Projeto Bacias visita Itaipu para aprender Projeto Bacias visita Itaipu para aprender Maior hidrelétrica do mundo desenvolve Cultivando Água Boa, programa escolhido pelo Ministério do Meio Ambiente como um dos exemplos para a Rio+20 Itaipu Binacional, a maior hidrelétrica do mundo em geração de energia, é também a promotora de um importante e abrangente programa de cuidado com as águas, a exemplo do Projeto Bacias, iniciativa do Movimento CYAN para promover a recuperação de todas as bacias hidrográficas em que há fábricas da Ambev, criadora e patrocinadora das ações. Desde 2003, Itaipu desenvolve um projeto chamado Cultivando Água Boa, uma ampla iniciativa socioambiental que inclui o estímulo à utilização de plantas medicinais, gestão por bacias, desenvolvimento rural sustentável, criação ecológica de peixes e consumo responsável, entre outros. Comitiva completa do Distrito Federal durante a visita a usina hidrelétrica Itaipu Binacional em conjunto com comitiva de Reserva do Cabaçal, Mato Grosso. Para conhecer como funciona o programa, cinco pessoas ligadas ao Projeto Bacias e quatro do Movimento das Águas do Cabaçal, ambas iniciativas do programa Água para a Vida, do WWF-Brasil, fizeram uma visita técnica às ações desenvolvidas em cidades do entorno do rio Paraná. O WWF-Brasil é parceiro da Ambev no piloto do Projeto Bacias, que está sendo implementado há dois anos no Distrito Federal. Um detalhe simbólico conecta as duas iniciativas: as águas do córrego do Crispim, onde o Projeto Bacias está sendo implantado, fazem parte da Bacia Hidrográfica do Rio Corumbá, que por sua vez faz parte da macrobacia do rio Paraná. Ou seja, o córrego do Crispim é um dos milhares de cursos de água que movem as turbinas de Itaipu. Um dos objetivos do Projeto Bacias é mostrar a interdependência dos recursos hídricos. Segundo Elisa Marie Sette Silva, analista do Água Para a Vida, a visita possibilitou a troca de experiências e expôs iniciativas bem-sucedidas de melhoria da qualidade da água. "A estratégia que norteia o programa de Itaipu é o envolvimento e a participação da comunidade. Esse princípio também rege o Projeto Bacias", afirmou Elisa. Diretor de Coordenação e Meio Ambiente da Itaipu, Nelson Friedrich, durante palestra sobre o programa Cultivando Água Boa Para o diretor de Coordenação e Meio Ambiente da Itaipu, Nelson Friedrich, sem as parcerias existentes não haveria o Cultivando Água Boa. "Itaipu é apenas mais um ator neste universo de 8.000 km² e um milhão de habitantes. Nossa meta é promover a educação pela cidadania planetária", comenta Friedrich. A programação foi intensa durante a visita técnica, realizada entre 9 e 13 de janeiro. Antes de conhecer as ações in loco, a comitiva do Distrito Federal conferiu a apresentação do programa, feita por Friedrich. Entre as boas práticas apresentadas, Elisa destaca o corredor de biodiversidade de 16 quilômetros que corta os municípios de Santa Terezinha de Itaipu e São Miguel do Iguaçu. Para criar essa floresta contínua, foram plantadas mais de 120 mil mudas, de 70 espécies diferentes, todas nativas, para ligar o reservatório da usina ao Parque Nacional do Iguaçu, o que ajuda a proteger o manancial e também facilita o trânsito de animais, aumentando suas chances de sobrevivência e de perpetuação das espécies. Integrantes do Projeto Bacias e do WWF-Brasil conferem como funciona a produção de biogás, ação da Plataforma Itaipu de Energias Renováveis, do Programa cultivando Água boa e parceiros como Embrapa, Emater, prefeitura de Rondon, entre outras. Ainda em São Miguel do Iguaçu, a comitiva conheceu a propriedade de José Colombari, que, com a ajuda do projeto Cultivando Água Boa e outros parceiros, produz biogás a partir do esterco de porcos. O biogás, uma fonte limpa de energia, pode ser usado para abastecimento de veículos. O aproveitamento do esterco evita a emissão de gases de efeito estufa, a contaminação dos cursos de água com grandes quantidades de dejetos animais e, principalmente, oferece uma nova oportunidade de renda aos produtores rurais com a venda do biogás. Além do biogás, o processo gera um fertilizante que pode ser usado para adubação. Um dos pontos chaves da visita foi entender como organizar a gestão tendo como referência as bacias hidrográficas, que é um dos objetivos do Projeto Bacias no Distrito Federal. "Cuidar das águas do córrego do Crispim, do Distrito Federal, é o principal foco do Projeto Bacias. Itaipu desenvolve o mesmo conceito nas microbacias da região", destaca Elisa. A gestão por bacias é baseada no desenvolvimento de ações em microbacias hidrográficas da Bacia do Paraná 3, extensa região localizada no oeste do Paraná e sul do Mato Grosso do Sul. Entende-se por bacia hidrográfica a área onde ocorre a captação da água da chuva, devido às suas características geográficas e topográficas, que drenam por meio de córregos, rios pequenos, médios e grandes e convergem para um rio principal. Essas ações da gestão por bacias já trazem resultados positivos para a população da região, como a melhoria da qualidade dos recursos hídricos que abastecem a região, controle de erosões em áreas agrícolas, a adequação de estradas rurais e a recuperação de nascentes. A programação também contemplou visita às Cataratas do Iguaçu, uma das sete maravilhas da natureza, segundo o concurso popular promovido pela organização New7Wonders, do empresário suíco Bernard Weber - leia mais aqui. Para Mônica Caltabiano Eichler, membro suplente do Comitê de Bacias do Rio Paranoá, a visita foi interessante porque mostrou que as ações desenvolvidas no Distrito Federal para a preservação da água são semelhantes às de Itaipu. "Também me chamou a atenção o envolvimento das comunidades e como o projeto melhorou a qualidade de vida das pessoas", finaliza. Rio+20 O Cultivando Água Boa se compõe de 20 programas integrados em 65 ações, estruturadas com 2.146 parceiros. Abrange as dimensões ambientais, sociais e econômicas, partindo da base, como o envolvimento de estudantes para o monitoramento de nascentes, chegando até a terceira idade, com apoio a atividades culturais e de resgate de patrimônios históricos. Por sua diversidade, foi escolhido pelo Ministério do Meio Ambiente como um dos exemplos brasileiros que serão exibidos Rio+20 , conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada entre 20 e 22 de junho de 2012, no Rio de Janeiro.