UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” INSTITUTO A VEZ DO MESTRE AS ÁREAS DE PROTEÇÃO AMBINETAIS E SUA CRESCENTE DEMANDA POR REESRTUTURAÇÃO Por: Agla Santos André Orientador: Prof. Francisco Correra Rio de janeiro 2010 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” INSTITUTO A VEZ DO MESTRE AS ÁREAS DE PROTEÇÃO AMBINETAIS E SUA CRESCENTE DEMANDA POR REESRTUTURAÇÃO Apresentação Candido de Mendes monografia como à requisito Universidade parcial para obtenção do grau de especialista em Gestão Ambiental. Por: Agla Santos André 3 AGRADECIMENTOS A família pelo incentivo em expandir meus conhecimentos acadêmicos; Aos amigos pela companheirismo; motivação Ao professor e pela orientação bem sucedida, e a Deus por me conceder mais uma vitoria. 4 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho ao meu irmão Jonathan Santos André, aos amigos e em especial a Jucélia Ferreira Soares por acreditarem no potencial do ser humano. 5 RESUMO A crescente degradação da natureza decorrente do crescimento demográfico e econômico aplicado em nosso país acabou comprometendo a integridade dos biomas nacionais, sendo a Mata Atlântica o bioma historicamente o mais afetado de todos. Diante deste ato predatório emergiu-se a preocupação com a preservação e a conservação desse extenso fragmento florestal, que compõem uma das parcelas do patrimônio natural brasileiro. Partindo desse pressuposto o trabalho aqui apresentado aponta a importância das Unidades de Conservação que guardam consigo os últimos fragmentos florestais desse bioma, delimitando-se a estudar e a observar as unidades de conservação presentes no Estado do Rio de Janeiro, no qual merece destaque: a Área de Proteção Ambiental (APA) do Maciço da Pedra Branca que é um importante ponto de referência na preservação dos vestígios de Mata Atlântica e o Parque Estadual da Pedra Branca, que é caracterizado sendo a maior floresta urbana do Estado. Veremos a seguir como essas unidades de conservação foram criadas e para que finalidades elas foram implementadas, e como a gestão de cada uma delas tem sido desenvolvida frente aos conflitos socais que se emergem e a crescente pressão antrópica . E como a educação ambiental pode contribuir para a gestão e a preservação dessas unidades de conservação, que carecem de um árduo manejo e por reestruturação urgentes. 6 METODOLOGIA A estruturação deste trabalho no qual se preocupou em ressaltar as dificuldades de gestão encontradas na preservação dos últimos fragmentos florestais da cidade do Rio de Janeiro, que engloba em suma o bioma da Mata Atlântica, foi elaborado mediante a leituras de artigos e livros, observações de algumas pesquisas elaboradas por instituições educacionais públicas como a UERJ e a UFRJ, como também contou com a entrevista concedida pelos funcionários da Unidade de Conservação do Parque Estadual da Pedra Branca, que é o estudo de caso presente neste documento. 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ................................................................................................ 09 CAPITULO I - Os últimos fragmentos florestais do Estado do Rio de Janeiro e a sua preservação............................................................................................ 11 1.1 As unidades de conservações presentes no Estado. 1.2 As Áreas de Proteção Ambientais e sua criação. CAPITULO II - Parque Estadual da Pedra Branca......................................... 19 2.1 Contextualização Geográfica e histórica 2.2 Caracterização socioeconômica da área de inserção do Parque. 2.3 A gestão do Parque Estadual da Pedra Branca CAPITULO III - Como preservar para as gerações futuras?............................28 3.1 A educação ambiental como propulsora de transformação CONCLUSÃO................................................................................................... 33 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA....................................................................... 35 ARTIGOS.......................................................................................................... 39 ANEXOS........................................................................................................... 44 Figura 1- Biomas do Brasil Figura 2- Localização do Parque Estadual da Pedra Branca Figura 3 - Zona Oeste do município do Rio de Janeiro. 8 Figura 4 - Zona Oeste do município do Rio de Janeiro -regiões admintrativas Quadro1- Unidade de Conservação de Uso Sustentável do Rio de janeiro em âmbito federal. Quadro 2- Unidade de Conservação de Uso Sustentável do Rio de janeiro em âmbito estadual Quadro 3- Unidade de Conservação de Proteção Integral do Rio de janeiro em âmbito federal. Quadro 4- Unidade de Conservação de Proteção Integral do Rio de janeiro em âmbito estadual Pesquisas Cientificas realizadas no PEPB Entrevista com funcionário do PEBP ÍNDICE ............................................................................................................. 64 9 INTRODUÇÃO Um dos atos que os portugueses chegaram ao Brasil em 1500 foi abater uma árvore para montar a cruz da primeira missa. Neste gesto predatório, fezse a primeira vítima da ocupação européia a Mata Atlântica , que cobria boa parte do território brasileiro. Nos cinco séculos que se seguiram, cada novo ciclo econômico de desenvolvimento do país significou mais um passo na destruição de uma floresta que outrora ocupou cerca de um milhão de quilômetros quadrados, e que hoje está reduzida a menos de 10% de sua área original ( DEAN,1996). O Brasil é o principal país dentre aqueles detentores de megadiversidade, possuindo cerca de 15 a 20% do número total de espécies da Terra ( MMA,2000). Gerir essa formidável riqueza demanda ação urgente, fundamentada em consciência conservacionista e políticas públicas que representem as aspirações da sociedade. Os esforços para conservar hoje os Atlântica enfrentam últimos fragmentos da Mata diariamente grandes desafios, pois estes fragmentos encontram-se em situação crítica de interferência em seus ecossistemas naturais. Seus domínios abrigam as maiores cidades e os mais importantes pólos industriais de nossa pátria. O município do Rio de Janeiro possui atualmente uma cobertura florestal reduzida à cerca de 8% do seu território. Os fragmentos florestais dos Maciços da Tijuca e Pedra Branca, são os importantes pontos de referência na preservação dos vestígios de Mata Atlântica que no passado ocupavam todo o litoral leste brasileiro. Estes fragmentos encontram-se isolados e cercados por ambientes alterados, que ao longo dos anos vêm ampliando seus domínios e, conseqüentemente, ocasionando redução na população de espécies da flora e fauna, o que poderá a médio e longo prazo determinar a sua extinção.Por isso é necessário se fazer presente dentro do território nacional as unidades de conservações voltadas para a preservação destes fragmentos florestais. 10 No Brasil temos atualmente 670 áreas protegidas distribuídas em todo o seu território e caracterizadas em diversos tipos de manejo e conservação, totalizando assim cerca de 60 milhões de hectares protegidos. Os tipos de Unidades de Conservação oficialmente reconhecidos no Brasil, estão pautadas de acordo com a Resolução do CONAMA n. 001/87 e 12/88. O trabalho aqui apresentado busca refletir sobre as unidades de conservações implementadas no Estado do Rio de Janeiro que abrigam consigo os últimos fragmentos florestais da Mata Atlântica,a fim de desvendar quais são as suas finalidades e porque muitas delas como é o acaso das Áreas de Proteção Ambientais presentes no município do Rio de janeiro encontramse abandonadas e entregues a própria sorte. Estará em debate a seguir como a maior floresta urbana do Estado do Rio de janeiro o Parque Estadual da Pedra Branca -que abriga em seus domínios a APA Municipal do Maciço da Pedra Branca - vem sendo preservado e administrado internamente, visto que ele é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral e guarda em seus domínios uma grande parcela dos últimos fragmentos florestais do Estado. Que com o passar dos anos vem sofrendo uma crescente pressão urbana, social e econômica. Vamos analisar como a gestão desta unidade vem sendo administrada e quais são as suas dificuldades mais latentes ao tocante a manutenção e preservação dos ecossistemas naturais, e qual seria o melhor caminho para preservar para as gerações futuras. 11 CAPITULO I Os últimos fragmentos florestais do Estado do Rio de Janeiro e sua preservação A Mata Atlântica é considerada pela Constituição Federal de 1988 como Patrimônio Nacional. Apesar disso, foram necessários 14 anos de mobilização da sociedade para a aprovação da Lei Federal Nº 11.428/2006 que dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação nativa do Bioma Mata Atlântica. A área de cobertura original do bioma, estimada em cerca de 1.300.000 km2, representa 15% do território brasileiro, segundo o IBGE. É onde se localizam 67% da população brasileira, ou, aproximadamente, 120 milhões de habitantes, espalhados por 3.400 municípios. Portanto, construir, fomentar e implementar políticas públicas neste bioma representa um desafio de grandes dimensões. O bioma Mata Atlântica ocupa inteiramente três estados - Espírito Santo, Rio de Janeiro e Santa Catarina - e 98% do Paraná, além de porções de outras 11 unidades da federação ( Figura1) O Estado do Rio de Janeiro representa, atualmente, uma unidade federativa estratégica para a proteção da biodiversidade nacional e para o desenvolvimento de novas práticas de gestão. Isso porque nos últimos anos o governo do Estado tem reconhecido que a proteção da biodiversidade é essencial para a consolidação dos processos de desenvolvimento regional visto que: “ O Estado do Rio de Janeiro possuía 97% de sua área coberta pela Floresta Atlântica. Atualmente o mesmo nos apresenta que esta cobertura vegetal distribuída em sua área, encontra-se reduzida a menos de 20% em relação á original.