PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE SÃO JOSÉ CENTRO UNIVERSITÁRIO MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ JULIANE DE OLIVEIRA VIDAL COMPORTAMENTO INFANTIL: CONCORDÂNCIAS E OU DIVERGÊNCIAS ENTRE RESPOSTAS DE PAIS, MÃES E PROFESSORA São José Junho de 2013 JULIANE DE OLIVEIRA VIDAL Trabalho Elaborado para a disciplina de Conclusão de Curso (TCCII) do curso de Pedagogia, requisito parcial para curso de graduação em Pedagogia do Centro Universitário Municipal de São José - USJ Orientadora: Dra. Edla Grisard São José 2013 2 JULIANE DE OLIVEIRA VIDAL COMPORTAMENTO INFANTIL: CONCORDÂNCIAS E OU DIVERGÊNCIAS ENTRE RESPOSTAS DE PAIS, MÃES E PROFESSORA Trabalho de Conclusão de Curso elaborado como requisito parcial para obtenção do grau de licenciada em Pedagogia do Centro Universitário Municipal de São José – USJ –, avaliado pela seguinte banca examinadora: BANCA EXAMINADORA ________________________________________________________ Profª. Dra. Edla Grisard Orientadora – USJ _________________________________________________________ Profª Ms. Elisiani Cristina de Souza de Freitas Noronha _________________________________________________________ Profª Ms. Ana Elisa Cassal São José, 26 de junho de 2013. 3 AGRADECIMENTOS A Deus! Aos meus pais Juarez e Priscila, por tudo que em ensinaram, todo apoio, dedicação, preocupação, esforço! Amo vocês. Aos meus irmãos Gabriel e Mariane, por todo o amor!Ao meu namorado, por toda paciência, ajuda e compreensão pela minha ausência. A minha família tias, tios, primos, primas, que mesmo longe,me incentivaram,mandaram energias positivas sempre. As duas estrelas que estão no céu me iluminando e guiando sempre: Vó Jura e Vó Lurdes, o meu amor por vocês é eterno. Obrigada por tudo! Aos meus avôs José e Altamir, minhas paixões! Em especial para o meu afilhado Luca Rafael. A minha orientadora maravilhosa Edla Grisard, muito obrigada por me ajudar em todos os momentos difíceis que tive que passar nesse período. Por me incentivar. Por todo o ensinamento e aprendizagem que vou levar comigo para sempre. Obrigada por aceitar fazer parte desse sonho. Aos meus amigos, que me incentivaram em todos os momentos. Ás colegas de faculdade por passar esses quatro anos de muita dedicação, risadas, amizades, conflitos, dúvidas, debates, crescimento profissional. Ás crianças, pais, mães e professora, que fizeram parte dessa pesquisa e que me ajudaram a tornar grande parte de um sonho realidade. Ao Colégio, por autorizar a pesquisa ser feita no local. 4 Se você não correr riscos com medo de errar, talvez nunca conheça a alegria que é acertar. Verônica Pereira. 5 RESUMO Este estudo apresenta as concordâncias e/ou divergências que ocorrem entre repostas de pais, mães e professora, no ambiente escolar e familiar, através do instrumento Child Behavior Cheklist (CBCL) versão 1¹/² - 5 anos. Participaram da pesquisa 14 crianças da turma do nível 2, que tinham de 3 a 5 anos, seus pais e a professora titular de sala. Todos os participantes da pesquisa eram da região de Florianópolis, SC. Os questionários foram enviados para os pais, as mães e a professora das crianças da turma. Os objetivos da pesquisa foram: analisar a percepção de pais/mães e professora acerca dos comportamentos das crianças, verificar as respostas de pais e mães, averiguar as respostas oferecidas pela professora e comparar as avaliações de pais, mães e professora, referentes ao comportamento das crianças, para verificar concordâncias e divergências entre os participantes da pesquisa. O CBCL investigou questões voltadas para problemas internalizantes, a saber: problemas emocionais, ansiedade e depressão, queixas somáticas e problemas sociais, assim como os comportamentos externalizantes, relativos a problemas de atenção e comportamento agressivo. Os resultados da pesquisa foram avaliados pelo software estatístico denominado ADM (Assessment Data Managment), que apontou que a professora diverge mais vezes em suas respostas quando comparadas às respostas oferecidas pelos pais e pelas mães. Palavras-chave: comportamento infantil; escola-família; interação; desenvolvimento infantil. ABSTRACT This study aims at pointing out the agreements and/or disagreements presented in the responses given by fathers, mothers and the teacher to the Cheklist Child Behavior (CBCL) questionnaire – version 1 ¹ / ² - 5 years – related to the children’s behavior at the school environment, as well in the family context. Participants were 14 children in the class level 2, which were 3-5 years old, their parents and their regular teacher. All survey participants were from Florianópolis –SC. Questionnaires were sent to parents, mothers and the teacher. The research objectives were to analyze the perception of fathers/mothers and the teacher about the behavior of children, assess responses of mothers and fathers, determine the answers provided by the teacher and compare the ratings of parents and teacher, concerning their children/pupils’ 6 behavior, in order to verify the agreements and the disagreements among the research participants’ perceptions. CBCL investigated questions related to internalizing problems, namely: emotional and social problems, anxiety, depression and somatic complaints, as well as externalizing behaviors, related to attention problems and aggressive behavior. The survey results were analyzed by the statistical software called ADM (Assessment Data Managment), who pointed out that the teacher diverged more often in her responses, when compared to the responses provided by fathers and mothers. Keywords: child behavior; school-family; interaction; child development. 7 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO........................................................................................................08 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.........................................................................11 2.1 PRINCIPAIS CONSTRUTOS DA TEORIA BIOECOLÓGICA: PROCESSO E PESSOA ...................................................................................................................11 2.2 BRONFENBRENNER: A CONCEPÇÃO DE DESENVOLVIMENTO ..........13 2.3 O CONTEXTO: O MICROSSISTEMA FAMILIA E O MESOSSISTEMA FAMILÍA–ESCOLA...................................................................................................15 3 ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO PARA PIAJET E WALLON : A CRIANÇA DE 2 A 4 ANOS.....................................................................................20 3.1 JEAN PIAGET: PERÍODO PRÉ- OPERATÓRIO..............................................20 3.2 HENRI WALLON E O PERSONALISMO.........................................................21 4 O PAPEL DO PROFESSOR NA EDUCAÇÃO DA CRIANÇA E SEU DESENVOLVIMENTO ..................................................................................23 5 COMPORTAMENTOS INTERNALIZANTES E EXTERNALIZANTES ............................................................................................25 6 MÉTODO ................................................................................................................27 6.1 CONTEXTOS E PARTICIPANTES....................................................................27 6.2 INSTRUMENTO...................................................................................................27 6.3 PROCEDIMENTOS .............................................................................................28 7 ANÁLISES E DISCUSSÃO DE DADOS.............................................................28 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................................48 REFERÊNCIAS.........................................................................................................50 8 1 INTRODUÇÃO A educação infantil é uma das etapas mais importantes na vida de uma criança em relação à escola, pois é nesse contexto que a mesma terá o contato com diferentes crianças com comportamentos e pensamentos distintos, enriquecendo suas interações. O professor deveria conhecer muito bem a criança com quem está trabalhando, pois este é um dos fatores mais importante para que a relação professor-criança seja produtora de aprendizagens. Conhecendo seus alunos o professor saberá quais são as potencialidades, as dificuldades, os medos, os desejos e curiosidades, entre outros, e terá subsídios para trocar, com a família, suas percepções, visando o desenvolvimento integral da criança. É necessário, portanto, que haja uma relação família-escola, com comunicação clara, para que as trocas aconteçam e favoreçam o desenvolvimento da criança. A escola pode criar programas para que ocorra, por exemplo, com maior competência a adaptação da criança no meio social, para a prevenção ou resolução de problemas no desenvolvimento infantil, e que consigam acompanhar todas as fases de desenvolvimento sem dificuldades (OLIVERES, WILLIIAMS e AIELLO, 2004). Embora se reconheça na literatura a importância da relação família-escola, surgem os seguintes questionamentos: como pais/mães e professores percebem e identificam os comportamentos das crianças nos seus contextos? Há diferenças entre as percepções da família e da escola? Há concordâncias? Diante do questionamento supracitado, o presente trabalho analisou as concordâncias e/ou diferenças entre respostas de pais, mães e professores acerca dos comportamentos da criança entre 3 – 5 anos idade que estão presentes na educação infantil de acordo com o questionário Child Behavior Checklist (CBCL i). Para que a criança tenha um desenvolvimento adequado e saudável durante a sua infância, uma relação de cooperação entre família e escola auxilia pais, mães e professores a identificar todas as necessidades de cada etapa do desenvolvimento infantil. Assim se a criança apresenta algum problema de comportamento que possa interferir significativamente no seu desenvolvimento, juntos, família e escola podem conseguir combater as dificuldades e ajudar a criança a superar seus desafios, próprios da etapa em que vive, sem que sejam prejudicadas suas relações futuras. Este trabalho tem como objetivo geral analisar a percepção de pais/mães e professora acerca dos comportamentos de crianças entre três e cinco anos.Como objetivo específico analisar as respostas de pais e mães, averiguar as respostas das 9 professoras, comparar as avaliações de pais, mães e professoras referentes ao comportamento das crianças e identificar a concordância e/ou divergência entre respostas de pais, mães e professores. Para embasamento da pesquisa serão destacadas, no quarto capítulo, a concepção do desenvolvimento para Bronfenbrenner (1996/1999) e as relações microssistemas e mesossistemas, com base nas suas teorias. No capitulo, a inclusão da compreensão da etapa de desenvolvimento estudada de acordo Jean Piaget (1982), além da apresentação dos argumentos de Herni Wallon (1975) sobre o que se pode esperar