UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA - UNIVERSO PRÓ REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA ATIVIDADE FÍSICA ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: ATIVIDADE FÍSICA, SOCIEDADE E CULTURA LINHA DE PESQUISA: GESTÃO ESPORTIVA LUIZ CARLOS PESSOA NERY ANÁLISE DO PERFIL DE GESTÃO BASEADA NO DISCURSO DOS DIRIGENTES ESPORTIVOS DE CLUBES EM JUIZ DE FORA Niterói 2009 2 LUIZ CARLOS PESSOA NERY ANÁLISE DO PERFIL DE GESTÃO BASEADA NO DISCURSO DOS DIRIGENTES ESPORTIVOS DE CLUBES EM JUIZ DE FORA Dissertação apresentada à Universidade Salgado de Oliveira, como requisito parcial para a obtenção do Título de Mestre em Educação Física, Linha de Pesquisa em Atividade Física, Sociedade e Cultura. Orientador: Prof. Dr. José Maurício Capinussú Niterói 2009 3 FICHA CATALOGRÁFICA Nery, Luiz Carlos Pessoa Análise do perfíl de gestão baseada no discurso dos dirigentes esportivos de clubes em Juiz de Fora. / Luiz Carlos Pessoa Nery. – Niterói: Universidade Salgado de Oliveira/ Programa de pós-graduação stricto sensu em Ciências da Atividade Física, 2009. 166 f.: il Orientador: Dr. José Maurício Capinussú Dissertação (mestrado) – Universidade Salgado de Oliveira/ Programa de pós graduação stricto sensu em Ciências da Atividade Física, 2009. 1. Clubes Esportivos; 2. Gestão Esportiva; 3. Dirigente esportivo; 4. Gestor esportivo; 5. Juiz de Fora I.Capinussú, José Maurício 4 Luiz Carlos Pessoa Nery ANÁLISE DO PERFIL DE GESTÃO BASEADA NO DISCURSO DOS DIRIGENTES ESPORTIVOS DE CLUBES EM JUIZ DE FORA Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado em Ciências da Atividade Física da Universidade Salgado de Oliveira – UNIVERSO como parte dos requisitos para conclusão do curso Aprovada em ____de_______________de 2009 BANCA EXAMINADORA _____________________________________________ José Maurício Capinussú, Dr. Orientador _____________________________________________ Rodolfo Novellino Benda, Dr. Convidado _____________________________________________ Carlos Alberto Figueiredo da Silva, Dr. Convidado _____________________________________________ Roberto Ferreira dos Santos, Dr. Suplente 5 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho ao grande amor da minha vida, minha filha Gabriela 6 AGRADECIMENTOS - À minha filha Gabriela, que mudou minha vida para sempre. - À minha família, por me fazer querer ser sempre melhor. - Ao meu orientador José Maurício Capinussú de Souza, pela dedicação e carinho durante toda a nossa jornada. “Obrigado por tudo, mestre!” - Aos amigos Eduardo Lage e professor Romário Geraldo, juntos nos momentos alegres e difíceis, pelo carinho de sempre. - Ao amigo Dr. Wagner Parrot, presidente da OAB/Juiz de Fora, por toda a felicidade que me proporcionou no ano de 2009, e por todos os anos de grande amizade. - Ao amigo Prof. Dr. Rodolfo Novellino Benda, que me ingressou na vida acadêmica, a quem devo todos os méritos. - À minha amiga Profª. Ms. Cátia Duarte Pereira, pelo carinho de sempre. - À minha incansável amiga de muitos anos, Profª. Ms. Roseana Mendes, pelo carinho comigo na reta final do trabalho. - Ao amigo, ex-atleta, orientador e conselheiro, prof. Dr. Maurício Gattás Bara Filho, pelos anos de amizade e respeito. - Ao amigo e companheiro de hotel, Fábio Olimpio Venturim, com quem dividi minhas alegrias e frustrações do mestrado. - Ao Prof. Dr. Lamartine Pereira DaCosta pela generosa contribuição na minha reta final do mestrado. - À secretária do Mestrado em Ciências da Atividade Física da Universo, Ana Lília Brum, pelo carinho e dedicação aos alunos. - Ao amigo Dr. Alexandre Lage, pelos anos de amizade leal e sincera. 7 - Aos ex-atletas, Dailza Damas (in memorian) e Aldo Manfrói (in memorian), que me proporcionaram recordes mundiais em suas categorias, valorizando cada dia de trabalho realizado. - Ao coordenador do mestrado, Roberto Ferreira dos Santos, por toda atenção dispensada nesses dois anos. - Aos amigos do mestrado, Marcelo Leite, Antônio Gil Castinheira Neto, Darlam Campos Elza Rosa da Silva, Jacques Araújo Netto, Renato Callado, Vitor Lupi, Paulo de Tarso Simões, Rafael Ronchetti, Marcelo Terra, Emerson Saint’ Clair, Paulo Henrique Bourdette, Gabriel Trajano e João Mandarino, pelos momentos vividos juntos nessa jornada. - Aos professores do mestrado da Universo, Carlos Alberto Figueiredo da Silva, Maurício Murad, Alfredo Gomes de Faria Junior, Paulo de Tarso Veras Farinatti, Wallace Monteiro, Renata Osborne, Pedro Paulo, Carlos Gomes e Fabiano Devide. - À professora Márcia Pontes, pela sua contribuição e amor à profissão. - Aos amigos pessoais Luiz Cláudio Guimarães, Lawrence Matheus Pontes Gomes, Ramon Bertolini, Daniel Rigoli, Luiz Alberto Adum e suas respectivas companheiras. - Aos amigos do Instituto Granbery da Igreja Metodista: Fabiana Mendes, Cyríaco Bernardino Duarte de Almeida Brandão, Luís Augusto Carvalho de Oliveira, Carlos Otávio Cunha Veiga (in memorian), Maria Amélia Gomes. - Aos amigos e ex-atletas de natação: Bernardo Hill Maestrini, Paulo Sérgio Rodrigues Costa, Luiz Fernando Rodrigues Costa, Álvaro Hill Maestrini, Alexandre Hill Maestrini, Álvaro dos Santos Ladeira, Túlio Sperb, Fernando Monteiro de Oliveira Júnior, Leonardo Ferreira de Oliveira, Marcelo Barbosa de Castro Zenkner, Fernando Pompeiano Paranhos, Leonardo Ribas Gomes, Newton Kaminsky, Rogério Romero, Roberto Clausi Junior, Renato Ramalho e toda sua família pela 8 maravilhosa hospitalidade em Curitiba, Fernando Magalhães, Luís Alfredo Mader, Vanessa Cabrini, Gustavo Pinto, Felipe Malburg, Marcelo Mira, André Caldeira, Dulcídio Caldeira, Cristhian Carvalho e todos as amizades conquistadas ao longo da minha carreira aquática. - Ao Sindicato dos Clubes de Juiz de Fora – Sindiclubes – representado por seu presidente, Sr. Marcelo Barra e sua diretora social, Sra. Elizabeth Ank, por todo apoio dado junto aos clubes da cidade. - Aos membros da Associação Brasileira de Gestão do Esporte – ABraGEsp, Pela oportunidade de crescimento profissional. - À todos os presidentes dos clubes esportivos de Juiz de Fora pelo carinho com que me receberem para as entrevistas ao longo desta jornada. - Ao Instituto Granbery da Igreja Metodista pela minha formação na infância e adolescência. - À Universidade Federal de Juiz de Fora, UFJF, pela minha formação universitária. - Aos professores Luciano Sales Prado, Jeferson de Macedo Vianna, Marcelo Matta, Renato Miranda, Flávio Augusto Vilella Leite, José Augusto Rodrigues, Roberto de Carvalho Pável, Rafael Marques (in memorian), Jaider de Freitas e Leonardo Del Vescovo pelos ensinamentos ao longo dos anos. - À FAPERJ, pela bolsa de estudo concedida por seis meses. - À amiga Vanessa Lage, pelo carinho na revisão final deste trabalho. 9 ANÁLISE DO PERFIL DE GESTÃO BASEADA NO DISCURSO DOS DIRIGENTES ESPORTIVOS DE CLUBES EM JUIZ DE FORA Resumo O autor da presente pesquisa escolheu Juiz de Fora, uma importante cidade de Minas Gerais, situada entre as principais capitais do país – São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, para analisar o perfil de gestão do dirigente esportivo dos clubes escolhidos. Ao longo da referida análise, que acabou se tornando uma pesquisa de grande profundidade, o autor destaca o crescimento e a decadência do esporte competitivo, outrora celeiro de atletas com projeção no cenário nacional, como os campeões olímpicos e mundiais de voleibol Giovane Gávio, André Nascimento e a campeã nacional Márcia Fu, além dos atletas de escol em outras modalidades. O objetivo principal foi Identificar o perfil de gestão baseado no discurso dos dirigentes esportivos de clubes da cidade de Juiz de Fora, justificando-se, entre outras, pela contribuição com a comunidade acadêmica na formação de recursos humanos para a gestão do esporte. O presente trabalho cita o depoimento de docentes estrangeiros e os compara à atual situação do esporte brasileiro, descendo na hierarquia até cidades como Juiz de Fora e estabelecendo parâmetros que talvez venham a servir para alavancar o esporte nesta cidade mineira, podendo-se, inclusive, se utilizar do modelo positivo da estrutura administrativa em sua entidade máxima do voleibol brasileiro, a CBV, cuja eficácia se reflete no campo de competição, com as conquistas obtidas em eventos internacionais em que toma parte, seja nas divisões de base, seja nas disputas entre adultos de ambos os sexos. A metodologia utilizada tentou entender o porquê dos clubes da cidade não mais conseguirem colocar suas modalidades esportivas competitivas disputando boas colocações das categorias adultas nas principais competições em nível nacional e, para tal, baseou-se nas entrevistas através de questionário fechado e perguntas abertas, caracterizando um estudo quanti-qualitativa, utilizando-se, para a interpretação das respostas de uma estatística descritiva e da análise do conteúdo, determinando e definindo as categorias e subcategorias a posteriori. O autor concluiu que a queda de produção do esporte em Juiz de Fora tem como contribuição a má formação e o amadorismo do dirigente esportivo atuante na cidade, reflexo da situação ocorrente no país, onde a cúpula ocupante das principais funções nos clubes, federações e confederações não têm pertinência à área de administração esportiva. As conclusões indicam que os aspectos negativos se situam em maior número do que os positivos na gestão esportiva de Juiz de Fora, entendendo-se como um dos principais problemas, o abandono do associado no que tange à freqüência ao clube, uma vez que a instituição já não oferece atividades esportivas e de lazer em suas dependências, o que diminui a relação da entidade com o sócio, deixando de existir fidelidade. A pobreza das respostas e a transferência da culpa pela atual situação para as autoridades dos órgãos públicos ligados direta ou indiretamente ao esporte, evidenciam até uma irresponsabilidade própria de quem não tem competências básicas para gerir uma instituição clubística social esportiva. Deve-se destacar também o nível de empregabilidade direta e indireta que deixam de existir em função da falta de planejamento, já que, ao cumprirem seus mandatos, os dirigentes levam consigo toda a experiência adquirida, não oferecendo aos seus sucessores a continuidade do cargo. Conclui-se, também que, o esporte em Juiz de Fora não vem a reboque do crescimento da cidade, ao contrário, é um importante fator de desenvolvimento. Palavras-chave: Gestão Esportiva; Gestor Esportivo; Clubes esportivos; Estudo de Caso; Juiz de Fora; Esporte de Alto Rendimento. 10 ANALYSIS OF PROFILE MANAGEMENT BASED ON THE SPEECH OF THE LEADERS OF SPORTS CLUBS IN JUIZ DE FORA Abstract The author of this research chose Juiz de Fora, an important city in Minas Gerais, located between the main capitals of Brazil - Sao Paulo, Rio de Janeiro and Belo Horizonte, to analyze the profile managing director of sports clubs chosen. Throughout this analysis, which became a great depth of research, the author emphasizes the growth and decline of competitive sports, once breadbasket of athletes with a projection on the national scene, such as Olympic and world champions volleyball Giovane Gavio, Andre Nascimento and national champion Marco Fu, in addition to elite athletes in other sports. The main objective was to identify the profile management based on the speech of the leaders of sports clubs in the city of Juiz de Fora, to explain, among others, by contributing to the academic community in the training of human resources for sports management. This paper cites the testimony of foreign teachers and compares the current situation of Brazilian sport down the hierarchy to cities like Juiz de Fora and establishing parameters that will perhaps serve to boost the sport in this mining town, and we can even using the positive model of administrative structure in its maximum authority of the Brazilian volleyball, the CBV, whose effectiveness is reflected in the field of competition, with the achievements in international events he takes part, be based on divisions, or in disputes between adults of both sexes. The methodology sought to understand why the clubs in the city no longer manage to put their sports playing competitive adult categories of good placements in major competitions at the national level and for this purpose, relied on interviews through questionnaires closed and open questions, characterizing a quantitative and qualitative study, using, for the interpretation of responses from a descriptive statistics and content analysis, determining and defining the categories and subcategories retrospectively. The author concluded that the drop in production of sports in Juiz de Fora has a contribution to poor training and the amateur club official acting in the city, a reflection of the situation occurring in the country, where the occupant dome of the main roles in the clubs, federations and confederations not have relevance to the area of sports administration. The findings indicate that the negative aspects lie in greater numbers than the positives in sports management from Juiz de Fora, understanding itself as a major problem associated with the abandonment of the frequency with respect to the club, since the institution no longer offers sports and leisure facilities on their premises, which decreases the body's relationship with his partner, and there will no loyalty. Poverty responses and transfer the blame for the current situation for the authorities of public agencies directly or indirectly linked to sports, to show an irresponsibility of one who has no basic skills to manage a social institution a club sport. It should also highlight the level of direct and indirect employment to cease to exist due to the lack of planning, since, in fulfilling their mandates, the directors bring with them the whole experience, not giving his successors to continue the job. It was also observed that, the sport in Juiz de Fora does not come along behind the growth of the city, by contrast, is an important factor in development. Keywords: Sports Management; Sports Manager; Sports Clubs; Case Study; Juiz de Fora; Sports High Performance. 11 SUMÁRIO CAPÍTULO 1 – PROBLEMA.................................................................................... 16 1.1 INTRODUÇÃO.................................................................................................... 16 1.2 OBJETIVO GERAL ............................................................................................ 28 1.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS .............................................................................. 28 1.4 JUSTIFICATIVA.................................................................................................. 29 CAPÍTULO 2 - REVISÃO DE LITERATURA ........................................................... 30 2.1 CONCEITO DE GESTÃO ESPORTIVA ............................................................. 30 2.2 O GESTOR ESPORTIVO ................................................................................... 34 2.3 GESTÃO ESPORTIVA NA CIDADE DE JUIZ DE FORA ................................... 40 CAPÍTULO 3 – METODOLOGIA ............................................................................. 45 3.1 DELIMITAÇÃO DO MÉTODO ............................................................................ 45 3.2 O CAMPO DE ESTUDO ..................................................................................... 45 3.3 TIPO DE PESQUISA .......................................................................................... 46 3.4 ANÁLISE DOS DADOS METODOLÓGICOS ..................................................... 49 3.5 CONTEXTO E SUJEITOS .................................................................................. 50 3.5.1 Proteção dos sujeitos....................................................................................... 51 3.5.2 Ética na pesquisa............................................................................................. 52 3.5.3 Projeto piloto..................................................................................................... 52 3.6 INSTRUMENTOS DE COLETA DOS DADOS ................................................... 52 3.7 LIMITAÇÃO DO MÉTODO ................................................................................. 53 CAPÍTULO 4 – RESULTADOS E DISCUSSÃO ...................................................... 54 4.1 A PESQUISA ...................................................................................................... 54 4.2 PERFIL DOS GESTORES ................................................................................. 54 4.3 ANÁLISE DOS RESULTADOS E DISCUSSÃO ................................................. 63 4.3.1 Categoria 1 – Conceito e papel da gestão esportiva ................................. 66 4.3.1.1 Subcategoria – Prática de atividade física ................................................... 70 4.3.1.2 Subcategoria – Desconhecimento do conceito de gestão esportiva ........... 73 4.3.2 Categoria 2 – Capacidade de gerenciamento dos clubes ......................... 77 4.3.2.1 Subcategoria – Trabalho em equipe ............................................................ 85 4.3.2.2 Subcategoria – Maiores dificuldades ........................................................... 90 4.3.2.3 Subcategoria – Envolvimento emocional com o clube ............................... 108 4.3.2.4 Subcategoria – Resgate histórico ............................................................... 112 4.3.2.5 Subcategoria – Visão Pessoal .................................................................... 119 4.3.3 Categoria 3 – Conceito e objetivo do planejamento estratégico............. 125 4.3.3.1 Subcategoria – Instalações esportivas ....................................................... 135 4.3.3.2 Subcategoria – Realização de eventos esportivos ..................................... 146 4.3.3.3 Subcategoria – Vantagens da realização de eventos esportivos ............... 149 4.3.3.4 Subcategoria – Busca de parcerias ............................................................ 156 4.3.3.5 Subcategoria – Utilização das modalidades esportivas ............................. 162 CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................... 169 REFERÊNCIAS....................................................................................................... 174 ANEXOS................................................................................................................. 182 12 LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICO 1 Estado civil ................................................................................ 54 GRÁFICO 2 Raça ......................................................................................... GRÁFICO 3 Atividade profissional ................................................................ 56 GRÁFICO 4 Renda mensal ........................................................................... 57 GRÁFICO 5 Grau de escolaridade ............................................................... 58 GRÁFICO 6 Foi atleta? ................................................................................. 59 GRÁFICO 7 Tempo de gestor ....................................................................... 60 GRÁFICO 8 Tempo de dedicação diária ...................................................... GRÁFICO 9 Categoria 1 – Conceito e papel da gestão esportiva ................ 66 GRÁFICO 10 Subcategoria – Prática de atividade esportiva ......................... GRÁFICO 11 Subcategoria – Desconhecimento do conceito de gestão 73 55 61 71 esportiva GRÁFICO 12 Categoria 2 – Capacidade de gerenciamento dos clubes ........ GRÁFICO 13 Subcategoria – Trabalho em equipe ......................................... 86 GRÁFICO 14 Subcategoria – Maiores dificuldades ........................................ 91 GRÁFICO 15 Subcategoria – Envolvimento emocional com o clube ............. 108 GRÁFICO 16 Subcategoria – Resgate histórico ............................................. 113 GRÁFICO 17 Subcategoria – Visão pessoal .................................................. 120 GRÁFICO 18 Categoria 3 – Conceito e objetivo do 78 planejamento 126 estratégico GRÁFICO 19 Subcategoria – Instalações esportivas ..................................... GRÁFICO 20 Subcategoria – Realização de eventos esportivos ................... 146 GRÁFICO 21 Subcategoria – Vantagens da realização de 135 eventos 150 esportivos GRÁFICO 22 Subcategoria – Busca de parcerias .......................................... 157 GRÁFICO 23 Subcategoria – Utilização das modalidades esportivas ........... 162 13 LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 Quantidade de modalidades esportivas competitivas oferecidas............................................................................ 62 FIGURA 2 Número total de associados e associados pagantes ......... 96 FIGURA 3 Qual o valor das mensalidades? ........................................ 97 FIGURA 4 Quantidade de atividades de iniciação esportiva 138 oferecidas por clube ........................................................... FIGURA 5 Número de professores de iniciação esportiva (masculino 139 e feminino)........................................................................... FIGURA 6 Tipo de regime de trabalho dos professores de iniciação 140 esportiva.............................................................................. FIGURA 7 Número de alunos por modalidades de iniciação esportiva 141 FIGURA 8 Número de piscinas ............................................................ 152 FIGURA 9 Número de quadras poliesportivas ..................................... 154 FIGURA 10 Número de quadras de tênis .............................................. 154 FIGURA 11 Número de campos de futebol e futebol society ................. 155 FIGURA 12 Possui estrutura de ginástica artística? .............................. FIGURA 13 Quantidade de modalidades esportivas competitivas 163 oferecidas............................................................................ 156 14 LISTA DE QUADROS QUADRO 1 Situações relevantes para diferentes estratégias de pesquisa... 47 QUADRO 2 Categorias de análise ................................................................. 50 QUADRO 3 Categorias e subcategorias: frequências de frases ou textos..... 64 15 LISTA DE ANEXOS ANEXO A Questionário............................................................................ 182 ANEXO B Entrevista semi-estruturada.................................................... 184 ANEXO C Termo de Consentimento Livre e Esclarecido ....................... 185 16 CAPÍTULO I – PROBLEMA 1.1 INTRODUÇÃO Durante vários anos atuando como atleta de natação e disputando as principais competições do país, tivemos a oportunidade de conhecer diversas cidades brasileiras, participar e obter boas colocações nas principais competições do calendário mineiro1, paranaense2 e da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), bem como conviver com os melhores atletas do Brasil, entre eles Djan Madruga, Rômulo Arantes, Ricardo Prado, Jorge Fernandes, Marcos Mattioli, Patrícia Amorim, Rogério Romero, entre tantos outros. Anos depois, em situação diferente, na função de treinador, participando na elaboração de planejamentos e ajudando vários nadadores nas diversas categorias a superarem suas marcas, por várias vezes presenciamos atletas realizando treinamentos intensos, em busca de objetivos por boas colocações nas principais competições do país. Entretanto, por razões adversas, muitas vezes esses atletas não podiam viajar para competir em função da falta de recursos financeiros, sentindo-se frustrados devido a problemas administrativos, já que as diretorias das modalidades sempre alegavam falta de verba suficiente para que eles e seus treinadores pudessem viajar, desperdiçando o propósito de anos de trabalho. Naquela época, havia inquietações e constatações sobre o assunto, porém sempre de forma empírica, já que não eram conhecidas as verdadeiras causas dessas decisões. Não se tinha um devido embasamento teórico-administrativo para entender esta situação com mais profundidade e nem mesmo discutia-se a qualidade de gestão exercida pelos dirigentes, que sempre eram um “pai de atleta” ou alguém influente no clube que respondia pelos cargos diretivos, dados que vão ao encontro dos estudos realizados por Da Silva (1990) e Capinussú (1992). Na última atividade profissional exercida, atuando como coordenador de esportes de uma instituição de ensino superior percebemos como o desempenho de um gestor necessita um embasamento teórico aprofundado com qualidade para que as modalidades competitivas venham a ter bons desempenhos em suas jornadas 1 2 Nadando pelo Clube Bom Pastor – JF e Minas Tênis Clube – BH Nadando pelo Clube Curitibano, Curitiba – PR 17 esportivas desde a iniciação, fato este que se comprova quase todos os dias quando encontramos, nos noticiários esportivos, exemplos de gestores das diversas instituições esportivas brasileiras que não conseguem manter seus clubes com um orçamento adequado para que suas equipes competitivas possam disputar eventos importantes, com uma estrutura adequada e representativa. Por outro lado, a evolução do Brasil no quadro de medalhas desde 19803, a partir dos Jogos Olímpicos de Moscou, nos mostra que o esporte brasileiro de alto rendimento4 vem crescendo em termos qualitativos e quantitativos. Estes dados são comprovados pelo aumento do número de participantes masculinos e, principalmente, femininos nos jogos olímpicos5 (COB, 2008). Podemos observar um avanço qualitativo a cada ciclo olímpico6 em relação ao número de medalhas, ainda que em pequena proporção às colocações conquistadas (COB, 2008), bem como no aspecto quantitativo, em função do número crescente de praticantes de atividades físicas, sejam elas de lazer ou de competição (DACOSTA, 2005; ALVES, 2005). Ainda com relação a esse período pós 1980, Freitas (2002) aponta essa data como o início de grande crescimento da indústria do esporte, destacando que provavelmente seja a única no mundo “que nunca teve uma diminuição, sob o ponto de vista de percentual de crescimento” (p.87-88), e continua crescendo em todo o mundo, “apesar de todas as crises, todos os anos” (p.88). Grande parte desse avanço brasileiro se deve à evolução do esporte praticado nos clubes, que constituem o alicerce esportivo nacional (DACOSTA, 2005; KASZNAR; GRAÇA FILHO, 2006). Boscolo, Garcia e Rondini (2005) vão além, destacando o recente reconhecimento da importância do setor clubístico no âmbito da sociedade e economia do país em função da sua potencialidade na captação de recursos e seu caráter estratégico. Os referidos autores, no estudo 3 Esta data foi escolhida por ser muito próxima ao período datado de 1983/84 em relação à última conquista esportiva da cidade de Juiz de Fora, o que aproxima todo o contexto da realidade esportiva brasileira da época. 4 Além de todas as definições já estabelecidas sobre esporte de alto rendimento, no caso específico em Juiz de Fora, entende-se por esporte de alto rendimento todo o processo que vai desde a iniciação esportiva até se atingir o nível dos resultados olímpicos. 5 Participação feminina brasileira desde 1980: Moscou 1980 (15 mulheres); Los Angeles 1894 (22 mulheres); Seul 1988 (35 mulheres); Barcelona 1992 (51 mulheres); Atlanta 1996 (66 mulheres); Sidney 2000 (94 mulheres); Atenas 2004 (122 mulheres) e Pequim 2008 (133 mulheres) (COB, 2008). 6 Participação da delegação brasileira e número de medalhas desde 1980: Moscou 1980 (109 atletas e quatro medalhas); Los Angeles 18984 (151 atletas e oito medalhas); Seul 1988 (170 atletas e seis medalhas); Barcelona 1992 (197 atletas e três medalhas); Atlanta 1996 (225 atletas e quinze medalhas); Sidney 2000 (205 atletas e doze medalhas); Atenas 2004 (247 atletas e dez medalhas) e Pequim 2008 (277 atletas e quinze medalhas) (COB, 2008). 18 sobre a Confederação Brasileira de Clubes (CBC), destacam o ano de 2002 por ter sido realizado o primeiro Congresso Brasileiro de Clubes, responsável por promover o desenvolvimento e fortalecendo o esporte de base no Brasil. A esse respeito, Alves (2005) afirma que o Brasil é um dos países com maior número dessas instituições no mundo, o que por si só nos mostra a importância deste segmento no desenvolvimento do esporte brasileiro. Boscolo, Garcia e Rondini (2005) apontam uma estimativa da CBC de que um terço da população brasileira esteja vinculada a clubes, reforçando o conceito desta instituição de que os clubes são fundamentais no aumento da geração de empregos. Porém, se na quantidade o país se destaca, na qualidade não se pode afirmar o mesmo, já que a grande maioria dessas instituições se encontram numa situação precária em função das dívidas contraídas ao longo dos anos (DACOSTA, 2005). Bastos (2006) ressalta a importância dos clubes como ponto de referência para a prática do esporte no país já nas décadas de 50 e 60, e que naquela época já havia cobranças de mais publicações acadêmicas e por uma maior organização estrutural. A referida autora reforça, ainda, que, apesar das instituições clubísticas serem a base do esporte nacional, poucos estudos são encontrados na literatura sobre a estrutura, as atividades desenvolvidas e os tipos de gestão encontrados. Isso sugere que pouco sabemos sobre os tipos de valores agregados a estas organizações esportivas. Ainda sobre esse tema, Freitas (2002) aborda o valor mercadológico do clube questionando quanto custa a marca7 de um clube. O autor destaca que o mais importante seria a identificação desse valor e que isso não poderia ser realizado de forma empírica, e sim de maneira concreta. Destaca, também, que isso tem um grande peso na hora da negociação junto aos patrocinadores na busca de parcerias para se desenvolver o esporte de alto rendimento. Freitas afirma, ainda, que uma gestão organizada possibilita um aumento no número de sócios pela oferta de atividades exercidas, aumento do número de serviços bem como a possibilidade da conquista de parcerias, propiciando o desenvolvimento do negócio esporte, e que, de sua parte, esses patrocinadores vão querer entender todas as formas de retorno. Assim sendo, conhecendo todos os fatores e números da região onde as modalidades são 7 Melo Neto (2006, p.34) cita diversos autores definindo marcas. Escolhemos um trecho no qual o autor aborda que “a marca constrói elo de relacionamentos com clientes, canais de venda, distribuidores, revendedores, fornacedores, prestadores de serviço e demais parceiros.” 19 desenvolvidas, têm a garantia desses novos investimentos, como a busca pela fidelização da marca, socialização, aumento do número de torcedores, etc. Para Melo Neto (2006), fatores como os acima citados significam que as instituições esportivas desconhecem o potencial do mercado onde estão inseridas e, consequentemente, o valor de suas marcas, cujos valores agregados são saúde, energia, vigor, garra, determinação, entre outros. Para Melo Neto (2000, p.92), “A qualidade do esporte como produto é fundamental para o êxito do marketing esportivo”. Se a estrutura esportiva não for de qualidade, não atrai o público em função de calendários desorganizados, equipes e atletas de baixa qualidade, instalações precárias, entre outros. Como consequência disso, acaba afastando a mídia, público e empresas parceiras em potencial. O autor ainda destaca que o esporte como produto vende e ajuda a vender. Melo Neto afirma que o esporte deixou de ser negócio para se transformar em “cadeia de negócios” (2006, p. 14), passando a ser considerado como um alavancador de outros negócios do segmento esportivo, citando o exemplo do contexto esportivo e a indústria do entretenimento. Assim sendo, para os clubes, organizar suas metas com a implantação de equipes competitivas organizadas possibilita promover a entrada dos recursos de investimentos aplicados pelas empresas, que se utilizam dessas atividades para se promoverem. Melo Neto (2000) afirma que a “tríade” - “esporte como produto, investimento das empresas e apoio da mídia” (p. 92) só se realizará se houver uma atividade como bom produto de venda. O autor lembra que para o leigo parece fácil, mas para os gestores isso é bem mais complexo. Chamamos a atenção para a redução do número de matérias esportivas (em nosso caso específico, a mídia impressa) em Juiz de Fora (NERY; CAPINUSSÚ, 2009), e com o passar dos anos percebemos que a prática esportiva não mais apresentava equipes de competição8 que representassem a cidade em eventos importantes, tanto em nível nacional como internacional. Neste estudo, foi realizado um levantamento jornalístico com base estatística9 a partir de 198010 até 2008, de 8 O esporte nos clubes da cidade em sua grande maioria se limitam à prática da iniciação esportiva através das escolinhas de cunho comercial (terceirizadas), visando ao lucro financeiro, o que por si só nos mostra um modelo de exclusão do esporte, já que crianças e jovens carentes não têm oportunidade de participar desse contexto. 9 Nosso levantamento sobre o esporte praticado ao longo dos anos em Juiz de Fora se resume a analisar (a partir de 1980) o número de matérias esportivas na mídia impressa, mostrando mês a mês o volume total de matérias e ano a ano (cada decada foi representada por um triênio consecutivo) o 20 todas as matérias publicadas sobre esporte considerado amador (com exceção do futebol), no sentido de detectar se realmente a mídia impressa refletia o volume de clubes e atletas em suas respectivas modalidades em ação de lá prá cá neste período. Tal constatação dos autores acima sobre a mídia impressa confirma essa tendência sobre o esporte na cidade. Pozzi (1998, p. 98) afirma que “tanto o aumento da cobertura de mídia como o desenvolvimento das próprias empresas de comunicação tiveram um impacto decisivo no patrocínio esportivo...”. O autor cita também o aumento do número de programas esportivos especializados na TV, bem como o aumento de veículos de comunicação impressa como o jornal Lance, a revista Placar, entre outros. Nota-se, desta forma, as oportunidades perdidas junto aos potenciais patrocinadores, que vem acontecendo com as modalidades esportivas da cidade a cada ano que se passa sem uma mínima reestruturação. Na cidade, as condições atuais são adversas às do passado, havendo uma evasão dos principais clubes por parte dos associados, provavelmente porque os condomínios e academias apresentam melhores estruturas assim como profissionais mais qualificados para oferecer às pessoas melhores condições da prática esportiva e lazer (NERY; CAPINUSSÚ, 2008). DaCosta (2005) relaciona que a problemática financeira dos clubes no Brasil se deve ao afastamento dos associados, em função da falta de atrativos administrativos e a ausência de uma linha de pensamento e conduta referente ao planejamento das atividades esportivas. Tal situação soma-se à mesma linha de raciocínio, que sugere as questões negativas advindas da má gestão administrativa (CAPINUSSÚ, 1992) na estrutura ultrapassada dos clubes (FERNANDES, 2000) e também pela ausência de políticas públicas no governo (ALVES, 2005). Em seu artigo Clubes esportivos e recreativos, no Atlas do Esporte, DaCosta (2005) nos mostra diagnósticos realizados sobre a gestão dos clubes no Brasil, que há anos vêm enfrentando dificuldades administrativas pela baixa condição financeira da grande maioria, em parte por não dar vida às instalações existentes, ociosas volume de informações de todas as modalidades esportivas praticadas na cidade. Neste estudo específico, não nos importamos com o tamanho da matéria (usualmente medida em centimetragem quadrada). Assim, seja uma reportagem de página inteira como nota de rodapé, tudo foi contabilizado da mesma forma, sendo detectados e selecionados pelos títulos das matérias. 10 Data já mencionada anteriormente como sendo um marco inicial de desenvolvimento da indústria do esporte, e no caso específico do presente estudo, três anos antes da última conquista em nível nacional de uma equipe adulta de um clube da cidade, acontecida em 1983/84. 21 grande parte do dia (o que vai ao encontro do estudo realizado na cidade de Juiz de Fora por Nery e Capinussú (2008), que detectaram este fato em todos os clubes pesquisados). Isto se reflete na diminuição da entrada de verbas advindas das receitas de atividades esportivas e de lazer bem como da organização de eventos. Outro fator citado por DaCosta (2005) é o fato de ter havido um grande número de contratações de técnicos esportivos leigos, quase dez vezes superior a profissionais especializados e qualificados, fato este que pode ter contribuído para a baixa qualidade das equipes e atletas formados, desestimulando a continuidade deste processo competitivo. Apesar dessa situação, o Brasil possui bons modelos administrativos. Capinussú (2005) cita o caso de gestão profissional do voleibol brasileiro que, há anos, vem se consolidando como uma instituição planejada e estruturada qualitativamente no que se refere à renovação de atletas, bem como as boas classificações frequentemente obtidas no âmbito internacional. Hoje, os resultados conquistados garantem a permanência das equipes entre as melhores do mundo desde as categorias de base até a adulta, exatamente fruto de um trabalho com planejamentos sistematizados e a longo prazo, obtendo parcerias com patrocinadores que garantem financeiramente todo esse contexto (por exemplo os contratos com o Banco do Brasil, Olympikus, etc.), possibilitando a realização de todo um processo de formação esportiva e que, consequentemente, passa a se transformar em um rentável negócio (KASNAR; GRAÇA FILHO, 2006). Os motivos dessa qualificação na organização do voleibol brasileiro são os mais variados, entre os quais se destacam a formação de profissionais especializados em todas as áreas das ciências do esporte (CAPINUSSÚ, 1992; 2005), envolvidos em um processo multidisciplinar (CAPINUSSÚ, 2006; KASNAR; GRAÇA FILHO, 2006), em uma estrutura elaborada e planejada, com metas estabelecidas a curto, médio e longo prazo, voltadas para resultados com qualidade de trabalhos contextuais (CAPINUSSÚ, 2005). Segundo o referido autor, apesar deste êxito, este processo ainda não é seguido e adaptado pela maioria dos clubes e federações esportivas. Fardim (2002) confirma o sucesso do vôlei brasileiro como um empreendimento vitorioso. Destaca que apenas o Brasil conseguiu tantas vitórias em uma única temporada. Mas referiu-se a esse sucesso também fora das quadras, onde o voleibol se tornou “mania nacional” como segundo esporte na preferência do 22 povo brasileiro (atrás apenas do futebol), comprovado pelos altos índices de audiência na TV, assim como o esporte preferido pelas mulheres com idade entre 12 e 30 anos. O autor aponta todo o trabalho realizado entre os anos 80 e 90 como a alavanca desse sucesso plantado pela CBV. Afirma, também, que a referida entidade faz questão de ser conhecida pela forma como trata, administra e gerencia o voleibol como negócio. Esta constatação de sucesso do voleibol brasileiro vai ao encontro do estudo sobre a estrutura da gestão esportiva encontrada no São Paulo Futebol Clube, realizado por Capinussú e Reis (2004), apresentando uma organização implantada há alguns anos, que vem obtendo resultados marcantes e ocupando lugar de destaque em nível internacional, chegando inclusive ao tricampeonato mundial de futebol interclubes. Isso nos mostra que a divisão de funções para cada setor, o bom gerenciamento e o desenvolvimento técnico das partes envolvidas na gestão e preparação de atletas oferecem uma possibilidade maior de rendimento aos mesmos (CAPINUSSÚ; REIS, 2004; CAPINUSSÚ, 2006). Dias (2002) abordava a dúvida se era a Copa do Mundo ou a Olimpíada a maior geradora de negócios do esporte. Ele afirmou que o futebol é a única modalidade praticada no mundo todo e por ser um esporte só, leva vantagem em relação às Olimpíadas. O autor fez a seguinte colocação: “Vocês imaginem no Brasil a dificuldade que existe para ser uma potência olímpica, desenvolver outros tipos de esporte sob o ponto de vista de negócios. Aqui a tradição é o futebol” (p. 63). Entretando, nossa preocupação neste estudo se volta para os clubes que atuam com essas modalidades olímpicas, que lutam com a falta de recursos financeiros e têm dificuldades para manter as ditas modalidades com atividades planejadas e estruturadas em termos organizacionais, e que, bem gerenciados, se transformam em um grande potencial de empregabilidade direta e indireta. Nosso estudo tem como foco o perfil de gestão e o desempenho dos presidentes dos clubes esportivos da cidade de Juiz de Fora, tema recente e, consequentemente, não muito explorado na literatura nacional. Nossa ideia vai ao encontro dos presidentes que possuem o poder das tomadas de decisões nos clubes, quem contrata os gestores esportivos, ou não. Azevêdo, Barros e Suaiden (2004) falam da importância das tomadas de decisões nas questões que conduzem os setores esportivos em termos competitivos, fator determinante para o sucesso de uma instituição esportiva, o que mostra o grau de importância e responsabilidade 23 dos presidentes dos clubes. O sucesso de um clube é definido por Azevêdo, Barros e Suaiden (2004) como os salários dos funcionários em dia, bons resultados na esfera esportiva e o esquema organizacional servindo de modelo para outras entidades. Para o autor, isso evidencia os sintomas de boa administração, que, segundo ele, caracteriza uma gestão profissional comprometida com os objetivos organizacionais, ou seja, “performance técnica e caixa equilibrado” (p.37). Em Juiz de Fora, uma das maiores cidades em termos populacionais do estado de Minas Gerais11 (UFJF, 2009) situada na zona da mata mineira, sendo um pólo de desenvolvimento em uma região que compreende 127 cidades próximas (BARA FILHO et al., 2005), o número de clubes pode ser considerado expressivo para uma cidade de porte médio, no total de 21 organizações esportivas e de lazer associados ao Sindiclubes de Juiz de Fora (20 entidades são de Juiz de Fora, e uma de Santos Dumont) e 200 clubes filiados de toda a região no entorno da cidade12. Entretanto, o que se constata é que essas instituições clubísticas não têm acompanhado este processo de crescimento do esporte competitivo em todas as suas vertentes no Brasil, fato comprovado pelo baixo nível de prática das atividades de iniciação e treinamento em suas instalações após recentes pesquisas (NERY; CAPINUSSÚ, 2008; TRIBUNA DE MINAS, 200813). Um levantamento realizado por Nery e Capinussú (2008), detectou diversos clubes sem a devida utilização dos seus espaços em grande parte do tempo e sem número suficiente de associados pagantes, sugerindo um comprometimento na receita, inclusive para manter os compromissos financeiros em dia. Como consequência disso, podemos lembrar Alves (2005 p. 858), em que, partindo-se da premissa de que “todos têm direito ao esporte e isto é um dever do estado”, percebemos que a ausência de crianças e jovens na prática de atividades físicas pode gerar a possibilidade de diversos problemas na formação integral dos mesmos para a sua vida adulta. 11 Juiz de Fora possui uma área geográfica onde a superfície total do município é de 1.429,875 Km². Possui uma população de aproximadamente 456.796 habitantes. (ANUÁRIO ESTATÍSTICO DE JUIZ DE FORA, 2009) 12 As principais diferenças entre clubes associados e filiados são definidas pelo Sindiclubes da seguinte maneira: Todos os clubes são obrigados por lei a se tornarem filiados na referida instituição. Os clubes associados pagam a mensalidade e possuem direito a votos nas decisões tomadas nas reuniões mensais ordinárias ou extraordinárias do Sindiclubes. 13 Matéria esportiva realizada pela repórter do jornal Tribuna de Minas, Juliana Duarte, na data de 02/11/2008. 24 Mesmo com poucas opções, ainda assim surgem novos talentos esportivos a todo o momento, mas que, em função da falta de oportunidades, são obrigados a tomar uma decisão entre deixar a família e/ou a cidade, buscando seu espaço em outros locais com uma estrutura mais qualificada em relação a este quadro que a cidade apresenta, ou abortam seus sonhos e largam o esporte. Sendo ricos ou pobres, os jovens atualmente quase não possuem mais opções no panorama esportivo da cidade. O fato de Juiz de Fora não ter planejamentos de incremento para políticas públicas específicas em relação à inclusão social através do esporte, contribui para que tal anomalia aconteça, podendo até mesmo colaborar com o aumento do índice de violência na cidade14, já que o consumo de drogas e bebidas vem aumentando nessa faixa etária15. A situação acima também foi verificada anteriormente com atletas da cidade, ícones do esporte mundial, como os medalhistas olímpicos do voleibol Giovane Gávio, André Nascimento e Márcia Fu, que desde cedo partiram para outras cidades que lhes ofereciam condições melhores para atingirem seus objetivos. Ainda hoje diversas matérias de jornal confirmam que novos e ainda desconhecidos atletas seguem as mesmas trilhas dos nomes famosos. Freitas (2002) destaca o poder de socialização do esporte e cita como exemplo a integração do negro na sociedade americana após a crise de 1929, período em que surge a indústria do esporte possibilitando sua real participação na sociedade. O autor correlaciona esse período norte-americano à realidade atual brasileira, destacando que isso serve para alertar aos nossos dirigentes da consciência necessária de que o esporte praticado em nosso país possa, num momento como esse, ser mais democrático e oferecer mais oportunidades a todos. Será que os dirigentes esportivos dos clubes da cidade de Juiz de Fora estão preparados para dar vida aos objetivos de atletas e treinadores durante um 14 Fato já constatado pelo Diário Mercantil no dia 05/06/1980, numa matéria com o titulo que sugere este tema: Esporte, a nova arma contra a violência (p. 4). 15 Murad (2007) cita diversos exemplos de projetos bem sucedidos no Brasil e no mundo, confirmando essa relação de causa e efeito entre a prática esportiva e a redução do índice de violência infanto-juvenil. O autor revela que na Europa, cerca de 90% de crianças entre 11 e 14 anos praticam atividade esportiva. Por essa e outras razões, para que a ociosidade permita às crianças e jovens começarem a experimentar “novas emoções” como o álcool (uma droga legalizada) é uma questão de tempo. Estudos apontam que uma das causas do aumento do consumo de drogas e a formação de “gangues” nos segmentos infanto-juvenis (08 a 16 anos) estão relacionadas diretamente à ociosidade, somados à facilidade de obtenção das drogas mais utilizadas, como a cocaína, maconha e o ecstasy. (Murad, 2007). 