerias e desenvolvendo ações intersetoriais a partir da realidade de cada território. Essas parcerias locais são comumente desenvolvidas com as escolas, a assistência social e também com a Igreja Católica. As escolas foram reconhecidas por gerentes de USF e também pelos gestores da SME como espaços privilegiados de articulação intersetorial, da mesma forma que os CRAS, foram identificados pelo gestor municipal da Assistência Social como espaço de parceria com as ESF. Os serviços de atenção básica de Aracaju constituem campo de estágio dos formandos de enfermagem, odontologia, psicologia, serviço social e psicologia da Universidade Federal de Sergipe. No momento de realização da pesquisa de campo, discutia-se com a Universidade de Tiradentes (UNIT) a reativação do fórum de discussão Serviço/Academia. Havia previsão de que as USFs recebessem, em 2009, alunos de medicina da UNIT, com acompanhamento de professores e preceptoria de alguns trabalhadores da rede. A pesquisa procurou conhecer aspectos relacionados à abrangência das ações intersetoriais, à dinâmica de funcionamento dessas intervenções e à sua forma de financiamento. O entendimento é que estes aspectos, juntamente com as avaliações e recomendações de gestores e gerentes, permitem reconhecer o grau de institucionalidade das ações intersetoriais desenvolvidas no município. Em termos de abrangência, pode-se considerar que apesar de os gestores entrevistados afirmarem que a intersetorialidade é uma diretriz da gestão municipal, as iniciativas de atuação intersetorial estão relacionadas a projetos específicos e geralmente reúnem determinadas secretarias para acompanhamento das ações. Como esperado em face do caráter específico das intervenções intersetoriais, não existe em Aracaju um corpo técnico de planejamento intersetorial, sendo a dinâmica de funcionamento dessas ações estabelecida de acordo com os objetivos, recursos e setores envolvidos nos projetos. Da mesma forma, não há recursos financeiros alocados para projetos intersetoriais. Em geral, as ações desenvolvidas contam com os recursos Aracaju lxxxiv PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO disponibilizados pelas Secretarias Municipais envolvidas, como é o caso das ações do projeto Saúde e Prevenção nas Escolas. Do ponto de vista da gestão municipal de Educação, o resultado mais positivo de atuação intersetorial articulada à Saúde é a economia de recursos, com o uso mais eficiente e o conhecimento sobre as ações desenvolvidas por outras secretarias e sobre o próprio território. A comunicação entre a Saúde e a Assistência Social foi o resultado mais positivo de atuação intersetorial articulada à Saúde, na opinião da gestão municipal de Assistência Social. Segundo a gestora, os profissionais dos dois setores já sabem onde buscar os serviços necessários ao atendimento de determinadas demandas das famílias. Já entre os pontos negativos apontados pelos gestores, merecem destaque a alternância de gestores na Saúde, com desconstrução da equipe, a insuficiência de recursos financeiros alocados para essa finalidade, as demandas/obrigações setoriais e a questão da disponibilidade de tempo. Outra dimensão da intersetorialidade que a pesquisa procurou contemplar diz respeito às praticas assistenciais desenvolvidas pelas ESFs. As informações sobre esse aspecto contaram, para além das entrevistas com gestores municipais e gerentes da SMS, com perguntas específicas nos questionários dos inquéritos com os profissionais das equipes e as famílias cadastradas. Procurou-se avaliar, inicialmente, em que medida o conhecimento das condições de saúde da comunidade em que as ESFs atuam interfere nas práticas por elas desenvolvidas. Foi unânime entre os gerentes das quatro USF visitadas a afirmação de que as equipes de saúde da família realizam diagnóstico da comunidade e classificação de riscos, e assim, programam suas ações a partir das necessidades identificadas no território. Contudo, a frequência do diagnóstico e a utilização da informação para programação das atividades são um pouco diferenciadas: em uma unidade, o diagnóstico da comunidade foi realizado, mas não atualizado; em outra unidade, o diagnóstico da comunidade é realizado uma vez por ano pela equipe; na terceira USF, algumas equipes de saúde da família elaboram um perfil epidemiológico da população e planejam suas ações conforme as necessidades percebidas por cada localidade; e na quarta USF o diagnóstico vem sendo feito desde que a primeira equipe de saúde da família foi implantada e o último foi realizado em 2007. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo lxxxv Solicitou-se às famílias cadastradas, que informaram, espontaneamente ou estimuladas, conhecer o PSF, que confirmassem a realização de uma avaliação da situação de saúde ou de um levantamento dos principais problemas de saúde de sua comunidade nos últimos cinco anos. A maioria das famílias respondeu não saber se fora feito algum levantamento (66%), ao passo que somente 9% responderam que o levantamento fora feito e apenas 2% relataram que fora concluído. Não há muita diferença entre os percentuais de 2008 e 2002, ano em que foram um pouco mais positivos: 61% das famílias entrevistadas não sabiam então se havia sido feito algum levantamento da situação de saúde, 22% mencionaram que não fora feito e 17% afirmaram que fora feito; destas, apenas 5% assinalaram que fora concluído. Dentre as 60 famílias que afirmaram ter havido algum levantamento ou avaliação dos problemas de saúde de sua comunidade nos últimos cinco anos, 45% declararam ter participado do processo, contra 55% que não participaram. Em 2002, o percentual de não participação foi de 63%. Mesmo com a existência de alto percentual de famílias que desconheciam se fora feito algum diagnóstico da comunidade, 45% das famílias cadastradas afirmaram que os profissionais das ESFs conhecem os principais problemas da comunidade, contrastando com os 26% que declararam que os profissionais não os conhecem. Chama a atenção o fato de que 29% dos entrevistados não souberam responder a essa questão. Solicitou-se aos profissionais das ESFs foi solicitado que indicassem a frequência com que, durante as consultas, investigam os fatores de risco social ou condições de vida dos usuários. A maior parte dos profissionais de nível superior (81%) declarou que procuram indagar sempre ou na maioria das vezes aos usuários dos serviços sobre suas condições de vida e/ ou fatores de risco social durante a consulta. Entre os ACS, 91% mencionaram sempre perguntar aos usuários sobre suas condições de vida e/ ou fatores de risco social durante o desempenho de suas atividades, enquanto entre os auxiliares/ técnicos de enfermagem essa proporção foi bem inferior (apenas 23%). Outro aspecto importante na avaliação das práticas intersetoriais desenvolvidas pelas ESFs diz respeito ao processo de capacitação dos profissionais para atuar considerando a diversidade sócio-cultural da comunidade. A maioria dos médicos (66%) declarou não ter recebido capacitação específica para esse tipo de intervenção. Esse padrão de respostas difere do encontrado entre os enfermeiros, dos quais 62% afirmaram ter recebido capacitação para atuar considerando a diversidade. Entre os ACS, a maioria Aracaju lxxxvi PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO (63%) indicou ter recebido capacitação com essa finalidade, enquanto entre os auxiliares/ técnicos de enfermagem apenas 35% receberam capacitação específica, contrastando com os 65% que declararam não tê-la recebido. Um terceiro eixo sobre o qual a pesquisa buscou analisar as práticas intersetoriais das ESFs está relacionado às ações conjuntas das ESFs com outras instituições e organizações sociais, identificando a existência e a frequência dos trabalhos conjuntos, os organismos e os setores envolvidos, assim como a participação dos profissionais. Cerca de 79% dos médicos e 53% dos enfermeiros responderam que poucas vezes ou nunca realizam trabalhos em conjunto com outras organizações ou grupos da comunidade na busca de ações intersetoriais. No entanto, 47% dos enfermeiros informaram que sempre ou na maioria das vezes os realizam, sendo essa a categoria profissional com maior proporção de menções de trabalhos intersetoriais. Entre os ACS e auxiliares/ técnicos de enfermagem, também a maioria respondeu que poucas vezes ou nunca realizam trabalhos em conjunto com outras organizações ou grupos da comunidade (76% e 75%, respectivamente), o que revela a ainda incipiente articulação intersetorial no âmbito das ESFs. A participação dos profissionais das ESFs em atividades voltadas para solução/ encaminhamento de problemas da comunidade junto a outros órgãos públicos ou entidades da sociedade varia entre as categorias profissionais: 30% dos médicos afirmaram participar desse tipo de atividade, enquanto entre os enfermeiros esse percentual foi bem maior: 53%. Entre os ACS, o percentual foi de 51%, enquanto entre os auxiliares/ técnicos de enfermagem a participação foi declarada por apenas 1/3 deles. Dentre os principais órgãos públicos ou entidades da sociedade com os quais a ESF realiza atividades, as mais citadas pelos profissionais entrevistados foram: a escola, os serviços de saneamento básico e a moradia/ urbanismo, confirmando, em certa medida, a articulação entre as áreas de Saúde e Educação mencionada pelos gestores. Cabe destacar que alguns desses serviços estão relacionados aos principais problemas de saúde da comunidade identificados pelas famílias cadastradas: a falta de segurança/ violência (56%) e a ausência de áreas de lazer – praças, jardim, quadras (20%). Também merecem destaque a falta de pavimentação de ruas (17%), a ausência ou insuficiência de esgoto (17%) e a falta de serviços de saúde e qualidade do atendimento (14%). Em 2002, a carência de equipamentos urbanos foi o principal problema NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo lxxxvii identificado pelas famílias, com 34% das menções, seguido da falta de segurança (27%), a ausência ou insuficiência de esgotamento sanitário (26%) e a falta de serviços de saúde e qualidade do atendimento (25%). Outro eixo relacionado à intersetorialidade que a pesquisa buscou enfocar diz respeito à participação social, entendida como um requisito e, ao mesmo tempo, expressão da ação comunitária e da intersetorialidade desenvolvida pela Estratégia Saúde da Família. O foco recaiu na perspectiva de gestores, profissionais e famílias cadastradas sobre a participação da comunidade na definição e acompanhamento das ações intersetoriais desenvolvidas pelo município. Ao mesmo tempo, buscou-se conhecer a participação dos próprios profissionais das ESFs em fóruns colegiados de políticas de saúde e, sobretudo, nos conselhos locais. O pressuposto é que profissionais de saúde participativos têm preocupações mais gerais e tendem a desempenhar ações comunitárias com mais frequência. Ao mesmo tempo, a existência e o funcionamento do Conselho Local de Saúde tende a viabilizar a participação social e fomentar a discussão de problemas no território. O grau de controle e participação social em Aracaju é considerado pelos diversos gestores como muito elevado e uma prioridade da gestão municipal. Foi criada no município uma Secretaria Extraordinária de Participação Popular e instituídos na cidade, como espaços intersetoriais, diversos Conselhos Municipais – de Segurança Alimentar, de Assistência Social e de Orçamento Participativo. O processo de Orçamento Participativo é a principal experiência de participação da população na construção das políticas públicas no município. Nesse processo, as demandas da comunidade são recebidas pelos gestores em dois espaços de discussão diferentes: 1) nas plenárias, espaço no qual qualquer cidadão pode apresentar sua reivindicação; e 2) nos fóruns de delegados eleitos, representantes dos bairros. As demandas apresentadas diretamente pelo cidadão são posteriormente discutidas nos fóruns de delegados e nas reuniões de secretários, até serem transformadas em plano de investimento conduzido pelo prefeito. O Conselho Municipal do Orçamento Participativo se reúne mensalmente e tem o poder de acompanhar a execução/andamento das demandas populares. Além do orçamento participativo, o município de Aracaju criou outro ‘canal’ para acolher as demandas mais urgentes da população, o SOS – Solicitação de Ordem de Serviços. Através desta, a população encaminha, por telefone ou presencialmente, suas Aracaju lxxxviii PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO demandas, e elas são direcionadas aos setores responsáveis para resolução dos problemas. Por outro lado, os Conselhos Locais de Saúde são exemplos de participação pró-ativa da comunidade, indicados pelo conjunto dos gestores municipais. Vistos como espaços de discussão da política de saúde no nível local, os CLS são avaliados como locais onde a população participa de forma efetiva na definição das prioridades e no acompanhamento das ações. Entre as ESFs pesquisadas houve confirmação da existência e funcionamento dos CLS: a grande maioria dos profissionais (91% dos médicos, 99% dos enfermeiros, 95% dos ACS e 92% dos auxiliares/ técnicos de enfermagem) afirmou a existência desses fóruns. Em 2002, também todas as categorias profissionais confirmaram sua existência, sendo a confirmação unânime entre os enfermeiros (100%). A participação dos profissionais nos CLS é, em geral, elevada: a maioria dos médicos (80%), enfermeiros (89%) e auxiliares/técnicos de enfermagem (78%) declarou participar, como membro efetivo, desse Conselho. Em 2002, embora a participação dos profissionais de nível superior (médicos, 76% e enfermeiros, 79%) nos CLS também tenha sido maior que a dos outros profissionais, o percentual foi menor do que em 2008. Entre os ACS, 61% declararam participar ocasionalmente do CLS e 22% afirmaram participar sempre, enquanto outros 17% declararam nunca participar. Em 2002, os ACS dividiam-se em dois grupos: um que participava sempre ou ocasionalmente do CLS (54%) e outro que nunca participara (42%). Já entre as famílias cadastradas, a participação nos CLS é baixa. A maioria (88%) declarou não conhecê-lo; entre as famílias que declaram conhecê-lo, 84% afirmaram não participar, o que corresponde a menos de 3% do total de famílias entrevistadas. Da mesma forma, em 2002, a maioria das famílias cadastradas (75%) afirmou não conhecer o Conselho Local de Saúde, enquanto 25% asseguraram conhecê-lo. Entre os respondentes que declararam conhecer o CLS, 90% afirmaram não participar e apenas 10% responderam que participavam sempre e quase sempre, demonstrando que este quadro de participação das famílias cadastradas não mudou muito em 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo lxxxix Em relação ao Conselho Municipal de Saúde, a participação da população também é restrita: 69% das famílias cadastradas informaram não conhecer ou sequer ter ouvido falar do Conselho Municipal de Saúde. Dentre os 32% que afirmaram conhecê-lo, cinco respondentes mencionaram participar desse fórum. Em 2002, ao contrário, a maior parte das famílias cadastradas entrevistadas (55%) afirmou conhecer o Conselho Municipal de Saúde, embora entre essas somente 2% declarassem participar do colegiado. A participação dos profissionais das ESFs em fóruns coletivos de formulação de políticas também apresentou baixos índices: a maioria em todas as categorias declarou não participar de nenhum fórum dessa natureza. A menor participação foi declarada pelos médicos (88% não participam), e pelos auxiliares/ técnicos de enfermagem (87% não participam), enquanto a maior participação foi dos enfermeiros (33% afirmaram participar). Dentre os fóruns mencionados, os que apresentaram os maiores índices de participação dos profissionais das ESFs foram: para os médicos, a Conferência Municipal de Saúde e o Conselho Municipal de Saúde (quatro menções cada fórum); entre os enfermeiros, a Conferência Municipal de Saúde (17 menções), seguida do Conselho Municipal de Saúde (sete); entre os ACS, os fóruns mais assinalados foram o Conselho Municipal de Saúde (22 menções) e a Conferência Municipal de Saúde (19). Somente sete auxiliares de enfermagem declararam participar do Conselho Municipal de Saúde, dois da Conferência Municipal de Saúde e um de fóruns intersetoriais. Nas questões colocadas aos profissionais das ESFs sobre as ações comunitárias no âmbito da Estratégia Saúde da Família, foi possível observar que, em geral, as avaliações apontaram para uma diversidade de situações, provavelmente conforme as distintas localidades/ comunidades. O grau de participação das lideranças comunitárias no levantamento de informações sobre as condições de vida e saúde da comunidade foi avaliado como fraco ou inexistente por 54% dos médicos e 61% dos enfermeiros, mas 14% e 26%, respectivamente, consideraram-na forte. Entre os ACS, 43% consideraram fraca e 19% forte a participação das lideranças comunitárias, enquanto entre os auxiliares de enfermagem os percentuais foram de 40% (participação fraca) e 18% (forte). Aracaju xc PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Em 2002, o percentual de auxiliares de enfermagem que consideraram forte a presença das lideranças comunitárias no levantamento do diagnóstico foi maior (58%) que em 2008, e o percentual dos que a consideraram fraca foi um pouco menor (10%). Também em relação à frequência de iniciativas conjuntas das equipes e da população voltadas para o desenvolvimento comunitário, as respostas foram divididas: enquanto 61% dos médicos, 65% dos enfermeiros, 48% dos auxiliares de enfermagem e 51% dos ACS (57%) declararam que essas iniciativas ocorrem poucas vezes ou nunca, outros 21% dos médicos, 30% dos enfermeiros, 30% dos auxiliares de enfermagem e 39% dos ACS (57%) declararam que elas ocorrem sempre ou na maioria das vezes. Perguntou-se às famílias cadastradas a frequência da participação dos membros familiares em reuniões ou atividades comunitárias e/ ou coletivas. A grande maioria dos entrevistados (acima de 89%) declarou não participar de nenhum dos grupos/ organizações listados, à exceção dos grupos religiosos, com participação rotineira mencionada por 40% dos respondentes. Em 2002, foi perguntado quantos moradores participavam de grupos e organizações comunitárias, tais como associações de moradores, ajuda mútua, associações esportivas ou culturais, partidos políticos, cooperativas e grupos de saúde. A grande maioria (acima de 94%) afirmou que não participava. Também naquele momento a exceção verificada foi a participação em grupos religiosos, pois 30% dos moradores os frequentavam. Os resultados da pesquisa demonstram que há um amplo conjunto de intervenções intersetoriais em Aracaju envolvendo a parceria da SMS com instituições governamentais e não governamentais. Essas iniciativas são, em geral, eventuais e de caráter pontual, estando vinculadas a projetos específicos. Uma exceção é o programa de controle da dengue, que tem abrangência municipal, envolve diversas secretarias municipais e é de caráter permanente. Algumas iniciativas intersetoriais, como as relacionadas a programas e projetos de abrangência estadual ou federal, são incentivadas pelos outros níveis de governo. Exemplos dessa linha são o projeto Saúde e Prevenção na Escola, impulsionado pela coordenação estadual do projeto, e as ações relacionadas ao Programa Bolsa Família, cujo desenho institucional prevê ações intersetoriais para acompanhamento das chamadas condicionalidades. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo xci Embora os gestores entrevistados tenham declarado que a intersetorialidade é uma diretriz da gestão municipal, inexistem em Aracaju fóruns intersetoriais de abrangência municipal. Tampouco existem instâncias em âmbito central responsáveis pelo planejamento das ações intersetoriais ou recursos financeiros alocados para esse fim. As ESFs são, de acordo com os gestores entrevistados, parcerias importantes no âmbito local para o desenvolvimento de ações intersetoriais. Todavia, o conjunto de respostas dos profissionais das ESFs acerca de questões relacionadas às práticas assistenciais demonstra que o desenvolvimento de ações intersetoriais não é ainda uma rotina no âmbito da Saúde da Família, mas antes passa por iniciativas pontuais de algumas ESFs. No caso da participação social, é forçoso reconhecer o grau de conhecimento e participação dos profissionais nos fóruns coletivos de discussão da política de saúde municipal, especialmente os Conselhos Locais de Saúde, a respeito dos quais boa parte dos profissionais das ESF informou não só conhecer como também participar, seja como membros ativos, seja com participação eventual. Já do ponto de vista das famílias cadastradas, a participação social é bastante frágil, seja pelo baixo índice de famílias que declararam conhecer e participar dos fóruns coletivos da saúde municipal, seja pela pouca participação das lideranças comunitárias no levantamento de informações sobre as condições de vida e saúde da comunidade, ainda que esses índices sejam maiores do que os encontrados em outros municípios estudados. As iniciativas conjuntas entre as equipes e a população voltadas para o desenvolvimento comunitário apresentam diferenças entre as ESFs, sendo frequentes em algumas localidades e menos habitual em outras, o que permite corroborar a dependência das ações intersetoriais de iniciativas locais das ESFs e dos outros setores, carecendo de uma política municipal. ACOMPANHAMENTO DAS FAMÍLIAS E DOS GRUPOS PRIORITÁRIOS NA EXPERIÊNCIA DAS FAMÍLIAS Para examinar o acompanhamento das famílias cadastradas pela Estratégia SF foram investigados o conhecimento e a avaliação das famílias sobre o Agente Comunitário de Saúde (ACS), em particular sobre as visitas domiciliares e atividades em grupo; e foi analisado o acompanhamento de condições de saúde e situações de vida selecionadas – Aracaju xcii PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO portadores de hipertensão arterial, diabetes, idosos e doentes permanentemente acamados, gestantes e crianças até dois anos de idade. Acompanhamento das famílias pelos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) Entre as 800 famílias pesquisadas em Aracaju, 550 (69%) informaram conhecer o Agente Comunitário de Saúde (ACS) responsável por sua área de moradia. Entre as 605 famílias com experiência de atendimento pela Estratégia SF, esse número significa que 91% conheciam o ACS de sua área. Já haviam sido atendidas ou visitadas pelo ACS 528 famílias, isto é, 66% do total das famílias pesquisadas, e 96% dos entrevistados que afirmaram conhecer o ACS. A avaliação sobre o acompanhamento realizado pelos ACS foi feita apenas pelos informantes que já tinham a experiência de atendimento ou visita (528). Um pouco menos da metade (48%) informou que o ACS de sua área de moradia visita o domicílio no mínimo uma vez por mês. No entanto, 20% dos entrevistados informaram não receber visitas do ACS regularmente, totalizando cerca de 34% das famílias entrevistadas quando somadas àquelas que relataram visitas domiciliares em período superior a dois meses ou que não souberam informar. Nas visitas domiciliares os ACS devem realizar diversas atividades. Umas são orientações gerais como, por exemplo, sobre comportamentos saudáveis ou condições de saúde dos moradores. Outras estão relacionadas a grupos populacionais específicos, como crianças, gestantes e idosos. Foram pesquisadas 14 atividades dos ACS durante as visitas domiciliares, cinco das quais consideradas como orientações gerais e as demais relacionadas a grupos específicos: saúde infantil (3), portadores de doenças crônicas (1), gestantes (1), idosos (1) e moradores que precisaram de assistência de saúde (3). Os 528 entrevistados que informaram ter sido atendidos ou visitados pelo ACS da área de moradia assinalaram que, nos últimos 12 meses, os agentes realizaram os seguintes tipos de cuidados de ordem geral durante a visita (em ordem decrescente): para 90% das famílias, forneceram orientações sobre prevenção da dengue; para 70%, perguntaram sobre problemas de saúde dos moradores; para 53%, deram orientações sobre comportamentos saudáveis; e para 44%, falaram sobre a saúde da mulher. No entanto, em menos de um terço dos domicílios (30%) visitados pelos ACS nos últimos 12 meses NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo xciii foram dadas orientações sobre prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DST) e Aids. Entre as 418 famílias com integrante que precisou de assistência médica, 40% receberam do ACS alguma informação relativa ao encaminhamento para serviços de saúde e 45% foram lembrados pelo ACS da data de consultas marcadas para algum membro da família. O acompanhamento dos portadores de doenças crônicas como hipertensão e diabetes foi realizado pelos ACS em 62% das visitas nos últimos 12 meses em domicílios com integrantes portadores dessas patologias (253). Em 66% dos domicílios com crianças (236) os ACS verificaram o cartão de vacinação; em 58%, deram orientações sobre cuidados de saúde infantil; e em 53%, realizaram o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento das crianças. Cerca de 46% das famílias com idosos (213) receberam dos ACS orientações sobre como cuidá-los. Somente um terço (38%) das famílias com gestantes (89) informaram que os ACS realizaram o encaminhamento ao pré-natal durante as visitas domiciliares. Menos de um quarto dos entrevistados relatou ter sido (ou alguém de sua família) convidado pelo ACS, nos últimos 12 meses, a participar de atividades em grupo: 111 famílias, 21% das 528 atendidas ou visitadas pelo ACS de sua área de moradia, e apenas 14% do total de famílias pesquisadas. Entre as atividades de grupo mais frequentes para as quais as 111 famílias foram convidadas pelo ACS estavam as relacionadas a: hipertensos (52%), diabéticos (22%), caminhadas e exercícios físicos (12%), terceira idade (10%), gestantes (10%) e doenças como a dengue, câncer e reumatismo (4%). Comparação 2002 e 2008 do acompanhamento pelo ACS Em 2002, a pesquisa coletou em Aracaju informações de 1.085 moradores integrantes de 240 famílias selecionadas, entre a população cadastrada do PSF, em processo composto por três etapas, das quais a primeira foi intencional e as demais utilizaram procedimentos aleatórios simples (sorteio). Em 2008, a pesquisa abrangeu 3.078 integrantes de uma amostra representativa de 800 famílias. Considerando-se essas diferenças das amostras nos dois momentos, é possível identificar que em 2008 é menor o número de famílias que informou conhecer o ACS responsável por sua área de moradia e também o das que receberam a visita domiciliar. Aracaju xciv PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Além da diferença entre as amostras de famílias pesquisadas em 2002 e 2008, as perguntas sobre as atividades realizadas pelos ACS nas visitas domiciliares também foram modificadas, sem impedir a comparação entre os dois momentos, excetuando-se o encaminhamento de gestantes ao pré-natal, que, para o cálculo da cobertura assistencial, considerou dois grupos muito diferentes. Em 2008 observa-se o aumento da cobertura em grande parte das atividades realizadas pelos ACS nas visitas domiciliares, excetuando-se as relativas à orientação dos adultos sobre comportamentos saudáveis, saúde da mulher e prevenção das DSTs Os maiores aumentos de cobertura assistencial foram os relacionados às atividades de orientação sobre cuidado de saúde infantil e doenças crônicas. Todavia há que se considerar na comparação as diferentes bases de cálculo para alguns grupos. Portadores de doenças crônicas Entre as 800 famílias cadastradas no PSF entrevistadas em Aracaju, mais da metade informou a existência de portadores de doenças crônicas, sendo as mais frequentes: hipertensão arterial (40%), diabetes (14%), obesidade (7%), doença mental (4%), problemas de alcoolismo (4%), deficiência física (4%). Doenças reumáticas e ortopédicas, cardiovasculares e respiratórias foram mencionadas por 1% a 2% das famílias. Acompanhamento de portadores de hipertensão arterial Em Aracaju, 320 famílias, em torno de 40% das pesquisadas, informaram a existência de um integrante com hipertensão arterial, totalizando 397 hipertensos, ou 13% dos moradores. Cerca de 4% das famílias informaram a existência de hipertensos sem qualquer acompanhamento. Estavam sob acompanhamento de saúde ao redor de 89% dos portadores de hipertensão (352), a maior parte dos quais (63%) pela ESF e 29% em unidades de saúde privadas. Os portadores de hipertensão arterial sob acompanhamento, em qualquer serviço de saúde, na maioria das vezes tinham as consultas marcadas previamente (87%). Apenas 23% eram acompanhados no mínimo uma vez por mês; as demais frequências de atendimento mais comuns eram a cada três meses (33%) e a cada dois meses (23%). Os 222 hipertensos sob acompanhamento pelas ESFs eram atendidos mais frequentemente pelo médico (63%) e pelo enfermeiro (29%). NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo xcv O atendimento foi avaliado apenas pelos informantes hipertensos sob acompanhamento da equipe (192). Ao redor de 44% dos entrevistados com hipertensão relataram receber da ESF orientação individual a cada dois ou três meses e menos de um quarto (20%) informou recebê-la no mínimo uma vez por mês. A maior parte (75%) nunca frequentou grupos de hipertensos coordenados pela ESF e nunca participou de atividades promovidas pela ESF, como caminhadas e terapias ocupacionais (82%). Trinta por cento dos hipertensos entrevistados informaram receber consulta de enfermagem a cada dois ou três meses e cerca de 12% mensalmente. Vale destacar que 35% dos hipertensos acompanhados pela ESF informaram nunca receber consulta de enfermagem. Os remédios são fornecidos para 42% dos hipertensos em atendimento pela ESF a cada dois ou três meses; 44% têm consultas médicas a cada dois ou três meses ou no mínimo uma vez por mês (13%). Verifica-se, portanto, que o acompanhamento realizado pela ESF dos portadores de hipertensão arterial em Aracaju caracteriza-se por: fornecer orientações individuais pelo menos a cada dois ou três meses; fornecer medicamentos e realizar consulta médica também a cada dois ou três meses. Nessa cidade, no caso dos hipertensos, não parecem ser priorizadas a participação em grupos e a realização de atividades de promoção de saúde. Acompanhamento de portadores de diabetes A prevalência de diabetes entre as famílias pesquisadas em Aracaju é muito inferior à da hipertensão arterial: 110 famílias (15% das pesquisadas) confirmaram a existência de um integrante com a doença, totalizando 126 (4%) moradores diabéticos. Oito famílias informaram a existência de diabéticos sem qualquer acompanhamento. Noventa e um por cento dos diabéticos encontravam-se sob acompanhamento de saúde. Dentre os 115 em tratamento, mais da metade (55%) eram acompanhados pela ESF e 34% em unidades de saúde privadas. O acompanhamento dos portadores de diabetes, em qualquer serviço de saúde, era realizado com agendamento das consultas (90%). A maior parte (38%) era atendida a cada três meses, 30% eram acompanhados no mínimo mensalmente e outros 21% em intervalos de dois meses. Os 66 diabéticos sob acompanhamento pela ESF eram atendidos mais frequentemente pelo médico (68%) e pelo enfermeiro (18%). Aracaju xcvi PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO A avaliação do atendimento prestado pela ESF foi realizada apenas pelos informantes sob acompanhamento da equipe (59). A maior parte informou receber da ESF orientações individuais a cada dois ou três meses (34%) e mensalmente (20%). Mais da metade (68%) nunca participou de grupos coordenados pela ESF. Apenas 5% dos diabéticos participavam de atividades de grupo mensalmente. Os medicamentos são fornecidos pela ESF no mínimo uma vez por mês a 27% dos diabéticos entrevistados e a 29% a cada dois ou três meses. As consultas médicas são realizadas a cada dois ou três meses (34%) e em 15% dos casos no mínimo mensalmente. As consultas de enfermagem aos diabéticos entrevistados sob acompanhamento da ESF dividem-se em dois grupos de frequência: 39% nunca receberam esse tipo de consulta e 34% receberam-na no mínimo uma vez por mês (9%) ou a cada dois ou três meses (25%). A maioria (78%) dos entrevistados portadores de diabetes nunca participou de atividades promovidas pela ESF como caminhadas, terapias ocupacionais etc. O acompanhamento pela ESF dos portadores de diabetes em Aracaju concentra-se na oferta a cada dois ou três meses de orientações individuais (54%), consultas médicas (49%) e fornecimento de medicamentos no intervalo de um a três meses (56%). Entretanto, é baixa a obtenção de consultas de enfermagem e a participação dos diabéticos em atividades de grupo e de promoção de saúde. Acompanhamento pré-natal A atividade de acompanhamento pré-natal foi pesquisada entre as 104 mulheres grávidas no momento da pesquisa ou mães de crianças menores de dois anos, integrantes de 102 (13%) das famílias cadastradas pesquisadas em Aracaju. A maioria das gestantes (92%) realizava ou tinha realizado o acompanhamento pré-natal, 92% delas receberam o cartão de acompanhamento e a maior parte (75%) iniciara o acompanhamento no primeiro trimestre. Cerca de 69% das gestantes pesquisadas realizavam ou tinham realizado o pré-natal com a ESF e 15% em unidades de saúde privadas. As consultas eram, em 93% dos casos, previamente marcadas e o acompanhamento era no mínimo mensal (88%). O acompanhamento pré-natal das 66 gestantes atendidas no posto ou USF era ou havia sido realizado pelo enfermeiro (53%) e pelo médico (39%). A avaliação do atendimento prestado pela ESF no acompanhamento pré-natal foi feito apenas por informantes grávidas ou mães de criança menor de dois anos, que NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo xcvii totalizaram 72 entrevistadas. Elas informaram receber orientações individuais no mínimo mensais (64%), consultas médicas a cada dois ou três meses (33%) ou no mínimo mensalmente (29%). As consultas de enfermagem são realizadas com mais frequência no mínimo uma vez por mês (29%) e a cada dois e três meses (28%). Quanto ao recebimento de remédios fornecidos pela ESF, observaram-se dois grupos de frequência: 49% informaram recebê-los, sendo 38% no mínimo uma vez por mês e 11% a cada dois ou três meses, e o outro grupo afirmou nunca (36%) tê-los recebido. A maioria (87%) afirmou nunca ter participado de atividades promovidas pela ESF, como caminhadas, terapias ocupacionais etc, e de atividades de grupo de gestantes orientadas pela ESF (78%). O acompanhamento pré-natal realizado pelas ESFs em Aracaju apresenta frequência mensal maior na orientação individual e no fornecimento de remédios, ao passo que as atividades de atenção à saúde individual, como consulta médica e de enfermagem, dividem-se em intervalos mensais e a cada dois e três meses. No entanto, as gestantes não recebem com frequência atividades coletivas, como grupos de gestantes e outras de promoção à saúde e sociais. Acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil Em apenas 90 das famílias pesquisadas em Aracaju (11%) existiam crianças menores de dois anos, sendo que em 28 (31%) delas não eram acompanhados seu crescimento e desenvolvimento. Mais da metade das 66 crianças com acompanhamento nessa faixa etária eram atendidas no posto ou na Unidade de Saúde da Família (54%), enquanto ao redor de 23% eram atendidas em unidades de saúde particulares. O acompanhamento era realizado em sua maioria com agendamento de consulta (73%) e frequência mínima mensal para 58% das crianças e a cada dois meses para 21% delas. As 36 crianças acompanhadas pela ESF eram atendidas pelo médico (56%) e por enfermeiros (33%). Noventa e cinco por cento das famílias com crianças menores de dois anos com acompanhamento possuíam o cartão de vacinação e de acompanhamento do crescimento e desenvolvimento. Acompanhamento de idosos ou doentes permanentemente acamados Entre as 800 famílias pesquisadas, 46 (6%) informaram a existência de idoso ou doente permanentemente acamado. Entre estas, 22% (10) recebiam atendimento domiciliar Aracaju xcviii PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO realizado por diversos profissionais da equipe de saúde da família: médico (60%), ACS (50%) e enfermeiro (40%). Metade dos idosos e doentes permanentemente acamados acompanhados (50%) recebia atendimento domiciliar com frequência mínima mensal. Conclusões do acompanhamento de grupos prioritários Em Aracaju, mais de 89% e até 100% das situações de vida e condições de saúde pesquisadas são acompanhados por algum serviço ou profissional de saúde. No caso de idosos ou doentes permanentemente acamados, esse percentual é pouco menor que um quarto. As equipes de saúde da família são responsáveis pelo acompanhamento de 54% das crianças menores de dois anos, de 57% dos portadores de diabetes, de 63% dos hipertensos e de 69% das gestantes ou mães de menores de dois anos. O posto ou USF do SUS é o local de acompanhamento ou tratamento de 56% dos diabéticos, 62% dos hipertensos, 64% das crianças até dois anos e 69% das gestantes. Ressalte-se a existência de 45 hipertensos (11%), 11 diabéticos (9%) e 31% das famílias com crianças menores de dois anos sem acompanhamento. Dentre o conjunto de pessoas acompanhadas por determinada condição de saúde ou de vida, os serviços privados (consultório de clínica ou ambulatório de hospital privado e consultório privado) foram assinalados como locais de acompanhamento de 34% dos diabéticos, 29% dos hipertensos, 23% das gestantes e 23% das crianças até dois anos. Para todos os grupos pesquisados – portadores de patologias e em determinadas condições de vida, como gestantes e crianças até dois anos – em 73% dos casos ou mais as consultas são feitas com agendamento prévio. As crianças até dois anos (56%), os hipertensos (63%) e os diabéticos (68%) são acompanhados pelo médico da ESF, enquanto cerca de metade das gestantes são acompanhadas pelo enfermeiro. Em Aracaju, apenas o grupo de gestantes é acompanhado com frequência mínima mensal, por qualquer serviço ou profissional de saúde. Essa frequência é ofertada para 61% das crianças com até dois anos e para menos de um terço dos hipertensos e diabéticos. O acompanhamento pela ESF com frequência mínima mensal é baixo, pois grande parte das atividades realizadas apresenta percentuais em torno de um quarto, como em orientações individuais (19% dos hipertensos e 20% dos diabéticos), em recebimento de NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo xcix medicamentos (21% dos hipertensos e 27% dos diabéticos), nas consultas médicas (13% dos hipertensos e 15% dos diabéticos) e nas consultas de enfermagem (12% dos hipertensos e 8% dos diabéticos). Já o grupo de gestantes apresenta frequência mínima mensal no acompanhamento de saúde (88%) e em orientações individuais (64%), embora estas com percentual menor. As outras atividades com as gestantes, como recebimento de remédios (37%) e consultas médicas e de enfermagem (29% cada) realizadas, embora de frequência mensal maior que a dos outros grupos, apresentam baixos percentuais. Em todas as condições de saúde e de vida pesquisadas é reduzida a oferta de atividades em grupo (entre 3% e 11% dos entrevistados na condição pesquisada afirmaram participar com frequência de até a cada três meses desse tipo de atividade), e atividades de promoção de saúde e sociais (resposta afirmativa de 3 a 4% dos entrevistados na condição pesquisada). COMPARAÇÃO 2002-2008 DO ACOMPANHAMENTO DE GRUPOS PRIORITÁRIOS A comparação entre as informações obtidas em Aracaju nos anos de 2002 e 2008 exige reiterar a diferença da metodologia utilizada para a seleção da amostra: enquanto em 2002 o processo envolveu três fases, a primeira intencional e as duas posteriores com utilização de procedimentos aleatórios simples (sorteio), em 2008 foi pesquisada uma amostra representativa da população da cidade. Portadores de hipertensão arterial O percentual de famílias com hipertensos foi mais elevado em 2008 do que em 2002 (aumento de 31% para 40%). Mas diminuiu (de 20 para 11%) o percentual de famílias com hipertensos sem qualquer acompanhamento. Nos dois momentos, a equipe de saúde da família, incluindo o ACS, foi responsável por acompanhar a maioria dos hipertensos, em percentual semelhante (65% em 2002 e 63% em 2008). Diminuiu levemente o percentual de hipertensos que em qualquer serviço de saúde recebe acompanhamento com frequência mínima mensal e trimestral, verificando-se grande redução no acompanhamento no mínimo uma vez por mês (de 60% para 23%). Mesmo assim, em 2008 é elevado o percentual de hipertensos com acompanhamento no mínimo uma vez a cada três meses (79%). Aracaju c PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Os grupos que responderam às perguntas sobre o acompanhamento realizado pela equipe de saúde da família foram diferentes: em 2002 o informante respondia a todas as perguntas do questionário, enquanto em 2008 elas só eram respondidas se o entrevistado fosse portador da condição de saúde ou de situação de vida com acompanhamento sob avaliação. Portanto, a qualidade da informação em 2008 sobre a assistência à saúde é melhor. Considerando uma frequência mínima da atividade uma vez a cada três meses, e tomando como base as informações obtidas em 2002, verificou-se que em 2008 todas as atividades diminuíram os percentuais – orientações individuais e em grupo, consultas médicas e de enfermagem e fornecimento de medicamentos. O médico da ESF foi assinalado como o profissional que atende com mais frequência aos hipertensos tanto em 2002 quanto em 2008; esse predomínio acentuou-se no período, passando de 46% para 63%. Nas duas pesquisas os enfermeiros foram indicados como os profissionais de atendimento em percentuais similares (ao redor de 30%), mas os acompanhamentos por ACS diminuíram de 22% para menos que 1%. Portadores de diabetes O percentual de famílias com portadores de diabetes aumentou 2% entre 2002 e 2008, passando de 12% para 14% das famílias pesquisadas. Esse aumento pode significar ampliação da assistência à saúde dos diabéticos, em qualquer serviço de saúde, com mais conhecimento e diagnóstico da doença. Contudo, a pesquisa verificou que em 2002 e 2008 7% famílias com portadores de diabetes não recebiam acompanhamento de saúde. O percentual de diabéticos acompanhados pela ESF é similar em 2008 e 2002, cerca de 58%, mas reduziu-se quase pela metade (de 59% para 30%) a frequência mínima mensal de seu acompanhamento em todos os serviços de saúde. Considerando a frequência de acompanhamento uma vez a cada três meses, os percentuais nas duas pesquisas são similares (ao redor de 90%), o que pode sugerir uma mudança na rotina de atendimento dos diabéticos, ampliando o intervalo de tempo entre as consultas. Comparando os dois momentos de pesquisa verifica-se que em 2008 houve redução do percentual de diabéticos acompanhados pela ESF que receberam orientações individuais e em grupo, consultas médicas e de enfermagem e remédios. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo ci Em 2008, o predomínio do médico sobre os outros profissionais da equipe se manteve, além de aumentar de 47% para 68% o percentual de diabéticos atendidos por este profissional. Coerentemente, reduziu-se o percentual de diabéticos atendidos pelo enfermeiro (em 17 pontos) e pelo ACS (em 16 pontos) Acompanhamento pré-natal As diferenças entre os grupos de gestantes pesquisadas em 2002 e 2008 são mais acentuadas e as comparações devem ser ainda mais cautelosas. Em 2002, as informações sobre o acompanhamento pré-natal referiam-se apenas às mulheres grávidas no momento do levantamento e foram fornecidas pelo informante do respectivo domicílio. Já em 2008 a avaliação foi feita apenas pelas entrevistadas que estavam grávidas ou eram mães de crianças menores de dois anos. Dessa forma, neste último momento, aprimorou-se a qualidade da informação, já que ela foi fornecida pela própria mulher que recebia da ESF o acompanhamento pré-natal ou passara pela experiência de recebê-lo nos dois anos anteriores. Como o número de grávidas em 2002 foi muito pequeno (16), a análise percentual pode acentuar os fenômenos, pois, por exemplo, a existência de quatro gestantes sem acompanhamento significou naquele ano que um quarto das grávidas não realizava o pré-natal. O dobro do número de grávidas sem acompanhamento (8) em 2008 representou 8% do universo de gestantes e mães de menores de dois anos. Entretanto, dado que todas as grávidas devem realizar o pré-natal, continua chamando a atenção a existência de gestantes sem acompanhamento. Em 2008, a proporção de gestantes que iniciou o pré-natal no primeiro trimestre aumentou (23 pontos). A cobertura assistencial da ESF no acompanhamento pré-natal aumentou de 58%, em 2002, para 69%, em 2008. Contudo, o percentual de gestantes que, em qualquer serviço de saúde, faz o pré-natal no mínimo uma vez por mês diminuiu de 100% para 88%. Verifica-se, em 2008, a redução de todas as atividades realizadas pela equipe de saúde da família no acompanhamento pré-natal com frequência mínima mensal. A redução foi mais acentuada nas orientações individuais e nas consultas de enfermagem (29 pontos percentuais cada atividade) e nas consultas médicas e no fornecimento de medicamentos (23 pontos cada). Aracaju cii PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Em 2002, as gestantes eram atendidas com mais frequência pelo médico (57%); já em 2008 o enfermeiro (53%) foi responsável pelo atendimento da maior parte das que realizavam acompanhamento pré-natal. Acompanhamento do crescimento e desenvolvimento das crianças até dois anos O universo de famílias pesquisadas com crianças até dois anos diminuiu muito, passando de 32% em 2002 para 11% em 2008. A cobertura assistencial do crescimento e desenvolvimento dessa faixa de idade diminuiu em 2008, período que apresentou um aumento em torno de 9% das famílias com crianças até dois anos sem qualquer acompanhamento. Em 2008, também diminuiu, de 94% para 55%, o número de crianças acompanhadas pela ESF. Esse dado revela que aumentou o acompanhamento das crianças feito por outros serviços que não a Saúde da Família. O acompanhamento do crescimento e desenvolvimento das crianças até dois anos, em qualquer serviço de saúde, diminuiu em 2008 tanto na frequência mínima mensal quanto trimestral. O acompanhamento mensal passou de 91%, em 2002, para 61% das crianças nessa faixa de idade, e a frequência mínima trimestral caiu de 97% para 86% do mesmo grupo. Todavia, o atendimento pela ESF se qualificou, passando de acompanhamento por ACS para profissional de nível superior. O médico, em 2008, passou a ser o profissional da ESF que atende com mais frequência as crianças nos dois primeiros anos de vida. A proporção de crianças nessa faixa etária acompanhadas mais frequentemente por enfermeiros também aumentou, passando de 14% para 33%. Já o papel do ACS nesse acompanhamento foi bastante reduzido, passando de 63% para 6%. Comparação dos acompanhamentos entre 2002 e 2008 Em síntese, com as devidas precauções da análise comparativa entre as pesquisas realizadas em Aracaju em 2002 e 2008, verifica-se que o percentual de famílias com portadores de hipertensão, gestantes e crianças até dois anos sem qualquer acompanhamento diminuiu; a exceção é constituída pelas famílias com diabéticos, que mantiveram o mesmo percentual. No entanto, o percentual de portadores das condições de saúde e situações de vida selecionadas, acompanhados pela equipe de saúde da família, também diminuiu, com exceção do acompanhamento pré-natal. Diminuiu ainda o acompanhamento dos hipertensos e das crianças até dois anos em qualquer serviço de saúde com frequência mínima tanto mensal quanto trimestral. O NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo ciii acompanhamento mensal dos diabéticos, em todos os serviços de saúde, também diminuiu, mas a frequência trimestral permaneceu sem alteração. O acompanhamento pré-natal em qualquer serviço de saúde com frequência mínima mensal também se reduziu. Em 2008, as orientações individuais aos portadores de hipertensão e de diabetes com frequência trimestral diminuíram. Esse tipo de atividade também diminuiu para gestantes com regularidade mínima mensal. Diminuíram igualmente as consultas médicas realizadas pela ESF aos portadores de hipertensão e diabetes no acompanhamento trimestral e às gestantes com frequência mensal. As orientações em grupo, o fornecimento de medicamentos e as consultas de enfermagem trimestrais diminuíram para hipertensos e diabéticos. Para as gestantes, diminuiu a frequência mensal das orientações em grupo e do fornecimento de medicamentos. Considerando as atividades realizadas em 2002, verifica-se que em 2008 o acompanhamento trimestral de portadores de hipertensão arterial e diabetes pelas equipes de saúde da família diminuiu em todas as cinco atividades pesquisadas (orientação individual e em grupo, consultas médicas e de enfermagem e fornecimento de remédios). Da mesma forma, os percentuais das atividades de acompanhamento mensal do pré-natal também diminuíram. O predomínio do médico como profissional da ESF que atende com mais frequência hipertensos, diabéticos e crianças até dois anos acentuou-se em 2008. Já no acompanhamento de gestantes esse percentual diminuiu e o enfermeiro passou a ser o profissional da equipe que as atende com mais frequência. O acompanhamento realizado mais frequentemente por enfermeiros manteve-se na mesma proporção para os hipertensos, mas diminuiu para os diabéticos. No acompanhamento do crescimento e desenvolvimento das crianças até dois anos, a participação do enfermeiro ampliou-se em mais que o dobro em relação a 2002. Em 2008, a proporção de hipertensos, diabéticos e crianças até dois anos acompanhados mais frequentemente por ACS diminuiu. Estes trabalhadores de saúde não foram citados, em 2008, por nenhuma gestante entrevistada como o profissional que as atende com mais frequência, o que indica a qualificação da atenção profissional. Aracaju civ PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO AVALIAÇÃO DAS FAMÍLIAS Para conhecer a avaliação das famílias cadastradas sobre suas experiências de atendimento e a atuação das equipes de saúde da família, investigaram-se aspectos da satisfação dos usuários em cuidado recente (nos últimos 30 dias) e em experiências de atendimento nos últimos 12 meses, em relação a acesso, respeito, resolutividade, disponibilidade de medicamentos e equipamentos, condições de infraestrutura e alguns serviços utilizados. A atuação do ACS de sua área de moradia foi avaliada quanto ao conhecimento dos problemas, relacionamento, comunicação e avaliação geral das visitas domiciliares. Solicitou-se também às famílias que apontassem mudanças percebidas após a implantação da Estratégia SF e comparassem a atuação das ESFs com a dos serviços de saúde anteriormente existentes em seu bairro. Ao final da entrevista solicitou-se que os usuários informassem seu grau de satisfação com a Estratégia SF e opinassem livremente em relação a queixas e aspectos positivos, bem como dessem suas principais sugestões. Avaliação do atendimento do profissional da ESF nos últimos 30 dias Dos cerca de 31% dos entrevistados atendidos nos 30 dias anteriores à pesquisa, a maior parte (83%) já conhecia o profissional de saúde que lhe prestara o último atendimento. A avaliação sobre este foi positiva: o profissional foi considerado atencioso (94%), forneceu informações sobre o estado de saúde do usuário (85%) e demonstrou ter conhecimento para resolver o seu problema de saúde (89%). Avaliação das Famílias sobre o ACS de sua área A maior parte das famílias entrevistadas (91%) conhecia o agente comunitário de saúde da sua área de moradia e avaliou positivamente suas atividades. Entre estas, 69% das famílias opinaram que os ACS conhecem os problemas de saúde da sua família, 60% que os ACS conhecem os problemas de saúde da comunidade, 88% que eles estabelecem um bom relacionamento com as pessoas acompanhadas, 82% que orientam a respeito de cuidados de saúde e 79% disseram que as famílias compreendem tais orientações. As visitas domiciliares foram consideradas um ponto positivo, avaliadas como muito boas ou boas por 74% dos entrevistados que conheciam o ACS. Na pesquisa de 2002, 79% dos entrevistados consideraram que os ACS conheciam os NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo cv problemas de saúde da sua família, 76% que conheciam os problemas de saúde da comunidade, 97% que estabeleciam um bom relacionamento com as pessoas acompanhadas por eles e 90% que eles orientavam a respeito de cuidados de saúde. Avaliação do último atendimento nos últimos 12 meses Solicitou-se a avaliação destas famílias sobre o último atendimento nos 12 meses anteriores no posto/Unidade de Saúde da Família. A grande maioria considerou muito boa ou boa a clareza nas explicações do profissional de saúde e a sua competência e habilidade (90%), o respeito na maneira de receber o usuário e tratá-lo (86%) e a cortesia e carinho do pessoal médico, de enfermagem e administrativo (mais de 80%). Os aspectos pior avaliados foram: o tempo de espera até ser atendido, considerado ruim ou muito ruim por 52% dos entrevistados; 29% avaliaram negativamente a pontualidade dos profissionais, 25% o espaço disponível das salas de espera e de atendimento e 24% a disponibilidade de equipamentos médicos e a preocupação do pessoal da USF com a saúde do entrevistado. Foi apresentada aos entrevistados uma lista de serviços e solicitou-se que aqueles com alguma experiência de atendimento na USF nos últimos 12 meses avaliassem apenas os serviços que já tinham utilizado: mais de 80% consideram bom ou muito bom o atendimento médico (93%), o atendimento de enfermagem (94%), os serviços de vacinação (96%) e o exame preventivo (96%). É ruim ou muito ruim conseguir consulta sem marcar (58% das famílias), conseguir marcar consulta médica (46%), conseguir marcar consulta odontológica (34%) e a recepção (33%). Destaca-se que mais de 60% das famílias informaram não ter utilizado acompanhamento pré-natal (68%), acompanhamento de crescimento e desenvolvimento de crianças na USF e planejamento familiar (61%) e realizado curativo (60%). Avaliação geral da Estratégia Saúde da Família pelas famílias Mais de 50% das famílias entrevistadas se mostraram satisfeitas com a Estratégia Saúde da Família e 28% mais ou menos satisfeitas na pesquisa atual; na realizada em 2002, 79% estavam satisfeitas. Na opinião de mais da metade das famílias, as condições de saúde no bairro (63%) e da família (54%) melhoraram após implantação da Estratégia SF em Aracaju. Na pesquisa Aracaju cvi PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO de 2002 indicaram melhora 80% e 62% das famílias respectivamente. Para um pouco menos da metade, diminuiu a procura por hospitais e especialistas (45%) e serviços de urgência (44%). Em 2002, um pouco mais da metade das famílias entrevistadas (54%) avaliou que com a criação do PSF passara a procurar menos serviços hospitalares e especialistas e serviços de urgência (51%). As 110 famílias cadastradas que disseram ser atendidas com frequência no posto ou centro de saúde do bairro, antes da criação da Unidade de Saúde da Família, fizeram uma avaliação comparativa. Apontaram como melhoras: o conhecimento dos problemas da comunidade (71%), a participação nas atividades do bairro e o conhecimento técnico para resolver os problemas de saúde (67%), as condições de dar bom atendimento (64%) e a facilidade de marcar consultas (61%). Em 2002, em torno de 80% das famílias cadastradas consideraram melhoria nos mesmos aspectos. Solicitou-se às famílias cadastradas com alguma experiência de atendimento que apontassem livremente o que não gostam na Estratégia Saúde da Família. As principais queixas foram a demora no atendimento, com filas de espera (13%), a carência de profissionais (médicos, enfermeiros, pediatras) (12%), os problemas com profissionais de saúde (10%), a demora para exames e retorno (10%), o atendimento da recepção e o acolhimento (7%), sendo necessário falar com muitas pessoas. Destaca-se que 13% indicaram não ter queixas e gostar de tudo. Em 2002, perguntados sobre os aspectos negativos do PSF, 38% das famílias mencionaram não haver nada de que não gostassem. As opiniões desfavoráveis concentraram-se nas dificuldades de acesso ao atendimento e marcação de consultas (20%) e na falta de humanização no atendimento (12%). Quanto ao que agrada às famílias na Estratégia em Aracaju, 32% disseram que os profissionais (especialmente os de enfermagem) são atenciosos e prestam bom atendimento a quem chega; 20% citaram o atendimento do médico como ponto positivo; 10% mencionaram a facilidade de acesso a medicamentos gratuitos; 8% a visita domiciliar; e 7% o trabalho do ACS. Em 2002, os aspectos positivos mais assinalados foram os profissionais de nível superior (25%), o acesso ao atendimento (17%), a marcação de consulta e o encaminhamento (17%) e a humanização do atendimento (17%). NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo cvii Na opinião de 58% (351) das 605 famílias com alguma experiência de atendimento, a Estratégia Saúde da Família deve mudar alguma coisa. Foram sugeridas como mudanças: a contratação de mais médicos e/ou especialistas (17%), a necessidade de maior agilidade no atendimento (9%) e a necessidade de contratação de mais profissionais para as ESF e maior agilidade na realização de exames (7%). Em 2002, 55% das famílias responderam serem necessárias mudanças, principalmente em relação aos profissionais da ESF (51%). Trinta e nove por cento das famílias vê necessidade de a Estratégia Saúde da Família oferecer outras atividades além das já ofertadas. Como sugestões de atividades, 8% citaram promoção da saúde e 7% atendimento especializado, indicando pediatras, ginecologistas e fisioterapeuta. As atividades de promoção da saúde sugeridas foram principalmente as físicas, ginástica e caminhadas. Em 2002, 53% declararam que a USF não deveria oferecer novas atividades. O maior número de sugestões foi referente aos profissionais de nível superior (44%). FATORES FACILITADORES E LIMITANTES DA IMPLEMENTAÇÃO DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA PARA A INTEGRAÇÃO À REDE ASSISTENCIAL, A COORDENAÇÃO DOS CUIDADOS E A ATUAÇÃO INTERSETORIAL A discussão articulada dos resultados da pesquisa desde a perspectiva dos gestores, dos profissionais das ESFs e das famílias permite identificar uma série de fatores limitantes e facilitadores da consolidação da Estratégia Saúde da Família para a formulação de recomendações mais gerais. Alguns desses fatores são listados a seguir. Entre os fatores que facilitam a consolidação da Estratégia Saúde da Família no contexto político-institucional destacam-se: a continuidade de mandatos de gestores municipais engajados no desenvolvimento de políticas públicas de corte social e a prioridade conferida à saúde pelo executivo municipal. O legado institucional conta a favor da implementação da Estratégia Saúde da Família e o processo de aprendizado institucional proporcionado pela experiência na gestão do sistema produz alguns acúmulos institucionais de capacidade gerencial. Aracaju assumiu em 2001 como gestor pleno do sistema de saúde, o que implicou em uma investida importante do município para gerenciar a atenção especializada. Esta condição Aracaju cviii PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO gestora foi determinante para favorecer a integração da APS ao sistema de serviços de saúde no município A implantação com mudança de modelo em centros de saúde pré-existentes implica um momento inicial de certa desorganização da atenção básica, e resistências da população dada a mudança de profissionais como pediatras e ginecologistas. A opção por um processo de reorganização interna dos profissionais dos centros de saúde, com a conformação de equipes ampliadas, pode contribuir para melhorar a resolutividade e atender melhor o conjunto de necessidades da população. Como fator limitante se destaca, no momento da pesquisa, o cenário político e institucional de transição por mudança de gestores da saúde, que provocara desestruturação organizacional e queda no ritmo das ações em curso. O ano de 2007 fora marcado pela reorganização da SMS e a definição de uma nova equipe gestora. A atenção básica de Aracaju está estruturada em uma rede de centros de saúde que se configuram como porta de entrada preferencial do sistema de saúde municipal, concebendo-se a Estratégia Saúde da Família como o ponto de primeiro contato dos usuários na unidade de saúde. A AB é parte integrante e se constitui em uma das cinco redes de atenção que compõem o sistema municipal de saúde (rede básica, psicossocial, urgência e emergência, média e alta complexidade ambulatorial, e rede hospitalar). A rede assistencial em saúde é concebida pelos gestores locais como um conjunto de equipamentos assistenciais ligados entre si por suas características tecnológicas e organizadas a partir de um mesmo projeto assistencial. Nesta concepção, a partir da construção de um sistema ordenado de serviços de saúde, as ações devem ocorrer em uma lógica de redes de atenção interconectadas, com a finalidade de configurar linhas de produção do cuidado, compreendidas como rotas pelas quais o usuário percorre o sistema de saúde a fim de superar suas necessidades. A concepção de modelo assistencial proposto com a implantação de ESFs em centros de saúde que passem por reorganização interna e com reestruturação parcial das UBS, mantendo-se os médicos das especialidades básicas como apoio às ESFs, facilita a constituição da USF como serviço de procura regular. O estabelecimento de ESFs em centros de saúde pré-existentes condiciona certo desconhecimento das famílias quanto à denominação Saúde da Família para a unidade NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo cix básica de saúde com equipes de saúde da família, sendo então a unidade identificada a como posto ou centro de saúde. Integração As estratégias para atendimento à demanda espontânea por meio do acolhimento e do atendimento diário, articuladas às ações programáticas da demanda organizada, facilitam a constituição da USF como serviço de procura regular e porta de entrada preferencial do sistema de saúde, deslocando a procura dos serviços de emergência e da atenção especializada. A articulação da demanda espontânea com a programada se efetiva não apenas pela definição de horários diários de atendimento, mas na realização das ações programáticas (promocionais e preventivas) em cada contato/atendimento de demanda espontânea e no agendamento rotineiro das ações de acompanhamento. Outro fator limitante à integração é a informalidade da relação dos serviços de urgência e emergência (que ainda constituem importante porta de entrada para o sistema de saúde) com a atenção básica, e a ausência de fluxos de contrarreferência, o que dificulta reduzir o número de casos sem perfil para atendimento de urgência. A ausência de contrarreferência para a atenção básica seria o principal problema enfrentado pela rede de urgência e emergência, segundo gestores locais. A articulação com as UPAs para agilizar atendimentos de emergência encaminhados pelas USFs e garantir o retorno ou re-encaminhamento dos usuários das UPAs às suas USFs facilitaria a constituição destas como serviço de procura regular. A disponibilidade de espaço físico adequado ao desenvolvimento de ações específicas dos diversos profissionais e às atividades de grupo incide na qualidade da atenção prestada, na eficiência do uso de recursos, na satisfação dos profissionais com seu trabalho e dos usuários com seu serviço de saúde. A constituição de um gerente de unidade básica – profissional de nível superior com função exclusiva – facilita a organização das ações na USF, a garantia de referências e a ação comunitária. A conformação de unidades básicas com implantação de diversas ESFs e a oferta do conjunto de ações de AB exige a definição de profissional para as funções gerenciais. A inexistência de coleta de material para exames nas USFs dificulta o acesso a exames de patologia clinica. A coleta de material para exames na própria USF contribui para a Aracaju cx PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO percepção de resolutividade pelos usuários e facilita a conformação da USF como serviço de procura regular. Uma inovação da Estratégia SF em Aracaju é a presença do profissional de serviço social no apoio à equipe básica em todas as USFs. Esse profissional apoia na ação comunitária e amplia as possibilidades de acolhimento e resposta da USF às necessidades dos usuários. Nas palavras de uma gestora, ele “em essência” acolhe o usuário da Unidade de Saúde: “Ele abre as portas porque faz valer realmente o direito do usuário, o direito do cidadão. Faz o cidadão exercer a sua cidadania.” A ampliação do acesso a apoio diagnóstico (rede laboratorial) e terapêutico (assistência farmacêutica ampliada), acompanhada de qualificação em competências específicas de núcleo, possibilita aumentar a resolutividade da Atenção Básica, efetivá-la como serviço de procura regular e reduzir a necessidade de referências para a atenção especializada. São aspectos que podem ser dinamizados no município. A informatização do sistema de marcação e regulação de consultas e de exames especializados facilita a integração do sistema, ao possibilitar a marcação on line de procedimentos na própria Unidade de Saúde da Família/centro de saúde. Segundo os gestores, a ferramenta Terminal de Atendimento do SUS (TAS) teria desvantagens em relação ao SISREG (implantado nas outras cidades estudadas), pois não desempenha funções de regulação, como a possibilidade de monitorar filas de espera desde a USF ou de saber se o paciente realizou a consulta. As dificuldades de regulação refletem-se na avaliação dos médicos da SF sobre as possibilidades de agendamento e estimativa de tempos de espera. Menos da metade (43%) afirmou que na maioria das vezes consegue realizar agendamento para serviços de média complexidade. Quase a metade dos médicos (45%) afirmou ser de três meses e mais a espera para a realização de consulta com especialista. Contudo, quando especificadas, percebe-se maior agilidade nas consultas para cardiologia: 36% dos médicos estimaram esperas de até um mês. Comparados aos resultados de 2002, observam-se maiores dificuldades de acesso à atenção especializada percebidas pelos profissionais em 2008. A implementação de tecnologias informacionais que dão suporte à implementação da diretriz de integralidade do cuidado implicam em novas tarefas administrativas de registros e solicitações para os profissionais, o que pode causar resistência, por serem NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo cxi instrumentos que transferem aos profissionais de saúde a responsabilidade direta dos agendamentos e dos encaminhamentos de cada paciente para exames e tratamentos. Nesse sentido, pode ser necessária a criação de incentivos específicos para seu uso e adesão. A disponibilidade e a transferência de informações são fundamentais para a coordenação e a regulação da atenção, o que é reconhecido pelos gestores que vêm informatizando as unidades e implantando prontuários eletrônicos. A introdução de prontuários com acesso on line e registro por diversos profissionais e serviços contribui para aprimorar a qualidade dos registros, bem como a continuidade informacional entre diversos episódios e o acesso do paciente aos vários serviços. Todavia, envolve o estabelecimento de infraestrutura computacional, de redes ágeis e de manutenção adequada e permanente. A qualificação dos profissionais das ESFs por meio de estratégias de educação continuada, com participação de profissionais dos diversos serviços (ESF, atenção especializada, UPAs), contribui para aumentar a credibilidade dos profissionais da APS, para superar relações hierárquicas e o isolamento entre atenção básica e especializada. A construção em conjunto de linhas de cuidado por profissionais da Atenção Básica e especialistas em nível distrital facilita a articulação e a comunicação entre níveis assistenciais, a coordenação dos cuidados e a adesão dos profissionais às diretrizes estabelecidas. A adoção das linhas de cuidado a partir da construção da interface entre os programas que fazem a gestão do cuidado e da AB, média e alta complexidade permitem organizar a trajetória do usuário na rede de serviços de saúde. A definição do perfil assistencial das unidades de saúde foi apontada como aspecto importante e condição necessária para a adoção das linhas de cuidado; e a integração entre os níveis do sistema foi destacada como um desafio permanente que a gestão municipal da saúde tem buscado enfrentar. A adoção de protocolos permite atuação mais efetiva e resolutiva. O município tem protocolos implantados para todos os programas e todos os grupos populacionais considerados vulneráveis do ponto de vista sanitário. O processo de construção dos protocolos contou com a participação dos gerentes e profissionais de saúde de cada área. Os protocolos são acompanhados de manuais explicativos para os profissionais da ponta dos serviços, que são submetidos a processo de capacitação para uso dos mesmos. Quase todos os gerentes entrevistados destacaram a rotatividade dos profissionais como Aracaju cxii PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO um entrave ao processo de capacitação e, consequentemente, ao uso dos protocolos implantados. O tema da coordenação do cuidado tem sido recorrente no debate da política municipal. A existência de uma coordenação da gestão do cuidado, diretamente vinculada ao secretário municipal de saúde, expressa a centralidade da questão na agenda municipal e um esforço de institucionalidade desse processo. A baixa credibilidade e o reconhecimento dos profissionais de atenção primária é um obstáculo à coordenação dos cuidados por esse nível assistencial. Neste sentido, é recomendável desenvolver, em nível local e nacional, estratégias para dar visibilidade ao trabalho e promover a atuação dos profissionais das ESFs. O acesso à atenção especializada seria facilitado pela melhor qualificação das demandas para procedimentos especializados por meio de capacitações específicas, definidas com base no monitoramento dos encaminhamentos realizados pelas ESFs. A coordenação dos cuidados pela ESF nem sempre é reconhecida e carece de maior desenvolvimento. É preciso definir as ações de coordenação como competências e responsabilidades da ESF nos protocolos assistenciais e nas linhas de cuidado. Um fator facilitador identificado em Aracaju é a descentralização das ações dos programas de saúde pública/coletiva para as USFs, com sua incorporação às atividades das equipes de saúde da família, tanto em relação aos agravos transmissíveis quanto aos não-transmissíveis. A utilização dos protocolos clínicos com estabelecimento de fluxos e normas para solicitação de procedimentos e referências facilita a integração da rede. A adesão dos profissionais está, contudo, condicionada por seu envolvimento no processo, desde a elaboração do protocolo, além de capacitação e monitoramento, tanto de profissionais da AB como da atenção especializada. Em Aracaju, os protocolos estão difundidos: mais da metade dos médicos entrevistados (59%) referiram que sempre e na maioria das vezes utilizam normas e procedimentos para referência e contrarreferência. Todavia, na ausência de prontuários informatizados acessados por toda a rede, a contrarreferência permanece como um desafio, ainda que estejam definidos fluxos formais. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo cxiii O município ainda não é responsável pela regulação de leitos e internações, embora seja gestor pleno do sistema, o que representa importante entrave à oferta de atenção integral. A inexistência de central de regulação de leitos e internações e de fluxos formais para internações dificulta o acesso dos pacientes e impede o monitoramento sistemático de filas de espera e a definição de prioridades clínicas. A contratação de procedimentos da rede privada e a realização de concursos públicos para especialistas têm sido estratégias adotadas no município para melhorar o acesso à atenção especializada, mas são todavia insuficientes, dada a escassez relativa de algumas especialidades na região, aliada à baixa atratividade da remuneração oferecida. A oferta insuficiente de serviços públicos próprios e a baixa remuneração da Tabela SUS para parte dos procedimentos dificultam a contratação de serviços em quantidade suficiente e limitam a garantia de serviços de média complexidade. Um importante desafio à integração da rede e à garantia de acesso à atenção especializada é a fragmentação do sistema, decorrente da presença de diferentes prestadores de serviços de saúde municipais, estaduais e privados contratados. As capitais dispõem de serviços especializados estaduais em seu território, que em parte não foram descentralizados e atendem a população de todo o estado. A resistência dos prestadores privados contratados pelo SUS à regulação é um entrave à integração, dificultando a relação e o contato entre profissionais de atenção especializada e primária, bem como o retorno do paciente para acompanhamento longitudinal pela ESF. No contexto de uma rede assistencial organizada, a contratação de serviços privados acarreta a necessidade de construir novas estratégias de regulação, de modo a garantir a contrarreferência e a comunicação entre profissionais dos diversos serviços, sejam eles públicos ou privados. A fragmentação entre as redes assistenciais públicas municipal e estadual instaladas nos territórios das capitais, principalmente nos serviços hospitalares, contribui para a utilização subotimizada da oferta existente (em parte, insuficiente) no atendimento da população do município. Novos mecanismos de articulação, para além da PPI, são necessários para otimizar a integração e a conformação de uma única rede assistencial. A ausência de políticas para a atenção de média complexidade por parte do Ministério da Saúde é reconhecida pelos gestores municipais como uma das grandes dificuldades para garantia de acesso à atenção especializada no SUS. Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO cxiv Recursos humanos Na fase de consolidação da Estratégia Saúde da Família, a qualificação dos profissionais sobressai como desafio de peso para a concretização de atenção básica resolutiva com necessidade de estratégias de desenvolvimento profissional contínuo, que aprimorem/desenvolvam competências técnicas específicas de cada profissão e competências do ‘campo’ da atenção primária para ações coletivas e atuação comunitária. A ausência de cursos de especialização em Saúde da Família impulsionados pelas SMS em parceria com instituições acadêmicas em escala destaca-se como um fator limitante à qualificação e à adequação do perfil profissional para a Estratégia no município. Na gestão de recursos humanos para a atenção primária, a contratação por concurso público é uma estratégia necessária, mas não suficiente, que facilita a fixação de profissionais. A ampliação da possibilidade de vínculo adicional na SMS para plantão em serviços de pronto-atendimento/urgência pelos médicos poderia facilitar a fixação destes (ao proporcionar ganhos salariais e diversificação de ações assistenciais) e melhorar a articulação entre os serviços de emergência e de atenção básica (experiências europeias indicam melhora de atendimento nas emergências com a contratação de especialistas em Medicina de Família e Comunidade). A análise dos resultados da pesquisa no processo de implementação da Estratégia Saúde da Família em Aracaju indica os seguintes pontos, que devem ser valorizados e destacados no que se refere à gestão dos seus recursos humanos. De maneira geral, as informações reunidas em entrevistas com gestores e questionários respondidos pelos profissionais demonstram que a gestão de trabalho das equipes de saúde de família em Aracaju tem buscado equacionar as múltiplas variáveis que influenciam diretamente a dinâmica entre os profissionais e seu trabalho com a comunidade. No entanto, permanece a dificuldade para atração e retenção dos profissionais médicos. Do ponto de vista do perfil dos profissionais, destaca-se a necessidade de ampliar a quantidade daqueles com especialização própria para atuar na Estratégia Saúde da Família e dos que tenham forte identificação com essa proposta. A pouca oferta de formação de médicos dificulta sua vinculação à Estratégia e o fomento e a regulação no NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo cxv campo da graduação possibilitariam maior intervenção da gestão no dinamismo do mercado de trabalho, sobretudo dos médicos. Destaca-se a existência de um quadro permanente de profissionais selecionados através de concurso público com experiência e atuação em SF mais prolongada. O tempo de atuação dos profissionais de nível superior em Aracaju é mais elevado do que nas outras cidades estudadas: 66% atuam há mais de quatro anos. Iniciativas de equiparação salarial entre todos os profissionais de nível superior parecem ser insustentáveis a médio prazo. Se permitem aos profissionais não médicos aferirem salários com valores por vezes acima do mercado (caso de enfermeiros em Aracaju relatado pelos gestores), garantindo sua adesão, o contrário ocorre com os médicos, cuja adesão decresce devido ao rebaixamento dos salários. Em Aracaju, o salário base dessa categoria está próximo ao valor do de enfermeiros e odontólogos. A percepção dos profissionais sobre a rotatividade ainda aponta como principal fator de insatisfação a remuneração, considerada incompatível com as funções que exercem na ESF. Além disso, destacam-se como fatores de insatisfação as condições de trabalho, a exigência da carga horária integral e a baixa oportunidade de progressão profissional. Em especial, a remuneração dos médicos coloca-se como alvo de melhorias para ampliar a atratividade, menos pelo seu valor absoluto e mais pelo seu valor de mercado, considerando a pouca oferta de profissionais na região. Embora a remuneração não seja suficiente para a fixação dos profissionais, seu desenho pouco atrativo pode funcionar como fator repulsor, maximizando as dificuldades para a atração. Destacam-se como fatores facilitadores, entre as estratégias de gestão do trabalho, os processos de supervisão com abordagem pedagógica e o acompanhamento do desempenho dos profissionais e das equipes, permitindo a ponderação sobre o processo de trabalho e a sua revisão. A supervisão é feita pelos gerentes locais e regionais e pelas coordenações dos Programas Saúde da Mulher, Saúde da Criança, Saúde do Adulto e pela Coordenadoria de Gestão do Cuidado. Esta estratégia tem sido exitosa na articulação e integração das atividades específicas dos programas de saúde coletiva pelos profissionais das equipes SF. A qualificação técnica em atenção básica é uma necessidade sentida pelos médicos, que demandam capacitações técnicas e clínicas dirigidas especificamente à categoria com maior frequência. A competência técnica é uma das bases da resolutividade e Aracaju cxvi PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO credibilidade dos profissionais de atenção primária. Uma formação específica contribui para a redução dos encaminhamentos aos especialistas, ao garantir maior segurança aos médicos quanto aos diagnósticos e à terapêutica. Intersetorialidade Os Conselhos Locais de Saúde são espaços coletivos de discussão conjunta da política de saúde no nível local que facilitam o envolvimento dos profissionais na ação comunitária; contudo, a participação da população deveria ser mais incentivada e, nessa ação, os ACS poderiam ser importantes agentes. Os gestores avaliam os CLS em Aracaju como espaços nos quais a população participa de forma efetiva na definição das prioridades e no acompanhamento das ações. A instituição no município de uma Secretaria Extraordinária de Participação Popular e a criação diversos Conselhos Municipais (de Segurança Alimentar, de Assistência Social e de Orçamento Participativo) são facilitadores da participação social, requisito para a atuação intersetorial. O Orçamento Participativo fomenta a participação da população e possibilita a discussão conjunta sobre os problemas da cidade como um todo e o debate global das demandas dos cidadãos de equipamentos públicos, estabelecendo-se prioridades. Há limites na atuação intersetorial das ESFs e a articulação intersetorial deve ser estratégia estruturante da política municipal. A extensão na qual o setor saúde toma a iniciativa e lidera a intervenção intersetorial para promover a equidade em saúde depende do tipo de problema a enfrentar (WHO/PHAC, 2008). O setor saúde deve tomar a dianteira quando dispuser de conhecimentos e de experiência, como nos casos de prevenção de doenças específicas e melhoria de acesso à atenção à saúde. Quando a iniciativa envolve problemas sobre os quais o setor saúde dispõe do conhecimento de medidas efetivas, mas não controla os meios para realizálas, este deve tomar a liderança para promover tais estratégias em estreita cooperação com outros setores. Todavia, quando a iniciativa se dirige a determinantes sociais mais gerais, como a pobreza, o setor deve ser um parceiro, pois não dispõe de conhecimentos nem controla os meios para a ação (WHO/PHAC, 2008). O reconhecimento de que a ação intersetorial deve ser política de governo não reduz a importância da ação comunitária local da ESF. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sumário Executivo cxvii Chama a atenção que parte das famílias cadastradas desconhecia o agente comunitário de saúde e não fora visitada por ele. Nesse sentido, é recomendável monitorar a realização de visitas pelos ACS e estabelecer rotinas diferenciadas de visita conforme risco dos territórios/estrato social, presença de agravos crônicos etc. O ACS é o facilitador para a identificação de problemas coletivos e a mobilização comunitária. O desenvolvimento da ação comunitária poderia ser fortalecido. O território local é a base das iniciativas de articulação intersetorial, e as ESFs têm importante papel na identificação de situações de risco social e de saúde, além do potencial de consolidação das redes locais de serviços sociais. A ação comunitária da ESF requer a constituição de redes de serviços sociais em nível local, de modo que o acesso à USF facilite o acesso a outros serviços sociais, como nas experiências que articulam para o Bolsa Família os setores de saúde, educação e assistência social em nível local. O excesso de demandas assistenciais individuais, que consomem o tempo dos profissionais, e a sua insuficiente capacitação para a ação comunitária destacam-se como fatores limitantes para a atuação e a mediação de ações intersetoriais pelas ESFs. A implementação da estratégia de atenção primária integral implica a resposta aos problemas de saúde menos frequentes com a constituição da porta de entrada preferencial em serviços de atenção básica e a coordenação dos cuidados nos demais níveis de atenção. Nesse sentido, os esforços dos gestores e os resultados encontrados na integração à rede assistencial da Saúde da Família apontam para a potencialidade desta como estratégia de atenção primária integral. Esta perspectiva, contudo, deve ser monitorada e outras investigações devem ser desenvolvidas, considerando as diversas dimensões da integração e a perspectiva dos usuários. A priorização da AB dentro do SUS buscou responder aos compromissos do sistema de saúde de prover serviços básicos de saúde e outras ações coletivas de forma descentralizada. Os resultados mostram que ainda é imperativo avançar nas promessas de integralidade por meio da necessária desmercantilização dos níveis de atenção mais complexos ou, no mínimo, de certo equilíbrio nas relações entre o mercado e a esfera pública na provisão dessas ações ao conjunto da população (Carvalho, 2004). Por fim, uma questão a ser enfrentada pela Estratégia Saúde da Família nos grandes centros, em que há elevada cobertura, diz respeito a reverter o afastamento da classe Aracaju cxviii PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO média dos serviços públicos de saúde. A ampliação da regulamentação dos seguros privados de saúde, que garantiu maior acesso aos serviços de saúde privados, acrescida da percepção das camadas médias da população de que a assistência médica pública, bem como outros bens públicos, é inferior à sua expectativa (pela qualidade e escassez) justificariam a falsa consciência de que não se deve utilizar os serviços públicos, para não ‘tirar o lugar’ daqueles que mais necessitam e não têm outros recursos, negando, desta forma, a característica primordial do SUS, que é a sua universalidade. A atração para o SUS ou, especialmente, para a utilização da porta de entrada do sistema, a Estratégia Saúde da Família, é um dos desafios para a valorização do sistema por esses segmentos da população e para a qualificação do SUS. Os resultados da pesquisa apontam indícios de que o atendimento profissional domiciliar e o cuidado de idosos são aspectos valorados positivamente por estes estratos, que reivindicam a cobertura por ESFs em suas áreas de moradia. Os obstáculos a superar para a garantia de atenção integral são de diversas ordens – financeiros, oferta insuficiente e formação inadequada de recursos humanos (Conill, 2008). Ainda assim, os resultados dos estudos de caso apontam que o fortalecimento da posição dos serviços da Estratégia Saúde da Família como porta de entrada preferencial resolutiva, integrados à rede e com referências reguladas para a atenção especializada, tem potencialidade de reorientar a organização do sistema de saúde para assegurar o direito universal à saúde, na medida em que seja assumida como política integrada de governo e construa interfaces que promovam a cooperação com outros setores para enfrentar os determinantes sociais mais gerais da saúde. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ INTRODUÇÃO A atenção ambulatorial de primeiro nível, isto é, os serviços de primeiro contato do paciente com o sistema de saúde, direcionados a cobrir as afecções e condições mais comuns, e resolver a maioria dos problemas de saúde de uma população, são denominados, em geral, serviços de atenção primária. Não há, contudo, uniformidade na interpretação do termo atenção primária à saúde (APS), empregado para referir-se a diferentes concepções, que podem ser agrupadas em três principais abordagens. Nos países europeus com sistemas universais de proteção social em saúde, o termo atenção primária, em geral, diz respeito a um dos níveis de atenção que correspondem aos serviços ambulatoriais médicos de primeiro contato não especializados, incluindo variado espectro de ações de saúde pública e de serviços clínicos direcionados a toda a população. De modo distinto, o entendimento mais difundido nos países periféricos, com programas implementados sob incentivo financeiro de agências internacionais, é o de atenção primária seletiva: programas focalizados para os estratos populacionais em extrema pobreza, que oferecem cesta restrita de serviços de baixa resolutividade ou algumas intervenções custo-efetivas dirigidas a agravos específicos. Outra perspectiva é a de uma atenção primária à saúde abrangente, que corresponde à concepção de modelo assistencial e de organização do sistema de saúde, desenvolvida a partir do que foi preconizado na Conferência de Alma Ata em 1978 (Giovanella, 2006). A concepção de atenção primária em saúde da declaração de Alma Ata é denominada “abrangente”, pois, além de definir a APS como o primeiro nível de atenção integrado ao sistema de saúde, inclui entre seus princípios: a necessidade de enfrentar determinantes de saúde mais amplos de caráter socioeconômico, o acesso e a cobertura universais com base nas necessidades, a participação da comunidade; a ação e a coordenação intersetorial e o uso de tecnologia apropriada e efetiva. Assim, ela pode ser considerada uma estratégia para organizar os sistemas de atenção em saúde e para a sociedade promover a saúde. Recentemente observa-se um movimento de renovação da atenção primária, impulsionado pelas agências internacionais de saúde – Organização Mundial de Saúde 2 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO (OMS) e Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) – como meio para alcançar os Objetivos do Milênio acordados pelas Nações Unidas. Em 2003, a OPAS/ OMS aprovou resolução que insta os Estados Membros a adotarem uma série de recomendações para fortalecer a APS e, em 2005, divulgou o documento de posicionamento “Renovação da Atenção Primária em Saúde nas Américas”, no qual defende a necessidade de se alcançar atenção universal e abrangente por meio de uma abordagem integrada e horizontal para o desenvolvimento dos sistemas de saúde, com cuidados orientados à qualidade, ênfase na promoção e prevenção, intersetorialidade, participação social e responsabilização dos governos (OPAS, 2005). A renovação proposta pela OPAS subentende uma atualização da concepção abrangente de APS. Sua implementação, contudo, dependerá da tradução dos princípios enunciados em práticas concretas dessas agências internacionais e da adesão dos governos. Uma boa organização dos serviços de atenção primária contribui para maior eficiência do sistema (Delnoij et al., 2000) e para a melhoria da atenção, promovendo fortes efeitos positivos sobre a saúde da população. Comparações internacionais mostram que uma APS robusta, com serviços de primeiro contato integrados ao sistema de saúde e com oferta integral de ações gera impacto positivo nos indicadores de situação de saúde e produz ganhos de eficiência com menor uso de medicamentos (Macinko, Starfield & Shi, 2003; Starfield & Shi, 2002). Reformas recentes nos países da União Europeia buscam fortalecer a posição da atenção primária no sistema de saúde e fomentar sua função de coordenação dos cuidados (Saltman, Rico e Boerma, 2006). No Brasil, durante os anos 1990, para distanciar-se da concepção seletiva de atenção primária à saúde, passou-se a empregar o termo atenção básica em saúde, visando caracterizar a atenção à saúde de primeiro nível e definindo-a como: “um conjunto de ações, de caráter individual e coletivo, situadas no primeiro nível de atenção dos sistemas de saúde, voltadas para a promoção da saúde, a prevenção de agravos, o tratamento e a reabilitação” (MS, 2002). À época, a atenção básica proposta referia apenas o primeiro nível, sem apontar a integração ao sistema de saúde, e não implicava um modelo assistencial diferenciado, mantendo-se a atenção ou calcada apenas na resposta ao pronto atendimento da NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Introdução 3 demanda espontânea ou com base nos tradicionais programas de saúde pública dos centros de saúde. Uma mudança mais profunda do modelo assistencial foi proposta na segunda metade da década de 1990, como desdobramento do Programa de Saúde da Família (PSF). Este programa, dando continuidade ao Programa de Agentes Comunitários da Saúde (PACS), foi criado em 1993, e implantado a partir de 1994, com características de seletividade ao priorizar a ação para determinados grupos e dirigir-se, como programa paralelo, a populações em maior vulnerabilidade social. Inicialmente voltado para a extensão de cobertura assistencial focalizada em áreas de maior risco social, o PSF adquiriu centralidade, aos poucos, na agenda governamental. Desde 1999, passou a ser considerado como estratégia estruturante dos sistemas municipais de saúde pelo Ministério da Saúde, visando reorientar o modelo assistencial e imprimir nova dinâmica na organização dos serviços e ações de saúde (Souza, 2002). Impulsionado por incentivos financeiros federais, o PSF expandiu-se para a maioria dos municípios brasileiros, apresentando, contudo, importantes diversidades no modelo assistencial implementado e baixa cobertura em grandes centros urbanos (Escorel et al., 2002; Giovanella et al., 2003; Escorel et al., 2007). A implantação do PSF, acelerada nos municípios de pequeno porte, com baixa ou nenhuma capacidade instalada, foi lenta nos grandes centros urbanos, pois se deparou com questões de maior complexidade relacionadas à concentração demográfica, ao elevado grau de exclusão do acesso aos serviços de saúde, a agravos de saúde característicos das grandes cidades e metrópoles e a uma oferta consolidada em rede assistencial desarticulada e mal distribuída (Souza, 2002, Escorel et al., 2007). Ao longo de mais de uma década, o PSF expandiu-se em todo o país sob forte e contínua indução do Ministério da Saúde, atingindo, em dezembro de 2008, cerca de 94% dos municípios brasileiros, com 29 mil equipes e cobertura populacional de 48% (92 milhões de habitantes). Todavia, um olhar sobre as experiências em curso demonstra grande diversidade vis-à-vis as imensas disparidades inter e intrarregionais e as enormes desigualdades sociais que marcam a realidade brasileira (Viana dal Poz, 1998; Goulart, 2002; Escorel et al., 2002). Recentemente, em 2006, a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), definida a partir de consenso em nível nacional entre gestores federais e representantes das esferas Aracaju 4 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO estaduais e municipais na Comissão Intergestores Tripartite, ampliou o escopo e a concepção da atenção básica no país, incorporando os atributos propostos por Starfield (2002) na atenção primária em saúde, para caracterizar uma atenção primária em saúde abrangente. Na PNAB, a Atenção Básica é entendida como um conjunto de ações de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação de saúde nos âmbitos individual e coletivo, realizadas por meio de trabalho em equipe e dirigidas a populações de territórios delimitados (MS, 2006). Ponto de contato preferencial e porta de entrada do sistema de saúde, a atenção básica no Brasil, segundo a Política Nacional de Atenção Básica, tem como fundamentos: 1) o acesso universal e contínuo a serviços de saúde resolutivos e de qualidade; 2) a efetivação da integralidade em suas várias dimensões, ao articular ações programáticas e de atendimento à demanda espontânea, ao integrar ações de promoção da saúde, prevenção de agravos, tratamento e reabilitação e ao coordenar o cuidado na rede de serviços; 3) o desenvolvimento de relações de vínculo e de responsabilização entre as equipes e a população, garantindo a longitudinalidade; 4) a valorização dos profissionais de saúde; 5) a realização de avaliação e monitoramento sistemático dos resultados; e 6) o estímulo à participação popular e controle social (MS, 2006:10-11). Na Política Nacional de Atenção Básica, a Saúde da Família é assumida como estratégia prioritária para a organização da atenção básica; assim, o modelo brasileiro de atenção primária em saúde incorpora também os elementos de centralidade na família e de ser direcionada para a comunidade. Todavia, ainda que a atenção básica tenha ampliado seu escopo e a Estratégia Saúde da Família tenha conseguido estender o acesso da população à atenção em saúde de primeiro nível nos últimos anos, sua implementação obedeceu a modelos diferenciados e a ampliação de cobertura nem sempre correspondeu à mudança do modelo assistencial preconizada pela Estratégia com o estabelecimento de porta de entrada, formação de vínculos entre os profissionais e a população do território, integração dos serviços de saúde em uma rede assistencial resolutiva, garantindo a integralidade da atenção (Escorel et al., 2002). Avançar na implementação de tal política exige conhecimento e análise aprofundados da atenção primária atualmente prestada, bem como sua avaliação a partir da perspectiva de todos os envolvidos, profissionais de saúde, gestores e, especialmente, usuários, para identificar nós críticos e pontos de intervenção que possam orientar as NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Introdução 5 políticas e ações no sentido de concretizar os princípios gerais da proposta, garantindo atenção de saúde de qualidade à população. Neste sentido, ao somar-se a diversas outras iniciativas, o presente estudo tem por propósito analisar o modelo assistencial da atenção básica em saúde a partir da implementação da Estratégia Saúde da Família em quatro grandes centros urbanos quanto à coordenação dos cuidados com integração à rede de serviços e à atuação intersetorial, desde a perspectiva das famílias cadastradas, dos profissionais de saúde e dos gestores. Foram realizados quatro estudos de caso em grandes municípios com experiências consolidadas e cobertura elevada, com financiamento do DAB/SAS/MS. Entende-se que a análise da implementação da Estratégia Saúde da Família em experiências consolidadas, no que concerne à integração da rede assistencial e à intersetorialidade, contribui para melhor compreender a complexidade da promoção de mudanças do modelo assistencial, para identificar novos desafios da fase de consolidação e os fatores condicionantes de sucesso, além de possibilitar a difusão de boas práticas. O estudo toma como eixos de análise a integração da Saúde da Família ao sistema de saúde e à intersetorialidade, pois estes são aspectos cruciais da atenção primária abrangente, estratégica para a reorganização do sistema de saúde. JUSTIFICATIVA No processo de renovação da atenção primária observa-se a disputa de distintas concepções por parte das agências internacionais, com importantes repercussões sobre a equidade e o direito à saúde, principalmente entre a abordagem seletiva e a abordagem integral ou abrangente. As concepções seletiva e abrangente de APS compreendem questões teóricas, ideológicas e práticas bem distintas e com consequências diferenciadas sobre a garantia do direito universal à saúde. A integração da APS ao sistema de saúde e a articulação intersetorial são princípios fundamentais de uma atenção primária abrangente, pois a integração é condição para a garantia de atenção integral e a intersetorialidade, para o enfrentamento de determinantes sociais. A integração da APS com os outros níveis assistenciais é atributo fundamental de uma APS abrangente, pois a principal característica da APS seletiva é a oferta de uma cesta restrita de serviços a algumas Aracaju 6 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO ações de baixo custo situadas no primeiro nível de atenção sem garantia de acesso a serviços de saúde adequados às necessidades de saúde (o que inclui serviços especializados), produzindo-se importantes desigualdades de acesso e na garantia do direito à atenção. A garantia de atenção integral, no que concerne ao acesso a serviços adequados às necessidades de saúde, está condicionada à integração dos serviços de APS à rede assistencial em saúde. A integração do sistema de saúde contribui para o exercício de coordenação dos cuidados pelos serviços de atenção primária, garantindo a continuidade da atenção aos pacientes crônicos. A coordenação dos cuidados é um desafio contemporâneo para qualquer sistema de saúde decorrente de mudanças demográficas e epidemiológicas e da baixa capacidade da atenção médica contemporânea, fragmentada pela especialização progressiva, em garantir atenção integral e integrada, em particular aquela voltada ao paciente crônico (Giovanella, 2006). Doentes crônicos, em geral, necessitam utilizar simultaneamente diversos serviços, exigindo a coordenação entre níveis de atenção. Outra importante característica de uma atenção primária à saúde abrangente que a diferencia das outras concepções é a compreensão da saúde como inseparável do desenvolvimento econômico e social, como discutido em Alma Ata, o que implica atuação dirigida a enfrentar os determinantes mais gerais dos processos saúdeenfermidade. Reconhecer a determinação social dos processos saúde-doença exige a articulação com outros setores de políticas públicas, desencadeando e mediando ações intersetoriais para o desenvolvimento social integrado e a promoção da saúde. Se a integração enfrenta a concepção seletiva e é condição para se contrapor a uma cesta restrita, assumir uma concepção abrangente de atenção primária implica na construção de sistemas de saúde orientados pela APS, no qual a atenção primária não se restringe ao primeiro nível de atenção, mas é a base e referência para toda a atenção, contemplando não apenas aspectos biológicos, mas também psicológicos e principalmente sociais, buscando-se promover a saúde e enfrentar seus determinantes mais gerais que transcendem ao setor e implicam na articulação de políticas econômicas e sociais. Assim a intersetorialidade é atributo de uma abordagem de atenção primária que enfrenta os diversos níveis de determinação dos processos saúde-enfermidade, se quer comunitária e incide sobre problemas coletivos e não apenas individuais. Uma atenção primária que responde às exigências da Constituição brasileira, que determina o dever do Estado de garantir a saúde mediante políticas sociais e econômicas que NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Introdução 7 reduzam riscos de adoecimento e o acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Analisar o modelo assistencial da atenção básica, tendo como foco questões relativas à integração do sistema e à intersetorialidade, justifica-se também por ser este o momento de novas iniciativas de organização do sistema de saúde incentivadas pelo governo federal e de novo discurso na política de saúde, que explicita as relações entre saúde e desenvolvimento social e econômico. Após quase duas décadas de implementação do Sistema Único de Saúde (SUS), a pretendida conformação de sistemas funcionais de atenção à saúde regionalizados com economia de escala para garantia de atenção em níveis de maior densidade tecnológica e de mais alto custo, em geral, ainda não se concretizou e permanece como um dos principais desafios. A atual proposta dos Territórios Integrados de Atenção à Saúde (TEIAS) busca enfrentar os desafios federativos para esta integração e encontra-se em fase de gestação e de implementação de alguns projetos piloto. Estudar a integração do sistema de saúde em municípios – no caso de terem sido exitosos na extensão da cobertura por PSF a seus munícipes – busca contribuir com subsídios para melhor organização do SUS. Embora soluções não possam ser diretamente transferidas, dadas as diversidades regionais de nosso país, a análise de experiências exitosas pode ser importante contribuição para o debate e a seleção de alternativas adequadas a cada realidade. OBJETIVOS DO ESTUDO O presente estudo tem por objetivo geral analisar o modelo assistencial da atenção básica em saúde a partir da implementação da Estratégia Saúde da Família em quatro grandes centros urbanos quanto à coordenação dos cuidados com integração à rede de serviços e à atuação intersetorial, desde a perspectiva das famílias cadastradas, dos profissionais de saúde e dos gestores. Tem como objetivos específicos: • Analisar o contexto político e institucional de implementação do PSF; • Avaliar a conformação de uma rede integrada de serviços de saúde com a constituição da ESF/USF como porta de entrada ao sistema de saúde e o estabelecimento de mecanismos de referência e contrarreferência; Aracaju 8 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO • Avaliar a coordenação, pela equipe de saúde da família, das diversas ações e serviços necessários para resolver necessidades mais complexas, garantindo a continuidade da atenção na rede de serviços; • Examinar as iniciativas da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de articulação com outros setores de políticas públicas e analisar o papel desempenhado pela Estratégia Saúde da Família nestas iniciativas; • Estudar o processo de trabalho das equipes de saúde da família e a incorporação de práticas assistenciais em relação à coordenação dos cuidados e à atuação intersetorial; • Identificar e analisar os fatores facilitadores e limitantes da implementação da Estratégia Saúde da Família nos municípios estudados no que concerne à integração da rede assistencial e coordenação dos cuidados e à intersetorialidade. O estudo considera as perspectivas dos principais atores envolvidos: gestores e gerentes de saúde, profissionais das equipes de saúde da família (ESFs) e famílias cadastradas. Este relatório apresenta os resultados da pesquisa no município de Aracaju, com trabalho de campo realizado no período de junho a setembro de 2008, no qual foram realizadas entrevistas com gestores e gerentes municipais, aplicados questionários autopreenchidos aos profissionais das ESF, e aplicados questionários fechados a uma amostra de famílias cadastradas, entrevistadas em seus domicílios. Os estudos de caso e análise das mudanças no modelo assistencial foram realizados por meio da adaptação de metodologia utilizada em estudo anterior (Ministério da Saúde, 2002; Escorel et al. 2005), que incorpora informações obtidas dos gestores, dos profissionais de saúde e das famílias cadastradas no PSF. Os resultados apresentados nos diversos capítulos buscam articular na análise de cada dimensão em estudo as perspectivas dos diversos sujeitos da pesquisa: gestores e gerentes, profissionais das ESF e famílias cadastradas. