SECRETARIA DA EDUCAÇAO DO ESTADO DO PARANÁ - SEED
PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL – PDE
UNIVERSIDADE ESTADUA DE MARINGÁ – UEM
PRODUÇÃO DIDÁTICA PEDAGÓGICA
O USO DO FILME NAS AULAS DE
TÍTULO:
HISTÓRIA
Autor
Elizabete Aparecida de Oliveira
Disciplina/Área
História
Escola de Implementação do Projeto e Colégio Estadual Reynaldo Massi
sua localização
Rua Augusto Primo Negrini nº 475
Município da Escola
Diamante do Norte
Núcleo Regional de Educação
Loanda
Professor Orientador
Ailton José Morelli
Instituição de Ensino Superior
Universidade Estadual de Maringá - UEM
Formato do Material Didático
Caderno Pedagógico
Público Alvo
Terceiro Ano do Ensino Médio
Palavras-chave
Filme; História; Sala de aula
A elaboração desta Produção DidáticoPedagógica no formato de Caderno
Pedagógico se constitui em mais uma
atividade, dentre as tantas propostas pelo
PDE, na área de História. O tema aborda
“Cinema e História”. A proposta que
desenvolvemos utiliza o cinema como um
recurso nas aulas de História, fazendo uma
interação entre o mundo e a escola, o real e
Resumo
o imaginário, procurando despertar o
interesse pela análise, reflexão e crítica,
estabelecendo relações com o conteúdo,
compreendendo determinados momentos
da História de uma forma mais atenta, clara
e prazerosa. Sendo assim, a Produção
Didático-Pedagógica tem como meta
principal, a utilização de uma metodologia
mais atrativa e participativa aos educando.
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O vídeo parte do concreto, do visível, do
imediato,
próximo,
que
toca
todos
os
sentidos. Mexe com o corpo, com a pele –
nos toca e “tocamos” os outros (...). Pelo
vídeo
sentimentos,
experienciamos
sensorialmente o outro, o mundo, nós
mesmo.
José Manuel Moran
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SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO.................................................................................................
04
UNIDADE I – CINEMA E ESCOLA: UMA RELAÇÃO EM CONSTRUÇÃO
.................................................................................................................................
05
UNIDADE II – CINEMA BRASILEIRO E SUA HISTÓRIA .....................................
08
UNIDADE III – AS NOVAS LINGUAGENS NO ENSINO E O CINEMA NA SALA
DE AULA ................................................................................................................
11
UNIDADE IV – COMO UTILIZAR O FIME NAS AULAS DE HISTÓRIA
.................................................................................................................................
14
PARTE I – Planejamento e Filme ...........................................................................
14
PARTE II – Como Utilizar o Filme na Sala de Aula ................................................
16
PARTE III – Como o Professor deve agir ...............................................................
18
PARTE IV – Cuidados que o Professor Deve Ter Antes da Exibição do
Filme........................................................................................................................
19
PARTE IV – Uso Inadequado do Filme ..................................................................
19
PARTE IV – Motivos para o Professor Exibir o Filme ............................................
19
UNIDADE V – SUGESTÕES DE FILMES E ROTEIRO PARA ANÁLISE
................................................................................................................................
21
REFERÊNCIAS ......................................................................................................
31
4
APRESENTAÇÃO
Este Caderno Pedagógico é uma Produção Didático-Pedagógica objetiva atender
uma exigência do Programa de Desenvolvimento Educacional – PDE relativo ao ano de
2012, na área de História.
O tema abordado no presente trabalho é “Cinema e História.”
Este trabalho servirá de apoio à implementação do Projeto de Intervenção
Pedagógica no Colégio Estadual Reynaldo Massi de Diamante do Norte e contará com
o envolvimento dos alunos das séries finais do Ensino Médio.
O conteúdo deste Caderno Pedagógico se desenvolverá em várias etapas:
 A primeira unidade apresenta reflexões sobre relação em construção do cinema
com a escola;
 A segunda unidade faz uma abordagem sobre cinema brasileiro e sua história;
 A terceira unidade fala sobre as novas linguagens no ensino e o cinema na sala
de aula;
 A quarta unidade refere-se à utilização do filme nas aulas de história;
 A quinta unidade faz sugestões de filmes e roteiro para análise.
Ao desenvolver o caderno pedagógico “O uso do filme nas aulas de História”, não
tive a pretensão de dar receitas prontas de como usar o filme no dia a dia da sala de
aula, mas apenas levantar algumas reflexões, que obtivemos através de algumas
leituras, pesquisas e experiências na utilização deste valioso e interessante recurso
midiático.
Em síntese, espero que ele ofereça contribuições para o enriquecimento do
trabalho do professor e que surjam outros estudos a partir desse.
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UNIDADE I
CINEMA E ESCOLA: UMA RELAÇÃO EM CONSTRUÇÃO
Os irmãos Lumière, criadores do cinema, acreditavam que o cinematógrafo não
exercia nenhum fascínio sobre o público, não teria futuro algum, serviria apenas para
fins científicos. Ou seja, não tiveram o “fato artístico e nem comercial” que a sua
invenção logo proporcionaria.
O cinema, hoje, faz parte das preocupações dos historiadores. Não era assim na
época em que foi criado. Segundo Marc Ferro, na ótica dos historiadores do início do
século XX, o filme não era considerado um documento histórico. Partindo do princípio
do Direito, entendiam que o roteirista, e não o diretor era o autor do filme. O que não
era escrito era valorizado enquanto registro histórico. Portanto, não tinham como
enquadrar o filme, a imagem, no rol das fontes documentais.
De acordo com Ferro (1976, p. 201), esse quadro começaria a mudar
precisamente a partir da década de 1960, quando as relações teórico-metodológicas
entre o cinema e história tornaram-se objeto de estudo sistemático por parte de alguns
historiadores, especialmente Marc Ferro e Pierre Sorlin, ligados à Escola de Annales,
no momento em que a historiografia ampliava seus horizontes e apresentava novos
métodos e objetos de análise.
Do sentido comercial ao interesse da pesquisa histórica, o cinema passou
concomitantemente ao centro das discussões entre historiadores e educadores ao
