Governo do Estado do Rio de Janeiro Sérgio Cabral Filho Governador Luis Fernando Pezão Vice-governador Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) Carlos Minc Secretário Instituto Estadual do Ambiente (INEA) Marilene Ramos Presidente Denise Marçal Rambaldi Vice-presidente Diretoria de Gestão das Águas e do Território (DIGAT) Rosa Maria Formiga Johnsson Diretora Diretoria de Informação e Monitoramento Ambiental (DIMAM) Carlos Alberto Fonteles de Souza Diretor Diretoria de Biodiversidade e Áreas Protegidas (DIMAM) André Ilha Diretor Diretoria de Licenciamento Ambiental (DILAM) Ana Cristina Henney Diretora Diretoria de Recuperação Ambiental (DIRAM) Luiz Manoel de Figueiredo Jordão Diretor Diretoria de Administração e Finanças (DIAFI) José Marcos Soares Reis Diretor Publicação elaborada pelos técnicos do Instituto Estadual de Ambiente (INEA) e do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (PEAMB/UERJ), com recursos do Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (FECAM/RJ). Direitos desta edição do Instituto Estadual do Ambiente (INEA). Qualquer parte desta publicação pode ser reproduzida, apenas para fins acadêmicos e científicos, desde que citada a fonte. Av. Venezuela, 110, 4ºandar - Saúde - Rio de Janeiro - RJ - CEP 20081-312 Disponível também em www.inea.rj.gov.br Texto: Raquel Bento, Fernanda Peralta, Carolina Andrade da Silva, Pólita Gonçalves e Elmo Rodrigues da Silva Revisão: Gustavo Barbosa Normatização bibliográfica: Josete Medeiros Projeto gráfico e editoração: Martha Schlude Impressão: MCE Gráfica e Editora Ficha Catalográfica elaborada pela Biblioteca Central do INEA I42 INEA. Instituto Estadual do Ambiente. Manual de implantação de coleta seletiva solidária em escolas do Estado do Rio de Janeiro/Instituto Estadual do Ambiente, ---- Rio de Janeiro: INEA, 1012. 92p. il. ISBN 978-85-63884-08-4 1. Coleta seletiva – Manual. 2.Coleta seletiva solidária – Rio de Janeiro(Estado). 3. Resíduo sólido – Rio de Janeiro (Estado). 4. Reciclagem. I. Silva, Carolina Andrade da. II. Silva, Elmo Rodrigues da. III. Gonçalves, Pólita. IV. Bento, Raquel. V. Título. APRESENTAÇÃO Apresentação Concebido em outubro de 2009 pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, através da parceria entre a Secretaria de Estado do Ambiente (SEA), o Instituto Estadual do Ambiente (INEA) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o Programa Coleta Seletiva Solidária (PCSS) visa proporcionar a melhoria da gestão dos resíduos sólidos urbanos nos municípios do estado do Rio de Janeiro. Neste sentido, o PCSS assessora os municípios na implantação de programas municipais de coleta seletiva solidária, com a inclusão, valorização e protagonismo da categoria dos catadores de materiais recicláveis. Para tal, o PCSS desenvolve suas ações em quatro eixos programáticos de capacitação, a saber: ●● Coleta Seletiva Solidária para Gestores Públicos Municipais; ●● Coleta Seletiva Solidária nas Escolas Estaduais; ●● Coleta Seletiva Solidária nos Órgãos Públicos Estaduais; ●● Capacitação de Catadores. Mais do que trazer soluções, o PCSS propõe que cada um passe a refletir e agir sobre a dinâmica que envolve os resíduos desde a sua geração até a sua destinação final. Este manual foi elaborado para auxiliar professores e profissionais de educação na implantação da coleta seletiva solidária, considerando-se que as escolas são uma referência de saberes e práticas e têm como missão, dentre outras, o papel de produzir e multiplicar conhecimentos. Com o intuito de facilitar a utilização do manual, o dividimos em duas partes. A parte I trata da base conceitual, que pode ser trabalhada em sala de aula por professores de diversas disciplinas, junto com o processo de implantação da coleta seletiva solidária na escola. A parte II são os direcionamentos práticos para a implantação da coleta seletiva solidária nas escolas, que tem como base a atuação do eixo escolas do PCSS. A escola é uma das protagonistas na formação do cidadão, habilitando-o a mudar de atitudes e a assumir uma relação crítica frente à sociedade. Assim, a coleta seletiva solidária pode ser um exemplo de prática educativa que busca inserir o conceito de sustentabilidade no contexto escolar. Boa leitura! Pólita Gonçalves Gerente de Educação Ambiental Diretoria de Gestão das Águas e do Território Instituto Estadual do Ambiente MANUAL DE IMPLANTAÇÃO DA COLETA SELETIVA SOLIDÁRIA Sumário Parte I Aspectos Conceituais 11 INTRODUÇÃO 13 1. Resíduos sólidos urbanos 15 1.1. Definição de resíduos sólidos 15 1.2. A geração de resíduos sólidos urbanos 16 1.3. Composição dos resíduos domiciliares 17 1.4. Gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos 18 1.4.1. Disposição final de resíduos sólidos urbanos 20 1.5. Impactos do gerenciamento inadequado dos resíduos sólidos urbanos (RSU) 22 2. Aspectos da Coleta Seletiva 24 2.1. Coleta seletiva e coleta seletiva solidária 24 2.2. Catadores de materiais recicláveis nos lixões 26 2.3. Coleta seletiva e índice de reciclagem 27 3. Tratamento dos Resíduos Sólidos Urbanos no Brasil 30 3.1. Geração e disposição final de RSU no Brasil 30 3.2. Geração, tratamento e disposição final de RSU no estado do Rio de Janeiro 32 3.3. Coleta seletiva no estado do Rio de Janeiro 33 4. Marco Regulatório 34 4.1. A Política Nacional de Educação Ambiental 34 4.2. A Política Estadual de Educação Ambiental 36 4.3. A Lei dos Consórcios Públicos, a Política Nacional de Saneamento e a Política Nacional de Resíduos Sólidos 37 4.4. A Coleta Seletiva como um dos instrumentos da PNRS 39 4.5.Ordem de prioridade na gestão integrada de resíduos sólidos 39 4.6. A Política Estadual de Resíduos Sólidos 40 4.7. A gestão integrada de resíduos sólidos e seu aspecto intersetorial 41 4.7.1. Resíduos sólidos e saúde pública 41 4.7.2. Resíduos sólidos e a promoção social 42 42 4.7.3. Resíduos sólidos e meio ambiente SUMÁRIO 5. A Gestão Integrada de Resíduos Sólidos e seu Aspecto Multidisciplinar 43 5.1. Atores sociais envolvidos no processo 43 5.2. Estrutura da gestão integrada 44 5.2.1. Prefeitura 44 5.2.2. Câmara Municipal 44 5.2.3. Controle social 44 5.3. Como podemos agir para minimizar os problemas causados pela geração de resíduos? 46 Parte II Implantação da Coleta Seletiva Solidária nas Escolas 49 INTRODUÇÃO 51 6. O Programa Coleta Seletiva Solidária 55 6.1. Eixo escolas estaduais 57 7. Implantação da Coleta Seletiva Solidária nas escolas 59 7.1. Planejamento da coleta seletiva solidária 59 7.2. Etapas para a Implantação da coleta seletiva solidária na escola 60 7.3.Observações importantes 63 8. Atividades Sugeridas 67 8.1. Visita técnica aos locais de destinação dos resíduos 67 8.2. Oficinas de reutilização 67 8.3. Dinâmica sugerida 70 8.4. Filmes sugeridos 74 8.5. Instrumentos de apoio 75 9. Considerações finais 81 10. Sites recomendados 82 11. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 85 12. ANEXO 89 MANUAL DE IMPLANTAÇÃO DA COLETA SELETIVA SOLIDÁRIA PARTE I Aspectos Conceituais INTRODUÇÃO Para utilizar este manual da maneira adequada, vamos começar entendendo os conceitos básicos que envolvem o meio ambiente. Mas, afinal de contas, qual a definição de meio ambiente? Ao tentar responder à pergunta, por acaso lhe vêm à cabeça imagens de rios, florestas, vales, lugares de preservação da flora e da fauna, espaços que nós apenas visitamos? No entanto, meio ambiente vai mais além. Digamos que meio ambiente seja todo espaço onde os seres vivos se desenvolvem, onde haja trocas, transformações entre os seres vivos e os meios. E em nosso dia a dia, quais espaços nós, seres humanos, ocupamos? As nossas casas? As nossas escolas? Pois é, interagimos, vivemos em várias partes do meio ambiente, e a escola é, sem dúvida, um lugar onde passamos muito tempo de nossas vidas. E ecologia? Você sabe o que significa? Saiba que o termo ecologia tem origem grega, e é formado por duas palavras: o prefixo oikos (eco), que significa casa, domicílio, habitat, e logos, que significa estudo. Então, ecologia é estudar a casa, o meio ambiente onde vivem os seres vivos. A questão dos resíduos sólidos urbanos nos remete ao conceito de sustentabilidade socioambiental, a qual é vista como a relação entre a oferta de recursos naturais e a demanda por bens/produtos/serviços pela sociedade atual e futura, considerando-se os limites e capacidade de suporte dos ecossistemas e os impactos sociais e ambientais decorrentes das atividades humanas. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o conceito de sustentabilidade diz respeito: às maneiras de se pensar o mundo e as formas de prática pessoal e social que levam a: indivíduos com valores éticos, autônomos e realizados; comunidades construídas em torno de compromissos coletivos, tolerância e igualdade; sistemas sociais e instituições participativas, transparentes e justas; e práticas ambientais que valorizam e sustentam a biodiversidade e os processos ecológicos de apoio à vida. (Unesco, 2005, p. 30) INTRODUÇÃO 13 A adoção do conceito de sustentabilidade impõe um grande desafio à sociedade, tornando-se uma possibilidade de repensar o modelo de desenvolvimento vigente através de práticas pedagógicas inovadoras com relação às questões ambientais. Como exemplo, podemos citar a participação da escola na busca de solução dos problemas cotidianos de seu entorno e, dentre eles, estão aqueles relacionados aos resíduos. Para ajudar no entendimento e aplicação dos conceitos ligados ao tema resíduos sólidos, tratamos na parte I deste manual a base conceitual, que pode ser trabalhada em sala de aula por professores de diversas disciplinas, junto com o processo de implantação da coleta seletiva solidária na escola. Passaremos pelos conceitos ligados aos resíduos sólidos urbanos, à coleta seletiva e à educação ambiental, servindo como base para o entendimento da importância da implantação da coleta seletiva solidária. O conteúdo aqui presente destina-se aos professores e à comunidade escolar para uso em sala de aula, palestras, reuniões etc. Mãos à obra! 14 PARTE I - ASPECTOS CONCEITUAIS 1. Resíduos sólidos urbanos 1.1. Definição de resíduos sólidos O termo resíduo sólido, segundo a Política Nacional de Resíduos (PNRS) é definido como: Material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível. (Brasil, 2010, p.4) O termo rejeitos, segundo ainda essa Política: Refere-se aos resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e economicamente viáveis, não apresentem outra possibilidade que não a disposição final ambientalmente adequada. (Brasil, 2010, p.4) Em geral, os resíduos são compostos por vários tipos de materiais que precisam de manejo diferenciado e podem ser classificados de acordo com a sua origem ou com a sua periculosidade. Segundo este critério contido no artigo 13 da PNRS (Brasil, 2010), os diferentes tipos de resíduos podem ser agrupados. Quadro de Classificação de resíduos sólidos segundo a PNRS CLASSIFICAÇÃO DE RESÍDUO DEFINIÇÃO I – Segundo a origem: a) Resíduos domiciliares Originários de atividades domésticas em residências urbanas b) Resíduos de limpeza urbana Originários da varrição, limpeza de logradouros e vias públicas e outros serviços de limpeza urbana c) Resíduos sólidos urbanos (RSU) São os resíduos que englobam os domicilares e os de limpeza urbana d) Resíduos de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços Gerados nessas atividades (excetuados os referidos nos itens “b”, “e”, “g”, “h” e “j”) RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS 15 e) Resíduos dos serviços públicos de saneamento básico Gerados nessas atividades, excetuados os RSU f) Resíduos industriais Gerados nos processos produtivos e instalações industriais g) Resíduos de serviços de saúde São os gerados nos serviços de saúde, conforme definido em regulamento ou em normas estabelecidas pelos órgãos do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama) e do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) h) Resíduos da construção civil Gerados nas construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, incluídos os resultantes da preparação e escavação de terrenos para obras civis i) Resíduos agrossilvipastoris Gerados nas atividades agropecuárias e silviculturais, incluídos os relacionados a insumos utilizados nessas atividades j) Resíduos de serviços de transportes Originários de portos, aeroportos, terminais alfandegários, rodoviários e ferroviários e passagens de fronteira k) Resíduos de mineração Gerados na atividade de pesquisa, extração ou beneficiamento de minérios II - Segundo a periculosidade Resíduos perigosos São aqueles que, em razão de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade, patogenicidade, carcinogenicidade, teratogenicidade e mutagenicidade, apresentam significativo risco à saúde pública ou à qualidade ambiental, de acordo com lei, regulamento ou norma técnica Resíduos não perigosos São todos aqueles que não são classificados como perigosos Fonte: Política Nacional de Resíduos Sólidos (BRASIL, 2010a) 1.2. A geração de resíduos sólidos urbanos Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas, 2007, p.228), a geração per capita de resíduos está relacionada diretamente com a renda do país, o porte das cidades e suas atividades industriais. No Brasil, a geração per capita é inferior a vários países, fruto principalmente das diferenças econômicas e sociais em seu extenso território. As áreas mais distantes e menos desenvolvidas compensam os altos volumes de 16 PARTE I - ASPECTOS CONCEITUAIS centros urbanos, como São Paulo e Rio de Janeiro que geram mais de 1 kg de resíduos sólidos por dia/habitante (Cempre, 2004). Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (Pnsb), elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2000, no Brasil, a geração de resíduo per capita variava de acordo com o porte populacional do município: entre 450 e 700 gramas de resíduos per capita, nos municípios com população inferior a 200 mil habitantes, e entre 700 e 1.200 gramas, em municípios com população superior a 200 mil habitantes. Nos países industrializados como, por exemplo, os Estados Unidos e o Canadá, a geração per capita média é de 2 kg/dia e 1,9 kg/dia, respectivamente, o que representa basicamente o dobro da geração per capita média dos países de baixa renda. Nos países da América Latina e Caribe existe uma alta correlação entre o Índice de Desenvolvimento Humano - IDH (OPAS, 2007) e a geração de resíduos sólidos. Nações como a Bolívia, Granada, Guatemala, Haiti, Honduras e Nicarágua, com um IDH menor de 0.7, geram menos de 0,6 kg/habitante/dia, enquanto a Argentina, o Uruguai e os países do Caribe Inglês, com um IDH maior de 0.8, Você Sabia? produzem mais de 1,0 kg/habitante/dia. No Brasil: A geração média de resíduos 1.3. Composição dos resíduos por habitante no Brasil foi de 1,1 kg domiciliares por dia no ano de 2010. Além da geração de resíduos per Na cidade do Rio de Janeiro: capita, a composição e a forma como A média de geração de resíduos são geridos os resíduos urbanos tampor habitante na cidade foi de 1,5 kg bém são fatores que ajudam na interpor dia no ano de 2009. pretação das relações sociais e econômicas de um determinado recorte Fonte: IBGE, 2010 e Comlurb, 2010 geográfico. A composição gravimétrica é a quantidade de cada tipo de resíduo do total de uma amostra, medida em peso (kg ou ton) e, geralmente, é demonstrada em forma de gráfico percentual. Segundo a Comlurb (2009), a proporção de matéria orgânica que compõe o resíduo domiciliar é parâmetro de avaliação que demonstra o poder aquisitivo da população, sobretudo a de menor poder aquisitivo. Esses dados revelam que: (...) particularmente os subúrbios e nos bairros da zona oeste (locais de menor poder aquisitivo), os percentuais de matéria orgânica situam-se acima de 50% o que indica maior manipulação de alimentos nas residências (...). Analogamente à matéria orgânica, os teores de plástico, vidro, RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS 17 metais, papel/papelão e inertes também têm sido utilizados como indicativos do maior ou menor poder aquisitivo da população. Nesse sentido, (...) os bairros de maior poder aquisitivo da cidade, tem mostrado os menores valores de matéria orgânica e os mais altos valores dos outros componentes citados (...), confirmando também a relação entre os componentes e o poder aquisitivo da população (Comlurb , 2009). No município do Rio de Janeiro, no ano de 2009, a Comlurb realizou a composição gravimétrica dos resíduos sólidos domiciliares e demonstrou haver um percentual de 53% de matéria orgânica, conforme o gráfico abaixo. Percentual por componente do resíduo domiciliar do município do Rio de Janeiro em 2009 Fonte: Comlurb, 2009 1.4. Gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos Problemas com a disposição de resíduos remontam aos tempos em que os seres humanos começaram a se unir em tribos, vilas e comunidades, transformando a acumulação de resíduos uma consequência da vida. TchoPara pensar banoglous (1993) relaciona problemas dos resíduos A composição gravimétrica sólidos com a peste bubônica nas cidades medieé medida pela massa dos resíduos vais e com a peste negra na Europa do século XIV. (nas unidades kg ou ton). Com a constante evolução da sociedade e Se esta análise de composição de tecnologias de tratamento dos resíduos, os dos resíduos fosse medida pelo problemas associados aos resíduos sólidos convolume, os resultados seriam tinuam sendo complexos, devido à quantidade diferentes? * e diversidade dos resíduos, ao desenvolvimento desordenado de áreas urbanas, às limitações dos serviços públicos, aos impactos da tecnologia e às dificuldades de recuperação de matéria e energia (Tchobanoglous, 1993). * Sim, pois existem materiais que ocupam um grande espaço (volume) apesar de ter uma massa (peso) relativamente pequena e vice-versa. Imaginemos o peso de um saco contendo garrafas PET e o mesmo saco cheio de cascas de frutas e legumes. Apesar de ocuparem o mesmo espaço, o saco com PET será mais leve do que o saco com as cascas. 18 PARTE I - ASPECTOS CONCEITUAIS Outros problemas, como a poluição do ar e da água, também são associados ao incorreto gerenciamento dos RSU. Ainda que o meio ambiente tenha uma capacidade de assimilação de impactos, tanto no solo quanto nos corpos d’água tem ocorrido um desequilíbrio que excede essa capacidade de assimilação do meio (Tchobanoglous, 1993). Nesse contexto, surge o gerenciamento de resíduos sólidos, definido como: A disciplina associada ao controle da geração, armazenamento, coleta, transferência e transporte, processamento e disposição dos resíduos sólidos, de forma que esteja em acordo com os melhores princípios da saúde pública, economia, engenharia, conservação, estética e considerações ambientais, sendo também receptivo às ações públicas. Neste âmbito, o gerenciamento de resíduos sólidos inclui todas as funções administrativas, financeiras, legais, de planejamento e de engenharia envolvidas nas soluções para os problemas dos resíduos sólidos. As soluções podem envolver complexas relações de interdisciplinaridade entre diversas áreas como ciência política, planejamento regional e urbano, geografia, economia, saúde pública, sociologia, demografia, comunicação e conservação, bem como engenharia e ciência dos materiais. (Tchobanoglous, 1993, p.7, tradução nossa).1 As atividades compreendidas no gerenciamento de resíduos sólidos urbanos (GRSU) são: (Braga et al, 2005) ●● Varrição de vias, praças e demais logradouros públicos; ●● Coleta domiciliar e nas demais edificações destinadas ao comércio e à indústria; ●● Transportes até centros de transbordo ou de triagem ou diretamente até os locais de disposição e tratamento; ●● Disposição e/ou tratamento dos RS, com eventual aproveitamento do produto desse tratamento. Outras atividades são: limpeza de praias, limpeza de locais após festividades ou grandes eventos, lavagem de ruas, remoção de carros abandonados e animais mortos, capina, limpeza de bueiros, instalação e manutenção de papeleiras, retirada de RS flutuantes em lagoas e baías, etc. Vale lembrar que compete ao município legislar sobre assuntos de interesse local e prestar serviços públicos básicos, incluindo o gerenciamento de resíduos. 1 O texto em inglês é: “the discipline associated with the control of generation, storage, collection, transfer and transport, processing , and disposal of solid wastes in a manner that is in accord with the Best principles of public health, economics, engineering, conservation, aesthetics, and othe environmental considerations, and that is also responsive to public attitudes. In its scope, solid waste management includes all administrative, financial, legal, planning, and engineering functions involved in solutions to all problems of solid wastes. The solutions may involve complex interdisciplinary relationships among such fields as political science, city and regional planning, geography, economics, public health, sociology, demography, communications, and conservation, as well as engineering and material science.” RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS 19 1.4.1. Disposição final de resíduos sólidos urbanos De um modo geral, há três formas de disposição final dos resíduos sólidos urbanos no Brasil: vazadouros a céu aberto ou “lixões”; aterro controlado e aterro sanitário. Vazadouro a céu aberto ou lixão O lixão é a forma inadequada de disposição final de resíduos sólidos, que consiste no despejo dos resíduos no solo sem qualquer técnica ou medida de controle. (IBAM, 2001). Aterro controlado A NBR 8.849/1985 (apud IBAM, 2001; FUNASA, 2006) descreve as recomendações técnicas necessárias a uma correta elaboração de um projeto de aterro controlado. As exigências são mais simplificadas comparativamente com o aterro sanitário, pois não é obrigatória a implantação de sistema de coleta e tratamento de líquidos lixiviados (chorume) e de sistema de coleta e queima ou beneficiamento do biogás. Utiliza-se de algumas técnicas de controle e tratamento dos resíduos, como a cobertura com uma camada de material inerte na conclusão de cada jornada. Normalmente, esse aterro não dispõe de impermeabilização da base, poluindo o solo e possíveis águas subterrâneas. Os aterros controlados são os antigos vazadouros posteriormente adaptados e adequados para reduzir e mitigar alguns dos impactos negativos gerados com a destinação dos resíduos sem qualquer tratamento (Funasa, 2006). 20 PARTE I - ASPECTOS CONCEITUAIS Aterro sanitário Tendo como base a NBR 8.419/1984, o Manual de Saneamento (Funasa, 2006, p.267), define aterro sanitário como: (...) uma técnica de disposição de resíduos no solo, visando à minimização dos impactos ambientais, método este que utiliza princípios de engenharia para confinar os resíduos sólidos à menor área possível e reduzi-los ao menor volume permissível, cobrindo-os com uma camada de terra na conclusão de cada jornada de trabalho, ou a intervalos menores, se for necessário. O aterro sanitário é a técnica mais adequada de disposição final dos resíduos sólidos. A NBR 8.419/1984 fixa os procedimentos necessários a uma correta elaboração do projeto. Segundo o Manual de Gerenciamento (IBAM, 2001), um aterro sanitário deve ter, necessariamente, as seguintes unidades: ●● Células de resíduo domiciliar; ●● Células de resíduo hospitalar (caso o município não disponha de pro- cesso mais efetivo para a disposição final desse tipo de resíduo); ●● I mpermeabilização de fundo (obrigatória), conforme ilustrado no Esquema 11, nomeado como “Selação com manta de PVC e argila”, e superior (opcional); ●● Sistema de coleta e tratamento do líquido percolado (chorume), que é feito pela captação e tratamento do chorume em uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE); ●● Sistema de coleta e queima ou beneficiamento do biogás; ●● Sistema de drenagem e afastamento das águas pluviais; ●● Sistema de monitoramento ambiental, topográfico e geotécnico; ●● Pátio de estocagem de materiais. A escolha da área para a implantação do aterro sanitário para a disposição final dos resíduos sólidos urbanos deve atender aos critérios técnicos impostos pelas normas da ABNT (Ibam, 2001) e a pela legislação federal, estadual e municipal. Vale ressaltar que no aterro sanitário é proibida a atividade de catação, comum nos lixões. Outra característica particular é de não haver animais e fortes odores, devido ao tratamento e controle. RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS 21 1.5. Impactos do gerenciamento inadequado dos resíduos sólidos urbanos (RSU) Os resíduos sólidos urbanos (RSU), desde a sua geração, acondicionamento, coleta, transporte, até a disposição final, quando tem o seu manejo realizado de forma inadequada acarreta danos à saúde, ao bem-estar social e ao meio ambiente. Porém, é na etapa de disposição final que os RSU podem apresentar consequências extremamente prejudiciais à sociedade, tendo em vista sua composição e o volume gerado. Os locais inadequados de disposição final, os “lixões”, são responsáveis por impactos ao meio ambiente e à saúde humana1. Desse modo, o impacto ambiental refere-se aos efeitos da ação humana sobre o meio ambiente. Intempéries naturais, como enchentes, incêndios florestais por causa natural, terremotos e outros, apesar de poderem causar modificações no ambiente, não são caracterizados como impacto ambiental. Em relação ao manejo inadequado dos resíduos sólidos urbanos, são inúmeros os impactos ambientais diretos, assim como são imensuráveis os indiretos, considerando não só a esfera ambiental e de ordem pública, mas também os impactos sociais envolvidos nessa temática. A seguir serão abordados alguns dos agentes físicos, biológicos e sociais relacionados aos principais impactos diretos provocados pelo gerenciamento inadequado dos resíduos sólidos urbanos. Agentes físicos O resíduo sólido quando mal acondicionado, ou depositado em local inadequado (margens dos cursos d’água, dos canais de drenagem e das encostas), provocam assoreamentos e deslizamentos, além disso, também a paisagem é alterada e degradada. Agentes biológicos O acondicionamento e a disposição final inadequados do RSU ou vazadouros a céu aberto – os “lixões” – são focos de proliferação de diversas doenças. Segundo o documento Agenda 21 (ONU, 1992), aproximadamente 5,2 milhões de pessoas, incluindo quatro milhões de crianças, morrem por ano de doenças relacionadas às condições precárias de saneamento. Devido ao mau cheiro, ao mau acondicionamento e ao grande acúmulo 1 Segundo a Resolução Conama nº 001 de 1986, “impacto ambiental é (...) qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que direta ou indiretamente, afetam: I - a saúde, a segurança e o bem-estar da população; II - as atividades sociais e econômicas; III - a biota; IV - as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; e V - a qualidade dos recursos ambientais” (Brasil, 1986). 22 PARTE I - ASPECTOS CONCEITUAIS de materiais putrescíveis, os “lixões” são locais potencialmente insalubres, onde vetores (animais e insetos) transmissores de doenças são atraídos e neles proliferam. “A situação de saneamento associada à diarreia e às parasitoses intestinais constitui uma das mais importantes causas de morbimortalidade entre as crianças, principalmente em idade infantil” (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004, Nota 1, p.64). Os acidentes ofídicos também se acentuam com os problemas de acondicionamento e disposição final dos resíduos sólidos, pois, segundo ainda o Ministério da Saúde, os animais peçonhentos muitas vezes se alimentam de roedores e outros animais que se proliferam nestes locais. Agentes químicos Segundo o Manual de Saneamento (FUNASA, 2006), o material orgânico, os produtos químicos e os metais pesados contidos em pesticidas, pilhas, baterias, produtos de limpeza e outros presentes no RSU despejados de forma indevida nos “lixões”, ficam expostos à água das chuvas e formam um líquido altamente tóxico, que se infiltra na terra, contaminando o solo e as águas subterrâneas. Esses líquidos, chamados de percolados ou lixiviados, podem ter um alto grau de poluição. A matéria orgânica, ao se decompor, gera gases, principalmente o metano (CH4), um gás tóxico e inflamável, além da formação do dióxido de carbono (CO2) e outros gases. Outro impacto associado aos “lixões” e aos aterros controlados é a poeira suspensa, podendo causar doenças respiratórias. RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS 23 2. Aspectos da Coleta Seletiva 2.1. Coleta seletiva e coleta seletiva solidária A coleta seletiva é o procedimento de coleta diferenciada que facilita o aproveitamento dos materiais na reutilização, reciclagem ou compostagem. Portanto visa coletar os resíduos, mantendo da melhor forma possível suas características, para o posterior tratamento. Os resíduos orgânicos são coletados separadamente dos resíduos recicláveis e dos inservíveis. Dessa forma, evita-se contaminação e perda das propriedades essenciais para o tratamento a ser feito. Por exemplo, evita-se que a matéria orgânica seja quimicamente contaminada ou que o papel ou papelão fique molhado (e consequentemente inservível) pela fração úmida dos RS. ATT Área de Triagem e Transbordo Estabelecimento privado ou público destinado ao recebimento de resíduos da construção civil e resíduos volumosos gerados e coletados por agentes privados, e que deverão ser usadas para a triagem dos resíduos recebidos, eventual transformação e posterior remoção para adequada disposição. De uma maneira geral, a coleta seletiva pode ser realizada através das seguintes metodologias: Porta a Porta (ou domiciliar), Ponto a Ponto, Locais de Entrega Voluntária (LEV), Ponto de Entrega Voluntária (PEV) e Áreas de Triagem e Transbordo (ATT). Cada município deve avaliar a melhor forma de acordo com seus objetivos e custos, podendo ser feita uma combinação de diferentes metodologias. PEV Ponto de Entrega Voluntária Acumulação temporária de resíduos da construção e demolição, de resíduos volumosos, da coleta seletiva e resíduos com logística reversa (NBR 15.112) Coleta Seletiva Porta a Porta É semelhante ao procedimento clássico da coleta de resíduos sólidos, no entanto, os veículos percorrem os locais em dias e horários diferentes da coleta regular, deixando os moradores cientes dessa diferença. Em muito casos é feita por catadores. Ponto a Ponto LEV Local de Entrega Voluntária São locais com recipientes específicos para os materiais. Ali os cidadãos depositam espontaneamente os materiais, de acordo com as especificações nos recipientes. 