AU TO RA L TO EI DI R DE LE I LA UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA HIPERTEXTO E LIVRO DIDÁTICO DO CU M EN TO PR OT EG ID O AVM FACULDADE INTEGRADA Por: Marco Antonio Teles da Costa Orientador Prof. Ms. Andrea Villela Mafra da Silva Rio de Janeiro 2011 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES LICENCIATURA EM PEDAGOGIA AVM FACULDADE INTEGRADA HIPERTEXTO E LIVRO DIDÁTICO Apresentação requisito de parcial monografia para ao obtenção licenciatura em Pedagogia Por: . Marco Antonio Teles da Costa IAVM do como grau de 3 AGRADECIMENTOS A Deus, aos meus pais, irmãos, minha esposa Lucimar, minha filha Iris e a todos os professores e funcionários do IAVM 4 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a minha filha Iris, para que sempre continue a aprender. 5 RESUMO O Hipertexto e Livro Didático analisados sob o ponto de vista da hipertextualidade como forma humana de linguagem e aprendizagem que objetiva-se no hipertexto que a registra, levam a reflexões sobre a importância do Livro Didático para o pertencimento do conhecer através da História, desde o registro oral até a invenção da escrita suportada por diferentes tecnologias, em que se inclui o livro como elemento inspirador para transformação da realidade. Nessa inspiração o homem relaciona-se hipertextualmente com o outro através do livro, construindo sua aprendizagem através de intercessões disciplinares na busca humana do “ser mais” freireano, que pode unir através da prática dialógica o livro didático com a hipertextualidade como linguagem para potencializar o diálogo, respeitando a pluralidade de conhecimentos e o padrão de coatoria hipertextual em que pode alcançar não só docentes e discentes mas também os múltiplos designers do conhecimento, que podem se relacionar de forma coautoral na produção do livro didático, possibilitando ampliação das diferentes conexões entre os indivíduos, provocadas pelo livro didático, no processo de ensino aprendizagem. 6 METODOLOGIA Como metodologia objetivou-se o relacionamento entre conceitos didáticos, de hipertextualidade, e coautoria interdisciplinar através de pesquisa bibliográfica. O trabalho parte da indagação sobre como o Hipertexto pode facilitar a aprendizagem no livro didático e busca referencias na bibliografia que apontem para a formulação de uma síntese adequada entre os elementos pesquisados. Levou-se em consideração também o contexto do conhecimento quanto à sua aquisição e sentimento de pertencimento mediados pela ação do professor otimizada pelo livro didático. A pesquisa considera o livro didático como participante de mudança de paradigma do conhecimento e a possibilidade de adequação à nova realidade. O tema é abordado de forma comparativa, identificando as ideias centrais pertinentes ao contexto tecnológico e educacional atual. Considera a influencia no livro didático na facilitação da aprendizagem como ferramenta disponível e presente na maioria das salas de aula. O livro didático é considerado como elemento auxiliar potencialmente inspirador do professor para a prática docente-discente. 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 08 CAPÍTULO I Livro Didático e Pertencimento do Conhecer 09 CAPÍTULO II Livro Didático e Hipertextualidade 14 CAPÍTULO III – Livro Didático e Coautoria Dialógica 19 CONCLUSÃO 25 BIBLIOGRAFIA 27 WEBGRAFIA 28 ÍNDICE 30 FOLHA DE AVALIAÇÃO 31 8 INTRODUÇÃO O objetivo dessa monografia é dissertar sobre como a hipertextualidade pode facilitar a aprendizagem, mediada pelo professor com o Livro Didático como ferramenta presenta na sala de aula A contribuição do trabalho é refletir sobre as conexões entre hipertextualidade, sentimento de pertencimento, e provocações dialógicas presentes no uso consciente do Livro Didático, sem pretender esgotar o assunto Dentre os fatores importantes do trabalho citamos a conexão entre hipertextualidade, interdisciplinaridade e dialógica coerentes com o conceito de coautoria numa aprendizagem protagonista onde o Livro Didático deve ser fonte de referência e inspiração. O assunto foi tratado a partir de pesquisa bibliográfica sobre como o hipertexto facilita a aprendizagem no Livro didático, recorrendo também a autores que tratam do Livro Didático, da educação dialógica, da interdisciplinaridade e da hipertextualidade demonstrando que tais princípios podem estar presentes no Livro Didático como um facilitador da provocação para a aprendizagem. Este trabalho está estruturado da seguinte forma: no Capitulo I discorremos sobre a aprendizagem e a necessidade de pertencimento do conhecimento através do Livro, no capítulo II dissertamos sobre o Livro didático, a noção de hipertextualidade e as características que propiciam tal relação, no capitulo III relacionamos a interdisciplinaridade e a dialógica focando na aprendizagem através da coautoria, terminando com a conclusão que tece essa trama de assuntos. 