AFETIVIDADE E INTERATIVIDADE NA EAD: UM OLHAR SOB OS TUTORES Maine Faria Rios – [email protected] Marina Rodrigues Ramos – [email protected] Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais – CEFET/MG Mestrado em Educação Tecnológica Grupo temático: 02: Tecnologias e constituição de ambientes de aprendizagem Modalidade: Artigo RESUMO: Este artigo vem relatar, através de um estudo de caso em um curso de pós-graduação à distância em Gestão Escolar e estudos bibliográficos, como se dá a relação entre tutores e alunos, considerando principalmente a Afetividade e Interatividade do tutor para com os alunos. Apresenta o que são os Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) e o Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment (Moodle). Também faz referência a Tecnologia e Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Propõe apresentar quais os maiores desafios e dificuldades encontradas na tutoria. Por último, analisar os dados coletados e propor soluções significativas para que o processo de ensino e aprendizagem ocorra de forma satisfatória e seja produtivo, prazeroso e instigador. Palavras chave: Afetividade, Interatividade, Educação à Distância. 1. Introdução Em se tratando de educação, muitas são as interfaces a serem analisadas. Vivemos atualmente num mundo globalizado e plural, em que as transformações são constantes e cada vez mais a tecnologia se faz presente na sociedade. A educação é fase importante nesse processo transformador, pois visa vincular os conhecimentos aos novos instrumentos e metodologias, mudanças necessárias e ao mesmo tempo desafiadoras, que exigem novas competências e mudanças nas relações com o trabalho e com o meio. O presente artigo visa apresentar o conceito de Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA’s), em especial o Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment (Moodle) e como se dá a relação entre os integrantes desse portal, de forma a considerar a abordagem do tutor para com os alunos, principalmente, a interatividade e afetividade entre tutores e educandos nos cursos lecionados à distância. 1 Para embasar os estudos e referenciais teóricos utilizados, foi desenvolvido uma pesquisa no formato de estudo de caso. Observou-se no segundo semestre de 2014 num portal AVA a atuação de alguns tutores de um curso de pós-graduação a distância oferecido na rede privada de São Paulo – SP. Para além, alguns autores foram fundamentais para análise e fundamentação teórica, como: Moore et al (2008), Grossi et al (2004), Almeida (2003) e Freire (1996). Inicialmente o artigo trará como primeiro tópico o conceito de tecnologia, Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), bem como apresentar o cenário da Educação a Distância (EaD), os AVA’s e, por fim, referente ao papel do tutor, qual a relevância da Interatividade e Afetividade na EaD. O segundo tópico irá apresentar a metodologia e os dados analisados. O terceiro e, último tópico, trará observações dos dados coletados e as considerações finais da pesquisa como um todo. Para ressaltar a dificuldade e a beleza desse caminho Alves (2001) diz que: A educação é um caminho e um percurso. Um caminho que de fora se nos impões e o percurso que nele fazemos. Deviam ser, por isso, indivisível e indissociáveis (...). O caminho dissociado das experiências de quem o percorre é apenas uma proposta de trajeto, não um projeto. (ALVES, 2001, p. 10) Desta forma, percebemos o quão a educação é importante e significativa. Podemos traduzir como um caminho que deve ter sentido, uma trajetória junto a um objetivo. Assim, devemos romper com a utopia e concretizar ações que sejam significativas e coerentes. O artigo tem como objetivo analisar como acontece a relação entre tutores e alunos em um Ambiente Virtual de Aprendizagem, através da verificação de como ocorre a interatividade, afetividade entre esses atores. Para atingir esse objetivo foi realizado um estudo de caso em um curso de pós-graduação em Gestão Escolar. 