GERMINAÇÃO DE SEMENTES DE CRAMBE, COM E SEM PERICARPO, EM DIFERENTES
SUBSTRATOS
MÜLLER, Daniel Sartori1
SIMONETTI, Ana Paula Morais Mourão2
ROSA, Helton Aparecido3
SILVA, Cláudia Tatiana Araújo da Cruz4
RESUMO
O crambe é uma planta forrageira, da família Brassicaceae, com alto teor de óleo em sua semente, que vem sendo, cada vez mais, usado para a
produção de biodiesel. O presente estudo tem como objetivo avaliar a germinação das sementes de crambe, com e sem a presença de pericarpo, em
diferentes substratos. Foram utilizados quatro tipos de substrato papel germitest como testemunha, areia, solo e substrato comercial, utilizando
sementes com e sem o pericarpo para cada tipo de substrato, totalizando oito tratamentos com três repetições cada. Todos os tratamentos foram
acondicionados em câmara de germinação (BOD), submetidos a um fotoperíodo de 12 horas de luz. A analise foi realizada no sétimo dia após a
montagem do experimento, onde foram contadas as sementes germinadas e feita a pesagem da massa fresca de cinco plântulas germinadas. Os dados
do experimento foram submetidos a analise de variância e comparação de medias pelo do teste Tukey a 1 e a 5% de significância. Após a realização
do experimento pode ser observado que as sementes sem pericarpo tiveram um potencial germinativo mais elevado, porem só apresentaram diferença
estatística para o tratamento com areia.
PALAVRAS-CHAVE: Biodiesel, óleo, Crambe abyssinica.
ABSTRACT
The crambe is a forage plant of the Brassicaceae family, with high oil content in its seed, which is being increasing for production of biodiesel. The
present study to evaluate the germination of crambe, with and without the presence of the pericarp, in different substrates. Four types of substrate,
germitest role as a witness, sand, soil and commercial substrate, using seeds with and without pericarp for each type of substrate were used, totaling
eight treatments with three replications each. All treatments were placed in germination chamber (BOD), subjected to a photoperiod of 12 hours light.
The analysis was performed on the seventh day after the assembly of the experiment, where the seeds germinated were counted and taken weighing
the fresh weight of five seedlings germinated. The experimental data were subjected to analysis of variance and comparison of means by the Tukey
test at 1 and 5. After the experiment can be seen that the seeds without pericarp had a higher germination potential, however only statistically different
for treatment with sand.
KEYWORDS: Biodiesel, oil, Crambe abyssinica.
INTRODUÇÃO
A busca por novas formas de obtenção de energia limpa, que possam suprir futuras necessidades, traz a
agricultura como meio de produção de energias renováveis como o biodiesel, que utiliza óleo vegetal e gordura animal
como matéria-prima (NEVES et al., 2007).
De acordo com Ferreira e Silva (2011) o biodiesel é uma realidade no Brasil, no ano de 2008 o Programa
Nacional de Produção de Biodiesel (PNPB), tornou obrigatória a adição de 2% de biodiesel em todo o diesel
comercializado, em 2010 esse valor subiu para 5% em uma mistura denominada B5 a qual ajuda reduzir em 3% a
emissão de CO2 resultante da queima de combustível, a meta é atingir 20% de biocombustível nas regiões
metropolitanas até o ano de 2015.
O crambe (Crambe abyssinica) é uma planta oleaginosa, da família Brassicaceae, originaria da Etiópia, que
posteriormente teria sido adaptada a regiões secas e frias, é utilizada para produção de biodiesel na indústria química, o
teor de óleo da semente pode chegar em torno de 26 á 38% de base seca. O crambe suporta fortes geadas na fase inicial
do plantio e no florescimento, durante sua fase vegetativa, temperaturas menores que 25ºC proporcionam um maior
potencial produtivo e tolerância a seca (NEVES et al., 2007).
Por ser uma cultivar de ciclo curto, elevada tolerância a déficit hídrico e a seca torna-se uma ótima opção para
plantio de inverno no Brasil, sua adaptação, rusticidade e precocidade, fazem com que o crambe seja uma opção viável
1
Acadêmico do curso de agronomia da Faculdade Assis Gurgacz - PR. [email protected]
Engenheira Agronôma. Mestre em Agronomia (UEL). Coordenadora do Curso de Agronomia da Faculdade Assis Gurcacz – Pr.
