UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADES CATARATAS
FACULDADE DINÂMICA DAS CATARATAS
CURSO ENGENHARIA AMBIENTAL
Missão: “Formar Profissionais capacitados, socialmente responsáveis e aptos a
promoverem as transformações futuras”
ANÁLISE DA VIABILIDADE ECONÔMICO-FINANCEIRA DO
USO DO BIOGÁS COMO FONTE DE ENERGIA ELÉTRICA
EDILMAR SIQUEIRA DA SILVA
Foz do Iguaçu - PR
2010
EDILMAR SIQUEIRA DA SILVA
ANÁLISE DA VIABILIDADE ECONÔMICO-FINANCEIRA DO
USO DO BIOGÁS COMO FONTE DE ENERGIA ELÉTRICA
Trabalho
Final
de
Graduação
apresentado à banca examinadora da
Faculdade Dinâmica das Cataratas
(UDC), como requisito para obtenção
do grau de Engenheiro Ambiental.
Orientador: Prof.°
Carvalho Lobão.
Foz do Iguaçu – PR
2010
Dr.
Elídio
de
S586a
Silva, Edilmar Siqueira da
Análise da viabilidade econômico-financeira do
uso do biogás como fonte de energia elétrica /
Edilmar Siqueira da Silva - Foz do Iguaçu: UDC /
2010.
Orientador: Dr. Elídio de Carvalho Lobão
Trabalho de Conclusão de Curso - (TCC)
Faculdade Dinâmica das Cataratas
1. Estação de Tratamento de Esgotos 2. Biomassa
3. Geração de Energia.
CDU: 504
TERMO DE APROVAÇÃO
UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADES CATARATAS
ANÁLISE DA VIABILIDADE ECONÔMICO-FINANCEIRA DO USO DO BIOGÁS
COMO FONTE DE ENERGIA ELÉTRICA
TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE
BACHAREL EM ENGENHARIA AMBIENTAL
Acadêmico: Edilmar Siqueira da Silva
Orientador: Prof.° Dr. Elídio de Carvalho Lobão
Nota Final
Banca Examinadora:
Prof.ª Ms. Angela Lemos Prestes Marcondes
Prof.º Dr. Carlos Roberto Mendonça da Rocha
Foz do Iguaçu, 03 de dezembro de 2010.
IV
DEDICATÓRIA
Aos meus pais pelo grande incentivo dispensado e presença constante em toda minha caminhada.
À minha esposa, por tudo que passamos neste período, a paciência com que suportou minhas
ausências durante meus estudos e principalmente, seu carinho único, que me encoraja dia a dia
nesta empreitada. Sem você, eu não teria chego aqui.
V
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus por vencer mais uma etapa, ao executar este
trabalho.
À minha família, que realmente são parte fundamental da minha vida. Sem seu
apoio, a realização deste trabalho não teria sido possível.
Ao professor e orientador Elídio Lobão, pela sua valiosa orientação, sempre
disponível para guiar meu raciocínio.
Aos professores, pela dedicação, profissionalismo e amizade durante todo o período
do curso.
Aos colegas de faculdade parceiros nos estudos e trabalhos, por suas amizades e
apoio nos altos e baixos enfrentados durante o curso, além do companheirismo e
fundamental contribuição nos trabalhos acadêmicos.
À União Dinâmica de Faculdades Cataratas, que ofereceu todas as condições para
a minha formação profissional, acadêmica e pessoal.
Enfim, agradeço a todos aqueles que contribuíram de forma direta e indireta na
conclusão deste trabalho.
VI
“Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão, perder com
classe e vencer com ousadia...
Pois o triunfo pertence
a quem se atreve.”
Charles Chaplin
VII
SILVA, Edilmar Siqueira. Análise da viabilidade econômico-financeira do uso do
biogás como fonte de energia elétrica. Foz do Iguaçu, 2010. Projeto de Trabalho
Final de Graduação - Faculdade Dinâmica de Cataratas.
RESUMO
O Brasil é um país que se destaca no uso de fontes renováveis de energia,
principalmente derivada das usinas hidroelétricas e etanol, proveniente da cana de
açúcar. Entretanto, existe ainda, com pouco aproveitamento, um enorme potencial
de energia proveniente da biomassa residual, que permanece como subproduto em
diversas atividades, como por exemplo, restos de colheita, esterco animal,
plantações energéticas e efluentes domésticos e agroindustriais. O não
aproveitamento desta biomassa residual implica, muitas vezes, em um passivo
ambiental, como é o caso do lodo proveniente do tratamento de esgotos. O biogás
gerado pelo tratamento anaeróbico de esgoto é um combustível que pode ser
utilizado num motor de combustão interna para geração de energia elétrica em
vários processos, rural ou industrial, contribuindo desta forma para redução dos
custos de produção. Diante do exposto, neste trabalho será realizada uma discussão
sobre a viabilidade econômico-financeira e ambiental da utilização de biogás como
combustível para geração de energia em estações de tratamento de esgotos. Esta
análise será realizada levando-se em conta tanto os custos da implementação do
sistema quanto o fluxo de caixa ao longo da vida útil do mesmo, que inclui custos de
manutenção e renda gerada a partir da produção de energia. Aspectos intangíveis
também serão discutidos, como os ganhos ambientais e sociais da implantação do
sistema. A estação Ouro Verde, de propriedade da SANEPAR, em Foz do Iguaçu,
servirá de referência para o presente estudo, face às particularidades encontradas
no local, como um projeto piloto de geração de energia distribuída via biogás ali
implantado e a interação do autor com a empresa, sendo o mesmo empregado da
companhia.
Palavras-Chave: estação de tratamento de esgotos – biomassa – geração de
energia
VIII
SILVA, Edilmar Siqueira. Analysis of economic and financial feasibility of using
biogas as a source of electrical energy. Foz do Iguaçu, 2010. Project to Completion
of Course Work - Faculdade Dinâmica de Cataratas.
ABSTRACT
The Brazil is a country that stands in the use of renewable energy sources, mainly
derived from hydroelectric power plants and ethanol from sugar cane. However,
there is, with little use, a huge potential for energy from biomass residual, which
remains as a byproduct in various activities, for example, scraps of harvest, animal
manure, energy crops and domestic effluents and agroindustriais. Not availing this
residual biomass implies, often, in an environmental liability, as is the case of the
sludge from sewage treatment. The biogas generated by anaerobic treatment of
wastewater is a fuel that can be used in an internal combustion engine to generate
electricity in various industrial processes, or rural, thereby contributing to reducing
production costs. Given the above, in this work will be held a discussion on the
economic-financial viability and environmental use of biogas as fuel for power
generation in sewage treatment plants. This analysis will be performed taking-into
account the costs of implementing the system as the cash flow over the useful life of
the same, which includes maintenance costs and income generated from energy
production. Intangible aspects will also be discussed, such as environmental and
social gains the implantation of the system. The station Ouro Verde, ownership of
SANEPAR, in Foz do Iguaçu, will serve as a reference to this study, given the
peculiarities encountered in place, as a pilot project generation of energy distributed
via biogas ali deployed and author interaction with the company, being the same
employee of the company.
Keywords: sewage treatment plant - biomass - power generation.
IX
LISTA DE FIGURAS
Figura 01: Reator UASB. ........................................................................................... 18
Figura 02: Entrada do efluente – Distribuidor central ................................................ 18
Figura 03: Vista interna dos difusores até o leito de fundo do reator ........................ 19
Figura 04: Composição média dos gases presentes no biogás ................................ 21
Figura 05: Fluxo de caixa simplificado ...................................................................... 35
Figura 06: Sistema proposto para coleta, armazenagem de biogás e geração de
energia elétrica. ......................................................................................................... 38
X
LISTA DE TABELAS
Tabela 01 - Equivalência energética de 1 m3 de biogás ........................................... 27
Tabela 02 – Custo total de implantação do projeto de geração de energia distribuída
.................................................................................................................................. 43
Tabela 03 – Potencial de geração da ETE Ouro Verde ............................................ 45
Tabela 04 – Apresentação dos resultados auferidos pelo projeto ............................. 46
Tabela 05 – Custos variáveis .................................................................................... 47
Tabela 06 – Valores da depreciação ......................................................................... 48
Tabela 07 – Fluxo de caixa – Ano 0 ao ano 4 ........................................................... 50
Tabela 08 – Fluxo de caixa – Ano 5 ao ano 9 ........................................................... 51
Tabela 09 – Fluxo de caixa – Ano 10 ao ano 14 ....................................................... 52
Tabela 10 – Fluxo de caixa – Ano 15 ao ano 19 ....................................................... 53
Tabela 11 – Fluxo de caixa – Ano 20 ao ano 24 ....................................................... 54
Tabela 12 – Fluxo de caixa – Ano 25 ........................................................................ 55
XI
LISTA DE ABREVIAÇÕES E SIGLAS
ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica
BACEN - Banco Central do Brasil
CH4 - Metano
CO2 - Dióxido de carbono
CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente
COPEL - Companhia Paranaense de Energia
DBO - Demanda biológica de oxigênio
DQO - Demanda química de oxigênio
EMATER - Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural
ETE - Estação de tratamento de esgoto
GLP - Gás liquefeito de petróleo
H2 - Hidrogênio
H2S - Gás sulfídrico
Hz - Hertz
INPC - Índice Nacional de Preços ao Consumidor
ISO - International Organization for Standardization
Kg - Kilograma
kVA - Kilovolt ampere
kW - Kilowatt
kWh - Kilowatt/hora
l - Litro
M2 - Metros quadrados
M3 - Metros cúbicos
MDL - Mecanismo de desenvolvimento limpo
MWh - Megawatt/hora
N2 - Nitrogênio
NOX - Óxido de nitrogênio
PCI - Poder calorífico inferior
PCS - Poder calorífico superior
PPB - Partes por bilhão
XII
PTI - Parque Tecnológico Itaipu
PUREFA - Programa de uso racional de energia e fontes alternativas
RALF - Reator anaeróbico de leito fluidizado
RPM - Rotação por minuto
SABESP - Companhia de saneamento básico de São Paulo
SANEPAR - Companhia de saneamento do Paraná
SELIC - Sistema Especial de Liquidação e de Custódia
TIR - Taxa interna de retorno
TMA - Taxa mínima de atratividade
UASB - Up-flow anaerobic sludge blanket
UNFCC - United Nations Framework Convention on Climate Change
USP - Universidade de São Paulo
VPL - Valor presente líquido
XIII
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 15
2 REFERENCIAL TEÓRICO..................................................................................... 17
2.1 ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTOS .................................................. 17
2.1.1 Tecnologia empregada no tratamento de esgotos ...................................... 17
2.2 BIOGÁS ............................................................................................................... 20
2.2.1 Histórico e conceitos ..................................................................................... 20
2.2.2 Produção e aproveitamento do biogás ........................................................ 22
2.2.3 Aspectos econômicos e ambientais da utilização do biogás .................... 24
2.3 GERAÇÃO DISTRIBUIDA ................................................................................... 27
2.3.1 Geração de energia elétrica a partir do biogás ............................................ 27
2.4 ANÁLISE DE VIABILIDADE ECONOMICA DE EMPREENDIMENTOS ............... 30
2.4.1 Técnicas de análise financeira ...................................................................... 30
2.4.2 Taxas de juros e taxas de desconto ............................................................. 31
2.4.3 Taxa interna de retorno.................................................................................. 32
2.4.4 Valor presente líquido .................................................................................... 33
2.4.5 Análise de fluxo de caixa ............................................................................... 34
2.4.6 Depreciação de investimentos ...................................................................... 35
2.4.7 Tomada de decisão ........................................................................................ 36
3 MATERIAL E MÉTODOS ...................................................................................... 37
3.1 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO ...................................................... 37
3.1.1 Produção de biogás ....................................................................................... 38
3.2 METODOLOGIA DA PESQUISA ......................................................................... 39
3.3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ............................................................ 40
3.3.1 Análise dos dados .......................................................................................... 40
3.3.2 Viabilidade econômica ................................................................................... 40
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................. 42
4.1 ANÁLISE ECONÔMICA DA GERAÇÃO DE ENERGIA DISTRIBUÍDA ............... 42
4.1.1 Receita auferida pelo projeto ........................................................................ 45
4.1.2 Custos anuais com operação e manutenção............................................... 46
XIV
4.1.3 Depreciação .................................................................................................... 47
4.1.4 Resultados econômico-financeiros da geração de energia elétrica .......... 48
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 58
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 60
APÊNDICES ............................................................................................................. 64
APÊNDICE I – PLANILHA ELETRÔNICA PARA CÁLCULO DE VIABILIDADE
ECONOMICO FINANCEIRA DE EMPREENDIMENTOS GERADORES DE ENERGIA
ELÉTRICA COM BIOGÁS (CD-ROM) ....................................................................... 65
15
1 INTRODUÇÃO
O Brasil é um país que se destaca no uso de fontes renováveis de
energia, principalmente derivada das usinas hidroelétricas, responsáveis por mais de
80% de toda geração de eletricidade. Este percentual deve-se ao fato de ter em seu
território um vasto potencial hídrico e relevo adequado à construção destas usinas.