9 CAPÍTULO I LIVRO DIDÁTICO E PERTENCIMENTO DO CONHECER Este capítulo trata do Livro, e consequentemente o Livro Didático, como produto da imprensa que contribuiu para pertencimento do conhecer, facilitação e acesso à aprendizagem de diferentes conteúdos. A dissertação tentará mostrar como o livro impresso está relacionado historicamente ao pertencimento do conhecer e à aprendizagem em si. As ideias expostas referem-se à imprensa como meio de divulgação e compartilhamento do conhecimento, e à necessidade do ser que conhece sentir-se pertencente ao mundo do conhecer para uma aprendizagem adequada. Segundo Lima (2007) a transmissão de conhecimento através do tempo foi marcada por rupturas graduais entre um método de registro e outro mais apropriado às novas necessidades. O registro oral foi o primeiro recurso de transmissão do conhecimento porém era muito atrelado à capacidade da memória e a recursos mnemônicos fixação dos registros como dramatizações que eram herdadas com as narrativas. Tais registros estavam sujeitos às imprecisões da memória, e à interpretação dos narradores. Da Matta (1987, apud Souza, 2006), entretanto, mostra a diferença da cultura oral indígena brasileira onde o conceito de tempo difere do conceito de tempo na escrita registrada em sociedades letradas citando um “presente anterior” e um “presente atual”. Souza (2006) defende que a narrativa oral tem a complexidade do tempo mítico e histórico se complementam, e que as próprias características “performáticas e míticas” do registro oral inserem o narrador não como autor ou proprietário do conhecimento, mas a autoria é coletiva, e o pertencimento do registro é comunitário. 10 Apesar das características de coautoria e propriedade comunitária do registro oral, Lima (2007) destaca que tal transmissão de conhecimento requeria que os transmissores e receptores da mensagem ocupassem o mesmo tempo e espaço para compartilhar o conhecimento. A necessidade de ultrapassar o tempo e espaço através de um registro preciso da realidade levou ao registro pictográfico do conhecimento, que antecedeu a escrita. As formas de escrita baseadas em ideogramas ou de representação fonética sugiram por volta de 3000 a.C na Mesopotâmia, cujo registro passou por diversos suportes como argila, papiro, pergaminho; acondicionados em placas, ou em rolos e finalmente em códice segundo a natureza do suporte (LIMA, 2007). Para Lima (2007) o livro como suporte do conhecimento escrito tornou-se objeto de autoridade, prestígio e sinônimo de saber. Ptolomeu Filadelfo funda a Biblioteca do Museu de Alexandria no século III a.C. para reunir em um só lugar todo o conhecimento da humanidade. Pode-se inferir da comparação entre as informações de Lima (2007) e Souza (2006) que no período histórico onde o livro era de acesso dificílimo, o registro escrito particularizou o conhecimento em grupos de poder. Esta particularização passou por diversos detentores de poder até a Idade Média onde a cópia de manuscritos era tarefa de monges católicos (RIBEIRO, CHAGAS, PINTO: 2007) Segundo Ribeiro (2007) a descoberta da imprensa por Gutenberg traz mudanças notáveis na sociedade europeia do século XV devido à possibilidade de compartilhar e difundir informações antes restritas a poucos privilegiados. Estendendo seu alcance inicialmente a uma classe média intelectual, em pouco tempo alcança também as classes mais populares. Essa nova realidade de compartilhamento do conhecimento produz reflexões que movimentariam movimentos importantes como o Renascimento e a Reforma Protestante. A imprensa, apesar de difundir conhecimento, também gerou uma nova 11 maneira de conhecer que é a leitura individual. A formação não estava mais restrita à presença do sujeito narrador, ou dos ledores que liam para grandes grupos. Agora era possível e acessível obter o conhecimento necessário e desejado, como leitor que filtra o conhecimento mais refinadamente, com mais autonomia e individualidade (LIMA, 2007). As informações citadas podem demonstrar que o Livro é importante instrumento de pertencimento ao mundo do conhecimento. Conhecer, segundo Ferreira (2004) implica em ter noção, conhecimento, informação, saber, que conforme nos indica Ribeiro (2007) foi