campo do ensino, visto como um instrumento de possibilidades didáticas variadas.
Podemos dizer que a máquina cinematográfica foi uma invenção da burguesia
que desde a Revolução Industrial estava transformando a sociedade, as relações de
trabalho, de produção. Ela se preocupava com a utilização de instrumentos que
facilitassem seu domínio cultural, ideológico e encontrou isso com o cinema.
O professor da Universidade de Colômbia, Mark C. Carnes expõe muito bem
está questão:
O cinema inspira e diverte. Às vezes, ensina verdades importantes sobre
pessoas. Mas não substitui a História que tem sido escrita a partir das melhores
análises e evidências possíveis. Às vezes os cineastas, totalmente imbuídos de
seus produtos, proclamam-nos historicamente precisos ou fiéis, e muitos
espectadores os supõem assim. Os espectadores não deveriam endossar tais
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pretensões nem descartá-las de todo, e sim encará-las como um convite a um
aprofundamento posterior (CARNES, 1997, p.10).
O filme também é uma via de acesso ao conhecimento da história, uma
alternativa para aprimorar o trabalho do professor em sala de aula. O cinema e o vídeo
vêm ocupando um espaço cada vez maior no cotidiano das crianças e dos
adolescentes. Assistir a um filme é sempre elucidativo e, muitas vezes, vence o
imobilismo e a visão dirigida de certos assuntos, fazendo com que se abram novos
caminhos, novos espaços, novas visões. Assim, o filme pode despertar no aluno outro
tipo de relação com o processo de aprendizagem, e pode ser visto como mais uma
forma de ampliar o conhecimento, de instigar a pesquisa e levar a questionamentos
sobre a história.
Vale lembrar que qualquer gênero cinematográfico pode ser utilizado, seja ele
documentário, filme histórico ou ficcional, porém o uso desse material deve ter sempre
a orientação do professor e com objetivos específicos, não apenas como passatempo
ou momento de diversão. Além disso, a escolha do filme deve levar em conta sua
relação com o conteúdo estudado, adequação à faixa etária e duração, uma vez que:
É necessário que o professor tenha objetivos pedagógicos bem definidos
quanto resolva usar o vídeo. É importante que a relação vídeo-conteúdo seja
debatida pela sala em conjunto com o professor e que este escolha um vídeo
adequado à matéria estudada. (LEITE, 1997, p.74).
O filme precisa ser visto, pensado e discutido, pois retrata a versão da história
escolhida pelo diretor ou produtor, que nem sempre corresponde aos fatos reais. O
cinema é um misto de arte e produto industrial, um artefato construído para agradar e
vender, seu compromisso, muitas vezes, é com o espetáculo. Portanto,
O filme é uma visão particular do roteirista e do diretor, que se baseiam em
fatos históricos. Para isso, selecionaram e interpretaram as informações que
quiseram. O mesmo se dá na escolha e edição das cenas. Os sons e as
imagens têm exatamente essa finalidade – criar a sensação de que estamos
assistindo a algo verdadeiro. (BENCINI, 2005, p.49).
O professor vê o filme com outros olhos, pois o que pretende é tratar o cinema
como uma das fontes para seu trabalho de construção/reconstrução da história. Por
isso é essencial que o professor esclareça as diferenças entre a ficção e a realidade,
dentro daquele contexto histórico. Isso significa que, apesar de valorizarmos as
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imagens, não devemos analisá-las isoladamente, mas associá-las a determinado
contexto histórico, social, político e ideológico.
Lembrando Marc Ferro:
Analisar no filme tanto a narrativa quanto o cenário, a escritura, as relações do
filme com aquilo que não é filme: o autor, a produção, o público, a crítica, o
regime de governo. Só assim se pode chegar à compreensão não apenas da
obra, mas também da realidade que ela representa. (FERRO,1992, p. 80).
Um filme pode ser utilizado tanto para introduzir um conteúdo quanto para finalizálo, sempre atento para as questões mais importantes do período histórico relatado:
temática básica, contexto, diálogos, ideologia, caracterização dos personagens,
simbolismo, concepções e valores.
O trabalho pode ser complementado por alguma atividade especialmente
planejada para explorar seu potencial. O ideal é promover um debate em sala de aula,
para que os alunos possam expor sua visão, suas críticas e considerações sobre as
imagens apresentadas. Os alunos podem ainda realizar uma atividade escrita, dessa
forma, o professor poderá analisar a articulação da linguagem científica, o domínio de
conceitos, a coesão de ideias, o raciocínio lógico, a relação passado presente, a
localização espaço temporal, a observação, o debate de ideias e a estruturação de
textos.
A participação crítica do aluno, a partir do estudo do filme e do conteúdo
trabalhado, fará com que ele seja capaz de discernir a ficção da realidade, além de
despertar um maior interesse pelas discussões realizadas nas aulas.
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UNIDADE II
CINEMA BRASILEIRO E SUA HISTÓRIA
Ramos (1987), afirma que em 1896, chegaram ao Rio de Janeiro aparelhos de
projeção cinematográfica, em 1898, foram realizadas as primeiras filmagens no Brasil.
Somente em 1907, com o advento da energia elétrica industrial na cidade, o comércio
cinematográfico começou a se desenvolver.
Nesta fase, predominou filmes de reconstituição de fatos do dia-a-dia. A partir de
1912, das mãos de Francisco Serrador, Antonio Leal e dos irmãos Botelho eram
produzidos filmes com menos de uma hora de projeção, época em que o cinema
nacional encarou forte crise perante o domínio norte-americano nas salas de exibição,
os cine-jornal e documentários é que captavam recursos para a produção de ficção.
Em 1925, a qualidade e o ritmo das produções aumentaram, o cinema mudo
brasileiro se consolidou e os veículos de comunicação da época inauguraram
colunas para divulgar o nosso cinema. Entre os anos 30 e 40, o cinema falado
abriu um reinício para a produção nacional que se limitou ao Rio em comédias
populares, conhecidas como chanchadas musicais que lançaram atores como
Mesquitinha, Oscarito e Grande Otelo. A década de 30 foi dominada pela
companhia cinematográfica Cinédia e os 40 pela Atlântica. (FERREIRA, 2003,
p. 74).
Em 1939, Getúlio Vargas criou o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda)
que entre outras atribuições controlava a propaganda de cunho estatal pelos cinejornais
