Organizadoras Andrea da Silva Mariglei Severo Maraschin Andrea da Silva Mariglei Severo Maraschin Organizadoras Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA - GEPEJA – Ações, Reflexões e Desafios 1ª Edição Santa Maria – RS Instituto Federal Farroupilha 2013 Organizadoras Andrea da Silva Mariglei Severo Maraschin Colaboradores Do Câmpus ALEGRETE: Greice Gonçalves Girardi (Coord. Local) Ana Paula da Silveira Ribeiro, Carla Comerlato Jardim e Maurício Ramos Lutz Do Câmpus JÚLIO DE CASTILHOS: Silvia Regina Montagner (Coord. Local) Elenir de Fátima Cazzarotto Mousquer, Elisângela Fouchy Schons, Ênio Grigio e Silvana Tabarelli Kaminski Do Câmpus PANAMBI: Roberta Goergen (Coord. Local) Celi Marinês Hollas, Jaubert de Castro Menchik, Patricia Glaucia Muniz de Abreu, Sylvia Messer e Solange Ester Koehler Do Câmpus SANTA ROSA: Leandro Jorge Daronco (Coord. Local) Carla Cristiane Costa e Catia Keske Do Câmpus SANTO AUGUSTO: Marcia Adriana Rosmann (Coord. Local) Janice Pinheiro Boeira, Maria Rute Depoi da Silva, Sara Machado da Silva, Silvia Perobelli e Vinícius Feltrin Giglio Do Câmpus SÃO BORJA: Denírio Itamar Lopes Marques (Coord. Local) Andrea Pereira, Maria Paula Ebba Pinheiro e Maria Teresinha Verle Kaefer Do Câmpus SÃO VICENTE DO SUL: Cléia Margarete Macedo da Costa Tonin (Coord. Local) Ana Aline Bulegon, Danieli Buttinger, Itagiane Jost, Lidiane Bolzan Druzian, Márcia Andréia Almeida da Rocha, Nariele Pereira Zamboni, Neiva Lilian Ferreira Ortiz, Taise Tadielo Cezar Atarão e Tobias Deprá Rosa Da REITORIA: Josiane Lara Fagundes, Marina dos Santos, Suelen da Silva Zuquetto e Taísa Maria Rossato INSTITUTO FEDERAL FARROUPILHA REITORIA Carla Comerlato Jardim Reitora Adriano Arriel Saquet Pró-Reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação Alberto Pahim Galli Pró-Reitor de Extensão Nidia Heringer Pró-Reitora de Desenvolvimento Institucional Sidinei Cruz Sobrinho Pró-Reitor de Ensino Vanderlei José Pettenon Pró-Reitor de Administração São de responsabilidade exclusiva das organizadoras e colaboradores a precisão e validez dos dados e informações, assim como as opiniões expressadas nos artigos, não manifestando necessariamente o ponto de vista do Instituto Federal Farroupilha. © Andrea da Silva e Mariglei Severo Maraschin Capa e diagramação: Andrea da Silva Revisão: Claudia Letícia de Castro do Amaral Não é permitida a reprodução total ou parcial desta publicação, em qualquer meio, sem a permissão prévia das organizadoras. Direitos reservados ao Instituto Federal Farroupilha - Reitoria Rua Esmeralda, 430 – Faixa Nova – Bairro Camobi CEP 97110-767 – Santa Maria – RS – Brasil Telefone: (55) 3226-1603 Home page: http://www.iffarroupilha.edu.br E-mail: [email protected] G892 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA): ações, reflexões e desafios / Andrea da Silva, Mariglei Severo Maraschin (organizadoras) – Santa Maria, RS: Instituto Federal Farroupilha, 2013. 157p. : il. ISBN 978-85-65006-06-4 1. Educação Profissional. 2. PROEJA. 3. Educação de Jovens e Adultos. I. Silva, Andrea da. II. Maraschin, Mariglei Severo. III. Título. CDU 377 Ficha Catalográfica – Biblioteca Tasso Siqueira Instituto Federal Farroupilha – Câmpus Alegrete SUMÁRIO AGRADECIMENTOS .....................................................9 APRESENTAÇÃO ..........................................................10 CAPÍTULO I PROEJA do IF Farroupilha – o Ponto de Partida...............................15 CAPÍTULO II Os Cursos PROEJA – Oferta, Permanência e Conclusão.......................46 CAPÍTULO III Educação nas Prisões ................................................................55 CAPÍTULO IV Gestão e Políticas Públicas..........................................................68 CAPÍTULO V Currículo Integrado no IF Farroupilha: da proposta às práticas.............82 CAPÍTULO VI As Licenciaturas e o PROEJA no IF Farroupilha................................109 CAPÍTULO VII Os Encontros de Alunos .............................................................130 CAPÍTULO VIII Desafios – impressos nas Cartas dos Estudantes.................................134 CAPÍTULO IX Das Experiências – seus Destaques................................................140 REFERÊNCIAS PARA ESTA OBRA...................................145 APÊNDICE ...................................................................147 GEPEJA – SUAS LINHAS DE PESQUISA ...........................156 SOBRE AS ORGANIZADORAS .......................................157 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. AGRADECIMENTOS A concretização desta obra somente foi possível, devido ao sucesso dos trabalhos desenvolvidos pelos pesquisadores que compõem o GEPEJA - Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA, que dedicaram muitas horas e esforços para compreender, entender o propósito e o caminho que o PROEJA do IF Farroupilha está traçando e, a partir dos resultados desta pesquisa, estão de modo competente, comprometidos e persistentes em renovar e inovar metodologias e elaborar estratégias para transformar ou remodelar a fim de um curso PROEJA melhor e de alcance a todos que necessitam deste tipo de curso. Dessa forma, de modo muito especial, dedicamos nosso muito obrigado aos nossos colaboradores, que são os coordenadores locais da pesquisa, assim como a todo o corpo docente que atua nos cursos PROEJA, equipe pedagógica, gestores, servidores, os quais não se cansam em prestar um atendimento de qualidade a nossa comunidade acadêmica. Também agradecemos a oportunidade à PróReitoria de Pesquisa do IF Farroupilha e à Universidade Federal de Santa Maria, mais especificamente, ao Grupo Kairós pelos diálogos e pela parceria estabelecida. 9 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. APRESENTAÇÃO APRESENTAÇÃO Quais as experiências dos Câmpus do Instituto Federal Farroupilha na implementação e execução do PROEJA? Orientado por esse questionamento e pelo desejo de realizar estudos sobre a temática, surge o Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA – GEPEJA, articulado e composto por representantes de todos os Câmpus e Reitoria, que são eles: coordenadores de cursos PROEJA, professores e técnico-administrativos em educação que atuam e se interessam pela área, gestores e alunos regularmente matriculados nestes cursos. O interesse pela pesquisa em PROEJA nasce em 2009 por pesquisadores ligados à Especialização PROEJA, coordenada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul que vinha coordenando a pesquisa CAPES PROEJA e reuniu participantes dos Câmpus Alegrete e Júlio de Castilhos. O GEPEJA nasceu institucionalmente em julho de 2011, a partir de uma construção de um Projeto de Pesquisa, intitulado “Experiências Experiências do PROEJA no Instituto Federal Farroupilha” Farroupilha que teve como objetivo geral: elaborar um diagnóstico e destacar experiências dos cursos PROEJA oferecidos pelo Instituto Federal Farroupilha. Dentre os objetivos específicos, estão: conhecer o histórico de cada Câmpus no oferecimento de cursos PROEJA; identificar dados referentes à matrícula, evasão e egressos dos cursos 10 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. APRESENTAÇÃO PROEJA Médio, FIC e Especialização; conhecer a experiência de Formação de Professores de cada Câmpus; identificar e socializar os estudos monográficos e as publicações envolvendo o PROEJA no Instituto; indicar conquistas e dificuldades do PROEJA no Instituto; conhecer as concepções de gestão de cada Câmpus e da reitoria. Vale destacar que esta pesquisa visou a apresentar investigações e reflexões decorrentes do mapeamento de todas as turmas de PROEJA oferecidas nos Câmpus do Instituto Federal Farroupilha, em seus diferentes níveis. A partir desse mapeamento e das experiências observadas, buscou-se criar referenciais para discutir e planejar ações no âmbito das linhas de pesquisa do Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA, que são: formação de professores, currículo integrado, educação prisional, educação do campo e políticas públicas e gestão. A pesquisa teve uma abordagem qualitativa, pois entende a necessidade de aprofundamento em temas ou “fenômenos” de forma mais compreensiva levando em conta a sua complexidade e singularidade. Segundo Chizzotti (2003), a pesquisa qualitativa adota diferentes caminhos de investigação para estudar um fenômeno em um determinado local, procurando encontrar os sentidos do mesmo, bem como interpretar os significados que as pessoas dão a ele. A presente pesquisa caracterizou-se também como descritiva e, quanto ao procedimento técnico, foram utilizados o modelo documental e o participante. Segundo Gil (2008, p.42), “as pesquisas descritivas têm como objetivo 11 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. APRESENTAÇÃO primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou, então, o estabelecimento de relações entre as variáveis.”. A pesquisa documental compreendeu-se pela busca de fontes diversificadas e dispersas. Buscamos dados nos registros escolares, SISTEC, atas, projetos pedagógicos dos cursos e em relatórios dos sete Câmpus do Instituto, ancorados nos pressupostos da pesquisa participante que Gil (2009) define como “a interação entre pesquisadores e membros das situações investigadas” (p.55). Assim, esta proposta multicâmpus seguiu os seguintes passos: - Estudo de bibliografias, de acordo com a organização de cada câmpus; - Construção do histórico de cada curso de cada câmpus; - Organização do instrumento de coleta de dados pela coordenação central e preenchimento por cada câmpus; - Sistematização dos dados e elaboração de um relatório gerenciado pela coordenação central; - Fechamento do relatório e socialização das informações no Seminário, ocorrido em julho de 2012. Dessa forma, esta obra busca apresentar um retrato dos Cursos PROEJA do IF Farroupilha, fruto do trabalho coletivo, organizado e registrado em um Relatório Final, além de referenciar a vivência de dois Encontros de Alunos do PROEJA, realizados em 2010 e 2011, ambos sediados em Santa Maria/RS, do que resultou uma Carta, elaborada pelos próprios alunos, que revelam seus anseios e suas expectativas. 12 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. APRESENTAÇÃO Sem menor dúvida, o GEPEJA, ao longo desse processo, fortaleceu-se, o que culminou em uma nova pesquisa registrada com o título: Experiências do PROEJA do Instituto Federal Farroupilha: do Local ao Institucional, Institucional confirmando o êxito de um projeto multicâmpus, o qual estimula e impulsiona em todos os atores envolvidos um olhar especial para/com os Cursos PROEJA, e o mesmo propósito de qualificar e garantir que estes cursos tenham mais espaço na comunidade local e mais atenção dentro do cenário da Educação Profissional. As Organizadoras Santa Maria/RS, agosto de 2013. 13 CAPÍTULO I PROEJA DO IF FARROUPILHA O PONTO DE PARTIDA 11 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA Na perspectiva de minimizar os baixos índices de escolarização e suprir a lacuna da falta de preparação de pessoas para atuar no mundo do trabalho, ou de profissionalizá-las em uma função específica, entrelaçando de modo integrado a formação básica com a formação técnica; eis que surge uma política pública, entendida por ações e intenções com os quais os poderes ou instituições públicas respondem às necessidades de diversos grupos sociais. Esta política em particular é ponto de pauta principal deste livro, apresenta como pano de fundo a inclusão e a inserção social de cidadãos, oportunizando-os a retornar às instituições de ensino, na vontade ascendente de aprender, ampliar conhecimentos, construir novas relações interpessoais e vivenciar um novo cenário educacional, que vai além do ler e do escrever, de onde, por muito tempo, grande parte destes indivíduos se encontravam distantes e, até mesmo, sem expectativas de retorno, seja pelo horário de estudo, condições financeiras, dificuldades de deslocamento, trabalho, ou mesmo por falta de cursos que fossem ao encontro às necessidades e as vontades pessoais e profissionais. Por iniciativa do Governo Federal, em 2005, é implantado o PROEJA - Programa de Integração da 15 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA Educação Profissional com Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos que se propõe inicialmente a oferecer Ensino Médio Integrado à Educação Profissional e depois implementar a formação inicial e continuada na modalidade EJA, para trabalhadores, na possibilidade de qualificação profissional. Dessa forma, podemos assinalar seus objetivos, tais como: ampliação da oferta pública da educação profissional aliada à universalização da educação básica para o atendimento aos jovens e adultos; implementação de uma política educacional que proporcione a esse público acesso gratuito à educação profissional integrada à educação básica. Quanto aos seus princípios, evidenciamos: - o primeiro diz respeito ao papel e compromisso que entidades públicas integrantes dos sistemas educacionais têm com a inclusão da população em suas ofertas educacionais; - o segundo consiste na inserção orgânica da modalidade EJA integrada à educação profissional nos sistemas educacionais públicos; - o terceiro contempla a ampliação do direito à educação básica pela universalização do ensino médio, face à compreensão de que a formação humana não se faz em tempos curtos, exigindo períodos mais alongados, que consolidem saberes, a produção 16 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA humana, suas linguagens e formas de expressão para viver e transformar o mundo; - o quarto compreende o trabalho como princípio educativo; - o quinto define a pesquisa como fundamento da formação do sujeito contemplado nessa política, por compreendê-la como modo de produzir conhecimentos e fazer avançar a compreensão da realidade, além de contribuir para a construção da autonomia intelectual desses sujeitos/educandos; - o sexto considera as condições geracionais, de gênero, de relações étnico-raciais como fundantes da formação humana e dos modos como se produzem as identidades sociais. Já compreendendo o propósito do Programa, reportamo-nos a nossa Instituição e a nossos questionamentos – quando e como tudo começou? Respondendo a essa pergunta especificamente, através do Decreto 5478/2005, os então Centros Federais de Educação Profissional (CEFETs) e as Escolas Agrotécnicas Federais (EAFs) iniciam a mobilização para implantação de cursos na modalidade PROEJA, visto que, a partir do Decreto, as instituições federais de ensino profissional precisavam obrigatoriamente oferecer matrículas na modalidade Educação de Jovens e Adultos. A então Escola Agrotécnica Federal de Alegrete, no mesmo ano, inicia 17 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA a formação de professores e implanta, após um estudo de demanda, os Cursos Técnicos de Agroindústria e de Informática, os quais tiveram suas atividades iniciadas em março de 2006. No ano de 2007, começa, no CEFET de São Vicente do Sul, o Curso Técnico de Informática e, em 2008, na então UNED1 de São Vicente do Sul, hoje Câmpus Júlio de Castilhos, também o Curso Técnico em Informática. No mesmo ano, começa-se na UNED de Santo Augusto, na época pertencente ao CEFET de Bento Gonçalves, o Curso Técnico em Comércio. No final do ano de 2008, a Lei 11.892 de 29/12/2008 cria os Institutos Federais de Educação Profissional e Tecnológica que surgiram a partir da rede federal de educação profissional composta por Centros Federais de Educação Tecnológica, Escolas Federais Agrotécnicas e Escolas vinculadas às Universidades. Surge assim o Instituto Federal Farroupilha neste período, composto pelos Câmpus de Alegrete, São Vicente do Sul, Júlio de Castilhos e Santo Augusto, ofertando cursos superiores, pós-graduações e cursos técnicos de nível Médio, inclusive os de modalidade de Educação de Jovens e Adultos. No ano de 2009, o ofício Convite nº 40, da SETEC/MEC, abre a possibilidade para os Câmpus, em 1 UNED – Unidade de Ensino Descentralizada. 18 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA parceria com os municípios e o sistema prisional, oferecerem cursos PROEJA articulados ao Ensino Fundamental. O Instituto aprova cursos em todos os seus Câmpus e passa a ter parceria com os municípios de Alegrete, Manoel Viana, São Borja, Cachoeira do Sul, Jari, Jaguari, São Pedro do Sul, Cacequi, Júlio de Castilhos, Tupanciretã, Três Passos, Coronel Bicaco e Tenente Portela. No ano de 2010, iniciam as atividades nos Câmpus de Santa Rosa, São Borja e Panambi, todos com abertura de cursos de nível médio e Santa Rosa com implantação do PROEJA FIC prisional. Ainda no mesmo ano, é lançado o edital para adesão à Rede Nacional de Certificação Profissional e Formação Inicial e Continuada – Rede CERTIFIC, à qual nosso Instituto adere, implantando o programa nos Câmpus de Alegrete, Júlio de Castilhos, Panambi, São Borja e São Vicente do Sul. Neste ano, o Instituto Federal Farroupilha, em parceria com os outros dois Institutos Federais do RS e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, realizou o Encontro Estadual de Alunos PROEJA, ocorrido em Santa Maria, reunindo cerca de 300 alunos, professores e gestores de todos os cursos PROEJA Médio do estado. No evento, foram feitas muitas discussões, que resultaram em uma carta, 19 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA posteriormente distribuída em todo país. No mesmo ano, o Instituto também foi parceiro na realização do Fórum PROEJA, que aconteceu na Universidade Federal de Santa Maria - UFSM. Em 2011, foram reformulados os projetos pedagógicos de curso de muitos Câmpus e muitas aprendizagens advêm das práticas de currículo integrado, bem como a experiência do PROEJA FIC e das histórias de vida do CERTIFIC. Todo este processo foi mostrado no encontro realizado em novembro, o Encontro de Alunos PROEJA do Instituto Federal Farroupilha, quando se reuniram cerca de 1000 participantes, após terem realizado discussões nas turmas e nos Câmpus sobre acesso, permanência, formação profissional, mundo do trabalho, evasão, assistência estudantil, infraestrutura, organização curricular, pesquisa e extensão. No Câmpus Alegrete No ano de 2006, o Câmpus Alegrete, assim como as demais instituições federais do país, recebeu a determinação do MEC para o cumprimento do Decreto nº 5840, de 13 de julho do mesmo ano, o qual instituiu, no âmbito federal, o Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos, PROEJA. 