25 planejamento administrativo de curto, médio e de longo prazo? Esta realidade da gestão esportiva verificada atualmente na cidade ainda continua predominantemente num sistema organizacional que dificulta a aproximação do esporte de rendimento da cidade com os grandes centros esportivos no Brasil e no exterior. Em relação às estruturas físicas, a cidade apresenta condições de sediar eventos nas mais diversas modalidades, uma vez que possui instalações esportivas (NERY; CAPINUSSÚ, 2008) capazes de alavancar o processo de desenvolvimento esportivo tanto em nível de iniciação como competitiva (importante na construção de ídolos como forma de despertar nas crianças e jovens o desejo pela prática da atividade física). Aliás, isso foi uma tônica há alguns anos atrás, quando a cidade realizou grandes eventos como o Troféu Brasil de natação em 1972, o campeonato brasileiro de voleibol em 1984, o campeonato brasileiro de futebol de mesa em 1982, entre outros tantos eventos em nível nacional. Na cidade de Juiz de Fora, os espaços destinados às atividades físicas têm sido subutilizados (NERY; CAPINUSSÚ, 2008), o que proporciona uma sensível redução de praticantes das mais diversas atividades esportivas (ALVES, 2005). Este autor destaca a necessidade da confecção de projetos por parte do setor público para que se possa oferecer à população opções de eventos e orientações para as atividades. Ainda com relação à realização de eventos esportivos, Kasznar e Graça Filho (2006) mostram o potencial de empregabilidade direto e indireto oportunizados pela CBV em função dos diversos eventos que acontecem em várias cidades brasileiras, com os jogos das seleções “indoor” e de praia, bem como com as equipes das principais competições do país. Os autores destacam os empregos formais, em que se admite a carteira de trabalho assinada, e dessa forma autenticando a atividade realizada pelo trabalhador e os informais, em que se estabelece uma forma de trabalho temporário, geralmente durante os dias do evento. Assim, Kasznar e Graça Filho (2006) entendem essas formas de trabalho em que: Justifica-se a carteira assinada quando há uma demanda regular, longa e sem perspectiva de que a produção acabe tanto pela perspectiva do trabalhador quanto por parte do empregador-empresário. E não se justifica a carteira quando o que se propõe é um trabalho ou serviço curtíssimo, precário no tempo e moldado mesmo, frequentemente, para ajudar os mais pobres deste país que tem a pior distribuição de renda e riqueza do mundo. (p. 56) 26 Se as estruturas físicas da cidade se encontram num patamar privilegiado, não podemos dizer o mesmo em relação aos recursos humanos em função da falta de informações. Acreditamos ser necessário tentar entender o processo de atuação na gestão dos dirigentes que, de forma voluntária16 (DA SILVA, 1990; CELMA, 2004; NERY; CAPINUSSÚ, 2008), tentam manter as atividades em condições precárias e desestruturadas. Ao longo dos anos, ocorreu uma diminuição do número de atividades esportivas e de lazer na cidade, gerando um abandono generalizado dos associados com o surgimento dos condomínios e academias capazes de oferecer melhores condições nas atividades físicas e de lazer (NERY; CAPINUSSÚ, 2008), fato este já comprovado por DaCosta (2005) em recente estudo. Mesmo em função da ausência de uma política de desenvolvimento esportivo num passado recente17, as equipes atuavam em condições precárias, mas conseguiam, com muita dificuldade, uma estrutura financeira que permitia aos jovens e adultos disputarem os eventos de grande porte em nível estadual e nacional, representando a cidade e o estado, nas principais competições do país (BARA FILHO et al., 2005) e, principalmente, sem custos para os atletas18. Existem registros também da realização de diversos eventos em nível nacional e até internacional na cidade, nas mais diversas modalidades. Na área do treinamento esportivo é necessária a presença de profissionais especializados e qualificados para o desenvolvimento dos planejamentos de ciclos competitivos. Mas, o que poderíamos dizer em relação àqueles que estão à frente da gestão esportiva nos clubes? Nossa preocupação foi buscar respostas de como e por que o esporte na cidade de Juiz de Fora não mais alcançou uma representatividade19 nas principais competições nacionais de categoria adulta nos últimos trinta anos, a partir da história vitoriosa em diversas modalidades, que 16 Num estudo realizado por Nery e Capinussú (2008) foi detectado que todos os dirigentes envolvidos na gestão dos clubes o fazem de forma voluntária, ou seja, possuem suas atividades profissionais primárias, deixando para segundo plano suas atividades administrativas clubísticas. 17 Para fins de entendimento do estudo, estamos referindo como passado recente, o período após 1980, época em que havia diversas equipes da cidade em atuação competitiva, na efervescência das atividades nas diversas modalidades esportivas dos diversos clubes da cidade e região competitivas (BARA FILHO et al, 2005). Apenas para exemplificar, natação, futsal, voleibol, basquete, handebol, futebol, judô, etc. 18 Depoimento dado pelo autor do presente estudo, que participou ativamente desse momento atuando como nadador nesta época, viajando para diversos lugares do Brasil e que tinha todo o custo da viagem financiado pela direção do clube pelo qual competia. 19 Neste contexto, entendemos representatividade em nível nacional as equipes de diversas modalidades que disputam competições participando dos principais eventos e chegando até às semi finais, podendo ou não chegar ao título máximo, mas disputando pelo menos a terceira colocação. 27 culminou na última conquista com o voleibol feminino do Sport Clube Juiz de Fora, nos anos 1983/ 84, em que o clube formalizou uma parceria com a Coca-Cola, se sagrou bicampeão mineiro e ficou na terceira colocação no campeonato brasileiro, mobilizando milhares de pessoas para torcer pela equipe em cada jogo. Mocsányi e Bastos (2005) enfatizam que, antigamente, empresas contratavam pessoas sem as devidas qualificações para os cargos disponíveis, consequentemente com salários mais baixos, e que ainda hoje isso acontece nos clubes e academias. Miranda e Bara Filho (2008), no livro Construindo um Atleta Vencedor, questionam o fato dos profissionais de iniciação nas categorias de base das diversas modalidades esportivas serem pouco valorizados em suas respectivas áreas de atuação, sem a devida remuneração que os permitam agir com tranquilidade na área profissional bem como na vida pessoal. Porém, Miranda e Bara Filho (2008) questionam alguns preconceitos em relação a esses profissionais da educação física e do esporte. Eles abordam, em primeiro lugar, a falta de recursos, que leva à contratação de profissionais sem a mínima experiência com salários abaixo das condições ideais para desenvolver um planejamento profissional. Em segundo lugar, na crendice de que não é necessário um bom investimento e uma intensa preparação de profissionais para atuar com essa faixa etária e, por fim, o fato de ser valorizado somente o trabalho dos treinadores das equipes principais da instituição esportiva, diminuindo a autoestima dos professores das categorias de base. Esta afirmação é compartilhada por Bastos (2003), ressaltando que, em função disso, o esporte de base se enfraquece, desestimulando os profissionais que ali atuam, pois esses não são valorizados pelas funções exercidas. Alves (2005) corrobora com os autores acima, afirmando que no Brasil há um desequilíbrio de investimentos, no qual o esporte de alto rendimento recebe quase todos os recursos de origem pública e de patrocínios de empresas privadas destinados ao esporte brasileiro, provavelmente em função da organização deste segmento e do apelo que esta atividade possui junto ao setor público. Projetos competitivos devem ser elaborados com metas estabelecidas a curto, médio e longo prazo (MIRANDA; BARA FILHO, 2008). Busca-se, desta forma, o cumprimento de cada etapa esportiva com o máximo de êxito possível. Isto possibilita que essa evolução técnica credencie os responsáveis das instituições a buscarem, através de estruturas organizadas, empresas parceiras e patrocinadores para garantirem financeiramente a estruturação completa das equipes e atletas. 28 Assim sendo, atinge-se um grau de motivação necessário o bastante para garantir a busca e superação de novas marcas (FARDIM, 2002; DIAS, 2002; ROCHE, 2002; MULLIN; HARDY; SUTTON, 2004; REIN, KOTLER; SHIELDS, 2008) e, consequentemente, destacando-se na mídia em geral, construindo um processo contínuo de formação de ídolos do esporte, atraindo cada vez mais crianças e jovens para o ambiente esportivo (FARDIM, 2002; DIAS, 2002; MIRANDA; BARA FILHO, 2008). As considerações apresentadas até aqui caracterizam um problema que necessita ser investigado e descrito. Desta forma, a questão principal que norteia as ações de pesquisa neste estudo é: qual é o perfil de gestão e que representações os gestores possuem sobre esta atividade no desenvolvimento do esporte na cidade? 1.2 OBJETIVO GERAL Identificar o perfil de gestão baseado no discurso dos dirigentes de clubes da cidade de Juiz de Fora. 1.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Como objetivos específicos estudaremos três itens para refletir acerca dos problemas da pesquisa acima apresentado, entre eles: Detectar, a partir do contexto esportivo, como os gestores visualizam suas atividades exercidas. Identificar a formação dos dirigentes dos clubes esportivos da cidade de Juiz de Fora. Identificar as dificuldades no cotidiano do gestor esportivo. 29 1.4 JUSTIFICATIVA Diante da problemática apresentada anteriormente, pretendemos abordar aqui alguns aspectos relevantes que justificam a construção deste estudo como forma de discutir a participação dos dirigentes de clubes esportivos da cidade de Juiz de Fora e suas ações na gestão esportiva. Primeiro, pretende-se que o presente estudo venha contribuir com a comunidade acadêmica na formação de recursos humanos para a gestão esportiva. Segundo, a contribuição deste estudo como subsídio para a formação de novas políticas públicas com uma visão mais moderna no âmbito da gestão esportiva. Terceiro, a discussão da profissionalização da gestão do esporte no Brasil é incentivada pelo presente trabalho, em um momento em que o país se encontra cada vez mais preparado para sediar megaeventos esportivos. Identifica-se a potencialidade dos benefícios para os atletas e à comunidade esportiva como um todo, provocando questionamentos, estimulando a criação de projetos bem como iniciativas que proporcionem melhores condições para sua dedicação exclusivamente ao esporte. Quarto, identificar os motivos que possam impactar a profissionalização das organizações esportivas, o que pode ser, ainda, de grande interesse para os patrocinadores, levando-se em consideração que isto pode ser um dos itens utilizados por eles para avaliar os futuros empreedimentos realizados. Quinto, o entendimento e o esclarecimento de aspectos relevantes em termos das carências e potencialidades do esporte clubístico na cidade de Juiz de Fora. A indústria do esporte vem crescendo cada vez mais em todo o mundo, gerando negócios que envolvem grandes volumes financeiros, importante para o desenvolvimento social, político e econômico, na promoção de saúde, no entretenimento, na geração de empregos e nos negócios para empresas. Sexto, a contribuição relacionada com a utilização dos diversos espaços que estão desocupados na cidade, que tem uma localização estratégica próxima a grandes centros culturais, comerciais e esportivos do país. Tal situação facilita muito a formação e o desenvolvimento de equipes de alto nível, principalmente pelas possibilidades de intercâmbio com outras regiões e contratação de atletas (NERY; CAPINUSSÚ, 2008) 30 CAPÍTULO II – REVISÃO DE LITERATURA 2.1 CONCEITO DE GESTÃO ESPORTIVA A gestão esportiva teve seu surgimento no Brasil em decorrência da organização do esporte brasileiro (BASTOS, 2006) na busca por melhores resultados esportivos em nível internacional. A referida autora aponta a primeira obra literária de que se tem notícia, em 1942, idealizada por Maria Lenk20, que destacava a necessidade de um maior entendimento por parte dos profissionais que atuam no setor, bem como enfatizava a responsabilidade desses atores sociais na organização de competições e instalação de praças esportivas. Porém Mendonça (1909) já tratava da gestão esportiva em sua obra intitulada “Historia do Sport Nautico no Brazil”21. Oliveira, Pereira e Almeida (2008) dividem a definição de gestão em amadorista e profissional. Na gestão amadorista sobressai-se o interesse de um pequeno grupo sobre a maioria, onde os dirigentes não são remunerados ou a remuneração está aquém da competência profissional exigida, existindo uma ênfase no fortalecimento interno do grupo e, portanto, não centrada em resultados. A estrutura dos departamentos é exercida por funções tradicionais, voltadas para o gerenciamento das atividades, existindo uma ênfase no estatuto do clube como fonte de decisão no processo de gestão, no qual se tem um alto poderio de influência dos "conselheiros" que representam a força de decisão. Além disso, existe uma vigência de paradigma da entidade sem fins lucrativos e uma estreita vinculação com todos do grupo que comanda as ações com uma administração voltada para dentro. Pasito (2006) acrescenta que os clubes com gestão amadora são baseados em valores de tradição e as atitudes e o comportamento de seus dirigentes são influenciados por uma dimensão irracional em suas decisões. Segundo Hernándes (2005), o pior inimigo de uma instituição esportiva é a própria organização, em função de sua inércia. Combinada com a falta de uma estrutura organizacional, a ausência de procedimentos administrativos e a falta de atitude, os dirigentes não permitem o desenvolvimento de atividades afins, tendendo a destruir 20 O obra lançada pela profª. Maria Lenk chama-se “Organização de Educação Física e Desportos”. Agradecemos ao prof. Dr. Lamartine Pereira DaCosta que nos disponibilizou informação histórica tão preciosa para o nosso trabalho. 21 31 todo um movimento esportivo como se tem visto hoje em dia. Para Oliveira, Pereira e Almeida (2008), na gestão profissional predominam a visão estratégica e a busca pelos resultados. Existe uma prioridade na busca de parceiros e investidores e os gestores são remunerados, aliás, geralmente são bem remunerados, e da mesma forma também são bastante cobrados pelos resultados. A estrutura corporativa é voltada para o gerenciamento das diversas atividades institucionais com ênfase na elaboração e implantação de projetos para detecção das necessidades como fonte de decisão no processo da gestão. Os gestores possuem força nas tomadas de decisão com um paradigma pela busca de resultados e uma estreita vinculação com o mercado e a administração voltada para fora. Nolasco et al. (2005) conceituam administração (denominação histórica) e gestão (nome apropriado) como a organização, sistematização e direção racional de instituições que atuam com atividades esportivas nos seus segmentos competitivos ou de lazer. Os autores apontam diferenças na gestão entre os países e citam o exemplo americano que pratica a gestão organizacional esportiva de maneira multidisciplinar e submetida a uma liderança profissional. Pires e Sarmento (2001) mostram alguns indicadores para o surgimento da gestão esportiva: a crise do setor esportivo moderno em busca de novos caminhos para o segmento; um emaranhado de teorias que complexificam esta área de atuação, surgindo a necessidade do desenvolvimento da criatividade para resolver essas questões; um número crescente de novas instituições surgindo, que determinam a necessidade de uma maior organização para intervenção profissional; os estudos acadêmicos que possibilitam a troca de informações qualificando a gestão do conhecimento; o aumento da oferta de empregabilidade no setor, indo na contra-mão em relação às outras áreas de atuação, em que as opções estão bastante reduzidas e, por fim, a necessidade da formação de recursos humanos para ocuparem os espaços que até então eram preenchidos por pessoas desqualificadas neste segmento. Pires (2005, p.155) aborda o fato de que, [...] aquilo que tem a ver com as questões básicas da gestão no que diz respeito à utilização de recursos, de informação e de tempo, supostamente que nada se modificou ao longo da história, na medida em que elas fazem parte das atividades humanas. 32 Diante do exposto, aquilo que consideramos gestão esportiva não nasceu de geração espontânea, já que é o resultado de um processo de evolução ao longo dos últimos anos. Capinussú e Reis (2004) abordam que a presença da Gestão Esportiva se faz fundamental não somente no campo administrativo do alto rendimento, mas deve-se entender o processo do segmento esportivo como um todo. Desta forma, prioriza-se que a aprendizagem deve ser estruturada e sistematizada até a formação das equipes de base, direcionando e escalonando os objetivos a serem atingidos e, consequentemente, os desempenhos, chegando ao alto rendimento de forma mais concreta e eficaz, num processo desenvolvido em longo prazo22. Pires e Sarmento (2001) destacam o surgimento e evolução da gestão esportiva nos Estados Unidos, através das ligas profissionais, e na Europa, advinda do apoio financeiro e estrutural dado pelo governo. Os referidos autores destacam que começam a existir as primeiras conclusões reflexivas, embora que, por vias distintas, a gestão americana centra sua base no esporte universitário com suas ligas, e da gestão de negócios, advindos do esporte; a europeia, mais preocupada nos fatores de intervenção política da gestão pública e da consequente abrangência das atividades esportivas através do esporte participativo. Nos Estados Unidos, na organização das práticas esportivas de competição escolar. Na Europa, nas atividades de lazer e competição organizadas pelos clubes sociais, promovidas e apoiadas pelo próprio Estado. Roche (2002) classificou as organizações esportivas na Espanha em quatro grupos, a saber: organizações desportivas públicas, organizações privadas sem fins lucrativos, empresas de serviços esportivos e as sociedades anônimas desportivas. Destaca também os setores de atuação em: desenvolvimento de políticas públicas do esporte, construção e administração de complexos esportivos, clubes esportivos, associações de clubes, ligas e federações esportivas, prestação de serviços das escolas esportivas, acampamentos, esportes de natureza, organização de eventos e competições, consultorias e atividades de capacitação. Azevêdo, Barros e Suaiden (2004) colocam aspectos importantes sobre a profissionalização do atleta de futebol, mas questionam sobre as ações dos 22 Hernández (2005, p.277) define um planejamento em longo prazo como “toda estrutura que atua durante um longo período que se requer para alcançar um objetivo muito importante, conforme o planejamento estratégico”. Para ele, um prazo referente a este período é de cinco anos para mais. 33 dirigentes esportivos nos clubes, sempre na mídia em decorrência das suas atuações que têm sido colocadas em dúvidas. Os autores destacam que a administração esportiva carece de maior e contínua produção em publicações científicas para preencher lacunas existentes sobre o assunto, tema relevante no cenário esportivo nacional. Bastos (2003) relembra um diagnóstico realizado por DaCosta em 1971, quando o autor já descrevia o avanço da indústria do esporte com a evolução do segmento de materiais esportivos, construções de instalações esportivas voltadas para a prática de atividades físicas, sem porém se referir à questão da gestão e administração esportiva. A autora nos aponta uma cobrança da sociedade (meio acadêmico, mídia, etc.) em busca da profissionalização do esporte nos seus mais variados segmentos, principalmente no setor administrativo, na realização de trabalhos em busca da qualificação do esporte nacional com transparência. Destaca também a evolução de algumas modalidades do esporte competitivo brasileiro, como o voleibol, que vem mostrando competência em sua gestão, mas que isso não é uma regra geral. No contexto da gestão esportiva, a indústria do esporte e do entretenimento23 tem se caracterizado como uma das áreas mais dinâmicas e prósperas de grande faturamento dos últimos anos (VILELA, 2002). Se considerarmos que os clubes possuem espaços e locais apropriados para a realização de atividades de entretenimento, a falta de atividades envolve uma perda significativa em termos de receitas financeiras. Para o autor, os eventos e entretenimentos esportivos são uma opção em lazer, sendo que o esporte consegue estimar um universo de bilhões de dólares em vendas diretas e indiretas de seus produtos, envolvendo áreas de atuação como turismo24 e hotelaria em função da realização de eventos e vendas de materiais esportivos. Bittencourt e DaCosta (2005) destacam a abertura de empregos diretos e indiretos na realização de eventos esportivos, proporcionando às cidades sedes a oportunidade de surgimento no cenário do turismo advindo das competições esportivas. Na sociedade moderna em que vivemos, o fato é que esses modelos estão cada vez mais buscando a profissionalização do entretenimento, que vai, no 23 Para VILELA (2002), entretenimento significa divertir, ocupar e encher as horas vagas com atividades que proporcionem prazer. 24 O turismo tem se revelado recente como objeto de estudo para pesquisadores da área das ciências do esporte (REIS, 2008) 34 futuro, relacionar o processo de desenvolvimento do esporte e, em consequência, a gestão das suas práticas (PIRES; SARMENTO, 2001). Apesar da recessão econômica vivida pelo país nos últimos vinte anos, todo este processo de expansão ultrapassa fronteiras na participação e diversificação dos negócios, apenas para se ter uma ideia do potencial financeiro deste mercado em expansão no Brasil (ALVES, 2005). Não obstante, atualmente, diversas áreas ligadas direta ou indiretamente ao esporte se beneficiam desta crescente evolução, atuando em setores como a indústria de materiais esportivos, economia, administração, direito, gestão de eventos e entretenimentos, instalações esportivas, turismo, entre outras (MULLIN; HARDY; SUTTON, 2004; ROCHE, 2002; REIN; KOTLER; SHIELDS, 2008; FARDIM, 2002; DIAS, 2002), elevando, ano após ano, o Produto Interno Bruto (PIB) do setor esportivo (BITTENCOURT, 2005). A referida autora nos mostra que o PIB do esporte no Brasil25 chega a ser superior, em termos de crescimento, em relação ao PIB total da nação brasileira. Kleber26 (2006) apresenta uma comparação de valores do PIB em 2005, entre Brasil (R$ 37,1 bilhões) e Estados Unidos (R$ 558,4 bilhões, maior PIB esportivo do mundo). Esses valores nos mostram uma longa distância a ser percorrida, mas revelam também todo o potencial do esporte brasileiro, levando-se em consideração a existência do elevado número de instalações esportivas e recursos humanos para a realização de eventos, criação de mais atividades no âmbito competitivo, bem como na iniciação esportiva, ampliando o volume de empregabilidade direta e indireta e, consequentemente, o giro de dinheiro na região investida. 2.2 O GESTOR ESPORTIVO Paoli (2004) aborda o fato que uma profissionalização da gestão esportiva se constitui uma das exigências do campo esportivo, seja qual for a natureza da organização. Isso possibilitou a abertura de um novo nicho de mercado para diversos segmentos profissionais qualificados. 25 O PIB no esporte brasileiro chegou a 1,7% em 1996, e deste ano até o ano 2000 teve um aumento de 12,34%, bem superior ao valor de 2,5% do crescimento do PIB brasileiro no geral (BITENCOURT, 2005). 26 O autor cita que nos últimos dez anos, o PIB cresceu 10,8%, número bem superior aos 3,2% em média do PIB brasileiro do mesmo período. 35 Roche (2002, p.61) nos passa a importância de um aspecto fundamental que [...] não se pode saber até aonde vamos sem saber de onde viemos e, sobretudo, onde e em que situação nos encontramos em cada momento e quais são as tendências e comportamentos dos fatores externos e internos que, direta ou indiretamente, nos afetam. Desta forma, o autor acima citado mostra a responsabilidade do cargo de gestor dentro das instituições esportivas. A mesmo opinião é compartilhada por Celma (2004) que afirma que o perfíl do gestor deve apresentar capacidade e qualidade de suas funções trabalhistas em todas as direções e âmbitos do segmento e que seu futuro passa por sua polivalência entre os setores públicos e privados. O referido autor ainda aponta para uma realidade onde o dirigente esportivo já não pode ser apenas aquele voluntário entusiasta, pois necessita ir além melhorando sua administração para controlar suas instalações, bem como a organização dos eventos e competições. Concordamos com Celma (2004) quando ele se apoia na questão de que não se pode dirigir organizações do século XXI com estruturas do século XX e com capacidade administrativa do século XIX. Alves (2005) aponta contrapontos no segmento esportivo, que alcançou um elevado grau de importância para a promoção de saúde da comunidade, mas que tem sido comandado por pessoas despreparadas para dar um equilíbrio nos investimentos necessários em função da falta de visão administrativa. Segundo o autor, esses personagens desconhecem os diversos fatores que podem acelerar esses processos de desenvolvimento da cadeia produtiva e econômica do esporte. O resultado desse emaranhado de atitudes negativas é o afastamento das parcerias produtivas, como empresas patrocinadoras que deixaram de atuar junto às equipes parceiras27. Deve-se levar em consideração também o potencial político (eleitoral) e social, determinante para a elaboração de políticas públicas pelo Estado, grande parceiro nesse processo (ALVES, 2005). Da Silva (1990, p.44) relata que os dirigentes pioneiros nessa função de gerir o esporte assim o fizeram como ensaio e erro, mas que de certa forma “estruturou e fez crescer a função de dirigir o desporto” em função das experiências adquiridas ao longo do tempo, criando conceitos e padrões de gerenciamento, hoje herdado pelos atuais administradores do esporte. Porém, o referido autor afirma também que ainda 27 Como exemplos, poderíamos citar a saída da Pirelli no voleibol brasileiro, Supergasbrás no voleibol, entre outras. 36 hoje os dirigentes se formam de maneira empírica, seja observando aqueles que já atuam no mercado e os copiando, sem uma prévia análise da sua realidade, seja na convivência do dia a dia. Entretanto, afirma também que existem aquelas pessoas (na opinião do autor, considerados exceções) que buscam uma formação teórica juntamente com experiências práticas para o aprimoramento da função diretiva. Outra importante afirmação de Da Silva (1990) já naquela época e que ainda encontramos nos dias de hoje, são aqueles dirigentes (presidentes, vice-presidentes, diretores, etc) que, ao final de seus mandatos, levam consigo toda a experiência adquirida durante o período que estiveram atuando nos seus respectivos cargos, ao passo que seus substitutos começam a galgar os mesmos caminhos de seus antecessores, de forma plenamente voluntária e amadora, começando sua “Via Crucis” entre dividir o tempo entre seus negócios prioritários para seu sustento pessoal e da aprendizagem informal e assistemática sobre administração esportiva, gerando desta forma uma descontinuidade do processo iniciado anteriormente, trazendo, assim, consequências negativas a todo o processo esportivo de alto rendimento. Uma questão interessante abordada por Da Silva (1990, p.50-51) é quando ele se refere ao tipo ideal de relacionamento existente entre o gestor e a instituição na qual ele atua. Para o autor, tão importante quanto as questões profissionais existentes, é necessária também uma relação em que haja acima de tudo emoção entre as partes envolvidas, preconizando que: [...] o dirigente deverá ser um produto do próprio clube, egresso de suas fileiras sociais e atléticas, através do que sua história pessoal, como membro permanente do tecido associativo, o credencia para melhor compreender e absorver todos os matizes do seu clube, sua tradição e seus propósitos, suas dificuldades existenciais, paralelamente às glórias alcançadas. Uma biografia pessoal escrita com as cores do clube que, frequentemente, é a continuação do nome da família que se iniciou nas hostes do corpo social nas décadas anteriores. O amor e a paixão nutridos nas características e peculiaridades de seu clube quase sempre resultando na dedicação e amor, a que acima nos referimos. É uma construção ao longo do tempo, fixada em raízes irremovíveis. Em face disto, o verdadeiro dirigente esportivo, em nível de diretoria administrativa, jamais deverá ser um simples profissional contratado no mercado de trabalho, não devendo também ser aceito o “desportista” que pula de clube no afã de alcançar sua afirmação pessoal, egoística em sí mesma, oportunista em seu caráter de ambição individual, como um aventureiro sem alicerce sócio-clubístico que anseia por realizar-se e não por realizar (DA SILVA, 1990, p 50-51). Apesar disso tudo, Da Silva enfatiza também que o dirigente deve resguardar 37 sua condição de apaixonado por um clube, devendo aprender a controlar suas emoções, atuando na forma arbitral em todas as ocasiões que se fizerem necessárias, ainda que de forma voluntária. Em se tratando de dirigentes voluntários, em Portugal, Oliveira, Carvalho e Bilhim (2004) encontraram num estudo que para cada clube havia uma média de onze voluntários atuando nas diretorias, o que, se levarmos em consideração os mais de dez mil clubes existentes28, teríamos cerca de 110.000 pessoas atuando nestes cargos. Para calcular o valor implícito contido nesta situação, o autor estimou uma média de três horas de dedicação29 diárias para cada um desses dirigentes, o que daria um valor de trabalho não remunerado em mais de cem milhões de euros por ano. Ainda em Portugal, Batista e Andrade (2004) abordam a questão sobre os dirigentes que permanecem em seus cargos durante anos, impedindo o surgimento de novos profissionais na área administrativa, melhores preparados do ponto de vista técnico para ocupar estes cargos diretivos. Mullin e colaboradores (2004) enfatizam que as estratégias utilizadas para a gestão esportiva devem começar com um bom entendimento por parte do gestor do ambiente e a posição dele inserida neste e, assim, saber onde se está e aonde se pretende chegar. Isso exige um conhecimento dos componentes do grupo de trabalho e de seus comportamentos diante de todo o processo administrativo que se faz necessário. Fardim (2002) destaca a importância da visão do líder no sentido de mostrar com clareza como gostaria de ver reconhecido sua gestão e, a partir daí, elaborar a construção e missão da organização, razão de toda a nossa discussão. Afirma, também, que “cada área tem que ter seu orçamento, suas metas, sua missão, seu plano estratégico, negociado com a alta administração, com esses resultados sendo acompanhados e cobrados” (p. 71), nesse caso, podemos detectar a importância das tomadas de decisão sendo feitas já em cima do planejamento de ações elaboradas previamente. Para Capinussú (2005), a função do administrador esportivo não tem sido exercida de forma competente e produtiva, já que na maioria dos casos esses “gestores” não são especialistas do esporte, mas sim profissionais de outras áreas 28 Oliveira e colaboradores citaram o estudo de Santos (2001), que encontrou em sua dissertação de mestrado 10.377 clubes em Portugal. 29 O autor se baseou esse calculo de média diária de três horas em função dos resultados das pesquisas realizadas por Antunes (1996) e Matos (2001). 38 de atuação, que priorizam as funções do trabalho que os sustentam, deixando em segundo plano a sua atuação esportiva, o que vai ao encontro de Bastos (2003), Mocsányi e Bastos (2005) e Alves (2005), que abordam sobre a desqualificação desses personagens do setor administrativo esportivo em função do despreparo técnico. Da Silva (1990) atenta também para aqueles que se aproveitam da posição de comando ocupada para viabilizar oportunidades de projeção pessoal e política, para aquelas pessoas que são escolhidas para gerirem o clube em função do seu status social ou financeiro, em vez de sua qualificação esportiva pelas vias de liderança, capacidade administrativa e de trabalho, e, acima de tudo, pela dedicação ao clube. Fernandes (2000) afirma que “o maior problema da gestão está centrada no gestor”, já que na maioria dos casos os dirigentes se deixam levar pela emoção clubística, vaidades pessoais, a má utilização dos recursos financeiros e até mesmo corrupção. Para o autor, dirigentes sem a menor qualificação e habilitação para o planejamento, direção, organização, execução e controle das atividades exercidas, sem capacidade de administrar relações interpessoais, sem capacidade mínima de obter as informações de gerenciamento operacional do clube bem como de mobilização das pessoas para realizações de tarefas de maneira empresarial, determinam de forma apaixonada os destinos dos clubes. Para Pires (2005) quando se trata de estimar perspectivas sobre as terefas a serem realizadas por um gestor, se faz necessário, antes de mais nada, conhecer e ter compreendimento do ambiente em que a organização está envolvida. Fernandes (2000) ainda ressalta que existem três modelos de perfil administrativo por parte dos dirigentes, ao longo do tempo: o dirigente militante que atua por paixão ao clube ou ao futebol; surgindo em seguida o dirigente que via a possibilidade de alcançar suas aspirações pessoais e políticas e também a constatação de que o futebol passou a movimentar grandes quantias financeiras, a partir do que o mesmo passou a se servir dessa situação para proveito próprio. Aliás, ainda sobre essa questão, Mocsányi e Bastos (2005) atentam que a teoria do capital financeiro já não pode ser mais aceita, uma vez que diversas empresas com elevado nível monetário sumiram do mercado, o que valoriza ainda mais os recursos humanos que precisam ser mais utilizados e motivados, tornando ainda mais vitais para as organizações administrativas as pessoas envolvidas nessas corporações, principalmente, em nosso caso, as esportivas. 39 Bastos (2003) nos mostra que esta área de conhecimento reúne corpo literário referente à teoria e à prática, profissionais voltados para a formação de profissionais, gestores que atuam diretamente na prática nos diversos segmentos esportivos, organizações que se dedicam ao avanço esportivo, o que resulta na conquista de credibilidade perante a sociedade. Para a autora, a gestão esportiva engloba tudo isso, pois tem um caráter multidisciplinar, atuando em diversos segmentos no esporte e vem se situando num contexto histórico através das mudanças divulgadas a partir dos anos sessenta do século passado. Bastos (2003) revela, ainda, que a partir desse momento até os dias atuais, diversas ações voltadas para o campo de formação profissional têm sido desenvolvidas. Aponta uma constante evolução da oferta de capacitação profissional em diversos países e que a especificidade das características assumidas pelo esporte é de acordo com o setor social em que está inserido. Entretanto, afirma que ainda é insuficiente para a almejada mudança visando dar maior credibilidade à área no Brasil. Afinal, segundo a autora, pouco se estuda e conhece sobre o perfil do administrador esportivo (o que confirma a relevância do presente estudo), sobre a sua formação e seus campos de atuação. Essa afirmação vai ao encontro de Azevêdo, Barros e Suaiden (2004), que consideram um fator preponderante o estudo do perfil dos dirigentes, ponto fundamental para se conhecer o preparo desses profissionais, que mal trabalhadas, podem colocar em risco instituições esportivas que estão no esporte há anos e vêm sofrendo com inúmeras crises administrativas. Sarmento (2006) levantou o perfil do gestor esportivo em Portugal, a partir do problema de que o cargo em questão tem sido ocupado por dirigentes “benévolos30”, confirmando Capinussú (1992) o mesmo que Sarmento em seus estudos no Brasil sobre quem atua na gestão de instituições esportivas. Sarmento questiona uma dúvida difícil de superar: “são os dirigentes desportivos gestores desportivos?” Percebemos assim que, apesar de estarem em um contexto mais avançado, os problemas referentes à administração esportiva em outros países em parte se aproximam dos mesmos problemas brasileiros, com a necessidade de uma formação mais qualificada para atuar à frente das várias funções nas ciências do esporte. Países como Itália, Portugal, Espanha, Alemanha, França e Estados Unidos 30 Benévolo: pessoa animada de disposições favoráveis, benevolente, benigno, bondoso (ROOGAN; HOUAISS, 1998) 40 são alguns dos exemplos de gestão esportiva que vêm evoluindo ao longo dos últimos anos (CAPINUSSÚ, 1992; 2005; POZZI, 1998). Paoli (2004, p.104) fala do desempenho do gestor como a “capacidade e competência com que o administrador determina, executa e alcança os objetivos estabelecidos com eficiência e eficácia”. Capinussú (1992; 2005), Bastos (2003) e Alves (2005) revelam que, enquanto não se objetivar uma maior qualificação dos recursos humanos, todo esse processo de desenvolvimento fica comprometido, porque hoje o número de gestores esportivos públicos e privados especializados é bastante reduzido, pois a preocupação com a profissionalização dessa área de atuação no Brasil é recente e avança de forma lenta, pondo em risco um gasto financeiro excessivo em virtude da falta de planejamentos para utilização de todo o dinheiro que se investe nos projetos. . A busca por essa crescente evolução do setor esportivo só é possível em função da participação de profissionais qualificados nas mais diversas áreas de atuação (CAPINUSSÚ; REIS, 2004; CAPINUSSÚ, 2006), cada qual responsável pela sua especialidade, seja na parte técnica como treinadores, fisiologistas, médicos, fisioterapeutas, psicólogos, etc.; bem como na administrativa, como direito, economia, marketing esportivo, entre outras (CAPINUSSÚ, 1992; 2005; CAPINUSSÚ; REIS, 2004). 2.3 GESTÃO ESPORTIVA NA CIDADE DE JUIZ DE FORA BARA FILHO et al. (2005) sugerem que o movimento esportivo na cidade surgiu há mais de um século e funciona como um pólo de desenvolvimento esportivo na região. No presente momento, Juiz de Fora está em pleno desenvolvimento sócioeconômico. Um exemplo disso é o aumento de arrecadação mensal de ICMS, crescendo de R$ 190.902.760,06, em 1999, para R$ 527.517.399,20 em 2008 (UFJF, 2009), com destaque para o setor industrial e comércio varejista (UFJF, 2007). Possui, também, um elevado índice de desenvolvimento humano – IDH: 0.82831 alcançado em 2000 (BARA FILHO et al, 2005). 31 Segundo o site www.dhnet.org.br/dados/idh/idh_como funciona.pdf , o índice de Desenvolvimento Humano (IDH) foi criado pelos economistas Mahbub ul Haq, do Paquistão, e Amartya Sen, indiano ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 1998, em 1990. Para os autores, o IDH “é um indicador que oferece um contraponto ao Produto Interno Bruto per capita, que presume haver um elo entre o crescimento econômico nacional e a expansão das opções humanas de um indivíduo”. 41 No que tange ao desenvolvimento do setor cultural, existem hoje cinco emissoras de rádio FM e quatro rádios AM regulamentadas e instaladas na cidade, três jornais locais com circulação diária, bem como cinco canais de TV – três abertas e duas fechadas. A cidade possui várias entidades culturais e manifestações artísticas32, 43 museus e pontos turísticos33, escolas de arte e galerias34, escolas de música, bandas e corais35, orquestras36, escolas e grupos de dança37, teatros e 32 Academia de Letras de Juiz de Fora; Academia de Poetas e Prosadores de Minas Gerais; Academia Juizforana de Letras; Associação Casa Viva; Associação Cultural Brasil e França; Associação Cultural de Esperanto de Juiz de Fora; Associação Recreativa Brasil Alemanha; Associação Cultural Luso-Brasileira; Associação Mineira de Arte e Educação; Associarte; Casa D’Itália; Centro Cultural Bernardo Mascarenhas; Centro Cultural de Benfica; Sala dos Fundadores da S. P. M. de Monte Castelo; Centro Cultural Filosófico Nova Acrópole de Juiz de Fora; Centro Cultural Pró Música; Centro de Estudos Sociológicos; Centro de Estudos Murilo Mendes; Clube dos Colecionadores; Conservatório Estadual de Música Haidée Franco-Americano; Fórum da Cultura; Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage; Instituto Cultural São Tomás de Aquino; Instituto Paulo Freire; Scala Escola de Música; Sociedade de Belas Artes Antônio Parreiras; Sociedade Filarmônica de Juiz de Fora; União Brasileira de Trovadores; 33 Academia de Comércio; Aeroclube/Aeroporto; Associação Comercial de Juiz de Fora; Barragem de Chapéu D’Uvas; Campus da Universidade Federal de Juiz de Fora; Capela do Colégio Santa Catarina; Capela Nosso Senhor dos Passos; Capela Sagrada Família – CES; Catedral Metropolitana de Juiz de Fora; Centro Cultural Bernardo Mascarenhas; Centro da Memória da Igreja Católica; Centro de Estudos Murilo Mendes; Clube Hípico e Campestre; Instituto Granbery da Igreja Metodista; Colégio Stela Matutina; Escola Normal; Estádio Municipal Radialista Mário Heleno; Fórum da Cultura; Grupo Central; Horto Florestal; Igreja da Glória; Igreja de Caeté; Igreja de São Roque; Igreja de São Sebastião; Marco do Centenário de Juiz de Fora – Artur Arcuri/Di Cavalcante; Mirante da BR 040; Mirante de São Bernardo; Morro do Imperador; Museu da Usina Hidrelétrica; Museu da Farmácia; Museu da Arqueoastronomia e Etnologia Americana – UFJF; Museu de Arte Moderna Murilo Mendes – UFJF; Museu de História Natural da Academia – CES; Museu da Malacologia – UFJF; Museu do Banco de Crédito Real; Museu do Folclore; Museu do Lixo; Museu do Núcleo Ferroviário; Museu do Rádio; Museu Mariano Procópio; Núcleo Histórico Ferroviário; Painel “As Quatro Estações” de Cândido Portinari; Palácio Barbosa Lima; Parque do Museu Mariano Procópio; Parque Halfeld; Parque Municipal da Lajinha; Poço D’Antas; Prédio das Repartições Municipais – Funalfa; Theatro Central; Teatro da Academia; Usina Hidrelétrica de Marmelos Zero. 34 Agência Manchester – CEF; Assir Artes; Casa D’Itália; Espaço Cultural Banco do Brasil; Espaço Cultural CROE; Espaço Cultural dos Correios; Fórum da Cultura; Galeria de Arte Arlindo Daibert – CCBM; Galeria de Arte Celina Bracher – CCBM; Galeria de Arte do Fórum da Cultura; Galeria de Arte do SESC; Galeria de Arte do SESI; Galeria de Arte Heitor de Alencar – CCBM; Galeria de Arte Renato de Almeida – Pró Música; Galeria de Artes Van Gogh; Galeria Portinari – Ritz Plaza Hotel; Manufato; Manufato Cursos; Museu Ferroviário; Pró-Música Escola de Arte; Capes Casa Viva; Sala Van Gogh Escola de Arte; Sociedade Cultural Ad Libtun e Scala; Sociedade de Belas Artes Antônio Parreiras. 35 Angel (Coral da 1ª Igreja Presbiteriana); Associação Coral CESAMA; Banda Nossa Senhora Aparecida; Banda Nossa Senhora de Lourdes; Batuque Afro-Brasileiro Nelson Silva; Centro Musical Sustenidos & Bemóis; Chorus – AD LIBITUM; Conjunto Artístico de Donas de Casa; Conservatório Estadual de Música; Coral Belgo de Juiz de Fora; Coral Cura D’Ars; Coral da 2ª Igreja Batista; Coral da UFJF; Coral do SESC; Coral dos Alunos do Conservatório Estadual de Música; Coral dos Pequenos Cantores da Oficina Musical; Coral Espírita de Juiz de Fora; Coral Mater Verbi dos Meninos Cantores da Academia; Coral Melodia Celeste (1ª Igreja Batista); Coral Pró Música; Coral do SESC; Coral SESIMINAS; Coral Vox Mundi; Coral Vozes para Cristo (3ª Igreja Batista); Coraliança (6ª Igreja Batista); Cordas e Canto Centro Musical; Coro das Escolas Municipais; Coro Municipal; Corp. Municipal Artistas Amadores da Sociedade Filarmônica de Juiz de Fora); Juiz de Fora em Serenata; Fórum da Cultura; Grupo Declamar; Grupo Macurandamba; Lira Santa Rita de Cássia; Lira São Geraldo; O Canto Novo (Coral da 1ª Igreja Presbiteriana); Pró-Música Escola de Artes; Quarteto Celebração (1ª Igreja Batista); Scala Escola de Música; Sociedade Euterpe Monte Castelo; Sociedade 42 grupos de teatro38, bibliotecas, livrarias e literatura39, 17 cinemas, grupos de capoeira40, 124 escolas municipais, 51 escolas estaduais, 3 escolas federais e 176 escolas particulares, empregando no total 4.652 profissionais da área de educação, 12 Instituições de ensino superior, uma delas da rede federal e 30 cursos profissionalizantes nas mais diversas áreas (UFJF, 2009). Juiz de Fora tem uma população de, aproximadamente, 500.000 habitantes, com predominância do sexo feminino (239.385 habitantes) em relação ao masculino (217.411 habitantes) tanto na zona rural quanto urbana (UFJF, 2009). Filarmônica de Juiz de Fora; Sociedade Musical Tenente Januário. 36 Centro Cultural Pró-Música: Orquestra Sinfônica Jovem, Orquestra de Câmara, Orquestra Escola, Orquestra de Jazz, Quartetos de Cordas, Solistas de Câmara (Barroca), Conjunto Pró-Música Colonial Brasileiro, Camerata Pró-Música; Conservatório Estadual de Música: Orquestra de Violinos, Orquestra de Violões, Orquestra de Violas; Sociedade Filarmônica de Juiz de Fora: Orquestra Filarmônica, Orquestra Maestro Euclides Brito, Orquestra Escola, Conjunto Seresta Musical, Conjunto de Violões, Conjunto de Metais; Scala Escola de Música: Quarteto Jovem Scala, Orquestra dos Alunos das Escolas Municipais; Fanfarra Maestro José Quirino. 37 Axé Criança; Academia Vivian Mockdeci; Ekilíbrio; Ballet Ana Pavlova; Batuque Afro-Brasileiro Nelson Silva; Corpo Livre Escola de Ballet; Corpus Núcleo de Dança; Cos’é Espaço Cultural – Daniela Guimarães; Escola de Dança de Salão Primeiros Passos; Escola Magia da Dança: Grupo Tarantolato; Balé Misailidia, Grupo Magia da Dança; Espaço de Dança Expressão Corpo; Expressão e Movimento; Grupo Macauã; Grupo Mudanças; Real Ballet. 38 Centro Cultural Bernardo Mascarenhas; Teatro da Academia; Teatro da Sociedade Filarmônica; Teatro do Fórum da Cultura; Teatro do SESC; Teatro do SESI; Teatro Estação; Teatro Pró-Música; Teatro Solar; Theatro Central; Cia. de Atores da Academia; Grupo de Teatro Caravana do Delírio; Grupo de teatro Divulgação; Grupo de teatro Embaixo do Céu; Grupo de Teatro GATTU; Grupo de Teatro Pró-Música; Grupo de Teatro PUTZ; Grupo de Teatro do SESI; GTA – Grupo de Teatro da Academia; Médicos do Barulho; Navegar; Núcleo de Atores Mineiros – Di Carlo Araújo; TQ – Teatro de Quintal. 39 Academia de Poetas e Prosadores de Minas Gerais; Associação Cultural Luso-Brasileira; Bibliotecas da UFJF: Biblioteca Central, Biblioteca da Faculdade de Comunicação, Biblioteca da Faculdade de Direito, Biblioteca da Faculdade de Educação Física e Desportos, Biblioteca da Faculdade de Engenharia, Biblioteca da Faculdade do Serviço Social, Biblioteca da Faculdade de Administração e Economia, Biblioteca da Faculdade de Educação, Biblioteca do CIS, Biblioteca do Colégio Técnico Universitário, Biblioteca do Hospital Universitário, Biblioteca do Instituto de Ciências Biológicas, Biblioteca do ICHL; Biblioteca do SESC; Biblioteca do SESI; Biblioteca Wanderlei Tomaz; Biblioteca Municipal Murilo Mendes; Biblioteca Municipal Delfina Fonseca Lima; Espaço Cultural ArcoÍris; A Terceira Margem Livraria e Cafeteria; Banca do Brasil Livraria; Banca do Vasco; Bom Livro Livraria; Livraria Leitura; Bom Senso Livraria e Editora; Casa da Bíblia; Casa das Letras; Casa Divulgadora da Bíblia; Compendium Quadrinhos; Biblioteca Redentorista da Igreja da Glória; Biblioteca Comunitária “Pedro Nava”, Biblioteca da Casa de Cultura e Cidadania; Biblioteca da Faculdade do Sudeste Mineiro – FACSUM; Biblioteca da Faculdade Machado Sobrinho; Biblioteca da Paróquia de Santa Rita; Biblioteca da Paróquia São Pio X; Biblioteca da Faculdade Estácio de Sá; Biblioteca da Universidade Presidente Antônio Calos – UNIPAC; Biblioteca da Universidade Salgado de Oliveira – UNIVERSO; Biblioteca de Obras Raras do Museu Mariano Procópio; Biblioteca do Centro Comunitário do Bairro Araújo; Biblioteca do Centro de Estudos Murilo Mendes; Biblioteca do CES – Centro de Estudos Superior de Juiz de Fora; Biblioteca do Colégio dos Jesuítas; Biblioteca do Colégio Pio XII; Biblioteca do Instituto Granbery da Igreja Metodista; Biblioteca do Instituto Vianna Júnior; Livraria Academia do Livro; Livraria Arco-Íris; Livraria Camões; Livraria Cristã Ebenezer; Livraria Espírita Cristã; Livraria Evangélica Fonte e Vida; Livraria Evangélica Sion; Livraria Flamingo Sebo; Livraria Kuarup; Livraria Leitura; Livraria Liberdade; Livraria Livro e Arte; Livraria Livros & Cia.; Livraria Página; Livraria Pedro II; Livraria Verso & Prosa; Livraria Vinde; Paulos Livraria; Planet Music 40 Capoeira Bonfim; Capoeira Gerais; Capoeira Porto de Minas; Capoeira Senzala; Capoeira Zabelê; Studio Segmento. 