UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO ESCOLA DE FARMÁCIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS AVALIAÇÃO DA ESTABILIDADE DO EXTRATO ETANÓLICO DE LYCHNOPHORA TRICHOCARPHA SPRENG. E DA EREMANTOLIDA C BÁRBARA OLIVEIRA HENRIQUES OURO PRETO – MINAS GERAIS – BRASIL 2011 Bárbara Oliveira Henriques AVALIAÇÃO DA ESTABILIDADE DO EXTRATO DE LYCHNOPHORA TRICHOCARPA SPRENG. E DA EREMANTOLIDA C EVALUATION OF THE STABILITY OF THE EXTRACT FROM LYCHNOPHORA TRICHOCARPA SPRENG. AND OF THE EREMANTOLIDE C Dissertação Programa de de Mestrado Pós-graduação apresentada em ao Ciências Farmacêuticas da Escola de Farmácia da Universidade Federal de Ouro Preto, como complementação dos créditos necessários para a obtenção do título de Mestre em Ciências Farmacêuticas. Orientadora: Prof. Dra. Dênia Antunes Saúde Guimarães Co-orientadora: Profa. Dra. Jacqueline de Souza Ouro Preto, MG. 2011 ii H519a Henriques, Bárbara Oliveira. Avaliação da estabilidade do extrato etanólico de Lychnophora Trichocarpha Spreng. e da eremantolida C [manuscrito] / Bárbara Oliveira Henriques. – 2011. xix, 97 f.: il. color.; grafs.; tabs. Orientadora: Profª Drª Dênia Antunes Saúde Guimarães. Coorientadora: Profª Drª Jaqueline de Souza. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de Ouro Preto. Escola de Farmácia. Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas. Área de concentração: Fármacos e Medicamentos 1. Arnica - Teses. 2. Medicamentos - Estabilidade - Teses. 3. Erematolida C Teses. 4. Licnofolida - Teses. 5. Cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) Teses. I. Universidade Federal de Ouro Preto. II. Título. CDU: 615.451.1:582.998.16 Catalogação: [email protected] Avaliação da Estabilidade do Extrato Etanólico de Lychnophora trichocarpha Spreng. e da eremantolida C Bárbara Oliveira Henriques Dissertação aprovada pela Banca Examinadora constituída pelos Professores: ______________________________ Nome Instituição ______________________________ Nome Instituição ______________________________ Nome Instituição ______________________________ Nome Instituição Ouro Preto, 2011. iii Este trabalho foi realizado no Laboratório de Plantas Medicinais (LAPLAMED) e no Laboratório de Controle de Qualidade (LCQ-UFOP), do Programa de Pós-graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal de Ouro Preto, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais e pela Rede Mineira de Ensaios Toxicológicos e Farmacológicos (TOXIFAR-FAPEMIG). iv Dedico este trabalho a minha mãe, meu grande exemplo e ao meu pai, minha grande aspiração, por acreditarem em mim e me apoiarem, aos meus irmãos, Angelita, Douglas e Rafaela, por sempre me apoiaram, e ao Daniel, por tornar o caminho mais simples e os obstáculos mais fáceis de superar e por estar sempre ao meu lado. v Agradecimentos Ao CiPharma, pela oportunidade de crescimento pessoal e profissional, e pelo contínuo investimento na minha formação. À Professora Dênia Antunes Saúde Guimarães, pelo direcionamento e apoio. À Professora Jacqueline de Souza, por todo o conhecimento ensinado, pela atenção, dedicação e paciência. Ao Professor Gustavo Henrique Bianco de Souza, pela confiança e apoio em vários momentos do meu percurso. Ao Professor Tanus Jorge Nagem, por me acolher e me indicar o caminho acadêmico, pela confiança e apoio. Às professoras Lucienir Pains Duarte, Suzana Pavlovic e Lisiane da Silveira Ev, pelas contribuições prestadas ao trabalho na qualidade de membros da banca de qualificação. A todos os meus professores, que tanto contribuíram para a minha formação pessoal e profissional, por me mostrarem caminhos e dividirem comigo suas experiências. À amiga Líliam Teixeira Oliveira, pelo grande apoio prestado ao trabalho, pelos conhecimentos divididos e pela atenção. A minha mãe, Margarete de Oliveira, pelos conselhos, dedicação e confiança. vi Ao meu pai, Jair Fernando Silva Henriques, meu exemplo, pelo apoio e dedicação, e por acreditar e investir em mim. Aos meus irmãos, Angelita Maria da Silva, Rafaela Oliveira Henriques e Douglas Oliveira Henriques, pelo apoio, confiança e companheirismo. Ao Daniel Mansur Rabelo, que me apoiou de todas as maneiras possíveis e imagináveis, pelo companheirismo, dedicação absoluta e confiança. A minha família, por entender a minha ausência e me apoiar em todos os momentos da minha vida. Aos grandes amigos Carlos Augusto Vieira Oliveira, Henrique Ferreira de Araújo Antunes e Paulo Henrique Freitas Martins, por sempre acreditarem em mim e me apoiarem em todos os momentos dos meus percursos. Às amigas Tamara Resende Costa, Amanda Silva de Miranda e Camilla Maria Duarte Pinto, pelos conselhos, confiança e apoio. Às colegas Marcela de Paula Michel, Patrícia Capelari de Oliveira e Leidiane Cristina Ferreira, pelos conhecimentos divididos e apoio prestado durante a realização desse trabalho. Às alunas de iniciação científica, Fernanda, Nayara e Michele, pela colaboração a esse trabalho. Aos colegas de curso, por compartilharem comigo experiências e momentos. A todos os que, de alguma forma, possibilitaram a realização desse trabalho. vii “Toda a natureza é arte que ignoras. Todo acaso, direção que não podes ver. Toda discórdia, harmonia que não entendes. Todo mal parcial, bem universal.” Alexandre Pope viii Resumo As espécies do gênero Lychnophora são utilizadas pela população como anti-inflamatório, analgésico e anti-reumático. Estudos anteriores demonstraram a atividade anti-inflamatória tópica do extrato etanólico de Lychnophora trichocarpha Spreng e de seus constituintes químicos βsitosterol, lupeol, licnofolida e eremantolida C, veiculados em pomada. Estes resultados mostraram que L. trichocarpha é uma espécie promissora para se tornar um fitoterápico com utilização no tratamento de processos inflamatórios. Assim, o estudo da estabilidade e o desenvolvimento de metodologia para o controle de qualidade do extrato etanólico de L. trichocarpha são justificados para que formulações fitoterápicas preparadas com este extrato tenham qualidade, eficácia e segurança. O presente trabalho visou avaliar a estabilidade do extrato etanólico de L. trichocarpha propondo o desenvolvimento de uma metodologia para a quantificação da eremantolida C e da licnofolida, marcadores químicos, neste extrato. Para este monitoramento, foi desenvolvido um método por CLAE utilizando coluna cromatográfica preenchida com octadecilsilano, detecção em DAD com comprimentos de onda de 200 a 400 nm, cromatogramas extraídos a 265 nm, fase móvel composta de acetonitrila: água em sistema gradiente. Foi padronizado o uso de solução 100 µg/mL de cumarina como padrão interno. O método de quantificação possibilitou boa separação e resolução dos picos da eremantolida C, da licnofolida e do padrão interno, tanto isolados quanto no extrato etanólico de L. trichocarpha. Os parâmetros de validação avaliados demonstraram que o método é seletivo, linear, preciso e exato, e que a recuperação dos analitos, estabilidade das soluções dos padrões, limite de detecção e limite de quantificação são adequados à finalidade desse método. A avaliação da estabilidade do extrato etanólico de L. trichocarpha Spreng demonstrou que sua vida útil é de 6 meses à temperatura ambiente, podendo ser maior em temperaturas mais baixas. Já para a eremantolida C, não ficou evidente a existência de diferenças significativas entre o armazenamento à temperatura ambiente e em geladeira. Os estudos de fotoestabilidade demonstraram que o extrato etanólico e a eremantolida C não degradaram quando expostos à luz. Os estudos de degradação forçada demonstraram que a eremantolida C sofreu degradação sob condições ácidas e alcalinas e manteve-se estável, por três dias, sob condição neutra, oxidativa e quando exposta a altas temperaturas. Palavras-chaves: Lychnophora trichocarpha, eremantolida C, licnofolida, estabilidade, validação, método CLAE. ix Abstract The species of the genus Lychnophora are used by population as anti-inflammatory, analgesic and anti-rheumatism. Previous studies have demonstrated topical anti-inflammatory activity of the ethanolic extract of Lychnophora trichocarpha Spreng and its constituents, β-sitosterol, lupeol, lychnopholide and eremantholide C, in ointments preparations. These results showed that L. trichocarpha is a promising species to become an herbal drug that can be used in the treatment of inflammatory process. Thus, the study of stability and the development of methodology for quality control of the ethanolic extract of L. trichocarpha are justified to herbal formulations prepared with this extract have quality, efficacy and safety. This study aims to evaluate the stability of the ethanolic extract of L. trichocarpha by proposing a quantitative methodology to assay eremantholide C and lychnopholide, chemical markers, in this extract. To this monitoring, a method was developed by High Pressure Liquid Chromatograph using chromatographic column filled with octadecilsilane, photodiode array detector with wavelengths from 200 nm to 400 nm, chromatograms extracted at 265 nm, mobile phase consisting of acetonitrile : water gradient system. It was standardized using of solution 100 μg/mL of coumarin as an internal standard. The quantification method provided good separation and resolution of the peaks of eremantholide C, lychnopholide and the internal standard, both isolated and in ethanolic extract of L. trichocarpha. The evaluated validation parameters have shown that the method is selective, linear, precise and accurate, and analytes recovery, detection limit, quantification limit and stability of the standard solutions are fit for purpose. Evaluation of stability of the ethanolic extract of L. trichocarpha has shown that shelf life of ethanolic extract of L. trichocarpha Spreng is 6 months in room temperature, and may increase at lower temperatures. To eremantholide C, was not evident that there are significant differences between storage in room temperature and lower temperature. Photostability studies have shown that neither ethanolic extract of L. trichocarpha nor eremantholide C degraded when exposed to light. Forced degradation studies shown that eremantholide C degraded under acidic and alkaline conditions and remained stable, for three days, under neutral and oxidative conditions and when exposed to high temperatures. keywords: Lychnophora trichocarpha, eremantholide C, lycnopholide, stability, validation, HPLC method x Lista de Abreviaturas e Siglas ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária CG – Cromatografia Gasosa CLAE – Cromatografia Líquida de Alta Eficiência CMD – Concentração Média Determinada CA – Concentração alta CB – Concentração baixa CM – Concentração média DAD – Detector por arranjo de diodo DP – Desvio Padrão Relativo DPA – Desvio padrão do intercepto do eixo Y DPR – Desvio Padrão Relativo EM – Espectro de Massas IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente IC – Inclinação da curva média de calibração ICH – International Conference of Harmonization INMETRO - Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial IUPAC – International Union of Pure and Applied Chemistry IV - Infravermelho H2O2 – Água oxigenada LAPLAMED – Laboratório de Plantas Medicinais LD – Limite de Detecção LQI – Limite de Quantificação Inferior N2 – Gás nitrogênio OMS – Organização Mundial da Saúde PA – Para Análise PI – Padrão Interno R – Coeficiente de correlação RMN – Ressonância Magnética Nuclear SUS – Sistema Único de Saúde US-FDA – United States Food and Drug Administration xi Lista de Figuras Figura 1 - Cromatograma 1 ......................................................................................................41 Figura 2 - Cromatograma 2.......................................................................................................41 Figura 3 – Estrutura química da eremantolida C, licnofolida e cumarina................................43 Figura 4 – Cromatogramas tridimensionais..............................................................................45 Figura 5 - Gráfico 1 e 2..............................................................................................................47 Figura 6 - Gráfico 3 e 4..............................................................................................................48 Figura 7 – Impressão digital do extrato etanólico de L. trichocarpha obtido a partir das amostras em estudo de estabilidade de longa duração...............................................................51 Figura 8 - Sobreposição das impressões digitais do extrato etanólico de L. trichocarpha obtidas a partir das amostras em estudo de estabilidade de longa duração com diferentes tempos de armazenamento em relação ao tempo zero...............................................................52 Figura 9 – Impressão digital do extrato etanólico de L. trichocarpha obtidos a partir das amostras em estudo de estabilidade em temperatura de geladeira.............................................54 Figura 10 - Sobreposição das impressões digitais do extrato etanólico de L. trichocarpha obtidas a partir das amostras em estudo de estabilidade em temperatura de geladeira com diferentes tempos de armazenamento em relação ao tempo zero..............................................55 Figura 11 – Impressão digital do extrato etanólico de L. trichocarpha obtidos a partir das amostras em estudo de estabilidade acelerada...........................................................................57 Figura 12 - Sobreposição das impressões digitais do extrato etanólico de L. trichocarpha obtidas a partir das amostras em estudo de estabilidade acelerada com diferentes tempos de armazenamento em relação ao tempo zero................................................................................58 Figura 13 – Impressões digitais do extrato etanólico do extrato etanólico de L. trichocarpha obtidas a partir das amostras em estudo de fotoestabilidade.....................................................61 Figura 14 – Cromatograma obtido a partir da amostra controle de degradação da eremantolida C.................................................................................................................................................66 Figura 15 – Cromatogramas obtidos a partir da degradação ácida da eremantolida C.................................................................................................................................................67 Figura 16 – Cromatogramas obtidos a partir da extração dos produtos de degradação ácida da eremantolida C...........................................................................................................................68 