2. Referencial Teórico 2.1 Cenário da Educação a Distância (EaD) Para Rosini et al (2008), as aceleradas mudanças decorrentes da sociedade do conhecimento se refletem em muitas áreas, destacando-se a inovação tecnológica, a mudança nos paradigmas econômicos e produtivos e, também, as mudanças do setor educacional. Neste cenário, surgem novos papéis, e novos perfis profissionais vão alterando o cenário produtivo e na educação não seria diferente. Ainda de acordo com Amaral e Rosini (2008), toda essa mudança exige da educação soluções inovadoras a fim de contribuir com a construção do conhecimento. Portanto, o 2 surgimento de novas tecnologias provoca uma revolução nas formas de aprender e ensinar. Nesse contexto, a educação a distância surge como uma opção inclusiva para todos os que se reconhecem como sujeitos ativos e modificadores dessa sociedade globalizada, prontos a apropriar-se das tecnologias educacionais como mediadoras no seu próprio processo de aprendizagem. Os autores Moore et al (2007), apresentam a evolução histórica da EaD, dividida em cinco gerações, são elas: 1. A primeira geração de estudo por correspondência/em casa/independente proporcionou o fundamento para a educação individualizada a distância. 2. A segunda geração, de transmissão por rádio e televisão, teve pouca ou nenhuma interação de professores com alunos, exceto quando relacionada a um curso por correspondência; porém, agregou as dimensões oral e visual à apresentação de informações aos alunos a distância. 3. A terceira geração – as universidades abertas – surgiu de experiências norte-americanas que integravam áudio/vídeo e correspondência com orientação face a face, usando equipes de cursos e um método prático para a criação e veiculação de instrução em uma abordagem sistêmica. 4. A quarta geração utilizou a teleconferência por áudio, vídeo e computador, proporcionando a primeira interação em tempo real de alunos com alunos e instrutores a distância. O método era apreciado especialmente para treinamento corporativo. 5. A quinta geração, a de classes virtuais on-line com base na internet, tem resultado em enorme interesse e atividade em escala mundial pela educação à distância, com métodos construtivistas de aprendizado em colaboração, e na convergência entre texto, áudio e vídeo em uma única plataforma de comunicação. Portanto, de acordo com Moore et al (2007), a evolução da educação a distância pode ser identificável pelas principais tecnologias de comunicação empregadas e utilizadas com o objetivo de contribuir com o processo de ensino e aprendizagem dos discentes envolvidos no processo educativo. Ainda de acordo com Moore et al (2007), na EaD alunos e professores estão em locais diferentes, aprendendo e ensinando, mediante o uso de algum tipo de tecnologia que lhes permite interagir, trocar informações e conhecimentos. O empregado dessas tecnologias 3 depende, por sua vez, da utilização de técnicas e comunicação específica que são diferentes das que os professores utilizam na modalidade de ensino presencial. Portanto, de acordo com Grossi et al (2013), para a efetiva veiculação das atividades desenvolvidas em um curso na modalidade à distância, faz-se necessário à utilização de ferramentas de interação e comunicação, quase sempre agrupadas nos denominados AVA’s. 2.2 AVA Para Grossi et al (2013), o panorama político, econômico e social da década de 2010 é caracterizado pelo surgimento de novas perspectivas relacionadas à educação. Surgem assim, os Ambientes Virtuais de Aprendizagem (em inglês, Learning Management Systems ou ainda em português, Sistemas de Gerenciamento de Aprendizagem). Segundo Grossi et al (2013), apoud Mattar (2011) os AVA’s são a marca registrada da EaD, embora alguns estudiosos já estejam apontando que esses ambientes estejam ultrapassados e substituídos pelos Ambientes Virtuais de Ensino e Aprendizagem (AVEA’s). Sendo os AVEA’s uma denominação mais abrangente do que a do AVA e que compreende as ações de ensino necessárias à aprendizagem. No ponto de vista de Amaral e Rosini et al(2008) apoud Gomes (2001), Ambiente Virtual de Aprendizagem é o ambiente tecnológico no ciberespaço que permite o processo de ensino e aprendizagem através da mediação pedagógica entre alunos ou um grupo de alunos e o professor ou um grupo de professores, ou outros agentes geograficamente dispersos. Apresenta-se em forma de portais, banco de dados, bibliotecas virtuais, cursos a distância, museus ou outros. (AMARAL e ROSINI, 2001. p.25). Para Pocho (2012), os AVA’s são programas de computador desenvolvidos para oferecer um ambiente de aprendizagem que possibilite a realização de