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MARIA JACIRA SILVA SIMÕES, ET AL.
ORIGINAL /ORIGINAL
Ocorrência de Hipertensão Arterial
em Gestantes no Município de
Araraquara/SP
Arterial Hypertension Occurrence in Pregnant Women in
Araraquara/SP
RESUMO A hipertensão arterial é a intercorrência clínica mais freqüente na
gravidez, afetando a evolução da gestação, elevando os índices de interrupção e de mortalidade perinatal por motivo do inadequado desenvolvimento intra-uterino do concepto. Este estudo foi realizado com o objetivo de
conhecer a freqüência da hipertensão arterial na gravidez, em 47 gestantes
moradoras do bairro Parque Residencial São Paulo, em Araraquara/SP, no
período de janeiro a junho de 2004. Para isso, coletaram-se os dados por
meio de prontuários das gestantes, compilados pela Secretaria Municipal
de Saúde. Com o estudo, observou-se que a hipertensão arterial constitui a
principal complicação na gestação, com incidência de um maior número
de recém-nascidos com baixo peso, maior freqüência de parto tipo cesariana e óbito fetal, apesar de não ter sido constatada nenhuma morte materna.
Palavras-chave RECÉM-NASCIDO – HIPERTENSÃO – COMPLICAÇÕES NA
GRAVIDEZ.
MARIA JACIRA SILVA
SIMÕES*
Professora adjunta do Departamento
Ciências Biológicas – Faculdade de
Ciências Farmacêuticas de
Araraquara (Unesp/SP)
MILENA CRISTINA BELON
SOARDE
Enfermeira-chefe do Serviço
Municipal de Saúde de Araraquara/SP
* Correspondências: Rod.
Araraquara-Jaú, km 1, 14801-902,
Araraquara/SP
[email protected]
ABSTRACT Arterial Hypertension is the most frequent clinical irregularity
during pregnancy, affecting gestation evolution, increasing the number of
interruption and perinatal mortality because of unsuitable development of
the intra-uterine concept. This study was done with the goal of knowing the
frequency of Arterial Hypertension in 47 pregnant women that live at
Parque Residencial Sao Paulo in Araraquara/SP, from January to June of
2004. For this, information was collected from the promptuaries of these
women compiled by the public health service. With this study, it was
observed that Arterial Hypertension during pregnancy is the main
complication with a great number of newborn babies with low weight, a
great number of cesareans and fetal death as well, although no maternal
death was verified.
Keywords NEWBORN – HYPERTENSION – PREGNANCY COMPLICATIONS.
Saúde em Revista
OCORRÊNCIA DE HIPERTENSÃO ARTERIAL EM GESTANTES NO MUNICÍPIO DE ARARAQUARA/SP
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INTRODUÇÃO
Por definição, a hipertensão na gravidez é o
aumento da pressão arterial durante a gestação,
com valores superiores a 140 por 90 milímetros
de mercúrio (mmHg), ou também quando a gestante apresenta uma pressão diastólica igual/superior a 110 mmHg em qualquer medida ou 90
mmHg em duas medidas tomadas num intervalo
de quatro horas, encontrando-se a mulher sentada em repouso.1, 2, 3
A hipertensão arterial na gravidez é considerada uma gestação de risco. Para o Ministério da
Saúde, o conceito de risco associa-se à possibilidade e ao encadeamento entre um fator de risco e
um dano nem sempre explicado. A noção de risco gravídico surge para identificar graus de vulnerabilidade nos períodos de gestação, parto,
puerpério e vida da criança em seu primeiro ano.
Na assistência pré-natal, a gestação de alto risco
diz respeito às alterações relacionadas tanto à
mãe quanto ao feto.4, 5
Principal complicação na gravidez e maior
causa de morbimortalidade, a hipertensão ocorre
em torno de 12% a 22% das gestações, sendo
responsável por 35% de mortes maternas no Brasil e 17,6%, nos EUA.6 Os fatores de risco para a
hipertensão arterial na gravidez são: gestação
múltipla, diabetes, histórico familiar com casos
entre mãe e irmã ou mesmo em gestação anterior,
doença vascular, raça negra e idade maior ou
igual a 35 anos.6, 7
Complicação encontrada apenas na espécie
humana,6, 7 a hipertensão arterial na gestação
constitui também a intercorrência mais freqüentemente observada nesse estado, podendo causar
morbimortalidade materna, mortalidade perinatal, prematuridade e baixo peso do recém-nascido. Justifica-se, assim, a importância deste
estudo, que pretende conhecer melhor suas causas e conseqüências, tanto para mãe quanto para
o neonato, valendo lembrar que não foi encontrado trabalho científico sobre esse tema na cidade de Araraquara/SP.
