SECRETARIA DA EDUCAÇAO DO ESTADO DO PARANÁ - SEED PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL – PDE UNIVERSIDADE ESTADUA DE MARINGÁ – UEM PRODUÇÃO DIDÁTICA PEDAGÓGICA O USO DO FILME NAS AULAS DE TÍTULO: HISTÓRIA Autor Elizabete Aparecida de Oliveira Disciplina/Área História Escola de Implementação do Projeto e Colégio Estadual Reynaldo Massi sua localização Rua Augusto Primo Negrini nº 475 Município da Escola Diamante do Norte Núcleo Regional de Educação Loanda Professor Orientador Ailton José Morelli Instituição de Ensino Superior Universidade Estadual de Maringá - UEM Formato do Material Didático Caderno Pedagógico Público Alvo Terceiro Ano do Ensino Médio Palavras-chave Filme; História; Sala de aula A elaboração desta Produção DidáticoPedagógica no formato de Caderno Pedagógico se constitui em mais uma atividade, dentre as tantas propostas pelo PDE, na área de História. O tema aborda “Cinema e História”. A proposta que desenvolvemos utiliza o cinema como um recurso nas aulas de História, fazendo uma interação entre o mundo e a escola, o real e Resumo o imaginário, procurando despertar o interesse pela análise, reflexão e crítica, estabelecendo relações com o conteúdo, compreendendo determinados momentos da História de uma forma mais atenta, clara e prazerosa. Sendo assim, a Produção Didático-Pedagógica tem como meta principal, a utilização de uma metodologia mais atrativa e participativa aos educando. 2 O vídeo parte do concreto, do visível, do imediato, próximo, que toca todos os sentidos. Mexe com o corpo, com a pele – nos toca e “tocamos” os outros (...). Pelo vídeo sentimentos, experienciamos sensorialmente o outro, o mundo, nós mesmo. José Manuel Moran 3 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO................................................................................................. 04 UNIDADE I – CINEMA E ESCOLA: UMA RELAÇÃO EM CONSTRUÇÃO ................................................................................................................................. 05 UNIDADE II – CINEMA BRASILEIRO E SUA HISTÓRIA ..................................... 08 UNIDADE III – AS NOVAS LINGUAGENS NO ENSINO E O CINEMA NA SALA DE AULA ................................................................................................................ 11 UNIDADE IV – COMO UTILIZAR O FIME NAS AULAS DE HISTÓRIA ................................................................................................................................. 14 PARTE I – Planejamento e Filme ........................................................................... 14 PARTE II – Como Utilizar o Filme na Sala de Aula ................................................ 16 PARTE III – Como o Professor deve agir ............................................................... 18 PARTE IV – Cuidados que o Professor Deve Ter Antes da Exibição do Filme........................................................................................................................ 19 PARTE IV – Uso Inadequado do Filme .................................................................. 19 PARTE IV – Motivos para o Professor Exibir o Filme ............................................ 19 UNIDADE V – SUGESTÕES DE FILMES E ROTEIRO PARA ANÁLISE ................................................................................................................................ 21 REFERÊNCIAS ...................................................................................................... 31 4 APRESENTAÇÃO Este Caderno Pedagógico é uma Produção Didático-Pedagógica objetiva atender uma exigência do Programa de Desenvolvimento Educacional – PDE relativo ao ano de 2012, na área de História. O tema abordado no presente trabalho é “Cinema e História.” Este trabalho servirá de apoio à implementação do Projeto de Intervenção Pedagógica no Colégio Estadual Reynaldo Massi de Diamante do Norte e contará com o envolvimento dos alunos das séries finais do Ensino Médio. O conteúdo deste Caderno Pedagógico se desenvolverá em várias etapas: A primeira unidade apresenta reflexões sobre relação em construção do cinema com a escola; A segunda unidade faz uma abordagem sobre cinema brasileiro e sua história; A terceira unidade fala sobre as novas linguagens no ensino e o cinema na sala de aula; A quarta unidade refere-se à utilização do filme nas aulas de história; A quinta unidade faz sugestões de filmes e roteiro para análise. Ao desenvolver o caderno pedagógico “O uso do filme nas aulas de História”, não tive a pretensão de dar receitas prontas de como usar o filme no dia a dia da sala de aula, mas apenas levantar algumas reflexões, que obtivemos através de algumas leituras, pesquisas e experiências na utilização deste valioso e interessante recurso midiático. Em síntese, espero que ele ofereça contribuições para o enriquecimento do trabalho do professor e que surjam outros estudos a partir desse. 5 UNIDADE I CINEMA E ESCOLA: UMA RELAÇÃO EM CONSTRUÇÃO Os irmãos Lumière, criadores do cinema, acreditavam que o cinematógrafo não exercia nenhum fascínio sobre o público, não teria futuro algum, serviria apenas para fins científicos. Ou seja, não tiveram o “fato artístico e nem comercial” que a sua invenção logo proporcionaria. O cinema, hoje, faz parte das preocupações dos historiadores. Não era assim na época em que foi criado. Segundo Marc Ferro, na ótica dos historiadores do início do século XX, o filme não era considerado um documento histórico. Partindo do princípio do Direito, entendiam que o roteirista, e não o diretor era o autor do filme. O que não era escrito era valorizado enquanto registro histórico. Portanto, não tinham como enquadrar o filme, a imagem, no rol das fontes documentais. De acordo com Ferro (1976, p. 201), esse quadro começaria a mudar precisamente a partir da década de 1960, quando as relações teórico-metodológicas entre o cinema e história tornaram-se objeto de estudo sistemático por parte de alguns historiadores, especialmente Marc Ferro e Pierre Sorlin, ligados à Escola de Annales, no momento em que a historiografia ampliava seus horizontes