02 a 05 setembro 2013 Faculdade de Letras UFRJ Rio de Janeiro - Brasil SIMPÓSIO - Aula de língua e gêneros literários: metodologias e saberes INDÍCE DE TRABALHOS (em ordem alfabética) A abordagem do cordel no ensino médio em escolas públicas paraibanas Arinélio Lacerda dos Santos Jr. e Naelza De Araújo Wanderley Página 04 A literatura na aula de língua portuguesa Andréa Rodrigues Página 06 A natureza polissêmica do humor e sua aplicação no ensino da língua Geraldo José Rodrigues Liska Página 06 A palavra-mundo: os gêneros literários como mediadores transculturais na aprendizagem de línguas estrangeiras João Augusto de Medeiros Lira A passagem das disciplinas de língua para as disciplinas de literatura no curso de Letras/Alemão da USP: perspectivas históricas e atuais Dörthe Uphoff A relevância de cultura e da literatura no ensino de línguas Ivana Ferigolo Melo Língua, literatura e formação docente em interdisciplinaridade: uma possibilidade em sala de aula Renata Philippov Literatura e cinema no ensino do FLE: contribuições para a leitura Nyeberth Emanuel Pereira dos Santos e Josilene Pinheiro-Mariz O coração da neve: Criação literária, escolhas linguísticas e ensino Ana Luiza Ramazzina Ghirardi O ensino de FLE : Uma abordagem comparativa dos contos Le Chat Botté eLe Petit Poucet de Charles Perrault Aline Aparecida da Silva / Natália Godoy e Margarida da Silveira Corsi O lugar do literário em PLE: uma experiência transnacional Ana Beatriz Simões Página 07 Página 09 Página 10 Página 11 Página 12 Página 13 Página 14 Página 15 Os contos de fadas de Charles Perrault: Uma leitura de Riquet À La Houppe Fernanda Giacopini Ramos, Margarida da Silveira Corsi e Nilda Aparecida Barbosa Outro olhar para o ensino de Língua Portuguesa Glauce Maciel Barbosa Pereira Potencialidades dos textos teatrais na apropriação de uma língua estrangeira Paulo Roberto Massaro Ti Jean L’horizon e Pluie et Vent Sur Télumée Miracle, de Simone Schwarz-Bart: Caminhos para Diálogos Culturais em Contextos de Brasil e Antilhas Josilene Pinheiro-Mariz Página 16 Página 17 Página 18 Página 20 3 A ABORDAGEM DO CORDEL NO ENSINO MÉDIO EM ESCOLAS PÚBLICAS PARAIBANAS Arinélio Lacerda dos Santos Jr. e Naelza De Araújo Wanderley Um dos grandes desafios a serem enfrentados pelos professores do Ensino Médio é realizar em sua prática docente uma aproximação mais efetiva entre o que se estuda na teoria e aquilo que se exerce no cotidiano escolar. É necessário refletir sobre o atual papel do professor enquanto mediador de um trabalho com o texto literário, o aluno e a disciplina que o mesmo conduz. Pensar se, nos dias de hoje, a escola orienta e conduz o aluno a compreender qual o papel da literatura, qual a função social que ela pode exercer sobre a vida de cada um e por que se deve estudá-la. Por isso, se faz necessário pensar a literatura, através da leitura literária, como instrumento de humanização, identificação e como meio de conhecer as necessidades do mundo de forma reflexiva. Nesse instante, pensa-se sobre a literatura de cordel na escola, enquanto texto literário que sofre o processo de escolarização e que deve estar voltada para a promoção de uma leitura prazerosa, despertando nos discentes o caráter reflexivo, que por motivos diversos não compreendem a função social que o folheto pode atribuir na vida de qualquer indivíduo. Ao refletir sobre as condições de utilização do folheto e o seu uso na sala de aula, pensa-se na possibilidade da existência de pouco conhecimento do docente sobre as especificidades da Literatura de Cordel e os contextos históricos que permearam o seu desenvolvimento no Nordeste e, posteriormente, no resto do país. Pensa-se também em metodologias inadequadas para o trabalho com esse gênero, voltandose apenas para as questões formais que se consagraram nos folhetos. Soma-se a isso as interpretações convencionais de autores, que abordam o cordel nos livros didáticos, voltada apenas para um historicismo e um enquadramento estilístico. Assim, é necessário considerar a atual prática de ensino de literatura, especificamente, o trabalho com o cordel na sala de aula, sugerindo metodologias que venham a favorecer a interação entre o leitor e seu objeto de estudo: o texto literário. No intuito de contribuir para amenizar algumas dessas dificuldades de leitura e compreensão, a proposta deste trabalho é a de colaborar para a ampliação de experiências com o cordel em sala de aula do 1º ano do Ensino Médio, voltando-se ao eixo-temático “ensino e pesquisa de literatura: texto, imagem e mídia”. O objetivo do trabalho é analisar de que forma a Literatura de Cordel apresenta-se na prática docente de professores do Ensino Médio e como ocorre o processo de escolarização do cordel no 1º ano do ensino médio das escolas estaduais na cidade de Campina Grande-PB. Quanto aos fundamentos basilares, têm-se: Tardif (2002), que discute 4 a formação profissional do docente e os saberes acionados para o desenvolvimento do trabalho na sala de aula; Colomer (2007), com considerações voltadas para a promoção da leitura literária na escola; Cosson (2009), com contribuições sobre abordagens do texto literário através da sequência didática; Marinho; Pinheiro (2012), que discorrem sobre o cordel na sala de aula, contemplando sugestões e metodologias. 