UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATU SENSU” AVM FACULDADE INTEGRADA ANALISANDO AS CAUSAS DA EVASÃO ESCOLAR NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS EM UMA TURMA DE 3º ANO DO ENSINO MÉDIO Por: Marisa da Conceição Martins Tresse Orientador: Prof. Dr. Vilson Sérgio. Rio de Janeiro 2012 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATU SENSU” AVM FACULDADE INTEGRADA ANALISANDO AS CAUSAS DA EVASÃO ESCOLAR NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS EM UMA TURMA DE 3º ANO DO ENSINO MÉDIO Apresentação de Monografia à AVM Faculdade Integrada como obtenção do requisito grau de parcial para especialista Administração e Supervisão Escolar. Por: Marisa da Conceição Martins Tresse a em AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, por mais esta feliz realização. Agradeço, em especial, ao meu professor orientador Dr. Vilson Sérgio, aos professores Lindomar e Geni, pela generosa troca de conhecimentos. Agradeço, ainda, aos meus colegas Alessandra, Patrícia, Beatriz e Edson, pelo apoio. DEDICATÓRIA Dedico este trabalho aos meus filhos Vanessa e Vinícius e meu esposo Jorge Luiz, pelo carinho e incentivo em todas as minhas conquistas. “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda”. Paulo Freire RESUMO A evasão escolar é um grave problema e precisa ser combatido. É preciso que o gestor conheça os motivos que levam o aluno a evadir para que consiga buscar soluções para esta problemática. O objetivo da presente monografia é analisar as causas da evasão escolar no Colégio Presidente Rodrigues Alves, município de Paracambi-RJ. Para isso, realizou-se um estudo de caso, de caráter qualitativo, a fim de conhecer as causas da evasão na referida escola, entre elas: distância, problema na relação professor-aluno, gravidez precoce, desinteresse e falta de incentivo dos pais e da própria escola, e, principalmente, trabalho. No entanto, a vontade de estudar e obter qualidade de vida são um grande incentivo para os alunos. Palavras-chave: educação, evasão escolar, gestão. ABSTRACT School evasion is a serious problem and needs to be fought. It is necessary that the manager knows the reasons why the student evade so the manager can find solutions to this problem. The aim of this paper is to analyze the causes of evasion in the College President Rodrigues Alves, RJ-Paracambi city. For this, we performed a case study, qualitative, to ascertain the causes of school evasion, including: distance problem in teacher-student relationship, teenage pregnancy, disinterest and lack of encouragement from parents and the school itself, and especially work. However, the willingness to study and achieve quality of life are a great incentive for students. Keywords: education, school evasion, management. METODOLOGIA Para a realização desta investigação contou-se com a metodologia qualitativa, que, segundo Alves-Mazzotti (1999), tem a intenção pura e exclusivamente de observar uma situação, não buscando realizar uma estatística numérica. A pesquisa foi realizada no Colégio Estadual Presidente Rodrigues Alves, em Paracambi-RJ, por apresentar um misto de classe econômica entre seus alunos e, consequentemente, há muitas crianças pertencentes à famílias que vivem na pobreza, o que dificulta o processo educacional destes, revelando-se, deste modo, um local propício para o desenvolvimento do estudo discutindo a evasão escolar e as desigualdades sociais. Para coletar os dados foi utilizado, como principal instrumento, o questionário, pois possibilita a realização de gráficos e a compreensão das respostas individualmente. O questionário contém sete perguntas objetivas, com respostas variadas para cada questão, a fim de que o aluno tenha variadas opções de resposta, objetivando, assim, maior veracidade possível dos dados obtidos. A coleta de dados para esta pesquisa foi realizada durante os meses de Setembro e Outubro de 2011, aproximadamente, com alunos do Ensino Médio, que evadiram no período de 2010 e que retomaram os estudos no início do ano de 2011, sendo que muitos já não frequentavam mais as aulas na época em que foi realizada esta pesquisa no Colégio Estadual Presidente Rodrigues Alves, Paracambi-RJ, rede pública de ensino. Espera-se, a partir desse estudo, verificar o principal motivo que leva os alunos a evadirem, tentando assim, ao final, focar novos caminhos para entendimento desta questão. SUMÁRIO INTRODUÇÃO 09 CAPÍTULO I – AS DESIGUALDADES SOCIAIS NO BRASIL 1.1 Políticas sociais