Agnaldo Araújo Nepomuceno
MINHA HISTÓRIA
MINHA VIDA
Porto Velho (RO), março de 2013.
Revisão de Texto Profs:
Heva Catarina Breger
João Batista Gonçalves Silva
Lay Out e Digitação:
Agnaldo Araújo Nepomuceno
Capa, Diagramação e Arte Final:
Gráfica Imediata Ltda
Foto da capa: Rodrigo Erse
Impressão: Gráfica Imediata
Tiragem:
5.000 exemplares
Ficha Catalográfica
N441 Nepomuceno, Agnado Araújo
Minha História, Minha Vida
/Agnaldo Araújo Nepomuceno Porto Velho:
Gráfica... 2013
96p: il; 15cm
Título da capa: A Força de um Ideal:
1. Nepomuceno, Agnaldo
Araújo – Autobiografia
2. Sucesso I. Título
CDU – 929Nepomuceno
2013 - 5ª Edição
Impresso no Brasil/Printed in Brazil
Dedico esta obra a todos os que sonham e verdadeiramente trabalham para transformar os seus sonhos em
realidades, e a todos que, de forma direta ou indireta, contribuíram para a realização deste trabalho.
AGRADECIMENTOS
Agradeço, primeiramente, a Deus por ter-me dado vida,
pureza de pensamento, capacidade de sonhar a força para fazer dos sonhos realidades; agradeço pela harmonia que invade
minha alma, a paz que sinto em meu ser e a chama de felicidade
que queima, que devora a angústia e a tristeza antes que estas
se aproximem de mim; agradeço pela capacidade de amar as
pessoas, o Divino e o belo; por, mesmo em meio a toda correria,
conservar em mim a calma, mantenedora da perseverança.
Agradeço a minha mãe Maria do Carmo, pela sua existência e, por ter-me gerado em seu ventre, pelo amor de mãe que
certamente sentira por mim e pela compreensão em me perder,
para não me ver sofrer, o que prova o seu verdadeiro amor.
Agradeço Arlindo Araújo Nepomuceno, o rapaz destemido
e corajoso que me adotou e levou-me para a casa dos seus pais
e hoje considero mais que um irmão.
E, profundamente, agradeço, Orminda Gomes da Silva e
Benigno Araújo Nepomuceno, por fazerem por mim o que não
tinham obrigação de fazer, sendo assim uma prova cabal de
que pais não são só aqueles que nos colocam no mundo, mas,
sobretudo, aqueles que cuidam, que alimentam, educam, pois é
exatamente esta a parte mais difícil. Diante destas pessoas reconheço que palavras não recompensam, o que me faz ter plena
consciência de que tudo que fizer por eles será pouco, diante do
que fizeram por mim. Só Deus pode recompensá-los, e é o que
peço e desejo de coração.
Finalmente, agradeço a todas as pessoas que direta ou indiretamente contribuíram para que eu pudesse chegar até aqui
e escrever estas linhas.
PREFÁCIO
A primeira vez que eu ouvi falar em Agnaldo foi quando se elegeu vereador por Porto Velho. Um jovem, militar, sem recursos e desatrelado de máquinas partidárias ser eleito, principalmente para quem se interessa por marketing
eleitoral, é, sem dúvida, um fenômeno digno de estudo. Interessei- me por maiores detalhes sobre sua história, mas, nos últimos tempos, por ter me afastado da
política partidária, acabei restrito ao que a imprensa veiculou sobre sua eleição
o que não esclarecia muito. No entanto, a interrogação sobre o sucesso político de um jovem desconhecido ficou pairada sem resposta na minha
imaginação e, vez por outra, quando o citavam, a curiosidade retornava como
se faltasse uma peça num quebra-cabeça.
Assim não tive como esconder um certo espanto, quando fui surpreendido
por um pedido para prefaciar o seu livro. De um lado, é sempre uma honra ser
convidado para tal tarefa; por outro, há a responsabilidade de ser verdadeiro
quanto ao Autor e sua obra, o que, para mim a parte artística e estética, significa, muitas vezes, colocar a verdade acima do carinho, da amizade e do
pressuposto do elogio que todo escritor, que tem um pouco de Narciso, aguarda. Felizmente, ao ler o livro, me senti inteiramente desvinculado de qualquer
compromisso pelo desejo manifesto nele de ser verdadeiro. De forma que me
sinto completamente à vontade para dizer que se trata de mais um desafio que
este jovem determinado venceu. Não é, obviamente, uma obra-prima, mas uma
obra que prima pela demonstração de uma personalidade obstinada, por uma
história de vida, onde a crença se fez mais forte que as circunstâncias. Agnaldo
demonstra que com objetivos, vontade e fé, as possibilidades humanas são infinitas e o faz com a simplicidade de quem percorreu o caminho, nem sempre
florido, das populações rurais mais pobres do nosso país. Se, em muitos
pontos, há lacunas, somente comprovam a autenticidade de sua trajetória e o
que poderia ser considerado um ponto fraco se torna um sinal da vitalidade
do livro que é, como seu Autor, um ser em formação, mas com metas e ideais
que, certamente, serão atingidos. Se não posso (ainda) anunciar em Agnaldo
um escritor, todavia já posso denunciar um escritor que consegue, apesar das
dificuldades, transmitir uma mensagem clara de amor e otimismo. Creio, que
em última análise, posso recomendar o livro como sendo o compromisso de um
jovem vitorioso de seguir em frente, crescendo em busca de obter a máxima
vitória humana de uma vida melhor. Que a estrela da sorte, amante dos ousados,
continue iluminando o seu caminho, são meus votos e, em especial, aos jovens,
aconselho que o leiam. Vale a pena.
Silvio Persivo
NOTA DO AUTOR
Peço a compreensão dos caros leitores ao ler esta obra,
pois ela não foi produzida por um profissional da literatura
brasileira. Ainda não sou um escritor, o que certamente serei no
futuro, apenas coloquei no papel algumas experiências acumuladas ao longo do tempo. Mesmo sem grande conhecimento da língua portuguesa, procurei, à minha maneira, de forma
simples, porém sem fugir a verdade, trazer a público parte da
minha vida, bem como alguns conhecimentos adquiridos a
partir das dificuldades enfrentadas e vencidas.
Esta obra não foi produzida com a intenção de ganhar dinheiro. O meu objetivo é tão somente retransmitir, sobretudo ao
público estudantil, o que a vida concedeu-me, a oportunidade
de aprender. Não posso guardar apenas comigo, o aprendizado
advindo dos obstáculos e se assim o fizesse, estaria sendo egoísta demais. Sinto em meu eu a necessidade de escrever estas
linhas, esta é a oportunidade. Não posso esperar por tempos
mais adequados, pois a vida passa rápido e, certamente, daqui
a alguns anos, não existirei mais em matéria. Mas, desta forma, as minhas experiências ficarão registradas e, se de cada
mil pessoas que as lerem, uma ou duas tirarem conclusões positivas para as suas vidas, valeu meu esforço, estarei feliz por
alcançar o meu objetivo.
Sei que não estou livre das críticas, mas se elas vierem
usá-las-ei como armas lapidadoras do aperfeiçoamento e, desta forma, em um futuro próximo, escreverei bem melhor. Por
enquanto é o que posso produzir. Pode não ser o melhor, não
ser o mais sofisticado, mas retrata o que verdadeiramente
sou, pois para reproduzi-la usei as máquinas, mas escrevi com
o coração.
Uma boa leitura.
Fecho os olhos e te vejo,
mãe querida,
musa, inspiradora, deusa, divina
precursora de minha vida.
Ah! Que vontade
de repousar-me em teus abraços
apertar as tuas mãos
sentir o teu calor.
Confesso, mãe!
Que estou ansioso
para te encontrar.
Em teu ombro
minha face debruçar
experimentar de perto
o seu amor
sentir a sensação de paz
da mulher
que me gerou.
Mãe! O amor que sinto em meu peito não deixa lugar para raivas,
revoltas ou traumas.
Procuro ver o mundo pelos teus olhos, olhos de menina frágil,
menina pura, diante das circunstâncias.
Aí vejo que o que fizeste, foi pensando em meu bem,
o que prova a tua sensibilidade e o teu divino amor.
Mãe! Onde estás?
Quero te encontrar
te abraçar
e falar muitas coisas
guardadas no meu peito.
Um dia, quem sabe!!
SUMÁRIO
PARTE I
1.1 - Minha História............................................................................17
1.2 - Como me tornei policia..............................................................30
1.3 - O Despertar Político...................................................................34
1.4 - Parte Afetiva...............................................................................38
PARTE II
1.1 - Passado.......................................................................................41
1.2 - Presente.......................................................................................46
1.3 - Futuro.........................................................................................49
PARTE III
3.1 – Jovem, Estudante, Sucesso........................................................53
3.2 – As Diferenças.............................................................................64
3.3 – Engrenagem da Vida..................................................................67
3.4 – Caminhos para o Sucesso...........................................................70
3.5 – Uma Experiência........................................................................74
PARTE IV
4.1 –Atualizações................................................................................76
4.2 –Eleições 1998..............................................................................77
4.3 –Eleições 2000..............................................................................78
4.4 –Eleições 2002..............................................................................79
4.5 –Eleições 2004/2006/2008/2010/2012..........................................80
4.6 –Conclusão do Curso de Direito...................................................81
4.7 –Ingresso no Magistério Superior.................................................83
4.8 –A Morte de meu pai.....................................................................84
4.9 –Encontro com meus tios e primos...............................................85
4.10 –Retorno ao local onde nasci......................................................88
4.11 –Doutorado..................................................................................90
4.12 –Secretário..................................................................................91
4.13 –Querida Mãe Orminda..............................................................92
CONCLUSÃO....................................................................................95
PARTE I
Se queres ser feliz de verdade seja sereno e carrega contigo o espírito de humanidade, pois as maldades
são como as borrachas esticadas quando não se partem ao meio, ao serem soltas, voltam ao seu ponto de
origem causando danos a quem as esticou. Portanto,
ser mau com os outros é ser mau a si mesmo.
MINHA HISTÓRIA,
MINHA VIDA
D
eixo fluir, aqui, do meu interior
para o papel, minha verdadeira história. Sei
que não tenho palavras bonitas para
chamar atenção. Contudo, faço questão de, eu mesmo, escrever minha
história, pois entendo que, se deixar
que outra pessoa escreva por mim,
Esta foto recorda os meus 06 por mais bonitas que forem suas pameses de idade
lavras, jamais transmitirá os meus
verdadeiros sentimentos. Assim sendo, mesmo de forma superficial, porém, sem fugir à verdade,
contarei minha história. Ressalvo, contudo, que o trecho compreendido entre o meu nascimento e os meus seis anos, tudo que
sei dele, foi-me contado pela minha mãe adotiva.
Sem entrar no mérito da questão “destino”, digo apenas
que em minha vida ocorreram e ocorrem, constantemente, fatos
muito engraçados e até curiosos, que merecem ser registrados.
Tudo começou, no início de 1967, na pacata cidade do interior do Estado do Paraná, chamada Goioerê, quando uma bela
jovem de 19 anos, de cabelos compridos e olhos azuis, chamada
Maria do Carmo conheceu José Ferreira. Os dois jovens foram
envolvidos por uma paixão sem precedente que, com o passar
dos dias, transformou-se em amor incontrolável. Do relacionamento mais íntimo surgiu uma gravidez, e lá estava eu, apenas
um embrião, mas, já existia, para enlevo de meus pais. Tudo
parecia flores, havia planos de casamento, de curtir o filho, de
construir uma família. Porém, Maria do Carmo foi surpreendida
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com o sono profundo e eterno, ou seja a morte de José Ferreira,
fato, que deixou-a desamparada e exposta à dura realidade: ser
mãe solteira.
E agora, o que fazer? Apesar dos seus 19 anos, Maria do
Carmo era ainda muito jovem e não sabia como encarar o fato e
dizer aos seu pais toda a verdade. Por outro lado, eu não queria
nem saber, e só estava crescendo. Assim, logo, tudo veio à tona.
Maria do Carmo passa a sofrer grandes pressões. Seu pai,
de idade avançada e patriarcal, carregava consigo a ignorância
de que lhe seria a maior das desonras, ter em sua casa uma filha
mãe solteira. Passou a agredir a filha com palavras de baixo
calão e até, a expulsá-la de sua casa. Exigiu a destruição da
criança antes que o fato se tornasse público, uma vez que isso
lhe causaria uma vergonha inaceitável.
