Tutorial 03 CUSTOS DO PROCESSO DE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos - ABIMAQ Presidente Luiz Aubert Neto Conselho de Tecnologia Celso Vicente Vice-Presidente ABIMAQ e Coordenador do Conselho Arthur Almeida Carlos Alberto Maciel Claudio Deziderio Claudio Makarovsky Djalma Bordignon Hernane Kaminski Cauduro Judenor Marchioro Mário Vedovello Sarraf Paulo Adolfo Dietziker Renato Laranjeira Wagner Setti Waldomiro Modena Filho Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico da Indústria e Máquinas e Equipamentos – IPDMAQ Conselho Gestor João Alfredo Saraiva Delgado Presidente Celso Vicente Vice-Presidente Carlos César Padovan Corrado Vallo Evandro Luciano Orsi Conselho Fiscal Carlos Octávio Villanova Nogueira Hiroyuki Sato Walter Luiz Lapietra Secretária Executiva do IPDMAQ Anita Dedding Equipe Técnica Juliano Carillo Gomes Rodrigo Correia do Amaral Apoio Gisele Aparecida Machado Vanessa Thais Lopes Rodrigues Bolsista CNPq Wagner Aneas CUSTOS DO PROCESSO DE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA QUEM FINANCIA E O QUÊ É FINANCIADO Eduardo Rezende Daniel Silva da Rosa Fundação CERTI/SC Novembro/2011 Expediente Autores Eduardo Rezende Daniel Silva da Rosa Colaboração Carlos Alberto Schneider Antônio Rogério de Souza Eliza Coral Orestes Estevan Alarcon Anita Dedding Revisão do Texto Luciana Santaella Malaguti Capa Bruno Quint Berreta Editoração Rodrigo Silva da Silva Fundação CERTI www.certi.org.br Universidade Federal de Santa Catarina Departamento de Engenharia Mecânica www.emc.ufsc.br UFSC Departamento de Engenharia Mecânica Catalogação na fonte elaborada por Heloisa Costa CRB 14/977 R467g Rezende, Eduardo. Gestão de inovação na indústria de bens de capital: custos do processo de inovação tecnológica : quem financia e o quê é finan-. ciado / Eduardo Rezende; Daniel Silva da Rosa. – Florianópolis, 2011. 33f.: il., tab., 29 cm. Conteúdo: Tutorial 3 Inclui referências. 1. Processo de inovação. 2. Financiamento da inovação. 3. Bens de capital. I. Rezende, Eduardo. II. Rosa, Daniel Silva da. III. ABIMAQ. IV. Título. CDU 65.339.188: 330.341 “Todos os direitos autorais pertencentes à Fundação CERTI, protegidos conforme Lei n° 9.610/96” APRESENTAÇÃO Após a abertura da economia brasileira no início dos anos 90, as empresas nacionais têm se alinhado em torno de uma agenda de fortalecimento da sua competitividade. O combate aos juros altos e à carga tributária elevada, a reivindicação por crédito e investimentos em infraestrutura, o aumento no número de normas técnicas que assegurem a segurança e a qualidade das máquinas e equipamentos, e a valorização de uma cultura de inovação nas empresas são os temas de maior destaque dessa agenda. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos tem representado os interesses do setor em cada um desses pontos. Ao longo de 70 anos, a ABIMAQ tem atuado tanto com a apresentação de reivindicações ao poder público, como com a construção de uma agenda positiva que possa favorecer, ao final, a indústria nacional. O Programa Gestão da Inovação na Indústria de Bens de Capital foi concebido pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Bens de Capital, o IPDMAQ, com esse espírito cooperativo, e tem sido realizado em uma parceria com o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, através do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq. A finalidade desta iniciativa é capacitar as empresas do setor de bens de capital na elaboração de projetos de inovação, entre outras atividades. A sua realização procura enfrentar o déficit tecnológico crescente em alguns segmentos, mas também procura aproveitar as oportunidades recentemente colocadas pelo Plano Brasil Maior, que dará ênfase nos próximos quatro anos aos investimentos em inovação. As atividades previstas pelo Programa estão estruturadas em 4 grandes metas: 1. Realizar workshops em Gestão da Inovação na Indústria de Bens de Capital 2. Realizar visitas de imersão em empresas participantes desses workshops 3. Criar o Sistema de Informações online no portal do IPDMAQ 4. Criar o Sistema de Monitoramento online de iniciativas de inovação no setor Este tutorial, elaborado em parceria com a Fundação CERTI e o Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Santa Catarina, é um primeiro esforço para orientar as empresas na elaboração de um projeto de inovação. O acompanhamento posterior do IPDMAQ será outra medida para que as ideias de inovação possam se converter em projetos estruturados, e para que esses projetos possam se converter em ações de inovação concretas. A ABIMAQ e o IPDMAQ têm trabalhado para que, através de ações como esta, a inovação seja a principal alavanca da competitividade no setor de Bens de Capital. Agradecemos, desde já, a participação das empresas nesta iniciativa, e desejamos continuar contando com o empenho de todos na construção de um Brasil mais inovador e competitivo. Boa leitura. Celso Vicente Vice-presidente e Coordenador do Conselho de Tecnologia da ABIMAQ LISTA DE SIGLAS ABDI - Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica ANP – Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombusơveis ANPEI - Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CETEX – Centro Tecnológico do Exército CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Cienơfico e Tecnológico CTA – Centro Técnico Aeroespacial EMPRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária FAP – Fundação de Amparo à Pesquisa FINEP - Financiadora de Estudos e Projetos FIOCRUZ - Fundação Oswaldo Cruz ICTI – InsƟtuição de Ciência, Tecnologia e Inovação INCA – InsƟtuto Nacional do Câncer INMET – InsƟtuto Nacional de Metrologia INMETRO - InsƟtuto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial INPI - InsƟtuto Nacional da Propriedade Industrial IPqM – InsƟtuto de Pesquisas da Marinha MCTI – Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação 8 | Custos do Processo de Inovação Tecnológica SUMÁRIO 1. Introdução .........................................................................................................................10 2. Elementos de custo na práƟca do processo de inovação tecnológica ..................................11 2.1 Ambiente e Infraestrutura de Inovação na Empresa .....................................................11 2.2 Fontes de Financiamento da Inovação ..........................................................................12 3. Principais instumentos e fontes de recurso para inovação oferecidos pelo governo ...........14 3.1 Financiamento (reembolsável) da Inovação ..................................................................14 3.1.1 FINEP – Programa Inova Brasil ...............................................................................15 3.1.2 BNDES – PSI Inovação ............................................................................................18 3.2 Financiamento não reembolsável da inovação via cooperação com ICTIs .....................23 3.2.1 FINEP – Cooperação ICTIs – Empresas ...................................................................24 3.2.2 SIBRATEC – Sistema Brasileiro de Tecnologia .........................................................24 3.2.3 BNDES FUNTEC – Fundo Tecnológico ......................................................................27 3.2.4 SESI/SENAI Inovação ..............................................................................................31 3.2.5 Programa CNPq/RHAE ...........................................................................................33 3.3 Financiamento não reembolsável para a empresa - Subvenção Econômica ...................34 3.4 IncenƟvos Fiscais para a Inovação ................................................................................37 3.5 Lei do Bem ...................................................................................................................38 3.6 Apoios Específicos para C&T&I......................................................................................40 4. Classificação de porte das empresas pelas fontes de fomento ............................................41 5. Conclusão ..........................................................................................................................41 6. Referências ........................................................................................................................42 Anexo I - Acesso às Informações sobre Fontes de Recursos ....................................................44 1. INTRODUÇÃO Com a realidade da internacionalização e globalização dos negócios, as empresas estão cada vez mais expostas à competitividade. No