Universidade Presbiteriana Mackenzie
DOIS MOMENTOS DA HISTÓRIA GRAMATICAL NO BRASIL
Luciana Ribeiro de Souza (IC) e Ronaldo de Oliveira Batista (Orientador)
Apoio: PIBIC/Mackenzie
Resumo
Este projeto de Iniciação Científica foi desenvolvido com base nos princípios da Historiografia
Linguística, que nos permitiu observar e analisar dois momentos distintos da história gramatical no
Brasil, com a intenção de conceituar a estrutura e a organização de cada obra. Tendo em vista as
variedades linguísticas e a importância do saber gramatical para a formação crítica e intelectual do
indivíduo, selecionamos uma perspectiva da língua culta e outra da língua em uso, para dar forma a
este estudo que pretende apontar não só as diferenças entre as reflexões em questão como também
as contribuições de cada uma para o ensino de Língua Portuguesa. Para tanto, delimitamos a análise
aos pronomes, concordância verbal e nominal, e regência verbal e nominal, elementos que nos
permitem, dentro da nossa perspectiva, apresentar com maior relevância os resultados finais. Afinal,
por meio desses aspectos gramaticais, podemos notar com mais saliência a dicotomia língua culta x
língua coloquial.
Palavras-chave: Historiografia Linguística; gramática; língua
Abstract
This Scientific Initiation project was developed based on the principles of linguistic historiography,
which allowed us to observe and analyze two distinct moments of the history of grammar in Brazil, with
intent to conceptualize the structure and organization of each work. Having considered the linguistic
variations and the importance of grammar knowledge for the training and intellectual critique of the
individual, we selected a perspective of educated language and another of the language in use, to
give form to this study which sought to address not only the reflections of differences in question but
also the contributions of each to the teaching of Portuguese language. For that, we limited the analysis
to pronouns, nominal and verb agreement, and verbal and nominal regency, elements that allow us,
within our view, to present the most relevant outcomes. After all, through these grammar points we
can see, with more saliency, the dichotomy formal language x colloquial language.
Key-words: Linguistic historiography; grammar; language
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VII Jornada de Iniciação Científica - 2011
INTRODUÇÃO
É sabido que a gramática tradicional tem lugar de destaque em várias gramáticas
produzidas no Brasil desde o século XVI. Porém, nas últimas décadas há uma recorrente
preocupação de alguns gramáticos em produzir obras que, embora utilizem a norma padrão
como eixo de produção, consideram também as variedades linguísticas e suas realizações,
produzindo, assim, gramáticas descritivas nas quais são feitas considerações a respeito da
língua em uso.
Conhecer a norma padrão da língua é de fundamental importância para a formação do
indivíduo (considerando seu valor nas trocas sociais), mas ele deve ter consciência de que
ela é apenas uma das variantes da língua, e tão importante quanto ter conhecimento dela é
ter consciência das outras variantes. Lembrando que a norma culta determinou a
normatização em muitas gramáticas produzidas até este momento, há, porém, que se
considerar que mudanças de contexto ocasionam mudanças de pensamentos e com eles
surgem maneiras diferentes de utilizar a norma padrão.
Considerando esses aspectos como pano de fundo, este projeto de Iniciação Científica
pretende, dentro de uma abordagem da Historiografia Linguística, observar, analisar e
descrever alguns elementos de duas gramáticas distintas da Língua Portuguesa, a saber:
Gramática da Língua Portuguesa, de Pasquale Cipro Neto e Ulisses Infante, e Nova
Gramática do Português Brasileiro, de Ataliba Teixeira de Castilho, que, selecionadas a
partir de um recorte temporal que abrange o período entre 2004 e 2010, tragam em seus
conteúdos, respectivamente, uma proposição prescritiva e outra descritiva da língua em uso.
Após conhecer e analisar esses dois pensamentos da linguagem, poderemos, inclusive,
conceituar as possíveis contribuições ao ensino da gramática.
Levando em consideração a importância de conhecer a língua, sua sistematização,
concepções e usos, e tendo consciência de que é por meio de uma obra que trata a
gramática da língua que se pode adquirir esse fluxo do saber, torna-se bastante oportuno
um estudo que pretende analisar diferentes pensamentos gramaticais para conhecer suas
proposições e seus devidos reflexos em diferentes momentos. Com isso, esperamos
apontar aspectos de cada reflexão que proporcionem uma maior compreensão da língua
portuguesa sistematizada, tendo em vista também uma visão em perspectiva da nossa
história gramatical.
Como nossa proposta está ancorada nos princípios teórico-metodológicos da Historiografia
Linguística, faremos, caso haja necessidade, uma relação entre as proposições estudadas e
os fatores internos e externos que contextualizaram as devidas produções, para que, assim,
possamos conhecer as possíveis influências que se expressam em cada concepção
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analisada. Posteriormente, identificar se houve, e quais foram, as mudanças ocorridas no
decorrer dos tempos, bem como os aspectos positivos e negativos que se somam a elas.
Pretendemos com nosso trabalho não só realizar uma análise para caracterizar as
mudanças ocorridas nas referidas obras, mas também observar as relativas consequências
que elas causam no tratamento gramatical da língua, principalmente na atualidade, ou seja,
se houve mudanças no decorrer dos tempos, elas contribuíram ou contribuem para quê?
Para que esse ideal maior, conhecer e analisar as diferentes concepções entre duas
reflexões distintas da língua portuguesa, torne-se realidade, deveremos cumprir alguns
objetivos específicos que reunidos darão consistência e relevância ao conteúdo final:
a) em primeira instância selecionamos como objeto de estudo duas obras que tratam a
gramática da língua portuguesa. Iremos observar e analisar as respectivas descrições,
tendo em vista conceitos adotados e estruturas de organização das obras;
b) refletiremos sobre o tratamento dispensado à língua em cada obra analisada para saber
se o que prevalece é a prescrição ou descrição;
c) estabeleceremos uma comparação entre esses conceitos para conhecer suas
implicações linguísticas não só no ensino, mas na história gramatical como um todo;
d) reconstruiremos, se necessário, o contexto histórico de produção dessas obras para
tomar ciência dos parâmetros externos que direta ou indiretamente tenham influenciado
suas produções.
Seguidas as proposições aqui descritas, concluímos nosso trabalho com o discernimento
necessário para tratar a questão da língua, refletindo os diferentes momentos e as
implicações dos mesmos na história gramatical do Brasil.
REFERENCIAIS TEÓRICOS
1.1.
Historiografia Linguística
Este projeto encontra fundamento na Historiografia Línguística (HL), uma vez que pretende
realizar um estudo relativo a formas de tratamento da língua e da linguagem em um
determinado recorte temporal, cumprindo para tal as etapas de observação, descrição,
análise e comparação de duas reflexões distintas sobre a língua portuguesa. Tendo como
expectativa possibilitar, a partir de uma visão crítica, o levantamento de hipóteses
pertinentes que conduzam a reflexões empíricas.
