Jovens Pesquisadores
ISSN 1806-8634
Ano V – Número 9 – Jul./Dez. 2008
A revista dos trabalhos de conclusão de curso dos alunos do CCSA – Mackenzie
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Objetivos
Normas para
publicação
Edições
Expediente
Contato
A Revista Jovens Pesquisadores apresenta parte dos
esforços dos discentes do CCSA, em artigos extraídos de
seus trabalhos de pesquisa de conclusão de curso.
SUMÁRIO
Sumário
EXPEDIENTE ............................................................................................................. 2
CONTATO ................................................................................................................. 3
OBJETIVOS ............................................................................................................... 4
NORMAS PARA PUBLICAÇÃO ....................................................................................... 5
A APLICAÇÃO DO REFERENCIAL TEÓRICO NOS PROCESSOS RECENTES DE FUSÕES &
AQUISIÇÕES .......................................................................................................... 6
A inovação como fator de VANTAGEM COMPETITIVA do etanol DE CANA no mercado
BRASILEIRO de COMBUSTÍVEIS ............................................................................. 24
A PERCEPÇÃO ÉTICA INTERFERE NO DIA MACKENZIE VOLUNTÁRIO? .......................... 40
CANAIS REVERSOS E A IMAGEM CORPORATIVA - UM ESTUDO DE MULTICASOS........... 50
ECONOMIA COMPORTAMENTAL E TRAJETÓRIAS DE CONSUMO INTERTEMPORAL ANOMALIAS E EVIDÊNCIAS DO CASO BRASILEIRO ................................................... 63
IMPORTÂNCIA DOS COMPONENTES DA REPUTAÇÃO CORPORATIVA NA PERCEPÇÃO DE
UNIVERSITÁRIOS CLIENTES DE BANCOS ................................................................. 85
O IMPACTO DA TECNOLOGIA DE ETIQUETA INTELIGENTE (RFID) NA PERFORMANCE DE
CADEIAS DE SUPRIMENTOS – UM ESTUDO NO BRASIL ........................................... 101
TAMANHO É DOCUMENTO! E BELEZA É FUNDAMENTAL? EXPLORANDO INFLUÊNCIAS DE
COMPRA NA RELAÇÃO EMPREGADA DOMÉSTICA – PATROA. ..................................... 141
Um Estudo Macroeconométrico da Influência do IED sobre as Exportações Brasileiras .. 158
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EXPEDIENTE
Editores
Prof. Gilberto Perez
Profª. Vânia Maria Jorge Nassif
Prof. José Caio Racy
Prof. Paulo Rogério Scarano
Conselho Editorial
Adilson Caldeira
Alexandre Nabil Ghobril
Álvaro Alves de Moura Junior
André Castilho Ferreira Costa
Francisco Américo Cassano
Henrique Formigoni
José Caio Racy
Luiz Carlos Jacob Perera
Marcos Antonio Franklin
Maria Thereza Pompa Antunes
Paulo Dutra Costantin
Paulo Roberto Leite
Paulo Rogério Scarano
Roberto Gardesani
Silvia M. Russi de Domenico
Vânia Maria Jorge Nassif
Composição e arte
Prof. Paulo Rogério Scarano
Composição do CCSA
Diretor
Prof. Dr. Moisés Ari Zylber
Diretora Adjunta da Unidade Tamboré
Prof. José Carlos Thomaz
Coordenadores de Curso
Administração Geral
Prof. Sergio Lex
Contabilidade
Prof. Henrique Formigoni
Economia
Prof. Paulo Rogério Scarano
Coordenadores
Monografia (para o curso de Economia)
Prof. André Fernandes Lima
TGI - Trabalho de Graduação Interdisciplinar (para o curso de Administração)
Prof. Gilberto Perez
REVISTA JOVENS PESQUISADORES
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CONTATO
JOVENS PESQUISADORES
R. Consolação, 930
Prédio T – Ed, Rev. Modesto Carvalhosa – CCSA/Térreo
CEP 01302-907 – Consolação – São Paulo/SP – Brasil
E-mail: [email protected]
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OBJETIVOS
Objetivo Geral
A revista Jovens Pesquisadores é uma publicação semestral, cujo objetivo principal é
divulgar a produção acadêmica dos alunos do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas da
Universidade Presbiteriana Mackenzie, relacionada aos seus trabalhos de conclusão de
curso.
Objetivos Específicos
estimular a continuidade do trabalho de conclusão de curso, agregando as sugestões
dos examinadores, após sua aprovação;
estabelecer o contato dos novos pesquisadores com as características próprias do
processo de produção de artigos acadêmicos;
ampliar a troca de experiências entre orientadores e orientandos, possibilitando a
estes últimos uma oportunidade pioneira para a publicação de suas pesquisas;
aprimorar ainda mais a qualidade dos trabalhos de conclusão de curso do
CCSA/Mackenzie.
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NORMAS PARA PUBLICAÇÃO
*Estas regras são pré-requisitos para publicação
• Enviar e-mail para [email protected], mencionando o Título do Trabalho, um
telefone de contato e uma cópia eletrônica do artigo
Primeira página
título e subtítulo do artigo
nome dos autores por extenso abaixo do título (o nome dos autores deve aparecer
somente na primeira página)
professor orientador (nome completo)
resumo do artigo (máximo 150 palavras)
palavras-chave (mínimo três e máximo seis)
início do texto
Formatação do artigo
Papel A4, margens: superior: 2,5cm ; inferior:2,0cm ; esquerda:2,5cm;
direita:2,0cm.
Tipo de letra: Times New Roman.
Tamanho de letra no título e sub-título: 12 (em negrito, maiúsculas).
Tamanho de letra no texto: 12 (sem negrito).
Espaço entre linhas: simples.
Espaço entre parágrafos: 6pts.
Alinhamento: justificado.
Referencias bibliográficas: de acordo com a ABNT (NBR 6023/02).
Limite: 20 páginas, incluindo ilustrações, gráficos, tabelas, notas e referências
bibliográficas.
Não colocar notas de rodapé, mas sim no fim do arquivo.
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A APLICAÇÃO DO REFERENCIAL TEÓRICO NOS PROCESSOS RECENTES DE
FUSÕES & AQUISIÇÕES
Eduardo Silva Farinazzo
Leonardo dos Santos Rodrigues
Mario Henrique Quintero Laskievic
Matheus Werneck Achoa Pires
Ricardo Bruno Novack Bueno
Luiz Carlos Jacob Perera
RESUMO
O tema Fusões e Aquisições é recorrente no meio empresarial, devido às empresas buscarem
constantemente aumentar o seu valor de mercado. Agregar valor à empresa não é tarefa fácil,
pois implica adaptar-se a cenários nem sempre favoráveis e fazer a rentabilidade da empresa
superar o custo de capital, ajustado ao risco do empreendimento. O crescimento desejado (rápido
e rentável) obriga as empresas a serem ágeis no seu processo decisório. Entre as possíveis
alternativas encontra-se a compra de um concorrente, possibilitando superar etapas do processo
de crescimento. Empiricamente o sucesso de um processo de F&A pode ser testado pelos ganhos
conjuntos das empresas envolvidas. Na prática, o processo é árduo e trabalhoso, exigindo muita
aplicação dos agentes. O presente trabalho subsidia um projeto maior de monografia e analisa, a
luz de referencial teórico atualizado, cinco estudos de Fusões e Aquisições recentemente
realizados.
Palavras-chave: Fusões e Aquisições, aquisições de empresas, resultados de fusões e aquisições,
motivos para fusões e aquisições, estratégias de negócios.
INTRODUÇÃO
Neste artigo, procura-se, a partir da análise de cinco trabalhos científicos, encontrar e identificar
motivos e efeitos empresariais influenciadores dos processos de Fusões e Aquisições (F&A), que
estejam de acordo com o referencial teórico apresentado. Procura-se, ainda, determinar, na
prática, como ocorrem os processos de F&A e quais os principais resultados alcançados.
Pelo fato de o mundo, hoje, apresentar competitividade muito acirrada, a busca por novos
mercados é uma realidade para as organizações. Este estudo torna-se uma ferramenta relevante
por apresentar os motivos principais que levam as empresas a adquirir outras empresas, e os
problemas enfrentados por elas nesse processo. Tais problemas ocorrem por fatores como a falta
de planejamento, a inexperiência com o processo e a falta de importância dada e ele.
No cenário mercadológico atual, muitas vezes a opção mais viável para o crescimento da
empresa dá-se pela aquisição de uma concorrente, pois o mercado encontra-se em equilíbrio, ou
seja, atendendo às expectativas da demanda e opções de crescimento expansionistas seriam
temerárias. Este e outros aspectos das F&A são discutidos neste texto.
O problema de pesquisa formulado foi: Os processos de Fusões e Aquisições desenvolvidos
pelas empresas levam em consideração o referencial teórico existente? Considerando que
este trabalho objetiva subsidiar um projeto maior de monografia sobre o tema F&A, foi
estabelecido como objetivo geral a verificação da adequação do referencial teórico disponível
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aos processos de fusões e aquisições analisados. Como objetivo específico procurou-se verificar
os resultados alcançados a partir dos processos desenvolvidos pelas empresas constantes das
pesquisas analisadas.
Este trabalho está estruturado da seguinte forma: inicialmente, apresenta-se a introdução
colocando o contexto da pesquisa; no item dois apresenta-e o referencial teórico pertinente; o
item três discute a metodologia adotada; no item quatro, apresenta-se os principais resultados
encontrados, e; finalmente, são tecidas as considerações finais com as principais conclusões da
pesquisa.
1. REFERENCIAL TEÓRICO
1.1Conceitos de Fusões e Aquisições
Aquisição é o processo pelo qual as ações ou ativos de uma empresa passam a pertencer a um
comprador. É o termo genérico usado para descrever a mudança de proprietário. Quanto à fusão
é o termo específico para o procedimento que pode ou não acontecer após a aquisição (REED e
LAJOUX, 1995:4). Rasmussen (1989) salienta que a aquisição não é um evento isolado, e sim,
parte integral do processo de expansão e crescimento de um grupo econômico. As F&A são
poderosas ferramentas para o crescimento e expansão econômica empresarial, permitindo a
penetração em novos mercados em curto prazo, evitando a espera pela maturidade de
investimentos internos a partir da estaca zero.
As duas últimas décadas do século XX foram marcadas por um crescente aumento das operações
de fusões e aquisições. Isso ocasionou diversas mudanças, alterando padrões de gestão, produção
e emprego no mundo todo. Trata-se de um fenômeno que tende a continuar. Segundo Dupas
(2001), a concentração das últimas décadas ainda persistirá, apesar de o número de líderes
mundiais, na fabricação de vários produtos em áreas fundamentais à economia contemporânea,
já ser muito restrito. No Brasil, o tema F&A passa a ter maior importância no início dos anos 90
quando o número de operações começa a aumentar, em decorrência da redução das barreiras à
entrada ao capital estrangeiro e da inserção do país no mercado globalizado.
Rossetti (2001) afirma ser provável que o ritmo se acelere em virtude de fatores como i) a
intensificação de privatizações em áreas em que o setor público ainda tem presença marcante; ii)
confirmação da estabilidade monetária; iii) um número ainda grande de empresas familiares
envolvidas em processos sucessórios complexos; iv) crescente participação dos fundos de pensão
no patrimônio empresarial do país e; v) retomada do crescimento econômico, em bases
sustentáveis.
De acordo com Barros (2003), fusão envolve uma completa combinação de duas ou mais
empresas que deixam de existir legalmente para formar uma terceira com nova identidade,
teoricamente sem predominância de nenhuma das empresas anteriores. Já a aquisição determina
o desaparecimento legal da empresa comprada. Duas grande lógicas estão sempre envolvidas
com processos de F&A; uma está ligada à maximização de valor da empresa e outra a fortes
motivações do corpo diretivo. Para Cartwright e Cooper (1999) as duas estão muito relacionadas
porque, do ponto de vista ideal, as razões do corpo diretivo têm como última conseqüência o
aumento do valor da empresa.
Rourke (1992) e Evans, Pucik e Barsoux (2002) identificam outros motivos para a aquisição de
empresas. Para o primeiro, as razões da aquisição estão ligadas à necessidade de diversificação
pura, à melhoria de posição no mercado, à aquisição de tecnologia e ao aproveitamento de
situações de reestruturação, quando a empresa tem problemas de desempenho. Para os segundos,
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estão ligadas a domínio de mercado para ganhar economia de escala e controle sobre canais de
distribuição, expansão geográfica, aquisição e/ou alavancagem de competências, aquisição de
recursos, ajuste ao mercado competidor e desejo irracional de executivos. Muitas empresas são
vendidas devido a dificuldades financeiras, e isso também é muitas vezes determinado por razões
pessoais ou envolvimento emocional do dono e fundador com a empresa, fazendo com que o
proprietário não enxergue, estrategicamente, o melhor momento da venda, ocorrendo a venda em
período de extrema dificuldade financeira.
1.2 Due Diligence
Due Diligence trata-se da etapa inicial do processo de aquisição, quando são feitos
levantamentos e análises sistematizadas sobre a empresa a ser adquirida (BARROS, 2003).
Segundo Marks e Mirvis (1998) o mais comum nessa etapa é focalizar as implicações financeiras
decorrentes dos valores relativos a taxas, impostos ou quaisquer questões legais que influenciem
na estrutura da transação em si, com o objetivo de auxiliar a definição do preço a ser pago.
Muitas empresas formam equipes multidisciplinares com capacidade e expertise para cumprir a
due dilligence, porém o que geralmente ocorre é a formação de uma equipe de background para
avaliar os riscos financeiros envolvidos na operação. Isso faz com que o processo de due
dilligence fique muito focalizado, dispensando outros aspectos importantes que deveriam ser
analisados.
A composição da equipe é que faz a negociação ser variada. Por ser uma questão importante e
estratégica, os profissionais que farão parte da equipe são escolhidos pela direção da empresa.
Normalmente, os critérios para escolha são experiência, competência e relação de confiança. Em
alguns casos, o dono participa da negociação, em outros, a tarefa é entregue a executivos ou
também a instituições especializadas, como bancos e empresas de consultoria.
Para Rourke (1992) o período de integração á mais lento quando os fundadores permanecem na
empresa adquirida. A empresa adquirente não pode ser ingênua em relação às presenças que se
enriqueceram com a operação, pois esse fato dificulta a garantia de comprometimento com a
nova forma de organização. Por outro lado, quando a empresa quer ou precisa ser vendida e o
corpo social compartilha dessa visão, o tempo de integração e as dificuldades inerentes ao
processo tendem a ser menores.
Segundo Evans, Pucik e Barsoux (2002) a maioria das empresas reconhece que os primeiros cem
dias após a aquisição são de extrema importância para evitar conseqüências negativas. Apesar da
importância desse período, poucas são aquelas que elaboram um plano de ação para essa fase.
Algumas das que planejam, privilegiam apenas a indicação rápida de uma equipe de integração e
a divulgação da nova estrutura organizacional. As fusões e aquisições normalmente têm como
funcionalidade resolver deficiências ou carências em termos mercadológicos, tecnológicos ou de
talentos para a gestão do negócio.
Para Martelanc, Pasin e Cavalcante (2006) as principais vantagens e motivos da ocorrência desse
tipo de transação são:
Ganhos com economia de escala e outras formas de sinergia;
Viabilização da expansão em prazo mais curto, redução do custo da expansão e
diminuição dos prazos de implantação e dos riscos de uma nova linha de produtos;
Aumento do poder de mercado diante de clientes, distribuidores e fornecedores;
Garantia de novos canais de distribuição e utilização de bases já instaladas;
Obtenção de vantagens fiscais;
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Remoção de um concorrente potencial;
Remoção de barreiras à entrada em novos mercados;
Remoção de administradores ineficientes;
Redução dos riscos inerentes ao desenvolvimento interno de novos projetos ou produtos
ou à montagem de estabelecimentos próprios em novos segmentos de mercado. Em vez
de se construir uma fábrica, comprar máquinas, desenvolver produtos e correr atrás dos
clientes, compra-se uma empresa em pleno funcionamento;
Entrada em novos mercados e novas indústrias - é a forma mais rápida de entrar em
novos mercados e indústrias; pode proporcionar o tamanho ideal para o novo entrante,
assim como agilizar a expansão geográfica, por meio de marcas regionais e capacidade
de produção local;
Utilização de fundos em excesso, de um lado, e levantamento de fundos, de outros.
Diversificação do risco – várias empresas juntas, em setores ou mercados diferentes,
reduzem o risco do grupo e a volatilidade das receitas;
1.3 Teoria da Eficiência
A teoria da eficiência leva em conta a sinergia. Quando alguma empresa destina sua energia para
fusão ou aquisição, espera-se o melhoramento do desempenho ou o alcance de algum tipo de
sinergia, aumentando a eficiência da economia como um todo. Acredita-se que quando há o
processo de F&A, a eficiência de qualquer uma das partes envolvidas no processo (empresa
compradora e adquirida) é passada para a outra parte que não possuía eficiência.
Normalmente, as fontes de sinergia são mais intensas em transações horizontais, ou seja, em
empresas do mesmo setor. Isso ocorre porque existe muita semelhança nas tarefas, processos,
normas, procedimentos e os departamentos possuem funções similares, fazendo com que existam
grandes possibilidades de redução de despesas.
Segundo Martelanc, Pasin e Cavalcante (2006), são quatro as principais fontes de sinergia entre
empresas: i) aumento da receita. Essa fonte refere-se à possibilidade da soma das receitas da
empresa combinada, seja maior do que as receitas das empresas separadas; ii) redução de custos
e despesas. Essa fonte refere-se à possibilidade da empresa conjugada poder operar de maneira
mais eficiente do que as duas empresas separadamente. Fatores como economia de escala,
economia de integração vertical, utilização de recursos complementares e transferência de
tecnologia entre empresas auxiliam na redução de custos e despesas; iii) benefícios fiscais. Os
ganhos fiscais podem ocorrer pelo uso de prejuízos fiscais e diferimento de pagamento de
imposto de renda e por um melhor planejamento fiscal/tributário, que pode ocorrer com o retardo
ou impedimento do fato gerador do imposto; iv) redução do custo de capital. Essa redução
pode ocorrer com a percepção de um menor risco das empresas, já que estas ficaram maiores e
passam a ser consideradas bem sucedidas. Esse benefício, normalmente não aparece no primeiro
ano, pois os empréstimos, de maneira geral, já foram contratados com taxas e prazos definidos.
De acordo com Key (1995), os ganhos sinérgicos podem demorar para aparecer se a
reestruturação das empresas levar tempo para ser concluída, e eles podem até mesmo não ocorrer
se a reestruturação não visar a integração dos departamentos, a eliminação das tarefas
redundantes e o corte do pessoal em excesso.
A reestruturação deve ser rápida e eficiente,
pois se não for assim, além da sinergia não aparecer, as empresas arcarão com custos da
ineficiente integração.
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Conforme Wright, Krol e Parnell (2000:153), a fusão é uma estratégia de crescimento em que
uma empresa combina-se com outra. Reed e Lajoux (1995:3) e Wright, Krol e Parnell
(2000:145) aproximam os conceitos ao afirmarem que uma fusão ocorre quando uma empresa é
combinada com outra, chamada sobrevivente e desaparece dentro de outra.
1.4 Evolução das Fusões e Aquisições
Para muitos autores, como Mitchell e Mulherin (1996), o desenvolvimento em determinadas
indústrias influenciará onde atividades de ordem econômica estão concentradas. Katz, Simanek e
Townsend (1997) afirmam que um dos motivos, além daqueles econômicos, para que cada onda
apresente silhuetas diferentes é a constante alteração das leis. Análises essas que são
corroboradas por Camargos e Barbosa (2003), que afirmam que as fusões e aquisições ocorrem
de maneira cíclica, havendo, ainda, período de maior ou menor atividade por motivos
principalmente de ordem econômica.
Camargos e Barbosa (2003) descrevem quatro ondas como principais e mais facilmente
identificáveis. A primeira teve início no final do século XIX e durou até os primeiros anos do
século passado, quando uma nova depressão interrompeu o primeiro ciclo. Sua principal
motivação foi a consolidação de diversos setores industriais, como petróleo e aço, e a formação
de monopólios – uma vez que ainda não havia legislação regulamentada sobre o tema.
DePamphilis (2003) acrescenta que nesse período as aquisições eram basicamente
horizontais, ou seja, caracterizavam-se pela união de empresas atuantes do mesmo setor –
geralmente concorrentes.
Com o fim da Primeira Grande Guerra, uma nova fase de vigoroso crescimento iniciou-se, sendo
interrompida novamente em 1929, ano em que eclodiu a Grande Depressão. DePamphilis (2003)
diz que a regulamentação sobre o conceito de monopólio, com seus primórdios ligados ao
Clayton Act que, em 1914, nos EUA, condenou e exemplificou práticas restritivas de
concorrência, tais como vendas casadas e aquisições maléficas ao mercado, impediu que um
número grande de empresas se fundisse em apenas uma. Nesse período, a concentração passou
de monopólios para oligopólio.
Segundo ele, no segundo ciclo as fusões e aquisições também foram do tipo horizontal, visando
menor concentração da indústria. Stigler (1950) complementa que, apesar de o número de fusões
horizontais continuar predominante, nesse período houve mais uniões verticais, em que se
adquire empresas de uma mesma cadeia produtiva.
A terceira onda surgiu após a Segunda Grande Guerra, oriunda de uma maior sofisticação no
mercado financeiro. Alguns autores, como DePamphilis (2003) a chamam de Era dos
Conglomerados e indicam sua duração como sendo entre 1965 e 1969.
Segundo Triches (1996), nessa fase novas alterações nas leis antitruste na década de 1950
dificultaram as fusões e aquisições do tipo horizontal e vertical (embora essa última continuasse
acontecendo em detrimento à horizontal). Assim, esse ciclo observou a formação de
conglomerados, quando empresas que atuavam em outros setores e não concorriam entre si
foram unidas. Segundo o mesmo autor, boa parte dos conglomerados formados nesta época não
logrou êxito por “ignorarem o princípio fundamental de Adam Smith, de que a especialização
aumenta a eficiência e a produtividade” (TRICHES, 1996).
Katz, Simanek e Townsend (1997) afirmam que 50% dos conglomerados dessa época
terminaram em desinvestimentos após cinco anos. Segundo os autores, ilusões a respeito de
sinergias financeiras e gerenciais levaram a resultados desastrosos. As sinergias financeiras eram
esperaradas pela redução do risco do negócio, uma vez que, admitindo-se que segmentos
diferentes possuem taxas de crescimento variadas em mesmos períodos, a diversificação
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contribuiria para esse objetivo. Como resultado, as empresas teriam acesso a crédito a juros mais
baixos, além de economia de escala financeira. Contudo, essa tática não se mostrou verdadeira
na prática, pelo fato de que investidores conseguiam retornos muito maiores com a
diversificação em seu portfólio de ações, e não investindo em uma só empresa holding de um
conglomerado.
Já as sinergias gerenciais não ocorreram muitas vezes por excesso de confiança dos gerentes
gerais dos conglomerados e também por problemas de agência quando, para reter poder,
diretores preferiam investir em negócios que eles nunca haviam trabalhado antes a retornar
dinheiro aos acionistas na forma de dividendos. Katz, Simanek e Townsend (1997) dizem ainda
que, a falta de controle por falta dos acionistas da época contribuiu para que os problemas acima
relatados ocorressem.
A quarta onda vigorou ao longo da década de 1980 e apresentou maiores aquisições hostis, que
até esse período não eram comuns. Além disso, prosseguiram os movimentos de desinvestimento
de grandes conglomerados que se formaram durante a terceira onda de fusões e aquisições, na
década de sessenta. (DEPAMPHILIS, 2003). Ainda o baixo preço das ações, causado pelo crash
da bolsa de Nova York em 1987, possibilitou a compra de empresas norte-americanas por
estrangeiras, fato que ainda não havia acontecido em grande volume até então. Tais aquisições
foram majoritariamente hostis (TRICHES, 1996).
Katz, Simanek e Townsend (1997) afirmaram, também, que uma política antitruste mais liberal
propiciou reestruturações dentro de segmentos industriais mais facilmente. Aliás, para estes e
outros autores, reestruturação é a palavra chave dessa Quarta Onda. Segundo eles, as transações
que alcançaram maior sucesso nesse período foram aquelas em que se comprava um
conglomerado inteiro, vendendo-se depois cada negócio separadamente, alcançando maior valor.
Diferente de Camargos e Barbosa (2003), que apontam quatro ondas, alguns autores como
DePamphilis (2003) e Katz, Simanek e Townsend (1997) já consideram uma nova onda, aquela
ocorrida ao longo da década de 1990. Esses últimos apontam que a principal razão para F&A na
Quinta Onda é o alcance de sinergias operacionais: economias de escala e escopo em aquisições
horizontais. Triches (1996) afirma que a década de 1990 assistia à “adequação inteligente a
ambientes de negócios em constante mutação, adequação determinada por mercado em retração
(início da década), reformas governamentais e mudanças tecnológicas”.
DePamphilis (2003) ressalta que, nesse período, também contribuíram para as fusões maiores
desregulamentação nas leis de mercado, revolução na tecnologia de informação e crescente leva
de privatizações globalmente. Aliado a um dos momentos de maior expansão do crescimento e
do mercado de capitais, essa onda gerou o volume mais intenso da história das fusões e
aquisições, US$ 3,48 trilhões em 2000. Observa-se que em todas as ondas analisadas, fatores
não-econômicos como as Leis Antitruste delimitaram o alcance e a concentração resultante de
fusões e aquisições.
1.5 Tipos de Fusões e Aquisições
F&A podem ser classificadas de diversas formas. DePamphilis (2003) afirma que a classificação
de uma operação desse tipo dependerá de as empresas estarem ou não na mesma indústria, ou de
sua relação na cadeia produtiva. Nesse contexto, o autor chama de horizontais as fusões entre
duas empresas de um mesmo segmento, ao passo que os conglomerados são o resultado de
uniões entre companhias de setores sem relação entre si.
Quando firmas de uma mesma cadeia de valor se juntam, ou seja, a união entre fornecedor e
cliente, ou do extrator da matéria-prima com o utilizador desta, temos uma fusão ou aquisição
vertical. Camargos e Barbosa (2003) relatam que é denominada montante a aquisição de uma
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empresa acima da adquirente na cadeia, como a compra de um fornecedor, ao passo que o
inverso é chamado jusante – um bom exemplo é a aquisição de um distribuidor.
DePamphilis (2003) e Camargos e Barbosa (2003) concordam também acerca da definição da
forma com que a fusão ou aquisição é realizada. Assim, dois outros termos surgem: fusão ou
aquisição amigável ou hostil. No primeiro caso, existe mudança na propriedade corporativa, mas
poucas substituições no controle administrativo, já que a gerência da firma alvo é receptiva à
idéia da união. Já na aquisição hostil, ocorre efetiva mudança da administração da firma-alvo e
não há solicitação de tomada de controle. A potencial adquirente busca comprar ações
diretamente no mercado, até conseguir uma porcentagem suficiente para o controle. Esse
procedimento pode ser feito via Oferta Pública de Aquisição de ações (OPA).
Havendo possibilidade, a aquisição amigável é preferível em relação à hostil, uma vez que o
preço de compra alcança um valor menor em comparação à oferta hostil. Além disso, o processo
pós-fusão, ou seja, as ações conjuntas que viabilizarão o negócio efetuado fluirão muito mais
facilmente caso a fusão tenha sido de interesse mútuo – adquirente e firma-alvo. Um estudo da
Thomson Financial Securities Data Corporation nos EUA na década de 1990 mostrou que
apenas 17% das aquisições hostis alcançaram sucesso administrativo (DePamphilis, 2003).
1.6 Fatores Motivadores nas Fusões e Aquisições
De acordo com Copeland, Koller e Murrin (2006), uma impressionante infra-estrutura de
sustentação às negociações de F&A apareceu, incluindo diversos tipos de entidades, desde
bancos até mesmo investigadores particulares, constatando ainda que esse seja um movimento
relativamente novo, que começou a surgir no fim dos anos setenta. Ao analisar-se os diversos
fatores que podem motivar uma transação de F&A, a constatação, quanto à grande estrutura de
sustentação que surgiu, não chega a ser uma surpresa. De acordo com Copeland, Koller e Murrin
(2006) um dos fatores chave para motivar uma fusão, é o fator financeiro em relação ao retorno
médio ao acionista, principalmente ao acionista da empresa adquirida, que em média recebe um
ágio de 20% pela transação.
Dentre outros fatores positivos de influência para uma fusão e aquisição, pode-se abordar
primeiro o que Brealey e Myers (1998) considera como objetivo principal para uma fusão
horizontal, as economias de escala. Nas fusões elas são possíveis através da redução de custos
que um aumento no nível de produção proporciona, aplicação mais racional dos esforços em
pesquisa e desenvolvimento, além é claro da transferência de know-how. Na prática isso não é
tão simples, normalmente, é muito mais fácil adquirir uma empresa do que integrá-la com a
compradora. Devido a essa dificuldade, muitas empresas que promovem um processo de fusão
optam por, ao término do processo, continuar atuando em separado e até mesmo como
concorrentes, em determinados mercados.
Outro fator motivante, que pode ser elencado, é a economia decorrente da integração vertical,
que ocorre quando, por exemplo, uma empresa industrial, em busca de maior controle sobre seu
processo produtivo, avança sobre um fornecedor ou um cliente, chegando mais próximo da
matéria prima ou do consumidor final.
Brealey e Myers (1998) também aborda a questão da combinação de recursos complementares.
Isso ocorre em casos onde uma pequena empresa tem potencial para crescimento, mas não tem
os recursos nem a estrutura para tal. Nesses casos, uma fusão com uma grande empresa, em
condições de promover a expansão, pode ser uma boa solução, rápida e barata. Para a empresa
compradora, também se torna um bom negócio, pois a empresa comprada proporciona uma nova
oportunidade de negócios, sem os custos e o tempo necessário para se iniciar um processo desde
o início.
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No caso de as operações serem bem sucedidas, as empresas juntas valem mais e obtêm
oportunidades melhores do que quando estavam separadas. Esse fator motivador também pode
influenciar processo de F&A entre duas empresas igualmente grandes, porém são situações
menos comuns, pois geralmente os maiores ganhos são proporcionados nos casos entre pequenas
e grandes empresas.
Segundo Brealey e Myers (1998), outro fator motivador é a questão dos benefícios fiscais.
Muitas vezes ocorre a situação na qual a empresa possui prejuízos reportáveis para os exercícios
futuros, mas não dispõe de lucros para fazer uso desse benefício. Nesses casos, a fusão com
outras empresas que dispõe de lucros tributáveis é uma boa opção, que proporciona uma grande
economia para a empresa.
De acordo com Benston (1980), mais um fator que pode ser apontado como motivo para uma
F&A, é a existência de fluxos de caixa livres. Esse excedente de capital pode ser utilizado para a
compra de ações de outras empresas, como forma de reaplicar o dinheiro da empresa.
Em casos onde uma empresa apresenta ineficiências administrativas, que podem fazer com que a
empresa descontinue, a realização de uma fusão pode ser uma boa opção. Brealey e Myers
(1998) defende que apesar de não ser o único meio de se melhorar a gestão da empresa, muitas
vezes pode ser mais simples e prático.
Após elencar alguns motivos economicamente justificáveis, não se pode deixar de lado o fato de
que existem outras razões gerenciais que podem causar uma fusão e aquisição. Barbosa e
Camargos (2003) apontam, que existem casos onde os diretores de uma empresa optam pela
fusão, em decorrência de questões de bem estar pessoal, ainda que isso prejudique o valor da
empresa e o preço das ações. De acordo com Brealey e Myers (1998), a questão da
diversificação pode ser enquadrada nesse aspecto. Isso porque ainda não existem provas de que
os investidores estejam dispostos a pagar um prêmio por empresas diversificadas.
Ainda segundo Brealey e Myers (1998), outro fator sem justificativa econômica, são os custos
financeiros de transações como empréstimos e financiamentos. Isso porque em casos de fusão
entre duas empresas, as taxas de juros relativos a empréstimos serão mais baixas do que se
ambas fizessem isso em separado. Mas isso só ocorre porque uma empresa acaba servindo de
garantia para o empréstimo da outra, o que dá maior segurança para a fonte de crédito, porém
para as empresas em si, essa diminuição de taxas não significa ganho líquido nenhum, já que
uma agora passa a servir de garantia para a outra.
Considerando a abordagem proposta por Walker (1994), a avaliação de possíveis aquisições de
empresas em dificuldades financeiras, apesar de, inicialmente não parecer muito atrativa para
uma aquisição, aponta diversas vantagens para os compradores. A dificuldade financeira torna a
empresa alvo teoricamente fácil de ser encontrada, e no momento da negociação do preço, a
empresa adquirente possui a vantagem na discussão. Essa vantagem é tanta, que geralmente a
empresa compradora não terá que desembolsar um valor muito alto pelos ativos da empresa,
conseguindo um desconto razoável. Walker (1994) ainda verifica que muitas vezes, problemas
como excesso de funcionários, custos operacionais elevados, e outros assuntos relativos, podem
já ter sido eliminados pela atual administração, tornando o processo muito mais simples para a
empresa compradora.
Nem sempre o processo de F&A acaba por alcançar o sucesso. De acordo com Brealey e Myers
(1998), não existem generalizações que expliquem os motivos que levam uma operação de F&A,
que aparente tem sentido no aspecto econômico, ao fracasso. Pode ser que a transação tenha sido
mal executada, ou que o comprador tenha superestimado os valores dos ativos em questão. Outro
fator importante é a dificuldade que muitas vezes os gestores enfrentam para realizar a
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integração dos processos com os departamentos, já que empresas diferentes muitas vezes
utilizam métodos diferentes de contabilidade, possuem políticas de trabalho diferentes, e assim
por diante. Tendo considerado esses aspectos que podem influenciar negativamente, não se pode
esquecer de mencionar a cultura, aspecto que Brealey e Myers (1998) considera como principal
motivo para o insucesso de uma operação de F&A.
Ainda, nesse aspecto, dos fracassos em F&A, Copeland, Koller e Murrin (2006) abordam o fato
de que muitas vezes o comprador super valoriza o potencial de mercado em questão. É um erro
muito comum, principalmente ao se adotar premissas que considerem um crescimento acelerado
por um longo período de tempo, ou que determinado mercado dará a volta por cima no curto
prazo.
Outro erro comum citado por Copeland, Koller e Murrin (2006) é a superestimativa de sinergias
entre as empresas. As expectativas geradas por esse aspecto afetam em muito o julgamento do
valor da negociação, e por isso uma criteriosa avaliação deve ser feita, mas nem sempre isso
ocorre. Também é válido ressaltar a questão do envolvimento pessoal dos participantes na
transação. Como mostram Copeland, Koller e Murrin (2006), muitas vezes no ímpeto de
conseguir realizar a aquisição de uma empresa, os administradores da compradora acabam
realizando lances excessivos, que de fato já não trazem perspectivas de criar valor para o
acionista.
1.7 Formas de Aquisição e Transferência ou Tomada de Controle (takeover).
O processo de aquisição de uma empresa pode acontecer de diversas formas.Segundo Walker
(1994), uma vez que o comprador negocie com os proprietários originais da empresa, ele terá
duas possibilidades, a de aquisição das ações da empresa ou a aquisição do negócio e dos ativos.
Brealey e Myers (1998) apresentam três alternativas de aquisição: i) fundir as empresas; ii) a
compra de ações da empresa vendedora, e; III) a compra de alguns ou todos os ativos da
vendedora.
A fusão, no caso, é aquela em que uma empresa assume todos os ativos e todos os passivos da
outra. Este tipo de fusão tem de ter a aprovação de, ao menos, 50% dos acionistas de cada
empresa. Dodd (1980) aponta que a proposta deve ser aprovada pelo quadro de diretores de
ambas as firmas, já que ele tem o poder de vetar ou não tal proposta.
A aquisição por compra de ações pode ser paga através de dinheiro, ações ou outros valores
mobiliários. Neste processo, o comprador pode negociar diretamente com os acionistas da
empresa alvo. Neste tipo de aquisição, procura-se obter a aprovação dos gestores da empresa
adquirida, mas se o entendimento não ocorrer, após o comprador adquirir a maioria efetiva das
ações, e o controle da empresa, o comprador pode redefinir o quadro de gestores (BREALEY e
MYERS, 1998).
Quando a negociação é feita por aquisição de ativos, a propriedade dos ativos tem de ser
transferida, e o pagamento é feito a empresa, e não aos acionistas. Walker (1994) ressalta que
uma empresa falida, apresenta três formas de venda de seus ativos: i) através de leilão (auction);
ii) através de contrato particular (private treaty); e iii) através de ofertas negociadas (tender
sale).
Segundo Fabretti (2005), num processo de privatização, a aquisição de companhia aberta que
dependa de autorização do governo para funcionar deverá ser precedida de oferta publica. Neste
caso, a aquisição do controle acionário é a forma que tem sido mais adotada, e a adquirente pode
escolher se quer manter a mesma denominação da empresa adquirida, de acordo com seu
interesse.
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Muitas vezes as aquisições são feitas diretamente entre os compradores e os acionistas da
empresa à venda, sem em alguns casos obter o consentimento do controle administrativo das
empresas (BREALEY e MYERS, 1998). Isso impacta diretamente no controle da empresa,
neste caso a transferência de controle pode ocorrer através de um takeover, ou seja, a tomada de
controle sem o aval dos executivos, que pode ser feito de forma hostil (hostile takeover) ou
amigável (friendly takeover). Hirschey (1986) define friendly takeover como sendo a mudança
na propriedade corporativa sem implicar na mudança do controle administrativo, e hostile
takeover como uma tomada de controle não solicitado, resultando na substituição do controle
administrativo.
Martelanc, Pasin e Cavalcante (2006) afirmam que as aquisições hostis, sem o aval dos
executivos, demandam grandes ágios. Brealey e Myers (1998) relatam que os compradores, ao
dirigir-se diretamente aos acionistas da empresa alvo, podem proceder de duas maneiras; i) a
primeira é chamada guerra por procuração, onde os compradores podem através de
procurações, buscarem apoio dos acionistas da empresa alvo em sua próxima assembléia geral;
ii) alternativa, em geral mais fácil e barata, que a guerra por procurações, é fazer uma oferta
pública de aquisição diretamente aos acionistas.
Segundo Copeland, Koller e Murrin (2006), grupos de LBO (leveraged buy-outs), começaram a
surgir, em reação à incapacidade demonstrada por muitas empresas para se ajustarem às
mudanças do mercado. Esses grupos de investimento adequavam suas aquisições de forma
amigáveis e também hostis. Brealey e Myers (1998) diferem as LBO das aquisições em dois
aspectos, um faz com que as ações tornem-se privadas, ou seja, elas deixam de ser negociadas no
mercado, e o outro aspecto é que uma grande parte do preço de compra é financiado pelo
endividamento, que faz com que ele seja de alto risco, inferior à notação de investimento. Está
pode ser considerada uma técnica de defesa, quando liderada pelos gestores da empresa,e é
denominada de MBO (Management buy-out).
1.8 Estratégias de Defesa e Fatores Críticos em Fusões e Aquisições
1.8.1 A Contabilização de Ativos Intangíveis: O Goodwill
Adquirir uma empresa é uma tarefa complexa, pois exige uma série de medidas que são
indispensáveis para que se alcance o sucesso. São questões fiscais, contábeis e até legais que
envolvem uma operação desse tipo. O primeiro ponto a ser abordado quando analisamos as
fusões e aquisições contabilmente, é o fato dela ser apenas uma simples aquisição de ativos ou
uma consolidação de participação e esta questão é uma das mais debatidas atualmente.
Quando uma empresa compra a outra, na maioria das vezes paga um valor acima daquele
avaliado, pois uma compra envolve fatores que vão além do valor de mercado daquela empresa,
ou seja, além do valor de mercado das suas ações, pois uma compra faz com que a empresa
ganhe uma possível tecnologia, ou mesma mão de obra especializada, o que só faz com que ela
tenha ganhos. Para demonstrar contabilmente este valor, os gestores criam o ativo chamado
goodwill, ou seja, os ativos intangíveis, como os citados acima, os quais normalmente não são
mensurados.
Segundo Hendriksen e Breda (1999) o goodwill pode ser reconhecido a qualquer momento,
reavaliando o patrimônio líquido a valor de mercado. Porém, Hendriksen e Breda concluiram
(1999) que os ganhos com o goodwill para a empresa são muito difíceis de serem mensurados.
No entanto, quando fazemos o cálculo, mesmo que aproximado, dos benefícios futuros,
chegamos a um valor e portanto devemos reconhecê-lo. O autor afirma ainda que quando uma
empresa é vendida, não existe a criação do goodwill, o que acontece apenas é que ele passa a ser
visível.
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Transpondo este exemplo para um situação de abertura de capital de uma empresa, na maioria
das vezes podemos observar que o valor negociado no mercado excede o valor patrimonial da
empresa, visto que o investidor espera sempre um retorno dos fluxos de caixa futuro maior do
que o valor desembolsado. Uma outra característica deste ativo não mensurável é denominada
pelo autor de inseparabilidade, ou seja, ele diz que não é possível separá-lo da empresa, e muito
menos observá-lo em uma máquina ou um produto, pois se a fosse, deixaria de ser um ativo
intangível.
Hendriksen e Breda (1999) mostram ainda que no Brasil, o goodwil é denominado de ágio, ou
seja, ele é fruto da diferença entre o valor pago e o valor contábil, em contrapartida,
intercionalmente ele é fruto da diferença entre o valor pago e o valor justo dos ativos líquidos
adquiridos, que acaba sendo o terceiro enfoque explicado acima. Aqui, o valor do ágio tem que
ser registrado em uma conta que difere da conta contábil chamada investimento, porém quando
temos uma demonstração consolidada, as expectativas de lucros futuros deve estar na conta
investimentos, enquanto o ágio que se baseia no valor de mercado deve ser ajustado nos ativos e
passivos que lhe deram origem.
De acordo com Martins (1972), o goodwill é gerado pela sinergia de ativos, e não pode ser
contabilizado separadamente dos outros ativos, isto pelo fato dele se originar a partir da
diferença entre o valor de todos ativos considerados no seu conjunto e a soma desses ativos
separadamente. O autor diz ainda que a soma das partes é menor que o todo, portanto o goodwill
pode ser considerado como resultante do trabalho em conjutno de todos os ativos.
1.8.2 Estratégias para se Defender das F&A
Brealey e Myers (1998) concluíram que existem muitos modos dos gestores lutarem contra
ofertas públicas de aquisição sobre as suas empresas. Na maioria das vezes, as empresas alvo se
antecipam às ofertas com objetivo de conseguirem negociar um melhor preço para a venda.
Ocorre, também, sob a forma de objetivo pessoal de garantir seu emprego, pois existe um risco
grande e geralmente ocorre de a empresa compradora não utilizar o quadro diretivo da empresa
comprada, passando o controle gerencial para seus dirigentes.
As estratégias acima são consideradas pré-oferta, pois são táticas que podem ser utilizadas antes
de as fusões ocorrerem, porém, caso a empresa já tenha sido adquirida, existem as estratégias
pós-oferta. A mais simples delas seria a contra-oferta feita pelas ações da compradora, outra
bastante usual é a queixa para órgãos controladores comprovando que aquela compra irá gerar
monopólio no setor.
Brealey e Myers (1998) demonstram que existem outras duas maneiras de se defender através da
reestruturação do ativo e do passivo. A primeira ocorre quando a empresa comprada adquire
ativos que causem problemas de truste, ou mesmo que a compradora não queira naquele
momento, mas que serão muito importantes no futuro por representarem uma parte da empresa.
A segunda seria emitir mais ações para uma terceira empresa que se tornaria uma interveniente
parceira, ou simplesmente recomprar as ações dos atuais acionistas, pagando um prêmio a eles.
1.9 Fatores Críticos nos Processos de F&A
Barros (2003) afirma que uma das etapas vitais para o processo de F&A é a integração entre as
empresas, pois isto garante o sucesso da operação. No entanto, Rourke (1992) afirma que a
maior parte dos compradores não se interessa com a fase de integração, pelo contrário, eles estão
apenas interessados em englobar a empresa adquirida, porém é muito importante planejar o
processo para que não haja problemas futuros.
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Existem algumas questões básicas nesta etapa de uma fusão, que implica no choque de culturas.
Schein (1985) define cultura como algo dinâmico, intangível, resultante da interação de pessoas
e grupos em unidades sociais estáveis, já Motta e Caldas (1997) a definem como o que designa,
liga, coloca em ordem e fornecem esquemas de interpretação que dão sentido à existência.
Quando há a fusão de duas empresas, ou a aquisição de uma empresa pela outra, inevitavelmente
acontece um choque de culturas, geralmente diferentes, com crenças e valores distintos,
processos divergentes e a integração entre elas varia muito, principalmente de acordo com a
causa que levou aquela junção.
Nas aquisições, o caso é o mais crítico, pois uma empresa praticamente perde com o tempo a sua
cultura, que é substituído pelo da empresa adquirente. Não existe um modelo perfeito de
integração cultural, porém, como já fora dito, este é um fator crítico, pois se algo der errado, a
empresa perde valor. O importante então é os dirigentes determinarem com precisão os objetivos
daquela nova empresa e deixá-los bem claro para todos, principalmente para aqueles que
trabalharem para a empresa adquirida, caso contrário, isto pode se tornar problemático.
Existem outras questões que estão ligadas à área de recursos humanos como a retenção de
talentos e a comunicação bem clara e transparente com todos. Estudos mostram que as principais
dificuldades e as causas do insucesso estão ligadas a gestão de pessoas, mais especificamente ao
clima de tensão que é criado na empresa adquirida. Héau (2001) afirma que as aquisições são um
ótimo negócio para quem está na condição de vendedor, porém, não necessariamente para quem
está comprando.
2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A metodologia utilizada foi a da metanálise que, no dizer de Cozby (2003), é uma técnica que
combina os resultados de vários estudos. Trata-se de um estudo comparativo e meta-analítico
com objetivo de encontrar relações existentes entre o referencial teórico de fusões e aquisições a
as situações descritas nas pesquisas analisadas. Os dados são secundários e foram retirados dos
estudos constantes do Quadro 1. e objetivam subsidiar a análise proposta, além de servir de base
para aprofundar o estudo de uma monografia sobre o tema Fusões e Aquisições (F&A).
Optou-se por utilizar dados provenientes de pesquisas realizadas anteriormente por Pasin et al.
(1999), Andreatta e Paula (2002), Vianna et al. (2003), Tanure e Cançado (2004) e Orsi (2006).
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Quadro 1. Resumo das pesquisas utilizadas na meta-análise
Pesquisa
Autores
Tema
P.1 - Aquisição de empresas para
incorporação de conhecimento: dimensões
de análise e indicadores de resultado.
Orsi (2006)
Trata de empresas que, com interesse em novos mercados, optam pela
incorporação de bases externas de conhecimento, através da aquisição de outras
empresas que já passaram pelo processo de aprendizado e dispõem de
reconhecimento no mercado.
P. 2 - Responsabilidade Social, Cultura e
Relações de Poder: O caso Aventis Pharma
do Brasil
Vianna et al.
(2003)
Estuda as relações entre a responsabilidade social corporativa e as relações de
poder e cultura nas organizações, desenvolvendo um estudo de caso focado na
Aventis Pharma do Brasil que surgiu a partir de uma fusão entre a Rhodia e a
Hoechst.
P.
3
Fusões,
Internacionalização do
Brasileiro
Andreatta
e
Paula (2002)
Analisa a motivação principal para os Investimentos Diretos Estrangeiros e os
processos de Fusões e Aquisições no sistema bancário brasileiro. Tendo como
objetivo principal a discussão dos fatores determinantes e resultantes desse
processo, desde o início dos anos noventa.
P. 4 - Relacionando o motivo da aquisição
com diferentes processos de integração
cultural
Tanure
Cançado
(2004)
e
Busca discutir a relação entre a estratégia de aquisição (motivo da compra) e as
formas de integração cultural entre empresas adquirentes e adquiridas.
P. 5 - Fusões e Aquisições na indústria de
alimentos do Brasil: Um estudo sobre a
gestão financeira das empresas.
Pasin et
(1999)
al.
Aquisições
e
setor bancário
Possui o objetivo de avaliar o impacto financeiro, os fatores motivadores e as
causas e conseqüências da internacionalização das empresas nas maiores fusões
e aquisições do setor alimentício entre os anos de 1996 e 1999.
3. ANÁLISE DOS RESULTADOS
3.1 Fatores da Fusão e Aquisição
A Pesquisa 1. de Orsi (2006) descreve como fatores motivadores para a realização do processo
de fusão alguns dos itens presentes na teoria de F&A, como por exemplo o ganho de
conhecimento que a empresa adquirente passa a ter, proporcionado pela vinda de profissionais da
empresa adquirida, com uma série de novos conhecimentos específicos necessários para a
empresa adquirente buscar o aproveitamento de novas janelas de oportunidade.
A Pesquisa 2. de Vianna et al. (2003) ressalta dois itens que serviram como ponto chave para a
realização do processo de F&A, a busca por sinergias que existem entre as empresas envolvidas,
e também a busca pela realização pessoal dos líderes das empresas envolvidas, que buscam o
poder e o reconhecimento que uma transação de F&A bem sucedida pode proporcionar.
Na Pesquisa 3. de Andreatta e Paula (2002) encontra-se como fatores motivadores para o
processo de F&A a busca dos bancos por novos mercados, além da tentativa de criar barreiras de
entrada para possíveis novos concorrentes, como estratégia de defesa empresarial.
Ao analisar a Pesquisa 4. de Tanure e Cançado (2004) encontra-se novamente a questão dos
recursos complementares como fator determinante para o processo de F&A. Além desse fator, a
busca por sinergias também aparece em evidência
No texto da Pesquisa 5. de Pasin et al. (1999) pode-se perceber que fatores motivadores como a
busca por economias de escala e a redução de barreiras de entrada, foram de vital importância
para a concretização dos processos de F&A descritos sobre a indústria alimentícia. Além destes,
também são relacionados como fundamentais as vantagens existentes em integrações verticais e
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a saturação dos mercados dos países desenvolvidos, bem como o aumento constante de custos
que inviabilizava a continuidade de empresas de pequeno porte.
A matriz de análise de conteúdo do Quadro 2. mostra os resultados da análise dos diversos
processos de Fusões e Aquisições analisados com foco nos motivos que os originaram.
Fator Financeiro
X
Economias de Escala
Integração Vertical
X
X
X
X
X
(1999)
P.5 - Pasin et al.
P. 4 - Tanure e Cançado
(2004) -
P. 3 - Andreatta e Paula
(2002)
(2003)
(2006)
P. 1 - Orsi
Item
P. 2 - Vianna et al
Quadro 2. Matriz de análise de conteúdo
X
Recursos Complementares
X
Benefícios Fiscais
X
Ineficiências Administrativas
X
Dificuldades Financeiras
X
X
X
X
Retenção de pessoas
X
Integração de processos
X
X
X
X
X
Choque de Culturas
X
Reorganização do espaço
X
X
X
X
Integração de pessoas
X
X
(ganho de conhecimento)
Fonte: elaborado pelos autores a partir do Referencial Teórico.
3.2 Problemas Identificados
O artigo (P. 1) de Orsi (2006) aborda questões problemáticas como a integração de processos,
retenção de pessoas, choque de culturas e a reorganização do espaço. Pelo fato das duas
empresas estudadas (Promon e Deloitte) pretenderem entrar em um novo mercado, o da
tecnologia de informação, elas encontraram diversos problemas com relação à transferência de
conhecimento, devido ao fato deste conhecimento pertencer às pessoas, o que foi chamado pelo
autor de conhecimento tácito. Outros dois problemas encontrados foram a integração entre as
pessoas e a reorganização do espaço físico, que demorou para ser assimilada por todos.
O caso da Aventis Pharma (P. 2) de Vianna et al (2003) revelou problemas referentes à gestão de
pessoas e principalmente às diferenças culturais. Concluiu-se que após um processo de
aquisição, a empresa comprada perde sua identidade ao longo do tempo, o que faz com que ela
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encontre problemas num longo prazo, pois seus funcionários demorarão para ter a percepção de
que algo mudou e que aquilo que antes estavam acostumados, hoje não está mais em prática.
O terceiro artigo (P. 3) de Andreatta e Paula (2002) mostrou que os dois principais problemas
encontrados pelos bancos estrangeiros no processo de aquisição e conseqüente entrada no
mercado brasileiro foram o choque de culturas e a gestão de pessoas. No caso, um está ligado ao
outro, pois devido as enormes diferenças entre a cultura estipulada pela empresa compradora e a
vendedora, alguns funcionários se sentem insatisfeitos com tal situação, o que os leva a se
desligar da organização deixando-a carente neste aspecto.
No artigo de Tanure e Cançado (P. 4) foi identificado problemas com relação à integração de
processos e pessoas, uma vez que na aquisição do Banco Francês Brasileiro (BFB) pelo Itaú, a
integração foi muito lenta devido as questões culturais enraizadas que não foram desfeitas pelo
processo de F&A. Na aquisição do BEMGE pelo Itaú, o que se verificou foi uma ansiedade dos
funcionários por informações sobre o processo de aquisição, e isto foi um problema, pois gerou
insatisfação por parte dos funcionário que gostariam que a empresa fosse transparente em suas
ações.
No pesquisa de Pasin et al (1999), que aborda os casos de F&A da indústria alimentícia
brasileira, o problema chave abordado gira em torno da questão financeira das empresas
adquiridas e a difícil missão das compradoras de reerguê-las e fazer com que deixem de dar
prejuízo, passando a apresentar lucros.
3.3 Resultados dos Processos das Fusões e Aquisições
No artigo P. 1 de Orsi (2006) verifica-se o resultado do processo de F&A realizados pelas duas
empresas (Deloitte e Promon) foi positivo, pois mesmo com as dificuldades encontradas em
incorporar o conhecimento adquirido, foi realizado um ótimo trabalho focado principalmente na
questão da integração, o que culminou com a constituição de uma base única de informação, que
passou a pertencer a nova empresa. O único fator negativo encontrado diz respeito as questões
econômico-financeiras, pois devido a uma retração do mercado, levou certo tempo para que as
empresas obtivessem lucros com a nova aquisição.
Na análise de Vianna et al. (2003), no artigo P. 2, pode-se destacar que para a Aventis Pharma,
os processos de Fusões e Aquisições foram positivos. O ganho sinergético alcançado foi notável,
tendo em vista que, após a fusão da Hoechst Marion Roussel e Rhodia Farma, a Aventis já
nasceu como uma mega corporação do mercado fármaco, sendo a líder mundial neste segmento.
O artigo P. 3 de Andreatta e Paula (2002) mostrou que os processos de F&A, adotados pelos
bancos para entrarem em outros países, vem surtido resultados positivos, já que esses bancos
(adquirentes) vêm conseguindo aproveitar as estruturas dos bancos adquiridos e ter um
satisfatório sucesso perante os bancos domésticos; apesar de alguns problemas de integração
cultural.
Tanure e Cançado (2004) no artigo P. 4 mostram que se pode afirmar com segurança que os
processos de integração cultural adotados pelo Banco Itaú e também pelo Banco ABN Amro
foram satisfatórios, já que levaram – ao final do processo de fusão com suas respectivas
adquiridas – à completa integração entre empresas e funcionários.
Ao analisar o artigo P. 5 de Pasin et al. (1999) percebe-se que os processos de F&A estudados
resultaram em ganhos de economia de escala para as empresas participantes, além de redução
nos custos de produção. Vale ressaltar que esses efeitos foram positivos para os envolvidos, já
que resultaram em aumento de valor, como se pode verificar nas análises de indicadores
financeiros apresentadas.
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4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em todos os casos apresentados, evidenciou-se a preocupação das empresas em promover F&A
de forma racional, observando os princípios pesquisados e constantes nos referenciais teóricos do
tema. Respondemos, assim, positivamente ao problema de pesquisa formulado. Com relação ao
alcance do objetivo geral do trabalho, formula-se a seguir uma discussão breve sobre a
adequação do referencial teórico aos casos analisados.
A análise comparativa das diferentes pesquisas colaborou para que fossem identificadas
diferenças importantes entre os processos de fusões e aquisições das empresas citadas neste
trabalho, o que reforça a idéia de que o assunto é vasto, e novas adições à teoria, hoje existente,
ainda virão – o percentual de F&A que fracassam (embora parte destas tenham, como razão para
o fracasso, avaliações equivocadas) ainda é alto. Exemplo da pluralidade do tema é o Banco Itaú,
que construiu uma competente equipe e processos para F&A devido ao seu know-how obtido em
aquisições diversas – com propósitos diferentes.
Um ponto constantemente citado nos referenciais teóricos e cuja aplicação prática, apesar de
complexa, mostra-se crucial, é a integração cultural. Como se verifica no artigo da Aventis, os
resultados pretendidos podem ficar abaixo do esperado, caso essa parte do processo de uma
F&A seja descuidado.
Vários outros tópicos embasados na teoria de F&A são explorados, alguns deles mais de uma
vez, como se pode constatar no Quadro 2. Matriz de Análise de Conteúdo dos textos
analisados.Foram verificados: combinação de recursos complementares; maximização do valor
das empresas; F&A como estratégia de defesa; para aumento de market-share; economia de
escala; obtenção de vantagens oriundas de fusão entre fornecedor/cliente (integração vertical),
etc.
Portanto, fica clara a importância de conhecimento prévio frente ao assunto, para que as
manobras de fusões ou incorporações de empresas transcorram sem sobressaltos ou choques
culturais e, mais, que tais movimentos cheguem ao objetivo inicial: aumentar o valor das duas
empresas por meio das sinergias planejadas. Companhias que se aventurem nesse complexo
processo sem o devido preparo não obterão êxito em suas empreitadas e, sem sombra de dúvidas,
serão punidas pelo mercado com a perda de valor de suas ações. O objetivo específico foi
alcançado na medida que foram discutidos e analisados os principais tópicos relativos ao
resultados dos processo de F&A.
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Pesquisas em Administração, São Paulo, v.10, p.17-38, abril/junho 2003.