atividades de ensino aprendizagem online, ou seja, a distância. São conhecidos como Learning Management Systemas (LMS) ou Sistemas de Gerenciamento de Cursos (SGC). São exemplos desses ambientes os softwares como TelEduc, Moodle, Solar, Sócrates, dentre outros. Ainda de acordo com Pocho (2012), os AVA’s utilizam, dentre outras ferramentas, e-mails, fóruns, conferências, chats (bate-papos), arquivos de textos, arquivos de sons, arquivos de imagens, wikis, blogs que facilitam o processo de ensino e aprendizagem a distância. E outra característica é a utilização de hiperlinks, que torno o ambiente um texto aberto, tornando ilimitada a possibilidade de construção do conhecimento pelos discentes. 2.3 Interatividade e Afetividade: tipos de interação na EaD Para Silva (2010) a “comunicação interativa” já era presente no meio acadêmico dos anos 1970, expressando bidirecionalidade entre emissores e receptores, expressando troca e 4 conversação livre e criativa entre os polos do processo comunicacional. Essa concepção de comunicação foi engajada no contexto de crítica aos meios e tecnologias de comunicação (rádio, jornal e televisão) marcadamente unidirecionais, onde prevalece à força da emissão dos produtores sobre os consumidores. De acordo com Almeida (2003) etimologicamente, interação diz respeito à ação recíproca com mútua influência nos elementos inter-relacionados. E interatividade se apresenta como um potencial que propiciar a interação. E para ela, alguns autores aproximam os conceitos de interação e interatividade. Almeida (2003) apoud Silva (2000) explica que a interatividade permite ultrapassar a condição de espectador passivo para a condição de sujeito operativo. Assim, ocorre a interatividade relacionada ao diálogo entre emissor e receptor, a criação coletiva da comunicação e a intervenção dos usuários. Silva (2010) cita um levantamento realizado pelos autores Rabaté & Lauraire e Kretz (s/d), que realizaram um levantamento identificando objetivamente três momentos dos quais procede à noção de interatividade, são eles: 1. De um lado os campos teóricos supramencionados, notadamente das análises que estão presentes na relação entre usuário humano e aplicações informativas de caráter conversacional, onde: Interação - > interatividade (termo neutro) (+ conversacional); 2. No mesmo domínio, da ideia de um intermediário, de um dispositivo de tradução com vocação de assegurar o diálogo: a noção de interface; 3. E mais largamente, a ideia de uma bidirecionalidade, de uma troca bilateral: quando a comunicação (a transmissão de mensagem) opera nos dois sentidos, sob forma interindividual ou intergrupal, é a interatividade”. Neste sentido, para Silva (2010), a noção flutua então entre dois polos: a relação homem máquina e a relação homem-homem. Dessa forma, em seu estudo Silva (2010) apoud Rabaté & Lauraire e Kretz (s/d), que distinguem a noção de interatividade em “interatividade tecnológica” onde prevalece o diálogo, e a comunicação e a troca de mensagens e a “interatividade situacional” definida pela possibilidade de agir-interferir no programa e/ou conteúdo. Ainda de acordo com o Silva (2010) existe uma variação de “graus” de interatividade, percebida por Lelu & Marcovici, F. Kretz, F. Holtz-Bonneau e Rabaté & Lauraire (s/d). São 5 gradações e modelos que dão a dimensão do termo. Assim, em 1983, na França, aparece a distinção de interatividade em duas formas: um “nobre” referindo-se a comunicação instantânea e à distância entre as pessoas e outro definindo como “diálogo homem-máquina” e referindo-se a escolha pelo usuário entre várias possibilidades predefinidas pelo designer do programa. E Silva (2010) apout F. Kretz (s/d), enumerou seis gradações para o termo: 1. Grau zero de interatividade: é o caso do romance, do disco, dos cassetes, (lidos linearmente do início ao fim). [...] 2. Interatividade linear: é o caso do romance, do disco ou dos cassetes, desta vez folheados. 3. Interatividade arborescente: a seleção se faz por escolha ou designação em um menu: videografia difundida, videotexto arborescente, jornais ou revistas onde cada página tem uma dupla apresentação. 4. Interatividade liguística: a que utiliza o acesso por palavras-chave. Formulários e até uma entrada de linguagem natural ou quase natural: videotexto. 