A HL se caracteriza como uma disciplina científica que tem por objetivo estruturar seu objeto
de estudo numa série de relações sistemáticas (Swiggers,1983a:61).
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O fazer historiográfico acompanhou esse novo redimensionamento nos parâmetros
vigentes, inclusive, utilizando-se de outras disciplinas para dar caráter da totalidade dos
feitos do homem, tornando-se, assim, interdisciplinar, o que exige do historiógrafo não só o
conhecimento de seu campo de análise, mas também de outros campos da ciência. “Nesse
sentido [...] a HL surge como alternativa de trabalho em complementação a um modelo
canônico de História da Linguística” (Luna, 1998:13).
Nas considerações de Koerner (1996:45) encontramos uma justificativa do porquê ter a HL
como um dos referenciais teóricos do nosso trabalho. O autor a define como “modo de
escrever a história do estudo da linguagem baseado em princípios científicos.” Afirma ainda,
que ela “opera com questões de periodização, de contextualização e com temas relativos à
prática linguística efetiva, com o intuito de identificar diferentes fases de desenvolvimento da
língua ou de períodos mais longos”. O historiógrafo, então, trabalha a partir de um recorte
temporal, devidamente contextualizado, admitindo proposições de outras disciplinas para
dar consistência aos fatos em análise, enquanto a história somente os registra.
Para Altman (1998:28), “A atividade de historiografia linguística não pode se resumir a uma
simples compilação de datas, fatos, títulos e nomes relacionados com os estatutos das
línguas e da linguagem”. A autora afirma que a Historiografia Linguística “tem como
principais objetivos descrever e explicar como se produziu e desenvolveu o conhecimento
linguístico em um determinado contexto social e cultural, ao longo do tempo” (1998:29).
Uma das funções da historiografia é reorganizar as hipóteses assumidas pelos linguistas do
passado e as consequências dessas ideias no desenvolvimento do saber produzido sobre a
linguagem e a língua. Vale ressaltar que esse desenvolvimento nunca encontrou
linearidade, e a Linguística contemporânea apresenta, mais do que em qualquer outro
momento, essa falta de linearidade, pois reúne uma multiplicidade de modelos considerados
como válidos. Dessa forma, o historiógrafo deve levar em consideração os momentos de
continuidade e descontinuidade pelos quais a Linguística se constitui, pois, assim, anula
uma observação linear no desenvolvimento da ciência da linguagem.
Esses momentos, influenciados por fatores extralinguísticos, remetem a uma relação de
elementos internos e externos que não se opõem, mas se complementam, pois estão
intrinsecamente ligados. Batista (2007:17) propõe “[...] olhar a linguística e seus eventos em
diversos momentos como estágios de continuidade ou descontinuidade de saberes
adquiridos ou recusados, podendo-se até mapear momentos de ruptura de determinado
ponto de vista ou de manutenção de ideias estabelecidas”.
A partir dessa reflexão é possível compreender que a Historiografia Linguística trabalha com
elementos internos e externos, permitindo ao historiógrafo, depois de eleger um paradigma
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para sua pesquisa, entrelaçar esses elementos, dando consistência ao seu objeto de
estudo.
Devemos entender por elementos internos, os que se referem ao objeto em análise, no caso
deste trabalho, em que os objetos selecionados são duas obras que tratam da língua, os
elementos internos a elas aferidos compreendem autores e métodos utilizados por eles em
suas obras, considerando a época e o lugar onde foram produzidas. Elementos externos
são todos aqueles, ligados a uma dimensão individual e social, que possibilitam uma
reflexão sobre o contexto histórico nos quais os objetos analisados foram desenvolvidos,
pois é a contextualização que propicia a relação dos objetos em questão com as correntes
intelectuais da época em que foram idealizados.
Embora não seja fácil escolher uma metodologia a ser seguida para expressar com
objetividade a pesquisa historiográfica, encontramos nas palavras de Koerner (1996:45) três
princípios de análise para realização de uma investigação historiográfica, são eles:
- princípio de contextualização - onde deveremos traçar o clima de opinião da época,
observando as correntes intelectuais e a situação sócio-econômica, política e
cultural;
- princípio de imanência - estabeleceremos um entendimento histórico e crítico do
material analisado sendo fiel aos dados coletados, para que possamos estabelecer
um quadro da teoria e da terminologia definidas internamente, sem a influência da
doutrina linguística moderna;
- princípio da adequação - introduziremos, de forma explícita, uma aproximação de
um vocabulário técnico moderno e um quadro conceptual ao quadro formulado
anteriormente, para promover a apreciação de um determinado conceito ou teoria,
em que poderá ser constatada as afinidades de significado a ambas as definições.
Em suma, a atividade analítica do historiógrafo deve seguir parâmetros adequados no
processo de investigação, tais como: organização, reconstrução e interpretação dos fatos.
Altman (1998:24) define assim esta atividade: “A atividade historiográfica que ambiciona
compreender os movimentos em história da ciência, presume, inevitavelmente, uma
atividade de seleção, ordenação, reconstrução e interpretação dos fatos relevantes [...] para
o quadro de reflexão que constrói o historiógrafo”.
1.2.
Pontos de vista sobre uma língua
Nossa proposta é observar dois pensamentos gramaticais distintos. Os elementos que
circundam a realização deste ideal são: a linguagem, a língua e a gramática, elementos que
estão diretamente relacionados no processo de produção oral ou escrita. Cada um, com sua
acepção, contribui de maneira diversa para as interpretações linguísticas dos enunciados.
Devendo considerar, aqui, o produtor, o receptor e o interlocutor de cada situação.
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Assim sendo, a linguagem é utilizada para expressar diferentes formas de comunicação
como a corporal, a animal, a escrita, entre outras. Porém, somente aos seres humanos, ela
confere a habilidade de expressar o pensamento por meio de um sistema de signos vocais,
a língua, tornando possível o ato da comunicação entre pessoas. Saussure, cujos trabalhos
teóricos realizados em fins do século XIX, tornaram possível, já no século XX, o
desenvolvimento científico da linguística, define língua como “um produto social da
faculdade da linguagem e um conjunto de convenções necessárias, adotadas pelo corpo
social para permitir o exercício dessa faculdade nos indivíduos” (1969:17). Para o linguísta,
a língua é um sistema coletivo que aprendemos na infância e desenvolvemos ao longo da
vida. Ele elege neste conjunto outro elemento considerado individual no processo de
comunicação: a fala.