( Fonseca & Moulton,2000). A perda desta biodiversidade decorre da intensa exploração humana sem a presença de uma consciência ecológica e educacional, voltada para a proteção da escassez de seus recursos naturais. Sendo assim : 12 “ O processo de devastação desta cobertura vegetal iniciou-se no decorrer do período colonial e posteriormente seguido pelo cultivo de cana de açúcar, do café, da pecuária, bem como de outras recentes, atividades mas econômicas igualmente predatórias. ( Dean,1995) “ Através dos diversos tipos de desenvolvimento socioeconômicos que o Estado sofreu fez com que a cidade do Rio de Janeiro cresce-se e se torna-se uma das maiores áreas urbanas do mundo, mantendo felizmente valiosos remanescentes de seus ecossistemas originais respaldados pela conservação. Que se sucederam através da implementação da legislação ambiental,no qual emergiu-se uma grande quantidade de Parques, Reserva e Áreas de Proteção Ambientais voltadas para a conservação do bioma da Mata Atlântica. A política ambiental do Estado do Rio de janeiro responde aos compromissos assumidos pelo país, no âmbito da Convenção da Diversidade Biológica1 ( CDB,2000) e todos os seus desdobramentos mais recentes. “A Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), assinada em 1992, aborda aspectos importantes biodiversidade, utilização tais referentes como: sustentável, ao tema conservação identificação e e monitoramento, conservação ex situ e in situ, pesquisa e treinamento, conscientização impactos pública, negativos, educação minimização acesso a e de recursos genéticos, acesso à tecnologia e transferência, intercâmbio de informações, cooperação técnica e científica, gestão da biotecnologia e 1 CF. Decreto Nº 2.519, de 16.03.98 (DOU 17.03.98), que promulga a Convenção sobre Diversidade Biológica, assinada no Rio de Janeiro, em 5 de junho de 1992. repartição de seus benefícios, 13 entre outros. (MMA)” Senso assim o nosso país assumiu o compromisso de conciliar o desenvolvimento com a conservação e a utilização sustentável da diversidade biológica presentes no território nacional, já que é portador da maior biodiversidade do mundo e experimenta diariamente o desafio da conservação e do uso sustentável deste legado. Emerge-se assim as Unidades de Conservações2 que serão normatizadas e orientadas pelo Sistema Nacional de Unidade de Conservação (SNUC) ( Brasil,2000), que por sua vez responderá também de maneira democrática, aos compromissos assumidos pelo país no contexto da Convenção da Diversidade Biológica. Termos então diversas unidades de conservações voltadas para o resgate e proteção da biodiversidade inseridas em nosso país tanto a nível nacional, estadual e municipal, no qual sua criação serão regidas e norteadas pela Lei nº 9.985/2000 a Lei do Sistema Nacional de Unidade de Conservação da Natureza - SNUC. 1.1 As unidades de conservações presentes no Estado. Como já foi mencionado as Unidades de Conservação do Estado serão caracterizadas pela Lei do SNUC ( Lei nº.9.985/00) que tem como finalidade “estabelecer critérios e normas para a criação, implementação e gestão das unidades de conservação” sendo essas definias em diferentes categorias de manejo e em duas tipologias: Proteção Integral e Uso Sustentável. Unidade de conservação segundo o SNUC são “ espaços territoriais e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de 2 Unidade de Conservação (UCs)” são todas as diferentes áreas protegidas criadas no país(...) seja pelo Poder Público ou pela sociedade civil, para atender aos objetivos específicos de proteção dos recursos renováveis” ( Brasil,2000) 14 conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção.” Segundo o SNUC as unidades de conservação de Proteção Integral têm por objetivo básico “preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais.” E é compostas pelas seguintes categorias: Estação Ecológica; Reserva Biológica; Parque Nacional; Monumento Natural e Refúgio da Vida Silvestre. Já as unidades de conservação de Uso Sustentável têm por objetivo “ compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais.” E é composta pelas seguintes categorias: Área de Proteção Ambiental ( APA); Área de Relevante Interesse Ecológico( ARIE); Floresta Nacional (FLONA); Reserva Extrativista ( RESEX); Reserva de Fauna (RF); Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS); e Reserva Particular do Patrimônio Natural( RPPN). Serão essas categorias que encontraremos sobre o Estado do Rio de Janeiro totalizando assim 95 Unidades de conservação distribuídas entre as tipologias de Proteção Integral e Uso Sustentável ( FEEMA,2008; IEF, 2008; IBAMA;2008;ICMBIO,2008) as tabelas em anexo sistematizam as principais Unidades de Conservação no âmbito do Estado do Rio de Janeiro e ressalta, portanto, a dimensão dos desafios a serem enfrentados para a gestão da biodiversidade, a médio e longo prazo. Ao observarmos os anexos sobre a Unidades de Conservação de Uso Sustentável totalizam 67 unidades de conservação sendo: 54 no âmbito federal e 13 em âmbito estadual (Quadro 1 e 2). Já a tipologia voltada para as Unidades de Conservação de Proteção Integral abrigam: 28 unidades de conservação sendo: 10 em âmbito federal e 18 em âmbito estadual(Quadro 3 e 4) (IBAMA,2008). Como podemos constatar há uma grande quantidade de Uc’s presente no Estado do Rio de Janeiro porém é difícil obter acesso de como a gestão dessas unidades estão sendo implementadas, visto que há uma grande quantidade de categorias e de manejos diferenciados. Para desvendar os 15 processos de gestão das unidades é necessário ir a campo, observar e pesquisar dados afins. Como atualmente os parques estão no centro das atenções das políticas públicas federais e estaduais dirigidas á proteção da biodiversidade (MELLO, 2007), e as Áreas de Proteção Ambientais se destacam no Estado do Rio de Janeiro ao lutar pela conservação do bioma da Mata Atlântica que aqui ainda sobrevivem. Vejamos a forma como foram criadas as APAs no Brasil e como a mesma dispõe-se a interagir diretamente com a população, a ponto de permitir a presença humana e a residência delas em seus domínios, comparados com as demais unidades de conservação existentes. E como o maior Parque urbano do Estado - Parque Estadual da Pedra Branca -que abriga em seus domínios a APA Municipal do Maciço da Pedra Branca- vem posteriormente conduzindo a sua gestão. Visto que neste caso as unidades de conservação são sobrepostas, sendo a APA do Maciço de uso sustentável e a do Parque caracterizado como proteção integral. 1.2 As Áreas de Proteção Ambiental e sua criação. A introdução da categoria de Área de Proteção Ambiental - APA- no Brasil, é recente decorre dos anos de 1980 e representou na época uma importante inovação no amparo da conservação da natureza pois, tinha como grande eixos a conservação, o uso sustentável dos recursos naturais e a melhoria da qualidade de vida das populações humanas. A concepção filosófica desta nova categoria foi baseada nos Parques Naturais existentes nos países europeus especialmente em Portugal, onde a conservação dos ecossistemas coexistiam com á permanência das populações humanas locais. Dispensava-se assim a desapropriação de terras e o deslocamento das comunidades locais. Esta concepção foi trazida pelo famoso ambientalista brasileiro Dr. Paulo Nogueira Neto quando era secretário especial da ex Sema ( Secretaria Especial do Meio Ambiente). 16 Elas são caracterizadas senso extensas e complexas pois a medida que englobam regiões e ecossistemas inteiros seu objetivo foi traçado para a expansão da escala de conservação, evitando assim a fragmentação da paisagem. Porém como elas estão inseridas dentro do meio urbano das grandes metrópoles a fragmentação da paisagem é inevitável, pois a grande pressão urbana à sufoca. A nova Lei do SNUC Lei n° 9.985/00 conceitua Área de Proteção Ambiental como: “ Uma área geralmente extensa, com um certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e bem - estar das populações humanas, e tem como objetivo básico proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais” A mais de duas décadas as APA foram universalizadas a quase todo recanto do território brasileiro, tendo adotado sua criação as esferas Federais, Estaduais e Municipais de governo. E que hoje seus integrantes lutam para não permanecerem apenas nos papéis. Muitas requerem recursos financeiros, profissionais capacidades , materiais disponíveis e principalmente do apoio governamental e da conscientização da população sobre as sua finalidades e existência. Como é o caso da APA Municipal do Maciço da Pedra Branca, localizada na zona oeste do Município do Rio de Janeiro. A maioria da população que reside dentro de uma APA se quer reconhece que está dentro de uma área protegida. Muitas não querem saber das restrições impostas e na verdade ninguém sabe quem manda em quem dentro da mesma. O Comitê de Gestão quando existe pois, a maioria não possui raramente funcionam( Pádua 2005). 17 As vantagens que a criação da APA proporciona aos nossos governantes e que ela não onera os cofres públicos ao tocante a desapropriação das comunidades locais. É uma forma de “preservar” sem grandes gastos e de maneira positiva. E com relação a população é que o Estado garante assim de forma significativa aos cidadãos que um dos patrimônios da nação estão sendo protegidos. Mas que na realidade não é bem isso o que ocorre, sua estrutura só é viável no papel pois não protegem na integra a biodiversidade presentes no nosso país e nem nos estados. Isso se comprova através de sua própria caracterização são extensas demais e complexas comparadas com as demais unidades e carecem de inúmeros recursos que possam contribuir pelo zoneamento de tamanha amplitude. O que se pensar então como é a gestão dessa unidade de conservação? Alguns pesquisadores como Côrte (1997) acredita que as dificuldades de gestão dessas áreas podem estar relacionadas a maneira pela qual são elaboradas os decretos de sua criação, ora pouco específicos, que permanecem com objetivos gerais, ora muito restritos, que impedem a própria identidade desse tipo de Unidade de Conservação. Gestão Ambiental tem importante papel no estruturação das Áreas de Proteção Ambientais, uma vez que está relacionada ao gerenciamento de toda as atividades humana que tenham impacto significativo sobre o meio ambiente. Segundo Souza (2000) a abordagem sistêmica do ambiente por meio da gestão ambiental, propicia uma aplicação mais próxima da realidade, pois cria canais de comunicação, nos quais os fatores ambientais são identificados, analisados, ponderados e administrados, observando inúmeras áreas do conhecimento, permitindo assim a compreensão global dos problemas e também a aplicação de soluções ambientais mais adequadas. O Sistema de Gestão Ambiental (SGA) em Área de Proteção Ambientais deve contribuir na identificação dos aspectos ambientais relacionados as atividades antrópicas e seus respectivos impactos, a fim de evitá-los ou controlá-los, também