5. Interatividade de criação: aquela que permite ao usuário compor uma mensagem textual, sonora, gráfica, mista, desenhos por correspondência. 6. Interatividade de comando contínuo: permite a modificação, o deslocamento ou em geral a transformação de objetos sonoros ou visuais, por exemplo: videogames. Assim, de acordo com Grossi et al (2013), a construção do conhecimento ocorre a partir das relações sociais, da interação entre os sujeitos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem (alunos-alunos, e alunos-professores), subsidiados por suportes tecnológicos que o professor pode utilizar para desenvolver estratégias didáticas que vão de encontro ao objetivo do curso e permitam a maior interação entre os educandos. Ainda para Grossi et al (2013), a interatividade é um elemento fundamental para a aprendizagem a distância. Uma vez que, no contexto da EAD o favorecimento da interação oportuniza novas relações com o conhecimento, já que nos AVA’s o aluno pode realizar escolhas que podem ser mediadas pelo uso de suportes e recursos tecnológicos. Já a afetividade do ponto de vista de Grossi et al (2013), é indispensável em qualquer atividade humana, dentre elas, pode-se destacar a educação, em especial na modalidade à distância, uma vez que muitos discentes ainda têm a ideia de que a EaD é uma modalidade de educação “fria”, na qual o discente estuda sozinho e não o tem apoio significativo do professor. 6 Para Freire (1996) é preciso descartar como falsa a separação radical entre seriedade docente e afetividade. Não é certo, do ponto de vista democrático, que o professor será melhor quanto mais severo, mais frio, mais distante e “cinzento” seja as relações com os alunos, no trato dos objetos cognoscíveis que se deve ensinar. A afetividade não se acha excluída da cognoscibilidade. O que o docente não pode permitir é que a sua afetividade interfira no cumprimento ético do dever de professor e do exercício da autoridade docente. A prática educativa é tudo isso: afetividade, alegria, capacidade científica, domínio técnico a serviço da mudança. Ainda na visão de Freire (1996), não importa com que faixa etária trabalhe o educador ou a educadora. O nosso trabalho é realizado com gente, miúda, jovem ou adulta, mas gente em permanente processo de busca. Não sendo superior nem inferior a outra prática profissional, a minha, que é a prática docente, exige de mim um alto nível de responsabilidade ética que a minha própria capacitação científica faz parte. É que lido com gente. Lido, por isso mesmo, independente do discurso ideológico negador dos sonhos e das utopias, com os sonhos, as esperanças tímidas, às vezes, mas às vezes, fortes dos educandos. Se não posso, de um lado, estimular os sonhos impossíveis, não devo, de outro, negar a quem sonha o direito de sonhar. (FREIRE, 1996. p.144). Finalmente, para Freire (1996), como prática humana, a educação jamais pode ser entendida como ma experiência fria, sem alma, em que os sentimentos e as emoções, os desejos, os sonhos devessem ser reprimidos. Para o autor, nem a arrogância é sinal de competência nem a competência é sinal de arrogância. Assim, Freire (1996) não nega a competência, por outro lado de certos arrogantes, mas lamenta a ausência de simplicidade, que não diminui em nada seu saber, ou faria gente melhor. Gente mais gente. 2.4 Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) É possível dizer que a tecnologia está presente na vida dos seres humanos desde seus primórdios. Entende-se por tecnologia todo conhecimento técnico e científico adquirido e utilizado para aprimorar e transformar o trabalho e conhecimentos pré-existentes, na intenção de solucionar problemas e a aperfeiçoar o uso de ferramentas para tarefas e processos específicos. Assim, Rios (2005) afirma que “a tecnologia é própria da condição humana, sendo o resultado do ato criador do homem para suprir suas necessidades” (RIOS, 2005. p. 64). Desta forma, consideramos que desde as pinturas rupestres e utensílios como vasos e flechas, ao mais moderno aparelho de celular, por exemplo, utilizou-se de tecnologia. Esse processo demanda um conhecimento prévio, a partir daí é preciso pesquisar, planejar e 7 (re)criar novas tecnologias. Esse processo está cada vez mais presente e, ainda, segundo Rios (2005) professores/tutores e alunos precisam sentir-se parte