24 PARTE I - ASPECTOS CONCEITUAIS Realizada apenas em alguns locais, normalmente caracterizados como grandes geradores: estabelecimentos comerciais, escolas e órgãos públicos. ATENÇÃO Não confunda coleta seletiva com reutilização e reciclagem. Coleta seletiva: coleta dos resíduos de maneira segregada para fins de reutilização ou reciclagem. Reutilização: é o aproveitamento do material para outro fim, sem modificação sua características físicas. Por exemplo: bancos feitos de garrafa PET, utensílios domésticos feitos de lata de alumínio, entre outros. Reciclagem: é o procedimento industrial de reaproveitamento de matéria-prima para a produção de novos produtos. Por exemplo: papel reciclado, latas de alumínio, asfalto feito com borracha proveniente de pneus usados, entre outros. Entendendo a coleta seletiva, pode-se avançar para o conceito da coleta seletiva solidária, que é definida pelo Decreto Federal nº 5940 (BRASIL, 2006) da seguinte forma: é a coleta dos recicláveis descartados, separados na fonte geradora, para destinação às associações e cooperativas de catadores de materiais recicláveis (BRASIL, 2006). Nesse mesmo contexto, a coleta seletiva solidária é vista também como: uma estratégia que busca a construção de uma cultura institucional para um novo modelo de gestão dos resíduos, no âmbito da administração pública federal, direta e indireta, somada aos princípios e metas estabelecidos pela A3P – Agenda Ambiental da Administração Pública Federal (BRASIL, 2010). A coleta seletiva solidária é hoje obrigatória nos órgãos e entidades da administração pública federal e estadual (Rio de Janeiro) direta e indireta, além dos órgãos públicos municipais de algumas cidades, como a cidade do Rio de Janeiro (RIO DE JANEIRO, 2009), Duque de Caxias (DUQUE DE CAXIAS, 2009) e Queimados (QUEIMADOS, 2010). Assim, a participação dos catadores nos programas de coleta seletiva não é só uma questão de justiça ambiental e histórica, também é uma questão legal, a qual deve ser institucionalizada com embasamento na Política Nacional de Resíduos Sólidos (BRASIL, 2010) e nos decretos n° 5.940/06 (federal) e 40.645/07 (estadual), dentre outras políticas públicas. ASPECTOS DA COLETA SELETIVA 25 Desde o ano 2000, a categoria de catadores, hoje reconhecida pela CBO (Classificação Brasileira de Ocupações), vem se organizando em um movimento social chamado Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis. Segundo esse movimento, a prática da ação direta popular é “a participação efetiva do trabalhador em tudo que envolve sua vida, algo que rompe com a indiferença do povo e abre caminho para a transformação da sociedade” (MNCR, 2010). Nesse sentido, como forma de atuação, os catadores buscam se organizar em cooperativas, associações, entrepostos e grupos que tenham como diretrizes: ●● O protagonismo do catador; ●● A autogestão; ●● A solidariedade de classe; ●● A independência de classe; ●● A democracia direta. 2.2. Catadores de materiais recicláveis nos lixões Um dos problemas sociais ligados à questão da limpeza urbana diz respeito aos catadores de materiais recicláveis nos vazadouros e lixões, que, apesar de estarem excluídos do processo formal de trabalho e de atuarem em condições inadequadas do ponto de vista da segurança e da saúde pública, contribuem para que uma grande parcela de materiais retorne ao ciclo produtivo. Sendo para os catadores seu local de trabalho, os lixões e os aterros controlados são áreas muito desvalorizadas que favorecem o surgimento de ocupações irregulares e precárias em seu entorno, muitas vezes sem saneamento básico. Também há aglomeração de depósitos de sucatas e compradores de materiais recicláveis. Grande parte trabalha na irregularidade, sendo foco de vetores de doenças (COMUNIDADE COEP, 2005). Os aterros controlados e os chamados “lixões” são, para muitos, possibilidade de trabalho e fonte de renda. A crescente presença dos catadores na economia levou o Ministério do Trabalho a reconhecê-los na nova Classificação Brasileira de Ocupações, no final de 2002. Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (IBGE, 2010), no Brasil existem 70.449 catadores de materiais recicláveis (5.636 com até 14 anos de idade e 64.813 com mais de 14 anos de idade) atuando nas áreas urbanas dos municípios. 26 PARTE I - ASPECTOS CONCEITUAIS Diversas instituições, governamentais ou não, vêm promovendo capacitação para que esta categoria profissional possa trabalhar em melhores condições através da organização em cooperativas. Apesar dessas iniciativas, o problema ainda é considerado grave, uma vez que um número pequeno de municípios busca a integração de programas sociais com os catadores. No estado do Rio de Janeiro e no Brasil, a coleta seletiva e a reciclagem são um desafio, pois seu funcionamento atual gira em torno do círculo perverso da reciclagem (GONÇALVES, 2003). Os resíduos, em geral, são descartados pela população de forma misturada e destinados de forma inadequada (em lixões), os catadores realizam a separação do material reciclável do rejeito já que o material é misturado pela população e, além disso, os catadores trabalham em condições precárias, vendendo para intermediários a preços baixos. Com a implantação de programas municipais de coleta seletiva solidária e com o encerramento de lixões, só chegará aos galpões de triagem das cooperativas de catadores o material reciclável e o rejeito será encaminhado para aterros sanitários. A qualidade do material irá melhorar e os catadores poderão comercializá-lo a preços mais altos para compradores pertencentes à cadeia formal da reciclagem. Assim, o Programa Coleta Seletiva Solidária busca incentivar a aplicação do Decreto Estadual nº 40645/07/RJ, através de práticas que levem ao desenvolvimento social e ambiental no âmbito da gestão dos resíduos. 2.3. Coleta seletiva e índice de reciclagem Com relação ao início da coleta seletiva no Brasil, a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (IBGE, 2010) informa que: os primeiros programas de coleta seletiva e reciclagem dos resíduos sólidos no Brasil começaram a partir de meados da década de 1980, como alternativas inovadoras para a redução da geração dos resíduos sólidos domésticos e estímulo à reciclagem. Desde então, comunidades organizadas, indústrias, empresas e governos locais têm sido mobilizados e induzidos à separação e classificação dos resíduos nas suas fontes produtoras. ASPECTOS DA COLETA SELETIVA 27 A Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (IBGE, 2010a) mostra que em 2008 havia 994 municípios no País com coleta seletiva, contra 451 municípios apresentados na pesquisa de 2000 (IBGE, 2002) e 58 na pesquisa de 1989. A distribuição da coleta seletiva entre as regiões, de acordo com a referida pesquisa e em número de municípios, está na figura abaixo. Distribuição da coleta seletiva nas regiões brasileiras (em número de municípios) Fonte: IBGE, 2010a O número de municípios com o programa de coleta seletiva implantado ainda é pequeno (temos 5.564 municípios no Brasil), o que reflete em um volume baixo de resíduos coletados seletivamente: no ano 2008, apenas 1,7% dos RSU foram coletados seletivamente (IBGE, 2010a). Soma-se a isso o fato de que em apenas 377 (do total de 994) os programas municipais abrangem todo o território do município. Segundo estudo realizado pelo Compromisso Empresarial para Reciclagem (CEMPRE), em 2010, a maioria dos programas de coleta seletiva não cobriu mais que 10% da população local. Já o índice de reciclagem dos materiais é bem expressivo. Segundo o informativo do CEMPRE (2008), a reciclagem de resíduos urbanos gira em torno de 12%. Em 2009, 56,6% municípios brasileiros indicaram a existência de iniciativas de coleta seletiva. Ressalta-se que as iniciativas apontadas resumemse, muitas vezes, em atividades de disponibilização de pontos de entrega voluntária à população ou na simples formalização de convênios com cooperativas de catadores para a execução dos serviços (ABRELPE 2009). 28 PARTE I - ASPECTOS CONCEITUAIS Distribuição dos municípios com iniciativas de coleta seletiva em 2009 (%) Fonte: Pesquisa ABRELPE 2008 Segundo o Atlas de Saneamento Básico: a reciclagem é em sua maior parte, resultado da atividade de catadores (autônomos ou organizados em cooperativas), e não conse-quência de um comprometimento mais profundo e generalizado da população e das autoridades com o processo de separação e coleta seletiva do lixo. Nesse contexto, os percentuais de reciclagem dos materiais oscilam fortemente em decorrência das flutuações nos preços das matérias-primas industriais. (IBGE, 2011, p.186) Esse cenário ilustra a carência de programas municipais de coleta seletiva com maior abrangência. ASPECTOS DA COLETA SELETIVA 29 3. Tratamento dos Resíduos Sólidos Urbanos no Brasil Gráfico da Disposição final de RSU no Brasil em 2008 e 2009 3.1. Geração e disposição final de RSU no Brasil No Brasil, cerca de 84 % da população vive atualmente em cidades (IBGE, 2010c) e no estado do Rio de Janeiro, 96% da população é urbana (IBGE, 2010b). Fonte: ABRELPE, 2009 Conforme o estudo intitulado Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil (ABRELPE, 2009), o Brasil, em 2009, gerou 182.728 toneladas de resíduos sólidos urbanos por dia. Desse total, 56,8% foram destinados a aterros sanitários, 23,9% a aterros controlados e apenas 19,3% a lixões. Apesar da incerteza desses resultados, uma vez que eles foram estimados e calculados com os dados fornecidos pelos próprios municípios, esse estudo constatou uma melhoria em relação a 2008 e 2009, conforme ilustra o gráfico ao lado. O gráfico abaixo demonstra, em números comparativos, a geração de resíduos sólidos nos anos de 2008 e 2009. Geração de RSU no Brasil Fontes: Pesquisas ABRELPE 2008 e 2009 e IBGE (contagem da população 2008 e 2009) 30 PARTE I - ASPECTOS CONCEITUAIS Também em números comparativos, observamos o crescimento dos serviços de coleta de resíduos sólidos urbanos. Coleta de RSU no Brasil Fontes: Pesquisas ABRELPE 2008 e 2009 e IBGE (contagem da população 2008 e 2009) O cenário ilustrado é favorável, porém ainda há muitos obstáculos para se atingir a qualidade desejada. Os locais de disposição final do resíduo urbano no Brasil, por estarem geralmente na periferia das cidades, tornam-se pouco visíveis pela parcela da população que mais consome e é a maior geradora de resíduos urbanos. Além disso, cerca de 22% dos RSU brasileiros não são coletados. Os dados da tabela na página 30 demonstram um panorama de geração per capita e coleta dos RSU no Brasil, nos anos de 2008 e 2009. TRATAMENTO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS NO BRASIL 31 Quantidade total de RSU gerada e coletada no Brasil, em 2008 e 2009 Brasil Ano 2008 Ano 2009 População Urbana (hab) 157.090.740 158.657.883 RSU gerado (t/dia) 169.658 182.728 RSU coletado (t/dia) 149.199 161.084 RSU gerado por habitante (kg/hab/dia) 1,08 1,152 RSU coletado por habitante (kg/hab/dia) 0,95 1,015 Fonte: ABRELPE, 2009 3.2. Geração, tratamento e disposição final de RSU no estado do Rio de Janeiro Os 92 municípios do estado do Rio de Janeiro ocupam uma área total de 43.696 km². Segundo o estudo da Abrelpe, no ano de 2009, cerca de 4,5% do RSU gerados não foram coletados. Os dados de geração e disposição final dos resíduos sólidos urbanos dos anos de 2008 e 2009 encontram-se no gráfico e na tabela a seguir. Disposição final de RSU no estado do Rio de Janeiro em 2008 e 2009 Fonte: ABRELPE, 2009 32 PARTE I - ASPECTOS CONCEITUAIS Com relação à coleta de resíduos e limpeza urbana, em 2008 o estado apresentava bons números: 91 municípios (de um total de 92) possuíam coleta de resíduos domiciliares e/ou públicos, totalizando 13.232 t/dia. Dados de geração e coleta dos RSU do estado do Rio de Janeiro, em 2008 e 2009 Estado RJ Ano 2008 Ano 2009 População Urbana (hab) 15.447.678 15.316.865 RSU coletado por habitante (kg/hab/dia) 1,176 1,217 RSU gerado (t/dia) - 19.681 RSU coletado (t/dia) 18.006 18.802 Fonte: ABRELPE, 2009 3.3. Coleta seletiva no estado do Rio de Janeiro Dos 91 municípios que possuem coleta de resíduos domiciliares, apenas 22 municípios possuíam coleta seletiva (figura abaixo). Porcentagem de municípios com coleta seletiva e sem coleta seletiva à época da PNSB Fonte: IBGE, 2010a No estado do Rio de Janeiro em 2008 (IBGE, 2010a) existiam 22 municípios com coleta seletiva, sendo 8 com área de abrangência em todo o município, 6 em toda a área urbana da sede municipal, 6 em alguns bairros da área urbana da sede municipal, 1 em bairros selecionados e 1 município em outras áreas de abrangência. MARCO REGULATÓRIO 33 4.MARCO REGULATÓRIO 4.1. A Política Nacional de Educação Ambiental A seguir são apresentados alguns princípios que compõem a Política Nacional de Educação Ambiental, instituída pela Lei federal nº 9.795/99 (BRASIL, 1999) Art. 1º Entende-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. Art. 2º A educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não formal. Art. 3º Como parte do processo educativo mais amplo, todos têm direito à educação ambiental, cabendo: I - ao Poder Público, nos termos dos artigos 205 e 225 da Constituição Federal, definir políticas públicas que incorporem a dimensão ambiental, promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e o engajamento da sociedade na conservação, recuperação e melhoria do meio ambiente; II - às instituições educativas, promover a educação ambiental de maneira integrada aos programas educacionais que desenvolvem; III - aos órgãos integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama), promover ações de educação ambiental integradas aos programas de conservação, recuperação e melhoria do meio ambiente; IV - aos meios de comunicação de massa, colaborar de maneira ativa e permanente na disseminação de informações e práticas educativas sobre meio ambiente e incorporar a dimensão ambiental em sua programação; V - às empresas, entidades de classe, instituições públicas e privadas, promover programas destinados à capacitação dos trabalhadores, visando à melhoria e ao controle efetivo sobre o ambiente 34 PARTE I - ASPECTOS CONCEITUAIS de trabalho, bem como sobre as repercussões do processo produtivo no meio ambiente; VI - à sociedade como um todo, manter atenção permanente à formação de valores, atitudes e habilidades que propiciem a atuação individual e coletiva voltada para a prevenção, a identificação e a solução de problemas ambientais. Art. 4º São princípios básicos da educação ambiental: I - o enfoque humanista, holístico, democrático e participativo; II - a concepção do meio ambiente em sua totalidade, considerando a interdependência entre o meio natural, o socioeconômico e o cultural, sob o enfoque da sustentabilidade; III - o pluralismo de ideias e concepções pedagógicas, na perspectiva da inter, multi e transdisciplinaridade; IV - a vinculação entre a ética, a educação, o trabalho e as práticas sociais; V - a garantia de continuidade e permanência do processo educativo; VI - a permanente avaliação crítica do processo educativo; VII - a abordagem articulada das questões ambientais locais, regionais, nacionais e globais; VIII - o reconhecimento e o respeito à pluralidade e à diversidade individual e cultural. Art. 5º São objetivos fundamentais da educação ambiental: I - o desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas e complexas relações, envolvendo aspectos ecológicos, psicológicos, legais, políticos, sociais, econômicos, científicos, culturais e éticos; II - a garantia de democratização das informações ambientais; III - o estímulo e o fortalecimento de uma consciência crítica sobre a problemática ambiental e social; IV - o incentivo à participação individual e coletiva, permanente e responsável, na preservação do equilíbrio do meio ambiente, entendendo-se a defesa da qualidade ambiental como um valor inseparável do exercício da cidadania; V - o estímulo à cooperação entre as diversas regiões do país, em níveis micro e macrorregionais, com vistas à construção de uma sociedade ambien- MARCO REGULATÓRIO 35 talmente equilibrada, fundada nos princípios da liberdade, igualdade, solidariedade, democracia, justiça social, responsabilidade e sustentabilidade; VI - o fomento e o fortalecimento da integração com a ciência e a tecnologia; VII - o fortalecimento da cidadania, autodeterminação dos povos e solidariedade como fundamentos para o futuro da humanidade. 