MOVIMENTO ESTUDANTIL E ATENÇÃO BÁSICA PROMOVENDO MUDANÇAS EM SAÚDE: AVANÇO NO CONTROLE SOCIAL DO SUS Marcelo Machado Sassi1 Indiara Sartori Dalmolin2 Priscila de Oliveira Rodrigues3 Fabiane de Lima4 Yolanda Rufina Condorimay-Tacsi5 INTRODUÇÃO O regime militar brasileiro, que foi instaurado em 1964 através de um golpe político-militar e que perdurou até 1985 caracterizou-se com um período marcado de mudanças políticas, econômicas e sociais além de uma grande opressão por meio do estado à sociedade e principalmente aos opositores do regime militar (Gianordoli-Nascimento, 2007). Através dessas medidas foi possível que os interesses do bloco que estava no poder fossem assegurados, impondo uma política de arrocho salarial para a classe trabalhadora, levando a queda do poder aquisitivo dos mesmos e causando a concentração de renda nos estratos sociais mais ricos e com isso ampliando as desigualdades socioeconômicas do país (Brasil, 2006). Nesse momento o controle social dos serviços prestados pelo Estado era realizado pelo próprio Estado de forma autoritária sobre a sociedade, através de decretos, atos institucionais e opressão aos opositores do regime. Foi um período obscuro da historia brasileira onde muitas pessoas perderam suas vidas lutando em prol de democracia. Além disso, não havia qualquer forma de interlocução com os segmentos sociais da época (Correia, 2000). No âmbito da saúde teve-se a 1 Apresentador/Autor. Acadêmico do Curso de Graduação em Enfermagem na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), campus de Palmeira das Missões/RS. Bolsista do Programa REUNI de Bolsas de Iniciação Científica 2013. E-mail: [email protected]. 2 Autora. Acadêmica do Curso de Graduação em Enfermagem na UFSM, campus de Palmeira das Missões/RS. Bolsista do Programa REUNI de Bolsas de Iniciação Científica 2013. E-mail: [email protected]. 3 Enfermeira. Estratégia de Saúde da Família (EFS) III – Centro Social Urbano de Palmeira das Missões, RS, Brasil. E-mail: [email protected]. 4 Enfermeira. Estratégia de Saúde da Família (EFS) IV – Centro Social Urbano de Palmeira das Missões, RS, Brasil. E-mail: [email protected]. 5 Professora. Doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo (USP). Docente do Departamento de Ciências da Saúde da UFSM, campus de Palmeira das Missões/RS. E-mail: [email protected]. perpetuação por parte do regime militar durante todo esse período de um modelo de saúde fragmentado, desigual e com estratos sociais de acesso. Os serviços de saúde contemplaram uma desigualdade em três níveis durante o regime militar: o setor privado, voltado para pessoas de alto poder aquisitivo, os planos de saúde direcionados para as classes trabalhistas e o setor publico para pessoas pagantes de previdência social (Falheiros, 1995). A população que não tinha renda suficiente para poder ter acesso a algum desses níveis, era atendida por meio de programas de extensão de cobertura para ações básica, entretanto, essa participação comunitária, não foi capaz de provocar nenhuma mudança no modelo assistencial de saúde. Nesse contexto, ainda na década de 1970 emerge o movimento sanitarista brasileiro composto por diversos segmentos sociais, que tinha em seu cerne o objetivo de buscar a universalização do acesso a saúde, defendendo a saúde como um direto do cidadão e que deveria ser provido pelo Estado (Brasil, 2006). Em março de 1985, após intenso movimento popular em todo o país o regime militar é finalmente deposto do poder e tem-se a eleição presidencial por meio de votação direta. Essa transição política entre do regime militar para uma democracia participativa propiciou uma grande abertura política, até então inédita no país e motivada principalmente através da pressão da sociedade civil e da força dos movimentos sociais, que apresentavam fortes conteúdos reivindicativos além da oposição ao regime militar, sendo a liberdade política como ponto de partida de toda a mobilização social (Gerschman, 2004). Na esfera da saúde o movimento sanitarista encontrava-se ainda mais mobilizado e articulado no período, sendo um de seus lideres e idealizadores, Sérgio Arouca, nomeado presidente da VIII Conferencia Nacional de Saúde (CNS) que ocorreu no ano de 1988. Com isso, a VIII CNS foi à primeira da historia do país com caráter e participação verdadeiramente popular contando com cerca de 5 mil participantes provenientes de todo o país e com grande diversidade de segmentos sociais na cidade de Brasília, diferentemente das CNS ocorridas no regime militar onde os debates se restringiam às ações governamentais, com a participação exclusiva de deputados, senadores e autoridades do setor, sem a participação pública. A participação social