5 A literatura na aula de língua portuguesa Andréa Rodrigues A ênfase que vem sendo dada ao papel da diversidade de gêneros discursivos no ensino de língua por autores brasileiros (Marcuschi, 2002; Bunzen, 2006, entre muitos outros) e estrangeiros (Schneuwly e Dolz, 2011)., e também em documentos oficiais como os Parâmetros Curriculares Nacionais, tem como um dos principais argumentos a ideia de que é preciso que o ensino de língua forme um aluno familiarizado com os textos de circulação social de modo a tornar-se um usuário pleno da língua, com capacidade para empregá-la adequadamente nas mais diferentes situações de interação verbal, produzindo e compreendendo de modo eficiente textos orais e escritos com diferentes propósitos comunicativos. Sem deixar de considerar que esse seria um dos objetivos do ensino de língua na educação básica, esse trabalho defende a ideia de que a presença do texto literário no ensino de língua contempla uma concepção de linguagem que vai além da ideia de língua como instrumento de comunicação, para pensar a língua como expressão, manifestada artisticamente nos gêneros literários. Nesse sentido, é fundamental não deixar de destacar o importante papel do texto literário na sala de aula, de modo a formar um aluno não somente eficiente do ponto de vista da comunicação/interação social como também um leitor literário (Cosson, 2006), familiarizado com os recursos expressivos da sua língua, com capacidade de explorar a sua criatividade tanto na produção quanto na compreensão de textos polissêmicos. Esse trabalho apresenta um projeto proposto para o nono ano do ensino fundamental, que tem como ponto de partida a utilização de textos literários no ensino de língua, de modo a proceder à análise dos recursos linguísticos utilizados em determinados textos – contos, poemas, crônicas – levando em conta que as escolhas desses recursos não é aleatória, como defende Neves (2000) ao abordar o ensino de língua baseado em textos. Refletir sobre a escolha desses recursos nos textos literários é propiciar a formação de um leitor crítico, autônomo e literário, que constrói sua leitura a partir do reconhecimento da pluralidade da língua e de suas manifestações artísticas. Este trabalho pretende apresentar os resultados desse projeto, considerando os pressupostos teóricos aqui apresentados. 6 6 A NATUREZA POLISSÊMICA DO HUMOR E SUA APLICAÇÃO NO ENSINO DA LÍNGUA Geraldo José Rodrigues Liska Na sala de aula de língua portuguesa (níveis Fundamental e Médio), é comum a análise gramatical das palavras por meio de sua configuração morfológica e/ou função sintática. Poucas são as iniciativas, inclusive nos livros didáticos de português, em ressaltar a importância do significado, com todas as possibilidades que os diversos usos de uma palavra permitem. Este trabalho procura destacar o estudo da piada como gênero textual para o desenvolvimento da competência lexical na sala de aula, por meio de contradições semânticas intencionais apresentadas por um mesmo item lexical, marcadas por fatores intra e extralinguísticos para o efeito de sentido. No significado, aderente à palavra no momento do uso, está a intencionalidade específica do texto humorístico e isso afetará a interpretação do interlocutor/leitor. Além disso, os casos de ambiguidade presentes nas piadas não podem ser vistos apenas como vícios, mas como fenômenos linguísticos. Parte-se do ponto de que a palavra está inserida num contexto que deve ser de conhecimento dos interlocutores para que o processo de comunicação se estabeleça com sucesso. O objetivo central deste trabalho é apresentar a análise de um pequeno conjunto de textos humorísticos, mostrando como se pode destacar os humores da palavra, com vista a favorecer o desenvolvimento da competência lexical. Trata-se de uma abordagem, cujo foco é a sala de aula de português no ensino Fundamental. Embora o propósito dos gêneros de fins humorísticos seja o riso, a sua utilização na sala de aula não pode ser encarada apenas como divertimento, e sim como material de estudo, já que nele tanto emissor como receptor da mensagem têm papel ativo na produção do significado, mesmo que seja diferente para ambos. Além disso, existe uma intencionalidade específica, como em qualquer discurso, que cria o encadeamento polissêmico nas palavras utilizadas. Isso mostra a sua funcionalidade, dotada de mecanismos próprios capazes de gerar o riso. Em relação à fundamentação teórica, o trabalho se apoia em textos de estudiosos como Dolz & Schneuwly (2004), no que diz respeito à progressão dos gêneros textuais; em pesquisas de Bergson (2001), Possenti (1998) e Raskin (1985), para o estudo dos textos humorísticos por meio das teorias sobre a construção do humor verbal; em Silva (1997, 2006), que trata da interface semânticalexical cognitivista; e em textos de Ferraz (2006, 2008), no que se refere à análise do corpus e ao desenvolvimento da competência lexical. Enfim, o corpus utilizado compõe-se de textos humorísticos que podem ser utilizados para o ensino do português, selecionados por mostrarem contradições semânticas intencionais, como comprovação prática do efeito humorístico da polissemia presente nas unidades lexicais. 