[email protected]
3
Engenheiro Agrícola. Mestre em Energia na Agricultura, Professor - FAG – [email protected]
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Graduação em Ciências Biológicas, Mestre em Botânica UFPR – [email protected]
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para substituir culturas de segunda safra como trigo e milho safrinha. O crambe certamente será uma alternativa para
alcançar o programa biodiesel no Brasil, o grande desafio esta em organizar a produção, como fornecedores de
sementes certificadas, produtores, armazenadores e industrias de produção do óleo vegetal. A grande vantagem é que a
cultura se insere com facilidade nos padrões de agronegócio brasileiro, possuindo a mesma estrutura de produção,
maquinas e equipamentos (PITOL et al., 2010).
Com a instalação do programa biodiesel no Brasil, o crambe aparece como uma alternativa para complementar a
produção de óleo vegetal, porém, por ser uma cultura pouco pesquisada no país, o crambe ainda enfrentara muitos
desafios pela frente, tendo assim como um novo campo de trabalho aos pesquisadores e estudantes (CARLSSON apud
BORSOI et al., 2010).
De acordo com Martins et al. (2011) a qualidade de semente é determinada pela padronização de metodologias
para análises de sementes, utilizando testes de germinação, pureza, vigor e sanidade.
O atributo da qualidade fisiológica que deve ser considerado primeiro no lote de sementes é a porcentagem de
germinação, nos testes de laboratório é definida como a emergência e o desenvolvimento do embrião, mostrando que é
capaz de produzir uma planta normal e com boas condições de produção no campo (BRASIL, 2009).
Utilizar plantas que sejam expressivamente de qualidade é fundamental para adequar a produção em campo, o
conjunto de atributos genéticos, físicos, fisiológicos e sanitários é o que vai influenciar um desenvolvimento uniforme,
com plantas vigorosas em uma cultura (POPINIGIS, 1985).
O substrato é um fator de extrema importância na porcentagem final do processo de germinação de sementes, a
escolha do substrato deve ser feita de acordo com a facilidade, eficiência do uso e da espécie a ser analisada (MARCOS
FILHO et al. 1987).
Nos fatores que interferem o potencial de germinação tem-se também o fotoperíodo, que é o intervalo do dia e
noite (EMBRAPA 2008). O fotoperíodo é capaz de influenciar o desenvolvimento das plantas, influenciando os
processos de floração, germinação de sementes, crescimento de caules e folhas, formação de órgãos de reservas e
partição de assimilados (CASTRO et al. 2002).
Considerando a falta de pesquisas direcionadas a cultura do crambe e os potenciais de germinação de acordo
com o substrato e a presença ou não de pericarpo, também pelo considerável valor econômico da cultura e importância
da mesma na produção de óleo vegetal esse trabalho se propõem a avaliar a germinação das sementes de crambe, com e
sem pericarpo, em diferentes substratos.
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi realizado no município de Cascavel/PR, no Laboratório de Análises de Sementes da
Faculdade Assis Gurgacz, no mês de setembro de 2013.
As sementes utilizadas foram escolhidas aleatoriamente e foram obtidas no Centro de Desenvolvimento e
Difusão de Tecnologias (CEDETEC) da Faculdade Assis Gurgacz (FAG). As sementes foram cultivadas no local e
estavam armazenadas em local adequado, no barracão de maquinas da faculdade.
O experimento foi montado em delineamento inteiramente casualizado, em esquema fatorial 2x4, totalizando 24
repetições, sendo o fator 1 a presença ou não de pericarpo e o fator 2 o substrato utilizado.
Para obter as sementes sem pericarpo foi realizado um processo de escarificação onde porções de sementes
foram colocadas em caixas gerbox e agitadas, rompendo assim o pericarpo de uma parte delas, e então realizando a
seleção das mesmas.
Foram utilizadas para o teste de germinação caixas gerbox transparentes (11 x 11 x 3 centímetros) e todos os
tratamentos foram umedecidos com água destilada na proporção de 2,5 vezes o peso do substrato ou do papel germtest
utilizado (BRASIL, 2009).
No momento da utilização, as sementes foram submetidas e imersão em hipoclorito de sódio a 5% por
aproximadamente um segundo e em seguida, lavadas em água destilada por mais um segundo, esse processo tem a
finalidade de evitar uma possível contaminação do experimento, desinfetando superficialmente as sementes.
Os diferentes tipos de substrato utilizados foram: papel germtest, areia, terra e substrato comercial a base de
casca de pinus, turfa, vermiculita, superfosfato simples e nitrato de potássio.