deve implementar mecanismos de controle 18 ambiental de atividades, produtos, serviços e impactos ao meio ambiente, bem como melhorar os procedimentos adotados considerando as disposições legais vigentes. Em APA o funcionamento efetivo do Sistema de Gestão Ambiental estará vinculado aos processos de negociações realizadas pelo Conselho Gestor, que por sua vez necessita da participação da sociedade bem como do apoio e presença do órgão responsável por sua administração ( IEF, IBAMA...)enfim.. A carência de recursos humanos qualificados para promover a gestão dessa unidade de conservação tem se apresentado como um grane problema para a efetivação das ações ambientais, portanto devemos constatar que é uma entrave nas tomadas de decisões no processo de gerenciamento. Por isso é difícil fazê-las funcionar bem é essencial obter apoio da população além disso é necessário que as instituições governamentais e não governamentais locais participem efetivamente de sua administração, através do Conselho Gestor. Conselhos meramente consultivos resultam em quase nada, são formas frustrantes. Segundo Paulo Nogueira Neto “Combinar em doses certas e compatíveis o poder da política governamental com a agilidade e impulso próprios das iniciativas não governamentais é o grande desafio de gestão das Áreas de Proteção Ambiental.” Um bom exemplo de dificuldade encontrada na implementação de gestão dentro de Área de Proteção Ambiental presente no Estado do Rio de Janeiro, é a APA Municipal do Maciço da Pedra Branca que esta inserida nos domínios do maior parque urbano do Estado - o Parque Estadual da Pedra Branca.(Figura 2 ) Apesar de “os parques estarem no centro das atenções das políticas publicas federais e estaduais dirigidas à proteção da biodiversidade”, segundo Melo. No entanto, ainda carecem assim como as APA superar os desafios relacionados de uma gestão eficaz, considerando os objetivos delineados para essa categoria de manejo segundo o SNUC, como veremos no capitulo a seguir. 19 CAPÍTULO II Parque Estadual da Pedra Branca. 2.1 Contextualização Geográfica e histórica A colonização do maciço da Pedra Branca se dá entorno do início do século XVII, destacando-se assim engenhos de açúcar, plantações de banana e mandioca. No século XIX o café deu origem a várias fazendas na região como as de Camorim, Vargem Grande,Vargem Pequena, Engenho D’Água, do Engenho Novo entre outras. A partir dos anos 70,as antigas fazendas que foram retalhadas em lotes rurais foram sendo ocupadas pelo processo de expansão da cidade, naquela direção, que juntamente com as atividades de exploração de pedreira e o cultivo da banana, representam as maiores fontes de degradação dos remanescentes florestais da área. O processo de criação desta Unidade foi iniciado em abril de 1963, pelo Decreto nº 1.634, que declarou sua área de utilidade pública para fins de desapropriação. Mas apenas 11 anos depois, o Parque Estadual da Pedra Branca foi realmente criado após longo período de estudos. E, a partir de 1980, o PEPB passou a ser administrado pela Fundação Instituto Estadual de Florestas (IEF), sob jurisdição e administração do governo do Estado do Rio de Janeiro ( IEF, 2008). Somente em 1974, contudo, após longa fase de estudos, o Parque Estadual da Pedra Branca foi criado, por meio da Lei Estadual nº 2.377, de 28 de junho de 1974, cujos limites englobam, inclusive, as diversas Florestas Protetoras da União, ali existentes. O Parque representa atualmente a maior 20 floresta urbana protegida do país. Ele ocupa cerca de 10% da área total do 3 município do Rio de Janeiro, compreendendo toda as encostas do Maciço da Pedra Branca, acima da cota de 100 metros. O Parque faz limite com a Zona Oeste da Região Metropolitana do Rio de Janeiro e com a Baixada de Jacarepaguá, e é circundado por oito bairros da cidade, o que realça a sua importância como área protegida urbana. Localizado também na bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul, de grande importância no contexto quilômetros quadrados), nacional, possui 12.500 hectares (125 de área coberta por vegetação típica da Mata Atlântica. No Parque também está localizado o ponto culminante do município do Rio de Janeiro, o Pico da Pedra Branca, com 1.024 metros de altitude. O maciço da Pedra Branca, como um todo, abriga as nascentes dos principais rios do município do Rio de Janeiro, bem como os últimos remanescentes de Mata Atlântica em diferentes estágios sucessionais ( Costa, 2002). Em 1988, o Município do Rio de Janeiro criou a Lei Municipal nº 1.206 em que as autoridades resolveram transformar a área do Parque em Área de Proteção Ambiental ( APA), acima da cota de 300 metros, para assim combater a erosão, a poluição, as invasões, a devastação florestal, e o crescente processo de favelização da área que circunda o maciço. Hoje ela é uma importante unidade de conservação pois encontra-se encravada no centro da segunda metrópole brasileira e vem sofrendo os efeitos da pressão exercida pela ocupação humana e por atividades de diversas naturezas, existentes nos vários bairros que o circundam e que fazem parte de seis regiões administrativas (RA’s): Bangu, Realengo, Campo grande,Guaratiba, Jacarepaguá e Barra da Tijuca.( Figura 3 ) O crescimento urbano da cidade do Rio de Janeiro vem se dando, nas últimas décadas, em direção às suas áreas mais periféricas, principalmente no que concerne às populações de menor poder aquisitivo. A ocupação de áreas 3 Instituto Estadual de Floresta (IEF-RJ) considera a floresta do PEBA, nessa condição, já que todo o maciço e seu entorno próximo encontra-se, atualmente em uma área urbana. 21 inapropriadas, aliada à falta de saneamento, acarreta, via de regra, precárias condições habitacionais e de infra-estrutura básica. A expansão urbana é visível em todo o maciço, conseqüentemente o Parque sofre constantes invasões. O Maciço da Pedra Branca é o grande obstáculo a ser ultrapassado a partir de Jacarepaguá e Recreio dos Bandeirantes, locais onde a expansão urbana se faz de forma intensa. Como conseqüência, verifica-se uma ocupação das encostas, principalmente na vertente de Jacarepaguá, Bangu, Campo Grande e Barra de Guaratiba, fruto da expansão das áreas urbanas destes bairros. Estas ocupações têm problemas associados a acúmulo de lixo, esgotos “in natura” nos rios mais próximos e desmatamentos, entre outros. Moradores de grandes residências, ou mesmo sitiantes, são freqüentemente flagrados cometendo irregularidades tais como: represamento de rios, desmatamentos e queimadas. Por isso é essencial que a unidade tenha uma boa gestão para superar essas adversidades. Porém este processo vem enfrentando inúmeros problemas pois, a criação dos parques estaduais foram asseguradas por decretos, mas a alocação de recursos materiais, humanos e financeiros não atendem ainda as necessidades identificadas para a consolidação da gestão dessas áreas. Assim, os parques cridados em décadas passadas e aqueles recentemente decretados enfrentam dificuldades similares de gestão. Essas áreas carecem de infra-estrutura, equipamentos, capacitação técnica,rubricas para a regularização fundiária, entre outros problemas, o que dificulta a efetiva proteção da biodiversidade, o uso público e a pesquisa, fins que justificaram sua criação. A Bióloga e o Engenheiro Agrônomo nossos entrevistados no PEPB nos contaram que a Unidade de Conservação foi criada em caráter emergencial na época, voltados para a regeneração da mata e da preservação dos corpos hídricos nele presente, sedo esta segunda alternativa mais ressaltada. Pois estes corpos hídricos faziam parte do sistema de captação e distribuição de água potável, que havia sido represada desde o século XIX para 22 abastecimento das populações vizinhas. Porém na primeira metade do século XX, com o crescimento populacional da área, as garantias de proteção da floresta se mostraram insuficientes, considerando os níveis de pressão antrópica sobre a mesma, esse foi mais um pilar importante para a criação do Parque. As modernizações ocorridas no Parque são recentes e foram obtidas através de uma medida compensatória aplicada à Eletrobolt/Sociedade Fluminense de Energia, que colocou em funcionamento, em Seropédica, a primeira termelétrica focada no mercado atacadista de energia. Através desta medida o Parque ganhou as instalações para os funcionários trabalharem como: a sede administrativa,os banheiros, a lanchonete enfim. Porém hoje a única instalação que funciona fruto desta medida compensatória é a sede administrativa, onde pude obter a entrevista sobre o Parque. 2.2 Caracterização socioeconômica da área de inserção do Parque. A região do PEPB ocupa mais da metade do território do Município do Rio de Janeiro e conta com uma população de cerca de 50% do total de residentes da cidade. Nessa região, de grande complexidade socioeconômica, ocorrem aproximadamente quarenta bairros, dos quais oito circundam o Maciço da Pedra Branca, como já foi mencionado. Na década de 90, os proprietários de terras, na área iniciaram um processo de desmembramento de seus lotes entre familiares, o que resultou gradualmente, em um processo de “ favelização” da área. Nas encostas dos morros protegidos são encontrados moradias de alto padrão, além de condomínios e loteamentos projetados, o que tem gerado a descaracterização do padrão original rural da região. O histórico da cultura de muitos anos de ocupação desordenada e intensa subdivisão das fazendas, estimulada pela implantação do cultivo da banana, terminou por transformar lotes rurais que, 23 até hoje, não estão devidamente regularizados. Além disso, o crescimento populacional, em período mais recente, levou as comunidades de baixa renda a buscar melhores condições de trabalho e renda na região, o que gerou pressão crescente nas áreas do Maciço da Pedra Branca, com sérios problemas fundiários sem solução até o momento (SOARES,2004). Sendo assim a região de inserção do PEPB caracteriza-se por um quadro de fortes contrastes socioeconômicos de grande complexidade quando são considerados os desafios para a sua gestão. Os diversos núcleos residenciais localizados no interior do Parque representam um importante problema a ser ressaltado na gestão da Unidade de Conservação, pois esse contexto tende a se agravar, na medida em que os lotes continuam sem regulamentação e não há critérios claros para permanência dessas ocupações no interior do Parque. Estima-se que, no Parque cerca de dez mil moradores ocupando áreas em seu interior e encostas do morros e fundo de vales. Esse núcleos populacionais conseqüentemente, geram problemas de contaminação dos mananciais, por matéria orgânica e resíduos sólidos. Alem disso a degradação do solo por atividades agrícolas e a redução da vegetação ciliar representam também, ameaça futura à saúde da população que utiliza regularmente as águas da região. O Parque Estadual da Pedra Branca caracteriza-se sendo um área protegida sujeita a fortes impactos decorrentes da relação entre o uso da terra e as demandas de conservação da biodiversidade, em função do crescimento demográfico, da ocupação desordenada do solo e de seus impactos sobre o patrimônio natural, o que tende a gerar um contexto sócio-ambiental complexo, caracterizado por conflitos de toda ordem. 