xii Figura 17 - Cromatogramas obtidos a partir da degradação alcalina da eremantolida C.................................................................................................................................................69 Figura 18 – Cromatogramas obtidos no teste de degradação neutra da eremantolida C.................................................................................................................................................70 Figura 19 – Cromatogramas obtidos no teste de degradação oxidativa da eremantolida C.................................................................................................................................................71 Figura 20 – Cromatogramas obtidos no teste de degradação por altas temperaturas da eremantolida C...........................................................................................................................72 xiii Lista de Quadros e Tabelas Quadro 1 – Espécies de Lychnophora e seus marcadores químicos................................................9 Quadro 2 – Estruturas químicas de lactonas sesquiterpênicas e as espécies das quais já foram isoladas...........................................................................................................................................13 Tabela 1 – Condições cromatográficas utilizadas no método de quantificação da eremantolida C e licnofolida no extrato etanólico de L. trichocarpha.......................................................................40 Tabela 2 - Proporção dos solventes da fase móvel em função do tempo de análise......................40 Tabela 3 – Resultados da validação do método de quantificação da eremantolida C e licnofolida.......................................................................................................................................46 Tabela 4 – Resultados da validação do método de quantificação da eremantolida C e licnofolida.......................................................................................................................................49 Tabela 5 – Teores de eremantolida C e licnofolida no extrato em estudo de estabilidade de longa duração em diferentes tempos de armazenamento.........................................................................53 Tabela 6 – Teores de eremantolida C e licnofolida no extrato em estudo de estabilidade em temperatura de geladeira em diferentes tempos de armazenamento...............................................................................................................................56 Tabela 7 – Teores de eremantolida C e licnofolida no extrato em estudo de estabilidade acelerada em diferentes tempos de armazenamento.......................................................................................59 Tabela 8 – Absorbância das soluções de quinino, expostas e protegidas da luz, em diferentes dias de armazenamento..........................................................................................................................60 Tabela 9 – Teores de eremantolida C na eremantolida C previamente isolada em estudo de estabilidade de longa duração em diferentes tempos de armazenamento...............................................................................................................................64 Tabela 10 – Teores de eremantolida C na eremantolida C previamente isolada em estudo de estabilidade em temperatura de geladeira em diferentes tempos de armazenamento....................65 Tabela 11 – Teores de eremantolida C na eremantolida C previamente isolada em estudo de estabilidade acelerada em diferentes tempos de armazenamento..................................................65 xiv Lista de Equações Equação 1 – Equação utilizada para o cálculo da precisão de métodos analíticos...................................................................................................................................17 Equação 2 – Equação utilizada para o cálculo do LD de métodos analíticos...........................18 Equação 3 – Equação utilizada para o cálculo do LQI de métodos analíticos..........................19 xv SUMÁRIO I – INTRODUÇÃO.....................................................................................................................1 II – OBJETIVOS.........................................................................................................................4 II.1 – Objetivo geral....................................................................................................................5 II.2 - Objetivos específicos.........................................................................................................5 III – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA...........................................................................................6 III.1 - Família Asteraceae............................................................................................................7 III.2 - Gênero Lychnophora........................................................................................................7 III.3 - A espécie Lychnophora trichocarpha..............................................................................9 III.3.a - Perfil químico de Lychnophora trichocarpha..............................................................10 III.3.b - Atividades biológicas de Lychnophora.......................................................................10 III.3.c - Toxicidade de Lychnophora trichocarpha..................................................................11 III.4 – Lactonas sesquiterpênicas..............................................................................................12 III.5 - Qualidade de extratos vegetais.......................................................................................14 III.6 - Validação de metodologias analíticas............................................................................14 III.6.a - Legislações e recomendações sobre validação............................................................15 III.6.b - Parâmetros de validação..............................................................................................16 III.6.b.1 – Especificidade e seletividade...................................................................................16 III.6.b.2 - Faixa linear e intervalo de trabalho...........................................................................16 III.6.b.3 – Linearidade...............................................................................................................17 III.6.b.4 – Precisão....................................................................................................................17 III.6.b.4.a – Repetibilidade ou precisão intra-corridas..............................................................17 III.6.b.4.b – Precisão intermediária ou precisão inter-corridas.................................................18 III.6.b.4.c – Reprodutibilidade ou precisão inter-laboratorial...................................................18 III.6.b.5 – Limite de detecção...................................................................................................18 III.6.b.6 – Limite de quantificação inferior...............................................................................18 III.6.b.7 – Exatidão...................................................................................................................19 III.6.b.8 – Recuperação dos analitos.........................................................................................19 III.6.b.9 – Estabilidade das soluções dos padrões.....................................................................19 III.7 – Estabilidade de produtos naturais..................................................................................20 III.7.a – Estudos de estabilidade...............................................................................................20 III.7.b – Legislação...................................................................................................................21 III.7.b.1 – Resolução RE 1, de 29 de julho de 2005, da ANVISA...........................................21 xvi III.7.b.2 – Guia para realização de estudos de fotoestabilidade................................................22 III.7.b.3 – Guia de estabilidade de produtos cosméticos..........................................................22 III.7.c – Estabilidade de produtos naturais................................................................................23 IV – MATERIAL E MÉTODOS..............................................................................................26 IV.1 – Material, equipamentos, soluções e reagentes...............................................................27 IV.1.a – Material.......................................................................................................................27 IV.1.b – Equipamentos..............................................................................................................27 IV.1.c – Solventes e reagentes..................................................................................................28 IV.2 – Coleta e identificação do material vegetal.....................................................................28 IV.3 - Preparo do extrato etanólico...........................................................................................28 IV.4 - Obtenção dos marcadores químicos...............................................................................29 IV.5 – Desenvolvimento do método analítico..........................................................................29 IV.6 – Validação do método analítico......................................................................................29 IV.6.a – Preparo das amostras...................................................................................................29 IV.6.a.1 – Solução estoque de cumarina...................................................................................29 IV.6.a.2 – Solução estoque dos marcadores químicos 1...........................................................30 IV.6.a.3 – Solução estoque dos marcadores químicos 2...........................................................30 IV.6.a.4 – Solução estoque de eremantolida C.........................................................................30 IV.6.a.5 - Solução estoque do extrato etanólico.......................................................................30 IV.6.a.6 – Soluções diluídas dos marcadores químicos............................................................30 IV.6.b – Parâmetros de validação.............................................................................................31 IV.6.b.1 – Seletividade..............................................................................................................31 IV.6.b.2 – Intervalo linear.........................................................................................................31 IV.6.b.3 – Linearidade..............................................................................................................32 IV.6.b.4 – Precisão....................................................................................................................32 IV.6.b.5 – Limite de detecção...................................................................................................32 IV.6.b.6 – Limite de quantificação inferior..............................................................................32 IV.6.b.7 – Exatidão...................................................................................................................32 IV.6.b.8 – Recuperação dos analitos.........................................................................................33 IV.6.b.9 – Estabilidade das soluções dos padrões.....................................................................33 IV.7 – Estudo de estabilidade...................................................................................................33 IV.7.a – Estudo de estabilidade de longa duração....................................................................33 IV.7.b – Estudo de estabilidade a 8º C......................................................................................34 xvii IV.7.c – Estudo de estabilidade acelerada................................................................................34 IV.7.c.1 – Degradação forçada da eremantolida C...................................................................34 IV.7.c.2 – Degradação forçada da eremantolida C...................................................................34 IV.7.c.2.a – Preparo das amostras e condições de degradação.................................................34 IV.7.c.2.a.1 – Controle..............................................................................................................35 IV.7.c.2.a.2 – Degradação ácida...............................................................................................35 IV.7.c.2.a.3 – Degradação alcalina...........................................................................................35 IV.7.c.2.a.4 – Degradação neutra..............................................................................................35 IV.7.c.2.a.5 – Degradação oxidativa.........................................................................................36 IV.7.c.2.a.6 – Degradação por altas temperaturas....................................................................36 IV.7.c.2.a.6.a – Controle...........................................................................................................36 IV.7.c.2.a.6.b – Degradação a 90º C.........................................................................................36 IV.7.c.2.b – Controle da influência dos reagentes....................................................................36 IV.7.c.2.b.1 – Água oxigenada..................................................................................................36 IV.7.c.2.b.2 – Ácido clorídrico 1M + hidróxido de sódio 1M..................................................37 IV.7.d – Estudo de fotoestabilidade..........................................................................................37 IV.7.d.1 – Fonte luminosa.........................................................................................................37 IV.7.d.2 – Determinação do tempo de exposição.....................................................................37 