como: inaugurações, festividades cívicas, visitas de autoridades, viagens do presidente,
etc.
O Estado Novo criou aparatos culturais próprios destinados a produzir e a difundir
sua concepção de mundo para o conjunto da sociedade. O DIP através de seus
cinejornais procurou difundir a imagem que o Estado Novo queria de si mesmo,
vinculando algumas informações em detrimento de outras.
Os filmes do DIP tiveram grande repercussão no seio da população devido à
autenticidade das imagens (Estado Novo: Ideologia e Propaganda Política).
Com o objetivo de incentivar a produção e exibição de filmes nacionais,
valorizando a cultura do país, foi criado em 1937 no governo de Getúlio Vargas
o INCE- Instituto Nacional de Cinema Educativo. Com a notória contribuição de
Humberto Mauro, mais de trezentos filmes foram produzidos e supervisionados
pelo cineasta. (GALVÃO, 2004).
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As chanchadas dos anos 40 foram componentes da tentativa de industrialização
da arte cinematográfica brasileira. A criação no Rio de Janeiro, da companhia Atlântica,
consagrou atores como Grande Otelo, Oscarito e Zé Trindade.
No período de 1950 e 1960, em São Paulo, paralelo à fundação do Teatro
Brasileiro de Comédia e abertura do Museu de Arte, surgiu o estúdio da Vera Cruz que
através de fortes investimentos e contratação de profissionais estrangeiros buscavam
produzir no Brasil, uma linha de filmes sérios, industrial, com uma preocupação
estético-cultural hollywoodiana e com a participação de grandes estrelas como Tânia
Carreiro, Anselmo Duarte, Jardel Filho, entre outros. A Vera Cruz tinha uma produção
cara e de qualidade, mas faltava-lhe uma distribuidora própria e salas para absorver a
sua produção. Uma de suas produções foi premiada em Cannes, o filme Cangaceiro de
Lima Barreto.
Em oposição às produções paulistas e cariocas, surgem cineastas independentes
que a partir da década de 60, buscam manter a pretensão artística da Vera Cruz, como
por exemplo, Walter Hugo Khouri, e uma esfera neo-realista, com o filme Rio 40 de
Nelson Pereira dos Santos. Nesta fase, houve o fenômeno de filmes feitos na Bahia,
por baianos e sulistas, como o Pagador de Promessas. Esse é o marco do Cinema
Novo, movimento, carioca que abarcou o que havia de melhor no cinema nacional,
época de intensa produção e premiação de nomes como os de Glauber Rocha,
Serraceni, Ruy Guerra, entre outros.
“Uma ideia na cabeça e uma câmera na mão”, esse era o lema e a marca do
Cinema Novo Brasileiro, criado pelo diretor Glauber Rocha, um dos expoentes
do movimento, ao lado de Nelson Pereira dos Santos. Criado no começo dos
anos 60, o Cinema Novo ressaltava a importância do autor e rejeitava o
predomínio do produtor e da indústria cinematográfica, como os estúdios de
Hollywood. O movimento foi influenciado pelo neo-realismo italiano e pela
Nouvelle Vague francesa, que também contestava as grandes produções da
época. (GERBER, 1977).
Glauber Rocha denunciou os altos custos do cinema industrial e propôs em seu
manifesto “Estético da Fome” a realização de filmes que retratassem a miséria, as
desigualdades sociais e a opressão vivida pelos brasileiros.
A partir dos anos 70, a situação mudou. O Ministério da Educação aconselhou os
cineastas a se voltarem para o filme histórico; o governo manifestava explicitamente o
seu desejo por temas como: FEB, bandeirantismo, e grandes personalidades
nacionais como: Osvaldo Cruz, Santos Dumont, Duque de Caxias, Marechal Rondon
e outros. Mas as pressões do governo não surtiram efeito porque os filmes históricos
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eram muito dispendiosos. Somente com o filme Independência ou Morte, que agradou
muito os militares, esse tipo de filme deslanchou. (SARACENI, 1993).
A partir de 1975, com a criação da Embrafilme, o governo entrou na produção e o
filme histórico tornou-se cada vez mais um assunto de estado, assumindo uma posição
ideológica e estética.
Em 1990 a Embrafilmes foi extinta, caiu por terra todo o trabalho realizado até
então, mas em meados de 1990, foram criadas novas leis de incentivo fiscal,
que fizeram ressurgir o cinema brasileiro para continuar nos honrando com a
arte que realiza. (BERNARDET, 1979).
O cinema nacional passa por uma renovação, abordando temas polêmicos como
o analfabetismo, migração (Central do Brasil) e a violência (Tropa de Elite), levando a
população à discussão de grandes questões nacionais. Também conta com temas
históricos, como o filme “Olga”, bastante premiado, que trata da Intentona Comunista no
Brasil em 1935, liderado por Luis Carlos Prestes. Ou (O Que é Isso Companheiro), que
conta a história do sequestro do embaixador americano Charles Elbrik, por um grupo de
jovens militantes de esquerda em 1969.
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UNIDADE III
AS NOVAS LINGUAGENS NO ENSINO E O CINEMA NA SALA DE AULA
A utilização do cinema na escola pode ser inserida, em linhas gerais, num grande
campo de atuação pedagógico chamado “mídias-educação”. Embora o conceito de
mídia-educação seja mais aplicável à chamada “comunicação de massa”. O cinema,
enquanto indústria cultural, também é uma forma de mídia moderna, voltada cada vez
mais para um expectador formado pelas novas TICs – Tecnologias de Informação e
Comunicação. A peculiaridade do cinema é que ele, além de fazer parte do complexo
da comunicação e da cultura de massa, também faz parte da indústria do lazer e
constitui ainda obra de arte coletiva e tecnicamente sofisticada. O professor não pode
esquecer estas várias dimensões do cinema ao trabalhar filmes em atividades
escolares.
O cinema é sempre ficção, ficção engendrada pela verdade da câmera (...) o
espectador nunca vê cinema, vê sempre filme. O filme é um tempo presente,
seu tempo é o tempo da projeção (ALMEIDA, 2001, p.40).
O cinema é uma das linguagens que permitem a mediação didática e a prática do
saber histórico. Possui mensagens que traduzem valores culturais, sociais e ideológicos
de uma sociedade, ou seja, traz elementos do momento histórico em que foi produzido,
às vezes, mais do que da época que retrata no enredo.
Uma das justificativas mais comuns para o uso do cinema na educação escolar é
a ideia de que o filme “ilustra” e “motiva” alunos desinteressados e desmotivados para o
mundo da leitura.
Segundo NAPOLITANO:
O uso do cinema em sala de aula vem ajudar a escola a reencontrar a cultura
ao mesmo tempo cotidiana e levada, pois o cinema é o campo na qual a