de combate à evasão escolar e promoção de cidadania 11 12 CAPÍTULO II – FATORES QUE INFLUENCIAM NA EVASÃO ESCOLAR 2.1 Fatores externos à escola 2.2 Fatores internos à escola 15 15 17 CAPÍTULO III – ANALISANDO A EVASÃO ESCOLAR NO COLÉGIO PRESIDENTE RODRIGUES ALVES 19 CONSIDERAÇÕES FINAIS 26 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 28 ANEXO 30 9 INTRODUÇÃO A evasão escolar é um problema complexo que atinge as escolas de todo o país e que diz respeito a toda sociedade, começando pela família, que muitas vezes se omite, jogando toda responsabilidade na escola e no governo que não incentiva a permanência da criança na escola. No combate a evasão é importante que o gestor envolva toda comunidade escolar, procurando fazer com que o aluno e a família não só compreendam a importância da educação em sua vida como também fiquem cientes de que o estudo formal é fundamental e obrigatório. Baseando-se nos resultados das pesquisas de autores como Charlot (2000) as questões que se levantam são: o que o gestor deve fazer frente ao problema da evasão escolar? O modelo como a escola aparelha suas atividades escolares e a atitude dos pais frente aos estudos de seus filhos pode ocasionar no abandono da escola? Qual o papel da escola e da família? Quais as causas da evasão escolar? A evasão escolar é configurada quando o aluno se afasta da escola. Isso acontece por diversos fatores, tais como: situação econômica, falta de vaga na escola, distância, problema na relação professor-aluno, gravidez precoce, desinteresse e falta de incentivo dos pais e da própria escola, e em muitos casos para o trabalho. Apesar do gestor do Colégio Estadual Presidente Rodrigues Alves (CEPRA), situado no município de Paracambi-RJ, adotar medidas importantes para o controle à evasão, trabalhando esse assunto com especial atenção e seriedade, fazendo contato direto com os alunos evadidos ou em processo de evasão, adotando procedimentos como a convocação dos responsáveis, através de cartas ou telefonemas, ou, se de maior, a conversa com o próprio aluno, muitos alunos acabam deixando a escola para ingressarem no mercado de trabalho. Mas, qual é a principal causa de evasão na referida escola? É preciso que o gestor conheça os motivos que levam o aluno a evadir para que consiga buscar soluções para esta problemática. Para responder a essa questão, o presente trabalho tem como objetivo identificar as causas da evasão dos alunos do CEPRA, rede pública, no município de Paracambi, Rio de Janeiro, no Ensino Médio Noturno, analisando o alto índice de evasão escolar. 10 Para discutir esse assunto, o trabalho divide-se nos seguintes capítulos: o Capítulo I discute “As desigualdades sociais e a pobreza no Brasil”, serão vistas neste capítulo as políticas sociais de combate à evasão escolar e promoção de cidadania. No Capítulo II serão tratados os “Fatores que influenciam a evasão escolar”, tanto os externos quanto os internos. E, por fim, o Capítulo III traz a “Metodologia: os caminhos da pesquisa”, discutindo e apresentando o resultado da pesquisa. As questões levantadas servirão para indicar ao gestor as causas da evasão na EJA, auxiliando-o na busca de iniciativas para o seu combate. É preciso haver uma conscientização da importância de manter o aluno na escola, a fim de propagar a cidadania e minimizar a desigualdade social tão crescente no Brasil. Para isso, é preciso que o governo esteja pronto para enfrentar e resolver os problemas econômicos da população brasileira, mas que as famílias também percebam que somente a educação pode gerar a transformação social. 11 CAPÍTULO I AS DESIGUALDADES SOCIAIS E A POBREZA NO BRASIL Desde as décadas de 70 e 80 que as questões sociais vêm sendo discutidas com maior interesse. É também desta época que diferentes entidades (como empresas privadas e organizações não-governamentais – ONGs) começaram a investir no plano educacional. A partir daí, começaram a elaborar pequenos projetos sociais voltados às crianças e adolescentes de baixa renda. Esse interesse, para Fitoussi e Rosanvallon (1997, p. 26), “sucede como se o essencial fosse proclamar a própria generosidade e dar mostras de boa vontade”. De acordo com os autores, a propaganda social, de solidariedade, é muito mais voltada para a divulgação de alguma ideia ou produto do que para a figura do jovem carente que precisa ser visto e ajudado. Segundo os referentes autores (ibid, p. 26-27), o objetivo da desigualdade social: (...) passou-se de “uma análise global