Brasil estamos vivenciando as ameaças da desindustrialização por conta da entrada de produtos estrangeiros que competem principalmente em preço com os produtos nacionais no mercado interno. Entre os vários fatores que afetam a competitividade de uma empresa, a tecnologia e a inovação em produtos e processos têm destaque particular, pois depende única e exclusivamente da importância que os empresários darão a estas questões na estratégia de negócios, com o objetivo de manter e ampliar a presença de suas empresas no mercado. A tecnologia pode ser aplicada a um produto inovador agregando mais valor ao público consumidor e/ou ao processo industrial, proporcionando mais eficiência, eficácia e aumento da garantia de qualidade que ao final impactarão diretamente na redução de custos do processo de produção e manutenção da empresa, tornando-a mais competitiva. Desenvolver um ambiente favorável à competição requer, além da capacidade de inovação, próatividade, antecipação de mudanças frente aos concorrentes, estímulo à criação de alternativas para atender às demandas de mercado e dedicação dos profissionais técnicos e da alta direção da empresa. O ambiente de inovação deve ser orientado por metodologias e ferramentas adequadas que estimulem o processo de criação, aplicação e disseminação do conhecimento, portanto, não pode ser restrito às atividades internas da empresa. Desenvolver parcerias com os próprios clientes e fornecedores, universidades e instituições de ciência, tecnologia e inovação – ICTIs é a grande alternativa para potencializar estas ações. Investir em novos produtos e processos demanda investimentos que nem sempre estão disponíveis ou não são vistos como prioridade nas organizações. Sendo o aspecto financeiro um dos elementos decisivos do processo de inovação, é importante destacar que o governo brasileiro tem apoiado sistematicamente as empresas, de pequeno a grande porte, no desenvolvimento de produtos e processos inovadores, por meio de programas de fomento à inovação e de leis e incentivos fiscais. Os mecanismos de fomento à inovação estimulam a cooperação entre as empresas, universidades e ICTIs. Ao longo deste documento, abordaremos os principais mecanismos de fomento à inovação, com destaque para as fontes e tipos de despesas que podem ser apoiadas. Ao final deste módulo, você terá condições de: • Conhecer as principais agências nacionais de fomento à inovação. • IdenƟficar as fontes mais adequadas para os projetos de inovação da sua empresa. • Compreender as etapas que podem ser apoiadas pelas diferentes fontes. 10 | Custos do Processo de Inovação Tecnológica 2. ELEMENTOS DE CUSTO NA PRÁTICA DO PROCESSO DE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA O processo de inovação tecnológica apresentado no Tutorial 1 - Alinhamento Conceitual e Prática do Processo de Inovação Tecnológica, e representado na Figura 1, descreve o caminho a ser percorrido a partir de uma ideia até o desenvolvimento de um produto ou processo inovador para ser lançado no mercado. As fontes de financiamento apoiam etapas distintas deste processo, mas é possível buscar recursos para cada uma destas etapas em fontes distintas de financiamento. 2.1 Ambiente e Infraestrutura de Inovação na Empresa Uma organização que valoriza a inovação tem nas pessoas o elemento-chave para percorrer com sucesso a longa jornada do processo de desenvolvimento de produtos e serviços. É fundamental que se crie um ambiente com autonomia para criar e que seja apoiado por metodologias adequadas e boas práticas de gestão de projetos. Identificar os parceiros estratégicos para esta empreitada, principalmente nas universidades e Instituições de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICTI), pode trazer muitos benefícios como agregar competências-chave com o compartilhamento de especialistas e pesquisadores, reduzir investimentos em infraestrutura e laboratórios utilizando os já disponíveis nas instituições parceiras, acelerar o aprendizado das equipes e por fim, reduzir os custos e principalmente mitigar riscos de desenvolvimento. Figura 1 Processo de Inovação Tecnológica Esta estratégia de parcerias afetará diretamente no dimensionamento dos custos de desenvolvimento, mas independente do modelo escolhido, há que se considerar um conjunto de recursos que devem ser adequadamente planejados, estimados e alocados para cada uma das ativid ades previstas na execução do projeto. Assim, as despesas de P&D geralmente estão associadas a: • Recursos de Pessoal: despesas com pessoal próprio (funcionários, estagiários) envolvido diretamente na e quipe de desenvolvimento do projeto, bolsistas e outros. Custos do Processo de Inovação Tecnológica | 11 • Recursos de InvesƟmento: planejamento e execução de obras, aquisição de instalações, equipamentos e material permanente, ferramentas, equipamentos e soŌwares de TIC, estruturação de laboratórios, treinamentos, taxas de inscrição para parƟcipação de eventos (feiras, seminários, congressos, simpósios, conferências), material bibliográfico, cursos de pós-graduação e outros. • Serviços de Terceiros: serviços prestados por pessoas İsicas ou jurídicas contratadas para executar parte do projeto de P&D em serviços de consultoria, construção e testes de protóƟpos e plantas-piloto, fabricação de lote-piloto, serviços tecnológicos de metrologia e instrumentação, aluguéis de bens móveis e/ou imóveis, fretes. • Material de Consumo: material gráfico e de escritório, material para instalação elétrica e de telecomunicações, material químico e outros bens perecíveis, comunicação, impressão, encadernação. • Viagens e Diárias: passagens e diárias (hospedagem e refeição) associadas diretamente ao projeto, taxa de embarque, locação de veículos, comunicação e outros. • Direitos: registro de patentes, transferência de tecnologia, registro de PI, licenças. Deve-se observar nas chamadas aos Editais ou na regulamentação de cada fonte de financiamento quais são as despesas, os valores de referência e limites que podem ser apoiados pelos respectivos instrumentos. Por exemplo, o valor homem/hora dos membros da equipe geralmente é definido pela titulação e anos de experiência. 2.2 Fontes de Financiamento da Inovação Na última década, principalmente, o Brasil tem aprimorado e expandido as políticas de apoio à inovação, com o objetivo de estimular as empresas em estratégia de inovação de produtos e processos, como forma de apoio ao desenvolvimento econômico e social. A estrutura do Sistema Nacional de Inovação é complexa, descentralizada e envolve os Ministérios de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNPq, FINEP), Educação (CAPES, Universidades Federais e Institutos Tecnológicos), Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (BNDES, INPI, INMETRO e ABDI), Saúde (FIOCRUZ, INCA, ANVISA), Agricultura (EMBRAPA, INMET) e Defesa (CTA, CETEX, IPqM), Ministério de Minas e Energia (ANP, ANEEL). No âmbito estadual, também há políticas específicas que são implementadas pelas agências de apoio, a exemplo das Fundações de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica dos Estados – FAPs. Na Figura 2 apresentamos as principais 12 | Custos do Processo de Inovação Tecnológica fontes de financiamento da inovação que serão detalhadas neste Tutorial e que podem ser acessadas para o financiamento de projetos de inovação. Figura 2 Fontes de Financiamento No próximo capítulo, daremos atenção especial aos programas de suporte à inovação apoiados pela FINEP, CNPq, BNDES e FAPs e às leis de incentivos fiscais. O Guia Prático de Apoio à Inovação elaborado pela ANPEI (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras) é uma boa fonte para consultar informações complementares a este tutorial. Para acessar o Plano Brasil Maior: http://www.brasilmaior.mdic.gov.br/ Para acessar o Guia Prático de Apoio à Inovação: http://www.anpei.org.br http://proinova.isat.com.br/Downloads.asp Custos do Processo de Inovação Tecnológica | 13 3. PRINCIPAIS INSTUMENTOS E FONTES DE RECURSO PARA INOVAÇÃO OFERECIDOS PELO GOVERNO Existem financiamentos reembolsáveis que são oferecidos às empresas com juros subsidiados para projetos de inovação e financiamentos não reembolsáveis, que podem ser acessados por meio de editais e programas. As principais linhas de financiamento serão detalhadas a seguir. 