Tabela 1 - Tratamentos utilizados no experimento
Tratamento 1 - papel germtest, sementes com pericarpo
Tratamento 2 - 190g de solo, sementes com pericarpo.
Tratamento 3 - 210g de areia, sementes com pericarpo.
Tratamento 4 - 45g de substrato comercial, sementes com pericarpo.
Tratamento 5 - folha de papel germtest, sementes sem pericarpo.
Tratamento 6 - 190g de solo, sementes sem pericarpo.
Tratamento 7 - 210g de areia, sementes sem pericarpo.
Tratamento 8 - 45g de substrato comercial, sementes sem pericarpo.
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Após a montagem do experimento as caixas gerbox foram acondicionadas em câmara de germinação (BOD)
com temperatura de 25°C e fotoperíodo de 12 horas de luz, onde foram mantidas fechadas para evitar a perda de
umidade para o meio, e umedecidas no quarto dia, mantendo assim as condições favoráveis para germinação.
No sétimo dia foi realizada a avaliação do número de sementes germinadas, onde foram consideradas sementes
germinadas aquelas que obtiveram desenvolvimento da parte aérea e radicular, demonstrando capacidade para continuar
seu desenvolvimento e produzir plantas adultas (BRASIL 2009).
Outro parâmetro avaliado foi a massa fixa de plântulas de cada tratamento, utilizando 5 plântulas germinadas,
escolhidas aleatoriamente, que foram pesadas juntas, buscando assim uma estimativa de desenvolvimento de acordo
com cada tratamento.
Os resultados obtidos foram submetidos a análise de variância e as médias dos tratamentos foram comparadas
pelo teste de Tukey a 1 e 5% de significância com o auxilio do programa estatístico ASSISTAT.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A tabela 2 mostra os resultados estatísticos relativos as interações dos fatores e a analise de cada fator
separadamente. Analisando a tabela 02 pode-se identificar que para a porcentagem de germinação a interação entre os
dois fatores, pericarpo e substrato, foi significativa ao teste de Tukey a 1%. O fator pericarpo foi significativo a 5%,
também que o tipo de substrato, avaliado separadamente, não afetou a porcentagem de germinação. O CV% encontrado
no teste foi de 22,31.
Tabela 2 - Significância dos fatores e da interação entre os mesmos
Germinação (%)
Interação (PxS)
Pericarpo (P)
Substrato (S)
CV %
Massa fresca (g/5 plântulas)
**
*
ns
22,31
ns
ns
**
23,31
** Teste significativo a 1% de probabilidade
* Teste significativo a 5% de probabilidade
ns Teste não significativo
A massa fresca de 5 plântulas germinadas não foi significativo para a interação dos fatores e para o fator
pericarpo avaliado separadamente, apenas o fator substrato, quando avaliado separadamente teve resultado significativo
no teste de Tukey a 1%. O CV% encontrado no teste foi 23,31.
Para o percentual de ganho de massa não teve diferença nas duas primeiras horas de embebição. Após um
período de 6 horas as sementes sem pericarpo atingiram massa constante, já as sementes com pericarpo continuaram
ganhando massa, mostrando ser permeável e não ter dormência tegumentar (ARRUDA et al., 2010).
A tabela 3 indica a porcentagem de germinação para sementes de crambe de acordo com o tipo de substrato
utilizado e a presença ou não de pericarpo nas sementes, avaliando as diferenças estatísticas entre a interação dos fatores
pericarpo e substrato e de cada fator analisado separadamente.
Tabela 3 - Porcentagem de germinação de sementes de crambe de acordo com os fatores substrato e pericarpo
Germtest
Solo
Areia
Substrato
Com pericarpo
62,0 aA
63,33 aA
27,33 bB
65,33 aA
Sem pericarpo
50,67 aB
52,67 aB
78,67 aA
83,33 aA
As medias que possuírem letras iguais não diferem estatisticamente entre si. Aplicado o teste de Tukey a 1%.