4.2. A Política Estadual de Educação Ambiental Na esfera estadual do Rio de Janeiro, pelo viés das políticas, é interessante pontuar a Política Estadual de Educação Ambiental (RIO DE JANEIRO, Estado, 1999). Como premissa, ela determina que a educação ambiental deva estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal (RIO DE JANEIRO, Estado, 1999). Seu caput anuncia ainda a criação do Programa Estadual de Educação Ambiental (ProEEA), sendo que este não era efetivamente instituído, constando no Art. 17º a indicação de que “caberá aos Órgãos Estaduais de Educação e de Meio Ambiente, ao Conselho Estadual de Educação (CEE) e ao Conselho Estadual de Meio Ambiente (CONEMA) a função de propor, analisar e aprovar, a política e o Programa Estadual de Educação Ambiental” (RIO DE JANEIRO, Estado, 1999). Atualmente, está sendo elaborado o Programa Estadual de Educação Ambiental do Rio de Janeiro – ProEEA-RJ. Este documento, em sintonia com o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, apresenta as diretrizes e os princípios que orientam as ações do ProEEA-RJ, a delimitação de seus objetivos, suas linhas de ação e sua estrutura organizacional (RIO DE JANEIRO, Estado, 2010). Outro marco relevante é o novo Plano Estadual de Educação do Rio de Janeiro (publicado em 2009, é o documento que orienta e norteia o desenvolvimento das propostas pedagógicas escolares do Rio de Janeiro). Um dos objetivos para a educação básica no estado é garantir a inclusão nas matrizes curriculares dos conteúdos e temas transversais, como a educação ambiental, de forma integrada, contínua e permanente. Esse plano é baseado na Lei n.º 10.172/2001, que institui o Plano Nacional de Educação, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei n.º 9394/1996 (BRASIL, 1996), e na Lei n.º 4.528/2005, que estabelece as diretrizes para a organização do Sistema de Ensino do Estado do Rio de Janeiro. 36 PARTE I - ASPECTOS CONCEITUAIS 4.3. A Lei dos Consórcios Públicos, a Política Nacional de Saneamento e a Política Nacional de Resíduos Sólidos No Brasil, o serviço sistemático de limpeza urbana foi iniciado oficialmente em 25 de novembro de 1880, na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, então capital do Império. Nesse dia, o imperador D. Pedro II assinou o Decreto nº 3024, aprovando o contrato de “limpeza e irrigação” da cidade, que foi executado por Aleixo Gary e, mais tarde, por Luciano Francisco Gary, de cujo sobrenome origina-se a palavra gari, que hoje denomina os trabalhadores da limpeza urbana em muitas cidades brasileiras (IBAM, 2001). De 1880 aos dias atuais, os serviços de limpeza urbana sofreram adequações, modificações, mas ainda não podemos dizer que sejam serviços prestados de forma a garantir a preservação dos recursos naturais e a saúde da população. Muitos municípios brasileiros ainda convivem com realidades bastante adversas no que diz respeito à gestão dos resíduos sólidos: os resíduos são dispostos em vazadouros a céu aberto, os serviços de coleta domiciliar e limpeza de logradouros são irregulares ou, em muitos casos, inexistentes. Não há tratamento dos resíduos provenientes dos serviços de saúde e da construção civil. Esse conjunto de fatores, aliados à falta de planejamento, tornam a gestão ineficiente e ineficaz, além de absorver grande parte do orçamento municipal. Embora possamos observar municípios que avançaram na gestão de resíduos sólidos, utilizando tecnologias adequadas à sua realidade local e realizando investimentos em prol da conservação ambiental e do bem-estar da população. Porém, nos últimos anos, observamos importantes avanços para o saneamento básico brasileiro e a abertura de novos caminhos para o estabelecimento de ações no setor, que sejam socioambientalmente adequadas, através da instituição da Lei de Consórcios Públicos n° 11.107 (BRASIL, 2005), da Lei do Saneamento Básico n° 11.445 (BRASIL, 2007) e da Política Nacional de Resíduos Sólidos (BRASIL, 2010a). A Lei de Consórcios Públicos (BRASIL, 2005) aumenta a possibilidade de oferecimento de serviços de qualidade através do aumento em escala. Por exemplo, é mais provável que pequenos municípios consigam construir aterros sanitários através de consórcio do que individualmente. Dessa forma, as capacidades econômica e técnica são potencializadas e ocorre um maior controle e comprometimento político, visto tratar-se de um “contrato de parceria”. Por outro lado, é possível encontrar dificuldades políticas, devido à visão ainda equivocada por parte dos políticos e da própria população. Uma dessas dificuldades seria quanto à localização do aterro sanitário dentre os municípios consorciados. Ainda hoje se tem uma visão distorcida de aterro TRATAMENTO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS NO BRASIL 37 sanitário, sendo este facilmente confundido com um lixão. Outro aspecto que precisa de melhorias é o controle social. Para que esse controle seja efetivo, antes de mais nada é necessário prestar esclarecimentos à população acerca do assunto, ou seja, educação política e ambiental. A Lei 11.445 de 2007 (BRASIL, 2007), que estabelece diretrizes nacionais para a política federal de saneamento básico, surtiu um efeito positivo nos programas de coleta seletiva por alterar a Lei 8.666 de 1993 (inciso XXVII, art. 24), dispensando de licitação as cooperativas e associações de catadores, para a coleta, processamento e comercialização de materiais recicláveis. A Política Nacional de Resíduos Sólidos - PNRS (BRASIL, 2010a), depois de cerca de 20 anos tramitando no Congresso Nacional, foi sancionada pelo presidente Lula da Silva no dia 2 de agosto de , em Brasília. Com a sanção da PNRS (BRASIL, 2010a), o País passou a ter um marco regulatório na área de resíduos sólidos. A lei faz a distinção entre resíduo (lixo que pode ser reaproveitado ou reciclado) e rejeito (o que não é passível de reaproveitamento), além de se referir a todo tipo de resíduo, classificando-os conforme sua origem ou periculosidade: doméstico, industrial, da construção civil, eletroeletrônico, lâmpadas de vapores de mercúrio, agrosilvipastoril, da área de saúde, perigosos etc. Como um dos seus objetivos, a lei insere a integração dos catadores de materiais recicláveis nas ações que envolvam a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos (art. 7o). Alguns pontos importantes da PNRS (BRASIL, 2010a) são: ●● responsabilidade compartilhada em todo o ciclo de vida do produto; ●● gestão integrada de resíduos sólidos; ●● não-geração, redução, reutilização, reciclagem e tratamento dos RS; ●● disposição final adequada; ●● logística reversa; ●● obrigatoriedade de elaboração de planos federal, estaduais e municipais de resíduos sólidos; ●● obrigatoriedade de elaboração de planos de gerenciamento (pelo setor empresarial); ●● inclusão social, através do fortalecimento das cooperativas de catadores; ●● possibilidade de estabelecimento de instrumentos econômicos indutores e linhas de financiamento por parte do poder público. Articulando-se com as políticas de Saneamento; Recursos Hídricos, Educação Ambiental, Mudanças Climáticas e Consórcios Públicos, a Política Nacional de Resíduos Sólidos define diretrizes para reduzir a geração de resíduos sólidos e combater a poluição. 38 PARTE I - ASPECTOS CONCEITUAIS 4.4. A coleta seletiva como um dos instrumentos da PNRS No artigo 8º da PNRS, observamos que a coleta seletiva, os sistemas de logística reversa e outras ferramentas relacionadas à implementação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos e o incentivo à criação e ao desenvolvimento de cooperativas ou de outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis (incisos III e IV, respectivamente), são elencados como instrumentos de aplicação da referida política. Já em seu artigo 9º, a Política Nacional de Resíduos Sólidos estabelece que na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, deve ser observada a seguinte ordem de prioridade: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos. Neste sentido, a coleta seletiva cumpre papel importante na redução de resíduos destinados aos aterros sanitários, além de gerar trabalho e renda e diminuir os impactos ambientais causados pela extração de matéria prima, ao reinserir materiais na cadeia produtiva, enquanto que as ações de educação ambiental e mobilização social cumprem papel fundamental junto à sociedade nas orientações quanto ao consumo consciente para redução da geração de resíduos. 4.5. Ordem de prioridade na gestão integrada de resíduos sólidos Com vistas à implementação da coleta seletiva nos municípios, observamos uma série de incentivos tais como o ICMS Ecológico, no caso do estado do Rio de Janeiro, e programas e ações do governo federal e Fonte: Ministério do Meio Ambiente, Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano – SRHU de diversas fontes de financiamento para aquisição de infraestrutura (obras e equipamentos), acessíveis tanto para órgãos públicos quanto para associações/cooperativas de catadores. Com vistas ao atendimento dos preceitos da Política Nacional de Resíduos Sólidos e sua aplicação nos territórios, o governo federal prioriza investimentos financeiros aos municípios que implementarem suas ações considerando a gestão associada e a coleta seletiva solidária como caminhos para o desenvolvimento da gestão integrada de resíduos sólidos, através de linhas de financiamento para atender prioritariamente as iniciativas de: MARCO REGULATÓRIO 39 ●● Prevenção e redução de geração de resíduos no processo produtivo; ●● Desenvolvimento de produtos com menor impacto à saúde humana e qualidade ambiental; ●● Infraestrutura e aquisição de equipamentos para cooperativas ou associação de catadores de materiais reutilizáveis ou recicláveis; ●● Coleta seletiva e logística reversa. Priorização ao acesso aos recursos da União Implantação de coleta seletiva com participação de catadores (coleta seletiva solidária) Prioridade no acesso aos recursos federais Participação em consórcios públicos Decreto Federal 5.940, de 25 de outubro de 2006 Em se tratando de ações de apoio à coleta seletiva solidária, ou seja, com a inclusão de catadores de materiais recicláveis, o Decreto Federal n.º 5.940, de 25 de outubro de 2006, institui a separação dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta, na fonte geradora, e a sua destinação às associações e cooperativas dos catadores de materiais recicláveis (BRASIL, 2006). 4.6. A Política Estadual de Resíduos Sólidos Estabelecida pela Lei nº 4.191, de 30 de setembro de 2003, a Política Estadual de Resíduos Sólidos do Rio de Janeiro tem a coleta seletiva como um dos seus objetivos, dentre outros de igual importância, como expressa em seu artigo 13, inciso VI – estimular e valorizar as atividades de segregação na origem e coleta de resíduos sólidos reutilizáveis e recicláveis (RIO DE JANEIRO, 2003). 40 PARTE I - ASPECTOS CONCEITUAIS À luz da Política Estadual de Resíduos Sólidos, a coleta seletiva, o incentivo às associações e cooperativas de catadores de materiais recicláveis, o incentivo à implantação de indústrias recicladoras de resíduos sólidos, o incentivo a programas estadual e municipais que priorizem o catador como agente de limpeza e de coleta seletiva e o incentivo à parceria entre Estado, municípios e sociedade civil para implantação do programa de Educação Ambiental, com enfoque específico para a área de resíduos sólidos, bem como o incentivo a soluções consorciadas para tratamento e destinação final de resíduos sólidos são algumas das diretrizes que norteiam a ação do Poder Público para implementação dos objetivos previstos. O Decreto nº. 42930 de 18 de abril de 2011, estabelece o Programa Pacto pelo Saneamento, com o objetivo de universalizar, no estado do Rio de Janeiro, o acesso a sistemas de saneamento básico, minimizando os impactos negativos decorrentes da inexistência de tais sistemas sobre a saúde da população, o meio ambiente e as atividades econômicas. O referido pacto possui subprogramas, dentre eles, o Lixão Zero que tem como metas a erradicação do uso dos lixões no território estadual até 2014 e a remediação destes até 2016. A exemplo das demais leis que versam sobre a gestão de resíduos sólidos, este decreto também aborda a coleta seletiva e a integração dos catadores nas ações de minimização do impacto ambiental da geração de resíduos sólidos e a reintegração destes ao processo produtivo. Por sua vez, o Decreto nº 40.645/07, institui separação dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da administração pública estadual direta e indireta, na fonte geradora, e a sua destinação às associações e cooperativas dos catadores de materiais recicláveis (RIO DE JANEIRO, 2007) como ação estrutural da Política Estadual de Resíduos Sólidos. 4.7. A gestão integrada de resíduos sólidos e seu aspecto intersetorial 4.7.1. Resíduos sólidos e saúde pública O resíduo oferece ambiente propício para proliferação de diversos vetores – mosca, rato, barata, escorpião, pulga, piolho, mosquito, etc. Estes vetores são responsáveis pela transmissão de doenças, a exemplo dos ratos que vivem em ambientes com acúmulo de lixo e podem ser os vetores da leptospirose entre outras doenças. A água acumulada em pneus, garrafas, e outros materiais proporciona o desenvolvimento do aedes aegypti que pode causar a dengue. MARCO REGULATÓRIO 41 Um estudo desenvolvido pela Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano – SRHU, do Ministério do Meio Ambiente, na cidade de Belo Horizonte, demonstra que onde há maior índice de adesão ao programa municipal de coleta seletiva, a incidência de casos de dengue é diretamente menor, ao passo que o inverso também acontece. 4.7.2. Resíduos sólidos e a promoção social Excluídos do processo formal de trabalho, os catadores de materiais recicláveis buscam nos lixões sua fonte de trabalho e renda. Sem qualquer tipo de proteção, famílias inteiras fazem da atividade de catação nos vazadouros seu meio de sustento. Neste cenário, a gestão integrada de resíduos sólidos tem papel fundamental no que diz respeito à promoção social destes trabalhadores e trabalhadoras históricos, atribuindo a coleta seletiva como um dos fluxos de tratamento de resíduos, garantindo o reconhecimento destes trabalhadores no processo de reciclagem e sua inclusão social, através da geração de postos formais de trabalho e incentivo à formação de grupos organizados e autogestionários e assistência e promoção social pelo poder público local. 4.7.3. Resíduos sólidos e meio ambiente A disposição inadequada de resíduos sólidos no ambiente provoca a contaminação de lençóis subterrâneos e do solo pelo chorume (líquido altamente tóxico, originado da decomposição da parcela orgânica do lixo) e a poluição do ar, causada pela fumaça proveniente da queima espontânea do gás metano, presente nas massas de lixo. Mais uma vez a reciclagem aparece no cenário da gestão integrada de resíduos sólidos como uma forma mais adequada de tratamento de resíduos. Ao reintegrar ao ciclo produtivo matérias-primas que, até então, teriam como destino um lixão ou um aterro sanitário, a reciclagem gera uma de economia considerável de energia na produção de novos materiais, além de reduzir a extração de substâncias naturais. Vale lembrar que a vida útil dos aterros sanitários pode ser ampliada, caso não haja disposição de materiais recicláveis nestas unidades. 