Organizadoras
Andrea da Silva
Mariglei Severo Maraschin
Andrea da Silva
Mariglei Severo Maraschin
Organizadoras
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA
- GEPEJA –
Ações, Reflexões e Desafios
1ª Edição
Santa Maria – RS
Instituto Federal Farroupilha
2013
Organizadoras
Andrea da Silva
Mariglei Severo Maraschin
Colaboradores
Do Câmpus ALEGRETE:
Greice Gonçalves Girardi (Coord. Local)
Ana Paula da Silveira Ribeiro, Carla Comerlato Jardim e
Maurício Ramos Lutz
Do Câmpus JÚLIO DE CASTILHOS:
Silvia Regina Montagner (Coord. Local)
Elenir de Fátima Cazzarotto Mousquer, Elisângela Fouchy
Schons, Ênio Grigio e Silvana Tabarelli Kaminski
Do Câmpus PANAMBI:
Roberta Goergen (Coord. Local)
Celi Marinês Hollas, Jaubert de Castro Menchik, Patricia
Glaucia Muniz de Abreu, Sylvia Messer e
Solange Ester Koehler
Do Câmpus SANTA ROSA:
Leandro Jorge Daronco (Coord. Local)
Carla Cristiane Costa e Catia Keske
Do Câmpus SANTO AUGUSTO:
Marcia Adriana Rosmann (Coord. Local)
Janice Pinheiro Boeira, Maria Rute Depoi da Silva, Sara
Machado da Silva, Silvia Perobelli e Vinícius Feltrin Giglio
Do Câmpus SÃO BORJA:
Denírio Itamar Lopes Marques (Coord. Local)
Andrea Pereira, Maria Paula Ebba Pinheiro e
Maria Teresinha Verle Kaefer
Do Câmpus SÃO VICENTE DO SUL:
Cléia Margarete Macedo da Costa Tonin (Coord. Local)
Ana Aline Bulegon, Danieli Buttinger, Itagiane Jost, Lidiane
Bolzan Druzian, Márcia Andréia Almeida da Rocha,
Nariele Pereira Zamboni, Neiva Lilian Ferreira Ortiz,
Taise Tadielo Cezar Atarão e Tobias Deprá Rosa
Da REITORIA:
Josiane Lara Fagundes, Marina dos Santos,
Suelen da Silva Zuquetto e Taísa Maria Rossato
INSTITUTO FEDERAL FARROUPILHA
REITORIA
Carla Comerlato Jardim
Reitora
Adriano Arriel Saquet
Pró-Reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação
Alberto Pahim Galli
Pró-Reitor de Extensão
Nidia Heringer
Pró-Reitora de Desenvolvimento Institucional
Sidinei Cruz Sobrinho
Pró-Reitor de Ensino
Vanderlei José Pettenon
Pró-Reitor de Administração
São de responsabilidade exclusiva das organizadoras e colaboradores a
precisão e validez dos dados e informações, assim como as opiniões
expressadas nos artigos, não manifestando necessariamente o ponto de
vista do Instituto Federal Farroupilha.
© Andrea da Silva e Mariglei Severo Maraschin
Capa e diagramação: Andrea da Silva
Revisão: Claudia Letícia de Castro do Amaral
Não é permitida a reprodução total ou parcial desta
publicação, em qualquer meio, sem a permissão prévia das
organizadoras.
Direitos reservados ao
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E-mail: [email protected]
G892 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA): ações,
reflexões e desafios / Andrea da Silva, Mariglei Severo
Maraschin (organizadoras) – Santa Maria, RS: Instituto Federal
Farroupilha, 2013.
157p. : il.
ISBN 978-85-65006-06-4
1. Educação Profissional. 2. PROEJA. 3. Educação de Jovens e
Adultos. I. Silva, Andrea da. II. Maraschin, Mariglei Severo.
III. Título.
CDU 377
Ficha Catalográfica – Biblioteca Tasso Siqueira
Instituto Federal Farroupilha – Câmpus Alegrete
SUMÁRIO
AGRADECIMENTOS .....................................................9
APRESENTAÇÃO ..........................................................10
CAPÍTULO I
PROEJA do IF Farroupilha – o Ponto de Partida...............................15
CAPÍTULO II
Os Cursos PROEJA – Oferta, Permanência e Conclusão.......................46
CAPÍTULO III
Educação nas Prisões ................................................................55
CAPÍTULO IV
Gestão e Políticas Públicas..........................................................68
CAPÍTULO V
Currículo Integrado no IF Farroupilha: da proposta às práticas.............82
CAPÍTULO VI
As Licenciaturas e o PROEJA no IF Farroupilha................................109
CAPÍTULO VII
Os Encontros de Alunos .............................................................130
CAPÍTULO VIII
Desafios – impressos nas Cartas dos Estudantes.................................134
CAPÍTULO IX
Das Experiências – seus Destaques................................................140
REFERÊNCIAS PARA ESTA OBRA...................................145
APÊNDICE ...................................................................147
GEPEJA – SUAS LINHAS DE PESQUISA ...........................156
SOBRE AS ORGANIZADORAS .......................................157
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
AGRADECIMENTOS
A concretização desta obra somente foi possível,
devido ao sucesso dos trabalhos desenvolvidos pelos
pesquisadores que compõem o GEPEJA - Grupo de Estudos
e Pesquisas em PROEJA, que dedicaram muitas horas e
esforços para compreender, entender o propósito e o
caminho que o PROEJA do IF Farroupilha está traçando e, a
partir dos resultados desta pesquisa, estão de modo
competente, comprometidos e persistentes em renovar e
inovar metodologias e elaborar estratégias para
transformar ou remodelar a fim de um curso PROEJA
melhor e de alcance a todos que necessitam deste tipo de
curso.
Dessa forma, de modo muito especial, dedicamos
nosso muito obrigado aos nossos colaboradores, que são os
coordenadores locais da pesquisa, assim como a todo o
corpo docente que atua nos cursos PROEJA, equipe
pedagógica, gestores, servidores, os quais não se cansam em
prestar um atendimento de qualidade a nossa comunidade
acadêmica.
Também agradecemos a oportunidade à PróReitoria de Pesquisa do IF Farroupilha e à Universidade
Federal de Santa Maria, mais especificamente, ao Grupo
Kairós pelos diálogos e pela parceria estabelecida.
9
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
APRESENTAÇÃO
APRESENTAÇÃO
Quais as experiências dos Câmpus do Instituto
Federal Farroupilha na implementação e execução do
PROEJA? Orientado por esse questionamento e pelo desejo
de realizar estudos sobre a temática, surge o Grupo de
Estudos e Pesquisas em PROEJA – GEPEJA, articulado e
composto por representantes de todos os Câmpus e Reitoria,
que são eles: coordenadores de cursos PROEJA, professores e
técnico-administrativos em educação que atuam e se
interessam pela área, gestores e alunos regularmente
matriculados nestes cursos.
O interesse pela pesquisa em PROEJA nasce em
2009 por pesquisadores ligados à Especialização PROEJA,
coordenada pela Universidade Federal do Rio Grande do
Sul que vinha coordenando a pesquisa CAPES PROEJA e
reuniu participantes dos Câmpus Alegrete e Júlio de
Castilhos.
O GEPEJA nasceu institucionalmente em julho de
2011, a partir de uma construção de um Projeto de Pesquisa,
intitulado “Experiências
Experiências do PROEJA no Instituto Federal
Farroupilha”
Farroupilha que teve como objetivo geral: elaborar um
diagnóstico e destacar experiências dos cursos PROEJA
oferecidos pelo Instituto Federal Farroupilha. Dentre os
objetivos específicos, estão: conhecer o histórico de cada
Câmpus no oferecimento de cursos PROEJA; identificar
dados referentes à matrícula, evasão e egressos dos cursos
10
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
APRESENTAÇÃO
PROEJA Médio, FIC e Especialização; conhecer a
experiência de Formação de Professores de cada Câmpus;
identificar e socializar os estudos monográficos e as
publicações envolvendo o PROEJA no Instituto; indicar
conquistas e dificuldades do PROEJA no Instituto; conhecer
as concepções de gestão de cada Câmpus e da reitoria.
Vale destacar que esta pesquisa visou a apresentar
investigações e reflexões decorrentes do mapeamento de
todas as turmas de PROEJA oferecidas nos Câmpus do
Instituto Federal Farroupilha, em seus diferentes níveis. A
partir desse mapeamento e das experiências observadas,
buscou-se criar referenciais para discutir e planejar ações
no âmbito das linhas de pesquisa do Grupo de Estudos e
Pesquisas em PROEJA, que são: formação de professores,
currículo integrado, educação prisional, educação do campo
e políticas públicas e gestão.
A pesquisa teve uma abordagem qualitativa, pois
entende a necessidade de aprofundamento em temas ou
“fenômenos” de forma mais compreensiva levando em
conta a sua complexidade e singularidade. Segundo
Chizzotti (2003), a pesquisa qualitativa adota diferentes
caminhos de investigação para estudar um fenômeno em
um determinado local, procurando encontrar os sentidos do
mesmo, bem como interpretar os significados que as
pessoas dão a ele.
A presente pesquisa caracterizou-se também como
descritiva e, quanto ao procedimento técnico, foram
utilizados o modelo documental e o participante. Segundo
Gil (2008, p.42), “as pesquisas descritivas têm como objetivo
11
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
APRESENTAÇÃO
primordial a descrição das características de determinada
população ou fenômeno ou, então, o estabelecimento de
relações entre as variáveis.”.
A pesquisa documental compreendeu-se pela busca
de fontes diversificadas e dispersas. Buscamos dados nos
registros escolares, SISTEC, atas, projetos pedagógicos dos
cursos e em relatórios dos sete Câmpus do Instituto,
ancorados nos pressupostos da pesquisa participante que
Gil (2009) define como “a interação entre pesquisadores e
membros das situações investigadas” (p.55).
Assim, esta proposta multicâmpus seguiu os
seguintes passos:
- Estudo de bibliografias, de acordo com a organização de
cada câmpus;
- Construção do histórico de cada curso de cada câmpus;
- Organização do instrumento de coleta de dados pela
coordenação central e preenchimento por cada câmpus;
- Sistematização dos dados e elaboração de um relatório
gerenciado pela coordenação central;
- Fechamento do relatório e socialização das informações
no Seminário, ocorrido em julho de 2012.
Dessa forma, esta obra busca apresentar um retrato
dos Cursos PROEJA do IF Farroupilha, fruto do trabalho
coletivo, organizado e registrado em um Relatório Final,
além de referenciar a vivência de dois Encontros de Alunos
do PROEJA, realizados em 2010 e 2011, ambos sediados em
Santa Maria/RS, do que resultou uma Carta, elaborada
pelos próprios alunos, que revelam seus anseios e suas
expectativas.
12
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
APRESENTAÇÃO
Sem menor dúvida, o GEPEJA, ao longo desse
processo, fortaleceu-se, o que culminou em uma nova
pesquisa registrada com o título: Experiências do PROEJA
do Instituto Federal Farroupilha: do Local ao Institucional,
Institucional
confirmando o êxito de um projeto multicâmpus, o qual
estimula e impulsiona em todos os atores envolvidos um
olhar especial para/com os Cursos PROEJA, e o mesmo
propósito de qualificar e garantir que estes cursos tenham
mais espaço na comunidade local e mais atenção dentro do
cenário da Educação Profissional.
As Organizadoras
Santa Maria/RS, agosto de 2013.
13
CAPÍTULO I
PROEJA DO IF FARROUPILHA
O PONTO DE PARTIDA
11
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
Na perspectiva de minimizar os baixos índices
de escolarização e suprir a lacuna da falta de
preparação de pessoas para atuar no mundo do
trabalho, ou de profissionalizá-las em uma função
específica, entrelaçando de modo integrado a
formação básica com a formação técnica; eis que surge
uma política pública, entendida por ações e intenções
com os quais os poderes ou instituições públicas
respondem às necessidades de diversos grupos sociais.
Esta política em particular é ponto de pauta principal
deste livro, apresenta como pano de fundo a inclusão e
a inserção social de cidadãos, oportunizando-os a
retornar às instituições de ensino, na vontade
ascendente de aprender, ampliar conhecimentos,
construir novas relações interpessoais e vivenciar um
novo cenário educacional, que vai além do ler e do
escrever, de onde, por muito tempo, grande parte
destes indivíduos se encontravam distantes e, até
mesmo, sem expectativas de retorno, seja pelo horário
de estudo, condições financeiras, dificuldades de
deslocamento, trabalho, ou mesmo por falta de cursos
que fossem ao encontro às necessidades e as vontades
pessoais e profissionais.
Por iniciativa do Governo Federal, em 2005, é
implantado o PROEJA - Programa de Integração da
15
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
Educação Profissional com Educação Básica na
Modalidade de Educação de Jovens e Adultos que se
propõe inicialmente a oferecer Ensino Médio
Integrado à Educação Profissional e depois
implementar a formação inicial e continuada na
modalidade EJA, para trabalhadores, na possibilidade
de qualificação profissional. Dessa forma, podemos
assinalar seus objetivos, tais como: ampliação da oferta
pública da educação profissional aliada à
universalização da educação básica para o
atendimento aos jovens e adultos; implementação de
uma política educacional que proporcione a esse
público acesso gratuito à educação profissional
integrada à educação básica.
Quanto aos seus princípios, evidenciamos:
- o primeiro diz respeito ao papel e compromisso que
entidades públicas integrantes dos sistemas
educacionais têm com a inclusão da população em
suas ofertas educacionais;
- o segundo consiste na inserção orgânica da
modalidade EJA integrada à educação profissional nos
sistemas educacionais públicos;
- o terceiro contempla a ampliação do direito à
educação básica pela universalização do ensino médio,
face à compreensão de que a formação humana não se
faz em tempos curtos, exigindo períodos mais
alongados, que consolidem saberes, a produção
16
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
humana, suas linguagens e formas de expressão para
viver e transformar o mundo;
- o quarto compreende o trabalho como princípio
educativo;
- o quinto define a pesquisa como fundamento da
formação do sujeito contemplado nessa política, por
compreendê-la
como
modo
de
produzir
conhecimentos e fazer avançar a compreensão da
realidade, além de contribuir para a construção da
autonomia intelectual desses sujeitos/educandos;
- o sexto considera as condições geracionais, de gênero,
de relações étnico-raciais como fundantes da formação
humana e dos modos como se produzem as
identidades sociais.
Já compreendendo o propósito do Programa,
reportamo-nos a nossa Instituição e a nossos
questionamentos – quando e como tudo começou?
Respondendo a essa pergunta especificamente,
através do Decreto 5478/2005, os então Centros
Federais de Educação Profissional (CEFETs) e as
Escolas Agrotécnicas Federais (EAFs) iniciam a
mobilização para implantação de cursos na
modalidade PROEJA, visto que, a partir do Decreto, as
instituições federais de ensino profissional precisavam
obrigatoriamente oferecer matrículas na modalidade
Educação de Jovens e Adultos. A então Escola
Agrotécnica Federal de Alegrete, no mesmo ano, inicia
17
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
a formação de professores e implanta, após um estudo
de demanda, os Cursos Técnicos de Agroindústria e de
Informática, os quais tiveram suas atividades iniciadas
em março de 2006.
No ano de 2007, começa, no CEFET de São
Vicente do Sul, o Curso Técnico de Informática e, em
2008, na então UNED1 de São Vicente do Sul, hoje
Câmpus Júlio de Castilhos, também o Curso Técnico
em Informática. No mesmo ano, começa-se na UNED
de Santo Augusto, na época pertencente ao CEFET de
Bento Gonçalves, o Curso Técnico em Comércio.
No final do ano de 2008, a Lei 11.892 de
29/12/2008 cria os Institutos Federais de Educação
Profissional e Tecnológica que surgiram a partir da
rede federal de educação profissional composta por
Centros Federais de Educação Tecnológica, Escolas
Federais Agrotécnicas e Escolas vinculadas às
Universidades. Surge assim o Instituto Federal
Farroupilha neste período, composto pelos Câmpus de
Alegrete, São Vicente do Sul, Júlio de Castilhos e Santo
Augusto, ofertando cursos superiores, pós-graduações
e cursos técnicos de nível Médio, inclusive os de
modalidade de Educação de Jovens e Adultos.
No ano de 2009, o ofício Convite nº 40, da
SETEC/MEC, abre a possibilidade para os Câmpus, em
1
UNED – Unidade de Ensino Descentralizada.
18
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
parceria com os municípios e o sistema prisional,
oferecerem cursos PROEJA articulados ao Ensino
Fundamental.
O Instituto aprova cursos em todos os seus
Câmpus e passa a ter parceria com os municípios de
Alegrete, Manoel Viana, São Borja, Cachoeira do Sul,
Jari, Jaguari, São Pedro do Sul, Cacequi, Júlio de
Castilhos, Tupanciretã, Três Passos, Coronel Bicaco e
Tenente Portela.
No ano de 2010, iniciam as atividades nos
Câmpus de Santa Rosa, São Borja e Panambi, todos com
abertura de cursos de nível médio e Santa Rosa com
implantação do PROEJA FIC prisional. Ainda no
mesmo ano, é lançado o edital para adesão à Rede
Nacional de Certificação Profissional e Formação
Inicial e Continuada – Rede CERTIFIC, à qual nosso
Instituto adere, implantando o programa nos Câmpus
de Alegrete, Júlio de Castilhos, Panambi, São Borja e
São Vicente do Sul.
Neste ano, o Instituto Federal Farroupilha, em
parceria com os outros dois Institutos Federais do RS e
a Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS,
realizou o Encontro Estadual de Alunos PROEJA,
ocorrido em Santa Maria, reunindo cerca de 300
alunos, professores e gestores de todos os cursos
PROEJA Médio do estado. No evento, foram feitas
muitas discussões, que resultaram em uma carta,
19
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
posteriormente distribuída em todo país. No mesmo
ano, o Instituto também foi parceiro na realização do
Fórum PROEJA, que aconteceu na Universidade
Federal de Santa Maria - UFSM.
Em 2011, foram reformulados os projetos
pedagógicos de curso de muitos Câmpus e muitas
aprendizagens advêm das práticas de currículo
integrado, bem como a experiência do PROEJA FIC e
das histórias de vida do CERTIFIC.
Todo este processo foi mostrado no encontro
realizado em novembro, o Encontro de Alunos
PROEJA do Instituto Federal Farroupilha, quando se
reuniram cerca de 1000 participantes, após terem
realizado discussões nas turmas e nos Câmpus sobre
acesso, permanência, formação profissional, mundo do
trabalho, evasão, assistência estudantil, infraestrutura,
organização curricular, pesquisa e extensão.
No Câmpus Alegrete
No ano de 2006, o Câmpus Alegrete, assim
como as demais instituições federais do país, recebeu a
determinação do MEC para o cumprimento do Decreto
nº 5840, de 13 de julho do mesmo ano, o qual instituiu,
no âmbito federal, o Programa Nacional de Integração
da Educação Profissional com a Educação Básica na
Modalidade de Educação de Jovens e Adultos, PROEJA.
20
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
Desde então, o Câmpus Alegrete trabalha com a
formação de docentes para a educação de jovens e
adultos, na tentativa de melhor atender este público
cuja permanência nos cursos oferecidos depende
muito da forma como são tratados durante as aulas.
Após um estudo de demanda, foram criados
dois cursos na modalidade PROEJA: Curso Técnico em
Agroindústria e Curso Técnico em Informática, os
quais tiveram suas atividades iniciadas em março de
2006.
A integração da educação básica à formação
profissional, através da Rede Federal de Educação
Profissional e Tecnológica, advém da tradição da
oferta de cursos de excelência, tendo como meta uma
formação essencialmente integral.
Para que haja a inserção dos jovens no exercício
pleno da cidadania e a ampliação das oportunidades
de ingresso no mundo de trabalho, não basta saber ler
e escrever. É preciso que haja a conclusão de certos
mínimos de escolaridade como base necessária para
um bom desempenho nos diferentes âmbitos da vida
social, seja na vida familiar, no mundo do trabalho, na
esfera cultural ou na participação política e social.
De acordo com o Documento Base do PROEJA
(2006, p. 29),
torna-se indispensável criar condições materiais
e culturais capazes de responder, em curto espaço
21
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
de tempo, ao desafio histórico de implementar
políticas globais e específicas que, no
seu
conjunto, ajudem a consolidar as bases para um
projeto societário de caráter mais ético e humano.
Neste sentido, é necessário construir um projeto
de desenvolvimento nacional autossustentável e
inclusivo que articule as políticas públicas de
trabalho, emprego e renda, de educação, de
ciência e tecnologia, de cultura, de meio ambiente
e de agricultura sustentável, identificadas e
comprometidas com a maioria, para realizar a
travessia possível em direção a outro mundo,
reconceitualizando o sentido de nação, nação esta
capaz de acolher modo de vida solidários,
fraternos e éticos.
Segundo o professor Eliezer Pacheco, no texto
de apresentação do Documento Base do projeto, o
PROEJA é mais que um projeto educacional, “é um
desafio pedagógico e político para todos aqueles que
desejam transformar este país dentro de uma
perspectiva de desenvolvimento e justiça social”. É
uma busca do resgate e reinserção de milhões de
jovens e adultos brasileiros, possibilitando a eles uma
formação profissional na perspectiva integral.
A partir de 2009, de acordo com o Ofício Circular
040, a implantação do PROEJA FIC nas Instituições
Federais implica quatro ações obrigatórias. A primeira
é a Formação Continuada de Profissionais para a
Implantação dos Cursos PROEJA FIC que deve
22
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
abranger todos os profissionais envolvidos com as
turmas, sejam gestores, docentes ou técnicos
profissionais.