estética, o lazer, a ideologia e os valores sociais são sistematizados numa
mesma obra de arte. (2003, p. 68).
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A escola não pode estar centralizada em si mesma e acatar apenas as
disposições que as instituições governamentais lhe impõem, pois isto irá atrofiar a
aprendizagem e a aprendizagem é como a sociedade está em constante mudança.
Todo filme é um documento desde que corresponda a um vestígio do passado
remoto ou imediato, tornando-o objeto de pesquisa e análise. Neste sentido, o cinema
em aulas de História torna-se ferramenta de apoio fundamental para a contextualização
e análise dos temas propostos pelo professor.
Segundo SCHIMIDT:
Assim como a fotografia (imagem imóvel), o cinema (imagem móvel) é uma
linguagem contemporânea que exige cuidados especiais no seu uso na sala de
aula. Alguns aspectos precisam ser mencionados como: a necessidade do
conhecimento da historiografia do cinema; estudos sobre a presença da história
no cinema; da presença do historiador no cinema; a questão dos documentários
históricos e a construção da memória (ou da memória em ruínas); o cinema e a
formação da consciência histórica e, finalmente, os aspectos que envolvem a
especificidade do uso do filme no ensino de História. (2005, p.225).
O filme é o objeto que pode auxiliar, pela linguagem conhecida, pela fascinação
provocada nos adolescentes. Trata-se de outra forma de produzir, entender, refletir e
criticar historicamente, pois é um documento diferente dos conteúdos dos livros e ao
mesmo tempo comum aos estudantes, levando ao entendimento da provisoriedade da
verdade histórica.
Temos que ressaltar que nem sempre um filme é fiel à época representada, pois
os homens têm a capacidade de omitir e distorcer situações e personagens históricos.
Além dos interesses econômicos, sociais, políticos e culturais. Além do que, o cinema é
um produto cultural do campo do entretenimento e não do campo didático, sendo
assim, não tem compromisso com a História ou com o ensino. Por isso mesmo a sua
utilização em aula depende do trabalho do professor.
O professor deve estar atento a essa questão para que o aluno não tome o filme
como verdade absoluta, esquecendo-se de relativizar tempo, espaço e sujeito histórico.
Alguns professores ainda tratam a exibição de filme como um instrumento
ilustrativo de temas estudados ou como solução imediata para a falta de planejamento.
Diante dessa situação, as possibilidades da prática se tornam limitadas, repetitivas e
superficiais.
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Por isso antes de passar um filme o professor deve fazer um planejamento, ou
seja, ele deve ter o domínio em relação ao filme, bem como dos objetivos e do trabalho
a ser realizado após a projeção. Não se trata de querer que o professor se torne um
crítico de cinema, mas de ter algumas informações básicas sobre o filme.
Despertar o interesse e uma postura crítica dos alunos sempre foi uma das
premissas para o professor de História. Não importa o tipo de filme, sempre haverá uma
análise a ser feita por professores e alunos.
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UNIDADE IV
COMO UTILIZAR O FILME NAS AULAS DE HISTÓRIA
PARTE I – Planejamento e filme
Ao incluir um ou outro filme nas atividades escolares, a primeira preocupação do
professor deve ser se o filme é indicado à faixa etária do grupo de alunos com os quais
irá trabalhar. Antes disso, o educador já deverá ter assistido ao filme no mínimo duas
vezes, para conhecer a história, verificar os pontos que podem ser explorados em sua
aula, preparar atividades a serem desenvolvidas pelos estudantes, traçar paralelos
entre o filme e os outros recursos utilizados. A utilização dos filmes deve sempre estar
relacionada aos conteúdos e práticas educacionais regularmente utilizadas pelo
professor. Todo o trabalho deve ser orientado para que o aluno saiba que o filme é mais
um meio de aprender, de conhecer, de crescer.
Todos sabem que o filme é um recurso rico, lúdico, interessante. Os alunos que
temos fazem parte de uma geração eminentemente visual e tecnológica. Já nasceram
com televisores, aparelhos de som, telefones, computadores, videocassetes, celulares
e DVDs por perto. É algo que não podemos desprezar. Já existe o uso de filmes em
sala de aula, mas essa utilização não é planejada em longo prazo, não faz parte de
projetos pedagógicos e raramente está conectada ao uso de outros recursos
pedagógicos. Não são poucos os casos relatados de professores que nem mesmo
assistiram aos filmes antes de utilizá-los com os alunos, esses profissionais usam a
produção apenas porque ouviram falar que era interessante ou que versava sobre um
tema relacionado aos conteúdos que estavam desenvolvendo em aula com seus
alunos. Se não houver um planejamento sério, em que o filme complemente e
enriqueça as aulas, sendo posteriormente objeto de trabalhos (individuais ou em
grupos), tarefas e mesmo avaliações, é preferível abrir mão e não usar o cinema na
escola.
Outro cuidado que o professor deve ter é o respeito à bagagem cultural do
educando. Não se podem desprezar os conhecimentos anteriores, a formação dada
pelos pais, às influências do restante da família, os intercâmbios com os amigos, a
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religiosidade. O uso do cinema na escola infere, assim como o de qualquer outro
recurso cultural, uma clara consciência e conhecimento da clientela atendida pelo
professor antes do uso de filmes em sala de aula. Dessa forma, evitamos problemas e
ainda aperfeiçoamos o uso do recurso. Se irá trabalhar com grupos que vivem uma
realidade distanciada, por exemplo, dos centros urbanos, devemos apresentar as
cidades e orientar o olhar sem ofender as origens rurais, caipiras e interioranas dessas
pessoas. Não podemos, nesse ínterim, ficar a todo o momento destacando as
qualidades e as benesses da vida nas cidades e nem tampouco podemos denegrir o
cotidiano das metrópoles. É necessário conhecer bem o filme que vai ser utilizado para
que dificuldades de compreensão surjam e que conflitos venham a ser criados.
Portanto, a exibição de um filme precisa ser planejada como qualquer outra
atividade, para que seja realmente útil e contribua para o aprendizado de seus alunos.
Segundo Machado (2008), a utilização do cinema para educação pode trazer
resultados positivos e vários benefícios para os alunos. Dentre eles podemos citar