foi extremamente significativa e determinante, além disso, foi precedida de mobilizações em pré conferencias em níveis estaduais, o que levou inclusive a extrapolar o número de agentes sociais definidos nas convocações e no regimento interno. Ademais foi objetivando a preservação da autonomia das entidades na escolha de seus representantes. Um dos maiores momentos da VIII CNS foi o consenso obtido em torno da criação do Sistema Único Descentralizado de Saúde (SUDS), que depois se transformaria no Sistema Único de Saúde (SUS). Dentre as diretrizes levantadas pela VIII CNS estavam a formação de conselhos de saúde nos níveis municipal, regional e estadual, cuja composição deveria incluir representantes eleitos pela comunidade (usuários e prestadores de serviços) e cuja atuação deveria abranger o planejamento, a execução e a fiscalização dos programas de saúde (Machado, 1987). A ideia central dessa proposta era por meio dos conselhos de saúde consolidar a democratização do aparato estatal que seria então criado, além da instituição de espaços de debate que serviriam para dar voz aos excluídos. Finalmente com a elaboração da Constituição Federal de 1988 tem-se a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), incorporando as principais diretrizes levantadas pela VIII CNS. O SUS constitui-se como um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo. Dentre os princípios do SUS estão a universalidade de acesso aos serviços de saúde, a integralidade da assistência e a equidade no atendimento do sujeito. Uma das grandes conquistas do movimento sanitarista brasileiro no processo de construção do SUS foi o controle social. A legislação brasileira aponta que o processo de controle social do SUS deve se perpetuar através dos Conselhos de Saúde nas três esferas governamentais que, são órgãos colegiados compostos por representantes do governo, prestadores de serviço, profissionais de saúde e usuários. Ainda de acordo com a lei federal 8142 de 1990, os conselhos são órgãos colegiados permanentes e possuem caráter deliberativo, devendo atuar na formulação de estratégias e no controle da execução da política de saúde (Brasil, 1990). Além disso, os conselhos devem atuar na formulação de estratégias e no controle da execução da política de saúde na instância correspondente, inclusive nos aspectos econômicos e financeiros, cujas decisões serão homologadas pelo chefe do poder legalmente constituído em cada esfera governamental (Brasil, 2012). Os conselhos de saúde detêm de enorme potencial para efetivar a democratização da saúde, porém, para tal é necessário que venham a ser contempladas integralmente as dimensões de partilha do poder, a reciprocidade e o reconhecimento (Santos, 2005). Assim, os conselhos vêem a ter o caráter singular em um âmbito inovador, diferentemente das organizações políticas tradicionais, pois são instituições problematizadoras de debates nos três níveis governamentais de forma e ação política, mas sem o caráter eleitoral e partidário (Andrade, 2010). Ademais, os conselhos de saúde se constituem como um grande avanço social e uma das grandes inovações provadas pelo movimento sanitarista brasileiro contemporâneo sendo cada vez mais objeto de estudos, investigações e reflexões teóricas por parte de pesquisadores (Carvalho, 1995). Tem-se a oportunidade do exercício participativo com grande potencial de propor o desenvolvimento do sentimento de pertencimento do cidadão à sua sociedade, não somente fortalecendo a formação de identidades políticas amplas, mas contribuindo para a legitimação das instituições políticas (Gurza, 2011). A criação dos conselhos de saúde na perspectiva institucional de participação social vem a ser um grande avanço de toda a sociedade no processo de construção de uma saúde democrática (Oliveira, 2010). Com isso, a inclusão de novos atores sociais na forma de cidadãos sociopolíticos, com caráter poder institucional, transformou a forma de execução da política dos grupos, das entidades organizadas e da própria gestão pública (Gohn, 2003). O controle social pode ser entendido como o controle que sociedade civil detém sobre as ações do Estado e vem de encontro o ideal igualitário buscado pelo movimento sanitarista brasileiro, visando assegurar a saúde como um direito do cidadão além da edificação do poder local por meio de uma gestão democrática e participativa (Merhy 1997). A composição do conselho deve obedecer a resolução nº 333 do Conselho Nacional de Saúde tendo a paridade de composição com 50% de usuários, 25% de trabalhadores de saúde e 25% de representantes do governo e prestadores de serviço. Entretanto, em uma pesquisa realizada em âmbito nacional apontou que 68,5% dos CMS