UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE AQUIDAUANA PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA VARIABILIDADE ESPACIAL DE ATRIBUTOS FÍSICOS DE UM LATOSSOLO VERMELHO CULTIVADO COM CANA-DE-AÇÚCAR EM SISTEMA DE COLHEITA MECANIZADA Acadêmica: Cristiane Andréia da Silva Aquidauana - Mato Grosso do Sul - Brasil Maio de 2011 UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE AQUIDAUANA PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA VARIABILIDADE ESPACIAL DE ATRIBUTOS FÍSICOS DE UM LATOSSOLO VERMELHO CULTIVADO COM CANA-DE-AÇÚCAR EM SISTEMA DE COLHEITA MECANIZADA Acadêmica: Cristiane Andréia da Silva Orientador: Laércio Alves de Carvalho “Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Agronomia, área de concentração em Produção Vegetal, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, como parte das exigências para a obtenção do título de Mestre em Agronomia (Produção Vegetal)”. Aquidauana - Mato Grosso do Sul - Brasil Maio de 2011 S579v Silva, Cristiane Andréia da Variabilidade espacial de atributos físicos de um Latossolo vermelho cultivado com cana-de-açúcar em sistema de colheita mecanizada/Cristiane Andréia da Silva. Aquidauana, MS: UEMS, 2011. 75p. ; 30cm Dissertação (Mestrado em Agronomia) – Produção Vegetal – Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, 2011. Orientador: Prof. Dr. Laércio Alves de Carvalho 1. Cana-de-açúcar 2. Manejo de solo 3. Física do solo. I. Título. CDD 20.ed.633.61 “Mude suas opiniões, sustente seus princípios; Troque suas folhas, mas mantenha intactas suas raízes”. Victor Hugo (1802 – 1885) iii Aos meus pais, Maria Irene e Osvaldo, pela educação, os princípios e o carinho; Aos meus irmãos, Regiane, Wanderson e Francielly, que têm sido a grande razão e incentivo do meu aperfeiçoamento. OFEREÇO Ao meu esposo, Eduardo M. Lobo, pelo amor, apoio e incentivo. DEDICO iv AGRADECIMENTOS A Deus pela oportunidade de aprimorar meus conhecimentos; Esta conquista é conseqüência da sua imensa bondade. Ao professor Laércio Alves de Carvalho, pela orientação, paciência e amizade. Parabéns pela doação e amor ao seu trabalho, você é um exemplo de profissional. A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul – Programa de PósGraduação em Agronomia, em especial ao seu quadro de docentes pelos ensinamentos e direcionamento profissional. À CAPES, pela concessão da bolsa de estudos. A Usina ETH Bioenergia pela infra-estrutura e disponibilidade de equipe técnica a fim de realizarmos este trabalho. Aos funcionários da secretaria de Pós-Graduação pelo convívio e disponibilidade em vários momentos. Aos colegas de Pós-Graduação, pelo convívio e valiosos ensinamentos profissionais e pessoais. Em especial as minhas queridas amigas Cassia de Carvalho e Maira Vicente Soares, pela amizade sincera e por me mostrarem que verdadeiras amizades não se constroem em tempo cronológico. Sucesso a todos. A todos aqueles que por um lapso de memória possa não ter sido mencionado. Obrigada pelo apoio e por fazerem parte de mais uma etapa da minha vida. MUITO OBRIGADA. v SUMÁRIO páginas LISTA DE FIGURAS ........................................................................................ viii LISTA DE TABELAS ......................................................................................... xii RESUMO ......................................................................................................... xiii CAPÍTULO 1 - CONSIDERAÇÕES GERAIS.......................................................1 1.1 Introdução......................................................................................................1 1.2 REVISÃO DE LITERATURA ................................................................................. 3 1.2.1 Aspectos gerais da cultura da cana-de-açúcar ......................................... 3 1.2.2 Panorama da produção de cana-de-açúcar no Brasil e na região de Cerrado .............................................................................................................. 5 1.2.3 Fatores de qualidade do Solo ................................................................... 6 1.2.4 Indicadores de qualidade física do solo .................................................... 8 1.2.5 Densidade do solo (Ds) ............................................................................. 9 1.2.6 Porosidade do solo (Pt) ............................................................................. 9 1.2.7 Conteúdo de água no solo ...................................................................... 11 1.2.8 Resistência mecânica do solo à penetração (RMP) ................................ 12 1.2.9 Variabilidade espacial de atributos do solo ............................................. 14 1.3 CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS ................................................................ 16 1.3.1 Localização e descrição da área experimental ....................................... 16 1.3.2 Clima e solo ............................................................................................ 18 vi 1.3.3 Coleta e preparo das amostras ............................................................... 19 1.3.4 Caracterização física do solo .................................................................. 19 1.3.5 Análise dos dados ................................................................................... 19 1.4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................... 21 CAPÍTULO 2 - VARIABILIDADE ESPACIAL DE ATRIBUTOS FÍSICOS DE UM LATOSSOLO VERMELHO CULTIVADO COM CANA-DE-AÇÚCAR EM SISTEMA DE COLHEITA MECANIZADA ........................................................ 26 RESUMO ......................................................................................................... 26 ABSTRACT ...................................................................................................... 27 2.1 INTRODUÇÃO ................................................................................................ 28 2.2 MATERIAL E MÉTODOS .................................................................................. 30 2.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO ........................................................................... 32 2.3.1 Análise descritiva dos dados ................................................................... 32 2.3.2 Análise geoestatística ............................................................................. 44 3. CONCLUSÕES ........................................................................................... 56 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................. 57 CAPÍTULO 3 - CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................61 Erro! Indicador não definido. vii LISTA DE FIGURAS páginas Figura1. Esquematização da área experimental onde foram amostrados 144 pontos ...............................................................................................................17 Figura 2. Histograma e teste de normalidade para a variável densidade do solo na camada de 0-0,20 m para a safra do ano de 2008... .................................. 33 Figura 3. Histograma e teste de normalidade para a variável porosidade total do solo na camada de 0-0,20 m para a safra do ano de 2008. ............................. 34 Figura 4. Histograma e teste de normalidade para a variável umidade do solo na camada de 0-0,20 m para a safra do ano de 2008. .................................... 34 Figura 5. Histograma e teste de normalidade para a variável resistência mecânica a penetração na camada de 0-0,20 m para a safra do ano de 2008. ......................................................................................................................... 35 Figura 6. Histograma e teste de normalidade para a variável densidade do solo na camada de 0,20 – 0,40 m para a safra do ano de 2008.............................. 35 Figura 7. Histograma e teste de normalidade para a variável porosidade total do solo camada de 0,20 – 0,40 m para a safra do ano de 2008. .......................... 36 Figura 8. Histograma e teste de normalidade para a variável umidade solo camada de 0,20 – 0,40 m para a safra do ano de 2008. .................................. 36 viii Figura 9. Histograma e teste de normalidade para a variável resistência mecânica a penetração camada de 0,20 – 0,40 m para a safra do ano de 2008. ......................................................................................................................... 37 Figura 10. Histograma e teste de normalidade para a variável densidade do solo na camada de 0 – 0,20 m para a safra do ano de 2009. .......................... 37 Figura 11. Histograma e teste de normalidade para a variável porosidade total do solo na camada de 0 – 0,20 m para a safra do ano de 2009. ..................... 38 Figura 12. Histograma e teste de normalidade para a variável umidade do solo na camada de 0 – 0,20 m para a safra do ano de 2009. .................................. 38 Figura 13. Histograma e teste de normalidade para a variável resistência mecânica a penetração camada de 0 – 0,20 m para a safra do ano de 2009. ...................................................................................................................... ...39 Figura 14. Histograma e teste de normalidade para a variável densidade do solo na camada de 0,20 – 0,40 m para a safra do ano de 2009. ..................... 39 Figura 15. Histograma e teste de normalidade para a variável porosidade total do solo na camada de 0,20 – 0,40 m para a safra do ano de 2009. ................ 40 Figura 16. Histograma e teste de normalidade para a variável umidade do solo na camada de 0,20 – 0,40 m para a safra do ano de 2009.............................. 40 Figura 17. Histograma e teste de normalidade para a variável resistência mecânica a penetração na camada de 0,20 – 0,40 m para a safra do ano de 2009...................................................................................................................41 Figura 18. Semivariograma experimental para a variável densidade do solo, na camada de 0-0,20 m para safra do ano de 2008 ............................................. 47 Figura 19. Semivariograma experimental para a variável porosidade total, na camada de 0-0,20 m para safra do ano de 2008 ............................................. 47 ix Figura 20. Semivariograma experimental para a variável conteúdo de água no solo, na camada de 0-0,20 m para safra do ano de 2008 ................................ 48 Figura 21. Semivariograma experimental para a variável resistência mecânica a penetração, na camada de 0-0,20 m para safra do ano de 2008..................... 48 Figura 22. Semivariograma experimental para a variávei densidade do solo, na camada de 0,20-0,40 m para a safra do ano de 2008 ..................................... 48 Figura 23. Semivariograma experimental para a variável porosidade total, na camada de 0,20-0,40 m para a safra do ano de 2008 ..................................... 49 Figura 24. Semivariograma experimental para a variável, conteúdo de água no solo, na camada de 0,20-0,40 m para a safra do ano de 2008 ........................ 