CO 72: Fortaleza dos Reis Magos:
a presença da Matemática e suas histórias na construção
do conhecimento escolar ampliado para sociedade
Janderson Ribeiro de Souza e Silva
UFRN
[email protected]
João Maria da Silva Lopes
UFRN/IFRN
[email protected]
RESUMO
Essa comunicação tem por motivação apresentar o papel icônico que a história da matemática
tem em mesclar narrativas relevantes e saberes matemáticos. Apresentamos nessa pesquisa
alguns documentos, do contexto histórico e suas relações matemáticas na construção da
Fortaleza dos Reis Magos, por meio de registros da época e suas implicações, não apenas para os
conteúdos escolares, mas também abrangentes à sociedade. Nosso processo de investigação foi
iniciado em 2014 e objetiva expor as relações matemáticas no âmbito sociocultural da elaboração
contextualizada, em etapas, da Fortaleza na cidade do Natal. A questão que nos motivou foi:
“Qual a matemática envolvida na história da construção do Forte em nossa cidade?” e para
responder essa indagação partimos em busca das informações fragmentadas e aleatórias,
sabendo que iriamos encontrar diversas óticas sob esse contexto memorável. Por se tratar de
uma investigação aberta em história da matemática, não afunilamos de imediato as informações
alcançadas. Aos poucos fomos reorganizando nosso próprio “quebra-cabeça”, sob a ótica
particular que nos interessa para esta pesquisa. Almejando cada nova descoberta e ligando o
conhecimento obtido com o objeto de estudo, que é o material adquirido em todo o processo de
elaboração desta investigação, ou seja, nosso objeto de pesquisa são os próprios registros
encontrados nas buscas por informações históricas sobre as relações envolvendo as narrativas da
Fortaleza, os saberes matemáticos envolvidos e o contexto sociocultural. Os objetivos a serem
alcançados na investigação são externar os vínculos que hibridam o processo histórico na
construção do Forte, dialogar com os princípios que envolvem a matemática usada nessa
arquitetura e as práticas possíveis para expor tais conteúdos para educadores e pesquisadores de
educação matemática, refletirem e contemplarem, em suas aulas essa proximidade entre
história, matemática e educação. O método é construído por meio das práticas investigativas do
próprio levantamento, isto é, conduzimos a narrativa por meio da ótica que moldamos para
melhor compreender essa busca histórica. Assim, a pesquisa foi amadurecida sob seu próprio
processo de investigação e a busca culminou em um levantamento documental para recontar a
história do Forte sob a narrativa matemática da sociedade. É notório concluir que tal busca
ressalta a importância de inserir temas transversais na educação escolar para conectar saberes e
ampliar o conhecimento sociocultural por meio das práticas.
Palavras-chaves: Fortaleza dos Reis Magos, História da Matemática, Pesquisas Socioculturais.
Introdução
As diversas utilizações da matemática na sociedade vêm construindo, no passar dos
séculos, parte da história humana, artefatos das antigas civilizações comprovam historicamente a
gigantesca relação prática e miscigenada de saberes nos processos de construções complexos,
que não priorizavam apenas grandiosidade arquitetônica ou detalhes minuciosos. Mas, além da
beleza lapidada em cada detalhe emerge a necessidade de segurança, e é nessa perspectiva que
abordamos nossa pesquisa.
O requisito segurança é fundamental em qualquer sociedade, o uso da matemática
aprimora seja qual for o sistema de segurança escolhido, desse pensamento partimos para a
Fortaleza dos Reis Magos e suas relações matemáticas em prol da sociedade. Nossa motivação é
apresentar o papel icônico que a história da matemática tem em mesclar narrativas relevantes e
saberes matemáticos.
A pesquisa foi iniciada a partir de alguns documentos e da seguinte indagação, que nos
motivou, “Qual a matemática envolvida na história da construção do Forte em nossa cidade?”
esse contexto histórico e suas relações matemáticas na construção da Fortaleza nos incitaram em
buscar respostas nos registros da época e suas implicações, não apenas para os conteúdos
escolares, mas também abrangentes à sociedade.
Os documentos que apresentam as múltiplas faces do “Forte”, jeito que os potiguares
falam da Fortaleza, foram espalhados, e alguns até perdidos ou se desconhece seu destino
tomado entre as décadas, entretanto obtivemos acesso a algumas imagens, registros e arquivos
digitais dessa história que nos propiciou a reconstrução da história, sob um olhar matemático que
diverge nas práticas escolares ampliadas nas relações socioculturais.
Esse agrupamento de informações foi reelaborado e reorganizado diversas vezes, até
chegarmos numa ótica simples, para possibilitar a compreensão de tais relações de modo a
facilitar seu entendimento para qualquer leitor, que tenha interesse pelo tema da pesquisa, não
se limitando a comunidade acadêmica.