Maria do Carmo – minha querida mãe que ainda não conheço, mas que vou conhecer – sem ter para onde ir, e nem o
que fazer, agüenta firme. E a cada agressão responde em seu
íntimo: filho eu te amo, quero ver você grande, inteligente e
bonito. Assim, nove meses se passaram, e lá estava eu, pronto
para nascer.
No dia 21/10/1967, Maria do Carmo queixa-se de fortes
dores. Seu pai, diante dos acontecimentos, determina, com sua
voz de império, que a mãe e as irmãs de Maria do Carmo lhe
acompanhem, ausentando-se todos, deixando Maria do Carmo abandonada, sozinha em casa, para que ela viesse a falecer
juntamente com a criança, na hora do parto.
Maria do Carmo, mesmo fragilizada pelas dores das contrações e do abandono, mantém-se firme e pede a uma criança,
que por ali brincava, para ir à procura de alguém que pudesse
lhe fazer companhia naquele instante difícil, onde a emoção e a
alegria se confundiam com a dor e o abandono. Minutos depois
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chega, ali Dª Orminda Gomes de Silva, parteira, que faz o parto.
Ao procurar as roupinhas da criança, não as encontra, pois sequer tinha. Rasga o vestido de Maria do Carmo e costura à mão
um jalequinho. Veste a criança e vai embora.
Quatro meses depois, não suportando mais as pressões e
diante da impossibilidade de cuidar bem do seu filho amado,
uma vez que a criança encontrava-se muito doente, e sua alimentação era apenas, papinha de abóbora cozida e amassada.
(talvez seja por esta razão que eu goste tanto de legumes) Maria
do Carmo, por me amar, prefere abrir mão de minha companhia, e sai à procura de alguém que possa cuidar bem de mim.
Este é Arlindo
Araújo Nepomuceno, o rapaz destemido e corajoso que teve
a iniciativa de me
adotar. Sua intenção era de me criar
como filho, mas por
não ter a sua própria
casa, levou-me para
a casa do seu pai e
sua madrasta, e estes
acabaram sendo os
meus pais, e ele ficou como um irmão
mais velho. Hoje
reconheço que ele
representa mais que
isto.
-19-
Assim sendo, logo encontrou um rapaz de apenas 21 anos,
que aceitou a criança e levou-a para que a madrasta dele cuidasse. Por coincidência, ou capricho do destino, sua madrasta
era Dª Orminda, a parteira. Com surpresa aceitou a criança e
juntamente com o Sr. Benigno Araújo Nepomuceno – pai do
rapaz – cuidaram de mim. Deram-me carinho, amor e lição de
vida, condição essencial para que hoje pudesse estar aqui. Por
essas e outras razões considero-os meus verdadeiros pais, sem,
contudo, deixar de amar Maria do Carmo, minha Deusa e personalíssima mãe.
Eu tinha pouco mais de quatro meses, quando mudarmos para uma pequena vila chamada de Bela Vista, Estado do
Paraná. E de lá para cá, nunca mais minha família adotiva teve
notícias de Maria do Carmo.
O tempo passou rápido e eu
cheguei aos seis anos de idade e
de agora em diante, tudo que
vou narrar é fruto d e minha s
experiências vivenciadas. Lembro, a esta idade já idealizava um
futuro diferente do de meus pais;
que era, apenas, cuidar da terra,
das plantações e os animais.
Naquela idade não sabia definir
bem o que eu não queria, mas já
tinha certeza do que eu queria.
Tudo parecia dar certo. Eu era
levado por dois irmãos adotivos – que formavam uma dupla
sertaneja – às festas e às rádios
D. Orminda, Sr. Benígno
locais, onde faziam apresentae eu aos 06 anos
-20-
ções. Ali dava asas a imaginação, falava ao microfone, dançava
e me divertia. A esta altura preparava-me para começar a estudar, fazer amigos e aprender. Mas, subitamente, veio o corte, e
meus sonhos apesar de permanecerem vivos, foram silenciados.
Meus pais, movidos pela vontade de ter o seu próprio pedaço de terra e embalados pelos programas governamentais de
povoamento da região amazônica, resolvem, repentinamente,
vir para Rondônia. Assim, em 1974 chegamos, na então Vila
de Rondônia, hoje Ji-Paraná, que, na época, era completamente
diferente. Logo fomos morar distante da Vila em meio à selva,
onde o único meio de acesso eram as trilhas embaixo da mata
virgem e, o único meio de transporte eram os cavalos e burros.
A esta altura, meus sonhos silenciados dentro de mim, cediam lugar a uma nova realidade. Ao invés da música animada
de meus irmãos, pois esses haviam ficado no Paraná, o rugir
das onças e o coaxar dos sapos e o cricrilar dos grilos. Agora, os
amigos eram os cachorros caçadores que nos garantiam a carne
todos os dias. Os macacos que brincavam pulando em cima do
barraco, coberto de folha de babaçu, onde morávamos. O pão
eram as frutas da mata e o leite a água do igarapé. Mas, a cada
dificuldade eu saia de dentro de mim e buscava uma força superior para revertê-la em alimentos para as minhas esperanças que
permaneciam vivas por uma voz que dizia: tudo é passageiro e
os teus sonhos são apenas forças adormecidas e um dia acordarão materializados em realidade.
Com o passar do tempo, e a chegada de outras famílias,
aos poucos, a região ia se desenvolvendo. Logo surgiu uma pequena escola, na verdade, um barraco sem paredes e coberto de
folhas de babaçu. Renovam-se as minhas esperanças e começo
a estudar. Nesta luta tinha como proteção a bondade de minha
mãe – não a amável Maria do Carmo, mas sim, a espirituosa
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Orminda Gomes da Silva.
Algumas imagens permanecem vivas em minha memória e
o tempo não conseguirá apagá-las. Lembro-me de Dª Orminda,
mulher simples, em que as marcas do tempo se evidenciaram
através dos seus cabelos brancos, encobertados por um velho
pedaço de pano em forma de lenço. Com suas roupas compridas
e sem luxos, em meio as águas frias e cristalinas do igarapé, levava as minhas enodoadas roupas, reflexos da traquinagem de
menino da selva, de menino do campo.
Enquanto isto eu, embaixo das árvores que encobertavam o sol, com um pequeno pedaço de madeira, em forma de
tábua, recortava a areia fina até fazer uma base plaina. E logo,
vinha ela. Enquanto aguardava o sabão amolecer as sujeiras das
roupas, pegava em minha mão e com um pequenino galho de
árvore em forma de lápis tentava, mesmo sem saber, fazendo da
areia, caderno, ensinar-me escrever o meu nome.
Logo depois retornava à água. E eu passava a remover a
areia para baixo do peito fazendo-a de confortável travesseiro
de onde observava os peixinhos tentando alimentar-se com as
espumas do sabão. Divertia-me, sem pensar no amanhã, ao ver
as bolhas estourarem ao ser tocadas pelos inocentes peixinhos.
Porém, a empolgação não durou muito. A esta altura eu já
estou com os meus oito, nove anos e nem mesmo havia aprendido escrever direito o meu próprio nome. O meu trabalho, apesar
de infantil, se fazia necessário para aumentar a renda da família.
Assim foi toda minha infância: ao invés do banco da escola do
ABC, o cabo da enxada, a chuva e o sol quente. Ao invés de
aprender a gramática, aprendia, mesmo com pouca força física,
cultivar a terra, plantar e colher, cuidar dos animais e assumir as
responsabilidades quando algo saísse errado.
Meu único meio de divertimento, agora já com os meus
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quinze, dezesseis anos, era jogar bola nos finais de domingo,
mesmo assim, escondido. Pois, meu pai não aprovava, e ainda
não aprova, este esporte.
Meu único meio de comunicação com a cidade era um rádio velho à pilha. Lembro, que, mesmo após um dia inteiro de
trabalho cansativo, eu entrava madrugadas adentro ouvindo a
Rádio Caiari ou a Nacional de Brasília, pois eram as únicas com
que sintonizava. A esta altura todos dormiam sem saber a dor
que eu suportava, “por querer e não poder”. O único meio de
extravasar este conflito eram as lágrimas. Então eu chorava no
silêncio da madrugada ao ver os meus sonhos implodidos em
mim, mas, logo era acalentado pela voz suave da esperança que
dizia: sua vontade, sua fé concretizarão os seus sonhos. Portanto chore! Mas não perca a fé em um Deus vivo.
Assim foi toda a minha adolescência, alimentada pelos
sonhos de conhecer uma cidade de fazer amigos, saber falar,
entrar em contato com muita gente. Porém, naquelas circunstâncias, este mundo real fantasiado em minha cabeça parecia
inatingível.
Aos meus 18 anos tomo uma posição firme e definitiva:
Vou sair do campo, ir para a cidade e vou estudar. Meu pai, já
com seus 67 anos, e minha mãe com os seus 55, ambos analfabetos, como os demais membros da família, não entendiam minha
decisão e passavam a me aconselhar para não abandoná-los. Eu
entendia perfeitamente as suas preocupações, pois, para alguém
nascido e criado no campo, como eles, ficaria difícil acreditar que
eu pudesse me dar bem na cidade. Além do mais, eu, a esta altura,
sequer tinha um registro de nascimento, mal sabia assinar meu
próprio nome. Não sabia o que era um programa de TV. Muito
menos entendia os mistérios da cidade e o comportamento das
pessoas, uma vez que, no campo uns ajudavam os outros.
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Com muito jeito e carinho passo a explicar-lhes que não
se tratava de um abandono, mas chega uma hora em que cada
um tem que seguir os seus caminhos e, que era essa a minha
hora. Argumentei ainda que, mesmo à distância, eu continuaria
ajudando-os. E jamais os abandonaria.
Estes são meus verdadeiros heróis.
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Estes são Dona
Orminda e Sr. Benigno,
meus pais. São simples,
mas me alimentaram,
deram-me
remédio
quando estava doente,
me acolheram e fizeram
por mim o que muitos pais de sangue não
fazem pelos seus filhos.
Portanto,
para
mim eles significam
muito. Hoje eles estão
velhos – ele tem 79 anos
e ela tem 67, o tempo
desgastou as suas forças
e reconheço que cabe a
mim ampará-los. Mas
graças ao bom Deus tive
forças para lutar e hoje
posso proporcionar-lhes
uma vida melhor.
Assim consegui convencê-los e procurei tirar toda
minha documentação. Alistei-me e, aproveitando a vinda de
um daqueles irmãos, que cantavam e estavam morando em
Curitiba, à nossa casa, fui para Curitiba. Chegando lá, fiquei
empolgado com aquela maravilha de cidade e decidi que ficaria morando lá. Mas tive que voltar para Ji-Paraná para
saber se viria servir ou não. Na seleção de pessoal usei como
argumento o fato de morar na lavoura, a idade de meus pais,
para não vir a Porto Velho, pois o meu desejo era ir para
Curitiba, e como na época havia um continente muito grande
de jovens querendo servir, fui dispensado.
Porém, no dia em que fui buscar a documentação, lembro-me muito bem que estávamos no ginásio de esporte Gerivaldo José de Souza (Gerivaldão), em Ji-Paraná, em duas
filas: uma do pessoal que iria servir e outra dos dispensados.
Eu estava na fila dos dispensados, quando o chefe da junta
militar começa a andar por esta fila, chegando a minha frente,
retirou dois rapazes, ordenando que eu também saísse da fila
e o acompanhássemos até a sua sala. Chegando lá conversa,
e libera os outros rapazes e quanto a mim apenas diz: “você
vai para Porto Velho, pois o que você procura encontrará lá”.
Neste momento não tive outra ação a não ser concordar. Pois
este senhor, que nunca me havia visto antes, foi mais uma
das manifestações de uma força superior que me trouxe a
Porto Velho. Certamente estava ele sendo guiado por Deus,
cumprindo a missão que lhe coube para que assim eu viesse
parar nesta cidade.
Aqui cheguei em 1987. Alguns dias após a incorporação
no exército brasileiro, (5º BEC) quebrei regras militares e
fui diretamente ao comandante pedir que me deixasse sair do
quartel para estudar. Enquanto os demais recrutas esperavam
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que eu fosse punido, ganhei, como recompensa pela minha ousadia, um documento escrito atendendo minha solicitação.