3.1 Financiamento (reembolsável) da Inovação O financiamento reembolsável é uma alternativa disponível às empresas que desejam ter acesso ao capital para financiar a inovação em condições diferenciadas. A FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos e BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social concedem empréstimos com juros subsidiados e condições de reembolso favoráveis ao processo de inovação tecnológica. O que financia? Esta modalidade de recursos financia desde a pesquisa básica para o desenvolvimento tecnológico até o desenvolvimento do produto, ou seja, envolve todas as etapas do processo de inovação, apoiando inclusive a construção de laboratórios e compra de equipamentos. A FINEP é a principal agência de suporte à inovação de produtos, processos e serviços no Brasil. Uma das formas de atuação, o financiamento reembolsável, é definido pelo órgão como: Crédito concedido a instituições que demonstrem capacidade de pagamento e condições para desenvolver projetos de P,D&I. Os prazos de carência e amortização, assim como os encargos financeiros, variam de acordo com as características, a modalidade de financiamento, o projeto e a instituição tomadora do crédito. O BNDES é hoje o principal instrumento de financiamento de longo prazo para a realização de investimentos em todos os segmentos da economia, em uma política que inclui as dimensões social, regional e ambiental. O apoio se dá por meio de financiamentos a projetos de investimentos, aquisição de equipamentos e exportação de bens e serviços. Em seu Planejamento Corporativo 2009/2014, o BNDES elegeu a inovação, o desenvolvimento local e regional e o desenvolvimento socioambiental como os aspectos mais importantes do fomento econômico no contexto atual, e que devem ser promovidos e enfatizados em todos os empreendimentos apoiados pelo Banco. 14 | Custos do Processo de Inovação Tecnológica OTanto que afinancia? FINEP quanto o BNDES utilizam o conceito do Manual de Oslo de Inovação Tecnológica para avaliar o enquadramento projetos nas linhas de oinovação. Esta modalidade de recursos financia desdedos a pesquisa básica para desenvolvimento O Manual Frascati elucida estes conceitosoue pode empresa a analisar tecnológico até o também desenvolvimento do produto, seja, auxiliar envolve atodas as etapas do se o es seu terá efetivamente uma inovação tecnológica justifique apoio processo proc pr oces oc esso soprojeto de de inovação, inov in ovaç ov ação aç ão, ão , apoiando apoi ap oian oi ando an do iinclusive nclu nc lusi lu sive si ve a construção con onst stru st ruçã ru ção çã o de laboratórios lque abor ab orat or atór at ório ór ioss e ocompra io comp co mpra mp radas de de fontes de fomento destinadas a esse fim. equipamentos. eq qui uipa p ment ntos tos.. OCDE. Manual de Oslo: diretrizes para coleta e interpretação de dados sobre inovação. 3. ed. Paris: OCDE, 2005. (Tradução oficial realizada pela FINEP/Brasil.) http://www.finep.gov.br/imprensa/sala_imprensa/manual_de_oslo.pdf OCDE. Frascati Manual: Proposed Standard Practice for Surveys and Research on Experimental Development, Paris: OCDE, 2002. http://www.uis.unesco.org/Library/Documents/OECDFrascatiManual02_en.pdf Os bancos estaduais e regionais de desenvolvimento também atuam como agentes de fomento com programas específicos. 3.1.1 FINEP – Programa Inova Brasil O programa FINEP Inova Brasil tem como objetivo apoiar os Planos de Investimentos Estratégicos em Inovação nas empresas brasileiras, em consonância com o Plano Brasil Maior do Governo Federal, de acordo com as seguintes diretrizes: • aumentar a compeƟƟvidade nacional e internacional; • incrementar as aƟvidades de pesquisa e desenvolvimento realizadas no país e cujos invesƟmentos sejam compaơveis com a dinâmica tecnológica dos setores em que atuam; • fazer inovação com relevância regional ou inserida em arranjos produƟvos locais, objeto de programas do Ministério da Ciência e Tecnologia; • contribuir para o adensamento tecnológico e dinamização de cadeias produƟvas; • incenƟvar parcerias com universidades e/ou insƟtuições de pesquisa do país. O Inova Brasil apoia até 90% do valor total do projeto para um valor mínimo de R$ 1 milhão de financiamento. O desembolso acontece em parcelas semestrais, condicionado à apresentação da prestação de contas da parcela anterior. O programa é destinado principalmente às médias, médias-grandes e grandes empresas, conforme as seguintes definições: Custos do Processo de Inovação Tecnológica | 15 • Média Empresa – receita operacional bruta anual ou anualizada, superior a R$ 16 milhões e inferior ou igual a R$ 90 milhões. • Média-Grande - receita operacional bruta anual ou anualizada, superior a R$ 90 milhões e inferior ou igual a R$ 300 milhões. • Grande Empresa – receita operacional bruta anual ou anualizada superior a R$ 300 milhões. Empresas de pequeno porte poderão ser enquadradas no Inova Brasil, desde que apresentem fiança bancária como garantia da operação. Como todo financiamento reembolsável, é necessário apresentar garantias em montante compatível com o financiamento solicitado. São garantias válidas as cartas de fiança bancária, hipotecas, penhores, alienação fiduciária de bens móveis e imóveis, bloqueio de contas e aval, que podem ser usadas de forma cumulativa ou não. No caso de hipoteca, penhor, alienação fiduciária de bens móveis e imóveis, é necessária a apresentação de laudo de avaliação que contenha requisitos mínimos necessários. São vários os itens apoiáveis, como: • Obras civis/reformas; • Equipe própria; • Serviços de consultoria; • Aquisição de insumos e material de consumo; • Máquinas e equipamentos nacionais ou importados; • Passagens e diárias; • Serviços de terceiros; • Outros custos e despesas de PD&I. Financia todas as despesas que envolvem o desenvolvimento de um novo produto, desde a pesquisa até a produção de lote-piloto, lançamento do produto e despesas com depósito de patentes. 16 | Custos do Processo de Inovação Tecnológica A solicitação de financiamento pode ser apresentada em qualquer período do ano e inicia com um processo formal, com apresentação de carta consulta pela empresa à FINEP, conforme apresentado na Figura 3. A avaliação final geralmente ocorre num prazo de 180 dias após a apresentação da carta consulta. Figura 3 Processo de Financiamento FINEP – Inova Brasil O preenchimento da carta consulta deve ser realizado no aplicativo da FINEP – Financiamento Reembolsável, onde são solicitados os dados da empresa, do projeto e do financiamento. A Figura 4 exibe o software que deve ser instalado em seu computador para realizar o preenchimento das informações. Figura 4 Aplicativo FINEP - Financiamento Reembolsável Custos do Processo de Inovação Tecnológica | 17 O aplicativo FINEP – Financiamento Reembolsável pode ser baixado a partir do endereço: • www.finep.gov.br/formularios_manuais/FormularioReembolsavel.exe Para fins de visualização dos dados solicitados pelo aplicativo, é possível consultar o documento: • www.finep.gov.br/arquivos/programas/inovaBrasil/inovabrasil_cp_vazia.pdf A documentação necessária para Abertura de Solicitação de Financiamento pode ser obtida no endereço: • www.finep.gov.br/arquivos/programas/inovaBrasil/inovabrasil_documentos_sf.pdf O programa FINEP Inova Brasil tem 3 linhas de financiamento bem definidas conforme detalhado na Figura 5: Figura 5 Linhas de Financiamento do Programa FINEP - Inova Brasil 3.1.2 BNDES – PSI Inovação Entre os diversos programas e linhas de atuação do BNDES, o Programa de Sustentação do Investimento (PSI) possui uma linha de financiamento reembolsável diretamente relacionada à inovação, o BNDES PSI Inovação. O programa é destinado às empresas de todos os portes, inclusive as micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), conforme as classificações: • Micro empresa – receita operacional bruta anual ou anualizada, menor ou igual a R$ 2,4 milhões. • Pequena empresa - receita operacional bruta anual ou anualizada, superior a R$ 2,4 milhões e inferior ou igual a R$ 16 milhões. • Média empresa – receita operacional bruta anual ou anualizada superior a R$ 16 milhões e inferior ou igual a R$ 90 milhões. 