IV.7.d.3 – Câmara para estudos de fotoestabilidade.................................................................37 V – RESULTADOS E DISCUSSÃO.......................................................................................39 V.1 – Desenvolvimento do método...........................................................................................40 V.2 – Validação do método.......................................................................................................44 V.3 – Estudos de estabilidade do extrato etanólico..................................................................50 V.3.a – Estabilidade de longa duração......................................................................................50 V.3.a.1 – Impressão digital do extrato......................................................................................50 V.3.a.2 – Teor dos marcadores químicos..................................................................................53 V.3.b – Estabilidade a 8º C.......................................................................................................53 V.3.b.1 – Impressão digital do extrato......................................................................................53 V.3.b.2 – Teor dos marcadores químicos..................................................................................55 V.3.c – Estabilidade acelerada..................................................................................................56 V.3.c.1 – Impressão digital do extrato......................................................................................56 V.3.c.2 – Teor dos marcadores químicos..................................................................................59 V.3.d – Fotoestabilidade...........................................................................................................59 xviii V.3.d.1 – Determinação do tempo de exposição das amostras.................................................59 V.3.d.2 – Impressão digital.......................................................................................................60 V.3.d.3 – Teor dos marcadores químicos..................................................................................61 V.3.e – Discussão......................................................................................................................61 V.4 – Estudos de estabilidade da eremantolida C....................................................................64 V.4.a – Estabilidade de longa duração......................................................................................64 V.4.b – Estabilidade a 8º C.......................................................................................................64 V.4.c – Estabilidade acelerada..................................................................................................65 V.4.c.1 – Armazenamento a 40º C............................................................................................65 V.4.c.2 – Degradação forçada da eremantolida C.....................................................................66 V.4.c.2.a – Controle..................................................................................................................66 V.4.c.2.b - Degradação ácida....................................................................................................66 V.4.c.2.c - Degradação alcalina................................................................................................68 V.4.c.2.d - Degradação neutra...................................................................................................69 V.4.c.2.e - Degradação oxidativa..............................................................................................70 V.4.c.2.f - Degradação por altas temperaturas..........................................................................71 V.4.d - Fotoestabilidade............................................................................................................72 V.4.e – Discussão......................................................................................................................72 VI – CONCLUSÃO..................................................................................................................75 VII – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................................77 VIII – ANEXOS........................................................................................................................85 ANEXO A.............................................................................................................................86 ANEXO B.................................................................................................................................94 xix I – INTRODUÇÃO 20 Dono de grande parcela da biodiversidade mundial, o Brasil possui cerca de 20% do número total de espécies do planeta. Esse imenso patrimônio genético tem valor econômico-estratégico inestimável em várias atividades, merecendo destaque o campo do desenvolvimento de novos medicamentos (CALIXTO, 2003). De acordo com a legislação sanitária brasileira, fitoterápico é o medicamento em que são empregadas exclusivamente matérias-primas ativas vegetais, caracterizado pelo conhecimento de sua eficácia e segurança, reprodutibilidade e constância de sua qualidade (BRASIL, 2004). Os fitoterápicos sempre detiveram uma parcela significativa no mercado de medicamentos. O setor movimenta globalmente US$ 21,7 bilhões por ano. No Brasil, não existem dados oficiais atualizados, porém, estima-se que esse mercado gira em torno de US$ 160 milhões por ano. Merece destaque o ritmo de crescimento das vendas, mais de 15% anuais, diferentemente dos medicamentos sintéticos que está em torno de 4%. A movimentação anual do setor fitoterápico, em toda a cadeia produtiva, está estimada em cerca de R$ 1 bilhão, segundo a Febrafarma em 2007 (CARVALHO et al., 2008). Estima-se que, em 2003, 40% dos medicamentos disponíveis na terapêutica eram desenvolvidos de fontes naturais: 25% de plantas, 13% de microrganismos e 3% de animais (CALIXTO, 2003). O mercado de fitoterápicos está em plena ascensão. Muitas plantas brasileiras são utilizadas pela população há várias gerações, sendo que diversas já foram estudadas ou estão em estudo, no campo da etnobotânica, ciência que avalia e estuda o emprego e a prescrição de plantas com finalidade terapêutica. O estudo de uma planta como medicinal necessita de um período de 5 a 10 anos de pesquisas e ensaios clínicos realizados pelo trabalho conjunto de uma equipe multidisciplinar. A biodiversidade do Brasil, associada à rica diversidade étnica e cultural favorece o desenvolvimento de pesquisas com plantas medicinais. Cientistas e universidades brasileiras estão qualificados para o estudo das plantas brasileiras e o desenvolvimento de produtos fitoterápicos, possibilitando, assim, que sejam disponibilizados à população plantas medicinais e fitoterápicos com qualidade, segurança e eficácia. No Brasil, os trabalhos científicos com plantas tem tido grande aumento nos últimos dez anos, estimando-se que em torno de cinco mil estudos estejam em andamento atualmente (CRF-SP, 2009). Em 2006, o Ministério da Saúde publicou o texto A fitoterapia no SUS e o Programa de Pesquisas de Plantas Medicinais da Central de Medicamentos. Esse leva em conta a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), que sugere a adoção das práticas tradicionais com comprovada eficácia, como ferramenta para manutenção das condições de saúde. Com isso, aponta a urgente necessidade de implantação de uma política nacional que contemple diretrizes e ações voltadas à inserção das Plantas Medicinais e da Fitoterapia no Sistema Único de Saúde (SUS) e de 21 regulamentação sanitária específica para o setor de produção pública de preparações fitoterápicas, o que proporcionará a uniformização dos padrões de produção e fornecimento de plantas medicinais e fitoterápicos e assegurará, assim, a qualidade nos serviços e insumos disponíveis aos usuários do SUS (Ministério da Saúde, 2006). Ainda assim, grande parte desse patrimônio natural permanece desconhecido, tornando evidente a ampla necessidade de explorar a diversidade de produtos naturais brasileiros, através do estudo fitoquímico e biológico de suas espécies. Isso ressalta a importância da promoção do uso racional das plantas medicinais e dos fitoterápicos, uma vez que são tradicionalmente e comumente utilizados pela população, garantindo seu uso correto, com segurança e eficácia. “A regulação do uso de plantas medicinais tradicionais personifica três aspectos fundamentais: qualidade, segurança e eficácia” (SPRINGFIELD et al., 2005). Esse trabalho aborda o estudo da qualidade, através da avaliação da estabilidade do extrato etanólico de L. trichocarpha Spreng. 22 II – OBJETIVOS 23 II.1 – OBJETIVO GERAL Avaliar a estabilidade do extrato etanólico seco das partes aéreas de Lychnophora trichocarpha Spreng sob diferentes condições de temperatura para o desenvolvimento de um potencial fitoterápico. II.2 – OBJETIVOS ESPECÍFICOS Obter o extrato etanólico de L. trichocarpha Spreng; Desenvolver e validar metodologia para quantificação de eremantolida C de licnofolida em extrato vegetal de L. trichocarpha Spreng; Aplicar a metodologia desenvolvida para gerar boa impressão digital do extrato vegetal de L. trichocarpha Spreng; Realizar o estudo de estabilidade do extrato etanólico seco de L. trichocarpha Spreng sob diferentes condições de temperatura; Realizar o estudo de estabilidade da eremantolida C sob diferentes condições de temperatura e sob condições de degradação forçada; Realizar o estudo de fotoestabilidade do extrato etanólico seco de L. trichocarpha Spreng e da eremantolida C; Avaliar a adequação da estabilidade do extrato etanólico seco de L. trichocarpha Spreng para o desenvolvimento de um potencial fitoterápico. 24 III – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 25 III.1 – Família Asteraceae Dentre as plantas que vêm sendo estudadas visando à obtenção de atividade farmacêutica, cabe ressaltar as espécies pertencentes à família Asteraceae, que possui distribuição cosmopolita, com aproximadamente 1600 gêneros e 23000 espécies. No Brasil, ocorrem aproximadamente 300 gêneros e 2000 espécies. Diversas plantas medicinais pertencem a essa família, destacando-se a carqueja (Baccharis trimera Less. e outras espécies desse gênero), a camomila (Matricaria recutita L.), o guaco (Mikania spp. Willd), a estévia (Stevia rebaudiana (Bert.) Bertoni) e a mil-folhas (Achillea millefolium L.). Outras espécies dessa família têm importância, como ornamentais, comestíveis ou plantas invasoras (SOUZA et al., 2005). As espécies da família Asteraceae são particularmente comuns nas formações abertas do Brasil, principalmente no cerrado, onde se destacam os gêneros Calea e Aspilia. Nos campos, são freqüentes Vernonia, Baccharis e Senecio. Nos campos rupestres um dos elementos de maior destaque é o gênero Lychnophora, com porte geralmente arbustivo e folhas rígidas. No interior das florestas densas, as espécies da família Asteraceae são pouco comuns e apenas alguns gêneros, como Adenostemma, podem ser encontrados. Em florestas secundárias, as Asteraceas podem ser relativamente comuns, especialmente espécies arbustivas e arbóreas de Vernonia (SOUZA et al., 2005). III.2 – O Gênero Lychnophora O gênero Lychnophora Martius é um dos sete gêneros da subtribo Lychnophorinae (tribo Vernoniaeae, Asteraceae) (BOHLMANN; JAKUPOVIC, 1990). É amplamente distribuído no Brasil, sendo endêmico do Planalto Brasileiro, e algumas de suas espécies são popularmente conhecidas como “arnica“, “falsa arnica” ou “arnica da serra” (CERQUEIRA et al., 1987). As espécies são características de campos rupestres, ocorrendo principalmente nos estados de Minas Gerais, Bahia e Goiás (BOHLMANN; JAKUPOVIC, 1990). São utilizadas na medicina popular como preparações alcoólicas e hidroalcóolicas, embebidas em álcool ou cachaça, para os tratamentos de dor, inflamação, reumatismos, contusões e picadas de insetos (SAÚDEGUIMARÃES et al., 1998). O perfil químico desse gênero é basicamente caracterizado pela ocorrência de sesquiterpenos, diterpenos, triterpenos, lactonas sesquiterpênicas, flavonoides, esteroides e poliacetilenos (BORELLA et al., 1998). Também foram detectados açúcares, taninos e ácidos graxos de cadeia longa e seus ésteres, e a ausência de arilpropanóides e derivados da phidroxiacetofenona é característica da tribo Vernoniaeae (BOHLMANN e JAKUPOVIC, 1990). 