43 A cidade apresenta significativo potencial para o turismo de eventos esportivos (NERY; CAPINUSSÚ, 2008), em função da sua localização geográfica estratégica e privilegiada devido à sua proximidade com as três principais capitais financeiras do país: Rio de Janeiro (184 km), São Paulo (506 km) e Belo Horizonte (272 km) (UFJF, 2009). Além disso, Juiz de Fora apresenta ampla rede hoteleira preparada para receber apreciável contingente de pessoas em instalações confortáveis. São 27 hotéis, com 1.530 quartos, 3.244 leitos; 14 motéis com 452 quartos e 904 leitos, e quatro pousadas, com um total de 147 quartos e 508 leitos. Nas três categorias, são 2.129 quartos e 4.656 leitos (JUIZ DE FORA CONVENTION & VISITORS BUREAU – JFCVB, 2008). Em relação ao setor alimentício, 215 restaurantes (LISTA TELEFÔNICA GUIATEL, 2008) para atender à demanda nos eventos esportivos. Em termos de instalações esportivas, existem diversos ginásios e piscinas em condições de sediar eventos de grande porte em nível estadual e nacional, comportando atividades de treinamentos com equipes competitivas e de iniciação esportiva, assim como programas para a promoção de saúde da comunidade (NERY; CAPINUSSÚ, 2008). Entretanto, na contramão do contexto mundial, esses espaços físicos encontram-se em situação de abandono, pois a oferta do número de atividades exercidas nos clubes é reduzida em relação ao seu potencial de utilização (NERY; CAPINUSSÚ, 2008). Baseando-se nesta afirmação, pode-se perceber a existência de um grande nicho de empregabilidade gerado a partir da possibilidade de ofertas de empregos diretos e indiretos, mas que no momento se encontra em situação adversa à contratação de profissionais para atuar na cidade e aumentar a geração de renda da população (NERY; CAPINUSSÚ, 2008). Um número relativamente razoável de escolas e instituições de ensino superior nos mostra a condição da cidade com uma população etária dominante na faixa de 10 a 19 anos (UFJF, 2009), que vive o momento da busca de uma identidade pessoal e em fase de construção de opiniões e objetivos (MIRANDA; BARA FILHO, 2008), evidenciando ainda algumas características da fase adolescente, como instabilidade física e psicológica41 e que poderia ter mais opções 41 Estudos apontam que uma das causas do aumento do consumo de drogas e a formação de “gangues” nos segmentos infanto-juvenis (08 a 16 anos) estão relacionadas diretamente à ociosidade, somados à facilidade de obtenção das drogas mais utilizadas, como a cocaína, maconha 44 de atividade para a prática física e de lazer nos clubes esportivos. O fato de a cidade não ter planejamentos de incremento para políticas públicas específicas, em relação a um avanço na inclusão social através do esporte, contribui para esta ocorrência. Murad (2007) revela que, na Europa, cerca de 90% de crianças, entre 11 e 14 anos praticam atividade esportiva. Desta forma, o meio esportivo vem sofrendo com a falta de uma estrutura organizacional à altura da importância dos resultados já conquistados nas várias modalidades disputadas em outras épocas (BARA FILHO et al, 2005). Durante muito tempo, Juiz de Fora teve várias equipes e atletas que se destacavam em nível nacional, participando dos eventos mais importantes do esporte brasileiro nas mais diversas modalidades, bem como atuações nas seleções mineiras e brasileiras (BARA FILHO et al, 2005). Apenas para lembrar de alguns nomes, como já mencionado, mas vale à pena repetir, poderíamos citar Giovane Gávio (bicampeão olímpico – Barcelona, 1992; Atenas, 2004), André Nascimento (campeão olímpico, Atenas, 2004), José Eduardo Bara (convocado para a seleção brasileira em 1984), Márcia Fu (medalha de bronze, Atlanta, 1996), todos no voleibol (BARA FILHO et al, 2005) atletas que já brilhavam naquela época em suas equipes de origem, mas que tiveram de sair da cidade em busca de melhores condições de treinamento em outros locais para continuar a trilhar no patamar de níveis elevados de rendimento. A última vez que a cidade se fez representada numa semifinal em nível nacional foi há vinte e cinco anos, quando o Sport Clube Juiz de Fora tinha uma bem estruturada equipe de voleibol feminino patrocinada pela Coca Cola, com várias jogadoras integrantes desse grupo convocadas para a seleção brasileira, como Márcia Fu, Ana Claudia, Flávia Figueiredo, Dôra, assim como o treinador Inaldo Manta, além da conquista do bicampeonato mineiro adulto (1983/84) e da terceira colocação no campeonato brasileiro adulto em 1984 (BARA FILHO et al, 2005). e o ecstasy, e principalmente as drogas legais, com o álcool e o cigarro (MURAD, 2007) O fato acima nos remete a considerar que proporções a ausência da prática de atividades esportivas poderiam estar contribuindo para a realidade atual. Em função dessas características etárias citadas por Miranda e Bara Filho (2008) bem como o quadro de abandono do esporte na cidade, somos levados a questionar, mesmo que de forma suscinta e sem querer estabelecer uma relação de causa e efeito direta, a possibilidade de surgirem conseqüências negativas citadas por Murad (2007) advindas da ociosidade da juventude num futuro breve em Juiz de Fora. 45 CAPÍTULO III – METODOLOGIA 3.1 DELIMITAÇÃO DO MÉTODO Este capítulo apresentará aos leitores a forma como o estudo foi desenvolvido em sua trajetória metodológica para que o mesmo pudesse seguir seu caminho de forma esclarecida aos leitores. Para Thomas, Nelson e Silverman (2007, p.67) “A regra padrão determina que a descrição deve ser completa o bastante para que outro pesquisador competente possa reproduzir o estudo”. De acordo com Santos (2006, p.17) “pesquisar é o exercício intencional da pura atividade intelectual” e dessa forma, nos permitiu a tomada de decisões bem como adotar critérios para decidir a forma como ocorrerá a generalização dos resultados encontrados, logo, as técnicas e estratégias utilizadas no método científico garantem a metodologia científica. Mostraremos, em detalhes, o tipo de pesquisa utilizada, como foram definidos os participantes, os instrumentos utilizados para a coleta de dados, o método e suas limitações, a análise dos dados metodológicos, a proteção aos sujeitos e, por fim, a análise destes, imprescindíveis no ciclo de investigação. 3.2 O CAMPO DE ESTUDO Pesquisar o tipo de gestão exercida pelos dirigentes nos clubes esportivos da cidade de Juiz de Fora sempre foi o foco inicial desta pesquisa. Tentar entender o porquê de os clubes da cidade não mais conseguirem colocar suas modalidades esportivas competitivas disputando boas colocações das categorias adultas nas principais competições em nível nacional. Além disso, outras questões importantes consideradas fundamentais e que estão distantes de uma nova realidade da região, como o aumento de empregabilidade direta e indireta dentro da área das Ciências do Esporte, já que a cidade possui diversas instituições de ensino superior que acolhem diversos cursos que poderiam ser utilizados para o desenvolvimento social, esportivo, cultural e econômico da região, o potencial para o turismo de eventos esportivos pela sua localização geográfica. Assim sendo, a escolha desse campo de estudo, além das oportunidades estudadas para a comunidade esportiva, atende ao critério de relevância com o 46 surgimento de novos conhecimentos no setor bem como se adequar à atualidade científica. 3.3 TIPO DE PESQUISA No presente estudo, utilizamos a pesquisa aplicada de caráter quantiqualitativo (GOLDEMBERG, 2005) por meio de um estudo de caso único (YIN, 2006) referente à gestão esportiva praticada nos clubes, tema recente no Brasil (BASTOS, 2005), da cidade de Juiz de Fora. A utilização da técnica do estudo de caso vai ao encontro das afirmações de Yin (2005, p.32) pois o autor afirma ser uma investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto da vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos. Segundo Vergara (2007), podemos classificar as pesquisas quanto aos fins e quanto aos meios. Quanto aos fins, este trabalho se apresenta como descritivo, já que nos mostra as características de um público específico, no caso deste estudo, os gestores e a gestão esportiva clubística, e exploratório, que nos mostra uma visão generalizada de determinado tema, pouco pesquisado no meio acadêmico, o que vai ao encontro de nosso estudo, uma vez que descreveremos o perfil de gestão praticado pelos presidentes dos clubes esportivos de Juiz de Fora, mostrando o grau de conhecimento que os mesmos têm sobre gestão esportiva. Quanto aos meios, nossa pesquisa será bibliográfica, utilizando publicações das dissertações de mestrado, teses de doutorado, artigos científicos, matérias publicadas nos principais jornais da cidade, livros e sites de internet, e de campo, através de entrevistas com os dirigentes dos respectivos clubes. No estudo de caso, segundo Thomas; Nelson e Silverman (2007, p.252) O pesquisador esforça-se por uma compreensão profunda de uma situação ou fenômeno [...] para lidar com problemas críticos de prática e estender a base do conhecimento dos vários aspectos acerca de educação, educação física, ciências do exercício e ciências do esporte... e é utilizado para contribuir com o conhecimento que temos dos fenômenos organizacionais (YIN, 2006), através de uma análise de cargo, que é um “tipo de 47 estudo que determina a natureza de um cargo em particular e os tipos de treinamento, preparação, habilidades e atitudes necessários para o sucesso dele”. (THOMAS; NELSON; SILVERMAN, 2007, p.253). Yin (2006, p.23) afirma que existem três tipos de estratégias de estudos de caso: “(1) no tipo de questão da pesquisa proposta, (2) na extensão de controle que o pesquisador tem sobre eventos comportamentais atuais e (3) no grau de enfoque em acontecimentos contemporâneos em oposição a acontecimentos históricos”. Para o referido autor, existem estudos de caso exploratórios, descritivos e explanatórios, ou até estudos de caso com essas três técnicas. No caso específico de nossa pesquisa, teremos a aplicação do questionário como técnica descritiva (base quantitativa) e a entrevista como técnica exploratória (base qualitativa). QUADRO 1 – situações relevantes para diferentes estratégias de pesquisa. Estratégia Experimento Levantamento Análise de arquivo História Estudo de caso Forma de questão Exige controle da pesquisa sobre eventos contemporâneos Como, por quê Sim Quem, o quê, Não onde, quanto Quem, o quê, Não onde, quanto Como, por quê Não Como, por quê Não Focaliza acontecimentos contemporâneos Sim Sim Sim/Não Não Sim Fonte: YIN, Robert K. – Estudo de Caso: Planejamentos e métodos, 2006, p. 24 Yin (2006) aponta o estudo de caso como a estratégia de pesquisa mais utilizada, em que o pesquisador procura responder a perguntas de “como” e “por que” certos fenômenos ocorrem, quando existem poucas possibilidades de controle e onde esses eventos têm enfoques sobre os fenômenos contemporâneos. Acima podemos ver uma ilustração do estudo de caso proposto pelo autor citado, determinando as estratégias de pesquisa. Foi desenvolvida nesta dissertação, uma pesquisa qualitativa que utilizou também dados quantitativos, e que Segundo Goldenberg (2005, p.62), “... Como nenhum pesquisador tem condições para produzir um conhecimento completo da realidade, diferentes abordagens de pesquisas podem projetar luz sobre questões. É o conjunto de diferentes pontos de vista, e diferentes maneiras de coletar e analisar os dados (qualitativamente e quantitativamente), que permite uma ideia mais ampla e inteligível da complexidade de um problema”. 48 A referida autora afirma que a integração da pesquisa quantitativa e qualitativa possibilita ao pesquisador cruzar informações permitindo uma conclusão com maior confiabilidade. Para Goldemberg (2005, p.62), a maior parte dos pesquisadores acreditam numa “interdependência entre os aspectos quantificáveis e a vivência da realidade objetiva do cotidiano”. Goldemberg (2005, p.63) afirma que: “Enquanto os métodos quantitativos pressupõem uma população de objetos de estudo comparáveis, que fornecerá dados que podem ser generalizáveis, os métodos qualitativos poderão observar, diretamente, como cada indivíduo, grupo ou instituição experimenta, concretamente, a realidade pesquisada...”. A autora citada afirma que os dois métodos (quantitativo e qualitativo) se complemtentam no sentido de mostrar mais evidências sobre o objeto de estudo. Para Thomas; Nelson e Silverman (2007), a análise dos dados num estudo de caso único é trabalhosa em função de sua natureza e do volume de informações acerca de um tema específico a ser estudado. Entretanto, os autores afirmam que a entrevista semiestruturada é eficiente em relação à análise do cargo, pois nos possibilitam descobrir informações de questões como os tipos de atribuições desempenhadas para executar as tarefas, além das facilidades, dificuldades, vantagens e desvantagens dos cargos. A partir da escolha da análise do conteúdo para interpretação qualitativa, procedeu-se na pesquisa, a busca do perfil dos presidentes que interessavam ao estudo. O critério de escolhas, de caráter intencional do pesquisador, se deu entre os clubes associados ao Sindiclubes - Juiz de Fora, onde foram contactados treze de vinte e duas instituições. Desses, foram escolhidos cinco clubes em função da tradição esportiva e dos resultados expressivos, obtidos nos últimos anos. Além desses, foi escolhido um clube que, apesar de não pertencer ao quadro de associados do Sindiclubes (é um clube filiado), é a instituição clubística mais conhecida da cidade em termos nacionais. Após a escolha dos sujeitos, foram realizados os contatos com os mesmos para que pudessemos agendar os encontros para aplicação dos questionários (Gil, (2007), define questionário como a técnica de investigação composta por questões apresentadas por escrito às pessoas, objetivando o conhecimento de opiniões) e as entrevistas semiestruturadas com os participantes selecionados, para um maior aprofundamento das informações com as questões das quais queremos conhecer. 49 Rosa (2008; p.31) afirma que nas entrevistas semiestruturadas “As questões seguem uma formulação flexível, e a sequência e as minúcias ficam por conta do discurso dos sujeitos e da dinâmica que acontece naturalmente”. As interpretações das comunicações advindas das entrevistas são cheias de sentidos, objeto de estudo da análise do conteúdo, em que se percebem os significados que se encontram explicitados ou não em cada fala encontrada. 3.4 ANÁLISE DOS DADOS METODOLÓGICOS A importância desta fase está em saber manipular os dados, para que estes possam ser analisados e interpretados com maior embasamento científico. Esta fase depende do referencial abordado no estudo, para fornecer evidências de confiabilidade reunindo dados e chegando a conclusões objetivas. No questionário, foi aplicado um tratamento estatístico descritivo. Até que se tivesse condições de definir a metodologia deste trabalho, diversos caminhos foram trilhados, e optamos pela análise do conteúdo, que, segundo Bardin (1977, p.42), é Um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos, sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens. Entende-se por análise do conteúdo como uma possibilidade de reflexão e descobrimento, por meio de palavras, aspecto individual e atual da linguagem, o conteúdo, a forma e a distribuição desses, bem como um conjunto de técnicas de análise das comunicações (BARDIN, 1977). As comunicações são possíveis de diversas formas, com vários significados e maneiras, cuja interpretação desses sentidos é alvo da análise do conteúdo, que permitem diversos questionamentos, o que se percebe descrito nos diferentes contextos. A partir do entendimento e experiência do pesquisador e da fonte de análise, possibilita-se a construção da pesquisa conforme as características da abordagem qualitativa, o qual se identifica que todos os fenômenos são fundamentais. 50 Para Vergara (2007, p.17), na análise do conteúdo “os dados podem ser coletados em relatórios, cartas e outros documentos da organização [...] por meio da realização de entrevistas abertas ou semiestruturadas ou da aplicação de questionários abertos”. Desta forma, a análise do conteúdo foi o método escolhido para a interpretação das respostas advindas das entrevistas realizadas com os presidentes e, partindo-se desse pressuposto, foram definidas as categorias e subcategorias de análise (Quadro 2), sendo considerados pontos orientadores para reflexão do nosso estudo. QUADRO 2: categorias de análise Categorias Subcategorias - Prática de atividade esportiva Conceito e papel da gestão esportiva - Desconhecimento do conceito de gestão esportiva - Trabalho em equipe - Maiores dificuldades Capacidade de gerenciamento dos - Envolvimento emocional com o clube clubes - Resgate histórico - Visão pessoal - Instalações esportivas - Realização de eventos Conceito e objetivo de planejamento - Vantagens da realização de eventos estratégico - Busca de parceria - Utilização das modalidades esportivas Fonte – elaborado pelo autor com base na análise das entrevistas – Fevereiro de 2009 Vale ressaltar que, para a pesquisa, utilizamos os corpos textuais obtidos a partir das entrevistas realizadas que foram construídas, por meio de leituras e releituras, para que as categorias e subcategorias de análise ficassem, enfim, determinadas e definidas a posteriori. . 3.5 CONTEXTO E SUJEITOS A escolha dos presidentes se deu em função da representatividade dos clubes dentro do cenário esportivo da cidade pelos resultados conquistados e por serem os responsáveis pela palavra final nas tomadas de decisões dentro destas instituições clubísticas. Antes de iniciarmos as entrevistas, foi aplicado um 51 questionário (ANEXO A) no sentido de se conhecer melhor e para traçar o perfil dos gestores com o objetivo de dar maiores informações e subsídios à pesquisa no momento da interpretação dos dados e oferecer maior riqueza ao trabalho. Neste levantamento, procuramos saber informações como idade, sexo, estado civil, atividade profissional, grau de escolaridade, se foi atleta, o tempo que o mesmo atua como gestor, o tempo de dedicação diária no clube, e se o mesmo tinha remuneração pelo cargo ocupado. Para identificar seus conhecimentos sobre gestão esportiva e como enxergam este processo dentro dos clubes, para a coleta de dados foi utilizada a entrevista semiestruturada realizada pessoalmente, com perguntas abertas (ANEXO B) para obtenção de respostas mais condizentes com suas atuações. No início do encontro, tivemos a precaução de informar o propósito do estudo e em que isso seria relevante para a gestão esportiva na cidade, principalmente dos clubes, por terem grandes potenciais de empregabilidade e desenvolvimento esportivo, social e econômico em Juiz de Fora. Buscamos informações aprofundadas sobre a gestão esportiva adotada nos clubes esportivos, nas modalidades praticadas desde a iniciação até em caráter competitivo. Os gravadores foram colocados perto dos entrevistados para garantir que a reprodutibilidade das transcrições fosse realizada da melhor maneira possível. Houve uma preocupação com a validade das baterias dos aparelhos, e assim sendo, a cada dois encontros, as mesmas eram trocadas, no sentido de evitar interrupção das falas e o raciocínio dos dirigentes, com possíveis interrupções para manusear os aparelhos corrigindo alguma falha principalmente durante as entrevistas. Para a entrevista utilizamos dois gravadores: um micro-gravador com contador da marca Powerpack, RX-750 e um gravador digital de voz e imagem, também da marca Powerpack, DVR-CA286, para que se garanta a reprodução da mesma. Não houve necessidade de reaplicação de perguntas ou falha detectada durante as entrevistas. 3.5.1 Proteção dos sujeitos Foi feita a transcrição de toda a fala para a audição por parte dos entrevistados, que assinaram um termo de consentimento e livre esclarecimento (ANEXO C). Foi explicado aos participantes que a neutralidade do pesquisador que 52 aplicou o questionário, bem como as entrevistas, não seria, por motivos éticos, revelados (THOMAS; NELSON; SILVERMAN, 2007). Para manter a neutralidade, os sujeitos foram identificados por ordem alfabética, para então serem designados a partir de agora como clubes: C1, C2, C3, C4, C5 e C6. 3.5.2 Ética da Pesquisa A base com os procedimentos éticos para a condução desta pesquisa estão no Manual de Elaboração de Trabalhos Acadêmicos (META) de Simão e Barcelos (2006). Constituído na Resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. 3.5.3 Estudo Piloto Este procedimento foi executado em janeiro de 2008 e teve como objetivo treinar a aplicação dos instrumentos da pesquisa (questionário e entrevista). Com isso, pretendeu-se evitar falhas metodológicas, verificar se os procedimentos funcionavam como especificados para o tipo de participante previsto pela pesquisa e demonstrar a habilidade do pesquisador (THOMAS; NELSON; SILVERMAN, 2007). 3.6 INSTRUMENTOS DE COLETA DOS DADOS Foi realizada uma pesquisa bibliográfica sobre o conceito de gestão esportiva, sobre o gestor esportivo, bem como sobre a gestão esportiva na cidade de Juiz de Fora, analisando a cidade, suas potencialidades e sua realidade esportiva. Conforme citado acima, obtivemos subsídios para detectar aqueles presidentes cujas características interessassem ao presente estudo (em nosso caso os clubes que apresentam os maiores resultados no setor esportivo nos últimos anos, bem como o fato dos mesmos serem associados ao Sindiclubes. Foi acrescentado, também, o clube que é mais representativo da cidade em termos nacionais, mesmo não sendo associado à referida instituição), para, assim, aprofundar nossa análise com entrevistas mais criteriosas feitas com os dirigentes em questão, no sentido de identificar seus conhecimentos sobre o tema a ser estudado, como atuam e como enxergam este processo na cidade de Juiz de Fora. A ferramenta utilizada foi uma entrevista semiestruturada, objetivando “desenvolver-se a partir de um esquema 53 básico, mas que não é aplicado rigidamente, onde se permite adaptações realizadas inclusive durante a entrevista” (BIRK, 2004, p. 67). Foram aplicadas perguntas abertas para obtermos respostas mais aprofundadas. A declaração do Termo de Responsabilidade do pesquisador encontra-se nos anexos. 3.7 LIMITAÇÃO DO MÉTODO A gestão esportiva ainda é pouco estudada no Brasil (BASTOS, 2005), o que caracteriza a importância deste estudo que evidencia o referido cargo desempenhado em Juiz de Fora. Em função disto, tivemos dificuldades de encontrar dados dessa pesquisa bibliográfica que permitiu-se identificar um panorama do passado em comparação com a realidade atual da cidade. Em quase todos os contatos realizados, num primeiro instante, percebemos certa insegurança por parte de alguns dos entrevistados, por não saberem que tipo de estudo estava sendo feito, bem como de que forma as entrevistas seriam realizadas. Porém, ao serem informados de todos os procedimentos que iríamos seguir, os mesmos ficavam mais à vontade. O local e horário das entrevistas eram sempre definidos pelos presidentes, pois nossa preocupação era de que pudessem ficar mais tranquilos, sem se sentirem pressionados em função de outros compromissos profissionais. No total, dois entrevistados escolheram seus escritórios e os demais agendaram para os respectivos clubes por eles dirigidos. As entrevistas foram realizadas no mês de fevereiro de 2009. Tivemos o cuidado de agendar apenas um encontro por dia, por medida de precaução, caso houvesse algum atraso em um dos encontros, para que não prejudicasse a reunião seguinte. A respeito das perguntas selecionadas, acreditamos haver respostas não condizentes com os entrevistados ou outras questões que pudessem expor alguma realidade que viesse a intimidar os atores sociais do presente estudo, como falha de memória e super valorização ou desvalorização dos cargos por parte dos participantes. 54 CAPÍTULO IV - RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1 A PESQUISA Esta fase da pesquisa iniciou-se a partir do momento posterior às entrevistas. As análises partiram das respostas disponibilizadas pelos presidentes interpretadas com base na experiência e no conhecimento adquiridos pelo autor. 4.2 PERFIL DOS GESTORES Para enriquecer ainda mais as informações contidas neste estudo, fizemos um levantamento para se conhecer melhor o perfil dos personagens cujas tomadas de decisões norteiam o esporte na cidade de Juiz de Fora. A média de idade dos presidentes escolhidos para essa pesquisa é de 51,5 anos, e a totalidade dos entrevistados é do sexo masculino. A maioria dos presidentes (66%) é casado. (Gráfico 1) ESTADO CIVIL 1; 17% Casado Outros 1; 17% Separado 4; 66% Gráfico 1: Estado civil Fonte: Elaborado pelo autor com base nas informações obtidas - 2009 55 A grande maioria, cinco (83%) são da raça branca, e apenas um deles (17%) é pardo (Gráfico 2). RAÇA 1; 17% Branco Pardo 5; 83% Gráfico 2: Raça Fonte: Elaborado pelo autor com base nas informações obtidas - 2009 Essa é uma questão de grande relevância e que precisa ser mais estudada, já que existem poucas pesquisas sobre a participação de negros na gestão esportiva. Conforme o programa Dossiê SporTV (2009) apresentado no referido canal fechado especializado em esportes, a participação do negro na gestão esportiva no Brasil é mínima e, para se ter uma idéia, foi apresentado no programa que nenhum presidente de Confederação Brasileira ou de clubes da primeira divisão do futebol brasileiro é negro. No que se refere às atividades profissionais (Gráfico 3), podemos ver uma diversidade de áreas. No total, encontramos nesta pesquisa dois advogados, dois aposentados, um bancário e um contador, porém, nenhuma delas referente à parte da gestão esportiva, administração ou Economia. Entendemos também que, pelo fato de não ter na sua grade curricular disciplinas que ensinem aos alunos uma visão empreendedora preparando-o para o mercado empresarial, o profissional de Educação Física não se encontra preparado para atuar na gestão do esporte (podemos dizer que o referido profissional foi preparado para trabalhar com o corpo em movimento e todas as suas vertentes de atuação). 56 ATIVIDADE PROFISSIONAL 1; 17% 2; 33% Advogado Bancário Aposentado Contador 2; 33% 1; 17% Gráfico 3: Atividade profissional Fonte: Elaborado pelo autor com base nas informações obtidas - 2009 Em relação às atividades profissionais encontradas, percebemos que os mesmos vão de encontro às afirmações de Celma (2004) quando esse enfoca não ser mais admissível um voluntário entusiasta assumindo um cargo de tamanha responsabilidade para administrar as instalações esportivas bem como no que se refere à gestão, organização de eventos e competições. A mesma opinião é compartilhada por Alves (2006), que aponta contrapontos no segmento esportivo alcançando tamanha proporção de importância na promoção de saúde da população e não pode mais ser comandada por pessoas despreparadas, que desconhecem os fatores que podem acelerar o processo desenvolvimentista da cadeia produtiva e econômica do esporte, o que proporciona o afastamento das parcerias do esporte. A renda mensal (Gráfico 4) varia entre ganhos de 2 a 5 salários até rendas acima de 20 salários. Há três dirigentes com renda entre 5 a 10 salários, um com renda entre 2 a 5 salários, um com 5 a 10 salários e apenas um não informou. 57 RENDA MENSAL 1; 17% 1; 17% Acima de 20 salários De 5 a 10 salários De 2 a 5 salários 1; 17% Não informou 3; 49% Gráfico 4 – Renda mensal Fonte: Elaborado pelo autor com base nas informações obtidas - 2009 No que concerne à renda encontrada, esta se refere às atividades profissionais primárias dos entrevistados. Já nos seus cargos diretivos nos clubes, os mesmos são voluntários, não havendo nenhuma remuneração para a função (100% dos entrevistados). Bem diferente dos resultados encontrados por Bastos et al. (2006), quando os mesmos encontraram que 100% dos entrevistados que ocupam cargos diretivos são remunerados pelas suas funções administrativas em seus respectivos clubes. Em relação ao grau de escolaridade (Gráfico 5), encontramos três dirigentes com curso superior incompleto (50%), dois com curso superior completo (33%) e um com segundo grau incompleto (17%). Essa constatação vai de encontro aos estudos achados em nossa revisão de literatura, preconizando ser necessária a especialização de um dirigente para atuar na gestão esportiva. 58 GRAU DE ESCOLARIDADE 1; 17% 2; 33% Superior completo Superior incompleto Segundo grau completo 3; 50% Gráfico 5 – Grau de escolaridade Fonte: Elaborado pelo autor com base nas informações obtidas - 2009 Com relação ao grau de escolaridade verificado, Capinussú e Reis (2004) e Capinussú (2006) afirmam que a busca pelo excelência só será possível quando houverem a presença de profissionais qualificados, cada qual em sua especialidade, o que não acontece ao analisarmos os resultados encontrados neste item, já que os dois gestores com nível superior completo não apresentam nenhuma relação com a administração do esporte. No estudo realizado por Bastos et al. (2006) sobre o perfil dos gestores esportivos de São Paulo, num total de sete entrevistados, os autores encontraram dois que tinham formação em Educação Física e foi verificado que 71,43% dos entrevistados tinham especialização, sendo três na área da administração esportiva, um no futebol e um não informou. Azevêdo, Barros e Suaidem (2004) encontraram em Brasília que de dez gestores de clubes de futebol profissional entrevistados, 20% tinham segundo grau incompleto, 30% com segundo grau completo, 20% com superior incompleto e outros 30% com superior completo. Já Sarmento (2006) encontrou em Portugal que do total de entrevistados, 22% possuem formação superior em gestão do esporte e 17% em Educação Física e que, 19% possuem pós graduação e mestrado em suas respctivas área de atuação, mostrando qualificação para o cargo. Quando perguntamos se o dirigente foi atleta (Gráfico 6), cinco deles (83%) responderam sim, e apenas um (17%) falou não. Isto sugere que a vivência no 59 mundo esportivo possa ter incentivado os mesmos a atuarem em cargos diretivos nos clubes. FOI ATLETA? 1; 17% Sim Não 5; 83% Gráfico 6 – Foi atleta? Fonte: Elaborado pelo autor com base nas informações obtidas - 2009 Parece-nos que esta é uma tendência no esporte, ou seja, que ex-atletas venham a exercer funções de treinamento e diretivas após o fim de suas carreiras atléticas. Foi o que percebemos ao analisar os estudos de Mário (2004) em Luanda, que encontrou que dos 53 entrevistados, 46 eram ex-praticantes de atividades esportivas. Resultado parecido foi encontrado por Bastos et al. (2006) que 100% dos entrevistados eram praticantes esportivos, e destes, 71,43% eram atletas não federados e 28,57% eram federados. Na análise do gráfico 7, perguntamos o tempo que cada um tem de atuação como gestor. Dois deles (33%) atuam há pouco tempo, de seis meses a dois anos, enquanto outros dois (33%) têm mais tempo, ocupando cargos de seis a dez anos e um dirigente (17%) respondeu estar atuando de dois a quatro anos e outro presidente (17%) respondeu de quatro a seis anos. 60 TEMPO DE GESTOR 2; 33% 2; 33% De 6 meses a 2 anos De 2 a 4 anos De 4 a 6 anos De 6 a 10 anos 1; 17% 1; 17% Gráfico 7 – Tempo de gestor Fonte: Elaborado pelo autor com base nas informações obtidas - 2009 Quando foi verificado o tempo diário que cada um dedica à sua atuação como presidente no clube (Gráfico 8), uma questão nos chamou a atenção. A maioria (50%) está presente no clube de duas a quatro horas. Outras respostas revelam que dois dos entrevistados (33%) ficam no clube até duas horas e somente um (17%) atua de seis a oito horas em suas funções diretivas. Este fato revela existir um tempo limitado para uma gestão atuante, pois um clube que oferece diversas modalidades requer um período suficiente para a elaboração do planejamento, organização e execução das atividades propostas. Na maioria dos casos, todos têm prioridade no tempo de suas atividades profissionais primárias, onde tiram seus sustentos pessoais, deixando para segundo plano a administração voluntária nos clubes. 61 TEMPO DE DEDICAÇÃO DIÁRIA 1; 17% 2; 33% Até 2 horas De 2 a 4 horas De 6 a 8 horas 3; 50% Gráfico 8 – Tempo de dedicação diária Fonte: Elaborado pelo autor com base nas informações obtidas - 2009 Silveira e Fernandes (2008) nos mostram que a ausência dos gestores nos clubes faz com que os mesmos tenham pouco contato com os atletas, o que podemos supor que seja em função de não terem uma identificação com o esporte, pois o tempo que sobra para a parte administrativa fica restrito apenas às ações mais simples a serem resolvidas. No estudo realizado por Bastos et al. (2006), foram encontrados que do total, 71,43% não exercem outras atividades profissionais, sendo que 57% dos gestores cumprem uma carga horária de 44 horas semanais, 14% dedicam-se a 32 horas semanais e 29% não informaram. Já Sarmento (2006) detectou que 60% dos gestores pesquisados em Portugal trabalham em tempo integral. Estes resultados nos mostram que a cidade de Juiz de Fora ainda se encontra distante de uma realidade esportiva objetivada, no que concerne à parte administrativa, provavelmente possa ser devido exatemente à pouca atenção que os presidentes tenham de dedicação para estas atividades. Lembramos que, pelo fato de não haver na cidade o cargo de gestão esportiva, escolhemos por pesquisar os presidentes dos clubes, já que os mesmos possuem o poder de tomada de decisões. Apenas para lembrar o exemplo dado por Oliveira, Carvalho e Bilhim (2004) em nossa revisão literária, em um estudo realizado em Portugal, foi calculado que nos mais de dez mil clubes existentes, com uma média de onze voluntários para cada entidade, somados teriam 110.000 pessoas atuando na gestão esportiva, com 62 cada um atuando aproximadamente três horás diárias, seriam estimados um trabalho não remunerado de mais de cem milhões de euros por ano. Sobre este cálculo, voltamos às afirmações de Alves (2005) de que o Brasil é um dos países com maior número dessas instituições clubísticas no mundo, e por este fato, poderíamos sugerir a realização de um estudo para verificar quantos empregos diretos e indiretos poderiam estar sendo oferecidos e quanta movimentação financeira estariam aumentando a economia das cidades brasileiras. Além das questões vistas, ressaltamos que provavelmente em função da falta de comprometimento pelo pouco tempo de permanência nos clubes pelos gestores, o número de atividades competitivas oferecidas fica comprometida, conforme encontrado no estudo realizado por Nery e Capinussú (2008), onde os mesmos detectaram que, dos vinte e dois clubes pesquisados, 36% não oferecem nenhuma atividade, enquanto 23% estão atuando em apenas uma modalidade competitiva, somando um total de 59% das entidades, conforme podemos ver a seguir: Figura 1 – Quantidade de modalidades esportivas competitivas oferecidas Fonte: NERY e CAPINUSSÚ. A realidade das estruturas físicas e recursos humanos de uma cidade brasileira. 2008. Os resultados encontrados por Silveira e Fernandes (2008) detectam um clube do Rio Grande do Sul que prioriza a valorização do atleta, já que, segundo a diretoria, entende-se que desta forma, o ídolo no esporte atrai cada vez mais crianças e adolescentes para a prática esportiva através das escolinhas, o que torna-se uma fonte de renda considerável para os cofres destas organizações esportivas, capacitando a gestão a qualificar seus investimentos e manter-se em dia com os compromissos assumidos das despezas realizadas. Além disto, é enfatizada 63 a permanência da entidade na mídia esportiva especializada, o que se torna objeto de desejo de empresas empreendedoras. Ainda com relação aos autores citados, os mesmos descobriram que, para os gestores do clube pesquisado, o fato de haver um investimento em cima dos atletas competitivos faz com que os mesmos se sintam tranquilos para treinarem e competirem com dedicação e desta forma obter resultados expressivos que venham garantir o nome do clube como expressão nacional e internacional. 4.3 ANÁLISE DOS RESULTADOS E DISCUSSÃO Esta etapa do trabalho iniciou-se quando passamos a transcrever as respostas das entrevistas realizadas com os dirigentes das instituições clubísticas da cidade de Juiz de Fora. Foram então construídas as categorias e subcategorias apresentadas no quadro 3 com as frequências de frases ou textos, bem como o número de clubes relacionados em cada item, para uma análise mais aprofundada sobre as representações dos presidentes no que se refere à gestão esportiva por eles praticadas, os quais conduzem os rumos do esporte competitivo local. Aplicando a técnica da análise do conteúdo, a partir de uma visão flutuante das entrevistas e posteriormente leitura exaustiva como sugere Bardin (1977), consideramos ser esta uma oportunidade relevante para o esporte praticado na cidade, tanto na área da iniciação quanto na prática competitiva, além de encontrar subsídios para entender todo o processo que envolve a gestão esportiva praticada, conforme poderemos ver a seguir. 64 QUADRO 3: categorias e subcategorias: frequências de frases ou textos. Categorias - Subcategorias Categoria 1 - Conceito e papel da Gestão Esportiva Subcategorias - Prática de Atividade Física 0 3 1 0 4 3 11 Número de Clubes por categoria 4 1 1 1 0 4 3 10 5 Desconhecimento de Gestão Esportiva Categoria 2 Capacidade de gerenciamento dos clubes Subcategorias - Trabalho em equipe 0 1 3 4 1 1 10 5 1 0 1 2 9 7 20 5 5 4 0 0 6 0 15 3 - Maiores dificuldades 4 6 10 8 10 8 46 6 - Envolvimento emocional com o clube - Resgate histórico 0 6 1 2 2 0 11 4 0 3 0 4 4 5 16 4 - Visão pessoal 4 1 1 3 7 4 20 6 0 0 1 7 9 3 20 4 2 0 1 1 5 8 17 5 - Realização de eventos 1 0 3 1 1 2 8 5 - Vantagens da realização de eventos esportivos - Busca de parcerias 2 1 1 1 0 1 6 5 1 3 4 0 2 5 15 5 - Utilização de modalidades específicas 4 4 1 3 3 5 20 6 Categoria 3 - Conceito e objetivo de planejamento estratégico Subcategorias - Instalações esportivas FREQUÊNCIAS C1 C2 C3 C4 Total C5 C6 Fonte: quadro elaborado pelo autor do presente estudo à partir das análises das entrevistas – 2009 Conforme verificamos no quadro 3, começamos nossa análise chamando a atenção para a subcategoria - Maiores dificuldades – que teve o maior número de frequências, no total 46, mais que o dobro de inserções das categorias 2 – Capacidade de gerenciamento dos clubes – e 3 – Conceito e objetivo de 65 planejamento estratégico - e das subcategorias – Visão pessoal e Utilização das modalidades esportivas – todas com 20 frequências cada. Do contrário, tivemos as subcategorias – Realização de eventos esportivos e Vantagens da realização de eventos esportivos – com os menores números de frequências, respectivamente 8 e 6 participações. Estas informações são importantes do ponto de vista da presente pesquisa, que busca entender por que a cidade não conquista resultados expressivos no esporte de competição em nível nacional ou internacional. Provavelmente, o fato de ter uma categoria (maiores dificuldades) com o maior número de frequências pode significar que a cidade passa por problemas de ordem administrativa desde o início dos anos oitenta, mais específicamente após 1983/84, biênio que marca a última conquista de uma equipe local. É necessário frisar que essas reclamações passam muito por falta de recursos para levar adiante os projetos competitivos, como a falta de patrocinadores. Porém, acreditamos que nos últimos anos, em função das crises financeiras que assolam o país, nenhum empresário investiria recursos em projetos amadores, feitos por dirigentes sem formação e despreparados para levar adiante um projeto a longo prazo. Nossa proposta se baseia em saber quem são e o que pensam estes personagens responsáveis por comandar o segmento esportivo clubístico de Juiz de Fora. Além dessa importante constatação sobre os problemas do esporte local, chamamos a atenção para outra situação que possa nos direcionar a entender todo esse contexto atual: as subcategorias com menor número de frequências se voltam para as realizações de eventos esportivos e os saberes dos dirigentes sobre os legados e as vantagens que estes poderiam trazer para a comunidade. Segundo Vilela (2002), a indústria do esporte e do entretenimento se caracteriza como uma das áeras mais prósperas em termos de faturamento nos últimos anos. Levando-se em consideração os espaços existentes nos clubes para a realização de diversas atividades, poderíamos supôr que, ao não realizarem atividades de eventos e entretenimentos esportivos, passa a ocorrer uma considerável perda significativa de receitas financeiras, tanto diretas como indiretamente, como o próprio autor evidencia alguns exemplos, no turismo, comércio, entre outros. Conforme tivemos a oportunidade de ver anteriormente, a cidade atende a todas as necessidades para potencializar o turismo de eventos esportivos, seja pela 66 sua localização geográfica, seja na estrutura logística existente como a rede hoteleira, de alimentação e de instalações esportivas para atender a demanda das várias modalidades esportivas a serem disputadas, bem como o desenvolvimento da indústria do esporte para alavancar a economia local. Para tal, começamos a análise das entrevistas, respondidas por esses gestores, poderemos ver a partir de agora: 4.3.1 Categoria 1 - Conceito e Papel da Gestão Esportiva Conforme apresentado no gráfico 9, foram encontradas 11 frequências de respostas dos presidentes. Dessas, tivemos dois presidentes sem participação (C1 e C4), os clubes C2 com três frequências (27%), C3 com uma (9%), C5 com 4 (37%) e o C6 com três (27%). CATEGORIA 1 - Conceito e Papel da Gestão Esportiva 0; 0% 3; 27% 3; 27% C1 C2 C3 C4 1; 9% 4; 37% 0; 0% C5 C6 Gráfico 9: Categoria 1 – Conceito e papel da Gestão Esportiva Fonte: Elaborado pelo autor com base nas informações obtidas - 2009 Nesta categoria, entendemos por papel da gestão esportiva a necessidade de compreensão dos gestores no que se refere à organização, ao planejamento e à articulação administrativa. Para Barbanti (2003), 67 A administração esportiva trata da organização e do gerenciamento do esporte nas suas manifestações em todos os níveis: elite, semielite e recreação. Seu foco principal recai sobre as habilidades de liderança e direção para organizações esportivas e as estratégias relacionadas ao marketing, estratégias financeiras e estratégias de participação realizadas em clubes esportivos, associações, centros esportivos e outros. Trata ainda do marketing esportivo, de promoção, administração e patrocínio, da qualidade dos serviços esportivos, da organização de eventos esportivos, economia do esporte, gerenciamento de recursos humanos, financiamento e orçamento. Nas seis entrevistas realizadas, a compreensão de gestão dada pelos entrevistados não define de forma clara que estes tenham o conceito articulado e conhecidos como na literatura. Estes pensam gestão esportiva primeiro, como a possibilidade de “sanar dívidas” apresentados nas respostas como seguem abaixo: C2 – ... durante esses dois anos que eu participei da gestão do C2 anterior...saldando dívidas anteriores... de gestões anteriores... É...colocando...É, a questão financeira do clube...salutar entendeu?... C2 – ...Olha. A saúde financeira do C2 hoje...ela tá bem...controlada. Entendeu? Como eu te falei, eu tenho um saldo de caixa todo mês... C3 – ... É, a gente entra cheio de idéia. Quando você entra, você entra achando que vai fazer... Assim, é mais a manutenção do clube. Entendeu? É manter o que já tem aqui dentro. Mas nem isso nós tamo conseguindo fazer... C5 – ...O bom modelo hoje para o clube, pensamos nós, seria um projeto nosso, mas com a falta de recursos é... É... É impossível... É você ter, é você ter administração. Então você teria assim, o seu presidente, o seu vice, as pessoas que iriam administrar... Dentro de um conselho. Abaixo desse conselho, seria muito interessante você ter aí seus profissionais que iriam realizar, executar, aquilo que o conselho pretende. Aquilo é, que, que ele poderia desenvolver. Em termos de agregar recursos, parceiros, sócios. Uma série de, de, de situações que o clube pode prestar. Então esse conselho de administração, ele estaria ali exatamente... É... Incentivando, promovendo ações em conjunto com esses profissionais. Seria interessante em debater... Né?... Nota-se que existe uma preocupação marcante em saldar as despesas, para depois avançar no processo de desenvolvimento esportivo. No caso do clube C2 o presidente não responde a questão, porém, faz questão de ressaltar que está com um saldo de caixa todo mês. O fato de os clubes estarem ou já terem tido uma experiência negativa com gestões anteriores endividadas promove uma retração financeira capaz de impedir 68 que se estabeleçam novas metas competitivas. Verificamos o lado negativo nessas colocações e fazendo uma analogia, “passa-se a olhar o espelho retrovisor em vez de dirigir olhando para frente...”. Desta forma, a necessidade de financiamento na prática esportiva e de lazer passa a ser um plano secundário, em que os esforços concentram-se apenas em não gastar ao invés de investir. Outro ponto marcante analisado é a preocupação em relacionar a gestão esportiva desenvolvida com o objetivo de agregar crianças frequentando os clubes conforme os discursos abaixo: C2 – ...E que é o que eu... Vou repetir de novo... É resgatar o esporte na formação da criança... Entendeu?... C6 - ...Eu acredito que gestão esportiva seja uma forma... Alguns métodos, é... De... É... Atuarmos na parte esportiva dentro do clube. Tá? Eu acho que essa gestão não seria só você fazer hoje... E pensar no passado. Eu acho que seria você analisar o passado... Olhar o presente e planejar o futuro... Essa é a forma que eu penso em administrar... Da forma que eu gosto, que eu penso que seja a gestão não só esportiva... Mas uma gestão como um todo... C6 – ...Ah, o meu objetivo maior... É... E eu bato sempre nessa tecla, é primeiro... Você trazer o garoto pra dentro do clube... Esse é que é o ponto principal... Segundo, é você trazer a família desse garoto... Terceiro, é você dar condições desse garoto de se tornar um homem... E quarto, e último... É você tentar fazer esse garoto se tornar um atleta... Essa é que são meus pontos principais... Quando diz respeito a garoto... É... E quando diz respeito a esporte. Primeiro você forma o homem e depois você forma o atleta... Percebe-se um lado positivo nessas colocações, afinal, o fato de se preocuparem com as crianças, motiva os dirigentes a projetarem um futuro promissor, pois investem no relacionamento afetivo que passa a existir, mantendo as mesmas atividades esportivas e de socialização, ficando grande parte do seu dia nas instalações da entidade. No momento em que os pais precisam trabalhar e têm conhecimento de que as cidades estão perdendo seus espaços de lazer, os clubes viram uma importante participação na educação integral dos filhos. Esta preocupação dos presidentes vai ao encontro da afirmação de Capinussú e Reis (2004) de que na gestão esportiva é prioritário o entendimento do processo esportivo como um todo. Desta forma, a existência de um planejamento estruturado envolvendo objetivos desde a iniciação até as categorias de base, com um escalonamento de metas a serem atingidas, juntamente com os respectivos desempenhos até o alto rendimento competitivo, o que, ao nosso entender, mantém 69 crianças e adolescentes em atividade constante durante anos, prática essa que se torna importante para a educação integral do ser humano. Verifica-se ainda que o presidente do clube C6 tem boa noção de evolução das etapas dentro de um período da sua gestão, afinal ele vai enumerando as metas de acordo com o avanço do processo realizado e a se realizar, além da preocupação educativa, quando se refere à formação do homem antes do atleta. Entendemos que desta forma, ao buscar a família das crianças envolvidas, ele fortalece uma cumplicidade com o clube, passando a existir um maior envolvimento emocional, e por conseguinte, a manutenção deste público específico neste contexto esportivo. A valorização do clube também está agregada aos conceitos de gestão esportiva para os presidentes, como podemos observar: C5 – ...Então, veja que é uma marca extremamente conhecida a nível nacional. É uma marca que divulga nossa cidade... É o clube de maior torcida aqui em Juiz de Fora... C5 – ...E o clube menor adequado aos tempos modernos... Talvez um clube que venha agregar sócios...” Ao se referir à marca, o presidente C5 vai ao encontro das colocações de, Freitas (2002) quando este aborda o valor mercadológico do clube. O autor destaca a importância da identificação do valor a ser encontrado por métodos concretos, para maior credibilidade junto à negociação com patrocinadores em potencial, na busca do desenvolvimento do esporte de alto rendimento. Quando o gestor C5 nos mostra a preocupação com o aumento do número de associados, Freitas (2002) afirma que só uma gestão organizada poderia proporcionar este fato, seja pela oferta de atividades exercidas, pelo aumento do número de serviços e também pela conquista destas desejadas parcerias, tornando viável o negócio esporte. A intenção de renovar a imagem do clube com a participação de profissionais capacitados é fundamental nesse momento no processo administrativo. Aos olhos da comunidade, começa a ser reconhecido o esforço do clube em oferecer mais qualidade ao associado, sentindo-se privilegiado e valorizado, respondendo positivamente às ações realizadas pelos dirigentes. Assim, os gestores demonstram estarem motivados para tal, de acordo com o que se segue: 70 C5 – ...Mas... Se a gente conseguir desenvolver o que foi a proposta da nossa campanha, de mudar o C5, de, de, de, de tentar renová-lo, revitalizálo, eu tenho certeza que... Num, num, num, num espaço de médio prazo, o C5 tem condições de se... Instalar nessa forma profissional. Que o profissional, ele também praticamente procura ter ações de que ele mesmo se paga. Então ele vai ter o maior interesse, né? Evidentemente agregar recursos, porque sabe que é dali que ele poderá tirar o sustento dele.... C6 – ...