Reforça a capacidade de argumentação;

Melhora o vocabulário;

Desenvolve a imaginação;

Dá uma visão mais ampla de mundo ao estudante;

Aproxima os conteúdos escolares do estudante por ser um recurso lúdico;

Facilita a compreensão de temáticas que por vezes podem ser bastante
complexas e difíceis de trabalhar em sala de aula;

Abre espaço para debates e comparações com o que foi dito em aula ou
estudado a partir de outras fontes;

Mobiliza não apenas a razão e o intelecto, mas também as emoções, o que é,
sem dúvida, bastante importante para que esses alunos se envolvam e tenham
mais disposição para aprender.
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PARTE II – Como utilizar o filme na sala de aula
O primeiro passo é a escolha do filme. Devemos selecionar obras que estejam
associadas aos conteúdos escolares previstos no planejamento. Aliás, essa escolha
deve acontecer no início do ano e ser incluída como parte dos recursos previstos na
programação. É importante destacar para os alunos o objetivo da atividade e o que será
exigido deles, pois precisam ter noção do todo para realizar as associações entre
conteúdo, filme e demais materiais utilizados na aula. Um bom recurso é oferecer-lhes a
sinopse do filme, esclarecendo do que trata a história, qual são o contexto, quando foi
produzido e em que condições, e todas as informações pertinentes e necessárias para
o entendimento da obra.
Se considerarmos que a abordagem é simples, superficial, podemos utilizar o
filme para introduzir o assunto e despertar interesse nos alunos. Se a abordagem for
profunda, ele pode ser utilizado como complemento da aula teórica. Nesse caso, o ideal
é que após o filme ocorra um debate, no qual o professor poderá perceber dúvidas e
pontos de dificuldade.
As aulas expositivas, posteriores à exibição, podem ser utilizadas para distinguir
pontos importantes do filme, aprofundar o assunto e introduzir ideias que tenham
passado despercebidas, sem que tenham sido mencionadas.
Se o professor considerar necessário, os trechos mais importantes podem ser
apresentados mais vezes, depois que as discussões e debates, assim como a redação
sobre o material fílmico, já estiverem em curso durante as aulas.
Os filmes também podem e devem ser utilizados para a discussão de questões
sociais. Temas atuais como o meio ambiente e a crise econômica podem ser
associados com vários conteúdos. É importante observar o nível escolar dos alunos,
pois estes devem ser abordados de acordo com a faixa etária e o grau de entendimento
dos mesmos.
O trabalho deve utilizar como ponto de partida a noção de mundo dos alunos,
estimulando uma participação mais ativa nos estudos e nas relações sociais. Também
podem ser formados pequenos grupos de trabalho com o objetivo de fazer com que os
alunos troquem ideias entre si e despertem uns nos outros a atenção quanto a
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informações e aspectos que não foram percebidos, além de discutir questões propostas
pelo professor.
O trabalho com simulações, nas aulas seguintes à exibição, pode aproximar os
temas apresentados nos filmes da realidade vivida pelos alunos, ou mostrar-lhes outras
realidades, as quais não conhecem. Isso tornaria o assunto em questão ainda mais
pulsante e vivo.
Uma das vantagens de levar filmes para a sala de aula é a sua ligação com um
momento de lazer e entretenimento. Para os alunos, ver um filme significa descanso e
não o compromisso e as obrigações relativos à aula. Isso modifica a postura e as
expectativas em relação a esse momento “de lazer” transposto para a sala de aula.
Esse clima descontraído pode trazer muitos benefícios para o processo de
aprendizagem, ajudando a torná-la mais dinâmica e parecida com a aprendizagem do
cotidiano, dos grupos sociais, da internet e outras vividas pelos jovens.
O professor pode também utilizar alguns passos que ajudarão na organicidade
do trabalho. Como por exemplo:

Escolha o tema;

Escolha o filme;

Selecione as passagens ou cenas que abordem o tema que vai discutir com
os alunos;

Organize uma sequência de cenas para exibir durante a discussão em sala;

Elabore uma série de perguntas e questões para que os alunos respondam
depois de assistirem ao filme;

Selecione livros e revistas que tragam imagens sobre o tema para serem
utilizados na sala;