Letras maiúsculas para as linhas
Letras minúsculas para as colunas
Considerando o fator substrato e as sementes com pericarpo apenas a areia teve diferença estatística os demais
tratamentos apresentando porcentagem de germinação inferior (27,33%). O tratamento germtest e sementes sem
pericarpo teve o menor índice de germinação quando comparado aos substratos, porem não teve diferença estatística
dos tratamentos com solo e areia para sementes sem pericarpo, já o tratamento com substrato comercial e sementes sem
pericarpo teve a porcentagem de germinação mais elevada entre todos os tratamentos (83,33%), porem não teve
diferença estatística com os tratamentos com solo e areia para sementes sem pericarpo. O fator substrato avaliado
separadamente não teve diferença estatística para os tratamentos, porem quando avaliada interação do fator substrato
com o fator pericarpo é possível notar uma maior porcentagem de germinação para as sementes sem a presença de
pericarpo
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Em trabalho realizado por Neves (2007) a analise estatística dos dados mostrou que as sementes sem pericarpo
tiveram um percentual germinativo mais elevado, assim como a velocidade de germinação, os valores encontrados
foram de 38,3% para sementes com pericarpo e de 52,56% para as sementes sem pericarpo. Dados esses, que
corroboram aos encontrados neste trabalho, onde na germinação em areia, as sementes sem pericarpo tiveram
porcentagem de germinação superior (78,67%) e no tratamento onde utilizado sementes com pericarpo apontou
porcentagem de germinação inferior (27,33%).
Com a realização deste trabalho, notou-se um maior percentual de germinação para as sementes sem pericarpo,
porem não tiveram diferença estatística para a sementes com pericarpo, com exceção do tratamento com areia, onde as
sementes sem pericarpo tiveram um percentual muito elevado de germinação (78,67%) comparadas com as sementes
com pericarpo (27,33%). posso supor que estes índices mais elevados se deram pois quando removida a proteção das
sementes (pericarpo), a interação das mesmas com o substrato é maior, assim tendo maior absorção de nutrientes,
melhorando a porcentagem de germinação.
Para a analise da massa fresca de 5 plântulas germinadas o teste de tukey foi significativo apenas para o fator
substrato a 1% de probabilidade, mostrando que o fator pericarpo analisado separadamente e a interação entre os fatores
não influenciaram na massa fresca do experimento, por tanto, neste artigo, não será apresentada a tabela 04, que
indicaria a interação entre o fator substrato e o fator pericarpo.
CONCLUSÃO
As sementes sem pericarpo alcançaram melhores porcentagens de germinação quando submetidas ao substrato
comercial e sementes sem pericarpo, porem não teve diferença estatística para os tratamentos com areia e solo para
sementes sem pericarpo. Para os tratamentos com areia, quando avaliado a presença ou não de pericarpo tivemos
diferença estatística, apontando as sementes sem pericarpo com percentual bem elevado quando comparado com as
sementes com pericarpo.
REFERÊNCIAS
ARRUDA R. G.; BERGAMO E. P.; NASCIMENTO G. B.; RUAS R. A. Uniformizando a germinação na cultura do
crambe (Crambe abyssinica). MORRINHOS, 2010.
BORSOI A., LUNELLI I. E., TOMAZZONI J. L., PRIMIERI C., SANTOS R. F., VIANA O. H. Germinação de
sementes de crambe (Crambe abyssinica Hochst) em diferentes profundidades. EMBRAPA, 2006.
BRASIL. Ministério da Agricultura e Reforma Agrária. Regras para Análise de Sementes. Brasília:
CLAV/DNDV/SNAD/MA, 2009. 365p.
CASTRO, A.H.; ALVARENGA A.A. Influência do fotoperíodo no crescimento inicial de plantas de confrei.
Universidade Federal de Lavras. Lavras, 2002.
EMBRAPA/BR. Cultivo de arroz de Terras Altas no estado de Mato Grosso, 2008.
FERREIRA F.M.; SILVA A.R.B. Produtividade de grãos e teor de óleo da cultura do crambe sob diferente
sistemas de manejo de solo em Rondonópolis – MT. Universidade Federal de Mato Grosso, 2011.
MARCOS FILHO, J.; CÍCERO, S.M.; SILVA, W.R. Avaliação da qualidade das sementes. Piracicaba: FEALQ,
1987. 230p.
MARTINS, L.D.; COSTA, F.P.; LOPES, J.C. Influência da luz na germinação de sementes de Crambre abyssinica.
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NEVES M. B., TRZECIAK M. B., VINHOLES P. S., TILLMANN C. A. C. e VILLELA F. A. Qualidade
Fisiológica de Sementes de Crambe Produzidas em Mato Grosso do Sul. Universidade Federal de Pelotas. Pelotas,
2007.
PITOL, C.; BROCH, D. L.; ROSCOE, R. Tecnologia e Produção: Crambe 2010. Maracaju: Fundação MS, 2010. 60p.
POPINIGIS, F. Fisiologia da semente. Brasília: AGIPLAN, 1985. 289p.
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