20 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA Desde então, o Câmpus Alegrete trabalha com a formação de docentes para a educação de jovens e adultos, na tentativa de melhor atender este público cuja permanência nos cursos oferecidos depende muito da forma como são tratados durante as aulas. Após um estudo de demanda, foram criados dois cursos na modalidade PROEJA: Curso Técnico em Agroindústria e Curso Técnico em Informática, os quais tiveram suas atividades iniciadas em março de 2006. A integração da educação básica à formação profissional, através da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, advém da tradição da oferta de cursos de excelência, tendo como meta uma formação essencialmente integral. Para que haja a inserção dos jovens no exercício pleno da cidadania e a ampliação das oportunidades de ingresso no mundo de trabalho, não basta saber ler e escrever. É preciso que haja a conclusão de certos mínimos de escolaridade como base necessária para um bom desempenho nos diferentes âmbitos da vida social, seja na vida familiar, no mundo do trabalho, na esfera cultural ou na participação política e social. De acordo com o Documento Base do PROEJA (2006, p. 29), torna-se indispensável criar condições materiais e culturais capazes de responder, em curto espaço 21 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA de tempo, ao desafio histórico de implementar políticas globais e específicas que, no seu conjunto, ajudem a consolidar as bases para um projeto societário de caráter mais ético e humano. Neste sentido, é necessário construir um projeto de desenvolvimento nacional autossustentável e inclusivo que articule as políticas públicas de trabalho, emprego e renda, de educação, de ciência e tecnologia, de cultura, de meio ambiente e de agricultura sustentável, identificadas e comprometidas com a maioria, para realizar a travessia possível em direção a outro mundo, reconceitualizando o sentido de nação, nação esta capaz de acolher modo de vida solidários, fraternos e éticos. Segundo o professor Eliezer Pacheco, no texto de apresentação do Documento Base do projeto, o PROEJA é mais que um projeto educacional, “é um desafio pedagógico e político para todos aqueles que desejam transformar este país dentro de uma perspectiva de desenvolvimento e justiça social”. É uma busca do resgate e reinserção de milhões de jovens e adultos brasileiros, possibilitando a eles uma formação profissional na perspectiva integral. A partir de 2009, de acordo com o Ofício Circular 040, a implantação do PROEJA FIC nas Instituições Federais implica quatro ações obrigatórias. A primeira é a Formação Continuada de Profissionais para a Implantação dos Cursos PROEJA FIC que deve 22 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA abranger todos os profissionais envolvidos com as turmas, sejam gestores, docentes ou técnicos profissionais. De acordo com o Projeto Pedagógico dos Cursos PROEJA FIC do Câmpus Alegrete, a justificativa pela escolha da formação inicial e continuada integrada com a qualificação profissional é “garantir aos jovens e adultos trabalhadores que não concluíram o Ensino Fundamental o prosseguimento dos estudos, visando a melhoria da condição social e qualidade de vida, atendendo às exigências do setor produtivo primário e do setor de serviços”. A segunda ação fora os cinco cursos implantados e que iniciaram suas atividades frente aos alunos em março de 2010. A terceira ação foi a produção de material pedagógico para os Cursos PROEJA FIC. Para garantir o sucesso desta produção, foi introduzida a disciplina de Perspectiva de Elaboração e Construção de Material Didático, com carga horária de 40 horas, no Curso de Formação de Docentes. Após as primeiras aulas que foram de planejamento para a elaboração de aulas integradas, iniciou-se a preparação de apostilas contendo conteúdos integrados das disciplinas da Educação Básica e do Ensino Profissional. Os docentes de cada turma fizeram as pesquisas com os alunos para detectar os assuntos de sua preferência e o 23 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA material didático foi preparado a partir destes assuntos. Após a utilização da primeira apostila, cada Escola fez a avaliação da mesma, corrigindo algum item que não tenha ficado adequado. A quarta ação foi o monitoramento, estudo e pesquisa com vistas a contribuir para a implantação e consolidação de espaços de integração das ações desenvolvidas e, para isso, foi criado o Grupo de Pesquisa PROEJA Câmpus Alegrete, cujos objetivos estabelecidos foram: “levantar dados sobre os Cursos PROEJA; destacar as principais experiências pedagógicas dos Cursos PROEJA; registrar o processo de seleção dos alunos PROEJA; levantar dados sobre evasão no PROEJA; registrar os processos pedagógicos utilizados no PROEJA; divulgar os dados levantados entre os envolvidos e participar de encontros, seminários e outros para discussão e divulgação dos resultados obtidos”. O Grupo de Pesquisa trabalha nas seguintes linhas de estudo e pesquisa: saberes dos alunostrabalhadores, identidades juvenis, currículo integrado, inclusão digital, formação de professores. Ao final do primeiro ano da implantação dos Cursos PROEJA FIC no Câmpus Alegrete, foi possível observar que os Encontros de Formação dos Docentes serviram para que pudéssemos, através de estudos, 24 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA leituras, discussões e reflexões, entender melhor o Programa para nele atuar. Muitas foram as dúvidas que surgiram e que foram trazidas para discussão e soluções coletivas. Os docentes elaboraram os Planos de Ensino dos Cursos, discutiram currículo integrado e avaliação, prepararam apostilas e materiais pedagógicos que foram pesquisados por cada Escola juntamente com os alunos para trabalhar nas aulas integradas. Todos os alunos dos Cursos PROEJA FIC recebem o valor de R$ 100,00 (cem reais) ao mês, como incentivo à permanência no curso, através de um Programa da Assistência Estudantil. Os alunos dos Cursos PROEJA do Câmpus Alegrete, apesar de algumas evasões por motivos adversos, estão aproveitando satisfatoriamente os cursos em que se inscreveram. Várias atividades estão sendo incluídas no planejamento, tais como viagens de estudos, visitas, aulas práticas, palestras e outros. Quanto ao monitoramento, está sendo feito pela SETEC/MEC, através de relatórios semestrais de acompanhamento e através dos Encontros promovidos entre estudantes, docentes e gestores. Na área da pesquisa, além da participação do Câmpus Alegrete nas atividades do Capes PROEJA, foi promovida a participação de docentes e alunos em eventos como o Fórum Estadual do PROEJA, além de 25 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA termos os Trabalhos de Conclusão do I Curso de Especialização do PROEJA divididos entre as linhas de pesquisa do Grupo. No Câmpus Júlio de Castilhos Essa sistematização sobre o PROEJA, no Instituto Federal Farroupilha – Câmpus Júlio de Castilhos relata os quatro anos de trabalho nesta modalidade de ensino e traz à tona sentimentos de alegrias, incertezas, companheirismo, entendimentos e desentendimentos, além de interações interessantes e significativas. Utilizamos a ideia de travessia como metáfora, para relatar essa experiência, a partir da própria vivência cotidiana com os sujeitos, professores e professoras, alunos e alunas, mas todos na condição de aprendentes. Fazemos um esforço de contar essa trajetória a partir das reflexões, planejamentos, avaliações e debates feitos pelos envolvidos nesse processo, nas diferentes instâncias e espaços da instituição. Buscamos fundamentos para o nosso trabalho na legislação e em teóricos que estão conosco nesta travessia social. Reconhecemos que nem todos compreendiam essa alternativa de mudança na escola, lacunas ocorreram nesse trabalho. Foram muitas perguntas 26 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA sem respostas, essas respostas não estavam nos livros, nem nas palestras, mas no encontro das pessoas, nas observações e nos diálogos construídos, nas reflexões que permeavam estes momentos. No entanto, a transcrição dessa experiência está recheada de materialidade concreta da vida, através de recortes ora de humanização, ora de intransigências, mas que retratam as contradições presentes na travessia. Os docentes, ao pensar a implantação do Curso Técnico em Informática – PROEJA, trouxeram para o debate a necessidade de proporcionar aos alunos/trabalhadores a oportunidade de continuar os estudos e se qualificar profissionalmente. Refletiram que esse curso propiciaria a retomada da escolarização aos sujeitos que tinham uma trajetória, muitas vezes, tumultuada com o ensino e a aprendizagem, de modo que nem sempre a escola e os professores traziam boas lembranças para os mesmos. Também observaram que este seria um espaço em que essas pessoas, ao estudar, teriam o trabalho como princípio educativo, organizando-se na escola e na vida. A intencionalidade é algo importante, mas mais significativo era implementar essa prática de formação integrada. Segundo Maria Ciavatta (2005, p.83-84), “as palavras podem ser ditas, as imagens podem ser mostradas, as coisas acontecem se há vontade política 27 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA e meios ou recursos, e se elas têm legitimidade perante a opinião pública”. Nesse sentido, percebemos que as leis são elaboradas com discursos que impulsionam a sociedade em determinada direção, mas há a possibilidade de o entendimento se dar de diferentes formas, o que é alvo de contradições sobre a efetividade para a prática da formação integrada. A perspectiva da formação integrada pressupõe superar a dicotomia do trabalho manual e do trabalho intelectual. Conforme Ciavatta (2005), essa proposição de formação integrada precisa atender “as necessidades do mundo do trabalho permeado pela presença da ciência e da tecnologia como forças produtivas, geradoras de valores, fontes de riqueza” (p. 85). Isso posto como base para nosso trabalho, causou muitas discussões sobre a educação profissional e o mercado de trabalho, e a educação profissional e o mundo do trabalho. Além de contemplar uma reflexão sobre trabalho, ciência, tecnologia e cultura e o currículo, também abordamos a função social da escola e a escola e o trabalho como lugares de memória e de identidade. Afinal, como procedermos enquanto coletivo de educadores, visto que a formação integrada rompe com o trabalho individualizado dos professores e 28 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA requer projetos integradores; desafia-nos a planejar juntos, construir alternativas que deem conta das necessidades que o curso e as turmas apresentam. Na nossa caminhada, as reuniões que ocorriam nas terças-feiras pela manhã foram muito significativas, permitindo a alguns professores e professoras se identificarem com esta proposta, a outros nem tanto, mas o trabalho prosseguia, sempre se construindo o diálogo, fazendo estudos, e propondo alternativas. Algumas com sucesso, outras não exatamente, mas sempre era uma nova experiência e saíamos enriquecidos enquanto aprendentes. Para Paulo Freire (1987, p. 83), o diálogo começa na busca do conteúdo programático. (...) não quando o educadoreducando se encontra com os educandoseducadores em uma situação pedagógica, mas antes, quando aquele se pergunta em torno do que se vai dialogar com estes. Esta inquietação em torno do conteúdo do diálogo é a inquietação em torno do conteúdo programático da educação. O Projeto Pedagógico e Metodológico do Curso coloca uma intencionalidade na formação organizativa e de valores éticos, sem esquecer-se de trabalhar os conhecimentos necessários da formação básica. Com essa intencionalidade, fez-se necessário pensar em uma nova organização curricular que permitisse um diálogo mais direto entre as disciplinas. 29 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA Aí surgiram os eixos temáticos que articularam os conhecimentos entre si. Desse modo, tentou-se entender e intervir na realidade. Para isso, é preciso conceber os eixos temáticos e as disciplinas como parte de um processo dinâmico que é o ato de construir conhecimento. No entanto, na realidade, não aconteceu plenamente, permanecendo a lógica do trabalho por disciplina, mas conseguimos uma articulação mais unificada a partir dos focos representados por cada eixo temático. Sentimos que a formação continuada dos docentes é imprescindível, assim como um quadro fixo de educadores, já que as trocas de professores atrapalharam muito o processo. Portanto, faz-se necessário um processo dialógico e coletivo a partir de reflexões sobre as práticas pedagógicas na escola, da leitura da realidade e do desempenho dos alunos nos estudos. Dar vez e voz aos alunos e alunas permitia reconhecer a riqueza dos sujeitos e suas especificidades, as quais nos sensibilizavam e nos faziam repensar nossas ações. As suas trajetórias de vida mostravam um espaço e realidades que não tínhamos percebido. Foi assim que surgiu a ideia da cartilha sobre os Direitos da Mulher e tantos outros trabalhos relevantes. 30 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA As dificuldades existiam e os desafios eram sempre grandes, mas a vontade de acertar era maior. Assim, destaca-se que o Câmpus Júlio de Castilhos ofertou Especialização PROEJA, em 2009/2010, em parceria com a UFRGS. Cinquenta professores se matricularam abrangendo os municípios de Júlio de Castilhos, Ijuí, Panambi, Santa Maria, Salto do Jacuí, oportunizando a todos novas vivências, experiências e referências com a temática PROEJA. Em 2008, com o início das atividades do Câmpus, ingressaram 70 alunos no Curso Técnico em Informática/PROEJA, dos quais 5 concluíram e 14 ainda estão em estágio ou em defesa de relatório. Em 2009, através da carta convite do MEC nº40, o Câmpus Júlio de Castilhos firmou parceira com as prefeituras municipais de Cachoeira do Sul, Júlio de Castilhos e Tupanciretã para oferta dos cursos de PROEJA FIC. Ainda em 2009, os professores das redes municipais parceiras, professores da rede federal e gestores participaram da Formação Continuada no programa PROEJA FIC. Foram 80 horas iniciais com um cronograma que pensou na característica plural do PROEJA, com temáticas que permitiram entender e refletir sobre avaliação, metodologias, políticas públicas e elaboração do material didático. 31 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA Em 2010, iniciam as aulas em Cachoeira do Sul com o Curso Implantação e Manutenção de Parques e Jardins com 30 alunos; em Júlio de Castilhos, com os Cursos de Atendente e Recepcionista de Empreendimentos Comerciais, Turmas I e II com 60 alunos e Assistente em Operações Administrativas, com 30 alunos; e, em Tupanciretã, com o Curso Implantação e Manutenção de Parques e Jardins, com 30 alunos. Ainda em 2010, totalizamos 5 turmas com 150 alunos, dos quais 112 concluíram em dezembro de 2011 os referidos cursos. Destes, 55 ingressaram no Curso Técnico em Comércio em 2012, no Câmpus de Júlio de Castilhos. Em 2010, o Instituto firma novamente parcerias com os municípios de Júlio de Castilhos e Tupanciretã com o programa CERTIFIC/PROEJAFIC, com as seguintes etapas: - Formação continuada para os envolvidos no programa; - Reconhecimento de saberes de trabalhadores no perfil Padeiro. Em 2011, iniciaram novas turmas com 60 alunos no curso de Panificação, uma em Júlio de Castilhos e outra em Tupanciretã, nas quais também destacamos o baixo índice de evasão. 32 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA Em 2010 ainda, o Câmpus de Júlio de Castilhos, a partir de uma demanda da comunidade, oferta um novo Curso Técnico em Comércio modalidade PROEJA. O Projeto Pedagógico deste curso foi pensado e elaborado por um grupo de docentes e servidores envolvidos e motivados com esta modalidade de ensino. A oferta deste curso foi de 35 vagas, das quais 14 alunos estão concluindo em 2012. Já no ano de 2012, a oferta foi ampliada para 60 vagas com o objetivo de atender à demanda da comunidade e dos alunos concluintes do PROEJA FIC. Consideramos que o Câmpus teve muitos avanços nestes 4 anos de existência. A cada ano, procura-se fortalecer o grupo de trabalho e principalmente atender os alunos valorizando seus conhecimentos e suas histórias. A partir das reuniões, observa-se um grande envolvimento dos docentes para planejamento das atividades integradas e avaliações contínuas. Destacamos o baixo índice de evasão nos primeiros anos, como indicativo do envolvimento e responsabilidade dos alunos nas atividades propostas. No Câmpus Panambi O Câmpus Panambi iniciou suas atividades com os discentes em agosto de 2010, no entanto alguns professores e servidores já estavam trabalhando desde 33 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA fevereiro, organizando a infraestrutura e pensando, junto com a Reitoria e os demais Câmpus, os Projetos Pedagógicos dos Cursos que seriam oferecidos ainda neste ano e cuidando da divulgação do Câmpus junto à comunidade local e regional. Todos os docentes e servidores lotados no Câmpus foram voluntários tanto na divulgação, quanto na realização das inscrições, que ocorreram na Secretaria do Câmpus e na praça central da cidade. Entre os primeiros cursos implantados em agosto de 2010, estava o Programa de Integração de Educação Profissional ao Ensino Médio na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos – PROEJA. O oferecimento dessa modalidade de ensino iniciou com o Curso Técnico em Edificações, contando com uma turma de 25 alunos, selecionados através de entrevista semi-estruturada realizada por servidores do Câmpus. Esta primeira turma de PROEJA Edificações conta com 15 alunos, que finalizaram o segundo ano do curso. No primeiro semestre de 2011, foi ofertada mais uma turma em PROEJA – Técnico em Edificações, com 30 alunos, cuja forma de ingresso foi por critérios préestabelecidos no ato da inscrição. Essa turma conta com 12 alunos. Neste semestre, também oferecemos duas turmas em PROEJA FIC – Pedreiro e Encanador, com 30 34 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA alunos em cada uma, selecionados por critérios estabelecidos no ato da inscrição. Como o número de inscritos não atingiu o número de 30 alunos para cada turma, o PROEJA FIC funciona com as duas turmas juntas para as aulas das disciplinas do núcleo comum e são separadas nas aulas técnicas, conforme a opção de curso escolhida. A turma conta com 24 alunos frequentando regularmente o curso. No ano de 2012, foi ofertada uma turma de 30 alunos de PROEJA – Técnico em Alimentos, cuja forma de ingresso foi semelhante às anteriores. A turma possui 20 alunos. No Câmpus Santa Rosa O Instituto Federal Farroupilha Câmpus Santa Rosa iniciou suas atividades em 2010 com cursos técnicos nas modalidades integrada, subsequente e de Educação de Jovens e Adultos com os cursos de PROEJA- Técnico em Vendas e PROEJA FIC em Informática – Operador de Microcomputador para Apenados do Regime Fechado do Presídio Estadual de Santa Rosa. A partir do segundo semestre de 2010, iniciaram-se quatro outros cursos PROEJA-FIC, sendo dois destes na área da construção civil – Carpinteiro e Pedreiro Azulejista, um curso na área de informação e comunicação – Operador de Computador e outro em 35 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA apoio educacional – Alimentação Escolar. Na implementação dos cursos FIC, ficou definido que o Instituto Federal Farroupilha se responsabilizaria em oferecer a formação profissionalizante dos cursos, enquanto o município de Santa Rosa ficaria responsável em oferecer a formação básica – Ensino Fundamental. Estes cursos foram oferecidos a partir da consulta popular à comunidade. No primeiro semestre de 2011, iniciou a segunda turma de PROEJA - Técnico em Vendas e, já para o próximo ano, há a oferta de 30 vagas para a terceira turma de PROEJA- Técnico em Vendas. Os cursos de PROEJA e PROEJA FIC no Instituto Federal Farroupilha em Santa Rosa são frutos da demanda e, sobretudo, da responsabilidade social assumida pelos Institutos Federais no âmbito de políticas públicas de educação e visam à inclusão social de segmentos sociais que, por motivos diversos, ficaram às margens da educação formal. No Câmpus Santo Augusto O Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com Educação Básica na modalidade da Educação de Jovens e Adultos – PROEJA teve início em 2008, com o Curso Técnico em Operações Comerciais. Da primeira turma, apenas três alunos concluíram o estágio supervisionado. As outras 36 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA três turmas estão em andamento, sendo que a maioria dos alunos do 3º ano (2011) já estão realizando o estágio. Em 2012, teve ingresso a 5ª turma desse curso, sendo que, a partir de 2013, iremos oferecer outro curso – ainda não definido – de PROEJA. O PROEJA FIC – Gestão Agropecuária, compreende 4 turmas em 3 municípios: uma em Três Passos, uma em Coronel Bicaco e duas em Tenente Portela. Sabemos que há demanda para novas turmas de PROEJA FIC nesses municípios, de forma que novas turmas terão início em 2013. As turmas em andamento irão concluir em 2012/2. No Câmpus São Borja O Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com Educação Básica na modalidade da Educação de Jovens e Adultos – PROEJA teve início em 2010 com o Curso Técnico em Manutenção e Suporte em Informática, com o oferecimento de 50 vagas. Já neste ano, percebeu-se que a relação dos alunos com a habilitação não estava satisfatória. O grupo de docentes dos diferentes eixos pensaram dois cursos para 2011 que estão em oferta até o presente momento – Técnico em Hospedagem, 30 vagas e Técnico em Cozinha, 30 vagas. 