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DEPAMPHILIS, Donald, Mergers, acquisitions, and other restructuring activities, 2º ed, Los
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A INOVAÇÃO COMO FATOR DE VANTAGEM COMPETITIVA DO ETANOL DE
CANA NO MERCADO BRASILEIRO DE COMBUSTÍVEIS
Andréa Gomes Allegrussi
Daniela Uliana Presinoto
Flávia Aparecida Souza Silva
Michelle Scudilio Maranho
Rubens Charles Rodrigues Roy
Sérgio Lex
RESUMO
O presente estudo busca identificar os impactos da inovação na geração de vantagem competitiva
do etanol de cana-de-açúcar, no setor de combustíveis do mercado brasileiro. Baseado no
referencial teórico sobre o assunto, e nas entrevistas realizadas, verifica-se que a inovação é de
fundamental relevância no desenvolvimento de tecnologias capazes de gerar vantagem
competitiva ao etanol no mercado de combustíveis, como por exemplo, o desenvolvimento da
tecnologia flex-fuel e de novas variedades da cana para os diferentes tipos de clima e solo
brasileiro. Destacam-se também as perspectivas para o setor com a geração de energia elétrica, o
aproveitamento dos resíduos e a chamada “segunda geração de biocombustíveis”.
Palavras-chave: etanol; combustível; inovação; vantagem competitiva
INTRODUÇÃO
A escalada dos preços do petróleo, observada a partir de 2001, quando o preço do barril tipo
Brent estava abaixo de US$ 25,00, atingindo neste ano (2008) valores em torno de US$ 130,00,
demonstra que a busca por combustíveis alternativos além de uma questão ambiental, tornou-se
uma questão de necessidade econômica, afirma Rodrigues (2008).
Racy (2007) afirma que o Brasil busca difundir a sua experiência bem sucedida com o etanol
derivado da cana -de-açúcar em um excelente momento. Já que a produção e a comercialização
de veículos bicombustíveis, que utilizam gasolina e/ou álcool em qualquer proporção, atingiram
4 milhões de unidades no mercado automotivo brasileiro, resultado acumulado entre março de
2003 (quando foram lançados) e setembro de 2007. Em fevereiro de 2007, o percentual de
vendas dos automóveis leves bicombustíveis chegou a 87% do total. Segundo projeções, em
2013, o total de veículos bicombustíveis atingirá 50% da frota, cerca de 15 milhões de veículos.
Por esse motivo, é necessário entender como através da inovação, os produtores e distribuidores
de etanol pretendem tornar o produto competitivo no mercado nacional, mantendo os mercados
conquistados e, principalmente, conquistar novos mercados, além de identificar as inovações em
andamento e/ou planejadas dentro da cadeia produtiva do etanol de cana (abrangendo inovação
desde o plantio da cana-de-açúcar até a distribuição do combustível), compreender o impacto e
perspectivas trazidas por estas inovações, identificar as vantagens competitivas do etanol em
relação aos demais combustíveis, compreender como as vantagens competitivas podem ser
sustentáveis e entender como as inovações podem contribuir para obtenção de vantagem
competitiva, abordando o seguinte problema de pesquisa: “Como as inovações geram
vantagem competitiva ao etanol de cana no mercado brasileiro de combustíveis?”.
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1. REFERENCIAL TEÓRICO
1.1 Inovação
De acordo com o Manual de Oslo, publicado pela Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE), inovação é a implementação de um produto (bem ou
serviço) novo ou significativamente melhorado, mas também pode se relacionar a novos
mercados, novos modelos de negócio, novos processos, métodos organizacionais ou até mesmo
novas fontes de suprimentos.
1.1.1 A Importância da Inovação
Estratégias centradas na inovação constituem a essência do comportamento das empresas
competitivas. Seja para captura de mercados pela introdução de novos produtos (e,
concomitantemente, de novos processos), reduzir lead times, ou produzir com máximo
aproveitamento físico dos insumos. A importância da inovação tecnológica – de produto ou de
processo – para a competitividade é inquestionável (FERRAZ, KUPFER, HAGUENAUER,
1995).
Inovação tecnológica de produto ou processo compreende a introdução de produtos ou
processos tecnologicamente novos e melhorias significativas em produtos e processos
existentes. Considera-se que uma inovação tecnológica tenha sido implementada se
tiver sido introduzida no mercado (inovação de produto) ou utilizada no processo de
produção (inovação de processo). [...] Envolvem uma série de atividades científicas,
tecnológicas, organizacionais, financeiras e comerciais. (OCDE, Manual de Oslo, 1996,
p.35).
A inovação possui grande relevância na sociedade, porém, não é algo que simplesmente opta-se
por utilizar, e sim, uma vantagem que exige análise do mercado e planejamento, como afirma
Drucker (2003, p. 189): “a inovação deliberada e sistemática começa com a análise das
oportunidades”.
1.1.2 A inovação como Fator de Competitividade
Cada vez mais a inovação tem ocupado um lugar central nas discussões sobre competitividade
empresarial e, na formulação de políticas de desenvolvimento regional. Os motivos são claros:
em estudos realizados nos países mais desenvolvidos, estima-se que a inovação é responsável
por 80% a 90% do crescimento da produtividade. Sabendo-se também que o aumento da
produtividade responde por mais de 80% do crescimento econômico, a inovação é essencial para
ampliar as oportunidades de ganhos econômicos e sociais das cidades, regiões e países
(QUANDT, 2005).
A empresa é capaz de inovar consistente e efetivamente, de estar bem posicionada para recorrer
a sua habilidade inovadora como vantagem competitiva (SHIMIZU, 2007).
1.1.3 Barreiras para a Inovação
Um dos grandes problemas que as empresas enfrentam, e uma das razões pelas quais as
empresas, após uma alavancada, não conseguem manter-se no mercado, é o comodismo
(SHIMIZUhimiz 2007).
Durante o ápice da implantação da inovação, onde há maiores ganhos financeiros, as companhias
acabam tornando-se suas próprias vítimas ao agir de forma displicente. Um passado onde a
inovação resultou em sucesso e vantagem no mercado não é garantia de que haja continuidade a
médio ou longo prazo.
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Se comparado com países como Argentina, México e República Tcheca, o Brasil até possui um
percentual de investimento em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) relativamente maior, porém,
analisando-o em relação a países de primeiro mundo, como Alemanha e França, é possível notar
a disparidade em investimentos, como mostra a Figura 1. Pode-se notar quão grande será o
desafio das empresas para manter o espírito e a capacidade de inovação, a fim de que se tornem
competitivas e mantenham-se competitivas no mercado global (PIMENTA, 2007).
Alemanha
França
Bélgica
Espanha
BRASIL
República Tcheca
Argentina
México
0,00%
1,00%
2,00%
3,00%
4,00%
Figura 1 – Percentual de Investimentos das empresas em P&D
Fonte: Adaptado do IPEA
1.2 Vantagem Competitiva
A globalização e a mudança tecnológica disseminaram as novas fontes de competição, o que
gerou a desregulamentação dessas, alterando as regras da competição em muitos setores e
tornou, a cada dia, os mercados mais complexos e imprevisíveis. Para acompanhar essa
competição acelerada, os fluxos de informação em um mundo altamente conectado permitem
que as empresas detectem e reajam aos concorrentes em movimentos cada vez mais rápidos. Isto
significa que já não se pode mais esperar que um concorrente faça seu movimento antes de
decidir como reagir (DAY, REIBSTEIN, 1999).
A busca de novas capacitações é um processo permanente, seja porque os recursos em estoque se
depreciam com o passar dos anos e precisam ser repostos, seja porque se tornam obsoletos em
função do surgimento de inovações nos processos, produtos, organização da produção e formas
de comercialização. Essa segunda possibilidade cria opções comportamentais que vão desde a
associação de estratégias mais agressivas, que visam situar a empresa diante do processo
inovativo, propiciando-lhe o controle do ritmo de obsolescência das capacitações de seus
concorrentes, até as estratégias mais passivas, de natureza imitativa, buscam adotar na empresa
de algum grau de capacidade de resposta (FERRAZ, KUPFER, HAGUENAUER, 1995).
Vantagem competitiva é uma medida relativa, que indica a posição de uma empresa em
relação aos seus concorrentes. Dessa forma, mesmo uma empresa que possui um
produto de baixa qualidade, mas que é reconhecido como a melhor oferta disponível
pelos clientes, desfruta de vantagem competitiva sobre os demais competidores. De
forma análoga, é possível existir uma empresa que oferta um produto de alta qualidade,
mas que se posiciona em relativa desvantagem competitiva (REA e KERNER, 1997
apud BARROS p. 23, 2001).
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Sabe-se muito sobre o que é vantagem competitiva e como determinadas ações a criam e a
destroem, sendo que dois importantes tipos dessa vantagem são: o menor custo e a diferenciação.
O menor custo é a capacidade de uma empresa projetar, produzir e comercializar um produto
comparável com mais eficiência do que seus competidores, com preços iguais ou próximos de
seus concorrentes, já a diferenciação é a capacidade de proporcionar ao comprador um valor
excepcional e superior, em termos de qualidade do produto, características especiais ou serviços
de assistência. Ambas estão avidamente inseridas no processo competitivo e implicam
diretamente na criação das vantagens competitivas e na sustentação das mesmas (PORTER,
2000).
1.2.1 Estratégia e Vantagem Competitiva
A estratégia de uma empresa é sua teoria de como competir com sucesso. Entretanto, uma
maneira de analisar o que significa competir com sucesso é avaliar o impacto que essa teoria tem
em sua posição competitiva em uma indústria ou mercado. Conforme o nível de sucesso de uma
empresa, a implementação dessa teoria terá uma das três implicações para a posição competitiva
dessa empresa (BARNEY, 2002).
Segundo Vasconcelos (2004), as empresas podem ter vantagens competitivas que contribuam
para uma performance superior, porém, concomitantemente, apresentar também desvantagens
competitivas, isto é, fatores que contribuem negativamente para a performance de forma que
uma coisa anule a outra, resultando em performance média convergente com a média do
mercado.
1.3 Sustentabilidade
O termo sustentabilidade nos remete à relação entre a sociedade e sua base material, e os efeitos
desta relação sobre as gerações futuras. Segundo o Relatório de Brundtland (1987),
sustentabilidade é: "suprir as necessidades da geração presente sem afectar a habilidade das
gerações futuras de suprir as suas". Não se trata de uma sustentabilidade dos recursos e do meio
ambiente apenas, mas das formas sociais de apropriação e uso desses recursos e deste ambiente,
ou seja, o processo pelo qual as sociedades administram as condições materiais de sua
reprodução, inclusive definindo os princípios que orientam a distribuição desses recursos
(CORDEIRO, 2006). Segundo Michael Porter apud Mano (2007), o conceito de sustentabilidade
– que se apóia nos aspectos ambiental, social e econômico-financeiro – deve ser visto como uma
oportunidade de negócio e ser levado ao centro da estratégia das companhias.
É interessante destacar a diferença entre o sustentável e o sustentado, que apesar de muitas vezes
serem tratados como se tivessem a mesma definição, podem apresentar uma contradição. Por
exemplo, desenvolvimento sustentado é o desenvolvimento ao longo do tempo, obtido,
sobretudo, por meio de capitais gerados a partir do comércio internacional. Já o desenvolvimento
sustentável é aquele que não é danoso ao ambiente (TROYJO, 2007). Para um projeto ser
sustentável, deve ser: ecologicamente correto, economicamente viável, socialmente justo e
culturalmente aceito (SACHS, 2004).
No caso do Brasil, ao gerar superávits comerciais obtidos a partir de uma postura agressiva em
relação ao exterior, é possível ter fontes de longo prazo de capital que forneça estoque dos
recursos necessários para que refaçamos nossa própria tecnologia. E isso caracteriza um
desenvolvimento sustentado. No mérito de desenvolvimento sustentável, é possível citar para o
Brasil as vantagens comparativas em relação à produção de etanol com base em cana-de-açúcar,
mais barato que o milho dos E.U.A. e mais barato que o trigo da França e da Alemanha. E a
grande oportunidade para o Brasil poder se tornar uma nação de desenvolvimento sustentável é
concentrar-se na tecnologia, não somente na matéria-prima, para que não aconteça com o etanol
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o que aconteceu com o café brasileiro – virar commodity. Para que o desenvolvimento seja
sustentável, é necessário que exista um modelo de desenvolvimento sustentado (TROYJO,
2007).
1.3.1 Vantagem Competitiva Sustentável
A manutenção da vantagem competitiva exige mudanças e exploração, ao invés de desconhecer
as tendências da indústria, faz-se necessário investir para fechar os caminhos pelos quais os
competidores poderiam atacar e destruir vantagens antigas (PORTER, 2000).
Segundo Day e Reibstein (1999) por trás de uma vantagem competitiva sustentável pode haver
diversas investidas estratégicas que sãs as utilizadas a princípio para conquistar a vantagem
competitiva. Por exemplo, empresas diferenciam suas ofertas enfatizando o desempenho, a
qualidade, a confiabilidade, o prestígio ou a convivência. Ou ao utilizarem uma estratégia de
baixo custo, a qual pode ser usada para investimento do produto, sustentação dos preços mais
baixos, ou por fornecer lucros altos (AACKER, 2001). Barney (2002) cita que as empresas que
possuem uma inovação que é difícil imitar, que é rara, e que possui recursos disponíveis nas
escolhas e implementações de suas estratégias podem usufruir um período de vantagem
competitiva sustentável e ficar acima do lucro médio do mercado.
1.4 Análise do Setor Sucroalcooleiro
A cultura da cana-de-açúcar no Brasil se confunde com a própria história do país, tendo sido uma
das primeiras culturas agrícolas a serem organizadas no período da colonização. Até o século
XIX, toda a atividade característica do setor sucroalcooleiro, tanto do cultivo da cana como da
produção e comercialização do açúcar, era restrita, exclusivamente, à região nordeste do país,
devido ao clima e solo propícios e incentivos através de financiamentos bancários para os
aqueles que se comprometessem a estabelecer a cultura da cana em suas terras (COSTA, 2003).
Nos dias de hoje o Brasil tornou-se um dos maiores produtores e exportadores mundiais de
álcool e açúcar, tendo parte de sua história ligada a esta atividade, com o “Ciclo da Cana-deAçúcar”, iniciado em 1532 pelos portugueses, se expandindo para o Nordeste e tornando o
Brasil, o maior fornecedor de açúcar para o mercado europeu na época e desbravador de novos
mercados atualmente (ÚNICA, 2005).
1.5 Combustível Verde
O álcool, como combustível automotivo no Brasil, teve seu início nos anos 20, se fortalecendo
nos anos 70 com as crises mundiais de petróleo, com a criação do Proálcool (Programa Nacional
do Álcool) e sua queda nos anos 80/90 com a decadência do mercado de carro a álcool (ÚNICA,
2005).
A própria fonte relata que, em meados de 2003, esse quadro mudou, pois o setor sucroalcooleiro
aprendeu a administrar sua produção de álcool com uma verdadeira revolução tecnológica: a
entrada no mercado de veículos bicombustíveis, com capacidade de rodar a álcool, a gasolina ou
qualquer mistura entre eles, mas sendo a preferência do consumidor final, quase toda pelo álcool,
devido a comparação de preços: 60% menor em relação a gasolina. (MIGUEZ, 2005).
1.6 Evolução do Programa Nacional do Álcool
O Programa Nacional do Álcool ou Proálcool foi criado em 1975 para estimular a produção do
álcool, viabilizando o atendimento das necessidades do mercado interno e externo e da política
de combustíveis automotivos (BIODIESEL, 2007).
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Dados da Copersucar (1989) citam como benefícios a favor da implantação do Proálcool:
melhorias nas condições ambientais e maior flexibilidade na produção de açúcar que permitiram
a adequação da agroindústria de cana-de-açúcar às oscilações de preço do mercado internacional.
A implantação do Proálcool destaca-se em cinco fases distintas (BIODIESEL, 2007):
1975 a 1979: Fase Inicial
Nesta fase, os esforços são dirigidos à produção de álcool para a mistura com gasolina. Os
primeiros carros movidos exclusivamente a álcool surgiram em 1978.
1980 a 1986: Fase de Afirmação
O segundo choque do petróleo no final dos anos 70 triplicou o preço do barril e a compra deste
produto passou a representar 46% da pauta de importações brasileiras em 1980. A proporção de
carros a álcool no total de automóveis do país aumentou de 0,46% em 1979 para 26,8% em
1980.
1986 a 1995: Fase de Estagnação
A partir de 1986, o novo cenário chamado de “contrachoque do petróleo” colocou à prova,
mundialmente, o programa de uso eficiente da energia. Essa crise afetou a credibilidade do
Proálcool, pois, junto com a redução de estímulos do uso deste combustível, foi responsável pelo
déficit da demanda e das vendas de automóveis movidos por essa fonte de energia.
1995 a 2000: Fase de Redefinição
Segundo os dados da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores –
ANFAVEA – de 1998 a 2000, a produção de veículos a álcool manteve-se em nível de 1%.
Fase Atual (2008)
O Brasil vive uma expansão dos canaviais com o objetivo de oferecer, em grande escala, o
combustível alternativo. O plantio avança além das áreas tradicionais, do interior paulista e do
Nordeste, e espalha-se pelos cerrados.
A tecnologia dos motores flex-fuel veio dar novo fôlego ao consumo interno de álcool. Hoje a
opção já é oferecida para quase todos os modelos das indústrias de automóveis e, os automóveis
bicombustíveis ultrapassaram pela primeira vez os movidos à gasolina na corrida do mercado
interno.
Perspectivas para o Proálcool
Atualmente o mundo está empenhado em encontrar uma solução duradoura para seu problema
energético. A preocupação ambiental se somou à redução dos estoques e à alta dos preços dos
combustíveis fósseis para valorizar as fontes renováveis e menos poluentes de energia.
O governo brasileiro tem mostrado interesse em manter e reativar o Proálcool, dado que o álcool
combustível exerce um importante papel na estratégia energética para um desenvolvimento
sustentado.
1.7 Etanol (álcool etílico)
O etanol, também chamado álcool etílico, é uma substância obtida da fermentação de açúcares.
No Brasil, o etanol é utilizado como combustível de motores de explosão, constituindo assim um
mercado em ascensão para um combustível obtido de maneira renovável e o estabelecimento de
uma indústria de química de base, sustentada na utilização de biomassa de origem agrícola e
renovável. Pode ser produzido a partir de matérias primas açucaradas, como a cana do açúcar e a
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beterraba açucareira, matérias amiláceas, como o milho e a mandioca ou ainda matérias primas
celulósicas, como madeira ou bagaço, nesse caso mediante processos ainda em fase de
desenvolvimento (NOGUEIRA, 2007).
O mesmo autor afirma (2007, p. 6),
“Nos anos noventa, com a crescente conscientização das questões ambientais, o etanol
passou a ser mais valorizado por suas vantagens do ponto de vista das emissões menos
agressivas e mesmo com uma baixa competitividade econômica, a qualidade do ar nas
grandes cidades passou a justificar seu uso”.
Segundo Macedo (2007), a produção de etanol combustível representa hoje um programa
energético consolidado que se desenvolve e expande de forma sustentável. O Brasil produz de
etanol o equivalente a 200 mil tambores diários de petróleo e é consumida basicamente pelos
veículos nacionais e representa 40% do mercado de combustíveis.
Para Piolla (2008), as energias renováveis estão entre os campos mais promissores da economia
internacional, dada a urgência de se desenvolver fontes geradoras limpas que não contribuam
para o aquecimento global. O Brasil desponta como um forte candidato a ocupar posição de
destaque nesse mercado, especialmente em função do domínio das tecnologias de
hidroeletricidade (que responde por 84% da matriz elétrica do país) e dos biocombustíveis
(etanol e biodiesel).
1.8 Comparação entre os Combustíveis Alternativos para Veículos
Nos últimos anos, iniciou-se o debate sobre os benefícios dos biocombustíveis versus
combustíveis fósseis, à base de petróleo. Hoyer (2007) afirma que qualquer combustível
alternativo é melhor do que os carros de hoje (com combustíveis à base de petróleo). O autor
afirma ainda que, mesmo o gás natural, quando queimado diretamente no motor, só fica atrás da
gasolina e do diesel, em termos de eficiência, gasto energético e poluição.
Desde 2004, o Brasil lidera a produção de etanol no mundo, destilando 15 bilhões de litros. Os
Estados Unidos produziram 13,1 bilhões de litros no mesmo ano de 2004, quase exclusivamente
do milho. Na China, a produção de etanol de trigo e milho produziu quase 3,75 bilhões de litros,
e a Índia obteve 1,87 bilhão da cana-de-açúcar. A França produziu mais de 750 milhões de litros
da beterraba e do trigo. No geral, o mundo produziu etanol suficiente para deslocar
aproximadamente 2% do consumo de gasolina (MURRAY, 2005).
No caso específico do etanol de cana-de-açúcar, as vantagens que temos são a tecnologia
agroindustrial de pleno domínio pela indústria nacional, o que incrementa os agronegócios
brasileiros, contribui de certa forma para a diminuição das importações de petróleo e/ou a
promoção da auto-suficiência, além de que, o etanol na forma anidra (sem água), pode ser
adicionado à gasolina do petróleo entre 22% e 26% em volume, sem exigir adaptações nos
motores, e por ser um combustível não fóssil, tem os incentivos do Protocolo de Kyoto (ETAPA,
2007).
Por outro lado, o etanol de cana-de-açúcar, para ser produzido, necessita de grandes áreas
plantadas (monocultura), além de exigir solos de alta qualidade e chuvas regulares (MACEDO,
2004).
Ao comparar o etanol de cana com o etanol de milho (sendo os EUA o líder na produção),
existem grandes diferenças de rendimento e, em conseqüência, no custo-benefício. A começar
pelo preço aos produtores no Brasil: R$ 0,42 o litro do etanol da cana, enquanto que o do milho é
R$ 0,54 o litro. Nos Estados Unidos, a produção de milho é subsidiada (PEDROZO, 2007). Uma
das vantagens do etanol de milho é que a matéria-prima pode ser estocada em silos, e a tonelada
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de milho rende 380 litros de etanol, enquanto que a de cana, 70 litros. Porém, no caso da cana, o
impacto na agricultura é menor. No Brasil, cada hectare gera de 60 a 120 toneladas de cana,
dependendo da fertilidade e do cultivo. Já para o milho, um hectare produz cerca de três
toneladas afirma Murray (2005), é a fonte menos eficiente, pois a produtividade por hectare da
beterraba e da cana-de-açúcar é quase o dobro do milho.
Já o etanol de beterraba pode ser considerado uma boa fonte de energia, pois produz quase duas
unidades de energia por cada unidade utilizada na produção. Ainda assim, o etanol de cana-deaçúcar é a matéria-prima mais eficiente, rendendo oito vezes a energia necessária para a
produção do etanol (MURRAY, 2005).
A cana-de-açúcar do Brasil pode produzir também o combustível líquido a partir da biomassa,
com a mais alta relação de vantagem em todo o mundo na comparação com as energias fósseis.
A relação é de 8,9 para o etanol, enquanto os diversos tipos de biodiesel estão entre 2,0 e 3,0.
Para o etanol de milho dos EUA, essa relação está na faixa de 1,3 a 1,8. Para o etanol de
beterraba (como o produzido na Alemanha) ou trigo (em alguns países da Europa), a relação é
próxima de 2,0. A indústria da cana não usa energia fóssil no processo de produção industrial do
etanol, apenas bagaço. Com isso, apresenta no Brasil maior sustentabilidade que os demais
(NASCIMENTO, 2007).
O hidrogênio, extraído do metanol ou da água, que gera energia por meio de células de
combustível, é uma fonte alternativa muito discutida. Entretanto, é uma opção ainda longe da
viabilização econômica: abastecer um carro com hidrogênio custa até cinco vezes mais do que
com gasolina (HOYER, 2007). Para Veja (2007), substituir um combustível não renovável por
um cuja matéria-prima é uma das mais abundantes do planeta, como é o caso do hidrogênio, faz
com que a eficácia nessa substituição seja alta. Porém, a energia gasta para sintetizar o
hidrogênio vem principalmente da queima de combustíveis fósseis, que poluem a atmosfera,
contribuindo para o aquecimento global caso fosse feito em larga escala mundial.
1.9 Perspectivas para o Etanol
De acordo com Macedo (2007), nos próximos anos, será possível implementar as tecnologias
disponíveis ainda em uso parcial. A evolução “contínua” de processos incluirá: agricultura “de
precisão”, variedades para as novas áreas, avanços na mecanização agrícola, novos processos de
separação do etanol, e automação industrial. Em médio prazo (5–10 anos), diversos co-produtos
derivados da sacarose e novos subprodutos serão incorporados. Em médio e longo prazo, poderá
ocorrer a difusão de variedades geneticamente modificadas de cana-de-açúcar. Isto, e o uso de
novas variedades poderão aumentar significativamente o valor da produção. Tecnologias ainda
não comerciais poderão ser as chaves para esta transformação: a hidrólise de biomassa e diversas
fermentações dos açúcares resultantes, a gaseificação de biomassa, para energia elétrica ou
síntese de combustíveis, e possivelmente a engenharia genética, no suporte ao melhoramento da
cana. Macedo (2004) afirma que os custos na produção do etanol prometem diminuir ainda mais,
com melhorias no processo, inovações em variedades transgênicas de cana-de-açúcar, novos
processos industriais e novos produtos (entre estes, energia elétrica a partir do bagaço e da palha
de cana).
Até a década de 90, as empresas não investiam em diferenciação de produtos ou diversificação
produtiva, pois buscavam apenas algumas melhorias técnicas em seus equipamentos. Após a
extinção do IAA, que desencadeou a desregulamentação do setor, surgiram novos produtos,
novas técnicas de produção e desenvolveram novos segmentos de mercado. Conforme Vian
(2002), “[...] o uso dos subprodutos da cana têm-se orientado para a via da segmentação de
mercado”. Outra estratégia utilizada pela indústria canavieira foi a diversificação produtiva onde,
além da produção de açúcar pelas destilarias de álcool, algumas empresas buscaram a produção
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também de energia elétrica e a utilização da palha e bagaço, por exemplo. Essa diversificação
está relacionada a obtenção de lucros maiores e manutenção do crescimento a longo prazo, mas
também está ligada à sobrevivência da empresa para não ficar estagnada.
Por conta dos excelentes retornos obtidos ao longo dos últimos anos, espera-se que a produção
continue crescendo até 2015. Conforme Walter et al. (2005), existem três motivos para essa
expectativa:
Por conta do aumento das vendas dos veículos flex-fuel, cresceu o consumo do etanol
hidratado no mercado doméstico;
Por razões ambientais e estratégicas, cresceu o interesse do mercado externo pelo
etanol, gerando um aumento de suas exportações, o que criou a expectativa de que
esse mercado continue em ascensão;
A perspectiva de crescimento das exportações de açúcar, em virtude das conquistas
alcançadas pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio – OMC.
Especialistas do segmento industrial fazem projeções de que a produção de cana chegará a 413
milhões de toneladas na safra 2005-2006 e a 560 milhões em 2010 e a 673 milhões de toneladas
em 2013 (PIACENTE, 2005).
Macedo (2004) cita que, de acordo com a Embrapa, a expansão do setor sucroalcooleiro não
implicará em riscos de desmatamentos e impactos ambientais, pois estima-se uma liberação de
área equivalente a 20 milhões de hectares advindos do aumento do nível tecnológico na pecuária
com maior lotação por hectare, o que tornaria disponíveis áreas atualmente utilizadas por
pastagens para outros cultivos. O objetivo no Brasil de expansão de cana-de-açúcar é não
avançar sobre área virgens, incluindo Pantanal, Amazônia Legal, áreas remanescentes de Mata
Atlântica e as demais Áreas de Preservação Ambiental. As áreas produtoras de cana-de-açúcar
precisam estar próximas às usinas de processamento e se essa distância for superior a 40km da
usina a produção torna-se inviável economicamente. A Tabela 1 demonstra diversidade de áreas
existentes para a agricultura e dimensão que cada uma possui dentro do país.
Conforme histórico, o Brasil é hoje o que pode oferecer menor custo de produção de etanol e de
açúcar a partir da cana. A tendência é de que esses custos diminuam ainda mais devido a
melhorias na produção, inovação em variedades de cana (transgênicas), novos processos
industriais e novos produtos (como energia elétrica a partir do bagaço e da palha da cana)
(MACEDO, 2004).
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Tabela 1 – Áreas ocupadas pela agricultura no Brasil
Área total do Brasil
851.404.680
Não agriculturável (estradas, cidades, Amazônia legal, etc)
497.793.441
Área agriculturável
353.611.239
Área com agricultura perene
7.541.626
Área com agricultura anual (a)
34.252.829
Área ocupada com cana-de-açúcar (2004) (b)
6.252.023
% Área com cana-de-açúcar (b/a)
18,30%
Área em repouso (c)
8.310.029
Área de pastos naturais (d)
78.048.463
Área de pastos artificiais
99.652.009
Área com florestas naturais
88.897.582
Área ocupada com plantações florestais
5.396.016
Área não utilizada (e)
16.360.085
Área inapta para agricultura
15.152.600
Área possível de expansão com cana-de-açúcar [(c+d+e)/2]
51.359.289
Fonte: IBGE, 2005.
Do ponto de vista ambiental, Macedo (2004) afirma que:
A cultura não é irrigada; recicla todos os efluentes industriais (vinhaça, torta, cinzas);
utiliza em larga escala controles biológicos de pragas; tem conseguido reduzir o uso de
fertilizantes minerais e defensivos. Nas regiões de maior produção, estão em curso
programas para a redução gradual da queima da cana, e o mesmo deverá ocorrer com a
proteção de nascentes e a redução da captação de água para uso industrial.
Piacente (2005), afirma que a agroindústria canavieira deve se estabelecer em regiões que tenha
infra-estrutura logística para escoamento da produção e disponibilidade de mão-de-obra, o que
atualmente inviabiliza a instalação de usinas de cana em áreas remotas. Não há razão para que a
lavoura de cana avance sobre “áreas virgens”, uma vez que há suficiente área ocupada pela
pecuária extensiva, áreas degradadas no Cerrado, e áreas ocupada por outras culturas agrícola
(PIACENTE, 2005). Portanto não se vê limitações em se tratando de disponibilidade de áreas
para uma expansão sustentável da cana-de-açúcar até 2015 no Brasil. No entanto, é necessário
que sejam observadas e cumpridas as legislações ambientais vigentes.
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2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICO
Conforme Lakatos (2001, p.102), “tema é o assunto que se deseja provar ou desenvolver. Pode
surgir de uma dificuldade prática enfrentada pelo coordenador, da sua curiosidade científica, de
desafios encontrados na leitura de outros trabalhos ou de sua própria teoria”. Portanto, este
estudo busca desenvolver e compreender como o etanol brasileiro obtém vantagem competitiva e
busca desenvolver-se, através da inovação. Com isso, o título escolhido para este trabalho foi “A
inovação como fator de vantagem competitiva do etanol de cana no mercado brasileiro. Sendo o
problema de pesquisa a ser abordado: “Como as inovações geram vantagem competitiva ao
etanol de cana no mercado brasileiro de combustíveis?”.
De acordo com Richardson (1999, p. 62) “objetivos gerais definem, de modo geral, o que se
pretende alcançar com a realização da pesquisa”. O objetivo geral deste trabalho é observar e
analisar como as inovações podem gerar vantagem competitiva para os produtores do etanol de
cana no mercado brasileiro de combustíveis, mantendo os mercados conquistados e,
principalmente, conquistar novos mercados.
2.1 Métodos de Pesquisa
O trabalho de pesquisa pode ser executado adotando-se um dos dois grandes métodos de
pesquisa: o qualitativo ou o quantitativo. O método a ser utilizado será definido pela natureza do
problema de pesquisa ou o nível de aprofundamento (RICHARDSON, 2007).
2.1.1 Escolha do tipo de pesquisa
Em função da natureza do problema apresentado e dos objetivos deste estudo, o método a ser
aplicado será o de pesquisa qualitativa exploratória. Esse tipo de método permite que se
reconheça todo o repertório de características, valores e crenças sobre o tema a ser estudado
(TRUJILLO, 2003), utilizando a pesquisa exploratória (que estuda um fenômeno atual, ainda
pouco examinado entre as comunidades). A análise de caráter exploratória, de acordo com
Richardson (1999, p.17) visa descobrir as semelhanças entre fenômenos, os pressupostos
teóricos que não estão claros, ou são difíceis de encontrar. Nessa situação, faz-se uma pesquisa
não apenas para conhecer o tipo de relação existente, mas, sobretudo para determinar a
existência de relação.
2.2 Coleta de Dados
De acordo com Oliveira (1999), a coleta de dados é a fase prática da pesquisa, com a aplicação
das técnicas selecionadas, a fim de coletar os dados previstos.
Os instrumentos de coleta basicamente são: questionários e entrevistas. Os questionários
geralmente cumprem a função de descrever as características e medir determinadas variáveis de
um grupo social (OLIVEIRA, 1999). Já a entrevista, segundo Hair (2006, p. 162), “ocorre
quando o pesquisador „fala‟ diretamente com o respondente, fazendo perguntas e registrando as
respostas. As entrevistas possibilitam ao pesquisador obter feedback e fazer uso de auxílio visual
se estiver na presença do entrevistado
Esta pesquisa foi realizada através de entrevistas semi-estruturadas (o entrevistador, apesar de
possuir questões estruturadas, tem flexibilidade para inserir, perguntas não-estruturadas).
2.2.1 Análise de Dados
Partindo do pressuposto que o objetivo principal desta pesquisa é conhecer as possibilidades de
crescimento competitivo que o país poderá obter através da produção do etanol de cana-deaçúcar, iniciaremos neste momento análise do conteúdo das entrevistas realizadas por todos os
componentes do grupo. A análise de conteúdo pode ser definida como:
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Um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos
sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores
(quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às
condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens (BARDIN,
2007, p.37).
A comunicação deste trabalho baseia-se nas entrevistas realizadas, segundo Maykut e
Morehouse (1994), organizar a transcrição de entrevistas é importante quando elas são as
principais fontes de dados de uma pesquisa qualitativa. Tal processo necessita de tempo e
preparo dos pesquisadores. Em uma entrevista com duração de uma até duas horas, torna-se
necessário aproximadamente vinte horas para transcrevê-la.
O material a ser utilizado nesse trabalho é a transcrição de quatro entrevistas relacionadas no
Quadro 1. Neste estudo foram entrevistados profissionais com larga experiência e conhecimento
no ramo de energia. Todos os entrevistados pertencentes à amostra estão envolvidos com a
energia derivada da cana-de-açúcar, principalmente o etanol, em suas diversas áreas de
conhecimento, do desenvolvimento tecnológico, pesquisa acadêmica e comercialização.
Os temas abordados pelos entrevistados, relacionados no quadro 1, que se repetem com muita
freqüência foram utilizados na criação dos índices – “recortados do texto em unidades
comparáveis de categorização para análise temática e de modalidades de codificação para o
registro dos dados”.
Quadro 1– Composição da Amostra
Entrevista
Entrevistado
E1
Luiz
Augusto
Nogueira
E2
Carlos Eduardo Machado
Paletta
Gerente Regional de Vendas
TGM Turbinas
E3
Arnaldo
Walter
Professor e Engenheiro Mecânico
Faculdade de Engenharia
Mecânica da Unicamp
E4
Manoel Régis Lima Verde
Leal
Engenheiro Aeronáutico
Laboratório Nacional de Luz
Síncrotron (LNLS).
César
Posição na Administração
Horta
da
Silva
Professor
especialista
Planejamento Energético
Fonte: Os autores
3. Conclusão da Análise de Dados
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Empresa
em
Universidade
Itajubá
Federal
de
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A Figura 2 demonstra, de forma sintetizada, as relações entre as categorias que foram criadas a
partir das entrevistas e pesquisas do tema: “Como as inovações geram vantagem competitiva ao
etanol de cana no mercado brasileiro de combustíveis?”.
Através da figura pode-se compreender a relação existente entre as desvantagens, limitações e
barreiras (C2) com a inovação (C3). Para cada barreira que surge uma inovação pode ser criada,
seja no desenvolvimento de melhorias de produtos, na criação de processos eficientes, entre
outras coisas que podem ser utilizadas de forma inovadora para transpor os obstáculos existentes
(DRUCKER, 2003).
Analisando a categoria de Vantagens competitivas (C1), nota-se a grande integração que esta
deve ter com a categoria de inovação (C3), para que a partir dela possa ampliar estudos de novas
técnicas e estratégias que façam das empresas organismos competitivos e presentes no mercado
(BARNEY, 2002).
Por fim, é possível considerar a relação entre a categoria de perspectivas (C4) e a categoria de
inovação (C3) onde o tema deste trabalho ganha formas mais concretas, pois com o surgimento,
em todo o mundo, de novos tipos de veículos e tecnologias de motores tem provocado mudanças
importantes na tradicional postura da indústria automobilística e de outros agentes atuantes no
mercado, resultando no início de uma onda de crescimento sem precedentes para o setor
sucroalcooleiro (ÚNICA, 2005).
Vantagens
Competitivas
(C1)
Desvantagens,
limitações e barreiras
(C2)
Perspectivas
(C4)
Inovação
(C3)
Figura 2 – Agrupamento de Categorias
Fonte: Os Autores.
4. CONCLUSÃO
O lançamento da tecnologia flex-fuel, que permitiu a re-introdução do etanol como combustível
no mercado nacional é o fator que motivou, essencialmente, a realização desta pesquisa. A
possibilidade de o consumidor optar por abastecer com etanol e/ou gasolina, de acordo com seu
interesse, seja ele econômico ou ambiental, aliado ao baixo custo de produção e distribuição do
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etanol de cana-de-açúcar em relação à gasolina, são, sem dúvida, os principais fatores que
garantem a vantagem competitiva do etanol no Brasil.
Dentre as diversas constatações desta pesquisa, destacam-se as tecnologias voltadas ao ciclo de
produção da própria cana, como o desenvolvimento de novas variedades da planta, adaptadas aos
diferentes tipos de clima e solo brasileiro, que permitiram ganhos relevantes de produtividade.
Essas tecnologias robustecem essa agroindústria e terminam significando a produção de etanol
de forma mais econômica e sustentável, contribuindo efetivamente para a sua competitividade.
Porém, dentre as diversas descobertas desta pesquisa, as que devem ser consideradas mais
relevantes estão relacionadas às diversas perspectivas tecnológicas associadas e derivadas da
produção e consumo do etanol. Dentre elas, destacamos que há perspectivas importantes, como a
possibilidade de distribuição de energia elétrica excedente obtida e o aproveitamento dos
resíduos do processo produtivo do etanol.
Há também a possibilidade do desenvolvimento de uma nova fonte de etanol, que poderá ser
obtida através da celulose do bagaço, denominada “segunda geração de biocombustíveis”, além
da proposta da adição de uma cota de etanol de cana no mercado internacional. Na fase
industrial, as tecnologias de segunda geração vão propiciar o aproveitamento da fibra da cana
(bagaço e palha) de forma mais eficiente e aumentando ainda mais a produtividade energética
(por unidade de área plantada).
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A PERCEPÇÃO ÉTICA INTERFERE NO DIA MACKENZIE VOLUNTÁRIO?
Daniel Vinicius Fernandes
Iandara Rebello Joaquim
Mercedes Sampaio Pacheco
Rafael Romagnoli
Rafaela Luciana da Silva
Nelson Destro Fragoso
RESUMO
Este trabalho põe em questão percepção ética e participação em ação voluntária na Universidade
Presbiteriana Mackenzie. Com o objetivo de identificar uma possível relação entre a percepção
ética dos alunos e sua participação no Dia Mackenzie Voluntário, os procedimentos
metodológicos se firmam em uma amostragem de trabalho não probabilística, composta por
trezentos alunos dos cursos Administração, Contabilidade, Economia e Comércio Exterior do
Centro de Ciências Sociais e Aplicadas (CCSA), entre os semestres 3º, 4º, 5º e 6º dos períodos
manhã, tarde e noite. Para a análise dos dados, foi aplicado o método de pesquisa quantitativa
descritiva, padronizando a coleta de dados através de questionário e o tratamento pelos
programas SPSS e Excel. Como resultado ficou demonstrado pela pesquisa que não há relação
entre a percepção ética dos alunos do CCSA e sua participação no Dia Mackenzie Voluntário.
Palavras-chave: percepção ética; ação social; Dia Mackenzie Voluntário.
INTRODUÇÃO
As questões sociais não resolvidas pelo Estado e as diversas demandas que o segundo setor
abdicou nas suas tradicionais limitações, permitiram o surgimento de um novo personagem na
história. Segundo Fernandes (1997), o terceiro setor nasceu de uma ausência, defasagem ou falta
do Estado, a partir de uma iniciativa da população.
Como relata Rothgiesser (2002), o Terceiro Setor se mantém através de recursos públicos e
privados, relacionados a contribuições particulares, de pessoas que desejam que seu dinheiro e
sua colaboração sejam bem executados. As entidades filantrópicas representam uma parcela do
Terceiro Setor. De acordo com alguns requisitos, recebem o título de filantropia, as diversas
entidades de assistencialismo, saúde e educação. Como, por exemplo, a Universidade
Presbiteriana Mackenzie.
O problema de pesquisa é definido por Booth, Colomb e Williams (2005) como a dificuldade
encontrada pelo pesquisador, podendo ser dividido em prático e de pesquisa. O primeiro
representa a realidade, e o segundo, um “conhecimento incompleto” ou uma necessidade de mais
informação para a total compreensão. A partir das definições estudadas, o problema de pesquisa
do trabalho em questão é: Há relação entre a participação do aluno do CCSA no Dia Mackenzie
Voluntário e sua percepção ética da Universidade Presbiteriana Mackenzie?
Richardson (1999) afirma que os objetivos específicos definem etapas que devem ser cumpridas
para alcançar o objetivo geral. Assim sendo, o objetivo geral é: Identificar a relação entre a
participação no Dia Mackenzie Voluntário dos alunos do CCSA e sua percepção ética da
Universidade Presbiteriana Mackenzie. E os objetivos específicos são: Correlacionar percepção
ética e participação na ação social; Verificar se os alunos do CCSA percebem ética na
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Universidade; Identificar os motivos pelo qual os alunos participam do Dia Mackenzie
Voluntário e se a ética é motivo significante para a participação no Dia Mackenzie Voluntário.
1. REFERENCIAL TEÓRICO
1.1 Ética
Vázques (2002) traz que a moral consiste em fazer prevalecer os instintos simpáticos sobre os
impulsos egoístas. Moral é o conjunto das normas para o agir específico ou concreto. A moral
está contida nos códigos, que tendem a regulamentar o agir das pessoas.
Leisinger e Schmitt (2002) definem Moral Empresarial como o conjunto daqueles valores e
normas que, dentro de uma determinada empresa, são reconhecidos como vinculantes. Não
existindo uma moral especial para as empresas, nem mesmo para as multinacionais, mas existem
expectativas de ação mais amplamente definidas.
Para Srour (2000), cada vez mais a imagem que as empresas gostariam de passar é a de empresas
éticas. Isto, na verdade, implica dizer empresas moralmente inatacáveis, sintonizadas com a
moral do tempo e com os costumes vigentes. Por isso, empresas éticas seriam aquelas que
subordinam as suas atividades e estratégias a uma prévia reflexão ética e agem de forma
socialmente responsável.
A ética é a ciência que estuda e estabelece os fins da conduta humana. Diferente da moral, como
explicado por Guerra, Saraiva, Neto, Sabbadini, Baeta, Liberal, Bull, Filho, Bonilha, Prando,
Martins, Grendene e Dohme (2006), que significa o conjunto de regras sobre o comportamento, a
ética é universal, e a moral, uma aplicação da ética, temporal e cultural.
A preocupação das empresas (com ou sem fins lucrativos) em apresentar seus valores e seus
códigos de conduta ética reafirma a relação da responsabilidade social, econômica e até cultural
das organizações frente ao mercado global. Qualidade, agilidade, bom preço e bom atendimento
deixam de serem fatores diferenciais para se tornarem fatores mínimos nas corporações (NASH,
1993).
Como diz Guerra (1995), caminha-se para uma nova forma de trabalho onde a ética se insere
como elemento relevante e fator de competitividade, por atribuir ao processo de decisões
gerenciais maiores confiabilidade e consistência. Dessa forma, para estudar a ética empresarial
cabe uma análise da moral que está presente nas empresas, no país ou em uma determinada
coletividade estudada.
Nash (1993) apresenta algumas desvantagens das normas empresariais que devem ser
destacadas. A maior delas consiste em dizer que as normas não abrangem o ramo de atividade da
empresa, e sim as intenções éticas da organização. Então, caso um setor trabalhe todo de forma
antiética, a empresa que deseje implantar e realizar suas operações de forma ética sofrerá
desvantagem no mercado. Outro ponto que representa a idéia de que apenas as normas sejam
suficientes para boas condutas.
1.2 Terceiro Setor
No espaço aberto deixado pela ineficiência, ausência ou falência estatal, o setor privado começou
a ajudar nas questões sociais, através das inúmeras instituições que compõem o chamado
Terceiro Setor (FERNANDES, 1997).
O terceiro setor tem no momento atual da sociedade, duas realidades que devem ser consideradas
no seu desempenho: a realidade de sanar as questões sociais não resolvidas pelo Estado do Bem
Estar Social e as demandas sociais que o segundo setor abdicou nas suas tradicionais limitações.
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Essa realidade envolve a filantropia empresarial, os financiamentos de agências nacionais e
estrangeiras, as redes de empresas que investem na gestão de conhecimento e metodologias para
reverter carências sociais.
A partir dos autores Cardoso (1997), Fernandes (1997), Petras (2000) e Ghon (2002) é possível
traçar um panorama relacionado aos movimentos sociais urbanos dos anos oitenta no Brasil,
considerando três frentes importantes: os sindicatos, os movimentos populares comunitários e o
movimento estudantil.
Segundo Cardoso (1997), Fernandes (1997), Petras (2000) e Ghon (2002) a diferença entre a
ação consciente e a fazecção alienada está na possibilidade da reflexão crítica por parte dos seus
atores, que deve incluir a dimensão política. Caso contrário existe o sério risco deste importante
fenômeno emergente no cenário mundial, chamado Terceiro Setor, se transformar em um mero
executador de tarefas ditadas pelos Primeiro e Segundo Setores.
Bettiol (2005) acredita que a dificuldade encontrada para conceituar esse segmento pode ser
claramente visualizada na definição habitualmente apresentada, não governamental e não–
lucrativo, abstendo-se de dizer o que realmente significa este conjunto de organizações para
apresentar apenas o que elas não são.
Para Rothgiesser (2002), o terceiro setor deve imprimir uma crescente aprendizagem da
sociedade como um todo no que se refere à sua área de atuação. O cenário das Organizações
sociais nos dias atuais é investir na qualificação e no desenvolvimento das suas próprias
informações. Segundo Rothgiesser (2002), constata-se um crescimento quantitativo e qualitativo
do Terceiro Setor como um todo, em especial das ONGs. Com a consolidação democrática,
através da pluralidade partidária, formação de sindicatos e fortalecimentos de movimentos
sociais urbanos e rurais, abre-se espaço para uma atuação mais efetiva das organizações.
O Instituto Presbiteriano Mackenzie inicia suas atividades em 1870. Em 1869, a cidade de São
Paulo vivia um clima de efervescência, e é neste cenário que se instalava na cidade de São Paulo
o casal de missionários presbiterianos George e
. O reverendo
Chamberlain empreendia viagens missionárias pelo interior do Estado, sua esposa, Mary,
dedicava-se à área pedagógica na residência do casal, nascia então, uma escola socialmente
responsável e integrada à sociedade. Em 1871, a escola da senhora Chamberlain contava com 44
alunos e teve que se mudar, pois a sala de estar do casal já não comportava mais tantos alunos. A
partir de 1872, as aulas passaram a ser pagas, concedendo-se bolsas parciais e integrais para os
alunos carentes (MACKENZIE: TRADIÇÃO E PIONEIRISMO, 2000).
A Universidade Presbiteriana Mackenzie é de caráter confessional e como instituição
presbiteriana é regida pela fé-cristã evangélica reformada. Assim, o compromisso do Mackenzie
é de estimular o conhecimento das "ciências humanas e divinas", colaborando na formação
integral do ser humano, com oportunidades de conhecimento e reflexão dos princípios éticocristãos (BALANÇO SOCIAL, 2005).
Segundo Muller (1970), o Mackenzie nunca deixou de ser pioneiro, sempre buscou seu ideal,
cumpre a missão, cultiva a educação, dignifica a pessoa humana, dedica-se às ciências divinas e
humanas; caracteriza-se pela busca contínua da excelência no ensino e na pesquisa; prima pela
formação integral do ser humano, em ambiente de fé cristã evangélica reformada. (BALANÇO
SOCIAL DO MACKENZIE, 2006).
1.3 Responsabilidade Social
Segundo Rost (1999), com as tecnologias cada vez mais avançadas, as máquinas substituem e
ajudam no trabalho das pessoas e a produção necessita ser cada vez mais acelerada. Questões
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como: Gestão da Qualidade, Gestão do Meio Ambiente, Gestão da Segurança no Trabalho e
Qualidade de Vida no Trabalho, auxiliam a padronizar processos e, ao mesmo tempo, na
customização dos produtos, aumentam a satisfação dos funcionários no trabalho, retêm talentos e
buscam atrair outros, além de claro, fidelizar os clientes e captar outros.
Segundo Soares (2002), hoje se atingiu um estágio de amadurecimento dos três setores, mas é
fundamental conquistar um novo patamar deste desenvolvimento. Há uma necessidade de
compreensão, mais do que nunca, da importância de maior articulação e parceria entre eles. Não
se pode deixar este momento de expectativa nacional, oportunidade rara de mobilização, passar,
sem que se avance nesse sentido.
Segundo Soares (2002), alguns estudos apontam que a responsabilidade social não surgiu por
simples benevolência empresarial, mas, antes de tudo, pela necessidade crucial de estratégias de
melhoria das condições de vida das pessoas que trabalham nas empresas e, também, de soluções
para problemas da comunidade em que elas estão inseridas.
Responsabilidade Social nas empresas, para Kapaz (2007), significa uma visão empreendedora
mais preocupada com o entorno social em que a empresa está inserida. Isso não significar deixar
de se preocupar com a necessidade de geração de lucro, mas colocando-o não como um fim em
si mesmo, mas sim como um meio para se atingir um desenvolvimento sustentável e com mais
qualidade de vida. Segundo Tachizawa (2002), é convergente com estratégias de sustentabilidade
de longo prazo, que incluem a necessária preocupação com os efeitos das atividades
desenvolvidas no contexto da comunidade em que se inserem as empresas, excluindo, portanto,
atividades no âmbito da caridade ou filantropia tradicionalmente praticada pela iniciativa
privada.
1.4 Dia Mackenzie Voluntário
Segundo o Balanço Social do Mackenzie de 2006, o Departamento de Responsabilidade Social,
Filantropia e Desenvolvimento Institucional, que é responsável pela realização de ações sociais
ligadas à filantropia, coordenou dezoito projetos em prol do desenvolvimento da comunidade.
Quinze desses projetos já existiam e outros três projetos foram incluídos. Esses projetos atendem
um total de 332.903 pessoas, relacionados à educação, cultura, saúde, meio-ambiente, geração de
renda, entre outros. Desses trabalhos, cabe destacar o Dia Mackenzie Voluntário pela sua maior
mobilização (com 251.000 atendidos) e pela sua freqüência anual. O Projeto tem foco na
educação, na área social, da saúde, cultural e ambiental e visa atender a comunidade como um
todo. Ocorre durante os meses de junho a outubro e recebe apoio de funcionário e voluntários
para a realização das atividades. Tem como principal preocupação atender as Oito Metas do
Milênio, estabelecida pela ONU.
2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
2.1 Hipótese
Para Thiollent (2003), uma hipótese é simplesmente definida como suposição formulada pelo
pesquisador a respeito de possíveis soluções do problema da pesquisa. Em relação ao referido
trabalho, a hipótese testada foi: A existência de uma correlação entre a percepção ética dos
alunos do CCSA e sua participação no Dia Mackenzie Voluntário.
2.2 Variáveis
Em relação ao referido trabalho, as variáveis são: percepção ética e participação no Dia
Mackenzie Voluntário.
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2.3 Método
Segundo Diehl e Tatim (2006), a pesquisa quantitativa relaciona-se ao uso da quantidade para
coletar e tratar os dados. Para o referido trabalho, foi utilizado o método quantitativo.
Gil apud Diehl e Tatim (2006), classifica as pesquisas em exploratórias e descritivas. A pesquisa
exploratória busca tornar o objetivo mais explícito e compreensivo. Já a pesquisa descritiva,
utilizada neste trabalho, tem como objetivo principal a descrição da população em questão e a
padronização na coleta de dados, como questionários.
2.4 Plano Amostral
Para a pesquisa que se segue, a população é composta de 300 alunos da Universidade
Presbiteriana Mackenzie, dos cursos do CCSA (Centro de Ciências Sociais e Aplicadas),
Administração, Contabilidade, Economia e Comércio Exterior, entre os semestres 3 °, 4°, 5° e
6°, dos períodos matutino, vespertino e noturno. Diehl e Tatim (2006) separam a amostragem em
probabilística e não probabilística. A primeira requer tratamento estatístico, enquanto que a
segunda, pode ser intencional e não utiliza formas aleatórias de seleção. A partir das definições,
a amostragem do trabalho em questão foi não-probabilística.
2.5 Instrumento de Coleta de Dados
O instrumento utilizado para a coleta de dados foi o questionário. Para obter as informações e os
dados da pesquisa de campo. Foi aplicado questionário de forma impessoal, mantendo o
anonimato do entrevistado, com questões fechadas de concordância e possibilitando analise e
caracterização do entrevistado com dados psicográficos.
2.6 Tratamento de Dados
A partir das informações estudadas, foi adotado para o tratamento dos dados um software
estatístico que oferece ferramentas para análise do problema: o SPSS. Somado a ele, os dados
também foram trabalhados no Excel.
2.7 Análise dos Dados
A pesquisa de campo consistiu em trezentas entrevistas realizadas com alunos que cursavam
entre o 3° e o 6° semestre dos cursos do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas (Administração
de Empresas, Economia, Contabilidade e Comércio Exterior), nos períodos matutino, vespertino
e noturno.
Figura 1 – Faixa Etária
Figura 2 – Semestre Letivo
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A amostra possui uma pequena diferença entre o sexo masculino (52,33%) e o feminino
(47,67%). Em relação à idade, 53,3% têm entre 20 e 22 anos, 160 pessoas entrevistadas,
conforme figura 1, representando a maioria da amostra. Dos quatro cursos entrevistados do
Centro de Ciência Sociais e Aplicadas, 39,7% dos entrevistados estão matriculados em
Administração e 38,3% em Economia. A maioria dos entrevistados está no 3° semestre, que
representa 45% da amostra, 135 entrevistados, conforme figura 2. E o período com mais
indivíduos pesquisados foi o da manhã, com 57,7% da amostra.
Como apresentado nos resultados da pesquisa, 24,7% já participaram do Dia Mackenzie
Voluntário, contra 75,3% que nunca participaram. Dos 74 entrevistados que responderam que
participaram apenas um respondeu que não participaria de novo, enquanto os outros 73
afirmaram que participaram novamente do Dia Mackenzie Voluntário. E dos 75,3% que não
participaram do Dia Mackenzie Voluntário, ou seja, 226 entrevistados, 27,43% não participariam
e 72,57% participariam em outra oportunidade.
Para análise das variáveis 7 a 31, foi realizada a Análise Fatorial, devido à presença de um alto
índice na Medida de Adequação da Amostra (KMO). Sem as variáveis 7, 27 e 9, o KMO obtido
foi de 0,808 (aproximadamente 0,81), para definir as variáveis fundamentais para tal análise, é
verificado a comunalidade. Na primeira passagem pelo SPSS, as variáveis 7 e 27 apresentaram
baixa comunalidade, abaixo de 0,5 a contribuição da variável para o fator é ruim.
Com a exclusão das variáveis 7 e 27, o programa encontrou sete fatores, sendo que a variável 9
era a única no sétimo fator. Porém, na elaboração do roteiro, a variável 9 correspondia ao grupo
de questões sobre ética. Entretanto, foi realizada nova passagem com objetivo de obter seis
fatores, devido a sua relação com outras variáveis. Apesar de encontrar a variável enquadrada no
grupo de fatores esperado, sua comunalidade apresentou-se abaixo de 0,5 e a variável também
foi retirada da análise fatorial.
Os seis fatores identificados na Análise Fatorial foram agrupados em:
F1: Compromisso e dedicação dos envolvidos com o ensino do CCSA; F2: Serviços da
Biblioteca, atividades sociais do Mackenzie e informações transmitidas pela Universidade; F3:
Terceiro Setor; F4: Fornecimento de bolsas; F5: Responsabilidade ambiental do Mackenzie e
Resultados do Dia Mackenzie Voluntário; F6: Conhecimento de Ética.
De acordo com o roteiro da pesquisa, os motivos identificados que justificam a participação dos
entrevistados no Dia Mackenzie Voluntário, são: 79,73% dizem ter vontade e desejo de
participar do Dia Mackenzie Voluntário; 58,11% têm interesse na atividade; 13,51% participam
por caridade; 6,76% por obrigação; 62,16% vêem importância em realizar projetos sociais;
44,59% acreditam que participando estão contribuindo para um mundo melhor; 4,05% sofrem
influência dos amigos; 14,86% realizam por curiosidade; 10,81% participaram com o objetivo de
conhecer novas pessoas; 35,14% afirmam realmente acreditar na ação realizada pelo Dia
Mackenzie Voluntário; e 45,95% porque gostam.
Para analisar os possíveis motivos da não participação dos entrevistados, e talvez entender o
porquê os entrevistados não participariam em outra oportunidade da ação Dia Mackenzie
Voluntário, foram selecionadas dez alternativas para auxiliar na justificava, além da opção
outros, onde o aluno poderia adicionar algum motivo diferente dos demais.
Descobrir os motivos da não participação no Dia Mackenzie Voluntário corresponde a um
objetivo da pesquisa e diante da grande maioria não ter participado, torna-se relevante. Dos
entrevistados, 226 não participaram e, diante os motivos pré-estabelecidos, havia a possibilidade
de assinalar mais de uma alternativa. Os resultados obtidos foram: 66,37% das pessoas
responderam que falta tempo para que possam participar; 25,22% justificam como falta de
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disposição; 38,94% dizem não conhecer as atividades desenvolvidas no Dia Mackenzie
Voluntário; 11,06% já trabalham em outra Instituição do Terceiro Setor ou já realiza outra
atividade social; 9,29% não se interessam pela atividade; 1,77% assinalaram não enxergar
relevância nas ações sociais; 2,21% admitem sentir vergonha ao realizar a ação; 22,57% dos
entrevistados justificaram a não participação pelo fato de ocorrer aos finais de semana; 3,54%
das pessoas não se identificam com o Mackenzie; e 6,19% não acreditam no resultado. Apenas
duas pessoas marcaram a alternativa outros, com a justificativa de falta de organização na
realização do projeto.