do sistema (em termos de exploração, repartição etc.) para um enfoque centrado no segmento mais vulnerável da população”, os chamados excluídos. (...) a luta contra a exclusão simplificou a compreensão da dinâmica social, pois se omite o fato de que esse fenômeno resulta de um processo. O aparente radicalismo esconde o retorno a uma visão mais retrógada do social como remédio para as conseqüências mais escandalosas do econômico. Discutir o lado social é muito mais cabível do que tratar do econômico. Dentro deste pensamento, não se discute a exploração financeira que os obriga a condição de miseráveis, em que as crianças e os jovens deixam as escolas para trabalhar a troco de pouco, que quase não dá para sobreviver, tornando-se vítimas da pobreza, desnutrição e fome, que, segundo Monteiro (2003, p. 7-8), configuram aspectos distintos: A pobreza corresponde à condição de não-satisfação de necessidades humanas elementares; as deficiências nutricionais decorrem seja de aporte alimentar deficiente, seja de doenças; a fome pode ser aguda ou crônica, sendo que a fome crônica resulta de alimentação habitual insuficiente para propiciar a energia necessária para a manutenção do organismo e o desempenho das atividades diárias de um determinado indivíduo. Associada a essa condição, surge uma das modalidades de desnutrição: a deficiência energética crônica. 12 Sposati (1997, p. 13) também difere a pobreza da desigualdade e da exclusão: (...) o conceito de pobreza é relativo, refletindo os hábitos, valores e costumes de uma sociedade; entretanto, com a globalização, essa noção passa a aproximar-se de uma medida comum. Os indicadores utilizados para estimar o grau de pobreza de uma sociedade partem de medidas quantitativas comparativas, demarcando os estratos sociais que enfrentam os mais baixos padrões de vida. Nesse ponto, a definição de pobreza toca diretamente na questão das desigualdades. Portanto, a pobreza e a exclusão estão diretamente relacionadas com as desigualdades sociais e estas provocam grande comprometimento no desenvolvimento de qualquer pessoa que esteja sujeita a essas condições: prejudica a vida social, familiar e escolar. Mas a pobreza no Brasil não decorre da falta de recursos, e sim da má distribuição desses recursos, como afirma Henriques et al (2000, p. 141): (...) o Brasil não é um país pobre, mas um país com muitos pobres. Eles demonstram que, por si só, o crescimento econômico não amenizou a extrema desigualdade, nem diminuiu a quantidade de pobres: segundo a Programa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), entre os anos de 1977 e 1998 a proporção de pobres passou de 39% para 33%, mas com o crescimento populacional o número absoluto aumentou de 40 milhões para 50 milhões. Para esses autores, a pobreza no Brasil deve-se mais à desigualdade na distribuição de recursos que à escassez de recursos. Desigualdade que “surpreende tanto por sua intensidade como, sobretudo, por sua estabilidade” ao longo do tempo. A evasão escolar é um forte determinante da situação de exclusão. No entanto, mesmo aqueles frequentadores da escola também podem ser excluídos, dependendo da dedicação que tem para com a escola. Somente um ensino pleno e de qualidade, que garantam a socialização do educando pode ser capaz de levá-lo à inclusão social. E, visando a inclusão desses alunos, o governo elabora políticas sociais de combate a evasão e promoção de cidadania que serão brevemente citadas. 1.1 - Políticas de combate à evasão escolar e promoção de cidadania Para crescer, em igualdade, frente à modernização de países desenvolvidos, o Brasil acumulou dívidas da época da industrialização, e consequente urbanização, 13 que ainda hoje mostram resultados dessa falta de planejamento, como o desemprego e a exclusão. Como comprovantes desse estado estão as políticas sociais e educacionais. Para Demo (1980, p. 17) as políticas sociais configuram “o esforço planejado de redução das desigualdades sociais”, ou seja, servem para pensar e buscar soluções que visem minimizar casos de desigualdade. Algumas políticas sociais foram muito bem aproveitadas pelas escolas, como é o caso da merenda escolar, que funciona nas escolas públicas, podendo ser considerada por muitos alunos como um grande atrativo à escola, mas o que é melhor, ela não discrimina os alunos, pois é uma política universal. Para extinguir a pobreza brasileira é preciso criar oportunidades para que as pessoas das classes mais baixas possam desenvolver