desse sistema que é processual e gradativo, portanto, histórico e cultural. Na educação, a Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) vem crescendo e ganhando cada vez mais espaço. A TIC nada mais é do que um conjunto de recursos tecnológicos integrados e mediadores de informação e comunicação entre os sujeitos. São recursos e ferramentas, hardweres e softwares, que viabilizam e proporcionam pleno desenvolvimento científico e de ensino e aprendizagem. Cada vez mais percebemos a inserção da TIC nas práticas pedagógicas brasileiras. Sobretudo, há um reconhecimento das políticas publicas que vez por outra, investe em laboratórios de informática e capacitação de docentes. Entretanto, é necessário ressaltar que na maioria das experiências, o uso TIC entra apenas como um mero auxiliar dos recursos pedagógicos, sendo reprodutor de práticas antiquadas e caducas. A partir dessa linha de pensamento Bonilla e Assis (2005) afirmam que os espaços educacionais com a presença da TIC precisam ser repensados e resignificados de acordo com as mudanças do contexto atual. Significa, inclusive, separar o modelo de “aula” como única possibilidade de espaço-tempo de relações entre sujeitos envolvidos no processo educativo. Significa transformar o espaço-tempo educativo num espaço do qual emergem as atividades curriculares e no qual se articulam os conteúdos às ações, o saber ao viver. (BONILLA e ASSIS, 2005. p. 17). A EaD, portanto, valoriza e dissemina essa ideia, tornando-se uma ferramenta cada vez mais utilizada e de acordo com Moore et al (2008) a Ead consegue atingir públicos diferenciados e pode ser considerada um mecanismo de inclusão social, pois leva o conhecimento e a informação a pessoas e lugares anteriormente ditos como inatingíveis. 3. Metodologia Para o desenvolvimento desta pesquisa foi realizado um estudo de caso no segundo semestre de 2014 a partir da observação de três tutores em um AVA durante um módulo de um curso de Pós-Graduação em Gestão Escolar realizado a distância por uma Instituição de Ensino da rede privada de São Paulo-SP. Tendo essa pesquisa caráter qualitativo e bibliográfico. 4. Análise dos dados Para a realização desta pesquisa foram acessados o portal de dois alunos de duas turmas distintas, sobretudo do mesmo curso. Portanto, vamos ilustrar como turma A e turma B. Para a análise do portal Moodle e a interação do tutor para com os referidos alunos, foram 8 observados a atuação de três tutores distintos, um tutor da turma A e dois tutores da turma B, que aqui vamos analisar como: tutor 1 – turma A (T1A), tutor 2 - turma B (T2B) e tutor 3 turma B (T3B). A observação se deu em uma mesma disciplina que os três tutores acompanharam disciplina “Legislação Educacional e Políticas Públicas”. Com o intuito de garantir a qualidade e precisão dos dados coletados para posterior análise, alguns critérios tiveram de ser estabelecidos. Foram observadas as interações do tutor com a turma da seguinte maneira: Fóruns: quais tipos de fóruns foram criados, exemplos: fórum de avisos, fórum sobre o conteúdo, fórum para tirar dúvidas, fórum de descontração e fórum de apresentação. Verificou-se a intensidade das interações do tutor com a turma nos fóruns existentes. Qual a linguagem utilizada para a comunicação do tutor com os alunos (linguagem coloquial ou formal). Verificou-se que o tutor T1A disponibilizou para a turma três opções de fóruns fóruns de avisos, fóruns sobre o conteúdo, fóruns de descontração, facilitando assim o contato com os alunos. Todas as informações importantes sobre o curso, como estrutura do curso, avisos sobre provas, atividades e ou/exercícios o tutor disponibilizou no fórum de avisos, isso facilita que os alunos localizem as informações no AVA, além de deixar o discente a par do que está acontecendo durante a disciplina para poder se organizar e se preparar para participação e realização de todas as atividades. Este mesmo tutor - T1A disponibilizou um fórum de descontração, que teve a participação de grande parte da turma, trocando reportagens e notícias contextualizadas a realidade do curso e disciplina que estava sendo estudada, permitindo assim a criação de um vínculo e um laço de afetividade do tutor com a turma. Foi disponibilizado um fórum para discutir sobre o conteúdo daquela disciplina, isso permitiu