e apresentava novos métodos e objetos de análise. Do sentido comercial ao interesse da pesquisa histórica, o cinema passou concomitantemente ao centro das discussões entre historiadores e educadores ao campo do ensino, visto como um instrumento de possibilidades didáticas variadas. Podemos dizer que a máquina cinematográfica foi uma invenção da burguesia que desde a Revolução Industrial estava transformando a sociedade, as relações de trabalho, de produção. Ela se preocupava com a utilização de instrumentos que facilitassem seu domínio cultural, ideológico e encontrou isso com o cinema. O professor da Universidade de Colômbia, Mark C. Carnes expõe muito bem está questão: O cinema inspira e diverte. Às vezes, ensina verdades importantes sobre pessoas. Mas não substitui a História que tem sido escrita a partir das melhores análises e evidências possíveis. Às vezes os cineastas, totalmente imbuídos de seus produtos, proclamam-nos historicamente precisos ou fiéis, e muitos espectadores os supõem assim. Os espectadores não deveriam endossar tais 6 pretensões nem descartá-las de todo, e sim encará-las como um convite a um aprofundamento posterior (CARNES, 1997, p.10). O filme também é uma via de acesso ao conhecimento da história, uma alternativa para aprimorar o trabalho do professor em sala de aula. O cinema e o vídeo vêm ocupando um espaço cada vez maior no cotidiano das crianças e dos adolescentes. Assistir a um filme é sempre elucidativo e, muitas vezes, vence o imobilismo e a visão dirigida de certos assuntos, fazendo com que se abram novos caminhos, novos espaços, novas visões. Assim, o filme pode despertar no aluno outro tipo de relação com o processo de aprendizagem, e pode ser visto como mais uma forma de ampliar o conhecimento, de instigar a pesquisa e levar a questionamentos sobre a história. Vale lembrar que qualquer gênero cinematográfico pode ser utilizado, seja ele documentário, filme histórico ou ficcional, porém o uso desse material deve ter sempre a orientação do professor e com objetivos específicos, não apenas como passatempo ou momento de diversão. Além disso, a escolha do filme deve levar em conta sua relação com o conteúdo estudado, adequação à faixa etária e duração, uma vez que: É necessário que o professor tenha objetivos pedagógicos bem definidos quanto resolva usar o vídeo. É importante que a relação vídeo-conteúdo seja debatida pela sala em conjunto com o professor e que este escolha um vídeo adequado à matéria estudada. (LEITE, 1997, p.74). O filme precisa ser visto, pensado e discutido, pois retrata a versão da história escolhida pelo diretor ou produtor, que nem sempre corresponde aos fatos reais. O cinema é um misto de arte e produto industrial, um artefato construído para agradar e vender, seu compromisso, muitas vezes, é com o espetáculo. Portanto, O filme é uma visão particular do roteirista e do diretor, que se baseiam em fatos históricos. Para isso, selecionaram e interpretaram as informações que quiseram. O mesmo se dá na escolha e edição das cenas. Os sons e as imagens têm exatamente essa finalidade – criar a sensação de que estamos assistindo a algo verdadeiro. (BENCINI, 2005, p.49). O professor vê o filme com outros olhos, pois o que pretende é tratar o cinema como uma das fontes para seu trabalho de construção/reconstrução da história. Por isso é essencial que o professor esclareça as diferenças entre a ficção e a realidade, dentro daquele contexto histórico. Isso significa que, apesar de valorizarmos as 7 imagens, não devemos analisá-las isoladamente, mas associá-las a determinado contexto histórico, social, político e ideológico. Lembrando Marc Ferro: Analisar no filme tanto a narrativa quanto o cenário, a escritura, as relações do filme com aquilo que não é filme: o autor, a produção, o público, a crítica, o regime de governo. Só assim se pode chegar à compreensão não apenas da obra, mas também da realidade que ela representa. (FERRO,1992, p. 80). Um filme pode ser utilizado tanto para introduzir um conteúdo quanto para finalizálo, sempre atento para as questões mais importantes do período histórico relatado: temática básica, contexto, diálogos, ideologia, caracterização dos personagens, simbolismo, concepções e valores. O trabalho pode ser complementado por alguma atividade especialmente planejada para explorar seu potencial. O ideal é promover um debate em sala de aula, para que os alunos possam expor sua visão, suas críticas e considerações sobre as imagens apresentadas. Os alunos podem ainda realizar uma atividade escrita, dessa forma, o professor poderá analisar a articulação da linguagem científica, o domínio de conceitos, a coesão de ideias, o raciocínio lógico, a relação passado presente, a localização espaço temporal, a observação, o debate de ideias e a estruturação de textos. A participação crítica do aluno, a partir do estudo do filme e do conteúdo trabalhado, fará com que ele seja capaz de discernir a ficção da realidade, além de despertar um maior interesse pelas discussões realizadas nas aulas. 8 UNIDADE II CINEMA BRASILEIRO E SUA HISTÓRIA Ramos (1987), afirma que em 1896, chegaram ao Rio de Janeiro aparelhos de projeção cinematográfica, em 1898, foram realizadas as primeiras filmagens no Brasil. Somente em 1907, com o advento da energia elétrica industrial na cidade, o comércio cinematográfico começou a se desenvolver. Nesta fase, predominou filmes de reconstituição de fatos do dia-a-dia. A partir de 1912, das mãos de Francisco Serrador, Antonio Leal e dos irmãos Botelho eram produzidos filmes com menos de uma hora de projeção, época em que o cinema nacional encarou forte crise perante o domínio norte-americano nas salas de exibição, os cine-jornal e documentários é que captavam recursos para a produção de ficção. Em 1925, a qualidade e o ritmo das produções aumentaram, o cinema mudo brasileiro se consolidou e os veículos de comunicação da época inauguraram colunas para divulgar o nosso cinema. Entre os anos 30 e 40, o cinema falado abriu um reinício para a produção nacional que se limitou ao Rio em comédias populares, conhecidas como chanchadas musicais que