42 PARTE I - ASPECTOS CONCEITUAIS 5. A Gestão Integrada de Resíduos Sólidos e seu Aspecto Multidisciplinar 5.1. Atores sociais envolvidos no processo ●● A prefeitura, através de seus agentes, instituições e empresas contratadas, que por meio de acordos, convênios e parcerias exerce papel de gestor do processo; ●● Os grandes geradores, por serem responsáveis pelos próprios resíduos, devem participar dos sistemas de logística reversa e de coleta seletiva de materiais recicláveis. Além disso, possuem papel fundamental de ação estruturante ao garantir a doação dos resíduos recicláveis separados na origem às organizações de catadores, contribuindo para a sustentabilidade financeira destas organizações; ●● Os catadores, organizados em cooperativas ou associações, capazes de atender à coleta de recicláveis oferecidos pela população e grandes geradores e comercializá-los junto às unidades recicladoras; ●● A própria população, empenhada na separação e acondicionamento diferenciado dos materiais recicláveis em casa. Ao se apropriarem do processo enquanto atores sociais engajados, garantem a qualidade dos resíduos destinados à coleta seletiva e sua continuidade. MARCO REGULATÓRIO 43 5.2. Estrutura da gestão integrada 5.2.1. Prefeitura O fato de a limpeza urbana estar sob a responsabilidade de uma secretaria específica não significa que outros setores da administração municipal não devam participar do processo. Ao contrário, dimensões técnico-operacionais, educacionais, financeiras, ambientais, sociais, etc, precisam atuar de forma integrada. A título de exemplo, enquanto as secretarias de Educação e Meio Ambiente trabalham a educação ambiental, a Saúde se responsabiliza pelas informações quanto às doenças vinculadas ao lixo e seu manejo inadequado. A Secretaria de Turismo trabalha um turismo não predatório e a Secretaria de Meio Ambiente, tecnologias alternativas e ambientalmente seguras para tratamento e disposição final de resíduos. Enfim, cada setor tem sua responsabilidade e parcela de contribuição para garantir o sucesso da gestão e a sustentabilidade do processo. Quando se trata de resíduos sólidos, é de suma importância observar a inter-relação entre os responsáveis por todas as etapas: geração, acondicionamento, coleta, transporte, segregação, reaproveitamento, reciclagem e destinação final. 5.2.2. Câmara Municipal As câmaras municipais exercem papel chave neste processo, considerando suas atribuições quanto à regulamentação dos instrumentos legais necessários à implantação da coleta seletiva solidária. Como exemplo, podemos citar os regulamentos da limpeza urbana e a cobrança de taxas, alterando o Código Tributário, dentre outras. Considerando ainda o papel dos vereadores enquanto representantes eleitos pelo povo, a participação destes na mobilização social das comunidades torna-se fundamental para alavancar o processo de construção de modelos de empoderamento. Vale lembrar que a sociedade, para participar efetivamente de processos deste nível, deve sentir-se parte integrante e co-responsável pela elaboração das etapas e conclusão do trabalho. 5.2.3. Controle social Definido pela Lei Federal n.º 11.445, de 5 de janeiro de 2007 (Política Nacional de Saneamento), o controle social é o conjunto de mecanismos 44 PARTE I - ASPECTOS CONCEITUAIS e procedimentos que garantem à sociedade informações, representações técnicas e participações nos processos de formulação de políticas, de planejamento e de avaliação relacionados aos serviços públicos de saneamento básico (BRASIL, 2007). Trata-se, portanto, de uma ação conjunta entre Estado e sociedade em que o eixo central é o compartilhamento de responsabilidades com vistas a aumentar o nível da eficácia e efetividade das políticas e programas públicos. A partir do momento em que a sociedade civil organizada passa a adotar uma postura propositiva em relação às políticas públicas, verifica-se um amadurecimento político, possibilidade de diálogos mais profundos e a prática de ações concretas voltadas para o bem comum. Sugestões para o controle social Nesta etapa, é fundamental pormenorizar a co-responsabilidade de todos os seguimentos da sociedade com relação à gestão de resíduos sólidos. Envolver a comunidade no processo de estruturação da coleta seletiva solidária, através de palestras, oficinas, seminários e reuniões de planejamento é a maneira mais eficaz de tornar este processo parte integrante das ações de empoderamento de atores sociais locais. Quem deve participar? As organizações sociais estão presentes em todos os municípios e se configuram de diversas formas, quais sejam: associações de moradores; associações e grupos de defesa de seguimentos sociais; organizações não governamentais (ONGs e Oscips, assim constituídas na forma da lei); igrejas; conselhos municipais; instituições de ensino e pesquisa etc. Como pode se dar esta participação? O gestor municipal ou a sociedade podem organizar fóruns municipais para participação global nas atividades de planejamento, execução e monitoramento do Programa Municipal de Coleta Seletiva. Atividades com palestras e oficinas sobre resíduos sólidos e seus aspectos econômicos e sociais garantem o nivelamento das informações e acesso ao conhecimento, ampliando a participação. O incentivo às ações locais, a exemplo de eventos nos bairros, em parceria com as Associações de Moradores, para limpeza e manutenção promovem o empoderamento dos atores locais e sua compreensão da real necessidade de participação; MARCO REGULATÓRIO 45 A criação de grupos infanto-juvenis voluntários para campanhas locais de conscientização ambiental, com foco em resíduos sólidos, tem a potencialidade de envolver as crianças e jovens nas discussões locais, assegurando sua participação. 5.3. Como podemos agir para minimizar os problemas causados pela geração de resíduos? Uma das maneiras é adotando a política conhecida como dos 3Rs: Reduzir, Reutilizar e Reciclar (MINAS GERAIS, 2010). Em ordem de importância, considera-se: Reduzir É o primeiro passo e a medida mais racional, que traduz a essência da luta contra o desperdício. São inúmeros os exemplos domésticos e industriais para a minimização dos resíduos. Sempre que for possível, é melhor reduzir o consumo de materiais, energia e água, gerando o mínimo de resíduos. É muito simples: quanto menos consumimos, menos resíduos geramos. Quanto menos resíduos, menos problemas ambientais, sociais, econômicos e de saúde pública são gerados. Reutilizar A reutilização de um objeto permite uma sobrevida antes da reciclagem. A reutilização é uma maneira de dizer não ao desperdício. Reutilizar é dar vida longa aos objetos. Isso é muito comum com as embalagens retornáveis, folhas de rascunhos, roupas e em oficinas de arte com sucatas. Após a utilização de um produto ou material, deve-se recorrer a todos os meios para a sua reutilização. Reciclar A reciclagem – transformação dos produtos por processo artesanal ou industrial – permite a economia de matéria-prima no ciclo de produção, com enormes vantagens ambientais e econômicas. 46 PARTE I - ASPECTOS CONCEITUAIS E para completar, acrescentam-se mais 2 Rs: ●● Repensar atitudes, hábitos de consumo e de descarte, adotando comportamentos novos com relação ao meio ambiente. ●● Recusar o consumismo, diminuindo o desperdício e contribuindo para mudanças fundamentais na sociedade. Agora que conhecemos a problemática dos resíduos e a política dos 3Rs, podemos nos perguntar: como transmitir esse conhecimento de forma que seja incorporado e faça parte do cotidiano dos alunos e futuros adultos de nossa sociedade? Um dos caminhos possíveis na condução desse processo é a educação ambiental. Veremos na próxima parte do manual uma proposta metodológica prática para a implantação da coleta seletiva solidária na sua escola. MARCO REGULATÓRIO 47 PARTE II IMPLANTAÇÃO DA COLETA SELETIVA SOLIDÁRIA NAS ESCOLAS “Diante das dificuldades e complicadores devemos incorporar um compromisso com o Programa, uma tomada de consciência de nossa responsabilidade sobre o problema do resíduo e um desejo de transformar”. Mara Ribeiro Coordenadoria Regional de Educação Metropolitana I (2010) 50 PARTE II - IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA INTRODUÇÃO Já sabemos que a proteção do meio ambiente, o combate à poluição e a oferta de saneamento básico são condições fundamentais ao desenvolvimento humano e devem atender igualmente a toda população. Para isso, a Constituição Federal Brasileira estabelece que essas competências são comuns à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios. Porém, compete aos municípios legislar sobre assuntos de interesse local e prestar serviços públicos básicos. Desta forma, o serviço de limpeza urbana e o manejo dos resíduos sólidos envolvem as três esferas de poder (federal, estadual e municipal) na formulação das políticas públicas, mas cabe ao município a oferta deste serviço. No entanto, a eficiência da limpeza pública urbana depende de uma gestão municipal adequada, bem como da participação da população, por exemplo, não jogando resíduos nas ruas, terrenos baldios, rios, canais e praias, ou ainda, separando adequadamente os materiais recicláveis dos não recicláveis, colocando-os à disposição para a coleta seletiva. Ou seja, cabe ao município a oferta pelo serviço de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos. No entanto, é responsabilidade de toda a sociedade a participação e cobrança ao serviço público. E, como a comunidade escolar bem sabe, a educação é a base para que ocorra uma efetiva mudança rumo ao desenvolvimento sustentável. INTRODUÇÃO 51 As Nações Unidas proclamaram os anos de 2005 a 2014 como a “Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável”, cujo programa é coordenado pela Unesco. A educação para o desenvolvimento sustentável deve: nto olvime v n e s e , não inar d urrículo ica: ens c t s o lí o o h d nar e em to rdiscipli ma integrada e t in r e r fo ●● S ável de har mpartil sustent iplina à parte; o c nto a r a isc nsin olvime e v : n s e e s r e como d e valo s no d isição d entado u m q a a d à n r a ípios fu ●● Vis e e princ s e r idade d c lo a a v p a c nea ável; a ter co crítico r a o t in n s sustent e n as: e senensam problem relação ao de lver o p s o o v n a r e a s ção p os em ●● De rar solu e desafi s a m e encont il ra nte os d tável; ar a usa in s n fiança a n e e t : s odos ia, as ento su de mét periênc x e volvim e d , a e t id c a ultipli a, deb essos; rrer à m arte dramátic o c e os proc R r , a ●● e ld t r o a deci,a s para m ada de ia palavra g m o o t g a e s ped cisões tivo d diversa articipa icipem das de p o s s e roc s part ular o p s aluno im o t s e E u q ● ● izagem er com er; aprend são: faz o irão aprend e d s ia om eriênc sobre c r as exp a nas; r g e t cotidia l: in l e bora v n á c io li s s local: a ofi r ap a r p id v e l a ●● Se a m anpesso nado co os globais, us io c na vida la e nte r anto elos da(s) p reitame mas locais qu t a s s e u r e a t t roble umen ●● Es to os p ais com m ) s ( dar tan m e linguag do a(s) alunos. 52 PARTE II - IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA No âmbito das escolas estaduais, além de uma atitude cidadã, a coleta seletiva solidária tornou-se uma obrigatoriedade a partir da aprovação do Decreto Estadual n°40.645 de 2007, o qual institui a separação dos resíduos recicláveis na fonte geradora e a sua destinação às cooperativas ou associações de catadores que, por sua vez, os comercializam para a posterior reciclagem pelas indústrias. Desta forma, colabora-se com a inclusão social dos catadores, proporcionando trabalho e renda para essa categoria, além de contribuir com a minimização do uso de recursos naturais e dos impactos sobre o meio ambiente. A implantação da coleta seletiva solidária na unidade escolar propõe o estudo de um de nossos habitats, a escola, a partir da perspectiva da sustentabilidade. Os resíduos são um problema para a saúde e o meio ambiente. Como solucionar ou amenizar essa situação? O que uma escola pode ajudar nesse sentido? Devemos reduzir, reutilizar e reciclar os resíduos de nossa escola, esse é o nosso compromisso, e você é parte integrante dele! Para auxiliar, de maneira prática, foi escrita a parte II deste manual, que adota como base a metodologia utilizada pelo eixo escolas estaduais do Programa Coleta Seletiva Solidária. Esse é o seu desafio: participar do planejamento da coleta seletiva solidária na sua escola! INTRODUÇÃO 53 54 PARTE II - IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA 6. O Programa Coleta Seletiva Solidária O Programa Coleta Seletiva Solidária (PCSS) foi criado em outubro de 2009 pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, através da parceria entre a Secretaria de Estado do Ambiente (SEA), o Instituto Estadual do Ambiente (INEA), através da Gerência de Educação Ambiental (GEAM), a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), através da Faculdade de Engenharia, e a Secretaria de Estado de Educação (SEEDUC), através da Coordenação de Educação Ambiental e Saúde. O PCSS é desenvolvido com recursos do Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (Fecam). As ações são desenvolvidas em cinco linhas de ação programática de capacitação, a saber: Coleta Seletiva Solidária para Gestores Públicos Municipais, Coleta Seletiva Solidária nas Escolas Estaduais, Coleta Seletiva Solidária nos Órgãos Públicos Estaduais e Capacitação de Catadores. Eixos do Programa Coleta Seletiva Solidária Missão Assessorar e instrumentalizar a implantação de programas municipais de coleta seletiva solidária no estado do Rio de Janeiro, em atenção às leis e às normas ambientais, através do planejamento participativo, da educação ambiental e do controle social, com reconhecimento, inclusão, valorização e protagonismo da categoria dos catadores de materiais recicláveis. PROGRAMA COLETA SELETIVA SOLIDÁRIA 55 Visando à melhoria no saneamento no Rio de Janeiro, foi concebido em 2007, pela Secretaria de Estado do Ambiente, o Pacto pelo Saneamento. Este programa “tem como objetivo dobrar a coleta e tratamento de esgoto em todo o estado, passando dos atuais 30% para 60%, nos próximos quatro anos. O programa também visa à erradicação dos lixões e à implantação de aterros sanitários” .1 Dentro do Pacto pelo Saneamento está inserido o Plano Estadual de Resíduos Sólidos (PERS), conforme apresentado na figura. Este plano contempla o Programa Coleta Seletiva Solidária, dentre outros vinculados ao tratamento dos resíduos sólidos. Política de Resíduos da Secretaria do Ambiente (SEA) 1 Disponível em <http://www.rj.gov.br/web/sea/exibeconteudo?article-id=330838>. Acesso em 11/02/2012 56 PARTE II - IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA 6.1. Eixo escolas estaduais Este eixo visa assessorar as escolas estaduais na implantação da coleta seletiva solidária, para que elas possam atender ao Decreto Estadual nº 40.645/07 do Rio de Janeiro (disponível em: http://www.coletaseletivasolidaria. com.br/escolas/leis-e-decretos.html) publicado em 9 de março de 2007, que institui a separação dos resíduos recicláveis nos órgãos e entidades da administração pública estadual, direta e indireta, na fonte geradora, e a sua destinação às associações e cooperativas de catadores de materiais recicláveis. O público-alvo do programa são diretores, professores, alunos e funcionários das escolas públicas estaduais do Rio de Janeiro, que devem implantar a coleta seletiva nas suas instalações, em atendimento ao referido decreto. O eixo escola do Programa Coleta Seletiva Solidária é desenvolvido em parceira com a Secretaria de Estado de Educação (SEEDUC) e visa mobilizar as escolas a participarem do programa de coleta seletiva municipal, atendendo ao Decreto n° 40.645/07. Um aspecto importante é desenvolver as atividades orientadas por programas de educação ambiental que tenham como foco as diretrizes dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), da Política Federal de Saneamento Básico em consonância com as bases lançadas pela Política Estadual de Educação Ambiental e integradas com outras ações desenvolvidas pela SEEDUC nas escolas. O eixo escolas estaduais do PCSS começa a sua atuação após a etapa de estruturação no município, que inclui a sensibilização e capacitação dos gestores públicos municipais. Dessa forma, há a garantia de recolhimento dos recicláveis para que um programa de coleta seletiva solidária possa ocorrer nas escolas. No entanto, a coleta seletiva solidária pode ocorrer nas escolas contando com as cooperativas de catadores locais, o que pode fragilizar o processo à medida que algumas das cooperativas não possuem uma estrutura adequada na questão do recolhimento dos recicláveis. PROGRAMA COLETA SELETIVA SOLIDÁRIA 57 Até fevereiro de 2012, com a metodologia a ser apresentada no item 7, Etapas para a implantação da coleta seletiva solidária nas escolas, foram atendidas 79 escolas estaduais no estado, das quais 41 implantaram a coleta seletiva solidária. As demais estão em processo de implantação da CSS e sendo atendidas pelo PCSS, eixo escolas estaduais. 