7 A PALAVRA-MUNDO: OS GÊNEROS LITERÁRIOS COMO MEDIADORES TRANSCULTURAIS NA APRENDIZAGEM DE LÍNGUAS ESTRANGEIRAS. João Augusto de Medeiros Lira O processo de aprendizagem de uma língua estrangeira sempre envolveu uma série de fatores desafiadores que norteiam premissas de inúmeras estratégias de aquisição cognitiva de sistemas lingüísticos diferenciados em prol da eficácia de seus mecanismos de identificação, compreensão, codificação e, portanto, comunicação pragmática e efetiva da utilização dos seus múltiplos sentidos e a sua aplicação em múltiplos contextos. Simplificando: aprender uma língua estrangeira é como descobrir um mundo desconhecido, e ao mesmo tempo, redesenhar o mundo que nos cerca como se construíssemos uma nova paisagem, cheia de cores distintas, variadas, e revestidas de novas sonoridades. Adentrar nos domínios de um sistema lingüístico diferenciado não deixa de ser uma experiência especular. Na descoberta do “mundo” de outra língua, nós também nos projetamos nele; e é neste jogo de espelhos transversos em que a linguagem se faz mediadora, que nos familiarizamos com um universo lingüístico diferenciado, e assim, o adquirimos cognitivamente, passando a fazer parte dele enquanto agente ativo de suas habilidades e práticas de utilização. O objetivo deste trabalho é exemplificar algumas estratégias de aquisição do conhecimento de uma língua estrangeira através da utilização instrumental de textos de natureza literária como suporte lapidar para um envolvimento singular do aprendiz com o processo de aprendizagem. Partindo do pressuposto de que toda língua é um sistema representacional de sentidos, procuramos empreender técnicas utilizando o texto literário como material didático, articulando uma interface dialógica entre língua enquanto sistema representacional de sentidos e a natureza intrínseca dos gêneros literários enquanto processos discursivos de representação e tematização do mundo, procurando estabelecer linhas estruturais de contato entre os dois campos através de práticas intertextuais, intratextuais, e representacionais, que tenham como objetivo central uma forma potencializada de familiarização da língua, empreendida por ações performativas de utilização didática dos gêneros literários com o intuito de inserir o aprendiz dentro do universo discursivo da língua estrangeira de uma forma mais participativa, lúdica, e produtiva, a partir de atividades transformacionais e criativas que proporcionem uma maior familiaridade e propriedade de uso da língua experimentada. 8 A passagem das disciplinas de língua para as disciplinas de literatura no curso de Letras/Alemão da USP: perspectivas históricas e atuais Dörthe Uphoff A maioria dos alunos de Letras/Alemão na USP inicia os estudos sem conhecimento prévio da língua e assim tem sido desde a criação do curso em 1939. A pouca familiaridade com o idioma dificulta o bom desempenho dos alunos nas disciplinas de literatura alemã, uma vez que os mesmostêm pouco tempo para adquirir, nos semestres iniciais do curso, um nível de competência linguística que os habilite alidar de forma autônoma e crítica com textos literários em língua alvo. Esse problema estrutural do curso de Letras/Alemão tem sido reconhecido e comentadoem váriaspublicações de professores da área ao longo do tempo e costuma ser considerado de difícil solução. Partindo dessasobservações, a comunicação aqui proposta tem por objetivo trazer reflexões sobrea passagem das disciplinas de língua para as de literatura, procurando descreverpor diversos ângulos esse momento de transição entre as duas áreas no curso de Letras. Em primeiro lugar, pretende-se fazer um resumo geral das avaliações feitas em diversos momentos históricossobre a difícil interligação das disciplinas no currículo de Letras/Alemão na USP. Em seguida, procura-setraçar o perfil específico do ensino de língua estrangeira em um curso de Letras, que apresenta características tanto de um ensino geral do idioma, quanto de um ensino para fins específicos, já que visa preparar, entre outros, para o manejo de textos literários em nível acadêmico. Por fim, propõe-se a discutir alguns exemplos concretos de ações pedagógicas que podem ser tomadas, dentro das atuais condições curriculares, para iniciar o trabalho com o texto literário original já nas disciplinas iniciais de língua estrangeira. Serão apresentados dois projetos de trabalho com poemas, executados no ano passado, com turmas de alemão de nível A1 e A2. 