Assis F, Borsatto AZ, Silva PDD, Peres PL, Rocha PR, Lopes GT
PROGRAMA DE MONITORIA
ACADÊMICA: PERCEPÇÕES DE
MONITORES E ORIENTADORES
ACADEMIC MONITORY PROGRAM: PERCEPTIONS OF
STUDENT MONITORS AND MENTORS
Fernanda de Assis*
Alessandra Zanei Borsatto**
Pâmela Duarte Dias da Silva**
Patrícia de Lima Peres***
Patrícia Rodrigues Rocha****
Gertrudes Teixeira Lopes*****
RESUMO: Pesquisa quantitativa descritiva, cujo objetivo é analisar as percepções de professores e
alunos quanto ao grau de importância e a freqüência atribuída às atividades realizadas no Programa de
Monitoria Acadêmica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Cenário: quatro centros
setoriais da UERJ. Amostra de 126 alunos e 101 professores. Utilizou-se dois questionários auto-aplicáveis, com produção de dados, entre outubro de 2003 e dezembro de 2004. O projeto foi submetido ao
Comitê de Ética do Hospital Universitário Pedro Ernesto/UERJ. Elaborou-se uma base de dados, no
software Epi-Info. Os resultados evidenciaram que algumas atividades realizadas pelos monitores e pelos
docentes foram consideradas muito importantes, embora não se realizem com a freqüência desejada,
constituindo-se em uma das distorções do Programa. Conclui-se que, apesar de a monitoria ter se
firmado no ensino universitário como uma possibilidade de aprendizagem, ainda precisa ser aprimorada para atender ao objetivo de preparar acadêmicos para a docência.
Palavras-chave: Enfermagem; graduação; monitor; orientador.
ABSTRACT
ABSTRACT:: The purpose of this descriptive quantitative research is to analyze the perceptions of
teachers and students about the importance attributed to the UERJ´s Academic Monitory Program and
about the frequency of accomplishment of its activities. The scene: four academics centers of the State
University of Rio de Janeiro (UERJ). The sample was constituted of 126 students and 101 teachers. Data
has been obtained through October of 2003 to December of 2004 by means of two auto-applied
questionnaires. The project was submitted to the Ethics Committee of the Pedro Ernesto University
Hospital/UERJ. A data basis has been constructed using the software Epi-Info. The results showed that
some activities realized by student monitors and mentors are considered very important, even though
they have not been accomplished with the desired frequency, what constitutes a distortion of the Program.
We have concluded that, although the Monitory is an established learning approach in university, it still
needs to be improved in order to carry out its purpose of preparing academics for teaching.
Keywords: Nursing; graduation; student monitor; mentor.
INTRODUÇÃO
A
Monitoria Acadêmica está prevista
na Lei nº 5540/68 que fixa normas de organização
e funcionamento do ensino superior e sua articulação com a escola média, e dá outras providências, a qual determina, em seu Art. 41, que as
universidades deverão criar funções de monitor
para alunos do curso de graduação.
A Monitoria Acadêmica na Universidade do
Estado do Rio de Janeiro (UERJ) é uma ativida-
de prevista no Artigo 51 do Estatuto da UERJ,
criada por força da Resolução nº 522/85, de 14 de
maio de 1985, aprovada pelo Conselho Universitário e promulgada pelo Magnífico Reitor Charley
Fayal de Lira (1984 – 1988). No entanto, foi somente em 02 de julho de 1986 que a Sub-Reitoria de Graduação - SR1, através da Sub-Reitora
Profª. Creuza Capalbo, enviou ao Magnífico Reitor o Projeto de Implantação da Monitoria, para
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Programa de monitoria acadêmica
aprovação, contando com a parceria do Centro
de Produção dessa Universidade (CEPUERJ) 2.
De acordo com o Departamento de Estágios e Bolsas da UERJ 3:2 (CETREINA), a
monitoria se caracteriza como “uma forma de
iniciação ao magistério de 3º grau, onde professor/orientador repassa ao aluno, através de
uma relação direta e individualizada, sua experiência em planejamento e condução de curso”.
Os objetivos da Monitoria Acadêmica na
Universidade do Estado do Rio de Janeiro estão assim previstos: estimular no aluno o interesse pela atividade docente e oferecer oportunidade para desenvolvê-la, intensificando a
relação entre o corpo docente e o discente, nas
atividades de ensino 3.
