(RE)CONHECER-SE. O BRADO
BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA.
DA
LITERATURA
AFRO-
Marcelo José da SILVA (PG –UEL)
ISBN: 978-85-99680-05-6
REFERÊNCIA:
SILVA, Marcelo José da. (Re)conhecer-se. O brado
da literatura afro-brasileira contemporânea. In:
CELLI
–
COLÓQUIO
DE
ESTUDOS
LINGUÍSTICOS E LITERÁRIOS. 3, 2007,
Maringá. Anais... Maringá, 2009, p. 633-640.
A literatura afro-brasileira sujeita-se aos mesmos problemas enfrentados pelo
povo nela representado durante o período da colonização: a exclusão e a falta de
reconhecimento, sendo muitas vezes relegada a marginalidade. Ao ser referenciada
como literatura afro-brasileira, literatura negra no Brasil ou estudada no âmbito das
literaturas de grupos minoritários percebe-se a falta de definição do termo e mesmo a
pouca importância com que é vista no meio acadêmico. Inserida nos estudos culturais
serve-se da história, da antropologia e da sociologia para se constituir. Talvez, em
decorrência do pouco tempo passado desde o seu surgimento não foi ainda possível o
aparecimento de teorias próprias que a explique. Autores como Luiza Lobo (1993),
Eduardo de Assis Duarte (2006) e Domício Proença Filho (2004) entre outros ressaltam
a tendência de explicar, ou conceituar essa literatura a partir de um comprometimento
ideológico.
Apesar das divergências encontradas, tais estudos convergem para a necessidade
de separar o joio do trigo, ou seja, faz-se necessário que se separe o que é literatura afrobrasileira e o que é literatura sobre o negro no Brasil. Nesse sentido Assis Duarte (2006)
destaca a temática, a autoria, o ponto de vista, a linguagem e o público leitor como
critérios de configuração dessa literatura, apontando ainda que não basta a ocorrência de
um desses critérios, mas uma combinação entre eles.
Para muitos e em especial aos neófitos na arte literária, a afrobrasilidade na
literatura seria explicada pela cor da tez. A questão epidérmica, quer seja do autor ou
dos personagens representados na obra, bem como o tema da escravidão não são fatores
qualificativos da literatura afro-brasileira. Do mesmo modo Proença Filho (2004)
reivindica a necessidade de engajamento, de uma “atitude compromissada” do autor
como característica dessa literatura. A partir dessas proposições torna-se possível negar
a figura de ícones da literatura brasileira como autores de uma literatura afro, apesar da
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tez escura, ou da utilização do negro como tema e personagem da obra, justamente por
não ser possível reconhecer em suas obras esse compromisso.
A literatura afro-brasileira em si, acaba confundindo-se com o seu abjeto de
escrita, com o seu próprio tema, e desse modo luta pela conquista de seu espaço como
outrora lutaram o negro africano e seus descendentes brasileiros. O tom de manifesto e
revolta que predominou por muito tempo, vai cedendo espaço. “O negro deixa de ser
objeto para passar a sujeito da literatura e da sua própria história; deixa de ser tema
(inclusive como estereótipo) para ser autor de uma visão de mundo própria”, é o que
assevera Lobo (1993, p.206).
Os estereótipos criados por uma cultura minoritária e amalgamados na cultura
brasileira que se diz elitizada perpetuam-se na literatura. A visão do negro está de certo
modo impregnada de um racismo muitas vezes disfarçado pelo discurso do branco.
Estigmas causados pela escravidão e a opressão durante séculos foram transformados e
confundidos com características próprias da raça, constituindo-se forjadamente em
traços identitários. Essas cicatrizes deixadas por anos de trabalho forçado e maus-tratos
ainda persistem sob forma de preconceito, muitas vezes multifacetado e velado.