Em segundo plano, está o etanol proveniente da cana de açúcar, utilizado como
mistura na gasolina ou puro, substituindo a gasolina. Entretanto, existe ainda, com
pouco aproveitamento, um enorme potencial de energia proveniente da biomassa
residual que permanece como subproduto em diversas atividades, como por
exemplo, restos de colheita, esterco animal, plantações energéticas e efluentes
domésticos e agroindustriais.
No que diz respeito ao aspecto ambiental, ao contrário da energia dos
combustíveis fósseis, a utilização da biomassa como fonte de energia (biogás, por
exemplo), além de ser uma fonte renovável, não aumenta o teor de CO2 (gás
carbônico) na atmosfera, uma vez que o CO2 liberado durante a combustão da
biomassa é absorvido novamente no processo de fotossíntese para formação da
mesma.
Em outra situação, o não aproveitamento desta biomassa residual implica,
muitas vezes, em um passivo ambiental, como é o caso do lodo proveniente do
tratamento de esgotos. Depois de seco e higienizado, pode ser utilizado como adubo
na lavoura de várias culturas, resultando em economia de recursos. Quando este
aproveitamento não ocorre, deve ser depositado obrigatoriamente em aterros
sanitários, o que diminui a vida útil do aterro. Ou seja, um recurso ao deixar de
explorar seu potencial, pode representar um problema econômico e ambiental.
O biogás é um combustível gasoso com um conteúdo energético elevado
semelhante ao gás natural. Este combustível pode ser utilizado num motor de
combustão interna para geração de energia elétrica em vários processos, rural ou
industrial, contribuindo desta forma para redução dos custos de produção.
Diante do exposto, neste trabalho será realizada uma discussão sobre a
viabilidade econômico-financeira e ambiental da utilização de biogás como
combustível para geração de energia em estações de tratamento de esgotos (ETE).
16
Esta análise será realizada levando-se em conta tanto os custos da implementação
do sistema quanto o fluxo de caixa ao longo da vida útil do mesmo, que inclui custos
de manutenção e renda gerada a partir da produção de energia. Aspectos
intangíveis também serão discutidos, como os ganhos ambientais e sociais da
implantação do sistema.
Para esta análise, os objetivos a serem atingidos são subdivididos nas
seguintes etapas:
a) Caracterizar uma unidade de geração distribuída à base de biogás;
b) Avaliar os custos de implantação do sistema;
c) Avaliar os custos de manutenção e operação do sistema;
d) Avaliar o retorno econômico-financeiro da geração de energia elétrica a
base de biogás em estações de tratamento de esgotos;
e) Avaliar o retorno ambiental da geração de energia elétrica a base de
biogás em estações de tratamento de esgotos;
f) Analisar o retorno do capital investido na construção da ETE na forma
de recursos oriundos do plano de geração de energia distribuída.
A ETE Ouro Verde, de propriedade da Companhia de Saneamento do
Paraná (SANEPAR), em Foz do Iguaçu, servirá de referência para o presente
estudo, face às particularidades encontradas no local, como um projeto piloto de
geração de energia distribuída via biogás ali implantado e a interação do autor com a
empresa, sendo o mesmo empregado da companhia.
Deste modo, este estudo se justifica pela necessidade de diminuir a
dependência dos combustíveis fósseis, além de encontrar soluções econômica e
ambientalmente sustentáveis para contribuir com a matriz energética dos países e
reduzir os impactos globais provocados pelo lançamento inadequado de esgotos
domésticos sem tratamento em corpos hídricos, caso se verifique a possibilidade de
o retorno financeiro propiciado pelo projeto amortizar parcialmente ou totalmente o
custo de implantação de uma ETE, o que viabilizaria economicamente a mesma em
municípios de menor poder aquisitivo.
17
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTOS
2.1.1 Tecnologia empregada no tratamento de esgotos
Atualmente, para o tratamento de esgoto doméstico vem sendo utilizado
em larga escala os biodigestores modelo RALF (Reator Anaeróbico de Leito
Fluidizado), cuja sigla original é UASB (Up-flow Anaerobic Sludge Blanket). Este
biodigestor revolucionou a área de tratamento de efluentes apresentando benefícios
que antes não se tinha, como por exemplo: baixo consumo de energia, baixo custo
operacional, maior estabilidade do processo de tratamento, entre outros (PECORA,
2006).
O biodigestor é caracterizado por uma câmara de fermentação,
geralmente circular e construída abaixo do nível do solo com a intenção de protegêla contra as variações climáticas, principalmente variações bruscas da temperatura
ambiente (LOPES, 2002). A figura 1 ilustra o desenho esquemático de um
biodigestor UASB. As figuras seguintes (2 e 3) mostram o esgoto sendo distribuído
pelas cavidades do distribuidor.
18
Figura 1: Reator UASB.
Fonte: Adaptado de Feiden (2001).
Figura 2: Entrada do efluente – Distribuidor central
19
Figura 3: Vista interna dos difusores até o leito de fundo do reator
Segundo Vitoratto (2004), para o dimensionamento de um biodigestor
modelo UASB, emprega-se os seguintes parâmetros:
1. Carga Orgânica Aplicada:
a) Para despejos concentrados – valor máximo de 6 a 8 kg DQO/m3dia;
b) Para despejos com baixa concentração, em torno de 1,5 kg
DQO/m3dia;
2. Altura do Biodigestor:
a) Para despejos concentrados – máxima altura de 5 a 6 m
b) Para despejos com baixa concentração – de 3 a 4 m
3. A distribuição de fundo do biodigestor deve ser a mais uniforme:
a) Para despejos com alta concentração – 7 a 10 m2
b) Para despejos com baixa concentração – 1 a 3 m2
4. Saída do Líquido:
a) A saída do líquido ocorre pela parte superior, fluxo ascendente e deve
ser a mais uniforme possível. Recomenda-se vertedores reguláveis para o
ajuste do fluxo do líquido.
O princípio do biodigestor UASB baseia-se no fluxo ascendente do
efluente a ser tratado, o qual é alimentado pelo fundo do reator e atravessa um leito
de biomassa ativa, sendo descartado após passar por um sistema de placas
defletoras colocadas no topo do biodigestor, separando as fases líquida, sólida e
gasosa. O decantador interno permite que as partículas de lodo retornem à zona de
20
digestão, assegurando o tempo de retenção adequada de sólidos e a obtenção de
altas concentrações de lodo anaeróbio no biodigestor (PECORA, 2006).
Segundo Sperling (2005), o custo de implantação do reator UASB seguido
de lagoa de polimento é de R$ 40,00 a 70,00/hab. e a manutenção de R$ 4,50 a
7,00/hab. por ano.
2.2 BIOGÁS
2.2.1 Histórico e conceitos
Grande parte da energia armazenada na biomassa é perdida para a
atmosfera na forma de gases e de calor, através do processo de decomposição.
Toda matéria viva, após a morte, é decomposta por microorganismos (bactérias).
Durante esse processo de decomposição, as bactérias retiram da biomassa parte
das substâncias de que necessitam para a manutenção da sua sobrevivência e, em
contrapartida, lançam na atmosfera gás e calor. Esse gás é o chamado biogás, uma
fonte de energia abundante, não poluidora e barata (BARRERA, 2003).
Este processo de decomposição da matéria orgânica para formação do
biogás recebe o nome de biodigestão. Mas é no biodigestor que o processo pode
ser controlado e os produtos dessa reação capturados e armazenados para
posterior utilização (LOPES, 2002).
O biogás foi descoberto por volta do século XVIII pelo pesquisador
Alessandro Volta, que iniciou sua produção em ampla escala por biodigestores
difundidos na Índia e também na China tendo como finalidade suprir as
necessidades energéticas na zona rural (SILVEIRA, 1981).
O biogás é uma mistura gasosa combustível, contendo principalmente
gás metano (CH4) e dióxido de carbono (CO2). Contém em menor quantidade
nitrogênio (N2), hidrogênio (H2) e gás sulfídrico (H2S) (FILHO, 1981).
A figura 4 ilustra a composição média do biogás.
21
60%
35%
2,30% 1,50%
0,55%
0,30% 0,30%
0,05%
Figura 4: Composição média dos gases presentes no biogás
Fonte: Adaptado de Castanón (2002).
A presença de substâncias
substâncias não combustíveis no biogás como a água e o
dióxido de carbono, prejudica o processo de queima, tornando-o
tornando o menos eficiente. No
caso do gás sulfídrico, o mesmo pode
pode acarretar corrosão precoce, diminuindo tanto
o rendimento, quanto a vida útil do motor térmico utilizado (COELHO et al., 2006a).
A siloxina,, também presente na composição do biogás, é um composto de
sílica proveniente de produtos de higiene pessoal e cosmético. Sua presença, na
ordem de ppb (partes por bilhão) acarreta, ao longo do tempo, problemas nos
rotores de turbinas e motores
motores pela formação de grãos de sílica (areia) no interior dos
equipamentos, devido à elevada temperatura (CAPSTONE, 2001,
2001 apud COELHO et
al., 2006a).