potencializado pela descoberta da imprensa. Pertencimento, segundo o Amaral (2006) significa sentir, ou ter a crença de que faz parte de uma realidade, por origem comum, que pode interferir individualmente nessa realidade de forma positiva para si e para os outros de forma a desejar tal ação, pois a pertinência àquele grupo faz sentido para o indivíduo. Conectando os raciocínios e definições, o aproximar o indivíduo do conhecimento o livro será potencialmente um elemento de pertencimento do conhecer. Conectando o livro como potencial ferramenta de pertencimento do conhecer e a necessidade de facilitação da aprendizagem, podemos inferir que o livro através do “sentimento de 'pertencimento', de estar integrado em um grupo, facilita o confronto com os medos e os desafios da aprendizagem” (AFONSO, SILVA, ABADE, 2009) O livro leva a um pertencimento do conhecer, especialmente o livro didático que, pela sua presença na sala de aula facilitada por programas governamentais como o Programa Nacional do Livro Didático (MEC, 2010), pode ser aproveitado como instrumento acessível a uma pedagogia do “ser mais”, de coautoria, de protagonismo aprendente. Tais qualidades aplicadas ao livro historicamente, como facilitador da aprendizagem, podem ser compatíveis com a pedagogia freireana que valoriza a vocação natural do indivíduo de querer “ser mais”. Esta vocação é a busca 12 do aprimoramento pessoal para a coletividade conquistando o próprio valor de ser humano entendendo que cada um é sujeito da própria autonomia dentro da sociedade (FREIRE, 2010). As qualidades do livro impresso em geral podem ser atribuídas e apropriadas pelo livro didático, para que o pertencimento do conhecer aproxime-se da realidade do aprendente: “Geralmente, livros não-didáticos dispensam seus leitores de qualquer gesto que ultrapasse a leitura individual, o que, aliás, não é pouco, se se entender leitura no sentido amplo de produção e alteração de significados, de envolvimento afetivo, de experiência estética.[...] Os livros didáticos, também, podem patrocinar todas estas modalidades de leitura que os livros não-didáticos proporcionam, [...] mas é preciso não esquecer que, no reino das linguagens e dos livros (e até mesmo no reino dos Livros didáticos!) tudo é possível: estudos sobre a vegetação original de certas regiões da terra recorreram a quadros e a tapeçarias antigas para conhecimento da aparência de certas plantas... Em sociedades como a brasileira, livros didáticos e não-didáticos são centrais na produção, circulação e apropriação de conhecimentos, sobretudo dos conhecimentos por cuja difusão a escola é responsável. Dentre a variedade de livros existentes, todos podem ter — e efetivamente têm — papel importante na escola.” (LAJOLO apud MEC, 1996) Também é relevante neste aprendizado vencer as relações de opressão que incutem o medo da liberdade entre opressores e oprimidos (FREIRE, 1987) para tal o livro mostrou-se historicamente como agente de transformação pela conscientização. Dentre outros objetivos do livro didático destacamos a 13 “melhoria o processo de ensino aprendizagem [...] a democratização do acesso às fontes de informação e cultura; […] estímulo à atitude investigativa” (MEC, 2010). Os princípios citados são inerentes ao livro como instrumento de relevância histórica nas transformações sociais para uma pedagogia da pergunta, onde cada um pode se sentir pertencente ao contexto de seu aprendizado potencializando dialogicamente a vocação de “ser mais”. O livro, levando em consideração os dados expostos, pode ser considerado um agente histórico da aprendizagem. Freire (2010) nos mostra que a aprendizagem compreende o ensinar. Na aprendizagem os cognoscentes refletem, desde sempre, sobre o objeto cognoscivel construindo historicamente o aprender e o ensinar: “[...] Aprender precedeu o ensinar ou, em outras palavras, ensinar se diluia na experiência realmente fundante do aprender. […] o processo de aprender, em que historicamente descobrimos que era possível ensinar como tarefa não apenas embutida no aprender, mas perfilada em si, com relação a aprender, é um processo que pode deflagrar no aprendiz uma curiosidade crescente, que pode torná-lo mais e mais criador.” (FREIRE, 2010) Este capítulo discorreu sobre o pertencimento do conhecer e o livro didático, abordando a importância do livro impresso da divulgação do conhecimento. Discorreu-se também sobre o pertencimento e o desejo natural do homem pelo "ser mais". Foi destacada ainda, a importância do sentimento de pertencimento do conhecer para a