26 Estudos realizados com espécies desse gênero levaram ao isolamento de lactonas sesquiterpênicas com atividades biológicas (COILE et al., 1981; VICHNEWSKI et al., 1989; BORELLA et al., 1992; da COSTA et al., 1993). É constante entre as espécies do gênero Lychnophora a ocorrência de lactonas sesquiterpênicas, principalmente as dos tipos goiazensolida, eremantolida e guaianolida. Por isso, as substâncias dessa classe são consideradas marcadores químicos deste (BORELLA et al., 1998; SAKAMOTO et al., 2003). Segundo a Resolução RDC No. 48, de 16 de março de 2004, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), marcadores químicos são componentes ou classe de compostos químicos (ex: alcaloides, flavonoides, ácidos graxos, etc.) presentes na matéria-prima vegetal, idealmente o próprio princípio ativo, e preferencialmente que tenha correlação com o efeito terapêutico, que é utilizado como referência no controle de qualidade da matéria-prima vegetal e dos medicamentos fitoterápicos (BRASIL, 2004). Dentre algumas espécies desse gênero cujo perfil fitoquímico já foi avaliado, diversas substâncias pertencentes a diferentes classes de metabólitos secundários foram identificadas. Para o gênero Lychnophora, merece destaque o grupo das lactonas sesquiterpênicas, consideradas seus marcadores químicos e isoladas a partir de suas espécies (Quadro 1): 27 Quadro 1 – Espécies do gênero Lychnophora e algumas substâncias isoladas a partir delas, mostrando que as lactonas sesquiterpênicas são os marcadores químicos do gênero. Planta Substâncias já isoladas (marcadores químicos) L. reticulada Gardn 15-desoxigoiazensolida; 8-(2-metilpropanoiloxi)-4-hidroxi-1-oxoeudesma-2,7(11)-dien-6,12olida; 8-(2-metilpropenoiloxi)-4-hidroxi-1-oxoeudesma-2,7(11)-dien-6,12olida. (ALVES et al., 2008) L. rupestris Semir & Leitão Filho Licnofolida; 15-acetoxieremantolida C. (CUNHA et al., 1995) L. ericoides Mart Centraterina Eremantolida A 2’-3’-epoxi-15-goiazensolida (4R, 5S, 6S, 7S, 8S, 10R, 11S, 16R)-diidroeremantolida A (BORELLA et al., 1998). L. pseudovillosissima Semir & Leitão Filho 15-desoxigoiazensolida; Licnofolida. (BORELLA et al., 1998). L. markgravii Barroso 15-desoxigoiazensolida; 8α-tiglinoiloxigoianzensolida. (SARTORI et al., 2002). L. passerina (Mart. ex. DC) Gardn Costunolida; Diidrocostuslactona; 11β,13diidroeremantina; Goiazensolida. (BOHLMANN et al., 1981; OLIVEIRA et al., 1996). L. Spreng trichocarpha Eremantolida C; Licnofolida. (SAÚDE-GUIMARÃES et al., 1998). III.3 – A Espécie Lychnophora trichocarpha Spreng 28 III.3.a – Perfil Químico de L. trichocarpha Spreng Estudos fitoquímicos das partes aéreas de Lychnophora trichocarpha revelaram a identificação dos seguintes constituintes: friedelina, lupeol, β-sitosterol, estigmasterol, α-amirina e β-amirina, além das lactonas sesquiterpênicas eremantolida C e licnofolida. Também foram detectados açúcares redutores, hidrocarbonetos, ésteres graxos, flavonoides, lactonas sesquiterpênicas e saponinas (SAÚDE-GUIMARÃES et al., 1998). Estudo realizado por Ferrari (2008) com a fração acetato de etila, obtida a partir do extrato etanólico de L. trichocarpha, levou ao isolamento de eremantolida C, licnofolida, sitosterol e lupeol, constituintes químicos responsáveis pela atividade anti-inflamatória da fração estudada. O conhecimento dos componentes químicos de cada espécie é de grande importância, uma vez que diferentes substâncias podem exercer sinergismo nas atividades biológicas exercidas pela planta, causar efeitos tóxicos ou mesmo afetar a estabilidade do extrato ou de alguma forma farmacêutica que possa ser proposta para incorporar essa matéria-prima vegetal. Além disso, o conhecimento da constituição química de uma espécie vegetal possibilita a determinação de seus marcadores químicos, o que é de fundamental importância para o desenvolvimento de metodologias analíticas para o controle de qualidade de extratos vegetais utilizados como matérias-primas para medicamentos fitoterápicos. III.3.b - Atividades Biológicas de Lychnophora Algumas plantas do gênero Lychnophora são utilizadas na medicina popular como agentes analgésicos e anti-inflamatórios (CERQUEIRA et al., 1987). As espécies que já foram estudadas química e biologicamente não apenas justificaram o uso popular (RÜNGELER et al., 1999; GOBBO-NETO et al., 2005; SANTOS et al., 2005), mas também demonstraram outras importantes atividades como tripanossomicida (OLIVEIRA et al., 1996; GRAEL et al., 2005), citotóxica (SANTOS et al., 2004a,b) e antimicrobicida (JORDÃO et al., 1997; SAÚDE-GUIMARÃES et al., 2002). A triagem de 45 espécies de plantas da família Asteraceae para atividade anti T. cruzi foi realizada, dentre as quais encontravam-se algumas espécies do gênero Lychnophora. As espécies L. villosissima, L. trichocarpha, L. pinaster e L. passerina, mostraram atividade significativa (CHIARI et al., 1996). Em outro estudo realizado por Oliveira e colaboradores (1996), foram investigados os componentes químicos responsáveis pela atividade tripanossomicida nas espécies L. passerina, L. trichocarpha e L. pinaster. Essa atividade foi atribuída às lactonas sesquiterpênicas goyazensolida 29 para L. passerina, eremantolida C e licnofolida para L. trichocarpha e ao ácido licnofórico para L. pinaster. Para as espécies L. trichocarpha, L. pinaster, L. ericoides, L. passerina e L. staavioides foram realizadas a avaliação da atividade de inibição da xantina oxidase, enzima que catalisa o metabolismo da hipoxantina e xantina a ácido úrico. Todas as espécies testadas exibiram atividade significativa (FERRAZ FILHA et al., 2006). A atividade anti-inflamatória e antinociceptiva do extrato etanólico de cinco espécies do gênero Lychnophora foi avaliada através do teste do edema de pata induzido por carragenina em camundongos. As pomadas contendo os extratos etanólicos de L. trichocarpha, L. pinaster, L. ericoides e L. passerina promoveram redução significativa do edema de pata, comprovando a atividade anti-inflamatória destas espécies. As atividades farmacológicas foram estatisticamente similares à atividade do padrão utilizado, diclofenaco emulgel (GUZZO et al., 2008). Em outro estudo, a atividade anti-inflamatória do extrato etanólico de L. trichocarpha, de frações e substâncias isoladas foi avaliada através do teste do edema de pata induzido por carragenina em camundongos. As pomadas contendo o extrato etanólico, a fração e acetato de etila e as substâncias eremantolida C, licnofolida, β-sitosterol e lupeol demonstraram significativa atividade. Esses resultados sugeriram que a atividade anti-inflamatória do extrato se deve à ação sinérgica desses componentes (FERRARI, 2008). Libertino e colaboradores (2009) avaliaram possíveis efeitos cardiovasculares do extrato de L. trichocarpha por administração intragástrica em ratos. Não foram observadas diferenças significativas entre o grupo tratado com o extrato e o grupo controle, assim, concluiu-se que a administração do extrato não afeta parâmetros ou reflexos cardiovasculares basais. Em outro estudo, Libertino e colaboradores (2010) investigaram se a administração intragástrica do extrato etanólico de L. trichocarpha poderia alterar a pressão arterial média e a frequência cardíaca de ratos normotensos e hipertensos. Os resultados obtidos nesse estudo sugeriram um efeito anti-hipertensivo do extrato nos animais com hipertensão renovascular, mas não nos normotensos, e a frequência cardíaca dos animais dos dois grupos não sofreu alteração pela administração desse extrato. III.3.c – Toxicidade de Lychnophora trichocarpha Spreng A toxicidade do extrato etanólico de L. trichocarpha foi investigada em camundongos por Ferrari (2008), avaliando a letalidade, atividade motora e força muscular, consumo médio de alimento e variação do peso corporal, parâmetros bioquímicos, peso úmido dos órgãos e histopatologia. Foi demonstrado que o extrato é tóxico por via intraperitonial. Na avaliação da 30 toxicidade aguda foram observadas alterações da atividade locomotora e da capacidade exploratória dos animais, redução do consumo de alimento e do peso corporal. Nas análises histopatológicas dos rins e fígado foram observadas congestão e inflamação, e também foram detectadas alterações pulmonares e cerebrais. Esse estudo demonstrou que a utilização sistêmica do extrato não é segura, sendo apenas a via tópica adequada para o tratamento de processos inflamatórios. Paula e colaboradores (2009) avaliaram as alterações induzidas pelo extrato etanólico de L. trichocarpha Spreng na pressão arterial sistólica e diastólica, e nos parâmetros do eletrocardiograma: frequência cardíaca, complexo QRS e intervalos PR, QT e QTc em ratos. Os resultados demonstraram que a administração do extrato induziu aumento significativo da pressão arterial quando comparado com o grupo controle, e nos demais parâmetros cardiovasculares analisados não foram observadas diferenças significativas entre os dois grupos. Os resultados sugerem que o extrato bruto de L. trichocarpha induz atividade hipertensiva, indicando que o uso oral dessa espécie não é seguro. III.4 – Lactonas Sesquiterpênicas Conforme descrito anteriormente, lactonas sesquiterpênicas são consideradas marcadores químicos do gênero Lychnophora. O quadro a seguir mostra as estruturas químicas de algumas lactonas sesquiterpênicas e as espécies do gênero Lychnophora das quais já foram isoladas (Quadro 2): 31 Quadro 2 – Exemplos de lactonas sesquiterpênicas isoladas de Lychnophoras. Lactona sesquiterpênica Espécies de Lychnophora das quais já foram isoladas L. pseudovillosissima Semir & Leitão Filho (BORELLA et al., O O 1998); O O O L. markgravii Barroso (SARTORI et al., 2002); O 15-desoxigoiazensolida L. reticulata Gardn. (ALVES et al., 2008). L. rupestris Semir & Leitão Filho (CUNHA et al., 1995). O OH O O O O OAc 15-acetoxieremantolida C L. diamantiana Coile & Jones (DA COSTA et al., 1992); O O L. ericoides Mart. (BORELLA et al., 1998). O O O O OH Centraterina (licnoforolida A) L. ericoides Mart (BORELLA et al., 1998). O OH O O O O Eremantolida A L. ericoides Mart. (BORELLA et al., 1998); O O L. rupestris Semir & Leitão Filho (CUNHA et al., 1995); O O O O L. trichocarpha Spreng (SAÚDE., 1994). Licnofolida L. markgravii Barroso (SARTORI et al., 2002). O O O O O O OH 8α-tiglinoiloxigoianzensolida L. rupestris Semir & Leitão Filho (CUNHA et al., 1995); O OH O L. trichocarpha Spreng (SAÚDE, 1994). O O O Eremantolida C 32 III.5 - Qualidade de Extratos Vegetais Para garantir a atividade, o material vegetal deve ser submetido a controle de qualidade adequado. Alguns testes frequentemente utilizados para esse fim são solubilidade, teor de cinzas sulfatadas, solventes orgânicos residuais totais, contaminação microbiológica, aflatoxinas, presença de pesticidas, reações para detecção da presença de grupos funcionais específicos, determinação de pH, teor de metais pesados e tamanho de partícula. A maioria desses testes já está descrita em Farmacopéias, não sendo específicos para cada espécie vegetal (BEEK et al., 2009). Para garantir a qualidade, segurança e eficácia de plantas medicinais, seus derivados e produtos fitoterápicos, estes devem ser caracterizados através de sua constituição química, ou de suas atividades farmacológicas. Para tanto, a opção mais segura é identificar e determinar a concentração das substâncias ativas ou classes destas, mas isso nem sempre é possível devido à grande variedade química de componentes do extrato. Assim, uma boa alternativa é usar substâncias marcadoras (SIMÕES, 2003). A questão da qualidade de fitoterápicos já vem sendo levantada há algum tempo. Em 1985, Farias e colaboradores discutiram o problema da qualidade de fitoterápicos e apontaram a importância da pesquisa acadêmica para a sua melhoria; esse trabalho também avalia um conjunto de fatores que influenciam na qualidade do produto, tais como características da matéria-prima, controle do processamento e da forma farmacêutica, a embalagem, e até mesmo a bula e a propaganda (FARIAS et al., 1985). Hoje, a questão ganha destaque, uma vez que é necessário atender às demandas do mercado e às crescentes exigências dos consumidores e dos órgãos de fiscalização, cada vez mais severos, tanto pela aprovação de novas legislações como pelo aumento da fiscalização e exigência do cumprimento dessas legislações. Apesar do uso popular de L. trichocarpha Spreng como agente anti-inflamatório e dos estudos que comprovam essa atividade, não foram encontrados relatos na literatura sobre estudos da estabilidade desse extrato, tampouco foram determinados os procedimentos de controle de qualidade da droga vegetal, do extrato etanólico nem das possíveis formas farmacêuticas de uso tópico que poderiam veicular esse extrato. O foco principal desse estudo é a análise da estabilidade do extrato etanólico seco das partes aéreas de L. trichocarpha, através de indicadores como o teor dos marcadores químicos, a impressão digital do extrato e o possível surgimento de produtos de degradação, como parâmetro para avaliar a sua qualidade. Assim, torna-se evidente a necessidade de desenvolver e validar uma metodologia que permita avaliar a qualidade e a estabilidade do extrato. III.6 - Validação de Metodologias Analíticas 33 Métodos analíticos destinados a avaliar a qualidade de substâncias ou produtos devem cumprir a etapa de validação, ou seja, o monitoramento analítico do produto farmacêutico ou de alguma substância nele presente. Validar um processo é estabelecer evidências que provam que, com alto grau de confiança, esse processo produzirá produtos de acordo com as especificações prédeterminadas e a qualidade adequada (SWARTZ; KRULL, 1998; BRENDOLAN, 2000). A validação é a etapa pela qual é demonstrado, através de uma série de estudos, que as características de execução do método atendem às exigências das aplicações analíticas propostas, o que garante resultados reprodutíveis, confiáveis e adequados aos fins para os quais são destinados (SWARTZ; KRULL, 1998; BRENDOLAN, 2000). Ribani e colaboradores (2004) fizeram uma revisão sobre validação em métodos cromatográficos e eletroforéticos, utilizando legislações de organizações nacionais, como ANVISA e INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial), e internacionais como ICH (“International Conference on Harmonization”), IUPAC (“International Union of Pure and Applied Chemistry”) e US-FDA (“United States Food and Drug Administration”). Segundo esse trabalho, os estudos de validação devem ser representativos e conduzidos de modo a adequar a variação da faixa de concentração e os tipos de amostras, além da freqüência de utilização do método. Os parâmetros analíticos devem ser avaliados de acordo com a intenção do uso, ou seja, os experimentos devem ser direcionados ao que realmente é necessário. De acordo com os autores, os parâmetros normalmente avaliados na validação de métodos analíticos são: seletividade, linearidade e faixa de aplicação, precisão, exatidão, limite de detecção, limite de quantificação e robustez (RIBANI et al., 2004). III.6.a – Legislações e Recomendações sobre Validação A Resolução RE no 899, de 29 de maio de 2003, da ANVISA, consiste no Guia para Validação de Métodos Analíticos e Bioanalíticos. Segundo esta resolução, a validação deve assegurar, através de estudos experimentais, que o método atenda às exigências das aplicações analíticas, garantindo a confiabilidade dos resultados, e seu principal objetivo é demonstrar que o método é apropriado para a finalidade pretendida. Para métodos bioanalíticos, essa resolução sugere que sejam avaliados precisão, exatidão, linearidade, limite de detecção, limite de quantificação, especificidade, reprodutibilidade, estabilidade e recuperação (BRASIL, 2003). O INMETRO também publicou, em março de 2003, o DOQ-CGCRE-008, Orientações sobre Validação de Métodos de Ensaios Químicos. Segundo esse documento, a validação comprova, por meio de evidências objetivas, que os requisitos para aplicação ou usos específicos de um método analítico foram atendidos (INMETRO, 2003). 