do personalismo. A partir da busca realizada na base de dados SCIELO e LILACS, foram encontrados 70 artigos com as palavras-chave “comportamento” e “educação infantil”, relacionadas ao tema, e com a palavra-chave “comportamento infantil”. Foram localizados, no total, 1.717 artigos científicos e foi realizada uma seleção por títulos, artigo por artigo. Foram encontrados 62 artigos envolvendo comportamento infantil, que foram lidos um a um. Dessa seleção final, 20 trabalhos foram de suma importância para essa pesquisa, haja vista sua relação com o tema proposto. Dentre as pesquisas selecionadas para compor a fundamentação, se destaca a pesquisa de Bolsoni, Maturano, e Manfrinato (2006), cujo objetivo foi de avaliar e comparar as habilidades sociais e os problemas de comportamento de crianças consideradas problemáticas a partir do olhar de mães e professores. Destaca-se, também, o trabalho de Borsa e Nunes (2008), cujo objetivo foi de avaliar e comparar as respostas de pais e mães com filhos de 6 a 10 anos de idade sobre a concordância parental e problemas de comportamento infantil através do Child Behavior Checklist¹ (CBCL). Entre as 62 pesquisas lidas sobre o comportamento e educação infantil, não foi encontrada nenhuma pesquisa igual a que será apresentada, que investigue a percepção de pais, mães e professores sobre os comportamentos de crianças entre 3 e 4 anos de idade. Diante do acima exposto, o presente trabalho tem como justificativa científica a inexistência de dados sobre o comportamento infantil de crianças com idade entre três e quatro anos, bem como acerca das comparações das percepções de pais, mães e professoras da Educação Infantil. 1 Child Behavior Cheklist (CBCL) versão 1¹/² - 5 anos é um questionário, designado para pais, mães, cuidadores e professores, desenvolvido por Achenbanch e Recorla (2004). 10 Além do ineditismo da pesquisa, os resultados da presente investigação poderão trazer para escola, professores e aos próprios pais e mães subsídios para auxiliar na melhoria da condução das atitudes das crianças e na identificação dos diferentes modos do comportamento infantil nos dois contextos de desenvolvimento. Assim, diferente das pesquisas encontradas nas bases de dados SCIELO e LILACS, onde ocorria a exclusão de algumas crianças, por motivos de atendimentos especiais, por serem crianças com deficiências, ou que continham algum problema de comportamento, nesta pesquisa não houve exclusão de criança alguma da turma. Todas foram avaliadas por pais, mães e pela professora. 11 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Urie Bronfenbrenner foi um pesquisador que inovou o pensamento na área do desenvolvimento humano. Sua primeira teoria foi criada em 1970, sob o título “Abordagem Ecológica do Desenvolvimento Humano”. Segundo Koller, Bronfenbrenner, desde cedo atentou para a interdependência entre os organismos vivos e seu ambiente, conscientizando – se de influencia da comunidade na sua saúde mental, dai o desejo de desenvolver e implantar políticas púbicas que pudesse contribuir para a melhoria da condição da vida da população. Suas idéias articulam assim a pesquisa e a política publica. Foram influenciados pelas concepções de Dilthey, George Mead e Kurt Leewin. (KOLLER, 2004, p.51). A Teoria do desenvolvimento humano torna-se importante justamente pela articulação entre política e pesquisa, pois traz um conteúdo inovador, que nos auxilia a observar e refletir o mundo através de um referencial teórico determinado, primeiramente, a partir da “forma como a pessoa lida com o seu ambiente” (BRONFENBRENNER, 1979/1996, p.5). A referida teoria será apresentada em seguida. 2.1 PRINCIPAIS CONSTRUTOS DA TEÓRIA BIOECOLÓGICA: PROCESSO E PESSOA Abranger ecologicamente a complexidade do desenvolvimento humano permite que a atenção não esteja voltada somente para a pessoa e os ambientes nos quais ela se encontra, mas também para as interações e passagens em ambientes diferentes, dos quais muitas vezes ela participa indiretamente. O desenvolvimento incide em um processo de influência mútua entre o indivíduo e o seu contexto ao longo do tempo. O desenvolvimento acontece a partir de expressões de interações recíprocas, de um ser humano funcional, biopsicologicamente em desenvolvimento, com as pessoas, objetos, símbolos presentes em seu espaço. Abrange tanto os padrões de permanência quanto de modificações nas características biopscicologicas dos seres em sua existência através das gerações. 12 A teoria ecológica inicialmente dava ênfase ao contexto das pessoas. Bronfenbrenner (1999), após uma revisão do sistema ecológico e com algumas alterações, passou a dar ênfase aos processos que ocorriam nos contextos e entre os mesmos ao longo do tempo, criando assim o Modelo Bioecológico do desenvolvimento Humano. “O modelo bioecológico também enfatiza o ambiente, mas propõe que o desenvolvimento humano seja estudado por meio da interação deste núcleo com outros três, de forma inter-relacionada: o processo, a pessoa e o tempo ampliando o foco do modelo.” (POLETTO; KOLLER, 2008, p.406). O processo é a base que sustenta o novo modelo bioecológico. Denominado de processo proximal, caracteriza-se pelas interações entre o organismo e o ambiente ao longo do tempo, sendo a parte central do desenvolvimento. Os processos proximais são caracterizados por cinco aspectos, sendo eles: 1- Para que o desenvolvimento ocorra é necessário que a pessoa esteja engajada em uma atividade”. 2- Para ser efetiva, a interação deve acontecer em uma base relativamente regular, através de períodos prolongados de tempo. 3 – as atividades devem ser progressivamente mais complexas, dai a necessidade de um período estável de tempo. 4 – Para que os processos proximais sejam efetivos deve haver reciprocidade entre as relações interpessoais. 5 – Para que a interação recíproca ocorra, os objetivos e símbolos presentes no ambiente imediato devem estipular a atenção, a exploração à manipulação e a imaginação da pessoa em desenvolvimento (BRONFENBRENNER apud KOLLER;NARVAZ, 2004, p.54). Os processos proximais têm influencia no desenvolvimento de cada pessoa, em relação à direção e ao conteúdo, ao longo de sua vida. O processo proximal pode ser dividido em dois tipos de efeitos, que são eles: competência e disfunção, sendo que cada um promove resultados de evolução distintos. Efeitos de competência, por exemplo, referem-se a adquirir conhecimentos, aptidões e capacidades para administrar o seu próprio comportamento. Já nos efeitos de disfunção não há controle do comportamento em diferentes domínios do desenvolvimento, o que significa que os processos proximais com efeitos de disfunção levam à pessoa a não desenvolver capacidade de autoregulação. A pessoa é o segundo elemento do modelo bioecológico. As pessoas apresentam características que são tanto produtoras como disruptivas de processos proximais, pois formam um dos elementos que influenciam a forma, a força, o conteúdo e a direção dos 13 desses processos. Sendo assim, o desenvolvimento é resultado da interação conjunta dos elementos: processo, pessoa, contexto e o tempo (BRONFENBRENNER, 1999). Existem três tipos de características da pessoa, que abrangem os processos proximais, nomeadas como: força, recursos e demandas. A força apresenta os elementos que colocam os processos proximais em movimento, e os amparam. Segundo Koller e Narvaz, (2004, p.56). Refere-se às características ou disposições comportamentais ativas que tanto podem colocar os processos proximais em desenvolvimento e sustentar sua operação quanto colocar obstáculos ou mesmo impedir que tais processos ocorram. Estas características são chamadas de geradoras (generative) ou desorganizadoras (disruptive), respectivamente. As características geradoras envolvem orientações ativas, tais como curiosidade, disposição para engajarse em atividades individuais ou compartilhadas com outros, respostas a iniciativas de outros e senso de auto- eficiência. Já as características desorganizadoras referem-se ás dificuldades da pessoa em manter o controle sobre seu comportamento e sobre suas emoções, encontrando-se aqui características como apatia, desatenção, insegurança, timidez, excessiva, impulsividade, irresponsabilidade tendência a comportamentos explosivos. As características geradoras e desorganizadoras fazem parte do desenvolvimento comportamental do ser humano, podendo sofrer alterações ao longo do ciclo da vida, esta características podem colocar obstáculos sobre os processos proximais ou ate mesmo impedir que eles ocorram. Recursos biopsicológicos, por sua vez, são experiências aptidões e informações que se tornam necessários para um bom funcionamento dos estágios de desenvolvimento, ligados aos processos proximais, podendo causar alguns tipos de deficiências e competências capazes de alterar a evolução do processo. Demandas são aspectos que inibem ou instigam as ações no ambiente, como as características físicas ou psicológicas. As pessoas possuem diferentes tipos de características, distintas na direção e na amplitude dos processos proximais, ocasionando variados efeitos no desenvolvimento do ser humano. 2.2 BRONFENBRENNER: A CONCEPÇÃO DE DESENVOLVIMENTO. A concepção de desenvolvimento não absorve tanto valor aos procedimentos psicológicos tradicionais como pensamento, aprendizagem, motivação e percepção, destaca o contexto desses processos como o que é entendido pelo indivíduo, ou até mesmo o que é evitado, raciocinado ou obtido como conhecimento, dando mais 14 importância à natureza destes processos psicológicos podendo ser alterada em função da apresentação e influência mútua do ser humano em desenvolvimento com o seu espaço (BRONFENBRENNER, 1996). Assim, o desenvolvimento humano é definido por Bronfenbenner como: Mudança duradoura na maneira pela qual uma pessoa percebe e lida com o seu ambiente, (...) é o processo através do qual a pessoa desenvolvente adquire uma concepção mais ampliada, diferenciada e válida do meio ambiente ecológico, e se torna mais motivada e mais capaz de se envolver em atividades que revelam suas propriedades, sustentam ou restituíram aquele ambiente em níveis de complexidade semelhante ou maior de forma e conteúdo (BRONFENBRENNER,1996, p. 5). Bronfenbrenner e Morris (1998) analisaram e redefiniram o conceito de desenvolvimento,complementando que “o processo que se refere à estabilidade e mudanças nas características biopsicológicas dos seres humanos durante o curso de suas vidas e através de gerações” (p. 995). Sendo assim, o desenvolvimento infantil acontece conforme a interação da criança, com todas as suas características, com o seu ambiente social e físico, ao longo de certo tempo e decorre também das trocas entre os ambientes. Salienta Haddad que (1997, p.38): O reconhecimento da possibilidade de relações entre os ambientes, associado à capacidade de compreender as linguagens faladas e escritas, faz com que a criança seja capaz de