A maior parcela dos compostos do biogás, o metano (CH4), quando
lançado na atmosfera apresenta potencial de poluição 21 vezes superior ao dióxido
de carbono (CO2) no que se refere ao efeito estufa, sendo que sua utilização na
geração de energia leva a uma redução do potencial de poluição ambiental
(COELHO, et al., 2006b).
).
De acordo com a concentração do gás metano
metano presente no biogás o
poder calorífico pode variar entre 4,95 e 7,92 kWh/m3, poder calorífico inferior (PCI)
e poder calorífico superior (PCS), respectivamente.
respectivamente Mas uma vez efetuada a
22
purificação da mistura gasosa com a eliminação principalmente da água e do dióxido
de carbono, este valor pode variar entre 9,94 e 11,07 kWh/m3 (OLIVEIRA, 2005).
2.2.2 Produção e aproveitamento do biogás
O rápido desenvolvimento econômico dos últimos anos e a alta acentuada
do preço dos combustíveis convencionais têm incentivado cada vez mais o
desenvolvimento de novas tecnologias para geração de energia utilizadoras de
fontes renováveis e economicamente atrativas, extremamente importante para o
desenvolvimento
sustentável
tanto
de
países
desenvolvidos
quanto
em
desenvolvimento, criando fontes de suprimentos descentralizadas e em pequena
escala (COLDEBELLA et al., 2006).
Logo, em busca destas tecnologias, notou-se que todos os processos de
tratamento de efluentes baseados em processos biológicos ou que envolviam
alguma unidade de biodigestão eram potenciais geradores de biogás, como por
exemplo, sistema de reator anaeróbio de fluxo ascendente (UASB), filtro anaeróbio,
lagoas anaeróbias, lagoas facultativas, entre outros (CENBIO, 2000).
Como conseqüência do alto teor de metano, o biogás captado nestes
processos pode ser aproveitado em duas situações. A primeira consiste na queima
direta gerando energia térmica (aquecedores, esquentadores, fogões, caldeiras). A
segunda diz respeito à utilização em motores à explosão, convertendo biogás em
eletricidade (PECORA, 2006).
Partindo destes princípios, em 2006, Angonese et al. publicaram um
estudo de eficiência energética de um sistema de produção de suínos com
tratamento dos resíduos em biodigestor, através do acompanhamento de um lote de
120 dias, em sistema comercial, em Ouro Verde do Oeste, PR. Quantificou-se o
coeficiente energético de cada componente envolvido no processo de produção e
tratamento dos resíduos, por meio de biodigestor (entradas e saídas) e se
determinaram as matrizes de consumo energético nas formas de ração, energia
elétrica, mão-de-obra, equipamentos, instalações, produção de suínos vivos,
biofertilizante e biogás. Os resultados indicaram que a atividade importa grande
23
parte da energia consumida no processo de produção, com eficiência energética de
38%.
Santos & Lucas Jr. (2004) também apresentaram um estudo de balanço
energético após acompanhamento de oito lotes de criação de frangos de corte, em
galpão comercial no município de Sertãozinho, SP. Foi quantificado o poder
calorífico de cada componente envolvido no processo de produção (direto e indireto,
entradas e saídas), utilizando-os posteriormente para o cálculo do coeficiente de
eficiência energética. O fluxo líquido de energia demonstrou que a atividade possui
alto consumo energético, apresentando eficiência energética de 28%. Ainda
segundo o estudo, da energia de saída, 46,7% poderia retornar ao sistema na forma
de biogás.
Outro estudo de caso baseado na geração de biogás a partir de rejeitos
suínos foi analisado por Lira et al. (2007), em granja de suínos localizada em Rio
Verde, GO. O estudo mostra que a energia do biogás produzido na granja pode ser
parcialmente
recuperada
através
de
um
projeto
MDL
(mecanismo
de
desenvolvimento limpo) com a finalidade de aumentar a eficiência energética do
sistema. De acordo com a estimativa dos autores, a conversão do biogás gerado
exclusivamente em energia elétrica elevaria a eficiência energética de 0,37 para
0,38.
Existem diversas tecnologias para efetuar esta conversão. Entende-se por
conversão energética o processo que transforma um tipo de energia em outro. No
caso do biogás a energia química contida em suas moléculas é convertida em
energia mecânica por um processo de combustão controlada. Essa energia
mecânica ativa um gerador que a converte em energia elétrica. As turbinas a gás e
os motores de combustão interna do tipo ciclo Otto, são as tecnologias mais
utilizadas para esse tipo de conversão energética (PECORA, 2006).
Comparativamente a outros combustíveis fósseis, a queima do metano
gera menos poluentes atmosféricos por unidade de energia gerada, por isso, é
caracterizado como um combustível limpo e o seu uso em equipamentos, veículos,
aplicações industriais e geração de energia tende a aumentar (BEUX, 2005).
Outra grande vantagem da utilização é o aspecto social, pois ao contrário
do álcool da cana de açúcar e de óleos extraídos de outras culturas, tais como o
milho, a soja e a mamona, o biogás não compete por espaço com outras culturas, e
assim não coloca a produção de alimentos em risco (BARRERA, 2003).
24
Caso estas aplicações citadas não sejam adotadas, o biogás deve ser
queimado em flare, evitando assim a emissão de metano para a atmosfera.
Entretanto, quando queimado em flare representa uma quantidade de energia que
sai do sistema sem ter o seu potencial energético aproveitado (PECORA, 2006).
De acordo com Genovese (2006), em cenários futuros haverá muitas
vantagens em produzir energia da biomassa, principalmente quando as fontes de
energia renovável se tornar competitivas em relação aos combustíveis fósseis, o que
se espera que ocorra por volta de 2020.
2.2.3 Aspectos econômicos e ambientais da utilização do biogás
Há algumas décadas, o aproveitamento do biogás foi um método adotado
pelos países desenvolvidos como conseqüência da melhora do tratamento dado aos
resíduos orgânicos visando uma melhoria no saneamento ambiental. As estações de
tratamento que geram biogás passaram a ser tratadas como Plantas de Biogás,
onde o principal produto é o biogás gerado, sendo o tratamento ou saneamento visto
como subproduto. Essas plantas de biogás já são empregadas nos países
desenvolvidos há mais de 30 anos, em diversas configurações e escalas,
constituindo uma forma eficiente de tratamento de resíduos orgânicos de origem
doméstica, rural ou industrial e que promovem o uso racional do poder energético
contido no gás gerado e do alto teor de nutrientes contido no material orgânico póstratamento (CENBIO, 2000).
Segundo Massotti (2002) a China tem sido o país que mais utiliza o
biogás no âmbito rural visando atender principalmente a energia para cozimento e
iluminação doméstica. A Índia também tem desenvolvido uma grande quantidade de
biodigestores, possuindo aproximadamente 150 mil unidades instaladas.
No Brasil os estudos com biogás foram iniciados de maneira mais intensa
em 1996. Entretanto, os resultados alcançados já demonstram um bom domínio
tecnológico podendo ser qualificado como apto a desenvolver um vasto programa no
âmbito nacional com biogás, seja no setor agrícola ou no setor industrial (MARTINS
& ASSIS, 2007).
25
Em linhas gerais, o aproveitamento energético do biogás melhora o
desempenho global do processo de tratamento de esgoto. A opção entre fazer o
aproveitamento ou não está vinculada a características específicas do sistema. Em
primeiro lugar o sistema de tratamento deve incluir a fase anaeróbica, onde o biogás
é produzido. Em segundo lugar a quantidade de efluentes tratados e sua DBO
devem ser suficientes para fornecer gás o bastante para alimentar um grupo gerador
(COELHO et al., 2006a).
O aproveitamento energético do biogás gerado pela digestão anaeróbia
de resíduos, além de contribuir para a preservação do meio ambiente, também traz
benefícios para a sociedade, pois promove a utilização ou reaproveitamento de
recursos “descartáveis” e/ou de baixo custo; colabora com a não dependência da
fonte de energia fóssil, oferecendo maior variedade de combustíveis; possibilita a
geração descentralizada de energia; aumenta a oferta de energia; possibilita a
geração local de empregos; reduz os odores e as toxinas do ar, diminui a emissão
de poluentes pela substituição de combustíveis fósseis, colabora para a viabilidade
econômica dos aterros sanitários e estações de tratamento de efluentes, otimiza a
utilização local de recursos e aumenta a viabilidade do saneamento básico no país,
permitindo o desenvolvimento tecnológico de empresas de saneamento e
energéticas (PECORA, 2006).
A recuperação do biogás é um processo que envolve várias etapas. O
papel da agência ambiental é promover este aproveitamento, criar um mercado
fornecedor de tecnologias de recuperação e estimular o mercado possuidor de
aterros sanitários e estações de tratamento de efluentes a praticar esta recuperação.
A agência ambiental deve também, observar o bom emprego dos recursos
financeiros de forma que esta prática se reproduza em larga escala (ALVES, 2000).
Para garantir um sistema de recuperação do biogás, técnico e
economicamente, deve haver disponibilidade de biogás, operação satisfatória do
sistema e garantia de compra do excedente de energia gerado. Além de incentivar a
melhor prática, a agência ambiental deve impor a correta queima do biogás em
queimadores ou seu uso para fins energéticos e/ou térmicos (PECORA, 2006).
Segundo o CENBIO (2001), de uma forma geral, a produção de energia
elétrica a partir de biogás apresenta as seguintes vantagens:
1. Para a sociedade:
a) Geração de empregos e eliminação ou redução de subempregos;
26
b) Geração descentralizada e próxima aos pontos de carga, a partir de
uma fonte renovável que vem sendo tratada como resíduo;
c) Colaboração para a viabilidade econômica do saneamento básico.
2. Para as prefeituras:
a) Possibilidade de receita extra, proveniente da energia gerada com
biogás e vendida às concessionárias;
b) Contribuição para a viabilidade econômica do tratamento do lixo;
c) Menor rejeição social das instalações de saneamento, uma vez que
elas passam a ser gerenciadas de forma melhor, representando um
exemplo a ser seguido.
3. Para as estações de tratamento de esgotos, gerenciadoras de aterros
e outras:
a) Redução na quantidade de eletricidade comprada da concessionária;
b) Possibilidade eventual de venda de eletricidade à rede;
c) Possibilidade de uso de processos de cogeração, ou seja, a geração
de eletricidade tem como subproduto calor, a ser usado no tratamento
do esgoto, ou mesmo, ser vendido a terceiros.
4. Para o meio ambiente:
a) Redução das emissões de metano para a atmosfera, pois este é um
importante gás de efeito estufa. O seu potencial de aquecimento global
é muito maior que o de CO2;
b) Redução do consumo de combustíveis fósseis, principais responsáveis
pelo efeito estufa;
c) Redução na geração de odor para as vizinhanças, de chorume e de
contaminação do lençol freático;
d) Melhoria nas condições dos lixões, que representam mais de 70% da
condição de disposição nacional do lixo.
As principais barreiras existentes são as seguintes:
1. Tecnológicas:
a) Limpeza do gás;
b) Necessidade de planta de demonstração no país.
2. Econômicas:
a) Investimento elevado dependendo da fonte de biogás;
27
b) A análise econômica convencional desconsidera benefícios ambientais
(emissões de metano – saneamento).