Para Cunha, Costa e Martelotta (2009:16-19), a linguagem humana é composta por:
1- técnicas articulatórias que produzem os sons;
2- uma base neurobiológica utilizada na comunicação verbal;
3- uma base cognitiva na qual o individuo após compreender a realidade que o circunda,
consegue reconstrui-lá e armazená-la na mente de forma organizada. Essa é a chamada
teoria do relativismo linguístico que considera de fundamental importância a interação do
indivíduo com o meio social no qual ele está inserido;
4- uma base sociocultural que engloba os fatores variáveis no decorrer do tempo e do
espaço, afinal, a região, o contexto, a época, a evolução cultural e as mudanças sociais e
políticas em que o falante se encontra influi diretamente na linguagem;
5- uma base comunicativa que regula os aspectos que surgem na interação verbal, como os
neologismos que substituem termos que perderam sua expressividade pelo excesso de uso.
Chomsky, responsável, entre outros trabalhos, pelo desenvolvimento da gramática Gerativa,
discorda dos conceitos apresentados, pois considera a linguagem humana interna e
universal, algo inato do ser humano, transmitida geneticamente, independente de aspectos
sociais, por isso, um indivíduo é capaz de produzir combinações diferentes de palavras que
nunca foram ouvidas. Assim, a língua serve, prioritariamente, para expressar o pensamento,
sendo a comunicação algo secundário.
Há, portanto, diferentes conceitos atribuídos a língua, entre eles, o da língua padrão,
considerada como a ideal, embora seja apenas uma das variedades da língua. Esse
conceito peca por duas razões: por não considerar a língua padrão como uma variedade e
por não incluir na língua as outras variedades, consideradas incorretas quando deveriam ser
consideradas inadequadas, ou não, a determinados contextos.
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Ela também pode ser conceituada de acordo com as regras de estruturação produzidas por
um falante, neste caso não há uma preocupação com o todo, mas sim com propriedades
específicas estabelecidas por quem a analisa.
Vista como um conjunto de variedades, a língua é uma raiz da qual surge uma extensa
ramificação, a cada uma pertence uma variedade linguística que é utilizada por determinada
comunidade, sem que haja diferenças de valores entre elas. Cabe à língua então,
determinar a identidade cultural, histórica e social dessa comunidade e as diversas maneiras
que os indivíduos, que a compõem, têm de entender a realidade.
Podemos, então, considerar a língua como uma manifestação da linguagem baseada em
unidades linguísticas. É, portanto, um conjunto de unidades, cada uma com sua função.
Ainda assim, ela é uma abstração difícil de se definir, pois, embora unidades linguísticas
sejam algo concreto, elas não bastam por si mesmas para liberar sentido. Essas unidades
são conjuntos complexos que dependem, por exemplo, do som, um dos elementos deste
conjunto, para, juntamente com o contexto, definir um efeito de sentido, que surge somente
quando as unidades se relacionam.
O léxico e a gramática são dois dos componentes fundamentais que constituem a língua.
Eles se entrelaçam de forma determinante, o primeiro constitui o conjunto de palavras de
uma língua, enquanto o segundo determina a regra de utilização das mesmas na construção
de sentenças, podendo, inclusive, fornecer regras que possibilitam a formação de novas
unidades lexicais ou, ainda, a mobilidade destas na língua.
A importância do léxico vai além, uma vez que este é responsável pelas marcas que
influenciam a visão de mundo dos falantes em determinados contextos históricos,
funcionando como um recorte temporal de cada época. Afinal, a língua acompanha a
história e suas mudanças, e o léxico confere a ela as diferentes identidades. Além do léxico
e da gramática, a língua, quando está em seu estado concreto, ou seja, em uso, necessita
de outros componentes de sustentação, como as regras de textualização e as normas
sociais de interação que ajudam a manter sua totalidade.
Uma língua se oficializa quando é sistematizada, essa sistematização ocorre em torno da
gramática, um dos componentes da língua, que institui as regras de uso oral ou escrito. A
ela cumpre definir também os padrões de formação dos enunciados, que vão desde uma
sílaba até a complexa formação de um período. O sentido da gramática na língua pode ser
analisado sob três perspectivas científicas: a gramática normativa, que descreve a regra do
bom uso da língua; a gramática descritiva, que descreve o que é usado na língua; e a
gramática histórica, que descreve a evolução da língua. Através de um olhar epistemológico
é possível perceber que todas as perspectivas descrevem a língua, mas cabe a gramática
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descritiva descrever a execução real da mesma, pois descreve a língua efetivamente em
uso, considerando todas as variedades sem apontá-las como erro.
Portanto, quando pensamos no termo gramática, devemos considerar a polissemia de
sentido que ele reflete, cada um com a sua perspectiva de estudo, todos, porém,
respeitando um sentido comum, que é o conjunto de regras da língua.
Todos nós, mesmo sem conhecer as regras normativas, possuímos uma abstração mental
que nos torna capazes de reconhecer a agramaticalidade de uma sentença. Esse processo
é definido por Chomsky em termos de competência e desempenho. A primeira está
associada ao conhecimento das regras do sistema linguístico que o falante adquire no
processo de aquisição da linguagem, é ela a responsável pela gramaticalidade das
sentenças construídas pelo indivíduo, ainda que este não tenha um nível de instrução
elevado. O desempenho é capacidade que o indivíduo tem de associar a competência a
fatores não linguísticos adquiridos e assimilados em seu contato com o mundo social.
Tradicionalmente, a escola trabalha a gramática da norma padrão, pois acredita que
somente ela pode proporcionar ao aluno o que, segundo sua crença, é correto aprender.
Dessa forma, não leva em consideração a língua do aluno e suas variedades, classificandoas como incorretas. Sobre essa forma de ensino adotada pelas escolas, Sírio Possenti
afirma: “[...] é um equívoco, político e pedagógico.” (2004: 33)
A Gramática Tradicional relaciona linguagem e lógica no processo de sistematização
imposto como ideal. Este pensamento considera a língua escrita, além de primária, um
importante modelo de permanência da padronização linguística, mas os linguistas
consideram a língua falada como primária, uma vez que falamos muito antes de aprender a
escrever. Daí o relevante interesse pelo estudo da oralidade.
O linguista observa a língua sem preconceitos, seja ele de qualquer natureza, razão pela
qual não faz uma prescrição da mesma, mas uma descrição analítica que não discrimina o
que é certo ou errado, melhor ou pior, pois considera as variações linguísticas que
expressam de maneira natural a cultura de cada região ou comunidade. Isso sem deixar de
considerar a importância da norma-padrão no ensino do português, porém o aluno não deve
acreditar que somente a regra basta para saber se expressar corretamente e, sobretudo,
que a gramática se resume à norma padrão.