compreender a ocorrência e natureza dos eventos em ambientes ainda desconhecidos, como a escola, ou que jamais conheça como o local de trabalho dos pais, um país estrangeiro, ou o mundo da fantasia de outra pessoa. Ao desempenhar a passagem de um ambiente ao outro diferente, a criança leva para a casa o que também aprendeu na escola, como por exemplo, dividir os brinquedos, ajudar os colegas, não brigar, dividir o lanche, entre outros comportamentos. Essa maneira de agir foi absorvida pela criança no convívio social na instituição de ensino, através dos ensinamentos coletivos apresentados pela instituição. Esta é uma da suposição de que poderá favorecer suas relações com os outros colegas. A criança tem o direito de frequentar vários ambientes diferentes, pois assim ela consegue ampliar seus perfis culturais e, além de ter uma visão de mundo diferenciada, torna-se mais comunicativa, o que facilita a inter-relação. A criança que vive mais isolada, ou sempre com as mesmas pessoas, perde a oportunidade de conhecer outras culturas e ter um nível de relacionamento diversificado. Conforme relata Bronfenbrenner (1996, p.165), “o desenvolvimento é intensificado, proporcionando-se 15 experiências que permitam a formação e manutenção de díades transcontextuais através de uma variedade de ambiente”. Portanto, quando a criança conhece diversos tipos de ambientes, além da possibilidade de interagir com distintas culturas e se relacionar com outras crianças, terá uma quantidade de amigos maior e a convivência coletiva favorecerá suas habilidades sociais e seu desenvolvimento. A relação entre dois sistemas, chamado de mesosistema, contribui para o desenvolvimento da pessoa e, quando se refere à criança, é de suma importância uma boa relação família-escola, e demais ambientes, sendo que cada ambiente tem características próprias que definem parte dos processos proximais necessários ao desenvolvimento da criança. 2.3 O CONTEXTO: MICROSSISTEMA FAMILÍA E MESSOSISTEMA FAMILÍA ESCOLA O terceiro elemento do modelo bioecológico é o contexto, que abrange quatro níveis ambientais diferentes: microssistema, mesossistema, exossistema, macrossistema, os quais envolvem tanto o comportamento das pessoas como suas internações com outros indivíduos durante o seu estágio de desenvolvimento na natureza. “O microssistema refere-se aos ambientes onde a pessoa convive mais diretamente, como a família, a escola ou o ambiente de trabalho”. (GOLDEBERG; YUNES; FREITAS, 2005.p, 98). A formação do microssistema acontece na parte dos primeiros anos de vida do ser humano, que são de extrema importância para o desenvolvimento, pois é no microssistema que os indivíduos aprendem toda a habilidade necessária para uma melhor aprendizagem ao longo de sua vida. Bronfenbrenner (1996) nomeou mesossistemas o conjunto de microssistemas que se estabelece entre si (relação escola/família, ou família/amigos, vizinhos) e ambientes. O mesosistema é tão intenso e rico para o desenvolvimento da criança quanto mais poderoso e forte são as conexões entre os contextos que dele fazem parte, com evidência para o que une a família à escola. Sendo assim, a educação infantil é a primeira fase da educação básica que tem como intenção o desenvolvimento completo da criança, em seus aspectos físicos, psicológicos, social e intelectual, tendo como integrante a ação da família e da comunidade. 16 O exossistema faz parte do terceiro nível ecológico e diz respeito aos espaços mais afastados, onde o individuo (criança) nem sempre está presente. É o caso do local de trabalho dos pais, o grupo de amigos dos irmãos, a sala de aula do irmão mais velho, etc. O macrossistema o maior e último nível, sofre transformações, o que significa que a “estrutura dos ambientes em uma sociedade pode ser nitidamente alterada e produzir mudanças correspondentes no comportamento do desenvolvimento” (BRONFENBRENNER 1996, p.6). Em se tratando de microssistema, para Cataldo (1987) a família apresenta algumas responsabilidades ou funções relacionadas às crianças: a) proporcionar cuidado e proteção às crianças, garantindo-lhes estabilidade em condições dignas. b) colaborar para a socialização dos filhos em relação aos valores socialmente estabelecidos. Essa responsabilidade é base da família conservadora e reprodutora da ordem igualitária dominante. c) auxiliar e no suporte para que as crianças se tornem pessoas tranquilas, competentes, capazes de constituir vínculos satisfatórios e respeitosos como os outros e com a própria identidade. Além destas funções, para se ter um contexto familiar mais adequado, também é necessário afetividade, estímulos, possibilidade de errar sem que haja medo, todos consigam confiar e apoiarem uns aos outros.Nesses contextos as crianças provocam relacionamentos e um processo de desenvolvimento diferenciado para toda a família, ou seja, participam com interações que favorecem os vínculos familiares. Em um relacionamento familiar adequado, podem-se desenvolver experiências educativas fascinantes, quando uma criança é estimulada a descobrir as coisas e a enfrentar alguns medos, sabendo que alguém estará ali perto para lhe ajudar a lidar com situações variadas, elas conseguem compreender as coisas de maneiras mais fáceis, sabem diferenciar o certo do errado mais cedo, aprendem a fazer questionamentos, têm interesse por diferentes assuntos, desenvolvendo uma imaginação ampla. Os pais, a família e a escola, oferecendo possibilidades às crianças de compreender o mundo através da sua intuição, estão formando seres humanos únicos, dentro de diferentes grupos sociais. As famílias e suas realidades são diferentes uma das outras, portanto as praticas educativas dos pais também são diferenciadas. Algumas famílias expõem a importância 17 pelo mundo de seus filhos e participam deste mundo com eles. Outros, para redimir sua ausência, acabam mimando as crianças, enchendo de presentes, sendo liberal demais, podendo causar algumas dificuldades em relação à integração delas com outros grupos sociais. A família deve construir relações afetivas e conectadas com a criança, proporcionando diferentes caminhos para ela percorrer e com diversas experiências. Epstein (1987) afirma que a família é um dos elementos mais importantes do mundo ecológico da criança, é por meio desta que a criança é apresentada ao mundo. As famílias devem dar suporte à evolução das crianças, controlá-las e ajudá-las no processo de escolarização e de instrução progressiva em outros âmbitos e instituições sociais. De acordo com Bhering e De Nez, (2002). A importância do envolvimento de pais nesta fase é então autoexplicativa: família e escola/creche, juntas, podem promover situações complementares e significativas de aprendizagem e convivência que realmente vão ao encontro das necessidades e demandas das crianças ambas as instituições. Apesar de as relações família-criança serem diferentes da relação escolacriança, ambas tem finalidades, responsabilidades e objetivos comuns. As instituições devem contribuir para um bom desenvolvimento e crescimento das crianças, proporcionado condições, ambientes e atividades favoráveis para que isso ocorra. Havendo a ligação entre pais e escola, ocorrerá um maior sucesso no desenvolvimento da criança. Segundo Becker (apud BHERING; DE NEZ, 2002, p.64) Pais que são envolvidos com a escolaridade dos filhos desenvolvem uma atitude mais positiva com relação á escola e relação a si mesmos, tornando se mais ativos na sua comunidade e melhorando o seu relacionamento com os seus filhos. Havendo esse envolvimento no mesossistema família-escola, este propicia a existência de uma relação de amizade, confiança, segurança, troca de experiências e ajuda mútua, visando a uma melhoria da qualidade no ensino da educação infantil. Deve-se levar em consideração que, existindo o envolvimento dos pais, pode haver trocas de experiências: o que os pais não conseguem fazer em casa, os professores podem realizar na escola com as crianças, ou vice-versa, como por exemplo, uma brincadeira que a criança tem vontade de fazer em casa e não é possível, ou mesmo conversar individualmente para somente saber se esta tudo bem. 18 Quando não há este envolvimento, a escola perde muito na compreensão do desenvolvimento da criança, pois fica mais difícil saber como agir com relação às atitudes das crianças, desta forma fica mais difícil trabalhar o desenvolvimento da criança, as avaliações podem perder um pouco o seu sentido, pois no ambiente escolar as criança podem ter um comportamento totalmente diferente do que tem no espaço familiar. Na maioria das vezes a relação escola-família só acontece quando acontece algo desagradável com a criança na escola como cair, ser mordido, se machucar, brigar com um amigo, fatos que ocorrem com frequência na educação infantil. Normalmente, os pais, ao desejarem saber sobre o ocorrido, algumas vezes acabam fazendo vários questionamentos para a professora, tentando entender como ela deixou que o fato acontecesse, ou se ela não estava por perto, ou ainda o que estava fazendo no momento em que se deu o problema. Tais episódios acabam ocasionando uma situação constrangedora, que gera falta de confiança entre o espaço escolar e a famíliar, dificultando a aproximação das partes envolvidas, e são as crianças que acabam perdendo com estes fatos. Os pais deveriam ter consciência que a escola, além de ser um lugar onde as crianças compartilham os momentos de aprendizagem, emoções, comportamentos, estabelecem relações em grupos, amizades, competições, rivalidade, e descoberta do novo, não é um espaço isento de problemas e pequenos incidentes. É preciso então que a escola e os pais se relacionem mais claramente e que as negociações sejam feitas de modo a suprir ambos os lados satisfatoriamente. Aqui o elemento básico é a comunicação. Todas as outras formas de envolvimento de pais se apóiam nos meios usados para entender um ao outro. (BHERING; BLATCHFORD, 1999, p. 204). A instituição de ensino deve tomar a iniciativa quanto aos processos comunicativos. Caso não aconteça uma comunicação adequada e eficaz entre escolafamília, haverá uma repercussão negativa entre as partes. É essencial que haja na instituição de ensino um espaço para que a família, professor, diretores e gestores possam trocar informações, experiências e, assim, possam reduzir os problemas de desenvolvimento (BARROS; DEL PRETTE,2007; PINHEIRO, HASSE; DEL PRETTE; AMARANTE, 2006). A escola se torna, desse modo, um contexto importante para que ocorra um desenvolvimento adequado. O professor conduz um papel fundamental, fazendo uma investigação sobre o comportamento de todas as crianças que tenham ou não dificuldades. 