Para a instalação de um sistema de geração de energia elétrica em uma
empresa, deve-se considerar, antes de tudo, a necessidade energética da empresa
interessada. Uma empresa que necessite calor em seu processo pode substituir
parte do seu combustível principal pelo biogás. Este uso pode ser feito pela mistura
de combustíveis ou pela introdução de um estágio alternativo, onde o biogás
forneceria parte da energia permitindo a redução do consumo energético do estágio
principal (PECORA, 2006).
A tabela 1 descreve a equivalência energética de vários combustíveis
para 1 m3 de biogás:
Tabela 1 - Equivalência energética de 1 m3 de biogás
Combustível
Quantidade equivalente a 1 m3 de biogás
Gasolina (l)
0,61
Querosene (l)
0,58
Óleo Diesel (l)
0,55
GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) (kg)
0,45
Álcool (l)
0,79
Lenha (kg)
1,54
Eletricidade (kWh)
1,43
Fonte: Barreira, 2003.
2.3 GERAÇÃO DISTRIBUIDA
2.3.1 Geração de energia elétrica a partir do biogás
A produção de energia elétrica através da queima de combustíveis fósseis
(termoelétricas) gera resíduos como óxidos de enxofre, óxidos de nitrogênio, dióxido
de carbono, metano, monóxido de carbono e particulados. Já as usinas
28
hidroelétricas produzem somente metano, mas a construção das represas com a
formação de grande lagos interfere sobre os fluxos dos rios e implica na realocação
das populações atingidas, configurando um grande problema social em muitos
casos. Diante disso, é preciso investir em fontes alternativas para promover o
desenvolvimento sustentável (GOLDEMBERG e VILLANUEVA, 2003).
Em sua tese, Pecora (2006) apresentou um projeto de geração de energia
elétrica a partir do biogás proveniente do tratamento do esgoto residencial da
Universidade de São Paulo (USP). Foram desenvolvidas duas metas demonstrativas
pertencentes ao Programa de Uso Racional de Energia e Fontes Alternativas
(PUREFA), que tiveram como objetivo a captação do biogás proveniente do
tratamento do esgoto do Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo
(CRUSP), sua purificação e armazenamento, para posterior geração de energia
elétrica, utilizando um motor de ciclo Otto. A geração para o atendimento de uma
carga de 14 kW mostrou-se viável, com tempo de retorno de investimento de 10,74
meses.
Souza et al. (2004) realizaram um cálculo do custo da eletricidade gerada
em conjunto motor-gerador utilizando o biogás da suinocultura. Por meio das
análises dos resultados, observou-se que a viabilidade do sistema depende da tarifa
paga pelo proprietário rural à concessionária de energia. Para uma tarifa de R$
190,00/MWh e operação de 10 horas por dia, o retorno do investimento seria de 5,4
anos.
O emprego energético do biogás causa diferentes impactos econômicos
dependendo do sistema em que ele é gerado. Para converter a energia química do
biogás em energia elétrica, é necessário que o biogás produzido apresente
composição e características adequadas à tecnologia de conversão empregada
(COELHO et al., 2006a).
Quando convertido em energia elétrica, as vantagens da utilização do
biogás estão relacionadas às emissões evitadas pela geração de energia elétrica
utilizando uma fonte renovável e à eficiência dos sistemas de conversão (PECORA,
2006).
Em 2006, foi realizado por Costa um estudo cujo objetivo foi avaliar o
potencial de geração de energia elétrica utilizando o biogás produzido através do
tratamento de esgoto da Estação de Tratamento de Esgoto da Companhia de
Saneamento Básico de São Paulo (SABESP), na cidade de Barueri, SP. Foram
29
analisados os aspectos técnicos, econômicos e ambientais do projeto Energ-Biog.
Este projeto teve dentre seus objetivos, o estudo comparativo de desempenho entre
duas tecnologias, microturbina e motor-gerador, ambos com potência de 30 kW. A
grande vantagem da utilização de microturbinas constatada pelo estudo é a menor
taxa de emissão de NOX em comparação com a tecnologia de grupos geradores. No
entanto, quando a análise financeira é considerada, o resultado é extremamente
desfavorável para a microturbina.
Comparativamente, em uma propriedade de criação de gado leiteiro no
oeste do Paraná, foi realizado um estudo para avaliar a geração de energia elétrica
a partir do biogás formado pela digestão anaeróbia dos dejetos dos bovinos,
utilizando um motor de combustão interna adaptado para o biogás e acoplado a um
gerador elétrico. Os resultados obtidos confirmaram a viabilidade do sistema, com
tempo de retorno de quatro anos com operação de 10 horas por dia (COLDEBELLA
et al., 2006).
Um metro cúbico de biogás (1 m3 de biogás) é equivalente a 6,5 kWh de
energia elétrica e a eficiência dos sistemas varia entre 30 e 38%, ou seja, entre 1,95
e 2,47 kWh (SANTOS, 2000).
O poder calorífico inferior do biogás é de 6,5 kWh/m3 e a eficiência de
conversão do biogás em energia elétrica com grupos geradores (motores ciclo Otto)
é de aproximadamente 25% (CCE, 2000 apud SOUZA, 2004).
Segundo Oliveira (2004), a geração de energia elétrica com o uso de
biogás como combustível pode ser dividida nas seguintes tecnologias disponíveis no
momento:
a) Conjunto Gerador de Eletricidade – Consiste em um motor de
combustão interna ciclo Otto (álcool, gasolina ou diesel) adaptado para o
uso do biogás como combustível, acoplado a um gerador de eletricidade,
independente da rede de energia elétrica da concessionária local;
b) Conjunto Gerador Economizador de Eletricidade – Consiste em um
motor de combustão interna ciclo Otto (álcool, gasolina ou diesel)
adaptado para o uso do biogás como combustível, acoplado a um motor
assíncrono, dois ou quatro pólos, que passa a gerar energia ao ser
conectado à rede de energia elétrica da concessionária local.
30
No primeiro caso, o conjunto é independente de rede de energia elétrica
local, gerando energia dentro da propriedade com o sistema de distribuição interno
isolado. No segundo caso, gerador economizador de eletricidade, o equipamento
gera energia somente se estiver conectado à rede de distribuição da concessionária
de energia elétrica, deixando de funcionar se a mesma sofrer interrupção, ou
manutenção nas redes elétricas externas. Neste caso a energia gerada é distribuída
na propriedade e na rede externa até o transformador mais próximo (Oliveira, 2004).
2.4 ANÁLISE DE VIABILIDADE ECONOMICA DE EMPREENDIMENTOS
2.4.1 Técnicas de análise financeira
A análise de um projeto a ser executado a fim de verificar sua viabilidade,
considerando os aspectos jurídicos, administrativos, comerciais, técnicos e
financeiros é denominado estudo de viabilidade de um empreendimento. Este
estudo visa à avaliação em termos econômicos de uma das concepções planejadas
para decidir em quais alternativas deverá ser alocado os recursos, possibilitando sua
execução. Existe ainda a probabilidade de obter resultados insatisfatórios mediante
esta decisão, comumente chamado de risco. Se existirem várias alternativas
econômicas é necessário haver uma classificação desta de acordo com algum
critério econômico (HIRSCHFELD, 2000).
Do ponto de vista da análise econômico-financeira, um projeto de
investimento é qualquer atividade produtiva de vida limitada, que implique na
mobilização de alguns recursos na forma de bens de produção, em determinado
momento, na expectativa de gerar recursos futuros oriundos da produção. Esse tipo
de conceituação pressupõe a possibilidade de quantificação monetária dos insumos
e produtos associados ao projeto (NORONHA e DUARTE, 1995).
Fundamentalmente, toda operação financeira é representada em termos
de fluxos de caixa, ou seja, em fluxos futuros esperados de recebimentos e
pagamentos de caixa. A avaliação desses fluxos consiste, em essência, na
comparação dos valores presentes, calculados segundo o regime de juros
31
compostos a partir de uma dada taxa de juros, das saídas e entradas de caixa
(ASSAF, 1998).
Um dos modelos de análise econômico-financeira mais importantes e
mais utilizados para avaliar ações de investimento, em termos financeiros, é o
modelo de Desconto de Fluxo de Caixa (DFC), que representa a análise, a valor
presente, dos fluxos de caixa futuros líquidos gerados. Neste modelo várias técnicas
podem ser utilizadas, sendo as mais comuns o Valor Presente Líquido (VPL), que
mede a riqueza gerada por um determinado ativo a valores atuais e a Taxa Interna
de Retorno (TIR), que representa a rentabilidade do projeto. Os métodos da taxa
interna de retorno e do valor presente líquido são admitidos como os de maior
utilização e rigor conceitual nas análises das operações financeiras (aplicações e
captações) e de projetos de investimento (MACEDO et al., 2007).
2.4.2 Taxas de juros e taxas de desconto
Segundo Assaf (1998), a taxa de juro é o coeficiente que determina o
valor de juro, isto é, a remuneração do fator capital utilizado durante certo periodo de
tempo.
A taxa de desconto ou de capitalização é uma taxa de juro aplicada a uma
série de futuros pagamentos ou recebimentos justados ao risco e à incerteza do
fator tempo (GROPPELLI & NIKBAKHT, 2010).
A taxa de desconto recebe, muitas vezes, o nome de taxa mínima de
atratividade (TMA), ou taxa de juros envolvida, em virtude de se usar
frequentemente a expressão desconto ou valor descontado em uma operação onde
se determina o valor presente líquido (HIRSCHFELD, 2000).
A TMA é utilizada como parâmetro de retorno exigido do investimento,
sinalizando ao investidor optar ou não pelo mesmo. Sendo assim, a TMA deve ser
no mínimo a taxa de juros equivalente à rentabilidade das aplicações correntes de
menor risco de investimento (CASAROTTO FILHO & KOPITTKE, 1998).
32
2.4.3 Taxa interna de retorno
A taxa interna de retorno é a taxa de juros (desconto) que iguala, em
determinado momento do tempo, o valor presente das entradas (recebimentos) com
o das saídas (pagamentos) previstas de caixa (ASSAF, 1998).
Groppelli & Nikbakht (2010) descrevem que quando dois investimentos
rendem o mesmo retorno, a escolha final se baseará na avaliação do risco de cada
projeto. O projeto que tiver o menor risco será o escolhido.
Normalmente, o fluxo de caixa no momento zero (fluxo de caixa inicial) é
representado pelo valor do investimento, empréstimo ou financiamento; os demais
fluxos de caixa indicam os valores das receitas ou prestações devidas. Nestas
condições, têm-se (ASSAF, 1998):
୬
FC଴ = ෍
୨ୀଵ
FC୨
ሺ1 + iሻ୨
Onde:
FC0 = valor do fluxo de caixa no momento zero (recebimento –
empréstimo, ou pagamento – investimento);
FCj = fluxos previstos de entradas ou saídas de caixa em cada período de
tempo;
i = taxa de desconto que iguala, em determinada data, as entradas com
as saídas previstas de caixa. Em outras palavras, i representa a taxa
interna de retorno.