Entretanto, na literatura contemporânea encontramos vozes e silêncios que procuram
quebrar essa tradição e apresentam o tema da escravidão e os sintagmas negativos por
ela impostos de maneira positiva, abandonando assim a visão do negro vitimizado,
buscando desta forma “libertar-se do peso da história” (PAZ, 1982, p.44).
Nos poemas recolhidos na literatura contemporânea, procuramos mostrar que o
motivo central é a assunção. Ao clamar para que o negro fuja dos estereótipos impostos
e assumam sua identidade, reconhecemos o brado da própria literatura afro-brasileira
num apelo a favor de seu reconhecimento. Se percebemos na contemporaneidade uma
resistência ao seu reconhecimento, é porque sabemos não ser mais possível negar sua
existência.
Nesse sentido é que Solano Trindade (1986, p.38) em seu poema ‘Quem ta
gemendo?’ transforma o sofrimento do negro na senzala em arte e mostra que a
vergonha não deve ser do negro e nem da literatura que o retrata.
Quem tá gemendo?
Negro ou carro de boi?
Carro de boi geme quando quer
Negro não
Negro geme porque apanha
Apanha pra não gemer
Gemido de negro é cantiga
Gemido de negro é poema
Quem ta gemendo
Negro ou carro de boi? (TRINDADE, 1986, p. 38)
O autor menciona no poema dois “aparatos” necessários ao trabalho no período
colonial, o carro de boi e o negro/escravo. Comparando-os, resgata a força de trabalho
do escravo e a força de trabalho do boi que puxa o carro. Duas formas que pouco
custava para serem mantidas e que depois de empregadas não necessitavam de maiores
cuidados.
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O carro de boi ao ser puxado “geme”, emite ruídos causados pelo contato entre
suas partes muitas vezes desgastadas e o peso que é obrigado a carregar. O negro, da
mesma forma, ao suportar o peso de seu trabalho sob o sol também geme, porém esse
direito lhe é negado e por isso “apanha pra não gemer”.
Solano Trindade faz referência ao tratamento desumano a que os escravos eram
submetidos rotineiramente, tratamento degradante e consequentemente desencadeador
da descentralização de si mesmo. O negro separado de suas raízes, de sua família e
desapropriado de si, torna-se suscetível a transformações de acordo com o interesse de
seu proprietário. Ao ser transformado em propriedade o negro é, segundo Ribeiro (2006,
p. 106), “reduzido a uma condição de bem semovente, como um animal de carga”. Essa
observação encontra eco nas palavras de Arendt que afirma ser “a degradação do
escravo um rude golpe do destino, um fado pior que a morte, por implicar a
transformação do homem em algo semelhante a um animal doméstico” (1989, p. 94).
O poema lido de uma perspectiva afro-brasileira ressalta ao leitor a diferença
entre boi e escravo, entre animal e homem. Embora submetidos a condições de trabalho
semelhantes a única possibilidade o que cabe ao boi é gemer. Para o autor, o gemer do
negro adquire um significado outro, a representação de que o escravo mesmo
subjugado, explorado e violentado resiste, e essa resistência é marcada pela
transformação do gemido em canto, em poema. A força imagética que emana do poema
sugere o esmaecimento do sofrimento como elemento catalisador e destaca a
circularidade do binômio gemer/cantar, reforçado pela finalização do poema com o
dístico inicial.
Essa característica, a re-significação, é utilizada por Cuti em seu poema Ferro,
ao transformar o ferro em um objeto que ao lembrar a violência histórica sofrida pelo
negro chama à necessidade de afirmação. O poeta mostra que a história do negro não é
uma história de estigmas e vergonhas. Ao utilizar o vocábulo ferro, sintagma de
violência em decorrência das muitas formas com que era utilizado no período da
escravidão para castigar o negro ou “para marcar na cara os filhos de escravos até a
terceira ou quarta geração para se venderem” (PRADO, 1962, p.97) ele exalta o
sofrimento da raça negra como uma forma de martírio ao invés de escondê-lo.