competências que os faça produzir e participar criticamente dos processos sociais. De acordo com Rocha (2003, p. 60), a partir de 1995, o governo federal começou a pensar em meios de combater a pobreza e promover a inclusão social: (...) Após ampliar a oferta de vagas no Ensino Fundamental, optou por adotar novas medidas de transferência de renda que incentivassem as matrículas e a permanência da criança na escola, desestimulando a evasão escolar. Estende-se, então, o Programa Nacional do Bolsa-Escola, o qual visa minimizar a pobreza brasileira por meio de um aumento do nível educacional de crianças pobres. Dessa forma, o programa busca encorajar a freqüência escolar das crianças contribuindo para o combate à evasão escolar. Através do dinheiro que a família recebe do Bolsa-Escola as crianças não são obrigadas a deixar a escola para trabalhar ou simplesmente para ficar em casa. Ao contrário, o programa exige a presença dos alunos na escola, visando o aumento da taxa de escolaridade e o combate à evasão escolar. Para Aguiar e Araujo (2002, p. 34-35), o Bolsa-Escola supera qualquer outro programa de redistribuição de renda: A Bolsa Escola é superior aos programas de renda mínima porque integra de forma estratégica a complementação de renda ao acesso universal à educação, bem como combate à evasão escolar. Os beneficiários são crianças de famílias muito pobres, que, sem a bolsa mensal, evadiriam do sistema escolar, mantendo a mesma baixa escolaridade dos pais e, conseqüentemente, no futuro, ingressariam no mercado de trabalho, na melhor das hipóteses, nas mesmas condições da maioria de suas famílias. A lógica é elevar o grau de escolaridade das crianças para aumentar e mesmo equilibrar as oportunidades. A Bolsa-Escola consiste em repassar 14 um recurso mensal para as famílias excluídas desde que todos os filhos em idade escolar freqüentem pelo menos 90% dos dias letivos (p. 34-35). Segundo Rocha (2003, p. 65), a cada trimestre, a frequência dos alunos bolsistas é analisada. Hoje, mais de cinco mil e quinhentos municípios contam com os recursos federais do programa Bolsa-Escola para que aproximadamente cinco milhões de famílias pobres recebam o auxílio financeiro e, em compensação, mantenham seus filhos na escola. Neste sentido, conclui-se que o programa Bolsa-Escola procura promover a educação das crianças pobres garantindo sua frequência na escola, através de incentivo financeiro, contribuindo para a melhoria das condições de vida no país. Além disso, o programa ainda busca estimular a construção de uma cultura escolar positiva entre as camadas sociais menos favorecidas, de maneira que recuperem a dignidade e a auto-estima do povo excluído, com a expectativa de assegurar um futuro melhor para seus filhos através da educação. Para que eles possam aproveitar, enquanto são crianças, para se dedicar aos estudos e não terem que se preocupar na sua conclusão apenas quando chegar à fase adulta. Tudo o que se destina a manter o aluno na escola deve ser bem visto, pois as crianças precisam estudar para que possam garantir seu futuro profissional e para que tenha uma melhor qualidade de vida. Hoje, ainda são pequenas as contribuições que auxiliam no processo de desfazer os problemas da desigualdade social e, como será mostrado no próximo capítulo, há muitos fatores que influenciam na evasão, fatores ligados tanto a parte externa quanto interna à escola. 15 CAPÍTULO II FATORES QUE INFLUENCIAM A EVASÃO ESCOLAR A evasão escolar não é um problema atual da educação brasileira, em especial a pública. Desta forma, é imprescindível que se analise e discuta o papel da família e da escola como agentes minimizadores do problema. A LDB (BRASIL, 1996, p. 02), lei nº. 9394/96, em seu artigo 2º, determina que a família e o Estado sejam responsáveis pela orientação social e educacional das crianças: Art. 2º. A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. A lei estabelece, assim, que o educando deve receber uma educação plena, que lhe possibilite exercer a cidadania e qualificá-lo ao trabalho, mas como ser plenamente educado se o aluno evade a escola antes mesmo de completá-la? Por este motivo que a evasão escolar é cada vez mais tema de debates políticos e sociais. São muitos os fatores que levam o aluno a evadir. No entanto, segundo Queiroz [2007?], é possível dividi-los em dois grupos distintos: os fatores internos e os externos à escola, que serão citados particularmente a seguir de acordo com os estudos da referente autora. 