49 Figura 25. Semivariograma experimental para a variável resistência mecânica a penetração, na camada de 0,20-0,40 m para a safra do ano de 2008............. 49 Figura 26. Semivariograma experimental para a variável densidade do solo, na camada de 0-0,20 m para a safra do ano de 2009 .......................................... 50 Figura 27. Semivariograma experimental para a variável porosidade total, na camada de 0-0,20 m para a safra do ano de 2009 .......................................... 50 Figura 28. Semivariograma experimental para a variável, conteúdo de água no solo, na camada de 0-0,20 m para a safra do ano de 2009 ............................. 50 Figura 29. Semivariograma experimental para a variável resistência mecânica a penetração, na camada de 0-0,20 m para a safra do ano de 2009.................. 51 Figura 30. Semivariograma experimental para a variável densidade do solo, na camada de 0,20-0,40 m para a safra do ano de 2009 ..................................... 51 Figura 31. Semivariograma experimental para a variável, porosidade total, na camada de 0,20-0,40 m para a safra do ano de 2009 ..................................... 51 Figura 32. Semivariograma experimental para a variável, conteúdo de água no solo, na camada de 0,20-0,40 m para a safra do ano de 2009 ........................ 52 x Figura 33. Semivariograma experimental para a variável resistência mecânica a penetração, na camada de 0,20-0,40 m para a safra do ano de 2009............. 52 Figura 34. Distribuição espacial para as variáveis densidade, umidade e resistência do solo a penetração, na camada 0,0 – 0,20 m para a safra do ano de 2008 ............................................................................................................ 54 Figura 35. Distribuição espacial para as variáveis densidade do solo, porosidade total e resistência do solo a penetração, na camada 0,20 – 0,40 m para a safra do ano de 2008 ............................................................................ 54 Figura 36. Distribuição espacial para as variáveis densidade do solo, porosidade total e conteúdo de água no solo na camada 0,0 – 0,20 m para a safra do ano de 2009 ....................................................................................... 55 Figura 37. Distribuição espacial para as variáveis densidade do solo, conteúdo de água no solo e resistência do solo a penetração, na camada 0,20 – 0,40 m para a safra do ano de 2009 ............................................................................ 55 xi LISTA DE TABELAS páginas Tabela 1. Índice pluviométrico no município de Rio Brilhante-MS durante as safras antecessoras ao trabalho ...................................................................... 18 Tabela 2. Caracterização Granulométrica e Classe textural nas profundidades de 0,0 -0,20m e 0,20 – 0,40 m da área experimental, realizada pós colheita da safra de 2008.....................................................................................................18 Tabela 3. Resumo estatístico para as variáveis densidade (g cm-3), porosidade total (%), conteúdo de água no solo (m3 m-3) e resistência do solo a penetração (Mpa) nas duas camadas estudadas (0-0,20 e 0,20-0,40 m), para as safras do ano de 2008 e 2009 ......................................................................................... 32 Tabela 4. Valores dos parâmetros dos semivariogramas ajustados nas duas camadas estudas (0-0,20 e 0,20-0,40 m) para as safras dos anos de 2008 e 2009 ................................................................................................................. 45 xii RESUMO O uso continuo do solo e de tecnologias inovadoras, nem sempre levam em consideração os manejos mais adequados em que os recursos disponibilizam. Atualmente o setor sucroalcooleiro tem-se constituído de uma crescente utilização dos recursos naturais, especialmente do solo e da água, aumentando a preocupação com a sustentabilidade desses recursos, buscando assim a indicação de técnicas de manejos adequadas. Com o objetivo de estudar a variabilidade espacial dos atributos físicos de um Latossolo Vermelho Distrófico típico cultivado com cana-de-açúcar em sistema de colheita mecanizada, avaliou-se densidade do solo, porosidade total, conteúdo de água no solo e resistência mecânica do solo a penetração (RMP) durante dois anos consecutivos. A parcela implantada no talhão formou uma malha experimental com 144 pontos, tendo sido coletadas amostras com estrutura indeformada, nas camadas de 0,0 – 0,20 m e 0,20 – 0,40 m. De posse dos dados, realizouse análise estatística descritiva a fim de averiguar possíveis valores discrepantes e posteriormente técnicas de geoestatísticas procurando observar o grau de dependência espacial entre os 144 pontos. Os métodos geoestatísticos utilizados foram adequados para descrever a estrutura de dependência espacial das variáveis, indicando compactação do solo principalmente na faixa direita da área estudada. Palavras-chave: agricultura de precisão, densidade do solo; Saccharum spp. xiii CAPÍTULO 1 – CONSIDERAÇÕES GERAIS 1.1 Introdução A cana-de-açúcar (Saccharum officinarum L.) tornou-se uma das culturas de maior importância econômica no mundo todo. Este fato pode estar atribuído à sua múltipla utilização, que fez com que ao mesmo tempo em que a economia brasileira crescesse de forma mais acelerada, aumentasse também as especulações e dúvidas com relação ao seu cultivo. O cultivo da cana-de-açúcar se estabeleceu sobre os mais variados tipos de solo no território nacional, desde solos com textura arenosa a muito argilosos, assim como em solos com altos teores de matéria orgânica. Tal fato associado com as grandes áreas disponíveis para a disseminação da cultura e as suas fontes alternativas de energia, fez com que o governo incentivasse cada vez mais seu cultivo, criando políticas públicas que amparasse as safras no país. Da mesma forma em que se aumentaram as áreas de cultivo com cana-de-açúcar, as preocupações com os possíveis impactos que o setor sucroalcooleiro pudesse a gerar sobre os recursos naturais, fez com que alavancasse as pesquisas no país. Sabe-se que não é a cultura em si que tem promovido impactos negativos ao solo, água e atmosfera, e sim as técnicas de manejos inadequadas que muitas vezes são utilizadas. A expansão da cana-de-açúcar se deu e continua ocorrendo pela substituição de áreas antes ocupadas por outras culturas e pastagens. Atualmente as áreas de cerrado são as mais cogitadas para as próximas safras, tornando-se necessárias pesquisas específicas que possam direcionar práticas mais adequadas à realidade desse bioma, com o intuito de minimizar os efeitos negativos de manejos inadequados. É sabido que o cultivo da cana-de-açúcar utiliza de um vigoroso revolvimento por ocasião do preparo do solo, como o uso de arados, grades pesadas e subsoladores. Sabe-se ainda que a colheita mecanizada da canade-açúcar é meta entre a maioria das usinas e em alguns estados e municípios a exemplo Dourados-MS, a remoção de queima prévia para finalidade de corte manual tornou-se lei, obrigando o setor a se adequar ao sistema de colheita mecanizada. Diversas pesquisas comprovam que a colheita manual, com queima prévia, implica grande impacto à atmosfera, visando apenas o aproveitamento dos colmos, e que a palhada remanescente da colheita mecanizada pode atribuir benefícios as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo. Ao mesmo tempo em que a concepção de colheita manual sofre alterações, é constatado por Amaro Filho et al. (2008); Pedrotti e Mello Júnior, (2009); Camargo et al. (2010), que o uso continuo do solo e o tráfego de maquinas durante o cultivo da cana-de-açúcar tende a promover alterações nas propriedades físicas do solo, dentre as principais estão a diminuição do volume de macroporos, tamanho de agregados, taxa de infiltração de água no solo, densidade do solo e aumento na resistência à penetração de raízes, o que conseqüentemente provoca queda na produção de cana-de-açúcar. Neste contexto Figueiredo et al. (2000), menciona que os problemas de compactação do solo, provavelmente pela ausência de um cronograma de trabalho bem definido ou de modelos capazes de estimar a capacidade de suporte do solo tem sido muito comum em áreas de cultivo, o que torna necessário que o setor sucroalcooleiro adote praticas conservacionistas, elabore planos de trabalhos bem embasados, que vão desde o preparo do solo até a colheita. Uma das ferramentas que tem se mostrado bastante eficaz em cultivos altamente tecnificados, como no caso da cana-de-açúcar é a utilização da geoestatística, Montenegro e Montenegro (2006), mencionam que é fundamental ter o conhecimento da variabilidade espacial de atributos físicos do solo. Em algumas áreas, a não consideração da possibilidade de uma variabilidade em função do espaço, considerando suas limitações pode afetar intensamente os planos de manejo agrícola. Ante o exposto, este trabalho teve como objetivo avaliar a variabilidade espacial das propriedades físicas de um solo do Cerrado, cultivado com canade-açúcar, sob sistema de colheita mecanizada. 2 1.2 Revisão de literatura 1.2.1 Aspectos gerais da cultura da cana-de-açúcar A cana-de-açúcar descrita por Linneu, em 1753, foi classificada como Saccharum officinarum e Saccharum spicatum. Depois de Linneu, várias formas de classificação foram apresentadas, sendo que Castro (2001), classificou-a como (Saccharum spp), uma planta alógama, pertencente à divisão Magnoliophyta, classe Liliopsida, sub-classe Commilinidae, ordem Cyperales, família Poaceae, gênero Saccharum, podendo ser encontrado várias espécies tais como: Saccharum officinarum, Saccharum spontaneum, Saccharum sinensis, Saccharum barberi e Saccharum robustum. É originária da Nova-Guiné tendo sido levada ao sul da Ásia, onde foi usada de início, principalmente em forma de xarope (SEGATO et al., 2006). De acordo com Rodrigues (2004) a cana-de-açúcar é cultivada numa ampla faixa de latitude, desde cerca de 35˚N a 30˚S, e em altitudes que variam desde o nível do mar até 1000 metros, em cerca de 79 países. No Brasil há indícios de que o cultivo da cana-de-açúcar seja anterior à época dos descobrimentos, mas seu desenvolvimento se deu posteriormente com a criação de engenhos e plantações com mudas trazidas pelos portugueses. Já em fins do século XVI, os Estados de Pernambuco e Bahia contavam mais de uma centena de engenhos tendo a cultura de tal modo que o Brasil, até 1650, liderou a produção mundial de açúcar, com grande penetração no mercado europeu (SEGATO et al., 2006). Segundo Segato et al. (2006) e Magalhães (1987), a cana-de-açúcar é uma gramínea perene que perfilha abundantemente na sua fase inicial de desenvolvimento. É um dos fatores mais importantes dentro da cana-deaçúcar, pois determina o numero de colmos para a produção açucareira. De acordo com Rodrigues (2004), o nível de perfilhamento gerado pela cultura, varia de acordo com a especificidade genética e/ou ainda o efeito de luz durante a fase inicial da planta. Cambardella et al. (1994) e Goovaerts et al. (1993), em estudo realizado a fim de identificarem espaçamento adequado para o cultivo da canade-açúcar, observaram que a população de colmos por unidade de área é 3 conseqüência de combinações adotadas para o espaçamento entre