37 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA A procura é grande (3 por vaga) e o desempenho é satisfatório – muito em relação às vivências (mundo do trabalho). Observa-se uma forte relação do Curso de Cozinha com o dia-a-dia dos alunos jovens e adultos. No Programa CERTIFIC, o Campus São Borja é pioneiro, onde em 2010 começou o processo de certificação, que culmina com a criação de 4 turmas de PROEJA FIC, em 2011: 2 em Auxiliar em Pesca Artesanal de Água Doce (São Borja e Itaqui) e 2 em Auxiliar de Cozinha (São Borja e Santiago), com permanência de 88% dos ingressantes, já no 3º semestre dos cursos. Justifica-se, acreditamos nós, que este sucesso deva-se à articulação da proposta junto às comunidades, bem como à formação inicial e continuada oferecida e entendida pelos profissionais envolvidos. Devido a esta demanda e outras futuras, foi solicitado pelas redes municipal e estadual que o IF Farroupilha disponibilizasse uma formação para os docentes das redes que contribuíssem para o melhor fazer pedagógico. Assim, no coletivo, o grupo entendeu que era oportuno ofertar uma Especialização Lato Sensu em PROEJA. A turma tem seu início em 2012, com uma característica de quase a totalidade dos discentes 38 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA serem oriundos das redes públicas, e uma parcela significativa de docentes do PROEJA FIC. No Câmpus São Vicente do Sul O Ministério da Educação, sob a coordenação da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica – SETEC, instituiu, em 2005, o Programa de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos PROEJA, visando ao oferecimento da elevação da escolaridade e à qualificação profissional a jovens e adultos que, por alguma razão, tiveram as suas trajetórias de formação descontinuadas ou interrompidas. Tendo em vista os inúmeros desafios e complexidades, constantes no PROEJA – entendido como política pública voltada para a formação de jovens e adultos, vítimas de processos históricos que os cercearam do direito à conclusão da educação básica e de uma formação profissional de qualidade – é imprescindível a consolidação desse programa. Portanto, é indispensável salientarmos o histórico do PROEJA no Instituto Federal Farroupilha Câmpus São Vicente do Sul, contando o andamento deste programa e a sua abrangência na região, ressaltando a sua extrema importância na biografia 39 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA daqueles que estão inseridos, seja na vida profissional, acadêmica ou pessoal. A trajetória do IF Farroupilha no PROEJA teve início com a instituição do Decreto 5478/2005, em que os então Centros Federais de Educação Profissional (CEFETs) e as Escolas Agrotécnicas Federais (EAFs) iniciam a mobilização para implantação de cursos na modalidade PROEJA, visto que, a partir do decreto, as instituições federais de ensino profissional precisavam obrigatoriamente oferecer matrículas na modalidade Educação de Jovens e Adultos. O Câmpus de São Vicente do Sul (na época Centro Federal de Educação Tecnológica de São Vicente do Sul/CEFET-SVS), a partir do Decreto nº 5.840 de 2006, passou a se organizar e se estruturar para atender às demandas de implantação desta proposta de educação de jovens e adultos. Tal organização iniciou ao final do ano de 2006, com reuniões da direção da instituição e os professores para socializar o texto do Decreto, abordando sobre os objetivos e intenções da nova proposta. A primeira questão decidida pelo grupo foi a necessidade de desenvolver formação continuada com os docentes. Esse processo se efetivou mediante assessoria da Universidade Federal de Santa Maria. Neste contexto, nasceram então dois projetos de curso na modalidade do PROEJA: O Curso Técnico em 40 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA Agroindústria e o Curso Técnico em Informática. Foram ofertadas 30 vagas de cada curso e a procura por parte da população por tais cursos foi baixa, mediante os meios de comunicação locais, foram feitos encontros periódicos nas comunidades, através de chamadas públicas em São Vicente do Sul e municípios vizinhos. Assim, iniciaram-se no ano de 2007, de maneira extremamente desafiante, os trabalhos para o ingresso da primeira turma do Curso Técnico do PROEJA em Informática, com 22 jovens e adultos matriculados, sendo com faixa etária entre 23 e 65 anos de idade (13 homens e 09 mulheres). No entanto, atualmente 12 pessoas estão formadas. A segunda turma teve ingresso no primeiro semestre de 2009, com 30 jovens e adultos matriculados, sendo que foi necessário processo seletivo, o qual aconteceu por meio de entrevistas. Entretanto, atualmente 15 pessoas estão aptas para o estágio profissional a se realizar em 2012. É importante considerar a constante preocupação dos profissionais da instituição em promover espaços de acolhimento destes jovens e adultos que buscam uma formação/profissionalização. Diante deste contexto, o Câmpus de São Vicente do Sul do Instituto Federal Farroupilha propõe o Curso Técnico em Vendas na modalidade do PROEJA, buscando melhorias nas condições de inserção social, 41 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA econômica, política e cultural dos jovens e adultos da região, uma vez que concluímos que uma Educação contextualizada e emancipatória contribui para o desenvolvimento local e regional de modo sustentável. No ano de 2009, o ofício Convite nº 40 da SETEC/MEC abre a possibilidade para os câmpus, em parcerias com os municípios e os sistemas prisionais, oferecerem cursos PROEJA integrados ao Ensino Fundamental. Portanto, no Câmpus São Vicente do Sul, o Curso de Formação Inicial e Continuada em Panificação Integrada ao Ensino Fundamental na Modalidade de EJA teve início no ano de 2009, em parceria com a Rede Municipal, cujos integrantes são os municípios de Jaguari (Rede Pública Municipal de Educação e Sistema Penitenciário), São Pedro do Sul, Cacequi e Jarí. A oferta do curso em Panificação foi identificada pela demanda em um encontro realizado no Instituto Federal Farroupilha, Câmpus de São Vicente do Sul, com representantes das prefeituras, secretarias municipais de educação e estabelecimentos penais dos municípios da região. Nesse sentido, é considerada a potencialidade produtiva da comunidade em questão. O curso ampliaria a qualificação profissional dos sujeitos envolvidos, possibilitando a reintegração social dos mesmos. É levada em consideração, ainda, a 42 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA possibilidade do acesso com qualidade ao mundo do trabalho, bem como a oportunidade de continuidade dos estudos. Os objetivos do curso são promover a qualificação profissional inicial e continuada de jovens e adultos, bem como garantir o ingresso/reingresso no ensino fundamental, de modo que os sujeitos tenham condições de transformar sua história de vida em direção à cidadania plena; resgatando os conhecimentos dos sujeitos, qualificando-os profissionalmente a partir destes e da compreensão do trabalho como princípio educativo; desenvolvendo a capacidade de resolução de problemas, de comunicação de ideias, de iniciativa; desenvolvendo os conhecimentos teórico-práticos relativos à área de formação profissional. No ano de 2012, o Instituto Federal Farroupilha - Câmpus de São Vicente do Sul, em parceria com os municípios de Cacequi, Jaguari, Jarí, São Pedro do Sul e a 8ª Coordenadoria Regional de Educação, estão sendo ofertadas vagas, conforme o edital nº 008/2012 do Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na modalidade de Educação de Jovens e Adultos, na Formação Inicial e Continuada Integrada com o Ensino Fundamental – PROEJA FIC/Rede CERTIFIC, do Curso de Formação 43 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. PROEJA DO IF FARROUPILHA – O PONTO DE PARTIDA Inicial e Continuada em Panificação Integrado ao Ensino Fundamental na Modalidade de EJA. No ano vigente, estão previstas também vagas para o curso do Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na modalidade de Educação de Jovens e Adultos, na Formação Inicial e Continuada Integrada com o Ensino Médio – PROEJA FIC/Rede CERTIFIC, no Instituto Federal Farroupilha - Câmpus de São Vicente do Sul em parceria com os municípios de Cacequi, Jaguari, São Pedro do Sul e a 8ª Coordenadoria Regional de Educação, no curso de Auxiliar em Manutenção e Processamento de Alimentos. 44 CAPÍTULO II OS CURSOS PROEJA OFERTA, PERMANÊNCIA E CONCLUSÃO 45 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. OS CURSOS PROEJA – OFERTA, PERMANÊNCIA E CONCLUSÃO Com o objetivo de mapear o acesso e a permanência dos cursos PROEJA em nosso Instituto, e poder fazer análises importantes sobre a oferta dos cursos, buscamos, a partir do histórico, verificar as matrículas iniciais, a evasão e a conclusão dos alunos em cada turma. Pelo gráfico 1, observamos os números de acesso, permanência e conclusão de estudantes que realizam cursos nesta modalidade que, em especial, é nosso foco de análise. Neste capítulo, o leitor compreenderá e conhecerá a trajetória evolutiva, de 2006 até 2012, seja no PROEJA Ensino Médio, quanto ao PROEJA FIC, e entenderá as razões da expansão de matrículas, a diminuição de evasões que vem positivamente e gradativamente ocorrendo a cada ano, assim como observará os índices dos que conseguem chegar ao final do curso, completando satisfatoriamente o ciclo escolar, obtendo assim êxito em seus estudos. Certamente, é necessária a vigilância de dados, pois este é um dos indicadores útil de observação para que saibamos o quanto nossas ações e estratégias estão surtindo resultados. Por outro lado, também tenhamos a clareza que a base de dados não se esgota, devemos levar em consideração outras metodologias para obtenção de informações e, por isso, também devem 46 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. OS CURSOS PROEJA – OFERTA, PERMANÊNCIA E CONCLUSÃO ser investidas, como a pesquisa investigativa, exploratória e documental devem periodicamente acontecer, para que possamos chegar a respostas coerentes e que possibilitem a noção do todo, condicionando ao grupo, de modo particularizado, elucidar o cenário real de cada turma que compõem os cursos PROEJA, acompanhando e entendendo suas particularidades. Portanto, os dados a serem apresentados são originários de pesquisas realizadas em cada Câmpus, pelos coordenadores locais, configurando na organização destes gráficos que mostrarão, de forma sintética, o panorama dos Cursos PROEJA do Instituto Federal Farroupilha. Gráfico 1 – PROEJA de Nível Médio 47 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. OS CURSOS PROEJA – OFERTA, PERMANÊNCIA E CONCLUSÃO Percebe-se, pelo gráfico 1, que houve um aumento significativo no número de vagas ofertadas de 2006 até 2012. O crescimento foi de 20 vezes em relação ao número de vagas ofertadas em 2006. Pode-se inferir que os motivos que ensejaram à elevação no número de vagas ofertadas em PROEJA foram: a maior sensibilização e apropriação sobre a temática; o aumento no número de câmpus e, consequentemente, de cursos; cumprimento da determinação legal; institucionalização da proposta através da melhor estruturação do câmpus para receber e atender os alunos; a maior atenção dada por parte do gestor e do quadro de servidores para a temática; a formação de professores e a produção de conhecimento nos Cursos de Especialização. A porcentagem da evasão em relação às matrículas iniciais oscilou de 23 a 50% e a média da evasão, de 2006 até 2011, foi de 38%. Outros fatores entendidos como relevantes para analisar a questão da evasão são: saber por que foi ofertado o curso, como foi seu processo de escolha, como se deu a preparação para esta oferta por parte dos servidores e da gestão, quais melhorias na infraestrutura e funcionamento do câmpus para receber o público e qual foi o espaço de participação da comunidade no processo. 48 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. OS CURSOS PROEJA – OFERTA, PERMANÊNCIA E CONCLUSÃO Gráfico 2 – PROEJA de Nível Fundamental Observa-se, no gráfico 2, que houve uma diminuição na oferta de vagas em PROEJA FIC no ano de 2011 comparado ao ano de 2010. Pode-se inferir que esta diminuição deu-se em razão do programa ofertar as vagas de modo distinto nos dois editais abertos. A peculiaridade do Edital de 2010 foi a vinculação da oferta do PROEJA FIC à oferta do CERTIFIC e a algumas áreas específicas do conhecimento, que não eram afins com as nossas. Também havia restrição quanto ao número de turmas, eram apenas duas turmas por câmpus. A porcentagem da evasão em relação às matrículas iniciais foi de 31% no ano de 2010, valor próximo à média do observado nos cursos PROEJA. 49 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. OS CURSOS PROEJA – OFERTA, PERMANÊNCIA E CONCLUSÃO Gráfico 3 – Total por Modalidade e por Câmpus O gráfico 3 traz em números absolutos as vagas ofertadas em PROEJA e PROEJA FIC em cada câmpus do Instituto Federal Farroupilha. Em números absolutos, são ofertadas 1414 vagas em PROEJA e PROEJA FIC na instituição. Entre os 679 estudantes de PROEJA e 735 estudantes de PROEJA FIC, temos uma diferença de 56 alunos, o que representa 4% do total, que expressa uma diferença considerável. Sendo assim, podemos concluir que hoje nossa instituição oferta praticamente o mesmo número de vagas em PROEJA e PROEJA FIC. São possíveis causas desta realidade a percepção que, através da formação da demanda no PROEJA FIC, teremos mais alunos interessados nos cursos PROEJA. Outro fator que motiva a instituição a realizar esta distribuição na oferta de vagas talvez seja a 50 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. OS CURSOS PROEJA – OFERTA, PERMANÊNCIA E CONCLUSÃO contribuição que a metodologia exigida para o PROEJA FIC traz aos cursos de PROEJA. Também pode ser um motivo o acesso a recursos extraorçamentários trazidos pelos dois Editais que participamos, além do bom relacionamento que os Câmpus têm com a comunidade. Podemos perceber que, em cinco dos sete Câmpus, há uma proximidade no número de vagas ofertadas em PROEJA e PROEJA FIC. No Câmpus Alegrete, onde a oferta de PROEJA é superior à de PROEJA FIC, tal comportamento pode ser justificado pela cultura do Câmpus em ofertar a modalidade de Ensino no Nível Médio, uma vez que o Câmpus oferta PROEJA desde 2006. Já no Câmpus São Borja, a maior oferta de vagas em PROEJA FIC do que em PROEJA talvez se justifique pelo fato do Câmpus estar localizado no município de maior incidência de pobreza em que nossa instituição atua e, por isso, a demanda por PROEJA FIC seja maior que por PROEJA. 51 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. OS CURSOS PROEJA – OFERTA, PERMANÊNCIA E CONCLUSÃO Gráfico 4 – Dados dos IFs do RS na SETEC IF Farroupilha IFSul IFRS Ao analisarmos a primeira coluna do gráfico 4 que mostra o número total de alunos matriculados nos três Institutos situados no Rio Grande do Sul, nosso Instituto é o que tem menor número de alunos se comparado ao IFSul e IFRS. Porém, ao analisarmos a segunda coluna do gráfico, que mostra o número de matrículas em PROEJA; a diferença diminui sensivelmente. Podemos inferir da análise da segunda coluna do gráfico, que tais números podem ser reflexos de uma possível decisão institucional em ofertar a modalidade de ensino. Ao analisarmos a terceira coluna do gráfico, observamos que o número de matrículas em PROEJA 52 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. OS CURSOS PROEJA – OFERTA, PERMANÊNCIA E CONCLUSÃO FIC de nossa instituição é muito superior aos demais institutos. Tais números podem refletir a realidade regional em que estamos inseridos que demandam mais por esta formação; a vontade de ampliar e interiorizar as ações da instituição através das parcerias com as prefeituras municipais, necessárias para ação do FIC; a possibilidade de ter recursos extraorçamentários para a execução do projeto e a vontade da gestão em fazê-lo. Na quarta coluna do gráfico, vemos que nossa soma de matrículas em PROEJA e PROEJA FIC é quase o dobro da segunda instituição que mais oferta. Estes números transformados em valores percentuais são mostrados na quinta coluna do gráfico. A referida coluna visa a demonstrar o cumprimento da determinação contida no art. 2º, § 2º do Decreto nº 5840/06, nossa instituição tem 16,8% de suas vagas ofertadas para jovens e adultos. Com isso, não temos déficit de matrículas em PROEJA, como fica demonstrado no gráfico da sexta coluna do gráfico. Os fatores que podem ter contribuído para esta realidade possivelmente foi a decisão institucional em dar atenção à previsão legal fazendo-a cumprir ao ofertar cursos, contudo entendemos que estes números não demonstram a meta qualitativa a que nossa instituição se propôs a cumprir ao ofertar os cursos PROEJA. 53 CAPÍTULO III EDUCAÇÃO NAS PRISÕES 54 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. EDUCAÇÃO NAS PRISÕES Diariamente a mídia se encarrega de nos informar e divulgar, através de reportagens, documentários e notícias, a situação dramática das Casas Penitenciárias do Brasil. Diante de tais informações, pode-se perceber o tamanho descaso do poder público em investir em políticas públicas e aplicar recursos que garantam ao apenado um espaço digno e com reais condições de viver e possibilitar seu reestabelecimento, no sentido de se reeducar e de um dia retornar à sociedade com liberdade. As carências são evidentes e, prova disso, é a superlotação que abarca o sistema prisional, desencadeando outras conseqüências, como falta de: higiene, alimentação adequada, vestuário, saúde, saneamento e esgoto, entre outros itens que comprometem pelo não ter qualidade de vida e ineficiência na recuperação do ser, não cumprindo por sua vez, a função elementar da Penitência, que é a ressocialização e reintegração do homem. A Lei das Execuções Penais1 garante que a assistência ao preso e ao interno é dever do Estado, e 1 BRASIL. Lei das Execuções Penais. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7210.htm>. Acesso em: 05 jun. 2013. 55 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. EDUCAÇÃO NAS PRISÕES esta assistência está compreendida em: a) Material fornecimento de alimentação, vestuário e instalações higiênicas; b) Saúde - atendimento médico, farmacêutico e odontológico; c) Jurídica; d) Educacional – proporcionar instrução escolar e a formação profissional; e) Social - preparar para o retorno à liberdade; f) Religiosa. É sabido que o Estado não está dando conta desta assistência, e o quadro prisional só vem piorando, com os altos índices de criminalidades e violência, inchando os estabelecimentos prisionais de pessoas, que passam boa parte do seu dia na ociosidade, sem uma ocupação ou um aprendizado que vá ao encontro da reintegração e de, no futuro, um trabalho que possa assegurar sua sobrevivência, quando lhe for concedida sua liberdade. Dessa forma, entende-se necessário buscar alternativas que minimizem alguns destes problemas, pois se torna impossível resolver todos por completo, mas no que depende de educação e profissionalização, é bem possível estabelecer parcerias entre as Penitenciárias com Instituições de Ensino, visando a preencher uma lacuna de tempo destes apenados com aquisição de conhecimentos, de trabalho e elevação de escolaridade. 56 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. EDUCAÇÃO NAS PRISÕES Recentemente, o relatório2 divulgado pela SUSEPE (Superintendência dos Serviços Penitenciários) do Estado Rio Grande do Sul revela uma série de dados, como o de Grau de Instrução dos apenados que se concentram em 62,52% de Ensino Fundamental Incompleto, dos que apresentam Ensino Fundamental Completo está em 11,56%, os que possuem Ensino Médio Incompleto são 8,94% e analfabetos encontram-se na faixa de 3,69%. Quanto à População Carcerária, 93,48% são do sexo masculino e 6,52% do sexo feminino. Segundo a Resolução3 nº 2, publicada em 19 de maio de 2010, que dispõe sobre as Diretrizes Nacionais para a oferta de educação para jovens e adultos, em situação de privação de liberdade nos estabelecimentos penais, uma das orientações para oferta de educação de jovens e adultos em estabelecimentos penais é o desenvolvimento de políticas de elevação da escolaridade associada à 2 SUSEPE RS. Relatório. Disponível em: <http://www.susepe.rs.gov.br/upload/1328526604_Programas %20Trabalho%2003.02.2012.pdf>. Acesso em: 05 jun. 2013. 3 BRASIL. Resolução Nº 2, de 19 de maio de 2010. Dispõe sobre as Diretrizes Nacionais para a oferta de educação para jovens e adultos, em situação de privação de liberdade nos estabelecimentos penais. 57 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. EDUCAÇÃO NAS PRISÕES qualificação profissional, articulando a políticas e programas de jovens e adultos (art. 3º, inciso VI). O que podemos previamente dizer é que há uma enorme demanda educacional, e que estes apenados poderiam ser beneficiados através de Cursos PROEJA FIC e PROEJA Médio, visto a oportunidade de poderem realizar um curso que permita-os terminar uma etapa escolar, concluir uma escolaridade e, ao mesmo tempo, receber uma educação profissional, formando cidadãos com competência técnica, servindo como um trampolim para sua inserção no mundo do trabalho, dando-lhe um novo significado e sentido de vida para o seu pleno exercício de cidadania, liberdade e vida social. Registramos, neste capítulo, importantes iniciativas realizadas por alguns de nossos câmpus do Instituto, que possam ser conferidas, através do relato de suas atividades e projetos orientados para o sistema prisional. Câmpus Câmpus Alegrete O Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica, na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos – Formação Inicial e Continuada Ensino Fundamental (PROEJA – FIC) Auxiliar de Construção Civil, iniciou no ano de 2010 e foi realizado através de uma parceria entre a Prefeitura 58 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. EDUCAÇÃO NAS PRISÕES Municipal de Alegrete, Instituto Federal Farroupilha (IF Farroupilha - Câmpus Alegrete), Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA)/Câmpus Alegrete e as Escolas da Rede Municipal EMEB Lions Clube e EMEB Honório Lemes que ofertam a modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA). O programa tem como foco atingir a comunidade do entorno das escolas e os apenados do regime semiaberto da Superintendência do Sistema de Execução Penal (SUSEPE). O PROEJA FIC tem como objetivos resgatar e reinserir, no sistema escolar, jovens e adultos, visando à habilitação profissional e à certificação de conclusão do Ensino Fundamental. A UNIPAMPA, através do projeto de extensão universitária “Apoio ao PROEJA FIC Construção Civil Alegrete”, vem ministrando as aulas teóricas e práticas da área da Educação Profissional integrando discentes e docentes do curso de Engenharia Civil. Percebe-se o grande interesse dos alunos nas atividades de projetos, pois estão sempre requisitando ajuda do instrutor na elaboração dos mesmos. Os alunos mostram-se bastante ansiosos no andamento dos projetos, realizam a montagem de maquetes e, após, participam nas atividades práticas no canteiro de obras, pertencente ao Laboratório de Construção do Curso de Engenharia Civil da UNIPAMPA. 59 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. EDUCAÇÃO NAS PRISÕES Câmpus Santa Rosa Cabe lembrar que o Câmpus Santa Rosa do Instituto Federal Farroupilha iniciou suas atividades quando ainda estava em processo de construção dos prédios, nomeação de servidores, estruturação de laboratórios e aquisição de materiais. Nesse período, o projeto sediado no Presídio Estadual de Santa Rosa teve seu início e, ao ser implantado, causou certo desconforto no interior da Instituição, principalmente entre os servidores docentes, uma vez que o comunicado de que docentes do Câmpus iriam ministrar aulas dentro do sistema prisional causou preocupação a muitos. Não era somente o espaço prisional que assustava, mas também a Educação de Jovens e Adultos a nível fundamental integrada à formação profissional em espaço de privação de liberdade. Nesse sentido, alguns fatores dificultadores podem ser citados, como a heterogeneidade entre os docentes em relação à trajetória profissional, falta de experiência na Educação de Jovens e Adultos, o desconhecimento do Projeto Pedagógico do Curso, o (des)encontro com esta política e, principalmente, devido ao fato de ser o curso em âmbito prisional. Diante dessa realidade, surgiram alguns questionamentos: será que a educação nas prisões possui um sentido? Será que é capaz de atingir uma 60 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. EDUCAÇÃO NAS PRISÕES perspectiva de (re)socialização destes indivíduos? Mas, principalmente, os educadores têm se questionado sobre as questões de segurança a que são expostos. Assim, muitos desafios seguiram a implantação do curso de formação inicial e continuada em Informática – Operador de Microcomputador para apenados do regime fechado do Presídio Estadual de Santa Rosa. Além das problemáticas citadas, outro complicador surgiu com o processo seletivo, o qual ficou sob responsabilidade do sistema penitenciário. A equipe administrativa que, possivelmente pelo desconhecimento do Projeto Pedagógico do Curso, não atingiu ou não seguiu os critérios previstos no projeto e, portanto, não contemplou integralmente o públicoalvo. Inicialmente, na turma, existiam alunos que, inclusive, já haviam concluído o Ensino Fundamental e frequentavam o Ensino Médio (na modalidade EJA Prisional). Diante dessa situação, organizou-se um segundo processo seletivo para adequação da turma. No decorrer deste trabalho, tornou-se perceptível o pouco envolvimento dos servidores estaduais do âmbito prisional, ficando as ações centralizadas na administração do presídio, situação que distanciava quaisquer ações que pudessem vir a promover um trabalho mais consistente. 