É... A partir daí meu objetivo maior tornou-se fazer o clube, que o clube seja... Um clube sólido, a nível de... Receita. A nível de você ter sempre... É... Uma receita, onde você consiga fazer algum tipo de trabalho... Essa receita tá vindo, tá vindo em parceria... Tá vindo em acordos feitos... Em chamadas, em convites. Nós tamos abrindo um leque... De associados. E agora o objetivo maior pra começar a terceira e última gestão, talvez seja a ultima... É... Fazer com que o clube se torne... Totalmente... Como se diz... Autônomo... Com relação à meta de profissionalizar a gestão do clube do dirigente C5, é importante ressaltar a afirmação de Oliveira, Pereira e Almeida (2008), quando os mesmos conceituam a gestão profissional em que se predomina uma visão estratégica e a busca de resultados, havendo prioridade nas negociações juntos aos novos parceiros capitalistas e todos os membros de cúpula administrativa são remunerados pelas suas funções exercidas. Porém, os referidos autores enfatizam as cobranças feitas pelos resultados a serem obtidos, e que o gerenciamento é voltado para a elaboração e implantação de projetos capazes de detectarem as necessidades como fonte de decisões no contexto administrativo. A força na gestão profissional é centrada nos gestores para as devidas tomadas de decisões e os focos sempre são os resultados além de uma estreita vinculação com o mercado e a sua administração é voltada para fora. 4.3.1.1. Subcategoria – Prática de Atividade Esportiva Criamos essa subcategoria em função das evidências encontradas nas entrevistas da relação que os dirigentes fazem entre a gestão esportiva e a prática de atividade esportiva. No gráfico 10, visualizamos o clube C6, com quatro frequências, além dos clubes C1, C2 e C3 com uma frequência cada, somando um total de sete frequências, e os clubes C4 e C5 participaram conforme podemos ver: 71 SUBCATEGORIA - Prática de atividade física 1; 14% C1 1; 14% C2 C3 C4 4; 58% C5 1; 14% C6 0; 0% 0; 0% Gráfico 10: Subcategoria – Prática de atividade esportiva Fonte: Elaborado pelo autor com base nas informações obtidas - 2009 Iniciamos nossa análise apresentando algumas frequências e ver que os presidentes são enfáticos na colocação da gestão esportiva como prática esportiva pura e simples, conforme podemos ver a seguir: C1 – ...O nosso objetivo no clube... É desenvolver todos os esportes... C3 – ...É, o... Aqui no clube, existe a... A prática, a prática de atividade esportiva... Terceirizada. Que é, é... Alugado pelos professores de Educação Física que, que praticam o basquetebol, ensinam basquetebol, a natação, futsal... E handebol... É... Por um impulso até do... Do estatuto, né? Que... Numa das cláusulas lá fala que... Que o que tem que, pra que é que... Praticar, ter essa prática, né? Incentivar o esporte, né? Esporte amador, né?... Sobre esta questão, Nolasco et al (2005) conceituam a gestão como a forma organizada, sistematizada e um direcionamento racional das entidades que atuam com as atividades esportivas competitivas e de lazer, porém, enfatizam um modelo de gestão multidisciplinar e profissional para toda a execução deste processo contextual. Os presidentes fazem questão de reforçar o objetivo de direcionar a gestão para a prática esportiva, voltada principalmente para as crianças e jovens, como podemos ver a seguir: 72 C2 - ...a minha meta... Principal... É sempre... Que foi colocado... na... proposta... É de resgate justamente, do resgate do esporte na formação da criança... Dentro da Cidade de Juiz de Fora... C6 - ...Então... Eu acredito que... Os clubes pra tentarem se, se manter, ele tem que voltar basicamente pra área esportiva. Principalmente pra criação de atletas... É... Ou criam atletas ou pelo menos criam homens. Né?... C6 - ...Então esse foi o nosso ponto principal... Quando nós assumimos o clube, já tamos na terceira gestão... A gente percebeu que... Existia pouco incentivo... Às crianças... De participar da, da... Esportiva do clube. Então... Eu percebi que a maior dificuldade eram essa... Sobre as colocações dos presidentes, ao enfatizarem o incentivo da prática esportiva para crianças, novamente nos remetemos a Capinussú e Reis (2004) e Capinussú (2006) que apontam que o crescimento do setor esportivo só terá viabilidade se houver a participação de profissionais qualificados nas mais diversas áreas de atuação para que se possa consolidar este processo. Como exemplo deste processo multidisciplinar, enfatizam-se os treinadores, fisiologistas, médicos, fisioterapeutas, psícólogos, o direito esportivo, a economia do esporte, o marketing esportivo, entre outros. Entendemos que desta forma, cada formação específica poderá contribuir no desenvolvimento e realização das metas elaboradas pelas crianças no ambiente esportivo com metodologia científica apropriada. Porém, o presidente C6 faz questão de salientar que o esporte é a única saída financeira para os clubes, já que esses vêm perdendo os associados para novas formas de lazer, o que reduz drasticamente o número de frequentadores utilizando os espaços e participando das poucas atividades oferecidas, como podemos constatar a seguir: C6 - ...Como eu te falei, se os clubes não mudarem o seu perfil, se não mudarem a forma de agir... Se não se dedicarem mais à área esportiva... A tendência dos clubes é acabar... C6 - ...Eu acho que o único caminho... É... Uma tentativa de união... E uma tentativa de se voltar, talvez, oitenta, noventa por cento de todo seu potencial pra área esportiva. É o futuro, tá no Brasil. É, não interessa qual o esporte... Entendeu? Agora... Eu acho que cabe muito... A Juiz de Fora... Como podemos perceber, há uma constatação positiva de que existem possibilidades de virada deste quadro, desde que os clubes se conscientizem da 73 importância do esporte para a comunidade, que está sem opções da prática esportiva tanto em nível de iniciação como competitivo. Para essa discussão, encontramos na afirmação de Celma (2004) que o gestor esportivo não pode ser mais aquele entusiasta cheio de boa vontade para contribuir com o clube. Lembramos quando o autor afirma que não se pode mais dirigir as organizações do século XXI com a estrutura do século XX e com a capacidade de gerenciamento do século XIX. Alves (2005) vai ao encontro destas afirmações quando preconiza a importância que o segmento esportivo tem ganhado nestes últimos anos pela promoção da saúde que é proporcionada à comunidade em geral e que o fato de ser conduzida por pessoas despreparadas prejudica os investimentos financeiros realizados em função da incapacidade administrativa de gestores despreparados para assumirem o controle deste cargo. 4.3.1.2. Subcategoria – Desconhecimento do conceito de gestão esportiva Esta subcategoria foi criada em função da constatação de que em alguns momentos os presidentes falam de situações administrativas que não condizem em nada com o conceito de gestão esportiva. No total, tivemos 10 frequências, sendo três do clube C3, quatro do clube C4 e uma frequência para os clubes C2, C5 e C6. SUBCATEGORIA - Desconhecimento do conceito de gestão esportiva 1; 10% 0; 0% 1; 10% C1 1; 10% C2 C3 3; 30% 4; 40% Gráfico 11: Subcategoria – Desconhecimento do conceito de gestão esportiva Fonte: Elaborado pelo autor com base nas informações obtidas - 2009 C4 C5 C6 74 Apesar dos aspectos positivos verificados sobre a gestão esportiva, temos algumas questões que necessitam ser observadas na administração praticada nos clubes da cidade. Chamamos a atenção de alguns pontos que revelam o desconhecimento teórico necessário para um bom desempenho no comando das instituições clubísticas, nos exemplos demonstrados abaixo: C2 - ...Luiz... Seguinte, experiência... Conhecimento... Sobre gestão... Vou ser sincero contigo, eu sou advogado... E eu sou da opinião... Que cada macaco no seu galho... Entendeu?... C4 - ...Como ele é um clube de futebol... Eu tô tem, eu vou fazer um trabalho pra resgatar o futebol. Já temos um projeto praticamente pronto. Que vai ficar, vai ser lançado daqui a uns dez, quinze dias no máximo... Entendeu? E... E a gente não sabe... Até, até onde que vai chegar. Mas nós vamos lançar esse projeto... Principalmente envolvendo todo clube de Juiz de Fora.... C5 - ...O C5 tem uma... Uma característica de ter o seu presidente executivo e o vice-presidente administrativo. Nenhum dos dois são administradores. Presidente é advogado, vice-presidente é médico. Ambos têm os seus negócios... e a gente sabe que as universidades, né? A, no curso de graduação... de cada especialidades, advocacia é uma delas, não tem um curso, não tem uma disciplina... Que... promova como administrar, né? Aquela sua profissão. Isso, isso é fato. Hoje existem vários cursos... Mas depende do tempo de cada um pra poder se, se dedicar... Ao estudo de um, de um, de uma gestão... Quer seja ela pública ou privada, esportiva. Então é uma dificuldade que todos profissionais tem. Ninguém foi treinado para, para administrar... Como podemos observar, os presidentes dos clubes C2 e C5 assumem o fato de não serem preparados para praticar a gestão esportiva. Sugere-se que esta seja uma atitude positiva, já que demonstram ser realistas sobre o cargo ocupado por eles, mas ao mesmo tempo, expõe o clube a uma possibilidade de ficar de dois a três anos (tempo de duração do cargo) sob o risco de que algumas decisões necessitem de certa experiência para se evitar equívocos. Sobre o fato de assumirem o desconhecimento sobre gestão esportiva, temos em Paoli (2004) uma afirmação que exprime bem um contraste verificado, já que o mesmo defende que a profissionalização da gestão esportiva se constitui numa exigência no segmento, independente do tipo de organização. Já o presidente do clube C4 demonstra falta de objetividade ao dizer que “E... E a gente não sabe... Até, até onde que vai chegar. Mas nós vamos lançar esse projeto...”. Este tipo de tomada de decisão pode comprometer o nome do clube até mesmo com perdas financeiras em função de investimentos realizados de forma 75 errônea. Segundo Roche (2002), “não se pode saber até aonde vamos sem saber de onde viemos...”. Isso sugere que o fato de não saber onde se pode chegar com um projeto possa significar que os objetivos estejam mal formulados ou seus elaboradores mal preparados. Da Silva (1990) nos mostra que antigamente os dirigentes geriam o esporte por tentativa e erro e, ao que nos parece, os dirigentes do clube C4 ainda se utilizam desta técnica administrativa. Outra constatação foi detectada no discurso do gestor do clube C3 quando o mesmo refere-se à instituição comparando-a com uma empresa, passando uma idéia de que essas instituições só trazem prejuízo. É uma forma de julgamento de valores baseada em conceitos contrários aos recentes estudos sobre gestão esportiva, já que o esporte vem aumentando o PIB ano após ano no mundo inteiro. C3 - ...Porque se você for levar ali... Dentro da administração, e visando como empresa, pra se ter lucro, não é vantagem. Entendeu?... C3 - ...Então se você for levar... Administrar, como... Empresa... Não... Não era pra você ter essas... Esses esportes dentro do clube. Entendeu?... Sobre estas declarações, recorremos a Mullin et al. (2004) ao enfatizarem que na gestão esportiva as técnicas utilizadas iniciam-se com um amplo entendimento por parte do gestor sobre o ambiente e a sua posição inserida neste e desta forma, necessita-se saber onde se está e aonde se objetiva chegar. Para Alves (2005) os dirigentes mal preparados não possuem o conhecimento sobre os diversos fatores que podem alavancar os processos de desenvolvimento da cadeia produtiva e econômica do esporte. O referido autor ainda lembra que, apesar de toda a recessão econômica vivida pelo país nos últimos anos, o esporte ultrapassa fronteiras na participação e diversificação na realização de negócios, que continua crescendo cada vez mais no Brasil. Isto revela o potencial gerado a partir da profissionalização do setor esportivo. Freitas (2002) vai além, quando aponta o período pós 1980 como o início do crescimento da indústria esportiva e que, em termos percentuais, cresce cada vez mais a cada ano que se passa. Durante a entrevista, o presidente do clube C4 demonstrou um certo romantismo, ao enfatizar que sua ocupação do cargo vem sendo baseada na dificuldade de colocar seus sonhos em prática. Isto pode sugerir uma imaturidade administrativa para realizar seus planejamentos estabelecidos com êxito: 76 C4 - ...É... Quando a gente tá dentro, a gente vê as dificuldades, né?... C4 – ...A gente sonha muito... E na hora que a gente tem a oportunidade de colocar esse sonho em... Transformar esse sonho nosso... Em realidade... A gente encontra muita dificuldade mais nesse sentido.... Nossa percepção em relação ao presidente do clube C4 se reforça quando o mesmo expõe sua atuação nas negociações junto a potenciais parceiros, conforme podemos observar abaixo: C4 – “...Nós temos um muro na Avenida Brasil... Que ele deve ter em torno de... Uns duzentos metros... Esse muro já foi tampado, em diversas... Inclusive empresas... Ligadas ao setor de propaganda na cidade... E a gente não consegue. A gente fala assim: - Pôxa, um muro desse tamanho, a gente poderia explorar isso através de uma parceria e tal... Eu mesmo, muitas vezes, eu passava ali antes de ser diretor presidente: - Gente, a gente não consegue explorar isso? E hoje eu estou vendo essa dificuldade. Parece que é fácil... A gente passou e: - Pôxa vamos fazer isso, vamos fazer aquilo... Só que na realidade, a realidade é bem diferente...” Sobre essas declarações do referido gestor C4, Fernandes (2000) afirma que o problema da gestão está no gestor, pois os mesmos se deixam levar pela emoção clubística e má utilização de recursos financeiros, e falta de capacidade de elaboração dos planejamentos, direção, organização, execução, e entre outras, a mobilização de recursos humanos para as negociações empresariais, fruto da forma apaixonada com que comandam suas entidades. Para finalizar, ressaltamos que o fato de os clubes se encontrarem endividados ao longo desses últimos anos fez com que os mesmos ficassem receosos em investir nas melhorias físicas e nos recursos humanos, conforme exemplo abaixo: C3 - ...Nós não temos... Tem muita coisa pra gente fazer no clube... Mas... A gente não faz por causa disso. Porque a gente não... Vai, vai fazer uma, uma dívida que depois não tem condição de pagar. Então, é preferível ir fazendo aos poucos, como nós estamos fazendo. Pinta aqui, pinta ali, arruma uma coisa, arruma outra. Mas não... Metendo os pés pelas mãos de arrumar dívida, entendeu? Depois não ter condição de fazer... C6 - ...Infelizmente os clubes... Se preocuparam sempre com a parte... De piscinas. Então o sócio só procurava o clube no verão... Como ele tem várias opções fora do clube... Ele começou a procurar essas opções... E os clubes não se, não se... Atualizaram. Não se adaptaram a essas mudanças. O que eu vejo? Eu vejo que enquanto for pensar... Somente no sócio... A tendência dele é acabar... Tá?... 77 Analisando o discurso do presidente C3, a falta de recursos leva os dirigentes a não planejarem suas ações, realizando-as somente quando é possível (quando a verba é suficiente), tornando-se difícil prever o que poderia ser realizado para trazer novos associados e, por consequência, a entrada de recursos. Entendemos que este fato gera um ciclo vicioso prejudicando dia após dia a gestão corrente. No caso do clube C6, o presidente demonstra ser realista sobre as causas da crise nos clubes, demonstrando que são necessárias profundas modificações na administração clubística através da leitura feita sobre o que fazer para modificar este quadro. A constatação é positiva, porém a realidade ainda está distante de ser um modelo de gestão. Esta constatação do dirigente C6 vai ao encontro da afirmação realizada por DaCosta (2005) quando este relaciona a situação financeira dos clubes em função do afastamento dos associados, exatamente pela falta de atratividade para manter os mesmos no clube, bem como uma orientação nos planejamentos esportivos. 4.3.2 Categoria 2 – Capacidade de Gerenciamento dos Clubes Nesta categoria, vamos discutir tópicos abordados pelos presidentes que de alguma forma demonstram suas ações no comando clubístico podendo refletir em ações positivas, ou negativas caso venham a agir contrariando a literatura. No total, tivemos 20 frequências, sendo uma para cada clube C1 e C3, duas para o clube C4, nove para o clube C5 e sete para o clube C6. O clube C2 não participou. 78 CATEGORIA 2 - Capacidade de Gerenciamento dos Clubes 1; 5% 0; 0% 1; 5% 2; 10% 7; 35% C1 C2 C3 C4 C5 9; 45% C6 Gráfico 12: Categoria 2 – Capacidade de gerenciamento dos clubes Fonte: Elaborado pelo autor com base nas informações obtidas - 2009 Analisando as respostas dos dirigentes, encontramos o presidente do clube C1 destacando uma evolução nas escolhinhas de futsal conforme segue abaixo: C1 - ...É... No início de dois mil e quatro nós tivemos, nós tivemos uma escolinha com catorze alunos aqui... Uma média de catorze alunos... E hoje tem uma média de oitenta alunos, hoje, nessa escolinha... O clube C1 demonstra capacidade ao ressaltar o aumento do número alunos da escolinha de futsal. Porém, é necessário frisar que aumentar de quatorze para oitenta é apenas em uma modalidade. O mesmo não se referiu às outras modalidades, o que não nos esclarece se essa melhoria é geral ou uma questão pontual. Ao destacar apenas a modalidade futsal, percebemos que o gestor está se preocupando apenas com essa modalidade e não de maneira generalizada, o que Fernandes (2000) se referiu a três tipos de gestores existentes, sendo que um dos exemplos se encaixa neste caso, que é o gestor militante, qua atua por paixão ao clube ou a um esporte específico. Já o Clube C5 exalta a capacidade administrativa de dois departamentos de esportes amadores, conforme segue: C5 - ...temos lá, muito bem sucedidos, que é o departamento de botão de mesa, realmente muito organizado... E o departamento de malhas. São 79 dois... Esportes muito bem representados, muito bem dirigidos, pelo C5 e... por seus diretores... Em nosso ponto de vista, este fato é positivo, pois, apesar de toda a crise que o C5 passa, mencionada pelo presidente, ele destaca a existência dos departamentos de modalidades esportivas consideradas modelos de gestão. Infelizmente, as referidas modalidades não são esportes olímpicos e, portanto, com pouca atratividade para os patrocinadores bem como a mídia Outra capacidade gerencial relatada pelos presidentes foi a resolução de dívidas que aos poucos vão deixando os clubes com mais liberdade de ação, apesar do volume financeiro dessas dívidas ser substancial, conforme podemos ver abaixo: C4 - ...Ela tá uma situação, super controlada... Onde a gente hoje consegue... O que a gente tem de débito... Do clube, hoje em dia. E você vê a receita que o clube tem, a gente consegue ver que a receita tá maior... Depois de um longo período. Então isso é uma coisa que deixa, que dá a gente uma tranqüilidade muito grande pra trabalhar... Né?... C6 - ...As dificuldades financeiras. Inchamento do quadro de funcionários, que era totalmente fora da realidade... Financeira do clube... Tá? Tem diversos processos de ordem federal, INSS, Fundo de Garantia... E... Nós encontramos bastante dificuldade. Hoje... A situação já é bem melhor... Ainda não é a ideal, mas já é bem melhor... C6 – ...É... essa é a situação do clube hoje... É, ele não está cem por cento saneado, mas eu acredito que ele esteja noventa por cento... Da sua situação, regularizada... C6 - ...É na gestão, é, o departamento jurídico do clube já atuando. Com o parcelamento desse débito... O clube hoje tem uma folha pagamento em dia... Os impostos... A partir de dois anos, tão sendo recolhido em dia. Fundo de Garantia tá certo... Então a gente acredita que agora, sanando esse problema, que chega a ser um problema muito pequeno, perante o patrimônio do clube... C6 - ...Nós temos um corpo jurídico... Que recebe... Um outro questionamento que eu tive, que eles falam que um advogado tem que ser abnegado... Então você sabe... Que ninguém larga a profissão dele pra ser abnegado. Trabalhar aí um processo de três, quatro dias... E não ganhar nada. Então isso não existe. E não adianta uma pessoa falar que consegue, que não consegue... Então, é... A gente já tem esse quadro, que é uma empresa que nós contratamos... Que ela trabalha todos esses processos. Como eu disse, eu peguei o clube com mais de oitenta processos... Então nós tamos pagando mensalmente... Então o, o... O quadro jurídico já tá trabalhando em cima... Do parcelamento desse débito. E até... Tentando tirar é, o, o, alguns valores, cair alguns valores, pra depois fazer o parcelamento. É, esse é o nosso projeto a nível financeiro... Aqui observa-se o esforço do clube C4 em resolver questões advindas do passado. O grande problema dessa questão financeira negativa é o fato de o clube 80 ter como prioridade pagar dívidas, em vez de se preocupar em evoluir nos setores importantes existentes em um clube esportivo. Mesmo alívio sente o presidente do clube C6, que vem sofrendo ao longo dos anos com uma dívida vultuosa, mas que, aos poucos, vem resolvendo através de parcelamentos compatíveis junto a uma parceira jurídica. O mesmo considera que para quem tinha cem por cento de dívida, e hoje se encontra num patamar noventa por cento resolvido, a situação é bastante favorável. Nesse caso, encontramos uma situação de caráter negativo, pois a ideia que nos passa é a de que o clube não fez uma projeção financeira para o futuro. O fator positivo é que no momento se encontra em processo de recuperação. O que nos parece evidente neste caso, bem como de outros clubes, são os problemas que o voluntariado pode proporcionar fruto de um amadorismo, considerados de ordem negativa, já que ao longo dos anos vem acontecendo um ciclo vicioso em que os dirigentes assumem seus cargos durante o início das gestões eleitas, mas no percurso vão largando aos poucos suas funções em virtude das mudanças de prioridades. Um exemplo do que foi percebido em relação ao voluntariado é a situação vivida pelo clube C5. A dívida chegou a um volume que o próprio presidente já não vê mais como solucionar, apesar de todos os esforços, conforme podemos verificar: C5 - ...Mas nada foi possível fazer em termos de desenvolvimento, de algum projeto, algum planejamento, exatamente pela falta de recurso, e a existência de uma dívida que hoje, conclui-se, que ela é impagável... É, seria possível uma dívida administrável se nós pudéssemos parcelar essa dívida. Adequar esse parcelamento a um compromisso em longo prazo, com a sua receita... E isso... Foi verificado que é totalmente impossível... C5 - ...Então todo departamento foi feito através de... De um trabalho voluntário... De, de pesquisas e informações junto aos órgãos públicos. E feito esse levantamento, foi, foi verificado que a dívida... Ela ultrapassa a capacidade financeira do C5 é, poder assumir esse compromisso... C5 - ...Nós, com a falta de documentação, de certidões, de uma série de, de fatores, é, impedem o C5 de avançar nesse sentido. E o grupo quando verificou isso... Ele... Entrou pra tentar mudar essa cara, mudar esse perfil... Mas a surpresa foi grande. Que não imaginávamos que a dívida do C5 era, era... Ela ostenta, um, uma quantidade é, que a gente reputa assim... Inacreditável. Mas existente. Né? Não se sabe como se chegou a isso. E... E que alguma coisa tem que ser feita. Pelo menos para que possa planejar o C5 a existir mais noventa e seis anos... Estamos diante da constatação de um quadro negativo. A sequência de fatos vindos de gestões anteriores levaram o clube a uma crise financeira considerada 81 impagável pelo presidente, gerando sérias consequências para o clube, como a inviabilidade de planejar projetos para o esporte competitivo, e de certa forma, com a possibilidade da perda de parte do patrimônio, já que a grande preocupação e prioridade é pagar a dívida contraída. DaCosta (2005) adverte que, se na quantidade o Brasil possui muitos clubes, na qualidade, não podemos afirmar isto, já que a grande maioria dessas instituições se encontram em situação precária em função das dívidas contraídas ao longo dos anos. Verifica-se aqui o voluntarismo dos dirigentes na ação de buscar informações nos órgãos públicos, já que é grande a preocupação do clube em saber o tamanho da dívida, pois nem isso as gestões anteriores deixaram como herança. Observamos um fator positivo: a vontade administrativa do clube, que vem voluntariamente detectando os problemas, pois isso já é uma forma de começar a solucioná-los. Nesse caso, fica ressaltado o fato negativo em que os próprios dirigentes se surpreenderam com a proporção inacreditável da dívida. Um exemplo disso é a declaração que o presidente faz, quando revela que o grupo reconhece esse problema e trabalha diariamente em cima disso: C5 - ...Que nós discutimos lá e isso eu quero discutir, eu proponho esse dia a dia lá. A gente vê, a gente sabe das nossas limitações. A gente reconhece isso... Entendeu?... Um aspecto positivo destacado na fala do dirigente é que todos no clube estão cientes da situação precária em que a instituição se encontra, fato que direciona esforços e evita a dispersão de idéias, com a possibilidade de provocar atrasos durante o processo. Se o referido presidente enfatiza um esforço mútuo na resolução dos problemas, por outro lado, ele dá provas de que às vezes, as soluções podem vir de outras maneiras não muito convencionais, em se tratando de uma equipe diretiva. O mesmo faz questão de dizer que pode ir contra tudo e contra todos na exposição das suas ideias e ideais, o que pode ser funcional devido à experiência adquirida pelo próprio, que confia na sua intuição. Também pode ser um risco em potencial, já que querer impor sua opinião pode gerar uma crise administrativa, o que consideramos contraproducente. Quando a equipe administrativa em todos os seus segmentos está unida, existe uma motivação maior em torno da resolução dos problemas, conforme o exemplo a seguir: 82 C6 - ...E eu sempre passei pra eles: - Olha, os problema não são pontuais. São problemas de agora. Se você olhar pra frente, esse problema some. Serão solucionados com a maior tranqüilidade. Foi o que aconteceu. Nós conseguimos solucionar esse problema em termos de... gestão muito grande. Fizemos um acompanhamento rigoroso das finanças do clube... C4 - ...Administrativamente, aos funcionários do clube, isso aí é uma coisa que a gente tem sempre que elogiar. O clube sempre foi pautado por excelentes funcionários. Que sempre cumpriram com as suas obrigações... O presidente C4 exalta o profissionalismo dos funcionários, e podemos constatar que, apesar da crise financeira, o clube ainda consegue manter seus profissionais atuando com qualidade em suas funções, sempre motivados a desempenhar o melhor para o bem estar do clube. Sobre este tema, Melo Neto (2000) afirma que a qualidade do esporte em todos os seus segmentos é um produto fundamental para o êxito numa instituição. Para o autor, se a estrutura esportiva não for boa, não atrai o público em função de calendários desorganizados, esportistas de baixa qualidade e instalações esportivas precárias, e é exatamente neste tópico que os funcionários de uma organização podem fazer muita diferença, pois consideramos que um bom atendimento ao público é um “cartão de visita” positivo e serve como ponto de referência na cidade. Dependendo da situação, as ações administrativas podem requerer mais esforços concentrados, muitas vezes difíceis de serem solucionadas, tanto em nível estrutural como de recursos humanos. Abaixo um exemplo de resolução a ser tomada pelo clube C5: C5 - ...Então hoje o clube não oferece, infelizmente... Nada para o seu sócio em termos de... De, de competição. Tem o departamento de escolinha de futebol, que é terceirizado... Um fator negativo verificado é que a única atividade esportiva oferecida na iniciação esportiva do clube, que vive basicamente dessa modalidade (futebol profissional) é terceirizada. Segundo Pasito (2006), as atividades terceirizadas nos clubes pesquisados em Vitória (ES) são desenvolvidas sem a preocupação de participação competitiva. Assim sendo, percebemos um dos motivos de não existir um planejamento competitivo em longo prazo, já que o objetivo final da escolinha terceirizada é, em primeiro lugar, o lucro financeiro, pois se trata de um negócio comercial. E muita das vezes, o clube não se importa com a realização de eventos, que trazem custos e horas de demanda, que poderiam estar sendo revertidas e 83 utilizadas para gerar lucro. Às vezes, as ações quando não são unificadas ou não seguem uma mesma linha de raciocínio, podem também tornar as soluções dos problemas muito complexas, principalmente quando estamos nos referindo às opiniões divergentes, como o presidente do clube C6, que destacou o que vem acontecendo na sua gestão: C6 - ...Porque o clube sempre teve... Infelizmente essa política de... É... Você não precisa fazer, só não pode errar... Aí eu sou de uma política totalmente diferente. Eu só acho que só erra quem faz. Quem não faz nunca vai errar. Então os presidentes tinham medo de fazer... Tá? Então hoje eu não tenho esse medo... Recebo vários questionamentos de, de conselheiro... – Por que você fez essa parceria com a empresa tal? O que o clube ganhou? Eu falo: Você vai ver o que o clube ganhou daqui a um ano. Hoje eu não posso mostrar... Esse fato, entendido por nós como negativo, pode ser um estímulo ao ostracismo, à falta de vontade de mudar ou simplesmente em querer manter a situação da forma como ela está. A postura de confiança do presidente sugere que o mesmo acredita firmemente nas suas posições, o que pode refletir positivamente nas tomadas de decisão na hora de optar por essa ou aquela ação. Ainda em relação às tomadas de decisão, apresentamos alguns exemplos que podem servir inclusive como projeções futuras de investimentos e melhorias financeiras: C5 - ...Então, a gente revitalizando a parte social, a gente pensa que é um clube que hoje tem... Totalmente plano. Então você pode agregar até esportes para-olímpicos. Isso seria um dos objetivos. Todos eles... Como espécie, do gênero, revitalização financeira... Retração financeira do clube... C5 - ...E optamos por fazer a própria gestão... Desse time. Porque não apareceu... Nenhuma empresa... Com capacidade de fazer uma gestão e investir no dinheiro. Eles querem fazer gestão mas colhendo... Em nome do C5 aquilo que ele já tem. Então isso... Temos profissionais... É, capazes de gerir né? A direção técnica, a comissão técnica. É... Jogadores. Dentro de uma realidade orçamentária. Manter o time... Em... Em atividade. Enfim... Eu diria que hoje ainda... Tem muita coisa que precisa ser feita. Mas... Seria muito mais fácil se tivéssemos recursos. Não só pra contratar profissionais mais experientes... Né? E, e, e, e, e... E mais dinheiro pras muitas profissionais que você tem. A equipe necessária, manter dentro de um padrão... Vamos dizer, de, de, excelência, mas pelo menos, adequar à realidade de um clube de futebol do, do interior... O presidente C5 demonstra a preocupação com as questões da inclusão social, abrindo a possibilidade de desenvolver modalidades específicas para o 84 paradesporto. A questão de investir na modalidade é positiva, uma vez que abre as portas do clube para a sociedade, numa clara demonstração de provocar as mudanças necessárias para aumentar o número de associados e atividades oferecidas. O mesmo afirma que empresas querem gerenciar o futebol do clube, mas querem captar dinheiro em cima do clube. Portanto, o mesmo não leva em consideração que qualquer empresa que venha comandar o futebol do clube o fará de forma profissional, visando ao lucro. Ele não aborda os critérios de escolha, mas ressalta que montou uma equipe capaz de gerir o futebol profissional, compatível com o orçamento dentro da realidade do clube. Neste caso, entendemos que o critério utilizado foi o financeiro e não a qualidade das pessoas envolvidas, já que a contratação de um bom profissional exige um custo para mantê-lo no elenco diretivo. Se isso não acontece, voltamos para o voluntariado com todas as suas características já discutidas anteriormente. Sobre este fato, DaCosta (2005) enfatiza que um dos motivos encontrados pelos problemas financeiros nos clubes é a evasão por parte de associados e que isto se deve à ausência de uma linha do pensamento e uma conduta profissional no que se refere ao planejamento esportivo e lazer. Assim, percebemos que o presidente tenta uma solução mais baseada em critérios financeiros do que qualitativos, o que pode significar na formação de um ciclo vicioso futuramente. Ainda sobre a fala do presidente C5, verificamos também, por parte do mesmo, a valorização de uma gestão profissional. Já o gestor do clube C6 aponta uma das saídas com uma gestão baseada na confiança, Abaixo, os presidentes sugerem isso da seguinte maneira: C5 - ...Com a, com a... Com, com, com administração, vamos dizer, social, esportiva, de um, de um, de um clube. E com isso, a... Desde que sejam remunerados, o clube poderá... Né? A... Avançar, né? Dentro de um planejamento orçamentário mais definido, mais adequado a sua realidade. Com, com, olhando as estatísticas, né? Que o clube ele é muito dinâmico. Você tem que mudar. Muita coisa, enfim, a... A... Isso seria muito bom para o C5 hoje... C6 - ...É, eu, eu passei a preservar... A... A honestidade, a clareza e a transparência do que a competência... Que você pode ter pessoas competentes, mas infelizmente não voltados pra transparência... Tá? Então hoje... Em torno de um ano pra cá nós invertemos isso. Nós colocamos pessoas que talvez não fossem tão competentes, mas com certeza seriam mais voltadas a transparência, a honestidade. E com isso nós conseguimos resultados... Nós conseguimos sanear em um ano... No ma, em menos de um ano... 85 O presidente C5 tem consciência da importância da profissionalização da gestão no clube, porém, comenta que isso só será possível dentro de um planejamento orçamentário mais definido, na qual percebe-se a distância entre o desejado e a realidade. No caso do clube C6, uma declaração de que as gestões anteriores não agiram na gestão com honestidade vai ao encontro com alguns elementos achados na literatura. Sobre este aspecto, Azevêdo, Barros e Suaidem (2004) questionam sobre as ações de dirigentes esportivos dos clubes, o qual destacam alguns gestores que sempre aparecem na mídia em decorrência de suas atuações muitas vezes duvidosas. Da Silva (1990) já abordava sobre as pessoas que se aproveitam da sua posição de comando para viabilizar oportunidades de projeção pessoal e política na busca de status social e financeiro em vez de cumprirem com suas obrigações profissionais e os compromissos com seus clubes os quais comandam. Com relação à capacidade de gerenciamento dos clubes, temos um exemplo de que ainda existem dirigentes que buscam uma forma de responsabilizar terceiros em vez de assumirem suas incapacidades de gerirem uma instituição esportiva, conforme as palavras abaixo do dirigente C3: C3 - ...Eu, pelo que eu fiquei sabendo pelo professor de basquete, que agora tem uma bela duma Secretaria dos Esportes. Destinada especialmente pros clubes. Pra esses eventos que eles vão ter, entendeu? Eu espero que essa verba realmente apareça. E sejam de uma forma pra ajudar os clubes. Entendeu?... O presidente, apesar de demonstrar certo desconhecimento sobre o tema, afirma que existe uma boa expectativa sobre a nova secretaria de esportes na cidade. Apesar disso, ele considera que essa seria a única forma de solucionar os problemas financeiros dos clubes. Fica a impressão de que ele transfere para a secretaria toda a responsabilidade pela atual crise no esporte da cidade. 4.3.2.1. Subcategoria – Trabalho em equipe Nesta subcategoria, encontramos15 frequências criadas por três clubes. Do total, o clube C1 teve cinco, o clube C2 com quatro e o clube C6 com seis; os clubes C3, C4 e C6 não tiveram frequências. 86 SUBCATEGORIA - Trabalho em equipe 0; 0% 5; 33% 6; 40% C1 C2 C3 C4 C5 0; 0% 0; 0% C6 4; 27% Gráfico 13: Subcategoria – Trabalho em equipe Fonte: Elaborado pelo autor com base nas informações obtidas - 2009 Aqui, temos um exemplo de união antes mesmo do grupo entrar na gestão do clube, conforme podemos verificar abaixo: C2 - ... Bom... A diretoria que tá comigo hoje, ela já foi... Ela já veio pra essa, pra essa... Pra essa situação de dirigir o clube, com a mesma, praticamente com a mesma mentalidade. Porque eu formei uma equipe... Que teria que ter essa mentalidade... que estaria comigo... Entendeu? Então... Tá todo mundo com muita, muita, vontade de fazer... C5 - ...Veja bem... O... Eu sou um, eu sempre digo que... A nossa participação... Como presidente do C5... Ela... Não foi... Não foi, não foi assim uma escolha pessoal. Não foi um, um desejo pessoal... Foi fruto de um grupo... Que... Que tem interesse em dar um pouquinho da sua experiência... A... A parte... De, de gerir o C5... Que foi detectado por antigos sócios... Médios e novos “associados” (adaptado)... A vontade de renovar, a vontade de tentar mudar... Na, no que diz respeito... A... A gestão... Do C5... Como podemos notar, a equipe do presidente C2 entrou para as eleições e em seguida para gerir seus clubes já com uma orientação sobre as propostas elaboradas para serem seguidas. Este fato se torna uma vantagem quando são traçados os planejamentos, pois não são necessárias interrupções na jornada de trabalho em virtudes de discórdias de pontos de vista. Para confirmar isso, Fardim (2002) nos mostra a importância que a visão e o ponto de vista do líder tem no sentido de mostrar com clareza e transperência como gostaria de ver a sua gestão organizando com antecedência a missão da organização 87 No caso do C2, o presidente entrou com uma proposta de resgatar o esporte competitivo, enquanto no caso do C5, o nome do presidente foi unanimidade dentro de um grupo, que o escolheu para liderar o processo de gestão, considerando sua posição de destaque dentro do referido grupo. Este grupo do C5 já teria inclusive disputado uma eleição anterior, demonstrando que essa união vem há algum tempo, como demonstrado abaixo: C5 - ...Esse grupo há uns quatro anos atrás... Ele tentou... Formou-se um grupo, montou-se uma chapa que tentou, é, ganhar as eleições pra, pra administrar o C5 no triênio dois mil e quatro, dois mil... E sete... Não fomos bem sucedidos, houve uma série de problemas, tanto até em nível de, de eleição... Depois de ter conseguido êxito nas eleições para colocar em prática tudo que foi traçado, o presidente faz questão de destacar a manutenção do grupo: C5 - ...Nós aceitamos com o compromisso... De que o grupo ficasse todo... Todo unido e coeso e trabalhando com harmonia pra tentar... É, fazer, em primeiro lugar, o raio-X que o clube... Necessita fazer... E também procurar uma forma de manter... O time, né?... Observa-se que além de unido, o grupo começou a agir para fazer um levantamento para análise e avaliação da estrutura, no intuito de levantar que providências deveriam ser tomadas para tirar o clube e, principalmente, o futebol, da situação em que se encontra. Além dessa parte inicial, o presidente do C5 tem também a preocupação com a ação rápida de resolução dos problemas de dívidas, que chegaram a um patamar preocupante. Ele pensa em se desfazer de parte do patrimônio da instituição, e que a nosso ver, busca a concordância de todas as instancias do clube para tentar resolver esta dificuldade: C5 - ...Podemos dizer que todos tão dedicando uma boa parte do, do seu tempo. Primeiro, para, para parar, para bloquear, para, para limpar o nome do... C5, ainda que, que, dentro de uma realidade que, que é triste. Mas que é a única forma que foi encontrada pelos atuais membros do conselho deliberativo, com total, é, concordância do poder executivo... O que vemos neste caso refere-se a uma estratégia emergencial, onde se busca uma solução imediata, antes mesmo do clube sofrer com interdições por parte 88 do setor público e, assim, ainda estabelecer uma forma de poder ganhar tempo para trabalhar olhando para o futuro Interessante ressaltar que, mesmo quando projetam suas diretrizes futuras, os presidentes fazem questão de apontar para o grupo de trabalho, conforme podemos observar abaixo: C1 - ...Nossa principal meta, hoje, no C1 de Juiz de Fora, é construir, envolvido em parceria com os, com outras diretorias... C2 - ...Se eu quero... Alguma que, alguma coisa... Na parte esportiva, eu vou buscar o profissional próprio da área, pra isso... C2 - ...É, está sendo, está sendo montado esse planejamento... Entendeu? Tem sido... É... É... Uma das, das determinações minhas, é justamente essa. A cada diretor de esporte, do, do clube, o seu departamento... Fazer... É, uma estrutura, pra gente ter condição... De obter resultado... Hoje, se você ficar... No amadorismo, você não vai... Conseguir nada. Você tem que ter o... Profissional... Da área... Dentro de cada... Departamento... C5 - ...Com relação assim, dentro da gestão esportiva, a gente sente. A gente sente que, que é necessário, urgente, você ter profissionais administrando... A, a situação do clube. Você, não é o presidente, não é o vice-presidente, não é o conselho deliberativo, que vai resolver esses problemas. Você necessita, tem necessidade de ter um, um, um profissional em administração. Você tem que ter um profissional em finanças. Enfim, você teria que ter... É... É... Esses cargos... Apesar de os dirigentes comentarem muito superficialmente quais os trabalhos que estão sendo desenvolvidos em equipe, todos colocam que seus projetos futuros são realizados com a participação de todos os membros da diretoria. No caso do presidente do C2, duas coisas nos chamam a atenção. Na sua primeira fala, afirma que se ele quer alguma coisa na parte esportiva, convocaria um profissional especialista para desenvolver as ações. A esse respeito, ele não comenta se esses “profissionais” são especialistas na área da gestão esportiva ou não. Vale lembrar Capinussú (2005) afirmando que a função do gestor esportivo vem sendo exercida por profissionais de outras áreas de atuação, que priorizam suas atividades profissionais primárias o qual retiram seus sustentos Na segunda fala, o gestor do C5 afirma que os planejamentos estão sendo elaborados e, existe uma determinação para que cada diretor de esporte busque soluções para o seu departamento e se fosse ficar no amadorismo nada seria conseguido. Desta forma, teria o profissional certo para cada necessidade. Ele não disse nada se esses membros da diretoria seriam os profissionais destacados para realizar as suas funções. Da forma como foi abordada essa questão, entende-se 89 que, se ele determinou que cada diretor deverá se responsabilizar sobre o seu departamento e que cada departamento teria um profissional especializado, tudo nos leva a crer que ele considera essas pessoas apropriadas para trabalhar profissionalmente no cargo. Também não nos informou nada sobre o currículo destes personagens, e nem se eles seriam remunerados para exercerem suas atividades ou não. Da mesma maneira que o caso acima citado, o presidente do C5 enfatizou a necessidade da presença de um profissional da gestão esportiva atuando no clube, mas em nosso entender, deixa escapar uma certa insegurança ao dizer “...a gente sente. A gente sente que, que é necessário, urgente, você ter profissionais administrando...” Ao nosso ver, essa percepção demonstra que ele se sente envolvido por uma estrutura totalmente desarticulada e, ao mesmo tempo em que sabe da importância do profissional atuando no clube, às vezes, se deixa levar pela ansiedade sobre como alcançar as suas metas, com urgência. Reforça ainda a vontade de estar sempre em equipe, com um grupo tomando as decisões em conjunto. Mesmo desejo de realizar um trabalho em equipe é o presidente do C1, que faz questão de compartilhar todas as ações realizadas no clube com seus companheiros de direção, conforme podemos ver abaixo: C1 - ...É. Exatamente. O nosso, nós temos, o nosso planejamento é... É... A nossa, a nossa meta, aqui, momentânea é, é sanear todas as dificuldades financeiras do clube... C1 - ...Os caminhos tão sendo bem traçados. Bem elaborados... Com muita, muita, muita aceitação por parte das pessoas que tão envolvidas no projeto... C1 - ...O que eu puder fazer, lógico que eu não sou, não sou sozinho na administração. Nós somos... É um comitê de gestão... Eu estou pra dizer pra você que é um comitê de gestão. Não é só... Não só presidente. Presidente... é o coordenador da decisão do conselho do clube... C1 - ...presidente é o coordenador das decisões do conselho de administração. O conselho... Determina... o objetivo e as metas...presidente é o coordenador... Interpretando esse discurso, vemos que, mesmo em situações diferentes, o presidente aciona sempre o grupo. Na primeira fala, notamos que o C1 tem grande preocupação com a parte financeira, pois tenta solucionar as dificuldades da área. Na segunda, ele fala da aceitação de todos quando se refere aos caminhos que o 90 projeto vem tomando a cada dia. Faz questão de ressaltar o comitê de gestão, e que a sua função como presidente é de coordenar as metas que o conselho de gestão determinou. Nota-se um positivismo em relação a essa situação, mostrando confiança absoluta em tudo que vem sendo realizado. Para fechar essa subcategoria, abordamos também as ações que estão sendo realizadas pelo C2 e o C5, já numa projeção para as próximas gestões que vierem assumir os respectivos clubes: C2 - ...Com certeza. Com certeza. ... Já tá sendo. Que eu, resgatando, o que foi abandonado... Entendeu? É... Com certeza... O próximo presidente do clube... Ele vai receber o esporte mais forte do que eu recebi... E... Se Deus quiser, bem estruturado, pra ele manter... Isso aí. Porque... Se... Eu fizer uma boa gestão... E aplicando... Todas as coisas que a gente... Pretende... Provavelmente o próximo gestor... Também... Deve vir com essa mesma mentalidade... C5 - ...Aquele que, em se tratando do C5, que faça... Realmente a direção, todo o planejamento esportivo... A... E o social, ter alguém que saiba administrar essa situação social de eventos. Isso é muito importante. Por isso que a gente pretende sempre criar esse conselho de, de administração. Que serão os seus sócios, dentro da direção, administrando. Mas... Quem estaria na frente disso seria... Esses outros profissionais... O presidente do C2 foi claro ao expressar seu desejo de deixar para o próximo gestor uma situação financeira e esportiva melhor do que encontrou. Isso nos dá a entender que ele já está pensando a longo prazo, o que podemos considerar como um aspecto positivo. Apesar de também já falar do futuro, o presidente do C5 ressalta que os futuros dirigentes seriam associados, que comandariam o clube com profissionais especializados em gestão esportiva, e que estes é que estariam à frente do comando e das decisões. 