24 2.3 A gestão do Parque Estadual da Pedra Branca O Parque Estadual da Pedra Branca desde o processo de sua criação vem tentando superar inúmeros desafios, que envolve a adequação do plano de manejo condizente com sua verdadeira realidade, e de como manter essa unidade de forma integral conforme foi criada para este fim. São anos de luta e superação engajados pelos próprios funcionários da unidade de conservação. O plano de manejo que segundo o SNUC entende-se por: “ um documento técnico mediante o qual, com fundamentos nos objetivos gerais de uma unidade de conservação, se estabelece o seu zoneamento e as normas que devem presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais, inclusive a implementação das estruturas físicas necessárias á gestão da unidade” Cuja importância é reforçada em seu Art.274 que declara que toda unidade de conservação deve dispor de uma plano de manejo, e que este deve ser criado em um prazo de cinco anos a partir da data de criação da unidade de conservação. Parece não ter sido aplicado ao Parque pois, como nos informa os entrevistados “o Parque quando foi criado em 1974 de forma emergencial seu plano de manejo também obteve esta caracterização, que ao ser analisado posteriormente verificou-se que muitas das suas diretrizes não eram compatíveis com a realidade e necessidades do Parque.” O que chama atenção é que já se passaram 36 anos que a unidade de conservação foi criada e até hoje este documento continua ausente. O plano de manejo é a diretriz para o gerenciamento de unidade de conservação apresenta-se como um instrumento essencial para áreas protegidas. Segundo os entrevistados atualmente o Parque vem sendo estudado por cinco grandes empresas que concorrem no Instituto Estadual do 4 Lei nº 9.985/00 - SNUC 25 Meio Ambiente -INEA- para implementarem seus projetos de preservação e conservação ao Parque, afim de reconhecerem e divulgarem melhor a área protegida e contribuírem finalmente para a estruturação do plano de manejo da unidade de conservação - os nomes infelizmente não foram divulgados. Sendo assim o PEPB em seu processo de gestão ainda não possui Plano de Manejo nem Conselho Consultivo ativo. Mas, em 2007,o Instituto Estadual de Florestas iniciou o processo de formação do Conselho Gestor por intermédio do Programa de Fortalecimento de Conselhos de Unidade de Conservação(IEF,2008), cujo objetivo é compor o Conselho de forma legitimada, levando cada parceiro a se comprometer com o processo de formação e consolidação o Conselho Consultivo do Parque Estadual da Pedra Branca. O Conselho Gestor presente no Parque nortearia o gestor da unidade de conservação a avaliar as necessidades mais latentes ao tocante a conservação e preservação do Parque, uma vez que o Conselho Gestor é um instrumento de participação democrática e representa uma inovação institucional, pois garante a participação de novos atores políticos e o controle social em um processo crescente de redemocratização (LÜCHMANN, 2002). A institucionalização de conselho gestor em unidades de conservação com a participação da população local reflete a necessidade da gestão do conflito ambiental que marca a história destas unidades. Mais precisamente, o conflito entre a proteção ambiental e o uso dos recursos naturais por parte da população que vive nos limites destas unidades (TEIXEIRA, 2004). O conselho gestor, neste caso, é um instrumento da Gestão Ambiental, definida como um processo de mediação de interesses e conflitos entre diferentes atores sociais que agem sobre os meios físico-natural e construído. Este processo define e redefine, continuamente o modo como estes atores sociais, através de suas práticas, alteram a qualidade do meio ambiente e também como se distribuem os custos e os benefícios decorrentes de suas ações (QUINTAS,2005). 26 Exercerá assim o papel responsável pelas tomadas de decisões, será o placo das negociações, o fórum de debate em que os conflitos presentes na unidade de conservação sejam amenizados. Porém para que isso possa acontecer é necessário a participação da sociedade bem como do apoio e presença decisiva do órgão administrativo. Para gerir conflitos, que chegam a ameaçar a conservação, objetivo principal das áreas protegidas, a participação da população local nas decisões sobre suas práticas materiais, foi sendo lentamente incorporada nas propostas de gestão de unidade de conservação, ao longo dos anos 90 (ARRUDA, 2000). Sendo assim os conselhos gestores em unidade de conservação instituem uma participação das populações locais provocada e dirigida por agentes externos, aos quais é concedida parte do poder de influência nas decisões relativas à gestão ambiental. Apesar Conselho Gestor ser mais um dos ramo que auxilia o gerenciamento da unidade de conservação, ao analisando PEPB este também se encontra desestruturado, pois são raras as participações das populações locais. Segundo os entrevistados: “a inúmeros conflitos de interesses pois as parcerias são difíceis muitos dos moradores veem nós funcionários do Parque como ‘inimigos’, principalmente quando vamos atrás de denuncias de ilegalidade sendo praticadas dentro da unidade de conservação e quando realizamos as visitas periódicas a cada localidade. A reciprocidade entre os moradores e funcionários e bastante complicada. E quando os representantes sociais do conselho consultivo se pronunciam nós querem dar ordens imediatas e se esquecem que para tudo nessa vida há um hierarquia a ser respeitada.” Assim a participação cidadã no processo de tomada de decisão relativo ao Parque encontra-se em construção, uma vez que o atual modelo de gestão, ainda, é percebido pelas populações locais como uma reprodução da cultura e fiscalização e não como possibilidade de acordos e parcerias, o que lhes faltam é uma consciência e educação direcionada para este fim. 27 Atualmente o Gestor da unidade de conservação do PEPB é o Sr. Alexandre Marau Pedroso que exerce esta função a 8 meses, e que segundo os funcionários vem lutando diariamente com a equipe da unidade de conservação para que o Parque não exista apenas no papel. O Gestor do PEPB conta com o apoio de diferentes instituições que elaboram projetos variados, de importância significativa para a gestão e para a consolidação do Parque a médio e longo prazo. O PEPB tem assim como apoio no processo de gestão uma quantidade elevada de pesquisas cientificas realizadas na área, tornando assim o Parque umas das unidades de conservações estaduais mais estudada. Diversas instituições acadêmicas desenvolveram e desenvolvem projetos científicos e de pesquisa no local, como a Fundação Oswaldo Cruz ( FIOCRUZ), a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), e a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ).(Pesquisas anexadas) Esses trabalhos e parcerias tendem a ser fundamentais, uma vez que geram importantes subsídios para programas de educação ambiental e planejamento das atividades possíveis na região de entorno. Porém ainda precisam ser bem exploradas e mais disponíveis o seu acesso. Sendo assim os desafios a serem superados pela gestão do Parque concentram-se pautados nas aquisição de recursos humanos qualificados que possam complementar essa gestão, no apoio do órgão administrativo e na participação ativa das populações locais, viabilizando assim o diálogo e a superação dos conflitos, que por sua vez poderiam ser direcionas através do efetivo trabalho da educação ambiental. 28 CAPITULO III Como preservar para as gerações futuras? Incentivar as futuras gerações a preservar o Meio Ambiente é uma maneira de cuidar do que temos hoje idealizando a continuação de belos e importantes recantos disponibilizados pela natureza, e este incentivo vem sendo pautado através da implementação da Legislação Ambiental vigente em nosso país. Nossa própria Constituição Federal em seu Art.225 aponta que: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.” Neste sentido foi atribuídos a todos um direto - dever, no qual é direcionada a todos os cidadãos brasileiros e a sua aplicação é de responsabilidade do Poder Público. Temos o dever de preservar a natureza não somente para garantirmos uma vida digna, saudável para nós todos, como também para as gerações vindouras. Daí extrai-se vários princípios tais como: obrigatoriedade da intervenção estatal, meio ambiente ecologicamente equilibrado, responsabilidade, participação comunitária, cooperação entre os povos entre outros. Com o surgimento de inúmeras conferências ambientais e normatizações a respeito, pode-se dizer que, em razão de uma crise que vem despontando e crescendo vorazmente, produto da tensão entre desenvolvimento e preservação do Meio Ambiente, está nascendo um novo paradigma, uma mudança de conduta, uma nova ética. O homem está num processo de re-ligação à natureza, percebendo que aquilo que ele supunha ser inesgotável não o é. 29 Quando se fala em gerações futuras devemos nos questionar: - É justo destruirmos o que tomamos emprestado dos nossos descendentes? A Terra que nossos ascendentes nos deixaram merecia ser tratada da forma como vem sendo tratada? Estamos extrapolando nossos direitos e descumprindo nossos deveres! É neste dilema que se faz a necessidade da implementação da Educação ambiental que transforme a consciência humana sobre os seus atos cometidos ao meio.Temos o Poder Publico agindo de um lado cumprindo as incumbências estabelecidas no Art.225 de nossa Constituição Federal vagarosamente mais cumpri - e a maioria da população a mercê do desconhecimento do que? e para que? se preservar a natureza. Conciliar o espaço entre homem e natureza tem sido um grande desafio dos últimos tempos, não basta apenas termos as áreas protegidas implementadas pelas leis ambientais, é preciso da colaboração de todos os cidadãos para que elas possam exercer verdadeiramente o papel que lhes foram designados como ‘guardiões’ do patrimônio natural da sociedade brasileira. Como impulsionar a preservação e conservação da natureza sem a aplicação de um meio educacional que alimente a consciência humana a se relacionar melhor entre si e com o meio que a cerca? Para que a natureza que nos cerca permaneça vigente é necessário remodelar as ações, valores e conhecimentos humanos e isso só se torna possível através da educação que é oferecida ao homem, pois sem ela não existe o respeito mutuo. 