19 A qualidade dos laços afetivos formados entre pais e filhos podem ser considerada preditora de um desenvolvimento saudável e, em conseqüência, de interações e de padrões de ajustamento positivo em todos os ambientes em que participam (DESSEN E POLÔNIA apud ROHENKHL; CASTRO, 2012, p.440). Há três fatores que devem estar conectados e são de extrema importância para o desenvolvimento adequado de uma criança: a família- escola- ambiente; um depende do outro ou podem fazer trocas e experiências. Assim, o que os pais não conseguem realizar, a escola pode tentar fazer e vice versa, e a parceria entre ambos é fundamental e deveria se complementar na promoção do rendimento acadêmico e do desenvolvimento de meninos e meninas na educação infantil, para que possam ser atingidos patamares de qualidade. Entre os prováveis problemas emocionais e de comportamento em crianças préescolares estão os fatores familiares, afastamentos, doenças, agressão dentro da família, dificuldade dos pais em instituir limites. Estes fatores não deveriam ocorrer vida de uma criança. Devendo sim ter mais comunicação e a reciprocidade entre os pais. (KEOWN; WOODWARD, 2002; FERRIOLLI; MARTURANO; PUNTEL, 2007). 20 3 ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO PARA PIAGET E WALLON: A CRIANÇA DE 2 A 4 ANOS Para Piaget (1982) o comportamento é estabelecido numa influência mútua entre o ambiente e o indivíduo, que vai paulatinamente se tornando social. Sua teoria tenta esclarecer que o ser humano estabelece e reconstrói consecutivamente os mecanismos que o tornam cada vez mais capaz ao equilíbrio. A teoria de Wallon (1975), por outro lado, pondera que o desenvolvimento do individuo está conectado ao meio em que está inserido desde o seu nascimento, com os seus aspectos motor, afetivo e cognitivo integrados. Seguem os principais aspectos de ambas as teorias para cada etapa de desenvolvimento aqui estudada. 3.1 JEAN PIAGET: PERÍODO PRÉ – OPERATÓRIO Para Piaget (1982), os desenvolvimentos que as crianças realizam é um padrão designado de estágios ou períodos que seguem fases mais ou menos estabelecidas. A importância de se determinar as etapas de desenvolvimento da inteligência coexiste na ocorrência de que cada indivíduo adquire novas informações, concepção, explicação da realidade e ou estratégias de sobrevivência (PIAGET, 1982). A compreensão desse padrão é essencial para que os professores tenham capacidade de compreender quem estão ensinando. Piaget nomeou o período compreendido entre 2 à 7 anos de idade de Préoperatório,sendo que no início deste período as crianças tem a aptidão de completar um elemento por uma representação. Esse fenômeno é conhecido como inteligência simbólica e está presente nas crianças com idade entre dois a quatro anos de idade. É nesse período que passa a existir a função semiótica ocorrendo o surgimento da linguagem, do desenho, da imitação, da dramatização, começando o período da fantasia, do faz-de-conta, do jogo simbólico. Um único objeto, por exemplo, pode ser transformado em diferentes brinquedos, ou seja, uma peça de lego pode ser um carro, um volante com buzina, um celular, uma casinha e a imaginação flui conforme a brincadeira. 21 Nessa fase a criança procura desenvolver habilidades verbais – as palavras e frases são representadas por indivíduos, situações e objetos. Nesse estádio as crianças conseguem pensar de acordo com a intuição e nomear objetos, sendo esse pensamento intuitivo aprimorado na percepção de dados sensoriais. A criança é egocêntrica, não consegue se colocar no ambiente do outro, não aceita qualquer resposta e entra na fase dos “por quês”, onde para tudo deve haver uma explicação. Nesse período a percepção é totalmente global: a criança não discrimina detalhes e se deixa levar pela aparência sem relacionar os fatos – essa etapa é chamada de inteligência Intuitiva e faz parte também do período pré-operatório (PIAGET, 1982). No egocentrismo intelectual, a criança pensa que o mundo foi designado para si, e não tem a aptidão necessária para compreender o ponto de vista dos outros. Nessa idade o individuo distingue a realidade através das suas fantasias; desejos, respostas e explicações acontecem com base na imaginação, sem apresentar ações coerentes. 3.2 HENRI WALLON E O PERSONALISMO A pessoa se constitui conforme suas experiências, nas trocas e interações com os outros (WALLON, 1975). As possibilidades e os limites de desenvolvimento para o organismo são constituídos pelo meio social e pela cultura. Wallon (1975) caracteriza o estágio de personalismo para crianças de três aos cincos anos de idade. Nesse estágio as crianças começam a se diferenciar mais umas das outras, apresentando mais consciência da sua autonomia em relação aos demais. Ela consegue perceber as diferentes relações que há no meio familiar, bem como distinguir o irmão mais velho do irmão mais novo, a tia, etc. É neste estágio que a criança começa a construção da personalidade e o desenvolvimento do eu, iniciando a descoberta de si mesmo; a criança tem a capacidade de distinguir o eu e o outro. Nesse período acontece também a dominação de três fases distintas: a oposição, a sedução e a imitação. A sedução é acontece quando a criança se torna o centro das atenções – fenômeno nomeado de “a idade da graça”; quando alcança a maturação motora, ela gosta de ser elogiada, admirada e prestigiada. Nessa fase, a criança consegue perceber se estão aprovando ou não os seus comportamentos e, caso não tenha suas expectativas satisfeitas, a mesma torna-se competitiva e zelosa. A imitação é caracterizada pela 22 procura de modelos, como os pais mães, amigos e é considerada imprescindível a esta idade, pois é geradora de novas aprendizagens. Na etapa seguinte, nomeada de categorial, caracteriza-se por ser a idade da escolaridade, obrigatória em que quase todos os países, quando o desenvolvimento cognitivo da criança está acentuado. A criança acredita que é capaz de participar de várias e diferentes atividades com grupos diferentes dos que já participa. Esta fase é essencial para o desenvolvimento das aptidões intelectuais e sociais da criança. As experiências vividas mostram a necessidade que a criança tem de se perceber como individuo e, ao mesmo tempo, avaliar sua coragem em relação ao grupo social do qual faz parte, tornando-se, este, um período crítico do processo de socialização. Nessa fase, “há tomada de consciência pelo individuo do grupo de que faz parte, há tomada de consciência pelo grupo da importância que pode ter em relação aos indivíduos” (WALLON, 1975, p.215) e, dessa forma, torna-se imperativa a participação da criança em diversos grupos. Assim, ampliando suas interações, a criança terá um repertório mais rico na constituição da sua personalidade. 23 4 O PAPEL DO PROFESSOR NA EDUCAÇÃO DA CRIANÇA E SEU DESENVOLVIMENTO Saber se relacionar com diversos grupos é de extrema importância para todos, o momento correto de aprendê-la e desenvolver esta relação começa na infância e faz-se necessário que o professor tenha competência necessária para o reconhecimento das demandas infantis em cada etapa do desenvolvimento, dos comportamentos considerados geradores ( ditos normais) e/ou disruptivos (ditos não normais) de processos proximais e que mantenha com a família uma relação de trocas constantes, promovendo o desenvolvimento integral da criança. Os professores necessitam ter ciência do que estão ensinando para as crianças, pois, juntamente com a família, têm o compromisso de ampliar o conhecimento delas, de desenvolver contextos promotores de criatividade e começar a torná-los seres críticos. Compete ao professor conhecer a fase de desenvolvimento em que a criança está, suas características sociais, culturais, étnicas e suas realidades. Cabe à escola preparar os professores para trabalhar com as famílias. Para Gonçalves (2005, P.143) Parece ser consensual a afirmativa de que a formação que hoje se propõe os professores,no Brasil, não atribui suficientemente para que seus alunos se desenvolvam como pessoa, tenham sucesso na aprendizagem escolar e, principalmente, participarem como cidadãos de pleno direto,num mundo cada vez mais exigente. Morsiani e Orsoni (apud CAMPOS, 1999 p.139), discutem o que devem buscar e obter no perfil dos professores da educação infantil e estes devem: a) saber: aquilo que se refere aos conteúdos da formação de base e à importância da cultura, permitindo o confronto do conhecimento teórico com a situação real vivida pelas crianças. Esse aspecto requer uma formação permanente, que alimenta a prática docente; c) saber interagir: os professores precisam interagir com vários “outros” professores, coordenadores, gestores, pais e não só como o aluno. Sua competência social deve incluir o desempenho de seu papel na dinâmica da equipe de trabalho, em seu relacionamento com as famílias e com os profissionais de outras agências educativas e sociais; 24 d) saber fazer: para desempenhar bem seu trabalho cotidiano, os professores precisam aprender a refletir sobre sua prática, construindo um projeto educativo próprio, utilizando a documentação, a avaliação, a pesquisa e a observação. Os professores têm como funções acompanhar as crianças em seus distintos desejos, sonhos, fantasias, medos, dúvidas, durante desenvolvimento de cada uma delas. Para tanto, precisam conhecer como as crianças manifestam seus desejos e necessidades revelados em seus comportamentos. As crianças demonstram em atos suas manifestações emocionais, apresentando ao mundo como se sentem por meio de comportamentos observáveis. 25 5 COMPORTAMENTOS EXTERNALIZANTES E INTERNALIZANTES Define-se por comportamento toda forma de “[...] resposta ou atividade observável realizada por um ser vivo” (WEITEN, 2002, p. 520) e, por seu turno, os processos mentais aludiriam às: “[...] experiências subjetivas que inferimos através do comportamento – sensações, percepções, sonhos, pensamentos, crenças, sentimentos” (MYERS,1999, p. 2). Por meio de manifestações emocionais em crianças, podem ser identificados dois diferentes grupos de comportamentos disruptivos: os comportamentos internalizantes e extrenalizantes. Os comportamentos internalizantes podem ser considerados disruptivos, pois afastam as crianças das interações com o ambiente. Como exemplos desse tipo de comportamento são evidenciados a timidez, o medo, a preocupação exagerada, a depressão, a insegurança, a tristeza, o retraimento, a recusa à escola, as queixas somáticas, dentre outros. Os comportamentos externalizantes (Achenbach, 1991) provocam amplos conflitos negativos no ambiente, mudando o rumo dos processos proximais, uma vez que alteram integralmente os atos motores. Como exemplos podem-se identificar a agressão, a agitação, as atitudes explosivas, o agir por impulso, as características desafiantes e antissociais (mentir, faltar aula, furtar, brigar e agir com hostilidade nos relacionamentos, desrespeitar os limites e ser provocador), comportamentos geradores de rejeição da parte de pais, professores e colegas. Para Rohenkohl e Castro (2012, P.441), Esses são comportamentos que dificultam a interação da criança com o ambiente, geram conflitos e frequentemente ocasionam o rompimento nas interações. Geralmente, no contexto escolar, o comportamento externalizante é mais facilmente identificado, provavelmente por ter maior visibilidade e interferir na dinâmica da sala de aula. Dessa maneira, a escola se torna um ambiente essencial para prevenção, destes comportamentos, apresentando o professor como papel principal, para identificar as dificuldades dos alunos e assim, de possibilitar um bom desenvolvimento em relacionamentos e habilidades sociais (FERRIOLLI; MARTURANO; PUNTEL, 2007). No período pré-escolar, o comportamento externalizante acontece com mais frequência – como a agressividade por exemplo. Para Papalia e Olds (2000), a maioria 26 das crianças deixa de ser agressiva, após os sete anos, tornando-se mais compreensiva e tais comportamentos podem ser considerados como fases de um desenvolvimento normal. 