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ I. Eixos de análise 9 I. EIXOS DE ANÁLISE: INTEGRAÇÃO/COORDENAÇÃO/CONTINUIDADE E INTERSETORIALIDADE A pergunta principal de estudo está relacionada a mudanças de modelo assistencial proporcionadas pela Estratégia Saúde da Família quanto à integração da rede assistencial e coordenação dos cuidados em saúde e à articulação intersetorial com outros setores de políticas públicas. A seguir apresenta-se a síntese da revisão bibliográfica sobre os dois eixos que orientarão a análise dos resultados: integração/coordenação/continuidade e intersetorialidade. EIXO 1. INTEGRAÇÃO/ COORDENAÇÃO / CONTINUIDADE Integração, coordenação e continuidade são processos inter-relacionados e interdependentes que se expressam em distintos âmbitos: no sistema, na atuação profissional e na experiência do paciente ao ser cuidado. Como analisado a seguir, a integração se expressa na organização do sistema de saúde, a coordenação se realiza no cuidado individual exercido pelos profissionais de saúde no processo de atenção articulando diferentes prestações, e se concretiza na continuidade da atenção, que deve ser centrada no paciente, adequada às suas necessidades de saúde, e oportuna – ofertada em tempo hábil. Problemas relacionados à coordenação dos cuidados vêm recebendo ampla atenção nos países da OECD e nos da União Europeia (UE) em função do reconhecimento da fragmentação na oferta dos serviços de saúde causada, em parte, pela especialização da prática médica, que contribui para que o paciente transite por diferentes prestadores ao longo de um mesmo episódio de doença e pelo crescimento da prevalência de doenças crônicas, que exigem maior contato com os serviços de saúde e outros equipamentos sociais em contexto de pressão por mais eficiência (Gérvas y Rico, 2005; Calnan et al. 2006; Hofmarcher et al., 2007). Nos países da UE, desde a década de 1990, reformas pró-coordenação vêm sendo implementadas, sobretudo voltadas ao fortalecimento do primeiro nível de atenção. Afora propósitos de controle de gastos, a melhor coordenação dos cuidados busca Aracaju 10 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO responder a exigências de mudanças no perfil epidemiológico, com crescente prevalência de doenças crônicas. O cuidado de doentes crônicos resulta em interdependência interorganizacional, pois estes pacientes utilizam simultaneamente serviços de diversas complexidades, exigindo a coordenação entre níveis de atenção (Giovanella, 2006). A coordenação dos cuidados pode ser compreendida e experimentada de diferentes formas, a depender do ator envolvido e da perspectiva de avaliação. Para o paciente, reflete-se na garantia de acesso aos demais níveis assistenciais e na experiência de recebimento de atenção contínua; para a APS, na integração à rede assistencial e na assunção de novas funções de coordenação; e para a atenção especializada, na garantia de ações que complementam o cuidado no nível hospitalar e o retorno do paciente aos cuidados do prestador mais apropriado. As estratégias de coordenação envolvem mudanças na organização e na gestão dos serviços para que o paciente não perceba a divisão entre níveis e receba os cuidados de profissionais apropriados, em tempo e local adequados e de forma contínua (Feo et al., 2006). Um enfoque de atenção integrada envolve mecanismos de referência e contrarreferência em todos os níveis do sistema e com outros serviços sociais. Watson (2004) pensa que a coordenação dos cuidados depende da integração de serviços entre os prestadores ao interior da APS e entre a APS e os outros níveis do sistema de saúde. Isto é, a coordenação reflete a natureza e a extensão de integração horizontal na APS e vertical no sistema de saúde. De acordo com Conill e Fausto (2007), um bom desempenho da continuidade da atenção tem reflexos positivos na credibilidade da APS como serviço de primeiro contato e porta de entrada, facilitando o estabelecimento de vínculo. Para os autores, a continuidade do cuidado é uma dimensão qualitativa do serviço, que é experimentada pelo paciente dependendo do grau de coordenação e de integração dos serviços. A coordenação é percebida pelo usuário por meio da continuidade assistencial. Neste sentido, a continuidade pode ser definida como o grau em que o paciente percebe e experimenta uma série de distintas intervenções de cuidado em saúde como processo ininterrupto, coerente, conectado e compatível às suas necessidades médicas e ao seu contexto pessoal. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ I. Eixos de análise 11 Quando mais de um prestador é envolvido no atendimento e cuidado em saúde, estratégias de coordenação são essenciais para garantir a continuidade. O grau de coordenação necessário vai depender da complexidade do caso e das opções disponíveis ao paciente (Boerma, 2006). Para Starfield (2002), a coordenação ou integração dos serviços implica a garantia de continuidade da atenção por meio de estratégias que busquem integrar as diversas ações e serviços indispensáveis para resolver as necessidades menos frequentes e mais complexas. Na experiência do usuário, segundo esse autor, a coordenação pode ser bem expressada na resposta afirmativa à assertiva: “se vários médicos estão envolvidos em meu tratamento, meu médico organiza-o.” Assim, integração, coordenação e continuidade são processos inter-relacionados e interdependentes, que se expressam em distintos âmbitos: no sistema, na atuação profissional e na experiência do paciente ao ser cuidado. A integração se expressa na organização do sistema de saúde, a coordenação se realiza no nível do cuidado individual exercido pelos profissionais de saúde no processo de atenção e se expressa em atenção contínua, centrada no paciente, adequada às suas necessidades de saúde, e oportuna – ofertada em tempo hábil. Hofmarcher et al. (2007) realizaram estudo com policy makers em países da OECD sobre políticas relacionadas à coordenação da atenção e identificaram quatro áreas nas quais os processos de reforma podem potencializar a capacidade dos sistemas de saúde em melhorar a coordenação dos cuidados. Um primeiro grupo de medidas que pode facilitar a coordenação está relacionado à disponibilidade e à transferência de informações, incluindo a ampla utilização das tecnologias de informação e comunicação (TICs). Um requisito necessário seria o aprimoramento da coleta e da disseminação das informações sobre o atendimento ao paciente e o desenvolvimento de indicadores de desempenho dos prestadores. O uso destas tecnologias apresentaria efeitos positivos também na qualidade da assistência prestada. Um segundo grupo de intervenções com potencial impacto positivo sobre a coordenação dos cuidados refere-se ao financiamento, especialmente quando há revisão dos padrões de alocação de recursos no setor ambulatorial, justificada pelo progressivo deslocamento de ações tradicionalmente realizadas em regime hospitalar para nível ambulatorial. Em diversos países, o financiamento separado por níveis de atenção contribui para a fragmentação do sistema, pois corresponde também, em geral, a Aracaju 12 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO administrações separadas do setor ambulatorial e hospitalar (em muitos países o responsável pela atenção especializada) com barreiras administrativas e divisão vertical de responsabilidades entre prestadores. Os diferentes esquemas de pagamento para o setor ambulatorial e hospitalar influenciam igualmente o comportamento dos prestadores, com impactos sobre a coordenação. O terceiro conjunto de medidas pró-coordenação, provavelmente, o mais importante, segundo Hofmarcher et al. (2007), refere-se às mudanças necessárias nos modelos de cuidado ambulatorial para atender as doenças crônicas, com melhoria da resolutividade da APS. Segundo Calnan et al. (2006) observa-se a tendência de substituir cuidados antes oferecidos em hospitais para serviços ambulatoriais e de atenção primária com aumento da resolutividade da APS. O pressuposto é que profissionais da APS têm melhores condições de atender às demandas da população, ao mesmo tempo em que equipes multiprofissionais podem prover assistência mais coerente, principalmente a portadores de múltiplas patologias, a depender do escopo e do limite das práticas exercidas por profissionais não médicos. O aumento da capacidade resolutiva da APS favorece melhor coordenação dos cuidados. O maior acesso aos meios diagnósticos pelo médico da APS, a ampliação do papel da enfermagem e o maior apoio administrativo para que a equipe não tenha que dispor de tempo excessivo em tarefas gerenciais são alguns exemplos de estratégias para aumento de resolutividade (Feo, et al., 2006). Instrumentos de gestão de casos, programas de gestão clínica, uso de protocolos e programas para aumentar a autonomia dos pacientes (pacientes-experts) são algumas das ações desenvolvidas para melhorar a coordenação, segundo estes autores (Hofmarcher et al., 2007). Por fim, um quarto conjunto de medidas compreende mecanismos para a integração do sistema de saúde (Hofmarcher et al., 2007). A capacidade de coordenação é fortemente afetada pela falta de integração entre os níveis assistenciais, principalmente em função da existência de barreiras que dificultam o trânsito no interior do sistema de saúde e a relação entre os prestadores. Parte dos países investigados no estudo de Hofmarcher et al. (2007) são caracterizados por forte separação administrativa entre setores/níveis de prestação da atenção em saúde NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ I. Eixos de análise 13 (entre a atenção ambulatorial e a hospitalar ou entre a atenção primária e a especializada/hospitalar), que, como mencionado, operam sob diferentes formas de financiamento e dispõem de orçamentos separados. A fragmentação se observa também na ausência de articulação com setores sociais responsáveis por cuidados de longa duração. Em diversos países, os cuidados de longa duração para idosos em situação de dependência são ofertados por serviços sociais não diretamente vinculados ao sistema de saúde. A vinculação de cada um dos níveis/setores de atenção dos sistemas de saúde e dos equipamentos sociais a diferentes esferas dificulta o desenvolvimento e a organização de um cuidado centrado no paciente, afetando justamente os indivíduos mais vulneráveis e que mais necessitam de acompanhamento. Em alguns países europeus, estratégias têm sido desenvolvidas para articular serviços de saúde e sociais, buscando assegurar os cuidados de longa duração de forma mais adequada (Hofmarcher et al., 2007). Estes quatro conjuntos de medidas para a coordenação estão relacionados a áreas de intervenção para a garantia dos diversos âmbitos de continuidade. Alguns autores apontam três tipos de continuidade: continuidade relacional, dada pela existência de serviços de procura regular e relação com um mesmo prestador ao longo do tempo; continuidade de informação, com registro e uso da informação de episódios passados na atenção atual; e continuidade na gestão do cuidado de determinada condição de saúde do paciente (Watson et al., 2004). Na discussão internacional, como mencionado anteriormente, a coordenação em saúde envolve também a articulação com outros setores sociais, especialmente aqueles responsáveis por cuidados domiciliares de longa duração, tipo house care ou serviços sociais, e ainda a articulação com serviços de saúde pública/coletiva. As relações com outros setores sociais e políticas públicas que podem incidir sobre os determinantes sociais dos processos saúde-enfermidade, promovendo a saúde, serão trabalhados em um eixo específico de intersetorialidade na presente pesquisa. No estudo anterior “Saúde da Família: avaliação da implementação em Dez Grandes Centros Urbanos”, realizada entre os anos de 2001 e 2002 pelo Núcleo de Estudos Político-Sociais em Saúde/ENSP/FIOCRUZ, com o objetivo de analisar fatores facilitadores e limitantes da implementação da Estratégia Saúde da Família, a avaliação da integração à rede de serviços já se apresentava como um dos objetivos centrais. Aracaju 14 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Escorel et al. (2005:103) comenta que a integração do PSF à rede de serviços de saúde constitui o “eixo que permite analisar o modelo implementado e o alcance da estratégia quanto à constituição de uma rede de assistência integrada, na qual a USF é a porta de entrada do sistema”. As dimensões avaliadas foram: a constituição da USF como porta de entrada do sistema de saúde; a integração da USF aos demais níveis de complexidade; a presença e o uso de mecanismos de referência e contrarreferência e a alimentação e utilização do SIAB. A primeira dimensão analisada no eixo “integração à rede de serviços” foi a constituição do PSF como porta de entrada, considerando-se a eliminação de barreiras de acesso financeiras, geográficas, temporais, administrativas e culturais. De acordo com os resultados do estudo, a localização da USF era conhecida por mais de 90% das famílias entrevistadas e acessível a pé na maior parte dos municípios estudados. Foi também bastante elevado, acima de 90%, o percentual de usuários que relatou ter recebido algum atendimento da ESF, com 48 a 82% tendo utilizado algum serviço do PSF nos último 30 dias. Do mesmo modo, a pesquisa avaliou se o PSF era o serviço de procura regular por parte da população adscrita. A avaliação das famílias variou amplamente entre os municípios, de 27 a 67%, indicando que o PSF alcançara tornar-se serviço de procura regular apenas nos municípios onde foi implantado de forma mais integrada à rede e não como programa paralelo. Somente em dois casos (Aracaju e Vitória), o PSF constituía a porta de entrada para a maior parte da população usuária. Em relação ao uso recente, ou seja, nos 30 dias anteriores à pesquisa, os percentuais de procura das unidades básicas de saúde (UBS) com PSF variaram de 24 a 62%, com forte procura, em alguns casos, de serviços de emergência: postos ou centros de saúde com serviço de urgência, os hospitais e pronto-socorro. Em relação à integração com a rede de serviços, avaliou-se a resolutividade da atenção oferecida pelo PSF e a proporção de encaminhamentos realizados pelas equipes. Na maior parte das cidades estudadas, mais de 70% das famílias consideraram que conseguiam geralmente resolver seu problema de saúde quando atendidas pelo PSF, contudo, em três cidades, de 33 a 46% dos entrevistados informaram que, em geral, precisam procurar o especialista pós atendimento na USF. De outra parte, no atendimento recebido ao longo dos últimos 30 dias, os encaminhamentos para consulta médica variaram de 8 a 27%. Foram também NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ I. Eixos de análise 15 investigados os tempos de espera do paciente para ações especializadas, para os exames solicitados e o acesso a todos os medicamentos pela ESF, este último tendo sido o quesito pior avaliado pelas famílias. Quanto à presença de mecanismos de referência e contrarreferência foi verificado que a organização do sistema encontrava-se em fase inicial com a presença de alguma forma de regulação das referências na maior parte dos municípios investigados, com as centrais de marcação de consultas especializadas mostrando-se as mais estruturadas. Ainda assim, apenas a existência deste instrumento de regulação não assegurava sua utilização por parte dos profissionais. Em relação à contrarreferência, entre 16 e 44% dos profissionais de nível superior relataram que nunca a recebiam. O presente estudo adaptou os instrumentos de coleta de informações da pesquisa anterior (Escorel et al., 2005) e incorporou novas variáveis para o estudo da integração/ coordenação/ continuidade. Avaliar a coordenação dos cuidados e a integração do sistema de saúde envolve investigar, portanto, diferentes dimensões desde distintos âmbitos. Exige um olhar sobre a organização do sistema de saúde para identificar e examinar a implementação de instrumentos de integração do sistema de saúde; um olhar nos processos de trabalho das equipes de saúde quanto ao uso destes instrumentos de integração, à realização de atividades de coordenação dos cuidados e à articulação ao interior da própria equipe; e uma avaliação, desde a perspectiva dos usuários, em sua experiência de recebimento de cuidado contínuo, adequado e oportuno com garantia de acesso aos outros níveis assistenciais. No âmbito do sistema de saúde, a investigação da integração/ coordenação por meio de entrevistas com gestores, gerentes e análise documental buscou responder a questões como: Como está organizado o sistema municipal de saúde e qual o papel da Estratégia Saúde da Família? As USFs são definidas como serviço de primeiro contato? Como o SF se relaciona com os serviços especializados e hospitalares? Há mecanismos para garantir a referência e contrarreferência? As filas de espera são monitoradas? Existem diretrizes formais para a transferência de informações entre médicos de atenção primária e especialistas? Existem canais de comunicação entre serviços de emergência e a Saúde da Família? Como a Saúde da Família se relaciona com os setores de saúde coletiva/ vigilância em saúde? Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 16 No âmbito da ESF, mediante questionários autopreenchidos por amostra de profissionais, investigou-se a articulação ao interior da equipe multidisciplinar, o registro de informações e o uso de mecanismos para transferência de informações entre médicos de atenção primária e especialistas, as modalidades de agendamento de encaminhamento para especialistas, a relação horizontal com outros serviços de vigilância em saúde e o uso de protocolos clínicos. Junto à população usuária, por meio de questionários fechados aplicados à amostra de famílias usuárias, foram pesquisadas as experiências de uso do Saúde da Família e de encaminhamentos, a USF como serviço de procura regular, as modalidades de agendamento/acesso, as trajetórias de atenção, o acesso aos serviços especializados, exames e medicamentos. Os instrumentos de coleta de informações da pesquisa incorporaram as variáveis selecionadas para as quatro dimensões definidas, com base na revisão de literatura, para a análise do modelo assistencial implementado a partir da Saúde da Família no que concerne à integração do sistema de saúde. A saber: i) posição da Estratégia Saúde da Família na rede assistencial, ii) mecanismos de integração da rede assistencial; iii) disponibilidade e uso de informações sobre a atenção prestada; iv) integração do PSF com programas de saúde coletiva/ e ações de vigilância à saúde. Os aspectos estudados para cada dimensão estão listados a seguir. Dimensões da integração/coordenação/continuidade 1. Posição da Estratégia Saúde da Família na rede assistencial - papel de porta de entrada e identificação da USF por usuários como serviço de procura regular; - trajetórias de atenção/ percursos do paciente (modalidades de agendamento, fluxos); - resolutividade da saúde da família e medidas de fortalecimento da APS (acesso a exames, equipes de apoio); - realização de ações de coordenação pelos membros da ESF (monitoramento dos encaminhamentos, lembrar consultas marcadas, visita na internação, contato direto com os especialistas); - trabalho em equipe – integração ao interior da equipe. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ I. Eixos de análise 17 2. Mecanismos de integração da rede assistencial - presença e uso de mecanismos de referência e contrarreferência (centrais de regulação, sistemas de agendamento); - regionalização do sistema municipal; - acesso a serviços especializados, monitoramento de filas de espera e dos encaminhamentos do PSF; - utilização de protocolos clínicos, linhas de cuidado; - articulação e canais de comunicação entre serviços de emergência e a Saúde da Família (relação com Unidades de Pronto-Atendimento - UPAS); - articulação com outros programas, como saúde mental ou Programa de Atenção Domiciliar (PAD); 3. Disponibilidade e uso de informações sobre a atenção prestada - registro e uso de informação: registro em prontuário, informação para referência, relatório de contrarreferência do especialista/hospital; - diretrizes formais para a transferência de informações entre médicos de atenção primária e especialistas; - alimentação e utilização dos sistemas de informação; - prontuários eletrônicos; - outros usos de tecnologias de informação e comunicação (TICs). 4. Integração do PSF com programas de saúde coletiva/ e ações de vigilância à saúde - no nível central da SMS e nível local na UBS; - relações com outros agentes de saúde (endemias, dengue); - relação com programas tradicionais de saúde pública, como tuberculose e hanseníase EIXO II. INTERSETORIALIDADE A intersetorialidade busca superar a fragmentação das políticas públicas e é entendida como a interação entre diversos setores no planejamento, na execução e no monitoramento de intervenções para enfrentar problemas complexos/necessidades de Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 18 grupos populacionais e alcançar efeitos sinérgicos (Vianna, 1998; Inojosa & Junqueira, 1997; Junqueira, 1998 e 2000). Na saúde, a articulação intersetorial é imprescindível para incidir sobre os determinantes sociais do processo saúde-enfermidade e promover a saúde. Neste sentido, o campo da promoção transcende medidas educativas para mudanças de estilos de vida e valoriza os determinantes gerais das condições de saúde, englobando o conjunto de providências no plano das políticas públicas que visa intervir positivamente sobre diversos fatores propiciadores de maiores níveis de saúde. Nesta concepção abrangente de promoção da saúde reconhecem-se os macrodeterminantes do processo saúde-doença e as intervenções estão voltadas para incidir sobre estes determinantes sociais (Buss, 2003), transcendendo as atividades dirigidas a mudanças de comportamentos individuais e implicando a ação sinérgica de diversos setores. A promoção da saúde destaca a intersetorialidade como estratégia de enfrentamento dos problemas quanto ao meio ambiente, à urbanização, à segurança alimentar e nutricional, ao desemprego, à moradia, ao uso de drogas etc. (Campos et al., 2004). Em concepção ampla de promoção da saúde considera-se a promoção orientadora da política nacional de saúde enquanto política social e a intersetorialidade, como estratégia para introduzir mudanças nas estruturas sociais (culturais, econômicas e políticas) que geram iniquidades (Campos et al., 2004; OMS, 2005). Dois elementos são essenciais nesta concepção: as políticas públicas saudáveis e os determinantes sociais em saúde (Ruiz, 2006). A noção de política pública “saudável” teorizada por Milio (1987) permite distinguir as políticas de saúde habitualmente vinculadas aos serviços de atenção à saúde daquelas que estão além do setor saúde. Em 1988, a II Conferência Internacional de Promoção à Saúde, em Adelaide, definiu as políticas saudáveis como: “Healthy public policy is characterized by an explicit concern for health and equity in all areas of policy and by an accountability for health impact. The main aim of health public policy is to create a supportive environment to enable people to lead healthy lives. Such a policy makes health choices possible or easier for citizens. It makes social and physical environments health enhancing. In the pursuit of healthy public policy, government sector concerned with agriculture, trade, education, NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ I. Eixos de análise 19 industry and communications need to take into account health as an essential factor when formulating policy. These sectors should be accountable for the health consequences of their policy decisions. They should pay as much attention to health as to economic considerations” (OMS/WHO, 1988). A política pública saudável ultrapassa o setor saúde e o vincula a setores que estão geralmente sob a égide de outros ministérios, como o do meio ambiente, o do trabalho e o da habitação, entre outros (Milio, 1987; OPS, 1999; Lavis & Sullivan, 2000; Restrepo, 2001). Nos últimos anos, em vários países da América Latina tem-se discutido a proposta de Cidades / Municípios Saudáveis. Este projeto procura experimentar uma nova forma de gerenciamento dos problemas das cidades, tendo como referência a concepção ampla do processo saúde-doença e o novo paradigma da Promoção da Saúde. Esta perspectiva engloba a intersetorialidade, na medida em que o setor saúde deixa de ser o campo exclusivo de pensar e do fazer em saúde e passa a mobilizar outros campos de saberes e práticas profissionais (Andrade, 2006). Em relação aos determinantes sociais em saúde, a partir do Relatório Lalonde1 e do “Black Report2” assistimos ao nascimento de um movimento que aponta para a necessidade de aprofundar o conhecimento e a compreensão dos determinantes sociais (renda, habitação, educação etc.) que influenciam a saúde das populações. O “Black Report” mostrou a distância existente no estado de saúde entre diferentes classes sociais em relação à renda. Seus autores fizeram um apelo à elaboração de políticas sociais amplas que pudessem reduzir as iniquidades (OMS, 2005). As relações entre saúde e desenvolvimento econômico social e a necessidade de políticas sociais e econômicas articuladas foram muito discutidas pela corrente da epidemiologia social latino-americana desde meados dos anos 1970. Em contraposição a um enfoque individual da promoção da saúde, que preconiza mudanças de estilo de vida de cada um – desconhecendo deliberadamente as condicionalidades mais gerais dos comportamentos individuais – uma interpretação social da epidemiologia foi 1 Produzido no Canadá em 1974. 2 Produzido na Inglaterra em 1980. Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 20 desenvolvida durante os anos 1970 e 1980 na América Latina, que reconheceu o processo saúde-enfermidade como parte própria e inseparável do social e evidenciou as relações entre classe social e estado de saúde. Estas relações foram analisadas por diversos autores como Juan César Garcia, Cristina Laurell, Jaime Breilh, Cecília Donangelo e Sérgio Arouca sob diversas perspectivas (Testa, 1995; Ferreira & Buss, 2001). Parte dos estudos mostra que a posição que ocupa cada trabalhador no processo de trabalho determina distintas enfermidades. Nesta interpretação, entende-se que a posição na produção significa uma forma particular de desgaste físico e mental, o que produz, através da repetição cumulativa, determinadas patologias (Testa, 1995). Outras investigações mostraram que a extensão do processo produtivo à fase circulatória, com a distribuição de valores – os bens e serviços necessários – e, contra valores – os resíduos contaminados e consumos indesejáveis – configura diferentes condições de vida, gerando perfis epidemiológicos distintos para cada classe social. Em uma perspectiva estruturalista, outros trabalhos explicaram como a composição da formação econômico-social e diferentes condições de reprodução da força de trabalho gestadas conforme a fase do desenvolvimento capitalista determinam características dos processos saúde-enfermidade (Testa,1995:227). Essas investigações apontaram determinantes gerais; contudo, nem sempre alcançaram desvendar as intermediações entre os grandes processos históricos e seus conceitos, como classe social, e a especificidade individualizada dos processos patológicos. Sem dúvida, evidenciaram as relações entre posição social e saúde e as relações entre renda e saúde, condições de vida e saúde são hoje consensuais. Neste contexto, no Brasil, como legado do movimento sanitário e da VIII Conferência Nacional de Saúde, a Constituição Federal de 1988, em seu capítulo Da Ordem Social, consagrou o direito universal à saúde como direito de cidadania e reconheceu a determinação social do processo saúde-doença, assumindo um ‘conceito ampliado de saúde’. A Constituição assume uma definição afirmativa da saúde entendida como resultante das formas de organização social da produção e como consequência de políticas sociais e econômicas articuladas. O artigo 196 da reza: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução de risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ I. Eixos de análise 21 ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação” (Constituição da República Federativa do Brasil de 5/10/1988). Assim, pode-se afirmar que a intersetorialidade é exigência constitucional. A corrente dos determinantes sociais em saúde tem se posicionado, a partir dos anos 2000, como movimento integrador de ações que buscam favorecer a promoção da saúde como eixo orientador da política nacional. Neste contexto, a intersetorialidade permite uma abordagem dos determinantes sociais em saúde, pois relaciona diferentes cenários, setores e atores que contribuem para a melhor qualidade de vida. Nos dias atuais reconhecem-se vários níveis de determinação dos processos saúde enfermidade, sendo necessário incidir sobre os determinantes proximais, vinculados aos comportamentos individuais, os intermediários, relacionados às condições de vida e trabalho e os distais, referentes à macroestrutura econômica, social e cultural (conforme modelo de Dahlgreen e Whitead apud Carvalho e Buss, 2008). Entende-se que uma vez que a atuação sobre os diversos níveis dos determinantes sociais extrapola as competências e as atribuições das instituições de saúde, torna-se obrigatória a ação coordenada dos diversos setores e instâncias governamentais (Carvalho e Buss, 2008). O predomínio da cultura setorial, competitiva e hierarquicamente verticalizada das organizações e dos serviços públicos, fatiados por conhecimentos, saberes e corporações, incorre em obstáculos para a implantação e a implementação de políticas públicas para a saúde. A intersetorialidade, desde a perspectiva do setor saúde, pode ser entendida como a articulação deste setor com outros setores para atuar sobre um tema/problema, visando alcançar resultados de saúde (ou resultados intermediários de saúde) de maneira mais efetiva do que o setor saúde alcançaria por si só (OMS, 1997 apud Teixeira & Paim 2002:60). Para Teixeira e Paim (2002:64), a intersetorialidade “se apresenta como uma estratégia de reorganização das respostas aos problemas, necessidades e demandas sociais dos diversos grupos da população, seja em um Distrito Sanitário, um município ou uma microrregião”. (...) “Um processo em que os objetivos, as estratégias e os recursos de cada setor se consideram segundo suas repercussões e efeitos nos objetivos, estratégias, atividades e recursos dos demais setores”. Aracaju 22 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Campos et al. (2004) afirmam que a intersetorialidade é processo de construção compartilhada, em que os diversos setores envolvidos são tocados por saberes, linguagens e modos de fazer que não lhes são usuais, pois pertencem ou se localizam no núcleo da atividade de seus parceiros. Intersetorialidade implica em ações articuladas e coordenadas com prioridades estabelecidas em conjunto, utilizando-se os recursos de cada setor (materiais, humanos, institucionais) de modo mais eficiente (CNSAN – Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, 2004). Assim, a intersetorialidade sempre pressupõe a existência de algum grau de abertura em cada setor envolvido para dialogar e estabelecer vínculos de co-responsabilidade e co-gestão pela melhoria da qualidade de vida da população. No campo da atenção primária em saúde, a discussão sobre a intersetorialidade emergiu principalmente depois da Declaração de Alma Ata, em 1978, ao relacionar saúde ao desenvolvimento como componente essencial de qualquer estratégia que pretenda melhorar a condição da saúde humana, pela complexidade dos seus determinantes. O Programa de Saúde da Família define, entre seus objetivos, o estabelecimento de parcerias para o desenvolvimento de ações intersetoriais e a intervenção sobre os fatores de risco aos quais a população está exposta, devendo as ESF “promover ações intersetoriais e parcerias com organizações formais e informais existentes na comunidade para o enfrentamento conjunto dos problemas identificados” (MS; 2001:75). A Política Nacional de Atenção Básica de 2006 reafirma esta atribuição das ESFs, indicando como característica de seu processo de trabalho o “desenvolvimento de ações intersetoriais, integrando projetos sociais e setores afins, voltados para promoção da saúde” (MS, 2006:19). Para Mendes (1996:275-7), a intersetorialidade deve ser um dos princípios organizativos da Estratégia Saúde da Família. Entende que a complexidade dos problemas de saúde exige a participação de outros setores para serem enfrentados, devendo a Saúde da Família trabalhar em estreita articulação com outros setores de políticas públicas. O autor reconhece que os esforços das práticas intersetoriais das ESFs sofrem limitações, as equipes ocupam hierarquicamente posição inferior, atuando NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ I. Eixos de análise 23 em nível local e estando na dependência da condução dos problemas por níveis superiores. Estudo realizado por Papoula (2006) em Petrópolis corrobora esta percepção. Os resultados da pesquisa mostram que as ESFs reconhecem a importância e tomam iniciativas para desencadear a ação de outros setores de políticas públicas na busca da solução de problemas da população do território em que atuam, contudo nem sempre conseguem respostas às suas iniciativas. Nesse estudo, os setores mais contatados pelas ESFs para a resolução dos problemas identificados nas comunidades pertenciam ao executivo municipal; entretanto, as ESFs conseguiam respostas mais positivas às suas solicitações quando os setores contatados eram organizações locais, com as quais estabeleciam relações mais horizontais (escolas, instituições religiosas, ONGs). Assim as ESFs cumpririam o papel de mediadoras de algumas ações intersetoriais, enquanto a efetivação da intersetorialidade dependeria da ação articuladora do governo municipal (Papoula, 2006). Por conseguinte, para avaliar a abrangência da atuação intersetorial da Estratégia Saúde da Família, além de estudar o processo de trabalho das equipes de saúde da família e a incorporação de práticas relacionadas à atuação intersetorial, é preciso examinar as iniciativas da própria Secretaria Municipal de Saúde no tocante à articulação com outros setores de políticas públicas e identificar a presença de estratégias de atuação intersetorial de parte do Executivo Municipal. Com o intuito de delimitar o escopo do estudo e analisar a intersetorialidade desde a perspectiva da saúde optou-se, na presente pesquisa, por examinar as iniciativas da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e o papel desempenhado pela Estratégia Saúde da Família nestas iniciativas. A atuação intersetorial do Executivo Municipal foi apreendida desde a perspectiva da Secretaria Municipal de Saúde e de gestores de outros setores identificados, pelo secretário municipal ou coordenador da atenção básica, como tendo maior articulação com a SMS. A atuação intersetorial é a estratégia que abrange um conjunto amplo e diversificado de ações e projetos e exige o estabelecimento de uma série de fóruns e colegiados que discutam e estabeleçam objetivos, prioridades, estratégias, elaborem projetos, definam recursos financeiros e humanos, modalidades de acompanhamento e avaliação, e divulgação dos resultados. Na análise da atuação intersetorial da Estratégia Saúde da Aracaju 24 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Família por meio de informações coletadas em entrevistas com gestores da SMS e de outros setores selecionados, de questionários de profissionais e de inquérito com famílias cadastradas, buscou-se responder algumas questões como: - As iniciativas de atuação intersetorial respondem a uma política municipal e a uma modalidade integrada de atuação governamental ou estão relacionadas a projetos específicos ou emergenciais (como, por exemplo, a epidemia de dengue)? - Existem fóruns ou colegiados intersetoriais? Como estão constituídos os colegiados? - Há corpo técnico de planejamento intersetorial ou, uma vez tomadas as decisões no colegiado, estas passam a ser planejadas setorialmente? - Como são alocados os recursos financeiros para as ações intersetoriais? Existem recursos alocados para projetos intersetoriais? Ocorre negociação entre órgãos governamentais envolvidos para que “retirem” do orçamento aprovado recursos para este fim ou são elaborados projetos visando obter recursos adicionais, internos ou externos? - O modo de implementação dos projetos e a execução das ações é outra característica a considerar, na medida em que os colegiados podem estabelecer prioridades que são realizadas por órgãos separados mesmo que atuem no mesmo espaço. Em que medida constituem-se equipes de planejamento e de intervenção (execução) intersetoriais que conseguem articular saberes e práticas específicas de diferentes campos de conhecimento e ação? - Quem está no comando dos colegiados, dos projetos ou ações? Embora o setor saúde seja o mais sensível para detectar os problemas e perceber a necessidade da ação intersetorial, não necessariamente é aquele que deve estar no comando da execução. Este aspecto se reflete no escopo do diagnóstico realizado para a intervenção, que pode estar restrito ao campo da saúde e em que ficam evidentes as necessidades de ações intersetoriais ou conformam um diagnóstico da qualidade de vida em que saúde é um dos principais componentes. - Qual é a “base” do planejamento intersetorial? Neste aspecto distinguem-se três níveis: municipal, setorial e local. O planejamento intersetorial municipal estaria relacionado, por exemplo, aos parâmetros que a literatura apresenta de “cidades saudáveis” ou “políticas saudáveis”. A base setorial refere-se ao setor saúde que contemple a modalidade de planejamento e gestão e, eventualmente, a execução de projetos e ações NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ I. Eixos de análise 25 nos quais há interferência de aspectos relacionados a outros setores, como meio ambiente, educação e desenvolvimento social. A base micro ou local relaciona-se a um território/população definido em que há integração de um conjunto de ações e projetos orientados por parâmetros do que poderia ser denominado de “desenvolvimento local integrado e sustentável”. - Quais as parcerias estabelecidas pelas ESFs no nível local? - Qual é o grau de participação da população na definição dos objetivos e das prioridades para a atuação intersetorial? Qual é o grau de controle social no acompanhamento e avaliação dessas ações? - Nos fóruns e colegiado: como são estabelecidas as prioridades? Como é tomada a decisão: por consenso? Votação? Ad referendum? É necessário homologação? Qual é o poder decisório dos representantes das agências governamentais? - Como são estabelecidas as articulações entre governo, comunidade e iniciativa privada (incluído ONGs e OSCIPs)? Contratos? Parcerias? Ações conjuntas episódicas? Projetos mais permanentes? As questões propostas a partir da revisão bibliográfica realizada foram organizadas em três dimensões: campos de atuação, institucionalidade e participação social. As variáveis a analisar por dimensão são apresentadas a seguir. Dimensões da intersetorialidade 1. Campos de atuação - Identificação dos temas/problemas de intervenção intersetorial no nível central (SMS e outras secretarias) e no nível local pelas ESFs. 2. Institucionalidade - Modalidades de articulação e parcerias com outros setores e organizações nos níveis central e local; - Iniciativas de articulação intersetorial da SMS e das ESFs; - Presença de fóruns e colegiados intersetoriais; - Setores envolvidos da administração pública (Secretaria de Educação, Departamento de Trânsito, Secretaria de Trabalho, Secretaria de Ação Social, Vigilância Sanitária, Defesa Civil, Secretaria de Obras etc.), ONGs, OSCIPs, iniciativa privada etc.; Aracaju 26 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO - Nível de abrangência da intervenção: municipal, setorial, local; - Destinação de recursos a ações intersetoriais; - Processo decisório no estabelecimento de prioridades, nos colegiados, quando existentes. 3. Participação social - Entidades envolvidas nos fóruns intersetoriais; - Mecanismos de controle social no acompanhamento e avaliação das atividades intersetoriais; - Participação da comunidade na realização do diagnóstico local; realização de reuniões da ESF com a comunidade. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ II. METODOLOGIA A análise do modelo assistencial da atenção básica em saúde a partir da implementação da Estratégia Saúde da Família requer estratégias diversificadas de pesquisa. Para tanto foram realizados estudos de caso com abordagem abrangente, incorporando metodologias quantitativas e qualitativas, com uso de diversas técnicas de obtenção de dados e de análise. A realização de estudos de caso permite a compreensão abrangente do grupo/tema em estudo e o desenvolvimento de análises teóricas mais gerais sobre regularidades dos processos e estruturas sociais, considerando as múltiplas inter-relações dos fenômenos observados (Becker, 1997). No campo da análise de políticas, a realização de estudos de caso de implementação de determinado programa implica conhecer o contexto mais geral no qual se insere o programa e incorporar as perspectivas dos diversos atores envolvidos (stakeholders). Estudos de caso correspondem a uma estratégia de pesquisa abrangente, que se baseia em diversas fontes de informação e de evidências, as quais devem ser trianguladas e convergir. Estudos de caso como estratégia de pesquisa podem ser utilizados em muitos campos para aprofundar os conhecimentos sobre fenômenos não apenas individuais ou de certos grupos, mas também organizacionais, sociais e políticos. Adaptam-se principalmente ao estudo de fenômenos sociais complexos contemporâneos e permitem preservar características holísticas dos acontecimentos da vida real. São apropriados para responder perguntas de investigação para explanação do como e do porquê (Yin, 2005:34-5). Adaptam-se para explicar as dinâmicas das organizações, as inter-relações entre implementação e resultados do programa, o como e o porquê dos acontecimentos (Veney e Kaluzny, 1991:124). Assim, segundo Yin (2005:32), um estudo de caso “investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto de vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos.” A realização de estudos de caso possibilita a análise de situações em que há muitas variáveis de interesse e se beneficia do desenvolvimento prévio de proposições teóricas para conduzir a coleta de dados. 28 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Os estudos de caso têm lugar de destaque em pesquisas de avaliação de programas sociais. Yin (2005:34) aponta cinco aplicações possíveis: i) A mais importante é possibilitar a explicação das relações entre implementação e efeitos do programa: “supostos vínculos causais em intervenções da vida real complexas demais para outras estratégias de pesquisa”; ii) “descrever uma intervenção e o contexto da vida real em que ela ocorre”; iii) descrever e ilustrar determinado aspecto de uma avaliação; iv) explorar situações em que “a intervenção que está sendo avaliada não apresenta um conjunto simples e claro de resultados”; v) em meta-avaliações: análise de estudos de avaliação (Yin, 2005:34s). Para Veney e Kaluzny (1991:115), estudos de caso são estratégia útil para avaliação sob certas condições. Estudos de caso selecionam uma única atividade, organização ou entidade para observação ou exemplos de organizações e permitem a observação em profundidade; contudo, isto limitaria os tipos de conclusões e de decisões que podem produzir/orientar. De natureza basicamente qualitativa, utilizam diversos métodos de coleta de dados e podem prover valorosas informações para avaliações de base mais quantitativa. Para estes autores, estudos de caso são uma estratégia de avaliação mais efetiva quando seu propósito é prover informação para uma decisão que pode ser melhor produzida a partir da visão panorâmica de determinado programa (Veney e Kaluzny, 1991). Veney e Kaluzny (1991:126) consideram que, sob certas circunstâncias, é possível aprender mais por meio do método de estudo de caso do que por qualquer outra técnica de avaliação, pois, como o avaliador não está sujeito a nenhum tipo específico de coleta de informações, o escopo do estudo de caso pode abranger todos os aspectos do programa a avaliar e permitir riqueza de detalhes sobre a operação do programa específico. Estudos de caso são ferramentas particularmente úteis quando avaliadores e implementadores querem conhecer o completo funcionamento do programa, pois permitem visão abrangente ao prover informações detalhadas e conhecimento extensivo do programa em avaliação. São apropriados na avaliação de programas para os quais os processos de avaliação não foram planejados em seu projeto de implementação, não tendo sido estabelecidos grupos de comparação nem desenhado modelo lógico que relacionasse insumos, processo e produtos (Veney e Kaluzny, 1991:120). NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ II. Metodologia 29 Os estudos de caso podem também contribuir para complementar de duas formas a avaliação quantitativa de determinado programa específico. Para descrever contexto, processos e atividades e para identificar causas e determinantes dos resultados dos programas: porque as coisas acontecem de certa maneira (Veney e Kaluzny, 1991:116). Contribuem para discutir os fatores que influenciam os resultados da avaliação: as razões para a intervenção/programa ter parcos ou exitosos resultados. Estudos de caso são frequentemente considerados como estudos exploratórios. Contudo, não são puramente exploratórios: podem prover informação para a tomada de decisão, ser um primeiro passo para responder questões sobre a efetividade do programa, ou prover informação para desenhar um sistema de avaliação com base em inquérito. Veney e Kaluzny (1991:119) alertam, porém, que estudos de caso com métodos apenas qualitativos provêem informações subjetivas e que a decisão seria baseada em informação coletada na ausência de grupo controle, o que impede de examinar relações de causa e efeito. Assim, estudos de caso conformariam mais arte do que ciência. Para estes autores, a abordagem de estudos de caso tem problemas que limitam seu uso: ausência de categorias claras, de percepção seletiva e de interatividade. No entanto, estes problemas poderiam ser minimizados (Veney e Kaluzny, 1991). É possível enfrentar o primeiro senão ao se esclarecer e estabelecer previamente ao estudo quais informações devem ser obtidas, para possibilitar a tomada de decisão e definir as categorias. A seletividade da percepção dos entrevistadores/avaliadores ocorre na forma como as respostas são entendidas e registradas e na forma como as perguntas são formuladas. Pode levar à perda de importantes aspectos da operação do programa que não se coadunam/encaixam nas pré-concepções do avaliador (Veney e Kaluzny, 1991). De modo a verificar se as perguntas são adequadas para produzir a informação desejada, a seletividade de percepção do avaliador pode ser reduzida por pré-teste dos roteiros de entrevistas e pelo esclarecimento das razões de determinadas perguntas (para evitar que ocasionem self-fulfilling prophecy). Já a interatividade entre observador e observado no processo de investigação é quase inevitável. Ainda que a observação seja o meio de obter dados acerca de uma atividade do programa em ambiente quase “natural”, a observação em si interfere. A presença do observador, registrando o que ocorre, afeta e Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 30 modela a realização das atividades; cria um ambiente não natural. Assim a análise dos dados de observação precisa ser muito cuidadosa (Veney e Kaluzny, 1991). O principal limite dos estudos de caso para a produção de conhecimento, segundo Veney e Kaluzny (1991:127), seria a ausência de uma maneira formal de verificar relações de causa e efeito entre programa e resultados, por não haver grupo controle não submetido aos efeitos do programa para comparação. Assim, a confiança dos gestores nos resultados para orientar a tomada de decisão dependeria da confiança na objetividade e na competência do avaliador. Na presente pesquisa buscou-se minimizar estes problemas por meio de diversas estratégias de levantamento de informações e de fontes de informação. As principais características dos estudos de caso realizados foram a pesquisa abrangente e em profundidade da singularidade da implementação da Estratégia Saúde da Família em cada município a partir de diversos métodos, técnicas, fontes de informação e perspectivas de atores, o que incluiu: i) Abordagem qualitativa, com análise de conteúdo de informações obtidas em entrevistas com gestores e gerentes da SMS, com gerentes de outras secretarias relacionadas a atividades intersetoriais e com representantes de entidades de profissionais de saúde; ii) Estudos quantitativos transversais, por meio da realização de inquéritos com amostras de profissionais de saúde das equipes de saúde da família: médicos, enfermeiros, auxiliares/técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde; iii) Inquérito em amostra representativa de famílias cadastradas; iv) Análise de dados secundários para a caracterização sociodemográfica e sanitária do município; v) Análise documental. Para levantamento dos dados foram revisados e adaptados instrumentos de pesquisa utilizados em estudo anterior (MS, 2002; Escorel et al., 2005) que incorporou informações obtidas dos gestores, dos profissionais de saúde e das famílias cadastradas no PSF. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ II. Metodologia 31 MUNICÍPIOS SELECIONADOS Os municípios foram selecionados de forma intencional de modo a escolher experiências consolidadas considerando-se: elevada cobertura populacional do PSF (> 50%), o grau de institucionalização da estratégia (Mendes, 2002)3, tempo de implementação mínimo de cinco anos e presença de práticas inovadoras e bem sucedidas na mudança do modelo assistencial, identificadas a partir de entrevistas com informantes-chave do Ministério da Saúde. Tabela 1 – Critérios de seleção e características dos municípios caso, 2007 Critérios/ Características Aracaju Belo Horizonte Florianópolis Vitória Ano de implantação do PSF 1998 2002 1998 1998 86,7% 69,6% 71,3% 60,1% 127 (128) 484 (504) 84 (84) 56(62) 50 145 48 30 Acolhimento Acolhimento Integração da rede USF campo de prática para graduação Intersetorialidade Adesão AMQ 505.286 2.399.920 406.564 317.085 Nordeste Sudeste Sul Sudeste Sim Sim Não Não (+ de 5 anos) Cobertura populacional do PSF > de 50% Número de ESF implantadas* Número de UBS Presença de práticas inovadoras preliminarmente identificadas População municipal 2007 Região do país Habilitação em gestão plena do sistema municipal Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. * Entre parênteses, maior número de ESFs registradas no SIAB até fevereiro de 2008. Outros dados, dezembro de 2007. Buscou-se também contemplar diferentes portes populacionais entre aqueles com mais de 100 mil habitantes e alguma distribuição pelas regiões do país. As cidades selecionadas foram Aracaju, Belo Horizonte, Florianópolis e Vitória. A repetição de estudos de caso em dois municípios contemplados na pesquisa anterior (Aracaju e 3 Mendes (2002) sugere uma tipologia para avaliar a institucionalização da estratégia saúde da família em quatro estágios: i) Transição inicial – cobertura 10 a 25% - instabilidade institucional; ii) Transição intermediária – cobertura 25 a 50% - baixa institucionalidade; iii) Transição terminal – cobertura 50 a 70% - institucionalização diferenciada: espaços político (discurso e prática), serviços de saúde (posição da APS na rede de serviços/ atributos Starfield), e menor no espaço educacional (formação dos profissionais), corporativo (organização dos profissionais de APS) e espaço da representação populacional: saúde da família como valor societal; iv) Momento de consolidação – cobertura maior de 70% e institucionalização nos 5 espaços, ainda que de forma assimétrica. Aracaju 32 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Vitória) teve por propósito analisar a evolução ao longo do tempo da Estratégia Saúde da Família em experiências consolidadas e que haviam sido relativamente bem avaliadas em estudo anterior por meio da comparação de alguns resultados entre 2002 e 2008. INSTRUMENTOS DE PESQUISA Os casos foram estudados considerando as perspectivas dos principais atores envolvidos (stakeholders): gestores e gerentes de saúde, profissionais das equipes de saúde da família (ESFs) e famílias cadastradas. As principais fontes de informação foram entrevistas a partir de roteiros semiestruturados realizadas com gestores e gerentes municipais, questionários autopreenchidos pelos profissionais das ESFs e questionários fechados, aplicados a uma amostra de famílias cadastradas que foi entrevistada em seus domicílios. Entrevistas semiestruturadas com o gestor e gerentes municipais Para conhecer a perspectivas dos gestores e analisar a integração e a intersetorialidade desde a perspectiva da gestão do sistema municipal foram realizadas entrevistas com informantes-chave, selecionados intencionalmente por ocuparem posições na gerência relacionadas aos temas de estudo, em especial os gestores de atenção básica, os responsáveis por departamentos relativos aos diversos níveis assistenciais e ao mecanismo de integração e atuação intersetorial. As entrevistas realizadas com os secretários municipais de saúde e com coordenadores da Estratégia Saúde da Família foram orientadas por roteiro semiestruturado em torno de seis tópicos: • Processo de implementação do PSF – motivações para a expansão da Estratégia Saúde da Família, contexto político-institucional, posicionamento de atores no momento atual, estratégias utilizadas e etapas de implementação; • Organização e gestão da ESF – coordenação, supervisão, monitoramento e avaliação; • Integração à rede assistencial, coordenação e continuidade dos cuidados e mudanças do modelo de atenção básica – posição da Estratégia Saúde da Família na rede assistencial, porta de entrada preferencial do sistema, estratégias de integração do PSF à rede de serviços, mecanismos de referência e contrarreferência, resultados da NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ II. Metodologia 33 experiência de integração, principais dificuldades e ajustes necessários para a constituição da rede integrada de serviços de saúde; • Intersetorialidade: identificação dos temas/problemas de intervenção intersetorial, iniciativas da SMS, modalidades de articulação e parcerias entre setores, participação social; • Gestão e capacitação de recursos humanos – modalidades de seleção, processos de contratação, estratégias utilizadas para atrair e fixar recursos humanos, rotatividade dos integrantes das ESFs e modalidades de capacitação para atuação nessas equipes; • Fatores limitantes e facilitadores para implementação e desempenho adequado da ESF – perspectivas e condições necessárias para sua expansão, avaliação do entrevistado sobre dificuldades atuais para efetivação da estratégia, aspectos positivos da implantação. As entrevistas com os demais gerentes municipais seguiram este roteiro geral de tópicos comuns, acrescidos de itens específicos sobre o papel do setor correspondente na relação com a Estratégia Saúde da Família e no desenvolvimento de estratégias de integração/coordenação/continuidade e intersetorialidade. Questionários de autopreenchimento para os integrantes das Equipes de Saúde da Família Junto aos profissionais foram aplicados três instrumentos de pesquisa específicos: para profissionais de nível superior (médicos e enfermeiros), para auxiliares de enfermagem e para agentes comunitários de saúde. Os questionários dos profissionais são estruturados ao redor de cinco tópicos: • Perfil do profissional – idade, sexo, escolaridade e experiência anterior de trabalho; • Inserção e capacitação da ESF; • Organização do trabalho em equipe; • Avaliação da integração da rede e da coordenação dos cuidados; • Desenvolvimento de ações intersetoriais. Questionário aplicado a famílias usuárias da Estratégia Saúde da Família À amostra selecionada de famílias cadastradas foi aplicado, nos domicílios, um questionário estruturado. O informante familiar foi o chefe da família ou cônjuge, de Aracaju 34 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO modo a garantir a informação mais precisa. O questionário destinado às famílias usuárias do PSF está estruturado nos seguintes tópicos: • Caracterização dos moradores e famílias; • Características do domicílio; • Conhecimento do PSF; • Demanda e uso dos serviços de saúde; • Uso do PSF; • Encaminhamento a especialistas; • Realização de exames; • Avaliação das ações do ACS; • Satisfação com a USF e a ESF; • Portadores de doenças crônicas: presença e acompanhamento – hipertensos, diabéticos e acamados; • Acompanhamento de grávidas; • Acompanhamento crescimento e desenvolvimento infantil; • Problemas de saúde de seu bairro ou comunidade; • Violência; • Participação social; • Avaliação do PSF pelas famílias. DESENHO DA AMOSTRA DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE E FAMÍLIAS O plano de amostragem é do tipo conglomerado em três estágios de seleção, a saber: equipe de saúde da família como unidade primária de amostragem, agente comunitário de saúde da família como unidade secundária de amostragem e, como unidade elementar, a família cadastrada. Assim, para cada agente de saúde selecionado, cinco famílias foram sorteadas aleatoriamente do conjunto de famílias da microárea sob responsabilidade do ACS selecionado. A população de pesquisa é composta pelos profissionais de todas as equipes de saúde da família existentes nos municípios de Aracaju, Belo Horizonte, Vitória e Florianópolis NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ II. Metodologia 35 em 31 de dezembro de 2007, bem como pelas famílias atendidas por essas equipes. Assim, são excluídas da população de pesquisa (e, portanto, da amostra) as equipes de saúde da família com atuação inferior a seis meses, não havendo critério de exclusão para as famílias. O cadastro de seleção da amostra de profissionais de saúde foi obtido a partir dos registros administrativos e contém dados sobre os profissionais de todas as equipes de saúde disponibilizados pelo Departamento de Atenção Básica (DAB/SAS/MS), a partir do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). Para as famílias, o cadastro de seleção deriva do cadastro de famílias de cada agente comunitário de saúde (ACS) que for selecionado para a amostra. Os dados do cadastro de seleção indicam a existência de 43 estabelecimentos do Programa de Saúde da Família com 127 equipes existentes em Arcaju na data de referência (tabela 2). Tabela 2 − Número de estabelecimentos, equipes e profissionais de saúde e número de famílias cadastradas por município de pesquisa Estabelecimentos, equipes, profissionais e famílias Estabelecimentos de saúde da família 43 Belo Horizonte 143 Equipes de Saúde da Família (ESF) 127 Médicos Aracaju Florianópolis Vitória Total 56 19 261 469 79 53 728 127 468 79 55 729 Enfermeiros 127 477 79 57 740 Auxiliares de enfermagem 127 867 27 113 1 134 Agentes Comunitários de Saúde (ACS) 745 2 076 462 232 3 515 Média de ACS por ESF 6 4 6 4 5 Famílias cadastradas SF 127 214 346 692 86 120 57 400 617 426 171 167 186 247 176 Média de famílias cadastradas por ACS Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Em termos estatísticos, o desenho da amostra da pesquisa é estratificado pelos municípios abrangidos e conglomerado por equipe de saúde da família e ACS, com exceção para Florianópolis e Vitória, onde a conglomeração será apenas por ACS, como indicado adiante. Uma aproximação usual para o tamanho de amostra aleatória simples [representado por n AAS ] é dado pela expressão (1). (1) n AAS = 1,96 2 × Vy2 k 2r , onde Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 36 Vy2 é a variância da variável de interesse y; e kr é o erro relativo máximo aceitável para a estimativa da média de y. Essa expressão pressupõe: (1) um nível de confiança de 95% [representado pelo valor 1,96, da abscissa da distribuição normal (0;1)] de que a estimativa de média tenha um erro relativo máximo k r ; e (2) que o tamanho da população seja grande (supõe-se que N→∞). Apesar de simples, esta expressão depende do valor desconhecido da variância de y, ou seja, de Vy2 . Entretanto, para grande número de situações de interesse prático, é possível estimar ou estabelecer uma cota superior para essa variância e, com isso, determinar um tamanho de amostra que funcione bem para estimar a média com margem de erro controlada, qualquer que seja o verdadeiro valor de Vy2 menor ou igual que o valor desta cota superior. No caso em questão, y é uma variável indicadora da posse de um atributo ou característica e sua variância é dada pela expressão abaixo: (2) Vy2 = P P(1 − P) 1 − P = P P2 onde, é a proporção de unidades na população que possuem o atributo de interesse (e também é a média populacional da variável y). Nesse caso, é fácil verificar que Vy2 é uma função monótona decrescente de P, para P no intervalo (0;1). Logo, se o interesse for estimar proporções iguais ou maiores que P0 (digamos, P0 = 0,1 = 10%) com erro relativo máximo de 30% (kr = 0,30 = 30%), a variância descrita em (2) conduz a: (3) Vy2 ≤ 1 − P0 0,90 = = 9. P0 0,1 Neste caso, o tamanho de uma amostra aleatória simples para estimar proporções maiores ou iguais a 0,1, com erro máximo de 3 % (= P0 × k r = 0,1 × 0,30 = 0,03 = 3%), obtido pela expressão (1), corresponde a: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ II. Metodologia (4) n AAS = 37 1,96 2 × Vy2 k 2r 1,96 2 × 9 = ≅ 384 . 0,32 No entanto, o desenho amostral da pesquisa é complexo, pois combina estratificação geográfica e conglomeração (seleção de equipes e ACS). Uma aproximação razoável para o tamanho de amostra pode ser obtida ao se multiplicar o tamanho da amostra aleatória simples pelo efeito de desenho (deff) de um plano conglomerado semelhante. O efeito de desenho foi definido por Kish (1995) como: (5) 2 VAC (y) . deff = 2 VAAS (y) Assim, o tamanho de uma amostra conglomerada pode ser determinado pelo produto entre o tamanho de uma amostra aleatória simples e o efeito de desenho, como indicado na expressão abaixo: (6) n AC = n AAS × deff Para cálculo do efeito do desenho, foram usados os dados da pesquisa “Saúde da Família: avaliação da implementação em dez grandes centros urbanos”, realizada em 2001-2002, cuja descrição resumida do desenho de amostra consta na publicação consultada (MS, 2005). Com os dados desse inquérito, foram calculados os desvios padrão dos estimadores de média, considerando o desenho de amostra complexo do inquérito e supondo que os dados provinham de uma amostra aleatória simples para um conjunto de profissionais e de famílias, que constam da Tabela 2. Tabela 3 – Efeito do desenho para algumas variáveis de famílias e profissionais Desvio padrão da média (1) Variáveis Amostra conglomerada (AC) Amostra aleatória simples (AAS) Deff (2) Das famílias Número de moradores 0,0753 0,0640 1,3854 Número de cômodos 0,0919 0,0603 2,3233 Paredes de alvenaria 0,0107 0,0077 1,9461 Já ouviu falar do PSF? 0,0130 0,0114 1,2936 0,0235 0,0252 0,8684 Dos profissionais Número de homens Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 38 Até 40 anos de idade 0,0276 0,0297 0,8631 Atua no PSF até 2 anos 0,0273 0,0290 0,8887 Remuneração bruta no PSF de até R$ 3 000,00 0,0182 0,0279 0,4239 Programação é discutida regularmente pela equipe? 0,0241 0,0246 0,9553 PSF mudou a relação entre serviço e população? 0,0243 0,0246 0,9728 (1) (2) Também chamado de erro padrão do estimador da média. Corresponde à razão dos quadrados dos erros padrão da AC e AAS. Considerando que os maiores efeitos de desenho foram encontrados nas variáveis de família, variando entre 1,29 e 2,32 optou-se por usar um efeito de desenho igual a 2, o que conduz a uma amostra de 768 famílias para estimar proporções maiores ou iguais a 0,1, com erro máximo de 3%. Este tamanho de amostra é aplicado a cada município da pesquisa. Supondo a seleção de cinco famílias por ACS, obtém-se o tamanho da amostra de ACS. Considerando a seleção de dois ACS por equipe, obtém-se um número de equipes a selecionar, como indica a Tabela 4. Observa-se que, no caso de Vitória, foi necessário selecionar três ACS por equipe, tendo em vista o pequeno número de equipes. No caso de Florianópolis, esse método resultou em um censo das equipes, assim como em Vitória. Tabela 4 – Tamanho da amostra de equipes, profissionais e famílias por município de pesquisa Equipes, profissionais e famílias Aracaju Belo Horizonte Florianópolis Vitória Total Equipes de saúde da família 80 90 79 53 302 Médicos 80 90 79 53 302 Enfermeiros 80 90 79 53 302 80 90 79 53 302 160 180 158 159 657 5 5 5 5 5 Famílias 800 900 790 795 3.285 Número total questionários profissionais 400 450 395 318 1.563 1.200 1.350 1.185 1.113 4.848 Auxiliares de enfermagem Agentes comunitários de saúde (ACS) (1) Famílias a selecionar por ACS Número total estimado de questionários (1) Dois ACS selecionados por equipe, exceto em Vitória, onde foram selecionados três. Em cada equipe selecionada foram entrevistados um médico de saúde da família, um enfermeiro e um auxiliar de enfermagem. No caso dos auxiliares/técnicos de enfermagem efetuou-se uma seleção aleatória para determinar o entrevistado. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ II. Metodologia 39 Assim, para Aracaju, foram definidas: uma amostra de 800 famílias cadastradas e amostras com 80 médicos, 80 enfermeiros, 80 auxiliares/técnicos de enfermagem e 160 agentes comunitários de saúde das equipes de saúde da família. Seleção das amostras de profissionais e famílias Os questionários para os profissionais de saúde da equipe de saúde da família (médico, enfermeiro, auxiliar de enfermagem e agente comunitário de saúde) foram autoaplicados e distribuídos por pesquisadores de campo supervisionados por um coordenador do trabalho de campo. A seleção da amostra de profissionais de saúde foi feita aleatoriamente, a partir dos registros administrativos, com os dados dos profissionais de saúde cadastrados no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) e disponibilizados pelo Departamento de Atenção Básica (DAB/SAS/MS). As ESFs foram selecionadas aleatoriamente, identificando-se o seu médico e enfermeiro. De cada ESF selecionada foi escolhido aleatoriamente um auxliar/técnico de enfermagem e três ACSs. Com relação às famílias, foram consideradas aquelas cadastradas no programa, que foram entrevistadas por pesquisadores de campo devidamente treinados com a aplicação de questionário em seu domicílio. Para as famílias, o critério de inclusão foi moradores de áreas cobertas pelo PSF, sendo o chefe do domicílio ou seu cônjuge o informantechave. Não há critérios de exclusão. Com a utilização de uma planilha para cada equipe de saúde da família, que continha as informações dos profissionais de saúde sorteados e o número de famílias adscritas a cada ACS, foi possível selecionar aleatoriamente e de forma sistemática os números de ordem de cada família de cada agente comunitário de saúde selecionado. Com base nesses números, as famílias foram identificadas através do respectivo cadastro ETAPAS DA PESQUISA Caracterização sociodemográfica e sanitária dos municípios Antes do início do trabalho de campo da pesquisa foram efetuados levantamentos de informações em diversos bancos de dados de diferentes instituições (IBGE, Datasus, Ripsa, SIAB, CNES, Atlas de Desenvolvimento Humano, Atlas de Exclusão Social no Brasil) visando à caracterização dos municípios em relação aos aspectos demográficos, socioeconômicos, epidemiológicos e ao sistema municipal de saúde. Aracaju 40 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Trabalho de campo com gestores e gerentes Visita e contato inicial O estudo de caso de Aracaju foi iniciado em junho de 2008 a partir de contato com o secretário municipal de saúde e os responsáveis pela Estratégia Saúde da Família no município, com envio de correspondência do DAB/SAS/MS e do Nupes/Ensp, apresentando o projeto de pesquisa, solicitando autorização para a realização do estudo e o agendamento da visita inicial ao município. A visita foi iniciada pela apresentação da pesquisa e suas fases de desenvolvimento à coordenação da atenção básica e ao secretário municipal de saúde com obtenção de autorização para sua realização. Orientada por roteiro de visita, a visita inicial foi realizada por duas integrantes da equipe de coordenação da pesquisa, com duração de quatro dias (16 a 18 de junho de 2008). Durante a visita foram feitas as entrevistas com a coordenadora de Atenção Básica (em duas sessões – primeiro e segundo dia), com o Secretário Municipal de Saúde (16 de junho) e visitadas unidades de saúde. A visita às unidades básicas seguiu roteiro de observação previamente definido. Foram visitados quatro Centros de Saúde/ Unidades de Saúde da Família em diferentes regiões da cidade. Durante as visitas foram entrevistados os gerentes das unidades. Foi também iniciada a preparação da realização do trabalho de campo, definindo interlocutor-chave para apoio ao trabalho de campo com gerentes da SMS, com profissionais e com famílias. Foram identificados os gerentes a entrevistar e agendadas datas para entrevistas. Preencheu-se o instrumento de Informações Básicas com o objetivo de identificar: composição e perfil da coordenação do PSF; histórico da descentralização; capacidade instalada da PSF (equipes, número e tipo de unidades); número de ESF por unidade, vínculos e salários por categoria profissional nas ESFs e na rede de Atenção Básica tradicional. Entrevistas com gerentes A segunda etapa do trabalho de campo ocorreu no período de 30 de junho a 4 de julho de 2008 com entrevistas de gerentes e gestores. Duas pesquisadoras assistentes entrevistaram gerentes da SMS, gerentes de outras secretarias participantes de atividades intersetoriais e representantes de entidades de profissionais. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ II. Metodologia 41 Em Aracaju foram realizadas 19 entrevistas com gestores e gerentes, dez dos quais eram gerentes da SMS (incluindo quatro gerentes de UBS), três gestores de outros setores participantes de atividades intersetoriais e dois representantes de entidades de profissionais de saúde. Em cada cidade, além do secretário municipal de saúde e coordenador da Estratégia Saúde da Família, foram entrevistados gerentes responsáveis por: regulação da atenção hospitalar/central de regulação de leitos, regulação do acesso à atenção especializada/ central de marcação de consultas, regulação de exames, coordenação vigilância em saúde/epidemiológica, coordenação de urgência e emergência, coordenação de ações programáticas/cuidado em saúde, setor responsável pela gestão de recursos humanos do PSF. Além dos gerentes da Saúde, foram entrevistados gestores de outros setores de políticas públicas indicados pela SMS: os gestores das secretarias municipais de Educação, de Assistência Social e Extraordinária de Participação Social. Considerando-se que um dos principais desafios para a adequada implementação da Estratégia Saúde da Família é a adesão dos profissionais, foram também entrevistados dirigentes de entidades representativas de profissionais de saúde. No caso de Aracaju: Sindicato dos Médicos e Conselho Regional de Enfermagem (Coren) de Sergipe. As entrevistas com informantes-chave foram gravadas, transcritas e editadas. Seu conteúdo foi examinado conforme as dimensões de cada eixo de análise e cotejado às experiências e às percepções de profissionais e famílias cadastradas pesquisadas. Trabalho de campo com profissionais de saúde das ESF A aplicação de questionários autopreenchidos para os integrantes das equipes de Saúde da Família foi realizada no período de 21 de agosto a 5 de setembro de 2008. Os questionários foram entregues aos profissionais das ESFs nas unidades de saúde por pesquisadores de campo treinados e recolhidos após o período agendado pelo pesquisador. Em diversos casos, os questionários foram entregues aos profissionais nos primeiros dias de campo, entretanto foram devolvidos somente ao final, às vezes até após o prazo estipulado inicialmente. Casos de substituição de profissionais da amostra foram decorrentes da constatação de profissionais que deixaram o cargo por rescisão do vínculo de trabalho na UBS, sendo substituídos pelo novo profissional da equipe ou parte dos ACSs que se encontravam Aracaju 42 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO em capacitação, sendo substituído por outro integrante da mesma ESF. Em casos de equipes incompletas, médicos e enfermeiros não foram substituídos. ACSs foram os profissionais mais freqüentemente substituídos na amostra. Em Aracaju foram aplicados questionários a um total de 332 profissionais das ESFs, dos quais: 56 médicos, 66 enfermeiros, 60 auxiliares/técnicos de enfermagem e 150 ACS. Ocorreram 68 perdas entre os diversos profissionais das ESFs conforme indicado na tabela abaixo, por diversos motivos, quais sejam: profissionais em férias (17), licença por motivo de doença ou maternidade (19), não devolução do questionário (12), recusa (8), não existência do profissional na ESF (7), profissionais em licença prêmio (3) ou para candidatar-se nas eleições municipais (2). Tabela 5 – Número de entrevistas no universo, na amostra (prevista e realizada) e percentual de perdas por tipo de questionário, Aracaju (SE), 2008 Questionários Amostra Realizada Perdas % Perdas Famílias 800 800 - - Médicos 80 56 24 30,0 Enfermeiros 80 66 14 17,5 Auxiliares/Técnicos de Enfermagem 80 60 20 25,0 Agentes Comunitários de Saúde 160 150 10 6,3 Total profissionais 400 332 68 17,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Trabalho de campo com famílias cadastradas às ESF À amostra selecionada de famílias cadastradas foi aplicado um questionário por pesquisadores de campo nos domicílios. Estes foram submetidos a extenso e rigoroso programa de treinamento, de modo a garantir uniformidade na aplicação dos questionários, com participação da coordenação geral da pesquisa. A aplicação foi supervisionada por supervisores de campo treinados e pelo coordenador de campo, todos da empresa contratada para realização do trabalho de campo. O trabalho de campo realizado pela empresa contratada foi supervisionado por pesquisadores do grupo de coordenação da Ensp. O trabalho de campo com famílias foi desenvolvido nos meses de agosto e setembro de 2008. Para sua realização, houve alguma dificuldade com alguns endereços das famílias da amostra. Para a solução destes casos verificou-se o número de famílias atendidas pelo ACS e se fez novo sorteio. A partir dos números sorteados, o endereço da residência correspondente ao número sorteado foi identificado na lista famílias/ NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ II. Metodologia 43 endereços de famílias do ACS selecionado. Por vezes, após o esgotamento da lista de reposição, foi necessário recorrer ao número anterior ou seguinte da residência inicialmente selecionada e a verificação da sua cobertura pelo agente referência. Com as substituições de famílias sistematicamente realizadas, o número de famílias estimado para a amostra foi completado, realizando-se 800 entrevistas de famílias. Processamento dos dados e crítica A crítica da aplicação dos questionários foi feita pelos próprios pesquisadores, que receberam treinamento específico da empresa contratada. Para a checagem de respostas e controle dos pesquisadores de campo, 15% dos questionários foram escolhidos aleatoriamente e realizado um retorno por telefone às famílias entrevistadas, conferindo duas questões de cada questionário com o entrevistado. Concluiu-se que os questionários foram corretamente aplicados e que as informações coletadas eram verídicas. O procedimento geral utilizado para processamento de dados e para a crítica dos resultados obtidos tanto nos questionários dos integrantes das ESFs quanto nos aplicados às famílias usuárias da ESF consistiu de: inspeção visual da produção de cada entrevistador antes da digitação dos dados, de modo a detectar e corrigir erros estruturais; codificação das perguntas abertas de acordo com dicionários de códigos preparados; entrada de dados em microcomputadores, com crítica de validação dos campos durante a digitação; e crítica de consistência dos dados, incluindo verificação da codificação, da digitação e da consistência entre as variáveis, para a correção pontual dos erros detectados. Para orientar a tabulação dos dados, um plano tabular foi elaborado, cobrindo toda a informação coletada seguindo as dimensões dos eixos de análise. Sistematização e análise das informações dos estudos de caso O conjunto de informações de cada município foi sistematizado e analisado, tendo por referência o Plano de Análise dos Estudos de Caso correspondente aos objetivos da pesquisa. O presente relatório de caso está constituído pelas seguintes partes: • Características municipais sociodemográficas e sanitárias; • Características de vulnerabilidade das famílias cadastradas; Aracaju 44 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO • Contexto político institucional e processo de implementação da Estratégia Saúde da Família – processo e etapas da implementação/consolidação, concepção do modelo implementado, institucionalidade, participação/posição de stakeholders; • Gestão do trabalho em Saúde da Família – perfil dos profissionais das equipes, inserção dos profissionais, estratégias de fixação, capacitação das ESFs, supervisão dos profissionais, trabalho em equipe, avaliação das entidades representativas sobre a gestão do trabalho em Saúde da Família no município; • Organização do processo de trabalho e de práticas assistenciais das equipes de saúde da família; • Conhecimento e uso do PSF; • Posição da Estratégia Saúde da Família na rede assistencial – a porta de entrada preferencial, serviços de procura regular, estratégias de atendimento à demanda espontânea; • Integração da Estratégia Saúde da Família à rede de serviços de saúde: acesso das famílias usuárias à atenção especializada, à atenção hospitalar, aos serviços de urgência; estratégias de integração à rede assistencial, avaliação das ESFs quanto à atenção integral prestada; integração da Estratégia Saúde da Família com programas de saúde coletiva e ações de vigilância à saúde; • Coordenação dos cuidados – estratégias, continuidade informacional, avaliação da coordenação por profissionais; • Intersetorialidade – iniciativas da Secretaria Municipal de Saúde de articulação com outros setores de políticas públicas e o papel desempenhado pela Estratégia Saúde da Família: temas/problemas de intervenção intersetorial, modalidades de articulação e parcerias entre setores, intervenção intersetorial das equipes, participação social, problemas prioritários e da situação de saúde no bairro identificados pelas famílias; • Acompanhamento das famílias e dos grupos prioritários; • Avaliação das famílias dos atendimentos pelas ESFs e atuação do ACS; • Desafios e propostas de expansão e consolidação da Estratégia Saúde da Família; • Fatores facilitadores e limitantes da implementação e consolidação da Estratégia Saúde da Família em grande centros urbanos: conclusões da avaliação do processo de implementação nos municípios estudados, organizadas segundo os eixos de análise NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ II. Metodologia 45 integração/coordenação dos cuidados e à intersetorialidade, identificando os fatores que facilitam e dificultam a consolidação da Estratégia Saúde da Família nos municípios. CONSIDERAÇÕES ÉTICAS O projeto de pesquisa foi analisado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da ENSP/FIOCRUZ (Parecer 27/08). A realização da pesquisa foi autorizada pelo secretário municipal de saúde de Aracaju por meio do ofício n. 2498/2008 Nuplan/SMS/PMA de 16 de julho de 2008. Na realização da pesquisa foram contempladas todas as exigências da resolução 196/96 do CNS no que concerne à ética em pesquisa que envolve seres humanos. A todos os entrevistados foi solicitada a participação voluntária na pesquisa, apresentando-se o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e informando os objetivos do estudo, a não obrigatoriedade de participação e a possibilidade de retirar-se a qualquer momento. As informações obtidas por meio da pesquisa são confidenciais, assegurando-se o sigilo na participação de profissionais de saúde e das famílias cadastradas pela Estratégia Saúde da Família. A confidencialidade é garantida por meio de codificação de questionários para a entrada de dados e a divulgação de resultados de forma agregada, sem possibilitar a identificação dos sujeitos da pesquisa. Aos gestores que porventura possam ser identificados, já que são em número pequeno, foi solicitada a autorização para que suas opiniões fossem divulgadas. Aracaju III. CARACTERIZAÇÃO SOCIODEMOGRÁFICA E SANITÁRIA DE ARACAJU 1. CARACTERÍSTICAS DEMOGRÁFICAS E SOCIOECONÔMICAS O município de Aracaju, capital do estado de Sergipe, localiza-se na região Nordeste do Brasil e limita-se com os municípios de São Cristóvão, Nossa Senhora do Socorro, Santo Amaro das Brotas e Barra dos Coqueiros. Tem população de 511.893 habitantes (IBGE, 2007) e densidade demográfica de 2.535 hab/km². A população é 100% urbana e predominantemente feminina (53,2%). Oito por cento dos habitantes são menores de cinco anos e pouco mais de 7% têm 65 anos ou mais de idade (DATASUS, 2008; IBGE, 2000; IDB, 2006). A taxa de analfabetismo entre a população com mais de 15 anos é de 10% e a proporção de maiores de dez anos de idade com apenas quatro anos de estudos é de 23%, bastante inferior à média da região Nordeste (45%) e à média nacional (30%). O Produto Interno Bruto (PIB) per capita em Aracaju é de R$ 10.071 e 49% da população é considerada pobre no estado de Sergipe, ou seja, dispõe de renda familiar per capita de até meio salário mínimo (IDB, 2006; IBGE, 2004). A taxa de desemprego (percentual da população residente economicamente ativa que se encontra sem trabalho) no estado de Sergipe, em 2005, estava em torno de 13% (IDB, 2006). O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) é composto por três dimensões: Longevidade (esperança de vida ao nascer), Educação (taxa de analfabetismo e número de anos de estudo) e Renda (renda familiar per capita). Em Aracaju, o IDH-M é de 0,794, classificado como médio desenvolvimento humano1 (PNUD, 2000). 1 O IDH-M varia de zero (nenhum desenvolvimento humano) a 1 (desenvolvimento humano total). O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) até 0,499 indica desenvolvimento humano baixo; os índices entre 0,500 e 0,799 são considerados de médio desenvolvimento humano; IDH maior que 0,800 é considerado desenvolvimento humano alto (PNUD, 2000). PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 48 Tabela 1 – Indicadores demográficos e socioeconômicos, Aracaju Características demográficas Ano n % População total¹ 2007 511.893 100 População masculina¹ 2007 239.442 46,8 População feminina¹ 2007 272.451 53,2 Proporção de menores de cinco anos de idade na população² 2005 8,1 Proporção de idosos na população (65 anos ou mais de idade)² 2005 7,6 % População urbana³ 2000 100 Densidade demográfica (hab/km²) 2000 2.535 Características socioeconômicas Ano valor Taxa de analfabetismo (% na população de 15 anos ou mais de idade)² 2000 9,9 % População com menos de quatro anos de estudo (dez anos ou mais de idade)³ 2000 23,2 PIB per capita5 2004 R$10.071 Proporção de pessoas com renda familiar per capita até meio salário mínimo no estado de Sergipe² 2005 49,5 Taxa de desemprego no estado de Sergipe² 2005 12,7 2000 0,794 4 IDH-M 4 Fonte: ¹ DATASUS, Informações de saúde, demográficas e socioeconômicas, 2008. ² IDB, 2006. ³ IBGE – Censo Demográfico, 2000 http://www.ibge.gov.br 4 Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000. 5 IBGE – Diretoria de Pesquisas. Coordenação de Contas Nacionais, 2004 http://www.ibge.gov.br Em Aracaju, 67% das famílias residentes em domicílios particulares é composta por dois a quatro integrantes e 14% das famílias tem cinco componentes. Sete por cento são famílias compostas por um único integrante e 5% com sete ou mais integrantes. O cenário pouco se modifica se a análise partir do número de pessoas residentes em domicílios particulares: 65% vivem em domicílios particulares com três a cinco pessoas; 12% vivem em domicílios habitados por duas pessoas; 5% com sete ou mais pessoas e apenas 2% dos residentes vivem sozinhos (IBGE, 2000). NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ III. Caracterização 49 Tabela 2 – Famílias e pessoas residentes em domicílios particulares por número de componentes das famílias, Aracaju e Brasil, 2000 Número de componentes das famílias Aracaju Aracaju Brasil Famílias residentes Pessoas residentes Pessoas residentes n % n % n % 1 pessoa 9.231 7,1 9.231 2,0 4.021.987 2,4 2 pessoas 27.706 21,4 55.413 12,0 20.744.314 12,2 3 pessoas 31.048 24,0 93.143 20,2 35.096.322 20,7 4 pessoas 28.585 22,1 114.340 24,8 43.923.934 25,9 5 pessoas 18.631 14,4 93.156 20,2 30.860.013 18,2 6 pessoas 7.926 6,1 47.556 6,1 16.124.619 9,5 7 e mais pessoas 6.168 4,8 47.546 4,8 18.511.372 10,9 129.295 100,0 460.385 100,0 169.282.561 100,0 Total Fonte: IBGE – Censo Demográfico, 2000. Entre as famílias residentes em domicílios particulares de Aracaju, segundos tipos de composição familiar, predominam os casais com filhos (46%), em seguida, mulheres sem cônjuge responsáveis pela família e com filhos (17%), e os casais sem filhos (10%) (IBGE, 2000). Tabela 3 – Famílias residentes em domicílios particulares por tipo de composição familiar, Aracaju e Brasil, 2000 Tipo de composição familiar Aracaju Famílias em domicílios particulares Brasil Famílias em domicílios particulares n 59.487 % 46,0 n 23.915.114 % 49,5 Mulher responsável pela família sem cônjuge com filhos 22.382 17,3 6.047.642 12,5 Casal sem filhos 12.376 9,6 5.783.249 12,0 Pessoa sozinha 9.586 7,4 4.126.487 8,5 Casal com filhos e com parentes 7.875 6,1 2.971.770 6,2 Mulher responsável pela família sem cônjuge com filhos e com parentes 5.825 4,5 1.542.016 3,2 Homem responsável pela família sem cônjuge com filhos 1.985 1,5 762.871 1,6 Casal sem filhos e com parentes 1.962 1,5 881.206 1,8 Duas ou mais pessoas sem parentesco 575 0,4 142.627 0,3 Homem responsável pela família sem cônjuge com filhos e com parentes 528 0,4 187.324 0,4 Outro 6.714 5,2 1.902.478 3,9 Total 129.295 100,0 48.262.786 100,0 Casal com filhos Fonte: IBGE – Censo Demográfico, 2000. Aracaju 50 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO O fenômeno da exclusão social se manifesta de maneira cada vez mais complexa no mundo, sendo uma problemática composta por diferentes componentes. Portanto, não cabe fazer uma análise linear e reconhecer a exclusão social apenas por oposição à condição de inclusão social. O desenvolvimento de um país pode gerar condições de inclusão ao mesmo tempo em que gera exclusão (Pochmann e Amorim, 2003: 9-10). As regiões Norte e Nordeste do país abrigam os municípios com maior problema de exclusão social. O Nordeste é recordista em municípios com Índice de Exclusão Social (IES) até 0,4 (em situação de maior exclusão social), representando 72% do território nacional. (Pochmann e Amorim, 2003: 74). O IES é constituído por três componentes: i) O padrão de vida digno, que investiga as possibilidades de bem-estar material da população; ii) O conhecimento, que busca qualificar a participação da população na transmissão técnico-cultural da sociedade; e iii) O Índice de Vulnerabilidade Juvenil, que leva em consideração o risco de a população mais jovem se envolver em ações criminosas. O IES, construído por Pochmann e Amorim (2003), varia de 0 a 1, sendo 1 a melhor situação social, ou melhor, inclusão. Aracaju apresenta IES igual a 0,595, o que lhe garante a 245a posição entre os municípios na classificação nacional de melhor situação social. Os pontos positivos que mais se destacam no município são a violência (0,906), a alfabetização (0,858) e a escolaridade (0,727); já os de maior fragilidade são a desigualdade (0,306) e o emprego formal (0,343), componentes do padrão de vida digno que, junto com a pobreza (0,597), constituem a dimensão de maior vulnerabilidade (Pochmann e Amorim, 2003). Tabela 4 – Índice de Exclusão Social, Aracaju, 2000 Posição e componentes valor Padrão de vida digno Pobreza 0,597 Emprego formal 0,343 Desigualdade 0,306 Conhecimento Alfabetização 0,858 Escolaridade 0,727 Risco juvenil Juventude 0,684 Violência 0,906 Índice de Exclusão Social Posição nacional (melhor situação social) NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ 0,595 245º III. Caracterização 51 Fonte: Pochmann M.; Amorim R. (orgs), 2003. * Quanto maior o índice, melhor a situação social. Alguns indicadores de vulnerabilidade social podem ser construídos a partir das características dos chefes dos domicílios. A chefia feminina, indicador de vulnerabilidade à pobreza, está presente em 35% das unidades familiares de Aracaju (IBGE, 2000). Cerca de 16% dos chefes de família (homens e mulheres), em 2000, não tinham qualquer instrução ou possuíam menos de um ano de estudo e 10% dos responsáveis pelos domicílios de Aracaju têm de um a três anos de instrução, tendo abandonado os estudos no primeiro segmento do ensino fundamental. Assim, 26% dos chefes de domicílio apresentam vulnerabilidade educacional (IBGE, 2000). A razão de dependência é construída dividindo o segmento etário da população definido como economicamente dependente (os menores de 15 anos de idade e os de 65 anos ou mais de idade) pelo grupo etário potencialmente produtivo (15 a 64 anos de idade). Em Aracaju, para o ano de 2005, a razão de dependência geral foi de 47%, sendo 36% em relação aos jovens e 11% para idosos com mais de 65 anos, índices expressivamente menores que os do estado de Sergipe, onde a razão de dependência geral, em 2005, foi de 62%, com 50% em relação aos jovens e 12% em relação aos idosos. Em nível nacional, esta proporção, no mesmo ano, foi de 57%, sendo 42% para os jovens e 14% para os idosos. Tabela 5 – Indicadores de vulnerabilidade das pessoas responsáveis pelos domicílios particulares permanentes, Aracaju e Brasil Características Aracaju Brasil n % n % Homens 75.446 64,7 33.634.466 75,1 Mulheres 41.243 35,3 11.160.635 24,9 Sem instrução ou menos de um ano 18.656 16,0 7.243.666 16,2 1 a 3 anos 11.390 9,8 8.278.963 18,5 Gênero do chefe de domicílio¹ Anos de estudo do chefe de domicílio¹ Razão de dependência² em 2005 47,1 56,9 Jovens (menores de 15 anos) 36,0 42,5 Idosos (65 anos ou mais) 11,1 14,4 Fonte: ¹IBGE – Censo Demográfico, 2000. ² IDB, 2006. O Censo Demográfico de 2000 registrou que 96% dos domicílios de Aracaju possuem abastecimento de água por rede geral em pelo menos um cômodo e a coleta de lixo é realizada diretamente pelo serviço de limpeza. No entanto, a ligação com a rede geral de Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 52 esgoto existe em apenas 56% dos domicílios no município, representando instalação sanitária ainda incipiente. A situação pouco se modifica quando a análise é feita a partir do número de moradores (IBGE, 2000). Tabela 6 – Domicílios e moradores em domicílios particulares permanentes, por situação de saneamento básico, Aracaju, 2000 Indicadores Domicílios Moradores % % Abastecimento de água por rede geral em pelo menos um cômodo 95,7 91,9 Instalação sanitária por rede geral de esgoto ou pluvial 56,4 55,7 Destino do lixo coletado por serviço de limpeza 95,9 95,9 Fonte: DATASUS, Informações de saúde, demográficas e socioeconômicas, 2008. Analisando a situação de saneamento das famílias cadastradas pelo Programa Saúde da Família (PSF), segundo os dados do Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB), encontramos dados similares. A maioria das famílias cadastradas pelo PSF, em 2002, tinha acesso ao abastecimento de água por meio de ligação com a rede pública; energia elétrica; coleta de lixo por serviço de limpeza; e habitava predominantemente em construções de tijolo. Este conjunto de condições de saneamento, imprescindível ao bem-estar sanitário dos habitantes do município, apresentou crescimento percentual ao longo dos anos, mantendo-se acima dos 90% de cobertura para todos os itens pesquisados. Contudo, em dezembro de 2007, apenas 67% das famílias cadastradas no PSF tinham acesso ao esgotamento sanitário por rede geral (SIAB, 2000). Tabela 7 – Características dos domicílios das famílias cadastradas pelo PSF, Aracaju, 2002 - 2007 Dez 2002 Dez 2004 Dez 2006 Dez 2007 Situação n o % n % % % 72.824 Tipo de construção tijolo/adobe 67.085 92,1 101.219 94,9 118.491 96,6 124.296 97,0 Abastecimento de água pela rede pública 68.447 94,0 102.944 96,5 119.103 97,1 124.744 97,3 Destino do lixo coletado por serviço de limpeza 66.312 91,0 100.457 94,2 117.618 95,9 123.543 96,4 Destino de fezes/urina pelo sistema de esgoto 38.898 53,4 64.842 60,8 81.180 66,2 86.424 67,4 Tratamento de água (filtrada) 48.045 66,0 76.333 71,6 88.230 72,0 92.693 72,3 Energia elétrica 71.881 99,0 105.104 98,6 120.194 98,0 125.292 97,8 NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ 122.604 n N de famílias cadastradas Fonte: SIAB, 2008. 