18 | Custos do Processo de Inovação Tecnológica • Média-Grande - receita operacional bruta anual ou anualizada, superior a R$ 90 milhões e inferior ou igual a R$ 300 milhões. • Grande Empresa – receita operacional bruta anual ou anualizada superior a R$ 300 milhões. Para acessar o financiamento do Programa PSI, as empresas podem utilizar o produto BNDES FINEM - Apoio à Inovação. A solicitação de financiamento pode ser apresentada em qualquer período do ano e inicia com um processo formal de encaminhamento de carta consulta pela empresa ao BNDES, conforme ilustrado na Figura 6. Figura 6 Processo de Financiamento BNDES – FINEM Para saber mais sobre o Programa PSI acesse a cartilha de inovação do BNDES, disponível em: • hƩp://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/Arquivos/ conhecimento/carƟlha/carƟlha_apoio_inovacao.pdf Neste capítulo abordaremos três linhas de financiamento criadas pelo BNDES com a finalidade de apoiar a inovação, conforme detalhado na Figura 7. Figura 7 Linhas de Financiamento do BNDES - FINEM Custos do Processo de Inovação Tecnológica | 19 Capital Inovador Esta linha de financiamento apoia empresas no desenvolvimento de sua capacidade para empreender atividades inovadoras de forma contínua e estruturada. Os itens apoiáveis são: InvesƟmentos em capitais tangíveis, como infraestrutura İsica e centros de P&D. InvesƟmentos em capitais intangíveis, como patentes e licenças Admite-se também o apoio aos seguintes itens, que geralmente não são apoiáveis pelo Banco: • despesas que impliquem remessas de divisas, importação de equipamentos sem similar nacional e despesas de internalização dos equipamentos importados - desde que associadas ao Plano de InvesƟmento em Inovação da empresa; e • edificações, desde que diretamente relacionadas às aƟvidades de P&D e não realizadas de forma isolada. As solicitações de apoio são encaminhadas ao BNDES pela empresa interessada, por meio de Consulta Prévia, preenchida segundo as orientações do roteiro de Informações (ver link abaixo) específico para as linhas de Inovação, e enviada pela empresa ao: Para ter acesso mais detalhado às informações da linha Capital Inovador: • hƩp://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/InsƟtucional/Apoio_Financeiro/ Produtos/FINEM/capital_inovador.html Roteiro de informações pode ser acessado em: • hƩp://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/Arquivos/ produtos/download/roteiros/roteiro_inovacao.doc Inovação Tecnológica Esta linha apoia projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação com risco tecnológico e oportunidade de mercado, compreendendo o desenvolvimento de produtos e/ou processos novos (pelo menos para o mercado nacional) ou significativamente aprimorados. Os itens apoiáveis, entre outros custos e despesas diretas, são: • Aquisição de máquinas e equipamentos novos, inclusive conjuntos e sistemas industriais, produzidos no País e credenciados no BNDES; • Importação de equipamentos novos sem similar nacional necessários à realização do projeto; • Despesas de internação relacionadas ao projeto; • Aquisição de material de consumo e permanente uƟlizado no projeto; 20 | Custos do Processo de Inovação Tecnológica • Aquisição de soŌware necessário à realização do projeto, desenvolvido com tecnologia nacional ou, quando não houver similar nacional, com tecnologia de procedência estrangeira, necessário à realização do projeto; • Aquisição, transferência e absorção de tecnologia, desde que incorporadas ao projeto, exceto de empresas que integrem o mesmo grupo econômico a que o Beneficiário pertença. Não serão apoiados projetos cujo objeƟvo central seja a aquisição de tecnologia; • Despesas com mão de obra direta relacionada ao projeto; • Despesas com treinamento, capacitações gerencial e tecnológica relacionadas ao projeto; • Pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, processos e serviços; • Aquisição de móveis e utensílios e de simuladores de processo; • Contratação de ensaios, testes, cerƟficações, dentre outros, no País e no exterior relacionada ao projeto; • Registro de patentes no País e no exterior; • Despesas com assuntos regulatórios relacionadas ao projeto; • Contratação de estudos, consultoria externa e assessorias técnicas de natureza organizacional, econômica e informacional relacionada ao projeto; • Despesas pré-operacionais e outras necessárias à introdução da inovação no mercado, limitadas a 30% (trinta por cento) do valor do apoio ao projeto; • Gastos com captura, processamento e difusão do conhecimento relacionado ao processo de P&D; • Edificações diretamente relacionadas a aƟvidades de P&D e não realizadas de forma isolada. O procedimento de encaminhamento é o mesmo do programa Capital Inovador: Para ter acesso mais detalhado às informações da linha de financiamento Inovação Tecnológica: • www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/Institucional/Apoio_Financeiro/ Produtos/FINEM/inovacao_tecnologica.html Roteiro de informações pode ser acessado em: • http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/ Arquivos/produtos/download/roteiros/roteiro_inovacao.doc Custos do Processo de Inovação Tecnológica | 21 Inovação Produção A linha de financiamento Inovação Produção apoia projetos de investimentos que visem à implantação, expansão e modernização da capacidade produtiva, necessárias à absorção dos resultados do processo de pesquisa e desenvolvimento ou inovação. Também apoia pesquisa e desenvolvimento ou inovação que apresentem oportunidade comprovada de mercado, inclusive o desenvolvimento de inovações incrementais de produtos e/ou processos. Os itens apoiáveis pela linha, entre outros custos e despesas diretas, são: • Aquisição de máquinas e equipamentos nacionais novos, credenciados no BNDES; • Despesas com mão de obra direta relacionada ao projeto; • Aquisição de material de consumo e permanente uƟlizado no projeto; • Contratação de ensaios, testes, cerƟficações, dentre outros, no País e no exterior relacionada ao projeto; • Obras civis, montagens e instalações; • SoŌwares desenvolvidos no País e serviços correlatos, observados os critérios estabelecidos no Programa BNDES ProsoŌ - Comercialização; • Importação de equipamentos novos sem similar nacional necessários à realização do projeto; • Aquisição, transferência e absorção de tecnologia, desde que incorporadas ao projeto, exceto de empresas que integrem o mesmo grupo econômico a que o Beneficiário pertença. Não serão apoiados projetos cujo objeƟvo central seja a aquisição de tecnologia; • Processo de trabalho que permite passar de uma escala de laboratório ou piloto de desenvolvimento, para uma escala ampliada de produção; • Despesas pré-operacionais e outras necessárias à introdução da inovação no mercado, limitadas a 30% (trinta por cento) do valor do apoio ao projeto; e • Despesas de internalização de máquinas e equipamentos importados. O BNDES estabelece limites para apoio aos itens financiáveis dependendo do porte da empresa, conforme Figura 8: 22 | Custos do Processo de Inovação Tecnológica Figura 8 Itens Financiáveis BNDES - FINEM O procedimento de encaminhamento é o mesmo do programa Capital Inovador: Para ter acesso mais detalhado às informações da linha de financiamento Inovação Produção • http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/Institucional/Apoio_Financeiro/ Produtos/FINEM/inovacao_producao.html Roteiro de informações pode ser acessado em: • http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/ Arquivos/produtos/download/roteiros/roteiro_inovacao.doc 3.2 Financiamento não reembolsável da inovação via cooperação com ICTIs Neste tipo de financiamento, em algumas modalidades, o agente de fomento concede recursos não reembolsáveis originários de Fundos Setoriais a uma ICTI que presta serviço de suporte (P&D, consultoria, serviços) ao desenvolvimento de uma inovação na empresa. A Figura 9 ilustra de forma prática como esta cooperação é estabelecida e de onde se originam os aportes para contratação de ICTIs. A seguir detalharemos alguns programas e linhas de apoio não reembolsáveis, que podem ser acessados quando a empresa realiza uma cooperação com uma ICTI para desenvolver produtos e processos inovadores. Custos do Processo de Inovação Tecnológica | 23 Figura 9 Linhas de Financiamento do Programa BNDES - FINEM 3.2.1 FINEP – Cooperação ICTIs – Empresas Nesta modalidade de fomento, a FINEP busca apoiar projetos de P&D e Inovação de empresas em cooperação com ICTIs, com vistas a aumentar a sua competitividade, o adensamento tecnológico, a dinamização de cadeias produtivas e o incremento dos gastos das empresas com P&D tecnológico, bem como atender às opções estratégicas no âmbito do Plano Brasil Maior. O projeto é executado por uma ICTI que recebe a principal quantia dos aportes oriundos da FINEP. Uma pequena parcela do valor do projeto deve ser contrapartida da empresa interveniente. Quem pode participar: • InsƟtuições Proponentes: Órgão ou enƟdade da Administração Pública direta ou indireta de qualquer esfera de governo, ou InsƟtuição de Pesquisa Cienơfica e Tecnológica, pública ou privada sem fins lucraƟvos. • InsƟtuições Executoras: InsƟtuição de Pesquisa Cienơfica e Tecnológica - ICTI, pública ou privada sem fins lucraƟvos. • InsƟtuições Intervenientes Co-financiadoras: Empresa ou conjunto de empresas. Esta modalidade de fomento depende de lançamento de editais que estabelecem as áreas prioritárias e os limites máximos de cada projeto, que geralmente poderão ser executados num prazo máximo de 36 meses. 