61 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. EDUCAÇÃO NAS PRISÕES Por parte do Instituto Federal, a falta de informação em relação à estrutura carcerária foi gradativamente superada a partir de várias reuniões administrativas entre a Rede Federal de Ensino, a Administração do Presídio e a Rede Municipal de Educação que conta com docentes que possuem experiência em Educação em espaço de privação de liberdade. Pode-se destacar ainda o apoio dos gestores da Rede Federal – Reitoria e Direção Geral do Câmpus e da administração municipal, em especial a Secretária Municipal de Educação e Juventude de Santa Rosa em viabilizar esta integração. Outro elemento dificultador no processo de implementação do curso de Operador de Microcomputador em âmbito prisional foi a falta de documentação básica dos educandos privados de liberdade, os quais são necessários para a matrícula no curso e também para a certificação. Segundo relatos de alguns apenados e também de agentes penitenciários, os documentos pessoais, muitas vezes, perdem-se durante a execução dos mandados de prisão ou prisões em flagrante, ou seja, no momento em que ocorre a privação de liberdade. Para tais providências, articulou-se um trabalho envolvendo o Setor de Assistência Estudantil do Câmpus Santa Rosa e profissionais como psicóloga, assistente social e administrador do sistema prisional. 62 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. EDUCAÇÃO NAS PRISÕES Outro fator a ser mencionado é o repasse mensal no valor de R$ 100,00 (cem reais) da Assistência Estudantil para os educandos privados de liberdade, os quais não dispunham de conta bancária própria. A referida ação da Assistência ao Estudante PROEJA está de acordo com o ofício circular n° 05/2010/CGPEPT/SETEC/MEC de 1° de fevereiro de 2010, mas não menciona como deve ser o repasse no âmbito prisional. Após vários contatos, recebeu-se a orientação de que o repasse deveria acontecer de acordo com as diretrizes do órgão, ao qual o presídio pertence, neste caso a Superintendência dos Serviços Penitenciários – SUSEPE. Dessa forma a 3° Delegacia Penitenciária Regional, órgão ao qual o presídio de Santa Rosa está vinculado, passou as devidas orientações. Alguns fatores endógenos à sala de aula contribuíram para os índices de evasão, entre eles, a progressão do educando privado de liberdade para o regime semiaberto, a transferência temporária ou definitiva para outros centros de detenção, as medidas disciplinares internas e o trabalho interno remunerado – oriundo do convênio do sistema prisional com empresas do município. A solenidade de formatura aconteceu em dezembro de 2011. 63 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. EDUCAÇÃO NAS PRISÕES Um dos aspectos positivos e também um ponto a ser melhorado foi a parceria entre Rede Federal de Ensino e o Município, o qual já tinha uma trajetória bem estabelecida em currículo integrado propiciando as reuniões Pedagógicas semanais/quinzenais com acompanhamento pedagógico. Destacam-se também os fatores facilitadores no processo de implantação dos cursos de PROEJA FIC. No caso do curso prisional, a remissão da pena através dos estudos tem-se mostrado uma especial motivação para a frequência nas aulas. Também o valor da assistência pode ser considerado um fator de permanência. Recentemente, através de depoimentos destes educandos, foi possível constatar a importância da escola em suas vidas, sobretudo no âmbito da perspectiva de ressocialização via educação. Pontos a serem melhorados: - Currículo que considere as especificidades das relações sociais, legislação, cultura e mundo do trabalho; - Maior envolvimento dos “agentes” do sistema prisional; - Formação específica aos docentes que atuam no sistema prisional; - Ambiente específico (sala) para as aulas – questão de segurança. 64 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. EDUCAÇÃO NAS PRISÕES Câmpus São Borja O Câmpus tem um projeto piloto para o Presídio Estadual de São Borja com uma turma de PROEJA Técnico em Informática na modalidade a distância, com constante perigo de evasão. Nesta turma, observase necessidade de formação contínua, adaptação de conteúdos e metodologias. Câmpus São Vicente do Sul O Curso PROEJA FIC em Panificação desenvolveu-se no município de Jaguari, a partir de 2010, em uma turma na Escola Municipal da Consolata, e também, em uma turma no Presídio Estadual da cidade, oferecendo ressocialização aos educandos no que prevê a Lei de Execução Penal e a Constituição Federal de 1988. Esta turma concluiu seus estudos em dezembro de 2011, cujos 14 alunos matriculados inicialmente, 5 concluíram com êxito o Ensino Fundamental/Qualificação Profissional em Panificação. Algumas das principais dificuldades encontradas na realização do programa no presídio são infraestrutura e segurança no desenvolvimento do processo educacional e a questão da evasão, devido à grande mobilidade que os detentos apresentam em relação à sua situação prisional, tais como: regime 65 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. EDUCAÇÃO NAS PRISÕES semiaberto, transferência para outras penitenciárias, dentre outras mais particulares. Em relação à proposta pedagógica, a abordagem metodológica foi tradicional devido às condições do contexto e das possibilidades de trabalho dos professores que, mesmo desta forma, sentiram-se desafiados em desenvolver a capacidade dos alunos através de conhecimentos significativos, que auxiliassem na reinserção social através do trabalho, ajudando a proporcionar a efetiva ressocialização dos sujeitos. 66 CAPÍTULO IV GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS 67 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS Um dos objetivos dos Institutos Federais é “ministrar educação profissional técnica de nível médio, prioritariamente na forma de cursos integrados, para os concluintes do ensino fundamental e para o público da educação de jovens e adultos” (BRASIL, 2008). Tendo claro que o público da Educação de Jovens e Adultos se constitui como prioridade para os Institutos, resta identificar as estratégias de gestão necessárias à garantia do ingresso e permanência desses sujeitos nesses espaços. Do mesmo modo, sabe-se que a materialização de uma política voltada à inclusão dos jovens e adultos na escola é permeada por dissensos, sendo fundamental que a gestão defenda esta inclusão e se instrumentalize para efetivá-la. Assim, o conhecimento do que é o PROEJA, seus princípios e finalidades, as configurações que assume dentro das instituições e os resultados que vêm alcançando, é a base para que as políticas estejam em consonância com o que a lei prevê e com as necessidades, demandas e anseios locais. Essa possibilidade de aumento da escolaridade, juntamente com a oferta da Educação Profissional, denota que o objetivo primordial do PROEJA não é somente formar para o trabalho, pois se mostra como um meio de formar um 68 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS trabalhador consciente de sua condição para que possa intervir na realidade social. (BLUM, 2011) A pesquisa surge, portanto, como uma possibilidade de desvelar a realidade, desconstruindo muitos dos preconceitos com relação ao PROEJA. A constituição de um corpus com dados quantitativos e qualitativos do PROEJA, articulando aspectos da execução da política com as questões macro, bem como a socialização destes dados, facilita a construção de uma gestão mais democrática, através da qual os sujeitos diretamente envolvidos na execução e os usuários da política, ganham força. A gestão democrática tem como eixo fundante a busca pela efetivação da educação como direito social, assim como a universalização do acesso com permanência e qualidade socialmente referenciada. É uma prática político-pedagógica que procura estabelecer mecanismos institucionais capazes de promover a participação qualificada dos agentes educacionais e demais setores interessados na ação educativa, o que requer um engajamento coletivo na formulação das diretrizes escolares, no planejamento das ações, assim como na sua execução e avaliação (NETO; CASTRO, 2011). Não há como falar em ampliação dos canais de participação, sem falar em ampliação do acesso à informação e à construção de consensos em torno dos elementos fundamentais da política do PROEJA. No IF 69 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS Farroupilha, a constituição do GEPEJA tem se mostrado fundamental nesse sentido. Além das questões relativas aos cursos e às vagas, o grupo fomenta a reflexão sobre as metodologias de trabalho e todos os fatores pedagógicos e estruturais implicados para a permanência e êxito dos estudantes. Tais reflexões ajudam a construir possíveis caminhos de gestão. Na sequência, os câmpus externam algumas ações e medidas que convergem para o apoio e assistência na execução dos cursos PROEJA . Câmpus Alegrete No Câmpus Alegrete, a Direção Geral sempre apoiou e aprovou os projetos relacionados às Políticas Públicas advindos dos Editais da SETEC/MEC, não medindo esforços para a sua implementação e participando ativamente das atividades relacionadas como: aula inaugural, formaturas e outros eventos. Quanto aos recursos, todo o orçamento recebido através dos projetos foram repassados para a execução dos cursos, visando sempre às solicitações feitas nos Planos de Trabalho. A Assistência Estudantil, da mesma forma, sempre foi disponibilizada de acordo com o planejamento da Coordenação dos Cursos PROEJA. 70 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS Em relação à infraestrutura, o Câmpus Alegrete dispõe de: salas de aula, anfiteatro, laboratórios de informática e multidisciplinar, unidade educativa de agroindústria, padaria, unidade educativa de piscicultura, biblioteca, refeitório, ginásio de esportes, além do setor de atendimento ao educando, sendo todos os espaços colocados à disposição do PROEJA, conforme as necessidades previstas. No aspecto pedagógico, a Coordenação do PROEJA e os Docentes do Curso, assim como o Núcleo de Apoio Pedagógico, participam ativamente das reuniões, do planejamento e do envolvimento nas demais atividades propostas pela equipe que trabalha no curso. Todos os alunos participam dos editais de bolsa auxílio permanência, de pesquisa e de extensão. Sempre que necessário, a gestão do Câmpus participa e promove fóruns de discussões. A liberação dos docentes do PROEJA para capacitação é feita sistematicamente. Câmpus Júlio de Castilhos Os recursos vêm do orçamento do Câmpus, de Planos de Trabalho e da Assistência Estudantil. Na Infraestrutura, o Câmpus dispõe de: salas de aula, anfiteatro, laboratórios de informática e 71 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS multidisciplinar, biblioteca, refeitório, além do setor de atendimento ao educando. As aulas das turmas de PROEJA FIC acontecem nas escolas dos municípios e as aulas práticas no laboratório da agroindústria do Câmpus. A coordenação do PROEJA, os docentes do curso, o núcleo de apoio pedagógico, participam ativamente das reuniões, do planejamento e do envolvimento nas demais atividades propostas pela equipe que trabalha no curso. Em relação às Bolsas, os alunos participam dos editais de bolsa auxílio permanência, de pesquisa e de extensão. Em relação a fóruns de discussão com a gestão, não há. A gestão do Câmpus não participa dos fóruns. E a liberação para capacitação de servidores ocorre em alguns momentos e depende da situação econômica e interesse do Câmpus e do servidor. Câmpus Panambi Os recursos são disponibilizados igualmente em todos os cursos do Câmpus. Não temos conhecimento da vinda de recursos específicos para o PROEJA. A Infraestrutura, em relação às salas de aula, está tudo bem, contamos com os recursos necessários. Porém, temos dificuldades com as aulas práticas, principalmente no laboratório de Edificações. O 72 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS laboratório do curso de Alimentos encontra-se bem equipado As questões pedagógicas são todas discutidas e resolvidas em conjunto com a Diretoria de Ensino, coordenação do curso e docentes. Em relação às bolsas, os alunos recebem o valor de R$ 100,00 (cem reais) referente à Assistência Permanência, além de participar dos editais publicados pelo Setor de Assistência Estudantil da Instituição, tais como o auxílio transporte e o auxílio creche. Destaca-se o envolvimento de alunos do PROEJA com bolsas de pesquisa, extensão e auxílio atividade, atuando em vários setores da Instituição. Sobre a participação em eventos, sempre acontecem nos eventos que envolvem os alunos e professores do PROEJA. Participamos dos seguintes eventos: - Fórum Estadual de Pesquisas e Experiências em PROEJA (outubro de 2010); - Encontro de Alunos do PROEJA do Instituto Federal Farroupilha (novembro de 2011). O Câmpus ainda não participa de fóruns de discussão com a gestão e o Câmpus sempre disponibiliza a participação dos servidores em cursos de capacitação. 73 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS Câmpus Santa Rosa Os recursos disponibilizados em nível Federal têm sido fundamentais para a implantação e, sobretudo, a manutenção dos cursos de PROEJA FIC, estabelecidos na Instituição. O PROEJA Médio conta com recursos Institucionais. PROEJA FIC - Operador de Microcomputador (prisional) A infraestrutura do curso foi organizada na “sala-cela”, um ambiente multimeios nas dependências do presídio, com recursos destinados ao PROEJA FIC, tanto para a formação das aulas de formação básica, quanto para a formação profissional. PROEJA FIC - Alimentação Escolar, Pedreiro Azulejista, Carpinteiro e Operador de Computador. No início das aulas, o espaço físico da Rede Federal de Ensino estava limitado (sala de aula), não sendo possível acomodar as novas turmas de PROEJA FIC. Assim, a alternativa pensada foi viabilizar as aulas na Escola Municipal Expedicionário Weber/Santa Rosa, espaço este cedido por nossos parceiros (Secretária Municipal de Educação e Juventude) no projeto. Por outro lado, emerge a necessidade de se criar uma identidade destes educandos com o Instituto Federal Farroupilha 74 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS Câmpus Santa Rosa e, para tanto, as disciplinas técnicas (práticas e teóricas) são ministradas no Instituto, enquanto as disciplinas básicas, na referida Escola. Esta alternativa veio a contornar duas implicações para a implementação dos Cursos FIC. Primeiro, o problema de espaço físico do Instituto (ainda em construção) e, segundo, a acessibilidade dos educandos que encontraram maior facilidade de deslocamento-transporte até a referida escola municipal. Foi disponibilizado em nossa instituição para os cursos FIC: sala de aula (quarta-feira), laboratório de informática, laboratório de edificações, laboratório de agroindústria, biblioteca com sala ambiente multimeios e livros da banca e de conhecimentos básicos de informática, edificações, agroindústria/alimentos. O Curso Técnico em Vendas/PROEJA acontece nas dependências do Instituto Federal Farroupilha Câmpus Santa Rosa, usufruindo de toda infraestrutura disponível no Câmpus. Foi disponibilizado para os cursos sala de aula, laboratórios de informática, biblioteca com sala ambiente multimeios e livros na área específica e básica. Na Gestão no aspecto pedagógico, destaca-se a parceria estabelecida entre a Rede Federal de Educação e o Município de Santa Rosa, pois está tendo um papel 75 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS bastante relevante. A Rede Municipal de Ensino possui uma trajetória em currículo integrado, sendo que o planejamento do currículo dos cursos FIC tem acontecido sob a coordenação pedagógica da Rede Municipal de Ensino e vem sendo viabilizado através de reuniões pedagógicas semanais e/ou quinzenais. O currículo para os cursos de PROEJA FIC está levando em conta as vivências e saberes dos educandos, suas diferentes concepções e visões de mundo em vários aspectos. Para o PROEJA, o Núcleo Pedagógico da Instituição vem auxiliando nas questões pedagógicas, mas ainda emerge o desfio da integração curricular. Em relação às bolsas, o Setor de Assistência Estudantil da Instituição vem realizando, de acordo com os recursos disponíveis, um trabalho efetivo e promissor. Atualmente são ofertados, aos alunos PROEJA FIC, o auxílio transporte, o auxílio creche, além do valor de R$ 100,00 (cem reais) referente à Assistência/Permanência. Também se pode destacar o envolvimento de alunos do PROEJA com bolsas de pesquisa e auxílio atividade atuando em vários setores da Instituição como, por exemplo, na coordenação PROEJA e setores administrativos. Desde o início das atividades do Câmpus, podese destacar o incentivo à Educação de Jovens e Adultos por parte dos gestores. Ainda, salienta-se que, nas 76 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS reuniões gerais, quando necessário, é disponibilizado espaço para discussões sobre questões que envolvem os cursos PROEJA. Outro ponto a mencionar é que a equipe diretiva da Instituição costuma ter representatividade nos conselhos de classe e colegiado dos cursos PROEJA Médio. Há liberação para capacitação de servidores, inclusive existe o incentivo à participação nos Encontros, Seminários e Fóruns sobre a temática PROEJA, ficando mais à escolha do servidor participar ou não. Vale mencionar que nas ações de Formação Continuada que acontecem no Câmpus sempre existe espaço para a temática PROEJA. Câmpus Santo Augusto Os recursos são do orçamento do Câmpus, Planos de Trabalho e Assistência Estudantil. De infraestrutura, o Câmpus Santo Augusto dispõe de: salas de aula, anfiteatro, laboratórios de informática, biblioteca, além do setor de atendimento ao educando. A Coordenação do PROEJA, os Docentes do Curso, a Equipe da Assistência Estudantil participam ativamente das reuniões, do planejamento e do envolvimento nas demais atividades – de Ensino, Pesquisa e Extensão, propostas pela equipe que trabalha no curso. 77 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS O curso possui uma bolsa de Pesquisa e três de Extensão. Os alunos participam dos editais de bolsa auxílio permanência, de pesquisa e de extensão. No decorrer das reuniões pedagógicas, a Coordenação do PROEJA tem espaço de pauta e há liberação para capacitação de servidores sempre que necessário. Câmpus São Borja Há uma coordenação de PROEJA, ligada à Direção de Ensino, que articula o diálogo com os coordenadores de Eixo e quando das demandas, solicita à Assessoria Pedagógica para solucionar dificuldades e propor alternativas. O Câmpus tem um espaço (quarta-feira – manhã) para suas reuniões pedagógicas. Sobre a temática PROEJA, esta é colocada na pauta deste espaço. Os recursos são do orçamento do Câmpus, Planos de Trabalho e Assistência Estudantil. De infraestrutura, o Câmpus dispõe de: salas de aula, anfiteatro, laboratórios de informática, biblioteca, além do setor de atendimento ao educando. Câmpus São São Vicente do Sul Os recursos são os do orçamento do Câmpus e a infraestrutura utilizada é a mesma disponível no 78 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS Câmpus: laboratórios, biblioteca, auditório, salas de aula, etc, sendo que o PROEJA FIC utiliza, também, a estrutura disponível no município, ou seja, as escolas municipais e o Presídio Estadual. A gestão pedagógica é compartilhada entre a Direção de Ensino, Setor Pedagógico, Departamento de Atendimento ao Educando, Coordenações do Câmpus e dos municípios e docentes; Quanto a Bolsas (extras), os alunos participam de editais de bolsa auxílio: permanência, transporte e creche proporcionados pela Assistência ao Educando. Sobre a participação em eventos, os alunos são incentivados a participarem e a desenvolverem eventos nos municípios, no Câmpus, no âmbito do IF Farroupilha e em outros locais conforme interesses dos Cursos. Os docentes também participam/organizam seminários, encontros, palestras, sobre as temáticas do PROEJA. Há um Fórum permanente de discussão em todos os âmbitos da gestão sobre o PROEJA. A gestão acontece conjuntamente com a Direção de Ensino, grupo docente e os discentes. A gestão pedagógica é realizada de forma democrática e participativa primando pela decisão da maioria dos envolvidos. 