27 6 MÉTODO Trata-se de uma pesquisa de caráter exploratório, com método de coleta de dados, ancorada na abordagem quantitativa. Para a obtenção dos dados, houve a utilização de questionários, que foram entregues aos pais dos alunos e para professora. O resultado serviu para observar as concordâncias e divergências nas respostas dadas pelos pais, mães e professores, chegando num ponto comum para um bom entendimento do comportamento das crianças. Este elemento aumenta a relação escola-família, facilitando o diálogo e, por consequência, o aprendizado da criança. Além disso, é imprescindível, ainda, destacar a importância do fator qualitativo neste estudo. Com isso, percebemos com mais naturalidade quando a criança precisa de uma atenção especial. 6.1 CONTEXTO E PARTICIPANTES Participaram do estudo 20 crianças matriculadas no nível 2A, seus respectivos pais e mães, além da professora regular da sala. O Centro de Educação Infantil é uma escola de grande porte, que possui aproximadamente 11 salas referentes à educação infantil, dois parques e um bosque. Trata-se de uma escola particular, localizada em um bairro, da cidade de Florianópolis. A professora era graduada em Pedagogia, e pósgraduanda em educação infantil, com sete anos de experiência, conhecendo as crianças da pesquisa há aproximadamente 1 ano. Todas as crianças eram da mesma turma. 6.2 INSTRUMENTO Para a pesquisa foi utilizado o instrumento Child Behavior Checklist (CBCL) versão 1¹/² - 5 anos, organizado em forma de um questionário, designado para pais, mães, cuidadores e professores, composto por cento e três itens, sendo cem questões objetivas (para assinalar uma alternativa) e três questões discursivas, que medem os aspectos sociais e comportamentais das crianças – filhos e alunos dos informantes. Vinte itens são relacionados à avaliação da competência social e oitenta e três versam sobre comportamento. Todos os itens do questionário listam uma série de comportamentos esperados (geradores) e comportamentos disruptivos. Para marcar as respostas do questionário, o 28 respondente deve identificar a frequência com que ocorre aquele tipo de comportamento (numa escala de 0,1 e 2 pontos). Os itens devem ser respondidos da seguinte maneira: problema “0” quando não é verdadeiro (quando não ocorre), “1” quando é um pouco verdadeiro ou algumas vezes verdadeiro e ”2” quando é muito verdadeiro ou frequentemente verdadeiro. As questões discursivas são opiniões do respondente. O CBCL ainda classifica os comportamentos entre normais, limítrofes e clínicos, de acordo com percentis numéricos que compõe os gráficos. Na faixa considerada normal, o percentil de pontuação vai até 65, na faixa considerada limítrofe, o percentil fica entre 65 e 70 e na faixa considerada clínica o percentil é acima de 70. A classificação é de acordo com o Manual Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais 4ª Ed.(DSM-I), que é um manual que descreve as doenças (fenomenologicamente), sem conotações etiológicas ou explicações sobre elas, descrevendo somente alguns sintomas, agrupando-os em síndromes. 6.3 PROCEDIMENTOS Inicialmente foi feito o contato com a escola, para constatar se havia interesse na pesquisa, e esclarecido como a mesma seria efetuada. Após o aceite da instituição, foi conversado com a professora, pais e mães informando como deveriam realizar o preenchimento dos questionários, assim como o preenchimento do termo de consentimento. A distribuição do instrumento ocorreu na própria escola. A professora recebeu o total de vinte questionários, correspondentes ao número de alunos em sala. Os pais e mães também receberam o material para realizar o preenchimento, em casa e de forma individual. Os questionários foram recolhidos na escola. 7 ANÁLISES E DISCUSSÃO DE DADOS As análises foram feitas a partir das respostas dos questionários CBCL, sendo considerado somente o material respondido por pais e mães. As respostas de outros membros da família foram desconsideradas, apenas um questionário foi desconsiderado tendo em vista o objetivo da pesquisa. 29 As respostas dos pais, mães e professora aos itens do CBCL foram analisadas a partir do Software Assessment Data Manager (ADM), que é o programa que desenvolve a correção do CBCL, fornecendo gráficos e tabelas. Este programa é o software central do Sistema de Avaliação Empiricamente Baseado de Achenbach (Achenbach System of Empirically Based Assessment – ASEBA), aplicado para a análise de todos os questionários do ASEBA, inclusive o CBCL 1¹/² - 5 anos (Achenbach & Rescorla, 2004). Primeiramente foram analisadas qualitativamente as respostas obtidas, sendo destacadas as concordâncias ou divergências nas respostas dos pais, das mães e da professora, relativas a cada criança. Foram destacadas as questões voltadas para problemas internalizantes, a saber: problemas emocionais, ansiedade e depressão, queixas somáticas e problemas sociais, assim como os comportamentos externalizantes: problemas de atenção e comportamento agressivo. Ao iniciar as análises, cada questionário foi numerado de um a quatorze. Dessa forma, para apresentação de cada análise, foi utilizada a nomenclatura de identificação (ID) seguida do número que identifica a criança, mantendo o sigilo quanto ao nome das mesmas. A seguir, apresento os quadros relacionados aos comportamentos internalizantes e externalizantes, especificando cada item analisado no CBCL: COMPORTAMENO ITENS DO CBCL QUE DETERMINAM O COMPORTAMENTO É perturbado por qualquer mudança na rotina. Tem movimentos nervosos ou tiques. Entra em pânico sem um bom motivo. Muda rapidamente entre tristeza e alegria. Emocional (Emotionally) Tem mudanças repentinas de humor ou de sentimentos. Fica facilmente emburrado. Incomoda-se com pessoas ou situações. Choraminga. Preocupa-se muito. Agarra-se aos adultos ou mudo dependente. Ansiedade Depressão (Anxious/Depressed) Magoa-se facilmente. Fica muito aflito quando separado dos pais. 30 Parece infeliz sem um bom motivo. Mostra-se pouco á vontade ou facilmente envergonhado. É muito medroso ou ansioso. Xinga ou fala palavrões. Comporta-se de maneira infantil para idade. Evita olhar os outros nos olhos. Não responde quando pessoas falam com ele. Problemas Sociais Recusa-se a brincar de jogos movimentados. (Withdrawn) Parece não responder a afeto (carinho). Mostra pouco afeto (carinho) pelas pessoas. Mostra pouco interesse pelas coisas ao seu redor. Isola-se, não se relaciona com os outros. Dores (sem causa médica). Não suporta ter coisas fora do lugar. Tem prisão de ventre. Tem diarréia ou intestino solto. Não come bem. Queixas Somáticas. (Somatic Complaints) Tem dores de cabeça (sem causa médica). Náuseas, enjoo (sem causa médica). Sente dores intestinais. Tem dores de estômago (sem causa médica). Muito preocupado com organização e limpeza. Vômitos. Quadro 1. Comportamentos Internalizantes de acordo com o CBCL. ITENS DO CBCL QUE DETERMINAM O COMPORTAMENTO COMPORTAMENTO Não consegue se concentrar, não consegue ficar atento Problemas de Atenção (Attention Problems) muito tempo. Não consegue parar sentado é irrequieto ou hiperativo. Desastrado ou tem falta de coordenação. 31 Muda de uma atividade para outra rapidamente. Foge. Não suporta esperar quer tudo na hora. Desafiador. Destrói coisas da família, amigos ou outros. É desobediente. Não parece sentir culpado por se comportar mal. Frustra-se facilmente. Mete-se em muitas brigas. Bate nos outros. Comportamento Machuca animais. Agressivo (Aggressive Behavior) É mal-humorado. Ataca fisicamente as pessoas. Seu comportamento não muda com punição. Grita muito. É egoísta ou não divide. É teimoso, mal humorado ou fácil de irritar. Faz birra ou é esquentado. É cooperativo. Quer muita atenção. Quadro 2. Comportamentos Externalizantes de acordo com o CBCL. Seguem as análises de cada criança, a partir da comparação dos questionários dos pais, mães e professora. Após a cada análise, será apresentado um gráfico representando as respostas dos pais, das mães, e da professora. Nos gráficos, as respostas dos pais são representadas pela sigla (C151), os (C152) são respostas da mãe e as que iniciam com T1 referem-se às repostas da professora. ID 1 Foram observadas nesta análise algumas divergências entre as respostas da mãe e professora. Para a mãe, tanto os comportamentos internalizantes, quanto os 32 externalizantes estão presentes nas atitudes da criança na família. Em relação à questão emocional a mãe apresentou três respostas, pontuando 2 nos itens “isola-se”, “choraminga” e “mudança de humor repentina”, o que significa que a criança apresenta um comportamento do tipo emocional. Referente à ansiedade e depressão, a mãe pontua 2 nos itens “muito depende” e “ envergonhada”. Esses comportamentos internalizantes não formam identificados pela professora. A professora apresenta uma resposta referente aos comportamentos externalizantes, pontuando 1 no comportamento de agressividade no item “ desafiadora”. Os gráficos das respostas da mãe (conforme ilustrado abaixo C151) se referem aos aspectos emocionais, ansiedade e depressão e queixas somáticas, que ficaram na faixa limítrofe, próximo da linha que divide um comportamento esperado, considerado normal para a idade e sexo, de um comportamento denominado com clínico, de acordo com o CBCL. A resposta da mãe é apresentada por C151, e o T1 refere-se à reposta da professora. Assim, conclui-se que a professora não observa na criança os comportamentos emocionais ou de ansiedade e depressão na escola. Essa enorme diferença nas percepções indica que a criança, no contexto familiar, apresenta comportamentos mais emotivos e tais comportamentos são considerados, pela mãe, como disruptivos, pois são aceitos pela mãe, como não normais. No contexto escolar, a criança não apresenta tantas reações emocionais, indicando que esta se comporta de forma mais geradora de processos proximais. ID 2 Nessa análise houve divergências e concordâncias entre as repostas. A mãe identificou somente os comportamentos externalizantes nas quatro repostas, pontuando 1 nos itens “não suporta esperar”, “quer tudo na hora”, “ é desobediente” e grita muito. 