linhas e a densidade de gemas distribuídas por metro de sulco. Desta maneira, independentemente da variedade em questão e em condições normais de insolação, o máximo perfilhamento que os canaviais apresentam, em média, é de 12 a 16 colmos em idade de corte por metro linear. A cana-de-açúcar possui um sistema radicular diferenciado em relação à exploração das camadas mais profundas do solo, quando comparado ao sistema radicular das demais culturas, principalmente as anuais. Por ser uma cultura semiperene, seu ciclo pode prevalecer de cinco a sete anos, desta forma seu sistema radicular se desenvolve em maior profundidade, passando a ter uma estreita relação com o pH, a saturação por bases, a porcentagem de alumínio e os teores de cálcio nas camadas mais profundas. Estes fatores, por sua vez, estão intimamente ligados a boa condição física do solo, uma vez que a resistência mecânica do solo à penetração de raízes acarreta conseqüentemente interferências na química do solo (SEGATO et al., 2006). Por ser considerada uma cultura rústica, a cana-de-açúcar apresenta alta capacidade de adaptações às diferentes condições de solo. Entretanto, deve ser evitado o plantio em solos rasos, com profundidade menor que um metro, solos mal drenados que tendem ao encharcamento, solos excessivamente argilosos, solos excessivamente arenosos e com baixa retenção de água, considerando sempre que as praticas de manejo adequadas associadas a cultivares mais apropriadas geram melhores resultados (SEGATO et al., 2006). O tipo de colheita adotada a cana-de-açúcar pode influenciar a produção e a longevidade da cultura, os atributos físicos, químicos e biológicos do solo, o meio ambiente e a saúde pública. Praticas de queima dos canaviais são ainda adotadas nas diversas regiões canavieiras com o objetivo de facilitar o processo de corte e carregamento. No entanto, tal prática está associada a impactos ambientais negativos, tais como elevadas emissões de gases à atmosfera devida à queima, que normalmente antecede a colheita, degradação dos solos e a poluição de mananciais e centros urbanos (SPAROVECK et al., 1997). Já no sistema de colheita mecanizada (sem queima), as folhas, bainhas e ponteiros, além de quantidade variável de pedaços de colmo são cortados de resíduos vegetais denominadas palha ou palhada, promovendo a redução da 4 erosão, aumento do teor de matéria orgânica, melhoria na aeração do solo e microbiologia (SOUZA et al., 1992). Diante do exposto a cana-de-açúcar mantém uma posição de destaque no Brasil, pois além de apresentar fontes alternativas de energia, têm conseguido manter a demanda de exportação com produtos de qualidade e gerando milhares de empregos em todo o país. Tal fato segundo Segato et al. (2006), possibilitou que a cultura possuísse função estratégica na economia do país. 1.2.2 Panorama da produção de cana-de-açúcar no Brasil e na região de Cerrado A cana-de-açúcar tem grande importância econômica e social para o Brasil. O país é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar e um dos principais exportadores, junto com a Austrália, Cuba e Tailândia (SEGATO et al., 2006). De acordo com Rodrigues (2004), o setor sucro-alcooleiro tem gerado para o Brasil, em produtos primários como açúcar e álcool, cerca de dez bilhões de dólares por ano, um milhão de empregos diretos e o seqüestro de 20% das emissões de carbono que o setor de combustíveis fósseis emite no país. Devido ao grande incentivo governamental através do programa Proácool, o cultivo da cana-de-açúcar se difundiu por todos os estados do país, tendo como os mais relevantes o estado de São Paulo, Pernambuco, Alagoas e a grande maioria das regiões de Cerrado por apresentarem fronteiras agrícolas e condições propícias para o cultivo da cultura (SEGATO et al., 2006). De acordo com estudos realizados pela (CONAB, 2011) a lavoura de cana-de-açúcar continua em expansão no Brasil. Os maiores índices de aumento de área são encontrados em São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais. Nestes Estados além do aumento da área cultivada, outras novas usinas entraram em funcionamento na safra de 2010, ficando assim distribuídas: três em Minas Gerais, duas em São Paulo, duas em Goiás e nos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro, uma a cada estado. 5 A área de cana-de-açúcar colhida destinada à atividade sucroalcooleira está estimada em 8.033,6 milhões de hectares, distribuídas em todos estados produtores. A área colhida teve aumento de 8,40% em relação á safra anterior. O aumento da área pode ser explicado a partir do crescimento natural das áreas das usinas recentemente instaladas, das áreas de renovação e do aumento de moagem em determinadas unidades produtivas. Em relação à área total, o Estado de São Paulo representa 54,23% (4.357,01 mil hectares), seguido por Minas Gerais com 8,1% (649,94 mil hectares), Paraná com 7,25% (582,32 mil hectares), Goiás com 7,46% (599,31 mil hectares), Alagoas com 5,46% (438,57 mil hectares), Mato Grosso do Sul com 4,93% (396,16 mil hectares) e Pernambuco com 4,32% (346,82 mil hectares), (CONAB, 2011). O levantamento indica aumento de área em todas as regiões. No Norte o acréscimo foi de 13,20%, no Nordeste a área manteve-se estável, com pequena elevação de 1,70%. Na região Centro Oeste o aumento foi de 27,90%, no Sudeste foi de 6,10% e a região Sul observou-se incremento de 8,80% na área colhida (CONAB, 2011). Tal crescimento do setor sucro-alcooleiro, tem apontado preocupações na forma de como o processo têm sido conduzido, vários estudos demonstram impactos previsíveis e imprevisíveis quando o cultivo da cana-de-açúcar é realizado de forma impactante ao solo, água e atmosfera. Para tal algumas práticas podem ser adotadas com o intuito de minimizarem os efeitos negativos de manejos inadequados e garantirem o bom desenvolvimento da planta, além de matéria prima de qualidade. 1.2.3 Fatores de qualidade do Solo A constante utilização do solo e de tecnologias inovadoras segundo Fiorio et al. (2000), nem sempre levam em consideração os manejos mais adequados em que os recursos disponibilizam. Dessa forma o homem tem tentado encontrar um ponto de equilíbrio entre o uso dos recursos naturais e da produtividade. Porém em muitas áreas os fatores econômicos prevalecem sobre a potencialidade do meio. 6 De acordo com Araújo (2007), uso sustentável dos recursos naturais, especialmente do solo e da água, tem-se constituído em tema de crescente relevância, em razão do aumento das atividades antrópicas. Conseqüentemente, cresce a preocupação com o uso sustentável e a qualidade desses recursos. Souza (1999) menciona que o solo, além de constituir-se em um valioso recurso natural, é componente dos ecossistemas terrestres. Desempenha funções tais como sustentar a produção de matéria orgânica, prover habitat para a biota, colaborar para a qualidade do ar e dos recursos hidrológicos, apoiarem projetos de engenharia, preservar registros arqueológicos e manter valores estéticos da paisagem. O uso do solo consiste em uma das variáveis que integram as mudanças globais e alteram os sistemas ecológicos. Nesse contexto, formas de cultivo por meio de técnicas convencionais podem ser caracterizadas por insistência em modelos insustentáveis, pela susceptibilidade de certos tipos de solo a processos erosivos e, conseqüentemente, pelas perdas de ativos da natureza (SOUZA, 2004). O manejo dos solos tropicais objetivando sua sustentabilidade faz parte de alguns dos desafios das ciências ambientais. O uso intensivo do solo, o tráfego de máquinas e o emprego sistemático de práticas agrícolas impróprias resultam em modificações morfológicas, físicas e biológicas, além de restringir o crescimento e o desenvolvimento das raízes (PEDROTTI E MELLO JUNIOR, 2009). Para Libardi et al. (1996) aplicar ao solo os princípios da física, para compreender os seus processos, suas limitações na tentativa de remodelá-lo, é o grande objetivo da física do solo. Promover a qualidade do solo é uma combinação de propriedade físicas, químicas e biológicas que fornece os meios para a produção vegetal e animal, para regular o fluxo de água no ambiente e para atuar como filtro ambiental na atenuação e degradação de componentes ambientalmente danosos ou perigosos (SOUZA et al., 1997). O estabelecimento de um índice de qualidade do solo torna-se necessário para identificar problemas de produção nas áreas agrícolas. Porém fazer inferência numérica sobre a qualidade do solo segundo Reichert et al. (2004), torna-se uma tarefa difícil, entretanto, estimativas sobre a qualidade 7 podem ser feitas dentro de um marco referencial. Tal estudo pode fazer estimativas realísticas da produção de alimentos, monitorarem mudanças na sustentabilidade e qualidade ambiental em relação ao manejo agrícola e orientar políticas governamentais voltadas para o uso sustentável do solo (PEDROTTI E MÉLLO JUNIOR, 2009). 1.2.4 Indicadores de qualidade física do solo Conceitualmente, o uso da qualidade física do solo como indicador de degradação vem sendo utilizado também para se avaliar a sustentabilidade de manejo de solo (DORAN et al., 1994). O ponto limitante do processo de acordo com (PEDROTTI E MÉLLO JÚNIOR, 2009), é a sua operacionalização, ou seja, quais parâmetros ou características do solo devem ser avaliados e monitorados para definir a manutenção ou variações tanto negativas como positivas da qualidade. A qualidade do solo é estimada pela observação ou medição de diferentes propriedades ou processos. É recomendável que nenhuma propriedade seja usada isoladamente como índice de qualidade do solo, e sim em associação com outras. Os tipos de indicadores que são mais úteis dependem da função do solo para a qual está sendo avaliado. A escolha dos indicadores de qualidade do solo deve ser baseada em: uso da terra; relacionamento entre indicador e a função para qual está sendo avaliado; facilidade e segurança na medição; variação entre o tempo e local de amostragem; sensibilidade de medição para mostrar mudanças no manejo do solo; compatibilidade com amostragem e monitoramento de rotina e habilidade requerida para uso e interpretação (SANTANA E BAHIA FILHO, 1999; DORAN E ZEISS, 2000). Por outro lado, estabelecer relações entre parâmetros físicos de qualidade do solo e o desenvolvimento e produção de plantas tem sido buscado e estudado por muitos anos, sendo encontrados para muitos casos, porém muitas vezes não se repetindo em condições similares, confrontando qualquer índice que poderia ser estabelecido. 