Com o mencionado documento, permitindo minha
Quando a gente é incorporado
no Exército Brasileiro há um período
de três meses, chamado de internato,
durante o qual não é permitida a
saída dos recrutas do quartel. Após
este período fica livre a saída, desde
que não se chegue após as 22 horas
sobre pena de ser punido. Daí a
necessidade do referido documento autorizando a minha entrada no quartel
após as 22
saída e entrada no quartel após às 22 horas, começo a dar os
meus primeiros passos rumo a concretização dos meus tão esperados sonhos. Procuro o colégio Padre Moretti para me submeter às provas de primeira à quarta série. Caso fosse aprovado
começaria a estudar já de quinta a oitava. Assim foi feito. Foi
aprovado nas demais matérias, sendo reprovado em língua portuguesa. Procuro a direção do colégio conto minha história e
imploro mais uma oportunidade a qual foi concedida e outra
prova foi marcada dali a uma semana. Volto para o quartel e
passo a implorar a uns e outros para me ensinarem alguma coisa
de língua portuguesa.
Após a aprovação na referida prova ingressei no supletivo 1º grau (5ª a 8ª). Para cumprir com o meu objetivo, ia a pé
do 5º BEC ao colégio Padre Moretti (aproximadamente 8km)
pois sequer tinha dinheiro para pagar o ônibus, e ainda abrindo
mão do meu jantar nos dias de provas, dado a incompatibilidade
de horário. Na maioria das vezes não tinha dinheiro para tomar
um refrigerante. Meus pais não tinham como me ajudar
financeiramente, eu tinha que fazer milagres com o salário
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pago pelo exército brasileiro.
Muitas vezes fui constrangido pelos meus colegas por
não acompanhá-los nas “farras” dos finais de semana. Enquanto meus amigos curtiam as festas, o cinema e as meninas, eu aproveitava a solidão do quartel para concentrarme nos estudos.
Façamos aqui, caro leitor, uma divagação. Pois quero
reconhecer, mais uma vez, a presença de Deus em minha
vida.
Caro leitor, toda minha infância e adolescência, foi
turbulenta, porém não me faltou o calor de uma família. De
repente me encontrei num mundo totalmente diferente, de
pessoas frias e comportamentos avessos ao que eu imaginava. A saudade de casa, de minha mãe, era muito grande,
mas por outro lado estava ali o começo do sonho.
Não tenho vergonha e nem medo, caro leitor, de confessar a minha fragilidade diante da solidão e da saudade.
Muitas vezes, chorei naquele mundo frio, sem ser aparentemente acalentado. Meus “amigos” se é que se pode chamar de amigos estas pessoas, aproveitando destes momentos de fragilidade, tentavam “ajudar-me”, convidando- me
para as festas, para as casas de prostituição. Ofereciam-me
bebidas, drogas, dizendo que isto traria o alívio necessário
para enfrentar os problemas.
Cheguei a trabalhar com soldados recém-incorporados ao exército brasileiro, como eu, que carregava, em
meio às dobras da manga de sua gandola, drogas, e, ao
descuido dos presentes, delas faziam uso. Mas, caro leitor, mesmo diante destes momentos de instabilidade emocional, nunca aceitei, nem sequer experimentar aquelas fantasias.
Tive medo de que o mundo fantasioso das drogas, dos vícios
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e da prostituição fantasiassem a minha vida e me afastassem
dos meus objetivos. Preferi ser taxado de quadrado, roceiro,
cafona e outros adjetivos. Mas, não experimentar. Porém, hoje
eu entendo que este medo na verdade era o poder de Deus que
me defendia daquilo que, certamente, me teria conduzido por
caminhos contrários aos que sigo hoje. Prova é, caro leitor,
que alguns destes que me convidavam, tiveram fins trágicos,
ou seja, foram em plena juventude assassinados. Outros, assistem ao tempo corroer as suas forças atrás das grades de um
presídio.
(Voltemos, caro leitor, ao raciocínio anterior) Após o término do 1º grau, parti para o segundo, dessa vez no Colégio
Universitário. Tudo por minha própria conta, sem ajuda da
família ou de amigos. As mensalidades do colégio, somadas às
despesas com livros consumiam cerca de 80% do meu ganho.
Em 1991 conclui o 2º grau e no mesmo ano prestei vestibular
na Unir no curso de Direito, mas não obtive bons resultados.
Mesmo assim, não desanimei. Minha força de vontade ficou
ainda maior. Nos anos de 91 e 92, fiz diversos cursos profissionalizantes, mas sempre perseguindo o objetivo de chegar
à faculdade. Neste mesmo período fiz cursinho no Colégio
Kepler.
No início de 1993, prestei novamente vestibular para o
curso de Direito e novamente fui reprovado. Porém, a obstinação e a vontade de vencer fizeram com que eu passasse a
estudar sozinho revendo todas as matérias. Desta forma, passei todo o ano de 1994 preso aos livros. No final do ano, mais
uma vez o vestibular. Aí sim, embalado pela determinação e pela vontade de vencer, chego à faculdade.
De lá para cá, tenho sofrido as maiores dificuldades que
um ser humano possa imaginar, mas nunca superiores aos meus
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sonhos, aos meus ideais, à minha esperança e acima de tudo, a
fé em Deus vivo que me ilumina em cada tomada de decisão, e
que mantém a chama da fé e do amor vivos em mim.
Desta forma, estou no terceiro ano do curso de Direito. No
campo profissional sou o mais jovem Vereador da capital,
Esta foto reflete um dos piores momentos de minha vida.
Eram quatro horas da tarde e eu
estava saindo do exército e não
tinha lugar onde pudesse passar a
noite, muito menos uma profissão
ou um emprego. No bolso nenhum
centavo. Nesta bolsa estava o resumo dos meus bens, ou seja, algumas calças e camisas velhas. Mas
no coração a certeza de que aquele
momento seria passageiro e na cabeça um ideal a seguir. Como não
tinha lugar para dormir, pulei o
muro para dentro do quartel, onde
passei a noite escondido. No dia
seguinte uma pessoa que mal conhecia acolheu-me em sua casa por
dois dias, tempo em que foi divulgado o resultado do concurso realizado na Polícia Militar. Aí então
fui morar na academia de Polícia
Militar.
Saí do quartel para enfrentar
a vida, na bagagem algumas roupas
velhas, mas no coração muita esperança e vontade de vencer
-29-
COMO ME TORNEI UM POLICIAL
E
m fevereiro de 1988 por ocasião do término do tempo de serviço militar, novamente vivo o lado amargo da vida, que é tão doce, pois teria que deixar o
quartel do exército e não tinha sequer uma profissão ou uma
casa para morar. Mas havia esperança quanto ao concurso realizado na Polícia Militar. Para minha surpresa e alegria fui aprovado.
Esta foto reflete um instante
em que eu não sabia qual emoção era a mais forte; se a alegria,
a dor ou a saudade de alguém
que está distante (meus pais) ou
de alguém que conheço, mas não
lembro, minha mãe Maria do
Carmo.
Esta foto retrata o dia de
minha formatura na Polícia Militar. Reflete seis meses de intenso
trabalho e estudo. A entrega da
boina simboliza uma batalha vencida, ou seja, a vitória. Por isso
nada mais justo que para fazer a entrega seja convidado alguém
que você ama muito. Geralmente a mãe, o pai, irmãos, esposa ou namorada(o). Sabendo de minha solidão – não no campo
espiritual – e que iria presenciar meus amigos compartilharem
suas alegrias com os seus familiares resolvi, intuitivamente, convidar uma criança para ser minha madrinha de boina, com o
propósito de que ao crescer da criança, também cresceria o meu
sucesso.
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Devo ressaltar que a garotinha da foto era desconhecida
para mim, apenas sua mãe era minha professora.
Não tenho explicações, mas me sinto seguro diante das
crianças. Talvez pela brancura e pureza do seu amor ou por perceber em seus olhos a essência da alma humana, ou talvez por
não ter tido a oportunidade de ter vivido como criança, uma vez
que comecei a trabalhar muito cedo. Bem, caríssimo leitor, o
motivo não vem ao caso! O certo é que adoro as crianças. Escolhi uma criança como madrinha para a entrega de boina por ter
a sensação que com o crescimento da criança, cresceria o meu
sucesso.
Desta forma, sai diretamente do Exército para a academia
da Polícia Militar. Foi mais um ano de barreiras e contratempos.
Tinha de conciliar os estudos militares, a profissão e o colégio
já em fase final do primeiro grau.
Em julho de 1988, formo-me SD PM e também termino
meu primeiro grau.
Logo em seguida fui destacado para a companhia de guarda onde passei dar plantões no Presídio Ênio Pinheiro, dificultando assim a continuação de meus estudos. Posteriormente,
passo a trabalhar na casa do então Governador Jerônimo Santana e, em seguida, na Assembléia Legislativa, mas sempre na
escala de guarda, às vezes de 24 por 24.
De 1993 a 1995 fiquei a disposição de uma deputada estadual, período em que, aprendi muito sobre política. Em1995
retorno a PM. Desta vez para o CFA (Centro de Formação e
Aperfeiçoamento) antigo CEFAP. Mas como, se traçado pelo
destino, e mesmo já fazendo faculdade, fui destacado, por longo
período, às escalas de guardas.
Finalmente, em julho de 1996 fico agregado para concorrer as eleições e aí sim, mesmo contrariando alguns integrantes
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da corporação de postos mais elevados, fui eleito.
Entendo que tudo na vida tem dois lados: um negativo e
outro positivo, mas, que devemos prender-nos apenas no lado
positivo. Aqui, contrário a minha forma de pensar para abrir um
parênteses e dizer que os quase nove anos de polícia militar foram marcados pelas inseguranças e a incerteza dado as pressões
próprias da estrutura militar, onde algumas pessoas, despreparadas e de má índole, fazem de seu posto hierárquico uma arma
de subserviência e opressão contra os subordinados.
Durante este período silenciaram os meus ideais, mas,não
conseguiram matá-los. Sofri grandes dificuldades para estudar,
mas não desisti.
Não narrarei todos os fatos deste período por entender que
pouco adianta levantar cadáveres. Porém, um eu não posso deixar de citar. Lembro-me duma ocasião, por estar trabalhando
sempre à noite e perdendo muitas aulas, fui pedir ao meu comandante direto, que era oficial, para que me ajudasse, dando-me uma oportunidade de trabalhar durante o dia, uma vez que,
outros companheiros que não estudavam, estavam trabalhando
só pela manhã ou pela tarde. Pensava eu que era apenas uma
questão de boa vontade e bom senso. Mas obtive como resposta
um “sábio” conselho: “você já é um profissional e não precisa
mais de estudo; sua profissão é o suficiente para a sua sobrevivência”. Esta foi a resposta que eu obtive. Quanto ao meu
pedido foi mais uma piada de mau gosto. Imagina um soldado –
que na cabeça de determinados integrantes da corporação serve
apenas para cumprir ordens– querer ser advogado.
Diante daquela resposta jurei, confiante em minha luta,
sem mágoa e sem rancor: vou estudar e concluir um curso superior, e um dia vou mostrar para esse meu comandante a minha
capacidade de trabalho e a minha competência. Não aceitei as
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insinuações, especialmente porque vinham de uma pessoa egoísta, autoritária, ignorante, que não aceita o sucesso dos seus
semelhantes. Muitos como ele, sentem-se feridos no seu orgulho, principalmente, se este sucesso for alcançado por pessoas
subalternas, que na concepção deles, são seres inferiores, e portanto, incapazes. O que lhes corrói o orgulho pessoal, inimigo
da humildade e da eficiência, é aceitar que outros cresçam e
possam ameaçar suas estruturas. Jurei! Silenciosamente vou me
formar, e um dia darei como resposta o meu trabalho. Talvez em
seu favor.
Aqui recordo um dos
bons momentos vividos na
carreira militar, onde tive
a oportunidade de tornar-me mergulhador, bem
como desenvolver maiores habilidade para a natação. No auge de minha
juventude mergulhado na
vontade de vencer na vida
e, também, mergulhei nas
água cristalinas dos rios
amazônicos.