Por isso, embora estude a língua escrita, a língua falada passa a representar um importante
objeto de investigação. Afinal, segundo Antunes (2007:154) “quando falamos ou
escrevemos, não pensamos primeiro na gramática para depois ir redigindo/falando e, por
último, ir interpretando. Todas as operações vão acontecendo, vão interagindo-se num
vaivém de interdependência sem fim.”
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Uma observação da língua em uso sob o olhar da Linguística tem como resultado a
descrição e a explicação dos padrões sonoros, gramaticais e lexicais efetivamente
utilizados. Essa mesma língua quando analisada pela Gramática Tradicional tende a ser
feita com base na norma culta, considerada somente a língua escrita como correta,
deixando de lado a língua falada. Essa abordagem exclusiva da língua é que produz
preconceitos.
MÉTODO
Para realizar este trabalho, selecionamos duas obras, que embora façam parte de um
recorte temporal próximo, apresentam em seus conteúdos reflexões distintas. A primeira,
Gramática da Língua Portuguesa, 2004, de Pasquale Cipro Neto e Ulisses Infante,
apresenta uma visão prescritiva, portanto descreve a norma culta da língua. A segunda,
Nova Gramática do Português Brasileiro, 2010, de Ataliba Teixeira de Castilho, é uma
gramática descritiva, de cunho científico, que descreve o português falado por quase 200
milhões de brasileiros.
Após escolher os objetos de estudo acima citados, iniciamos nosso trabalho com a leitura,
na íntegra, da obra de Pasquale e Ulisses. Na sequência, efetuamos a leitura de Nova
Gramática do Português Brasileiro. Um livro que trata da gramática de uma língua traz em
seu conteúdo os elementos que constituem essa língua, além da estrutura, organização e
relação que há entre eles, por essa razão selecionamos, de cada obra, os seguintes
elementos: pronomes, concordância verbal e nominal, e regência verbal e nominal; pois a
análise desses elementos nos permite notar com clareza as semelhanças ou diferenças
entre reflexões distintas.
Terminada as leituras, partimos para a descrição das obras, respeitando a colocação de
cada autor. Ressaltamos, porém, que essa descrição pormenorizada não faz parte
integrante deste artigo, mas sua realização foi estritamente necessária para entendermos as
teorias estudadas e desenvolvermos, dentro de nossa proposta, a análise e a comparação
entre os diferentes pensamentos gramaticais.
Embora tenhamos procurado priorizar estudos independentes das obras selecionadas,
leituras concomitantes, que compõem os fundamentos teórico-metodológicos do projeto,
fizeram-se necessárias para dar base e direcionamento no processo evolutivo da pesquisa.
Realizamos, então, uma pesquisa sobre os princípios da Historiografia Linguística, nos quais
nosso trabalho está ancorado. Leituras como A pesquisa linguística no Brasil (1968-1988),
de Cristina Altman; A historiografia linguística: rumos possíveis, de Jarbas Vargas
Nascimento; História entrelaçada 1 e História entrelaçada 2, de Neusa Bastos e Dieli Palma,
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entre outras, proporcionaram maior conhecimento e clareza sobre o tema, o que ampliou os
horizontes do trabalho.
Além dessas, outras leituras, tais como Irandé Antunes, 2007; José Luiz Fiorin, 2005; Mário
Eduardo Martelotta, 2009, foram realizadas com a intenção de conhecer diferentes pontos
de vista de uma língua, o que nos possibilitou constituir argumentos o bastante para
sustentar nossa base de pesquisa e, principalmente, nossas futuras conclusões.
Essas leituras complementares trouxeram à luz do saber maior entendimento sobre os
princípios da Historiografia Linguística, esse fator nos proporcionou adequar corretamente o
estudo das gramáticas à pesquisa historiográfica. Por outro lado, houve também uma
ampliação dos conceitos de língua e linguagem, e das diferentes visões gramaticais.
Depois de concluirmos essas etapas, articulamos os conceitos observados em cada
gramática, de forma tal que pudemos aproximar em um limiar comparativo as semelhanças,
as divergências e os possíveis pontos de encontro das diferentes teorias analisadas, com a
intenção de apresentar ao leitor a concepção de língua que se evidencia em cada trabalho.
O método utilizado para a realização deste projeto foi o comparativo, uma vez que
comparamos os conteúdos de duas gramáticas. Ao adotarmos esse método, lançamos mão
de outro, que, em conjunto, forneceu os subsídios metodológicos necessários para
complementar nossa pesquisa. Assim, ao contextualizarmos essas obras com o ambiente
social ao qual estão inseridas, tomamos parte, em certa medida, do método histórico que
nos proporcionou uma maior compreensão das concepções em análise, e, por conseguinte,
o efetivo processo comparativo.
O cumprimento de todas as etapas descritas teve o mesmo valor, pois juntas somaram
pontos para um resultado consistente que nos permitiu realizar o objetivo de descrever dois
momentos gramaticais, os possíveis processos de continuidades e descontinuidades, além
dos fatores internos e externos que influenciaram essas reflexões.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O contato com dois pensamentos gramaticais distintos nos permitiu conhecer, naturalmente,
reflexões diferentes para termos idênticos. Essas variações não só vêm ao encontro da
proposta da nossa pesquisa (estudar dois momentos gramaticais), como também tende a
enriquecê-la pela diversidade de fatores oferecidos ao longo do estudo.
Lembramos que para obter resultados sucintos recortamos para análise, tanto da Gramática
da Língua Portuguesa, de Pasquale e Infante, como da Nova Gramática do Português
Brasileiro, de Ataliba de Castilho, os seguintes elementos gramaticais: pronomes,
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concordância verbal e nominal, e regência verbal e nominal, e desse recorte,
apresentaremos a seguir o que nos parece ser o estudo historiográfico.
Considerações quanto aos pronomes
Para os autores de Gramática da Língua Portuguesa, os pronomes são os elementos que
representam, referem ou substituem os seres, determinando, a partir das regras da norma
padrão, as pessoas do discurso. Nesse sentido nomeiam seis tipos de pronomes: pessoal
(caso reto e oblíquo), demonstrativo, possessivo, relativo, interrogativo e indefinido.
Já para Castilho, os pronomes não devem ser definidos somente a partir da norma, mas da
análise das propriedades discursivas, semânticas e gramaticais que apresentam. Em seu
trabalho, os pronomes apresentam, além das propriedades de pessoa, número e gênero, a
propriedade morfológica de caso, que permite a eles, de acordo com a motivação discursiva
empregada, exercer as funções de argumento externo (sujeito) e interno (complemento).
Lembrando que o caso é originário do latim vulgar, em português, é reconhecido pelas
marcas lexêmicas apenas nos pronomes pessoais como eu, tu, ele e nós (nominativos/suj.);
o (acusativo/OD); me, te, se, nos (acusativos-dativos/OD e OI); mim, ti, si, lhe (dativo/OD).