9 A RELEVÂNCIA DA CULTURA E DA LITERATURA NO ENSINO DE LÍNGUAS Ivana Ferigolo Melo A contemporaneidade, devido, principalmente, à presença e ação dos meios de comunicação de massa, tem se apresentado como uma época apta a colocar em cena ou em evidência a pluralidade cultural que caracteriza o mundo e que se mostra visível tanto a partir de um enfoque diacrônico como sincrônico. Os tempos atuais, em consequência, registram uma explosão de significativas e abundantes discussões sobre a valorização da diversidade cultural tanto nos processos de ensino de língua materna como de língua estrangeira. Considerando a pertinência de tais discussões, esse trabalho busca refletir sobre a importância de se incorporar, nas práticas de ensino de línguas, a literatura e conteúdos culturais materializados em diversos gêneros textuais. Almeja-se sinalizar que a incorporação da literatura e de outras manifestações culturais no ensino de línguas tem importância à medida que poderá explicitar diversas interpretações e explicações sobre os mais variados fenômenos naturais, sociais e existenciais formuladas pelo homem a partir da imaginação e da linguagem. Acredita-se que a conscientização sobre o caráter relativo da verdade e do sentido, capaz de ser adquirida mediante o contato com a pluralidade cultural, poderá contribuir para a ampliação do imaginário cultural dos alunos e atuar, consequentemente, na dissolução de preconceitos e intolerâncias. 10 Língua, literatura e formação docente em interdisciplinaridade: uma possibilidade em sala de aula Renata Philippov A educação básica tem sido há bastante tempo criticada por se manter isolada da realidade fora de seus muros, com conteúdo que não reflete as reais necessidades do mundo fora da sala de aula. Tal fenômeno, conhecido como encapsulação escolar (Engeström, 1991), coíbe qualquer tentativa de se trabalhar de forma integrada e colaborativa, buscando aliar os conteúdos curriculares ao mundo real, causando no aluno sensação de desinteresse e alienação e, portanto, impedindo uma aprendizagem efetiva. Apesar de algumas iniciativas visando romper tal encapsulação, o caminho ainda é longo e não se restringe à educação básica. Cursos superiores em Letras no Brasil há muito contemplam aulas de língua e literatura estrangeiras e formação docente de forma igualmente fragmentada, com disciplinas sem integração nem interdisciplinaridade, assim encapsulando a aprendizagem. Alunos não conseguem perceber ligação entre os conteúdos das disciplinas pensadas de forma estanque e sem continuidade ou planejamento conjunto dentro da grade curricular. O isolamento dentro da grade reflete também ruptura com relação à realidade fora da escola. Se algumas instituições de ensino superior contemplam a aprendizagem de língua estrangeira através das teorias dos gêneros, visando trabalhar com contextos de uso da língua, mesmo assim o trabalho interdisciplinar tende a não ocorrer. O mesmo pode ser visto em aulas de literatura de língua estrangeira, muitas vezes dadas em português e com apoio de obras literárias resumidas ou em tradução. Nas aulas de formação docente, tende-se a fomentar o ensino-aprendizagem de língua estrangeira de forma fragmentada, sem uma discussão de como integrar o texto literário em sala de aula. Perdese, portanto, uma rica oportunidade de se fazer uma gestão curricular integrada em disciplinas de língua, literatura e formação docente. Os egressos de cursos de Letras acabam perpetuando a encapsulação em sala de aula por mero desconhecimento da riqueza que tal integração pode trazer. Esta comunicação tem por objetivo relatar uma experiência de integração entre língua, literatura e formação docente dentro de disciplinas de um curso de Letras – Inglês em uma universidade pública no estado de São Paulo, bem como em cursos de extensão para professores da rede pública de ensino, sob as perspectivas da Teoria da atividade sócio-histórico-cultural (Liberali, 2009), da Aprendizagem colaborativa (Magalhães e Fidalgo, 2011) e de teorias de gestão (Clot, 1999; Engeström, 2001; Alonso, 2007; Fullan, 2008). 