lançaram atores como Mesquitinha, Oscarito e Grande Otelo. A década de 30 foi dominada pela companhia cinematográfica Cinédia e os 40 pela Atlântica. (FERREIRA, 2003, p. 74). Em 1939, Getúlio Vargas criou o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) que entre outras atribuições controlava a propaganda de cunho estatal pelos cinejornais como: inaugurações, festividades cívicas, visitas de autoridades, viagens do presidente, etc. O Estado Novo criou aparatos culturais próprios destinados a produzir e a difundir sua concepção de mundo para o conjunto da sociedade. O DIP através de seus cinejornais procurou difundir a imagem que o Estado Novo queria de si mesmo, vinculando algumas informações em detrimento de outras. Os filmes do DIP tiveram grande repercussão no seio da população devido à autenticidade das imagens (Estado Novo: Ideologia e Propaganda Política). Com o objetivo de incentivar a produção e exibição de filmes nacionais, valorizando a cultura do país, foi criado em 1937 no governo de Getúlio Vargas o INCE- Instituto Nacional de Cinema Educativo. Com a notória contribuição de Humberto Mauro, mais de trezentos filmes foram produzidos e supervisionados pelo cineasta. (GALVÃO, 2004). 9 As chanchadas dos anos 40 foram componentes da tentativa de industrialização da arte cinematográfica brasileira. A criação no Rio de Janeiro, da companhia Atlântica, consagrou atores como Grande Otelo, Oscarito e Zé Trindade. No período de 1950 e 1960, em São Paulo, paralelo à fundação do Teatro Brasileiro de Comédia e abertura do Museu de Arte, surgiu o estúdio da Vera Cruz que através de fortes investimentos e contratação de profissionais estrangeiros buscavam produzir no Brasil, uma linha de filmes sérios, industrial, com uma preocupação estético-cultural hollywoodiana e com a participação de grandes estrelas como Tânia Carreiro, Anselmo Duarte, Jardel Filho, entre outros. A Vera Cruz tinha uma produção cara e de qualidade, mas faltava-lhe uma distribuidora própria e salas para absorver a sua produção. Uma de suas produções foi premiada em Cannes, o filme Cangaceiro de Lima Barreto. Em oposição às produções paulistas e cariocas, surgem cineastas independentes que a partir da década de 60, buscam manter a pretensão artística da Vera Cruz, como por exemplo, Walter Hugo Khouri, e uma esfera neo-realista, com o filme Rio 40 de Nelson Pereira dos Santos. Nesta fase, houve o fenômeno de filmes feitos na Bahia, por baianos e sulistas, como o Pagador de Promessas. Esse é o marco do Cinema Novo, movimento, carioca que abarcou o que havia de melhor no cinema nacional, época de intensa produção e premiação de nomes como os de Glauber Rocha, Serraceni, Ruy Guerra, entre outros. “Uma ideia na cabeça e uma câmera na mão”, esse era o lema e a marca do Cinema Novo Brasileiro, criado pelo diretor Glauber Rocha, um dos expoentes do movimento, ao lado de Nelson Pereira dos Santos. Criado no começo dos anos 60, o Cinema Novo ressaltava a importância do autor e rejeitava o predomínio do produtor e da indústria cinematográfica, como os estúdios de Hollywood. O movimento foi influenciado pelo neo-realismo italiano e pela Nouvelle Vague francesa, que também contestava as grandes produções da época. (GERBER, 1977). Glauber Rocha denunciou os altos custos do cinema industrial e propôs em seu manifesto “Estético da Fome” a realização de filmes que retratassem a miséria, as desigualdades sociais e a opressão vivida pelos brasileiros. A partir dos anos 70, a situação mudou. O Ministério da Educação aconselhou os cineastas a se voltarem para o filme histórico; o governo manifestava explicitamente o seu desejo por temas como: FEB, bandeirantismo, e grandes personalidades nacionais como: Osvaldo Cruz, Santos Dumont, Duque de Caxias, Marechal Rondon e outros. Mas as pressões do governo não surtiram efeito porque os filmes históricos 10 eram muito dispendiosos. Somente com o filme Independência ou Morte, que agradou muito os militares, esse tipo de filme deslanchou. (SARACENI, 1993). A partir de 1975, com a criação da Embrafilme, o governo entrou na produção e o filme histórico tornou-se cada vez mais um assunto de estado, assumindo uma posição ideológica e estética. Em 1990 a Embrafilmes foi extinta, caiu por terra todo o trabalho realizado até então, mas em meados de 1990, foram criadas novas leis de incentivo fiscal, que fizeram ressurgir o cinema brasileiro para continuar nos honrando com a arte que realiza. (BERNARDET, 1979). O cinema nacional passa por uma renovação, abordando temas polêmicos como o analfabetismo, migração (Central do Brasil) e a violência (Tropa de Elite), levando a população à discussão de grandes questões nacionais. Também conta com temas históricos, como o filme “Olga”, bastante premiado, que trata da Intentona Comunista no Brasil em 1935, liderado por Luis Carlos Prestes. Ou (O Que é Isso Companheiro), que conta a história do sequestro do embaixador americano Charles Elbrik, por um grupo de jovens militantes de esquerda em 1969. 11 UNIDADE III AS NOVAS LINGUAGENS NO ENSINO E O CINEMA NA SALA DE AULA A utilização do cinema na escola pode ser inserida, em linhas gerais, num grande campo de atuação pedagógico chamado “mídias-educação”. Embora o conceito de mídia-educação seja mais aplicável à chamada “comunicação de massa”. O cinema, enquanto indústria cultural, também é uma forma de mídia moderna, voltada cada vez mais para um expectador formado pelas novas TICs – Tecnologias de Informação e Comunicação. A peculiaridade do cinema é que ele, além de fazer parte do complexo da comunicação e da cultura de massa, também faz parte da indústria do lazer e constitui ainda obra de arte coletiva e tecnicamente sofisticada. O professor não pode esquecer estas várias dimensões do cinema ao trabalhar filmes em atividades escolares. O cinema é sempre ficção, ficção engendrada pela verdade da câmera (...) o espectador nunca vê cinema, vê sempre filme. O filme é um tempo presente, seu tempo é o tempo da projeção (ALMEIDA, 2001, p.40). O cinema é uma das linguagens que permitem a mediação didática e a prática do saber histórico. Possui mensagens que traduzem valores culturais, sociais e ideológicos de uma sociedade, ou seja, traz elementos do momento histórico em que foi produzido, às vezes, mais do que da época que retrata no enredo. Uma das justificativas mais comuns para o uso do cinema na educação escolar é a ideia de que o filme “ilustra” e “motiva” alunos desinteressados e desmotivados para o mundo da leitura. Segundo NAPOLITANO: O uso do cinema em sala de aula vem ajudar a escola a reencontrar a cultura ao mesmo tempo cotidiana e levada, pois o cinema é o campo na qual a estética, o lazer, a ideologia e os valores sociais são sistematizados numa mesma obra de arte. (2003, p. 68). 