2.1 - Fatores externos à escola Meksenas (1998), Arroyo (1991), Gatti et al. (1981 apud BRANDÃO et al., 1983) apontam em seus estudos que o problema do fracasso escolar se dá mediante os fatores externos à escola. De acordo com as pesquisas de Brandão et al. (1983, p. 98) “o fator de maior influência no rendimento escolar do aluno é a família” e “quanto maior é o nível de escolaridade da mãe (...) maior é o seu rendimento”. Este fato comprova a afirmação 16 de que o acompanhamento da família no estudo de seu filho é muito importante para o desenvolvimento escolar da criança. Arroyo (1991, p. 21) aponta as desigualdades sociais como outro fator preponderante para o fracasso escolar, pois: é essa escola das classes trabalhadoras que vem fracassando em todo lugar. Não são as diferenças de clima ou de região que marcam as grandes diferenças entre escola possível ou impossível, mas as diferenças de classe. As políticas oficiais tentam ocultar esse caráter de classe no fracasso escolar, apresentando os problemas e as soluções com políticas regionais e locais. Famílias de classes mais baixas sofrem com o desemprego, desnutrição, desestruturação familiar, políticas de governo, conforme concorda Queiroz [2007?], o que dificulta o processo educacional, pois as crianças deixam os estudos para trabalhar ou, quando não, são desatentas em sala de aula devido ao cansaço para chegar à escola ou má-alimentação. Este aspecto pode ser confirmado por Brandão et al. (1983, p. 87) citando Gatti (1981), Arns (1978) e Ferrari (1975), quando diz que “os alunos de nível sócio-econômico mais baixo têm um menor índice de rendimento e, de acordo com alguns autores, são mais propensos à evasão”. Assim, a desnutrição pode ser vista como um dos principais fatores responsáveis pelo fracasso escolar. Segundo Silva (1978, p. 33): (...) a desnutrição pregressa, mesmo moderada, é uma das principais causas da alteração no desenvolvimento mental, e mau desempenho escolar. As crianças desnutridas se tornam apáticas, solicitam menos atenção daqueles que as cercam e, conseqüentemente, por não serem estimuladas, têm seu desenvolvimento prejudicado. O trabalho, como também foi exposto, configura segundo Meksenas (1998, p. 98), um grande entrave ao desenvolvimento do aluno, principalmente entre os estudantes do curso noturno que optam por este horário porque precisam trabalham na parte do dia para ajudar na renda familiar, chegando cansado e desmotivado para aprender. O que configura, equivocadamente, muitas vezes, desinteresse e falta de esforço por parte do aluno e este passa de vítima à culpado pelo seu fracasso. No próximo item, serão apresentados os fatores internos à escola ao fracasso escolar, apontando a responsabilidade da escola diante do problema da aprendizagem. 17 2.2 - Fatores internos à escola Em Brandão et al. (1983) também podem ser encontrados autores, como Bourdieu, Cunha e Fukui, que são contrários ao pensamento anterior e acreditam que os fatores internos são os responsáveis pelo desenvolvimento cognitivo do aluno e sua permanência na escola. Queiroz [2007?], citando Bourdieu (apud FREITAG, 1980), escreve que a escola serve como uma ferramenta para dominar, reproduzir e manter os interesses das classes altas, por isso as escolas públicas, onde se concentram um maior número de alunos vindos de famílias de classe baixa, vem fracassando progressivamente. Entende-se com isso que a educação deve ser apenas para aqueles pertencentes às classes dominantes para que a população das classes menos favorecidas, que corresponde à maioria da população brasileira, continue sem tempo ou disposição de aprender e, assim, não desenvolva a criticidade que deveria fazê-lo lutar frente às desigualdades que lhes são impostas e que na maioria das vezes são aceitas, pois não sabem como se defender. Os próprios professores são vistos, por esses autores, como colaboradores do fracasso, já que não acreditam nem estimulam aqueles alunos mais carentes ou mais indisciplinados. Esses são vistos como incapazes ou desinteressados e acabam sendo excluídos dentro da própria escola. Gatti (1981 apud BRANDÃO et al., 1983, p. 47) reafirma o exposto quando diz: O fenômeno da profecia auto-realizadora é mais provável de ocorrer numa escola que abrange crianças de níveis econômicos díspares, o que enseja comparações e preferência dos professores favoráveis às crianças que lhes são mais próximas em termos culturais. Para Charlot (2000, p. 14), o problema do fracasso escolar que remete à evasão vai muito além desses fatores já citados. Segundo o autor: A problemática remete para muitos debates que tratam sobre o aprendizado, obviamente, mas também sobre a eficácia dos docentes, sobre o serviço público, sobre a igualdade das “chances”, sobre os recursos que o país deve investir em seu sistema educativo, sobre a “crise”, sobre os modos de vida e o trabalho na sociedade de amanhã, sobre as formas de cidadania. 