11 Literatura e cinema no ensino do FLE: contribuições para a leitura Viviane Moraes de Caldas Gomes O ensino das línguas estrangeiras vem sendo estudado, cada vez mais, de acordo com as necessidades levantadas nos nossos tempos de pós-modernidade que parece acelerar o tempo e, concomitantemente, tem acelerado o processo de aquisição da informação. Nesse cerne, o processo de leitura, bem como o seu ensino estão sendo revistos de modo incessante, seja em fóruns acadêmicos, seja nas salas de aula que formam professores, pois o trabalho que se demanda para ser um leitor proficiente vai de encontro à pressa que o tempo impõe às sociedades pós-modernas, levando, por vezes, à redução do número de leitores com uma consequente perda de espaço para as atuais novas mídias. Dessa forma, faz-se necessária a mobilização de outros suportes que incitem, no aprendiz, o prazer da leitura, sobretudo, a literária, fazendo-a passar de uma perspectiva na qual é vista como um processo doloroso, ao ato do prazer, ainda que doloroso, como nos sinaliza Barthes (2003), estimulando o leitor que por esse caminho se aventurar. Nesse sentido, além das dificuldades aportadas pelo período histórico no qual estamos inseridos, outras dificuldades são percebidas, quando levamos o leitor ao alcance da leitura. Dentro desse cenário, identificamos a sétima arte, o cinema, enquanto suporte eficaz para auxiliar na construção dos sentidos dos textos. Partindo do princípio de que ler é um ato que se configura, também, na formação de imagens por parte do leitor, entende-se que o texto literário aporta consigo uma programação que o permite a realização limitada de leituras possíveis e, dentro desta programação, um leitor-modelo. É a partir, então, das considerações traçadas por Eco (2012), Plaza (2010) e Hutcheon (2011) que delineamos algumas reflexões acerca do papel da obra cinematográfica adaptada e sua relação no ensino de leitura literária em contexto do ensino do francês como Língua estrangeira (FLE). Assim, neste trabalho, intentamos apresentar reflexões sobre a importância da adaptação da obra literária para o cinema como um importante suporte para a leitura literária no domínio da aula de FLE. Buscando a não dissociação entre a literatura e o ensino des línguas, escolhemos como corpus Le silence de la mer e Ce jour-là (2001), narrativas do escritor francês, do período da Resistência, Vercors para a validação de nossas ponderações . A nossa análise alcança tanto o seu modo verbal, isto é, o texto literário e a sua compreensão escrita, quanto a sua adaptação para as telas. Tais reflexões, à luz das bases teóricas supracitadas, sinalizam como resultado que o “prazer do texto” pode ser favorecido pela arte fílmica, desde que conduzida pelo professor que instigue seus aprendizes ao ato da leitura literária.Palavras-chave: Leitura literária; Adaptação fílmica; Ensino de Línguas Estrangeiras; FLE. 12 O coração da neve: Criação literária, escolhas linguísticas e ensino Ana Luiza Ramazzina Ghirardi Em Littérature et communication en classe de langue, E. Papo e D. Bourgain sugerem que as relações entre os elementos exteriores e interiores,são básicas para a comunicação literária : “La prise de consciencedesnormespartagées par lesparticipants à la communication littérairereposesurlelienétabli entre les traces internes autexte, témoignant d’éventuellesrégularités de fonctionnement, et desdéterminationsquiluisontextérieures (type de texte, contrat d’édition, etc) quirelèvent de l’entoursocio-historique de saproduction et de saréception.” (1989). Essa premissa é o ponto de partida dessa comunicação, que visa discutir os riscos advindos de se simplificar demasiadamentetal ligação e de, potencialmente, sugerir uma barreira absoluta entre elementos internose externos. Os elementos internos são uma opção que implica o descarte de outras possibilidades concorrentes. O uso de determinada pessoa, voz ou tempo para a narrativa, por exemplo, não é uma inevitabilidade, mas uma escolha, e uma escolha que está no coração do fazer literário. Se o aprendiz não consegue perceber o universo a partir do qual tal escolha foi feita, isto é, se ele não consegue perceber e compreender os descartes e inclusões que o autor opera a partir do repertório de recursos linguísticos disponíveis, ele não é capaz de fruir plenamente, nem de se aprofundar, nas características literárias em suas conexões externas.Os elementos que constituem o gênero se evidenciam nesses elementos externos e são eles que permitem sua classificação e seu funcionamento. As escolhas ditas« gramaticais »não são neutras, nem puramente linguísticas. Elas obedecem à mesma lógica que preside à construção das narrativas literárias como um todo. Supor uma barreira absoluta entre elementos internos/externos, falseia o próprio processo de criação literária. Esta apresentação discute esse ponto, ilustrando-o com uma passagem retirada do romance Neige, de MaxenceFermine. 