12 A escola não pode estar centralizada em si mesma e acatar apenas as disposições que as instituições governamentais lhe impõem, pois isto irá atrofiar a aprendizagem e a aprendizagem é como a sociedade está em constante mudança. Todo filme é um documento desde que corresponda a um vestígio do passado remoto ou imediato, tornando-o objeto de pesquisa e análise. Neste sentido, o cinema em aulas de História torna-se ferramenta de apoio fundamental para a contextualização e análise dos temas propostos pelo professor. Segundo SCHIMIDT: Assim como a fotografia (imagem imóvel), o cinema (imagem móvel) é uma linguagem contemporânea que exige cuidados especiais no seu uso na sala de aula. Alguns aspectos precisam ser mencionados como: a necessidade do conhecimento da historiografia do cinema; estudos sobre a presença da história no cinema; da presença do historiador no cinema; a questão dos documentários históricos e a construção da memória (ou da memória em ruínas); o cinema e a formação da consciência histórica e, finalmente, os aspectos que envolvem a especificidade do uso do filme no ensino de História. (2005, p.225). O filme é o objeto que pode auxiliar, pela linguagem conhecida, pela fascinação provocada nos adolescentes. Trata-se de outra forma de produzir, entender, refletir e criticar historicamente, pois é um documento diferente dos conteúdos dos livros e ao mesmo tempo comum aos estudantes, levando ao entendimento da provisoriedade da verdade histórica. Temos que ressaltar que nem sempre um filme é fiel à época representada, pois os homens têm a capacidade de omitir e distorcer situações e personagens históricos. Além dos interesses econômicos, sociais, políticos e culturais. Além do que, o cinema é um produto cultural do campo do entretenimento e não do campo didático, sendo assim, não tem compromisso com a História ou com o ensino. Por isso mesmo a sua utilização em aula depende do trabalho do professor. O professor deve estar atento a essa questão para que o aluno não tome o filme como verdade absoluta, esquecendo-se de relativizar tempo, espaço e sujeito histórico. Alguns professores ainda tratam a exibição de filme como um instrumento ilustrativo de temas estudados ou como solução imediata para a falta de planejamento. Diante dessa situação, as possibilidades da prática se tornam limitadas, repetitivas e superficiais. 13 Por isso antes de passar um filme o professor deve fazer um planejamento, ou seja, ele deve ter o domínio em relação ao filme, bem como dos objetivos e do trabalho a ser realizado após a projeção. Não se trata de querer que o professor se torne um crítico de cinema, mas de ter algumas informações básicas sobre o filme. Despertar o interesse e uma postura crítica dos alunos sempre foi uma das premissas para o professor de História. Não importa o tipo de filme, sempre haverá uma análise a ser feita por professores e alunos. 14 UNIDADE IV COMO UTILIZAR O FILME NAS AULAS DE HISTÓRIA PARTE I – Planejamento e filme Ao incluir um ou outro filme nas atividades escolares, a primeira preocupação do professor deve ser se o filme é indicado à faixa etária do grupo de alunos com os quais irá trabalhar. Antes disso, o educador já deverá ter assistido ao filme no mínimo duas vezes, para conhecer a história, verificar os pontos que podem ser explorados em sua aula, preparar atividades a serem desenvolvidas pelos estudantes, traçar paralelos entre o filme e os outros recursos utilizados. A utilização dos filmes deve sempre estar relacionada aos conteúdos e práticas educacionais regularmente utilizadas pelo professor. Todo o trabalho deve ser orientado para que o aluno saiba que o filme é mais um meio de aprender, de conhecer, de crescer. Todos sabem que o filme é um recurso rico, lúdico, interessante. Os alunos que temos fazem parte de uma geração eminentemente visual e tecnológica. Já nasceram com televisores, aparelhos de som, telefones, computadores, videocassetes, celulares e DVDs por perto. É algo que não podemos desprezar. Já existe o uso de filmes em sala de aula, mas essa utilização não é planejada em longo prazo, não faz parte de projetos pedagógicos e raramente está conectada ao uso de outros recursos pedagógicos. Não são poucos os casos relatados de professores que nem mesmo assistiram aos filmes antes de utilizá-los com os alunos, esses profissionais usam a produção apenas porque ouviram falar que era interessante ou que versava sobre um tema relacionado aos conteúdos que estavam desenvolvendo em aula com seus alunos. Se não houver um planejamento sério, em que o filme complemente e enriqueça as aulas, sendo posteriormente objeto de trabalhos (individuais ou em grupos), tarefas e mesmo avaliações, é preferível abrir mão e não usar o cinema na escola. Outro cuidado que o professor deve ter é o respeito à bagagem cultural do educando. Não se podem desprezar os conhecimentos anteriores, a formação dada pelos pais, às influências do restante da família, os intercâmbios com os amigos, a 15 religiosidade. O uso do cinema na escola infere, assim como o de qualquer outro recurso cultural, uma clara consciência e conhecimento da clientela atendida pelo professor antes do uso de filmes em sala de aula. Dessa forma, evitamos problemas e ainda aperfeiçoamos o uso do recurso. Se irá trabalhar com grupos que vivem uma realidade distanciada, por exemplo, dos centros urbanos, devemos apresentar as cidades e orientar o olhar sem ofender as origens rurais, caipiras e interioranas