Com a análise da relação da participação no Dia Mackenzie Voluntário com o sexo feminino e
masculino, dos 74 entrevistados que participaram, 64,9% são do sexo feminino e os outros
35,1% são do sexo masculino. Já os 226 entrevistados que não participaram, 42% são mulheres e
58% são homens. Portanto, percebe-se que há maior participação do sexo feminino no Dia
Mackenzie Voluntário.
Ao analisarmos os cursos separadamente, dos 30 alunos entrevistados de Contabilidade, 40%
deles participaram do Dia Mackenzie Voluntário. Dos outros cursos, apenas 26,05% de
Administração de Empresas, 20,87% de Economia e 19,44% de Comércio Exterior participaram.
Assim, o curso de Contabilidade, possui uma participação satisfatória em relação aos demais
cursos, destacando que a participação total é de, praticamente, 25% de todos os entrevistados.
Para atingir o objetivo de correlacionar percepção ética e participação na ação social do
Mackenzie a participação no Dia Mackenzie Voluntário possui correlação satisfatória com os
fatores sobre ética e sobre as atividades na área de Responsabilidade Ambiental (como o lixo
reciclável) e dos resultados da ação Dia Mackenzie Voluntário. O programa apresenta a
identificação através da Correlação de Pearson, sendo que para o Fator sobre Conhecimento de
Ética, a variável da participação tem correlação de 95% e das atividades sociais e ambientais,
99%. Dessa forma, é possível afirmar que há correlação entre a percepção que o aluno tem do
conhecimento de ética com a sua participação no Dia Mackenzie Voluntário. Outra análise
relevante inclui a correlação da participação do aluno com seu conhecimento das atividades
ambientais realizadas e o resultado dessas atividades e do resultado da ação Dia Mackenzie
Voluntário.
Os outros fatores, como a percepção do Terceiro Setor, do fornecimento de bolsas e do
comprometimento e dedicação dos envolvidos com o ensino não obtiveram correlação com a
participação do aluno no Dia Mackenzie Voluntário.
Para compreender a percepção dos alunos entrevistados em relação: ao compromisso e dedicação
dos envolvidos com o ensino do CCSA; aos serviços da Biblioteca, atividades sociais do
Mackenzie e informações transmitidas pela Universidade; ao Terceiro Setor; ao fornecimento de
bolsas; a Responsabilidade ambiental do Mackenzie e Resultados do Dia Mackenzie Voluntário;
e a percepção ética, a análise pelo histograma facilita uma reflexão das respostas obtidas.
Ao analisar o compromisso e a dedicação dos envolvidos com o ensino, como Professores,
Coordenadores e Diretores, foi possível observar que nas afirmativas que envolviam a percepção
dos Professores para com os alunos e para com a Universidade, as respostas foram, em média,
satisfatórias. Para os entrevistados, tanto em relação aos alunos quanto à Universidade, a maioria
concordou parcial e totalmente, com expressiva diferença entre os dados das demais alternativas.
As atividades oferecidas pela Biblioteca do CCSA são percebidas com eficiência e seriedade
pelos alunos entrevistados, uma vez que a maioria respondeu concordar total ou parcialmente
com as afirmativas sobre a Biblioteca e seus serviços.
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De acordo com os resultados, os alunos perceberam mais seriedade nas atividades sociais da
Universidade Presbiteriana Mackenzie do que transparência. Dos entrevistados, 162 alunos
responderam concordar que a atividades sociais realizadas no Mackenzie são sérias, contra 95
que concordam que as atividades são transparentes. E quanto às informações transmitidas pela
Universidade, 223 entrevistados afirmam acreditar nas informações.
Foi possível analisar, com as questões fechadas de concordância, a percepção dos alunos
entrevistados quanto ao Terceiro Setor. As afirmativas trabalhadas pelo grupo foram: a
Universidade Presbiteriana Mackenzie é uma organização não-governamental e sem fins
lucrativos, o Mackenzie é uma Entidade Filantrópica do Terceiro Setor e todo resultado obtido
pela Universidade é reinvestido em melhorias internas. De acordo com os resultados, os
entrevistados apresentaram-se indiferentes quando afirmado que o Mackenzie é uma Entidade
Filantrópica. Em média, 33% dos alunos responderam não saber, ou seja, a alternativa
indiferente, se o Mackenzie possui características de filantropia. As outras afirmativas, também
relacionadas aos conhecimentos no Terceiro Setor, receberam respostas variadas, como
apresenta o gráfico.
Pode-se afirmar que, em média, 60 alunos responderam um das alternativas para dizer que
acreditam que o Mackenzie é uma entidade Filantrópica do Terceiro Setor e que todo resultado
obtido pela Universidade é reinvestido em melhorias internas.
Em relação ao Fator Responsabilidade Ambiental e Resultados do Dia Mackenzie Voluntário,
conforme os resultados da pesquisa, 28,33% dos entrevistados têm conhecimento sobre os
resultados do Dia Mackenzie Voluntário. E nas variáveis sobre responsabilidade ambiental, os
alunos apresentam-se, na sua maioria, indiferentes.
Por fim, a percepção do conhecimento de ética foi apresentada nos resultados de forma
satisfatória, pois mais da metade dos entrevistados, em todas as afirmativas sobre ética,
responderam concordar total ou parcialmente. O número de pessoas que não sabem ou não
julgam relevantes, com a alternativa indiferente, ou que discordam total ou parcialmente, não é
maior do que 70 entrevistados. A afirmativa que diz que ética é a ciência que estuda a conduta
humana obteve o maior número de discordância.
3.CONCLUSÃO
O objeto de estudo, a Universidade Presbiteriana Mackenzie, torna-se essencial diante de um
processo de formação acadêmica e do início da experiência da pesquisa e de descobertas
científicas. Para isso, o estudo do Mackenzie e das suas atividades de caráter público, diante de
muitos projetos na área, aprofundou-se o estudo no Dia Mackenzie Voluntário.
A priori, identificar se a ética é motivo significante para a participação no Dia Mackenzie
Voluntário é objetivo da reflexão e interfere na hipótese de existir uma correlação entre as
variáveis. Segundo o site da Universidade, o objetivo do Mackenzie é prestar um serviço de
qualidade, mas não esquecendo a participação no desenvolvimento humano de uma maneira
ética e socialmente responsável. Assim, estreitar o estudo na percepção ética dos alunos e dos
possíveis voluntários torna-se fundamental para compreender a complexidade e o prestígio de
colaborar socialmente.
Identificar se há relação entre a participação no Dia Mackenzie Voluntário dos alunos do CCSA
(Centro de Ciências Sociais e Aplicadas) e sua percepção ética da Universidade Presbiteriana
Mackenzie é o objetivo principal deste trabalho e reforça os laços de importância das reflexões
anteriores. Conhecer ética, verificar se os alunos do CCSA percebem ética na Universidade,
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identificar os motivos que os alunos participam no Dia Mackenzie Voluntário e os motivos que
ajudam a não participação favorece a consideração de temas salientes à Universidade
Presbiteriana Mackenzie e todos os seus envolvidos.
O resultado demonstrou que a hipótese foi rejeitada, ou seja, não há relação entre as variáveis:
percepção ética e participação no Dia Mackenzie Voluntário. Isto abre outras reflexões diante de
todas as informações conquistadas nos questionários. Portanto, a percepção ética da
Universidade não é um fator determinante para a participação dos alunos em ações sociais, como
o Dia Mackenzie Voluntário.
Quanto aos motivos que representam à participação dos alunos na ação, 80% dizem ter vontade e
desejo de participar do Dia Mackenzie Voluntário, 62% dos entrevistados que já participaram
vêem importância em realizar projetos sociais, e 58% têm interesse na atividade. Há, também,
um retorno favorável da ação, pois somente uma pessoa dos 74 que participaram, não
participaria novamente da ação e os outros 73 participariam.
Ao caráter filantrópico do Mackenzie, cabe o aumento das atividades sociais e a assistência à
comunidade, bem como a captação de alunos e funcionários que fortaleçam o trabalho
espontâneo.
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50
CANAIS REVERSOS E A IMAGEM CORPORATIVA - UM ESTUDO DE
MULTICASOS
Ligia Helena Padilha
Paulo Roberto Leite
RESUMO
Este artigo analisa a questão da possibilidade de ganho de imagem corporativa por meio da
adoção de uma política adequada no tratamento de seus canais reversos de retorno de produtos
não consumidos. Trata-se de um estudo exploratório com metodologia qualitativa, utilizando
técnica de estudo de caso múltiplos, extrato de um projeto de pesquisa de maior vulto , que
envolveu um minucioso levantamento bibliográfico e coletas de dados de campo com entrevistas
em profundidade com executivos de logística e marketing e com posterior transcrição e análise
de conteúdo. As empresas Motorola, Souza Cruz e Editora Abril, todas de grande porte, mas de
ramos distintos de atuação, constituíram os casos analisados. Observou-se, neste estudo
exploratório, que nos casos examinados existem diferentes níveis de importância em relação aos
canais reversos de seus produtos e, como conseqüência, diferentes níveis de preocupação quanto
ao impacto que o retorno de produtos produzem na imagem corporativa da empresa.
Palavras-chave: Logística Reversa; Imagem Corporativa; Marca Corporativa; Identidade
Corporativa.
INTRODUÇÃO
O tema logística reversa vem sendo bastante discutido nos dias de hoje, tanto no meio acadêmico
quanto no empresarial e isso decorre, principalmente, do amadurecimento do mercado
consumidor, cada vez mais exigente e competitivo. Dessa maneira, surge a noção de que a
responsabilidade de uma empresa com relação ao seu produto não termina quando este é entregue
no canal de distribuição ou ao cliente, mas se estende também ao tratamento que é dado a ele
mesmo após chegar ao mercado. A falta de gerenciamento do retorno de bens não consumidos
pode ocasionar problemas comerciais entre as empresas produtoras e seus canais de distribuição e
até mesmo com seu consumidor final. O gerenciamento do fluxo reverso de bens é importante,
pois pode contribuir para a redução de perdas recorrentes, como também ajudar na construção e
preservação da imagem corporativa e das marcas.
Enquanto a logística direta é constituída pelas diversas etapas pelos quais os produtos são
comercializados até chegar ao consumidor final, a logística reversa, em contraposição, é a área
que visa equacionar aspectos logísticos do retorno de bens ao ciclo produtivo ou de negócios
através da multiplicidade de canais de distribuição reversos de pós-venda e de pós-consumo,
agregando-lhes valores de diversas naturezas como econômica, ecológica, legal, logístico, de
imagem corporativa, entre outros. (LEITE, 2003).
É importante ressaltar o tipo de fluxo reverso a ser tratado uma vez que existem dois tipos deles
que são distintos e portanto devem ser gerenciados de maneiras diferentes. O primeiro tipo é o
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chamado de pós-consumo que são constituídos pelo fluxo reverso de uma parcela de produtos e
de materiais constituintes originados no descarte após a sua utilidade original e o segundo tipo é
o chamado de bens de pós-venda que são constituídos pelas diferentes formas e possibilidades e
retorno de uma parcela de produtos com pouco ou nenhum uso. Nesses casos, avalia-se que o
gerenciamento do fluxo reverso de bens possa não apenas reduzir perdas recorrentes, como
também ajudar na construção e preservação da imagem corporativa e das marcas. O gerenciamento
do segundo tipo de fluxo pode também gerar ganhos de lucro para a empresa e ainda lhe garantir
uma imagem de empresa socialmente responsável.
A imagem corporativa, em síntese, é a visão que as pessoas têm da empresa e vem ganhando
grande destaque nesse ambiente competitivo que exige cada vez mais um relacionamento entre
clientes e a empresa duradouro, uma vez que é mais barato manter clientes já conquistados do
que conquistar novos. Com a crescente sensibilidade ecológica da sociedade, que passou a exigir
das empresas maior responsabilidade social, a preocupação com imagem corporativa ganhou
ainda mais importância. O gerenciamento dos fluxos reversos de seus produtos se insere,
portanto, perfeitamente nesse contexto.
O presente estudo pretende verificar se as empresas gerenciam o fluxo reverso de seus produtos
não consumidos em razão da preocupação com sua imagem corporativa. Para tanto, foi conduzido
um estudo de caso em três empresas que apresentam diferentes níveis de estruturação do canal
reverso, destacando, principalmente, à questão da imagem.
1. REFERENCIAL TEÓRICO
A busca do material bibliográfico foi feita por meio de via eletrônica, utilizando bases de dados
como Proquest, Ebsco, banco de teses da CAPES, da FGV, da USP e do Mackenzie.
Inicialmente, foi levantada a importância da imagem corporativa e suas influências, sendo em
seguida coletadas as definições e conceitos de imagem corporativa. Pesquisou-se, também, como
ocorre a construção da imagem e quais as conseqüências advindas da imagem corporativa. Os
resultados desse levantamento permitiram a construção dos tópicos abordados a seguir:
1.1 A Importância da Imagem Corporativa
Martineau (1958), um dos primeiros autores acadêmicos a estudar a imagem corporativa, coloca
que já em meados do século passado os comerciantes começavam a perceber que, a menos que o
potencial consumidor estabelecesse (conscientemente ou não) uma adequação entre sua imagem
pessoal e a imagem da loja, ele não iria sentir-se atraído pelo estabelecimento,
independentemente dos preços ofertados. Para o autor, já naquela época, poucos produtos
podiam ser vendidos a partir da demonstração de uma superioridade funcional, principalmente
no ramo industrial. As vendas dependeriam da interação de cada empresa com seus muitos
públicos diferentes, cada qual vendo a imagem da organização por uma lente diferente,
interferindo na decisão de compra do produto (MARTINEAU, 1958).
Assim, do ponto de vista da administração de empresas, uma boa imagem pode auxiliar nas
vendas e na obtenção de financiamentos, como colocam Gray e Smeltzer (1985). Para os autores
é fundamental manter uma imagem corporativa que não se torne ultrapassada, já que uma
imagem indesejada pode ser uma barreira para o alcance das metas corporativas. Marziliano
(1998) coloca que as organizações procuram projetar imagens positivas externamente, geridas
para criar uma percepção favorável no público externo à empresa. Como observa Haedrich
(1993), muitas organizações têm problemas em estabelecer e manter sistematicamente esta
imagem positiva.
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Haedrich (1993) observa que se uma empresa pretende cumprir seus objetivos em termos de
participação de mercado, retorno das vendas e lucro, ela deve possuir uma reputação e imagem
positivas frente aos seus sub-públicos relevantes. Para o autor, a imagem dispara um “efeito de
halo” que interfere na atitude geral das pessoas com relação aos seus produtos. Para Gray e
Smeltzer (1985), uma imagem positiva: facilita a obtenção de financiamentos; permite um ganho
superior e melhores vendas; facilita o recrutamento de novos funcionários; aumenta a moral e
reduz o turn-over; e minimiza os confrontos com o governo e as ONGs. Por fim, Marziliano
(1998) vê que a empresa busca desenvolver sua imagem corporativa para obter uma legitimidade
junto à sociedade, para que esta a perceba como competente na realização de certas tarefas. Para
o autor a imagem pode ser um importante indicador da sobrevivência da empresa.
Barney (1986), Wernerfelt (1984) e outros autores ligados à Visão Baseada em Recursos
propõem que as empresas devem buscar a diferenciação, principalmente a partir da utilização de
seus recursos intangíveis para aquisição e manutenção de uma vantagem competitiva sobre seus
concorrentes. Gray e Smeltzer (1987) colocam em maior profundidade a imagem corporativa
como sendo um importante recurso deste processo de diferenciação. Para os autores as empresas
estão aprendendo que para serem competitivas precisam diferenciar-se, criando imagens distintas
frente aos diversos públicos com que interagem. Um programa de imagem corporativa bem
concebido pode fornecer à empresa a individualidade necessária para prosperar no competitivo
ambiente atual, comunicando as suas melhores qualidades, que a tornam única, para os seus
diversos públicos (GRAY e SMELTZER, 1987).
Schultz et al (2002) colocam que com produtos cada vez mais semelhantes no mercado os
profissionais de marketing vêem o envolvimento e a preocupação com a imagem como um
importante modo de se estabelecer uma posição única para um dado produto. Para os autores a
constituição de uma forte marca corporativa pode permitir à empresa se expressar através de
ações que não estejam diretamente atreladas a seus produtos, porém que reforcem o seu
significado e permitam associações positivas a eles. Melewar e Walker (2003) corroboram: a
marca corporativa auxilia os consumidores a reconhecer a posição da empresa na sociedade, seus
objetivos e valores e o que poderão experimentar ao consumir seus produtos.
1.2 A Imagem Corporativa: Definições e Conceituações
Como afirma Papineau (1979), há excessos de definições sobre o que é imagem. Diversas
definições propostas no período de 1955 a 1990 são apresentadas por Dobni e Zinkhan (1990),
sendo sintetizadas no Quadro 1:
Autor(es)
Ano
Definição de Imagem
Gardner e Levy
1955
Conjunto de sentimentos, idéias e atitudes que os consumidores têm sobre uma
marca.
Herzog
1963
Soma das impressões que o consumidor recebe de diferentes fontes, que se juntam
numa espécie de personalidade da marca que é similar ao público como um todo,
apesar de diferente para grupos específicos, que possuem diferentes atitudes frente
à marca.
Reynolds
1965
Construto mental desenvolvido pelo consumidor com base em poucas impressões,
selecionadas dentre a grande quantidade de impressões disponíveis.
Levy e Glick
1973
Interpretação, conjunto de inferências e reações com relação a um símbolo. Não é o
objeto em si, porém refere-se a ele.
Levy
1978
Mistura de realidade física e de crenças, atitudes e sentimentos atrelados ao
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produto.
Bullmore
Reynolds
Gutman
e
1984
Criação da psique do indivíduo que não pertence a um produto, mas sim à mente do
sujeito, que contém e cria a imagem num processo de mediação envolvendo as
experiências do consumidor.
1984
Conjunto de significados ou associações que diferenciam um produto de uma
empresa de seus competidores, representada por uma síntese entre atributos do
produto, valores pessoais e conseqüências para o consumidor.
Quadro 1: Definições para Imagem.
Autor: adaptado de Dobni e Zinkhan (1990).
Para Moffitt (1994) a imagem corporativa é qualquer pedaço de conhecimento, atitude ou ação
que a pessoa possa ter com relação à organização. Para Martineau (1958), trata-se de uma
espécie de estereótipo, uma simplificação. Para Reynolds (1965) a imagem corporativa é o
constructo mental desenvolvido pelo consumidor com base em poucas impressões selecionadas
dentre as impressões totais existentes, num processo criativo que envolve elaboração,
refinamento e ordenação destas impressões. Gensch (1978) corrobora ao ver a imagem como
referindo-se às expectativas de um consumidor, num processo pelo qual os indivíduos retratam a
complexidade de sua percepção em algumas poucas dimensões com as quais são capazes de lidar
em suas decisões. Já Spector (1961) vê a imagem como a soma das percepções das
características pessoais de uma organização. Ou, como colocam Williams e Moffitt (1997), a
imagem corporativa pode ser entendida como cada uma e todas as opiniões, experiências,
conhecimentos e ou comportamentos que um indivíduo possui para com uma dada empresa.
Como colocam Dobni e Zinkhan (1990), a imagem é uma interação entre os estímulos do
produto e do consumidor.
1.3 Construção da Imagem Corporativa
Por muito tempo a imagem corporativa esteve associada a atributos técnicos visuais. Como
colocam Gray e Smeltzer (1987), a imagem é transmitida por comunicadores como:
Nomenclatura: nomes empregados pela corporação e suas divisões e departamentos.
Declarações formais: missão, objetivos, filosofia e ou contribuições únicas da firma.
Organização: nível de comunicação e relacionamento entre divisões e departamentos.
Imagens e gráficos: logotipos, formas, tipos de letra, cores - toda comunicação visual.
Mídia permanente: sinais, letreiros, placas, cartões de visitas, veículos, plantas e outros
aspectos interiores e exteriores.
Mídia promocional: propagandas, brochuras, publicações, relações públicas, artigos,
eventos, representações audiovisuais e outros tipos de mídia promocional
Estes estudos iniciais partiam da proposição de Martineau (1958) de que a imagem genérica de
uma empresa é chamada à mente por algum aspecto específico, ligado a uma associação ou
significado. Para o autor, a mente humana costuma abstrair e associar um simples símbolo a uma
imagem corporativa que é, na verdade, complexa - imagens simplificadas resumem
grosseiramente a vasta complexidade de significados. Como propõe Chernatony (2002), os
artefatos que circundam os colaboradores lhes dão pistas dos valores organizacionais inerentes à
imagem corporativa. Em todas as situações padrões subjetivos de conhecimentos e valores
mediam a ação das pessoas com o mundo, sendo que a mente lida com uma quantidade limitada
de complexidades, abstraindo e simplificando alguns poucos significados a partir do todo
(MARTINEAU, 1958). Essa perspectiva é reforçada por Chernatony (2002) que, ao estudar uma
série de autores, conclui que os diversos stakeholders têm capacidades limitadas de
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processamento das informações pertinentes à marca de uma empresa, acessando e escolhendo
entre marcas a partir de um número restrito de características.
1.4 Conseqüências da Imagem Corporativa
Para Martineau (1958) as imagens construídas pelos indivíduos fazem com que eles rejeitem
aquilo com o que não concordam com relação às informações relativas a uma dada empresa.
Para o autor, uma vez que noções estereotipadas sejam formadas na mente, elas são difíceis de
serem modificadas, atuando como filtros do que as pessoas vêem e ouvem. Em especial, a
imagem corporativa criaria um “efeito de halo”, fazendo com que a percepção do indivíduo
advenha de fatos que podem não necessariamente corresponder à realidade (MARTINEAU,
1958). Spector (1961) corrobora ao propor que a imagem que uma pessoa forma ao interagir com
a empresa não pode ser fácil ou rapidamente melhorada, pois assume os contornos de uma
atitude cujos componentes emocionais resistem às mudanças.
De acordo com Martineau (1958) campanhas publicitárias coerentes não são suficientes para
construir a riqueza necessária da imagem corporativa na cabeça dos públicos desejados. Para o
autor a propaganda contribui muito, mas não exclusivamente, já que outros fatores se juntam
para construir a imagem e devem apresentar uma coerência entre si. Como propõe Haedrich
(1993) diversas áreas da empresa contribuem para formação da imagem, com diferentes níveis
de significância e ênfase. Para o autor é preciso que a organização pense e aja de modo holístico
e integrado, levando em consideração não apenas circunstâncias específicas, como também as
interações entre os elementos individuais do seu sistema corporativo e as interfaces internas e
externas que possui. Marziliano (1998) reforça tal visão ao propor que o processo de formação
da imagem corporativa é levado adiante pelas habilidades dos gestores da empresa, que devem
buscar reduzir a discrepância entre o que a empresa é e como o público externo a percebe. Para o
autor não é suficiente projetar uma imagem positiva, dado que esta deve ser avalizada pelo
público externo.
1.5 Construção da Imagem por meio da Logística Reversa
Diferentemente da logística direta que gerencia os fluxos de materiais de seu ponto de origem ao
seu ponto de consumo, a logística reversa gerencia o fluxo de materiais de seu ponto de consumo
ao seu ponto de origem, reintroduzindo-o ao ciclo dos negócios. Leite (2003) define a logística
reversa como a área da logística empresarial que tem a preocupação com os aspectos logísticos
do retorno ao ciclo de negócios ou produtivo de embalagens, bens de pós-venda e de pósconsumo, agregando-lhes valores de diversas naturezas: econômico, ecológico, legal, logístico,
de imagem corporativa, entre outros. Além da possibilidade de minimizar parte das perdas
econômicas, um outro aspecto da logística reversa, segundo diversos autores, está relacionado
aos ganhos de imagem perante a sociedade que uma empresa pode agregar por meio do
tratamento de seus canais reversos. O caráter subjetivo que cerca a criação da imagem
corporativa na percepção do consumidor forma-se a partir do relacionamento desenvolvido entre
empresa e consumidor em todas as fases de negociação, bem como seu relacionamento com a
sociedade, o meio-ambiente e o respeito às leis de um país. Empresas como Hanna Andersson,
Kenneth Cole Shoe e Nike, encorajam seus clientes a retornar os produtos antigos em troca de
descontos na aquisição de novos produtos. Os produtos retornados após o uso são então doados
para a caridade. Em cada uma dessas empresas, a logística reversa é estrategicamente utilizada
para o bem da comunidade, contribuindo para a imagem da empresa perante a sociedade.
Também se verifica que em todo mundo há uma crescente preocupação acerca das questões
ecológicas. O crescimento da sensibilidade ecológica tem se convertido em mais um importante
fator de incentivo à estruturação e à organização dos canais de distribuição (LEITE,1998).
Incentivados pela Norma ISO 14000 que trata da gestão ambiental mais eficiente, muitas
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empresas buscam alcançar a simpatia dos consumidores mediante a produção de “produtos
verdes”, aumentando assim, a missão da Logística Empresarial para dispor a mercadoria ou
serviço certo, no tempo certo, no lugar certo e nas condições desejadas, garantindo o controle do
ciclo de vida do produto. O aumento de consciência ecológica dos consumidores que esperam
que as empresas reduzam os impactos negativos de sua atividade ao meio ambiente tem gerado
ações por parte de algumas empresas que visam comunicar ao público uma imagem institucional
"ecologicamente correta". Esta preocupação ambiental pode ser incorporada aos esforços de
marketing, o que é conhecido como Green Marketing. O Green Marketing, conforme definido
por Stock (1998) é a prática de incorporar tópicos ambientais como reciclagem, embalagens
biodegradáveis, recipientes retornáveis, produtos não poluentes e outras formas ecologicamente
corretas aos esforços de marketing.
Naturalmente que todo esforço empreendido por uma empresa visando à preservação ambiental
pode proporcionar ganhos de imagem para esta empresa, especialmente dentre os consumidores
que se identifiquem com a questão ecológica. Existe ainda uma clara tendência de que a
legislação ambiental caminhe no sentido de tornar as empresas cada vez mais responsáveis por
todo ciclo de vida de seus produtos. (LEITE,2003). Em síntese, a logística reversa pode ser um
instrumento estratégico tanto para a redução de custos quanto para o ganho de imagem
corporativa, sendo um importante instrumento estratégico na diferenciação dos serviços
prestados aos consumidores.
2. PROCEDIMENTO METODOLÓGICO
A pesquisa foi iminentemente qualitativa, que, segundo Malhotra (2000) se caracteriza por uma
metodologia não estruturada e exploratória baseada em pequenas amostras, as quais fornecem
evidências para o entendimento do problema. Teve características exploratórias, que Köche
(1997) coloca como aquela que esclarece e modifica conceitos e idéias para uma formulação
mais precisa do problema de pesquisa. É empregada quando não se dispõem de um sistema de
teorias e conhecimentos suficientemente construídos, sendo difícil elaborar hipóteses
operacionalizáveis. Isso é coerente com o fato de que o tema logístico reversa e imagem
corporativa encontram-se pouco desenvolvidos, envolvendo trabalhos ainda pioneiros no Brasil..
Foram conduzidos estudos de caso, pois a idéia era analisar em profundidade as ações da
logística reversa e a imagem corporativa das empresas. Utilizaram-se diversas formas de estudo
de levantamento de dados, o que no caso deu a profundidade necessária para a análise desejada
pelo estudo. Foram analisadas empresas industriais, selecionadas por conveniência, como
empresa editorial, produtora de eletrônicos e de tabaco. A escolha teve como base pesquisas
feitas anteriormente que indicaram que setores o gerenciamento de canais reversos está mais
organizados e os resultados mais evidentes. As empresas que integraram o estudo foram a
Editora Abril, Motorola e Empresa Souza Cruz.
Participaram desse estudo como sujeitos de pesquisa os gerentes das áreas de logística,
marketing e controladoria que são os profissionais responsáveis pelo gerenciamento da logística
reversa assim como da imagem corporativa das empresas. Além dos gerentes, foram
entrevistados consumidores dos produtos dessas empresas.
A coleta de dados iniciou-se pela pesquisa bibliográfica, com o levantamento da literatura sobre
logística reversa e imagem corporativa. O encadeamento das idéias buscou formar um arcabouço
suficiente de conceitos e evidências acadêmicas que justificasse a pesquisa e a forma como se
pretende conduzi-la. Os dados foram coletados por meio de entrevistas individuais, realizadas a
partir de um formulário semi-estruturado, sendo o conteúdo gravado e submetido à transcrição e
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análise. De acordo com Thietart et al.(1999) a entrevista é um dos principais métodos de coleta
de dados primários para a pesquisa qualitativa, por ser uma técnica que reflete o consciente e o
inconsciente dos entrevistados.
Para construção da análise foi utilizada, em parte, a metodologia de estudo de caso de Yin
(2003). Para o autor trata-se de uma boa estratégia quando o pesquisador tem pouco controle
sobre os eventos, tal qual ocorre com as operações logísticas, que não podem ser paradas para
experimentações. A coleta de dados buscou seguir as determinações que o autor apresenta para
um bom pesquisador, que tem como características: ser bom ouvinte, ser adaptável e flexível,
sem perder o rigor do método, elaborar perguntas adequadas e interpreta as respostas,
perguntando-se a todo momento porque os eventos ocorreram.
Para Yin (2003) várias fontes devem ser usadas para convergir rumo à descoberta, encadeando
logicamente as evidências para corroborar (negar) as proposições formuladas, conduzindo às
conclusões. Parte do processo de triangulação proposta pelo autor foi utilizada como a formação
do referencial teórico e a análise das entrevistas. Porém, neste estudo, a dificuldade em obter
documentos junto às empresas impediu que a triangulação fosse completa.
3. RESULTADOS
Foram analisados três estudos de caso realizados em três empresas de diferentes ramos de
atividade a fim de obter um panorama da estruturação do canal reverso, seu retorno financeiro e
ainda avaliar a importância da imagem corporativa para essas.
A análise dos dados obtidos junto às três empresas de grande porte que participaram do estudo
permitiram os resultados que se apresentam a seguir.
Notou-se um crescente interesse pela logística reversa, mas que varia de empresa para empresa.
Os resultados, portanto, apontam para diferentes graus de estruturação do canal, onde a questão
da imagem aparece como preocupação secundária, sendo esta focada mais na questão de atender
e satisfazer o cliente final.
Observa-se na condução da pesquisa, no entanto, que o impacto da logística reversa na imagem
tanto da Motorola quanto Souza Cruz era irrelevante frente a outras ações promocionais da
empresa. Essa questão foi corroborada com a dificuldade de se obter dados quanto a este tema
nas áreas de logística, com os entrevistados redirecionando entrevistas para outras áreas
competentes da empresa – que, entretanto, não foram atingidas pelo estudo após algumas
tentativas de contato. Assim para estas duas empresas, os dados levantados não foram suficientes
para estabelecer uma análise.
Já na Abril, onde o canal reverso é parte importante da operação da empresa e onde a logística é
fundamental para pontualidade e, consequentemente, para imagem da empresa – trata-se da
distribuição de um produto perecível – foi possível levantar dados suficientes para uma análise,
que é apresentada entremeada às questões de estruturação dos canais reversos.
3.1 Telefones Celulares – Motorola
A Motorola é uma empresa que atua nos setores eletrônico e de telecomunicações,
comercializando produtos como semicondutores, acesso à Internet e TV por banda larga,
cablemodems, sistemas automotivos, soluções de telemática e telefones celulares - uma de suas
principais operações no Brasil. A operação brasileira da firma, localizada na cidade de
Jaguariúna (SP), é a sua base industrial na América do Sul e contou com investimentos da ordem
de US$ 490 milhões, empregando hoje cerca de novecentos colaboradores.
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O canal reverso da Motorola busca, sobretudo, tratar os aparelhos considerados inadequados pelo
consumidor. A empresa estabelece que a devolução pode ocorrer até o período de 150 minutos
de uso contínuo ou nove meses de garantia contratual. A cadeia reversa é constituída por uma
série de serviços autorizados terceirizados, com diferentes níveis de competência técnica, a
saber: duzentos e quarenta e três pontos de coleta com nível um de competência tecnológica, que
fazem pequenos reparos e mantém o contato com o cliente; cinquenta e nove SAMs com nível
dois e cinqüenta e oito SAMs com nível três de competência tecnológica; onze CARs de alta
especialização e maior complexidade tecnológica. A figura 1 esquematiza as atividadesda
logística reversa da motorola:
Figura 1: Mapeamento do retorno de aparelhos defeituosos na Motorola
Aparelho defeituoso
Cliente
Cliente
SAMs (Serviço
Autorizado Motorola)
Aparelho consertado
Não
Problemas na placa?
Sim
“Scrap”
Placa defeituosa
CAR (Centro Avançado de
reparo)
Fonte: Autores
Já os ganhos de imagem pela prestação de serviços ao cliente devem-se, em primeira análise, à
busca por uma diferenciação que permita vantagens sustentáveis na competição pelo mercado.
Dada a crescente competitividade no setor de celulares no Brasil, a Motorola considera o serviço
de pós-venda como um diferencial na construção de sua imagem perante os clientes. Contando
com uma rede exclusiva de atendimento como ferramenta estratégica, a empresa busca atender
ao cliente com problemas ou insatisfeito de forma eficiente e imediata, aceitando devoluções
mesmo quando estas são causadas por mau uso do aparelho. De acordo com o gerente
entrevistado, o objetivo principal é fazer com que o cliente sinta-se amparado em suas
necessidades e em contato direto com a Motorola.
Por esta razão, o atendimento nos SAMs e CARs é feito por técnicos habilitados e treinados pela
empresa. Quando o SAM não consegue prestar um bom serviço e o cliente decide que não quer
mais o produto, a primeira tentativa é a de substituir o aparelho defeituoso por outro novo,
mesmo que isto implique na disponibilização de um aparelho de qualidade superior. O objetivo é
manter o cliente satisfeito e evitar ao máximo que ele recorra a órgãos como o Procon, o que
contribuiria negativamente para a imagem da empresa. Assim, o tratamento dos produtos pelos
canais reversos é uma forma de prestar um serviço diferenciado ao cliente.
3.2 Distribuição de Cigarros – Souza Cruz
A Souza Cruz foi fundada em 25 de abril de 1903, e é hoje uma empresa líder no mercado nacional
de cigarros, sendo também destaque na produção e exportação de fumo. Desde 1914 faz parte da
British American Tobacco (BAT), segundo maior grupo do mundo no setor de cigarros, com
14,6% do mercado. A empresa atua em todo o ciclo de seu produto, desde a produção agrícola da
matéria prima (tabaco), passando pelo seu processamento e finalizando com a fabricação e
distribuição. A companhia hoje atende diretamente cerca de duzentos mil pontos-de-venda, com
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74,6% de participação no mercado brasileiro (76,8 bilhões de unidades de cigarros comercializadas
por ano), gerando cerca de cinco mil empregos diretos e trezentos e oitenta mil indiretos. Em 2003
apresentou um faturamento anual de R$ 6,8 bilhões. A Souza Cruz possui duas fábricas, em
Cachoeirinha (RS) e Uberlândia (MG), que juntas possuem a capacidade instalada de cento e dez
bilhões de unidades por ano e operam de acordo com avançada tecnologia de processo e
preservação ambiental.
Embora o tratamento logístico reverso da Souza Cruz não seja considerado uma atividade
relevante, uma vez que o montante de produtos retornados é pequeno, é interessante notar que,
mesmo assim, esta atividade não deixa de existir e nem de demandar gerenciamento. Nesse caso, a
figura do vendedor exerce papel fundamental, por meio de visitas aos varejistas. A figura 2
demonstra o fluxo reverso da Souza Cruz:
Figura 3: Mapeamento do fluxo reverso da Souza Cruz
Varejista:
Produto Vencido?
SIM
Recolhimento
Não
Carros
de
entrega
CID
Destin
o final
R
E
A
L
O
C
A
Ç
Varejista
de
Ã
O
maior
rotatividade
Fonte: Autor
Por sua pouca importância na Souza Cruz, a logística reversa não é um fator que influencia na
imagem da empresa. Porém, por se tratar de uma empresa fabricante de cigarros, produto este
nocivo à saúde, a empresa busca por meio de projetos de preservação ambiental e de
responsabilidade social projetar uma imagem positiva da empresa. Além disso, é evidente a
preocupação com o cumprimento rigoroso da legislação que rege a fabricação e comercialização
do seu produto.
3.3 Distribuição de Publicações – DINAP/ Grupo Abril
A análise do conteúdo das entrevistas permitiu verificar que a empresa é vista de modo positivo,
tendo como características principais a idoneidade, honestidade, seriedade, confiabilidade e a
isenção. A Editora Abril tem sua imagem percebida pelos consumidores como uma firma de
ponta, inovadora e batalhadora, de excelente reputação, líder no mercado editorial e que serve de
modelo aos seus concorrentes. A identificação da Abril com a árvore verde que transmite
seriedade, respeito com os clientes e qualidade foi fortemente identificada. A imagem, porém,
não é única, cabendo diversas interpretações de acordo com os diferentes públicos e negócios da
empresa. O leitor de Veja, o assinante da TVA e a editora Globo, todos clientes do Grupo Abril,
têm contatos e necessidades diferentes, o que leva a percepções diferentes. Além da coerência
quanto a seriedade e qualidade da firma, há espaço para muitas interpretações quanto ao que ela
representa.
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Com relação ao estudo da imagem da Abril pela técnica da personificação, as respostas foram
bastante coerentes quando foi enfatizado que o objeto de análise era a editora e não outro
componente do grupo. Há indícios de que para cada foco de atuação – TVA, DINAP, dentre
outros - há respostas diferentes o suficiente para que se pudessem caracterizar unidades de uma
mesma empresa, mas que possuem imagens distintas. As colocações apontam para uma firma
refinada, coerente com a imagem que os colaboradores fizeram do público que trabalha na
organização – redatores, designers e jornalistas.
A imagem percebida pela cadeia logística pode ser analisada pelos prismas do leitor e do
distribuidor / jornaleiro. O leitor veria a empresa com idoneidade, isenção, seriedade,
confiabilidade e imparcialidade, refletindo a percepção do público interno entrevistado. Há a
ressalva de que na cabeça do leitor fica o título, a marca do produto – Veja, Playboy, Cláudia – e
não uma marca Editora Abril. Já pelo ponto de vista do distribuidor / jornaleiro há uma tendência
de se ver a imagem pela divisão que distribui as publicações, a DINAP. Os jornaleiros veriam a
DINAP como uma empresa estruturada, séria e confiável, com o qual é lucrativo e vantajoso
trabalhar, diferenciada favoravelmente de seus concorrentes, apontada como a melhor
distribuidora do mercado. Para este público a Abril / DINAP tem um serviço abrangente e veloz,
com bons produtos, processos e sistemas, que lhe garantem uma maior participação de mercado,
com excelência na qualidade da distribuição, com as revistas na quantidade, hora e lugar certos.
Isso dá segurança de que se está trabalhando com uma empresa de ponta, pioneira e líder nesse
segmento de mercado, que oferece vantagens nas comunicações, na rentabilidade, no tratamento
interpessoal, na pontualidade e na logística reversa.
Os resultados permitiram verificar que é unânime a interferência da logística na imagem da
empresa. O canal logístico é a “cara da empresa” no ponto de venda, pois o consumidor
desconhece o que está por trás da entrega. Assim é preciso cuidado e atenção com o canal,
principalmente porque a entrega e o recolhimento são terceirizados. O que a logística fizer ou
deixar de fazer interfere na imagem da empresa. Se a revista chegar atrasada ou não chegar na
banca, o cliente ficará insatisfeito e, apesar de a DINAP ser a responsável, a imagem da Editora
Abril é que virá à frente. O consumidor final não vê o canal reverso, o que esvazia a interferência
que ele poderia ter na imagem da empresa para os leitores. Já para o distribuidor / jornaleiro a
logística reversa é fundamental, pois o fluxo reverso estabelece a remuneração e cobrança na
cadeia. Como o produto tem venda consignada, todo ajuste de contas é feito pela diferença entre
o que foi entregue (logística direta) e o que foi devolvido sem consumo (logística reversa). A
logística reversa também garante a permanência de produtos de qualidade na banca. As revistas
têm de ser repostas e recolhidas com agilidade, ficando expostas pelo tempo certo. Se um
produto é recolhido e o cliente procura por ele no dia seguinte, gera uma insatisfação. Se o
produto não é recolhido, a informação nova não pode ser colocada na banca. A pontualidade é
muito importante: se você é pontual a imagem fica boa; se não é, ela fica ruim. Além disso, a
interdependência entre diferentes praças faz com que o retorno dos exemplares não consumidos
tenha de ser feito de modo articulado e com qualidade, para que não haja desabastecimento ou
oferta de produtos danificados ou em estado ruim de conservação. Se o retorno não é processado
corretamente e na data combinada com o editor, a estratégia de colocação da mesma mercadoria
em outros pontos de venda pode ser frustrada.
4. CONCLUSÕES
As três empresas analisadas no estudo apresentaram diferentes graus de estruturação dos canais
reversos o que influenciou também na projeção de sua imagem corporativa para os diferentes
satakeholders.
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Na Empresa Souza Cruz, em razão de a empresa não apresentar muito retorno de seus produtos,
é insignificante a importância atribuída por ela no canal reverso. O vendedor atua com o objetivo
de não permitir que o retorno aconteça exercendo um papel administrativo nos estoques do
varejista. Não há pessoas especializadas dedicadas ao retorno, nem espaços em armazéns para
esse fim. A preocupação com a imagem, em contrapartida, tem especial atenção e a empresa
dedica-se muito em passar uma imagem de responsável em termos ambientais e sociais para o
público em geral, além de extremamente cumpridora das leis.
A Motorola mostra uma atenção maior do que na Souza Cruz no que se refere ao seu canal
reverso buscando tratar aparelhos considerados inadequados por alguma razão para o
consumidor. O canal reverso é constituído por uma série de serviços autorizados onde os
aparelhos são consertados e devolvidos ao consumidor. Em alguns casos, a empresa recompra os
aparelhos consertando-os e são colocados novamente à venda.
Na Abril/Dinap verifica-se que há um grande volume de produtos que retornam pelos canais
reversos e, para tanto, é necessário um alto grau de estruturação o que inclui pessoas
extremamente dedicadas ao tratamento do encalhe e espaços específicos em armazéns assim
como transportes. O aumento de lucro operacional pode ser identificado por meio da utilização
da reciclagem do produtos retornados, para a qual a empresa terceiriza o serviço dentro de suas
dependências, pelo envio de publicações para mercados secundários e armazenamento do
encalhe, o que permitem o reaproveitamento de materiais bem como relançamentos futuros. O
tratamento do encalhe também permite a empresa controlar o fluxo de publicações efetivamente
vendidas.
Assim, em primeiro lugar, o estudo da logística reversa revelou que há grandes variações na
forma de estruturação dos canais reversos e diferentes graus de importância são atribuídos a estes
canais. O volume de produtos retornados pode ser decisivo neste processo. Há evidências de três
diferentes cenários:
canal reverso é irrelevante. Ocorre quando a quantidade de produtos não consumidos
retornada é muito pequena frente à distribuição total. A logística reversa não aparece
nas estatísticas da empresa e ocupa uma posição marginal. Um exemplo prático é a
empresa Souza Cruz.
canal reverso é relevante. Ocorre quando a quantidade de produtos não consumidos
retornada é razoável frente a distribuição total. A logística reversa recupera valor e,
principalmente, contribui para o fortalecimento da imagem da empresa. Um exemplo
prático é a empresa Motorola.
canal reverso é importante. Ocorre quando a quantidade de produtos não consumidos
retornada é grande frente a distribuição total. A logística reversa não só contribui para o
fortalecimento da imagem como também recupera uma parcela significativa de valor,
sendo parte fundamental da operação da empresa. Um exemplo prático é a Dinap, do
Grupo Abril.
Há evidências de que mesmo em canais reversos pouco estruturados a questão da imagem
motiva um esforço maior na operação de retorno dos produtos, de modo a satisfazer ao máximo
o cliente. Os entrevistados mostraram-se também receosos em colocar suas opiniões, preferindo
delegar a resposta de algumas perguntas a profissionais especialistas no tratamento da imagem
da empresa, formando-se uma espécie de tabu. Assim, a análise dos dados obtidos não foi
suficiente para que um panorama da imagem fosse realizado nas empresas Souza Cruz e
Motorola, por exemplo. Já na empresa Abril uma primeira aproximação da imagem da empresa
foi possível, como mostrado anteriormente neste relatório.
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ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
61
Como trata-se de um tema delicado, a realização de entrevistas com pessoas que não atuam
diretamente com o marketing ou promoção da empresa fez com que muitas vezes o entrevistado
se sentisse desconfortável em responder às perguntas. Tal desconforto aumentava ao se
apresentar o procedimento de gravação das entrevistas. Outro fator limitante observado na
investigação foi a baixa aderência encontrada entre a metodologia proposta por Yin (2003) para
o estudo de caso e a absorção do conceito de imagem corporativa junto à empresa. Além disso, a
pouca disponibilidade de documentos que confirmem o conteúdo obtido da fala dos
entrevistados, mesmo porque muitas informações são confidenciais, trouxe dificuldades para a
sustentação das evidências observadas na teoria e coletadas na prática.
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63
ECONOMIA COMPORTAMENTAL E TRAJETÓRIAS DE CONSUMO
INTERTEMPORAL - ANOMALIAS E EVIDÊNCIAS DO CASO BRASILEIRO
Patrícia Fonseca
Roberta Muramatsu
RESUMO
Inspirado pelo referencial teórico da economia comportamental, o presente artigo buscou
apresentar e discutir três anomalias da escolha intertemporal brasileira: (a) as crescentes
trajetórias de poupança privada em meio a episódios de hiper-inflação no final da década de
1980; (b) a significante queda das taxas de poupança privada em 1990; e (c) as trajetórias de
consumo crescente acompanhada por comportamentos de super-endividamento e inadimplência,
em meio a um cenário de possibilidades de planejamento do orçamento, detectadas desde o ano
de 2000. Defende-se a tese de que os conceitos comportamentais de viés de projeção, pavor pela
espera, aversão à perda, desconto hiperbólico e auto-controle, iluminam alguns elementos
emocionais que estariam por detrás dos enigmas supracitados. Conclui-se por último, que
consideráveis ganhos explicativos podem advir da tentativa de inserir premissas psicológicas
mais realistas na análise econômica da escolha intertemporal brasileira.
Palavras-chave: Economia; Psicologia; Anomalias; Consumo; Poupança.
INTRODUÇÃO
“Compreender as emoções que as pessoas experienciam na hora de consumir ou de postergar o
consumo, é crítico para o entendimento e previsão dos trade-offs intertemporais que elas fazem”
(LOEWENSTEIN, 2000, p.430)
Dentre as diversas escolhas com as quais o agente econômico se depara diariamente, o trade-off
entre consumir e poupar, é sem dúvida uma das mais relevantes para a ciência econômica, cuja
seqüência de resultados vem a determinar a trajetória de consumo intertemporal desses agentes.
Relevância essa, que se caracteriza também em função de implicações práticas que o resultado
agregado desse trade-off impõe à condução de política econômica. A persistência, ou de
preferências viesadas para o consumo imediato, ou de preferências viesadas para o consumo
futuro (poupança), pode comprometer o crescimento econômico de um país, caso impacte o nível
de investimentos, o nível de preços ou gere recessão. O ideal de previsão, aplicado aqui a
comportamentos de consumo e poupança, torna-se assim particularmente interessante, podendo
tal capacidade contribuir para elaboração e execução de melhores políticas.
Nesse sentido, a decisão humana ao preceder qualquer fenômeno econômico, inclusive o ato de
poupar ou consumir, torna-se central no exercício preditivo. Se o conjunto das escolhas de hoje
culminam nos padrões econômicos do amanhã, prever eventos pede suposições sobre o processo
decisório individual. E a ciência econômica, em específico as abordagens neoclássicas, por não
demonstrarem interesse em desvendar os processos geradores dessas escolhas, oferecem como
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64
solução o postulado de que as pessoas respondem a incentivos. A escolha passa então a ser
encarada na economia como produto de uma inferência racional e otimizadora, fruto da
ponderação dos custos e benefícios delineados pelos incentivos econômicos presentes no
momento da decisão.
Deste modo, apesar de não ser possível predizer exatamente qual será a escolha efetiva dos
indivíduos, pode-se a partir da observação dos incentivos macroeconômicos do período, traçar
pelo menos uma tendência confiável ou um comportamento esperado. Nessa crença se baseiam,
tanto a expectativa de qual será a resposta dos agentes às políticas econômicas, quanto as
principais projeções econômicas, denotando a centralidade de tal premissa no estudo e na prática
da economia.
A presente discussão surge da detecção de algumas anomalias. Em três momentos da história
econômica brasileira foram observadas escolhas intertemporais anômalas, ou seja, que
divergiram claramente do esperado, dados os incentivos macroeconômicos do período. Entre elas
figuram-se: as crescentes trajetórias de poupança privada no final da década de 1980, em meio a
episódios de inflação galopante; a significativa e brusca queda da poupança privada em 1990; e a
expansão atual do consumo privado seguida de instâncias de super-endividamento e
inadimplência, num cenário de estabilidade de preços, altas taxas de juros reais e possibilidade
de planejamento do orçamento e do consumo futuro. Tais anomalias desafiam e fragilizam a
compreensão econômica convencional de que os agentes respondem a incentivos.
O ponto de partida deste artigo é a visão de que a economia comportamental é capaz de
contribuir para a elucidação desses três enigmas da escolha intertemporal brasileira. Os
desenvolvimentos comportamentais, visando superar certas limitações da abordagem
neoclássica, inserem em seus modelos novas suposições psicológicas, que compactuem com as
observações empíricas de que os agentes econômicos, ao invés de plenamente racionais, se
mostram dotados de racionalidade limitada (SIMON, 1957; MURAMATSU e HANOCH, 2005)
e apresentam forte inconsistência temporal. (STROTZ, 1955; LAIBSON, 1997).
O presente trabalho se apóia especificamente nos conceitos comportamentais de viés de
projeção, pavor pela espera, aversão à perda, desconto hiperbólico e auto-controle, no intuito de
iluminar tais enigmas. Argumenta-se aqui que certas motivações emocionais, desencadeadas
pelos fenômenos supracitados, teriam distorcido a percepção dos incentivos econômicos destes
períodos, oferecendo assim uma explicação para a observação de padrões de consumo
intertemporal distintos das previsões dos modelos neoclássicos. (HALL, 1978; FRIEDMAN,
1957; MODIGLIANI e BRUMBERG, 1954)
Desde já, ressalta-se que um melhor entendimento acerca dos fatores determinantes das decisões
de consumo e poupança tem claras implicações para políticas públicas. Ademais, a consideração
não só dos determinantes econômicos, mas também de determinantes psicológicos delineia a
possibilidade de uma expansão de escopo para a ciência econômica aplicada à realidade
brasileira.
Objetivando apresentar tais anomalias e as respectivas interpretações comportamentais, o
presente artigo está estruturado da seguinte forma: na seção 2 encontra-se o referencial teórico
onde são apresentados brevemente os conceitos comportamentais que serão abordados no
decorrer do artigo. A seção 3 apresenta a metodologia utilizada na análise empírica das
trajetórias de consumo intertemporal brasileiras de 1981 até 2007. Na seção 4, 5 e 6 discute-se
respectivamente o primeiro, o segundo e o terceiro enigma aqui detectados. As sub-seções 4.1,
5.1 e 6.1 dispõem, na seqüência da apresentação das anomalias, a interpretação comportamental
para as mesmas.
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Na seção 7 são feitas algumas considerações sobre as motivações emocionais e racionais
implícitas nos períodos estudados, enfatizando o papel das emoções e dos estados viscerais
correntes na determinação da percepção dos incentivos econômicos presentes nesses períodos.
Por fim, na oitava seção as conclusões finais da pesquisa são elaboradas.
1. REFERENCIAL TEÓRICO
“No âmago da economia comportamental está a convicção de que ao aumentar o
realismo dos pressupostos psicológicos da análise econômica se aperfeiçoará a própria
ciência econômica-gerando insights teóricos, melhorando as previsões de fenômenos
econômicos e sugerindo melhores políticas.”(CAMERER e LOEWENSTEIN, 2004, p.
1)
A suposição central de que os indivíduos respondem a incentivos traz implícitas as premissas de
maximização da utilidade, racionalidade plena e homogeneidade de comportamentos, sempre
presentes na análise neoclássica. Espera-se não só que a opção do agente racional vislumbre a
trajetória que maximiza seus benefícios dados os incentivos econômicos, mas que em geral todas
as pessoas apresentem padrões semelhantes em resposta aos mesmos incentivos. Por mais de
cinqüenta anos, tal estrutura de maximização da utilidade dominou a compreensão dos
economistas sobre consumo e poupança pessoal (DIAMOND e VARTIAINEN, 2007),
influenciando os principais modelos intertemporais, tendo como exemplos o modelo da renda
permanente (FRIEDMAN, 1957), o modelo dos ciclos de vida (MODIGLIANI E BRUMBERG,
1954) e seminal trabalho de Hall (1978).
Tais abordagens, apesar de não se apresentarem como representações descritivas, têm sido
questionadas por um número cada vez maior de economistas. (DIAMOND e VARTIAINEN,
2007). Isso ocorre, por que o aparato neoclássico não tem se mostrado capaz de absorver uma
série de comportamentos de consumo e poupança observados na realidade empírica1. A
Economia Comportamental se insere nesse contexto por acreditar que premissas psicológicas
mais realistas podem aumentar a capacidade de predição e explicação dos modelos econômicos,
além de esclarecer alguns comportamentos tidos como enigmáticos.
Na presente abordagem, se buscará melhor compreender decisões de consumo e poupança
brasileiras, a partir da noção de viés de projeção, pavor pela espera, aversão à perda, desconto
hiperbólico e auto-controle. Para tanto, os próximos tópicos abordarão brevemente o significado
de tais conceitos.
1.1 O Viés de Projeção
O modelo do viés de projeção é recente, foi desenvolvido por George Loewenstein, Ted
O‟Donoughe e Matthew Rabin em 2003, e substitui o “princípio de maximização da utilidade
descontada pela hipótese empírica de que o indivíduo se baseia nos seus estados viscerais
correntes para prever suas preferências futuras e a utilidade associada aos cursos de ação
disponíveis” (MURAMATSU, 2006, p. 109).
A principal contribuição de tal desenvolvimento é o reconhecimento de que os agentes
apresentam dificuldades em fazer estimativas de suas preferências, gostos, valores e emoções
futuras, baseando-se por isso, fortemente em seus estados viscerais presentes para avaliar as
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66
alternativas, e efetivamente escolher. A partir de tal ótica é possível concluir que a percepção
atual do ambiente interferirá diretamente na avaliação de perspectivas e possibilidades futuras.
Se o agente fosse plenamente racional, possuísse informação completa e mantivesse seus estados
viscerais, suas avaliações sobre o futuro não gerariam viés. Corretas estimativas sobre
preferências e estados do ambiente futuro gerariam escolhas ótimas. No entanto, além de a
hipótese de informação completa não encontrar contrapartida na vida real, o agente também
apresenta dificuldades em avaliar corretamente quais serão suas preferências futuras. Restando
apenas ao agente econômico dotado de racionalidade limitada (SIMON, 1957) a alternativa de se
basear nas informações que o hoje e experiências passadas lhe provêem. Desse modo, em função
de limitações cognitivas e incapacidades computacionais, os estados emocionais atuais
(sentimentos de incerteza ou euforia, por exemplo) terminam por impactar significantemente as
avaliações futuras, viesando-as.
1.2 O “Pavor pela Espera” (Desconto Negativo)
Taxas de desconto comumente são positivas, denotando que o agente prefere antecipar um
resultado positivo e postergar um resultado negativo. No entanto, Loewenstein (1987) e diversos
outros autores (BENZION ET AL, 1989; CARSON e HOROWITZ, 1990) demonstraram que às
vezes os agentes preferem antecipar um evento desagradável, apresentando assim taxas de
desconto negativas.
Isso ocorreria devido ao fato de que esperar por uma perda implicaria em sofrimento, gerando o
efeito chamado na literatura comportamental de “pavor pela espera” (dread effect). Segundo
Muramatsu e Fonseca (2008), tal indivíduo traz a perda a valor presente a um custo muito mais
alto, pelo simples fato de que o custo de oportunidade de esperar por ela (ansiedade) pode ser
muito alto. Dessa perspectiva, um agente que previsse uma queda em seu padrão de consumo no
futuro, preferiria poupar agora, antecipando a perda futura como uma forma de se precaver dela e
da ansiedade adjacente à espera2.
1.3 O Desconto não Constante (Hiperbólico)
“Funções de desconto hiperbólicas são caracterizadas por uma taxa de desconto relativamente
alta para curtos horizontes e por uma taxa de desconto relativamente baixa para amplos
horizontes”. (LAIBSON, 1997, p.445)
O modelo de utilidade descontada (SAMUELSON, 1937), assim como os principais modelos
intertemporais de consumo e poupança (FRIEDMAN, 1957; MODIGLIANI e BRUMBERG,
1954; HALL, 1978), tem como uma de suas suposições centrais a idéia de que o desconto
temporal do agente é constante ao longo do tempo. Implicando que tal indivíduo em nenhum
momento revê seu padrão de ordenação das preferências.