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O DESPERTAR POLÍTICO
N
a verdade, desde criança, eu sonhava com
algo – na época indefinido – que me colocasse em contato com muita gente. Aos
poucos fui percebendo que a política viria ao encontro
desta aspiração infantil. Daí começou a surgir a idéia
de ser candidato a um cargo eletivo. Então, submeto-me a um processo mental de amadurecimento da idéia,
vendo os prós e os contras. E a cada dificuldade a voz
que acalentava meus sonhos na adolescência e que hoje
cochicha nos meus ouvidos as soluções para os problemas, mostrava-me o meio de superá-la.
Até então tudo ocorria apenas em minha cabeça.
No dia 05 de janeiro de 1996, decidi que iria ser candidato a Vereador e que iria ganhar as eleições. Na época
meu salário mal dava pra pagar a faculdade. Não tinha
padrinho político, militança em partidos que me garantissem vaga para concorrer às eleições. Não tinha um
nome divulgado, muito menos experiências com eleições. Meus amigos, inicialmente, não acreditavam em
mim e tentavam ajudar-me, dizendo que deveria desistir
da idéia. Diziam: “Você vai concorrer com pessoas que
têm um nome na sociedade, têm experiência, têm muito dinheiro pra gastar, você só vai perder seu tempo e
desgastar-se”.
Olhando por este lado, sob este prisma, eles tinham
razão, mas poucos sabiam que eu tinha o principal: objetivo determinado, vontade, fé, crença no que me proponho. Acredito nas possibilidades infinitas do ser humano, desde que, substanciadas em um Deus vivo.
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Assim sendo, nas madrugadas, após chegar da faculdade,
pegava um folha de papel e pedia iluminação para a Divindade.
Minutos depois as idéias vinham. Então colocava- as no papel e
desta forma tracei um plano de trabalho, coloquei-o em prática
e o resultado foi a vitória.
Dizer que foi fácil é mentir para mim mesmo. Foi um dos
grandes desafios de minha vida. Mas, a cada dificuldade, há
uma força oculta que me fortalece para superá-la, força esta
que, quando o momento exige, faz-me superar o sono, a fome
e o cansaço.
Durante toda a campanha, mesmo passando por grandes
dificuldades, sentia-me entusiasmado com a possibilidade de
vencer cada desafio. O que para muitos parecia algo inacessível, para mim se tornava uma brincadeira.
Diverti-me durante toda a campanha, pois queria ganhar,
é óbvio, mas não estava com tamanha ganância porque, no fundo, já tinha certeza da vitória. Além do mais, o meu objetivo
primeiro é construir minha carreira sobre bases sólidas. Foi por
esta razão que tomei alguns cuidados. Não mentir, não enganar,
não prometer nada fora das minhas possibilidades, enfim, tenho
certeza que minha carreira está assentada sobre bases concretas
e pronta para edificar muitos andares, pois continuando assim,
tenho certeza que em qualquer altura que estiver, vento algum
vai me derrubar.
O amigo leitor pode ter certeza que as minhas aspirações
são ocupar cargos bem mais elevados na carreira política. Ser
Deputado, Senador, Governador do Estado, porque não? Mas
podem ficar certos de uma coisa, jamais irão ver-me prometendo o que não terei possibilidade de cumprir. Sou e serei franco
em dizer a verdade e até em admitir os meus erros, pois entendo
ser este o caminho. Pode não ser o mais curto, mais rápido, mais
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fácil. Mas, certamente, será mais sólido, mais florido, mais frutífero. Uma vez que, para bem construir um prédio, necessário
se faz solidificar as suas bases, o que não acontece de um dia
para o outro. Querer soerguer-se na vida, e aqui não me refiro
apenas à carreira política, mas sim, em todas as áreas das atividades humanas, usando das máscaras dos engano, aproveitando das necessidades imperantes dos seus semelhantes para tirar
vantagens pessoais, é alicerçar a sua casa sobre terras podres, é
viver intranqüilo por saber que, a qualquer momento esta poderá desabar e soterrá-lo.
O que mais me chamou a atenção durante essa nova experiência política, foi o carinho das crianças. Jamais havia passado pela minha cabeça receber tantos abraços e sorrisos meigos e
puros. Fato este, que me emocionou e ainda me emociona a cada
lembrança. Entre tantos momentos marcantes, lemobro-me de
um determinado dia, já no final da tarde, quando as marcas do
cansaço se evidenciavam em minha face. Transitava em uma
determinada rua no Bairro Marcos Freire, quando, de repente, um senhor me chamou. “Você é o Agnaldo? Não é mesmo!
Então venha cá. Olha não conhecíamos você pessoalmente, porém, todos aqui de casa vão votar em você. Mas isto você deve
agradecer a seu grande cabo eleitoral”. Eu fiquei meio perplexo, porém, ao adentrar na casa, fui surpreendido por um longo,
puro e carinhoso abraço de uma menina, de aproximadamente
4 anos. Diante de tal fato voltei a ser menino e permitir que as
lágrimas rolassem. O senhor passa a me explicar. “Toda vez que
você aparece na TV essa menina corre, abraça a televisão, grita,
pula ao ver você falar”.
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Este foi um dos momentos que me marcaram muito. Naquele instante vivi um conflito entre a emoção e a dor. Emoção
pelo fato em si; dor por não ter em minha carteira nem sequer
uns centavos com os quais pudesse agradar a criança com um
brinquedinho ou alguns bombons. Dessa forma, fui eleito vereador na primeira tentativa.
-37-
S
PARTE AFETIVA
into que poderia escrever mil coisas, porém, se
não falasse, mesmo que pouco, de minha vida
afetiva, esta obra ao seria completa.
A busca constante no campo profissional e a conseqüente falta de tempo têm-me afastado das aventuras amorosas. Até os 18 anos vividos no campo, preso às estruturas
patriarcais e, até por falta de pessoas com as quais pudesse me relacionar, vivi sem nenhum tipo de relacionamento
amoroso.
Vindo para a cidade fui tomado por uma série de circunstâncias que me fez isolar em meu eu interior, buscando
forças para superar as dificuldades, afastando-me, assim,
dos cinemas, das festas e, consequentemente, das jovens.
Meus finais de semana sempre foram dedicados aos estudos.
Desta forma, ao longo destes 30 anos de lutas e de vitórias, nunca tive um relacionamento amoroso mais consistente e duradouro. Mas, entendo que tudo tem a sua hora e,
um dia, irei encontrar alguém disposto a enfrentar os desafios, construir comigo uma família. Alguém, com que possa, de mãos dadas, trilhar os caminhos serenos das vitórias.
Até porque é, exatamente neste campo, que assenta um dos
grandes sonhos de minha vida. O fato de não ter tido uma
infância e uma adolescência normal no sentido familiar,
deixa- me ávido de vontade de construir a minha própria família. Tenho uma imensa vontade de ter filhos. Mas carrego
sobre os ombros a responsabilidade de só ter filhos no dia
que tiver condições de dar a eles o que não tive e, acima de
tudo, ter ao meu lado a mãe dos meus filhos e jamais deixá-los abandonados à própria sorte.
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Parecem sonhos de adolescente, mas quero alguém – e
que certamente já está em algum lugar deste universo – para
nos completarmos. E, assim, unidos construirmos uma vida.
Alguém que queira, como eu, alcançar o sucesso a partir dos
seus próprios méritos e não alguém que só queira se dar bem na
vida às custas do trabalho alheio. Alguém em que possa confiar
e que também tenha confiança em mim e assim, caminharmos
juntos, emocionados com o doce prazer de amar.
Espero, portanto, pacientemente, pois tenho a certeza que
no momento certo encontrarei minha musa inspiradora. Assim,
poderei construir a família que sonho, que idealizo.
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PARTE II
Educar as crianças de hoje é educar os adultos de amanhã.
Durante 1997 – primeiro ano como vereador do Município
de Porto Velho – entre os vários trabalhos que realizei, consta
uma campanha desenvolvida com crianças, objetivando mostrar a elas a importância de mantermos a nossa cidade limpa.
Procurei fazer um trabalho diferente. Criei uma historinha em quadrinhos onde dois personagens se digladiam: um
simbolizando a sujeira e outro a limpeza. Este primeiro, por
nome de Meleca, chega e começa a sujar toda a cidade, destruir as paradas de ônibus, as escolas, jogar lixo nas ruas, gerando, assim, muitas doenças. O outro personagem, por nome
de Zé Vassoura, mata a Meleca e passa a explicar às crianças
a importância de se ter uma cidade limpa. (Cont. Parte III).
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PASSADO
Esta foto recorda os
meus 17 anos. Foi neste
local interior do Município de Ji- Paraná, onde
vivi a minha infância.
Era um lugar até bonito cercado por pequenas
montanhas. Porém, a esta
altura a mata virgem já
havia cedido lugar para
as plantações e para as
pastagens. Era vaqueiro,
tirava leite e amansava
cavalos bravos e, se
for necessário, farei tudo
novamente.
-41-
R
eferir-me aos dias transcorridos em minha vida
com expressão outra que não seja aprendizado é,
no mínimo, ser injusto com a mãe natureza.
Não por não ter havido dificuldades. Elas existiram, e muitas. Porém, de cada momento difícil vieram novos conhecimentos, os quais hoje me proporcionam tirar conclusões positivas
de situações negativas e, além do mais, aprendi que as dificuldades são as bases para as mais cristalinas vitórias.
Portanto, analisar o meu passado com lágrimas copiosas
seria no mínimo fraqueza de espírito. Assim sendo, aqui o faço,
não sob os prismas dos lamentos, mas sim, como reflexão moderadora de minhas ações para o presente e para o futuro, até
porque, as lamentações não encontram assento em meu íntimo
pessoal. Elas são pequenas demais, e não dignas de ocupar os
meus espaços. Ao invés de perder tempo com as dificuldades do
passado, prefiro projetar vitórias para o futuro.
Minha infância, apesar de turbulenta, foi alimentada pela
fé. Por sonhos floridos – não pelas flores amarelas do ipê que,
em contraste com outras flores da região amazônica, dão um
colorido especial à selva, esconderijo dos mistérios – mas, sim
pela cor viva da esperança.
Em minha infância os brinquedos eletrônicos eram os macacos pulando de galho em galho nas árvores, e os desenhos
animados eram o cair das folhas que, após cumprir a função de
fotossíntese, desprendiam-se dos galhos e flutuavam levemente
pelo ar até atingir o solo, para servir de adubo às arvorezinhas
em formação.
Meio branco, meio índio, eu brincava em meio aos troncos
que, pela formação espontânea e desordenada, entrelaçavam-se entre si formando um verdadeiro paredão verde sem fim.
As arvorezinhas pareciam conhecer a ousadia dos meus sonhos,
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contorciam-se todas embaladas pelo vento, cada vez que as fazia de meus cavalos galopantes, nos troncos adultos, sentia-me
seguro da solidão, do vento forte, do sol quente e da chuva fria.
Neste devaneio eu dormia, até ser acordado pelos gritos de minha mãe, para o cumprimento das obrigações caseiras. Então
corria de volta, inocentemente pelas trilhas, ao seu encontro,
sem saber que a aura misteriosa da selva trabalhava em minha
formação, o que hoje se evidencia através da percepção aguçada dos acontecimentos de amanhã e a forte intuição nas tomadas de decisões.
Meus pais não tinham conhecimento da psicologia moderna no relacionamento pais e filhos. Por esta razão, custei a
entender que me amavam, pois seus amores eram intrínsecos e
eu inocente demais para perceber, custando a adaptar-me às situações. Seus ensinamentos eram duros. Seus conselhos doíam
mais que a chibata trançada de couro cru que açoita o lombo dos
cavalos no tanger dos bois. Suas palavras, ou até mesmo seus
olhares de “rabo de olho”, faziam-me transpirar de medo e de
vergonha. Talvez seja por estas razões que guardo comigo seus
ensinamentos tão úteis e tão raros nos dias atuais.
Pela própria circunstância, não tiveram como ensinar- me
a gramática. Porém, proporcionaram-me uma lição de vida não
menos importante do que aprender a ler e escrever: “ensinaram-me a ser responsável em minhas ações, trilhar sempre pelos
caminhos do bem e da verdade”. Desde muito pequeno, podia
quebrar tudo dentro da casa, se indagado, quanto a autoria dos
acontecimentos, respondesse a verdade. – “Pai, fui eu”, (quem
quebrou). Ele apenas passava as mãos em minha cabeça e dava
conselhos. Eram doídos, mas eram somente conselhos. Porém,
se ao contrário, mentisse e ele descobrisse depois, podia esperar
os açoites da chibata. Assim foi minha formação.