Primeiro o ferro marca
A violência nas costas
Depois o ferro alisa
A vergonha nos cabelos
Na verdade o que se precisa
É jogar o ferro fora
É quebrar todos os elos
Dessa corrente
De desesperos. (CUTI, 1986, p. 90)
Primeiramente o autor nos apresenta o ferro que fere, que marca, no período da
escravidão e que pode representar o açoite, as algemas, as mordaças, enfim tudo o que é
derivado do mesmo tipo de material. Em seguida o ferro que alisa, menção ao objeto
utilizado para alisar roupas, mas aqui uma alusão ao ato de alisar os cabelos, ato ainda
comum, utilizado com o objetivo de alterar as próprias características físicas numa
tentativa de distanciar-se de sua raça e aproximar-se da raça ilusoriamente considerada
superior. Deste modo temos duas formas de violência, a violência física e a psicológica
a que o negro é submetido. Interessante notar no poema que o próprio ferro utilizado
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para escravizar, para punir, para ferir esvazia-se em seu conteúdo material e passa a
significar a possibilidade de liberdade.
O autor traz à tona a ideologia do branqueamento através da qual é alimentada a
falsa crença de que é necessário ser branco para ser reconhecido. Ideologia essa que
sutilmente alimenta o preconceito racial ao tentar impor a idéia de que somos todos
iguais. Como podemos perceber, considerar o negro como igual resulta no apagamento
de toda sua cultura, suas crenças religiosas e seu modo de vida. Não reconhecê-lo
diferente e como conseqüência não respeitar essas diferenças é novamente promover o
seu desenraizamento, e nas palavras de Arendt “não ter raízes significa não ter no
mundo um lugar reconhecido e garantido pelos outros” (1989, p. VII).
Ao pedir que seja jogado fora o ferro, que se quebre a corrente, o autor conclama
para que a condição afro-descendente seja assumida, promovendo assim a completude
do indivíduo esfacelado pelos resquícios do escravismo onde o “cativo além de não ter
propriedade do seu corpo, perde também a propriedade de sua alma” (PRADO, 1962,
p.162). Mais uma vez o que se pede não é a negação ou esquecimento da condição de
escravos mas sim o reconhecimento de sua identidade e a luta pela própria afirmação
enquanto negro. A proposta de Cuti em seu poema parece ser o resgate tanto do corpo
quanto da alma do indivíduo.
Em outro poema, Cuti denuncia a relação de dominação imposta pelo
capitalismo e como o sistema alimenta o preconceito através do incentivo ao uso de
produtos e cosméticos utilizados para mascarar a origem racial do indivíduo.
Muitos cortaram careca
Escorregaram na gosma de inúmeros alisantes
Ou se acariciaram com ferro em brasas sobre o
Couro cabeludo
/.../
E não adiantou nada
Por mais lucro havido
Na indústria de cosmético
Jamais o racismo
Mesmo com seu riso químico
Será ético
Neste comércio
Nutre-se
Da inferiorização constante e seu complexo. (CUTI, s/d)
Retomando a temática de “Ferro” o autor procura mostrar que a condição de
pertencimento do indivíduo a uma determinada raça não está baseada em características
externas mas em componentes intrínsecos. Utilizando um tom de poema denúncia o
autor nos faz perceber uma outra face da dominação econômica. No colonialismo o
negro interessa à classe dominante por significar mão-de-obra barata; na
contemporaneidade o capitalismo percebe o contingente de consumidores afro-brasileiro
para seus cosméticos “branqueadores” e “alisadores”. Estamos novamente diante do
negro em favor do poder econômico. Mais uma vez perpetua-se a idéia da inferioridade
do negro e da necessidade de negação de sua condição. Essa indução da negação de si
mesmo é talvez uma das piores formas de racismo uma vez que ocorre de forma
inconsciente e é infringido pelo próprio objeto. O que é vendido não é o produto, mas a
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possibilidade de transformação proporcionada pelo uso do mesmo, não ser o que se é e
sim aquilo que se deseja ser.