De acordo com o Projeto Pedagógico dos Cursos
PROEJA FIC do Câmpus Alegrete, a justificativa pela
escolha da formação inicial e continuada integrada
com a qualificação profissional é “garantir aos jovens e
adultos trabalhadores que não concluíram o Ensino
Fundamental o prosseguimento dos estudos, visando a
melhoria da condição social e qualidade de vida,
atendendo às exigências do setor produtivo primário e
do setor de serviços”.
A segunda ação fora os cinco cursos
implantados e que iniciaram suas atividades frente aos
alunos em março de 2010.
A terceira ação foi a produção de material
pedagógico para os Cursos PROEJA FIC. Para garantir
o sucesso desta produção, foi introduzida a disciplina
de Perspectiva de Elaboração e Construção de Material
Didático, com carga horária de 40 horas, no Curso de
Formação de Docentes. Após as primeiras aulas que
foram de planejamento para a elaboração de aulas
integradas, iniciou-se a preparação de apostilas
contendo conteúdos integrados das disciplinas da
Educação Básica e do Ensino Profissional. Os docentes
de cada turma fizeram as pesquisas com os alunos
para detectar os assuntos de sua preferência e o
23
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
material didático foi preparado a partir destes
assuntos. Após a utilização da primeira apostila, cada
Escola fez a avaliação da mesma, corrigindo algum
item que não tenha ficado adequado.
A quarta ação foi o monitoramento, estudo e
pesquisa com vistas a contribuir para a implantação e
consolidação de espaços de integração das ações
desenvolvidas e, para isso, foi criado o Grupo de
Pesquisa PROEJA Câmpus Alegrete, cujos objetivos
estabelecidos foram: “levantar dados sobre os Cursos
PROEJA; destacar as principais experiências
pedagógicas dos Cursos PROEJA; registrar o processo
de seleção dos alunos PROEJA; levantar dados sobre
evasão no PROEJA; registrar os processos pedagógicos
utilizados no PROEJA; divulgar os dados levantados
entre os envolvidos e participar de encontros,
seminários e outros para discussão e divulgação dos
resultados obtidos”.
O Grupo de Pesquisa trabalha nas seguintes
linhas de estudo e pesquisa: saberes dos alunostrabalhadores,
identidades
juvenis,
currículo
integrado, inclusão digital, formação de professores.
Ao final do primeiro ano da implantação dos
Cursos PROEJA FIC no Câmpus Alegrete, foi possível
observar que os Encontros de Formação dos Docentes
serviram para que pudéssemos, através de estudos,
24
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
leituras, discussões e reflexões, entender melhor o
Programa para nele atuar.
Muitas foram as dúvidas que surgiram e que
foram trazidas para discussão e soluções coletivas.
Os docentes elaboraram os Planos de Ensino dos
Cursos, discutiram currículo integrado e avaliação,
prepararam apostilas e materiais pedagógicos que
foram pesquisados por cada Escola juntamente com os
alunos para trabalhar nas aulas integradas.
Todos os alunos dos Cursos PROEJA FIC
recebem o valor de R$ 100,00 (cem reais) ao mês, como
incentivo à permanência no curso, através de um
Programa da Assistência Estudantil.
Os alunos dos Cursos PROEJA do Câmpus
Alegrete, apesar de algumas evasões por motivos
adversos, estão aproveitando satisfatoriamente os
cursos em que se inscreveram. Várias atividades estão
sendo incluídas no planejamento, tais como viagens de
estudos, visitas, aulas práticas, palestras e outros.
Quanto ao monitoramento, está sendo feito pela
SETEC/MEC, através de relatórios semestrais de
acompanhamento
e
através
dos
Encontros
promovidos entre estudantes, docentes e gestores.
Na área da pesquisa, além da participação do
Câmpus Alegrete nas atividades do Capes PROEJA, foi
promovida a participação de docentes e alunos em
eventos como o Fórum Estadual do PROEJA, além de
25
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
termos os Trabalhos de Conclusão do I Curso de
Especialização do PROEJA divididos entre as linhas de
pesquisa do Grupo.
No Câmpus Júlio de Castilhos
Essa sistematização sobre o PROEJA, no
Instituto Federal Farroupilha – Câmpus Júlio de
Castilhos relata os quatro anos de trabalho nesta
modalidade de ensino e traz à tona sentimentos de
alegrias, incertezas, companheirismo, entendimentos e
desentendimentos, além de interações interessantes e
significativas.
Utilizamos a ideia de travessia como metáfora,
para relatar essa experiência, a partir da própria
vivência cotidiana com os sujeitos, professores e
professoras, alunos e alunas, mas todos na condição de
aprendentes.
Fazemos um esforço de contar essa trajetória a
partir das reflexões, planejamentos, avaliações e
debates feitos pelos envolvidos nesse processo, nas
diferentes instâncias e espaços da instituição.
Buscamos fundamentos para o nosso trabalho na
legislação e em teóricos que estão conosco nesta
travessia social.
Reconhecemos que nem todos compreendiam
essa alternativa de mudança na escola, lacunas
ocorreram nesse trabalho. Foram muitas perguntas
26
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
sem respostas, essas respostas não estavam nos livros,
nem nas palestras, mas no encontro das pessoas, nas
observações e nos diálogos construídos, nas reflexões
que permeavam estes momentos.
No entanto, a transcrição dessa experiência está
recheada de materialidade concreta da vida, através de
recortes ora de humanização, ora de intransigências,
mas que retratam as contradições presentes na
travessia.
Os docentes, ao pensar a implantação do Curso
Técnico em Informática – PROEJA, trouxeram para o
debate a necessidade de proporcionar aos
alunos/trabalhadores a oportunidade de continuar os
estudos e se qualificar profissionalmente. Refletiram
que esse curso propiciaria a retomada da escolarização
aos sujeitos que tinham uma trajetória, muitas vezes,
tumultuada com o ensino e a aprendizagem, de modo
que nem sempre a escola e os professores traziam boas
lembranças para os mesmos. Também observaram que
este seria um espaço em que essas pessoas, ao estudar,
teriam o trabalho como princípio educativo,
organizando-se na escola e na vida. A intencionalidade
é algo importante, mas mais significativo era
implementar essa prática de formação integrada.
Segundo Maria Ciavatta (2005, p.83-84), “as
palavras podem ser ditas, as imagens podem ser
mostradas, as coisas acontecem se há vontade política
27
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
e meios ou recursos, e se elas têm legitimidade perante
a opinião pública”.
Nesse sentido, percebemos que as leis são
elaboradas com discursos que impulsionam a
sociedade em determinada direção, mas há a
possibilidade de o entendimento se dar de diferentes
formas, o que é alvo de contradições sobre a
efetividade para a prática da formação integrada.
A perspectiva da formação integrada pressupõe
superar a dicotomia do trabalho manual e do trabalho
intelectual. Conforme Ciavatta (2005), essa proposição
de formação integrada precisa atender “as
necessidades do mundo do trabalho permeado pela
presença da ciência e da tecnologia como forças
produtivas, geradoras de valores, fontes de riqueza” (p.
85).
Isso posto como base para nosso trabalho,
causou muitas discussões sobre a educação
profissional e o mercado de trabalho, e a educação
profissional e o mundo do trabalho. Além de
contemplar uma reflexão sobre trabalho, ciência,
tecnologia e cultura e o currículo, também abordamos
a função social da escola e a escola e o trabalho como
lugares de memória e de identidade.
Afinal, como procedermos enquanto coletivo de
educadores, visto que a formação integrada rompe
com o trabalho individualizado dos professores e
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Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
requer projetos integradores; desafia-nos a planejar
juntos, construir alternativas que deem conta das
necessidades que o curso e as turmas apresentam.
Na nossa caminhada, as reuniões que ocorriam
nas terças-feiras pela manhã foram muito
significativas, permitindo a alguns professores e
professoras se identificarem com esta proposta, a
outros nem tanto, mas o trabalho prosseguia, sempre
se construindo o diálogo, fazendo estudos, e propondo
alternativas. Algumas com sucesso, outras não
exatamente, mas sempre era uma nova experiência e
saíamos enriquecidos enquanto aprendentes.
Para Paulo Freire (1987, p. 83),
o diálogo começa na busca do conteúdo
programático. (...) não quando o educadoreducando se encontra com os educandoseducadores em uma situação pedagógica, mas
antes, quando aquele se pergunta em torno do que
se vai dialogar com estes. Esta inquietação em
torno do conteúdo do diálogo é a inquietação em
torno do conteúdo programático da educação.
O Projeto Pedagógico e Metodológico do Curso
coloca
uma
intencionalidade
na
formação
organizativa e de valores éticos, sem esquecer-se de
trabalhar os conhecimentos necessários da formação
básica. Com essa intencionalidade, fez-se necessário
pensar em uma nova organização curricular que
permitisse um diálogo mais direto entre as disciplinas.
29
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
Aí surgiram os eixos temáticos que articularam os
conhecimentos entre si. Desse modo, tentou-se
entender e intervir na realidade. Para isso, é preciso
conceber os eixos temáticos e as disciplinas como
parte de um processo dinâmico que é o ato de construir
conhecimento.
No entanto, na realidade, não aconteceu
plenamente, permanecendo a lógica do trabalho por
disciplina, mas conseguimos uma articulação mais
unificada a partir dos focos representados por cada
eixo temático.
Sentimos que a formação continuada dos
docentes é imprescindível, assim como um quadro
fixo de educadores, já que as trocas de professores
atrapalharam muito o processo. Portanto, faz-se
necessário um processo dialógico e coletivo a partir de
reflexões sobre as práticas pedagógicas na escola, da
leitura da realidade e do desempenho dos alunos nos
estudos.
Dar vez e voz aos alunos e alunas permitia
reconhecer a riqueza dos sujeitos e suas
especificidades, as quais nos sensibilizavam e nos
faziam repensar nossas ações. As suas trajetórias de
vida mostravam um espaço e realidades que não
tínhamos percebido. Foi assim que surgiu a ideia da
cartilha sobre os Direitos da Mulher e tantos outros
trabalhos relevantes.
30
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
As dificuldades existiam e os desafios eram
sempre grandes, mas a vontade de acertar era maior.
Assim, destaca-se que o Câmpus Júlio de Castilhos
ofertou Especialização PROEJA, em 2009/2010, em
parceria com a UFRGS. Cinquenta professores se
matricularam abrangendo os municípios de Júlio de
Castilhos, Ijuí, Panambi, Santa Maria, Salto do Jacuí,
oportunizando a todos novas vivências, experiências e
referências com a temática PROEJA.
Em 2008, com o início das atividades do Câmpus,
ingressaram 70 alunos no Curso Técnico em
Informática/PROEJA, dos quais 5 concluíram e 14
ainda estão em estágio ou em defesa de relatório.
Em 2009, através da carta convite do MEC nº40,
o Câmpus Júlio de Castilhos firmou parceira com as
prefeituras municipais de Cachoeira do Sul, Júlio de
Castilhos e Tupanciretã para oferta dos cursos de
PROEJA FIC.
Ainda em 2009, os professores das redes
municipais parceiras, professores da rede federal e
gestores participaram da Formação Continuada no
programa PROEJA FIC. Foram 80 horas iniciais com
um cronograma que pensou na característica plural do
PROEJA, com temáticas que permitiram entender e
refletir sobre avaliação, metodologias, políticas
públicas e elaboração do material didático.
31
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
Em 2010, iniciam as aulas em Cachoeira do Sul
com o Curso Implantação e Manutenção de Parques e
Jardins com 30 alunos; em Júlio de Castilhos, com os
Cursos
de
Atendente
e
Recepcionista
de
Empreendimentos Comerciais, Turmas I e II com 60
alunos e Assistente em Operações Administrativas,
com 30 alunos; e, em Tupanciretã, com o Curso
Implantação e Manutenção de Parques e Jardins, com
30 alunos.
Ainda em 2010, totalizamos 5 turmas com 150
alunos, dos quais 112 concluíram em dezembro de 2011
os referidos cursos. Destes, 55 ingressaram no Curso
Técnico em Comércio em 2012, no Câmpus de Júlio de
Castilhos.
Em 2010, o Instituto firma novamente parcerias
com os municípios de Júlio de Castilhos e Tupanciretã
com o programa CERTIFIC/PROEJAFIC, com as
seguintes etapas:
- Formação continuada para os envolvidos no
programa;
- Reconhecimento de saberes de trabalhadores no
perfil Padeiro.
Em 2011, iniciaram novas turmas com 60 alunos
no curso de Panificação, uma em Júlio de Castilhos e
outra em Tupanciretã, nas quais também destacamos o
baixo índice de evasão.
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Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
Em 2010 ainda, o Câmpus de Júlio de Castilhos, a
partir de uma demanda da comunidade, oferta um
novo Curso Técnico em Comércio modalidade
PROEJA. O Projeto Pedagógico deste curso foi pensado
e elaborado por um grupo de docentes e servidores
envolvidos e motivados com esta modalidade de
ensino. A oferta deste curso foi de 35 vagas, das quais
14 alunos estão concluindo em 2012. Já no ano de 2012,
a oferta foi ampliada para 60 vagas com o objetivo de
atender à demanda da comunidade e dos alunos
concluintes do PROEJA FIC.
Consideramos que o Câmpus teve muitos
avanços nestes 4 anos de existência. A cada ano,
procura-se fortalecer o grupo de trabalho e
principalmente atender os alunos valorizando seus
conhecimentos e suas histórias. A partir das reuniões,
observa-se um grande envolvimento dos docentes
para planejamento das atividades integradas e
avaliações contínuas. Destacamos o baixo índice de
evasão nos primeiros anos, como indicativo do
envolvimento e responsabilidade dos alunos nas
atividades propostas.
No Câmpus Panambi
O Câmpus Panambi iniciou suas atividades com
os discentes em agosto de 2010, no entanto alguns
professores e servidores já estavam trabalhando desde
33
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
fevereiro, organizando a infraestrutura e pensando,
junto com a Reitoria e os demais Câmpus, os Projetos
Pedagógicos dos Cursos que seriam oferecidos ainda
neste ano e cuidando da divulgação do Câmpus junto à
comunidade local e regional.
Todos os docentes e servidores lotados no
Câmpus foram voluntários tanto na divulgação,
quanto na realização das inscrições, que ocorreram na
Secretaria do Câmpus e na praça central da cidade.
Entre os primeiros cursos implantados em agosto
de 2010, estava o Programa de Integração de Educação
Profissional ao Ensino Médio na Modalidade de
Educação de Jovens e Adultos – PROEJA. O
oferecimento dessa modalidade de ensino iniciou com
o Curso Técnico em Edificações, contando com uma
turma de 25 alunos, selecionados através de entrevista
semi-estruturada realizada por servidores do Câmpus.
Esta primeira turma de PROEJA Edificações conta
com 15 alunos, que finalizaram o segundo ano do
curso.
No primeiro semestre de 2011, foi ofertada mais
uma turma em PROEJA – Técnico em Edificações, com
30 alunos, cuja forma de ingresso foi por critérios préestabelecidos no ato da inscrição. Essa turma conta
com 12 alunos.
Neste semestre, também oferecemos duas turmas
em PROEJA FIC – Pedreiro e Encanador, com 30
34
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
alunos em cada uma, selecionados por critérios
estabelecidos no ato da inscrição. Como o número de
inscritos não atingiu o número de 30 alunos para cada
turma, o PROEJA FIC funciona com as duas turmas
juntas para as aulas das disciplinas do núcleo comum
e são separadas nas aulas técnicas, conforme a opção
de curso escolhida. A turma conta com 24 alunos
frequentando regularmente o curso.
No ano de 2012, foi ofertada uma turma de 30
alunos de PROEJA – Técnico em Alimentos, cuja
forma de ingresso foi semelhante às anteriores. A
turma possui 20 alunos.
No Câmpus Santa Rosa
O Instituto Federal Farroupilha Câmpus Santa
Rosa iniciou suas atividades em 2010 com cursos
técnicos nas modalidades integrada, subsequente e de
Educação de Jovens e Adultos com os cursos de
PROEJA- Técnico em Vendas e PROEJA FIC em
Informática – Operador de Microcomputador para
Apenados do Regime Fechado do Presídio Estadual de
Santa Rosa.
A partir do segundo semestre de 2010,
iniciaram-se quatro outros cursos PROEJA-FIC, sendo
dois destes na área da construção civil – Carpinteiro e
Pedreiro Azulejista, um curso na área de informação e
comunicação – Operador de Computador e outro em
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Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
apoio educacional – Alimentação Escolar. Na
implementação dos cursos FIC, ficou definido que o
Instituto Federal Farroupilha se responsabilizaria em
oferecer a formação profissionalizante dos cursos,
enquanto o município de Santa Rosa ficaria
responsável em oferecer a formação básica – Ensino
Fundamental. Estes cursos foram oferecidos a partir
da consulta popular à comunidade.
No primeiro semestre de 2011, iniciou a segunda
turma de PROEJA - Técnico em Vendas e, já para o
próximo ano, há a oferta de 30 vagas para a terceira
turma de PROEJA- Técnico em Vendas.
Os cursos de PROEJA e PROEJA FIC no
Instituto Federal Farroupilha em Santa Rosa são frutos
da demanda e, sobretudo, da responsabilidade social
assumida pelos Institutos Federais no âmbito de
políticas públicas de educação e visam à inclusão
social de segmentos sociais que, por motivos diversos,
ficaram às margens da educação formal.
No Câmpus Santo Augusto
O Programa Nacional de Integração da
Educação Profissional com Educação Básica na
modalidade da Educação de Jovens e Adultos –
PROEJA teve início em 2008, com o Curso Técnico em
Operações Comerciais. Da primeira turma, apenas três
alunos concluíram o estágio supervisionado. As outras
36
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
três turmas estão em andamento, sendo que a maioria
dos alunos do 3º ano (2011) já estão realizando o
estágio. Em 2012, teve ingresso a 5ª turma desse curso,
sendo que, a partir de 2013, iremos oferecer outro curso
– ainda não definido – de PROEJA.
O PROEJA FIC – Gestão Agropecuária,
compreende 4 turmas em 3 municípios: uma em Três
Passos, uma em Coronel Bicaco e duas em Tenente
Portela. Sabemos que há demanda para novas turmas
de PROEJA FIC nesses municípios, de forma que novas
turmas terão início em 2013. As turmas em andamento
irão concluir em 2012/2.
No Câmpus São Borja
O Programa Nacional de Integração da
Educação Profissional com Educação Básica na
modalidade da Educação de Jovens e Adultos –
PROEJA teve início em 2010 com o Curso Técnico em
Manutenção e Suporte em Informática, com o
oferecimento de 50 vagas. Já neste ano, percebeu-se
que a relação dos alunos com a habilitação não estava
satisfatória.
O grupo de docentes dos diferentes eixos
pensaram dois cursos para 2011 que estão em oferta até
o presente momento – Técnico em Hospedagem, 30
vagas e Técnico em Cozinha, 30 vagas.
37
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
A procura é grande (3 por vaga) e o desempenho
é satisfatório – muito em relação às vivências (mundo
do trabalho). Observa-se uma forte relação do Curso
de Cozinha com o dia-a-dia dos alunos jovens e
adultos.
No Programa CERTIFIC, o Campus São Borja é
pioneiro, onde em 2010 começou o processo de
certificação, que culmina com a criação de 4 turmas de
PROEJA FIC, em 2011: 2 em Auxiliar em Pesca
Artesanal de Água Doce (São Borja e Itaqui) e 2 em
Auxiliar de Cozinha (São Borja e Santiago), com
permanência de 88% dos ingressantes, já no 3º
semestre dos cursos. Justifica-se, acreditamos nós, que
este sucesso deva-se à articulação da proposta junto às
comunidades, bem como à formação inicial e
continuada oferecida e entendida pelos profissionais
envolvidos.
Devido a esta demanda e outras futuras, foi
solicitado pelas redes municipal e estadual que o IF
Farroupilha disponibilizasse uma formação para os
docentes das redes que contribuíssem para o melhor
fazer pedagógico.
Assim, no coletivo, o grupo entendeu que era
oportuno ofertar uma Especialização Lato Sensu em
PROEJA. A turma tem seu início em 2012, com uma
característica de quase a totalidade dos discentes
38
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
serem oriundos das redes públicas, e uma parcela
significativa de docentes do PROEJA FIC.
No Câmpus São Vicente do Sul
O Ministério da Educação, sob a coordenação da
Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica –
SETEC, instituiu, em 2005, o Programa de Integração
da Educação Profissional com a Educação Básica na
Modalidade de Educação de Jovens e Adultos PROEJA, visando ao oferecimento da elevação da
escolaridade e à qualificação profissional a jovens e
adultos que, por alguma razão, tiveram as suas
trajetórias
de
formação
descontinuadas
ou
interrompidas.
Tendo em vista os inúmeros desafios e
complexidades, constantes no PROEJA – entendido
como política pública voltada para a formação de
jovens e adultos, vítimas de processos históricos que os
cercearam do direito à conclusão da educação básica e
de uma formação profissional de qualidade – é
imprescindível a consolidação desse programa.
Portanto, é indispensável salientarmos o
histórico do PROEJA no Instituto Federal Farroupilha
Câmpus São Vicente do Sul, contando o andamento
deste programa e a sua abrangência na região,
ressaltando a sua extrema importância na biografia
39
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
daqueles que estão inseridos, seja na vida profissional,
acadêmica ou pessoal.
A trajetória do IF Farroupilha no PROEJA teve
início com a instituição do Decreto 5478/2005, em que
os então Centros Federais de Educação Profissional
(CEFETs) e as Escolas Agrotécnicas Federais (EAFs)
iniciam a mobilização para implantação de cursos na
modalidade PROEJA, visto que, a partir do decreto, as
instituições federais de ensino profissional precisavam
obrigatoriamente oferecer matrículas na modalidade
Educação de Jovens e Adultos.