Questões da pesquisa
As relações que hibridam nosso processo investigativo se originaram de uma indagação
que foi alargando a forma de busca pela resposta, ou respostas já que no decorrer da pesquisa as
variações dos questionamentos ganharam diversas narrativas. Por esse motivo atentamos para a
necessidade de reestruturação de todas as informações relevantes, pois foi a partir delas que
pudemos transcender destas informações documentais históricas para a elaboração de saberes
matemáticos socioculturais.
O contexto histórico que a educação matemática tem, em nosso país, somado com essa
atual geração tecnológica, mostra que há uma necessidade urgente de atualização dos processos
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de ensino-aprendizagem. As informações precisam ter uma proximidade com a realidade dos
estudantes, e cabe ao educador nortear e correlacionar tais ideias.
A educação matemática pode ser exposta dentro e fora da sala de aula com temas
transversais, esse diálogo é atual e possibilita ampliações que nossa indagação alargou, no
decorrer da investigação.
Para Mendes (2009, p.10), torna-se necessário, portanto, abordar a matemática
enquanto uma atividade referente à efetivação de um pensamento ativo que busca construir
soluções para os processos lógico-interrogativos surgidos no dia-a-dia. Essa ideia favorece o
diálogo entre os temas que refletem os constantes avanços tecnológicos alcançados ao longo na
história da ciência e da técnica em diversos contextos sociais, enfatiza o autor, enfatizando a
necessidade de tecer redes cognitivas na aprendizagem do âmbito escolar para a sociedade.
Os ramos que foram florescendo nas questões do processo investigativo não foram
totalmente eliminados, mas houve a necessidade de podar algumas perguntas que não estavam
diretamente dentro dos nossos interesses.
Assim, nos atentamos apenas em seguir o fluxo que apresenta a matemática envolvendo
a história na construção do Forte e a utilização dos processos investigativos, de modo eficiente
para conscientizar os professores na urgência de guiar seus alunos para a construção do
conhecimento pertinente e não fragmentado.
Objeto de estudo
Nosso objeto de estudo são os próprios materiais que constituem a pesquisa, juntamente
com as interações que tivemos contato, desse modo, os elementos usados para a estruturação
deste objeto é o somatório das pistas que seguimos para montar nosso “quebracabeça” em uma
equação que interliga todas as etapas de pesquisa, idas ao Arquivo Público Estadual, visitas as
bibliotecas, destacando a coerência com nossa atual geração que habita o virtual tivemos contato
no digital também, troca de e-mails, recebimento de respostas e até arquivos digitalizados, que
facilitaram bastante nossa pesquisa.
A descrição cronológica dessa etapa de construção do próprio objeto de estudo foi
iniciada no real, com duas visitas presenciais ao Arquivo Público Estadual, na primeira por conta
do horário não foi possível fazer nenhum registro, ao retornar em um horário combinado foi
possível fazer a captura de registros antigos por meio de fotografias, inclusive da planta da
Fortaleza.
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Registros capturados na segunda visita ao Arquivo Público Estadual
Em seguida entramos em contato com a Biblioteca do Exército, via e-mail, perguntando
se havia a possibilidade de solicitar informações sobre o Forte, felizmente o retorno foi positivo e
juntamente com a resposta vieram alguns links, algumas imagens e um arquivo PDF em anexo
com uma breve história do forte.
Posteriormente, bem entusiasmados com os resultados sendo alcançados com sucesso,
enviamos contato para o Arquivo Histórico do Exército e outra vez, obtivemos boas notícias com
fervor, recebemos diversos arquivos digitais para selecionar os que tínhamos interesse, tipo um
catálogo para selecionar os que interessavam e receber em alta qualidade.
Por se tratar de arquivos digitalizados em alta resolução foi necessário utilizar uma
ferramenta de compartilhamento de arquivos pesados em nuvem, esse aplicativo possibilitou o
download dos arquivos escolhidos.
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Arquivos digitalizados em alta qualidade e disponibilizados pelo Arquivo Histórico do Exército
Então, foi por meio dessa ótica e desse contexto que elaboramos nossa pesquisa
investigativa em cima do nosso próprio objeto de estudo, ampliando nossas mediações e
melhorando nossa interatividade, por meio do ambiente virtual que nos proporcionou uma vasta
e quase que direta construção dos resultados esperados da pesquisa.
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Objetivos
O objetivo geral dessa pesquisa investigativa é refletir sobre as relações e apresentar, em
forma de exposição, tais religações matemáticas no âmbito sociocultural das etapas de (re)
construção do Forte, ou seja, mostrar a sociedade o poder de religar saberes no ensino da
história da educação matemática, nas práticas escolares por meio de narrativas e introdução a
pesquisa científica.
Os específicos são analisar e externar os vínculos que hibridam os processos históricos na
construção do Forte, dialogar e exercitar os princípios que envolvem a matemática usada nessa
arquitetura e as práticas possíveis para expor tais conteúdos para professores e pesquisadores de
educação matemática, investigarem e contemplarem esses seguimentos, em suas aulas no
intuito de aproximar a construção do conhecimento entre história, matemática e educação.