3.1 A educação ambiental como propulsora de transformação. Atualmente, em presença dos conflitos gerados pela relação natureza e sociedade,acentua-se a importância de uma educação que promova a sua finalidade social pelo desenvolvimento de pessoas com posturas críticas, responsáveis e participativas. Neste sentido, destaca-se a Educação Ambiental, por apresentar um pensamento crítico, inovador e político, com a 30 intenção de provocar a transformação e reconstrução da sociedade, por reivindicar e preparar cidadãos para exigir justiça social, cidadania nacional e planetária, autogestão e ética nas relações sociais e com a natureza (REIGOTA, 1994). Assim a relação entre meio ambiente e cidadania pode ser situada no marco da participação e da ação política enquanto cenário para um novo modo, ambiental e sustentável, de operar de forma democrática as relações entre a vida dos grupos sociais e a gestão dos recursos da natureza. A Educação Ambiental aplicada em remanescentes florestais, como Parques e Estações Ecológicas, busca orientar e provocar mudanças de visão, em relação ao funcionamento e a importância da unidade de conservação, e a formação de hábitos que não ocasionem a degradação destes ambientes pela visitação pública. Como também facilita a implementação da Gestão Ambiental dentro dessas unidades aproximando a população a cuidar e compreender melhor do meio que as cercam. Considerando que o meio ambiente se modifica para melhor ou para pior com a intervenção do ser humano, a educação ambiental precisa ser entendida como uma possibilidade de garantir a relação ser humano/natureza ( Quinta,2000). Através dela, as atitudes e ações vão além do espaço escolar e precisam de parceiras no trabalho da defesa e respeito a vida. Despertar nas pessoas sentimentos de pertencimento e de cuidado com a "Mãe Terra", é estar respeitando e valorizando a própria vida. Diante destas concepções, a educação ambiental é um processo de aprendizado: é a ligação das questões relacionadas à interação do ser humano com seu ambiente natural. É o instrumento de formação de uma consciência pelo conhecimento; e também, reflexão sobre a realidade ambiental. Através dela, busca-se desenvolver sensibilidade, para um desenvolvimento sustentável, com atitudes e condutas que favoreçam o exercício da cidadania, a preservação do ambiente e a promoção da saúde e do bem-estar. A positivação de direitos de proteção do meio ambiente como direito humano se deu, pela primeira vez, no âmbito da Conferência das Nações 31 Unidas sobre o Ambiente Humano de 1972, na Declaração de Estocolmo, no qual se estabeleceu que: "O homem tem o direito fundamental à liberdade, à igualdade, e ao desfrute de condições de vida adequadas em um meio cuja qualidade lhe permita levar uma vida digna e gozar de bem-estar e tem a solene obrigação de proteger e melhorar esse meio para as gerações presentes e futuras". (AZEVEDO, 1988). No caso do Brasil o compromisso ético de preservar e defender o meio ambiente ecologicamente equilibrado para as presentes e futuras gerações implica: constituir um estilo de desenvolvimento socialmente justo e ambientalmente seguro, e praticar uma Gestão Ambiental democrática, fundamentada no principio de que todas as espécies tem direito a viver no planeta, enfrentando os desafios de um contexto de privilégios para poucos e obrigação para muitos. A Gestão Ambiental em parceria com a educação tem como alvo mediar os interesses e conflitos entre os atores sociais que disputam acesso e uso dos recursos ambientais. Sendo assim a educação ambiental no processo de gestão deverá proporcionar condições para a produção e aquisição de conhecimentos e habilidades, e o desenvolvimento de atitudes visando à participação individual e coletiva: na gestão do uso dos recursos naturais, na concepção e aplicação das decisões que afetam a qualidade dos meios físiconatural e sociocultural. E essa educação se caracterizará sendo transformadora a medida em que o processo civilizatório em curso passe a acreditar na capacidade humana de construir um outro futuro a partir da construção de um novo presente, e assim instituindo novas relações dos seres humanos entre si e com a natureza, num processo continuo e permanente. A educação ambiental transformadora, enfim, pode ser apresentada em três eixos explicativos, segundo Carlos Loureiro, na edição da publicação realizada pela Diretoria de Educação Ambiental- DEA do Ministério do Meio Ambiente- MMA (2004): 32 - busca redefinir o modo como nos relacionamos conosco, com as demais espécies e com o planeta; - tem na participação e do exercício da cidadania princípios para a definição da democracia e das relações mais adequadas, com relação à vida planetária; - educar para transformar significa romper com as práticas sociais contrárias ao bem-estar público, à equidade e à solidariedade, estando articulada necessariamente às mudanças éticas que se fazem pertinentes. O importante é transformar, seja pela atividade consciente ou pela relação teoria-prática. Pois, a educação é um momento da práxis social transformadora, onde não se pretende considerar que a perspectiva ‘ambiental’ possa revolucionar a sociedade, mas sim que sem ela será complicado assim o fazer. Então apesar das áreas protegidas estarem sendo implementadas sobre todo o território nacional e cada uma apresentando uma particularidade distinta , as mesmas só sobreviveram no futuro se houver a transformação da consciência humana voltadas para o ato de preservar, e se os nosso governantes verdadeiramente as fiscalizarem. Pois depredamos ferozmente a natureza sem que ela se manifeste precisamente diante dos atos cometidos, nosso punição vem emergindo silenciosamente e quando nos dermos conta não haverá mais como reverter ou ate mesmo amenizar este efeito colateral. “Só uma sociedade bem informada a respeito da riqueza, do valor e da importância da biodiversidade é capaz de preservá-la.” ( Washington Novaes) 33 CONCLUSÃO O Brasil como foi mencionado possui uma das biotas mais notáveis do planeta, porém ela tem sido degradada de forma dramática ao longo do tempo, e nos deixado como conseqüência a acelerada perda da vegetação nativa dos biomas que aqui ainda sobrevivem. Decorrente a este processo um dos biomas mais afetados sobre o território nacional tem sido o bioma da Mata Atlântica que engloba todo um fator histório das atividades sobre ele desenvolvidas, o que afeta até nos dias de hoje boa parte de sua vegetação nativa, principalmente a que recobria o Estado do Rio de Janeiro. A dilapidação desses elementos naturais fez com que emergir-se a preocupação de como resguardar este patrimônio natural para as gerações vindouras, por isso temos hoje aplicada não só no bioma da Mata Atlântica mais sobre todos os biomas do território nacional as Unidades de Conservação que abrigam consigo importantes fragmentos florestais ameaçados pela ação antrópica. E estas Unidades de Conservação apresentarão duas tipologias distintas sendo elas voltadas para o Uso Sustentável e para a Proteção Integral da natureza, cujas descrições e regras de criação e implementação serão regidas pelo a Lei do SNUC (lei 9.9638/00). Diante do estudo de caso apresentado podemos concluir que a Unidade de Conservação do Parque Nacional da Pedra Branca que abriga a maior floresta urbana do Estado - que em suma abrange uma grande porção dos últimos fragmentos florestais da mata atlântica - carece por reestruturação urgentes, pois a unidade encontra-se abandona pelas autoridades governamentais, poucos recursos são disponíveis e o que é oferecido a unidade de conservação não supre suas necessidades, assim a dilapidação do meio ambiente continua a persistir. Apesar das unidades de conservação serem criadas muitas parecem existir apenas no papel, nos fazendo a entender que cuidar da natureza que nos cerca como emprega nossos governantes tem sido praticadas da boca para fora e usadas como um recurso de apresentação nos palcos da reuniões 34 internacionais sobre o meio ambiente de como o nosso país é preocupado com as relações sócio-ambientais e com a sustentabilidade do planeta. Quantidade de áreas protegidas não significa qualidade em preservação e conservação da natureza , o que adiante termos um grande número de unidades de conservação sobre o território nacional e em especial sobre o Estado do Rio de Janeiro se não conseguimos vê-las funcionando bem e cumprindo o seu verdadeiro papel no qual foram designadas. Há descaso e falta de compromisso dos dois lados: dos governantes e da população. Vejo como caminho alternativo para mudar esta postura com relação ao meio que nos cerca a aplicação da educação ambiental em todos os níveis sociais, pois somente reestruturando a consciência humana poderemos ver definitivamente estas unidades de conservação sendo respeitadas e cumprindo seu verdadeiro papel de ‘guardiões do patrimônio natural’ com a colaboração de todos , porém o caminho é longo e o trabalho é árduo mais não impossível. Só assim garantiremos um futuro melhor e a restituição dos danos causados a natureza. Preservemos hoje para desfrutarmos do amanhã. 35 BIBLIOGRAFIA CONULTADA BENJAMIN, Antonio Herman . Direito Ambiental das Áreas Protegidas: o regime jurídico das unidades de conservação/ Antonia Pereira Ávila Vio [et al], coordenação Antonio Herman Benjamin, Rio de janeiro. Ed; Forense Universitária,2001 ( pág. 248 -433) BRASIL, Legislação de direto ambiental/ obra coletiva de autoria da Editora Saraiva com a colaboração de Antonio Luiz de Toledo Pinto, Márcia Cristina Voz dos Santos Windt e Livia Céspedes. - 2.Ed - São Paulo: Saraiva, 2009 ( Coleção Saraiva de Legislação) (pág. 905-926) BRASIL, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e Secretaria Municipal do Meio Ambiente - Guia de Unidade de Conservação Ambiental do Rio de Janeiro,1998 ( pág.42- 50) BRASIL, UFRJ. Geoste- Grupo de Estudos Ambientais da Zona Oeste o Rio de Janeiro. Curso: Impactos Ambientais e Qualidade de Vida da Zona Oeste, 1990 ( pág. 40- 52) CABRAL, Nájila Rejanne Alencar Julião - Área de Proteção Ambiental: planejamento e gestão de paisagens protegidas. 