O Câmpus de São Vicente do Sul (na época
Centro Federal de Educação Tecnológica de São
Vicente do Sul/CEFET-SVS), a partir do Decreto nº
5.840 de 2006, passou a se organizar e se estruturar
para atender às demandas de implantação desta
proposta de educação de jovens e adultos. Tal
organização iniciou ao final do ano de 2006, com
reuniões da direção da instituição e os professores para
socializar o texto do Decreto, abordando sobre os
objetivos e intenções da nova proposta. A primeira
questão decidida pelo grupo foi a necessidade de
desenvolver formação continuada com os docentes.
Esse processo se efetivou mediante assessoria da
Universidade Federal de Santa Maria.
Neste contexto, nasceram então dois projetos de
curso na modalidade do PROEJA: O Curso Técnico em
40
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
Agroindústria e o Curso Técnico em Informática.
Foram ofertadas 30 vagas de cada curso e a procura
por parte da população por tais cursos foi baixa,
mediante os meios de comunicação locais, foram feitos
encontros periódicos nas comunidades, através de
chamadas públicas em São Vicente do Sul e
municípios vizinhos.
Assim, iniciaram-se no ano de 2007, de maneira
extremamente desafiante, os trabalhos para o ingresso
da primeira turma do Curso Técnico do PROEJA em
Informática, com 22 jovens e adultos matriculados,
sendo com faixa etária entre 23 e 65 anos de idade (13
homens e 09 mulheres). No entanto, atualmente 12
pessoas estão formadas. A segunda turma teve ingresso
no primeiro semestre de 2009, com 30 jovens e adultos
matriculados, sendo que foi necessário processo
seletivo, o qual aconteceu por meio de entrevistas.
Entretanto, atualmente 15 pessoas estão aptas para o
estágio profissional a se realizar em 2012.
É
importante
considerar
a
constante
preocupação dos profissionais da instituição em
promover espaços de acolhimento destes jovens e
adultos que buscam uma formação/profissionalização.
Diante deste contexto, o Câmpus de São Vicente
do Sul do Instituto Federal Farroupilha propõe o Curso
Técnico em Vendas na modalidade do PROEJA,
buscando melhorias nas condições de inserção social,
41
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
econômica, política e cultural dos jovens e adultos da
região, uma vez que concluímos que uma Educação
contextualizada e emancipatória contribui para o
desenvolvimento local e regional de modo sustentável.
No ano de 2009, o ofício Convite nº 40 da
SETEC/MEC abre a possibilidade para os câmpus, em
parcerias com os municípios e os sistemas prisionais,
oferecerem cursos PROEJA integrados ao Ensino
Fundamental.
Portanto, no Câmpus São Vicente do Sul, o
Curso de Formação Inicial e Continuada em
Panificação Integrada ao Ensino Fundamental na
Modalidade de EJA teve início no ano de 2009, em
parceria com a Rede Municipal, cujos integrantes são
os municípios de Jaguari (Rede Pública Municipal de
Educação e Sistema Penitenciário), São Pedro do Sul,
Cacequi e Jarí.
A oferta do curso em Panificação foi identificada
pela demanda em um encontro realizado no Instituto
Federal Farroupilha, Câmpus de São Vicente do Sul,
com representantes das prefeituras, secretarias
municipais de educação e estabelecimentos penais dos
municípios da região. Nesse sentido, é considerada a
potencialidade produtiva da comunidade em questão.
O curso ampliaria a qualificação profissional dos
sujeitos envolvidos, possibilitando a reintegração
social dos mesmos. É levada em consideração, ainda, a
42
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
possibilidade do acesso com qualidade ao mundo do
trabalho, bem como a oportunidade de continuidade
dos estudos.
Os objetivos do curso são promover a
qualificação profissional inicial e continuada de jovens
e adultos, bem como garantir o ingresso/reingresso no
ensino fundamental, de modo que os sujeitos tenham
condições de transformar sua história de vida em
direção
à
cidadania
plena;
resgatando
os
conhecimentos
dos
sujeitos,
qualificando-os
profissionalmente a partir destes e da compreensão do
trabalho como princípio educativo; desenvolvendo a
capacidade de resolução de problemas, de
comunicação de ideias, de iniciativa; desenvolvendo os
conhecimentos teórico-práticos relativos à área de
formação profissional.
No ano de 2012, o Instituto Federal Farroupilha
- Câmpus de São Vicente do Sul, em parceria com os
municípios de Cacequi, Jaguari, Jarí, São Pedro do Sul e
a 8ª Coordenadoria Regional de Educação, estão sendo
ofertadas vagas, conforme o edital nº 008/2012 do
Programa Nacional de Integração da Educação
Profissional com a Educação Básica na modalidade de
Educação de Jovens e Adultos, na Formação Inicial e
Continuada Integrada com o Ensino Fundamental –
PROEJA FIC/Rede CERTIFIC, do Curso de Formação
43
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA
Inicial e Continuada em Panificação Integrado ao
Ensino Fundamental na Modalidade de EJA.
No ano vigente, estão previstas também vagas
para o curso do Programa Nacional de Integração da
Educação Profissional com a Educação Básica na
modalidade de Educação de Jovens e Adultos, na
Formação Inicial e Continuada Integrada com o
Ensino Médio – PROEJA FIC/Rede CERTIFIC, no
Instituto Federal Farroupilha - Câmpus de São Vicente
do Sul em parceria com os municípios de Cacequi,
Jaguari, São Pedro do Sul e a 8ª Coordenadoria Regional
de Educação, no curso de Auxiliar em Manutenção e
Processamento de Alimentos.
44
CAPÍTULO II
OS CURSOS PROEJA OFERTA, PERMANÊNCIA E
CONCLUSÃO
45
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
OS CURSOS PROEJA – OFERTA, PERMANÊNCIA E CONCLUSÃO
Com o objetivo de mapear o acesso e a
permanência dos cursos PROEJA em nosso Instituto, e
poder fazer análises importantes sobre a oferta dos
cursos, buscamos, a partir do histórico, verificar as
matrículas iniciais, a evasão e a conclusão dos alunos
em cada turma. Pelo gráfico 1, observamos os números
de acesso, permanência e conclusão de estudantes que
realizam cursos nesta modalidade que, em especial, é
nosso foco de análise.
Neste capítulo, o leitor compreenderá e
conhecerá a trajetória evolutiva, de 2006 até 2012, seja
no PROEJA Ensino Médio, quanto ao PROEJA FIC, e
entenderá as razões da expansão de matrículas, a
diminuição de evasões que vem positivamente e
gradativamente ocorrendo a cada ano, assim como
observará os índices dos que conseguem chegar ao
final do curso, completando satisfatoriamente o ciclo
escolar, obtendo assim êxito em seus estudos.
Certamente, é necessária a vigilância de dados,
pois este é um dos indicadores útil de observação para
que saibamos o quanto nossas ações e estratégias estão
surtindo resultados. Por outro lado, também tenhamos
a clareza que a base de dados não se esgota, devemos
levar em consideração outras metodologias para
obtenção de informações e, por isso, também devem
46
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
OS CURSOS PROEJA – OFERTA, PERMANÊNCIA E CONCLUSÃO
ser investidas, como a pesquisa investigativa,
exploratória e documental devem periodicamente
acontecer, para que possamos chegar a respostas
coerentes e que possibilitem a noção do todo,
condicionando ao grupo, de modo particularizado,
elucidar o cenário real de cada turma que compõem os
cursos PROEJA, acompanhando e entendendo suas
particularidades.
Portanto, os dados a serem apresentados são
originários de pesquisas realizadas em cada Câmpus,
pelos coordenadores locais, configurando na
organização destes gráficos que mostrarão, de forma
sintética, o panorama dos Cursos PROEJA do
Instituto Federal Farroupilha.
Gráfico 1 – PROEJA de Nível Médio
47
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
OS CURSOS PROEJA – OFERTA, PERMANÊNCIA E CONCLUSÃO
Percebe-se, pelo gráfico 1, que houve um
aumento significativo no número de vagas ofertadas
de 2006 até 2012. O crescimento foi de 20 vezes em
relação ao número de vagas ofertadas em 2006.
Pode-se inferir que os motivos que ensejaram à
elevação no número de vagas ofertadas em PROEJA
foram: a maior sensibilização e apropriação sobre a
temática; o aumento no número de câmpus e,
consequentemente, de cursos; cumprimento da
determinação legal; institucionalização da proposta
através da melhor estruturação do câmpus para
receber e atender os alunos; a maior atenção dada por
parte do gestor e do quadro de servidores para a
temática; a formação de professores e a produção de
conhecimento nos Cursos de Especialização.
A porcentagem da evasão em relação às
matrículas iniciais oscilou de 23 a 50% e a média da
evasão, de 2006 até 2011, foi de 38%.
Outros fatores entendidos como relevantes para
analisar a questão da evasão são: saber por que foi
ofertado o curso, como foi seu processo de escolha,
como se deu a preparação para esta oferta por parte
dos servidores e da gestão, quais melhorias na
infraestrutura e funcionamento do câmpus para
receber o público e qual foi o espaço de participação da
comunidade no processo.
48
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
OS CURSOS PROEJA – OFERTA, PERMANÊNCIA E CONCLUSÃO
Gráfico 2 – PROEJA de Nível Fundamental
Observa-se, no gráfico 2, que houve uma
diminuição na oferta de vagas em PROEJA FIC no ano
de 2011 comparado ao ano de 2010. Pode-se inferir que
esta diminuição deu-se em razão do programa ofertar
as vagas de modo distinto nos dois editais abertos.
A peculiaridade do Edital de 2010 foi a
vinculação da oferta do PROEJA FIC à oferta do
CERTIFIC e a algumas áreas específicas do
conhecimento, que não eram afins com as nossas.
Também havia restrição quanto ao número de turmas,
eram apenas duas turmas por câmpus.
A porcentagem da evasão em relação às
matrículas iniciais foi de 31% no ano de 2010, valor
próximo à média do observado nos cursos PROEJA.
49
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
OS CURSOS PROEJA – OFERTA, PERMANÊNCIA E CONCLUSÃO
Gráfico 3 – Total por Modalidade e por Câmpus
O gráfico 3 traz em números absolutos as vagas
ofertadas em PROEJA e PROEJA FIC em cada câmpus
do Instituto Federal Farroupilha.
Em números absolutos, são ofertadas 1414
vagas em PROEJA e PROEJA FIC na instituição. Entre
os 679 estudantes de PROEJA e 735 estudantes de
PROEJA FIC, temos uma diferença de 56 alunos, o que
representa 4% do total, que expressa uma diferença
considerável.
Sendo assim, podemos concluir que hoje nossa
instituição oferta praticamente o mesmo número de
vagas em PROEJA e PROEJA FIC.
São possíveis causas desta realidade a percepção
que, através da formação da demanda no PROEJA FIC,
teremos mais alunos interessados nos cursos PROEJA.
Outro fator que motiva a instituição a realizar esta
distribuição na oferta de vagas talvez seja a
50
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
OS CURSOS PROEJA – OFERTA, PERMANÊNCIA E CONCLUSÃO
contribuição que a metodologia exigida para o
PROEJA FIC traz aos cursos de PROEJA. Também pode
ser um motivo o acesso a recursos extraorçamentários
trazidos pelos dois Editais que participamos, além do
bom relacionamento que os Câmpus têm com a
comunidade.
Podemos perceber que, em cinco dos sete
Câmpus, há uma proximidade no número de vagas
ofertadas em PROEJA e PROEJA FIC.
No Câmpus Alegrete, onde a oferta de PROEJA é
superior à de PROEJA FIC, tal comportamento pode
ser justificado pela cultura do Câmpus em ofertar a
modalidade de Ensino no Nível Médio, uma vez que o
Câmpus oferta PROEJA desde 2006.
Já no Câmpus São Borja, a maior oferta de vagas
em PROEJA FIC do que em PROEJA talvez se justifique
pelo fato do Câmpus estar localizado no município de
maior incidência de pobreza em que nossa instituição
atua e, por isso, a demanda por PROEJA FIC seja maior
que por PROEJA.
51
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
OS CURSOS PROEJA – OFERTA, PERMANÊNCIA E CONCLUSÃO
Gráfico 4 – Dados dos IFs do RS na SETEC
IF Farroupilha
IFSul
IFRS
Ao analisarmos a primeira coluna do gráfico 4
que mostra o número total de alunos matriculados nos
três Institutos situados no Rio Grande do Sul, nosso
Instituto é o que tem menor número de alunos se
comparado ao IFSul e IFRS.
Porém, ao analisarmos a segunda coluna do
gráfico, que mostra o número de matrículas em
PROEJA; a diferença diminui sensivelmente. Podemos
inferir da análise da segunda coluna do gráfico, que
tais números podem ser reflexos de uma possível
decisão institucional em ofertar a modalidade de
ensino.
Ao analisarmos a terceira coluna do gráfico,
observamos que o número de matrículas em PROEJA
52
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
OS CURSOS PROEJA – OFERTA, PERMANÊNCIA E CONCLUSÃO
FIC de nossa instituição é muito superior aos demais
institutos. Tais números podem refletir a realidade
regional em que estamos inseridos que demandam
mais por esta formação; a vontade de ampliar e
interiorizar as ações da instituição através das
parcerias com as prefeituras municipais, necessárias
para ação do FIC; a possibilidade de ter recursos
extraorçamentários para a execução do projeto e a
vontade da gestão em fazê-lo.
Na quarta coluna do gráfico, vemos que nossa
soma de matrículas em PROEJA e PROEJA FIC é quase
o dobro da segunda instituição que mais oferta. Estes
números transformados em valores percentuais são
mostrados na quinta coluna do gráfico.
A referida coluna visa a demonstrar o
cumprimento da determinação contida no art. 2º, § 2º
do Decreto nº 5840/06, nossa instituição tem 16,8% de
suas vagas ofertadas para jovens e adultos. Com isso,
não temos déficit de matrículas em PROEJA, como fica
demonstrado no gráfico da sexta coluna do gráfico.
Os fatores que podem ter contribuído para esta
realidade possivelmente foi a decisão institucional em
dar atenção à previsão legal fazendo-a cumprir ao
ofertar cursos, contudo entendemos que estes números
não demonstram a meta qualitativa a que nossa
instituição se propôs a cumprir ao ofertar os cursos
PROEJA.
53
CAPÍTULO III
EDUCAÇÃO NAS PRISÕES
54
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
EDUCAÇÃO NAS PRISÕES
Diariamente a mídia se encarrega de nos
informar e divulgar, através de reportagens,
documentários e notícias, a situação dramática das
Casas Penitenciárias do Brasil. Diante de tais
informações, pode-se perceber o tamanho descaso do
poder público em investir em políticas públicas e
aplicar recursos que garantam ao apenado um espaço
digno e com reais condições de viver e possibilitar seu
reestabelecimento, no sentido de se reeducar e de um
dia retornar à sociedade com liberdade.
As carências são evidentes e, prova disso, é a
superlotação que abarca o sistema prisional,
desencadeando outras conseqüências, como falta de:
higiene, alimentação adequada, vestuário, saúde,
saneamento e esgoto, entre outros itens que
comprometem pelo não ter qualidade de vida e
ineficiência na recuperação do ser, não cumprindo por
sua vez, a função elementar da Penitência, que é a
ressocialização e reintegração do homem.
A Lei das Execuções Penais1 garante que a
assistência ao preso e ao interno é dever do Estado, e
1
BRASIL. Lei das Execuções Penais. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7210.htm>. Acesso
em: 05 jun. 2013.
55
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
EDUCAÇÃO NAS PRISÕES
esta assistência está compreendida em: a) Material fornecimento de alimentação, vestuário e instalações
higiênicas; b) Saúde - atendimento médico,
farmacêutico e odontológico; c) Jurídica; d)
Educacional – proporcionar instrução escolar e a
formação profissional; e) Social - preparar para o
retorno à liberdade; f) Religiosa.
É sabido que o Estado não está dando conta
desta assistência, e o quadro prisional só vem
piorando, com os altos índices de criminalidades e
violência, inchando os estabelecimentos prisionais de
pessoas, que passam boa parte do seu dia na
ociosidade, sem uma ocupação ou um aprendizado que
vá ao encontro da reintegração e de, no futuro, um
trabalho que possa assegurar sua sobrevivência,
quando lhe for concedida sua liberdade.
Dessa forma, entende-se necessário buscar
alternativas que minimizem alguns destes problemas,
pois se torna impossível resolver todos por completo,
mas no que depende de educação e profissionalização,
é bem possível estabelecer parcerias entre as
Penitenciárias com Instituições de Ensino, visando a
preencher uma lacuna de tempo destes apenados com
aquisição de conhecimentos, de trabalho e elevação de
escolaridade.
56
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
EDUCAÇÃO NAS PRISÕES
Recentemente, o relatório2 divulgado pela
SUSEPE
(Superintendência
dos
Serviços
Penitenciários) do Estado Rio Grande do Sul revela
uma série de dados, como o de Grau de Instrução dos
apenados que se concentram em 62,52% de Ensino
Fundamental Incompleto, dos que apresentam Ensino
Fundamental Completo está em 11,56%, os que
possuem Ensino Médio Incompleto são 8,94% e
analfabetos encontram-se na faixa de 3,69%. Quanto à
População Carcerária, 93,48% são do sexo masculino e
6,52% do sexo feminino.
Segundo a Resolução3 nº 2, publicada em 19 de
maio de 2010, que dispõe sobre as Diretrizes Nacionais
para a oferta de educação para jovens e adultos, em
situação
de
privação
de
liberdade
nos
estabelecimentos penais, uma das orientações para
oferta de educação de jovens e adultos em
estabelecimentos penais é o desenvolvimento de
políticas de elevação da escolaridade associada à
2
SUSEPE
RS.
Relatório.
Disponível
em:
<http://www.susepe.rs.gov.br/upload/1328526604_Programas
%20Trabalho%2003.02.2012.pdf>. Acesso em: 05 jun. 2013.
3
BRASIL. Resolução Nº 2, de 19 de maio de 2010. Dispõe sobre as
Diretrizes Nacionais para a oferta de educação para jovens e
adultos, em situação de privação de liberdade nos
estabelecimentos penais.
57
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
EDUCAÇÃO NAS PRISÕES
qualificação profissional, articulando a políticas e
programas de jovens e adultos (art. 3º, inciso VI).
O que podemos previamente dizer é que há uma
enorme demanda educacional, e que estes apenados
poderiam ser beneficiados através de Cursos PROEJA
FIC e PROEJA Médio, visto a oportunidade de poderem
realizar um curso que permita-os terminar uma etapa
escolar, concluir uma escolaridade e, ao mesmo tempo,
receber uma educação profissional, formando
cidadãos com competência técnica, servindo como um
trampolim para sua inserção no mundo do trabalho,
dando-lhe um novo significado e sentido de vida para
o seu pleno exercício de cidadania, liberdade e vida
social.
Registramos, neste capítulo, importantes
iniciativas realizadas por alguns de nossos câmpus do
Instituto, que possam ser conferidas, através do relato
de suas atividades e projetos orientados para o sistema
prisional.
Câmpus
Câmpus Alegrete
O Programa Nacional de Integração da Educação
Profissional com a Educação Básica, na Modalidade de
Educação de Jovens e Adultos – Formação Inicial e
Continuada Ensino Fundamental (PROEJA – FIC) Auxiliar de Construção Civil, iniciou no ano de 2010 e
foi realizado através de uma parceria entre a Prefeitura
58
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
EDUCAÇÃO NAS PRISÕES
Municipal de Alegrete, Instituto Federal Farroupilha
(IF Farroupilha - Câmpus Alegrete), Universidade
Federal do Pampa (UNIPAMPA)/Câmpus Alegrete e as
Escolas da Rede Municipal EMEB Lions Clube e EMEB
Honório Lemes que ofertam a modalidade de
Educação de Jovens e Adultos (EJA). O programa tem
como foco atingir a comunidade do entorno das
escolas e os apenados do regime semiaberto da
Superintendência do Sistema de Execução Penal
(SUSEPE). O PROEJA FIC tem como objetivos resgatar
e reinserir, no sistema escolar, jovens e adultos,
visando à habilitação profissional e à certificação de
conclusão do Ensino Fundamental. A UNIPAMPA,
através do projeto de extensão universitária “Apoio ao
PROEJA FIC Construção Civil Alegrete”, vem
ministrando as aulas teóricas e práticas da área da
Educação Profissional integrando discentes e docentes
do curso de Engenharia Civil. Percebe-se o grande
interesse dos alunos nas atividades de projetos, pois
estão sempre requisitando ajuda do instrutor na
elaboração dos mesmos. Os alunos mostram-se
bastante ansiosos no andamento dos projetos, realizam
a montagem de maquetes e, após, participam nas
atividades práticas no canteiro de obras, pertencente
ao Laboratório de Construção do Curso de Engenharia
Civil da UNIPAMPA.
59
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
EDUCAÇÃO NAS PRISÕES
Câmpus Santa Rosa
Cabe lembrar que o Câmpus Santa Rosa do
Instituto Federal Farroupilha iniciou suas atividades
quando ainda estava em processo de construção dos
prédios, nomeação de servidores, estruturação de
laboratórios e aquisição de materiais. Nesse período, o
projeto sediado no Presídio Estadual de Santa Rosa teve
seu início e, ao ser implantado, causou certo
desconforto no interior da Instituição, principalmente
entre os servidores docentes, uma vez que o
comunicado de que docentes do Câmpus iriam
ministrar aulas dentro do sistema prisional causou
preocupação a muitos. Não era somente o espaço
prisional que assustava, mas também a Educação de
Jovens e Adultos a nível fundamental integrada à
formação profissional em espaço de privação de
liberdade.
Nesse sentido, alguns fatores dificultadores
podem ser citados, como a heterogeneidade entre os
docentes em relação à trajetória profissional, falta de
experiência na Educação de Jovens e Adultos, o
desconhecimento do Projeto Pedagógico do Curso, o
(des)encontro com esta política e, principalmente,
devido ao fato de ser o curso em âmbito prisional.