34 III.6.b – Parâmetros de Validação Para cada substância a ser analisada, tipo de método e finalidade do teste, as legislações recomendam que sejam avaliados diferentes parâmetros de validação do método. Os parâmetros de validação serão descritos a seguir, de acordo com as legislações brasileiras (BRASIL, 2003; INMETRO, 2003) e de acordo com a revisão de Ribani e colaboradores (2004). III.6.b.1 – Especificidade e Seletividade Capacidade de determinar a medida exata de um composto mesmo quando outros componentes estão presentes, como impurezas, produtos de degradação e componentes da matriz. Para determiná-la, deve-se avaliar a substância de interesse junto com as impurezas, produtos de degradação ou componentes da matriz, provando não haver interferências dos mesmos nos resultados. Para métodos cromatográficos, deve-se garantir a pureza dos picos, por exemplo, utilizando detectores de arranjo de diodo (DAD) ou espectrometria de massas (BRASIL, 2003). Segundo Ribani, o termo especificidade não é adequado, porque significaria produzir resposta para uma única substância de interesse, enquanto seletividade significa produzir resposta para vários compostos químicos com uma característica em comum, mas capaz de distinguir a resposta de um analito dos outros (RIBANI et al., 2004), por isso é o termo mais adequado e é o que será adotado nesse trabalho. Quando se trabalha com plantas medicinais, seus derivados e medicamentos fitoterápicos, a avaliação da seletividade é dificultada porque, na maioria dos casos, não é possível obter a matriz isenta das substâncias a serem analisadas, e, além disso, a matriz é extremamente complexa, com grande diversidade de substâncias químicas. Assim, podem ser necessárias avaliações de diferentes maneiras, como o método de adição padrão, a avaliação por DAD e a submissão das amostras a degradação forçada por armazenamento sob condições de estresse, a fim de detectar o surgimento de possíveis produtos de degradação (BRASIL, 2003; INMETRO, 2003; RIBANI et al., 2004). III.6.b.2 – Faixa Linear ou Intervalo de Trabalho É a faixa de concentrações compreendida entre os limites de quantificação superior e inferior do método. Em geral, origina-se do estudo de linearidade e sua determinação varia com a aplicação do método (BRASIL, 2003). 35 A concentração teórica mais provável do analito deve, preferencialmente, estar no centro da faixa de trabalho. Em âmbitos gerais, são necessários vários pontos de calibração para a sua construção, de preferência mais que seis (INMETRO, 2003). III.6.b.3 – Linearidade Capacidade de uma metodologia analítica de obter resultados diretamente proporcionais à concentração do analito na amostra, dentro de um intervalo pré-determinado. Deve ser determinada pela análise de, no mínimo, cinco concentrações, calculadas a partir da finalidade e da concentração teórica do teste, e, através de tratamento estatístico por regressão linear. O método é considerado linear se o coeficiente de correlação obtido (R) for maior ou igual a 0,99 (BRASIL, 2003) ou a 0,90 (INMETRO, 2003). III.6.b.4 – Precisão É a aproximação de resultados obtidos em uma série de medidas de uma amostragem múltipla de uma mesma amostra, ou seja, a obtenção de resultados concordantes entre si (BRASIL, 2003; INMETRO, 2003). Pode ser expressa como desvio padrão ou desvio padrão relativo (DPR) (coeficiente de variação) de uma série de medidas, conforme a equação abaixo (Equação 1): Equação 1 – Equação utilizada para o cálculo da precisão de métodos analíticos (FONTE: BRASIL, 2003). DPR = DP x 100 CMD DPR: desvio padrão relativo; DP: desvio padrão; CMD: concentração média determinada. Não são aceitos valores de DPR superiores a 5% (BRASIL, 2003). A precisão é avaliada em três níveis: III.6.b.4.a – Repetibilidade ou Precisão Intra-corrida Concordância entre os resultados dentro de um curto período de tempo, sendo o mesmo analista e a mesma instrumentação. Deve ser avaliada a partir de três concentrações, baixa, média e alta, com três réplicas cada, ou por seis determinações a 100% da concentração do teste (BRASIL, 2003). 36 III.6.b.4.b – Precisão Intermediária ou Precisão Inter-corridas Concordância entre resultados encontrados no mesmo laboratório, mas em dias diferentes, com analistas diferentes e/ou equipamentos diferentes. Deve ser obtida a partir de três concentrações, baixa, média e alta, com três réplicas cada ao longo de no mínimo dois dias distintos (BRASIL, 2003). III.6.b.4.c – Reprodutibilidade ou Precisão Inter-laboratorial Concordância entre os resultados provenientes de laboratórios diferentes como em estudos colaborativos, geralmente objetivando padronização de metodologia analítica, ou a inclusão de metodologias em farmacopéias (BRASIL, 2003). III.6.b.5 – Limite de Detecção O limite de detecção (LD) é a menor quantidade do analito presente em uma amostra possível de ser detectado, mas não necessariamente quantificado, sob condições experimentais prédeterminadas, sendo obtido através da análise de concentrações conhecidas e decrescentes do analito, até o menor nível detectável. Para métodos experimentais, pode-se estimá-lo utilizando a relação de três vezes o ruído da linha de base (BRASIL, 2003). Pode ser determinado pela equação abaixo (Equação 2): Equação 2 – Equação utilizada para o cálculo do LD de métodos analíticos (FONTE: BRASIL, 2003). LD = DPa x 3 IC DPa: desvio padrão do intercepto do eixo Y de, no mínimo, três curvas de calibração construídas contendo concentrações do fármaco ao suposto limite de quantificação; IC é a inclinação da curva de calibração. III.6.b.6 – Limite de Quantificação Inferior O limite de quantificação inferior (LQI) é a menor quantidade do analito em uma amostra que pode-se obter com precisão e exatidão aceitáveis sob as condições experimentais estabelecidas. Pode-se determiná-la por meio do ruído observado na linha de base, considerando como esse limite 37 a concentração que produz relação sinal-ruído superior a 10:1. Também pode ser estabelecido por meio de análise de soluções contendo concentrações decrescentes do analito até o menor nível determinável com precisão de 20% e exatidão de 80% a 120% (BRASIL, 2003). Pode também ser determinado pela equação abaixo descrita (Equação 3): Equação 3 – Equação utilizada para o cálculo do LQI de métodos analíticos (FONTE: BRASIL, 2003). LQI = DPa x 10 IC DPa: desvio padrão do intercepto do eixo Y de, no mínimo, três curvas de calibração construídas contendo concentrações do fármaco ao suposto limite de quantificação; IC é a inclinação da curva de calibração. III.6.b.7 – Exatidão A exatidão do método é a proximidade dos resultados obtidos pelo método em relação ao valor real. Para determiná-la, deve-se aplicar a metodologia analítica proposta na análise de uma substância de pureza conhecida, um padrão de referência, ou comparar os resultados obtidos com os resultados obtidos utilizando uma segunda metodologia bem caracterizada com a exatidão já estabelecida. Deve ser avaliada partindo-se de, no mínimo, nove determinações, presentes no intervalo linear, ou seja, três concentrações, baixa, média e alta com três réplicas cada, sendo expressa pela relação entre a concentração média determinada experimentalmente e a concentração teórica correspondente. O desvio não deve exceder 15%, excetuando-se o limite de quantificação, que pode atingir 20% (BRASIL, 2003). III.6.b.8 – Recuperação dos Analitos A recuperação determina a eficiência do procedimento de extração de um método analítico dentro de um limite de variação. Recuperações de 100% do analito são ideais, entretanto valores menores são aceitos, desde que haja recuperação precisa e exata. Deve ser obtida a partir de três concentrações, baixa média e alta, comparando-se os resultados com soluções padrão não extraídas, que representam 100% de recuperação, e o cálculo deve ser feito em função da relação do resultado obtido para o padrão extraído e o não-extraído (BRASIL, 2003). III.6.b.9 – Estabilidade das Soluções dos Padrões 38 Deve ser avaliada a estabilidade das soluções dos padrões mantidas à temperatura ambiente por no mínimo seis horas após a preparação, ou caso haja congelamento ou resfriamento, avaliar a estabilidade considerando a temperatura e o período de armazenamento. Os resultados encontrados devem ser comparados àqueles obtidos por amostras recém-preparadas (BRASIL, 2003). III.7 – Estabilidade de Produtos Farmacêuticos Todos os fármacos estão sujeitos à decomposição, química, física ou microbiológica. As principais reações envolvidas na degradação química são: hidrólise, oxidação, reações fotoquímicas, isomerização e polimerização. O fator extrínseco de estabilidade está relacionado às condições ambientais que podem favorecer ou acelerar a ocorrência dessas reações, por exemplo, temperatura, umidade e luz. Também há o fator intrínseco de estabilidade, ou seja, a vulnerabilidade da substância sofrer reações químicas, que pode ser monitorado pela avaliação das suas propriedades físico-químicas. No caso de medicamentos, a grande importância dos processos de degradação é o risco do comprometimento da eficácia e segurança (EV, 2000; GIL, 2007). A eficácia pode ser comprometida pela diminuição do teor dos fármacos ou pelo comprometimento da forma farmacêutica que provoque variação na sua porcentagem de cedência, culminando numa menor absorção do fármaco pelo organismo. Já a segurança pode ser afetada se os produtos de degradação que se formarem tiverem maior toxicidade que o fármaco em si, causando assim maiores danos ao organismo. “A estabilidade de um fármaco ou medicamento consiste na sua manutenção dentro de especificações estabelecidas, tendo asseguradas sua identidade, potência, qualidade e pureza” (BRASIL, 2005). III.7.a – Estudos de Estabilidade Os estudos de estabilidade são um conjunto de métodos qualitativos e quantitativos que têm por finalidade avaliar o comportamento dos fármacos ou medicamentos que se alteram com o tempo, por influência de fatores extrínsecos, e possibilitam também avaliar possíveis instabilidades entre os componentes das formulações (GIL, 2007). Esses estudos iniciam-se por testes acelerados, em que as amostras contidas em embalagens impermeáveis ou semipermeáveis são submetidas à temperatura de 40°C e umidade relativa de 75%. Para a determinação do prazo de validade de um fármaco ou medicamento, devem ser 39 realizados estudos em longo prazo, em que as amostras são expostas à temperatura de 30°C e umidade relativa de 75% (United States Pharmacopoea 27, 2003). Os estudos de estabilidade fornecem indicações sobre o comportamento do produto, em determinado intervalo de tempo, frente a condições a que possa ser submetido, ou seja, fornece informações que indicam o grau de estabilidade relativa do produto nas variadas condições a que possa estar sujeito, desde sua fabricação até o término de sua validade. A estabilidade é relativa, uma vez que varia com o tempo e em função de fatores que aceleram ou retardam alterações ou degradações no produto (ANVISA, 2004). III.7.b – Legislação III.7.b.1 – Resolução RE no 1, de 29 de julho de 2005, da ANVISA No Brasil, os estudos de estabilidade de insumos farmacêuticos e medicamentos na indústria farmacêutica devem ser procedidos de acordo com as recomendações da Resolução RE no 1, de 29 de julho de 2005, da ANVISA, que publica o Guia para a Realização de Estudos de Estabilidade, visando orientar a realização dos testes de estabilidade de produtos farmacêuticos, com finalidade de prever, determinar ou acompanhar seu prazo de validade (BRASIL, 2005). Em relação aos estudos de estabilidade de produtos farmacêuticos, essa resolução fornece as seguintes definições: TESTE DE ESTABILIDADE: conjunto de testes projetados para obter informações sobre a estabilidade de produtos farmacêuticos visando definir seu prazo de validade e período de utilização em embalagem e condições de armazenamento especificadas. ESTUDO DE ESTABILIDADE ACELERADA: estudo projetado para acelerar a degradação química e/ou mudanças físicas de um produto farmacêutico em condições forçadas de armazenamento. Os dados assim obtidos, juntamente com aqueles derivados dos estudos de longa duração, podem ser usados para avaliar efeitos químicos e físicos prolongados em condições não aceleradas e para avaliar o impacto de curtas exposições a condições fora daquelas estabelecidas no rótulo do produto, que podem ocorrer durante o transporte. ESTUDO DE ESTABILIDADE DE ACOMPANHAMENTO: estudo realizado para verificar se o produto farmacêutico mantém suas características físicas, químicas, biológicas, e microbiológicas conforme os resultados obtidos nos estudos de estabilidade de longa duração. 40 ESTUDO DE ESTABILIDADE DE LONGA DURAÇÃO: estudo projetado para verificar as características físicas, químicas, biológicas e microbiológicas de um produto farmacêutico durante e, opcionalmente, depois do prazo de validade esperado. Os resultados são usados para estabelecer ou confirmar o prazo de validade e recomendar as condições de armazenamento. PRAZO DE VALIDADE: data limite para a utilização de um produto farmacêutico definida pelo fabricante, com base nos seus respectivos testes de estabilidade, mantidas as condições de armazenamento e transporte estabelecidos. Segundo a Resolução RE no 1, de 29 de julho de 2005, o prazo de validade deve ser determinado pelo estudo de estabilidade de longa duração, procedido conforme legislação em anexo (Anexo a). Também é recomendado que os estudos de estabilidade sejam procedidos com o produto em sua embalagem primária. III.7.b.2 – Guia para Realização de Fotoestabilidade Segundo a Resolução RE 1, de 29 de julho de 2005, da ANVISA, os estudos de fotoestabilidade devem ser realizados de acordo com o Guia para Realização de Fotoestabilidade, disponível no portal da ANVISA (ANVISA, 2011). Se não for apresentado o estudo de fotoestabilidade de medicamento para o registro, deve haver justificativa técnica com evidência científica de que os fármacos ou o produto não sofrem degradação pela luz ou de que a embalagem primária não permite a passagem de luz (BRASIL, 2005). Segundo esse guia, o teste de fotoestabilidade tem como objetivo demonstrar que a exposição do produto à luz não provoca alterações significativas. As especificações para as opções de fontes de luz, câmara para estudo de fotoestabilidade e recomendações de determinação do tempo mínimo de exposição das amostras de acordo com o sistema actinométrico que devem ser utilizadas na realização de estudos de fotoestabilidade estão disponíveis na recomendação em anexo (Anexo b). III.7.b.3 – Guia de Estabilidade de Produtos Cosméticos Em 2004, a ANVISA disponibilizou o Guia de Estabilidade de Produtos Cosméticos (ANVISA, 2004). Segundo essa resolução, os seguintes aspectos devem ser considerados na estabilidade: Físicos: no final do estudo, as propriedades físicas originais do produto devem ser conservadas; 41 Químicos: a integridade da estrutura química, o teor dos componentes e outros parâmetros devem ser mantidos dentro dos limites especificados; Microbiológicos: as características microbiológicas devem ser conservadas, conforme os requisitos especificados; Funcionalidade: os atributos do produto devem ser mantidos sem afetar o fim a que se destina. Segurança: alterações que influenciem a segurança de uso do produto não podem