Os objetivos deste estudo foram: determinar a
freqüência da hipertensão arterial durante a gravidez, em mulheres atendidas no bairro do Parque Residencial São Paulo, em Araraquara/SP, no
período de janeiro a junho de 2004, como também conhecer a distribuição da freqüência das variáveis peso e sexo do RN, paridade, raça, aborto,
8
tabagismo e número de consultas de pré-natal nas
gestantes hipertensas.
METODOLOGIA
Local do Estudo
A cidade de Araraquara, também conhecida
como “Morada do Sol”, está localizada na região
central do Estado de São Paulo. Fundada em 22
de agosto de 1817, possui 16 unidades básicas de
saúde, 10 equipes de Programa de Saúde da Família e dois Programas de Agentes Comunitários
de Saúde, acoplados em unidades básicas de saúde na periferia da cidade.
O estudo foi feito no Centro Municipal de
Saúde – Parque Residencial São Paulo (CMSPRSP), situado a leste da cidade, que abrange os
seguintes bairros: Parque Residencial São Paulo,
Santa Clara, Santa Júlia, Santa Adelaide, Condomínio Satélite e Estrada do Ouro. O CMS-PRSP
atende 4.183 famílias, 1.446 delas pertencentes
ao bairro do Parque Residencial São Paulo.
População e Período do Estudo
A população estudada abrangeu 47 gestantes moradoras do bairro Parque Residencial São Paulo, em
Araraquara, no período de janeiro a junho de 2004.
Levantamento dos Dados
O levantamento de dados realizou-se por meio
dos prontuários das gestantes atendidas no CMSPRSP, entre janeiro e junho de 2004, compilados
pela Secretaria Municipal de Saúde. Foram organizados e analisados de acordo com as informações
disponíveis das gestantes e dos recém-nascidos
com base na notificação do serviço de saúde.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os dados estão apresentados na forma de tabelas e gráficos, conforme as variáveis em estudo.
Pode-se observar, nos gráficos 1 e 2, que a ocorrência de gestantes apresentando hipertensão arterial na gravidez, no bairro Parque Residencial
São Paulo e em toda a cidade de Araraquara, revelou-se semelhante: 15% e 14%, respectivamente.
Segundo Cordovil e Vasconcellos,6 a hipertensão arterial ocorre em torno de 12% a 22% nas
gestações, mostrando, assim, que os resultados
aqui encontrados estão de acordo com a literatura.
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Gráfico 1. Distribuição das gestantes com e sem hipertensão
arterial (HA) durante a gravidez, PRSP, Araraquara/
SP, 2004.
Gráfico 2. Distribuição das gestantes com e sem hipertensão
arterial (HA) durante a gravidez, no período de
janeiro a junho de 2004, na cidade de Araraquara/SP.
Gráfico 3. Freqüência de nascidos vivos e de óbitos fetais entre
as gestantes hipertensas, PRSP, Araraquara/SP, 2004.
Segundo dados apresentados no gráfico 3,
pode-se observar que 29% das gestantes com hipertensão arterial tiveram comprometimento grave, ou seja, óbito fetal. Como atesta Tavares,3 a
elevação da pressão arterial em gestante é sinal de
alerta para complicações do binômio materno-fetal, podendo colocar em risco a vida de ambos.
Para a Organização Mundial da Saúde, o conceito de recém-nascido a termo refere-se a toda
criança nascida viva, com tempo de gestação
igual ou superior a 37 semanas completas até 41
semanas incompletas. O recém-nascido pré-termo é aquele que nasce antes disso, ou seja, com
idade gestacional inferior a 37 semanas. Rezende
e Montenegro7 comentam que a gestação deve
durar 10 meses lunares, nove meses solares, 40
semanas, 280 dias, sendo a média de 266 dias, 38
semanas, nove e meio meses lunares ou 8 meses
solares e 26 dias.
O gráfico 4 traz a distribuição das gestantes
segundo a duração da gestação associada à hipertensão. Observa-se que cerca de 70% das gestantes com hipertensão arterial tiveram idade
gestacional entre 32 e 36 semanas; já 90% das
gestantes sem hipertensão arterial na gravidez
apresentaram idade gestacional no intervalo de
37 a 41 semanas. Portanto, a gestante com hipertensão arterial durante a gravidez corre um risco
maior de ter o recém-nascido prematuro.7
Na associação entre mulheres com hipertensão arterial na gravidez e o sexo dos recém-nascidos, percebe-se maior freqüência do
sexo feminino (gráfico 5). O recém-nascido a
termo com peso de 2.500 g ou menos é considerado de baixo peso, portanto, de alto risco.