Estudos e experimentos comportamentais têm sugerido que ao invés de uma taxa de desconto
constante, as pessoas parecem apresentar taxas de desconto que decrescem à medida que o
horizonte temporal da escolha se expande (funções de desconto hiperbólicas). Se as taxas de
desconto decrescem ao longo do tempo isso revela não só que as preferências estão mudando,
mas principalmente que neste caso, o agente apresentaria preferências viesadas para o consumo
presente (miopia), além de uma tendência a ser mais paciente à medida que o evento ou a
escolha em questão se afasta no tempo (MURAMATSU E FONSECA, 2008).3
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Em suma, a inconsistência temporal compreendida na concepção de função de desconto
hiperbólica traz como principal implicação a expectativa de que o indivíduo “fará escolhas
relativamente previdentes, quando estiver planejando adiantadamente (todos os custos e
benefícios ocorrem no futuro), mas fará escolhas um tanto quanto imprevidentes quando alguns
custos e benefícios estiverem no presente” (CAMERER e LOEWENSTEIN, 2004, p.26).4
1.4 O Auto-Controle
A principal implicação de um desconto temporal não constante são os problemas de autocontrole. Isso porque o agente espera perspectivamente (hoje) que no futuro ele aja com
previdência. Mas quando o futuro chega, ele se comporta contra seus desejos iniciais
perseguindo uma gratificação imediata (imprevidência) muito mais do que um bem estar de logo
prazo (CAMERER e LOEWENSTEIN, 2004). 5
Strotz (1955) foi o primeiro a reconhecer este problema de planejamento (planeja uma coisa e
faz outra) por parte dos agentes econômicos, que gostariam de agir de forma temporalmente
consistente. A importância de tal conceito é enfatizada para uma melhor compreensão da
dinâmica da economia. Isso por que problemas de auto-controle levam agentes a consumir mais
do que gostariam de uma perspectiva inicial (e equivalentemente a poupar menos do que
gostariam) (FREDERICK ET AL, 2002).
2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Visando detectar trajetórias inconsistentes de consumo intertemporal das famílias brasileiras, o
presente trabalho analisa detalhadamente o comportamento tanto da série de consumo privado,
quanto de poupança privada desde 1981 até 2007, buscando compreender até onde o movimento
dessas séries respeitou as previsões dos principais modelos intertemporais neoclássicos
(MODIGLIANI e BRUMBERG, 1954; FRIEDMAN, 1957; HALL, 1978) e os incentivos
macroeconômicos de cada período.
A série de consumo privado foi construída e tem freqüência anual6. A série de poupança privada
também é anual e sua construção seguiu a metodologia do trabalho empírico de Reis et al
(1998)7. Como incentivos macroeconômicos foram considerados os níveis de renda, o nível da
taxa de juros e o nível de inflação de cada período. Tomou-se medida de renda, a série anual de
PIB per capita deflacionada pelo deflator implícito do PIB. Como medida do nível de preços foi
considerada a série mensal do IGP-DI (FGV). E como medida da taxa de juros tomou-se a série
mensal da taxa de juros Over/Selic deflacionada pelo IPC (IBGE)8. Todas as séries acima foram
retiradas do IPEADATA.
Para uma segunda parte do trabalho foram utilizadas como medida de crédito para o consumo
privado, a série de saldo consolidado das operações de crédito (com recursos livres referenciais
para taxa de juros pré-fixada) no cheque especial e no cartão de crédito. E como medida de
inadimplência foi considerado o saldo acima mencionado, com atraso superior a 90 dias. Dados
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68
de crédito pessoal, crédito consignado e de financiamento de bens duráveis (i.e. carro, casa) não
foram analisados, pois podem configurar investimento em alguns casos, o que se desvia dos
propósitos do texto. A seleção apenas das séries de cheque especial e de cartão de crédito
traduzem por isso a tentativa, de focalizar apenas o crédito direcionado para decisões de
consumo.
Ambas as séries supracitadas foram retiradas do sistema de séries temporais do Banco Central do
Brasil (ver www.bacen.gov.br), são mensais abrangendo apenas o período do ano de 2000 até
2007 (não existem séries mais longas para cheque especial e cartão de crédito) e foram
deflacionadas pelo IPCA (IBGE)9
Reconhece-se que trabalhar com dados em painel seria o mais indicado para uma análise que
visa fazer inferências sobre o comportamento microeconômico do agente, e sobre o processo de
tomada de decisão. Contudo, não existem pesquisas em painel no Brasil (i.e. POF e PNAD) que
relacionem o perfil da pessoa ao seu perfil histórico financeiro. Por essa razão, o presente esforço
trabalhou com os dados agregados citados previamente.
A análise empírica aqui desenvolvida detectou três momentos em que os comportamentos de
consumo e poupança privados parecem conflitar com os incentivos econômicos do período. Tais
anomalias desafiam a compreensão econômica convencional, e por isso qualquer tentativa de
elucidação sugere a possibilidade de expansão de escopo por parte da ciência econômica.
Argumenta-se neste estudo que o emprego da abordagem da economia psicológica nos ajuda a
explicar tais anomalias de consumo intertemporal observadas, que serão explicitadas a seguir.
2.1 O Primeiro Enigma - Inflação, Incerteza e Poupança Crescente
“O período que compreende o início dos anos 80, até meados dos anos 90 é interessante e peculiar, pois se constata
que a elevação dos patamares inflacionários coincidiu com aumentos substanciais das taxas de poupança privada”.
(REIS ET AL, 1998, p. 234)
% PIB
30
3000
2500
2000
1500
1000
500
0
25
20
15
Inflação (IGP-DI)
Gráfico I - Evolução da Inflação
e da poupança privada no Brasil
de 1981 a 1994.
3
1
Poupança Privada
199
9
199
7
198
5
198
3
198
198
198
1
10
% a.a.
A década “perdida” de 1980 não deixou como legado apenas uma lacuna no crescimento e
desenvolvimento do país, deixou também alguns enigmas acerca do comportamento individual
do agente econômico brasileiro para a teoria econômica. Acompanhando o Gráfico I abaixo, é
possível perceber a existência de uma coincidência temporal entre a elevação dos patamares de
poupança privada, e a aceleração do processo inflacionário. Levantando desde já a questão do
por que indivíduos em meio a um ambiente de inflação galopante escolheriam postergar o
consumo e poupar mais.
Fonte: IPEADATA (tanto para laboração da série de poupança privada, quanto como fonte do IGP-DI).
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Os altos índices de inflação do período, que partem já de uma hiperinflação de 100% a.a. no
início dos anos 80, para patamares de 2013% a.a. em 1989, oferecem um forte desincentivo à
poupança. A abordagem de otimização intertemporal preveria um esgotamento da poupança
privada, uma vez que o custo compreendido pela perda de poder de compra gerada pelo processo
inflacionário excede os benefícios que rendimentos reais da poupança possam oferecer,
deteriorando assim a renda real ao longo do tempo (HALL, 1978). Maximizar numa estrutura de
ambiente inflacionária seria privilegiar o consumo imediato
Destacamos desde já que em tal período existia no Brasil uma característica institucional muito
peculiar: a indexação de títulos, ativos financeiros, salários e contratos em geral. Isso significava
que todo mês tais dispositivos legais tinham seus valores corrigidos pela inflação passada, numa
tentativa de manter o poder de compra dos agentes. Como pode-se imaginar nem a indexação
plena era capaz de restabelecer 100% do valor corroído pela inflação, até porque a defasagem
mensal num período de inflação galopante é considerável.
De qualquer forma vale situar que mesmo com o fenômeno da indexação vigorando a estratégia
individual esperada seria aquela voltada para maximizar o consumo presente de forma a
proteger-se tanto quanto possível da aceleração inflacionária. No entanto, o período que foi
marcado por um baixo crescimento do PIB, total descontrole inflacionário, baixas taxas de
investimento, de poupança externa e de poupança do governo, apresentou surpreendentemente
altas taxas de poupança privada. (REIS ET AL, 1998; EDWARDS, 1995). Não só houve uma
inesperada elevação dos estoques ótimos de poupança dos brasileiros, como se percebe a partir
do Gráfico II abaixo, uma retração simultânea do consumo privado. Enfatiza-se aqui que tal
observação num cenário de inflação descontrolada é extremamente contra-intuitiva para a
compreensão econômica neoclássica.
75
60
45
30
15
0
Poupança Privada
19
93
19
90
19
87
Consumo Privado
19
84
19
81
% PIB
Gráfico II - Evolução do consumo privado e poupança privada de 1981 a 1994.
Fonte: Elaboração própria com base nos dados do IPEADATA.
Como é possível detectar pela tabela abaixo, observa-se desde 1985, o ensaio de uma trajetória
de crescimento da poupança privada, que salta de R$245 bilhões em 1985, para R$374 bilhões
em 1987, alcançando a cifra de R$458 bilhões em 1989, ou cerca de 30% PIB, como demonstra
o Gráfico II e a Tabela I abaixo. Já o consumo, acabado o período de congelamento de preços do
Governo Sarney (1986), apresenta queda partindo de R$994 bilhões em 1986 para cerca de
R$880 bilhões em 1988, chegando a patamares de R$868 bilhões em 1989.10
Tabela I - Consumo Privado e Poupança Privada de 1983 a 1994.
Anos
Consumo
Privado Poupança Privada
Anos
Consumo
Privado Poupança Privada
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70
(bilhões de reais)
(bilhões de reais)
(bilhões de reais)
(bilhões reais)
1983
R$ 844
R$ 181
1989
R$ 868
R$ 458
1984
R$ 867
R$ 260
1990
R$ 909
R$ 213
1985
R$ 890
R$ 245
1991
R$ 953
R$ 208
1986
R$ 994
R$ 254
1992
R$ 948
R$ 264
1987
R$ 945
R$ 374
1993
R$ 969
R$ 259
1988
R$ 880
R$ 406
1994
R$ 1.013
R$ 255
Fonte: Elaboração própria com base nos dados disponíveis no IPEADATA.
Ressalta-se aqui, que os baixos níveis de renda dos agentes brasileiros seriam outros fatores que
deveriam contribuir para desincentivar um comportamento de poupança, já que “poupar é
relativamente menos atraente quando a renda é baixa” (DIAMOND e VARTIAINEN, 2007, p.
33). Ademais, políticas econômicas do período, como defasados reajustes salariais e as
desvalorizações do câmbio deterioravam ainda mais a renda real (MODIANO, 1990),
debilitando dessa forma a possibilidade de planejamento do orçamento. O Gráfico III na
seqüência, evidencia a deterioração na renda ocorrida no período, a qual chegou a somar 30% de
perda do poder de compra do salário mínimo, ao longo da década de 1980. (MORAES, 1999).
11,3
11
10,7
10,4
10,1
9,8
19
94
19
92
19
90
PIB per capita real
19
88
19
86
Milhares de reais
Gráfico III - PIB per capita real no Brasil de 1986 a 1994.
Fonte: IPEADATA
Investigando o que poderia ter levado os agentes privados brasileiros a elevar seus níveis de
poupança a cerca de 30% do PIB nesse período, poderia-se tomar taxas de juros reais positivas
como possíveis incentivos à poupança. Contudo diversos esforços empíricos concluíram que “o
efeito da taxa de juros real sobre a poupança privada é negligenciável” no Brasil (GLEIZER,
1991, p. 63). Estudos como os de Reis et al (1998) e Gomes (2007) chegaram à mesma
conclusão de que os juros não são significativos na evolução da série de consumo e poupança do
Brasil.
Seguindo a orientação dos estudos citados, o presente trabalho descarta a hipótese de que um
aumento da poupança privada estaria sendo fortemente guiado por uma elevação na taxa de juros
real. Com isso em mente, busca-se desvelar alguns fatores que possivelmente estavam por detrás
do enigma da poupança privada crescente, respaldado em fundamentos da Economia
Comportamental.
2.1.1 Interpretações Comportamentais para a Primeira Anomalia
Inflação pode-se dizer, é um fator ampliador das incertezas sobre o futuro da vida econômica
individual. Em tais circunstâncias o principal coordenador de uma economia de mercado, o
sistema de preços, fica comprometido, e o conjunto de incentivos do ambiente distorcido. Os
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ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
71
agentes perdem seu principal sinalizador de informações, de forma que tal situação produz novas
fontes de incerteza. (FRIEDMAN, 1977; OKUN, 1971).
Mais ainda, a incerteza aumenta à medida que a média da inflação avança (ISSLER, 1991). O
Brasil no período que se estende de 1972 a 1985 apresentou uma variação da taxa de inflação de
15% para 243% ao ano, e só no intermezzo de 1986 à 1989 esse patamar avançou de 60% para
2.013% ao ano. Além disso, não apenas o processo inflacionário em si gera instabilidade, e por
conseqüência incerteza, mas programas anti-inflacionários frustrados e políticas
macroeconômicas incoerentes com um ambiente inflacionado contribuíram no caso do Brasil
para o crescimento da percepção de incertezas e perigos, gerando um ambiente econômico
adverso.
Entre 1986 e 1989 o país enfrentou o fracasso de três programas de estabilização (Plano Cruzado
de fev/1986, Plano Bresser de jun/1987 e Plano Verão de Jan/1989), cujos congelamentos de
preços culminaram inevitavelmente em desabastecimento da economia. Os períodos posteriores
aos planos foram, de acordo com Reis et al, acompanhados por “fortes oscilações nas taxas de
câmbio e de juros, instabilidade da atividade econômica e aumentos de concentração na
distribuição de renda” (1998, p. 242-243).
Em 1987 especificamente, o país enfrentou uma crise cambial que o levou à moratória externa.
Para piorar, os desencontrados reajustes de preços e salários intensificavam o clima de
insegurança em que viviam os agentes, uma vez que o preço de compromissos assumidos (i.e.
aluguel) podia ser reajustado antes do dissídio salarial. Em meio a tantas experiências negativas
não seria difícil imaginar que grande parte dos agentes econômicos estivessem formando
expectativas nefastas quanto a oportunidades futuras.
No contexto abordado acredita-se que três fatores comportamentais guiariam
preponderantemente as ações dos indivíduos: a aversão a perda, projeções de utilidade futura
viesadas pelo fator visceral ansiedade e medo, e tentativa de antecipação das perdas futuras de
forma a minorar a ansiedade presente.
O viés de projeção, conceito formalmente proposto por Loewenstein et al (2003), se baseia na
hipótese de que a previsão de utilidade futura é estado dependente, sendo condicionada por
emoções e estados viscerais correntes. Compreende-se que numa estrutura de ambiente como a
brasileira no final da década de 1980, os agentes estivessem formando perspectivas e
expectativas negativas quanto a seus respectivos futuros econômicos.
Entende-se que a insegurança que permeava tal ambiente econômico, impactaria não só a forma
como este indivíduo enxerga o futuro (medo do que o amanhã aguarda), mas principalmente
impactaria a estimativa de suas preferências futuras, viesando-as no sentido de um maior apelo
por precaução. O viés característico nesse caso advém do fato de que, fazer estimativas num
cenário econômico adverso tende a viesar negativamente as projeções sobre o futuro.
Mais especificamente, o contexto inflacionário da década de 1980, ensinou aos brasileiros que a
inflação reduz drasticamente o bem estar social (HASLAG, 1997), seja ao reduzir o crescimento
via incerteza, seja ao alterar a composição do produto (aumentando participação de serviços
financeiros e diminuindo a de bens de consumo). Os agentes puderam perceber que o nível de
atividade econômica foi restringido, e em razão disso projetaram para o futuro o pessimismo de
hoje via preferências temporais.
Acredita-se que as expectativas negativas dos agentes em relação ao futuro motivaram
inferências do tipo “não sei se conseguirei manter meu padrão de consumo” que por sua vez
promovem ansiedade, e revelam a dificuldade e o desconforto associado ao ajuste das
preferências dos agentes àquilo que eles possuem de fato (LOEWENSTEIN e ANGNER, 2002).
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ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
72
O agente avesso às perdas (KAHNEMAN ET AL, 1990), apresentará, em função disso, um
comportamento conhecido como “pavor pela espera”: antecipará a perda futura esperada e
restringirá no presente suas possibilidades de consumo, e desta forma revelará a preferência pela
poupança precaucional no período corrente (DARDANONI, 1991). Em vários momentos, parece
ser mais aceitável para o indivíduo perder agora na estrutura de ambiente conhecida (e fugir da
ansiedade da espera), do que encarar as características de um futuro ainda obscuro.
Isso ocorreria devido ao fato de que esperar por uma perda implica em sofrimento, como prevê o
efeito “pavor pela espera” (dread effect). Segundo Muramatsu e Fonseca (2008), tal indivíduo
traz a perda a valor presente a um custo muito mais alto, pelo simples fato de que o custo de
oportunidade de esperar por ela (ansiedade) pode ser muito alto. Dessa perspectiva, um agente
que previsse uma queda em seu padrão de consumo no futuro, preferiria poupar agora,
antecipando a perda futura como uma forma de se precaver dela e da ansiedade adjacente à
espera.
Argumenta-se no presente artigo, que o esforço de poupança da década de 1980 tinha fortes
motivações precaucionais (CARROLL e SAMWICK, 1998). Ou seja, era uma estratégia
proveniente da incerteza que os agentes enfrentavam quanto à renda futura, muito mais do que o
resultado da tentativa de alocação ótima dos recursos familiares.11
Vale salientar que a escolha de alguns indivíduos pelo consumo postergado foi também
largamente influenciada por processos cognitivos - atenção, memória e aprendizado – capazes de
indicar a possibilidade de reduzir a variabilidade dos rendimentos a partir de dispositivos
financeiros plenamente indexados e contas remuneradas overnight, não sendo possível ignorar o
papel de tal característica institucional e da ocorrência de uma provável ilusão monetária
(SHAFIR ET AL, 1997) no aumento da poupança privada.
Entretanto, a queda do consumo especificamente em conjunto com a maciça elevação observada
da poupança privada, sugerem forte substituição intertemporal por parte dos agentes. Ainda que
a indexação se constituísse num incentivo ao consumo postergado, não é razoável supor que ela
se constituísse num desincentivo ao consumo presente (que cobria 100% a inflação esperada), a
menos que outros fatores em conjunto com a possibilidade de reaver parte da perda inflacionária
estivessem atuando na determinação da escolha dos agentes.
O presente artigo sugere que o viés de projeção dos agentes, a aversão a perdas e o próprio
desconforto associado à espera por perdas (efeito “pavor pela espera”) seriam alguns dos fatores
psicológicos que contribuem para uma explicação do comportamento de poupança precaucional
num ambiente extremamente inflacionário e permeado de incertezas, como o Brasil na época.
Adicionalmente argumenta-se aqui que a estratégia observada de consumo postergado, motivada
por elementos objetivos como a possibilidade de contas remuneradas e dispositivos financeiros
indexados, e por fatores psicológicos que incentivaram escolhas precaucionais, só será
abandonada a partir do Plano Collor I em 1990. Isso porque uma mudança institucional
dramática conhecida como “sequestro dos ativos e fim das contas overnight” foi capaz de alterar
significativamente os incentivos dos agentes associados à postergação do consumo imediato em
nome de uma gratificação maior no futuro.
2.2 O Segundo Enigma – O Choque Institucional e a Queda na Poupança
Em março de 1990, é anunciado o Plano Collor I, o quarto plano de estabilização econômica
desde o Plano Cruzado de 1986. E apesar de parte de seu conteúdo ser conhecido de outros
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73
planos, como congelamentos de preços e tímidos ajustes fiscais ele surpreendeu negativamente
os indivíduos ao anunciar o congelamento em média de 70% do estoque de ativos financeiros do
país (NAKANO, 1990; BRESSER-PEREIRA, 1991; MORAES, 1999)
A Medida Provisória 168 decretou que apenas poderiam ser convertidos em Cruzeiros os saldos
dos depósitos à vista e das cadernetas de poupança até o limite de NCz$50.000, o que dada a
taxa de câmbio da época equivalia a um pouco mais que US$1.000 (NAKANO, 1990). Além
disso, saldos superiores a CR$195.000 estavam sujeitos a partir de então à tributação de 8% de
IOF (Imposto sobre operações financeiras) no momento do saque (MORAES, 1999). Tal
congelamento representava a união de um confisco injustificado via tributação com uma não
declarada moratória interna, uma vez que entre os ativos financeiros congelados estavam
também os títulos da divida pública brasileira.
O Plano Collor I resultou num fantástico enxugamento de liquidez, reduzindo de um dia para o
outro os meios de pagamentos no conceito ampliado M4 (papel moeda; depósitos à vista; títulos
públicos em poder do setor privado; depósitos em caderneta de poupança; depósito à prazo; e
letras de câmbio) de cerca de 30% PIB para 9% do PIB (NAKANO, 1990). Para se ter idéia da
distorção promovida, a demanda de moeda adequada seria de pelo menos 14% do PIB. ......... Em
países capitalistas com moeda estável essa porcentagem chega a 17% do PIB para os EUA, e a
30% do PIB para o Japão. (BRESSER-PEREIRA, 1991).
A reação não poderia ser outra, o “choque monetário tomou toda a sociedade de surpresa,
deixando-a perplexa” (NAKANO, 1990, p.140) e “reduziu ainda mais o já abalado crédito do
Estado e das instituições financeiras” (BRESSER-PEREIRA, 1991, p.84). A poupança privada
cai vertiginosamente no ano de 1990, e subsequentemente em 1991, como mostra o Gráfico IV,
mantendo-se pouco acima de 15% PIB no restante de toda década, sem ter se recuperado como
se vê, até os dias atuais.
Gráfico IV - Poupança Privada após o
choque institucional de 1990.
% PIB
30
25
20
Poupança Privada
15
20
03
20
00
19
97
19
94
19
91
19
88
10
Fonte: Elaboração própria com base nos dados do IPEADATA.
Abaixo a tabela II vem a explicitar a magnitude do choque institucional e seu imediato reflexo
sobre o comportamento de poupança dos agentes privados brasileiros. Como é possível observar,
a mudança de patamares de 1989 para 1990 é drástica: enquanto em 1989 (valendo lembrar que
esses dados provém de registros consolidados ao final de um ano) a poupança privada chegava a
quase 30% do PIB brasileiro, somando cerca de R$458 bilhões de reais, em 1990 ela
praticamente se reduz em mais da metade, caindo para 13,92% do PIB e não passando de R$213
bilhões de reais. Uma redução de exatos 53,49% num curto período de um ano.
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ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
74
Tabela II - Poupança privada de 1985 a 1992
Ano
Variáveis
1985
Poupança Privada
(%PIB)
17,55%
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
16,92%
24,07%
26,16%
28,56%
13,92%
13,46%
17,12%
Poupança Privada
(bilhões de reais) R$245 bi R$254 bi R$374 bi R$406 bi R$458 bi
R$213 bi R$208 bi R$ 264 bi
Fonte: Elaboração própria com base nos dados do IPEADATA.
Enfatiza-se aqui que os dados utilizados para construção da série de poupança no presente
trabalho se baseiam em estimativas de formação bruta de capital fixo e não em saldos de contas
bancárias ou na demanda por títulos públicos. Por isso, a queda da poupança em 1990 não pode
ser compreendida apenas como um “saque geral” dos ativos financeiros logo após o término do
confisco (o processo de liberalização dos ativos financeiros só teve início no segundo semestre
de 1991), mas sim como uma verdadeira opção a favor do consumo presente, a despeito de
demais oportunidades de poupança e/ou investimento.
2.2.1 Interpretações Comportamentais para a Segunda Anomalia
Acredita-se que tal reversão no padrão de poupança dos agentes brasileiros pode ser iluminada
nos termos da noção de aversão à perda. O indivíduo avesso às perdas atribui um maior
incômodo às situações de perda em relação ao quanto aprecia os ganhos (RABIN, 1998), sendo
por isso fortemente impactado pelo novo desenho institucional. Tal ação mina a tentativa de
precaução via poupança do agente, que buscava garantir seu padrão de bem–estar e acaba por ser
negativamente surpreendido.
O presente artigo compreende que frente a tal incentivo o agente revisa sua estratégia de escolha
por consumo postergado. Afinal, tal mudança na ordem institucional abre espaço para novos
confiscos, sugerindo que não há mais garantias de que a postergação do consumo corrente se
reverterá em maior consumo futuro. Ademais, para o agente avesso a perdas sua poupança só faz
sentido se tiver liquidez, se puder ser resgatada a qualquer momento, é essa certeza que
permanece implícita no comportamento de poupança precaucional.
Conseqüentemente, podemos entender que um ambiente de instabilidade e não transparência das
instituições econômicas e políticas são capazes de incentivar as preferências sobre o consumo
imediato e garantido em detrimento de maiores possibilidades de consumo futuro, gerando
importantes entraves para a trajetória de crescimento dinamicamente sustentável brasileira. Tais
preferências míopes que emergem e persistem após o choque institucional protagonizarão um
importante papel dez anos mais tarde como o terceiro enigma a seguir explicitará.
2.3 O Terceiro Enigma – Consumo, Endividamento e Estabilização
Outro momento curioso da história econômica brasileira se apresenta a partir da segunda metade
da década de 1990 até os dias atuais. Nesse período a estabilização econômica já era uma
realidade vivida por todos os brasileiros. O Plano Real de 1994 conseguiu com sucesso debelar o
processo inflacionário, devolvendo a estabilidade do poder de compra da moeda. Nessa nova
estrutura de ambiente torna-se possível um planejamento do consumo intertemporal, uma vez
que se tem segurança na perspectiva do quanto a renda futura representará como poder de
compra.
REVISTA JOVENS PESQUISADORES
ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
75
Levando em conta que também vigorou nesse período uma política monetária de altas taxas de
juros reais, onde a taxa Selic/Over real chegou a um pico de 27%a.a. em 1998, poder-se-ia
argumentar que tal cenário traduzia consideráveis incentivos a poupar de uma perspectiva
neoclássica. A substituição do consumo abordada pelo modelo de renda permanente
(FRIEDMAN, 1957), pelo modelo de ciclos de vida (MODIGLIANI e BRUMBERG, 1954) e
principalmente pelo trabalho seminal de Hall (1978), implica a grosso modo, que “uma maior
taxa de juros real esperada leva os consumidores a postergar o consumo, tudo o mais constante”
(CAVALCANTI, 1993, p. 203).
Contudo a evidência empírica brasileira tem confrontado tal concepção, e apesar de taxas de
juros positivas têm se observado um boom no consumo das famílias (ALÉM e GIAMBIAGI,
1997), como mostra o Gráfico V abaixo. O consumo privado que somava cerca de 1,1 trilhão de
reais em 1995, alcança em 2006 a cifra de 1,41 trilhão de reais. Um aumento real de 28% do
consumo nacional privado em pouco mais de 10 anos. Isso contando que a variação do PIB nesse
mesmo período foi de algo em torno de 31,4%, um valor muito próximo, sugerindo que o
consumo tem acompanhado de perto as variações na renda.
1475
1400
1325
1250
Consumo Privado
20
03
20
05
20
01
19
99
19
97
1175
1100
19
95
Bilhões de reais
Gráfico V - Consumo Privado no Brasil desde 1995
Fonte: Elaboração própria com base nos dados do IPEADATA.
Ao mesmo tempo, a poupança dos agentes privados não apresentou grande alteração, quando
comparada com os altos níveis observados no final da década de 1980 (rever Gráfico I e IV).
Depois do choque institucional de 1990, a poupança privada cai para aproximadamente 14% do
PIB, e tem se mantido pouco acima desse nível no restante da década de acordo com a Tabela III
abaixo, não ultrapassando em nenhum momento uma proporção de 19 % do PIB.
REVISTA JOVENS PESQUISADORES
ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
76
Tabela III - Poupança Privada e Consumo Privado como proporção do PIB de 1994 a 2005.
Poupança Privada Consumo Privado
(% PIB)
(% PIB)
1994
15,0
59,6
2000
12,8
64,3
1995
18,0
62,5
2001
12,4
63,5
1996
15,3
64,7
2002
12,9
61,7
1997
16,0
64,9
2003
15,4
61,9
1998
17,8
64,3
2004
14,8
59,8
1999
13,7
64,7
2005
18,3
60,3
600
450
300
150
20
05
20
03
20
01
19
99
19
97
19
95
0
12,6
12,2
11,8
PIB per capita real
11,4
11
19
95
19
97
19
99
20
01
20
03
20
05
Poupança
Privada
Milhares de reais
Poupança Privada Consumo Privado
(% PIB)
(% PIB)
Anos
Bilhões de Reais
Anos
Fonte: Elaboração própria com base nos dados do IPEADATA.Gráfico VI e VII - Poupança privada e Evolução do
PIB per capita no Brasil a partir de 1995
Fonte: Elaboração própria com base nos dados do IPEADATA.
De acordo com o Gráfico VI acima, pode-se observar apenas uma leve deterioração da poupança
privada a partir de 1998, que acaba por ser recuperada de 2003 para cá. Em suma, a poupança
manteve-se curiosamente constante apesar do crescimento da renda observado no período. O
Gráfico VII apresenta a evolução da renda per capita brasileira, que avançou 11,8% no intervalo
de 1995 e 2006, um crescimento vale lembrar bem abaixo dos 28% observados no consumo
privado.
As observações acima sugerem a existência de uma preferência revelada por parte dos agentes
brasileiros em destinar ganhos de rendimento à incursão em padrões de consumo mais elevados.
Reforçando tal indício de miopia está o fato de que a tomada de crédito para consumo por parte
do setor privado tem apresentado considerável expansão, assim como também tem se elevado as
instâncias de super-endividamento e os índices de inadimplência, denotando a existência de
preferências mal adaptadas ao ambiente. Neste cenário de possibilidade de planejamento do
orçamento, os agentes revelam dificuldades em equilibrar a renda familiar com os apelos de
consumo e compromissos já assumidos.
Os gráficos VIII e IX a seguir apresentam a evolução dos níveis de tomada de crédito e
inadimplência, referente às ferramentas financeiras cartão de crédito e cheque especial,
traduzindo a tentativa de capturar apenas o volume de crédito que foi direcionado para decisões
de consumo.
REVISTA JOVENS PESQUISADORES
ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
Bilhões de reais
77
ma
19
16
13
10
7
4
1
0
i/ 0
Volume contratado no
Cheque Especial
Volume contratado no
Cartão de Crédito
i/02 a i/04 a i/06
ma
m
m
28
24
20
% 16
12
8
4
0
0
/
i 0 a i/02 a i/04 a i/06
ma
m
m
m
Inadimplê ncia no
Che que e spe cial (%)
Inadimplê ncia no
Cartão de Cré dito (%)
Gráfico VIII e IX - Operações de crédito para consumo e inadimplência acima de 90 dias a partir de 2000.
Fonte: BCB-DEPEC
Como pode ser observado a partir do gráfico acima, desde o ano de 2000 o volume de crédito
contratado no cheque especial dobrou, passando de cerca de 6 bilhões de reais para mais de 13
bilhões reais por mês. Já as operações via cartão de crédito apresentaram desempenho ainda mais
significativo, tendo aumentado mais de 17 vezes o volume contratado, partindo no ano de 2000
de cerca de 1 bilhão de reais para uma demanda atual de quase 18 bilhões de reais por mês.
Contudo, é a inadimplência que mais chama a atenção, mostrando que escolhas equivocadas ou
impensadas têm sido feitas. Do ano de 2000 para cá, a porcentagem inadimplente no cheque
especial pulou de cerca de 3% para 10% do crédito disponibilizado, como mostra o Gráfico IX.
No cartão crédito, os números assustam: a porcentagem inadimplente pulou de 2,5% para
praticamente 25% de todo crédito concedido. Tais dados sugerem a possibilidade de deterioração
das finanças familiares brasileiras.
Robert Hall afirmava que os “consumidores estimam seu bem-estar econômico de um modo
inteligente que exige um olhar sobre o futuro” (1978, p. 985), no entanto as evidências
brasileiras recentes levam necessariamente ao questionamento dessa perspectiva. Tem realmente
os brasileiros se importado com seu consumo futuro? E se o têm porque não exercem a
possibilidade de planejamento do orçamento que tal estrutura de incentivos do período delineia?
Os tópicos a seguir buscarão iluminar alguns fatores que poderiam estar levando esses indivíduos
a privilegiar o consumo imediato, baseando-se mais uma vez em fundamentos comportamentais.
2.3.1 Interpretações Comportamentais para a Terceira Anomalia
De 1994 até os dias atuais consideráveis mudanças tem ocorrido no cenário econômico
individual. A expansão do crédito, com destaque para o alargamento dos prazos de pagamento
(ALÉM e GIAMBIAGI, 1997) e a popularização de inovações financeiras como o cartão de
crédito, são algumas delas, que colaboraram no sentido de aumentar as possibilidades do agente
econômico, que antes se via preso à sua renda corrente. Um problema, no entanto, surge do
reconhecimento de uma limitação cognitiva, que questiona a capacidade do indivíduo de frente a
um crédito tão facilitado, resistir às tentações do consumo imediato, e se manter fiel a seus
planejamentos previdentes de longo prazo.
Segundo as palavras precisas de Webley e Nyhus (1998, p. 6) o “comportamento é resultado da
intensidade experienciada de tentações, e da habilidade de executar o auto-controle em situações
onde há conflito entre o curto prazo (gastar agora) e os objetivos de longo prazo (orçamento
doméstico sólido)”. O desconto hiperbólico do agente, por exemplo, transforma o presente numa
tentação ao supervalorizar o benefício do “comprar agora” e subestimar o incômodo do “pagar
depois” (KILBORN, 2007), desencorajando uma atitude precavida frente a um conflito entre o
hoje e o amanhã.
Se por um lado os agentes freqüentemente determinam metas de poupanças pessoais, do outro
está a tentação do comprar agora e violar os planos anteriores. A constatação da existência de
problemas de auto-controle emerge da observação de que os agentes tendem a violar
REVISTA JOVENS PESQUISADORES
ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
78
sistematicamente seus planos de longo prazo à medida que os períodos futuros tornam-se atuais
(STROTZ, 1955), em função da maior taxa de desconto que o agente apresenta no presente
(desconto hiperbólico).
Isso implica que ao se deparar com a possibilidade de consumo imediato, com uma promoção ou
com uma facilidade de pagamento, o agente tende a superestimar o quanto essa oportunidade
“vale a pena”, se esquecendo, ou pelo menos subestimando o impacto de tal decisão sobre seus
planejamentos de longo prazo (como poupar uma certa quantia todo mês). A consequência da
não percepção individual dessa disposição curto-prazista é incorrer seguidamente na “tentação
do consumo imediato”, pois a maior taxa de desconto para o presente revela um apelo
consumista e imediatista.
As inovações financeiras tomam seu papel neste cenário ao facilitar o acesso à gratificação
imediata. O excesso de liquidez é uma armadilha perigosa para o agente inconsistente que
sempre superestima a utilidade do consumo presente, pois não só o leva a sabotar
sistematicamente seus planejamentos previdentes, como fica delineada a possibilidade de que a
inexistência de restrições ao crédito, implique na observação de instâncias de superendividamento sub-ótimas, dados os objetivos de longo prazo dos agentes. (MEIER e
SPRENGER, 2007; KILBORN, 2007). Em vista disso, o modelo do desconto hiperbólico prevê
que as inovações financeiras vão impactar negativamente as taxas de poupança individuais
(LAIBSON, 1997; HEUKELOM, 2007).
O ambiente de estabilidade de preços e a trajetória ascendente da renda dos indivíduos
observadas no período que se estende desde 1995, contribuem para um clima de otimismo, que
dispensa precaução. Sugere-se aqui que, assim como no final da década de 80 o modelo do viés
de projeção delinearia um apelo por ações previdentes, no ambiente atual o agente se encontra
despreocupado, pois o fácil acesso à liquidez se apresenta como um fator de segurança
econômica.
Outras dificuldades cognitivas acabam por exacerbar esse já existente sentimento de otimismo. O
fato de que os agentes utilizam atalhos mentais para prever a probabilidade de eventos futuros,
em particular eventos negativos, e de que tendem a subestimar o poder do juro composto
(KILBORN, 2007; DIAMOND e VARTIAINEN, 2007) leva-os a subestimar a probabilidade de
incorrer em situações desagradáveis como a inadimplência.
É necessário chamar a atenção desde já, para o fato de que não há na presente discussão espaço
para valoração. Pegar crédito ou endividar-se não pode ser definido como algo ruim ou bom.
Mas nasce uma preocupação do fato de que os agentes em função de certas características
comportamentais (inconsistência, imediatismo e falta de auto-controle) seriam levados a
superestimar a utilidade (e necessidade) desse crédito no presente, e assim a violar uma possível
escolha prévia por cursos de ação mais previdentes.
O caso atual brasileiro começa por se tornar crítico a partir da noção de que seus altos níveis de
impaciência (frente ao consumo) dificultam a complicada tentativa de auto-controle, à medida
que valorizam ainda mais o presente já superestimado pelo desconto hiperbólico.12 A principal
implicação desse comportamento míope e impaciente, é que os agentes apresentarão dificuldade
em desenvolver uma poupança que respeite o seu ciclo de vida ou em manter uma renda
permanente ao longo da vida (FRIEDMAN, 1957; MODIGLIANI e BRUMBERG, 1954), uma
vez que sistematicamente sabotam seus planejamentos de longo prazo.
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O presente trabalho acredita que tal inconsistência temporal é um dos motivos que existem por
detrás da não observação da teoria da renda permanente no Brasil e da respectiva não suavização
do consumo, detectada pelos estudos de Issler e Rocha (2000), Gomes (2004) e Gomes e Paz
(2004). O agente inconsistente não consegue se manter fiel aos seus projetos de poupança. E
divergindo das previsões neoclássicas, nota-se que “há realmente um excesso de sensibilidade do
consumo à renda” no Brasil (GOMES, 2004, p. 394; GOMES, 2007), compactuando com a
previsão do modelo de desconto hiperbólico (LAIBSON, 1997) de que o consumo acompanhará
de perto o progresso da renda, e apresentará por isso variações cíclicas.
Fica assim mais do que delineada a importância de se discutir os problemas de auto-controle, e a
melhor forma de contorná-los. Se substratos da realidade empírica que corroborem a hipótese de
inconsistência não faltam, o auto-controle por refletir a vontade de resistir às tentações do
consumo, acaba por “se tornar crítico na determinação da poupança dos agentes” (DIAMOND e
VARTIAINEN, 2007, p. 35)
Na literatura comportamental há um consenso, de que uma saída para as pessoas conseguirem se
engajar num planejamento de longo-prazo, sem se auto-sabotar, é tentar limitar as escolhas
futuras por meio de “estratégias de comprometimento” (DIAMOND e VARTIAINEN, 2007),
aplicando parte de seus recursos em ativos ilíquidos, por exemplo. Dessa forma, quando a
“tentação do consumo imediato” chegar, a pessoa terá menos recursos disponíveis para satisfazer
os apelos da impaciência. Exemplos de aplicações ilíquidas seriam ativos imobiliários,
aplicações financeiras com prazo mínimo para saque, poupanças compulsórias, entre outros. A
idéia é impedir ou desincentivar (por meio de punições como multas) o “eu” do futuro de frustrar
os planejamentos do “eu” de hoje.
Prover os agentes de mais informação sobre seus próprios vieses (tendência de supervalorizar o
presente) contribui também para o sucesso das estratégias de comprometimento. Se a informação
sozinha, não tem mostrado grandes resultados na tentativa de elevar o grau de auto-controle dos
agentes (KILBORN, 2007), sem ela o indivíduo nem reconheceria a necessidade de instrumentos
de auto-controle.
Por último, fica a necessidade de se avaliar qual tem sido o papel social desse excesso de
liquidez. Apesar de o “crédito para consumo ter sido considerado algo positivo, na medida em
que permite que os consumidores tenham uma vida melhor, alavancada pelo potencial de renda
futura.” (KILBORN, 2007, p. 14), e de existir a crença de que em função disso a expansão do
crédito traz ganhos de bem-estar para sociedade (GOMES ET AL, 2005), ficam algumas dúvidas
em aberto. Até onde a compreensão das limitações comportamentais e cognitivas dos agentes
vem a questionar tal perspectiva?
Em primeiro lugar, deve-se levar em conta que a inconsistência do agente abre espaço para
instâncias de endividamento sub-ótimas, face os objetivos de longo prazo da pessoa. Em segundo
lugar, visto que a impaciência é um dos fatores determinantes da inadimplência (MEIER e
SPRENGER, 2007) deve-se também considerar a existência de uma maior predisposição
brasileira à inadimplência. Além de ser frustrante não conseguir alcançar as próprias metas, se o
super-endividamento recai em inadimplência, o agente sofre também considerável queda em seu
padrão de bem-estar. A perspectiva comportamental por isso sugere, que não necessariamente a
simples expansão do acesso ao crédito implica em ganhos de bem-estar.
O presente trabalho defende a tese, em razão disso, de que o agente inconsistente deve ser
provido de ferramentas para lidar com sua própria inconsistência, numa tentativa para aqueles
que reconhecem a dificuldade e gostariam de se manter fieis aos seus planejamentos de longo
prazo, de contornar o problema. Conclui-se com isso que a expansão e democratização do
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crédito deve ser acompanhada por uma expansão dos mecanismos de comprometimento, os quais
ainda são insuficientes, para não dizer quase inexistentes, no Brasil.
2.4 Considerações sobre Motivações Racionais e Emocionais
“Antes do crédito estar amplamente disponível aos consumidores, estes vieses permaneciam em grande medida nas
sombras” (KILBORN, 2007, p. 22)
Indaga-se porque os brasileiros no final dos anos 1980 conseguiram se controlar frente à opção
do consumo imediato, apresentando altos níveis de poupança privada, ao passo que hoje,
apresentam problemas de auto-controle e instâncias de super-endividamento. O que teria
mudado?
Mudaram tanto as motivações racionais quanto as motivações emocionais dos agentes.
Argumenta-se aqui que ambas atuariam de forma a moldar a percepção dos incentivos
econômicos. A motivação emocional, no entanto, algumas vezes distorce tal percepção de
incentivos induzindo a escolhas efetivas difíceis de se defender, de uma ótica de otimização,
maximização ou simplesmente da noção de um agente racional.
O presente artigo levanta a hipótese que, da mesma forma como os efeitos renda e substituição
interagem entre si de modo a definir decisões de consumo e poupança, as motivações emocionais
e racionais quando antagônicas, também gerarão uma interação, cujo fruto (caso as motivações
emocionais superem as racionais) serão comportamentos de consumo e poupança inesperados
pela teoria neoclássica.13
No final dos anos 80, a motivação racional se voltava para o consumo presente, em função do
corrosivo processo inflacionário e dos defasados reajustes salariais que contribuíam para a
deterioração da renda. Contudo a motivação emocional do período, delineada pelo sentimento de
incerteza e insegurança quanto ao futuro, solicitava esforços de poupança precaucional. Como
foi visto anteriormente, a poupança privada apresentou forte crescimento no período, sugerindo
que tais motivações emocionais superaram as motivações racionais de tentativa de maximização
de resultados.
Já a partir da estabilização econômica de 1994, compreende-se que a motivação racional
apontava na direção da possibilidade de planejamento do orçamento, onde o maior acesso ao
crédito, altas taxas de juros reais, e inflação controlada induziriam a uma maior suavização do
consumo. No entanto, a motivação emocional somava não só a memória do choque institucional
de 1990, como também a inconsistência temporal do agente intensificada pelo advento das
facilidades de crédito, estimulando assim um privilégio do consumo imediato. O que se observa
hoje, como previamente discutido, são crescentes níveis de endividamento e de inadimplência, e
não comportamentos de suavização consumo, insinuando novamente que motivações emocionais
se sobrepuseram às motivações racionais na determinação da escolha efetiva.
Vale ressaltar que no final dos anos 80 a inconsistência temporal do agente não se manifestava
com força, pois ele estava preso à sua renda corrente, face à inexistência das inovações
financeiras. É verdade que ainda hoje uma parte da população ainda se encontra restrita a
liquidez, sem acesso a linhas de crédito via cheque especial e cartão de crédito por não
possuírem conta bancária ou por outros fatores. Contudo tal proporção vem se reduzindo a cada
ano, evidenciando a necessidade de começar a levar em consideração algumas ponderações aqui
presentes.
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Com isso, percebe-se que não se pode esperar do ser humano um comportamento uniforme. Se
novos incentivos econômicos entram em jogo, novas motivações racionais e emocionais também
emergem, resultando em novas (e algumas vezes inesperadas) trajetórias comportamentais. A
hipótese de poupança precaucional da década de 1980 não conflita com a hipótese atual de
miopia exatamente por isso. Um novo ambiente e novos incentivos tenderiam a produzir novas
resultantes.
Nessa mesma linha, Lucas (1976) já preconizava que a tradicional função consumo não é
invariante às alterações de política e a outras mudanças que aconteçam na economia. Por isso,
um melhor entendimento acerca dos comportamentos de consumo e poupança passa
necessariamente pelo estudo de seus processos geradores e pela análise do impacto que novas
variáveis produzirão em tais escolhas. Sugere-se assim a conveniência de se inserir um pouco
mais de psicologia nas análises econômicas, entendendo limites, vieses e possibilidades do
agente econômico.
3. CONCLUSÕES
O presente trabalhou buscou, respaldado nos desenvolvimentos da economia comportamental,
apresentar e discutir algumas anomalias do consumo intertemporal brasileiro, propondo uma
interpretação alternativa e complementar àquela tida pela economia tradicional, que considera os
fenômenos aqui apresentados como anômalos e enigmáticos. De qualquer modo vale lembrar
que o próprio conceito de anomalia está intrinsicamente ligado a uma dada estrutura teórica, e é
por isso que se defende aqui que uma possível expansão de tal base analítica, incluindo fatores
emocionais e viscerais presentes no momento da tomada de decisão, desenha a possibilidade de
complementariedade no formato de uma abordagem pluralista, que potencializa e possibilita uma
maior elucidação dos fenômenos observados.
Necessário também destacar que fatores viscerais e emocionais em geral, aqui encarados como
alguns dos determinantes de trajetórias de consumo intertemporal, são transitórios. Não obstante,
o impacto das supracitadas decisões na vida econômica dos indivíduos e da nação são
permanentes, delineando a importância de estudos e programas de conscientização que adentrem
o tema. É importante prover o individuo de todas as ferramentas disponíveis para que escolhas,
cada vez mais conscientes, sejam tomadas.
Nesse sentido, fica claro que a contínua expansão das ferramentas de crédito deve
necessariamente ser acompanhada, por igual expansão dos instrumentos de comprometimento e
da divulgação dos mesmos, do contrário há possibilidade de deterioração das finanças familiares,
como alguns países já vêm testemunhando.
Conclui-se por fim, que a inserção de fatores psicológicos na compreensão de episódios e
trajetórias de consumo intertemporal é largamente defensável vis-à-vis a contribuição dos
resultados aqui gerados. Fica clara a necessidade de abrir a caixa preta dos processos geradores
das escolhas, adentrando na neblina da mente humana e inserindo mais psicologia na ciência
econômica face à compreensão de que um melhor entendimento acerca dos fatores determinantes
das decisões tem claras implicações para políticas públicas e para um mais preciso exercício de
previsão de conjunturas econômicas. Afinal, o determinante pico da decisão econômica é nada
mais que o primeiro passo das trajetórias macroeconômicas observadas. Dissecá-los é contribuir
para o ideal de previsão da profissão.
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IMPORTÂNCIA DOS COMPONENTES DA REPUTAÇÃO CORPORATIVA NA
PERCEPÇÃO DE UNIVERSITÁRIOS CLIENTES DE BANCOS
Fábio Felice Darré
José Carlos Thomaz
RESUMO
Várias correntes têm discutido o tema reputação corporativa. Não se consegue determinar um
denominador comum para o tema e não há uma definição única. Assim, diversas correntes,
foram estudadas, focando-se, depois, uma única para se poder determinar a linha de pesquisa. O
conceito estudado é que a reputação de empresa é influenciada pelas múltiplas imagens por elas
constituídas. Objetivou-se identificar quais são os componentes formativos da reputação que
influenciam a escolha de bancos por clientes universitários. Utilizaram-se os resultados de uma
revisão sistemática da literatura, coleta de dados qualitativos por meio de focus group, e coleta
de dados quantitativos envolvendo 206 entrevistados. Aplicou-se a análise fatorial e análise de
correlação, utilizando-se o software SPSS. Concluiu-se que os atributos apontados na literatura,
com poucas exceções, são válidos para a mensuração da reputação de bancos comerciais.
Conclui-se também que os atributos podem ser agrupados em fatores, facilitando o emprego de
uma escala reduzida.
Palavras-chave: reputação corporativa, imagem corporativa, componentes da reputação.
INTRODUÇÃO
Uma das formas de uma empresa, qualquer que seja seu porte, conquistar seus clientes é por
meio de sua reputação. As conseqüências da reputação podem ser muitas, destacando-se a
conquista de um diferencial competitivo, um melhor desempenho organizacional, maior
capacidade de conseguir empréstimos e o interesse de investidores externos.
A reputação corporativa se refere à imagem que a empresa tem em seu mercado, constituindo-se
da soma de qualidades e atributos psicológicos que existem na mente dos clientes de uma
empresa (GOTSI; WILSON, 2001). A imagem de uma empresa pode ser constituída de duas
maneiras: de dentro da empresa para fora ou de fora para dentro. A imagem construída de dentro
para fora se baseia na forma que os membros da organização acreditam que são vistos pelos
elementos externos da organização (RINDOVA; FOMBRUN, 1998). A imagem constituída de
fora para dentro se baseia no fato de que observadores não só processam informação em uma
mensagem específica, mas também fazem comparações com experiências anteriores (reputação),
com outros casos (imagens projetadas) e ainda consideram opiniões de terceiros (imagens
selecionadas e projetadas) (RINDOVA; SCHULTZ, 1998). Dessa forma a reputação de uma
empresa pode tanto ajudar na sua imagem junto ao cliente, quanto atrapalhá-la.
Assim considerando, propôs-se uma pesquisa com o tema “Percepção dos Clientes sobre os
Componentes da Reputação Corporativa”, que focalizou especialmente a rede bancária. O que se
questiona como problema da pesquisa, é: “Quais são os componentes formativos da Reputação
Corporativa que influenciam a escolha dos bancos por universitários?”.
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Este estudo torna-se importante ao observar como o consumidor se comporta ou reage à
reputação corporativa, possibilitando aos gestores utilizarem os fatores corretos para descobrir
novas maneiras de atrair e captar clientes, e, dessa forma, melhorar seu desempenho no mercado.
A atenção recaiu sobre estudantes universitários de um curso de Administração de Empresas
porque, uma vez em posição gerencial nas empresas, esses estudantes decidirão com quais
bancos suas empresas manterão relacionamentos.
Tem-se como objetivo geral identificar quais são os componentes formativos da reputação que
influenciam a escolha de bancos por clientes universitários. Para alcançar o objetivo geral, os
seguintes objetivos específicos foram perseguidos:
1 - levantar quais atributos são considerados precursores da reputação no setor bancário;
2 - conhecer se os clientes discriminam entre imagem e reputação;
3 - conhecer os atributos que os clientes associam à reputação;
4 - avaliar o grau de importância percebido para cada atributo;
5 - verificar se os atributos podem ser agrupados em fatores.
1. REFERENCIAL TEÓRICO
1.1 Imagem Corporativa
Martineau (2003) conceituou o termo imagem como a soma de qualidades funcionais e atributos
psicológicos que existem na mente do consumidor, enquanto que Boulding (apud MACEDO,
2001) definiu imagem como conhecimento pessoal. Assim, a imagem corporativa torna-se “a
figura que um conjunto de expectadores tem de uma organização através do acúmulo de todas as
mensagens recebidas” (IND, 1997).
Imagem corporativa é uma cópia momentânea e a representação do ajuste da empresa, ou seja, a
imagem é uma construção ou projeto que as pessoas fazem da empresa (RINDOVA;
FOMBRUN, 1998). Vindo da psicologia, Gruning (2003) diz que são os clientes que fazem a
imagem da empresa, através da observação da realidade ou de símbolos que outras pessoas
passam para ela.
A imagem de marca pode ser definida como um conjunto de associações e valores estabelecidos
entre a marca e o consumidor. Essas associações nascem tanto de experiências pessoais quanto
de mensagens transmitidas pelos meios de comunicação (PINHO, 1996).
De acordo com Tomio (2006), a escolha do consumidor é influenciada pelas imagens que as
pessoas têm do produto oferecido e o benefício que esse serviço lhes proporcionará. A imagem
de determinada marca ou serviço auxilia no comportamento do consumidor e na determinação de
estratégias de marketing desenvolvidas pelas organizações para atrair e manter clientes.
1.2 Reputação Corporativa
O termo reputação corporativa tem sido utilizado na literatura com múltiplos sentidos e
comumente há confusão com o termo “imagem”. Muitas vezes ambos são utilizados como
sinônimos. Ainda não há uma definição estabelecida para o termo reputação corporativa porque
ele tem sido delineado por várias disciplinas, cada uma assumindo sua própria definição
conceitual Carmely; Freund (2002). Neste estudo tentou-se evitar essa confusão na utilização dos
termos, embora pela própria redação dos diversos autores isso nem sempre tenha sido possível.
Como menciona Rindova e Fombrun (1998), imagem e reputação corporativa não são idênticas,
nem uma é imitação da outra.
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O tema reputação coorporativa ainda é pouco estudado, porém tem-se intensificado nos últimos
anos o estudo sobre o tema. Contudo, não existe até o presente momento uma definição de
consenso na literatura sobre o tema, podendo existir posturas contraditórias (CAMPOS, 2005). O
tema tem atraído o interesse de pesquisadores porque a reputação corporativa pode aumentar a
capacidade de lucro de uma empresa, e da mesma forma uma má reputação pode atingi-la de
forma negativa (DOWLING, 1986), tornando-se assim um vilão da corporação.
Para conquistar e manter uma boa imagem e reputação, a empresa deve usar de honestidade com
todos os seus diferentes públicos, ser cuidadosa com o meio ambiente, lidar bem com as
reclamações, ser verdadeira com os anúncios, prestar bons e constantes serviços, não sonegar
impostos, ter a ética como eixo principal de sua conduta e, sobretudo, ser aberta e transparente
(CREDIDIO, 2003).
A reputação corporativa e os investimentos estão por toda parte na companhia (GOTSI;
WILSON, 2001). A evolução da reputação é baseada na experiência direta dos investidores com
as companhias, além de outra forma de comunicação e símbolos que propaga a informação sobre
as ações das empresas e/ou a comparação com as ações de seus rivais.
Esse parecer de Gotsi e Wilson (2001) reforça a linha de raciocínio de Fombrun (1996) ao
considerar a influência da imagem sobre a reputação. Indo além, Fombrum (1996) entende que a
reputação coorporativa é a representação perceptiva das ações passadas da organização e das
visões futuras.
1.3 Atributos que Discriminam Imagem de Reputação
Em uma revisão bibliográfica, Thomaz (2006) identificou atributos que têm sido utilizados tanto
para avaliação da reputação como para a avaliação da imagem corporativa das organizações.
Optou pelo método da revisão sistemática como técnica para esclarecimento da questão. Esse
método é utilizado quando se tem uma hipótese, em que é necessário identificar, selecionar e
avaliar estudos anteriores que permitam responder as questões ou rejeitá-las.
Foram selecionados diversos textos, provenientes de artigos e livros, onde o foco era estudar
conceitos de “imagem” e “reputação” das organizações. As variáveis de interesse associadas à
imagem e à reputação foram coletadas e reunidas num quadro para facilitar a visualização
(Tabela 1). Os atributos contidos na tabela foram reduzidos ao menor número de categorias
possíveis, tendo utilizado os seguintes critérios de redução:
1. Atributos com mesma denominação, repetidos, foram eliminados;
2. Atributos com denominações diferentes, mas similares, foram consolidados;
3. Cada um dos atributos foi classificado em uma categoria apropriada;
4. As categorias foram refinadas, consolidando-se as similares (Tabela 2).
A interpretação dos dados evidenciou a sobreposição na utilização dos atributos para avaliar
imagem e reputação. A sobreposição ficou evidente, pois diversos autores utilizam os mesmos
atributos para avaliar tanto a imagem quanto a reputação. Assim, os atributos representativos da
imagem são proxies de atributos da reputação, e vice-versa.
1.4 Reputação Corporativa e suas Correntes
A reputação corporativa é um conjunto de imagens que a corporação tem diante de seu público
(RINDOVA; FOMBRUN, 1998). Porém essa afirmação tem sido muito contestada por alguns
autores, tais como Balmer (1997), Bromley (993), Brow e Cox (1997), Brow e Dacin (1997),
Fombrun (1996), que fazem diferentes associações entre reputação e imagem (GOTSI,
WILSON, 2001).
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ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
88
Tabela 1 Atributos
Ocorrências
Atributo
Qualidade produtos/serviços
1
Qualidade do gerenciamento
2
Inovação
3
Responsabilidade social e ambiental
4
Força financeira
5
Valor do investimento a L.P.
6
Atitude e comportamento
7
Qualidade do marketing
8
Admiração ou reconhecimento geral
9
Liderança
10
Qualidade da estratégia
11
Produtos e serviços que valorizam o dinheiro
12
Envolvimento/ cuidados com comunidade
13
Bom empregador
14
Gerenciamento RH
15
Confiabilidade
16
Habilidade para atrair, desenvolve e reter talento
Cultura voltado ao cliente
Credibilidade
Maximização satisfação e lealdade cliente
Variedade de produtos/serviços
Suporta alguma coisa
Visão de futuro
Margem de lucro
Parecer ter fortes perspectivas de crescimento
Bom sentimento sobre a empresa
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
Atributo
Familiaridade
Manter altos padrões no trato com pessoas
Negocia em bases humanas
Desempenho financeiro
Patrocínio de atividades
Habilidade de comunicação
Características distintivas
Interação com os empregados
Amabilidade
Cortesia e amigabilidade
Pessoal de contato/ vendas
Características dos produtos
Desenvolvimento de produtos
Parecer ser um investimento de baixo risco
Comunicação
Força de vendas e canais
Posição competitiva
Associações simbólicas
Sucesso
Recomendar a empresa
Atitude e comportamento
Conduz os negócios de modo humano
Estabelecimento de redes e alianças
Recebe bem os visitantes
Comportamento ético
Práticas éticas
Ocorrências
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
37
38
39
40
41
42
43
44
45
46
47
48
49
50
51
52
Fonte: Thomaz (2006).
Gotsi e Wilson (2001) classificam duas correntes do pensamento. Uma vê os dois conceitos
como semelhantes (corrente da analogia) e a outra como diferentes (corrente diferenciada). Esta
é dividida em outras três escolas: a primeira considera que reputação corporativa e imagem
corporativa são diferentes no conceito. A segunda e a terceira consideram os conceitos
relacionados, sendo que a segunda acredita que a reputação corporativa é somente uma dimensão
da construção da imagem da corporação. A terceira explora o outro lado da relação e afirma que
a reputação da empresa é influenciada pelas múltiplas imagens que são constituídas por elas.
O terceiro grupo é o mais representativo e explorado. Afirma-se que a reputação é uma foto
instantânea que concilia todas as imagens da empresa (FOMBRUN, 1996), pois a reputação
corporativa é uma reflexão da organização a ser vista acima dos olhos e dita alem das palavras
(SAXTON, 1998).