Diante
dessa
realidade,
surgiram
alguns
questionamentos: será que a educação nas prisões
possui um sentido? Será que é capaz de atingir uma
60
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
EDUCAÇÃO NAS PRISÕES
perspectiva de (re)socialização destes indivíduos? Mas,
principalmente, os educadores têm se questionado
sobre as questões de segurança a que são expostos.
Assim, muitos desafios seguiram a implantação
do curso de formação inicial e continuada em
Informática – Operador de Microcomputador para
apenados do regime fechado do Presídio Estadual de
Santa Rosa. Além das problemáticas citadas, outro
complicador surgiu com o processo seletivo, o qual
ficou sob responsabilidade do sistema penitenciário. A
equipe administrativa que, possivelmente pelo
desconhecimento do Projeto Pedagógico do Curso, não
atingiu ou não seguiu os critérios previstos no projeto
e, portanto, não contemplou integralmente o públicoalvo. Inicialmente, na turma, existiam alunos que,
inclusive, já haviam concluído o Ensino Fundamental
e frequentavam o Ensino Médio (na modalidade EJA
Prisional).
Diante dessa situação, organizou-se um segundo
processo seletivo para adequação da turma. No
decorrer deste trabalho, tornou-se perceptível o pouco
envolvimento dos servidores estaduais do âmbito
prisional, ficando as ações centralizadas na
administração do presídio, situação que distanciava
quaisquer ações que pudessem vir a promover um
trabalho mais consistente.
61
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
EDUCAÇÃO NAS PRISÕES
Por parte do Instituto Federal, a falta de
informação em relação à estrutura carcerária foi
gradativamente superada a partir de várias reuniões
administrativas entre a Rede Federal de Ensino, a
Administração do Presídio e a Rede Municipal de
Educação que conta com docentes que possuem
experiência em Educação em espaço de privação de
liberdade. Pode-se destacar ainda o apoio dos gestores
da Rede Federal – Reitoria e Direção Geral do Câmpus
e da administração municipal, em especial a Secretária
Municipal de Educação e Juventude de Santa Rosa em
viabilizar esta integração.
Outro elemento dificultador no processo de
implementação
do
curso
de Operador
de
Microcomputador em âmbito prisional foi a falta de
documentação básica dos educandos privados de
liberdade, os quais são necessários para a matrícula no
curso e também para a certificação. Segundo relatos de
alguns apenados e também de agentes penitenciários,
os documentos pessoais, muitas vezes, perdem-se
durante a execução dos mandados de prisão ou prisões
em flagrante, ou seja, no momento em que ocorre a
privação de liberdade. Para tais providências,
articulou-se um trabalho envolvendo o Setor de
Assistência Estudantil do Câmpus Santa Rosa e
profissionais como psicóloga, assistente social e
administrador do sistema prisional.
62
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
EDUCAÇÃO NAS PRISÕES
Outro fator a ser mencionado é o repasse mensal
no valor de R$ 100,00 (cem reais) da Assistência
Estudantil para os educandos privados de liberdade, os
quais não dispunham de conta bancária própria. A
referida ação da Assistência ao Estudante PROEJA está
de
acordo
com
o
ofício
circular
n°
05/2010/CGPEPT/SETEC/MEC de 1° de fevereiro de
2010, mas não menciona como deve ser o repasse no
âmbito prisional. Após vários contatos, recebeu-se a
orientação de que o repasse deveria acontecer de
acordo com as diretrizes do órgão, ao qual o presídio
pertence, neste caso a Superintendência dos Serviços
Penitenciários – SUSEPE. Dessa forma a 3° Delegacia
Penitenciária Regional, órgão ao qual o presídio de
Santa Rosa está vinculado, passou as devidas
orientações.
Alguns fatores endógenos à sala de aula
contribuíram para os índices de evasão, entre eles, a
progressão do educando privado de liberdade para o
regime semiaberto, a transferência temporária ou
definitiva para outros centros de detenção, as medidas
disciplinares internas e o trabalho interno remunerado
– oriundo do convênio do sistema prisional com
empresas do município.
A solenidade de formatura aconteceu em
dezembro de 2011.
63
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
EDUCAÇÃO NAS PRISÕES
Um dos aspectos positivos e também um ponto a
ser melhorado foi a parceria entre Rede Federal de
Ensino e o Município, o qual já tinha uma trajetória
bem estabelecida em currículo integrado propiciando
as reuniões Pedagógicas semanais/quinzenais com
acompanhamento pedagógico.
Destacam-se também os fatores facilitadores no
processo de implantação dos cursos de PROEJA FIC.
No caso do curso prisional, a remissão da pena através
dos estudos tem-se mostrado uma especial motivação
para a frequência nas aulas. Também o valor da
assistência pode ser considerado um fator de
permanência. Recentemente, através de depoimentos
destes educandos, foi possível constatar a importância
da escola em suas vidas, sobretudo no âmbito da
perspectiva de ressocialização via educação.
Pontos a serem melhorados:
- Currículo que considere as especificidades das
relações sociais, legislação, cultura e mundo do
trabalho;
- Maior envolvimento dos “agentes” do sistema
prisional;
- Formação específica aos docentes que atuam
no sistema prisional;
- Ambiente específico (sala) para as aulas –
questão de segurança.
64
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
EDUCAÇÃO NAS PRISÕES
Câmpus São Borja
O Câmpus tem um projeto piloto para o Presídio
Estadual de São Borja com uma turma de PROEJA
Técnico em Informática na modalidade a distância,
com constante perigo de evasão. Nesta turma, observase necessidade de formação contínua, adaptação de
conteúdos e metodologias.
Câmpus São Vicente do Sul
O Curso PROEJA FIC em Panificação
desenvolveu-se no município de Jaguari, a partir de
2010, em uma turma na Escola Municipal da
Consolata, e também, em uma turma no Presídio
Estadual da cidade, oferecendo ressocialização aos
educandos no que prevê a Lei de Execução Penal e a
Constituição Federal de 1988. Esta turma concluiu seus
estudos em dezembro de 2011, cujos 14 alunos
matriculados inicialmente, 5 concluíram com êxito o
Ensino Fundamental/Qualificação Profissional em
Panificação.
Algumas
das
principais
dificuldades
encontradas na realização do programa no presídio são
infraestrutura e segurança no desenvolvimento do
processo educacional e a questão da evasão, devido à
grande mobilidade que os detentos apresentam em
relação à sua situação prisional, tais como: regime
65
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
EDUCAÇÃO NAS PRISÕES
semiaberto, transferência para outras penitenciárias,
dentre outras mais particulares.
Em relação à proposta pedagógica, a abordagem
metodológica foi tradicional devido às condições do
contexto e das possibilidades de trabalho dos
professores que, mesmo desta forma, sentiram-se
desafiados em desenvolver a capacidade dos alunos
através de conhecimentos significativos, que
auxiliassem na reinserção social através do trabalho,
ajudando a proporcionar a efetiva ressocialização dos
sujeitos.
66
CAPÍTULO IV
GESTÃO E POLÍTICAS
PÚBLICAS
67
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS
Um dos objetivos dos Institutos Federais é
“ministrar educação profissional técnica de nível
médio, prioritariamente na forma de cursos
integrados, para os concluintes do ensino fundamental
e para o público da educação de jovens e adultos”
(BRASIL, 2008). Tendo claro que o público da
Educação de Jovens e Adultos se constitui como
prioridade para os Institutos, resta identificar as
estratégias de gestão necessárias à garantia do ingresso
e permanência desses sujeitos nesses espaços.
Do mesmo modo, sabe-se que a materialização de
uma política voltada à inclusão dos jovens e adultos na
escola é permeada por dissensos, sendo fundamental
que a gestão defenda esta inclusão e se instrumentalize
para efetivá-la. Assim, o conhecimento do que é o
PROEJA, seus princípios e finalidades, as
configurações que assume dentro das instituições e os
resultados que vêm alcançando, é a base para que as
políticas estejam em consonância com o que a lei prevê
e com as necessidades, demandas e anseios locais.
Essa possibilidade de aumento da escolaridade,
juntamente com a oferta da Educação
Profissional, denota que o objetivo primordial do
PROEJA não é somente formar para o trabalho,
pois se mostra como um meio de formar um
68
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS
trabalhador consciente de sua condição para que
possa intervir na realidade social. (BLUM, 2011)
A pesquisa surge, portanto, como uma
possibilidade de desvelar a realidade, desconstruindo
muitos dos preconceitos com relação ao PROEJA. A
constituição de um corpus com dados quantitativos e
qualitativos do PROEJA, articulando aspectos da
execução da política com as questões macro, bem
como a socialização destes dados, facilita a construção
de uma gestão mais democrática, através da qual os
sujeitos diretamente envolvidos na execução e os
usuários da política, ganham força.
A gestão democrática tem como eixo fundante a
busca pela efetivação da educação como direito
social, assim como a universalização do acesso
com permanência e qualidade socialmente
referenciada. É uma prática político-pedagógica
que
procura
estabelecer
mecanismos
institucionais
capazes
de
promover
a
participação
qualificada
dos
agentes
educacionais e demais setores interessados na
ação educativa, o que requer um engajamento
coletivo na formulação das diretrizes escolares,
no planejamento das ações, assim como na sua
execução e avaliação (NETO; CASTRO, 2011).
Não há como falar em ampliação dos canais de
participação, sem falar em ampliação do acesso à
informação e à construção de consensos em torno dos
elementos fundamentais da política do PROEJA. No IF
69
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS
Farroupilha, a constituição do GEPEJA tem se
mostrado fundamental nesse sentido. Além das
questões relativas aos cursos e às vagas, o grupo
fomenta a reflexão sobre as metodologias de trabalho
e todos os fatores pedagógicos e estruturais implicados
para a permanência e êxito dos estudantes. Tais
reflexões ajudam a construir possíveis caminhos de
gestão.
Na sequência, os câmpus externam algumas
ações e medidas que convergem para o apoio e
assistência na execução dos cursos PROEJA .
Câmpus Alegrete
No Câmpus Alegrete, a Direção Geral sempre
apoiou e aprovou os projetos relacionados às Políticas
Públicas advindos dos Editais da SETEC/MEC, não
medindo esforços para a sua implementação e
participando ativamente das atividades relacionadas
como: aula inaugural, formaturas e outros eventos.
Quanto aos recursos, todo o orçamento recebido
através dos projetos foram repassados para a execução
dos cursos, visando sempre às solicitações feitas nos
Planos de Trabalho. A Assistência Estudantil, da
mesma forma, sempre foi disponibilizada de acordo
com o planejamento da Coordenação dos Cursos
PROEJA.
70
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS
Em relação à infraestrutura, o Câmpus Alegrete
dispõe de: salas de aula, anfiteatro, laboratórios de
informática e multidisciplinar, unidade educativa de
agroindústria, padaria, unidade educativa de
piscicultura, biblioteca, refeitório, ginásio de esportes,
além do setor de atendimento ao educando, sendo
todos os espaços colocados à disposição do PROEJA,
conforme as necessidades previstas.
No aspecto pedagógico, a Coordenação do
PROEJA e os Docentes do Curso, assim como o Núcleo
de Apoio Pedagógico, participam ativamente das
reuniões, do planejamento e do envolvimento nas
demais atividades propostas pela equipe que trabalha
no curso.
Todos os alunos participam dos editais de bolsa
auxílio permanência, de pesquisa e de extensão.
Sempre que necessário, a gestão do Câmpus
participa e promove fóruns de discussões. A liberação
dos docentes do PROEJA para capacitação é feita
sistematicamente.
Câmpus Júlio de Castilhos
Os recursos vêm do orçamento do Câmpus, de
Planos de Trabalho e da Assistência Estudantil.
Na Infraestrutura, o Câmpus dispõe de: salas de
aula, anfiteatro, laboratórios de informática e
71
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS
multidisciplinar, biblioteca, refeitório, além do setor
de atendimento ao educando.
As aulas das turmas de PROEJA FIC acontecem
nas escolas dos municípios e as aulas práticas no
laboratório da agroindústria do Câmpus.
A coordenação do PROEJA, os docentes do
curso, o núcleo de apoio pedagógico, participam
ativamente das reuniões, do planejamento e do
envolvimento nas demais atividades propostas pela
equipe que trabalha no curso.
Em relação às Bolsas, os alunos participam dos
editais de bolsa auxílio permanência, de pesquisa e de
extensão.
Em relação a fóruns de discussão com a gestão,
não há. A gestão do Câmpus não participa dos fóruns.
E a liberação para capacitação de servidores ocorre em
alguns momentos e depende da situação econômica e
interesse do Câmpus e do servidor.
Câmpus Panambi
Os recursos são disponibilizados igualmente em
todos os cursos do Câmpus. Não temos conhecimento
da vinda de recursos específicos para o PROEJA.
A Infraestrutura, em relação às salas de aula,
está tudo bem, contamos com os recursos necessários.
Porém, temos dificuldades com as aulas práticas,
principalmente no laboratório de Edificações. O
72
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS
laboratório do curso de Alimentos encontra-se bem
equipado
As questões pedagógicas são todas discutidas e
resolvidas em conjunto com a Diretoria de Ensino,
coordenação do curso e docentes.
Em relação às bolsas, os alunos recebem o valor
de R$ 100,00 (cem reais) referente à Assistência
Permanência, além de participar dos editais
publicados pelo Setor de Assistência Estudantil da
Instituição, tais como o auxílio transporte e o auxílio
creche. Destaca-se o envolvimento de alunos do
PROEJA com bolsas de pesquisa, extensão e auxílio
atividade, atuando em vários setores da Instituição.
Sobre a participação em eventos, sempre
acontecem nos eventos que envolvem os alunos e
professores do PROEJA. Participamos dos seguintes
eventos:
- Fórum Estadual de Pesquisas e Experiências
em PROEJA (outubro de 2010);
- Encontro de Alunos do PROEJA do Instituto
Federal Farroupilha (novembro de 2011).
O Câmpus ainda não participa de fóruns de
discussão com a gestão e o Câmpus sempre
disponibiliza a participação dos servidores em cursos
de capacitação.
73
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS
Câmpus Santa Rosa
Os recursos disponibilizados em nível Federal
têm sido fundamentais para a implantação e,
sobretudo, a manutenção dos cursos de PROEJA FIC,
estabelecidos na Instituição. O PROEJA Médio conta
com recursos Institucionais.
PROEJA FIC - Operador de Microcomputador
(prisional)
A infraestrutura do curso foi organizada na
“sala-cela”, um ambiente multimeios nas dependências
do presídio, com recursos destinados ao PROEJA FIC,
tanto para a formação das aulas de formação básica,
quanto para a formação profissional.
PROEJA FIC - Alimentação Escolar, Pedreiro
Azulejista, Carpinteiro e Operador de Computador.
No início das aulas, o espaço físico da Rede
Federal de Ensino estava limitado (sala de aula), não
sendo possível acomodar as novas turmas de PROEJA
FIC. Assim, a alternativa pensada foi viabilizar as
aulas
na
Escola
Municipal
Expedicionário
Weber/Santa Rosa, espaço este cedido por nossos
parceiros (Secretária Municipal de Educação e
Juventude) no projeto. Por outro lado, emerge a
necessidade de se criar uma identidade destes
educandos com o Instituto Federal Farroupilha 74
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS
Câmpus Santa Rosa e, para tanto, as disciplinas
técnicas (práticas e teóricas) são ministradas no
Instituto, enquanto as disciplinas básicas, na referida
Escola. Esta alternativa veio a contornar duas
implicações para a implementação dos Cursos FIC.
Primeiro, o problema de espaço físico do Instituto
(ainda em construção) e, segundo, a acessibilidade dos
educandos que encontraram maior facilidade de
deslocamento-transporte até a referida escola
municipal.
Foi disponibilizado em nossa instituição para os
cursos FIC: sala de aula (quarta-feira), laboratório de
informática, laboratório de edificações, laboratório de
agroindústria, biblioteca com sala ambiente
multimeios e livros da banca e de conhecimentos
básicos
de
informática,
edificações,
agroindústria/alimentos.
O Curso Técnico em Vendas/PROEJA acontece
nas dependências do Instituto Federal Farroupilha Câmpus Santa Rosa, usufruindo de toda infraestrutura
disponível no Câmpus. Foi disponibilizado para os
cursos sala de aula, laboratórios de informática,
biblioteca com sala ambiente multimeios e livros na
área específica e básica.
Na Gestão no aspecto pedagógico, destaca-se a
parceria estabelecida entre a Rede Federal de Educação
e o Município de Santa Rosa, pois está tendo um papel
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Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS
bastante relevante. A Rede Municipal de Ensino possui
uma trajetória em currículo integrado, sendo que o
planejamento do currículo dos cursos FIC tem
acontecido sob a coordenação pedagógica da Rede
Municipal de Ensino e vem sendo viabilizado através
de reuniões pedagógicas semanais e/ou quinzenais. O
currículo para os cursos de PROEJA FIC está levando
em conta as vivências e saberes dos educandos, suas
diferentes concepções e visões de mundo em vários
aspectos.
Para o PROEJA, o Núcleo Pedagógico da
Instituição vem auxiliando nas questões pedagógicas,
mas ainda emerge o desfio da integração curricular.
Em relação às bolsas, o Setor de Assistência
Estudantil da Instituição vem realizando, de acordo
com os recursos disponíveis, um trabalho efetivo e
promissor. Atualmente são ofertados, aos alunos
PROEJA FIC, o auxílio transporte, o auxílio creche,
além do valor de R$ 100,00 (cem reais) referente à
Assistência/Permanência. Também se pode destacar o
envolvimento de alunos do PROEJA com bolsas de
pesquisa e auxílio atividade atuando em vários setores
da Instituição como, por exemplo, na coordenação
PROEJA e setores administrativos.
Desde o início das atividades do Câmpus, podese destacar o incentivo à Educação de Jovens e Adultos
por parte dos gestores. Ainda, salienta-se que, nas
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Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS
reuniões gerais, quando necessário, é disponibilizado
espaço para discussões sobre questões que envolvem
os cursos PROEJA. Outro ponto a mencionar é que a
equipe diretiva da Instituição costuma ter
representatividade nos conselhos de classe e colegiado
dos cursos PROEJA Médio.
Há liberação para capacitação de servidores,
inclusive existe o incentivo à participação nos
Encontros, Seminários e Fóruns sobre a temática
PROEJA, ficando mais à escolha do servidor participar
ou não. Vale mencionar que nas ações de Formação
Continuada que acontecem no Câmpus sempre existe
espaço para a temática PROEJA.
Câmpus Santo Augusto
Os recursos são do orçamento do Câmpus,
Planos de Trabalho e Assistência Estudantil.
De infraestrutura, o Câmpus Santo Augusto
dispõe de: salas de aula, anfiteatro, laboratórios de
informática, biblioteca, além do setor de atendimento
ao educando.
A Coordenação do PROEJA, os Docentes do
Curso, a Equipe da Assistência Estudantil participam
ativamente das reuniões, do planejamento e do
envolvimento nas demais atividades – de Ensino,
Pesquisa e Extensão, propostas pela equipe que
trabalha no curso.
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Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS
O curso possui uma bolsa de Pesquisa e três de
Extensão. Os alunos participam dos editais de bolsa
auxílio permanência, de pesquisa e de extensão.
No decorrer das reuniões pedagógicas, a
Coordenação do PROEJA tem espaço de pauta e há
liberação para capacitação de servidores sempre que
necessário.
Câmpus São Borja
Há uma coordenação de PROEJA, ligada à
Direção de Ensino, que articula o diálogo com os
coordenadores de Eixo e quando das demandas, solicita
à Assessoria Pedagógica para solucionar dificuldades e
propor alternativas.
O Câmpus tem um espaço (quarta-feira –
manhã) para suas reuniões pedagógicas. Sobre a
temática PROEJA, esta é colocada na pauta deste
espaço.
Os recursos são do orçamento do Câmpus,
Planos de Trabalho e Assistência Estudantil.
De infraestrutura, o Câmpus dispõe de: salas de
aula, anfiteatro, laboratórios de informática,
biblioteca, além do setor de atendimento ao educando.
Câmpus São
São Vicente do Sul
Os recursos são os do orçamento do Câmpus e a
infraestrutura utilizada é a mesma disponível no
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Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS
Câmpus: laboratórios, biblioteca, auditório, salas de
aula, etc, sendo que o PROEJA FIC utiliza, também, a
estrutura disponível no município, ou seja, as escolas
municipais e o Presídio Estadual.
A gestão pedagógica é compartilhada entre a
Direção de Ensino, Setor Pedagógico, Departamento de
Atendimento ao Educando, Coordenações do Câmpus
e dos municípios e docentes;
Quanto a Bolsas (extras), os alunos participam
de editais de bolsa auxílio: permanência, transporte e
creche proporcionados pela Assistência ao Educando.
Sobre a participação em eventos, os alunos são
incentivados a participarem e a desenvolverem
eventos nos municípios, no Câmpus, no âmbito do IF
Farroupilha e em outros locais conforme interesses
dos Cursos.
Os docentes também participam/organizam
seminários, encontros, palestras, sobre as temáticas do
PROEJA.
Há um Fórum permanente de discussão em
todos os âmbitos da gestão sobre o PROEJA.
A gestão acontece conjuntamente com a Direção
de Ensino, grupo docente e os discentes. A gestão
pedagógica é realizada de forma democrática e
participativa primando pela decisão da maioria dos
envolvidos.
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Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS
REFERÊNCIAS
BLUM, Márcia Sabina Rosa. A Política de Avaliação do
Proeja no Estado do Paraná: o percurso de pesquisa e alguns
resultados. Anais do 5º Seminário Nacional Estado e
Políticas Sociais.