Elabore as atividades que dará para os alunos, determinando os materiais
que vai necessitar e o tempo que a turma dedicará a cada uma delas. Entre
as atividades podem estar; uma pesquisa na biblioteca, a elaboração de um
cartaz ou mural contento imagens e textos sobre o assunto.
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PARTE III – Como o professor deve agir
O papel social do professor de História, ao passar um filme para seus alunos, é
fundamental, pois cabe a ele perceber que os filmes apresentam leituras diferenciadas.
Esses filmes podem ser verdadeiras obras de arte em função do grande aparato
tecnológico de que dispõem e também de grandes atores e atrizes. A partir do
momento da detecção de que o filme não tem compromisso científico com os fatos
históricos, o professor terá condições de, intervir e criar debates, seminários,
dramatizações, a fim de contribuir no desenvolvimento intelectual do aluno.
O cinema, assim como o teatro e a ficção, inspira e diverte. Frequentemente
ensina verdades sobre a condição humana. Mas não substitui a História que
tenha sido escrita penosamente a partir das melhores análises e evidências
disponíveis. Às vezes os cineastas, totalmente imbuídos de seus produtos,
proclamam-se historicamente "precisos" ou "fiéis", e muitos espectadores os
supõem assim. Os espectadores não deveriam endossar tais pretensões nem
descartá-las de todo, e sim encará-las como um convite a um aprofundamento
posterior. (CARNES, 1997, P. 10).
O professor deve ter em mente que o cinema é uma tentativa de reconstituição
do passado que, na maioria das vezes, não coincide com a visão dos historiadores.
O filme é uma produção artística, sempre ficção, e assim devemos tratar como
documento para análise histórica. Ele não reconstitui o passado, é uma versão, um
discurso referente a um tema que pode possuir uma base verídica ou não. O uso de
filmes no ensino de história não está relacionado com o uso de filmes "históricos" todo
filme qualquer tipo, por exemplo, A bela e a fera, um desenho, não é essa a questão. O
uso está na análise da representação do autor/diretor de um tema, como o uso de
literatura em sala. O uso do filme A Missão não indica como era a vida dos Jesuítas,
mas como o autor/diretor usa um enredo que possui esses elementos para discutir
"algo". Esse "algo" precisou analisar, a sequencia montada precisa ser questionada, os
papéis, o figurino, a tomada, as músicas, o que ele chama a atenção, o que é tratado
de maneira mais sem importância? São exemplos de perguntas.
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PARTE IV – Cuidados que o professor deve ter antes da exibição do filme
 Verificar se o vídeo, ou televisão Pendrive está funcionando;
 Certifique-se se o filme que pretende passar existe na escola ou nas locadoras
(no caso do professor não possuir o filme), e se o filme não está com problemas;
 Observar se não existe incompatibilidade entre o tempo da aula (50 min) e o do
filme (2H);
 Verificar se a sala de aula para a exibição do filme é adequada;
 Selecionar e excluir partes do filme que contenham cenas impróprias para a faixa
estaria à que se destina a atividade;
 Além do domínio sobre o filme, o professor tem que ter o domínio sobre o
aparelho. Saber como adiantar, atrasar o filme e localizar cenas é muito
importante. Se não souber mexer no aparelho peça alguém experiente no
assunto para ajudá-lo.
PARTE V – Uso inadequado do filme
 Quando há um problema inesperado, como a ausência de um professor. Se isso
for feito com frequência, desvaloriza o uso do filme e o aluno associa a atividade
a não ter aula;
 Exibir um filme sem ligação com a matéria. O aluno até gosta, mas percebe que
o professor quis matar a aula;
 Passar filme em todas as aulas, esquecendo-se de outras dinâmicas. O uso
exagerado de filmes diminui sua eficácia e empobrece as aulas;
 Exibir o filme sem discuti-los, sem integrá-los com assunto da aula.
20
PARTE VI – Motivos para o professor exibir o filme
 Para sensibilizar, despertando a curiosidade e a motivação para novos temas;
 Para ilustrar, ajudando a mostrar o que se fala em aula e a compor cenários
desconhecidos dos alunos;
 Para reforçar, o conteúdo de ensino, permitindo abordagens múltiplas e
interdisciplinares;
 Para problematizar, um conteúdo a ser trabalhado;
 Para comprovar, aquilo que se fala em uma aula.
21
UNIDADE V
SUGESTÕES DE FILMES E ROTEIRO PARA ANÁLISE
Na escolha dos filmes, mantive alguns filmes propostos no livro didático usado
para o Terceiro Ano do Ensino Médio, série que pretendo desenvolver meu projeto. Os
filmes
escolhidos
podem
sugerir
alguns
caminhos
para
análise
e
possível
desenvolvimento de atividades com os alunos do ensino médio utilizando das seguintes
obras:
FILME I: AS MONTANHAS DA LUA
SINOPSE: O filme narra os acontecimentos da expedição de Sir Richard Francis
Burton, explorador, linguista e diplomata inglês que, em meados do século XIX,
empreendeu viagem em busca das nascentes do Rio Nilo. O conhecimento geográfico
e cultural preparou a dominação inglesa na região.
Conforme vão procurando a nascente do Nilo, vão adentrando na parte ainda
não explorada por europeus, contribuindo para o processo de roedura do continente. É
importante observar que nesse processo, vão encontrando povos diferentes.
No decorrer do filme, o mundo africano é apresentado como atrasado, primitivo,
exótico, inferior, seus líderes aparecem exageradamente cruéis e violentos. Em
contraposição, o mundo europeu é apresentado como o certo, o superior. A sociedade
europeia aparece a partir do ponto de vista da elite, da aristocracia, sendo os europeus
mostrados como os “destemidos”, os “justos”. Há uma cena muito interessante, que
mostra essa imagem do europeu corajoso, onde David Livingstone, (um famoso
explorador do continente africano) num encontro com Burton, expõe uma série de
cicatrizes que adquiriu em suas expedições em África.
A ciência no século XIX ajudou a justificar o imperialismo. Através do “discurso
competente”, os europeus que “possuíam” o conhecimento científico usaram o
continente africano como uma espécie de laboratório, contribuindo inclusive, para o
surgimento das ciências sociais, como a antropologia.
22
As expedições do filme foram financiadas pela “Sociedade Geográfica Real”, que
tinham interesse em expor os relatos, as descobertas, contribuindo para a legitimação
do imperialismo.
Enfim, em “As Montanhas da Lua”, podemos perceber a grande importância da
ciência e das expedições de exploração do século XIX para o processo de roedura do
continente africano que culminou na legitimação do imperialismo europeu.
FICHA TÉCNICA:
Título: As Montanhas da Lua
Gênero: Aventura
País/Ano: EUA-1990
Duração: 136 min.
Direção: Bob Rafaelson
ROTEIRO PARA ANÁLISE:
Data: _____/_____/_____
1. IDENTIFICAÇÃO:
a. Aluno (a): ____________________________________________________
b. Disciplina:____________________________________________________
2. FICHA TÉCNICA DO FILME:
a. Ano: ________________________________________________________