facilitação da aprendizagem No próximo capítulo trataremos sobre o livro didático e a enfase atual na hipertextualidade 14 CAPITULO II LIVRO DIDÁTICO E HIPERTEXTUALIDADE O livro didático desperta diferentes opiniões embasadas teoricamente ou ideologicamente. Este Capítulo trata das visões contrárias e favoráveis ao uso do livro didático na sala de aula. Embora criticas sejam abordadas como contraponto, os argumentos favoráveis ao uso do livro didático receberão o foco principal para um relacionamento coerente com o objetivo do estudo e a hipertextualidade no atual paradigma de conhecimento. O foco de abordagem orienta-se pela atual acessibilidade do livro didático como ferramenta na sala de aula e pela possibilidade de seu uso hipertextual coerente com o atual paradigma de conhecimento Para Soares (2003) o livro tem uma história secular nas relações formais de ensino e o livro didático é resultado da história da escola e do ensino em sua relação com o livro. Soares (idem) vê no Livro Didático uma necessidade e um instrumento de trabalho importante, e eficaz no ensino, quando encarado como auxiliar e facilitador no processo de ensino-aprendizagem, onde o professor deve exercer sua autonomia de interferir nos conteúdos apresentados evitando uma abordagem do Livro Didático como manual procedimental. Soares (2003) destaca que o Livro Didático, ao contrário da abordagem dos críticos que defendem sua rejeição, não é elemento recém-inventada para uma educação centrada nos dominadores ou no mercado editorial. O livro didático surge com Platão, na Grécia antiga, como seleção sistematizada da cultura helênica e prossegue seu percurso na educação através dos séculos. Dentre os livros didáticos usados através dos tempos Soares (idem) destaca os abecedários, livros religiosos, gramáticas, livros de leitura, e especificamente os “Elementos de Geometria” de Euclides, escrito em 300 a.C. E utilizado por mais de vinte séculos. 15 Quanto às críticas ao livro didático como limitador da autonomia do professor, Soares (2003) destaca que apesar das condições não favoráveis ao trabalho docente, o professor não deve abrir mão de sua autonomia. Esta afirmação de Soares, confere com a ideia de Freire (2010) de que ninguém pode ser sujeito da autonomia do outro, especialmente um objeto de ensino. O livro didático, segundo Soares (2003) é importante para a ação docente por facilitar a ação do professor otimizando o tempo que seria despendido em busca, pesquisa e reflexão através de conteúdo previamente selecionado, permitindo maior eficiência na elaboração da atividade docente. Soares(2003) destaca também que a escolha do livro didático deve levar em consideração, a realidade da escola, seu projeto político pedagógico. Portanto, tal escolha é coletiva e negociada para atender as necessidades de docentes e discentes. Soares (idem) acrescenta que devem ser levadas em consideração as recomendações do MEC para escolha de livros didáticos: “Os Guias publicados pelo MEC apresentam os critérios utilizados para a avaliação dos livros didáticos, esses mesmos critérios podem orientar a escolha de livros por uma escola ou professor. Se a escolha for feita entre os livros avaliados e recomendados, aqueles que constam do Guia, já foram excluídos os livros que ferem critérios que não podem deixar de ser considerados: um livro didático não pode apresentar conceitos ou informações incorretas, não pode veicular preconceitos de classe, etnia, cor gênero, etc.” (SOARES,2003) Para Soares (idem) a proposta pedagógica do livro didático é apresentar sistematicamente conteúdo selecionado dos vastos campos de conhecimento adequados ao desenvolvimento cognitivo dos discentes servindo de suporte para o ensino-aprendizagem na relação de trabalho docente-discente. Estas características ligam o Livro didático à essência e natureza da escola e do ensino. A possível substituição do livro didático não pode ser feita por 16 ferramentas de objetivos e naturezas diferentes, sob a possibilidade de contradição entre essência e natureza do ensino. Conectando as afirmações de Soares (2003) com a importância do livro no pertencimento do conhecer exposta no capítulo I deste trabalho, pode-se inferir que o livro didático pode ser um instrumento acessível, coerente e viável com a prática educativa. O livro didático segundo podemos inferir pelas informações expostas, ultrapassou vários paradigmas de conhecimento durante a história adequando-se de forma transformadora. Por isso faz-se necessário, para o contexto do trabalho, discorrer sobre o atual