13 O ENSINO DE FLE : UMA ABORDAGEM COMPARATIVA DOS CONTOS LE CHAT BOTTÉ E LE PETIT POUCET DE CHARLES PERRAULT Aline Aparecida da Silva / Natália Godoy e Margarida da Silveira Corsi Durante muito tempo, a abordagem da literatura francesa nos cursos de Letras/Francês, ficou relegada à leitura de textos literários traduzidos ou serviu apenas como suporte para a aquisição de vocabulário. Esta pesquisa, vinculada ao Grupo de pesquisa Interação e Escrita (UEM/CNPq – www.escrita.uem. br), à luz da Linguística Aplicada, numa perspectiva sócio-histórica da linguagem e também ao Projeto de pesquisa “A narrativa francesa como suporte para a aprendizagem de língua e literatura francesas. É possível encontrar novos caminhos?” se propõe a estudar comparativamente os contos de fadas Le Chat botté e Le petitPoucetde Charles Perrault.Para tanto, propomos o estudo do gênero, partindo da análise centrada no conceito de gênero literário e ampliada para os três pilares constitutivos de gêneros discursivosde Bakhtin (1992) –– conteúdo temático, estilo e estrutura composicional –, para apreender as características do gênero conto de fadas. Em seguida, o estudo embasa discussões sobre os resultados da análise e de possíveis abordagens em sala de aula. Na sequência, propomos o trabalho didático – centrado nas versões impressase em áudio dos contos – na disciplina: Língua Francesa: Habilidades comunicativas integradas II, do segundo ano do curso de Letras Português/Francês, da Universidade Estadual de Maringá, considerando a relação de autor e destinatário(s) com as condições de produção, as esferas de circulação, o suporte e o contexto interativo, sem excluir elementos formais do gênero abordado, nem o processo de interação verbal, oral e escrita que pode permear o estudo do gênero em questão. Os resultados indicam que além da compreensão de elementos linguísticos específicos da língua francesa, os alunos também possam compreender, por meio de uma análise de elementos composicionais como personagens, tempo, espaço, que a obra tem sua relevância social. Neste sentido, busca-se contribuir para a formação de um receptor, consciente da riqueza linguísticocultural do gênero conto, estimulando a aquisição de vocabulário, o estudo da gramática, a prática da oralidade, da leitura e da escrita, assim como para o aprimoramento de seus conhecimentos sócio histórico-ideológicos, capacitando-o para interagir com e a partir dela. Palavras-chave: gêneros literários; gêneros discursivos; conto; 14 O lugar do literário em PLE: uma experiência transnacional. Ana Beatriz Simões O presente trabalho propõe-se a discutir o lugar do texto literário na elaboração de materiais didáticos voltados ao ensino de português como língua estrangeira (doravante PLE), direcionados a alunos da Universidade Nacional de Tucumán (UNT), na República Argentina. Essa atividade forma parte do projeto “Além das fronteiras: o ensino de língua portuguesa como língua estrangeira”, com o incentivo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e representa um desdobramento do Convênio Internacional nº 5938/2011 entre as duas instituições supracitadas. Considerando o processo da gramatização da língua portuguesa (AUROUX, 1992), tomamô-la como língua transnacional (ZOPPI-FONTANA, 2010), visto que a mesma adquire status de língua de mercado e atinge o campo da produção de instrumentos didáticos, de modo a institucionalizar e difundir seu ensino. Dessa forma, o PLE atravessa diversas questões postas acerca da eficácia de metodologias de ensino das línguas estrangeiras, principalmente no tocante à interface comunicativa e pressupõe a escolha de diversos gêneros a contemplar o desenvolvimento das competências e habilidades linguísticas e discursivas dos aprendizes. Na seleção de gêneros a serem trabalhados com os alunos, o texto literário em geral, de inserção mínima nas aulas de PLE, tem por destino habitual o uso enquanto pretexto para o ensino de elementos formais da língua ou constitui-se de mero instrumento à divulgação de aspectos culturais e sociais do português. De acordo com Santos (2007), o texto literário não deve servir como um material complementar de informação cultural, mas estimular o desenvolvimento da competência leitora e literária dos alunos. A literatura é, conforme exposto por Candido (1995), um “direito de todos” e não deve ser apartada dos processos de aprendizagem de LE, uma vez que não há nação ou cultura sem um imaginário mítico, poético e ficcional. Tendo em vista tais considerações, relataremos uma experiência didática na qual utilizamos os poemas “Pronomimais”, de Oswald de Andrade e “Língua Portuguesa”, de Olavo Bilac, de maneira a propor uma comparação entre as imagens de língua apresentadas e destacar os aspectos polissêmicos presentes nas referidas poesias. 