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Por outro lado, carregados de boa vontade e na certeza de
estarem ensinando apenas a verdade, pregaram conceitos equivocados, frutos das lendas que lhes haviam sido passadas como
verdades absolutas. Ao chegar à cidade compreendi a necessidade de adaptação e, conseqüentemente a quebra dos paradigmas, para absorver as novas realidades. Paradigmas estes, que
se evidenciavam em todas as áreas. Desde noções básicas de
higiene, como por exemplo, saber escovar corretamente os dentes, até as formas mais elementares de expressar-me. Lá aprendi
que o correto era dizer “nós vai”, “nós foi”. Mas, quando aqui
cheguei, tive de reaprender, o que me deixou inicialmente embaraçado pois, como poderia compreender de pronto a substituição daquilo que tinha como verdadeiro. Mas, aos poucos fui
compreendendo e adaptando- me ao processo de transformação, até integrar-me completamente a esta nova realidade. Porém, não rato sou obrigado a retornar a realidade antiga, quando
de visita aos meus pais – o que ocorre constantemente – e aos
amigos que continuam residindo no lugar onde me criei, sob
pena de não ser compreendido ou de ser taxado como alguém
que quer se exibir.
Este processo súbito de transformação, em certos momentos, deixava-me totalmente inseguro. Insegurança que se
modificava cada vez que eu iria à procura de alguém que pudesse dar-me uma luz na absorção dos novos conceitos. Mas,
as pessoas, nos seus afazeres e no corre corre do dia a dia, não
tinham tempo para alguém que andava de chinelos havaianas,
não sabia se expressar e que elas mal conhecia. Mesmo as poucas que me davam atenção, quando, no encontro com outros
amigos, sentiam-se envergonhadas de me apresentar como seu
amigo.
Nestes momentos eu retrocedia à infância e à selva, pois
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naquela época as árvores pareciam dar-me atenção. Os troncos
eram sempre os mesmos e não mudavam de lugar e nem de
comportamento. Só ficavam mais alegres, com o cair da chuva
e o cantar dos pássaros. Mas, foi exatamente este entrelaçar de
situações frustrantes que me fez auto descobri-me.
Aprendi, a partir dos “nãos”, que as soluções para os nossos problemas não se encontram nas outras pessoas, mas sim,
dentro de nós mesmos. Não adianta atribuir a culpa dos insucessos aos outros, bem como buscar as soluções dos problemas
neles. A solução para os problemas que nos afligem está dentro
de cada um de nós.
Foi exatamente nos momentos mais difíceis de minha
vida, onde sequer tinha alguém para compartilhar as alegrias
das primeiras conquistas, que me voltei para mim e descobri,
em um Deus vivo, a essência da vida e os meios para superar a
insegurança, solucionar os problemas e ser feliz. Descobri que
através da fé eu poderia vencer quaisquer barreiras, ir além dos
limites impostos por aqueles que se dizem poderosos, mas, que
na verdade, não sabem o que é poder por se prender apenas
aos bens materiais e, muitas vezes, na ânsia de se afortunar facilmente usam sua inteligência para a prática do mal. Aprendi
que Deus está dentro de cada um de nós e é só através da fé que
descobrimos esta verdade.
-45-
PRESENTE
Aqui recordo
o começo de minha
carreira política onde
estava proferindo um
discurso na tribuna
da Câmara Municipal de Porto Velho.
Não falo para
agradar, falo o que
penso e defendo com
firmeza os meus pontos de vista. Porém
sempre paro para
ouvir os mais experientes, não por ser o
Vereador mais jovem
da Capital, mas sim,
por entender que este
é o caminho seguido
por aqueles que buscam se aperfeiçoar
cada vez mais.
Não falo pra agradar, falo o que penso.
-46-
P
ara falar do presente faz-se necessário retroceder ao
passado para melhor projetar o futuro. O momento
que vivo é fruto do trabalho e da experiência acumulada ao longo dos dias que se foram. Mas, é sobretudo, o agora,
a grande oportunidade de melhor projetar este futuro.
Entendo que o cargo que exerço, bem como os que certamente exercerei, serão passageiros, e ao sair deles outras pessoas assumirão o meu lugar. Desta forma, em um futuro mais
distante, quando não mais existir em matéria, serei lembrado
apenas pelos meus feitos. Daí, uma vez cumprindo bem a minha
função, serei lembrado, como exemplo a ser seguido. Mas, se
nada fizer talvez nem seja lembrado e, se for, será como exemplo a ser esquecido, evitado.
Portanto, o momento atual é de reflexão e aprendizado.
Frequentemente me tenho submetido a questionamentos na certeza de encontrar respostas para melhor solidificar os dias de
amanhã e, consequentemente, o meu crescimento, tanto profissional como espiritual.
Daí perguntar o segredo do sucesso: o que leva uns subir
rapidamente e depois cair na mesma proporção, muitas vezes ficando pior que antes? Por outro lado, outros permanecem vivos
em suas atividades, desenvolvendo o seu trabalho em um contínuo prosperar? Tenho me questionado sobre o comportamento
daqueles que deixaram um legado de ensinamentos positivos.
Ensinamentos úteis a nossa vida. Deixaram suas contribuições
positivas para o engrandecimento da humanidade. O que tinham
de diferente? Como se posicionavam no meio em que viviam e
como tratavam os seus semelhantes?
Aos poucos chego às seguintes conclusões: aquelas pessoas eram, acima de tudo, extremamente humildes. Viam, em
cada pessoa, outro ser humano e não um objeto saciador de suas
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ambições e, sobretudo, eram pessoas extremamente ligadas a
um ser superior. Eu me pergunto: se tiveram sucesso agindo
assim, porque não agir da mesma forma.
Através de tais observações chego a conclusões que certamente servirão para lapidar as minhas ações na busca de meus
ideais, pois sou um ser humano e como tal dotado de virtudes
e de defeitos. Assim sendo, devo apresentar-me às pessoas
como sou e jamais colocar a máscara da mentira, do engano e
da ambição sem limites, o que, muitas vezes, faz o ser humano
subtrair de outros o que não lhe pertence. Sei que, se assim agir,
não terei sucesso, e se tiver, será passageiro.
Diante disso, a minha preocupação com o presente é dar o
máximo de mim para fazer o melhor em tudo que me propuser a
desenvolver, ou seja, cumprir bem a minha missão, para que, no
futuro, não seja castigado pelo arrependimento tardio de algo
que não ficou bem feito.
-48-
F
FUTURO
alar do futuro é refletir o presente, pois são as nossas
projeções mentais, ou seja, os nossos pensamentos,
e as nossas ações efetivas no presente que aos poucos vão definindo o futuro. Por isso, estou bem mais preocupado com o hoje, em dar tudo de mim para fazer o melhor, o máximo, desenvolvendo as minhas ações por completo, pautando-as
pela coerência na busca do ponto de equilíbrio, pois o trabalho
efetivo e as ações certas deixam-me seguro quanto aos meus
planos de amanhã. Dão-me a sensação de palpar, no futuro, os
sonhos e o que nos separa é apenas a questão “tempo”, posto
que não posso esperar o futuro para construir os meus sonhos,
eles devem ser construídos hoje, agora.
Entendo que cada um de nós, seres humanos, estamos aqui
para cumprir uma missão e esta deve ser bem cumprida, sob
pena de sermos penalizados pelo Pai maior. Portanto, o ideal,
base de minha vida, é realizar, da melhor forma possível, tudo
que me proponho a fazer, executar o meu trabalho, seja ele qual
for, com respeito, carinho e amor.
Sei que não é fácil ser certo, honesto, num país em que a
cultura da desonestidade impera, sobretudo no campo político.
Para tal, necessário se faz, transcender os limites do mundo físico para, no divino, encontrar forças suficientes, espírito de
guerreiro, para trabalhar ardentemente, agüentar as pressões e
conviver com as ameaças constantes. Mas, eu acredito, caríssimo leitor, que é possível caminhar de cabeça erguida, encarar
de frente os desafios, pois aqueles que têm Deus como principal
em sua vida pisam sobre espinhos e não ferem seus pés. Não
tenho medo, portanto, de seguir firmemente pelos caminhos
certos, pois aprendi que na matemática do sucesso: errado com
errado, resulta em errado. Certo com errado se anulam. Mas,
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certo com certo, resulta em certo.
Na carreira política idealizo ocupar outras posições bem
elevadas. Mas, sei que para isso, tenho que passar por posições intermediárias, onde terei a oportunidade de provar a minha capacidade para superar os desafios em buscar sempre o
bem comum, ganhando, desta forma, consciência tranqüila para
conquistar a confiança popular, condição essencial para quem
almeja progredir na carreira política.
Ocuparei tais posições por entender serem elas uma oportunidade de deixar legado de ações positivas para a sociedade
em que vivi, mas não por tamanha ganância de querer o poder
pelo poder. Até porque entendo que o poder dos homens é nada.
E o que eles chamam de poder eu classifico como: liberdade de
tirar de uns para dar a outros, ou de tirar – no caso daqueles desprovidos de princípios – de outros para si. O verdadeiro poder
é não se deixar levar pelo aparente poder dos homens, mas sim,
confiar no verdadeiro poder, que é o de Deus.
A despeito disto traçamos aqui, caríssimo leitor, simples
considerações que provam não ser o poder dos homens, verdadeiro poder. Pois, se o poder dos homens fosse real, eles evitariam tudo aquilo que não fosse de suas vontades, ou seja, eles
não adoeceriam, não ficariam velho, não faleceriam (morreriam), não sentiriam dor, seus filhos não ficariam doentes, não
sofreriam acidentes, não teriam problemas... Mas, pelo contrário, por mais elevado que seja o cargo que uma pessoa exerça
na sociedade, ela não está livre de tudo isto.
Voltando ao texto, caríssimo leitor. O futuro não me preocupa. Carrego a certeza que ele será repleto de flores. O que me
preocupa são as minhas ações do presente, as quais me fazem
carregar comigo a tranqüilidade de, quando já não tiver tantas
forças físicas, ter a certeza que fiz o melhor. Assim espero, não
-50-
ser tomado pelo pressentimento de algo que ficou incompleto e
o conflito interior por não mais poder voltar no tempo e refazê-lo. Tenho consciência que não farei tudo, mas farei a minha
parte. Sou um pingo d’água no oceano, mas não esperarei que o
oceano molhe a terra. Por onde passar, eu mesmo vou molhá-la,
e nestes lugares farei germinar algo de produtivo.
Quero, nos últimos anos de minha permanência aqui, ter
a tranqüilidade para curtir a família que certamente construirei, esposa, filhos, netos. E, acima de tudo, ocupar o espaço de
minha velhice física – pois o espírito permanecerá para sempre
jovem – escrevendo as experiências acumuladas ao longo do
tempo. Entendo que, de cada barreira, de cada obstáculo vencido, devemos tirar um ensinamento positivo para a nossa vida e
estes ensinamentos não podem ser guardados apenas conosco,
mas sim, repassados sobretudo, aos mais jovens, retransmitidos
às outras pessoas.
Assim espero, quando daqui me for, ser lembrado como
alguém que passou e deixou algo de positivo, que contribuiu,
positivamente com a sociedade de que fez parte, e não alguém
que apenas viveu sem nada fazer.
-51-
PARTE III
Investir nas crianças é acreditar no futuro
Levei, pessoalmente, esta mensagem às salas de aulas
onde tive a oportunidade de conversar com mais de trinta mil
crianças. Fiz este trabalho por entender que trabalhar para a
educação das crianças de hoje é contribuir com a sociedade do
futuro.
Assim sendo, tenho plena consciência de que os frutos
deste trabalho podem não ser colhidos de imediato, mas certamente no amanhã e assim ficarei tranqüilo por estar dando
a minha parcela de contribuição. Consciente de que não farei
tudo, porém, o que não me permito é passar pela vida sem nada
fazer.
-52-
JOVEM, ESTUDANTE, SUCESSO
S
into-me transbordando de alegria pela oportunidade
e pela iluminação divina em poder retratar, mesmo
que de forma singela, alguns conhecimentos adquiridos a partir das dificuldades enfrentadas no dia-a-dia, ao longo
de minha vida.