com que os alunos pudessem tirar dúvidas e discutir a cerca do tema em questão, porém verificou-se que o tutor ausentou-se do fórum por dois dias, deixando os alunos sem feedback, isso foi um fator que irritou a turma, os comentários dos alunos foram de revolta e rejeição ao tutor, que posteriormente retomou as discussões e teve dificuldade em ganhar confiança dos alunos novamente. O tutor T2B disponibilizou para a turma três opções de fóruns - fóruns de avisos, fóruns sobre o conteúdo, fóruns de descontração. Pode-se perceber que este tutor acompanhou 9 efetivamente as discussões e postagem em todos os três fóruns disponibilizados, intervindo quando necessário, instigando os alunos e ligando as informações, permitindo assim com que os discentes acompanhassem a disciplina de forma efetiva. Esse perfil de tutor participativo e instigador permitiu uma interação efetiva da turma, assim, pelas mensagens e informações trocadas percebe-se na linguagem utilizada um respeito ao educando. Para Freire (1996) o respeito que devemos como professores aos educandos, dificilmente se cumpre, se não somos tratados com dignidade e decência, por todos os envolvidos no processo de ensino e aprendizagem, incluindo no caso da Ead toda a equipe multidisciplinar, diretamente envolvida na administração e gerenciamento de um curso. Já o tutor T3B também disponibilizou para a turma três opções de fóruns - fóruns de avisos, fóruns sobre o conteúdo, fóruns de descontração. Pode se perceber que este tutor não acompanhou efetivamente todas as discussões, como por exemplo, no fórum de descontração, os alunos participaram sozinhos durante grande parte do tempo, não houve participação e intervenções do tutor em momento algum, isso faz com que o tutor perca a credibilidade perante a turma, que se sente “desmotivada” em participar da discussão. Nos demais fóruns, fórum sobre o conteúdo e fórum de avisos, percebeu-se que houve uma participação e intervenção tímida do tutor, deixando a turma em alguns momentos, sem respostas claras e efetivas. Diante disso, podemos inferir que a prática docente faz toda a diferença, principalmente em um curso ofertado na modalidade à distância. O respeito ao educando é fundamental para que se tenha uma relação harmoniosa. Para Freire (1996) no ato de ensinar é fundamental um respeito mútuo, é fundamental respeitá-los e respeitar-me. A prática docente que não há sem discente é uma prática inteira. O ensino dos conteúdos implica o testemunho ético do professor. A boniteza da prática docente se compõe do anseio vivo de competência do docente e dos discentes e de seu sonho ético. Sobre a linguagem utilizada pelos tutores, pode-se inferir que as palavras e expressões utilizadas pelos tutores T1A e T2B se aproximaram mais dos alunos. As expressões como, por exemplo, “olá turma” e “olá colegas” deixa um tom mais informal, natural à comunicação. O tutor T3B utilizou-se de uma linguagem mais formal, utilizando expressões como “prezados alunos” e “caros alunos”, essa linguagem utilizada na educação a distância transparece mais seriedade, dificultando em algumas vezes a aproximação dos discentes. A utilização de determinado tipo de linguagem deve estar de acordo com a proposta do curso. Isto vai de 10 acordo com a visão de Grossi et al (2013), que explicam que as ferramentas do Moodle podem otimizar as ações pedagógicas e constituir relações permeadas pela afetividade. Portanto, a criação de laços de interatividade a afetividade podem ser claramente observadas em um AVA, mas para que isto aconteça, docentes e discentes precisam caminhar juntos em prol do mesmo objetivo: a qualidade e efetividade do processo de ensino e aprendizagem. Pode se fazer uma analogia ao ensino presencial, o professor sozinho não consegue desenvolver o conteúdo com a turma, da mesma forma acontece na Educação à Distância. Para que o tutor desenvolva um bom trabalho, é necessário a participação ativa de todos os alunos, se organizando e tendo disciplina para realização e acompanhamento das atividades propostas no curso. De acordo com Freire (1996), o clima de respeito nasce de relações justas, sérias, humildes, generosas em que o docente saiba usar de sua autoridade de forma ética proporcionando liberdade aos discentes, autenticando assim o caráter formador do espaço pedagógico. 