18 Muitos desses fatores não são do âmbito escolar, mas é preciso atrelar forças no que diz respeito às responsabilidades escolares de proporcionar uma educação de qualidade que vise o bem-estar do aluno e esteja voltada para ele. É preciso que o gestor envolva toda a escola com esta questão para que as causas da evasão numa determinada escola possam ser compreendidas, a fim de que soluções possam ser encontradas, garantindo a permanência do educando na escola e promovendo, assim, a plena educação prevista na LDB, como visto antes. É preciso, pois, buscar meios para compreender o porquê da evasão escolar para assegurar o desenvolvimento e a permanência do aluno na escola. Para um breve estudo do assunto, será apresentado a seguir o caminho metodológico percorrido para a realização de uma pesquisa no Colégio Estadual Presidente Rodrigues Alves, Paracambi-RJ, para que se pudesse verificar e diagnosticar preliminarmente a evasão dos alunos do ensino médio nesta instituição de ensino. 19 CAPÍTULO III ANALISANDO A EVASÃO ESCOLAR NO COLÉGIO PRESIDENTE RODRIGUES ALVES Através da entrevista feita com 100 alunos do Ensino Médio Noturno do Colégio Estadual Presidente Rodrigues Alves, pôde-se fazer uma pequena avaliação sobre a importância da educação para os alunos e o que pode acarretar a evasão escolar. Constata-se na Tabela 1 que o maior motivo que os leva a estudar é a necessidade, pois eles sabem que o mercado de trabalho está cada vez mais competitivo e o estudo é cada dia mais importante e indispensável. Tabela 1 – Motivo pelo qual está estudando Motivo Por gostar Apenas para concluir Por necessidade Apenas para passar o tempo Total de respostas: Ocorrências 21 15 63 1 100 1% 21% Por gostar Apenas para concluir 15% 63% Por necessidade Como passatempo Gráfico 1 – Motivo do estudo: Necessidade Apesar de compreenderem a importância do estudo, se observado o gráfico com as ocorrências por motivo, fica claro que a maioria dos alunos precisa trabalhar para o sustento da família. Esse é um grande problema de desigualdade social que 20 aflige as camadas mais baixas da sociedade. Esses alunos estarão em desvantagem quanto aqueles que podem se dedicar apenas aos estudos. Percebe-se que, conforme esclarece Barros et al. (1996), o trabalho, como causa da transmissão da pobreza entre gerações, fundamenta o estabelecimento de duas relações: a da pobreza ser uma das causas do trabalho precoce e a de o trabalho precoce por sua vez, constituir uma das causas da pobreza futura. Assim, o trabalho afeta tanto os rendimentos futuros, na vida adulta, quanto o grau de escolaridade obtido. Se o indivíduo continuar deixando os estudos de lado para trabalhar e ajudar na renda familiar, esta situação de pobreza não terminará nunca. A Tabela 2 mostra a incidência da carga horária mais freqüente dos alunos que trabalham e estudam. Tabela 2 - Carga horária de trabalho diária Carga horária 8 horas 10 horas 6 horas Mais que 10 horas Nº de respostas: Ocorrência 25 45 10 20 100 10% 20% 06 horas 25% 08 horas 10 horas Mais que 10 horas 45% Gráfico 2 – Carga Horária Verificando o gráfico acima, a carga horária de trabalho, que varia de 08 a 10 horas nestes casos, atrapalha o horário da escola. Estes alunos, normalmente vão do trabalho direto para a escola e, na maioria das vezes, elas não são conciliáveis (como será visto no próximo gráfico). Sem contar que muitos alunos ainda têm a 21 carga horária maior que 10 horas, o que dificulta ainda mais o progresso educacional. De acordo com Rasia (2001): A estafa provocada pelas longas jornadas de trabalho e o modelo excludente de ensino para o aluno-trabalhador nas escolas públicas de educação básica estão acentuando as desigualdades de oportunidade de ascensão pessoal e profissional. Por questões de descaso com uma política econômica de pleno emprego, imposta pelo neoliberalismo, os alunos da escola pública estão assumindo, ou dividindo com os pais, as responsabilidades pelo sustento da família. Esse fato eleva vertiginosamente a reprovação, o cancelamento de