15 OS CONTOS DE FADAS DE CHARLES PERRAULT: UMA LEITURA DE RIQUET À LA HOUPPE Fernanda Giacopini Ramos, Margarida da Silveira Corsi e Nilda Aparecida Barbosa O aprendiz de língua francesa no contexto universitário, especialmente no curso de licenciatura, de modo geral, visa a aquisição, aprendizagem e reflexão sobre a língua que futuramente irá ensinar. Entretanto, durante o processo de aprendizagem, com frequência, o texto literário, de modo particular a ficção, é utilizado como meio de aquisição de vocabulário, sem preocupação com o estudo da arte literária, seu contexto de produção, suas características formais e sua ideologia. A abordagem do texto narrativo como simples ponto de partida para questões da língua torna o estudo da ficção literária desinteressante e pouco criativo para o aprendiz de língua e literatura francesas. Por essa razão, muitos alunos preferem ler a tradução ou simples resumos de obras literárias clássicas. É buscando incentivar o gosto pela leitura do texto literário francês e seu estudo como objeto e instrumento para uma aprendizagem mais dinâmica, criativa e interativa da língua francesa, sem excluir o estudo gênero literário como forma tradicional, que nos propomos a desenvolver esta pesquisa vinculada ao Grupo de pesquisa Interação e Escrita (UEM/CNPq – www.escrita.uem.br), à luz da Linguística Aplicada, numa perspectiva sócio-histórica da linguagem. Para tanto, o estudo do conto de fadas Riquet à lahouppede Charles Perrault parte da análise centrada na teoria literária dos gêneros e, em seguida, nos três pilares constitutivos de gêneros discursivos – conteúdo temático, estilo e estrutura composicional –, para apreender as características do gênero conto de fadas, segundo os conceitos da teoria literária expandidos para os conceitos de Bakhtin (1992). Espera-se que o resultado de tal trabalho possa contribuir para a formação de um processo de análise capaz de elucidar as potencialidades da narrativa literária francesa de Charles Perrault, podendo ainda contribuir para a formação de um leitor crítico, consciente da riqueza linguístico-cultural da narrativa literária francesa, capacitando-o para interagir com e a partir dela. Palavras-chave: gêneros literários; gêneros discursivos; narrativa; 16 Outro olhar para o ensino de Língua Portuguesa Glauce Maciel Barbosa Pereira Este trabalho aponta a necessidade da reestruturação metodológica no ensino de Língua Portuguesa, especialmente em torno das práticas de leitura e escrita. Foi desenvolvido, no 6º ano do Ensino Fundamental, na instituição de ensino estadual Escola Maria Quitéria, em Feira de Santana, Bahia, com base nos pressupostos da abordagem educativa Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP). Foram utilizados como referencial teórico os autores: John Dewey, Michel Thiollent, Ezequiel Theodoro da Silva, Marcos Bagno, Eliana Yunes, Carlos Drummond de Andrade, Stanislaw Ponte Preta, Luís Fernando Veríssimo entre outros. A metodologia empregada nesse trabalho foi a pesquisa-ação, acompanhada das seguintes técnicas e instrumentos de coleta de dados: grupo focal com estudantes, questionário aplicado aos sujeitos pesquisados e um pré-teste para verificação do nível de proficiência leitora e escrita dos sujeitos. Os resultados dessa pesquisa comprovaram que a aplicação do enfoque educativo ABP poderá mudar as práticas de ensino e aprendizagem de língua, viabilizando assima formação de leitores críticos. Nesse sentido, essa discussão se enquadra na proposta do Simpósio: Aula de língua e gêneros literários: metodologias e saberes, uma vez que esse tema sugere apresentação de trabalhos voltados para a inovação do ensino de Língua, já que esse vem se tornando um desafio para os profissionais da área, tendo em vista que as metodologias mais usuais não estão contemplando o vasto leque de textos literários como forma de dinamizar e enriquecer o trabalho com essa disciplina. Essa pesquisa tem como proposta sugerir uma metodologia de ensino e aprendizagem numa perspectiva diferenciada que promove a formação do leitor proficiente a partir da reflexão de textos literários. Estetrabalho está comprometido com a promoção da qualidade da educação, considerando-se que a língua exerce um relevante papel na vida dos seus usuários, tratando-se de um instrumento de comunicação, de interação social, enfim, um instrumento de autonomia, capaz de atribuir poder àqueles que sabem manuseá-la de forma consciente. 17 POTENCIALIDADES DOS TEXTOS TEATRAIS NA APROPRIAÇÃO DE UMA LÍNGUA ESTRANGEIRA Paulo Roberto Massaro Ao longo desta comunicação, pretendemos discutir os eixos norteadores de nosso projeto de pesquisa que, filiando-se à corrente de reflexão teórica ancorada por um lado no conceito de apropriação de uma língua estrangeira (CICUREL; VÉRONIQUE, 2002) e por outro, nas análises de Jean-Pierre Ryngaert, coloca em evidência as potencialidades estéticas do texto teatral e seus impactos sobre o sujeito que se diz em língua estrangeira. Dentre as múltiplas tessituras das quais o leitor de um texto literário pode fruir, ressaltamos neste trabalho aquela do texto teatral por considerarmos que uma de suas especificidades resulta de uma dualidade extremamente fértil para o contexto do ensino-aprendizagem de uma língua estrangeira. Texto pertencente à esfera da língua escrita que, ao mesmo tempo, se projeta sobre / se destina à esfera da língua falada, o texto de teatro gera pela sua própria essência uma entrada ambivalente: uma certa perspectiva da escrita - a leitura - simultânea e interagente com uma certa perspectiva da