2ed / Nájila Rejanne Alencar Julião e Marcelo Pereira de Souza. São Carlos: RiMa 2005 ( pág. 21-102) DIAS, Freire Genebaldo - Educação Ambiental : princípios e práticas - 4ª ed. São Paulo, Editora Gaia 1993 ( pág. 36 IBAMA. Diretrizes para operacionalização do Programa Nacional de Educação Ambiental. Brasília: Edições IBAMA, 1995 (Série Meio Ambiente em Debate. (pág.40-62) IBAMA -Educação ambiental e gestão participativa em Unidades de Conservação / Carlos Frederico B. Loureiro... [et al.] – 3.ed. revisada e atualizada. – Rio de Janeiro: IBAMA /NEA/Rio de Janeiro, 2008. ( pág. 15- 40) IBAMA, Roteiro Metodológico para Gestão de Áreas de Proteção Ambiental/ APA- Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, Diretoria de Unidade de Conservação da Vida Silvestre - Brasília , Editora: IBAMA,2001 ( pág. 15 -43) IRVING, Marta de Azevedo - Parques Estaduais do Rio de Janeiro: construindo novas praticas para a gestão / organizado por Marta de Azevedo Irving, Gian Mario Giuliani, Carlos Frederico B. Lourenço. - São Carlos : RiMa, 2008. ( pág. 97-105) Layrargues, P.P. A crise ambiental e suas implicações na educação; In: Quintas, J.S (Org.) Pensando e praticando educação ambiental na gestão do meio ambiente. 2a ed. Brasília: Edições IBAMA, 2002. (pág. 52-83) LOUREIRO, C. F. B. Educação ambiental e conselho em unidades de conservação: aspectos teóricos e metodológicos / Carlos Frederico B. Loureiro, Marcus Azaziel, Nahyda Franca. – Ibase: Instituto TerrAzul: Parque Nacional da Tijuca, 2007 (pág. MMA - Identidades da educação ambiental brasileira / Ministério 37 do Meio Ambiente. Diretoria de Educação Ambiental;Philippe Pomier Layrargues (coord.). – Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2004 Morin. E. Os sete sabores necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez; Brasília: UNESCO, 2001 PÁDUA, M. T. J. Sistema Brasileiro de Unidades de Conservação: De onde viemos epara onde vamos? Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação. Anais. Curitiba: Rede Nacional Pro Unidade de Conservação, 1997) 2v. QUINTAS, J. S. Educação no processo de gestão ambiental: uma proposta de educação ambiental transformadora e emancipatória. In Identidades da educação ambiental brasileira / Ministério de Meio Ambiente. Diretoria de Educação Ambiental; Philippe PomierLayrargues (coord.). Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2004 - 38 WEBGRAFIA http://www.camara.rj.gov.br/legislacao/lei16_92.pdf (Acesso 15/05/2010) http://www.universia.com.br/materia/materia.jsp?materia=4351 (Acesso 17/05/2010) http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_notic ia=169 (Acesso 26/05/2010) http://www.inea.rj.gov.br/noticias/noticia_dinamica1.asp?id_noticia=515 (Acesso 30/05/2010) http://www.inea.rj.gov.br/unidades/pqpedra_branca.asp (Acesso em 30/05/2010) http://www.ufmg.br/diversa/14/index.php/unidade-de-conservacao/unidades-deconservacao.html (Acesso 28/05/2010) http://www.eco21.com.br/textos/textos.asp?ID=1781 ( Acesso 28/05/2010) http://ecoviagem.uol.com.br/noticias/ambiente/areas-preservadas/estadoretoma-revitalizacao-do-parque-estadual-da-pedra-branca-rj-2115.asp ( Acesso 03/06/2010) http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&idEstrutura=72&id Menu=2337 (Acesso 03/06/2010) http://www.webartigos.com/articles/17309/1/EDUCACAO-AMBIENTAL-EMUNIDADES-DE-CONSERVACAO/pagina1.html#ixzz0rQuUVQI7 ( Acesso 11/06/2010) http://www.ief.rj.gov.br/unidades/parques/PEPB/conteudo.htm ( Acesso 20/06/10) (http://www.ief.rj.gov.br/noticias/noticia_dinamica1.asp?id_noticia=512 ( Acesso 20/06/2010) http://www.ief.rj.gov.br/mata/conteudo.htm (Acesso 20/06/2010) http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=./gestao/index.html&co nteudo=./gestao/areas.html#trabalhos (Acesso 27/06/2010) 39 ARTIGOS ENCONTRO CIENTÍFICO MAPEIA O PARQUE DA PEDRA BRANCA 22/ 10/ 2009 O ordenamento da pesquisa científica como meio de mapear as necessidades, organizar e preservar as Unidades de Conservação do Estado norteou o I Encontro Científico do Parque Estadual da Pedra Branca, realizado pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), órgão vinculado à Secretaria do Ambiente, nesta quinta-feira (22/10), na Barra da Tijuca. O vice-presidente do Inea, Paulo Schiavo abriu o fórum defendendo a aproximação dos pesquisadores e, conseqüentemente, do conhecimento, das práticas de gestão das áreas protegidas. Disse ainda que a realização de estudos com esse mesmo objetivo será estendida aos demais parques estaduais, reservas e Áreas de Proteção Ambiental (APA). - Sem a pesquisa científica não temos como conhecer nossas comunidades e resolver as questões que nos afetam – ressaltou Schiavo. O diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas (Dibap) do Inea, André Ilha, reiterou a busca por esse objetivo e fez uma convocação para que os pesquisadores participem mais diretamente dos processos de gestão dos parques, sobretudo, registrando trabalhos realizados junto ao Inea. - Dessa forma alcançaremos, pelo menos em médio prazo, uma situação próxima do ideal. Hoje o Inea administra um conjunto bastante expressivo de Unidades de Conservação no Estado, cada um com suas complexidades. O Parque da Pedra Branca, no entanto, é o mais complexo e o mais acossado. Principalmente por ser o maior encravado em uma área urbana – destacou. André admitiu que a administração do parque, que tem 12.500 hectares de extensão, enfrenta todo tipo de problema relativo tanto pela proximidade de uma metrópole como o Rio, como tráfico, milícias e ocupação irregular; quanto de áreas rurais, como atividades agropecuárias, incêndios e desmatamento para abertura de pastagens, além de cativeiro e caça de animais silvestres. - Mas estamos num momento de virada, quando depois de décadas de abandono, pela primeira vez um governo estadual, numa atitude raríssima instituiu um programa ousado de conservação e proteção ambiental. E a principal mostra disso está na ampliação das áreas protegidas – citou André 40 Ilha. O diretor destacou as ampliações dos parques da Ilha Grande, que dobrou de tamanho, passando de uma área de 6 mil para 12 mil hectares; da Serra da Tiririca, do Cunhambebe e dos Três Picos. Citou ainda o Decreto que está para ser sancionado pelo Governador Sérgio Cabral ampliando a reserva biológica de Araras, além de futuras ações de ampliação como do Parque do Desengano e de proteção de áreas de restinga. Segundo Ilha, as restingas são as áreas mais degradadas por estarem no litoral “onde todos querem viver e instalar condomínios industriais”. - Será criado um parque municipal, com apoio do Estado, em uma área de restinga em Maricá, além de definidos os limites do Parque Estadual da Costa do Sol, na região dos Lagos. Estão previstos também a ampliação do Parque Estadual de Grussaí e a recuperação do sistema lagunar do Norte e do Noroeste fluminenses, drenado para ampliação da agropecuária – antecipou. Investimentos no PEPB André Ilha adiantou ainda que a maior parcela de recursos para a implantação do Parque de Carbono, que prevê o reflorestamento da vertente Norte do Pico da Pedra Branca, já está definida. Sairá de compensação ambiental pela construção do Arco Rodoviário que permitirá a cobertura vegetal de 800 metros da área. Para os 260 metros restantes está sendo negociada a liberação de uma linha de crédito junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). - Já dispomos de recursos também para o Termo de Referência do plano de manejo do parque e para a reforma da sede principal no Pau da Fome e da subsede do Camorim, em Jacarepaguá. Essas medidas permitirão um melhor controle e proteção da área parque – previu André Ilha. Eduardo Lardosa, chefe do Serviço de Planejamento e Pesquisa Científica da Dibap/Inea reiterou a importância da proximidade com a pesquisa como meio de conhecimento dos meios físico, biótico e sócio-econômico, bem como, as ameaças e oportunidades para gestão adequada das Unidades de Conservação. E, principalmente, da importância de cadastrar as pesquisas no órgãos gestores. - Em cinco anos, de 2004 a 2009, foram realizadas 35 pesquisas autorizadas no Parque da Pedra Branca. Mas, certamente, este universo está muito abaixo da realidade – estimou Lardosa. O primeiro painel abordou uma das maiores preocupações na gestão do Parque da Pedra Branca que são os conflitos territoriais. Apresentado pelo professor Renato Valejo, da Universidade Federal Fluminense (UFF), o estudo indicou algumas das principais causas de pressão sobre a Unidade de Conservação. 41 Cercado por 16 bairros, a maioria são densamente povoados, o parque sofre com a dificuldade de controle tanto da área externa, quanto interna. De acordo com o professor, o crescimento populacional na região em quatro anos (de 1990 a 2000) foi de 11%, de 883.559, para 980.522 habitantes. - Problemas como a ocupação irregular, despejo de poluentes, queimadas, extrativismo da fauna e da flora, entre outros riscos aos atributos naturais da área protegida passam a ser mais recorrentes e cada vez mais difíceis de controlar – explicou Valejo. Entre as principais ocorrências de crimes ambientais registradas, ainda que subestimadas conforme admitiu o professor constam os incêndios e ocupações irregulares, com 30% dos registros, esgoto e lixo, com 16%; supressão de vegetação, com 9%; e o restante inclui atividades minerais e represamentos (7%), agricultura (2%) e cativeiro de animais silvestres (1%). Por bairro, o maior número de denúncias envolve a região de Jacarepaguá, com 68%, incluindo Taquara, Vargem Grande, Rio da Prata, em Campo Grande, com 10%; Bangu e Senador Camará, com 7% e o restante subdivido pelos demais bairros do entorno do parque. As demais palestras são relativas a assuntos como questões fundiárias, cadastramento de espécies da fauna e da flora, espécies exóticas e nativas, novos projetos de manejo para o geoturismo, entre outros temas. Fonte: INEA (http://www.inea.rj.gov.br/noticias/noticia_dinamica1.asp?id_noticia=515) Estado retoma revitalização do Parque Estadual da Pedra Branca-RJ O presidente do IEF - Instituto Estadual de Florestas, Maurício Lobo, reuniu-se, na terça-feira (11/2), com técnicos da Gerência de Patrimônio e Meio Ambiente da Fundação Roberto Marinho para