matrícula e a evasão escolar, principalmente nos cursos noturnos. Na opinião dos alunos, é muito difícil combinar horário de trabalho com estudos, como mostra a Tabela 3. Tabela 3 - Possibilidade de conciliar o trabalho com os estudos Resposta É difícil Sim Nº de respostas: Ocorrência 81 19 100 19% É difícil Sim 81% Gráfico 3 – Concílio entre trabalho e escola De acordo com Barros et al. (1996), “o conflito entre trabalho e escola tem desdobramentos imediatos por causa do impacto do trabalho sobre a evasão escolar e, no longo prazo, sobre a escolaridade obtida”. Por ser difícil conciliar o horário de trabalho com o horário da escola, muitos alunos chegam, quase todos os dias, atrasados, perdendo, em grande parte, a 22 primeira aula, a qual não terão mais como repor. Isso quando vão até a escola, porque muitas vezes, por estarem muito atrasados acabam indo direto para casa. Pela Tabela 4, percebe-se que os alunos gostam dos professores, mas, segundo a Tabela 5, eles gostariam que a didática do professor fosse diferente. Tabela 4 - O que mais gosta na escola Resposta Ocorrência Dos professores 57 Da merenda 10 Do ensino 33 Nº de respostas: 100 33% Dos professores 57% Da merenda Das amizades 10% Gráfico 4 – Preferência escolar A maior parte dos alunos gosta de determinada disciplina muito mais por gostar do professor e acaba fazendo associação à mesma. Isso pode ser explicado por La Taille (1992, p. 65) quando diz: O desenvolvimento da inteligência permite, sem dúvida, que a motivação possa ser despertada por um número cada vez maior de objetivos ou situações. Todavia, ao longo desse desenvolvimento, o princípio básico permanece o mesmo: a afetividade é a mola propulsora das ações, e a razão está ao seu serviço. 23 A Tabela 5 apresenta a desaprovação dos alunos. Tabela 5 - O que mudaria no ensino noturno Resposta Ocorrência Horário 32 Conteúdo 21 Didática do professor 47 Nº de respostas: 100 32% Horário 47% Conteúdo Didática do professor 21% Gráfico 5 – Mudanças no ensino noturno Para eles, a didática do professor não é motivadora. As aulas são muito teóricas, sem debate ou algo que venha a despertar o interesse dos alunos pela aula. É preciso lembrar-se de Freire (1996) quando ele recomenda que os educadores devem se posicionar criticamente, questionando, orientando e incentivando aos educandos a pensar e reivindicar seus direitos, influindo na sociedade. Todavia sugere que ao assumir este compromisso, o educador o assuma com ética, amor e alegria, porque serão dos jovens alunos de hoje que partirão as mudanças que renovarão a sociedade brasileira. Geralmente, o índice de evasão escolar no Ensino Médio Noturno é muito elevado. A Tabela 6 mostra os fatores que mais contribuem para essa estatística. 24 Tabela 6 - O que mais contribui para a evasão escolar Resposta Falta de interesse dos alunos Incompatibilidade do horário de trabalho com o início das aulas Falta de compromisso do governo estadual com a educação Falta de motivação dos professores no incentivo aos alunos Dificuldade em aprender devido desânimo e cansaço Nº de respostas: 7% Ocorrência 7 29 12 4 48 100 Falta de interesse dos alunos 29% 48% Incompatibilidade de horário Descompromisso do governo Desmotivação dos professores 4% 12% Dificuldade de aprendizado Gráfico 6 – Causas da Evasão Escolar Como a maioria dos alunos da noite precisa trabalhar e estudar, o nível de rendimento é baixo, principalmente pelo cansaço. Muitos alunos vão do trabalho para a escola, o que prejudica no processo ensino-aprendizado. Segundo Kafuri e Ramon (1985), “muitos alunos dividem seu tempo entre o estudo e o trabalho, e são vencidos pelo cansaço. (...) Isso leva à evasão e ao baixo rendimento do aluno”. A Tabela 7 confirma o que já era esperado no momento da elaboração da pesquisa. Tabela 7 – O que é primordial para uma boa qualidade de vida Resposta Trabalho Educação Lazer Nº de respostas: 100 Ocorrência 9 91 0 25 0% 9% Trabalho Educação Lazer 91% Gráfico 7 – Qualidade de Vida Apesar de muitos não gostarem de estudar, não se sentirem motivados com algumas disciplinas, a maioria, quase todos, percebem que só através da educação poderão conquistar uma vida com mais qualidade. Como afirma Tiriba (apud FRIGOTTO, 1998): A educação e qualificação do jovem e adulto trabalhador estariam servindo como respostas às necessidades dessas populações, como embrião propulsor de novas formas de trabalhos localizadas e capazes de darem respostas mais imediatas às necessidades básicas dessas populações excluídas. Hoje, apesar de terem outras responsabilidades, ainda têm que “correr atrás do tempo perdido”, como foi dito na turma. 