58 PARTE II - IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA 7.Implantação da Coleta Seletiva Solidária nas escolas 7.1. Planejamento da coleta seletiva solidária Antes do início da implantação da coleta seletiva solidária nas escolas é fundamental um planejamento, que identificará o problema ou situaçãochave e a escolha das estratégias para seu enfrentamento. Neste processo é necessário indicar quais as ações necessárias, a equipe, os parceiros, as responsabilidades e os recursos, além do posterior monitoramento para ajustes. Pontos fundamentais para o planejamento A) Quem vai coletar os recicláveis? B) Quais as condições necessárias para seu armazenamento adequado? C) Qual a logística de sua separação na fonte? D) Para onde irão os recicláveis? Os pontos colocados acima são fundamentais para que sejam evitados problemas como: ●● A) Acúmulo de materiais, com consequente foco de vetores transmissores de doenças, como a dengue. Descarte dos recicláveis em um aterro ou lixão, caso não ocorra o recolhimento por parte de uma coleta seletiva e desmotivação para a continuidade do projeto. ●● B) Falta de depósito adequado para os recicláveis de vetores trans- missores de doenças, como a dengue, podendo dificultar ou inviabilizar o aproveitamento dos materiais; ●● C) Contaminação do material reciclável com o material não reciclável e envio dos recicláveis aos aterros e lixões; ●● D) Falta de entendimento e participação dos estudantes da escola, o que inviabiliza o andamento do programa. COLETA SELETIVA NAS ESCOLAS 59 ATENÇÃO! Antes de iniciar o processo de planejamento e sensibilização para a coleta seletiva solidária , é fundamental que a escola tenha a garantia de recolhimento dos recicláveis. Para isso a escola deve: Etapa 1 Entrar em contato com o Programa Municipal de Coleta Seletiva Solidária (caso haja) ou com as cooperativas de catadores de materiais recicláveis. Para localizar as cooperativas que podem receber o material reciclável, consulte os sites: ●● www.coletaseletivasolidaria.com.br ●● www.rotadareciclagem.com.br ●● www.cempre.org.br 7.2. Etapas para a implantação da coleta seletiva solidária na escola Etapa 1: Criação da Comissão para Coleta Seletiva Solidária Cada escola deverá criar uma comissão cujos integrantes participarão de todas as fases da ação. De acordo com o Decreto estadual nº 40.645/07 (ver Anexo 1), a escolha dos agentes deve atender aos seguintes critérios: 99 Mínimo de três servidores, sejam eles estatutários, terceirizados ou comissionados. Mais de três servidores poderão ser designados para compor a Comissão para Coleta Seletiva Solidária. 99 Levar em conta a carga horária de permanência dentro da escola, o livre acesso a todas as dependências do prédio da instituição e a natureza das ações a serem desenvolvidas. 99 Essa comissão deverá planejar e acompanhar a coleta seletiva solidária em sua unidade escolar. A participação da direção é de extrema importância em todo o processo. 99 Sugerimos que esta comissão seja também formada pelos alunos representantes de turma e grêmios. 60 PARTE II - IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA Etapa 2: Diagnóstico da unidade escolar Para o êxito da coleta seletiva solidária na escola é necessário fazer um diagnóstico da unidade escolar conforme o modelo apresentado no item 8.5 (Instrumentos de apoio) deste manual. Para que se possa: 99 Conhecer as dependências da instituição; 99 Quantificar e qualificar os resíduos produzidos; 99 Definir o fluxo e a frequência do recolhimento; 99 Definir a quantidade necessária de coletores e os melhores locais para sua instalação; 99 Definir atribuições e tarefas específicas e rotinas necessárias; 99 Escolher a área de armazenamento dos recicláveis. Etapa 3: Planejamento das ações A terceira etapa é aquela em que as ações serão planejadas a partir das seguintes estratégias: 99 Definição e identificação do local de armazenamento; 99 Elaboração das etiquetas dos coletores; 99 Definir a quantidade necessária de coletores e os melhores locais para sua instalação (os coletores devem estar em pares); 99 Definição do fluxo e frequência do recolhimento dos recicláveis; 99 Definição de atribuições e tarefas específicas e rotinas necessárias (treinamento funcionários); 99 Solicitação de equipamentos (sacos plásticos transparentes e coletores). ATENÇÃO ! Não é necessário separar o material reciclável em diferentes recipientes coloridos. Basta utilizar duas lixeiras para separar o que for reciclável do não reciclável, adaptando as lixeiras já existentes e diferenciando-as com etiquetas de identificação. Sugerem-se as denominações “Não Reciclável” e “Reciclável” conforme as etiquetas ilustradas no item 7.3. COLETA SELETIVA NAS ESCOLAS 61 Etapa 4: Plano de comunicação e sensibilização Para o êxito do programa é importante a participação de todos da unidade escolar. As escolas possuem estrutura diferente de outros órgãos públicos, no sentido de que há uma alternância de seus atores (professores e estudantes) em função da divisão do expediente por turnos. Além disso, todos os professores lotados na escola não se encontram presentes diariamente. Portanto, deve-se chamar a atenção para a implantação da coleta seletiva através de informativos, podendo ser utilizados cartazes, murais, jornais, blogs, grêmio, representantes de turma, ou qualquer outro meio que vise à sua divulgação. Aproveite os conselhos de classe para discutir e apresentar o projeto em sua escola. Os funcionários da limpeza são agentes importantes nesse processo, pois são eles que farão o armazenamento de todo o material reciclável encontrado nos coletores identificados. Portanto, é essencial que recebam treinamento. Etapa 5: Implantação da coleta A quinta etapa é aquela em que a comissão e toda a comunidade escolar executam as ações planejadas. Sugere-se que seja feito um evento de inauguração da coleta seletiva solidária na unidade escolar e que os coletores sejam identificados a partir dessa data, sendo um marco do começo da coleta na escola. É importante que ocorra esta mobilização nos três turnos da escola para que não haja lacunas na comunicação. Etapa 6: Avaliação e plano de melhoria Para um resultado eficaz, é importante uma avaliação contínua do trabalho, considerando os seguintes aspectos: 99 A diminuição da geração de resíduos; 99 O peso e/ou volume do material reciclável recolhido; 99 A eficiência na separação dos resíduos; 99 A adesão dos funcionários e estudantes; 99 A periodicidade do recolhimento do material; 99 A limpeza da escola; 99 A forma de armazenamento do material. No plano de melhoria, cada aspecto avaliado deverá receber intervenções que proporcionem uma nova sensibilização, como por exemplo, campanhas informativas sobre a separação do que é e do que não é reciclável e a importância da relação entre a coleta seletiva, o meio ambiente e o catador. 62 PARTE II - IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA 7.3. Observações importantes Forma de separação dos resíduos São todos aqueles passíveis de serem reutilizados no processo produtivo, tais como papéis, plásticos, vidros, metais e óleo vegetal usado. São aqueles que não devem ser destinados à coleta seletiva solidária, como restos de comida, fraldas descartáveis, resíduos de banheiro, papéis engordurados, entre outros. SUGESTÃO É importante diferenciar o saco dos recicláveis do saco dos não recicláveis, pois facilita a identificação dos resíduos recicláveis, e assim: ●● ajuda no recolhimento por parte do pessoal da limpeza; ●● é uma forma de divulgação da coleta; ●● ajuda na avaliação da separação dos resíduos. Sugerimos o uso do saco plástico transparente para os recicláveis, mas caso a escola não tenha essa disponibilidade, basta que o saco seja diferente do saco dos não recicláveis. COLETA SELETIVA NAS ESCOLAS 63 O que fazer com o óleo vegetal: O óleo vegetal é um dos grandes problemas da poluição do meio ambiente. Se ele for despejado na rede de esgoto, além de poluir os rios, baías e oceanos, também causa o entupimento de canos. O óleo pode ser reaproveitado para a fabricação de diversos produtos, inclusive o biodiesel. Desta forma, o óleo vegetal também é um material reciclável e comercializado pelas cooperativas de catadores. Para armazená-lo basta juntar seu óleo usado em uma garrafa PET e pesquisar as cooperativas que recebem esse tipo de produto para reciclagem. Resíduos que não devem ser destinados à coleta seletiva: Resíduos de serviços de saúde (hospitalares ou biológicos): O serviço de coleta para esses materiais é especial e segue exigências legais (ver Resolução Conama n°358, de 29 de abril de 2005-Tratamento e disposição final de RSS e Resolução da diretoria colegiada da Anvisa - RDC n° 306, de 7 de dezembro de 2004). Resíduos da construção civil: Devem ser colocados em caçambas e recolhidos por serviço especial da prefeitura ou por empresas licenciadas para esse tipo de serviço. Resíduos perigosos: Dentre esses resíduos, incluemse: restos de embalagens contendo tintas e solventes; pilhas e baterias; lâmpadas fluorescentes; equipamentos eletroeletrônicos; fertilizantes químicos e agrotóxicos (fungicidas, herbicidas e inseticidas). 64 PARTE II - IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA COLETA SELETIVA NAS ESCOLAS 65 66 PARTE II - IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA 8. Atividades Sugeridas 8.1. Visita técnica aos locais de destinação dos resíduos O intuito é conhecer o local de destinação dos resíduos da coleta regular do município (aterro sanitário/controlado ou lixão) e o local de destinação da coleta seletiva (cooperativa de catadores de materiais recicláveis). É importante entender qual a destinação dos resíduos, tanto os recicláveis quanto os não recicláveis. Desta forma, conhecer o local de destinação dos resíduos da coleta regular do município (aterro sanitário/controlado ou lixão) e a destinação dos resíduos da coleta seletiva solidária (cooperativa de catadores) se faz essencial não só no aprendizado como na sensibilização da comunidade escolar. Sugestões de questionários de avaliação após as visitas encontram-se no item 8.5. Instrumentos de apoio. 8.2. Oficinas de reutilização Entre as infinitas possibilidades de reutilização, algumas foram selecionadas com intuito de aumentar o leque de conhecimento dos professores sobre o assunto e proporcionar momentos de reflexão e criatividade aos estudantes. Peteca de Jornal Materiais necessários: ●● Folhas de jornal; ●● Barbante ou elástico; ●● Tinta guache (opcional). Como fazer: Comece amassando uma folha de jornal, formando uma bola achatada. Coloque-a no centro de outra folha, deixando as pontas soltas. Torça a folha na altura da bola e amarre com um barbante ou elástico. Se quiser, pinte com tinta guache. Obs.: As petecas também podem ser feitas com sacolas de supermercado. Acesse: www.youtube.com/watch?v=CUncBTo4ERs> VOCÊ SABIA? A palavra “peteca” vem de péte ka, de origem tupi, nome de um brinquedo feito pelos indígenas com palha seca de milho. Em Minas Gerais, o jogo de peteca é um esporte reconhecido e muito praticado, destacando a influência indígena na nossa cultura. Fonte: http://blog.educacional.com.br/verinaud/tag/ brincadeiras/ ATIVIDADES SUGERIDAS 67 Perna de lata Materiais necessários: ●● Latas; ●● Barbante; ●● Prego médio/pequeno; ●● Martelo. Como fazer: Fazer dois furos com o prego na parte de baixo de cada lata, deixando espaço para a criança colocar os pés. Colocar o barbante nos furinhos e amarrar as pontas na parte de dentro da lata. Para brincar, basta subir com um pé em cada lata, segurando o barbante, mover as pernas e andar. OBS: O barbante varia de tamanho de acordo com o tamanho da criança, mas deve ficar na altura das mãos. Fonte: http://rosanacaohan2.blogspot.com.br/2008/01/brinquedo-com-sucata-vai-e-vem.html. Acesso em 03 de abril de 2012 Malabares Materiais necessários: ●● Sacolas de supermercado; ●● Barbante; ●● Tesoura; ●● Jornal; ●● Fita crepe; ●● Embalagem metalizada de biscoito. Como fazer: Corte as alças da sacola, o fundo e as laterais, de forma que fiquem duas folhas. Amasse duas folhas de jornal, formando uma bola. Prenda-a com fita crepe para que a bola fique bem compactada. Amarre o barbante na bola e deixe cerca da 1 metro de barbante solto. Passe fita crepe para garantir que o barbante está bem fixo na bola. Embrulhe a bola com uma das folhas da sacola de supermercado e amarre com a alça. Faça um nó na ponta do barbante para prender o dedo. Prenda pedaços da embalagem metalizada para fazer um efeito. 