respeitam a paridade dos usuários em relação aos demais segmentos e somente 25% respeitam integralmente a recomendação da Resolução do CNS (Moreira, 2006). Essa hiper-representação dos gestores nos conselhos de saúde pode vir a comprometer a efetivação do controle social, merecendo, portanto, revisão de sua composição (Escorel, 2008). Para o exercício de suas propostas de trabalho, os conselhos de saúde podem instituir comissões exclusivas de conselheiros, que podem ser de caráter temporário ou permanente, além de comissão intersetoriais e grupos de trabalho para ações transitórias, como as conferencias de saúde, por exemplo (Brasil, 2003). Tais comissões vem a ter a função de propor ações e elaborarem analises a respeito dos temas abordados, possibilitando a ampliação da gama de trabalho além de um ganho de conhecimento a respeito dos temas em ênfase. Porém em estudo realizado em nível nacional apontou que somente 8,9% dos conselhos apresentavam comissões de caráter permanente em sua conjuntura e 3,7% de comissões de outras características (Moreira 2008). A falta de comissões compromete para o enfraquecimento do controle social, pois não há meios de analises o que acarreta na desqualificação das decisões tomadas a respeito das políticas publicas (Balsemão, 2003). Os encontros do conselho de saúde devem ocorrer ordinariamente ao menos uma vez ao mês e de maneira extraordinária de acordo com regimento externo e obrigatoriamente sendo abertas ao público com suas datas e pautas previamente divulgadas. Tal modo vem a propor a continuidade entre os debates no que dizem respeito ao controle social, e suas definições a toda a gestão pública e diretriz de políticas de saúde pública (Moreira, 2006). Dentre as atribuições dos conselhos estão a fiscalização das contas públicas e do atendimento oferecido pelos dos serviços de saúde. Contudo, em pesquisa realizada foi evidenciado que a atividade de fiscalização dos serviços não é realizada de modo freqüente ou sistemático e a falta de tempo por parte dos conselheiros constitui-se como o principal fator para a não realização das visitas. Com relação a fiscalização das contas públicas a atividade é percebida por parte dos conselheiros de grande dificuldade, pois requer saber técnico específico, além disso, foi relatado que há pouco tempo para tal pois as contas passam em muito pouco tempo pelos conselhos e suas apreciações são realizadas sem muita discussão (Shimizu, 2013). Além disso, a operacionalização dos conselhos de saúde devem obrigatoriamente ocorrer em espaço público e essa pratica remete a necessidade de ampla divulgação nas comunidades as quais os conselhos estão inseridos, possibilitando a visibilidade e difusão dos assuntos debatidos pelo conselho (Arent, 2005). Contudo, sem esta visibilidade e ampliação do debate, a ação pública do conselho fica comprometida e não há a contemplação da função do conselho. Nesse sentido, apesar das dificuldades explicitadas, a sociedade não deve deixar de usufruir deste direito, considerando que o mesmo foi conquistado após um grande período de lutas sociais. Além disso, as universidades, enquanto agentes transformadoras da realidade devem vir a contribuir para a efetivação do controle social nos locais em que estão inseridas, através da formulação e do fortalecimento dos conselhos locais e da formação de conselheiros locais, além da contribuição técnica na construção das conferências de saúde. Esse paradigma desafiador explicitado acima é encontrado na grande maioria dos conselhos do Brasil, pois inúmeras são as dificuldades e as barreiras para se ter a consolidação do controle social do SUS. Apesar disso, não se pode retroceder, pois a conquista desse direito foi um grande avanço fruto de intensa mobilização de gerações anteriores e com isso é necessário somar forças para a consolidação do controle social, e nesse sentido as universidades e movimentos sociais vem a ser importantes parceiras a serem exploradas para tal. Outro ponto importante no processo de controle social diz respeito à realização das Conferências de Saúde, que se caracterizam por fóruns de debates que devem acontecer em todas as esferas governamentais a cada quatro anos e contando com a representação dos vários segmentos sociais de todo o país, para avaliar a situação de saúde e propor as diretrizes para a formulação da política de saúde nos níveis correspondentes (Brasil, 1990). Com isso, o controle social vem a provocar a democratização da saúde, e fiscalizar a relação do Estado com os interesses dominantes, sendo paradoxalmente, uma instituição em movimento, que promove a presença dos movimentos sociais na agenda governamental (Brasil, 2006). Porém tem se percebido