3.2.2 SIBRATEC – Sistema Brasileiro de Tecnologia O programa SIBRATEC é uma iniciativa da FINEP instituído pelo Decreto nº 6.259, de 20 de novembro de 2007 para ser um importante instrumento de aproximação da comunidade científica e tecnológica com as empresas, para desenvolvimento de produtos e processos inovadores em consonância com as prioridades das políticas industrial, tecnológica e de comércio exterior. O objetivo final do SIBRATEC é aumentar a competitividade das empresas brasileiras, conforme caracterizado na Figura 10. 24 | Custos do Processo de Inovação Tecnológica Figura 10 Programa SIBRATEC As entidades integrantes do SIBRATEC estão organizadas em três redes: Redes de Centros de Inovação O objetivo das Redes de Centros de Inovação é gerar e transformar conhecimentos científicos e tecnológicos em inovações de produtos, processos, serviços e protótipos com viabilidade comercial. Os Centros de Inovação são unidades ou grupos de desenvolvimento pertencentes aos institutos de pesquisa tecnológica ou às universidades, com experiência no desenvolvimento de produtos ou processos em parceria com empresas. As redes temáticas dos Centros de Inovação apoiam empresas já estabelecidas no mercado ou empreendedores no desenvolvimento de inovações incrementais ou radicais. É fundamental que o proponente já tenha elaborado estudos de viabilidade técnica e comercial para dar consistência às informações que serão apresentadas na proposta de projeto. As redes temáticas, ilustradas na Figura 11, estão sendo articuladas e estruturadas para atender os objetivos do Plano Brasil Maior. Custos do Processo de Inovação Tecnológica | 25 Figura 11 Redes Temáticas dos Centros de Inovação Cada rede tem um Núcleo de Coordenação responsável pela gestão, divulgação e avaliação de propostas. De forma semelhante ao programa FINEP – Subvenção, as proponentes deverão aportar contrapartida de acordo com o seu porte, ou, em caso de mais de uma participante por proposta, pela soma de seus faturamentos brutos, conforme Figura 12. O valor mínimo apoiado para cada projeto é de R$ 500 mil. Figura 12 Porte e Contrapartida das Empresas Redes de Serviços Tecnológicos O objetivo das Redes de Serviços Tecnológicos é apoiar as empresas, prestando serviços de metrologia, normalização e avaliação de conformidade, visando a superação de exigências técnicas de acesso a mercados. Com o objetivo de que as empresas tenham acesso a serviços em nível de excelência, as Redes de Serviços Tecnológicos permitem adequar e modernizar a infraestrutura 26 | Custos do Processo de Inovação Tecnológica dos laboratórios prestadores de serviços integrantes das redes brasileiras de calibração, ensaios e análises. Redes de Extensão Tecnológica O objetivo das Redes de Extensão Tecnológica é promover a assistência técnica especializada ao processo de inovação, em todos os seus aspectos, por meio de arranjos de instituições especializadas. As redes de Extensão Tecnológica funcionarão em nível estadual, prestando assistência às micro, pequenas e médias empresas, com vistas ao desenvolvimento e à solução de gargalos na gestão tecnológica. O escopo do atendimento prestado pelas Redes de Extensão Tecnológica inclui, entre outras, as atividades de melhoria de produtos e processo produtivos, redução de custos operacionais, treinamento associado à consultoria tecnológica, novo design de produtos e implementação de sistema de custo. As Redes de Serviços Tecnológicos e Redes de Extenssão Tecnológica não financiam projetos de inovação tecnológica, mas sim serviços e consultorias que são prestados por ICTIs para atender as empresas. Para ter saber mais sobre as redes do Programa SIBRATEC, acesse o site da FINEP: • hƩp://www.finep.gov.br/programas/sibratec.asp 3.2.3 BNDES FUNTEC – Fundo Tecnológico O Fundo Tecnológico é um programa do BNDES para apoiar financeiramente projetos de alto risco que objetivam estimular o desenvolvimento tecnológico e a inovação de interesse estratégico para o País, fortalecimento das instituições de ensino e ICTIs. Os projetos devem necessariamente levar um produto ou processo inovador ao mercado, estar em conformidade com os Programas e Políticas Públicas do Governo Federal e observar as seguintes diretrizes: • Acelerar a busca de soluções para problemas já detectados e reconhecidos por InsƟtutos de Pesquisa e agentes econômicos; • Concentrar esforços e recursos em temas específicos, com foco bastante definido, visando ter presença marcante em áreas ou questões em que as empresas brasileiras possam vir a assumir papel de destaque ou mesmo de liderança no plano mundial, evitando a pulverização de recursos; • Assegurar a conƟnuidade dos esforços desenvolvidos nas áreas selecionadas, objeƟvando acelerar a obtenção dos resultados das pesquisas e conjugar os esforços de InsƟtutos de Pesquisas e empresas, mediante a uƟlização da capacidade do BNDES de congregar e arƟcular parceiros; Custos do Processo de Inovação Tecnológica | 27 • Apoiar projetos que contenham mecanismos que prevejam a efeƟva introdução de inovações no mercado; e • IncenƟvar a estruturação de projetos que combinem diferentes instrumentos de apoio (outros produtos, linhas ou programas previstos nas PolíƟcas Operacionais do BNDES) com os recursos do Funtec. São apoiáveis apenas investimentos realizados em benefício da Instituição Tecnológica e despesas realizadas pela IT com propósito específico de atender aos objetivos do projeto. Os itens apoiáveis são: • Aquisição de equipamentos novos de pesquisa, nacionais, necessários à realização do projeto de P, D & I; • Aquisição de equipamentos de pesquisa importados novos, sem similar nacional; • Aquisição de equipamentos de pesquisa importados novos, contemplados pela dispensa de exame de similaridade prevista na Lei nº 8.010, de 29/03/1990; neste caso, o apoio do BNDES estará condicionado à comprovação de credenciamento do cliente perante o CNPq e à apresentação da licença de importação dos bens deferida pelo CNPq, extraída do Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX); • Aquisição de soŌware desenvolvido com tecnologia nacional ou com tecnologia de procedência estrangeira, quando comprovadamente não houver similar nacional, necessário à realização do projeto de P, D & I; • Despesas de internação relacionadas com projeto de P, D & I; • InvesƟmentos em obras, instalações İsicas e infraestrutura necessários à realização do projeto de P, D & I; • Aquisição de material de consumo e permanente uƟlizado no projeto de P, D & I; • Despesas com salários de equipe própria de P, D & I, quando permiƟdo pela legislação; • Despesas com treinamento e capacitação tecnológica relacionadas ao projeto de P, D & I; • Despesas com viagens relacionadas ao projeto de P, D & I; • Despesas com contratação de ensaios, testes, cerƟficações, dentre outros, no país e no exterior relacionadas ao projeto de P, D & I; 28 | Custos do Processo de Inovação Tecnológica • Despesas com contratação de serviços técnicos, especializados e consultoria externa, relacionadas ao projeto de P, D & I, limitadas a 30% do valor do apoio ao projeto; • Despesas pré-operacionais e outras necessárias à introdução de inovação tecnológica proveniente do projeto de P, D & I no mercado, limitadas a 30% do valor do apoio ao projeto; • Despesas com registro de patentes no Brasil e no exterior; • Aquisição, transferência e absorção de tecnologia a ser uƟlizada no projeto. Não serão apoiados projetos cujo objeƟvo central seja a aquisição de tecnologia; e • Despesas operacionais e administraƟvas relacionadas ao projeto de P,D & I, limitadas a 5% do valor do apoio ao projeto. A cada ano, o BNDES estabelece as linhas prioritárias para apoio e no ano de 2010 tiveram destaque: 1. Energia: I. Bioenergia: Melhorias na eficiência do processo agroindustrial da cana-de-açúcar, visando ao aumento de produtividade, redução de custos e à mitigação de impactos ambientais, bem como ao desenvolvimento de novos produtos obtidos diretamente a partir da biomassa da cana-de-açúcar; II. Energia Alternativa: Desenvolvimento de novas tecnologias para geração de energia eólica, energia solar, biogás e energia a partir de resíduos (sistemas “waste to energy”); III. Usinas térmicas a carvão e a gás natural: Desenvolvimento de tecnologias que reduzam a emissão de gases de efeito estufa e aumentem a eficiência; IV. Energia Nuclear: Desenvolvimento de tecnologias nacionais que busquem: a. aumentar a eficiência e a segurança de Usinas Nucleares; b. completar o domínio do ciclo de enriquecimento do urânio; c. destinação alternativa, como reciclagem e reprocessamento, de resíduos permanent de combustível. V. Distribuição de Energia: Aumento da eficiência no sensoriamento da rede, na medição (remota e em tempo real) do consumo e na redução de perdas (implantação de redes inteligentes). 