A Monitoria Acadêmica no âmbito da
UERJ pode ser considerada como um programa
consolidado da maior importância para o ensino. Pela sua abrangência, constitui-se em uma
proposta que auxilia o professor em suas atividades cotidianas de forma expressiva em todas
as etapas do processo didático-pedagógico, ao
mesmo tempo em que proporciona ao aluno a
possibilidade de ampliar o conhecimento em
dada área, despertar o interesse para a docência
e a desenvolver suas aptidões e habilidades no
campo do ensino 4.
No entanto, o que temos observado no cotidiano de monitores e orientadores são algumas
dificuldades, encontros e desencontros em relação ao atendimento das expectativas do monitor,
em decorrência das diversas atividades desenvolvidas no dia a dia, deixando-os muitas vezes
sem espaços para atender às suas necessidades
de aprendizagem junto aos orientadores.
Nessa perspectiva, definimos como objeto
de estudo as percepções de monitores e
orientadores acerca das atividades que desenvolvem no Programa de Monitoria Acadêmica
na UERJ.
Para desenvolver a pesquisa, selecionamos,
como objetivos, analisar as percepções de professores e alunos em relação ao grau de importância e a freqüência atribuída às atividades
realizadas no Programa.
O estudo pretende contribuir para a reflexão dos diferentes sujeitos inseridos no Programa, com vistas a fomentar mecanismos de ajustes no processo didático - pedagógico.
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REFERENCIAL TEÓRICOMETODOLÓGICO
N
a perspectiva de discutir a relação entre o sistema de ensino e a estrutura pedagógica,
na operacionalização do Programa de Monitoria na
UERJ, foram apropriados alguns conceitos de autores4-10, principalmente de Bourdieu7-9 e Bourdieu
e Passeron10, que discutem dialeticamente as contradições do processo pedagógico, os quais serviram de base para a análise das atividades
identificadas pelos diferentes agentes engajados no
cotidiano da Monitoria Acadêmica.
Trata-se de uma pesquisa de natureza descritiva, com abordagem quantitativa, que “está interessada em descobrir e observar fenômenos, procurando descrevê-los, classificá-los e interpretá-los”5:17.
A população da pesquisa constituiu-se de 427
monitores e 266 professores, integrantes do Programa de Monitoria Acadêmica no campus da
UERJ, com uma amostra aleatória casual de 126
acadêmicos e de 101 professores/orientadores.
Os critérios estabelecidos para inclusão de
professores e alunos na pesquisa foram: ser monitor
ou orientador de disciplinas na UERJ, confirmados em listas fornecidas pelo CETREINA; e consentir em sua participação.
Os cenários da investigação foram as unidades acadêmicas integrantes dos quatro centros
setoriais (Centro Biomédico, Centro de Tecnologia
e Ciências, Centro de Ciências Sociais e Centro
de Educação e Humanidades) da UERJ, no
Campus Maracanã, na cidade do Rio de Janeiro,
além do Departamento de Estágios e Bolsas CETREINA-SR1, a Reitoria e o Centro de Memória Profª. Dra. Nalva Pereira Caldas, da Faculdade de Enfermagem.
Encaminhamos o projeto de pesquisa para ser
submetido ao Comitê de Ética do Hospital Universitário Pedro Ernesto - HUPE, em atendimento à
Resolução 196/96, do Ministério da Saúde6. Após
sua aprovação, enviamos carta de solicitação para
realização da pesquisa, à Reitoria, a todos os diretores das unidades acadêmicas dos quatro centros
da UERJ, ao CETREINA e ao Centro de Memória
Profª. Dra. Nalva Pereira Caldas.
Os instrumentos de coleta de dados foram
dois questionários auto-aplicáveis destinados aos
monitores e aos orientadores, compostos por questões fechadas referentes às variáveis: percepções
sobre o acompanhamento das aulas docentes, a
Assis F, Borsatto AZ, Silva PDD, Peres PL, Rocha PR, Lopes GT
orientação do monitor para seu desempenho no
Programa, o planejamento e a execução das aulas por monitor sob supervisão docente. Na aplicação dos instrumentos, foi utilizado um Termo
de Consentimento Livre e Esclarecido, sendo garantido o anonimato dos investigados. A produção dos dados ocorreu no período de outubro de
2003 a dezembro de 2004.