Refiro-me aos jovens, mas não apenas àqueles de pouca idade, por entender que a juventude não reside na idade do
home, mas sim, em seu espírito. Desta forma não é raro presenciarmos jovens na idade, porém velhos por não terem aspirações na vida, se deixarem levar pelas dificuldades, não reunindo forças suficientes para superá-las e assim atribuindo a culpa
do seu insucesso à má sorte ou à falta de oportunidade. Não
adianta ter pouca idade e grande vigor físico, pois jovens sem
ideais definidos, sem aspirações para a vida, são velhos a beira
do túmulo, prestes a alimentarem os vermes na terra fria.
Por outro lado, encontramos velhos na idade, porém crianças na busca de seus ideais, superando desafios e transpondo
obstáculos com ar de superioridade na idealização de um novo
amanhã. Esses são verdadeiros espíritos jovens. Não se acomodam com o que já conquistaram. Ao atingir um objetivo
propõem-se imediatamente superar os seus limites, na certeza
de conquistar algo ainda mais significante, e assim sucessivamente.
Refiro-me aos estudantes, mas não apenas àqueles que freqüentam regularmente uma sala de aula, pois acredito sermos
todos estudantes, uma vez que a vida é uma grande escola e
constantemente estamos aprendendo novas lições, advindas dos
desafios ou das decepções. Mas, seja qual for a sua origem,
as lições de vida são o alicerce para um futuro melhor, pois é
-53-
através delas que aprendemos a coibir erros outrora cometidos.
Basta termos a sensibilidade de percebê-los e a vontade de
querer evitá-los.
Quanto ao sucesso, não existem fórmulas pré-estabelecidas, você não pode comprá-lo no supermercado ou na farmácia, mas, pode adquiri-lo, a partir de sua persistência e fé.
Desta forma, este texto servirá a todos que buscam a
concretização dos seus ideais, que não se atêm aos maus
pensamentos. Até porque estes não têm razões para ocupar
espaços em nossa mente, pois, se permitirmos que isto ocorra, estamos nos auto condenando a uma vida de miséria e de
lamentações. Os espaços de nossa mente foram criados para
alojar os bons pensamentos, base para o desenvolvimento
pessoal em todos os aspectos.
Assim, o saber, seja ele advindo dos bancos escolares
ou das experiências do dia-a-dia, constitui a grande chave
com a qual abriremos as portas para as conquistas, para a
concretização de nossas aspirações. É por esta razão que os
verdadeiros sábios não sentem a necessidade de dizer que
sabem. Procuram apenas se concentrar em Deus, e materializar a sua sabedoria através de suas obras, do seu trabalho
voltado para o bem da humanidade. Não são, portanto, prepotentes, arrogantes ou orgulhosos. Não buscam a fortuna
a todo custo, mas, são ricos por entender as leis divinas e
por estarem em conformidade com elas. Pois a verdadeira
essência do saber reside no fato de buscar a justiça, não a
justiça imperfeita dos homens, mas sim a justiça de Deus.
As conquistas não ocorrem por acaso. Não basta ser
jovem, bonito e galante. Para a conquista, necessário se faz
ter objetivos sérios, definidos de forma a não prejudicar a
outras pessoas, sermos determinados e acima de tudo ter
-54-
muita fé.
Partiremos agora, caríssimo leitor, para uma parte prática.
Assim sendo, convido-o para alguns exercícios de imaginação.
Observe este desenho!
Muito bem, observou? Acompanhe comigo então. O ponto
central significa uma pessoa, que pode ser eu, você, nossos amigos. Os pontos circulares significam objetivos a serem alcançados. Ou seja, o carro dos seus sonhos, a casa que você sempre
quis, a profissão desejada, a mulher ou o homem idealizados...
-55-
Agora se imagine no centro da circunferência.
Muito bem, imaginou. Olhe bem em sua volta e me responda o seguinte: É possível você chegar a todos estes pontos
que o circulam ao mesmo tempo, de uma só vez?
Se você respondeu não, meus parabéns! Você acaba de descobrir um dos passos para o sucesso, ou seja definir objetivos.
Caríssimo leitor, fiz estas considerações para alertá-lo de
que a grande maioria de nós passamos toda a nossa ju-56-
ventude presos a uma série de fantasias as quais nos impedem
de definirmos os nossos objetivos enquanto jovens. Deixamos
que o tempo passe despercebido e só atentamos para a necessidade de tomarmos um rumo na vida, definir uma profissão,
após muito tempo perdido e, sobretudo, quando começamos a
sentir sobre os ombros o peso da responsabilidade. Mas, aí já
perdemos tempo demais. Se por outro lado, definirmos as nossas metas enquanto jovens levamos uma grande vantagem. A
possibilidade de alcançarmos o sucesso é bem maior.
Digo isto, caríssimo leitor, por entender que se não sabemos quais as nossas aspirações, e o que queremos para o futuro fica difícil, senão impossível, conquistar alguma coisa. Se
não sei para onde quero ir como poderei chegar a algum lugar?
Quando saímos de nossa casa, trancamos o portão e colocamos
os pés na rua, já temos em mente um lugar definido para irmos,
ou seja, já pensamos: vou ao meu trabalho, ao supermercado, ao
colégio, à casa de um amigo. Pois se, ao sairmos de casa, não
soubermos para onde queremos ir, iremos ficar perdidos e não
chegaremos a lugar nenhum.
Portanto, o primeiro passo para o sucesso é definir um objetivo e trabalhar determinadamente para conquistá-lo. Se hoje
quisermos uma coisa, amanhã outra, acabaremos por não chegar a lugar nenhum. Um pensamento negativo anula um pensamento positivo. O ser humano não pode andar se um perna
for pra frente e outra para trás. É necessário que as duas se movimentem para o mesmo rumo, pois, só assim será possível a
locomoção.
Então, vamos, caríssimo leitor, definir entre todos os pontos um prioritário. Para tal é necessária a elaboração de um pla-
-57-
no a estas perguntas podem nos ajudar. O que quero da minha
vida daqui a um ano? A seis meses? A dez anos? Onde quero
estar? O que quero ter? Como eu sou e como quero ser? As
respostas destes e outros questionamentos certamente nos conduzirão à definição dos nossos objetivos. Suponhamos que o
caro leitor(a) é um estudante e acaba de definir que quer ser
advogado.
Pois bem. Agora volte ao centro da circunferência e visualize, apenas, o seu objetivo definido.
Visualizou? O que percebe agora? Vamos! Dê mais uma
olhada. Muito bem! Meus parabéns! Você notou que há uma
distância entre você e o seu objetivo.
-58-
Mas uma vez, caríssimo leitor, lhe pergunto: Sua mãe, seu pai,
seu namorado (a) esposo(a) amigos(as) professores(as) podem
percorrer por você a distância que lhe separa do seu objetivo?
Se a sua resposta foi não, novamente meus parabéns. Você
acaba de descobrir que cabe a nós percorrer a distância que
nos separa dos nossos ideais. Os outros poderão até nos ajudar,
mas nem tudo poderão fazer por nós. Exemplo claro disto está
nas salas de aula. Os professores nos ajudam, mas não podem
aprender por nós. Isto só nós poderemos fazer.
Visualize, agora, caríssimo leitor, o seu objetivo determinado:
Visualizou? O que vê além da distância? Nada! Nada mesmo? Pois saiba que, entre você e o seu objetivo, existem vários
pontinhos objetivando prender a sua atenção e lhe desviar dos
seus ideais, outrora definidos.
Que pontinhos são estes, caríssimo leitor? Muito bem!
Você acertou, são os obstáculos, as barreiras. Mas o que é obstáculo para você? Fiz esta pergunta porque muitos de nós não
sabemos identificar os obstáculos e os imaginamos uma coisa
monstruosa. Mas não, eles são pequeninos pontos presentes em
nossa vida. Não podem ser medidos. Mas, se pudéssemos medi-59-
-los, e a imagem de cada obstáculo fosse do tamanho de um
pedaço de giz presente em sua vida todos os dias, no final de
um ano seriam 365 pedaços que já dariam uma caixa. E no final
de dois anos; de dez, de trinta, de sessenta, de que tamanho não
estariam estes obstáculos e quantas coisas eles já haveriam lhe
impedido de conquistar.
Portanto, caríssimo leitor, identificar os obstáculos é outro
importante passo para o sucesso. Pois eles são inteligentes e não
nos apresentam com uma faixa na testa escrito: “eu sou obstáculo”. Se fosse assim, seria fácil desviar- me deles. Mas, pelo
contrário, eles se apresentam com uma roupagem nova. Florida,
bonita, dando-nos a sensação de prazer e de alegria.
Os obstáculos podem apresentar-se das mais variadas formas: festas, drogas, más companhias, bebidas, vícios prejudiciais à saúde, falta de interesse para os estudos, orgulho, arrogância, prepotência,...
Estas ilusões podem até nos dar a sensação de prazer e alegria, mas com o passar de tempo, nos fazem perder de vista o
objetivo outrora determinado. E aí a alegria e o prazer aparente
se transformam em profunda tristeza e grande dor.
Portanto, para chegar ao objetivo proposto, necessário se
faz andar constantemente em linha reta, sem desviar para os
lados, pois se ficarmos hoje aqui, amanhã ali, não chegaremosa
lugar nenhum.
Caríssimo leitor, tomo a liberdade para pedir-lhe que abra
mão destas fantasias. Você pode até ir a uma festa, reunir com
seus amigos, divertir-se. Mas, não se deixa levar. Coloque as
festas em terceiro, quarto plano. Primeiro as coisas produtivas.
Os seus estudos, seu trabalho, sua família, seus ideais, seus
sonhos. Não se zangue! Só lhe peço isto, porque gostaria que
experimentasse o inexplicável sabor das conquistas.
-60-
A crença é o remédio divino que cura todas as doenças, sejam elas físicas ou mentais. Derrota a preguiça, o corpo mole e
nos faz sentir como seres iluminados. A crença nos proporciona
luz própria e nos faz ver flores onde outros vêem campos secos
e improdutivos. Acredite! Mas acredite mesmo, pois fomos feitos para as conquistas e não para as derrotas.
Não permitam que as fantasias, outrora mencionadas, desviem-nos dos seus ideais e os faça sofrer mais tarde, quando as
suas forças estiverem diminuídas pela ação do tempo e já não
houver mais como recomeçar. Faça de sua juventude alicerce
para a sua velhice.
Caríssimo leitor, desculpe-me, mas estou muito cansado,
tive um dia inteiro de intenso trabalho e agora já é madrugada
do dia 16/05/97 – sábado. Para descansar um pouco, vou sair de
mim, flutuar pela cidade e narrar o que vejo.
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“Vejo festas, danças, corpos colados, amando-se ou se
odiando; vejo bares cheios; ouço comentários “a vida não é só
trabalho, ninguém é de ferro, é preciso dar um tempo pra cabeça”. Observo carros e caminhões freneticamente pelas ruas;
as pessoas que vejo não parecem ser as mesmas de sexta- feira, enquanto trabalhavam. Seus comportamentos agora são outros, seus olhares brilham movidos pela sensação ilusória de
prazer. Por alguns instantes, elas esqueceram de suas casas, de
si próprias, de seus ideais. Esqueceram de tudo para render-se às fantasias e fugir da realidade. Agora, elas esqueceram
a razão e agem pela emoção coletiva, o que as faz gastar mais
do previsto. Compram algo acima do valor enquanto, a alguns
metros, alguém se agarra no simples direito de respirar e existir, esperando por algumas moedas, sobra do supérfluo que lhe
possa garantir o pão no dia seguinte. Enquanto isso a massa se
diverte. Observo, porém, que alguns, ao deixarem o grupo indo
ao encontro do seu carro para retornar a sua casa, parecem ter
voltados para si e o seu dinheiro ter adquirido valores que os
impeçam de desprender de algumas moedas para o miserável
que não tem o que comer.”
Agora flutuo no tempo e vou ao futuro. É madrugada do
primeiro dia de 1998, vejo uma multidão frenética, suada, mesmo os mais tímidos pulam sem parar. Uns pulam comemorando
as conquista do ano que se passou, outros não têm o que comemorar, mas pulam mesmo assim. Porém, todos acreditam em
um futuro melhor.