paradigma de conhecimento e sua relação com o livro didático como instrumento de pertencimento do conhecer. As sociedades se estruturam sobre sistemas de ideias que podem ser teorias, doutrinas, ideologias que orientam a nossa forma de ver o mundo que são percepções e traduções cerebrais dos estímulos que recebemos do ambiente. Estes sistemas de ideias estão sujeitos a erros, porém por sua própria natureza de formação de um sistema, tem seus mecanismos de proteção contra os próprios erros e ilusões. (MORIN, 2005) Estes sistemas de ideias são chamados paradigmas do conhecimento que Ferreira(2004) define como “termo com o qual Thomas Kuhn […] designou as realizações ciêntíficas […] que geram modelos que, por um período mais ou menos longo e de modo mais ou menos explícito, orientam o desenvolvimento posterior das pesquisas exclusivamente na busca da solução para os problemas por elas suscitados”. Está ocorrendo uma troca de paradigma de conhecimento em nossa sociedade. O paradigma anterior conhecido como mecanicista definido como uma “doutrina que admite que determinado conjunto de fenômenos, ou mesmo toda a natureza, se reduz a um sistema de determinações mecânicas” (FERREIRA, 2004) Para Morin(2005) o paradigma de conhecimento seleciona o que considera lógico, pertinente e que possa ser considerado evidente sob a sua 17 sistemática, fazendo com que os indivíduos conheçam, pensem e ajam culturalmente segundo o paradigma vigente. O paradigma vigente é da simplificação, cartesiano, que separa o sujeito do objeto conhecido também como paradigma mecanicista. Quanto à evidência de um novo paradigma, mais completo e contextualizado Bastien (apud MORIN, 2005) define que “a evolução cognitiva não caminha para o estabelecimento de conhecimentos cada vez mais abstratos, mas, ao contrário, para sua contextualização”. Nesta contextualização leva-se em conta as relações entre o todo e as partes, a multidimensionalidade e a complexidade do homem e da sociedade. Tais relações do conhecimento requerem um paradigma adequado ao diálogo entre disciplinas diferentes e não hierarquizadas, atitude que o mecanicismo não é capaz de atender. (MORIN,2005). O livro didático como instrumento para facilitação da aprendizagem pelo pertencimento do conhecer tem possibilidade de uma formulação que atenda às novas demandas de um conhecer contextualizado. O hipertexto e hipertextualidade são tratados por alguns autores como sinônimos. Entretanto, o trabalho abordará o conceito de hipertextualidade apresentado por LoboSouza (2008) pela sua coerência com a dinâmica do livro didático no pertencimento do conhecer, e com a dinâmica dialógica de construção do conhecimento que será abordada no Capitulo III deste trabalho. Quanto ao sentido do termo Hipertexto, Lobo-Souza (2008) discorre sobre a variedade de definições que ora consideram o hipertexto como oriundos da computação ou mesmo muito anteriores à informática e já existentes no texto impresso. Xavier (apud LOBO-SOUZA, 2008) caracteriza o hipertexto pela imaterialidade capaz de transpor limitações tempo- espaço na transmissão das mensagens que confluem de forma não linear que conecta-se intertextualmente de forma infinita. Tais características do hipertexto viabilizam um tipo de diálogo de múltiplos sentidos e não linear. 18 Pode-se entender que para Lobo-Souza (2008) a diferença entre hipertexto e hipertextualidade consiste em que o primeiro é o registro com potencial de interconexão, intertextual e não linear, configurado como objeto de conhecimento, hiper vinculado a outros. Entretanto “as propriedades de um objeto são intrínsecas a ele e não exteriores” (LOBO-SOUZA,2008: p. 5) o que leva a uma possível definição de hipertextualidade, como pertencente ao campo da linguagem humana; um diálogo consciente com a não linearidade, e a multiplicidade de sentidos do hipertexto sintetizando-o em conhecimento pertinente sob abordagem crítica e dialógica. Para Lobo-Souza (2008) a hipertextualidade é alcançada pelo hipertexto, seja ele informático ou não. Pode-se concluir que recursos de hipertexto presentes no livro didático podem facilitar a aprendizagem ao desencadear a hipertextualidade no sentido de linguagem, que pode proporcionar um diálogo entre os sujeitos cognoscentes. Tal visão da hipertextualidade coloca o indivíduo como agente autônomo do próprio conhecimento que ultrapassa o objeto vinculador e vinculado, tornando-se mais facilmente co autor do conhecimento. A hipertextualidade sob este ponto de vista coaduna-se com um novo paradigma de conhecimento não