Tabela 2 Atributos analisados
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ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
89
Código
Atributos
Total
2
Qualidade do gerenciamento
12
1
Qualidade produtos/serviços
11
3
Inovação
11
4
Responsabilidade social e ambiental
10
5
Força financeira
8
7
Atitude e comportamento
8
8
Qualidade do marketing
7
9
Admiração ou reconhecimento geral
6
11
Qualidade da estratégia
6
12
Produtos e serviços que valorizam o dinheiro
5
13
Envolvimento/ cuidados com comunidade
5
14
Bom empregador
4
15
Gerenciamento RH
4
16
Confiabilidade
3
17
Habilidade atrair, desenvolver, reter talentos
2
18
Cultura voltado ao cliente
2
19
Credibilidade
2
20
Maximização satisfação e lealdade cliente
2
21
Variedade de produtos/serviços
1
22
Suporta alguma causa
1
26
Bom sentimento sobre a empresa
1
27
Familiaridade
1
28
Manter altos padrões no trato com pessoas
1
32
Habilidade de comunicação
1
33
Características distintivas
1
34
Interação com os empregados
1
37
Pessoal de contato/ vendas
1
42
Força de vendas e canais
1
49
Estabelecimento de redes e alianças
1
Fonte: Thomaz (2006).
Campos (2005) diz que existem três vertentes sobre o tema reputação: a primeira trata reputação
como sendo uma percepção, indicando que os stakeholders têm, em geral, uma percepção a
respeito da organização. A segunda trata reputação como um julgamento, indicando que os
stakeholders, por estarem envolvidos com a organização, a estimam e a julgam pela sua
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ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
90
reputação. A terceira analisa a reputação como um ativo, referindo-se a ela como sendo um
recurso intangível, com valor financeiro.
A reputação é o produto de anos de uma competência percebida pelos stakeholders, sendo um
recurso frágil, pois a reputação leva muito tempo para ser criada, não pode ser comparada e pode
ser facilmente prejudicada (GOTSI; WILSON, 2001). Lesly, citado por Oliveira (2007),
acrescenta que a proeminência de um nome é encarada como um sinal de sucesso, já que a
reputação em um negócio raramente pode ser obtida sem verdadeiras realizações. Portanto é
necessário que uma empresa busque construir uma boa reputação e não meçam esforços para
preservá-la e protegê-la.
Fombrun (1996) acrescenta que a reputação é um grupo de atributos conferidos a uma
organização, inferidos pelas ações passadas, desenvolvendo-se a partir da diferenciação da
organização e da prática de construção de uma imagem, mantidas ao longo do tempo, de modo a
levar as pessoas a perceberem a organização como confiável e responsável, oferecendo valor aos
stakeholders.
Dowling (1986) apresenta a importância da reputação em exemplos clássicos de acidentes,
exploração de trabalho de menores, má qualidade de um produto recém-lançado e má utilização
do marketing. A reputação é um recurso que deve ser protegido devido à importância da
estratégia. Segundo Fombrun (1996), quanto maior for o grau de intangibilidade, maior deverá
ser a preocupação sobre a reputação.
Segundo Dowling (1986), a boa reputação de alguns produtos e serviços se deve a valores
psicológicos associados e eles. Quando o produto e o serviço apresentam uma boa reputação,
aumentam a satisfação dos empregados com o trabalho, o mesmo acontece também com o
lançamento de novos produtos, além de aumentar a eficácia do efeito publicitário, abre acesso
também para os fornecedores.
1.5 Reputação Corporativa e seu diferencial Competitivo
As empresas que obtiveram sucesso a partir de 1990 não foram aquelas que demonstraram ter
produtos excelentes, mas sim aquelas que deixaram claras suas crenças. Pringle e Thompson
(apud GONZALES, 2005). Nesse sentido, os fatores intangíveis são mais adequados para
valorizar a reputação do que os atributos tangíveis, pois o mercado, em alta velocidade, copia
rápido seu produto, porém atributos intangíveis são mais difíceis de copiar (AAKER, 1998).
Uma boa imagem da empresa contribui de uma forma significativa para um posicionamento
defensável e para o sucesso da estratégia da corporação. Já uma imagem negativa percebida por
qualquer um de seus públicos indica um erro no processo estratégico de administração da
empresa (GRAY; SMELTZER, 1985).
2.PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Desenvolveram-se duas pesquisas de campo, sendo uma qualitativa e outra quantitativa. A
diferença entre essas duas pesquisas se dá não só pela sistemática pertinente a cada uma delas,
mas, sobretudo, pela forma de abordagem do problema (RICHARDSON, 1999).
Justificou-se a aplicação da pesquisa qualitativa porque, utilizando-se o pensamento de
Richardson (1999), pretendeu-se compreender aspectos psicológicos cujos dados não podem ser
coletados por outros métodos. Esses aspectos dizem respeito aos atributos formativos da
reputação corporativa no setor bancário, segundo a percepção do cliente. Utilizou-se a técnica do
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91
grupo de foco para a coleta dos dados. O tratamento dos dados foi feito empregando-se a análise
de conteúdo.
O método quantitativo, caracterizado pelo emprego da quantificação das variáveis da pesquisa
para posterior tratamento por meio de técnicas estatísticas, foi utilizado para selecionar,
descrever e agrupar os atributos da reputação em categorias, ou fatores. Utilizou-se, para a
seleção dos atributos, o índice de proporção de concordância substantiva proposto por Anderson
e Gerbing (1991). A análise fatorial foi utilizada para se conhecer o peso de cada atributo na
percepção dos respondentes e para agrupar as variáveis em fatores, de modo a se compor uma
escala visando a facilitar próximas pesquisas.
2.1 Coleta de Dados Qualitativos
Para se conhecer se os clientes discriminam entre imagem e reputação e levantar quais atributos
são consideradas precursores da reputação no setor bancário, utilizou-se a técnica de
levantamento baseada em grupos de foco (focus group), que permite ao pesquisador coletar
dados em curto prazo e em quantidade adequada (MATTAR, 1993).
Seguindo-se Mattar (1993), desenvolveu-se discussão em grupo, sob a coordenação de um
moderador, que introduziu os tópicos da discussão e a dirigiu de uma maneira não-estruturada e
natural. O grupo, formado por oito alunos da Universidade Presbiteriana Mackenzie, do curso de
Administração de Empresas, foi homogêneo em relação à idade, ao sexo e à escolaridade, sendo
que todos foram participativos e tiveram nível de envolvimento adequado, atendendo às
recomendações de Giovinazzo (2007). O moderador é conhecedor do tema e as discussões
tiveram duração de duas horas e meia, em outubro de 2007.
O trabalho no grupo de foco foi iniciado com a apresentação de objetivos pelo autor, que a seguir
passou a palavra ao moderador. Seguiu-se com a apresentação pessoal de cada um dos
componentes do grupo. O objetivo de se obter o discernimento entre imagem e reputação não foi
declarado ao grupo, de modo a não levar os componentes a algum esquema mental prédeterminado para a diferenciação. Com isso, a categorização dos atributos em um dos dois
conceitos surgiu espontaneamente. Os tópicos levados à discussão foram obtidos na literatura
sobre imagem e reputação, constantes do referencial teórico deste estudo.
2.2 Análise dos Dados Qualitativos
Terminada a coleta de dados qualitativos, obtidos no grupo de foco, foi feito um estudo
utilizando-se a técnica de análise de conteúdo. A análise de conteúdo é um conjunto de técnicas
de análise de comunicação, composto por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição
do conteúdo das mensagens, para obtenção de indicadores (quantitativos ou não) que levem à
inferência de conhecimentos relativos às condições de produção e recepção das mensagens
(BARDIN, 2002).
De acordo com Bardin (2002), as fases da análise de conteúdo organizam-se cronologicamente
em pré-análise (visa operacionalizar e sistematizar as idéias, elaborando um esquema preciso de
desenvolvimento do trabalho); análise do material (consiste basicamente na codificação,
categorização e quantificação da informação); tratamento dos resultados (uma vez estabelecidas
as características do problema da pesquisa, formulados os objetivos e escolhidos os documentos,
o investigador está em condições de dar uma resposta bastante precisa às perguntas “por que” e
“o que” analisar) e inferência e interpretação.
Visou-se, primeiramente, descobrir o que os clientes entendem por imagem e por reputação
corporativas e que atributos associam à imagem e à reputação corporativa, cumprindo o primeiro
e o segundo objetivos específicos.
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ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
92
2.3 Resultado do Focus Group
O Focus Group teve início com uma pergunta geral conduzida pelo moderador a respeito de
como o cliente optaria por um banco se os produtos fossem hipoteticamente todos iguais. A
partir desse momento as idéias foram surgindo, foram discutidos assuntos como promoções para
universitários, marca do banco, cultura da organização, qualidade do produto e serviço e taxa de
juros.
Um assunto bastante comentado foi a respeito do status que o banco tem e o que isso
proporciona para o cliente, como por exemplo, estilo de vida, classe social e cartão premium. No
início dois bancos foram citados: Itaú Personalité e Bradesco Prime. Foi questionado pelo
moderador quais são seus os atributos e as diferenças entre eles. Aspectos comuns foram
comentados para ambos, como tranqüilidade, segurança e força financeira.
O diferencial apresentado pelos entrevistados referente ao banco Bradesco Prime foi em relação
à facilidade de acesso, pois as agências são encontradas facilmente nas grandes cidades. O ponto
mais relevante foi a disponibilidade de agências em cidades litorâneas e interioranas que mesmo
não possuindo uma agência Prime atenderiam as necessidades.
O ponto forte apresentado pelos entrevistados a respeito do banco Itaú Personalité é a “imagem”
que ele passa aos consumidores de um banco com forte segurança financeira, que apresenta
agências próprias e imponentes que valorizam o status do banco e enaltece o consumidor desse
serviço e produto.
Posteriormente o moderador pediu para comparar dois bancos que não fossem Premium. Os
participantes encolheram o Banco Real e o Santander Banespa. O Santander não apresentou uma
boa imagem quando comparado com o Real, que possui um foco nos universitários. A percepção
dos alunos esta mais aguçada em função das constantes propagandas e publicidades vinculando
universitários, estilo de vida e sucesso profissional. Na percepção dos alunos as agências estão
localizadas em pontos estratégicos como em universidades e próximos a casas noturnas, locais
muito freqüentados por jovens. Outro ponto muito relevante foi em relação à preocupação
ambiental apresentada pelo Banco Real.
Até esse ponto do focus group foram identificados os seguintes atributos: variedade e qualidade
de serviço, força financeira, qualidade do marketing, confiabilidade, credibilidade, cultura, além
de ser um bom empregador e possuir bom atendimento.
O atributo cultura apresentou duas interpretações: a primeira se refere à cultura de atendimento
ao público interno, onde se deve ter uma preocupação constante com treinamento de
funcionários, gerenciamento da área de recursos humanos, habilidades para atrair e reter talentos.
A outra se refere à cultura de atendimento ao cliente, visando a sua satisfação e retenção.
Na opinião de um entrevistado, os grandes bancos comerciais precisam ter credibilidade,
confiança e tradição para que os clientes depositem o dinheiro sem correr riscos financeiros.
Esses atributos estão “relacionados à reputação do banco”.
Neste ponto do focus group investigou-se se há diferença entre imagem e reputação, tomando-se
alguns conceitos emitidos pelos entrevistados:
“Reputação tem toda uma história, o que ele fez no passado e o que vem construindo. A
imagem é o que esta representando agora”.
“Imagem é uma fotografia do momento e a reputação se faz com a tradição, ao longo dos
anos. É uma série de imagens que esta formando uma reputação”.
“Imagem tem que ser construída no curto prazo, e a reputação deve ser construída no
longo prazo”.
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93
Foi identificado pelos entrevistados que há diferença entre imagem e reputação, que ambos estão
relacionados e que ações presentes podem comprometer a reputação da empresa, que é
conquistada lentamente durante anos de tradição. Quando o moderador pressupôs,
provocativamente, que os bancos são todos iguais e que a única diferença é o fator reputação,
todos os entrevistados disseram que a reputação influencia na tomada de decisão. Durante esse
processo de diferenciação surgiram outros novos atributos como inovação de produtos e serviços
e liderança no mercado financeiro.
2.4 Coleta de Dados Quantitativos
Encerrada a fase qualitativa do estudo, foi criado um formulário contendo os 31 atributos
resultantes do trabalho do grupo de foco. Esse formulário prestou-se a conhecer se de fato os
atributos são associados à reputação e em que nível de importância essas associações são
percebidas. Utilizou-se uma escala Likert de quatro pontos (muito importante, importante, pouco
importante, nada importante). Obtiveram-se respostas de 206 universitários clientes de bancos
da capital de São Paulo, selecionados por conveniência. O estudo é, portanto, não probabilístico.
Para a análise dos dados foi empregado o índice de proporção de concordância substantiva (psa),
proposto por Anderson e Gerbing (1991), e técnicas estatísticas de análise fatorial. O índice de
proporção de concordância substantiva serviu de critério para a seleção final dos atributos e a
análise fatorial foi utilizada para se agrupar os atributos em fatores, de modo a oferecer uma
escala com um número menor de itens, o que poderá facilitar pesquisas futuras sobre a reputação
corporativa.
2.5 Análise dos Dados e Resultados
De posse desses dados foi possível conhecer os atributos que os clientes associam à reputação,
terceiro objetivo do estudo. A Tabela 3 mostra o número de associações e a proporção de
concordância substantiva para cada um dos atributos, classificados por ordem descendente de
psa. Como é aconselhável não eliminar nenhum atributo cujo psa exceda a 0,75 e como todos se
mostram superiores a 0,98, nenhum deles foi eliminado.
O passo seguinte considerou o grau de importância atribuído pelos respondentes a cada um dos
atributos, atendendo ao previsto no quarto objetivo específico (avaliar o grau de importância
percebido para cada atributo).
A Tabela 4 mostra os resultados obtidos nesta fase da análise. Nela os atributos estão
classificados por ordem descendente da soma dos graus de importância 3 e 4. Considerando-se
que devem ser desconsiderados os atributos cuja soma dos graus de importância 3 e 4 sejam
inferiores a 0,80, conforme sugerido por Anderson e Gerbing (1991), os últimos seis atributos
foram eliminados e não compuseram as análises da fase seguinte.
Finalmente, aplicou-se a análise fatorial para se verificar se os atributos podem ser agrupados em
fatores, atendendo ao quinto e último objetivo específico (Tabela 5). Os testes mostraram que a
análise fatorial era adequada para essa amostra.
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94
Tabela 3: Número de associações dos atributos à reputação
No. de associações
psa
RepuNão
Repu- Não
tação
assoc.
tação assoc.
Atributo
Política interna de operação da empresa
206
0
1
0
Treinamento dado aos empregados visando a produção/prestação do
serviço
206
0
1
0
Comprometimento dos funcionários
205
0
1
0
Honestidade nas informações e no relacionamento com os
consumidores e clientes
205
1
1
0
Garantia de que a empresa continue no negócio
205
0
1
0
Comprometimento da alta gerência
204
1
0,99
0
Capacidade da empresa em atrair pessoal talentoso
204
0
0,99
0
Política de Recursos Humanos em suas linhas gerais
204
1
0,99
0
Confiabilidade do produto ou do serviço
204
0
0,99
0
Preços compatíveis com a qualidade do produto ou serviço oferecido
203
0
0,99
0
Qualidade final do produto apresentado ao cliente
203
0
0,99
0
Benefício funcional proporcionado pelo produto ou pelo serviço
203
0
0,99
0
Competência da equipe em resolver o problema do cliente
202
1
0,98
0
Confiança depositada nos funcionários que atendem o cliente
202
0
0,98
0
Qualidade da gestão da empresa
202
0
0,98
0
Anúncios pagos de produtos e/ou serviços da empresa
200
2
0,97
0,01
Inovação tecnológica no desenvolvimento de produtos e serviços
197
8
0,96
0,04
Confiança depositada na empresa como um todo
197
8
0,96
0,04
Seriedade com que os assuntos financeiros da empresa são conduzidos
197
0
0,96
0
Seriedade com que todos os assuntos da empresa são conduzidos
197
0
0,96
0
Comportamento ético nos negócios
196
0
0,95
0
Política de relacionamento com interlocutores externos à empresa
196
1
0,95
0
Forma de agir da empresa em relação ao meio-ambiente e à sociedade
196
0
0,95
0
Fatos conhecidos sobre a atuação da empresa
195
1
0,95
0
Foco no cliente
192
1
0,93
0
Qualidade do serviço prestado pela empresa
192
5
0,93
0,02
Qualidade das várias fases do atendimento ao cliente
191
1
0,93
0
Liderança no segmento de atuação
189
0
0,92
0
Comportamento dos empregados durante o atendimento
cliente PESQUISADORES
REVISTAao
JOVENS
189
1
0,92
0
ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
Forma como a empresa trata seus empregados
189
12
0,92
0,06
Competitiva no mercado global
185
4
0,9
0,02
Fonte: os autores
95
O teste de esferacidade de Bartlett mostrou significância (0,000), ou seja, há significantes
relações entre as variáveis, o que indica que a análise fatorial pode ser aplicada. Além disso, o
teste de KMO (teste de adequação de amostra de Kaiser-Meyer-Olkin) resultou igual a 0,619 e
indica a adequação da análise fatorial para a amostra em estudo, por ser superior a 0,50 (HAIR et
al. 2006). A matriz ante-imagem de correlação entre as variáveis também mostra, por meio do
MSA (Measure of Sampling Adequacy), que a análise fatorial é aceitável, visto que se situaram
superiores a 0,5 (HAIR et al., 2006).
Na análise inicial observou-se uma distorção dos resultados, pois as variáveis não foram bem
agrupadas. O primeiro grupo continha 17 atributos reunidos com grande variação de resultados e
os demais grupos apresentaram cargas fatoriais muito baixas.
Na tentativa de melhorar o resultado, foram descartados os atributos cujas somas dos graus de
importância 3 e 4 que se apresentava inferior a 80% (Tabela 4), sendo descartados 6 atributos:
honestidade nas informações e no relacionamento com os consumidores e clientes, política de
recursos humanos em suas linhas gerais, política de relacionamento com interlocutores externos
à empresa, política interna de operação da empresa, benefício funcional proporcionado pelo
produto ou pelo serviço e treinamento dado aos empregados visando à produção ou à prestação
do serviço. Após a eliminação desses atributos foi efetuada uma nova análise com os 25 atributos
restantes (Tabela 5). Surgiram oito novos grupos e os resultados apresentados foram mais
homogêneos.
Hair et al (2006, p. 107) recomendam que, para o tamanho de amostra considerado neste estudo
(n = 206) e para que se obtenha significância no nível de 0,05, as cargas fatoriais devem ser
superiores a 0,400. Como se pode notar na Tabela 5, todas as cargas fatoriais se situaram acima
de 0,40, não se aconselhando, portanto, excluir nenhuma das variáveis em estudo. Note-se que o
eigenvalue (autovalor) de cada fator foi superior a 1,0 e que os oito fatores explicam 73,5% da
variância total das variáveis.
A análise fatorial permitiu extrair oito fatores, denominados conforme o Quadro 1. No primeiro
fator os atributos estão relacionados à liderança e confiabilidade no segmento bancário, além de
inovação tecnológica e respeito com os funcionários. O fator foi denominado “inovação e
liderança”.
Quadro 1: Fatores extraídos da análise fatorial
1
Inovação e liderança
2
Responsabilidade para com a sociedade
3
Seriedade nos negócios
4
Qualidade do atendimento
5
Qualidade geral dos produtos e serviços
6
Comprometimento com o cliente
7
Comportamento ético nos negócios
8
Confiança nos funcionários
Fonte: os autores
No segundo fator os atributos foram relacionados às responsabilidades sociais, incluindo-se a
responsabilidade do banco em oferecer competitividade de preço, posicionamento no mercado
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96
global, preocupação com o meio ambiente e social. Foi classificado como “responsabilidade com
a sociedade”.
Tabela 4: Grau de importância dos atributos
Grau de importância
Atributos
1
2
3
4
% de
( 3 + 4)
N
Qualidade do serviço prestado pela empresa
Qualidade final do produto apresentado ao cliente
192
203
0
1
7
7
84
64
101
131
0,96
0,96
Comprometimento da alta gerência
Liderança no segmento de atuação
Fatos conhecidos sobre a atuação da empresa
204
189
195
0
0
1
10
12
13
129
70
75
65
107
106
0,95
0,94
0,93
Foco no cliente
Comportamento dos empregados durante o atendimento
ao cliente
Comportamento ético nos negócios
Forma de agir da empresa em relação ao meio-ambiente
e à sociedade
Seriedade com que todos os assuntos da empresa são
conduzidos
Forma como a empresa trata seus empregados
Seriedade com que os assuntos financeiros da empresa
são conduzidos
Comprometimento dos funcionários
Capacidade da empresa em atrair pessoal talentoso
Qualidade da gestão da empresa
Qualidade das fases do atendimento ao cliente
Confiança depositada na empresa como um todo
Competência da equipe em resolver o problema do
cliente
Confiabilidade do produto ou do serviço
Inovação tecnológica no desenvolvimento de produtos e
serviços
192
10
6
77
99
0,92
189
196
0
1
16
15
86
71
87
107
0,92
0,91
196
9
11
89
87
0,9
197
189
0
9
21
12
93
88
83
80
0,89
0,89
197
205
204
202
191
197
2
0
2
0
12
0
23
27
26
28
17
30
81
90
60
95
74
82
91
88
116
79
88
85
0,87
0,87
0,86
0,86
0,85
0,85
204
1
0
2
32
3
74
4
98
0,85
0,84
197
0
32
92
73
0,84
Garantia de que a empresa continue no negócio
Competitiva no mercado global
205
185
0
10
34
22
91
91
80
62
0,83
0,83
Anúncios pagos de produtos e/ou serviços da empresa
Confiança depositada func. que atendem o cliente
Preços compatíveis com a qualidade do produto ou
serviço oferecido
Política de relacionamento com interlocutores externos
à empresa
Treinamento dado aos empregados visando a produção
ou a prestação do serviço
Honestidade nas informações e no relacionamento com
os consumidores e clientes
200
202
11
2
26
36
105
97
58
67
0,82
0,81
203
21
20
105
57
0,8
196
1
42
116
37
0,78
206
4
47
65
90
0,75
205
7
50
63
85
0,72
Política de Recursos Humanos em suas linhas gerais
204
18
41
111
34
0,71
Benefício funcional proporc. pelo produto/serviço
Política interna de operação da empresa
203
206
1
22
58
59
92
93
52
32
0,71
0,61
Fonte: os autores
REVISTA JOVENS PESQUISADORES
ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
97
No terceiro grupo foi possível reunir atributos relacionados à seriedade nos negócios, agrupandose atributos como seriedade dos gestores em conduzir assuntos gerais da empresa, capacidade da
empresa atrair equipe de trabalho talentosa e, principalmente, tratamento dos assuntos
financeiros. Esse grupo recebeu o nome de “seriedade nos negócios”.
O quarto grupo foi nomeado de “qualidade do atendimento”. Reuniram-se variáveis como
qualidade da gestão da empresa e sua atuação, englobando as fases de atendimento ao cliente e
comportamento dos empregados durante o atendimento ao cliente.
Tabela 5: Matriz dos atributos rotacionada.
Fatores
Atributos
1
2
3
4
5
6
7
8
Inovação tecnológica de produtos e serviços
0,816
0,123
0,158
-0,100
-0,052
0,056
0,149
0,038
Confiabilidade do produto ou do serviço
0,663
0,162
0,040
-0,005
0,465
0,120
-0,016
0,062
Forma como a empresa trata os empregados
0,623
0,462
-0,079
0,065
0,142
0,044
-0,119
-0,033
Anúncios pagos de produtos e/ou serviços
0,623
0,237
0,147
0,137
-0,148
-0,156
-0,409
0,208
Liderança no segmento de atuação
0,473
0,293
-0,366
-0,018
-0,316
0,099
0,001
0,373
Confiança depositada na empresa
0,136
0,728
0,145
0,241
-0,005
0,180
0,134
-0,039
Forma agir em rel.meio-ambiente/sociedade
0,367
0,686
-0,155
-0,029
0,177
0,130
0,233
0,188
Preços compat.qualidade do produto/serviço
0,104
0,644
-0,068
0,109
0,256
0,130
-0,227
0,046
Competitiva no mercado global
0,249
0,587
0,415
-0,383
0,087
-0,178
0,178
0,004
Foco no cliente
0,448
0,490
0,122
0,128
0,104
0,249
-0,380
0,216
Capacidade da empresa em atrair pessoal
-0,099
-0,050
0,775
-0,128
0,169
0,032
-0,321
0,105
Seriedade condução assuntos financeiros
0,104
0,082
0,759
0,205
0,068
0,284
0,231
-0,104
Seriedade condução todos os assuntos
0,238
0,043
0,692
0,254
0,091
0,071
0,419
-0,078
Fatos conhecidos sobre a atuação da empresa
0,175
-0,046
0,119
0,758
0,099
-0,021
0,135
0,158
Qualidade da gestão da empresa
-0,306
0,238
0,032
0,750
-0,184
0,097
-0,052
0,054
Qualidade do atendimento ao cliente
0,052
0,186
0,090
0,655
0,517
0,000
0,120
0,173
Comportamento empreg.atendimento cliente
0,118
0,022
-0,308
0,501
0,454
0,458
-0,188
-0,104
Competência em resolver problema do cliente
-0,134
0,093
0,107
0,113
0,760
0,122
0,106
-0,149
Qualidade do serviço prestado pela empresa
0,313
0,205
0,191
-0,044
0,605
0,224
0,074
0,395
Qualidade final do produto
0,206
0,324
0,402
-0,062
0,568
-0,055
0,011
0,272
Comprometimento da alta gerência
-0,027
0,124
0,145
0,146
0,075
0,814
-0,026
0,068
Comprometimento dos funcionários
0,073
0,145
0,107
-0,121
0,132
0,789
0,057
0,196
Garantia de continuar no negócio
0,443
0,060
-0,079
0,157
-0,077
0,541
0,488
-0,205
Comportamento ético nos negócios
-0,072
0,055
0,127
0,073
0,121
0,016
0,780
0,154
Confiança nos func. atendimento cliente
0,085
0,047
-0,042
0,289
0,047
0,164
0,078
0,813
Fonte: os autores
No quinto grupo reuniram-se atributos associados com as qualidades e os serviços prestados aos
clientes finais. Nele está incluída a competência dos funcionários em resolver os problemas dos
clientes. Esse grupo foi nomeado como “qualidade geral dos produtos e serviços”.
O sexto grupo reuniu atributos como o comprometimento da empresa em continuar no segmento
de atuação e comprometimento dos funcionários e da alta gerência em atender e desenvolver
estratégias satisfatórias para os clientes, esses atributos foram classificados como
comprometimento com o cliente.
O penúltimo grupo se refere ao comportamento ético nos negócios e significa a realização de
negócios de forma lícita, sendo denominado como “comportamento ético nos negócios.
Finalmente, o último fator denominou-se como “confiança nos funcionários” por conter esse
REVISTA JOVENS PESQUISADORES
ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
98
atributo, o que significa que os clientes têm confiança na relação com os funcionários de
atendimento.
3. CONCLUSÕES
O objetivo geral deste estudo foi atingido, uma vez que se identificou o conjunto de
componentes formativos da reputação corporativa de bancos comerciais que influenciam a
escolha desses bancos por clientes universitários.
Para que se atingisse esse objetivo, e cumprindo os objetivos específicos, foi necessário levantar
quais atributos são considerados precursores da reputação no setor bancário, conhecer se os
clientes discriminam entre imagem e reputação, conhecer os atributos que os clientes associam à
reputação, avaliar o grau de importância percebido para cada atributo e, finalmente, verificar se
os atributos podem ser agrupados em fatores, de modo a facilitar futuros estudos sobre
reputação.
Por meio do trabalho com grupo de foco pôde-se atingir o primeiro e o segundo objetivos
específicos. Nesse sentido, obteve-se uma lista de atributos relacionados à reputação e a
discussão permitiu que se percebesse que os componentes do grupo discriminam entre imagem e
reputação: “Reputação tem toda uma história, o que ele fez no passado e o que vem construindo.
A imagem é o que esta representando agora” e “Imagem é uma fotografia do momento e a
reputação se faz com a tradição, ao longo dos anos. É uma série de imagens que esta formando
uma reputação”.
Pode se perceber que, em geral, os atributos indicados na literatura são aplicáveis à avaliação da
reputação corporativa. Alguns desses atributos indicados na literatura não foram eleitos pelos
sujeitos da amostra deste estudo. São eles: honestidade nas informações e no relacionamento
com os consumidores e clientes, política de recursos humanos em suas linhas gerais, política de
relacionamento com interlocutores externos à empresa, política interna de operação da empresa,
benefício funcional proporcionado pelo produto ou pelo serviço e treinamento dado aos
empregados visando à produção ou a prestação do serviço. Sugere-se que um estudo seja feito
para que se conheçam os motivos da rejeição desses atributos.
Atendendo ao terceiro objetivo específico, conheceram-se os atributos que os clientes associam à
reputação. Pôde-se avaliar o grau de importância percebido pelos respondentes para cada
atributo, cumprindo o quarto objetivo específico. Com isso, conseguiu-se responder ao problema
de pesquisa, uma vez que foi impossível indicar quais são os componentes formativos da
Reputação Corporativa que influenciam a escolha dos bancos por universitários (mostrados na
Tabela 5)
O agrupamento dos atributos em fatores (Quadro 1), quinto objetivo específico do estudo, poderá
ser útil para a mensuração da reputação corporativa aplicando-se uma escala reduzida, com
apenas oito indicadores. Sugere-se que um novo estudo seja realizado, nele aplicando-se a escala
reduzida. Os resultados desse novo estudo poderiam ser comparados aos resultados deste, numa
tentativa de teste e validação da escala reduzida.
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REVISTA JOVENS PESQUISADORES
ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
101
O IMPACTO DA TECNOLOGIA DE ETIQUETA INTELIGENTE (RFID) NA
PERFORMANCE DE CADEIAS DE SUPRIMENTOS – UM ESTUDO NO BRASIL
Regiane dos Santos Soares
Tatiana Limão Comucci
Telma Cristina dos Santos
Tom Bocage de Almeida
Paulo Roberto Leite
RESUMO
O gerenciamento da cadeia de suprimentos tornou-se vital para maior competitividade
empresarial e a tecnologia da informação cria novas oportunidades para o planejamento, controle
e operação em toda a cadeia. O sistema RFID poderá substituir o atual método de coleta de
dados ampliando as dimensões de informações logísticas. Este artigo questiona qual o impacto
do uso da etiqueta inteligente na performance da cadeia de suprimentos. Utilizou-se uma
abordagem quantitativa exploratória revelando que o maior benefício desta ferramenta na
amostra selecionada revela-se importante principalmente em centros de distribuição e no
gerenciamento de estoque nos diversos elos da cadeia de suprimento.
INTRODUÇÃO
No atual cenário competitivo que o mercado global se encontra, uma das maneiras das empresas
sobreviver é se diferenciando; seja na marca, na tecnologia, ou nos preços. Quem dita o preço é o
mercado tornando difícil vender um produto com um preço acima do mercado, pois
consumidores hoje estão muito mais informados na hora da compra. Se a empresa pretende ter
um lucro maior, ela terá que reduzir seus custos. Na historia recente da administração as
empresas passaram a fabricar seus produtos em locais onde encontravam mão-de-obra mais
barata, benefícios governamentais, impostos mais baixos, intensificaram a terceirização
concentrando as atividades em seu foco principal, entre outros aspectos. Com uma transformação
para organização de processos horizontais na direção dos clientes, a cadeia de suprimentos tornase importante como forma de organização para ganho de competitividade. Com a globalização
dos mercados, os diversos elos da cadeia de suprimentos localizando-se em regiões por vezes
diferentes o gerenciamento da cadeia se torna ainda mais importante para o melhor
aproveitamento dos benefícios dessa transformação horizontal da produção.
As mudanças de ordem econômica, que criam novas exigências competitivas, e de ordem
tecnológica, que possibilitam o gerenciamento eficiente e eficaz das operações, vêm fazendo da
logística uma das estratégias gerenciais de relevância para as empresas modernas. O
gerenciamento logístico pode proporcionar vantagem competitiva às organizações quando a
cadeia é vista e operada de forma integrada, pois pode proporcionar diferenciação pelo nível de
serviço e ser capaz de operar o baixo custo através do gerenciamento do fluxo de informações na
cadeia. “A missão do gerenciamento logístico é planejar e coordenar todas as atividades
necessárias para alcançar níveis desejáveis dos serviços e qualidade ao mais baixo custo
possível” (FLEURY et al, 2000), (CHRISTOPHER, 2002, p.10).
REVISTA JOVENS PESQUISADORES
ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
102
A atividade de disponibilizar produtos e materiais em locais, no tempo e nas quantidades
necessárias ao seu uso tem participado da vida em sociedade ao longo do tempo na historia. Mais
recentemente quando empresas organizadas a utilizam para estas funções ao longo da historia
administrativa adquire a denominação de logística empresarial e tem participado gradativamente
na estratégia empresarial notabilizando-se mais recentemente pela necessidade de empresas
lideres no mercado de privilegiar a coordenação dos fluxos de materiais e de produtos ao longo
das cadeias de suprimentos, o denominado Supply Chain Management (LEITE, 2006),. O
Supply Chain Management surge para aprimorar e desenvolver as atividades relacionadas com o
fluxo e transformação de produtos e serviços associados, desde a obtenção de matérias primas,
até a chegada do produto ao usuário final, bem como os fluxos de informação relacionados e a
geração de valor para todos os componentes da cadeia.
O amplo desenvolvimento da Tecnologia da Informação (TI) nos últimos anos contribuiu para o
desenvolvimento do gerenciamento da cadeia de suprimentos que sofreu um aumento na
complexidade de suas operações no atual cenário. Com sua utilização foi possível aumentar a
integração entre os agentes da cadeia devido à facilidade e velocidade da transferência de
informações e, desta forma, aumentar o nível de serviço, bem como reduzir custos operacionais
através da automação. Alguns recursos da TI têm, não apenas gerado soluções específicas, mas
também criado novas oportunidades para o planejamento, o controle e a operação das atividades
de toda a cadeia de suprimentos.
Os Sistemas de Informações Logísticas surgiram com o desenvolvimento da TI dentro da
logística. Estes sistemas ligam as atividades logísticas em um processo integrado combinando
hardware e software para medir, controlar e gerenciar as operações logísticas dentro de uma
empresa ou na cadeia de suprimentos inteira. A coleta de dados, que servirá de base para estes
sistemas, é crítica para o gerenciamento e o controle de informações logísticas, conforme
Bowersox e Closs (2001).
Atualmente, o método de coleta de dados é a leitura ótica de um código de barras impresso nos
produtos ou em suas embalagens que permite a sua transformação em dados digitais, gerando as
informações com maior precisão do que os sistemas manuais, além de permitir a comunicação
em tempo real entre os membros do canal, entre outros benefícios. O sistema RFID constitui-se
da colocação de um chip de pequena dimensão nos produtos ou em suas embalagens que pode
ser “lido” por um sistema de radio freqüência, permitindo não somente aumentar a quantidade de
informações contidas mas a sua “leitura” à distancia o que facilita muito a operação de
reconhecimento (EAN, 2006).
Algumas empresas estão investindo maciçamente nessa tecnologia. A empresa norte-americana
Procter & Gamble encomendou cerca de 500 milhões de chips RFID para utilizar em seus
produtos da marca Gilette. Já as gigantes Boeing e a Airbus – as duas maiores fabricantes de
aviões do planeta - exigirão de seus mais de 2 mil fornecedores a identificação de peças de
aviões e motores utilizando essa tecnologia já no próximo ano, com a justificativa de que
desejam evitar erros de manufatura. A rede de supermercados Wal-Mart confirmou a exigência
feita a seus fornecedores de que todos os produtos vendidos pela rede precisarão conter etiquetas
RFID até janeiro de 2005. A Microsoft está entrando na disputa por uma participação neste
mercado com o anúncio de que pretende desenvolver softwares e serviços para suportar o uso de
RFID nos setores industrial e de varejo. O interesse inicial da empresas ao investir nesta
tecnologia é de solucionar problemas como furtos e roubos de mercadorias e controle de estoque
de estoque.
A etiqueta de Identificação por Rádio Freqüência esta sendo considerada por muitos como a
sucessora do código de barra, utilizado em todo o mundo, causando o mesmo impacto que este
REVISTA JOVENS PESQUISADORES
ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
103
último causou na cadeia de suprimentos quando foi implantado. No Brasil existem ainda poucas
informações sobre o uso da tecnologia, porém o grupo CBD, que já está em fase de testes em
seus centros de distribuições é um dos exemplos neste sentido. Uma das dificuldades para
disseminar o RFID é a falta de informação sobre o interesse que o mercado doméstico tem
quanto a aplicação deste sistema. Estas lacunas no conhecimento destas aplicações e seus
impactos na performance empresarial constituem os motivadores desta pesquisa exploratória
cujo problema de pesquisa pode ser entendido como: “O impacto da tecnologia de etiqueta
inteligente (RFID) na performance da cadeia de suprimentos”.
1.REFERENCIAL TEÓRICO
1.1.Logística Empresarial
A logística empresarial pode ser entendida com a área de logística cujo objetivo é tornar
disponíveis produtos e serviços no local onde são necessários no momento em que são desejados
(BOWERSOX E CLOSS, 2001; BALLOU, 2004). Fleury et al (2000) destaca um aspecto
paradoxal em sua atividade, pois ao mesmo tempo em que é uma das atividades econômicas
mais antigas é, também, um dos conceitos gerenciais modernos. Complementam ainda os autores
analisando dois aspectos gerenciais que justificam a importância desta atividade no mundo
empresarial moderno, o de ordem econômica e tecnológica. As mudanças econômicas criam
novas exigências competitivas, enquanto as mudanças tecnológicas tornam possível o
gerenciamento eficiente e eficaz de operações logísticas cada dia mais complexas e
demandantes.
Segundo Bowersox e Closs (2001, p.407), a empresa tem que ter uma integração interna e
externa suficiente para satisfazer aos objetivos fundamentais do negócio. As funções da logística
são combinadas em três áreas operacionais principais: distribuição física, apoio à manufatura e
suprimentos. Para obter uma integração interna, devem ser coordenados os fluxos de estoque e
informações entre essas áreas. As três áreas devem ser sincronizadas no sentido da obtenção
simultânea de: (1) resposta rápida; (2) variância mínima; (3) estoque mínimo; (4) consolidação
de movimentação; (5) qualidade; e (6) apoio ao ciclo de vida dos produtos (BOWERSOX e
CLOSS, 2001 pg 62). O Massachusetts Institute of Technology apud Martins (2003) define o
gerenciamento integrado da cadeia de suprimentos como um enfoque integrado, orientado para o
processo, visando adquirir, produzir e entregar produtos e serviços aos clientes.
1.2 Supply Chain Management
A implementação do moderno conceito Supply Chain Management (SCM) ou Gerenciamento da
Cadeia de Suprimentos exige substanciais mudanças culturais e organizacionais, assim como
significativos investimentos em tecnologia de informação. O sucesso dependerá, em última
instância, da persistência, paciência, habilidade de negociação e conhecimento dos responsáveis
pelo processo. Segundo Fleury et al (2000), a primeira dimensão da excelência em logística está
relacionada com a forma como a empresa enxerga seu relacionamento com os clientes. Nestas
condições as empresas excelentes em logística entenderiam que seu sucesso dependeria do
sucesso de seus clientes, pois ambos fazem parte de uma mesma cadeia de suprimentos.
Marino (2003) diz que o termo SCM apareceu pela primeira vez em um artigo de Keith Oliver,
vice-presidente sênior da consultoria Booz Allen & Hamilton, no jornal inglês The Financial
Times. Complementando, Fleury et al (1999) explica que o conceito de SCM começou a se
desenvolver no início da década de 90 e no nível internacional, são poucas as empresas que já
conseguiram implementá-lo com sucesso, e, em nível acadêmico, o conceito ainda pode ser
considerado em construção. Para Figueiredo et al (2004), o conceito de Supply Chain
REVISTA JOVENS PESQUISADORES
ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
104
Management surgiu como uma evolução natural do conceito de logística integrada. Enquanto a
logística integrada representa uma integração interna de atividades, o SCM representa sua
integração externa, incluindo uma série de processos de negócios que interligam os fornecedores
aos consumidores finais.
Mas para Fleury et al (2000) o conceito de SCM é mais do que uma simples extensão da
logística integrada, pois engloba vários aspectos do negócio como, por exemplo: marketing
(estabelecer conceito), pesquisa e desenvolvimento (criação de novos produtos), fabricação e
logística (executar operações) e finanças (estruturação financeira), ou seja, ultrapassa as
atividades diretamente relacionadas com a logística integrada.
“A Competência Logística decorre de uma avaliação relativa da capacitação de uma empresa
para fornecer ao cliente um serviço competitivamente superior ao menor custo total possível”
(BOWERSOX e CLOSS, 2001 pg 23).
Christopher (1999), destaca que o Gerenciamento da Cadeia de Suprimento preocupa-se em
alcançar, da maneira mais econômica, a satisfação das exigências do consumidor final por meio
da integração dos processos do comprador e do fornecedor. O objetivo do SCM seria desta forma
coordenar todos os estágios envolvidos, direta e indiretamente, no atendimento de um pedido de
um cliente que termina quando um cliente estiver satisfeito pela compra, envolvendo o controle
dos fluxos entre os estágios da cadeia para maximizar a lucratividade (CHOPRA e MEINDL,
2004; TAYLOR, 2005; CECATTO, 2005). Torna-se portanto importante entender a cadeia de
suprimentos como uma seqüência de acréscimos de custos e valores, introduzindo a idéia de
tradeoff entre estes conceitos.
1.3 Cadeia de Valor
Segundo Porter (1998) a vantagem competitiva tem origem nas inúmeras atividades distintas
executadas por uma empresa na entrega de produtos. O modelo da cadeia de valor divide as
atividades industriais em atividades primárias (logística de entrada, operações, logística de saída,
marketing e vendas, serviços) e atividades de apoio (infra-estrutura da empresa, gerenciamento
de recursos humanos, tecnologia). O conceito de cadeia de valor enfatiza que haverá acréscimo
de valor à medida que se avança ao longo da cadeia, ou seja, à medida que se avança na
seqüência de atividades necessárias para a satisfação de um pedido do cliente agrega-se valor ao
conjunto produto / serviço em cada fase. Turban (2004) aponta que um dos principais objetivos
da gestão da cadeia de suprimentos é justamente maximizar esse valor e a tecnologia da
informação aparece neste contexto com grande importância.
A cadeia de valor, conforme Hitt (2002), pode ser usada pela empresa para a compreensão de sua
posição em custos e na identificação de meios para implantação de estratégia comercial
auxiliando. Segundo Christopher (2002), a gerência logística na busca da adequação das
atividades para criar vantagem em valor e vantagem em custo de várias maneiras como, por
exemplo, melhor utilização da capacidade, redução de estoques, maior integração entre
fornecedores em nível de planejamento e nível de serviço ao cliente. Para Christopher (2002), no
futuro, as companhias líderes de mercado serão aquelas que atingirão paralelamente excelência
em custos e diferenciação e o gerenciamento logístico é um elemento capaz de auxiliar as
companhias nesta conquista.
O paradigma fundamental da logística, segundo Bowersox e Closs (2001), é a convicção de que
o desempenho integrado produz melhores resultados que funções gerenciadas individualmente.
A tecnologia da informação é o recurso chave para obtenção da integração, no entanto ressalta o
autor, é preciso dar atenção ao fato de que os aplicativos de sistemas de informação geralmente
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105
são criados com base na estrutura organizacional gerando banco de dados limitados a funções
específicas que dificulta o acesso interfuncional e, portanto, a integração.
Christopher (2002) aponta ainda que, a eficiência no processo é alcançada quando o prazo
logístico (tempo para receber, fabricar e entregar um pedido) se iguala ao ciclo do pedido do
cliente (tempo que o cliente se dispõe a esperar). Este objetivo poderá ser alcançado pela redução
do prazo logístico ou pelo aumento do ciclo do pedido do cliente, onde a tecnologia de
informação revela-se de vital importância resultando em melhor qualidade e menor custo.
1.4 Vantagem em Valor
No ambiente competitivo globalizado, com a tecnologia a custos decrescentes, onde os clientes
são mais exigentes devido ao número de ofertas com qualidade equivalentes - a única maneira de
agregar valor é através dos serviços, segundo Christopher (2002). Para Ballou (2004), a logística
está relacionada à criação de valor para clientes e fornecedores, bem como para os acionistas da
empresa, sendo expresso em termos de tempo e lugar. Para o autor, os produtos e serviços não
têm valor a menos que estejam sob posse do cliente quando (tempo) e onde (lugar) eles desejam
consumi-los.
Assim, conforme Christopher (2002), a disponibilidade é conceito chave para a distribuição, pois
sua ineficiência abre espaço para ação da concorrência que possua qualidade e preços
compatíveis com o mercado, além disso, a disponibilidade é capaz de reter clientes, porque tem
impacto direto nos custos deste, uma vez que ele poderá diminuir seus estoques se o
fornecimento for confiável.
Bowersox e Closs (2001) citam que as empresas orientadas pelas oportunidades do mercado
consideram a satisfação das necessidades dos clientes o principal motivo para o desempenho de
suas atividades e por isso utilizam o conceito de marketing para orientação de suas estratégias.
As empresas procuram identificar essas necessidades específicas e corresponder a elas
vinculando-se aos recursos disponíveis para satisfazê-las de maneira individualizada.
Para Chopra (2003), toda cadeia de suprimento deve maximizar o valor global gerado, ou seja,
maximizar o resultado da diferença entre o valor do produto final para o cliente e o esforço
realizado pela cadeia para atender ao seu pedido. Segundo o autor, o valor, para a maioria das
cadeias comerciais, está ligado a diferença entre a receita gerada pelo cliente e o custo total no
decorrer da cadeia de suprimento, ou seja, a lucratividade da cadeia de suprimento.
Resende (2003) cita que a eficiência da cadeia produtiva depende muito das alianças firmadas ao
longo da cadeia, principalmente no que tange a evolução das integrações, uma vez que estas
representam os custos (da aquisição da matéria prima à distribuição dos produtos acabados).
Para Turban (2004) agregar valor ao longo da cadeia de suprimentos é essencial para o
crescimento da competitividade ou até mesmo para a própria sobrevivência da empresa, mas isso
é limitado por vários problemas ao longo da cadeia. Os problemas são mais evidentes em cadeias
de suprimentos extensas e complexas e em operações envolvendo um número elevado de
parceiros de negócios que se acumulam e assim faz-se nascer à necessidade de busca de soluções
criativas.
Os diversos autores examinados parecem concordar que existe tendência na busca de vantagem
competitiva através do acréscimo de valor aos cliente na cadeia de suprimentos.
1.5 Tecnologia da Informação
Segundo Turban (2004), os termos Sistema de Informação (SI) e Tecnologia da Informação (TI)
são diferentes apesar de, normalmente, serem usados como sinônimos. Para o autor a tecnologia
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106
da informação TI diz respeito ao aspecto tecnológico de um sistema de informação incluindo
hardware, software, banco de dados, rede e outros dispositivos. Desta forma, a TI seria um
subsistema do SI que é responsável pela coleta, processamento, armazenagem, análise e
disseminação de informações com um determinado objetivo. Resumidamente o SI processa os
dados e instruções (inputs) e produz resultados, como por exemplo, cálculos e relatórios
(outputs) para usuários ou para outros sistemas.
Turban (2004) salienta que o termo TI também é usado para denominar um SI e que também
pode ser usado em um sentido mais amplo, descrevendo um conjunto de diversos sistemas de
informação, usuários e gestão de uma empresa inteira. De forma mais genérica, Troger (1997),
considera a TI como dispositivos que transmitem, manipulam, analisam e exploram a
informação. Estes dispositivos ou ferramentas disponibilizadas pela tecnologia da informação
são, para Cunha (2002), essenciais para que a empresa possa personalizar serviços e atender às
necessidades de cada cliente de maneira mais eficaz.
Nas últimas décadas, o fluxo de informações baseava-se principalmente em papel, resultando em
uma transferência de informações lenta, pouco confiável e propensa a erros (FLEURY, 2000, pg
286). O que caracteriza a atual Revolução Tecnológica, conforme Castells (2000), não é a
centralidade de conhecimentos e informação, mas a aplicação desses conhecimentos e dessa
informação, em um ciclo de realimentação cumulativo entre a inovação e seu uso. E esta
Revolução, gerada pela crescente demanda do mercado em conjunto com o progresso
tecnológico, segundo Troger (1997), é responsável pelo desenvolvimento de novos paradigmas
na manufatura, nos negócios e no comércio afetando diretamente o modo como as organizações
devem atualmente reagir ao mercado.
1.6 A importância da TI na Cadeia de Suprimentos
O requisito básico para integração na Cadeia de Suprimentos é o compartilhamento da
informação. Pedido de clientes e de ressuprimento, necessidades de estoque, movimentações nos
armazéns, documentação de transportes e faturas são algumas das informações básicas da
logística.
Segundo Bowersox e Closs (2001), o impacto imediato de todos os tipos de leitura e de
transferência eletrônica, foi um aumento na disponibilidade de informação em tempo hábil,
relativos a quase todos os aspectos do desempenho logístico. Permitindo a otimização do projeto
logístico e o gerenciamento de forma integrada e eficiente de seus diversos componentes,
conforme Fleury et al (2000).
Bowersox e Closs (2001, pg 176) consideram que são três as principais importâncias da
informação logística: 1) O cliente considera que informações sobre status do pedido,
disponibilidade do produto, programação de entrega e faturamento são fatores essenciais de
serviço ao cliente. 2) Com o objetivo central de redução de estoque em toda a cadeia de
suprimentos, os executivos consideram que a informação pode ser um instrumento eficaz na
redução de estoque e da necessidade de RH, por exemplo, a informação de necessidade.3) A
informação aumenta a flexibilidade para decidir como, quando, e onde os recursos podem ser
utilizados para se obter vantagem competitiva.
Turban (2004) diz que o fato é que os recursos estão crescendo de forma exponencial e, com essa
atual taxa de crescimento as empresas terão oportunidade de comprar, pelo mesmo preço, duas
vezes mais capacidade de processamento a cada ano e meio, quatro vezes mais em três anos, oito
vezes mais em 4,5 anos, etc, ou seja, a razão custo - beneficio cairá exponencialmente.
Os Sistemas de Informações Logísticas possuem quatro diferentes níveis de funcionalidade de
acordo com Bowersox e Closs (2001):
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107
1) O sistema transacional funciona como base para todas as operações logísticas. Tem grande
número de usuários, demanda pesada de comunicação e grande volume de transações. Exige
softwares complexos fazendo com que os custos dos sistemas transacionais sejam altos. É neste
nível que todos os dados do ciclo do produto são armazenados. Estes dados são essenciais para
todos os outros processos de tomadas de decisão dentro da cadeia de suprimentos.
2) No controle gerencial são utilizados os dados fornecidos pelo sistema transacionais, que ficam
armazenados em um “Data Warehouse”, para o desenvolvimento de indicadores e relatórios que
serão usados para a mensuração de desempenho.
3) O apoio à decisão tem como objetivo, como o próprio nome já diz, apoiar tomadas de decisão
através do uso de softwares nas atividades operacionais. Possibilitam significativas melhorias na
eficiência das operações logísticas resultando em uma redução de custos.
4) Planejamento estratégico é voltado para desenvolver e aperfeiçoar a estratégia logística. Suas
decisões baseiam-se no nível apoio de decisão e são voltadas para estratégias de longo prazo.
Confirmando a tendência e a relevância da preocupação da adoção desta tecnologia pelas
empresas, uma pesquisa realizada pela ECRBrasil (2006) com 47 empresas das indústrias
alimentícia, farmacêutica, de eletrodomésticos e de vestuário, distribuidores e varejistas durante
um seminário técnico, revelou que 70% das empresas pretendiam investir na tecnologia em
2005, sendo que a proporção no varejo é maior: 89%, enquanto 70% da indústria demonstrou a
mesma intenção. Quanto ao prazo de implantação de sistemas de Rádio Freqüência, a pesquisa
apontou que há unanimidade em empregar a tecnologia em três anos ou mais. O problema é
saber se as empresas instaladas no País estarão tão aptas a atender a esse chamado como estão
suas filiais européias e norte-americanas
1.7 Identificação por Rádio Freqüência (RFID)
Com a crescente pressão do mercado global altamente competitivo, é de vital importância a
busca permanente de fontes de competitividade que mostrem resultados positivos das empresas
para o mercado. Sendo assim, a gestão integrada da cadeia de abastecimento - Supply Chain
Management - juntamente com o apoio do comércio eletrônico é vista como uma resposta
adequada a essa tal pressão global.
Essa nova visão das atividades logísticas e de gestão de informação exige trabalhar em equipe,
valorizando a integração de todos os departamentos da empresa, e estabelecendo alianças com
outras organizações, o que ainda é uma barreira nas empresas brasileiras, onde é muito comum
estruturas departamentalizadas e com má comunicação. Para Cecatto (2002), o Supply Chain
Management surge então para aprimorar e desenvolver todas as atividades relacionadas com o
fluxo e transformação de produtos e serviços associados, desde a obtenção de matérias primas,
até a chegada do produto ao usuário final, bem como os fluxos de informação relacionados e a
geração de valor para todos os componentes da cadeia.
Uma das ferramentas utilizadas para esse fim, é o RFID – “Radio Frequency Identifucation” ou
Identificação por Rádio Freqüência, que é mais bem utilizada e aproveitada quando difundida
por toda a cadeia. Segundo a Intel (2006) este sistema utiliza três elementos para seu
funcionamento: uma antena, um leitor e um transmissor. Diferentemente da tecnologia de código
de barras tradicional, as leitoras de RFID podem digitalizar centenas de itens etiquetados
simultaneamente e não exigem uma "linha de visão" entre a etiqueta e o scanner. Mas o mais
importante do desenvolvimento da RFID, segundo a Intel (2006) está no modo como as
empresas usam os dados obtidos
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108
Os dados gerados pela leitora de RFIDs podem ser convertidos em informações importantes e
acionáveis, que proporcionam um considerável retorno sobre o investimento, ao obter,
consolidar e analisar enormes volumes de dados que podem ser usados para tomar decisões
empresariais mais velozes e eficientes. Por exemplo: aumentar a disponibilidade dos produtos e
identificar as áreas problemáticas na cadeia de abastecimento; dinamizar a eficiência da logística
e reduzir o roubo e a falsificação; aumentar a precisão do inventário e otimizar a projeção de
estimativas comerciais; reduzir os custos de manutenção e concentrar-se nas exceções de
processos dispendiosos
1.8 Vantagens e Desvantagens Obtidas pelo Uso da Tecnologia RFID de acordo com a
Literatura Consultada.
Desenvolve-se neste tópico uma relação de vantagens e desvantagens que a leitura da
bibliografia ofereceu e que serviram de base para a elaboração do questionário da pesquisa.
Vantagens possíveis destacadas:
Rastreamento adequado e preciso de recursos (ativos) e visibilidade ao longo da cadeia de
abastecimento;
A detecção sem necessidade da proximidade da leitora para o reconhecimento dos dados;
A durabilidade das etiquetas com possibilidade de reutilização;
Identificação de falsificações, prevenção contra roubos e devoluções mais velozes;
Aumento da produtividade e redução significativa dos custos operacionais;
A contagem instantânea de estoque, facilitando os sistemas empresariais de inventário;
A precisão nas informações de armazenamento e velocidade na expedição;
A localização dos itens ainda em processos de busca;
Lojas com atendimento mais rápido e auto serviço.
Visibilidade de estoques físicos.
Personalização de produtos e informações correspondentes.
Reciclagem inteligente de produtos.
Desvantagens possíveis relacionadas na literatura:
custo elevado da tecnologia RFID em relação aos sistemas de código de barras é um dos
principais obstáculos para o aumento de sua aplicação comercial. Atualmente, uma
etiqueta inteligente custa nos EUA cerca de 25 centavos de dólar cada, na compra de um
milhão de chips. No Brasil, segundo EAN (2006), esse custo sobe para 80 centavos até 1
dólar a unidade;
impacto do custo da tecnologia no preço final dos produtos.
uso em materiais metálicos e condutivos relativos ao alcance de transmissão das antenas..
A padronização das freqüências utilizadas para que os produtos possam ser lidos por toda
a indústria, de maneira uniforme.
A invasão da privacidade dos consumidores por causa da monitoração das etiquetas
coladas nos produtos.
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109
Alguns fornecedores vêem a adoção de RFID uma política de redução de estoques do seu
cliente, o que reduziria a venda desses fornecedores.
2.PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A questão focal do presente artigo traduz-se pelo interesse de responder a questão da pesquisa:
“O impacto da tecnologia de etiqueta inteligente (RFID) na performance de cadeias de
suprimentos” ( KÖCHE,2003).
Destaque-se portanto o objetivo principal da pesquisa como a identificação deste impacto em
empresas atuando no Brasil e para a consecução deste objetivo principal objetivos específicos
puderam ser obtidos ao longo da pesquisa tais como: conhecer os fatores que levam as empresas
a utilizar o RFID; identificar em qual área da logística empresarial é considerada a sua aplicação;
avaliar os ganhos de produtividade esperados com o uso da ferramenta; entender como os setores
pretendem utilizar a ferramenta; constatar se existem barreiras para a utilização da ferramenta.
( KÖCHE,2003)
2.1 Definição operacional
Uma definição operacional indica a ação ou operação pela qual o significado do constructo se
manifesta. Ela indica a atividade ou comportamento que pode ser observada para se constatar a
existência de um constructo. Foi definido um constructo que pode resumido no Quadro 1 que
permitirá avaliar os principais indicadores visados nesta pesquisa:
Quadro 1 – Construto principal da pesquisa
Definição operacional das variáveis
Variável independente: Tecnologia RFID
Variável dependente: Performance da Cadeia
Produtividade
Redução de Perdas e Custos
Barreiras para utilização
Controle Operacional
Utilização por setor
Competitividade
Nível hierárquico da informação
Visibilidade ao longo da cadeia
Áreas da logística empresarial que utilizam
Indicadores de utilização ( real ou intencional)
Identificação de falsificações, prevenção contra
roubos e devoluções mais velozes
Reconhecimento dos dados sem necessidade da
proximidade da leitora
2.2 Tipo de Pesquisa
Realizou-se uma pesquisa descritiva, pois como explica Richardson (1999, p. 66) o estudo
descritivo é realizado quando se deseja descrever as características de um fenômeno através das
estatísticas de sua ocorrência.