Sociais Universidade Estadual do Oeste do Paraná,
Cascavel, 2011.
NETO, Antônio Cabral; CASTRO, Alda Maria Duarte
Araújo. Gestão escolar em instituições de ensino médio:
entre a gestão democrática e a gerencial. Educação &
Sociedade., Campinas, v. 32, n. 116, p. 745-770, Jul./Set. 2011.
Disponível em: <http://www.cedes.unicamp.br>. Acesso
em: 28 ago. 2012.
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CAPÍTULO V
CURRÍCULO INTEGRADO NO
IF FARROUPILHA:
DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS
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Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA:
DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS
O Currículo Integrado no Documento Base PROEJA1
O documento Base do PROEJA2, lançado no ano
de 2007, após a instituição do 2º decreto que coloca a
educação profissional na possibilidade de articulação
com a educação de jovens e adultos, traz orientações e
concepções para o programa. Nesta parte,
apresentaremos os aspectos do capítulo 4 do
documento, denominado projeto político-pedagógico
integrado, e relacionaremos com autores que
defendem o currículo integrado.
O capítulo inicia destacando que, apesar dos
Decretos 5154/04 e 5840/06 também preverem a
forma concomitante de desenvolvimento do PROEJA,
é a forma integrada que deve prevalecer. Aponta-se
para que, mesmo que mais de uma instituição
participem do programa, é o projeto políticopedagógico único que deve ser ofertado.
O documento se baseia no conceito de Ciavatta
(2005) para explicar como compreende o currículo:
Remetemos o termo [integrar] ao seu sentido de
completude, de compreensão das partes no seu
1
Para escrita deste capítulo, contou com a participação das
professoras Roberta Goergen e Sylvia Messer, do IF Farroupilha –
Câmpus Panambi.
2
Nos referimos ao Documento Base do PROEJA Médio.
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Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA:
DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS
todo ou da unidade no diverso, de tratar a
educação como uma totalidade social, isto é, nas
múltiplas mediações históricas que concretizam
os processos educativos [...]. Significa que
buscamos enfocar o trabalho como princípio
educativo, no sentido de superar a dicotomia
trabalho manual/trabalho intelectual, de
incorporar a dimensão intelectual ao trabalho
produtivo, de formar trabalhadores capazes de
atuar como dirigentes e cidadãos. (CIAVATTA, in
BRASIL, 2009, p. 40)
O documento acrescenta:
O que se pretende é uma integração
epistemológica, de conteúdos, de metodologias e
de práticas educativas. Refere-se a uma
integração teoriateoria-prática, entre o saber e o sabersaberfazer. Em relação ao currículo, pode ser traduzido
em termos de integração entre uma formação
humana mais geral, uma formação para o ensino
médio e para a formação profissional. (ibidem,
p.41)
Por isso, é necessário estabelecer a relação entre
educação profissional, ensino médio e EJA, pensando a
intervenção pedagógica para esta modalidade, sempre
tendo em vista a compreensão/inserção no mundo do
trabalho.
Fica claro que o documento traz muitos
elementos que exigem a construção de um projeto
específico, comprometido e inovador de ensino de
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Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA:
DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS
jovens e adultos. É fundamental, para isso, que se
construa um novo projeto educativo, “expresso em um
currículo
transformado
e
transformador”
(CIAVATTA, 2011, p. 12). Este currículo, para a autora,
supõe romper com os parâmetros tradicionais, sem
ignorar as experiências que os alunos jovens e adultos
trazem como marca e como potencialidade para o
espaço educativo e as experiências anteriores de
escolaridade, de vida e de trabalho. Essa dinâmica é
reforçada pelo documento quando reforça a
importância de resgatar as histórias de vida e os
saberes dos trabalhadores:
Nesses espaços, os saberes produzidos são
também
reconhecidos
e
legitimados,
e
evidenciados por meio de biografias e trajetórias
de vida dos sujeitos. Compreende-se que são eles
decorrentes dos variados espaços sociais que a
população vivencia no seu estar e ser no mundo,
seja cultural, laboral, social, político e histórico.
Portanto, o currículo integrado é uma
possibilidade de inovar pedagogicamente na
concepção de ensino médio, em resposta aos
diferentes sujeitos sociais para os quais se destina,
por meio de uma concepção que considera o
mundo do trabalho e que leva em conta os mais
diversos saberes produzidos em diferentes
espaços sociais. Abandona-se a perspectiva
estreita de formação para o mercado de trabalho,
para assumir a formação integral dos sujeitos,
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Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA:
DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS
como forma de compreender e se compreender
no mundo. (BRASIL, 2009, p. 42-43)
Assumir estas posturas e concepções é
fundamental. Por isso, é necessário conhecer os
sujeitos, ouvir suas histórias e saberes. E isto não é
tarefa apenas dos docentes dos cursos. Os gestores
precisam assumir o PROEJA, acompanhando e
possuindo uma visão global, assim como os demais
servidores sejam sensíveis e compreendam a realidade
da EJA.
O documento apresenta, por meio da legislação,
a importância da vinculação entre educação e trabalho
e:
Isto significa que não se pode tratar a formação
como algo exclusivamente do mundo do trabalho
ou do mundo da educação. Trata-se de percebê-la
como um ponto de intersecção, para o qual devem
confluir diversas abordagens e contribuições,
entre elas a dos sujeitos trabalhadores. (BRASIL,
2009, p. 46)
Machado (2010) destaca que uma das propostas
de ação didática integrada é “recorrer aos desafios do
desenvolvimento local como significador do
currículo” (p. 89). A autora acrescenta: “nesse contexto,
especial importância é dada aos projetos de formação e
qualificação para o trabalho, de constituição de
microempresas, de fomento de cooperativas e de
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Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA:
DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS
formas associativas autônomas de trabalhadores.”
Assim, acredita-se ser importante buscarmos em
Antunes (2005) aspectos significativos para entender
a nova morfologia do mundo trabalho:
Essa nova morfologia do mundo do trabalho tem
como núcleo central os trabalhadores produtivos
(no sentido dado por Marx, [...]), e não se restringe
ao trabalho manual direto, mas incorpora a
totalidade do trabalho social e do trabalho
coletivo assalariado. Como o trabalhador
produtivo é aquele que produz diretamente maisvalia e que participa diretamente do processo de
valorização do capital, ele detém, por isso, um
papel de centralidade no interior da classe
trabalhadora. E é preciso acrescentar que a
moderna classe trabalhadora também inclui os
trabalhadores improdutivos, aqueles cujas formas
de trabalho são utilizadas como serviço, seja para
uso público ou para o capitalista, e que não se
constituem
como
elemento
diretamente
produtivo no processo de valorização do capital.
Todavia, como há uma crescente imbricação
entre trabalho produtivo e improdutivo no
capitalismo contemporâneo, e como a classe
trabalhadora incorpora essas duas dimensões
básicas do trabalho sob o capitalismo, a noção
ampliada nos parece fundamental para a
compreensão do que é a classe trabalhadora hoje.
(p. 60)
O documento analisado traz aspectos que
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Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA:
DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS
confluem para o que o autor acima defende, quando
destaca que a formação deve ser social e profissional:
Nessa intersecção, que compreende múltiplas
dimensões, a qualificação nunca é apenas
“profissional” (dimensão técnica), mas sempre
“social” (dimensão sociolaboral). Pode-se falar,
portanto, em qualificação social e profissional
para denominar as ações de formação voltadas
para uma inserção autônoma e solidária no
mundo do trabalho. A qualificação social e
profissional permite a inserção e atuação cidadã
no mundo do trabalho, com efetivo impacto para
a vida e o trabalho das pessoas (BRASIL, 2003, p.
24). Para isso, faz-se necessário no decorrer do
processo formativo “a promoção de atividades
político-pedagógicas baseadas em metodologias
inovadoras
dentro
de
um
pensamento
emancipatório de inclusão, tendo o trabalho
como princípio educativo; o direito ao trabalho
como um valor estruturante da cidadania; a
qualificação como uma política de inclusão social
e um suporte indispensável do desenvolvimento
sustentável, a associação entre a participação
social e a pesquisa como elementos articulados na
construção desta política e na melhoria da base
de informação sobre a relação trabalhoeducação-desenvolvimento. Isso possibilita a
melhoria das condições de trabalho e da
qualidade social de vida da população” (BRASIL,
2009, p. 20-21).
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Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA:
DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS
Nesse contexto, é que se corrobora com a ideia
de Antunes (2009), na introdução do livro de Mèszaros
“A crise estrutural do capital”, que “criar um modo de
produção e vida profundamente distinto do atual é,
portanto, um desafio vital” lançado por Mèszaros (p.
15)
A construção de um modo de vida dotado de
sentido recoloca, neste início do século XXI, a
necessidade imperiosa de construção de um novo
sistema metabólico, de um novo modo de
produção baseado na atividade autodeterminada,
na ação dos indivíduos livremente associados
(Marx) e em valores para além do capital. A
atividade baseada no tempo disponível para
produzir valores de uso socialmente úteis e
necessários – contrária à produção baseada no
tempo excedente para a produção exclusiva de
valores de troca para a reprodução do capital –
torna-se vital. (ANTUNES, in MÈSZAROS, 2009,
p. 15)
Assim, fica clara a urgência de trazer para o
currículo dos cursos a discussão sobre o trabalho e a
vida do trabalhador. Isso porque há um aparente
silêncio sobre o tema trabalho nos currículos.
(CIAVATTA, 2011)
Nesse sentido, é importante verificar se os
currículos dos cursos PROEJA estão trazendo a
discussão sobre o trabalho, se estão refletindo sobre os
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Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA:
DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS
processos produtivos, mostrando o processo histórico
das relações de trabalho, promovendo a ação-reflexão
dos alunos.
Sobre a organização curricular, o documento
base é claro colocando que esta não é dada a priori, que
é uma construção contínua e processual que envolve
todos os envolvidos no Programa. Da mesma forma,
enfatiza que a EJA abre possibilidades de superação de
modelos curriculares tradicionais, disciplinares e
rígidos.
Define-se, então, o currículo como um desenho
pedagógico e sua correspondente organização
institucional à qual articula dinamicamente
experiências, trabalho, valores, ensino, prática,
teoria, comunidade, concepções e saberes
observando
as
características
históricas,
econômicas e socioculturais do meio em que o
processo se desenvolve. “Antes de ser uma
proposta pré-definida, o currículo orienta-se pelo
diálogo constante com a realidade”. (BRASIL in
BRASIL, 2009, p. 49).
O documento apresenta várias possibilidades de
abordagens metodológicas: abordagens embasadas na
perspectiva de complexos temáticos; abordagem por
meio de esquemas conceituais; abordagem centrada
em resoluções de problemas; abordagem mediada por
dilemas reais vividos pela sociedade e abordagem por
áreas do conhecimento. Esta última destaca-se já que,
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Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA:
DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS
nos exemplos, trouxe sempre o trabalho junto à área.
Reforça-se também a importância dada ao
planejamento construído e executado de maneira
coletiva e democrática, mediados por meio dos
encontros periódicos entre os sujeitos envolvidos.
Para desenvolver estas práticas, a ocorrência de
reuniões periódicas entre os professores e com a
participação dos estudantes tem demonstrado ser uma
chave para o sucesso do PROEJA. (MARASCHIN, 2012)
Assim é um grande desafio a efetivação do currículo
integrado, é uma caminhada, uma conquista, pois vai
além de organizar um currículo, um curso.
Transformar o projeto de formação integrada em
uma experiência de democracia participativa e de
recriação permanente. Ela não ocorre sob o
autoritarismo, porque deve ser uma ação coletiva,
já que o movimento de integração, é
necessariamente, interdisciplinar. Requer que os
professores se abram à inovação, a temas e
experiências mais adequados à integração. Ideias
em curso nas escolas são, por exemplo, projetos
que articulam arte e ciência; projetos de iniciação
científica; componentes curriculares voltados
para a compreensão dos fundamentos sóciopolíticos da área profissional e o horizonte além
das rotinas escolares. (CIAVATTA, 2011, p, 16)
Nessa construção dinâmica, percebe-se que o
documento traz como fundamentais a questão da
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Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA:
DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS
organização dos tempos e espaço e a avaliação. A
primeira diz respeito à necessidade de o processo de
ensino-aprendizagem extrapolar os espaços escolares,
ocorrendo também em espaços físicos diferenciados
envolvendo métodos e tempos próprios. Estas
atividades precisam ser contempladas no projeto do
curso, que organiza a vida do educando e também
oportuniza a possibilidade do aluno permanecer no
curso em tempo diverso do previsto, se assim for
necessário. Ao aluno da EJA, são garantidas a entrada e
a saída do curso em qualquer tempo desde que sejam
verificadas suas condições de ingresso e o domínio de
conhecimento atingido, em confronto com os objetivos
definidos para o curso.
À segunda, é necessário especial compromisso
do educador em acompanhar e mobilizar os alunos
para a aprendizagem. Destacam-se as dimensões
diagnóstica, processual, formativa e somativa no
reconhecimento da situação em que se encontra o
aluno, verificando os obstáculos que o impedem de ser
mais. E, nesse contexto, concorda-se com o seguinte
parágrafo:
O que importa é que não se reproduzam, pela
avaliação, as exclusões vigentes no sistema, que
reforçam fracassos já vivenciados e corroboram a
crença internalizada de que não são capazes de
aprender, substituindo esse modelo pela
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Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA:
DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS
ratificação da auto-estima que qualquer processo
bem-sucedido pode produzir, reafirmando a
disposição da política de cumprir o dever da
oferta da educação com qualidade, devida a
tantos brasileiros pelo Estado. (BRASIL, 2009, p.
49).
Portanto, é notório que, não só pelo processo de
avaliação, mas por todos que envolvem a construção
pedagógica do currículo integrado, é preciso romper
com antigas práticas assumindo um trabalho coletivo
e coerente com as necessidades dos jovens e adultos
que procuram o PROEJA para mudarem de vida e
ampliarem a concepção de mundo e de trabalho. O
currículo integrado é a alternativa para esta
construção, mas para isso deve ser entendido,
defendido e viabilizado pelas instituições. E o projeto
pedagógico do currículo integrado precisa considerar a
diversidade, não trabalhando com a concepção de
aluno modelar.
Percebe-se que é desafio a implementação do
currículo integrado para além do projeto pedagógico,
pois, muitas vezes, ao verificarmos os projetos
pedagógicos dos cursos consta-se como “integrado”,
mas na prática se reproduzem antigas experiências.
Para isso, é necessária uma ação conjunta que parta da
construção e planejamento do currículo, e que
ultrapassa a prática solitária dos docentes, assumindo
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Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA:
DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS
um compromisso com a aprendizagem, a reflexão e a
construção de novos conhecimentos e tecnologias.
Somente uma prática comprometida é capaz de
motivar alunos e comunidade na busca de significados
e sentido para a aprendizagem.
A Experiência
periência do Currículo Integrado nos Câmpus
Câmpus do
IF Farroupilha
Nesta parte, passaremos a apresentar, a partir do
relatório do Grupo GEPEJA, como tem se desenvolvido
o currículo integrado nos cursos PROEJA.
Câmpus 1
Câmpus 2
Câmpus 3
As atividades do Currículo Integrado têm sido feitas
através de Projetos Integradores que são desenvolvidos
a partir das sugestões dos alunos e dos docentes. Para
que tal aconteça, são proporcionadas reuniões
semanais, às terças-feiras, à tarde, para que sejam
articuladas as atividades integradas.
O Currículo Integrado é sempre um desafio para os
docentes, mas, enquanto grupo, a maioria está engajada
pelo trabalho e sabe de sua importância e relevância,
desta forma para sua efetivação os encontros entre os
docentes são fundamentais e nestes encontros são
planejados os projetos, avaliados e reorganizados se
necessário. O importante é observar os resultados
esperados mediante avaliação com as turmas e sempre
pensando em articular o maior número de áreas de
conhecimento, sendo organizados momentos onde as
produções possam ser compartilhadas.
O Currículo Integrado se evidencia somente com o
projeto integrador. A dificuldade em fazer o currículo
integrado está em reunir os professores para o
planejamento coletivo. Percebe-se um modelo
93
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA:
DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS
Câmpus 4
tradicional de currículo e um distanciamento entre a
área técnica e a área básica.
PROEJA Médio: O distanciamento entre a área técnica
e área básica e entre os próprios componentes da área
básica, vem inviabilizando a integração de um modo
geral. Observando que o modelo tradicional de
currículo prevalece no projeto pedagógico dos cursos
PROEJA Médio (Técnico em Vendas), seria
imprudente, inicialmente, impor uma proposta que
não fosse disciplinar. As mudanças e alterações nas
concepções curriculares vêm acontecendo aos poucos
e são fruto do amadurecimento do grupo, das
discussões, das necessidades vistas e sentidas, das
provocações feitas dentro e fora da Instituição.
Evidências de integração acontecem principalmente
através de projetos interdisciplinares e práticas
pedagógicas integradas, envolvendo áreas afins e
técnicas e docentes disponíveis, principalmente,
devido a relações de afinidade. O currículo integrado é
um dos desafios para a Educação de Jovens e Adultos
no Câmpus.
PROEJA
FIC:
Há
reuniões
pedagógicas
quinzenais/mensais para planejamento das aulas. O
planejamento do currículo a ser desenvolvido pelas
diferentes áreas do conhecimento que integram o
PROEJA FIC teve como ponto de partida a realidade
dos educandos e, como propósito, considerar as
concepções e as visões de mundo que os educandos
envolvidos possuem sobre diferentes aspectos,
abrangendo questões pessoais, sociais, ambientais,
econômicas, políticas, de espiritualidade e expectativas
de vida. Assim, a partir desta perspectiva desenvolveuse, junto aos educandos/as, uma pesquisa da realidade
onde cada um pode manifestar o que pensa sobre os
aspectos mencionados acima. Por intermédio da
pesquisa da realidade os/as educadores/as puderam
conhecer um pouco mais os sujeitos com os quais iriam
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Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA:
DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS
Câmpus 5
Câmpus 6
Câmpus 7
trabalhar. Esta pesquisa foi pensada numa metodologia
que envolveu diferentes atividades propostas pelos/as
educadores/as das áreas de conhecimento com a
finalidade de revelar suas visões de mundo. Foram
atividades orais e escritas.
Há intervenções, porém muitas vezes sem registros. Os
casos
mais
frequentes
são
dos
projetos
interdisciplinares, onde uma disciplina propõe e
outras vão se agregando. O resultado é sempre para
além das expectativas.
O currículo integra-se a partir de projetos
Interdisciplinares e Integradores. A partir do
desenvolvimento do Ensino, Pesquisa e Extensão:
- Participação do GEPEJA no Grupo de Estudos de
Currículo Integrado;
- Integração do Currículo via reuniões de planejamento
e projetos integradores: Produção de Sabão; Reciclagem
PET;
Projeto
de
Extensão:
“Atividades
Extracurriculares no PROEJA - Diálogos na
Comunidade”.
O currículo integrado tem sido um grande desafio para
os docentes. Todos os PPCs dos PROEJAs apresentam
propostas de currículo integrado, no entanto, existe
ainda uma grande fragmentação entre a área básica e a
técnica, principalmente, nos cursos de PROEJA Médio.
Porém, há uma vontade de integração entre os
professores
que
buscam
realizar
atividades
articuladas, projetos coletivos e reflexões conjuntas.
Essas ações são evidenciadas a partir da realização de
mostra de trabalhos, reuniões pedagógicas e encontros
de formação.
Os cursos PROEJA FIC apresentam uma dinâmica
curricular diferenciada por trabalharem por áreas do
conhecimento e pelo grupo de professores ser dos
municípios, o que facilita a integração. A articulação
com a área técnica é realizada a partir dos encontros de
95
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA:
DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS
formação, onde há discussão sobre as temáticas que são
abordadas pelos professores e que servem de referência
para o trabalho de todos de forma interdisciplinar.
Das experiências apresentadas por todos os
Câmpus, destaca-se que o currículo integrado no IF
Farroupilha acontece por meio de projetos
integradores e a partir de reuniões de planejamento
dos professores. Tem-se como dificuldade o espaço e o
tempo para reunir os professores para o planejamento
coletivo.
Como desafios, têm-se a maior aproximação das
áreas básica e técnica e o desenvolvimento de projetos
que integrem o ensino, a pesquisa e a extensão. Nesse
sentido, vale retomar Ramos (2010, p. 51-52):
O conceito de integração, entretanto, vai além da
forma. Não se trata de somar os currículos e/ou as
cargas horárias referentes ao ensino médio e às
habilitações profissionais, mas sim de relacionar,
internamente à organização curricular e do
desenvolvimento do processo de ensinoaprendizagem,
conhecimentos
gerais
e
específicos; cultura e trabalho; humanismo e
tecnologia. A construção dessas relações tem
como mediações o trabalho, a produção do
conhecimento científico e da cultura. O currículo
integrado do ensino médio técnico visa à
formação dos trabalhadores como dirigentes,
tendo como horizonte a superação da dominação
96
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA:
DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS
dos trabalhadores e perspectivas de emancipação.
Portanto,
temos
muito
a
caminhar,
principalmente no sentido de compreender o processo
de integração e as lutas históricas dos trabalhadores
por direito à educação.
Experiências que indicam pistas para o Currículo
Integrado do PROEJA
No ano de 2010, a Pró-Reitoria de Ensino do
Instituto Federal Farroupilha instituiu a comissão de
currículo integrado. Esta deveria propor estudos e
diretrizes para a construção do currículo integrado nos
cursos. Foram feitos seminários dos eixos tecnológicos
e das áreas e o repensar da prática foi instituído. No
ano de 2011, foram desafiados todos os Câmpus a
proporem práticas de currículo integrado.