acontecer. Quanto ao acondicionamento das amostras em estudo de estabilidade, esse guia recomenda que sejam acondicionadas em frasco de vidro neutro, transparente, com tampa que garanta boa vedação, e que haja espaço que permita a troca de gases. III.7.c – Estabilidade de Produtos Naturais Poucos relatos foram encontrados na literatura de trabalhos que avaliam a estabilidade de produtos naturais. Maciel e colaboradores (2006) avaliaram a estabilidade preliminar de tinturas de diferentes espécies de arnicas, L. pinaster, L. rupestris e Arnica montana, em estufa climatizada a 30º C e 70% de umidade relativa por 6 meses e em prateleira por 10 meses, visando avaliar a semelhança entre as preparações e verificar as alterações sofridas com o tempo. A avaliação dos produtos ao final do período de armazenamento demonstrou que os odores característicos apresentaram-se menos intensos, houve diminuição do pH, houve redução das porcentagens de resíduo seco e as análises de CLAE demonstraram a degradação dos marcadores químicos. Os resultados obtidos no estudo indicaram haver instabilidade nas tinturas avaliadas ao longo do tempo. Estudo realizado por Lima e colaboradores (2005) avaliou o efeito da luz e da temperatura de congelamento sobre a estabilidade das antocianinas da pitanga roxa, Eugenia uniflora L., sendo avaliada a polpa congelada nos tempos 0, 2, 4, 6 e 12 meses de estocagem, e comparando-se amostras expostas e protegidas da luz, através da absorbância dos extratos. Nas amostras congeladas, aconteceu degradação significativa das antocianinas nos 60 dias iniciais, não havendo decréscimo no teor dessas substâncias nos meses subseqüentes. Quanto à exposição à luz, foi demonstrada maior instabilidade do extrato antociânico, em relação ao extrato armazenado protegido da luz. Bailoni e colaboradores (1998) avaliaram a estabilidade do extrato antociânico das folhas de Acalipha híspida, exposto e protegido da luz, sob atmosfera de N2, e foram feitas leituras periódicas das absorbâncias. Os resultados obtidos demonstraram que proteger o produto da luz diminui a 42 perda da cor original ao longo do tempo, e sugeriram que o armazenamento do produto a temperaturas mais baixas também diminui essa perda. Em outro estudo, Amaral e colaboradores (2009) avaliaram o teor de cumarina no xarope de guaco sob diferentes temperaturas de armazenagem, como indicativo da sua estabilidade. A cumarina é uma das substâncias que já foi isolada a partir dessa planta e está relacionada à sua atividade anti-inflamatória e expectorante. O xarope foi preparado e armazenado sob diferentes condições de temperatura, 10º C, temperatura ambiente, 37º C e 45º C, durante 5 meses. Os resultados obtidos demonstraram variação de teor – aumentos e decréscimos - em todas as temperaturas testadas, atribuídas a equilíbrio isomérico, ciclização do precursor e volatilização. Os teores de cumarina variaram de 1,19 mg/mL a 1,37 mg/mL, em função do tempo e da temperatura. A fotoestabilidade do extrato de folhas de Photomorphe umbellata L. Miq (pariparoba) foi avaliada por Almeida e colaboradores (2008), por meio da avaliação do teor de 4-nerolidilcatecol, sendo as amostras expostas à luz por 30, 60, 90 e 120 minutos. Houve pequena variação nos teores, atribuída à evaporação do solvente, portanto, ficou demonstrado que o extrato se mantém estável quando exposto à luz, nas condições estudadas. A potencial atividade anti-inflamatória, exibida pelo extrato etanólico por via tópica, indica que L. trichocarpha é uma espécie promissora para tornar-se um fitoterápico que possa ser utilizado nos processos de inflamação, bem como ser fonte de substâncias que possam originar fármacos com a mesma indicação. No entanto, apesar da fitoquímica bem estudada e das atividades terapêuticas já conhecidas, não foram encontrados na literatura relatos sobre métodos analíticos de quantificação dos marcadores químicos direto no extrato etanólico sem prévio fracionamento, tampouco sobre estudos de estabilidade para esta espécie vegetal, nem como droga vegetal, extrato ou derivados e nem como fitoterápico. A realização dos estudos de estabilidade serve como instrumento preditivo de possíveis desvios na eficácia e na segurança definidas para o produto, durante seu desenvolvimento. O prazo de validade, caracterizado como o período de vida útil, durante o qual o produto mantém suas características originais, além de ser um requisito legal, é um requisito técnico de qualidade, pois um produto instável do ponto de vista físico-químico, microbiológico ou toxicológico, além da perda de eficácia, poderá ter a segurança de uso diminuída e a confiabilidade comprometida frente ao consumidor (ANVISA, 2004). O trabalho de desenvolvimento de um método analítico parte da busca bibliográfica dos métodos analíticos existentes para quantificação da substância de interesse ou, na sua ausência, de estruturas químicas semelhantes. Após compilação das informações analíticas são propostas alterações visando otimizar o método, diminuindo o tempo de análise, minimizando o emprego de solventes orgânicos, obtendo melhor separação dos sinais cromatográficos e recuperação dos 43 analitos de interesse. A partir da quantificação de marcadores químicos e avaliação do decréscimo de sua concentração em uma amostra em função do tempo é possível avaliar a estabilidade de extratos e produtos de origem natural. O estudo de estabilidade tem grande importância para qualquer produto farmacêutico, uma vez que possibilita determinar as condições de armazenamento e período de uso nos quais o produto mantém suas características iniciais, garantindo a segurança e eficácia durante determinado período. Para L. trichocarpha, o estudo de estabilidade significa uma etapa a mais no desenvolvimento de um fitoterápico seguro e eficaz, que possa ser padronizado e regulamentado, e, uma vez registrado, disponibilizado à população. Considerando as atividades farmacológicas da L. trichocarpha já comprovadas, a fitoquímica já bem estudada, a ocorrência da “arnica” em Minas Gerais e seu imenso uso popular no Estado e no país e a importância dos estudos de estabilidade para garantir a qualidade do produto, bem como sua segurança e eficácia, torna-se relevante o estudo mais aprofundado desta espécie vegetal no sentido de se obter dados sobre a estabilidade de seu extrato etanólico e de se estabelecer uma metodologia para a avaliação da qualidade deste extrato visando à obtenção de formulações eficazes e seguras que possam ser utilizadas como medicamentos fitoterápicos. 44 VII – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 45 ALMEIDA, R. L.; MIRANDA, D. V.; SAWADA, T. C. H.; BARROS, S. B. M.; ROPKE, C. D. Padronização e determinação da fotoestabilidade do extrato de folhas de Phothomorphe umbellata L. Miq (pariparoba) e avaliação da inibição in vitro de metaloproteinases 2 e 9 na pele. Rev. Bras. Ciênc. Farm. v. 44, n. 1, p. 43-50 2008. ALVES, K. C. M.; GOBBO-NETO, L.; LOPES, N. P. Sesquiterpene lactones and flavonoids from Lychnophora reticulata Gardn. (Asteraceae). Biochem. System. Ecol. v. 36, p. 434-436, 2008. AMARAL, M. P. H.; VIEIRA, F. P.; LEITE, M. N.; AMARAL, L. H.; PINHEIRO, L. C.; FONSECA, B. G.; PEREIRA, M. C. S.; VAREJAO, E. V. Determinação do teor de cumarina no xarope de guaco armazenado em diferentes temperaturas. Rev. Bras. Farmacogn. v. 19, n 2b, p. 607-611, 2009. ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Guia de Estabilidade de Produtos Cosméticos. Série Qualidade em Cosméticos, v. 1. Brasília, 2004. 52 p. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/cosmeticos/guia_series.htm, acesso em 03/05/2011. ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Recomendação de Fotoestabilidade. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/medicamentos/recomenda/fotoestabilidade.pdf , acesso em 03/05/2011. BAILONI, M. A.; BOBBIO, P. A.; BIBBIO, F. A. Preparação e estabilidade do extrato antociânico das folhas da Acalipha híspida. Ciênc. Tecn. Alim. v. 18, n 1, 1998. BEEK, T. A.; MONTORO, P. Chemical analysis and quality control of Ginkgo biloba leaves, extracts and phytopharmaceuticals. J. Chrom. A. v. 1216, p. 2002, 2009. BILIA, A. R.; BERGONZI, M. C.; MORGENNI, F.; MAZZI, G.; VINCIERI, F. F. Evaluation of chemical stability of St. John’s wort commercial extract and some preparations. Int. J. Pharm. v. 213, p. 199-208, 2001. BOHLMANN, F. E.; JAKUPOVIC, J. Progress in the chemistry of the Vernoniae (Compositae). Pl. Syst. Ecol. Suppl. v. 4, p. 3-43, 1990. BOHLMANN, F.; MÜLLER, L.; KING, R.M.; ROBINSON, H. A guaianolide and other constituents from Lychnophora species. Phytochem. v. 20, n. 5, p. 1149-1151, 1981. BOHLMANN, F.; ZDERO, C.; KING, R. M.; ROBINSON, H. Sesquiterpene lactones from Eremanthus species. Phytochem. v. 19, p. 2663-2668, 1980. BORELLA, J. C.; LOPES, J. L. C.; LEITÃO FILHO, H. D.; SEMIR, J.; DIAZ, J. G.; HERZ, W. Eudesmanolides and 15-deoxygoyazensolide from Lychnophora pseudovilosissima. Phytochem. v. 31, n.2, p. 692-695, 1992. 46 BORELLA, J. C.; LOPES, J. L. C.; VICHNEWSKI, W.; CUNHA, W. R.; HERZ, W. Sesquiterpene lactones, triterpenes and flavones from Lychnophora ericoides and Lychnoplora pseudovillosissima. Biochem. Syst. Ecol, v. 26, n. 1, p. 671-676, 1998. BRASIL. Resolução RDC Nº. 48, de 16 de março de 2004: Dispõe sobre o registro de medicamentos fitoterápicos. Disponível em: http://e- legis.anvisa.gov.br/leisref/public/showAct.php?id=10230&word=registro%20de%20medica mentos%20fitoter%C3%A1picos. Acesso em: 22 maio 2009. BRASIL. Resolução RDC Nº. 899, de 29 de maio de 2003: “Guia para validação de métodos analíticos e bioanalíticos”. Disponível em: http://e- legis.bvs.br/leisref/public/showAct.php?id=1237&word. Acesso em: 10 jun 2009. BRASIL. Resolução RE Nº. 1, de 29 de julho de 2005: Guia para a realização de estudos de estabilidade. Disponível em: http://e- legis.anvisa.gov.br/leisref/public/showAct.php?id=18109&word=guia%20de%20estabilidad e. Acesso em: 22 maio 2009. BRENDOLAN, G. Validação de Métodos Cromatográficos. Pedreira: SGB Consultoria Química Ltda, 2000, 72p, Apostila. CALIXTO, J. B. Biodiversidade como fonte de medicamento. Cienc. Cult. São Paulo, v.55, n. 3, p. 37-39, 2003. CARVALHO, A. C. B.; BALBINO, E. E.; MACIEL, A.; PERFEITO, J. P. S. Situação do registro de medicamentos fitoterápicos no Brasil. Rev. Bras. Farmacogn. v. 18, n. 2. p. 314319, 2008. CERQUEIRA, M.B.S.; SOUZA, J.T.; AMADO JÚNIOR, R.; PEIXOTO, A.B.F. Ação analgésica do extrato bruto aquoso do caule e das folhas da Lychnophora ericoides Mart. (arnica). Cienc. Cult. v. 39, n. 5/6, p. 551-583, 1987. CHIARI, E.; PERRY, K. S. P.; SAÚDE, D. A.; CRISTINA-DUARTE, D. S.; RASLAN, D. S.; BOAVENTURA, M. A. D.; GRANDI, T. S. M.; STEHMANN, J. R.; ANJOS, A. M. G.; OLIVEIRA, A. B. Seleção in vitro de espécies vegetais de Asteraceae contra o Trypanosoma cruzi. Phytother. Res. v. 10, p. 636-638, 1996. COILE, N. C.; JONES, S. B. Lychnophora (Compositae: Vernonieae), a genus endemic to the Brasilian Planalto. Brittonia. v. 33, n.4, p. 528-542, 1981. CRF-SP. Comissão Assessora de Fitoterapia do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo. Julho de 2009. Disponível no site http://www.crfsp.org.br/joomla/index.php, acesso em 14 de dezembro de 2010. 47 CUNHA, W. R.; LOPES. J. L. C.; VICHNEWSKI, W., DiAZ, J.; HERZ, W. Eremantholides and a guaianolide from Lychnophora rupestris. Phytochem. v. 39, n. 2, p. 387-389, 1995. DA COSTA, F. B.; DIAS, D. A. Constituintes químicos de Lychnophora diamantiana Coile & Jones. In: REUNIÃO ANUAL DA SBQ, 15, 1992. Caxambu, Resumos..., [s.n.], p.70, 1992. DA COSTA, F. B.; DIAS, D. A.; LOPES, J. L. C.; VICHNEWSKI, W. Flavonoids and heliangolides from Lychnophora diamantiana. Phytochem. v. 34, p. 261, 1993. EV, L. S. Estabilidade de Medicamentos. In: Maria José V. de Magalhães Gomes; Adriano Max Moreira Reis. (Org.). Ciências Farmacêuticas. Uma Abordagem em Farmácia Hospitalar. São Paulo: Atheneu, p. 235-251, 2000. FARIAS, M. R.; SCHENKEL, E. P.; BERGOLD, A. M.; PETROVICK, P. R. O problema da qualidade dos fitoterápicos. Cad. Farm. UFRGS, v. 1, n. 2, p. 73-82, 1985. Febrafarma 2007. Fitoterápico atrai investimentos. Disponível em http://www.febrafarma.org.br/areas.php?area=pu&secao=38&modulo=materiais. Acesso em agosto de 2007. FERRARI, F. C. Estudo fitoquímico da fração acetato de etila, avaliação da atividade antiinflamatória in vitro e in vivo e da toxicidade em camundongos de Lychnophora trichocarpha Spreng. 2008. Dissertação (Mestrado em ciências Farmacêuticas) - UFOP, Ouro Preto, MG. 2008. FERRAZ FILHA, Z. S.; VITOLO, I. F.; FIETTO, L. G.; LOMBARDI, J. A.; SAÚDEGUIMARÃES, D. A.. Xanthine oxidase inhibitory activity of Lychnophora species from Brazil (“Arnica”). J. Ethnopharm. v. 107, n. 1, p. 79-82, 2006. GIL, E.S. Controle físico-químico de qualidade de medicamentos. São Paulo: Pharmabooks, 2007. GOBBO-NETO, L.; LOPES, N. P. Online identification of chlorogenic acids, sesquiterpene lactones, and flavonoids in the Brazilian arnica Lychnophora ericoides Mart. (Asteraceae) leaves by HPLC-DAD-MS and HPLC-DAD-MS/MS and a validated method for their simultaneous analysis. J. Agric. Food Chem. v. 56, n. 4, p. 1193-1204, 2008. GOBBO-NETO, L.; SANTOS, M. D.; KANASHIRO, A.; LUCISANO-VALIM, Y. M.; LOPES, J. L. C.; ALMEIDA, M. C.; SOUZA, G. E. P., LOPES, N. P. Evaluation of the anti-inflammatory and antioxidant activities – C-glucosylflavones from Lychnophora ericoides (Asteraceae). Planta Med. v. 71, n. 1, p. 3, 2005. 48 GRAEL, C.F.F.; ALBUQUERQUE, S.; LOPES, J.L.C. Chemical constituentes from Lychnophora pohlii and trypanocidal activity of crude plant extracts and isolated compounds. Fitoter. v. 76, n. 1, p. 73-82, 2005. GUZZO, L. S.; SAÚDE-GUIMARÃES, D. A.; SILVA, A. C. A.; LOMBARDI, J. A.; GUIMARÃES, H. N.; GRABE-GUIMARÃES, A. Antinociceptive and anti-inflammatory activities of ethanolic extracts of Lychnophora species. J. Ethnopharm. v. 116, p. 120–124, 2008. HERZ, W.; GOEDKEN, V. L. Structure of goyazensolide and its congeners. J. Org. Chem. v. 47, p. 2798-2800, 1982. INMETRO - Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial. Orientações sobre Validação de Métodos de Ensaios Químicos. DOQ-CGCRE-008. 