acertar a continuação do Projeto de Revitalização do Parque Est. 19 de Fevereiro de 2003. Publicado por Equipe Eco Viagem O presidente do IEF - Instituto Estadual de Florestas, Maurício Lobo, reuniu-se, na terça-feira (11/2), com técnicos da Gerência de Patrimônio e Meio Ambiente da Fundação Roberto Marinho para acertar a continuação do Projeto de Revitalização do Parque Estadual da Pedra Branca, iniciado em agosto de 2001. Localizado na Zona Oeste do Rio, o parque vai ganhar nos próximos meses nova sede, sinalização, espaço multiuso e banheiros públicos, além de um centro de visitação interativo com exposição permanente, que vai funcionar no 42 prédio da antiga sede, cujo projeto arquitetônico é de autoria do mestre José Zanine Caldas. Considerado a maior floresta urbana do mundo, o parque estadual tem 12.500 hectares e ganhou no ano passado uma nova subsede, no Camorim. O projeto é resultado de um convênio assinado entre a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, à qual o IEF é vinculado, a SFE Sociedade Fluminense de Energia, a Fundação Roberto Marinho e o WWF Brasil. Trata-se de medida compensatória, prevista na lei do SNUC - Sistema Nacional de Unidades de Conservação, aplicada à SFE pela construção de uma termelétrica em Seropédica. O projeto tem como meta não só revitalizar o parque, mas incluí-lo no roteiro de ecoturismo do Estado. O projeto de revitalização contempla ainda atividades de educação ambiental e ações que viabilizem a sustentabilidade do parque. Fonte: Ascom Gov. do Rio de Janeiro (http://ecoviagem.uol.com.br/noticias/ambiente/areas-preservadas/estadoretoma-revitalizacao-do-parque-estadual-da-pedra-branca-rj-2115.asp) NEA REALIZA ENCONTRO CIENTÍFICO DO PARQUE ESTADUAL DA PEDRABRANCA (21/ 10/ 2009) Temas atuais como geoturismo e conflitos territoriais e suas conseqüências para a gestão de unidades de conservação serão alguns dos assuntos debatidos durante o I Encontro Científico do Parque Estadual da Pedra Branca, que será realizado nos dias 22 e 23 de outubro, na Barra da Tijuca. O evento, promovido Instituto Estadual do Ambiente (Inea), órgão vinculado à Secretaria do Ambiente, tem o objetivo de contribuir para aproximar o conhecimento acadêmico, produzido, sobretudo, nas universidades, da prática de gestão de áreas protegidas. Iniciativa da Diretoria de Biodiversidade e Áreas Protegidas (Dibap) do Inea, o Encontro terá como foco principal o Parque Estadual da Pedra Branca, maior unidade de conservação urbana do Estado, com extensão de 12.500 hectares. No Parque, que faz limite com vários bairros da Zona Oeste e da Baixada de Jacarepaguá, está situado o ponto culminante do município do Rio de Janeiro – o Pico da Pedra Branca – com 1.024 metros de altitude. 43 Os participantes do evento terão, por meio das palestras de pesquisadores, um panorama de aspectos singulares da biodiversidade da unidade, como as espécies de insetos aquáticos e a avifauna local. Segundo Cristiana Pompeo do Amaral Mendes, coordenadora do evento e assessora do setor de Planejamento e Pesquisa Científica da Dibap, a iniciativa pretende melhorar a troca de conhecimento entre o órgão ambiental e as universidades, intensificando a relação com os cientistas que realizam trabalhos acadêmicos importantes sobre as unidades de conservação administradas pelo Estado. Com este objetivo, o Inea vem realizando um trabalho de cadastramento de cientistas e pesquisadores que realizavam estudos nos parques e reservas estaduais, mas que, em muitos casos, não solicitavam autorização do órgão ambiental. – Trabalhos como os destes cientistas fornecem subsídios, por exemplo, para a elaboração de Planos de Manejo de unidades de conservação. Os estudos são fontes de informações sobre a biodiversidade – explicou Cristiana Pompeo. A mesa de abertura do evento contará com o vice-presidente do Inea, Paulo Schiavo, o diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas, André Ilha, e a Gerente de Unidades de Conservação de Proteção Integral, Patrícia Figueiredo de Castro. O I Encontro Científico do Parque Estadual da Pedra Branca será realizado no Colégio Anglo-Americano, Centro Cultural Suassuna, localizado na Avenida das Américas 2603, na Barra da Tijuca. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 2332-5516. Fonte:IEF (http://www.ief.rj.gov.br/noticias/noticia_dinamica1.asp?id_noticia=512 44 ANEXOS Figura 1 - Biomas Brasileiros Fonte: IBGE e MMA (Mapa de Biomas do Brasil 1:5.000.00) 2003. Fonte: IBGE e MMA ;2003 45 Figura 2 - Localização do Parque Estadual da Pedra Branca. 46 Figura 3- Zona Oeste do município do Rio de Janeiro. 47 Quadro1- Unidade de Conservação de Uso Sustentável do Rio de janeiro em âmbito federal. 48 49 50 Quadro 2- Unidade de Conservação de Uso Sustentável do Rio de janeiro em âmbito estadual Fonte: FEEMA,2008, IEF,2008 51 Quadro 3- Unidade de Conservação de Proteção Integral do Rio de janeiro em âmbito federal. 52 Quadro 4- Unidade de Conservação de Proteção Integral do Rio de janeiro em âmbito estadual 53 54 Pesquisa Científica Parque Estadual da Pedra Branca (PEPB) Pesquisa em andamento Pesquisa: Efeito de borda e uso pretérito do solo em um contexto de floresta urbana. Instituição: PUC-RJ Responsável: Rogério Ribeiro de Oliveira Número da autorização: 014/2008 Validade da autorização: 16/5/09 Pesquisa: Revisão taxonômica do grupo Vriesea platynema Gaudich. (Bromeliaceae). Instituição: MNRJ Responsável: Ricardo Loyola de Moura Número da autorização: 016/2008 Validade da autorização: 16/05/10 Pesquisa: Cidades, qualidade de vida e recursos hídricos: gestão integrada dos recursos hídricos e planejamento urbano da região da baixada de Jacarepaguá. Instituição: UERJ Responsável: Luciene Pimentel da Silva Número da autorização: 013/2007 Validade da autorização: 18/9/2009 Pesquisa: Levantamento de ectoparasitos em morcegos no Parque Estadual da Pedra Branca – RJ. Instituição: Universidade Veiga de Almeida Responsável: Juliana Cardoso de Almeida Número da autorização: 020/2007 Validade da autorização: 3/12/2009 Pesquisa: Projeto Cores – conservação de orquídeas em risco de extinção. Instituição: Instituto de Pesquisas Jardim Botânico RJ Responsável: Cláudio Nicoletti de Fraga Número da autorização: 021/2007 Validade da autorização: 3/12/2009 Pesquisa: Estudos entomológicos e práticas de educação em saúde voltadas para a prevenção e controle da Leishmaniose Tegumentar Americana, no Brasil: Campus da FIOCRUZ da Mata Atlântica como área piloto. Instituição: FIOCRUZ 55 Responsável: Elizabeth Ferreira Rangel Número da autorização: 10/06 Validade da autorização: 18/1/2011 Pesquisa: Taxonomia, biologia e ecologia de insetos aquáticos do Parque Estadual da Pedra Branca, Rio de Janeiro, RJ. Instituição: MNRJ Responsável: Janira Martins Costa Número da autorização: 018/2008 Validade da autorização: 3/6/2010 Pesquisa: Os espaços "de incerteza" e a "desterritorialização subjetiva": o "pacto da conservação" na perspectiva de uma geografia socioambiental das áreas naturais protegidas. Instituição: UFF Responsável: Evandro Bastos Sathler Número da autorização: 019/2008 Validade da autorização: 3/6/2009 Pesquisa: Avaliação de observações em superfície real para análises geológicas no maciço da Pedra Branca - RJ. Instituição: UFRJ Responsável: Gustavo Mota de Sousa Número da autorização: 020/2008 Validade da autorização: 16/6/2010 Pesquisa: Composição florística e estrutura do estrato arbóreo em uma floresta urbana no Parque Estadual da Pedra Branca - RJ. Instituição: UFRRJ Responsável: Juliana Müller Freire Número da autorização: 023/2008 Validade da autorização: 1/7/2010 Pesquisa: Biodiversidade de aves em fragmentos de Mata Atlântica no Estado do Rio de Janeiro. Instituição: UFRJ Responsável: Pedro Ernesto Correia Ventura Número da autorização: 042/2008 Validade da autorização: 30/12/2010 Pesquisa: Ocupação do solo e degradação ambiental da reserva do Pau da Fome - Maciço da Pedra Branca (Parque Estadual da Pedra Branca - PEPB) – Rio de Janeiro, Brasil. Instituição: UFRJ Responsável: Alexandrina de Lourdes Almeida Número da autorização: 004/2009 Validade da autorização: 17/02/2010 56 Pesquisa: Carvoarias históricas do Maciço da Pedra Branca, Rio de Janeiro, RJ: Prospecção de sítios e reconstituição paleoambiental a partir de análises antracológicas. Instituição: PUC - RJ Responsável: Mariana de Beauclair Domingues de Oliveira Número da autorização: 006/2009 Validade da autorização: 27/03/2011 Pesquisa: Delimitação específica em Chusquea subgênero (Poaceae: Bambuseae). Instituição: UEFS Responsável: Aline Costa da Mota Número da autorização: 011/2009 Validade da autorização: 20/05/2012 Pesquisa: Sapindaceae do Estado do Rio de Janeiro: Trepadeiras. Instituição: UFRRJ Responsável: Genise Vieira Freire Número da autorização: 014/2009 Validade da autorização: 18/06/2011 Pesquisa encerradas Pesquisa: Estudo dos remanescentes de Mata Atlântica no Parque Estadual da Pedra Branca. Instituição: Faculdade de Filosofia de Campo Grande Responsável: Sandra Lopes Protásio Pesquisa: Equipamentos para uma ambiência de lazer de turismo em áreas protegidas - unidades de conservação do Estado do Rio de Janeiro. Instituição: UFRJ Responsável: Noêmia de Oliveira Figueiredo Pesquisa: Levantamento fitossociológico e história ambiental de um trecho de floresta secundária no Maciço da Pedra Branca. Instituição: Instituto de Pesquisas Jardim Botânico RJ Responsável: Alexandro Solorzano Pesquisa: Análise quantitativa e qualitativa de ectoparasitos de bichospreguiças Bradypus sp.