gradativamente o esvaziamento desses espaços de controle social por parte da população em geral, o que pode vir a ser devido ao desconhecimento da existência destes espaços garantidos por lei, ou ainda pela falta de interesse na participação desse processo, além disso, há o desinteresse por parte dos profissionais de saúde na construção coletiva desses espaços e também por parte de estudantes ainda na academia que muitas vezes desconhecem o tema. As Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Enfermagem, em seu Art. 5º, indicam que a formação do enfermeiro deve dotar o profissional para o exercício de competências e habilidades específicas, dentre elas: a compreensão da política de saúde no contexto das políticas sociais e o reconhecimento dos perfis epidemiológicos das populações; a saúde como direito; a participação na composição das estruturas consultivas e deliberativas do sistema de saúde e o reconhecimento do papel social do enfermeiro para atuar em atividades de política e planejamento em saúde (Brasil, 2001). Entretanto, atualmente tem-se percebido na formação de profissionais da área da saúde que as instituições formadoras permanecem alheias as questões de organização da gestão setorial, ao debate critico sobre sistemas de estruturação do cuidado e mostrando-se indiferente em relação ao controle social e assim perpetuando modelos essencialmente conservadores (Ceccin, 2004). Ademais, tradicional paradigma autoritário presente de forma intrínseca na sociedade brasileira e a inconsistência de práticas democráticas na política nacional é outro fator que vem a dificultar o controle social do SUS, visto que os Conselhos de Saúde, sejam eles em qualquer âmbito, tem por característica de funcionamento a adesão a práticas democráticas (Da Silva, 2007). METODOLOGIA Nesse contexto o presente artigo trata-se de um relato de experiência ao qual objetiva descrever as atividades de caráter extensionista realizadas pelos estudantes membros do Diretório Acadêmico do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria, campus Palmeira das Missões (UFSM/PM) em parceria com as Estratégias de Saúde da Família (ESF) e a Secretaria da Saúde do município de Palmeira das Missões, estado do Rio Grande do Sul, Brasil. As atividades têm o objetivo de provocar um avanço no processo de controle social do SUS na cidade, considerando que no presente momento essa diretriz do SUS encontra-se pouco desenvolvida no município. Ademais, pretende-se com a atividade a construção de uma conferência municipal de saúde no ano de 2014 com boa representatividade por parte dos usuários e que venha a apontar as demandas de saúde necessárias para a população da cidade. RESULTADOS E DISCUSSÃO A implantação dos Conselhos Locais de Saúde Tais atividades tiveram inicio no primeiro semestre de 2013 visando intensificar e perpetuar o processo de controle social do SUS na cidade, considerando que, até o presente momento esse direito é pouco utilizado pelos cidadãos. O processo teve inicio com a formação de um conselho local de saúde em parceria com duas equipes de Estratégias de Saúde da Família (ESF), onde os Agentes Comunitários de Saúde (ACS), sendo estes profissionais que fazem a ligação entre a ESF e os moradores dos bairros de abrangência das ESF onde os mesmos fizeram a divulgação nos bairros visando a sensibilização da população e estimulo as possíveis lideranças locais. Foram realizadas três reuniões em diferentes para a explanação da idéia e convocação da população para a formação dos conselhos locais de saúde. A participação dos moradores dos bairros foi positiva e em grande número, o que reflete a idéia de que basta uma provocação inicial por parte dos trabalhadores da saúde para que os conselhos locais de saúde venham a acontecer. Durantes as reuniões foi possível perceber o interesse por parte dos moradores em poder saber mais a respeito do funcionamento das unidades de saúde, da gestão pública e de outros temas. Após esse momento teve a formação do conselho local com os representantes previamente escolhidos nos bairros e a elaboração do regimento interno de funcionamento para o conselho. Ademais, espera-se com o inicio do processo de formação de conselhos locais que as outras equipes na atenção básica, nas ESFs do município venham a sentir-se provocadas para a organização de conselhos locais em seus bairros. A participação estudantil no avanço do controle social Inicialmente foi realizado um contato com as coordenadoras das Estratégias de Saúde da Família III e IV para criação de um conselho local de saúde em suas respectivas áreas. A resposta recebida foi positiva, então em reunião realizada com todas as equipes foi lhes exposto a idéia