Os autores atribuem a mesma nomenclatura para o elemento estudado (pronome), mas
utilizam terminologias distintas para as funções que esse elemento exerce nas construções
gramaticais. Dessa forma, em Gramática da Língua Portuguesa são mantidos os termos
definidos e autorizados pela Nomenclatura Gramatical Brasileira, ao passo que em Nova
Gramática do Português Brasileiro, como é possível notar no decorrer da análise, são
utilizadas as terminologias resultantes de inúmeros estudos realizados por pesquisadores da
língua.
Dentro dessas perspectivas, Pasquale e Infante consideram os pronomes pessoais do caso
reto (eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas) aqueles que desempenham a função de sujeito ou
predicativo do sujeito, portanto não devem ser empregados como complementos verbais
(objeto direto (OD), objeto indireto (OI)), pois, segundo os autores, o uso desses pronomes
como complementos verbais, na língua culta, falada ou escrita, constitui um erro. Os
mesmos devem ser substituídos por pronomes pessoais oblíquos: Trouxeram eu até aqui. /
Trouxeram-me até aqui. (p. 277).
Por outro lado, os estudos de Castilho revelam que os pronomes não respeitam mais a
hierarquia ditada pela norma culta, portanto aqueles que pela regra deveriam atuar somente
como argumentos externos (lêem-se: pronomes pessoais do caso reto), hoje, embora
mantenham essa função, surgem, em muitas construções, como argumentos internos.
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Diferentemente de Pasquale e Infante, Castilho considera os pessoais como responsáveis
por retomar ou antecipar os participantes do discurso pelo caminho da foricidade
(propriedade que retoma conteúdos já referidos no enunciado: anáfora, ou a serem
expressos: catáfora), mas o autor ressalta que os pronomes pessoais de 1ª e 2ª pessoa, por
serem essenciais, constituem o núcleo do sintagma nominal (SN), portanto não podem
acompanhar nem substituir o substantivo, função exercida pelos de 3ª pessoa.
Em Gramática da Língua Portuguesa, os demonstrativos (este, esta, isto, esse, essa, isso,
aquele, aquela, aquilo, e seus respectivos plurais) são nomeados como os responsáveis por
indicar a posição dos seres em relação às pessoas do discurso, situando-as no tempo,
espaço e no próprio discurso. Os pronomes da 1ª pessoa fazem referência ao que ainda
será dito, e os de 2ª pessoa, ao que já foi dito. Já os possessivos (meu, minha, teu, tua, seu,
sua, nosso, nossa, vosso, vossa, e seus respectivos plurais) concordam com a pessoa
gramatical a qual se referem. Enquanto isso, os indefinidos (alguém, ninguém, cada, muito,
entre outros) indicam a presença do ser representado no discurso, mas não revelam sua
identidade. Alguns deles são empregados no texto para criar oposição de sentido, fator
importante para manter a coerência.
Neste ponto as reflexões de Castilho se aproximam, embora com terminologias diferentes,
de Pasquale e Infante, pois, segundo o autor, do ponto de vista semântico-discursivo, os
pronomes possessivos, demonstrativos e quantificadores (que são classificados pela
Gramática Tradicional como pronomes indefinidos) representam as pessoas do discurso
pelo caminho da dêixis, expressão que não é citada por Pasquale e Infante, mas exerce a
função de apontar para as pessoas do discurso, o lugar ocupado por elas e o tempo.
Castilho reúne esses pronomes na categoria dos Especificadores, cujas propriedades
semânticas e discursivas coexistem dentro do sistema gramatical mantendo a coesão
textual e a manutenção dos tópicos discursivos. Segundo ele, os termos pertencentes a
essa classe são aqueles que figuram à esquerda dos sintagmas e das sentenças. Eles
representam semanticamente a determinação definida ou indefinida, a quantificação e a
qualificação expressa no domínio do núcleo, mas lembra que essa classe ainda não está
adaptada às regras da descrição gramatical.
A Gramática Tradicional considera que os demonstrativos este, esse e aquele indicam
referentes próximos à 1ª, 2ª e 3ª pessoa. Porém, de acordo com Castilho, no Português
Brasileiro falado culto contemporâneo esse esquema ternário tem cedido espaço para o
esquema binário, no qual o pronome aquele se mantém como referência à 3ª pessoa, mas
há uma disputa entre este e esse, com tendência à substituição do primeiro pelo último,
quando se faz referência à 2ª pessoa.
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Esse processo tem ocorrido também com os possessivos teu e vosso, substituídos por seu
e seus. Essa ocorrência não é verificada, ainda, na língua escrita. Em decorrência disso, o
quadro desses pronomes apresenta uma nova estrutura: 1ª pessoa - meu/nosso; 2ª pessoaseu/seus; 3ª pessoa - dele/deles. Vale lembrar que a relação entre um referente e as
pessoas do discurso estabelecida por esses pronomes, poucas vezes remete a definição
primitiva de posse (possuidor/possuído).
A complexidade dos pronomes tem aumentado sobremaneira por conta das mudanças que
essa classe tem sofrido, principalmente na língua falada. Para Castilho essas variações que
decorrem de fatores como alteração, criação, substituição e perda, tendem a colocá-los em
evidência
nos
estudos
gramaticais,
pois
alteram
a
morfologia
do
verbo
e,
consequentemente, a estrutura funcional da sentença. Um exemplo disso é a substituição
do pronome nós pela forma a gente: A gente não está sabendo bem como sair desta
(p.478). Essa alteração, tão comum na língua coloquial, já encontra registro na língua culta
falada com a permuta de tu por você. A variação na forma transfere o verbo para a 3ª
pessoa, gerando a simplificação do mesmo e mudanças nas regras de concordância.
Para Pasquale e Infante a gente e você são expressões de tratamento que representam a 2ª
pessoa do discurso, e assim como os pronomes de tratamento pedem pela regra gramatical
o verbo na 3ª pessoa do singular. Os autores limitam suas reflexões às regras normativas,
não admitem, por conseguinte, que o uso dessas expressões em preterência aos pronomes
nós e tu geram, como explica Castilho, mudanças nas regras de concordância.
Colocação dos clíticos
Castilho afirma que atualmente no Português Brasileiro há uma oscilação entre a colocação
proclítica e enclítica dos pronomes clíticos me, te, se, o, lhe. Esses pronomes que exercem
a função de complementos verbais, às vezes atuam antes, às vezes depois do verbo.
Fatores como a presença de elementos atratores ou o papel temático assumido pelo clítico,
influenciam essa colocação. Na fala culta, deve-se considerar outro fator que determina a
colocação: a frequência de uso dos pronomes me e se, em preterência do o, nos, te, lhe.