4.3.2.2. Subcategoria – Maiores dificuldades Nesse momento, chegamos à análise de uma subcategoria encontrada em nosso estudo com, no total, 46 frequências distribuídas da seguinte forma entre os clubes: no clube C1 encontramos quatro. No C2, seis; no C3 e C5, dez; no C4 e C6, oito cada. 91 SUBCATEGORIA - Maiores dificuldades 4; 9% 8; 17% 6; 13% C1 C2 C3 C4 10; 22% 10; 22% C5 C6 8; 17% Gráfico 14: Subcategoria – Maiores dificuldades Fonte: Elaborado pelo autor com base nas informações obtidas - 2009 O fato de ser a maior subcategoria em termos de frequências encontradas, podemos supôr que isto seja reflexo da crise existente nos clubes da cidade. Ao serem questionados quais eram as maiores dificuldades, os presidentes citaram diversos problemas, os quais vamos mostrar abaixo: C2 - ...É... Os associados... Que, que não vi, vivem do esporte... Não apóiam esses, essas... Essas investidas, entendeu?... C2 - ...É porque eu acho que não tiveram esse histórico. Entendeu? De... De, de esporte na veia... Hoje tem muita gente voltada somente pro lazer... Querem ter o clube como um momento de desligar do restante... Do stress da vida... C2 - ...Porque o associado hoje, é o que eu te falei, ele quer ir ao clube... E curtir... O clube na, na, na parte de lazer. E eu tava... Querendo ver o, o, o... O... O valor que ele paga na mensalidade, investido... No esporte. Ele quer... Que seja investido no lazer dele... C6 - ...A maior dificuldade é porque o clube, ele... Ele... Ele é feito por alguns sócios, principalmente os sócios mais novos... Que não tem aquele amor pelo clube (1). Ele quer uma área de lazer pra ele. Não existe aquele negócio de: - Ah, eu fui criado aqui dentro e quero ver o clube melhor. Não. Ele quer ver o melhor pra ele... Tá? Se o melhor for pra ele, pouco interessa se o clube... Tá... Tá ruim ou tá bom. Então a maior dificuldade que a gente encontra é colocar na cabeça desses associados... Que o clube é deles também. E ele estando bem, o clube pode tá mal... Tá? Então... É, a gente encontra esse tipo de associado, que ainda... Acha que o clube tem que ser administrado pra ele. O clube é administrado por... Todos os associados e pela sociedade. Ele não é administrado só para o sócio. Ele é administrado por Juiz de Fora... É importante colocar isso. Que o clube, ele é administrado 92 por uma sociedade. Para o vizinho, pelos moradores da redondeza, mesmo que eles não sejam sócios... E para uma cidade... Certo?... Os presidentes reclamam a falta de apoio do associado aos investimentos realizados pelo clube para os esportes competitivos. Para os mesmos, os sócios, na maioria jovens, não têm um vinculo afetivo nem um histórico esportivo capazes de induzi-los a apoiar mais a prática esportiva competitiva realizada nos clubes e, ao contrário, reclamam que os investimentos realizados poderiam estar sendo utilizados para o lazer. Isso acontece devido ao enfraquecimento da relação associado x clube. Percebe-se não existir fidelidade por parte dos antigos sócios. Este fato não se repete com os mais novos frequentadores do clube, causando insatisfação e afastamento dos mesmos. Para o presidente do C6, o clube deve se abrir mais para a comunidade, vizinhança, região e para a cidade, o que consideramos uma atitude positiva na gestão realizada. Outra situação interessante é a reclamação do presidente do C3, sobre o clima da cidade para justificar da falta de frequência do associado, como podemos observar abaixo: C3 - ...A dificuldade que nós tivemos nesses dois anos... Que Juiz de Fora já tem um problema de, de quase não ter verão. Nós tivemos esse verão agora, esse ano... Que já tá indo embora também. Entendeu? Esse verão... E o ano passado, esses dois anos pra trás, que não tivemos... É mais chuva. Segunda a sábado é dia de semana. Fim de semana... Não tem sol. E Juiz de Fora se não der sol de manhã, o pessoal abrir a janela e ver sol... Pode sair o sol dez e meia, onze horas, que a pessoa já não vem pro clube. Você vem aqui num dia de sol, como teve esse fim de semana, choveu um pouquinho, mas, vê que o clube tá vazio... Ao reclamar do clima, constata-se que o Clube tem grande dependência do verão. Este fato nos mostra que a frequência do associado se procede de forma sazonal, sugerindo grande expectativa pela vinda do associado no calor, bem como a falta de atratividade nos outros períodos do ano em função da ausência da oferta de atividades esportivas e lazer. Acreditamos que o presidente tenta justificar o insucesso de sua gestão ao salientar que a culpa é do clima da cidade. Parece-nos que o mesmo se encontra desmotivado e frustrado com o período em que esteve à frente do clube. Para mostrar essa constatação, segue uma declaração que consideramos preocupante por se tratar de um clube de tradição da cidade: C3 - ...Por indicação dos amigos, que me empurraram essa... Essa furada... Eu entrei. Entendeu, Luiz Carlos? Então dessa forma que eu tô aí, há esse tempo todo... 93 C3 - ...Furada porque assim, na hora de você entrar... Você... Tem... Várias pessoas que diz que chegam junto... entendeu? Te dão apoio... Mas depois com o tempo... Não por culpa até das pessoas... Por culpa da, da, da, da... Dos problemas que cada um tem, né? Das dificuldades que cada um tem na sua vida... Que tem aí... Começa a ir muito bem... Um mês, dois meses, três meses, depois cada um vai cuidar da sua vida. E isso aqui, é... Fica pra depois. Entendeu? Então você acaba... Hoje eu tô sozinho. Por problemas internos... Não tem diretor de praticamente nada. Então... Não tem, entendeu? Então a gente acaba ficando sozinho... É, em função disso. Cada um vai cuidar da sua vida. Eu como presidente, já falei: - É, pode sair todo mundo, mas o presidente tem que segurar até o final. Pra poder... Eu estou há várias horas aqui dentro do clube. Deixo o meu serviço... Que eu posso, ainda bem que eu posso fazer isso, que sou autônomo, né? Então, é... E venho cuidar daqui do clube. Tem que segurar até o final. Né? Mas que não tá fácil, não tá fácil não... Esse depoimento nos revela a visão sobre como estão enxergando a gestão esportiva nos clubes da cidade de Juiz de Fora, onde ocorre a falta de comprometimento das diretorias, ou em função da pressão dos associados. No caso do C3, foi formada uma chapa para geri-lo, e, logo em seguida, escolheu-se um presidente, que tem seus compromissos profissionais primários e se vê na situação de abandonor o próprio trabalho para assumir sozinho um clube. Desta forma, fica o questionamento se é possível realizar uma gestão por um período determinado com qualidade de trabalho. Fica a constatação que o esporte da cidade perde espaço e tempo para evoluir e voltar a disputar eventos em nível nacional. Estamos nos referindo a um clube de tradição, um clube no centro da cidade, que podia estar gerando emprego, renda e utilizando seus espaços para oferecer a prática esportiva para crianças, adolescentes e adultos. Porém, esta situação não é exclusiva do C3. O presidente do C6 também nos revela fatos interessantes, a saber: C6 - ...Mesmo sabendo, mesmo a pessoa sabendo que aquilo foi bom pro clube, que foi interessante. Mas como não foi a pessoa quem fez... É... A crítica existe. Entendeu? Então isso daí não estimula a pessoa pra pegar. Eu tô aqui na terceira gestão, porque não teve ninguém pra pegar o clube. Assustavam com o problema do clube... C6 - ...Então nós tínhamos um clube... Com vários processos trabalhistas... Vários processos na área federal... Vários processos... De... Até na área administrativa, de ex-presidentes, que por algum motivo foram processados pelo clube. Alguns justamente, outros injustamente... Tá?... Constatamos nessas declarações que não se trata de uma questão única na cidade. Na verdade, situações como esta estão se tornando cada vez mais comuns. 94 Infelizmente, tudo isso é fruto da falta de planejamento antes mesmo de se assumir a gestão dos clubes. A cada nova demonstração de despreparo, o esporte da cidade perde em qualidade por falta de renovação nos cargos diretivos, bem como um clube nessa situação dificilmente terá objetivos e metas modernas para o esporte, já que se concentra em resolver problemas administrativos causados por dirigentes irresponsáveis. Azevêdo, Barros e Suaidem (2004) definem o sucesso de um clube como os salários dos funcionários em dia, bons resultados no segmento esportivo e uma estrutura organizacional que possa servir de modelo prá outras instituições. Eles nos mostram que a característica de uma gestão em compromisso com a qualidade é o equilíbrio entre performance técnica e um equilíbrio financeiro. O presidente do C2 assumiu a condição de presidente após ter de participar de uma intervenção no clube, conforme podemos comprovar: C2 - ...Fui convidado na gestão anterior pra participar do Conselho Deliberativo... Participei do Conselho Deliberativo... Num... Primeiro ano da gestão... A diretoria sofreu Um desentendimento entre eles... Onde vários integrantes da diretoria... Entregaram... O cargo. Foi convocada uma, uma reunião da assembléia... Onde eu fui participar... E nessa reunião... Havia um... clima muito pesado dentro do clube, né? Por que... Todos, praticamente todos da... diretoria eleita entregaram o cargo. E estavam contra o presidente... Apurar algumas coisas dentro do clube. Inclusive eu participei disso... Fiquei nesse cargo... Apurei algumas coisas dentro do clube... E somente vi que era tudo questão de vaidade... Pelo, pelo, pelo poder que o, um certo poder que o, que o cargo de dirigente oferece... Entendeu? E... Constatei que não havia irregularidade de, de, de qualquer coisa de... De... De falcatruas dentro, da, da... Da administração. Somente essa questão de vaidade... C4 - ...Mas o, mas deixa a gente... Chateado. O, o que mais... Leva a gente pro lado... De, de, não de desanimar, mas o que deixa a gente mais desgostoso... seriam algumas coisas que a gente sabe que... Pessoas, próximas, poderiam tá ajudando... E, e não fazem isso. De uma certa maneira, tão sempre mais criticando do que ajudando... C4 - ...Existe muita vaidade... Um fato de caráter negativo é abordado pelos presidentes nesses depoimentos. O cargo de dirigente esportivo vem sendo utilizado para interesses pessoais, já que é exercida uma relação de poder, o que também comprovado pelo presidente do C4. Na literatura, encontramos estudos de pessoas com interesses financeiros, políticos, entre outros, menos para a função ao qual é destinada, fruto de vaidades desses personagens mal intencionados. Os dirigentes em momento algum revelaram que tipos de problemas aconteceram, nem que tipos de críticas foram feitas e quais dessas críticas desagradaram aos mesmos. 95 As consequências disto são as reações que podemos constatar, com presidentes falando da situação dos clubes com um certo desânimo, mesmo que tenham boas expectativas em relação ao presente e a um futuro próximo: C1 - ...Levando da melhor maneira possível... A indústria do esporte movimenta bilhões de dólares (Kléber, 2006) e não podemos mais admitir clubes sendo administrados de maneira amadora, com os presidentes, por mais esforçados que sejam, responderem mal a um questionamento e a uma entrevista, sem um embasamento técnico e um aprofundamento teórico. Para reforçar nossa ideia, vamos mostrar uma reclamação que os presidentes do C3 e C5 fazem ao serem perguntados sobre as maiores dificuldades da prática esportiva no clube: C3 - ...Em função da, da mensalidade, de não poder colocar um valor maior. O gasto que você tem de energia elétrica e de... É... Limpeza... Água, essas coisas, não cobre. Você pegar aqui um... Um... Handebol. Que... Tem duas, três horas à noite, entendeu? Três vezes por semana... E outras horas de dia, com cinqüenta, sessenta alunos... C3 - ...O clube não tem condição nem, nem de se manter com a despesa dele... C5 - ...Catastrófica. O clube, hoje, não tem receita que, que suporte a sua despesa... Nota-se o grau de insatisfação do gestor da entidade C3 com o fato do clube ter de utilizar as aulas da referida modalidade à noite, por estar gastando energia elétrica, se preocupando apenas com o custo que isso proporciona. Esta fato negativo mostra a preocupação apenas com a redução de custos, atuando de forma defensiva, e não com investimentos nos diversos segmentos do clube, onde estaria atuando de forma ofensiva, característica do mundo moderno do esporte. O mesmo ainda confessa a atual situação do clube ao dizer que a instituição não consegue se manter para custear suas despesas, revelando falta de capacidade administrativa. No caso do C5, as palavras do presidente por si só falam da situação. Ele considera a situação “catastrófica”. Com relação à dificuldade de manutenção dos custos, a opinião é dividida pelo presidente do C1, que sugere estar na mesma situação do C3 acima, como podemos verificar: 96 C1 – ...O C1 hoje ele... se mantém... Tá? Com o, com as dificuldades... Que o momento exige... Certo? Mas... as nossas questões financeiras estão em dia... É uma questão de aperto. Não é? Não tem facilidade de, de... mensalidades, do clube... O presidente do C1 revela frases contendo termos que sugerem instabilidade financeira em função da falta de associados e também em função dos baixos valores das mensalidades, como outros já mencionaram. Sobre isso, Nery e Capinussú (2008), em recente estudo realizado, comprovaram esta situação, verificando nos clubes pesquisados, o baixo número de associados pagantes bem como o baixo valor das mensalidades, conforme segue: Figura 2 – Número de associados e associados pagantes Fonte: Nery e Capinussú, 2008 – A realidade da estrutura física e recursos humanos de uma cidade brasileira. Como podemos observar, em azul temos o número de associados no clube, e em vermelho o número de associados pagantes. Percebe-se uma grande diferença entre as duas situações, sem falar no baixo número de associados, independente de estarem em dia com as mensalidades ou não. O clube de número 16 possui muitos associados em função de ser uma entidade que oferece ao trabalhador um espaço de atividades para o lazer de forma gratuita. Mas nos demais, percebemos a 97 ausência do associado frequentando os clubes. Em relação às mensalidades, Nery e Capinussú (2009) nos mostram que, além dos poucos associados pagantes, os valores recebidos são insuficientes para custear todas as despesas geradas, conforme podemos observar: Figura 3: Qual o valor das mensalidades? Fonte: Nery e Capinussú, 2008 – A realidade da estrutura física e recursos humanos de uma cidade brasileira. Sem associados, com mensalidades baixas, e sem a prática esportiva na maioria dos clubes, podemos constatar que o esporte na cidade passa por uma crise difícil de ser solucionada. Mas o que nos chama a atenção é que este fato já tomou proporções além clubes, pois os presidentes já perceberam e assumem que todos os problemas revelados provocaram um fenômeno difícil de ser revertido, ou seja, a dificuldade de se encontrar empresas parceiras que queiram participar de projetos esportivos. Vamos analisar o que os presidentes dizem em relação a isso: C2 - ...A maior dificuldade é justamente na busca de parceiros... Entendeu? De pessoas que queiram... É... Investir... Nessa área... ... E a ques, a parte, a parte financeira mesmo, seria a maior dificuldade... C4 - ...Nós sabemos dessa estrutura que o clube tem... Mas... Na hora que você vai tentar colocar essa estrutura, repassar essas informações da estrutura... Com a futura parceria, a gente vê muita dificuldade nisso... 98 C4 - ...E principalmente aqui de Juiz de Fora, vamos falar de Juiz de Fora... A gente não tem muita penetração em mídia. É onde normalmente os empresários, pra poder ajudar, eles cobram isso. Né... Ah, mas você não tem penetração na mídia e tal... Então você fica muito... É, prejudicado, com relação a isso... Conforme podemos constatar, não há sintonia entre os clubes e as empresas da cidade. Não pela ausência delas, pois existe inclusive uma empresa da cidade atuando como principal patrocinador de uma equipe em Caxias do Sul - RS disputando a Superliga de vôlei masculino em 2009 (Tribuna de Minas, 2008)42, enquanto que o esporte da mesma cidade desta empresa amarga essa crise que já dura há anos. Em trabalho apresentado por ocasião do 8º Fórum Internacional de Esportes – “esporte e lazer nos espaços urbanos”, realizado na cidade de Florianópolis, entre os dias 27 a 30 de maio de 2009, Nery e Capinussú (2009) apresentaram um trabalho intitulado: Influência da gestão esportiva sobre a mídia na cidade de Juiz de Fora, onde os autores mostram que ao longo dos anos43 a mídia vem diminuindo cada vez mais as publicações de matérias esportivas (principalmente das modalidades coletivas), em virtude da ausência da prática esportiva competitiva clubística. Vale ressaltar, ainda, que se os parceiros vêm sentindo isso, também se deve à falta de capacidade dos departamentos de marketing dos clubes (não vamos entrar no mérito se esse departamento deveria ser especializado em marketing esportivo ou não, e nem é o foco do presente estudo). Nos parece estranho o presidente de um clube que tenha grande tradição esportiva na cidade, alegar dificuldade de penetração na mídia. Sobre os fatos acima citados, para Melo Neto (2006) isto significa que os clubes desconhecem o potencial de suas marcas no contexto mercadológico em que estão inseridos. As empresas investidoras buscam conhecer os fatores e números da região onde pretender atuar financiando as entidades esportivas, mas necessitam de garantias de que haverá a fidelização de suas marcas, o aumento no número de torcedores, etc. Se os clubes não modificarem suas estruturas administrativas, levará um bom tempo para que esse quadro se modifique. Mas se isso já vem acontecendo, alguns presidentes têm a causa já diagnosticada. Para eles, a falta de credibilidade gerada pelas gestões anteriores é o motivo dessa rejeição por parte do empresariado, corforme segue abaixo: 42 Matérias exibidas nos dias 12/11/2008 e 13/11/2008. Foram analisados todas as páginas esportivas de um jornal de grande vendagem na cidade e região de 1980 a 2008. 43 99 C2 - ... Faltou vontade... Das outras diretorias, de buscar parceiros para isso... Entendeu?... C5 - As maiores dificuldades hoje eu diria que são... Diria que é exatamente... A falta de credibilidade, de credibilidade, de crê... De credibilidade que o, que o time tem... Que o time tem, que o, que o clube tem. Mais o time. De agregar parceiros. De agre, de agregar parceiros. Exatamente... Mais pela crise mundial, pela... Falta de prestígio, de credibilidade, que o clube experimentou nesses últimos dez anos. Isso foi... Você resgatar a imagem de uma administração... Com prestígio, com credibilidade... É difícil. Você tem que superar essa barreira, pra que as pessoas, é, passam a acreditar que o C5 tem uma gestão mais séria, mais, mais competente, mais honesta. Que é o que deixou de ter no, no C5 esse tempo todo. Então isso é uma certa dificuldade... e o patrocinador... Ele tem medo. Ele fica com receio de investir o dinheiro no departamento de futebol, com medo que o dirigente pegue aquele dinheiro e vá pagar a dívida. Porque o principal produto que poderia ser agregado à mídia, para esse parceiro... Ela, ela tá sendo, ela, tá sendo desviado... C5 - ...E os antigos dirigentes possivelmente são sócios... Acomodados. Acharam: - Ah, isso não é comigo. É um problema do clube. Aquele novo presidente que se vire. E que aconteça o que tive que acontecer. O que tiver que acontecer, todos sabem. É... É desastroso, né? É o C5 perder o seu patrimônio. Que alias, agora, lá na frente... Porque o patrimônio vai sendo corroído pelos encargos. E daqui a pouco esse patrimônio não vai valer... O passivo que o clube poderá ostentar... C6 - ...O que eu credito? Principalmente ao descrédito... Na maioria das gestões, das gestões passadas... A falta de acompanhamento dos conselhos fiscais, conselho deliberativo. Acomodação... Dos dirigentes, que pegavam e, recebiam muita coisa, e não andava... E... Desistiam por ali... Nenhum presidente, ex-presidente do C6 voltou ao C6... É um dado que assusta a gente... C6 - ...Luiz, existe credibilidade das administrações dos clubes?... Neste momento, podemos observar diversas situações, apesar do tema ser a falta de credibilidade juntos aos parceiros em potencial. Em primeiro lugar, os clubes precisam reverter esse quadro histórico. Conforme o presidente do C2, os antigos dirigentes não tinham “vontade” de buscar parcerias. Da mesma forma, o presidente do C5 afirma que a falta de credibilidade do clube é em função dos antigos gestores, só que, neste caso, ele justifica dizendo que o clube não encontra patrocinadores, pois os mesmos ficam receosos que os dirigentes utilizem o dinheiro que seria destinado para investimento no futebol, seja revertido para pagar dívidas. Ele ainda afirma que o patrocinador tem grande interesse nesse caso específico, já que toda essa verba poderia servir para matéria de publicação na mídia, principal objetivo do investimento. Antes, porém, ele aponta outra justificativa, jogando para a crise mundial a responsabilidade principal da falta de patrocinios esportivos, mas discordamos dessa afirmativa, pois a indústria do esporte vem crescendo cada vez 100 mais ano após ano, mesmo com todos os problemas financeiros que atravessam o mundo. O que mais nos chama a atenção em todas essas consequências negativas, se refere ao trabalho voluntariado, pois não há comprometimento com a responsabilidade no cargo assumido. Entendemos e somos da opinião que um clube pode até não ter uma estrutura profissional, mas tem a obrigação de ter uma mentalidade como tal. O presidente do C6 aborda sob outro ponto de vista. Para ele, se existe o descrédito é por que nunca houve acompanhamento das ações por parte dos conselheiros, e que isso acarretou em abandono por parte dos dirigentes, chegando até mesmo a nunca mais voltarem ao clube, fato considerado relevante para o atual gestor. Alguns presidentes chegaram até mesmo a ser processados. Ele ainda lança uma pergunta para o pesquisador: se existe credibilidade das administrações dos clubes, insinuando falta de credibilidade dos gestores da cidade. Se agora tivemos a oportunidade de ver diversas causas que geraram descrédito dos clubes, em uma situação elas têm um ponto em comum: o fato de que em todos os casos houve falta de transparência dos antigos gestores, o que consideramos grave diante das consequências geradas por este fato. Tudo isso citado acima nos leva a crer na existência de uma reestruturação para os clubes voltarem a ganhar a confiança do empresariado da cidade. Aliás, analisando a fundo, nenhuma empresa hoje em dia, em tempo de crise mundial, investiria financeiramente em atividades esportivas competitivas sem um planejamento elaborado por profissionais competentes e com metas estabelecidas a curto, médio e longo prazo. Se passamos a conhecer diversas causas da falta de credibilidade dos clubes, as consequências geradas devem ser levadas em consideração também. Um dos problemas é o afastamento dos associados, conforme podemos ver a seguir: C1 - ...A maior dificuldade no C1 atualmente... A FREQUÊNCIA do clube. Que apesar... De muito freqüentada, quer dizer a, atualmente, já melhorou bastante... O C1 é ocioso... C3 - ...Do afastamento do associado, né? Porque você vem aqui no fim de semana, com... Um casal com dois filhos, você gasta aqui pelo menos cem reais... Então... As pessoas preferem às vezes, prefere ficar em casa... Para o presidente do C1, um problema que vem afetando o clube é a 101 ociosidade dos seus espaços físicos. Neste caso, além de todos os problemas administrativos, consideramos se isso vem ocorrendo em função da falta de mais opções para a prática esportiva. Se não existe opções de lazer e tão pouco esportivo, esse processo se torna inevitável. O associado não vai pagar mensalidades durante o ano inteiro para chegar ao clube e não ter o que fazer com a sua família. Consideramos este fato negativo, pois se a falta de presença dos sócios sugere falta de atratividades, a consequência é a falta de recursos financeiros advindos das mensalidades que hoje estão escassas. Conforme já mencionamos neste estudo, a única opção se torna a utilização das piscinas na época do verão, o que consideramos muito pouco pelo potencial que os clubes poderiam oferecer, pois no resto do ano não há nada para se fazer ou praticar. O próprio presidente calcula os prejuízos quando uma família deixa de passar um único dia no clube. O presidente do C5 lamenta esta situação, deixando a seguinte constatação: C5 - E, e hoje, chegamos a triste constatação e realidade, que o C5... Para que ele prossiga sua trajetória, para que ele saia dessa... Dessa, desse círculo vicioso, né? De altos e baixos, embora esteja resistindo, mas muito altos e baixos. Eu diria mais baixo do que alto... Sobre esse “círculo vicioso” citado pelo presidente do C5, o mesmo justifica ressaltando a situação que o clube vive atualmente: não tem dinheiro para contratar profissionais especializados na gestão esportiva, e em consequência não terá um clube profissionalizado e, por conseguinte, sem captação de verbas para realizar os objetivos. Abaixo, as suas declarações: C5 - ...Mas quando a gente fala em cargo, a gente tem que falar em salário também. Os profissionais não podem se, se dedicar gratuitamente. Na, na relação com o C5, não há a menor possibilidade de se contratar um profissional... Com, com esse perfil. Exatamente... Porque o C5 não tem receita. A receita dele é totalmente corroída pelas despesas ordinárias. Então, que dizer então das despesas extraordinárias... C5 - ...Mas infelizmente... Exatamente por causa desse quadro... De, de, de falta de recurso, de falta de fluxo de caixa, e de, e de receita... Você não tem como admitir profissionais pra poder desenvolver isso. Mas seria hoje a, a, a... Administração profissional... O que iria, é... Alavancar – não gosto muito dessa palavra, que acho que ela não existe – mas seria o fato de, de, de, de avançar, criar um alvo, para que o clube permaneça assim como uma empresa existe. Ela tendo objetivos. Não precisa ter lucro. Mas que tenha receitas pra poder desenvolver os seus projetos sociais, esportivos e, e, e pagá-los inteiramente. Então... Ainda o C5 tá um pouquinho longe disso... C5 - ...Que é o principal... É... Objetivo... Da administração hoje, é pagar a 102 dívida que o C5 ostenta. Esse é a primeira situação que, que a gente pretende. Que é possível isso e que isso seja feita de forma rápida... Porque todos sabem... É... Os encargos, os custos de quem tem uma dívida. São altas taxas de juros, correção monetária... Que enfim, que o patrimônio garante isso, mas garante até um certo ponto. Vai chegar o momento que alguém vai determinar o estado, né? Pelo poder judiciário vai fazer um leilão vai transformar em dinheiro, e pagar o que o clube deve. Então o C5 corre risco de perder o seu patrimônio. Em relação ao que foi dito na primeira fala, consideramos positivo o reconhecimento da importância do cargo de gestor esportivo feito pelo presidente. Porém, constata-se uma situação crítica levando o presidente a considerar o cargo de gestor esportivo como “uma despesa extraordinária”. Constatamos também a importância que o mesmo aborda sobre planejamento elaborado numa gestão, bem como a noção de gestão mercadológica e desenvolvimento sustentável num clube esportivo. Entretanto, por não ser o nosso objeto de estudo, não nos aprofundaremos no tema, que pode ser levado em consideração em futuras pesquisas. A situação crítica que o mesmo se refere e que leva o clube a ter como prioridade fundamental o pagamento das dívidas, tem um caráter negativo e necessita de uma resolução emergencial. Ao abordar os juros desta dívida, destaca o problema dos encargos, das altas taxas de juros que podem dilapidar o patrimônio do clube. O mesmo sugere como forma de sanar tudo isso a venda do patrimônio. Mas também sugerem-se estudos sobre o impacto social, econômico, arquitetônico (instalações esportivas) gerados por tal fato. Ainda com relação aos associados, alguns presidentes têm algumas reclamações que vamos saber a seguir: C3 - ...A maior dificuldade... Encontrada, é a falta de participação do próprio sócio. Entendeu?... Se vir o cliente que paga a mensalidade, vem uma vez no clube, quer chegar aqui... Encontrar tudo sob, né? Do jeito que ele... Que ele quer. Então é só reclamação. A gente tem muita reclamação. Às vezes uma coisinha à toa... A pessoa vem uma vez no ano... C4 - ... As... Principais dificuldades... Que nós temos é... No sentido de... Da ajuda, das pessoas que poderiam... Não como nosso (?), mas... Alguns sócios, próximos, que poderiam ter uma influência muito maior no sentido de tá ajudando... Tá sempre com aquela coisa de... Olha sempre o errado e esquece de muitas coisas. Que a gente tenta fazer o certo... E... Procura sempre ver o errado... C6 - ...A gente recebe muitas críticas, porque... É... Todo mundo quer um resultado imediato. Tá? 103 O presidente do C3 reclama do sócio que paga em dia suas mensalidades e vai uma vez por ano, mas que, ao chegar ao clube, faz críticas em cima de algo que não lhe agradou. Sobre isso, é importante ressaltar primeiro, se esse associado vai ao clube tão pouco, já encontramos aí um ponto negativo a ser analisado. Afinal, isto demonstra que o clube nada oferece em termos de atratividade fato já constatado ao longo deste estudo. Esse mesmo associado, paga doze meses em dia, possibilitando à diretoria utilizar essa verba para pagar suas despesas e investir no patrimônio. Assim sendo, ele tem todo o direito de reclamar sobre algo que considera justo. Cabe ao presidente analisar se o caso é pertinente ou não, ter capacidade de entendimento sobre o tema e tomar as devidas providências. Se esse personagem faz críticas quando chega ao clube, pode-se supor que da última vez que esteve presente até a próxima visita, o mesmo não deve ter encontrado nenhuma novidade que o deixasse satisfeito, quer seja referente às instalações físicas, quer seja em termos de oferecimento dos serviços de atividades esportivas e lazer. Desta forma, ao receber a crítica, o dirigente deveria considerá-la e buscar soluções como forma de manter este associado mais próximo da entidade, motivando-o a frequentar mais vezes ao longo do ano, a continuar pagando suas mensalidades em dia, participando das atividades, gastando seu dinheiro no bar, divulgando sua satisfação em estar naquele ambiente para seus amigos e, possivelmente, levando novos associados para o clube, entre outras vantagens. Ainda sobre essas críticas, alguns questionamentos poderiam ser realizados para maiores esclarecimentos e futuros estudos: há quantos anos a estrutura do clube não se modifica? Houve algum melhoramento na gestão atual? Será que as críticas por parte do associado são pertinentes? O clube está em condições de oferecer ao seu sócio excelência no atendimento? No caso do C4, o raciocínio é quase o mesmo, mas o fato de o presidente dizer que esse associado só reclama das coisas erradas, deveria ser encarado como um desafio em busca da qualidade, ou seja, enquanto existem reclamações, existem questões a serem melhoradas. Como gestor, ele deveria ter sempre em mente que o associado paga para ter prazer em frequentar o ambiente que escolheu para desfrutar do seu lazer. Se existem reclamações, estas devem ser analisadas e solucionadas imediatamente. Com relação ao C6, o presidente não informou maiores detalhes sobre as reclamações, apenas que o sócio quer resultados imediatos. 104 Se o clube se encontra com problemas financeiros e não oferece opções de atividades esportivas e lazer para o seu associado, a consequência imediata dessa situação são as finanças que começam a se desequlibrar, ou seja, as receitas diminuem e as despesas aumentam. Em função disso, um fato relevante acontece em diversos deles. É a forma como os mesmos tentam solucionar suas questões. Nestas entrevistas realizada com os presidentes, detectamos algumas respostas que nos chamaram a atenção. Os clubes passam a cobrar do poder público uma ajuda para a solução para os seus problemas. Porém, as opiniões se divergem sobre de que forma o poder público pode contribuir. Para o C1, o presidente aborda a questão em cima do novo secretário de esportes municipal. C1 - ...O esporte seria a grande integração. E hoje com a criação dessa secretaria, e o entusiasmo que o prof. Renato Miranda tem acompanhado diversas atividades até aqui na C1, tudo aqui, é... Eles estão muito envolvidos em todo sentido, em todo sentido do esporte... Para o referido presidente, é perceptível o entusiasmo em relação à criação da nova secretaria. Entretanto, o mesmo faz questão de ressaltar o nome do novo secretário, dizendo que o mesmo se mostra interessando e vem acompanhando as atividades realizadas no seu clube. No caso do C3, este entende que essa ajuda deve ser financeira: C3 - ...não consegue ajuda dos órgãos que tem que ajudar, que é a prefeitura.... C3 - ...Então a gente tem muita dificuldade disso. A gente não tem ajuda de órgão, órgão público nenhum. Entendeu? A gente cede... Cansamos de ceder isso aí pra, pra evento de, de, de... Jogos... Interestaduais... Sem ajuda financeira nenhuma. Entendeu? Então a gente cede o, o ginásio e não tem ajuda. Os políticos vêm, prometem que vão fazer... E... Não tem. Ajuda nenhuma... C3 - ...Não, Juiz de Fora o problema maior que a gente vê que não tem... É, realmente não tem apoio de, dos políticos. Entendeu?... Para este clube em questão, sua requisição é para a instância municipal, direcionando à prefeitura a função de solucionar seus problemas. Ele ressalta que por diversas vezes o clube cedeu suas dependências para a realização de eventos gratuitamente. Reclama também que os políticos sempre prometem apoio mas 105 nunca cumprem. Parece-nos cômoda esta situação de querer resolver os problemas de uma administração com dinheiro público. As afirmações do dirigente sugerem uma forma de tirar de si a responsabilidade que deveria ser sua, que é administrar o clube com qualidade na busca de recursos para a realização de objetivos em todos os segmentos existentes na entidade. Para o C4, a opinião sobre a forma de ajuda do governo é diferente. Em primeiro lugar, o contentamento pelo surgimento desse órgão na cidade. Acreditamos ser positiva essa expectativa, pois, com o tempo, isso tende a dar bons frutos, pois como ele mesmo ressalta, esta servirá pelo menos para dar uma diretriz para os clubes, um lugar onde os dirigentes poderão se apoiar em caso da realização de um evento, na orientação sobre o lançamento de uma equipe competitiva, entre tantas outras possibilidades. Destaca, também, o simples fato de ter alguém para se direcionar sempre que houver necessidade, mesmo recebendo uma resposta positiva ou negativa, independente do que venha a ser tratado. E o dirigente faz questão de falar também dos incentivos que podem vir a ser ofertados pela prefeitura podem passar como contribuição, afirmando que isso direciona uma orientação para as entidades. C4 - ...É muito importante... Essa Secretaria de Esportes... C4 - ...Essa secretaria ela foi criada no, no, numa hora muito boa... Por que? Porque o nosso... Que estamos, quase, na frente do clube, precisamos, pelo menos, de uma diretriz. Precisamos disso, disso e disso. Hoje, você chega, você chega dentro da prefeitura, você sabe onde recorrer... Então você vai ter, você vai ter uma resposta. Ou positiva ou negativa... C4 - ...E os incentivos que são necessários não são tão grandes assim. Então nós precisamos ter pelo menos aonde recorrer. Se a gente tiver aonde recorrer... Pra que a gente tenha pelo menos uma resposta, eu acho que essa... Essa criação da Secretaria de Esportes... Pelo menos pra gente, vai ser... Uma válvula de escape pra que a gente tenha pelo menos... Um, um, uma... Um parâmetro, um parâmetro, onde, onde correr quando a gente precisar de uma, pelo menos de uma orientação.... Entendemos que as colocações do referido presidente são coerentes, visto que coloca suas expectativas com muita probidade, não no sentido de cobrar uma solução, mas um direcionamento que deve existir, já que a função desta secretaria é colocar vários órgãos específicos para cada área de atuação. O setor competitivo se insere dentro deste contexto, tendo uma representação capaz de proporcionar aos clubes o apoio necessário que neste momento tanto precisam, até que possam 106 caminhar com suas próprias pernas. Já no C5, o seu presidente emite mais uma opinião que agrega valores à nova secretaria criada. Segundo ele, a expectativa positiva passa pelos incentivos fiscais para investimentos no setor competitivo e também na construção de instalações visando aumentar o raio de ação das atividades existentes, bem como na criação de novas áreas de atuação. Há também o fato de que o governo não deve proteger gestões com incapacidade administrativa. C5 - ...Mas por outro lado, a gente vê que no momento em que você sanear um clube desse... Saber que o investimento possa ser todo voltado para aquele objetivo, não para investir no departamento de futebol... Os incentivos fiscais, como, como, como investimento, e para a construção de... De outros espaços físicos... Eu tenho certeza que as coisas começam a se adequar e o clube tem condições de... Como vários outros clubes foram, no decorrer desses anos todos... C5 - ...E o governo não tem que tutelar más gestões. Ele tem sim, que agir, de, de fiscalizar mais, de impor algumas obrigações que, que a legislação já impõe... Para que... É, os clubes se adequem a essa nova realidade. Ou passem a ser geridos como uma empresa, e não pra dar prejuízo, o lucro é conseqüência. Ou o clube vai acabar. Nós temos histórias recentes em Juiz de Fora... Consideramos pertinente o reconhecimento da atual realidade por parte do referido gestor, bem como da proposta de mudança para que os clubes possam se adequar, criando soluções para resolverem seus problemas e também oferecer para a comunidade um novo conceito em gestão esportiva. Para ele, o governo municipal teria um papel fundamental ao fiscalizar estas ações, com os clubes passando a serem geridos como empresas, e como muito bem disse, mesmo que não consigam lucro, pelo menos tenham condições de se autossustentar. Por fim, destacamos o fato de ele considerar que se isso não for feito, o clube pode acabar, como já aconteceu com outras entidades na história recente da cidade. Já o presidente do C6 foi mais enérgico em suas colocações. Para ele, a ajuda financeira passa pelo dinheiro do contribuinte, o que considera errado, conforme segue abaixo: C6 - ...Eu sou totalmente contra... Você ficar na teta do... Prefeito municipal... Sou totalmente contra. Nunca fui a favor disso... Logicamente, se querem dar, eu quero. Se a lei manda me dar, eu quero. Mas eu acho que não é o caminho... Que vai chegar um ponto que isso vai acabar... O próprio povo, o próprio contribuinte vai ser contra isso... – Ah, eu não vou pagar imposto pra você colocar num time de futebol... Entendeu? Eu sou radicalmente contra... É... Acho que os clubes deveriam pensar muito nisso... Em falar... – Ah, eu 107 tenho futebol... Por que que a prefeitura não me ajuda?... Eu acho que a prefeitura não teria e não tem a obrigação de deixar ninguém... Eu acho que ela tem a obrigação de incentivar... De apoiar... De... Criar situações pra que esse clube caminhe sozinho... Entendeu?... Ele ataca o fato de o governo fornecer verbas para clubes investirem em participações de competições, mas afirma que, se ele tiver direito, também o quer. Não acredita ser esta a melhor maneira de solucionar este problema. Afinal considera que o dinheiro do contribuinte não deve ser direcionado para este fim, e compartilha com os presidentes do C4 e do C5 da opinião sobre uma forma de incentivo, apoio e orientação para que os clubes possam seguir em frente com suas metas, bem no estilo “não se deve dar o peixe, mas ensinar a pescar...”. Levando em consideração sobre o que foi dito acima pelo presidente do C5, de que se os clubes não se adequarem à nova realidade tendem a fechar, encontramos uma constatação feita que reforça bem esta afirmação, como segue abaixo: C5 - ... A mentalidade de clube mudou muito. Mudou demais. Você... Hoje muita gente tem sua piscina, tem seu campo, tem seu espaço de lazer... E já muito próximo. Cachoeiras passaram a ser freqüentadas... C6 - ... já não é mais uma prioridade do clube, lazer... Porque hoje, é... Todo mundo hoje... É, tem um amigo que tem uma granja... Quase todo mundo hoje tem amigos, ou tem um carro pra ir a uma cachoeira... Em função da falta de atratividade dos clubes, os associados encontraram nessas opções uma nova forma de utilizar o seu tempo livre e lazer com a família, podendo ser considerada uma mudança social na vida da cidade, tema já abordado por DaCosta (2005) neste estudo. Sobre este aspecto, essa constatação pode vir a gerar uma consequência positiva para a prática esportiva, uma vez que para se manterem ativos, os clubes tendem a reverter suas atividades exclusivamente voltadas para a prática de atividade física, ocupando os espaços e a ociosidade de suas instalações com projetos de iniciação, com o desenvolvimento e ampliação das escolinhas bem como a criação de equipes visando à participação nas competições realizadas em cada modalidade. 108 4.3.2.3 Subcategoria – Envolvimento emocional com o clube Nesta categoria, buscamos informações sobre a relação afetiva do presidente em relação ao seu clube. No total, encontramos onze frequências relacionadas a este tema, sendo seis para o presidente do C2, duas para o C4 e C5 cada e uma para o C3. As entidades C1 e C6 não tiveram participação. SUBCATEGORIA - Envolvimento emocional com o clube 0; 0% 2; 18% 0; 0% C1 C2 C3 C4 2; 18% 6; 55% 1; 9% C5 C6 Gráfico 15: Envolvimento emocional com o clube Fonte: Elaborado pelo autor com base nas informações obtidas - 2009 Da Silva (1990) foi categórico e pertinente ao se referir sobre o tipo de relação existente entre os gestores e o clube o qual dirigem. Para o autor, tão importante quanto o tipo de trabalho a ser realizado pelos dirigentes, é a necessidade de um envolvimento emocional entre as partes envolvidas. Ele alega que sendo o dirigente um “produto do próprio clube”, com uma longa convivência afetiva que favorece o mesmo a entender e absorver melhor a tradição, as dificuldades, os propósitos e entre outras coisas, ao ter no corpo as cores de sua entidade preferida, não utilizaria sua gestão para benefícios próprios. Porém, o referido autor adverte que os dirigentes devem se resguardar e não se deixarem levar por uma paixão exagerada a ponto de influenciar nas decisões que se fizerem necessárias, mesmo ocupando cargos voluntários. A primeira constatação se deve ao fato de três presidentes terem iniciado suas relações desde a infância. No caso do presidente do C2, além de conviver no 109 clube desde muito pequeno, aos cinco, seis anos de idade (não se lembra exatamente a data correta, mas afirmou ser nessa faixa etária), já disputava na caregoria mini-mirim. Além disso, teve uma participação na família muito forte que pode ter influenciado nesse momento da sua vida: C2 - Bom Luiz... A minha vivência no C2... é desde quando eu... Eu comecei criança, dentro do C2. Desde quatro, cinco anos de idade, eu já tive, o meu pai já era diretor de natação do C2... Quer dizer, eu nasci dentro da água praticamente... Eu me lembro que numa primeira, na minha primeira competição de natação, como mini-mirim, que na época tinha mini-mirim, que eu acho que era cinco ou seis anos... C2 - ...Mas durante esse período... Foi uma das melhores fases da minha vida... É... Onde a natação do C2 era muito forte... Dentro do Estado de Minas... Se não me engano... Lutava sempre... pela segunda colocação... E sempre com meu pai atrás disso, como diretor de natação, que foi o grande incentivador dessa... Dessa... Dessa minha jornada no esporte... Com... A adolescência... C2 - ...Nunca tive pretensão, apesar do meu histórico todo dentro do C2, nunca tive pretensão de ser um presidente do clube... Apesar de que meu pai, durante toda a minha vida, ter sido dirigente... Como podemos verificar nesta fala, consideramos que para ele realmente existiu uma relação intensa, pois desde cedo atuava na equipe de natação, participando de competições e, como consequência, convivendo com outras pessoas da família no ambiente, participava com outras crianças nas sessões de aulas e treinamentos, fazia viagens com a equipe para outras cidades, aprendendo as respeitar as diferenças existentes quando se está em um grupo, a obedecer os professores e treinadores, a se acostumar com o clima competitivo, a ter sempre a torcida dos pais nas arquibancadas, entre outras forma de experiências ligadas à emoção, todas elas nos limites das dependências do C2. Fazendo questão de dizer que foi uma das melhores fases da sua vida, o mesmo resgata a imagem do pai como diretor de natação do clube quase como um ícone, assumindo uma experiência que ele viveu de perto por estar sempre ao lado do mesmo, já que “dentro da piscina ele não tinha uma relação paterna, mas de dirigente e atleta”. O mesmo sugere as boas atuações do pai como gestor, afirmando que a equipe de natação era sempre a segunda força no estado, o que podemos imaginar que estar entre os melhores no esporte é um fator positivo para ter boas lembranças do passado. 110 Já o presidente do C4 começou a frequentar a entidade antes dos dez anos de idade, como segue no texto: C4 - ...A... A minha vida no C4 começou antes dos dez anos de idade... Eu já era sócio do C4 com, com menos de dez anos de idade... Com isso... Fiquei apaixonado pelo clube. Né? E... A partir do momento que você convive... Principalmente esse primeiro momento da sua vida, quando você começa a se descobrir, é uma coisa muito importante. Que quando você se identifica com o clube, que foi o que aconteceu... É a coisa melhor que poderia ter acontecido... C4 - ...Logo em seguida, tive a oportunidade de... Fazer parte da equipe de dente-de-leite do futebol. E do dente-de-leite continuei a minha jornada até nos profissionais... Eu com dezessete anos eu fazia parte... Do... Time de profissionais do C4 e cheguei a disputar a segunda divisão e até primeira divisão pelo C4... Da mesma maneira foi com o presidente do C4. Percebemos nele um lado emotivo aflorado na pele, pois enquanto respondia a essa questão, se declarou “apaixonado” pelo clube devido a essa convivência, principalmente nesse primeiro momento de sua vida. Ele fala de suas descobertas, da sua identificação pessoal, como a melhor coisa que poderia ter acontecido na sua vida. Para reforçar essa estreita relação, lembra-se dos bons tempos de atleta de futebol, desde as categorias dente de leite, chegando até ao profissional, participando das principais competições do estado, inclusiva na primeira divisão de Minas Gerais. Em função deste sentimento demonstrado pelo resgate da memória, em que presenciamos um toque de emoção pessoal, acreditamos que poderiam ser realizados mais estudos sobre o tema discutido, já que a riqueza de detalhes dos sujeitos nos faz refletir sobre que influências essas experiências específicas na fase da infância e adolescência podem ter contribuído para a formação do ser humano em todos os seus segmentos. Uma outra relação familiar está presente na influência que levaram outra pessoa à gestão esportiva. Nos referimos ao dirigente do C5, que diferentemente dos outros gestores, ele faz questão de falar de um dos motivos que o levaram à presidência, conforme segue: C5 - E... Mas esse grupo entendeu por bem, eu sendo neto de um expresidente... Do C5. Né? Um “torcedor” (adaptado), que teve uma passagem muito longa e muito... Muito importante junto com aqueles antigos... Tradicionais “associados” (adaptado). Que o meu nome seria bem vindo para 111 encabeçar essa, essa chapa... O presidente assume o seu status de liderança junto ao seu grupo de relacionamento por ter sido neto de um ex-presidente, sugerindo uma convivência íntima com a entidade, já que tinha uma forte relação com personagens ilustres do passado. Porém, o mesmo faz questão de ressaltar o seguinte: C5 - ...Ah, eu sempre digo que... Que a minha origem é, é arquibancada. E o meu destino também vai ser arquibancada... Nesta afirmação, ele faz questão de frisar que, acima de tudo, é torcedor do clube, a partir do que entendemos que ele aceitou esse desafio para possibilitar à entidade sair da atual fase em busca de dias mehores. Se a família esteve presente influenciando os filhos que hoje mantêm um vínculo afetivo misturado com um trabalho de muita relevância na cidade, o contrário é encarado da mesma maneira. Encontramos uma preocupação em envolver os filhos nessa relação existente pelos gestores do C2 e C3, conforme podemos comprovar: C2 - ...E... Como eu via... Que o C2... Não estava mais... Do mesmo jeito que eu, que eu vivi durante a minha infância... Como eu te falei, hoje eu tenho duas crianças... Uma de sete e uma de três anos e meio. E quero que elas cresçam no mesmo ambiente que eu cresci... Dentro do esporte... Por isso me veio essa vontade... De... Tentar resgatar... A história do C2... C3 - ...A minha participação no clube... É... Já tem mais de vinte e cinco anos, né? Meus filhos foram praticamente criados aqui dentro... No caso do primeiro, o C2, ele compara a sua época rica em atividades no clube com a escassez esportiva vivida atualmente. Como pai de duas crianças pequenas, afirma não abrir mão de fazer com que as filhas tenham as mesmas vivências que ele teve, dando a entender que prefere ver o clube como antes. Chega a ser tão enfático que reforça seu desejo, lembrando que essa inclusive é a plataforma utilizada quando disputava a presidência, isto é, o resgate do esporte na sua gestão, já abordado neste estudo anteriormente. O presidente do C3 é frequentador do clube há vinte e cinco anos; seus filhos praticamente cresceram lá. Essa afirmação sugere a relação de carinho e fidelidade dos presidentes com o clube, a ponto dos mesmos condicionarem a criação dos filhos nessa relação. 