Aliás, utilizar-se dos atributos físicos do negro como cor de pele, lábios grossos,
ancas largas e cabelos enrolados não está restrito à literatura. No campo musical
ouvimos falar da “nega do cabelo duro, que não gosta de pentear” ou do rapaz que diz
“os seus cabelos não nega mulata”. Afirmar que a nega não gosta de pentear o cabelo
resgata o estereótipo da pouca ou nenhuma higiene do negro, reconhecer a mulata pelos
cabelos remete ao cabelo pixaim da mulata. De acordo com Assis Duarte (2006), “o
cabelo é um dos principais ícones do preconceito racial”. Mais uma vez as
características físicas do negro são destacadas com um valor semântico negativo. De
uma forma totalmente contrária, Henrique Cunha Júnior promove a valorização do
“cabelo de negro” em seu poema.
Cabelos enroladinhos enroladinhos
Cabelos de caracóis pequeninos
Cabelos que a natureza se deu ao luxo
De trabalhá-los e não simplesmente deixá-los
Esticados ao acaso
Cabelo pixaim
Cabelo de negro. (CUNHA JÚNIOR, 1978, s/n)
Percebe-se um novo chamamento para a consciencialização do negro em relação
à sua etnia. No mesmo processo empregado por Solano Trindade e Cuti nos poemas
apresentados anteriormente, Cunha Júnior se apropria do preconceito sofrido pelo negro
em relação ao seu cabelo e como o reflexo de um espelho projeta o mesmo preconceito
sobre os cabelos “esticados ao acaso”. Transformando em positivo o que lhe fora
apresentado como negativo ele inverte os valores e chama a atenção para um dos
elementos constitutivos da identidade do negro. Abandonar os cabelos enroladinhos,
cabelo pixaim constitui-se em fator desencadeador da perda da própria identidade do
indivíduo.
Parece dissonante falar sobre a questão identitária. Sem conhecer sua origem,
sem qualquer possibilidade de identificação com sua tribo e seu povo, o negro
“arrancado do grande útero mítico” para mergulhar na cultura desmi(s)tificada do Brasil
(LOBO, 1993, p.240) foi segundo Freire (2001, p. 103) “compelido a incorporar-se
passivamente no universo cultural da nova sociedade”. Submetido a um processo de
deculturação e resultante da miscigenação muitas vezes forçada, como no caso do filho
do senhor de engenho que emprenhava negras para aumentar o capital paterno, o negro
deixa de exercer sua negritude. Para preencher esse espaço, esse vazio, Geni Guimarães
levanta a voz em seu poema “integridade” numa definição do que é ser negra,
ressaltando ainda que desnecessariamente, que negra é ser.
Ser negra
Na intregridade
Calma e morna dos dias
Ser negra
De carrapinha,
De dorso brilhante,
De pés soltos nos caminhos
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Ser negra,
De negras mãos,
De negras mamas
De negra alma
Ser negra,
Nos traços,
Nos passos,
Na sensibilidade negra.
Ser negra,
Do verso e reverso,
De choro e riso,
De verdades e mentiras,
Como todos os seres que habitam terra.
Negra
Puro afro sangue negro,
Saindo nos jorros
Por todos os poros. (GUIMARÃES, 1986, p. 76)
A autora inicia com a afirmação da necessidade de completude, é preciso ser
negra na integridade, ou seja, de corpo e alma. Em seguida passa a apresentar os
atributos físicos como o dorso brilhante, os pés soltos, as negras mãos e mamas. Aponta
para a necessidade de integridade nos passos, significando também o preconceito. E
realça os traços existenciais que o negro chora e ri “como todos os que habitam a terra”.
Em seu poema Geni Guimarães reflete o orgulho de pertencer à etnia e ao contrário do
que o título “integridade” sugere, ela nos remete a desintegração sofrida pelo negro.