8 1.2.5 Densidade do solo (Ds) Expressa a relação entre a quantidade de massa de solo seco por unidade de volume do solo. A densidade leva em consideração o espaço poroso do solo. Uma vez que o espaço poroso no solo é uma conseqüência de como as partículas estão arranjadas, a densidade do solo reflete bem a condição estrutural do mesmo. Pois os sólidos não são compressíveis, e a quantidade de partículas somente se eleva quando o solo é comprimido, diminuindo a porosidade (ARAUJO et al., 2004a; AMARO FILHO et al., 2008; PEDROTTI E MÉLLO JÚNIOR, 2009). O Principal uso da densidade do solo é como indicador de compactação, assim como medir alterações da estrutura e porosidade do solo (AMARO FILHO et al., 2008). Os valores mais comuns para solos arenosos variam de 1,2 a 1,9 g cm-3, enquanto solos argilosos apresentam valores mais baixos, de 0,9 a 1,7 g cm-3. Valores de Ds associados ao estado de compactação com alta probabilidade de oferecer riscos de restrição ao crescimento do sistema radicular situa-se em torno de 1,65 g cm-3 para solos arenosos e 1,45 g cm-3 para solos argilosos (TORMENA et al., 1998; ARAUJO et al., 2004a; ARAUJO et al., 2004b). A determinação da densidade do solo é relativamente simples e baseia-se na coleta de amostras de solo, de volume conhecido e com estrutura preservada através de técnicas diversas, incluindo coleta de solo em cilindros, torrão ou feito diretamente no campo por escavação. De uma forma geral necessita-se medir o volume da amostra e quantificar quanto de solo seco temse no volume coletado (EMBRAPA, 1997; AMARO FILHO et al., 2008). 1.2.6 Porosidade do solo (Pt) O espaço do solo não ocupado por sólidos e ocupado pela água e ar compõem o espaço poroso, definido como sendo a proporção entre o volume de poros e o volume total de um solo. É inversamente proporcional à densidade do solo (Ds) e de grande importância para o crescimento de raízes e movimento de ar, água e solutos no solo (AMARO FILHO et al., 2008). 9 A porosidade do solo é reflexo direto da estrutura do solo, sendo os poros determinados pelo arranjo e geometria das partículas, diferindo quanto à forma, comprimento e largura. O estudo dos poros é usualmente realizado baseando-se no diâmetro dos poros, distinguindo-se em macroporos, onde ocorrerão os processos de aeração e drenagem e microporos do solo, onde ocorre a retenção de água (AMARO FILHO et al., 2008; PEDROTTI E MÉLLO JÚNIOR, 2009). Solos arenosos, por possuírem partículas maiores, apresentam espaço poroso constituído por poros de maior diâmetro (macroporos), por outro lado o volume total de poros é menor nestes solos quando comparados aos de textura argilosa, onde a formação de microagregados pelas partículas de argila aumenta a microporosidade (KLEIN, 2005). A porosidade reflete o efeito do manejo do solo, podendo sofrer alterações na referida relação macro e microporosidade, tendo em vista a freqüente redução dos poros de maior diâmetro verificada com o uso, que ocorre devido à quebra de agregados e conseqüentemente entupimento de poros (AMARO FILHO et al., 2008). Amaro Filho et al. (2008), menciona que não existe uma recomendação especifica de percentagem de porosidade no solo em função de uma determinada cultura dada como ideal. Isso depende muito da cultura, pois existe uma variação muito ampla de exigência, com relação a necessidade de gases e hídrica de cada espécie. Vale salientar que conhecer apenas a porosidade do solo não é o bastante para inferir qualidade ao solo, devendo associar tal averiguação a outras características. Porém sabe-se que na prática, raras vezes a porosidade total apresenta valores inferiores a 30% ou acima de 60%. Porosidade maior que 60% é conseqüência da presença de matéria orgânica, que, além de dificultar o arranjo das partículas, é extremamente porosa. É comum encontrar porosidade total em torno de 35% a 50% nos horizontes superficiais de solos arenosos e 40% a 60% em solos argilosos (AMARO FILHO et al., 2008). A determinação da porosidade total (Pt) em laboratório é feita, principalmente de dois modos: 1) saturando-se uma amostra de solo e medindo-se o volume de água contido e 2) por cálculo conhecendo-se a 10 Densidade do solo (Ds) e a Densidade de partículas (Dp), (EMBRAPA, 1997; AMARO FILHO et al., 2008). 1.2.7 Conteúdo de água no solo A água, dentre outros fatores não menos importantes, é essencial à manutenção dos organismos vivos. A textura e a estrutura do solo que definem a área superficial e a arquitetura do sistema poroso são os principais fatores associados ao armazenamento e disponibilidade da água nos solos (AMARO FILHO et al., 2008). A condutibilidade hidráulica apresenta valores mais elevados quanto mais porosos, fraturado ou agregado for o solo, sendo menor em solos densos e compactados. No entanto, ela não depende unicamente da porosidade total do solo, mas, em especial das dimensões destes e da atividade das argilas que os formam (REICHARDT E TIMM, 2004). Basicamente, a água é retida no solo por dois fenômenos ou processos, capilaridade e adsorção. A capilaridade deve-se à afinidade entre as partículas sólidas e a água, incluindo, necessariamente, a interface com a atmosfera. A capilaridade se manifesta em conteúdo de água no solo que o caracterize como úmido (AMARO FILHO et al.,2008). À medida que o solo vai perdendo água, os poros vão sendo esvaziados e finas películas de água, vão recobrindo as partículas sólidas do solo, nessa transição, ou seja, de uma condição úmida para uma condição mais seca, o fenômeno da capilaridade vai perdendo expressão e dando lugar ao fenômeno da adsorção (AMARO FILHO et al.,2008). Em solos compactados ocorre uma diminuição na movimentação da água no solo, devido a uma camada adensada na qual a água não se infiltra, ocasionando excesso de água nas camadas mais superficiais do solo, podendo provocar erosão. Durante um planejamento para as praticas de manejo mais adequadas, determinar o conteúdo de água no solo pode ser uma ferramenta de inferência importante para adoção de medidas. O teor de umidade a exemplo pode indicar o melhor momento do tráfego de máquinas e quando associada a 11 outras características físicas como a compactação do solo, pode-se identificar o grau de infiltração, confirmando um possível impacto ao solo (PEDROTTI E MÉLLO JÚNIOR, 2009). A água retida no solo pode ser medida e os resultados expressos em termos de umidade do solo. A umidade é geralmente é expressa em porcentagem à base de massa (u) ou à base de volume (Ө), sendo importante salientar que, quando não expressas em porcentagem, a u e Ө possuem dimensões de g g-1 e cm3 cm-3, respectivamente, logo, depreende-se que são adimensionais (EMBRAPA, 1997; AMARO FILHO et al., 2008). O conteúdo de água a base de massa será determinado pela seguinte equação: UBss Mu Ms Ms em que: Mu = massa de solo úmido ( g); Ms = massa de solo seco a 105º C durante 24 horas (g). O conteúdo de água do solo expresso em unidade de volume será determinado pela seguinte equação: D U Da considerando Da , a densidade da água igual a 1000 Kg m-3. 1.2.8 Resistência mecânica do solo à penetração (RMP) A resistência mecânica do solo à penetração tenta representar a força que as raízes das plantas devem exercer para romper o solo. Está diretamente influenciada pela densidade do solo, proporcionando um indicativo do estado de compactação do solo. 12 Os rodados e implementos agrícolas ao exercerem cargas dinâmicas ao solo, produzem tensões na interface solo/pneu e solo/implemento em superfície e profundidade, respectivamente. Essas tensões compactam as diferentes camadas do solo (HORN E LEBERT, 1994) e, caso este carregamento dinâmico exceda a resistência interna do solo, mudanças nas propriedades físicas das camadas mais profundas ocorrerão (HORN,1998). A compactação do solo pelo uso de práticas inadequadas de manejo resulta diretamente em aumento na densidade do solo (Ds) e, por conseqüência, em alterações detrimetais em outras propriedades físicas, tais como: diminuição na porosidade do solo, diminuição na retenção de água, diminuição na aeração e maior resistência do solo á penetração das raízes (LETY, 1985; HILL et al., 1985; PEDROTTI E MÉLLO JÚNIOR, 2009). Hill et al. (1985). Quando o efeito é identificado em solos cultivados com cana-de-açúcar tem sido considerado um fator que afeta a produtividade (YANG, 1977; CEDDIA et al., 1999; CAMARGO et al., 2010), sendo uma conseqüência do elevado nível de mecanização dessa cultura. A subsolagem em áreas de reforma dos canaviais tornou-se uma operação de rotina e, conseqüentemente, ocorre o agravamento da compactação, além de aumentar o custo da produção. A resistência do solo à penetração (RMP) é uma das propriedades físicas do solo diretamente relacionadas com o desenvolvimento das plantas, uma vez que impede o crescimento do sistema radicular. Valores excessivos de resistência do solo a penetração pode influenciar o crescimento das raízes de qualquer cultura em comprimento, diâmetro e na orientação normal do crescimento radicular (MEROTTO E MUNDSTOCK, 1999). Camargo e Alleoni (1997) sugerem que valores acima de 2,5 MPa começam a restringir o pleno crescimento das raízes das plantas; entretanto Sene et al. (1985), citados pelos mesmos autores, consideram críticos os valores que variam de 6,0 a 7,0 MPa para solos arenosos e em torno de 2,5 MPa para solos argilosos. Lima et al. (1999) observaram que onde o preparo do solo foi feito no sistema convencional houve um acréscimo de valores de resistência mecânica do solo à penetração, principalmente, entre as profundidades de 10 - 15 cm. Neste mesmo trabalho, o cultivo mínimo 13 apresentou uma resistência à penetração em torno de 6,5 MPa, na profundidade de 15 cm de solo. Para tal o monitoramento da compactação do solo se torna uma ferramenta indispensável ao planejamento das práticas de cultivo a serem adotadas, visando maximizar a rentabilidade agrícola (TORRES E SARAIVA, 1999) e a conservação do solo (SEGATO et al., 2006). A resistência do solo à penetração e a densidade do solo são utilizadas principalmente para definir níveis a partir dos quais o solo está compactado e requer medidas corretivas. Por ser a resistência do solo à penetração dependente da umidade, textura, mineralogia e matéria orgânica, a densidade do solo tem sido utilizada como propriedade de referência para monitorar a compactação do solo (LOWERY E SCHULER,1994; ALAKUKKU E ELONEN, 1995 e BALL et al., 1997; MARIA et al., 1999; AMARO FILHO et al., 2008; PEDROTTI E MÉLLO JÚNIOR, 2009; CAMARGO et al., 2010). 