112 Ainda com respeito ao gestor do C2, ele utiliza essa relação de carinho para tentar melhorar seu clube, afirmando o seguinte: C2 - ... Mas eu tenho que... A parte... É... É... Vamos dizer assim, sentimental, que eu quero resgatar o esporte do clube... Entendeu? Pra isso... Vou lutar... Não só o meu emocional, como a minha parte da razão pra buscar... Pessoas aptas a... Tentar fazer esse reset... C2 - ...Acredito. Com certeza. Eu sempre fui um cara... É... Muito otimista... E... Guerreiro. Então eu vou lutar com todas as forças... Me doando, porque ... A posição de dirigente dentro do clube hoje... É... Voluntária. É uma doação... Por parte do meu tempo pro clube... Em função do... carinho que eu tenho por ele... Seu cargo de gestor é fruto da relação de carinho e fidelidade com o clube, mas também do aprendizado no esporte, pois quando o mesmo coloca termos como ser guerreiro, doação, de lutar, força, emocional, podemos supor que essas terminologias são oriundas de experiências adquiridas quando atleta e hoje lhe motivam a desempenhar no atleticismo de outra forma, execendo seu papel de liderança na administração esportiva. 4.3.2.4. Subcategoria – Resgate histórico Vamos utilizar as palavras do presidente do C6 no início da análise das respostas dadas por eles às entrevistas realizadas, para começar o nosso foco sobre o resgate histórico, quando o mesmo disse “...E pensar no passado. Eu acho que seria você analisar o passado... Olhar o presente e planejar o futuro...”. Desta forma, concordamos com ele, quando diz que analisar o passado é de extrema importância, pois, é a partir deste momento que as somas de experiências adquiridas nos levam a saber inserir no contexto presente e, a partir daí, estar preparado para conduzir os melhores caminhos rumo às melhores ações no futuro. Bastos (2006) enfatiza a referência significativa dada aos clubes na prática do esporte brasileiro já nos anos 50 e 60, e já naquela época haviam cobranças de mais estudos científicos em busca de uma maior estruturação organizacional. Ela deixa claro a importância das entidades clubísticas como base do esporte nacional mas que apesar disso, poucos estudos são encontrados ainda hoje, o que nos mostra a importância da presente pesquisa, sobre os valores agregados a estas instituições. 113 Portanto, buscamos saber o que os sujeitos objeto de interesse desta pesquisa carregam consigo esta época, que lhes proporcione as melhores ferramentas para as tomadas de decisões visando realizar suas gestões da melhor forma possível. Para tal, foram encontradas dezesseis frequênciass com três inserções do C2, quatro para o C4 e o C5 cada; e cinco do C6. O C1 e o C3 não participaram desta subcategoria. SUBCATEGORIA - Resgate histórico 0; 0% 5; 31% 3; 19% C1 0; 0% C2 C3 C4 4; 25% 4; 25% C5 C6 Gráfico 16: Subcategoria – Resgate histórico Fonte: Elaborado pelo autor com base nas informações obtidas - 2009 Ao analisar as frequências, observamos que os presidentes do C2 e do C4 buscam um passado esportivo para ter como referência no contexto atual. No caso do primeiro personagem, ele faz uma analogia do passado com o presente para embasar seus argumentos. Ele compara, dizendo que na sua época de atleta, o clube custeava todas as despesas dos atletas, enquanto o dirigente do C4 tenta mostrar para a comunidade os dias de glória através das conquistas já realizadas. C2 - ...O Luiz, eu vejo o seguinte cara: as coisas mudaram muito, né, cara? Antigamente a gente... É... Ia pra competições... Onde o clube... Tinha condição de, de bancar... Essas viagens, essa, é, toda a programação... C2 - ... Olha... Com certeza. Com certeza... O C2... Ele... Ele sempre teve uma tradição muito forte no, na, na natação... No vôlei... E no futebol de salão... A nossa equipe de natação hoje... Ela tá, ela teve, apesar dela ter 114 sido reduzida bastante no passado. C4 - ...Só que dentro dos sonhos que eu tenho... Nós precisamos de, de, de... Construir uma sala de troféus... O clube, ele tem... Grandes conquistas... E essas conquistas não podem ficar guardadas dentro de quatro paredes. A gente tem que externar isso, e... Pra que a... E não só o nosso associado, mas também que a população, os visitantes que venham no clube, possam, de certa maneira, ver a tradição que o clube tem... Observamos um resgate da capacidade administrativa dos clubes na época, que mesmo com estruturas amadoras, evidenciamos um compromisso com o esporte, independentemente do nível alcançado. No caso do C2, o presidente nos faz imaginar que na sua época de atleta só se havia a preocupação de competir, sem ficar com ansiedade para saber se o clube poderia viajar ou não por causa da falta de verbas para tal. Mesmo o fato dos atletas não serem profissionais, já que não recebiam para treinar e competir, pelo menos os mesmos não tinham custos que pudessem atingir, por exemplo, uma criança ou um jovem carente que não pudessem pagar parte das despesas. O mesmo dirigente, do C2, ainda faz questão de destacar as modalidades existentes, então consideradas forças dentro do estado, como a natação44, futsal e voleibol45. Se levarmos em consideração que as modalidades eram filiadas nas respectivas federações mineiras e, por conseguinte, nas confederações brasileiras, podemos imaginar um número considerável de eventos contidos nos calendários que os mesmos participavam ao longo do ano, e que necessita ter um mínimo de organização e compromisso um calendário. Ressalta também com tristeza o declínio da equipe de natação. Já o presidente do C4 adotou a estratégia da construção de uma sala de troféus, para apresentar as várias conquistas obtidas no passado e que hoje correm o risco de esquecimento pela comunidade, porque o clube vem ao longo dos anos sofrendo com a crise causada pelas dívidas acontecidas durante o percurso histórico. Entendemos que um clube deve valorizar o seu passado de glórias, para manter o orgulho da cidade pelas suas conquistas, mas não concordamos quando 44 Apesar de ser uma modalidade individual, numa competição uma equipe pode levar um ônibus cheio de competidores, por volta de 40 a 50 atletas, o que num evento realizado em três quatro dias, devemos levar em consideração os custos de hospedagem, alimentação e transportes para toda a delegação para o cálculo dos custos. Levando-se em consideração as despesas extras como inscrição de cada atleta, entre outros. 45 Modalidades coletivas com diversas categorias, onde deve-se considerar também um custo considerável. 115 esse resgate da memória seja feito para justificar e esconder uma situação que ocorre no presente, representada pela falta de opções na prática esportiva, conforme podemos verificar a seguir: C4 - ...Os meus antecessores... Eles, eles sofreram muito... Por problemas financeiros com o clube... É, o clube havia, eles, eles estavam lidando com dificuldades financeiras.... C4 - ...E eu recebi o clube do “ex-presidente”... Eu não vou te falar que numa situação confortável, mas eu não, não estou recebendo na mesma dificuldade que eles (presidentes anteriores) receberam... C4 -...O... Vamos falar um pouquinho até da anterior? Por que... Quando eu participei... É... As dificuldades que eram encontradas, que foram encontradas... Pelas gestões anteriores, foi justamente por que... O clube começou a fazer algumas obras... Num período, pode ser um período mais longo, quinze anos, vinte anos atrás... E essas obras... A, a, é... O clube acabou tendo que pegar até... Valores... Com terceiros. Né? Mas eram pessoas associadas e tal... E isso aí o clube... Foi ficando em dificuldade financeira... Né? Além de você ter seus compromissos que você tinha, normal, você ainda tinha que arcar esses compromissos com terceiros... Então o clube ficou realmente numa situação muito complicada... E, e... Quando nós tivemos... Problemas sérios, inclusive com fornecedores do clube... Ele nos mostra que a falência do clube vem acontecendo em longo prazo, aproximadamente de quinze a vinte anos de processo, apesar de já ter recebido uma situação em melhores condições do que seus antecessores, o que podemos visualizar um futuro menos conturbado, mesmo que venha a ter muitas dificuldades pela frente, como, por exemplo, a falta de credibilidade já discutida no presente estudo. Ele revela total desequilíbrio administrativo, ao relatar as obras duradouras mal planejadas pelas gestões anteriores, quando não souberam adequar a utilização das verbas, chegando ao ponto da necessidade de obter empréstimos inclusive com terceiros, que eram associados do clube, o que interpretamos como uma total demonstração de incapacidade de gestão. Mesma situação ocorrida no C5, porém em proporções diferentes, conforme podemos observar nos comentários do seu atual presidente: C5 - ...Infelizmente o C5 não tem uma... parte contábil regular. Não... tem um arquivo bem definido do que aconteceu nesse período todo. Não tem... uma história consolidada dentro do próprio clube. Não tem, assim, documentação, nem informação absolutamente nenhuma. Até mesmo pra gente verificar quais foram as causas. Né? O que levou a acontecer tudo isso... C5 - ...Não houve essa prestação de contas em nove anos. É um... É uma caixa preta. O C5, ele tem seu patrimônio totalmente penhorado. Inclusive 116 receitas. A gente enfrenta receita em, em bilheteria de, de jogos... Total, tem hora de ter receitas oriundas de aluguel... C5 - ... Foram várias, eu diria, que nós temos aí em torno de, das três últimas administrações, péssimas. Administração que o clube ficou praticamente num... Num, numa visão de ter um dono, né? Só um mandava, só um administrava. E constatamos... Né? Já, um ano de... De administração, que o clube... Nos seus aspectos legais... Eu diria na, na... É, na questão do próprio estatuto, que é o que... Dirige os destinos do, do, do clube e na sua parte legal... Ele... Isso tudo foi muito ignorado... C5 - ...O time passou a ser um time de aluguel. A equipe profissional passou... A ser... Oferecida, aos, aos diversos mercados... E o clube, é... Deixando a desejar... Quando a literatura apresentada neste estudo relata que os clubes vêm sendo utilizados como ponte para a realização de interesses pessoais alheios à gestão esportiva (DA SILVA, 1990), podemos visualizar um modelo de mau exemplo nessas declarações feitas pelo lider do C5: em primeiro lugar, a inexistência de material que norteie o presente contexto, já que ele reclama da falta de rumo na parte contábil, de documentos importantes históricos, a negligência na prestação de contas dos dirigentes e, nesse caso, entendemos que tão grave quanto este fato ocorrido é a irresponsabilidade dos conselhos do clube na cobrança destas prestações, a penhora do patrimônio e das receitas, inclusive de bilheteria dos jogos; desrespeito ao estatuto do clube, entre outras questões que propiciam ao presidente acusar, numa analogia à uma caixa preta, os maus negócios realizados com os atletas da equipe de futebol, em um total de quase dez anos de obscuridade (período aproximado de duração das últimas três administrações), numa clara demonstração negativa de todo este processo. Entendemos e acreditamos que as consequências geradas por todos estes fatos levarão um longo tempo para se reestabelecer, exigindo por parte de todos muito esforço e compromisso para conseguir sair desta situação adversa gerada pela falta de compromisso e transparência administrativa anteriores. Um caso idêntico foi encontrado quando o presidente resgata um passado negativo no C6, conforme podemos verificar: C6 - ...É, o clube, você sabe, que o clube foi, é um clube antigo, de tradição... E... E quando nós assumimos, nós pegamos realmente o clube numa situação muito difícil. Tanto financeiramente como culturalmente. A parte de patrimônio totalmente depredada... É... Os nossos patrimônios tinham sido usado de forma totalmente incorreta... O campo de futebol, o ginásio poliesportivo... Parque aquático... A sauna... 117 Entendemos que a depredação do patrimônio físico e também financeiro leva um clube ao caos moral. Ser gestor de um clube com diversos espaços físicos para a prática esportiva e não poder utilizar os mesmos, porque apresentam riscos à integridade do ser humano, nos mostra a valorização dos estudos sobre a gestão de instalações esportivas, que hoje vem ganhando espaço no mundo acadêmico, e será de grande importância daqui para a frente a realização de um elo com a vida prática no mercado da indústria esportiva. Toda esta preparação deve ser elaborada por profissionais qualificados num processo multidisciplinar, desenvolvido num clube que se propõe a utilizar o esporte como base de uma equipe responsável por adotar este processo gerencial. Porém, acreditamos que se estas questões detectadas do passado pelos gestores estão sendo reveladas, acreditamos que as soluções esperadas estão se configurando, já que em nossa forma de analisar o contexto, toda vez que nasce um problema, surge uma solução. E para mostrar isso, encontramos na fala do presidente do C2 um exemplo de como uma meta pode ser construída a partir de um revés: C2 - ...Bom... O clube hoje... Como eu te falei, o esporte do clube, vem sendo... É... É... Esquecido ano a ano... Durante um período da, da história do C2... Então... As... Atividades e as competições realizadas dentro do C2... Foram poucas... Foram poucas. Isso me, me, me entristeceu muito, me fez, inclusive, a... A tirar forças pra querer... Mudar essa situação... Percebemos que tão importante quanto encarar os problemas de frente, é buscar sempre ver o lado positivo das situações que nos são oferecidas. Assim, o dirigente assume os problemas ocorridos no passado como meta para modificar esse quadro de abandono. Se em algumas ocasiões isso torna-se possível, em outras, podemos encontrar diferentes formas de reação diante das adversidades. O presidente do C6 nos relatou um caso em que isso se torna evidente: C6 - ...Então você vê, se você pegar os últimos presidentes, os que estão vivos... Eles nunca mais voltaram ao C6 depois que terminou a gestão dele. Por quê? Porque eles eram cobrados por coisas... Que não tinham como resolver. Tá? Tudo que se fazia, ou ainda que acontece, ou que se faz, você recebe críticas... C6 - ...Então hoje ainda existe essa linha... Alguns presidentes não... É, queriam fazer, queriam essa linha, mas não tiveram estrutura... Pra dar continuidade. Então desistiam no meio do caminho. Se você pegar você vai ver que... Os últimos presidentes renunciaram... É porque não suportaram... 118 A pressão de pessoas que em todo lugar tem... E, e... Principalmente quando a coisa começa a funcionar... Aparecem sempre aquelas pessoas querendo questionar... Entendeu? Quando não tá funcionando ninguém questiona. – Tá ruim mesmo, deixa pra lá. Agora, quando a coisa melhora, todo mundo questiona. Então a gente... Eu acho que esse foi o grande... A grande reviravolta que nós demos. Nós bancamos, muita coisa nós bancamos mesmo... Eu ia pra uma reunião de conselho, era cobrado. E eu falava, mostrava porque que eu fiz e falava: - Eu banquei. Se vocês quiserem colocar o presidente no meu lugar... A chave do clube tá aqui. Não tem problema nenhum. Mas vocês vão ver que isso foi o melhor pro clube. Então nós va, nós pegamos essa linha e de lá pra cá a coisa vem funcionando... A falta de estrutura organizacional ocasiona um desgaste comprovado na relação entre os clubes e a gestão praticada pelos seus dirigentes permitirem que as instalações da instituição se deteriorem com o passar do tempo e se veem desgastados com as várias cobranças feitas a eles durante o período de suas gestões, a ponto de não mais quererem voltar a frequentar o clube. Diante dos fatos já relatados neste estudo sobre processos administrativos na justiça contra expresidentes, podemos calcular quantas situações poderiam ser analisadas sobre a má utilização dos cargos diretivos para a realização de interesses pessoais. Percebemos, neste relato, boa capacidade de leitura do contexto histórico do gestor, mas entendemos que possam existir outras formas de resolução. Uma gestão tem de ser composta por uma equipe com as mesmas metas. Sobre a situação descrita pelo presidente do C6, encontramos em Da Silva (1990) uma colocação que retrata bem o fato, quando o mesmo ressalta a saida dos dirigentes (presidentes, vice-presidentes, diretores, etc) no final de seus mandatos, levando consigo toda a experiência administrativa adquirida no período que estiveram em atuação e que sem um processo de transição planejado, proporcionam aos seus substitutos começarem a galgar os mesmos passos que seus antecessores, com uma aprendizagem informal e assistemática na gestão esportiva, causando uma descontinuidade sobre tudo que foi trabalhado anteriormente, trazendo consequências negativas ao esporte competitivo dos clubes. Ao afirmar neste estudo sobre a tradição da sua entidade no futebol, o presidente transfere para o clube um sentimento pessoal relatado a seguir: C6 - ...A gente lembra do passado e... Época recente... Um momento é o futebol, sem dúvida nenhuma, é o futebol, onde que você... Percebe... Existe um maior entusiasmo... Nós tínhamos futebol nos anos sessenta... Nos anos setenta. Já o profissional não, não existia mais. Então a gente guarda alguma coisa, apesar de eu ser muito novo na época... 119 O presidente do C6 tem registrado na memória uma fase romântica acontecida há quatro décadas, quando ainda era jovem, de uma fase boa vivida na sua vida e talvez por isso faz uma projeção do seu desejo pela volta do futebol na sua gestão como meta principal, demonstrando que o emocional é a sua base de comando em vez de uma técnica administrativa específica. Somado à espera pela volta do futebol, o C6 ainda tem um problema que há anos vem se repetindo e que nos salta aos olhos para uma análise do caso: C6 - ... era uma arrecadação fictícia, durante dois, três meses. Então quando você chegava no inverno... Você não, já chegando em março e abril... Você já não, já não conseguia mais cumprir... Os seus... Compromissos... Podemos ver, analisado pelo próprio gestor, como o clube vem sofrendo com as questões financeiras ao contar que as receitas surgiam apenas na época do verão, confirmando a sazonalidade do clube causada pela ausência de fidelidade por parte dos sócios, já que os mesmos compareciam para a utilização principalmente das piscinas, enquanto no resto do ano não haviam mais opções de lazer para os associados. 4.3.2.5. Subcategoria – Visão pessoal Neste etapa do trabalho, buscamos conhecer o que pensa o gestor esportivo da cidade em relação à sua atuação na gestão, entre outros temas. No total, foram encontradas 20 frequências, distribuídas da seguinte maneira: C1 e C6 com quatro cada; C2 e C3 uma cada; C4 foram três e C5 com sete. 120 SUBCATEGORIA - Visão pessoal 4; 20% 4; 20% C1 1; 5% C2 C3 C4 1; 5% 7; 35% 3; 15% C5 C6 Gráfico 17: Subcategoria – Visão pessoal Fonte: Elaborado pelo autor com base nas informações obtidas - 2009 Ao iniciarmos esta análise, logo encontramos uma frequência que nos salta aos olhos. Em um determinado momento das entrevistas, alguns presidentes compararam as situações vividas em seus clubes com os co-irmãos, no que se refere ao momento financeiro, conforme podemos constatar a seguir: C1 - ...Mas dentro dessa situação, de todos os clubes de... Evidente que a gente conhece Juiz de Fora. Além disso, tá numa situação um pouco mais privilegiada... C4 - ...Esse é... É, é até difícil da gente falar, mas isso parece que é um problema crônico. Risos É difícil porque eu não estou te falando um problema do C4. Eu to te falando de uma maneira geral. C6 - ...É, a saúde financeira do clube sempre foi ruim. Muito ruim. Como é maioria dos clubes o Brasil... a C6 - ...E perante as outras entidades esportivas que tem na cidade... A gente acha que... Eu entregaria o clube numa situação de conforto... C6 - ...Eu acho que... A situação dos clubes... é complicada... Tenho certeza disso. Aí eu posso dizer pra você com certeza que o nosso clube... É... Ele está numa situação boa. Muito boa. Perante... Os nossos irmãos... Entre as frequências encontradas, os presidentes do C1 e do C6 consideram a situação de seus clubes melhores que as outras instituições clubísticas. No caso do C4, o mesmo fala de uma situação crítica generalizada a todas as entidades. Ainda com o dirigente do C6, detectamos também uma justificativa sugerindo um 121 certo conformismo em relação à crise financeira: “Como é a maioria dos clubes o Brasil...”. Desta forma, entendemos que o mesmo tenta passar que, se os outros clubes estão em crise, o meu também pode, provávelmente tirando de sí uma responsabilidade administrativa. Não concordamos com os presidentes no que se refere às declarações dadas, já que a comparação realizada está nivelando por baixo uma qualidade administrativa exercida nas instituições clubísticas atualmente, onde se tem como modelo clubes deficitários em termos esportivos e, consequentemente, financeiro para efeitos de comparação, demonstrando certo comodismo nas ações exercidas em suas atividades de gestão esportiva. Em algumas declarações encontramos alguns termos do tipo “eu acho”, “prá mim”, “a minha visão”, que dentro do discurso percebemos, nos entrevistados, um forte interesse em afirmar suas ideias pessoais, isentas da participação de outros membros da equipe diretiva, conforme podemos observar: C1 - ...Que é a questão da dificuldade do esporte e lazer em Juiz de Fora. Isso pra mim... Não tem nada mais importante que a situação do esporte que isso aí... C1 - ...Então eu acho que esse é a grande, o grande ganho de Juiz de Fora no momento... tem tudo... pra ser um caminho de sucesso. Que vamos também realizar o nosso projeto... C2 - ...Mas... A minha visão é o que eu te falei a você, eu vivi esporte. E eu quero... O esporte... Forte, C2 novamente. Pelo menos no âmbito estadual... Porque... No âmbito nacional a gente precisa do poder de, de ajudas, e de uma estrutura bem, bem, bem montada. Do contrário fica inviável... E quero... Que minhas filhas... Cresçam nesse, nesse ambiente... No caso do presidente do C1, o mesmo valoriza a prática esportiva e sua importância para a cidade. Neste caso, consideramos positiva esta opinião, pois passa a ideia de que a sua atuação como gestor deverá ser direcionada para este fim, divulgando e estimulando a prática esportiva para a comunidade. O referido gestor considera fundamental a criação da secretaria de esportes na cidade, e vislumbra consequências favoráveis para o seu clube, como declarou anteriormente o apoio que o secretário de esportes vem dando nas visitas realizadas à instituição. O dirigente do C2 considera que o seu objetivo pessoal de resgate do esporte no clube é tão importante para ele, que direciona isso como proposta educativa para as próprias filhas. Nota-se, também, uma herança da sua carreira esportiva, quando 122 o mesmo destaca o nível administrativo elevado da época em que competia, e da estrurura que pretende montar na sua gestão tomando este fato como referência. Conseguimos detectar frases onde os presidentes projetam os clubes num futuro próximo, conforme estas declarações: C5 - ...Realmente... Todos os clubes... Em geral, precisam passar por uma transformação. Uma transformação onde a gestão seja realmente profissional. É muito importante que em cada departamento, seja social, esportivo... Vamos falar do C5. Você tem um gerente formado em, em, em futebol. Alguém que conheça desde a base, desde a formação do atleta, até a colocação desse atleta, que seria o produto do clube, no mercado. A... E a parte social, aquele que se interesse pela manutenção física, promoções de eventos, competições... De outros esportes amadores... Né? Que, que, que não tenham aspecto, é, profissional, natação, futsal, voleibol... A... Você precisa ter então dentro de, de um clube, esse perfil de profissional... C5 - ...Isso é importante também para os outros clubes. Porque as histórias, as estatísticas mostram aí que os clubes estão em total estado de penúria... C6 - ...Eu tenho um ponto de vista... Eu... Eu penso que... Se os clubes de Juiz de Fora, eu não falo nem sozinho, quem fala é o presidente que tá aí o dia inteiro... Não mudarem... É, a forma de atuar, a forma de gerir... A tendência dos clubes é acabar... Temos, numa mesma fala do presidente do C5, alguns pontos de vista que devem ser considerados. Em primeiro lugar, uma opinião de quem está concatenado com os problemas da gestão esportiva existente nos clubes da cidade. Para ele, todos necessitam passar por um processo de transformação para que possam profissionalizar suas atuações no esporte, e cita exemplos de fracassos na história de alguns clubes, que hoje já não existem. Sobre esse processo de mudança citada pelo gestor, sua opinião é compartilhada pelo lider do C6. Entretanto, detectamos também uma opinião com a qual não concordamos, já que na visão do referido dirigente do C5, os departamentos de modalidades amadoras da sua instituição não necessitam ter profissionais da gestão esportiva por lidarem com modalidades amadoras. Em relação ao desaparecimento de alguns clubes, Nery e Capinussú (2008) já haviam relatado este fato no estudo realizado sobre a realidade esportiva da cidade, no que concerne às estruturas físicas e recursos humanos. Segundo os autores, entre o período que vai do início da pesquisa até a apresentação da mesma, dois clubes fecharam e um havia ido a leilão duas vezes, não sendo vendido até a presente data. 123 A projeção para o futuro também foi comentada pelos entrevistados, e as afirmações que foram feitas são embasadas mais pelo lado emocional, conforme podemos ver agora: C3 - ...Ah, o clube, graças a Deus, não deve nada. Entendeu? De todos os, os... Todo o que tem pra ser pago já foi pago. Entendeu? Então eu vou passar, já, a minha gestão termina em trinta e um de março... Vamos deixar até com saldo de caixa bem... É... Mais do que eu recebi. E sem nenhuma dívida... C4 - ...Quando você já tá fazendo parte desse, desse clube, e já como gestor na presidência do clube... Você quer colocar em prática aquelas coisas que você sonhou... Né? Por que... Eu não cheguei nem a comentar, mas em momento nenhum da minha vida eu sonhei ser presidente do clube. Isso foi uma coisa que aconteceu naturalmente. A partir do momento que ela aconteceu, naturalmente... Eu tenho que desenvolver... E começo a sonhar com algumas coisas que eu queria também trazer pro meu clube. Pro clube que eu gosto... E, e a gente começa a ver as dificuldades que normalmente começam a aparecer. A gente... Imagina muita coisa... C5 - ...eu sei que o C5 é um clube popular. Não é um clube de povão, mas é um clube popular. Onde você não pode cobrar muito caro para manutenção... E... No clube, realmente, não houve um programa, um projeto de, de consolidação, ou de manutenção desse sócio. É um trabalho de longo prazo... C5 - ...E o tempo também, que é, que é escasso. Mas a gente lamenta mais é não ter... Né? Condições de... De contratar um bom profissional que poderia desenvolver muito mais... É... Áreas, né? De... De, esportiva e social. De uma forma que... Pudéssemos sempre ter uma esperança de um algo melhor. Nós não temos isso. Infelizmente a realidade... É triste. Mas é a realidade... C5 - ...Clube é exatamente de uma, de uma determinada comunidade. Você tem... O próprio C6, o próprio C4, voltaram apenas para o seu aspecto social... Mas sem qualquer envolvimento com a sociedade. São pequenos espaços, puro de lazer, nada mais. Então... É o que tem... É o que temos. Eu acho que o clube tem que dá algo mais... Percebemos a sensação de alívio do presidente do C3, que, apesar de todo o processo conturbado relatado por ele até agora, consegue entregar o clube com um saldo de caixa melhor do que ao entrar, considerando que sua missão foi cumprida com êxito. Entretanto, não especificou nenhum projeto em andamento deixado por ele para seu substituto, o que nos leva a crer não existirem metas nem planejamentos a médio e longo prazo, fato considerado por nós como sem perspectivas esportivas num futuro próximo para o referido clube, já discutidos neste estudo. Fazendo uma análise do seu processo administrativo, o lider do C4 afirma 124 nunca ter tido expectativas em relação à ocupação do seu cargo, o que nos leva a entender que sua entrada na gestão se deu de uma forma situacional, sem participar de processos transitórios característicos dessa função, que geralmente acontece em planejamentos a longo prazo, que numa gestão profissionalizada, são determinados com muitos anos de antecedência. Olhando pelo lado positivo, podemos interpretar também que o mesmo pretende deixar o clube com o seu perfil de comando e ação. Além disso, o referido presidente ao ocupar sua posição de liderança, se diz num processo inicial de “começar a sonhar” com as coisas que ele gostaria que acontecessem sob seu comando. Ao nosso ver, durante bom período de tempo o clube continuará a oferecer as mesmas atividades esportivas existentes até que os sonhos se completem e em seguida sejam colocados em prática. Levando-se em consideração o momento do esporte na cidade, não nos parece uma projeção com expectativas por parte de um dos principais clubes da região. Temos uma análise positiva sobre uma realidade negativa feita pelo dirigente do C5, quando faz uma leitura interessante sobre o status do associado que frequenta a entidade na qual ele exerce o comando diretivo, demonstrando ter conhecimento mercadológico no que se refere ao seu consumidor. Ele opina também em relação aos outros dois clubes de maior projeção da cidade, afirmando que os mesmos estão voltados para o social, propondo uma reflexão por parte de todos. Entretanto, ao afirmar faltar tempo de dedicação das pessoas envolvidas no processo, novamente nos deparamos com uma realidade já verificada neste trabalho: de que todos os gestores possuem suas atividades primárias, levando a segundo plano as atividades administrativas da instituição esportiva. Somados a isto, lamenta a falta de verba disponível para a contratação de um profissional com as qualidades necessárias para assumir e realizar uma gestão do esporte, condizente com a condição de clube que possui a marca mais conhecida da cidade no segmento em questão. Afirma também não ter nenhuma expectativa sobre as resoluções dessa realidade. Mas ao fazer uma leitura positiva de uma realidade negativa, o gestor do C5 já começa a propor formas de solucionar alguns problemas: C5 - ...Com essa marca C5. Os jovens gostam do C5, os pais incentivam pra ele participar lá... 125 C5 - ...É você fazer um trabalho... De... Ingresso, né? De um quadro social novo. E eu penso que a nossa situação do C5 é de seiscentos, oitocentos sócios, ele pode se manter tranquilamente, com o espaço que possivelmente vai sobrar... Para o desenvolvimento desse espaço de lazer e social... Esta constatação pessoal que ele tem da marca C5 é positiva, pois demonstra noção do potencial a ser utilizado para oferecer qualidade aos associados, ao calcular o número de associados para frequentar a vida social do clube, bem como desenvolver atividades específicas para a manutenção dos mesmos. Ainda com relação ao futuro, conseguimos detectar também uma sensação de motivação por estar no cargo, conforme vemos a seguir: C1 - ...Tudo na minha vida eu consegui através do relacionamento com o esporte... C4 - ...É mais a satisfação... De poder tá hoje... Né? Dirigindo o clube. Como eu te contei, não era um sonho... Mas a partir do momento que tá acontecendo agora, é... Eu quero realizar esse sonho, e as coisas que eu tenho, que eu quero fazer pro clube... O dirigente do C1 demonstra estar agradecido ao esporte por tudo que lhe foi proporcionado em sua vida. Por se tratar de uma relação afetiva positiva, supomos que vá querer sempre desenvolver um bom trabalho para que continue lhe abrindo portas. A julgar pelo prazer do gestor do C4, o mesmo nos passa motivação e muita determinação para tentar levar o setor esportivo do clube e da cidade a um outro patamar. 4.3.3. Categoria 3 – Conceito e Objetivo de Planejamento Estratégico Destacamos 21 frequências encontradas nesta categoria. Apesar de não ser objeto de pesquisa do presente estudo, torna-se necessária a discussão, já que consideramos importante a interpretação dos gestores para o tema abordado. No total, o C3 participou com uma frequência; o C4 com sete; o C5 com nove e o C6 com 4. Os presidentes do C1 e do C2 não participaram. 126 CATEGORIA 3 - Conceito e Objetivo de Planejamento Estratégico 0; 0% 0; 0% 4; 19% 1; 5% C1 7; 33% C2 C3 C4 C5 9; 43% C6 Gráfico 18: Categoria 3 – Conceito e objetivo do planejamento estratégico Fonte: Elaborado pelo autor com base nas informações obtidas - 2009 Antes de começarmos esta categoria, consideramos importante definir planejamento estratégico para melhor compreensão do contexto. Segundo Peter Drucker (1998, p.136) ...planejamento estratégico é o processo contínuo de, sistematicamente e com maior conhecimento possível do futuro contido, tomar decisões atuais que envolvam riscos, organizar sistematicamente as atividades necessárias à execução dessas decisões, e através de uma retro-alimentação e sistemática, medir o resultado dessas decisões em confornto com as expectativas alimentadas. Ao analisarmos a definição de Drucker (1998), podemos relacioná-la com as afirmações de Silveira e Fernandes (2008) de que os clubes deveriam buscar formas de sustentação para desenvolverem um projeto amplo dedicando elevada atenção administrativa da formação até a especialização de atletas. Inicialmente destacamos as partes das entrevistas nas quais os dirigentes fazem questão de dizer que não existem planejamentos elaborados sob seus comandos, conforme podemos ver a seguir: C3 - ...Não. Não existe não. Isso aí é... A gente tenta... Não existe nada, não existe uma programação... Assim, vamos fazer... Isso. Vamos fazer aquilo. Entendeu? Igual... As coisas vão acontecendo. Se tem dinheiro você faz. Se não tem... Você vai deixando. Então vai ficar pra essa gestão que vai entrar nem se... Não teve candidato. Mas, vai aparecer, né? Quer dizer, o próprio presidente do conselho é obrigado a pegar se não tiver... Então esses vão... Aí vamos ver o que vai acontecer. As coisas vão acontecendo. Entendeu?... 127 C4 - ...A... A natação do, do clube... Ela ficou... É, um certo período... Parada. Apesar de ser muito tradicional na cidade... Ela, a natação hoje, ela, eu não, eu não posso te falar, porque nós temos alguma coisa nem a curto nem a médio prazo... C4 - ...Só que a nível de competição, a nível de competição nacional, hoje o clube não tem nada, ainda. Pode ser que... Agora, montando uma nova equipe... Na minha gestão... Que a gente consiga fazer alguma coisa. Mas não tem nada ainda que eu possa te falar: - Ah não, mas tamos tentando alguma coisa... C5 - ...O clube, hoje... Ao analisarmos o C5, é uma empresa totalmente inviável... Ela não tem como dar um passo, não tem como planejar e projetar absolutamente nada. Exatamente porque é carente, né? De, de receita. De, de, de recursos... E não há possibilidade é, imediata, né? De prazo... Pra poder reverter esse quadro... A, foi o que nós constatamos... C6 - ... Eu posso dizer pra você que de imediato não... Em dois mil e nove, é, não existe nenhum projeto... É, mais audacioso... Que seria um projeto só de se tentar... É, aumentar o leque de escolinhas e de alunos... No caso do C3, seu gestor afirma não existirem planejamentos em nenhum setor. Sugere mais, ao dizer que “As coisas vão acontecendo. Se tem dinheiro você faz. Se não tem... Você vai deixando”, referindo-se à transferência das dívidas para os próximos dirigentes que o substituírem no cargo. Aliás, segundo ele, os problemas são tão complexos que não existiam até a presente data candidatos à sucessão eleitoral na entidade, tamanho era o desgaste causado em função da desorganização existente. Ao constatar não haver candidatos para a disputa da presidência, encontramos aí uma prova da falta de planejamentos que pudessem envolver o clube nas atividades esportivas e de lazer para os associados, bem como na realização de eventos. Esta é uma realidade existente e a se prever uma mudança neste contexto, entendemos ser necessário um longo período de tempo para que se realizem as trasformações necessárias até que se atinja um nível de excelência no atendimento à comunidade. O presidente do C4 confirma sua tendência de entregar o clube como encontrou, conforme já apresentado neste estudo, ao dizer que não há proposta para desenvolver as modalidades nem em nível municipal nem nacional. Isto sugere também a falta de perspectivas no esporte competitivo do clube, indo ao encontro do C3 que também se encontra neste patamar. Vale ressaltar que em nenhum momento os dirigentes em questão expuseram para o pesquisador aprofundamento teórico sobre o tema, o que podemos prever 128 que nada tem sido realizado pela inexistência de conhecimento das técnicas utilizadas para oferecer qualidade nos serviços prestados aos associados, logo, segundo Silveira e Fernandes (2008), não possuem qualidades exigidas como pilares de sustentação da gestão esportiva, como conhecimento aprofundado em marketing esportivo, a comunicação, a oratória e redação, hablidades estas consideradas básicas de um dirigente. Neste sentido, o gestor do C5 pelo menos demonstra estar ciente das questões mercadológicas ao analisar as inviabilidades de qualquer tipo de ação que poderia ser feita sob sua gestão. Ele alega carência de recursos financeiros para realizar qualquer investimento em curto ou médio prazo, e pelo que já deixou claro anteriormente, apenas uma estratégia radical como a venda de parte do patrimônio seria a única forma de solucionar os problemas. Por outro lado, o C6 assume a falta de planejamentos ao afirmar não existir nenhum projeto para curto prazo. O mesmo enfatiza apenas a intenção de aumentar o leque de escolinhas, numa clara intenção de utilizar a iniciação esportiva para movimentar as atividades da entidade. Segundo Gullaci (2005), as organizações estão inseridas em ambientes complexos, onde o planejamento estratégico bem elaborado atua para a possibilidade de se prever prováveis acontecimentos futuros minimizando turbulências ambientais, e desta forma, evitando que os objetivos elaborados não venham a fracassar com o tempo. Importante destacar a necessidade de diagnosticar o ambiente externo realizando um mapeamento das variáveis causadoras de grandes impactos na comunidade como a economia, as questões sociais, demográficas, políticas, a tecnologia, ambientais, entre outras. Desta forma, constatamos que alguns clubes da cidade estão distantes da realização deste processo, e somente novos estudos poderão nos auxiliar de como estas atuações dos dirigentes hoje poderão ser quantificadas em relação às suas consequencias no futuro.esportivo da região. Um exemplo disso é a afirmação de Silveira e Fernandes (2008) sobre a gestão adotada nos clubes do Rio Grande do Sul, mesmo com suas características específicas de uma associação sem fins lucrativos, devem ser encarados como uma empresa, onde a administração adotada provoca impactos à entidade como um negócio qualquer, tanto positiva quanto negativamente. Outra situação em que não encontramos indícios de atuação sobre planejamento estratégico são as declarações dadas pelo gestor do C4 sobre a 129 transferência do cargo presidencial. Ao ser questionado sobre tal, o mesmo se situa da seguinte forma: C4 - ...Uma das grandes coisas que eu vou, eu vou ter que... Ter a frente do clube... É tentar manter o que pelo menos o que me foi entregue. Porque é... É... Do jeito que o clube estava... E do jeito que o clube está hoje... C4 - ...O resgate que foi feito não só de associados, do patrimônio do clube, que foi feito tudo de uma maneira... Que se você chegar ao clube hoje, ele está pintado, tem algumas coisas que a gente precisava, que precisa fazer... Mas o que estava, e o que o clube está hoje, que eu estou recebendo, eu acho que a grande coisa que eu tenho que fazer vai ser manter... Se eu consegui manter as coisas... Não deixar que o clube caia num retrocesso, que a gente sabe que pode haver adversidades, adversidades... Eu já vou me dar muito por satisfeito... Esta declaração nos leva a acreditar na existência de conformismo já no início de sua gestão quando o mesmo afirmou que desejaria entregar o clube da mesma forma como lhe foi entregue. Poderíamos fazer uma analogia do atual contexto como “trocar seis por meia dúzia”. Isto significa entregar uma gestão ao sucessor sem nenhuma realização que pudesse se destacar no contexto esportivo e de lazer, que pudesse trazer benefícios para a cidade e região, oferecendo oportunidades para as crianças e jovens, aumentando o nível de empregabilidade, entre tantas outras vantagens. Sobre empregabilidade, Boscolo, Garcia e Rondini (2006) destacam em um estudo sobre a Confederação Brasileira de Clubes (CBC) o recente reconhecimento do setor clubístico como importante ferramenta no que se refere à economia para a sociedade. Os autores encontraram uma estimativa neste estudo que um terço da população brasileira esteja vinculada a algum clube, o que nos mostra a importância deste segmento na geração de empregos diretos e indiretos. Portanto, entendemos que não haverá mudanças, justificado pelo fato que o dirigente do C4 considera positivo não buscar a realização de projetos ousados, preferindo atuar administrativamente na defensiva. Quando falamos em manter o quadro atual, o próprio presidente do C4 nos coloca o momento do seu clube, como podemos observar a seguir: C4 - ...O clube... É... Por ser amador... Ele não oferece essa estrutura pra gente continuar um trabalho depois na categoria adulta. A gente chega até os dezessete anos com os meninos e tal, e depois fica... Você fica, você sente dificuldade, porque... A... O adolescente, ele também precisa definir na vida 130 dele o que ele quer... Como que ele vai continuar? Fazendo um esporte, né? Que é uma coisa que ele gosta... E o clube não tem... Infelizmente, não tem condições de oferecer a ele um salário mensal que ele possa também... Custear as suas despesas... Então fica naquela, os jogadores hoje, eles chegam até os dezessete, dezoito anos aí, automaticamente, ou ele, ele alça pra um outro clube, ou ele procura uma outra coisa, ou infelizmente ele encerra a carreira dele ali. Infelizmente... C4 - ...O futebol de salão, que é o futsal... Que a gente disputa a nível já, estadual, há muito tempo... Alguns atletas foram inclusive revelados... Felizmente... Nós tivemos até alguns atletas nossos aqui como o caso do Léo Aleixo, já tá na Bélgica, jogando... E, e, e entre outras, entre outros meninos também que cresceram aqui... Estamos diante de um exemplo que representa diversos casos iguais a essa situação em Juiz de Fora. Notícias como essa são vistas frequentemente na mídia em geral da cidade, fato este já relatado em nossa pesquisa. O próprio dirigente relata duas situações demonstrando a fragilidade esportiva de uma cidade com aproximadamente 500.000 habitantes, uma das maiores do estado de Minas Gerais: primeiro, ele narra o caminho percorrido em todo o processo que vai desde as categorias de base, constituídas por crianças esperançosas em ter uma oportunidade de seguir os passos dos ídolos. Em seguida, a dura realidade quando é constatada a impossibilidade de continuação dessa jornada esportiva pela ausência de ofertas competitivas nas categorias adultas: ou as crianças e jovens se separam da família e saem para outras cidades em busca de seus objetivos ou param de praticar sua modalidade preferida pela falta de continuidade. Isto pode ser considerado uma consequência negativa da falta de estrutura organizacional e planejamentos em longo prazo, que deveriam ser realizados pelos clubes, evitando a saída dos principais atletas da cidade em busca de melhores oportunidades. No outro exemplo, ele inclusive cita nomes de atletas que praticavam o esporte competitivo no clube e se viram forçados a sair da cidade. Sobre esta questão, nos voltamos para o estudo de Gullaci (2005) quando ele afirma que [...] Não se pode evitar a complexidade nem a turbulência ambiental, devemos entendê-la e com o planejamento estratégico podemos avançar no incerto e no aleatório, buscando alternativas para que o esporte nacional cumpra seu papel junto à sociedade. (p. 99) 131 Outro exemplo prático de consequência negativa foi relatada pelo gestor do C5: a necessidade de ter que se desfazer do patrimônio para pagar dívidas construídas ao longo dos anos, conforme segue: C5 - ...Vimos nisso uma forma de pegar a parte ociosa do patrimônio do clube, vender, trazer os recursos pra pagar essa dívida... Da mesma forma que já foi relatado neste estudo sobre o fechamento de clubes, temos também situações que se estendem ao longo dos anos, mas que recentemente chegaram a um patamar irreversível no caso do C5, e para se contornar esse problema antes que o estado faça “...um leilão vai transformar em dinheiro, e pagar o que o clube deve. Então o C5 corre risco de perder o seu patrimônio...”