Como Assessoria Pedagógica3, realizamos
visitas aos Câmpus para acompanhar as propostas. No
Câmpus Panambi, as propostas construídas tanto para
o Ensino Médio como para o PROEJA chamaram a
atenção. A seguir, organizamos em destaques o relato
organizado pelas professoras e pesquisadoras do
Grupo GEPEJA Roberta Goergen e Sylvia Messer.
3
Refere-se a uma das autoras do texto que atuava como assessora
pedagógica na Pró-Reitoria de Ensino.
97
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA:
DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS
a) A Discussão do Currículo Integrado perpassa os
Cursos Integrados
Integrados
O currículo integrado no Câmpus Panambi
acontece através da realização de Projetos
Integradores, feitos não somente em turmas
PROEJA, bem como em todas as modalidades de
ensino.
Esta postura do Câmpus demonstra grande
amadurecimento, pois envolve todos os professores
pensando em todos os cursos. Esta situação vai
colaborando para se desenvolver uma cultura de
integração.
b) Projetos Integradores
Os projetos Integradores são realizados de acordo
com o curso. No caso do PROEJA na área de
edificações e na área de alimentos. Os professores
das disciplinas do ensino médio e do ensino
profissionalizante definem temas gerais que
atendam a demanda de formação de cada uma
das áreas dos cursos.
Após a definição do tema, faz-se uma
apresentação deste tema aos alunos com a presença de
todos os professores que atuam no curso. Os alunos da
turma são divididos em grupos. Cada grupo escolhe
um tema e um ou mais professores orientadores.
A utilização dos Projetos Integradores é uma
98
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA:
DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS
forma de integrar os professores e colocá-los para
pensar a prática e o currículo. Da mesma forma, a
participação dos alunos na reflexão da temática e na
escolha do tema é um caminho importante.
c) Pesquisa
Pesquisa como Princípio
Princípio Educativo
O projeto integrador é organizado na forma de
um projeto de pesquisa, com duração de um ano
ou de um semestre letivo, onde os alunos, com
seus professores orientadores, organizam seu
projeto, fundamentam teoricamente a sua
pesquisa e fazem a apresentação dos resultados.
Esses projetos, normalmente, têm relação com a
área em que os alunos atuarão profissionalmente,
e procuram inserir-se no contexto social onde o
Campus está inserido.
Ao se utilizar da organização de projetos de
pesquisa, professores e alunos estão vivenciando uma
formação tendo a pesquisa como estratégia
pedagógica. No PROEJA, um dos princípios é a
pesquisa como fundamento da formação do sujeito
contemplado nessa política, por compreendê-la como
modo de produzir conhecimentos e fazer avançar a
compreensão da realidade, além de contribuir para a
construção da autonomia intelectual desses
sujeitos/educandos. (BRASIL, 2009)
99
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA:
DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS
d) Leitura do Contexto Histórico e Social
O primeiro projeto integrador do PROEJA –
Técnico em Edificações, foi realizado com o
seguinte tema: “Características da arquitetura de
Panambi: compreendendo nosso presente através
do passado”, a proposta apresentada partia da
observação das características arquitetônicas do
município de Panambi, tendo a finalidade de
chamar a atenção para como e por que as
diferentes etnias se fixaram em determinadas
regiões do estado e ali se desenvolveram. Cada
grupo da turma escolhia um diferente estilo
arquitetônico presente no município, pesquisava
sobre seu estilo arquitetônico, fazia um
levantamento fotográfico da característica
arquitetônica escolhida e produzia um relatório
com este material. Por fim, o grupo entrega o
relatório
escrito
sobre
as
atividades
desenvolvidas ao longo do projeto e apresenta aos
demais colegas e professores as conclusões sobre
o trabalho na forma de um seminário. Foram
realizadas também palestras sobre a história do
município de Panambi com uma historiadora da
cidade, palestras técnicas e uma visita técnica ao
município de Pelotas.
Fazer o elo entre o local e o global,
proporcionando ao aluno ler a sua realidade e a partir
desta leitura compreender o contexto histórico e
social, esta experiência ofereceu aos alunos ligar a
realidade do município com a sua atuação
100
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA:
DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS
profissional.
e) Partir
Partir da História de Vida
Vida
No curso Técnico Integrado em Química, o
Projeto Integrador partiu da leitura do memorial
que solicitamos que os alunos escrevessem sobre
suas trajetórias de vida (tanto escola como
familiar) até o ingresso do IF Farroupilha –
Câmpus Panambi. O estudante é livre para
escrever o que quiser. Este memorial é solicitado
logo nos primeiros dias de aula. O Projeto
Integrador acontece basicamente da mesma
forma, o que muda é que ao final do trabalho
além do relatório a ser entregue, ocorre uma
Mostra dos Projetos Integradores no Câmpus, em
que os grupos apresentam sobre o que
pesquisaram de uma forma diferente aos demais
colegas, professores e comunidade. Para o ano de
2012 o tema do projeto integrador foi “E onde
mais a química se faz presente?” para a turma do
1º ano do Técnico Integrado em Química. Um
grupo teve como subtema: “Você é o que você
come? Aditivos Químicos e Processo de
Conservação dos alimentos”. Para a apresentação
na Mostra, o grupo trouxe diferentes embalagens
de alimentos e mostrou sua composição química.
Partir da história de vida dos alunos, desvelando
quais são suas expectativas com o curso, é
fundamental. Pela utilização da elaboração dos
memoriais, é possível conhecer os interesses,
101
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA:
DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS
necessidades e demandas do aluno; incorporar tais
aspirações e expectativas à atividade pedagógica;
desenvolver suas capacidades de pensar, sentir e agir;
valorizar a compreensão dos determinantes sociais,
econômicos e políticos da realidade em que vive e a
discussão de alternativas para a construção da vida.
(MACHADO, 2010, p. 88)
Envolver os alunos com a mostra de seus
trabalhos também os impulsiona a desenvolver outras
habilidades.
Reflexões para a efetivação do Currículo Integrado no
PROEJA
Com base nas experiências vivenciadas,
podemos concluir que o processo de efetivação do
currículo integrado no IF Farroupilha já possui uma
caminhada com algumas pistas que serão descritas a
seguir.
Primeiramente, é importante retomar a
compreensão de currículo, considerando-o não apenas
como teórico, útil para explicar este mundo
globalizado, mas também como uma ferramenta de
regulação das práticas pedagógicas. (SACRISTÁN,
2013)
O currículo, no sentido que hoje costuma ser
concebido, tem uma capacidade ou um poder de
inclusão que nos permite fazer dele um
102
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA:
DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS
instrumento essencial para falar, discutir e
contrastar novas visões sobre o que acreditamos
ser a realidade da educação, como a consideramos
no presente e qual valor ele tinha para a
escolaridade no passado. O currículo também nos
serve para imaginar o futuro, uma vez que ele
reflete o que pretendemos que os alunos
aprendam e nos mostra aquilo que desejamos
para ele e de que maneira acreditamos que possa
melhorar. (SACRISTÁN, 2013, p. 09)
Por assim acreditar, é primordial a continuidade
do diálogo para a efetivação do currículo integrado
compreendendo a proposta e projetos pedagógicos
comprometidos com a articulação criativa das
dimensões do fazer, do pensar e do sentir como base da
formação
de
personalidades
críticas
e
transformadoras; que promovam o despertar do olhar
crítico, a arte de problematizar e de deslindar os
dilemas apresentados por situações ambivalentes ou
por contradições e que favoreçam o processo
afirmativo da própria identidade dos sujeitos do
processo
de
ensino-aprendizagem,
alunos
e
professores. (MACHADO, 2010)
O currículo precisa propor o diálogo constante
com a realidade, discutindo sobre trabalho e
oportunizando um modo de vida dotado de sentido
para os trabalhadores que buscam uma formação
profissional aliado a escolarização. Assim, também é
103
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA:
DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS
importante, a partir do currículo, a busca da
compreensão/inserção do mundo do trabalho,
superando as dicotomias históricas.
Nesse contexto, a partir das práticas de
currículo integrado vivenciadas no IF Farroupilha,
iniciar pelas histórias de vida e saberes dos
trabalhadores, através da construção de memoriais,
mostrou-se uma estratégia importante. A utilização e o
envolvimento com pesquisa também foram
significativos.
No PROEJA, torna-se fundamental também
criar o espaço para elaboração coletiva do projeto
pedagógico, garantindo a participação de todos na
reflexão e construção do currículo. Do mesmo modo,
fica claro, pelas experiências dos Câmpus, a
importância de espaços para reuniões pedagógicas,
com foco no planejamento coletivo e na diminuição da
distância entre a área básica e a profissional.
Outra experiência significativa e que pode ser
um instrumento que oferece sentido ao currículo é o
envolvimento dos alunos com projetos de pesquisa e
extensão. A partir do desenvolvimento de projetos de
extensão, os alunos podem ligar o ensino e as
necessidades locais trazendo uma colaboração para a
sociedade e assumindo seu protagonismo enquanto
cidadão e profissional.
Ainda, vale destacar que, pela experiência do
104
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA:
DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS
PROEJA FIC, o espaço para formação de professores é
decisivo para a predisposição de construção de
reflexões e ações rumo ao currículo integrado.
Por fim, concebe-se a ampliação do direito à
educação básica, como a experiência dos cursos
PROEJA pela universalização da educação básica
como princípio face à compreensão de que a formação
humana não se faz em tempos curtos, exigindo
períodos mais alongados, que consolidem saberes, a
produção humana, suas linguagens e formas de
expressão para viver e transformar o mundo (BRASIL,
2009). A política do PROEJA é uma experiência que
oportuniza recuperar os trabalhadores pelo direito à
educação e o grande desafio é ultrapassar os projetos
integradores e construir o currículo integrado.
REFERÊNCIAS
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a nova morfologia do trabalho. São Paulo: Boitempo
Editorial, 2005.
______. Dimensões da precarização estrutural do
trabalho.
In:
DRUCK,
Graça;
FRANCO,
Tânia
(organizadoras). A perda da razão social do trabalho:
terceirização e precarização.
precarização São Paulo: Boitempo, p.13 a 22,
2007.
BRASIL. Ministério da Educação. Documento Base PROEJA.
105
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA:
DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS
Brasília: MEC, 2009.
______. Lei nº 11.892, 29 de dezembro de 2008. Institui a
Rede Federal de Educação Profissional, Científica e
Tecnológica, cria os Institutos Federais de Educação,
Ciência e Tecnologia e dá outras providências. Disponível
em: <http://www.planalto.gov.br>. Acesso em: 10 out. 2010.
______. Decreto nº 5.478, de 24 de junho de 2005.
Institui, no âmbito das instituições federais de educação
tecnológica, o Programa de Integração da Educação
Profissional ao Ensino médio na Modalidade de Educação
de Jovens e Adultos – Proeja. Brasília, DF.
______. Decreto nº 5.840, de 13 de julho de 2006. Institui,
no âmbito federal, o Programa Nacional de Integração da
Educação Profissional com a Educação Básica ao na
Modalidade de Educação de Jovens e Adultos – Proeja.
Brasília, DF.
______. Lei nº 11.741, de 16 de julho de 2008. Altera
dispositivos da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que
estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para
redimensionar, institucionalizar e integrar as ações da
educação profissional técnica de nível médio, da educação
de jovens e adultos e da educação profissional e tecnológica.
CIAVATTA, Maria. A reconstrução histórica de trabalho e
educação e a questão do currículo na formação integrada –
Ensino Médio e EJA. Texto para diálogo no CTISM/UFSM,
no prelo, 2011.
106
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA:
DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS
FRANCO, T. A perda da razão social do trabalho –
terceirização e precarização. São Paulo: Botempo Editorial,
2007.
MACHADO, Lucília. Ensino Médio e técnico com currículos
integrados: propostas de ação didática para uma relação não
fantasiosa. In: MOLL, Jaqueline e COL. Educação
Profissional e Tecnológica no Brasil Contemporâneo:
Contemporâneo
desafios, tensões e possibilidades. Porto Alegre: Artmed,
2010.
MARASCHIN, Mariglei Severo et al. Relatório do Projeto de
Pesquisa “Experiências
Experiências do PROEJA no Instituto Federal
Farroupilha”
Farroupilha”. PRPGI/IF Farroupilha, 2011-2012.
MÈSZAROS, I. A crise estrutural do capital.
capital São Paulo:
Boitempo Editorial, 2009.
MOLL, Jaqueline. Educação Profissional e Tecnológica no
Brasil contemporâneo.
contemporâneo Desafios, tensões e possibilidades.
Porto Alegre: Artmed. 2010.
SACRISTÁN, José Gimeno. Saberes e incertezas sobre o
currículo. Porto Alegre: Penso, 2013.
107
CAPÍTULO VI
AS LICENCIATURAS E O
PROEJA NO IF FARROUPILHA
108
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA
Os Cursos PROEJA e as Licenciaturas nos Institutos
Institutos
1
Federais
A criação dos Institutos Federais pela Lei 11.892,
de 29/12/2008, traz para a educação brasileira uma
nova possibilidade, a de, em uma mesma instituição,
diferentes níveis e modalidades de ensino serem
oferecidos. Nesse cotidiano institucional, com a oferta
de 50% de ensino médio técnico, priorizando a forma
de oferta integrada e 20% para os cursos de
licenciatura, programas especiais de formação
pedagógica com vistas à formação de professores para
a Educação Básica, a conexão entre os cursos PROEJA –
Programa de Nacional de Integração da Educação
Profissional com a Educação Básica na modalidade de
Educação de Jovens e Adultos e as Licenciaturas que
defendemos neste texto é primordial.
O PROEJA2 é uma realidade nas instituições
federais de ensino profissional desde o ano de 2005,
quando foi instituído o primeiro decreto, o 5478/2005,
que foi substituído pelo 5840/2006. Na história de luta
1
Para escrita deste capítulo, contou com a participação da
professora Dra. Liliana Soares Ferreira, da UFSM.
2
No IF Farroupilha tem-se a oferta de cursos PROEJA desde 2006.
A 1ª turma de PROEJA iniciou na Escola Agrotécnica Federal de
Alegrete e a segunda no Centro Federal de Educação Tecnológica
de São Vicente do Sul.
109
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA
da Educação de Jovens e Adultos, o PROEJA é visto
como uma conquista: primeiro, por trazer uma
formação profissional e, segundo, pela obrigatoriedade
de oferta na rede federal.
Os cursos de licenciatura3, na sua maioria,
também são recentes nos Institutos Federais. Houve o
crescimento de matrículas principalmente a partir da
Lei de criação dos Institutos.
Nesse contexto, é que a formação de professores,
grande desafio das políticas educacionais, pode ocupar
um espaço significativo nos Institutos Federais visto
que os mesmos podem se tornar um laboratório de
aprendizagem para os professores tanto de Currículo
Integrado, Educação de Jovens e Adultos, Educação
Profissional e Ensino Médio. Segundo Pacheco e
Rezende (2009, p. 10)
[...] a proposta dos Institutos Federais entende a
educação como instrumento de transformação e
de enriquecimento do conhecimento, capaz de
modificar a vida social e atribuir maior sentido e
alcance ao conjunto da experiência humana. É
nesse sentido que deve ser pensada segundo as
exigências do mundo atual, concorrendo para
alterar positivamente a realidade brasileira. Os
Institutos Federais devem possibilitar aos
3
No IF Farroupilha tem-se a oferta de cursos de Licenciatura
desde o ano de 2009. Os primeiros cursos foram a Licenciatura em
Ciências Biológicas no Câmpus de São Vicente do Sul e a
Licenciatura em Matemática no Câmpus de Júlio de Castilhos.
110
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA
trabalhadores a formação continuada ao longo da
vida, reconhecendo competências profissionais e
saberes adquiridos informalmente em suas
vivências, conjugando-os com àqueles presentes
nos currículos formais.
Para transformar e alterar a realidade da
educação brasileira, torna-se fundamental trazer para
os currículos de formação de professores questões
como os sujeitos da EJA, a aprendizagem de jovens,
adultos e idosos e as especificidades de uma proposta
pedagógica para emancipação humana.
Trata-se, portanto, de trazer para o âmbito da
formação de professores, principalmente no que
se refere aos cursos de licenciatura das disciplinas
escolares, reflexões sobre o que é a EJA e que tipo
de formação humana desejamos construir com
esses jovens e adultos, apontando coletivamente
para o horizonte de uma formação que contribua
para a emancipação dos sujeitos como
possibilidade de transformação social e de
construção de um projeto societário contrahegemônico; portanto, que ultrapasse concepções
e práticas conformadoras à ordem, articulando a
EJA à luta por transformações estruturais da
sociedade. (VENTURA, 2012, p.80)
É importante que, a partir da formação de
professores realizada nas licenciaturas, os estudantes
se envolvam com práticas e pesquisa no campo da
Educação Profissional e da Educação de Jovens e
111
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA
Adultos. Nesse sentido, a seguir apresentamos dados
que refletem as conexões existentes entre os cursos
PROEJA e as Licenciaturas e as conexões possíveis
entre estes cursos.
As conexões
conexões existentes entre os cursos PROEJA e as
Licenciaturas
Segundo a professora e pesquisadora Jaqueline
Ventura4, em recente artigo com título “A EJA e os
desafios da Formação Docente nas Licenciaturas”,
apesar das DCNs (Diretrizes Curriculares Nacionais)
para formação de professores indicarem o estudo das
diferentes modalidades de ensino nos cursos, as DCNs
específicas dos cursos raramente indicam a
especificidade da EJA e, se forem analisados os
currículos dos cursos de licenciaturas, percebe-se que
poucos propõem disciplinas sobre EJA. (2012)
Para que haja uma maior compreensão por parte
dos profissionais da educação sobre o que é essa
modalidade de ensino e suas particularidades
pedagógicas é fundamental trazer essa temática
para
ser
discutida
na
universidade,
4
Ver: VENTURA, Jaqueline Pereira. Educação
Educação de
de Jovens
Jovens e Adultos
ou Educação da
da Classe
Classe Trabalhadora? Concepções em disputa
disputa na
Contemporaneidade
Brasileira.
Universidade
Federal
Fluminense. Programa de Pós-graduação em Educação. (Tese)
Doutorado, Niterói, 2008.
112
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA
principalmente nos cursos de licenciatura. Cabe,
todavia,
destacar
que
a
defesa
pela
profissionalização do docente da EJA não
significa reduzir o campo a uma ação restrita aos
especialistas por seu conteúdo supostamente
técnico, mas sim superar o amadorismo e a
improvisação e qualificar os quadros docentes
para um trabalho que respeite às especificidades
do público jovem e adulto, no que concerne à
elaboração de propostas pedagógicas que
contemplem tempos e espaços diferenciados de
aprendizagens deste público no seu processo de
escolarização. (VENTURA, 2012, p. 79)
Se os pesquisadores de EJA apontam para maior
envolvimento dos cursos de licenciatura das
universidades e para um raro aproximar destes com os
conhecimentos do campo, nos Institutos Federais, essa
questão deve ser vencida. Temos defendido esta
proximidade por acreditar que, ao se envolverem com
cursos de licenciaturas, os Institutos Federais precisam
criar espaços de referências no ensino. Ser referência
no ensino e pesquisa da Educação de Jovens e Adultos
articulada com a Educação Profissional é fundamental
para que tanto se vença uma carência na área como se
criem experiências inovadoras e significativas.
O Grupo de Estudos e Pesquisa em PROEJA do
113
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA
IF Farroupilha5 – GEPEJA, em seu relatório
“Experiências do PROEJA no Instituto Federal
Farroupilha”, apresenta dados sobre a relação dos
cursos PROEJA e as Licenciaturas no âmbito dos
câmpus do Instituto. A seguir, apresentamos o que
cada câmpus registrou no relatório:
Quadro 1 - Relação dos Cursos PROEJA e Licenciaturas
Câmpus
Relação PROEJA/
PROEJA/Licenciatura
1
Estão formalizando parcerias para estágio. Houve
relação com a Prática Profissional Integrada (PPI).
2
Há aproximação: observações nas salas de aula, estágios
e pesquisa PROEJA.
4
Muito tímida.
Não há até o momento. Mas já está se planejando.
5
Desde o início. Através das PPIs e de projeto de
alfabetização matemática.
6
Ocorre estágio, monitorias e oficinas nas turmas
PROEJA.
3
Através da disciplina prática pedagógica e outras
disciplinas pedagógicas, através de seminários, leituras
7
e discussões. Também no PIBID6 e PET7 a partir de
atividades teóricas e práticas como palestras e oficinas.
Fonte: Relatório GEPEJA, 2012.
5
O Grupo GEPEJA existe no Instituto desde 2009 e realiza
pesquisas e estudos na área da Educação Profissional e Educação
de Jovens e Adultos.
6
PIBID - Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência.
7
PET – Programa de Educação Tutorial.
114
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA
Percebe-se pelo quadro 1, que, apesar de
existirem algumas iniciativas, estas ainda são muito
tímidas. É preciso que os gestores dos cursos entendam
essa necessidade e a defendam na construção dos
projetos dos cursos. Envolver os alunos com estágio é
fundamental. Porém, temos apostado que a relação
com os conhecimentos da EJA e da Educação
Profissional aconteça desde o início dos cursos a partir
de pesquisa e de prática profissional. Nesse sentido,
concordamos com Ciavatta (2011) que é urgente trazer
para o currículo dos cursos a discussão sobre o
trabalho e a vida do trabalhador. Isso porque há um
aparente silêncio sobre o tema trabalho nos currículos:
Há uma lacuna nos currículos, uma ausência que
se manifesta em todos os níveis de escolaridade,
inclusive nas universidades que formam
profissionalmente as diversas categorias de
trabalhadores
de
alto
nível
(médicos,
engenheiros, advogados, etc). Mas os jovens vão
ao ensino médio, profissional e técnico, a EJA ou
ao ensino tecnológico e superior em busca de
formação e de preparação para ingressar no
mercado de trabalho, cuja natureza profunda e
contraditória não é discutida, salvo em temas
específicos
do
pensamento
marxista.