79 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS REFERÊNCIAS BLUM, Márcia Sabina Rosa. A Política de Avaliação do Proeja no Estado do Paraná: o percurso de pesquisa e alguns resultados. Anais do 5º Seminário Nacional Estado e Políticas Sociais. Sociais Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Cascavel, 2011. NETO, Antônio Cabral; CASTRO, Alda Maria Duarte Araújo. Gestão escolar em instituições de ensino médio: entre a gestão democrática e a gerencial. Educação & Sociedade., Campinas, v. 32, n. 116, p. 745-770, Jul./Set. 2011. Disponível em: <http://www.cedes.unicamp.br>. Acesso em: 28 ago. 2012. 80 CAPÍTULO V CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA: DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS 81 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA: DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS O Currículo Integrado no Documento Base PROEJA1 O documento Base do PROEJA2, lançado no ano de 2007, após a instituição do 2º decreto que coloca a educação profissional na possibilidade de articulação com a educação de jovens e adultos, traz orientações e concepções para o programa. Nesta parte, apresentaremos os aspectos do capítulo 4 do documento, denominado projeto político-pedagógico integrado, e relacionaremos com autores que defendem o currículo integrado. O capítulo inicia destacando que, apesar dos Decretos 5154/04 e 5840/06 também preverem a forma concomitante de desenvolvimento do PROEJA, é a forma integrada que deve prevalecer. Aponta-se para que, mesmo que mais de uma instituição participem do programa, é o projeto políticopedagógico único que deve ser ofertado. O documento se baseia no conceito de Ciavatta (2005) para explicar como compreende o currículo: Remetemos o termo [integrar] ao seu sentido de completude, de compreensão das partes no seu 1 Para escrita deste capítulo, contou com a participação das professoras Roberta Goergen e Sylvia Messer, do IF Farroupilha – Câmpus Panambi. 2 Nos referimos ao Documento Base do PROEJA Médio. 82 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA: DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS todo ou da unidade no diverso, de tratar a educação como uma totalidade social, isto é, nas múltiplas mediações históricas que concretizam os processos educativos [...]. Significa que buscamos enfocar o trabalho como princípio educativo, no sentido de superar a dicotomia trabalho manual/trabalho intelectual, de incorporar a dimensão intelectual ao trabalho produtivo, de formar trabalhadores capazes de atuar como dirigentes e cidadãos. (CIAVATTA, in BRASIL, 2009, p. 40) O documento acrescenta: O que se pretende é uma integração epistemológica, de conteúdos, de metodologias e de práticas educativas. Refere-se a uma integração teoriateoria-prática, entre o saber e o sabersaberfazer. Em relação ao currículo, pode ser traduzido em termos de integração entre uma formação humana mais geral, uma formação para o ensino médio e para a formação profissional. (ibidem, p.41) Por isso, é necessário estabelecer a relação entre educação profissional, ensino médio e EJA, pensando a intervenção pedagógica para esta modalidade, sempre tendo em vista a compreensão/inserção no mundo do trabalho. Fica claro que o documento traz muitos elementos que exigem a construção de um projeto específico, comprometido e inovador de ensino de 83 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA: DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS jovens e adultos. É fundamental, para isso, que se construa um novo projeto educativo, “expresso em um currículo transformado e transformador” (CIAVATTA, 2011, p. 12). Este currículo, para a autora, supõe romper com os parâmetros tradicionais, sem ignorar as experiências que os alunos jovens e adultos trazem como marca e como potencialidade para o espaço educativo e as experiências anteriores de escolaridade, de vida e de trabalho. Essa dinâmica é reforçada pelo documento quando reforça a importância de resgatar as histórias de vida e os saberes dos trabalhadores: Nesses espaços, os saberes produzidos são também reconhecidos e legitimados, e evidenciados por meio de biografias e trajetórias de vida dos sujeitos. Compreende-se que são eles decorrentes dos variados espaços sociais que a população vivencia no seu estar e ser no mundo, seja cultural, laboral, social, político e histórico. Portanto, o currículo integrado é uma possibilidade de inovar pedagogicamente na concepção de ensino médio, em resposta aos diferentes sujeitos sociais para os quais se destina, por meio de uma concepção que considera o mundo do trabalho e que leva em conta os mais diversos saberes produzidos em diferentes espaços sociais. Abandona-se a perspectiva estreita de formação para o mercado de trabalho, para assumir a formação integral dos sujeitos, 84 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA: DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS como forma de compreender e se compreender no mundo. (BRASIL, 2009, p. 42-43) Assumir estas posturas e concepções é fundamental. Por isso, é necessário conhecer os sujeitos, ouvir suas histórias e saberes. E isto não é tarefa apenas dos docentes dos cursos. Os gestores precisam assumir o PROEJA, acompanhando e possuindo uma visão global, assim como os demais servidores sejam sensíveis e compreendam a realidade da EJA. O documento apresenta, por meio da legislação, a importância da vinculação entre educação e trabalho e: Isto significa que não se pode tratar a formação como algo exclusivamente do mundo do trabalho ou do mundo da educação. Trata-se de percebê-la como um ponto de intersecção, para o qual devem confluir diversas abordagens e contribuições, entre elas a dos sujeitos trabalhadores. (BRASIL, 2009, p. 46) Machado (2010) destaca que uma das propostas de ação didática integrada é “recorrer aos desafios do desenvolvimento local como significador do currículo” (p. 89). A autora acrescenta: “nesse contexto, especial importância é dada aos projetos de formação e qualificação para o trabalho, de constituição de microempresas, de fomento de cooperativas e de 85 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA: DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS formas associativas autônomas de trabalhadores.” Assim, acredita-se ser importante buscarmos em Antunes (2005) aspectos significativos para entender a nova morfologia do mundo trabalho: Essa nova morfologia do mundo do trabalho tem como núcleo central os trabalhadores produtivos (no sentido dado por Marx, [...]), e não se restringe ao trabalho manual direto, mas incorpora a totalidade do trabalho social e do trabalho coletivo assalariado. Como o trabalhador produtivo é aquele que produz diretamente maisvalia e que participa diretamente do processo de valorização do capital, ele detém, por isso, um papel de centralidade no interior da classe trabalhadora. E é preciso acrescentar que a moderna classe trabalhadora também inclui os trabalhadores improdutivos, aqueles cujas formas de trabalho são utilizadas como serviço, seja para uso público ou para o capitalista, e que não se constituem como elemento diretamente produtivo no processo de valorização do capital. Todavia, como há uma crescente imbricação entre trabalho produtivo e improdutivo no capitalismo contemporâneo, e como a classe trabalhadora incorpora essas duas dimensões básicas do trabalho sob o capitalismo, a noção ampliada nos parece fundamental para a compreensão do que é a classe trabalhadora hoje. (p. 60) O documento analisado traz aspectos que 86 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA: DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS confluem para o que o autor acima defende, quando destaca que a formação deve ser social e profissional: Nessa intersecção, que compreende múltiplas dimensões, a qualificação nunca é apenas “profissional” (dimensão técnica), mas sempre “social” (dimensão sociolaboral). Pode-se falar, portanto, em qualificação social e profissional para denominar as ações de formação voltadas para uma inserção autônoma e solidária no mundo do trabalho. A qualificação social e profissional permite a inserção e atuação cidadã no mundo do trabalho, com efetivo impacto para a vida e o trabalho das pessoas (BRASIL, 2003, p. 24). Para isso, faz-se necessário no decorrer do processo formativo “a promoção de atividades político-pedagógicas baseadas em metodologias inovadoras dentro de um pensamento emancipatório de inclusão, tendo o trabalho como princípio educativo; o direito ao trabalho como um valor estruturante da cidadania; a qualificação como uma política de inclusão social e um suporte indispensável do desenvolvimento sustentável, a associação entre a participação social e a pesquisa como elementos articulados na construção desta política e na melhoria da base de informação sobre a relação trabalhoeducação-desenvolvimento. Isso possibilita a melhoria das condições de trabalho e da qualidade social de vida da população” (BRASIL, 2009, p. 20-21). 87 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA: DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS Nesse contexto, é que se corrobora com a ideia de Antunes (2009), na introdução do livro de Mèszaros “A crise estrutural do capital”, que “criar um modo de produção e vida profundamente distinto do atual é, portanto, um desafio vital” lançado por Mèszaros (p. 15) A construção de um modo de vida dotado de sentido recoloca, neste início do século XXI, a necessidade imperiosa de construção de um novo sistema metabólico, de um novo modo de produção baseado na atividade autodeterminada, na ação dos indivíduos livremente associados (Marx) e em valores para além do capital. A atividade baseada no tempo disponível para produzir valores de uso socialmente úteis e necessários – contrária à produção baseada no tempo excedente para a produção exclusiva de valores de troca para a reprodução do capital – torna-se vital. (ANTUNES, in MÈSZAROS, 2009, p. 15) Assim, fica clara a urgência de trazer para o currículo dos cursos a discussão sobre o trabalho e a vida do trabalhador. Isso porque há um aparente silêncio sobre o tema trabalho nos currículos. (CIAVATTA, 2011) Nesse sentido, é importante verificar se os currículos dos cursos PROEJA estão trazendo a discussão sobre o trabalho, se estão refletindo sobre os 88 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA: DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS processos produtivos, mostrando o processo histórico das relações de trabalho, promovendo a ação-reflexão dos alunos. Sobre a organização curricular, o documento base é claro colocando que esta não é dada a priori, que é uma construção contínua e processual que envolve todos os envolvidos no Programa. Da mesma forma, enfatiza que a EJA abre possibilidades de superação de modelos curriculares tradicionais, disciplinares e rígidos. Define-se, então, o currículo como um desenho pedagógico e sua correspondente organização institucional à qual articula dinamicamente experiências, trabalho, valores, ensino, prática, teoria, comunidade, concepções e saberes observando as características históricas, econômicas e socioculturais do meio em que o processo se desenvolve. “Antes de ser uma proposta pré-definida, o currículo orienta-se pelo diálogo constante com a realidade”. (BRASIL in BRASIL, 2009, p. 49). O documento apresenta várias possibilidades de abordagens metodológicas: abordagens embasadas na perspectiva de complexos temáticos; abordagem por meio de esquemas conceituais; abordagem centrada em resoluções de problemas; abordagem mediada por dilemas reais vividos pela sociedade e abordagem por áreas do conhecimento. Esta última destaca-se já que, 89 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA: DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS nos exemplos, trouxe sempre o trabalho junto à área. Reforça-se também a importância dada ao planejamento construído e executado de maneira coletiva e democrática, mediados por meio dos encontros periódicos entre os sujeitos envolvidos. Para desenvolver estas práticas, a ocorrência de reuniões periódicas entre os professores e com a participação dos estudantes tem demonstrado ser uma chave para o sucesso do PROEJA. (MARASCHIN, 2012) Assim é um grande desafio a efetivação do currículo integrado, é uma caminhada, uma conquista, pois vai além de organizar um currículo, um curso. Transformar o projeto de formação integrada em uma experiência de democracia participativa e de recriação permanente. Ela não ocorre sob o autoritarismo, porque deve ser uma ação coletiva, já que o movimento de integração, é necessariamente, interdisciplinar. Requer que os professores se abram à inovação, a temas e experiências mais adequados à integração. Ideias em curso nas escolas são, por exemplo, projetos que articulam arte e ciência; projetos de iniciação científica; componentes curriculares voltados para a compreensão dos fundamentos sóciopolíticos da área profissional e o horizonte além das rotinas escolares. (CIAVATTA, 2011, p, 16) Nessa construção dinâmica, percebe-se que o documento traz como fundamentais a questão da 90 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA: DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS organização dos tempos e espaço e a avaliação. A primeira diz respeito à necessidade de o processo de ensino-aprendizagem extrapolar os espaços escolares, ocorrendo também em espaços físicos diferenciados envolvendo métodos e tempos próprios. Estas atividades precisam ser contempladas no projeto do curso, que organiza a vida do educando e também oportuniza a possibilidade do aluno permanecer no curso em tempo diverso do previsto, se assim for necessário. Ao aluno da EJA, são garantidas a entrada e a saída do curso em qualquer tempo desde que sejam verificadas suas condições de ingresso e o domínio de conhecimento atingido, em confronto com os objetivos definidos para o curso. À segunda, é necessário especial compromisso do educador em acompanhar e mobilizar os alunos para a aprendizagem. Destacam-se as dimensões diagnóstica, processual, formativa e somativa no reconhecimento da situação em que se encontra o aluno, verificando os obstáculos que o impedem de ser mais. E, nesse contexto, concorda-se com o seguinte parágrafo: O que importa é que não se reproduzam, pela avaliação, as exclusões vigentes no sistema, que reforçam fracassos já vivenciados e corroboram a crença internalizada de que não são capazes de aprender, substituindo esse modelo pela 91 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA: DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS ratificação da auto-estima que qualquer processo bem-sucedido pode produzir, reafirmando a disposição da política de cumprir o dever da oferta da educação com qualidade, devida a tantos brasileiros pelo Estado. (BRASIL, 2009, p. 49). Portanto, é notório que, não só pelo processo de avaliação, mas por todos que envolvem a construção pedagógica do currículo integrado, é preciso romper com antigas práticas assumindo um trabalho coletivo e coerente com as necessidades dos jovens e adultos que procuram o PROEJA para mudarem de vida e ampliarem a concepção de mundo e de trabalho. O currículo integrado é a alternativa para esta construção, mas para isso deve ser entendido, defendido e viabilizado pelas instituições. E o projeto pedagógico do currículo integrado precisa considerar a diversidade, não trabalhando com a concepção de aluno modelar. Percebe-se que é desafio a implementação do currículo integrado para além do projeto pedagógico, pois, muitas vezes, ao verificarmos os projetos pedagógicos dos cursos consta-se como “integrado”, mas na prática se reproduzem antigas experiências. Para isso, é necessária uma ação conjunta que parta da construção e planejamento do currículo, e que ultrapassa a prática solitária dos docentes, assumindo 92 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA: DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS um compromisso com a aprendizagem, a reflexão e a construção de novos conhecimentos e tecnologias. Somente uma prática comprometida é capaz de motivar alunos e comunidade na busca de significados e sentido para a aprendizagem. A Experiência periência do Currículo Integrado nos Câmpus Câmpus do IF Farroupilha Nesta parte, passaremos a apresentar, a partir do relatório do Grupo GEPEJA, como tem se desenvolvido o currículo integrado nos cursos PROEJA. Câmpus 1 Câmpus 2 Câmpus 3 As atividades do Currículo Integrado têm sido feitas através de Projetos Integradores que são desenvolvidos a partir das sugestões dos alunos e dos docentes. Para que tal aconteça, são proporcionadas reuniões semanais, às terças-feiras, à tarde, para que sejam articuladas as atividades integradas. O Currículo Integrado é sempre um desafio para os docentes, mas, enquanto grupo, a maioria está engajada pelo trabalho e sabe de sua importância e relevância, desta forma para sua efetivação os encontros entre os docentes são fundamentais e nestes encontros são planejados os projetos, avaliados e reorganizados se necessário. O importante é observar os resultados esperados mediante avaliação com as turmas e sempre pensando em articular o maior número de áreas de conhecimento, sendo organizados momentos onde as produções possam ser compartilhadas. O Currículo Integrado se evidencia somente com o projeto integrador. A dificuldade em fazer o currículo integrado está em reunir os professores para o planejamento coletivo. Percebe-se um modelo 93 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA: DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS Câmpus 4 tradicional de currículo e um distanciamento entre a área técnica e a área básica. PROEJA Médio: O distanciamento entre a área técnica e área básica e entre os próprios componentes da área básica, vem inviabilizando a integração de um modo geral. Observando que o modelo tradicional de currículo prevalece no projeto pedagógico dos cursos PROEJA Médio (Técnico em Vendas), seria imprudente, inicialmente, impor uma proposta que não fosse disciplinar. As mudanças e alterações nas concepções curriculares vêm acontecendo aos poucos e são fruto do amadurecimento do grupo, das discussões, das necessidades vistas e sentidas, das provocações feitas dentro e fora da Instituição. Evidências de integração acontecem principalmente através de projetos interdisciplinares e práticas pedagógicas integradas, envolvendo áreas afins e técnicas e docentes disponíveis, principalmente, devido a relações de afinidade. O currículo integrado é um dos desafios para a Educação de Jovens e Adultos no Câmpus. PROEJA FIC: Há reuniões pedagógicas quinzenais/mensais para planejamento das aulas. O planejamento do currículo a ser desenvolvido pelas diferentes áreas do conhecimento que integram o PROEJA FIC teve como ponto de partida a realidade dos educandos e, como propósito, considerar as concepções e as visões de mundo que os educandos envolvidos possuem sobre diferentes aspectos, abrangendo questões pessoais, sociais, ambientais, econômicas, políticas, de espiritualidade e expectativas de vida. Assim, a partir desta perspectiva desenvolveuse, junto aos educandos/as, uma pesquisa da realidade onde cada um pode manifestar o que pensa sobre os aspectos mencionados acima. Por intermédio da pesquisa da realidade os/as educadores/as puderam conhecer um pouco mais os sujeitos com os quais iriam 94 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA: DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS Câmpus 5 Câmpus 6 Câmpus 7 trabalhar. Esta pesquisa foi pensada numa metodologia que envolveu diferentes atividades propostas pelos/as educadores/as das áreas de conhecimento com a finalidade de revelar suas visões de mundo. Foram atividades orais e escritas. Há intervenções, porém muitas vezes sem registros. Os casos mais frequentes são dos projetos interdisciplinares, onde uma disciplina propõe e outras vão se agregando. O resultado é sempre para além das expectativas. O currículo integra-se a partir de projetos Interdisciplinares e Integradores. A partir do desenvolvimento do Ensino, Pesquisa e Extensão: - Participação do GEPEJA no Grupo de Estudos de Currículo Integrado; - Integração do Currículo via reuniões de planejamento e projetos integradores: Produção de Sabão; Reciclagem PET; Projeto de Extensão: “Atividades Extracurriculares no PROEJA - Diálogos na Comunidade”. O currículo integrado tem sido um grande desafio para os docentes. Todos os PPCs dos PROEJAs apresentam propostas de currículo integrado, no entanto, existe ainda uma grande fragmentação entre a área básica e a técnica, principalmente, nos cursos de PROEJA Médio. Porém, há uma vontade de integração entre os professores que buscam realizar atividades articuladas, projetos coletivos e reflexões conjuntas. Essas ações são evidenciadas a partir da realização de mostra de trabalhos, reuniões pedagógicas e encontros de formação. Os cursos PROEJA FIC apresentam uma dinâmica curricular diferenciada por trabalharem por áreas do conhecimento e pelo grupo de professores ser dos municípios, o que facilita a integração. A articulação com a área técnica é realizada a partir dos encontros de 95 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA: DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS formação, onde há discussão sobre as temáticas que são abordadas pelos professores e que servem de referência para o trabalho de todos de forma interdisciplinar. Das experiências apresentadas por todos os Câmpus, destaca-se que o currículo integrado no IF Farroupilha acontece por meio de projetos integradores e a partir de reuniões de planejamento dos professores. Tem-se como dificuldade o espaço e o tempo para reunir os professores para o planejamento coletivo. Como desafios, têm-se a maior aproximação das áreas básica e técnica e o desenvolvimento de projetos que integrem o ensino, a pesquisa e a extensão. Nesse sentido, vale retomar Ramos (2010, p. 51-52): O conceito de integração, entretanto, vai além da forma. Não se trata de somar os currículos e/ou as cargas horárias referentes ao ensino médio e às habilitações profissionais, mas sim de relacionar, internamente à organização curricular e do desenvolvimento do processo de ensinoaprendizagem, conhecimentos gerais e específicos; cultura e trabalho; humanismo e tecnologia. A construção dessas relações tem como mediações o trabalho, a produção do conhecimento científico e da cultura. O currículo integrado do ensino médio técnico visa à formação dos trabalhadores como dirigentes, tendo como horizonte a superação da dominação 96 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA: DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS dos trabalhadores e perspectivas de emancipação. Portanto, temos muito a caminhar, principalmente no sentido de compreender o processo de integração e as lutas históricas dos trabalhadores por direito à educação. Experiências que indicam pistas para o Currículo Integrado do PROEJA No ano de 2010, a Pró-Reitoria de Ensino do Instituto Federal Farroupilha instituiu a comissão de currículo integrado. Esta deveria propor estudos e diretrizes para a construção do currículo integrado nos cursos. Foram feitos seminários dos eixos tecnológicos e das áreas e o repensar da prática foi instituído. No ano de 2011, foram desafiados todos os Câmpus a proporem práticas de currículo integrado. Como Assessoria Pedagógica3, realizamos visitas aos Câmpus para acompanhar as propostas. No Câmpus Panambi, as propostas construídas tanto para o Ensino Médio como para o PROEJA chamaram a atenção. A seguir, organizamos em destaques o relato organizado pelas professoras e pesquisadoras do Grupo GEPEJA Roberta Goergen e Sylvia Messer. 