2. Meio Ambiente: I. Prevenção, controle e tratamento de resíduos sólidos, efluentes líquidos e emissões atmosféricas em plantas industriais, na construção civil e em espaços urbanos; e II. Soluções tecnológicas para recuperação de solos e de recursos hídricos contaminados por hidrocarbonetos, organoclorados ou metais pesados. 3. Saúde: I. Desenvolvimento de biofármacos, vacinas, terapias celulares e gênicas de origem biotecnológica, não produzidos no país, destinados ao tratamento de doenças oncológicas, autoimunes e dos sistemas nervoso e cardiovascular. Custos do Processo de Inovação Tecnológica | 29 4. Eletrônica: I. Projetos que envolvam o desenvolvimento em microeletrônica e/ou nanotecnologia em aplicações com interesse estratégico para o País; II. Projetos para mostradores de informação (displays) que envolvam o desenvolvimento em tecnologias emergentes ainda não disponíveis em larga escala (por exemplo, diodos emissores de luz orgânicos - OLEDs, displays flexíveis etc.); e III. Desenvolvimento de equipamentos e dispositivos inovadores para comunicações de dados, capazes de impactar de forma significativa a implementação do Plano Nacional de Banda Larga. 5. Novos Materiais: I. Desenvolvimento de materiais tecnologicamente novos no grupamento dos metais ferrosos ou não-ferrosos. 6. Química: I. Desenvolvimento de tecnologias, produtos e/ou aplicações inovadoras relacionadas a fertilizantes; II. Desenvolvimento de produtos e/ou aplicações inovadoras para resinas, plásticos, fios e fibras sintéticas e naturais, elastômeros e compósitos de tecnologias correlatas, inclusive através do emprego da biotecnologia e nanotecnologia; III. Desenvolvimento de produtos químicos por meio de rotas biotecnológicas e síntese química, inclusive biorrefinarias, ligados à fabricação de derivados do etanol e de outras fontes de matérias-primas renováveis; e IV. Desenvolvimento e aperfeiçoamento de tecnologias de processo com vistas à produção de intermediários químicos não fabricados no país. 7. Transportes: I. Soluções inovadoras de transporte regional, que respondam às seguintes questões: redução da poluição ambiental e do consumo energético, por passageiro e/ou carga, e utilização de energia renovável; II. Veículos Elétricos: Desenvolvimento de dispositivos destinados ao armazenamento de energia para uso em propulsão veicular. 8. Petróleo e Gás: I. Processos de fabricação - caldeiraria: a. Novas tecnologias de revestimento para elementos internos - cladding e alternativos; b. Melhorias nos processos de forjamento e fundição, possibilitando melhor controle dimensional e melhor qualidade final do produto (resistência mecânica e à corrosão). III. Processos de fabricação - construção naval: a. Processos inovativos de corte, soldagem e dobramento de chapas; b. Melhorias no controle dimensional de chapas e blocos; c. Novas tecnologias de movimentação de cargas; e d. Novas tecnologias para lançamento de embarcações. V. Equipamentos e processos para o setor - operações remotas: a. Instalação, operação e controle de atividades submarinas ou remotas; e b. Robótica de controle e solda. 30 | Custos do Processo de Inovação Tecnológica Acesse detalhes do programa BNDES Funtec no endereço: • http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/Institucional/Apoio_ Financeiro/Programas_e_Fundos/funtec.html Roteiro de Informações: • http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/ Arquivos/produtos/download/roteiros/roteiro_funtec.doc A solicitação de financiamento pode ser apresentado em 3 datas pré-estabelecidas e publicamente divulgadas no site do BNDES – Funtec. O processo inicia com a apresentação de carta consulta pela empresa ao BNDES e nos casos de sucesso, geralmente levam 1 ano para ser contratado, conforme detalhado na Figura 13. Figura 13 Processo de Financiamento BNDES – FUNTEC Propriedade Intelectual As partes envolvidas deverão prever, em contrato, a titularidade dos direitos de propriedade intelectual. O Funtec sugere que a PI seja proporcional ao aporte da empresa no projeto, estabelecendo um mínimo de 10%. O aporte do BNDES será avaliado em favor da Instituição Tecnológica. 3.2.4 SESI/SENAI Inovação Através do convênio CNPq/SENAI-DN/SESI-DN, o sistema SESI-SENAI promove o apoio a projetos de inovação tecnológica e social que compreendam o desenvolvimento de produtos, processos e serviços. A ação de abrangência nacional abrange os Departamentos Regionais (DRs) do SESI e do SENAI, em parceria com empresas do setor industrial e com possibilidade de participação de ICTIs e Universidades. Custos do Processo de Inovação Tecnológica | 31 O programa opera uma vez por ano, por meio de editais com recursos não-reembolsáveis de até R$ 300.000,00. Se o projeto envolver simultaneamente as instituições do SENAI e SESI, o valor pode subir para R$ 400.000,00. Adicionalmente, aos recursos financeiros disponibilizados pelo SENAI/DN e o SESI/DN para este programa, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), disponibiliza bolsas de Desenvolvimento Tecnológico e Industrial (DTI) que podem complementar o valor do projeto. Nesta modalidade de fomento, os projetos são propostos pelo SESI e/ou SENAI Regional com a participação de empresa industrial como parceira no projeto, desde que estabelecida há pelo menos 1 ano, contado até a data limite da submissão da proposta. A Figura 14 destaca os projetos e relaciona as empresas do setor Metal Mecânico que foram aprovadas no edital SESI-SENAI Inovação 2011. Conheça os detalhes do edital 2011 e a relação completa de projetos e empresas aprovadas: • www.editaldeinovacao.com.br/ 32 | Custos do Processo de Inovação Tecnológica Figura 14 Exemplo de Resultado do Edital SESI/SENAI Inovação 2011 3.2.5 Programa CNPq/RHAE Uma forma de fazer parcerias com ICTIs via pesquisadores é o Programa RHAE do CNPq. O Programa de Formação de Recursos Humanos em Áreas Estratégicas (RHAE) foi criado em 1987, com gestão do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e execução feita pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O Programa RHAE utiliza um conjunto de modalidades de bolsas de Fomento Tecnológico, especialmente criado para agregar pessoal altamente qualificado em atividades de P&D nas empresas, além de formar e capacitar recursos humanos que atuem em projetos de pesquisa aplicada ou de desenvolvimento tecnológico. Custos do Processo de Inovação Tecnológica | 33 A partir de 1997, o Programa RHAE passou a ser denominado Programa de Capacitação de Recursos Humanos para o Desenvolvimento Tecnológico, e a gestão ficou a cargo do CNPq. Além disto, as ações passaram a ser realizadas por meio de editais regulares, como o de Pesquisador na empresa. O objetivo dos editais Pesquisador na empresa é fomentar projetos que estimulem a inserção de pesquisadores (mestres e doutores) nas micro, pequenas e médias empresas brasileiras. Podem participar micro, pequenas e médias empresas brasileiras e quem submete a proposta é o coordenador do projeto, que, obrigatoriamente, deve ser proprietário, sócio ou funcionário da empresa executora. O projeto submetido deverá atender todas as características exigidas pelo edital e estar focado no trabalho que o pesquisador e sua equipe desenvolverão na empresa. O eventual desenvolvimento, ou melhoria, de um produto ou processo, aliado à possibilidade de inserção de pesquisadores em atividades de P&D dentro das empresas, sintetizam a ideia do programa. Como incentivo à formação de equipes de pesquisa nas empresas, os editais do RHAE oferecem a possibilidade do uso de bolsas de Fomento Tecnológico, utilizadas na formação da equipe de pesquisa. 