Pasquale e Infante concordam com as funções de complementos verbais exercidas por
esses pronomes. De acordo com a posição que ocupam na oração, eles são nomeados
como proclíticos (antes do verbo), mesoclíticos (intercalado ao verbo) e enclíticos (depois do
verbo). Os autores, embora trabalhem a norma culta da língua, admitem, assim como
Castilho, que as regras de colocação pronominal estão sofrendo alterações devido às
mudanças ocorridas na língua, mas não prolongam maiores explicações sobre o assunto,
pois os elementos a eles oferecidos como instrumentos de trabalho se fixam nas regras
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VII Jornada de Iniciação Científica - 2011
exclusivas ditadas pela Gramática Tradicional que não permite ir além daquilo que já está
prescrito. Diferente de Castilho que se apóia em métodos linguísticos para produzir sua
gramática. São esses métodos que proporcionam ao autor fundamentos suficientes para
que ele não só aponte as mudanças como também explique os porquês dessas variações.
Podemos comprovar isso ao verificar a explicação do autor de que a frequência de uso de
determinados pronomes é um dos fatores que tem alterado a colocação dos clíticos.
Concordância verbal
Em Gramática da Língua Portuguesa a concordância verbal é definida como a relação
harmônica entre o verbo e o sujeito que concordam em número e pessoa. Os autores
enumeram as regras ditadas pela norma padrão que devem ser seguidas na língua falada
ou escrita para que haja um bom entendimento da linguagem.
Embora Castilho apresente a mesma concepção de Pasquale e Infante no que se refere à
definição de concordância verbal, ele afirma que na sentença um elemento linguístico é
determinado por outro, portanto, para que haja uma harmonia entre ambos (termo
determinante e termo determinado), deve-se considerar os sistemas gramatical, semântico e
discursivo. De acordo com a explanação do autor, para reconhecermos a verdadeira função
de um termo, devemos considerar a sintaxe, o sentido e o contexto discursivo no qual o
enunciado foi produzido, pois a partir dessas observações podemos obter diferentes
resultados. Já na concepção da norma culta, desenvolvida por Pasquale e Infante, a sintaxe
que estabelece a relação entre o verbo e o sujeito é o suficiente para indicar as funções e a
concordância entre os termos, chegando a uma semântica próxima da estilística e da
linguagem figurada.
Para desenvolver suas reflexões, Castilho lançou mão do princípio de projeção, no qual
inseriu não só a concordância como também a colocação e a regência, três modalidades
sintáticas que se confluem e que necessitam da observação dos sistemas citados
anteriormente para melhor entendimento da sentença, afinal, no sistema gramatical um
termo concorda com o outro; no semântico, um termo concorda com o sentido do outro; e no
discursivo, um termo do enunciado concorda com um participante do enunciado. Devemos
ressaltar que nos sistemas semântico e discursivo a concordância também ocorre através
da gramática, mas a sua motivação nem sempre decorre da mesma.
O autor, assim como Pasquale e Infante, afirma que nas regras de concordância verbal no
Português Brasileiro padrão a relação do predicador (verbo) com o argumento externo
(sujeito) é marcada pela concordância de pessoa e de número, mas essa relação,
normalmente, resulta em redundância, verbo com marcação de plural, sujeito marcado pelo
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Universidade Presbiteriana Mackenzie
plural: As portas da cidade caíram ante o ímpeto das tropas invasoras (p.411). Essa relação
não ocorre entre o verbo e os argumentos internos (os complementos verbais). O autor
considera a concordância de pessoa mais forte que a de número, inclusive no Português
Brasileiro não padrão, onde as regras não devem ser descritas de maneira literal, devido à
complexidade e a instabilidade de uso que admite diferentes regras de concordância.
Pasquale e Infante, dentro da visão prescritiva a que se dispõem, limitam suas descrições
as regras normativas da língua, tais como: o sujeito composto por pessoas diferentes, a 1ª
pessoa prevalece sobre a 2ª pessoa: Teus irmãos, tu e eu tomaremos a decisão, e a 2ª
pessoa prevalece sobre a 3ª pessoa: Tu e teus irmãos tomareis a decisão (p. 467).
Castilho, ancorado em bases científicas, explica como as diferentes motivações que
ocorrem na língua podem ocasionar, inclusive, mudanças nas regras de concordância.
Assim, afirma que essas variações são decorrentes, além do nível sociocultural dos falantes,
de fatores como a simplificação pronominal, que resulta na simplificação verbal, diminuindo
a importância da concordância entre verbo e sujeito. Nesse caso quando o verbo apresenta
uma forte marca de pessoa, aumenta a concordância em 3ª pessoa: Eles fala que eles faz o
que eles quer (p. 412), mas esse fator não ocorre na escrita; a proximidade entre verbo e
sujeito, quanto mais próximo, maior a possibilidade de uma concordância harmônica: As
contas pesaram muito na minha decisão de fazer mais economia (p. 413); e o verbo, que
ao ser empregado no plural, facilita a concordância no plural, pois atrai outros elementos
com a marca de plural. A ausência da mesma mantém os elementos no singular.
Concordância nominal
Pasquale e Infante consideram a concordância nominal a relação entre as classes de
palavras de valor nominal, mas admitem que muitas construções fogem da norma padrão
para dar ênfase a um novo significado, ou seja, do ponto de vista prescritivo dos autores, as
novas construções desrespeitam as regras que são determinados pela Gramática
Tradicional e apresentadas por eles como únicas a serem seguidas. Eles classificam essas
ocorrências como concordância ideológica ou silepse, que pode ser de número: O público
chegou muito cedo. Como o sol era forte e o calor intenso, começaram a pedir aos
bombeiros que jogassem água (o verbo no plural concorda com o sentido do sujeito coletivo
público); de gênero: Vossa Excelência está frustrado (quando há discordância de gênero
masculino e feminino); ou de pessoa: Os brasileiros decentes queremos que acabe a
impunidade e os privilégios (o verbo não concorda com o sujeito expresso, mas sim, com o
sujeito subentendido). Afirmam que uma das formas mais comum de silepse de pessoa e de
número é realizada na língua coloquial utilizando a expressão a gente: A gente somos
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felizes (p. 483). Novamente o uso da expressão a gente é condicionado às regras
normativas.
Castilho acredita que os novos significados de algumas construções são decorrentes das
mudanças nas regras de concordância. O autor não deixa de considerar as regras
gramaticais, mas a língua não pode se resumir apenas a essas regras, sobretudo se
considerarmos as mudanças constantes na língua portuguesa que têm alterado as regras de
concordâncias. As diferenças entre os autores observados neste trabalho encontram
justificativa em suas respectivas formações, Pasquale e Infante tiveram uma formação
prescritiva, fundamentada, portanto, na tradição gramatical, o que se faz refletir na forma de
pensamento expresso em sua obra. Na mesma proporção, estão os reflexos gramaticais
apresentados na obra de Castilho, que embora tenha tido uma formação clássica, dedicou
anos de sua vida a pesquisas referentes às ocorrências da língua, fundamentando-se para
tanto em uma perspectiva científica, que permite ao pesquisador ir além das regras para
explicar como e porque determinados fatores influenciam na organização da língua.