dessas pessoas. Não podemos, nesse ínterim, ficar a todo o momento destacando as qualidades e as benesses da vida nas cidades e nem tampouco podemos denegrir o cotidiano das metrópoles. É necessário conhecer bem o filme que vai ser utilizado para que dificuldades de compreensão surjam e que conflitos venham a ser criados. Portanto, a exibição de um filme precisa ser planejada como qualquer outra atividade, para que seja realmente útil e contribua para o aprendizado de seus alunos. Segundo Machado (2008), a utilização do cinema para educação pode trazer resultados positivos e vários benefícios para os alunos. Dentre eles podemos citar Reforça a capacidade de argumentação; Melhora o vocabulário; Desenvolve a imaginação; Dá uma visão mais ampla de mundo ao estudante; Aproxima os conteúdos escolares do estudante por ser um recurso lúdico; Facilita a compreensão de temáticas que por vezes podem ser bastante complexas e difíceis de trabalhar em sala de aula; Abre espaço para debates e comparações com o que foi dito em aula ou estudado a partir de outras fontes; Mobiliza não apenas a razão e o intelecto, mas também as emoções, o que é, sem dúvida, bastante importante para que esses alunos se envolvam e tenham mais disposição para aprender. 16 PARTE II – Como utilizar o filme na sala de aula O primeiro passo é a escolha do filme. Devemos selecionar obras que estejam associadas aos conteúdos escolares previstos no planejamento. Aliás, essa escolha deve acontecer no início do ano e ser incluída como parte dos recursos previstos na programação. É importante destacar para os alunos o objetivo da atividade e o que será exigido deles, pois precisam ter noção do todo para realizar as associações entre conteúdo, filme e demais materiais utilizados na aula. Um bom recurso é oferecer-lhes a sinopse do filme, esclarecendo do que trata a história, qual são o contexto, quando foi produzido e em que condições, e todas as informações pertinentes e necessárias para o entendimento da obra. Se considerarmos que a abordagem é simples, superficial, podemos utilizar o filme para introduzir o assunto e despertar interesse nos alunos. Se a abordagem for profunda, ele pode ser utilizado como complemento da aula teórica. Nesse caso, o ideal é que após o filme ocorra um debate, no qual o professor poderá perceber dúvidas e pontos de dificuldade. As aulas expositivas, posteriores à exibição, podem ser utilizadas para distinguir pontos importantes do filme, aprofundar o assunto e introduzir ideias que tenham passado despercebidas, sem que tenham sido mencionadas. Se o professor considerar necessário, os trechos mais importantes podem ser apresentados mais vezes, depois que as discussões e debates, assim como a redação sobre o material fílmico, já estiverem em curso durante as aulas. Os filmes também podem e devem ser utilizados para a discussão de questões sociais. Temas atuais como o meio ambiente e a crise econômica podem ser associados com vários conteúdos. É importante observar o nível escolar dos alunos, pois estes devem ser abordados de acordo com a faixa etária e o grau de entendimento dos mesmos. O trabalho deve utilizar como ponto de partida a noção de mundo dos alunos, estimulando uma participação mais ativa nos estudos e nas relações sociais. Também podem ser formados pequenos grupos de trabalho com o objetivo de fazer com que os alunos troquem ideias entre si e despertem uns nos outros a atenção quanto a 17 informações e aspectos que não foram percebidos, além de discutir questões propostas pelo professor. O trabalho com simulações, nas aulas seguintes à exibição, pode aproximar os temas apresentados nos filmes da realidade vivida pelos alunos, ou mostrar-lhes outras realidades, as quais não conhecem. Isso tornaria o assunto em questão ainda mais pulsante e vivo. Uma das vantagens de levar filmes para a sala de aula é a sua ligação com um momento de lazer e entretenimento. Para os alunos, ver um filme significa descanso e não o compromisso e as obrigações relativos à aula. Isso modifica a postura e as expectativas em relação a esse momento “de lazer” transposto para a sala de aula. Esse clima descontraído pode trazer muitos benefícios para o processo de aprendizagem, ajudando a torná-la mais dinâmica e parecida com a aprendizagem do cotidiano, dos grupos sociais, da internet e outras vividas pelos jovens. O professor pode também utilizar alguns passos que ajudarão na organicidade do trabalho. Como por exemplo: Escolha o tema; Escolha o filme; Selecione as passagens ou cenas que abordem o tema que vai discutir com os alunos; Organize uma sequência de cenas para exibir durante a discussão em sala; Elabore uma série de perguntas e questões para que os alunos respondam depois de assistirem ao filme; Selecione livros e revistas que tragam imagens sobre o tema para serem utilizados na sala; Elabore as atividades que dará para os alunos, determinando os materiais que vai necessitar e o tempo que a turma dedicará a cada uma delas. Entre as atividades podem estar; uma pesquisa na biblioteca, a elaboração de um cartaz ou mural contento imagens e textos sobre o assunto. 18 PARTE III – Como o professor deve agir O papel social do professor de História, ao passar um filme para seus alunos, é fundamental, pois cabe a ele perceber que os filmes apresentam leituras diferenciadas. Esses filmes podem ser verdadeiras obras de arte em função do grande aparato tecnológico de que dispõem e também de grandes atores e atrizes. A partir do momento da detecção de que o filme não tem compromisso científico com os fatos históricos, o professor terá condições de, intervir e criar debates, seminários, dramatizações, a fim de contribuir no desenvolvimento intelectual do aluno. O cinema, assim como o teatro e a ficção, inspira e diverte. Frequentemente ensina verdades sobre a condição humana. Mas não substitui a História que tenha sido escrita penosamente a partir das melhores análises e evidências disponíveis. Às vezes os cineastas, totalmente imbuídos de seus produtos, proclamam-se historicamente "precisos" ou "fiéis", e muitos espectadores os supõem assim. Os espectadores