3.3 Financiamento não reembolsável para a empresa - Subvenção Econômica O financiamento não-reembolsável, ou subvenção econômica, é uma das principais formas de apoio a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação utilizados por países desenvolvidos, sendo operado de acordo com as normas da Organização Mundial do Comércio – OMC. No Brasil, esta modalidade de financiamento foi criada a partir da aprovação e da regulamentação da Lei de Inovação (Lei 10.973, de 02/12/2004, regulamentada pelo Decreto 5.563, de 11/10/2005) e da Lei do Bem (Lei 11.196, de 21/11/2005, regulamentada pelo Decreto 5.798 de 07/07/2006). A subvenção econômica visa estimular que agentes privados desenvolvam produtos, processos e serviços inovadores em consonância com áreas e interesses estratégicos indicados pelas políticas públicas federais. Ela permite a aplicação de recursos públicos não-reembolsáveis diretamente em empresas brasileiras, compartilhando os custos e os riscos inerentes às atividades de inovação. A FINEP atua hoje como principal órgão de fomento desta modalidade de financiamento, através do seu Programa de Subvenção Econômica para a Inovação. Além da FINEP, as Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) estaduais e o SEBRAE também executam importantes programas de financiamento não-reembolsável. Detalharemos neste tutorial o programa de subvenção econômica da FINEP. Programa de Subvenção Econômica (FINEP) O Programa de Subvenção Econômica da FINEP tem por objetivo apoiar o desenvolvimento de produtos, processos e serviços inovadores, através da concessão de recursos públicos nãoreembolsáveis. O foco de aplicação destes recursos é em áreas consideradas estratégicas nas 34 | Custos do Processo de Inovação Tecnológica políticas públicas federais, sendo que empresas brasileiras de qualquer porte, individualmente ou associadas, podem participar. Os recursos do programa são oriundos dos Fundos Setoriais de Ciência e Tecnologia, atualmente formados por 14 fundos setoriais e dois transversais, conforme destacado abaixo: • Fundos Setoriais: AeronáuƟco, Amazônia, Info, Aquaviário, Agronegócio, Biotecnologia, Energia, Espacial, FunƩel, Hidro, Mineral, Petróleo, Saúde, Transporte, Telecomunicações e Tecnologia da Informação. • Fundos Transversais: Verde-Amarelo e Pró-Infra. A FINEP publica, anualmente, o edital do Programa de Subvenção Econômica à Inovação Nacional, estabelecendo: objetivo da ação, público-alvo, recursos financeiros a serem concedidos, características das propostas, critérios de julgamento, prazos de execução, contratos e prestação de contas. No edital de 2010, a FINEP publicou as 6 (seis) áreas temáticas prioritárias e o montante de recursos a serem alocados, conforme Figura 15. Figura 15 Áreas Temáticas do Programa de Subvenção Econômica 2010 Para participar do programa, as empresas interessadas devem respeitar algumas condições de financiamento estabelecidas pela FINEP. A primeira condição refere-se ao valor total do projeto, que deve variar entre R$ 500.000,00 e R$ 10.000.000,00. A soma dos valores solicitados pela empresa com os valores contratado e/ou aprovado em quaisquer outros editais de subvenção anteriores, não pode exceder a 100% do seu faturamento bruto no ano anterior, ou a 100% do seu capital social, ou a R$500.000,000, adotando-se o que for maior. A segunda condição diz respeito às despesas elegíveis e contrapartida, sendo que o programa de subvenção está limitado às despesas de custeio. As despesas de capital devem ser custeadas pela empresa beneficiária, a título de contrapartida. A Figura 16 destaca as principais despesas elegíveis. Custos do Processo de Inovação Tecnológica | 35 Figura 16 Despesas Elegíveis no Programa de Subvenção Econômica 2010 Em relação à contrapartida a ser aportada, esta deve ser de acordo com o porte da empresa, conforme Figura 17 do edital de 2010. Figura 17 Contrapartida a ser aportada no programa de subvenção econômica 2010 Após observadas estas condições de participação das empresas no programa, destaca-se que a submissão de propostas deve ocorrer por meio eletrônico, no sistema da FINEP, e também por meio de correio. Os seguintes documentos devem ser enviados: • Carta de Apresentação da Proposta • Formulário de Apresentação do Projeto - FAP • Plano de Negócio • Documentos para análise econômico-financeira e recursos da contraparƟda • Documentos para análise jurídica 36 | Custos do Processo de Inovação Tecnológica Por fim, ao submeter uma proposta ao programa de subvenção econômica, a empresa passará pelas etapas de seleção descritas na Figura 18: 1. Habilitação 2. Análise Técnica 3. Análise Conclusiva 4. Homologação 5. Visita Técnica 6. Resultado Final Figura 18 Etapas do processo de seleção do programa de subvenção econômica Para ter acesso mais detalhado às informações do programa de Subvenção Econômica: • http://www.finep.gov.br/programas/subvencao_economica.asp Para ter acesso ao manual do programa de Subvenção Econômica 2010: • http://www.finep.gov.br/arquivos/manuais/manualSubvencao2010.pdf 3.4 Incentivos Fiscais para a Inovação Os incentivos fiscais para inovação são instrumentos de apoio governamental baseados em desoneração tributária, com o objetivo de fomentar o desenvolvimento tecnológico de empresas que exerçam atividades de pesquisa e desenvolvimento de inovação tecnológica. Principalmente ao longo da última década, o Brasil obteve significativos avanços no marco legal para a inovação, conforme demonstrado na Figura 19. Figura 19 Evolução do marco legal sobre incentivos para inovação. A Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, chamada Lei do Bem, que trata em seu Capítulo III, dos incentivos fiscais à inovação tecnológica, é a responsável pela regulação do uso destes incentivos. Esta Lei revogou o antigo Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial/ Agropecuário (PDTI/PDTA), ampliando sua abrangência e simplificando sua aplicação. Custos do Processo de Inovação Tecnológica | 37 3.5 Lei do Bem A Lei do Bem consolidou os incentivos fiscais para pessoas jurídicas que realizam pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica. Desta forma, todas as indústrias que apuram o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) com base no Lucro Real, que tiveram lucro tributável no ano fiscal anterior e que possuam regularidade fiscal em dia, podem usufruir dos incentivos de forma automática. Apesar de ainda pouco explorada, ano a ano vem crescendo o número de empresas e por consequência o montante da renúncia fiscal obtida através do uso destes incentivos. A Figura 20 mostra esta evolução a partir de um resumo dos relatórios do MCT. Figura 20 Evolução da utilização dos incentivos fiscais da Lei do Bem Fonte: Relatórios do MCT - resumo As principais medidas legais previstas nesta lei visam reduzir o pagamento de tributos, tais como IRPJ, CSLL, IPI e IRFF de empresas que investem em projetos de P&D e inovação. A Figura 21 apresenta um resumo dos principais incentivos fiscais previstos na Lei do Bem. Figura 21 Principais incentivos fiscais previstos na Lei do Bem. 38 | Custos do Processo de Inovação Tecnológica Para a utilização destes incentivos, a lei também prevê quais são as atividades de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica que podem ser enquadradas, conforme destacadas na Figura 22. Figura 22 Atividades enquadráveis na Lei do Bem. Para entender bem os conceitos de inovação tecnológica que são aplicados na Lei do Bem, consulte: • OCDE. Manual de Oslo: diretrizes para coleta e interpretação de dados sobre inovação. 3. ed. Paris: OCDE, 2005. (Tradução oficial realizada pela FINEP/Brasil.) • OCDE. Frascati Manual: Proposed Standard Practice for Surveys and Research on Experimental Development, Paris: OCDE, 2002. Além disto, em agosto deste ano, foi publicada a instrução normativa nº 1187 (IN 1.187/11), cuja principal função é “disciplinar os incentivos fiscais às atividades de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica de que tratam os artigos 17 a 26 da Lei nº 11196” (IN 1.187/11). Nesta instrução normativa são estabelecidas as seguintes atividades que não são consideradas como pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica: III. Os trabalhos de coordenação e acompanhamento administrativo e financeiro dos projetos de pesquisa tecnológica e desenvolvimento ou inovação tecnológica nas suas diversas fases IV. Os gastos com pessoal na prestação de serviços indiretos nos projetos de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, tais como serviços de biblioteca e documentação. A IN 1.187/11 também determina que a pessoa jurídica deverá elaborar projeto de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, com controle analítico dos custos e despesas de cada projeto (rastreabilidade dos gastos). Custos do Processo de Inovação Tecnológica | 39 Na alocação de custos ao projeto, devem-se utilizar critérios uniformes e consistentes ao longo do tempo, registrando de forma detalhada e individualizada os dispêndios, inclusive: V. As horas dedicadas, trabalhos desenvolvidos e os custos respectivos de cada pesquisador por projeto incentivado; VI. As horas dedicadas, trabalhos desenvolvidos e os custos respectivos de cada funcionário de apoio técnico por projeto incentivado Sendo assim, para que as empresas façam pleno uso dos benefícios fiscais da Lei do Bem, é necessário que se façam um estudo detalhado de todas as diretrizes