Assim, dando continuidade as suas observações a respeito da concordância nominal,
Castilho afirma que no Português Brasileiro as classes que marcam com mais frequência o
plural são os Especificadores de SN (artigos, demonstrativos e indefinidos), e aquelas em
que há diferenças evidentes entre o singular e o plural como lugar – lugares, porém, é
comum a supressão do morfema {-s} mesmo quando o Especificador traz a marca de plural:
as menina pequena (p. 461), esse fenômeno é conhecido como economia, mas o autor
atribui a ele a mesma reflexão oferecida à concordância verbal: marcas atraem marcas, pois
quando a palavra anterior apresenta o morfema {-s}, a seguinte também apresenta essa
marca – milhares de coisas. Quando a primeira não traz o plural, a palavra seguinte também
o suprimi – umas porçãoØ de coisaØ (p. 461). O autor pode comprovar essa teoria a partir
dos dados selecionados durante os anos de pesquisas linguísticas que realizou. Ainda
assim, acredita que essa questão deva ser tratada cognitivamente para que se possa
entender a complexidade desses mecanismos, por essa razão, sugere que nenhum
caminho seja seguido como único, dadas as muitas possibilidades de observação da língua.
Regência verbal e nominal
Ambas as gramáticas observadas neste trabalho concordam que regência verbal é a relação
dos verbos com seus complementos e regência nominal é a relação dos nomes com os
termos regidos por eles. Porém, há diferenças evidentes nas formas de descrição desses
termos. Os autores de Gramática da Língua Portuguesa, mais uma vez, enumeram as
regras e mantêm as classificações ditadas pela Gramática Tradicional para os termos
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estudados, enquanto o autor de Nova Gramática do Português Brasileiro, seguindo sua
descrição científica e explicativa, lança mão de termos técnicos para apresentar suas
proposições. Dessa forma situa a regência dentro do princípio de projeção e de
transitividade, e atribui às classes nomes como predicação, argumentos, entre outros.
Pasquale, Infante e Castilho concordam, ainda, que não há transitividade absoluta, pois
dependendo do contexto, os verbos podem assumir diferentes sentidos. Um exemplo
retirado de Nova Gramática do Português Brasileiro é o verbo viver (intransitivo) que ao ser
empregado na construção: Vivi uma vida legal, atua como transitivo (p.263).
Pasquale e Infante, de acordo com as transitividades mais frequentes, nomeiam os
seguintes verbos: intransitivos, aqueles que não precisam de complementos, mas quando
são acompanhados de adjuntos adverbiais fazem uso da preposição: Cheguei a Roma num
domingo de Carnaval (p. 497); transitivos diretos, aqueles que necessitam de
complementos, os objetos diretos, sem o intermédio da preposição para efetuar a regência
(abençoar, abraçar, admirar, respeitar, etc.); e transitivos indiretos, os que necessitam de
complementos, os objetos indiretos, com o intermédio da preposição para efetuar a regência
(simpatizar, obedecer, responder, etc.). Há verbos que atuam como transitivos diretos e
indiretos, nesse caso necessitam de dois complementos, um OD e OI: Cristo ensina que é
preciso perdoar o pecado ao pecador (p. 501).
Embora tenham as mesmas transitividades, Castilho, dentro de suas reflexões, nomeia os
verbos: monoargumental, biargumental e triargumental. O primeiro pede apenas um
argumento para completar o sentido do enunciado, a esse argumento, ele chama,
absolutivo. Uma gramática prescritiva nomeia esse verbo como impessoal, portanto, sem
sujeito. O segundo e o terceiro verbo selecionam dois e três argumentos respectivamente.
Os argumentos internos (complementos), assim como para Pasquale e Ulisses, também são
nomeados como objetos diretos e indiretos, mas Castilho atribui a eles papéis temáticos de
paciente (OD), e beneficiário (OI).
Segundo o autor, devido às mudanças no quadro dos pronomes, há uma tendência a
supressão do objeto direto, cedendo lugar a categoria vazia: Você já contou Ø pra ele? (p.
302). O objeto indireto é representado sempre por um sintagma preposicional nucleado por
preposição selecionada pelo verbo. Pode ser substituído pelos dativos me, te, lhe, a ele: O
menino entregou a prova ao professor / O menino entregou-lhe / a ele a prova (p.266).
Os complementos oblíquos por completarem, frequentemente, os verbos de movimentos,
podem assumir, de acordo com o enunciado, diferentes papéis temáticos, tais como origem/
alvo: Viajei de Campinas para São Paulo pela rodovia Bandeirantes (p. 305), entre outros.
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Em suma, alguns verbos necessitam de preposições para efetuar a relação de regência. Ao
admitirem diferentes regências, recebem diferentes complementos.
Um bom exemplo, citado pelos autores das duas gramáticas estudadas, é o caso da
substituição da preposição a por em. Pasquale e Infante apontam esse fator como erro, pois
a construção em que ocorre essa substituição não respeita a norma culta da língua. Dizem
ainda que ela ocorre somente na língua coloquial que ao invés de dizer fui ao cinema, diz fui
no cinema (p.497). Na verdade, por trabalharem com a descrição prescritiva, eles não têm
o apoio de elementos científicos que os permita justificar as novas transitividades. Castilho
ao apontar essas alterações, lembra que na mesma proporção em que as mudanças
pronominais acarretam mudanças evidentes nas relações de concordância e regência, está
o desaparecimento e a substituição de algumas preposições, que, ao serem substituídas,
mudam as transitividades verbais e, consequentemente, o sentido das sentenças. Afirma,
então, ser necessário não só dar atenção como também investigar essas modalidades,
afinal, são elas que promovem as novas ocorrências linguísticas no Português Brasileiro.
Considerações - A partir das reflexões descritas, podemos verificar que Pasquale e Infante,
dentro da proposta prescritiva, apresentam ao leitor as regras e as nomenclaturas
tradicionais. Apesar de admitirem em alguns excertos da obra que a língua portuguesa é um
elemento vivo que tem sofrido mudanças decorrentes de fatores regionais, sociais, culturais,
dentre outros, eles não as trabalham, mantendo a norma culta como foco do trabalho.