No processo de tomada de decisão, após o cálculo da taxa interna de
retorno, deve ser feita a comparação com a taxa mínima de atratividade, a fim de
avaliar a aceitação ou não da alternativa. Os investimentos com taxa interna de
retorno maior que a taxa mínima de atratividade são considerados rentáveis e
passíveis de análise (GITMAN, 2002).
33
2.4.4 Valor presente líquido
De acordo com Hirschfeld (2000), o método do valor presente líquido
(VPL), também chamado método do valor atual líquido, tem como finalidade
determinar um valor no instante considerado inicial, a partir de um fluxo de caixa
formado de uma série de receitas e dispêndios.
O método do valor presente líquido para análise dos fluxos de caixa é
obtido pela diferença entre o valor presente dos benefícios (ou pagamentos)
previstos de caixa, e o valor presente do fluxo de caixa inicial (valor do investimento,
do empréstimo ou do financiamento), podendo ser calculado como abaixo (ASSAF,
1998):
୬
VPL = ෍
୨ୀଵ
FC୨
− FC଴
ሺ1 + iሻ୨
Onde:
FCj: representa o valor de entrada (ou saída) de caixa previsto para cada
intervalo de tempo;
FC0: fluxo de caixa verificado no momento zero (momento inicial),
podendo ser um investimento, empréstimo ou financiamento.
De acordo com Gitman (2002), o método do Valor Presente Líquido é
considerado exato e, após a definição prévia da taxa mínima de atratividade, traz
para o tempo presente os valores obtidos a partir de um determinado fluxo de caixa.
Portanto, quanto maior o VPL, maior a atratividade do projeto, porque as entradas
são maiores que as saídas de caixa. Considerando que alternativas de investimento
são analisadas com base na mesma TMA, a melhor opção será aquela que
apresentar o maior valor presente líquido.
Segundo Macedo (2002) o VPL pode ser visto, também, como um ganho
proporcionado pelo ativo, pois representa o quanto os fluxos de caixa futuros estão
acima do investimento inicial. Tudo isso a valor presente, segundo um custo de
oportunidade ajustado ao risco. Deste jeito pode-se dizer que um ativo deve ser
34
aceito, numa abordagem aceitar-rejeitar, se o VPL > 0, pois o mesmo acrescenta
riqueza ao investidor. Ele deve ser rejeitado se o VPL < 0, pois este consome
riqueza. Já numa abordagem hierárquica deve ser escolhido o ativo de maior VPL,
pois quanto maior for o VPL maior será a riqueza gerada por este.
2.4.5 Análise de fluxo de caixa
O fluxo de caixa, nas palavras de Ballaminut (2008) é um instrumento
gerencial que controla e informa todas as movimentações financeiras (entradas e
saídas de valores monetários) de um dado período, podendo ser diário, semanal,
mensal, etc. Ou seja, neste trabalho se caracteriza por uma representação gráfica
dos valores que estarão presentes durante todo o período de estudo (entradas e
saídas) com o objetivo de facilitar o estudo e os efeitos da análise deste
investimento.
Lima (2006) considera que a análise do fluxo de caixa é um instrumento
primordial para os tomadores de decisão, mas sem avaliar uma variável importante
nas decisões: o tempo. A análise do momento em que ocorrerão as despesas e as
receitas permite que o empreendedor se antecipe aos movimentos de caixa nos
negócios, de modo que os problemas sejam detectados com antecedência para que
sejam realizadas as devidas ações preventivas.
Portanto, o fluxo de caixa referente a um empreendimento deve comporse de contribuições que refletem com grande probabilidade de acerto as entradas e
as saídas de dinheiro que realmente vão atuar ao longo do prazo analisado. Estas
contribuições poderiam dizer respeito a gastos com investimentos em bens como
propriedade, equipamento, móveis e utensílios; gastos usuais com aluguéis,
materiais, mão-de-obra, contribuições trabalhistas, impostos, taxas, consumos de
água, força e luz, gás, etc.; gastos em financiamentos, recebimentos, recebimentos
resultantes de faturamento, de vendas de bens, de aplicações financeiras; gastos ou
economias resultantes do imposto de renda a pagar ou a economizar
(HIRSCHFELD, 2000).
A figura 5 demonstra o fluxo de caixa simplificado, que somente
apresenta as contribuições periódicas globais, resultantes em cada período.
35
Figura 5: Fluxo de caixa simplificado
Fonte: (HIRSCHFELD, 2000).
Os fluxos de caixa podem ser verificados das mais variadas formas e
tipos em termos de períodos de ocorrência (postecipados, antecipados ou diferidos),
de periodicidade (períodos iguais entre si ou diferentes), de duração (limitado ou
indeferidos) e de valores (constantes ou variáveis) (ASSAF, 1998).
2.4.6 Depreciação de investimentos
Depreciação nas palavras de Hirschfeld (2000), é a diminuição do valor
de um bem resultante do desgaste pelo uso, ação da natureza ou obsolescência
normal, que se dá durante um prazo chamado vida útil.
Casarotto Filho & Kopittke (1998) também relatam que a depreciação não
é um desembolso, porém é uma despesa e, como tal, pode ser abatida das receitas,
diminuindo o lucro tributável e, conseqüentemente, o imposto de renda, este sim um
desembolso real e com efeitos sobre o fluxo de caixa.
Um motor possui uma taxa de depreciação de 10% (10 anos de
depreciação) (HIRSCHFELD, 2000).
36
2.4.7 Tomada de decisão
De acordo com Higgins (2007), as três etapas da avaliação financeira de
oportunidades de investimento para tomada de decisão são:
a) Estimar os fluxos de caixa relevantes;
b) Calcular um indicador de valor; e
c) Compará-lo com um critério de aceitação.
Uma
alternativa
de
investimento
de
capital,
quando
tratada
individualmente, é considerada como economicamente atraente ao apresentar um
VPL positivo, ou uma TIR superior (no mínimo, igual) à taxa mínima de atratividade
requerida (ASSAF, 1998).
A decisão de fazer investimento de capital é parte de um processo que
envolve a geração e a avaliação de alternativas que atendam aos objetivos
desejados.
Portanto, como relata Hirschfeld (2000), se tivermos várias alternativas,
deveremos selecionar aquela que apresentar o valor mais conveniente para o
problema em questão. Se o problema for escolher um equipamento, deverá ser
escolhido aquele que oferecer o menor custo. Se problema for selecionar um
investimento, deverá ser escolhido aquele que oferecer a maior rentabilidade.
De acordo com Macedo e Siqueira (2006), os gestores devem usar
técnicas de valor de dinheiro no tempo para reconhecer explicitamente suas
oportunidades de obter resultados positivos quando avaliando séries de fluxos de
caixa esperados associados a alternativas de decisão.
A viabilidade financeira de um empreendimento também é examinada
dentro de um prazo de interesse no qual desejamos saber se o esforço produtivo a
ser realizado vale mais do que uma simples aplicação dos valores envolvidos a
taxas mínimas de atratividade. Para existir a viabilidade é necessário que, nos
instantes verificados, os benefícios resultantes sejam superiores aos custos
empregados (HIRSCHFELD, 2000).
37
3 MATERIAL E MÉTODOS
3.1 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO
A Estação de tratamento de esgoto Ouro Verde iniciou sua operação em
1997, sendo projetada para atender 18 mil habitantes, com uma vazão máxima de
70 litros por segundo. Há nove anos a ETE Ouro Verde é certificada de acordo com
os requisitos da norma internacional ISO 14.001, assim como todas as demais
unidades do sistema SANEPAR de Foz do Iguaçu, sendo a primeira da América
Latina e América do Norte a receber tal certificação neste escopo.
Seu processo é constituído de tratamento preliminar (gradeamento, caixa
de areia, medidor de vazão), de tratamento secundário (reator anaeróbico tipo
RALF), de sistema de queima de biogás e de sistema de secagem de lodo.
A estação opera com uma eficiência média de 75% na remoção da
matéria orgânica, lançando seus efluentes nas águas do rio Paraná, de acordo com
as condicionantes da sua licença de operação e com a resolução CONAMA n°
357/05.
Como subproduto, a estação produz anualmente cerca de 20 toneladas
de matéria seca de lodo, que, depois de higienizado, é utilizado pelos agricultores da
região para produção principalmente de milho e feijão. Este processo é
acompanhado por engenheiros agrônomos da EMATER Paraná, que fazem a
assistência técnica e o monitoramento ambiental das áreas onde o lodo é aplicado.
Outro subproduto importante é a geração de 18 mil metros cúbicos de
metano por ano, como resultado da digestão anaeróbia do esgoto doméstico, o qual
é utilizado para gerar energia elétrica.
O sistema de aproveitamento energético da ETE Ouro Verde é constituído
de coleta, filtração e armazenamento do biogás e de geração de energia elétrica.
Este projeto permitirá a SANEPAR implantar sistemas semelhantes em
estações de grande porte, reduzindo impactos ambientais, minimizando a emissão
de gases de efeito estufa, diminuindo seus custos e contribuindo para uma maior
38
oferta de energia. A figura 6 demonstra o sistema proposto para coleta,
armazenagem de biogás e geração de energia elétrico utilizado na ETE Ouro Verde.
Figura 6: Sistema proposto para coleta, armazenagem de biogás e geração de energia elétrica.
Fonte: SANEPAR, 2010
3.1.1 Produção de biogás
O biogás utilizado como combustível possui a seguinte composição
(SANEPAR, 2010):
1. Metano (CH4): de 50 a 90% vol.;
2. Gás carbônico (CO2): de 10 a 50% vol.;
3. Outros gases: de 1 a 5% vol.;
39
a) hidrogênio (H2): de 0 a 1%vol.;
b) gás sulfídrico (H2S): de 0 a 3% vol.;
c) oxigênio (O2) + nitrogênio (N2): de 0 a 1% vol.
Para estas características, o sistema está dotado de um purificador,
encarregado de retirar o gás sulfídrico, que causa corrosão precoce nos
equipamentos utilizados.
3.2 METODOLOGIA DA PESQUISA
Este estudo foi realizado em duas etapas: A primeira, diz respeito à
apresentação dos dados gerais da estação de tratamento de esgoto Ouro Verde de
propriedade da SANEPAR em Foz do Iguaçu-Pr e a revisão literária realizada. Na
segunda etapa, a aplicação das técnicas de análise financeira, realizando a análise
dos custos e receitas do projeto, assim como os montantes financeiros investidos na
implantação do mesmo.
Para tanto, através de pesquisa qualitativa e quantitativa, formuladas por
meio de entrevista informal com funcionários e responsáveis técnicos que trabalham
no local, foram levantados os dados relativos à ETE Ouro Verde, necessários para a
conclusão do estudo de viabilidade do uso do biogás proveniente do tratamento
anaeróbico de esgotos para geração de energia elétrica, descrevendo suas
características e especificidades.
Baseado nestas informações será possível verificar a viabilidade
econômico-financeira do empreendimento.