e condições estabelecidas na própria lei, bem como na IN 1.187/11. Para ter acesso ao texto completo da Lei do Bem: • www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11196.htm Para ter acesso a mais informações sobre a Lei do bem no portal do MCT: • http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/8586.html 3.6 Apoios Específicos para C&T&I Além dos instrumentos e fontes de recursos oferecidos pelo governo já destacados neste material, existe uma série de programas de apoio ao desenvolvimento de projetos de inovação que podem ser acessados pelas empresas. A Figura 23 destaca alguns destes. Fonte Nome do Programa Público-Alvo Objetivo FINEP/ Incubadoras PRIME Empresa nascentes Consolidação de empresas de base tecnológica nascentes de base tecnológica. com até 24 meses. FINEP/FAPs PAPPE Micro e Pequenas Apoiar a pesquisa e desenvolvimento Empresas (MPEs). de processos e produtos inovadores, com vistas a compartilhar custos, diminuindo o risco tecnológico da inovação no universo empresarial. SEBRAE Sebraetec Micro e Pequenas Melhoria de processos e produtos Empresas (MPEs). e/ou a introdução de inovações nas empresas ou no mercado. Figura 23 Instrumentos e fontes de recursos adicionais. As agências de fomento podem lançar editais a qualquer momento. Os temas são variados e dependem das políticas e estratégias de governo. Por isso, é preciso monitorar constantemente 40 | Custos do Processo de Inovação Tecnológica fontes de fomento disponíveis para identificar oportunidades para financiar os esforços de inovação da empresa. 4. CLASSIFICAÇÃO DE PORTE DAS EMPRESAS PELAS FONTES DE FOMENTO As agências de fomento tem diferentes definições para estabelecer o tamanho de uma empresa. No entanto, para avaliação dos projetos, sejam reembolsáveis ou não reembolsáveis, as fontes utilizam o faturamento da empresa para definir o seu porte. A Figura 24 apresenta as classificações da FINEP, BNDES, SEBRAE e CNPq. Fonte / Porte Micro Pequena Média Grande FINEP e BNDES SEBRAE Até R$ 1,2 milhões Até R$ 240 mil De R$ 10,5 até R$ 60 milhões NÃO APOIA Acima de R$ 60 milhões NÃO APOIA CNPq (RHAE) Até R$ 240 mil De R$ 1,2 até R$ 10,5 milhões De R$ 240 mil até R$ 2,4 milhões De R$ 240 mil até R$ 2,4 milhões De 2,4 milhões até 90 milhões Acima de R$ 90 milhões Figura 24 Classificação do porte das empresas em função do seu faturamento anual 5. CONCLUSÃO Há muitas fontes de recursos para inovação que podem apoiar o desenvolvimento tecnológico nas empresas. O tutorial destacou as principais fontes nacionais, mas é importante observar que as oportunidades não se limitam às mencionadas aqui. Também existem oportunidades internacionais de cooperação entre empresas e ICTIs, a exemplo do Programa Quadro (Framework Program) da Comunidade Européia e o Iberoeka que é uma iniciativa criada no âmbito do programa Iberoamericana de Ciencia Y Tecnologia para el Desarrollo – CYTED. É fato que um número ainda pouco expressivo de empresas tem se beneficiado do uso dos recursos para a inovação tecnológica e dos incentivos fiscais. Há vários motivos para que esta situação ocorra. O processo para acesso às fontes de subvenção econômica é competitivo, demorado, burocrático e lento, mas é acessível. O desconhecimento a respeito destes mecanismos ainda é o principal fator para que muitas empresas desperdiçem estas oportunidades. O cenário futuro é promissor se consideramos as recentes declarações do Governo Federal em ampliar significativamente os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação, a partir de 2012, por meio dos mecanismos que estão operando. Custos do Processo de Inovação Tecnológica | 41 É recomendável para aquelas empresas que pretendem trilhar o caminho da inovação tecnológica com apoio dos recursos de fomento e incentivos fiscais, que utilizem assessoria jurídica, com o objetivo de proporcionar maior segurança e assertividade ao processo. Os incentivos fiscais trazem benefícios financeiros para a empresa que implementa os instrumentos adequadamente. Construa parcerias com ICTIs e empresas para agregar valor no desenvolvimento de soluções inovadoras e que possam contribuir com a experiência no acesso e uso destes recursos, e na gestão de projetos tecnológicos, fortalecendo o diferencial competitivo da sua empresa. Por fim, fique ATENTO e APROVEITE a próxima oportunidade!! 6. REFERÊNCIAS ANPEI. Guia prático de apoio à inovação: onde e como conseguir apoio para promover a inovação em sua empresa. São Paulo: ANPEI; MCT, 2009. BNDES. Informações do fundo tecnológico. Disponível em: <http://www. bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/Institucional/Apoio_Financeiro/ Programas_e_Fundos/funtec.html>. Acesso em: 01 nov. 2011. . Informações do programa capital inovador. Disponível em: <http:// www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/Institucional/Apoio_Financeiro/ Produtos/FINEM/capital_inovador.html>. Acesso em: 01 nov. 2011. . Informações do programa inovação tecnológica. Disponível em: <www. bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/Institucional/Apoio_Financeiro/ Produtos/FINEM/inovacao_tecnologica.html>. Acesso em: 01 nov. 2011. . Roteiro de informações para consulta prévia do fundo tecnológico. Disponível em: http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/ Arquivos/produtos/download/roteiros/roteiro_funtec.doc>. Acesso em: 01 nov. 2011. . Roteiro de informações para consulta prévia dos programas inovação tecnológica, capital inovador e inovação produção. Disponível em: <http:// www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/ Galerias/Arquivos/produtos/download/roteiros/roteiro_inovacao.doc>. Acesso em: 01 nov. 2011. FINEP. Financiamento reembolsável. Disponível em: <www.finep.gov.br/formularios_ manuais/FormularioReembolsavel.exe>. Acesso em: 01 nov. 2011 (aplicativo). . Documentação para abertura de solicitação de financiamento. Disponível em: www.finep.gov.br/arquivos/programas/inovaBrasil/ inovabrasil_documentos_sf.pdf>. Acesso em: 01 nov. 2011. 42 | Custos do Processo de Inovação Tecnológica . Informações do programa de subvenção econômica. Disponível em: <http:// www.finep.gov.br/programas/subvencao_economica.asp>. Acesso em: 01 nov. 2011. . Manual do programa de subvenção econômica 2010. Disponível em: <http://www. finep.gov.br/arquivos/manuais/manualSubvencao2010.pdf >. Acesso em: 01 nov. 2011. . Financiamento reembolsável: proposta de projeto para consulta prévia. Disponível em: <www.finep.gov.br/arquivos/programas/ inovaBrasil/Inovabrasil_cp_vazia.pdf>. Acesso em: 01 nov. 2011. MINISTÉRIO DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO. Informações sobre a Lei do Bem. Disponível em: <http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/8586.html>. Acesso em: 01 nov. 2011. OCDE. Manual de Oslo: diretrizes para coleta e interpretação de dados sobre inovação. 3. ed. Paris: OCDE, 2005. (Tradução oficial realizada pela FINEP/Brasil). OCDE. Frascati manual: proposed standard practice for surveys and research on experimental development. Paris: OCDE, 2002. PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. CASA CIVIL. Lei do Bem. Disponível em: <www.planalto. gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11196.html>. Acesso em: 01 nov. 2011. Custos do Processo de Inovação Tecnológica | 43 ANEXO I - ACESSO ÀS INFORMAÇÕES SOBRE FONTES DE RECURSOS As principais fontes de pesquisa podem ser consultadas nos sites relacionados a seguir: Portal Inovação • www.portalinovacao.mct.gov.br/pi/#/pi Portal dos Agentes de Fomento • FINEP - Portal Inova Brasil: ww.finep.gov.br/programas/inovabrasil.asp • FINEP – Inova Brasil www.finep.gov.br/como_obter_financiamento/formularios_e_manuais.asp • BNDES – FUNTEC www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/Institucional/ Apoio_Financeiro/Programas_e_Fundos/funtec.html • BNDES – CarƟlha Inovação http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/ Galerias/Arquivos/conhecimento/cartilha/cartilha_apoio_inovacao.pdf • CONFAP - Conselho Nacional FAPs www.confap.org.br • SEBRAE www.sebrae.com.br • SENAI www.senai.br • CNPq www.cnpq.br Portal da ANPEI • hƩp://www.anpei.org.br/ • Guia PráƟco de Apoio à Inovação: onde e como conseguir apoio para promover a inovação em sua empresa proinova.isat.com.br Portal do IPDMAQ • www.ipdmaq.org.br 44 | Custos do Processo de Inovação Tecnológica Portal do CGEE – Centro de Gestão e Estudos Estratégicos • www.cgee.org.br/ Portal da ANEEL - Manual do Programa do de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico do Setor de Energia Elétrica – ANEEL • www.aneel.gov.br/cedoc/aren2008316_2.pdf Custos do Processo de Inovação Tecnológica | 45