do projeto por parte dos estudantes, a qual foi bem recebida, após isso teve início o processo de divulgação do projeto nos bairros e entre os moradores por meio dos Agentes Comunitários de Saúde. Em relação ao conselho municipal de saúde, no presente momento há pouca representatividade da população no mesmo, pois não há uma reformulação das entidades que o compõe, assim muitas vagas estão ocupadas de maneira desigual por instituições que não mantém assiduidade nas reuniões, prejudicando pessoas que teriam interesse em participar do mesmo. Ainda não há uma comissão dentro do conselho municipal de saúde para a acessória dos conselhos locais, essa comissão é necessária para fazer a interlocução entre as entidades, espera-se com a criação dos conselhos locais que essa comissão seja efetivada. Os membros do movimento estudantil também propuseram aos gestores do município a mudança da lei municipal que diz respeito ao conselho, visto que a mesma encontrava-se desatualizada e inviabilizando uma participação efetiva dos cidadãos. Além disso, tem-se protocolado formalmente um pedido de adesão por parte do movimento estudantil em adentrar no Conselho Municipal de Saúde com uma cadeira permanente com direito a voz e a voto. Pretende-se também a elaboração de um projeto para a educação permanente dos conselheiros com relação as políticas públicas de saúde, para a capacitação técnica e cientifica dos conselheiros locais. Outro objetivo da ação é a realização no ano de 2014 da VIII Conferência Municipal de Saúde em Palmeira das Missões em parceira entre a universidade e os conselhos de saúde do município, de modo democrático, com a realização das Pré-Conferencias nos bairros em parceria com os Conselhos Locais de Saúde e com a maior participação de cidadãos possível e com a eleição de delegados para a conferência estadual e nacional. Para tal é necessário que os conselhos locais sejam fortalecidos desde já onde se realizarão as pré-conferências. CONCLUSÃO Considerando o exposto é importante ressaltar que o controle social é de suma importância para a democratização da saúde, sendo esse um fundamento indispensável para que se tenha uma gestão eficaz do SUS, pautada nas necessidades da população. Os conselhos de saúde são os espaços de controle social do SUS, pois são o elo de comunicação entre gestores, profissionais e usuários, além de ser o espaço onde o usuário tem a oportunidade de fiscalizar a gestão de saúde em todas as esferas governamentais e participando da formulação de estratégias e execução de políticas públicas de saúde. Também, é necessário que haja um maior envolvimento no processo de formação de profissionais da área da saúde em questões a respeito do controle social do SUS. Neste patamar, o movimento estudantil tem grande importância no que tange ao fortalecimento desse processo na sociedade, pois tem em seu caráter a busca por uma sociedade mais igualitária, democrática e protagonista nas definições de suas prioridades. Ademais, conclui-se que o SUS foi uma conquista histórica de toda a população brasileira por intermédio do movimento sanitarista brasileiro. Dentre os princípios do SUS está o controle social, que se dá por meio dos conselhos de saúde e sendo este um importante instrumento para efetivação da democratização da saúde. Para tal é necessário que a população faça uso desses espaços em prol dos interesses populares, entretanto, muitos cidadão ainda desconhecem desse direito. Enquanto estudantes de ensino superior e futuramente vinculados como profissionais da área da saúde devemos sempre provocar os cidadãos para o uso destes espaços, além de engajar esforços na criação e perpetuação dos mesmos. Além disso, na futura atuação profissional temos que ter sempre a consciência dos direitos dos usuários e trabalhar para a criação e fortalecimento dos conselhos de saúde. REFERÊNCIAS ANDRADE IAL (2010). Participação política não eleitoral ou partidária: associações, conselhos e orçamento participativo. Horizontes das ciências sociais no Brasil: ciência política. São Paulo ARENDT H (1995). A condição humana. São Paulo: Forense. BALSEMÃO A (2003). Competências e rotinas de funcionamento dos Conselhos de Saúde no Sistema Único de Saúde no Brasil. Ministério da Saúde. Direito sanitário e saúde pública. Brasília. BRASIL (2006). A construção do SUS: histórias da Reforma Sanitária e do Processo Participativo. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa Brasília: Ministério da Saúde. BRASIL (1990). Lei nº 8.142 de 28 de dezembro de 1990. Brasília. BRASIL (2003) Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Resolução n. 333, de 04 de novembro de 2003. 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