Um dado interessante dessa obra reside no fato de que, embora, ela tenha sido reformulada
a partir de sugestões de alunos, e profissionais da área, que opinaram com a intenção de
colaborar para a melhoria dos temas abordados, e traga também em seu conteúdo textos
jornalísticos e publicitários, que ao ver dos autores possibilitam uma interação maior com a
realidade e com as necessidades de ensino e aprendizagem, os autores mantêm o ideal de
que conhecer as regras gramaticais é fundamental para o domínio culto da língua. Portanto,
compreender que a língua é um sistema de signos linguísticos, formados por significantes e
significados, condiciona o indivíduo a organizá-la de forma correta.
Castilho, ao contrário, focaliza as mudanças da língua, o autor se preocupa não só em
apontá-las como também em mostrar como elas estão ocorrendo e as consequências que
têm causado no sistema, isso através de estudos linguísticos compartilhados com outros
pesquisadores da língua como Mira Mateus, Benveniste, Preti, entre outros.
Embora o autor tenha produzido uma gramática do português brasileiro com a intenção de
atribuir a essa percepção um valor científico, ele admite que ela se afasta das gramáticas
utilizadas nas escolas por não se tratar de uma gramática-lista, repleta de classificações, em
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Universidade Presbiteriana Mackenzie
que não é possível ver a língua. Em seu trabalho, busca identificar os processos criativos
que estão por trás do português falado por milhares de brasileiros, além disso, não é um
trabalho pautado na língua literária como a maioria das gramáticas pedagógicas.
Por refletir em sua gramática, além dos resultados das pesquisas anteriores, as
experiências apreendidas em sala de aula durante os 47 anos de magistério, ele não atribui
juízos de valor aos fatos, determinando o que é certo ou errado, pois sabe que essa
metodologia não surte bons resultados. Ao contrário, apresenta uma articulação entre o
expositivo e o indagativo com a intenção de tornar o leitor "um coautor", "um linguistagramático" capaz de formular perguntas condizentes com suas dúvidas.
Para dar forma a esse ideal, insere no conteúdo da obra diálogos imaginários entre autor e
leitor, buscando responder a perguntas vinculas aos termos gramaticais, aos achados da
ciência atual, ou, ainda, possibilitando novas respostas a partir do conhecimento existente.
Uma das principais preocupações do autor é trabalhar sob uma teoria que explique a língua
em funcionamento como um conjunto que envolve simultaneamente o léxico, a semântica, o
discurso e a gramática, porém, como não há uma teoria com essa finalidade, e não é viável
trabalhar sem um apoio teórico, Castilho se apóia na teoria multissistêmica, que ao envolver
os sistemas linguísticos citados, possibilita a realização de seu projeto.
O que ele pretende é deixar de lado a repulsa à Gramática Tradicional para acrescentar algo
mais aos seus achados. Segundo o autor (2010, p.33) "o livro mostra como as pesquisas
linguísticas, na verdade, aprofundaram e enriqueceram esses achados, operando a partir de
princípios e aplicando uma metodologia segura". Para ele a oposição "linguísta x gramático",
que surgiu nas décadas de 60 e 70, foi superada pela pesquisa científica que mescla o
trabalho de ambos contribuindo para os estudos referentes à língua.
Embora fatores decorrentes do contexto social, como o citado pelo autor, influenciem as
produções de seu tempo, nós não encontramos nenhum elemento social, notadamente
marcante, que tenha causado algum reflexo nas obras analisadas. Como suas produções
pertencem a um recorte temporal próximo, se houvesse algum fator relevante, este
provavelmente seria perceptível em ambas. Porém, há que se considerar um elemento
externo fundamental na produção das mesmas: a formação e as experiências acadêmicas
de cada autor.
Pasquale é Graduado em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), desde então,
leciona Língua Portuguesa, além de atuar em diferentes programas, cujo tema é o mesmo:
gramática, focalizando o modo correto de utilizá-la, ou seja, a norma padrão.
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Ulisses Infante é Doutor em Letras/Literatura pela mesma Universidade. Tem experiência
como professor de Língua Portuguesa, e desde 1988, trabalha na produção de materiais
didáticos voltados à formação de leitores literários.
Castilho é Livre-docente pela Universidade de São Paulo (USP). Realizou diversos estágios
de Pós-doutorado fora do país. Lecionou português e latim em escolas públicas e atuou
como profissional das Letras nas três universidades oficiais paulistas. Embora tenha tido
uma formação clássica, ele desenvolveu inúmeras pesquisas, coordenou projetos e grupos
de estudos que lhe permitiram produzir vários trabalhos direcionados à linguística, tais como
o Projeto de Estudo Coordenado da Norma Urbana Linguística Culta, Projeto de Gramática
do Português Falado (1988-2010), entre outros.
As perspectivas resultantes da formação acadêmica de cada autor são notadamente
observáveis na leitura da descrição e análise de suas obras realizadas neste trabalho.
CONCLUSÃO
Ao refletir sobre as proposições observadas, chegamos à conclusão de que cada
pensamento estudado tem seu valor no momento ao qual está inserido. Ao considerar,
ainda, os processos de continuidade e descontinuidade de formas de tratamento da
linguagem, notamos, inclusive, a relação de ambas. Afinal, Gramática da Língua Portuguesa
apresenta em seu conteúdo as regras normativas do sistema, utilizadas como base para a
construção de todas as gramáticas prescritivas, e é a partir dessas regras que podemos
reconhecer algumas mudanças ocorridas na língua e apresentadas com propriedade em
Nova Gramática do Português Brasileiro.
Essas variações linguísticas não nasceram de um dia para o outro, mas se construíram
gradativamente no cenário gramatical até ganhar força suficiente para provocar alterações
em algumas regras fixas como, por exemplo, as normas de colocação pronominal ou, ainda,
marcas da língua coloquial, que hoje podem ser reconhecidas na língua escrita, caso da
substituição do tu por você, em algumas regiões brasileiras.
Essas variedades se refletem em todo o sistema, uma vez que simplificam as relações de
concordâncias, regências e até mesmo a função de determinados elementos como ocorre
com os complementos. Então, para estudar gramática é fundamental conhecer as regras,
pois a partir delas é possível não só observar as mudanças como também entendê-las e
assimilá-las, enriquecendo, assim, o saber gramatical.
Portanto, vale a leitura prescritiva e pedagógica de Pasquale e Ulisses, bem como a
descrição científica da língua em uso, de Castilho, pois, em conjunto, essas observações
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tornarão o indivíduo capaz de distinguir, sem preconceito, as diferentes variedades da
língua, identificando a estrutura, a organização e os porquês de cada elemento linguístico.
O contato com diferentes pensamentos gramaticais tende a estimular um aprofundamento
dos estudos referentes à língua para conhecê-la em sua essência e responder às questões
que surgem naturalmente quando nos dedicamos a esse estudo. E, é com esse estimulo
que pretendemos dar continuidade as nossas futuras pesquisas linguísticas.
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Luciana Ribeiro de Souza