1.2.9 Variabilidade espacial de atributos do solo O estudo da variabilidade espacial das variáveis físico-químicas do solo constitui, entre os exemplos de aplicação, um dos fatores que possibilita o manejo do solo e da água na agricultura, podendo ser definida como a variação das propriedades do solo dentro das unidades amostradas em função de um limite de espaço e tempo (ORTIZ, 2002). Fazer o uso da geoestatística para inferir variabilidade ao solo tem sido cada vez mais utilizado. Esta ferramenta permite além de caracterizar uma determinada área, pode indicar o número e a distribuição das amostras a serem retiradas, possibilitando ainda fazer correções e técnicas de manejo de forma localizada, minimizando o custo operacional e econômico de uma cultura. Com o advento da mecanização de várias práticas culturais, de diferentes sistemas de produção agrícola, principalmente os de larga escala, extensas áreas de terra vêm sendo tratadas de maneira uniforme, principalmente no nordeste do estado de São Paulo, em áreas sob cultivo de cana-de-açúcar. Assim, a prática agrícola convencional tem-se baseado em 14 poucas amostras dos solos (SEGATO et al. 2006). Todavia, a variabilidade espacial dos diversos atributos envolvidos no processo de produção agrícola do solo em áreas extensas pode ser relativamente elevada. Como resultado desta variabilidade o desempenho produtivo das culturas é pouco satisfatório. O crescimento do setor sucroalcooleiro no estado de São Paulo tem sido sustentado com a utilização intensiva de máquinas e implementos agrícolas (CERRI et al. 1992). Isso contribui para aumentar as áreas com problemas de compactação, provavelmente pela ausência de um cronograma de trabalho bem definido ou de modelos capazes de estimar a capacidade de suporte do solo (FIGUEIREDO et al. 2000). Muitas vezes, o preparo do solo é realizado sem levar em conta sua umidade, a qual é um fator controlador da compactação (DIAS JUNIOR E PERCE, 1996). A degradação dos atributos físicos decorrente do manejo inadequado condiciona queda de produção da cana-de-açúcar (FREITAS, 1987; UTSET E CID, 2001). A análise da variabilidade do solo, por meio da geoestatística, pode indicar alternativas de manejo, não só para reduzir os efeitos da variabilidade do solo sobre a produção das culturas (TRANGMAR et al.,1985), mas também para aumentar a possibilidade de estimar respostas das culturas sob determinadas práticas de manejo (OVALLES E REY, 1994). Em cultivos altamente tecnificados, como no caso da cana-de-açúcar, é fundamental ter o conhecimento da variabilidade espacial de atributos físicos do solo, pois as propriedades físicas do solo desempenham importante papel (WARRICK E NIELSEN, 1980). Neste sentido, a variabilidade espacial de suas propriedades deve ser bem conhecida, visando minimizar os erros na amostragem e no manejo do solo. O solo apresenta heterogeneidade, tanto vertical como horizontal, imposta pela natureza dos fatores responsáveis pela sua formação. (REICHARDT, 1985; MACHADO, 1994; CARVALHO et al., 2002; De posse dos dados, realizou-se análise estatística descritiva através da avaliação de medidas de tendência central (média, mediana e moda), dispersão (desvio padrão, variância, coeficiente de variação), e de aderência a distribuição normal, de acordo com o teste de Kolmogorov-smirnov, o qual mede a distância máxima entre os resultados de uma distribuição a ser testada e os resultados associados à distribuição hipoteticamente verdadeira (ORTIZ, 2003). 15 Para (ROBERTSON, análise 1998), geoestatística tendo sido utilizou-se a confeccionados ferramenta GS+ semivariogramas experimentais das variáveis estudadas, procurando observar o grau de dependência espacial entre os 144 pontos. O semivariograma foi feito seguindo metodologia de Vieira et al., (1998), finalizando com a aplicação da técnica de interpolação por krigagem descrita por Silva Junior (2001), sendo possível obter uma malha de pontos interpolados das variáveis estudadas, identificando possíveis locais com problemas e compactação. (ORTIZ, 2003) relata que a variabilidade das propriedades físicas do solo apresenta correlação ou dependência espacial. Portanto, a análise da variabilidade do solo por meio de técnicas da geoestatística, pode orientar técnicas de manejo na intenção de reduzir os efeitos da variabilidade do solo sobre a variação na produção das culturas (TRANGMAR et al., 1985), planejar técnicas a um custo menos elevado contanto que o manejo pode ser localizado, além de inferir mais confiabilidade a dados experimentais, onde conforme observação de Reichardt (1985), a estatística clássica e a geoestatística, ou estatística espacial, se completam. Uma não exclui a outra, e perguntas não respondidas por uma, muitas vezes podem ser respondidas pela outra. 1.3 Considerações metodológicas 1.3.1 Localização e descrição da área experimental O experimento foi conduzido na Usina ETH Bioenergia, localizada no município de Rio Brilhante-MS, Rodovia MS 145, KM 47 - Rio Brilhante – MS, com as coordenadas geográficas: 21º 51' 32" S. e 54º 01' 25.40" W. A Usina ETH, está inserida na Bacia do Rio Paraná, e sub-bacia do Rio Ivinhema e dispõe em torno de 1.846 talhões, com uma área total de 8.315 ha, sendo que essas áreas apresentam em média 5% de declividade, com relevo plano a suavemente ondulado, ou seja, dentro dos limites de mecanização. O desenvolvimento se deu num talhão de cana-de-açúcar, no sistema de colheita mecanizada sem queima prévia, em solo caracterizado como 16 Latossolo Vermelho Distrófico típico, conforme metodologia da EMBRAPA (2006) representando aproximadamente 8 ha. A parcela implantada no talhão apresentou uma malha experimental com 144 pontos (Figura 1), tendo um comprimento de 180 m e uma largura de 200,20 m, perfazendo uma área total de aproximadamente 4,0 ha. A distribuição dos pontos dentro da área experimental foi realizada na forma de uma grade, com redução de distanciamento entre os pontos no eixo central da malha, a fim de possibilitar melhores ajustes aos semivariogramas, apresentando doze colunas e doze linhas, onde os pontos se distanciam de seu vizinho de 20 m no eixo Y e 18,2 m no eixo X. Figura 1. Esquematização da área experimental onde foram amostrados 144 pontos 17 1.3.2 Clima e solo O clima predominante em maior parte do Mato Grosso do Sul é o clima do tipo tropical ou tropical de altitude, com estações bastante definidas, com chuvas de verão e inverno seco. O município de Rio Brilhante-MS apresenta um clima tropical. Caracteriza-se por apresentar um inverno seco. A estação seca ocorre entre os meses de abril e setembro, sendo julho o mês mais seco (Tabela 1). Tabela 1. Índice pluviométrico no município de Rio Brilhante-MS durante as safras antecessoras ao trabalho Ano 2003 2004 2005 2006 2007 Média Meses Total mm Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez 309,85 54,66 352,50 208,00 347,00 160,20 166,73 92,37 23,00 152,00 498,00 134,50 133,26 228,00 37,00 216,50 96,00 166,68 125,34 247,00 192,00 90,00 73,50 116,12 62,01 318,50 10,50 50,50 80,00 117,16 48,45 87,00 140,50 67,50 7,00 74,25 31,35 93,50 17,50 43,00 6,00 41,31 78,25 49,15 125,80 33,00 224,00 107,50 104,82 119,25 207,00 218,50 90,00 135,84 126,72 167,00 49,50 35,00 152,88 167,24 147,50 251,00 178,00 175,28 Adaptada de Usina Eldorado, 2007. No talhão onde o experimento foi avaliado o solo é caracterizado como sendo Latossolo Vermelho Vermelho Distrófico Típico, conforme metodologia da EMBRAPA (2006), com textura argilosa, onde os valores de areia, silte e argila para as profundidades de interesse, são apresentados na Tabela 2. Tabela 2. Caracterização Granulométrica e Classe textural nas profundidades de 0,0 -0,20m e 0,20 – 0,40 m da área experimental, realizada pós colheita da safra de 2008. Profundidade Areia Silte Argila Classe Textural ( g Kg-1) 0,0 – 0,20 m 361 58 581 Argilosa 0,20 0 0,40 m 370 57 573 Argilosa 18 1.494,25 1.675,53 1.516,00 1.238,00 1.107,50 1.431,57 1.3.3 Coleta e preparo das amostras As amostragens foram realizadas em dois períodos de execução do projeto (Março de 2009 e Março de 2010), após a colheita da 3ª e 4ª safra de cana-de-açúcar ocorrida durante o mês de setembro de 2008 e 2009 respectivamente. Para o estudo da qualidade físico-hídrica do solo foram analisados os seguintes indicadores: densidade do solo, porosidade total, umidade do solo e resistência mecânica do solo a penetração, para tal foram coletadas amostras com estrutura indeformada em cada ponto da malha experimental. Cada anel mede 5 cm de altura e 5 cm de diâmetro, tendo sido retirada 1 amostra nas profundidades de 0 - 0,20 m; 0,20 - 0,40 m, perfazendo um total de 144 amostras (1 amostra x 2 profundidades X 144 pontos). O amostrador utilizado foi do tipo Uhland, conforme Moraes (1991). 1.3.4 Caracterização física do solo A determinação dos indicadores físicos para estudo da qualidade do solo foi realizada no Laboratório de física do Solo da EMBRAPA Agropecuária Oeste, no município de Dourados-MS, segundo métodos descritos pela EMBRAPA (1997). Foram realizadas as seguintes determinações: densidade do solo (Ds) pelo método do anel volumétrico; porosidade total (PT), pela expressão: PT = (1 – Ds/Dp) x 100 de acordo com Libardi (2005), conteúdo de água no solo, determinado a base de volume (Ө = D/Da. U) e o teste de resistência mecânica à penetração (RMP) a nível de campo, utilizando penetrômetro de impacto agrícola modelo IAA/Planalsucar, a qual foi calculada, conforme Stolf (1991). 1.3.5 Análise dos dados Antes da aplicação das ferramentas geoestatísticas, os dados foram analisados inicialmente através dos procedimentos da análise estatística 19 descritiva, para visualizar o comportamento geral dos dados e identificar possíveis valores discrepantes (SALVIANO, 1996). A estatística clássica segundo (TRANGMAR et al., 1985; GONÇALVES, 1997) assume que a variabilidade do valor de uma propriedade do solo em torno da média é aleatória e independente da posição espacial dos valores amostrais. No entanto, Vieira et al. (1998) mostraram que a variabilidade de propriedades do solo é espacialmente dependente, ou seja, dentro de um certo domínio, as diferenças entre valores de uma propriedade do solo podem ser expressas em função da distancia de separação entre as observações medidas. Para tal é oportuno mencionar que a estatística clássica e a geoestatística quando associadas podem direcionar com mais precisão os resultados de um trabalho. A análise estatística descritiva foi avaliada pelas técnicas do programa Stat Basic/2005, através de medidas de tendência central (média, mediana e moda), dispersão (desvio padrão, variância, coeficiente de variação), e de aderência a distribuição normal, de acordo com o teste de Kolmogorovsmirnov, o qual mede a distância máxima entre os resultados de uma distribuição a ser testada e os resultados associados à distribuição hipoteticamente verdadeira (ORTIZ, 2003). Para (ROBERTSON, análise 1998), geoestatística tendo sido utilizou-se a confeccionados ferramenta GS+ semivariogramas experimentais das variáveis estudadas, procurando observar o grau de dependência espacial entre os 144 pontos. O semivariograma foi feito seguindo metodologia de Vieira et al. (1998), finalizando com a aplicação da técnica de interpolação por krigagem descrita por Silva Júnior (2001), sendo possível obter uma malha de pontos interpolados das variáveis estudadas, identificando possíveis locais com problemas e compactação. 20 1.4 Referências Bibliográficas ALAKUKKU, L. e ELOMEN, P. Long-term effects of a single compaction by heavy fiels traffic on yeld and nitrogen uptake of annual crops. Soil Till. Res., 36:141-152, 1995. AMARO FILHO, J.; ASSIS JÚNIOR, R. N.; MOTA, J. C. A. Física do Solo: Conceitos e Aplicações. 1.ed. Fortaleza: UFC, 2008. 290p. ARAUJO, M. A.; TORMENA, C. A.; SILVA, A. P. 