3 Refere-se a uma das autoras do texto que atuava como assessora pedagógica na Pró-Reitoria de Ensino. 97 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA: DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS a) A Discussão do Currículo Integrado perpassa os Cursos Integrados Integrados O currículo integrado no Câmpus Panambi acontece através da realização de Projetos Integradores, feitos não somente em turmas PROEJA, bem como em todas as modalidades de ensino. Esta postura do Câmpus demonstra grande amadurecimento, pois envolve todos os professores pensando em todos os cursos. Esta situação vai colaborando para se desenvolver uma cultura de integração. b) Projetos Integradores Os projetos Integradores são realizados de acordo com o curso. No caso do PROEJA na área de edificações e na área de alimentos. Os professores das disciplinas do ensino médio e do ensino profissionalizante definem temas gerais que atendam a demanda de formação de cada uma das áreas dos cursos. Após a definição do tema, faz-se uma apresentação deste tema aos alunos com a presença de todos os professores que atuam no curso. Os alunos da turma são divididos em grupos. Cada grupo escolhe um tema e um ou mais professores orientadores. A utilização dos Projetos Integradores é uma 98 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA: DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS forma de integrar os professores e colocá-los para pensar a prática e o currículo. Da mesma forma, a participação dos alunos na reflexão da temática e na escolha do tema é um caminho importante. c) Pesquisa Pesquisa como Princípio Princípio Educativo O projeto integrador é organizado na forma de um projeto de pesquisa, com duração de um ano ou de um semestre letivo, onde os alunos, com seus professores orientadores, organizam seu projeto, fundamentam teoricamente a sua pesquisa e fazem a apresentação dos resultados. Esses projetos, normalmente, têm relação com a área em que os alunos atuarão profissionalmente, e procuram inserir-se no contexto social onde o Campus está inserido. Ao se utilizar da organização de projetos de pesquisa, professores e alunos estão vivenciando uma formação tendo a pesquisa como estratégia pedagógica. No PROEJA, um dos princípios é a pesquisa como fundamento da formação do sujeito contemplado nessa política, por compreendê-la como modo de produzir conhecimentos e fazer avançar a compreensão da realidade, além de contribuir para a construção da autonomia intelectual desses sujeitos/educandos. (BRASIL, 2009) 99 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA: DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS d) Leitura do Contexto Histórico e Social O primeiro projeto integrador do PROEJA – Técnico em Edificações, foi realizado com o seguinte tema: “Características da arquitetura de Panambi: compreendendo nosso presente através do passado”, a proposta apresentada partia da observação das características arquitetônicas do município de Panambi, tendo a finalidade de chamar a atenção para como e por que as diferentes etnias se fixaram em determinadas regiões do estado e ali se desenvolveram. Cada grupo da turma escolhia um diferente estilo arquitetônico presente no município, pesquisava sobre seu estilo arquitetônico, fazia um levantamento fotográfico da característica arquitetônica escolhida e produzia um relatório com este material. Por fim, o grupo entrega o relatório escrito sobre as atividades desenvolvidas ao longo do projeto e apresenta aos demais colegas e professores as conclusões sobre o trabalho na forma de um seminário. Foram realizadas também palestras sobre a história do município de Panambi com uma historiadora da cidade, palestras técnicas e uma visita técnica ao município de Pelotas. Fazer o elo entre o local e o global, proporcionando ao aluno ler a sua realidade e a partir desta leitura compreender o contexto histórico e social, esta experiência ofereceu aos alunos ligar a realidade do município com a sua atuação 100 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA: DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS profissional. e) Partir Partir da História de Vida Vida No curso Técnico Integrado em Química, o Projeto Integrador partiu da leitura do memorial que solicitamos que os alunos escrevessem sobre suas trajetórias de vida (tanto escola como familiar) até o ingresso do IF Farroupilha – Câmpus Panambi. O estudante é livre para escrever o que quiser. Este memorial é solicitado logo nos primeiros dias de aula. O Projeto Integrador acontece basicamente da mesma forma, o que muda é que ao final do trabalho além do relatório a ser entregue, ocorre uma Mostra dos Projetos Integradores no Câmpus, em que os grupos apresentam sobre o que pesquisaram de uma forma diferente aos demais colegas, professores e comunidade. Para o ano de 2012 o tema do projeto integrador foi “E onde mais a química se faz presente?” para a turma do 1º ano do Técnico Integrado em Química. Um grupo teve como subtema: “Você é o que você come? Aditivos Químicos e Processo de Conservação dos alimentos”. Para a apresentação na Mostra, o grupo trouxe diferentes embalagens de alimentos e mostrou sua composição química. Partir da história de vida dos alunos, desvelando quais são suas expectativas com o curso, é fundamental. Pela utilização da elaboração dos memoriais, é possível conhecer os interesses, 101 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA: DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS necessidades e demandas do aluno; incorporar tais aspirações e expectativas à atividade pedagógica; desenvolver suas capacidades de pensar, sentir e agir; valorizar a compreensão dos determinantes sociais, econômicos e políticos da realidade em que vive e a discussão de alternativas para a construção da vida. (MACHADO, 2010, p. 88) Envolver os alunos com a mostra de seus trabalhos também os impulsiona a desenvolver outras habilidades. Reflexões para a efetivação do Currículo Integrado no PROEJA Com base nas experiências vivenciadas, podemos concluir que o processo de efetivação do currículo integrado no IF Farroupilha já possui uma caminhada com algumas pistas que serão descritas a seguir. Primeiramente, é importante retomar a compreensão de currículo, considerando-o não apenas como teórico, útil para explicar este mundo globalizado, mas também como uma ferramenta de regulação das práticas pedagógicas. (SACRISTÁN, 2013) O currículo, no sentido que hoje costuma ser concebido, tem uma capacidade ou um poder de inclusão que nos permite fazer dele um 102 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA: DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS instrumento essencial para falar, discutir e contrastar novas visões sobre o que acreditamos ser a realidade da educação, como a consideramos no presente e qual valor ele tinha para a escolaridade no passado. O currículo também nos serve para imaginar o futuro, uma vez que ele reflete o que pretendemos que os alunos aprendam e nos mostra aquilo que desejamos para ele e de que maneira acreditamos que possa melhorar. (SACRISTÁN, 2013, p. 09) Por assim acreditar, é primordial a continuidade do diálogo para a efetivação do currículo integrado compreendendo a proposta e projetos pedagógicos comprometidos com a articulação criativa das dimensões do fazer, do pensar e do sentir como base da formação de personalidades críticas e transformadoras; que promovam o despertar do olhar crítico, a arte de problematizar e de deslindar os dilemas apresentados por situações ambivalentes ou por contradições e que favoreçam o processo afirmativo da própria identidade dos sujeitos do processo de ensino-aprendizagem, alunos e professores. (MACHADO, 2010) O currículo precisa propor o diálogo constante com a realidade, discutindo sobre trabalho e oportunizando um modo de vida dotado de sentido para os trabalhadores que buscam uma formação profissional aliado a escolarização. Assim, também é 103 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA: DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS importante, a partir do currículo, a busca da compreensão/inserção do mundo do trabalho, superando as dicotomias históricas. Nesse contexto, a partir das práticas de currículo integrado vivenciadas no IF Farroupilha, iniciar pelas histórias de vida e saberes dos trabalhadores, através da construção de memoriais, mostrou-se uma estratégia importante. A utilização e o envolvimento com pesquisa também foram significativos. No PROEJA, torna-se fundamental também criar o espaço para elaboração coletiva do projeto pedagógico, garantindo a participação de todos na reflexão e construção do currículo. Do mesmo modo, fica claro, pelas experiências dos Câmpus, a importância de espaços para reuniões pedagógicas, com foco no planejamento coletivo e na diminuição da distância entre a área básica e a profissional. Outra experiência significativa e que pode ser um instrumento que oferece sentido ao currículo é o envolvimento dos alunos com projetos de pesquisa e extensão. A partir do desenvolvimento de projetos de extensão, os alunos podem ligar o ensino e as necessidades locais trazendo uma colaboração para a sociedade e assumindo seu protagonismo enquanto cidadão e profissional. Ainda, vale destacar que, pela experiência do 104 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA: DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS PROEJA FIC, o espaço para formação de professores é decisivo para a predisposição de construção de reflexões e ações rumo ao currículo integrado. Por fim, concebe-se a ampliação do direito à educação básica, como a experiência dos cursos PROEJA pela universalização da educação básica como princípio face à compreensão de que a formação humana não se faz em tempos curtos, exigindo períodos mais alongados, que consolidem saberes, a produção humana, suas linguagens e formas de expressão para viver e transformar o mundo (BRASIL, 2009). A política do PROEJA é uma experiência que oportuniza recuperar os trabalhadores pelo direito à educação e o grande desafio é ultrapassar os projetos integradores e construir o currículo integrado. REFERÊNCIAS ANTUNES, Ricardo. O caracol e sua concha – ensaios sobre a nova morfologia do trabalho. São Paulo: Boitempo Editorial, 2005. ______. Dimensões da precarização estrutural do trabalho. 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Institui, no âmbito federal, o Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica ao na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos – Proeja. Brasília, DF. ______. Lei nº 11.741, de 16 de julho de 2008. Altera dispositivos da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para redimensionar, institucionalizar e integrar as ações da educação profissional técnica de nível médio, da educação de jovens e adultos e da educação profissional e tecnológica. CIAVATTA, Maria. A reconstrução histórica de trabalho e educação e a questão do currículo na formação integrada – Ensino Médio e EJA. Texto para diálogo no CTISM/UFSM, no prelo, 2011. 106 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. CURRÍCULO INTEGRADO NO IF FARROUPILHA: DA PROPOSTA ÀS PRÁTICAS FRANCO, T. A perda da razão social do trabalho – terceirização e precarização. São Paulo: Botempo Editorial, 2007. MACHADO, Lucília. Ensino Médio e técnico com currículos integrados: propostas de ação didática para uma relação não fantasiosa. In: MOLL, Jaqueline e COL. Educação Profissional e Tecnológica no Brasil Contemporâneo: Contemporâneo desafios, tensões e possibilidades. Porto Alegre: Artmed, 2010. MARASCHIN, Mariglei Severo et al. Relatório do Projeto de Pesquisa “Experiências Experiências do PROEJA no Instituto Federal Farroupilha” Farroupilha”. PRPGI/IF Farroupilha, 2011-2012. MÈSZAROS, I. A crise estrutural do capital. capital São Paulo: Boitempo Editorial, 2009. MOLL, Jaqueline. Educação Profissional e Tecnológica no Brasil contemporâneo. contemporâneo Desafios, tensões e possibilidades. Porto Alegre: Artmed. 2010. SACRISTÁN, José Gimeno. Saberes e incertezas sobre o currículo. Porto Alegre: Penso, 2013. 107 CAPÍTULO VI AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA 108 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA Os Cursos PROEJA e as Licenciaturas nos Institutos Institutos 1 Federais A criação dos Institutos Federais pela Lei 11.892, de 29/12/2008, traz para a educação brasileira uma nova possibilidade, a de, em uma mesma instituição, diferentes níveis e modalidades de ensino serem oferecidos. Nesse cotidiano institucional, com a oferta de 50% de ensino médio técnico, priorizando a forma de oferta integrada e 20% para os cursos de licenciatura, programas especiais de formação pedagógica com vistas à formação de professores para a Educação Básica, a conexão entre os cursos PROEJA – Programa de Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na modalidade de Educação de Jovens e Adultos e as Licenciaturas que defendemos neste texto é primordial. O PROEJA2 é uma realidade nas instituições federais de ensino profissional desde o ano de 2005, quando foi instituído o primeiro decreto, o 5478/2005, que foi substituído pelo 5840/2006. Na história de luta 1 Para escrita deste capítulo, contou com a participação da professora Dra. Liliana Soares Ferreira, da UFSM. 2 No IF Farroupilha tem-se a oferta de cursos PROEJA desde 2006. A 1ª turma de PROEJA iniciou na Escola Agrotécnica Federal de Alegrete e a segunda no Centro Federal de Educação Tecnológica de São Vicente do Sul. 109 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA da Educação de Jovens e Adultos, o PROEJA é visto como uma conquista: primeiro, por trazer uma formação profissional e, segundo, pela obrigatoriedade de oferta na rede federal. Os cursos de licenciatura3, na sua maioria, também são recentes nos Institutos Federais. Houve o crescimento de matrículas principalmente a partir da Lei de criação dos Institutos. Nesse contexto, é que a formação de professores, grande desafio das políticas educacionais, pode ocupar um espaço significativo nos Institutos Federais visto que os mesmos podem se tornar um laboratório de aprendizagem para os professores tanto de Currículo Integrado, Educação de Jovens e Adultos, Educação Profissional e Ensino Médio. Segundo Pacheco e Rezende (2009, p. 10) [...] a proposta dos Institutos Federais entende a educação como instrumento de transformação e de enriquecimento do conhecimento, capaz de modificar a vida social e atribuir maior sentido e alcance ao conjunto da experiência humana. É nesse sentido que deve ser pensada segundo as exigências do mundo atual, concorrendo para alterar positivamente a realidade brasileira. Os Institutos Federais devem possibilitar aos 3 No IF Farroupilha tem-se a oferta de cursos de Licenciatura desde o ano de 2009. Os primeiros cursos foram a Licenciatura em Ciências Biológicas no Câmpus de São Vicente do Sul e a Licenciatura em Matemática no Câmpus de Júlio de Castilhos. 110 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA trabalhadores a formação continuada ao longo da vida, reconhecendo competências profissionais e saberes adquiridos informalmente em suas vivências, conjugando-os com àqueles presentes nos currículos formais. Para transformar e alterar a realidade da educação brasileira, torna-se fundamental trazer para os currículos de formação de professores questões como os sujeitos da EJA, a aprendizagem de jovens, adultos e idosos e as especificidades de uma proposta pedagógica para emancipação humana. Trata-se, portanto, de trazer para o âmbito da formação de professores, principalmente no que se refere aos cursos de licenciatura das disciplinas escolares, reflexões sobre o que é a EJA e que tipo de formação humana desejamos construir com esses jovens e adultos, apontando coletivamente para o horizonte de uma formação que contribua para a emancipação dos sujeitos como possibilidade de transformação social e de construção de um projeto societário contrahegemônico; portanto, que ultrapasse concepções e práticas conformadoras à ordem, articulando a EJA à luta por transformações estruturais da sociedade. (VENTURA, 2012, p.80) É importante que, a partir da formação de professores realizada nas licenciaturas, os estudantes se envolvam com práticas e pesquisa no campo da Educação Profissional e da Educação de Jovens e 111 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA Adultos. Nesse sentido, a seguir apresentamos dados que refletem as conexões existentes entre os cursos PROEJA e as Licenciaturas e as conexões possíveis entre estes cursos. As conexões conexões existentes entre os cursos PROEJA e as Licenciaturas Segundo a professora e pesquisadora Jaqueline Ventura4, em recente artigo com título “A EJA e os desafios da Formação Docente nas Licenciaturas”, apesar das DCNs (Diretrizes Curriculares Nacionais) para formação de professores indicarem o estudo das diferentes modalidades de ensino nos cursos, as DCNs específicas dos cursos raramente indicam a especificidade da EJA e, se forem analisados os currículos dos cursos de licenciaturas, percebe-se que poucos propõem disciplinas sobre EJA. (2012) Para que haja uma maior compreensão por parte dos profissionais da educação sobre o que é essa modalidade de ensino e suas particularidades pedagógicas é fundamental trazer essa temática para ser discutida na universidade, 4 Ver: VENTURA, Jaqueline Pereira. Educação Educação de de Jovens Jovens e Adultos ou Educação da da Classe Classe Trabalhadora? Concepções em disputa disputa na Contemporaneidade Brasileira. Universidade Federal Fluminense. Programa de Pós-graduação em Educação. (Tese) Doutorado, Niterói, 2008. 112 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA principalmente nos cursos de licenciatura. Cabe, todavia, destacar que a defesa pela profissionalização do docente da EJA não significa reduzir o campo a uma ação restrita aos especialistas por seu conteúdo supostamente técnico, mas sim superar o amadorismo e a improvisação e qualificar os quadros docentes para um trabalho que respeite às especificidades do público jovem e adulto, no que concerne à elaboração de propostas pedagógicas que contemplem tempos e espaços diferenciados de aprendizagens deste público no seu processo de escolarização. (VENTURA, 2012, p. 79) Se os pesquisadores de EJA apontam para maior envolvimento dos cursos de licenciatura das universidades e para um raro aproximar destes com os conhecimentos do campo, nos Institutos Federais, essa questão deve ser vencida. Temos defendido esta proximidade por acreditar que, ao se envolverem com cursos de licenciaturas, os Institutos Federais precisam criar espaços de referências no ensino. Ser referência no ensino e pesquisa da Educação de Jovens e Adultos articulada com a Educação Profissional é fundamental para que tanto se vença uma carência na área como se criem experiências inovadoras e significativas. O Grupo de Estudos e Pesquisa em PROEJA do 113 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA IF Farroupilha5 – GEPEJA, em seu relatório “Experiências do PROEJA no Instituto Federal Farroupilha”, apresenta dados sobre a relação dos cursos PROEJA e as Licenciaturas no âmbito dos câmpus do Instituto. A seguir, apresentamos o que cada câmpus registrou no relatório: Quadro 1 - Relação dos Cursos PROEJA e Licenciaturas Câmpus Relação PROEJA/ PROEJA/Licenciatura 1 Estão formalizando parcerias para estágio. Houve relação com a Prática Profissional Integrada (PPI). 2 Há aproximação: observações nas salas de aula, estágios e pesquisa PROEJA. 