2.3 Metodologia da Pesquisa
Utilizou-se o método quantitativo de pesquisa que segundo Richardson (1999, p.70) “....
representa, em principio, a intenção de garantir a precisão dos resultados, evitar distorções de
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110
análise e interpretação, possibilitando, conseqüentemente uma margem de segurança quanto às
inferências”.
2.4 Plano Amostral
Os respondentes da pesquisa foram profissionais da área de logística, produção e Supply Chain
Management. A amostra foi obtida por acessibilidade, portanto não probabilística, incorrendo
desta forma às limitações de generalizações do seu estudo estatístico. Os respondentes da
pesquisa foram executivos que participavam em diversos seminários de logística em associações
na cidade de São Paulo durante o ano de 2005, escolhidos ao acaso e que se dispuseram ao
preenchimento do questionário.
2.5 Coleta de Dados
Segundo Richardson (1999, p. 189), o questionário é instrumento mais comum entre os
instrumentos de coleta de pesquisa e tem pelo menos duas funções: descrever as características e
medir determinadas variáveis de um grupo social. O instrumento para coletar os dados foi
elaborado especialmente para esta pesquisa com perguntas fechadas, de múltipla escolha e com
escala Likert.
2.6 Tratamento de Dados
Foi utilizado o software estatístico para a análise de estatística descritiva e estatística inferencial
para determinar as relações existentes entre as variáveis adotadas. Os dados foram resumidos em
planilhas determinadas as estatísticas descritivas apresentadas nos resultados de pesquisa. Foram
elaboradas tabelas cruzadas entre as principais variáveis da mesma, apresentado nos resultados
da pesquisa.
3.Resultados e Discussões
Serão demonstrados, a seguir, os resultados da pesquisa realizada observando-se inicialmente
que a pesquisa constatou que a tecnologia ainda é pouco utilizada e que em conseqüência as
respostas obtidas em sua maioria podem ser consideradas como expectativas dos executivos
respondentes em sua futura utilização.
3.1 Fatores Apontados como Possíveis para Utilização da Tecnologia RFID
Classificação Geral - Fatores para Utilização do RFID
FG
er
E
st
oq
FP ue
ed
FP ido
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FI toq
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FA laç
ss ões
Té
cn
ic
a
Freqüencia
160
140
120
100
80
60
40
20
0
Fatores
Gráfico 1 – Classificação Geral – Fatores para Utilização do RFID ( as variáveis estão precedidas das letras F de
fator )
Fonte – Pesquisa realizada
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111
O respondente podia apontar diversas alternativas e embora as diferenças observadas entre as
opções oferecidas pelos respondentes não tenham sido muito nítidas, os fatores para utilização
do RFID em ordem de importância são: melhor gerenciamento dos estoques, movimentação e
transportes e velocidade de liberação dos pedidos. O fator melhorias nas condições de
negociação foi identificado como o menos importante. Talvez uma das razões desta falta de
nitidez na preferência para a utilização da tecnologia seja o fato de que poucas são as empresas
que a utilizam e portanto trata-se principalmente de expectativa. Detalhes deste achado pode ser
estudado em trabalho futuro especifico.
3.2 O Uso da Tecnologia nos Diversos Setores Empresariais
O Gráfico 2 demonstra a dispersão dos resultados pelos diversos setores dos respondentes das
pesquisas na tentativa de identificar alguma tendência na utilização da tecnologia.
FGerEstoque
5
FPedidos
FProdutos
FRuptura
FNegociação
FForçaTrab
4
FArmazenamento
FTransporte
FPerdasEstoque
FManutEstoque
FAtivos
3
Mean
FNivelEstoque
FInstalações
FAssTécnica
2
1
0
Indústria
Comércio
Transporte
Serviços
Setor
Gráfico 2 –Classificação por Setor – Fatores para Utilização do RFID
Fonte – Pesquisa realizada
A observação específica da motivação de utilização em setores da cadeia de suprimentos revela
pequena diferença entre os mesmos.
Respostas de maior média
Menor média
Industrial
o melhor gerenciamento dos estoques e a velocidade de
liberação dos pedidos
melhorias nas
negociações
Comercial
melhor gerenciamento dos estoques e a redução do nível de
estoques
aumento da produtividade na
utilização de ativos.
Transportes
o aumento da produtividade na utilização de ativos e na
seqüência a movimentação e transporte e o melhor
gerenciamento dos estoque
redução nos custos de recall e
assistência técnica mais eficiente
Serviços
melhor gerenciamento dos estoques
melhorias nas
negociações.
3.3 Utilização da Tecnologia nas Áreas
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condições
condições
de
de
112
Áreas que farão melhor uso do RFID
Freqüência
25
20
IATrasnporte
15
IAArmazenagem
10
IAMaterias
IAProcProdutivo
5
0
Muito importante
Importante
Pouco
importante
Pouquissimo
importante
Importância
Gráfico 3 –Áreas que farão melhor uso do RFID
Fonte – Pesquisa realizada
Conforme observado, no Gráfico 3, a maioria dos respondentes considera que a área de
movimentação de materiais fará o melhor uso da ferramenta RFID vindo na seqüência: área de
armazenagem, transporte, processo produtivo. Este resultado poderia ser esperado no entanto
caberia novas pesquisas especificas para determinar com maior precisão esta preferência.
Ganho de produtividades esperada ou obtida com a tecnologia
Freqüência
Ganhos na Produtividade com a Utilização do RFID
16
14
12
10
8
6
4
2
0
IPForçaTrab
IPArmazenamento
IPTrasnporte
IPEstoque
IPManutEstoque
Muito
Importante
Importante
Pouco
Importante
Pouquíssimo
Importante
Não
importante
Importância
Gráfico 4 –Ganhos na Produtividade com a Utilização do RFID
Fonte – Pesquisa realizada
Em relação aos ganhos na produtividade que a utilização da ferramenta RFID pode proporcionar,
segundo o resultado da pesquisa mostrado no gráfico acima, por ordem de importância foram: a
movimentação e transporte, aumento da eficiência da força de trabalho, redução nos custos de
armazenagem, redução das perdas de estoque e redução nos custos de manutenção de estoques.
3.4 Aspectos que Influem no Desempenho Proporcionado pela Tecnologia
Procurou-se identificar que aspectos influem no desempenho empresarial e sob diferentes
perspectivas. Utilizou-se uma certa profusão de possíveis aspectos de influencia de forma a
ressaltar os de maior incidência.
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113
Classificação Geral - Aspectos Influentes no Desempenho
da Cadeia
A
nu
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A Pe
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A r an
R
a s
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A osi oqu
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A liza
re ç
ci ão
cl
ag
em
Freqüência
200
180
160
140
120
100
80
60
40
20
0
Aspectos
Gráfico 5 – Classificação Geral – Aspectos Influentes no Desempenho da Cadeia( a letra A identifica aspecto)
Fonte – Pesquisa realizada
Como os respondentes podiam apontar diversas respostas fica evidente que alguns aspectos
salientam em relação aos demais, embora algumas vezes com valores não muito diferentes de
respostas. No entanto observa-se que os aspectos visibilidade ao longo da cadeia de
abastecimento (190), rastreamento adequado e preciso de recursos (ativos)(180), controle de
estoques(180) e a precisão nas informações de armazenamento e velocidade na expedição(180),
destacam-se dos demais apontados.
3.5 Influência do Setor na Indicação de Performance Propiciada pela Tecnologia.
Aspectos que Influenciam no Desempenho da Cadeia
ANumPedidos
7
AVelocTransp
ARastAtivo
AVisibilidade
6
ADados
ADurabilidade
AProdDemanda
5
AIdentificação
Mean
AProdutividade
4
AContEstoque
APrecisãoInf
ALocalizaItens
3
AAtendimento
AProteção
ADispEstoque
2
AReposiçãoProd
APersonalização
AReciclagem
1
0
Indústria
Comércio
Transporte
Serviços
Setor
Gráfico 6 –Classificação por Setor – Aspectos Influentes no Desempenho da Cadeia
Fonte – Pesquisa realizada
Para o setor Industrial o desempenho na cadeia de suprimento será influenciado com o uso do
RFID no seguinte aspecto rastreamento adequado e necessidade de recursos (ativos) vindo em
seqüência visibilidade ao longo da cadeia de abastecimento, sendo o aspecto menos influente a
diminuição do número de pedidos. O Comércio considera que a influencia se dará com os
aspectos a seguir: a contagem instantânea de estoques vindo em seqüência lojas com
atendimento mais rápido e auto-atendimento sendo o aspecto menos influente reciclagem
inteligente de produtos. O setor de Transporte considera os aspectos maior velocidade de
transporte, rastreamento adequado e preciso de recursos (ativos) bem como contagem
instantânea de estoques como muito influentes no desempenho da cadeia, sendo o menos
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114
influente a diminuição do número de pedidos. O setor de Serviços considera que a influencia se
dará com os aspectos a seguir: rastreamento adequado e preciso de recursos (ativos) e
reconhecimento dos dados sem necessidade da proximidade da leitora e em seqüência
visibilidade ao longo da cadeia de abastecimento, sendo o aspecto menos influente diminuição
do número de pedidos.
3.6 Barreiras para a Utilização da Tecnologia
A principal idéia nesta seção era a de destacar quais seriam as dificuldades para a implantação da
tecnologia visto que a maior parte dos respondentes ainda não a utilizava.
Barreiras para a Utilização do RFID
20
18
16
14
12
10
8
6
4
2
0
Custo Elevado
Aumento Preço
Materiais Usados
Frequencia
Privacidade
Outros
Barreira 1
Barreira 2
Barreira 3
Barreira 4
Barreira 5
Barreira 6
Gráfico 7 –Barreiras para a utilização do RFID
Fonte – Pesquisa realizada
A maior barreira para a utilização do RFID apontada pelo mercado foi custo elevado em relação
aos sistemas de código de barras, em seguida aparecem aumentos no preço final dos produtos,
padronizações das freqüências utilizadas para que os produtos possam ser lidos por toda a
indústria, uso em materiais metálicos e condutivos relativos ao alcance de transmissão das
antenas, e o obstáculo que apresenta menor barreira é invasão da privacidade dos consumidores
por causa da monitoração das etiquetas nos produtos.
3.6 Nível Hierárquico de Decisão Utilizada pela Tecnologia
O principal interesse desta questão referia-se à duvida dos pesquisadores quanto ao seu grau de
importância nos diferentes níveis de decisão empresarial.
Utilização do RFID nos Níveis de Funcionalidade
30
Freqüência
25
20
NívelControle
15
NívelPlanejam ento
10
NívelDecis ão
5
0
Utilizada
Não Utilizada
Utilização
Gráfico 8 : Utilização do RFID nos Níveis de Funcionalidade
Fonte – Pesquisa realizada
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Dentre os níveis de funcionalidades dos sistemas de informações logística o nível de controle
gerencial foi apontado como o que mais utilizaria os dados coletados por essa ferramenta. Neste
caso as respostas foram separadas nos casos de respondentes que utilizam e aqueles que não
utilizam a tecnologia com resultados muito diferentes demonstrando a diversidade de perspectiva
entre eles.
4. Resultados com o Uso da Tecnologia
Freqüência
Resultados Obtidos com o Uso do RFID
12
10
8
6
4
2
0
Cortar os
custos de
verificação
Controle de
inventário
Prevenção
contra perdas
Rastreamento Devolução de
e
produtos
gerenciamento
dos ativos
Rastreamento Gerenciarem o
da origem dos inventário mais
produtos.
eficiente
Planejamento
do inventário
Design do
produto
Outros:
Resultados
Gráfico 9: Resultados Obtidos com o Uso do RFID
Fonte – Pesquisa realizada
As respostas que se destacam estão relacionadas com o controle de estoques em geral tendo-se
as respostas mais nítidas nestes itens.
4.1 A Expectativa de Uso da Tecnologia
Pretendia-se entender neste caso a importância que a tecnologia poderia sugerir aos respondentes
da pesquisa.
A Importância da Utiliz ação do RFID
35
Freqüência
30
25
20
Sim
15
Não
10
5
0
Evitar
Exclusão
Acompanhar
Mercado
Aumentar
Produtividade
Inovadora
Gráfico 10 : A Importância da Utilização do RFID
Fonte – Pesquisa realizada
Observa-se que os aspectos aumentar a produtividade e a competitividade, bem como ter um
posicionamento inovador revelaram ser os principais expectativas pelo uso da tecnologia.
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5.CONCLUSÕES
Os dados obtidos permitiram atingir o principal objetivo da pesquisa identificando os diversos
fatores que influem no desempenho das cadeias de suprimentos e os diversos objetivos
secundários.
Segundo a amostra examinada a utilização desta tecnologia ainda é muito pequena o que se torna
um achado da pesquisa e colocou os resultados na condição de expectativas dos respondentes em
sua maioria.
Em geral os profissionais respondentes da área possuem importante expectativa positiva para o
uso do RFID em relação a possibilidade de desempenho maior no gerenciamento dos estoques de
forma mais eficiente. A expectativa está relacionada à maior produtividade na movimentação e
transportes reduzindo custos de armazenagem, perdas e manutenção de estoques, desta forma, a
área que faria melhor uso do RFID seriam as áreas de movimentação de materiais e
armazenagem. O melhor gerenciamento de estoques é apontado como motivo principal para a
utilização da ferramenta.
Por outro lado observou-se nesta pesquisa que, de forma geral, grande expectativa no uso da
RFID resulte em um melhor desempenho do gerenciamento da cadeia de suprimentos por
melhorar a visibilidade ao longo da cadeia bem como por possibilitar um rastreamento de
recursos mais adequado e preciso. O aumento da produtividade e da competitividade são os
resultados apontados como mais importantes para que se utilize a ferramenta.
Analisando os resultados da pesquisa por setores empresariais observa-se que os setores
industrial, comercial e de serviços concordam que o fator que os levariam a utilizar o RFID seria
o melhor gerenciamento dos estoque, no entanto, o setor de transportes considerou como mais
importante o aumento da produtividade na utilização de ativos.
A análise feita por setor, também, indica que o setor de transporte considera que o uso do RFID
influencia o desempenho da cadeia por permitir uma contagem instantânea de estoques, um
rastreamento adequado e preciso dos recursos (ativos) e por melhorar a velocidade de
transporte. O setor Industrial concorda com o maior desempenho no rastreamento adequado de
ativos, mas também aponta a visibilidade ao longo da cadeia outro fator de influencia no
desempenho da cadeia de suprimentos. O setor comercial aponta a contagem instantânea de
estoques, assim como o setor de transportes. E o setor de serviços aponta o rastreamento
adequado e preciso de recursos (ativos), o reconhecimento dos dados sem necessidade da
proximidade da leitora e em seqüência visibilidade ao longo da cadeia de abastecimento.
Entretanto, os profissionais consideram que a principal barreira à implantação do RFID é seu
custo elevado e o seu reflexo nos preços de venda dos produtos. Destacou-se também na
pesquisa a preocupação quanto à padronização das freqüências utilizadas para que os produtos
possam ser lidos por toda a indústria.
Os resultados obtidos com a pesquisa apontam uma visão muito parecida com aquela das
empresas pioneiras na implantação da nova tecnologia, como as já pesquisadas Wal-Mart e
grupo CBD. Sua utilização esta se dando inicialmente no gerenciamento de estoques e centros de
distribuição, exatamente nas áreas em que foram apontadas pela pesquisa realizada como as que
trazem maiores benefícios.
Sugerimos como estudos futuros que sejam feitas pesquisas mais aprofundadas com relação à
cadeia de suprimento, para verificar se há algum elo e/ou setor específico que fará melhor uso
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dessa ferramenta; identificar a aceitação dos clientes finais em relação ao uso do RFID no
mercado.
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119
PERFIS E CARACTERÍSTICAS DO EMPREENDEDOR DE NEGÓCIO E DO
EMPREENDEDOR SOCIAL: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO
Gilmara de Oliveira Tavares
Luiza Aparecida Balduino
Tatiane Alexandre Silva
Vânia Maria Jorge Nassif
RESUMO
Esta pesquisa teve por objetivo identificar os perfis e características do empreendedor social e
do empreendedor de negócios. O referencial teórico traz os autores de referencia na área e, por
meio de seus estudos, foi possível conhecer os pressupostos teóricos do tema em questão. Tratase de uma pesquisa de natureza exploratória cujo método é o qualitativo. A entrevista foi o
instrumento escolhido para levantamento de dados, por meio de um roteiro semi-estruturado
permitindo aos respondentes oportunidades para expressarem livremente suas experiências como
empreendedores. Foram entrevistados quatro empreendedores sociais e quatro empreendedores
de negócios, totalizando-se oito entrevistas. Os dados foram tratados por meio de análise de
conteúdo, conforme Bardin (1977), contemplando onze categorias de respostas para análise de
resultados. Os resultados da pesquisa demonstram que, de maneira geral, existem convergências
e divergências entre os empreendedores sociais e de negócios. Ambos contrapõem características
e perfis apresentando diversas formas para liderar com um empreendimento, seja uma empresa
privada ou uma instituição sem fins lucrativos. Dessa forma, os dados mostram que em alguns
pontos há semelhanças em seus perfis, pois são determinados, otimistas, acreditam e tem amor
pelo que fazem e torcem para dar certo. Outros pontos são divergentes e mostram que os
empreendedores sociais têm um comportamento mais afetivo relacionado ao trato com pessoas.
Já o empreendedor de negócios tem o seu comportamento centralizado no negócio enfatizando o
gosto pela liderança e pelo próprio negócio.
Palavras-chave: empreendedor social; empreendedor de negócios; perfil, características
INTRODUÇÃO
Os pequenos negócios têm mostrado uma importância crescente como propulsores do
desenvolvimento econômico e social no mundo todo. No Brasil, o tema empreendedorismo tem
sido muito discutido e vem ganhando muita importância devido ao grande número de novos
negócios criados a cada ano e ao insucesso de grande parte deles (SEBRAE-SP, 2001). Isso tem
ocorrido, entre outros motivos, pela degradação do trabalho formal e o aumento dos índices de
desemprego.
As pequenas e médias empresas estão ganhando espaço no mercado nacional, o que leva a crer
que essas empresas têm à sua frente, empreendedores de negócios. Com isso, esse tema se torna
alvo para estudos e entendimentos do que vem a ser um empreendedor.
Ao longo do tempo, surge um conceito do empreendedorismo, voltado para área social,
conhecido como empreendedorismo social. O Empreendedorismo Social teve base no Terceiro
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120
Setor, mais precisamente nas ONG‟s – Organizações não Governamentais – e emerge no cenário
brasileiro, como forma de buscar alternativas para o campo social, perante a crescente
problematização e a redução dos investimentos públicos no campo social, o crescimento das
organizações do terceiro setor e da participação das empresas no investimento em ações sociais.
A noção encontrada na literatura de empreendedorismo social não possui viés economicista, pelo
contrário, como o próprio termo aponta, seu viés é social, ou seja, focado nas questões da
sociedade e nas relações sociais. Assim, o empreendedorismo de caráter social tem como
finalidade a gestão de um empreendimento coletivo, para promover o desenvolvimento sócioeconômico.
Desta forma, essa pesquisa tem por objetivo entender quem é o empreendedor social, visto que a
literatura e estudos científicos, voltados para esse tema são ainda incipientes. Será também,
objeto de estudo dessa pesquisa, diferenciar o empreendedor de negócios do empreendedor
social.
Para tanto, esta pesquisa está organizado da seguinte maneira: na primeira parte, há uma parte
dedicada ao referencial teórico cujo objetivo foi o de procurar entender o que os pesquisadores
da área têm estudado. Os procedimentos metodológicos apontam a estrutura da pesquisa e como
ela foi desenvolvida. Posteriormente foi realizada uma pesquisa de campo com empreendedores
de negócios e sociais, e os resultados foram analisados à luz do referencial teórico. Para finalizar,
as conclusões apresentam o olhar das autoras para esse fenômeno e apresentam-se as limitações,
bem como a recomendações de novos estudos.
1.REFERENCIAL TEÓRICO
1.1 Empreendedor e Empreendedorismo
No mundo contemporâneo, as mudanças são cada vez mais constantes e incertas provocando
competições mais acirradas em um ambiente desafiador. A sociedade tem procurado operar com
uma diversidade de modelos de trabalho, fazendo surgir diferentes tipos de atores sociais
atuando em mercados locais, regionais, globais e até mesmo internacionais. Frente a essa
diversidade de contexto, motivação surge nesse cenário à figura do empreendedor e como sua
ação, o empreendedorismo.
O empreendedorismo, enquanto conceito faz parte da experiência humana desde a criação do
homem, mas apenas nos últimos dois séculos passaram a ser estudado de maneira formal, e
somente há 50 anos passou a ser objeto de interesse científico significativo (FALCONE 2005).
Esses autores afirmam que é comum encontrar, em trabalhos científicos, o estudo do
empreendedorismo qualificado como confuso, nebuloso e complexo.
Para tanto, faz-se necessário explorar os diferentes conceitos encontrados na literatura com o
intuito de buscar pelo conceito de empreendedor social e, por conseqüência, entender esse ator
social frente ao empreendedor de negócio, que, de certa forma, tem sido mais explorado nos
estudos científicos.
São diversos os conceitos encontrados na literatura sobre empreendedorismo como [...]
o processo de criar alguma coisa diferente com valor pela dedicação do tempo e do
esforço necessário, assumindo os riscos financeiros, psicológicos e sociais associados,
recebendo as recompensas resultantes na forma de satisfação monetária e pessoa.
(HISRICH, PETERS, 2003, p.29)
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Percebe-se na afirmação dos autores, que o empreendedorismo relaciona a estabilização do
empreendimento e o retorno monetário associados à satisfação pessoal.
Timmons (1999) define empreendedorismo como criação e distribuição de valor, tendo
benefícios para o próprio indivíduo, organizações e sociedade.
Degen (1989) afirma que “ser empreendedor significa ter, acima de tudo, a necessidade de
realizar coisas novas, pôr em prática as idéias próprias, característica de personalidade e
comportamento nem sempre fácil de encontrar”.
Para Filion (1999), o verdadeiro empreendedor é aquela pessoa que imagina, desenvolve e
realiza suas idéias e visões. Seguindo o raciocínio do autor pode-se entender o
empreendedorismo como o estudo da natureza comportamental do ser humano enfrentando seus
desafios.
Assim, observa-se que o conceito de empreendedor apresenta diferentes facetas. Visando
sintetizar diferentes visões, o Quadro 1, reúne algumas definições.
Quadro 1 – Desenvolvimento dos conceitos de empreendedorismo e do termo empreendedor
Data
Autor
Definição
1961
David McClelland
Alguém dinâmico que corre riscos moderados.
1964
Peter Drucker
O empreendedor maximiza oportunidades.
1975
Albert Shapero
O empreendedor toma iniciativa, organiza alguns mecanismos sociais e
econômicos, e aceita riscosde fracasso.
1980
Karl Vesper
O empreendedor é visto de forma diferente economistas, psicólogos, negociantes e
políticos.
1983
Gifford Pinchot
O intra-empreendedor é um empreendedor que atua dentro de uma organização já
estabelecida.
Robert Hisrich
O empreendedorismo é o processo de criar algo diferente e com valor, dedicando o
tempo e o esforço necessários, assumindo os riscos financeiros, psicológicos e
sociais correspondentes e recebendo as conseqüentes recompensas da satisfação
econômica e pessoal.
1985
Fonte: Adaptado de Hisrich e Peters (2004)
O Quadro 1 revela que o conceito de empreendedorismo vem se aprimorando ao longo dos anos,
as características sobre o empreendedor vem sendo identificadas. Pode - se destacar o fato de que
um dos perfis do empreendedor é saber lidar com os riscos conforme citado pelo autor Hisrich
(2004). Ainda considerando os riscos Dornelas afirma que “o empreendedor é aquele que detecta
uma oportunidade e cria um negócio para capitalizar sobre ele, assumindo riscos calculados”
(2001 p.37).
Drucker (1999) cita a importância da maximização de oportunidades para o empreendedor assim
como Timmons (1999) define o empreendedor como uma pessoa que consegue identificar
oportunidades e sabe aproveitá-las transformando-as em negócios de sucesso. Dolabela (2003)
complementa, os empreendedores conseguem mesmo sem recursos explorar a oportunidade, pois
ele sabe como gerenciar.
Considerando o objetivo do presente artigo, será necessário identificar, conforme a literatura, as
diferenças apontadas entre empreendedor de negócios e o empreendedor social.
Dornelas (2001) relata que os empreendedores de negócios freqüentemente são confundidos com
gerentes e administradores, sendo considerados aqueles que dirigem e controlam ações
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122
desenvolvidas na organização. Conclui que todo administrador tem que ser um bom
empreendedor e também cita as semelhanças entre administrador e empreendedor que segundo
Rosemary Stewart (1982), do Oxford Center, existe três semelhanças: demandas (o que tem que
ser feito), restrições (fatores internos e externos da organização que limita o que o responsável
pode fazer) e alternativas (identificam as opções que o responsável tem na determinação do que
fazer e como fazer).
O empreendedor tem papel fundamental na sociedade, seja numa empresa privada ou numa
administração de organizações sem fins lucrativos. Com isso pode-se perceber que o
empreendedor passa a atuar por sentimento de satisfação pessoal sendo considerado como uma
pessoa motivada, ou seja, de auto-realização pessoal. Considerando a realização pessoal do
empreendedor em diferentes organizações, Hisrich (2004) afirma:
[...] esse crescente interesse é promovido por fatores como o reconhecimento de que
pequenas firmas que desempenham um papel importante na criação de empregos e na
inovação [...] as maiores estruturas organizacionais não oferecem um ambiente para a
auto-realização. (2004, p.36)
Assim, diante dessas observações, compreende-se que a determinação e necessidade de autorealização do indivíduo podem levar ao estabelecimento de um novo negócio.
Fica evidente que o empreendedor é mencionado como alguém que consegue realizar seus
desejos, obter sucesso e se sair sempre bem. E esses conceitos advêm de pesquisas de diferentes
escolas de pensamentos e têm revelado um campo de estudo repleto de controvérsias
acadêmicas, marcadas por uma ausência quase completa de consenso e que tem se caracterizado
por um elevado grau de fragmentação (UCBASARAN; WESTHEAD; WRIGHT, 2001).
Dornelas (2001) pontua que o empreendedor de sucesso possui características extras, além dos
atributos do administrador, algumas características pessoais que somados as características
sociológicas e ambientais, permitem o nascimento de uma nova empresa, ou seja, de uma idéia
surge uma inovação. Estes empreendedores de sucesso são visionários, reflete como será seu
negócio e sua vida e tem habilidades para sonhar. Sabem tomar decisões na hora certa e
programam rapidamente seus negócios. Identificam oportunidades na ordem presente. Hisrich
(2004), afirma que muitos empreendedores tiveram pais também empreendedores, isso
demonstra que a influência familiar faz parte da decisão e conhecimento do empreendedor. Os
empreendedores se apaixonam pelo negócio e sacrificam tudo para garantir sobrevivência, pois o
empreendimento assume prioridade na vida do empreendedor se tornando uma fonte de autoestima.
Para Filion (1999), o empreendedor possui diferentes características como: pessoas criativas, que
tem metas estabelecidas para atingir seus objetivos, mantêm postura e consciência no ambiente e
nas pessoas que convive, está sempre buscando conhecimento e aprendizagem, consegue
desenvolver suas habilidades, as decisões tomadas são de riscos moderados, está sempre
inovando com suas idéias, imagina e realiza suas visões. Destaca também que não se pode
avaliar uma pessoa e afirmar que ela vai ser bem-sucedida enquanto empreendedor ou não. Mas
pode-se dizer se essa pessoa possui características mais comumente encontradas nos
empreendedores. Filion (1999) complementa que a pesquisa sobre empreendedores bemsucedidos permite aos novos empreendedores identificarem as características que devem ser
aperfeiçoadas para a obtenção do sucesso.
Os empreendedores são indivíduos internamente motivados para atuar em seus negócios com
autoconfiança, mais desejosos de independência e autonomia que pessoas não empreendedoras.
São pessoas que possuem predisposição para o progresso, têm uma percepção mais arrojada
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sobre o futuro e as próprias condições, para enfrentar os fatores diversos ao meio. Acredita na
capacidade do homem em construir o próprio destino, melhorar o ambiente externo e encarar
situações difíceis como desafios (SOARES, 1996, p. 207-208). Kests de Vries apud Birley e
Musyka (2001), refere-se aos verdadeiros empreendedores, pessoas que possuem as mesmas
características, como pessoas que caminham para realizações e gostam de assumir
responsabilidades em tomar decisões, também considera como pessoas que não gostam de
trabalho repetitivo e rotineiro.
Para refletir o empreendedorismo social, conforme Mello Neto e Froes (2001) faz-se necessário
mencionar a globalização, considerando que a pobreza, a necessidade do desenvolvimento
humano, os problemas econômicos, políticos e sociais, se disseminaram em meados dos anos 90,
período em que começa a se desenvolver o conceito de empreendedor social, sobretudo, no
Brasil. Lanni (1997, p.79), diz que a globalização fecha, destrói, mas, também abre novos
horizontes, para se pensar, ver e agir sobre um mundo em constante transformação, criando
inibições e deflagrando novas condições para uns e outros indivíduos, grupos, classes,
movimentos e nações. Cria outras possibilidades de ser, agir, pensar e imaginar.
Dees (2002) ressalta que o empreendedorismo social surge de uma falha governamental e
filantrópica. Devido à ineficiência das organizações sociais, sentiu-se a necessidade de trazer
pessoas que focassem em resolver problemas sociais, criando novos modelos para o
empreendedorismo social e afirma que o termo é novo, mas o fenômeno não, “o novo termo é
importante, uma vez que implica na indistinção das fronteiras do setor social” (DEES, 2002,
p.1). Melo Neto & Fróes (2001), defendem que um dos problemas das organizações sociais cuja
demanda para esses novos empreendedores vem do investimento errado efetuado pelo terceiro
setor. Criticam o estado em relação aos projetos que são investidos que só visam intenções
populistas e objetivos eleitorais. Já Drucker (1996) acredita que o empreendedorismo social vem
de uma passagem de uma sociedade agrícola para uma sociedade da informação e como as
questões sociais vieram se tornando mais importantes não somente para o Estado, mas também
para a sociedade como um todo, em específico, junto ao trabalho das Organizações do Terceiro
Setor.
Oliveira (2002) acrescenta que o empreendedorismo social é derivação do empreendedorismo
empresarial e que surge através do crescimento do Terceiro Setor e ressalta que há pouca
bibliografia sobre o assunto, tanto no Brasil quanto no exterior, demonstrando ser um tema novo
e ainda em desenvolvimento com oportunidade para amplas pesquisas. Dentre os primeiros
sinais de empreendedorismo social no Brasil podemos destacar que em 1980 a fundação da
Ashoka por Drayton, acreditou no potencial dos empreendedores sociais para os problemas
sociais no Brasil. A Ashoka tem como objetivo designar fundos para os empreendedores sociais
e disponibilizar uma rede profissional dentro as quais eles possam disseminar idéias e soluções
(BARENDSEN & GARDNER, 2004). A idéia de empreendedorismo social evolui a partir da
necessidade de integrar a parte econômica e social da comunidade buscando o benefício e o bemestar da sociedade. Tentando através da sociedade ações empreendedoras que possam solucionar
os problemas sociais vigentes e dar-lhes suporte cívico, político, ético moral e cultural. (MELO
NETO & FRÓES, 2001, p. 81).
Esses autores pontuam que o empreendedorismo social, é uma ação coletiva que envolve
pessoas da comunidade buscando a integração e o desenvolvimento dessas pessoas. E buscam
através dessas ações, solucionar os problemas da comunidade e ao produzir bens e serviços para
a mesma. Portanto, o foco é buscar soluções para os problemas sociais mediante necessidades da
comunidade, medindo o sucesso através do desempenho, impacto social das atuações, atitudes e
comportamentos, ou seja, o número de pessoas no programa ou projeto de empreendedorismo
social.
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124
Os empreendedores sociais fazem o papel de agentes da mudança no setor social, adotando uma
missão para criar e sustentar o valor social. Agindo corajosamente sem ser limitado por recursos
atualmente à disposição. (JOHANNA MAIR; IGNASI MARTÍ, 2005). O empreendedor social
segundo Dees (2002) é uma das espécies do gênero dos empreendedores que têm uma missão
social no papel de agentes de mudanças. Defende ainda que as ações dos empreendedores sociais
visem um ganho sem necessariamente ser o lucro conforme seria numa organização privada. Já
Rouere e Pádua (2001), dizem que constituem a contribuição efetiva de empreendedores sociais
inovadores cujo trabalho na área social produz desenvolvimento sustentável, qualidade de vida e
mudança de paradigma de atuação em benefício de comunidades menos privilegiadas. Como
características do empreendedor social podem-se destaca que são pessoas com visão estratégica,
habilidades e determinação, não descansam enquanto não resolverem os problemas sociais, não
apenas na sua localidade, mas em todo o sistema. (BILL DRAYTON, fundador da Ashoka).
Uma das características do empreendedor social segundo Dees (1988) é trabalhar
constantemente na melhoria dos problemas, portanto são agentes da mudança no setor social. O
empreendedor social deve adotar como missão criar e sustentar o valor social (não somente o
valor confidencial), além disso, como estratégia destaca que é importante haver um processo de
inovação contínua. Melo Neto & Fróes, 2002, defendem que empreendedor social é um tipo
especial de líder – suas idéias fazem parte de uma metodologia para a busca de soluções para
problemas sociais. Brickerhoff (2000) considera que os empreendedores sociais estão sempre
dispostos a agregar valores aos serviços existentes, bem como a servir aos seus colaboradores
com novas formas de gestão.
Por outro lado, Rao (1998) pontua que os empreendedores sociais, são indivíduos que desejam
colocar suas experiências organizacionais e empresariais mais para ajudar os outros do que para
ganhar dinheiro. Apresenta que empreendedor social possui as seguintes características:Dispostos a correr riscos; - Entendem a diferença entre necessitar e querer; - Mensuram o retorno
social e financeiro de cada um dos investimentos; - Sempre têm uma missão, mas sabem que sem
dinheiro não há missão que se conclua.
É importante destacar também que a Fundação Schwab (importante organização direcionada aos
empreendedores sociais da Suíça) estabelece algumas diretrizes a respeito das características
mínimas que um empreendedor social precisa para ser aprovado em um projeto nessa fundação: Inovação: deve apresentar uma idéia, um produto ou um serviço que dê um novo enfoque para
solucionar problemas sociais; - Modelo a seguir: apresentar qualidades que são referência para
outros empreendedores e para a sociedade em geral, comprovando sua integridade; - Valor
adicionado: o candidato deve apresentar condições de se comprometer com a necessidade de
pensar na alimentação e apoio da rede de empreendedores sociais da fundação não só com o seu
projeto.
Em relação às estratégias desenvolvidas pelos empreendedores sociais, outra característica que
se pode destacar é capacidade de explorar todas as opções do recurso, da filantropia até métodos
comerciais do setor do negócio. Suas estratégias têm que ser elaboradas considerando os
recursos adquiridos, além disso, calcula riscos e controlam o aspecto negativo, para reduzir o
dano que resultará da falha. (GREGORY DEES, 1998). Aponta ainda as seguintes características
em relação ao empreendedor social: - Adotar uma missão de gerar e manter valor social; Buscar novas oportunidades para servir a tal missão; - Engajar-se num processo de inovação e
aprendizado contínuo; - Agir arrojadamente sem se limitar pelos recursos disponíveis; Transparência para com seus parceiros e públicos de interesse; - Determinação em relação a sua
visão, missão e como devem agir;- Avalia seu progresso, não somente pelo tamanho ou pelo
processo e sim pelos resultados sociais, financeiros e de gestão.
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Os empreendedores sociais são tidos como pessoas com visão, experiência e talento que buscam
soluções inovadoras para problemas sociais em grande escala nas áreas do meio ambiente,
educação, direitos humanos, saúde, participação cidadã e desenvolvimento econômico. São tidos
também como pessoas criativas, visionárias, práticas e pragmáticas. Busca criar mudanças
ultrapassando as barreiras e gerando impacto social positivo na região onde atua, através de
ações inovadoras e com estratégias concretas para disseminação de suas idéias. (ASHOKA,
2007). Shaw (2004, p.196), pontua que o empreendedor social possui o perfil de: - Criatividade:
usa se soluções radicais para enfrentar e solucionar os problemas sociais; - Empreendedor:
apresenta seus projetos, negocia suas necessidades, manda suporte para suas idéias e conquista
efetivamente os recursos; - Determinado: demanda que suas idéias ou propostas farão uma maior
diferença quando implementadas com sucesso; - Ético: Assegura que dinheiro público seja bem
usado, que idéias não sejam corrompidas através de interesses adquiridos e que seu compromisso
seja avaliado pelo projeto.
Um dos perfis importantes de um empreendedor social é conseguir tratar a falha de um projeto
como uma experiência de aprendizagem, não uma tragédia pessoal. Agir corajosamente sem ser
limitado por recursos atualmente à disposição. Os empreendedores sociais não deixam seus
próprios recursos limitados mantê-los de perseguir suas visões. São hábeis em fazer mais com
menos. (J. GREGORY DEES, 1998).
Segundo Dees (2002), o objetivo principal do empreendedor social é a missão social voltado
para solucionar os diversos problemas encontrados na sociedade, além de propiciar a integração
das pessoas, produzirem bens ou serviços sem visar o lucro, produzir para a comunidade, ou seja,
preparar as pessoas até que elas possam caminhar sozinhas.
Um dos principais papéis do empreendedor social é a cidadania com enfoque no valor dos
cidadãos:
“Criam novas organizações, abrem seus próprios negócios, vão à busca de recursos,
tecem novas redes de colaboração e apoio mútuo, investem seu tempo e seus poucos
recursos naquilo em que acreditam e acalentam dia-a-dia seus sonhos de transformação”
(MELO NETO & FRÓES, 2001, p. 14)
Para um empreendedor social, a missão social é fundamental, missão da melhoria social que não
possa ser reduzida a criar benefícios confidenciais (retornos ou benefícios financeiros do
consumo) para indivíduos. Dees (1998) destaca que o lucro não é o calibre da criação do valor;
nem é a satisfação de cliente; o impacto social é o que importa para o empreendedor social,
querem mais do que um impacto rápido; querem criar melhorias duráveis.
Drayton fundador da Ashoka (1988) diz que o empreendedor social precisa ter idéias criativas e
inteligentes que possam se transformar em um novo padrão para a sociedade como um todo, ser
totalmente confiáveis, pois segundo ele o mundo já possui um número suficiente de líderes
corruptos.
Segundo Gohn (1998), o processo de crescimento do terceiro setor, está relacionado com os
movimentos sociais no inicio dos 80, com a abertura da política e a queda da ditadura militar que
sofreu um refluxo nos anos 90, decorrente aos despreparos dos movimentos sociais. “A maior
parte dos movimentos sociais populares entrou, nos anos 90, despreparados diante da nova
conjuntura de políticas sociais estatais de parcerias entre estado e entidades da sociedade civil
organizada”. (1998, p.11).
1.2 As diferenças e semelhanças entre empreendedor de negócios e o social
REVISTA JOVENS PESQUISADORES
ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
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A primeira diferenciação feita por Melo Neto & Froes (2001) entre o empreendedorismo social e
o empreendedorismo de negócio estão focadas em alguns aspectos: o empreendedor social não
produz bens e serviços para vender, mas para solucionar problemas sociais. Seu objetivo é
solucionar situações de riscos (exclusão social, pobreza, miséria). Já o empreendedor de
negócios trabalha com:- idéias e oportunidades econômicas e atuam desenvolvendo-as, precisa
reunir capital, trabalho e outros recursos para a produção de bens e serviços para venda.
Além disso, em relação a idéias e inovações os empreendedores de negócios primeiro
identificam as oportunidades para depois desenvolverem as idéias já os empreendedores sociais
buscam soluções inovadoras para os problemas sociais existentes e potenciais. (MELO NETO &
FROES, 2001). Ao que se refere a criatividade e inovação, William Drayton fundador da Ashoka
defende:
“Criatividade e imaginação dos empreendedores sociais não devem nada às dos
empreendedores do setor privado.Ao contrário, são muitas vezes mais criativos e
determinados, pois o risco é maior quando envolve vidas humanas.
Suas
idéias,conceitos e metodologia não são objetos de apropriação individual e
intelectual,como o fazem os empreendedores privados” . (MELO NETO E FROES, p.
9)
Para Thalhuber (1998) tanto os empreendedores sociais, como os empresariais, têm
similaridades, pois “ambos estão criando demanda, obtendo recursos e convertendo idéias em
produtos e serviços [...] são orientados à ação e focados na realidade”. A grande diferença,
segundo o autor, está no sentido do empreendedor social que segundo ele apresentam algumas
características especiais: focam ganhos à longo prazo e uma organização sólida; lucros são um
meio e não um fim; o lucro é investido na própria organização, não vai para os sócios e gera
autonomia para a organização. Serve para ajudar mais as pessoas sempre buscando melhorar a
qualidade de vida de todos, ao contrário de distribuí-las às partes interessadas; desenvolve a
habilidade de suas organizações de estar responsáveis pelos seus próprios destinos e não focar
nas prioridades dos doadores.
Conclui o autor, os empreendedores sociais parecem combinar o melhor dos dois mundos. Eles
sintetizam o foco, com a orientação necessária nos resultados para ter sucesso no mundo dos
negócios, com a abnegação, a paixão e a humanidade que dirigem os ativistas sociais.
O Quadro 2 faz uma comparação entre o empreendedor social e o de negócios e suas diferenças
por diferentes autores:
Quadro 2 – Diferenças entre o empreendedor social e de negócio (Jim Thalhuber)
Empreendedores de negócio
Força é experiência pessoal, conhecimento e energia
Foco em pequenos termos financeiros ganhos
Sem limite no tipo ou liberdade de idéias
Empreendedores sociais
Força é sabedoria coletiva e experiência organizações, é a
chave de financiadores
Foco na construção de longos termos da capacitação
organizacional
Idéias baseadas na organização estão na missão e no centro de
competências
Lucro é um fim, objetivo
Lucro é um significado
Lucro embolsado e/ou distribuído para acionistas
Lucro retorna à organização na ordem para servir mais
pessoas e/ou encontrar grandes resultados
Riscos pessoas e/ou financiador em ativos
Riscos ativos organizacional, imagem e crença pública
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Diferenças entre o empreendedor social e de negócio (Melo Neto & Froes)
Empreendedorismo Privado
Empreendedorismo Social
é individual
é coletivo
produz bens e serviços para o mercado
produz bens e serviços para comunidade
tem o foco no mercado
tem foco na busca de soluções para problemas sociais
sua medida de desempenho é o lucro
sua medida de desempenho é impacto social
visa satisfazer a necessidade dos clientes e ampliar
potencialidades dos negócios
visa resgatar pessoas da situação de risco social e
promovê-las
Fonte: Melo Neto & Froes(2001); Jim Thalhuber (1998)
Além das diferenciações citadas acima Melo Neto & Froes (2001) destacam ainda alguns pontos
importantes sobre esses dois empreendedores. Sobre medida desempenho e retorno os autores
defendem que o empreendedor social mede seu retorno com base na melhoria da qualidade de
vida da comunidade, ou seja, os problemas sociais resolvidos, já o empreendedor de negócios
mede seu retorno na economia, baseado nos resultados financeiros que geralmente mostra o
sucesso de seu projeto, ou seja, prevalece a busca do lucro e aumento das vendas e retorno do
investimento.
Outra característica que diferencia os empreendedores de negócio do empreendedor social é que
o segundo possui paixão e humanismo pelas causas sociais. Dessa forma, uma característica
marcante do empreendedor social é a capacidade de tornar sonhos em realidade. Thalhuber
(1998) ressalta que os empreendedores sociais devem possuir idéias inovadoras para mudar o
modelo da sociedade [...] partem de uma única qualidade organizacional para perseguir sua visão
até tornarem-se uma realidade socialmente extensa.
2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Esta pesquisa teve por objetivo identificar se as características dos Empreendedores Sociais
diferem das características dos Empreendedores de Negócios. Os objetivos específicos deste
estudo ficaram assim definidos: Identificar perfis e características dos empreendedores sociais e
dos empreendedores de negócios baseado na literatura; Desenvolver um mapa de características
reveladas na literatura para comparar com a pesquisa de campo; Analisar os resultados e
verificar aspectos convergentes e divergentes em relação a esses dois atores sociais.
Com base no problema de pesquisa em questão, optou-se pela pesquisa exploratória cujo método
foi o qualitativo. Participaram da pesquisa quatro empreendedores sociais e quatro
empreendedores de negócios. Para empreendedores de negócios os respondentes foram
empreendedores de pequenas e médias empresas de ramos de mercado distintos e os
empreendedores sociais, pessoas que atuam na área da saúde, com crianças, pessoas carentes e
mulheres e participaram da pesquisa. Os critérios de escolha foram acessibilidade e localização
de atuação dos respondentes.
Visando preservar a identidade dos participantes da pesquisa e, para melhor identificá-los, segue
as informações:- Empreendedor de Negócio 1 (E. Negócio 1);- Empreendedor de Negócio 2 (E.
Negócio 2); - Empreendedor de Negócio 3 (E. Negócio 3);- Empreendedor de Negócio 4 (E.
Negócio 4).Os empreendedores sociais foram intitulados como:- Empreendedor Social 1 (E.
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Social 1);- Empreendedor Social 2 (E. Social 2);- Empreendedor Social 3 (E. Social 3);Empreendedor Social 4 (E. Social 4).
O instrumento de coleta de dados eleito para a pesquisa foi a entrevista, por meio de um roteiro
semi-estruturado, objetivo e aberto que considerou os principais aspectos desta pesquisa
proporcionando respostas coerentes para conclusão do estudo. As entrevistas tiveram como
enfoque identificar diferentes características entre empreendedores sociais e empreendedores de
negócios. Foram gravadas e transcritas na integra para assim contribuir com a análise dos
resultados. Todos os empreendedores entrevistados mostraram entusiasmo com o trabalho do
grupo e o tema abordado. Todas as perguntas foram essenciais para compor a análise dos
resultados e os dados foram tratados à luz de Bardin (1977), em que se buscou compreender o
posicionamento dos dois grupos pesquisados. As categorias eleitas para análise dos resultados
foram: Formação acadêmica; Perfil e Característica; Metas e objetivos; Projetos e sonhos;
Influencia familiar; Envolvimento no negócio;Relacionamento com funcionário;Experiências
anteriores;Conquistas e satisfações;Conceito de empreendedor;Diferenças e similaridades entre
empreendedor: social e de negócios.
2.1Análises dos Resultados
A primeira categoria analisada diz respeito a formação acadêmica dos empreendedores
entrevistados. Foram coletados dados como a instituição de ensino e cursos complementares ao
longo dos anos.
Quadro 3: Formação acadêmica dos empreendedores sociais
E.SOCIAL 1
- Faculdade ABC- História
E.SOCIAL 2
FASC – Serviço Social; - FMU - Terceiro Setor e PUC - Serviço Social Área Judiciária
E.SOCIAL 3
- Fundação Santo André – Matemática; - Fundação Mauá - Informática /
Processamento de dados; - FGV - Desenvolvimento Organizacional; - USP Gerenciamento do terceiro setor
E.SOCIAL 4
- Faculdade Rio Branco – Fonoaudiologia e
Psicopedagogia
- Faculdade Rio Branco -
Fonte: Organizado pelas autoras
O Quadro 4 agrupa a formação acadêmica dos empreendedores de negócio entrevistados:
Quadro 4 - Formação acadêmica dos empreendedores de negócio
E. NEGÓCIOS 1
- FGV - Química industrial
E. NEGÓCIOS 2
- PUC - Direito e Ciências Contábeis
E. NEGÓCIOS 3
- UNESP - Direito
E. NEGÓCIOS 4
- 2º Grau
Fonte: Organizado pelas autoras
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Em relação aos empreendedores de negócios observou-se que o nível de escolaridade, para a
maioria dos entrevistados, é de ensino superior, porém, não necessariamente em cursos ligados à
área de atuação dos mesmos. Isso pode ser percebido em Hirish (2004), em estudos em que o
mesmo descobriu que os empreendedores têm mais escolaridade do que a população em geral.
Porém, pelos tipos e qualidade da educação recebida, às vezes, não desenvolvem as habilidades
para a criação de um empreendimento e processo administrativo.
Já para os empreendedores sociais pode-se perceber que a maioria tem conhecimentos ligados à
área social. Observa-se ainda que, todos os entrevistados têm ensino superior em cursos voltados
a área social. Diferente do empreendedor de negócio, os estudos que pontuam as questões de
formação são menos recorrentes nos dados que relaciona empreendedores sociais e sua
formação.
A categoria de resposta Perfil aglutinou os dados levantados durante a entrevista, em que os
respondentes citaram um pouco sobre o seu perfil e características gerais. Esses dados estão
agrupados, obtendo respostas tanto de empreendedores sociais quanto de empreendedores de
negócios.
Quadro 5 - Perfil dos empreendedores.
Empreendedor Social
Empreendedor de Negócios
Não tem preconceitos;
Amor pelo que faz;
Acreditar na causa;
Trabalham sem querer nada em troca;
Gostam de planejar;
Criar metas;
Fazer projeto na vida pessoal e
profissional;
Gosta da convivência com as pessoas;
Ser tolerante;
Ser compreensivo.
Determinado;
Aceitar desafios
Gostar de orientar pessoas;
Dedicado;
Amor pelo que faz;
Concentrado;
Gosta da liderança;
Flexível;
Planejador;
Inovador
Comunicativo
Facilidade de relacionamento
interpessoal
Fonte: Organizado pelas autoras
Foram identificados diferentes perfis e características para os empreendedores sociais e de
negócios dentro do grupo pesquisado. Percebe-se alguns pontos semelhantes nos dois grupos,
pois estão relacionados à determinação, otimismos e, além disso, acreditam e tem amor pelo que
fazem e torcem para dar certo. Esses dados têm semelhança quando observado a análise de
Dornellas (2001), para o perfil do empreendedor de negócios, em que pontua que eles são
otimistas, tem alta dedicação e são incansáveis pelo trabalho; tem amor pelo que faz se tornando
os melhores vendedores de seu produto e serviço, valoriza seus funcionários tornando-se
admirado, forma time. Para Shaw (2004, p.196), ainda analisando as convergências ele pontua o
seguinte perfil para o empreendedor social: são determinados: demanda que suas idéias ou
propostas farão uma maior diferença quando implementadas com sucesso.
Ao que se refere à divergência, alguns dados coletados mostram que os empreendedores sociais
têm um comportamento mais sentimental relacionado ao trato com pessoas. Já o empreendedor
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de negócios tem o seu comportamento centralizado no negócio como ser verdadeiro e gostar de
ser líder. Tal conceito pode-se relacionar com a análise de Hisrich (2004) que define que há um
comportamento no perfil empreendedor que inclui: a iniciativa, organização e reorganização de
mecanismos sociais e econômicos. Já o empreendedor de negócios, tem seu comportamento
centralizado no negócio, como gostar de ser líder, verdadeiro e dedicado.
A terceira categoria mostra as metas e objetivos de cada empreendedor, as quais se referem tanto
as carreiras profissionais, como na vida pessoal.
Quadro 6 – Metas e objetivos dos pesquisados
Empreendedor Social
Empreendedor de Negócios
Ser agente de transformação para
ajudar o jovem
Fazer a diferença na vida dos jovens
carentes
Ajudar o próximo, pessoas carentes
Seguir estatuto e normas
Promover a educação familiar
Desenvolver atividades sócio
educativas
Elaborar metas através de
planejamento estratégico.
Aprovação de metas através de um
conselho, reuniões
Atingir um número maior de clientes
Fidelizar os clientes
Ter um bom gerenciamento nas
empresas
Oferecer algo novo para os clientes
Fazer a empresa crescer
Fazer um planejamento para alcançar
as metas
Fazer Reuniões para decisão e
aprovação de metas
Aumentar carteira de clientes
Focar no melhor atendimento ao
cliente
Fazer um planejamento para alcançar
as metas
Fonte: Organizado pelas autoras
Nos dados coletados, foram percebidas divergências entre os dois modelos. Uma delas é
relacionada às metas que para o de negócio foi observado que as metas e os objetivos estão
totalmente relacionados com o cliente e o crescimento do negócio. Para os sociais a meta e o
objetivo, podem-se relacionar em como poder melhorar a ajuda ao próximo.
Referente à semelhança, observou-se que tanto os empreendedores sociais quanto os de negócio
fazem reuniões e planejamento para traçar suas metas e objetivos, isso vem de encontro com a
teoria de Filion (1999), diz que o empreendedor possui características como: pessoas criativas,
que tem metas estabelecidas para atingir seus objetivos.
No quadro abaixo, compara-se quais são os sonhos dos empreendedores e ao mesmo tempo,
mostra os principais objetivos dos empreendedores tanto na vida pessoal quanto no negócio.
Quadro 7 - Projetos e Sonhos dos empreendedores
Empreendedor Social
Empreendedor de Negócios
Capacitar jovens;
Trazer qualidade de vida para as
pessoas;
Ter reconhecimento do trabalho pelas
pessoas;
Conseguir atingir o plano;
Implementar um projeto social
(responsabilidade social)
Abrir novas filiais em outras regiões
(local e global);
Oferecer melhores benefícios para os
funcionários;
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Capacitar e orientar pessoas que
precisam obter trabalho;
Ajudar pessoas se relacionarem com a
sociedade;
Fazer parcerias com pessoas que
possam ajudar no projeto;
Ajudar as pessoas e emancipá-las.
Proporcionar melhores condições de
trabalho (melhorar a estrutura da
empresa);
Oferecer cursos e treinamentos para
os funcionários, capacitando o lado
profissional;
Implementar
projetos
de
sustentabilidade.
Fonte: Organizado pelas autoras
Pode-se observar que todos os empreendedores sociais têm como projetos e sonhos ajudar as
pessoas, ou seja, fazer algo que proporcionem melhor qualidade de vida para a sociedade,
sempre focando proporcionar mais conhecimento, capacitação e até mesmo relacionar-se perante
a sociedade.
Essa análise vem ao encontro com a teoria de Melo Neto e Froes (2002) que defendem que os
empreendedores sociais trabalham através de ação coletiva que envolve pessoas da comunidade
buscando a integração e o desenvolvimento dessas pessoas. E buscam através dessas ações,
solucionar os problemas da comunidade e ao produzir bens e serviços para a mesma. Ao
comparar com os empreendedores de negócios, percebem-se semelhanças em relação aos
projetos e sonhos, pois os mesmos também querem fazer parte de algum projeto social com
intenção de ajudar as pessoas. Com relação às diferenças entre os empreendedores, compreendese que alguns dos empreendedores de negócios têm seus projetos e sonhos focados na empresa,
como a ampliação de seu negócio, Dornelas (2001) diz que os empreendedores de sucesso são
visionários, tem habilidades para programar seus sonhos, refletindo essas habilidades no seu
negócio e na vida.
Na sexta categoria estão relacionados as influencias familiares e breve histórico de vida de cada
empreendedores sociais.
Quadro 8 – Histórico e influência familiar dos empreendedores sociais
E.SOCIAL 1
E.SOCIAL 2
E.SOCIAL 3
E.SOCIAL 4
Tem apoio da família no projeto;
Houve modificações boas no relacionamento com família depois
que iniciou projeto;
Tem ajuda de todos quando precisa.
Origem pobre; família grande;
Batalhou para estudar e alcançar seus objetivos;
Família não apóia o trabalho, porém todos admiram.
Origem pobre;
Sempre estudou em escolas públicas;
Esforçou-se para chegar onde está;
Dificuldade no começo para se dedicar aos filhos e ao trabalho.
Família sempre reunida;
Tem a compreensão de todos;
Organiza o tempo para dedicar-se á família.
Fonte: Organizado pelas autoras
Ao analisar a influência familiar dos empreendedores sociais, percebe-se que a maior parte deles
tem bom relacionamento com a família, apesar da dificuldade para dedicar-se ao trabalho e a
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família, ao mesmo tempo, tem compreensão de todos para ajudar quando é preciso. Não foi
encontrado na literatura nenhuma teoria com relação a influência familiar dos empreendedores
sociais.
No quadro abaixo estão relacionados as influencias e histórico familiar na vida dos
empreendedores de negócios.
Quadro 9 - Histórico e influência familiar dos empreendedores de negócio
E. NEGÓCIOS 1
Influência do pai para ingressar na empresa;
Trabalha com membros da família.
E. NEGÓCIOS 2
Tem apoio da família com relação as responsabilidades de trabalho;
Trabalha com vários familiares na empresa.
E. NEGÓCIOS 3
Influência do pai para ingressar na empresa, para ajudar no trabalho;
Trabalha com membros da família.
E. NEGÓCIOS 4
Família humilde;
Não teve nenhuma influência familiar;
Hoje trabalha com a esposa.
Fonte: Organizado pelas autoras
Na fala dos empreendedores, percebe-se uma grande influência familiar na vida e no negócio. A
maioria teve a influência dos pais para ingressar na empresa e, além disso, percebe-se que vários
membros da família trabalham com esses empreendedores e a maioria entrou com a influência
dos mesmos. Apenas o Empreendedor 4 que não teve apoio nem influência familiar em relação à
abertura do negócio, mas em relação à participação da família no negócio a esposa trabalha com
o empreendedor na empresa a anos. Convergindo com as análises acima Hisrich (2004), que
afirma que muitos empreendedores tiveram pais também empreendedores, demonstrando que a
influência familiar faz parte da decisão e conhecimento do empreendedor. Os empreendedores se
apaixonam pelo negócio e sacrificam tudo para garantir sobrevivência, pois o empreendimento
assume prioridade na vida do empreendedor se tornando uma fonte de auto-estima.
No quadro abaixo, foram listados o envolvimento dos empreendedores sociais e de negócios em
seu empreendimento, através da entrevistas falaram sobre a importância desse envolvimento e
como é lidar com a rotina dentro das instituições.
Quadro 10 - Envolvimento no negócio
Empreendedor Social
Empreendedor de Negócios
Treina toda equipe para melhorar o trabalho;
Trabalhar para atingir envolvimento de todos
na equipe;
Rotina igual a qualquer trabalhador
Ter uma agenda flexível;
Ter diferentes comportamentos dependendo
do lugar.
Ter esforço e dedicação todos os dias para
alcançar as metas.