2003. JORDÃO, C. O.; LOPES, J. L. C.; ALBUQUERQUE, S.; VICHNEWSKI, W. Biological activity of the crude extracts and isolated substances from Lychnophora salicifolia Mart. Boll. Chim. Farm. v. 136, p. 56, 1997. LE QUESNE, P. W.; LEVERY, S. B.; MENACHERY, M. D.; BRENNAN, T. F.; RAFFAUF, R. F. Novel modified germacranolides and other constituents of Eremanthus elaegnus Schultz-Bip. (Compositae). J. C. S. Perkin I, p. 1572-1580, 1978. LIBERTINO, M. V. S.; ALZAMORA, A. C.; SOARES, E. R.; SAÚDE-GUIMARÃES, D. A.; MACHADO, R. P.; OLIVEIRA, L. B. No cardiovascular effects observed after intragastric adminstration of Lychnophora trichocarpha in unanesthetized rats. In: FESBE, 2009, Águas de Lindóia. Anais da FESBE, 2009, v. 1, p. 1-1. LIBERTINO, M. V. S. L.; ALZAMORA, A. C.; SOARES, E. R.; SAÚDE-GUIMARÃES, D. A.; MACHADO, R. P.; OLIVEIRA, L. B. Efeito anti-hipertensivo do extrato de Lychnophora trichocarpha (arnica) em ratos com hipertensão renovascular. In: XVIII SEMINÁRIO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA UFOP, 2010, Ouro Preto. Anais.... Ouro Preto : UFOP, 2010. LIMA, V. L. A. G.; MELO, E. A.; LIMA, D. E. S. Efeito da luz e da temperatura de congelamento sobre a estabilidade das antocianinas da pitanga roxa. Ciênc. Tecnol. Alim. Campinas, v. 25, n. 1, p. 92-94, 2005. MACIEL, R. L.; MOREIRA-CAMPOS, L. M.; SILVA, B. C.; BRANDAO, M. G. L. Características físico-químicas e químicas e estudo preliminar de estabilidade de tinturas preparadas com espécies de arnica Lychnophora em comparação com Arnica montana. Rev. Bras. Farmacogn. João Pessoa, v. 16, n. 1, p. 99-104, 2006. MINISTÉRIO DA SAÚDE. A fitoterapia no SUS e o Programa de Pesquisas de Plantas Medicinais da Central de Medicamentos. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos 49 Estratégicos. Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. Série B. Textos Básicos de Saúde. Brasília, 149 p., 1ª ed., 2006. MOHAMMADI, A.; MEHRAMIZI, F.; MOGHADDAM, A.; ERFANI-JABARIAN, L.; POURFARZIB, M.; KASHANI, H. N. Development and validation of a stability-indicating high performance liquid chromatographic (HPLC) assay for biperiden in bulk form and pharmaceutical dosage forms. J. Chromat. B. v. 854, p. 157-157, 2007. OLIVEIRA, A. B.; SAÚDE, D. A.; PERRY, K. S. P.; DUARTE, D. S.; RASLAN, D. S.; BOAVENTURA, M. A. D.; CHIARI, E. Trypanocidal sesquiterpenes from Lychnophora species. Phytother. Res. v. 10, p. 292, 1996. PAULA, D. C. C.; SOUZA, A. C. M.; GUIMARAES, H. N.; SAÚDE-GUIMARÃES, D. A.; GRABE-GUIMARAES, A. Avaliação das alterações da pressão arterial e do ecg em ratos Wistar induzidas por Lycnhophora trichocarpha. In: XVII SEMINÁRIO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA UFOP, 2009, Ouro Preto. Anais..., v. 1, p. 1, 2009. RIBANI, M.; BOTTOLI, C. B. G.; COLLINS, C. H.; JARDIM, I. C. S. F.; MELO, L. F. C. Validação em métodos cromatográficos e eletroforéticos. Quim. Nova. v. 27, n. 5, p. 771780, 2004. ROBBINS, L. S.; COTRAN, R. S.; KUMAR, V.; COLLINS, T. Patologia Estrutural e Funcional. 6ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, p. 44-45, 2000. ROBINSON, H. Generic and Subtribal Classification of American Vernonieae. Smithsonian Contributions to Botany no. 89. Washington DC: Smithsonian Institute Press, 1999. RÜNGELER, P.; CASTRO, V.; MORA, G.; GÖREN, N.; VICHNEWSKI, W.; PAHL, H. L.; MERFORT, I.; SCHMIDT, T. J. Inhibition of Transcription Factor NF-kB by Sesquiterpene Lactones: a Proposed Molecular Mechanism of Action. Bioorg. Med. Chem. v. 7, p. 2343, 1999. SAKAMOTO, H.T.; FLAUSINO, D.; CASTELLANO, E. E.; STARK, C. B. W.; GATES, P. J., LOPES, N. P. Sesquiterpene lactones from Lychnophora ericoides. J. Nat. Prod. v. 66, p. 693, 2003. SANTOS, M. D.; GOBBO-NETO, L.; ALBARELLA, L.; SOUZA, G. E. P.; LOPES, N. P. Analgesic activity of di-caffeoylquinic acids from roots of Lychnophora ericoides (arnica da serra). J. Ethnopharm. v. 96, p. 545, 2005. SANTOS, P. A.; AMARANTE, M. F. C.; PEREIRA, A. M. S.; BERTONI, B.; FRANÇA, S. C.; PESSOA, C.; MORAES, M. O.; LOTUFO, L. V. C.; PEREIRA, M. R. P.; LOPES, N. P. Produção de um furanoeliangolido antiproliferativo de Lychnophora ericoides em cultura de células. Chem. Pharm. Bull. v. 52, p. 1433-1435, 2004. 50 SANTOS, P. A.; LOPES, J. L. C.; LOPES, N. P. Triterpenoids and flavonoids from Lychnophoriopsis candelabrum (Asteraceae). Biochem. Syst. Ecol. v. 32, p. 509, 2004. SANTOS, P. A.; TURATI, I. C. C.; TOMAZ, J. C.; LOPES, N. P. Quantification of furanoheliangolides by HPLC and GC. Rev. Bras. Ciênc. Farm. v. 39, n. 3, p. 341, 2003. SARTORI, F. T.; BARRACHI, A. C.; SACILOTTO, C.; LOPES, J. L. C.; LOPES, N. P.; VICHNEWSKI, W. Phytochemical study of Lychnophora markgravii (Asteraceae). Biochem. Syst. Ecol. v. 30, p. 609–612, 2002. SAÚDE, D. A. Estudo químico e atividade tripanossomicida de Lychnophora trichocarpha Spreng. 1994. Dissertação (Mestrado em Química) - UFMG, Belo Horizonte, 1994. SAÚDE, D. A.; RASLAN, D. S.; DE SOUZA FILHO, J. D.; DE OLIVEIRA, A. B. Constituents from the aerial parts of Lychnophora trichocarpha. Fitoter. v. 69, n.1, 1998. SAÚDE-GUIMARÃES, D. A.; RASLAN, D. S.; SOUZA FILHO, J. D.; OLIVEIRA, A. B. Constituents from the aerial parts of Lychnophora trichocarpha. Fitoter. v. LXIX, n. 1, p. 90-91, 1998. SAÚDE-GUIMARÃES, D. A.; BARRERO, A. F.; OLTRA, J. E.; JUSÍCIA, J.; RASLAN, D. S.; SILVA, E. A. Atividade antibacteriana de furanoeliangolidos. Rev. Bras. Farmacogn. v.12, n. 1, p. 7-10, 2002. SEMIR, J. Revisão taxonômica de Lychnophora Mart. (Vernoniae : Compositae). 1991. Tese Instituto de Biologia, Unicamp, Campinas. 500 p, 1991. SCHMIDT, T. J.; MATTHIENSEN, U.; WILLUHN, G. On the stability of sesquiterpene lactones in the official Arnica tincture of the German Pharmacopoeia. Planta Med. v. 66, p. 678-681, 2000. SIMOES, C. M. O.; SCHEKEL, E. P.; GOSMAN, G.; MELLO, J. C. P.; MENTIZ, L. A.; PETROVICK, P. R. Farmacognosia: da planta ao medicamento. 5a Ed. Editora da UFSC e da UFRGS, 1102 p., 2003. SOLOMONS, T. W. G.; FRYHLE, C. B. Quím. Org. v. 1-2, 6 ed. Rio de Janeiro: LTC, 1996. SOUZA, V.C.; LORENZI, H. Botânica Sistemática: guia ilustrado para identificação das famílias de Angiospermas da flora brasileira, baseado em APG II. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum de Estudos da Flora Ltda. p. 572-601, 2005. SPRINGFIELD, E. P.; EAGLES, P. K. F.; SCOTT, G. Quality assessment of South African herbal medicines by means of HPLC fingerprinting. J. Ethnopharm. v. 101, p. 75, 2005. SWARTZ, M. E., KRULL, I. S. Validação de métodos cromatográficos. Pharm. Technol. São Paulo, v. 2, n. 3, p.12-20, 1998. 51 UNITED STATES PHARMACOPEIA: USP 27: The National Formulary: NF 22. Rockville: United States Pharmacopeial Convention, 2003. VERPOORTE, R. Exploration of nature's chemodiversity: the role of secondary metabolites as leads in drug development. Drug Discov. Today. v. 3, p. 232-238, 1998. VICHNEWSKI, W.; TAKAHASHI, A. M.; NASI, A. M. T.; GONÇALVES, D. C. R. G.; DIAS, D. A.; LOPES, J. N. C.; GOEDKEN, A. B.; GUTIERREZ, A. B.; HERZ, W. Sesquiterpene lactones and other constituints from Eremanthus seidelii, E. goyazensis and Vanillosmopsis erythropappa. Phytochem. Oxford. v. 28, n. 5, p. 1441, 1989. ZDERO, C.; BOHLMANN, F. Systematics and evolution within the Compositae, seen with the eyes of a chemist. Plant System. Evol. v. 171, p.1-14, 1990. 52 VIII – ANEXOS 53 ANEXO A RESOLUÇÃO - RE Nº. 1, DE 29 DE JULHO DE 2005. O Diretor-Presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no art. 111, inciso II, alínea "a" do Regimento Interno da ANVISA aprovado pela Portaria nº 593, de 25 de agosto de 2000, republicada em 22 de dezembro de 2000, resolve: Art. 1º Autorizar ad referendum, a publicação do Guia para a Realização de Estudos de Estabilidade, em anexo. Art. 2° Fica revogada a Resolução - RE n° 398, de 12 de novembro de 2004, publicada no Diário Oficial da União de 16 de novembro de 2004. Art. 3° Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. DIRCEU RAPOSO DE MELLO Anexo GUIA PARA A REALIZAÇÃO DE ESTUDOS DE ESTABILIDADE A estabilidade de produtos farmacêuticos depende de fatores ambientais como temperatura, umidade e luz, e de outros relacionados ao próprio produto como propriedades físicas e químicas de substâncias ativas e excipientes farmacêuticos, forma farmacêutica e sua composição, processo de fabricação, tipo e propriedades dos materiais de embalagem. APLICABILIDADE Guia para realização dos testes de estabilidade de produtos farmacêuticos a fim de prever, determinar ou acompanhar o seu prazo de validade. 1. DEFINIÇÕES ESTUDO DE ESTABILIDADE ACELERADO Estudo projetado para acelerar a degradação química e/ou mudanças físicas de um produto farmacêutico em condições forçadas de armazenamento. Os dados assim obtidos, juntamente com aqueles derivados dos estudos de longa duração, podem ser usados para avaliar efeitos químicos e físicos prolongados em condições não aceleradas e para avaliar 54 o impacto de curtas exposições a condições fora daquelas estabelecidas no rótulo do produto, que podem ocorrer durante o transporte. ESTUDO DE ESTABILIDADE DE ACOMPANHAMENTO Estudo realizado para verificar que o produto farmacêutico mantém suas características físicas, químicas, biológicas, e microbiológicas conforme os resultados obtidos nos estudos de estabilidade de longa duração. ESTUDO DE ESTABILIDADE DE LONGA DURAÇÃO Estudo projetado para verificação das características físicas, químicas, biológicas e microbiológicas de um produto farmacêutico durante e, opcionalmente, depois do prazo de validade esperado. Os resultados são usados para estabelecer ou confirmar o prazo de validade e recomendar as condições de armazenamento. LOTE Quantidade de um produto obtido em um único processo ou série de processos, cujas características essenciais são a homogeneidade e qualidade dentro dos limites especificados. LOTE EM ESCALA PILOTO Um lote de produto farmacêutico produzido por um processo totalmente representativo simulando o lote de produção industrial e estabelecido por uma quantidade mínima equivalente a 10% do lote industrial previsto, ou quantidade equivalente à capacidade mínima do equipamento industrial a ser utilizado. PRAZO DE VALIDADE Data limite para a utilização de um produto farmacêutico definida pelo fabricante, com base nos seus respectivos testes de estabilidade, mantidas as condições de armazenamento e transporte estabelecidos. TESTE DE ESTABILIDADE Conjunto de testes projetados para obter informações sobre a estabilidade de produtos farmacêuticos visando definir seu prazo de validade e período de utilização em embalagem e condições de armazenamento especificadas. 2. DISPOSIÇÕES GERAIS 2.1 O prazo de validade de um produto a ser comercializado no Brasil é determinado por um estudo de estabilidade de longa duração de acordo com os parâmetros definidos em tabela abaixo. Por ocasião do registro poderá ser concedido um prazo de validade 55 provisório de 24 meses se aprovado o relatório de estudo de estabilidade de longa duração de 12 meses ou relatório de estudo de estabilidade acelerado de 6 meses acompanhado dos resultados preliminares do estudo de longa duração com, conforme parâmetros definidos em tabela abaixo. Forma Condição de Farmacêutica armazenamento* Embalagem Temperatura e Temperatura e umidade umidade Acelerado** Longa Duração** Sólido 15°C -30°C Semi-permeável 40ºC ± 2ºC / 30ºC ±2ºC / 75% ± 5% UR 75% ±5% UR Sólido 15°C -30°C Impermeável Semi-sólido 15°C -30°C Semi-permeável 40ºC ± 2ºC / *** 40ºC ± 2ºC 30ºC ± 2ºC 30ºC ±2ºC / 75% ± 5% UR 75% ±5% UR Semi-sólido 15°C -30°C Impermeável Líquidos 15°C -30°C Semi-permeável 40ºC ± 2ºC / *** 40ºC ± 2ºC 30ºC ± 2ºC 30ºC ±2ºC / 75% ± 5% UR 75% ±5% UR Líquidos 15°C -30°C Impermeável 40ºC ± 2ºC 30ºC ± 2ºC Gases 15°C -30°C Impermeável 40ºC ± 2ºC 30ºC ± 2ºC Impermeável 25ºC ± 2ºC 5ºC ± 3ºC Semi-permeável 25ºC ± 2ºC 5ºC ± 3ºC Todas as formas 2°C - 8°C farmacêuticas Todas as formas 2°C - 8°C farmacêuticas Todas as formas -20 °C 60% ± 5% UR Todas -20ºC ± 5ºC 20ºC ± 5ºC farmacêuticas *Qualquer recomendação de armazenamento em temperatura dentro destas faixas deve constar de bulas e rótulos. A temperatura recomendada não exime de que os testes de estabilidade sejam realizados com as temperaturas definidas nas duas últimas colunas da tabela. ** Os valores de temperatura e umidade são fixos e as variações são inerentes às oscilações esperadas pela câmara climática e por eventuais aberturas para retirada ou colocação de material. *** Líquidos e semi-sólidos de base aquosa devem realizar o estudo com umidade a 25% 56 UR ou 75% UR. Caso se opte por 75% UR, o valor da perda de peso deverá ser multiplicado por 3,0. 2.2. O prazo de validade deve ser confirmado mediante a apresentação de um estudo de estabilidade de longa duração de 24 meses de duração, protocolado na forma de complementação de informações ao processo. A presença desta documentação no processo é necessária para a renovação do registro. 2.3. O estudo de estabilidade deve ser executado com o produto farmacêutico em sua embalagem primária. 2.4. Os produtos importados a granel devem descrever nos seus rótulos a data de fabricação, a validade e a condição de armazenamento até a execução da embalagem primária para serem liberados pela autoridade sanitária de portos e aeroportos. O estudo será avaliado durante a inspeção na empresa fabricante. 2.5. Para produtos importados, os estudos de estabilidade podem ser realizados no exterior de acordo com os parâmetros definidos nesta Resolução. Nos caso de produtos importados a granel, o prazo de validade deve levar em consideração o tempo máximo de armazenamento até a execução da embalagem primária. 2.6. Para produtos importados, a granel ou em embalagem primária, os estudos de estabilidade de acompanhamento devem ser realizados em solo brasileiro de acordo com os parâmetros definidos nesta Resolução. 2.7. Estudos adicionais, tais como fotoestabilidade que se façam pertinentes de acordo com as propriedades do produto em questão, poderão ser necessárias para a comprovação da estabilidade de produtos farmacêuticos. Nestes casos sugerimos seguir recomendação técnica disponível no portal da Anvisa. A não apresentação de estudo de fotoestabilidade deve vir acompanhada de justificativa técnica com evidência científica de que o(s) ativos(s) não sofre(m) degradação em presença de luz ou de que a embalagem primária não permite a passagem de luz. 2.8. É facultado utilizar modelos reduzidos de plano de estudo de estabilidade, baseados 57 nos princípios estabelecidos na recomendação técnica disponível no portal da Anvisa. 