O peso médio da criança brasileira, ao nascer,
é de 3.350g para o sexo masculino e 3.280 g
para o feminino.8
Gráfico 4. Freqüência da duração da gravidez das gestantes
com e sem hipertensão arterial, PRSP, Araraquara/
SP, 2004.
Gráfico 5. Distribuição segundo o sexo dos recém-nascidos
das gestantes com hipertensão arterial, PRSP, Araraquara/SP, 2004.
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OCORRÊNCIA DE HIPERTENSÃO ARTERIAL EM GESTANTES NO MUNICÍPIO DE ARARAQUARA/SP
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O peso do recém-nascido de uma gestante
que apresentou hipertensão arterial na gravidez é
influenciado na maioria das vezes, especialmente
por ser prematuro. O baixo peso ao nascer constitui um dos fatores mais importantes na determinação da mortalidade neonatal, podendo o baixo
peso derivar tanto da prematuridade quanto do
retardo do crescimento intra-uterino.9
Observou-se que 64% dos recém-nascidos do
sexo feminino das gestantes com hipertensão arterial apresentaram peso inferior a 2.500 g, ao
passo que, entre os do sexo masculino, 96% tiveram peso de 2.500 g e mais (gráfico 6).
Em relação à idade materna, verificou-se que
57% das gestantes com hipertensão arterial possuíam idade igual ou acima de 35 anos; já 95%
das gestantes sem hipertensão arterial tinham menos de 35 anos de idade (gráfico 7). De acordo
com Rezende e Montenegro,7 a gestante apresentar idade igual ou maior que 35 anos é um dos fatores de risco para desencadear a hipertensão
arterial durante a gravidez.
A maioria das gestantes hipertensas, ou não,
passaram por seis ou mais consultas de pré-natal
(gráfico 8). O Ministério da Saúde preconiza no
mínimo seis consultas durante esse período. A assistência pré-natal permite detectar o diagnóstico
e o tratamento de complicações no decorrer da
gestação e também a redução ou a eliminação de
fatores de risco passíveis de serem corrigidos.9
Quanto ao tipo de parto, prevaleceu a cesariana nas gestantes com hipertensão arterial, ao passo que nas gestantes sem hipertensão arterial o
índice de parto normal revelou-se mais elevado.
A comprovação de vitalidade fetal comprometida
exclui a indicação da indução para obtenção do
parto vaginal nas gestantes com hipertensão arterial. Nessa eventualidade, a indicação da cesárea
deve ser liberal.1, 3
Já no que diz respeito ao número de gestações, a maioria das gestantes com hipertensão arterial era multípara, ou seja, tinha mais que um
filho (gráfico 9).
O presente estudo constatou ainda que, das
gestantes com hipertensão arterial, 72% são
brancas, 14% pardas e 14% negras. Além disso,
nenhuma das gestantes que apresentaram hipertensão arterial durante a gravidez era fumante.
Por fim, 43% das gestantes hipertensas disseram
ter tido aborto em gestações anteriores.
Gráfico 6. Distribuição segundo o sexo e o peso ao nascer dos
recém-nascidos das gestantes hipertensas, PRSP,
Araraquara/SP, 2004.
Gráfico 8. Freqüência de consultas durante o pré-natal das gestantes, PRSP, Araraquara/SP, 2004.
Gráfico 7. Freqüência da idade materna das gestantes com e
sem hipertensão arterial (HA) na gravidez, PRSP, Araraquara/SP, 2004.
Gráfico 9. Freqüência da paridade nas gestantes com hipertensão arterial, PRSP, Araraquara/SP, 2004.
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CONCLUSÃO
A ocorrência de hipertensão arterial nas gestantes atendidas no bairro do Parque Residencial
São Paulo mostrou-se semelhante à da população total da cidade de Araraquara. Com relação
ao sexo dos recém-nascidos, prevaleceu o feminino. A prevalência da prematuridade, quanto à
duração da gestação, e do baixo peso do recémnascido revelou-se nos filho de mães que apresentaram hipertensão arterial na gravidez, levando a óbito fetal os casos mais graves.
A hipertensão arterial na gravidez foi mais
prevalente nas mulheres que já tinham hipertensão anteriormente à gravidez. No estudo em
questão, as mulheres com hipertensão arterial na
gravidez, em sua maior parte, pertenciam à raça
branca, eram multíparas e nenhuma delas disse
ser tabagista. É importante ressaltar que todas essas gestantes com hipertensão arterial realizaram
o pré-natal corretamente, proporcionando, assim, maior segurança de vida tanto a elas quanto
aos bebês, pois é por meio de tal assistência nesse
período que se podem detectar várias patologias
capazes de afetá-los.
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Submetido: 7/nov./2005
Aprovado: 27/abr./2006
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