(Xenarthra; Bradypodidae) do Parque Estadual da Pedra Branca, Rio de Janeiro – RJ. Instituição: UFJF Responsável: Erik Daemon de Souza Pinto 57 Pesquisa: Avaliação da efetividade da proteção de unidades de conservação no município do Rio de Janeiro. Instituição: UFV Responsável: Rafaela Rodrigues Pereira Rinaldi Pesquisa: Unidades de conservação. Instituição: UFRJ Responsável: Sandra Maria de Oliveira Dias Pesquisa: Diferenciação dos estágios sucessionais florestais por meio de imagens de alta resolução (IKONOS) no Parque Estadual da Pedra Branca Instituição: UFRRJ Responsável: Danielle Pereira Cintra Pesquisa: Diagnóstico preliminar de área/local turístico. Instituição: UFF Responsável: Kelly Bastos de Sá Braga Faria Pesquisa: Avaliação da efetividade de estratégias colaborativas na gestão de unidades de conservação ambiental urbanas: o caso dos parques naturais da cidade do Rio de Janeiro. Instituição: PUC-RJ Responsável: Marcos Cohen Pesquisa: A Família Melastomataceae no Parque Estadual da Pedra Branca. Instituição: MNRJ Responsável: Marcus Felippe de Oliveira da Silva Pesquisa: Parque Estadual da Pedra Branca/RJ: representações dos habitantes de uma área de proteção integral urbana acerca do espaço, da natureza e da moradia. Instituição: UFRJ Responsável: Annelise Caetano Fraga Fernandez Pesquisa: Ecologia de Phthiraptera e Siphonaptera de pequenos roedores e marsupiais do Parque Estadual da Pedra Branca, Rio de Janeiro. Instituição: UFRRJ Responsável: Heloíza Helena de Oliveira Morelli Amaral Pesquisa: Biologia reprodutiva de Tolmomyias sulphurescens. Instituição: Universidade Estácio de Sá Responsável: Mariana Costa Matos Pesquisa: Mapeamento dos conflitos sócio-ambientais em parques estaduais no Rio de Janeiro: PE da Pedra Branca e PE dos Três Picos. Instituição: UFF Responsável: Luiz Renato Vallejo 58 Pesquisa: O Parque Estadual da Pedra Branca: ordenamento do território com vistas ao geoturismo e ecoturismo. Instituição: UFRJ Responsável: Edson Farias Mello Pesquisa: Observatório de áreas protegidas II: gestão participativa para a construção de governança democrática em áreas protegidas no Rio de Janeiro. Instituição: UFRJ Responsável: Marta de Azevedo Irving Pesquisa: Ecoturismo, sustentabilidade e planejamento: potencialidades do Parque Estadual da Pedra Branca – RJ. Instituição: UFF Responsável: Kelly Bastos de Sá Braga Faria Fonte: INEA,2008 59 Entrevista com funcionário do PEBP Entrevistada: Vanessa C. Coelho Teixeira Profissão e cargo: Bióloga do INEA Entrevistado: Sergio Vasconcelos Profissão e cargo: Engenheiro Agrônomo 1. O Parque tem apresentado quais dificuldades? “ A nossa unidade de conservação carece demais de recursos humanos que possam contribuir pelo zoneamento do Parque e para implementarem as atividades dentro dele. Somos a maior floresta urbana do Estado do Rio de Janeiro, temos uma extensão de unidade de conservação gigantesca e dificuldades em fiscalizar totalmente o Parque com um quadro de funcionários reduzido, além disso os recursos financeiros e materiais também estão escassos. Para nos locomovermos dentro dos domínios do Parque só nos é disponibilizado apenas um veículos, e é nele que realizamos os rodízios de visitação as populações que vivem ao entorno. Veículo este que recentemente foi consertado. Minha cara não se iluda as divulgações que você vê ai por fora sobre o Parque, são contraditórias totalmente com a realidade local. A divulgações sendo apresentadas na internet recheadas de inverdades muito cuidado. Nossa própria sede aonde estamos recebendo você estudante hoje é mantida aos trancos e barrancos, não temos luxo e nem queremos isso, mas um conforto quem é que não gosta, cadê os matérias informativos para lhe oferecer? Não temos, infelizmente não temos mais uma vez. Aqui cada um faz de tudo um pouco, um auxilia o outro e assim trabalhamos” 60 2. Há projetos ambientais sendo implementado a população local como alerta aos cuidados com o Parque? “ Atualmente nenhum projeto sócio-ambiental tem sido implementado de fato, temos um núcleo de educação ambiental dentro da unidade de conservação que busca se interligar as escolas locais, sendo assim atende-las com oferta de palestras, amostras enfim. Mas a procura das instituições de ensino para estas atividades são raras. Quando a escola vem até nós ao Parque percebemos que a intenção maior é ter apenas o contato com a natureza naquele momento, e depois parece que se apaga da memória dos alunos e professores a importância deste ato e de como manter esse contato no futuro.Fazemos nosso parte aqui como podemos,mas volto a reforçar não temos matérias para divulgação . Contamos também com a realização de trabalhos acadêmicos das instituições superiores de educação a conhecerem melhor a unidade de conservação, são muitas a pesquisas aqui realizadas porém são raros também os que deixam para nós os resultados das pesquisas (...).” 3. Sendo o PEBP considerado a maior floresta urbana do Rio de Janeiro. Como o manejo tem sido implementado frente a crescente pressão urbana? “ Como ainda não temos uma Plano de Manejo efetivamente concretizado, pois o plano que foi apresentado no ato de criação da unidade de conservação era de caráter emergencial e não condizia com a realidade verídica do Parque, pois quando a unidade de conservação foi criada em 1974 a mesma na integra só apresentou algumas diretrizes, que foi denominada de plano de manejo. Essa unidade de conservação foi criada as pressas em caráter de urgência, no qual era destinada a proteger os mananciais, pois a devastação já se apresentava latente, ocasionando a poluição dos córregos que na época abasteciam a comunidade e equilibrava o clima da região. Sendo assim foi criada a unidade de conservação com esses propósito: proteger os corpos hídricos e permitir a regeneração da mata. Foram muitos erros 61 cometidos desde a criação desta unidade de conservação esqueceu-se de pensar na unidade como um todo. Somente a partir desde ano que recebemos uma visita composta por cinco empresas que apresentaram sua propostas ao INEA para concretizar a estruturação do nosso Plano de Manejo. Porém enquanto não é realizado o Plano de Manejo nossas ações são pautadas com o auxilio do nosso gestor Alexandre Maral Pedroso, que nos direcionam a ter o contato mais direto com as populações residenciais para sondarmos aonde aplicarmos nossas idéias e projetos, sendo assim além das visitas mensais para coleta de dados, analisamos os processos pendentes, corremos atrás das denúncias(...)” 4. Quais são as prioridades presentes no Plano de Manejo da unidade de conservação? “ Priorizamos em nossas ações amenizar os conflitos com as populações locais, intervir nas queimadas construção ilegal, mantendo nos e no corte das árvores para a sempre em alerta das possíveis eventualidades” 5. Como a ausência dos documentos inventariados sobre a unidade de conservação (georeferenciamento) tem dificultado a preservação dos recursos naturais? “ Tem dificultado em não conseguirmos dominar todo o conhecimento e reconhecimento da área protegida, não sabemos de fato quais espécies de fauna e flora estão mais ameaçados pela intervenção humana, quais carecem melhor manejo e proteção. Outro fato que ressaltamos é que essa ausência põem a risco o zoneamento da área ,por isso controlar as invasões ilegais tem sido um árduo e complexo trabalho” 6. Na opinião dos senhores a pressão urbana exercida sobre o Parque, tem como ser revertida ou amenizada? “ Sinceramente revertida não, mas podemos construir 62 planos estratégicos para amenizar a médio e longo prazo, por interveio da educação ambiental a ser destinada a essa população, porém para que isso ocorra de fato e obtenha resultados é preciso estabelecer parcerias, para que haja o envolvimento de todas as partes do Poder Publico, do engajamento dos funcionários e da populações locais” 7. Que parcerias o Parque tem para tornar eficaz seu manejo? “ Nossas ações são pautadas através do contato estabelecido com a população local e da analise que construímos sobre eles; também é pautada o manejo através dos cursos de aperfeiçoamento e orientação oferecidos aos funcionários pelo INEA e IEF quando são disponíveis, e através dos trabalhos acadêmicos aqui desenvolvidos. Parceria com ONGs e outras entidades ambientalistas não temos no atual momento.” 8. Quais são os incentivos governamentais oferecidos nos últimos anos ao Parque? “ O último incentivo que recordamos foi realizado em 2003, quando foi realizado a revitalização Parque, através da aplicação de uma medida compensatória estabelecida na Lei do SNUC, que foi aplicada à Eletrobolt (Sociedade Fluminense de Energia) que ao colocar em funcionamento a sua termoelétrica ocasionou grande impactos ao meio ambiente. Com a revitalização, a sede do Parque ganhou essa estrutura que você estudante vê hoje aonde funciona nossa administração, temos uma exposição permanente logo na entrada, e as demais comodidades como a lanchonete, os banheiros que infelizmente hoje se encontram assim vazios funcionar” . sem equipamentos para 63 9. O PEPB na opiniões dos senhores consegue manter sustentabilidade?Visto que ele é a unidade de conservação caracterizada sendo assim segundo o SNUC? “ Jovem ela deveria ser, mas a frente de tantas dificuldades isso não ocorre. Como ser sustentável tendo logo de cara populações residenciais que não estão nem ai para as normas do Parque, com seus animais domésticos, é som alto, e festas, lixo, esgoto, qual animal suporta isso? É sustentável o que? Nós que deveríamos nos adaptar a vida deles e não eles a nós, há um grande desequilíbrio nos domínios do Parque. Deveria ser sustentável mas não é.” 10. Como é o Conselho Consultivo tem colaborado com a preservação do Parque? “ Os componentes do nosso Conselho são conflituosos e confusos, são raras as reuniões, e quando elas ocorrem os componentes querem nós dar ordens, porém esquecem que há uma hierarquia, recolhemos as reclamações e as propostas e encaminhamos , mas tem assuntos que não cabe apenas a nós decidirmos sobre eles fazemos o possível. Quando os conflitos estão latentes demais e parecem fugir do controle agimos por nossa conta em risco.” 64 ÍNDICE INTRODUÇÃO 09 CAPITULO I - Os últimos fragmentos florestais do Estado do Rio de Janeiro e a sua preservação 11 1.1 As unidades de conservações presentes no Estado. 13 1.2 As Áreas de Proteção Ambientais e sua criação. 15 CAPITULO II - Parque Estadual da Pedra Branca. 19 2.1 Contextualização Geográfica e histórica 19 2.2 Caracterização socioeconômica da área de inserção do Parque. 22 2.3 A gestão do Parque Estadual da Pedra Branca 24 CAPITULO III - Como preservar para as gerações futuras? 28 3.1 A educação ambiental como propulsora de transformação 29 CONCLUSÃO 33 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 35 WEBGRAFIA 38 ARTIGOS 39 ANEXOS 44 Figura 1- Biomas do Brasil 44 Figura 2- Localização do Parque Estadual da Pedra Branca 45 Figura 3 - Zona Oeste do município do Rio de Janeiro. 46 Quadro1- Unidade de Conservação de Uso Sustentável do Rio de janeiro em âmbito federal. 47 Quadro 2- Unidade de Conservação de Uso Sustentável do Rio de janeiro em âmbito estadual 50 65 Quadro 3- Unidade de Conservação de Proteção Integral do Rio de janeiro em âmbito federal. 51 Quadro 4- Unidade de Conservação de Proteção Integral do Rio de janeiro em âmbito estadual 52 Pesquisas Científicas realizadas no PEPB 54 Entrevista com funcionário do PEBP 59 ÍNDICE 64