33 O pai também identifica os mesmos comportamentos apontados pela mãe, entretanto percebe também comportamentos internalizantes. Com relação aos aspectos sociais, apresentou duas repostas pontuando 1 nos itens “evita olhar os outros nos olhos” e “não responde quanto as pessoas falam com ele. No comportamento de agressividade, pontuou 1 em sete respostas: “não suporta esperar” “desafiador”, “quer tudo na hora”, “não parece se sentir culpado depois de se comportar mal” , “grita muito”, “é teimoso”, “quer muita atenção”. A professora observa os dois tipos de comportamentos internalizantes e externalizantes e concorda com o pai, quanto aos comportamentos externalizantes, pontuando 1 nos itens “ é cruel”, “ perturba outras crianças”, “bate nos outros” e “temperamento de birra”. Em relação ao comportamento emocional (externalizante), somente a professora apresentou uma resposta, pontuando 1 no item mau humor. Os gráficos que seguem apresentam as respostas do pai (C151), mãe (C152) e professora (T153). Com base nessa diferença entre as percepções, conclui-se que a criança possui comportamentos diferentes no ambiente escolar. As reações de aspectos sociais e agressivos são apresentadas com maior constância na escola- muito mais do que no contexto familiar, porém o pai (C151) não observa alterações nesses comportamentos da criança. Porém, para a professora, os comportamentos apresentados encontram-se na faixa normal, indicando que a criança esta dentro da normalidade, para sua idade e sexo. ID 3 Esta análise apresenta concordâncias entre as respostas do pai e da mãe referentes aos comportamentos internalizantes e externalizantes. A professora diverge totalmente das respostas dos pais, pontuando somente uma atitude, nos comportamentos externalizantes. 34 Em relação aos comportamentos internalizantes, a mãe pontua 2 no item “é perturbado por qualquer mudança na rotina” o pai neste mesmo item pontua 1. Nos itens que analisam ansiedade e depressão, somente a mãe pontua 1 no item “agarra- se aos adultos ou é muito dependente”. O pai pontua 2 no item “magoa-se facilmente”, sendo que a mãe pontua somente 1. No item “xinga ou fala palavrões” pai e mãe pontuam 1. Nas queixas somáticas somente o pai pontua 1 no item “não suporta ter as coisas fora do lugar.” Pai e mãe concordam com o item “muito preocupada com organização ou limpeza, pontuando 1. Nos aspectos sociais, apenas a mãe pontua 1 no item “ comporta-se de maneira muito infantil para idade. Sendo comportamentos internalizantes os problemas de atenção, somente a mãe pontua 1 no item “muda de uma atividade para outra rapidamente.” Na questão referente aos comportamentos agressivos, pai e mãe concordam, pontuando um nos itens “ não suporta esperar”, “grita muito” e “faz birra ou é esquentado”. A mãe pontua 2 nos itens “ desafiador”, “ suas exigências devem ser atendidas imediatamente”, e “quer muita atenção”, sendo que para o pai estes mesmos itens acontecem somente algumas vezes, pontuando 1. Pai e professora concordam em um único item “frustra-se facilmente” pontuando 1. O pai pontua 1 nos itens “ destrói coisas de sua família ou de outras crianças,” “ é desobediente” e “seu comportamento não muda com punição”, pois para ele estes também fazem parte dos comportamentos da criança, em casa. Todos os gráficos do pai mãe e professora da criança ID 3, apresentam respostas consideradas dentro da faixa normal e esperada para idade e sexo da criança. A diferença nas percepções indica que a criança, em seu contexto familiar, apresenta ações mais emotivas e somáticas, porém tais comportamentos são considerados pelo pai e mãe como geradores de processos proximais, pois são expostos como normais. Em relação ao contexto escolar, a criança não apresenta tais comportamentos, já que não são identificados pela professora. 35 ID 4 Na análise da criança do ID4, somente a mãe identificou os comportamentos internalizantes, pontuando em 7 itens. Na questão emocional pontuou 1 no item “ tem movimentos nervosos ou tiques” e 2 no item “fica facilmente emburrado(a). Para Ansiedade e Depressão, pontuou 1 no item “ é nervoso (a) ou tenso (a). Em relação às queixas somáticas, a mãe pontuou 3, sendo 1 no item “ não suporta ter as coisas fora do lugar” e 2 no item “muito preocupada com organização ou limpeza”. Nos aspectos sociais, somente o item “não responde quando pessoas falam com ele (a)” é observado pela mãe. Nos comportamentos externalizantes há concordâncias e divergências entre as respostas da mãe e professora. A mãe apresentou 10 itens e a professora 12 itens. Nos comportamentos agressivos, ambas concordam pontuando 1 nos itens , “ suas exigências devem ser atendidas imediatamente” e é egoísta ou não divide”. A mãe pontua 2 em 6 diferentes itens, sendo eles: “ não suporta esperar”, “desafiador (a)”, “suas exigências devem ser atendidas imediatamente”, “frustra-se facilmente, “ é teimoso (a), mal humorada (a), ou fácil de irritar” e “ quer muita atenção”. Os itens “desafiador(a)”, “suas exigências devem ser atendidas imediatamente” e “é teimoso (a),mal humorada (a), ou fácil de irritar” também são observados pela professora, porém a mesma pontuou somente 1. Os gráficos indicam que todos os comportamentos analisados estão dentro da faixa normal esperado. As percepções da mãe e da professora são distintas, em relação aos comportamentos emocionais e nas queixas somáticas. A professora não observa estes comportamentos no espaço escolar, porém para a mãe, no contexto familiar, a criança é bem emotiva. Entretanto, para ambas, a criança se comporta de maneira adequada em relação a sua idade. 36 ID - 5 Nessa análise, os comportamentos internalizantes são escassos nas observações feitas pelo pai, mãe e professora. Na questão emocional somente pai e mãe pontuam, porém não há concordância entre eles. A mãe pontua 1 no item “ incomoda-se com pessoas ou situações novas” e o pai pontua 1 no item “choraminga”. Para Ansiedade e Depressão, pai e mãe concordam em relação ao item “magoa-se facilmente” pontuando 1. No item “mostra-se pouco à vontade ou facilmente envergonhado”, pai, mãe e professora concordam entre eles, todos pontuam 1. Nas queixas somáticas apenas o pai pontua 1 nos itens “ não suporta ter coisas fora do lugar” “ muito preocupado com organização ou limpeza.” E somente a mãe pontua 1 no item dores (sem causa médica). Nos aspectos sociais, somente a mãe observa o item “evita olhar os outros nos olhos”, pontuando 1. Nos comportamentos externalizantes, pai e mãe concordam com relação aos problemas de atenção no item “muda de uma atividade rapidamente” e somente a mãe pontuou 1 no item “não consegue parar sentado(a), é irrequieto(a) ou hiperativo. Referente aos comportamentos agressivos, pai e mãe concordam nos itens “é desobediente”, “frustra-se facilmente”, “ seu comportamento não muda com punição” e “ é egoísta e não divide”. Existem divergências entre pai e mãe em relação aos itens, “não suporta esperar; quer tudo imediatamente e “suas exigências devem ser atendidas imediatamente” – o pai pontuou em ambas 1 e a mãe pontuou 2. Os gráficos apresentam comportamentos normais para a idade da criança. Com referência aos comportamentos externalizantes e internalizantes, ambos aparecem nas observações do pai, mãe e professora. A mãe pontua em 6 itens considerados como internalizantes e o pai pontua em 5, porém ambos só concordam em 2 itens. Os comportamentos internalizantes são os mais observados pelos pais, sendo 10 37 itens apontados pela mãe e 8 pelo pai; há concordância entre os dois em 7 itens. Há apenas uma diferença no gráfico das queixas somáticas. O pai observa bastantes comportamentos somáticos, que estão quase chegando à linha limítrofe, no ambiente familiar. No espaço escolar, a criança não apresenta reações somáticas, ficando evidenciado que a mesma se comporta de maneira geradora de processos proximais. ID – 6 Nessa análise ocorreu somente a comparação de pai e mãe, pois a professora não pontuou em nenhum dos itens do questionário, já que para ela a criança não apresenta nenhum tipo de comportamento internalizante ou externalizante. Essa foi a primeira e única análise que revelou o maior índice de concordância e o menor em divergência entre pai e mãe: 35 concordâncias e apenas 3 divergências entre internalizantes e externalizantes. Com relação aos gráficos, a faixa limítrofe apareceu nos aspectos emocionais e comportamentos agressivos. Os aspectos sociais e Ansiedade e Depressão ficaram na faixa normal para a idade e sexo da criança. Os problemas de atenção quase atingiram a faixa limítrofe com o percentil de 63. E as queixas somáticas alcançaram a faixa clínica, com o percentil de 75. Nessa análise há uma diferença significante entre as percepções de pai, mãe e professora. A professora não ressalta nenhum comportamento diferente nas reações da criança no ambiente escolar. O pai pontuou em 8 itens internalizantes e a mãe pontuou em 19 itens, contabilizando uma diferença de 11 itens divergência entre ambos. Os comportamentos externalizantes também apontam divergências entre pai e mãe: 9 itens observados de maneiras diferentes. Conclui-se então que, no ambiente familiar, a criança apresenta comportamentos considerados disruptivos e tais comportamentos não são considerados como normais para os pais. 38 ID – 7 Essa análise apresentou muitos comportamentos internalizantes – pai e mãe pontuam 2 em vários itens, elevando os gráficos para a faixa clínica. Em relação ao comportamento emocional, somente dois itens não são pontuados. Pai e mãe concordam no item “tem movimentos nervosos e tiques” pontuando 2. Somente a mãe pontua 2 nos itens “ é perturbado(a) por qualquer mudança na rotina” e “ tem mudanças repentinas de humor ou de sentimentos”. Há divergências entre pai e mãe no item “incomoda-se com situações novas”: o pai pontua 2 afirmando que essa situação ocorre frequentemente, sendo que a mãe pontua apenas 1. Já no item “choraminga” a mãe pontua 2 e o pai pontua 1. Nos comportamentos de Ansiedade e Depressão, pai, mãe e professora pontuam 2 no item “mostra-se pouco à vontade ou facilmente envergonhado”. Pai e mãe concordam no item “agarra-se aos adultos ou é muito dependente” pontuando 2. No item “magoa-se facilmente”, pai e professora concordam pontuando 1, sendo que a mãe discorda de ambos, pontuando 2. Outra divergência entre pai e mãe ocorre no item “é muito medroso ou ansioso”: a mãe pontua 2 e o pai somente 1. Apenas a mãe pontua 1 no item “é nervoso(a) ou tenso(a). Nas queixas somáticas, a mãe pontua 1 em todos os itens e o pai concorda com ela somente nos itens “dores (sem causa médica)”, “náuseas, enjoo (sem causa médica)”, “muito preocupado com organização ou limpeza” e vômitos (sem causa médica). Nos aspectos sociais, pai e mãe concordam no item “evita olhar os outros nos olhos” pontuando 2; a professora, porém, pontua somente 1. Os itens “não responde quando pessoas falam com ele(a)” e “isola-se, não se relaciona com os