b. Duração: ____________________________________________________
c. Título do filme:________________________________________________
d. Atores Principais: _____________________________________________
e. Direção:_____________________________________________________
f. Produção:____________________________________________________
3. GÊNERO DO FILME:
a. ( ) histórico
23
b. ( ) documentário
c. ( ) drama
d. ( ) ficção
e. ( ) romance
f. ( ) suspense
g. ( ) comédia
h. ( ) outros
4. A LINGUAGEM UTILIZADA:
a. ( ) rico
b. ( ) pobre
5. GRAU DE ENTENDIMENTO:
a. ( ) médio
b. ( ) fácil
c. ( ) difícil
6. VALORES CINEMATOGRÁFICOS:
a. Assinale com um (X) as letras O (ótimo), B (bom), F (fraco), P (péssimo)
de acordo com o seu julgamento, quanto aos aspectos do filme:
b. Música
( )O
( )B
( )F
(
)P
c. Cenários ( )O
( )B
( )F
(
)P
d. Fotografia ( )O
( )B
( )F
(
)P
e. Efeitos
( )O
( )B
( )F
(
)P
f. Diálogos ( )O
( )B
( )F
(
)P
7. TEMAS QUE ESTÃO SENDO TRATADOS:
a. Assinale com um X a(s) palavras que os expressam:
b. ( ) religiosos
( ) culturais
( ) políticos ( ) econômicos
( )
científicos.
8. Cite as personagens principais, destacando suas funções dentro da história.
9. No filme, como o mundo africano e o mundo europeu são representados?
24
10. Que ideologias aparecem e sustentam a estrutura do filme?
11. A grande questão do filme é o imperialismo. Relacione uma cena do filme com
esse conceito.
12. Destacando o processo de roedura, como funcionou o processo de infiltração
dos europeus no território africano?
13. Como vimos no século XIX à África passou por um processo paulatino de
dominação.
a) De que forma o europeu dominou culturalmente o continente africano?
b) Explique o processo de assimilação e aculturação.
FILME II: OLGA
SINOPSE: Narrativa centrada na história de Olga Benário, que conheceu Luís Carlos
Prestes na União Soviética e tornou-se sua mulher. Vivendo na clandestinidade, foi
perseguida pela ditadura do estado Novo e deportada para a Alemanha nazista.
FICHA TÉCNICA:
Título: Olga
Gênero: Drama
País/Ano: Brasil-2004
Duração: 141 min.
ROTEIRO PARA ANÁLISE
1. Título do filme: ________________________________________________
2. Diretor: ______________________________________________________
3. Ano que foi produzido: __________________________________________
4. Gênero: _____________________________________________________
5. Dê as características psicológicas da personagem principal, Olga Benário.
6. Que problemas sociais da época Olga pretendem combater com sua luta?
7. Os problemas citados na sua resposta à questão anterior ainda persistem nos
dia de hoje? Comente.
25
8. Olga Benário, em razão de suas convicções, resiste ao amor, à família, mas é
surpreendida ao conhecer Luís Carlos Prestes. A partir desse momento a
personagem apresenta um novo comportamento. Descreva-o.
9. Por que Olga é perseguida e presa?
10. Por que Olga e suas companheiras de cela tinham tanto medo de que ela fosse
deportada para a Alemanha?
11. Outras mulheres se destacam na obra, tais como, D. Leocádia e Lígia Prestes.
Que tipo de comportamento apresenta? Esse comportamento era comum às
mulheres daquela época?
12. Olga, além das lutas que pretendia travar a favor da humanidade, também teve
lutas pessoais a vencer. Quais?
13. Cite a cena que mais te sensibilizou no filme.
14. Olga, ao chegar ao seu último destino, se vê, quando criança, e esboça um leve
sorriso. Que sentimento é revelado em seu olhar e sorriso, antes de entrar na
câmara de gás?
FILME III: TEMPOS MODERNOS
SINOPSE: Trata-se do último filme mudo de Chaplin que focaliza a vida urbana nos
Estados Unidos nos anos 30, imediatamente após a crise de 1929, quando a depressão
atingiu toda sociedade norte-americana, levando grande parte da população ao
desemprego e a fome.
A figura central do filme é Carlitos, o personagem clássico de Chaplin, que ao
conseguir emprego numa grande indústria, transforma-se em líder grevista conhecendo
uma jovem, por quem se apaixona.
O filme focaliza a vida do homem, na sociedade industrial caracterizada pela
produção com base no sistema de linha de montagem e especialização do trabalho. É
uma crítica à modernidade e ao capitalismo representado pelo modelo de
industrialização em que o operário é engolido pelo poder do capital e perseguido por
suas ideias subversivas.
26
E sua segunda parte o filme trata das desigualdades entre a vida dos pobres e
das camadas mais abastadas, sem representar, contudo, diferenças nas perspectivas
de vida de cada grupo. Mostra ainda que a mesma sociedade capitalista que explora o
proletariado alimenta todo conforto e diversão para a burguesia. Cenas como a que
Carlitos e a menina órfã conversam no jardim de uma casa, ou aquela em que Carlitos
e sua namorada encontram-se numa loja de departamentos, ilustram bem essas
questões.
Tempos Modernos está entre os filmes mais conhecidos do autor e diretor
Charles Chaplin, sendo considerado um marco na história do cinema.
FICHA TÉCNICA:
Título: Tempos Modernos
Gênero: Comédia
País/Ano: EUA-1936
Duração: 87 min.
Direção: Charles Chaplin
ROTEIRO PARA ANÁLISE:
1. Título do filme: ________________________________________________
2. Ano que foi produzido: __________________________________________
3. Diretor: ______________________________________________________
4. Gênero: _____________________________________________________
5. Branco/preto ( )
Colorido (
)
Mudo (
)
Outra (
)
6. No filme são observadas várias cenas onde aparecem relógios. Em sua
opinião o que isto significa?
7. No filme os operários são vigiados por câmeras. Nos dias atuais também
somos vigiados? Como? Onde?
8. A condição na fábrica provoca enlouquecimento em Carlitos. Você poderia
citar algumas cenas que demonstram isso.
27
9. Para que poupar tempo, criou-se no filme uma máquina para alimentar os
trabalhadores. Cite algumas invenções que foram feitas para poupar o nosso
tempo.
10. O filme representa a vida urbana nos Estados Unidos após a crise de 1929.
Pesquise o que foi esta crise e as conseqüências sociais que provocou
(desemprego, fome, aumento dos índices de violência, etc.).
11. Comente a cena em que Chaplin fica parafusando as coisas e quando
parafusa os botões da saia da secretária.
12. Em sua opinião nos dias atuais o homem ainda é substituído pelas
máquinas? Justifique sua reposta.
13. Em sua opinião coisas simples devem ser substituídas por recursos
tecnológicos? Onde a tecnologia é necessária?
14. Como os movimentos sociais (greves e passeatas) são visto pela sociedade
contemporânea?
15. Por que Chaplin insiste em voltar para cadeia?
16. Em quais momentos do filme as diferenças sociais são mostradas?
FILME IV: CENTRAL DO BRASIL
SINOPSE: O filme inicia na estação de trem situada no subúrbio do Rio de
Janeiro, no qual trafegam pessoas de todos os tipos e lugares do Brasil, geralmente
vindas em busca de uma vida melhor, deixando familiares em sua cidade natal. Indica
um lugar central do país, em que as pessoas podem chegar ou partir para todos os
lugares do país.
Mostra uma realidade marcada pelas desigualdades sociais (competição pelo