5. Considerações finais A análise dos dados permitiu inferir que o tutor e docente podem contribuir para o desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem dos alunos de forma satisfatória desde que a interação seja realizada de forma planejada, possibilitando a criação de laços de afetividade. Considerando os três tutores observados, foi possível constatar que todos criaram as mesmas quantidades de fóruns e com os mesmos objetivos: fóruns de avisos, fórum sobre o conteúdo e fórum de descontração. O tutor T1A apresentou ser um tutor não muito comprometido e envolvido com a turma, apesar de se aproximar dos alunos com uma linguagem informal e descontraída, ausentou-se do AVA por 2 dias, gerando um desconforto para os alunos que reagiram estar insatisfeito com a atuação do tutor. Esse comportamento do tutor rompe com a afetividade anteriormente estabelecida e faz com que o tutor começe um novo trabalho interativo com intuito de reestabelecer um vínculo com os alunos. O caso do tutor T3B, não é muito diferente do tutor anterior, o que chamou a atenção para a turma dele foi à relação estabelecida com seus alunos. O tutor sempre retravava os educandos com palavras formais e categóricas, o que dificultou a relação afetiva entre tutor e alunos. Sabe-se que os recursos tecnológicos sozinhos são ineficazes, desta forma, além do manuseio a interação dentro do portal é essencial para um bom trabalho. A criação de uma 11 conexão entre os envolvidos faz com que todo esse processo seja revitalizado, ganhando mais energia e motivação para prosperar. O tutor T2B, dentre os observados foi aquele que mais próximo chegou da afetividade e interatividade num portal de AVA. Sua participação efetiva garantiu o envolvimento da turma e a estimulação dos alunos em quererem participar. Na comunicação, a linguagem utilizada era mais informal e aproximava-se da realidade, o que favorecia na aproximação entre tutor e alunos, além de ser clara e sucinta. Nesta situação podemos considerar que não basta apenas uma boa ferramenta, com recursos modernos e tecnológicos se não há a interatividade junto a afetividade. As TIC’s são ferramentas devem ser contempladas, estudadas, refletidas e usadas por todos. Para isto, é de suma importância que o tutor apresente algumas características para o trabalho com EaD, dentre elas: ter sabedoria e elaborar uma resposta clara, precisa e objetiva frente aos questionamentos dos alunos; dar feedbacks constantes de acordo com as atividades propostas, não ultrapassar o prazo de 24 horas sem acessar o AVA e, principalmente, propiciar um ambiente claro e de fácil localização das informações. Ser um mediador e facilitador no processo de ensino e aprendizagem também é de suma importância, pois leva o aluno a pensar criticamente as respostas e buscar constantemente o pleno desenvolvimento. Para Moore et al (2008), Cada mídia pode ser usada de um modo mais ou menos estruturado; pense na diferença entre um noticiário transmitido pelo rádio e um programa de bate-papo com participação dos ouvintes, transmitido pela mesma mídia e usando a mesma tecnologia. Da mesma forma, cada mídia possui uma maior ou menor estrutura para veicular diferentes estilos e tipos de interação. (MOORE e KEARSLEY, 2008. p. 8) A acomodação e a imobilização são fatores que cerceiam os profissionais da educação e fazem com que estes continuem agindo de forma mecanicista, tornando-os incapazes de ampliar e modificar suas “práxis”, limitando o campo de atuação e diminuindo a idoneidade profissional dos mesmos. Outros fatores que dificultam as práticas autônomas e proliferam as ações tecnicistas são: a falta de liderança e aplicação do autoritarismo, a burocratização e a dispersão do trabalho coletivo e transparente, também em relação às ações individualistas e excludentes na formação de parceiros, dentre diversas outras ações circundentes das instituições “totalitaristas”. Paulo Freire (1996) diz que o ensino tem sua base histórica assim como todo o mundo, por isso homens e mulheres perceberam que é possível ensinar e às vezes um simples gesto do professor desempenha um papel crucial na vida de um aluno. Portanto, o tutor deve mostrar ao 12 aluno, que todos nós, somos seres inacabados, sempre em busca de um novo conhecimento, mostrando a eles que sempre devemos agir de modo