(CIAVATTA, 2011, p. 6)
Reforçamos, também, o que diz o Documento
Base do PROEJA, que é importante pensar um projeto
próprio para os jovens e adultos bem como de todas as
115
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA
especificidades que compõem a educação e que nos
cursos de formação de professores são poucos
trabalhados: educação do campo, educação indígena,
educação quilombola. Como vamos ter ações que
transformem estas realidades se, nos cursos destinados
à formação de professores, não temos discussão e
práticas com estes sujeitos?
O grande desafio dessa política é a construção de
uma identidade própria para novos espaços
educativos, inclusive de uma escola de/para
jovens e adultos. Em função das especificidades
dos sujeitos da EJA (jovens, adultos, terceira idade,
trabalhadores, população do campo, mulheres,
negros, pessoas com necessidades educacionais
especiais, dentre outros), a superação das
estruturas rígidas de tempo e espaço presentes na
escola (ARROYO, 2004) é um aspecto
fundamental. (BRASIL, 2009, p. 42)
Assim, a formação de professores dos Institutos
Federais precisa dar conta dessas especificidades
colaborando tanto para a formação de professores
como para o fortalecimento dos níveis e modalidades
de ensino. A partir do ensino, da pesquisa e da
extensão, pode-se crescer e transformar a educação
como um todo.
116
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA
As conexões possíveis entre os cursos PROEJA e as
Licenciaturas
Segundo Pacheco e Rezende (2009), os Institutos
Federais, visando a atingir a missão pela qual foram
criados, devem adotar, entre outras diretrizes, a de
atuar no ensino, na pesquisa e na extensão,
compreendendo as especificidades destas dimensões e
as
interrelações
que
caracterizam
sua
indissociabilidade. Os autores defendem que:
Os conhecimentos produzidos pelas pesquisas
devem ser colocados a favor dos processos locais.
É nessa via que a extensão pode possibilitar aos
segmentos e setores – que tradicionalmente estão
excluídos das atividades desenvolvidas nessas
instituições – o acesso ao conhecimento científico
e tecnológico a fim de criar condições favoráveis
à inserção e permanência no trabalho, de geração
de trabalho e renda e exercício da cidadania, ao
mesmo tempo em que aprende o conhecimento
construído pela sociedade enriquecendo os
currículos de ensino e áreas de pesquisa. Assim, os
Institutos
Federais
tornam-se
espaços
privilegiados para a democratização do
conhecimento científico e tecnológico e
valorização do conhecimento popular. (idem, p.
10)
Dessa forma, reforça-se a questão da
licenciatura e do PROEJA nos institutos serem espaço
de inovação pedagógica e de preparação para inclusão.
117
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA
E isso é possível tornando-se referência no ensino e na
pesquisa:
Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem
ensino. Esses que-fazeres se encontram um no
corpo do outro. Enquanto ensino, continuo
buscando, reprocurando. Ensino porque busco,
porque indaguei, porque indago e me indago.
Pesquiso para constatar, constatando, intervenho,
intervindo educo e me educo. Pesquiso para
conhecer o que ainda não conheço e comunicar
ou anunciar a novidade. (FREIRE, 1999, p.32)
Ao ofertar diferentes modalidades e níveis, os
professores dos Institutos Federais precisam estar
preparados para fazerem diferente e mostrarem outra
alternativa de ensino e de vida. Para isso, os projetos
pedagógicos
construídos
democraticamente
e
coerentes com as necessidades são fundamentais.
Para vencer a “tímida aproximação entre os
8
cursos ”, velhos problemas como a evasão e as
dificuldades de aprendizagem e garantir a efetivação
do currículo integrado é necessário à aproximação dos
cursos de licenciaturas dos cursos PROEJA, propondo
pesquisa, práticas profissionais e intervenções
pedagógicas. Para isso, é importante investir em
processos formativos contínuos para os professores
que atuam nos Institutos Federais.
8
Refere-se aos dados comentados anteriormente.
118
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA
Questiona-se: como se aprende currículo
integrado? Com discussão teórica, mas também com
experiência e discussão da prática. Nos cursos de
licenciatura, temos a oportunidade de pensar e discutir
a relação entre Educação Profissional, Ensino Médio e
EJA, propondo intervenções pedagógicas para essas
modalidades. Da mesma forma, é possível preparar os
professores para visualizarem e compreenderem a
inserção no mundo do trabalho, assim como
ensinarem a ter um diálogo constante com a realidade.
Realizar a vinculação entre educação e trabalho:
Isto significa que não se pode tratar a formação
como algo exclusivamente do mundo do trabalho
ou do mundo da educação. Trata-se de percebê-la
como um ponto de intersecção, para o qual devem
confluir diversas abordagens e contribuições,
entre elas a dos sujeitos trabalhadores. (BRASIL,
2009, p. 46)
Nesse panorama, é necessário também
instrumentalizar os professores a construírem o
planejamento e a prática de maneira coletiva e
democrática. Da mesma forma, é importante criar
tempos e espaços diferenciados, garantindo a
aprendizagem do jovem e adulto. A avaliação também
é um processo fundamental para diagnosticar,
repensar e reconstruir a prática de ensino.
Nas Licenciaturas do Instituto Federal
Farroupilha, há a Prática Profissional Integrada (PPI),
119
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA
que ocorre durante todo o curso e, nesta, a ideia é
diminuir a distância entre a teoria e a prática,
aproximando os estudantes da realidade escolar. No IF
Farroupilha, tal prática é integrada a pelo menos duas
disciplinas do semestre. A seguir descreveremos a PPI 1
e PPI 2 do Curso de Licenciatura em Química9 do
Câmpus Alegrete:
a) Prática Profissional Integrada 1 - ocorreu no 1º
semestre de 2010, e teve os grupos divididos nas
seguintes temáticas:
1. Química para alunos do Ensino Fundamental.
2. Química para professores do Ensino Fundamental.
3. Química para alunos do Ensino Médio.
4. Química para professores do Ensino Médio.
5. Química para alunos e professores da EJA e PROEJA.
6. Química nos cursinhos pré-vestibulares.
7. Novas formas de ensino da Química.
8. Química Experimental.
Nesta experiência, cada grupo buscou dados de
aproximação com as temáticas. No caso do tema EJA e
PROEJA, os alunos buscaram conhecer os cursos
oferecidos pelo câmpus para esta modalidade e
tiveram contato com a experiência do PROEJA Médio
9
O Curso de Licenciatura em Química iniciou no Câmpus no ano
de 2010 e tais experiências foram coordenadas por uma das
autoras do texto, e professora do curso.
120
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA
e do PROEJA FIC10.
Como resultado dessa experiência, observou-se
a grande motivação dos alunos por ser professores de
Química e as inúmeras possibilidades de atuação do
professor. Como avaliação dos alunos da prática, foi
solicitado que todos os professores participassem,
mesmo que não fossem destinadas horas específicas
para a disciplina.
b) Prática Profissional Integrada 2 - ocorreu no 2º
semestre de 2010, e teve os grupos divididos nas
seguintes temáticas:
1. O ensino da Química no Ensino Fundamental.
2. O ensino da Química no Ensino Médio.
3. O PROEJA e a Química.
4. Novas Tecnologias e o ensino da Química.
5. Química Experimental.
Como foi reivindicação dos acadêmicos que
todos os professores participassem nesta segunda
experiência, cada professor orientou um grupo.
No grupo do PROEJA e a Química, os alunos
propuseram ver como ocorria o currículo integrado no
curso PROEJA Alimentos. Os alunos buscaram
construir junto com os professores uma prática
10
PROEJA Médio refere-se aos cursos que integram Educação
Profissional e Ensino Médio e PROEJA FIC refere-se a cursos que
integram Formação Inicial e Continuada e Ensino Fundamental.
121
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA
interdisciplinar.
Diante destes dois relatos, percebe-se que é
possível sim envolver os alunos das licenciaturas com
práticas e pesquisa na EJA e PROEJA. Para isso, é
fundamental haver professores que liderem e
acreditem nessas aproximações. E, com certeza, tanto
futuros professores, como professores em exercício e
estudantes aprenderão.
Reflexões Necessárias
Diante dos aspectos discutidos a partir da defesa
da aproximação das licenciaturas e o PROEJA nos IFs,
de dados e práticas concretas, é fundamental garantir
espaços para pensar, discutir e garantir as conexões
entre a formação de professores e a educação de jovens
e adultos. Os sujeitos da EJA e das licenciaturas –
professores e alunos - mais do que constatar a
realidade, precisam compreendê-la, não para se
adaptar, mas para contribuir com a promoção de
mudanças. Essa compreensão crítica da realidade
constitui expressão da dimensão política da educação
e do trabalho docente. (VENTURA, 2102)
Nesse sentido, os processos de planejamento e
avaliação são pontos chave. Ao pensar o currículo dos
cursos e as práticas, já se tem a possibilidade de colocar
os conhecimentos interligados e comprometidos com a
autonomia e coletividade dos sujeitos. Isso facilita o
122
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA
andamento da prática e, com um processo avaliativo
permanente, ajuda tanto os docentes como os
estudantes a se perceberem na caminhada. O desafio é,
além da integração dos conhecimentos, integrar
práticas educativas.
Assim, retoma-se a necessidade de aproximação
dos cursos PROEJA e de licenciatura para ambos
crescerem juntos, construírem experiências novas,
visto que historicamente tanto a EJA como os cursos
de formação de professores não tiveram políticas
contínuas:
Na história da educação brasileira, a formação
dos profissionais da educação esteve quase
sempre no plano dos projetos inacabados ou de
segunda ordem, seja por falta de concepções
teóricas consistentes, seja pela ausência de
políticas públicas contínuas e abrangentes. A
fragilidade nas ações de valorização da carreira
concorre para agravar esse quadro, haja vista a
grande defasagem de profissionais habilitados
em determinadas áreas. (MEC, 2012, p. 2)
Agora, a EJA, a Educação Profissional e as
Licenciaturas dos Institutos Federais estão tendo a
oportunidade de caminharem juntas, de dialogarem e
de promoverem propostas conjuntas. Ambas podem
discutir integração curricular, na perspectiva
dialógica, emancipatória e inclusiva e planejarem e
agirem conjuntamente nas propostas de ensino,
123
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA
pesquisa e extensão.
A organização curricular dos Institutos Federais
traz para os profissionais da educação que neles
atuam um espaço ímpar de construção de saberes,
por terem a possibilidade de, no mesmo espaço
institucional, construir vínculos em diferentes
níveis e modalidades de ensino; em diferentes
níveis da formação profissional, assim como
buscar metodologias que melhor se apliquem a
cada ação, estabelecendo a indissociabilidade
entre ensino, pesquisa e extensão. (MEC, 2012, p.
4)
Assim, conclui-se que, para as reflexões
construídas ao longo desse texto, a respeito da prática
de ensino nos cursos PROEJA e nas licenciaturas, é
importante discutir o elo que há entre educação e
trabalho e trazer a concepção de trabalho para o
cotidiano dos cursos PROEJA. O referido programa
precisa unir escola e trabalho, refletindo sobre todas as
relações que convergem a existência humana e os
processos do mundo do trabalho. E esta discussão está
presente também nos cursos de licenciatura. Lucília
Machado tem contribuído para este debate:
Para formar a força de trabalho requerida pela
dinâmica tecnológica que se dissemina
mundialmente, é preciso um outro perfil de
docente capaz de desenvolver pedagogias do
trabalho independente e criativo, construir a
autonomia progressiva dos alunos e participar de
124
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA
projetos interdisciplinares. (MACHADO, 2008,
p.16)
E é no cotidiano dos Institutos Federais que
podemos propor o estabelecimento de tempos e
espaços para discussão, planejamento e avaliação de
práticas do/no PROEJA, da mesma forma que
avaliamos e estabelecemos o papel dos Institutos no
desenvolvimento da política de EJA integrada a
Educação Profissional. Acreditamos que, além de ser
referência no oferecimento dos cursos, assumimos o
compromisso de desenvolver pesquisas na área,
participar do desenvolvimento de projetos de
formação continuada coerente com os princípios do
programa, trazer para o currículo dos cursos de
licenciatura reflexão e pesquisa sobre PROEJA e
currículo integrado.
Assumir a política de educação básica integrada
à formação profissional, na modalidade de jovens e
adultos como direito ao Ensino Fundamental e Médio
formando profissionais que se comprometem com
estas lutas e que sejam capazes de propor organização
aos setores que não têm acesso a políticas públicas,
bem como criem espaços de alternativas de geração de
renda para a população de EJA é um caminho para a
gestão dos IFs.
Ao se debruçar sobre estas questões, os
estudantes das licenciaturas estarão vivenciando a
125
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA
importância de estudos e organizações de prática de
currículo integrado, de EJA, Ensino Médio, trazendo a
vida e o trabalho para discussão, organização e
reconstrução.
E,
principalmente,
estar-se-á
promovendo formação de professores coerente com os
desafios do ensino e comprometida com a
transformação social.
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Cursos de Licenciatura dos Institutos Federais de Educação,
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União n° 248, de 23/12/1996.
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no âmbito das Instituições Federais de Educação
Tecnológica, o Programa de Integração da Educação
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de Jovens e Adultos – Proeja. Brasília, DF.
______. Decreto nº 5.840, de 13 de julho de 2006. Institui,
no âmbito federal, o Programa Nacional de Integração da
Educação Profissional com a Educação Básica na
126
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA
Modalidade de Educação de Jovens e Adultos – Proeja.
Brasília, DF.
______. Decreto nº 5.154, de 24 de junho de 2004.
Regulamenta o § 2º do art. 36 e os arts. 39 a 41, da Lei nº
9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as
Diretrizes e Bases da Educação Nacional, e dá outras
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CIAVATTA, Maria. A reconstrução histórica de trabalho e
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FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia:
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PACHECO, Eliezer & REZENDE, Caetana. Institutos
127
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA
Federais: um futuro por armar. In Institutos Federais Lei nº
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VENTURA, Jaqueline. A EJA e os desafios da formação
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Classe Trabalhadora? Concepções em disputa na
Contemporaneidade Brasileira. Universidade Federal
Fluminense. Programa de Pós-graduação em Educação.
(Tese) Doutorado, Niterói, 2008.
128
CAPÍTULO VII
OS ENCONTROS DE ALUNOS
129
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
OS ENCONTROS DE ALUNOS
O que tem marcado a experiência do PROEJA
tem sido os momentos de reflexão, construção e
integração das práticas dos cursos. Neste sentido, é
importante fazer memória de dois eventos
promovidos pelo nosso Instituto.
O primeiro, sonhado no Encontro Diálogos
PROEJA, de novembro de 2008, em Bento Gonçalves,
veio a ocorrer em Santa Maria entre os dias 22 e 23 de
maio de 2010, reunindo estudantes, pesquisadores,
professores e gestores. Neste, tivemos a representação
de todos os cursos PROEJA Médio dos Institutos
Federais do Rio Grande do Sul. Além dos Debates nos
Grupos e a construção da Carta, foi possível participar
de Palestras com gestores da SETEC, de Mostra
Pedagógica, Feira de Economia Solidária e Momentos
Culturais. Percebeu-se grande envolvimento dos
estudantes, motivação e preocupação em participar da
construção e da melhoria dos cursos.
O segundo evento foi promovido pelos
coordenadores dos cursos PROEJA dos sete Câmpus do
Instituto Federal Farroupilha, que reuniu estudantes
do PROEJA Médio e PROEJA FIC, professores federais
e municipais e gestores. Além de Palestras, de Relatos
de Vida, vivenciamos Mostra de Trabalhos, Mostra
Cultural, Feira de Economia Solidária, Relatos dos
130
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
OS ENCONTROS DE ALUNOS
Câmpus e grande plenária de discussão dos cursos
PROEJA do Instituto. Da mesma forma que no evento
anterior, os estudantes aprovaram a Carta dos
Estudantes PROEJA do IF Farroupilha que aponta
várias diretrizes para os cursos e destaca três
prioridades:
a discussão e implementação de um sistema de
cotas para alunos egressos do PROEJA FIC para
os cursos técnicos e do PROEJA Médio para o
ensino superior, com vistas a garantir a
verticalização dos cursos. A garantia, junto ao
poder público, de transporte aos estudantes do
PROEJA FIC e a garantia do espaço para reuniões
pedagógicas. (CARTA, 2011)
Destes eventos, destacam-se a grande empolgação
dos estudantes por estarem estudando no Instituto,
bem como os projetos que os alunos jovens e adultos
têm para suas vidas, que na maioria das vezes inclui
continuar estudando. Também ao reunir todos estes
alunos é possível ver a missão e os objetivos da
Instituição serem cumpridos, contribuindo para
inúmeros sujeitos serem incluídos social e
profissionalmente, bem como estar colaborando para
melhoria dos índices de escolaridade nos municípios.
Percebe-se que, ao trazer os alunos para as discussões,
ao propor o diálogo franco com estudantes, professores
e gestores; está se construindo uma proposta, um
131
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
OS ENCONTROS DE ALUNOS
currículo COM e não para os sujeitos envolvidos. Esses
movimentos promovem a escola democrática.
A construção da escola democrática não depende
da vontade de alguns educadores e educadoras,
de alguns alunos, de certos pais e mães. Esta
construção é um sonho porque devemos lutar
todas e todos os que apostamos na seriedade, na
liberdade, na criatividade, na alegria dentro e
fora da escola. A luta coerente por este sonho
exige de nós respeito pelos outros, assunção de
dever de cumprir nossas tarefas, de brigar por
nossos direitos, de não fugir à obrigação de
intervir como educador ou educadora, de
estabelecer limites à nossa autoridade, como à
liberdade dos educandos. Exige de nós
capacidade científica, formação permanente,
pela qual temos de lutar como direito nosso e
clareza política, sem a qual dificultamos nossas
decisões. (FREIRE, 2001, p.202)
Propor espaços de reflexão, de pensar a prática
com os estudantes, tem sido um movimento
significativo que motiva, integra e, principalmente,
nos ensina que temos muito que caminhar.
132
CAPÍTULO VIII
DESAFIOS – IMPRESSOS NAS
CARTAS DOS ESTUDANTES
133
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
DESAFIOS – IMPRESSOS NAS CARTAS DOS ESTUDANTES
Nessa caminhada de adesão a propostas e de
experiências iniciais, surgem os desafios. Nesse
sentido, escolhemos dois documentos1 que surgiram a
partir dos diálogos coletivos de estudantes, gestores e
docentes para explicitar os desafios dos cursos
PROEJA do Instituto Federal Farroupilha.
Inicialmente, vale resgatar o que significa o
PROEJA na vida dos estudantes dos cursos:
Para nós, o PROEJA significa o compromisso com
uma nova perspectiva de mundo, um olhar mais
sensível para a heterogeneidade dos sujeitos. O
PROEJA oportuniza crescimento pessoal e
profissional e representa um avanço na Educação
Básica, Profissional e Tecnológica. Para os
estudantes, o PROEJA promove novas relações
interpessoais, novas experiências de vida e uma
oportunidade única de concluir seus estudos
simultaneamente à qualificação profissional.
(CARTA, 2010)
Desse registro, verifica-se o quanto a política do
PROEJA significa na vida dos jovens e adultos que
1
Nomeio como CARTA 2010 o documento resultante do I
Encontro Estadual de Estudantes PROEJA, realizado nos dias 22 e
23 de maio de 2010, e CARTA 2011 o documento resultante do I
Encontro de Alunos do IF Farroupilha, ocorrido no dia 19 de
novembro de 2011.
134
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
DESAFIOS – IMPRESSOS NAS CARTAS DOS ESTUDANTES
buscam o ensino profissional. É uma significativa
experiência para estes sujeitos:
No retorno para a escola, os jovens e adultos
sentem-se mais motivados para a aquisição de
novos conhecimentos. As novas relações e o
sentimento de autoestima estão mais fortalecidos.
As novas formas de pensar sobre vários assuntos
e melhoria na linguagem são hoje fatores
positivos para a empregabilidade, a formação
profissional oferece novas oportunidades de
trabalho,
elevação
da
escolaridade
e
reconhecimento social. (CARTA, 2011)
Estar realizando um curso do PROEJA permite
ao aluno, além de melhoria na escolaridade e no
trabalho, ter um reconhecimento social na
comunidade e dessa forma acredita-se estar
cumprindo com as funções da educação de adultos.
Porém, sabe-se que temos muitas coisas a aperfeiçoar
nos cursos. Por isso, enumeram-se alguns desafios para
os cursos PROEJA do Instituto Federal Farroupilha,
baseado nas cartas construídas no ano de 2010 e 2011.
O primeiro desafio versa sobre o ingresso nos
cursos,
cursos os alunos reivindicam maior divulgação e
processos de acolhimento a eles na instituição.
Acredita-se que as alternativas de acolhida, tanto no
ingresso como em todo o processo, assumindo a gestão
do cuidado, como uma dinâmica forte no decorrer do
percurso do estudante.
135
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
DESAFIOS – IMPRESSOS NAS CARTAS DOS ESTUDANTES
O segundo desafio é o esclarecimento para os
alunos e para a comunidade
comunidade em geral do significado e
da importância dos cursos. Os alunos precisam
conhecer os objetivos e o perfil do curso,
identificando-se com o mesmo e tornando-se um
protagonista de sua formação profissional. Ao saber de
suas possibilidades, ao alcançar a formação, terá
consciência de que precisará estudar e participar
ativamente de projetos, mostrando para a sociedade
que está construindo uma trajetória de melhoria
pessoal e profissional.
Como terceiro desafio, assinalamos a revisão
das formações profissionais
profissionais e adequação às
necessidades locais, ligação do curso com a vida do
trabalhador e com o trabalho, como essência da vida
humana. Por isso, os projetos pedagógicos dos cursos
precisam ser constantemente revisitados pelo coletivo
dos docentes, com a participação dos alunos,
verificando os pontos fortes e o que precisa ser
melhorado. Se o curso não serve para a vida, para o
trabalho e para gerar transformação naquela
comunidade, não tem por que continuar sendo
oferecido.