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Os métodos geoestatísticos utilizados foram adequados para descrever a estrutura de dependência espacial das variáveis, indicando compactação do solo principalmente na faixa direita da área estudada. Palavras-chave: compactação do solo, geoestatística, porosidade do solo 26 ABSTRACT Aiming to study the spatial variability of the physical characteristics of a typical Oxisol cultivated with sugar cane in mechanized harvesting system, we evaluated the density, porosity, water content in soil and soil resistance penetration (RMP) for two consecutive years. The portion implanted in the plot showed an experimental grid with 144 points, having been using undisturbed samples collected at depths from 0.0 to 0.20 I 0.20 to 0.40 m. By having the data, analysis was performed using descriptive statistics to ascertain possible outliers and then looking for geostatistical techniques to observe the degree of spatial dependence between 144 points. The geostatistical methods used were adequate to describe the spatial dependence structure of variables, indicating soil compaction especially in the right lane to the area. Keywords: soil compaction, geostatistical, porosity of the soil 27 2.1 Introdução A cana-de-açúcar assume posição de destaque no Brasil, por se tratar de uma cultura que, além de alta importância econômica, possibilita fontes alternativas de energia, sendo ainda de grande importância social pela intensidade em utilização da mão-de-obra (MARQUES et al., 2006). De acordo com estudos realizados pela CONAB (2010), a lavoura de cana-de-açúcar continua em expansão no Brasil, mantendo-o como o maior produtor mundial. Os maiores índices de aumento de área são encontrados em São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais. Nestes Estados além do aumento da área cultivada, outras novas usinas entraram em funcionamento nesta safra, ficando assim distribuídas: três em Minas Gerais, duas em São Paulo, duas em Goiás e nos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro, uma a cada estado. Tal crescimento do setor sucroalcooleiro tem gerado preocupações quando se avalia a forma de como o processo têm sido conduzidos. Vários estudos demonstram impactos ao solo, água e atmosfera ao longo do tempo quando as práticas de manejo da cultura são executadas inadequadamente. A preocupação com a conservação dos recursos naturais vem-se tornando cada vez mais importante, devido à má ocupação do solo e o uso inadequado dos recursos naturais. As práticas de conservação do solo, os métodos de avaliação de impactos ambientais e de perdas de solo, são ferramentas de grande uso no planejamento agroambiental. A utilização de uma propriedade agrícola quando não planejada, pode contrariar a capacidade de uso do solo, levando-o a uma manifestação do processo erosivo, em intensidade e velocidade que ultrapassam os limites de tolerância. Com isso, o planejamento do uso das terras, aliado ao planejamento ambiental, tornou-se ferramentas importantes na identificação de riscos potenciais de degradação (MELLO et al., 2006). As atuais técnicas de manejo da cultura da cana-de-açúcar (Saccharum officinarum L.) utilizam vigoroso revolvimento por ocasião do preparo do solo, com o uso de arados, grades pesadas e subsoladores 28 (CEDDIA et al., 1999). Neste contexto, os problemas de compactação do solo, provavelmente pela ausência de um cronograma de trabalho bem definido ou de modelos capazes de estimar a capacidade de suporte do solo (FIGUEIREDO et al., 2000), têm sido muito comum em áreas de cultivos, acarretando degradação aos atributos físicos do solo e conseqüentemente queda da produção de cana-de-açúcar. Em linhas gerais o uso contínuo do solo e o trafego de maquinas durante o cultivo da cana-de-açúcar tende a promover alteração em suas propriedades físicas, em relação àquela de seu estado normal (AMARO FILHO et al., 2008; PEDROTTI & MELLO JR, 2009) as principais alterações são evidenciadas pela diminuição do volume de macroporos, tamanho de agregados, taxa de infiltração de água no solo, densidade do solo e aumento da resistência à penetração de raízes (AMARO FILHO et al., 2008; PEDROTTI E MELLO JR, 2009; CAMARGO et al. 2010.) O problema de compactação tem ocorrido sistematicamente em solo excessivamente cultivado, onde métodos convencionais de manejo promovem a desagregação da camada arável, o encrostamento superficial e a formação de camadas coesas ou compactadas (AMARO FILHO et al., 2008; PEDROTTI E MELLO JR, 2009), que afeta diretamente o crescimento do sistema radicular das culturas, condicionando queda de produção (TSCHIEDEL E FERREIRA, 2002). Em cultivos altamente tecnificados, como no caso da cana-de-açúcar, Montenegro e Montenegro (2006), mencionam que é fundamental ter o conhecimento da variabilidade espacial de atributos físicos do solo. Em algumas áreas, a não consideração da possibilidade de uma variabilidade em função do espaço, considerando suas limitações pode afetar intensamente os planos de manejo agrícola. Ante o exposto, este trabalho teve como objetivo avaliar as propriedades físicas de um solo do Cerrado, intensamente cultivado com canade-açúcar, bem como identificando sua variabilidade espacial, mediante técnicas de geoestatística. 29 2.2 Material e métodos O experimento foi conduzido na Usina ETH Bioenergia, localizada no município de Rio Brilhante-MS, Rodovia MS 145, KM 47, com as coordenadas geográficas: 21º 51' 32." S e 54º 01' 25.40" W. O clima do local é classificado como tropical de savana conforme especificações de KÖppen , com estações bem definidas, caracterizando-se por apresentar um inverno seco. A estação seca ocorre entre os meses de abril e setembro, sendo julho o mês mais seco. O trabalho foi desenvolvido num talhão de cana-de-açúcar, no sistema de colheita mecanizada sem queima prévia, em solo caracterizado como Latossolo Vermelho Distrófico Típico, conforme metodologia da EMBRAPA (2006), com textura argilosa, apresentando em média 36,55 % de areias, 5,75 % de silte e 57,7 % de argila, representando aproximadamente 8 ha. A parcela implantada no talhão apresentou uma malha experimental com 144 pontos, tendo um comprimento de 180 m e uma largura de 200,20 m, perfazendo uma área total de aproximadamente 4,0 ha. A distribuição dos pontos dentro da área experimental foi realizada na forma de uma grade, com redução de distanciamento entre os pontos no eixo central da malha, a fim de possibilitar melhores ajustes aos semivariogramas, apresentando doze colunas e doze linhas, onde os pontos se distanciam de seu vizinho de 20 m no eixo Y e 18,2 m no eixo X. As amostragens de solo foram realizadas em dois períodos de (Março de 2009 e Março de 2010), após a colheita da cana-de-açúcar ocorrida durante o mês de setembro nas safras de 2008 e 2009. Para o estudo da qualidade físico-hídrica foram coletadas amostras com estrutura indeformada em cada ponto da malha experimental, nas camadas de 0,0 – 0,20 m e 0,20 – 0,40 m. Cada anel de coleta mede 5 cm de altura e 5 cm de diâmetro, tendo sido retirada 1 amostra para cada profundidade, perfazendo um total de 288 amostras (1 amostra x 2 profundidades X 144 pontos), nas quais foram acondicionadas, preparadas e posteriormente analisadas no laboratório de física do solo da EMBRAPA Agropecuária Oeste, Dourados-MS, EMBRAPA (1997). 30 segundo métodos descritos pela Foram realizadas as seguintes determinações: densidade do solo (Ds) pelo método do anel volumétrico; porosidade total (PT), pela expressão: PT = (1 – Ds/Dp) x 100 de acordo com Libardi (2005), conteúdo de água no solo, determinado a base de volume (Ө = D/Da. U) e o teste de resistência mecânica à penetração (RMP) a nível de campo, utilizando penetrômetro de impacto agrícola modelo IAA/Planalsucar, a qual foi calculada, conforme Stolf (1991). De posse dos dados, realizou-se análise estatística descritiva através da avaliação de medidas de tendência central (média, mediana e moda), dispersão (desvio padrão, variância, coeficiente de variação), e de aderência a distribuição normal, de acordo com o teste de Kolmogorov-Smirnov, o qual mede a distância máxima entre os resultados de uma distribuição a ser testada e os resultados associados à distribuição hipoteticamente verdadeira (Ortiz, 2003). Para (ROBERTSON, análise 1998), geoestatística tendo sido utilizou-se a confeccionados ferramenta GS+ semivariogramas experimentais das variáveis estudadas, procurando observar o grau de dependência espacial entre os 144 pontos. O semivariograma foi feito seguindo metodologia de Vieira et al. (1998), finalizando com a aplicação da técnica de interpolação por krigagem descrita por Silva Junior (2001), sendo possível obter uma malha de pontos interpolados das variáveis estudadas, identificando possíveis locais com problemas e compactação. 31 2.3 Resultados e discussão 2.3.1 Análise descritiva dos dados Os valores de média e mediana para todas as variáveis, de um modo geral, apresentaram valores com certo distanciamento entre a média e a mediana, o que pode indicar uma distribuição assimétrica, onde as medidas de tendência central são dominadas por valores atípicos (Tabela 3). Tabela 3. Resumo estatístico para as variáveis densidade (g cm-3), porosidade total (%), conteúdo de água no solo (m3 m3) e resistência do solo a penetração (Mpa) nas duas camadas estudadas (0-0,20 e 0,200,40 m), para as safras do ano de 2008 e 2009 Variáveis Méd 1 Med 2 Medidas estatísticas Máx3 Min4 Quar. Sup5 Quar. Inf6 Var7 Des. Pad.8 CV (%) Curt.9 A. 0-0,20 m (2008) Densidade Porosidade Umidade RMP B. 0,20-0,40 m (2008) 1,30 51,0 0,24 6,40 1,34 4,93 0,26 5,95 1,60 6,70 0,43 1,33 1,00 4,04 0,08 1,22 1,44 5,60 0,28 8,66 1,16 4,60 0,22 3,92 0,03 4,34 0,002 8,64 0,20 2,60 0,04 2,93 15,4 51 16,66 45,78 - 0,75 - 0,76 2,24 -0,64 Densidade Porosidade Umidade RMP C. 0-0,20 m (2009) 1,33 50,0 0,25 6,9 1,34 4,92 0,26 6,63 1,58 6,10 0,48 1,54 1,40 4,05 0,15 3,25 1,43 5,42 0,28 8,00 1,21 4,60 0,24 5,30 0,02 2,50 0,001 5,56 0,13 2,20 0,03 2,35 9,77 44 12 34 - 0,81 - 0,83 1,01 1,61 Densidade Porosidade Umidade RMP D. 0,20-0,40 m (2009) 1,45 48,2 0,30 4,17 1,50 4,81 0,30 4,03 1,74 5,93 0,55 8,60 1,20 3,95 0,12 2,23 1,60 5,20 0,30 4,63 1,40 4,50 0,25 3,48 1,01 1,90 0,002 1,004 0,12 2,36 0,05 1,002 8,30 48,96 16,66 24 - 0,85 - 0,84 1,14 3,73 Densidade 1,51 1,55 1,76 1,12 1,64 1,41 0,02 0,15 9,93 - 0,61 Porosidade 48,0 4,66 6,14 3,95 5,15 4,34 2,83 2,31 48 - 0,62 Umidade 0,23 0,29 0,55 0,19 0,31 0,25 0,002 0,05 22 7,91 RMP 5,25 5,18 7,61 3,30 5,82 4,60 0,81 0,90 17,14 - 0,16 A e B – Variáveis avaliadas nas camadas de 0-20 e 20-40 m respectivamente na safra do ano de 2008; C e D Variáveis avaliadas nas camadas de 0-0,20 e 0,20-0,40 m respectivamente na safra do ano de 2009; 1 – Média; 2 – Mediana; 3 – Máximo; 4 – Mínimo; 5 – Quartil Superior; 6 – Quartil Inferior; 7 – Variância; 8 – Desvio Padrão; 9 Curtose 32 Libardi et al. (1996); Costa Neto (1990) e Mello et al. (2006), obtiveram resultados semelhantes ao avaliarem propriedades físico-hidrica de um solo, porém, Souza et al. (2004), ao estudar a variabilidade espacial de atributos físicos, identificou valores aproximados nas medidas de tendência central (media, mediana) para densidade do solo e porosidade total. Desta forma pode-se afirmar que dentre os valores obtidos para as variáveis, existem valores extremos que faz com que a média seja maior ou menor que a mediana. Em uma distribuição normal a relação media/mediana segundo Ortiz (2002), equivale a 1, o que indica que os dados obtidos não possuem esse tipo de distribuição. Para verificar a normalidade da distribuição dos dados foi aplicado o teste de Shapiro e Wilk (1965), ferramenta na qual associada às medidas de tendência propõe se as variáveis avaliadas estão dentro da normalidade dos dados (Figuras 2 a 17). Figura 2. Histograma e teste de normalidade para a variável densidade do solo na camada de 0-0,20 m para a safra do ano de 2008 33 Figura 3. Histograma e teste de normalidade para a variável porosidade total do solo na camada de 0-0,20 m para a safra do ano de 2008 Figura 4. Histograma e teste de normalidade para a variável umidade do solo na camada de 0-0,20 m para a safra do ano de 2008 34 Figura 5. Histograma e teste de normalidade