não deveriam endossar tais pretensões nem descartá-las de todo, e sim encará-las como um convite a um aprofundamento posterior. (CARNES, 1997, P. 10). O professor deve ter em mente que o cinema é uma tentativa de reconstituição do passado que, na maioria das vezes, não coincide com a visão dos historiadores. O filme é uma produção artística, sempre ficção, e assim devemos tratar como documento para análise histórica. Ele não reconstitui o passado, é uma versão, um discurso referente a um tema que pode possuir uma base verídica ou não. O uso de filmes no ensino de história não está relacionado com o uso de filmes "históricos" todo filme qualquer tipo, por exemplo, A bela e a fera, um desenho, não é essa a questão. O uso está na análise da representação do autor/diretor de um tema, como o uso de literatura em sala. O uso do filme A Missão não indica como era a vida dos Jesuítas, mas como o autor/diretor usa um enredo que possui esses elementos para discutir "algo". Esse "algo" precisou analisar, a sequencia montada precisa ser questionada, os papéis, o figurino, a tomada, as músicas, o que ele chama a atenção, o que é tratado de maneira mais sem importância? São exemplos de perguntas. 19 PARTE IV – Cuidados que o professor deve ter antes da exibição do filme Verificar se o vídeo, ou televisão Pendrive está funcionando; Certifique-se se o filme que pretende passar existe na escola ou nas locadoras (no caso do professor não possuir o filme), e se o filme não está com problemas; Observar se não existe incompatibilidade entre o tempo da aula (50 min) e o do filme (2H); Verificar se a sala de aula para a exibição do filme é adequada; Selecionar e excluir partes do filme que contenham cenas impróprias para a faixa estaria à que se destina a atividade; Além do domínio sobre o filme, o professor tem que ter o domínio sobre o aparelho. Saber como adiantar, atrasar o filme e localizar cenas é muito importante. Se não souber mexer no aparelho peça alguém experiente no assunto para ajudá-lo. PARTE V – Uso inadequado do filme Quando há um problema inesperado, como a ausência de um professor. Se isso for feito com frequência, desvaloriza o uso do filme e o aluno associa a atividade a não ter aula; Exibir um filme sem ligação com a matéria. O aluno até gosta, mas percebe que o professor quis matar a aula; Passar filme em todas as aulas, esquecendo-se de outras dinâmicas. O uso exagerado de filmes diminui sua eficácia e empobrece as aulas; Exibir o filme sem discuti-los, sem integrá-los com assunto da aula. 20 PARTE VI – Motivos para o professor exibir o filme Para sensibilizar, despertando a curiosidade e a motivação para novos temas; Para ilustrar, ajudando a mostrar o que se fala em aula e a compor cenários desconhecidos dos alunos; Para reforçar, o conteúdo de ensino, permitindo abordagens múltiplas e interdisciplinares; Para problematizar, um conteúdo a ser trabalhado; Para comprovar, aquilo que se fala em uma aula. 21 UNIDADE V SUGESTÕES DE FILMES E ROTEIRO PARA ANÁLISE Na escolha dos filmes, mantive alguns filmes propostos no livro didático usado para o Terceiro Ano do Ensino Médio, série que pretendo desenvolver meu projeto. Os filmes escolhidos podem sugerir alguns caminhos para análise e possível desenvolvimento de atividades com os alunos do ensino médio utilizando das seguintes obras: FILME I: AS MONTANHAS DA LUA SINOPSE: O filme narra os acontecimentos da expedição de Sir Richard Francis Burton, explorador, linguista e diplomata inglês que, em meados do século XIX, empreendeu viagem em busca das nascentes do Rio Nilo. O conhecimento geográfico e cultural preparou a dominação inglesa na região. Conforme vão procurando a nascente do Nilo, vão adentrando na parte ainda não explorada por europeus, contribuindo para o processo de roedura do continente. É importante observar que nesse processo, vão encontrando povos diferentes. No decorrer do filme, o mundo africano é apresentado como atrasado, primitivo, exótico, inferior, seus líderes aparecem exageradamente cruéis e violentos. Em contraposição, o mundo europeu é apresentado como o certo, o superior. A sociedade europeia aparece a partir do ponto de vista da elite, da aristocracia, sendo os europeus mostrados como os “destemidos”, os “justos”. Há uma cena muito interessante, que mostra essa imagem do europeu corajoso, onde David Livingstone, (um famoso explorador do continente africano) num encontro com Burton, expõe uma série de cicatrizes que adquiriu em suas expedições em África. A ciência no século XIX ajudou a justificar o imperialismo. Através do “discurso competente”, os europeus que “possuíam” o conhecimento científico usaram o continente africano como uma espécie de laboratório, contribuindo inclusive, para o surgimento das ciências sociais, como a antropologia. 22 As expedições do filme foram financiadas pela “Sociedade Geográfica Real”, que tinham interesse em expor os relatos, as descobertas, contribuindo para a legitimação do imperialismo. Enfim, em “As Montanhas da Lua”, podemos perceber a grande importância da ciência e das expedições de exploração do século XIX para o processo de roedura do continente africano que culminou na legitimação do imperialismo europeu. FICHA TÉCNICA: Título: As Montanhas da Lua Gênero: Aventura País/Ano: EUA-1990 Duração: 136 min. Direção: Bob Rafaelson ROTEIRO PARA ANÁLISE: Data: _____/_____/_____ 1. IDENTIFICAÇÃO: a. Aluno (a): ____________________________________________________ b. Disciplina:____________________________________________________ 2. FICHA TÉCNICA DO FILME: a. Ano: ________________________________________________________ b. Duração: ____________________________________________________ c. Título do filme:________________________________________________ d. Atores Principais: _____________________________________________ e. Direção:_____________________________________________________ f. Produção:____________________________________________________ 3. GÊNERO DO FILME: a. ( ) histórico 23 b. ( ) documentário c. ( ) drama d. ( ) ficção e. ( ) romance f. ( ) suspense g. ( ) comédia h. ( ) outros 4. A LINGUAGEM UTILIZADA: a. ( ) rico b. ( ) pobre 5. GRAU DE ENTENDIMENTO: a. ( ) médio b. ( ) fácil c. ( ) difícil 6. VALORES CINEMATOGRÁFICOS: a. Assinale com um (X) as letras O (ótimo), B (bom), F (fraco), P (péssimo) de acordo com o seu julgamento, quanto aos aspectos do filme: b. Música ( )O ( )B ( )F ( )P c. Cenários ( )O ( )B ( )F ( )P d. Fotografia ( )O ( )B ( )F ( )P e. Efeitos ( )O ( )B ( )F ( )P f. Diálogos ( )O ( )B ( )F ( )P 7. TEMAS QUE ESTÃO SENDO TRATADOS: a. Assinale com um X a(s) palavras que os expressam: b. ( ) religiosos ( ) culturais ( ) políticos ( ) econômicos ( ) científicos. 