Os resultados obtidos foram submetidos à
análise estatística com apresentação de freqüência percentual. Foi elaborado um banco de dados
utilizando-se o Programa Software Epi-Info e
Microsoft Excel para armazenamento e
processamento dos dados.
RESULTADOS
E
A atividade acompanhamento das aulas práticas/laboratoriais ministradas pelo professor foi
considerada importante ou muito importante por
70,7% dos monitores, conforme mostra a Tabela
1. No entanto, mais da metade – 54,8% – declarou que nunca a realizou e apenas 23,8% a executaram semanalmente. Esses dados apontam para
uma visível distorção em relação às opiniões dos
estudantes sobre a atividade didático-pedagógica e as reais possibilidades de exercitá-las durante o seu processo de aprendizagem.
TABELA 1: Grau de prioridade e periodicidade do acompanhamento das aulas práticas/laboratoriais ministradas pelo
professor, segundo os monitores. Rio de Janeiro, 2005.
DISCUSSÃO
Os resultados obtidos no estudo permitem
evidenciar algumas contradições em relação ao
processo didático–pedagógico que se esboça tanto
em relação às atividades desenvolvidas pelos alunos como pelos orientadores. É importante lembrar
que a Monitoria Acadêmica pauta-se no preparo
do discente para se inserir no magistério e que,
para tal, a este devem ser oferecidas oportunidades para desenvolver atividades que orientem as
ações docentes, especialmente de terceiro grau.
Para Bourdieu e Passeron10, todo indivíduo
possue uma essência que consiste no seu habitus
primário. Habitus é um conhecimento adquirido, uma
disposição incorporada, duradoura e transferível, que
resulta de um longo processo de aprendizado, produto do contato com diversas estruturas sociais.
O processo educativo é utilizado para reproduzir as relações sociais de produção através das estruturas de classes e cultura. Ressaltam que os sistemas educativos transmitem aos
educandos, ideologias diferentes, formulando
nos mesmos habitus diferentes, que permitem a
manutenção das estruturas incorporadas na escola, na família, no trabalho, os quais vão conduzir os modos de atuar de seus agentes10.
Nesse sentido, Bourdieu8 afirma que a razão
de ser de uma instituição depende das forças de
interesses associadas às diferentes posições e
habitus dos seus ocupantes.
Nessa linha de raciocínio, os resultados apresentados nas tabelas a seguir mostram a dimensão em que o processo de ensino-aprendizagem
se coloca na monitoria, em relação ao monitor e
ao orientador, detectando lacunas importantes no
processo pedagógico.
Cabe destacar que os alunos investigados
pertencem aos diversos cursos de graduação da
UERJ e que, portanto, dependendo da área de
conhecimento, os cursos são oferecidos em tempo integral ou não. Os alunos de tempo integral têm mais dificuldade de cumprir a carga
horária do Programa e também de acompanhar
os orientadores nos dias e horários estabelecidos na disciplina, pois, muitas vezes, desenvolvem atividades curriculares no período. Tais
fatos podem ser vistos como impropriedade do
Programa, embora existam questões de ordem
estrutural. Estudo realizado por Lopes, Silveira
e Sisnando4 com alunos de enfermagem também
revelou essa dificuldade.
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Programa de monitoria acadêmica
Em relação aos orientadores, suas posições
parecem ser mais coerentes com os princípios do
Programa, na medida em que há uma certa correspondência entre o grau de prioridade atribuído e a sua execução.
A atividade orientação do monitor no preparo e
execução de atividades práticas, laboratoriais e exercícios
foi considerada importante ou muito importante por 91%
dos orientadores de acordo com a Tabela 2. Contudo,
65% a realizaram semanalmente ou esporadicamente.
TABELA 2: Grau de prioridade e periodicidade da orientação do monitor
no preparo e execução de atividades práticas, laboratoriais, exercícios e
aulas teóricas, segundo os docentes. Rio de Janeiro, 2005.
Mais uma vez fica clara a lacuna entre o que
pensam os docentes a respeito da importância das
atividades que os estudantes devem realizar no
programa de monitoria, mola propulsora para o
seu preparo para o magistério superior e as possibilidades de realização oferecidas no dia a dia,
para que este aprendizado se incorpore. Por conseguinte, pode- se inferir que ainda há um
distanciamento entre as duas prerrogativas e que,
portanto, a ação pedagógica que se constitui na
condição de exercício nem sempre se concretiza.