A integração
integração dos cursos PROEJA com os demais
cursos do Instituto é o quarto desafio. Não ser somente
mais um curso à disposição, mas estar conectado com
os demais cursos, cumprindo a verticalização, objetivo
136
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
DESAFIOS – IMPRESSOS NAS CARTAS DOS ESTUDANTES
dos Institutos Federais, e oportunizando trabalhos
conjuntos de pesquisa e extensão. Tem-se defendido
que a integração com os cursos de licenciatura é
fundamental e o diferencial de nossa formação, pois se
sabe que historicamente a educação de jovens e adultos
e a educação profissional não foram objetos de estudo
na formação inicial de professores. Por isso, estamos
tendo a possibilidade de sermos laboratório de
aprendizagem e práticas de ensino.
Como quinto desafio, apontamos a necessidade
de efetivação do currículo integrado,
integrado com discussão
sobre trabalho, envolvimento dos alunos em projetos,
oportunidades de mudança de vida e melhoria social e
profissional. Todos os cursos são na modalidade
integrado, por isso precisamos rever nossas práticas e
divulgar as experiências exitosas de currículo
integrado.
Nesse sentido, também é desafio dos cursos
PROEJA discutir e construir novas experiências de
organização do trabalho.
trabalho E os alunos apontam para
isso, como verificamos nas cartas:
Espera-se que os cursos de PROEJA, apontem
para uma formação que reconheça as diferentes
formas de organizar-se para o trabalho, pensando
esta por meio do associativismo, da economia
solidária, entre outros, contribuindo com o
desenvolvimento local e regional. (CARTA, 2011)
137
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
DESAFIOS – IMPRESSOS NAS CARTAS DOS ESTUDANTES
Como sétimo desafio, está a continuidade e a
ampliação de programas de assistência estudantil que,
segundo os alunos, favorecem a permanência nos
cursos.
Como oitavo desafio, temos uma realidade e
uma grande preocupação com a modalidade que é
criar estratégias para vencer a evasão.
Finalmente, como nono desafio, destacamos a
importância de assumirmos o PROEJA, como uma
política pública permanente,
permanente continuando com o
diálogo estabelecido nessa trajetória 2006-2012,
viabilizando a formação de docentes gerada na própria
instituição, colaborando com o grupo de pesquisa e
sendo referência no ensino, na pesquisa e na inclusão
de jovens e adultos.
138
CAPÍTULO IX
DAS EXPERIÊNCIAS –
SEUS DESTAQUES
139
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
DAS EXPERIÊNCIAS – SEUS DESTAQUES
Para conclusão desta pesquisa, reuniram-se
todos os integrantes do GEPEJA para a socialização de
suas experiências, cujos principais pontos foram
registrados.
O primeiro ponto destacado por todos os
Câmpus como experiência significativa foi e tem sido
o PROEJA FIC. Por meio dessa modalidade, percebe-se
envolvimento dos professores, baixa evasão dos
alunos, a importância das reuniões pedagógicas e a
efetivação do currículo integrado. Também se observa
a experiência dos professores municipais que se
envolvem no PROEJA FIC. Os mesmos têm
contribuído para que os professores da rede federal
reconstruam suas práticas e também para que se
transformem os processos e as práticas na rede
municipal.
O segundo ponto a ser destacado é o
reconhecimento institucional, pois, através dos
processos do PROEJA FIC, da pesquisa, dos encontros
PROEJA, os cursos vão sendo assumidos na
coletividade. Sabe-se que este reconhecimento não é
vivenciado em todos os Câmpus, mas que o
envolvimento e as atitudes da gestão contribuem
muito para esta conquista.
140
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
DAS EXPERIÊNCIAS – SEUS DESTAQUES
O terceiro ponto diz respeito à vivência do
itinerário formativo, que os alunos, por exemplo, do
Câmpus Júlio de Castilhos terminaram os Cursos
PROEJA FIC e ingressaram no PROEJA Médio.
O quarto ponto que se mostrou importante foi a
palestra de esclarecimento que o Câmpus Panambi
realizou no seu primeiro processo seletivo e, até hoje, é
lembrado como importante. No mesmo sentido, os
projetos integradores têm sido fundamentais para
conquistar o trabalho coletivo e o envolvimento dos
alunos.
Como quinto ponto, destacam-se os projetos de
Educação Prisional, que proporcionaram ao Instituto
uma boa relação com os municípios e a SUSEPE para
além do projeto.
Como sexto ponto, observa-se a troca e a
parceria com o Grupo Kairós da UFSM, pois esta
fortalece a pesquisa do grupo, bem como possibilita
aos mestrandos e doutorandos acompanhar as
discussões do Instituto. No mesmo sentido, observamse vários professores e servidores assumindo como
objeto de pesquisa em seus mestrados e doutorados o
PROEJA e as relações com este Programa.
A partir da apresentação dos Câmpus,
observaram-se como necessidades para os cursos
PROEJA do nosso Instituto:
141
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
DAS EXPERIÊNCIAS – SEUS DESTAQUES
a importância de considerar que nossos alunos são
trabalhadores e por isso precisam ser vistos como
tais, bem como trazer o trabalho para discussão do
currículo;
olhar os números que a pesquisa traz de matrículas
e evasão pela qualidade dos dados e não apenas os
índices isolados;
a importância dos currículos privilegiarem a
prática, visto que esta exigência é relatada pelos
alunos como fundamental para o interesse e
aprendizagem dos mesmos;
o repensar dos Estágios nos Cursos, pois se percebe
que neste momento muitos alunos evadem;
desenvolver projetos de aproximação, em todos os
Câmpus, dos cursos PROEJA com as licenciaturas.
Como sugestão
pesquisadores apontam:
•
•
•
de
encaminhamentos
os
propor projetos de PROEJA FIC sem os editais da
SETEC, mas atendendo as demandas das
comunidades. Para isso, o Instituto precisa pensar
uma metodologia e uma organização própria;
propor a pedagogia da alternância em alguns
cursos PROEJA;
propor pesquisas de acompanhamento a Rede
CERTIFIC;
142
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
DAS EXPERIÊNCIAS – SEUS DESTAQUES
•
propor reformulações dos projetos de cursos do
PROEJA, buscando estrutura organizacional e
metodologias que estejam de acordo com a
realidade PROEJA e com a experiência adquirida
na trajetória de oferta dos cursos.
A continuidade desse projeto de pesquisa está
garantido pelo novo projeto aprovado Experiências do
PROEJA do IF Farroupilha: do local ao institucional,
institucional
que prevê que o Câmpus de Alegrete pesquise a
licenciatura; o Câmpus Júlio de Castilhos, a gestão e
política pública; o Câmpus Panambi, saberes e
formação de docentes; o Câmpus Santo Augusto,
metodologia, aprendizagem e divulgação; o Câmpus
Santa Rosa, a evasão no PROEJA; o Câmpus São Borja,
gestão e formação; o Câmpus São Vicente do Sul,
saberes e formação de docentes, e a Reitoria, a gestão
do ensino, pesquisa e extensão.
Também chegamos à conclusão da importância
da inclusão do trabalho na linha de pesquisa gestão e
políticas públicas, passando a nomear-se “Trabalho,
Políticas Públicas e Gestão”.
Assim, conclui-se a presente pesquisa
confirmando que os grandes desafios do Instituto
Federal Farroupilha são: diminuir os índices de evasão,
reformular os projetos pedagógicos dos cursos
construindo orientações institucionais coletivas, a
efetivação de práticas de currículo integrado, a
143
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios.
DAS EXPERIÊNCIAS – SEUS DESTAQUES
aproximação com os cursos de Licenciatura e a
proposição de processos seletivos que privilegiam o
conhecimento do curso.
Nesse contexto, percebe que o desenvolvimento
de pesquisas como o projeto “Experiências do PROEJA
do IF Farroupilha” pode ser instrumento para gestão
no contexto das políticas públicas e que o
envolvimento da comunidade escolar com a pesquisa
promove a transformação de práticas e o desejo de
aprender sempre. Por isso, reforça-se a necessidade de
pesquisas como a que finaliza neste momento
acontecer em outras modalidades de ensino do
Instituto. Assim, concorda-se com Arroyo (2008, p. 42)
que “as bandeiras políticas não podem ser avaliadas
pelos princípios que defendem, mas pelos direitos que
garantem, pela transformação social, política e
pedagógica que incentivam e possibilitam”.
144
REFERÊNCIAS PARA ESTA OBRA
ARROYO, M. Educandos e educad
educadores:
ores: seus direitos e o
currículo.
currículo In: Indagações sobre currículo. Brasília: Ministério
da Educação, Secretaria de Educação Básica, 56 p., 2008.
BRASIL. Ministério da Educação. Oficio Circular nº 40.
Brasília: MEC, 2009.
______. Documento Base PROEJA. Brasília: MEC, 2006.
______. Documento Base PROEJAPROEJA-FIC.
FIC Brasília: MEC,
2007.
______. Lei nº 11.892, 29 de dezembro de 2008. Institui a
Rede Federal de Educação Profissional, Científica e
Tecnológica, cria os Institutos Federais de Educação,
Ciência e Tecnologia e dá outras providências. Disponível
em: <http://www.planalto.gov.br>. Acesso em: 10 out. 2010.
Carta dos Estudantes e dos Gestores do Programa de
Educação Profissional Integrada ao Ensino Médio na
Modalidade
Modalidade Educação de Jovens e Adultos da Rede Federal
de Educação Profissional, Científica e Tecnológica,
Tecnológica
Reunidos em Santa Maria/RS, dias 22 e 23 de maio de 2010.
Carta dos Estudantes do Programa de Educação
Profissional Integrada ao Ensino Médio e Fundamental na
na
Modalidade Educação de Jovens e Adultos – PROEJA - do IF
Farroupilha,
Farroupilha Reunidos em Santa Maria/RS, no dia 19 de
novembro de 2011.
145
FREIRE, Paulo. Pedagogia dos sonhos possíveis.
possíveis Org. Paulo
Freire e Ana Maria Araújo Freire. São Paulo. Editora UNESP,
2001.
146
APÊNDICE
CURSO
CÂMPUS
ANO
MATRÍCULA
INICIAL
CONCLUINTES
EVASÃO
Técnico em
Informática/
Habilitação em
Hardware e Redes/
PROEJA
Alegrete
20062007
07
04
03
Técnico em
Agroindústria PROEJA
Alegrete
10
09
01
Técnico em
Agroindústria PROEJA
Alegrete
20072008
10
03
01
Técnico em
Informática/
Habilitação em
Hardware e Redes/
PROEJA
Alegrete
20072008
27
09
10
Técnico em Informática
São Vicente do
Sul
20072010
24
05
12
Técnico em
Informática/
Habilitação em
Hardware e Redes/
PROEJA
Alegrete
20082009
24
04
05
Técnico em
Agroindústria –
PROEJA
Alegrete
19
07
2006
2007
2008
2009
147
Técnico em Informática
Júlio de
Castilhos
2008
70
Técnico em Operações
Comerciais
Santo Augusto
2008
35
Técnico em
Manutenção e Suporte
em Informática /
PROEJA
Alegrete
Técnico em
Agroindústria PROEJA
Alegrete
EaD Agroindústria
Alegrete - Santa
Maria, São
Borja e Alegrete
Técnico em Informática
05 (ainda em
estágio 10
alunos)
30
200953
25
23
16
00
03
2009
13
00
04
São Vicente do
Sul
2009
34
00
18
Técnico em Informática
Júlio de
Castilhos
2009
35
Em estágio 14
alunos
Técnico em Operações
Comerciais
Santo Augusto
2009
35
Técnico em
Manutenção e Suporte
em Informática /
PROEJA
Alegrete
2010 2011
57
25
23
Técnico em
Agroindústria PROEJA
Alegrete
20102011
18
00
17
EaD Manutenção e
Suporte em Informática
Alegrete - Bagé,
Santa Maria e
Canguçu
2010
06
-
01
2010
2009
2010
148
27
Técnico em Vendas
São Vicente do
Sul
2010
30
00
Técnico em Comércio
Júlio de
Castilhos
2010
35
Hoje com 15
alunos
Técnico em Operações
Comerciais
Santo Augusto
2010
35
24
20
23+01
trancamen
to
Técnico em Vendas
Santa Rosa
2010
34
01
falecido
18
desligado
1 evadido
Técnico em
Manutenção e Suporte
de Informática
São Borja
2010
52
25
4 em
curso
4 em
estágio
Técnico em
Edificações
Panambi
2010/2
25
PROEJA FIC
AlegreteInformática
(Alegrete, São
Borja, Manoel
Viana,)
20102011
169
123
46
AlegreteAgroindústria
Familiar
(Alegrete)
20102011
24
12
12
AlegreteConstrução civil
(Alegrete)
20102011
31
18
13
149
10
AlegretePiscicultura
(Cachoeira do
Sul)
20102011
29
28
01
AlegretePanificação
(APAE-AL)
20102011
29
26
03
EaD Agroindústria
Alegrete (Santa
Maria, São
Borja e
Alegrete)
2010
23
00
00
EaD Agricultura
Alegrete (São
Borja, Bagé,
Canguçu e
Alegrete)
2010
13
00
00
SVS/Cacequi
20102011
25
24
01
SVS/Jaguari
20102011
28
22
SVS/Jaguari/Pr
esídio
20102011
17
05
02
SVS/Jari
20102011
15
15
00
SVS/São Pedro
do Sul
20102011
30
22
08
2010
30
19
36%
2010
60
31
48%
PROEJA FIC
06
Curso de Formação
Inicial e Continuada
em Panificação
Integrado ao Ensino
Fundamental na
Modalidade de EJA
PROEJA FIC
Assistente em
Operações
Administrativas
PROEJA FIC
Atendente em
Empreendimentos
Comerciais
Júlio de
Castilhos/
Júlio de
Castilhos
Júlio de
Castilhos/Júlio
de Castilhos
150
PROEJA FIC em
Implantação e
Manutenção de
Parques e Jardins
Júlio de
Castilhos/Tupan
ciretã
2010
30
27
10%
PROEJA FIC em
Implantação e
Manutenção de
Parques e Jardins
Júlio de
Castilhos/Cacho
eira do Sul
2010
30
22
26%
Santo Augusto/
Coronel Bicaco
2010
30
Santo Augusto/
Três Passos
2010
30
Santo Augusto/
Tenente Portela
2010
60
Santa
Rosa/Presídio
2010
13
Santa Rosa
2010
25
13
PROEJA FIC Alimentação
Santa Rosa
2010
30
08
PROEJA FIC Pedreiro
Santa Rosa
2010
19
13
PROEJA FIC Carpinteiro
Santa Rosa
2010
09
05
Técnico em
Manutenção e Suporte
em Informática /
PROEJA
Alegrete
PROEJA FIC – Gestão
Agropecuária
48
PROEJA FIC
Operador de
Microcomputador
05
08
PROEJA FIC
Operador de
Microcomputador
2011
41
2012
151
-
07
Técnico em
Agroindústria PROEJA
Alegrete
2011
48
CERTIFIC/PescaCriador de Peixes em
Tanque Escavado
Alegrete
2011
20
CERTIFIC/PescaPescador Artesanal de
Água Doce
Alegrete
2011
42
Técnico em Vendas
SVS/Jaguari
2011
22
CERTIFIC/Padeiro
São Vicente do
Sul
2011
123
Técnico em Comércio
Júlio de
Castilhos
2011
35
CERTIFIC/Padeiro
Júlio de
Castilhos
2011
84
PROEJA FIC
Panificação
Júlio de
Castilhos
2011
30
27 em
andamento
PROEJA FIC
Panificação
Júlio de
Castilhos/Tupan
ciretã
2011
30
20 em
andamento
Técnico em Operações
Comerciais
Santo Augusto
2011
35
20
Técnico em Vendas
Santa Rosa
2011
28
14+02
trancamen
tos
Técnico em
Hospedagem
São Borja
2011
24
152
-
17
06
Hoje com 14
alunos
18 em curso
1
desligado
5
evadidos
2
desligados
Técnico em Cozinha
São Borja
2011
25
19 em curso
4
evadidos
CERTIFIC PESCA Pescador Artesanal de
Água Doce
São Borja
2011
141
CERTIFIC Auxiliar de
Cozinha
São Borja
2011
208
São
Borja/Santiago
2011
59
-
-
São Borja/São
Borja
2011
29
-
-
São Borja/São
Borja
2011
33
-
-
São Borja/Itaqui
2011
24
-
6
Técnico em Informática
- Prisional -EAD
São Borja
2011
14
7 em curso
Técnico em
Edificações
Panambi
2011
30
PROEJA FIC Auxiliar
de Cozinha
PROEJA FIC Pesca
16
Pedreiro – 24
CERTIFIC – Pedreiro e
Encanador
Panambi
2011
1 - Pedreiro
Encanador –
2
153
PROEJA FIC –
Pedreiro e Encanador
Panambi
2011
36
Técnico em
Manutenção e Suporte
em Informática /
PROEJA
Alegrete
2012
82
-
-
Técnico em
Agroindústria PROEJA
Alegrete
2012
65
-
-
CERTIFIC/Panificação
Alegrete
2012
92
PROEJA FIC
Informática/Habilitação
em Hardware e
Redes/PROEJA
Alegrete
2012
41
-
-
Alegrete/Manoel
Viana
2012
25
-
-
Alegrete
2012
31
-
-
PROEJA FIC
Panificação
Alegrete
2012
42
-
-
Técnico em Comércio
Júlio de
Castilhos
2012
60
Hoje com 58
alunos
02
Técnico em Operações
Comerciais
Santo Augusto
2012
30
PROEJA FIC
Piscicultura
14
PROEJA FIC
Construção Civil
154
4
Técnico em Vendas
Santa Rosa
2012
29
Técnico em
Hospedagem
São Borja
2012
21
-
-
Técnico em Cozinha
São Borja
2012
24
-
-
Técnico em Alimentos
Panambi
2012
30
-
00
155
2
GEPEJA - SUAS LINHAS DE PESQUISA
Os participantes do GEPEJA buscam congregar
estudos e divulgar experiências, acerca do PROEJA do
Instituto Federal Farroupilha. O grupo trabalha nas
seguintes linhas de pesquisa:
a) Currículo Integrado : construir uma metodologia de
trabalho que fortaleça e execute essa forma de estrutura
curricular.
b) Educ ação do Campo : estudar referenciais da área e
acompanhar as práticas de Educação do Campo.
c) Educação nas Prisões:
Prisões: elaborar e acompanhar as
propostas pedagógicas de PROEJA Prisional, adequadas ao
público e ao ambiente.
d) Trabalho, Políticas Públicas e Gestão:
Gestão: acompanhar a
gestão e as experiências dos programas de educação de
jovens e adultos integrados a educação profissional. E,
promover e implementar ações que favoreçam o acesso,
permanência e o sucesso dos alunos de PROEJA.
e) Saberes e Formação de Docentes:
Docentes: fomentar os saberes dos
docentes e investir em formação continuada para que os
sujeitos que se envolvem no PROEJA, repensam tanto nos
aspectos pedagógicos como administrativos dos cursos.
156
SOBRE AS ORGANIZADORAS
Andrea da Silva
Possui Graduação em Sistemas de Informação pelo Centro
Universitário Franciscano, Mestrado em Engenharia de
Produção pela Universidade Federal de Santa Maria,
Doutoranda em Ambiente e Desenvolvimento pela
UNIVATES e, em andamento Especialização em Gestão por
Processos de Negócios pela Universidade de Santa Cruz do
Sul. É professora efetiva do Instituto Federal Farroupilha.
Seu foco de interesse está voltado para estudos sobre
Desenvolvimento Local e Regional, Empreendedorismo,
Gestão Pública, Educação Profissional e Mídias
Educacionais.
Mariglei Severo Maraschin
Possui Graduação em Pedagogia pelo Centro Universitário
Franciscano, Especialização em Gestão Estratégica do
Conhecimento nas Organizações pela mesma Instituição,
Mestrado em Educação pela Universidade Federal de Santa
Maria, Doutoranda em Educação pela mesma Instituição. É
professora efetiva do Instituto Federal Farroupilha,
pesquisadora do grupo CAPES/PROEJA UFRGS e líder do
Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA – GEPEJA do IF
Farroupilha. Tem experiência na área de Educação, atuando
principalmente nos seguintes temas: Educação de Jovens e
Adultos, PROEJA, Formação de Professores, InvestigaçãoAção, Aprendizagem e Gestão Escolar.
157
Este livro foi composto com as fontes Berkeley Oldstyle,
Perpetua e Book Antiqua por Andrea da Silva, em agosto de
2013.
158
O Grupo de Estudos e
Pesquisas em PROEJA nasceu
institucionalmente em julho de
2011, a partir de uma
construção de um Projeto de
Pesquisa,
intitulado
Experiências do PROEJA no
Instituto Federal Farroupilha
que teve como objetivo geral:
elaborar um diagnóstico e
destacar
experiências
dos
cursos PROEJA oferecidos pelo
Instituto Federal Farroupilha.
Esta
obra
busca
apresentar um retrato dos
Cursos
PROEJA
do
IF
Farroupilha, fruto do trabalho
coletivo,
organizado
e
registrado em um Relatório
Final, além de referenciar a
vivência de dois Encontros de
Alunos do PROEJA, realizados
em 2010 e 2011, ambos sediados
em Santa Maria/RS, do que
resultou uma Carta, elaborada
pelos próprios estudantes, que
revelam seus anseios e suas
expectativas.
ISBN E-BOOK 978-85-65006-06-4
159
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Andrea da Silva Mariglei Severo Maraschin