oralidade, ou seja, a atividade de comunicação vocal de um texto (BAJARD,1994). Apesar de concordarmos com os autores que apontam para uma absoluta dissolução da noção de gênero textual no teatro contemporâneo - visto que todo e qualquer texto pode ser convocado à encenação sobre o palco - focalizaremos neste trabalho o texto teatral enquanto gênero textual literário, caracterizado por uma tessitura intencionalmente destinada a uma encenação, ainda que virtual. Pretendemos sublinhar a importância de renovarmos o apetite pela leitura, apreendendo o texto teatral na sua especificidade, sem o palco, mas na tensão e no movimento que o projetam sempre para um palco futuro (RYNGAERT, 1995). Posto que sua vocação é a materialização sobre o palco, trata-se de um texto grávido de encenações possíveis. Por conseguinte, para efetivamente ler um texto teatral, é preciso que o leitor compreenda como se expressa na trama discursiva a teatralidade geradora de espetáculo. Além de construtor de sentidos, o leitor de um texto teatral torna-se um leitor encenador, mobilizando para tanto uma competência que nem sempre é necessária à leitura de outros gêneros textuais: a de visualização cênica em três dimensões. Por outro lado, o processo de construção de sentidos pertinentes à tessitura do texto teatral depende ainda do segundo aspecto de sua entrada ambivalente: a comunicação vocal.Para tanto, sequências didáticas que promovam a experimentação da dimensão paralinguística (oposições de ritmo, de articulação, de intensidade sonora, de timbre, de entonações, possibilidades de sotaques e acentuações, 18 não necessariamente previsíveis), bem como atividades centradasna alternância de enunciadores do mesmo texto, ou atividades que acrescentem a dimensão espacial, por exemplo, tornam-se fertilíssimos domínios a explorar em contexto de apropriação de uma língua estrangeira. Assim, esperamos poder contribuir para a reflexão subjacente a este simpósio não só através das discussões acima sintetizadas, mas também apresentando alguns resultados que obtivemos junto a sujeitos-aprendizes em contexto de formação universitária em Letrasexpostos à fruição do texto teatral durante aulas destinadas especificamente ao estudo da língua francesa. 19 TI JEAN L’HORIZON E PLUIE ET VENT SUR TÉLUMÉE MIRACLE, DE SIMONE SCHWARZ-BART: CAMINHOS PARA DIÁLOGOS CULTURAIS EM CONTEXTOS DE BRASIL E ANTILHAS. Josilene Pinheiro-Mariz A literatura de língua francesa produzida fora do eixo hexagonal francês tem características múltiplas, sobretudo, porque se estende pelos cinco continentes, o que resulta, naturalmente, nas mais variadas formas de expressão literária. Nessa perspectiva, o escritor de língua francesa está imerso em um cruzamento cultural, especialmente quando ele não é francês europeu. Estaria nesse ponto, portanto, uma primeira problemática que está ligada à identidade linguística desse escritor. Uma segunda questão é o próprio uso do termo “francofonia”, reunindo escritores de espaços e culturas distintas que teriam na língua francesa o laço de união. Entretanto, essas questões não são tão peculiares à língua francesa, pois têm uma relação direta com fatores marcados pela colonização. Nesse sentido, encontraríamos essas mesmas características em outros contextos como também na literatura de língua inglesa e espanhola (MOURA, 2011). Este trabalho busca discutir o fenômeno conhecido como “francofonia” em um âmbito mundial, destacando-se a literatura antilhana; e, nessa perspectiva, destacaremos a produção literária da guadalupense Simone Schwarz-Bart, autora de obras consideradas como patrimônio cultural de seu país, uma vez que resultam da confluência de imagens míticas, da língua francesa e da crioula, fortalecendo o imaginário mítico na identidade nacional das Antilhas. Priorizamos, neste estudo, os romances Ti Jean l’horizon, e Pluie et vent sur Télumée Miracle, considerando-se que tais narrativas retratam um mundo fantástico e pleno de referências à cultura local dessa região da América Central, mas também representam imagens reais de uma cultura que é constituída por um entrecruzamento de culturas de diversas origens. Enfocamos ainda, a necessidade de se trabalhar as literaturas produzidas em língua francesa, destacando-se a produção literária feminina, como um elemento capaz de promover diálogos culturais e identitários. Ressaltamos ainda a importância de se discutir questões concernentes à língua francesa e às suas variações na esfera do ensino de línguas, permitindo-se, dessa forma, que sejam estabelecidas relações entre a língua francesa e a culturas de povos de língua francesa na formação de futuros professores de FLE. Tal procedimento metodológico se constitui em um instrumento necessário que reúne em sala de aula dois grandes domínios da área de Letras e que são indissociáveis: a língua e a literatura. Palavras-chave: literaturas francófonas; FLE; culturas. 20