106.637 n 128.136 III. Caracterização 53 2. CARACTERÍSTICAS EPIDEMIOLÓGICAS Em Sergipe, a taxa de mortalidade infantil estimada, em 2004, foi de 34,3 mortes de menores de um ano por mil nascidos vivos, observando-se uma tendência de queda do indicador de 39 por mil nascidos vivos, em 2000, e 36,3, em 2002. Estes índices são mais altos que a média nacional para todos os anos 2000 (26,8), 2002 (24,3) e 2004 (22,6), no entanto mais baixos que a média regional do Nordeste: 2000 (41,4), 2002 (37,2) e 2004 (33,9) (IDB, 2006). A proporção de óbitos na faixa etária de 65 anos ou mais vem crescendo ao longo dos anos 2000 (43%), 2002 (47%) e 2004 (49%). Já a mortalidade proporcional2 de menores de um ano e das crianças de um a quatro anos teve ligeira queda no mesmo período. Em 2004, 8% dos óbitos ocorreram em menores de um ano e apenas 1% na faixa etária de um a quatro anos (IDB, 2006). A esperança de vida ao nascer em Sergipe, para o ano de 2005, era de cerca de 70 anos (dado mais recente não descrito na tabela abaixo), pouco abaixo da média nacional (72 anos). A mulher vive mais que o homem em todos os anos selecionados, apresentando uma vantagem que chega até sete anos. A esperança de vida aos 60 anos no estado, em 2005, era de 21 anos (dado mais recente não descrito na tabela abaixo), igual à média nacional. Os dados sobre esperança de vida ao nascer e após 60 anos apresentam leve crescimento ao longo dos anos para os dois sexos (IDB, 2006). Em relação à mortalidade proporcional por grupos de causas (segundo proporção de óbitos definidos), as principais causas de morte em Aracaju, em 2004, foram as doenças do aparelho circulatório (27%). Em seguida, estão os óbitos por causas externas e as neoplasias, ambas com 14%. A mortalidade proporcional por causas mal definidas, em 2000, era de 6%, aumentando para 7%, em 2002, e caindo para 4%, em 2004 (IDB, 2006). 2 Mortalidade proporcional, segundo o percentual dos óbitos informados. A mortalidade proporcional (% de óbitos informados ao Sistema de Informações sobre Mortalidade – SIM) é calculada pelo Banco de Dados do Sistema Único de Saúde (DATASUS) sobre o total de óbitos com causas definidas; com isto, considera-se que os óbitos com causa mal definida (capítulo XVIII da CID-10) estão distribuídos linearmente pelos demais grupos de causas (IDB, 2006). Aracaju 54 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO A mortalidade proporcional por óbitos sem assistência médica3 era de 4%, em 2000, contudo diminuiu significativamente para 0,1%, em 2002 e 2004 (IDB, 2006). Tabela 8 – Indicadores epidemiológicos selecionados, Aracaju e Brasil 2000 - 2004 Indicadores Taxa de mortalidade infantil em Sergipe – estimativas Mortalidade proporcional por idade* Menores de um ano De 1 a 4 anos De 65 anos ou mais Esperança de vida ao nascer em Sergipe Masculino Feminino Geral Esperança de vida aos 60 anos em Sergipe Masculino Feminino Geral Mortalidade proporcional por grupos de causas (% de óbitos definidos) Doenças do aparelho circulatório Neoplasias Causas externas Doenças do aparelho respiratório Doenças infecciosas e parasitárias Afecções originadas no período perinatal Demais causas definidas Mortalidade proporcional por causas mal definidas (% total de óbitos) Mortalidade proporcional por óbitos sem assistência médica 2000 2002 2004 39 36,3 34,3 Brasil 2004 22,6 11,8 1,4 43,2 9,8 0,7 47,1 7,6 0,9 48,9 5,3 0,9 58,6 65,2 71,9 68,5 65,6 72,3 68,9 66,6 73,4 69,9 68,3 75,9 72,0 19,4 20,7 20,1 19,5 21,0 21,0 19,7 21,3 20,5 19,3 22,4 20,9 26,6 15,2 14,0 8,2 8,6 4,6 22,6 6,2 26,8 14,0 13,5 10,5 7,8 4,4 23,0 7,3 27,4 14,2 14,2 11,4 5,4 4,5 22,8 4,3 31,8 15,7 14,2 11,4 5,1 3,5 18,3 3,8 0,1 0,1 12,4 6,3 Fonte: IDB, 2006, a partir de informações do MS)/Sistema de Vigilância Sanitária (SVS) – Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos – SINASC e MS/SVS – Sistema de Informações sobre Mortalidade – SIM. * Segundo o IDB, nas tabulações por faixa etária, estão suprimidos os casos com idade ignorada A proporção de nascidos vivos de mães adolescentes (menores de 19 anos)4 em Aracaju é de 18% e teve modesta redução ao longo do período de 2000 (21%), 2002 (19%) e 2004 (18%). Tal queda se deve exclusivamente à diminuição da proporção de nascidos vivos de mães com 15 a 19 anos, enquanto a proporção para mães menores de 14 anos se manteve inalterada (IDB, 2006). A cobertura de consultas pré-natal em Aracaju aumentou nos últimos anos. Em 2004, 82% dos nascidos vivos eram filhos de mães que receberam sete ou mais consultas pré-natal5, cobertura bem mais alta do que a média para o país (58%). Menos de 1% de mães que não 3 Óbitos sem assistência médica são aqueles codificados como R98 na Declaração de Óbito (IDB, 2006). O Indicadores e Dados Básicos (IDB) adotou o número de nascidos vivos como uma aproximação do número de partos. 5 Nas tabulações por número de consultas pré-natal, incluiu-se somente nascidos vivos com número conhecido de consultas pré-natal (IDB, 2006). 4 NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ III. Caracterização 55 passaram por qualquer consulta, 4% realizaram de uma a três consultas e 13% realizaram de quatro a seis consultas (IDB, 2006). A totalidade dos partos é hospitalar (99,8%) e a proporção de partos cesáreos registrados segundo a residência da gestante6 é de aproximadamente 40%, em 2004, e tem aumentado entre os anos 2000 e 2004 (IDB, 2006). Tabela 9 – Informações sobre condições de nascimento, Aracaju e Brasil 2000 - 2004 Brasil Condições de nascimento 2000 2002 2004 2004 Proporção de nascidos vivos por idade da mãe Menor de 14 anos 0,7 0,7 0,7 0,9 20,2 18,0 17,4 21,0 20,9 18,7 18,0 21,9 Nenhuma consulta 2,0 0,9 0,6 2,3 De 1 a 3 consultas 3,1 2,5 3,7 9,6 De 4 a 6 consultas 13,8 11,0 13,3 34,7 7 consultas e mais 81,1 85,6 82,4 58,3 Proporção de partos hospitalares 99,6 99,6 99,8 96,8 Proporção de partos cesáreos – por residência 30,2 36,2 37,7 42,7 De 15 a 19 anos Total (menor de 19 anos) o Proporção de nascidos vivos por n de consultas pré-natal Fonte: IDB, 2006. Poucos indicadores de morbidade para atenção básica (AB) estão disponíveis no nível municipal. A taxa de prevalência de hanseníase em Aracaju é alta (2,8 pacientes em curso de tratamento por 10 mil habitantes7) se comparada à média nacional, que é de 1,5 por 10 mil habitantes. A proporção de internações hospitalares (SUS) por causas externas é de 7% e a taxa de prevalência de hipertensão arterial (percentual de indivíduos que referiram ter diagnóstico clínico de hipertensão em pelo menos uma consulta, entre os que referiram ter feito exame para medir a pressão arterial nos últimos dois anos), para a população de 25 anos ou mais, em ambos os sexos, é de 26%, sendo 29% para o sexo feminino e 20% para o masculino (IDB, 2006). 6 Percentual calculado sobre o número de partos com informação sobre local do parto (partos considerados) (IDB, 2006). 7 A partir de 2004, o indicador passou a ser o número de pacientes em curso de tratamento por 10 mil habitantes, conforme recomendado pela Organização Mundial de[0] Saúde (OMS) e estabelecido pela Portaria no 31/2005, da Secretaria de Vigilância em Saúde, de 8 de julho de 2005. Aracaju 56 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Tabela 10 – Indicadores de morbidade, Aracaju, 2005 Indicadores Taxa de prevalência de hanseníase Proporção de internações hospitalares (SUS) por causas externas Taxa de prevalência de hipertensão arterial total (população de 25 anos ou mais) Masculino¹ Feminino % 2,8 7,3 25,8 20,4 29,5 Fonte: IDB, 2006, a partir de informações do MS/SVS – Sistema de Informação de Agravos de Notificação – SINAN. ¹ Segundo o IDB, o número de entrevistados que referiram ter diagnóstico clínico de hipertensão nesta capital e neste grupo é inferior a 50; portanto, recomenda-se cautela na interpretação dos resultados. 3. OFERTA DE SERVIÇOS DE SAÚDE EM ARACAJU Existem 1.443 unidades de saúde nos diversos níveis de complexidade, listados no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), de dezembro de 2007, no município de Aracaju. Do total desses estabelecimentos, a grande maioria, 1.175, é de consultórios isolados, que representam 81% dos serviços de saúde informados. São 67 clínicas especializadas/ambulatórios especializados, 50 centros de saúde e 39 unidades de Serviços de Apoio à Diagnose e Terapia (SADT). A rede hospitalar, incluindo os prontossocorros, soma um total de 31 unidades. O CNES indica também a existência de duas centrais de regulação de serviços de saúde. Tabela 11 – Estabelecimentos de saúde, Aracaju, dezembro 2007 Tipo de estabelecimento 2007 Centro de saúde/unidade básica de saúde 50 Clínica especializada/ambulatório especializado 67 Consultório isolado 1.175 Posto de saúde 3 Hospital especializado 7 Hospital geral 9 Hospital dia Laboratório Central de Saúde Pública – LACEN Policlínica 11 1 52 Central de regulação de serviços de saúde 2 Pronto-socorro especializado 1 Pronto-socorro geral 3 Unidade mista 1 Unidade de vigilância em saúde 1 Unidade de serviço de apoio à diagnose e terapia 39 Unidade móvel de nível pré-hospitalar/urgência/emergência 3 Unidade móvel terrestre 2 Cooperativa Farmácia Total Fonte: DATASUS – Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNES. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ 14 2 1.443 III. Caracterização 57 Atenção ambulatorial do SUS Segundo o CNES, dos 120 estabelecimentos do SUS que prestam atendimento ambulatorial no município, em 2007, 50 são centros de saúde ou Unidades Básicas de Saúde (UBS), entre as quais estão contabilizadas as Unidades de Saúde da Família (USFs), o que corresponde a 42% do total de estabelecimentos que prestam serviços ambulatoriais; 25 são clínicas especializadas ou ambulatórios especializados e 15 são policlínicas. Em 2007, 61% desses estabelecimentos eram públicos, em sua maioria, municipais (86%); dos 39% privados conveniados ao SUS a grande maioria era de estabelecimentos privados com fins lucrativos (87%). Tabela 12 – Estabelecimentos do SUS que prestam atendimento ambulatorial por prestador, Aracaju, 2007 Tipo de estabelecimento Público Centro de saúde/UBS Filantrópico Privado Sindicato Total 49 - 1 - 50 Clínica especializada/ambulatório especializado 8 1 16 - 25 Policlínica 3 1 11 - 15 Hospital dia 1 - 7 - 8 Unidade de serviço de apoio à diagnose e terapia 1 - 5 - 6 Hospital geral 2 2 - - 4 Hospital especializado 2 - 1 - 3 Posto de saúde 1 1 - 1 3 Pronto-socorro geral 2 - - - 2 Unidade móvel de nível pré-hospitalar/ urgência/emergência 2 - - - 2 LACEN 1 - - - 1 Unidade móvel terrestre 1 - - - 1 73 5 41 1 120 Total Fonte: DATASUS – Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNES. Tabela 13 – Rede ambulatorial do SUS por prestador e esfera administrativa, Aracaju, 2006 - 2007 Tipo de estabelecimento 2006 2007 n % n % Federal 2 2,8 2 2,7 Estadual 7 9,7 8 11,0 63 87,5 63 86,3 72 63,2 73 60,8 5 11,9 5 10,6 Lucrativo 36 85,7 41 87,2 Sindicato 1 2,4 1 2,1 Público Municipal Total de públicos Privado Filantrópico Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 58 Total de privados Total geral 42 36,8 47 39,2 114 100,0 120 100,0 Fonte: DATASUS – Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNES. Em 2007, do total das unidades ambulatoriais, 58% eram de administração direta da saúde e 32% de natureza privada. A administração direta por outros órgãos, sindicato e entidades beneficentes sem fins lucrativos, representava na rede menos de 10% cada. Tabela 14 – Estabelecimentos que prestam serviços ambulatoriais do SUS por natureza, Aracaju, 2006 - 2007 2006 Natureza 2007 n 69 % 60,5 n 70 % 58,3 Adm. direta outros órgãos 1 0,9 1 8,3 Adm. indireta – Empresa pública 2 1,8 2 1,6 33 28,9 38 31,7 Entidades beneficentes sem fins lucrativos 8 7,0 8 6,7 Sindicato 1 0,9 1 8,3 114 100,0 120 100,0 Administração direta da saúde Empresa privada Total Fonte: DATASUS – Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNES. No ano de 2007, foram realizados pelas unidades ambulatoriais SUS instaladas em Aracaju 984.081 procedimentos ambulatoriais, sendo 38% procedimentos de alta complexidade, 33% procedimentos especializados e 29% ações de AB. Observa-se um aumento de 47% no total da produção ambulatorial entre os anos de 2002 e 2007, especialmente devido ao aumento de ações de alta complexidade, que passaram de 47.362, em 2002, para 370.024, em 2007, na sua maioria medicamentos. Tabela 15 – Produção ambulatorial* do SUS, Aracaju, 2006 - 2007 Procedimentos 2002 2004 2006 2007 n % n % n % n % Atenção básica 292.556 56,0 235.810 43,1 259.623 34,2 287.341 29,2 Especializados 182.628 34,9 200.322 36,6 289.621 38,1 326.716 33,2 47.362 9,1 111.083 20,3 210.879 27,7 370.024 37,6 522.546 100,0 547.215 100,0 760.123 100,0 984.081 100,0 Alta complexidade Total Fonte: DATASUS – Produção ambulatorial – Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS). *Quantidade aprovada. Em 2007, foram realizados em Aracaju 287.341 procedimentos ambulatoriais de AB. Desse total, 49% foram ações de enfermagem ou outros de nível médio e 26% de ações médicas básicas. As ações básicas em odontologia registraram 12% e as ações executadas por outros profissionais de nível superior, 13%. Os procedimentos básicos em Vigilância NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ III. Caracterização 59 Sanitária (SV) reapresentaram menos de 1%. O número total de procedimentos de AB manteve-se relativamente estável entre 2002 e 2007, porém houve um aumento no número de consultas médicas de AB, que passou de 56.276 para 73.635, em 2007. No mesmo ano, o município apresentou produção de 326.716 procedimentos ambulatoriais especializados. Deste conjunto, 40% foram procedimentos de patologia clínica e outros 40% procedimentos especializados realizados por profissional de nível superior. Observase um grande aumento no total de procedimentos especializados, que passaram de 182.628, em 2002, para 326.716, em 2007; o número de procedimentos realizados por profissional de nível superior triplicou, passando de 40.271 para 130.696 no mesmo período. Em 2007, foram realizados em Aracaju 370.024 procedimentos de alta complexidade, dos quais 89% corresponderam a medicamentos de alto custo. Com exceção da medicina nuclear, todos os outros tipos de procedimentos de alta complexidade tiveram aumento expressivo entre 2002 e 2007, principalmente medicamentos, passando de 24.406 para 328.922, o que produziu um grande aumento no total de procedimentos de alta complexidade, de 47.362, em 2002, para 370.024, em 2007. Tabela 16 – Produção ambulatorial do SUS*, Aracaju, 2002 - 2007 Procedimentos 2002 2004 2006 2007 n % n % n % n % 153.346 52,4 96.188 40,8 120.202 46,3 140.153 48,8 Ações médicas básicas 56.276 19,2 63.429 26,9 47.022 18,1 73.635 25,6 Ações básicas em Odontologia 42.681 14,6 40.071 17,0 60.273 23,2 34.570 12,0 Ações executadas p/outros prof. nível superior 38.609 6,2 34.645 14,7 30.666 11,8 38.062 13,2 Procedimentos básicos em vigilância sanitária 1.644 0,6 1.477 0,6 1.460 0,6 921 0,3 Procedimentos de atenção básica Ações enfermagem/outros de saúde nível médio Total procedimentos de AB 292.556 100,0 235.810 100,0 259.623 100,0 287.341 100,0 Procedimentos especializados Proced. espec. profis. médicos out. nível sup./méd. Cirurgias ambulatoriais especializadas Procedimentos traumato-ortopédicos Ações especializadas em Odontologia Patologia Clínica Anatomopatologia e Citopatologia Radiodiagnóstico Exames ultrassonográficos 40.271 22,1 71.060 35,5 111.497 38,5 130.696 40,0 3.988 2,2 2.158 1,7 2.071 0,7 7.900 2,4 359 0,2 305 0,2 2.204 0,8 3.327 1,0 1.437 0,8 2.158 1,1 1.814 0,6 2.033 0,6 90.806 49,7 305 0,2 120.822 41,8 131.951 40,4 7.433 4,1 2.304 1,2 7.730 2,7 9.129 2,8 13.208 7,2 86.924 43,4 17.491 6,0 15.578 4,7 6.320 3,5 7.213 3,6 5.980 2,1 5.789 1,8 Diagnose 8.714 4,8 12.666 6,3 10.875 3,8 10.389 3,2 Fisioterapia (por sessão) 8.535 4,7 3.949 2,0 7.621 2,6 8.006 2,5 Terapias Especializadas (por terapia) 1.076 0,6 6.193 3,1 1.492 0,5 1.913 0,6 480 0,3 6.010 3,0 24 0,0 5 0,0 Próteses e órteses Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 60 Anestesia Total procedimentos especializados 1 0,0 182.628 100,0 1.540 0,8 200.322 100,0 - - - 289.621 100,0 - 326.716 100,0 Procedimentos alta complexidade Hemodinâmica 47 0,1 54 0,0 48 0,0 87 0,0 Terapia Renal Substitutiva (TRS) 3.068 6,5 4.391 4,0 4.783 2,3 5.082 1,4 Radioterapia (por especificação) 5.019 10,6 5.566 5,0 6.589 3,1 7.624 2,1 723 1,5 932 0,8 1.239 0,6 1.195 0,3 - - - - 210 0,1 275 0,1 Quimioterapia – custo mensal Ressonância Magnética Medicina Nuclear 173 0,4 33 0,0 162 0,1 157 0,4 Tomografia Computadorizada 260 0,5 238 0,2 283 0,1 524 0,1 Medicamentos 24.406 51,5 73.494 66,1 170.299 80,8 328.922 88,9 Hemoterapia 11.881 25,1 18.463 16,6 20.165 9,6 17.780 4,8 1.785 3,8 7.912 7,1 7.101 3,4 8.378 2,3 Acompanhamento de pacientes Total procedimentos alta complexidade Total 47.362 100,0 522.546 111.083 100,0 210.879 100,0 370.024 100,0 547.215 760.123 984.081 Fonte: DATASUS – Produção ambulatorial – Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS). *Quantidade aprovada. Os procedimentos de AB realizados pelo Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) e PSF, em 2007, somaram 134.227 procedimentos. As atividades executadas por agentes comunitários de saúde (ACS) representaram 60% do total de procedimentos do PACS/PSF e as consultas médicas do PSF representaram 23%. Todos os procedimentos apresentaram aumento entre 2004 e 2007, principalmente em relação às consultas/atendimento domiciliar de enfermeiro, que passaram de 716, em 2004, para 4.406, em 2007. A participação dos procedimentos do PSF no total de procedimentos ambulatoriais realizados pela rede municipal de saúde foi definida como um indicador de eficácia em estudo de avaliação da formulação e implementação do PSF (Viana e Dal Poz, 1998). Esta proporção, em 2002, foi de 40% e, em 2007, foi de 43% Tabela 17 – Produção ambulatorial de atenção básica do PACS/PSF do SUS*, Aracaju, 2002 - 2007 Procedimentos de atenção básica – PACS/PSF 2002 2004 2006 2007 n % n % n % n % Atividade executada por agente comunitário de saúde – PACS 74.845 60,6 50.995 46,4 67.533 58,7 80.999 60,3 Consulta médica do PSF 22.527 18,2 35.745 32,5 29.905 26,0 30.756 22,9 Ativ. educ. c/grupos na comunidade (PACS/PSF) 110 0,1 52 0,0 136 0,1 987 0,7 Cons./atend. enfermeiro na unidade (PACS/PSF) 25.416 20,6 22.426 20,4 17.068 14,8 17.079 12,7 Cons./atend. domiciliar enfermeiro (PACS/PSF) 549 0,4 716 0,7 463 0,4 4.406 3,3 123.447 100,0 109.934 100,0 115.105 100,0 134.227 100,0 Total Fonte: DATASUS – Produção ambulatorial – Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS). *Quantidade aprovada. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ III. Caracterização 61 Segundo o IDB, em Aracaju foi realizada, em 2005, a média de 2,8 consultas médicas por habitante/ano, 1,1 procedimentos diagnósticos por consulta médica, 0,9 exames de patologia clínica por consulta médica e 0,1 exames de imagenologia por consulta médica. Estas taxas mantiveram-se relativamente estáveis entre 2002 e 2005. O número de consultas médicas do SUS em Aracaju é levemente superior à média nacional de 2,5 consultas por habitante em 2005. Já o número de procedimentos diagnósticos por consulta médica é maior do que a média nacional, que foi de 0,9 procedimentos por consulta, no mesmo período. Tabela 18 – Consultas médicas e procedimentos SUS por habitante per capita, Aracaju e Brasil, 2002 - 2005 Brasil Indicadores 2002 2004 2005 Número de consultas médicas (SUS) por habitante 3,24 2,84 2,77 2,50 Número de procedimentos diagnósticos por consulta médica 1,20 1,18 1,07 0,88 Número de exames de patologia clínica por consulta médica 1,00 0,97 0,90 0,75 Número de exames de imagenologia por consulta médica 0,20 0,21 0,17 0,13 2005 Fonte: IDB, 2006. A oferta de profissionais de saúde no estado de Sergipe, segundo dados do IDB, apresenta pequenas variações entre 2002 e 2005. A relação por mil habitantes, em 2005, foi de 1,1 profissionais médicos, 0,6 odontólogos, 0,5 enfermeiros, 0,8 técnicos de enfermagem e 1,3 auxiliares de enfermagem. Todos tiveram um aumento crescente entre esses anos, exceto os auxiliares. O número de profissionais em Sergipe está abaixo da média nacional do número de profissionais de saúde, que corresponde a 1,7 médicos, 0,6 odontólogos, 0,6 enfermeiros, 1,3 técnicos de enfermagem e dois auxiliares de enfermagem por mil habitantes, em 2005. Tabela 19 – Número de profissionais de saúde por mil habitantes, Sergipe e Brasil, 2002 - 2005 Brasil Indicadores 2002 2004 2005 Médicos 0,89 1,07 1,13 1,68 Odontólogos 0,51 0,52 0,60 1,13 Enfermeiros 0,41 0,45 0,54 0,64 Técnicos de enfermagem 0,46 - 0,79 1,32 Auxiliares de enfermagem 1,72 - 1,33 1,96 2005 Fonte: IDB, 2006. *Para 2004, dados disponíveis apenas para médicos, odontólogos e enfermeiros. Aracaju 62 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Atenção hospitalar do SUS De acordo com dados do CNES de dezembro de 2007, o SUS em Aracaju conta com 20 unidades que prestam atendimento hospitalar, distribuídas entre hospitais gerais, especializados e prontos-socorros, sendo 75% estabelecimentos hospitalares públicos e 25% estabelecimentos hospitalares privados. A maioria das unidades hospitalares públicas (67%) pertence à gestão municipal. Tabela 20 – Rede hospitalar do SUS por prestador e esfera administrativa, Aracaju, 2006 - 2007 2006 Tipo de estabelecimento n 2007 % n % Público Federal - - - - Estadual 5 33,3 5 33,3 10 66,7 10 66,7 15 71,4 15 75,0 Filantrópico 3 50,0 3 60,0 Lucrativo 3 50,0 2 40,0 6 28,6 5 25,0 21 100,0 20 100,0 Municipal Total de públicos Privado Total de privados Total geral Fonte: DATASUS – Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNES. A rede hospitalar do SUS está composta por hospital especializado, hospital geral, hospital dia, pronto-socorro especializado e pronto-socorro geral; em dezembro de 2007, contava com um total de 1.904 leitos, dos quais 68% eram privados. Há, portanto, no setor público maior número de unidades hospitalares e menor quantidade de leitos. No período entre 2005 e 2007, ocorreu uma redução no número total de leitos SUS e discreto aumento de leitos públicos, que passaram de 555 para 610. Em 2007, 79% do total de leitos hospitalares públicos concentravam-se em hospitais gerais e 76% dos leitos privados concentravam-se nos hospitais especializados. Tabela 21 – Leitos vinculados ao SUS por esfera administrativa, Aracaju, 2005 - 2007 Esfera administrativa Público 2005 2006 2007 n % n % n % 555 27,9 594 29,3 610 32,0 Federal 61 3,1 82 4,0 112 5,9 Estadual 489 24,6 489 24,1 455 23,9 5 0,3 23 1,1 43 2,6 Privado 1.431 72,1 1.431 70,7 1.294 68,0 Total 1.986 100,0 2.025 100,0 1.904 100,0 Municipal Fonte: DATASUS – Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNES. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ III. Caracterização 63 Tabela 22 – Leitos hospitalares SUS, por tipo de estabelecimento e prestador, Aracaju, 2007 Tipo de estabelecimento Público Filantrópico Privado Total n 88 % 14,4 n - % - n 393 % 76,2 n 481 % 25,3 484 79,3 778 100,0 88 17,1 1.350 70,9 Hospital dia 8 1,3 - - 25 4,8 33 1,7 Pronto-socorro especializado - - - - 10 1,9 10 0,5 30 4,9 - - - - 30 1,6 610 100,0 778 100,0 516 100,0 1.904 100,0 Hospital especializado Hospital geral Pronto-socorro geral Total Fonte: DATASUS – Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNES. O total das internações hospitalares realizadas pelo SUS, em 2005, no município foi de 66.525. Desse total, as especialidades responsáveis pela maior quantidade de internações foram a cirúrgica (40%) e a obstetrícia (26%). O número de internações sofreu uma diminuição de aproximadamente 6% entre 2002 e 2005. Tabela 23 – Proporção de internações hospitalares do SUS por especialidade, Aracaju, 2002 - 2005 2002 2004 2005 Especialidade n % n % n % Cirurgia 26.413 37,5 25.631 40,1 26.831 40,3 Clínica médica 15.711 22,3 12.343 19,3 11.902 17,9 Obstetrícia 16.888 24,0 15.234 23,9 17.346 26,1 Pediatria 8.794 12,5 8.290 13,0 7.567 11,4 Psiquiatria 2.632 3,7 2.341 3,7 2.878 4,3 - - 1 0,0 1 0,0 70.438 100,0 63.840 100,0 66.525 100,0 Outras especialidades Total Fonte: IDB, 2006. A taxa de internações pelo SUS por cem habitantes em Aracaju diminuiu, passando de 6,3 em 2002 para 5,6 em 2005, segundo o IDB (2006). A taxa de leitos SUS por habitante manteve-se estável em quatro ao longo do mesmo período. Não há dados para 2004, em função da implantação do sistema CNES e de mudanças nas classificações de leitos. Tabela 24 – Indicadores da atenção hospitalar SUS Aracaju, 2002 - 2005 Indicadores 2002 2004 2005 Internações SUS/100 hab. 6,27 - 5,65 Leitos SUS 3,96 - 3,98 Fonte: IDB, 2006. Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 64 O tempo médio de permanência hospitalar varia segundo as especialidades, de 32 dias para internações psiquiátricas a dois dias para as obstétricas. Na clínica médica o tempo médio de permanência é de oito dias, na pediatria é de sete e na cirurgia é de quatro. O tempo médio de permanência hospitalar manteve-se relativamente estável entre os anos de 2002 e 2007. Tabela 25 – Tempo médio de permanência em internação hospitalar por especialidade SUS, Aracaju, 2002 - 2007 Especialidades 2002 2004 2006 2007 Psiquiatria 35,6 47,7 30,2 31,7 Cirurgia 4,4 3,4 4,1 4,0 Clínica médica 8,3 8,4 10,1 8,3 Pediatria 7,0 6,9 7,8 7,1 Obstetrícia 1,6 2,0 2,3 1,8 Fonte: DATASUS – Internações hospitalares. Cobertura por planos de saúde A cobertura dos planos de saúde no estado de Sergipe, em 1998, era de 262.821 pessoas, correspondente a 16% da população total. Essa cobertura manteve-se estável no ano de 2003, quando 260.270 pessoas, ou 14% da população total, estavam cobertas por planos de saúde, segundo dados do IDB (2006), cujas fontes são as Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicílios (PNADs) – Saúde (IBGE, 2003). NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ IV. CARACTERÍSTICAS DE VULNERABILIDADE DAS FAMÍLIAS ADSCRITAS AO PSF Em Aracaju, foram pesquisados 3.078 integrantes de uma amostra representativa de 800 famílias, correspondente a 0,6 das famílias cadastradas no SIAB, em dezembro de 2007 (127.214). As informações das 800 residências pesquisadas foram obtidas, em mais da metade, por meio de entrevistas com o chefe de família (58%). O cônjuge foi o informante em 38% dos casos, enquanto outros familiares foram entrevistados em 4% das moradias. Em 2002, a pesquisa coletou informações de 1.085 moradores integrantes de 240 famílias selecionadas entre a população cadastrada do PSF. Considerando-se as diferenças das amostras pesquisadas nos dois momentos, verificou-se que, ao contrário de 2008, o cônjuge (54%) foi o informante em mais da metade das entrevistas em 2002, seguido pelo chefe de família (33%). Tabela 1 – A1 Caracterização do informante quanto à posição ocupada na família, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 e 2002 Informante 2008 2002 n % n % Chefe de Família 463 58,0 80 33,3 Cônjuge 302 37,6 130 54,2 35 4,4 30 12,5 800 100,0 240 100,0 Outros Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. A maior parte dos domicílios estava composta por três a cinco moradores (59%) e poucas eram as casas com apenas um morador (8%). Da mesma forma, em 2002, as famílias eram constituídas principalmente por três a cinco moradores (58%) e somente 4% das residências possuía um morador. Tabela 2 – A2.1 Número de famílias e moradores pesquisados, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 Famílias Residentes Número de componentes da família n % n % 66 8,3 66 2,1 2 moradores 122 15,3 244 7,9 3 - 5 moradores 471 58,9 1801 58,5 6 - 8 moradores 126 15,8 817 26,5 9 - 10 moradores 12 1,5 116 3,8 3 ,4 34 1,1 1 morador 11 ou mais moradores 66 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Famílias Residentes Número de componentes da família Total n % n % 800 100,0 3078 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, Tabela 3 – Número de famílias pesquisadas, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2002 Famílias Número de componentes da família n % 9 3,8 30 12,5 3 - 5 moradores 140 58,3 6 - 9 moradores 50 20,8 10 ou mais moradores 11 4,6 240 100,0 1 morador 2 moradores Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. A pobreza, segundo Rocha (1995)1, está fortemente correlacionada às características do chefe da família2 e da unidade familiar: chefia feminina, jovem, preto ou pardo, e com escolaridade de menos de quatro anos são mais vulneráveis à pobreza; indivíduos empregados sem carteira assinada ou desempregados e razão de dependência familiar3 zero são variáveis que aumentam a probabilidade do indivíduo ser pobre no Brasil. Além dessas, a autora considera duas variáveis locacionais: região de residência (Nordeste é mais vulnerável) e estrato de residência (rural é mais vulnerável) (Rocha, 1995: 231-2). No município de Aracaju, embora integralmente urbano, as variáveis locacionais eram parcialmente desfavoráveis, por se tratar de cidade da região Nordeste, que apresenta desenvolvimento regional mais baixo quando comparada a outras regiões brasileiras. 1 No texto de referência (Rocha, 1995), a pobreza é caracterizada como uma síndrome de carências diversas que é associada à insuficiência de renda, já que a renda é o meio privilegiado de atendimento de necessidades nas sociedades modernas. 2 Considerado como “principal supridor da renda familiar” por Sônia Rocha (1995:231). Nesta pesquisa, a condição de chefia familiar foi referida pelo informante. Há controvérsias importantes na caracterização do chefe de família em unidades familiares conjugais nas quais ambos trabalham e obtêm rendimentos. Uma forma de categorizar seria considerar unidades monoparentais, distinguindo-as por sexo, ou conjugais em que ou não há chefe de família ou há dois chefes de família. 3 Razão ou taxa de dependência resulta da divisão do número de ocupados (ou que têm rendimentos) entre o total de pessoas na família. Quanto mais próximo de zero indica famílias numerosas com crianças menores de dez anos (ou maiores de 65 anos sem rendimentos), que constituem grupos vulneráveis à pobreza. É um indicador que permite captar de forma sintética diversas características adversas associadas à pobreza. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ IV. Vulnerabilidades das famílias 67 1. CARACTERÍSTICAS DE VULNERABILIDADE DOS CHEFES DE FAMÍLIA A maior parte dos entrevistados referiu a condição de chefia masculina da família (53%). No entanto, a vulnerabilidade da chefia feminina incidiu em 47% das famílias pesquisadas, superior à verificada no município de Aracaju (35%) e no Brasil (25%). Em 2002, a chefia masculina também foi referida pela maioria, todavia em percentual mais elevado (70%) que em 2008. Este quadro demonstra o crescimento da chefia feminina entre as famílias assistidas pela Saúde da Família (SF). Tabela 4 – A3A Sexo do chefe da família, Aracaju, 2008 e 2002 2008 2002 Sexo n % n % Masculino 422 52,9 168 70,0 Feminino 378 47,1 72 30,0 Total 800 100,0 240 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. Os chefes de família situavam-se nas faixas etárias de 65 anos ou mais (22%), entre 45 e 49 anos (12%), 50 e 54 anos (10%), e 35 e 39 anos (10%), indicando a prevalência de chefes de família maduros ou idosos. A chefia familiar jovem, entre 15 e 24 anos de idade, correspondeu a apenas 4% do total de famílias pesquisadas. Em 2002, a distribuição de faixas etárias dos chefes de família apresentou pequenas variações, em comparação a 2008, e a prevalência também foi de chefes de família maduros ou idosos. Tabela 5 – A3.1 Chefes de família segundo a faixa etária, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 e 2002 2008 2002 Faixa etária n % n % 15 - 19 anos 7 ,9 - - 20 - 24 anos 24 3,0 17 7,1 25 - 29 anos 66 8,3 19 7,9 30 - 34 anos 79 9,9 35 14,6 35 - 39 anos 82 10,3 26 10,8 40 - 44 anos 70 8,8 23 9,6 45 - 49 anos 93 11,6 25 10,4 50 - 54 anos 82 10,3 24 10,0 55 - 59 anos 51 6,4 22 9,2 60 - 64 anos 69 8,6 14 5,8 175 21,9 34 14,2 2 ,3 1 0,4 800 100,0 240 100 65 anos ou mais Não respondeu Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. Aracaju 68 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO A taxa de dependência foi calculada considerando-se como dependentes os moradores menores de 15 anos e os com 65 anos ou mais de idade, e como população ativa, os moradores entre 15 e 64 anos. Entre as famílias pesquisadas verificou-se uma taxa de dependência geral de 31%, menor que as verificadas, em 2005, em Aracaju (47%), no estado de Sergipe (62%) e no Brasil (57%). A razão de dependência em relação aos jovens com menos de 15 anos entre as famílias pesquisadas foi de 22%, menor que as verificadas em Aracaju (36%), no estado de Sergipe (50%) e em nível nacional (42%). Por sua vez, a taxa de dependência para idosos no grupo pesquisado foi de 9%, um pouco mais baixa do que os percentuais encontrados no município (11%), no estado (12%) e no país (14%). Em geral, a razão de dependência para os idosos revela uma situação de menor vulnerabilidade à pobreza do que a encontrada entre os jovens. Em 2008, a caracterização dos chefes de família segundo a cor ou raça autorreferida revelou que 53% consideraram-se ou foram considerados pardos, 27% brancos e 17% negros. As referências às cores ou raças amarela e indígena foram muito reduzidas, 1% e 0,9, respectivamente. Entre as famílias pesquisadas, 71% apresentaram a vulnerabilidade à pobreza relacionada à cor ou raça do chefe. Igualmente, em 2002, a maior parte dos chefes de famílias considerou-se ou foram considerados pardos (64%), seguidos por brancos (26%) e negros (9%). A referência à cor ou raça indígena também foi muito reduzida, somente 1%. Tabela 6 – A3C Chefes de família segundo cor ou raça, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 e 2002 2008 2002 Cor ou raça n % n % Preta 141 17,5 21 8,8 Parda 427 53,4 153 63,8 Branca 216 27,1 63 26,3 Amarela 8 1,0 - - Indígena 7 ,9 3 1,3 Não respondeu 1 ,1 - - 800 100,0 240 100,0 Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ IV. Vulnerabilidades das famílias 69 No que se refere à escolaridade, apenas 6% dos chefes de família estavam estudando. Ao redor de 12% referiram não ter escolaridade (analfabetos ou com menos de um ano de instrução), percentual inferior ao verificado no município de Aracaju – 16% de chefes sem instrução ou com menos de um ano de escolaridade. Entretanto, 15% das famílias pesquisadas tinham menos de quatro anos de estudo, totalizando 215 famílias (27% do total) com alta vulnerabilidade à pobreza, taxa mais alta que as verificadas em Aracaju – 10% de chefes de família com escolaridade entre um e três anos. A vulnerabilidade educacional entre os chefes de família pesquisados era inferior à existente no Brasil: 16% dos chefes sem qualquer instrução ou menos de um ano de escolaridade e 19% com escolaridade entre um e três anos de estudo (IBGE, 2000). Quarenta e três por cento dos chefes de família pesquisados tinha menos de oito anos de estudos (excluídos os sem escolaridade). Dezesseis por cento deles tinham o ensino fundamental completo e 24% tinham o ensino médio completo. Cerca de 4% dos chefes de família haviam concluído o curso universitário. O nível de instrução dos chefes das famílias cadastradas no PSF, em 2002, era menor que o de 2008, ou seja, foram menores os percentuais dos que alcançaram o ensino elementar incompleto e médio incompleto (12%), ensino médio completo e superior incompleto (16%) e superior completo ou mais (3%). Da mesma forma, o percentual dos que tinham pouca ou nenhuma instrução (12%), e dos que alcançaram o ensino elementar incompleto (24%) e elementar completo e fundamental incompleto (30%) eram maiores que os verificados em 2008. A tabela abaixo destaca que os chefes das famílias assistidas pela SF, em 2008, alcançaram níveis de instrução mais altos, com maiores proporções daqueles que concluíram o ensino médio. Tabela 7 – A3E Nível de instrução dos chefes de família, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 e 2002 Nível de instrução Analfabeto(a) ou menos de um ano de instrução 2008 2002 n % n % 94 11,8 30 12,5 Elementar incompleto (1a a 3a série) Elementar completo e fundamental incompleto (4a a 7a série) Fundamental completo e ensino médio incompleto 121 15,1 59 24,5 226 28,3 73 30,5 128 16,0 28 11,7 Ensino médio completo ou superior incompleto 195 24,4 39 16,2 35 4,4 7 2,9 1 ,1 4 1,7 800 100,0 240 100 Superior completo ou mais Não respondeu Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. Aracaju 70 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Dos 800 domicílios pesquisados, três chefes de família estavam desempregados. Um terço dos chefes de família era de aposentados ou pensionistas (31%), seguidos dos empregados do setor privado e dos que trabalhavam por conta própria (21% cada). Três por cento informaram receber benefícios sociais. Empregadores e locadores totalizavam 1,5% dos chefes de família. A maior parte dos chefes de família, em 2002, também era empregado do setor privado (37%) e pensionista/aposentado (36%). Os trabalhadores por conta própria também ocupavam a terceira posição, em 2002, seguidos pelos empregados do setor público (8%). Destaca-se ainda que o percentual de chefes de família que passaram a receber benefícios sociais quase triplicou, passando de 1% para 3%, em 2008. Tabela 8 – A4A Principal fonte de renda dos chefes de família, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 e 2002 Fonte de renda principal Empregador 2008 n 2002 % n % 8 1,0 2 0,9 Empregado setor privado 167 20,9 82 36,6 Empregado setor público 62 7,8 19 8,5 165 20,6 54 24,1 Trabalhador doméstico 21 2,6 11 4,9 Pensionista/Aposentado 250 31,3 80 35,7 4 ,5 6 2,7 23 2,9 Estudante 1 ,1 3 - 1,3 - Desempregado 3 ,4 - - Pensão alimentícia 3 ,4 - - Trabalha por conta própria Locador de imóvel Recebe benefícios sociais Outro Não respondeu Total 2 ,3 - - 91 11,4 - - 800 100,0 * * Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. *A soma dos valores absolutos e relativos ultrapassa o total de chefes de família e os 100%, respectivamente, porque um mesmo chefe de família pode ter mais de uma ocupação ou mais de uma fonte de rendimentos. A maioria (82%) dos 206 chefes de família empregados nos setores privado, público e doméstico trabalhava com carteira assinada. A vulnerabilidade à pobreza dada pela informalidade do vínculo trabalhista foi pesquisada apenas entre esses três grupos de trabalhadores (31% dos chefes de família), e nesse conjunto de trabalhadores atingia 16%. Ao contrário, em 2002, a maior parte dos chefes de família que trabalhava não NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ IV. Vulnerabilidades das famílias 71 possuía vínculo formal (65%) e somente 35% destes possuíam carteira assinada. Esses dados revelam que a vulnerabilidade à pobreza identificada em relação ao vínculo de trabalho reduziu-se, em 2008, entre as famílias assistidas pela SF. Tabela 9 – A4B Chefes de família empregados do setor público, privado ou trabalhadores domésticos segundo a formalização do vínculo de trabalho, Estratégia SF, Aracaju, 2008 e 2002 2008 2002 Carteira assinada n % n % Sim 206 82,4 79 35,3 Não 40 16,0 145 64,7 4 1,6 - - 250 100,0 224 100,00 Não respondeu Total Observação: n = 250 chefes de família que são empregados do setor público, privado ou trabalhadores domésticos, 2008. n = 224 chefes de família que trabalham, 2002. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. Um quarto das famílias entrevistadas (25%) podem ser consideradas como miseráveis,4 pois apresentaram renda familiar mensal inferior a um salário mínimo (R$ 415,00). Podem ser consideradas como pobres as 275 (34%) com renda familiar mensal entre um e dois salários mínimos, ou seja, entre R$ 416,00 e R$ 830,00. A renda familiar mensal de 27% das famílias pesquisadas estava na faixa de três a cinco salários mínimos nos valores de julho de 2008 (entre R$ 831,00 e R$ 2.075,00), situando-as acima da linha de pobreza. Em 2002, o percentual de famílias consideradas miseráveis era mais elevado, pois 40% delas ganhavam até um salário mínimo (R$ 200,00) inclusive, e aproximadamente um quarto das famílias entrevistadas (26%) era pobre, ou seja, tinha renda entre um e dois salários mínimos (R$ 201,00 a R$ 400,00). Somente 10% estavam acima da linha da pobreza, faixa de renda entre três e cinco salários mínimos (R$ 601,00 a R$ 1.000,00), percentual menor que o encontrado em 2008. 4 Adota-se a classificação proposta por Figueiredo, Schiray e Lustosa (1990) que considera o grupo de “baixa renda” constituído por três classes: até um salário mínimo inclusive, denominada de “renda miserável”, entre um e dois salários mínimos inclusive, denominada de “renda muito baixa” e entre dois e três salários mínimos inclusive, denominada de “renda baixa”. A remuneração acima de três salários mínimos é considerada como de “não pobres”. Aracaju 72 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Considerando apenas a variável de renda familiar mensal, verificamos que a vulnerabilidade à pobreza atingia 60% das famílias pesquisadas em 2008. No outro extremo estavam situadas 16 famílias (2%) com renda familiar mensal superior a dez salários mínimos (R$ 4.151,00 e mais). Ao contrário do que foi verificado em 2008, o percentual de famílias consideradas miseráveis, em 2002, era maior que a de consideradas pobres, o que sugere uma situação de vulnerabilidade à pobreza ainda mais elevada que em 2008. Tabela 10 – A5.1 Renda familiar mensal, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 Faixas de renda n % 38 4,8 R$ 208 – 415,00 (até um salário mínimo) 165 20,6 R$ 416 – 830,00 (1 - 2 salários mínimos) 275 34,4 R$ 831 - 2.075,00 (3 - 5 salários mínimos) 215 26,9 R$ 2.076 – 4.150,00 (5 - 10 salários mínimos) 49 6,1 R$ 4.151 – 8.300,00 (10 - 20 salários mínimos) 13 1,6 Até R$208,00 (meio salário mínimo) R$ 8.301,00 e mais (maior que 20 salários mínimos) Não respondeu Total 3 ,4 42 5,3 800 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 11 – Renda familiar mensal, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2002 Faixas de renda n % Sem rendimentos 16 6,7 Até R$ 100,00 16 6,7 De 101 a 200,00 63 26,3 De 201 a 400,00 62 25,8 De 401 a 600,00 37 15,4 De 601 a 1000,00 23 9,6 De 1.001 a 2.000,00 12 5,0 De 2.001 a 4.000,00 3 1,3 Mais de 4.000,00 3 1,3 Não informado 5 2,1 240 100 Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. Em Aracaju, entre as famílias pesquisadas, a vulnerabilidade à pobreza, segundo as características dos chefes de família, incidiu sobre 47% com chefia feminina, 71% com chefes pardos ou negros, 26% com chefes com vulnerabilidade educacional, e 0,4% NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ IV. Vulnerabilidades das famílias 73 com chefes desempregados. Entre os chefes de família empregados dos setores público, privado e doméstico foi verificado que 18% não tinham vínculo formal representado pela carteira de trabalho. Tabela 12 – Quadro síntese das principais características de vulnerabilidade dos chefes de família, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 Características n % Chefia feminina 378 47,1 Idade entre 15 e 24 anos 31 3,9 Idade 65 anos ou mais 175 21,9 Negros e pardos 568 70,9 Sem escolaridade 94 11,8 Menos de quatro anos de estudo 121 15,1 Vulnerabilidade educacional 215 26,9 Aposentados, pensionistas 250 31,1 Sem carteira de trabalho assinada* 105 17,7 Renda familiar mensal até um salário mínimo 203 25,4 Renda familiar mensal até dois salários mínimos 275 34,4 Observação: (*) Percentual calculado sobre o total de chefes de família empregados do setor público, privado ou trabalhadores domésticos (n = 594). Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. 2. CARACTERÍSTICAS DE VULNERABILIDADE DOS MORADORES Entre os 3.078 moradores pesquisados, 56% eram do sexo feminino e 44% do sexo masculino, distribuição discretamente diferente da população total de Aracaju, em que os percentuais eram, em 2008, respectivamente, 53% e 47%. Pouco mais da metade (51%) dos 1.085 moradores pesquisados em 2002 também foi do sexo feminino, embora a diferença apresentada entre os sexos tenha sido menor (5%). Tabela 13 – A3A Moradores segundo o sexo, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 e 2002 Sexo 2008 2002 n % n % Masculino 1354 44,0 504 46,5 Feminino 1724 56,0 581 51,5 Total 3078 100,0 1085 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. A distribuição da população pesquisada por faixa etária foi semelhante à observada no total de habitantes do município, no que se refere ao percentual de crianças até cinco Aracaju 74 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO anos (8% entre as famílias pesquisadas e 8% em Aracaju) e ao grupo de população com 65 anos ou mais (9% entre as famílias pesquisadas e 8% entre a população total de Aracaju). As faixas etárias de crianças e adolescentes até 14 anos concentraram 22% dos moradores pesquisados; entre 15 e 29 anos encontravam-se 28% dos moradores, percentual similar ao da faixa entre 30 e 49 anos. Em 2002, a faixa etária até 14 anos concentrava 31% dos moradores, o que revela uma redução de quase 10% no total de crianças em 2008. Entre 15 e 29 anos concentravam-se 33% dos moradores, percentual um pouco acima do encontrado na mesma faixa, em 2008; entre 30 e 49 anos (22%), o percentual de 2002 foi um pouco menor que o de 2008. Tabela 14 – A3.2 Moradores segundo faixa etária, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 Idade n % 0 - 5 anos 248 8,1 6 - 10 anos 215 7,0 11 - 14 anos 211 6,9 15 - 19 anos 281 9,1 20 - 24 anos 302 9,8 25 - 29 anos 281 9,1 30 - 34 anos 265 8,6 35 - 39 anos 234 7,6 40 - 44 anos 197 6,4 45 - 49 anos 162 5,3 50 - 54 anos 142 4,6 55 - 59 anos 94 3,1 60 - 64 anos 112 3,6 65 anos ou mais 277 9,0 Não respondeu 57 1,9 3078 100,0 Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso Tabela 15 – Moradores segundo faixa etária, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2002 Idade n % Até 14 anos 334 30,8 15 - 19 anos 120 11,1 20 - 24 anos 155 14,3 25 - 29 anos 88 8,1 30 - 34 anos 82 7,6 35 - 39 anos 63 5,8 40 - 44 anos 43 4,0 45 - 49 anos 47 4,3 50 - 54 anos 40 3,7 55 - 59 anos 34 3,1 60 - 64 anos 26 2,4 NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ IV. Vulnerabilidades das famílias 75 65 anos ou mais 52 4,8 Não respondeu 1 0,1 1085 100,0 Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. Ao redor de 34% dos moradores estavam estudando no momento da pesquisa, percentual similar ao total de moradores nas faixas de idade entre seis e 24 anos (33%). Em 2002, o percentual de moradores estudantes (37%) apresentou pouca diferença, em relação ao dos que estavam também estudando, em 2008. Entre os moradores com mais de dez anos, existiam 8% sem qualquer instrução ou com menos de um ano de estudo e, no polo oposto, também 5% com ensino superior completo. Doze por cento tinham o ensino elementar incompleto (entre um e três anos de estudos), 28% haviam concluído o ensino elementar e outros 28% tinham o ensino médio completo. O nível de escolaridade dos moradores acompanhados pela SF em 2002 era mais baixo que em 2008. Ou seja, os percentuais dos níveis mais baixos de instrução (analfabetos ou com menos de um ano de instrução; elementar incompleto; e elementar completo e fundamental incompleto) era maior que os percentuais das mesmas categorias, em 2008. Por outro lado, os percentuais dos níveis de instrução mais avançados eram menores em 2002 que em 2008. Isso sugere que, com a expansão de cobertura, a Estratégia SF passou a cobrir a população nas escalas mais altas dos níveis de instrução. Tabela 16 – A3D Condição de estudante dos moradores, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 e 2002 2008 Estuda atualmente 2002 n % n % Sim 1044 33,9 399 36,8 Não 2024 65,8 685 63,1 10 0,3 1 0,1 3078 100,0 1085 100,0 Não respondeu Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. Tabela 17 – A3E Nível de instrução dos moradores com dez anos ou mais de idade, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 e 2002 2008 Nível de instrução 2002 n % n % 118 7,7 226 20,9 179 11,7 217 20,0 Elementar completo e Fundamental incompleto (4 a 7 série) 435 28,4 304 28,1 Fundamental completo e Ensino Médio incompleto 300 19,6 138 12,8 Ensino Médio completo ou Superior incompleto 422 27,6 176 16,2 70 4,6 18 1,7 Analfabeto(a) ou menos de um ano de instrução Elementar incompleto (1a a 3a série) a Superior completo ou mais a Aracaju 76 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 2008 Nível de instrução n % n % 5 0,3 6 0,6 1529 100,0 1085 100,0 Não respondeu Total 2002 Observação: n = moradores com dez anos ou mais de idade. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. O setor privado (13%) concentra o maior número de moradores empregados. Os aposentados/pensionistas constituíam a segunda maior fonte (12% cada), seguidos pelo trabalho por conta própria (10%) e o setor público (5%). Em 2002, o setor privado também empregava o maior número de moradores (35%), assim como as aposentadorias/pensões (24%) eram as segundas maiores fontes de renda. Da mesma forma que em 2008, o trabalho por conta própria (21%) ocupava a terceira posição na escala de maiores fontes de renda dos moradores entrevistados em 2002. Por outro lado, o número de moradores que recebiam benefícios sociais (10%) em 2002 era proporcionalmente mais expressivo que em 2008 (3%). Tabela 18 – A4A Principal fonte de renda dos moradores, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 e 2002 Fonte de renda principal Empregador Empregado setor privado 2008 2002 n % n % 11 0,4 4 0,8 404 13,1 179 35,4 7,5 Empregado setor público 143 4,6 38 Trabalha por conta própria 321 10,4 105 20,7 7,1 Trabalhador doméstico 47 1,5 36 Pensionista/Aposentado 368 12,0 120 23,8 5 0,2 11 2,2 82 2,7 51 10,1 - Locador de imóvel Recebe benefícios sociais Estudante 3 0,1 - Desempregado 3 0,1 - - 11 0,4 - - 2 0,1 - - 1678 54,5 - - 100,0 * * Pensão alimentícia Outro Não auferem renda Total 3078 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. Observação: *A soma dos valores absolutos e relativos ultrapassa o total de moradores e os 100%, respectivamente, porque um mesmo morador pode ter mais de uma ocupação ou mais de uma fonte de rendimentos. Observação: n = 505 moradores que trabalhavam ou tinham rendimentos, 2002. Do conjunto de trabalhadores empregados nos setores privado, público e doméstico – 18% dos moradores que trabalham ou auferem renda –, a maioria (81%) tinha vínculo NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ IV. Vulnerabilidades das famílias 77 trabalhista formalizado em carteira de trabalho. Conforme dados da tabela abaixo, o vinculo trabalhista das famílias pesquisadas em 2002 era mais precário que em 2008, ou seja, 70% dos moradores que trabalhavam ou tinham rendimentos em 2002 não tinha carteira assinada e somente 30% possuía vinculo formal de trabalho. Tabela 19 – A4B Moradores empregados do setor público, privado ou trabalhadores domésticos segundo a formalização do vínculo de trabalho, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 e 2002 Carteira assinada 2008 2002 n % n % Sim 481 81,0 152 30,1 Não 105 17,7 353 69,9 8 1,3 - - 594 100,0 505 100,0 Não respondeu Total Observação: n = 594 moradores que são empregados do setor público, privado ou trabalhador doméstico, 2008. n = 505 moradores que trabalhavam ou tinham rendimentos, 2002. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. Um pouco mais da metade das famílias pesquisadas (51%) tem pelo menos um integrante aposentado, pensionista ou que recebe algum outro tipo de benefício governamental. Entre estes, os tipos de benefícios mais comuns são, em ordem decrescente: aposentadoria (65%) e Bolsa Família (20%). Tabela 20 – A6 Famílias com integrantes que recebem aposentadoria, pensão ou auxílios do governo, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 Recebem benefícios n % Sim 409 51,1 Não 391 48,9 Total 800 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 21 – A7 Tipos de benefícios recebidos por integrantes das famílias, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 Tipos de benefícios Aposentadoria n % 268 65,5 Benefício de prestação continuada 12 2,9 Bolsa família 84 20,5 8 2,0 63 15,4 Auxílio doença Outro Observação: n = 409 famílias com integrantes que recebem aposentadoria, pensão ou algum auxílio do governo. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 78 Cerca de 29% das famílias pesquisadas informaram que um ou mais de seus integrantes tinham plano privado ou seguro de saúde. Tabela 22 – A8 Famílias com integrantes portadores de plano privado/seguro de saúde, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 Plano privado de saúde n % Sim 235 29,3 Não 565 70,8 Total 800 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Em síntese, a vulnerabilidade à pobreza do conjunto de moradores pesquisados em Aracaju está concentrada na baixa escolaridade (19% dos moradores acima de dez anos têm menos de três anos de estudo) e no alto percentual de aposentados e pensionistas (26%). Tabela 23 – Quadro síntese das principais características de vulnerabilidade dos moradores, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 Características n % Menores de 14 anos 674 22,0 Com 65 anos ou mais 277 9,0 Sem escolaridade ou com menos de um ano de instrução(1) 118 7,7 De um a três anos de estudo(1) 179 11,7 Vulnerabilidade educacional 297 19,4 368 26,3 105 17,7 (2) Aposentados, pensionistas Sem carteira de trabalho assinada (3) Observação: (1) Percentual calculado sobre o total de moradores com dez anos ou mais de idade (n = 1529); (2) Percentual calculado sobre o total de moradores que trabalham ou têm rendimentos (n = 1400); (3) Percentual calculado sobre o total de empregados nos setores público, privado e doméstico (n = 594). Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. 3. CARACTERÍSTICAS DE VULNERABILIDADE DOS DOMICÍLIOS A infraestrutura habitacional é importante elemento na caracterização das condições de vida e saúde da população. Indicadores de vulnerabilidade habitacional são: tipo de construção, densidade do dormitório, banheiro interno ou externo, individual ou coletivo, abastecimento de água, esgotamento sanitário e coleta de lixo. Em conjunto, delimitam um ambiente mais ou menos saudável em que vivem as pessoas. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ IV. Vulnerabilidades das famílias 79 Do conjunto de 800 residências pesquisadas em Aracaju, a grande maioria (99%) era de alvenaria. Apenas 1% das residências era de taipa, madeira aparelhada ou material aproveitado. O tipo de construção dos domicílios pesquisados em 2002 era semelhante, ou seja, 98% das casas também era de alvenaria e 2% de taipa ou madeira. Tabela 24 – B1 Domicílios cadastrados segundo tipo de construção predominante, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 e 2002 2008 2002 Tipo de construção n % n % 791 98,9 235 98,0 Taipa 3 ,4 3 1,2 Madeira - - 2 0,8 Madeira aparelhada 2 ,3 - - Material aproveitado 4 ,5 - - 800 100,0 240 100,0 Alvenaria Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. Cerca da metade das casas (53%) tinha de cinco a seis cômodos e 14% delas tinham sete cômodos, totalizando 67% dos domicílios pesquisados. Doze por cento tinham quatro cômodos e apenas 2% das casas estavam constituídas por um (0,4%) ou dois (1,9%) cômodos. No extremo oposto, também cerca de 2% das residências tinham 11 e mais cômodos. Ao redor de 12% dos domicílios tinham entre oito e dez cômodos. Em 2002, a maior parte dos domicílios entrevistados também possuía de cinco a seis cômodos (56%) e 13% deles tinham sete cômodos, somando 69%. No polo oposto, ou seja, casas com dez ou mais cômodos (3%), a situação também é semelhante à encontrada em 2008. Tabela 25 – B2.1 Domicílios cadastrados segundo número de cômodos, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 e 2002 2008 2002 Número de cômodos n % n % 3 ,4 2 0,8 2 cômodos 15 1,9 10 4,2 3 cômodos 30 3,8 19 7,9 4 cômodos 98 12,3 21 8,8 5 cômodos 224 28,0 67 27,9 6 cômodos 203 25,4 65 27,1 7 cômodos 112 14,0 31 12,9 1 cômodo Aracaju 80 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 8 cômodos 53 6,6 13 5,4 9 cômodos 19 2,4 5 2,1 10 cômodos 27 3,4 1 0,4 11 e mais cômodos 16 2,0 6 2,5 800 100,0 240 100,0 Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. A maioria das moradias tinha dois ou três cômodos servindo de dormitório (78%), um ou dois banheiros internos (92%), e uma cozinha (97%). Em 2002, a maior parte dos domicílios também possuía dois ou três cômodos (67%). Tabela 26 – B3A Quantidade de cômodos que estão servindo de dormitório, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 Número de cômodos n % Nenhum cômodo 1 ,1 1 cômodo 125 15,6 2 cômodos 362 45,3 3 cômodos 258 32,3 4 cômodos 42 5,3 5 cômodos 9 1,1 6 cômodos 1 ,1 7 cômodos 2 ,3 800 100,0 Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 27 – Quantidade de dormitórios das famílias cadastradas, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2002 Número de dormitórios n % 1 dormitório 62 25,8 2 dormitórios 99 41,3 3 dormitórios 72 30,0 4 dormitórios 5 2,1 5 dormitórios 2 0,8 240 100,0 Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. Tabela 28 – B3B Quantidade de cômodos que estão servindo de banheiro interno, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 Banheiros Nenhum cômodo 1 cômodo NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ n % 20 2,5 597 74,6 IV. Vulnerabilidades das famílias 81 2 cômodos 142 17,8 3 cômodos 33 4,1 4 cômodos 4 ,5 5 cômodos 3 ,4 6 cômodos 1 ,1 800 100,0 Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 29 – B3C Quantidade de cômodos que estão servindo de cozinha, Estratégia SF, Aracaju, 2008 Cozinha n % Nenhum cômodo 8 1,0 1 cômodo 777 97,1 2 cômodos 13 1,6 3 cômodos 2 ,3 800 100,0 Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. O abastecimento de água por ligação com a rede geral supria a grande maioria dos domicílios pesquisados (99%). O mesmo acontecia com o abastecimento de energia elétrica (99%). Em 2002, a maioria dos domicílios também possuía rede geral de água (91%) e energia elétrica (99%). Tabela 30 – B4 Domicílios segundo ligação à rede geral de abastecimento de água, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 e 2002 2008 2002 Rede geral de água n % n % Sim 789 98,6 219 91,2 Não 11 1,4 21 8,8 Total 800 100,0 240 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. Tabela 31 – B5 Domicílio segundo abastecimento de energia elétrica, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 e 2002 2008 2002 Energia elétrica n % n % Sim 795 99,4 237 98,7 Não 5 ,6 3 1,3 800 100,0 240 100,0 Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. Aracaju 82 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Em 2008, cerca de 85% das residências tinham ligação à rede geral de esgoto, situação mais favorável que a de 2002, quando somente 61% dos domicílios pesquisados tinham essa ligação. Das 116 casas (14% do total pesquisado em 2008) sem ligação com a rede geral de esgoto, 51 (44%) utilizavam fossa, mas 60 (52%) lançavam os dejetos em vala negra. Situação pior que a encontrada em 2002, quando somente 13 (14%) dos 92 domicílios sem esgoto jogavam seus dejetos em vala negra. Tabela 32 – B6 Domicílios segundo ligação à rede geral de esgoto, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 e 2002 2008 2002 Rede geral de esgoto n % n % Sim 684 85,5 147 61,3 Não 116 14,5 92 38,3 - - 1 0,4 800 100,0 240 100,0 Não respondeu Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. Tabela 33 – B7 Domicílios segundo o tipo de esgotamento sanitário utilizado na casa, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 e 2002 2008 2002 Tipo de esgotamento sanitário n % n % Fossa 51 44,0 77 83,7 Vala Negra 60 51,7 13 14,1 Outro 5 4,3 - - Não respondeu - - 2 2,2 116 100,0 92 100.0 Total Observação: n = 116 domicílios sem ligação à rede geral de esgoto, 2008. n = 92 domicílios sem ligação à rede geral de esgoto, 2002. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. O sistema público de coleta de lixo atendia 98% dos domicílios pesquisados, na porta (89%) e por meio de caçamba (9%). Das 12 famílias (1%) que informaram não dispor de serviço regular de coleta de lixo, 42% jogavam o lixo na rua ou em terrenos baldios, 25% o queimavam e 8% o jogavam no rio. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ IV. Vulnerabilidades das famílias 83 Em 2002, a situação era um pouco pior: 84% dos domicílios possuía coleta regular na porta, 7% depositavam o lixo em caçamba e um número maior de domicílios não dispunha de qualquer tipo de coleta (8%), percentual que se reduziu para menos de 2%, em 2008. Tabela 34 – B8 Domicílios segundo tipo de coleta de lixo, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 e 2002 2008 2002 Tipo de coleta de lixo n % n % 716 89,4 201 83,7 Sim, na caçamba 72 9,1 16 6,7 Não 12 1,5 20 8,3 - - 3 1,3 800 100,0 240 100,0 Sim, na porta Não respondeu Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. Tabela 35 – B9 Domicílios com outra forma de destino do lixo, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 Destino do lixo n % É queimado 3 25,0 É jogado no rio 1 8,3 É jogado na rua ou em terrenos baldios 5 41,7 Jogado no valão - - Enterrado - - Outro 2 16,7 Não respondeu 1 8,3 12 100,0 Total Observação: n = 12 domicílios sem coleta de lixo, 2008. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. A vulnerabilidade habitacional nos domicílios pesquisados em Aracaju foi relativamente baixa, pois apenas três residências eram construídas com material inadequado, 20 (2%) não tinham banheiro interno, oito não tinham cozinha independente (1%), 11 não tinham ligação com a rede geral de água (1%) e cinco não recebiam fornecimento de energia elétrica (0,6%). Contudo, a falta de ligação com a rede geral de esgoto sanitário englobava 116 residências (14%), mais da metade das quais fazia uso de vala negra, e 12 casas não tinham seu lixo recolhido pelos serviços de limpeza pública. Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 84 Tabela 36 – Quadro síntese das principais características de vulnerabilidade habitacional, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 Características n % 967 31,4 3 0,4 20 2,5 8 1,0 11 1,4 5 0,6 116 14,5 Com vala negra* 60 51,7 Sem coleta de lixo 12 1,5 Seis ou mais moradores por domicílio Material de construção: taipa Sem banheiro interno Sem cozinha independente Sem ligação com a rede geral de água Sem energia elétrica Sem ligação à rede geral de esgoto * Percentual calculado em relação ao total de domicílios sem ligação com a rede geral de esgoto. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Comparando a distribuição de serviços públicos de saneamento básico entre o grupo de domicílios pesquisados e o total de domicílios de Aracaju pode-se observar um percentual maior de moradias com coleta de lixo e ligação às redes gerais de esgoto e de água entre as residências de usuários do PSF pesquisados, embora a cobertura desses serviços seja alta em todo o município. A vulnerabilidade habitacional atinge baixos percentuais dos domicílios pesquisados, mas pode ser identificada por aqueles que dispõem apenas de vala negra para eliminação dos dejetos (7%) e pela utilização de outras formas de destino do lixo (1%), altamente agressivos ao meio ambiente, como a queima, e a utilização de rios, ruas e terrenos baldios. Tabela 37 – Distribuição de serviços públicos de saneamento básico nos domicílios pesquisados e no total de domicílios (em %), Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 Serviços públicos básicos Rede geral de esgoto Domicílios pesquisados Aracaju 85,5 56,4 Fossa 6,3 Vala negra 7,5 Outro/não respondeu 0,6 Rede geral de água 98,6 95,7 Coleta de lixo – direta e indireta 98,5 95,9 Queimado 0,4 Jogado no rio 0,1 Jogado na rua ou em terreno baldio 0,6 Outro meio/não respondeu 0,4 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008, e DATASUS, Informações de saúde, demográficas e socioeconômicas, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ IV. Vulnerabilidades das famílias 4. 85 VULNERABILIDADE DOS EQUIPAMENTOS DOMÉSTICOS DOMICÍLIOS SEGUNDO A POSSE DE Outra forma de avaliar a vulnerabilidade à pobreza das famílias é levantar o número e o tipo de equipamentos domésticos existentes nos domicílios. Foi pesquisada a posse de dez tipos de equipamentos, entre os quais o automóvel. Um primeiro agrupamento separa as famílias de Aracaju em três conjuntos segundo os tipos de equipamentos: bens que a grande maioria das famílias possui, como televisão (98%) e geladeira (98%); aqueles existentes em mais da metade das residências: aparelho de som (69%), telefone celular (77%); e os tipos de equipamentos existentes em menos de 40% das casas: telefone fixo (39%), máquina de lavar (24%) computador (20%), carro (20%), e microondas (12%). Cerca de 1% das famílias informou ter máquina de lavar pratos. Tabela 38 – B10 Domicílios segundo tipos de equipamentos domésticos existentes, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 Sim Não Não respondeu Tipos de equipamentos n % n % n % Televisão 788 98,5 11 1,4 1 ,1 Geladeira 783 97,9 16 2,0 1 ,1 Aparelho de som 550 68,8 249 31,1 1 ,1 Máquina de lavar roupa 189 23,6 610 76,3 1 ,1 Linha de telefone fixo 310 38,8 489 61,1 1 ,1 Linha de telefone celular 620 77,5 179 22,4 1 ,1 Computador 162 20,3 637 79,6 1 ,1 Microondas 99 12,4 700 87,5 1 ,1 5 ,6 794 99,3 1 ,1 160 20,0 638 79,8 2 ,3 Maquina de lavar pratos Carro Observação: n = 800 famílias. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Outra forma de agrupar as famílias é identificando o número de tipos existentes de equipamentos, assumindo que maior variedade de eletrodomésticos revela rendimentos familiares mais elevados, isto é, uma posição mais elevada na hierarquia social. Em Aracaju, observou-se que um número considerável de famílias pesquisadas estaria na posição mais baixa da escala social, com até três tipos de eletrodomésticos (29%). No outro extremo, apenas 4% de famílias possuem oito ou mais tipos de equipamentos domésticos e a maioria (67%) tem entre quatro e sete. Aracaju 86 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Tabela 39 – B10B Tipos de equipamentos domésticos existentes na casa, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 Quantidade de tipos de bens n % Até 3 tipos 232 29,0 4 a 7 tipos 537 67,1 8 ou mais tipos 30 3,8 Não respondeu 1 ,1 800 100,0 Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. 5. CASOS DE VIOLÊNCIA E ACIDENTES NAS COMUNIDADES Cerca de 55% dos entrevistados afirmaram que são comuns casos de violência ou acidentes em suas comunidades. Em 2002, a frequência de ocorrências de violência na comunidade era menor (48%). Tabela 40 – P1 Ocorrência frequente de casos de violência na comunidade segundo a percepção das famílias cadastradas, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 e 2002 Ocorrência frequente de violência na comunidade 2008 2002 n % n % Sim 442 55,3 116 48,3 Não 335 41,9 122 50,9 23 2,9 2 0,8 800 100,0 240 100,0 Não sabe Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. As 442 famílias que afirmaram serem comuns casos de violência ou acidentes nas localidades em que residem assinalaram como mais frequentes: assalto à mão armada (52%), roubo de residência ou estabelecimento comercial (43%), assassinato (42%), tiroteio e bala perdida (34%), atropelamento e batida de carro (30%), furto ou roubo (25%), briga em lugares públicos (23%), tiroteio e bala perdida (18%) e facada (13%). Já em 2002, os tipos de violência ou acidentes informados como mais comuns foram briga em lugares públicos (41%) e atropelamento e batida de carro (40%), seguidos por assassinato e assalto à mão armada (38% cada), tiroteio e bala perdida (30%), roubo de residência ou estabelecimento comercial (29%) e facada (13%). NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ IV. Vulnerabilidades das famílias 87 Tabela 41 – P2 Tipos de violência ou acidentes mais comuns ocorridos na comunidade segundo a percepção das famílias cadastradas, Aracaju, 2008 e 2002 Tipo de violência ou acidente Agressão física dentro de casa 2008 n 2002 % n % 29 6,6 4 3,4 Assalto à mão armada 232 52,5 44 37,9 Assassinato 187 42,3 44 37,9 Atropelamento e batida de carro 131 29,6 47 40,5 Briga em lugares públicos 100 22,6 48 41,4 Roubo de residência ou estabelecimento comercial 192 43,4 34 29,3 Estupro 10 2,3 10 8,6 Tiroteio e bala perdida 79 17,9 35 30,2 Facada 58 13,1 15 12,9 Queda Furto/Roubo Tráfico de drogas Outro 15 3,4 - - 112 25,3 - - 19 4,3 1 0,9 5 1,1 5 4,3 Observação: n = 442 famílias que referiram ocorrência frequente de casos de violência na comunidade, 2008. *A soma dos valores absolutos e relativos ultrapassa o total de chefes de família e os 100%, respectivamente, porque um mesmo chefe de família pode ter mais de uma ocupação ou mais de uma fonte de rendimentos, 2002. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008; 2002. A maioria das famílias (90%) não vivenciou qualquer situação de violência ou acidente nos últimos 12 meses. Das 78 famílias (10%) que relataram essas experiências, estiveram envolvidos em 66 delas somente um de seus membros; em 12 famílias, dois de seus integrantes, totalizando 89 moradores (3%). Em 2002, a maioria das famílias também não vivenciou situação de violência ou acidente (84%), muito embora a proporção daqueles que a vivenciaram (16%) seja maior que a de 2008. Entre as 38 famílias que vivenciaram situação de violência ou acidente, a maior parte (63%) teve somente um membro envolvido, seguido por dois (18%) e três membros (8%). Tabela 42 – P3 Situação de violência ou acidente sofrida pelas famílias cadastradas nos últimos 12 meses, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 e 2002 2008 2002 Sofreu situação de violência ou acidente n % n % Sim 78 9,8 38 15,8 Não 722 90,3 202 84,2 Total 800 100,0 240 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. Aracaju 88 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Tabela 43 – P4.1 Pessoas com experiência de situação de violência ou acidente nos últimos 12 meses, segundo famílias cadastradas, Estratégia SF, Aracaju, 2008 e 2002 2008 2002 Experiência de situação de violência n % n % 1 pessoa 66 84,6 24 63,2 2 pessoas 12 15,4 7 18,4 3 pessoas - - 3 7,9 4 pessoas - - 1 2,6 5 ou mais pessoas - - 2 5,3 Não respondeu - - 1 2,6 78 100,0 38 100,0 Total Observação: n = 78 famílias com casos de violência/acidente, 2008. n = 38 famílias com casos de violência/acidente, 2002. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. Em 64 dessas famílias (82%), seus membros haviam passado por um episódio, mas em 12 famílias (15%), os integrantes tinham experimentado dois episódios de violência ou acidentes, e em uma família os integrantes tinham passado por três episódios, totalizando 91 episódios. Em 2002, o percentual de famílias cujos membros vivenciaram somente um episódio (71%) foi menor que em 2008, já os que vivenciaram dois episódios (24%) foi maior. Tabela 44 – P5.1 Episódios de violência ou acidente com moradores nos últimos 12 meses, Estratégia SF, Aracaju, 2008 e 2002 2008 2002 Número de episódios de violência ou acidente n % n % 1 episódio 64 82,1 27 71,1 2 episódios 12 15,4 9 23,7 3 episódios 1 1,3 1 2,6 Não respondeu 1 1,3 1 2,6 78 100,0 38 100,0 Total Observação: n = 78 famílias com casos de violência/acidente, 2008. n = 38 famílias com casos de violência/acidente famílias, 2002. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. Entre as 78 famílias que relataram a experiência de episódios de violência ou acidentes com seus integrantes no ano anterior à pesquisa, a maior parte resultou de assalto à mão NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ IV. Vulnerabilidades das famílias 89 armada (38%), atropelamento e batida de carro (13%), furto (13%), roubo de residência ou de estabelecimento comercial (9%), briga em lugares públicos (6%) e queda (6%). Tabela 45 – P6A Tipos de episódios de violência ou acidentes com moradores nos últimos 12 meses, Estratégia SF, Aracaju, 2008 e 2002 Tipo de violência n Agressão física dentro de casa Assalto à mão armada % 2 2,2 34 38,2 Assalto sem arma - - Assassinato 1 1,1 12 13,5 5 5,6 Atropelamento e batida de carro Briga em lugares públicos Roubo de residência ou de estabelecimento comercial 8 9,0 Estupro 1 1,1 Tiroteio 1 1,1 Facada 1 1,1 Queda 5 5,6 Furto 12 13,5 Outro 7 7,9 Total 89 100,0 Observação: n = 89 moradores que passaram por algum acidente ou episódio de violência nos últimos 12 meses. n = 48 moradores que passaram por algum acidente ou episódio de violência, 2002. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso,2008 Entre as famílias que relataram experiência de violência ou acidente de pelo menos um integrante nos últimos 12 meses, mais da metade (61%) assinalou que os episódios não produziram ferimentos. Cerca de um quarto (26%) informou que os episódios resultaram em ferimentos sem gravidade, mas 13% disseram que os episódios tinham provocado ferimentos com gravidade. Da mesma forma, em 2002, a maior parte dos acidentes ou episódios de violência enfrentados não resultou em ferimentos (54%). Entretanto, entre aqueles que resultaram, 25% foram com gravidade, percentual maior que o de 2008, e 21% sem gravidade. Tabela 46 – P6B Existência de ferimento em episódio de violência ou acidente com moradores nos últimos 12 meses, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 e 2002 Gravidade 2008 2002 n % n % Sim, c/ gravidade 12 13,5 12 25,0 Sim, s/ gravidade 23 25,8 10 20,8 Não houve ferimentos 54 60,7 26 54,2 Total 89 100,0 48 100,0 Observação: n = 89 moradores que passaram por algum acidente ou episódio de violência nos últimos 12 meses, 2008. n = 48 moradores que passaram por algum acidente ou episódio de violência, 2002. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. Aracaju 90 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Em grande parte (70%) dos casos, o morador não procurou atendimento em serviços de saúde. Entre aqueles que procuraram, 15% dirigiram-se a um pronto-socorro ou emergência públicos, e em proporções menores dirigiram-se à USF (7%) ou solicitaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) (2%). A policlínica do SUS, ambulatório de hospital público, clínica ou hospital privado, consultório particular e drogaria ou farmácia foram procurados em somente 1% cada. Em 2002, a maior parte dos moradores (60%) que enfrentaram algum episódio de violência ou acidente também não procurou qualquer serviço de saúde. Entre aqueles que procuraram, 35% o fizeram no serviço de emergência hospitalar/pronto-socorro. Tabela 47 – P6C Serviço de saúde procurado em episódio de violência ou acidente com morador nos últimos 12 meses, Estratégia SF, Aracaju, 2008 e 2002 Serviços de saúde 2008 n 2002 % n % Posto/Unidade de Saúde da Família do SUS 6 6,7 - - Policlínica ou Posto de Assistência Médica (PAM) do SUS 1 1,1 - - Ambulatório de hospital público 1 1,1 - - Clínica ou hospital privado 1 1,1 - - 13 14,6 - - Pronto-socorro ou emergência públicos Consultório particular 1 1,1 - - SAMU 2 2,2 - - Drogaria ou farmácia 1 1,1 - - Centro de Saúde com serviço de urgência - - 1 2,1 Pronto-socorro/Emergência de hospital - - 17 35,5 Outro 1 1,1 1 2,1 Não procurou serviço de saúde 62 69,7 29 60,4 Total 89 100,0 48 100,0 Observação: n = 89 moradores que passaram por algum acidente ou episódio de violência nos últimos 12 meses, 2008. n = 48 residentes que sofreram acidentes ou episódios de violência, 2002. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002. Em síntese, em Aracaju, ao redor de 10% das famílias relataram que um ou mais integrantes passaram por episódio de violência ou acidente nos últimos 12 meses, a maioria dos quais não resultou em ferimentos. No entanto, quando ocorreram ferimentos, estes foram, em sua maior parte, sem gravidade. Coerente com a ausência de ferimentos, 61% dos que viveram episódios de NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ IV. Vulnerabilidades das famílias 91 violência ou acidente nos últimos 12 meses não procuraram qualquer serviço de saúde. Embora 14% dos episódios tenham provocado ferimentos graves, apenas 15% destes procuraram pronto-socorro ou emergência públicos. O Posto/USF do SUS foi um serviço de saúde pouco procurado nesses casos (7%). Tabela 48 – Quadro síntese de episódios de violência ou acidentes e procura de serviços de saúde envolvendo moradores pesquisados nos últimos 12 meses, Estratégia SF, Aracaju, 2008 Episódios de violência ou acidentes n % 78 9,8 Ferimento com gravidade** 12 13,5 Ferimento sem gravidade** 23 25,8 Sem ferimento** 54 60,7 62 69,7 1 1,1 Famílias que viveram episódios de violência ou acidente* Serviços de saúde Não procurou Policlínica do SUS Ambulatório de hospital público 1 1,1 Clínica ou hospital privado 1 1,1 13 14,6 Consultório particular 1 1,1 SAMU 2 2,2 Posto/Unidade de Saúde da Família do SUS 6 6,7 Pronto-socorro ou emergência públicos Observação: (*) Percentual calculado sobre o total de 800 famílias pesquisadas; (**) Percentual calculado sobre o total de moradores que passaram por algum episódio de violência ou acidentes nos últimos 12 meses (n = 89). Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Aracaju V. PROCESSO DE IMPLEMENTAÇÃO E CONSOLIDAÇÃO DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA Este capítulo examina o contexto político e institucional de implementação e de consolidação da Estratégia SF no município de Aracaju, identificando motivações, etapas, atores envolvidos e a concepção do modelo de atenção em SF posto em prática. No Brasil, desde a década de 1980, com a descentralização das políticas públicas, cresceu a importância dos governos subnacionais, que assumiram gradualmente novas funções e atribuições, em particular na gestão dos serviços essenciais. Nesse processo, os governos locais, cada vez mais, são responsáveis por ações na área social, assumindo novas atribuições e enfrentando, de modo permanente, novos desafios no cumprimento de suas funções públicas. No setor saúde, com a institucionalização do SUS, os municípios ampliaram suas ações, seguindo diretrizes e incentivos federais. As políticas implementadas em nível local apresentam especificidades condicionadas por distintos contextos. No processo de execução de políticas de saúde locais se estruturam novos campos de ação, com a intervenção de diversos atores que, de certa forma, “adequam” as normas à realidade local. Para Kingdon (1995), a maneira como se configura determinado problema na agenda decisória governamental, as negociações e o grau de adesão ou consenso em torno desta decisão influenciarão as diferentes etapas do ciclo da política e até mesmo sua durabilidade e continuidade ou descontinuidade. Os sistemas de serviços de saúde são processos construídos socialmente, influenciados por seus contextos, pelas preferências de diferentes comunidades e pelos legados institucionais (Naylor et al., 2002). As políticas públicas sofrem alterações ao longo do tempo, enfatizando-se as heranças deixadas pelas políticas antecessoras como importante fator condicionante do desempenho das instituições na sua implementação (Ferrera e Rhodes, 2000; Putnam, 1996). Nesta perspectiva, a conformação dos sistemas de saúde está mediada por inúmeros fatores de ordem política, cultural e econômica. Os conflitos e as articulações que configuram os diversos sistemas acontecem de maneira distinta nos diferentes momentos e lugares, constituindo-se marcadamente a partir de longo processo histórico. Aracaju 94 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 1. PROCESSO DE IMPLEMENTAÇÃO/CONSOLIDAÇÃO Contexto político e institucional do município no momento de implantação do PSF O PSF no município de Aracaju foi implantado em 1998 em um contexto político favorável. O governo municipal, com base partidária de partidos de centro-esquerda, era estável, contava com apoio da maioria na Câmara de Vereadores e tinha canal de diálogo aberto com o governo estadual. A partir das eleições do ano 2000, com a vitória da coalizão de esquerda formada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Comunista do Brasil (PC do B), instaurou-se um governo que reescreveu o panorama político no município. As relações com o governo estadual tornaram-se instáveis, sem prejuízo, entretanto, para o desenvolvimento da Estratégia SF. A gestão do prefeito petista, importante apoiador e indutor da política de saúde, é um divisor de águas no processo de implementação da Estratégia SF no município. O prefeito assumiu o compromisso com as políticas sociais e especificamente com a saúde, visando estabelecer uma política de saúde de base solidária, equitativa, inclusiva e coerente com os princípios constitucionais da saúde (SMS Aracaju, 2003:5). Em 2006, o então prefeito de Aracaju concorreu às eleições para governador do estado de Sergipe e renunciou, assumindo a prefeitura seu vice, integrante do PC do B, que se reelegeu em 2008. A nova gestão deu continuidade às ações desenvolvidas no setor saúde e à implementação da SF. Contudo, alterações importantes ocorreram no contexto institucional, como discorremos mais adiante. Do ponto de vista institucional, no processo de municipalização da saúde, o município foi habilitado em 1994 em gestão incipiente e em 1998 como gestor pleno de AB, segundo a Norma Operacional Básica do SUS (NOB/SUS), de 1996. Em 2001, iniciou o processo de habilitação à gestão plena do sistema municipal, uma investida importante para gerenciar a atenção especializada. Inicialmente responsável pela gestão da média complexidade, paulatinamente a SMS foi incorporando a gestão da alta complexidade. Esta condição gestora foi determinante para o aprofundamento da política de saúde em curso, favorecendo a integração da Atenção Primária em Saúde (APS) ao sistema de serviços de saúde no município. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ V. Implementação da Saúde da Família 95 Em 2007, quando o ex-prefeito assumiu o governo estadual, o então secretário de saúde de Aracaju foi convidado para gerenciar a SES-Sergipe (Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe), o que provocou mudanças importantes na SMS. Um contingente importante de dirigentes da SMS se deslocou para a SES. A mudança de secretário municipal de saúde coincidiu com um momento de grande insatisfação dos médicos vinculados à Estratégia SF, apoiados pelas entidades representativas da categoria médica. A principal insatisfação estava relacionada à remuneração. Diante deste cenário, foi indicado para assumir a gestão da SMS um médico cardiologista, profissional conceituado na cidade, buscando-se obter apoio da categoria. Ainda que não tivesse uma trajetória profissional no campo da saúde pública e no setor público, o novo secretário manteve o compromisso de dar continuidade à implementação da Estratégia SF. O cenário político e institucional de transição provocou desestruturação organizacional e, consequentemente, queda no ritmo das ações em curso. O ano de 2007 foi marcado pela reorganização da SMS, na definição de uma nova equipe gestora. Começou-se a discutir recentemente em Sergipe a possibilidade de conformação de um sistema estadual de saúde, a partir do que a SES está denominando de Rede Interfederativa de saúde. Conforme pactuado com o MS, a SES assinou com a União o Termo de Compromisso e Gestão. O Pacto de Gestão do estado de Sergipe com os municípios será substituído pela assinatura do Contrato de Ação Pública, que contempla todos os itens do Pacto de Gestão, além de ampliar este instrumento. Motivações para implantação do PSF O PSF no município de Aracaju foi implantado em 1998 com o apoio da SES, com a perspectiva de mudança do modelo assistencial na atenção básica. A partir de 2001, com as mudanças ocorridas na gestão municipal, o grupo gestor da saúde deu continuidade à política para a AB iniciada no período anterior. O apoio do prefeito foi determinante para a continuidade da política, fortalecendo e aprofundando o processo de implementação da Estratégia SF no município. O novo secretário de saúde, ao assumir a pasta, formulou uma agenda estratégica para a consolidação de um projeto de saúde para Aracaju, qual seja: adequação e ampliação da rede, acolhimento como tecnologia para garantir o acesso, ampliação dos interlocutores da saúde em Aracaju, Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 96 formação de um coletivo dirigente, capacitação permanente e Gestão Plena do sistema municipal. (SMS Aracaju, 2003). Em 2007, o novo grupo gestor que assumiu a SMS propôs avançar na consolidação da Estratégia SF, visando a garantia do direito à saúde com o enfoque na “elevação da consciência sanitária e na construção da autonomia”. Antecedentes da implantação do PSF Em Aracaju, o PACS e o PSF foram implantados em 1998 e a criação das primeiras USFs ocorreu simultaneamente à habilitação do município como gestor pleno de AB. A implantação do PSF era parte do processo de ampliação da rede de serviços de saúde em curso naquele momento, prevendo investimentos em programas especiais, informatização das unidades de saúde e capacitação de Recursos Humanos (RH) (NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002). As diretrizes do programa foram discutidas na V Conferência Municipal de Saúde (1998) e concebidas como estratégias para melhorar a resolutividade e o acesso aos serviços de saúde (NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002). Etapas / momentos da implementação da Estratégia SF Na percepção dos gestores da saúde é possível identificar três fases da Estratégia SF no município de Aracaju. A primeira fase, demarcada pela implantação inicial, criou a base para a expansão do programa. A segunda fase, de 2001 a 2005, caracterizou-se pelo aprofundamento do processo de implementação da Estratégia SF. A terceira fase, a partir de 2007, pode ser caracterizada por certa desorganização institucional e arrefecimento do processo de implementação. Primeira fase No início da implantação, o PSF foi concebido como experiência piloto, a partir do que foram constituídas 12 ESFs em áreas periféricas com concentração de população de baixa renda, insuficiência de serviços de saúde e de equipamentos coletivos em geral. As primeiras equipes foram compostas por profissionais da rede de serviços de saúde pré-existente e terceirizados contratados para atuar especificamente no PSF. Em 1999, foram implantadas nove ESFs em unidades básicas tradicionais convertidas e já existiam dez unidades e 12 equipes do PSF, com um total de 10.011 famílias cadastradas. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ V. Implementação da Saúde da Família 97 Naquele mesmo ano, o PSF de Aracaju foi avaliado como uma das dez melhores experiências de implantação do programa no país e ganhou o prêmio “Saúde Brasil” do MS, na I Mostra Nacional de Produção em Saúde da Família, realizada em Brasília (NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002). Segunda fase Em 2000, foram convertidas 12 unidades básicas em USFs e implantadas outras 34 equipes de saúde da família, completando um total de 46, elevando para 36% o percentual de cobertura. Em 2002, o Programa ampliou as ESFs para 84, aumentando em aproximadamente 60% o número de equipes. O grupo gestor do período 2001-2005 buscou conhecer a distribuição de USFs no território municipal, relacionando-as com a população de cada área. Novas unidades foram propostas para áreas em que a oferta era insuficiente ou que apresentavam grupos populacionais descobertos. O estudo de 2002 identificou que, na compreensão dos gestores, o modelo de PSF implantado no município até aquele momento apresentava uma programação rígida de atividades, centrada nos programas, dificultando o acesso e deixando de fora o restante da população não integrante dos grupos prioritários. Além da implantação do PSF, pretendia-se implantar novo modelo de atenção no sistema de saúde municipal, que superasse o enfoque seletivo e se aproximasse dos princípios do SUS, especialmente com relação à universalização do acesso aos serviços de saúde (NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002). Para a elaboração de um plano de ampliação do PSF e construção de novas UBS, a gestão do período 2001-2004 analisou a distribuição de unidades no território municipal, relacionando-as com a população de cada área. Novas unidades foram propostas para áreas em que a oferta foi considerada insuficiente ou onde havia grupos populacionais descobertos (NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002:37). Nessa fase, o município também investiu na reorientação do modelo assistencial, enfocando a garantia de acesso e responsabilização das ESFs pela população de suas áreas adscritas. O acolhimento foi a primeira intervenção sobre o processo de trabalho na AB, com o objetivo de ampliar o acesso e responder às necessidades expressas pelos usuários a partir da escuta qualificada dos profissionais de saúde (SMS Aracaju, 2003). Aracaju 98 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO O acolhimento foi a estratégia adotada nas USFs para a organização da demanda espontânea. Esta é considerada a melhor fase do processo de implementação da Estratégia SF. Destaca-se que a pesquisa realizada pelo Núcleo de Pesquisas Econômico-Sociais (NUPES), em 2002, classificou o município como tendo bom desempenho e investimento institucional e como experiência inovadora dentre as capitais cujo PSF foi avaliado. Em 2004, o MS concedeu ao município o Prêmio David Capistrano de Humanização, na categoria ação exitosa para a experiência “Tecnologia para a Garantia de Acesso Produtivo nas Unidades Básicas de Saúde”. Terceira fase No ano de 2007, um novo grupo gestor foi nomeado para a SMS, visto que muitos profissionais da gestão, inclusive na Coordenação da Atenção Básica (CAB), foram convidados a trabalhar na SES sob a liderança do ex-secretário municipal. Na visão da coordenadora da atenção básica, este processo teve implicações na capacidade de gestão da SMS e no processo de implementação e consolidação da Estratégia SF. “Mudou o gestor, mudou a forma de fazer a gestão e com toda essa mudança foi muito difícil manter a unidade do grupo gestor. Tivemos que montar uma nova equipe gestora. Alguns ficaram, mas a grande maioria foi embora para o estado. Isso deu um impacto também nas unidades de saúde. Não foi fácil conseguir manter o ritmo nas unidades, pois a toda hora quebrava-se o ritmo na coordenação porque alguém ia embora. Agora, conseguimos voltar ao ritmo e às nossas discussões... (coordenadora da atenção básica). O atual grupo gestor tem o compromisso com a continuidade da política de AB no município, com reorientações no enfoque do modelo assistencial. O secretário municipal de saúde enfatiza a necessidade de mudar a forma de inserção da categoria médica na Estratégia SF. Neste sentido, ressalta a carga horária, a remuneração e formação inadequada como pontos cuja mudança pode ser cogitada no modelo de atenção adotado no município. “Eu acho que precisamos rever o modelo da seguinte forma: existe uma dificuldade de fixar o profissional médico na AB. Isso é um fato real. Normalmente, ele tem uma permanência curta, eu diria que em média não mais de quatro anos. Ele sempre busca sair da AB: ou porque se transfere para o estado, ou porque migra em busca de melhor salário em outra região, ou busca um município que cobre dele uma carga de trabalho menor. É importante que haja o compromisso com o programa. O médico tem que estar voltado para o programa instituído pelo NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ V. Implementação da Saúde da Família 99 Ministério numa ação pública na AB. O modelo de formação do médico nem sempre o prepara para tal (secretário municipal de saúde). Outro aspecto destacado pelo atual grupo gestor como de mudança na orientação do modelo assistencial refere-se à ênfase na participação e no controle social. Ressaltam que o Projeto “Saúde Todo Dia” tinha o acesso e o acolhimento como temas norteadores para o desenvolvimento das ações na AB. Dando continuidade a este processo, o atual grupo gestor propõe o que denominam de Projeto “Saúde e Cidadania”. No começo do “Saúde Todo Dia” era o acesso. Implantamos o acolhimento nas unidades, com humanização, reforma das unidades e o conceito de estrutura física, pensando no fluxo, na entrada do usuário: como ele entra, e depois vai para onde. Então, no início, pensamos na questão do atendimento. Depois, quando passamos para o “Saúde e Cidadania”, pensamos na participação do usuário. Como o usuário se organiza? É a questão da consciência sanitária. É ele ter consciência de que também é responsável, de que precisa conhecer todo o sistema e fazer algo para que o sistema também melhore, que pode contribuir. Então por isso no ano passado investimos bastante também nessa discussão, nessas pré-conferências, nas responsabilidades das pessoas, na construção do Conselho Municipal (coordenadora da atenção básica). Evolução das ESF segundo o SIAB O processo de implantação do PSF em Aracaju foi gradativo, apresentando períodos de grande expansão, conforme pode ser observado nos anos 2000, 2002, 2004 e 2005. Em julho de 1998, ano da implantação, o PSF cobria 9% da população, percentual que não foi alterado no ano seguinte. Segundo dados do Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde (DAB/MS), o período de 2000 a 2004 foi de grande expansão, com a implantação de 114 equipes, alcançando uma cobertura em torno de 71%. Em 2005, a SF alcançou mais de 90% de cobertura, maior percentual atingido pelo município. O aumento da população e redução de uma equipe gerou uma diminuição da cobertura nos anos 2006 e 2007, 127 equipes implantadas e cobertura de 87% da população. O cadastramento das famílias acompanhou a evolução do número de ESFs implantadas, o que representou elevar de 8.650 famílias cadastradas em 1998 para 127.214, em 2007, segundo dados do DAB/MS. Nos anos de 2006 e 2007, nota-se inflexão no processo de implementação da Estratégia SF, se comparados com os anos anteriores. Este fato pode estar relacionado à capacidade máxima de expansão da Estratégia, visto que o município alcançou quase 90% de Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 100 cobertura populacional. Mas pode também estar relacionado às mudanças de ordem política decorrentes do processo eleitoral estadual em 2006, com reflexos na gestão da saúde em âmbito municipal, como já assinalado anteriormente. Tabela 1 – Implantação das ESFs e cobertura do PSF e PACS no município de Aracaju (SE), dezembro de 1998 a dezembro de 2007 Informações No de ESF1 No de famílias cadastradas no PSF2 No de famílias cadastradas no PACS2 No médio de famílias por ESF % pop. coberta pelo PSF1 População Total3 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 12 12 46 53 84 89 113 126 128 127 8.650 10.011 32.581 44.823 72.824 77.234 106.637 114.490 122.604 127.214 36.599 40.282 30.137 27.253 21.371 17.421 772 473 0 0 721 834 708 846 867 868 944 909 958 1002 9,53 9,53 35,62 39,05 61,88 64,78 81,26 90,61 88,56 86,71 440.074 445.555 461.534 468.296 473.990 479.767 485.531 498.618 505.287 511.893 Fonte: 1MS/SAS/Departamento de Atenção Básica – DAB; 2DATASUS/SIAB; 3DATASUS/Informações demográficas e socioeconômicas. Como esperado, a expansão da Estratégia SF retraiu a implantação do PACS. Observase uma relação inversa na evolução do PSF e do PACS no município de Aracaju. À medida que o PSF foi ampliando o número de equipes implantadas e o número de famílias cadastradas (Figura 1), o PACS reduziu sua atuação (Figura 2). Esta tendência se explica pela iniciativa política da SMS de incorporar o PACS ao PSF. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ V. Implementação da Saúde da Família 101 Figura 1 – Evolução da implantação das ESF em Aracaju, no período de 1998 a 2007 140 128 126 120 127 113 100 89 84 80 60 53 46 40 20 0 12 1998 12 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Fonte: MS/SAS/DAB. Figura 2 – Evolução do número de famílias cadastradas no PACS e PSF em Aracaju (SE), período de 1998 a 2007 0 set.2007 127.214 0 dez.2006 122.604 473 dez.2005 114.490 772 dez.2004 106.637 17.421 dez.2003 77.234 PACS PSF 21.371 dez.2002 72.824 27.253 dez.2001 44.823 30.137 32.581 dez.2000 40.282 dez.1999 10.011 36.599 dez.1998 8.650 0 20.000 40.000 60.000 80.000 100.000 120.000 140.000 Fonte: MS/SAS/DAB. Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 102 Entre 1998 e 2007, o município de Aracaju ampliou a contratação de ACS, principalmente nos anos 2002 e 2005, quando aumentou em torno de 36% e 21%, respectivamente, o número de ACS atuando no município. Em 2006, o município atingiu o número total (732) de ACS credenciados na Comissão Intergestores Bipartite (CIB), e manteve este número em 2007 (Gráfico 3). Figura 3 – Evolução da contratação de ACS em Aracaju (SE), 1998 a 2007 800 732 732 732 732 732 732 732 700 730 732 600 604 569 527 500 400 400 321 300 387 280 270 270 321 280 200 100 0 1998 1999 2000 2001 Nº de ACS credenciados pela CIB 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Nº de ACS implantados Fonte: MS/SAS/DAB. Aracaju iniciou o processo de implantação das equipes de Saúde Bucal (ESB) em 2001, com o credenciamento e implantação de 23 equipes. No período de 2002 a 2007, houve expansão desses serviços, com a implantação de mais 36 equipes, completando 59 ESBs em 2007 (Figura 4). Na data da pesquisa, em junho de 2008, estavam implantadas 60 ESBs. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ V. Implementação da Saúde da Família 103 Figura 4 – Evolução da Implantação das ESBs em Aracaju (SE), 1998 a 2007 70 63 63 60 63 59 53 50 52 42 40 36 42 41 42 2003 2004 36 30 23 23 20 10 0 1998 1999 2000 2001 2002 Nº de ESB modalidade I credenciadas pela CIB 2005 2006 2007 Nº de ESB modalidade I implantadas Fonte: MS/SAS/DAB. Aracaju 104 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Unidades de Saúde da Família O município de Aracaju está organizado em oito regiões de saúde, como ilustrado no mapa abaixo. Em 2008, dispõe de uma rede de serviços de atenção básica composta por 43 USFs, sendo dez unidades construídas novas e 33 unidades básicas tradicionais redimensionadas para atuar com ESFs. Figura 5 – Mapa da regionalização dos serviços de saúde, Aracaju, 2008 REGIÃO 1 6 UBS REGIÃO 2 5 UBS REGIÃO 3 5 UBS REGIÃO 4 7 UBS (2 sem ESF) REGIÃO 5 5 UBS REGIÃO 6 5 UBS REGIÃO 7 5 UBS REGIÃO 8 5 UBS Entendendo que a rede de atenção em saúde é uma trama constituída por equipamentos assistenciais de saúde ligados entre si por suas características tecnológicas (SMS Aracaju, 2003), a AB está articulada a mais quatro redes de serviços de saúde: a Rede de Atenção Especializada, que compreende o Centro de Especialidades Médicas Siqueira Campos (CEMAR Siqueira Campos), o Centro de Especialidades Médicas da Criança e do Adolescente (CEMCA) e o Centro de Especialidades Médicas do Augusto Franco (CEMAR Augusto Franco); a Rede de Atenção Hospitalar, composta por prestadores públicos e privados, denominado Hospital Horizontal; a Rede de Urgência e Emergência, composta por Hospital Municipal Zona Norte, Hospital Municipal Zona Sul, SAMU e outros serviços sob gestão municipal; e a Rede de Atenção Psicossocial, NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ V. Implementação da Saúde da Família 105 composta por cinco Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) (dois deles funcionando 24 horas) e quatro residências terapêuticas (SMS Aracaju, 2008). Ao todo são 128 ESFs distribuídas entre 41 USFs. Duas UBS não dispõem de ESFs. Mais da metade das USFs comportam até três equipes de saúde da família, sendo o número máximo de seis por unidade, conforme os gestores. Esta situação foi confirmada pelos ACS, os auxiliares de enfermagem, médicos e enfermeiros da amostra entrevistados. Cerca de 34% dos médicos e enfermeiros, 37% dos auxiliares de enfermagem e 33% dos ACS informaram trabalhar em unidades de saúde com três ESFs. Cerca de um quarto dos profissionais informaram trabalhar em unidades com cinco ou mais equipes (22% de médicos e enfermeiros, 25% de auxiliares de enfermagem e 25% de ACS) (Tabela C1). Tabela 2 – C1 Número de ESFs na unidade de saúde informado por gestores e profissionais de saúde, Aracaju (SE) 2008 Número de ESF na UBS Gestores Médicos e Enfermeiros Auxiliares de enfermagem ACS Nº de USF % Nº de profissionais % Nº de profissionais % Nº de profissionais % 1 ESF 5 11,6 6 4,9 3 5,0 8 5,3 2 ESF 8 18,6 13 10,7 8 13,3 19 12,7 3 ESF 14 32,5 42 34,4 22 36,7 49 32,7 4 ESF 6 13,9 28 23,0 12 20,0 37 24,7 5 + ESF 10 23,2 31 22,1 15 25,0 37 24,7 Total 43 100,0 120 100,0 60 100,0 150 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. As ESFs em Aracaju são formadas, conforme a recomendação do MS, por um médico, um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e cinco a seis ACS. Atualmente, cada ESF é responsável pelo acompanhamento de aproximadamente mil famílias. Todas as USFs dispõem de ESB (uma ESB para cada duas ESFs) e assistentes sociais que dão suporte às equipes nas unidades. Parte destas contam com pediatras e ginecologistas e algumas com clínicos gerais de apoio. Em algumas unidades, são denominadas equipes ampliadas, em geral com o pediatra e o ginecologista de referência para uma ESF específica. Em outras, estes profissionais compõem as denominadas equipes de apoio, vinculadas à UBS e referência para várias equipes, Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 106 inclusive de outras unidades básicas da mesma região. A composição dessas equipes (ampliadas e de apoio) é decorrente do processo de conversão ao modelo SF, em que os profissionais vinculados aos centros de saúde tradicionais decidiram permanecer nas USFs. As equipes têm clínico, pediatra e ginecologista. Mas a forma de organização do trabalho é diferente. Porque, por exemplo, no Centro de Saúde Edésio Vieira, tem o pediatra e o ginecologista que são daquela equipe. Nos outros, não. O ginecologista é de todas as equipes. O Edézio Vieira foi o centro em que conseguimos avançar mais na lógica pretendida . (coordenadora da atenção básica). Segundo a coordenadora, são 19 equipes ampliadas/de apoio distribuídas em sete USFs. Com relação ao horário de funcionamento das USFs, ela informa que a maioria das unidades funcionam das 7:00 às 17:00 e três unidades funcionam das 7:00 às 19:00. O horário de funcionamento das USFs é confirmado pelos profissionais, indicando intervalo para almoço. A maioria dos profissionais informou horário de 7:00 às 12:00 horas e 14:00 às 17:00 horas (63% dos médicos, 73% enfermeiros, 64% auxiliares e 43% ACS); e 43% dos ACS indicaram o horário de 7:00 às 17:00 horas (Tabela C2). Tabela 3 – C2 Horário de funcionamento da USF informado pelos médicos e enfermeiros, Aracaju (SE), 2008 Horário de funcionamento Médico Auxiliar/técnico enfermagem Enfermeiro ACS n % n % n % n % 7:00 - 17:00 7 12,5 6 9,1 26 43,3 29 19,3 7:00 - 18:00 2 3,6 1 1,5 2 3,3 7 4,7 7:00 - 19:00 2 3,6 2 3,0 3 5,0 4 2,7 7:00 -12:00 e 13:00 - 17:00 5 8,9 4 6,1 1 1,7 6 4,0 7:00 -12:00 e 14:00 - 17:00 35 62,5 48 72,7 26 43,3 96 64,0 7:00 -12:00 e 14:00 - 18:00 - - - - 1 1,7 4 2,7 Outros 5 9,0 5 7,5 - - 4 2,7 Não respondeu - - - - 1 1,7 - - 56 100,0 66 100,0 60 100,0 150 100,0 Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. As USFs são gerenciadas por um gestor local, que cuida da parte administrativa, da distribuição de fluxo, do processo do trabalho e da solução de conflitos entre usuários e profissionais, entre outras atividades. Existe uma coordenação para apoiar as USFs que compõem as oito regiões de saúde do município. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ V. Implementação da Saúde da Família 107 A estrutura física das unidades é diversificada; em geral são unidades com consultórios médicos, sala de vacinas, sala de curativos, sala de procedimentos, sala de nebulização, sala de observação, sala de reunião, recepção, sala de espera, farmácia, sala de preparo de material para esterilização, banheiros feminino e masculino. As unidades são, na maioria, informatizadas, dispondo de computadores ligados na intranet. Esses equipamentos, na maioria das vezes, ficam na recepção. Metade dos ACS (50%) e dos auxiliares de enfermagem (52%) considerou o espaço físico da USF inadequado para realização do trabalho em equipe (Tabela C22). Tabela 4 – C22 Adequação do espaço físico da USF à realização do trabalho em equipe, conforme Agentes Comunitários de Saúde e Auxiliares de Enfermagem, Estratégia SF, Aracaju (SE), 2008 Espaço físico adequado ACS Auxiliares de Enfermagem n % n % Sim 75 50,0 29 48,3 Não 75 50,0 31 51,7 Total 150 100,0 60 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008 Médicos e enfermeiros (72%) informaram que os espaços, inclusive consultórios, não são compartilhados por mais de uma ESF; mas 60% deles afirmam que o espaço não é confortável para usuários e profissionais. A manutenção das unidades é considerada insatisfatória por 68% dos médicos. Os enfermeiros (61%) foram um pouco mais críticos que os médicos (52%) com relação à inadequação do espaço físico para promover reuniões de grupos de risco ou de orientação em educação e saúde, assim como reuniões de equipe e com privacidade (Tabela C19). Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 108 Tabela 5 – C19 Avaliação do espaço físico da unidade segundo Médicos e Enfermeiros, Estratégia SF Aracaju (SE), 2008 Médico Critério Sim Enfermeiro Não Não tem opinião Sim Não Total Não tem opinião Sim Não Não tem opinião n % n % n % n % n % n % n % n % n % a) Permite o atendimento de forma confortável para os usuários e para os profissionais 19 33,9 36 64,3 1 1,8 29 43,9 37 56,1 - - 48 39,3 73 59,8 1 0,8 b) Contém a tecnologia necessária ao desenvolvimento das ações básicas de saúde 17 30,4 36 64,3 3 5,4 33 50,0 33 50,0 - - 50 41,0 69 56,6 3 2,5 c) Permite realizar reuniões de equipe e com privacidade 21 37,5 32 57,1 3 5,4 21 31,8 45 68,2 - - 42 34,4 77 63,1 3 2,5 d) Permite promover reuniões de grupos de risco ou de orientação em educação e saúde 24 42,9 29 51,8 3 5,4 26 39,4 40 60,6 - - 50 41,0 69 56,6 3 2,5 e) Tem manutenção satisfatória 14 25,0 38 67,9 4 7,1 27 40,9 35 53,0 4 6,1 41 33,6 73 59,8 8 6,6 f) Foi especialmente construído para abrigar uma equipe de saúde da família da SMS 20 35,7 31 55,4 5 8,9 23 34,8 40 60,6 3 4,5 43 35,2 71 58,2 8 6,6 g) Foi restaurado satisfatoriamente para abrigar uma ESF 18 32,1 30 53,6 8 14,3 23 34,8 41 62,1 2 3,0 41 33,6 71 58,2 10 8,2 h) Abriga mais de uma ESF satisfatoriamente 24 42,9 29 51,8 3 5,4 35 53,0 31 47,0 - - 59 48,4 60 49,2 3 2,5 i) Os espaços, inclusive consultórios, são compartilhados por mais de uma ESF 14 25,0 40 71,4 2 3,6 18 27,3 48 72,7 - - 32 26,2 88 72,1 2 1,6 4 7,1 4 7,1 2 3,6 5 7,6 6 9,1 1 1,5 9 7,4 10 8,2 3 2,5 J) Outro Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Observação: n = 72 médicos e n = 75 enfermeiros. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ V. Implementação da Saúde da Família 109 Nas USF não há coleta de material para exames. Em geral os exames laboratoriais solicitados pelas ESFs são realizados em laboratórios privados que não disponibilizam coleta nas USFs. Segundo médicos (68%) e enfermeiros (49%), poucas vezes ou nunca as unidades realizam coleta de material para exames (Tabela D6). Os gerentes das USFs informaram que as unidades realizam exames de escarro para TB, sorologia da dengue, hemograma, rubéola e colpocitologia. Tabela 6 – D6 Existência de coleta de material para exames de laboratório na USF informada por Médicos e Enfermeiros, Estratégia SF, Aracaju (SE), 2008 Médico Enfermeiro Total Existência de coleta n % n % n % 5 8,9 20 30,3 25 20,5 Na maioria das vezes 13 23,2 17 25,8 30 24,6 Poucas vezes 32 57,1 28 42,4 60 49,2 Nunca 6 10,7 - - 6 4,9 Não respondeu - - 1 1,5 1 ,8 56 100,0 66 100,0 122 100,0 Sempre Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Segundo informações dos gerentes de unidade visitadas, as equipes realizam consultas médicas, de enfermagem e odontológica, fazem acolhimento, vacina, curativo, nebulização, desenvolvem atividades para os grupos de gestantes, hipertensos e diabéticos, fazem visitas domiciliares e realizam reuniões de equipe, com periodicidade semanal ou quinzenal, dependendo da unidade. As atividades das ESFs são analisadas em detalhe no capítulo VII. 2. CONCEPÇÃO DO MODELO ASSISTENCIAL A Estratégia SF é concebida de forma integrada ao sistema de saúde municipal e assumida como ação reorientadora do modelo assistencial na AB. Integra o Projeto “Saúde e Cidadania”, que segue as bases do Projeto “Saúde Todo Dia” – conjunto de ações realizadas no sistema municipal de saúde, formulado pelo grupo gestor anterior. Segundo a perspectiva teórica que norteia o modelo tecnoassistencial assumido no Projeto “Saúde Todo Dia”, que expressa a política de saúde no município de Aracaju, o objeto para o qual está orientada a produção de cuidado em saúde são as necessidades de saúde dos indivíduos e da coletividade, tendo como imagem-objetivo a produção de Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 110 autonomia para indivíduos e coletivos e, consequentemente, o alcance de melhor qualidade de vida (SMS Aracaju, 2003). A lógica do processo de trabalho nas unidades de saúde que compõem o sistema municipal é descrita segundo a figura abaixo (SMS Aracaju, 2003). Figura 6 – Processo de trabalho, Projeto “Saúde Todo Dia”, SMS Aracaju Produtos do encontro entre trabalhador e usuário na saúde Acolher necessidades Compreender, significar Corresponsabilizar-se Intervir com vínculo Produzir autonomia Fonte: extraído de SMS Aracaju, 2003:8. As diretrizes propostas para o modelo assistencial no Projeto “Saúde Todo Dia” enfocavam a garantia de acesso e responsabilização das equipes/profissionais e unidades pela saúde da população de suas áreas adscritas. Responsabilização inclui a garantia do acesso à atenção integral e resolutiva nos diversos níveis de complexidade que cada paciente requer (NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002). A AB é parte integrante e se constitui em uma das cinco redes de atenção que compõem o sistema municipal de saúde (rede básica, psicossocial, urgência e emergência, média e alta complexidade ambulatorial e rede hospitalar). A rede assistencial em saúde é concebida como um conjunto de equipamentos assistenciais ligados entre si por suas NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ V. Implementação da Saúde da Família 111 características tecnológicas e organizadas a partir de um mesmo projeto assistencial (SMS Aracaju, 2003). Nesta concepção, a partir da construção de um sistema ordenado de serviços de saúde, as ações devem ocorrer em uma lógica de redes de atenção interconectadas, com a finalidade de configurar linhas de produção do cuidado, compreendidas como rotas pelas quais o usuário percorre o sistema de saúde, a fim de superar suas necessidades. Segundo o documento que registra a concepção do Projeto “Saúde Todo Dia” (SMS Aracaju, 2003:12), “a articulação entre as diversas redes assistenciais é representada pela existência de Linhas de Produção do Cuidado. As linhas de cuidado representam o caminho virtual realizado por um usuário entre a identificação de uma necessidade até o acesso ao conjunto de intervenções disponíveis para reconstituir sua autonomia, o que conforma uma linha de cuidado singular. O acesso do usuário às intervenções necessárias para resgatar sua autonomia para caminhar a vida é mediado por profissionais de saúde. O acesso é dependente da necessidade e deve ocorrer a partir do local onde ela foi identificada, ou seja, de qualquer ponto do sistema onde se identifica uma necessidade deve se produzir a inclusão daquele usuário na melhor oferta disponível”. O grupo gestor da saúde que assumiu a SMS Aracaju em 2007 reiterou os princípios e o modelo teórico que fundamenta o Projeto “Saúde Todo Dia”, como pode-se observar na fala da coordenadora da atenção básica sobre a concepção do modelo adotado no município: É o cuidado e a geração de autonomia. É cuidar do usuário de forma que depois ele possa se cuidar, sabendo que tem autonomia para cuidar da sua própria vida. É nós pensarmos nas necessidades de saúde, que são múltiplas, em cada pessoa e em cada comunidade. A comunidade tem uma multiplicidade de necessidades muito grande. É pensar nessas necessidades. Propor estratégias de enfrentamento para elas de modo que depois isso gere autonomia naquele usuário para que ele mesmo possa cuidar das próprias necessidades. Esse é o modelo conceitual que era do “Saúde Todo Dia” e que agora é do “Saúde e Cidadania” (coordenadora da atenção básica). A proposta “Saúde e Cidadania” traz como questão central o enfoque do controle social com o intuito de avançar na construção dos direitos de cidadania. É possível identificar na fala da coordenadora a ideia de dar continuidade à proposta conduzida pelo grupo gestor anterior, porém aprofundando os aspectos que fortalecem a participação do usuário, desenvolvendo sua consciência sanitária, sua responsabilidade e coparticipação. A organização do processo de trabalho nas UBS, seguindo a concepção formulada no Projeto “Saúde Todo Dia”, ocorre a partir de unidades de produção do cuidado em saúde, ou unidades produtivas, entendidas como um agrupamento de processos com características comuns. Têm processos e produtos bem definidos e seus produtos podem ser insumos para Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 112 outras unidades ou um produto final. Os serviços de saúde produzem o Cuidado em Saúde. Os insumos das unidades de produção do cuidado são as necessidades de saúde das pessoas e dos coletivos. Ao final do processo de trabalho em cada unidade produtiva, a necessidade deve ser resolvida, sempre tendo como resultado ganhos crescentes de autonomia por parte de indivíduos, coletivos e da própria equipe de saúde (SMS Aracaju, 2003:34). Na AB, o processo de trabalho está organizado, principalmente a partir das seguintes unidades produtivas por tipo de necessidades expressas pelos usuários e as características do trabalho, buscando superar a lógica de intervenção centrada no procedimento (SMS Aracaju, 2003). Figura 7 – Unidades produtivas por tipo de necessidade, Projeto “Saúde Todo Dia”, SMS Aracaju Unidade produtiva Tipo de necessidades e características do trabalho Acolhimento Trabalha com a demanda espontânea, produz escuta e qualificação de necessidades Atendimento individual Produz compreensão e significação dos problemas para articular projetos de intervenção singulares que visem produzir autonomia para os indivíduos Ações programáticas Articulam atividades-intervenções voltadas para abordagem de riscos e grupos de vulnerabilidade Procedimentos Agrupa o conjunto de procedimentos ofertados pela UBS Acolhimento do risco no território Trabalha com as questões de risco à saúde da coletividade, o risco ambiental e social Monitoramento e gestão Atividades administrativas e de gestão do trabalho, monitoramento através de indicadores de saúde e desempenho da unidade Fonte: extraído de SMS Aracaju, 2003:35. O estudo realizado pelo NUPES/DAPS/ENSP em 2002 identificou que naquele momento a SMS investia na implantação da rotina de acolhimento dos usuários em todas as unidades básicas do município, independente de terem ou não ESFs. O acolhimento, na concepção dos gestores da saúde, era entendido como um “dispositivo de escuta qualificada”, cujos objetivos seriam a garantia do acesso e a regulação da demanda. Nesta estratégia, “o critério de risco e a queixa aguda são elementos definidores das necessidades”. O profissional de saúde conversa com todos os usuários que chegam, ouve suas queixas, avalia o risco de cada caso e encaminha as demandas. Uma das finalidades do acolhimento nas USFs seria transformar a demanda espontânea em demanda programada (NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ, 2002:37). As ações programáticas fazem parte da matriz produtiva que organiza o processo de trabalho na AB, ao lado de outras atividades, combinando demanda espontânea e programação em saúde. A integração da AB às demais redes de atenção à saúde no município ocorre a partir de um sistema regulatório, o Terminal de Atendimento do NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ V. Implementação da Saúde da Família 113 SUS (TAS). Esta ferramenta é objeto de discussão no Capítulo X, que trata da integração da Saúde da Família ao sistema de saúde. O território A rede de AB está organizada segundo as oito regiões de saúde e distritos sanitários estabelecidos no município. Em cada região existe um conjunto de unidades de saúde que estão sob responsabilidade de uma equipe de supervisão multiprofissional composta por um coordenador geral e dois a três surpevisores. Cada unidade básica possui um território com sua população cadastrada e cada usuário deve ter uma equipe de referência. Algumas unidades com equipes ampliadas trabalham com a lógica da adscrição, porém nem todos os moradores do território são cadastrados, ou o cadastramento ocorre a partir do que denominam de cadastramento ativo, em que o usuário procura a unidade de saúde do território e passa a ter um prontuário na unidade de saúde: Essas unidades de PSF com equipe ampliada têm adscrição. O território é adscrito, mas nem todo mundo que mora ali é cadastrado. [...] Há pessoas que não são cadastradas. Então, é assim: se eu acesso, faço o meu prontuário. [...] É o cadastramento ativo, a pessoa tem que ir lá e tem separada a pasta escrito “Condomínio Vivendas” por ordem de ruas. Então, são atendidas pessoas que fazem parte do território, mas não são cadastradas, não têm agente de saúde (coordenadora da atenção básica). Equipe de Saúde da Família A ESF no município de Aracaju apresenta particularidades, sendo formada basicamente por médico, enfermeiro, ACS e um auxiliar; cada USF conta com um assistente social. As USFs apresentam configurações diferenciadas das ESFs. Há unidades com ESFs, como descrito acima, unidades com equipes ampliadas de SF, que agregam também pediatra e ginecologista, e unidades com ESF que contam com equipes de apoio, profissionais da especialidade básica (clínico geral, pediatra, ginecologista) que dão suporte à ESF da unidade à qual estão vinculados e são referência para outras unidades básicas do mesmo território. Seriam oito USF com equipes ampliadas, segundo informações dos gestores. Toda a rede básica de saúde no município de Aracaju, exceto duas UBS, se baseia no modelo de atenção da ESF. A intenção inicial dos gestores era que profissionais como o pediatra e o ginecologista fizessem apoio matricial às equipes de saúde da família. Entretanto, como verificado na Aracaju 114 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO fala da coordenadora da atenção básica, em alguns casos estes profissionais fazem o atendimento direto, não referenciado pela ESF. Em várias unidades colocamos o pediatra. Foi um pedido dos médicos pela dificuldade de atender criança, pressão da comunidade. Inicialmente, era para fazer apoio matricial, discussão de casos, para referenciar os casos mais complicados que o generalista não desse conta. Aí, aconteceu que o generalista se acomodou. Tem pediatra, então agenda tudo para o pediatra; chegou criança, vai para o pediatra. Já rediscutimos o papel, mas é difícil [...] Vamos fazer uma nova discussão para rever a inserção do pediatra nessas unidades. Porque não é para eles ficarem fazendo ambulatório de toda criança que chegue. Eles são referência e devem trabalhar no apoio matricial, que é fazer a discussão de casos (coordenadora da atenção básica). Desde 2002, o grupo gestor tem procurado formar equipes de apoio matricial em saúde mental, mais especificamente o apoio das equipes dos CAPS às USFs. Esta ação se consolidou na 1a região de saúde, com perspectiva de que pudesse ocorrer nas demais regiões. O atual grupo gestor afirmou a intenção de implantar o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), mas considerou que o fato de 2008 ser ano eleitoral poderia dificultar a discussão naquele momento. Segundo a coordenadora da ação básica, os gestores não querem que se repita “o que aconteceu com os pediatras, que iam fazer apoio matricial, que é a proposta do NASF, e estão fazendo ambulatório”. 3. Atores envolvidos na consolidação Na visão do secretário e da coordenadora da atenção básica, o principal apoio à implantação da Estratégia SF no município tem sido do prefeito e do MS. O secretário considera que uma das razões que explicam a consolidação da Estratégia no município é a continuidade da política da época de sua implantação até o momento atual. A SES teve papel fundamental no primeiro momento da implantação. Foi a principal indutora da política no município. Contribuiu com divulgação, apoio logístico, participação nos treinamentos, construção de estratégias e mapeamento, mas sem incentivo financeiro. Em um primeiro momento, o polo de capacitação estadual disponibilizou profissionais para auxiliar na capacitação da SMS. Durante a gestão petista na prefeitura, os conflitos políticos interferiram na relação entre SMS e SES, distanciando as duas esferas. Atualmente, com o governo estadual petista, a SES voltou a ter papel importante no apoio à Estratégia SF no município. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ V. Implementação da Saúde da Família 115 No início, alguns setores organizados da população se opuseram ao modelo por desconhecer a dinâmica de atuação do PSF. A população não aceitava deixar de utilizar os serviços já conhecidos, particularmente os médicos especialistas, para ser atendida apenas pelo médico generalista. A redução do número de profissionais também gerou polêmica. A população não compreendia que esta redução estava associada ao aproveitamento integral da carga horária do médico. A população participou do processo de implantação do programa. Houve espaço para a representação popular e dos profissionais de saúde. Por decisão do gestor da saúde à época iniciou-se um processo de ampliação dos canais de interlocução no setor através da constituição de 44 Conselhos Locais de Saúde (CLS), junto com os quais se definiu de que maneira se ampliaria a rede e se implantaria a nova modalidade de acesso aos serviços. A grande articulação em torno de uma nova proposta de saúde para o município permitiu que a VI Conferência Municipal de Saúde se efetivasse como fórum de formulação da política. Foram realizadas reuniões com profissionais, usuários e gestores para a organização da Conferência Municipal de Saúde. A partir dessas reuniões foram construídos 41 pactos de atuação da SMS junto à comunidade, direcionados para dois problemas centrais: o acesso à unidade de saúde e a garantia de acesso ao sistema como um todo. Atualmente, a população se manifesta no sentido de ter acesso às ações realizadas pelas ESF, além de exigir qualidade no atendimento.“Temos unidades, (em áreas de população de maior poder aquisitivo)”... onde as pessoas cobram, pressionam, querem a visita domiciliar. “E o agente? Não tem agente aqui na minha região”? E assim, é população que se poderia dizer que por ser de classe média não iria querer agente”[...] Mas as pessoas hoje cobram, porque querem a visita do agente, do auxiliar e do médico” (coordenadora da atenção básica). Os sindicatos dos médicos e dos enfermeiros mostraram-se favoráveis à implantação do PSF. O Sindicato dos Médicos apresentou como divergências os honorários para os médicos, a carga horária integral e a forma de gestão do PSF. Na visão dos gestores da saúde, existia um número de médicos na rede que permitiria a implantação de todas as 120 equipes propostas e ofereceria uma cobertura de 85% a 90% do território. Entretanto, esses profissionais não desejavam compor o quadro das ESFs com carga horária integral, obrigando a terceirização das contratações. Esta Aracaju 116 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO posição não representou uma recusa da estratégia do PSF, mas demarcou uma posição contrária em relação à carga horária preconizada. Para os enfermeiros, a perspectiva de mudança no cenário profissional promoveu a adesão de vários profissionais da rede, atraídos pela inserção qualificada no PSF. A atuação como figura central das equipes provocou uma adesão em massa destes profissionais, que já faziam parte da rede pública. Segundo avaliação dos gestores, embora conste que os profissionais da rede básica apoiaram sem restrições o novo modelo, na prática havia uma oposição ao programa, motivada pela defasagem salarial entre os profissionais da rede tradicional e os do PSF. Na fase inicial da implantação, embora houvesse consenso de que a Câmara dos Vereadores não se manifestava contrária à implantação do PSF, as dissonâncias eram contidas pela maioria da bancada, o que permitiu assumir o PSF como plano de governo. O Conselho Municipal de Saúde (CMS) também agregava posições contrárias e favoráveis ao desenvolvimento do projeto. Atualmente, segundo o secretário, não há resistências explícitas à Estratégia, embora se reconheça algumas contestações por parte do Conselho Regional de Medicina (CRM) e do Sindicato dos Médicos em relação à política salarial e a carga horária integral. Em relação aos enfermeiros, a disputa permanente com a categoria médica tem gerado reivindicações no sentido da equiparação salarial e redução da carga horária. O setor privado não se manifestou contrário em nenhum momento, pois, na visão dos gestores da saúde, a estrutura da Estratégia SF não interfere nos seus interesses. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ V. Implementação da Saúde da Família 117 4. FINANCIAMENTO Para conhecer o financiamento do SUS municipal em Aracaju, foram selecionados alguns indicadores do Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde (SIOPS) referentes aos anos de 2002, 2004, 2006 e 2007, disponíveis no site do DATASUS. As informações coletadas priorizam o financiamento do setor saúde sob gestão municipal, excluindo-se os recursos gerenciados pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) e/ou diretamente pelo MS. Algumas destas informações foram compostas com dados obtidos diretamente na SMS, através das entrevistas com os gestores locais. Inicialmente, é apresentado um conjunto de indicadores municipais desenvolvidos pelo SIOPS. Considera-se a relação entre receitas e despesas em saúde no município, buscando-se conhecer a participação das transferências SUS e dos recursos próprios municipais no total dos gastos do município com saúde. Em seguida, é analisada a composição do gasto municipal com saúde. Por fim, as receitas realizadas por administração direta do município com atenção básica merecem especial destaque. A análise da participação dos recursos próprios municipais no conjunto da receita aplicada em saúde indica que sua contribuição vem sendo progressiva a cada ano, chegando a 18,5% em 2007, percentual maior que o previsto na Emenda Constitucional 29 (EC 29/2000), que determina a aplicação de 15% dos recursos próprios do município para o financiamento da saúde. As despesas totais com saúde no município, em valores absolutos, apresentaram um incremento significativo a cada ano: eram R$ 67.233.431,19, em 2002, e passaram para R$ 199.381.632,30, em 2007. A composição das receitas do município de Aracaju demonstra sua forte dependência das transferências intergovernamentais, as quais em 2007 corresponderam a 72,2% do total das despesas do município com saúde. Esta proporção aumentou consideravelmente, passando de 69,27%, em 2002, para 85,6%, em 2004, caiu para 66,5%, em 2006, e atingiu 72,2%, em 2007. O perfil da receita do município segue o padrão mais geral das relações intergovernamentais característico do país, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste, onde grande parte da receita é procedente das transferências dos entes supranacionais aos municípios. Os dados do SIOPS apontam que a participação das transferências da União para a saúde sobre o total de recursos transferidos para a saúde é predominante, com 100% em todos os anos Aracaju 118 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO pesquisados, informação corroborada pelo SMS, quando afirma que o Estado não efetua transferências para o setor saúde. Se a análise partir das despesas com saúde por habitante sob responsabilidade do municí-pio, nota-se um crescimento significativo em valores absolutos, passando de R$ 141,85, em 2002, para R$ 383,20, em 2007. Em relação às transferências SUS por habitante, verificamos igual incremento ao longo dos anos, passando de R$ 98,26, em 2002, para R$ 276,87, em 2007. Portanto, a participação percentual das transferências para o SUS no total de gastos com saúde em Aracaju segue extremamente importante para o município no custeio dos gastos em saúde. Tabela 7 – Indicadores municipais de financiamento do SUS, Aracaju, 2002 - 2007 Indicadores 2002 2004 2006 2007 % Participação da receita própria aplicada em saúde conforme a EC 29/2000 10,73 15,05 17,47 18,46 Despesas totais com saúde no município* R$ 67.233 R$ 125.279 R$ 169.232 R$ 199.382 Despesa total com saúde, sob a responsabilidade do município, por habitante R$ 141,85 R$ 258,03 R$ 334,92 R$ 383,20 R$ 222,6 R$ 276,87 Transferências SUS/habitante R$ 98,26 R$ 220,91 % Participação das transferências da União para a saúde no total de recursos transferidos para a saúde no município 100,00 99,80 % Participação das transferências para a saúde em relação à despesa total do município com saúde 69,27 85,62 100,00 66,46 99,98 72,25 Fonte: SIOPS, 2008. * Valores correntes em R$ 1.000,00. O exame dos gastos do município com saúde por elemento de despesa indica o peso dos gastos com pessoal no montante das despesas setoriais, correspondendo a 45%, em 2007. Esta proporção vem se alterando a cada ano: em 2002, correspondia a 46%; em 2004, atingiu a mais alta proporção do período, com 46%; em 2006, caiu para 44%, tornando a subir em 2007, quando atingiu o percentual de 45%. Os gastos com serviços de terceiros – pessoa jurídica – variaram nos três anos analisados. Sua participação no total das despesas com saúde do município, em 2002, era de 35%, apresentou pequeno crescimento, em 2004, para 40%, reduzindo em 2006 para 36% e em 2007 para 34%. As despesas com medicamentos e investimentos em saúde no município sofreram redução entre 2002 e 2007 e representaram, em 2007, menos de 4% na composição dos gastos totais do SUS municipal. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ V. Implementação da Saúde da Família 119 Tabela 8 – Composição dos gastos totais do SUS municipal por tipo de despesa (%), Aracaju, 2002 - 2007 2002 2004 2006 2007 % 45,68 % 46,24 % 44,28 % 44,97 Participação da despesa com medicamentos na despesa total com saúde 3,97 2,31 2,68 1,79 Participação da despesa com serviços de terceiros – pessoa jurídica na despesa total com saúde 34,68 39,46 35,67 34,32 6,80 2,52 4,25 1,48 Indicadores Participação da despesa com pessoal na despesa total com saúde Participação da despesa com investimentos na despesa total com saúde Fonte: SIOPS, 2008. Quanto ao financiamento da AB, considerando as receitas realizadas por administração di-reta no município de Aracaju, em 2007, foram realizadas despesas no valor de R$ 29.475.625,06, decorrentes de transferências da União relativas ao PAB fixo (27%), e pre-dominantemente referente ao PAB variável (73%). Para a Estratégia SF foram repassados pouco mais de 14 milhões de reais correspondendo às despesas da SF, ACS e saúde bucal. Vale ressaltar que o financiamento da AB tem apresentado um incremento constante ao longo dos anos estudados, passando de cerca de 15 milhões, em 2002, a mais de 29 milhões em 2007. Em 2007, o PAB variável ocupou 75% das transferências para AB. Esta proporção apresenta uma evolução crescente, quando comparada aos anos anteriores (66%, em 2006; 60%, em 2004 e 47%, em 2002). Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 120 Tabela 9 – Atenção Básica – Receitas realizadas por administração direta do município de Aracaju (Valores correntes em R$ 1,00) 2002 2004 2006 2007 Indicadores valor Atenção Básica % 15.056.667,61 100,0 valor 18.888.520,41 100,0 Piso de Atenção Básica Fixo (PAB Fixo) 7.448.244,00 49,5 7.590.028,96 Piso de Atenção Básica Ampliado (PABA) 496.839,94¹ 3,3 - Piso de Atenção Básica Variável (PAB Variável) % 40,2 valor % 22.983.203,60 100,0 7.828.126,57 34,1 - 7.981.044,78 Saúde da Família 3.309.390,00 6.208.800,00 8.269.600,00 8.289.000,00 Agentes Comunitários de Saúde 1.125.133,34 1.738.720,00 3.183.300,00 4.532.028,00 390.000,00 837.600,00 1.078.000,00 1.179.300,00 1.484.069,04 1.744.152,56 1.672.078,28 - Farmácia básica 468.297,00 582.630,38 791.615,52 - Vigilância Sanitária 117.074,29 186.588,51 160.483,23 - Carências nutricionais 217.620,00 - - - - - - 7.494252,28 Outros programas financiados por transferência Fundo a Fundo² Despesas totais com saúde Fonte: SIOPS 2008. ¹ Em Aracaju, só existe valores para o PABA no ano de 2002. ² Em 2007, passou a vigorar nova classificação para as despesas. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ 27,1 - 47,2 11.298.491,45 Epidemiologia e controle de doenças 15.155.077,03 % 29.475.625,06 100,0 7.111.583,67 Saúde bucal 59,8 valor 65,9 21.494.580,28 72,9 V. Implementação da Saúde da Família 121 Observações dos gestores sobre o financiamento da Estratégia Saúde da Família De acordo com o secretário municipal de saúde de Aracaju, o município recebe em torno de R$ 6.000,00 de incentivos do MS, cobrindo uma proporção de cerca de 50% a 40% das despesas com a Estratégia SF. Segundo ele, comumente o município gasta 60% de recursos próprios em saúde. A Coordenadora Chefe de Gabinete e Secretária Adjunta complementa dizendo que Aracaju recebe do MS R$ 5.700,00 por equipe/mês e que o salário pago ao médico da SF é de R$ 5.300,00, portanto o incentivo do MS não cobre sequer o custo do salário do médico incluindo os encargos trabalhistas. A coordenadora da AB confirma e ainda ressalta que as ESFs contam com outros profissionais além da equipe básica, como por exemplo, o assistente social, o que contribui para o aumento dos custos com as equipes do SF. Para a Coordenadora Chefe de Gabinete e Secretária Adjunta, os custos com a Estratégia SF são muito maiores do que os da AB tradicional. “A AB tradicional gastava menos, mas também não tinha resolutividade.” A AB tradicional gerava somente consulta e procedimento, já a Estratégia SF dispõe de uma gama de ofertas que jamais a AB tradicional poderia proporcionar, como por exemplo, ao paciente diabético é possível realizar consultas, exames, acesso a medicamentos, educação em saúde, atividades físicas, entre outros. Já a Coordenadora da AB acredita que os custos com a Estratégia SF são menores, porque para manter uma unidade básica tradicional é preciso maior número de médicos dentro das unidades e a presença do médico encarece muito os custos totais da unidade de saúde; e que algumas especialidades, como a pediatria e a psiquiatria, estão cada vez mais escassas. A coordenadora adverte ainda que o retorno da Estratégia SF é muito maior, principalmente se considerarmos sob o aspecto do cuidado. Aracaju VI. GESTÃO DO TRABALHO EM SAÚDE DA FAMÍLIA 1 A gestão do trabalho em saúde ganhou centralidade no processo de implementação da Estratégia Saúde da Família na medida em que a adoção do novo modelo assistencial ampliou e fixou o quadro de pessoal em nível municipal, paradoxalmente, no momento de transição econômica e de Reforma de Estado, que tinha como diretriz a diminuição da participação do Estado na prestação de serviços. As Reformas Administrativas, efetuadas a partir de 1995, objetivaram a redução do papel do Estado e a diminuição dos gastos públicos, mas favoreceram a desregulamentação das relações de trabalho no setor público. Medidas ‘flexibilizadoras’, criadas por dispositivos legais complementares, modificaram as condições do uso da força de trabalho, de sua remuneração e de sua proteção, assim como de suas estruturas de representação – sindicatos e Justiça do Trabalho (Cardoso Jr., 2006). O Plano de Reforma Administrativa de 1995 estabeleceu novas normas jurídicas para o trabalho e permitiu que, em associação com o Estado, instituições privadas cumprissem seus objetivos de bem-estar social (Nogueira, 2006). No setor público de saúde, essa tendência de afastamento dos princípios que orientavam o trabalho na administração pública afetou os estados e municípios, os quais, desde a Constituição de 1988, tornaram-se responsáveis pela prestação de serviços de saúde na sua integralidade, necessitando, para isto, reestruturar e ampliar seu quadro próprio de pessoal. As medidas restritivas para a contratação de pessoal no setor público, entre elas, a Lei de Responsabilidade Fiscal, versus a demanda por recursos humanos resultou, nos estados e, sobretudo, nos municípios, na proliferação de contratos de trabalho pouco regulados, chamados de ‘contratos precários’, que eram mediados por cooperativas, por fundações privadas e por Organizações Não Governamentais (ONGs). 1 Parte do texto foi elaborada com o apoio de Junia Marçal Rodrigues e Raquel Braga Rodrigues, consultoras da DM&P – Desenvolvimento de Mercados e Produtos LTDA (www.dmep.com.br) e pesquisadoras da Estação de Trabalho Observatório do Mercado de Trabalho em Saúde (SUS/SES-MG) em parceria com a FACE/UFMG (http://www.face.ufmg.br/observatorio/) 124 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Nogueira (2006) chama a atenção para a especificidade do termo ‘precariedade’ dos contratos, quando se trata de trabalhadores no serviço público. Para ele, a precariedade se caracteriza quando o Estado não consegue fazer cumprir os requisitos constitucionais de concurso público (art.37, incisos I e II) e de aplicação geral do regime jurídico único de trabalho (art.39): “Pode-se dizer que é irregular todo o vínculo de trabalho em que o trabalhador foi admitido na instituição pública sem concurso ou seleção de natureza pública, sendo exceção o trabalhador terceirizado admitido nas áreas não-finalísticas, como serviços gerais e segurança, mediante normas legais de licitação” (Nogueira, 2006:5). O Programa Saúde da Família (PSF), implantado neste período, foi uma das áreas que mais sofreram o impacto oriundo desse novo arranjo político-institucional, como demonstram diversos estudos que evidenciam um percentual elevado de trabalhadores de saúde vinculados por meio de diferentes entidades (Nogueira, 2006; Escorel et al., 2002; Mendonça, 2007). O PSF, ao se expandir para os grandes centros urbanos, onde encontrava uma estrutura de serviços já consolidada, teve o desafio de combinar diversas estratégias de emprego, utilizando diferentes vínculos trabalhistas. A elaboração de novo perfil profissional a partir da relação de trabalho e do processo de educação continuada não excluiu o aproveitamento do quadro estatutário das Secretarias Municipais de Saúde, sob a condição de que os profissionais aceitassem a alteração do processo de trabalho e a pactuação de alguma forma de complementação salarial no PSF (Mendonça, 2007). A presente pesquisa contempla as perspectivas de diferentes atores que compõem e integram a rede de relações de trabalho no Sistema Único de Saúde (SUS), buscando uma visão global do processo de implementação da Estratégia Saúde da Família nesse contexto de mudanças na organização do trabalho, por meio de entrevistas com trabalhadores de todas as categorias, gestores e representantes das entidades profissionais. A tendência dos anos 1990 e início da década de 2000 de combinar diversas estratégias para a inserção profissional em face da implementação da Estratégia Saúde da Família pode não ser confirmada nesta pesquisa. Já se evidenciam novos parâmetros para a gestão do trabalho, em que os contratos ‘precários’ estão sendo substituídos por quadros próprios mediante a realização de concursos públicos. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 125 A pesquisa, assim, busca investigar em que medida o modelo de incorporação de pessoal pelos municípios está diretamente relacionado com as políticas de incorporação de pessoal do governo federal, que, no primeiro momento2 (1995 a 2004), restringiu os concursos públicos e estimulou outras formas de contratação e, no segundo momento3 (2005-2008), estabeleceu como meta a regularização das relações de trabalho no setor público. Outra variável importante a ser levantada pela pesquisa, porque gerou impacto no mercado de trabalho do setor saúde e o diferencia do mercado de trabalho mais geral, é a particularidade do processo de trabalho e da estrutura ocupacional no setor público de saúde, Na saúde, funções e atividades diretamente relacionadas a determinadas categorias profissionais exigem qualificação própria e são reguladas externamente mediante o controle do poder público (Dedecca et al., 2004). Isso remete a uma terceira variável, a qualificação de recursos humanos, que se coloca atualmente na literatura sobre gestão como diferencial competitivo no mercado de trabalho e como forma de garantir eficiência e eficácia às propostas e aos projetos institucionais. As inserções de diferentes categorias profissionais no mercado de trabalho público e privado, tanto em sua dimensão ocupacional quanto em sua extensão, refletem-se na Estratégia SF pela dificuldade dos municípios de fixar os médicos e fazê-los cumprir a carga horária integral de 40 horas semanais. Este quadro reforça a discussão apresentada aos gestores entrevistados no que se refere à dificuldade de contratação e de fixação dos médicos no PSF, bem como à sua resistência em cumprir a jornada semanal de 40 horas, já observada em outros estudos (Escorel et al., 2002). Na área da saúde, os avanços da ciência e o acelerado desenvolvimento tecnológico, característicos do novo modo de produção, implicam a necessidade de constante atualização de seus profissionais e de uma base de conhecimentos interdisciplinar sólida, que lhes permitam enfrentar a diversidade e a ‘adversidade’ do processo saúde no mundo atual. De modo específico, sendo a Estratégia SF um novo modelo de organização da atenção, a necessidade de formação e desenvolvimento permanentes dos profissionais, voltados para a realidade social, torna ainda maior o desafio da qualificação, pois questiona as formas tradicionais já consolidadas e socialmente reconhecidas de educação. 2 Governo FHC (dois mandatos) e primeiro mandato do Governo Lula. Aracaju 126 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Assim, a qualificação surge na discussão a respeito das políticas de recursos humanos em saúde como componente que permite criar e manter a oferta de recursos humanos adequados às necessidades do sistema de saúde, debate que ganha força quando se considera o contexto de mudança na organização do sistema com a implantação e a expansão da Estratégia Saúde da Família. Este quadro reforça uma preocupação, dentre outras, relativa à garantia das competências e das habilidades-chave dos profissionais para cumprir os objetivos definidos (Pierantoni, Varella e França, 2004). Souza et al. (2002) afirmam que não há profissionais com estas novas competências disponíveis no mercado de trabalho, pois tradicionalmente foram formados e preparados para atuar no modelo tradicional. No Brasil, a especialização da categoria médica é obtida basicamente através de dois mecanismos: o exame de ordem, realizado por sociedades de especialistas, e as residências médicas, que exigem do residente tempo integral por um período de, aproximadamente, dois anos (Machado et al., 1997). O Programa de Residência Médica constitui uma modalidade de ensino de pósgraduação que funciona em instituições de saúde sob a orientação de profissionais médicos de elevada qualificação ética e profissional, sendo considerado o ‘padrão ouro’ da especialização, e conferindo o título de especialista ao médico-residente. No entanto, a compatibilização entre a formação médica recebida e a atuação na equipe de saúde da família é discutida por alguns autores. Seixas e Stella (2002:348), assim como Padilha (2002), destacam que a formação médica pós-graduada está centrada em especialidades e subespecialidades voltadas para ações de média e alta complexidade, o que forma profissionais com carências de capacitação para desenvolver ações de proteção e promoção da saúde. Os autores ressaltam que a formação em medicina ainda é tradicionalmente organizada mediante disciplinas desarticuladas, com ciclos básico e clínico separados, centrada na doença e no atendimento hospitalar. Seria criada assim uma divergência entre as expectativas do profissional e o que é esperado dele, tendo-se em mente o modelo assistencial da Estratégia Saúde da Família. Os médicos passam a ver na especialização e no contato com a tecnologia na área uma possibilidade de obter padrão de vida elevado, além de ter como objetivo a fixação em grandes centros 3 Segundo mandato do Governo Lula. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 127 urbanos, onde há possibilidade de formação, de aperfeiçoamento profissional, de acesso a tecnologias e à sociedade de consumo (Seixas e Stella, 2002; Gugliemi, 2006). Em 2003 foi aprovada a Residência em Saúde da Família e Comunidade, com enfoque comunitário, destinada a formar médicos especialistas na Atenção Primária, para atuarem na perspectiva da promoção de saúde. Inicia-se, portanto, novo modelo de residência médica, cujo locus de atuação foge ao modelo tradicional localizado no sistema hospitalar. A estratégia de residência como forma de qualificação e de especialização dos profissionais de saúde vem se estendendo para as demais profissões, como Cursos de Especialização nos moldes da residência, com o objetivo de qualificar os profissionais de saúde para trabalhar na equipe de saúde da família. Esta é uma Residência orientada pelos princípios e diretrizes do SUS, com base nas necessidades e realidades locais e regionais, e abrange as profissões da área da saúde, a saber: Biomedicina, Ciências Biológicas, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina Veterinária, Nutrição, Odontologia, Psicologia, Serviço Social e Terapia Ocupacional (Resolução CNS nº 287/1998). Neste sentido, buscou-se analisar, na presente pesquisa, as modalidades de gestão do trabalho em saúde em cada município, assim como conhecer o perfil dos profissionais das equipes de saúde da família quanto à sua formação e à experiência anterior de trabalho, inserção institucional e qualificação para atuação na Estratégia. No município de Aracaju observa-se, como tendência recente, a realização de concursos públicos para substituição dos quadros terceirizados nas categorias profissionais de saúde. Os gestores entrevistados são enfáticos ao apresentar este modelo de ingresso e de vinculação dos profissionais como fator favorável à implementação da Estratégia SF e determinante para o bom desempenho das ações, mesmo que ainda utilizem um ‘mix’ de recursos, em face das dificuldades de preenchimento das vagas ofertadas. Portanto, essa nova política ainda não reduziu a dificuldade de fixar os profissionais médicos e fazê-los cumprir a carga horária integral de 40 horas semanais, um dos principais problemas a serem enfrentados no campo da gestão do trabalho em Aracaju. Os gestores municipais e representantes de entidades profissionais, com frequência, apontam que isto se deve ao alto investimento dos profissionais médicos em sua Aracaju 128 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO formação, sem que haja retorno material adequado, e à falta de perspectiva de crescimento na carreira médica, quando se trata de Saúde da Família. Ainda são incipientes as parcerias entre a SMS e as Universidades para a realização de cursos de especialização, seja na área de Medicina Comunitária e Saúde da Família, seja na constituição de residências de Medicina Comunitária, Saúde da Família e Multiprofissionais, reproduzindo a distribuição irregular da oferta de residências médicas apontada pelo relatório final da Pesquisa de Identificação de Necessidades de Profissionais Especialistas na Área da Saúde, do Ministério da Saúde. Em Aracaju, observa-se ainda a fragilidade na formação básica de profissionais de saúde devido à limitada oferta de cursos e de vagas nas universidades do Estado. 1. GESTÃO DO TRABALHO EM SAÚDE DA FAMÍLIA A gestão do trabalho na estrutura da SMS do Município de Aracaju divide-se entre o Núcleo de Gestão de Pessoas (NUGEP), responsável pela contratação e remuneração dos profissionais de saúde, e a Coordenação de Educação Permanente (CEP), responsável pelas atividades de capacitação, que incluem cursos e oficinas entre outras atividades. A divisão entre as duas estruturas é inclusive física, pois funcionam em prédios diferentes e trabalham de forma independente. O NUGEP se integra às áreas finalísticas da SMS apenas na discussão dos concursos e não faz monitoramento e avaliação dos profissionais que estão atuando. Suas principais atividades são: seleção de profissionais para as ESFs por meio de concursos, efetivação do processo de contratação e acompanhamento dos direitos e das demandas trabalhistas. A CEP é ligada diretamente ao gabinete do secretário de saúde, estando responsável pelos programas de capacitação ou educação permanente dos profissionais da rede de serviços. A sua proposição, dentro do Projeto Saúde Todo Dia, implantado na gestão anterior, compreendia a organização de processos pedagógicos com etapas de desenvolvimento do aprendizado, que se inicia com a problematização de situações concretas do cotidiano da assistência e finaliza com o retorno à unidade para ressignificação dos problemas e consolidação dos saberes no processo de trabalho. Esse processo pedagógico se efetivaria pela participação de agentes educacionais preparados para estes papéis e responsáveis pelo acompanhamento dos educandos nos momentos de concentração e dispersão: “Os marcos conceituais da pedagogia adotada eram as necessidades de saúde como fator de exposição; o educando como sujeito do NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 129 processo de aprendizado; o educador como mediador; a organização do processo de trabalho em saúde também como mediador; os saberes como insumo” A Secretaria Municipal de Saúde sofreu forte impacto com a mudança da equipe dirigente para o âmbito estadual em 2007. Ao assumir o governo do Estado, o antigo Prefeito convidou grande parte do quadro de gestores municipais a participar da equipe dirigente estadual, entre eles o coordenador de Educação Permanente. Em 2003, na gestão anterior, em face da degradação das relações trabalhistas dos profissionais de saúde do município, que tinham diversos vínculos para prestação de serviços sem garantia de direitos sociais, buscou-se implantar o Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV). O PCCV visava o re-enquadramento de todos os profissionais da rede e a realização de concurso público, para criar um quadro próprio e solucionar as distorções do atual sistema, resguardando todos os direitos trabalhistas. Houve também a revisão e a ampliação dos vencimentos básicos do servidor, incorporando-se à aposentadoria os valores obtidos por ascensão na carreira por mérito e titulação, bem como foram dados incentivos diversos, inclusive para os profissionais que optaram por fazer Saúde da Família. Contemplou-se também a avaliação por desempenho, de forma transparente e democrática, com a presença de comissão paritária nesse processo, além de outras modalidades que estão detalhadas no Projeto de Lei (SMS/Prefeitura Municipal de Aracaju, 2003). O momento acompanhado pela pesquisa é de transição com vistas à reorganização, para o que estão sendo feitas as oficinas de planejamento. Neste relatório procuramos comparar os resultados do trabalho de campo com os dados levantados pela pesquisa realizada em 2002, com o objetivo de registrar as diferenças e analisar tendências. 2. PERFIL DAS EQUIPES Apresenta-se o perfil dos profissionais de Saúde da Família que atuam no município de Aracaju a partir da análise de algumas variáveis dos questionários respondidos por médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde e auxiliares/técnicos de enfermagem que compõem as ESFs. Considerando o total de profissionais pesquisados, o sexo feminino predomina em todas as categorias. Entre os médicos, a proporção de sexo masculino é pouco maior (30%) que nas demais categorias: a participação de profissionais do sexo masculino entre os enfermeiros é de 11%; entre os ACS, de 20%; e entre auxiliares/técnicos de Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 130 enfermagem, de 13%. Em relação a 2002, o quadro permanece o mesmo, observando-se discreto aumento da força de trabalho masculina entre os agentes comunitários de saúde. Tabela 1 – A1 Médicos e enfermeiros, segundo o sexo, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 e 2002 2008 2002 Sexo Médico Enfermeiro Total Total n % n % n % n % Feminino 39 69,6 59 89,4 98 80,3 98 80,3 Masculino 17 30,4 7 10,6 24 19,7 24 19,7 Total 56 100,0 66 100,0 122 100,0 122 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008; Escorel et al., 2002. Tabela 2 – A1 Agentes comunitários de saúde, segundo o sexo, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 e 2002 2008 Sexo 2002 n % n % Feminino 120 80,0 151 88,8 Masculino 30 20,0 25 14,2 150 100,0 176 100,0 Total Fonte: Nupes/Daps/Ensp/Fiocruz – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008; Escorel et al., 2002. Tabela 3 – A1 Auxiliares/ técnicos de enfermagem, segundo o sexo, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 2008 Sexo Feminino Masculino Total n % 52 86,7 8 13,3 60 100,0 Fonte: Nupes/Daps/Ensp/Fiocruz – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008; Escorel et al., 2002. A faixa etária dos profissionais de nível superior distribui-se nos intervalos de 41 a 50 anos (33%), 31 a 40 anos (25%) e 51 a 60 anos (23%). Não há diferenças importantes quando considerados médicos e enfermeiros em separado. Em 2002, a maior concentração de profissionais de nível superior estava na faixa de 41 a 50 anos (52%), seguida daquela de 31 a 40 anos (29%). Tabela 4 – A2 Médicos e enfermeiros, segundo faixa etária, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 e 2002 Faixa etária Médico Enfermeiro Total 2002 Total n % n % n % n % Até 30 anos 6 10,7 11 16,7 17 13,9 8 8,5 31 - 40 anos 12 21,4 18 27,3 30 24,6 27 28,7 NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 131 41 - 50 anos 19 33,9 21 31,8 40 32,8 49 52,1 51 - 60 anos 13 23,2 15 22,7 28 23,0 10 10,7 61 e mais anos 3 5,4 1 1,5 4 3,3 1 9,6 Não respondeu 3 5,4 - - 3 2,5 2 1,1 56 100,0 66 100,0 122 100,0 122 100,0 Total Fonte: Nupes/Daps/Ensp/Fiocruz – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008; Escorel et al., 2002. Entre os ACS, a faixa etária entre 31 e 40 anos (47%) concentra quase a metade dos profissionais, embora seja expressiva a faixa até 30 anos (33%). A idade média é de 33 anos. Em 2002, 61% dos ACS tinham até 30 anos e 31% entre 31 e 40 anos. Observase, em relação a 2002, o envelhecimento deste segmento da força de trabalho. Entre os auxiliares/técnicos de enfermagem, 36 anos é a média de idade. Tabela 5 – A2 Agentes comunitários de saúde, segundo faixa etária, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 e 2002 Faixa etária 2008 2002 n % n % Até 30 anos 49 32,9 108 61,4 31 - 40 anos 70 47,0 54 30,7 41 - 50 anos 24 16,1 11 6,2 51 - 60 anos 4 2,7 0 Não respondeu 2 1,3 3 1,7 100,0 176 100,0 Total Fonte: Nupes/Daps/Ensp/Fiocruz – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008; Escorel et al., 2002. Tabela 6 – A2 Idade dos auxiliares/técnicos de enfermagem, Aracaju (SE), 2008 Faixa etária n % Até 30 anos 18 30,0 31 - 40 anos 22 36,7 41 - 50 anos 14 23,3 51 - 60 anos 4 6,7 61 e mais anos 1 1,7 Não respondeu 1 1,7 60 100,0 Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Formação dos profissionais Apenas um terço dos profissionais de nível superior não possui qualquer pós-graduação; 58% possuem especialização completa, sendo maior o percentual de enfermeiros (74%) que o dos médicos (40%). Entre estes, 15% têm residência completa. Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 132 Já a formação em nível de mestrado e doutorado é pouco frequente entre os profissionais de nível superior (1,5% e 0,8%, respectivamente). Comparando-se com a pesquisa anterior, houve elevação no nível de qualificação desses profissionais, uma vez que, em 2002, 49% não possuíam qualquer pós-graduação. Considerando-se os vários cursos realizados, somente 21% dos médicos e 41% dos enfermeiros têm qualificação em saúde da família e /ou saúde coletiva/saúde pública. Tabela 7 – A4 Médicos e enfermeiros, segundo pós-graduação, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 e 2002 Médico Enfermeiro Total Total 2002 Pós-graduação n % n % n % n % I – Não possui especialização 26 41,9 17 25,0 43 33,1 46 48,9 II – Especialização 25 40,3 50 73,5 75 57,7 39 41,5 III – Residência 9 14,5 0 0,0 9 6,9 8 8,5 IV – Mestrado 1 1,6 1 1,5 2 1,5 1 1,1 V - Doutorado 1 1,6 0 0,0 1 0,8 0 0 Não respondeu - - - - - - 4 4,3 62 100,0 68 100,0 130 100,0 Total Observação: n = 56 médicos e n = 66 enfermeiros. Fonte: Nupes/Daps/Ensp/Fiocruz – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008; Escorel et al., 2002. Em 2008, para 91% dos ACS a escolaridade era a do ensino médio, com 29% dos ACS pesquisados estudando atualmente. Também 90% dos auxiliares/técnicos de enfermagem têm ensino médio completo e, desse total, 32% estão estudando, predominantemente em cursos de técnico de enfermagem e superior (13%). Comparando-se com a pesquisa anterior, é possível afirmar que houve elevação no nível de qualificação dos ACS e auxiliares e técnicos. Em 2002, haviam concluído o nível médio 66% e 81%, respectivamente. Tabela 8 – A3 Agentes Comunitários de Saúde, segundo escolaridade, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Escolaridade Ensino fundamental (primeiro grau) completo 2002 2008 n % n % 5 3,3 18 10,2 136 90,7 116 65,8 Ensino superior (terceiro grau) completo 8 5,3 0 0 Não concluiu o ensino fundamental 1 ,7 0 0 150 100,0 134 100,0 Ensino médio (segundo grau) completo Não respondeu Fonte: Nupes/Daps/Ensp/Fiocruz – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008; Escorel et al., 2002. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 133 Tabela 9 – A4 Prática de estudo dos Agentes Comunitários de Saúde atualmente, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 n % Sim Estuda 43 28,7 Não 106 70,7 1 ,7 150 100,0 Não respondeu Total Fonte: Nupes/Daps/Ensp/Fiocruz– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 10 – A3 Auxiliares/ técnicos de enfermagem, segundo escolaridade, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Escolaridade n % Ensino médio (segundo grau) completo 54 90,0 Ensino superior (terceiro grau) completo 6 10,0 60 100,0 Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 11 – A4 Prática de estudo dos Auxiliares/técnicos de enfermagem atualmente, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Estuda n % Sim 19 31,7 Não 41 68,3 Total 60 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 12 – A4.1 Série/curso feita atualmente pelos auxiliares/ técnicos de enfermagem, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Curso n % Curso de Português 1 1,7 Curso superior 8 13,3 Inglês 1 1,7 Pré-vestibular 1 1,7 Técnico em Enfermagem 8 13,3 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 13 – A4.2 Tempo em que os Auxiliares/Técnicos de Enfermagempararam de estudar, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Total Válido 37 Não respondeu Mínimo Máximo Média Desvio Padrão Mediana 4 1 30 10 7,8 8 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 14 – A5 Tempo que completou o curso de auxiliar/ técnico (Anos) dos auxiliares/ técnicos de enfermagem, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Total Válido 56 Não respondeu Mínimo Máximo Média Desvio Padrão Mediana 4 2 35 11,8 8,3 10 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Aracaju 134 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Entre os profissionais de nível superior é maior a quantidade de enfermeiros que informou a conclusão do primeiro curso de especialização, com predominância para a formação em saúde pública (40%), seguida de outras especialidades não básicas (30%). Entre os médicos, também a especialização em saúde pública é frequente (24%), mas predominaram outras especialidades médicas (36%). O curso foi concluído há menos de cinco anos por 36% deles. Tabela 15 – A4 IIa Primeiro curso de especialização concluído informado pelos Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Especialização Médico Enfermeiro Total n % n % n % Administração em saúde 2 8,0 7 14,0 9 12,0 Especialidade básica 4 16,0 2 4,0 6 8,0 Não respondeu 0 0,0 1 2,0 1 1,3 Outras especialidades 2 8,0 15 30,0 17 22,7 Outras especialidades médicas 9 36,0 2 4,0 11 14,7 Saúde da família 2 8,0 2 4,0 4 5,3 Saúde pública 6 24,0 20 40,0 26 34,7 Vigilância sanitária 0 0,0 1 2,0 1 1,3 25 100,0 50 100,0 75 100,0 Total Observação: n = 25 médicos que afirmaram ter feito especialização completa e n = 50 enfermeiros que afirmaram ter feito especialização completa. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 16 – A4IIB Tempo do primeiro curso de especialização dos Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Tempo de conclusão Médico Enfermeiro Total n % n % n % Menos de 5 anos 8 32,0 19 38,0 27 36,0 6 a 10 anos 6 24,0 6 12,0 12 16,0 11 a 20 anos 4 16,0 7 14,0 11 14,7 Mais de 20 anos 4 16,0 6 12,0 10 13,3 Não Respondeu 3 12,0 12 24,0 15 20,0 25 100,0 50 100,0 75 100,0 Total Observação: n = 25 médicos que afirmaram ter feito especialização completa e n = 50 enfermeiros que afirmaram ter feito especialização completa. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. É igualmente maior a quantidade de enfermeiros (22) que informou a conclusão do segundo curso de especialização, com destaque para os cursos de outras especialidades (32%), saúde da família (27%) e saúde pública (22%). Para os médicos que informaram o segundo curso de especialização, a maior frequência é ‘outras especialidades médicas’ e ‘saúde pública’ (30% e, também, administração em saúde, 20%). NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 135 O tempo de conclusão do segundo curso de especialização, entre os entrevistados que forneceram essa informação, foi há menos de cinco anos para 15% dos profissionais. Tabela 17 – A4 IIc Segundo curso de especialização concluído informado pelos Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Especialização Médico Enfermeiro Total n % n % n % Administração em saúde 2 20,0 - - 2 6,3 Auditoria - - 1 4,5 1 3,1 Não respondeu - - 2 9,1 2 6,3 Outras especialidades 1 10,0 7 31,8 8 25,0 Outras especialidades médicas 3 30,0 1 4,5 4 12,5 Saúde da família 1 10,0 6 27,3 7 21,9 Saúde pública 3 30,0 5 22,7 8 25,0 10 100,0 22 100,0 32 100,0 Total Observação: n = 25 médicos que afirmaram ter feito especialização completa e n = 50 enfermeiros que afirmaram ter feito especialização completa. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 18 – A4IID Tempo de conclusão do segundo curso de especialização dos Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Tempo de conclusão do segundo curso Médico Enfermeiro Total n % n % n % Menos de 5 anos 4 16,0 7 14,0 11 14,7 6 a 10 anos 2 8,0 4 8,0 6 8,0 11 a 20 anos 2 8,0 1 2,0 3 4,0 Mais de 20 anos 0 0,0 1 2,0 1 1,3 Não respondeu 17 68,0 37 74,0 54 72,0 Total 25 100,0 50 100,0 75 100,0 Observação: n = 25 médicos que afirmaram ter feito especialização completa e n = 50 enfermeiros que afirmaram ter feito especialização completa. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Entre os nove médicos com residência, verificou-se que predominam as especialidades básicas (56%) para a primeira residência, com intervalo de tempo de conclusão maior de 20 anos para cinco profissionais e menor de cinco anos para dois. Um médico informou a segunda residência, concluída em outras especialidades há menos de cinco anos. Tabela 19 – A4IIIA Primeira residência completa informada pelos Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Residência n % Especialidades básicas 5 55,6 Medicina Preventiva e Social 1 11,1 Outras especialidades médicas 2 22,2 Não respondeu 1 11,1 Total 9 100,0 Observação: n = 9 médicos que afirmaram ter feito residência completa. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Aracaju 136 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Tabela 20 – A4IIIB Tempo de conclusão da primeira residência informado pelos Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Tempo de conclusão n % Menos de 5 anos 2 22,2 6 a 10 anos 1 11,1 11 a 20 anos 1 11,1 Mais de 20 anos 5 55,6 Total 9 100,0 Observação: n = 9 médicos que afirmaram ter feito residência completa. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. A conclusão do curso de mestrado foi informada por dois profissionais. O médico concluiu o curso em outras especialidades médicas e o enfermeiro, na área de ciências da saúde. O tempo de conclusão do curso para o médico é inferior a cinco anos. Foi registrado também um curso de doutorado incompleto para um médico. Tabela 21 – A4IVA Mestrado completo informado pelos Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Mestrado Médico Enfermeiro Total n % n % n % Ciências da saúde - - 1 100,0 1 50,0 Outras especialidades médicas 1 100,0 - - 1 50,0 Total 1 100,0 1 100,0 2 100,0 Observação: n = 1 médico e 1 enfermeiro que afirmaram ter mestrado completo. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 22 – A4IVB Tempo de conclusão do curso de mestrado informado pelos Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Belo Horizonte (MG), 2008 Tempo Médico Enfermeiro Total n % n % n % Menos de 5 anos 1 100,0 - - 1 50,0 Não respondeu - - 1 100,0 1 50,0 Total 1 100,0 1 100,0 2 100,0 Observação: n = 1 médico e 1 enfermeiro que afirmaram ter mestrado completo Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Entre os profissionais de nível superior, 29% informaram a realização do curso de especialização em saúde da família, com maior percentual entre enfermeiros (39%) do que entre médicos (16%). Em 2002, 77% não possuíam curso de especialização em saúde da família, observando-se assim leve melhora em 2008. Apenas três médicos possuem título de especialista em medicina de família e comunidade. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 137 Tabela 23 – A5 Realização de curso de especialização com enfoque em Saúde da Família pelos Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Médico Curso de especialização SF Enfermeiro Total n % n % n % Sim 9 16,1 26 39,4 35 28,7 Não 47 83,9 40 60,6 87 71,3 Total 56 100,0 66 100,0 122 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 24 – A6 Título de especialista em medicina de família e comunidade dos Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Médico Título Enfermeiro Total n % n % n % Sim 3 5,4 2 3,0 5 4,1 Não 53 94,6 29 43,9 82 67,2 0 ,0 35 53,0 35 28,7 56 100,0 66 100,0 122 100,0 Não se aplica Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Experiência de trabalho anterior em Saúde da Família A maioria dos profissionais de nível superior teve experiência anterior em trabalho no PSF (79%), predominando a atuação em outro município (46%). É maior o percentual de médicos com experiência anterior em outro município (59%). Em 2002, 49% dos médicos e enfermeiros não tinham experiência em trabalho no PSF Para 87% dos ACS, não houve experiência de trabalho anterior no PSF. Igualmente, a ausência de experiência anterior no PSF predomina entre os auxiliares/técnicos de enfermagem (62%), embora 23% deles já tenham tido experiência no PSF no próprio município. Em 2002, 87% dos ACS entrevistados e 64% dos auxiliares e técnicos entrevistados informaram não ter experiência anterior ao PSF. Tabela 25 – A7 Experiência anterior em trabalho no PSF de Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 e 2002 Experiência anterior Médico Enfermeiro Total Total 2002 1 - Sim, neste mesmo município. n 13 % 20,6 n 17 % 22,4 n 30 % 21,6 n 11 % 16,4 2 - Sim, em outro município 37 58,7 27 35,5 64 46,0 17 25,4 2 3,2 14 18,4 16 11,5 4 5,9 11 17,5 18 23,7 29 20,9 33 49,3 3 - Sim, em outro estado 4 - Não teve experiência anterior Não respondeu Total - - - - - - 2 3,0 63 100,0 76 100,0 139 100,0 67 100,0 Fonte: Nupes/Daps/Ensp/Fiocruz – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008; Escorel et al., 2002. Aracaju 138 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Tabela 26 – A6 Experiência anterior em trabalho no PSF dos ACS, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Experiência anterior n % 16 10,7 Sim, em outro município 3 2,0 Sim, em outro estado 1 ,7 Não teve experiência anterior. 130 86,7 Total 150 100,0 Sim, neste mesmo município. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 27 – A6 Experiência anterior em trabalho no PSF de Auxiliares/técnicos de enfermagem, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Experiência anterior Sim, neste mesmo município. n % 14 23,3 8 13,3 Sim, em outro município Sim, em outro estado 1 1,7 Não teve experiência anterior. 37 61,7 Total 60 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Em relação à realização de atividades comunitárias, 68% dos ACS não têm experiência anterior. De maneira geral, consideram que a condição de serem moradores da comunidade em que atuam não interfere diretamente na relação com as famílias, na aceitação, na participação da população ou no acompanhamento dos usuários. Tabela 28 – A7 Experiência anterior dos Agentes Comunitários de Saúde em atividade comunitária, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 n % Sim 48 32,0 Não 102 68,0 Total 150 100,0 Experiência anterior Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Em síntese, o perfil dos pesquisados sinaliza a predominância de profissionais do sexo feminino entre todas as categorias profissionais. Os médicos e os enfermeiros apresentam concentração maior de profissionais na faixa etária entre 41 a 60 anos, porém entre os ACS o predomínio é de profissionais até 40 anos (80% do total). A média de idade dos auxiliares/técnicos de enfermagem está mais próxima da faixa etária predominante entre os ACS e abaixo da faixa etária que concentra maior quantidade dos médicos e enfermeiros. No entanto, a idade média dos ACS é um pouco inferior à dos auxiliares/técnicos de enfermagem. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 139 Entre os profissionais de nível superior das equipes (médicos e enfermeiros), ainda é baixo o percentual daqueles que possuem especialização em saúde da família. É igualmente baixo o percentual de médicos que fez residência em medicina de família e comunidade, tendo certa predominância as residências em especialidades básicas e em outras especialidades médicas. Essas informações acerca do perfil apontam para os desafios que a gestão do trabalho encontra no gerenciamento de uma força de trabalho predominantemente feminina, com todas as implicações que essa condição transfere para a situação de trabalho. Estudo realizado pelo CFM (2004) constata que, apesar de a medicina continuar sendo exercida, em sua grande maioria, por profissionais do sexo masculino, existe a tendência de aumento do número de profissionais do sexo feminino, em especial nas faixas etárias mais jovens. Este padrão seria observado tanto na região Sudeste quanto em todo o Brasil. Em 2005, o percentual de médicas no Sudeste era de 29%, crescendo para 42% quando considerada a idade inferior a 27 anos (Barbosa e Rodrigues, 2006) A maioria dos profissionais de nível superior teve experiência anterior em trabalho no PSF (79%), predominando a atuação em outro município (46%). A experiência anterior no PSF predomina somente entre os profissionais de nível superior. Chama também a atenção o fato de os ACS considerarem que a condição de morador da comunidade pouco interfere em suas ações na ESF. Se comparada a 2002, quando 49% dos médicos e enfermeiros não tinham experiência anterior no PSF, é possível inferir que há permanência no Programa, ainda que com certa rotatividade dos profissionais de nível superior intermunicípios, na medida em que 46% relataram ter tido experiência anterior no PSF em outro município. 3. INSERÇÃO PROFISSIONAL: VÍNCULO TRABALHISTA E MECANISMOS DE SELEÇÃO No processo de municipalização da SMS foram incorporados à rede municipal profissionais dos sistemas federal e estadual, além dos contratados pelo município. O secretário afirma que o quadro municipal de pessoal na área da saúde vem aumentando através de concursos públicos. Os novos concursados, de acordo com o secretário, são distribuídos entre a rede básica, a ambulatorial e a hospitalar em função de suas especialidades. Aracaju 140 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Quando há dificuldade de preenchimento das vagas de concurso, utiliza-se a contratação de serviços autônomos para o atendimento. Estes últimos contratos são feitos através de Recibo de Pagamento a Autônomo (RPA) e têm duração de três meses. O prazo de validade do último concurso expirou em fevereiro de 2008 sem que fossem preenchidos todos os postos vagos, principalmente na categoria de médicos, e nem mesmo a contratação por RPA preencheu todos os postos de trabalho. Atualmente, nos quadros da SMS há médicos clínicos, pediatras e psiquiatras contratados por RPA. No concurso público para psiquiatras, por exemplo, os três candidatos aprovados não quiseram assumir a vaga. Entre os anestesistas, assumiram o posto sete dos 12 aprovados. Na seleção por concurso público para médicos generalistas havia 16 vagas; já foi chamado o 85º. médico da lista dos aprovados e só foram efetivados sete médicos, informaram os gestores locais. Para a coordenadora do NUGEP, muitas vezes os profissionais preferem trabalhar como autônomos em função de maior flexibilidade. A própria SMS faz concessões aos contratados por RPA, como a jornada de trabalho de apenas 20h/semanais em regime de plantão. Nestes contratos, o profissional só recebe se comparecer, o que, segundo a coordenadora, os desobriga de compromisso maior. Este tipo de contratação é por vezes utilizado no PSF por falta de pessoal, situação que a gestão da SMS pretende reverter. O primeiro concurso para profissionais da SMS foi realizado em 2003. Em 2005 houve outro concurso só para médicos, mas foi considerado “um fracasso” pela coordenadora do NUGEP, que informa ter sido necessário fazer várias contratações por RPA desta data até 2008. Mesmo com esta alternativa precária de inserção, não tem sido fácil recrutar profissionais médicos dispostos a trabalhar na SMS, segundo a coordenadora. Com isto, os profissionais da rede têm que assumir mais de uma equipe, gerando sobrecarga de trabalho, estresse e insatisfação entre eles. Os concursos são feitos pela Secretaria de Administração, e a SMS informa apenas o perfil mais geral em relação à área de atuação, não havendo participação das áreas finalísticas: “Nós construímos as necessidades: eu preciso de 200 médicos, tantos nessa área, tantos naquela, tantos para atender aqui, tantos para atender ali, e aí vamos discutir se aquele médico não pode ter aquela carga horária... Mas perfil... está longe de atender” (coordenadora do NUGEP). NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 141 Até a implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV), em 2003, as as negociações e os acordos para contratação eram feitos por cada gestor, com cada categoria profissional, com remunerações e carga horária diferenciadas. Apesar de ainda haver conflitos, o PCCV tem funcionado como instrumento importante de regulação, na visão da coordenadora. A adesão dos profissionais de diferentes categorias profissionais ao PSF foi motivada, sobretudo, pela possibilidade de incentivo remuneratório. A maior resistência aconteceu na categoria médica em função da exigência de cumprimento da carga horária integral (40 horas semanais). A principal estratégia para atrair pessoal para o PSF foi o concurso público e o aumento salarial; mesmo assim, houve baixa adesão da categoria médica. “Mas você já viu médico trabalhar 40 horas?” “É cada absurdo que a gente escuta” (coordenadora do NUGEP). A contratação dos agentes comunitários de saúde é atualmente terceirizada pela ONG Bom Pastor, mas eles estão sendo incorporados aos quadros do município. A coordenadora de Atenção Básica informa que durante dois anos não foi possível contratar nenhum agente em decorrência de um processo no Tribunal Regional do Trabalho, que questionava a legalidade dos contratos. A partir da Lei que reconhece o ACS, o município está substituindo os contratos terceirizados. Foram criadas mil vagas, das quais 700 destinam-se ao PSF e as outras 300 às áreas de endemias. Segundo a coordenadora de Gestão de Pessoas, este quantitativo ainda não será suficiente para compor as 128 equipes, o que exigirá novo concurso para preenchimento das vagas restantes de ACS ao final do processo de incorporação. O decreto que autoriza o processo de incorporação já foi assinado pelo Prefeito, e os processos para nomeação estão em fase de avaliação da documentação para os pedidos de efetivação, para o que foi instituída uma Comissão de Avaliação. “Eles já trouxeram todos os documentos, agora a comissão está pegando os documentos e avaliando se defere ou indefere o pedido de efetivação para que virem estatutários” (coordenadora de Atenção Básica). O maior problema está sendo comprovar que houve processo de seleção quando da contratação dos ACS pela SMS, um dos pré-requisitos legais para a efetivação. As normas de seleção, quando estes agentes foram contratados, eram pautadas em portaria Aracaju 142 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO do Ministério da Saúde, a qual indicava que a divulgação do processo seletivo poderia ser feita em qualquer local público e não exclusivamente através de publicação em Diário Oficial, como estabelece a atual legislação. Apesar de o Decreto Municipal estar publicado, se faz necessária uma Lei Complementar, ainda em tramitação, criando o cargo de agente comunitário no PCCV. Alguns agentes estão com dificuldade de provar que fizeram esta seleção. A expectativa do SMS é de que este processo de incorporação se encerre em breve e resulte na absorção de aproximadamente 80% a 90% do conjunto dos profissionais que atuam no PSF de Aracaju na data indicada. O concurso público é considerado pela gestora da Atenção Básica (AB) e pela coordenadora do NUGEP como a melhor forma de seleção de pessoal para ingressar no PSF. Contudo, a coordenadora ressalta que o concurso dificulta o diálogo e a responsabilização dos profissionais. Para a coordenadora da AB, a questão da estabilidade e a dificuldade e morosidade dos processos administrativos, bem como a ausência de mecanismos punitivos ágeis, prejudicam a gestão do trabalho, o que não acontece quando o contrato é temporário, implicando vínculo não estável. A coordenadora do NUGEP afirma que o concurso público é a forma mais adequada de ingresso no PSF, mas pondera que os contratos por CLT responsabilizam mais os profissionais e determinam uma relação mais compromissada com o trabalho. Alega que os servidores públicos se acomodam e se excedem no uso de licenças e de outros benefícios. Além disto, ressalta que a grande autonomia dos servidores, a falta de mecanismos de avaliação de desempenho e a ausência de punição comprometem a atividade de gestão no setor público. Segundo a coordenadora, estes problemas se expressam mais na categoria médica, que resiste ao cumprimento de normas e não tem compromisso com a assiduidade. “Nós somos hoje reféns dos médicos” (coordenadora do NUGEP). As vantagens do regime estatutário, na avaliação da coordenadora, se referem à garantia de direitos trabalhistas, entre eles o de não ser demitido injustamente e a garantia do mérito no ingresso, em lugar do sistema de “indicações”. Na busca de novas alternativas, ela faz menção a experiências de outros Estados, como o sistema de Fundações. A coordenadora do NUGEP coloca como um dos nós críticos para o novo modelo de assistência proposto a existência e a permanência de uma cultura de atendimento à saúde NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 143 centrada no médico e partilhada pela sociedade, que tem essa expectativa em relação aos serviços, pela universidade, que reforça esse modelo no currículo, e pelos profissionais, em sua prática. Também para a coordenadora da Atenção Básica, tanto do ponto de vista cultural como de mercado, o que mais dificulta a implantação da Estratégia em Aracaju é a resistência ao modelo de atenção com base em uma medicina generalista. “A Saúde da Família está baseada no generalista e no cuidado interdisciplinar entre as várias profissões e ainda há resistência a isso. Há resistência da academia, que acha que os especialistas é que resolvem, e da população, historicamente acostumada a recorrer a eles” (coordenadora de Atenção Básica) Ressaltando ainda mais o déficit de recursos humanos na área médica, a coordenadora da Atenção Básica destaca a grande procura por médicos no Estado de Sergipe, que forma poucos profissionais e não oferece vagas suficientes de residência médica, além da pressão do Sindicato dos Médicos para aumentar os salários e reduzir a jornada para 30 horas semanais. Mecanismos de seleção A maior parte dos ACS de Aracaju (83%) ingressou por meio de processo seletivo da SMS. Uma pequena parcela (5%) foi indicada por outros profissionais da equipe. O processo se manteve desde 2002, quando 98% dos ACS ingressaram no PSF através de processo seletivo da SMS. Quanto aos auxiliares/técnicos, 75% fizeram concursos públicos e 23% ingressaram por processo seletivo da SMS. É interessante observar que, em 2002, 87% dos profissionais entrevistados tinham ingressado através de processo seletivo da SMS e, atualmente, este segmento da força de trabalho vem sendo substituído por servidores públicos mediante o ingresso por concurso público (75%). Tabela 29 – B4 Formas de ingresso na Estratégia Saúde da Família, segundo Agentes Comunitários de Saúde, Aracaju (SE), 2008 Formas de ingresso n % 6 4,0 8 5,3 125 83,3 Indicação política (de prefeito, vereador) 3 2,0 Indicação de gestores 6 4,0 Outro 2 1,3 Total 150 100,0 Indicação da Associação de Moradores ou outra entidade comunitária Indicação de outro profissional da Estratégia (qualquer categoria) Processo seletivo da Secretaria Municipal de Saúde Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Aracaju 144 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Tabela 30 – B6 Formas de ingresso na Estratégia Saúde da Família, segundo Auxiliares/Técnicos de enfermagem Aracaju (SE), 2008 Formas de ingresso n % Processo seletivo da Secretaria Municipal de Saúde 14 23,3 Concurso público 45 75,0 1 1,7 60 100,0 Indicação de gestores Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. A prova escrita foi o mecanismo de seleção de 88% dos médicos e 70% dos enfermeiros. O equivalente a 38% dos enfermeiros foi selecionado por meio de entrevista e análise de currículo. Em 2002, o processo seletivo dos profissionais de nível superior priorizou a análise de currículo (85%) e as entrevistas (72%). Na categoria dos agentes comunitários de saúde, 87% foram selecionados por meio de entrevista e 85% por meio de prova escrita. Também foi mencionada com frequência (por 56%) a comprovação de residência na área. Em 2002, o sistema era o mesmo, sabendo-se que 100% dos ACS passaram por entrevistas e 99% realizaram prova escrita. É importante destacar que, em 2008, ainda que em percentual pequeno (11%), aparece o desempenho no curso introdutório como mecanismo de seleção dos ACS. Para a categoria de auxiliares/técnicos de enfermagem predomina a seleção por meio de prova escrita (65%). A entrevista também foi mencionada por 23% dos profissionais. Em 2002, 58% dos entrevistados informaram ter realizado entrevista e 48%, prova escrita. Tabela 31 – B6 Mecanismos de seleção, segundo Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Mecanismo de seleção a) Entrevista b) Análise de currículo Médico Enfermeiro Total n % n % n % 5 8,9 25 37,9 30 24,6 6 10,7 25 37,9 31 25,4 c) Prova escrita 49 87,5 46 69,7 95 77,9 d) Prova prática 0 0,0 1 1,5 1 0,8 e) Outro 4 7,1 4 6,1 8 6,6 Observação: n=56 médicos e n=66 enfermeiros. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 32 – B5 Mecanismos de seleção dos Agentes Comunitários de Saúde da Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Mecanismo de seleção n % a) Carta de apresentação de Associação de Moradores para Secretaria Municipal de Saúde atestando a residência na comunidade 6 4,0 NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 145 b) Entrevista 130 86,7 c) Prova escrita 127 84,7 d) Prova prática 31 20,7 e) Desempenho no curso introdutório 16 10,7 f) Comprovante de residência na área 83 55,3 g) Outro 11 7,3 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 33 – B7 Mecanismos de seleção dos auxiliares/técnicos de enfermagem da Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Mecanismo de seleção n % a) Carta de apresentação de Associação de Moradores para Secretaria Municipal de Saúde atestando a sua residência na comunidade. b) Entrevista - - 14 23,3 c) Prova escrita 39 65,0 d) Prova prática 13 21,7 3 5,0 e) Desempenho no curso introdutório f) Comprovante de residência na área - - g) Outro 7 11,7 Observação: n = 60 Auxiliares/técnicos de enfermagem. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Observa-se que o equivalente a 68% dos médicos e 53% dos enfermeiros não trabalhava na Secretaria Municipal de Saúde antes de ingressar na Estratégia Saúde da Família. Daqueles profissionais que já estavam inseridos na SMS, 78% trabalhavam em posto ou centro de saúde, ou seja, estavam inseridos na atenção primária à saúde antes de ingressar na Estratégia. Tabela 34 – B4 Trabalho anterior à Estratégia Saúde da Família na Secretaria Municipal de Saúde deste município, segundo Médicos e Enfermeiros, Aracaju (SE), 2008 Médico Enfermeiro Total Trabalho anterior na SMS n % n % n % Sim 18 32,1 31 47,0 49 40,2 Não 38 67,9 35 53,0 73 59,8 Total 56 100,0 66 100,0 122 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 35 – B5 Local de trabalho na SMS deste município antes de ingressar na Estratégia Saúde da Família, segundo Médicos e Enfermeiros, Aracaju (SE), 2008 Local de trabalho anterior na SMS Médico Enfermeiro Total n % n % n % 14 77,8 24 77,4 38 77,6 Ambulatório especializado 1 5,6 1 3,2 2 4,1 Hospital 1 5,6 0 ,0 1 2,0 Posto/Centro de Saúde Aracaju 146 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Nível de gestão municipal 1 5,6 4 12,9 5 10,2 Outro 1 5,6 2 6,5 3 6,1 Total 18 100,0 31 100,0 49 100,0 Observação: n=18 médicos e n=31 enfermeiros informaram já trabalhar na SMS. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Inserção e vínculo profissional A quase totalidade dos profissionais de nível superior tem vínculo de trabalho com a SMS. Apenas 4% dos enfermeiros têm vínculo com a Secretaria Estadual de Saúde. Na categoria de ACS, no entanto, o vínculo com empresa prestadora de serviços é predominante (79%) e apenas 11% têm vínculo com a SMS. Um total de 97% dos auxiliares/técnicos de enfermagem têm vínculo estabelecido com a SMS. Tabela 36 – B7 Vínculo de trabalho dos Médicos e Enfermeiros da Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Vínculo Secretaria Municipal de Saúde/ Prefeitura Municipal Médico Enfermeiro Total n % n % n % 56 100,0 63 95,5 119 97,5 Outra 0 ,0 3 4,5 3 2,5 Total 56 100,0 66 100,0 122 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 37 – B6 Vínculo de trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde da Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Vínculo Secretaria Municipal de Saúde/ Prefeitura Municipal Empresa prestadora de serviços n % 16 10,7 118 78,7 Organização Não Governamental (ONG) 5 3,3 Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) 1 ,7 Fundação de Apoio 2 1,3 Outra 8 5,3 Total 150 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 38 – B8 Vínculo de trabalho dos auxiliares/técnicos de enfermagem da Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Vínculo Secretaria Municipal de Saúde/ Prefeitura Municipal Fundação de apoio n % 58 96,7 1 1,7 Outra 1 1,7 Total 60 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 147 O tipo de contrato que vige para 93% dos médicos e 92% dos enfermeiros em Aracaju é o regime estatutário. Há pequena parcela de médicos (4%) contratados via CLT e o equivalente a 6% dos enfermeiros foram cedidos de outras instituições. Em 2002, apenas 9% dos médicos e 71% dos enfermeiros eram estatutários, ao contrário do quadro atual, o que evidencia uma política de incorporação de pessoal no município de Aracaju no que se refere ao PSF. A maior parte dos ACS (71%) tem contrato celetista, 11% têm contratos temporários, porém em 2002 47% deles eram prestadores de serviço. Para os auxiliares/técnicos de enfermagem, da mesma forma que para os médicos e os enfermeiros, predomina o regime estatutário (95%), contrastando com o ano de 2002, quando eram estatutários 48% dos auxiliares e técnicos entrevistados. Tabela 39 – B8 Forma de contrato de trabalho dos Médicos e Enfermeiros da Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Médico Enfermeiro Total n % n % n % 52 92,9 61 92,4 113 92,6 Celetista 2 3,6 0 ,0 2 1,6 Cargo comissionado 1 1,8 0 ,0 1 ,8 Cedido de outra instituição pública 0 ,0 4 6,1 4 3,3 Outra 0 ,0 1 1,5 1 ,8 Não sabe informar 1 1,8 0 ,0 1 ,8 56 100,0 66 100,0 122 100,0 Contrato de trabalho Estatutário Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 40 – B7 Forma de contrato de trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde da Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Contrato de trabalho n % Estatutário 6 4,0 106 70,7 16 10,7 8 5,3 CLT Contrato por regime especial temporário Cedido de outra instituição pública Não sabe informar Total 14 9,3 150 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 41 – B9 Forma de contrato de trabalho dos auxiliares/técnicos de enfermagem da Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Contrato de trabalho n % 57 95,0 CLT 2 3,3 Não sabe informar 1 1,7 60 100,0 Estatutário Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Aracaju 148 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO A carga horária cumprida, segundo os profissionais de nível superior da ESF, é de 40 horas semanais, observando-se diferença na flexibilidade para médicos e a de enfermeiros. Metade dos médicos afirma ter alguma flexibilidade para outra atividade, enquanto 30% dos enfermeiros relatam ter esta flexibilidade e 68% declaram cumprir 40 horas com dedicação exclusiva. No caso dos ACS, 80% afirmam cumprir 40 horas semanais com dedicação exclusiva e 17%, com flexibilidade para outras atividades; 70% dos auxiliares/técnicos de enfermagem mencionam dedicar-se exclusivamente ao trabalho na ESF. Tabela 42 – B9 Carga horária semanal na Estratégia Saúde da Família dos Médicos e Enfermeiros, Aracaju (SE), 2008 Carga horária 20 horas semanais obrigatórias 30 horas semanais obrigatórias Médico Enfermeiro Total n % n % n % 1 1,8 0 ,0 1 ,8 2 3,6 0 ,0 2 1,6 40 horas semanais com dedicação exclusiva 40 horas semanais, com flexibilidade para outra atividade Outro 24 42,9 45 68,2 69 56,6 28 50,0 20 30,3 48 39,3 1 1,8 1 1,5 2 1,6 Total 56 100,0 66 100,0 122 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 43 – B8 Carga horária semanal na Estratégia Saúde da Família dos Agentes Comunitários de Saúde, Aracaju (SE), 2008 Carga horária 20 horas semanais obrigatórias 40 horas semanais com dedicação exclusiva 40 horas semanais, com flexibilidade para outra atividade n % 2 1,3 120 80,0 26 17,3 Outro 1 ,7 Não respondeu 1 ,7 150 100,0 Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 44 – B10 Carga horária semanal na Estratégia Saúde da Família dos auxiliares/técnicos de enfermagem, Aracaju (SE), 2008 n % 40 horas semanais com dedicação exclusiva 42 70,0 40 horas semanais, com flexibilidade para outra atividade 18 30,0 Total 60 100,0 Carga horária Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. A atuação em outra atividade é mais frequente entre os médicos. Cerca de 59% dos médicos e 41% dos enfermeiros possuem outro vínculo de trabalho além da ESF. Para os ACS, outro emprego não é comum: apenas 5% têm outro vínculo. Em torno de 43% NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 149 dos auxiliares/técnicos de enfermagem afirmaram ter outro vínculo de trabalho, conforme as tabelas seguintes. Tabela 45 – B14 Existência de outro vínculo de trabalho, segundo Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Outro vínculo Médico Enfermeiro Total n % n % n % Sim 33 58,9 27 40,9 60 49,2 Não 23 41,1 39 59,1 62 50,8 Total 56 100,0 66 100,0 122 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 46 – B9 Existência de outro vínculo de trabalho, segundo Agentes Comunitários de Saúde, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Outro vínculo n % Sim 7 4,7 Não 143 95,3 Total 150 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 47 – B15 Existência de outro vínculo de trabalho, segundo auxiliares/técnicosde enfermagem, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Outro vínculo n % Sim 26 43,3 Não 34 56,7 Total 60 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Considerando os médicos que possuem vínculo de trabalho em outro local, observa-se que a maior parte dos respondentes trabalha em hospitais públicos, assim como os enfermeiros, ou em pronto-socorro e em emergências. Os auxiliares/técnicos que têm outro vínculo em geral também trabalham em hospitais públicos. Tabela 48 – B15 Local do segundo vínculo dos Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Local segundo vínculo Hospital público Médico Enfermeiro Total n % n % n % 15 45,5 13 48,1 28 46,7 Clínica/Ambulatório privado 4 12,1 0 ,0 4 6,7 Centro/Posto de Saúde público 2 6,1 4 14,8 6 10,0 Pronto-socorro/emergência 6 18,2 1 3,7 7 11,7 Outro serviço de saúde 4 12,1 4 14,8 8 13,3 Universidade como docente 0 ,0 1 3,7 1 1,7 Outro serviço 2 6,1 4 14,8 6 10,0 33 100,0 27 100,0 60 100,0 Total Observação: n=33 médicos e n=27 enfermeiros afirmaram ter outro vínculo de trabalho. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Aracaju 150 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Tabela 49 – B16 Local do segundo vínculo dos auxiliares/técnicosde enfermagem, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Local segundo vínculo n % 19 73,1 Pronto-socorro/emergência 2 7,7 Outro serviço de saúde 5 19,2 Outro serviço 0 0,0 100,0 Hospital público Total 26 Observação: n = 26 Auxiliares/ Técnicos de enfermagem que possuem outro vínculo de trabalho. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Composição da equipe multiprofissional da Saúde da Família O número de equipes de saúde da família foi se ampliando à medida que o PSF se estruturava no município. Inicialmente, as equipes eram montadas por meio de um processo de seleção interna, em que os servidores que quisessem participar se candidatavam, o que permitiu a incorporação de profissionais da rede na Estratégia. A maioria das equipes, nesta época, foi composta por pediatras, abrindo-se espaço à integração de auxiliares de enfermagem e de odontólogos. O processo seletivo constou de provas de conhecimentos e, a partir daí, foram formadas as equipes de saúde da família. Os profissionais que não aderiram ficaram como equipe de apoio. Os médicos de especialidades básicas, por exemplo, ficaram nas equipes ampliadas das unidades do PSF (oito). Em seguida, foi realizado concurso para médicos, enfermeiros e demais profissionais do PSF. As equipes de saúde da família são compostas por médico, enfermeiro, auxiliar de enfermagem e de quatro a dez ACS. Cada USF tem um assistente social que não se vincula a uma equipe específica do PSF, mas atende a toda a USF. As equipes de Saúde Bucal são compostas por odontólogos e ACDs e cada equipe de saúde bucal atende a duas equipes de saúde da família. Os assistentes sociais têm jornada de trabalho que varia de 30 a 40 horas, dependendo da localização e da complexidade da USF. As unidades mais carentes demandam mais horas destes profissionais. Para a coordenadora de Educação Permanente (CEP), a inovação do PSF que faz a diferença em Aracaju é o apoio de um profissional do serviço social à equipe básica. Segundo ela, é esse profissional quem na sua “essência” acolhe o cliente da Unidade de Saúde: “Ele abre as portas porque faz valer realmente o direito do usuário, o direito do cidadão. Ele faz o cidadão exercer a sua cidadania”. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 151 Cada USF tem um gerente, que cuida da parte administrativa, da distribuição de fluxo, do processo do trabalho e da frequência dos profissionais. Os gerentes se reúnem com a equipe para discutir temas que dizem respeito à problemática da área em que atuam, como saúde da criança e violência entre outros. A maioria dos gerentes são assistentes sociais, mas há também odontólogos e administradores. A SMS divide a assistência em oito regiões de saúde. Cada uma tem uma coordenação, que se reúne com os gerentes das unidades para discutir os problemas daquela região, buscando constituir-se como um colegiado regional. Os coordenadores regionais, que estão subordinados à Coordenação de Atenção Básica, e os gerentes de unidades têm salários diferenciados, que variam em função do número de equipes sob sua responsabilidade: até quatro equipes percebem determinado valor e a partir de cinco, ou quatro com as equipes ampliadas, percebem valor maior. O total de profissionais da Atenção Básica no município de Aracaju em julho de 2008, de acordo com documento fornecido pelo NUGEP/SMS, é de 1.775, dos quais 1.262 são vinculados às USF e outros 513 atuam como apoio às equipes. Tabela 50 – Quadro de profissionais da atenção básica no município de Aracaju, 2008 Cargo/função Carga horária contratada Quantidade Assistente Social 30 ou 40h/sem 12 Assistente Social em Saúde 30 ou 40h/sem 72 Auxiliar de Enfermagem 30h/sem 147 Auxiliar de Enfermagem – Ambulatório 30h/sem 105 Auxiliar de Enfermagem em Saúde da Família 40h/sem 113 Cirurgião Dentista 30 ou 40h/sem 73 Cirurgião Dentista em Geral 30 ou 40h/sem 22 Enfermeiro em Ambulatório 30h/sem 95 Enfermeiro em Saúde da Família 40h/sem 74 Médico (1) 20h/sem 89 Médico Pediatra 30h/sem 6 Médico Ginecologista 30h/sem 32 Médico Psiquiatra 30h/sem 6 Médico de Saúde da Família 40h/sem 122 Odontólogo 30 ou 40h/sem 29 Psicólogo Clínico 30h/sem 30 Técnico de Enfermagem 30h/sem 4 Agente Comunitário I 40h/sem 650 Agente Comunitário II 40h/sem 132 Total 1.775 (1) Refere-se aos médicos contratados antes do concurso Fonte: Documento fornecido pelo NUGEP/SMS Aracaju em julho de 2008. Aracaju 152 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Observamos que os gestores só consideram membros das equipes do PSF os profissionais com vínculo de 40 horas semanais; no caso dos médicos, apenas os generalistas o são, ainda que, no PCCV, pediatras, ginecologistas, enfermeiros, odontólogos, assistentes sociais em saúde, auxiliares de enfermagem e atendentes de consultório dentário estejam vinculados ao PSF: “Para mim, o pediatra e o ginecologista não fazem parte do PSF, porque não cumprem 40 horas. Só consideramos PSF quem cumpre 40 horas. No decreto que regulamenta o PCCV estão vinculados ao Programa de Saúde da Família o médico, o cirurgião dentista, o enfermeiro, o assistente social em saúde, o auxiliar de enfermagem e o atendente em consultório dentário” (coordenadora do NUGEP). Tabela 51 – Quadro de profissionais da Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Categoria profissional Total em 31/12/2007 Médico 122 Enfermeiro 128 Auxiliar de enfermagem 128 Odontólogo Agentes comunitários de saúde 60 745 Outros profissionais de nível superior integrantes das ESF (Apoio) Médicos pediatras Clinico geral 42 6 Médicos ginecologistas 29 Diretor/gerente de USF 43 Assistente Social 43 Psicólogo 30 Auxiliar administrativo 381 Servente 123 Fonte: Informações fornecidas pela SMS Aracaju em julho de 2008. Predomina o concurso público ou processo seletivo como forma de ingresso na Estratégia SF. No entanto, vale ressaltar o esforço atual do município de Aracaju para contratação dos ACS, que estão encontrando dificuldades para comprovar sua participação em processo seletivo por fatores legais. Para os profissionais de nível superior e os auxiliares/técnicos de enfermagem, predomina a forma de contrato como estatutário e, também, o vínculo com a SMS. Essa diferenciação em relação aos ACS, como relatado pelos gestores, remete à reflexão sobre as vantagens e as desvantagens das diferentes formas de contratação, dependendo do ator que analisa, por regime CLT ou estatutário. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 153 Outro fator sobre a inserção dos profissionais na ESF diz respeito à carga horária e à dedicação ao modelo de assistência. Embora a própria SMS flexibilize a possibilidade do trabalho em plantões para todos os profissionais, exceto para ACS, os profissionais declaram que cumprem as 40 horas. Na visão da própria gestão municipal, a dedicação de 40 horas é um dos principais fatores que dificultam a atração dos profissionais para a ESF, principalmente os médicos. Motivos para trabalhar em Saúde da Família Prevalece entre os profissionais a motivação para o trabalho na Estratégia Saúde da Família vinculada à resolução das necessidades de saúde e à possibilidade de trabalhar com a comunidade pobre. É interessante observar que, entre os profissionais de nível superior, predomina o primeiro motivo, enquanto o segundo é mais citado entre os ACS e auxiliares/técnicos. Entre os profissionais de nível superior, o motivo mais citado (por 39% dos médicos e 60% dos enfermeiros) para a escolha do trabalho na equipe de saúde da família foi o fato de compartilhar a ideia de que a Saúde da Família pode reorganizar a atenção à saúde no SUS. Também foi citada por, aproximadamente, 30% dos médicos, a motivação para trabalhar com comunidades pobres. A crença de que a Estratégia SF pode contribuir para maior controle social da população sobre os serviços de atenção à saúde foi o outro fator mencionado com mais frequência pelos enfermeiros. Em 2002, o principal motivo para que médicos e enfermeiros optassem por trabalhar no PSF foi compartilharem a ideia de que a Estratégia Saúde da Família poderia contribuir para maior controle social da população organizada sobre os serviços de atenção à saúde (72%). Seguiram-se a compreensão de que a Estratégia poderia organizar a atenção à saúde no SUS municipal (67%) e da motivação a trabalhar com a população pobre (56%). Na pesquisa atual, é interessante observar que 44% dos enfermeiros consideram a Estratégia Saúde da Família um mercado de trabalho promissor, enquanto apenas 18% dos médicos mencionaram esta motivação. Dentre os outros motivos, os médicos mencionaram o melhor salário e a prioridade de trabalho com prevenção; os enfermeiros também são motivados pela prioridade de trabalho com prevenção. Aracaju 154 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Tabela 52 – B3 Motivos da escolha por trabalhar na Estratégia Saúde da Família, segundo Médicos e Enfermeiros, Aracaju (SE), 2008 Motivos Médico Enfermeiro Total n % n % n % a) Porque é um mercado de trabalho promissor, com salário diferenciado e jornada de trabalho fixa. 10 17,9 29 43,9 39 32,0 b) Por se sentir motivado a trabalhar com as comunidades pobres 17 30,4 24 36,4 41 33,6 6 10,7 12 18,2 18 14,8 14 25,0 17 25,8 31 25,4 5 8,9 1 1,5 6 4,9 f) Por compartilhar a ideia de que a Estratégia Saúde da Família pode reorganizar a atenção à saúde no SUS municipal 22 39,3 39 59,1 61 50,0 g) Por compartilhar a ideia de que a Estratégia Saúde da Família pode contribuir para maior controle social da população organizada sobre os serviços de atenção à saúde 17 30,4 40 60,6 57 46,7 h) Outro 11 19,6 5 7,6 16 13,1 c) Porque a Secretaria Municipal de Saúde ofereceu a possibilidade para mudar de prática dentro da rede municipal d) Por considerar as atribuições de médicos/enfermeiros do PFS compatíveis com a sua formação e especialização. e) Por estar desempregado Observação: n=56 médicos e n=66 enfermeiros atuantes no PSF. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Na categoria dos ACS, a motivação para trabalhar com a comunidade pobre foi o fator mencionado com mais frequência (59%). Também foi bastante mencionada (52%) a crença de que a Estratégia SF pode resolver as necessidades de saúde da população. Nota-se ainda que metade dos ACS aponta o desemprego como tendo levado-os a trabalhar na Estratégia, mas apenas 2% consideram que ela é mercado de trabalho promissor, com salário diferenciado. Em 2002, a motivação para trabalhar com a comunidade pobre era uma das principais motivações para os ACS (63%) e o desemprego apareceu com maior frequência (64%) do que em 2008 (50%). Na categoria de auxiliares/técnicos de enfermagem, destacaram-se o fato de compartilharem a ideia de que a estratégia do PSF pode resolver as necessidades de saúde da comunidade e a motivação para trabalhar com a comunidade pobre, mencionados por 55% e 47% dos profissionais, respectivamente. Também teve destaque a identificação com a proposta no município, citada por 40% dos auxiliares/técnicos. Em 2002, 71% dos auxiliares/técnicos de enfermagem mencionaram compartilhar a ideia de que o PSF poderia resolver as necessidades de saúde da comunidade e organizar a atenção à saúde e 39% apontaram a motivação de trabalhar com comunidades pobres. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 155 A mudança na percepção desses profissionais pode sugerir que, no processo de implantação do Programa, tenham passado a percebê-lo como estratégia dirigida apenas à população carente. Tabela 53 – B3 Motivos da escolha por trabalhar na Estratégia Saúde da Família, segundo Agentes Comunitários de Saúde, Aracaju (SE), 2008 Motivos n % a) Por estar desempregado 75 50,0 b) Por se sentir motivado para trabalhar com a comunidade pobre 88 58,7 c) Por trabalhar próximo à residência 50 33,3 d) Por suas atribuições serem compatíveis com a sua escolaridade 11 7,3 e) Porque é mercado de trabalho promissor, com salário diferenciado 3 2,0 f) Porque recebe outros benefícios (salário alimentação, auxílio transporte etc.) - - 42 28,0 78 52,0 7 4,7 g) Por se identificar com a proposta do PSF no município h) Por compartilhar da ideia que a estratégia do PSF pode resolver as necessidades de saúde da comunidade e organizar a atenção de saúde i) Outro Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 54 – B5 Motivos da escolha por trabalhar na Estratégia Saúde da Família, segundo auxiliares/técnicosde enfermagem, Aracaju (SE), 2008. Motivos n % a) Por estar desempregado 10 16,7 b) Por se sentir motivado para trabalhar com a comunidade pobre 28 46,7 8 13,3 d) Por suas atribuições serem compatíveis com a sua escolaridade 10 16,7 e) Porque é mercado de trabalho promissor, com salário diferenciado 16 26,7 c) Por trabalhar próximo à residência f) Porque recebe outros benefícios (salário alimentação, auxílio transporte etc.) g) Por se identificar com a proposta do PSF no município h) Por compartilhar da ideia de que a estratégia do PSF pode resolver as necessidades de saúde da comunidade e organizar a atenção de saúde i) Outro 2 3,3 24 40,0 33 55,0 4 6,7 Observação: n = 60 Auxiliares/técnicos de enfermagem. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. 4. REMUNERAÇÃO O salário bruto dos médicos é de aproximadamente R$ 4.800,00 por 40 horas semanais e R$ 1.987,00 por 20 horas semanais. Contudo, a reivindicação da categoria seria por R$ 7.500,00 para 20 horas, segundo o Sindicato dos Médicos de Sergipe. O salário dos enfermeiros e dos odontólogos é de R$ 3.900,00. Algumas unidades recebem adicional de risco, definido em função da complexidade do trabalho, da distância ou do grau de violência da localidade. Nestes casos, o adicional é extensivo a todos os profissionais da unidade. Aracaju 156 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO O salário dos assistentes sociais é de R$ 3.190,16 por 40 horas semanais e de R$ 2.469,74 por 30 horas, como informa a coordenadora do NUGEP. Tabela 55 – Remuneração média dos profissionais da Estratégia Saúde da Família no município de Aracaju, 2008 Profissional da ESF Carga Horária Semanal R$ Médico 40h 4.759,61 Enfermeiro 40h 3.922,57 Auxiliar de enfermagem 40h 874,26 ACS 40h ± 800,00 Fonte: NUGEP/SMS em julho de 2008. Os ACS aparecem no quadro fornecido pela SMS, mas, como foi dito, estão sendo incorporados nos quadros da Prefeitura de maneira gradativa em função de um processo de avaliação para a sua efetivação. Existe acordo com o sindicato médico, extensivo aos profissionais do PSF: médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem contratados por 40 horas semanais têm redução de quatro horas por semana (às sextas-feiras), para que se dediquem a atividades de estudo. Os ACS não estão incluídos neste acordo. Quanto à possibilidade de outros vínculos empregatícios, médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem têm permissão de acumulação com plantão de 20 horas na rede em serviços de urgência e emergência. A alternativa é a atividade de docência. Para os ACS, não está prevista qualquer alternativa (NUGEP/SMS). Na perspectiva dos profissionais, a remuneração bruta informada por 82% dos médicos situa-se na faixa entre R$4.001,00 a R$6.000,00. É a mesma faixa de remuneração de 47% dos enfermeiros, embora para estes predomine a remuneração entre R$2.001,00 e R$4.000,00. Em 2002, o salário máximo dos profissionais de nível superior foi R$4.000,00. Mas 58% dos médicos e 91% dos enfermeiros percebiam entre R$2.001,00 e R$3.000,00 e 33% dos médicos entre R$3.001,00 e R$4.000,00. Apesar do número indicar, aparentemente, aumento significativo na remuneração, se tomarmos em conta o salário mínimo como referência observa-se que não houve mudança representativa. Em 01/04/2002, o salário mínimo era de R$200,00 e em 01/03/2008, de R$415,00, um aumento de 107%, portanto, enquanto o aumento do salário dos profissionais de nível superior no PSF foi de aproximadamente 50%. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 157 Tabela 56 – B10 Remuneração bruta total na Estratégia Saúde da Família dos Médicos e Enfermeiros, Aracaju (SE), 2008 Remuneração Médico Enfermeiro Total n % n % n % De R$ 2.001,00 até R$ 4.000,00 9 16,1 34 51,5 43 35,2 De R$ 4.001,00 até R$ 6.000,00 46 82,1 31 47,0 77 63,1 De R$ 6.001,00 até R$ 8.000,00 1 1,8 1 1,5 2 1,6 56 100,0 66 100,0 122 100,0 Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Para os ACS, a faixa predominante está entre R$401,00 e R$600,00, enquanto 65% dos auxiliares/técnicos de enfermagem recebem remuneração entre R$801,00 e R$1.000,00. Nesta categoria há ainda 23% dos profissionais que recebem entre R$601,00 e R$800,00. Tabela 57 – B10 Remuneração bruta total na Estratégia Saúde da Família dos Agentes Comunitários de Saúde, Aracaju (SE), 2008 Remuneração Até R$ 400,00 n % 27 18,0 De R$ 401,00 até R$ 600,00 123 82,0 Total 150 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Acompanhando o aumento do salário mínimo se registra diferença salarial entre os salários dos ACS de 2002 para 2008. Em 2002, 88% deles percebiam até R$200,00 e 12%, entre R$201,00 e R$500,00, enquanto em 2008 a faixa predominante está entre R$401,00 e R$600,00. Tabela 58 – B11 Remuneração bruta total na Estratégia Saúde da Família dos auxiliares/técnicosde enfermagem, Aracaju (SE), 2008 Remuneração n % Até R$ 400,00 1 1,7 De R$ 601,00 até R$ 800,00 14 23,3 De R$ 801,00 até R$ 1.000,00 39 65,0 Mais de R$ 1.001,00 Total 6 10,0 60 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. A complementação para atuação na Estratégia SF em Aracaju é recebida por 77% dos médicos e 85% dos enfermeiros e a mais comum é a insalubridade, recebida por 52% dos médicos e 39% dos enfermeiros. O equivalente a 26% dos enfermeiros também recebe complementação para atuação em área de risco. Destacamos o fato de que a gratificação por trabalhar em área de risco, recurso utilizado por outros municípios, Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 158 como Belo Horizonte e Florianópolis, aparece nesta pesquisa como benefício recebido por apenas 6% dos profissionais de nível superior do PSF em Aracaju. Na categoria de ACS, 79% recebem algum tipo de benefício ou de complementação salarial, mas a insalubridade é o mais frequente. Os auxiliares/técnicos de enfermagem, por sua vez, recebem com maior frequência a insalubridade e o auxílio transporte, tendo-se que 93% dos profissionais desta categoria declaram auferir algum tipo de benefício ou complementação. Em 2002, 93% dos ACS recebiam insalubridade, o único benefício apontado pelos entrevistados. Tabela 59 – B11 Existência de alguma forma de benefício ou complementação salarial para atuação na Estratégia Saúde da Família para os Médicos e Enfermeiros, Aracaju (SE), 2008 Médico Complementação Enfermeiro Total n % n % n % Sim 43 76,8 56 84,8 99 81,1 Não 13 23,2 10 15,2 23 18,9 Total 56 100,0 66 100,0 122 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 60 – B11 Existência de alguma forma de benefício ou complementação salarial para atuação na Estratégia Saúde da Família para os Agentes Comunitários de Saúde, Aracaju (SE), 2008 Complementação Sim n % 118 78,7 Não 32 21,3 Total 150 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 61 – B12 Existência de alguma forma de benefício ou complementação salarial para atuação na Estratégia Saúde da Família para os auxiliares/técnicosde enfermagem, Aracaju (SE), 2008 Complementação Sim n % 56 93,3 Não 4 6,7 Total 60 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 62 – B12 Tipo de benefício ou complementação salarial dos Médicos e Enfermeiros que o possuem, Aracaju (SE), 2008 Tipo de benefício a) Insalubridade Médico Enfermeiro Total n % n % n % 29 51,8 26 39,4 55 45,1 b) Auxílio transporte 0 0,0 0 0,0 0 0,0 c) Auxílio alimentação 0 0,0 0 0,0 0 0,0 d) Para atuação em área de risco 6 10,7 17 25,8 23 18,9 NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF e) Por desempenho f) Outras 159 5 8,9 15 22,7 20 16,4 17 30,4 21 31,8 38 31,1 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 63 – B12 Tipo de benefício ou complementação salarial para atuação na Estratégia Saúde da Família para os Agentes Comunitários de Saúde, Aracaju (SE), 2008 Tipo de benefício a) Insalubridade b) Auxílio transporte n % 116 77,3 - - c) Auxílio alimentação - - d) Para atuação em área de risco 9 6,0 e) Por desempenho 2 1,3 f) Outras 1 0,7 Observação: n=150 ACS. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 64 – B13 Tipo de benefício ou complementação salarial para atuação na Estratégia Saúde da Família para os auxiliares/técnicosde enfermagem, Aracaju (SE), 2008 n % a) Insalubridade Tipo de benefício 48 85,7 b) Auxílio transporte 29 51,8 c) Auxílio alimentação - - 10 17,9 e) Por desempenho 9 16,1 f) Outras 8 14,3 d) Para atuação em área de risco Observação: n = 56 Auxiliares/técnicos de enfermagem que possuem algum tipo de benefício ou de complementação salarial para atuação no PSF. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. A maior parte dos profissionais da Estratégia SF em Aracaju considera a remuneração incompatível com suas atribuições. A categoria dos médicos é a que expressa maior insatisfação, pois 98% afirmam que a remuneração não é compatível. Entre os enfermeiros, o percentual é de 76%, ao passo que entre os ACS 91% mencionam a incompatibilidade. Esta insatisfação foi registrada também na pesquisa de 2002, quando 79% dos profissionais de nível superior e 96% dos ACS disseram ser a remuneração incompatível com suas atribuições. Aracaju 160 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Tabela 65 – B13 Opinião sobre a compatibilidade da remuneração com as atribuições dos Médicos e Enfermeiros da Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Compatibilidade Médico Enfermeiro Total n % n % n % Sim 1 1,8 16 24,2 17 13,9 Não 55 98,2 50 75,8 105 86,1 Total 56 100,0 66 100,0 122 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 66 – B13 Opinião sobre a compatibilidade da remuneração com as atribuições dos Agentes Comunitários de Saúde da Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Compatibilidade n % Sim 13 8,7 Não 137 91,3 Total 150 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 67 – B14 Opinião sobre a compatibilidade da remuneração com as atribuições, segundo Auxiliares/Técnicosde Enfermagem, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Compatibilidade n % Sim 13 21,7 Não 47 78,3 Total 60 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Na percepção dos profissionais, a remuneração é incompatível com as funções que exercem na ESF. É importante recuperar que os salários dos enfermeiros apresentam valor acima do mercado, conforme relatado pelos gestores. No entanto, vale destacar que, de acordo com os gestores, o salário e outros incentivos de remuneração estão privilegiando as categorias profissionais para as quais não se encontram maiores dificuldades para atração e retenção. Enquanto isso, para a categoria dos médicos, em que há grande dificuldade de atração e retenção, não se verificou mecanismo de remuneração que contribua para equacionar o desafio. O salário base dessa categoria está próximo ao valor dos enfermeiros e odontólogos. 5. ROTATIVIDADE E ESTRATÉGIAS DE FIXAÇÃO DOS PROFISSIONAIS Existe dificuldade de fixar o médico na Atenção Básica em Aracaju. A permanência deste profissional é por curto período, que não ultrapassa quatro anos, segundo o SMS: “o médico sempre busca sair da AB, ou porque se transfere para o Estado ou porque NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 161 migra em busca de melhor salário em outra região ou busca outro município que cobre dele uma carga de trabalho menor” (SMS). Uma tendência observada para a não fixação dos médicos em Sergipe, além da busca de melhores salários, é a de formação, visando à especialização ou às residências médicas. O secretário municipal de saúde destaca ainda a violência como fator de não fixação dos médicos nas USFs. A coordenadora do NUGEP julga a rotatividade dos médicos muito alta. Ela relaciona a carência de profissionais à existência de uma única Universidade a formar médicos no estado. Além disto, 80% a 90% dos formandos fazem residência fora do Sergipe: “Só ficam aqui aqueles que não conseguiram passar nas residências fora do Estado. Eles fazem o concurso, entram, daí a três ou quatro meses passam na residência e pedem demissão. Ou não se adaptam a esse tipo de serviço, porque vão direto, são muito jovens e se apavoram ao cair numa unidade de Saúde da Família num bairro de periferia complexo...” (coordenadora de Educação Permanente). A coordenadora de Atenção Básica não avalia a falta de médicos nas equipes de saúde da família como resistência à Estratégia mas como uma questão de formação: “Os médicos foram formados para ser especialistas, então fica difícil, depois, passarem para o outro lado; até a família cobra: ‘você tem que ser médico é para ganhar dinheiro’” (coordenadora de Atenção Básica). No caso do profissional da Saúde da Família há, segundo ela, um limite, que é o fato de o profissional não ter a opção de aumentar seu rendimento com outras atividades ou vínculos em função da dedicação de 40 horas exigida pelo Programa. Além disto, diz, a procura pela medicina de família é inferior à procura pelas demais especialidades, em razão de as universidades formarem profissionais para exercerem a profissão como especialistas, como já apontado. O salário também é citado como fator limitante para a fixação dos profissionais, considerando que é exigida uma carga horária integral e há grande volume de trabalho. Por fim, o secretário municipal de saúde também pondera que as escolas médicas não formam profissionais para atuar na Atenção Básica. Como estratégia para fixação de profissionais, o secretário municipal aponta: i) programas de capacitação; ii) concursos públicos; iii) aperfeiçoamento da formação médica em relação à Atenção Básica. Aracaju 162 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO O quantitativo de médicos que atua na Atenção Básica ainda é reduzido, de acordo com o secretário. Para ele, deveria haver um sistema de remuneração diferenciado para os médicos, considerando o investimento que fazem em sua formação, existindo a necessidade de se criar incentivos que os motivem e os atraiam para o setor público na área de Atenção Básica. Não há problemas de rotatividade para os demais profissionais da rede. A coordenadora da Atenção Básica informa que os salários de enfermeiros e dos odontólogos é atrativo, pois estão acima da média do mercado, e os profissionais das equipes de saúde da família que mais se mantêm no posto de trabalho são os auxiliares de enfermagem. Existe incentivo de risco para atuação nas comunidades mais distantes, que têm maior dificuldade de fixação. Um dos desafios é fazer face às vantagens oferecidas pelos municípios no interior do Estado. Em algumas cidades, os médicos trabalham somente um turno, três vezes por semana, ganhando o mesmo ou mais do que na capital, onde é exigido o cumprimento da carga horária integral. Este, como já foi dito, é um dos pontos de enfrentamento com o Sindicato dos Médicos, que defende a carga horária de 32 horas semanais com o mesmo salário. Para fazer acordo, o Ministério Público propôs um projeto piloto, a ser testado em quatro USFs, que destinava oito das 40 horas previstas no contrato de trabalho para processos de capacitação, reduzindo assim o número de horas de atendimento para 32 por semana. A SMS montou então um projeto de capacitação para os três meses em que o projeto piloto seria experimentado. Para a compreensão da rotatividade sob a perspectiva dos profissionais identificou-se inicialmente o tempo de atuação no município e a sua permanência na mesma equipe. Do mesmo modo, buscou-se conhecer a percepção dos médicos e enfermeiros sobre possíveis razões de insatisfação que possam contribuir para a rotatividade. O tempo de atuação dos profissionais de nível superior em Aracaju é mais elevado do que nas outras cidades estudadas: 66% atuam há mais de quatro anos em Aracaju. É pouco maior o percentual de enfermeiros (68%) em relação aos médicos (63%) que atuam há mais de quatro anos no município. Em 2002, a situação era diversa: 70% dos médicos atuavam no máximo há dois anos no PSF, o que sugere rotatividade decrescente. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 163 Entre os ACS, 65% atuam em Aracaju há mais de cinco anos e 30%, entre dois e cinco anos. Há maior concentração de auxiliares/técnicos de enfermagem que atuam entre dois e cinco anos (58%) e 28% exercem a atividade no município há mais de cinco anos. Tabela 68 – B1 Tempo de atuação na Estratégia Saúde da Família neste município dos Médicos e Enfermeiros, Aracaju (SE), 2008 Tempo de atuação Médico Enfermeiro Total n % n % n % Até 6 meses 3 5,4 2 3,0 5 4,1 De 7 meses a 12 meses 1 1,8 4 6,1 5 4,1 De 13 meses a 24 meses 4 7,1 4 6,1 8 6,6 De 25 meses a 36 meses 6 10,7 4 6,1 10 8,2 De 37 meses a 48 meses 7 12,5 6 9,1 13 10,7 Mais de 4 anos 35 62,5 45 68,2 80 65,6 Não respondeu 0 ,0 1 1,5 1 ,8 56 100,0 66 100,0 122 100,0 Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 69 – B1 Tempo de atuação na Estratégia Saúde da Família neste município dos Agentes Comunitários de Saúde, Aracaju (SE), 2008 Tempo de atuação n Até 6 meses 1 ,7 De 7 meses a 12 meses 2 1,3 De 13 meses a 24 meses % 4 2,7 De 2 a 5 anos 45 30,0 Mais de 5 anos 98 65,3 150 100,0 Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 70 – B1 Tempo de atuação na Estratégia Saúde da Família neste município dos Auxiliares/Técnicos de enfermagem, Aracaju (SE), 2008 Tempo de atuação n % Há pelo menos 6 meses 1 1,7 De 7 meses a 12 meses 6 10,0 De 13 meses a 24 meses 1 1,7 De 2 a 5 anos 35 58,3 Mais de 5 anos 17 28,3 Total 60 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. A atuação dos profissionais de nível superior na mesma equipe é predominante em Aracaju (54%). A troca de equipe no mesmo município, para 29% dos profissionais, já aconteceu a pedido do próprio profissional. Entre os ACS é, como esperado, maior o percentual de profissionais que atuam sempre na mesma equipe (72%). Dos ACS que já Aracaju 164 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO mudaram de equipe no mesmo município, a mudança foi feita por necessidade gerencial para 13% e a pedido do próprio profissional para 10%. Também é maior o percentual (58%) dos auxiliares/técnicos de enfermagem que atuam sempre na mesma equipe; entre os que mudaram de equipe no mesmo município, predomina a mudança a pedido do profissional (28%). Tabela 71 – B2 Atuação na Estratégia Saúde da Família deste município dos Médicos e Enfermeiros, Aracaju (SE), 2008 Atuação Sempre nesta mesma equipe Em mais de uma equipe do PSF neste município, tendo mudado por necessidade gerencial Em mais de uma equipe do PSF neste município, tendo mudado a seu pedido Em mais de uma equipe neste município tendo mudado a seu pedido Total Médico Enfermeiro Total n % n % n % 33 58,9 33 50,0 66 54,1 2 3,6 8 12,1 10 8,2 17 30,4 18 27,3 35 28,7 4 7,1 7 10,6 11 9,0 56 100,0 66 100,0 122 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 72 – B2 Atuação na Estratégia Saúde da Família deste município dos Agentes Comunitários de Saúde, Aracaju (SE), 2008 Atuação n % Sempre nesta mesma equipe Em mais de uma equipe do PSF neste município, tendo mudado por necessidade gerencial Em mais de uma equipe do PSF neste município, tendo mudado a seu pedido Em mais de uma equipe neste município, tendo mudado por necessidade gerencial e a seu pedido Não respondeu 108 72,0 20 13,3 15 10,0 6 4,0 1 ,7 Total 150 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 73 – B2 Atuação Estratégia Saúde da Família deste município dos Auxiliares/ Técnicos de Enfermagem, Aracaju (SE), 2008 Atuação n % Sempre nesta mesma equipe Em mais de uma equipe do PSF neste município, tendo mudado por necessidade gerencial Em mais de uma equipe do PSF neste município, tendo mudado a seu pedido 35 58,3 8 13,3 17 28,3 Total 60 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Sobre as razões para a insatisfação e a rotatividade na Estratégia Saúde da Família, 82% dos profissionais de nível superior pesquisados apontaram a remuneração inadequada como fator de insatisfação. É maior o percentual de médicos (98%) que de enfermeiros (68%) que consideram a remuneração inadequada. Outros fatores também considerados NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 165 insatisfatórios são a exigência de carga horária integral (66%) e as condições de trabalho precárias (63%). Ainda, a baixa oportunidade de progressão profissional é relatada por 47% dos profissionais de nível superior como fator de insatisfação, porém é maior o percentual de médicos (64%) que de enfermeiros (33%) com essa percepção. Já o baixo comprometimento dos profissionais com o PSF é motivo de insatisfação para 42% dos profissionais de nível superior, com essa percepção predominando mais entre os enfermeiros (52%) que entre os médicos (30%). Tabela 74 – B18 Razões para a insatisfação e a rotatividade na Estratégia Saúde da Família dos Médicos e Enfermeiros, Aracaju (SE), 2008 Razões de insatisfação Médico Enfermeiro Total N 8 % 14,3 n 11 % 16,7 n 19 % 15,6 b) Remuneração inadequada dos profissionais c) Condições de trabalho precárias (infraestrutura deficiente das unidades de saúde, insumos insuficientes) d) Exigência da carga horária integral e) Formação prévia dos profissionais incompatível com modelo proposto f) Existência de outras oportunidades de emprego 55 98,2 45 68,2 100 82,0 41 73,2 36 54,5 77 63,1 42 75,0 39 59,1 81 66,4 15 26,8 22 33,3 37 30,3 15 26,8 16 24,2 31 25,4 g) Baixa oportunidade de progressão profissional h) Baixa oportunidade de capacitação e formação profissional i) Baixo comprometimento dos profissionais com o PSF 36 64,3 22 33,3 58 47,5 22 39,3 9 13,6 31 25,4 17 30,4 34 51,5 51 41,8 j) Falta de garantia de acesso a outros níveis de atenção 11 19,6 13 19,7 24 19,7 k) Baixa resolutividade das Unidades de Saúde da Família a) Instabilidade do vínculo 22 39,3 18 27,3 40 32,8 l) Motivos pessoais 5 8,9 14 21,2 19 15,6 m) Outro 6 10,7 4 6,1 10 8,2 n) Não sabe informar 0 0,0 0 0,0 0 0,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Sobre a permanência dos profissionais nas ESFs e em Aracaju deve-se pensar que no estado de Sergipe há pouca oferta de profissionais. Tal situação agrava a competição pelos profissionais, em especial os médicos, entre os municípios. Estes buscam ampliar sua atratividade através de pequenos diferenciais como carga horária, capacitação etc. No entanto, chama a atenção que, entre os profissionais pesquisados, predomina a permanência no município acima de quatro anos (para todas as categorias). Além disso, a maioria também atua sempre na mesma equipe. Aracaju 166 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 6. CAPACITAÇÃO PARA A SAÚDE DA FAMÍLIA A Coordenação de Educação Permanente (CEP), informa sua coordenadora, é responsável pelas capacitações oferecidas no âmbito da SMS. Para esta coordenadora, a existência de um Programa de Capacitação é necessidade da Estratégia SF, considerando que os profissionais não estão preparados para trabalhar no novo modelo, que exige, entre outros, saber trabalhar em equipe. O Programa de Capacitação da Secretaria para 2008 ficou comprometido no primeiro semestre em função da epidemia de dengue, que impediu que os profissionais se ausentassem do atendimento. De março a junho, nenhum processo de capacitação foi realizado. A última capacitação antes deste período foi dirigida aos auxiliares de enfermagem das equipes de saúde da família que estavam sendo inseridos, e os temas de atualização foram hipertensão, diabetes e imunização. A capacitação foi retomada no final de junho de 2008 para as demais turmas. No Programa foram incluídos os auxiliares de enfermagem, os agentes comunitários e o pessoal de nível superior das equipes de saúde da família, além dos auxiliares administrativos de todas as unidades. Em função das intercorrências da dengue, a discussão de novos protocolos para dengue foi incluída na programação, uma vez que se percebeu modificação no comportamento da doença, o que exigiu novas condutas. Os desafios da Educação Permanente são o trabalho em equipe e na perspectiva da integralidade, o que é mais amplamente aceito por enfermeiros, odontólogos e seus auxiliares do que pelos médicos. As capacitações são montadas tendo como referência tanto as necessidades do serviço quanto as do servidor. Para elaboração das atividades de capacitação são ouvidos os coordenadores de Programa e as coordenações de Rede e, ao final de cada atividade, é feita uma avaliação, que inclui observações e demandas dos participantes. Os médicos demandam capacitações técnicas especificas com mais frequência. Embora a coordenação procure trabalhar com foco nas equipes, os médicos solicitam sempre atividades dirigidas especificamente a eles. A CEP justifica tal demanda pela necessidade que esta categoria sente de tirar dúvidas quanto aos procedimentos médicos específicos em nível de atenção primária. Apesar de terem feito o concurso para generalistas, sua experiência anterior é o exercício da prática clínica especializada, o que os deixa inseguros quando o assunto NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 167 foge à sua formação. A coordenadora dá como exemplo pediatras que passam a ter que atender idosos, gestantes, hipertensos etc. A capacitação geral ministrada pela SMS a toda a equipe não oferece aprofundamento da questão terapêutica. Os profissionais alegam que esta formação específica permitiria redução dos encaminhamentos aos especialistas, considerando que eles muitas vezes se devem à insegurança dos médicos quanto ao diagnóstico e à terapêutica. A SMS monta capacitações específicas em resposta à demanda. Em 2003, realizou-se um curso de 40 horas sobre classificação de risco no território, que teve caráter introdutório e dirigiu-se a toda a rede. O curso introdutório voltado para a Estratégia SF foi ministrado no início da implantação do PSF e deverá ser retomado por esta coordenação, tendo como população alvo os profissionais que ingressaram na Estratégia no último concurso e não passaram ainda por este tipo de formação. Muitos desses concursados foram encaminhados à residência em Saúde da Família. Os conteúdos do curso introdutório oferecido aos profissionais da Estratégia da Saúde da Família em Aracaju se referiam a noções básicas de epidemiologia; a condutas clínicas relativas aos programas de saúde pública (hipertensão, diabetes, hanseníase, pré-natal, imunizações etc.); a responsabilidades das equipes e aos critérios para encaminhamento de casos; à oferta e à organização do sistema municipal de saúde; a orientações quanto ao registro e ao preenchimento dos sistemas de informação: “Normalmente, no introdutório, começamos falando um pouco sobre a história da saúde pública até chegar ao modelo assistencial, para então entrar na Estratégia Saúde da Família e discutir o modelo de saúde e cidadania, que é o modelo de saúde de Aracaju” (coordenadora da Educação Permanente). Outra estratégia de capacitação empregada são as Oficinas, que utilizam a metodologia da problematização, nas quais a equipe se reúne para discutir casos específicos, cada profissional dando sua contribuição e reconhecendo seu espaço de atuação. Segundo a CEP, esta metodologia é difícil de ser apropriada por alguns professores, uma vez que exige que dêem espaço para que o aluno se coloque, reflita e conclua por si mesmo. Todo o corpo técnico da Secretaria é envolvido no Programa de Capacitação e, quando necessário, são contratados profissionais de fora. Neste processo não há parceria formal com as Universidades, embora existam professores convidados tanto da Universidade Federal como da Universidade Tiradentes (UNIT), que é instituição privada. Aracaju 168 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO São também realizados seminários que envolvem outras secretarias do município, como a Secretaria de Assistência Social, no caso da assistência ao idoso, cuja participação busca avançar para a ação intersetorial. Ainda na linha da qualificação dos profissionais, outros incentivos são oferecidos. São elaboradas revistas temáticas, em parceria com as Coordenações de Programas. A CEP conseguiu recurso para a edição de um número com a temática de saúde mental. A SMS coloca-se como campo de pesquisa para estudantes das duas Universidades, a Federal e a UNIT, procurando um retorno desse apoio e trazendo os resultados das pesquisas para serem debatidos na Secretaria. Sobre a capacitação na perspectiva dos profissionais, os médicos (57%) e enfermeiros (68%) avaliam que o município oferece incentivos à formação, mencionando, com mais frequência, a liberação de carga horária para a realização de cursos, citada por 78% dos médicos e por 55% dos enfermeiros, que consideram receber incentivos. Uma parcela de 30% dos enfermeiros cita ainda o adicional financeiro de titulação, o que é relatado por apenas 9% dos médicos. Tabela 75 – B16 Município oferece incentivo à formação dos Médicos e Enfermeiros da Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Incentivos à formação Médico Enfermeiro Total n % n % n % Sim 32 57,1 45 68,2 77 63,1 Não 24 42,9 21 31,8 45 36,9 Total 56 100,0 66 100,0 122 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 76 – B17 Tipo de incentivos à formação recebidos, segundo Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Incentivos à formação a) Liberação de carga horária para realização de cursos b) Realização de parcerias para oferta de cursos c) Apoio para participação em eventos científicos (financeiro, logístico, liberação de carga horária) d) Promoção de eventos científicos Médico Enfermeiro Total n % n % n % 25 78,1 25 55,6 50 64,9 3 9,4 11 24,4 14 18,2 4 12,5 13 28,9 17 22,1 4 12,5 12 26,7 16 20,8 e) Pesquisa em serviço 1 3,1 4 8,9 5 6,5 f) Adicional financeiro de titulação 5 15,6 20 44,4 25 32,5 g) Outro 4 12,5 3 6,7 7 9,1 Observação: n=32 médicos e n=45 enfermeiros afirmaram que o município oferece incentivo à formação para os profissionais do PSF. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 169 A maior parte dos médicos (89%) e dos enfermeiros (83%) considera que, para exercer sua atividade na Estratégia SF, é fundamental receber capacitação permanente sobre atenção a grupos específicos e treinamento em atenção básica, além de participar de encontros entre profissionais de Saúde da Família para troca de experiências (73% e 76% respectivamente). Os enfermeiros, por sua vez, consideram igualmente importante receber treinamento introdutório. Os aspectos citados com mais frequência pelos auxiliares/técnicos de enfermagem também se relacionam à capacitação para ações focalizadas em grupos de risco, mencionada por 75% dos profissionais. Tabela 77 – B19 Capacitação necessária para exercer a atual atividade, segundo Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família Aracaju (SE), 2008 Necessidade de capacitação a) Receber treinamento introdutório adequado às novas atribuições b) Receber treinamento de atualização em atenção básica c) Receber treinamento que permita a elaboração ou aperfeiçoamento da análise do perfil epidemiológico local d) Receber capacitação permanente sobre atenção a grupos específicos e) Participar de encontros entre os profissionais da Saúde da Família promovidos pela Secretaria Municipal para troca de experiências f) Realizar curso de especialização em Saúde da Família g) Realizar curso de especialização em Saúde Pública h) Realizar curso de especialização em sua área de formação i) Não tem opinião formada Médico Enfermeiro Total n % n % n % 37 66,1 50 75,8 87 71,3 46 82,1 50 75,8 96 78,7 32 57,1 48 72,7 80 65,6 50 89,3 55 83,3 105 86,1 41 73,2 50 75,8 91 74,6 33 58,9 38 57,6 71 58,2 21 37,5 26 39,4 47 38,5 10 17,9 8 12,1 18 14,8 1 1,8 1 1,5 2 1,6 Observação: n=56 médicos e n=66 enfermeiros. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 78 – B17 Capacitação necessária para exercer a atual atividade, segundo auxiliares/técnicosde enfermagem da Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 n % a) Ter treinamento para conhecer competências e atribuições dos membros da ESF 38 63,3 b) Ter supervisão em serviço sob a liderança da enfermeira 35 58,3 c) Ter capacitação permanente para ações focalizadas sobre os grupos de risco 45 75,0 d) Fazer vínculo com a comunidade. 40 66,7 3 5,0 Necessidade de capacitação e) Outra Observação: n = 60 Auxiliares/técnicos de enfermagem. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Quando se considera a capacitação efetivamente recebida pelos agentes comunitários, observa-se que mais de 80% deles foram capacitados nos temas de: planejamento Aracaju 170 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO familiar, aleitamento materno, prevenção de câncer de colo de útero, controle de hipertensão e diabetes e prevenção de DST/AIDS. Tabela 79 – B21 Capacitação recebida pelos Agentes Comunitários de Saúde da Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Capacitações recebidas a) Acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil b) Alimentação saudável n % 96 64,0 85 56,7 131 87,3 d) Imunização infantil 95 63,3 e) Reidratação oral (soro caseiro) 89 59,3 f) Aleitamento materno 132 88,0 g) Planejamento familiar 136 90,7 h) Prevenção do câncer de colo de útero 130 86,7 i) Controle de hipertensão 130 86,7 j) Controle de diabetes 130 86,7 c) Prevenção de DST e AIDS k) Cuidado de idosos 97 64,7 l) Controle da tuberculose 113 75,3 m) Controle da hanseníase 111 74,0 50 33,3 2 1,3 n) Outra capacitação importante o) Não recebeu capacitação Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Quanto à coleta e à análise de dados do SIAB, observa-se que 59% dos enfermeiros e 78% dos ACS informam que a equipe tem capacitação para atuar com este propósito. No entanto, o equivalente a 54% dos médicos e a 85% dos auxiliares/técnicos considera que a equipe não tem este tipo de treinamento. Tabela 80 – B21 Treinamento da equipe de saúde da família para coleta e análise de dados do SIAB informado pelos Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Treinamento SIAB Médico Enfermeiro Total n % n % n % Sim 26 46,4 39 59,1 65 53,3 Não 30 53,6 26 39,4 56 45,9 0 ,0 1 1,5 1 ,8 56 100,0 66 100,0 122 100,0 Não respondeu Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 81 – B23 Treinamento da equipe de saúde da família para coleta e análise de dados do SIAB informado por Agentes Comunitários de Saúde, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Treinamento SIAB n % Sim 117 78,0 Não 33 22,0 Total 150 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 171 Tabela 82 – B26 Treinamento da equipe de saúde da família para coleta e análise de dados do SIAB informado por auxiliares/técnicosde enfermagem, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Treinamento SIAB n % Sim 9 15,0 Não 51 85,0 Total 60 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Observa-se, ainda, que o treinamento introdutório em Saúde da Família foi realizado pela maior parte dos ACS (71%), mas por menos da metade dos auxiliares/técnicos de enfermagem (32%). Perguntou-se aos profissionais que fizeram o curso introdutório se este foi suficiente para a realização de suas atividades. Responderam afirmativamente a maior parte dos ACS (69%) e dos auxiliares/técnicos de enfermagem (58%). O motivo alegado com mais frequência por aqueles que não consideraram o curso suficiente, em ambas as categorias, foi a carga horária insuficiente. Tabela 83 – B14 Participação de Agentes Comunitários de Saúde em curso introdutório antes de ingressar na Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 n % Sim Curso introdutório 106 70,7 Não 44 29,3 Total 150 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 84 – B18 Participação de Auxiliares/Técnicos de Enfermagemem curso introdutório antes de ingressar na Estratégia Saúde da Família informado pelos, Aracaju (SE), 2008 Curso introdutório n % Sim 19 31,7 Não 41 68,3 Total 60 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 85 – B15 Opinião dos Agentes Comunitários de Saúde sobre se o curso introdutório mostrou-se suficiente para execução das funções na Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 n % Sim Suficiência do Curso introdutório 73 68,9 Não 33 31,1 Total 106 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Aracaju 172 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Tabela 86 – B19 Opinião dos Auxiliares/Técnicos de Enfermagem sobre se o curso introdutório mostrou-se suficiente para execução das funções na Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Suficiência do Curso introdutório n % Sim 11 57,9 Não 8 42,1 Total 19 100,0 Observação: n = 19 Auxiliares/ técnicos de enfermagem que participaram do curso introdutório como parte da capacitação antes de integrar no PSF. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 87 – B16 Motivos indicados pelos Agentes Comunitários de Saúde para considerar o curso introdutório insuficiente para execução das funções na Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Motivos a) Carga horária insuficiente n % 22 14,7 b) Conteúdo inadequado 8 5,3 c) Professores não preparados 1 0,7 d) Linguagem excessivamente técnica 8 5,3 e) Outro 2 1,3 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. A maior parte dos ACS (57%) afirmou já ter feito outro tipo de capacitação na área de Saúde da Família, situação que se inverte na categoria dos auxiliares/técnicos de enfermagem, dos quais 62% disseram não ter feito nenhum curso com este enfoque. Tabela 88 – B17 Participação dos Agentes Comunitários de Saúde em algum outro curso com enfoque em Saúde da Família, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Outros cursos Sim n % 85 56,7 Não 65 43,3 Total 150 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 89 – B21 Participação dos auxiliares/técnicosde enfermagem em algum outro curso com enfoque em Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Outros cursos n % Sim 23 38,3 Não 37 61,7 Total 60 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. A ação de educação permanente de que tanto os ACS quanto os auxiliares/técnicos de enfermagem mais participam é a capacitação para ações focalizadas em grupos de risco. Os ACS citaram também a participação em palestras (59%) e reuniões periódicas da NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 173 ESF (51%), enquanto 42% dos auxiliares/técnicos de enfermagem ressaltaram igualmente reuniões periódicas da equipe de saúde da família. Para 85% dos ACS e 80% dos auxiliares/técnicos de enfermagem, a participação em ações deste tipo é obrigatória. Tabela 90 – B18 Tipos de ações de educação permanente das quais os Agentes Comunitários de Saúde participam, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Educação permanente n % a) Treinamento em serviço 36 24,0 b) Supervisão técnica sob liderança da enfermeira 70 46,7 c) Capacitação para ações focalizadas sobre os grupos de risco 130 86,7 d) Cursos de reciclagem 48 32,0 e) Palestras 89 59,3 f) Discussão periódica de casos na ESF 53 35,3 g) Reuniões periódicas das ESF 77 51,3 h) Outra 2 1,3 i) Não participo de nenhuma atividade de educação permanente 4 2,7 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 91 – B22 Tipos de ações de educação permanente das quais os Auxiliares/Técnicos de enfermagem participam, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Educação permanente n % a) Treinamento em serviço 14 23,3 b) Supervisão técnica sob liderança da enfermeira 20 33,3 c) Capacitação para ações focalizadas sobre os grupos de risco 32 53,3 d) Cursos de reciclagem 18 30,0 e) Palestras 20 33,3 7 11,7 25 41,7 1 1,7 10 16,7 f) Discussão periódica de casos na ESF g) Reuniões periódicas das ESFs h) Outra i) Não participo de nenhuma atividade de educação permanente Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 92 – B20 Obrigatoriedade de participação dos Agentes Comunitários de Saúde em atividades de educação permanente, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Obrigatoriedade n % Sim 127 84,7 Não 23 15,3 Total 150 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Aracaju 174 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Tabela 93 – B24 Obrigatoriedade de participação dos auxiliares/técnicos de enfermagem em atividades de educação permanente na Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Obrigatoriedade n % Sim 40 80,0 Não 10 20,0 Total 50 100,0 Observação: n = 50 Auxiliares/técnicos de enfermagem que participam de alguma atividade de educação permanente. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Os temas da educação permanente, para as duas categorias, são definidos com mais frequência pela coordenação municipal do PSF. Os ACS também citam que a equipe de saúde da família, em conjunto, pode definir os temas a serem abordados. Tabela 94 – B19 Responsável pela definição dos temas abordados na educação permanente dos Agentes Comunitários de Saúde, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Responsável n % 112 74,7 b) A coordenação distrital/regional/zonal do PSF 27 18,0 c) A ESF em conjunto 39 26,0 d) Os profissionais de nível superior da ESF 17 11,3 e) O profissional de enfermagem que assume função de supervisão 34 22,7 f) Outra 12 8,0 a) A coordenação municipal do PSF Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 95 – B23 Responsável pela definição dos temas abordados na educação permanente dos auxiliares/técnicos de enfermagem, Aracaju (SE), 2008 Responsável n % 30 60,0 2 - A coordenação distrital/regional/zonal do PSF 9 18,0 3 - A ESF em conjunto 4 8,0 4 - Os profissionais de nível superior da ESF 6 12,0 5 - O profissional de enfermagem que assume função de supervisão 1 2,0 6 – Outra 3 6,0 1 - A coordenação municipal do PSF Observação: n = 50 Auxiliares/técnicos de enfermagem que participam de alguma atividade de educação permanente. Deve-se destacar o incentivo da própria gestão municipal de algumas horas reservadas para o processo de capacitação. Entretanto, principalmente na visão dos médicos, ainda há carência de capacitações técnicas mais específicas para sua atuação na ESF. A capacitação, considerada pela gestão municipal como um dos incentivos de fixação, pode ser reavaliada para que sua contribuição seja mais efetiva. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 175 7. SUPERVISÃO A supervisão é feita pelos gerentes locais e regionais, havendo também a supervisão de Programas realizada pelas demais coordenações, como é o caso da Coordenadoria de Gestão do Cuidado (COGEC), Programa de Saúde da Mulher, Saúde da Criança, Saúde do Adulto, feita em conjunto com a Coordenação da Atenção Básica. Não existe uma rotina no processo de supervisão; esta é feita na medida em que seja identificada uma necessidade específica. Há também a Coordenação Clínica, que intervém quando há problemas em relação à atenção clínica. O monitoramento das ações é feito com referência aos protocolos que são estabelecidos pelos Programas. Caso haja problemas em relação a estes ou se forem alterados, é providenciada a capacitação específica sobre a temática. Outro tipo de acompanhamento é feito através da identificação de indicadores clínicos, sociais ou o número de solicitações de exames, por exemplo. Nestes casos identifica-se o problema e se promovem discussões locais na Unidade. Os problemas são identificados através dos relatórios de Coordenadores de Programa. Os sistemas de informações SIM, SINASC e SIAB são utilizados como instrumentos de acompanhamento e de supervisão. Outras vezes, este processo é acionado a partir de denúncias do Ministério Público quanto à negligência ou à falta de cuidado, mais comum em relação a idosos e a casos de violência. O Conselho Local de Saúde também atua na denúncia e na reivindicação de bom atendimento à população. A pesquisa identificou se as diferentes categorias pesquisadas reconhecem a existência da supervisão e, também, a forma e a periodicidade com que ela acontece, bem como o profissional responsável e o foco da supervisão. A existência da supervisão é identificada por todas as categorias: 80% dos profissionais de nível superior, 98% dos ACS e 82% dos auxiliares/técnicos de enfermagem. Tabela 96 – C14 Existência de supervisão da equipe de saúde da família informado pelos Médicos e Enfermeiros, Aracaju (SE), 2008 Supervisão Médico Enfermeiro Total n % n % n % Sim 40 71,4 57 86,4 97 79,5 Não 16 28,6 9 13,6 25 20,5 Total 56 100,0 66 100,0 122 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Aracaju 176 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Tabela 97 – C17 Existência de supervisão da equipe de saúde da família informado pelos Agentes Comunitários de Saúde, Aracaju (SE), 2008 n % Sim Supervisão 147 98,0 Não 3 2,0 150 100,0 Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 98 – C17 Existência de supervisão da equipe de saúde da família informado pelos auxiliares/ técnicos de enfermagem, Aracaju (SE), 2008 Supervisão n % Sim 49 81,7 Não 11 18,3 Total 60 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Em relação à forma como a supervisão é realizada, 54% dos profissionais de nível superior consideram que é feita para cada equipe de saúde da família. Para 45% desses profissionais, a supervisão é feita para a equipe de saúde da família e cada categoria profissional. Para os profissionais de nível superior, a supervisão é exercida pela coordenação municipal do PSF (46%) e, também, pelas coordenações distritais /zonais/regionais do PSF (44%). Para os ACS, a supervisão direciona-se a cada equipe de saúde da família (46%) e também a cada categoria profissional (36%), e é exercida pelo enfermeiro (85%). Os auxiliares/técnicos de enfermagem julgam que a supervisão direciona-se a cada equipe e para cada categoria profissional (47%), mais que somente para a equipe (37%). Para a maioria, a supervisão é exercida pelo enfermeiro (61%), porém também aponta as coordenações distritais/zonais/regionais do PSF (43%) e a coordenação municipal do PSF (41%) como responsáveis pela supervisão. Tabela 99 – C15 Forma de supervisão da equipe de saúde da família informado pelos Médicos e Enfermeiros, Aracaju (SE), 2008 Forma de supervisão Para cada ESF Para cada categoria profissional Médico Enfermeiro Total n % n % n % 23 57,5 29 50,9 52 53,6 1 2,5 - - 1 1,0 Para a ESF e para cada categoria profissional 16 40,0 28 49,1 44 45,4 Total 40 100,0 57 100,0 97 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 177 Tabela 100 – C18 Forma de supervisão da equipe de saúde da família informado pelos Agentes Comunitários de Saúde, Aracaju (SE), 2008 Forma de supervisão n % Para cada ESF 68 46,3 Para cada categoria profissional 25 17,0 Para a ESF e para cada categoria profissional 53 36,1 Não respondeu Total 1 ,7 147 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 101 – C18 Forma de supervisão da equipe de saúde da família informado pelos auxiliares/ técnicos de enfermagem, Aracaju (SE), 2008 Forma de supervisão n % 18 36,7 8 16,3 Para a ESF e para cada categoria profissional 23 46,9 Total 49 100,0 Para cada ESF Para cada categoria profissional Observação: n = 49 Auxiliares/técnicos de enfermagem que disseram existir supervisão na equipe. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 102 – C17 Profissional responsável pela supervisão informado pelos Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Profissional responsável pela supervisão Médico n a) Coordenação municipal do PSF b) Coordenações distritais / regionais do PSF c) Equipe multiprofissional d) Outra 22 25 3 0 % 39,3 44,6 5,4 0,0 Enfermeiro n % 34 29 5 1 Total n 51,5 43,9 7,6 1,5 56 54 8 1 % 45,9 44,3 6,6 0,8 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 103 – C19 Profissional responsável pela supervisão informado pelos Agentes Comunitários de Saúde, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Profissional responsável pela supervisão Realizada pelo médico Realizada pelo enfermeiro Realizada pela Coordenação de Saúde da Família da SMS Realizada por outros profissionais Total n % 4 2,7 125 85,0 14 9,5 4 2,7 147 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 104 – C19 Profissional responsável pela supervisão informado pelos auxiliares/ técnicos de enfermagem, Estratégia Saúde da Família Aracaju (SE), 2008 Profissional responsável pela supervisão a) Médico da ESF n % 7 14,3 b) Enfermeiro da ESF 30 61,2 c) Outro profissional de nível superior 10 20,4 d) Coordenação municipal do PSF 20 40,8 e) Coordenação distrital/ regional do PSF 21 42,9 2 4,1 f) Outra equipe multidisciplinar de nível superior Aracaju 178 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Profissional responsável pela supervisão n % g) Outro profissional de nível médico - - Observação: n = 49 Auxiliares/técnicos de enfermagem que disseram existir supervisão na equipe. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Sobre a periodicidade da supervisão, para um terço dos profissionais de nível superior ela é realizada mensalmente (33%) e para 25% acima de três meses. Metade dos ACS, recebem supervisão mensal (50%), e um quarto diariamente (27%). Entre os auxiliares/técnicos de enfermagem, um terço (37%) consideram que a supervisão é diária (37%), 26% dizem que é mensal e 12% que é semanal. Tabela 105 – C16 Periodicidade da supervisão informada pelos Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Periodicidade Semanal Quinzenal Mensal A cada dois meses A cada três ou mais meses Outra Total Médico n 3 2 15 4 9 7 40 % 7,5 5,0 37,5 10,0 22,5 17,5 100,0 Enfermeiro n % 4 7,0 5 8,8 17 29,8 5 8,8 15 26,3 11 19,3 57 100,0 Total n 7 7 32 9 24 18 97 % 7,2 7,2 33,0 9,3 24,7 18,6 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 106 – C20 Periodicidade da supervisão informada pelos Agentes Comunitários de Saúde, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Periodicidade n % Diária 40 27,2 Semanal 20 13,6 4 2,7 74 50,3 5 3,4 Quinzenal Mensal A cada três ou mais meses Outra 4 2,7 Total 147 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 107 – C20 Periodicidade da supervisão informada pelos auxiliares/ técnicos de enfermagem, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Periodicidade n % 18 36,7 Semanal 6 12,2 Quinzenal 3 6,1 Diária Mensal 13 26,5 A cada três ou mais meses 2 4,1 Outra 7 14,3 Total 49 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 179 O conteúdo da supervisão, para os profissionais de nível superior, está baseado principalmente na discussão de problemas, nas dificuldades e nas demandas (61%). Do mesmo modo, a supervisão tem como foco o acompanhamento e o controle das atividades realizadas (42%), a sistematização das informações sobre saúde da comunidade e a supervisão das relações interpessoais (33%). Tabela 108 – C18 Foco da supervisão da equipe de saúde da família, segundo Médicos e Enfermeiros, Aracaju (SE), 2008 Médico Foco da supervisão Enfermeiro Total n % n % n % a) Interconsulta com especialista 5 8,9 6 9,1 11 9,0 b) Discussão de casos clínicos c) Sistematização das informações sobre saúde da comunidade d) Treinamento em serviço sobre as práticas de atenção primária e) Acompanhamento e controle das atividades realizadas 2 3,6 8 12,1 10 8,2 14 25,0 26 39,4 40 32,8 6 10,7 13 19,7 19 15,6 20 35,7 31 47,0 51 41,8 f) Discussão de problemas, dificuldades e demandas 35 62,5 39 59,1 74 60,7 g) Supervisão das relações interpessoais h) Acompanhamento dos riscos mais prevalentes na área e das questões sociais que envolvem o indivíduo e a comunidade 18 32,1 22 33,3 40 32,8 11 19,6 25 37,9 36 29,5 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Para os ACS, a supervisão sempre/na maioria das vezes contribui para: controlar administrativamente a frequência ao trabalho e a realização dos procedimentos de rotina, evitando irregularidades que possam prejudicar a comunidade (83%), controlar a realização das atividades do ACS em relação às regras e normas estabelecidas pelo PSF (86%), favorecer o bom entrosamento e a cooperação da equipe (83%) e acompanhar as ações dos ACS na USF e na comunidade (82%). No entanto, poucas vezes (31%) ou nunca (25%) contribui para permitir maior participação dos ACS no processo de decisão dos níveis hierarquicamente superiores. Tabela 109 – C21 Ações possibilitadas pela supervisão informadas pelos Agentes Comunitários de Saúde, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Ações possibilitadas pela supervisão a. Controlar a realização das atividades do ACS em relação ao Plano de Metas b. Controlar a realização das atividades do ACS em relação às regras e normas estabelecidas pelo PSF c. Favorecer o bom entrosamento e a cooperação da equipe d. Eleger temas para o planejamento das atividades de educação continuada dos ACS n % n % n % n % Não tem opinião formada n % 66 44,9 55 37,4 12 8,2 4 2,7 10 6,8 147 100,0 77 52,4 49 33,3 15 10,2 1 ,7 5 3,4 147 100,0 76 51,7 46 31,3 17 11,6 4 2,7 4 2,7 147 100,0 51 34,7 46 31,3 29 19,7 13 8,8 8 5,4 147 100,0 Sempre Na maioria das vezes Poucas vezes Nunca Total n Aracaju % PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 180 Ações possibilitadas pela supervisão n % n % n % n % Não tem opinião formada n % 50 34,0 52 35,4 34 23,1 4 2,7 7 4,8 147 100,0 75 51,0 46 31,3 18 12,2 2 1,4 6 4,1 147 100,0 69 46,9 52 35,4 18 12,2 3 2,0 5 3,4 147 100,0 25 17,0 28 19,0 45 30,6 37 25,2 12 8,2 147 100,0 79 53,7 43 29,3 10 6,8 8 5,4 7 4,8 147 100,0 51 34,7 48 32,7 35 23,8 9 6,1 4 2,7 147 100,0 45 30,6 57 38,8 22 15,0 7 4,8 16 10, 9 147 100,0 2 1,4 3 2,0 1 ,7 - - - - 147 100,0 Na maioria das vezes Sempre e. Educação permanente para realização de atividades rotineiras f. Acompanhar as ações dos ACS na USF e na comunidade g. Apoiar e/ou orientar as ações dos ACS em relação a situações emergenciais e/ou de difícil abordagem na unidade (ex.: violência doméstica, resistências ao tratamento, doença mental ) h. Permitir maior participação dos ACS no processo de decisão dos níveis hierarquicamente superiores i. Controlar administrativamente a frequência ao trabalho e a realização dos procedimentos de rotina, evitando irregularidades que possam prejudicar a comunidade j. Discutir problemas, dificuldades e demandas dos ACS’s e encaminhar para a coordenação do PSF k. Articula a gestão e a execução das ações l. Outro Poucas vezes Nunca Total n % Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Os auxiliares/técnicos de enfermagem consideram que a supervisão sempre/na maioria das vezes contribui para: controlar administrativamente a frequência ao trabalho e a realização dos procedimentos de rotina, evitando irregularidades que possam prejudicar a comunidade (69%), controlar a realização das atividades do ACS em relação às regras e normas estabelecidas pelo PSF (72%), favorecer o bom entrosamento e a cooperação da equipe (69%), além de discutir problemas, dificuldades e demandas dos auxiliares de enfermagem, encaminhar para a coordenação do PSF (45%). No entanto, poucas vezes (27%) ou nunca (27%) contribui para permitir maior participação dos auxiliares no processo de decisão dos níveis hierarquicamente superiores. Tabela 110 – C21 Ações possibilitadas pela supervisão informadas pelos Auxiliares/ Técnicos de Enfermagem, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Ações possibilitadas pela supervisão a. Controlar a realização das atividades do Auxiliar de Enfermagem em relação ao Plano de Metas b. Controlar a realização das atividades do Auxiliar de Enfermagem em relação às regras e normas estabelecidas pelo PSF c. Favorecer o bom entrosamento e cooperação da equipe NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sempre Na maioria das vezes Poucas vezes Nunca Não tem opinião formada n % n % n % n % n % 10 20,4 18 36,7 10 20,4 5 10,2 6 19 38,8 16 32,7 9 18,4 3 6,1 15 30,6 19 38,8 9 18,4 2 4,1 Total n % 12,2 49 100,0 2 4,1 49 100,0 4 8,2 49 100,0 VI. Gestão do trabalho em SF Ações possibilitadas pela supervisão d. Eleger temas para o planejamento das atividades de educação continuada dos Auxiliares de Enfermagem e. Educação permanente para realização de atividades rotineiras f. Acompanhar as ações dos Auxiliares de Enfermagem na USF e na comunidade g. Apoiar e/ou orientar as ações dos Auxiliares de Enfermagem em relação a situações emergenciais e/ou de difícil abordagem na unidade (ex.: violência doméstica, resistências ao tratamento, doença mental etc.) h. Permitir maior participação dos Auxiliares de Enfermagem no processo de decisão dos níveis hierarquicamente superiores i. Controlar administrativamente a frequência ao trabalho e a realização dos procedimentos de rotina, evitando irregularidades que possam prejudicar a comunidade j. Discutir problemas, dificuldades e demandas dos Auxiliares de Enfermagem e encaminhar para a coordenação do PSF k. Articula a gestão e a execução das ações l. Outro 181 Sempre Na maioria das vezes Poucas vezes Nunca Não tem opinião formada n % n % n % n % n % 11 22,4 18 36,7 7 14,3 9 18,4 4 8 16,3 18 36,7 12 24,5 6 12,2 14 28,6 18 36,7 6 12,2 8 10 20,4 17 34,7 16 32,7 10 20,4 9 18,4 13 21 42,9 13 26,5 16 32,7 6 15 30,6 1 2,0 Total n % 8,2 49 100,0 5 10,2 49 100,0 16,3 3 6,1 49 100,0 5 10,2 1 2,0 49 100,0 26,5 13 26,5 4 8,2 49 100,0 5 10,2 5 10,2 5 10,2 49 100,0 12,2 12 24,5 10 20,4 5 10,2 49 100,0 9 18,4 9 18,4 7 14,3 9 18,4 49 100,0 - - 3 6,1 5 10,2 4 8,2 49 100,0 Observação: n = 49 Auxiliares/técnicos de enfermagem que disseram existir supervisão na equipe. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. De maneira geral, parece haver pouca clareza acerca do processo de supervisão. Os profissionais de nível superior atribuem-na à coordenação municipal ou aos conselhos distritais de saúde. Chama a atenção que a natureza de parte das atividades relatadas pelos profissionais de nível superior seja incompatível com o perfil apontado do profissional responsável pela supervisão (coordenações distritais, gerentes de unidades): discussão de problemas, dificuldades e demandas; acompanhamento e controle das atividades realizadas; e discussão de casos clínicos, por exemplo. Os ACS e auxiliares/técnicos de enfermagem reconhecem a supervisão exercida pelos enfermeiros, além de todas as categorias profissionais, que também atribuem ao enfermeiro a função de coordenar a ESF. Vale destacar que quando os ACS e os auxiliares/técnicos de enfermagem avaliam a contribuição da supervisão para suas atividades, destacam as relacionadas ao controle burocrático administrativo e não as diretamente relacionadas à orientação para o processo de trabalho. No entanto, a Aracaju 182 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO natureza da atividade da supervisão deveria caminhar justamente na direção oposta, ou seja, maior foco na orientação do processo de trabalho, em especial para essas categorias profissionais. 8. TRABALHO EM EQUIPE A avaliação dos profissionais sobre o trabalho em equipe buscou conhecer a percepção do reconhecimento da coordenação da equipe e o profissional que exerce essa função. Além disso, também se procurou conhecer a avaliação dos profissionais de diferentes fatores que influenciam diretamente a atuação da equipe, bem como a percepção dos ACS e dos auxiliares/técnicos de enfermagem sobre frequência de ocorrências que dificultam a realização do trabalho da ESF. Para 69% dos profissionais de nível superior, não existe a figura de coordenador da equipe de saúde da família. Sua existência é reconhecida por 30%, com maior percentual dos enfermeiros (33%) em relação aos médicos (27%). Entre os ACS predomina a percepção (89%) do cumprimento da função de coordenação da equipe por algum profissional. Já entre os auxiliares/técnicos de enfermagem prevalece (60%) a não existência do coordenador da equipe de saúde da família. Tabela 111 – C3 Existência de coordenador da equipe de saúde da família informada pelos Médicos e Enfermeiros, Aracaju (SE), 2008 Coordenador Médico Enfermeiro Total n % n % n % Sim 15 26,8 22 33,3 37 30,3 Não 40 71,4 44 66,7 84 68,9 Não respondeu Total 1 1,8 0 ,0 1 ,8 56 100,0 66 100,0 122 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 112 – C3 Existência de coordenador da equipe de saúde da família informada pelos Agentes Comunitários de Saúde, Aracaju (SE), 2008 Coordenador Sim n % 133 88,7 Não 17 11,3 Total 150 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 183 Tabela 113 – C3 Existência de coordenador da equipe de saúde da família informada pelos auxiliares/ técnicos de enfermagem, Aracaju (SE), 2008 Coordenador n % Sim 24 40,0 Não 36 60,0 Total 60 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Entre os profissionais de nível superior que reconhecem a existência do coordenador da equipe de saúde da família, predomina o enfermeiro (75%) como o profissional que desempenha essa função. Também para os ACS (78%) é o enfermeiro quem exerce a coordenação; para 13% deles, a coordenação da equipe é exercida por outro profissional. A situação se repete para os auxiliares/técnicos de enfermagem: 75% consideram que a coordenação é exercida pelo enfermeiro e 17% a atribuem a outro profissional. Tabela 114 – C4 Profissional coordenador da equipe de saúde da família, informado pelos Médicos e Enfermeiros, Aracaju (SE), 2008 Coordenador O médico Médico n Enfermeiro % n Total % n % 1 6,7 0 ,0 1 2,5 11 73,3 19 76,0 30 75,0 Outro profissional 2 13,3 3 12,0 5 12,5 Não tem coordenador 1 6,7 3 12,0 4 10,0 15 100,0 25 100,0 40 100,0 O enfermeiro Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 115 – C4 Profissional coordenador da equipe de saúde da família, informado pelos Agentes Comunitários de Saúde, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Coordenador n % O médico 9 6,8 O enfermeiro 104 78,2 Outro profissional 17 12,8 Não sabe informar 3 2,3 133 100,0 Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 116 – C4 Profissional coordenador da equipe de saúde da família, informado pelos auxiliares/ técnicos de enfermagem, Aracaju (SE), 2008 Coordenador n % O enfermeiro 18 75,0 4 16,7 Outro profissional Não sabe informar Total 2 8,3 24 100,0 Observação: n = 24 Auxiliares/ técnicos de enfermagem que disseram existir um coordenador da ESF. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 184 A avaliação dos profissionais de nível superior sobre o trabalho em equipe na ESF destaca o relacionamento bom e respeitoso como característica que acontece sempre/na maioria das vezes (97%). Já 94% dos profissionais consideram que sempre/na maioria das vezes a equipe trabalha com rotina preestabelecida e 79% avaliam que sempre/na maioria das vezes a equipe organiza de forma conjunta a programação das atividades. Para 73%, a equipe estimula a participação da comunidade. Os profissionais de nível superior consideram que poucas vezes acontecem dificuldades tanto no trabalho interno quanto no trabalho com a comunidade (61%) e relação conflituosa (59%). Tabela 117 – C12 Avaliação do trabalho em equipe, segundo Médicos, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008' Critérios n a) O relacionamento é bom e respeitoso Na maioria das vezes % n % Sempre Poucas vezes n % Nunca n % Não sabe informar n % Total n % 34 60,7 20 35,7 2 3,6 0 0,0 0 0,0 56 100,0 1 1,8 1 1,8 26 46,4 28 50,0 0 0,0 56 100,0 c) A equipe organiza a programação das atividades da equipe de forma conjunta. 16 28,6 26 46,4 7 12,5 6 10,7 1 1,8 56 100,0 d) A equipe apresenta dificuldades tanto no trabalho interno quanto no trabalho com a comunidade 3 5,4 9 16,1 32 57,1 11 19,6 1 1,8 56 100,0 e) A equipe tem capacidade de rever suas rotinas e procedimentos 22 39,3 18 32,1 13 23,2 2 3,6 1 1,8 56 100,0 f) A equipe trabalha voltada para uma rotina preestabelecida 22 39,3 32 57,1 0 0,0 1 1,8 1 1,8 56 100,0 g) A equipe estimula a participação da comunidade 14 25,0 21 37,5 15 26,8 3 5,4 3 5,4 56 100,0 h) O trabalho individual dos profissionais oferece pouco ao conjunto da ESF 3 5,4 3 5,4 25 44,6 21 37,5 4 7,1 56 100,0 i) Outro 1 1,8 1 1,8 0 0,0 2 3,6 52 92,9 56 100,0 b) A relação é conflituosa Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 118 – C12 Avaliação do trabalho em equipe, segundo Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008' Critérios a) O relacionamento é bom e respeitoso b) A relação é conflituosa c) A equipe organiza a programação das atividades NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sempre Na maioria das vezes n % Poucas vezes n % n % 33 50,0 31 47,0 2 1 1,5 0 0,0 26 39,4 30 45,5 Nunca Não sabe informar n % n % 3,0 0 0,0 0 46 69,7 19 28,8 8 12,1 2 3,0 Total n % 0,0 66 100,0 0 0,0 66 100,0 0 0,0 66 100,0 VI. Gestão do trabalho em SF Critérios 185 Sempre Na maioria das vezes n % Poucas vezes n % n % 4 6,1 4 6,1 42 e) A equipe tem capacidade de rever suas rotinas e procedimentos 25 37,9 32 48,5 f) A equipe trabalha voltada para uma rotina preestabelecida 22 33,3 39 g) A equipe estimula a participação da comunidade 24 36,4 h) O trabalho individual dos profissionais oferece pouco ao conjunto da ESF 1 i) Outro 0 Nunca Não sabe informar n % n % 63,6 16 24,2 0 9 13,6 0 0,0 59,1 4 6,1 1 30 45,5 11 16,7 1,5 7 10,6 29 0,0 0 0,0 0 Total n % 0,0 66 100,0 0 0,0 66 100,0 1,5 0 0,0 66 100,0 1 1,5 0 0,0 66 100,0 43,9 26 39,4 3 4,5 66 100,0 0,0 0 0,0 66 100,0 66 100,0 da equipe de forma conjunta. d) A equipe apresenta dificuldades tanto no trabalho interno quanto no trabalho com a comunidade Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 119 – C12 Avaliação do trabalho em equipe, segundo Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008' Critérios Sempre Na maioria das vezes n % Total Poucas Nunca vezes n % n % Não sabe informar n % n % 67 54,9 51 41,8 4 3,3 0 0,0 0 2 1,6 1 0,8 72 59,0 47 38,5 c) A equipe organiza a programação das atividades da equipe de forma conjunta. 42 34,4 56 45,9 15 12,3 8 d) A equipe apresenta dificuldades tanto no trabalho interno quanto no trabalho com a comunidade 7 5,7 13 10,7 74 60,7 e) A equipe tem capacidade de rever suas rotinas e procedimentos 47 38,5 50 41,0 22 f) A equipe trabalha voltada para uma rotina preestabelecida 44 36,1 71 58,2 g) A equipe estimula a participação da comunidade 38 31,1 51 h) O trabalho individual dos profissionais oferece pouco ao conjunto da ESF 4 3,3 i) Outro 1 0,8 a) O relacionamento é bom e respeitoso b) A relação é conflituosa Total n % 0,0 122 100,0 0 0,0 122 100,0 6,6 1 0,8 122 100,0 27 22,1 1 0,8 122 100,0 18,0 2 1,6 1 0,8 122 100,0 4 3,3 2 1,6 1 0,8 122 100,0 41,8 26 21,3 4 3,3 3 2,5 122 100,0 10 8,2 54 44,3 47 38,5 7 5,7 122 100,0 1 0,8 0 0,0 2 1,6 118 96,7 122 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Para os ACS, o trabalho em equipe sempre/na maioria das vezes apresenta as seguintes características: relacionamento bom e respeitoso (94%); os auxiliares exercem papel Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 186 importante nas reuniões de equipe e nas atividades realizadas (73%); a equipe organiza a programação das atividades de forma conjunta (81%); a equipe tem capacidade de rever suas rotinas e procedimentos e estimula a participação da comunidade (81%). Quanto à relação entre os membros da equipe, 41% consideram que nunca é conflituosa. Para os auxiliares/técnicos de enfermagem, no trabalho em equipe, sempre/na maioria das vezes: o relacionamento é bom e respeitoso (82%); a equipe atua frente às necessidades da comunidade apontadas pelo trabalho dos ACS (88%); e os auxiliares têm um papel importante nas reuniões de equipe e nas atividades realizadas (70%). A equipe nunca apresenta dificuldades tanto no trabalho interno quanto no trabalho com a comunidade para 50% desses profissionais e, segundo 48%, a relação nunca é conflituosa. Tabela 120 – C15 Avaliação do trabalho em equipe, segundo os ACS, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Critérios a) O relacionamento é bom e respeitoso b) A relação é conflituosa Sempre Na maioria das vezes n % Poucas vezes n % n % 99 66,0 42 28,0 7 Não sabe informar n % Nunca n % 4,7 2 1,3 - Total n % - 150 100,0 9 6,0 16 10,7 58 38,7 62 41,3 5 3,3 150 100,0 c) A equipe organiza a programação das atividades da equipe de forma conjunta 75 50,0 46 30,7 25 16,7 3 2,0 1 ,7 150 100,0 d) A equipe apresenta dificuldades tanto no trabalho interno quanto no trabalho com a comunidade 12 8,0 30 20,0 59 39,3 48 32,0 1 ,7 150 100,0 e) A equipe tem capacidade de rever suas rotinas e procedimentos 70 46,7 51 34,0 17 11,3 6 4,0 6 4,0 150 100,0 f) A equipe trabalha voltada para uma rotina preestabelecida 60 40,0 66 44,0 16 10,7 4 2,7 4 2,7 150 100,0 g) A equipe estimula a participação da comunidade 70 46,7 41 27,3 27 18,0 10 6,7 2 1,3 150 100,0 h) Os auxiliares têm papel importante nas reuniões de equipe e nas atividades realizadas 76 50,7 33 22,0 30 20,0 9 6,0 2 1,3 150 100,0 3 2,0 2 1,3 1 ,7 - - 144 96,0 150 100,0 i) Outro Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 121 – C15 Avaliação do trabalho em equipe, segundo auxiliares/ técnicos de enfermagem, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Critérios n a) O relacionamento é bom e respeitoso b) A relação é conflituosa c) A equipe organiza a programação das atividades da NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Na maioria das vezes % n % Sempre Poucas vezes n % Nunca n % Não sabe informar n % Total n % 36 60,0 19 31,7 5 8,3 - - - - 60 100,0 2 3,3 2 3,3 29 48,3 25 41,7 2 3,3 60 100,0 22 36,7 15 25,0 12 20,0 9 15,0 2 3,3 60 100,0 VI. Gestão do trabalho em SF 187 n Na maioria das vezes % n % Poucas vezes n % d) A equipe apresenta dificuldades tanto no trabalho interno quanto no trabalho com a comunidade 3 5,0 8 13,3 30 e) A equipe tem capacidade de rever suas rotinas e procedimentos 21 35,0 17 28,3 f) A equipe trabalha voltada para uma rotina preestabelecida 22 36,7 22 g) A equipe estimula a participação da comunidade 21 35,0 h) Os auxiliares de enfermagem têm papel importante nas reuniões de equipe e nas atividades realizadas 27 i) A equipe atua entre as necessidades da comunidade apontadas pelo trabalho dos ACS Critérios Sempre Nunca Não sabe informar n % Total n % n % 50,0 15 25,0 4 6,7 60 100,0 15 25,0 4 6,7 3 5,0 60 100,0 36,7 10 16,7 4 6,7 2 3,3 60 100,0 21 35,0 9 15,0 6 10,0 3 5,0 60 100,0 45,0 15 25,0 11 18,3 6 10,0 1 1,7 60 100,0 33 55,0 20 33,3 5 8,3 - - 2 3,3 60 100,0 2 3,3 3 5,0 - - 1 1,7 1 1,7 60 100,0 equipe de forma conjunta j) Outro Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. As principais dificuldades que sempre afetam o desempenho da equipe de saúde da família são para os ACS: forte demanda por atendimento médico (53%) e grande densidade populacional em relação ao padrão do Programa (25%). Para esses profissionais, contribuem também para as dificuldades, na maioria das vezes: baixa mobilização dos usuários para participar das atividades propostas pela ESF (41%) e baixa mobilização da comunidade para integrar os Conselhos Locais de Saúde (41%). Já entre os fatores que nunca se apresentam como dificuldades destacam-se: acesso dos profissionais ao território, falta de arruamento, isolamento de residências, acidentes geográficos (57%), conflito entre profissionais dentro da equipe (46%), vínculos com a família (50%) e rotatividade dos profissionais da ESF (33%). Para os auxiliares/técnicos de enfermagem as principais dificuldades que sempre acontecem estão relacionadas a: forte demanda por atendimento médico (58%), grande densidade populacional em relação ao padrão do programa (38%). Os fatores que poucas vezes se apresentam como dificuldades são: fragilidade dos vínculos com a família (48%), conflito entre profissionais dentro da equipe (42%), gravidade dos riscos sociais no âmbito da comunidade (desemprego, violência, tráfico de drogas etc.) (43%) e alta rotatividade dos profissionais da ESF (35%). Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 188 Tabela 122 – C16 Frequência de ocorrências que dificultam o desempenho das atividades da equipe de saúde da família em sua microárea informada pelos Agentes Comunitários de saúde, Aracaju (SE), 2008 Ocorrências a. Difícil acesso dos profissionais ao território: falta de arruamento, isolamento de algumas residências, acidentes geográficos etc. b. Gravidade dos riscos sociais no âmbito da comunidade (desemprego, violência, tráfico de drogas etc.) c. Grande densidade populacional em relação ao padrão do programa d. Quantidade excessiva de membros individuais nos grupos familiares em relação ao padrão proposto e. Forte demanda por atendimento médico f. Procura por outros serviços de saúde que não a ESF g. Conflito entre profissionais dentro da equipe h. Fragilidade dos vínculos com a família i. Alta rotatividade dos profissionais da ESF j. Baixa mobilização dos usuários para participar das atividades propostas pela ESF k. Baixa mobilização da comunidade para participar nos Conselhos Locais de Saúde l. Inadequação do processo de planejamento e da programação de atividades m. Outro Na maioria das vezes n % Sempre n % 10 6,7 12 27 18,0 Poucas vezes Não sabe informar Nunca Total n % n % n % n % 8,0 39 26,0 85 56,7 4 2,7 150 100,0 18 12,0 53 35,3 48 32,0 4 2,7 150 100,0 37 24,7 38 25,3 29 19,3 31 20,7 15 10,0 150 100,0 11 7,3 40 26,7 45 30,0 39 26,0 15 10,0 150 100,0 79 52,7 39 26,0 15 10,0 15 10,0 2 1,3 150 100,0 28 18,7 28 18,7 57 38,0 27 18,0 10 6,7 150 100,0 6 4,0 12 8,0 54 36,0 69 46,0 9 6,0 150 100,0 4 2,7 13 8,7 50 33,3 75 50,0 8 5,3 150 100,0 13 8,7 23 15,3 55 36,7 49 32,7 10 6,7 150 100,0 19 12,7 62 41,3 45 30,0 21 14,0 3 2,0 150 100,0 38 25,3 61 40,7 29 19,3 18 12,0 4 2,7 150 100,0 9 6,0 25 16,7 68 45,3 36 24,0 12 8,0 150 100,0 1 ,7 1 ,7 - - - - 148 98,7 150 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 123 – C16 Frequência de ocorrências que dificultam o desempenho das atividades da equipe de saúde da família em sua microárea informada pelos Agentes Comunitários de saúde pelos auxiliares/ técnicos de enfermagem, Aracaju (SE), 2008 Ocorrências a. Difícil acesso dos profissionais ao território: falta de arruamento, isolamento de algumas residências, acidentes geográficos etc. b. Gravidade dos riscos sociais no âmbito da comunidade (desemprego, violência, tráfico de drogas etc.) c. Grande densidade populacional em relação ao padrão do programa d. Quantidade excessiva de NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Sempre Na maioria das vezes n % Poucas vezes n % n % 9 15,0 10 16,7 23 20 33,3 8 13,3 23 38,3 22 12 20,0 23 Nunca Não sabe informar n % Total n % n % 38,3 16 26,7 2 3,3 60 100,0 26 43,3 5 8,3 1 1,7 60 100,0 36,7 9 15,0 4 6,7 2 3,3 60 100,0 38,3 14 23,3 4 6,7 7 11,7 60 100,0 VI. Gestão do trabalho em SF Ocorrências membros individuais nos grupos familiares em relação ao padrão proposto e. Forte demanda por atendimento médico f. Procura por outros serviços de saúde que não a ESF g. Conflito entre profissionais dentro da equipe h. Fragilidade dos vínculos com a família i. Alta Rotatividade dos profissionais da ESF j. Baixa mobilização dos usuários para participar das atividades propostas pela ESF k. Baixa mobilização da comunidade para participar nos Conselhos Locais de Saúde l. Inadequação do processo de planejamento e de programação das atividades 189 Sempre Na maioria das vezes n % Poucas vezes n % n % 35 58,3 16 26,7 5 4 6,7 20 33,3 1 1,7 7 3 5,0 15 Nunca Não sabe informar n % Total n % n % 8,3 1 1,7 3 5,0 60 100,0 22 36,7 8 13,3 6 10,0 60 100,0 11,7 25 41,7 19 31,7 8 13,3 60 100,0 10 16,7 29 48,3 12 20,0 6 10,0 60 100,0 25,0 7 11,7 21 35,0 12 20,0 5 8,3 60 100,0 9 15,0 24 40,0 20 33,3 4 6,7 3 5,0 60 100,0 13 21,7 23 38,3 15 25,0 4 6,7 5 8,3 60 100,0 9 15,3 12 20,3 19 32,2 10 16,9 9 15,3 59 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ– Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. 9. AVALIAÇÃO DE ENTIDADES REPRESENTATIVAS Para conhecer a perspectiva das categorias profissionais sobre o modelo de gestão do trabalho em Saúde da Família, foram realizadas entrevistas com duas entidades representativas dos profissionais de saúde no Estado de Sergipe: o Sindicato dos Médicos e o Conselho Regional de Enfermagem. Segundo os gestores da SMS, tanto o secretário municipal como a coordenadora da Atenção Básica, há no Estado forte e permanente pressão do Sindicato dos Médicos por aumento de salário e redução da carga de trabalho dos médicos do PSF. As demais categorias, diz o secretário, só se manifestam no momento da data-base de dissídio da categoria. Para a coordenadora de Educação Permanente, a implantação do Sistema Cartão SUS no município, que deriva do projeto Cartão Nacional de Saúde e dos Terminais de Atendimento SUS (TAS), causou ainda maior reação dos médicos, por serem instrumentos que lhes transferem a responsabilidade direta pelos agendamentos e os encaminhamentos de cada paciente para exames e tratamentos: “Eles se negam a lançar os registros e as solicitações” (coordenadora do NUGEP). Esta posição foi enfaticamente defendida pelo representante do Sindicato dos Médicos de Sergipe: “O TAS é muito complexo, o médico acaba dando mais atenção ao equipamento do que ao paciente... O TAS é uma urna eletrônica (...) é uma coisa horrorosa”. Aracaju 190 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Essas tecnologias informacionais dão suporte à implementação da diretriz de integralidade do cuidado. Segundo Projeto da SMS/Prefeitura Municipal de Aracaju para a estruturação do sistema municipal de saúde – Saúde Todo Dia: “(...) a utilização da identificação unívoca dos usuários e do registro individualizado dos atendimentos existentes no Sistema Cartão SUS permite dispor da base de informações para apoiar a decisão sobre a regulação e a produção da equidade no acesso aos serviços. Esta iniciativa, que pode representar uma revolução em matéria de regulação de sistemas, só será possível pela posição de vanguarda do SUS Aracaju na implantação do Projeto Cartão SUS.” (SMS/Prefeitura Municipal de Aracaju, 2003). Já o TAS, integrado à Central de Regulação Municipal, é outro projeto inovador que recebe financiamento do Ministério da Saúde. Com ele, além de garantir o acesso mediante análise de necessidade e a estruturação de agendas que atendam aos critérios dos protocolos assistenciais, pode-se utilizar sua base de registros de atendimento também para o monitoramento e a avaliação de processos e resultados em paralelo ao fluxograma analisador do cuidado, ferramenta largamente utilizada para a avaliação do processo de trabalho em sua micropolítica. A coordenadora do NUGEP complementa que a resistência à mudança no processo de trabalho, em última instância, está relacionada ao novo modelo assistencial que vem sendo implantado desde 2001, o qual exige do médico mais do que o atendimento a um número de consultas pré-agendadas. Ainda, na percepção desta coordenação: “Eles querem que permaneça o modelo antigo de atender por número de procedimentos. (...) dizem: ‘já fiz tantos procedimentos, já fiz o meu papel naquele dia’” (coordenadora do NUGEP). O COREN, em Sergipe, está sob intervenção e a presidente do Conselho em exercício, membro da junta interventora, que ocupa transitoriamente o cargo desde fevereiro de 2008, devendo deixá-lo em 30 de outubro de 2008, foi ouvida Confirma o apoio da entidade à Estratégia SF, mas relata os problemas enfrentados pela categoria junto ao Ministério Público, causados pela denúncia do Conselho Regional de Medicina de que enfermeiros do PSF estariam prescrevendo medicamentos dos programas de saúde pública adotados pelo Ministério da Saúde e transcrevendo prescrições médicas sem posologia para pacientes para que fossem arquivadas nas farmácias que forneciam o medicamento. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 191 A situação se esclareceu junto àquele órgão e os enfermeiros foram absolvidos, mas houve muita tensão e desgaste entre as duas categorias, que permanece em relação à atuação no PSF. O presidente do Sindicato dos Médicos também reconheceu a competição entre médicos e enfermeiros. Ressaltou, todavia, que o Sindicato seria contra essa competição, pois cada profissional deve exercer a sua competência. Todavia, esclarece e define o monopólio médico: “Diagnóstico, terapêutica e assinatura de óbito é ato médico”. Outra insatisfação relatada pela representante do Conselho foi a quebra da isonomia salarial na saúde feita pela SMS na gestão do prefeito anterior (atualmente governador do Estado). Com a realização do concurso público e a criação de um Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos, que equipara os salários, a tensão diminuiu. O COREN é favorável à realização de concursos para ingresso na Prefeitura em todos os níveis de atenção, mas destaca a necessidade de que se definam melhor os perfis profissionais, cuidando-se da elaboração das provas de forma que estejam relacionadas aos perfis e havendo atenção e seriedade no período de estágio probatório. Entre as estratégias de fixação dos profissionais, a presidente exemplifica o Programa de Interiorização do MS no governo anterior, que promovia e estimulava a permanência dos profissionais no interior. Uma das questões críticas para a categoria, até há pouco tempo, era a escassez de profissionais de enfermagem no Estado, pela baixa oferta de vagas nos cursos de enfermagem. O único órgão formador era a Universidade Federal, que colocava semestralmente uma média de 20 profissionais no mercado, problema que diminuiu em função da abertura de maior número de vagas pela UNIT e da realização dos concursos públicos: “Sergipe é importador de enfermeiros paraibanos” (presidente do COREN). Ainda quanto ao apoio do COREN ao PSF, a presidente relata a participação do Conselho na elaboração de alguns protocolos de atendimento. O Conselho indica ainda conflito na relação profissional entre enfermeiros e ACS. Afirma que os agentes têm extrapolado às suas funções, realizando atividades próprias do auxiliar de enfermagem, como curativos e aplicação de injeções. Segundo a presidente, grande parte dos agentes comunitários de saúde em atividade foi formada pelo PROFAE, tendo certificado de auxiliares de enfermagem. Aracaju 192 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO O presidente do Sindicato dos Médicos de Sergipe ressaltou o relacionamento difícil entre médicos e gestores e criticou enfaticamente as precárias condições de trabalho dos médicos no setor público, principalmente a falta de um plano de cargos e salário ‘digno’ e a remuneração do médico, que seria muito aquém da ideal (R$7.500,00 para 20 horas e R$15.000,00 para 40 horas). Os baixos salários têm dificultado a fixação dos médicos e por esse motivo, no momento da pesquisa, 16 ESFs estariam sem médico, segundo sua informação. Segundo o presidente, o Sindicato dos Médicos apóia a inserção dos profissionais no serviço público por meio de concurso e se posiciona contra as ingerências políticas que fazem da ocupação de cargos um “joguete dos gestores”. O entrevistado criticou a quantidade excessiva de cargos comissionados na gestão e afirmou que os cargos deveriam ser ocupados por funcionários de carreira com matrícula, a fim de coibir “manobras politiqueiras”. Defende a participação de pediatras na SF: “Somos favoráveis à incorporação do pediatra no PSF como retaguarda” O presidente do Sindicato dos Médicos percebe a implementação da Saúde da Família ainda como um Programa e critica o MS porque, diz, a palavra Programa significa descomprometimento e instabilidade. Por outro lado, considera que a cobertura máxima ideal para o PSF seria 80% para cobrir a população da periferia, pois os outros 20% são da classe média, que demanda outro tipo de serviço/atendimento. Criticou também as conferências de saúde, pois não haveria controle social autônomo: os usuários seriam cooptados pelos gestores. 10. DESAFIOS DA GESTÃO DO TRABALHO EM SAÚDE DA FAMÍLIA O componente da gestão do trabalho em saúde da família diz respeito às diferentes dimensões das relações de trabalho estabelecidas entre os profissionais das equipes que atuam nos diferentes municípios em função da descentralização que caracteriza o funcionamento do Sistema Único de Saúde. A gestão do trabalho,4 segundo a Secretaria da Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, tem como abordagem o trabalho visto como processo de trocas, de criatividade, 4 A partir do site do Ministério da Saúde. Disponível em: http://portal.saúde.gov.br/portal/saúde/visualizar_texto.cfm?idtxt=23760 NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 193 de coparticipação e corresponsabilização, de enriquecimento e de comprometimento mútuos. Essa dimensão da gestão pressupõe a garantia de requisitos básicos para a valorização do trabalhador da saúde e do seu trabalho, tais como: Plano de Carreira, Cargos e Salários; vínculos de trabalho com proteção social; espaços de discussão e de negociação das relações de trabalho em saúde, com mesas de negociação permanente e comissões locais de negociação de condições de trabalho; capacitação e educação permanente dos trabalhadores; humanização da qualidade do trabalho, dentre outros. Na pesquisa “Estudos de caso sobre implementação da Estratégia Saúde da Família em quatro grandes centros urbanos”, a abordagem sobre a gestão do trabalho na Estratégia Saúde da Família contempla elementos que possibilitam compreender a forma como as relações de trabalho são estabelecidas. Para tanto, a pesquisa buscou conhecer o perfil dos profissionais que atuam na Estratégia Saúde da Família em relação a sexo, idade e formação, bem como o envolvimento desses profissionais em fóruns de formulação da política e de ações de saúde e em entidades representativas. O detalhamento sobre a forma de inserção desses profissionais é possibilitado por meio do mapeamento dos vínculos estabelecidos, dos mecanismos de seleção utilizados e da remuneração dos profissionais. Nesse contexto, buscou-se verificar a rotatividade e os possíveis motivos de insatisfação dos profissionais, que dificultam sua fixação. A capacitação é componente essencial para compreender a adesão dos profissionais à Saúde da Família, assim como os incentivos disponíveis para assegurar essa dimensão. Por fim, complementa-se a compreensão da gestão do trabalho através dos mecanismos de supervisão estabelecidos e da avaliação que os profissionais fazem do processo de trabalho em equipe, pois são dimensões que influenciam direta e indiretamente o arranjo das relações de trabalho no contexto de trabalho da Estratégia Saúde da Família. De maneira geral, as informações reunidas através das entrevistas com gestores e por meio dos questionários respondidos pelos profissionais demonstram que a gestão de trabalho das equipes de saúde de família em Aracaju tem buscado equacionar as múltiplas variáveis que influenciam diretamente a dinâmica entre os profissionais e seu trabalho com a comunidade. Tal situação pode ser evidenciada pelo maior tempo de permanência dos profissionais nas equipes, a possibilidade de que eles façam plantão em outras unidades, o contrato de trabalho predominantemente estatutário (caracterizando a não precarização), a incoporação dos ACS pela SMS, os incentivos para capacitação dos profissionais, a presença da supervisão nas equipes e de seus Aracaju 194 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO profissionais e o trabalho em equipe avaliado de maneira positiva pelas diferentes categorias profissionais. No entanto, chama a atenção que, embora esses mecanismos de gestão estejam implementados, ainda se destaque, principalmente no relato dos gestores, a dificuldade para atração e retenção dos profissionais médicos. Pode-se identificar ainda que os principais desafios para a gestão do trabalho no município de Aracaju concentram-se em aperfeiçoar e expandir seus mecanismos. Do ponto de vista do perfil, ressalta a necessidade de ampliar a quantidade de profissionais com especialização própria para atuar na Estratégia Saúde da Família e forte identificação com essa proposta, relembrando que a compreensão de que a Estratégia pode reorganizar a atenção à saúde no SUS e resolver as principais necessidades de saúde da população foram os fatores principais apontados pelos profissionais de nível superior como motivos de sua escolha. Já a visão de que a Estratégia é voltada para comunidades pobres predomina entre os ACS e auxiliares/técnicos de enfermagem. Outro grande desafio, que não é somente do município de Aracaju, mas do estado de Sergipe, diz respeito à pouca oferta de formação de profissionais médicos, dificultando ainda mais sua vinculação à Estratégia. O fomento e a regulação no campo da graduação ou estratégias alternativas podem ser considerados meios de proporcionar maior intervenção da gestão no dinamismo do mercado de trabalho, sobretudo dos médicos. Sobre a rotatividade, deve-se considerar que a percepção dos profissionais ainda aponta a remuneração como fator principal de insatisfação. Além disso, destacam-se as condições de trabalho, a exigência da carga horária integral, a baixa oportunidade de progressão profissional e o baixo comprometimento dos profissionais. Em especial, a remuneração dos médicos pode ser alvo de melhorias para ampliar sua atratividade. Embora a remuneração não seja suficiente para a fixação dos profissionais, seu desenho pouco atrativo pode funcionar como fator repulsor, maximizando as dificuldades para a atração dos profissionais. No que se refere à capacitação, os principais pontos de melhoria identificados estão relacionados à consolidação das capacitações voltadas para que os profissionais estejam aptos a lidar com a diversidade sociocultural da comunidade. Ainda, verifica-se a NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VI. Gestão do trabalho em SF 195 necessidade de capacitações técnicas específicas para os médicos. Tal demanda pode ser articulada através da Coordenação de Educação Permanente da SMS. A supervisão das equipes, no que diz respeito às diferentes categorias profissionais, pode ter maior contribuição para a orientação do processo de trabalho, principalmente para os ACS e auxiliares/técnicos, e sua adequada realização conforme os princípios da Estratégia Saúde da Família. Da mesma maneira, o trabalho em equipe tem espaço para maior consolidação, na medida em que a demanda pelo profissional médico seja menos acentuada entre a população e haja maior mobilização da comunidade na participação dos conselhos de saúde. Por fim, as dimensões analisadas da gestão do trabalho nas equipes do município de Aracaju reforçam os desafios na busca de minimizar a complexidade da inserção dos profissionais na Estratégia Saúde da Família face ao contexto de trabalho e seu entorno. Aracaju VII. ORGANIZAÇÃO DO PROCESSO DE TRABALHO E PRÁTICAS ASSISTENCIAIS DAS EQUIPES DE SAÚDE DA FAMÍLIA A descrição e análise do processo de trabalho e das práticas assistenciais das equipes de saúde da família foram realizadas a partir dos resultados do inquérito com os profissionais do município de Aracaju, abordando os seguintes aspectos: a programação das ações, o estabelecimento de ações prioritárias para o atendimento da população, a identificação das principais atividades realizadas por cada tipo de profissional e a avaliação da relação dos profissionais da equipe SF com a população atendida. 