Todas essas vozes não denunciam somente o preconceito racial imposto ao
negro, mais que isso, elas surgem com uma palavra de conforto, um acalanto, na
tentativa de tirar o negro do reducionismo que não raras as vezes é imposto por ele
próprio, uma tentativa de evitar os excessos praticados pelo negro acometido de banzo
no período da escravatura. (FREYRE, 2001, p. 514).
Entretanto, esperar do negro alegria e risos constantes é o mesmo que negar-lhe
o direito à tristeza. O que se espera é que o negro, em alteridade constante por parte de
uma sociedade patriarcal, não se apresente como vítima permanente. É repetir as
palavras de Cuti em Quebranto.
Às vezes sou o policial que me suspeita /.../
Às vezes sou o zelador não me deixando entrar em mim mesmo /.../
Às vezes sou o próprio delito /.../
Às vezes as migalhas do que sonhei e não comi /.../
Às vezes faço questão de não me ver /.../
Às vezes!... (CUTI, s/d)
O autor utiliza-se da ambigüidade do vocábulo quebranto que traz como sentido
primeiro a fraqueza, a prostração diante das dificuldades, num sentido outro, refere-se
ainda à superstição popular que certas pessoas produzem noutras,o mau-olhado, para
enumerar os preconceitos mais correntes a que o negro está sujeito, a culpabilidade por
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toda e qualquer ação ruim que ocorre. O modo como o poema é construído, utilizando o
verbo ser em primeira pessoa, no modo imperativo parece denunciar a interiorização
desses preconceitos, mas ao mesmo tempo denota uma tomada de consciência. Como se
após anos ouvindo o discurso do outro, que se coloca na posição do colonizador, os
estereótipos fossem incorporando-se à formação de sua identidade e ao mesmo tempo
tornando o negro capaz de perceber que tais preconceitos não lhes dizem respeito,
dando-lhe coragem para levantar a voz. Ao antepor a expressão “às vezes” temos uma
relativização desse preconceito o que nos permite pensar em momentos de possível
libertação e a percepção de uma tênue mudança ainda que não satisfatória.
A partir, portanto, da semelhança entre o caminho histórico percorrido pela raça
negra desde a ruptura com suas raízes em África e o próprio caminhar da literatura afrobrasileira, que de certo modo rompe com a tradição imposta pela literatura canônica
brasileira, é que podemos perceber em ambos uma busca por uma afirmação e
valorização. Ao utilizar temas que denotam um certo grau de selvageria e brutalidade ou
lançando mão de uma eroticidade algumas vezes explícita, a literatura afro-brasileira
causa estranhamento em parte da crítica e no próprio meio acadêmico, sendo ainda lhe
imputada o caráter de marginalidade que por sua vez reflete no mercado editorial ao
percebermos que nomes expoentes da literatura afro no Brasil ainda precisam recorrer a
ideologia de certas editoras para verem sua obra publicada.
Como ficou latente nos poemas apresentados essa valorização não deve ser
aguardado via “decretos” e sim constituída através de um processo interno. Para que
isso ocorra é necessário que haja uma convicção por parte do negro brasileiro
possibilitando então sua libertação do “pesado fardo de sua odiosa herança ou que o
passivo psicológico dela resultante já esteja de todo resgatado ou sequer em via de total
resgate”. (MOOG, 1974, p.25)
Do mesmo modo em que o negro brasileiro precisa reconhecer-se como “os
demais grupos étnicos parte da comunidade que fez e faz o país” (PROENÇA FILHO,
2004, p. 193), a literatura afro-brasileira deve estar alerta para não ser inserida em
nichos apartados da literatura brasileira, ou o que consideramos um grande risco e
prejuízo ainda maior, ser reconhecida apenas como uma forma de compensatória pelo
erro histórico que marcou toda uma raça.
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