. Podemos observar que a falta de compromisso por parte dos dirigentes causa, muitas vezes, danos irreparáveis como esses, sem contar com a possibilidade de empregos que poderiam estar sendo oferecidos. Tal omissão prejudica profissionais que poderiam estar atuando no mercado de trabalho. Além dos fatores negativos, evidenciamos também momentos em que os gestores colocam seus planos para recuperarem os associados, numa tentativa de aumentar as rendas advindas do pagamento das mensalidades, conforme podemos observar: C4 - ...E foi criada uma modalidade de sócio individual. Que existe aquela pessoa que, que não tá morando em Juiz de Fora, ou ele não tem ninguém... Então você não pode penalizar a pessoa pra ele, ele ser cobrada uma taxa que você cobra pra uma família. Então foi criado também o sócio individual... C5 - ...Então esse nosso objetivo é que não temos realmente receita. recisam ampliar. É... Motivação pra que o sócio retorne ao clube e não veja... Não vejo outra forma, se não revitalizar o clube. Você ter um novo espaço físico. Mais adequado, mais limpo. Um ambiente melhor para que o sócio possa estar lá e contribuir. De maneira satisfatória com a sua contribuição... C6 - ...Nós criamos uma... Uma situação... Que era constante, que era constante no clube... Do sócio pagar só no verão. Durante três meses... No máximo quatro meses... E depois ele abandonava o clube, voltava no ano seguinte, havia uma anistia. E ele voltava do zero. E o clube não via o dinheiro dele naquele tempo de inverno. Então neste ano e no ano passado, nós já criamos uma estratégia. Nós não fazemos mais anistia. A não ser pra aquele sócio que nunca tenha feito uma anistia. E nos arquivos constam quem fez anistia... C6 - ...Ele teve um débito parcelado... No máximo em quatro meses, que seria o tempo do verão. Ou seja, se a pessoa procurou o clube em dezembro. Parcelamos o débito dele em quatro meses. Dezembro, janeiro, fevereiro e março. Se ele vem em janeiro, nós já parcelamos em três meses: 132 janeiro, fevereiro e março. Se ele vem em fevereiro, dois meses. Se ele vier em março, ele tem que pagar à vista. Ou então nós esperamos até junho... Que é o projeto nosso, a nossa, a nossa projeção... Em junho, nós convidamos a ele que venha de volta ao clube. Aí sim, nós fazemos uma anistia, fazendo um parcelamento maior pra ele. Que ele vai estar no inverno... E se ele quiser realmente voltar a ser sócio do clube... Ele não vai se preocupar se tá no inverno ou no verão... Então no inverno nós vamos fazer um parcelamento maior. Já é uma estratégia já... É... Passada pelo conselho e eles já aprovaram... Pelo discurso do presidente do C4, percebemos uma tentativa na busca direta de mais associados (o mesmo exemplificou o sócio individual) como forma de obter recursos. Já o lider do C5 não buscou diretamente o associado, mas estratégias para conquistar e motivar o mesmo a frequentar o clube, através da revitalização das instalações esportivas. No caso do C6, seu gestor busca conquistar sócios inadimplentes através de negociações das dívidas existentes. Em nenhum momento os mesmos relatam haver a elaboração de um planejamento, e nos três casos, o que nos salta aos olhos é mais uma ação isolada dos clubes propriamente falando. No último caso, percebemos nitidamente uma característica sazonal, já que o gestor afirma que os associados só frequentam o clube no verão. Isto significa que apenas as piscinas são utilizadas como atrativos, não restando outras opções de atividades para motivar os associados a frequentarem a entidade com assiduidade e fidelidade. Além das tentativas promocionais de buscar antigos e novos associados, existe também uma preocupação com o aumento do quadro social buscando modernizar as instalações e buscando modernizá-las através de revitalizações dos espaços para a prática esportiva, conforme podemos ver a seguir: C5 - ...Nós, nós, nós tínhamos três etapas a serem vencidas lá no C5. A primeira a consolidar, o carro chefe dele, que é o futebol. A segunda é a revitalização da sede social com, com, com a criação e a construção de, de, de, de... Novas etapas e novas formas de lazer. Que seria a própria academia de ginástica... A... talvez um squash. A quadra de areia. Algumas opções novas... A... Para tentar atrair o sócio a permanecer lá no C5 e outros, né? Ingressarem como sócios. E a terceira etapa seria... É... Enquadrar, o, o, o, o, o C5 dentro de um fator de integração social, ou seja, agregar... Alguma forma... De, de prestar um serviço... À sociedade. Que é uma das funções, né? É uma função social... De qualquer pessoa jurídica. Ela tem que ver o lado social... C5 - ...E já... Num primeiro momento... revitalizar a sede social naquilo que for possível... E, e, e... Também o centro de treinamento do, do, do departamento de futebol. Com isso a gente entende que vai ter uma gestão... Ativa, duradoura... A, e, eu digo, duradoura, com resultado. Com a execução do que a gente pretende. A... São três anos de, de administração... A gente preparando o C5... Encerrando com um novo estatuto, adequado ao clube e 133 as... E a nova legislação... Entendemos que o C5 poderá ter no futuro, outros dirigentes que, que poderão não só desenvolver o que, o que foi iniciado, mas também, é... Conseguir... É, manter o clube em atividade, com recursos suficientes a... A manter as suas... As suas despesas. A esse o objetivo principal... Que é pagar a dívida... C5 - ...Num, num segundo momento, é a revitalização da sede... Investimento no departamento de futebol, com, com a construção de um centro de treinamento, com três campos, e a revitalização do Estádio ... C5 - ...Então esse nosso objetivo é que não temos realmente receita. Precisam ampliar. É... Motivação pra que o sócio retorne ao clube e não veja... Não vejo outra forma, se não revitalizar o clube. Você ter um novo espaço físico. Mais adequado, mais limpo. Um ambiente melhor para que o sócio possa estar lá e contribuir. De maneira satisfatória com a sua contribuição... C6 - ...A prioridade nossa é fazer essa quadra poliesportiva de grama sintética... É... Aumentar o nosso número de parcerias... Entendeu? E daí tirar recursos pra você procurar pelo menos manter o clube em atividade... Durante as entrevistas realizadas com dois presidentes (C5 e C6), eles se disseram incapazes de projetar um futuro próspero para seus clubes. Porém, vemos que, com o passar do tempo, eles nos apresentaram propostas para serem implantadas e que possam oferecer um retorno financeiro bem como esportivo aos associados. Este fato nos mostra a dificuldade de entendimento por parte deles sobre a elaboração e aplicação de um planejamento estruturado para ser realizado em longo prazo. No caso do gestor do C5, além de observar que seus objetivos são plenamente coerentes com a realidade atual do mercado, ele ainda escalona as etapas, demostrando ter organização ao expôr suas metas e conhecimento em atacar exatamente as principais necessidades existentes na entidade. A proposta de revitalização da sede funciona como um atrativo oferecido ao associado, que ao se deparar com instalações de qualidade, sentirá um interesse de valorização do clube ao seu público, respeitando acima de tudo o cidadão. Quando o mesmo relata o interesse em oferecer atividades esportivas aos deficientes, nos mostra estar afinado com os tempos modernos e preocupado com a inclusão social, considerando a mesma uma obrigação por parte de toda pessoa jurídica, e neste caso, seu clube (C5). Ao destacar a consolidação de futebol como carro chefe das modalidades esportivas, o gestor ressalta a valorização de seus profissionais com a reestruturação do departamento e a preocupação com o investimento no estádio, adequando-o às novas formas de oferta de lazer para o público. Em nossa opinião, ações positivas na realização em um período de gestão. 134 Mais uma vez nos remetemos ao estudo de Gullaci (2005) quando este enfatiza ser primordial respeitar a proposta da educação física, maximizando os resultados empresariais, ou então haverá uma transgreção por parte da sociedade no que se refere aos aspectos morais e filosóficos do esporte e da gestão, não obtendo resultados oferecidos pela indústria do esporte. Para o dirigente do C6, as metas são menos audaciosas, porém não menos importantes. O mesmo projeta a construção de uma quadra de grama sintética prevendo um retorno financeiro com aluguéis e aulas de iniciação esportiva. Ao afirmar que este projeto é importante, somos da opinião de que seja melhor fazer uma pequena obra do que não realizar nada para o clube. Entretanto, uma entidade que já oferece espaços para a prática esportiva e de lazer, poderia concentrar seus esforços no escalonamento de utilização das instalações, investindo em recursos humanos na contratação de profissionais especializados em suas áreas de atuação, promovendo para o associado e a comunidade novas opções na iniciação e no esporte de rendimento. Notamos nas frequências encontradas, ao mesmo tempo em que os dirigentes projetam seus objetivos, os mesmos os remetem também em relação aos resultados esperados. Acreditamos que, se forem sempre comparados os resultados esperados em relação aos alcançados, haverá sempre a possibilidade de um ajustamento constante nas ações, primando pela construção de novos tempos no segmento esportivo na cidade de Juiz de Fora. Para finalizar esta subcategoria (o que não significa esgotar o tema), mostramos, ainda, mais algumas metas do C5 apresentado pelo seu presidente, apontando algumas necessidades a serem ajustadas mas que podem levar o clube a uma valorização aos olhos da comunidade local e, como ele bem enfatiza, sobre a marca C5, da região toda que abrange Juiz de Fora, conforme podemos verificar a seguir: C5 - ...Hoje todo mundo sabe que o clube necessita, não só da presença do, do... Do seu quadro social, pagando, mas também de, de, de patrocinadores, de incentivos fiscais. Existem é... Legislações que, que o clube pode se, se habilitar... A ter algum benefício, alguma receita... C5 - ...Enfim, a gente pretende com isso... Criar um novo estatuto, criar uma nova forma de gestão. É, criar uma nova forma de, de, de fiscalização, de prestação de contas, daqueles dirigentes que poderão levar o C5 mais noventa e seis anos. Enfim, a gente... Espera com isso... Estar sendo decidido... A... A vontade, embora com tempo escasso, de todos os membros do, do grupo... 135 C5 - ...Então a, a gente quer chegar, pelo menos em curto prazo, pra consolidar Juiz de Fora, através do C5, como um pólo realmente esportivo da Zona da Mata. Se a gente analisar que o C5, em qualquer lugar que você chegar, da Zona da Mata, é o único representante... Percebemos que as necessidades do clube são muitas, mas seu gestor enumera as mesmas, demonstrando estar ciente sobre cada uma delas. Ele cita algumas das possíveis formas de retorno financeiro, afirma o interesse de renovação do estatuto, o que possibilitará mais liberdade de ação administrativa, e finalmente ocupar posição de destaque em uma das mais importantes regiões do estado, o que torna ponto fundamental para os empresários quando o assunto é agregar parcerias para possibilitar esse desenvolvimento qualitativo da instituição clubística. Sobre isto, lembramos Melo Neto (2000, p.92) afirmando que a “tríade – esporte como produto, investimento das empresas e apoio da mídia” só será realizado havendo uma atividade encarada como um bom produto de venda. 4.3.3.1 Subcategoria – Instalações esportivas Esta subcategoria foi criada a partir da necessidade de se saber o que os dirigentes esportivos desta pesquisa pensam sobre suas gestões no que se refere às instalações esportivas existentes em suas entidades. SUBCATEGORIA - Instalações esportivas 0; 0% 2; 12% 1; 6% 1; 6% 8; 47% C1 C2 C3 C4 C5 5; 29% Gráfico 19: Subcategoria – Instalações esportivas Fonte: Elaborado pelo autor com base nas informações obtidas - 2009 C6 136 Nesta fase do trabalho, encontramos dezessete frequências distribuídas da seguinte maneira entre os clubes: C1 com duas; C3 e C4 com uma cada; C5 com 5, finalizando o C6 com oito participações. O C2 não participou desta subcategoria. Em primeiro lugar, verificamos algumas declarações de cunho negativo sobre a má conservação dos espaços físicos, conforme podemos observar: C3 - ...Então você não consegue, com a mensalidade... É... Fazer um caixa pra você poder... Ampliar ou... Ou até manter o clube. Nosso ginásio tá precisando de reforma e não consegue patrocínio... C5 - ...As instalações estão ultrapassadas... a, a frequencia de, de sócios... Quase inteiramente nula. O ambiente... Do próprio, da, da própria parte social... Do clube, ruim. Né? Ninguém quer freqüentar um ambiente ruim, um ambiente hostil.... C5 - ...Mas as instalações, eu diria, é... Estado... É ruim. O estado do campo, de uma série de coisas... Vai mais da vontade... E... Da dedicação dos professores que alugam o espaço e utilizam o nome do C5... Em troca de uma remuneração, de um, de um pagamento... E lá eles conseguem ter lá em torno de duzentos, duzentos e cinqüenta alunos hoje.... C6 - ...Eu posso citar, por exemplo, o ginásio poliesportivo... Que quando nós pegamos o clube, o ginásio tava abandonado... E nós tiramos dezoito caminhões de entulho de dentro do ginásio... Entendeu? Então tivemos garotos que foram, é... Em desobediência ao fechamento do ginásio, foram jogar bola descalço, e vinham com, com prego na sola do pé... E criando um problema até nós... Fecharmos todo o ginásio... C6 - ...A nossa quadra hoje é quase que ociosa... A quadra, um ginásio muito bom... E a gente percebe que há houve um esvaziamento dessa... Dessa... Atividade esportiva em Juiz de Fora... A situação de abandono das instalações esportivas é reflexo da gestão esportiva feita na cidade nos últimos anos. Podemos verificar na declaração, que o gestor do C3 busca a solução para a reforma de seu ginásio através de patrocinadores. O mesmo não nos informa o que foi oferecido em troca desse patrocínio, porém, nos parece bastante prático culpar a ausência de recursos vindos das parcerias, justificando a falta de atitudes por parte de uma diretoria, já que a mesma deveria se programar com antecedência para a realização de reformas ou ampliações como ele deseja. Vale ressaltar que ele já manifestou a sua saída do clube por estar no final de sua gestão, e por isso mesmo, houve tempo suficiente para preparar um planejamento que viesse valorizar o patrimônio do clube durante a sua gestão. No início de sua fala, ele aponta para a baixa renda mensal advinda das mensalidades como causa principal da impossibilidade de realização do projeto. Isto 137 nos leva a crer na sazonalidade do clube, quando existe um aumento da frequência de associados somente no período do calor, fato este que ao longo do nosso estudo vem se tornando uma constante. Na sequência, temos o próprio presidente do C5 declarando o baixo nível do ambiente da instituição. Ressalta as instalações ultrapassadas e a quase completa ausência dos sócios, onde o próprio dirigente não recomenda ninguém a frequentar o clube, pois confessa preocupação com o clima hostil. Ele valoriza o esforço dos professores atuantes na entidade, que contam com uma faixa de 250 alunos na escolinha46. Ainda com relação ao referido clube, o dirigente constata o seguinte: C5 - ...Então é um clube específico. Especificamente de lazer. Então você tem hoje timidamente, que o clube oferece hoje, seria uma sauna... Uma boa sauna... Mas muito... Muito... Ela não tem uma FREQUÊNCIA muito grande, então ela gera mais despesa do que... Do que... Do que receita... E... E a piscina. Fora isso o clube hoje, o C5 não tem mais nada a oferecer ao seu sócio. A confirmação de que a má gestão das instalações esportivas gera despesas excessivas é novamente verificada aqui. Além disso, o próprio gestor afirma a falta de oferta tanto na parte esportiva quanto na de lazer, gerando falta de recursos para o clube. Mesmo problema de abandono prejudicando as instalaçães esportivas é o exemplo dado pelo gestor do C6, quando relata a utilização de dezoito caminhões retirando entulhos apenas do ginásio poliesportivo. Ele ainda salienta uma ocorrência com crianças que se feriram quando brincavam naquele local. Não bastasse, o próprio gestor decretou o fechamento do ginásio por falta de condições de uso, deixando de arrecadar verbas originadas das escolinhas, aluguéis, etc, causando prejuízos maiores por causa da má gestão. Estes tipos de problemas carecem de mais estudos na área da gestão de instalações esportivas (tema recente no Brasil) em Juiz de Fora. Sobre a ociosidade das quadras, isto só vem a confirmar a pesquisa realizada por Nery e Capinussú (2008). Foi levantado o número de praticantes das modalidades esportivas nos clubes de Juiz de Fora. Para se ter uma ideia, o referido 46 Já foi identificada neste estudo a terceirização da referida atividade, o que pode ser considerado sem comprometimento com os interesses do clube, já que a prioridade é o comércio praticado para a obtenção de lucros financeiros. 138 estudo revela a quantidade de atividades de iniciação esportiva existentes na cidade, conforme podemos ver a seguir: Figura 4: Quantidade de atividades de iniciação esportiva oferecidas por clube Fonte: Nery e Capinussú, 2008 – A realidade da estrutura física e recursos humanos de uma cidade brasileira. Nota-se que a grande maioria dos clubes (63%) oferece apenas de uma (37%) a duas (26%) modalidades esportivas, o que podemos considerar muito pouco em se tratando de uma cidade de porte médio em Minas Gerais. Sugerimos a realização de um estudo analisando e contabilizando que consequências acontecem, se levarmos em consideração a geração de empregos diretos e indiretos que deixam de ser oferecidos na cidade. Situam-se aí as contratações de profissionais para as atividades físicas, bem com a realização de eventos que poderiam acontecer para estimular os praticantes a permanecerem no ambiente sadio do esporte, e o que isto refletiria na economia da cidade e da região em termos de legados sociais, culturais e, lógicamente, financeiros. Porém, não é dificil imaginar quantos profissionais das diversas áreas das ciências do esporte poderiam ser beneficiados com mais oportunidades de trabalho. Só para exemplificar, a cidade conta hoje com cinco cursos superiores de educação física e, se imaginarmos quantos novos professores se formam por ano, teríamos um número considerável de novos desempregados também. Basta ver outra análise realizada por Nery e Capinussú (2008), sobre o número de professores de educação física trabalhando com iniciação esportiva nos clubes em Juiz de Fora, conforme podemos comprovar 139 a seguir: Figura 5: Número de professores de inciação esportiva (masculino e feminino) Fonte: Nery e Capinussú, 2008 – A realidade da estrutura física e recursos humanos de uma cidade brasileria No referido estudo, foram Identificados 61 profissionais atuando na Iniciação esportiva. Destes, apenas sete (11%) são mulheres, e a maioria (89%) em número de 54 homens. Além da caracterização de um desequilíbrio na participação dos sexos no ensino do esporte no âmbito clubístico (NERY; CAPINUSSÚ; DEVIDE, 2008), objeto de pesquisa dos estudos de gênero, verifica-se também a realidade da consequência adivinda com o descaso em relação ao esporte na cidade. Surpreendente, também, é o tipo de regime de trabalho verificado pelos autores desta pesquisa, conforme podemos verificar: 140 Figura 6: Tipo de regime de trabalho dos professores de iniciação esportiva Fonte: Nery e Capinussú, 2008 – A realidade da estrutura física e recursos humanos de uma cidade brasileira. Observa-se que dos 61 professores atuantes, 82% são autônomos. Consideramos esta situação uma característica negativa, por se tratar de uma forma incorreta de utilizar os profissionais sem que os custos trabalhistas pesem no orçamento do clube, desvalorizando a classe e, consequentemente, a queda na qualidade do serviço oferecido no segmento. Tal anomalia gera insegurança no trabalho e na vida pessoal, sem contar a falta de compromisso dos clubes com os profissionais que ali trabalham, nivelando por baixo a prática esportiva em Juiz de Fora. Constata-se, também, haver apenas 14% com carteira assinada. Se existem poucos professores trabalhando nestas instituições e os mesmos se sentem desvalorizados e, portanto, desmotivados, podemos verificar que mais uma consequência negativa acontece na oferta de serviços de atividade física com baixa qualidade. Tal situação se reflete na baixa demanda de alunos praticando esportes, que também é reduzida, conforme vemos no exemplo a seguir: 141 Clube Natação Futsal Futebol Hand Voleibol Basquete Lutas Tênis Hipismo 1 36 0 0 0 0 0 0 0 0 2 190 130 121 0 46 0 0 0 0 3 43 0 22 36 0 45 0 0 0 4 0 30 0 0 0 0 0 0 0 5 35 0 300 0 0 0 0 0 0 6 0 32 73 0 0 0 0 0 0 7 0 0 0 0 0 0 0 40 0 8 0 0 250 0 0 0 0 0 0 9 0 0 0 0 0 0 0 0 0 10 100 30 0 0 0 0 0 0 0 11 100 50 0 0 0 0 50 0 0 12 0 55 22 0 50 0 0 0 0 13 0 0 0 0 0 0 0 0 0 14 350 90 0 0 120 0 0 0 0 15 25 60 0 0 0 0 0 40 0 16 44 0 30 0 0 0 0 0 0 17 180 0 0 0 0 0 0 0 0 18 80 0 100 0 0 0 0 0 0 19 0 0 0 0 0 0 0 0 0 20 0 0 0 0 0 0 0 0 0 21 0 30 60 10 12 0 0 0 0 22 0 0 0 0 0 0 0 0 8 1183 507 978 46 228 45 50 80 8 Total Figura 7: Número de alunos por modalidade de iniciação esportiva Fonte: Nery e Capinussú, 2008 – A realidade da estrutura física e recursos humanos de uma cidade brasileira Como se verifica na figura projetada pelos referidos autores, o número de alunos frequentando os clubes de Juiz de Fora é bastante reduzido em relação à população da cidade. A modalidade mais praticada é a natação, com 1.183 praticantes. Se levarmos em consideração que os clubes da cidade possuem um total de 48 piscinas e destas apenas seis são aquecidas (NERY; CAPINUSSÚ, 142 2008), calculamos uma média de quase 24,64 alunos por piscina, o que nos leva a projetar o quanto que os clubes estão deixando de arrecadar mensalmente. Ainda em relação à ociosidade dos espaços esportivos citados pelo gestor do C6, consideramos que a cidade perde muito com este círculo vicioso que afeta o esporte local. Em uma das entrevistas, o presidente do C4 destaca e valoriza o potencial esportivo de seu clube ao citar os espaços existentes conforme podemos verificar agora: C4 - ...O clube... Hoje... Ele tem... Duas piscinas, né? Uma piscina olímpica de cinqüenta metros... Aí eu sei. Tô te falando olímpica, tem uma outra de cinqüenta metros, de cinqüenta metros... Que é a piscina suspensa. Que é a primeira... Até bom que você registre isso. É a primeira piscina suspensa... da América do Sul, né? A, depois, é, é... O, o... Nosso eterno presidente... Ele criou um novo parque aquático. Esse novo parque aquático com a piscina de cinqüenta metros... Que ela abriga a natação. Além dessa piscina nós temos a outra piscina média... Tá? Pra criança, e a outra piscina pequena, também, pra criança... O clube tem... Dois ginásios... Um ginásio com capacidade pra hoje, me parece, quatro mil pessoas... Um outro... Ginásio menor... Também com tábua corrida... Coberto... É... Nós temos... Um campo de futebol society, com grama sintética... O campo de, o campo de futebol... Que... Tem uma arquibancada também, que a gente... Acredita que tem uma capacidade também de... Quatro a cinco mil espectadores... Vestiários diversos... É, espaço físico... Pras modalidades que a gente tem hoje... De capoeira, com, também, de judô... É... O, o, o espaço físico que o clube tem é... Ele atende bem as nossas necessidades. Constata-se a quantidade de espaços para a prática esportiva. Porém, de acordo com a fala do próprio presidente dita anteriormente, sem expectativa de utilização para a geração de receitas e resultados esportivos advindos dos trabalhos de iniciação esportiva e treinamentos das equipes competitivas. Ele cita duas piscinas de cinquenta metros. Na verdade, constatamos uma piscina olímpica e uma piscina de vinte e cinco metros (a que ele se refere como a primeira piscina suspensa na América do Sul), o que nos leva a crer em um desconhecimento técnico da parte dele sobre a modalidade. Pode-se considerar um espaço valioso porque, além das diversas opções para a prática esportiva, o mesmo é localizado em uma região central nobre da cidade, o que facilita o acesso de pessoas interessadas em praticar atividades físicas. Ainda assim, o presidente nos revelou que o referido clube se encontra há anos com dívidas causando a redução de associados ao longo desse período. Se a realidade preocupa, existem também possibilidades de recuperação, 143 mesmo que isto signifique para o C5 a perda de parte do patrimônio, considerada pelo seu presidente como a única possibilidade de reação para voltar a se reerguer, como declara a seguir: C5 - ...Mas que o clube tem como reverter esse quadro, com as suas próprias forças. Ou seja, com o seu patrimônio, que é bom, que é forte, mas que encontra-se totalmente comprometido com dívidas fiscais... C5 - ...Eu diria mais baixo do que alto... A... Então procura-se, é... Vai ser procurado, é... Tentar, de uma forma até radical... Que seria o, a parte de se vender, né? Parte desse patrimônio, para poder voltar o C5... como empresa, não rentável, mas saneada. E que possa desenvolver os seus projetos a nível de esporte, a nível social, a nível de integração com a comunidade... E, e, e estando tudo isso regulado... Se a consequência é negativa pela perda do patrimônio e pela constatação da falta de capacidade dos dirigentes ao longo dos anos, podemos considerar como positiva a decisão de vender parte do clube para se livrar das dívidas e resolver estas questões. A partir daí se começa a colocar em prática todo o planejamento já apresentado anteriormente para a remodelação do clube. Além da forma de solução acima apresentada pelo presidente do C5, verificamos também outras frequências com que alguns gestores apresentam propostas geradoras de boas expectativas, mas que devem ser adotadas com seriedade para que possam se tornar realidade, conforme segue adiante: C1 - ... O objetivo nosso é no futuro... né? ... A intenção é fazer um ginásio poliesportivo... Entendeu? Acomodações com alojamentos... É, melhoria, cobertura de quadras... C6 - ...O objetivo maior nosso, ainda é a parte de esportes. Com a recuperação do campo de futebol, a recuperação do ginásio, com a recuperação do parque aquático... C6 - ...É, o resultado também foi muito benéfico... Já que nós conseguimos, durante este projeto... É, recuperarmos o campo de futebol, arquibancada, vestiário... Então hoje nós podemos dizer que nós temos talvez... Senão o primeiro, o segundo melhor gramado de Juiz de Fora... E... Das melhores, é, acomodações também, em nível de vestiário, de banheiros... Notamos por parte dos gestores do C1 e do C6 uma preocupação em qualificar as instalações esportivas. No caso do primeiro, ele fala que seu projeto de construção de um ginásio com instalações para alojamentos e a cobertura das 144 quadras já existentes é para um futuro próximo, gerando boa expectativa da comunidade esportiva com a possibilidade de passarem a oferecer novas opções em atividades esportivas. Já o presidente do C6 (que havia dito anteriormente que não possuia projetos para o futuro) ressalta uma parceria feita com uma instituição de ensino superior que gerou benfeitorias na sua gestão. Porém, ficamos um pouco confusos quando o mesmo não explicou porque disse que gostaria de reformar estes espaços novamente e mais o campo de futebol, se isso já havia sido realizado anteriormente. Pode-se sugerir que os referidos espaços tenham se desvalorizado um pouco devido à falta de manutenção por parte da diretoria. O presidente do C6 nos mostra ser uma pessoa determinada mesmo sem uma experiência profissional especializada, sugere sua preocupação a todo o instante em valorizar o clube que comanda, conforme podemos observar em suas declarações: C6 - ...Quando eu assumi o quadro de presidente do clube, o meu objetivo sempre foi... Primeiro... Voltar o clube mais pra área esportiva... Segundo, recuperar o patrimônio do clube. Quais eram os meus... Objetivos de, é... De imediatos, pra conseguir esses recursos, formas de recuperar, por exemplo, o campo de futebol... E recuperar o ginásio poliesportivo... Nós conseguimos recursos, nós arrumamos a forma, nós recuperamos. Tá? E hoje o clube tem um belo ginásio e um belo campo de futebol... Então essa era o, os meus dois maiores objetivos. Os dois objetivos foram alcançados... E há muito custo estão sendo preservados... C6 - ...Eu estou fazendo a remodelação total do clube... Onde a gente... Tenciona... É... Fazer uma quadra de grama sintética, pro aluno, é, em nível de aluguel, e a nível de sócio. Que vai servir pra treinamento da escolinha de futebol, de futsal. Onde o campo manteria um sistema de rodízio e o ginásio manteria o mesmo... O presidente ressalta o fato que, ao qualificar as instalações esportivas valoriza também as aulas das escolinhas, atraindo cada vez mais alunos e trazendo recursos financeiros para o clube. Se anteriormente ele se diz sem projetos, percebemos que o faz de forma inconsciente, sem a devida técnica que o capacitaria a melhorar ainda mais sua gestão. Podemos ver duas frequências, já que o mesmo, e mais o gestor do C1 conseguem projetar uma evolução qualitativa com essas realizações e a preocupação com a valorização desses espaços, para motivar ainda mais os associados a frequentarem o clube, gerando renda advinda das mensalidades, conforme comprovamos a seguir: 145 C1 - ...Nós temos algumas atividades, é, é, manter o sócio, é, é, oferecer ao sócio uma, uma, uma, um padrão de clube... Em questão de limpeza, em... Em quadras esportivas. Entende? Em bar e restaurante. É, hoje, é, fica assim um... Bem estar onde o sócio fica. Pra que ele pague a mensalidade, nós precisamos pra manter, né?... C6 - ...você pode ter hoje uma escolinha de futsal, tranquilamente num belo ginásio. Você pode ter escolinha de vôlei, você pode ter escolinha de basquete... Então, a coisa fica bem mais fácil... Os presidentes afirmam o fato de que, qualificando as instalações esportivas com melhorias nos espaços e a manutenção da limpeza e higiene dos bares e restaurantes, qualificam também as aulas das escolinhas, atraindo cada vez mais alunos, trazendo recursos financeiros para o clube e criando novas possibilidades com essa crescente participação de praticantes de atividades física e aumento de associados. Poderíamos completar que isto favoreceria até mesmo a se reiniciar uma nova jornada no segmento competitivo, gerando um círculo virtuoso, já que ao se falar em competição, nos referimos também ao ressurgimento de novos ídolos, servindo de espelho positivo para crianças e adolescentes da cidade e da região. Se temos afirmado que novos estudos sobre a gestão de instalações esportivas na cidade são necessários, um fator nos leva a acreditar na importância do tema: os gestores necessitam estar atualizados com as regras das modalidades esportivas competitivas para constatar a importância que estas trazem à qualidade do esporte, dos atletas e do público em geral, conforme declaração do presidente do C6, que viveu uma experiência com o tema: C6 - ...A bocha começou a se tornar um esporte caro... Devido às normas que foram criadas a nível até internacional... Pra se construir uma quadra de bocha... Então hoje nós temos aí um ginásio de bocha com duas quadras a nível internacional... Só que agora nós já fomos pegos já de surpresa, tão falando que a, a, a... As normas do Bocher já teriam mudado e que essa quadra que é de... Piso sintético, já não seria mais usada. O clube já teria que se adaptar... A nova quadra, que seria de saibro ou de areia. Então isso aí fica cada vez mais difícil... As regras criadas ou alteradas pelas federações internacionais servem para qualificar as modalidades esportivas provocando a modernizações das instalações. Para que isso se torne realidade, os clubes precisam estar preparados, financeiramente para se adequarem a essas mudanças, a fim de não prejudicar o progresso das modalidades. 146 4.3.3.2 Subcategoria – Realização de eventos esportivos Esta subcategoria foi criada com base nas declarações dos dirigentes em relação aos eventos realizados nos clubes. Ao nosso ver, poderíamos destacar diversas finalidades da realização de eventos, mas ficaremos apenas com algumas das vantagens. Entre outras, serve para consolidar as atividades esportivas exercidas tornando-se um importante componente na formação de ídolos. Outra destacada função dos eventos refere-se às parcerias obtidas, promovendo as marcas dos patrocinadores bem como atraindo o público a freqüentar o clube durante as realizações, possibilitando o aumento de prováveis novos associados em potencial. É válido ressaltar a geração de empregos diretos e indiretos envolvidos na organização dessas atividades e o retorno financeiro devido ao funcionamento de bares, restaurantes, o comércio local, etc. Por fim, os legados culturais, sociais e esportivos conquistados para a cidade. Se levarmos em consideração o potencial de Juiz de Fora para o turismo de eventos esportivos em função da sua localização geográfica, podem ser projetadas boas expectativas, caso esses eventos sejam realizados de forma organizada e estruturada, com bons atrativos que motivem um grande número de pessoas participando e assistindo. SUBCATEGORIA - Realização de eventos esportivos 1; 13% 2; 24% 0; 0% C1 C2 C3 C4 3; 37% 1; 13% 1; 13% Gráfico 20: Subcategoria – Realização de eventos esportivos Fonte: Elaborado pelo autor com base nas informações obtidas - 2009 C5 C6 147 No total, encontramos oito frequências reveladas nas entrevistas, onde tivemos os gestores do C1, do C4 e do C5 com uma cada, do C3 com três e do C6 com duas. O C2 não participou desta subcategoria. Um fator que nos chamou a atenção, foi a confusão feita pelos presidentes quando questionados sobre os eventos, como podemos ver a seguir: C1 - ...E, e eventos que a gente promove, aluguel de salão, essas coisas... C3 - ...As outras fontes de renda... Vem de aluguel. De salão, pra aniversário. Aluguel do ginásio pra... Eventos religiosos, eventos... De música, essas coisas. Entendeu? Eventos sociais. É o que segura... C3 - ...Não. Realiza eventos... Não, eventos do clube, mesmo, poucos... Entendeu? Ele realiza assim, eventos dentro, dentro da, do ginásio, de aluguel. Entendeu? Geralmente... Igrejas. A Igreja Evangélica. Entendeu? Que fazem... Nota-se a falta de planejamentos para os eventos esportivos. Em busca de dinheiro, os dirigentes partem para outras opções, pois não conseguem visualizar o potencial financeiro que se pode obter através de uma organização multidisciplinar. Por não ser nosso objeto de estudo, sugerimos mais pesquisas sobre gestão de eventos esportivos na cidade de Juiz de Fora, uma vez que todos os fatores já citados sobre as características da cidade e da região nos levam a crer que seja uma oportunidade de empregabilidade elevada oferecida aos profissionais das ciências do esporte. Apenas para dar uma dimensão da importância do potencial dos eventos para a cidade, podemos citar estudos de Fardim (2002), Dias (2002), Roche (2002), Mullin, Hardy e Sutton (2004), Rein, Kotler e Shields (2008), sobre o desenvolvimento da indústria do esporte em áreas de atuação como a de materiais esportivos, instalações esportivas, administração, direito e marketing esportivo, bem como os impactos proporcionados na economia local com a realização de eventos esportivos, elevando o produto interno bruto (PIB) ano após ano no Brasil. Uma situação comum no esporte brasileiro hoje é o exemplo de má gestão financeira dado a seguir: C5 - ...Não tem recursos pra isso. Não tem profissionais pra isso. E... Possivelmente... Não vai ter tão cedo. Mesmo porque... O C5 tá tão ultrapassado com as suas instalações para eventos, é, estão todas interditadas... Pelo poder público, e pelo poder judiciário. Falta de... 148 De condições, de acústica, de uma série de fatores... É, que impedem... O clube de realizar qualquer evento... O presidente relata com tristeza o fato do clube não ter como realizar eventos em função da crise financeira em que se encontra. Assume sua incapacidade e acredita não acontecerem eventos durante um bom tempo em virtude da impossibilidade de contratar profissionais especializados, assim como por estar com todas as suas dependências esportivas em péssimo estado de conservação. Em se tratando de um clube que gere uma modalidade profissional como o futebol, que assume a ponta de lança do processo, não se pode ter muitas expectativas em relação a bons resultados ou ganho de renda por um bom período de tempo. Entretanto, existem na cidade alguns dirigentes que realizam alguns eventos esportivos e, em cada clube podemos observar acontecimentos diferentes, conforme segue adiante: C3 - ...Não. Os eventos esportivos são muito poucos. É... Geralmente das escolinhas que tem aqui que trazem então. Handebol já teve. Uma semana atrás ele trouxe o pessoal de Belo Horizonte, um colégio lá. Vieram aqui... Então teve jogo o dia inteiro. Essas coisas. Entendeu?... C4 - ...É... A quantidade de eventos... Ela é... Fica até difícil deu te falar porque algumas modalidades... Nós temos diversos eventos... Né? Que são o fut, futebol de salão e o futebol de campo... Por ser competições muitas vezes, é... É... Da Federação Mineira... Ou da, da Liga de Juiz de Fora... Então, existe uma quantidade de, de jogos maior... Já na natação, no vôlei, os circuitos, eles são mais escalonados. Existe é, um, um período maior... Então você tem uma, duas... Três competições no ano. Então fica muito difícil... C6 - ...E o clube também entrou numa fase muito boa... De fazer alguns eventos e tá dando certo... C6 - ...Então, a modalidade esportiva, é, no futsal, é... São realizados bastantes eventos que envolvem as escolinhas. O professor é muito atuante. Então tem sempre torneio... De clube contra clube, de escolas... Estaduais, municipais, particulares... Freqüentam o clube e fazem esses torneios internos... No futevôlei, hoje é mais atuante. Que é o dia inteiro o... Sábado e domingo principalmente. Dia de semana depois de dezesseis, dezessete horas... Que eles fazem torneios internos... E fazem até torneio a nível nacional... No primeiro caso, o presidente do C3 cita a realização de um evento esportivo da escolinha, o qual considera fato raro de acontecer. Porém, conforme já tivemos a oportunidade de ver nesse estudo anteriormente, o mesmo dirigente reclama do fato de os alunos participarem das atividades até a noite, e que, logo após, querem 149 tomar banho no vestiário, gerando custos para o clube com o gasto de energia elétrica. Já o presidente do C4 destaca as realizações da liga regional de futebol, federação mineira de futsal, o circuito da natação e o volêi, que possuem um calendário próprio. Porém, ele relata apenas eventos oficiais e não algum tipo de realização do próprio clube. Em nenhum momento especificou alguma participação em nível nacional, o que já vimos no presente estudo, quando tinha dito não haver planejamento algum para o setor esportivo. Para o dirigente do C6, o clube passa por boa fase realizando eventos. O mesmo havia dito anteriormente sobre a realização de competições na modalidade futvôlei, em nível local e nacional. Ressalta que apenas a escolinha de futsal organiza atividades constantemente, mas já havia destacado que a modalidade é terceirizada, fato já analisado em nossa pesquisa. Nos chamou a atenção também a ausência de eventos com equipes competitivas. Todos os clubes acima citados realizam algum evento esportivo, mas no máximo nas categorias juvenil e, em momento algum se referiu à categoria adulta. Da mesmo forma, não indicou o interesse em obter algum lucro financeiro em cima de tais eventos, o que nos leva a crer na falta completa de planejamentos neste segmento do clube. 4.3.3.3 Subcategoria – Vantagens da realização de eventos esportivos Nesta subcategoria, reunimos indícios de frequências em que os dirigentes relatam as vantagens observadas por eles sobre a realização de eventos. Acabamos de observar anteriormente que em Juiz de Fora os eventos esportivos promovidos pelos clubes atualmente são muito poucos, quase inexistentes. 150 SUBCATEGORIA - Vantagens da realização de eventos esportivos 1; 17% 0; 0% 2; 32% C1 C2 C3 C4 1; 17% C5 1; 17% 1; 17% C6 Gráfico 21: Subcategoria – Vantagens da realização de eventos esportivos Fonte: Elaborado pelo autor com base nas informações obtidas - 2009 No total foram encontradas seis frequências, o que por si só reflete como a falta de atividades neste setor nos mostra o quanto Juiz de Fora tem de potencial para avançar no esporte de alto rendimento, se comparado com outras cidades no Brasil ou até de outros países do mundo. Tivemos o C2, C3, C4 e C6 com uma inserção cada e o C1 com duas. O C5 não participou desta subcategoria. Os estudos sobre legados de eventos esportivos vêm crescendo no mundo inteiro, fato que revela como a multidisciplinaridade nas ciências do esporte deve ser utilizada para promover o crescimento de uma cidade nos setores da economia, cultura, social e esportivo. Num primeiro momento, destacamos o projeto “C1 Comunidade” (adaptado), destinado a adolescentes carentes de bairros vizinhos beneficiados socialmente através da prática de atividades físicas. Porém, nos próximos exemplos, temos outras formas de retorno relatadas por alguns presidentes, a saber: C2 - ...Porque eu sempre... falei e repito... É... Levar... O esporte pra dentro do clube... Onde a criança vai ver... E vai ter vontade de participar. Eu acho que isso aí é o principal... Pra dentro do, de benefício... Trazendo... Atividades dentro do clube... a outra parte favorável que também... É que te traz o retorno financeiro. Faz movimento dentro do clube. Você vai ter pessoas de fora, vão vir ao seu clube, vão gastar no seu bar... E... Podem... Querer se associar também ao clube... 151 O presidente do C2 destaca sobre as várias vantagens dos eventos, apesar de o clube não estar realizando tantos. Entre elas, destacamos o olhar pela criança, sabendo que ela pode vir a gostar de acompanhar e pode querer participar futuramente. Além disso, vislumbra o lado financeiro arrecadado no bar com os visitantes; as vantagens do relacionamento, pois as pessoas que visitam o clube podem vir a se tornarem associados, entre outros. Porém, o mesmo não especifica em momento algum um planejamento elaborado que articule um calendário deste tipo de realizações. Esta vantagem do relacionamento citada pelo gestor do C2 é compartilhada pelo C1 e o C6, conforme podemos avaliar: C1 - ...A vantagem é a vantagem é do relacionamento... C6 - ...A principal vantagem, não é nem o lado financeiro, porque o lado financeiro não te dá um retorno muito grande. A principal vantagem é você trazer... Pessoas novas, pessoas diferentes... Gente nova... É... Pessoas de vários níveis sociais... Vários níveis intelectuais... Onde você consegue... É.. pessoas diversas, e que podem posteriormente vir trazer algum tipo de, de benefício ao clube. É basicamente isso. Não existe, financeiramente, o, o benefício não é grande. Ele é bem pequeno, aliás... O que foi ressaltado pelo presidente do C1 se refere à abertura do clube para a comunidade, já que a instituição é considerada um ambiente fechado para a sociedade, mas ele desmente esta versão e vê nessa possibilidade a oportunidade de mostrar para as pessoas que elas podem vir a frequentar o clube. Mesma opinião é manifestada pelo gestor do C6, que destaca a questão de o retorno financeiro ser muito pequeno e que a troca cultural é mais importante para o clube quando os eventos acontecem. Para o dirigente do C3, o único retorno gerado no único evento por ele citado anteriormente na esfera esportiva é o prejuízo provocado quando os alunos das escolinhas passam a tomar banho nos chuveiros dos vestiários, gastando energia elétrica, conforme vemos a seguir: C3 - ...Então não tem. Tem o aumento de gasto, né? Porque o pessoal quer tomar banho, o pessoal, é... É... Fica até mais tarde. Então é mais gasto... C4 - ...Retorno pra o clube... A gente só vê a nível da satisfação... Do pessoal da, das escolinhas, de ver que o clube tá disputando... E muito, e a nossa satisfação também em ver que o C4 tá disputando essas competições. Porque retorno... É... Propriamente dito... De, de, de, financeiro, o que a gente preocupa muito no clube... A gente por tá na situação, no caso de 152 presidente, a gente preocupa sempre com a situação financeira... Mas a gente tem esse retorno. Que é a satisfação... De ver... Os dirigentes apoiando... Né? E... Também as pessoas que estão mais ligadas à natação, vendo que os dirigentes estão dando esse apoio. E eles também ficam satisfeitos com relação a isso... É a... É... É muito complicado com relação a essas coisas de... De retorno que o clube tem. O clube, o único retorno que o clube tem, é esse mesmo que eu to te falando... O presidente do C4 dá a entender que não existe o retorno financeiro esperado. Ele afirma que a única vantagem é a sua satisfação pessoal em ver que os dirigentes do clube se envolvem participando da organização dos eventos realizados. Isso para ele é muito importante, e citou os diretores da natação como exemplo de dedicação. Para se ter uma idéia do potencial de Juiz de Fora, vamos mostrar alguns ítens do estudo realizado por Nery e Capinussú (2008) sobre as instalações esportivas da cidade, para que se possa ter uma ideia da quantidade de espaços disponíveis para o planejamento de um calendário de eventos em Juiz de Fora ao longo de uma temporada. Com relação às atividades aquáticas, encontramos um total de 48 piscinas. Destas, apenas seis são aquecidas, o que comprova a sazonalidade na prática desta modalidade. Por ser uma cidade que apresenta no inverno um clima frio, a prática fica restrita apenas aos períodos do ano em que faz calor. Figura 8: Número de piscinas Fonte: Nery e Capinussú, 2008 – A realidade da estrutura física e recursos humanos de uma cidade brasileira 153 Justifica-se o fato de a natação ser o esporte mais praticado nos clubes da cidade, em função da importância da modalidade para a promoção da saúde, bem como do número de oferta de espaços para a prática da atividade aquática. Vale ressaltar que Juiz de Fora já realizou diversas competições em nível nacional e durante anos foi destaque na natação mineira, sempre com bons resultados alcançados pelos nadadores locais, dentre eles, o autor do presente estudo. Quando falamos em atividades aquáticas, nos referimos a um leque de opções com diversas modalidades. Apenas para citar algumas: natação competitiva, natação master, natação gariátrica, natação para bebês, natação para gestantes, iniciação da natação, nado sincronizado, polo aquático, saltos ornamentais, mergulho, hidroginástica, hidroginástica competitiva, hidrobiocinética (preparação física de outras modalidades esportivas realizadas na água), natação terapêutica, natação fisioterápica, entre outras. Se existem espaços disponíveis para a prática de diversas modalidades, podemos sugerir que cabe à gestão praticada nos clubes a responsabilidade pela falta de praticantes. Em cima disso, os recursos financeiros que deixam de entrar para os cofres dos clubes. Da mesma forma que as piscinas, há também o número de quadras poliesportivas, que poderiam estar à disposição para a oferta das diversas modalidades oferecidas em Juiz de Fora. O mesmo cálculo pode ser feito em relação às atividades aquáticas. Também notamos que as modalidades terrestres igualmente sofrem com a sazonalidade, pois o volume de chuvas na cidade durante o ano é grande. Já que a maioria das quadras são descobertas, as poucas atividades oferecidas podem ter diversas interrupções ao longo de uma temporada. 154 Figura 9: Número de quadras poliesportivas Fonte: Nery e Capinussú, 2008 – A realidade da estrutura física e recursos humanos de uma cidade brasileira Para continuar, vamos mostrar o número de quadras de tênis, onde os adeptos podem praticar esta modalidade, bem como poderiam participar de eventos competitivos. Figura 10: Número de quadras de tênis Fonte: Nery e Capinussú, 2008 – A realidade da estrutura física e recursos humanos de uma cidade brasileira 155 Observamos, na figura 18, que o número de quadras de tênis não é tão grande assim, o que significa a pouca oferta nos clubes da cidade. O mesmo não ocorre com os campos de futebol e futebol society. Como podemos verificar, é grande o número de espaços para a prática destas modalidades. Entendemos ser uma questão natural. Afinal é a modalidade preferida do brasileiro e Juiz de Fora não poderia estar ausente. O fato de a cidade contar com três clubes que têm o futebol como modalidade chave nos induz que isto incentiva a procura pela prática por parte das pessoas. A seguir, mostramos o número destes espaços: Figura 11: Número de campos de futebol e futebol society Fonte: Nery e Capinussú, 2008 – A realidade da estrutura física e recursos humanos de uma cidade brasileira Se os espaços para as práticas das modalidades apresentadas até agora existem em volume considerável, o mesmo não podemos afirmar em relação à ginástica artística. Se a cidade possui atletas que constantemente representam o país nas pricipais competições do mundo, isto não se deve aos clubes. Apenas dois locais oferecem esta modalidade, como mostra a figura 12, a seguir: 156 Figura 12: Possui estrutura de ginástica artística? Fonte: Nery e Capinussú, 2008 – A realidade da estrutura física e recursos humanos de uma cidade brasileira Dos vinte e dois clubes pesquisados, os autores detectaram apenas dois locais e, mesmo assim, um deles já não oferece mais hoje em dia. Fizemos questão de apresentar estes dados, para promover uma discussão em futuros estudos sobre cálculos que podem ser feitos entre as diversas setores da ciências do esporte em relação às perdas ocorridas pela ausência de eventos na cidade e consequentemente os legados que deixam de existir. Áreas como o turismo, economia, marketing, publicidade, comunicação, administração além da educação física, são algumas das responsáveis em proporcionar futuros estudos sobre o tema em questão. 