Aproximo-me mais e vejo alguém diferente. É um ser humano de pouca idade seus pés estão descalços suas vestes estão
sujas e rasgadas. Com seus braços frágeis carrega em sua frente
uma caixa, incompatível com o seu tamanho, cheia de doces.
Perambula em meio as pernas dançantes, olha para cima e ofe-62-
rece os seus doces na tentativa de ganhar alguns centavos, com
os quais poderá comprar o café da manhã. Mas, as pessoas nem
olham, não querem os seus doces. Então, cansado, ele se esconde em um canto. Senta no chão frio, coloca a caixa sobre as pernas, debruça sobre ela, protege os doces e dorme. Apesar de sua
idade ser incompatível com a madrugada seu sono é leve, mas a
sua dor é profunda. Seu choro silencioso é abafado pelos gritos
de “alegria” da multidão. Alguém o acorda e ordena: vai embora moleque este não é o seu lugar. As pessoas aqui estão comprando uma cerveja pelo dobro do preço mas não compram os
seus doces por alguns centavos. O garoto sai, bêbado de sono,
lá fora lhe toma a caixa, comem os seus doces, debocham da sua
dor e fazem-no correr. Enquanto isto a multidão, embalada pela
música palpitante, se agita e tudo passa despercebido. Menos
para aquele garoto que se questiona: como será meu amanhã,
este novo ano, o meu futuro. Como será? Como será? Sua casa
é longe e ele tem medo de ir embora, então se esconde em meio
aos carros e as lágrimas rolam, mas ninguém as vê.
Eu me pergunto que mundo é esse, onde estou, mas não
sei definir...
Volto no tempo, volto para mim, caríssimo leitor, e não
me permito mais, sair daqui. Pois se assim fizer, não concluirei
o meu objetivo que é repousar no papel esta mensagem. Abro
mão das fantasias para que no amanhecer do dia seguinte, eu
possa chegar ao ponto determinado ao anoitecer.
-63-
AS DIFERENÇAS
F
alarei a você das diferenças imperceptíveis, mas
que,com o passar do tempo, causam grandes transtornos em nossa vida. Para melhor ou para pior.
Tomaremos inicialmente, como exemplo o caso dos atletas
que passam a maior parte de seu tempo treinando para as olimpíadas. Nas provas de atletismo ou natação, você já observou
o que diferencia o primeiro do segundo ou terceiro lugar? Não
são frações de segundos? Um passo a mais, uma braçada ou até
mesmo o tocar de um dedo. São diferenças tão pequeninas que,
às vezes, a olho nu, não percebemos quem foi o vitorioso. São
diferenças mínimas. Mas são essas milimétricas diferenças que
fazem uns explodirem de alegria, ostentar para o mundo inteiro
uma medalha de ouro e a fama de melhor, de campeão, e outros
chorarem a desilusão por ver tão próximo, em um tocar de dedos, o seu objetivo, e não alcançá-lo.
Eu lhe pergunto, caríssimo leitor. Qual o mistério? O que
está por trás daqueles sorrisos ou daquelas lágrimas? Caríssimo
leitor, eu não vejo nenhum mistério. Vejo sim, diferenças na fé,
na verdadeira dedicação. Talvez aquela diferença mínima foi
conquistada com meia hora a mais de treinamento, enquanto o
concorrente tomava uma cervejinha no bar da esquina. Pense
nisso, pense sobre o seu dia-a-dia e suas ações na busca de seus
objetivos.
Vamos pensar de novo! Imagine caro leitor, você, no pleno de sua juventude, com aproximadamente 16 anos de idade.
Você é estudante e está na sala. A professora está explicando
concordância verbal. E você está ali apenas de corpo, sua mente
está longe. Pensando no final de semana com a turma, na festa
-64-
com os amigos, ou na namoradinha(o). Deixa que tudo passe
despercebido. Termina a aula e você não aprendeu nada. E aí
você pensa: “Depois eu estudo e aprendo”.
Acontece que o tempo passa muito rápido. Os anos se passaram e agora você já tem 28 anos. Está desempregado. Seu pai
não lhe quer sustentar mais. Você está apaixonado(a) e quer se
casar. E agora? O que fazer! Mas, para sua felicidade abre em
sua cidade um concurso público, ou qualquer outra possibilidade de um bom emprego, com boas perspectivas de ganhos, ou
seja, um salário que pode até definir sua vida financeiramente.
Você se anima, faz as provas e ao verificar os resultados,
a frustração. Pois você errou uma só questão e foi exatamente
sobre concordância verbal. Seu arrependimento aumenta ao ver
que o seu amigo de sala que sempre estudou direitinho, acertou
todas as questões e tem o emprego garantido. Viu o resultado de
uma pequena distração!
Caro leitor, não permita que fatos assim ocorram com você.
Seja dedicado em tudo que se propuser a fazer. Pois, a dor em
dedicarmos com responsabilidade na busca de nossos objetivos
é muito menor que a alegria das conquistas.
Você já parou para observar o comportamento das pessoas
diante das grandes conquistas? Estas ficam tão felizes que movidas pela emoção, o riso se transforma em lágrimas. Você já
observou o comportamento dos jogadores, campeões no final
de uma copa do mundo? Eles saem de si, se abraçam, se beijam
e rolam pelo chão, a emoção é tão grande que fica incontrolável segurar as lágrimas. Mas para a conquista da vitória quanto sofrimento: dor, concentração longe de casa, da esposa, dos
filhos, pressão da torcida adversária, desgaste físico, tombos,
chutes, ansiedade. Mas, aquele momento é sublime, o máximo.
Significa a conquista de um objetivo o que os faz esquecer o
-65-
sofrimento outrora passado. Assim devemos proceder.
Por outro lado, devemos ter a capacidade de nos emocionarmos também com as pequenas conquistas do dia a dia.
Pois, só assim, atrairemos as grandes, além de que, a partir do
momento em que descobrimos o sabor da vitória, nunca mais
queremos viver derrotas, pois este sabor nos faz superar a dor,
o cansaço e tudo mais.
Não gaste, portanto, as energias de sua juventude com bobagens, com meras fantasias que não contribuem para nada. Canalize as suas forças para as ações produtivas. Busque a paz, a
harmonia, saiba viver. Não deixe lugar para o arrependimento.
Pense nisso!!!!!!
-66-
ENGRENAGEM DA VIDA
A
vida é movida por uma sucessão constante de fatos onde todo final é o prenúncio para um novo
começo. Os dias se sucedem de maneira que o
presente está sempre substituindo o passado, ao passo que este
é substituído pelo futuro. O final do domingo é a segunda-feira
que acaba com a chegada de uma nova terça, nunca igual a nenhuma outra.
Assim, é a nossa vida na sociedade organizada. A partir
do nosso nascimento passamos a fazer parte de uma geração
una, com características próprias. Gostos e anseios diferentes
das demais. Desta forma, cada geração reflete uma realidade.
Os jovens contemporâneos possuem um comportamento
diferente do de seus pais. Seus gostos, suas aspirações e suas
necessidades são próprias e como tal, muitas vezes incompreendidas pelos mais velhos.
Assim, uma breve reflexão nos fez ver a necessidade cada
vez mais imperante de nos organizarmos para ocupar os espaços que a nós se fazem justos na sociedade futurística. Somos a
geração do próximo milênio e, como tal, caberá a nós conduzir
os destinos do país.
Não podemos mais admitir o conservadorismo, a subserveniência e a manipulação. Chegou a hora de impor os nossos
ideais, lutar para a satisfação das nossas necessidades. A estrada
está aberta, basta que caminhemos com firmeza, coragem e fé.
Contudo, não podemos deixar de agradecer profundamente àqueles que nos deixaram um legado de ensinamentos positivos, o que certamente servirá de referencial para
as nossas ações. Da mesma forma repudiamos, veemente, aqueles que nada fizeram.
-67-
Vamos! Acordem jovens! Pois caberá a nós gerenciar a sociedade do futuro. É do seio da juventude que nascerão os futuros empresários, médicos, professores ou políticos. É no meio
dos jovens que florescerão os futuros Presidentes, Governadores, Senadores, Deputados, Prefeitos e Vereadores. Mas, para
tal, faz-se necessário descruzar os braços e participarmos dessa
luta incessante.
Com estas considerações quero convidá-los a participar
das discussões políticas do seu Estado e do seu Município, pois
a presença do público, seja nas Câmaras Municipais, ou nas Assembléias Legislativas, certamente por si só inibirá aqueles mal
intencionados da prática de atos contrários aos interesses da
maioria. Acompanhe aquela pessoa em quem você acreditou;
cobre do seu Vereador ou do seu Deputado, mas cobre benefícios para a coletividade. E acima de tudo, não se deixe enganar
por fantasias em épocas de campanhas, não troque o seu voto
por promessas mirabolantes, ou até mesmo por dinheiro.
Se alguém lhe der dinheiro ou outros benefícios pessoais e
instantâneos em troca de votos, deve-se, de imediato, concluir
três coisas:
1) O dinheiro não é de quem está dando;
2) Foi ganho de forma muito fácil;
3) No futuro a pessoa vai recuperar tudo em dobro.
-68-
Analise comigo:
1) Se o dinheiro não é de quem está dando é de outra
pessoa; e se é de outra pessoa, esta, certamente, quer
receber em dobro, posteriormente.
2) Se foi ganho fácil, há grandes possibilidades de não
ter sido honesto. Pois você mesmo sabe o quanto é
difícil ganhar dinheiro, trabalhando honestamente.
3) Se a intenção é recuperar em dobro, fica aí uma advertência, pois apenas com o salário de um cargo político é impossível recupera em dobro o que muitos
candidatos gastam em épocas de campanha.
Pelos pontos analisados, podemos concluir que os candidatos que gastam mundos e fundos para se elegerem, se expõem
a grande possibilidade de não serem honestos, e se não são honestos, não são dignos de representar o povo, onde quer que
seja.
Portanto, caríssimo leitor, não troque o seu voto por benefícios pessoais instantâneos. Se assim fizer, estará se submetendo ao mundo dos enganos, pois o que ora recebe será o martírio
de, no mínimo, quatro anos. Além do mais, perderá o direito de
cobrar da pessoa os benefícios que se fazem necessários para a
sua cidade, para o seu bairro, ou para a sua rua.
Pense nisso!!!!!!
-69-
CAMINHOS PARA O SUCESSO
P
ara se chegar ao verdadeiro sucesso é necessário que
se levem em consideração uma série de pormenores.
São pequeninos detalhes impostos pela mãe natureza e que, as vezes, na ânsia da conquista a todo custo, acabamos
por esquecê-los, o que nos leva a pagar um preço muito alto,
que pode ser até a angústia, a dor, de viver o fracasso após um
período de aparente sucesso.
Para se chegar ao verdadeiro sucesso não existem regras
mágicas e nem caminhos pré-determinados a seguir. Mas, uma
coisa é certa: todos nós nascemos para sermos vencedores, e
acima de tudo, bem sucedidos. Dentro de cada um de nós, portanto, existe a semente de verdadeiras vitórias, basta que a cultivemos para o seu florescer e assim colhermos os seus frutos.
Pena é, que a maioria desconhece esta verdade e esquece de si,
para buscar o sucesso nas outras pessoas. Mero engano, pois o
verdadeiro sucesso só será possível de dentro para fora e jamais
de fora para dentro.
O leitor há de me indagar: Mas, eu conheço um determinado fulano que nunca levantou uma palha, teve a sorte de nascer
em berço de ouro e possui muito dinheiro. O caro leitor tem
razão, mas o que eu quero dizer é que o verdadeiro sucesso não
consiste apenas nas questões materiais. Só pelo fato de uma
pessoa possuir muitos bens: casa, carro, fazendas, poder e etc.,
não significa que ela é realmente bem sucedida. Ela pode possuir tudo isto, mas pode ser mal amada, infeliz, viver de aparência, não viver bem consigo mesma.
Uma pessoa só pode ser considerada bem sucedida quando ela agrupa aos bens materiais as virtudes espirituais e, acima
de tudo, é feliz com ela mesma. Se a pessoa em questão possui
-70-
todos estes atributos, ela é realmente bem sucedida, caríssimo
leitor! Mas, pode observar que ela nunca deixa de ser ela mesma, e o seu sucesso se faz notar bem mais pela forma de se comportar diante da riqueza e do poder, que pela própria riqueza ou
pelo próprio poder.