40
3.3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
3.3.1 Análise dos dados
O material coletado foi organizado em cinco categorias a partir dos dados
obtidos, segundo segue:
- características gerais do empreendimento;
- dados do tratamento de esgotos;
- quantidade de biogás gerado;
- consumo de energia elétrica e informações econômicas do investimento
realizado para geração de energia, incluindo orçamento de investimentos; e
- cálculo das receitas geradas pelo projeto.
Com os dados a disposição, foi realizada a análise de investimento, um
conjunto de técnicas e modelos matemáticos onde se verificou a alocação do capital
investido, desde a implantação da estação de tratamento, somando-se ainda os
custos de manutenção e os custos de implantação do projeto de geração de energia
distribuída, e o retorno, sendo este último positivo, negativo ou nulo.
3.3.2 Viabilidade econômica
A análise econômica do empreendimento consiste em fazer estimativas
de todo o gasto envolvido com o investimento inicial, operação e manutenção e
receitas geradas durante um determinado período de tempo, para assim montar-se o
fluxo de caixa relativo a esses investimentos, custos e receitas e determinar quais
serão os indicadores econômicos conseguidos. Comparando-se esses indicadores
econômicos com o que se espera obter com a receita gerada pela produção de
biogás e utilização na geração de energia distribuída, pode-se concluir sobre o
quanto e em quanto tempo poderá ser amortizado o custo total do empreendimento.
De acordo com Casarotto Filho & Kopittke (1998), os métodos de análise
de investimentos devem se utilizados quando os respectivos investimentos forem
41
considerados suficientemente importantes para justificar o esforço e o aspecto
econômico for significativo, ou seja, terá influência na decisão. Nestas situações, os
autores relatam que há uma boa previsibilidade com o método do Valor Presente
Líquido e o método da Taxa Interna de Retorno. Portanto, os mesmos serão os
critérios de tomada de decisão baseados em análise de viabilidade econômica.
Para cálculo destas taxas foi empregado o software Excel, do pacote
Microsoft Office 2007.
42
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1 ANÁLISE ECONÔMICA DA GERAÇÃO DE ENERGIA DISTRIBUÍDA
O Projeto de Geração de Energia Distribuída implantado na SANEPAR é
resultante de parceria entre Itaipu, COPEL, SANEPAR, Lactec, Cooperativa LAR e
PTI.
Este projeto prevê:
1. Aproveitamento da biomassa residual resultante do processo de
tratamento de esgoto;
2. Geração de biogás a partir de biomassa residual;
3. Conversão de biogás em energia;
4. Projeto do subsistema de proteção do gerador e da sua conexão á rede
elétrica para aplicação em geração distribuída;
5. Metodologia para operação e gestão de redes de distribuição com
geração distribuída.
Características do grupo gerador:
1. Gerador modelo 50 kVA;
2. Motor Volkswagen AP 2000;
3. Rotação 3.600 RPM, 60 Hz.
O custo total do projeto foi orçado em R$ 167.138,85. A tabela 2
discrimina o custo total.
43
Tabela 2 – Custo total de implantação do projeto de geração de energia distribuída
Equipamentos/Serviços
Valor
Canteiro de Obras
R$ 6.201,89
Casa de Medição e Geração
R$ 90.714,79
Reservatório de Biogás
R$ 9.658,04
Interligação Ralf/Gasômetro
R$ 6.970,19
Urbanização
R$ 1.075,68
Itens especiais
R$ 5.000,00
Medidor Gás LAO
R$ 2.257,92
Compressor
R$ 1.409,14
Válvulas solenóide
R$ 650,00
Gasômetro
R$ 5.765,06
Transmissor de pressão
R$ 1.939,14
Manômetro
R$ 660,00
Grupo Gerador
R$ 34.837,00
Total
R$ 167.138,85
Fonte: SANEPAR, 2010.
Conforme citado anteriormente, a ETE Ouro Verde produz 18.000 m³/ano
de biogás. Ou, aproximadamente 50 m3/dia. Vale ressaltar que este valor, fornecido
pela SANEPAR, é teórico e calculado, estando sujeito a variações devidas ao
próprio processo de tratamento de esgoto. Este dado serve como base para o
cálculo da capacidade de geração de eletricidade, pois o biogás é o insumo que
serve de combustível para o motor gerador.
Para conversão de kVA em kW, considerou-se que 1 kVA equivale a 0,8
kW/h. Ou seja, o motor instalado de 50 kVA possui um potencial de geração
equivalente a 40 kW (50 x 0,8).
De acordo com informações fornecidas por alguns fabricantes, o consumo
de um motor de 40 kW é de aproximadamente 20 m³ por hora de produção.
Portanto, com uma produção diária de 50 m3/dia de biogás, o motor terá combustível
para 2,5 horas de funcionamento.
44
Uma vez que o valor da quantidade total de biogás produzida ou gerada
por dia tenha sido estimado, torna-se possível calcular a capacidade instalada de
geração de energia elétrica por meio da queima do biogás como combustível no
conjunto motor/gerador. Para isso, faz-se necessária a utilização das seguintes
equações (ICLEI – Brasil, 2009):
PE =
Q × PCI × η
860.000
E = PE × Rend × Tempo de operação
Onde:
PE = Potencia elétrica (MW);
Q = Vazão do biogás (50 m3/dia);
PCI = Poder Calorífico Inferior do metano (adota-se 5.500 kcal/m3 - valor
calculado para 50% de metano presente no biogás);
η = eficiência de motores (geralmente é 28% = 0,28);
860.000 = conversão de kcal para MW;
E = energia disponível (MWh/dia)
Rend = rendimento de motores operando a plena carga (estimado em
87% = 0,87)
Tempo de operação do motor = 2,5 horas/dia
Assim, tem-se que:
PE =
50 × 5.500 × 0,28
860.000
PE = 0,0895 mW
E = 0,0895 × 0,87 × 2,5
E = 0,1947 MWh/dia
45
Portanto, conclui-se que o potencial de geração de biogás teoricamente
produzido na ETE Ouro Verde, igual a 50 m3/dia, equivale a uma capacidade
instalada de 0,1947 MWh/dia ou 194,7 kWh/dia. A tabela 3 demonstra o potencial de
geração da ETE, com base na atual disponibilidade de biogás:
Tabela 3 – Potencial de geração da ETE Ouro Verde
Descrição
Valores
Produção de biogás
50 m3/dia
Consumo de biogás no gerador
20 m3/hora
Capacidade instalada
40 kW
Capacidade instalada de geração
350.400 kW/ano
Hora utilizadas por ano (365 dias x 2,5 horas)
912,5 horas/ano
Geração anual de energia elétrica
71.065 kWh/ano
4.1.1 Receita auferida pelo projeto
A receita é auferida através da economia com a conta de luz da ETE, cujo
consumo é de cerca de 1.080 kWh anuais e venda da produção excedente de
energia elétrica, caso haja. Para cálculo desta receita, utilizou-se como referência o
valor da tarifa por kWh para compra R$ 0,17 e para venda R$ 0,14, determinados
pela ANEEL. Neste cálculo, utilizou-se o valor de R$ 0,17, baseando-se em um
cenário onde a energia gerada no local ao ser utilizada pela SANEPAR, a mesma
deixaria de comprar da concessionária, caracterizando uma renda.
Com base no consumo de biogás por kWh gerado e o tempo de
produção, verificou-se a geração elétrica. Este montante físico foi valorado
financeiramente através da multiplicação pelo valor do kWh.
A tabela 4 discrimina a receita auferida pelo projeto.
46
Tabela 4 – Apresentação dos resultados auferidos pelo projeto
Descrição
Valores
Geração anual de energia elétrica
71.065 kWh/ano
Tarifa de energia elétrica para venda
R$ 0,14 kWh
Tarifa de energia elétrica para compra
R$ 0,17 kWh
Potencial de arrecadação
R$ 12.081,05/ano
4.1.2 Custos anuais com operação e manutenção
Os custos foram divididos em custos fixos e custos variáveis. No caso dos
custos fixos, foram considerados àqueles que não sofrem alteração com um nível
maior ou menor de geração de eletricidade. Portanto, custos referentes à
manutenção do reator não sofrem grandes alterações em função de uma maior
produção elétrica.
Em relação aos custos fixos, estes seriam relativos à mão-de-obra
destinada à manutenção do reator (limpeza, pequenos reparos, acionamento de
bomba). Entretanto, estes custos já estão implícitos na manutenção da própria ETE,
ou seja, haverá apenas um aproveitamento do funcionário encarregado do local,
sem prejuízo da sua atual função.
Os custos variáveis estão relacionados à manutenção do motor, que deve
atender especificações determinadas pelo fabricante. A cada determinado número
de horas, peças do gerador e do motor devem ser substituídas. Isto significa que
quanto maior o uso, mais freqüente serão as trocas e reparos. A tabela 5 descreve
os custos variáveis.
47
Tabela 5 – Custos variáveis
Descrição
Horas de uso
Freqüência
Custo
para substituição
anual
unitário
120
R$ 4,50
Mão de obra
(10 horas)
Custos
Subtotal
(%)
R$ 540,00
24,66
Troca de óleo
300
3
R$ 100,00 R$ 300,00
13,70
Troca de filtro
800
1
R$ 150,00 R$ 150,00
6,85
1500
1
R$ 800,00 R$ 800,00
36,53
500
2
R$ 200,00 R$ 400,00
18,26
Revisão do
gerador
Manutenção
do filtro
Total
R$ 2.190,00
100
A mão de obra é empregada no trabalho de troca e reparos e também é
influenciada pela variação do uso do gerador.
Os custos anuais com manutenção e operação atingem R$ 2.190,00,
equivalentes a 1,3 % do valor do investimento. Estudos realizados por Azevedo e
Júnior (2001) e Coldebella (2006) em usinas termoelétricas movidas a gás natural e
biogás, respectivamente, apontam para um percentual de 4% a 7% do investimento
que são gastos com a manutenção e operação dos empreendimentos.
4.1.3 Depreciação
Para o cálculo da depreciação foi utilizado o método linear, descrito por
Hirschfeld (2000) que, segundo o autor, é um método simples e de aceite geral pela
Receita Federal, consistindo na aplicação de taxas constantes durante o tempo de
vida útil estimado para o bem. A tabela 6 explicita os valores da depreciação.
48
Tabela 6 – Valores da depreciação
Descrição
Construções em
alvenaria
Grupo Gerador
Equipamentos e
instalações
Projetos, montagem
e outros
Total
Vida útil
% por
Valor
(em anos)
ano
mensal
R$ 97.992,36
25
4
R$ 326,64
R$ 3.919,70
R$ 34.837,00
10
10
R$ 290,31
R$ 3.483,70
R$ 29.309,49
20
5
R$ 122,12
R$ 1.465,48
R$ 5.000,00
20
5
R$ 20,83
R$ 250,00
R$ 759,90
R$ 9.118,88
Valores
R$ 167.138,85
Valor anual
4.1.4 Resultados econômico-financeiros da geração de energia elétrica
A TMA, utilizada como parâmetro de retorno exigido do investimento,
deve ser no mínimo a taxa de juros equivalente à rentabilidade das aplicações
correntes de menor risco de investimento. Deste modo, foi escolhida a taxa SELIC,
pois ela é o índice de referência para remuneração em títulos públicos do Governo
Federal
brasileiro,
emitidos
pelo
Tesouro
Nacional,
sendo
considerados
investimentos seguros e com baixo nível de risco, cujo valor em novembro de 2010,
segundo consulta na web site do Banco Central do Brasil (BACEN) é de 10,66% a.a.