hermético, interdisciplinar e conectado. O livro didático, considerado como possível suporte de hipertexto impresso, pode ser o provocador e inspirador de novos conhecimentos pela hipertextualidade. Pode-se inferir que, ao pertencer o conhecimento com hipertextualidade através do livro didático, o cognoscente torna-se cada vez mais competente para a transformação de sua realidade sob um novo padrão de conhecimento. Este capítulo identificou os pontos de vista favoráveis ao Livro Didático como ferramenta de ensino, a ligação entre o conceito hipertextualidade como forma de linguagem que potencializa o pensamento humano; e sua relação com o atual paradigma de conhecimento. O próximo capítulo trata do Livro Didático como possível instrumento de coautoria, inerente à hipertextualidade, através de provocações dialógicas e interdisciplinares. 19 CAPITULO III LIVRO DIDÁTICO E COAUTORIA DIALÓGICA A coautoria interdisciplinar através da hipertextualidade pode ser incentivada através da pedagogia da pergunta. Este capítulo trata do padrão de coautoria hipertextual e sua coerência com a nova abordagem paradigmática do conhecimento. Esta hipertextualidade é considerada, respeitando as competências particulares numa visão interdisciplinar. Nesta potencial realidade, a educação dialógica pode ser o sistema provocador para que as disciplinas e a hipertextualidade se relacionem de forma co autoral no produção do conhecimento. Tal abordagem pretende ser coerente com o uso consciente do Livro Didático por todos os agentes do conhecimento num processo de inter-relação entre docentes e discentes para produção mútua de conhecimento através do diálogo entre cognoscentes que interrogam o objeto de conhecimento de forma compartilhada. Para Possenti (2002 apud KOMESU: 2005) o suporte de um texto não é a variável mais importante no processo de decifração, descoberta do tema, de relacionamento intertextual, pois o texto sempre carece da interpretação do leitor. A função do autor e do suporte estão submissas à linguagem da qual o leitor também participa explorando a estrutura textual criada pelo autor. Se considerarmos a posição de LOBO-SOUZA (2008) com relação à hipertextualidade, a de Possenti (2002 apud KOMESU,2005), podemos inferir que o leitor interfere ativamente no texto ao interpretar e produzir um sentido possivelmente diverso do imaginado pelo autor. Ao produzir novos sentidos o leitor também potencializa-se como co-autor, com recurso internos que estão além do texto ou do hipertexto. A disposição do leitor para coautoria é uma intervenção ativa, onde busca 20 sua própria realização, onde o receptor não é mais elemento passivo mas coautor da obra. Essa co-autoria revela-se na interatividade para produzir novos sentidos. Esta disposição é oposta a mensagem preconcebida pois permite o manuseio da mensagem que deixa de ser produto final configurando-se num processo criativo que envolve o leitor como muito mais do que espectador. (SILVA, 2006) Tendo-se definido o leitor em sua relação de construtor de sentidos e potencial de co-autoria, quanto ao texto, faze-se necessário verificar a compatibilidade dessa co-autoria pela hipertextualidade com a prática de educação dialógica com o livro didático. Este leitor visto como sujeito cognoscente potencializa-se para atingir a função da educação. Machado (2008) acerca dos compromissos da educação professados por educadores renomados, frente às novas tecnologias define: “a função da educação é a construção significativa de conhecimento que conduz a uma sociedade justa e democrática […] uma educação baseada não na transmissão de informações, mas na construção ativa de conhecimentos por parte do sujeito aprendente. Construção realizada colaborativamente e em contextos sociais de aprendizagem” (MACHADO, MAIA, 2008: p. 49) Machado(2008) defende ainda que novas tecnologias de ensino não excluem as tradicionais, antes complementam-se. Neste trabalho compartilhamos da opinião entendendo que o livro didático como uma tecnologia tradicional de ensino, pode aproveitar elementos inerentes ao atual paradigma de conhecimento para inovar em sua própria natureza. Tais considerações nos levam a uma conexão com as ideias de Paulo Freire quanto à educação. Freire(2010) contestava a abordagem pedagógica tradicional onde o 21 educador transmitia informações ao educando sem a possibilidade de reflexão e discussão dos assuntos. Tal abordagem Freire chamava de “bancária” pois focava-se em depositar informações no educando. Freire afirma que tal abordagem transformava o educando