outros” são pontuados pelo pai e mãe com 1. Os gráficos ilustrativos de comportamentos internalizantes relativos às respostas do pai atingem a faixa limítrofe nas questões emocionais, Ansiedade e Depressão, queixas somáticas e aspectos sociais. Os gráficos da mãe atingem a faixa clínica nas questões emocionais com o percentil de 73, Ansiedade e Depressão chegando a 70 e nas queixas somáticas, atingindo 72. Em relação aos aspectos sociais, observa-se um percentil de 65, alcançando a faixa limítrofe. Os gráficos da professora estão todos na faixa normal, com o percentil de 50 a 60. Os comportamentos externalizantes são formados por 24 itens e apenas 5 itens não foram pontuados. Ocorreram divergências significativas na análise desse fenômeno: a professora pontuou somente 1 em relação aos comportamentos agressivos, apenas no item “desafiador” – nem o pai e nem a mãe pontuaram. Pai e mãe pontuam 2 e 39 concordam nos itens “não suporta esperar; quer tudo imediatamente”, “suas exigências devem ser atendidas imediatamente.”, “grita muito”, “é teimoso(a), mal humorado(a) ou fácil de irritar.” e “quer muita atenção”. Mãe e pai concordam pontuando 1 nos itens “é desobediente” e “frustra-se facilmente”. Nos gráficos do pai e da mãe, referentes às queixas somáticas, estas se apresentam na faixa limítrofe; o os demais encontram-se na faixa normal. Os gráficos representados pelas observações da professora estão todos na faixa normal. Somente “a mãe pontua, nos itens “não parece sentir-se culpado depois de se comportar mal”, “bate nos outros”, “ não é cooperativo”. Pai e mãe concordam, porém divergem na questão das pontuações nos itens “é egoísta ou não divide” e “ faz birra ou é esquentado(a) – a mãe pontua 2 e o pai 1. No item “é mal-humorado(a)” o pai pontua 2 e a mãe 1. Nas questões referentes aos problemas de atenção, pai e mãe concordam pontuando 1 nos itens “não consegue parar sentado (a), é irrequieto(a) ou hiperativo, e “desastrado(a) ou tem falta de coordenação.” No item “muda de uma atividade para outra rapidamente” pai e mãe pontuam 2. Ocorre uma divergência no item “não consegue se concentrar, não consegue ficar atento(a) muito tempo”: para o pai, essa atitude acontece quase sempre (2) e para a mãe somente de vez enquanto (1). Os gráficos externalizantes, referentes às observações da professora, ficaram todos na faixa normal, sem nenhuma alteração. Os gráficos da mãe chegaram perto da faixa limítrofe, com percentil de 65. O gráfico do pai, referente aos problemas de atenção, entrou na faixa limítrofe com o percentil de 70; o gráfico referente ao comportamento agressivo ficou na faixa normal, com o percentil 60. Para a professora, a criança se comporta normalmente para idade e sexo. Observa-se uma enorme diferença nas percepções do pai, mãe e professora. Para a professora, a criança se comporta de forma normal, para idade e sexo. No contexto familiar, a criança apresenta comportamentos com excessos emotivos e de Ansiedade e 40 Depressão – tais comportamentos são analisados pela mãe e pai como disruptivos, pois não são aceitos como naturais. Conclui-se que a criança se comporta de forma diferente no espaço escolar. ID – 8 Em relação aos comportamentos internalizantes, somente a mãe pontua 1 em dois itens diferentes na questão emocional: “ tem mudanças repentinas de humor, ou de sentimentos” e “ fica facilmente emburrado”. Os comportamentos de Ansiedade e Depressão também somente a mãe observa atitudes diferentes, pontuando 1 nos itens “magoa-se facilmente” e “ fica muito aflito(a) quando separado(a) dos pais. Nas queixas somáticas, a mãe pontua 1 nos itens “tem dores de cabeça (sem causa médica)” e “ tem dores de estômago ou cólicas(sem causa médica).” Ao contrário da mãe, o pai pontuou 1 no item “dores (sem causa médica, não inclui dor de estômago ou dor de cabeça)” . Pai e mãe concordam pontuando 1 nos itens “não suporta ter as coisas fora do lugar” e “muito preocupada com organização ou limpeza”. Em relação aos aspectos sociais, mãe e professora concordam, pontuando 1 apenas no item “não responde quando pessoas falam com ele(a). E somente a professora pontua 1 no item “parece não responder a afeto (carinho) (Ver tabela/gráficos). Os comportamentos externalizantes são observados pela mãe, pai e professora. Em relação aos problemas de atenção, somente a professora pontua 1 o item “não consegue parar sentado (a), é irrequieto (a) ou hiperativo. O item “muda de uma atividade para outra rapidamente” é marcado somente pela mãe, que pontua 2. Nas questões de comportamento agressivo, pai e mãe concordam pontuando 2 nos itens “não suporta esperar; quer tudo imediatamente” e “ é desafiador (a)”. A professora também observa esses comportamentos, pontuando 1. Pai e professora concordam com o item “suas exigências devem ser atendidas imediatamente”, pontuando 1; esse mesmo fenômeno é marcado pela mãe com pontuação 2. Nos itens “é desobediente” e “ faz birra ou é esquentado (a), mãe e professora pontuam 1. Os itens “não parece sentir-se culpado(a) depois de se comportar mal”, “frustra-se facilmente” e “ grita muito” é pontuado 1 pela mãe. O pai pontua 1 no item “é egoísta ou não divide”. Há uma concordância entre mãe e pai nos itens “é teimoso(a), mal humorado(a), ou fácil de irritar” e “quer muita atenção” – ambos pontuam 1. 41 Para professora, a criança apresenta um comportamento diferenciado no ambiente escolar referente aos aspectos sociais. No entanto, para mãe e pai, os comportamentos referentes às queixas somáticas são considerados como disruptivos; ambos acreditam que tais comportamentos não são normais. No espaço escolar a criança se comporta de forma mais geradora de processos proximais. ID – 9 Essa analise apresenta divergências significativas entre as repostas do pai e professora, referente aos comportamentos externalizantes e principalmente internalizantes. O pai pontuou em 9 itens nos comportamentos internalizantes e a professora pontuou somente em 2. Nos aspectos emocionais (internalizantes), o pai apresentou 4 respostas pontuando 1, “ é perturbado(a) por qualquer mudança na rotina”, “tem mudanças repentinas de humor” , “ fica facilmente emburrado” e “ choraminga”. Ansiedade e Depressão também são pontuados somente pelo pai, no item “magoa-se facilmente” é pontuado 2 pelo pai, aparentemente a criança tem esta atitude somente em casa,pois a professora não observa,este tipo de comportamento em sala. Nos itens “agarra-se aos adultos ou é muito dependente” e “mostra-se pouco a vontade ou facilmente envergonhado” são atitude que o pai somente observa, pontuando 1. O item “não responde quando as pessoas falam com ele (a)”, é a única resposta que pai e professora concordam, em relação aos aspectos sociais, pontuando 1. Porém o pai acrescenta também o item “mostra pouco afeto (carinho) pelas pessoas”, pontuando 1. Outra divergência entre pai e professora ocorre em relação às queixas somáticas: somente a professora pontua 2 no item “não suporta ter as coisa fora do lugar”. Nos comportamentos externalizantes, há concordâncias e divergências entre as respostas de pai e professora. Nos comportamentos agressivos, ambos respondem os itens “é desafiadora” e “é egoísta ou não divide”, pontuando 1. A professora acrescenta 42 o item “seu comportamento não muda com punição”, e o pai sobrepõe os itens “não suporta esperar; quer tudo imediatamente” e “quer muita atenção”, pontuando 2; os itens “faz birra ou é esquentado(a)” e “é mal humorado (a)” foram pontuados em 1. Os problemas de atenção expõem duas divergências e uma concordância entre pai e professora: ambos concordam no item “não consegue parar sentado(a)”, pontuando 2, porém divergem no item “muda de uma atividade para outra rapidamente”, assinalado em 2 pelo pai. No item “não consegue se concentrar, não consegue ficar atento muito tempo”, para a professora esse tipo de comportamento é frequente na sala e pontua 2; o pai observa que esse fenômeno também acontece em casa, mas não com tanta frequência, pontuando 1. Nesta análise pai, mãe e professora, percebem alguns comportamentos diferentes nas reações da criança no ambiente escolar e familiar, porém todos considerados normais e geradores de processos proximais. O comportamento externalizante (problemas de atenção) também é observado pelo pai e professora, porém é reconhecido como um comportamento típico. ID – 10 Essa análise é divergente em relação às respostas dos genitores e da professora. Pai e mãe concordam na maioria das respostas. A mãe responde 6 itens referentes aos comportamentos internalizantes e 12 relacionados aos comportamentos externalizantes. O pai observa mais comportamentos internalizantes, pontuando em 9; nos externalizantes pontua 7. Nos comportamentos internalizantes, pai e mãe concordam nos itens “magoa-se facilmente” e “é nervoso(a) ou tenso(a)”, pontuando 1. No item “fica muito aflito(a) quando separado(a) dos pais pontuam 2 ,todos estes itens referem-se ao comportamento 43 de ansiedade e depressão. No componente emocional, a concordância entre pai e mãe nos itens “é perturbado(a) por qualquer mudança na rotina” e “preocupa-se muito” trouxe pontuação 1. A mãe acrescenta o item “ fica facilmente emburrado(a)”, pontuando 1 também. Pai e mãe concordam em 4 itens dos comportamentos agressivos e em 2 dos problemas de atenção, sendo todos eles externalizantes. São pontuados em 1 os itens “não consegue se concentrar, não consegue ficar atento(a) muito tempo”, “muda de uma atividade para outra rapidamente”, “ não suporta esperar; quer tudo imediatamente”, “é desobediente”, “frustra-se facilmente” e “ grita muito”. Para a professora, nem uma destas atitudes é observada em sala; o único comportamento que é pontuado pela professora, também é pontuado pelo pai e mãe – item “quer muita atenção”. Nos comportamentos agressivos, a mãe se manifesta pontuando 1 nos itens “é desafiadora”, “suas exigências devem ser atendidas imediatamente”, “é teimoso(a), “mal humorado(a)”, “faz birra ou é esquentado”. Nessa análise não houve nenhuma alteração dos gráficos que fosse considerada importante; todos permaneceram na faixa considerada normal para a idade e sexo da criança. Nessa análise foi identificado que pai e mãe concordam em 5 itens internalizantes. Nos comportamentos externalizantes, a mãe sinaliza 12 itens e destes doze o pai concorda com 7. Em apenas em um item “quer muita atenção” o pai e a professora concordam. Entretanto, a criança se comporta de forma geradora de processos proximais, tanto no ambiente escolar como familiar. ID – 11 Nas questões de aspectos emocionais, pai e professora concordam, sendo que a mãe discorda de ambos, percebendo algumas divergências no comportamento do filho. 