Uma das formas de se adquirir habilidades em
qualquer atividade profissional é desenvolver o exercício do fazer. A ação pedagógica não se dá no terreno das abstrações e sim na sua realização e esta é
resultante do trabalho pedagógico. Vale ressaltar:
Numa formação social determinada, o Trabalho Pedagógico pelo qual se realiza a Ação Pedagógica dominante que tende a impor aos membros dos grupos ou classes dominados os reconhecimentos da legitimidade da cultura dominante,
tende a lhes impor do mesmo modo, pela
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inculcação ou exclusão, o reconhecimento da ilegitimidade de seu arbitrário cultural10:34.
As atividades de preparação à docência devem atender às exigências técnicas e subjetivas
do que é ser um docente. Segundo Santomé11::23,
“o professor não ensina: ajuda o aluno a aprender”. Nessa lógica, argumenta que o processo de
aprendizagem envolve estímulo à comunicação,
relações interpessoais e aprofundamento de conhecimentos interdisciplinares. Portanto, entende-se que, para o aluno adquirir habilidades e
preparo para a docência, precisa exercitar esses
fundamentos, pois, como define Bourdieu8, a prática é o resultado da relação dialética entre a situação presente e o habitus do indivíduo. Para esse
autor, habitus é um conhecimento adquirido através de sucessivos processos de aprendizagem dos
produtos e das relações sociais.
Assim entende-se, para que o aluno adquira conhecimentos torna-se necessário que pratique as atividades pertinentes, para que possa incorporar novos habitus.
Assis F, Borsatto AZ, Silva PDD, Peres PL, Rocha PR, Lopes GT
A atividade orientação do monitor no preparo de aulas teóricas foi referida por 84% dos docentes como importante ou muito importante.
Porém, 61% relatam que a realizam semanalmente
ou esporadicamente.
Pôde-se constatar que as percepções manifestadas por alunos e professores divergem significativamente, conforme mostra a análise dos resultados da Tabela 1 com a Tabela 2. Pode-se
inferir, diante dessas constatações, que entre o
processo educativo e a ação pedagógica existe
um campo de força que, muitas vezes, são antagônicas no estabelecimento de parâmetros que
norteiam a reprodução do sistema educacional
que é de garantir a reprodução das relações sociais de produção, repassadas tanto pela cultura
como pela estrutura de classe.
Assim, esses sistemas incutem nos
educandos pensamentos diferenciais que criam
habitus diferenciais, ou seja, criam predisposições
de agir segundo um certo código de normas e
valores. Nessa perspectiva, a razão de existir de
uma instituição ou de uma norma gerencial e
de suas conseqüências sociais, não depende da
disposição voluntária do indivíduo, mas sim do
campo de forças antagonistas ou complementares no qual, em decorrência dos interesses relacionados às diferentes posições e habitus dos seus
agentes, são geradas as vontades e no qual se
define e se redefine de maneira contínua, no
embate, a realidade institucional e as suas conseqüências sociais9.
Desse modo, os resultados demonstraram um
profundo distanciamento das perspectivas dos estudantes em relação à docência, de acordo com
a Tabela 3; tais achados evidenciam uma forte
distorção dos objetivos do Programa.
A atividade ministrar aulas com a presença
do professor foi considerada importante ou muito
importante por 72,2% dos monitores. No entanto, 67,5% nunca a realizaram e 16,7% a realizaram somente uma vez.
A discussão que se trava diante dos resultados é que, marcadamente na concepção dos estudantes, a aquisição de novos habitus tem relação
com a posição ocupada por cada agente no espaço
social e que, portanto, mesmo que os estudantes
agentes desse processo considerem ministrar aulas
uma ação importante para o seu aprendizado docente, o seu exercício vai depender da disposição
do professor em proporcionar-lhe a oportunidade8.
Numa vertente mais otimista, identifica-se,
na percepção dos orientadores, que dar aulas é
muito importante para a formação docente e isso
se materializa na prática pedagógica.
Também foi discutido o planejamento pedagógico em termos de preparação de aula. Sabese que um processo pedagógico bem orientado
pressupõe um planejamento de todas as etapas
que serão desenvolvidas, especificando a
operacionalização minuciosa dos passos a serem
seguidos na exposição de um conteúdo. Neste
estudo, a atividade auxiliar o professor na preparação de aula foi considerada importante ou muito importante por 58% dos monitores. Entretanto, 57,1% nunca a realizaram.