em “objeto” do conhecimento de outro, o que poderia nesse processo de formação tornar o educando num “falso sujeito” do conhecimento. Pois este educando não teve autonomia de sujeito na sua formação. Freire (2010), defendendo o diálogo entre docente-discente no processo de ensino-aprendizagem entende que os dialogantes devem buscar a conciliação entre seus pontos de vista. Este é o ponto da relação dialógica onde o pensamento crítico do docente não se impõe de forma a anular a capacidade de pensamento crítico do discente. Para Freire (2010) na relação dialógica o docente e o discente se relacionam de tal forma que o educador e o aprendente estão igualmente sujeitos ao processo de ensino-aprendizagem que Freire traduz pelo neologismo “dosdiscencia” que valoriza a pesquisa conjunta como ações “indicotomizáveis” (FREIRE, 2010: p. 28). É possível perceber que a disposição entre professor aluno alcança um ponto além da mera técnica, envolvendo-se em compromisso, crítico e criativo com o conhecer. Um não é objeto do outro, mas ambos são agentes cognoscentes sobre os objetos cognoscíveis. Neste ponto entre o livro didático como elemento facilitador e sujeito à ação crítica e autoral dos cognoscentes. Quanto à leitura Freire (2010) coloca-se de forma a demonstrar qual a disposição dialógica frente ao texto que se completa com a ideia de hipertextualidade de Lobo-Souza (2008) como pertencente ao campo da linguagem natural ao homem que aprende: “Não se lê criticamente como se fazê-lo fosse a mesma coisa que comprar mercadoria por atacado. Ler vinte livros, trinta livros. A leitura verdadeira me compromete de imediato com o texto que a mim se dá e a que me dou e 22 de cuja compreensão fundamental vou me tornando também sujeito. Ao ler não me acho no puro encalço da inteligência do texto como se fosse ela produção apenas do autor ou de sua autora. Esta forma viciada de ler não tem nada que ver, por isso mesmo, com o pensar certo e o ensinar certo” (FREIRE, 2010) Freire (2010) mostra que ao ler dessa maneira independente, mostramos nossa maneira de estar no mundo, como seres históricos que o modificam e o conhecem através de suas interferências. Tais conceitos fazem identificar a possibilidade de um livro didático que através de recursos hipertextuais pertinentes ao meio impresso como gráfico, fotos, tabelas, mapas, a diagramação do texto, referências cruzadas, o conteúdo em si, possam incentivar o aluno a uma ação de co-autoria, com hipertextualidade e mediada dialogicamente. Tais conceitos podem sugerir a utilização de recursos dialógicos de forma mais objetiva para o livro, entretanto os recursos dialógicos são construídos através do diálogo onde “quem ensina aprende” e “quem aprende ensina”(FREIRE,2010) . Para que o livro alcance todo o seu potencial dialógico é necessário que todos os designers do conhecimento envolvidos na produção do livro didático dialoguem com entre si e com os leitores na produção do livro. Não é incomum que outras formas de linguagem inerentes a elementos hipertextuais no livro didático e outros livros, se descaracterizem para atender recomendações do autor majoritário, numa espécie de educação “bancária” que pode ainda inerente à autoria do livro didático. Coerentemente com as afirmações de Freire (2010) quanto à dialógica e as de Lobo-Souza(2008) sobre a hipertextualidade, a fotografia, a história em quadrinhos, a diagramação, a ilustração e outros elementos constitutivos do conjunto hipertextual devem ser desenvolvidos dialogicamente onde um autor não considere sua linguagem superior à do outro. 23 A prática da interdisciplinaridade mostra-se coerente com um diálogo entre conhecimentos onde respeitam-se as competências individuais e as diferentes visões sistematizadas do mundo que podem se conectar pela hipertextualidade dialogicamente. A interdisciplinaridade segundo Japiassu (2002 apud CARLOS) tem um eixo integrador definido a partir das necessidades de aprendizagem reconhecidas pelos diferentes agentes do conhecimento, e que necessita de mais de um olhar para o mesmo assunto, conforme as necessidades do grupo que se indaga sobre uma necessidade, ou tese, em busca de uma transformação participativa e coerente a partir do diálogo entre disciplinas. O livro didático é um instrumento social de ensino (MEC, 2010) portanto pode ser interessante o diálogo interdisciplinar em sua autoria para realização de seu objetivo didático. Ao dialogar entre as próprias diferenças de competências, os autores aproximam-se do diálogo com o aprendente cujas competências podem