Organizado com as tarefas o trabalho;
Trabalham com reuniões para fazer um
planejamento completo;
Treina toda equipe para melhorar o trabalho;
Está sempre inovando e se esforçando para
atingir os objetivos;
Ter controle sobre os acontecimentos gerais
na empresa;
Estar sempre informado sobre ferramentas
novas de trabalho que ajudam no dia a dia;
Fonte: Organizado pelas autoras
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Para os dois tipos de empreendedores, há um grande envolvimento com o negócio, o que foi
mais identifica é que todos destacam o trabalham em equipe pensando na capacitação dos
funcionários através de treinamentos.
Para os empreendedores de negócio a organização é um ponto forte, e além disso consideram
que reuniões fazem parte do seu dia a dia normal. Os empreendedores sociais destacam que sua
rotina não tem nada de diferente de um trabalhador qualquer, falam ainda que parte importante
principal do trabalho é ter uma agenda flexível e além disso conseguir se adequar aos diferentes
tipos de ambientes e pessoas lidam no dia a dia.
Conforme a análise de envolvimento dos empreendedores com o negócio, equipara-se ao
conceito de Hisrich (2003) onde o autor pontua esse envolvimento como o processo de criar
alguma coisa diferente com valor, dedicação do tempo e do esforço necessário, assumindo os
riscos financeiros, psicológicos e sociais associados, recebendo as recompensas resultantes na
forma de satisfação monetária e pessoa. Ou seja, para todos os empreendedores a dedicação e o
esforço todos listam que é fundamental para o sucesso do negócio.
No quadro abaixo, são apresentadas as formas de relacionamento que os empreendedores sociais
e de negócios têm com seus funcionários, como lideram e qual o envolvimento com sua equipe
de trabalho.
Quadro 11 – Relacionamento com funcionários
Empreendedor Social
Empreendedor de Negócios
Flexibilidade em coordenar a equipe;
Gosta de liderar sua equipe;
Bom relacionamento com equipe;
união
Todos voluntários trabalham com
dedicação;
Consegue envolver todos com paixão
no trabalho;
Liderança através da orientação;
Saber gerenciar expectativas dos
funcionários.
Analisa os resultados com os
funcionários;
Trabalha com harmonia,
Procuram discutir opiniões com
funcionários; saber ouvir
Procuram estar sempre ligado á
equipe;
Preferem gerenciar analisando os dois
lados (o da empresa e o do
funcionário);
Trabalhar com confiança na equipe.
Fonte: Organizado pelas autoras
Na literatura é citado por Dornelas (2001) que as habilidades do empreendedor são categorizadas
em três áreas, sendo uma delas ligadas ao lado do envolvimento com pessoas. Pode-se perceber
que todos os entrevistados têm bons relacionamentos com os funcionários, porém cada modelo
de empreendedor tem a sua forma de relacionamento. Conforme demonstrado nas falas dos
empreendedores, nota-se que os empreendedores sociais têm maior facilidade de se relacionar
com funcionários, o fato de trabalharem com o mesmo objetivo social em ajudar pessoas, traz
um maior envolvimento entre os mesmos.
Os empreendedores de negócios, também têm bom relacionamento com os funcionários
prezando harmonia no ambiente de trabalho, mas apresenta como foco gerenciar o
desenvolvimento do funcionário com o trabalho, ou seja, os resultados que trará.
Para os de negócios, observou-se que acreditam ser um ponto a ser melhorado. Para os sociais,
observou-se que esse ponto é fundamental que as atividades a serem desenvolvidas possam dar
certo.
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Diferente do empreendedor de negócio, não foi encontrado na literatura dados acerca de
empreendedores sociais e seu relacionamento com funcionários / pessoas.
Na próxima categoria foi observada a trajetória profissional dos entrevistados antes de se
tornarem empreendedores. Cada entrevistado falou sobre suas experiências anteriores,
independentes se havia ligação com o trabalho atual.
Quadro 12– Experiências profissionais dos empreendedores sociais.
E.SOCIAL 1
E.SOCIAL 2
E.SOCIAL 3
E.SOCIAL 4
Não havia trabalhado antes de participar do projeto;
É Assistente Social e Diretora no projeto;
Sempre planejou trabalhar em projeto carente.
Trabalhou na área pública;
Trabalho na Secretaria de habitação e Assistência Social;
Iniciar uma escola de datilografia, mas desistiu.
Trabalhou como secretária;
Trabalhou em várias áreas dentro da organização;
Foi a primeira gerente da empresa;
Foi também gerente geral.
Trabalhou somente em um lugar além da fundação;
Teve oportunidade de crescimento na fundação;
Buscou mais conhecimento nos estudos para atuar na fundação.
Fonte: Organizado pelas autoras
Quadro 13 – Experiências profissionais dos empreendedores de negócios.
E. NEGÓCIOS 1
Trabalhou apenas 1 ano fora da empresa.
E. NEGÓCIOS 2
Nunca trabalhou em outra empresa;
Teve dificuldade para decidir carreira profissional;
Estudou outras áreas diferentes.
E. NEGÓCIOS 3
Atuou 2 anos como advogado.
E. NEGÓCIOS 4
Trabalhou como Carpinteiro;
Trabalhou em Construção Civil.
Fonte: Organizado pelas autoras
Conforme análise de experiências profissionais anteriores vivenciadas pelos empreendedores, o
abandono de carreira mostrado em algumas falas acima é citado por Hirish (2004) que observa a
necessidade de escolha na hora de tomar a decisão sobre o abandono a atual carreira ou o estilo
de vida.
Observou-se que os entrevistados levaram em consideração o “gostar do negócio”, pois a
maioria teve oportunidades de seguir outros caminhos profissionais, mas optaram em ter o seu
próprio negócio. Percebe-se que alguns dos entrevistados mudaram de carreira ou de área de
atuação para se dedicarem ao empreendedorismo. Para os empreendedores sociais, percebe-se
que apesar de alguns já terem experiências em outras áreas, havia um histórico que influência no
trabalho com empreendedorismo social. Já os empreendedores de negócios buscaram novos
desafios, como estudar diferentes áreas de atuação, mas o fato de ter seu próprio negócio os
levou a novas experiências de negócios que alguns puderam usar conhecimentos anteriores para
aplicar no seu próprio empreendimento.
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A próxima categoria refere-se a conquistas e satisfações, onde os empreendedores listam as
maiores conquistas, da organização ou empresa. Também estão relacionadas às satisfações
oferecidas pelas instituições, para cada empreendedor.
Quadro 14 – Conquistas e satisfações dos entrevistados
Empreendedor Social
Empreendedor de Negócios
Um espaço bom e seguro para as
pessoas;
Aprender fazer bons projetos;
Ver pessoas felizes e unidas;
Ter o reconhecimento do trabalho
pelas pessoas;
Ver a transformação das pessoas que
são ajudadas;
Ver a auto-estima das pessoas que
receberam ajuda;
Obter relatos de sucesso de pessoas
que ajudam.
Reconhecimento e satisfação dos
clientes;
Lucro;
Obter funcionários mais qualificados
através de treinamentos e incentivos;
Abrir novas filiais;
Oferecer oportunidades para os
funcionários;
Reconhecimento da empresa no
mercado;
Conseguir desempenhar um bom
trabalho sempre.
Fonte: Organizado pelas autoras
Observou-se que todos os entrevistados citaram suas conquistas e satisfações ligadas às
instituições. Citam um momento importante, algo que foi alcançado ou algo que seja a essência
do negócio, além disso destacam momentos que acontecem no dia a dia que fazem perceber que
o que estão fazendo vale a pena.
Pode-se perceber que tanto para os empreendedores de negócios quanto para os empreendedores
sociais, a conquista e satisfação servem para aumentar o desejo de continuar com o projeto ou
empresa. Os empreendedores sociais destacam que a maior satisfação é o retorno pessoal ou seja,
ligado a felicidade e reconhecimento das pessoas dos quais eles trabalham é o fato de ver as
pessoas que eles ajudam felizes, além disso enfatizam que conseguir fazer com que as pessoas
que eles ajudam consigam se transformar em pessoas melhores, assim como transformar suas
vidas é destacado por esses empreendedores como grande conquista. Para Melo Neto &
Fróes(2001)os empreendedores sociais investem seu tempo, apoio, recursos, para conquistar o
seu maior sonho o de transformação da sociedade.
Ainda relacionado a pessoas o empreendedor de negócios reconhece a satisfação de conseguir
através de treinamentos e orientações desenvolver bons funcionários e, além disso, conseguir
oferecer oportunidades para os mesmos relacionados ao seu desempenho. Segundo Dornelas
(2001) o empreendedor deve valorizar seus funcionários tornando-se admirado, além disso tem
que saber avaliar a chance de sucesso quando utiliza o capital intelectual para criar valor para a
sociedade.
A próxima categoria refere-se ao conceito de empreendedorismo citado por cada empreendedor
durante a entrevista, qual a idéia deles sobre conceito de empreendedorismo da sua respectiva
área de atuação.
Quadro 15 – Conceito de empreendedorismo
Empreendedorismo Social
Empreendedorismo de Negócios
Ter liderança na comunidade e
Obter lucro financeiro e benefícios;
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envolver nela
Melhorias na comunidade;
Lutar pela causa coletiva,fazer algo
por alguém;
Buscar retorno e satisfação de
pessoas;
Satisfação em ajudar as pessoas;
Orientar e desenvolver pessoas;
Trabalhar, sem querer retorno
financeiro;
Ir atrás dos sonhos e colocá-los em
prática;
Ter coragem de arriscar;
Acreditar em si mesmo;
Saber gerenciar.
Trabalhar com pessoas em
transformação;
Fazer planejamento e estabelecer
metas;
Ter visão de negócio;
Fazer acontecer;
Não ter medo;
Assumir e saber lidar com os riscos;
Ser atualizado;
Ir atrás dos sonhos;
Ter uma reserva financeira;
Saber gerenciar.
Fonte: Organizado pelas autoras
Conforme as falas citadas acima, os empreendedores de negócios destacam como conceito sobre
empreendedorismo, que há riscos a serem assumidos para ser um empreendedor, mas também há
formas de superá-los. Apontam também que o mercado deve ser estudado e entendido para se
assumir tais riscos, pois é através disso que alcançam o sucesso.
Esses conceitos apontados pela maioria dos entrevistados são condizentes com a teoria dos
autores: Hisrich e Peters (2003) que destacam que o empreendedorismo exige: dedicação,
esforço e além de tudo o empreendedor deve estar disposto a assumir os riscos financeiros,
psicológicos e sociais associados para conseguir o que deseja. Dornelas (2001) afirma que o
empreendedor de negócios detecta uma oportunidade e cria um negócio para capitalizar sobre ele
e precisa assumir os riscos, porém calculá-los.
Com relação aos empreendedores sociais, são apresentados no quadro 23 como conceitos de
empreendedorismo, a pessoa que trabalha sem esperar retorno financeiro, pois consideram que o
maior investimento está nas pessoas amparadas, conceituam também como empreendedor a
pessoa que trabalha a favor da comunidade e coletividade.
Esses conceitos apresentados pelos entrevistados são compatíveis com a teoria apresentada pelos
autores Melo Neto & Froes (2001) que destacam que para os empreendedores sociais, a medida
de desempenho e retorno são feitos com base na melhoria da qualidade de vida da comunidade.
Para Dees (2002) o objetivo do empreendedorismo social está ligado à missão social e voltado
para solucionar os problemas da sociedade, visa produzir bens ou serviços sem visar o lucro.
De acordo com o tema principal do trabalho foi inserido como pergunta chave nas entrevistas aos
empreendedores o que eles identificam qual era a principal semelhança entre os empreendedores
sociais de negócios.
A maioria dos entrevistados considerou como semelhança o fato dos dois modelos colaborarem
para a coletividade e sociedade. Acreditam que no caso do empreendedor de negócios ele
emprega pessoas, paga salários, bônus, dentre outros, ou seja, de acordo com a opinião dos
mesmos estão ajudando a sociedade. Assim como o empreendedor social também busca ajudar a
sociedade, ele trabalha com a causa principal: pessoas, ou seja, ajudar a comunidade da melhor
maneira usando a gestão e os recursos disponíveis.
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São segmentos diferentes, porém os dois com o mesmo objetivo: ajudar a sociedade a se
desenvolver ter uma melhor qualidade de vida, porém de maneiras distintas. Isso vem ao
encontro com a teoria de Timmos (1999) que define que o empreendedor tem a necessidade de
criação e distribuição de valor, trazendo benefícios para o próprio indivíduo, organizações e a
sociedade. Dornelas (2001) também destaca que o empreendedor deve saber avaliar a chance de
sucesso e utilizar o capital intelectual para criar valor para a sociedade. Melo Neto & Fróes
(2001) trazem a idéia de que o empreendedor social vem integrar a parte econômica e social da
comunidade buscando o benefício e o bem-estar da sociedade.
Entre as diferenças de conceito dos empreendedores sociais e de negócio destacou-se a questão
do “lucro” que os modelos de empreendedores analisados possuem, ou seja, para o
empreendedor de negócio o maior foco está no lucro da sua empresa, no retorno em dinheiro. Já
o empreendedor social avalia outro tipo de “lucro” que se relaciona à realização pessoal. Isso
converge com a teoria de Rao (1998) que pontua os empreendedores sociais, como indivíduos
que desejam colocar suas experiências organizacionais e empresariais mais para ajudar os outros
do que para ganhar dinheiro. Jane Berry (2003) também destaca que o objetivo do empreendedor
social é construir lucros sociais para melhorar a qualidade de vida da sociedade.
Os dados levantados na literatura em relação ao empreendedor de negócio estão também
condizente ao encontrado nas entrevistas, Hisrich (2004) diz que o empreendedor organiza e
opera uma empresa para o lucro pessoal.
Portanto, os empreendedores de negócio visam o ganho financeiro enquanto o empreendedor
social visa o ganho de ver uma sociedade melhor, como pôde ser observado nas citações acima.
De acordo com as respostas analisadas e que geraram onze categorias de respostas, pode-se
observar que existem diferenças e semelhanças entre os empreendedores sociais e de negócios.
Ambos contrapõem características e perfis apresentando diversas formas para liderar um
empreendimento, seja uma empresa privada ou uma instituição sem fins lucrativos.
3.CONCLUSÃO
A presente pesquisa teve como objetivo identificar as características gerais dos empreendedores
sociais e empreendedores de negócios e analisar as possíveis divergências e convergências entre
os dois. A escolha do tema foi fundamentada pelo fato da literatura, ainda, não ter grandes
aprofundamentos ligados ao empreendedorismo social. As diferentes abordagens e linhas de
pensamento que permeiam o tema serviram de estímulo para que a realização desse trabalho se
concretizasse.
A pesquisa procurou levantar, por meio da literatura, os conceitos sobre os empreendedores de
negócios e sociais, assim como as características de cada um deles.
Por meio de entrevistas qualitativas com empreendedores foi possível a obtenção de dados para
serem analisados e comparados com as teorias relacionados à pesquisa dos principais autores que
falam sobre o tema.
Após analisar as respostas provenientes das entrevistas, foram geradas onze categorias, a saber:
formação acadêmica, perfil e característica, metas e objetivos, projetos e sonhos, influencia
familiar, envolvimento no negócio, relacionamento com funcionários, experiências anteriores,
conquistas e satisfações, conceito de empreendedor e diferenças e similaridades entre
empreendedor social e de negócios.
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Para efeito de análise de todas as respostas coletadas, foram apresentadas ao longo do trabalho
apenas aquelas que a maioria dos empreendedores possuía a mesma opinião. Assim pode-se
perceber que existiam algumas particularidades para alguns entrevistados, as quais já estavam
dentro das expectativas das entrevistadoras, pelo fato da amostra ser composta por poucos
participantes.
O resultado da pesquisa, de modo geral, atendeu as expectativas das entrevistadoras, pois foi
possível identificar algumas semelhanças e diferenças nas características gerais dos dois modelos
de empreendedores.
Como semelhança, os dois tipos de empreendedores concordam que trabalham em pró da
coletividade e a sociedade. Ou seja, os empreendedores sociais trabalham diretamente com a
sociedade buscando a melhoria da qualidade de vida das pessoas mais carentes e os
empreendedores de negócios acreditam que através do seu negócio geram empregos, pagando os
salários e impostos, e assim, colaboram com a sociedade. Além disso, observou-se que, de
acordo com a fala dos respondentes, os dois grupos dizem que gostam de trabalhar com pessoas
e gostam de liderar, se preocupam com as pessoas com que trabalham e buscam através de
treinamentos e orientação ajudar a desenvolver seus colaboradores e voluntários.
Tendo como principal diferença pode-se destacar o “lucro” que cada empreendedor social e de
negócios espera. No caso do empreendedor de negócio ele busca lucro financeiro da sua
empresa, para poder expandir, inovar, contratar mais pessoas e ter um padrão de vida melhor.
Procuram visualizar seus resultados através de gráficos entre ganhos e despesas. Para os
empreendedores sociais o lucro vem da satisfação de ver as pessoas, que estão ajudando,
melhores, ou seja, o ganho do negócio é conseguir ver os resultados das transformações das
pessoas, conseguirem ter o reconhecimento da comunidade e expandir seu projeto para o maior
número de pessoas e atrair voluntariados.
A pesquisa trouxe aprendizado e um avanço no conhecimento acerca do tema. Além disso, os
dados puderam ser comparados com o referencial teórico apresentado ao longo do trabalho,
podendo assim, expandir os conhecimentos tanto na parte teórica como na prática. Mas, ressaltase que as respostas advindas de tal pesquisa são específicas para o grupo estudado, e desta forma
não podem ser generalizadas.
Com o término da pesquisa, observou-se carências de estudos desenvolvidos por autores
brasileiros sobre o tema de empreendedorismo social, fazendo com que um trabalho tão
importante como o empreendedorismo social que já está sendo explorado há anos no Brasil ainda
não tenha a devida atenção de pesquisadores e de acadêmicos. Dessa forma, incentivar o
desenvolvimento de novos estudos e pesquisa dentro da abordagem em questão, ampliaria a área
de conhecimento no empreendedorismo e, por conseqüência, os ganhos se estenderiam para área
correlatas e de muita utilidade para a sociedade brasileira.
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TAMANHO É DOCUMENTO! E BELEZA É FUNDAMENTAL? EXPLORANDO
INFLUÊNCIAS DE COMPRA NA RELAÇÃO EMPREGADA DOMÉSTICA – PATROA.
Carla Murakawa
Gabriel Barros O. de Gaetano
Oswaldo Vecci
Rubens Norio Hada
Áurio Lúcio Leocádio
RESUMO
O consumidor de baixa renda apresenta particularidades em seu processo decisório, e sofre
influências que requerem maior aprofundamento para que haja melhor absorção e adesão de
produtos e serviços. Este trabalho buscou identificar a existência de fatores de influência
surgindo da base da pirâmide ao topo. Desta forma, o objetivo geral do estudo é analisar a
influência de compra do consumidor de baixa renda na relação empregada doméstica-patroa,
além de identificar desejos de compra e papéis desempenhados no processo de compra. O
trabalho fundamenta-se na literatura sobre comportamento do consumidor e sobre o consumidor
de baixa renda. Foram feitas entrevistas semi-estruturadas em profundidade, com empregadas
domésticas, e os dados foram analisados por meio de análise de conteúdo. Os dados
evidenciaram que a influência das patroas em relação às empregadas domésticas refere-se a
aspectos de alimentação e saúde. A influência das empregadas se restringe principalmente em
relação a produtos de limpeza e os objetos de desejo têm como parâmetros o tamanho e aspectos
de beleza de produtos da sua rotina profissional.
Palavras-chave: Baixa renda; comportamento do consumidor; empregada doméstica.
INTRODUÇÃO
O mercado de baixa renda representa atualmente mais de 50% dos lares brasileiros segundo
dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) e IBGE (2004). Logo, apresenta
um vasto potencial, que vem sendo cada vez mais explorado por empresas de bens de consumo.
Prahalad (2005) acredita que o foco na criação de serviços e produtos para camadas carentes é
uma forte estratégia e até mesmo uma solução para diminuir a pobreza que assola muitos países,
incluindo o Brasil.
O consumidor de baixa renda apresenta particularidades em seu processo decisório, sofrendo
influências que são sigficativas para absorção e adesão de produtos e serviços, á medida em que
suas necessidades forem exploradas pelas empresas. Barki (2005) ressalta que devido às
limitações financeiras do consumidor de baixa renda, a empresa necessita de um esforço maior
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de marketing para atender o mesmo, assim como ponderações sobre formas de pagamento para
que este público seja cada vez mais presente e consuma cada vez mais.
Para Mowen e Minor (2006) compreender os consumidores proporciona uma serie de benefícios,
como auxiliar os gerentes na tomada de decisões, dar base de conhecimento através de pesquisas,
apoiar os legisladores e controladores na elaboração e manutenção de leis e regulamentos
referentes à compra e venda de mercadorias e serviços, auxiliar o consumidor na tomada de
decisão de compra e por último auxilia a entender o comportamento humano.
Além de se tornar um assunto de extrema abrangência, o público de baixa renda, de acordo com
Prahalad (2005), ficou por muito tempo fora de estudos e é pouco explorado, o que pode
apresentar grandes oportunidades de negócios.
Temas relacionados a esse público ainda são pouco explorados em teses e dissertações, o que o
torna um tema desafiador e que desperta curiosidade. A base da pirâmide como mercado, oferece
uma nova oportunidade de crescimento para o setor privado e um fórum para inovações.
Soluções velhas e desgastadas não podem criar mercados na base da pirâmide (PRAHALAD,
2005, p.19).
Assim como Prahalad (2005), Hart (2006) ressalta que estudar o consumidor localizado na base
da pirâmide é um imenso e novo desafio gerencial para as grandes empresas do mundo, e
também é um mercado potencial que está para ser atendido.
Segundo Barki (2005, p.14) além das grandes oportunidades que o mercado de baixa renda pode
apresentar o que vem despertando o interesse de empresas de diversos setores, embasado no
estudo feito pelo The Boston Consulting Group (2002), diversas empresas que optaram por
atender esse mercado hoje já são líderes ou vice-líderes em seus segmentos, com produtos
consagrados entre os consumidores.
O tema a ser estudado foi definido após a percepção da dificuldade que a maioria das empresas
encontra ao implementar ou direcionar produtos para as classes de baixa renda. Além disso, de
acordo com dados do IBGE (2004) aproximadamente 76% dos domicílios brasileiros fazem
parte da classe de baixa renda, o que faz com que esta classe seja extremamente sedutora para
uma exploração mercadológica.
Este trabalho buscará identificar a existência de fatores de influência surgindo da base da
pirâmide ao topo, assim como o inverso, do topo da pirâmide para a base. Para tal será necessária
uma análise sobre o comportamento do consumidor na escolha dos produtos, assim como uma
análise sobre a influência e os agentes influenciadores. Desta forma,o objetivo geral do estudo é
analisar a influência de compra do consumidor de baixa renda na relação empregada domésticapatroa. Os objetivos específicos são: a) identificar fatores de influência da família, no
processo de decisão de compra da empregada doméstica; b) identificar desejos de compra
da empregada doméstica; c) identificar os papéis de compra desempenhados na relação
empregada doméstica-patroa; d) identificar os tipos de produtos relevantes nesse processo
de compra; e) identificar a percepção dos produtos/marcas.
1.REFERENCIAL TEÓRICO
1.1 Comportamento do Consumidor
Segundo Engel et al. (2000, p.4) o comportamento do consumidor é definido “como as
atividades diretamente envolvidas em obter, consumir e dispor de produtos e serviços, incluindo
os processos decisórios que antecedem e sucedem estas ações”. Mowen e Minor (2006, p.3)
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mantêm a mesma linha de raciocínio complementando que o comportamento do consumidor é
composto pelo estudo dos consumidores individuais e em grupos e seus processos de trocas.
O processo decisório do consumidor é um dos estudos mais pertinentes no marketing, pois
estuda o comportamento do consumidor na tomada de decisão a fim de alcançar os objetivos,
fazendo a melhor escolha, reduzindo o risco e também o esforço; assim para poder entender e
mapear a lógica de escolha, o processo é dividido em etapas.
Na concepção de Solomon (2002) são quatro passos que podem ser descritos como: (1)
reconhecimento do problema, (2) busca de informações, (3) avaliação de alternativas e (4)
escolha do produto.
Porém, neste trabalho será abordado o modelo de processo decisório de compra de Engel et al.
(2000), por ser mais completo. Este consiste em seis partes sendo: (1) reconhecimento da
necessidade, (2) busca, (3) avaliação de alternativa pré-compra, (4) compra, (5) consumo e (6)
avaliação pós-consumo.
O processo de decisão de compra é bastante complexo e envolve implicações estratégicas de
marketing, deve-se então ficar atendo às influências, conhecimentos e características do
consumidor. Considerando ainda, que as etapas podem ser ou não obedecidas, o que depende do
grau de envolvimento e o risco envolvido na compra. Contudo, tal estudo requer uma
profundidade maior de entendimento.
Os consumidores são de certa forma moldados pelo ambiente em que habitam, segundo Engel et
al. (2000, p.391) esta é uma relação recíproca, já que o ambiente também é modificado a partir
das concepções de seus personagens.
O ambiente possui diversas variáveis componentes, que afetam direta ou indiretamente o modo
de pensar do consumidor, como influências situacionais, contexto cultural do consumo,
influências étnicas, classe social e status, influências pessoais e influências familiares e
domiciliares. Os fatores ambientais englobam também fatores pessoais, culturais, individuais e
sociais, ou assuntos inseridos nestes diversos contextos.
Segundo Yanaze (2007, p.139) a realização da segmentação de mercado logo no início do
processo estratégico mercadológico é de suma importância. As empresas precisam realizar o
estudo dos seus consumidores, pois um produto ou serviço raramente tem a mesma significância
para todas as pessoas, com isso os profissionais de marketing devem identificar os grupos
homogêneos dentro do mercado heterogêneo a ser atingidos. Para alcançar o objetivo final da
comunicação, deve-se passar por outras etapas importantes para o sucesso do processo.
De acordo com Mowen e Minor (2006, p.33) o objetivo principal para o profissional de
marketing é identificar as bases para a segmentação, ou seja, em quais variáveis ele poderá
identificar os grupos de pessoas e empresas com as vontades e necessidades semelhantes. Dentro
dessa variável entra as subcategorias para classificar as características dessas pessoas, já citada
acima por outro autor, que formam os mercados como, são elas: as características demográficas,
comportamentais, psicográficas e de personalidade.
Outra variável apontada, a cultural, é caracterizada pela análise do modo de vida dos
consumidores de uma sociedade, ela é normalmente utilizada como uma variável para a
segmentação, do marketing internacional. A análise a ser realizada ocorre nas subculturas
existentes em uma cultura nacional, analisando as características semelhantes, como o status
existente nessa sociedade ou mesmo a sua área geográfica, possibilitando o desenvolvimento ou
promoção de um produto específico para esses consumidores.
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Com base nessas características de como se dividir esse grande grupo de consumidores em um
segmento-alvo, nesse trabalho será analisada a influência e o comportamento de compra,
exercido pela consumidora de baixa renda sobre a decisão de compra familiar. Ou seja, para
agrupar esses compradores em potencial com uma característica semelhante, o mercado foi
segmentado pelas características demográficas dessa população, especificamente de acordo com
os critérios socioeconômicos de um mesmo grupo, como por exemplo, grau de instrução,
ocupação, classe social e renda (ou itens de posse).
1.2 Consumidor de Baixa Renda
Muito tem se ouvido falar no mercado de baixa renda já que é um mercado de bilhões de
consumidores, principalmente quando consideramos países emergentes como Brasil, China e
Índia. Conforme Prahalad (2005) e Hart (2006), os países em desenvolvimento ou mercados
emergentes podem oferecer grandes oportunidades de crescimento para grandes empresas, já que
grande parte da sua população concentra-se na chamada base da pirâmide.
De acordo com Prahalad (2005, p.118) no Brasil é considerada baixa renda ou base da pirâmide a
população pertencente às classes C, D e E, que possui uma renda familiar de até 10 salários
mínimos. Barki (2005) acrescenta que consultorias e institutos de pesquisas utilizam critérios
semelhantes para conceituar a baixa renda. Portanto esta será a definição de baixa renda adotada
neste trabalho.
De acordo com estudos, mais de 85% da população brasileira encontra-se nas classes C, D e E,
os seus rendimentos são mais baixos, porém devido à grande de quantidade de pessoas
envolvidas esse público detém um poder de compra significativo. As classes C, D e E, que para
muitas empresas representam um público desinteressante, ficando fora de diversos estudos, hoje
podem apresentar grandes oportunidades de negócios. Para Prahalad (2005) essa parte da
população representa um imenso e novo desafio para grandes empresas, pois é um mercado que
possui diferentes aspectos do que as empresas estão acostumadas.
Para Blecher (2006) em dez anos, os mercados emergentes serão responsáveis por 40% do
crescimento da produção mundial, e estar bem posicionado neles, portanto, é algo visto como
uma questão de sobrevivência no longo prazo.
De acordo com Spers e Wright (2006) oferecer somente produtos mais baratos não gera uma
vantagem competitiva sustentável para as empresas, é necessária uma estratégia consistente,
combinando adequadamente o posicionamento da empresa e seu mix de marketing para atender
ao público de baixa renda, ou seja, empresas que pretendem atender o este público devem adotar
um posicionamento que reflita nos seus preços, produtos, promoção e ponto de venda.
Segundo Barki (2005) as lojas devem oferecer um mix de produtos adequados, que representam
o desejo de consumo do público de baixa renda e são comprados em momentos específicos,
como festas, fins de semana, visitas de amigos e familiares, e também produtos de segunda linha
que representam a maior parte de compra desses consumidores. No Brasil, os clientes das classes
C, D e E sonham com as mesmas mercadorias que os das classes A e B (PRAHALAD, 2005,
p.130).
Toda empresa ao selecionar o seu público-alvo necessita identificar as necessidades e
expectativas do mesmo; no caso de empresas voltadas para o público de baixa renda não é
diferente. Para Barki (2005) empresas que pretendem atender o consumidor de baixa renda,
precisam entender sua realidade, suas necessidades e desenvolver estratégias específicas.
De acordo com Hart (2006) o público de baixa renda além de ter necessidades não atendidas pelo
mercado enfrenta obstáculos, como taxa de juros abusivos, produtos de má qualidade, preços
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exorbitantes; para tanto as empresas que pretendem atender o público de baixa renda necessitam
além de identificar as necessidades e oportunidades nesse mercado remover esses obstáculos.
Para Blecher (2006) a idéia é que entre as diferenças e semelhanças existentes entre os mercados,
dos quais as empresas já estão acostumadas, encontre-se um ponto em comum para a formulação
de novos negócios e/ou produtos inovadores para conquistar esses consumidores.
De acordo com Hart (2006, p.138) a maioria das oportunidades de crescimento no mercado da
base da pirâmide será aproveitada por empreendedores, assim como as oportunidades no Japão
do pós-guerra foram aproveitadas por inovadores como Sony, Honda e Toyota. Ainda acrescenta
que as empresas que pretendem atender o mercado da base da pirâmide devem construir novos
modelos de negócios que incluam estratégias, estruturas organizacionais e processos de
gerenciamento realmente apropriado para as condições deste mercado.
Conforme Spers e Wright (2006) “a integração entre estratégia, posicionamento e elementos de
marketing representa a chave do sucesso no segmento de bens populares, transformando este
grande potencial de mercado em uma oportunidade efetiva de atuação”.
A base da pirâmide pode ser uma fonte de inovações não apenas para produtos e processos, mas
também para modelos de negócios (PRAHALAD, 2005, p.58). O público de baixa renda,
diferentemente do que muitos acreditam, não leva em conta apenas o preço no processo de
decisão de compra, para Prahalad (2005) as marcas também fazem parte do elenco de pretensões
desses consumidores, sendo assim, também são compradores de valor. O grande desafio das
empresas, então, é tornar acessíveis os produtos para esse mercado com menor poder aquisitivo.
No segmento de consumidores de baixa renda, optou-se pelo foco em uma categoria profissional
que fosse identificada predominantemente como pertencente ao segmento: as empregadas
domésticas. Cabe frisar que a escolha não representa a inserção completa da categoria no
segmento, mas a predominância desses profissionais nas classes sócio-econômicas menos
favorecidas. A formação da estrutura social e familiar no Brasil acumulou resíduos históricos da
época escravocata, ajustando-se gradativamente à realidade contemporânea, principalmente nos
aspectos trabalhista e de mercado (FREYRE, 1987). Outro ponto significativo para escolha dessa
categoria, diz respeito à sua relação direta com os aspectos econômicos do trabalho doméstico e
suas implicações no consumo familiar (EHRENBERG, 2000).
2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Com o propósito de aprofundamento e precisão foi utilizada uma pesquisa de caráter
exploratório, tendo como ferramenta o método de entrevista qualitativa para obter respostas que
embasem e qualifiquem o trabalho. Foram feitas 12 entrevistas com empregadas domésticas,
visando descobrir os atributos e a relevância das variáveis.
Aaker (2004) afirma que a pesquisa qualitativa serve para descobrir as preferências do
consumidor, e também compreender o escopo e a complexidade de atividades e preocupações do
mesmo, levando em conta sentimentos, pensamentos, intenções e comportamentos passados.
A escolha do caráter e das técnicas de pesquisas utilizadas teve base a falta de padrões
disponíveis devido ao fato de tratar-se de um foco específico de um assunto ainda inovador e
abrangente. A forma de entrevista escolhida buscou o maior envolvimento dos entrevistados
devido ao fato do questionário abordar questões de caráter pessoal. Nas entrevistas em
profundidade, optou-se pelo questionamento de um problema oculto, por envolver fantasias,
carreira profissional e vida social, e por ter a finalidade de identificar aspectos ocultos na relação
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analisada. Desta forma, os entrevistados não tinham conhecimento prévio dos reais objetivos da
pesquisa.
A melhor situação para participar da mente de outra pessoa é ficar frente a frente com ela, por
este tipo de abordagem ser inquestionável (RICHARDSON, 2007, p. 207). Uma entrevista é uma
forma de comunicação utilizada para transmissão de informações, ela pode ser feita de forma
estruturada ou não estruturada. Para Richardson (2007) a pesquisa não estruturada visa abranger
e focar os aspectos julgados pelo entrevistador como mais importantes.
O método de entrevista utilizado neste trabalho foi baseado em um roteiro, utilizando técnicas
projetivas de associação, que de acordo com Malhotra (2001, p.166) são associações em resposta
de estímulos (palavras) gerados pelo entrevistador, dentre elas, algumas palavras neutras, para
disfarçar o propósito da pesquisa.
A coleta dos dados ocorreu durante o período de 2 meses, na qual foram realizadas 12
entrevistas com empregadas domésticas, gerando aproximadamente 240 minutos de entrevistas
gravadas, com duração média de 20 minutos por entrevista, totalizando. 45 páginas transcritas de
entrevistas.
A análise dos dados foi realizada por meio da análise de conteúdo, por ser um método apropriado
para estudos cujo fenômeno observado é o conteúdo efetivo de uma comunicação
(MALHOTRA, 2004). Desta forma, utilizou-se o processo de codificações, que é definido por
Bardin (2006) como o processo pelo qual os dados brutos são transformados sistematicamente e
agregados em unidades que permitem uma descrição exata das características pertinentes do
conteúdo e dos padrões de respostas (BARDIN, 2006).
2.1 Análise dos Dados
As entrevistas foram realizadas com o propósito de verificar a influência da empregada
doméstica sobre os hábitos de compra da casa em que trabalha, tendo como objetivo geral desta
pesquisa analisar a influência da empregada doméstica no processo de compra familiar. Na
apresentação da entrevista à entrevistada foi informado que se tratava de um trabalho acadêmico
com o objetivo de entender e analisar os processos e a organização de uma residência, ou seja, o
real motivo da entrevista foi disfarçado, com o propósito de tornar a entrevista mais informal, e
reduzir os vieses nas respostas, apresentando os tópicos a partir do momento em que os assuntos
foram mencionados.
Nesta pesquisa foram realizadas entrevistas semi-estruturadas tendo como base um roteiro
constituído de tópicos e perguntas abertas que orientavam o entrevistador sobre os pontos mais
importantes a serem abordadas. As perguntas abertas auxiliaram os entrevistados em suas
respostas, fazendo com que os mesmos tenham mais liberdade para responder e apresentar
comentários e opiniões pertinentes à pergunta elaborada. Esse tipo de entrevista é a mesma
utilizada por Barros (2006b), sendo considerada a mais adequada para o entendimento da visão
de mundo de atores sociais, uma vez que esta permite o livre fluxo dos entrevistados, deixandoos a vontade na condução de suas respostas.
Para a realização desta pesquisa foram feitas 12 entrevistas com empregadas domésticas
mensalistas, com idade e tempo de profissão heterogêneo, variando de 8 a 28 anos de
experiência. Foram utilizados nomes fictícios para manter o anonimato da empregada, de sua
patroa e das famílias das pessoas citadas nas entrevistas.
Os pontos relevantes das entrevistas foram: constatar a influência da patroa sobre a empregada e
a influência da empregada doméstica sobre a patroa, constatar objetos de desejos do grupo de
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empregadas domésticas, a lealdade da patroa e da empregada junto à marca, a escolha do
produto, a compra no grupo familiar e o processo decisório do grupo de empregadas domésticas.
2.2 Influência Patroa X Empregada
Através das entrevistas foram constatados diversos perfis de relação patroa-empregada,
abrangendo desde empregadas que mantêm contato com os membros da residência em que
trabalha apenas por meio de bilhetes ou telefonemas, até empregadas com maior contato com a
patroa e os demais membros da família, neste caso, estabelecendo uma relação de maior
proximidade, na qual foi possível verificar um grau de maior intimidade de ambas as partes,
tendo dentre as conversas diárias, aconselhamento, sugestões e compartilhamento de
informações gerais (notícias, trabalho, família).
O relacionamento é muito bom, ela é uma pessoa bem engraçada, quando ela está em casa, a
gente trabalha conversando. Muito legal trabalhar aqui. Sônia Maria, 32 anos.
Ah, sobre tudo né. Sobre mim, sobre ela, ela pergunta como eu tô, os problemas, sobre a minha
casa, sobre como eu vivo... a gente conversa de tudo mesmo. Kátia Flávia, 30 anos.
Ah conversa sobre o trabalho, sobre o lado pessoal também, o preço das coisas, coisas que
acontecem. Ela também me aconselha, ela sempre diz para eu escolher as amizades. Sheila
Regina, 47 anos.
Os trechos de entrevistas comprovam a relação mais comum identificada, como sendo a relação
próxima da empregada doméstica com a patroa. Mas deve-se ressaltar que devido ao surgimento
de um novo perfil de trabalhadores, como jovens universitários que moram sozinhos, ou homens
solteiros, os chamados singles, ou até mesmo casais que ambos trabalham o dia inteiro fora, faz
com que o contato entre eles e a empregada doméstica seja de baixa proximidade; tal fato vem
crescendo na população brasileira. Dentre as 12 entrevistas realizadas, foram encontrados 4
casos em que a empregada doméstica e a patroa e família não se encontram, estabelecendo assim
uma relação com menos contato e conseqüentemente menor influência.
Geralmente eu não vejo (a patroa), a gente se comunica por telefone ou bilhetes, ela sai muito
cedo. Maria Aparecida, 26 anos.
Ela trabalha né... Tipo assim, ela trabalha fora e quando eu saio, eu não encontro ela em casa.
Maria Lúcia, 28 anos.
Foi identificada a influência comportamental da patroa sobre a empregada doméstica, o que se
estendeu à compra e adesão de diversos tipos de produtos, sendo eles, produtos de limpeza,
alimentação, saúde e eletrodoméstico.
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Em pesquisa realizada por Barros (2006a) foi identificado que as empregadas domésticas
mudaram seus hábitos de compra em relação ao xampu e à alimentação, devido ao contato
desses produtos na casa da patroa. Neste trabalho foi diagnosticado que houve influência nos
hábitos alimentares, mas em relação a xampu e produtos de higiene pessoal não foi citado.
a) Produtos de Limpeza
Confirmando os dados obtidos na pesquisa de Barros (2006a) A influência da patroa nas compras
da empregada doméstica referente a produtos de limpeza é a mais comum, conforme as
entrevistas, devido ao fato, de estes produtos serem a sua principal ferramenta de trabalho.
Exemplos de produtos cujo uso foi influenciado pela patroa:
Eu comecei a usar o sapólio, que antes eu não usava, comecei a usar aqui (casa da patroa) e
gostei. Maria Aparecida, 26 anos.
O amaciante eu gostei muito quando usei lá (casa da patroa), achei o cheiro bom e comecei a
usar em casa também. Eloísa Helena, 27 anos.
Comecei a usar a cera para lavar prato que vende no caminhão, excelente para limpar panelas,
quando o caminhão passa aqui na rua eu até compro um pouquinho para mim. Sônia Maria, 32
anos.
Vale à pena destacar o uso desse tipo de produto vendido em caminhões, porta a porta, uma vez
que foram identificados, em duas entrevistas o uso do mesmo não apenas pela empregada
doméstica, mas também pela patroa, visto que normalmente tais produtos são destinados a baixa
renda.
Lá onde eu trabalho, vende produto assim de caminhão e ela compra assim. Maria Lúcia, 28
anos.
b) Alimentação e Saúde
Verificou-se durante as entrevistas que a patroa também exerce influência nos hábitos
alimentares do grupo de empregadas domésticas, através de dicas e conselhos.
Em relação à saúde, a influência é exercida devido ao relacionamento patroa-empregada e as
conversas diárias. Verificou-se que a patroa orienta quanto a melhores práticas de cuidado com a
saúde das empregadas domésticas e preocupação com os demais familiares, como filhos e
marido.
Ela me falou para alimentar melhor, comer mais verduras, por causa do ferro comer mais feijão,
de alimentação ela me dá uns toques legais. Maria Aparecida, 26 anos.
Mas depois que eu apareci grávida ela falou para me alimentar melhor, comer mais verduras, por
causa do ferro comer bastante feijão. De alimentação ela me dá uns toques legal... manerar no
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sal, não comer muita gordura, comprar as coisas mais natural por causa do bebê e da minha
saúde mesmo. Maria Aparecida, 26 anos.
... tipo assim sem sal, cozinhar pro meu filho que e é bebe (tem 4 anos) com pouco sal e com
pouco óleo, porque eu também tenho pressão alta. Aí ela me dá essas sugestões. Cleuza Regina,
30 anos.
Porém notou-se que, em relação a produtos alimentícios, as marcas utilizadas por cada grupo são
bem distintas, sendo que cada uma mantém lealdade a sua marca preferida, os produtos
alimentícios mais citados foram o arroz e o feijão.
Ah minha marca é diferente, o arroz lá é Tio João o meu é Solito, a marca é diferente sim. Kátia
Flávia, 30 anos.
Lá na casa (da patroa) o arroz é o Prato Fino, geralmente, e o feijão é Camil. Na minha casa o
feijão é o carioca eu não tenho uma preferência não. Cleuza Regina, 30 anos.
c) Eletrodoméstico
Notou-se em algumas entrevistas que as patroas influenciaram as empregadas domésticas na
questão dos eletrodomésticos, pois recomendaram como sendo úteis para o seu dia-a-dia.
A “Geoge forma” (George Foreman), essa churrasqueirinha, que ela até me deu uma. Cleuza
Regina, 29 anos.
Nesta citação, observa-se a dificuldade da empregada doméstica em pronunciar o nome da marca
do produto e a dificuldade de fixação da marca na mente do consumidor de baixa renda, visto
que tal produto é destinado aos consumidores de classes mais altas. Portanto pode-se dizer que
produtos destinados a consumidores e baixa renda devem ter um nome de fácil pronúncia,
levando-se em consideração a dificuldade que pode ser encontrada pelos mesmos.
De acordo com Barros (2007), ao comprar um eletro-eletrônico a baixa renda sente-se
“consumidor”, o que permite a superação da identidade de “pobre”, fazendo com que a compra
desse tipo de produto exerça papel importante na construção de identidade positiva frente aos
mais favorecidos.
O que ela me sugeriu foi um grill com nome de homem (George Foremam), que não deixa o
gordura na carne, muito bom e saudável. Sônia Maria, 32 anos.
Conforme tal depoimento é importante ressaltar, a diferença entre a patroa e a empregada
doméstica, em relação à educação e conhecimento, podendo ser considerados como um dos
principais fatores que influenciam o processo de compra da empregada doméstica. Em algumas
situações a patroa tem papel importante, pois com informações do produto, ela influencia a
empregada a comprar. Isso pode ocorrer devido a diferença de escolaridade e o acesso de
informações que cada uma possui.
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2.3 Influência Empregada X Patroa
De acordo com as respostas das entrevistadas constatou-se que a emprega também exerce
influência nas compras da patroa, principalmente no que cerne a principal ferramenta de trabalho
das empregadas domésticas, os produtos de limpeza.
Entre os produtos de limpeza que foram identificados como resultados de influência da
empregada doméstica nas compras do grupo familiar estão:
Eu falei para ela sobre o sabão em barra, que ela compra o sabão de côco que não rende muito,
falei para ela comprar o sabão em barra glicerinado que rende mais do que o de côco. Maria
Aparecida, 26 anos.
É uma dica minha que eu dei pra ela, eu falei para ela começar a usar e aí sempre compra esse
sempre (detergente Ypê). Kátia Flávia, 35 anos.
a) Amaciante e Sabão em Pó
Sim, o amaciante de roupa, mas não falei nenhuma marca e o sabão em pó Omo, porque rende
mais. Ana Carolina, 52 anos.
No processo de compra do grupo familiar foi possível destacar o pouco conhecimento de
algumas patroas em relação aos produtos de limpeza. Podemos julgar esse fato, a falta de uso dos
produtos de limpeza, ou até mesmo a plena confiança em sua empregada doméstica para a
indicação das marcas desse tipo de produto.
Ela compra essas marcas (sabão em pó Omo, detergente Ypê entre outros) por minha causa, ela
não tem muita noção não (risos). Lúcia Helena, 27 anos.
Contudo, é possível dizer que assim como no artigo de Barros (2006b) existe a influência da
empregada doméstica nas compras da patroa, principalmente em produtos de limpeza e
alimentação. Porém diferentemente deste artigo, as empregadas domésticas entrevistadas
demonstraram indicar produtos que também utilizam em suas casas.
2.4 Objetos de Desejo das Empregadas Domésticas
Tendo como um dos objetivos específicos identificar o desejo de compra do grupo de
empregadas domésticas, devido ao fato desde grupo, em sua maioria, pertencer à classe de baixa
renda e a maioria de suas patroas pertencer no mínimo a classe média, ficou claro o desejo de
possuir alguns produtos com as características relacionadas a tamanho, decoração e qualidade.
Verificou-se também que o grupo foco das entrevistas admira a casa onde trabalha
principalmente por ser grande, ter cômodos espaçosos, produtos de qualidade entre outros.
a) Tamanho
Em relação ao tamanho, ficou clara a apreciação das empregadas, quanto ao tamanho da casa ou
dos cômodos da residência de suas patroas. Foi clara a associação da grandeza sendo fonte de
beleza e de agrado pessoal da maioria das entrevistas.
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Eu gosto mais é da sala de visita, é grande né, tem espaço, bem bonita. Kátia Flávia, 30 anos.
Ah é uma decoração assim simples, mas é tudo bem bonito, tem um quintal bem grande. Eloísa
Helena, 28 anos.
O tamanho talvez, mas é isso mesmo o tamanho. Cleuza Regina, 29 anos.
O desejo das empregadas domésticas não está apenas na grandeza da casa ou dos seus cômodos,
mas também, na grandeza dos produtos que podem ser encontrados na casa da patroa, algumas
citações mostram que os eletroeletrônicos, móveis ou demais produtos são desejados por também
serem grandes.
A decoração do banheiro eu acho muito bonito, tem um espelho enorme no banheiro que chama
muito a atenção. Maria Aparecida, 26 anos.
Na minha casa a única coisa que eu gostaria de ter é aquela televisão grande da sala. Rosa Maria,
52 anos.
Podemos constatar que o desejo de casa espaçosa, cômodos amplos e produtos grandes estão
ligados à falta na realidade da empregada domestica, no qual em sua maioria mora em bairros
periféricos onde as casas são pequenas, o grupo familiar é grande e cômodo é pouco espaçoso.
Moro na Parada de Taipas, (...), lá mora eu, minha irmã, o esposo mais sete filhos no total dez
pessoas. Sheila Regina, 47 anos.
b) Beleza e decoração
Após analisar as entrevistas também foi possível constatar que as empregadas domésticas
gostam, admiram e desejam a casa e os seus cômodos por acharem esteticamente agradáveis.
É um lugar lindo e gosto de tudo lá. Ana Carolina, 52 anos.
Apesar dos esforços por parte do entrevistador em tranqüilizar e omitir das entrevistadas o real
propósito da entrevista, e acima de tudo, desvincular a entrevista com a patroa, houveram alguns
vieses nas respostas, houve resguardo por parte das entrevistadas, que muitas vezes tomaram as
perguntas como meio de descobrir se havia inveja por parte delas em relação à casa, ou à família
e até o status social das patroas.
Constatou-se também um senso de combinação e de estética das empregadas mensalistas e
também da associação da decoração da casa com os gostos e jeito de sua patroa.
Gosto do banheiro... a privada combina com a pia, tem um espelho maravilhoso, acho o banheiro
muito bonito. Maria Lúcia, 28 anos.
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Sim gosto de tudo, a decoração é simples, mas tem a cara dele. Ana Carolina, 52 anos.
A sala completa, porque é bem espaçosa e os moveis são lindos tudo bem arrumadinho. Bem
decorado. Marta Maria, 28 anos.
c) Qualidade
Outro motivo que faz a empregada doméstica comprar ou recomendar a compra a sua patroa é a
qualidade do produto. A qualidade ficou claramente associada aos produtos de limpeza sendo na
maioria das entrevistas citadas conforme declaração abaixo.
Não... não tem a mesma qualidade, sabão em pó, por exemplo, não é a mesma, pois o Omo é
muito diferente de Minerva. Rosa Maria, 52 anos.
A percepção de qualidade nas empregadas domésticas está claramente ligada ao preço,
considerando então produtos de qualidade aqueles com preço alto.
(...) produto para limpar azulejo, ele limpa melhor, mas é muito caro, é o Veja para limpar
azulejo. Sheila Regina, 47 anos.
E de acordo com Prahalad (2005) para os consumidores de baixa renda o preço é fator
importante, tão relevante quanto o desempenho a ele associado, portanto as empresas que
pretendem atender a esse público devem repensar e redesenhar a relação preço/desempenho.
2.5 Lealdade a Marca
A pesquisa também viabilizou a constatação da grande lealdade à marca das empregadas
domésticas mensalistas e de suas respectivas patroas, principalmente quando se trata de produtos
de limpeza e alimentos. No processo de compra do grupo familiar foi constatada uma grande
lealdade à marca, por parte da patroa, tendo a empregada doméstica apenas a função de indicar a
falta do produto, mediante a lista de compra. A lealdade à marca ocorreu geralmente em relação
a produtos de limpeza e alimentação.
Não coloco marca, eu coloco (na lista de compra) só o produto mesmo, ela tem as marcas já que
compra sempre. Kátia Flávia, 30 anos.
Não é o nome do produto, a marca é ela que escolhe. Vera Lúcia, 35 anos.
No processo de compra das empregadas domésticas também foi constatada grande lealdade a
algumas marcas especificas, destacando-se produtos de limpeza e alimentação, nesta última
categoria especificamente o arroz.
De acordo com as entrevista verificou-se que um alto grau de lealdade à marca de arroz nas
compras das empregadas domésticas, sofrendo pouca influência da patroa.
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O que eu prefiro mesmo não mudo de jeito nenhum, é o arroz. Só gosto de arroz Namorado.
Rosa Maria, 52 anos.
Eu uso o arroz Camil, minha patroa não compra esse. Vera Lúcia, 35 anos.
No que diz respeito a produtos de limpeza, especificamente em relação à marca do sabão em pó,
percebeu-se uma grande lealdade por parte da empregada doméstica a marca Omo, fato também
ressaltado por Barros (2006a) que ainda acrescenta, que além de usarem muito este produto em
suas próprias casas, declararam-se fiéis a tal marca, também recomendam o uso do mesmo para
suas patroas.
O sabão em pó eu sempre usei o mesmo (Omo). Eloísa Helena, 27 anos.
(...) de vez em quando porque é bem mais barato, mas tem certas coisas que não dá para comprar
como sabão em pó, tem que ser Omo e“bombril” tem que ser Bombril (risos). Sônia Maria, 32
anos.
Destaca-se também a presença de lealdade não apenas na marca de um produto específico, mas
também a lealdade ao mix de produtos de um fabricante, como é o caso da marca Ypê.
(...) detergente eu gosto do Ypê, amaciante do Ypê, bem tudo do Ypê, eu gosto mais da marca do
Ypê. Kátia Flávia, 30 anos.
O processo decisório de compra no grupo familiar tem início na constatação da falta do produto,
geralmente estabelecido pela lista de compra feita pela empregada. Na maioria das vezes, a lista
é composta apenas por produtos de limpeza, sendo mencionado somente o produto, não
especificando a marca. Na etapa seguinte, a patroa ou os demais da casa efetuam a compra dos
produtos, escolhendo as marcas, já conhecidas e consumidas a tempo.
Foi identificado também, que em alguns casos a lista de compra é feita de maneira inversa, isto
é, a empregada faz uma lista dos produtos e quantidade que tem na casa, e a patroa faz a compra
dos itens faltantes na lista. Mas também houve casos em que a empregada não elabora lista e em
alguns casos em momento de urgência ou necessidade ela mesma efetua a compra.
A doutora (patroa) mesmo (compra), mas eu também faço as vezes, quando precisa de uma coisa
na hora que não tem, eu vou lá buscar. Eloísa Helena, 27 anos.
Na análise das entrevistas ficou claro que as empregadas domésticas sofrem influência de suas
patroas principalmente no que diz respeito à alimentação e saúde. Já as empregadas domésticas
influenciam suas patroas principalmente em relação a produtos de limpeza.
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Em alguns casos há uma grande lealdade das empregadas e de suas patroas junto a uma marca
especifica que julgam comprá-las devido ao rendimento não se importando com o preço, mas
sim com a qualidade.
3.CONSIDERAÇÕES FINAIS
A procura e a compra desses bens que detêm status são muito importantes para esses
consumidores, pois eles atrelam essa característica do status como um sinal de prosperidade e
ascensão social da família.
Foi identificada nas entrevistas a busca de identidade da baixa renda no grupo de empregadas
domésticas, perante a patroa, de acordo com Prahalad (2005). As empregadas domésticas
buscam semelhanças desejam ter o mesmo estilo de vida das patroas, ou seja, mesmos objetos de
desejos, uma casa ampla com cômodos espaçosos e até ter eletrodomésticos iguais. Isso
representa também, claramente, a busca de produtos utilizados pela patroa, como os de
decoração, os utensílios de banheiros (pias,, reconhecimento e status) e necessidade de autorealização (desenvolvimento pessoal e conquistas).
Foram analisados em alguns casos que há uma grande lealdade das empregadas e de suas patroas
junto a uma marca especifica, pois elas julgam comprá-las principalmente por causa do
rendimento e não por causa do preço, dando preferência pela qualidade. No caso de produtos de
limpeza, especificamente o sabão em pó, as empregadas domésticas são bastante leais às marcas
específicas.
Tomando como foco a análise do processo de compra da empregada doméstica, em sua casa, foi
possível constatar que a patroa tem papel iniciador ou influenciador neste processo de compra,
fornecendo argumentos para uma nova compra de algum produto, ou a substituição de algum
produto ou marca já utilizada.
Com o foco agora na análise do processo de compra familiar da patroa, foi possível constatar que
na maioria das vezes a empregada tem papel influenciador. Entretanto, o papel decisor sempre
fica a cargo da patroa. Levando em consideração o modelo do processo de decisão de compra de
Engel, a empregada doméstica possui atuação em quase toda a cadeia: no reconhecimento das
necessidades (escrevendo as listas de compras), na busca (utilizando informações obtidas através
de seu trabalho), na avaliação de alternativa pré-compra (utilizando o histórico de uso desses
produtos), o consumo (no caso dos produtos de limpeza) e a avaliação pós-consumo.
Na análise das entrevistas ficou evidenciada que a influência sofrida pelas empregadas
domésticas por parte suas patroas especialmente no que nos aspectos de alimentação e saúde. A
influência das empregadas se restringe principalmente em relação a produtos de limpeza.
Para alguns casos existe uma grande lealdade das empregadas e de suas patroas junto a uma
marca específica, que optam comprá-las devido ao rendimento, não tomando como fato-chave o
preço, mas sim a qualidade dos produtos.
Durante a realização das pesquisas houveram certas dificuldades devido a pouca instrução das
empregadas domésticas, isso resultou em dificuldade de entendimento das perguntas e
conseqüentemente influenciando no entendimento das respostas. Assim para a realização de
futuras pesquisas a sugestão é avaliar se o nível de escolaridade das empregadas domésticas
influencia no seu processo de compra.
As entrevistas tiveram duração média de 20 minutos, o que é um tempo relativamente baixo, tal
fato ocorreu por uma série de fatores, dentre eles, o fato de entrevistarmos as empregadas no
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local de trabalho, e muitas vezes no horário de trabalho, fazendo com que, muitas vezes, as
empregadas domésticas fossem objetivas demais, o que se tornou um fator limitante.
Em nosso estudo constatamos uma limitação devido ao caráter qualitativo da pesquisa, o que não
permite com que esses resultados sejam necessariamente válidos para a população da amostra
estudada. Assim sendo, como uma opção de pesquisa para o futuro, sugerimos um estudo
quantitativo que seja representativo para a população das empregadas domésticas.
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UM ESTUDO MACROECONOMÉTRICO DA INFLUÊNCIA DO IED SOBRE AS
EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS
Edward Bernard B. de R. y Rivera
Rafael Siqueira Testa
Josilmar Cordenonssi Cia
RESUMO
Este trabalho objetivou verificar a influência que o Investimento Estrangeiro Direto (IED) exerce
sobre o fluxo das exportações brasileiras. Elaborou-se uma revisão da literatura, que permitiu a
obtenção de uma variada gama de opiniões sobre as motivações do IED e as suas verdadeiras
finalidade e aplicabilidade. Com a finalidade de conferir maior grau de certeza às constatações
obtidas na revisão da literatura, uma análise econométrica tendo o IED assim como o
Investimento Brasileiro Direto (IBD) como variáveis independentes e as exportações brasileiras
como variável dependente, obteve-se os seguintes resultados: o IED não tem natureza
complementar às exportações brasileiras; a desvalorização cambial também não tem
representatividade significativa para expandir as exportações brasileiras; o IBD é o incentivador
das exportações brasileiras, pelo fornecimento de insumos às unidades ligadas a tais
investimentos. Portanto, em resposta à questão-problema, o IED não é agente influenciador das
exportações brasileiras nos últimos anos.