4 Muito tímida. Não há até o momento. Mas já está se planejando. 5 Desde o início. Através das PPIs e de projeto de alfabetização matemática. 6 Ocorre estágio, monitorias e oficinas nas turmas PROEJA. 3 Através da disciplina prática pedagógica e outras disciplinas pedagógicas, através de seminários, leituras 7 e discussões. Também no PIBID6 e PET7 a partir de atividades teóricas e práticas como palestras e oficinas. Fonte: Relatório GEPEJA, 2012. 5 O Grupo GEPEJA existe no Instituto desde 2009 e realiza pesquisas e estudos na área da Educação Profissional e Educação de Jovens e Adultos. 6 PIBID - Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência. 7 PET – Programa de Educação Tutorial. 114 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA Percebe-se pelo quadro 1, que, apesar de existirem algumas iniciativas, estas ainda são muito tímidas. É preciso que os gestores dos cursos entendam essa necessidade e a defendam na construção dos projetos dos cursos. Envolver os alunos com estágio é fundamental. Porém, temos apostado que a relação com os conhecimentos da EJA e da Educação Profissional aconteça desde o início dos cursos a partir de pesquisa e de prática profissional. Nesse sentido, concordamos com Ciavatta (2011) que é urgente trazer para o currículo dos cursos a discussão sobre o trabalho e a vida do trabalhador. Isso porque há um aparente silêncio sobre o tema trabalho nos currículos: Há uma lacuna nos currículos, uma ausência que se manifesta em todos os níveis de escolaridade, inclusive nas universidades que formam profissionalmente as diversas categorias de trabalhadores de alto nível (médicos, engenheiros, advogados, etc). Mas os jovens vão ao ensino médio, profissional e técnico, a EJA ou ao ensino tecnológico e superior em busca de formação e de preparação para ingressar no mercado de trabalho, cuja natureza profunda e contraditória não é discutida, salvo em temas específicos do pensamento marxista. (CIAVATTA, 2011, p. 6) Reforçamos, também, o que diz o Documento Base do PROEJA, que é importante pensar um projeto próprio para os jovens e adultos bem como de todas as 115 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA especificidades que compõem a educação e que nos cursos de formação de professores são poucos trabalhados: educação do campo, educação indígena, educação quilombola. Como vamos ter ações que transformem estas realidades se, nos cursos destinados à formação de professores, não temos discussão e práticas com estes sujeitos? O grande desafio dessa política é a construção de uma identidade própria para novos espaços educativos, inclusive de uma escola de/para jovens e adultos. Em função das especificidades dos sujeitos da EJA (jovens, adultos, terceira idade, trabalhadores, população do campo, mulheres, negros, pessoas com necessidades educacionais especiais, dentre outros), a superação das estruturas rígidas de tempo e espaço presentes na escola (ARROYO, 2004) é um aspecto fundamental. (BRASIL, 2009, p. 42) Assim, a formação de professores dos Institutos Federais precisa dar conta dessas especificidades colaborando tanto para a formação de professores como para o fortalecimento dos níveis e modalidades de ensino. A partir do ensino, da pesquisa e da extensão, pode-se crescer e transformar a educação como um todo. 116 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA As conexões possíveis entre os cursos PROEJA e as Licenciaturas Segundo Pacheco e Rezende (2009), os Institutos Federais, visando a atingir a missão pela qual foram criados, devem adotar, entre outras diretrizes, a de atuar no ensino, na pesquisa e na extensão, compreendendo as especificidades destas dimensões e as interrelações que caracterizam sua indissociabilidade. Os autores defendem que: Os conhecimentos produzidos pelas pesquisas devem ser colocados a favor dos processos locais. É nessa via que a extensão pode possibilitar aos segmentos e setores – que tradicionalmente estão excluídos das atividades desenvolvidas nessas instituições – o acesso ao conhecimento científico e tecnológico a fim de criar condições favoráveis à inserção e permanência no trabalho, de geração de trabalho e renda e exercício da cidadania, ao mesmo tempo em que aprende o conhecimento construído pela sociedade enriquecendo os currículos de ensino e áreas de pesquisa. Assim, os Institutos Federais tornam-se espaços privilegiados para a democratização do conhecimento científico e tecnológico e valorização do conhecimento popular. (idem, p. 10) Dessa forma, reforça-se a questão da licenciatura e do PROEJA nos institutos serem espaço de inovação pedagógica e de preparação para inclusão. 117 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA E isso é possível tornando-se referência no ensino e na pesquisa: Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses que-fazeres se encontram um no corpo do outro. Enquanto ensino, continuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade. (FREIRE, 1999, p.32) Ao ofertar diferentes modalidades e níveis, os professores dos Institutos Federais precisam estar preparados para fazerem diferente e mostrarem outra alternativa de ensino e de vida. Para isso, os projetos pedagógicos construídos democraticamente e coerentes com as necessidades são fundamentais. Para vencer a “tímida aproximação entre os 8 cursos ”, velhos problemas como a evasão e as dificuldades de aprendizagem e garantir a efetivação do currículo integrado é necessário à aproximação dos cursos de licenciaturas dos cursos PROEJA, propondo pesquisa, práticas profissionais e intervenções pedagógicas. Para isso, é importante investir em processos formativos contínuos para os professores que atuam nos Institutos Federais. 8 Refere-se aos dados comentados anteriormente. 118 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA Questiona-se: como se aprende currículo integrado? Com discussão teórica, mas também com experiência e discussão da prática. Nos cursos de licenciatura, temos a oportunidade de pensar e discutir a relação entre Educação Profissional, Ensino Médio e EJA, propondo intervenções pedagógicas para essas modalidades. Da mesma forma, é possível preparar os professores para visualizarem e compreenderem a inserção no mundo do trabalho, assim como ensinarem a ter um diálogo constante com a realidade. Realizar a vinculação entre educação e trabalho: Isto significa que não se pode tratar a formação como algo exclusivamente do mundo do trabalho ou do mundo da educação. Trata-se de percebê-la como um ponto de intersecção, para o qual devem confluir diversas abordagens e contribuições, entre elas a dos sujeitos trabalhadores. (BRASIL, 2009, p. 46) Nesse panorama, é necessário também instrumentalizar os professores a construírem o planejamento e a prática de maneira coletiva e democrática. Da mesma forma, é importante criar tempos e espaços diferenciados, garantindo a aprendizagem do jovem e adulto. A avaliação também é um processo fundamental para diagnosticar, repensar e reconstruir a prática de ensino. Nas Licenciaturas do Instituto Federal Farroupilha, há a Prática Profissional Integrada (PPI), 119 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA que ocorre durante todo o curso e, nesta, a ideia é diminuir a distância entre a teoria e a prática, aproximando os estudantes da realidade escolar. No IF Farroupilha, tal prática é integrada a pelo menos duas disciplinas do semestre. A seguir descreveremos a PPI 1 e PPI 2 do Curso de Licenciatura em Química9 do Câmpus Alegrete: a) Prática Profissional Integrada 1 - ocorreu no 1º semestre de 2010, e teve os grupos divididos nas seguintes temáticas: 1. Química para alunos do Ensino Fundamental. 2. Química para professores do Ensino Fundamental. 3. Química para alunos do Ensino Médio. 4. Química para professores do Ensino Médio. 5. Química para alunos e professores da EJA e PROEJA. 6. Química nos cursinhos pré-vestibulares. 7. Novas formas de ensino da Química. 8. Química Experimental. Nesta experiência, cada grupo buscou dados de aproximação com as temáticas. No caso do tema EJA e PROEJA, os alunos buscaram conhecer os cursos oferecidos pelo câmpus para esta modalidade e tiveram contato com a experiência do PROEJA Médio 9 O Curso de Licenciatura em Química iniciou no Câmpus no ano de 2010 e tais experiências foram coordenadas por uma das autoras do texto, e professora do curso. 120 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA e do PROEJA FIC10. Como resultado dessa experiência, observou-se a grande motivação dos alunos por ser professores de Química e as inúmeras possibilidades de atuação do professor. Como avaliação dos alunos da prática, foi solicitado que todos os professores participassem, mesmo que não fossem destinadas horas específicas para a disciplina. b) Prática Profissional Integrada 2 - ocorreu no 2º semestre de 2010, e teve os grupos divididos nas seguintes temáticas: 1. O ensino da Química no Ensino Fundamental. 2. O ensino da Química no Ensino Médio. 3. O PROEJA e a Química. 4. Novas Tecnologias e o ensino da Química. 5. Química Experimental. Como foi reivindicação dos acadêmicos que todos os professores participassem nesta segunda experiência, cada professor orientou um grupo. No grupo do PROEJA e a Química, os alunos propuseram ver como ocorria o currículo integrado no curso PROEJA Alimentos. Os alunos buscaram construir junto com os professores uma prática 10 PROEJA Médio refere-se aos cursos que integram Educação Profissional e Ensino Médio e PROEJA FIC refere-se a cursos que integram Formação Inicial e Continuada e Ensino Fundamental. 121 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA interdisciplinar. Diante destes dois relatos, percebe-se que é possível sim envolver os alunos das licenciaturas com práticas e pesquisa na EJA e PROEJA. Para isso, é fundamental haver professores que liderem e acreditem nessas aproximações. E, com certeza, tanto futuros professores, como professores em exercício e estudantes aprenderão. Reflexões Necessárias Diante dos aspectos discutidos a partir da defesa da aproximação das licenciaturas e o PROEJA nos IFs, de dados e práticas concretas, é fundamental garantir espaços para pensar, discutir e garantir as conexões entre a formação de professores e a educação de jovens e adultos. Os sujeitos da EJA e das licenciaturas – professores e alunos - mais do que constatar a realidade, precisam compreendê-la, não para se adaptar, mas para contribuir com a promoção de mudanças. Essa compreensão crítica da realidade constitui expressão da dimensão política da educação e do trabalho docente. (VENTURA, 2102) Nesse sentido, os processos de planejamento e avaliação são pontos chave. Ao pensar o currículo dos cursos e as práticas, já se tem a possibilidade de colocar os conhecimentos interligados e comprometidos com a autonomia e coletividade dos sujeitos. Isso facilita o 122 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA andamento da prática e, com um processo avaliativo permanente, ajuda tanto os docentes como os estudantes a se perceberem na caminhada. O desafio é, além da integração dos conhecimentos, integrar práticas educativas. Assim, retoma-se a necessidade de aproximação dos cursos PROEJA e de licenciatura para ambos crescerem juntos, construírem experiências novas, visto que historicamente tanto a EJA como os cursos de formação de professores não tiveram políticas contínuas: Na história da educação brasileira, a formação dos profissionais da educação esteve quase sempre no plano dos projetos inacabados ou de segunda ordem, seja por falta de concepções teóricas consistentes, seja pela ausência de políticas públicas contínuas e abrangentes. A fragilidade nas ações de valorização da carreira concorre para agravar esse quadro, haja vista a grande defasagem de profissionais habilitados em determinadas áreas. (MEC, 2012, p. 2) Agora, a EJA, a Educação Profissional e as Licenciaturas dos Institutos Federais estão tendo a oportunidade de caminharem juntas, de dialogarem e de promoverem propostas conjuntas. Ambas podem discutir integração curricular, na perspectiva dialógica, emancipatória e inclusiva e planejarem e agirem conjuntamente nas propostas de ensino, 123 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA pesquisa e extensão. A organização curricular dos Institutos Federais traz para os profissionais da educação que neles atuam um espaço ímpar de construção de saberes, por terem a possibilidade de, no mesmo espaço institucional, construir vínculos em diferentes níveis e modalidades de ensino; em diferentes níveis da formação profissional, assim como buscar metodologias que melhor se apliquem a cada ação, estabelecendo a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. (MEC, 2012, p. 4) Assim, conclui-se que, para as reflexões construídas ao longo desse texto, a respeito da prática de ensino nos cursos PROEJA e nas licenciaturas, é importante discutir o elo que há entre educação e trabalho e trazer a concepção de trabalho para o cotidiano dos cursos PROEJA. O referido programa precisa unir escola e trabalho, refletindo sobre todas as relações que convergem a existência humana e os processos do mundo do trabalho. E esta discussão está presente também nos cursos de licenciatura. Lucília Machado tem contribuído para este debate: Para formar a força de trabalho requerida pela dinâmica tecnológica que se dissemina mundialmente, é preciso um outro perfil de docente capaz de desenvolver pedagogias do trabalho independente e criativo, construir a autonomia progressiva dos alunos e participar de 124 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA projetos interdisciplinares. (MACHADO, 2008, p.16) E é no cotidiano dos Institutos Federais que podemos propor o estabelecimento de tempos e espaços para discussão, planejamento e avaliação de práticas do/no PROEJA, da mesma forma que avaliamos e estabelecemos o papel dos Institutos no desenvolvimento da política de EJA integrada a Educação Profissional. Acreditamos que, além de ser referência no oferecimento dos cursos, assumimos o compromisso de desenvolver pesquisas na área, participar do desenvolvimento de projetos de formação continuada coerente com os princípios do programa, trazer para o currículo dos cursos de licenciatura reflexão e pesquisa sobre PROEJA e currículo integrado. Assumir a política de educação básica integrada à formação profissional, na modalidade de jovens e adultos como direito ao Ensino Fundamental e Médio formando profissionais que se comprometem com estas lutas e que sejam capazes de propor organização aos setores que não têm acesso a políticas públicas, bem como criem espaços de alternativas de geração de renda para a população de EJA é um caminho para a gestão dos IFs. Ao se debruçar sobre estas questões, os estudantes das licenciaturas estarão vivenciando a 125 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA importância de estudos e organizações de prática de currículo integrado, de EJA, Ensino Médio, trazendo a vida e o trabalho para discussão, organização e reconstrução. E, principalmente, estar-se-á promovendo formação de professores coerente com os desafios do ensino e comprometida com a transformação social. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Educação. Documento Base PROEJA. Brasília: MEC, 2009. ______. Contribuições para o processo de construção dos Cursos de Licenciatura dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/licenciatura_05. pdf>. Acesso em: 25 fev. 2012. ______. Lei nº 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília (DF): Diário Oficial da União. União n° 248, de 23/12/1996. ______. Decreto nº 5.478, de 24 de junho de 2005. Institui, no âmbito das Instituições Federais de Educação Tecnológica, o Programa de Integração da Educação Profissional ao Ensino médio na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos – Proeja. Brasília, DF. ______. Decreto nº 5.840, de 13 de julho de 2006. Institui, no âmbito federal, o Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na 126 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. AS LICENCIATURAS E O PROEJA NO IF FARROUPILHA Modalidade de Educação de Jovens e Adultos – Proeja. Brasília, DF. ______. Decreto nº 5.154, de 24 de junho de 2004. Regulamenta o § 2º do art. 36 e os arts. 39 a 41, da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, e dá outras providências, Brasília, DF. CIAVATTA, Maria. A reconstrução histórica de trabalho e educação e a questão do currículo currículo na formação integrada – Ensino Médio e EJA. Texto para diálogo no CTISM/UFSM, no prelo, 2011. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: autonomia saberes necessários à pratica educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1999. MACHADO, Lucília. Ensino médio e técnico com currículos integrados: propostas de ação didática para uma relação não fantasiosa. In: MOLL, Jaqueline e COL. Educação Profissional e Tecnológica no Brasil Contemporâneo: Contemporâneo desafios, tensões e possibilidades. Porto Alegre: Artmed, 2010. ______. 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Educação de Jovens Jovens e Adultos ou Educação da Classe Trabalhadora? Concepções em disputa na Contemporaneidade Brasileira. Universidade Federal Fluminense. Programa de Pós-graduação em Educação. (Tese) Doutorado, Niterói, 2008. 128 CAPÍTULO VII OS ENCONTROS DE ALUNOS 129 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. OS ENCONTROS DE ALUNOS O que tem marcado a experiência do PROEJA tem sido os momentos de reflexão, construção e integração das práticas dos cursos. Neste sentido, é importante fazer memória de dois eventos promovidos pelo nosso Instituto. O primeiro, sonhado no Encontro Diálogos PROEJA, de novembro de 2008, em Bento Gonçalves, veio a ocorrer em Santa Maria entre os dias 22 e 23 de maio de 2010, reunindo estudantes, pesquisadores, professores e gestores. Neste, tivemos a representação de todos os cursos PROEJA Médio dos Institutos Federais do Rio Grande do Sul. Além dos Debates nos Grupos e a construção da Carta, foi possível participar de Palestras com gestores da SETEC, de Mostra Pedagógica, Feira de Economia Solidária e Momentos Culturais. Percebeu-se grande envolvimento dos estudantes, motivação e preocupação em participar da construção e da melhoria dos cursos. O segundo evento foi promovido pelos coordenadores dos cursos PROEJA dos sete Câmpus do Instituto Federal Farroupilha, que reuniu estudantes do PROEJA Médio e PROEJA FIC, professores federais e municipais e gestores. Além de Palestras, de Relatos de Vida, vivenciamos Mostra de Trabalhos, Mostra Cultural, Feira de Economia Solidária, Relatos dos 130 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. OS ENCONTROS DE ALUNOS Câmpus e grande plenária de discussão dos cursos PROEJA do Instituto. Da mesma forma que no evento anterior, os estudantes aprovaram a Carta dos Estudantes PROEJA do IF Farroupilha que aponta várias diretrizes para os cursos e destaca três prioridades: a discussão e implementação de um sistema de cotas para alunos egressos do PROEJA FIC para os cursos técnicos e do PROEJA Médio para o ensino superior, com vistas a garantir a verticalização dos cursos. A garantia, junto ao poder público, de transporte aos estudantes do PROEJA FIC e a garantia do espaço para reuniões pedagógicas. (CARTA, 2011) Destes eventos, destacam-se a grande empolgação dos estudantes por estarem estudando no Instituto, bem como os projetos que os alunos jovens e adultos têm para suas vidas, que na maioria das vezes inclui continuar estudando. Também ao reunir todos estes alunos é possível ver a missão e os objetivos da Instituição serem cumpridos, contribuindo para inúmeros sujeitos serem incluídos social e profissionalmente, bem como estar colaborando para melhoria dos índices de escolaridade nos municípios. Percebe-se que, ao trazer os alunos para as discussões, ao propor o diálogo franco com estudantes, professores e gestores; está se construindo uma proposta, um 131 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. OS ENCONTROS DE ALUNOS currículo COM e não para os sujeitos envolvidos. Esses movimentos promovem a escola democrática. A construção da escola democrática não depende da vontade de alguns educadores e educadoras, de alguns alunos, de certos pais e mães. Esta construção é um sonho porque devemos lutar todas e todos os que apostamos na seriedade, na liberdade, na criatividade, na alegria dentro e fora da escola. A luta coerente por este sonho exige de nós respeito pelos outros, assunção de dever de cumprir nossas tarefas, de brigar por nossos direitos, de não fugir à obrigação de intervir como educador ou educadora, de estabelecer limites à nossa autoridade, como à liberdade dos educandos. Exige de nós capacidade científica, formação permanente, pela qual temos de lutar como direito nosso e clareza política, sem a qual dificultamos nossas decisões. (FREIRE, 2001, p.202) Propor espaços de reflexão, de pensar a prática com os estudantes, tem sido um movimento significativo que motiva, integra e, principalmente, nos ensina que temos muito que caminhar. 