Dar aula implica que o ministrante se acerque de um conjunto de conhecimentos, objetivos
e estratégias sistematicamente encadeadas para
que aquilo que se quer transmitir apresente uma
coerência lógica do pensamento e das ações práticas, culminando com uma compreensão mais
efetiva possível. Nessa perspectiva, o professor deve
se preparar tendo domínio dos conteúdos e com
estratégias didático-pedagógicas capazes de tornar viável o processo de ensino-aprendizagem.
Da mesma forma que a atividade anterior,
o trabalho prático, de laboratório, ou mesmo exercício com os alunos, requer que o docente
esquematize as atividades a serem realizadas nas
diferentes modalidades de ensino.
TABELA 3: Grau de prioridade e periodicidade de ministrar aulas com a presença do professor, segundo os
monitores. Rio de Janeiro, 2005.
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Programa de monitoria acadêmica
CONCLUSÃO
A
Monitoria Acadêmica é uma oportunidade ímpar para formação docente do aluno,
pois coloca, frente a frente, o professor com toda
a sua experiência e conhecimentos e o aluno
iniciante, imaturo e ávido em busca de novos saberes. Esse é um momento que deve ser considerado pelos professores como de suma importância
para preparar os novos profissionais, dando-lhes
apoio e transmitindo-lhes conhecimentos que vão
garantir sua atuação nos espaços sociais.
Em relação à importância atribuída às atividades que realizam e à freqüência com que elas
são desenvolvidas, os resultados apresentam algumas contradições na medida em que consideraram as atividades analisadas e que fazem parte
das funções do monitor como importantes ou muito importantes, muito embora a maioria dos estudantes revele que não teve oportunidade de
realizá-las ou realizaram-nas esporadicamente. Isso
denota um certo descompasso entre os objetivos
do Programa de Monitoria Acadêmica e o que
efetivamente se oportuniza aos alunos que optam
por este, que é, justamente, a prática pedagógica. Tal situação deve ser amplamente discutida
no âmbito do Programa e da UERJ, uma vez que
pode ser tomada como desestimuladora do processo de preparação para a carreira docente.
Quanto ao grau de prioridade atribuído pelos docentes às suas atividades e à freqüência com
que as mesmas são realizadas, os resultados mostraram-se mais coerentes, pois manifestam que a
maioria das atividades consideradas importantes
ou muito importantes são majoritariamente realizadas semanalmente, seguida de esporadicamente. Contudo, se confrontarmos com o
posicionamento dos alunos em relação às mesmas
atividades, percebemos um certo desencontro de
percepções. Os discentes também consideram-nas
importantes, mas relatam não serem realizadas
com a mesma freqüência referida pelos
orientadores.
Pode-se concluir, diante dos resultados, que
a monitoria se constitui em uma iniciativa relevante no seio do ensino universitário, pela oportunidade de ampliação de experiências que contribuem para a formação de estudantes e para o
desenvolvimento da docência, pelas possibilidades e diversidades de atividades a serem desen-
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volvidas cotidianamente em diversos departamentos e disciplinas.
Diante dos resultados obtidos, enfatizamos
que é preciso avançar no sentido de ampliar as
possibilidades de participação dos alunos nas atividades didáticas preconizadas. Faz-se necessário que sejam adotadas medidas para que o Programa cumpra seu real objetivo, qual seja, preparar estudantes de graduação para se iniciarem na
formação do magistério superior.
Diante deste panorama, há que se questionar: se o professor afirma que realiza a maioria de
suas funções docentes junto aos monitores e os
monitores declaram que não desenvolvem a maioria das atividades previstas para a sua formação
de magistério, o que há de nebuloso no desenvolvimento do Programa? Precisa-se avançar nas discussões e no acompanhamento do processo ensino-aprendizagem pelas vertentes das ações pedagógicas e do trabalho pedagógico efetivamente
desenvolvido por docentes e discentes da
monitoria.
REFERÊNCIAS
1. Congresso Nacional (Br). Lei n.º 5.540, de 28 de novembro de 1968. Boletim da UEG 1968; 4(11): 1-12.
2. Reis MHP. Histórico: manual do monitor da UERJ. Rio
de Janeiro: SR1-CEPUERJ; 1986.
3. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Sub-Reitoria
de Graduação. Programa de Bolsa-Auxílio-CETREINA. Rio
de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro; 1994.
4. Lopes GT, Silveira DB, Sisnando DS. O cotidiano dos
monitores de enfermagem da FENF/UERJ. Relatório de
Pesquisa. Rio de Janeiro: UERJ; 2000.
5. Rudio FV. Introdução ao projeto de pesquisa científica.
23a ed. Petrópolis (RJ): Vozes; 2000.
6. Conselho Nacional de Saúde (BR). Resolução 196/96,
de 10 de outubro de 1996. Diretrizes e normas
regulamentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos.
Brasília (DF): Ministério da Saúde; 1996.
7. Bourdieu P. Novas reflexões sobre a dominação masculina. In: Lopes MJM, Meyer DE, Waldow VR. Genero &
saúde. Porto Alegre (RS): Artes Médicas; 1996. p. 18-27.
8. Bourdieu P. Razões práticas: sobre uma teoria da ação.
Tradução Mariza Corrêa. Campinas (SP): Papirus; 1997.
9. Bourdieu P. O poder simbólico. 2a ed. Rio de Janeiro:
Bertrand Brasil; 1998.
10. Bourdieu P, Passeron JC. A reprodução: elementos para
uma teoria do sistema de ensino. Tradução Reynaldo Bairão.
3ªed. Rio de Janeiro: Francisco Alves; 1992.
11. Santomé JT. Globalização e interdisciplinaridade: o currículo integrado. Porto Alegre (RS): Artes médicas; 1998.
Assis F, Borsatto AZ, Silva PDD, Peres PL, Rocha PR, Lopes GT
PROGRAMA DE MONITOREO ACADÉMICO: PERCEPCIONES DE MONITORES Y ORIENTADORES
RESUMEN: Estudio de naturaleza cuantitativa descriptiva que tiene como objetivo analizar las
percepciones de profesores y alumnos cuanto al grado de importancia y a la frecuencia atribuida a las
actividades realizadas en el Programa de Monitoreo Académico de la Universidad del Estado de Rio de
Janeiro (UERJ) – Brasil. Escenario: cuatro centros académicos de la UERJ. Muestra de 126 alumnos y 101
profesores. Se utilizó dos cuestionarios autoaplicables, con producción de datos entre octubre de 2003
y diciembre de 2004. El proyecto fue sometido al Comité de Ética del Hospital Universitario Pedro
Ernesto/UERJ. Fue elaborada una base de datos en el software Epi-Info. Los resultados evidenciaron que
algunas de las actividades realizadas por los monitores y por los docentes fueron consideradas muy
importantes, aun que no sean cumplidas con la frecuencia deseada, constituyéndose en una de las
distorsiones del Programa. Se concluye que, a pesar del Monitoreo estar consolidado en la enseñanza
universitaria, como una posibilidad de aprendizaje, él precisa ser perfeccionado para que cumpla su
objetivo de preparar académicos para la docencia.
Palabras Clave: Enfermería; pregrado; monitor; orientador.
Recebido em: 14.10.2005
Aprovado em: 31.07.2006
________
Notas
*
Acadêmica do 7ºperíodo da Faculdade de Enfermagem da UERJ e bolsista de Iniciação Científica PIBC/UERJ.
Acadêmica do 7ºperíodo da Faculdade de Enfermagem da UERJ e bolsista de Iniciação Científica FAPERJ.
***
Acadêmica do 6ºperíodo da Faculdade de Enfermagem da UERJ. Voluntária Endereço: Rua Bardana, 69 aptº302 Moneró Ilha do
governador Rio de Janeiro/RJ Cep.: 21920-260 Email: [email protected]
****
Acadêmica do 7ºperíodo da Faculdade de Enfermagem da UERJ e bolsista de Iniciação Científica CNPQ.
*****
Profª.. Titular do Departamento de Fundamentos de Enfermagem – Área de Pesquisa em Enfermagem da Faculdade de Enfermagem
da UERJ. Doutora e Livre Docente em Enfermagem – Pesquisadora do CNPQ. Pós-Doutora em Drogas. Membro da Diretoria Colegiada
do Núcleo de Pesquisa em História da Enfermagem (NUPHEBRAS), da EEAN/UFRJ.
**
R Enferm UERJ, Rio de Janeiro, 2006 jul/set; 14(3):391-7.
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