68 PARTE II - IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA Carteira de caixa de leite ou suco Materiais necessários: ●● Caixa de leite ou suco bem lavada; ●● Tesoura; ●● Grampeador; ●● Fita adesiva; ●● Elástico. Como fazer: Corte as extremidades de uma embalagem de leite ou suco deixando uma aba. Marque uma dobra nas laterais para criar uma sanfona e dobre ao meio. Grampeie as duas partes para mantê-las unidas e em seguida cubra com fita adesiva para dar acabamento. Dobre a aba e faça um furo no centro dessa dobra para passar um elástico em forma de alça. Termine dando um pequeno nó pelo lado de dentro e feche envolvendo a carteira com a alça de elástico. ATIVIDADES SUGERIDAS 69 8.3. Dinâmica sugerida Abaixo, sugerimos uma dinâmica adaptada do Manual de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos Urbanos (ReCESA), que pode ser trabalhada pelos professores em sala de aula, visando ao desenvolvimento da capacidade de reflexão dos alunos sobre os aspectos cotidianos ligados aos resíduos sólidos. Essa é uma maneira de fazê-los perceber como fazem parte deste processo e como podem e devem contribuir. Dinâmica Geração de resíduos sólidos urbanos Dinâmica que contém 5 textos como base para posterior discussão. Objetivos: ●● Mostrar os resíduos sólidos gerados no cotidiano; ●● Discutir o conceito de lixo e resíduos sólidos; ●● Levantar os motivos para o aumento da geração de resíduos sólidos; ●● Discutir e propor soluções para os problemas gerados pelos resídu- os sólidos. Texto 1 - Leitura “Antes de sair para o trabalho damos uma arrumada na casa. Recolhemos o lixo do banheiro, jogamos fora o jornal do dia anterior, rasgamos alguns papéis e correspondências inúteis, juntamos as sobras de uma reuniãozinha da noite anterior e entramos na cozinha para fazer o café. Terminada essa refeição, sobraram migalhas de pão, a caixa do leite, o coador de papel, as cascas de frutas, o potinho de iogurte. Juntamos tudo isso num saco plástico, amarramos e colocamos num lugar de onde possa ser levado mais tarde para longe dali. E assim tem início diariamente uma enorme produção de resíduos domésticos, que continua aumentando e só termina quando as luzes se apagam. O preparo das refeições, o lanche das crianças, a faxina em algum armário (que rende sacos e sacos de coisas para jogar fora), enfim, tudo isso dá, em média, meio quilo de lixo por pessoa, por dia.” 70 PARTE II - IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA Atividade: Divididos em grupos, respondem as três perguntas que abaixo. Após as respostas, você e seus colegas as apresentarão e discutirão. Reflita e discuta: ●● Qual o caminho que o resíduo faz da porta da sua casa até o destino final? ●● Relacione os resíduos com as outras áreas do saneamento: água, esgoto e drenagem pluvial; ●● Quanto você gera de resíduos na sua casa por dia? E por mês? Em grupo, discutam a diferença de conceitos entre lixo e resíduos sólidos. Texto 2 - Leitura “A presença dos resíduos acompanha o homem desde o início da sua existência. No começo o resíduo não era exatamente um problema. Os hábitos do homem eram mais simples e naturais. Com o passar do tempo, com as primeiras cidades e indústrias muita coisa foi modificada. Algumas dessas cidades transformaram-se em metrópoles, e a relação do homem com seus semelhantes e com o meio em que vive passa a ser diferente. O homem passa a consumir mais e assim a quantidade de resíduos gerada atinge níveis preocupantes.” Atividade: Reflita e discuta a seguinte pergunta: “Por que houve aumento na geração de resíduos sólidos?” Em seguida, discuta com os demais colegas sua resposta. O objetivo é identificar os motivos do aumento da geração de resíduos sólidos, bem como iniciar a discussão dos problemas decorrentes desse aumento. Em grupo, cite alguns problemas gerados pelos resíduos sólidos, quando mal gerenciados, nas seguintes áreas: saúde, sociedade e meio ambiente. ATIVIDADES SUGERIDAS 71 Texto 3 - Leitura “Os resíduos oferecem água, alimento e abrigo, dando condições para o desenvolvimento de animais como: mosca, rato, barata, escorpião, pulga, piolho, mosquito, etc, que transmitem ou são vetores de várias formas de doenças. Por exemplo, ratos que vivem em ambientes com acúmulo de lixo podem ser os vetores da leptospirose, entre outras doenças. A leptospirose é causada pela bactéria leptospira, encontrada em fezes e urina de ratos, sendo uma doença comum em épocas de enchentes. O acúmulo de água em pneus, garrafas e outros materiais proporciona o desenvolvimento do aedes aegypti, que pode causar a dengue.” Texto 4 - Leitura “Elas jogam bolas de papel de um lado para o outro. Empilham latinhas e garrafas coloridas. Mas não estão brincando. São 50 mil crianças brasileiras que vivem dos recicláveis e no lixo. Estão trabalhando. Ajudam seus pais e parentes a catar embalagens velhas, a separar jornais e papelões, a carregar pesados fardos com sobras de ferro e plástico. Sozinhas, empurram carroças cheias de entulho e alimentam porcos. Muitas vezes, comem os restos de comida encontrados nos enormes montes de lixo das cidades. São meninos e meninas de diferentes idades. Alguns mal aprenderam a andar, mas estão nos lixões ou catam lixo nas ruas. Vivem em condições de pobreza absoluta. Realizam um trabalho cruel. Ganham entre um real e seis reais por dia. Muitos desses meninos e meninas estão desnutridos e doentes. Sofrem de pneumonia, doenças de pele, febre, diarréia. Em alguns lixões, 30% das crianças em idade escolar nunca foram à escola. Na maioria dos casos, abandonaram os estudos porque precisam ajudar seus pais.” 72 PARTE II - IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA Texto 5 - Leitura “O resíduo sólido descartado de forma inadequada causa problemas ao meio ambiente, pois a decomposição da matéria orgânica gera líquidos (chorume) e gases, poluindo a água, solo e ar. Os gases podem ser gerados também na queima dos resíduos que podem conter substâncias tóxicas ao homem e aos demais seres vivos. Outros problemas observados com relação à disposição sem cuidados dos resíduos sólidos são: o assoreamento quando são dispostos às margens do rio, contaminação da área (solo) por um longo período impossibilitando o uso para a agricultura, desvalorização da terra e deterioração da paisagem. Essa forma inadequada de manejo pode acontecer em diferentes etapas dos serviços de limpeza urbana (coleta, disposição final etc.) independente do tamanho da cidade.” Atividade: Reflita e descreva, em grupo, os problemas apresentados nos textos 3, 4 e 5. ATIVIDADES SUGERIDAS 73 8.4. Filmes sugeridos Ilha das Flores (Brasil, 1989 - 13min - Direção: Jorge Furtado) História das coisas (EUA, 2007, 20min - Direção: Louis Fox) História dos Cosméticos (EUA, 2007, 08min - Direção: Louis Fox) História dos eletroeletrônicos (EUA, 2007, 08min - Direção: Louis Fox) História da água engarrafada (EUA, 2007, 08min - Direção: Louis Fox) Home (União Européia, 2009, 93min - Direção:Yann Arthus Bertrand) Bolinha de papel (Brasil, 2004, 5min - Direção: Débora Aranha) Lixo Extraordinário (Brasil, 2009, 99min - Direção: Lucy Walker) Wall-e (EUA, 2008, 97 min - Direção: Andrew Stanton) Saneamento Básico (Brasil, 2007, 112 min - Direção: Jorge Furtado) Revolução dos cocos (Reino Unido, 1999, 50 min - Direção: Dom Rotheroe) Tá limpo (Brasil, 1991, 10 min - Direção: Queiroz, Aída; Coelho, César; Magalhães, Marcos) Boca de lixo (Brasil, 1992, 48min - Direção: Eduardo Coutinho) Os reciclados (Brasil, série de desenho animado para TV Rá Tim Bum, com co-produção da Dulado Design, em parceria com a Lumen Produções e Aqueles Caras) OBS.: No item sites recomendados são indicados alguns endereços eletrônicos para baixar filmes e documentários socioambientais. 74 PARTE II - IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA 8.5. Instrumentos de apoio Diagnóstico da escola para implantação da Coleta Seletiva Solidária Modelo de Diagnóstico da coleta seletiva solidária nas escolas (etapa 2 da metodologia apresentada no item 7.2.) Este roteiro de diagnóstico é apenas uma base. Sinta-se à vontade para incluir informações que considere necessárias para o diagnóstico dos resíduos na sua escola. DADOS GERAIS DA ESCOLA Nome: Endereço: Bairro: Cidade: Telefone: E-mail da U.E.: Turnos: ( ) Manhã ( ) Tarde ( ) Noite Número de: Alunos- Professores- Funcionários da limpeza- Comissão da Coleta Seletiva Solidária (formada por pelo menos um representante: estudante, professor , funcionário de limpeza e direção) Nome: Email: Cargo: Telefone: Nome: Email: Cargo: Telefone: Nome: Email: Cargo: Telefone: Nome: Email: Cargo: Telefone: Nome: Email: Cargo: Telefone: Nome: Email: Cargo: Telefone: ATIVIDADES SUGERIDAS 75 DIAGNÓSTICO E PLANEJAMENTO Já foi definida a área de armazenamento (acúmulo) dos recicláveis? ( ) Sim ( ) Não A área é coberta? ( ) Sim ( ) Não Comporta a quantidade de recicláveis produzida pela escola até o dia da coleta? Já foi planejado como essa área será identificada/ sinalizada? ( ) Sim ( ) Não De que maneira? Já foi definida e adquirida a quantidade necessária de coletores? ( ) Sim ( ) Não E quanto aos locais para sua instalação? *Não esquecer que eles devem estar em pares, juntos. Já foram elaboradas as etiquetas: Para as áreas externas da escola? ( ) Sim ( ) Não E para as áreas internas? (Salas de aula, biblioteca, sala dos professores, secretaria, sala do diretor...) ( ) Sim ( ) Não Já foram adquiridos sacos diferenciados para os coletores recicláveis? ( ) Sim ( ) Não * Recomendamos sacos transparentes para os recicláveis, que devem ser diferentes dos sacos dos coletores não recicláveis. Já foi feito o treinamento com os funcionários? ( ) Sim ( ) Não Todos os alunos estão cientes do início da coleta seletiva solidária na unidade escolar? ( ) Sim ( ) Não Houve comunicado em reunião de pais? ( ) Sim Há informativos nas salas de aula? ( ) Sim ( ) Não ( ) Não Todos os alunos já receberam as informações necessárias para o início da CSS? ( ) Sim ( ) Não 76 PARTE II - IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA Todos os professores estão cientes do início da coleta seletiva solidária na unidade escolar? ( ) Sim ( ) Não Houve comunicado em reunião de professores ou em circular interna? ( ) Sim ( ) Não Há informativos na sala dos professores? ( ) Sim ( ) Não Todos os professores já receberam as informações necessárias para o início da CSS? ( ) Sim ( ) Não Data prevista para a inauguração da coleta seletiva solidária: OBS: Recomendamos um marco (a inauguração) para o início da coleta na unidade escolar. A separação dos recicláveis deve começar a partir desta data. Assim, os coletores já devem estar identificados no momento da inauguração. ATIVIDADES SUGERIDAS 77 Questionário de visita ao aterro Nome Idade: Turma: Data 1- O que você esperava encontrar no aterro/lixão? Encontrou como esperava? Explique. 2- Você descobriu algo que não sabia? O quê? 3- O que você achou mais marcante na visita? 4- Você possui, de alguma forma, algum envolvimento, responsabilidade no processo? Explique. 5- Depois da visita, algum dos seus hábitos mudou? Qual? 6- Depois da visita, você teve alguma ideia ou um novo olhar sobre os nossos resíduos? Qual? 7- Você deve ter comentado sobre a visita com seus parentes e amigos. Qual foi a conversa mais marcante que você teve? Por quê? Observações e comentários no verso. 78 PARTE II - IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA Questionário de visita à cooperativa Nome Idade: Turma: Data: 1- O que você esperava encontrar na cooperativa de catadores de materiais recicláveis? Encontrou o que esperava? Explique. 2- Você descobriu algo que não sabia? O quê? 3- O que você achou mais marcante na visita? 4- De alguma forma o seu olhar sobre o trabalho dos catadores mudou? Explique. 5- Depois da visita, algum dos seus hábitos mudou? Qual? 6- Qual a diferença entre uma cooperativa e uma empresa privada? 7- Como é gerenciada uma cooperativa? O que é um sistema de rateio? 8- Quais materiais que não devem ser colocados para a coleta seletiva solidária por terem um tratamento diferenciado (resíduos perigosos)? Observações e comentários no verso. ATIVIDADES SUGERIDAS 79 9. CONSIDERAÇÕES fINAIS A separação dos materiais recicláveis na fonte geradora e a sua doação para as cooperativas de catadores são muito importantes e, agora, obrigatórias nas escolas estaduais. Mas a diminuição da geração dos resíduos, a reutilização e o aumento do ciclo de vida dos materiais são tão ou mais importantes ainda. Também queremos propor a contextualização da ação de implantação da coleta seletiva dentro do contexto da A3P (Agenda Ambiental na Administração Pública) rumo à gestão sustentável do bem público. A A3P é um repertório de recomendações do Ministério do Meio Ambiente relativas ao consumo de energia, água, insumos, materiais de consumo e gestão de resíduos, entre outros, nas repartições públicas. Ou seja, a busca da sustentabilidade ambiental e social para além da coleta seletiva. É importante lembrar que a comunicação sensibilizadora funciona muito melhor que prêmios ou multas. Somente quando as pessoas entendem a razão das mudanças que se fazem necessárias em prol de um ambiente saudável, conforme apresentadas neste manual, é que elas podem internalizá-las e incorporá-las em seu cotidiano. De outra forma, cessado o sistema de premiação, o comportamento retrocede ao que era antes. Isso não é mudança. A comunicação sensibilizadora é mais difícil e mais demorada, porém é mais definitiva e multiplicadora. O Programa Coleta Seletiva Solidária está atendendo à demanda de capacitação dos gestores municipais para a implantação da coleta seletiva solidária. O objetivo é que a coleta seletiva solidária seja implantada por todos os municípios. Se a sua escola está em um dos municípios que já implantaram seus programas, você deve entrar em contato com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e solicitar a inclusão da sua escola no roteiro da coleta seletiva municipal. Aproveite para programar uma visita da escola a uma das cooperativas apoiadas pelo programa municipal para que seus alunos vejam o destino dos materiais recicláveis. Para qualquer dúvida e também para um acompanhamento mais direto, a equipe do Programa Coleta Seletiva Solidária está à sua disposição. Não hesite em nos chamar! CONSIDERAÇÕES FINAIS 81 10. Sites recomendados www.coletaseletivasolidaria.com.br Portal do Programa Coleta Seletiva Solidária, autor desta cartilha. Nele você encontra várias informações sobre o programa e seu andamento. www.coletasolidaria.gov.br Portal do Governo sobre o Programa Federal de Coleta Seletiva Solidária. www.lixo.com.br Neste site você vai ter uma ideia de como funciona a gestão de resíduos. É importante conhecer o processo e as regras quando queremos fazer a diferença. www.resol.com.br/index/index.php Portal do Instituto para a Democratização de Informações sobre Saneamento Básico e Meio Ambiente mantido pela Web-Resol, uma organização não governamental dedicada à divulgação de informações sobre o meio ambiente e saneamento básico, em especial, à gestão dos resíduos sólidos. É especialmente dedicado a todos aqueles que trabalham ou têm interesse na limpeza urbana e na gestão dos resíduos sólidos. www.sustentabilidade.org.br/ Portal de discussão de conteúdos relacionados à sustentabilidade. http://docverdade.blogspot.com Blogue que apresenta e disponibiliza uma série de documentários sobre as mais variadas questões sociais contemporâneas. www.cempre.org.br O Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre) é uma associação sem fins lucrativos dedicada à promoção da reciclagem dentro do conceito de gerenciamento integrado do resíduo. Fundado em 1992, o Cempre é mantido por empresas privadas de diversos setores. www.rio.rj.gov.br/comlurb/ Companhia Municipal de Limpeza Urbana da cidade do Rio de Janeiro. http://portal.mec.gov.br/secad/arquivos/pdf/educacaoambiental/ consumos.pdf Link para acessar o Manual de Educação Consumo Sustentável, produzido pelo Ministério da Educação, Ministério do Meio Ambiente e o Instituto de Defesa do Consumidor. 82 PARTE II - IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA www.educacaoambiental.com.br Educação e manejo ambiental. Envolvidos e comprometidos com a missão de estudar, desenvolver e propor soluções para aspectos ambientais nas empresas, instituições públicas e organizações não governamentais, contribuindo para a melhoria da qualidade ambiental em suas atividades, produtos e serviços, na perspectiva da sustentabilidade, especialmente através do uso de processos educativos fundamentados na educação ambiental. www.mncr.org.br Site oficial do Movimento Nacional dos Catadores (MNCR). www.rededeapoiadores.com.br Rede de Apoiadores da Coleta Seletiva Solidária, formada, em 2007, por instituições públicas, privadas e entidades representativas dos catadores que planejam e realizam de modo integrado ações e projetos para o desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva da reciclagem, com geração de trabalho e renda. www.ambientebrasil.com.br O Ambientebrasil nasceu da ideia de oferecer para a comunidade corporativa brasileira praticidade e rapidez na busca on-line de informações sobre o meio ambiente. www.semadur.rj.gov.br Portal da Secretaria do Ambiente do Rio de Janeiro. www.rotadareciclagem.com.br O site Rota da Reciclagem é mais uma ação da Tetra Pak a favor da reciclagem e em defesa do meio ambiente. Este espaço mostra de forma didática como qualquer pessoa interessada pode participar do processo de separação e entrega das embalagens longa vida para a reciclagem. Informa ainda onde estão localizadas as cooperativas de catadores, as empresas comerciais que trabalham com compra de materiais recicláveis e os pontos de entrega voluntária (PEV) que recebem embalagens da Tetra Pak. SITES RECOMENDADOS 83 11. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABRELPE. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE LIMPEZA PÚBLICA E RESÍDUOS ESPECIAIS. Panorama dos resíduos sólidos no Brasil - 2008. São Paulo, 2009. Disponível em: <http://www.abrelpe.org.br/>. Acesso em: jun. 2010. AMBIENTE BRASIL CENTRO DE ESTUDOS; MINAS GERAIS. Fundação Estadual do Meio Ambiente. Coleta seletiva em condomínios. Belo Horizonte, [20--]. Disponível em: <http://www.ambientacao.mg.gov.br>. Acesso em: 20 maio 2010. BRASIL ocupa boa posição no cenário mundial de reciclagem. Cempreinforma, São Paulo, n. 75, maio/jun. 2004. Disponível em: <http://www.cempre.org.br/cempre_informa. php?lnk=ci_2004-0506_inter.php>. Acesso em: 17 dez. 2010. BRASIL. Decreto 5.940, de 25 de outubro de 2006. Institui a separação dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta, na fonte geradora, e a sua destinação às associações e cooperativas dos catadores de materiais recicláveis, e dá outras providências. Diário Oficial [da] Republica Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 26 out.2006, Seção 1, p.4 BRASIL. Decreto 7.404, de 23 de dezembro de 2010. Regulamenta a Lei no 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, cria o Comitê Interministerial da Política Nacional de Resíduos Sólidos e o Comitê Orientador para a Implantação dos Sistemas de Logística Reversa, e dá outras providências. Diário Oficial [da] Republica Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 23 dez. 2010, Seção 1, p. 63. BRASIL. Lei 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei n° 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 3 ago. 2010. Seção 1. BRASIL. Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF: 23 dez. 1996. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm>. Acesso em: 12 fev. 2011. BRASIL. Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Brasília, DF: 23 dez. 1996. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm>. Acesso em: 12 fev. 2011. BRASIL. Lei n.º 11.445, de 5 de janeiro de 2007. Estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, D. F., 8 jan. 2007. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/civil_03/_ato2007-2010/2007/ lei/l11445.htm> />. Acesso em: 4 abr. 2007 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 85 BRASIL. Lei nº. 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, D. F, 28 de abr. 1999. Seção 1. BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Manual de educação: consumo sustentável. Brasília, 2005. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/secad/arquivos/pdf/ educacaoambiental/consumos.pdf>. Acesso em: 22 maio 2010. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Determinantes e condicionantes do processo saúde-doença. In: ______. Saúde Brasil 2004: uma análise da situação de saúde. Brasília, DF, 2004. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente; ONU. Manejo ambientalmente saudável dos resíduos sólidos e questões relacionadas com os esgotos. In: ______. Agenda 21. Brasília, DF, 1992. BRASIL. Presidência da República. Página oficial. Disponível em <http://www.coletasolidaria. gov.br/>. Acesso em: 23 jun. 2010 BRASIL. Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental; NUCASE. NÚCLEO SUDESTE DE CAPACITAÇÃO E EXTENSÃO TECNOLÓGICA EM SANEAMENTO AMBIENTAL. Resíduos sólidos: gestão integrada de resíduos sólidos urbanos: guia do profissional em treinamento – nível 1. Belo Horizonte, ReCESA, 2007. 60p. CEMPRE. Compromisso Empresarial para a Reciclagem. A evolução da coleta seletiva e reciclagem de resíduos sólidos urbanos no Brasil. São Paulo: 2008. Disponível em: <http://www.cempre.org.br/imprensa.php?codeps=fHx8fHx8fHx8fHx8fDE1>. Acesso em: 20 dez. 2010. ______. Apresenta informações gerais sobre o CEMPRE – Compromisso empresarial para Reciclagem. Disponível em: <http://www.cempre.org.br/>. Acesso em: 22 jun. 2010. COMLURB. Companhia Municipal De Limpeza Urbana. Caracterização gravimétrica e microbiológica dos resíduos sólidos do município do Rio de Janeiro - 2009. Rio de Janeiro: 2009. Disponível em: <comlurb.rio.rj.gov.br/download/caracterização%20 2009.pdf>, Acesso em: 12 dez. 2010. COMUNIDADE COEP. Diagnóstico social: Jardim Gramacho, Duque de Caxias, RJ, agosto de 2005. Rio de Janeiro: IBASE/FURNAS/COEP, 2005. Disponível em: <www.ibase.br/ pubibase/media/diagnostico_gramacho.pdf>. Acesso em: 24 jan. 2011. D’ALMEIDA, M. L. O.; VILHENA, A. (Org.). Lixo municipal: manual de gerenciamento integrado. 2. ed. São Paulo: IPT/CEMPRE, 2000. 86 PARTE II - IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA DUQUE DE CAXIAS (RJ). Decreto 5.623, de 19 de junho de 2009. Institui a separação dos resíduos sólidos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da Administração Pública Municipal Direta e Indireta, na fonte geradora, e a sua destinação às associações e cooperativas dos catadores de materiais recicláveis, e dá outras providências. Boletim Oficial n. 5.500, 19 de jun. 2009. FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE. Manual de saneamento. 3. ed. rev. Brasília, DF, 2006. GONÇALVES, Pólita. A reciclagem integradora dos aspectos ambientais, sociais e econômicos. Rio de Janeiro: DP&A, 2003. IBAM. INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL. Manual de gerenciamento integrado de resíduos sólidos. Rio de Janeiro, 2001. IBGE. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas de saneamento básico. Brasília, DF, 2011. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/ populacao/atlas_saneamento/default_zip.shtm>. ______. Índice de indicadores sociais: domicílios. Brasília, DF, 2010. Disponível em:<ftp://ftp. ibge.gov.br/Indicadores_Sociais/Sintese_de_Indicadores_Sociais_2010/tabelas/ domicilio.zip>. Acesso em: 5 jan. 2011. ______. Pesquisa nacional de saneamento básico - 2000. Rio de Janeiro, 2002. ______. Pesquisa nacional de saneamento básico - 2008. Brasília, 2008. Disponível em: <www. ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/pnsb2008/PNSB_2008. pdf>. Acesso em: 5 dez. 2010. ______. Tabela total da população do Rio de Janeiro. In: ______. Censo demográfico 2010. Brasília, DF, 2010. Disponível em: <www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/ censo2010/tabelas_pdf/total_populacao_rio_de_janeiro.pdf>. Acesso em: 16 jan. 2011. MOVIMENTO NACIONAL DE CATADORES DE MATERIAIS RECICLÁVEIS. Página oficial. Disponível em: <http://www.ambientacao.mg.gov.br>. Acesso em: 24 jun. 2010. OPAS. Desenvolvimento sustentável e saúde ambiental. Saúde nas Américas, Washington, DC, v. 1, n. 622, 2007. PROEEA-RJ. PROGRAMA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL RIO DE JANEIRO. Texto base do Programa de Educação Ambiental do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Fundação CICIERJ, 2010. Disponível em: <http://proeearj.cederj.edu.br/ plataformalite/blog.exibirpostagem?codigo=5>. Acesso em: 12 fev. 2011. QUEIMADOS (RJ). Decreto 1.062, de 06 de abril de 2010. Institui a separação na fonte geradora, dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da administração REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 87 pública municipal direta e indireta e a sua destinação às associações e cooperativas de catadores de materiais recicláveis e dá outras providências. Queimados, Prefeitura Municipal de Queimados, 7 de abr. 2010. Disponível em: <http://www. coletaseletivasolidaria.com.br/wp-content/uploads/2010/02/DEC-1062-COLETASELETIVA.pdf>. RIO DE JANEIRO ( Estado). Secretaria do Estado do Ambiente. Página oficial. Disponível em: <http://www.ambiente.rj.gov.br/pages/sup_clim_carb/carbono_projetos/carbono_ proj_prove.html>. Acesso em: 24 jun. 2010. RIO DE JANEIRO (Cidade). Decreto nº 30.624, de 22 de abril de 2009. Institui a separação dos materiais recicláveis descartados pela administração pública municipal na fonte geradora e a sua destinação às associações e cooperativas dos catadores de materiais recicláveis, e dá outras providências. Diário Oficial [do] Município do Rio de Janeiro, Poder Executivo, Rio de Janeiro, 24 abr. 2009. p. 6 RIO DE JANEIRO (Estado). Decreto nº 40.645, de 8 de março de 2007. Institui a separação dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da administração pública estadual direta e indireta, na fonte geradora, e a sua destinação às associações e cooperativas dos catadores de materiais recicláveis, e dá outras providências. Diário Oficial [do] Estado do Rio de Janeiro, Poder Executivo, Rio de Janeiro, 2007. Seção 1. RIO DE JANEIRO (Estado). Lei nº 3.325, de 17 de dezembro de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Estadual de Educação Ambiental, cria o Programa Estadual de Educação Ambiental e complementa a Lei Federal nº 9.795/99 no âmbito do Estado do Rio de Janeiro. Diário Oficial [do] Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1999. Disponível em: <http://www.meioambiente.UERJ.br/emrevista/legislacao/leis/ lei3325.htm>. Acesso em: 24 set. 2010. RIO DE JANEIRO (Estado). Lei nº 5597, de 18 de dezembro de 2009. Institui o Plano Estadual de Educação - Pee/Rj, e dá outras providências. Diário Oficial [do] Município do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2009. Disponível em: < http://eleitor.org.br/node/3218>. Acesso em: 24 set. 2010. TCHOBANOGLOUS, George; THEISEN, Hilary; VIGIL, Samuel. Integrated solid waste management: engineering principles and management issues. New York: McGrawHill, 1993. UNESCO. Década da educação das Nações Unidas para um desenvolvimento sustentável, 20052014: documento final do esquema internacional de implementação. Brasília, 2005. 120 p. Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0013/001399/139937por. pdf>. 88 PARTE II - IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA 12. ANEXO DECRETO Nº 40.645/07 de 08 de março de 2007 Institui a separação dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da administração pública estadual direta e indireta, na fonte geradora, e a sua destinação às associações e cooperativas dos catadores de materiais recicláveis, e dá outras providências. O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, no uso de suas atribuições constitucionais e legais, e tendo em vista o que consta no processo administrativo nº E- 07/175/2007. DECRETA: Art. 1º A separação dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da administração pública estadual direta e indireta, na fonte geradora, e a sua destinação às associações e cooperativas dos catadores de materiais recicláveis são reguladas pelas disposições deste Decreto. Art. 2º Para fins do disposto neste Decreto, considera-se: I - coleta seletiva solidária: coleta dos resíduos recicláveis descartados, separados na fonte geradora, para destinação às associações e cooperativas de catadores de materiais recicláveis; e II - resíduos recicláveis descartados: materiais passíveis de retorno ao seu ciclo produtivo, rejeitados pelos órgãos e entidades da administração pública estadual direta e indireta. Art. 3º Estarão habilitadas a coletar os resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da administração pública estadual direta e indireta às associações e cooperativas de catadores de materiais recicláveis que atenderem aos seguintes requisitos: I – estarem as associações ou cooperativas de catadores de materiais recicláveis cadastrados no sítio eletrônico da SEA – Secretaria de Estado do Ambiente; II - estejam formalmente constituídas por catadores de materiais recicláveis que tenham a catação como fonte de renda; III - não possuam fins lucrativos; IV - possuam infra-estrutura para realizar a triagem e a classificação dos resíduos recicláveis descartados; V - apresentarem o sistema de rateio entre os associados. ANEXO 89 Parágrafo único. A comprovação dos incisos II e III será feita mediante a apresentação do estatuto ou contrato social e dos incisos IV e V, por meio de declaração das respectivas associações e cooperativas. Art. 4º As associações e cooperativas cadastradas na SEA - Secretaria de Estado do Ambiente através de seu sítio eletrônico, poderão firmar acordo, perante a Comissão para a Coleta Seletiva Solidária, a que se refere ao art. 5o, para partilha dos resíduos recicláveis descartados. § 1o Caso não haja consenso, a Comissão para a Coleta Seletiva Solidária realizará sorteio, em sessão pública, entre as respectivas associações e cooperativas devidamente habilitadas, que firmarão termo de compromisso com o órgão ou entidade, com o qual foi realizado o sorteio, para efetuar a coleta dos resíduos recicláveis descartados regularmente. § 2o Na hipótese do § 1o, deverão ser sorteadas até 4 (quatro) associações ou cooperativas, sendo que cada uma realizará a coleta, nos termos definidos neste Decreto, por um período consecutivo de seis meses, quando outra associação ou cooperativa assumirá a responsabilidade, seguida a ordem do sorteio. § 3o Concluído o prazo de 6 (seis) meses do termo de compromisso da última associação ou cooperativa sorteada, um novo processo de habilitação será aberto. Art. 5º Será constituída uma Comissão para a Coleta Seletiva Solidária, no âmbito de cada órgão e entidade da administração pública estadual direta e indireta, no prazo de 90 (noventa) dias, a contar da publicação deste Decreto. § 1o A Comissão para a Coleta Seletiva Solidária será composta por, no mínimo, 3 (três) servidores designados pelos respectivos titulares de órgãos e entidades públicas. § 2o A Comissão para a Coleta Seletiva Solidária deverá implantar e supervisionar a separação dos resíduos recicláveis descartados, na fonte geradora, bem como a sua destinação para as associações e cooperativas de catadores de materiais recicláveis, conforme dispõe este Decreto. § 3o A Comissão para a Coleta Seletiva Solidária de cada órgão ou entidade da administração pública estadual direta e indireta apresentará, semestralmente, avaliação do processo de separação dos resíduos recicláveis descartados, na fonte geradora, e a sua destinação às associações e cooperativas dos catadores de materiais recicláveis. Art. 6º Os órgãos e entidades da administração pública estadual direta e indireta deverão implantar, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, a contar da publicação deste Decreto, a separação dos resíduos recicláveis descartados, na fonte geradora, destinando-os para a coleta seletiva solidária, devendo adotar, quando couber, as seguintes medidas necessárias ao cumprimento do disposto neste Decreto: 90 PARTE II - IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA I. Instalação de kit de coletores de 30 litros, de cores diferenciadas para cada tipo de material (papel, plástico, vidro, metal, material orgânico, material perigoso) nos corredores de cada andar dos prédios; II. Instalação de coletores centrais de 240 l, de cores diferenciadas para cada tipo de material (papel, plástico, vidro, metal e material orgânico, material perigoso) no andar térreo dos prédios; III. Picadoras de papel; IV. Caixas coletoras de papel A4, que serão destinados à confecção de blocos de rascunho a serem reutilizados pelos órgãos ou entidades da administração pública estadual direta e indireta. Parágrafo único – O material perigoso de que falam os incisos I e II deste artigo referese às pilhas, baterias de celular e lâmpadas fluorescentes, que deverão ter descarte e coleta diferenciados, segundo determina a legislação estadual ambiental vigente. Art. 7º - Deverão ser implementadas ações de publicidade de utilidade pública, que assegurem a lisura e igualdade de participação das associações e cooperativas de catadores de materiais recicláveis no processo de cadastro no sítio eletrônico da SEA – Secretaria Estadual do Ambiente. Art. 8º - Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. Rio de Janeiro, 08 de março de 2007 Sergio Cabral ANEXO 91