1. PROGRAMAÇÃO DAS ATIVIDADES DA EQUIPE Os principais instrumentos que orientam a realização da programação das ações desenvolvidas pela ESF são, de acordo com os médicos: as demandas da população (70%), as orientações da SMS (68%), a decisão da equipe a partir do perfil epidemiológico da população e da realidade local (57%) e as normas do MS (55%) (Tabela C5). A opinião dos enfermeiros foi muito similar, apontando como instrumentos mais utilizados: as demandas da população (83%), as orientações da SMS (77%) e as normas do MS (73%). A programação a partir dos dados do SIAB foi apontada por 70% dos enfermeiros; o diagnóstico da comunidade e a decisão da equipe a partir do perfil epidemiológico da população e da realidade local foram indicados por 67% dos enfermeiros. Três fatores merecem destaque: a forte orientação da programação das atividades da ESF pela demanda da população e a partir das orientações da SMS e normas do MS, de acordo com mais de 60% dos profissionais de nível superior. Na pesquisa anterior, realizada em 2002, foram entrevistados 33 médicos e 34 enfermeiros. Para 72% desses profissionais, o perfil epidemiológico da população e da realidade local foi o principal fator que orientava a programação das atividades. Os outros fatores evidenciados foram: a demanda da população (67%), as orientações da SMS (60%), os dados do SIAB (46%) e a disponibilidade do espaço físico (34%). PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 198 Tabela 1 – C5 Instrumentos que orientam a programação das ações da ESF, informados pelos Médicos e Enfermeiros, Aracaju, 2008 e 2002 Médico Enfermeiro 2002 Total Total Instrumentos n % n % n % n % a) Dados do SIAB 24 42,9 46 69,7 70 57,4 31 46,3 b) Normas do MS 31 55,4 48 72,7 79 64,8 30 44,8 c) Orientação da SMS 38 67,9 51 77,3 89 73,0 40 59,7 d) Diagnóstico da comunidade 27 48,2 44 66,7 71 58,2 - - e) Decisão da equipe a partir do perfil epidemiológico da população e da realidade local 32 57,1 44 66,7 76 62,3 48 71,6 f) Demandas da população 39 69,6 55 83,3 94 77,0 45 67,2 g) Disponibilidade de espaço físico 18 32,1 18 27,3 36 29,5 23 34,3 h) Dados de outros sistemas de informação 2 3,6 12 18,2 14 11,5 8 11,9 i) Outros - - 4 6,1 4 3,3 1 1,5 j) Não sabe informar 2 3,6 - - 2 1,6 - - Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008; Escorel et al., 2002. Observação: n = 56 médicos e n = 66 enfermeiros; 2002 n = 33 médicos e n = 34 enfermeiros. Descrição dos outros: Decisão política do gestor e oferta de serviços. Para os ACS, os principais instrumentos que orientam a programação de ações são: os dados do SIAB (76%), a decisão da equipe a partir do perfil epidemiológico da população e da realidade local (70%) e as demandas da população (65%). Para 58% dos auxiliares/técnicos de enfermagem, a programação é baseada em orientações da SMS e, para 55%, em decisão da equipe a partir do perfil epidemiológico da população e da realidade local. Na pesquisa de 2002, foram entrevistados 176 ACS e 31 auxiliares de enfermagem. Os ACS apontaram então, como principais fatores orientadores da programação, a decisão da equipe a partir do perfil epidemiológico e da realidade local (64%), as orientações da SMS (49%) e as demandas da população (44%). Para os auxiliares de enfermagem, em 2002, os principais fatores da programação das atividades foram as orientações da SMS (77%). Em segundo lugar, 68% consideraram que as demandas da população também influenciam fortemente a programação e, em terceiro, 62% assinalaram a decisão da equipe a partir do perfil epidemiológico da população e da realidade. Indicaram ainda o peso das normas ministeriais 39% dos auxiliares de NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VII. Organização do processo de trabalho 199 enfermagem; outros 36% consideraram que a disponibilidade de espaço físico é observada na elaboração da programação. A utilização dos dados do SIAB ou de outros sistemas de informação não mereceu dos auxiliares de enfermagem maior destaque, sendo indicados, respectivamente, por 23% e 16%. Tabela 2 – C5 Instrumentos que orientam a programação das ações da ESF, informados pelos ACS e Auxiliares/Técnicos de Enfermagem, Aracaju, 2008 Instrumentos Aux./Téc. Enfermagem ACS 2002 ACS 2002 Aux./Téc. Enfermagem n % n % n % n % a) Dados do SIAB 114 76,0 27 45,0 50 28,4 7 22,6 b) Normas do MS 83 55,3 21 35,0 65 36,9 12 38,7 c) Orientação da SMS 81 54,0 35 58,3 86 48,9 24 77,4 d) Diagnóstico da comunidade e) Decisão da equipe a partir do perfil epidemiológico da população e da realidade local f) Demandas da população 55 36,7 23 38,3 - - - - 105 70,0 33 55,0 112 63,6 19 61,3 98 65,3 29 48,3 77 43,8 21 67,7 46 30,7 8 13,3 28 15,9 11 35,5 22 14,7 1 1,7 16 9,1 5 16,1 - - 1 1,7 1 0,6 - - - - 7 11,7 9 5,1 - - g) Disponibilidade de espaço físico h) Dados de outros sistemas de informação i) Outros j) Não sabe informar Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008; Escorel et al., 2002. Observação: n = 150 ACS e n = 60 auxiliares/técnicos de enfermagem; 2002 n = 176 ACS e n = 31 auxiliares de enfermagem. Os enfermeiros (94%), os médicos (83%), os ACS (80%) e os auxiliares de enfermagem (59%), isto é, os integrantes da equipe básica, são os profissionais que mais participam na realização da programação de ações da Estratégia SF, segundo a informação da maioria dos médicos e enfermeiros entrevistados em Aracaju. A coordenação municipal do PSF foi indicada por 24% dos profissionais de nível superior e as gerências de unidades especificadas por alguns profissionais, (7) mesmo sem constar entre as opções apresentadas no questionário. Na pesquisa realizada em 2002, a maioria dos profissionais de nível superior também considerou os membros da equipe mínima da Saúde da Família como os principais responsáveis pela elaboração da programação das atividades, com ênfase no papel dos médicos (93%), enfermeiros (91%), ACS (85%) e auxiliar de enfermagem (76%). Em Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 200 menor proporção informaram a participação dos odontólogos (72%), de outros profissionais da ESF (55%), da coordenação central do PSF (21%) e das coordenações distritais/zonais/regionais do PSF (19%). Tabela 3 – C6 Profissionais que participam regularmente da programação de ações da ESF, informados pelos Médicos e Enfermeiros, Aracaju, 2008 e 2002 Médico Enfermeiro 2002 Total Total Profissionais n % n % n % n % a) Médicos 49 87,5 52 78,8 101 82,8 62 92,5 b) Enfermeiros 50 89,3 65 98,5 115 94,3 61 91,0 c) Odontólogos 12 21,4 27 40,9 39 32,0 48 71,6 d) ACS 36 64,3 62 93,9 98 80,3 57 85,1 e) Técnico em Higiene Dental (THD) - - 2 3,0 2 1,6 - - f) Auxiliar de Consultório Dentário (ACD) 7 12,5 12 18,2 19 15,6 - - g) Auxiliares de enfermagem 24 42,9 48 72,7 72 59,0 51 76,1 h) Coordenação municipal do PSF 14 20,9 13 19,4 37 55,2 14 25,0 15 22,7 29 23,8 i) Coordenações distritais/zonais/regionais do PSF 6 10,7 11 16,7 17 13,9 j) Outros 2 3,6 9 13,6 11 9,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008; Escorel et al., 2002. Observação: n = 56 médicos e n = 66 enfermeiros. Descrição dos outros 2008: Assistente social (2), gerente da unidade (7), não sabe. A informação dos ACS e dos auxiliares de enfermagem entrevistados corresponde àquela dos médicos e enfermeiros, ou seja, as quatro categorias profissionais integrantes da equipe básica – enfermeiros (92%), médicos (68%), ACS (80%) e auxiliares de enfermagem (64%) – participam mais regularmente da realização da programação de ações da Estratégia SF, segundo os entrevistados. Os assistentes sociais foram especificados por 11 profissionais de nível médio, mesmo sem estar entre as opções do questionário. Do mesmo modo, na pesquisa realizada em 2002, segundo os ACS, os próprios profissionais da ESF foram os que mais participaram da realização da programação. Os enfermeiros foram destacados por 95% dos ACS, seguidos dos médicos (89%), ACS (86%), e auxiliares de enfermagem (74%). Contudo, 36% dos ACS afirmaram que outros profissionais da equipe também participavam da realização da programação. Os auxiliares de enfermagem informaram que os profissionais com maior participação na realização da programação eram os membros da ESF: enfermeiros (94%), médicos (87%), auxiliares de NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VII. Organização do processo de trabalho 201 enfermagem (84%) e ACS (74%). Segundo ainda 48% desses profissionais, havia participação da coordenação municipal do programa, sendo um pouco menos expressiva a indicação de participação da coordenação regional (32%). Tabela 4 – C6 Profissionais que participam regularmente da programação de ações da ESF, informados pelos ACS e Auxiliares/Técnicos de Enfermagem, Aracaju, 2008 e 2002 2002 2008 Profissionais ACS Aux./Téc. Enfermagem n % ACS Aux./Téc. Enfermagem n % n % n % a) Médicos 113 75,3 30 50,0 157 89,2 27 87,1 b) Enfermeiros 144 96,0 50 83,3 167 94,9 29 93,5 c) Odontólogos 62 41,3 20 33,3 131 74,4 18 58,1 d) ACS 132 88,0 34 56,7 152 86,4 23 74,2 e) THD 2 1,3 1 1,7 - - - - f) ACD 38 25,3 19 31,7 - - - - g) Auxiliares de enfermagem 96 64,0 39 65,0 125 71,0 26 83,9 h) Coordenação municipal do PSF i) Coordenações distritais/zonais/ regionais do PSF j) Outros 40 26,7 13 21,7 40 22,7 13 41,9 15 10,0 8 13,3 24 13,6 10 32,3 15 10,0 7 11,7 64 36,4 15 48,4 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008; Escorel et al., 2002. Observação: 2008 n = 150 ACS e n = 60 auxiliares/técnicos de enfermagem; 2002 n = 176 ACS e n = 31 auxiliares de enfermagem. Descrição dos outros: Assistente social (11), CMS, direção, gerente (6), não há programação das atividades (4), não participo porque fico escalada em área produtiva, não sabe informar (2). A programação das atividades ocorre sem regularidade, de acordo com 45% dos médicos. Para 27% dos médicos e 38% dos enfermeiros, a programação das ações realizadas pela sua ESF é mensal. Vinte e sete por cento dos enfermeiros relataram ausência de regularidade na programação. Segundo a pesquisa anterior, em 2002, a discussão da programação das atividades pela equipe era realizada semanalmente (30%), mensalmente (18%) ou quinzenalmente (13%). Para 31% dos entrevistados, não havia regularidade e um médico e um enfermeiro informaram que não havia discussão da programação. Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 202 Tabela 5 – C7 Periodicidade da programação das atividades da ESF, informada pelos Médicos e Enfermeiros, Aracaju, 2008 e 2002 Médico Enfermeiro 2002 Total Total Profissionais n % n % n % n % Semanal 9 16,1 13 19,7 22 18,0 20 29,9 Quinzenal 3 5,4 9 13,6 12 9,8 9 13,4 Mensal 15 26,8 25 37,9 40 32,8 12 17,9 Sem regularidade 25 44,6 18 27,3 43 35,2 22 30,8 Não realiza programação 4 7,1 1 1,5 5 4,1 2 3,0 Não respondeu - - - - - - 2 3,0 56 100,0 66 100,0 122 100,0 67 100,0 Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008; Escorel et al., 2002. Ao redor de 43% dos ACS e 30% dos auxiliares/técnicos de enfermagem afirmaram que programação das atividades pela sua ESF é semanal; e 17% dos ACS e 28% dos auxiliares/técnicos de enfermagem relataram ausência de regularidade da programação. Seis ACS e dez auxiliares/técnicos de enfermagem disseram que a equipe não realiza programação. Na pesquisa de 2002, 53% (94) dos ACS informaram que a programação de atividades era discutida pela equipe semanalmente e 17% (30), mensalmente. Contudo, 19% (33) consideraram não existir regularidade de programação. Em 2002, cerca da metade dos auxiliares de enfermagem consideraram que se realizava programação das atividades com periodicidade semanal (48%); 23% disseram que a programação era quinzenal e apenas um auxiliar de enfermagem declarou que não havia regularidade na sua realização. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VII. Organização do processo de trabalho 203 Tabela 6 – C7 Periodicidade da programação das atividades da ESF, informada pelos ACS e Auxiliares/Técnicos de Enfermagem, Aracaju, 2008 e 2002 Aux./Téc. Enfermagem ACS Periodicidade 2002 ACS 2002 Aux./Téc. Enfermagem n % n % n % n % Semanal 65 43,3 18 30,0 94 53,4 15 48,4 Quinzenal 10 6,7 3 5,0 7 4,0 7 22,6 Mensal 43 28,7 12 20,0 30 17,0 5 16,1 Sem regularidade 26 17,3 17 28,3 33 18,8 1 3,2 Não realiza a programação 6 4,0 10 16,7 9 5,1 2 6,5 Não respondeu - - - - 3 1,7 1 3,2 150 100,0 60 100,0 176 100,0 31 100,0 Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008; Escorel et al., 2002. Os dados do SIAB são remetidos pela equipe mensalmente à SMS, segundo 55% dos médicos; para 46% dos médicos, eles são discutidos entre a equipe. De acordo com os enfermeiros, os dados do SIAB são remetidos mensalmente à SMS (70%), discutidos entre a equipe (70%) e utilizados para análise e tomada de decisão (67%). Contudo, 29% dos médicos não souberam informar acerca da utilização dos dados do SIAB pela sua equipe. Na pesquisa realizada em 2002, as respostas foram semelhantes: os dados do SIAB eram utilizados pela maior parte dos profissionais de nível superior para remeter mensalmente à SMS (97%) e para análise e tomada de decisões (51%). Tabela 7 – C8 Uso dos dados do SIAB pela equipe, informado pelos Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 e 2002 Médico Enfermeiro 2002 Total Total Uso de dados do SIAB n % n % n % n % a) Remete mensalmente a SMS 31 55,4 46 69,7 77 63,1 65 97,0 b) Analisa os dados para a tomada de decisões 16 28,6 44 66,7 60 49,2 34 50,7 c) Discute os dados com a coordenação do PSF 10 17,9 12 18,2 22 18,0 13 19,4 d) Discute com a comunidade os dados - - 5 7,6 5 4,1 10 14,9 e) Discute os dados com outros órgãos governamentais - - 3 4,5 3 2,5 - - f) Discute os dados entre a equipe 26 46,4 46 69,7 72 59,0 - - g) Não sabe informar 16 28,6 1 1,5 17 13,9 2 3,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008; Escorel et al., 2002. Observação: n = 56 médicos e n = 66 enfermeiros. Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 204 Para 64% dos ACS, os dados do SIAB são utilizados pela equipe principalmente para análise e tomada de decisões; para 49%, os dados são discutidos com a coordenação do PSF, e para 45% eles são remetidos mensalmente à SMS. Segundo 48% dos auxiliares/técnicos de enfermagem, a equipe os remete mensalmente. Quarenta por cento dos auxiliares/técnicos de enfermagem não souberam informar acerca dos usos dos dados pela equipe. De acordo com a pesquisa realizada em 2002, os dados do SIAB eram utilizados pela equipe sobretudo para remeter mensalmente à SMS (86% dos ACS e 48% dos auxiliares de enfermagem) e para análise e tomada de decisões (45% e 19%, respectivamente). Vale ressaltar que pouco menos da metade (42%) dos auxiliares de enfermagem não souberam informar os usos do SIAB pela equipe em 2002. Tabela 8 – C8 Uso dos dados do SIAB pela equipe, informado pelos ACS e Auxiliares/Técnicos de Enfermagem, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 e 2002 Uso de dados do SIAB Aux./Téc. Enfermagem ACS 2002 ACS 2002 Aux./Téc. Enfermagem n % n % n % n % 67 44,7 29 48,3 151 85,8 15 48,4 96 64,0 8 13,3 79 44,9 6 19,4 73 48,7 12 20,0 44 25,0 6 19,4 14 9,3 4 6,7 9 5,1 3 9,7 5 3,3 - - 3 1,7 - - - - 18 30,0 - - - - g) Outros 6 4,0 - - - - - - h) Não sabe informar 2 1,3 24 40,0 11 6,3 13 41,9 a) Remete mensalmente a SMS b) Analisa os dados para a tomada de decisões c) Discute os dados com a coordenação do PSF d) Discute com a comunidade os dados e) Discute os dados com outros órgãos governamentais f) Discute os dados entre a equipe Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008; Escorel et al., 2002. Observação: 2008 n = 150 ACS e n = 60 auxiliares/técnicos de enfermagem; 2002 n = 176 ACS e n = 31 auxiliares de enfermagem. Descrição dos outros: Conselho local, discute o número de famílias cadastradas para remapeamento (2), discutir com os ACS, não usamos os dados do SIAB (2). Foi solicitado aos ACS e aos auxiliares/técnicos de enfermagem que indicassem a frequência com que utilizam instrumentos para facilitar o seu processo de trabalho. O cadastro das famílias foi citado por 95% dos ACS como utilizada sempre ou na maioria das vezes, seguido pela programação semanal (79%) e pelos relatórios consolidados de NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VII. Organização do processo de trabalho 205 informações do SIAB (77%). Os auxiliares/técnicos de enfermagem relataram utilizar sempre ou na maioria das vezes: a programação semanal (62%), o cadastro das famílias (58%) e a reunião de equipe (57%) (Tabelas C14). Na pesquisa de 2002, foi feita a mesma pergunta aos ACS e aos auxiliares de enfermagem, contudo as categorias de resposta foram modificadas na pesquisa atual. Em 2002, foram utilizadas as opções “muito frequente”, “pouco frequente”, “não usa” e “não conhece”, diferentes das opções da pesquisa atual, que utilizou as categorias: “sempre”, “na maioria das vezes”, “poucas vezes”, “não usa”, “não conhece” e “não respondeu”. Em 2002, os ACS apresentavam um forte consenso quanto ao uso muito frequente do cadastro de famílias (93%) como instrumento de organização do trabalho em equipe. A programação semanal e a reunião de equipe também eram percebidas como instrumento relevante, utilizadas com muita frequência por 62% e 58% dos ACS, respectivamente. Ainda 27% dos ACS afirmaram não usar o diagnóstico de saúde como instrumentos facilitadores da organização do trabalho. Em 2002, quando questionados sobre a utilização de instrumentos para a organização do trabalho preconizados para a Estratégia SF, os auxiliares de enfermagem do PSF de Aracaju apresentaram pouco consenso ao se dividirem entre a indicação de uso muito frequente dos diferentes instrumentos: 68% indicaram a programação semanal, 45% o cadastro das famílias, a reunião de equipe e o mapa da área; e 42% o plano de metas e os Relatórios Consolidados de Informações do SIAB. Aracaju VII. Organização do processo de trabalho e práticas assistenciais das ESFs 206 Tabela 9 – C14 Instrumentos utilizados pelos ACS para facilitar o trabalho e frequência de uso, Aracaju, 2008 Plano de metas n 54 Na maioria das vezes % n % 36,0 42 28,0 Programação semanal 75 50,0 44 Reunião de equipe 71 47,3 Mapa da área 35 Diagnóstico da comunidade Cadastro das famílias 57 Instrumentos Relatórios Consolidados de Informações do SIAB Outro Sempre Poucas vezes Não usa Não conhece Não respondeu Total n 31 % 20,7 n 15 % 10,0 n 7 % 4,7 n 1 % 0,7 n 150 % 100,0 29,3 21 14,0 9 6,0 1 0,7 - - 150 100,0 41 27,3 32 21,3 5 3,4 - - 1 0,7 150 100,0 23,3 24 16,0 47 31,3 41 27,4 2 1,3 1 0,7 150 100,0 38,0 42 28,0 31 20,7 12 8,0 6 4,0 2 1,3 150 100,0 127 84,7 15 10,0 6 4,0 1 0,7 - - 1 0,7 150 100,0 85 56,7 31 20,7 23 15,3 7 4,6 3 2,0 1 0,7 150 100,0 4 2,7 3 2,0 1 0,7 - - - - - - 150 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Descrição dos outros: peso/crianças. Tabela 10 – C14 Instrumentos utilizados pelos Auxiliares/Técnicos de Enfermagem para facilitar o trabalho e frequência de uso, Aracaju, 2008 Instrumentos Sempre n Na maioria das vezes % n % Poucas vezes Não usa Não conhece Não respondeu Total n % n % n % n % n % 7 11,7 19 31,7 13 21,7 9 15,0 12 20,0 - - 60 100,0 Programação semanal 21 35,0 16 26,7 5 8,3 11 18,3 7 11,7 - - 60 100,0 Reunião de equipe 16 26,7 18 30,0 16 26,7 10 16,7 - - - - 60 100,0 Mapa da área 10 16,7 9 15,0 11 18,3 24 40,0 6 10,0 - - 60 100,0 Diagnóstico da comunidade 15 25,0 15 25,0 7 11,7 15 25,0 8 13,3 - - 60 100,0 Cadastro das famílias 29 48,3 6 10,0 3 5,0 20 33,4 2 3,3 - - 60 100,0 Relatórios Consolidados de Informações do SIAB 8 13,3 6 10,0 8 13,3 28 46,7 10 16,7 - - 60 100,0 Outro 2 3,3 1 1,7 - - - - - - - - 60 100,0 Plano de metas Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Descrição dos outros: Instrumento de enfermagem e orientação. Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 207 2. AÇÕES PRIORITÁRIAS DA EQUIPE A grande maioria dos médicos (93%), enfermeiros (99%), ACS (95%) e auxiliares/técnicos de enfermagem (93%) estabelece prioridades no atendimento da população cadastrada pela sua equipe. Em 2002, também foi consenso entre 96% profissionais de nível superior, 97% dos ACS e 97% dos auxiliares de enfermagem a existência de prioridade de atenção à saúde para os grupos de risco. Tabela 11 – C9 Estabelecimento de prioridades no atendimento da população cadastrada, informado pelos Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 e 2002 Médico Enfermeiro 2002 Total Total Uso do SIAB n % n % n % n % Sim 52 92,9 65 98,5 117 95,9 62 95,5 Não 4 7,1 1 1,5 5 4,1 3 4,5 Total 56 100,0 66 100,0 122 100,0 67 100,0 2002 n = 33 médicos e n = 34 enfermeiros. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008; Escorel et al., 2002. Tabela 12 – C9 Estabelecimento de prioridades no atendimento da população cadastrada, informado pelos ACS e Auxiliares/Técnicos de Enfermagem, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 e 2002 Prioridade Sim Não Total Aux./Téc. Enfermagem ACS 2002 ACS n % n % n % 142 94,7 56 93,3 171 97,2 2002 Aux./Téc. Enfermagem n % 30 96,8 8 5,3 4 6,7 5 2,88 1 3,2 150 100,0 60 100,0 176 100,0 31 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008; Escorel et al., 2002. Solicitou-se aos 52 médicos e 65 enfermeiros que responderam estabelecer prioridades no atendimento da população cadastrada pela sua equipe que indicassem as ações prioritárias. Entre os médicos, as principais ações destacadas foram: o controle da hipertensão (94%) e diabetes (94%), a atenção pré-natal (90%), a atenção à criança (81%), o controle da NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ 208 VII. Organização do processo de trabalho e práticas assistenciais das ESFs hanseníase (79%) e tuberculose (77%). As respostas dos enfermeiros foram similares: a atenção pré-natal (99%), o controle da diabetes (97%) e da hipertensão (95%), o planejamento familiar (94%), o controle de câncer do colo do útero (92%), o controle da hanseníase (91%) e tuberculose (91%) e a atenção à criança (89%) (Tabela C10). Do mesmo modo, em 2002 foi consenso entre 96% profissionais de nível superior que existe prioridade de atenção à saúde para os grupos de risco. Dentre estes grupos, foram mais assinalados: controle da hipertensão (93%) e diabetes (93%), pré-natal (93%), atenção à criança (91%), planejamento familiar (90%), atenção aos idosos (88%), câncer do colo do útero e atenção ao puerpério (87%), DST/AIDS (82%), controle da tuberculose e hanseníase (81%). Destaca-se que para controle de câncer do colo do útero e controle de DST/AIDS observou-se redução na proporção dos profissionais que indicaram prioridade entre 2002 e 2008. Tabela 13 – C10 Ações prioritárias das ESFs, informadas pelos Médicos e Enfermeiros, Aracaju, 2008 e 2002 Médico Enfermeiro 2002 Total Total Ações prioritárias n % n % n % n % a) Atenção à criança 42 80,8 58 89,2 100 85,5 61 91,0 b) Atenção ao adolescente 11 21,2 24 36,9 35 29,9 34 50,7 c) Atenção aos idosos 39 75,0 50 76,9 89 76,1 59 88,1 d) Atenção pré-natal 47 90,4 64 98,5 111 94,9 62 92,5 e) Atenção ao puerpério 24 46,2 54 83,1 78 66,7 58 86,6 f) Planejamento familiar 39 75,0 61 93,8 100 85,5 60 89,6 86,6 g) Controle de câncer do colo do útero 35 67,3 60 92,3 95 81,2 58 h) Controle de DST/AIDS 21 40,4 48 73,8 69 59,0 55 82,1 i) Controle da diabetes 49 94,2 63 96,9 112 95,7 62 92,5 j) Controle da hipertensão 49 94,2 62 95,4 111 94,9 62 92,5 k) Controle da tuberculose 40 76,9 59 90,8 99 84,6 54 80,6 l) Controle da hanseníase 41 78,8 59 90,8 100 85,5 54 80,6 m) Controle da dengue 33 63,5 55 84,6 88 75,2 - - n) Saúde bucal 24 46,2 32 49,2 56 47,9 48 71,6 3 5,8 - - 3 2,6 13 19,4 o) Outros Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008; Escorel et al., 2002. Observação: n = 52 médicos e n = 65 enfermeiros que informaram que a equipe estabelece prioridade no atendimento da população cadastrada; 2002 n = 33 médicos e n = 34 enfermeiros. Descrição dos outros: Acolhimento, formação de grupo de apoio aos portadores de câncer, saúde mental. Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 209 As ações prioritárias mais citadas entre os ACS e auxiliares/técnicos de enfermagem, que afirmaram o estabelecimento de prioridades para o atendimento entre a equipe, foram as mesmas assinaladas pelos profissionais de nível superior: o controle da diabetes (91% dos ACS e 84% dos auxiliares/técnicos de enfermagem) e da hipertensão (92% e 91%, respectivamente); a atenção pré-natal (89% e 89%, respectivamente); a atenção à criança (87% e 70%, respectivamente), o controle da tuberculose (84% e 79%, respectivamente) e o planejamento familiar (80% e 85%, respectivamente). Do mesmo modo, na pesquisa realizada em 2002, os 171 (97%) ACS que indicaram que a ESF estabelece prioridades foram solicitados a apontar as ações prioritárias em sua microárea, o que indicava, segundo os agentes, que a equipe se empenhava em cobrir o conjunto das ações básicas de saúde voltadas para grupos de riscos identificados. As ações indicadas com mais de 80% das respostas foram: atenção pré-natal (97%), controle da hipertensão (96%) e diabetes (94%), atenção aos idosos (93%), atenção ao puerpério (89%), atenção à criança (87%), seguida pelo planejamento familiar (78%), controle do controle de câncer do colo do útero (73%). Em 2002, 97% (31) dos auxiliares de enfermagem em Aracaju afirmaram o estabelecimento de prioridades para atendimento pela equipe. Quase com unanimidade os auxiliares de enfermagem informaram como ações prioritárias a atenção à criança, o controle da hipertensão e diabetes (97%), seguidas de perto do das ações voltadas à atenção pré-natal e aos idosos (93%). Ainda na esfera da saúde da mulher, destacaram as ações de planejamento familiar (90%), controle de câncer do colo do útero (90%) e atenção ao puerpério (87%). Ficaram logo abaixo como prioridades o controle da tuberculose (83%) e da hanseníase (80%), as ações para controle de DST/AIDS (77%) e a saúde bucal (73%). Tabela 14 – C10 Ações prioritárias das ESFs, informadas pelos ACS e Auxiliares/Técnicos de Enfermagem, Aracaju, 2008 e 2002 Aux./Téc. Enfermagem ACS Ações prioritárias 2002 Aux./Téc. Enfermagem 2002 ACS n % n % n % n % 130 86,7 39 69,6 153 86,9 29 96,7 53 35,3 19 33,9 62 35,2 19 63,3 c) Atenção aos idosos 118 78,7 37 66,1 163 92,6 28 93,3 d) Atenção pré-natal 134 89,3 50 89,3 170 96,6 28 93,3 a) Atenção à criança b) Atenção ao adolescente NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ 210 VII. Organização do processo de trabalho e práticas assistenciais das ESFs Aux./Téc. Enfermagem ACS Ações prioritárias 2002 Aux./Téc. Enfermagem 2002 ACS n % n % n % n % e) Atenção ao puerpério 120 80,0 32 57,1 156 88,6 26 86,7 f) Planejamento familiar 120 80,0 48 85,7 138 78,4 27 90,0 g) Controle de câncer do colo do útero 120 80,0 39 69,6 129 73,3 27 90,0 86 57,3 32 57,1 100 56,8 23 76,7 i) Controle da diabetes 136 90,7 47 83,9 165 93,8 29 96,7 j) Controle da hipertensão 138 92,0 51 91,1 168 95,5 29 96,7 k) Controle da tuberculose 126 84,0 44 78,6 118 67,0 25 83,3 l) Controle da hanseníase 117 78,0 41 73,2 109 61,9 24 80,0 m) Controle da dengue 111 74,0 39 69,6 - - - - n) Saúde bucal 78 52,0 27 48,2 126 71,6 22 73,3 o) Outros 14 9,3 4 7,1 1 0,6 5 16,7 h) Controle de DST/AIDS Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008; Escorel et al., 2002. Observação: 2008 n = 142 ACS e n = 56 auxiliares/técnicos de enfermagem que informaram que a equipe estabelece prioridade no atendimento da população cadastrada; 2002 n = 176 ACS e n = 31 auxiliares de enfermagem. Descrição dos outros: Acamados (2), controle social, atenção a doentes mentais, alcoólatras e usuários de drogas (2), saúde mental (2), saúde meio ambiente projeto, visita com assistente social, paciente com sintomas e sinais agudos, puerperais. 3. ATIVIDADES ROTINEIRAS REALIZADAS PELAS ESFS Solicitou-se aos profissionais das equipes de saúde da família entrevistados que indicassem a frequência das atividades semanais, com base em sua experiência dos últimos 30 dias. A maioria dos médicos respondeu que diariamente são realizadas as seguintes atividades: atendimento à demanda espontânea da população (93%), procedimentos de rotina de sua responsabilidade (95%), consulta clínica individual para a população cadastrada (88%), atendimento de emergência/urgência (66%) e consulta clínica individual para grupos prioritários (64%). Com frequência de uma vez por semana, 88% dos médicos realizam visita domiciliar; e uma vez por mês realizam atividades de capacitação continuada (57%) e reuniões com a coordenação/supervisão (48%). Atividades de grupo são realizadas por 45% dos médicos uma ou mais vezes por mês, concentrando-se em uma vez por semana (30%). A maioria dos médicos realiza visitas domiciliares (98%); para 88%, as visitas acontecem uma vez por semana (Tabela C11). Aracaju 211 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Apenas 37% dos médicos informaram realizar reuniões com a comunidade, dentre os quais, 27% as fazem uma vez por mês. A maior parte dos enfermeiros informou realizar todos os dias: atendimento à demanda espontânea da população (96%), consulta de enfermagem para a população cadastrada (92%), procedimentos de rotina de sua responsabilidade (85%), supervisão do trabalho dos auxiliares de enfermagem e ACS (69%) e consulta de enfermagem para grupos prioritários (58%). Realizam uma vez por semana: visita domiciliar (88%) e reunião de equipe (42%). Reuniões com a comunidade são realizadas por 61% dos enfermeiros, dentre os quais 46% as fazem uma vez por mês. Reuniões com a coordenação/supervisão são feitas por 53%, uma vez por mês. Atividades de grupo são realizadas pela maior parte dos enfermeiros (73%) uma vez por mês ou mais vezes, concentrando-se em uma vez por mês (38%). Todos os enfermeiros realizam visitas domiciliares e 88% as fazem uma vez por semana. As respostas dos ACS foram bastante diversificadas. Cerca da metade informou realizar todos os dias as seguintes atividades: visita domiciliar (55%), trabalho de campo desenvolvendo atividades dirigidas para as famílias (48%), identificação das famílias de risco (47%), informação sobre alimentação saudável (46%) e prevenção de câncer do colo do útero (45%). A reunião de equipe foi informada por 39% dos ACS como realizada uma vez por semana. O acompanhamento a gestantes (60%), o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil (59%) e as reuniões com a coordenação/supervisão (49%) são realizados uma vez por mês. As visitas domiciliares são realizadas por todos os ACS (100%) com frequência, concentrando-se em todos os dias (55%), uma a três vezes por semana (15%) e uma vez por mês (21%). Setenta e nove por cento dos ACS informaram realizar trabalho de campo desenvolvendo atividades dirigidas à comunidade em geral; dentre eles, 36% realizam-nas todos os dias e 21%, uma vez por mês. Cerca de 71% dos ACS levantam as necessidades da população na área de saneamento básico e meio ambiente: 17% fazem isso todos os dias e 40%, uma vez por mês. A organização de grupos de usuários é feita por 68% dos ACS, entre uma vez por mês e todos os dias, tendo 39% informado que a faz uma vez por mês. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ 212 VII. Organização do processo de trabalho e práticas assistenciais das ESFs A maioria dos auxiliares/técnicos de enfermagem afirmou desenvolver todos os dias atividades como: aplicação de injeção (91%), inalação (88%), aplicação de vacinas (83%) e realização de curativos (80%) e agendamento de consultas na própria USF (62%). As reuniões com a coordenação/supervisão acontecem uma vez por mês (47%) e as reuniões de equipe não são realizadas para 37% dos auxiliares/técnicos de enfermagem. A maior parte dos auxiliares/técnicos de enfermagem informou que realiza visitas e procedimentos de auxiliar de enfermagem nos domicílios (95%) uma vez ou mais vezes por mês, concentrando-se em uma vez por semana (28%) e todos os dias da semana (32%). Desenvolvem atividades de campo dirigidas à comunidade em geral 52% dos auxiliares/técnicos de enfermagem, tendo 16% afirmado realizá-las uma vez por mês e 13%, todos os dias. Apenas 27% organizam grupos de usuários, e, entre eles, 10% afirmaram que o fazem uma vez por mês. Destaca-se a baixa frequência de atividades de educação continuada para os profissionais de nível médio: mais da metade dos auxiliares/técnicos de enfermagem (68%) e 43% dos ACS não participaram de atividades de capacitação continuada nos 30 dias anteriores à pesquisa. Na pesquisa anterior, essas perguntas foram realizadas de maneira diferente, dividida em duas partes. A primeira solicitava que o entrevistado assinalasse as atividades desenvolvidas pela ESF para a população cadastrada e a segunda pretendia organizar a semana típica do profissional, solicitando que este registrasse as atividades assinaladas acima de acordo com os turnos e dias da semana. De acordo com os dados de 2002, os 67 (100%) profissionais de nível superior consideraram a visita domiciliar a principal atividade desenvolvida pela ESF para a população cadastrada. Foram relatadas uma série de outras atividades desenvolvidas pela maioria dos entrevistados, como reuniões de equipe (97%); consulta clínica individual/consulta de enfermagem para a população cadastrada (96%); atendimento da demanda espontânea da população (94%), ações de educação em saúde (91%); consulta clínica individual/consulta odontológica/consulta de enfermagem para grupos prioritários (85%); supervisão do trabalho dos auxiliares de enfermagem e ACS (85%); reunião com a coordenação/supervisão (84%); reunião com a comunidade (79%); outras atividades Aracaju 213 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO programáticas com grupos prioritários (78%) e atividades de grupo com pacientes em atendimento na USF (76%). Em menor proporção, foram informadas atividades administrativas/gerenciais (67%), atividades de capacitação (54%); atendimento de emergência/urgência (49%); contatos com outros órgãos governamentais e entidades (27%); pequenas cirurgias ambulatoriais (8%) e partos domiciliares (5%). Os ACS realizavam atividades diversas. Observadas quanto à proporção, as visitas domiciliares foram predominantes (99,5%), seguidas por atividades típicas dos ACS: atualização de cadastro das famílias (97%), busca ativa e acompanhamento de grupos prioritários (93%) e identificação de famílias de risco (93%). Este quadro reflete a importância do trabalho de campo na comunidade. Também foi destacado o desenvolvimento de ações de educação e vigilância à saúde (67%). A organização de grupos de usuários, em 2002, recebeu menor atenção dos ACS em Aracaju (35% das respostas). A participação em reunião de equipe foi identificada como relevante (72% das respostas). A participação em reuniões com a coordenação/supervisão foi percebida por 48% e apenas 35% afirmaram que preenchiam rotineiramente formulários de informações do SIAB. As atividades de ordem administrativa e gerencial apareceram com baixa frequência (8%). As atividades assistenciais voltadas para o indivíduo eram realizadas por muitos ACS, contudo em menores proporções: atenção ao puerpério (84%), acompanhamento de consultas médicas e de enfermagem (70%) e agendamentos e encaminhamentos necessários (66%). Em 2002, as atividades dos auxiliares de enfermagem foram agrupadas em seis conjuntos. Primeiramente, foram agrupados os procedimentos assistenciais de rotina sob sua responsabilidade, e assinalados pela grande maioria dos 31 auxiliares de enfermagem. No detalhamento, destacaram-se: inalação (100%), aplicação de injeção (100%) e curativos (97%), pesagem de crianças (97%), vacinação (94%), realização de consultas (45%) e atendimento específico em casos de acidentes de trabalho (26%). Em segundo lugar, as visitas e os procedimentos de auxiliar de enfermagem nos domicílios foram assinalados por 100% desses profissionais, seguidos pelo acompanhamento de visitas NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VII. Organização do processo de trabalho e práticas assistenciais das ESFs 214 de médicos e enfermeiros (77%) e de outras atividades assistenciais, como visitas a doentes de urgência (61%). Em terceiro lugar, destacou-se em 2002 o trabalho de campo com atividades para a comunidade: ações de educação e vigilância à saúde (45%), levantamento das necessidades da população na área de saneamento e meio ambiente (36%), fornecimento de leite e óleo para desnutridos (19%) e organização de grupos de usuários (16%). Em relação às atividades de administração e gerência, em 2002, os auxiliares de enfermagem destacaram o agendamento de consultas na USF (52%), a notificação de doenças de vigilância epidemiológica (52%), o agendamento de exames e encaminhamentos necessários (32%) e o preenchimento de formulários para o SIAB (32%). Entre as atividades de capacitação profissional, 65% dos auxiliares de enfermagem apontaram a reunião com a coordenação e supervisão. Por fim, a reunião de equipe foi indicada como atividade realizada por 71% dos profissionais, em 2002. Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 215 Tabela 15 – C11 Frequência de realização de atividades, informada pelos Médicos Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 Atividades a) Atividades de grupo com pacientes em atendimento na USF b) Atendimento à demanda espontânea da população c) Procedimentos de rotina de sua responsabilidade 1 vez por mês n % 1 vez a cada 2 semanas n % 1 vez por semana n % De 1 a 3 vezes por semana n % Todos os dias Não Realiza n % n % Não Respondeu n % 17 30,4 4 7,1 3 5,4 - - 1 1,8 31 55,4 - - - - - - 1 1,8 2 3,6 52 92,9 1 1,8 - - - - 1 1,8 - - 1 1,8 53 94,6 1 1,8 - - d) Atividades de capacitação continuada 32 57,1 2 3,6 2 3,6 5 8,9 - - 14 25,0 1 1,8 e) Atividades de administração e gerência 2 3,6 2 3,6 1 1,8 1 1,8 - - 50 89,3 - - f) Reunião de equipe 23 41,1 6 10,7 18 32,1 - - 1 1,8 8 14,3 - - g) Reunião com a comunidade 15 26,8 2 3,6 4 7,1 - - - - 35 62,5 - - - - - - - - 5 8,9 49 87,5 2 3,6 - - 1 1,8 1 1,8 1 1,8 11 19,6 36 64,3 6 10,7 - - j) Visita domiciliar 1 1,8 2 3,6 49 87,5 3 5,4 - - 1 1,8 - - l) Atendimento de emergência/urgência 2 3,6 2 3,6 2 3,6 6 10,7 37 66,1 7 12,5 - - m) Pequenas cirurgias ambulatoriais 1 1,8 - - - - - - - - 55 98,2 - - n) Partos domiciliares 1 1,8 - - - - - - - - 55 98,2 - - 15 26,8 3 5,4 8 14,3 - - 16 28,6 14 25,0 - - 4 7,1 5 8,9 2 3,6 3 5,4 6 10,7 36 64,3 - - 27 48,2 2 3,6 3 5,4 1 1,8 - - 23 41,1 - - - - - - - - - - 1 1,8 - - - - h) Consulta clínica individual/consulta de enfermagem para a população cadastrada i) Consulta clínica individual/consulta de enfermagem para grupos prioritários o) Ações de educação em saúde p) Supervisão do trabalho dos auxiliares de enfermagem e ACS q) Reunião com a coordenação/ supervisão s) Outra Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Observação: n = 56 médicos. Descrição dos outros: Docência, supervisão. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VII. Organização do processo de trabalho e práticas assistenciais das ESFs 216 Tabela 16 – C11 Frequência de realização de atividades, informada pelos Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 Atividades n a) Atividades de grupo com pacientes em atendimento na USF b) Atendimento à demanda espontânea da população c) Procedimentos de rotina de sua responsabilidade 1 vez a cada 2 semanas % n % 1 vez por mês 1 vez por De 1 a 3 vezes semana por semana n % n % Todos os dias Não realiza n % n % Não respondeu n % 25 37,9 6 9,1 8 12,1 3 4,5 6 9,1 18 27,3 - - 1 1,5 - - - - 2 3,0 63 95,5 - - - - - - - - 2 3,0 6 9,1 56 84,8 2 3,0 - - d) Atividades de capacitação continuada 40 60,6 4 6,1 5 7,6 1 1,5 2 3,0 14 21,2 - - e) Atividades de administração e gerência 7 10,6 1 1,5 4 6,1 4 6,1 6 9,1 44 66,7 - - f) Reunião de equipe 19 28,8 10 15,2 28 42,4 2 3,0 1 1,5 6 9,1 - - g) Reunião com a comunidade 30 45,5 6 9,1 2 3,0 - - 2 3,0 26 39,4 - - 1 1,5 - - - - 4 6,1 61 92,4 - - - - i) Consulta clínica individual/consulta de enfermagem para grupos prioritários 2 3,0 2 3,0 8 12,1 14 21,2 38 57,6 2 3,0 - - j) Visita domiciliar - - 2 3,0 58 87,9 3 4,5 3 4,5 - - - - l) Atendimento de emergência/urgência 5 7,6 5 7,6 2 3,0 7 10,6 22 33,3 25 37,9 - - m) Pequenas cirurgias ambulatoriais - - 1 1,5 - - - - 1 1,5 64 97,0 - - n) Partos domiciliares 1 1,5 - - - - 1 1,5 1 1,5 63 95,5 - - h) Consulta clínica individual/consulta de enfermagem para a população cadastrada o) Ações de educação em saúde 17 25,8 12 18,2 7 10,6 5 7,6 22 33,3 2 3,0 1 1,5 p) Supervisão do trabalho dos auxiliares de enfermagem e ACS 1 1,5 4 6,1 6 9,1 11 16,7 42 63,6 1 1,5 1 1,5 q) Reunião com a coordenação/supervisão 35 53,0 5 7,6 3 4,5 1 1,5 1 1,5 20 30,3 1 1,5 - - - - - - - - - - - - - - s) Outra Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Observação: n = 66 enfermeiros. Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 217 Tabela 17 – C11 Frequência de realização de atividades, informada pelos Médicos e Enfermeiros, Aracaju, 2008 1 vez a cada 2 semanas 1 vez por mês Atividades a) Atividades de grupo com pacientes em atendimento na USF b) Atendimento à demanda espontânea da população c) Procedimentos de rotina de sua responsabilidade d) Atividades de capacitação continuada e) Atividades de administração e gerência f) Reunião de equipe De 1 a 3 vezes por semana 1 vez por semana Todos os dias Não respondeu Não realiza n % n % n % n % n % n % n % 42 34,4 10 8,2 11 9,0 3 2,5 7 5,7 49 40,2 - - 1 0,8 - - 1 0,8 4 3,3 115 94,3 1 0,8 - - - - 1 0,8 2 1,6 7 5,7 109 89,3 3 2,5 - - 72 59,0 6 4,9 7 5,7 6 4,9 2 1,6 28 23,0 1 0,8 9 7,4 3 2,5 5 4,1 5 4,1 6 4,9 94 77,0 - - 42 34,4 16 13,1 46 37,7 2 1,6 2 1,6 14 11,5 - - g) Reunião com a comunidade h) Consulta clínica individual/ consulta de enfermagem para a população cadastrada i) Consulta clínica individual/ consulta de enfermagem para grupos prioritários j) Visita domiciliar l) Atendimento de emergência/urgência 45 36,9 8 6,6 6 4,9 - - 2 1,6 61 50,0 - - 1 0,8 - - - - 9 7,4 110 90,2 2 1,6 - - 3 2,5 3 2,5 9 7,4 25 20,5 74 60,7 8 6,6 - - 1 0,8 4 3,3 107 87,7 6 4,9 3 2,5 1 0,8 - - 7 5,7 7 5,7 4 3,3 13 10,7 59 48,4 32 26,2 - - m) Pequenas cirurgias ambulatoriais 1 0,8 1 0,8 - - - - 1 0,8 119 97,5 - - n) Partos domiciliares o) Ações de educação em saúde p) Supervisão do trabalho dos auxiliares de enfermagem e ACS q) Reunião com a coordenação/ supervisão s) Outra 2 1,6 - - - - 1 0,8 1 0,8 118 96,7 - - 32 26,2 15 12,3 15 12,3 5 4,1 38 31,1 16 13,1 1 0,8 5 4,1 9 7,4 8 6,6 14 11,5 48 39,3 37 30,3 1 0,8 62 50,8 7 5,7 6 4,9 2 1,6 1 0,8 43 35,2 1 0,8 - - - - - - - - 1 0,8 - - - - Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Observação: n = 56 médicos e n = 66 enfermeiros. Descrição dos outros: Docência, supervisão. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VII. Organização do processo de trabalho e práticas assistenciais das ESFs 218 Tabela 18 – C11 Frequência de realização de atividades, informada pelos Agentes Comunitários de Saúde, Aracaju, 2008 1 vez por mês Atividades 1 vez a cada 2 semanas 1 vez por semana De 1 a 3 vezes por semana Todos os dias Não realiza Não respondeu n % n % n % n % n % n % n % 35 23,3 4 2,7 5 3,3 20 13,3 72 48,0 14 9,3 - - 32 21,3 8 5,3 15 10,0 10 6,7 54 36,0 31 20,7 - - c) Atividades de capacitação continuada 46 30,7 7 4,7 9 6,0 21 14,0 1 ,7 64 42,7 2 1,3 d) Atividades de administração 23 15,3 8 5,3 9 6,0 6 4,0 11 7,3 91 60,7 2 1,3 e) Reunião de equipe 53 35,3 15 10,0 58 38,7 2 1,3 8 5,3 14 9,3 - - f) Visita domiciliar 31 20,7 5 3,3 9 6,0 22 14,7 83 55,3 - - - - g) Atualização do cadastro 48 32,0 9 6,0 27 18,0 22 14,7 41 27,3 3 2,0 - - h) Identificação das famílias de risco 20 13,3 15 10,0 16 10,7 21 14,0 70 46,7 8 5,3 - - i) Busca ativa de grupos prioritários 31 20,7 13 8,7 23 15,3 19 12,7 55 36,7 9 6,0 - - j) Acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil 89 59,3 11 7,3 10 6,7 19 12,7 18 12,0 3 2,0 - - k) Acompanhamento à gestantes 90 60,0 12 8,0 13 8,7 15 10,0 17 11,3 3 2,0 - - l) Prevenção de DST e AIDS 43 28,7 12 8,0 16 10,7 13 8,7 42 28,0 24 16,0 - - m) Prevenção da dengue 11 7,3 9 6,0 9 6,0 66 44,0 50 33,3 3 2,0 2 1,3 n) Informa sobre imunização infantil 67 44,7 9 6,0 9 6,0 10 6,7 48 32,0 7 4,7 - - o) Informa sobre reidratação oral (soro caseiro) 54 36,0 8 5,3 10 6,7 9 6,0 64 42,7 5 3,3 - - p) Aleitamento materno 52 34,7 11 7,3 10 6,7 12 8,0 62 41,3 3 2,0 - - q) Informa sobre planejamento familiar 47 31,3 7 4,7 10 6,7 13 8,7 64 42,7 8 5,3 1 ,7 r) Informa sobre alimentação saudável 38 25,3 4 2,7 10 6,7 12 8,0 69 46,0 16 10,7 1 ,7 s) Prevenção de câncer do colo do útero 27 18,0 6 4,0 19 12,7 23 15,3 67 44,7 8 5,3 - - t) Controle de hipertensão, diabetes, tuberculose e hanseníase 54 36,0 8 5,3 8 5,3 16 10,7 60 40,0 4 2,7 - - u) Cuidado de idosos 39 26,0 11 7,3 17 11,3 14 9,3 55 36,7 13 8,7 1 ,7 a) Trabalho de campo desenvolvendo atividades dirigidas para as famílias b) Trabalho de campo desenvolvendo atividades dirigidas para a comunidade em geral Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 219 1 vez por mês Atividades 1 vez a cada 2 semanas 1 vez por semana De 1 a 3 vezes por semana Todos os dias Não realiza Não respondeu n % n % n % n % n % n % n % 40 26,7 13 8,7 44 29,3 15 10,0 24 16,0 14 9,3 - - 60 40,0 5 3,3 9 6,0 8 5,3 25 16,7 43 28,7 - - 45 30,0 8 5,3 20 13,3 8 5,3 40 26,7 29 19,3 - - 22 14,7 8 5,3 15 10,0 19 12,7 66 44,0 20 13,3 - - 55 36,7 8 5,3 14 9,3 11 7,3 38 25,3 24 16,0 - - AA) Organização de grupos de usuários 58 38,7 16 10,7 11 7,3 3 2,0 14 9,3 48 32,0 - - AB) Preenchimento dos formulários de informações para o SIAB 62 41,3 10 6,7 27 18,0 9 6,0 22 14,7 20 13,3 - - AC) Reuniões com a coordenação/supervisão 74 49,3 6 4,0 23 15,3 6 4,0 6 4,0 34 22,7 1 ,7 AD) Busca dos faltosos a consultas agendadas na unidade 21 14,0 11 7,3 28 18,7 16 10,7 36 24,0 27 18,0 11 7,3 3 2,0 - - 1 0,7 1 0,7 3 2,0 - - - - v) Acompanhamento das consultas médicas e de enfermagem domiciliares w) Levantamento das necessidades da população na área de saneamento e meio ambiente y) Desenvolvimento de ações de educação e vigilância à saúde x) Agendamentos e encaminhamentos necessários z) Levantamento dos problemas de saúde da população adscrita AE) Outros Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Observação: n = 150 ACS. Descrição dos outros: Não respondeu (8). NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VII. Organização do processo de trabalho e práticas assistenciais das ESFs 220 Tabela 19 – C11 Frequência de realização de atividades, informada pelos Auxiliares/Técnicos de Enfermagem, Aracaju, 2008 Atividades 1 vez a cada 2 semanas 1 vez por mês 1 vez por semana De 1 a 3 vezes por semana Todos os dias Não realiza Não respondeu n % n % n % n % n % n % n % 8 13,3 5 8,3 5 8,3 8 13,3 2 3,3 32 53,3 - - b. Trabalho de campo desenvolvendo atividades dirigidas para a comunidade em geral 10 16,7 3 5,0 3 5,0 7 11,7 8 13,3 29 48,3 - - c. Atividades de capacitação continuada 13 21,7 3 5,0 - - 1 1,7 2 3,3 41 68,3 - - 5 8,3 - - 7 11,7 1 1,7 1 1,7 46 76,7 - - e. Reunião de equipe 15 25,0 6 10,0 15 25,0 2 3,3 - - 22 36,7 - - f. Ações de educação e vigilância à saúde 13 21,7 - - 1 1,7 - - 16 26,7 30 50,0 - - g. Agendamento de consultas na própria USF 5 8,3 - - 2 3,3 5 8,3 37 61,7 11 18,3 - - h. Agendamento de consultas especializadas 3 5,0 - - 2 3,3 8 13,3 13 21,7 34 56,7 - - i. Realização de consulta 2 3,3 - - 1 1,7 1 1,7 23 38,3 33 55,0 - - j. Aplicação de vacinas 4 6,7 1 1,7 1 1,7 2 3,3 50 83,3 2 3,3 - - k. Realização de curativos 1 1,7 1 1,7 5 8,3 5 8,3 48 80,0 - - - - l. Aplicação de injeção - - 2 3,3 - - 3 5,0 55 91,7 - - - - m. Inalação - - 1 1,7 - - 3 5,0 53 88,3 3 5,0 - - 10 16,7 2 3,3 2 3,3 7 11,7 22 36,7 17 28,3 - - o. Fornecimento de leite e óleo para desnutridos 6 10,0 - - - - 1 1,7 3 5,0 50 83,3 - - p. Acompanhar as consultas médicas ou de enfermagem quando necessário 9 15,0 4 6,7 8 13,3 5 8,3 16 26,7 18 30,0 - - 5 8,3 1 1,7 3 5,0 2 3,3 5 8,3 44 73,3 - - 3 5,0 - - 2 3,3 1 1,7 5 8,3 49 81,7 - - 6 10,0 3 5,0 - - 1 1,7 14 23,3 36 60,0 - - a. Trabalho de campo desenvolvendo atividades dirigidas para as famílias d. Atividades de administração e gerência n. Pesagem de crianças q. Atendimento específico em casos de acidentes de trabalho r. Notificar acidentes de trabalho s. Notificar doenças de vigilância epidemiológica Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 221 Atividades 1 vez a cada 2 semanas 1 vez por mês 1 vez por semana De 1 a 3 vezes por semana Todos os dias Não realiza Não respondeu n % n % n % n % n % n % n % 2 3,3 3 5,0 17 28,3 16 26,7 19 31,7 3 5,0 - - 7 11,7 2 3,3 11 18,3 11 18,3 16 26,7 13 21,7 - - 6 10,0 1 1,7 1 1,7 2 3,3 2 3,3 48 80,0 - - 6 10,0 1 1,7 3 5,0 2 3,3 4 6,7 44 73,3 - - y. Preencher formulários de informações para o SIAB 10 16,7 2 3,3 - - - - 2 3,3 46 76,7 - - aa. Reuniões com a coordenação/supervisão 28 46,7 - - 4 6,7 - - 1 1,7 27 45,0 - - - - - - 1 1,7 1 1,7 2 3,3 - - - - t. Realizar visitas e procedimentos de auxiliar de enfermagem nos domicílios u. Visitar doentes em casos de urgências v. Levantamento das necessidades da população na área de saneamento e meio ambiente x. Organização de grupos de usuários ac. Outros. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Observação: n = 60 auxiliares/técnicos de enfermagem Descrição dos outros: Campanha de vacinação, participar de uma ONG – redução de danos, verificação de pressão arterial. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ 222 VII. Organização do processo de trabalho e práticas assistenciais das ESFs Visita domiciliar Como mencionado, visitas domiciliares são a atividade mais realizada pelos ACS, que em sua maior parte, as executam diariamente (55%) (Tabela C11). Entre estes, 40% visitam as famílias uma vez por mês e 41%, mais de uma vez por mês. Muitos ACS assinalaram que realizam visitas domiciliares dependendo da necessidade de cada família (11), mesmo sem que essa fosse uma das opções presentes no questionário (Tabela C13). Quando em 2002 indagamos sobre a frequência da visita domiciliar a cada família, 57% dos ACS declararam que a faziam mais de uma vez ao mês, e 38% indicaram que era mensal. Tabela 20 – C13 Frequência de visitas domiciliares a cada família, informada pelos Agentes Comunitários de Saúde, Aracaju, 2008 e 2002 Periodicidade 2002 2008 n % n % Mais de uma vez por mês 60 40,0 100 56,8 Uma vez por mês 61 40,7 66 37,5 A cada 45 dias 10 6,7 3 1,7 A cada dois meses 2 1,3 - - A cada três ou mais meses 1 0,7 - - Outra 16 10,7 7 4,0 Total 150 100,0 176 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008; Escorel et al., 2002. Descrição dos outros: Depende da necessidade de cada família (11), depende das atribuições do mês, nas casas com prioridades mais de uma vez por mês, todos os dias. Entre os auxiliares/técnicos de enfermagem, 78% informaram que realizam visita domiciliar em conjunto com os outros profissionais. Tabela 21 – C12 Realização de visita domiciliar em conjunto com os outros profissionais, informada pelos Auxiliares/Técnicos de Enfermagem, Aracaju, 2008 Realização de visita domiciliar n % Sim 47 78,3 Não 13 21,7 Total 60 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 223 Foi solicitado aos 47 auxiliares/técnicos de enfermagem que afirmaram fazer visitas domiciliares em conjunto com outros profissionais da equipe que informassem quais profissionais acompanhavam. A resposta mais frequente (92%) foi o acompanhamento do ACS. Tabela 22 – C13 Profissionais que acompanham nas visitas domiciliares, informado pelos Auxiliares/Técnicos de Enfermagem, Aracaju, 2008 Profissionais n % Médico 29 61,7 Enfermeiro 30 63,8 ACS 43 91,5 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008 Observação: n = 47 auxiliares/técnicos de enfermagem que realizam visita domiciliar em conjunto com outros profissionais da equipe. 4. RELAÇÃO EQUIPE/POPULAÇÃO A maioria dos médicos (75%) e enfermeiros (82%) entrevistados afirmou que a implantação do PSF mudou a relação entre os serviços e a população. Apenas quatro médicos e um enfermeiro responderam que não houve mudanças após a implantação da Estratégia SF. Do mesmo modo, na pesquisa realizada em 2002, 81% dos profissionais de nível superior afirmaram que a implantação do PSF mudou a relação entre os serviços e a população. Tabela 23 – D18 A implantação do PSF mudou a relação entre os serviços e a população, informado pelos Médicos e Enfermeiros, Aracaju, 2008 e 2002 Médico Enfermeiro 2002 Total Total Mudanças após a implantação do PSF n % n % n % n % Sim 42 75,0 54 81,8 96 78,7 53 80,8 Não 4 7,1 1 1,5 5 4,1 1 1,5 Em parte 9 16,1 10 15,2 19 15,6 13 19,4 Não tem opinião formada 1 1,8 1 1,5 2 1,6 - - Não respondeu 56 100,0 66 100,0 122 100,0 - - Total 42 75,0 54 81,8 67 100,0 96 78,7 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Perguntados se a população valoriza a SF e os novos procedimentos introduzidos pela Estratégia, os médicos das ESFs informaram que a população valoriza ou valoriza muito as visitas domiciliares de médicos e enfermeiros (80%) e as ações desenvolvidas através das visitas NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ 224 VII. Organização do processo de trabalho e práticas assistenciais das ESFs domiciliares de ACS (66%). Valoriza pouco ou não valoriza as reuniões para discutir a programação das ações coletivas (70%) e as reuniões para discutir o diagnóstico de saúde da comunidade (64%). O atendimento pela equipe multiprofissional (52%) e a realização de atividades para acompanhamento de grupos prioritários (57%) são considerados pelos médicos como valorizados pela população, contudo, com menor intensidade. Na pesquisa realizada em 2002, a pergunta feita aos profissionais era a mesma, contudo entre as categorias de valor não havia a opção “valoriza”; só estavam disponíveis as opções: “valoriza muito”, “valoriza pouco”, “não valoriza” e “não sabe”. As afirmativas também eram um pouco diferentes: “a) Atendimento por uma equipe multiprofissional”; “b) Realização de grupos para acompanhamento e orientação sobre riscos e promoção de saúde”; “c) Ações desenvolvidas através de visitas domiciliares de ACS e outros profissionais” e “d) Reuniões para discutir diagnóstico de saúde da comunidade e programação das ações coletivas”. A percepção de 73% dos médicos entrevistados (24) em Aracaju foi de que as ações desenvolvidas nas visitas domiciliares por ACS e outros profissionais eram muito valorizadas pela comunidade. Sete profissionais disseram haver pouca valorização. Consideraram também que a população valorizava a realização de grupos de acompanhamento e orientação sobre riscos e promoção da saúde (64%). O atendimento por uma equipe multiprofissional foi apontado por 36% como um procedimento muito valorizado. No entanto, 17 (52%) responderam que este último não era valorizado ou era pouco valorizado pela comunidade. Tabela 24 – D19 Valorização pela população dos procedimentos introduzidos pela PSF, informado por Médicos, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 Atividade a) Atendimento por uma equipe multiprofissional b) Realização de atividades para acompanhamento de grupos prioritários c) Ações desenvolvidas através de visitas domiciliares de ACS d) Visitas domiciliares de médicos e enfermeiros e) Reuniões para discutir diagnóstico de saúde da comunidade f) Reuniões para discutir programação das ações coletivas Valoriza muito Valoriza Valoriza pouco Não valoriza Não sabe n % n % n % n % n % 5 8,9 24 42,9 22 39,3 2 3,6 3 5,4 6 10,7 26 46,4 19 33,9 3 5,4 2 3,6 12 21,4 25 44,6 16 28,6 1 1,8 2 3,6 18 32,1 27 48,2 8 14,3 1 1,8 2 3,6 3 5,4 11 19,6 26 46,4 10 17,9 6 10,7 3 5,4 6 10,7 26 46,4 13 23,2 8 14,3 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 225 Observação: n = 56 médicos. Tabela 25 – Valorização pela população dos procedimentos introduzidos pela PSF, informada pelos Médicos, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2002 Valoriza muito Atividade a) Atendimento por uma equipe multiprofissional b) Realização de grupos para acompanhamento e orientação sobre riscos e promoção de saúde c) Ações desenvolvidas através de visitas domiciliares de ACS e outros profissionais d) Reuniões para discutir o diagnóstico de saúde da comunidade e a programação das ações coletivas Valoriza pouco n % n % 12 36,4 12 21 63,6 24 8 Não valoriza Não sabe Total n % n % n % 36,4 5 15,1 4 12,1 33 100,0 9 27,3 2 6,1 1 3,0 33 100,0 72,8 7 21,2 1 3,0 1 3,0 33 100,0 24,2 13 39,5 3 9,1 9 27,3 33 100,0 Fonte: Escorel et al., 2002. 2002 n = 33 médicos. Na opinião dos enfermeiros da Estratégia SF, a população valoriza ou valoriza muito as visitas domiciliares de médicos e enfermeiros (97%); as visitas domiciliares de ACS (82%); a realização de atividades para acompanhamento de grupos prioritários (76%) e o atendimento pela equipe multiprofissional (70%). Valoriza pouco ou não valoriza as reuniões para discutir a programação das ações coletivas (65%) e as reuniões para discutir o diagnóstico de saúde da comunidade (59%). Segundo os dados da pesquisa anterior, em 2002 os enfermeiros (22, ou 82%) também destacaram a valorização da comunidade em relação às ações desenvolvidas por visitas domiciliares. Um pouco menos da metade (48%) referiu-se ainda à valorização do atendimento em equipe e da realização de grupos, embora dez (37%) tenham citado o atendimento por equipe como um procedimento pouco valorizado. Também foram vistas como pouco valorizadas pela comunidade as reuniões para discutir diagnóstico e a realização de grupos, citadas por 52% e 41%, respectivamente. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ 226 VII. Organização do processo de trabalho e práticas assistenciais das ESFs Tabela 26 – D19 Valorização pela população dos procedimentos introduzidos pela PSF, informada por Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 Atividade a) Atendimento por uma equipe multiprofissional b) Realização de atividades para acompanhamento de grupos prioritários c) Ações desenvolvidas através de visitas domiciliares de ACS d) Visitas domiciliares de médicos e enfermeiros e) Reuniões para discutir o diagnóstico de saúde da comunidade f) Reuniões para discutir a programação das ações coletivas Valoriza muito Valoriza Valoriza pouco Não valoriza Não sabe n % n % n % n % n % 17 25,8 29 43,9 18 27,3 2 3,0 - - 16 24,2 34 51,5 15 22,7 1 1,5 - - 20 30,3 34 51,5 10 15,2 2 3,0 - - 35 53,0 29 43,9 1 1,5 1 1,5 - - 6 9,1 20 30,3 27 40,9 12 18,2 1 1,5 5 7,6 16 24,2 31 47,0 12 18,2 2 3,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Observação: n = 66 enfermeiros. Tabela 27 – Valorização pela população dos procedimentos introduzidos pela PSF, informada pelos Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2002 Valoriza muito Atividade a) Atendimento por uma equipe multiprofissional b) Realização de grupos para acompanhamento e orientação sobre riscos e promoção de saúde c) Ações desenvolvidas através de visitas domiciliares de ACS e outros profissionais d) Reuniões para discutir o diagnóstico de saúde da comunidade e a programação das ações coletivas Valoriza pouco n % n % 20 58,9 10 19 55,9 32 14 Não valoriza Não sabe Total n % n % n % 29,4 3 8,8 1 2,9 34 100,0 13 38,2 2 5,9 - - 34 100,0 94,1 2 5,9 - - - - 34 100,0 41,2 12 35,3 2 5,9 6 17,6 34 100,0 Fonte: Escorel et al., 2002. n = 34 enfermeiros. Tabela 28 – D19 Valorização pela população dos procedimentos introduzidos pela PSF, informada pelos Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju, 2008 - Total Valoriza muito Valoriza Valoriza pouco Não valoriza Não sabe Atividade a) Atendimento por uma equipe multiprofissional b) Realização de atividades para acompanhamento de grupos prioritários c) Ações desenvolvidas através de visitas domiciliares de ACS n % n % n % n % n % 22 18,0 53 43,4 40 32,8 4 3,3 3 2,5 22 18,0 60 49,2 34 27,9 4 3,3 2 1,6 32 26,2 59 48,4 26 21,3 3 2,5 2 1,6 Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 227 Valoriza muito Valoriza Valoriza pouco Não valoriza Não sabe Atividade d) Visitas domiciliares de médicos e enfermeiros e) Reuniões para discutir o diagnóstico de saúde da comunidade f) Reuniões para discutir a programação das ações coletivas n % n % n % n % n % 53 43,4 56 45,9 9 7,4 2 1,6 2 1,6 9 7,4 31 25,4 53 43,4 22 18,0 7 5,7 8 6,6 22 18,0 57 46,7 25 20,5 10 8,2 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Observação: n = 56 médicos e n = 66 enfermeiros. Perguntados sobre a relação da ESF com a população que atende, a maioria dos médicos (73%) e dos enfermeiros (74%) entende que são estabelecidos vínculos com base no reconhecimento das famílias, de seus membros individuais e de suas necessidades específicas. Para 55% dos médicos e 67% dos enfermeiros, essa relação promove a melhoria da qualidade de vida do cidadão, a partir de um conjunto de orientações sobre promoção da saúde e cuidados com a doença. Trinta e nove por cento dos médicos e 58% dos enfermeiros assinalaram a opção: a relação com a população é cordial e cooperativa. A pergunta permitia múltiplas respostas. Também em 2002 perguntou-se aos profissionais de nível superior de Aracaju a percepção sobre a relação da ESF com a população atendida. Cerca de 70% indicaram o estabelecimento de vínculos com base no reconhecimento das famílias, de seus membros individuais e de suas necessidades específicas, e 66% responderam que a relação da ESF com a população promoveu a melhoria da qualidade de vida do cidadão, a partir de um conjunto de orientações sobre promoção da saúde e cuidados com a doença. Já 55% indicaram que a comunidade estabelecia relação cordial e cooperativa na resolução dos problemas. Somente um médico respondeu que a relação da equipe com a comunidade era formal, em função das necessidades do serviço. A análise das respostas por categoria profissional indica que médicos e enfermeiros tiveram opiniões semelhantes em 2002. Vinte (61%) médicos e 27 (72%) enfermeiros consideraram que o estabelecimento de vínculos com a comunidade baseava-se principalmente no reconhecimento das famílias, de seus membros individuais e de suas necessidades. Um total de 69% dos médicos e 62% dos enfermeiros indicaram que a relação entre a ESF e a população atendida promovera a melhoria da qualidade de vida do cidadão. Para 49% dos médicos e 62% dos enfermeiros, a relação era cordial e cooperativa. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ 228 VII. Organização do processo de trabalho e práticas assistenciais das ESFs Tabela 29 – D20 Relação da ESF com a população que atende, segundo Médicos e Enfermeiros, Aracaju, 2008 Médico Enfermeiro 2002 Total Total Relação com a população n % n % n % n % É cordial e cooperativa na resolução dos problemas 22 39,3 38 57,6 60 49,2 47 70,1 É formal em função das necessidades do serviço de saúde Estabelece vínculos, com base no reconhecimento das famílias, de seus membros individuais e de suas necessidades específicas Promove a melhoria da qualidade de vida do cidadão, a partir de um conjunto de orientações sobre promoção da saúde e cuidados com a doença 12 21,4 9 13,6 21 17,2 44 65,7 41 73,2 49 74,2 90 73,8 37 55,2 31 55,4 44 66,7 75 61,5 1 1,5 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Observação: n = 56 médicos e n = 66 enfermeiros. Os ACS (69%) afirmaram ter o costume de sempre procurar a família do usuário para discutir o problema de saúde dele. Já os auxiliares e técnicos de enfermagem disseram que o fazem raramente (40%) ou não procuram a família do usuário (27%). Apenas um terço dos auxiliares e técnicos de enfermagem (33%) sempre procura a família. Tabela 30 – D4 ACS procura a família do usuário para discutir seu problema de saúde, Aracaju, 2008 ACS Aux/téc enfermagem Procura da família Sim, sempre Sim, raramente Não Total n % n % 104 69,3 20 33,3 39 26,0 24 40,0 7 4,7 16 26,7 150 100,0 60 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. De acordo com os ACS, a condição de morador da comunidade em que atuam interfere principalmente no acesso dos moradores para apresentar queixas e discutir soluções para problemas (53%) e na observação de focos de riscos no ambiente familiar e social (47%) (Tabela D6). Na pesquisa anterior, foi feita uma pergunta muito similar a esta, contudo foram utilizadas diferentes categorias de valor para as respostas. Foi solicitado aos ACS que opinassem quanto à Aracaju 229 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO sua condição de morador da comunidade segundo as categorias: “favorece”, “prejudica”, “não interfere” e “não sei”. Dos 176 ACS entrevistados em 2002, a maioria considerou que residir onde trabalhava favorecia diversos aspectos da relação com a comunidade. Os aspectos mais citados foram a aceitação da presença do agente nos domicílios (95%) e a relação amistosa com as famílias (77%). A facilitação da mobilização frente a problemas ambientais e à necessidade de participação nos CLS (72%), a observação de focos de riscos no ambiente familiar e social (70%), a procura dos moradores para queixar-se e discutir soluções (69%) e a participação da população nos CLS (69%) também foram respostas positivas da maior parte dos entrevistados. Entre as desvantagens de residir na mesma comunidade da população vinculada à ESF, o fator prejudicial mais citado em 2002 pelos ACS (36%) foi a falta de compreensão dos moradores, quando suas solicitações não eram atendidas. Mas 85 ACS (48%) disseram que morar na mesma localidade favorecia a compreensão. Entre os aspectos citados como não sendo favorecidos nem prejudicados por residirem na mesma comunidade onde trabalham, os mais citados em 2002 se referiram a ações relativas à integração com outros serviços. O acompanhamento durante a internação hospitalar foi a atividade mais referida, por 45% (90) dos entrevistados, seguida do acompanhamento de usuários no agendamento para consultas e exames, por 36% (66) e do retorno para os cuidados da ESF dos pacientes encaminhados para serviços especializados, por 49 (24%), embora 123 ACS (61%), tenham respondido como uma questão favorecida pelo fato de serem moradores da comunidade. Tabela 31 – D6 Interferência da condição de morador da comunidade nas atividades dos Agentes Comunitários de Saúde, Aracaju, 2008 Muito Não interfere Pouco Interferência Não sabe Total n % n % n % n % n % a) Na relação com as famílias da comunidade 36 24,0 26 17,3 87 58,0 1 ,7 150 100,0 b) No acesso dos moradores aos ACS para apresentarem queixas e discutir soluções 42 28,0 37 24,7 68 45,3 3 2,0 150 100,0 c) Na aceitação de sua presença em seus domicílios 41 27,3 11 7,3 95 63,3 3 2,0 150 100,0 34 22,7 37 24,7 76 50,7 3 2,0 150 100,0 33 22,0 31 20,7 82 54,7 4 2,7 150 100,0 17 11,3 42 28,0 82 54,7 9 6,0 150 100,0 d) Na observação de focos de riscos no ambiente familiar e social e) Na mobilização da população em torno dos problemas ambientais e de saúde f) Na participação da população nos CLS NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ 230 VII. Organização do processo de trabalho e práticas assistenciais das ESFs Muito Não interfere Pouco Interferência g) No acompanhamento do usuário na marcação ou encaminhamento para consultas e exames em outros serviços de saúde h) No acompanhamento do usuário na internação hospitalar i) No retorno para os cuidados da ESF dos pacientes encaminhados para serviços especializados (contrareferência) Não sabe Total n % n % n % n % n % 39 26,0 24 16,0 83 55,3 4 2,7 150 100,0 10 6,7 34 22,7 97 64,7 9 6,0 150 100,0 25 16,9 25 16,9 90 60,8 8 5,4 150 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Aracaju VIII. CONHECIMENTO E USO DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMILIA Como indicadores do conhecimento e uso da Estratégia SF pelas famílias foram investigados: o conhecimento espontâneo e o estimulado sobre o PSF, o conhecimento da localização da USF, a forma e a facilidade de acesso à SF, a experiência de atendimento das famílias e do entrevistado (alguma vez e nos últimos 30 dias), o profissional que prestou o atendimento, o local de atendimento, os motivos do atendimento, visita domiciliar por médico ou enfermeiro e o conhecimento do ACS de sua área. 1. CONHECIMENTO DO PSF Solicitou-se aos 800 entrevistados que informassem se conheciam o Programa Saúde da Família e 57% informaram ter conhecimento dele no seu município. Tabela 1 – C1 Informantes que conhecem o Programa de Saúde da Família, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 e 2002 Conhecimento do PSF 2002 n 187 n % Sim 460 57,4 Não 340 42,6 53 22,1 Total 800 100,0 240 100,00 % 77,9 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Aos 340 entrevistados que disseram não conhecer a Estratégia Saúde da Família, a resposta foi estimulada pela leitura do seguinte texto: “O Programa Saúde da Família trabalha com uma equipe composta por médico, enfermeiro, auxiliar de enfermagem e agente comunitário de saúde, que fazem visita domiciliar e atendem no Posto ou Unidade de Saúde da Família”. Destes, 213 (63%) reconheceram a Estratégia após a leitura do texto com resumo. Assim, em Aracaju, 672 entre as 800 famílias entrevistadas (ou seja, 84%) conheciam ou já tinham ouvido falar no PSF. Na pesquisa de 2002, 78% dos entrevistados entre as 240 famílias da amostra declararam conhecer o PSF. No entanto, 100% dessas famílias declararam ter recebido visitas domiciliares de agentes comunitários de saúde, médicos ou enfermeiros e, portanto, não conheciam o programa por seu nome, mas já haviam entrado em contato com profissionais das ESF. 232 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Tabela 2 – C2 Informantes que reconheceram o PSF após leitura de texto, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Conhecimento estimulado do PSF n % Sim 213 62,5 Não 127 37,5 Total 340 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Observação: n= 340 que informaram espontaneamente não conhecer o PSF Solicitou-se aos 459 entrevistados que disseram ter conhecimento da Estratégia Saúde da Família, na primeira pergunta, de que forma tomaram conhecimento desta: 33% informaram ter conhecido o PSF por meio da televisão, 28% através da visita do agente comunitário de saúde, 17% através da Unidade de Saúde e 14% através de amigos ou vizinhança. Em 2002, o meio de divulgação do PSF mais referido também foi a visita do ACS (75%). Tabela 3 – C3 Forma como tomaram conhecimento do Programa de Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Forma como conheceram Visita do Agente Comunitário de Saúde (ACS) n % 127 27,6 TV 151 32,8 6 1,3 Reunião na comunidade Amigos ou vizinhança 64 13,9 Rádios 9 2,0 Jornais 1 ,2 Cartazes e folhetos - - Visita da Equipe de Saúde da Família, que não o ACS 9 2,0 76 16,5 7 1,5 10 2,2 8 1,7 Na Unidade de Saúde Passando pelo local da USF Outro Não respondeu Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Observação: n = 460 famílias que disseram ter conhecimento sobre o Programa Saúde da Família Descrição do outro: Trabalha com ou conhece profissionais de saúde (7), cursos (2), internet (1) Dos 673 entrevistados que informaram, espontaneamente ou estimulados, conhecer a Estratégia Saúde da Família, 69% informaram conhecer o local de funcionamento do Saúde da Família. Na pesquisa anterior a maioria dos entrevistados (94%) também informou conhecer o local em que o PSF estava funcionando naquele momento. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VII. Conhecimento e uso da SF 233 Tabela 4 – C4 Conhecimento do local de funcionamento do Programa de Saúde da Família, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 e 2002 Conhece local de funcionamento 2002 n 225 n % Sim 465 69,0 Não 208 31,0 15 6,3 Total 673 100,0 240 100,0 % 93,8 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Observação: n= 673 entrevistados que informaram, espontaneamente ou estimulados, conhecer o PSF Dos 465 entrevistados que conhecem o atual local da USF, 96% informaram ter facilidade de acesso a ele. Na pesquisa realizada em 2002, os entrevistados também consideraram que era fácil chegar ao local (95%). Tabela 5 – C5 Facilidade de acesso ao atual local de funcionamento do Programa de Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Facilidade de acesso Sim Não, por dificuldades de ordem física e condições de saúde Não, devido a localização do Posto/Unidade de Saúde da Família Não, por outro motivo Total n % 444 95,5 7 1,5 13 2,8 1 ,2 465 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Observação: n= 465 que conhecem o local de funcionamento do PSF Descrição do outro: violência (1) Solicitou-se que os 673 entrevistados informassem o meio de transporte utilizado para ir da residência até o local onde funciona a Estratégia Saúde da Família e a maioria (89%) informou ir a pé. Em 2002, também a grande maioria (97%) informara que geralmente fazia o percurso a pé. Tabela 6 – C6 Meio de transporte utilizado para chegar ao local de funcionamento do Programa de Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Meio de transporte A pé Ônibus Carro n % 415 89,2 9 1,9 16 3,4 Bicicleta 4 ,9 Outro 9 1,9 13 2,8 Não respondeu Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Observação: n = 673 entrevistados que informaram conhecer o local de funcionamento do PSF. Descrição do outro: Nunca usou (5), mobilete (1), táxi (1), debilitada por reuma (1) Aracaju 234 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Dos 673 entrevistados que informaram, espontaneamente ou estimulados, conhecer a Estratégia Saúde da Família, 89% informaram ter conhecimento de que seu domicílio é cadastrado na Unidade de Saúde da Família. Tabela 7 – C7 Domicílio cadastrado na Unidade de Saúde da Família, segundo conhecimento do entrevistado, Aracaju (SE), 2008 Conhecimento cadastramento n % Sim 601 89,3 Não 22 3,3 Não sabe 49 7,3 1 ,1 673 100,0 Não Respondeu Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Observação: n= 673 entrevistados que informaram, espontaneamente ou estimulados, conhecer o PSF 2. USO DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA Entre 673 entrevistados que informaram conhecer o PSF, 90% tinham tido alguma experiência de atendimento pela Estratégia na unidade ou no domicílio. Na pesquisa de 2002, das 240 famílias entrevistadas, 100% informaram que um ou mais membros já tinham recebido atendimento na USF ou por profissionais das ESF, exceto o ACS. Tabela 8 – E7 Experiência de atendimento pela Estratégia de Saúde da Família na Unidade ou domicílio, Aracaju (SE), 2008 e 2002 n % Sim 605 89,9 2002 n 240 Não 68 10,1 - - Total 673 100,0 240 100,0 Atendimento % 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Observação: n = 673entrevistados que informaram, espontaneamente ou estimulados, conhecer o PSF Solicitou-se às 605 famílias que tiveram algum membro atendido no Posto/Unidade Saúde da Família ou receberam visita que informassem quais profissionais da ESF os haviam atendido ou visitado: 76% mencionaram o ACS, 61% o médico e 54% o enfermeiro. Tabela 9 – E8 Profissional da Equipe de Saúde da Família que realizou o atendimento, Aracaju (SE), 2008 Profissional da ESF n % Medico 367 60,7 Enfermeiro 326 53,9 ACS 462 76,4 Auxiliar de enfermagem 79 13,1 Dentista 68 11,2 7 1,2 Outro NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VII. Conhecimento e uso da SF 235 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Observação: n = 605famílias com integrante que teve experiência de atendimento pela Estratégia Saúde da Família. Descrição do outro: assistente social (3), agente de endemias (1), farmacêutico (1), estagiário (1), não lembra (1). Um total de 97% das famílias informaram não ter recebido visita domiciliar do médico ou enfermeiro da equipe de saúde da família nos últimos 30 dias. Tabela 10 – E9 Visita domiciliar do médico ou enfermeiro da Equipe de Saúde da Família nos últimos 30 dias, Aracaju (SE), 2008 Visita domiciliar n % Sim 18 3,0 Não 587 97,0 Total 605 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Observação: n = 605 famílias com integrante que teve experiência de atendimento pela Estratégia Saúde da Família. Entre os 18 entrevistados que informaram ter recebido visita domiciliar de profissionais de nível superior nos últimos 30 dias, 78% notificaram visitas por médico e 61% disseram ter recebido visita do enfermeiro. Tabela 11 – E10 Profissional da Equipe de Saúde da Família que realizou visita domiciliar nos últimos 30 dias, Aracaju (SE), 2008 Visita domiciliar n % Médico 14 77,8 Enfermeiro 11 61,1 Observação: n = 18 famílias que receberam visita domiciliar do médico ou enfermeiro nos últimos 30 dias. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. 3. ATENDIMENTO DO PRÓPRIO ENTREVISTADO PELA ESF NOS ÚLTIMOS 30 DIAS Perguntou-se aos 605 entrevistados com relato de alguma experiência pela ESF se o próprio entrevistado fora atendido nos últimos 30 dias por um profissional da equipe. A maioria (69%) informou que não. Na pesquisa de 2002, em 73% das 240 famílias já atendidas na USF algum membro tinha entrado em contato com profissional da ESF nos 30 dias anteriores à pesquisa. Tabela 12 – E11 Entrevistados que receberam atendimento nos últimos 30 dias por profissional da Equipe de Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 e 2002 Atendimento 2002 n 175 n % Sim 190 31,4 Não 415 68,6 65 27,1 Total 605 100,0 240 100,0 % 72,9 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Observação: n = 605 famílias com integrante que teve experiência de atendimento pela Estratégia Saúde da Família. Aracaju 236 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Perguntou-se qual profissional da ESF atendeu o entrevistado nos últimos 30 dias: 48% relataram atendimento pelo médico, 36% pelo enfermeiro e 33% pelo ACS. Na pesquisa de 2002, 46% dos atendidos o fora por médico e 29% por agente comunitário de saúde. Tabela – E12 Profissional da Equipe de Saúde da Família que atendeu o entrevistado nos últimos 30 dias, Aracaju (SE), 2008 Profissional n % Médico 92 48,4 Enfermeiro 68 35,8 ACS 63 33,2 Auxiliar de enfermagem 9 4,7 Dentista 4 2,1 Outro 1 ,5 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Observação: n = 190 entrevistados que receberam atendimento por profissional da ESF. Solicitou-se ao entrevistado informar o local de atendimento por profissional da equipe de saúde da família nos últimos 30 dias: 70% informaram que foram atendidos na Unidade de Saúde e 30% na própria casa durante as visitas domiciliares. Na pesquisa anterior, 68% mencionaram a unidade de saúde e 31% a própria casa como locais de contato com os profissionais das ESF. Tabela 13 – E13 Local de atendimento do entrevistado por profissional da Equipe de Saúde da Família nos últimos 30 dias, Aracaju (SE), 2008 Local do atendimento n % 58 30,5 Na unidade de saúde 132 69,5 Total 190 100,0 Na casa do entrevistado durante as visitas domiciliares Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Observação: n = 190 entrevistados que receberam atendimento por profissional da ESF. Os principais motivos do atendimento por profissional da ESF nos últimos 30 dias, citados pelos 190 entrevistados, foram: doença ou por sentir-se mal (29%), visita domiciliar de rotina da equipe (21%) e dar continuidade ao tratamento de doença crônica (hipertensão/diabéticos) (18%). Em 2002, os motivos de contato mais citados foram para: doença ou por sentir-se mal (38%), visita domiciliar de rotina da equipe (23%) e dar continuidade ao tratamento (18%). NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ VII. Conhecimento e uso da SF 237 Tabela 14 – E14 Motivo de atendimento do entrevistado por profissional da Equipe de Saúde da Família nos últimos 30 dias, Aracaju (SE), 2008 Motivo n % Por motivo de doença ou porque sentiu-se mal 55 28,9 Porque era visita domiciliar de rotina da equipe Para dar continuidade ao tratamento de doença crônica (Hipertensão /Diabetes) Para vacinação 40 21,1 35 18,4 14 7,4 Consulta de rotina/ retorno 12 6,3 Para realizar preventivo ginecológico 11 5,8 Entrega/ Realização de exames 9 4,7 Para pré-natal 5 2,6 Dúvidas/ Orientações 5 2,6 Acompanhamento da criança/ recém-nascido/ puericultura 3 1,6 Combate a dengue 3 1,6 Planejamento familiar 3 1,6 Para atendimento odontológico 2 1,1 Cadastro da família 2 1,1 Marcação de consulta 1 ,5 Receber medicamentos 1 ,5 Receita 1 ,5 Para participar de grupos de educação em saúde - - Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Observação: n = 190 entrevistados que receberam atendimento por profissional da ESF. 4. CONHECIMENTO DO AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE Perguntou-se às 605 famílias com experiência de atendimento pela Estratégia Saúde da Família se conheciam o agente comunitário de saúde que atua na sua área de moradia e 91% das famílias informaram conhecê-lo.. Na pesquisa de 2002, 98% dos entrevistados conheciam o ACS responsável da área em que residiam. Tabela 15 – G1 Conhecimento do Agente Comunitário de Saúde da área de moradia, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 e 2002 Conhecimento do ACS 90,9 2002 n 235 % 97,9 55 9,1 5 2,1 605 100,0 240 100,0 n % Sim 550 Não Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Observação: n = 605 famílias com integrante que teve experiência de atendimento pela Estratégia Saúde da Família. Dos 550 entrevistados que conhecem o agente comunitário de saúde da área de moradia, 96% informaram que já foram atendidos por ele ou receberam sua visita. Na pesquisa de 2002, 98% dos entrevistados tinham sido atendidos ou visitados pelos ACS. Aracaju 238 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Tabela 16 – G2 Atendimento ou visita do Agente Comunitário de Saúde da área de moradia, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Atendimento ou visita do ACS n % Sim 528 96,0 Não 22 4,0 Total 550 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Observação: n = 550 entrevistados que conhecem o Agente Comunitário de Saúde da área de moradia. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ IX. POSIÇÃO DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA NA REDE ASSISTENCIAL Este capítulo se destina a discutir a posição da Estratégia SF na rede assistencial, com a constituição da ESF/USF como porta de entrada ao sistema de saúde, as estratégias de atendimento à demanda espontânea e a identificação, por usuários, da USF como serviço de procura regular. Estudos apontam que um bom desempenho da continuidade da atenção tem reflexos na credibilidade da APS como serviço de primeiro contato e porta de entrada para o estabelecimento de vínculos, sendo a coordenação percebida pelo usuário por meio da continuidade assistencial (Conill & Fausto, 2007). O atendimento das diversas demandas da população a partir de ações de prevenção, tratamento e acompanhamento facilita a constituição da USF como serviço de procura regular. A existência de uma porta de entrada preferencial e o cuidado estabelecido a cada nova necessidade de atenção à saúde, seja ela programada ou espontânea, facilita a constituição de vínculos e a continuidade da atenção. Os municípios brasileiros ainda enfrentam numerosos problemas que comprometem a condição da APS como porta de entrada preferencial do sistema, sua capacidade de oferecer atenção integral e coordenada nos diferentes níveis do sistema de serviços de saúde. São frágeis os mecanismos de referência e contrarreferência entre os níveis de atenção, o que dificulta o acesso aos serviços especializados e compromete a resolutividade que se espera dos serviços de APS (Conill, 2002; Elias et al, 2006; Fachini, ET AL, 2006; Ibañes et al, 2006). Potencializar a APS como porta de entrada do sistema de saúde e aumentar sua resolutividade são pontos cruciais de enfrentamento dos gestores municipais para construir e consolidar uma rede integrada de serviços de saúde. 1. PORTA DE ENTRADA PREFERENCIAL AO SISTEMA DE SAÚDE SEGUNDO GESTORES A porta de entrada do sistema de saúde em Aracaju é a atenção básica (AB), organizada por regiões de saúde. Cada bairro tem uma USF de referência para a população definida, que deve se constituir no primeiro serviço procurado quando há necessidade. 240 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Embora haja um esforço para fortalecer as unidades de saúde da família como ordenadoras do cuidado no sistema municipal, os gestores informam que é freqüente a procura direta da população às emergências dos hospitais. “Fazemos uma discussão muito grande com a rede de urgência no sentido de referenciar para a atenção básica. Mas a grande porta continua sendo a atenção básica” (coordenador da Atenção Básica). Na visão do secretário, são várias as portas de entrada que possibilitam o acesso ao sistema de saúde municipal: a rede de atenção básica, a rede de urgência e emergência e os serviços de saúde mental, com papel preponderante do sistema de regulação neste processo. Além disto, o município é referência para média e alta complexidade para outros municípios do estado de Sergipe, os quais a partir da referência municipal acessam os serviços especializados. “Como nós somos referência em alta complexidade, o que vem do interior não precisa passar pela atenção básica e nós referenciamos para a rede hospitalar – cirurgias e etc. Então a regulação é quem organiza, no caso da atenção especializada de média e alta complexidade” (secretário municipal de saúde). Os gerentes de USFs consideram que os usuários cadastrados procuram-na primeiro quando estão doentes. Em alguns relatos verificou-se que mesmo em situações em que caberia a procura direta ao serviço de emergência, é comum o usuário ir primeiro à USF. “Até para questões que não são da atenção básica esta é procurada. Por exemplo, outro dia uma pessoa caiu e quebrou o punho: o primeiro serviço que procurou foi a unidade básica de saúde, pela questão do vinculo (gerente de USF). 2. ESTRATÉGIAS DE ATENDIMENTO À DEMANDA ESPONTÂNEA A principal estratégia para atendimento à demanda espontânea é o acolhimento, realizado diariamente na unidade. A prática de acolhimento está estruturada nas UBS do município desde 2004. Cada unidade de saúde tem uma forma própria de organização do acolhimento. Em algumas unidades o acolhimento ocorre nas duas primeiras horas da manhã, sob a responsabilidade do enfermeiro. A partir deste horário o auxiliar de enfermagem assume a atividade. Em outras unidades o usuário é atendido pela equipe à qual está vinculado. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ IX. Posição da Estratégia SF na rede assistencial 241 “O acolhimento em geral fica com o enfermeiro nas duas primeiras horas e depois assume o auxiliar. A grande maioria trabalha nessa modelagem. Por exemplo, há unidades que fazem por equipe, então há equipe rosa, amarela, azul... E cada usuário vai para o acolhimento da sua equipe. Outras USFs fazem um sistema de plantão; um enfermeiro atende naquele dia todos os usuários que chegam, qualquer que seja sua equipe. Cada unidade tem uma característica. Mas a pessoa passa pelo acolhimento. Se for um caso agudo já vai para a retaguarda do médico. Se for para agendamento, se puder esperar agenda-se mais para frente, se não agenda-se o mais próximo que for possível. É feita uma avaliação da necessidade no acolhimento” (coordenadora da Atenção Básica). Para articular a demanda espontânea e a programada, as equipes procuram deixar uma margem de folga na agenda das atividades programadas, o que permite responder aos casos identificados diariamente no acolhimento com maior presteza. Na avaliação dos profissionais de saúde, de um modo geral prevalece a percepção da demanda espontânea como ação inerente ao processo de trabalho nas USFs. Contudo, nota-se uma possível tensão causada por este tipo de demanda no tocante às características do trabalho desenvolvido pelas ESFs. Médicos (93%) e enfermeiros (83%) consideram que a população apresenta uma forte demanda por atendimento médico, pressionando a ESF para o atendimento da demanda espontânea. Na pesquisa realizada pelo NUPES em 2002, 82% dos médicos e 71% dos enfermeiros tinham esta mesma percepção (Nupes/Daps/Ensp/Fiocruz, 2002). Médicos (96%) e auxiliares de enfermagem (82%) não concordam que o PSF atenda apenas com agendamento prévio, mas 39% dos ACS concordam com esta afirmativa. Para 48% dos médicos, 62% de enfermeiros e de auxiliares de enfermagem e 81% dos ACS, o PSF cumpre na prática as funções de pronto atendimento. Já 60% dos ACS consideram que a população resiste às ações das ESF (Tabela D1a). Tabela 1 – D1a Avaliação dos profissionais quanto ao atendimento da demanda espontânea, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Aspectos da demanda g) A população resiste às ações das equipes de saúde da família i) O PSF atende apenas com agendamento prévio Médico Concorda muito / Concorda Auxiliares de ACS Concorda Enfermagem muito / Concorda Concorda muito / em parte Concorda % n % n % Enfermeiro Concorda muito/Concorda n % n 16 28,6 10 15,1 17 28,3 90 60,0 2 3,6 - - 11 18,3 58 38,6 Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 242 Médico Concorda muito / Concorda Aspectos da demanda Auxiliares de ACS Concorda Enfermagem muito / Concorda Concorda muito / em parte Concorda % n % n % Enfermeiro Concorda muito/Concorda n % n j) A USF cumpre na prática as funções de pronto atendimento 27 48,2 41 62,1 37 61,7 122 81,3 x) A população apresenta uma forte demanda por atendimento médico, pressionando a ESF para o atendimento da demanda espontânea 52 92,8 55 83,3 - - - - n= 56 médicos; n= 66 enfermeiros, n= 150 ACS, n= 60 aux/técnicos de enfermagem Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008 3. AVALIAÇÃO DOS PROFISSIONAIS QUANTO À POSIÇÃO DA ESTRATÉGIA NA REDE ASSISTENCIAL No período inicial de implantação da Estratégia SF em Aracaju o enfoque central da política de saúde no município era promover o acesso universal com equidade e integralidade aos serviços de saúde. Em 1998, a implantação do PSF fazia parte do processo de ampliação da rede de serviços de saúde e suas diretrizes concebidas como estratégias para melhorar a resolutividade e o acesso aos serviços (Nupes/Daps/Ensp/Fiocruz, 2002). Na primeira fase de implantação o programa foi concebido como experiência piloto, a partir do que foram constituídas as primeiras ESFs em áreas periféricas com concentração de população de baixa renda, insuficiência de serviços de saúde e de equipamentos coletivos em geral. Em 2002 o grupo gestor tinha como perspectiva implantar novo modelo de atenção no sistema de saúde municipal, de forma a superar o enfoque seletivo do programa e desta forma se aproximando dos princípios do SUS, especialmente com relação a universalização do acesso aos serviços de saúde (Nupes/Daps/Ensp/Fiocruz, 2002). A pesquisa de 2002 revelou que os profissionais de saúde, em especial os de nível superior (73% dos médicos e 59% dos enfermeiros), já consideravam que o PSF havia ampliado o acesso de populações que historicamente se mantinham à margem do sistema de saúde. Esta percepção se mantém, alcançando maior adesão dos enfermeiros, como se confere no estudo em curso. A tabela D1b apresenta dados sobre aspectos do acesso aos serviços de saúde no município de Aracaju sob a ótica dos profissionais de saúde. Para a maior parte dos profissionais entrevistados, a USF é acessível a toda população cadastrada (79% dos NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ IX. Posição da Estratégia SF na rede assistencial 243 médicos, 83% dos enfermeiros, 75% dos auxiliares de enfermagem e 88% dos ACS) e o PSF ampliou o acesso de novas parcelas da população aos serviços de saúde no município (84% dos médicos, 99% enfermeiros e 91% dos ACS). Contudo, os profissionais se dividem quanto à afirmação de que o PSF atende com exclusividade à população cadastrada. Para 76% dos ACS esta afirmativa é verdadeira, mas 66% médicos e 51% dos auxiliares de enfermagem não concordaram com ela. Para 66% dos médicos, 62% dos enfermeiros, 65% dos auxiliares de enfermagem e 71% dos ACS, o PSF concentra-se em áreas pobres e periféricas no município, contrapondose em certa medida ao discurso dos gestores da saúde de que a Estratégia Saúde da Família é o modelo organizador de toda a rede de atenção básica no município. Nota-se também que existe insatisfação dos profissionais diante do quantitativo de pessoas sob responsabilidade das ESF. Mais da metade dos profissionais entrevistados concorda que o PSF atrai as populações dos bairros vizinhos, o que sobrecarrega o atendimento (55% dos médicos, 53% dos enfermeiros, 66%dos auxiliares de enfermagem e 66% dos ACS). Os médicos (86%) e os enfermeiros (74%) discordam que o número de famílias sob responsabilidade de uma ESF seja adequado. Este tipo de insatisfação já era informado por 15% dos médicos e 18% dos enfermeiros, no estudo de 2002, como um fator negativo de sua prática no PSF. Com relação à utilização dos serviços prestados nas USFs, 75% dos ACS consideram que o tempo médio entre o agendamento e o atendimento de consultas na USF é elevado. Entretanto, 79% dos médicos, 80% dos enfermeiros e 63% dos auxiliares de enfermagem discordam dos ACS e não consideram elevado o tempo de espera. Tabela 2 – D1b Avaliação dos profissionais quanto alguns aspectos do acesso à Estratégia de Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Acesso Médico Concorda muito / Concorda Aux de ACS enfermagem Concorda muito Concorda muito / / Concorda em Concorda parte % n % n % Enfermeiro Concorda muito/Concorda n % n a) A Unidade de Saúde da Família é acessível a toda a população cadastrada 44 78,5 55 83,4 45 75,0 132 88,0 c) O PSF concentra-se em áreas pobres ou periféricas no município 37 66,1 41 62,1 39 65,0 106 70,7 h) O PSF atende com exclusividade a população cadastrada 19 34,0 32 48,5 - - 114 76,0 l) O PSF ampliou o acesso de novas parcelas da população aos serviços 47 83,9 65 98,5 - - 136 90,6 Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 244 Acesso Médico Concorda muito / Concorda Aux de ACS enfermagem Concorda muito Concorda muito / / Concorda em Concorda parte % n % n % Enfermeiro Concorda muito/Concorda n % n m) O PSF atrai as populações dos bairros vizinhos que sobrecarregam o atendimento 31 55,4 35 53 38 63,3 99 66,0 t) O tempo médio entre o agendamento e o atendimento de consultas na Unidade de Saúde da família é elevado 12 21,4 13 19,7 22 36,7 112 74,7 8 14,3 17 25,7 - - - - de saúde no município z) O número de famílias sob responsabilidade de uma ESF é adequado n= 56 médicos; n= 66 enfermeiros, n= 150 ACS, n= 60 aux/técnicos de enfermagem Fonte: Nupes/Daps/Ensp/Fiocruz – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008 Os dados da pesquisa demonstram um relativo consenso entre os profissionais de saúde sobre a posição da Estratégia SF no sistema de saúde de Aracaju e o entendimento de que as USFs têm se constituído como porta de entrada do sistema municipal. No estudo de 2002, médicos (70%) e enfermeiros (79%) consideraram que a USF tornara-se a porta de entrada do sistema de atenção. Esta percepção é aprovada pela maior parte dos profissionais da ESF, o que pode ser verificado nos resultados do presente estudo. Os dados da Tabela D1c demonstram que, para a maior parte dos profissionais entrevistados, o PSF vem substituindo as unidades básicas tradicionais de saúde no atendimento da população (79% dos médicos, 91% dos enfermeiros, 79% dos auxiliares de enfermagem e 93% dos ACS); a população procura primeiro a Unidade de Saúde da Família quando necessita de atendimento (91% dos médicos, 94% dos enfermeiros, 82% dos auxiliares de enfermagem e 97% dos ACS); com o PSF, a população atendida procura menos os serviços hospitalares e especializados (73% dos médicos, 79% dos enfermeiros, 70% dos auxiliares de enfermagem e 85% dos ACS). Contudo, 65% dos ACS concordam que a população procura primeiro a rede hospitalar ou unidades tradicionais de saúde. No tocante à integralidade das ações realizadas pelas ESF, os profissionais concordam que as ações do PSF ocorrem de forma articulada aos programas de saúde existentes (91% dos médicos, 100% dos enfermeiros, 93% dos auxiliares de enfermagem e 97% dos ACS), o que corrobora as informações dos gestores discutidas no capítulo X. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ IX. Posição da Estratégia SF na rede assistencial 245 Tabela 3 – D1c Avaliação dos profissionais quanto à posição da Estratégia SF na rede assistencial, Aracaju (SE), 2008 Posição Médico concorda muito / Concorda Auxiliares de Enfermagem concorda muito / Concorda % n % Enfermeiro concorda muito/ Concorda ACS Concorda muito / Concorda em parte n % n % n b) O PSF vem substituindo as unidades básicas tradicionais de saúde no atendimento da população 44 78,6 60 90,9 47 78,4 139 92,7 d) Com o PSF, a população atendida procura menos os serviços hospitalares e especializados 41 73,3 52 78,8 42 70,0 127 84,6 e) A população procura primeiro a Unidade de Saúde da Família quando necessita de atendimento de saúde 51 91,1 62 93,9 49 81,6 146 97,3 f) A população procura primeiro a rede hospitalar ou de unidades tradicionais de saúde 4 7,1 5 7,6 - - 97 64,7 k) O PSF atua articulado aos programas de saúde existentes (tuberculose, hanseníase, diabetes, entre outros) 51 91 66 100 56 93,3 145 96,7 n= 56 médicos; n= 66 enfermeiros, n= 150 ACS, n= 60 aux/técnicos de enfermagem Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008 Em síntese, pode-se dizer que do ponto de vista da gestão o sistema de saúde de Aracaju tem avançado na concepção da atenção primária como serviço de primeiro contato e porta de entrada em uma rede integrada de serviços de saúde, com forte representação para os profissionais de saúde. 4. SERVIÇO DE PROCURA REGULAR DAS FAMÍLIAS Uma condição fundamental para que a USF se constitua como porta de entrada de um sistema de saúde é que o serviço seja acessível e uma fonte de cuidado regular para a população sob sua responsabilidade sanitária. Além disto, sempre que necessário, a ESF deve promover o acesso dos usuários aos serviços especializados que compõem o sistema de saúde. A pesquisa procurou identificar a percepção da população cadastrada nas USFs sobre os atributos de porta de entrada e fonte de atenção contínua. Serviço de primeiro contato As entrevistas com as famílias cadastradas por ESF identificaram aspectos positivos com relação à posição da estratégia SF na rede de serviços do sistema de saúde de Aracaju. Aracaju 246 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Os serviços de atenção primária têm se configurado como importante fonte de cuidado regular no município: 76% das famílias cadastradas declararam que costumam procurar o mesmo serviço de saúde para assistência ou prevenção de saúde. (Tabela D10). Este percentual é bem próximo do valor estimado na PNAD 2003, em que 79% da população brasileira dispõem de um serviço de procura regular1. Tabela 4 – D10 Procura do mesmo serviço de saúde para assistência ou prevenção de saúde, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 n % Sim 610 76,4 Não 190 23,6 Total 800 100,0 Procura regular Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008 Agregando as respostas posto ou centro de saúde e unidade ou equipe de saúde da família do SUS, pode-se inferir que 70% das famílias cadastradas procuraram as USFs como fonte de cuidado para a assistência ou prevenção, uma vez que todas as UBS de Aracaju contemplam SF (Tabela D11). Este valor é superior ao encontrado na PNAD, em que o posto de saúde foi a modalidade de serviço de saúde mais citada por 52% dos entrevistados. Cerca de um quinto das famílias cadastradas tem como fonte regular de cuidado os serviços privados de saúde. Tabela 5 – D11 Serviço de saúde geralmente procurado para assistência ou prevenção, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Serviço de saúde n % Posto ou Centro de Saúde do SUS 200 32,9 Unidade ou Equipe de Saúde da Família do SUS 224 36,7 3 ,5 Ambulatório de hospital público 10 1,6 Ambulatório ou consultório de clínica ou de hospital privado 37 6,1 Pronto-socorro ou emergência públicos 33 5,4 Pronto-socorro ou emergência privados 18 2,9 Consultório particular 71 11,6 Drogaria ou farmácia 6 1,0 Outro 6 1,0 Não respondeu 2 ,3 610 100,0 Policlínica ou PAM (Posto de Assistência Médica) do SUS Total Observação: n= 610 entrevistados que têm serviço de saúde de procura regular. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008 1 Um resumo dos dados da PNAD 2003 sobre acesso e utilização dos serviços de saúde no Brasil pode ser verificado no site do IBGE: http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_impressao.php?id_noticia=370 NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ IX. Posição da Estratégia SF na rede assistencial 247 Procura de serviços nos casos de adoecimento nos últimos 30 dias Das famílias cadastradas que foram entrevistadas, 70% informaram não ter havido nenhum caso de adoecimento em sua família nos últimos 30 dias (Tabela D3). Tabela 6 – D3 Famílias com integrantes que adoeceram nos últimos 30 dias, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 n % Sim 239 29,9 Não 560 70,0 1 ,1 800 100,0 Adoecimento Não respondeu Total Observação: n = 294 moradores que estiveram doentes nos últimos 30 dias. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008 As situações de adoecimento ocorridas em 239 famílias nos últimos 30 dias foram avaliadas por 43% dos entrevistados como sem gravidade, por 29% como mais ou menos graves e por 27% como graves (Tabela D4). No momento da pesquisa, em 50% das famílias as pessoas que adoeceram estavam curadas, em 26% estavam do mesmo jeito e 22% consideraram que ainda era cedo para falar sobre o estado atual da pessoa que adoeceu (Tabela D5). Dentre os que adoeceram nos 30 dias anteriores à entrevista, 73% referiram ter procurado um serviço de saúde (Tabela D6). Tabela 7 – D4 Gravidade do episódio de doença dos moradores nos últimos 30 dias, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Gravidade n % Grave 78 26,5 Mais ou menos grave 86 29,3 125 42,5 5 1,7 294 100,0 Sem gravidade Não sabe Total Observação: n = 294 moradores que estiveram doentes nos últimos 30 dias. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008 Tabela 8 – D5 Estado de saúde atual dos moradores que adoeceram nos últimos 30 dias, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Estado de saúde atual Está curado Está do mesmo jeito Está pior Ainda é cedo para dizer Não respondeu Total n % 148 50,3 77 26,2 3 1,0 64 21,8 2 0,7 294 100,0 Observação: n = 294 moradores que estiveram doentes nos últimos 30 dias. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008 Aracaju 248 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Tabela 9 – D6 Procura de atendimento por moradores que adoeceram nos últimos 30 dias, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Procura de atendimento n % Sim 214 72,8 Não 80 27,2 Total 294 100,0 Observação: n = 294 moradores que estiveram doentes nos últimos 30 dias. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008 Entre as pessoas que procuraram atendimento no serviço de saúde quando adoeceram, 81% foram atendidas no primeiro serviço procurado e 15% no segundo (Tabela D8, D9). No estudo realizado em 2002, 81% dos que adoeceram nos 30 dias anteriores à entrevista procuraram um serviço de saúde. Quando perguntados sobre o número de vezes que procuraram profissional ou serviço para receber atendimento, 93% responderam ter sido atendidos no primeiro serviço procurado, 5% procuraram dois serviços e 2% procuraram três serviços. Entre os que procuraram atendimento, 61% foram atendidos por uma equipe de saúde da família. Tabela 10 – D8, D9 Número de serviços de saúde procurados para receber atendimento, Estratégia de Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Número de serviços n % 1 serviço 173 80,8 2 serviços 33 15,4 3 serviços 3 1,4 4 serviços 1 0,5 5 serviços 0 0,0 6 serviços 1 0,5 Não informou 3 0,9 214 100,0 Total Observação: n = 214 moradores que estiveram doentes nos últimos 30 dias e procuraram algum atendimento de saúde. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008 Entre os que adoeceram 41% foram atendidos em uma UBS, considerando que em Aracaju as UBS funcionam sob a lógica da Estratégia SF. Agregando a este percentual o atendimento realizado no ambulatório do hospital público, no pronto-socorro ou emergência e SAMU pode se inferir que 75% das pessoas que adoeceram acessaram e utilizaram serviços de saúde do SUS (Tabela D7). NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ IX. Posição da Estratégia SF na rede assistencial 249 Tabela 11 – D7 Moradores que adoeceram nos últimos 30 dias quanto ao serviço de saúde em que foram atendidos, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Serviço de saúde n % Agente Comunitário de Saúde 2 0,9 83 38,8 Posto ou Centro de Saúde SUS 3 1,4 Ambulatório de hospital público 11 5,1 Clínica ou hospital privado 24 11,2 Pronto-socorro ou emergência públicos 59 27,6 Pronto-socorro ou emergência privados 11 5,1 Consultório particular 9 4,2 SAMU 3 1,4 Drogaria ou farmácia 8 3,7 Outro 1 0,5 Total 214 100,0 Posto/Unidade de Saúde da Família SUS Observação: n = 214 moradores que estiveram doentes nos últimos 30 dias e procuraram algum atendimento de saúde. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008 Iniciativas das famílias em caso de doença Em Aracaju, a prática de procurar um serviço de saúde diante de um mal-estar ou adoecimento corresponde ao comportamento de 70% das famílias entrevistadas, sendo que 28% procuram diretamente a emergência hospitalar e 42% procuram um outro serviço de saúde (Tabela D1). Tabela 12 – D1 Iniciativa das famílias diante de mal-estar ou adoecimento, Estratégia Saúde da Família Aracaju (SE), 2008 Iniciativas n % Espera para ver se melhora 54 6,8 Chama o SAMU ou uma ambulância 48 6,0 Pede ajuda a vizinhos ou familiares 15 1,9 Procura uma drogaria ou farmácia 16 2,0 Procura um Agente Comunitário de Saúde 19 2,4 Toma chás ou remédios caseiros 38 4,8 Toma remédios por conta própria (alopatia) 46 5,6 Procura a emergência do hospital 223 27,9 Procura um outro serviço de saúde 337 42,3 Outro 4 ,5 Total 800 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008 Nos finais de semana a principal iniciativa também é de procurar os serviços de saúde. Dentre estes, o mais procurado em caso de adoecimento em finais de semana é o prontoAracaju 250 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO socorro ou emergência do SUS (55% das famílias entrevistadas); 7% procuram um posto ou centro de saúde ou um posto e centro de saúde com urgência do SUS. Chamar o SAMU é a iniciativa de 15% dos entrevistados. Entre as famílias cadastradas 13% referem procurar um pronto-socorro ou emergência do setor privado (Tabela D2). Tabela 13 – D2 Iniciativas diante de adoecimento ou mal-estar à noite ou nos fins de semana, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Iniciativas Espera para ver se melhora n % 25 3,1 116 14,5 13 1,6 Procura um Agente Comunitário de Saúde 1 ,1 Vai à Posto/Unidade de Saúde da Família do SUS 2 ,3 Procura uma drogaria ou farmácia 6 ,8 Toma chás ou remédios caseiros 13 1,6 Toma remédios por conta própria (alopatia) 41 5,0 3 ,4 Chama o SAMU ou uma ambulância Pede ajuda a vizinhos ou familiares Vai a um Centro de Saúde com serviço de urgência do SUS ou UPA Vai a um Posto ou Centro de Saúde do SUS 2 ,3 Vai a um pronto-socorro ou emergência do SUS 435 54,6 Vai a um pronto-socorro ou emergência privado 105 13,0 21 2,6 1 ,1 Outro 16 2,0 Total 800 100,0 Vai a uma Clínica ou Ambulatório ou médico de plano de saúde ou particular Telefona para profissional de saúde Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008 Em resumo, estes dados revelam que a atenção primária no município de Aracaju tem se constituído como porta de entrada preferencial do sistema de saúde nas áreas onde estão estabelecidas as USFs. No nível assistencial, a estratégia SF tem se configurado para as famílias como espaço importante de atenção regular, seja para prevenção ou atenção médica, ainda que a procura de serviços de emergência seja um recurso frequente dos usuários. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ IX. Posição da Estratégia SF na rede assistencial 251 Tabela 14 – D1 Avaliação quanto à posição da Estratégia Saúde da Família na rede assistencial segundo Médicos, Aracaju (SE), 2008 Médico Critério Concorda muito Concorda Discorda muito Discorda Não sabe n % n % n % n % n % a) A Unidade de Saúde da Família é acessível a toda a população cadastrada 12 21,4 32 57,1 9 16,1 1 1,8 2 3,6 b) O PSF vem substituindo as unidades básicas tradicionais de saúde no atendimento da população 14 25,0 30 53,6 10 17,9 1 1,8 1 1,8 c) O PSF concentra-se em áreas pobres ou periféricas no município 3 5,4 34 60,7 17 30,4 - - 2 3,6 d) Com o PSF, a população atendida procura menos os serviços hospitalares e especializados 3 5,4 38 67,9 11 19,6 2 3,6 2 3,6 e) A população procura primeiro a Unidade de Saúde da família quando necessita de atendimento de saúde 9 16,1 42 75,0 2 3,6 2 3,6 1 1,8 f) A população procura primeiro a rede hospitalar ou de unidades tradicionais de saúde - - 4 7,1 45 80,4 6 10,7 1 1,8 g) A população resiste às ações das equipes de saúde da família 2 3,6 14 25,0 36 64,3 2 3,6 2 3,6 h) O PSF atende com exclusividade a população cadastrada 2 3,6 17 30,4 30 53,6 5 8,9 2 3,6 i) O PSF atende apenas com agendamento prévio 0 0,0 2 3,6 41 73,2 12 21,4 1 1,8 j) A USF cumpre na prática as funções de pronto atendimento 4 7,1 23 41,1 26 46,4 2 3,6 1 1,8 k) O PSF atua articulado aos programas de saúde existentes (tuberculose, hanseníase, diabetes, entre outros) 11 19,6 40 71,4 4 7,1 - - 1 1,8 l) O PSF ampliou o acesso de novas parcelas da população aos serviços de saúde no município 11 19,6 36 64,3 6 10,7 - - 3 5,4 m) O PSF atrai as populações dos bairros vizinhos que sobrecarregam o atendimento 10 17,9 21 37,5 22 39,3 2 3,6 1 1,8 n) O PSF tem favorecido a ação intersetorial no município para o enfrentamento de problemas identificados em sua área de atuação 2 3,6 34 60,7 12 21,4 2 3,6 6 10,7 Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 252 o) O PSF garante o atendimento em outros serviços, quando necessários 1 1,8 26 46,4 25 44,6 3 5,4 1 1,8 p) O PSF garante a realização de exames, quando necessários 2 3,6 17 30,4 32 57,1 4 7,1 1 1,8 q) O PSF garante a internação, quando necessária - - 17 30,4 29 51,8 8 14,3 2 3,6 r) O PSF fornece medicamentos da farmácia básica suficientemente - - 13 23,2 32 57,1 10 17,9 1 1,8 s) A sua equipe de saúde da família oferece recursos adequados ao enfrentamento dos problemas de saúde na comunidade 2 3,6 25 44,6 25 44,6 1 1,8 3 5,4 t) O tempo médio entre o agendamento e o atendimento de consultas na Unidade de Saúde da família é elevado - - 12 21,4 33 58,9 10 17,9 1 1,8 u) A população se sente esclarecida sobre cuidados rotineiros com a saúde 3 5,4 31 55,4 19 33,9 1 1,8 2 3,6 v) A sua equipe de saúde da família conta com um sistema de referência e contra-referência que permite ampliar a resolutividade da rede básica - - 16 28,6 24 42,9 14 25,0 2 3,6 19 33,9 33 58,9 3 5,4 - - 1 1,8 - - 8 14,3 33 58,9 14 25,0 1 1,8 x) A população apresenta uma forte demanda por atendimento médico, pressionando a ESF para o atendimento da demanda espontânea z) O número de famílias sob responsabilidade de uma ESF é adequado Observação: n= 56 médicos e n=66 enfermeiros NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ IX. Posição da Estratégia SF na rede assistencial 253 Tabela 15 – D1 Avaliação quanto à posição da Estratégia Saúde da Família na rede assistencial segundo Enfermeiros, Aracaju (SE), 2008 Enfermeiro Critério Concorda muito Concorda Discorda muito Discorda Não sabe n % n % n % n % n % a) A Unidade de Saúde da Família é acessível a toda a população cadastrada 18 27,3 37 56,1 9 13,6 2 3,0 - - b) O PSF vem substituindo as unidades básicas tradicionais de saúde no atendimento da população 28 42,4 32 48,5 6 9,1 - - - - c) O PSF concentra-se em áreas pobres ou periféricas no município 14 21,2 27 40,9 23 34,8 2 3,0 - - d) Com o PSF, a população atendida procura menos os serviços hospitalares e especializados 15 22,7 37 56,1 11 16,7 3 4,5 - - e) A população procura primeiro a Unidade de Saúde da família quando necessita de atendimento de saúde 28 42,4 34 51,5 4 6,1 - - - - f) A população procura primeiro a rede hospitalar ou de unidades tradicionais de saúde - - 5 7,6 56 84,8 5 7,6 - - g) A população resiste às ações das equipes de saúde da família 1 1,5 9 13,6 45 68,2 10 15,2 - - h) O PSF atende com exclusividade a população cadastrada 7 10,6 25 37,9 31 47,0 3 4,5 - - i) O PSF atende apenas com agendamento prévio - - - - 55 83,3 11 16,7 - - j) A USF cumpre na prática as funções de pronto atendimento 5 7,6 36 54,5 24 36,4 1 1,5 - - k) O PSF atua articulado aos programas de saúde existentes (tuberculose, hanseníase, diabetes, entre outros) 24 36,4 42 63,6 - - - - - - l) O PSF ampliou o acesso de novas parcelas da população aos serviços de saúde no município 17 25,8 48 72,7 1 1,5 - - - - m) O PSF atrai as populações dos bairros vizinhos que sobrecarregam o atendimento 13 19,7 22 33,3 30 45,5 1 1,5 - - n) O PSF tem favorecido a ação intersetorial no município para o enfrentamento de problemas identificados em 10 15,2 42 63,6 10 15,2 2 3,0 2 3,0 Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 254 Enfermeiro Critério Concorda muito Concorda Discorda muito Discorda Não sabe n % n % n % n % n % o) O PSF garante o atendimento em outros serviços, quando necessários 4 6,1 42 63,6 17 25,8 3 4,5 - - p) O PSF garante a realização de exames, quando necessários 5 7,6 39 59,1 20 30,3 2 3,0 - - q) O PSF garante a internação, quando necessária 5 7,6 24 36,4 32 48,5 4 6,1 1 1,5 r) O PSF fornece medicamentos da farmácia básica suficientemente 4 6,1 31 47,0 31 47,0 - - - - s) A sua equipe de saúde da família oferece recursos adequados ao enfrentamento dos problemas de saúde na comunidade 6 9,1 30 45,5 30 45,5 - - - - t) O tempo médio entre o agendamento e o atendimento de consultas na Unidade de Saúde da família é elevado 2 3,0 11 16,7 47 71,2 6 9,1 - - u) A população se sente esclarecida sobre cuidados rotineiros com a saúde 5 7,6 45 68,2 13 19,7 2 3,0 1 1,5 v) A sua equipe de saúde da família conta com um sistema de referência e contra-referência que permite ampliar a resolutividade da rede básica 3 4,5 31 47,0 26 39,4 6 9,1 - - 14 21,2 41 62,1 8 12,1 1 1,5 2 3,0 3 4,5 14 21,2 33 50,0 15 22,7 1 1,5 sua área de atuação x) A população apresenta uma forte demanda por atendimento médico, pressionando a ESF para o atendimento da demanda espontânea z) O número de famílias sob responsabilidade de uma ESF é adequado Observação: n= 56 médicos e n=66 enfermeiros NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ IX. Posição da Estratégia SF na rede assistencial 255 Tabela 16 – D1 Avaliação quanto à posição da Estratégia Saúde da Família na rede assistencial segundo Médicos e Enfermeiros, Aracaju (SE), 2008 - total Critério Concorda muito Concorda Discorda muito Discorda Não sabe n % n % n % n % n % a) A Unidade de Saúde da Família é acessível a toda a população cadastrada 30 24,6 69 56,6 18 14,8 3 2,5 2 1,6 b) O PSF vem substituindo as unidades básicas tradicionais de saúde no atendimento da população 42 34,4 62 50,8 16 13,1 1 0,8 1 0,8 c) O PSF concentra-se em áreas pobres ou periféricas no município 17 13,9 61 50 40 32,8 2 1,6 2 1,6 d) Com o PSF, a população atendida procura menos os serviços hospitalares e especializados 18 14,8 75 61,5 22 18 5 4,1 2 1,6 e) A população procura primeiro a Unidade de Saúde da família quando necessita de atendimento de saúde 37 30,3 76 62,3 6 4,9 2 1,6 1 0,8 f) A população procura primeiro a rede hospitalar ou de unidades tradicionais de saúde - - 9 7,4 101 82,8 11 9 1 0,8 g) A população resiste às ações das equipes de saúde da família 3 2,5 23 18,9 81 66,4 12 9,8 3 2,5 h) O PSF atende com exclusividade a população cadastrada 9 7,4 42 34,4 61 50 8 6,6 2 1,6 i) O PSF atende apenas com agendamento prévio - - 2 1,6 96 78,7 23 18,9 1 0,8 j) A USF cumpre na prática as funções de pronto atendimento 9 7,4 59 48,4 50 41 3 2,5 1 0,8 k) O PSF atua articulado aos programas de saúde existentes (tuberculose, hanseníase, diabetes, entre outros) 35 28,7 82 67,2 4 3,3 - - 1 0,8 l) O PSF ampliou o acesso de novas parcelas da população aos serviços de saúde no município 28 23 84 68,9 7 5,7 - - 3 2,5 m) O PSF atrai as populações dos bairros vizinhos que sobrecarregam o atendimento 23 18,9 43 35,2 52 42,6 3 2,5 1 0,8 n) O PSF tem favorecido a ação intersetorial no município para o enfrentamento de problemas identificados em sua área de atuação 12 9,8 76 62,3 22 18 4 3,3 8 6,6 o) O PSF garante o atendimento em outros serviços, quando necessários 5 4,1 68 55,7 42 34,4 6 4,9 1 0,8 p) O PSF garante a realização de exames, quando necessários 7 5,7 56 45,9 52 42,6 6 4,9 1 0,8 q) O PSF garante a internação, quando necessária 5 4,1 41 33,6 61 50 12 9,8 3 2,5 Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 256 Critério Concorda muito Concorda Discorda muito Discorda Não sabe n % n % n % n % n % r) O PSF fornece medicamentos da farmácia básica suficientemente 4 3,3 44 36,1 63 51,6 10 8,2 1 0,8 s) A sua equipe de saúde da família oferece recursos adequados ao enfrentamento dos problemas de saúde na comunidade 8 6,6 55 45,1 55 45,1 1 0,8 3 2,5 t) O tempo médio entre o agendamento e o atendimento de consultas na Unidade de Saúde da família é elevado 2 1,6 23 18,9 80 65,6 16 13,1 1 0,8 u) A população se sente esclarecida sobre cuidados rotineiros com a saúde 8 6,6 76 62,3 32 26,2 3 2,5 3 2,5 v) A sua equipe de saúde da família conta com um sistema de referência e contra-referência que permite ampliar a resolutividade da rede básica 3 2,5 47 38,5 50 41 20 16,4 2 1,6 x) A população apresenta uma forte demanda por atendimento médico, pressionando a ESF para o atendimento da demanda espontânea 33 27 74 60,7 11 9 1 0,8 3 2,5 3 2,5 22 18 66 54,1 29 23,8 2 1,6 z) O número de famílias sob responsabilidade de uma ESF é adequado NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ IX. Posição da Estratégia SF na rede assistencial 257 Tabela 17 – D1 A avaliação quanto à posição da Estratégia Saúde da Família na rede assistencial segundo Auxiliares em Enfermagem, Aracaju (SE), 2008 Concorda muito Situações n a. A Unidade de Saúde da Família é acessível a toda a população cadastrada Concorda % n Discorda Muito Discorda % n % n Não respondeu Não sabe % n % n % 17 28,3 28 46,7 12 20,0 3 5,0 - - - - b. O PSF vem substituindo as unidades básicas tradicionais de 16 saúde no atendimento da população 26,7 31 51,7 12 20,0 - - 1 1,7 - - c. O PSF concentra-se em áreas pobres ou periféricas no município 11 18,3 28 46,7 19 31,7 1 1,7 1 1,7 - - d. Com o PSF, a população atendida procura menos os serviços hospitalares e especializados 13 21,7 29 48,3 16 26,7 1 1,7 1 1,7 - - f. A população procura primeiro a Unidade de Saúde da família quando 23 necessita de atendimento de saúde 38,3 26 43,3 6 10,0 1 1,7 2 3,3 2 3,3 g. A população resiste às ações das ESF - 17 28,3 38 63,3 2 3,3 3 5,0 - - h. O PSF atende apenas 3 com agendamento prévio 5,0 8 13,3 44 73,3 5 8,3 - - - - i. O PSF cumpre na prática as funções de pronto atendimento 10 16,7 27 45,0 20 33,3 2 3,3 1 1,7 - - k. O PSF atua articulado aos programas de saúde existentes (tuberculose, hanseníase, diabetes, entre outros) 20 33,3 36 60,0 2 3,3 1 1,7 1 1,7 - - l. O PSF atrai as populações de bairros vizinhos que sobrecarregam o atendimento 15 25,0 23 38,3 20 33,3 2 3,3 - - - - m. O PSF tem favorecido a ação intersetorial no município para o enfrentamento de problemas identificados em sua área de atuação 5 8,3 37 61,7 8 13,3 - - 10 16,7 - - n. O PSF garante o atendimento em outros serviços, quando necessário 7 11,7 35 58,3 12 20,0 1 1,7 5 8,3 - - o. O PSF garante a realização de exames, 10 16,7 33 55,0 16 26,7 - - 1 1,7 - - Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 258 Concorda muito Situações n Concorda % n Discorda Muito Discorda % n % n Não respondeu Não sabe % n % n % quando necessários p. O PSF garante a internação, quando necessária 8 13,3 22 36,7 23 38,3 4 6,7 3 5,0 - - q. O PSF fornece medicamentos da Farmácia Básica suficientemente 5 8,3 23 38,3 28 46,7 3 5,0 1 1,7 - - r. A sua equipe de saúde da família oferece recursos adequados ao enfrentamento dos problemas de saúde na comunidade 5 8,3 19 31,7 30 50,0 3 5,0 2 3,3 1 1,7 11,7 15 25,0 29 48,3 6 10,0 2 3,3 1 1,7 s. O tempo médio entre o agendamento e o 7 atendimento de consultas na UBS é elevado Observação: n = 60 Auxiliares/técnicos de enfermagem. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ IX. Posição da Estratégia SF na rede assistencial 259 Tabela 18 – D1 Grau de concordância dos Agentes Comunitários de Saúde com as seguintes afirmações, Estratégia de Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Concorda muito Concorda Discorda Discorda muito Afirmações n % n % n % n % a. A Unidade de Saúde da Família é acessível a toda a população cadastrada 75 50,0 57 38,0 17 11,3 1 ,7 b. O PSF vem substituindo as unidades básicas tradicionais de saúde no atendimento da população 75 50,0 64 42,7 8 5,3 3 2,0 c. O PSF concentra-se em áreas pobres ou periféricas no município 63 42,0 43 28,7 39 26,0 5 3,3 d. Com o PSF, a população atendida procura menos os serviços hospitalares e especializados 56 37,3 71 47,3 20 13,3 3 2,0 e. A população procura primeiro a Unidade de Saúde da família quando necessita de atendimento de saúde 93 62,0 53 35,3 3 2,0 1 ,7 f. A população procura primeiro a rede hospitalar ou de unidades tradicionais de saúde 21 14,0 76 50,7 49 32,7 4 2,7 g. A população resiste às ações das ESF 20 13,3 70 46,7 52 34,7 8 5,3 h. O PSF atende com exclusividade a população cadastrada 70 46,7 44 29,3 35 23,3 1 ,7 i. O PSF atende apenas com agendamento prévio 11 7,3 47 31,3 89 59,3 3 2,0 j. O PSF cumpre na prática as funções de pronto atendimento 42 28,0 80 53,3 25 16,7 3 2,0 k. O PSF atua articulado aos programas de saúde existentes (tuberculose, hanseníase, diabetes, entre outros) 130 86,7 15 10,0 3 2,0 2 1,3 l. O PSF ampliou o acesso de novas parcelas da população aos serviços de saúde no município 89 59,3 47 31,3 4 2,7 10 6,7 m. O PSF atrai as populações de bairros vizinhos que sobrecarregam o atendimento 52 34,7 47 31,3 48 32,0 3 2,0 n. O PSF tem favorecido a ação intersetorial no município para o enfrentamento de problemas identificados em sua área de atuação 64 42,7 66 44,0 9 6,0 11 7,3 p. O PSF garante o atendimento em outros serviços, quando necessário 64 42,7 71 47,3 9 6,0 6 4,0 q. O PSFgarante a realização de exames, quando necessários 85 56,7 53 35,3 10 6,7 2 1,3 Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 260 Concorda muito Concorda Discorda Discorda muito Afirmações n % n % n % n % r. O PSF garante a internação, quando necessária 77 51,3 48 32,0 17 11,3 8 5,3 s. O PSF fornece medicamentos da Farmácia Básica suficientemente 42 28,0 87 58,0 21 14,0 - - t. A sua equipe de saúde da família oferece recursos adequados ao enfrentamento dos problemas de saúde na comunidade 41 27,3 89 59,3 18 12,0 2 1,3 u. O tempo médio entre o agendamento e o atendimento de consultas na Unidade de Saúde da família é elevado 43 28,7 69 46,0 31 20,7 7 4,7 n = 150 ACS Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008 NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ X. INTEGRAÇÃO DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA À REDE DE SERVIÇOS Neste estudo, a coordenação dos cuidados com integração à rede de serviços é um dos eixos principais para a análise do modelo assistencial da atenção básica em saúde a partir da implementação da Estratégia Saúde da Família. A integração da rede de serviços contempla a facilidade em acessar os demais níveis de atenção e se expressa na organização do sistema de saúde. Quando mais de um prestador é envolvido na prestação do cuidado em saúde, estratégias de coordenação e integração da rede são necessárias para garantir a continuidade da atenção. Para Starfield (2002), a coordenação ou integração dos serviços implica a garantia de continuidade do cuidado por meio de estratégias que busquem integrar as diversas ações e serviços necessários para resolver demandas menos frequentes e mais complexas. Na experiência do usuário, segundo Starfield (2002, p.), a coordenação pode ser bem expressada na resposta afirmativa à assertiva: “se vários médicos estão envolvidos em meu tratamento, meu médico organiza-o” (sic). Na SMS de Aracaju, a principal estrutura de regulação de procedimentos de atenção especializada é constituída pelo Núcleo de Controle, Avaliação, Auditoria e Regulação (NUCAAR), responsável pela programação da oferta, a contratação de serviços, o monitoramento, o processamento das contas, a regulação de exames e consultas e a autorização de procedimentos de alta complexidade. Ao NUCAAR cabe também a observação do cumprimento das normas inerentes à organização e ao funcionamento do SUS, tais como coibir desperdícios e fraudes na utilização de procedimentos oferecidos e regular as ações de saúde com o objetivo de ofertá-las em tempo oportuno, com resolutividade e satisfação do usuário (Prefeitura Municipal de Aracaju. Secretaria Municipal de Saúde, 2008). De acordo com o Relatório de Gestão de 2007, entre as atividades de controle, avaliação e auditoria encontram-se: a atualização dos cadastros das unidades de saúde junto ao Sistema de Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES); o ajuste dos faturamentos das unidades ao teto financeiro destinado ao município; a emissão de relatórios de pagamento aos prestadores de serviços integrantes da rede assistencial; o acompanhamento dos parâmetros de qualidade, resolutividade, eficiência e eficácia estabelecidos pelos 262 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO órgãos competentes do SUS; além da realização de auditorias provenientes de denúncias locais e vistorias (Prefeitura Municipal de Aracaju. Secretaria Municipal de Saúde, 2008). A Central Municipal de Regulação, de acordo com dados de 2007, oferece 571 diferentes tipos de procedimentos entre consultas e exames de média e alta complexidade. De acordo com o Relatório de Gestão 2007, um dos objetivos da SMS para 2008 era iniciar a regulação de cirurgias eletivas e capacitar-se para a regulação de leitos, o que até o momento da realização da pesquisa ainda não havia sido constatado. Atualmente, todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e os Centros de Especialidades contam com o Terminal de Atendimento do SUS (TAS), instalado nos consultórios, nas recepções e nas salas de procedimentos. O TAS é responsável pela emissão de guias de autorização para a realização de exames e de consultas especializadas. A rede especializada própria municipal compreende dois Centros de Especialidades Médicas gerais (CEMAR Siqueira Campos e Augusto Franco) e um Centro de Especialidades Médicas da Criança e do Adolescente (CEMCA). Estes centros oferecem ações nas áreas de saúde da criança e adolescente, DST/AIDS, cardiologia, tuberculose, hanseníase, endocrinologia, otorrinolaringologia, oftalmologia, cabeça e pescoço, hospitaldia, odontologia (Centro de Especialidades Odontológicas), saúde do trabalhador e saúde da mulher. Além da rede própria municipal, serviços do setor privado foram contratados por meio de Chamamento Público para os procedimentos de média e alta complexidade ambulatorial que não são executados ou são insuficientes. A Rede de Atenção Hospitalar é composta por prestadores públicos e privados, que atendem a população de Aracaju e dos municípios do interior do estado. Há pactuação entre estado, município e prestadores hospitalares, o Termo de Contrato entre Entes Públicos, no qual estão definidos os recursos financeiros repassados à gestão da SMS de Aracaju com o objetivo de garantir acesso à atenção hospitalar aos munícipes e moradores do interior. 1. ACESSO A CONSULTAS ESPECIALIZADAS Em Aracaju, a forma mais frequente de acesso às consultas especializadas é o encaminhamento das unidades básicas de saúde. Com base no pedido do médico da Saúde da Família para determinada consulta ou exame, o usuário recebe uma autorização por NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ X. Integração 263 meio do TAS. O sistema possui campos para digitação da justificativa clínica, endereço e número do cartão SUS do usuário, preenchidos pelo médico ou por funcionário administrativo da unidade. Desde 2002, já havia sido relatada a implantação de sistemas informatizados de marcação de consulta nas UBS. Logo, o percurso mais comum quando um paciente é atendido no centro de saúde e necessita ser encaminhado para consulta especializada é que o agendamento seja realizado na própria unidade e, posteriormente, informado ao usuário. Há casos em que a marcação do procedimento especializado pode ser realizada após a consulta, quando a referência é para a rede própria municipal e, principalmente, se há oferta suficiente. No caso da rede privada, o ticket gerado pelo TAS deve ser levado diretamente ao prestador, responsável pela definição do dia e horário do exame ou da consulta. Há também casos que ficam “sob análise” e são encaminhados ao setor de regulação da SMS. Após a avaliação dos médicos reguladores, a resposta é reencaminhada à UBS. Para saber a data e o local do procedimento, o usuário deve retornar ao centro de saúde no período estipulado pela própria autorização gerada pelo TAS. Caso a marcação seja feita antes da data estipulada no ticket, o usuário é informado por telefone ou por visita domiciliar do ACS e deve dirigir-se novamente à UBS para buscar a autorização. Para a oferta de média complexidade, Aracaju conta com dois Centros de Especialidades Médicas localizados nas zonas norte e sul do município, que realizam a maior parte das consultas e exames especializados. Estes centros não são referência para as UBS de determinada região de saúde. Cada CEMAR é referência para todos os centros de saúde em função das especialidades oferecidas. Além disso, conforme mencionado, são contratados procedimentos da rede privada, principalmente exames de apoio à diagnose. Nos centros de saúde com maior número de equipes de saúde da família estão presentes profissionais de apoio, como pediatras, clínicos, ginecologistas, dentistas e enfermeiros, que funcionam como primeira referência. Segundo o secretário municipal de saúde, a presença do pediatra na unidade básica aumentou consideravelmente a resolutividade deste nível de atenção. Entretanto, conforme destacaram outros gestores entrevistados, definir o papel destas equipes de apoio dentro da UBS ainda representa um grande desafio. Conforme o planejamento inicial, estes profissionais só deveriam atender aos casos encaminhados pela Saúde da Família. Na prática, observa-se que, por exemplo, nas equipes em que há pediatra, este profissional acaba se responsabilizando pelo atendimento às crianças, conforme destacou a secretária adjunta de saúde. Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 264 Os fluxos de referência para especialidades estão definidos e são controlados por meio da central municipal de marcação de consultas. Os tempos de espera para consultas variam de acordo com as especialidades. O coordenador do NUCAAR informou que há filas de espera para endocrinologia, dermatologia, oftalmologia, otorrinolaringologia, reumatologia, geriatria, cirurgia cabeça e pescoço, oncologia e fisioterapia. Foram destacadas, na avaliação de outros gestores e gerentes da SMS, as filas para oftalmologia, ortopedia, urologia e otorrinolaringologia. Segundo o coordenador do NUCAAR, o tempo médio de espera ideal seria de, no máximo, 60 dias, exceto nos casos considerados prioridade “zero”, como idosos, gestantes, crianças, deficientes e pacientes com suspeita de neoplasias. Além desses grupos, demandas advindas de processos judiciais também acabam sendo priorizadas nas filas. Contudo, relatou que tempos de espera superiores a seis meses, embora raros, ainda são observados para algumas especialidades. O secretário municipal de saúde destacou que alguns tempos de espera elevados são causados pela falta de profissionais especializados disponíveis para contratação, afirmativa corroborada por gerentes de UBS. Todos foram unânimes em destacar a falta de oftalmologistas no município, o que tem levado o prefeito a convocar médicos de outros estados. Na avaliação desses profissionais, os tempos de espera para consultas com especialistas não são muito longos e poderiam ser menores se os médicos da atenção básica utilizassem critérios de prioridade clínica de forma mais adequada. Segundo gerentes da SMS entrevistados, o sistema de marcação de consultas e exames especializados adotado pelo município – o TAS – não produz relatórios que permitam monitorar as filas de espera para consultas especializadas por unidade básica. A percepção sobre os tempos de espera é proveniente do controle de cada gerente de UBS sobre os encaminhamentos feitos pelos médicos e que necessitam de autorização dos reguladores na SMS e de relatórios produzidos pela coordenação de regulação. Em síntese, as principais estratégias de regulação das referências para consultas especializadas adotadas pelo município são: a definição de prioridades clínicas ou cirúrgicas, a existência de médico autorizador ou regulador e o acompanhamento das filas de espera pelo setor de regulação. Entre os mecanismos para organizar as referências para consultas especializadas encontram-se: serviço responsável pela marcação de consultas, guia de informações sobre os serviços disponíveis para referência, agendamento prévio na NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ X. Integração 265 unidade que encaminha o paciente e distribuição de cotas de consultas especializadas para o município por meio da PPI. Estão definidos mecanismos de contrarreferência para a atenção básica. Há um formulário gerado na unidade de referência no qual o especialista deveria registrar todos os procedimentos e orientações fornecidas ao paciente e encaminhar para a equipe de saúde da família. Contudo, raramente o instrumento é utilizado. Conforme relatou a coordenadora da atenção básica houve grande investimento da SMS para que os profissionais da atenção básica preenchessem as fichas de referência. Como a contrarreferência nunca retornava, estes profissionais acabaram por desistir de utilizá-la. Gestores locais avaliam que a ausência de contrarreferência tanto da atenção especializada quanto da hospitalar é um grande entrave ao trabalho das equipes de atenção básica. A demanda por atendimento especializado de moradores do interior do estado de Sergipe e até mesmo da Bahia e de Alagoas agrava a situação da oferta de consultas e exames em Aracaju, avaliaram gestores e gerentes entrevistados. O município é responsável por atender o interior por meio das cotas definidas pela Programação Pactuada e Integrada (PPI). Entretanto, conforme destacou a coordenadora da atenção básica, muitas pessoas que têm parentes em Aracaju acabam acessando a atenção especializada por meio da atenção básica. Como as UBS são a porta preferencial de entrada no sistema, moradores do interior se cadastram via cartão SUS e seguem o mesmo fluxo dos demais usuários da cidade, por considerarem o acesso ao sistema de saúde melhor em Aracaju. Informou que embora o município tenha cerca de “520 mil habitantes, possui mais de um milhão de usuários cadastrados pelo cartão SUS”. A dificuldade de contratação de alguns especialistas também representa entrave à oferta de média complexidade. O município vem realizando concurso público para contratação, mas “para algumas especialidades, não há sequer inscritos”, destacou a secretária adjunta de saúde. Mencionou também que outra estratégia é a compra de serviços da rede privada, embora o valor dos procedimentos pago pela tabela SUS seja considerado insuficiente pelos prestadores. Entre as dificuldades para a operação do TAS, segundo a coordenadora da atenção básica, os profissionais de saúde apresentam resistências para a operação do sistema, atribuídas à baixa velocidade, à ergonomia do equipamento e ao fato de terem que digitar os dados do encaminhamento. De acordo com a entrevistada e com gerentes locais, os médicos estariam se recusando a preencher as justificativas clínicas de forma adequada, gerando Aracaju 266 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO acúmulos de solicitações no setor de regulação da SMS. Esta dificuldade vem sendo enfrentada por meio do contato direto entre regulador e gerentes de UBS para discussão dos casos que devem ser priorizados. Segundo gerentes dos centros de saúde, há uma rotina de reunião com médicos reguladores de 15 em 15 dias para análise dos casos que ainda não foram agendados. Além das dificuldades operacionais, os gestores entrevistados apresentaram críticas quanto à capacidade do sistema de exercer atividades de regulação e monitoramento da atenção especializada. Segundo o coordenador do NUCAAR, uma das maiores críticas que podem ser feitas ao TAS é o fato de só permitir que o paciente entre no sistema de saúde ao autorizar a marcação de determinado procedimento. Contudo, não possibilita saber se o usuário realizou ou não a consulta ou o exame agendado, informações fundamentais para o controle e a avaliação. O controle das agendas, informou o entrevistado, fica sob responsabilidade do prestador e não do setor de regulação da SMS. A situação agrava-se no caso dos prestadores privados, para os quais o controle público é ainda menor. Este problema pode ser exemplificado no Hospital Universitário (HU). Conforme destacou a representante do COREN, muitos usuários chegam até o HU com o ticket emitido pelo TAS, mas a marcação do procedimento não foi realizada, uma vez que o controle da agenda é feito pelo hospital e atende também à demanda gerada no próprio serviço. De acordo com o coordenador do NUCAAR, o SISREG seria o sistema mais adequado às funções de regulação e de avaliação disponível no momento, que é disponibilizado gratuitamente pelo MS e já é adotado em outros grandes centros urbanos. Acesso das famílias usuárias da ESF à atenção especializada segundo profissionais e famílias Nos questionários aplicados aos profissionais e às famílias foram avaliadas questões referentes ao acesso e à utilização de serviços especializados, tais como o percurso mais comum do usuário desde o encaminhamento da Estratégia Saúde da Família, a utilização de normas e de procedimentos para referência e contrarreferência, a existência de central de marcação de consultas, a realização de agendamento para outros serviços, o tempo médio de espera, a resolutividade do atendimento, o tipo de serviço de saúde utilizado para referência, o modo de encaminhamento e a consecução do atendimento pelo especialista. Para 44% dos médicos e enfermeiros entrevistados, o percurso mais comum utilizado NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ X. Integração 267 quando um paciente é atendido na unidade básica de saúde e necessita ser encaminhado para consulta especializada é o agendamento pela unidade básica de saúde e a data, posteriormente informada ao paciente. Outros 24% informaram que o paciente sai da UBS com a consulta agendada. Esta realidade difere da encontrada em 2002. Segundo a maioria dos médicos (100%) e enfermeiros (74%) entrevistados à época, o encaminhamento para consultas especializadas era feito pela central de marcação de consultas especializadas e não nos centros de saúde. Tabela 1 – D2 Percurso mais comum quando um paciente é atendido na unidade básica de saúde e necessita ser encaminhado para uma consulta especializada, informado pelos Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Percurso O paciente sai da unidade com a consulta agendada A consulta é agendada pela unidade básica de saúde e a data posteriormente informada ao paciente A consulta é agendada pelo próprio paciente junto à central de marcação O paciente recebe uma ficha de encaminhamento e deve-se dirigir a qualquer unidade especializada O paciente recebe uma ficha de encaminhamento sendo orientado pelo médico a procurar um determinado serviço ou profissional Não há percurso definido Não sabe informar Total Médico Enfermeiro Total n % n % n % 5 8,9 24 36,4 29 23,8 34 60,7 20 30,3 54 44,3 5 8,9 10 15,2 15 12,3 - - 4 6,1 4 3,3 6 10,7 6 9,1 12 9,8 5 8,9 1 1,5 6 4,9 1 1,8 1 1,5 2 1,6 56 100,0 66 100,0 122 100,0 Observação: n=56 médicos e n=66 enfermeiros. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. O modo de encaminhamento e de agendamento da consulta com especialista foi confirmado pelos usuários. Ao redor de 39% dos entrevistados referiram que a consulta com especialista nos últimos 12 meses foi agendada pelo Posto/Unidade de Saúde da Família. Cerca de 26% dos 303 entrevistados que consultaram um especialista nos últimos 12 meses informaram ter procurado o especialista por conta própria, sem qualquer encaminhamento. Tabela 2 – E27 Modo de encaminhamento do paciente para consulta com especialista nos últimos 12 meses, segundo experiência do entrevistado, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Modo de encaminhamento n % 118 38,9 Agendou por conta própria na Central de Marcação 13 4,3 Recebeu ficha de encaminhamento e agendou no serviço indicado pela USF 30 9,9 Recebeu ficha de encaminhamento e procurou por conta própria serviço de saúde 12 4,0 Consulta com especialista foi agendada pelo Posto/Unidade de Saúde da Família Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 268 Modo de encaminhamento Informada necessidade de consultar especialista, sem receber ficha de encaminhamento n % 8 2,6 Não foi encaminhado pela ESF/ Encaminhado por outro serviço 27 8,9 Procurou por conta própria sem qualquer encaminhamento 78 25,7 Foi encaminhado por médico, clínica ou ambulatório particular 14 4,6 3 1,0 303 100,0 Outros* Total Observação: n=303 entrevistados que realizaram consulta com especialista nos últimos 12 meses. *Outros modos de encaminhamento para consulta com especialista nos últimos 12 meses: não respondeu; faz tratamento de câncer; não foi ao posto e se auto encaminhou. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Mais da metade dos médicos (59%) informou que os profissionais de saúde de sua unidade utilizam sempre ou na maioria das vezes normas definidas para referência e contrarreferência. Contudo, 41% disseram que poucas vezes e nunca utilizam as normas. Quanto aos enfermeiros, 77% declararam utilizá-las. Os profissionais de atenção básica discutem sempre ou na maioria das vezes com o usuário/cliente, ou indicam os possíveis lugares de atendimento, quando ele precisa ser referido a outros serviços, segundo 70% dos 56 médicos e 83% dos enfermeiros. Tabela 3 – D7 D8 Frequência de uso de normas para referência e informação ao paciente sobre locais para atendimento, informadas por Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Na maioria das vezes Sempre Normas e procedimentos Médicos D7 Frequência com que os profissionais de saúde na sua unidade utilizam normas definidas para referência e contrarreferência? D8 Quando um usuário/cliente precisar ser referido a outros serviços, os profissionais de atenção básica discutem com ele ou indicam os possíveis lugares de atendimento Enfermeiros D7 Frequência com que os profissionais de saúde na sua unidade utilizam normas definidas para referência e contrarreferência D8 Quando um usuário/cliente precisa ser referido a outros serviços, os profissionais de atenção básica discutem com ele ou indicam os possíveis lugares de atendimento Poucas vezes Nunca Total n % n % n % n % n % 16 28,6 17 30,4 18 32,1 5 8,9 56 100,0 15 26,8 24 42,9 7 12,5 10 17,9 56 100,0 29 43,9 22 33,3 14 21,2 1 1,5 66 100,0 32 48,5 23 34,8 10 15,2 1 1,5 66 100,0 Observação: n=56 médicos e n=66 enfermeiros. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ X. Integração 269 Entre as famílias com alguma experiência de encaminhamento, 65%1 relataram receber informações por escrito sobre o seu problema de saúde para que fossem entregues ao especialista. Apenas 35% negaram receber informações dos profissionais da ESF. Tabela 4 – E20 Fornecimento de informações por escrito pelos profissionais da equipe de saúde da família no encaminhamento ao especialista segundo famílias cadastradas, Aracaju (SE), 2008 Informações por escrito n % Sim 226 37,4 Não 120 19,8 Nunca precisou ser encaminhado pela ESF 259 42,8 Total 605 100,0 Observação: n=605 famílias com integrante que teve experiência de atendimento pela Estratégia Saúde da Família. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. A contrarreferência formalizada é um pouco menos frequente. No caso do usuário ou alguém de sua família ser encaminhado ao especialista, cerca de 28% dos entrevistados informaram retornar ao Posto/Unidade de Saúde da Família com informações por escrito sobre o resultado da consulta. Se considerados apenas aqueles já encaminhados,2 este percentual alcança 50%, o que se pode considerar uma proporção elevada de pacientes que recebe documentação de contrarreferência do especialista. Em 2002, 40% dos médicos entrevistados no município disseram que as informações são relatadas verbalmente pelo próprio paciente. Já 47% dos enfermeiros informaram receber somente às vezes a contrarreferência dos pacientes encaminhados. Tabela 5 - E21 Contrarreferência dos especialistas para equipe de saúde da família segundo famílias cadastradas, Aracaju (SE), 2008 Informações por escrito n % Sim 169 27,9 Não 172 28,4 Nunca precisou ser encaminhado pela ESF 264 43,6 Total 605 100,0 Observação: n=605 famílias com integrante que teve experiência de atendimento pela Estratégia Saúde da Família. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. A maioria dos médicos e dos enfermeiros entrevistados (90%) afirmou que existe uma central de marcação de consultas especializadas no município de Aracaju. Em 2002, a 1 2 226/346 famílias com alguma experiência de encaminhamento ao especialista pela ESF. Respostas de 169/341 famílias com alguma experiência de encaminhamento ao especialista pela ESF. Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 270 existência da central de marcação de consultas especializadas também foi confirmada por 94% dos médicos e 91% dos enfermeiros. Tabela 6 – D9 Existência de uma central de marcação de consultas especializadas informado pelos Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Central de Marcação Médico Enfermeiro Total n % n % n % Sim 48 85,7 62 93,9 110 90,2 Não 4 7,1 4 6,1 8 6,6 Não sabe informar Total 4 7,1 - - 4 3,3 56 100,0 66 100,0 122 100,0 Observação: n=56 médicos e n=66 enfermeiros. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Em relação à frequência de agendamento para outros serviços, 50% dos médicos das ESFs de Aracaju afirmaram que poucas vezes conseguem agendar para os ambulatórios de média complexidade. Esse resultado difere do percentual encontrado em 2002: cerca de 58% dos médicos entrevistados relataram então que, na maioria das vezes, os agendamentos para os ambulatórios de média complexidade eram realizados. Para procedimentos de alta complexidade/alto custo, 84% dos médicos referiram que poucas vezes e nunca se consegue agendamento, o que sugere não ser esta sua atribuição rotineira. Em 2002, a maior dificuldade de agendamento também esteve relacionada aos ambulatórios de alta complexidade, segundo 79% dos médicos das ESFs. A comparação das respostas obtidas sobre o serviço de apoio diagnóstico e terapia em 2002 e 2008 também permite observar diferenças. Em 2008, 59% dos médicos relataram que poucas vezes e nunca se conseguia agendamento para o serviço de diagnose e terapia. Já em 2002, 67% dos médicos informaram que sempre e na maioria das vezes o serviço de apoio diagnóstico e terapêutico era agendado. Para os serviços de maternidade, 57% dos médicos afirmaram conseguir realizar agendamento sempre ou na maioria das vezes. Em 2002, esse percentual foi de 70%. No que se refere às internações, 36% dos profissionais declararam que poucas vezes conseguem agendamento e 29%, nunca, totalizando 65%. Em 2002, a avaliação dos médicos foi positiva em relação às internações: cerca de 55% deles afirmaram conseguir agendá-las sempre ou na maioria das vezes. Entre os enfermeiros, 62% informaram que sempre ou na maioria das vezes conseguem agendamento para serviços ambulatoriais de média complexidade. Analisando os NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ X. Integração 271 resultados de 2002, observou-se que os agendamentos para ambulatórios de média complexidade eram realizados sempre ou na maioria das vezes para 79% dos enfermeiros. Os dados atuais mostram que 73% dos enfermeiros indicam que poucas vezes ou nunca se consegue agendar procedimentos de alta complexidade/alto custo. No ano de 2002, esse percentual foi de 56%. Cerca de 47% dos enfermeiros informaram que, na maioria das vezes, conseguem realizar agendamento para serviço de apoio diagnóstico e terapia; no entanto, um percentual importante (35%) mencionou conseguir agendar para esse serviço poucas vezes. Já em 2002, 65% dos enfermeiros entrevistados referiram que sempre e na maioria das vezes os serviços de diagnose e terapia eram agendados. Para os serviços de maternidade, 30% destes profissionais disseram que sempre se consegue agendamento e 47%, na maioria das vezes, totalizando 77% de respostas afirmativas entre enfermeiros. Em 2002, metade deles afirmou sempre conseguir agendamento para esse tipo de serviço. Para 45% dos enfermeiros, sempre ou na maioria das vezes consegue-se agendamento para internações, resultado semelhante ao encontrado em 2002 (41%). Tabela 7 – D15 Frequência com que conseguem realizar o agendamento para outros serviços segundo Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Médico Tipo de serviço Sempre n Ambulatórios de média complexidade Procedimentos de alta complexidade/ alto custo Serviços de Apoio diagnóstico e terapia Maternidade Internações Na maioria das vezes % n % Enfermeiro Na maioria das vezes Poucas vezes Nunca n % n % n % n % n Não sabe Sempre Poucas vezes Nunca % n % n % n % Não sabe - - 24 42,9 28 50,0 2 3,6 2 3,6 3 4,5 38 57,6 19 28,8 3 4,5 3 4,5 - - 7 12,5 33 58,9 14 25,0 2 3,6 2 3,0 10 15,2 36 54,5 12 18,2 6 9,1 1 1,8 20 35,7 23 41,1 10 17,9 2 3,6 4 6,1 31 47,0 23 34,8 5 7,6 3 4,5 10 17,9 22 39,3 11 19,6 7 12,5 6 10,7 20 30,3 31 47,0 8 12,1 4 6,1 3 4,5 5 8,9 11 19,6 20 35,7 16 28,6 4 10,6 23 34,8 18 27,3 10 15,2 7,1 7 8 12,1 Observação: n=56 médicos e n=66 enfermeiros. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 272 Tabela 8 – D15 Frequência com que conseguem realizar o agendamento para outros serviços segundo Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 – Total n 3 Na maioria das vezes % n % 2,5 62 50,8 Poucas vezes n % 47 38,5 2 1,6 17 13,9 69 5 4,1 51 41,8 Maternidade 30 24,6 53 Internações 12 9,8 34 Sempre Tipo de serviço Ambulatórios de média complexidade Procedimentos de alta complexidade/alto custo Serviços de apoio diagnóstico e terapia Nunca Não sabe n 5 % 4,1 n 5 % 4,1 56,6 26 21,3 8 6,6 46 37,7 15 12,3 5 4,1 43,4 19 15,6 11 9 9 7,4 27,9 38 31,1 26 21,3 12 9,8 Observação: n=56 médicos e n=66 enfermeiros. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 9 – Frequência com que conseguem realizar o agendamento para outros serviços segundo médicos, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2002 Frequência dos agendamentos Na maioria das vezes Sempre Poucas vezes Nunca NR Total n % n % n % n % n % n % Ambulatórios de média complexidade - - 19 57,6 13 39,4 - - 1 3,0 33 100,0 Ambulatórios de alta complexidade 1 3,0 4 12,1 22 66,7 4 12,1 2 6,1 33 100,0 Serviços de apoio diagnóstico e terapia 6 18,2 16 48,5 10 30,3 - - 1 3,0 33 100,0 Maternidade 13 39,4 10 30,3 4 12,1 4 12,1 2 6,1 33 100,0 Internações 7 21,2 11 33,3 6 18,2 5 15,2 4 12,1 33 100,0 Observação: n=33 médicos. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Escorel et al., 2003. Tabela 10 – Frequência com que conseguem realizar o agendamento para outros serviços segundo enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2002 Frequência dos agendamentos Na maioria das vezes Sempre Poucas vezes Nunca NR Total n % n % n % n % n % Ambulatórios de média complexidade 7 20,6 20 58,8 4 11,8 1 2,9 2 5,9 34 100,0 Ambulatórios de alta complexidade 1 2,9 7 20,6 16 47,1 3 8,8 7 20,6 34 100,0 Serviços de apoio diagnóstico e terapia 8 23,5 14 41,3 5 14,7 1 2,9 6 17,6 34 100,0 Maternidade 17 50,1 3 8,8 - - 8 23,5 6 17,6 34 100,0 Internações 5 14,7 9 26,5 3 8,8 7 20,6 10 29,4 34 100,0 Observação: n=34 enfermeiros. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Escorel et al., 2003. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ n % X. Integração 273 Foi perguntado aos profissionais de nível superior (médicos e enfermeiros) das ESFs de Aracaju sobre o tempo médio de espera do paciente referenciado para outros níveis de complexidade. O tempo médio de espera do paciente referenciado para os serviços de consultas especializadas foi estimado, por 45% dos médicos, em três meses e mais. Segundo resultados de 2002, 79% dos médicos informaram tempo médio de espera de até três meses para ações especializadas. Contudo, no que se refere às consultas de cardiologia, em 2008, 70% dos médicos indicaram tempo de espera de até dois meses. Para diagnose e terapia, os tempos estimados de espera foram menores. Para exames de radiologia e ultrassom, 47% dos médicos estimaram o tempo médio de espera de até dois meses. Os melhores resultados foram para exames de patologia clínica: 36% informaram tempo médio de espera de até três semanas. Já em 2002, para 73% dos médicos, esse tempo foi de até um mês. Um percentual de 66% dos médicos estimou espera de três meses e mais para as internações. De acordo com informações de 2002, 61% dos médicos indicaram período de espera de até dois meses e cerca de 39% não souberam responder. Quanto aos enfermeiros, 71% estimaram tempo médio de espera de até dois meses para consultas especializadas. Em 2002, 65% dos enfermeiros informaram tempo de espera de até dois meses para as ações especializadas e um percentual importante (33%) não soube informá-lo. No caso das consultas de cardiologia, 45% dos enfermeiros informaram espera de até um mês. Para exames de radiologia e ultrassom, 58% dos enfermeiros relataram tempo médio de espera de até dois meses. Cerca de 50% dos enfermeiros consideraram o tempo médio de espera de até três semanas para os exames de patologia clínica. Em 2002, o tempo médio de espera para exames foi, segundo 71% dos enfermeiros, de até dois meses. Para as internações, 53% informaram espera de três meses e mais. Em 2002, 56% dos enfermeiros estimaram espera de até dois meses para as internações e 44% não souberam responder. Considerando a opinião do conjunto de médicos e enfermeiros, 59% estimam um tempo de espera de até dois meses entre o encaminhamento e a realização da consulta especializada. No caso das consultas de cardiologia, 41% informaram espera de até um mês. Os melhores resultados foram para exames de patologia clínica: 44% dos médicos e enfermeiros avaliaram tempo médio de espera de até três semanas, indicando menores dificuldades de acesso. Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 274 Para exames de radiologia e ultrassom, 53% do conjunto de médicos e enfermeiros mencionaram período de espera de até dois meses. Para as internações, 48% dos médicos e enfermeiros estimaram tempo de espera de três meses e mais. Os tempos de espera para internações são pouco conhecidos pelos enfermeiros entrevistados: 47% não souberam estimá-los, o que indica não ser esta sua atribuição. Tabela 11 – D16 Tempo médio de espera do paciente referenciado para os outros níveis de complexidade estimado por Médicos, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Tipo de serviço 1 a 2 dias 3 a 7 dias 1a 3 semanas n % 1 mês % n % Consultas especializadas - - - - - - 7 12,5 18 32,1 25 44,6 6 10,7 Consultas de cardiologia - - - - 2 3,6 18 32,1 19 33,9 12 21,4 5 Exame patologia clínica 3 5,4 Exames radiologia e ultrassom - - 2 3,6 2 3,6 Internações para cirurgia eletiva - - - - - - 10 17,9 % n % 3 meses Não sabe e mais informar n % n % n 7 12,5 n 2 meses 9 16,1 8 14,3 6 10,7 6 10,7 16 28,6 26 46,4 1 1,8 2 3,6 37 66,1 8,9 13 23,2 4 7,1 16 28,6 Observação: n=56 médicos. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 12 – D16 Tempo médio de espera do paciente referenciado para os outros níveis de complexidade estimado por Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Tipo de serviço 1 a 2 dias n 3 a 7 dias % n % 1a 3 semanas n % n % 2 meses n % 3 meses e mais N % Não sabe informar n % Consultas especializadas - - 2 3,0 9,1 14 21,2 25 37,9 14 21,2 5 7,6 Consultas de cardiologia 1 1,5 - - 9 13,6 20 30,3 16 24,2 15 22,7 5 7,6 12 18,2 16 24,2 10 15,2 11 16,7 9,1 6 9,1 8 12,1 12 18,2 16 24,2 23 34,8 5 7,6 8 12,1 22 33,3 Exames patologia clínica 5 7,6 Exames radiologia e ultrassom 1 1,5 1 1,5 Internações para cirurgia eletiva - - - - 6 1 mês - - 5 7,6 6 31 47,0 Observação: n=66 enfermeiros. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 13 – D16 Tempo médio de espera do paciente referenciado para os outros níveis de complexidade estimado por Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 – Total 1 a 2 dias Tipo de serviço n 3a7 dias 1a 3 semanas % n % 1 mês n % n % 2 meses n % 3 meses e mais n % Não sabe informar n % Consultas especializadas - - - 1,6 6 4,9 21 17,2 43 35,2 39 32,0 11 9,0 Consultas de cardiologia 1 0,8 - - 11 9,0 38 31,1 35 28,7 27 22,1 10 8,2 19 15,6 Exames patologia clínica 8 6,6 26 21,3 19 15,6 19 15,6 12 Exames radiologia e ultrassom 1 0,8 19 15,6 3 2,5 10 8,2 18 14,8 32 26,2 49 40,2 Internações para cirurgia eletiva - - - - - - 10 59 48,4 6 4,9 8,2 Observação: n=56 médicos e n=66 enfermeiros. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ 9,8 9 7,4 47 38,5 X. Integração 275 Tabela 14 – Tempo de espera para ações especializadas, exames e internações no sistema local de saúde estimado por médicos, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2002 Tempos de espera 1 a 2 dias Ações Especializadas n % 1 3,0 Exames n 2 % 6,1 Internações n 12 % 36,4 3 a 6 dias - - 2 6,1 2 6,1 7 a 10 dias 4 12,1 8 24,2 - - 11 a 15 dias 6 18,2 8 24,2 - - 16 a 30 dias 8 24,3 4 12,1 5 15,2 31 a 60 dias 4 12,1 - - 1 3,0 61 a 90 dias 3 9,1 2 6,1 - - 91 a 120 dias - - - - - - Mais de 120 dias - - - - - - Não respondeu 7 21,2 7 21,2 13 39,3 Observação: n=33 médicos. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Escorel et al., 2002. Tabela 15 – Tempo de espera para ações especializadas, exames e internações no sistema local de saúde estimado por enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2002 Tempos de espera 1 a 2 dias Ações Especializadas n % - Exames n 7 % 20,6 Internações n 16 % 47,1 3 a 6 dias 3 8,8 8 23,5 2 5,9 7 a 10 dias 8 23,5 4 11,8 - - 11 a 15 dias 1 2,9 2 5,9 - - 16 a 30 dias 5 14,7 2 5,9 - - 31 a 60 dias 5 14,7 1 2,9 1 2,9 61 a 90 dias 1 2,9 - - - - 91 a 120 dias - - 1 2,9 - - Mais de 120 dias - - - - - - 11 32,5 9 26,5 15 44,1 Não respondeu Observação: n=34 enfermeiros. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Escorel et al., 2003. Sobre a resolutividade do atendimento e a necessidade de encaminhamento para o especialista, a maioria das famílias (60%) informou conseguir resolver o problema de saúde neste atendimento; no entanto, 36% relataram ser necessário procurar por um especialista para a resolução dos seus problemas. Em 2002, 76% das famílias assistidas pelas equipes de saúde da família consideraram o atendimento resolutivo. Aracaju 276 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Tabela 16 – E19 Resolutividade do atendimento e necessidade de encaminhamento para especialista segundo famílias cadastradas, Estratégia Saúde de Família, Aracaju (SE), 2008 Encaminhamento para especialista Conseguem resolver o problema de saúde neste atendimento Precisam procurar um especialista Nunca precisou de atendimento da ESF Não respondeu Total 2008 2002 n % n % 366 60,4 183 76,2 217 35,9 46 19,2 22 3,6 - - - - 11 4,6 605 100,0 240 100,0 Observação: n=605 famílias com integrante que teve experiência de atendimento pela Estratégia Saúde da Família (2008); n=240 famílias assistidas pelo PSF (2002). Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Entre as famílias entrevistadas, 52% relataram que ninguém da sua família fora atendido pelo médico ou por enfermeiro da ESF nos últimos 30 dias. Dos 287 respondentes que afirmaram que ele ou alguém de sua família fora atendido pelo médico da ESF no último mês, 79% (227/287) informaram que não houve necessidade de encaminhamento para outro serviço de saúde, enquanto 21% disseram ter sido encaminhados. De acordo com os resultados de 2002, das 175 famílias em que pelo menos um membro entrara em contato com um profissional da ESF nos últimos 30 dias, 30% precisara procurar algum outro serviço, para a realização de consulta, exame ou internação, enquanto uma proporção de 69% não precisou procurá-lo. Tabela 17 – E22 Necessidade de encaminhamento para outro serviço de saúde ou outro profissional em atendimento feito por médico da equipe de saúde da família nos últimos 30 dias segundo famílias cadastradas, Aracaju (SE), 2008 Encaminhamento para especialista n % Sim 60 9,9 Não 227 37,5 Ninguém da família foi atendido pelo médico nos últimos 30 dias 317 52,4 1 0,2 605 100,0 Não respondeu Total Observação: n=605 famílias com integrante que teve experiência de atendimento pela Estratégia Saúde da Família. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Considerando somente os encaminhamentos para especialistas e excluindo aqueles para exames (que não se configuram como encaminhamento, mas como pedido de exame) observou-se um percentual de apenas 15% de encaminhamentos nos atendimentos de famílias nos últimos 30 dias. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ X. Integração 277 Já em 2002, entre os motivos de encaminhamento para outros serviços após atendimento por qualquer profissional da ESF, 51% foram para consulta médica, 45% para exames e 2% para internação. Contudo, analisando apenas as referências para consultas médicas e internações, observou-se a proporção similar de 16% de encaminhamentos nos atendimentos realizados por médicos e enfermeiros nos últimos 30 dias. Tabela 18 – E23 Motivos do encaminhamento pelo médico da equipe de saúde da família nos últimos 30 dias segundo famílias cadastradas, Aracaju (SE), 2008 Motivos de encaminhamento Consulta médica com especialista Exames 2008 2002 n % n % 44 73,3 27 50,9 20 33,3 24 45,3 Internação ou cirurgia - - 1 1,9 Outro motivo 2 3,3 - - Não respondeu - - 2 3,8 Observação: n=60 famílias com integrante atendido por médico da ESF e encaminhado p-ara outro serviço de saúde ou profissional (2008); n=54 respondentes que precisaram ser encaminhados para outro serviço de saúde ou para outro profissional (2002). Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Foi perguntado se o próprio informante nos últimos 12 meses necessitara procurar um especialista ou uma clínica especializada para consulta: 50% dos entrevistados responderam afirmativamente. Tabela 19 – E24 Consulta do entrevistado com especialista nos últimos doze meses, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Consulta com especialista n % Sim 303 50,1 Não 302 49,9 Total 605 100,0 Observação: n=605 famílias com integrante que teve experiência de atendimento pela Estratégia Saúde da Família. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. O encaminhamento para essa consulta com o especialista foi feito, segundo 54% dos entrevistados, pelo Posto/Unidade de Saúde da Família (UBS). Tabela 20 – E25 Encaminhamento para consulta com especialista realizado por equipe de saúde da família nos últimos 12 meses segundo entrevistados, Aracaju (SE), 2008 Encaminhamento para especialista pela ESF n % Sim 161 53,5 Não 142 46,5 Total 303 100,0 Observação: n=303 entrevistados que realizaram consulta com especialista nos últimos 12 meses. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Aracaju 278 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO As consultas com especialistas foram realizadas em diferentes tipos de unidades. Nos últimos 12 meses, 29% dos entrevistados informaram que utilizaram consultórios particulares para consulta especializada. Já 21% dos usuários foram encaminhados para Postos ou Centros de Saúde do SUS para esse tipo de consulta, enquanto 15% utilizaram as Policlínicas do SUS. Outros 14% referiram que foram encaminhados para ambulatórios de hospitais públicos. Cerca de 41% procuraram algum tipo de serviço de saúde privado, destacando-se os consultórios particulares (29%). Tabela 21 – E26 Tipo de serviço de saúde para o qual o entrevistado foi encaminhado ou consulta com especialista nos últimos 12 meses, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Tipos de serviços de saúde n % Posto ou Centro de Saúde do SUS 63 20,8 Policlínica ou centro de especialidades médicas ou PAM do SUS 45 14,9 Ambulatório de hospital público 42 13,9 Ambulatório ou consultório de clínica ou hospital privado 32 10,6 Pronto-socorro ou emergência públicos 15 5,0 Pronto-socorro ou emergência privados Consultório particular Não foi encaminhado Outros* Total 5 1,7 88 29,0 9 2,9 13 4,3 303 100,0 Observação: n=303 entrevistados que realizaram consulta com especialista nos últimos 12 meses. *Outros tipos de serviços de saúde para os quais o entrevistado foi encaminhado ou consultou com especialista nos últimos 12 meses: não sabe informar (2); IPES; ginecologista. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. A partir do encaminhamento realizado nos últimos 12 meses, apenas 5% dos entrevistados não conseguiram ser atendidos pelo especialista. Tabela 22 – E28 Usuários que conseguiram ser atendidos pelo especialista a partir de encaminhamento realizado nos últimos doze meses, Aracaju (SE), 2008 Atendimento especializado n % Sim 163 53,8 Não 14 4,6 7 2,3 Procurou por conta própria 78 25,7 Não respondeu 41 13,5 303 100,0 Não procurou Total Observação: n=303 entrevistados que realizaram consulta com especialista nos últimos 12 meses. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Quanto ao intervalo de tempo transcorrido entre o encaminhamento pela ESF e a consulta com o especialista, 28% dos entrevistados informaram ter realizado a consulta em até 14 dias; para 60%, o tempo máximo transcorrido foi de até 30 dias, enquanto 18% relataram intervalo maior de 60 dias. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ X. Integração 279 Tabela 23 – E29 Intervalo de tempo transcorrido entre encaminhamento pela Equipe de Saúde da Família e realização da consulta por especialista, Aracaju (SE), 2008 Intervalo de tempo n % Frequência acumulada 0 dias 9 5,5 5,5 1 a 7 dias 23 14,1 19,6 8 a 14 dias 14 8,6 28,2 15 a 30 dias 51 31,3 59,5 31 a 60 dias 13 8,0 67,5 61 a 90 dias 14 8,6 76,1 91 e mais dias 15 9,2 85,3 Não respondeu 24 14,7 14,7 163 100,0 100,0 Total Observação: n=163 entrevistados que realizaram consultas com especialistas nos últimos 12 meses. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. 2. ACESSO AOS SERVIÇOS DE APOIO À DIAGNOSE E TERAPIA Nas unidades de saúde da família são coletados materiais para realização de exame citopatológico e de baciloscopia para tuberculose e hanseníase. Contingencialmente, em função da dengue, estava sendo coletado material para realização de hemograma. Com exceção destes casos, não há coleta de material para exames de patologia clínica nos centros de saúde. Os usuários que necessitam de qualquer tipo de exame são encaminhados para os laboratórios dos dois Centros de Especialidades Médicas de Aracaju e para os laboratórios conveniados. Os resultados dos exames são posteriormente entregues ao usuário no laboratório onde foram feitos, com exceção dos coletados nas UBS. No caso das gestantes, todos os exames iniciais do pré-natal são realizados no CEMAR e retornam diretamente para o centro de saúde. As consultas de retorno para avaliar os resultados dos exames são solicitadas pelo usuário, que pode ser atendido no mesmo dia ou então agendado, sem necessidade de passar pelo acolhimento. Nos casos mais graves, a data do retorno já fica pré-agendada no momento da solicitação do exame. Estão estabelecidas cotas físicas e financeiras para os prestadores de atenção especializada e para o município, mas não para as unidades básicas de saúde, mesma situação encontrada em 2002. De acordo com o coordenador do NUCAAR, o município ainda necessita avanços em sua capacidade de regulação com definição de plano de metas para estabelecer cotas físicas por centro de saúde. Aracaju 280 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Assim como as consultas especializadas, os exames de apoio diagnóstico e de patologia clínica são autorizados pelo TAS e incluem serviços próprios municipais e contratados. Há filas de espera para radiografia contrastada, mamografia, ultrassom ginecológico e clínico e endoscopia alta e baixa conforme avaliação do coordenador do NUCAAR. A coordenadora da atenção básica destacou as filas de espera para realização de ultrassom ginecológico. De acordo com dados de 2001, os exames de utrassonografia ocupavam o primeiro lugar na fila de espera para aquele ano (Escorel et al., 2002). De acordo com a entrevistada, há grande pressão da população para realização deste procedimento e os médicos acabam cedendo às pressões das usuárias, aumentando os tempos de espera. Gerentes de unidades locais também relataram que, muitas vezes, os profissionais cedem à pressão dos usuários e solicitam novamente exames que foram pedidos há pouco tempo. As filas são monitoradas por meio de relatórios mensais gerados pela equipe de 13 médicos reguladores. Entretanto, a coordenadora da atenção básica informou que o TAS não disponibiliza dados que permitam monitorar a fila de espera para exames por unidade, conforme mencionado. Em resumo, a definição de prioridades clínicas ou cirúrgicas e a existência de médico autorizador são as principais estratégias para a regulação das referências para exames de apoio diagnóstico. Entre os mecanismos para organizar as referências encontram-se: serviço responsável pela marcação de exames e terapias, formulário de encaminhamento para atendimento na unidade referenciada, agendamento prévio na unidade que encaminha o paciente e Programação Pactuada e Integrada (PPI). Segundo gerentes locais, a maior parte dos exames de apoio diagnóstico de média complexidade é solicitada pelo especialista. De acordo com a coordenadora da atenção básica, a relação de exames que deve ser solicitada apenas por especialistas já foi disponibilizada aos profissionais da AB por meio dos protocolos clínicos. O avanço das funções de regulação e de utilização dos protocolos otimizaria o uso dos recursos e diminuiria a solicitação excessiva, concluiu o coordenador do NUCAAR. Os exames de alta complexidade só podem ser solicitados pelo especialista e passam por processo de avaliação e autorização no NUCAAR. De acordo com avaliação do presidente do Sindicato Médico em relação a estes procedimentos, há muitas vezes solicitações desnecessárias. Não há prática sistemática de análise dos encaminhamentos para exames e consultas especializados realizados pelas equipes de saúde da família. O TAS não disponibiliza NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ X. Integração 281 relatórios que identifiquem as referências por equipe ou por profissional, destacou a coordenadora da atenção básica. Entre as dificuldades para garantir o acesso a exames de apoio à diagnose e terapia menciounou-se a quantidade excessiva de referências realizadas pela AB. A coordenadora da atenção básica avalia que isso pode estar acontecendo por insegurança do profissional em relação à sua própria capacidade clínica e por uma cultura que promove exames cada vez mais complexos. A secretária adjunta de saúde identificou também a pressão da população para a realização de exames como um dos fatores que aumentam as filas de espera. Como não há monitoramento das referências realizadas pela equipe de saúde da família, muitos exames são pedidos mais de uma vez. Uma das consequências é o não comparecimento para realização dos exames marcados e o grande número de usuários que não retornam para buscar os resultados. Acesso das famílias usuárias da ESF aos serviços de apoio à diagnose e terapia segundo famílias e profissionais Mais de 90% dos médicos e dos enfermeiros entrevistados em Aracaju afirmaram que exames de hematologia, bioquímica, sorologias, eletrocardiografia, radiologia simples, mamografia, ultrassonografia clínica e obstétrica podem ser solicitados pelos profissionais da Saúde da Família. Quanto à endoscopia, anatomopatologia e citopatologia, colposcopia, ecocardiografia, radiografia contrastada, 77%, 69%, 68%, 60%, 51%, dos entrevistados, respectivamente, informaram poder solicitar tais exames. Tabela 24 – D3 Tipos de exame que podem ser solicitados pelos profissionais de saúde da família segundo Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Tipos de exames Médico Enfermeiro Total n % n % n % 56 100,0 65 98,5 121 99,2 b) Bioquímica 56 100,0 65 98,5 121 99,2 c) Sorologias d) Anatomopatologia e citopatologia e) Eletrocardiografia 56 100,0 66 100,0 122 100,0 33 58,9 51 77,3 84 68,9 55 98,2 64 97,0 119 97,5 f) Radiologia simples 55 98,2 64 97,0 119 97,5 g) Radiografia contrastada 30 53,6 32 48,5 62 50,8 a) Hematologia h) Mamografia 51 91,1 59 89,4 110 90,2 i) Colposcopia 34 60,7 49 74,2 83 68,0 j) Ultrassonografia obstétrica 53 94,6 66 100,0 119 97,5 Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 282 k) Ultrassonografia clínica 54 96,4 60 90,9 114 93,4 l) Ecocardiografia 35 62,5 38 57,6 73 59,8 m) Métodos endoscópicos 46 82,1 48 72,7 94 77,0 n) Audiometria 22 39,3 24 36,4 46 37,7 o) Tomografia computadorizada 20 35,7 13 19,7 33 27,0 Observação: n=56 médicos e n=66 enfermeiros. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Sessenta e oito por cento dos médicos e 86% dos enfermeiros entrevistados informaram que sempre ou na maioria das vezes há normas definidas para a solicitação de exames laboratoriais de complementação diagnóstica. Um total de 54% do conjunto de médicos e enfermeiros informaram que poucas vezes e nunca há coleta de material para exames de laboratório na UBS onde trabalham. Tabela 25 – D5 Existência de normas definidas para solicitação de exames laboratoriais informada por Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Sempre Existência de normas Médicos D5 Existem normas definidas para a solicitação de exames laboratoriais de complementação diagnóstica? Enfermeiros D5 Existem normas definidas para a solicitação de exames laboratoriais de complementação diagnóstica? Na maioria Poucas vezes das vezes n % n % n % 22 39,3 16 28,6 10 26 39,4 31 47,0 6 Nunca Total n % n % 17,9 8 14,3 56 100,0 9,1 3 4,5 66 100,0 Observação: n=56 médicos e n=66 enfermeiros. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 26 – D6 Existência de coleta de material para exames de laboratório na UBS informada pelos Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 – Total Existência de coleta de material Sempre Médico n Enfermeiro Total % n % n % 5 8,9 20 30,3 25 20,5 Na maioria das vezes 13 23,2 17 25,8 30 24,6 Poucas vezes 32 57,1 28 42,4 60 49,2 Nunca 6 10,7 - - 6 4,9 Não respondeu - - 1 1,5 1 0,8 56 100,0 66 100,0 122 100,0 Total Observação: n=56 médicos e n=66 enfermeiros. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. O local de coleta de material para exames, após o atendimento pela equipe de saúde da família, é distante, conforme ressaltaram 69% das famílias entrevistadas. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ X. Integração 283 Tabela 27 – F2 Local de coleta de exames de análises clínicas após atendimento pela equipe de saúde da família segundo famílias cadastradas, Aracaju (SE), 2008 Local de coleta n % 25 5,3 Local próximo da USF 105 22,3 Local distante da USF 325 69,1 No próprio domicílio 11 2,3 4 0,9 470 100,0 Posto/Unidade de Saúde da Família (USF) Não respondeu Total Observação: n=470 famílias com integrante que teve exames solicitados pela Equipe de Saúde da Família. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Ao avaliar a frequência de agendamento para alguns serviços de saúde, verificou-se que 50% dos profissionais poucas vezes e nunca conseguem agendamento para serviços de apoio diagnóstico e terapia (D15c). No entanto, os tempos estimados de espera para esse serviço foram menores. Para exames de patologia clínica, 36% dos médicos e 50% dos enfermeiros estimaram tempo médio de espera do paciente de até três semanas. Para exames de radiologia e ultrassom, 53% do conjunto de médicos e enfermeiros estimaram período de espera de até dois meses (D16). Perguntados sobre o acesso a exames em atendimento pela ESF, entre as famílias que relataram necessidade de realizá-los, 47% (220/470) declararam fazer somente alguns exames. Cerca de 45% (213/470) afirmaram conseguir fazer todos os exames, enquanto 22% referiram que nunca precisaram fazê-los. Em 2002, 65% das famílias entrevistadas em que pelo menos um membro já tinha sido atendido por profissionais da ESF informaram que geralmente conseguiam realizar todos os exames. Vinte e nove por cento informaram conseguir fazer alguns exames e 20% nunca precisaram fazê-los. Tabela 28 – F1 Acesso a exames em atendimento realizado pela Equipe de Saúde da Família segundo famílias cadastradas, Aracaju (SE), 2008 Acesso a exames 2008 2002 n % n % Conseguem realizar todos os exames 213 35,2 124 51,7 Realizam somente alguns exames 220 36,4 55 22,9 37 6,1 13 5,4 134 22,2 48 20,0 Não conseguem realizar exame algum Nunca necessitou fazer exame Não respondeu Total 1 0,2 - - 605 100,0 240 100,0 Observação: n=605 famílias com integrante que teve experiência de atendimento pela Estratégia Saúde da Família (2008); n=240 famílias assistidas pelo PSF (2002). Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Aracaju 284 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO A maioria (84%) das famílias entrevistadas informou sempre tomar conhecimento dos resultados dos exames realizados. Tabela 29 – F3 Conhecimento dos resultados dos exames realizados pelas famílias, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Conhecimento dos resultados dos exames n % 394 83,8 Na maioria das vezes 52 11,1 Poucas vezes 18 3,8 6 1,3 470 100,0 Sempre Nunca Total Observação: n=470 famílias com integrante que teve exames solicitados pela Equipe de Saúde da Família. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Há consulta de retorno com o médico após a busca dos resultados dos exames sempre ou na maioria das vezes, de acordo com 90% das famílias entrevistadas. Tabela 30 – F4 Existência de consulta de retorno com o médico após recebimento do resultado dos exames segundo famílias cadastradas, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Consulta de retorno com o médico n % 326 70,2 Na maioria das vezes 90 19,4 Poucas vezes 23 5,0 Nunca 24 5,2 1 0,2 464 100,0 Sempre Não respondeu Total Observação: n=464 famílias com integrante que teve exames solicitados pela Equipe de Saúde da Família e que recebe os resultados. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. No que diz respeito à forma de agendamento dos exames solicitados pela equipe de saúde da família nos últimos 12 meses, 59% dos entrevistados referiram que o exame foi agendado pelo seu Posto/Unidade de Saúde da Família em outro serviço de saúde. Tabela 31 – F5 Forma de agendamento de exames realizados pelo entrevistado nos últimos doze meses segundo famílias cadastradas, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Forma de agendamento Exame feito no próprio Posto/Unidade de Saúde da Família Exame agendado pelo Posto/Unidade de Saúde da Família em outro serviço de saúde Recebeu ficha de encaminhamento e agendou o exame no serviço indicado pelo Posto/Unidade de Saúde da Família Recebeu ficha de pedido de exame e procurou por conta própria um serviço de saúde Não recebeu ficha de pedido de exame Não sabe informar Realizou em outro serviço de saúde público ou privado sem informar modo de encaminhamento NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ n % 49 10,4 278 59,1 49 10,4 20 4,3 3 0,6 22 4,7 22 4,7 X. Integração 285 Forma de agendamento Outros* Total n % 27 5,8 470 100,0 Observação: n=470 famílias com integrante que teve exames solicitados pela Equipe de Saúde da Família. *Outros tipos de agendamento de exames: não fez (17); não precisou (4); não respondeu (2); não conseguiu marcar exame solicitado; não foi encaminhado; não marcou no posto; os exames foram particulares. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Para as 470 famílias que relataram alguma experiência de solicitação de exame pela ESF foi perguntado se o próprio informante nos últimos 12 meses necessitara fazer algum exame solicitado pelo médico do PSF: 58% dos entrevistados informaram ter necessitado fazê-lo. Tabela 32 – F6 Necessidade de realização de algum exame solicitado pelo médico do PSF nos últimos doze meses pelo entrevistado, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Realização de exame solicitado pelo médico nos últimos 12 meses Não n % 198 42,1 Sim 272 57,9 Total 470 100,0 Observação: n=470 famílias com integrante que teve exames solicitados pela Equipe de Saúde da Família. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Perguntados sobre a possibilidade de realização dos exames solicitados pelo médico da ESF nos últimos 12 meses, 86% dos entrevistados afirmaram ter conseguido realizá-los. Tabela 33 – F7 Possibilidade de realização dos exames solicitados pelo médico do PSF nos últimos doze meses pelo entrevistado, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Realização de exames n % Sim 234 86,0 Não 38 14,0 Total 272 100,0 Observação: n=272 famílias que informaram ter realizado exames solicitados por médico da Equipe de Saúde da Família nos últimos 12 meses. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. O intervalo máximo entre a solicitação e a realização dos exames foi de até 14 dias na experiência de 31% dos entrevistados; de 15 a 30 dias para 68% dos entrevistados e maior de 30 dias para 24% deles. Aracaju 286 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Tabela 34 – F8 Intervalo de tempo transcorrido entre solicitação e realização dos exames segundo entrevistados, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 3 1,3 Frequência Acumulada 1,3 1 a 7 dias 39 16,7 18,0 8 a 14 dias 31 13,2 31,2 15 a 30 dias 87 37,2 68,4 31 a 60 dias 22 9,4 77,8 61 a 90 dias 19 8,1 85,9 91 e mais dias 14 6,0 91,9 Intervalo de tempo 0 Não respondeu Total n % 19 8,1 8,1 234 100,0 100,0 Observação: n=234 entrevistados que informaram ter realizado exames solicitados por médico da Equipe de Saúde da Família nos últimos 12 meses. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. O intervalo entre a realização dos exames solicitados pelo médico do PSF e o acesso aos resultados foi de até 14 dias para 44% dos entrevistados e de 15 a 30 dias para 77% deles. Tabela 35 – F9 Intervalo de tempo transcorrido entre a realização dos exames solicitados pelo médico do PSF e o recebimento dos resultados segundo entrevistados, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Intervalo de tempo n % 0 dias 5 2,1 Frequência Acumulada 2,1 1 a 7 dias 40 17,1 19,2 8 a 14 dias 59 25,2 44,4 15 a 30 dias 75 32,1 76,5 31 a 60 dias 19 8,1 84,6 61 a 90 dias 6 2,6 87,2 91 e mais dias 3 1,3 88,5 24 10,3 98,8 3 1,3 1.3 234 100,0 100,0 Ainda não recebeu o resultado Não respondeu Total Observação: n=234 entrevistados que informaram ter realizados exames solicitados por médico da Equipe de Saúde da Família nos últimos 12 meses. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. 3. ACESSO À ATENÇÃO HOSPITALAR Além de dois hospitais municipais, a rede pública sob gestão municipal conta com um hospital de urgências e uma maternidade estaduais e um hospital universitário. A rede privada contratada engloba hospitais para cirurgia cardíaca, clínicas de repouso e maternidade, entre outros. A rede hospitalar existente é referência para toda a cidade e NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ X. Integração 287 municípios do interior, não havendo adscrição por regional de saúde, relatou um membro da coordenação da rede hospitalar. Aracaju não possui central de regulação de leitos e internações municipal, embora seja Gestor Pleno do Sistema. A regulação das internações de emergência é realizada pelo SAMU. Os serviços de urgência também podem ser acessados diretamente pelo usuário. Nestes casos, quando é detectada a necessidade de internação, inicia-se a busca por leitos via telefone. Para os casos de cirurgias eletivas, há duas formas de acesso. Quando o médico da Saúde da Família identifica a necessidade de internação eletiva, encaminha o usuário a um médico da rede especializada, responsável pela solicitação da perícia médica na SMS, que autoriza ou não a internação. Com base no laudo que autoriza a cirurgia, o médico especialista responsável pela solicitação tenta conseguir vaga na rede hospitalar. O processo é facilitado quando o profissional realiza cirurgias em algum dos hospitais da rede. A SMS possui uma coordenação de atenção hospitalar, que também desempenha o papel de negociação com os hospitais, mas não controla os leitos nem as agendas, cujo controle é do próprio cirurgião. Nestes casos, quando o usuário é encaminhado à perícia, já está com data e hospital marcados para a realização do procedimento. Como a maior parte dos especialistas da rede não realiza cirurgias, o usuário entra em fila de espera controlada pelas coordenações da SMS (Saúde da Mulher, da Criança, do Idoso, entre outras). Cada coordenação de programa tem lista de espera e se responsabiliza, juntamente com co-gestores dos hospitais, por organizar a contratação de equipes para realização de cirurgias, com o objetivo de atender aos casos com maior tempo de espera. Todo este processo não passa por regulação da coordenação da rede hospitalar. Para algumas especialidades cirúrgicas, há déficit de profissionais, como ginecologia, ortopedia, pediatria e cabeça e pescoço, tendo como consequência a formação de longas filas de espera. De acordo com o presidente do Sindicato dos Médicos faltam leitos de UTI, o que acaba comprometendo outras áreas, como a neurocirurgia. Os fluxos formais para acesso à atenção hospitalar não estão estabelecidos e as filas de espera para cirurgias não são monitoradas de forma sistemática. Segundo avaliação de um membro da coordenação da rede hospitalar, como não existe central de regulação de leitos e internações, não estão estabelecidos os mecanismos para definição de prioridades cirúrgicas nem os médicos reguladores ou para acompanhamento das filas de espera. Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 288 Entre as dificuldades apontadas para a integração da Estratégia Saúde da Família à atenção hospitalar foi mencionada a falta de conhecimento de profissionais e gestores sobre os diversos níveis de atenção que compõem o sistema de saúde, o que compromete a instituição de fluxos. O mesmo problema observado em relação ao afluxo de pacientes do interior para serem atendidos por especialistas em Aracaju também acontece em relação às cirurgias, conforme destacou a representante do COREN-SE. Acesso das famílias usuárias da ESF à atenção hospitalar segundo profissionais Há facilidade no agendamento de internações para as maternidades pelos profissionais das ESFs de Aracaju. Para serviços de maternidade, 18% dos médicos informaram sempre conseguir realizar agendamento, e 39%, na maioria das vezes, totalizando 57% de respostas afirmativas entre médicos. Contudo, para internações eletivas, poucas vezes e nunca se consegue agendamento (64% dos médicos). Apenas 29% dos médicos afirmaram conseguir agendamento sempre e na maioria das vezes (D15a). O tempo médio de espera de internações para cirurgia eletiva é, conforme 48% dos entrevistados, de três meses e mais (tabela D16c). 4. ACESSO À URGÊNCIA E EMERGÊNCIA A Rede de Urgência e Emergência conta com dois pronto-socorros localizados nos hospitais municipais e um em hospital estadual. Há portas de entrada para urgência e emergência também em hospitais da rede filantrópica. Estes serviços não são referência para as regiões de saúde, mas para todo o município, a depender do tipo de atendimento. O município não possui UPAs. A regulação é exercida pela Central de Regulação Médica do SAMU ou pelo contato direto com o usuário por meio do acolhimento e avaliação de risco presente nas unidades de saúde. De acordo com dados do Relatório de Gestão 2007, 41% das remoções são realizadas para os dois hospitais municipais de Aracaju, principais serviços de referência. Aproximadamente 20% das demais remoções são encaminhadas ao Hospital de Urgências de Sergipe, que é estadual. As UBS possuem sala de observação e estão equipadas para prestação de primeiros socorros aos casos de urgência e emergência mais simples. Além da instalação das salas de estabilização, os profissionais da atenção básica foram capacitados em atendimento de NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ X. Integração 289 urgência. Implantado desde 2002, para os casos mais complexos as equipes dispõem do SAMU, que define para onde o usuário deve ser encaminhado. Não há fluxo estabelecido entre unidades básicas e pronto-atendimento. A referência do centro de saúde para os hospitais de emergência acontece por meio do SAMU. Se o profissional da atenção básica desejar saber o que aconteceu com o usuário, deve buscar a informação por conta própria ou por meio do ACS e dos gerentes de UBS. Nos casos em que o usuário procura por conta própria o atendimento de urgência ou nos finais de semana, as informações sobre o atendimento recebido são perdidas, informaram gerentes. Segundo o coordenador de urgência e emergência, a ausência de contrarreferência para a atenção básica é o principal problema enfrentado por estes serviços. As urgências ainda constituem importante porta de entrada para o sistema de saúde, disse ele, mas a maioria dos casos atendidos (70% é sua estimativa) teria acompanhamento mais apropriado nas UBS. Relatou que foram feitas tentativas de instituir mecanismos de contrarreferência para a rede básica por meio de contatos entre assistentes sociais do pronto-atendimento e do centro de saúde. O objetivo era garantir que o usuário fosse acompanhado em sua UBS de referência nos casos inadequados para os serviços de urgência. Com o aumento do número de atendimentos diários nas unidades de emergência, que inicialmente era de 200 e hoje chega a 500, este trabalho de contato entre as unidades não teve sequência. Neste sentido, o coordenador de urgência e emergência apontou que é necessário desenvolver tecnologias de informação que possibilitem identificar os usuários que sempre recorrem à emergência, os bairros e as patologias mais recorrentes, assim como estabelecer fluxos com a rede básica. Ainda segundo o coordenador, outra dificuldade é o fato de os profissionais das equipes de saúde da família considerarem que não têm responsabilidade de atender aos casos de urgência e se recusarem a realizar determinados procedimentos, a exemplo da troca de sonda vesical. Em função disso, os usuários que necessitam do procedimento acabam indo para os pronto-socorros. Contudo, avaliou que estes casos vêm diminuindo ao longo do tempo em função das capacitações. De acordo com avaliação da coordenadora da atenção básica, entre as medidas para melhorar a integração não somente com os serviços de urgência e emergência, mas com toda a rede, seria necessário reativar o colegiado de redes do qual participam todas as Aracaju 290 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO coordenações da SMS e os gestores das unidades básicas: “As discussões sobre a conformação de redes e a definição de fluxos precisam chegar aos profissionais de saúde”, destacou. Neste sentido, o coordenador de urgência e emergência considera a interlocução com a atenção básica, no momento, ainda insuficiente. Segundo a secretária adjunta de saúde, uma das estratégias para melhorar a integração seria investir em educação continuada para sensibilizar os profissionais de saúde quanto ao trabalho em rede. Esta discussão deveria chegar também aos usuários, para que também se responsabilizem pelo cuidado e compreendam melhor o funcionamento do sistema de saúde. 5. AVALIAÇÃO DAS EQUIPES QUANTO À ATENÇÃO INTEGRAL PRESTADA PELA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA Foi apresentado aos médicos e enfermeiros um conjunto de ações para que avaliassem o desempenho da ESF quanto à atenção integral prestada à população. Conforme se pode observar na tabela a seguir, a maioria dos médicos (86%) considerou muito satisfatória ou satisfatória a capacidade das equipes de Saúde da Família em conhecer os principais problemas de saúde da população e 66% fizeram a mesma avaliação quanto à capacidade de intervir positivamente no enfrentamento desses problemas. Em 2002, a capacidade de conhecer os principais problemas de saúde da população foi considerada como muito satisfatória por 58% dos médicos, porém 42% avaliaram como pouco satisfatória a capacidade de intervir positivamente no seu enfrentamento. O desempenho da equipe foi considerado muito satisfatório e satisfatório pela maioria dos médicos para as seguintes ações: garantia do acesso ao atendimento básico a toda população cadastrada (66%), acolhimento das demandas (73%), estabelecimento de vínculos com a população da área (86%), acompanhamento dos grupos prioritários (79%), resolução de até 80% ou mais de casos atendidos por sua equipe (80%) e realização de atividades preventivas individuais (71%). Em 2002, as avaliações mais positivas dos médicos do PSF de Aracaju relacionaram-se a: garantia do acesso ao atendimento básico a toda a população cadastrada (67%), acolhimento das demandas (82%), estabelecimento de vínculos com a população da área (70%), controle dos grupos de risco, com distribuição regular de medicamentos (73%) e resolução de até 80% ou mais de casos atendidos pela ESF (82%). Mais da metade (55%) NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ X. Integração 291 desses profissionais avaliaram como muito satisfatório o retorno do paciente para atendimento pela ESF após o encaminhamento. A avaliação a respeito da garantia de exames necessários (75%), de internação (66%) e de atendimento em serviços especializados (86%) foi a mais assinalada pelos entrevistados como insatisfatória ou muito insatisfatória. Observou-se que essas ações também foram consideradas como não satisfatórias em 2002 por 46%, 48% e 52%, respectivamente. Tabela 36 – C13 Desempenho da equipe quanto à atenção integral prestada à população segundo Médicos, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Serviços/Atividades a) Capacidade de conhecer os principais problemas de saúde da população Muito satisfatório n % Satisfatório Insatisfatório n % n % Muito Não sabe Insatisfatório n % n % 10 17,9 38 67,9 7 12,5 - - 1 1,8 b) Capacidade de intervir positivamente no enfrentamento dos problemas de saúde 5 8,9 32 57,1 17 30,4 - - 2 3,6 c) Garantir o acesso ao atendimento básico a toda população cadastrada 5 8,9 32 57,1 16 28,6 2 3,6 1 1,8 d) Encaminhar para outros níveis de atenção, quando necessário 6 10,7 20 35,7 25 44,6 4 7,1 1 1,8 e) Garantir internação 3 5,4 13 23,2 22 39,3 15 26,8 3 5,4 f) Garantir atendimento em serviços especializados - - 6 10,7 32 57,1 16 28,6 2 3,6 g) Garantir realização de exames necessários 2 3,6 10 17,9 34 60,7 8 14,3 2 3,6 h) Não existência de fila na porta da unidade do PSF 9 16,1 28 50,0 10 17,9 8 14,3 1 1,8 i) Acolhimento das demandas 7 12,5 34 60,7 13 23,2 1 1,8 1 1,8 14 25,0 34 60,7 7 12,5 - - 1 1,8 k) Retorno do paciente para atendimento pela equipe saúde da família, após encaminhamento ao especialista 3 5,4 27 48,2 21 37,5 4 7,1 1 1,8 l) Acompanhamento dos grupos prioritários 8 14,3 36 64,3 11 19,6 - - 1 1,8 m) Distribuição regular de medicamentos a grupos prioritários 3 5,4 23 41,1 24 42,9 5 8,9 1 1,8 n) Resolução de 80% ou mais de casos atendidos pela sua equipe saúde da família 6 10,7 39 69,6 8 14,3 - - 3 5,4 o) Capacidade de realizar ações educativas 1 1,8 23 41,1 27 48,2 4 7,1 1 1,8 p) Realização de atividades preventivas individuais 5 8,9 35 62,5 14 25,0 1 1,8 1 1,8 j) Estabelecimento de vínculos com a população da área Observação: n=56 médicos. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 292 Tabela 37 – Desempenho da equipe quanto à atenção integral prestada à população segundo Médicos, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2002 Serviços/Atividades Muito satisfatório n % Pouco satisfatório n % Não satisfatório n % Não sabe/NR n % Total n % a) Capacidade de conhecer os principais problemas de saúde da população 19 57,7 8 24,2 2 6,1 4 12,1 33 100,0 b) Capacidade de intervir positivamente no enfrentamento dos problemas de saúde 12 36,4 14 42,4 5 15,2 2 6,1 33 100,0 c) Garantir o acesso ao serviço de atendimento básico a toda população cadastrada 22 66,7 9 27,3 1 3,0 1 3,0 33 100,0 d) Encaminhar para outros níveis de atenção, quando necessário 10 30,3 15 45,5 7 21,2 1 3,0 33 100,0 e) Garantir internação 4 12,1 9 27,3 16 48,4 4 12,1 33 100,0 f) Garantir atendimento em serviços especializados 3 9,1 10 30,3 17 51,5 3 9,1 33 100,0 g) Garantir atendimento para a realização de exames 7 21,2 10 30,3 15 45,5 1 3,0 33 100,0 h) Não existência de fila na porta da unidade do PSF 13 39,4 13 39,4 5 15,2 2 6,1 33 100,0 i) Acolhimento das demandas 27 81,9 6 18,2 - - - - 33 100,0 j) Estabelecimento de vínculos com a população da área 23 69,7 7 21,2 1 3,0 2 6,1 33 100,0 k) Retorno do paciente para atendimento pela equipe saúde da família, após encaminhamento 18 54,5 9 27,3 6 18,2 - - 33 100,0 l) Controle dos grupos prioritários, com distribuição regular de medicamentos 24 72,7 7 21,2 2 6,1 - - 33 100,0 m) Resolução de 80% ou mais de casos atendidos pela sua equipe saúde da família 27 81,8 4 12,1 1 3,0 1 3,0 33 100,0 n) Capacidade de realizar ações educativas ou outras de promoção à saúde 15 45,5 15 45,5 3 9,0 - - 33 100,0 5 15,2 16 48,5 12 36,3 - - 33 100,0 16 48,5 13 39,4 4 12,1 - - 33 100,0 o) Articulação com outros setores sociais atuantes na área de abrangência para enfrentamento de problemas identificados p) Realização de atividades preventivas individuais Observação: n= médicos. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Escorel et al., 2003. A maioria dos enfermeiros entrevistados considerou o desempenho da ESF muito satisfatório e satisfatório quanto à atenção integral no que se refere a: capacidade de conhecer os principais problemas de saúde da população (97%), capacidade de intervir positivamente no enfrentamento dos problemas de saúde (77%), garantia de acesso ao atendimento básico a toda população cadastrada (70%), acolhimento das demandas (83%), estabelecimento de vínculos com a população da área (91%), acompanhamento dos grupos prioritários (79%), distribuição regular de medicamentos a grupos prioritários (67%), NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ X. Integração 293 resolução de 80% ou mais de casos atendidos pela sua equipe saúde da família (82%) e realização de atividades preventivas individuais (92%). Também foi avaliada como positiva a inexistência de fila na porta da unidade do PSF. Já em 2002, as ações consideradas pelos enfermeiros como muito satisfatórias foram: capacidade de conhecer os principais problemas de saúde da população (79%), garantia de acesso ao atendimento básico a toda a população cadastrada (85%), acolhimento das demandas (82%), estabelecimento de vínculos com a população da área (74%), controle dos grupos de risco, com distribuição regular de medicamentos (85%), resolução de 80% ou mais de casos atendidos pela sua equipe saúde da família (77%) e realização de atividades preventivas individuais (74%). Metade desses profissionais avaliou como muito satisfatória a capacidade de intervir positivamente no enfrentamento dos problemas de saúde. Observa-se que, nos resultados atuais, algumas ações foram avaliadas de forma mais positiva pelos enfermeiros. Entre 55% e 68% dos enfermeiros consideram insatisfatórias e muito insatisfatórias as ações que garantem atendimento em serviços especializados, internações e realização de exames. Em 2002, a percepção de desempenho da equipe acerca dessas ações também foi considerada pouco satisfatória pelos enfermeiros. Os enfermeiros se dividiram quanto à capacidade de desempenho de ações educativas. Percentuais similares consideraram-na satisfatória (53%) ou insatisfatória (47%). Tabela 38 – C13 Desempenho da equipe quanto à atenção integral prestada à população segundo Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Serviços/Atividades Muito satisfatório n % Satisfatório Insatisfatório Muito Insatisfatório n % n % n % 19,7 51 77,3 2 3,0 - 10 15,2 41 62,1 15 22,7 c) Garantir o acesso ao atendimento básico a toda população cadastrada 11 16,7 35 53,0 20 d) Encaminhar para outros níveis de atenção, quando necessário 5 7,6 39 59,1 e) Garantir internação 4 6,1 22 f) Garantir atendimento em serviços especializados 1 1,5 g) Garantir realização de exames necessários 1 1,5 a) Capacidade de conhecer os principais problemas de saúde da população 13 b) Capacidade de intervir positivamente no enfrentamento dos problemas de saúde Não sabe n % - - - - - - - 30,3 - - - - 21 31,8 1 1,5 - - 33,3 33 50,0 4 6,1 3 4,5 20 30,3 39 59,1 6 9,1 - - 29 43,9 34 51,5 2 3,0 - - Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 294 Serviços/Atividades Muito satisfatório n % Satisfatório Insatisfatório Muito Insatisfatório n % n % n % 19,7 32 48,5 16 24,2 5 18 27,3 37 56,1 10 15,2 23 34,8 37 56,1 5 k) Retorno do paciente para atendimento pela equipe saúde da família, após encaminhamento ao especialista 2 3,0 34 51,5 l) Acompanhamento dos grupos prioritários 8 12,1 44 m) Distribuição regular de medicamentos a grupos prioritários 6 9,1 n) Resolução de 80% ou mais de casos atendidos pela sua equipe saúde da família 10 o) Capacidade de realizar ações educativas p) Realização de atividades preventivas individuais Não sabe n % 7,6 - - 1 1,5 - - 7,6 1 1,5 - - 25 37,9 4 6,1 1 1,5 66,7 14 21,2 - - - - 38 57,6 22 33,3 - - - - 15,2 44 66,7 11 16,7 1 1,5 - - 6 9,1 29 43,9 28 42,4 3 4,5 - - 6 9,1 55 83,3 4 6,1 - - 1 1,5 h) Não existência de fila na porta da unidade do PSF 13 i) Acolhimento das demandas j) Estabelecimento de vínculos com a população da área Observação: n=66 enfermeiros. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 39 – Desempenho da equipe quanto à atenção integral prestada à população segundo Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2002 Serviços/Atividades Muito Pouco satisfatório satisfatório n % n % Não satisfatório n % Não sabe/NR n % Total n % 2,9 34 100,0 2 5,9 34 100,0 2,9 1 2,9 34 100,0 5 14,7 2 5,9 34 100,0 47,0 11 32,4 5 14,7 34 100,0 18 53,0 8 23,5 2 5,9 34 100,0 35,2 15 44,1 6 17,6 1 2,9 34 100,0 14 41,2 15 44,1 4 11,8 1 2,9 34 100,0 i) Acolhimento das demandas 28 82,4 4 11,8 1 2,9 1 2,9 34 100,0 j) Estabelecimento de vínculos com a população da área 25 73,6 6 17,6 - - 3 8,8 34 100,0 k) Retorno do paciente para atendimento pela equipe saúde da família, após encaminhamento 22 64,7 9 26,5 2 5,9 1 2,9 34 100,0 a) Capacidade de conhecer os principais problemas de saúde da população 27 79,4 6 17,6 - - 1 b) Capacidade de intervir positivamente no enfrentamento dos problemas de saúde 17 50,0 13 38,2 2 5,9 c) Garantir o acesso ao servuço de atendimento básico a toda população cadastrada 29 85,4 3 8,8 1 d) Encaminhar para outros níveis de atenção, quando necessário 11 32,4 16 47,0 e) Garantir internação 2 5,9 16 f) Garantir atendimento em serviços especializados 6 17,6 g) Garantir atendimento para a realização de exames 12 h) Não existência de fila na porta da unidade do PSF NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ X. Integração 295 Muito Pouco satisfatório satisfatório n % n % Serviços/Atividades Não satisfatório n % Não sabe/NR n % n % 2,9 34 100,0 1 2,9 34 100,0 2,9 1 2,9 34 100,0 7 20,6 1 2,9 34 100,0 - - 1 2,9 34 100,0 l) Controle dos grupos prioritários, com distribuição regular de medicamentos 29 85,4 3 8,8 1 2,9 1 m) Resolução de 80% ou mais de casos atendidos pela sua equipe saúde da família 26 76,6 6 17,6 1 2,9 n) Capacidade de realizar ações educativas ou outras de promoção à saúde 19 56,0 13 38,2 1 9 26,5 17 50,0 25 73,6 8 23,5 o) Articulação com outros setores sociais atuantes na área de abrangência para enfrentamento de problemas identificados p) Realização de atividades preventivas individuais Total Observação: n= enfermeiros. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Escorel et al., 2003. Em síntese, as ações mais bem avaliadas pelo conjunto de médicos e enfermeiros quanto ao desempenho da equipe referem-se a: capacidade de conhecer os principais problemas de saúde da população (92%), capacidade de intervir positivamente no enfrentamento dos problemas de saúde (72%), garantia de acesso ao atendimento básico a toda a população cadastrada (68%), acolhimento das demandas (79%), estabelecimento de vínculos com a população da área (89%), acompanhamento dos grupos prioritários (79%), resolução de 80% ou mais de casos atendidos pela sua equipe saúde da família (81%) e realização de atividades preventivas individuais (83%). Os itens que receberam maiores percentuais de avaliação insatisfatória e muito insatisfatória vinculam-se à garantia de atendimento em serviços especializados, de realização de exames necessários e de internação. Tabela 40 – C13 Desempenho da equipe quanto à atenção integral prestada à população segundo Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Serviços/Atividades Muito satisfatório Satisfatório Insatisfatório Muito Insatisfatório Não sabe Total n % n % n % n % n % a) Capacidade de conhecer os principais problemas de saúde da população n 23 18,9 89 73,0 9 7,4 - - 1 0,8 122 100,0 b) Capacidade de intervir positivamente no enfrentamento dos problemas de saúde 15 12,3 73 59,8 32 26,2 - - 2 1,6 122 100,0 c) Garantir o acesso ao atendimento básico a toda população cadastrada 16 13,1 67 54,9 36 29,5 2 1,6 1 0,8 122 100,0 d) Encaminhar para outros níveis de atenção, quando necessário 11 9,0 59 48,4 46 37,7 5 4,1 1 0,8 122 100,0 Aracaju % PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 296 Serviços/Atividades Muito satisfatório Satisfatório Insatisfatório Muito Insatisfatório Não sabe Total n % n % n % n % n % e) Garantir internação 7 5,7 35 28,7 55 45,1 19 15,6 6 4,9 122 100,0 f) Garantir atendimento em serviços especializados 1 0,8 26 21,3 71 58,2 22 18,0 2 1,6 122 100,0 g) Garantir realização de exames necessários 3 2,5 39 32,0 68 55,7 10 8,2 2 1,6 122 100,0 h) Não existência de fila na porta da unidade do PSF 22 18,0 60 49,2 26 21,3 13 10,7 1 0,8 122 100,0 i) Acolhimento das demandas 25 20,5 71 58,2 23 18,9 2 1,6 1 0,8 122 100,0 j) Estabelecimento de vínculos com a população da área 37 30,3 71 58,2 12 9,8 1 0,8 1 0,8 122 100,0 k) Retorno do paciente para atendimento pela equipe saúde da família, após encaminhamento ao especialista 5 4,1 61 50,0 46 37,7 8 6,6 2 1,6 122 100,0 l) Acompanhamento dos grupos prioritários 16 13,1 80 65,6 25 20,5 - - 1 0,8 122 100,0 9 7,4 61 50,0 46 37,7 5 4,1 1 0,8 122 100,0 n) Resolução de 80% ou mais de casos atendidos pela sua equipe saúde da família 16 13,1 83 68,0 19 15,6 1 0,8 3 2,5 122 100,0 o) Capacidade de realizar ações educativas 7 5,7 52 42,6 55 45,1 7 5,7 1 0,8 122 100,0 11 9,0 90 73,8 18 14,8 1 0,8 2 1,6 122 100,0 m) Distribuição regular de medicamentos a grupos prioritários p) Realização de atividades preventivas individuais n Observação: n=56 médicos e n=66 enfermeiros. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. 6. ACESSO DAS FAMÍLIAS A MEDICAMENTOS Cinquenta e seis por cento das famílias relataram receber apenas alguns medicamentos e 23% disseram que recebem todos eles ao serem atendidas pela ESF. Cerca de 14% afirmaram que nunca precisaram solicitar medicamento no centro de saúde. A distribuição regular de medicamentos para grupos prioritários foi considerada satisfatória, na avaliação de metade dos médicos e enfermeiros das ESFs (C13m). Contudo, um percentual importante (38%) considerou insatisfatória essa ação. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ % X. Integração 297 Tabela 41 – E30 Acesso a medicamentos em atendimento realizado pela Equipe de Saúde da Família segundo famílias cadastradas, Aracaju (SE), 2008 Acesso a medicamentos n % Recebem todos os medicamentos 138 22,5 Recebem apenas alguns medicamentos 339 56,3 Não recebem medicamentos 41 6,8 Nunca necessitou pedir medicamento 82 13,6 5 0,8 605 100,0 Não respondeu Total Observação: n=605 famílias com integrante que teve experiência de atendimento pela Estratégia Saúde da Família. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. 7. INTEGRAÇÃO DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA COM OS PROGRAMAS DE SAÚDE COLETIVA E AÇÕES DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE De acordo com gerentes da SMS, os programas de saúde coletiva foram descentralizados e são desenvolvidos pelas equipes de saúde da família. Segundo a coordenadora de vigilância epidemiológica, esta ”não faz, mas acompanha emonitora. Na verdade, quem executa é a atenção básica, que está diretamente na assistência, no cuidado”. Afirmou que todos os programas de saúde coletiva foram incorporados às atividades da Saúde da Família tanto em relação aos agravos transmissíveis quanto aos não-transmissíveis. Essa avaliação foi corroborada pela coordenadora da atenção básica. Há retroalimentação mensal das informações da Vigilância Epidemiológica referente aos dados dos sistemas de informação para os coordenadores de áreas estratégicas, entre elas, a atenção básica, que compõem a Coordenadoria de Gestão do Cuidado, responsável pela organização e pela gestão das linhas de cuidado para grupos de maior vulnerabilidade (mulher, criança, adulto, bucal, DST / AIDS e vigilância epidemiológica). Acontecem também reuniões anuais para planejamento das metas e para análise dos indicadores de saúde, realizadas em conjunto com a coordenação da atenção básica. De acordo com a coordenadora de vigilância epidemiológica, são realizadas oficinas com todos os profissionais em janeiro de cada ano, para avaliar o ano anterior e propor metas por unidade de saúde para o ano seguinte. Embora em 2007 tenham sido realizados dois encontros com estes objetivos, a meta para 2008 era que fossem realizadas reuniões de três em três meses, destacou a entrevistada. O centro de controle de zoonoses e doenças de transmissão vetorial faz parte da Coordenação de Vigilância Epidemiológica, que planeja e acompanha as ações Aracaju 298 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO desenvolvidas pelas equipes de atenção básica. Durante os anos de 2005 e 2006, Aracaju, com o objetivo de integrar o controle de endemias às atividades desenvolvidas pelos ACS, capacitou-os para trabalhar com ações de controle ambiental. Os 220 agentes de endemias foram incorporados às equipes de saúde da família e, juntamente com os ACS, passaram a executar as atividades de controle focal. De acordo com o secretário municipal de saúde, em um grande encontro de agentes comunitários em Brasília, em 2007, chegou-se à deliberação de que os ACS não poderiam executar as ações tradicionalmente de responsabilidade dos agentes de endemias. Diante da pressão do sindicato representativo dos ACS, a prefeitura teve que recuar e separar novamente os agentes de endemias e suas funções das equipes de saúde da família. No momento, a Vigilância Epidemiológica conta com um “apoiador”, profissional responsável pela supervisão dos agentes de endemias em cada UBS. Determinado número destes agentes pode ser responsável por uma área que abrange mais de um centro de saúde, pois a territorialização da Vigilância é diferenciada. O apoiador participa das reuniões das equipes de saúde da família. A investigação dos agravos de notificação obrigatória é realizada pela equipes de atenção básica. Um exemplo de desenvolvimento de ação integrada entre as coordenações de Vigilância em Saúde e AB refere-se à investigação oportuna do sarampo e rubéola, desenvolvida pelas equipes de saúde da família. De acordo com a coordenadora de vigilância epidemiológica, esta é uma atividade conjunta com resultados cada vez mais positivos. Segundo a coordenadora, a porta de entrada para todas as ações de saúde é a UBS. Relatou que até mesmo as solicitações de atividades de educação em saúde encaminhadas diretamente à Vigilância por escolas ou outros órgãos são redirecionadas para os centros de saúde: “A unidade de saúde da família tem que ter esse vínculo com o território. Neste sentido, os fluxos estão bem estabelecidos”. Entre os problemas para integrar a Estratégia Saúde da Família à Vigilância em Saúde, foi apontada a grande demanda por atendimento clínico para as equipes, o que dificulta o desenvolvimento de ações no território. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ X. Integração 8. DESAFIOS PARA MELHORAR FAMÍLIA À REDE DE SERVIÇOS 299 A INTEGRAÇÃO DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA Em Aracaju, a primeira habilitação do sistema de saúde, na condição de Gestão Plena da Atenção Básica conforme Norma Operacional Básica dos SUS (NOB/96), ocorreu em 1998, mesmo ano de início da implantação da Estratégia Saúde da Família e do Programa de Agentes Comunitários de Saúde. Em 2001, a SMS assumiu a Gestão Plena do sistema municipal, responsabilizando-se pela média complexidade e, gradativamente, pelos serviços de alta complexidade, além de ter iniciado desde 2002 a implantação de sistemas informatizados de marcação de consultas nos centros de saúde. A principal estrutura de regulação da SMS atualmente está composta pelo NUCAAR. Entretanto, o município ainda não é responsável pela regulação de leitos e internações, embora seja gestor pleno do sistema, o que representa importante entrave à oferta de atenção integral e à definição de fluxos formais. Aracaju optou pela implantação do TAS, que permite a marcação de procedimentos especializados, mas não desempenha funções de regulação, tais como a possibilidade de monitorar filas de espera e de definir cotas por unidades, o que torna incompleto o processo. Apresentou-se médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e ACS, para avaliação, um conjunto de afirmações referentes à integração da Estratégia Saúde da Família na rede assistencial. Na percepção de 90% dos ACS e de 70% dos auxiliares de enfermagem, o PSF garante atendimento em outros serviços, quando necessário. Essa proporção é menor entre médicos: apenas 48% deles consideram que o PSF garante esse atendimento. Quanto aos exames laboratoriais, 34% dos médicos, 67% dos enfermeiros e 92% dos ACS concordam que o PSF garante a realização de exames necessários. A garantia da internação hospitalar é mais difícil: apenas 30% dos médicos e 44% dos enfermeiros concordam que a ESF garante a internação quando necessária. Cerca de 53% dos enfermeiros e 47% dos auxiliares de enfermagem concordam que o PSF fornece medicamentos da farmácia básica suficientemente. Quanto à retaguarda de um sistema de referência, 52% dos enfermeiros e 29% dos médicos afirmam que as ESFs contam com um sistema de referência e de contrarreferência que permite ampliar a resolutividade da rede básica. Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 300 Tabela 42 - D1 Avaliação dos profissionais da ESF quanto à integração da Estratégia Saúde da Família na rede assistencial, Aracaju, 2008 Posição / Integração o) O PSF garante o atendimento em outros serviços, quando necessários p) O PSF garante a realização de exames, quando necessários q) O PSF garante a internação, quando necessária r) O PSF fornece medicamentos da farmácia básica suficientemente v) A sua equipe de saúde da família conta com um sistema de referência e contrarreferência que permite ampliar a resolutividade da rede básica Médico Concorda muito / Concorda Enfermeiro Concorda muito/ Concorda Auxiliares de Enfermagem Concorda muito / Concorda ACS Concorda muito / Concorda em parte n % n % n % n % 27 48,2 46 69,7 42 70,0 135 90,0 19 34,0 44 66,7 43 71,7 138 92,0 17 30,4 29 44,0 30 50,0 125 83,3 13 23,2 35 53,1 28 46,6 129 86,0 16 28,6 34 51,5 - - - - Observação: n=56 médicos; n=66 enfermeiros, n=150 ACS, n + 60 aux/técnicos de enfermagem. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. A maioria (81%) dos médicos e dos enfermeiros identifica a existência de listas de espera que impedem o acesso adequado ao cuidado especializado e a hospitais como o principal problema para integração da rede de serviços. A interface entre serviços com maiores problemas está na relação com o setor de cuidados ambulatoriais: 61% desses profissionais destacaram a existência de problemas na relação entre USF e a atenção especializada no setor de cuidados ambulatoriais. Cerca de 52% dos médicos e enfermeiros informaram problemas na relação entre a USF e a atenção especializada nos hospitais. Tabela 43 – D21 Principais problemas para a integração da rede de serviços segundo Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Problema a) Problemas que ocorrem na relação entre à USF e a atenção especializada no setor de cuidados ambulatoriais b) Problemas que ocorrem na relação entre à USF e a atenção especializada nos hospitais; c) Problemas ocorrem na relação entre USF e emergência; d) Problemas ocorrem por causa das listas de espera que impedem o acesso adequado ao cuidado especializado, hospitais, etc. e) Outros* Médico Enfermeiro Total n % n % n % 41 73,2 33 50,0 74 60,7 32 57,1 31 47,0 63 51,6 30 53,6 25 37,9 55 45,1 48 85,7 51 77,3 99 81,1 4 7,1 4 6,1 8 6,6 Observação: n=56 médicos e n=66 enfermeiros. *Outros: política partidária, coronelismo, paternalismo; contrarreferência; falta de integração; não existem problemas; não sabe; nenhum dos itens; a ESF deve ser composta por clinico, pediatra e ginecologista; referência e contrarreferência. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Além dos problemas inerentes à operação e à funcionalidade do TAS, o coordenador do NUCAAR aponta a não utilização de protocolos clínicos como dificuldade para a NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ X. Integração 301 integração da rede: “Não existe regulação sem protocolo clínico”. O processo de implantação dos protocolos é recente no município e ainda há dificuldades para que os profissionais os utilizem rotineiramente. Por fim, gestores e gerentes avaliaram que Aracaju necessita de avanços na capacidade regulatória do sistema de saúde como um todo, mediante a implantação da central de regulação de leitos e cirurgias e com sistemas de regulação que permitam monitorar filas de espera e definir prioridades clínicas. Ainda assim foi destacado que se observou melhor definição dos fluxos e otimização na utilização da atenção especializada a partir da implantação da Estratégia Saúde da Família. Neste sentido, o secretário municipal de saúde avalia que as capacitações que possibilitaram melhor conhecimento do modelo, bem como maior estabilidade proporcionada pela contratação dos profissionais de saúde via concurso público também colaboram para melhor integração da rede de serviços. Aracaju XI. COORDENAÇÃO DOS CUIDADOS A literatura internacional tem enfatizado a coordenação dos cuidados como estratégia crucial tanto para a busca de maior eficiência dos sistemas de saúde como para superar a histórica fragmentação da oferta de serviços de saúde e sua baixa eficácia nas condições sanitárias da população (Gérvas y Rico, 2005; Calnan et al. 2006; Hofmarcher et al., 2007). A análise de experiências em curso nos países da União Europeia (UE) tem acenado para diferentes formatos que a coordenação dos cuidados pode assumir, variando de acordo com os atores sociais envolvidos e a perspectiva avaliativa utilizada. Na presente pesquisa, buscou-se captar as estratégias de coordenação dos cuidados implantadas nos municípios estudados, bem como a avaliação desse processo por parte dos profissionais da Estratégia Saúde da Família. 1. ESTRATÉGIAS DE COORDENAÇÃO DOS CUIDADOS Autores como Starfield (2002), Watson (2004) e Feo et al. (2006) sinalizam que a coordenação dos cuidados supõe mudanças na organização e na gestão dos serviços de saúde, envolvendo a garantia de acesso e a integração dos diferentes níveis de assistência do sistema de serviços de saúde e a continuidade da atenção. Em Aracaju, foi possível observar certo grau de dificuldade do gestor municipal da saúde e de alguns gerentes vinculados às áreas de média e alta complexidade em responder a questões relacionadas à coordenação dos cuidados, tema que foi explorado com maior conhecimento por parte da coordenação da atenção básica, da coordenação de vigilância em saúde e da coordenação da gestão do cuidado. Vale destacar que a existência na estrutura da SMS de uma coordenação de gestão do cuidado aponta em direção à importância conferida pela Secretaria a esse tema. Quando perguntados se a coordenação do cuidado é um tema presente no debate da política municipal de saúde em Aracaju, os gestores foram unânimes em responder positivamente. Para o secretário municipal, Aracaju enfrenta dois grandes problemas em termos da qualidade da atenção à saúde: a atenção básica e o atendimento de urgência. Segundo ele, tais questões colocam o problema da coordenação do cuidado como aspecto central na agenda municipal da saúde. 304 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO De forma similar, a coordenadora da atenção básica enfatiza que a gestão municipal da saúde entende a questão da coordenação do cuidado como importante, mas ressalta que são grandes as dificuldades para que algumas ESFs se comprometam com a responsabilidade pela atenção prestada. Foi apresentada ao conjunto dos gestores da saúde uma lista da qual constavam alguns grupos populacionais (crianças, gestantes, idosos, portadores de doenças crônicas, doentes graves, muito velhos com mais de 80 anos), e solicitou-se que assinalassem quais seriam provavelmente mais afetados por uma inadequada coordenação dos cuidados. As respostas foram quase unânimes em apontar os idosos como os grupos mais afetados. Para o secretário municipal de saúde, essa percepção passa pela ideia de que os idosos possuem outras formas de acompanhamento na saúde, as quais ultrapassam a assistência médica, como os grupos de convívio, por exemplo. Já a coordenadora da atenção básica ressalta o entendimento de que todos os grupos listados são afetados, porque exigem cuidado continuado, mas acredita que, dentre eles, os idosos são os mais vulneráveis: “Todo mundo é afetado, porque todos esses pacientes precisam do cuidado continuado. Eles precisam desse acompanhamento. Mas percebe-se mais fragilidade nos idosos e nas crianças. Os idosos acamados, mesmo que às vezes sofram violência ou estejam em prisão domiciliar, não têm como sair. Esses eu acho que sofrem bastante.” Para a coordenadora de vigilância em saúde, crianças, gestantes, idosos, portadores de doenças crônicas e doentes graves seriam os grupos populacionais mais afetados por uma inadequada coordenação dos cuidados. Em relação às estratégias adotadas pelo município para garantir a coordenação dos cuidados, os gestores afirmaram que Aracaju adota a construção de linhas de cuidados. De acordo com a coordenadora de gestão do cuidado, “as linhas funcionam nessa rede horizontal com uma interface entre os programas que fazem a gestão do cuidado, uma interface com a atenção básica, a média e a alta complexidade. Tentamos fazer essa interlocução permanente.” Para a coordenação de vigilância em saúde, a adoção das linhas de cuidado se dá no sentido de organizar o caminhar imaginário do usuário da rede a partir do “hospital horizontal”. Uma preocupação que orienta a adoção das linhas de cuidado diz respeito à autonomia do paciente: “O nosso referencial teórico para a autonomização do sistema de Aracaju surgiu NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ XI. Coordenação dos cuidados 305 mesmo dessa linha de cuidado, que é o caminhar imaginário do usuário na rede (...) essa conformação de redes assistenciais, completando o hospital horizontal, é tudo dentro... com o paciente entrando e sendo acompanhado, para que se tenha realmente resolutividade e se atenda essa necessidade. Claro que ao dar autonomia a esse usuário, o que se quer é que ele viva a sua vida com qualidade. Dentro da proposta de acompanhamento, a organização do sistema é voltada para atender essas necessidades.” Já para a coordenação de atenção básica, a adoção das linhas de cuidados passa pela definição do perfil de cada unidade de saúde que integra o sistema, bem como das formas de encaminhamento entre esses serviços, o que implica, portanto, a integração entre os diferentes níveis de atenção. O gestor municipal da saúde enfatiza que a relação entre a AB e os demais níveis do sistema é permeada por vários problemas, o que acaba dificultando o estabelecimento dos fluxos da forma planejada. Mas, ao mesmo tempo, o secretário assevera que a gestão está tentando minimizar esses entraves. A capacitação dos profissionais foi destacada como estratégia que contribui para a integração entre os níveis do sistema, embora o gestor reconheça que isso não garante o alcance da integração pretendida, sobretudo se for considerada a rotatividade dos profissionais das ESFs. O município emprega ferramentas de coordenação, como a gestão de casos. A coordenadora municipal de gestão do cuidado afirmou que o município contava com essa estratégia até o ano de 2006. A dinâmica de gestão de casos passava pelo suporte rotineiro da equipe técnica dos programas de saúde para as ESFs e demais profissionais dos serviços de saúde. No entanto, com a saída do gestor municipal anterior e de parte do corpo técnico, que foram para a SES-SE, a equipe dos programas limitou-se a fazer capacitações: “Até 2006 existia uma interface muito grande entre as áreas técnicas dos programas. Para se ter idéia, no Saúde do Adulto, temos um cardiologista, duas endocrinologistas e dois geriatras, além de uma médica coordenadora e a referência técnica, que é de enfermagem. Esses profissionais, além de assessorarem o programa na estruturação de protocolos e no planejamento das ações, também fazem estudos de casos com a ponta. Até 2006, isso era rotina. Houve mudança na gestão e esses profissionais ficaram mais voltados para as capacitações, os encontros e os estudos de caso se realizam mais nas capacitações. Mas pretendemos rever isso, voltar para o modelo anterior, porque sabemos que é muito importante a presença dos técnicos na ponta”. Aracaju 306 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO As coordenadoras de atenção básica e de vigilância em saúde confirmaram a inexistência no momento de realização da pesquisa de campo no município, da estratégia de gestão de casos. De acordo com a coordenação de vigilância em saúde, o município trabalha com evento sentinela, sobretudo na área de atenção ao pré-natal, no sentido de fazer busca ativa às gestantes sem acompanhamento pré-natal. O município de Aracaju dispõe de protocolos para todos os programas de saúde implantados e todos os grupos vulneráveis, afirmou a coordenadora de vigilância em saúde. Segundo essa gestora, os protocolos foram elaborados no município em 2005 e estão em fase de revisão. Os gestores são unânimes em afirmar que os protocolos contam com manuais elaborados pelo município a partir de um processo de discussão que tem a participação e o envolvimento dos profissionais de saúde atuantes na ponta dos serviços. “Na verdade, a elaboração do protocolo já partiu de oficinas, tanto com a educação permanente como com a rede de atenção básica, porque os fluxos foram montados (...). Mas o fluxo do caminhar na rede, no sistema, foi discutido com as unidades, com os profissionais. Então tivemos esse momento e, depois do protocolo pronto, tivemos um momento de sentar com os profissionais e repassar”, esclareceu a coordenadora de vigilância em saúde. Os manuais são divulgados em toda a rede municipal de serviços de saúde e os profissionais são capacitados para o uso dos protocolos. Houve dificuldades para impressão dos protocolos para toda a rede e problemas na confecção de cd-rom, o que coloca a necessidade de atualização dos profissionais no uso dos protocolos. Em relação à capacitação para o uso dos protocolos, a coordenadora de atenção básica enfatizou que o treinamento era anteriormente voltado para grupos grandes de profissionais e que, naquele momento, estavam priorizando o treinamento de pequenos grupos. A grande rotatividade dos profissionais das ESFs, sobretudo dos médicos, foi apontada pela coordenadora de gestão do cuidado como um limite à capacitação e, conseqüentemente, ao uso dos protocolos. Aracaju não dispõe de prontuários informatizados. De acordo com a coordenadora de atenção básica, o cartão SUS seria o instrumento de informatização dos prontuários. No entanto, sua implantação no município encontrou resistências para registrar as informações sobre a atenção prestada por parte dos profissionais. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ XI. Coordenação dos cuidados 307 Os gestores apontaram o Terminal de Atendimento ao SUS (TAS) como exemplo do processo de informatização da saúde no município. Aracaju foi escolhido pelo Ministério da Saúde como um dos municípios pilotos para a sua implantação. No entanto, problemas de ordem tecnológica e de manutenção dos equipamentos foram relatados pelos gestores. Ademais, as informações contidas no TAS são ainda limitadas ao registro das últimas consultas, dos medicamentos utilizados e dos exames solicitados. “Temos prontuário no papel. Agora, existe o TAS, em que se pode pedir prontuário eletrônico; ainda não é o prontuário eletrônico completo, precisa ser aprimorado, mas existe o registro das últimas consultas, medicamentos utilizados, exames solicitados. Então, na verdade, temos um esboço de prontuário eletrônico”, afirmou a coordenadora de gestão do cuidado. 2. CONTINUIDADE INFORMACIONAL A disponibilidade e a transferência de informações entre os níveis de atenção têm sido apontadas na literatura como um dos elementos potenciais para a melhoria da coordenação dos cuidados (Watson et al., 2004; Hofmarcher et al., 2007). Na presente pesquisa buscouse avaliar as estratégias adotadas pela Saúde da Família para promover a continuidade de informação, através do registro e do uso da informação dos episódios pelas ESFs. Ao responderem sobre a existência de normas para a transferência de informações sobre pacientes entre os níveis de atenção, 63% dos médicos negaram que essas normas existam, enquanto 62% dos enfermeiros afirmaram sua existência. Tabela 1 – D4 Existência de normas para transferência de informações sobre pacientes entre os níveis de atenção informada pelos Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Existência de normas Médico Enfermeiro Total n % n % n % Sim 21 37,5 41 62,1 62 50,8 Não 35 62,5 24 36,4 59 48,4 Não respondeu Total - - 1 1,5 1 0,8 56 100,0 66 100,0 122 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Os profissionais de nível superior das ESFs de Aracaju (médicos e enfermeiros) foram questionados sobre a frequência de algumas ações para a continuidade informacional e as estratégias de coordenação (tabelas D10). Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 308 Cerca de 77% dos médicos e 99% dos enfermeiros entrevistados informaram que são fornecidas informações escritas sobre os pacientes para serem entregues aos serviços referidos sempre e na maioria das vezes. A contrarreferência é um problema. De acordo com 93% dos médicos e enfermeiros entrevistados, poucas vezes ou nunca se recebem informações escritas a respeito dos resultados das consultas referidas a especialistas. Ambos os grupos de profissionais avaliaram positivamente a questão do agendamento da consulta de retorno. Verificou-se, pelas respostas de 79% dos médicos e enfermeiros entrevistados, que o agendamento é feito sempre e na maioria das vezes diretamente pela unidade, avisando-se posteriormente ao usuário. Outra avaliação positiva, de acordo com 91% dos médicos e enfermeiros das ESFs de Aracaju, refere-se à disponibilidade dos prontuários médicos para uso dos profissionais no exame do usuário. Cerca de metade dos médicos e 71% dos enfermeiros entrevistados referiram que os profissionais procuram a família para discutir o problema de saúde do usuário sempre e na maioria das vezes. No entanto, 41% dos médicos relataram que essa ação poucas vezes se realiza. Quanto à existência de supervisão periódica para revisar a necessidade de referência aos outros níveis de atenção ou, mesmo, de auditoria periódica dos prontuários médicos, 71% e 75%, respectivamente, dos profissionais de nível superior indicaram que essas ações são realizadas poucas vezes ou nunca. Tabela 2 – D10 Ações para continuidade informacional e estratégias de coordenação, segundo Médicos, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Ações e estratégias Sempre Na maioria das vezes n % n % a) Quando os pacientes são referidos para outros serviços, os profissionais de atenção básica fornecem informações escritas para entregar ao serviço referido 24 42,9 19 b) Os profissionais de atenção básica recebem informações escritas sobre os resultados das consultas referidas a especialistas 1 1,8 26 46,4 c) O agendamento da consulta de retorno do usuário para saber os resultados dos exames é feito diretamente pela unidade NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ Poucas vezes Nunca Não sabe n % n % n % 33,9 11 19,6 1 1,8 1 1,8 2 3,6 19 33,9 33 58,9 1 1,8 18 32,1 5 8,9 5 8,9 2 3,6 XI. Coordenação dos cuidados 309 d) O usuário é avisado sobre esse agendamento 32 57,1 14 25,0 6 10,7 2 3,6 2 3,6 e) Os profissionais procuram a família para discutir problema de saúde do usuário 7 12,5 21 37,5 23 41,1 4 7,1 1 1,8 f) Existe supervisão periódica para revisar a necessidade de referência aos outros níveis de atenção 3 5,4 12 21,4 17 30,4 21 37,5 3 5,4 g) Os prontuários médicos sempre estão disponíveis quando o profissional examina o usuário 16 28,6 32 57,1 7 12,5 - - 1 1,8 - - 3 5,4 10 17,9 31 55,4 12 21,4 h) Existe auditoria periódica dos prontuários médicos Observação: n=56 médicos. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 3 – D10 Ações para continuidade informacional e estratégias de coordenação, segundo Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Ações e estratégias Sempre Na maioria Poucas vezes das vezes n % n % n % a) Quando os pacientes são referidos para outros serviços, os profissionais de atenção básica fornecem informações escritas para entregar ao serviço referido 45 68,2 20 30,3 1 b) Os profissionais de atenção básica recebem informações escritas sobre os resultados das consultas referidas a especialistas 2 3,0 2 3,0 c) O agendamento da consulta de retorno do usuário para saber os resultados dos exames é feito diretamente pela unidade 33 50,0 19 d) O usuário é avisado sobre esse agendamento 39 59,1 e) Os profissionais procuram a família para discutir problema de saúde do usuário 12 f) Existe supervisão periódica para revisar a necessidade de referência aos outros níveis de atenção g) Os prontuários médicos sempre estão disponíveis quando o profissional examina o usuário h) Existe auditoria periódica dos prontuários médicos Nunca Não sabe n % n % 1,5 - - - - 43 65,2 18 27,3 1 1,5 28,8 13 19,7 1 1,5 - - 19 28,8 7 10,6 1 1,5 - - 18,2 35 53,0 19 28,8 - - - - 5 7,6 12 18,2 34 51,5 14 21,2 1 1,5 35 53,0 28 42,4 3 4,5 - - - - - - 3 4,5 15 22,7 36 54,5 12 18,2 Observação: n=66 enfermeiros. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 310 Tabela 4 – D10 Ações para continuidade informacional e estratégias de coordenação, segundo Médicos e Enfermeiros, Estratégia de Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Ações e estratégias Na maioria das vezes Sempre Poucas vezes Nunca Não sabe n % n % n % n % n % a) Quando os pacientes são referidos para outros serviços, os profissionais de atenção básica fornecem informações escritas para entregar ao serviço referido 69 56,6 39 32 12 9,8 1 0,8 1 0,8 b) Os profissionais de atenção básica recebem informações escritas sobre os resultados das consultas referidas a especialistas 3 2,5 4 3,3 62 50,8 51 41,8 2 1,6 c) O agendamento da consulta de retorno do usuário para saber os resultados dos exames é feito diretamente pela unidade 59 48,4 37 30,3 18 14,8 6 4,9 2 1,6 d) O usuário é avisado sobre esse agendamento 71 58,2 33 27,0 13 10,7 3 2,5 2 1,6 e) Os profissionais procuram a família para discutir problema de saúde do usuário 19 15,6 56 45,9 42 34,4 4 3,3 1 0,8 f) Existe supervisão periódica para revisar a necessidade de referência aos outros níveis de atenção 8 6,6 24 19,7 51 41,8 35 28,7 4 3,3 g) Os prontuários médicos sempre estão disponíveis quando o profissional examina o usuário 51 41,8 60 49,2 10 8,2 - - 1 0,8 - - 6 4,9 25 20,5 67 54,9 24 19,7 h) Existe auditoria periódica dos prontuários médicos Observação: n=56 médicos e n=66 enfermeiros. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. A forma predominante de organização dos prontuários de saúde é por família, como informaram 71% dos médicos e enfermeiros. Tabela 5 – D11 Forma de organização dos prontuários informada pelos Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Organização dos prontuários Médico Enfermeiro Total n % n % n % 3 5,4 4 6,1 7 5,7 Família 40 71,4 47 71,2 87 71,3 Indivíduo e família 13 23,2 15 22,7 28 23,0 Total 56 100,0 66 100,0 122 100,0 Indivíduo Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. O prontuário do usuário é a forma predominante de registro dos atendimentos, haja vista que é nele, e não no prontuário da família, que 97% dos médicos e enfermeiros fazem anotações sobre a saúde do usuário após cada consulta (D12). NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ XI. Coordenação dos cuidados 311 Tabela 6 – D12 Anotações sobre a saúde do usuário após cada consulta pelos Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Anotações sobre a saúde do usuário após consulta Médico n % n % n % No prontuário do usuário 56 100,0 62 93,9 118 96,7 - - 2 3,0 2 1,6 - - 4 6,1 4 3,3 - - 1 1,5 1 0,8 No prontuário da família No prontuário do usuário e a família Não faço anotações Enfermeiro Total Observação: n=56 médicos e n=66 enfermeiros. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Quanto à freqüência com que fazem as anotações no prontuário, 99% dos médicos e enfermeiros relataram fazê-las sempre ou na maioria das vezes. Desta forma, pode-se observar que este instrumento é a principal fonte de registro de dados referentes à saúde dos usuários. Tabela 7 – D13 Freqüência com que utiliza o prontuário de saúde para fazer anotações após cada consulta pelos Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Anotações no prontuário de saúde após consulta Médico n % n % n % Sempre 55 98,2 55 83,3 110 90,2 1 1,8 10 15,2 11 9,0 Na maioria das vezes Poucas vezes Total Enfermeiro Total - - 1 1,5 1 0,8 56 100,0 66 100,0 122 100,0 Observação: n =56 médicos que afirmaram fazer anotações sobre a saúde do usuário após cada consulta; n =66 enfermeiros que afirmaram fazer anotações sobre a saúde do usuário após cada consulta. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Após procedimentos/atividades de saúde, a maioria (83%) dos auxiliares/ técnicos de enfermagem entrevistados mencionaram realizar as anotações referentes à saúde do usuário no prontuário.do mesmo. Entre os agentes comunitários de saúde entrevistados, 62% declararam fazer anotações sobre a saúde do usuário, após as visitas domiciliares, para uso pessoal. Cerca de 21% mencionaram não realizar anotações; 18% fazem relato escrito em instrumento similar ao prontuário; e 17% anotam os procedimentos no prontuário do usuário. Aracaju 312 PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO Tabela 8 – D3 Anotações sobre a saúde do usuário após a realização de procedimentos segundo auxiliares/técnicos de enfermagem e ACS, Estratégia de Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Anotações sobre a saúde do usuário após procedimentos/atividades de saúde No prontuário do usuário Em instrumento similar ao prontuário, ao qual os demais profissionais têm acesso Anotações para uso pessoal Não faço anotações Auxiliares/Técnicos de Enfermagem Agentes Comunitários de Saúde n % n % 50 83,3 26 17,3 3 5,0 27 18,0 3 5,0 93 62,0 4 6,7 32 21,3 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Os atendimentos realizados nas visitas domiciliares são relatados no prontuário de saúde dos usuários por 98% dos auxiliares/técnicos de enfermagem e por 51% dos agentes comunitários de saúde. Tabela 9 – D2 Relato dos atendimentos domiciliares no prontuário de saúde dos usuários pelos auxiliares/ técnicos de enfermagem e ACS, Estratégia de Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Relato dos atendimentos domiciliares Auxiliares/Técnicos de Enfermagem Agentes Comunitários de Saúde n % n % Sim 59 98,3 76 50,7 Não 1 1,7 74 49,3 Total 60 100,0 150 100,0 Observação: n = 60 auxiliares / técnicos de enfermagem e 150 ACS. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. 3. AVALIAÇÃO DA COORDENAÇÃO PELOS PROFISSIONAIS O estudo procurou avaliar o grau de concordância dos profissionais de nível superior (médicos e enfermeiros) das ESFs de Aracaju quanto aos esforços desenvolvidos pelo município na coordenação dos cuidados. Oitenta por cento dos médicos entrevistados relataram concordar e concordar muito que as enfermeiras são ativamente envolvidas no processo de coordenação dos cuidados. Apenas 16% discordaram ou discordaram muito dessa assertiva. Entre os próprios enfermeiros, elevado quantitativo (98%) referiu concordar e concordar muito que as enfermeiras estão ativamente envolvidas nessa coordenação. Foi perguntado aos médicos e enfermeiros se o papel da ESF nas funções de porta de entrada e de coordenação está especificado na política local: 73% dos médicos NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ XI. Coordenação dos cuidados 313 concordaram ou concordaram muito que está especificado. Essa percepção é compartilhada pelos enfermeiros: 79% afirmaram concordar ou concordar muito com essa assertiva. Sobre a permissão para os médicos do PSF acompanharem seu paciente durante a internação, as avaliações foram negativas. Cerca de 54% dos médicos e 42% dos enfermeiros discordaram ou discordaram muito que em seu município permite-se aos médicos do PSF acompanharem seu paciente durante a internação, porém 32% dos enfermeiros não sabiam informar. Ao avaliarem se os profissionais do PSF desfrutam do mesmo nível de reconhecimento profissional que os especialistas, 77% dos médicos e 71% dos enfermeiros das ESFs de Aracaju discordaram ou discordaram muito.. Tabela 10 – D22 Avaliação dos esforços para coordenação dos cuidados por Médicos, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Critério a) As enfermeiras são ativamente envolvidas na coordenação dos cuidados Concorda muito n % Concorda Discorda n % n % Discorda Muito n % Não sabe n % 15 26,8 30 53,6 8 14,3 1 1,8 2 3,6 b) Na política local está especificado o papel da ESF na função de porta de entrada e sua função de coordenação 7 12,5 34 60,7 9 16,1 1 1,8 5 8,9 c) Em seu município é permitido aos médicos do PSF acompanhar seu paciente durante a internação - - 13 23,2 15 26,8 15 26,8 13 23,2 d) Profissionais do PSF desfrutam do mesmo nível de reconhecimento profissional que os especialistas 1 1,8 10 17,9 21 37,5 22 39,3 2 3,6 Observação: n=56 médicos. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Tabela 11 – D22 Avaliação dos esforços para coordenação dos cuidados por Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Critério Concorda muito n % Concorda Discorda Discorda muito n % n % n % 63,6 23 34,8 1 1,5 - 16 24,2 43 65,2 4 6,1 c) Em seu município é permitido aos médicos do PSF acompanhar seu paciente durante a internação - - 17 25,8 20 d) Profissionais do PSF desfrutam do mesmo nível de reconhecimento profissional que os especialistas 3 4,5 13 19,7 36 a) As enfermeiras são ativamente envolvidas na coordenação dos cuidados 42 b) Na política local está especificado o papel da ESF na função de porta de entrada e sua função de coordenação Não sabe n % - - - - - 3 4,5 30,3 8 12,1 21 31,8 54,5 11 16,7 3 4,5 Observação: n=66 enfermeiros. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Aracaju PESQUISA SAÚDE DA FAMÍLIA QUATRO ESTUDOS DE CASO 314 Tabela 12 – D22 Avaliação dos esforços para coordenação dos cuidados por Médicos e Enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Critério Concorda muito Concorda Discorda muito Discorda Não sabe n % n % n % n % n % a) As enfermeiras são ativamente envolvidas na coordenação dos cuidados 57 46,7 53 43,4 9 7,4 1 0,8 2 1,6 b) Na política local está especificado o papel da ESF na função de porta de entrada e sua função de coordenação 23 18,9 77 63,1 13 10,7 1 0,8 8 6,6 c) Em seu município é permitido aos médicos do PSF acompanhar seu paciente durante a internação - - 30 24,6 35 28,7 23 18,9 34 27,9 d) Profissionais do PSF desfrutam do mesmo nível de reconhecimento profissional que os especialistas 4 3,3 23 18,9 57 46,7 33 27 5 4,1 Observação: n=56 médicos e n=66 enfermeiros. Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ XII. INTERSETORIALIDADE A construção de uma atenção primária em saúde (APS) abrangente requer, para além dos aspectos relacionados à constituição e à organização dos serviços e às práticas sanitárias strictu senso, o desenvolvimento de ações intersetoriais dirigidas ao enfrentamento dos determinantes mais gerais dos processos saúde-enfermidade. Envolve, assim, o esforço de construção de ações coordenadas dos diversos setores e instâncias governamentais e não-governamentais. A ação intersetorial busca superar a fragmentação das políticas públicas e é entendida como a interação entre diversos setores no planejamento, na execução e no monitoramento de intervenções para enfrentar problemas complexos e necessidades de grupos populacionais (Junqueira, 2000). Em saúde, a articulação intersetorial é imprescindível para incidir sobre os determinantes sociais do processo saúde-enfermidade e promover a saúde. Os resultados (finais ou intermediários) de saúde alcançados por meio da intersetorialidade são mais efetivos do que o setor saúde alcançaria por si só (Teixeira e Paim, 2002). De fato, como apontam Carvalho e Buss (2008), a atuação sobre os diversos níveis dos determinantes sociais extrapola as competências e as atribuições das instituições de saúde, além de tornar obrigatória a ação coordenada dos diversos setores e instâncias governamentais.A extensão na qual o setor saúde toma a iniciativa e lidera a intervenção intersetorial depende do tipo de problema a enfrentar: desde assumir a liderança até ser um entre muitos parceiros (WHO/PHAC, 2008). Na perspectiva da atenção primária em âmbito municipal, a atuação intersetorial deve se processar em diversos níveis: na ação comunitária no território, na articulação na SMS e na articulação de políticas municipais. No Brasil, a Estratégia Saúde da Família define, entre seus objetivos, o estabelecimento de parcerias para o desenvolvimento de ações intersetoriais e a intervenção sobre os fatores de risco aos quais a população está exposta, devendo as ESFs “promover ações intersetoriais e parcerias com organizações formais e informais existentes na comunidade para o enfrentamento conjunto dos problemas identificados” (Ministério da Saúde; 2001b:75). 316 PESQUISA SAÚDE NA FRONTEIRA QUATRO ESTUDOS DE CASO A construção da intersetorialidade constitui, no entanto, um desafio (Andrade, 2006), haja vista a fragmentação imposta pela lógica das administrações governamentais centralizadas, setorizadas e competitivas, bem como pela ausência de uma política estratégica de desenvolvimento social e, ainda, pelo predomínio da racionalidade médica nas arenas da saúde. Na presente pesquisa buscou-se analisar a abrangência da atuação intersetorial da Estratégia Saúde da Família, a partir tanto do exame do processo de trabalho das ESFs no que tange à incorporação de práticas intersetoriais como do estudo das iniciativas de articulação com outros setores de políticas públicas promovidas pela SMS. Assim, procurou-se captar as iniciativas intersetoriais existentes no município e o papel desempenhado pela Estratégia Saúde da Família, considerando: a perspectiva tanto da SMS como de outros setores de políticas públicas; os campos de atuação, as modalidades de articulação e as parcerias desenvolvidas entre os diversos setores; as práticas das ESFs para atuação intersetorial; e a participação social e integração da comunidade nessas ações. 1. INICIATIVAS DA SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE O município de Aracaju não possui colegiados intersetoriais instituídos formalmente, que reúnam todas as secretarias. Todavia, a SMS desenvolve ações articuladas com diferentes setores governamentais e não governamentais. Estas iniciativas são, em sua maioria, eventuais e desenvolvidas de forma pontual. Exceções são as ações relativas ao controle da dengue, que têm caráter mais permanente. Segundo o secretário municipal de saúde, as ações intersetoriais em Aracaju estão começando e encontram-se em acelerado ritmo de crescimento. Destacou como exemplos de iniciativas de atuação intersetorial: o controle da dengue, que teve como parceiros importantes a empresa municipal responsável pelos serviços de limpeza urbana e a empresa municipal responsável por obras; além do Programa Bolsa Família, que reúne as secretarias municipais de Saúde, de Assistência Social e de Educação. A coordenadora de vigilância epidemiológica em agravos não transmissíveis também destacou as secretarias municipais de Obras, de Serviços Urbanos e de Educação como os principais setores com os quais a Saúde desenvolve ações de forma articulada. Para exemplificar estas parcerias, destacou as ações de desratização e tratamento de esgoto NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ XII. Intersetorialidade 317 no Mercado Popular e as ações de prevenção de DST/AIDS e controle da dengue, ambas desenvolvidas em conjunto com a Educação. Iniciativas postas em prática com setores da educação, com a empresa municipal de serviços de limpeza urbana e com a empresa municipal de obras foram igualmente descritas pela coordenadora da gestão do cuidado como exemplos de ações articuladas com a saúde. Contudo, há a compreensão de que estas ações são pontuais. Essa gerente destacou ainda a criação do Núcleo de Doenças Não Transmissíveis (DANT), para trabalhar determinados temas nas escolas municipais, tais como o tabagismo, e o Núcleo de violência, que integra diferentes setores, entre eles o Ministério Público, a Universidade Federal de Sergipe (UFSE) e a secretaria municipal de saúde. A coordenadora da atenção básica do município destacou que o setor saúde “participa de alguns espaços”, dentre os quais foram ressaltados: a inserção no processo de discussão sobre a inclusão de crianças com deficiência na escola, através dos serviços de avaliação médica prestados nas USFs; o cuidado aos desabrigados que foram acolhidos nos abrigos e aos idosos que vivem nos asilos, instituições que estão sob a gestão da assistência social. A gerente sublinhou ainda que as coordenações regionais discutem as ações que serão desenvolvidas no território e que as ações são episódicas, inexistindo um fórum colegiado permanente. Dentre as parcerias estabelecidas entre a Secretaria Municipal de Saúde de Aracaju e outros setores governamentais do município merecem destaque: a. Secretaria Municipal de Educação (SME) Ainda que não existam colegiados intersetoriais em Aracaju, há projetos no município que exigem a iniciativa de articulação entre setores. Uma parceria intersetorial diz respeito às ações articuladas entre as secretarias municipais de Saúde e de Educação. Uma dessas ações é o Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas, que conta com um Núcleo Gestor Municipal, criado com a finalidade de executar e acompanhar as ações do projeto. A formação deste Núcleo, que reúne as secretarias municipais de Educação, de Saúde e de Assistência social, além de representantes do Comitê de Violência Contra a Juventude, foi estimulada pelo Núcleo Gestor Estadual do Projeto Saúde e Prevenção em função da percepção da necessidade de incrementar as ações em âmbito municipal. Nesse Núcleo, há o corpo técnico, que elabora um plano de ação anual, e cada setor/parceiro assume seu papel e sua responsabilidade no conjunto do trabalho. Aracaju 318 PESQUISA SAÚDE NA FRONTEIRA QUATRO ESTUDOS DE CASO As reuniões no Núcleo Gestor Municipal são periódicas e têm por finalidade definir as ações que serão desenvolvidas em conjunto: “(...) por exemplo, vamos desenvolver, esse ano, uma ação na área da dengue. Então, a representante da Educação vai participar e definem-se as ações: Vamos fazer o quê? Vamos distribuir materiais nas escolas? Vamos fazer palestra? Vamos fazer caminhadas?, destacou a secretária de educação. A gestora municipal da educação afirmou que não desenvolve ações de forma articulada com a SMS como um todo, mas ressaltou as atividades conjuntas com o Programa DST/AIDS e com as áreas técnicas responsáveis pelas questões de sexualidade, de água e de dengue. Informou ainda que, em geral, as demandas são iniciativas da SMS. Ela também destacou a campanha de tratamento do lixo e a caminhada da dengue. Nesta, os alunos são convocados a orientar a população a como cuidar dos jarros de plantas e do quintal da casa, não deixando acumular água, e a como detectar a presença de mosquitos para informar os agentes de saúde. Aracaju possui também um grupo que reúne técnicos das secretarias de Saúde, de Educação e de Assistência Social para acompanhar as condicionalidades do Programa Bolsa Família, porém ele não se reúne com frequência regular, somente quando as famílias apresentam problemas para receber o benefício. Os temas de intervenção intersetorial destacados pelos representantes da SME de Aracaju são relacionados à saúde e à prevenção. A coordenadora de projetos socioeducativos destacou temas como a violência, as drogas e a gravidez precoce. Segundo essa gerente, cada escola prioriza o tema de acordo com a necessidade da comunidade: “(...) se o problema maior naquela localidade é gravidez precoce, então o tema focado com maior propriedade é este. Se o tema mais incidente é drogas, então o tema drogas é trabalhado naquela localidade”. b. Secretaria Extraordinária de Participação Popular (SEPP) A participação social é prioridade municipal. O secretário municipal de Participação Popular destacou os Conselhos Municipais – de Segurança Alimentar, de Assistência Social e de Orçamento Participativo – como espaços intersetoriais instituídos na cidade. Informou que no município há Conselhos em diversas áreas: “há conselho para tudo”. Embora sejam atuantes, possuem pouca autonomia: “Porque há uma inclinação muito grande para verticalizarem e acharem que a gente tem que mandar (...) essa é minha briga maior com eles... Deixei de ir a algumas reuniões, e digo: ‘não vou à reunião, NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ XII. Intersetorialidade 319 porque vocês são autônomos. Ou exerçam a democracia autonomamente, olhem, fiscalizem, determinem, venham me cobrar, ou não estou aqui para dirigir conselho’.” A SEPP desenvolve ações articuladas com a Saúde e facilita o acesso às lideranças comunitárias e aos canais de interlocução com a comunidade. No combate à dengue, caso mais recente de articulação entre estas secretarias, foi designado à Secretaria Extraordinária de Participação Popular (SEPP) a interlocução com a população: “na hora de entrar numa campanha como essa (....) nós acabamos por ter um jeito de falar melhor, que a comunidade entende, temos canais de ramificação e fios condutores de interlocução com a comunidade. (...), muita vezes ficamos na linha de frente, fazendo essa interlocução” (secretário extraordinário de participação popular). Considerando o potencial de mobilização da SEPP, a SMS geralmente solicita aos técnicos dessa secretaria que a auxiliem na condução das reuniões e eventos que demandem a participação da comunidade. “Quer reunir um setor, esse aqui é o canal. (...) Podemos mobilizar e até dirigir... porque eles [da SMS] acabam achando que a nossa equipe tem mais facilidade de interagir com a comunidade (...)A intersetorialidade é feita. Nós nos reunimos, mobilizamos... Até brincávamos: ‘olhe, estou juntando gente para você vender o seu peixe’ ’’, destacou o secretário. As campanhas de controle das DSTs e da dengue são exemplos de atividades desenvolvidas entre as duas secretarias. De acordo com o secretário de participação popular, as plenárias nos bairros, organizadas pela SEPP, são espaços utilizados pela Saúde para informar a população: “Por exemplo, os representantes da SMS vão lá para dar algumas informações, dizer que naquele setor, naquele bairro está sendo desenvolvida uma ação tal. Às vezes vão explicar porque que não há um posto de saúde em cada rua, como funciona a equipe de saúde da família, qual é a abrangência dela, como cresceu, qual é o nível de atendimento”. Para o secretário, a mobilidade urbana está entre os principais temas de intervenção intersetorial: “A política de mobilidade, de transporte e acessibilidade, a política de redução do déficit habitacional e de regularização fundiária é outra coisa que pega também. Outras, que surgiram com muita força no ano passado, foram as de geração de trabalho e de renda em função da economia solidária, a do meio ambiente... A de apoio à iniciativa à cultura e ao esporte amador. Fora os tradicionais temas da saúde, educação e segurança”. Aracaju 320 PESQUISA SAÚDE NA FRONTEIRA QUATRO ESTUDOS DE CASO c. Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) Embora a secretária de assistência social tenha destacado que seu setor tem grande interface com a saúde, já que possui o Programa de Atenção Integral à Família, afirmou que as ações articuladas são desenvolvidas “na medida do possível”. Ressaltou que a intersetorialidade é um grande desafio, pois requer lidar com as vaidades dos gestores e dos profissionais de modo geral. Contudo, afirmou que Aracaju vem buscando formas de desenvolver políticas intersetoriais. Desde 2006, o município vem realizando seminário intersetorial entre a saúde, educação e assistência social para discutir a complementaridade entre as ações. A parceria entre os setores de educação, saúde e assistência social existe, segundo a gestora, em função da integração exigida pelo Programa Bolsa Família. Para tanto, foi criado um comitê entre os setores citados para o acompanhamento das condicionalidades da saúde e da educação. A gestão municipal da assistência social recebe solicitações da Saúde, tais como o acolhimento de moradores de rua, que são atendidos no CAPS, e de crianças e adolescentes, que são atendidos nos hospitais, vítimas de abuso sexual. Contudo, a secretária destacou que, para além desta interface já existente, é preciso planejar as ações de forma conjunta, o que ainda não foi possível, apesar de iniciativas como os seminários intersetoriais e os encontros com os grupos denominados linha de frente, com representantes da saúde e da assistência social. Embora não tenham ainda periodicidade regular, esses encontros têm buscado discutir principalmente o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes, medidas socioeducativas e a atenção integral à família, pois as USFs estão identificando idosos que sofrem maus tratos. A secretária de assistência social informou que o Programa de Atenção Integral as Famílias é desenvolvido nos Centros de Referência da Assistência Social (CRAS). Nestes, são identificadas as famílias em situação de maior vulnerabilidade social e, a partir de suas demandas, são encaminhadas para os serviços públicos existentes no município. Muitos CRAS são vizinhos das USFs e as famílias atendidas por um serviço são, muitas vezes, as mesmas atendidas pelo outro. Contudo, as ações conjuntas não são realizadas igualmente em todo o município, como afirmou a secretária de assistência social. “Em alguns territórios, conseguimos uma proximidade maior do que em outros, porque há equipes mais abertas ao diálogo, à discussão.” NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ XII. Intersetorialidade 321 Dependendo da articulação existente no território entre as USFs e a Assistência Social, as solicitações dos profissionais de saúde são atendidas no âmbito local. Se não houver essa integração, as demandas são encaminhadas para a Secretaria de Assistência Social. O abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes e os maus tratos sofridos por idosos foram os temas de intervenção intersetorial destacados pela secretária municipal de assistência social. A saúde do adolescente também foi destacada pela coordenadoria de vigilância epidemiológica, ao passo que a coordenadora da atenção básica da SMS destacou a deficiência física, a saúde do escolar e a fitoterapia (projeto Farmácia Viva) como os temas prioritários no estabelecimento de ações intersetoriais. 2. INTEGRAÇÃO DAS AÇÕES E CONTRIBUIÇÃO DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA No âmbito local, as ESFs se integram às diferentes redes existentes, constroem parcerias e desenvolvem ações intersetoriais a partir da realidade de cada território. Segundo a gerente da USF Santa Terezinha, as equipes de saúde da família de Aracaju desenvolvem ações de forma articulada com a igreja, com a escola local e com a Petrobras. “(...) A parceria com a igreja é muito forte; nós temos casos de crianças, por exemplo, com desnutrição, mas a freira daqui faz a mistura. Hoje mesmo tivemos um desses contatos com as freiras para esse trabalho de complementação alimentar”. A gerente da USF Ávila Nabuco também destacou as iniciativas intersetorais com a Pastoral da Criança, além das parcerias firmadas com o Instituto Renascer, com a UFSE e com a Universidade Tiradentes (UNIT), que apóiam as atividades educativas. Já a gerente da USF José Machado de Souza ressaltou as ações desenvolvidas com a creche próxima e com os abrigos Bom Samaritano, para adultos, e Sagrado Coração de Jesus, para crianças abandonadas: “São feitas palestras e oficinas de saúde nas várias áreas:odontológica, de enfermagem, médicas e serviço social. Inclusive os estagiários de três Núcleos que recebemos aqui na unidade, do serviço social, de enfermagem e de medicina, fazem trabalhos (...) agora concluíram um trabalho com o Coração de Jesus”. A escola é igualmente o local escolhido pela USF Edésio Vieira para o desenvolvimento de ações intersetorial, conforme destacou a gerente da unidade: “Procuramos muito as escolas. Trabalhamos muito em conjunto, porque a odontologia faz atividades Aracaju 322 PESQUISA SAÚDE NA FRONTEIRA QUATRO ESTUDOS DE CASO rotineiras nas escolas, (...) E também trabalhamos determinados temas com as escolas, como a dengue e a proteção de doenças sexualmente transmissíveis”. Apesar de o secretário extraordinário de participação popular conhecer a Estratégia Saúde da Família e ter afirmado que geralmente encontra os profissionais da equipe, pois atua nos mesmos bairros, relatou que não costuma haver ações em parceria com os profissionais das ESFs e também que não recebe solicitações dessas equipes. Destacou que a relação da SEPP com a SMS é mais política e mobilizadora do que técnica, por isso não firmou parcerias com as equipes de saúde da família. Além disso, a equipe da SEPP é pequena, com somente cinco membros. Já a Secretaria Municipal de Educação afirmou desenvolver ações em parceria com as equipes de saúde da família: “Muitas vezes, os agentes comunitários de saúde identificam a necessidade de um trabalho junto à escola para a questão da saúde e prevenção”. Nesse contexto, após constatar a demanda, os ACS a encaminham para a SMS, que, por sua vez, se encarrega de articular as ações com a Educação. No âmbito da assistência social, a integração entre os CRAS e as USFs existe em função da dificuldade de os profissionais de saúde localizarem determinadas famílias que precisam de acompanhamento, tais como as que possuem crianças com cartão de vacinação desatualizado e com gestantes, uma vez que a assistência social, por seu lado, possui facilidade em identificar esses grupos populacionais. Além disso, a secretária municipal de assistência social destacou que o seu setor apóia o acompanhamento da saúde, fornecendo infraestrutura para melhorar o sistema de informação e, assim, melhorar os indicadores de acompanhamento. 3. INSTITUCIONALIDADE DAS AÇÕES INTERSETORIAIS A pesquisa procurou conhecer aspectos relacionados à abrangência das ações intersetoriais, à dinâmica de funcionamento dessas intervenções e à forma de financiamento, assim como as avaliações e recomendações dos gestores das diversas secretarias municipais e gerentes da SMS para essas ações. O entendimento é que estes aspectos permitem reconhecer o grau de institucionalidade das ações intersetoriais desenvolvidas no município. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ XII. Intersetorialidade 323 Abrangência Embora a importância da atuação intersetorial seja compartilhada pelos gestores entrevistados, as iniciativas de atuação intersetorial estão geralmente relacionadas a projetos específicos e emergenciais. “Na verdade existe a proposta do município para o trabalho intersetorial. Em vários momentos já se tentou fazer fórum... mas acaba cada um fazendo o seu e não se consegue fazer essa discussão, o que acaba sucedendo em situação de emergência. Mas existe a proposta da intersetorialidade”, destacou a coordenadora da atenção básica da SMS. Segundo o secretário municipal de saúde, as iniciativas de atuação intersetorial estão relacionadas a projetos específicos e reúnem determinadas secretarias para acompanhamento das ações. Contudo, destacou que “quando existe uma questão macro, como aconteceu com a dengue, aí é o município. O prefeito chama e diz: ‘eu quero essa ação’... ele é o coordenador”. Nesse sentido, o combate à dengue pode ser considerado uma ação intersetorial de abrangência municipal e de caráter permanente. Segundo a coordenadora de vigilância epidemiológica, ele gerou um colegiado intersetorial que reúne a Saúde, EMSURB, EMURB, o gabinete do prefeito e o Transporte. No entanto, muito embora os diferentes setores da Prefeitura de Aracaju se reúnam e estejam mobilizados para o combate à dengue, as iniciativas de atuação intersetorial não responderiam a uma política municipal, segundo a coordenadora de vigilância epidemiológica. Destacou que a intersetorialidade é forte no âmbito local, mas a gestão da saúde no nível central precisa incorporar o planejamento intersetorial: “Nesse momento de planejamento, somos Saúde e fazemos o nosso planejamento. Então temos o plano anual, o plano municipal, as conferências... Mas precisamos avançar, principalmente com a Educação, precisamos da Educação planejando conosco e revendo”. Embora Aracaju não possua colegiados intersetoriais institucionalizados em âmbitos municipal e regional que reúnam setores além daqueles envolvidos com o Programa Bolsa Família, diversos gestores de diferentes áreas sociais afirmaram que as iniciativas de atuação intersetorial respondem a uma política municipal. A secretária municipal de assistência social afirmou que essas iniciativas respondem a uma diretriz da política municipal desde a gestão do prefeito anterior, em 2001. Aracaju 324 PESQUISA SAÚDE NA FRONTEIRA QUATRO ESTUDOS DE CASO Segundo a coordenadora de projetos socioeducativos da Secretaria de Educação, além de atender a uma política municipal, as ações intersetoriais estão relacionadas também a uma política federal. “A política do trabalho entre as instituições vem desde a esfera federal e acho que todas as esferas comungam dessa mesma ideia”. Já o secretário de participação popular afirmou que as iniciativas de atuação intersetorial respondem a uma política municipal, pois existe grande interlocução no âmbito do planejamento urbano. Contudo, reconhece que há dificuldades com ações emergenciais: “Então, com certeza há no âmbito municipal grande integração e interlocução. Esse é o aspecto geral, digamos assim. Acho que no específico é que está o X do problema, o que não é da normalidade. Porque a política de planejamento urbano é muito bem feita, temos vários prêmios, Aracaju foi considerada a capital brasileira de melhor qualidade de vida. (...) Mas isso aqui não é uma fábrica, não é uma indústria em que todos os motores, todos os circuitos funcionem com sincronia. É uma gestão pública em que, às vezes, eclode um caso de dengue, ou há um grande avanço de sem-tetos, (...) e aí há as coisas emergenciais... Não temos brigadas de bombeiros para todo tipo de incêndio.” A intersetorialidade, na concepção desse gestor, não exige um colegiado ou fórum instituído formalmente. Antes, está associada ao bom relacionamento entre secretários de diferentes setores que compõem o governo. Tal compreensão vincula a efetividade das políticas intersetoriais e a resolutividade das ações e serviços à aproximação dos gestores e à rápida comunicação entre eles: “Na realidade, não existe esse fórum ou núcleo de gestores, ou qualquer coisa. O que existe é o prefeito e seus secretários... Agora, a interação que vejo aqui é um grande passo à frente, um grande salto de qualidade no contexto geral, é a grande harmonia entre todas as secretarias e a grande facilidade de nos relacionarmos com todas as demais secretarias (...) Para que se tenha um nível de atendimento de mais de 80% daquilo que a comunidade procura é que interagimos com as outras secretarias.(...) Fazemos essa interação com a maior naturalidade, assim que o outro colega solicita, sem necessidade de um fórum específico”. Dinâmica de funcionamento das ações intersetoriais Como esperado em face do caráter específico das intervenções intersetoriais, não existe um corpo técnico de planejamento intersetorial em Aracaju, estabelecendo-se a NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ XII. Intersetorialidade 325 dinâmica de funcionamento dessas ações de acordo com os objetivos, os recursos e os setores envolvidos nos projetos. No que se refere à inclusão dos deficientes físicos nas escolas, a coordenadora da atenção básica da SMS destacou que a Saúde se responsabilizou pela assistência desse segmento populacional e ressaltou ainda que os setores se reuniram com o objetivo de definir como seriam organizados os fluxos para garantir o direito dos deficientes. Tomando o fórum da dengue como referência, a gestora de vigilância epidemiológica da SMS afirmou que as decisões são geralmente tomadas por consenso e, se houver algum dissenso, a maioria decide. Destacou ainda que as prioridades são decididas a partir das necessidades observadas pelos gestores e pelos usuários: “Porque nós, que trabalhamos dengue, fazemos a intervenção com o olhar das necessidades do poder público, e quem está lá, representando a sociedade, traz o que estão sentindo naquela área. Então, é a partir dessa discussão, do que identificamos, que temos um olhar e eles têm outro”. Essa gerente afirmou ainda que o plano municipal de combate à dengue é dinâmico, pois vai mudando a partir do que surge. Ainda que tenha avaliado como incipiente a atuação de fóruns intersetoriais em Aracaju, a coordenadora da gestão do cuidado destacou o núcleo de pesquisa sobre violência, como espaço no qual as discussões se dão de forma colegiada e com decisões tomadas por consenso. No âmbito do Núcleo Gestor Municipal do Projeto Saúde e Prevenção, desenvolvido conjuntamente pela SMS e pela SME de Aracaju, as decisões são tomadas por consenso, porém as ações do projeto só são executadas após a comunicação das decisões aos gestores das secretarias representadas e aos coordenadores de escolas, dependendo da autorização destes para a realização das atividades. Já o secretário municipal da SEPP destacou a inexistência de um corpo técnico de planejamento intersetorial permanente, criando-se um quando há necessidade de desenvolver alguma ação ou projeto entre setores: “Não existe esse corpo técnico. Não tomamos a decisão, porque recebemos uma demanda e tudo o que estamos fazendo fomos buscar na população. Chegamos lá, conversamos e agimos. Esse projeto da feira foi da população.... Esse projeto do coco foi da população ... Aí, buscamos informação, começamos a nos relacionar. Com quem? Bom, isso aqui é com a EMBRAPA. (...) Então, vamos juntando o corpo técnico assim, na base da necessidade.” Aracaju 326 PESQUISA SAÚDE NA FRONTEIRA QUATRO ESTUDOS DE CASO No âmbito das relações entre a SMAS e as ESFs, foi ressaltada a preocupação com a divulgação dos programas sociais existentes no município. Nessa direção, a coordenação da atenção básica da SMS disponibiliza para as equipes de saúde da família uma lista dos Centros de Referência de Assistência Social existentes em Aracaju. A assistente social lotada na Unidade de Saúde estabelece a integração entre os dois setores, o que facilita o acompanhamento da saúde, uma das condicionalidades exigidas para que as famílias mantenham o benefício do Programa Bolsa Família. Financiamento Em Aracaju, não há recursos financeiros alocados para projetos intersetoriais. Em geral, as ações desenvolvidas contam com os recursos disponibilizados pelas Secretarias Municipais, como é o caso das ações do projeto Saúde e Prevenção nas Escolas. Nesse caso específico, há a perspectiva de que o governo federal comece a liberar recursos para o Projeto, que será gerido pelo Núcleo Gestor Municipal. Avaliação dos gestores A experiência intersetorial acumulada pelos setores envolvidos permite a avaliação dos gestores sobre os pontos positivos e as dificuldades no estabelecimento das intervenções conjuntas. Para a gestora municipal de educação, o resultado mais positivo de atuação intersetorial articulada à Saúde é a economia de recursos com uso mais eficiente e o conhecimento das ações desenvolvidas por outras secretarias e do próprio território: “Na medida em que se faz uma ação intersetorial, há mais impacto social, mais resolutividade e melhores resultados... O emprego de recursos tanto materiais como humanos é melhor, porque um ajuda o outro. As secretarias que se envolvem na intersetorialidade conhecem melhor o próprio chão em que atuam, ou seja, as famílias e as comunidades.” Ao avaliar as ações intersetoriais entre a Saúde e a Educação, a coordenadora de projetos socioeducativos da SME destacou que não há dificuldades, pois, além de constituírem duas instituições da mesma esfera (municipal), há relação de amizade no âmbito pessoal, o que facilita o trabalho intersetorial: “acho que é um casamento perfeito; sinceramente, não vejo dificuldades (...) são pessoas que têm o mesmo objetivo, a mesma sensibilidade para a questão (...) abraçamos a causa e criamos esse vínculo maior que assegura o trabalho entre as instituições”. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ XII. Intersetorialidade 327 A comunicação entre a Saúde e a Assistência Social no território foi considerada o resultado mais positivo de atuação intersetorial articulado à Saúde, na opinião da secretária municipal de assistência social. Segundo essa gestora, os profissionais dos dois setores já sabem onde buscar os serviços necessários ao atendimento de determinadas demandas das famílias. Na avaliação do secretário de participação popular, a campanha de controle da dengue foi o resultado mais positivo de atuação intersetorial articulada com a Saúde, mesmo com as dificuldades encontradas. Ao avaliar os principais obstáculos encontrados nas ações intersetoriais articuladas com a saúde, esse gestor afirmou que, em Aracaju, não há conselho de interlocução entre gestores, porque não há problemas de entendimento entre os secretários, restringindo o alcance de fóruns intersetoriais. Destacou ainda que estes fóruns só existem em lugares que possuem algum tipo de problema. “Quando você precisa ter um conselho de interlocução entre gestores, é por que há problemas, porque não se entendem. No meu caso, não sinto essa necessidade e não tenho nenhum tipo de dificuldade de uma relação intersetorial com as secretarias ou com qualquer órgão.” Já a secretária municipal de assistência social, ao avaliar as ações intersetoriais articuladas com a Saúde, destacou que o processo poderia ter avançado mais. Lembra que houve fatores limitantes ao avanço, como a alternância de gestores na saúde e a desconstrução da equipe quando em 2006 o gestor à frente da secretaria municipal assumiu a SES. A dificuldade para a efetivação da atuação intersetorial, na opinião do secretário de participação popular e da secretária de educação, é o recurso financeiro e a baixa autonomia tributária dos municípios brasileiros: “Recursos humanos, temos disponíveis, cada setor coloca à disposição, mas o que trava é o financeiro” (secretária de educação). As demandas/obrigações setoriais e a disponibilidade de tempo também são apontadas como obstáculos à intersetorialidade: “É um problema, por conta da ocupação dos profissionais(...) é muito difícil fazer trabalho intersetorial, dadas as atribuições de cada um, as preocupações, o cotidiano”. Foi destacado ainda que faltam mais reuniões, encontros e sintonia entre os secretários e os gestores de modo geral. Para melhorar o planejamento e a execução entre as ações articuladas com a Saúde, a secretária sugeriu que houvesse alocação de recursos federais para os projetos Aracaju 328 PESQUISA SAÚDE NA FRONTEIRA QUATRO ESTUDOS DE CASO intersetoriais, pois “a Secretaria de Educação fica bancando tudo, tudo é da Educação”. Já o secretário de participação popular sugeriu consultar mais a população sobre o que ela deseja e entende sobre política de saúde pública. Afirmou ainda que sua grande preocupação é que “(...) as pessoas da comunidade não se enxergam com a capacidade de serem co-responsáveis, de serem também co-gestores daquela política; acham que aquela política não foi feita para elas, não participaram e, portanto, está sendo colocada de qualquer jeito, de cima para baixo...” A gestora municipal da assistência social de Aracaju sugeriu avançar no planejamento conjunto das ações, pois a base de tudo é o diálogo, a comunicação e a informação. Destacou ainda que é preciso entender o que cada política realiza, quais as atribuições de cada um e que tais políticas se complementam. Recomendações a gestores de outras cidades A partir da experiência de Aracaju, a gestora municipal e a coordenadora de projetos socioeducativos da Secretaria de Educação recomendaram aos gestores de outras cidades que estabeleçam e cumpram um cronograma de reunião conjunta, que priorizem e mantenham a agenda de reuniões: “Tem que ter disciplina: uma vez por mês, a Saúde, a Educação e a Assistência Social vão estar reunidas, chova ou faça sol”. Destacaram igualmente a importância do respeito aos outros setores/instituições: “(...) acho fundamental, não só se juntar, se articular, mas também uma instituição respeitar os limites da outra (...) então o trabalho pode fluir de forma mais efetiva”. O secretário municipal de participação popular recomendou que os gestores de outras cidades investissem na democracia participativa: “Eu, se fosse candidato a gestor, pegaria todo o arcabouço da Secretaria de Participação Popular e levaria para discutir na sociedade (...). Acho que o grande passo daqui para frente é mais gestão democrática, participação popular, a via direta, a via de mão dupla entre prefeitura e comunidade. Isso só traz o bem, porque dá maior fiscalização e, com ela, o preço de cada coisa tende a ser o real. Não sei se o justo, mas o real. O grau de satisfação da população aumenta, bem como a confiança no gestor, que consequentemente dividirá seus erros e acertos com toda a comunidade”. Já a secretária de assistência social recomendou aos gestores que entendam que as ações de um setor dependem das de outros e que a política de um setor, por si só, não se basta, NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ XII. Intersetorialidade 329 pois o cidadão é um ser integral e a saúde, por exemplo, depende de um conjunto de ações, que incluem o lazer, a cultura e a habitação. 4. PARCERIAS COM INSTITUIÇÕES ACADÊMICAS Os serviços de atenção básica do município de Aracaju constituem campo de estágio dos alunos de enfermagem, odontologia, psicologia, serviço social e psicologia que estão se formando na UFSE. A coordenação da atenção básica da SMS destacou que está discutindo atualmente a parceria com a UNIT e a reativação do fórum Serviço – Academia, antes existente no município. Há previsão de que as Unidades de Saúde da Família recebam todos os dias, em 2009, alunos de medicina da UNIT, com acompanhamento de professores e preceptoria de alguns trabalhadores da rede. 5. PRÁTICAS ASSISTENCIAIS DAS ESFS PARA ATUAÇÃO INTERSETORIAL A pesquisa procurou conhecer as práticas assistenciais e comunitárias voltadas para atuação intersetorial que são desenvolvidas pelas ESFs, as parcerias estabelecidas pelas equipes com outras instituições e organizações sociais em nível local e o envolvimento e participação das famílias cadastradas na definição dos objetivos e das prioridades para atuação intersetorial. Conhecimento de fatores de risco social e condições de vida dos usuários Às famílias entrevistadas que informaram, espontaneamente ou estimuladas, conhecer o PSF em Aracaju, solicitou-se que confirmassem a realização de algum levantamento, avaliação da situação de saúde ou dos principais problemas de saúde de sua comunidade nos últimos cinco anos. A maioria das pessoas respondeu não saber se fora feito um levantamento (66%), ao passo que somente 9% responderam que o levantamento fora feito e apenas 2% sabiam que fora concluído. Esse percentual não difere muito daquele encontrado em 2002, podendo-se mesmo dizer que, nesse ano, os percentuais eram um pouco mais positivos: 61% das famílias entrevistadas não sabiam se havia sido feito algum levantamento da situação de saúde, 22% mencionaram que não fora feito e 17% afirmaram que o levantamento havia sido realizado, das quais apenas 5% assinalaram que fora concluído. Aracaju 330 PESQUISA SAÚDE NA FRONTEIRA QUATRO ESTUDOS DE CASO Tabela 1 – E1 Avaliação da situação de saúde da comunidade pelas ESFs nos últimos cinco anos, segundo as famílias cadastradas, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 e 2002 2008 2002 Levantamento da situação de saúde n % n % 13 1,9 13 5,4 5 0,7 5 2,1 42 6,2 23 9,6 Não foi feito 171 25,4 52 21,7 Não sabe se foi feito 442 65,7 147 61,2 Total 673 100,0 240 100,0 Foi feito e concluído Começou a ser feito, mas não foi concluído Começou a ser feito, mas não sabe se foi concluído Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. n= 673 entrevistados que informaram, espontaneamente ou estimulados, conhecer o PSF. Para as 60 famílias que afirmaram ter havido algum levantamento ou avaliação da situação de saúde ou dos problemas de saúde de sua comunidade nos últimos cinco anos, foi perguntado se algum membro participara da elaboração desse levantamento ou avaliação. As opiniões foram divididas: enquanto pouco menos da metade dos respondentes afirmou que houve participação de algum membro da família (45%), os 55% restantes indicaram que não houve. Em 2002, o percentual de não participação foi maior: 63%. Tabela 2 – E2 Participação das famílias cadastradas na elaboração da avaliação da situação de saúde na comunidade pelas ESFs, segundo famílias cadastradas, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 e 2002 2008 2002 Participação n % n % Sim 27 45,0 13 31,7 Não 33 55,0 26 63,4 - - 2 4,9 60 100,0 41 100,0 Não respondeu Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. n= 60 famílias que afirmaram ter havido algum levantamento ou avaliação dos problemas de saúde de sua comunidade nos últimos cinco anos. Quando se pediu a opinião dos respondentes sobre o conhecimento dos profissionais da Saúde da Família sobre os problemas de saúde mais importantes da sua comunidade, 45% das famílias responderam que os profissionais os conheciam. Chama a atenção o número de respondentes que não soube informar se os profissionais conheciam os problemas da comunidade: 29%. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ XII. Intersetorialidade 331 Tabela 3 – E3 Conhecimento dos problemas de saúde mais importantes da comunidade pelas ESFs, segundo famílias cadastradas, Aracaju (SE), 2008 Participação n % Sim 303 45,0 Não 173 25,7 Não sabe 197 29,3 Total 673 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. n= 673 entrevistados que informaram, espontaneamente ou estimulados, conhecer o PSF. Solicitou-se aos profissionais das ESFs que indicassem a frequência com que, durante as consultas, investigam os fatores de risco social ou condições de vida dos usuários. Entre os profissionais de nível superior, os médicos afirmaram que perguntam sempre (46%) ou na maioria das vezes (36%) e os enfermeiros na maioria das vezes (61%) e sempre (20%). Não se pode, contudo, menosprezar o percentual desses profissionais (16% dos médicos e 20% dos enfermeiros) que responderam perguntar poucas vezes sobre fatores de risco social ou condições de vida do usuário. Tabela 4 – D14 Indagação sobre fatores de risco social ou condições de vida do usuário durante a consulta pelos médicos e enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Médico Enfermeiro Total Indaga sobre risco social ou condições de vida n % n % n % Sempre 26 46,4 13 19,7 39 32,0 Na maioria das vezes 20 35,7 40 60,6 60 49,2 Poucas vezes 9 16,1 13 19,7 22 18,0 Nunca 1 1,8 - - 1 0,8 Total 56 100,0 66 100,0 122 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. A mesma pergunta foi feita para ACS e auxiliares/técnicos de enfermagem. A maioria dos ACS (91%) e 48% dos auxiliares/técnicos de enfermagem responderam sempre perguntar sobre os fatores de risco social ou as condições de vida do usuário durante a visita domiciliar ou procedimentos/atividades de saúde. Aracaju 332 PESQUISA SAÚDE NA FRONTEIRA QUATRO ESTUDOS DE CASO Tabela 5 – D5 Indagação sobre fatores de risco social ou condições de vida do usuário durante a visita domiciliar realizada pelos agentes comunitários de saúde e durante a realização de procedimentos/atividades de saúde pelos auxiliares/técnicos de enfermagem, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 ACS Aux/Téc enfermagem Investigação sobre risco social ou condições de vida Sim, sempre Sim, raramente Não Total n % n % 137 91,3 29 48,3 10 6,7 17 28,3 3 2,0 14 23,3 150 100,0 60 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. No município de Aracaju, foram entrevistados quatro gerentes de unidades básicas de saúde. Foram unânimes em afirmar que as equipes de saúde da família realizam diagnóstico da comunidade e classificação de riscos, programando suas ações a partir do que é identificado no território. Contudo, são diversificados a frequência com que é feito o diagnóstico e a utilização da informação para programação das atividades. Em uma das unidades, o diagnóstico da comunidade foi realizado, mas não atualizado. Segundo a gerente, em 2006 foi feito o levantamento da situação em que vive a população da área e um planejamento de trabalho das equipes, considerando tais condições. O diagnóstico da comunidade é realizado pela equipe uma vez por ano em outra unidade. A avaliação mensal dos agentes comunitários de saúde também compõe esse diagnóstico com informações do tipo: nascimentos, óbitos, sugestões e outros aspectos de cada área. Com essas informações, a unidade faz o planejamento para o ano seguinte. Como exemplo da programação com base no diagnóstico local, a gerente citou a criação de grupo terapêutico que surgiu da necessidade de diminuir o uso excessivo de psicotrópicos por pacientes de saúde mental. De acordo com outra gerente de unidade, algumas equipes de saúde da família elaboram um perfil epidemiológico da população. Dessa maneira, foi possível, por exemplo, para uma equipe, identificar uma região em que a população é mais envelhecida e apresenta muitos casos de hipertensão e de diabetes. A equipe tenta desenvolver atualmente um trabalho com mulheres idosas que se recusam a vir ao serviço e não realizam o preventivo, tornando-se possíveis candidatas ao câncer de colo do útero. Já outra equipe cobre um número maior de crianças e realiza ações mais voltadas para esse grupo. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ XII. Intersetorialidade 333 Em outra unidade, o diagnóstico vem sendo feito desde que a primeira equipe de saúde da família foi implantada e o último foi realizado em 2007. Para a gerente desta unidade, um importante problema de saúde da comunidade local era a esquistossomose. A equipe identificou muitos casos e houve um processo de capacitação para os profissionais da equipe, principalmente para os agentes, buscando-se o auxílio dos profissionais de zoonoses e, após o diagnóstico, foram desenvolvidas atividades com a comunidade. Capacitação dos profissionais para atuar segundo a diversidade sociocultural da comunidade Foi perguntado aos profissionais de nível superior se tinham recebido capacitação específica para atuar considerando a diversidade sociocultural da comunidade. A maior parte dos médicos (66%) respondeu negativamente, demonstrando que essa falta de capacitação é uma fragilidade da Saúde da Família no município. Contudo, 62% dos enfermeiros afirmaram ter recebido tal capacitação. Tabela 6 – B20 Capacitação para atuar considerando a diversidade sociocultural da comunidade informada pelos médicos e enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Médico Enfermeiro Total Capacitação n % n % n % Sim 19 33,9 41 62,1 60 49,2 Não 37 66,1 25 37,9 62 50,8 Total 56 100,0 66 100,0 122 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. A mesma pergunta foi feita aos profissionais de nível médio e foram encontradas proporções semelhantes às dos profissionais de nível superior. Enquanto 63% dos ACS informaram ter recebido capacitação específica para atuar segundo a diversidade sociocultural da comunidade atendida, 65% dos auxiliares/técnicos de enfermagem afirmaram não tê-la recebido. Tabela 7 – B22 B25 Capacitação para atuar considerando a diversidade sociocultural da sociedade informado pelos ACS e auxiliares/técnicos de enfermagem, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 ACS Aux/Téc enfermagem Capacitação n % n % Sim 80 63,0 21 35,0 Não 47 37,0 39 65,0 Total 127 100,0 60 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Aracaju 334 PESQUISA SAÚDE NA FRONTEIRA QUATRO ESTUDOS DE CASO Ações conjuntas da ESF com instituições, organizações ou grupos da comunidade A pesquisa buscou conhecer as ações desenvolvidas pelas ESFs com outras instituições e organizações sociais, identificando a existência e a frequência de trabalho conjunto, os organismos e setores envolvidos, assim como a participação dos profissionais das ESFs nessas atividades. Foi perguntado aos profissionais de nível superior das ESFs sobre a existência e a frequência de trabalho conjunto entre sua equipe e outras instituições, organizações ou grupos da comunidade. A maioria dos médicos (79%) e dos enfermeiros (53%) respondeu que poucas vezes ou nunca realizam trabalho em conjunto. Contudo, 47% dos enfermeiros informaram realizá-los sempre ou na maioria das vezes, sendo essa a categoria profissional com maior proporção de membros com atividades intersetoriais. Tabela 8 – E1 Existência de trabalho em conjunto com outras instituições, organizações ou grupos da comunidade para realização de ações intersetoriais informada pelos médicos e enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Médico Enfermeiro Total Trabalho em conjunto n % n % n % 1 1,8 7 10,6 8 6,6 Na maioria das vezes 11 19,6 24 36,4 35 28,7 Poucas vezes 22 39,3 30 45,5 52 42,6 Nunca 22 39,3 5 7,6 27 22,1 Total 56 100,0 66 100,0 122 100,0 Sempre Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Também a maioria dos ACS (76%) e a maioria dos auxiliares/técnicos de enfermagem (75%) respondeu que poucas vezes ou nunca realizam trabalhos em conjunto com outras organizações ou grupos da comunidade para ações intersetoriais, o que configura que a articulação intersetorial no âmbito das ESFs ainda é estratégia residual. Apenas um quarto dos ACS e auxiliares faz trabalho conjunto com outras entidades. Tabela 9 – E1 Existência de trabalho em conjunto com outras instituições, organizações ou grupos da comunidade para realização de ações intersetoriais informada pelos ACS e auxiliares/técnicos de enfermagem, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 ACS Aux/Téc enfermagem Trabalho em conjunto n % n % Sempre 15 10,0 6 10,0 Na maioria das vezes 21 14,0 9 15,0 Poucas vezes 74 49,3 17 28,3 Nunca 40 26,7 28 46,7 Total 150 100,0 60 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ XII. Intersetorialidade 335 A participação dos médicos nas atividades voltadas para solução/encaminhamento de problemas da comunidade junto de outros órgãos públicos ou de entidades da sociedade foi afirmada por quase um terço dos entrevistados (30%). Já entre os enfermeiros, pouco menos da metade (53%) afirmou participar dessas atividades. Tabela 10 – E2 Participação em atividades voltadas para solução/encaminhamento de problemas da comunidade junto de outros órgãos públicos ou entidades da sociedade informada pelos médicos e enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Médico Enfermeiro Total Participação em atividades n % n % n % Sim 17 30,4 35 53,0 52 42,6 Não 39 69,6 31 47,0 70 57,4 Total 56 100,0 66 100,0 122 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Cerca da metade dos agentes comunitários de saúde (49%) e 67% dos auxiliares/técnicos de enfermagem informaram não participar de atividades voltadas para solução/encaminhamento de problemas da comunidade junto a outros órgãos públicos ou entidades da sociedade, indicando que essa é uma ação que precisa ser incentivada. Tabela 11 – E2 Participação em atividades voltadas para encaminhamento de problemas da comunidade junto a outros órgãos públicos ou entidades da sociedade informada por ACS e auxiliares/técnicos de enfermagem, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 ACS Aux/Téc enfermagem Participação em atividades n % n % Sim 76 50,7 20 33,3 Não 74 49,3 40 66,7 Total 150 100,0 60 100,0 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008 Os principais órgãos públicos ou entidades da sociedade com os quais a ESF realiza atividades, citados pelos 17 médicos que afirmaram participar de alguma atividade para o encaminhamento de problemas de sua comunidade são: escola (71%), coleta de lixo (71%), moradia (47%) e esgotamento sanitário (47%). Igualmente, entre os 35 enfermeiros, foram citados: escola (80%), coleta de lixo (47%), moradia (43%) e esgotamento sanitário (43%). Cabe ressaltar que o Conselho Local de Saúde foi mencionado pelos profissionais, mesmo não tendo sido incluído entre as opções do questionário aplicado. Aracaju 336 PESQUISA SAÚDE NA FRONTEIRA QUATRO ESTUDOS DE CASO Tabela 12 – E3 Tipos de órgãos públicos ou entidades da sociedade com os quais realiza atividades, informados pelos médicos e enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Médico Enfermeiro Total Órgãos públicos ou entidades da sociedade n % n % n % Escola/educação 12 70,6 28 80,0 40 76,9 Coleta de lixo 12 70,6 17 48,6 29 55,8 Moradia 8 47,1 15 42,9 23 44,2 Esgoto 8 47,1 15 42,9 23 44,2 Urbanismo (ruas, praças, iluminação pública etc.) 6 35,3 10 28,6 16 30,8 Água 7 41,2 9 25,7 16 30,8 Transporte 5 29,4 6 17,1 11 21,2 Segurança pública 2 11,8 8 22,9 10 19,2 Geração de renda/trabalho 2 11,8 8 22,9 10 19,2 Outro 4 23,5 3 8,6 7 13,5 Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Observação: n=17 médicos e n =35 enfermeiros que afirmaram participar de alguma atividade voltada para a solução/encaminhamento de problemas de sua comunidade junto com outros órgãos públicos. Descrição dos outros: conselho local de saúde (4), controle ambiental, Ministério Público. Os principais órgãos públicos ou as entidades da sociedade com os quais a equipe de saúde da família realiza atividades, citados pelos auxiliares/técnicos de enfermagem da ESF – que afirmaram participar de alguma atividade voltada para o encaminhamento de problemas de sua comunidade – são a coleta de lixo (70%), a escola e a segurança pública (65%), o esgoto e a moradia (50%). Já os ACS citaram: escola (68%), coleta de lixo (57%) e segurança pública (50%). Cabe ressaltar que o Conselho Local de Saúde também foi citado, mesmo não tendo sido incluído entre as opções do questionário aplicado aos profissionais. Tabela 13 – E3 Tipos de órgãos públicos ou entidades da sociedade com os quais realiza atividades, informados pelos agentes comunitários de saúde e auxiliares/técnicos de enfermagem, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 ACS Aux/Téc enfermagem Órgãos públicos ou entidades da sociedade n % n % Escola/educação 52 68,4 13 65,0 Coleta de lixo 43 56,6 14 70,0 Segurança pública 38 50,0 13 65,0 Moradia 34 44,7 10 50,0 Urbanismo (ruas, praças, iluminação pública etc.) 34 44,7 8 40,0 Esgoto 30 39,5 10 50,0 Geração de renda/trabalho 27 35,5 8 40,0 NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ XII. Intersetorialidade 337 ACS Aux/Téc enfermagem Órgãos públicos ou entidades da sociedade n % n % Água 23 30,3 10 50,0 Transporte 10 13,2 6 30,0 3 3,9 1 5,0 Outro Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Observação: n = 76 ACS e n = 20 auxiliares/técnicos de enfermagem que disseram participar de atividades voltadas para solução/encaminhamento de problemas da comunidade junto de outros órgãos públicos ou entidades. Descrição dos outros: Conselho Local de Saúde, orçamento participativo, preservação dos mangues e consumo de álcool e outras drogas. Pediu-se aos profissionais de nível superior sua opinião sobre com quais tipos de entidades ou órgãos a ESF deveria relacionar-se para a resolução de problemas da comunidade. Para a maior parte dos médicos e dos enfermeiros (64% cada), a equipe deveria buscar parcerias tanto com órgãos de políticas públicas – a educação, a assistência social, o saneamento e o transporte – quanto com outros organismos não governamentais e organizações da sociedade civil. Em ambas as categorias profissionais, a segunda resposta mais mencionada foi órgãos de políticas públicas (21% dos médicos e 32% dos enfermeiros). Cabe ainda destacar que um profissional de nível superior (enfermeiro) declarou que a própria ESF tem condições de resolver os problemas da comunidade. Tabela 14 – E4 Entidades ou órgãos com os quais a ESF deve relacionar-se para resolução de problemas da comunidade informados pelos médicos e enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Médico Enfermeiro Total ESF deve se relacionar Órgãos de políticas públicas como educação, assistência social, saneamento e transporte Organismos não governamentais e organizações da sociedade civil As duas respostas anteriores n % n % n % 12 21,4 21 31,8 33 27,0 - - 1 1,5 1 ,8 36 64,3 42 63,6 78 63,9 A equipe tem condições de resolver os problemas da comunidade - - 1 1,5 1 0,8 Não tem opinião formada 8 14,3 1 1,5 9 7,4 56 100,0 66 100,0 122 100,0 Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. A mesma pergunta foi feita aos auxiliares/técnicos de enfermagem. De acordo com 53% dos entrevistados, a equipe deveria buscar parcerias tanto com órgãos de políticas públicas – como educação, assistência social, saneamento e transporte – como com outros organismos não governamentais e organizações da sociedade civil. Aracaju 338 PESQUISA SAÚDE NA FRONTEIRA QUATRO ESTUDOS DE CASO Tabela 15 – E4 Entidades ou órgãos com os quais a ESF deve relacionar-se para resolução de problemas da comunidade informados pelos auxiliares/técnicos de enfermagem, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 ESF deve se relacionar n % 18 30,0 1 1,7 32 53,3 A equipe tem condições de resolver os problemas da comunidade 1 1,7 Não tem opinião formada 8 13,3 60 100,0 Órgãos de políticas públicas como educação, assistência social Organismos não governamentais e organizações da sociedade civil As duas respostas anteriores Total Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. Aos profissionais de nível superior foi também solicitado que informassem a frequência com que a ESF executa ações na sua área de atuação em parceria ou com participação informal de ONGs, associações, conselhos, igrejas e movimentos sociais. De acordo com a maioria dos médicos (73%) e dos enfermeiros (52%) tais parcerias ocorrem poucas vezes ou nunca. Contudo, 27% dos médicos e 49% dos enfermeiros afirmaram executar, sempre ou na maioria das vezes, ações na sua área de atuação em parceria ou com participação informal de ONGs, associações, conselhos, igrejas e movimentos sociais, o que demonstra a heterogeneidade na atuação intersetorial entre as ESFs. Tabela 16 – E5 Execução de ações pela ESF em sua área de atuação em parceria ou com participação informal de ONGs, associações, conselhos, igrejas e movimentos sociais informados pelos médicos e enfermeiros, Estratégia Saúde da Família, Aracaju (SE), 2008 Médico Enfermeiro Total Execução de ações pela equipe n % n % n % 2 3,6 11 16,7 13 10,7 Na maioria das vezes 13 23,2 21 31,8 34 27,9 Poucas vezes 28 50,0 34 51,5 62 50,8 Nunca 13 23,2 - - 13 10,7 Total 56 100,0 66 100,0 122 100,0 Sempre Fonte: NUPES/DAPS/ENSP/FIOCRUZ – Pesquisa Saúde da Família quatro estudos de caso, 2008. A mesma pergunta foi feita aos agentes comunitários de saúde e auxiliares/técnicos de enfermagem. As práticas dos profissionais são bastante diversificadas. Pouco menos da metade dos ACS (49%) e dos auxiliares/técnicos (50%) afirmou que a equipe executa sempre ou na maioria das vezes ações na sua ár