44 Nos fenômenos Ansiedade e Depressão, observa-se que há concordância entre mãe e professora – ambas apontam alterações; já para o pai os comportamentos são esperáveis. Nas queixas somáticas, houve concordância entre pai, mãe e professora, ocorrendo somente comportamentos esperáveis. A professora observa algumas alterações na questão social do aluno em sala, porém tanto para o pai quanto para a mãe tudo está dentro de um quadro típico, não apresentando divergências. Nos aspectos dos comportamentos chamados externalizantes, para a professora há falta de atenção e concentração e para os pais não há alterações. Nos comportamentos agressivos, há concordância entre ambos – a criança não apresenta este tipo de comportamentos de agressividade. A mãe pontua em 16 os comportamentos internalizantes, o pai em 10 e a professora em 8 destes comportamentos, podendo ser observada a concordância de pai e mãe em 7 itens. Mãe e professora divergem em 8 itens. Para a professora, a criança não apresenta comportamentos externalizantes. Entretanto pai e mãe concordam em 8 itens, divergindo em apenas dois,referentes aos problemas de atenção. Existe uma diferença nas percepções dos pais em relação a professora, pois para pai e mãe a criança apresenta comportamentos mais emotivos no ambiente familiar. A mãe apresenta este comportamento como disruptivos. No contexto escolar a criança apresenta poucas reações emocionais, a mesma se comporta de forma mais geradora dos processos proximais. ID – 12 Essa análise aponta que há concordância e divergência entre as respostas de pai, mãe e professora, com prevalência das concordâncias. Nos comportamentos internalizantes, pai e mãe concordam em dois itens – “é perturbado(a) por qualquer 45 mudança na rotina” (emocional) e “é muito medroso ou ansioso” (Ansiedade e Depressão). No item Ansiedade e Depressão, a mãe pontua 1 e acrescenta o item “fica muito aflito(a) quando separado(a) dos pais”. Nas “analises da professora criança a “magoa-se facilmente”, e “fica facilmente envergonhada” pontuando 1 em ambos os itens. As queixas somáticas são vistas apenas para a mãe no item “muito preocupada com organização ou limpeza”. Nos aspectos sociais, pai, mãe e professora concordam em apenas um item “não responde quando as pessoas falam com ele(a)”. Para o pai, a criança também “evita olhar os outros nos olhos” – pontuação 1. “Quanto aos comportamentos externalizantes, mãe e pai concordam em 7 itens de comportamentos diferentes. Para os problemas de atenção sinalizaram os itens “não consegue se concentrar” e” não consegue ficar atento(a) muito tempo”, sendo que o pai acrescenta o item “ desastrado(a) ou tem falta de coordenação”, mas para a mãe a criança “ muda de uma atividade para outra rapidamente. Nos comportamentos agressivos pai e mãe pontuam 1 e observam os mesmos comportamentos: “não suporta esperar; quer tudo imediatamente”, “é desafiador(a)”, “suas exigências devem ser atendidas imediatamente” , “quer muita atenção”, e “ é desobediente”. Nas divergências, a mãe ressalta o item “machuca animais ou pessoas sem intenção” e o pai “é egoísta ou não divide”, ambos pontuando 1. A professora diverge da mãe em todos os comportamentos externalizantes, porém concorda com o pai, marcando 1 no item “quer muita atenção”. Os gráficos dessa análise estão todos na faixa normal – nenhum deles passou do percentil 50. No contexto escolar e familiar a criança apresenta raras reações, referentes às queixas somáticas ou em aspectos sociais, indicando que esta criança se comporta de forma mais geradora de processos proximais. Concluindo que mesmo com poucas reações mostrada pela criança, mãe e professora observam alguns os comportamentos 46 internalizantes, e o pai pelo contrário observa alguns os comportamentos externalizantes. ID– 13 Nessa análise não foi possível fazer uma comparação, devido ao alto índice de divergência. Em 6 comportamentos avaliados – internalizantes e externalizantes – três dos gráficos da mãe ficam na faixa limítrofe, com o percentil de 65. Os comportamentos internalizantes aparecem com maior frequência nas observações da mãe. Em 23 itens analisados, o pai pontua 2 em 10 e o restante em 1. A divergência ocorre, pois a professora não pontua em nenhum dos 99 itens. Nos comportamentos internalizantes, o pai pontua 2 nos itens “preocupa-se muito”, “ magoa-se facilmente”, fica muito aflito(a) quando separados(a) dos pais, “não suporta ver coisas fora do lugar” e “ muito preocupado(a) com organização ou limpeza”. Os comportamentos externalizantes, são pontuados em 2 nos seguintes itens, “é desafiador (a), “seu comportamento não muda de punição” e “quer muita atenção”. No espaço escolar, a professora não identifica na criança, reações referentes à ansiedade/depressão ou queixas somáticas. Esta considerável diferença nas percepções indica que a criança, no ambiente familiar, apresenta muitos comportamentos de ansiedade e queixas somáticas, e tais comportamentos são analisados como disruptivos, não sendo aceitos como normais para mãe. ID – 14 47 Os comportamentos internalizantes são observados por pai, mãe e professora. Entretanto, há somente duas concordâncias entre pai e mãe. No comportamento emocional foi pontuado 1 no item “fica facilmente emburrado”, referente à Ansiedade e Depressão; para “mostra-se pouco à vontade ou facilmente envergonhado(a)”, a pontuação foi 1. As divergências ocorrem nos itens “é muito dependente”, pontuado 1 pela mãe, “ magoa-se facilmente” sinalizado como 1 pela professora e “ fica muito aflito(a) quando separado (a) dos pais, pontuado 1 pelo pai. Os aspectos sociais são pontuados pela mãe e professora, porém em itens diferentes. A mãe pontua 1 em ambos os itens “comporta-se de maneira muito infantil para idade” e “não responde quando as pessoas falam com ele(a)”. A professora pontua 1 nos itens “ mostra pouco interesse em coisas ao seu redor” e“ retraída, não se envolve com os outros”; o item “recusa brincar com jogos movimentados”, apresenta-se pontuando em 2. Os comportamentos agressivos (externalizantes) apresentam concordância entre mãe e professora nos itens, “é desafiador(a)” e “é egoísta ou não divide” . A mãe acrescenta mais três itens: “é mal-humorado(a)”, “não é cooperativa” e “é desobediente”, sendo que este é pontuado também pelo pai. (Ver tabela/gráficos). Essa pequena diferença nas percepções aponta que a criança, no contexto escolar, apresenta alguns comportamentos sociais, considerados como geradores de processos proximais. Os comportamentos internalizantes são os mais observados nas ações da criança. A professora dá ênfase para os comportamentos dos aspectos sociais, como apresentado no gráfico. 48 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS . A pesquisa desenvolvida contribui com a literatura, pois não há estudos que promoveram essa comparação entre as respostas de pais, mães e professora, analisando as percepções acerca dos comportamentos infantis de crianças de 3 a 4 anos de idade. Os objetivos foram analisar as respostas de pais e mães, avaliar as respostas dadas pela professora, fazer uma comparação dessas avaliações e verificar se houve concordâncias e/ou divergências entre as respostas de ambos. Após analisar as percepções de pais, mães e professora, identificou-se que em 14 dos questionários respondidos pelos pais e mães, em 9 destes apresentam grandes divergências entre as repostas dos genitores em relação às respostas dadas pela professora. No total pai e mãe concordam em 11 itens, professora e mãe concordam em 7 itens e professora e pai a uma concordância em 8 itens. Portanto, cabe enfatizar que nesta pesquisa ocorreram mais divergências, entre as respostas dos pais com as respostas da professora. Os resultados alcançados com este estudo confirmaram a importância de existir uma interação entre família-escola. A diferença entre as concordâncias e divergências apresentadas nas respostas de pais e professoras ao CBCL mostram que, mesmo que tenham contato com a mesma criança, cada um tem a sua forma de analisar, observar e compreender os comportamentos da mesma. Apesar disto, é necessário destacar que nos aspectos sociais e emocionais as características “evita olhar o outros nos olhos”, “não responde quando os outros falam com ele(a)” “muda rapidamente entre tristeza e alegria”, “fica facilmente emburrado”, incomoda-se com pessoas ou situações novas”, “choraminga” e “preocupa-se muito” formam os itens mais sinalizados pelos pais, mães e professora, sendo todos comportamentos internalizantes. Na maioria das análises essas percepções foram convergentes nas respostas de pais e mães. Entretanto, de maneira geral, os comportamentos externalizantes são os mais observados pelos pais, mães e professora. Conclui-se que, de acordo com os gráficos mostrados, a professora diverge dos pais várias vezes. Nesse aspecto pode-se pensar que a escola está lidando de forma menos rigorosa do que as famílias em relação aos comportamentos disruptivos. Sendo assim, as escolas poderiam fazer a criação de programas que incentivem a participação, dos pais e mães, aproximando a comunicação e ampliando a interação entre ambos. 49 De acordo com a literatura, é de suma importância que a criança tenha uma infância saudável e adequada para que ocorra um apropriado desenvolvimento social e escolar. Quando acontece a interação entre família e escola, as etapas do desenvolvimento infantil ficam mais fáceis de serem observadas e analisadas, pois juntos esses microssistemas podem identificar os comportamentos interlanizantes e externalizantes e combatê-los, caso haja comportamentos disruptivos, tornado todos os comportamentos geradores de processos proximais. Os comportamentos disruptivos apareceram com mais frequência nas percepções da família. Diante dos dados apresentados, refletindo sobre novas contribuições para o melhor desenvolvimento infantil e a interação de família e escola, poderia haver novos questionamentos, em relação ao tempo que os pais passam com seus filhos, se os pais trabalham fora, numero de filhos, a relação e dificuldades que os pais encontram sobre o comportamento de seus filhos, relação conjugal, há um contado direto com as professoras na escola. Novas pesquisas deveriam ser feitas para saber o porquê pais e mães observam tais comportamentos de formas diferentes, ou até mesmo o porquê a criança se apresenta de maneiras distintas no ambiente familiar e escolar. 50 REFERÊNCIAS ACHENBACH, T.M; RESCORLA,L. A. Mental health practitioners’ guide for the Achenbach of Empirically Based Assessment (4th ed.).Burlington, VT: University of Vermont, Research Center for Children, Youth, & Families.2004 BARROS, S.K. S. N; DEL PRETTE, A. Um treinamento de habilidades sociais para pais pode beneficiar os filhos na escola?. EM: ver. Sociedade de Psicologia do Triângulo Mineiro.p. 107-123, 2007. BHERING, Eliana; BLATCHFORD, Siraj. (1999). A relação escola-pais: um modelo de trocas e colaboração. Cadernos de Pesquisa,106, 191-216,1999 BRONFENBRENNER,Urie. A ecologia do desenvolvimento humano: experimentos naturais e planejados. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996. BRONFENBRENNER,Urie. 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