4.3.3.4 Subcategoria – Busca de parcerias Outra parte que nos chamou a atenção nas entrevistas realizadas diz respeito aos apelos para a busca de parcerias, porque, na opinião dos dirigentes, a única forma de colocar a esporte em prática é através das parcerias conquistadas para patrocinar as modalidades competitivas. 157 SUBCATEGORIA - Busca de parcerias 1; 7% 5; 33% 3; 20% C1 C2 C3 C4 C5 2; 13% 0; 0% 4; 27% C6 Gráfico 22: Subcategoria – Busca de parcerias Fonte: Elaborado pelo autor com base nas informações obtidas - 2009 No total, tivemos 15 frequências divididas da seguinte maneira: o C1 com uma, o C2 com três, o C3 com quatro, o C5 com duas e o C6 com cinco inserções. O clube C4 não participou desta subcategoria. A primeira coisa que nos chamou a atenção foram as colocações por parte dos dirigentes de que as modalidades esportivas só conseguiriam se desenvolver através dos patrocínios, conforme podemos ver a seguir: C2 - ...Hoje o clube não tem mais como, sozinho, fazer isso. Se ele não buscar parceiros, patrocinadores. ... C2 - ...Então você tem que ter... É... Parceiros e patrocinadores. Do contrário eu acho que fica inviável... C3 - ...Não. O clube não tem condição de manter. Seria... Pra se tornar viável, teria que ter um patrocínio... Entendeu?... C5 - ...Com relação ao futebol, o clube depende hoje cem por cento de patrocínio. Que é muito difícil em Juiz de Fora. Você tem poucos parceiros. Eu diria hoje que a, o principal parceiro... Do C5, é um parceiro institucional. Ninguém compra nada, ninguém adquire nada dele aqui. Mas tem sim um interesse em a, em é... Criar, uma forma de divulgar... A sua marca e o C5, eu acredito, tem feito uma divulgação até positiva com relação a isso. Isso melhora o relacionamento da empresa com a sociedade, e também dos funcionários com a sua empresa... Esta parece ser uma situação comum no esporte brasileiro. O dirigente jogando a sua incapacidade administrativa para cima da falta de patrocinadores. 158 Vale lembrar que nos tempos de crise econômica mundial nenhum empresário consciente investiria num projeto elaborado por amadores, sem critérios estruturados para a realização do mesmo. Ressaltamos que o esporte na cidade está estagnado há muitos anos e para que os empresários possam voltar a investir no segmento competitivo, os clubes precisam mostrar qualidade administrativa para gerar a credibilidade necessária. Nos casos dos clubes, tanto o dirigente do C2 como o do C5 estão iniciando suas gestões e necessitam de um período para fazer a leitura dos acontecimentos antes de buscar qualquer tipo de ajuda. O dirigente do C5 demonstra estar consciente dos benefícios adquiridos pelas parcerias quando exalta a cumplicidade criada pela empresa patrocinadora junto à sociedade, principal motivo desta ligação com o clube. Outra característica encontrada é a expectativa existente para conquistar os potenciais parceiros, conforme afirmações dos dirigentes: C2 - ...Eu acho que tem muita gente... Fora... Do clube... Que... Também tem história no, no esporte, e que tem essa vontade de, de, de apoiar. Entendeu? É isso que eu vou tentar fazer, buscar... Parceiros, pra tornar a coisa bem mais... Mais... Amena pros cofres do clube. Entendeu?... C6 - ...Já temos alguns caminhos, já temos alguns empresários interessados... Em participar dessa gestão... Então logicamente você tem que dar alguma coisa... C6 - ...E, de você conseguir receita... É... Tentar aumentar nossa parceria... Com, com entidades, com associações, com grêmios, com funcionários de empresas... É... Pra trazer recursos mensais pro clube, que podem não ser grandes recursos, mas são recursos garantidos, que você sabe que tem todo mês.... C6 - ...Nós criamos também uma forma de convênio... Então nós fizemos convênio com... o Sindicato dos Funcionários da Prefeitura, onde eles pagam... um valor mensal... É, ao todo, então, isso daí já é uma renda que você tem garantida no inverno ou no verão. Estamos já fechando também com a... Com a Associação de Cabos e Soldados. Da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros... Pra tentar fazer uma mesma coisa. Então também já em entendimento com um supermercado da cidade. Que tem em torno de quatro, cinco mil funcionários... Também tentando fazer o mesmo tipo de gestão. É... Estamos também já praticamente fechados... Com a Associação dos... É... Agentes Penitenciários. Em torno de seiscentos... Novos associados que a propósito, já está em poder dele, nós só estamos esperando uma resposta... Então é uma forma de você ter uma receita... Durante o ano todo... Como podemos observar, as prováveis parcerias citadas pelos gestores geram expectativas futuras em relação aos objetivos pertinantes a cada clube. Para 159 o gestor do C2 existem pessoas a ele ligadas interessadas em apoiar o esporte competitivo. Ele acredita que dessa forma o clube teria menos custos para levar este projeto à frente. O C6 adotou a estratégia de conseguir patrocinador, sem oferecer resultados competitivos, mas de parcerias para aumentar o número de associados, ampliando a receita com mensalidades. Consideramos as duas opções interessantes, porém, o primeiro gestor (C2), não especifica como seriam os procedimentos necessários para viabilizar o processo, nem mesmo mostra quais são os interesses do clube para o esporte competitivo, ou o que o empresário ganharia em troca para investir recursos nas modalidades desejadas. No caso do dirigente do C6, o mesmo demonstra sensibilidade ao oferecer o clube para que as empresas e as entidades possam criar condições aos seus funcionários, dando-lhes um espaço de lazer junto à família. Desta forma, entendemos que os recursos advindos destas parcerias seriam garantidos todos os meses e poderiam ser utilizados na aplicação do esporte de rendimento desde a iniciação até a competição. O poder público também faz parte dos interesses de alguns gestores conforme segue nas declarações dadas: C1 - ...Nós estamos... Pleiteando, junto ao Ministério do Esporte... A questão... daquela iniciativa... A Lei de Incentivo ao Esporte, né? A verba destinada à manutenção da nossa equipe de futsal... Certo?... C3 - ...E a gente não ganha nada. A prefeitura, a gente cede, nós temos em contrapartida, é isento o IPTU. Entendeu? Então... Uma... Uma coisa... Favorece a outra. C3 - ... Porque nós não temos, inclusive, é... Incentivo da... Da própria prefeitura. Que você cede, além disso, você ainda cede de graça pra prefeitura... Cede pros bombeiros... C3 - ... Temos, nós temos participação com o Instituto Cidade, que é um... Negócio de segundo tempo, do Ministério dos Esportes... Que é tudo, não paga, né? Nada... Consideramos interessante a busca de recursos através da lei de incentivo fiscal feita por parte do C1. Assim, de acordo com o site do Ministério dos Esportes (2009), além do retorno de mídia, as empresas são privilegiadas da seguinte maneira: Lei de Incentivo ao Esporte (11.438), sancionada em dezembro de 2006, permite que patrocínios e doações para a realização de projetos desportivos e paradesportivos sejam descontados do Imposto de Renda devido por 160 pessoas físicas e jurídicas. Entende-se por projeto desportivo o conjunto de ações organizadas e sistematizadas por entidades de natureza esportiva, destinado à implementação, à prática, ao ensino, ao estudo, à pesquisa e ao desenvolvimento do desporto, atendendo a pelo menos uma das manifestações desportivas previstas no art. 4º do Decreto de Regulamentação (6.180/2007). De acordo com o Decreto, pessoas físicas podem descontar até 6% do Imposto de Renda devido, e pessoas jurídicas, até 1%. Não podemos dizer o mesmo do C3. Nos parece que seu dirigente demonstra desinteresse e desconhecimento sobre ações administrativas, ao desconsiderar a isenção do IPTU em troca da utilização por parte da prefeitura para desenvolver seus projetos sociais nos espaços do clube. Consideramos não ser uma vantagem para a entidade dizer que o clube não ganha nada nessa relação. O dirigente entende que a cessão dos espaços esportivos sai de graça para o governo municipal, não levando em consideração a isenção deste custo para os cofres do clube. Vale lembrar nossa referência do estudo realizado por Pasito (2006), quando afirma que, na cidade de Vitória, os clubes recebem apenas um desconto percentual do IPTU. Entendemos, assim, que esse apoio oferecido pela prefeitura é de muita valia para as instituições clubísticas. Ainda sobre dirigente do C3, o mesmo se refere a um dos principais projetos de inclusão social do governo federal como: “que é um... Negócio de segundo tempo”. Ao nosso ver, ele demonstra completa falta de conhecimento sobre um importante projeto de inclusão social realizado em seu próprio clube. O fato de ceder o espaço do clube para a prática de atividade esportiva exercida pelo poder público federal deveria ser entendido como uma grande vantagem para a sua administração, pois é uma boa oportunidade para estreitar o relacionamento com o Ministério dos Esportes. O presidente do C5 já se manifestou sobre a dificuldade que seu clube passa atualmente. Porém, se mostra consciente e concatenado com a realidade, ao mencionar a seguinte questão: C5 - ...E... Embora o clube teve o afastamento de alguns companheiros... De alguns parceiros, muito interessantes... A... Tamos tentando desenvolver um trabalho que é... Traçar realmente um raio X... Do, do, do clube. O que é importante, quais são as necessidades... Qual é a sua real situação financeira, né? No, no, no aspecto de receita, de compromisso. Que ele tem suas dívidas, né? O que ele representa. Realmente. É, em termos de fazer um sacrifício, de manter a equipe de futebol profissional, que é o carro chefe... Do C5 hoje, né?... 161 Consideramos positivo o fato de o presidente destacar o que fazer para apresentar um projeto viável junto aos futuros parceiros. Ao ressaltar o raio X a ser desenvolvido no clube, ele nos mostra que deseja informações completas sobre as reais necessidades, no intuito de apresentar uma proposta coerente e viável junto aos futuros parceiros do futebol. Finalizamos esta subcategoria apresentando dois exemplos simples de como uma parceria pode ter sucesso, conforme o presidente do C6 nos mostra a seguir: C6 - ...Da primeira vez, depois fizemos uma parceria... Com “uma Instituição de ensino superior” (adaptado), recuperamos mais uma vez a área de vestiário, banheiros... É... É... Preparamos nosso ginásio pra disputar uma liga nacional de basquete... E... Daí pra frente nós começamos a ter recursos vindos do próprio ginásio, aluguel, jogos... C6 - ...Agora nós... É... O ginásio foi usado pra jogos da Liga Nacional de Vôlei... Quatro jogos “de uma Universidade” (adaptado), onde teve um bom público. Onde também financeiramente... Nós ganhamos foi em recuperação do patrimônio, na parte elétrica, na parte de... De... Hidráulica, que foram todas adaptadas novamente... O presidente do clube C6 entende que esse tipo de parceria funciona bem e tráz muitos benefícios no futuro, ou seja, os parceiros investem nas instalações esportivas. No primeiro caso é destacada uma parceria em que o clube cede sua marca para uma instituição de ensino superior, em troca de uma reforma completa do ginásio poliesportivo para disputar a liga nacional de basquete feminino. Esta obra permitiu que a referida entidade começasse a arrecadar verbas através de aluguéis do ginásio para eventos e jogos. Depois, ele nos relata uma situação praticamente igual; a única diferença é para onde foi destinada a verba obtida, que nesse caso foi direcionada para a recuperação hidráulica e elétrica. Esta subcategoria nos mostra a dificuldade dos clubes de resgatar a credibilidade para que as empresas empreendedoras de Juiz de Fora e da região possam investir seus recursos de publicidade no esporte competitivo da cidade. A criação da lei de incentivo fiscal pelo governo federal favorece a possibilidade dessas parcerias, porém, as empresas buscam relacionar suas marcas a atividades que proporcionem para a comunidade uma imagem vitoriosa e, ao nosso ver, os dirigentes precisam buscar isto a todo custo. 162 4.3.3.5 Subcategoria – Utilização das modalidades esportivas Mas, o que dizer das modalidades esportivas competitivas praticadas nos clubes de Juiz de Fora? O que pensam os dirigentes sobre o esporte de alto rendimento? Esta sempre foi uma preocupação nossa, afinal, no início do presente estudo indagávamos sobre por que o esporte na cidade não vem obtendo resultados expressivos em nível nacional. Conforme visto anteriormente, a última vez que a cidade esteve representada em nível nacional foi no biênio 1983/84, quando a equipe de vôlei feminino do Sport Clube Juiz de Fora conquistou o bicampeonato mineiro e ficou na terceira colocação no campeonato brasileiro adulto. A partir de então, o número de equipes competitivas foi se acabando. Em decorrência disso, a mídia foi se afastando (NERY; CAPINUSSÚ, 2009), provocando um possível desinteresse das empresas empreendedoras em financiar projetos no setor competitivo. SUBCATEGORIA - Utilização das modalidades esportivas competitivas 4; 20% 5; 25% C1 C2 C3 C4 4; 20% 3; 15% 3; 15% 1; 5% C5 C6 Gráfico 23: Subcategoria – Utilização das modalidades esportivas competitivas Fonte: Elaborado pelo autor com base nas informações obtidas - 2009 Ao todo, 20 frequências foram encontradas, com o C1 e o C2 em quatro cada, o C4 e o C5 com três cada, o C3 com uma inserção e o C6 com cinco participações. Porém, antes de começar a análise desta subcategoria, entendemos ser necessário relatar parte de um estudo realizado por Nery e Capinussú (2008) que apresentam a 163 quantidade de modalidades competitivas oferecidas nos clubes de Juiz de Fora, a ser apresentada: Figura 13: Quantidade de modalidades esportivas competitivas oferecidas Fonte: Nery e Capinussú, 2008 – A realidade da estrutura física e recursos humanos de uma cidade brasileira. Conforme podemos verificar, a grande maioria dos clubes (73%) oferecem nenhuma (36%), uma (23%) ou duas (14%) modalidades esportivas. Entendemos ser muito pouco, levando em consideração, ainda, que as poucas modalidades existentes atuam em nível regional ou estadual. Para iniciar nossa interpretação nesta subcategoria, mostraremos algumas declarações do dirigente do C5 sobre as dificuldades encontradas no clube, mas também um exemplo de que alguma coisa de positivo na gestão pode ser colocada em prática, conforme suas declarações: C5 - A equipe de futebol profissional. A base... Em plena atividade. Porque pensam que em, em Juiz de Fora, a marca C5, a nível de esporte, e principalmente futebol... Ela é muito importante. Ela é... Necessária, né? Para o porte de uma cidade de, de Juiz de Fora... C5 - ...Olha o clube hoje é um clube ruim. Você não tem como hoje oferecer um plano de expansão de... De sócios. O clube tem hoje uma piscina... Que não é competitiva. Não tem nenhum... Nenhum... Nenhum esporte que seja oferecido aos seus sócios para fins de competição... C5 - ...Paralelamente tem o departamento de malha, que, é um grupo, bem definido. Assim como o departamento de, de botão de mesa, que são pessoas que estão lá no C5 há mais, é, são grupos já definidos que vão tá sempre... Em atividade. E... Seria um departamento... Específico, fechado, que deve agregar algumas pessoas... O presidente ressalta que o valor da marca do C5 se deve ao futebol profissional praticado no clube, e que isto é necessário para uma cidade com o porte 164 de Juiz de Fora. Ele lamenta a crise financeira como a causa para não praticar outras modalidades competitivas nem oferecer nenhuma atividade para os associados. Porém, destaca com orgulho um modelo a ser seguido no clube, os departamentos de malha e futebol de botão, considerados por ele como setores organizados. Ainda na Interpretação das entrevistas dos dirigentes, se não existem no momento equipes disputando o alto rendimento, encontramos um clube que planeja isso para a modalidade considerado ponta de lança nas prioridades do C1, no caso o futsal. O presidente deste clube se referiu a este interesse da seguinte maneira: C1 – ...Esse... modelo nosso de esporte... Ele vai encontrar realmente o objetivo nosso... foco maior, em termos de competições...Por exemplo, no nível de... Estadual, já disputamos o Mineiro... No ano passado... Entendeu? Nós temos... o objetivo de chegar, também, a uma liga nacional... C1 - ...E, a nossa, o nosso, o nosso hoje, o nosso foco maior é o futsal... Por quê? ...através do futsal, é que nós conseguimos... Com as competições, representando Juiz de Fora... Nós temos uma visibilidade maior pra cidade... C1 - ...É, o grande objetivo nosso sempre foi assim, uma questão assim, até de ponto de honra nosso, a questão da Copa Panorama. Né? ... Já fomos ...em, quatro, campeonatos, vice-campeão duas vezes... Né? C1 - ...Então é por isso que a visibilidade que o futsal teve no campeonato... também foi isso aí. Foi uma, uma abertura... Entendeu? Uma abertura geral, porque, com essa, com essa classificação na, na Liga, na Bahamas, na Panorama... O clube mostra uma evolução nos objetivos competitivos do futsal, saindo de eventos regionais e estaduais obtendo resultados expressivos, em busca de uma liga nacional. Consideramos positivo o fato dele ter escalonado os eventos por grau de dificuldade (segundo ele, a equipe começou disputando os torneios regionais, passando para o campeonato mineiro), e ao atingir as duas primeiras metas, se remete para a próxima prioridade, bem mais difícil. É importante frisar que, ao buscar resultados mais ambiciosos, deve-se atentar a uma maior qualidade administrativa investindo esforços e recursos financeiros no intuito de buscar excelência no processo multidisciplinar envolvido em toda a estrutura. O presidente acredita que, dessa forma, leva o nome de Juiz de Fora de forma representativa em nível nacional. Ele destaca também que, os resultados obtidos pela equipe expõe mais o clube para atrair mais associados. Também encontramos algums dirigentes que já assumem com quais 165 modalidades suas instituições irão atuar. Consideramos um fator positivo, pois assim os mesmos direcionam seus esforços de forma intensa na organização estrutural das equipes. C2 - ...Olha o clube, hoje, tem a natação... O vôlei... E... Recentemente, a partir... de fevereiro agora, entrou futsal... É... infanto. É... Infanto-juvenil... E o adulto... principal, o C2 oferece essas modalidades pro associado e o pro não-associado... C2 - ...Ela começa, nós tamo tudo começando a, a, a... A tem, a um trabalho de início. Eu posso dizer que nesse ano a gente não consiga um resultado no âmbito estadual tão bom... Mas, com certeza, do an, no, no segundo ou no terceiro ano de gestão... Eu acredito que os resultados vão aparecer sim... . C2 - ...Olha Luiz Carlos, nós tamos hoje começando a resgatar. Entendeu? Eu estou há três meses no cargo de presidente... É um período muito curto ainda... Então hoje nós tamos participando de eventos... É, a nível... Municipal... Entendeu? C2 - ...É... Eu quero... Que o C2... Volte a ser, no mínimo... A segunda ou terceira força dentro do estado. Por quê? Porque eu não penso já, logo, no primeiro lugar? Porque dentro do estado todo mundo que, que vive do esporte... Sabe que nós temos uma força muito grande dentro do esporte, dentro do Estado de Minas, que é, tem uma estrutura, é... Muito superior a qualquer outro clube, que é o Minas Tênis Clube... No caso do C2, em processo inicial de gestão, o dirigente conta com três modalidades em que sempre foi destaque na cidade e ressalta a volta às disputas competitivas, destacando os resultados expressivos do passado como parâmetros para sua gestão. Nos parece uma continuidade de um processo que já dura há anos e que o mesmo busca manter essa tradição. Ele cita os esportes praticados e afirma que apenas no futsal existe a equipe adulta. Foi feita uma projeção do presidente de que, até o final do seu mandato, o clube possa estar novamente entre as principais forças do estado. Foi revelado a nós também apenas atuações em nível municipal e deixa escapar o motivo em não estar atuando na esfera nacional. Alertamos, porém, que a definição das modalidade deve se dar não apenas por paixão pessoal. Percebemos, ao longo do trabalho, que o fato de os dirigentes terem sido atletas há alguns anos, os leva a considerar mais as suas modalidades praticadas em detrimento de outras. E, às vezes, um estudo por parte do clube, através de uma pesquisa de mercado pode orientar para um tipo de escolha bem diferente da sua preferida. Segue adiante o que os gestores consideram sobre os esportes escolhidos para serem praticados nos clubes: 166 C4 - ...Eu to te falando porque o C4 é um clube tradicional com futebol. Com futebol, com voleibol, que nós já, nós tivemos grandes... Grandes épocas. Mas tradicionalmente, ele é um clube de futebol... C4 - ...Tá... O clube hoje, ele conta com... O clube hoje, ele conta com... Nós temos a natação... Futebol de campo... Futsal, né? Que é o futebol de salão... Hoje... Ne, nessa gestão que nós tamos começando agora, a partir de dois mil e nove, começando a contar com karatê... A capoeira... Badmington... É. Também... Temos o voleibol, tava esquecendo do voleibol. Que são muitas modalidades. O C4, de uma maneira geral, ele tenta... Agregar todos os tipos de esportes... Tá? E... Basicamente são esses... Basquete. É. Começou agora. Em janeiro agora começou o basquete. Uma grande alegria o retorno do basquete pra gente... C4 - ...Em caráter competitivo nós temos a natação... Mas a natação ela tá muito... A nível ainda... Regional... E a, e Campeonato Mineiro. Né? Estadual, a nível estadual também... O futebol de salão... E o futebol de campo também, da mesma forma. Campeonatos regionais, campeonatos municipais e Campeonato Mineiro. O futebol de campo e o futebol de salão. O futebol de campo, a gente tá com as categorias infantil que é o sub-quinze, e a juvenil que é o sub-dezessete anos. Em nível de competição seriam esses dois né? E infelizmente o nosso, o nosso entender, seria... Ao, a, as outras modalidades que nós tivemos também, como vôlei, seria muito bom a gente tá competindo... C6 - ...Pra se manter um time de futebol, manter um time de vôlei, e manter um time de futsal. Basicamente esses três esportes. Então a gente tá trabalhando pra isso... Apesar de citar algumas modalidades, o presidente do C4 afirmou que não existe um planejamento competitivo, nem a curto nem em longo prazo, em alto nível para as modalidades existentes. Em um determinado momento de sua fala, ele começa a citar com quais esportes o clube conta, atualmente, para oferecer aos seus associados e à comunidade. Ele demonstrou elevada motivação em poder oferecer algumas propostas, de prática esportiva, mas manteve o propósito em dizer que o futebol é o esporte principal do clube. Conforme afirmamos anteriormente sobre presidentes ex-atletas, este é um exemplo típico. O futebol do clube, que ele insiste em julgar como carro chefe, nunca foi campeão dentro do estado e nunca disputou uma edição nacional, ao contrário do vôlei feminino, bicampeão mineiro e terceiro colocado no campeonato brasileiro adulto, numa época em que as disputas da equipe ocupavam páginas inteiras na mídia impressa e vários minutos diários no rádio e na TV. Por uma comparação óbvia, o vôlei teria prioridade na escolha para ser beneficiado pelo clube. Vale lembrar que no futebol, ele citou apenas as categorias sub-quinze e sub-dezessete, faixa etária que o proprio gestor disse como crítica, pois como não consegue dar continuidade em seu projeto esportivo, já que os clubes não atuam com equipes adultas, se dividem entre a decisão de sair da 167 cidade em busca de novos horizontes ou param de praticar o esporte competitivo, aumentando as estatísticas sobre o tema. Já o presidente do C6 foi categórico ao citar o futebol, o futsal e o vôlei como as modalidades que pretende dinamizar no clube, porém, apenas descreve essas modalidades, sem mencionar algum projeto para elas, dizendo que vai trabalhar para dinamizá-las. Outro exemplo do que acontece em diversos clubes é a declaração do presidente do C3, como verificamos a seguir: C3 - ... Às vezes participam de competição. O handebol já foi. O pessoal do Brasil até... É, pra jogar na, na Argentina. Entendeu? Mas disputar lá, essas coisas assim, mas de liga, assim, esportiva, não... O presidente do C3, ao falar da equipe de handebol, destaca que a participação da mesma é pontual, e não de forma contínua, o que demonstra falta de planejamento competitivo. O clube consegue enviar a modalidade para jogar no exterior e não prestigia os eventos oficiais da liga e da federação. Em paralelo a isso, temos o C6, que chegou a atuar até em nível nacional no basquete feminino, mas que, em função da incapacidade administrativa, abandonou seus projetos e hoje atua em eventos regionais, conforme declarações do seu presidente: C6 - ...pra história recente, eu destaco a participação do C6 no campeonato, é... Da Liga Nacional de Basquete... É, com o time profissional feminino. Onde o C6 foi conhecido no Brasil todo... É, jogos televisionados ao vivo. Transmitidos ao vivo. Com atletas em nível de seleção brasileira... Então isso aí é muito importante também para o clube... C6 - ...É, o C6 teve um destaque grande também no futsal a nível regional... É, foi um... Dois anos o C6 foi vice-campeão... Metropolitano... É... Eu acredito que... Teve um período curto no vôlei, mas não chegou a nível estadual. Foi só a nível regional... Eu acredito que seja essa, o futebol, basquete, futsal... E um pouco do vôlei... Mas a maio, e bocha. Nós temos que destacar a bocha, que foi, foi vice-campeã, foi campeã mineira... E... Disputou o Campeonato Brasileiro representando Minas Gerais. Também foi uma... Foi de muito orgulho pra gente. O C6 dois por anos seguidos tem disputado o Campeonato Brasileiro de Seleções representando Minas Gerais. C6 - ...Hoje nós temos uma escolinha de futebol... Nós temos uma escolinha de futsal... Nós temos já fechado com a professora pra fazer a escolinha de vôlei... E temos a escolinha de natação... Além da bocha, que a maioria dos atletas hoje, são garotos, de dezessete, dezoito anos... O tênis de mesa. O tênis de mesa, conforme eu te falei antes... Que é a nossa atleta, é atleta do clube... Tá? É... Já criamos é, tivemos um evento esportivo aqui no ginásio... O tênis de mesa muito bom aliás. E... Já criamos a escolinha de tênis de mesa... Além do futevôlei também que é um, um esporte muito movimentado 168 no clube, que é uma excelente quadra de futevôlei, de areia... É... Outros eventos maiores, de fora, são feitos dentro dessa quadra... E também já existe um projeto pra... Criação da escolinha de futevôlei... C6 - ...Hoje nós temos o futebol... Que representa o C6 no Campeonato Mineiro Infantil e Juvenil... Também freqüentado nos campeonatos a nível regional... Em nível municipal... Os campeonatos que tem na liga de futebol... O futsal... Que nós disputamos o ano passado um torneio só de, se eu não me engano, categoria infantil... É... Este ano nós, agora que nós voltamos com a escolinha. O nosso projeto é ficar a nível só municipal... Na bocha... Continua disputando os campeonatos que tiver. Os campeonatos a nível municipal... E a nível estadual... É... Na natação, nós não participamos de competição. E no vôlei, também criando a escolinha de vôlei eu acredito que se participe, mas se participar vai ser só a nível municipal. O gestor do C6 cita todas as vantagens obtidas por ter participado de um evento em nível nacional em uma modalidade que até então nunca sido havia oferecida na entidade. Ele ressalta com orgulho as transmissões da TV para todo o Brasil, gerando maior divulgação do clube em todo o território nacional e o que isso representou para a instituição. Atualmente, aponta para a prática de alguns esportes como o futvôlei, o tênis de mesa e alguns resultados obtidos por outras modalidades (futebol, futsal) em nível municipal e estadual, todas nas categorias infantil e juvenil, não fazendo nenhuma referência à categoria adulta. O presidente faz uma menção às conquistas da bocha (modalidade não olímpica), que chegou inclusive a representar o estado em um campeonato brasileiro. Ao nosso ver, esta modalidade sempre foi muito valorizada pelo clube, mas como o próprio gestor chegou a confessar anteriormente, terá de investir um alto valor para modernizar a quadra da modalidade, exigida pelas novas regras, causando preocupação ao dirigente. 169 CONSIDERAÇÕES FINAIS As considerações finais inicialmente traçadas retornam aos objetivos e ao problema pensados para esta pesquisa. Nosso estudo teve como foco o perfil de gestão e a percepção do desenvolvimento de clubes esportivos da cidade de Juiz de Fora, a partir da compreensão de seus presidentes. A questão principal que direcionou esta pesquisa foi verificar qual o perfil de gestão e que representações os gestores possuem sobre esta atividade no desenvolvimento do esporte na cidade. Algumas questões adicionais foram levantadas como: estarão os dirigentes esportivos dos clubes da cidade de Juiz de Fora preparados para dar vida aos objetivos de atletas e treinadores, durante um planejamento administrativo a curto, médio e a longo prazo? Esta realidade da gestão esportiva verificada atualmente na cidade ainda continua predominantemente num sistema organizacional que dificulta a aproximação do esporte de rendimento da cidade com os grandes centros esportivos do Brasil e do exterior? Concluímos que os dirigentes pesquisados são, em sua maioria, casados, têm atividades profissionais primárias, em que encontram seus sustentos e estão presentes de forma voluntária no clube em até duas horas (33%), ou de duas a quatro horas (50%), num total de 88%, onde exercem suas funções, restrigindo-se apenas às ações mais simples de serem resolvidas. Quanto à formação dos mesmos, verificamos que, em comum, a maioria (cinco dos entrevistados) são ex-atletas, o que não lhes garante qualidade de produtividade. Ao verificarmos mais a fundo, detectamos que suas profissões primárias não possuem relação com o esporte. Nenhum deles possui uma especialização voltada para a gestão esportiva. Verifica-se, assim, que os resultados encontrados sobre a formação dos dirigentes de clubes esportivos de Juiz de Fora vão de encontro aos estudos realizados atualmente no Brasil e em alguns lugares do mundo. A maioria dos gestores não possui formação para o cargo e nem se prepara, convenientemente, baseando-se apenas no estatuto para as tomadas de decisão, caracterizando uma gestão amadora prevalecendo sobre a profissional. Para responder a outras questões, realizamos a análise das entrevistas dentro das categorias específicas, verificando que, naquela referente ao conceito e 170 ao papel da gestão esportiva, percebemos um afastamento conceitual do que seja esta função. Identificamos que, dos gestores entrevistados, estes entendem como relação principal de uma boa gestão, o equilíbrio financeiro do clube, sem a preocupação com elaboração, planejamento ou organização na estrutura esportiva. Nas subcategorias integrantes desta categoria, prática da atividade física e desconhecimento de gestão esportiva, percebemos que os dirigentes não se preparam para a administração e atuam com um caráter extremamente amador. Na categoria pertinente à capacidade de gerenciamento dos clubes, observamos que a grande preocupação dos gestores entrevistados é quitar as dívidas contraídas ao longo dos últimos anos. Assim, não existe a preocupação de investir em projetos esportivos com qualidade administrativa. Percebemos, ainda, o fato de a cidade ter 59% dos clubes oferecendo uma (23%) ou nenhuma (36%) modalidade competitiva. Isso nos revela uma falta de estrutura que possibilite maior poder de empregabilidade em diversos segmentos das ciências do esporte. No que tange ao trabalho em equipe, a maioria dos clubes demonstra união entre os membros da diretoria para enfrentar os problemas vividos atualmente, em busca de uma transparência administrativa no intuito de entregarem seus clubes em melhores condições para seus sucessores, objetivando a profissionalização do setor clubístico. Porém, tal fato não garante os resultados esperados, pois em momento algum foi abordada a busca pela capacitação profissional mencionada em nossa revisão literária. Pudemos responder mais uma das questões objetivadas na presente pesquisa com a abordagem referente às maiores dificuldades, na qual encontramos o maior número de frequências de todo o estudo, no total de 46 inserções. Concluimos que os aspectos negativos são em maior número do que os positivos na gestão esportiva da cidade, entendendo, como um dos principais aspectos negativos, o abandono do associado no que se refere à frequência ao clube, porque este já não oferece atividades esportivas e de lazer em suas dependências, o que diminui a relação do clube com o sócio, deixando de existir fidelidade. Concluimos, também, que, numa tentativa de justificar os problemas existentes, os presidentes reclamam da falta de apoio do poder público, porém, investem grande expectativa na primeira secretaria de esportes e lazer criada por um governo municipal de Juiz de Fora em sua história. Sobre este fato, entendemos que, para que essa relação possa dar certo, é importante uma união de esforços da 171 universidade (no caso de Juiz de Fora, temos diversas instituições de ensino superior) que poderia atuar na produção do conhecimento através das pesquisas e da extensão, colocando em prática todos os saberes adquiridos, das empresas, investindo recursos em projetos de responsabilidade social e garantindo a continuidade dos projetos criados, e do governo, fomentando leis (em nível municipal, estadual e federal) que viabilizem todo este processo, incentivando cada vez mais o incremento do esporte local e mantendo crianças e adolescentes carentes incluídas no ambiente saudável do esporte, seja em nível de iniciação esportiva, seja em nível competitivo. Verificamos, igualmente, uma intensa relação afetiva dos presidentes com seus clubes, inclusive a maioria (cinco) iniciou suas relações na infância e adolescência e ao longo dos anos influenciaram suas famílias para entrar no ambiente clubístico, e podemos deduzir que os mesmos demonstram grande motivação em tentar melhorar a atual situação vivida sem a utilização dos clubes para atingir interesses pessoais. Constatamos, ainda, que as dívidas dos clubes são consequência de um processo antigo iniciado aproximadamente há vinte e cinco anos, data da última conquista esportiva da cidade em nível nacional na categoria adulta. Como não existe um planejamento elaborado nos clubes, o propósito de dar continuidade aos trabalhos é comprometido com a saída dos presidentes ao final dos seus mandatos, levando consigo toda a experiência administrativa adquirida, deixando de contribuir com seus sucessores. Percebemos que se prioriza muito o interesse por um ambiente familiar nas dependências do clube, em que os presidentes estendem as divisas de seus lares, ampliando-os para os limites dos clubes, o que não significa deixar de gerenciar com uma visão mercadológica empresarial. É fato, também, que a maioria sugere a necessidade de transformação dos clubes para que permaneçam em atividade e não fechem as portas, como alguns exemplos identificados pelos gestores. Concluímos também que os clubes esportivos de Juiz de Fora constituem importante ferramenta no aumento de geração de empregabilidade direta e indireta. Entretanto, se não utilizam técnicas adequadas, tornam-se ociosos causando baixas receitas e elevando as despesas. Podemos dizer, com base no que foi encontrado neste estudo, e levando-se em consideração o potencial esportivo da cidade no que se refere aos eventos e a quantidade de oportunidades de empregos a serem 172 oferecidos, que o esporte não está a reboque do desenvolvimento da cidade, pelo contrário, ele é considerado um importante fator de crescimento. Verificamos, ao longo da pesquisa, que a cidade possui espaços capazes de receber um grande número de praticantes de atividades físicas, bem como a realização de eventos, porém, constatamos um baixo número de ofertas para as atividades de escolinhas, já que 63% dos clubes oferecem de uma (37%) a duas (26%) modalidades esportivas como opção dentro de seus espaços físicos, gerando também pouca receita advinda deste segmento, o que somado ao fato dos clubes terem poucos associados pagantes tem levado estas entidades ao caos financeiro ao longo dos anos. Além disso, foi observada a falta de compromentimento dos clubes com os professores de educação física, pois encontramos 82% dos profissionais atuantes no setor como autônomos. Este fato revela falta de compromisso dos clubes com estes profissionais em função da redução de despesas com encargos sociais. Em se tratando do profissional de educação física, é preciso que as universidades revejam seus quadros curriculares, pois a grande maioria não oferece disciplinas empreendedoras aos seus alunos, o que nos leva a constatar a falta de capacidade administrativa para que este profissional possa atuar nas posições de comando das entidades esportivas, deixando para outras áreas da ciência do esporte esta função. No caso de Juiz de Fora, entendemos que as instituições de ensino superior que possuem o referido curso deveriam dar maior ênfase à gestão esportiva, e em conjunto com o poder público, elaborar planejamentos para a realização de eventos como fóruns, seminários, cursos de graduação e pós graduação visando ao segmento administrativo no esporte. Sobre o poder público, consideramos que o fato de a cidade nunca ter tido um órgão especializado na educação física e esportes também contribuiu bastante para a atual situação, uma vez que pode ser atribuído a este setor o direcionamento das atividades bem como a cobrança de resultados e ações por parte dos clubes. Entendemos, também, que novos estudos devem ser realizados no que se refere às questões de gênero, pois a maioria dos profissionais atuando na iniciação esportiva é do sexo masculino (89%), e apenas 11% do feminino, num total de 61 profissionais em ação, o que, para uma cidade de quase quinhentos mil habitantes e que possui cinco cursos de Educação Física, é um número bastante reduzido, com baixas perspectivas para os novos professores que estão chegando no mercado de 173 trabalho. Dentro destas conclusões verificamos que, no tocante à realização de eventos esportivos e suas respectivas vantagens obtidas com os legados, a cidade está longe do ideal objetivado pela literatura. Forma-se um ciclo vicioso, uma vez que, sem eventos, não existe atratividade para os patrocinadores, o que não gera informação para a mídia, e em função disso, não se formam novos ídolos do esporte na cidade. Os legados financeiros, social, cultural e esportivo são praticamente inexistentes. Quanto à utilização das modalidades esportivas 50% dos clubes busca o futebol como a modalidade prioritaria. Deve-se levar em consideração que esta escolha não vem embasada por técnicas administrativas, mas em função de um envolvimento emocional e pessoal dos gestores, através do passado histórico destes. Deve ser feita uma relação custo x benefício para análise das viabilidades mais eficazes no que se refere a levar o nome da cidade ao alto nível nacional e internacional. Com o que se vê hoje em Juiz de Fora, o valor investido no futebol é insuficiente para possibilitar aos clubes disputar as primeiras colocações do campeonato mineiro, porém, em contrapartida, pode-se levar diversas equipes amadoras a desenvolverem trabalhos em condições de chegar entre as quatro melhores equipes do país com o mesmo montante investido. Sobre a questão levantada inicialmente neste capítulo: será que os dirigentes esportivos dos clubes da cidade de Juiz de Fora estão preparados para dar vida aos objetivos de atletas e treinadores durante um planejamento administrativo de curto, médio e de longo prazo, concluímos que há falta de qualificação das pessoas para assumirem os referidos cargos e que hoje a gestão clubística se encontra despreparada para a realização e concretização destes objetivos. Insistimos que a busca pela excelência administrativa só será possível quando houver a presença de profissionais qualificados cada qual em sua especialidade dentro da área das ciências do esporte, que engloba atividades da administração, marketing, história do esporte, economia, educação física, medicina esportiva, direito esportivo, sociologia entre outras. A profissionalização dos clubes não pode ser mais vista como algo empírico. Estas entidades esportivas devem insistir num processo de mudança para serem relacionadas com modelos empresariais de sucesso. 174 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVES, José Antonio Barros. Esporte e marketing como indústria do entretenimento. In FILHO, A.de O. Ciclo de Palestras de Gestão Esportiva. Rio de Janeiro: Cruzado, 2002, p. 239-248. ______ Cenário de tendências econômicas dos esportes e atividades físicas no Brasil. In: Atlas do Esporte no Brasil: atlas do esporte, educação física e atividades físicas de saúde e lazer no Brasil. Lamartine DaCosta, organizador Rio de Janeiro, SHAPE Editora. 2005. v. 1 p. 857-858. ANUÁRIO ESTATÍSTICO DE JUIZ DE FORA. UFJF, 2009 disponível em CD. AZEVÊDO, Paulo Henrique; BARROS, Jônatas de França; SUAIDEN, Samir. Caracterização do perfil do gestor esportivo dos clubes de futebol da primeira divisão de futebol do Distrito Federal e suas relações com a legislação esportiva brasileira. Revista da Educação Física/UEM. Maringá. 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Ciclo de Palestras de Gestão Esportiva. São Paulo: Editora Cruzado. 2002, p. 229-236. YIN, Robert K. Estudo de caso – planejamentos e métodos. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2005. 182 LISTA DE ANEXOS ANEXO A: Questionário ANÁLISE DO PERFIL DE GESTÃO BASEADA NO DISCURSO DOS DIRIGENTES ESPORTIVOS DE CLUBES EM JUIZ DE FORA Instruções: - O questionário a seguir deve ser respondido conforme o enunciado de cada questão. Existem perguntas que podem ser respondidas de forma dissertativa e outras de múltipla escolha. - Qualquer dúvida com relação ao enunciado ou conteúdo da questão poderá ser respondida pelo aplicador do questionário, que estará presente no local em que será respondido o mesmo. - Solicitamos o preenchimento as autorizações em anexo, que asseguram o uso das informações contidas no questionário para fins exclusivamente acadêmicos. - Todos os respondentes receberão através de e-mail uma cópia da pesquisa, que será desenvolvida a partir do questionário e da entrevista. Muito obrigado pela atenção. 1. Nome: ________________________________________________________ 2. Idade: _________________________________________________________ 3. Sexo: Masculino ( 4. Raça: Branco ( ) ) Negro ( Feminino ( ) Pardo ( ) ) Amarelo ( ) 183 5. Estado civíl: Solteiro ( ) Casado ( ) Separado ( ) Outros ( ) 6. Atividade profissional: ___________________________________________ 7. Renda mensal: ( ( ( ) até 2 salários ( ) de 2 a 5 salários ) de 5 a 10 salários ( ) de 10 a 15 salários ) de 15 a 20 salários ( ) acima de 20 salários 8. Grau de escolaridade: ( ) Primeiro grau incompleto ( ) Segundo grau incompleto ( ) Superior incompleto ( ) Pós graduação Latu Sensu 9. Foi atleta? ( ) sim ( ) não ( ( ( ( ) Primeiro grau completo ) Segundo grau completo ) Superior completo ) Mestrado ( ) Doutorado - qual modalidade? ________________ 10. Há quanto tempo é dirigente esportivo? ( ) de 6 meses a 2 anos ( ) de 2 a 4 anos ( ) de 4 a 6 anos ( ) de 6 a 10 anos ( ) mais de 10 anos 11. Qual é o seu tempo diário de dedicação ao cargo de gestor? ( ) até 2 horas ( ) de 2 a 4 horas ( ) de 4 a 6 horas ( ) de 6 a 8 horas ( ) acima de 8 horas 12. Esse cargo de gestor é remunerado? ( ) sim ( ) não 184 ANEXO B: Entrevista 1) O que o senhor entende por gestão esportiva? 2) Como estão as finanças do clube? 3) As dificuldades encontradas na sua gestão lhe motivaram à elaboração de um planejamento estratégico objetivando solucioná-las? 4) As modalidades esportivas oferecidas no clube são de caráter competitivo? 5) Quais são os objetivos a curto e longo prazo a serem atingidos pelas modalidades competitivas na sua gestão à frente do clube? 6) Os eventos esportivos realizados são vantajosos para o clube? 185 ANEXO C TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Título do projeto: ANÁLISE DO PERFIL DE GESTÃO BASEADA NO DISCURSO DOS DIRIGENTES ESPORTIVOS DE CLUBES EM JUIZ DE FORA Responsável pelo projeto: Luiz Carlos Pessoa Nery Eu,_________________________________________________, abaixo assinado, declaro ter pleno conhecimento do que se segue: 1) fui informado de forma clara e objetiva que a pesquisa intitulada “ANÁLISE DO PERFIL DE GESTÃO BASEADA NO DISCURSO DOS DIRIGENTES ESPORTIVOS DE CLUBES EM JUIZ DE FORA” irá analisar o perfil do dirigente esportivo da cidade de Juiz de Fora, nos seus mais variados aspectos, com enfoque na prática esportiva de lazer e competitiva. 2) Sei que nesta pesquisa será utilizada a pesquisa aplicada de caráter quanti-qualitativo por meio de um estudo de caso referente à gestão esportiva nos clubes da cidade de Juiz de Fora, tema recente no Brasil. Serão aplicados aos participantes questionários com questões abertas e fechadas no intuito de detectar o tipo de perfil do gestor desejado para este estudo. Após a aplicação do questionário serão realizadas entrevistas semi-estruturadas com os participantes selecionados, para um maior aprofundamentos das informações com as questões das quais queremos conhecer e uma análise documental na mídia impressa da cidade. Com relação aos dados obtidos nos questionários, estes serão analisados através de estatística descritiva e apresentados sob a forma de tabelas estatísticas. No que diz respeito às respostas das entrevistas, estas serão analisadas por meio da análise do conteúdo (BARDIN, 1977). Para a análise documental serão fotografadas as páginas do caderno de esportes e serão analisadas as matérias cujos títulos sejam referentes à prática de modalidades olímpicas competitivas na cidade. 3) Estou ciente que não é obrigatória a minha participação nesta pesquisa, caso me sinta 186 constrangido antes e durante a realização da mesma. 4) Poderei saber através da pesquisa quais as dificuldades e virtudes dos gestores esportivos da cidade de Juiz de Fora bem como o perfíl daqueles que comandam o esporte no âmbito clubístico. 5)Sei que os materiais utilizados para coletas de dados serão armazenados por Luiz Carlos Pessoa Nery. 6) Sei que o pesquisador manterá em caráter confidencial todas as respostas que comprometam a minha privacidade. 7) Receberei informações atualizadas durante o estudo, ainda que isto possa afetar a minha vontade em continuar dele participando. 8) Estas informações poderão ser obtidas através de Luiz Carlos Pessoa Nery, telefone___________________. 9) Foi-me esclarecido que o resultado da pesquisa será divulgado com o objetivo científico, mantendo-se a minha identidade em sigilo. 10) Quaisquer outras informações adicionais que julgar importante para compreensão do desenvolvimento da pesquisa e da minha participação poderão ser obtidas no comitê de ética e pesquisas. Declaro ainda que recebi cópia do presente termo de conscentimento. Cidade______________________________________, (dia) de (mês) de 2009 Pesquisador: ____________________________________________________ Luiz Carlos Pessoa Nery - CPF Sujeito da pesquisa: _______________________________________________ __________________________________ - CPF