Para determinar a TMA, sobre a taxa (10,66% a.a.) foi diminuído a
alíquota do imposto de renda (15%), aplicada sobre investimentos no mercado
financeiro. Com base no cálculo, chegou-se ao valor de 9,1% ao ano.
Os investimentos necessários para a instalação do sistema de geração de
energia distribuída foram orçados em R$ 167.138,85.
A taxa inflacionária utilizada na construção do fluxo de caixa foi o valor
determinado pelo INPC relativo ao período de 01/03/2009 a 28/02/2010 igual a
4,77%.
49
Quanto ao capital social deste investimento, foi seguida a composição de
100% de capital próprio, sem prazo de amortização fixo, o fluxo de caixa será
considerado como o fator de recuperação do capital inicial.
Os resultados descritos nas tabelas de 7 à 12 são referentes às projeções
financeiras dos vinte e cinco primeiros anos dos investimentos no processo de
geração elétrica, utilizando biogás proveniente do tratamento anaeróbico de esgotos.
Foi utilizado, para efeito de cálculo, um indexador de 4,77% ao ano, com
o intuito de simular um processo inflacionário. Tal correção não é aplicada na receita
de créditos de carbono, caso venha a ser utilizada, pois o valor de comercialização
dos mesmos é regido por cláusulas contratuais que não prevêem reajuste de preços
por índices de inflação.
50
Tabela 7 – Fluxo de caixa – Ano 0 ao ano 4
Dados Macroeconômicos
ano 0
ano 1
ano 2
ano 3
ano 4
Inflação (IPCA) %
4,77%
4,77%
4,77%
4,77%
4,77%
Retorno Econômico
(+) Receitas Geração Energia
R$
-
R$
(+) Receitas Crédito de Carbono
R$
-
R$
Total Receitas
12.081,05
-
R$
12.081,05
R$
R$
R$
12.657,32
12.657,32
R$
R$
R$
13.261,07
13.261,07
R$
R$
13.893,62
-
R$
13.893,62
(2.518,58)
(-) Custos anuais
R$
-
R$
(2.190,00) R$
(2.294,46) R$
(2.403,91) R$
(-) Depreciação anual
R$
-
R$
-
-
-
Lucro bruto
R$
-
R$
(-) Imposto de renda
R$
-
R$
Lucro líquido
R$
-
R$
(+) Depreciação anual
R$
-
R$
(=) Disponibilidade
R$
-
R$
(+) Captação de recursos próprios
R$ (167.138,85) R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
(+) Captação de recursos de terceiros
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
(-) Reposição de capital próprio
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
(-) Reposição de capital de terceiros
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
9.891,05
9.891,05
9.891,05
R$
R$
R$
R$
R$
R$
10.362,85
10.362,85
10.362,85
R$
R$
R$
R$
R$
R$
10.857,16
10.857,16
10.857,16
R$
R$
R$
R$
R$
R$
11.375,05
11.375,05
11.375,05
(=) Fluxo de caixa do empreendimento R$ (167.138,85) R$
9.891,05
R$
10.362,85
R$
10.857,16
R$
11.375,05
(=) Recursos acumulados
R$ (167.138,85) R$
9.891,05
R$
20.253,90
R$
31.111,06
R$
42.486,11
(=) Fluxo de caixa descontado
R$
9.066,04
R$
8.706,22
R$
8.360,69
R$
8.028,87
(=) Saldo
R$ (167.138,85) R$ (158.072,81) R$ (149.366,59) R$ (141.005,90) R$ (132.977,03)
-
R$
51
Tabela 8 – Fluxo de caixa – Ano 5 ao ano 9
Dados Macroeconômicos
ano 5
ano 6
ano 7
ano 8
ano 9
Inflação (IPCA) %
4,77%
4,77%
4,77%
4,77%
4,77%
Retorno Econômico
(+) Receitas Geração Energia
R$
14.556,35
(+) Receitas Crédito de Carbono
R$
Total Receitas
R$
14.556,35
(-) Custos anuais
R$
(2.638,71) R$
(2.764,58) R$
(2.896,45) R$
(3.034,61) R$
(-) Depreciação anual
R$
-
-
-
-
Lucro bruto
R$
(-) Imposto de renda
R$
Lucro líquido
R$
(+) Depreciação anual
R$
(=) Disponibilidade
R$
(+) Captação de recursos próprios
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
(+) Captação de recursos de terceiros
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
(-) Reposição de capital próprio
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
(-) Reposição de capital de terceiros
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
-
11.917,64
11.917,64
11.917,64
R$
R$
R$
R$
R$
R$
R$
R$
R$
15.250,69
15.250,69
12.486,11
12.486,11
12.486,11
R$
R$
R$
R$
R$
R$
R$
R$
R$
15.978,14
15.978,14
13.081,70
13.081,70
13.081,70
R$
R$
R$
R$
R$
R$
R$
R$
R$
16.740,30
16.740,30
13.705,69
13.705,69
13.705,69
R$ 17.538,81
R$
-
R$ 17.538,81
R$
(3.179,36)
-
R$ 14.359,45
R$
-
R$ 14.359,45
R$
-
R$ 14.359,45
(=) Fluxo de caixa do empreendimento R$
11.917,64
R$
12.486,11
R$
13.081,70
R$
13.705,69
R$ 14.359,45
(=) Recursos acumulados
R$
54.403,75
R$
66.889,86
R$
79.971,55
R$
93.677,25
R$ 108.036,70
(=) Fluxo de caixa descontado
R$
7.710,21
R$
7.404,21
R$
7.110,35
R$
6.828,15
R$
(=) Saldo
R$ (125.266,82) R$ (117.862,61) R$ (110.752,26) R$ (103.924,11) R$ (97.366,96)
6.557,15
52
Tabela 9 – Fluxo de caixa – Ano 10 ao ano 14
Dados Macroeconômicos
ano 10
ano 11
ano 12
ano 13
ano 14
Inflação (IPCA) %
4,77%
4,77%
4,77%
4,77%
4,77%
(+) Receitas Geração Energia
R$ 18.375,42
R$ 19.251,92
R$ 20.170,24
R$ 21.132,36
R$ 22.140,37
(+) Receitas Crédito de Carbono
R$
R$
R$
R$
R$
Total Receitas
R$ 18.375,42
R$ 19.251,92
R$ 20.170,24
R$ 21.132,36
R$ 22.140,37
(-) Custos anuais
R$
R$
R$
R$
R$
(-) Depreciação anual
R$
Lucro bruto
R$ 15.044,40
R$ 15.762,02
R$ 16.513,87
R$ 17.301,58
R$ 18.126,86
(-) Imposto de renda
R$
R$
R$
R$
R$
Lucro líquido
R$ 15.044,40
R$ 15.762,02
R$ 16.513,87
R$ 17.301,58
R$ 18.126,86
(+) Depreciação anual
R$
R$
R$
R$
R$
(=) Disponibilidade
R$ 15.044,40
R$ 15.762,02
R$ 16.513,87
R$ 17.301,58
R$ 18.126,86
(+) Captação de recursos próprios
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
(+) Captação de recursos de terceiros
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
(-) Reposição de capital próprio
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
(-) Reposição de capital de terceiros
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
Retorno Econômico
(3.331,02)
-
R$
(3.489,90)
-
R$
(3.656,37)
-
R$
(3.830,78)
-
R$
(4.013,51)
-
(=) Fluxo de caixa do empreendimento R$ 15.044,40
R$ 15.762,02
R$ 16.513,87
R$ 17.301,58
R$ 18.126,86
(=) Recursos acumulados
R$ 123.081,10
R$ 138.843,12
R$ 155.356,99
R$ 172.658,57
R$ 190.785,43
(=) Fluxo de caixa descontado
R$
R$
R$
R$
R$
(=) Saldo
R$ (91.070,05)
6.296,91
6.046,99
R$ (85.023,06)
5.807,00
R$ (79.216,06)
5.576,53
R$ (73.639,53)
5.355,21
R$ (68.284,32)
53
Tabela 10 – Fluxo de caixa – Ano 15 ao ano 19
Dados Macroeconômicos
ano 15
ano 16
ano 17
ano 18
ano 19
Inflação (IPCA) %
4,77%
4,77%
4,77%
4,77%
4,77%
(+) Receitas Geração Energia
R$ 23.196,47
R$ 24.302,94
R$ 25.462,19
R$ 26.676,74
R$ 27.949,22
(+) Receitas Crédito de Carbono
R$
R$
R$
R$
R$
Total Receitas
R$ 23.196,47
R$ 24.302,94
R$ 25.462,19
R$ 26.676,74
R$ 27.949,22
(-) Custos anuais
R$
R$
R$
R$
R$
(-) Depreciação anual
R$
Lucro bruto
R$ 18.991,52
R$ 19.897,41
R$ 20.846,52
R$ 21.840,90
R$ 22.882,71
(-) Imposto de renda
R$
R$
R$
R$
R$
Lucro líquido
R$ 18.991,52
R$ 19.897,41
R$ 20.846,52
R$ 21.840,90
R$ 22.882,71
(+) Depreciação anual
R$
R$
R$
R$
R$
(=) Disponibilidade
R$ 18.991,52
R$ 19.897,41
R$ 20.846,52
R$ 21.840,90
R$ 22.882,71
(+) Captação de recursos próprios
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
(+) Captação de recursos de terceiros
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
(-) Reposição de capital próprio
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
(-) Reposição de capital de terceiros
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
Retorno Econômico
(4.204,95)
-
R$
(4.405,53)
-
R$
(4.615,67)
-
R$
(4.835,84)
-
R$
(5.066,51)
-
(=) Fluxo de caixa do empreendimento R$ 18.991,52
R$ 19.897,41
R$ 20.846,52
R$ 21.840,90
R$ 22.882,71
(=) Recursos acumulados
R$ 209.776,95
R$ 229.674,36
R$ 250.520,87
R$ 272.361,77
R$ 295.244,47
(=) Fluxo de caixa descontado
R$
R$
R$
R$
R$
(=) Saldo
R$ (63.141,66)
5.142,67
4.938,56
R$ (58.203,10)
4.742,56
R$ (53.460,54)
4.554,33
R$ (48.906,20)
4.373,58
R$ (44.532,62)
54
Tabela 11 – Fluxo de caixa – Ano 20 ao ano 24
Dados Macroeconômicos
ano 20
ano 21
ano 22
ano 23
ano 24
Inflação (IPCA) %
4,77%
4,77%
4,77%
4,77%
4,77%
(+) Receitas Geração Energia
R$ 29.282,40
R$ 30.679,17
R$ 32.142,56
R$ 33.675,76
R$ 35.282,10
(+) Receitas Crédito de Carbono
R$
R$
R$
R$
R$
Total Receitas
R$ 29.282,40
R$ 30.679,17
R$ 32.142,56
R$ 33.675,76
R$ 35.282,10
(-) Custos anuais
R$
R$
R$
R$
R$
(-) Depreciação anual
R$
Lucro bruto
R$ 23.974,21
R$ 25.117,78
R$ 26.315,90
R$ 27.571,17
R$ 28.886,31
(-) Imposto de renda
R$
R$
R$
R$
R$
Lucro líquido
R$ 23.974,21
R$ 25.117,78
R$ 26.315,90
R$ 27.571,17
R$ 28.886,31
(+) Depreciação anual
R$
R$
R$
R$
R$
(=) Disponibilidade
R$ 23.974,21
R$ 25.117,78
R$ 26.315,90
R$ 27.571,17
R$ 28.886,31
(+) Captação de recursos próprios
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
(+) Captação de recursos de terceiros
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
(-) Reposição de capital próprio
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
(-) Reposição de capital de terceiros
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
R$
-
Retorno Econômico
(5.308,18)
-
R$
(5.561,39)
-
R$
(5.826,66)
-
R$
(6.104,60)
-
R$
(6.395,78)
-
(=) Fluxo de caixa do empreendimento R$ 23.974,21
R$ 25.117,78
R$ 26.315,90
R$ 27.571,17
R$ 28.886,31
(=) Recursos acumulados
R$ 319.218,69
R$ 344.336,47
R$ 370.652,37
R$ 398.223,54
R$ 427.109,85
(=) Fluxo de caixa descontado
R$
R$
R$
R$
R$
(=) Saldo
R$ (40.332,62)
4.200,00
4.033,31
R$ (36.299,31)
3.873,23
R$ (32.426,08)
3.719,51
R$ (28.706,57)
3.571,89
R$ (25.134,68)
55
Tabela 12 – Fluxo de caixa – Ano 25
Dados Macroeconômicos
ano 25
Inflação (IPCA) %
4,77%
Retorno Econômico
(+) Receitas Geração Energia
R$ 36.965,05
(+) Receitas Crédito de Carbono
R$
Total Receitas
R$ 36.965,05
(-) Custos anuais
R$
(-) Depreciação anual
R$
Lucro bruto
R$ 30.264,19
(-) Imposto de renda
R$
Lucro líquido
R$ 30.264,19
(+) Depreciação anual
R$
(=) Disponibilidade
R$ 30.264,19
(+) Captação de recursos próprios
R$
-
(+) Captação de recursos de terceiros
R$
-
(-) Reposição de capital próprio
R$
-
(-) Reposição de capital de terceiros
R$
-
(=) Fluxo de caixa do empreendimento
R$ 30.264,19
(=) Recursos acumulados
R$ 457.374,04
(=) Fluxo de caixa descontado
R$
(=) Saldo
R$ (21.704,55)
(6.700,86)
-
3.430,13
Após os demonstrativos de fluxo de caixa, com projeções de vinte e cinco
anos, calcularam-se os índices financeiros e econômicos para a apresentação dos
resultados referentes a este processo produtivo. O valor presente líquido foi
calculado em R$ 145.434,30.