reflexivo, humano e solidário, tendo a consciência de que essas lutas e questionamentos têm em comum a perspectiva por uma educação humanizadora. As informações precisam estar atualizadas e de fácil acesso, para isto, é fundamental a criação de um calendário que permita ao aluno planejar as datas em que terão atividades podendo assim realizar um acompanhamento integral das ações desenvolvidas ao longo do curso. Os fóruns também facilitam a comunicação, desta forma, sugere-se que um curso tenha no mínimo três fóruns, sendo um de notícias, um de esclarecimento de dúvidas sobre o conteúdo e suporte técnico e um fórum de apresentação e/ou interação para descontração e troca de notícias, publicações, sugestões de leitura entre outros. O material didático e pedagógico também precisa ser diferenciado, não faz sentido em um curso EaD utilizar de um mesmo material para cursos presenciais, são tempos e contextos diferentes, portanto, o tutor e a coordenação desses cursos devem ficar atentos a isso. Segundo Moore et al (2008), Em virtude de os cursos e o ensino serem veiculados por tecnologia, os materiais do curso precisam ser elaborados por especialistas que saibam como fazer o melhor uso de cada tecnologia disponível. (...) Os profissionais que criam as instruções devem trabalhar com os especialistas em conteúdo para ajudá-los a decidir sobre assuntos como: os objetivos do curso, os exercícios e as atividades que os alunos deverão realizar, o layout do texto e as ilustrações (seja em exemplares impressos ou em materiais pela internet), o conteúdo de segmentos gravados em áudio ou vídeo e as questões para sessões interativas nas salas de bate-papo on-line ou por áudio ou videoconferência. (MOORE e KEARSLEY , 2008. p. 15) É fundamental que os alunos também participem ativamente do curso, estando sempre atentos aos prazos e aos feedbacks dados pelo tutor, um aluno receptivo, participativo e atuante faz toda a diferença em um curso realizado principalmente nesta modalidade de ensino. E, para que todo o processo de ensino e aprendizagem ocorra de forma satisfatória e que a interação e afetividade estejam presentes ao longo do curso, o Ambiente Virtual de Aprendizagem também tem que estar estruturado de forma a contribuir para o contato tutor-aluno, docente-aluno, aluno-aluno e aluno-conteúdo. Para, além disso, os espaços e ferramentas criadas a partir das TIC’s permitem que o sujeito otimize o tempo e o espaço na relação e interação do objeto e suas tecnologias para com o conhecimento e desenvolvimento do intelecto, principalmente, entre educadores e educandos. 13 Para Moore et al (2008), em se tratando de Educação à distância, o ambiente no qual o aluno se encontra é parte importantíssima e impactante no aprendizado do aluno. Diz ainda que, “O ambiente em que as pessoas interagem com seus materiais do curso e com seus instrutores pode ser seu local de trabalho ou sua residência, uma sala de aula ou um centro de aprendizado, um hotel ou um avião” (MOORE e KEARSLEY, 2008. p. 18). Independente do local, os alunos precisam ter a convicção de que o estudo a distância exige maior dedicação, compromisso e muita disciplina. Estudar em locais movimentados e com muito barulho, podem ser prejudiciais, pois causam distração e a perca do foco. Para evitar essas e outras distrações relacionadas ao trabalho, à vida social e à família, os alunos devem treinar a si mesmos, conscientemente, para adquirir hábitos de estudo disciplinado. Eles precisam, por exemplo, determinar seu melhor período e o local preferido em que podem estudar à vontade, programando um “período de treinamento” durante o trabalho ou um “momento tranqüilo” em casa, com a colaboração de colegas ou da família. (MOORE e KEARSLEY, 2008. p. 18) Esta série de fatores contribui significativamente para que o processo de ensino e aprendizagem ocorra de forma satisfatória e seja produtivo, prazeroso e instigador. 4. Referências ALMEIDA, Maria Elizabeth Biancocini de. Educação, Ambientes virtuais e interatividade. In: SILVA, Marco. Educação Online: teorias, práticas, legislação, formação coorporativa. 4.ed. São Paulo: Loyola, 2003, p. 203-217. ALVES, Rubem. A escola que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir. – Campinas, SP: Papirus; 2001. 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