Palavras-chave: Investimento Direto; Políticas Financeiras; Estratégias de Internacionalização.
INTRODUÇÃO
Investimento Estrangeiro Direto (IED) é o processo pelo qual residentes de um país (o país
investidor) adquire patrimônio com o propósito de controlar a produção, distribuição e outras
atividades de uma firma em outro país (o país anfitrião).
A importância da análise de IED ocorre devido a seu rápido crescimento global, às preocupações
levantadas em relação às causas e conseqüências da posse estrangeira na economia local e ao
fato de que o IED tem se caracterizado como uma importante fonte de fundos para países em
desenvolvimento.
As ferramentas comuns que firmas utilizam para desenvolver mercados estrangeiros para seus
produtos consistem em: exportações, licenciamento, distribuição estrangeira e produção
estrangeira - sendo que esses dois últimos procedimentos envolvem IED.
O investimento estrangeiro direto pode ser visto como uma atividade que satisfaz necessidades
básicas de negócio. Deste modo, existem motivações específicas de cada firma para a realização
de IED. Dentre elas, observa-se a necessidade de mercados, eficiência produtiva, matériasprimas, informação e tecnologia, minimização ou diversificação de risco, integração de
operações, desenvolvimento de conhecimento não transferível, proteção de conhecimento,
proteção da reputação, capitalização sobre reputação, ação de evitar tarifas e cotas, considerações
cambiais, assim como relações com outras multinacionais.
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O assunto crítico em relação a IED e ao comércio internacional refere-se a questão de serem
complementares ou substitutos. Em outras palavras, a que ponto a produção e venda por
subsidiárias em um mercado estrangeiro substitui ou auxilia no aumento das exportações ao
mesmo mercado?
Deste modo, o objetivo deste estudo é verificar a influência do Investimento Estrangeiro Direto
no Brasil, assim como do Investimento Brasileiro Direto (IBD) sobre as exportações brasileiras.
Trata-se de uma pesquisa exploratória de natureza econômica onde se define IED, discriminamse as motivações empresariais na prática de IED, assim como se aponta os efeitos de IED sobre
os fluxos comerciais.
Para isso, será feita uma ampla pesquisa tomando-se como base sobretudo a literatura
internacional com o objetivo de se analisar alguns dos principais autores na área de Economia
Internacional onde as teorias em relação a IED se inserem pelo fato de envolver a mobilidade
internacional dos fatores de produção.
Para aplicação do método estatístico, será feito um levantamento de dados secundários em
órgãos como o Banco Central do Brasil e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).
Desta maneira, será possível realizar uma análise econométrica tendo como base o IED e IBD
como variáveis independentes e as exportações de setores e firmas brasileiras que praticam IED
como variável dependente. Uma vez detectada essa relação, concluir-se-á com uma apreciação
crítica sobre a complementaridade ou substitutibilidade do IED sobre as exportações brasileiras.
1. REFERENCIAL TEÓRICO
1.1 Definição de IED
Conforme a 5ª edição do Manual da Balança de Pagamentos do FMI (IMF’s Balance of
Payments Manual), Investimento Direto é a categoria de investimento internacional que reflete o
objetivo de uma entidade residente em uma economia de obter um interesse duradouro em uma
empresa residente em outra economia. O interesse duradouro implica a existência de uma relação
de longo prazo entre o investidor direto e a empresa e um grau significativo de influência pelo
investidor na administração da empresa. Investimento Direto compreende não somente a
transação inicial que estabelece a relação entre o investidor e a empresa, mas também todas as
transações subseqüentes entre eles e entre empresas afiliadas, incorporadas ou não.
De acordo com Krugman e Obstfeld (2005), Investimento Estrangeiro Direto são fluxos
internacionais de capitais com os quais uma firma estabelecida em um país cria ou expande uma
subsidiária em outro país. A característica peculiar do investimento estrangeiro direto é que
envolve não somente uma transferência de recursos, mas também a aquisição de controle. Isto é,
a subsidiária não somente tem uma obrigação financeira com a matriz, mas também é parte da
mesma estrutura organizacional.
Segundo Salvatore (2001), investimentos diretos são investimentos em fábricas, bens de capital,
terra, e inventários que envolvam ambos o capital e administração, onde o investidor retenha
controle sobre o uso do capital investido. Investimento Direto geralmente assume a forma de
uma subsidiária ou controle de outra firma por meio da aquisição da maioria de suas das ações.
No contexto internacional, Investimentos Diretos são comumente executados por corporações
multinacionais engajadas em manufatura, extração de recursos, ou serviços.
Carbaugh (2002) afirma que para executar suas operações mundiais, empresas multinacionais
confiam no Investimento Estrangeiro Direto, que é a aquisição de um interesse controlador em
uma companhia ou planta produtiva estrangeira. Investimento estrangeiro direto tipicamente
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ocorre quando uma companhia obtém um número suficiente de ações de uma companhia
estrangeira para assumir controle nas decisões desta empresa; quando a companhia adquire ou
construi novas plantas e equipamento no exterior; quando a companhia aloca fundos ao exterior
para financiar a expansão de sua subsidiária estrangeira; ou quando os lucros da subsidiária
estrangeira são reinvestidos na expansão de sua planta.
Gerber (2002) comenta que Investimento Estrangeiro Direto é o primeiro subcomponente de
fluxos financeiros, juntamente com o investimento em portfolio que são títulos estrangeiros
(foreign securities) e empréstimos para firmas estrangeiras, incluindo bancos. Investimento
estrangeiro direto inclui itens tangíveis como imóveis, fábricas, galpões, utilitários de transporte,
e outros patrimônios físicos.
Gerber (2002) observa que a similaridade entre IED e investimento estrangeiro em portfolio é
que ambos oferecem aos seus beneficiários direitos sobre o resultado futuro da economia
estrangeira. Entretanto, são diferentes em seus horizontes de tempo e isto pode acarretar efeitos
dramáticos ao país anfitrião onde o patrimônio se encontra. Investimento Direto geralmente
envolve um horizonte de tempo maior, pois são difíceis de liquidar rapidamente e
conseqüentemente representa uma posição de longo prazo no país anfitrião.
Pugel e Lindert (2000) analisam que contabilistas da balança de pagamentos definem IED como
qualquer fluxo de empréstimo ou aquisição de propriedade em relação a uma empresa
estrangeira que é largamente controlada por residentes (geralmente firmas) do país investidor. As
proporções de propriedade que definem o termo “largamente” variam de país para país. Para os
EUA, 10% de propriedade pela firma investidora são o bastante para uma definição oficial de
investimento direto. Nota-se que investimento direto consiste em qualquer investimento, seja
nova aquisição ou empréstimo simples, contanto que a empresa investidora tenha propriedade de
10% da empresa estrangeira que recebe o investimento. A distinção entre investimento direto e
portfolio (não direto) é o foco no termo controle. Uma firma que tem a propriedade e controle de
empresas em mais de um país é uma empresa multinacional. Numa firma multinacional, a matriz
está estabelecida no país de origem, ou seja, no país investidor. A matriz tem uma ou mais filiais
ou subsidiárias estrangeiras em um ou mais países anfitriões. A matriz utiliza IED para
estabelecer uma nova filial estrangeira ou para expandir ou financiar uma já existente.
Desta maneira, interpreta-se que IED são fluxos internacionais de capitais utilizados no
financiamento da administração e/ou produção de uma empresa localizada no exterior (país
anfitrião), sendo esta de propriedade significativa da empresa localizada no país investidor. O
atributo comum nas definições de investimento estrangeiro direto é o termo controle, em que o
investidor busca uma relação de longo prazo e exerce considerável influência na administração
da firma, o que representa a característica mais importante que distingue IED do investimento
em portfolio em que o investidor não busca controle ou interesse duradouro.
1.1.2 Motivações de IED
Segundo Krugman e Obstfeld (2005), a teoria moderna da empresa multinacional inicia-se na
distinção entre as duas questões da qual uma maior é composta. Primeiro, qual a razão pela qual
um bem é produzido em dois ou mais países ao invés de um. Esta é conhecida como a questão de
localização. Segundo, qual o motivo pelo qual a produção em diferentes localizações é executada
pela mesma empresa ao invés de firmas separadas? Esta é conhecida como a questão de
internalização.
Krugman e Obstfeld (2005) comentam que a teoria de localização é a teoria do comércio
internacional na qual a localização da produção é determinada pela dotação de fatores. Deste
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modo, fabricantes de computadores estabelecem suas instalações que requerem mão-de-obra
altamente qualificada para elaboração de design em Massachusetts ou na Califórnia, assim como
suas instalações que requerem mão-de-obra menos qualificada para a linha de montagem na
Irlanda ou Singapura. Alternativamente, custos de transporte e outras barreiras ao comércio
podem também determinar a localização das plantas.
Como analisam Krugman e Obstfeld (2005), a teoria de internalização é um assunto distinto. A
produção de uma subsidiária é freqüentemente o insumo de outra. Ou a tecnologia desenvolvida
em um país pode ser utilizada em outros. Ou ainda a administração pode coordenar as atividades
das plantas em diversos países. Estas transações são o que une uma empresa multinacional.
Entretanto, transações internacionais não precisam ser executadas dentro da mesma firma.
Componentes podem ser vendidos no mercado, e tecnologia pode ser licenciada a outras firmas.
Deste modo, multinacionais existem pelo fato de ser mais lucrativo desempenhar tais transações
dentro da mesma firma do que entre empresas diferentes. Esta é a razão pela qual a motivação
das multinacionais é denominada “internalização”.
Para Krugman e Obstfeld (2005), entre diversas teorias, têm-se duas visões influentes em relação
ao motivo pelo qual atividades em diferentes países podem ser integradas em uma única firma de
maneira útil. Deste modo, a razão pela qual atividades em diferentes países são conduzidas por
somente uma firma ao invés de diferentes firmas é baseada em dois pilares.
O primeiro enfatiza as vantagens de internalização para a transferência de tecnologia.
Tecnologia, definida de maneira abrangente como qualquer tipo de conhecimento
economicamente útil, pode algumas vezes ser vendida ou licenciada. Entretanto, a tecnologia
geralmente é intrínseca a um grupo de indivíduos e não é possível agrupá-la ou vendê-la, além de
ser difícil para um comprador em potencial saber o quanto vale a tecnologia. Tais problemas
podem ser reduzidos se uma firma, ao invés de vender tecnologia, estabelece subsidiárias para
auferir ganhos com esse conhecimento.
O segundo pilar enfatiza as vantagens de internalização para integração vertical. Caso uma firma
produza um bem utilizado como insumo em outra firma, problemas poderão ocorrer. Se ambas
as firma gozarem de uma posição monopolística, elas poderão entrar em conflito caso uma delas
tente abaixar o preço enquanto a outra tente aumentá-lo. Problemas de coordenação poderão
existir se demanda ou oferta é incerta. Finalmente, preço flutuante pode impor risco excessivo
sobre uma parte ou outra. Se ambas as firmas estiverem combinadas em uma única firma
“verticalmente integrada”, tais problemas poderão ser evitados ou ao menos reduzidos
(KRUGMAN E OBSTFELD, 2005).
De acordo com Salvatore (2001), as motivações para execução de Investimentos Estrangeiros
Diretos são geralmente as mesmas que se aplicam para investimentos em portfolio, isto é,
obtenção de altos retornos (possivelmente resultante de taxas de crescimento mais altas no
exterior, tratamento tributário mais favorável, ou maior disponibilidade de infraestrutura) ou
diversificação de riscos.
Entretanto, Salvatore (2001) analisa que a principal razão pela qual residentes de uma nação não
se financiam com capital de outras nações, executando eles mesmos investimentos em sua
própria nação ao invés de aceitar investimentos diretos do exterior, é que muitas grandes
corporações, geralmente em mercados monopolísticos ou oligopolísticos, freqüentemente têm
conhecimentos únicos na produção ou em habilidades administrativas que poderiam ser
utilizados facilmente e de maneira lucrativa no exterior sobre as quais a corporação deseja
manter controle direto. Nesta situação, a firma executará Investimentos Diretos no Exterior. Isto
envolve integração horizontal, ou a produção de um produto diferenciado que é também
produzido no país de origem no exterior. Um exemplo é a empresa IBM que não deseja licenciar
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produtores estrangeiros de forma a manter controle completo sobre segredos de comércio e
patentes para assegurar serviços e qualidade consistentes, cuja situação se aplica à Xerox,
Gillette, Toyota e muitas outras empresas multinacionais.
Salvatore (2001) afirma que outra razão importante para Investimento Estrangeiro Direto é a
obtenção de controle de uma matéria-prima e assim assegurar uma oferta ininterrupta ao custo
mais baixo possível. Isso se refere à integração vertical, sendo a forma da maior parte dos
Investimentos Estrangeiros Diretos em países em desenvolvimento e em alguns países
desenvolvidos abundantes em minério.
Salvatore (2001) analisa que integração vertical envolvendo multinacionais podem também
envolver a propriedade das vendas ou redes de distribuição no exterior, como é o caso da maioria
das montadoras de automóveis no mundo.
De acordo com Salvatore (2001) outras razões para o IED baseiam-se em evitar tarifas e outras
restrições que nações impõem às importações ou em obter vantagem de subsídios
governamentais que incentivam Investimentos Estrangeiros Diretos. Outras razões possíveis
incluem a entrada num mercado estrangeiro oligopolístico para auferir altos lucros, a compra de
uma firma estrangeira promissora para evitar sua competição futura e a possível perda de
mercados de exportação, ou pela razão de que apenas uma grande empresa multinacional
conseguiria obter o financiamento necessário para entrar em tal mercado.
Salvatore (2001) observa que a distribuição regional de IED aparenta relacionar-se com
proximidade geográfica e acordos comerciais. Desta maneira, o Japão é o principal investidor
estrangeiro direto da Coréia do Sul, Singapura, Taiwan e Tailândia, enquanto que os principais
destinos de investimentos diretos da União Européia incluem Gana e Marrocos na África, o
Brasil na América Latina, e a Índia na Ásia.
Carbaugh (2002) comenta que, embora os lucros expliquem em última instância o processo de
investimento estrangeiro direto, a administração corporativa pode dar ênfase a uma variedade de
outros fatores quando questionada sobre suas motivações de investimento.
Esses fatores podem são classificados por Carbaugh (2002) em fatores de demanda, em que
multinacionais estabelecem subsidiárias no exterior para atingir mercados estrangeiros que não
podem ser atendidos adequadamente pela exportação direta. Isso ocorre algumas vezes em
resposta à insatisfação em relação a técnicas de distribuição no exterior. Conseqüentemente, um
negócio pode estabelecer uma divisão de marketing estrangeira e, mais tarde, instalações
manufatureiras. Esse incentivo pode ser particularmente forte quando se percebe que existem
preferências locais e diferenças em design. Uma familiaridade com as condições locais é de
extrema importância para um programa de marketing de sucesso. O estabelecimento de
instalações no exterior pode ser influenciado quando empresas consideram que sua capacidade
produtiva é suficiente para atender as demandas domésticas. Desta maneira, caso deseje gozar de
taxas de crescimento que excedam a expansão da demanda doméstica, exporta-se ou estabelecese operações no exterior. Competição por mercados pode também influenciar a decisão da firma
em se estabelecer no exterior. Estratégias corporativas podem ser de natureza defensiva caso
sejam levadas a preservar fatias de mercado de competidores atuais ou em potenciais. De fato, o
método mais efetivo de prevenir que uma empresa estrangeira se torne um forte concorrente é
pela aquisição, cuja prática é exemplificada pela General Motors que adquiriu a Monarch na
Alemanha e a Opel no Canadá, mas não adquiriu firmas de modelos de menor porte como a
Toyota e a Volkswagen, que vieram a se tornar fortes competidores da GM.
Outra classificação por Carbaugh (2002) em relação aos fatores de motivação para Investimento
Estrangeiro Direto são os fatores de custo, em que multinacionais buscam o aumento de seus
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lucros por meio da redução dos custos de produção. Tais Investimentos Estrangeiros diretos
podem tomar uma variedade de formas. A busca por matérias-primas essenciais pode orientar a
intenção de uma firma de se tornar uma multinacional, o que é particularmente observado pelas
indústrias extrativistas e de commodities agrárias. Custos de produção incluem mão-de-obra, em
que multinacionais desejam manter o baixo custo desse fator pela alocação de parte ou de toda a
sua linha de produção ao exterior. Ressalta-se que o mero fato de os EUA pagarem salários mais
elevados em relação ao exterior não indica necessariamente custos mais elevados, uma vez que
altos salários podem ser resultados de uma produtividade da mão-de-obra maior do que a de
outros países. A localização de uma multinacional pode ser também influenciada por fatores de
transporte, especialmente em setores onde os custos de transporte compõem uma fração elevada
do valor do produto. Se o custo de transportar matérias-primas é significativamente mais elevado
do que o custo de remeter os produtos acabados aos mercados, a multinacional deverá alocar
suas instalações de produção mais proximamente de matérias-primas do que de seus mercados.
Madeira, químicos básicos, alumínio, e aço estão entre os produtos que se aplicam a essa
descrição. Alternativamente, quando o custo de transportar produtos acabados é
significativamente mais elevado do que o de transportar as matérias-primas, as multinacionais
alocariam suas instalações próximas aos mercados. Produtores de bebidas como a Coca-Cola e
Pepsi-Cola transportam xarope concentrado para suas plantas em todo mundo, que adicionam
água, engarrafam, e vendem os produtos aos consumidores. Por sua vez, quando os custos de
transporte compõem uma pequena fração do valor do produto, multinacionais tendem a escolher
a localização onde a disponibilidade e o custo de mão-de-obra e de outros insumos lhes ofereçam
o menor custo de produção. Multinacionais que produzem componentes eletrônicos, roupas, e
sapatos são exemplos de tal mobilidade locacional. Políticas governamentais podem também
resultar em Investimento Estrangeiro Direto. Algumas nações procuram atrair empresas
estrangeiras para estabelecer instalações geradoras de emprego por meio de subsídios como
tratamento tarifário preferencial ou construções de fábrica gratuitas.
Mais comumente, Investimento Direto pode ser uma maneira de transpor barreiras tarifárias
sobre importações. As altas tarifas que o Brasil impõe sobre importações de autopeças implicam
que produtores de automóveis estrangeiros que desejam vender no mercado brasileiro devem
alocar linhas de produção neste país. Outro exemplo de investimento direto foram as montadoras
de automóveis japonesas que estabeleceram linhas de produção nos EUA na década de 80 e 90
para neutralizar as pressões protecionistas americanas (CARBAUGH, 2002).
Moosa (2002) afirma que as motivações de IED incluem a necessidade por mercados. Quando o
crescimento nas vendas é limitado pelo mercado doméstico, a firma considera expandir-se ao
exterior, lhe permitindo explorar economias de escala.
Inclui-se também a necessidade por eficiência produtiva, que motiva companhias a produzir em
países onde fatores de produção são relativamente baratos, tal como mão-de-obra utilizada pela
Nike para produção de tênis na Ásia, pagando aos trabalhadores baixos salários.
Há ainda a necessidade por matérias-primas em que, de forma a evitar os custos de transporte
associadas às importações de matérias-primas indisponíveis em seu país, a firma estabelecerá
instalações de produção próximas de onde se encontram as matérias-primas no país estrangeiro.
Enumera-se a necessidade por informação e tecnologia que tem motivado investimento
estrangeiro direto em companhias farmacêuticas americanas e produtoras de software e
hardware, além da necessidade de minimizar e diversificar risco.
Cita-se também a integração de operações, cujo exemplo de integração vertical que ocorre
quando uma firma participa de vários estágios no processo produtivo é exemplificado pela
indústria petrolífera que se engaja em operações que variam da exploração e extração à venda.
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Outra motivação mencionada por Moosa (2002) é o conhecimento não-transferível que ocorre
quando uma firma desenvolve autoridade na produção de certa commodity, mas é difícil
transferir tal conhecimento, sendo então melhor expandir-se internacionalmente.
Enumera-se ainda a proteção de conhecimento onde a firma tem conhecimento transferível, mas
não deseja transferi-lo, cujo exemplo é a Kentucky Fried Chicken que passou a transferir sua
produção ao exterior para proteger o segredo se sua receita; a proteção da reputação em que a
firma decide produzir no exterior para proteger a marca ou a qualidade do produto, cujo exemplo
é o McDonald‟s que se expandiu internacionalmente para proteger sua reputação de fazer
hambúrgueres saborosos; e a capitalização com base na reputação, cujo exemplo são os bancos
internacionais bastante conhecidos que atraem depósitos quando estabelecem divisões em países
estrangeiros (MOOSA, 2002).
Em acordância com Carbaugh (2002), Moosa (2002) cita também a ação de evitar tarifas e
quotas, onde a produção que ocorre em um país estrangeiro torna-se um substituto às
exportações que estariam sujeitas a tarifas e quotas, cujo exemplo clássico foi o estabelecimento
de montadoras japonesas nos EUA.
Moosa (2002) também observa as considerações cambiais, onde firmas optam por estabelecer
produção em países cujas taxas cambiais são fracas ou subvalorizadas, e vendem seus produtos
em países onde as taxas cambiais são fortes ou sobrevalorizadas (os conceitos de sub e
sobrevalorização são mensurados por desvios na paridade do poder de compra).
Finalmente, Moosa (2002) menciona as relações com outras multinacionais - motivação na qual
empresas se expandem internacionalmente como seguidora. Esse fator é particularmente válido
para bancos e outras instituições financeiras, onde o banco ou a instituição financeira que serve
sua matriz no seu país de origem pode estabelecer um braço no mesmo país estrangeiro para
servir as necessidades bancárias e financeiras da subsidiária, o que se constituiu de fato numa das
razões para o crescimento da atividade bancária internacional.
De acordo com Pugel e Lindert (2000), uma explicação possível seria que IED é simplesmente
uma forma de fluxo internacional de capital financeiro baseada na diferenças entre retornos e
riscos entre países. Embora retorno e risco devam ter um papel nas decisões das firmas sobre a
execução ou não de IED, esta teoria financeira de IED não é adequada, pois não explica a razão
pela qual esses investimentos internacionais seriam grandes o suficiente para estabelecer controle
na administração de empresas estrangeiras.
Para Pugel e Lindert (2000), uma conclusão equivocada é considerar que, se o desafio é a
transferência de capital de uma nação para outra, investimento internacional em portfolio pode
cumprir essa tarefa melhor do que o IED por parte das firmas cujas preocupações se baseiam na
produção e no marketing. Outra explicação para IED é que é simplesmente o resultado de
competição perfeita na qual algumas firmas quase acidentalmente operam em mais de um país.
Entretanto, tal interpretação também se mostra inadequada, pois IED não é algo fácil de se
executar e nem é algo acidental dada a complexidade de se operar em um país estrangeiro.
Pugel e Lindert (2000) analisam que, uma vez que firmas locais têm vantagens inerentes em
operar em seu próprio ambiente, uma empresa estrangeira encontra-se em desvantagem, pois
inicialmente não tem a compreensão nativa de leis locais, clientes, procedimentos, práticas, e
relacionamentos. Além disso, uma empresa estrangeira tem custos extras de manutenção do
controle administrativo, seja em comunicação, seja nos custos de viagem, e, especialmente nos
mal-entendidos.
Entretanto, segundo Pugel e Lindert (2000), para que considere a execução de IED, a firma
entrante estrangeira deve ter algumas vantagens específicas não compartilhadas por seus
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competidores locais no país anfitrião de forma que compense as desvantagens inerentes a
empresas estrangeiras.
A vantagem específica da firma é algumas vezes baseada em tecnologia ou patentes. Pode ter
acesso especial a grandes montantes de capitais – montantes muito superiores do que uma firma
nacional comum poderia ter. Ou, como no caso do refinamento de petróleo ou processamento de
metais, uma firma pode coordenar operações e requerimentos de capital investido em vários
estágios num processo de produção vertical e, devido a altos custos de inventário e ao seu
conhecimento dos requerimentos em cada estágio, a firma pode ter a habilidade de economizar
por meio de operações sincronizadas. Ou a ela pode ter vantagens de marketing baseadas na
utilização qualificada de publicidade e outros métodos promocionais que estabelecem os
diferenciais de um produto como, por exemplo, através de marcas fortes. Ou ainda a firma deve
ter uma administração superior. Desta maneira, alguma vantagem especial é necessária para a
firma superar a desvantagem de operar à distância (PUGEL E LINDERT, 2000).
O quadro a seguir sintetiza as motivações de IED segundo os autores discutidos nesta seção.
Quadro 1 – Motivações de IED Segundo Autores Discutidos
Autor
Krugman e Obstfeld (2005)
Motivações de IED
Transferência de tecnologia
Integração Vertical
Salvatore (2001)
Integração Horizontal
Integração Vertical
Transpor Restrições às Importações
Obter Subsídios Governamentais
Carbaugh (2002)
Fatores de Demanda
Fatores de Custo
Moosa (2002)
Necessidade por Mercados
Necessidade por Eficiência
Necessidade por Matérias-Primas
Necessidade por Informação
Minimizar e Diversificar Risco
Integração de Operações
Conhecimento Não-Transferível
Proteção de Conhecimento
Proteção da Reputação
Capitalização com Base na Reputação
Considerações Cambiais
Relações com Outras Multinacionais
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Pugel e Lindert (2000)
Tecnologia ou Patentes
Acesso a Financiamento
Economia em Operações Sincronizadas
Vantagem de Marketing
Vantagem Administrativa
Outras Vantagens Específicas
Fonte: ORGANIZADO PELOS AUTORES, 2006.
1.4 Investimento Estrangeiro Direto e o Comércio Internacional
No ano em que o Investimento Estrangeiro ocorre, os gastos internacionais da nação investidora
aumenta e provoca déficit em seu balanço de pagamentos (excesso de gastos no exterior sobre
receitas estrangeiras). Entretanto, a transferência inicial de capital e o aumento dos gastos no
exterior por parte da nação investidora tendem a suavizar pelo aumento das exportações de bens
de capital, peças individuais, e de outros produtos pela nação investidora, assim como pelo fluxo
subseqüente de lucros à nação investidora.
Além disso, a decisão de se optar por exportação direta ou por IED/licenciamento relaciona-se às
economias de escala. Deste modo, quando o tamanho do mercado do país anfitrião é grande o
suficiente para permitir uma produção eficiente, a firma do país investidor eleva seus lucros por
meio do estabelecimento de uma subsidiária de produção ou por meio do licenciamento de
direitos para uma firma local produzir e vender seu produto.
Por outro lado, a escolha entre IED ou licenciamento relaciona-se em decidir se é mais eficiente
estabelecer uma subsidiária de produção estrangeira ou licenciar tecnologia para uma firma
estrangeira produzir. Desta maneira, a decisão de estabelecer operações por meio de IED ou
licenciamento depende da extensão ao qual o capital é utilizado no processo produtivo, do
tamanho do mercado estrangeiro, e da magnitude de custo fixo que o negócio deve arcar para
estabelecer uma planta no exterior.
Há também um consenso de que a condição do comércio internacional e IED serem
complementares ou substitutos depende do fato do IED ser horizontal ou vertical. A condição de
o IED ser horizontal ou vertical depende das diversas características dos países. Por exemplo, se
países tem dotações de fatores significativamente diferentes, então o IED vertical dominará. Por
outro lado, IED horizontal dominará se os países forem similares em tamanho e em dotações
relativas, e se custos de comércio são de moderados a altos. Em IED horizontal, firmas servem
mercados estrangeiros por meio do estabelecimento de plantas no exterior para fabricar bens
idênticos. Desta maneira, as exportações do país investidor ao país anfitrião diminuirão,
implicando assim que são substitutos. Em IED vertical, multinacionais separam as diferentes
etapas da produção geograficamente pelos países para obter vantagem nos preços inferiores dos
fatores, implicando então a sua complementaridade.
O IED é geralmente complementar ao comércio internacional, resultando-se tanto em expansão
das exportações do país investidor em componentes utilizados na produção da filial, pelo fato da
filial importar insumos da matriz a um custo inferior em relação a outros fornecedores, como na
própria expansão das exportações do país investidor em produtos finais - analisado sob o aspecto
de a filial ser relativamente mais eficiente do que a matriz na utilização de ferramentas de
marketing para estimular a demanda local para os produtos que não são produzidos pela filial
nacional.
REVISTA JOVENS PESQUISADORES
ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
167
O quadro a seguir sintetiza as idéias em relação ao IED e o comércio internacional segundo os
autores discutidos nesta seção.
Quadro 2 – IED e o Comércio Internacional Segundo Autores Discutidos
Autor
IED e Comércio Internacional
Salvatore (2001)
Inicialmente: Déficit no balanço de pagamentos
(aumento dos gastos no exterior)
Posteriormente: Superávit no balanço de pagamentos
(exportações)
Carbaugh (2002)
Exportações vs IED: Economia de escala
IED vs Licenciamento: Intensidade de K
Moosa (2002)
Dotação diferenciada de fatores: IED
(complementar ao comércio internacional)
vertical
Dotação similar de fatores: IED horizontal (substituto
ao comércio internacional)
Pugel e Lindert (2000)
Complementariedade: comércio internacional de
componentes e de produtos acabados não
comercializados pela filial (marketing).
Gonçalves (2003)
Substituição: redução das importações de produtos
acabados
Complementaridade: comércio intraindustrial
Fonte: ORGANIZADO PELOS AUTORES, 2006.
2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
2.1 Problema de Pesquisa
Segundo Marconi & Lakatos (2003), a formulação do problema de pesquisa objetiva esclarecer a
dificuldade específica que se encontra e, prendendo-se ao tema proposto, esclarece a dificuldade
específica com a qual se defronta e que se pretende resolver por intermédio da pesquisa. Desta
maneira, teve-se a formulação do problema de pesquisa. De que modo a realização de IED e IBD
por parte de empresas brasileiras influencia fluxo de exportações diretas brasileiras: favorável ou
desfavoravelmente?
2.2 Hipótese do Trabalho
De acordo com Richardson (1999), nem todo tipo de pesquisa requer hipóteses. Por exemplo,
Malhorta (1999) afirma que, devido a seu tipo de pesquisa, nenhuma hipótese foi proposta, pois
um dos objetivos de seu tipo de pesquisa é gerar hipóteses. Nesta pesquisa, o assunto crítico em
relação ao IED e ao comércio internacional referiu-se à questão de serem complementares, pelo
fato de aumentar as exportações de insumos, bens de capital e tecnologia do país investidor para
o país anfitrião onde se estabeleceu a subsidiária; ou substitutos, por haver menor necessidade de
exportações diretas uma vez que a produção passa a ocorrer no país anfitrião.
2.3 Tipo de Pesquisa
Trata-se de uma pesquisa exploratória de natureza econômica.
2.4 Objetivos
REVISTA JOVENS PESQUISADORES
ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
168
2.4.1 Objetivo Geral
De acordo com Marconi & Lakatos (2003), o objetivo geral está associado a uma visão global e
abrangente do tema, relacionando-se com o conteúdo intrínseco dos fenômenos e eventos, assim
como das idéias estudadas. Desta maneira, o objetivo geral deste estudo foi verificar a influência
do Investimento Estrangeiro Direto e Investimento Direto Brasileiro no Exterior sobre as
exportações brasileiras.
2.4.2 Objetivos Específicos
Segundo Marconi & Lakatos (2003), os objetivos específicos têm que contribuir objetivamente
para responder ao problema de pesquisa, sendo que o objetivo específico apresenta caráter mais
concreto em relação ao objetivo geral. Tem função intermediária e instrumental, permitindo, de
um lado, atingir o objetivo geral e, de outro, aplicar este a situações particulares. Desta maneira,
os objetivos específicos desta pesquisa foram:
1. Definir IED.
2. Discriminar as motivações empresariais na prática de IED.
3. Apontar os efeitos do IED sobre os fluxos comerciais.
4. Verificar as relações dos valores de IED/IBD com as variações no valor das exportações
brasileiras.
5. Executar apreciação crítica sobre a complementaridade ou substitutibilidade do IED/IBD
sobre as exportações brasileiras.
2.5 Método
De acordo com Richardson (1999), método em pesquisa significa a escolha de procedimentos
sistemáticos para descrição e explicação de um fenômeno. Em princípio, a diferença entre o
método qualitativo e quantitativo é que o primeiro não emprega um instrumental estatístico como
base do processo de análise de um problema, e não pretende numerar ou medir unidades ou
categorias homogêneas.
Segundo Flick (2004) a pesquisa qualitativa consiste na escolha correta de métodos e teorias
oportunos, no reconhecimento e na análise de diferentes perspectivas, nas reflexões dos
pesquisadores a respeito de sua pesquisa como parte do processo de produção de conhecimento e
na variedade de abordagens e métodos.
Por outro lado, Gressler (2003) afirma que a pesquisa quantitativa é caracterizada pela
formulação de definições operacionais das variáveis, quantificação nas modalidades de coleta de
dados e informações, utilização de tratamentos estatísticos e hipóteses que exigem, geralmente,
uma relação entre causa e efeito e apóia suas conclusões em dados estatísticos, comprovações e
testes.
Desta maneira, o método seguido é o quantitativo, uma vez que se investiga a relação de
causalidade entre os fenômenos relacionados às exportações diretas brasileiras e o Investimento
Estrangeiro Direto, assim como Investimento Brasileiro Direto, baseando-se em bancos de dados
e ferramentas econométricas.
2.6 Instrumentos de Coleta de Dados
Para aplicação do método estatístico, fez-se um levantamento de dados secundários em US$
milhões no Balanço de Pagamentos do Brasil, disponível no sítio do Banco Central do Brasil.
Em Transações Correntes, analisou-se o total das exportações de bens em seu valor FOB (freeon-board), ou seja, sem a inclusão do valor de fretes. O termo FOB (porto de embarque
REVISTA JOVENS PESQUISADORES
ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
169
nomeado) é o termo em que o vendedor deve entregar a mercadoria a bordo do navio nomeado
pelo comprador, assumindo os custos até este ponto. A bordo significa ter ultrapassado a murada
do navio, não necessitando ter chegado aos porões ou ao convés. A partir deste ponto, os custos e
riscos são por conta do comprador. A contratação do transporte, neste caso, é por conta do
comprador, que deve pagar o frete.
Na Conta Financeira, analisou-se o crédito de IED (Investimento Estrangeiro Direto), assim
como o débito de IBD (Investimento Brasileiro Direto). Analisou-se o crédito de IED e o débito
de IBD pelo fato de representar, respectivamente, o valor que estrangeiros depositam como
investimento no País – o que representa contabilmente um ingresso de recursos no Brasil – e o
valor que os brasileiros residentes efetivamente investem no exterior – o que representa na
contabilidade social uma saída de recursos do Brasil.
A partir das séries temporais do Banco Central do Brasil, analisou-se adicionalmente o índice de
taxa de câmbio real baseado no IPCA com o mês de junho de 1994 como data-base, e o índice do
PIB brasileiro trimestral dessazonalizado a preços de mercado, tendo-se como data-base o ano de
1990.
2.7 Técnica de Análise
Após se executar a estatística descritiva das variáveis denominadas por X (total das exportações
de bens brasileiras FOB), IBD , IED , E (índice de taxa de câmbio real) e PIBíndice (índice do
PIB trimestral dessazonalizado a preços de mercado), analisou-se os respectivos gráficos de
linhas da variável endógena X e das exógenas IBD , IED e E como uma tentativa de se
investigar alguma relação visível entre as mesmas.
A partir da elaboração do gráfico de linhas, as variáveis X , IBD , e IED passam a ser
representadas como percentual em relação ao PIBíndice , denotadas respectivamente como X _ Y ,
IBD _ Y , e IED _ Y . Desta forma, embora não seja possível executar uma análise numérica
individual a partir de valores do eixo y, a análise relativa das variáveis em estudo evitará a
heterocedasticidade (variância do erro não constante) nos possíveis modelos formulados
posteriormente, dado que as variáveis passam a ser estudadas sob o mesmo parâmetro de análise.
Em seguida, elaborou-se um gráfico logarítmico dessas variáveis, uma vez que se trata de uma
forma funcional importante para se analisar dados, colocando-os em um mesmo parâmetro de
análise por meio de sua “compressão numa mesma base”. Desta maneira, torna-se útil para se
analisar dados que assumem valores que dificultam comparações, como é o caso da comparação
da variável IBD _ Y com as demais variáveis pelo fato de assumir valores muito pequenos em
relação a estas.
Deste modo, desenvolveram-se gráficos de dispersão, em que se tem a variável X _ Y no eixo x
e cada uma das outras variáveis no eixo y. Constitui-se na melhor ferramenta para visualizar a
relação entre duas variáveis quantitativas, coletando-se dados aos pares de duas variáveis
(exógena e endógena) para se verificar a existência de relações entre as variáveis em questão.
Após a análise a partir de diferentes tipos de gráficos, desenvolve-se um modelo de regressão
múltipla em que se tem X _ Y como variável dependente e IBD _ Y , IED _ Y e E como
variáveis independentes.
Finalmente, executou-se o teste t de student de significância do modelo, aceitando-se ou
rejeitando-se a hipótese nula de que tal coeficiente é diferente de zero, ou seja, significante ao
modelo em que se tem o valor das exportações totais de bens como variável endógena. O p-valor
que representa este teste é o cálculo da probabilidade de se cometer o erro de tipo 1 (rejeitar a
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ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
170
hipótese nula quando ela é verdadeira), com os dados amostrais. Este valor é dado pelo pacote
estatístico. Assim, compara-se com o nível de significância escolhido e toma-se a decisão. Se o
p-valor for menor que o nível de significância escolhido, rejeita-se a hipótese nula. Caso
contrário, se aceita tal hipótese nula de que o coeficiente assume valor zero.
3. RESULTADOS E ANALISES DOS DADOS
3.1 Estatística Descritiva
Tabela 1 – Estatística descritiva para as variáveis endógena e exógenas
VARIÁVEL
MÉDIA
DESVIO
PADRÃO
MÍNIMO
MÁXIMO
X
16713,84
6474,786
9730,576
33042,1
IBD
883,5882
1266,322
97,336
8442,282
IED
6472,399
2936,821
997,6
12403,64
E
109,5795
33,68202
68,66
193,46
PIBíndice
130,2415
9,358488
114,72
148,15
Fonte: Elaborado pelos autores a partir de dados calculados pelo STATA.
Na Tabela 1, X representa as exportações totais de bens; IBD representa o Investimento
Brasileiro Direto; IED , o Investimento Estrangeiro Direto; E , o índice da taxa de câmbio real;
e PIBíndice , o índice do PIB trimestral brasileiro. Estes valores permitem uma visualização inicial
dos dados incluídos no modelo de regressão linear múltipla a ser desenvolvido, com suas
respectivas médias, desvios-padrão, valores mínimos e valores máximos assumidos. Os dados da
análise encontram-se no Apêndice A.
3.2 Gráfico de Linhas
Por meio do gráfico de linhas, analisam-se os respectivos gráficos de linhas da variável endógena
X e das exógenas IBD , IED e E como uma tentativa de se investigar alguma relação visível
entre as mesmas. As variáveis X , IBD , e IED passam a ser representadas como percentual em
relação ao PIBíndice , denotadas respectivamente como X _ Y , IBD _ Y , e IED _ Y . Desta forma,
embora não seja possível executar uma análise numérica individual a partir de valores do eixo y,
a análise relativa das variáveis em estudo evitará a heterocedasticidade nos possíveis modelos
formulados posteriormente, dado que as variáveis passam a ser estudadas sob o mesmo
parâmetro de análise.
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171
240
200
160
120
80
40
0
5
10
15
20
25
X_Y
IED_Y
30
35
40
45
IBD_Y
E
Figura 3 – Gráfico de linhas para as variáveis endógena e exógenas
Fonte: Elaborado pelos autores a partir do EViews 5.0.
A partir da Figura 3, observa-se que a variável X _ Y sofre tendência ascendente a partir do
primeiro trimestre do ano de 2002. Por outro lado, a variável IBD _ Y e IED _ Y sofre oscilações
ao longo do período observado, verificada de forma mais acentuada no ano de 2004. Por meio
das variações ao longo do eixo observa-se que o IED _ Y varia mais do que o IBD _ Y em
termos absolutos, uma vez que a variável IED assume valores historicamente maiores nos dados
amostrais.
Aparentemente, a variável X _ Y não se comporta como esperado considerando-se as variações
do índice da taxa de câmbio real E , uma vez que valorizações cambiais não tem representado
necessariamente declínio das exportações. É possível verificar este fenômeno de forma mais
clara a partir do ano de 2004 em que houve aumento das exportações sob desvalorizações
cambiais. Apesar de não ser esperado, é explicável, dado que, no caso do Brasil, o aumento do
valor das exportações sob desvalorizações cambiais aponta para ganhos de competitividade
internacional. Portanto, numa análise inicial, espera-se obter um p-valor para a variável E acima
de 5% de significância, aceitando-se a hipótese nula de que o parâmetro possa assumir valor
zero, ou seja, não ser significante para explicar o desempenho das exportações durante o período
observado.
Em relação à interação das variáveis X _ Y e IED _ Y , não é possível identificar se o IED e as
exportações brasileiras são complementares ou substitutas. Apesar de assumirem tendências
distintas ao longo do eixo, sobretudo durante período que compreende os anos de 1999 a 2004,
algumas oscilações pontuais verificadas pelo IED _ Y correspondem a variações na mesma
direção da variável X _ Y , como se observa nos anos de 1998 e 2004.
Em relação à interação das variáveis X _ Y e IBD _ Y , verifica-se que podem ser
complementares, uma vez que muitas das oscilações assumidas pelo IED _ Y correspondem a
variações na mesma direção da variável X _ Y . Capta-se um aumento simultâneo dessas
variáveis durante os anos de 1995, 1998, 2000 e, sobretudo, em 2004.
REVISTA JOVENS PESQUISADORES
ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
172
Desta maneira, analisa-se que o câmbio não é uma variável decisiva para provocar alterações
significativas nas exportações, apontando para ganhos de competitividade internacional do
Brasil. Verifica-se também que o IED possivelmente não tem uma natureza definida
complementar ou substituta para as exportações brasileiras. Por outro lado, a partir das
oscilações assumidas por esta variável com conjunto com as exportações brasileiras, considerase o IBD como uma força fomentadora em potencial das exportações brasileiras.
3.3 Gráfico Logarítmico
A forma logarítmica é uma forma funcional importante para se analisar dados, colocando-os em
um mesmo parâmetro de análise por meio de sua “compressão numa mesma base”. Por exemplo,
os logaritmos naturais de 100 e 1000 são, respectivamente os valores 4,51 e 6,91. Desta maneira,
torna-se útil para se analisar dados que assumem valores que dificultam comparações, como é o
caso da comparação da variável IBD _ Y com as demais variáveis pelo fato de assumir valores
muito pequenos em relação a estas.
500.0
250.0
150.0
100.0
50.0
25.0
15.0
10.0
5.0
2.5
1.5
1.0
0.5
5
10
15
20
25
X_Y
IED_Y
30
35
40
45
IBD_Y
E
Figura 4 – Gráfico logarítmico para as variáveis endógena e exógenas
Fonte: Elaborado pelos autores a partir do EViews 5.0.
Observa-se na Figura 4 que as maiores variações adquiridas pela variável IBD _ Y , seguida da
variável IED _ Y , da variável X _ Y , e do índice da taxa de câmbio real E . Na regressão a ser
estimada, espera-se um R 2 baixo, ou seja, um poder de explicação agregado relativamente baixo
que as variáveis IBD _ Y , IED _ Y e E exercem sobre a exportação total de bens, pelo fato desta
variável endógena não absorver com a mesma intensidade as variações sofridas pelas variáveis
exógenas. Pode-se raciocinar que as variáveis IBD _ Y , IED _ Y e E podem se compensar em
suas perdas e ganhos proporcionadas às exportações.
3.4 Gráfico de Dispersão
Um gráfico de dispersão constitui na melhor ferramenta para visualizar a relação entre duas
variáveis quantitativas, coletando-se dados aos pares de duas variáveis (exógena e endógena)
para se verificar a existência de relações entre as variáveis em questão.
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173
100
60
50
80
40
IBD_Y
IED_Y
60
40
30
20
20
10
0
0
80
120
160
200
240
80
120
X_Y
160
200
240
X_Y
200
180
160
E
140
120
100
80
60
80
120
160
200
240
X_Y
Figura 5 – Gráfico de dispersão para as variáveis endógena e exógenas
Fonte: Elaborado pelos autores a partir do Eviews 5.0.
Por meio da Figura 5, verifica-se que, para maiores níveis de exportação, os níveis de IED
mínimo assumem possível tendência ascendente. Por outro lado, não é possível verificar uma
clara dependência linear entre as variáveis X _ Y e IED _ Y , uma vez que alguns dos maiores
valores de IED _ Y ocorrem para os níveis mais baixos de exportação. Desta forma, se observam
níveis mínimos crescentes de IED coincidentes com maiores valores de exportações. Entretanto,
dadas as observações de níveis relativamente altos de IED para baixos valores de exportações,
não é imperativo que todo o IED seja destinado para esse fim. No caso do Brasil, observam-se
Investimentos Estrangeiros Diretos nos setores de telecomunicações e energia que não geram
exportações. Assim, o propósito exportador ou não do IED dependerá do setor em que tal
investimento se aplica.
Em relação às variáveis X _ Y e IBD _ Y , apesar da variável IBD _ Y assumir valores
constantemente baixos, é possível observar que os valores mínimos de IBD _ Y assumem
possível tendência ascendente ao longo do eixo, coincidindo com maiores níveis de X _ Y na
Figura 5. Deste modo, pode haver relação direta entre Investimento Brasileiro Direto e as
exportações nacionais.
Finalmente, não é aparente a dependência linear entre as variáveis X _ Y e E , uma vez que
níveis mais altos de exportações ocorrem com baixos níveis de E , ou seja, moeda nacional
valorizada. Observa-se assim que, dada a maior competitividade do Brasil no cenário
REVISTA JOVENS PESQUISADORES
ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
174
internacional, as exportações nacionais dispensam de uma taxa cambial excessivamente
desvalorizada para seu persistente crescimento em nível agregado.
3.5 Modelo Econométrico
3.5.1 Regressão Múltipla
Inicia-se
X
PIBíndice
com
1
2
a
IBD
PIBíndice
elaboração
3
IED
PIBíndice
do
E
4
seguinte
modelo
econométrico:
, em que X representa as exportações
totais brasileiras FOB em US$ (milhões); IBD é o valor do Investimento Brasileiro Direto em
US$ (milhões); IED , o Investimento Estrangeiro Direto em US$ (milhões); E , o índice da taxa
de câmbio real R$/US$; PIBíndice , o índice do PIB trimestral brasileiro; e consiste no termo de
erro, onde se inclui todas as variáveis não expressas pelo modelo que, por hipótese, tem média
zero e variância constante 2 , gerando os seguintes resultados:
Tabela 1 – Resultados da regressão múltipla
Dependent Variable: X_Y
Method: Least Squares
Sample: 1995Q1 2006Q2
Included observations: 46
Variable
Coefficient
Std. Error
t-Statistic
Prob.
IED_Y
-0.197995
0.250341
-0.790900
0.4334
IBD_Y
1.883128
0.639896
2.942866
0.0053
E
0.219283
0.162560
1.348931
0.1846
C
99.43967
20.29665
4.899313
0.0000
R-squared
0.221671
Mean dependent var
125.9970
Adjusted R-squared
0.166076
S.D. dependent var
39.22125
S.E. of regression
35.81663
Akaike info criterion
10.07764
Sum squared resid
53878.89
Schwarz criterion
10.23666
Log likelihood
-227.7858
F-statistic
3.987253
Durbin-Watson stat
0.492796
Prob(F-statistic)
0.013797
Fonte: Elaborado pelos autores a partir do Eviews 5.0.
Como verificado por meio do gráfico logarítmico, verifica-se um R 2 relativamente baixo, ou
seja, um poder de explicação agregado relativamente baixo que as variáveis IBD _ Y , IED _ Y e
E exercem sobre a exportação total de bens. Esse fenômeno ocorre pelo fato da variável
REVISTA JOVENS PESQUISADORES
ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
175
endógena X _ Y não absorver com a mesma intensidade as variações sofridas pelas variáveis
exógenas, além do fato das exportações brasileiras não dependerem exclusivamente das variáveis
deste modelo. Observa-se também que as variáveis IBD _ Y , IED _ Y e E podem se compensar
em suas perdas e ganhos proporcionados às exportações brasileiras.
Nos resultados da regressão múltipla ilustrados pela Tabela 1, verifica-se que a variável IED _ Y
e E não são significativas para explicar as exportações durante o período observado. Levando-se
também em consideração seu coeficiente estimado, verifica-se que o Investimento Estrangeiro
Direto assume um coeficiente negativo e próximo de zero (-0,197995), o que mostra que o IED
não apresenta natureza definida complementar às exportações brasileiras.
Isto ocorre pelo fato do Investimento Estrangeiro Direto no Brasil não exercer influência
empírica sobre as exportações brasileiras. Assim, a maioria dos valores de IED no Brasil é
executado para produção destinada sobretudo ao mercado interno – de forma que o IED não tem
uma natureza definida complementar às exportações. Esse fenômeno caso pode ser ilustrado
pelos recentes investimentos nos setores de telecomunicações e de energia que não geram
exportações, conforme Figura 6 a seguir.
Investimentos Estrangeiros Diretos no Brasil:
As 5 maiores Aplicações por Atividade Econômica em 2005 (US$ milhões)
3000,00
2500,00
2000,00
1500,00
1000,00
500,00
0,00
Serviços prestados
principalmente às
empresas
Comércio varejista e Fabricação de produtos
reparação de objetos alimentícios e bebidas
pessoais e domésticos
Correio e
telecomunicações
Eletricidade, gás e água
quente
Figura 4 – IED e Setores de Aplicação no Brasil em 2005.
Fonte: Elaborado pelos autores a partir de dados disponíveis no sítio do Banco Central do Brasil.
Em relação à variável E para o índice de câmbio real, além da insignificância estatística, analisase também um coeficiente positivo próximo de zero (0,219283). Deste modo, verifica-se que as
estruturas de produção e consumo de um país podem causar ganhos (ou perdas) de
competitividade internacional, independente de variações na taxa de câmbio. Neste
caso,
a
análise empírica corrobora o já mencionado ganho de competitividade brasileiro (RIVERA
RIVERA e CASSANO, 2006).
Assim, as variações cambiais não exercem influência significativa em relação ao desempenho
agregado das exportações dado que persistentes valorizações cambiais não fizeram com que os
REVISTA JOVENS PESQUISADORES
ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
176
valores das exportações brasileiras deixassem de ter uma regular tendência ascendente observada
pelas Figuras 3, 4 e 5.
Por outro lado, observa-se que o IBD _ Y é significativo ao modelo, assumindo coeficiente
positivo diferente de zero (1,883128), o que mostra que os Investimentos Diretos Brasileiros não
substitui as exportações pelo investimento em plantas produtivas no exterior, mas as incentiva
pelo fornecimento de insumos. Segundo a lógica de Moosa (2002), uma razão para isso é que o
Investimento Direto permite à firma estabelecer uma maior base distributiva, assim expandindo
sua linha de produtos vendidos no mercado estrangeiro. Além disso, a produção no país
estrangeiro requer invariavelmente a importação de produtos intermediários do país investidor,
ocorrendo conseqüentemente exportações por parte do Brasil.
4. CONCLUSÃO
A revisão da literatura permitiu observar-se que há intensa variedade de opiniões sobre a
finalidade e a utilização do IED.
Enquanto Krugman/Obstfeld e Salvatore coincidem na opinião de que a integração vertical é um
dos pontos mais relevantes do IED, Carbaugh alerta para os fatores de custo, Moosa para a
necessidade de mercados e de matérias-primas e Pugel/Lindert citam a vantagem de marketing e
vantagem administrativa.
Tais discrepâncias de opinião, entretanto, não diminuem a importância do tema. Pelo contrário,
demonstram como ainda é necessária uma maior discussão a respeito da melhor utilização do
IED e, também, da correta aplicação do mesmo.
A análise estatística, por outro lado, indica que o Investimento Estrangeiro Direto no Brasil não
exerce influência empírica sobre as exportações brasileiras. Assim, a maioria dos valores de IED
no Brasil é executado para produção destinada sobretudo ao mercado interno – de forma que o
IED não tem uma natureza definida complementar às exportações. Esse fenômeno pode ser
ilustrado pelos recentes investimentos nos setores de telecomunicações e de energia que não
geram exportações.
Além disso, observa-se que as variações cambiais não exercem influência significativa em
relação ao desempenho agregado das exportações. Desta forma, a desvalorização cambial – fator
muito considerado no meio empresarial como agente capaz de ampliar a participação de produtos
nacionais no exterior – não tem uma representatividade significativa com a expansão das
exportações brasileiras.
A teoria aponta que o Investimento Direto permite à empresa estabelecer uma maior base
distributiva, assim expandindo sua linha de produtos vendidos no mercado estrangeiro. A
produção no país estrangeiro requer invariavelmente a importação de produtos intermediários do
país investidor, ocorrendo conseqüentemente o aumento das exportações.
Desta maneira, o ponto mais importante da análise estatística é o que permite, através da análise
de gráficos e, mais precisamente, através da regressão múltipla, afirmar-se que o IBD não
substitui exportações pelo investimento em plantas produtivas no exterior, mas, sim, incentiva as
exportações brasileiras pelo fornecimento de insumos às unidades ligadas a tais investimentos
(em especial produtos intermediários).
O Brasil tem aplicado capitais no exterior para criar subsidiárias de empresas exportadoras e,
principalmente, para instalações de filiais de bancos brasileiros. Esta estratégia é utilizada por
empresas como a Petrobras, Bradesco, Itaú, Sadia, Banco do Brasil e Varig. Observa-se que a
REVISTA JOVENS PESQUISADORES
ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
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presença de empresas brasileiras no exterior é notória. Hoje, na Argentina, pode-se fazer
compras nas Lojas Hering, almoçar no China em Box e alugar um carro na Localiza Rent a Car –
todas empresas brasileiras. Verifica-se também que o faturamento da Churrascaria Fogo de Chão
nos Estados Unidos é maior do que o da rede brasileira (MAIA, 2003).
Deste modo, a questão-problema tem como solução a pouca influência relativa que o IED exerce
sobre o fluxo das exportações brasileiras, considerando-se de forma mais importante o IBD
como uma forma fomentadora em potencial das exportações brasileiras.
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APENDICE A – DADOS DA ANÁLISE
REVISTA JOVENS PESQUISADORES
ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
178
DATA
PIBíndice
X
IBD
IED
E
1° Trim.1995
118,41
9730,58
234,77
997,60
71,75
2° Trim.1995
116,70
11718,61
405,70
1289,06
71,75
3° Trim.1995
114,72
12729,02
710,69
1928,93
70,70
4° Trim.1995
115,42
12328,08
182,62
2154,19
69,99
1° Trim.1996
116,08
10285,79
97,34
1865,22
69,28
2° Trim.1996
118,17
12617,02
137,81
3879,89
68,91
3° Trim.1996
121,88
12955,04
368,59
1737,17
68,66
4° Trim.1996
121,64
11888,89
499,36
4551,38
69,72
1° Trim.1997
122,15
10656,96
127,10
3430,40
69,98
2° Trim.1997
122,62
14132,24
439,80
5212,63
70,19
3° Trim.1997
124,18
14901,91
350,07
5299,61
71,23
4° Trim.1997
124,61
13303,23
397,57
8138,45
72,42
1° Trim.1998
122,28
11906,77
222,57
5307,26
72,85
2° Trim.1998
124,95
14074,88
321,53
6925,17
73,90
3° Trim.1998
124,49
13493,83
1704,37
11348,80
75,97
4° Trim.1998
122,56
11664,39
776,71
11400,93
78,03
1° Trim.1999
122,83
10045,44
659,33
9067,96
113,69
2° Trim.1999
124,09
12405,83
729,69
7616,47
109,11
3° Trim.1999
124,43
12581,27
325,31
10650,26
117,00
4° Trim.1999
126,72
12978,91
689,37
8919,81
118,30
1° Trim.2000
128,59
12048,11
717,79
8191,89
109,05
2° Trim.2000
129,32
14104,87
524,97
7961,30
111,16
3° Trim.2000
130,13
15246,05
1298,05
11733,65
109,90
4° Trim.2000
131,56
13686,58
693,38
12403,64
116,16
1° Trim.2001
133,10
13788,43
464,08
6537,12
120,61
2° Trim.2001
131,97
15138,73
646,04
6962,23
136,43
3° Trim.2001
130,89
15446,89
758,82
7483,57
148,64
REVISTA JOVENS PESQUISADORES
ANO V, N. 9, JUL./DEZ. 2008
179
4° Trim.2001
130,31
13848,60
979,84
9033,92
145,41
1° Trim.2002
132,78
11890,59
693,00
6232,88
134,09
2° Trim.2002
133,03
13161,34
642,17
7233,50
140,30
3° Trim.2002
134,86
18466,16
1395,40
6517,92
172,16
4° Trim.2002
135,68
16843,70
336,72
6475,68
193,46
1° Trim.2003
134,00
15045,08
800,19
3688,25
174,93
2° Trim.2003
133,89
17957,25
321,56
4114,05
146,20
3° Trim.2003
134,58
19788,02
457,85
5185,38
143,27
4° Trim.2003
136,89
20293,80
406,81
6250,20
139,73
1° Trim.2004
139,17
19448,28
541,25
4063,73
138,31
2° Trim.2004
140,83
23858,19
752,79
3295,40
145,38
3° Trim.2004
142,60
26971,58
8442,28
10515,23
139,65
4° Trim.2004
143,41
26197,19
1357,41
7926,19
129,35
1° Trim.2005
143,69
24451,13
1046,15
5167,14
122,08
2° Trim.2005
145,70
29226,04
1212,82
6974,58
113,17
3° Trim.2005
143,95
33042,10
769,25
9381,95
107,44
4° Trim.2005
145,62
31589,00
1003,33
8538,22
102,18
1° Trim.2006
147,48
29387,32
3324,07
6551,83
98,81
2° Trim.2006
148,15
31512,98
1678,78
7589,74
99,37
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