De acordo com os resultados obtidos por meio da planilha eletrônica de
cálculos, observa-se que mesmo após 25 anos o VPL permanece negativo, com
base em um investimento de R$ 167.138,85 (R$ 145.434,30 - R$ 167.138,85 = - R$
21.704,14). Quando o VPL é menor do que zero, a taxa de retorno do investimento
do projeto também é menor do que a definida, neste caso 9,1% ao ano. Este valor
também indica que 25 anos são insuficientes para que a SANEPAR possa recuperar
seu investimento nos patamares atuais.
56
Após a elaboração dos cálculos, chegou-se ao percentual de 7,8% de
Taxa Interna de Retorno. Este indicador confirma o VPL, que ao apontar um saldo
negativo ao final do período de análise, mostrou ter uma taxa de retorno abaixo da
TMA.
Com base nos resultados observados, nota-se que a taxa de retorno de
7,8%, aliado a um VPL negativo, inviabiliza economicamente o projeto. Porém, as
informações apresentam um quadro no qual a viabilidade depende de uma série de
fatores para a real sustentabilidade do empreendimento, pois existem outras
possibilidades
de
se
aumentar
os
recursos
obtidos
com
o
projeto,
e
conseqüentemente, viabilizá-lo economicamente.
No panorama atual, uma situação que deve ser considerada é a
quantidade de biogás produzido, que está diretamente relacionado à capacidade
volumétrica de tratamento de esgotos, pois os resultados apresentados são relativos
a uma ETE de menor capacidade. A ETE Ouro Verde é classificada como de
pequeno porte. Caso o projeto seja implantado em estações de grande porte há
disponibilidade de biogás para operação de várias horas diárias, em vez das atuais
2,5 horas.
Outra situação é a comercialização de créditos de carbono. Os projetos
movidos a biogás obedecem às condições de aplicabilidade definida na metodologia
consolidada ACM0002 (Consolidated baseline methodology for grid-connected
electricity generation from renewable sources) aprovada pelo Comitê Executivo
(Executive Board - EB) da United Nations Framework Convention on Climate
Change (UNFCC) em sua 16ª reunião. A metodologia escolhida é aplicável às
atividades de projetos de geração de energia renovável conectadas à rede. O fator
de emissão da linha de base típico para projetos de energia renovável conectados
ao subsistema interligado Sul-Sudeste-Centro-Oeste, caso do estado do Paraná, é
de 0,267 t CO2/MWh.
Entretanto, algumas peculiaridades são encontradas nas ETEs, pois elas
deixam de emitir metano, substância que possui um potencial 21 vezes mais
influente para o aquecimento global. Ou seja, na verdade o total de Reduções
Certificadas de Emissões (RCE) verificado através da aplicação da fórmula (total
MWh x 0,267), deve ser multiplicado por 21, de acordo com a UNFCC (2008).
Conforme discutido nos parágrafos acima, ao realizar estas análises
conclui-se que apesar dos indicadores econômicos serem desfavoráveis ao projeto,
57
a SANEPAR ainda possui opções que podem ser adotadas com bom potencial para
receitas adicionais, trazendo benefícios econômicos para seu projeto.
Outrossim, ainda que não haja viabilidade econômica, observa-se que os
indicadores examinados encontram-se próximos do limite (TIR = 7,8%, próximo à
TMA = 9,1%). Nota-se então que este fator poderia ser compensado quando
analisado sob um aspecto intangível, como a imagem empresarial da SANEPAR
perante a sociedade, que é associada a uma empresa responsável com o meio
ambiente, e preocupada com o desenvolvimento econômico ambientalmente
sustentável.
Ou seja, ao implantar em suas unidades de tratamento de esgotos um
projeto MDL (Mecanismos de Desenvolvimento Limpo) de geração de energia, podese evidenciar uma série de vantagens e benefícios que a empresa receberá,
contribuindo para seu desenvolvimento e amenizando os problemas sociais. Entre
tais vantagens e benefícios, seguem: nova imagem da empresa; retorno gratificante
sobre as ações sociais; modelo de gestão para outras empresas; diferencial
competitivo; credibilidade entre os acionistas; confiança para investidores; nova
estrutura de desenvolvimento; ações evidenciadas como ponto de referência;
certificações recebidas; entre outros.
Dessa forma, a empresa promove ações que beneficiarão uma cadeia
social e, em contrapartida, obtém o retorno sobre esses investimentos, por
intermédio das vantagens e benefícios sociais, classificados como ponto de
referência de uma empresa, obtendo benefícios sociais e financeiros, agregando
maior valor junto aos acionistas, aos seus clientes reais e potenciais e à sociedade
em geral.
58
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Apesar dos indicadores econômicos e financeiros apresentados (VPL e
TIR) negar que o uso de biogás como fonte de eletricidade é economicamente e
financeiramente viável na situação atual da ETE Ouro Verde, o projeto analisado
apresenta condições propícias para uma operação de geração sustentável do ponto
de vista econômico, pois há também um grande potencial para aumentar a
rentabilidade do empreendimento através da implantação do mesmo em estações
de maior geração de biogás, empregando o gerador por mais tempo e
comercializando os créditos de carbono.
O aporte inicial de investimento pode ser compensado pelos subprodutos
deste processo, como o crédito de carbono e o biogás com conversão em energia
elétrica. O aproveitamento da energia gerada origina benefícios tanto pelo consumo
evitado, quanto pela venda do excedente à concessionária, quando é possível obter
retorno máximo do investimento. Esta renda proporciona acumulação de capital, fato
que permite investimentos na construção de novas ETEs, viabilizando a mesma em
cidades onde a arrecadação não permitiria a construção.
Além dos impactos econômicos, a utilização do biogás gera vários
impactos sócio-ambientais. Nesta dimensão os benefícios são claros. Ao ser
utilizado como produto para geração de energia elétrica, cria-se um meio econômico
de subsidiar a construção de novas ETEs, evitando a disposição dos mesmos no
solo e água. Conforme descrito anteriormente, o descarte inadequado de esgotos
causam graves problemas ambientais, que vão desde a destruição de ecossistemas
até a contaminação e morte de indivíduos.
Em tempos de necessidade energética elevadas, criar fontes renováveis é
imprescindível para manutenção de um modelo de desenvolvimento sustentável. O
biogás atende este premissa, pois, conforme apresentado, ele é renovável, e sua
transformação em energia elétrica evita a construção de novas fontes de energia
não renováveis, como por exemplo, termelétricas movidas a carvão.
Os benefícios do biogás associados à estrutura e a situação
extremamente favorável à inserção da bioeletricidade no setor elétrico brasileiro
59
garantem ampla oportunidade para a inserção da bioenergia em larga escala na
matriz elétrica brasileira.
Entretanto, as fontes alternativas de energia ainda possuem um custo
superior às fontes convencionais de energia, necessitando de políticas públicas para
a sua inserção a curto e médio prazo até que no longo prazo o avanço tecnológico a
torne competitiva com a geração convencional. Esta ação impulsionaria a adoção
deste tipo de geração não apenas em estações de tratamento de esgotos, mas
também em outros empreendimentos onde haja a geração de biogás.
Portanto, sugere-se para trabalhos futuros, a realização de mais estudos
objetivando a adoção de técnicas que compensem este déficit em relação à energia
convencional, como a inserção rápida de pequenos projetos similares ao da
SANEPAR nos programas de MDL, transporte e armazenamento de biogás
produzido em pequenas estações para utilização em um único empreendimento, o
que reduziria os custos de implantação do mesmo, fornecendo alimentação contínua
de combustível, aumentando os indicadores econômicos e, conseqüentemente,
viabilizando estes empreendimentos.
Como
contribuição
deste
trabalho,
além
do
acervo
bibliográfico
consultado, está à disposição a planilha eletrônica elaborada pelo autor para cálculo
de viabilidade econômico financeira de empreendimentos para geração de energia
elétrica. Para utilização basta apenas inserir os valores solicitados.
60
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APÊNDICE I – PLANILHA ELETRÔNICA PARA CÁLCULO DE VIABILIDADE
ECONOMICO FINANCEIRA DE EMPREENDIMENTOS GERADORES DE
ENERGIA ELÉTRICA COM BIOGÁS (CD-ROM)
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UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADES CATARATAS