132 CAPÍTULO VIII DESAFIOS – IMPRESSOS NAS CARTAS DOS ESTUDANTES 133 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. DESAFIOS – IMPRESSOS NAS CARTAS DOS ESTUDANTES Nessa caminhada de adesão a propostas e de experiências iniciais, surgem os desafios. Nesse sentido, escolhemos dois documentos1 que surgiram a partir dos diálogos coletivos de estudantes, gestores e docentes para explicitar os desafios dos cursos PROEJA do Instituto Federal Farroupilha. Inicialmente, vale resgatar o que significa o PROEJA na vida dos estudantes dos cursos: Para nós, o PROEJA significa o compromisso com uma nova perspectiva de mundo, um olhar mais sensível para a heterogeneidade dos sujeitos. O PROEJA oportuniza crescimento pessoal e profissional e representa um avanço na Educação Básica, Profissional e Tecnológica. Para os estudantes, o PROEJA promove novas relações interpessoais, novas experiências de vida e uma oportunidade única de concluir seus estudos simultaneamente à qualificação profissional. (CARTA, 2010) Desse registro, verifica-se o quanto a política do PROEJA significa na vida dos jovens e adultos que 1 Nomeio como CARTA 2010 o documento resultante do I Encontro Estadual de Estudantes PROEJA, realizado nos dias 22 e 23 de maio de 2010, e CARTA 2011 o documento resultante do I Encontro de Alunos do IF Farroupilha, ocorrido no dia 19 de novembro de 2011. 134 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. DESAFIOS – IMPRESSOS NAS CARTAS DOS ESTUDANTES buscam o ensino profissional. É uma significativa experiência para estes sujeitos: No retorno para a escola, os jovens e adultos sentem-se mais motivados para a aquisição de novos conhecimentos. As novas relações e o sentimento de autoestima estão mais fortalecidos. As novas formas de pensar sobre vários assuntos e melhoria na linguagem são hoje fatores positivos para a empregabilidade, a formação profissional oferece novas oportunidades de trabalho, elevação da escolaridade e reconhecimento social. (CARTA, 2011) Estar realizando um curso do PROEJA permite ao aluno, além de melhoria na escolaridade e no trabalho, ter um reconhecimento social na comunidade e dessa forma acredita-se estar cumprindo com as funções da educação de adultos. Porém, sabe-se que temos muitas coisas a aperfeiçoar nos cursos. Por isso, enumeram-se alguns desafios para os cursos PROEJA do Instituto Federal Farroupilha, baseado nas cartas construídas no ano de 2010 e 2011. O primeiro desafio versa sobre o ingresso nos cursos, cursos os alunos reivindicam maior divulgação e processos de acolhimento a eles na instituição. Acredita-se que as alternativas de acolhida, tanto no ingresso como em todo o processo, assumindo a gestão do cuidado, como uma dinâmica forte no decorrer do percurso do estudante. 135 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. DESAFIOS – IMPRESSOS NAS CARTAS DOS ESTUDANTES O segundo desafio é o esclarecimento para os alunos e para a comunidade comunidade em geral do significado e da importância dos cursos. Os alunos precisam conhecer os objetivos e o perfil do curso, identificando-se com o mesmo e tornando-se um protagonista de sua formação profissional. Ao saber de suas possibilidades, ao alcançar a formação, terá consciência de que precisará estudar e participar ativamente de projetos, mostrando para a sociedade que está construindo uma trajetória de melhoria pessoal e profissional. Como terceiro desafio, assinalamos a revisão das formações profissionais profissionais e adequação às necessidades locais, ligação do curso com a vida do trabalhador e com o trabalho, como essência da vida humana. Por isso, os projetos pedagógicos dos cursos precisam ser constantemente revisitados pelo coletivo dos docentes, com a participação dos alunos, verificando os pontos fortes e o que precisa ser melhorado. Se o curso não serve para a vida, para o trabalho e para gerar transformação naquela comunidade, não tem por que continuar sendo oferecido. A integração integração dos cursos PROEJA com os demais cursos do Instituto é o quarto desafio. Não ser somente mais um curso à disposição, mas estar conectado com os demais cursos, cumprindo a verticalização, objetivo 136 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. DESAFIOS – IMPRESSOS NAS CARTAS DOS ESTUDANTES dos Institutos Federais, e oportunizando trabalhos conjuntos de pesquisa e extensão. Tem-se defendido que a integração com os cursos de licenciatura é fundamental e o diferencial de nossa formação, pois se sabe que historicamente a educação de jovens e adultos e a educação profissional não foram objetos de estudo na formação inicial de professores. Por isso, estamos tendo a possibilidade de sermos laboratório de aprendizagem e práticas de ensino. Como quinto desafio, apontamos a necessidade de efetivação do currículo integrado, integrado com discussão sobre trabalho, envolvimento dos alunos em projetos, oportunidades de mudança de vida e melhoria social e profissional. Todos os cursos são na modalidade integrado, por isso precisamos rever nossas práticas e divulgar as experiências exitosas de currículo integrado. Nesse sentido, também é desafio dos cursos PROEJA discutir e construir novas experiências de organização do trabalho. trabalho E os alunos apontam para isso, como verificamos nas cartas: Espera-se que os cursos de PROEJA, apontem para uma formação que reconheça as diferentes formas de organizar-se para o trabalho, pensando esta por meio do associativismo, da economia solidária, entre outros, contribuindo com o desenvolvimento local e regional. (CARTA, 2011) 137 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. DESAFIOS – IMPRESSOS NAS CARTAS DOS ESTUDANTES Como sétimo desafio, está a continuidade e a ampliação de programas de assistência estudantil que, segundo os alunos, favorecem a permanência nos cursos. Como oitavo desafio, temos uma realidade e uma grande preocupação com a modalidade que é criar estratégias para vencer a evasão. Finalmente, como nono desafio, destacamos a importância de assumirmos o PROEJA, como uma política pública permanente, permanente continuando com o diálogo estabelecido nessa trajetória 2006-2012, viabilizando a formação de docentes gerada na própria instituição, colaborando com o grupo de pesquisa e sendo referência no ensino, na pesquisa e na inclusão de jovens e adultos. 138 CAPÍTULO IX DAS EXPERIÊNCIAS – SEUS DESTAQUES 139 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. DAS EXPERIÊNCIAS – SEUS DESTAQUES Para conclusão desta pesquisa, reuniram-se todos os integrantes do GEPEJA para a socialização de suas experiências, cujos principais pontos foram registrados. O primeiro ponto destacado por todos os Câmpus como experiência significativa foi e tem sido o PROEJA FIC. Por meio dessa modalidade, percebe-se envolvimento dos professores, baixa evasão dos alunos, a importância das reuniões pedagógicas e a efetivação do currículo integrado. Também se observa a experiência dos professores municipais que se envolvem no PROEJA FIC. Os mesmos têm contribuído para que os professores da rede federal reconstruam suas práticas e também para que se transformem os processos e as práticas na rede municipal. O segundo ponto a ser destacado é o reconhecimento institucional, pois, através dos processos do PROEJA FIC, da pesquisa, dos encontros PROEJA, os cursos vão sendo assumidos na coletividade. Sabe-se que este reconhecimento não é vivenciado em todos os Câmpus, mas que o envolvimento e as atitudes da gestão contribuem muito para esta conquista. 140 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. DAS EXPERIÊNCIAS – SEUS DESTAQUES O terceiro ponto diz respeito à vivência do itinerário formativo, que os alunos, por exemplo, do Câmpus Júlio de Castilhos terminaram os Cursos PROEJA FIC e ingressaram no PROEJA Médio. O quarto ponto que se mostrou importante foi a palestra de esclarecimento que o Câmpus Panambi realizou no seu primeiro processo seletivo e, até hoje, é lembrado como importante. No mesmo sentido, os projetos integradores têm sido fundamentais para conquistar o trabalho coletivo e o envolvimento dos alunos. Como quinto ponto, destacam-se os projetos de Educação Prisional, que proporcionaram ao Instituto uma boa relação com os municípios e a SUSEPE para além do projeto. Como sexto ponto, observa-se a troca e a parceria com o Grupo Kairós da UFSM, pois esta fortalece a pesquisa do grupo, bem como possibilita aos mestrandos e doutorandos acompanhar as discussões do Instituto. No mesmo sentido, observamse vários professores e servidores assumindo como objeto de pesquisa em seus mestrados e doutorados o PROEJA e as relações com este Programa. A partir da apresentação dos Câmpus, observaram-se como necessidades para os cursos PROEJA do nosso Instituto: 141 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. DAS EXPERIÊNCIAS – SEUS DESTAQUES a importância de considerar que nossos alunos são trabalhadores e por isso precisam ser vistos como tais, bem como trazer o trabalho para discussão do currículo; olhar os números que a pesquisa traz de matrículas e evasão pela qualidade dos dados e não apenas os índices isolados; a importância dos currículos privilegiarem a prática, visto que esta exigência é relatada pelos alunos como fundamental para o interesse e aprendizagem dos mesmos; o repensar dos Estágios nos Cursos, pois se percebe que neste momento muitos alunos evadem; desenvolver projetos de aproximação, em todos os Câmpus, dos cursos PROEJA com as licenciaturas. Como sugestão pesquisadores apontam: • • • de encaminhamentos os propor projetos de PROEJA FIC sem os editais da SETEC, mas atendendo as demandas das comunidades. Para isso, o Instituto precisa pensar uma metodologia e uma organização própria; propor a pedagogia da alternância em alguns cursos PROEJA; propor pesquisas de acompanhamento a Rede CERTIFIC; 142 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. DAS EXPERIÊNCIAS – SEUS DESTAQUES • propor reformulações dos projetos de cursos do PROEJA, buscando estrutura organizacional e metodologias que estejam de acordo com a realidade PROEJA e com a experiência adquirida na trajetória de oferta dos cursos. A continuidade desse projeto de pesquisa está garantido pelo novo projeto aprovado Experiências do PROEJA do IF Farroupilha: do local ao institucional, institucional que prevê que o Câmpus de Alegrete pesquise a licenciatura; o Câmpus Júlio de Castilhos, a gestão e política pública; o Câmpus Panambi, saberes e formação de docentes; o Câmpus Santo Augusto, metodologia, aprendizagem e divulgação; o Câmpus Santa Rosa, a evasão no PROEJA; o Câmpus São Borja, gestão e formação; o Câmpus São Vicente do Sul, saberes e formação de docentes, e a Reitoria, a gestão do ensino, pesquisa e extensão. Também chegamos à conclusão da importância da inclusão do trabalho na linha de pesquisa gestão e políticas públicas, passando a nomear-se “Trabalho, Políticas Públicas e Gestão”. Assim, conclui-se a presente pesquisa confirmando que os grandes desafios do Instituto Federal Farroupilha são: diminuir os índices de evasão, reformular os projetos pedagógicos dos cursos construindo orientações institucionais coletivas, a efetivação de práticas de currículo integrado, a 143 Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA (GEPEJA) – Ações, Reflexões e Desafios. DAS EXPERIÊNCIAS – SEUS DESTAQUES aproximação com os cursos de Licenciatura e a proposição de processos seletivos que privilegiam o conhecimento do curso. Nesse contexto, percebe que o desenvolvimento de pesquisas como o projeto “Experiências do PROEJA do IF Farroupilha” pode ser instrumento para gestão no contexto das políticas públicas e que o envolvimento da comunidade escolar com a pesquisa promove a transformação de práticas e o desejo de aprender sempre. Por isso, reforça-se a necessidade de pesquisas como a que finaliza neste momento acontecer em outras modalidades de ensino do Instituto. Assim, concorda-se com Arroyo (2008, p. 42) que “as bandeiras políticas não podem ser avaliadas pelos princípios que defendem, mas pelos direitos que garantem, pela transformação social, política e pedagógica que incentivam e possibilitam”. 144 REFERÊNCIAS PARA ESTA OBRA ARROYO, M. Educandos e educad educadores: ores: seus direitos e o currículo. currículo In: Indagações sobre currículo. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 56 p., 2008. BRASIL. Ministério da Educação. Oficio Circular nº 40. Brasília: MEC, 2009. ______. Documento Base PROEJA. Brasília: MEC, 2006. ______. Documento Base PROEJAPROEJA-FIC. FIC Brasília: MEC, 2007. ______. Lei nº 11.892, 29 de dezembro de 2008. Institui a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br>. Acesso em: 10 out. 2010. Carta dos Estudantes e dos Gestores do Programa de Educação Profissional Integrada ao Ensino Médio na Modalidade Modalidade Educação de Jovens e Adultos da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, Tecnológica Reunidos em Santa Maria/RS, dias 22 e 23 de maio de 2010. Carta dos Estudantes do Programa de Educação Profissional Integrada ao Ensino Médio e Fundamental na na Modalidade Educação de Jovens e Adultos – PROEJA - do IF Farroupilha, Farroupilha Reunidos em Santa Maria/RS, no dia 19 de novembro de 2011. 145 FREIRE, Paulo. Pedagogia dos sonhos possíveis. possíveis Org. Paulo Freire e Ana Maria Araújo Freire. São Paulo. Editora UNESP, 2001. 146 APÊNDICE CURSO CÂMPUS ANO MATRÍCULA INICIAL CONCLUINTES EVASÃO Técnico em Informática/ Habilitação em Hardware e Redes/ PROEJA Alegrete 20062007 07 04 03 Técnico em Agroindústria PROEJA Alegrete 10 09 01 Técnico em Agroindústria PROEJA Alegrete 20072008 10 03 01 Técnico em Informática/ Habilitação em Hardware e Redes/ PROEJA Alegrete 20072008 27 09 10 Técnico em Informática São Vicente do Sul 20072010 24 05 12 Técnico em Informática/ Habilitação em Hardware e Redes/ PROEJA Alegrete 20082009 24 04 05 Técnico em Agroindústria – PROEJA Alegrete 19 07 2006 2007 2008 2009 147 Técnico em Informática Júlio de Castilhos 2008 70 Técnico em Operações Comerciais Santo Augusto 2008 35 Técnico em Manutenção e Suporte em Informática / PROEJA Alegrete Técnico em Agroindústria PROEJA Alegrete EaD Agroindústria Alegrete - Santa Maria, São Borja e Alegrete Técnico em Informática 05 (ainda em estágio 10 alunos) 30 200953 25 23 16 00 03 2009 13 00 04 São Vicente do Sul 2009 34 00 18 Técnico em Informática Júlio de Castilhos 2009 35 Em estágio 14 alunos Técnico em Operações Comerciais Santo Augusto 2009 35 Técnico em Manutenção e Suporte em Informática / PROEJA Alegrete 2010 2011 57 25 23 Técnico em Agroindústria PROEJA Alegrete 20102011 18 00 17 EaD Manutenção e Suporte em Informática Alegrete - Bagé, Santa Maria e Canguçu 2010 06 - 01 2010 2009 2010 148 27 Técnico em Vendas São Vicente do Sul 2010 30 00 Técnico em Comércio Júlio de Castilhos 2010 35 Hoje com 15 alunos Técnico em Operações Comerciais Santo Augusto 2010 35 24 20 23+01 trancamen to Técnico em Vendas Santa Rosa 2010 34 01 falecido 18 desligado 1 evadido Técnico em Manutenção e Suporte de Informática São Borja 2010 52 25 4 em curso 4 em estágio Técnico em Edificações Panambi 2010/2 25 PROEJA FIC AlegreteInformática (Alegrete, São Borja, Manoel Viana,) 20102011 169 123 46 AlegreteAgroindústria Familiar (Alegrete) 20102011 24 12 12 AlegreteConstrução civil (Alegrete) 20102011 31 18 13 149 10 AlegretePiscicultura (Cachoeira do Sul) 20102011 29 28 01 AlegretePanificação (APAE-AL) 20102011 29 26 03 EaD Agroindústria Alegrete (Santa Maria, São Borja e Alegrete) 2010 23 00 00 EaD Agricultura Alegrete (São Borja, Bagé, Canguçu e Alegrete) 2010 13 00 00 SVS/Cacequi 20102011 25 24 01 SVS/Jaguari 20102011 28 22 SVS/Jaguari/Pr esídio 20102011 17 05 02 SVS/Jari 20102011 15 15 00 SVS/São Pedro do Sul 20102011 30 22 08 2010 30 19 36% 2010 60 31 48% PROEJA FIC 06 Curso de Formação Inicial e Continuada em Panificação Integrado ao Ensino Fundamental na Modalidade de EJA PROEJA FIC Assistente em Operações Administrativas PROEJA FIC Atendente em Empreendimentos Comerciais Júlio de Castilhos/ Júlio de Castilhos Júlio de Castilhos/Júlio de Castilhos 150 PROEJA FIC em Implantação e Manutenção de Parques e Jardins Júlio de Castilhos/Tupan ciretã 2010 30 27 10% PROEJA FIC em Implantação e Manutenção de Parques e Jardins Júlio de Castilhos/Cacho eira do Sul 2010 30 22 26% Santo Augusto/ Coronel Bicaco 2010 30 Santo Augusto/ Três Passos 2010 30 Santo Augusto/ Tenente Portela 2010 60 Santa Rosa/Presídio 2010 13 Santa Rosa 2010 25 13 PROEJA FIC Alimentação Santa Rosa 2010 30 08 PROEJA FIC Pedreiro Santa Rosa 2010 19 13 PROEJA FIC Carpinteiro Santa Rosa 2010 09 05 Técnico em Manutenção e Suporte em Informática / PROEJA Alegrete PROEJA FIC – Gestão Agropecuária 48 PROEJA FIC Operador de Microcomputador 05 08 PROEJA FIC Operador de Microcomputador 2011 41 2012 151 - 07 Técnico em Agroindústria PROEJA Alegrete 2011 48 CERTIFIC/PescaCriador de Peixes em Tanque Escavado Alegrete 2011 20 CERTIFIC/PescaPescador Artesanal de Água Doce Alegrete 2011 42 Técnico em Vendas SVS/Jaguari 2011 22 CERTIFIC/Padeiro São Vicente do Sul 2011 123 Técnico em Comércio Júlio de Castilhos 2011 35 CERTIFIC/Padeiro Júlio de Castilhos 2011 84 PROEJA FIC Panificação Júlio de Castilhos 2011 30 27 em andamento PROEJA FIC Panificação Júlio de Castilhos/Tupan ciretã 2011 30 20 em andamento Técnico em Operações Comerciais Santo Augusto 2011 35 20 Técnico em Vendas Santa Rosa 2011 28 14+02 trancamen tos Técnico em Hospedagem São Borja 2011 24 152 - 17 06 Hoje com 14 alunos 18 em curso 1 desligado 5 evadidos 2 desligados Técnico em Cozinha São Borja 2011 25 19 em curso 4 evadidos CERTIFIC PESCA Pescador Artesanal de Água Doce São Borja 2011 141 CERTIFIC Auxiliar de Cozinha São Borja 2011 208 São Borja/Santiago 2011 59 - - São Borja/São Borja 2011 29 - - São Borja/São Borja 2011 33 - - São Borja/Itaqui 2011 24 - 6 Técnico em Informática - Prisional -EAD São Borja 2011 14 7 em curso Técnico em Edificações Panambi 2011 30 PROEJA FIC Auxiliar de Cozinha PROEJA FIC Pesca 16 Pedreiro – 24 CERTIFIC – Pedreiro e Encanador Panambi 2011 1 - Pedreiro Encanador – 2 153 PROEJA FIC – Pedreiro e Encanador Panambi 2011 36 Técnico em Manutenção e Suporte em Informática / PROEJA Alegrete 2012 82 - - Técnico em Agroindústria PROEJA Alegrete 2012 65 - - CERTIFIC/Panificação Alegrete 2012 92 PROEJA FIC Informática/Habilitação em Hardware e Redes/PROEJA Alegrete 2012 41 - - Alegrete/Manoel Viana 2012 25 - - Alegrete 2012 31 - - PROEJA FIC Panificação Alegrete 2012 42 - - Técnico em Comércio Júlio de Castilhos 2012 60 Hoje com 58 alunos 02 Técnico em Operações Comerciais Santo Augusto 2012 30 PROEJA FIC Piscicultura 14 PROEJA FIC Construção Civil 154 4 Técnico em Vendas Santa Rosa 2012 29 Técnico em Hospedagem São Borja 2012 21 - - Técnico em Cozinha São Borja 2012 24 - - Técnico em Alimentos Panambi 2012 30 - 00 155 2 GEPEJA - SUAS LINHAS DE PESQUISA Os participantes do GEPEJA buscam congregar estudos e divulgar experiências, acerca do PROEJA do Instituto Federal Farroupilha. O grupo trabalha nas seguintes linhas de pesquisa: a) Currículo Integrado : construir uma metodologia de trabalho que fortaleça e execute essa forma de estrutura curricular. b) Educ ação do Campo : estudar referenciais da área e acompanhar as práticas de Educação do Campo. c) Educação nas Prisões: Prisões: elaborar e acompanhar as propostas pedagógicas de PROEJA Prisional, adequadas ao público e ao ambiente. d) Trabalho, Políticas Públicas e Gestão: Gestão: acompanhar a gestão e as experiências dos programas de educação de jovens e adultos integrados a educação profissional. E, promover e implementar ações que favoreçam o acesso, permanência e o sucesso dos alunos de PROEJA. e) Saberes e Formação de Docentes: Docentes: fomentar os saberes dos docentes e investir em formação continuada para que os sujeitos que se envolvem no PROEJA, repensam tanto nos aspectos pedagógicos como administrativos dos cursos. 156 SOBRE AS ORGANIZADORAS Andrea da Silva Possui Graduação em Sistemas de Informação pelo Centro Universitário Franciscano, Mestrado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Maria, Doutoranda em Ambiente e Desenvolvimento pela UNIVATES e, em andamento Especialização em Gestão por Processos de Negócios pela Universidade de Santa Cruz do Sul. É professora efetiva do Instituto Federal Farroupilha. Seu foco de interesse está voltado para estudos sobre Desenvolvimento Local e Regional, Empreendedorismo, Gestão Pública, Educação Profissional e Mídias Educacionais. Mariglei Severo Maraschin Possui Graduação em Pedagogia pelo Centro Universitário Franciscano, Especialização em Gestão Estratégica do Conhecimento nas Organizações pela mesma Instituição, Mestrado em Educação pela Universidade Federal de Santa Maria, Doutoranda em Educação pela mesma Instituição. É professora efetiva do Instituto Federal Farroupilha, pesquisadora do grupo CAPES/PROEJA UFRGS e líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA – GEPEJA do IF Farroupilha. Tem experiência na área de Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: Educação de Jovens e Adultos, PROEJA, Formação de Professores, InvestigaçãoAção, Aprendizagem e Gestão Escolar. 157 Este livro foi composto com as fontes Berkeley Oldstyle, Perpetua e Book Antiqua por Andrea da Silva, em agosto de 2013. 158 O Grupo de Estudos e Pesquisas em PROEJA nasceu institucionalmente em julho de 2011, a partir de uma construção de um Projeto de Pesquisa, intitulado Experiências do PROEJA no Instituto Federal Farroupilha que teve como objetivo geral: elaborar um diagnóstico e destacar experiências dos cursos PROEJA oferecidos pelo Instituto Federal Farroupilha. Esta obra busca apresentar um retrato dos Cursos PROEJA do IF Farroupilha, fruto do trabalho coletivo, organizado e registrado em um Relatório Final, além de referenciar a vivência de dois Encontros de Alunos do PROEJA, realizados em 2010 e 2011, ambos sediados em Santa Maria/RS, do que resultou uma Carta, elaborada pelos próprios estudantes, que revelam seus anseios e suas expectativas. ISBN E-BOOK 978-85-65006-06-4 159