mercado de trabalho, luta pela sobrevivência, violência, analfabetismo, execução de
menores, impunidade, corrupção, tráfico, assalto, suborno e desemprego).
Dora,
personagem
vivida
por
Fernanda
Montenegro,
uma
professora
aposentada, sem valores, sem ética, que pensava apenas em sua sobrevivência
aproveitando-se da ingenuidade das pessoas que acreditavam que ela escrevia e
28
enviava a carta. Cartas estas, em que as pessoas expressavam suas emoções e
sentimentos, palavras doces, amargas, sinceras, simples e verdadeiras, uma espécie
de confessionário público um depósito de intimidades e desejos.
A região nordeste é representada por um menino, Josué, que perde sua mãe em
um acidente após terem deixado uma carta com Dora, esta deveria ser enviada ao pai
do menino comunicando-o do desejo do filho em conhecer-lhe.
Dora e Josué acabam se conhecendo e após um período inicial de rejeição por
parte de ambos, criam um elo de amizade e ajuda mútua.
Josué, apesar de criança, tinha valores ensinados por sua mãe e mostra a Dora
a importância desses valores, despertando sua consciência, fazendo com que decida
então ajudar o menino a encontrar sua família, os dois passam por diversas situações
juntos, até finalmente encontrarem os irmãos que também esperam pelo pai que saiu e
nunca mais voltou.
No filme a professora tinha o conhecimento científico, mas não possuía os
valores que são fundamentais para dar sentida a vida. No relacionamento professoraluno, também se observa esse processo de ensino aprendizagem, pois muitas vezes o
professor pode aprender e não somente ensinar o aluno.
FICHA TÉCNICA:
Título: Central do Brasil
Gênero: Drama
País/Ano: Brasil-1998
Duração: 12 min.
Direção: Welter Salles Jr.
ROTEIRO PARA ANÁLISE
1. Onde ocorre a maioria das cenas no início do filme?
2. Qual é o tema principal abordado pelo filme?
3. Poderíamos dizer que o filme escolhe o país como assunto principal? Que
marcas do nosso país são mostradas no filme?
29
4. De que forma a professora Dora comercializa a habilidade técnica que possui
e que isso significa?
5. Para a professora Dora é interessante e existência de analfabetos, pois sem
eles, ela perderia seu emprego. Será que existem outras pessoas
interessadas no analfabetismo dos brasileiros?
FILME V: AMISTAD
SINOPSE: Baseado numa história real, o filme conta a incrível viagem de escravos
africanos que se apoderam do navio onde estavam aprisionados e tentam retomar à
sua adorada terra natal. Quando o navio, La Amistad, é capturado, os cativos são
levados aos Estados Unidos, acusados de assassinato e aguardam sua sentença na
prisão. Inicia-se então uma contundente batalha, que chama atenção de todo o país,
questionando a própria finalidade do sistema judicial americano. Mas para aqueles
homens e mulheres sob julgamento, é uma luta pelo direito maior do ser humano, a
liberdade.
O filme mostra o processo de julgamento de negros nos Estados Unidos, 22
anos antes do início da Guerra Civil, num contexto marcado pelo expansionismo em
direção ao Oeste e pelo acirramento das divergências do norte protecionista, industrial
e abolicionista, com o sul livre-cambista agro-exportador e escravista.
FICHA TÉCNICA:
Título: Amistad
Gênero: Drama
País/Ano: EUA-1998
Duração: 228 min.
Direção: Steven Spielberg
30
ROTEIRO PARA ANÁLISE
1. Título do filme: ________________________________________________
2. Diretor: ______________________________________________________
3. Ano que foi produzido: __________________________________________
4. Gênero: _____________________________________________________
5. Qual a idéia principal que o filme aborda?
6. Depois de assistir o filme, em forma de debate comentar as cenas que mais
marcaram.
7. Fazer uma pesquisa para saber quando ocorreu abolição da escravatura no
Brasil e como se chamou essa lei?
8. Procurar em livros de história, quando ocorreu a abolição da escravatura no
Brasil e como se chamou essa lei?
9. Monte um quadro comparativo entre a época do filme e os dias atuais.
10. Faça uma pesquisa em jornais, revistas, internet e artigos a respeito do filme
apresentado em seguida comparar os dados da escravidão hoje com os do filme.
11. Em várias regiões do Brasil foram organizados Quilombos, símbolos maiores da
luta dos negros contra a humilhação da condição de escravos na qual viviam.
Façam uma pesquisa para descobrir em quais estados brasileiros há existência
destes quilombos.
12. Examinem os códigos legais (da Declaração dos Direitos Humanos aos códigos
nacionais, como a Constituição e o Código Civil) e busquem indicadores
econômicos e sociais para verificar a condição de vida de brancos e negros no
Brasil atual. Comparem o que está previsto nas leis com o que acontece no
cotidiano.
31
REFERÊNCIAS
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2001.
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BERNARDET, Jean-Claude. Cinema Brasileiro: Propostas para uma História. Rio de
Janeiro: Paz e Terra, 1979.
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Correa). Rio de Janeiro: Record, 1997.
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GALVÃO, Elisandra. A ciência vai ao cinema: uma análise de filmes educativos e
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Janeiro: UFRJ, 2004. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal do Rio de Janeiro,
Rio de Janeiro, 2004.
32
GERBER, Raquel. O Mito da Civilização Atlântica: Glauber Rocha, Cinema, Política
e
a
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do
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Vozes.
Petrópolis.
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------. (org.) Glauber Rocha. Ed. Paz e Terra. Rio de Janeiro. 1977
LEITE, Saray Ayesta. A criatividade na sala de aula: O ensino de História e os recursos
da indústria cultural. Cadernos de História. Uberlândia, janeiro. 97/dez.98.
MACHADO, João Luís Almeida. Na sala de aula com a sétima arte – Aprendendo com o
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MORAN, José Manuel. Artigo publicado na revista: Comunicação & Educação. São
Paulo, Eca-Ed. Moderna, jan./abr. de 1995.
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RAMOS, Fernão (org.). História do cinema brasileiro. Art Editora, São Paulo, 1987
SARACENI, Paulo César. Por dentro do Cinema Novo: minha viagem. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 1993.
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ensino de História no Ensino médio. In: KUENZER, Acácia (org.). Ensino Médio:
construindo uma proposta para os que vivem do trabalho. 4ª edição São Paulo:
Cortez, 2005.
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Sugestões de sites:
Fonte: [email protected]
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/cadernospde/pdebusca/index.html
http://www.webartigos.com/artigos/o-papel-social-do-professor-de-historia-doensino-fundamental-na-formacao-critica-do-aluno/9809/#ixzz2BYX2P4g3
www.cineclick.com.br/filmes
www.cinedec.org.br
www.classicvideo.com.br
www.cinebrasil.org.br
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