8. Cite as personagens principais, destacando suas funções dentro da história. 9. No filme, como o mundo africano e o mundo europeu são representados? 24 10. Que ideologias aparecem e sustentam a estrutura do filme? 11. A grande questão do filme é o imperialismo. Relacione uma cena do filme com esse conceito. 12. Destacando o processo de roedura, como funcionou o processo de infiltração dos europeus no território africano? 13. Como vimos no século XIX à África passou por um processo paulatino de dominação. a) De que forma o europeu dominou culturalmente o continente africano? b) Explique o processo de assimilação e aculturação. FILME II: OLGA SINOPSE: Narrativa centrada na história de Olga Benário, que conheceu Luís Carlos Prestes na União Soviética e tornou-se sua mulher. Vivendo na clandestinidade, foi perseguida pela ditadura do estado Novo e deportada para a Alemanha nazista. FICHA TÉCNICA: Título: Olga Gênero: Drama País/Ano: Brasil-2004 Duração: 141 min. ROTEIRO PARA ANÁLISE 1. Título do filme: ________________________________________________ 2. Diretor: ______________________________________________________ 3. Ano que foi produzido: __________________________________________ 4. Gênero: _____________________________________________________ 5. Dê as características psicológicas da personagem principal, Olga Benário. 6. Que problemas sociais da época Olga pretendem combater com sua luta? 7. Os problemas citados na sua resposta à questão anterior ainda persistem nos dia de hoje? Comente. 25 8. Olga Benário, em razão de suas convicções, resiste ao amor, à família, mas é surpreendida ao conhecer Luís Carlos Prestes. A partir desse momento a personagem apresenta um novo comportamento. Descreva-o. 9. Por que Olga é perseguida e presa? 10. Por que Olga e suas companheiras de cela tinham tanto medo de que ela fosse deportada para a Alemanha? 11. Outras mulheres se destacam na obra, tais como, D. Leocádia e Lígia Prestes. Que tipo de comportamento apresenta? Esse comportamento era comum às mulheres daquela época? 12. Olga, além das lutas que pretendia travar a favor da humanidade, também teve lutas pessoais a vencer. Quais? 13. Cite a cena que mais te sensibilizou no filme. 14. Olga, ao chegar ao seu último destino, se vê, quando criança, e esboça um leve sorriso. Que sentimento é revelado em seu olhar e sorriso, antes de entrar na câmara de gás? FILME III: TEMPOS MODERNOS SINOPSE: Trata-se do último filme mudo de Chaplin que focaliza a vida urbana nos Estados Unidos nos anos 30, imediatamente após a crise de 1929, quando a depressão atingiu toda sociedade norte-americana, levando grande parte da população ao desemprego e a fome. A figura central do filme é Carlitos, o personagem clássico de Chaplin, que ao conseguir emprego numa grande indústria, transforma-se em líder grevista conhecendo uma jovem, por quem se apaixona. O filme focaliza a vida do homem, na sociedade industrial caracterizada pela produção com base no sistema de linha de montagem e especialização do trabalho. É uma crítica à modernidade e ao capitalismo representado pelo modelo de industrialização em que o operário é engolido pelo poder do capital e perseguido por suas ideias subversivas. 26 E sua segunda parte o filme trata das desigualdades entre a vida dos pobres e das camadas mais abastadas, sem representar, contudo, diferenças nas perspectivas de vida de cada grupo. Mostra ainda que a mesma sociedade capitalista que explora o proletariado alimenta todo conforto e diversão para a burguesia. Cenas como a que Carlitos e a menina órfã conversam no jardim de uma casa, ou aquela em que Carlitos e sua namorada encontram-se numa loja de departamentos, ilustram bem essas questões. Tempos Modernos está entre os filmes mais conhecidos do autor e diretor Charles Chaplin, sendo considerado um marco na história do cinema. FICHA TÉCNICA: Título: Tempos Modernos Gênero: Comédia País/Ano: EUA-1936 Duração: 87 min. Direção: Charles Chaplin ROTEIRO PARA ANÁLISE: 1. Título do filme: ________________________________________________ 2. Ano que foi produzido: __________________________________________ 3. Diretor: ______________________________________________________ 4. Gênero: _____________________________________________________ 5. Branco/preto ( ) Colorido ( ) Mudo ( ) Outra ( ) 6. No filme são observadas várias cenas onde aparecem relógios. Em sua opinião o que isto significa? 7. No filme os operários são vigiados por câmeras. Nos dias atuais também somos vigiados? Como? Onde? 8. A condição na fábrica provoca enlouquecimento em Carlitos. Você poderia citar algumas cenas que demonstram isso. 27 9. Para que poupar tempo, criou-se no filme uma máquina para alimentar os trabalhadores. Cite algumas invenções que foram feitas para poupar o nosso tempo. 10. O filme representa a vida urbana nos Estados Unidos após a crise de 1929. Pesquise o que foi esta crise e as conseqüências sociais que provocou (desemprego, fome, aumento dos índices de violência, etc.). 11. Comente a cena em que Chaplin fica parafusando as coisas e quando parafusa os botões da saia da secretária. 12. Em sua opinião nos dias atuais o homem ainda é substituído pelas máquinas? Justifique sua reposta. 13. Em sua opinião coisas simples devem ser substituídas por recursos tecnológicos? Onde a tecnologia é necessária? 14. Como os movimentos sociais (greves e passeatas) são visto pela sociedade contemporânea? 15. Por que Chaplin insiste em voltar para cadeia? 