para a variável resistência mecânica a penetração na camada de 0-0,20 m para a safra do ano de 2008 Figura 6. Histograma e teste de normalidade para a variável densidade do solo na camada de 0,20 – 0,40 m para a safra do ano de 2008 35 Figura 7. Histograma e teste de normalidade para a variável porosidade total do solo camada de 0,20 – 0,40 m para a safra do ano de 2008 Figura 8. Histograma e teste de normalidade para a variável umidade solo camada de 0,20 – 0,40 m para a safra do ano de 2008 36 Figura 9. Histograma e teste de normalidade para a variável resistência mecânica a penetração camada de 0,20 – 0,40 m para a safra do ano de 2008 Figura 10. Histograma e teste de normalidade para a variável densidade do solo na camada de 0 – 0,20 m para a safra do ano de 2009 37 Figura 11. Histograma e teste de normalidade para a variável porosidade total do solo na camada de 0 – 0,20 m para a safra do ano de 2009 Figura 12. Histograma e teste de normalidade para a variável umidade do solo na camada de 0 – 0,20 m para a safra do ano de 2009 38 Figura 13. Histograma e teste de normalidade para a variável resistência mecânica a penetração camada de 0 – 0,20 m para a safra do ano de 2009 Figura 14. Histograma e teste de normalidade para a variável densidade do solo na camada de 0,20 – 0,40 m para a safra do ano de 2009 39 Figura 15. Histograma e teste de normalidade para a variável porosidade total do solo na camada de 0,20 – 0,40 m para a safra do ano de 2009 Figura 16. Histograma e teste de normalidade para a variável umidade do solo na camada de 0,20 – 0,40 m para a safra do ano de 2009 40 Figura 17. Histograma e teste de normalidade para a variável resistência mecânica a penetração na camada de 0,20 – 0,40 m para a safra do ano de 2009 Observa-se que em todas as profundidades e safras avaliadas embora a linha de tendência tenha apresentado leve deslocamento para a direita (Figuras 2, 6, 10 e 14) e para esquerda (Figuras 8, 9, 13 e 16) indicando um afastamento da normalidade dos dados, as variáveis podem ser apresentada como uma distribuição normal a 5% de significancia, considerando que o valor de Prob < e W é maior que 0,05. Segundo Lawless (1982), valores pequenos de W indicam um afastamento da normalidade. Resultados semelhantes foram observados por Nielsen et al. (1973), constatando um leve deslocamento da linha de tendência, porém dentro da normalidade para a variável umidade do solo, além de densidade e porosidade total constatado por Melo et al. (2006). A não normalidade dos dados pode estar atribuída a erros amostrais ou até mesmo a heterogeneidade da área devido ao impacto caudado pela mecanização nas últimas safras, considerando que as coletas das amostras foram realizadas após a 3ª e 4ª safra agrícola. De acordo com Melo et al. (2006), a grande amplitude de valores revela os problemas que podem ocorrer quando se usa a média das variáveis para a realização do manejo do solo, ou seja, embora forneça dados relevantes, recomenda-se à aplicação de ferramentas como a geoestatística a fim de minimizar prejuízos econômicos, uma vez que permite aplicações localizadas, não excedendo, nem limitando nenhum local manejado. 41 Libardi et al. (1996); Costa Neto (1990) e Mello et al. (2006), obtiveram resultados assimétricos ao avaliarem propriedades físico-hidrica de um solo, porém, Souza et al. (2004), ao estudar a variabilidade espacial de atributos físicos, identificou valores aproximados nas medidas de tendência central (media, mediana) para densidade do solo e porosidade total. Desta forma pode-se afirmar que dentre os valores obtidos para as variáveis, existem valores extremos que faz com que a média seja maior ou menor que a mediana. Em uma distribuição normal a relação media/mediana segundo Ortiz (2002), equivale a 1, o que indica que os dados obtidos não possuem esse tipo de distribuição. Os coeficientes de Variação (Tabela 3), onde Tschiedel e Ferreira (2002), os relacionam com o desvio padrão em termos de porcentagem da média, podem atribuir valores direcionados a precisão do experimento. Adotando o critério de classificação para CV proposto por Warrick e Nielsen (1980), seus valores demonstram CV entre 12 e 60% como de média variabilidade e os valores abaixo e acima desse intervalo como sendo baixa e alta variabilidade nos dados respectivamente. Dessa forma revelam-se: CV médio para as variáveis porosidade total do solo e resistência mecânica a penetração (RMP) para todas as camadas e safras avaliadas (Tabela 3A; D), CV médio para umidade do solo para todas as camadas e safras avaliadas (Tabelas 3A; 3C e 3D) exceto na camada de 0,20 a 0,40 m na safra 2008/2009 (Tabela 3B), CV baixo para as variáveis densidade e umidade do solo na camada 0,20 a 0,40m na safra 2008/2009 (Tabela 3B) e CV baixo para densidade do solo nas duas camadas e safras avaliadas. Embora a relação média e mediana tenha indicado uma distribuição assimétrica dos dados, o coeficiente de variação de uma maneira geral apresentou uma moderada variabilidade, sem valores extremos. Isso significa que a ação de fatores extrínsecos, como o tráfego de máquinas e manejos inadequados, torna a área heterogenia em relação às propriedades físicas avaliadas. O que vem corroborar com a observação de Cambardella et al., (1994) de que a ação de fatores externos promove alteração ao solo, e as práticas de manejos inadequados tende a manter o solo não homogêneo. A curtose segundo Assis; Arruda e Pereira (1996) é uma medida do grau do achatamento da curva de distribuição de probabilidade, que contribui a 42 fim de analisar a normalidade dos dados definido pelo quarto momento centrado na média. Para investigar o tipo de curtose, Fisher (1958), elaborou um coeficiente de curtose determinando Zero para uma distribuição normal, mesocúrtica. Quando este for positivo, indicara uma distribuição relativamente em cume, leptocúrtica, e quando negativo indicará uma distribuição relativamente plana, platicúrtica. Observa-se na Tabela 3 que apenas as variáveis densidade e porosidade total do solo obtiveram valores negativos para curtose em todas as camadas durante as duas safras consecutivas. Isso indica coerência na relação inversa entre densidade e porosidade total do solo, devido ao impacto causado pelo tráfego de máquinas. Ou seja, à medida que ocorre um aumento na densidade do solo, inversamente ocorre uma diminuição na porosidade total. Tal fato pode ser confirmado por (ARAUJO et al., 2004a; AMARO FILHO et al., 2008; PEDROTTI E MÉLLO JÚNIOR,2009) Souza et al. (2004) estudando a variabilidade espacial de atributos físicos em solo cultivado com cana-de-açúcar, identificou valores negativos para curtose, porem não nulos. Webster (1985) menciona que a normalidade dos dados não é uma exigência da geoestatística. É conveniente apenas que a distribuição não apresente caudas muito alongadas, o que poderia comprometer as análises. Resultados semelhantes foram apontados por Amaro Filho et al. (2007) e Journel e Huijbregts (2004), onde ao amostrarem propriedades físicas, identificaram valores hora negativos, hora positivos e altos. Em razão da não normalidade dos dados, assumiu-se que os desvios não são aleatórios. Segundo Ortiz (2003) os coeficientes de curtose são avaliados para se os dados seguem uma distribuição normal. Para dados que segue perfeitamente a curva distribuição normal os valores do coeficiente de curtose, devem ser nulos, sendo aceito valores entre + 2 e – 2. De acordo com Vieira (2007), uma acentuada assimetria à direita ou à esquerda pode ser verificada para as variáveis indicando que há uma serie de valores que podem estar abaixo ou acima da media, respectivamente. Nota-se na Tabela 1 exceto para Umidade do solo (Tabela 3A e 3D) e Resistência mecânica a penetração (Tabela 3C), que embora assimétricos os valores de curtose estão dentro da faixa aceitável citado por Ortiz (2003), o que mostra que esses valores 43 apresentam uma caracterização de distribuição normal, considerando o pequeno número de valores extremos perante ao total de dados. É importante salientar que os dados são analisados de forma conjunta, sendo assim, a assimetria apontada nos dados gerais pode não ter sido afetada por valores extremos, não havendo a necessidade de descartar possíveis valores discrepantes, ou ainda de substituir as medidas de tendência central consideras suficientes para descrever a normalidade dos dados. 2.3.2 Análise geoestatística Os resultados da análise geoestatística apresentados na Tabela 4, mostraram que nem todas as variáveis avaliadas apresentaram dependência espacial nas profundidades em estudo. A dependência das observações segundo Ortiz (2002) é avaliada através do ajuste aplicado sobre a nuvem de pontos, gerando a estrutura do semivariograma (Figuras 18 a 33) o que permite observar que cada ponto representa a medida de dessemelhança entre vizinhos próximos. Vieira (1998) menciona que em um semivariograma são estimados os parâmetros efeito pepita (“nugget effect”), patamar (“sill”) e alcance (“range”) representados, respectivamente, pelos símbolos “C0”, “C0+C1” e “a”. O valor de “C0” revela a descontinuidade do semivariograma para distâncias menores que aquelas amostradas ou o próprio erro amostral. O alcance “a” é de fundamental importância para a interpretação de semivariogramas, pois considera a distância limite da dependência espacial, ou seja, a distância máxima que os pontos amostrados estão correlacionados, podendo indicar o numero ideal de amostras. Os maiores alcances (Tabela 4) foram encontrados para Resistência Mecânica a Penetração (RMP), sendo de 235,10 m na camada de 0,20-0,40 m na safra de 2008 e 100,24 m na camada 0-0,20 m na safra de 2009. Tal observação indica que o número de amostras para esta variável poderia ter sido menor. Segundo Ortiz (2002), algumas situações que não apresentam patamar definido são consideradas de infinita capacidade de dispersão, ajustando-se aos modelos que consideram uma independência entre os pontos amostrados, 44 como por exemplo, um modelo linear encontrado para as variáveis umidade do solo (Tabela 4B), resistência mecânica a penetração (Tabela 4C) e porosidade total do solo (Tabela 4D) considerados sem variabilidade espacial. Tabela 4. Valores dos parâmetros dos semivariogramas ajustados nas duas camadas estudadas (0-0,20 e 0,20-0,40 m) para as safras dos anos de 2008 e 2009 Variáveis Modelo Co C + Co Alcance (m) Gaussiano Gaussiano 0,00 9,90 0,03 48,44 69,60 69,90 Esférico Esférico 0,00 4,03 0,00 8,09 7,70 26,70 B. 0,20-0,40 m (2008) Densidade Porosidade Total Exponencial Exponencial 0,00 0,34 0,01 23,90 12,30 12,20 Umidade RMP Linear Exponencial 0,00 2,62 0,00 9,24 129,93 235,10 C. 0-0,20 m (2009) Densidade Gaussiano 0,00 0,01 15,70 Porosidade Total Umidade Gaussiano Gaussiano 0,01 0,00 19,67 0,00 15,50 27,02 Linear 1,05 1,05 100,24 Gaussiano 0,00 0,02 1,00 Linear Exponencial 29,21 0,00 29,95 0,00 129,93 26,80 Gaussiano 0,10 0,79 13,30 A. 0-0,20 m (2008) Densidade Porosidade Total Umidade RMP RMP D. 0,20-0,40 m (2009) Densidade Porosidade Total Umidade RMP A e B – Variáveis avaliadas nas camadas de 0-20 e 20-40 m respectivamente na safra do ano de 2008; C e D – Variáveis avaliadas nas camadas de 0-0,20 e 0,20-0,40 m respectivamente na safra do ano de 2009; Co – Efeito pepita; C+Co – Patamar; Ao – Alcance Vale ressaltar que o efeito pepita mostrou-se nulo para as variáveis densidade e conteúdo de água no solo em todas as condições avaliadas (Tabela 4). De acordo com Trangmar et al. (1985), um efeito pepita de 0%, indica que o erro experimental é praticamente nulo e que não existe variação significante a distâncias menores que a amostrada. Quanto menor a proporção do efeito pepita para o patamar, maior será a semelhança entre os valores vizinhos e a continuidade do fenômeno e menor a variância da estimativa e, 45 portanto, maior a confiança que se pode ter nas estimativas (Vieira, 1998). Para as variáveis porosidade total e RMP (Tabela 4A), RMP (Tabela 4B) e porosidade total do solo (Tabela 4D), observou-se efeito pepita alto variando de 2,62 a 29,21, indicando que o erro experimental existe. Considerando que a resistência mecânica à penetração é realizada num raio pequeno, erros experimentais como estes são previstos, porém tendem a não comprometer o trabalho, em função do alto número de repetições na área amostrada. Observa-se, de maneira geral, que os melhores ajustes se deram aos modelos esféricos para as variáveis umidade e resistência mecânica a penetração (Tabela 4A) concordando com Ortiz (2003) e Souza et al. (2004), ao avaliarem propriedades físicas do solo. Em linhas gerais, as variáveis avaliadas mostraram-se em sua maioria um modelo de semivariograma Gaussiano, onde sua curva é não linear e sua tangente indica pequena variabilidade para curtas distâncias. Foi possível identificar ainda a expressão de semivariogramas sem patamar, ou seja, os dados amostrados para a variável apresentam-se com uma grande capacidade de dispersão, considerando este fato, o modelo é ajustado como linear (ORTIZ, 2002). Segundo Reichardt (1985) e Trangmar et al. (1985), o alcance (Tabela 4) estabelece o limite de dependência espacial entre as amostras, isto é, para distâncias iguais ou menores que o alcance, diz-se que os valores vizinhos de uma variável estão espacialmente correlacionados e podem ser utilizados para se estimar valores em qualquer ponto entre eles. Em linhas gerais os alcances apresentados mostra uma descontinuidade na distribuição espacial em profundidade para todas as variáveis, concordando com estudos feito por Souza et al. (2004). A identificação da não normalidade dos dados para as variáveis e profundidades em questão durante as duas safras pode ser atribuída ao uso intensivo de máquinas durante o processo de colheita, que afeta drasticamente o equilíbrio das propriedades físicas do solo, alterando-as à medida que as práticas de manejo inadequado são adotadas. 46 Figura 18. Semivariograma experimental para a variável densidade do solo, na camada de 0-0,20 m para safra do ano de 2008 Figura 19. Semivariograma experimental para a variável porosidade total, na camada de 0-0,20 m para safra do ano de 2008 47 Figura 20. Semivariograma experimental para a variável conteúdo de água no solo, na camada de 0-0,20 m para safra do ano de 2008 Figura 21. Semivariograma experimental para a variável resistência mecânica a penetração, na camada de 0-0,20 m para safra do ano de 2008 B. Figura 22. Semivariograma experimental para a variávei densidade do solo, na camada de 0,20-0,40 m para a safra do ano de 2008 48 Figura 23. Semivariograma experimental para a variável porosidade total, na camada de 0,20-0,40 m para a safra do ano de 2008 Figura 24. Semivariograma experimental para a variável, conteúdo de água no solo, na camada de 0,20-0,40 m para a safra do ano de 2008 Figura 25. Semivariograma experimental para a variável resistência mecânica a penetração, na camada de 0,20-0,40 m para a safra do ano de 2008 49 Figura 26. Semivariograma experimental para a variável densidade do solo, na camada de 0-0,20 m para a safra do ano de 2009 Figura 27. Semivariograma experimental para a variável porosidade total, na camada de 0-0,20 m para a safra do ano de 2009 Figura 28. Semivariograma experimental para a variável conteúdo de água no solo, na camada de 0-0,20 m para a safra do ano de 2009 50 Figura 29. Semivariograma experimental para a variável resistência mecânica a penetração, na camada de 0-0,20 m para a safra do ano de 2009 Figura 30. Semivariograma experimental para a variável densidade do solo, na camada de 0,20-0,40 m para a safra do ano de 2009 Figura 31. Semivariograma experimental para a variável, porosidade total, na camada de 0,20-0,40 m para a safra do ano de 2009 51 Figura 32. Semivariograma experimental para a variável, conteúdo de água no solo, na camada de 0,20-0,40 m para a safra do ano de 2009 Figura 33. Semivariograma experimental para a variável resistência mecânica a penetração, na camada de 0,20-0,40 m para a safra do ano de 2009 Os parâmetros dos modelos dos semivariogramas ajustados foram utilizados para atribuir valores em locais não amostrados através de técnicas de Krigagem. Observa-se que em maior parte da área total amostrada, a variável densidade do solo (Figuras 34A, 35A, 36A e 37A) é considerada alta de acordo com Amaro Filho et al., (2008) e Pedrotti e Melo Júnior (2009), os quais citam que valores acima de 1,35 kg dm-3 , limitam o crescimento do sistema radicular das culturas. Em conseqüência desta afirmação pode-se dizer que os valores de porosidade total do solo (Figuras 34B, 35B, 36B e 37B), foram reduzidas, concordando com o estudo de Ceddia et al. (1999); Souza et al. (2004); Silva 52 (2004), ao avaliarem as propriedades físicas do solo sob o cultivo de cana-deaçúcar. As Figuras 34D, 35C e 37C, apontaram de uma forma geral uma grande tendência a compactação (RMP), onde valores que varia 2,6 a 11,8 MPa em todas as camadas avaliadas, estão distribuídas em sua maior concentração na região direita da área em comparação com os menores valores.para a variável conteúdo de água no solo ( Figuras 34C, 36C e 37B), apesar de variação dos valores, as áreas são praticamente homogêneas, não atribuindo interferências nos valores de RMP. Resultados semelhantes foram encontrados por Vieira (1997); Journel e Huijbregts (2004) e Camargo et al. (2010) ao avaliarem a variabilidade espacial de atributos físicos do solo. Segundo Assis et al. (2001), valores de RMP entre 2,6 a 15,0 Mpa, tendem a limitar ou ainda a medida que aumenta seu valor, as raízes de qualquer cultura praticamente não crescem. O comportamento espacial dos mapas é muito semelhante em toda a área, encontrando maiores valores sempre na faixa direita, podendo-se dizer que as variáveis estudadas entre uma safra e outra obtiveram um aumento relativamente alto nas profundidades estudas, afirmando que existe um comprometimento desta área, muito provavelmente provocado pelo trafego de maquina por ocasião de colheita, tornando necessária a adoção manejo adequado a fim de minimizar os impactos causados. Através dos mapas de distribuição espacial observados para as variáveis, é possível e viável economicamente o uso de planos mais apropriados para a área. Por exemplo, de posse dos mapas, é possível separar na respostas das culturas a proporção referente ao tratamento ou manejo, daquela correspondente às diferenças de solo entre os pontos de um mesmo campo (ORTIZ, 2002). 53 A. C. B. Densidade D. Conteúdo de água no solo Porosidade Total RMP Figura 34. Distribuição espacial para as variáveis densidade, porosidade total, umidade e resistência do solo a penetração, na camada 0,0 – 0,20 m para a safra do ano de 2008 A. Densidade B. C. Porosidade Total RMP Figura 35. Distribuição espacial para as variáveis densidade do solo, porosidade total e resistência do solo a penetração, na camada 0,20 – 0,40 m para a safra do ano de 2008 54 A. B. Porosidade Total Densidade C. Conteúdo de água no solo Figura 36. Distribuição espacial para as variáveis densidade do solo, porosidade total e conteúdo de água no solo na camada 0,0 – 0,20 m para a safra do ano de 2009 A. B. Conteúdo de água no solo Densidade C. RMP Figura 37. Distribuição espacial para as variáveis densidade do solo, conteúdo de água no solo e resistência do solo a penetração, na camada 0,20 – 0,40 m para a safra do ano de 2009 55 3. CONCLUSÕES Para as duas camadas estudadas existe estrutura de dependência espacial das variáveis, exceto para as variáveis conteúdo de água no solo na camada de 0,20 – 0,40m na safra de 2008; resistência mecânica a penetração na camada de 0,0 – 0,20m e porosidade total na camada de 0,20- 0,40m ambas para safra de 2009. Os alcances encontrados para resistência mecânica a penetração de 235,10m na camada de 0,20 – 0,40m na safra de 2008 e 100,24m na camada de 0,0 – 0,20 m na safra de 2009, indica a que a distancia pode ser maior em futuros trabalhos com estas variáveis. Os valores de densidade do solo sofreram aumento da safra de 2008 para a safra de 2009, em conseqüência do sistema de colheita mecanizado. 56 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMARO FILHO, J.; ASSIS JÚNIOR, R. N.; MOTA, J. C. A. Física do Solo: Conceitos e Aplicações. 1.ed. Fortaleza: UFC, 2008. 290p. AMARO FILHO, J.; NEGREIRO, R. F. D. DE.; ASSIS JUNIOR, R. N. DE.; MOTA, J. C. A. 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A colheita mecanizada da cana crua a exemplo é uma prática que vem sendo adotada em diversas regiões do país, tendo como vantagem a redução de impactos ambientais, porém é necessário ter mensuração de indicadores físico-hídricos do solo sendo possível avaliar seu efeito na qualidade física, procurando diagnosticar possíveis problemas no sistema solo-planta. Se os indicadores físico-hídricos de qualidade do solo são parâmetros utilizados para avaliar as possíveis mudanças ambientais no sistema soloplanta, então este estudo é de extrema importância para avaliar as possíveis alterações na qualidade do solo a fim de auxiliar na sustentabilidade do sistema produtivo da cana-de-açúcar em Mato Grosso do Sul. Sendo as pesquisas com cana-de-açúcar no estado relativamente recente, o setor sucroalcooleiro vê-se obrigado a referenciar-se por pesquisas de estados com realidades diferenciadas, o que lança o desafio de implementar padrões mais adequado para o sistema de manejo, de acordo com solos de Mato Grosso do Sul. Dentro desse quadro torna-se pertinente dizer que este trabalho permite inferir modelos mais ajustados para as práticas de manejo do setor sucroalcooleiro no estado, uma vez que o mapeamento da área contribui a fim de demonstrar o limite de suporte do solo. Sabendo que a vida útil de um canavial em média corresponde a 6 cortes, diagnosticar anualmente a área de cultivo, com relação as propriedades físico-hídrica, químicas e biológicas, associadas a produtividade efetiva, pode vir a ser adotado como índice de qualidade. Conceitualmente, o uso da qualidade do solo como indicador de degradação é claro e vem sendo utilizado também para se avaliar a 61 sustentabilidade de manejo de solo. O ponto limitante do processo é a sua operacionalização, ou seja, quais parâmetros ou características do solo devem ser avaliados e monitorados para definir a manutenção ou variações tanto negativas como positivas da qualidade. Por esse motivo o grande desafio dos estudos sobre os padrões a serem seguidos sobre a sustentabilidade é com relação ao desenvolvimento de metodologias para avaliação sob a possível interferência do homem. 62 57