2.9. Todo relatório de estudo de estabilidade, independente da forma farmacêutica, deve apresentar as seguintes informações ou justificativa técnica de ausência: Descrição do produto com respectiva especificação da embalagem primária Número do lote para cada lote envolvido no estudo Descrição do fabricante dos princípios ativos utilizados Aparência Plano de estudo: material, métodos (desenho) e cronograma. Data de início do estudo Teor do princípio ativo e método analítico correspondente Quantificação de produtos de degradação e método analítico correspondente Limites microbianos Para toda a forma farmacêutica sólida a empresa deve acrescentar as seguintes informações ou justificativa técnica de ausência: Dissolução Dureza Para as formas farmacêuticas líquídas e semi-sólidas, a empresa deve acrescentar as seguintes informações ou justificativa técnica de ausência: pH Sedimentação pós agitação em suspensões Claridade em soluções Separação de fase em emulsões e cremes Perda de peso em produtos de base aquosa 2.10. Para fins de prazo de validade provisório de 24 meses será aprovado o relatório de estabilidade acelerado ou de longa duração de 12 meses que apresentar variação menor ou igual a 5,0% do valor de análise da liberação do lote, mantidas as demais especificações. Caso as variações de doseamento estejam entre 5,1% e 10,0% no estudo de estabilidade acelerado, o prazo de validade provisório será reduzido à metade, ou seja, será de 12 meses. O doseamento no momento zero não pode ultrapassar as especificações do produto de acordo com farmacopéias reconhecidas pela Anvisa ou, na ausência de informação farmacopeica, com método validado de acordo com o Guia para validação de métodos analíticos e bioanalíticos. Caso a especificação farmacopeica e/ou proveniente de método validado permitir que o momento zero seja acima de 10% do declarado a variação da 58 queda será analisada caso a caso. 2.11. Para fins de prazo de validade definitivo, somente será aprovado o relatório de estabilidade que apresentar a variação do doseamento dos princípios ativos dentro das especificações farmacopeicas e/ou proveniente de método validado do produto de acordo com o Guia para validação de métodos analíticos e bioanalíticos, e mantidas as demais características do produto. 2.12. Em caso de produtos que requeiram reconstituição ou diluição deve-se apresentar informações iniciais e finais que comprovem o período de utilização pelo qual o produto mantém a sua estabilidade depois da reconstituição, nas condições de armazenamento determinadas. Os estudos devem ser conduzidos utilizando o diluente especificado para reconstituição do produto farmacêutico. Se existir a opção de mais de um diluente, o estudo deve ser conduzido com aquele que apresente o produto farmacêutico reconstituído menos estável. 2.13. Em caso de comprimidos efervescentes deve-se apresentar informações iniciais e finais que comprovem o período de utilização pelo qual o produto remanescente mantém a sua estabilidade depois da abertura da embalagem primária nas condições de armazenamento determinadas. Estes estudos devem ser realizados com os parâmetros e testes definidos por esta Resolução. 2.14. Excepcionalmente, para os produtos cujos cuidados de conservação sejam inferiores a 25°C e de uso exclusivo em hospitais e clínicas médicas, serão aceitos estudos de estabilidade nas condições especificadas para Zona II (25°C/60%UR), desde que seja devidamente comprovado que o produto não suporta as condições estabelecidas nesta Resolução. Entretanto o titular do registro do produto deve assegurar a conservação recomendada durante o transporte e a distribuição. 3. SELEÇÃO DE LOTES 3.1. Para fins de registro e alterações pós-registro, nos estudos de estabilidade acelerado e longa duração: um ou três lotes, de acordo com as normas legais e regulamentares pertinentes. 59 3.2. Os lotes a serem amostrados devem ser representativos do processo de fabricação, tanto em escala piloto quanto escala industrial. 3.3. Para os produtos cuja concentração do princípio ativo esteja na ordem de dosagem abaixo de 0.99 miligramas por unidade posológica, não serão permitidos lotes pilotos com quantitativos diferentes dos lotes industriais. Não aplicável a soluções. 3.4. Os estudos de acompanhamento deverão ser realizados nas condições climáticas preconizadas neste Guia. A amostragem deve seguir os parâmetros abaixo descritos: a) Um lote anual, para produção acima de 15 lotes/ano. b) Um lote a cada 2 anos, produção abaixo ou igual de 15 lotes/ano. c) Para produtos com diferentes concentrações e formulações proporcionais, poderá ser utilizado como critério de escolha, aquele que apresentar o maior número de lotes produzidos ao ano. 3.5. O estudo de acompanhamento somente poderá ser realizado se o produto não sofrer nenhuma alteração após a conclusão do estudo de estabilidade de longa duração. Caso ocorra qualquer alteração no produto deverá ser realizado novo estudo de estabilidade de longa duração conforme preconizado neste Guia. 4. FREQÜÊNCIA DOS TESTES 4.1. Estudo acelerado: 0, 3 e 6 meses para doseamento, quantificação de produtos de degradação, dissolução (quando aplicável) e pH (quando aplicável). Para as demais provas apresentar estudo aos 6 meses comparativo ao momento zero. 4.2. Estudo de longa duração: 0, 3, 6, 9, 12, 18, 24 meses para doseamento, quantificação de produtos de degradação, dissolução (quando aplicável) e pH (quando aplicável). Para as demais provas, apresentar estudo no prazo de validade requerido comparativo ao momento zero. 4.3. Estudo de acompanhamento: a cada 12 meses deverão ser realizados todos os testes de um relatório de estudo de estabilidade, relatório que deve ser disponibilizado no momento da inspeção. 5. DA ADEQUAÇÃO 60 5.1. É obrigatória a apresentação de estudos de estabilidade no momento da primeira renovação de registro após a publicação desta Resolução caso este estudo não conste do dossiê do registro, mesmo que conduzidos de acordo com os parâmetros vigentes quando do início dos estudos. 5.2. A Anvisa aceitará até 31 de julho de 2007, no momento do registro, pós-registro ou da renovação de registro, estudos de estabilidade de longa duração que já estejam em andamento com o parâmetro de umidade abaixo de 75%. Entretanto as câmaras climáticas devem ser re-qualificadas para umidade de 75% a partir da data de publicação desta Resolução. Fica a critério da empresa reiniciar ou não estes estudos. 5.3. Caso os estudos de estabilidade de longa duração tenham sido realizados somente com parâmetros de umidade distintos do definido nesta Resolução, as empresas deverão na primeira renovação de registro após 1 de agosto de 2007, apresentar estudos de estabilidade de acompanhamento em um lote, de acordo com esta Resolução. Para produtos que atendam a esta circunstância, o momento da renovação é entre 1 de agosto de 2007 e 31 de julho de 2008 e já tenham validade igual ou superior a 36 meses, é possível aprovar um período de validade de 36 meses com a apresentação de estudos de no mínimo de 24 meses. 5.4. Caso os estudos de estabilidade de longa duração tenham sido realizados com parâmetros de temperatura e umidade distintos do definido nesta Resolução, as empresas deverão na primeira renovação de registro após 1 de agosto de 2007, apresentar estudos de estabilidade de longa duração de 12 meses, ou estudo acelerado de 6 meses acompanhado do respectivo estudo de longa duração de acordo com esta Resolução. Caso as condições de estabilidade não forem comprovadas na submissão da renovação de registro, a empresa deverá solicitar suspensão de comercialização para manter o registro, caso contrário o registro não será renovado. 5.5. Casos os estudos de longa duração, realizados através das condições desta Resolução, comprovem um prazo de validade menor que o estabelecido no registro do produto, a empresa deverá imediata e provisoriamente implementar e solicitar alteração pós-registro para alteração de prazo de validade com base nos dados obtidos. 61 ANEXO B GUIA PARA REALIZAÇÃO DE ESTUDOS DE FOTOESTABILIDADE ESTUDO DE FOTOESTABILIDADE 1. FOTOESTABILIDADE O teste tem como objetivo demonstrar que uma exposição à luz não resulta em alterações significantes no produto. São recomendados testes em: a) Produto exposto b) Produto em sua embalagem primária Em alguns produtos onde tem sido demonstrado que a embalagem primária é completamente fotoprotetora, tais como: tubos de alumínio ou enlatados; os testes não precisam ser realizados, mediante levantamento bibliográfico, demonstrando que os componentes da formulação não apresentam problemas de fotoestabilidade. Este produto será isento do estudo. 1.1. AS FONTES DE LUZ E CÂMARA DE TESTES São descritas duas opções para fontes de luz. OPÇÃO 1: utilizar uma fonte de luz similar ao padrão de emissão D65/ID65, como uma lâmpada fluorescente artificial combinando emissão visível e UV. D65 é o padrão internacional reconhecido para luz do dia como definido na ISO 10977(1993). ID65 é o equivalente ao padrão de luz indireta de interiores. Para fonte de luz emitindo radiação significativa abaixo de 320nm, deve ser utilizado filtro(s) para eliminar tais radiações. OPÇÃO 2: a amostra deve ser exposta à combinação descrita abaixo: a) Lâmpada branca fluorescente fria similar à ISO 10977(1993) b) Lâmpada fluorescente UV com espectro distribuído entre 320nm e 400nm, e emissão máxima de energia entre 350nm e 370nm. Para realização dos testes, deve-se manter um controle apropriado da temperatura, a fim de minimizar os efeitos de alterações localizadas deste fator. As amostras devem ser expostas em uma câmara oticamente isolada do ambiente externo com ventilação apropriada e a câmara, por sua vez, deve estar em uma sala com temperatura controlada. 1.2. PROCEDIMENTO 62 As amostras devem ser expostas a não menos que 1,2 milhões de lux. hora, integrados a uma energia de ultra-violeta próxima de não menos que 200 watt horas/m2. As amostras devem ser expostas lado a lado utilizando o sistema químico validado actinométrico, assegurando que a exposição foi garantida; ou a uma duração apropriada quando as condições são monitoradas por radiômetros ou luxímetros calibrados. Se amostras protegidas - por exemplo, em papel alumínio; forem utilizadas como controles para avaliação das alterações provocadas pela temperatura induzida no processo, estas devem ser colocadas junto com as amostras em teste. 1.2.1. SISTEMA ACTINOMÉTRICO Trata-se de um sistema para monitoramento de exposições próximas à lâmpada fluorescente UV. OPÇÃO 1: a) Prepare uma solução aquosa de quinino monocloridrato dihidratado 2% peso/volume em água (se necessário, dissolva à quente). b) Amostra: Adicione 10ml da solução de quinino em ampolas de 20mL incolor, selada hermeticamente. Prepare um número suficiente de ampolas para execução do teste. c) Controle: Adicione 10ml da solução de quinino em ampolas de 20mL incolor, selada hermeticamente, e embrulhada em papel alumínio. Prepare um número suficiente de ampolas para execução do teste. d) Promova a exposição luminosa das ampolas contendo a amostra e o controle na câmara de testes. e) Em intervalos apropriados de tempo, determine as absorbâncias da amostra (Aa) e do controle (Ac) a 400 nm em cubeta de quartzo de 1 cm, usando água como branco. f) Determine ΔA = (Ac - Aa) para tempos distintos (T1, T2, T3, ..., Tn). g) Trate de forma estatística apropriada os dados obtidos (ΔA versus T) e estime o tempo de exposição necessário para que se tenha ΔA ≥ 0,9 AU. Este será o tempo de exposição das amostras de fármacos. Exemplo: Conforme gráfico abaixo, das cinco medidas feitas, estima-se um valor de t = 9 para que se tenha ΔA= 0,9 63 OPÇÃO 2: a) Preencha uma cubeta de quartzo de 1cm com a solução de quinino, citada na opção 1. Tampe a cubeta com tampa apropiada ; b) Separadamente preencha uma outra cubeta de quartzo de 1cm, com a mesma solução, tampe-a e embrulhe em papel alumínio para proteger completamente da luz, e use como controle; c) Exponha a amostra e o controle à fonte de luz por um número apropriado de horas; d) Depois de exposição determinar as absorbâncias da amostra (Aa) e do controle (Ac) a 400 nm; e) Calcule a mudança em absorbância, ΔA = Ac - Aa. f) Estime o tempo necessário para assegurar um ΔA mínimo de 0,5 AU, conforme descrito na opção 1. Este será o tempo de exposição das amostras de fármacos. 1.3. CONSIDERAÇÕES PARA EXECUÇÃO DO TESTE Os estudos são tratados iniciando com o teste de exposição total do produto e em seguida, se necessário na embalagem primária. Pode ser apropriado testar certos produtos como infusões líquidas, cremes tópicos, etc. para garantir sua fotoestabilidade em uso. A extensão destes testes depende do uso dos produtos. Os processos analíticos usados devem ser adequadamente validados. Os testes devem ser executados, inicialmente em três diferentes lotes do produto e depois, periodicamente ou por alguma modificação relevante no processo de fabricação e/ou alteração de matéria prima, em um lote do produto. 64 Cuidados devem ser tomados para garantir preservadas as características físicas das amostras sob teste, tais como resfriamento e/ou posicionamento das amostras em recipientes lacrados, propiciando minimizar alterações de estado físico, a citar: sublimação, evaporação ou fusão. Estas ações são tomadas a fim de estabelecer o mínimo de interferência com a irradiação das amostras sob teste. Possíveis interações entre as amostras e materiais utilizados em sua proteção ou componentes dos recipientes devem sempre ser consideradas e quando não relevantes ao processo, descartadas. Quando as amostras estão sendo testadas fora da embalagem primária, devem ser posicionadas de maneira a promover o máximo de exposição à fonte de luz. Se a exposição direta não é adequada, por exemplo: devido oxidar o produto; a amostra deve ser colocada em um recipiente inerte, transparente e protegido adequadamente. Se houver necessidade de testar o produto nas embalagens primárias, as amostras devem ser colocadas horizontalmente ou transversalmente em relação à fonte de luz, definidas pela maior uniformidade na exposição. Alguns ajustes devem ser necessários, tratando-se de recipientes maiores. As amostras devem ser expostas pelo tempo necessário conforme potência da fonte de luz utilizada. 1.4. ANÁLISE DAS AMOSTRAS Ao final do período de exposição, as amostras devem ser examinadas para qualquer alteração das propriedades físicas, em geral: aparência, limpidez ou cor da solução; ou dissolução/desintegração para formas como cápsulas, teor e produtos de degradação, por métodos validados adequadamente para produtos desejados resultantes de processos de degradação fotoquímica. Tratando-se de pós, as amostras devem utilizar porções representativas nos testes individuais. Para comprimidos, os testes devem ser conduzidos com 20 comprimidos ou cápsulas. Caso tenham sido utilizadas amostras protegidas como controle, as análises devem ser realizadas concomitantemente. 1.5. AVALIAÇÃO DOS RESULTADOS Dependendo das alterações obtidas durante os estudos de fotoestabilidade, rótulos ou embalagens especiais devem ser utilizados para evitar a exposição à luz, de maneira a assegurar a estabilidade do produto durante o prazo de validade proposto. 65