16. Em quais momentos do filme as diferenças sociais são mostradas? FILME IV: CENTRAL DO BRASIL SINOPSE: O filme inicia na estação de trem situada no subúrbio do Rio de Janeiro, no qual trafegam pessoas de todos os tipos e lugares do Brasil, geralmente vindas em busca de uma vida melhor, deixando familiares em sua cidade natal. Indica um lugar central do país, em que as pessoas podem chegar ou partir para todos os lugares do país. Mostra uma realidade marcada pelas desigualdades sociais (competição pelo mercado de trabalho, luta pela sobrevivência, violência, analfabetismo, execução de menores, impunidade, corrupção, tráfico, assalto, suborno e desemprego). Dora, personagem vivida por Fernanda Montenegro, uma professora aposentada, sem valores, sem ética, que pensava apenas em sua sobrevivência aproveitando-se da ingenuidade das pessoas que acreditavam que ela escrevia e 28 enviava a carta. Cartas estas, em que as pessoas expressavam suas emoções e sentimentos, palavras doces, amargas, sinceras, simples e verdadeiras, uma espécie de confessionário público um depósito de intimidades e desejos. A região nordeste é representada por um menino, Josué, que perde sua mãe em um acidente após terem deixado uma carta com Dora, esta deveria ser enviada ao pai do menino comunicando-o do desejo do filho em conhecer-lhe. Dora e Josué acabam se conhecendo e após um período inicial de rejeição por parte de ambos, criam um elo de amizade e ajuda mútua. Josué, apesar de criança, tinha valores ensinados por sua mãe e mostra a Dora a importância desses valores, despertando sua consciência, fazendo com que decida então ajudar o menino a encontrar sua família, os dois passam por diversas situações juntos, até finalmente encontrarem os irmãos que também esperam pelo pai que saiu e nunca mais voltou. No filme a professora tinha o conhecimento científico, mas não possuía os valores que são fundamentais para dar sentida a vida. No relacionamento professoraluno, também se observa esse processo de ensino aprendizagem, pois muitas vezes o professor pode aprender e não somente ensinar o aluno. FICHA TÉCNICA: Título: Central do Brasil Gênero: Drama País/Ano: Brasil-1998 Duração: 12 min. Direção: Welter Salles Jr. ROTEIRO PARA ANÁLISE 1. Onde ocorre a maioria das cenas no início do filme? 2. Qual é o tema principal abordado pelo filme? 3. Poderíamos dizer que o filme escolhe o país como assunto principal? Que marcas do nosso país são mostradas no filme? 29 4. De que forma a professora Dora comercializa a habilidade técnica que possui e que isso significa? 5. Para a professora Dora é interessante e existência de analfabetos, pois sem eles, ela perderia seu emprego. Será que existem outras pessoas interessadas no analfabetismo dos brasileiros? FILME V: AMISTAD SINOPSE: Baseado numa história real, o filme conta a incrível viagem de escravos africanos que se apoderam do navio onde estavam aprisionados e tentam retomar à sua adorada terra natal. Quando o navio, La Amistad, é capturado, os cativos são levados aos Estados Unidos, acusados de assassinato e aguardam sua sentença na prisão. Inicia-se então uma contundente batalha, que chama atenção de todo o país, questionando a própria finalidade do sistema judicial americano. Mas para aqueles homens e mulheres sob julgamento, é uma luta pelo direito maior do ser humano, a liberdade. O filme mostra o processo de julgamento de negros nos Estados Unidos, 22 anos antes do início da Guerra Civil, num contexto marcado pelo expansionismo em direção ao Oeste e pelo acirramento das divergências do norte protecionista, industrial e abolicionista, com o sul livre-cambista agro-exportador e escravista. FICHA TÉCNICA: Título: Amistad Gênero: Drama País/Ano: EUA-1998 Duração: 228 min. Direção: Steven Spielberg 30 ROTEIRO PARA ANÁLISE 1. Título do filme: ________________________________________________ 2. Diretor: ______________________________________________________ 3. Ano que foi produzido: __________________________________________ 4. Gênero: _____________________________________________________ 5. Qual a idéia principal que o filme aborda? 6. Depois de assistir o filme, em forma de debate comentar as cenas que mais marcaram. 7. Fazer uma pesquisa para saber quando ocorreu abolição da escravatura no Brasil e como se chamou essa lei? 8. Procurar em livros de história, quando ocorreu a abolição da escravatura no Brasil e como se chamou essa lei? 9. Monte um quadro comparativo entre a época do filme e os dias atuais. 10. Faça uma pesquisa em jornais, revistas, internet e artigos a respeito do filme apresentado em seguida comparar os dados da escravidão hoje com os do filme. 11. Em várias regiões do Brasil foram organizados Quilombos, símbolos maiores da luta dos negros contra a humilhação da condição de escravos na qual viviam. Façam uma pesquisa para descobrir em quais estados brasileiros há existência destes quilombos. 12. Examinem os códigos legais (da Declaração dos Direitos Humanos aos códigos nacionais, como a Constituição e o Código Civil) e busquem indicadores econômicos e sociais para verificar a condição de vida de brancos e negros no Brasil atual. Comparem o que está previsto nas leis com o que acontece no cotidiano. 31 REFERÊNCIAS ALMEIDA, Milton José de. Imagens e sons: a nova cultura oral. São Paulo: Cortez, 2001. BENCINI, Roberta. Filme na aula de História: diversão ou hora de aprender? Revista Nova Escola. Ano XX n. 182, maio 2005. BERNARDET, Jean-Claude. O que é cinema? São Paulo: Brasiliense, 1985. BERNARDET, Jean-Claude. Cinema Brasileiro: Propostas para uma História. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979. CANES, Mark C. Passado imperfeito: a história no cinema (Trad. José Guilherme Correa). Rio de Janeiro: Record, 1997. FERREIRA, Susana Cristina de S. Cinema Carioca nos anos 30 e 40: os filmes musicais nas telas da cidade. São Paulo/Belo Horizonte: Anablume/Fafemig. 2003. P.74. FERRO, Marc. Cinema e História. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992. FERRO, Marc. O filme: uma contra-análise da sociedade. In: LE GOFF, Jacques.; NORA, Pierre. (Orgs.). História: novos objetos. Tradução de Terezinha Marinho. 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