A necessidade de explorar a busca por novos saberes, ampliando e reordenando os
antigos, em uma contínua teia que tecemos por toda a vida, é um dos fatos que nos nutri a ponto
de ampliar, em um futuro próximo essa investigação. O modo de pesquisa que estruturamos
nesse processo, reativou nosso senso critico, tornando em um objetivo colateral a autocrítica que
hibrida nossos objetivos naturais como educadores, para semear em nossos estudantes uma
autonomia à pesquisa.
Método
O método utilizado na pesquisa foi desenvolvido por meio de estratégias que envolvem
leituras, análises documentais, busca por informações, nossas próprias vivências no processo
como um todo. Em analogia com René Descartes, nosso método tem o bom senso como ponto
de partida, e tomamos uma das traduções de suas obras como nossa leitura de cabeceira.
As divergências e ambivalências da sociedade externam as incertezas e contradições que
integram a humanidade, vejamos um trecho do autor (2011, p. 27),
Não é verossímil que todos se enganem; ao contrário, isto mostra que o poder de
bem julgar e de distinguir o verdadeiro do falso, que é propriamente o que se
chama o bom senso ou razão, é naturalmente igual em todos os homens; e,
assim, a diversidade de nossas opiniões não resulta de serem umas mais
razoáveis do que outras, mas somente de conduzirmos nossos pensamentos por
diversas vias, e de não considerarmos as mesmas coisas.
Esse pensamento condiz bem com nosso método de investigação, os desafios da
pesquisa, o ato de buscar e reestabelecer uma nova narrativa por meio dos documentos
reagrupados, sob as diversas óticas deste processo, e os modos de aprender a compreender as
partes e o todo forjados em nosso discurso.
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Em todas as etapas desta pesquisa investigativa se faz presente uma abordagem
construtiva da história da matemática e é nessa perspectiva que exaltamos a necessidade de
aproximarmos a ligação entre os saberes da história e matemática para a educação.
Para Mendes (2009, p. 82), a história pode ser nossa grande aliada quanto à explicação
desses porquês, desde que se incorpore às atividades de ensino-aprendizagem, aspectos
históricos necessários à solução desse questionamento dos alunos.
Conclusões
Ao obter as primeiras consequências desta pesquisa investigativa, que foi construída sob
seu próprio processo de investigação, concluímos e ressaltamos a importância de inserir temas
transversais na educação escolar para conectar saberes e ampliar o conhecimento sociocultural
por meio das práticas.
Nossas considerações finais não fecham essa pesquisa, pois a mesma é aberta e aos
poucos vamos observando, analisando e usando da complementaridade entre os saberes, que
nos conectam uns aos outros e em outros tempos. É na diversidade que nos aproximamos e
nessas hibridações ampliamos o nosso conhecimento particular por outras óticas, tais
consequências resultando em almejar a integralização de cada nova descoberta e religar este
conhecimento obtido com o objeto de estudo, envolvendo as narrativas do Forte, os saberes
matemáticos envolvidos e o contexto sociocultural.
Os recursos necessários para constituir uma cabeça bem feita em nossos alunos são
poucos, mas de muito valor. Essas informações compõem uma nova ótica coerente para a atual
sociedade, as futuras gerações poderão evidencia a relevância de estabelecer um diálogo com os
princípios que envolvem a matemática usada nessa arquitetura e as práticas possíveis para expor
tais conteúdos.
É notório concluir que tal busca foi de grande amadurecimento acadêmico e profissional,
para nós, como educadores, pesquisadores e profissionais da educação aberta, hibrida e em
constante processo de atualização pelo conhecimento. Assim, devem ser os professores do
futuro, futuro esse que já chegou faz tempo, não podemos mais permanecer estáticos em aulas
extremamente exaustivas e repetitivas, essa geração deve ser norteada e instigada pelo
conhecimento mútuo de saberes.
Com isso nossas considerações finais são de externar o interesse por validar e apresentar
um modo de educação para o futuro, por meio das narrativas históricas, que religuem e
aproximem a construção do conhecimento pertinente e não fragmentado na forma de pesquisa
documental e o uso das novas tecnologias da informação e comunicação.
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Referências
MENDES, Iran Abreu. Investigação Histórica no Ensino da Matemática. Rio de Janeiro:
Editora Ciência Moderna, 2009.
MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: Repensar a reforma, reformar o pensamento. 20ª ed.
Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012.
DESCARTES, René. Discurso do método. Rio de Janeiro: Saraiva de bolso, 2011.
PETRAGLIA, Izabel. Pensamento complexo e educação. São Paulo: Editora Livraria da Física,
2013.
VERGANI, Teresa. Criatividade como destino: Transdisciplinaridade, cultura e educação.
São Paulo: Editora Livraria da Física, 2009.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 2ª ed. São Paulo:
Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2000.
Sites consultados http://www.funceb.org.br/revista.asp?pag=2&texto (acessado em
30/09/2014 às 23h) http://www.funceb.org.br/images/revista/13_6v3z.pdf (acessado em
01/10/2014 às 01h23min)
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