identificar-se com a linguagem de um autor ou de outro. Para exemplificar: as histórias em quadrinhos em alguns dos livros de matemática simplesmente ilustram perguntas e fórmulas matemáticas, orientadas pelo autor majoritário, não repeitando a linguagem própria do cartunista que poderia vir repleta de outras significações referentes a essa forma de arte sequencial, de forma mais significativa para o estudante. Pretende-se com o discorrido apontar uma possibilidade para a coautoria facilitadora da aprendizagem a partir do diálogo no livro didático. Esse diálogo, é desejável que não se resuma somente à sala de aula, mas que também ocorra de forma efetiva entre os diferentes autores envolvidos no processo de produção do material didático. Ao receber um livro concebido dialogicamente, possivelmente, docentes e discentes descobrirão o prazer do diálogo em suas competências, admirando-se com o conhecimento e desejando usar o conhecimento como foco da vocação humana de “ser mais”. Este capitulo discorreu sobre a co-autoria hipertextual como abordagem pertinente a um novo paradigma de conhecimento onde a interdisciplinaridade 24 pode conectar competências através da ação pedagógica dialógica. A Pedagogia da pergunta pode mediar os sujeitos da hipertextualidade e da interdisciplinaridade, fazendo uma provocação dos cognoscentes sobre o cognoscível de forma co-autoral. O dinamismo de tal relação de coautoria mostra-se compatível com os conceitos abordados anteriormente mostrando a potencialidade para facilitar a aprendizagem pelo prazer de "ser mais" ao fazer descobertas e criar. 25 CONCLUSÃO O trabalho dissertou sobre como a Hipertextualidade pode facilitar a aprendizagem no Livro Didático abordando assuntos pertinentes a este como ferramenta auxiliar que pode oferecer o despertar do pertencimento do conhecer através por ser um instrumento concreto que pode pertencer ao aluno no contexto de possui-lo na concretude e na subjetividade do que representa como ferramenta para aprendizagem. O objeto de estudo, mesmo não sendo uma unanimidade entre autores, tem pontos positivos defendidos por outros autores que podem demonstrar sua importância como ferramenta de ensino que conecta conceitos através da hipertextualidade vista como forma rizomática de organização do conteúdo considerada similar às conexões naturais do pensamento humano que podem facilitar a aprendizagem de forma adequada ao atual paradigma de conhecimento. O trabalho discorreu sobre a coautoria hipertextual como abordagem adequada a um paradigma de conhecimento onde o diálogo entre as disciplinas não deverá ser hermético, sendo necessária uma disposição para a interdisciplinaridade. A conexão entre as competências interdisciplinares encontram na pedagogia da pergunta a ação dialógica entre os seres que conhecem e o objeto do conhecimento, compartilhando a vocação humana de "ser mais" através de uma coautoria pertinente com as necessidades da aprendizagem adequadas a uma nova forma de comunicar-se com o mudo e interpretá-lo. O trabalho leva à suposição de que o livro Didático pode facilitar a aprendizagem como ferramenta auxiliar respeitando a hipertextualidade inerente ao aluno que pode ser exercida na troca de experiências entre as disciplinas. Pode-se perceber também a importância de oferecer inspiração e conteúdo ao professor através do livro didático para que a ação pedagógica inclua o aluno no mundo do conhecimento como ser capaz de dialogar e 26 construir conhecimento de forma colaborativa, protagonista e autoral. O trabalho que se conclui foi possível graças à orientação e ensino adequadamente aplicado pelo Instituto A Vez do Mestre que proporcionou o ambiente e a mediação necessários a reflexão critica para a realização do trabalho e para a formação do dissertante na reflexão sobre o conhecimento do pensamento pedagógico e aplicação deste à prática docente. 27 BIBLIOGRAFIA FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2010 (Coleção Leitura) LIMA, Gercina Ângela Borém. A transmissão do conhecimento através do tempo: da tradição oral ao hipertexto. Revista Interamericana de Biblioteconomia, Jul. - Dic. 2007, vol. 30, no. 2, p. 275-285 RIBEIRO, G.M.; CHAGAS, R.L. ; PINTO S.L. Akrópolis, Umuarama, v.15, no. 1 e 2, p. 29-36, jan./jun. 2007 O RENASCIMENTO CULTURAL A PARTIR DA IMPRENSA: O LIVRO E SUA NOVA DIMENSÃO NO CONTEXTO SOCIAL DO SÉCULO XV (ARTIGO) FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. O Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. 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