26 CONSIDERAÇÕES FINAIS A necessidade de trabalhar antes de concluir o estudo é um grande fator que contribui para a evasão escolar, pois o aluno sente dificuldade de conciliar o horário de trabalho e de estudo, se sente cansado e desmotivado com a didática do professor. Este estudo torna-se relevante para o gestor, pois demonstra a importância de se verificar as causas da evasão para conseguir combate-la. O gestor deve compreender os problemas enfrentados pelos alunos, procurando conversar e motivá-los, junto com seus professores, buscando, portanto, passar aos alunos a certeza de que podem contar com o apoio e orientação, dentro do possível, e que a escola é, acima de tudo, um ambiente amigo, e ainda que a educação é o maior meio de transformação social. Todos os recursos que a escola pode proporcionar para que o aluno sinta interesse em estar na escola é fundamental. Como se pôde observar através da pesquisa, os alunos gostam dos professores, sentem a necessidade da educação, sabem que precisam estudar para que a vida possa melhorar um pouco, e é isso que mais os motiva a continuar. Mas, mesmo ficando muitos cansados, tendo dificuldade para assimilar bem o conteúdo ensinado em sala de aula, praticamente todos os alunos concordam que a melhor maneira de se conseguir algo de bom na vida é através da educação. Neste sentido, a escola deve buscar conquistar seu aluno levando a eles sua realidade cotidiana, onde ele se mostrará mais interessado em discutir assuntos que lhes dizem respeito e que estão a altura de sua discussão, bem como incentivar a relação entre professor, aluno, direção e demais funcionários, para que haja entre os membros desta comunidade atenção, respeito e carinho, proporcionando um melhor aprendizado e minimizando os índices de evasão, pois os alunos sentirão prazer de estar participando desta familiar escolar. Observando e refletindo em todo o material escrito neste trabalho percebemos a importância de repensar o currículo e a prática educacional, no intuito de formar cidadãos críticos que lutem por seus direitos e cumpram seus deveres. Essa situação, porém, só será possível quando todos participarem do ensino e a evasão escolar não mais existir. 27 Esta pesquisa comprova as principais causas da evasão, buscando, deste modo, direcionar os professores para uma nova metodologia, nova didática e mudança de valores. Bem como orientar o aluno para a importância de estudar e permanecer na escola para que venha a concluir seus estudos e interagir de maneira atuante na sociedade. 28 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUIAR, M. e ARAÚJO, C. H. Bolsa-escola: educação para enfrentar a pobreza. Brasília, Unesco, 2002. ALVES-MAZZOTTI, A. J. e GEWANDSZNAJDER, F. Pesquisa quantitativa e qualitativa. São Paulo: Pioneira, 1999 ARROYO, M. Revendo os vínculos entre trabalho e educação. In: SILVA, T.T. Trabalho, educação e prática social. Porto Alegre: Artes Médicas, 1991. BARROS, Ricardo P. de e MENDONÇA, Rosane S. P. de. Trabalho infantil e evasão escolar. Rio de Janeiro: DIPES/IPEA, 1996. BOURDIEU, Pierre. Escritos de educação. 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Vozes, l998. 30 ANEXO 31 ENTREVISTA REALIZADA COM ALUNOS DO ENSINO MÉDIO 1 – Qual o motivo porque você está estudando? ( ) Por gostar ( ) Por necessidade ( ) Apenas para concluir um grau de ensino ( ) Apenas para passar o tempo 2 – Qual a sua carga horária de trabalho? ( ) 8 horas ( ) 6 horas ( ) l0 horas ( ) maior carga horária das já citadas 3 – Em sua opinião dá para combinar horário de trabalho com estudos? ( ) É difícil ( ) Sim ( ) Não 4 – O que você mais gosta na escola? ( ) Dos professores ( ) Da merenda ( ) Das amizades 5 – O que você gostaria que mudasse no ensino noturno? ( ) Horário ( ) Conteúdo ( ) Didática do professor 6 – O índice de evasão escolar noturno em nossa escola é muito elevado. Dos itens abaixo, quais ou qual você acha que mais contribui para isto: ( ) Falta de interesse dos alunos. ( ) Incompatibilidade do horário de trabalho com o início das aulas. ( ) Greves constantes do magistério. ( ) Falta de compromisso do governo estadual com a educação. ( ) Falta de motivação dos professores no incentivo aos alunos. ( ) Dificuldade em aprender 7 – O que você considera primordial para se ter uma boa qualidade de vida? ( ) Trabalho ( ) Educação ( ) Lazer