Está aí, um dos pormenores que deve ser observado por
todos aqueles que almejam o verdadeiro sucesso.
O mundo está cheio de imitadores, e eu e você não podemos ser mais um. Achar que as pessoas só vão gostar de nós se
agirmos desta ou daquela maneira, imitando uns e outros, os
galãs de novelas, procurando, os estilos das pessoas famosas
– famosas porque as fazemos famosas – é sucumbir no mundo
dos enganos e deixar de acreditar em si mesmo, no seu potencial, no seu eu. Procurar o estilo alheio é se auto desvalorizar
como ser humano, pois não há em todo o universo duas pessoas
exatamente iguais.
Procurar o estilo alheio é desacreditar em si e em sua própria criatividade. Deve-se traçar o seu próprio estilo, construir
o seu próprio caminho e fazer a sua própria história. Agir assim
é acreditar em si mesmo. Pois, se nós não acreditarmos em nós
e no que fazemos, como podemos esperar que os outros acreditem? Antes de exigirmos a crença alheia, necessário se faz que
acreditemos em nós mesmos.
Quando as pessoas se aproximam de nós, seja para uma
amizade, seja buscando uma associação afetiva para pedir um
conselho, uma orientação, contar as suas experiências... elas estão confiando em nós como realmente somos. Mas, se um dia
elas descobrirem que nós vivemos imitando uns e outros, substituindo o nosso eu no engano em achar que os outros são melhores e mais inteligentes, não só estamos nos auto decepcionando,
como decepcionando as pessoas que ora confiam em nós. E ao
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descobrir que o que elas vêem não passa de aparências, ficarão
tão decepcionadas que sentirão vergonha de um dia nos terem
conhecido. O verdadeiro valor de uma pessoa consiste em ser
ela mesma, como imitadores somos falsos e a falsificação não
tem valor, é nada, e nada é nada...
Portanto para conquistar o verdadeiro sucesso, necessário
se faz que sejamos naturais. Não podemos colocar máscaras,
pois as máscaras não duram para sempre. Um dia elas acabarão
e neste dia cairá por terra a crença das pessoas em nós e, conseqüentemente, o nosso aparente sucesso.
Depreendemos daí que um dos requisitos para o verdadeiro sucesso é sermos naturais apresentando-nos para as pessoas
como realmente somos, com nossas virtudes e nossos defeitos.
Pois se assim conquistarmos a confiança popular, poderemos
andar de cabeça erguida, despreocupados e sem medo, ao contrário daqueles que escondem o que verdadeiramente são.
Por outro lado, o sucesso só é realmente sucesso para
aqueles que sabem conviver com ele. Se por conquistar um poderzinho deixarmos de ser o que sempre fomos, colocarmos um
“rei na barriga”, e nos acharmos o dono da verdade e não ouvirmos mais ninguém, estamos construindo caminhos que nos
conduzirão às covas escuras, frias e solitárias do fracasso. Pois,
à medida que deixamos o poder “subir para a nossa cabeça”
iremos por outro lado – como em uma gangorra – descendo
para o mundo dos imbecis, dos burros, afastando- nos assim
dos inteligentes e reduzindo-nos a seres prepotentes, arrogantes
e envergonhados, que tropeçam em seus erros, mas, presos no
seu “eu” autoritário, têm medo de pedir uma opinião, e se pedir,
dificilmente acharão quem a dê.
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Pessoas assim vivem sós e se reduzem a vulcões de iras, de
ódio, e de maldade, esquecem o amor, são infelizes e sem valor.
Mas, o que é pior, seus olhos são vendados pela escuridão da
maldade o que lhes impede de enxergar o seu comportamento,
ver os seus erros e corrigi-los. Não percebem que causam medo,
no lugar da admiração e do respeito. São fracassadas e vivem
no engano achando que são bem sucedidas. Concluo, portanto,
caríssimo leitor, que “A humildade é o caminho seguido pelos
sábios”.
Pense nisso!!!!!!
-73-
C
UMA EXPERIÊNCIA
erta vez, conheci uma pessoa, era uma mulher, de
meia idade, experiente, dois cursos superiores, aparência tranqüila e olhar misterioso. De repente, estávamos caminhando por uma estrada deserta, era tarde, o sol
se punha e o soprar do verde (vento que emergia da floresta)
refrescava as nossas faces. Estávamos calados. Percebi que a
ausência de barulho lhe causava um enorme vazio, comecei a
observar em seu comportamento uma intranqüilidade. Então
paramos em um “quiosque”, sentamos e fomos servidos com
água de coco gelada.
À Medida que o sol acenava até amanhã, a sua intranqüilidade aumentava. Aí, em um ato de misticismo, tomei-lhe as
suas mãos e comecei a imaginar lá no alto um lugar sereno,
tranqüilo, calmo. Vi um campo azulado, sem começo e sem fim,
iluminado por uma enorme luz resplandecente. Senti-me atraído para aquele lugar, por aquela luz e mesmo com os olhos
abertos eu não consegui enxergar outra coisa. Mas uma vez o
silêncio tomou conta de nós e com os olhos da mente comecei a
ver algo diferente. Começaram a emergir daquele lugar, daquela luz algumas palavras: paz, alegria, tranqüilidade, amor, harmonia, Deus, fé... e em forma de ondas vibrantes começaram
a descer e atingir a minha mente. Foram entrando pelo alto de
minha cabeça, foram misturando-se em meu sangue e correndo
pelas minhas veias. Outras continuaram chegando e em pouco
tempo invadiram completamente o meu ser e transbordaram
pelas pontas de meus dedos atingindo a mulher, que pasma, me
observava.
-74-
Estas palavras em formas de ondas vibrantes foram aos
poucos invadindo o corpo da mulher até atingir a sua mente. Em
poucos instantes, seus olhos ficaram mortiços e ela começou a
abrir a boca, como quem estivesse com muito sono e aí exclamou: “Parece que me deram calmante, não sei o que está acontecendo comigo, estou com sono. Estou me sentindo tão segura,
calma e confiante. Que sensação estranha tomou conta do meu
corpo. É uma sensação maravilhosa, mas não consigo explicar.”
Fiquei sem ação e não sabia o que falar, pois na verdade não previa aquele resultado. Foi tudo repentino, impensado.
Mas valeu a experiência.
Aprendi de forma a não esquecer o poder dessas palavras
e descobri onde buscá-las. Agora elas fazem parte de mim, do
meu ser e não deixam lugar para palavras de efeitos contrários.
Poderia eu, caríssimo leitor, aprofundar-me neste assunto,
mas prefiro deixar para uma próxima oportunidade. No meu
próximo livro, quem sabe. Até breve!!! Obrigado por ler esta
obra.
-75-
A
PARTE IV
ATUALIZAÇÕES
o pretender lançar a 5ª edição desta obra,
faz- se necessário incluir alguns fatos ocorridos
após as edições anteriores. Contudo, não se trata de detalhar todos os acontecimentos ocorridos em minha
vida, apenas abordarei alguns fatos mais importantes. Tais
como: eleições 1998, eleições 2000, eleições 2002, eleições
2004/2006/2008/2010 e 2012, a conclusão do curso de Direito,
ingresso no magistério superior, a doença e morte de meu pai,
Sr Benigno, o encontro com minhas tias e primos, o retorno ao
local onde nasci, o curso de doutorado e o exercício do cargo de
secretario municipal.
O tempo é cruel, corrói nossas forças, faz brotar rugas
em nossa pele, cair ou embranquecer os cabelos e avolumar a
barriga. Todavia, nos possibilita enxergar os erros e os acertos
cometidos no passado. Dessa forma, seus efeitos são compensados pela soma das experiências vividas, e assim, nos possibilita
projetarmos um mundo diferente.
Graças a Deus, o tempo não causou em mim todos os
efeitos citados anteriormente. Porém possibilitou-me vivenciar
muitas experiências, umas boas, outras não. Hoje me sinto mais
preparado para as adversidades da vida, mas não há arrependimento por atos que cometi no passado, a não ser por pequenos
detalhes.
Assim, darei seqüência à minha história, narrando, com
muita satisfação, algumas experiências vividas nos últimos
anos.
-76-
E
ELEIÇÕES 1998
m 1998, mesmo sem dinheiro para disputar eleições,
num ato de pura coragem enfrentei uma campanha
para Deputado Estadual. Apresentei-me ao povo do
Estado de Rondônia, sem falsas promessas, sem enganação, de
formas humilde, porém levei uma mensagem sadia.
A falta de recursos financeiros não me permitiu fazer uma
grande campanha, mas plantei uma sementinha em cada lugar
deste Estado. Assim, apesar de não ter sido eleito Deputado Estadual, o fim proposto foi alcançado. Obtive votos em praticamente todos os municípios do Estado de Rondônia.
-77-
N
ELEIÇÕES 2000
o ano de 2000, disputei a reeleição para o cargo de Vereador
da cidade de Porto Velho/RO. Aquele foi um dos momentos
mais difíceis dentro de minha carreira política. Na ocasião
estava filiado no partido do então Governador José de Abrel Bianco. Tudo
estava indo muito bem. Meu trabalho estava sendo reconhecido pela sociedade, tanto é que em janeiro daquele ano as pesquisas apontavam-me
em 1º lugar para reeleição.
Infelizmente ocorreu o pior. Meses antes das eleições, o Governo do
Estado tomou uma medida extremamente, anti-popular, demitiu milhares de funcionários públicos Estaduais.
A repercussão e o desgaste político daquela medida estenderam-se
a todos os membros do partido. Sentir na pele a dor de um ato que não
cometi. Mesmo assim, enfrentei uma candidatura e obtive 810 votos. Infelizmente a legenda foi muito alta e não consegui êxito. Contudo, tenho
a consciência tranqüila que exerci o cargo de vereador de forma honesta.
Em nenhum momento se ouviu dizer que Agnaldo Nepomuceno envolveu-se com qualquer tipo de falcatruas. Dei ao povo de minha cidade uma
contribuição humilde, porém, sincera e honesta.
-78-
E
ELEIÇÕES 2002
m 2002 não tinha nenhuma intenção de disputar as
eleições. Mas, dada a insistência do partido, acabei
saindo candidato a Deputado Federal. Mais uma vez
fiz uma campanha extremamente humilde, não tive condição de
percorrer todo o Estado. Foi uma campanha entre amigos, com
pouquíssimos recursos financeiros. Porém, o resultado foi satisfatório frente aquela situação.
As sementes plantadas no passado renderam frutos. Obtive
o dobro dos votos obtidos em 1988.
-79-
ELEIÇÕES 2004/2006/2008/2010/2012
N
as eleições de 2004,2006,2010 e 2012, apesar de
gostar da política, não concorri a nenhum cargo.
Dei total prioridade a minha carreira profissional,
pois, entendo que a política não pode ser utilizada como meio
de vida, isto é, para ganhar o pão de cada dia. Deve-se fazer
política por gosto e utilizá-la em benefício dos que realmente
necessitam. Política não é meio de vida, mas sim, uma atividade
pela qual devemos prestar um serviço a sociedade.
Dessa forma, busquei meu aperfeiçoamento profissional.
assim, sobrevivo de meu trabalho, não dependo do exercício de
cargos políticos para o meu sustento e de minha família. Continuarei fazendo política por gostar e entender que posso ser útil
ao povo do Município, de meu Estado e de meu País.
Entendo que, atualmente, estou melhor preparado para o
exercício da atividade política. A vida me impôs muitos obstáculos, o que me fez acumular experiência que certamente serão
úteis no exercício de cargo público. Assim, continuarei trabalhando e tenho certeza que minha trajetória pública será coroada de êxito.
Não lamento os acontecimentos do passado, procuro utilizar o presente para construir um futuro melhor. Não me abalo.
Vivo cada realidade e confio em um Deus que tudo pode. Enfrento, sem preguiça, qualquer trabalho, digno, para sustentar
minha família.
Em 2008, disputei as eleições para o cargo de vereador,
obtendo 1184 votos, porém não foi suficiente para vitória.
-80-
CONCLUSÃO DO CURSO DE DIREITO
E
m 06 de julho de 2001, realizei um dos meus maiores
sonhos. Tornei-me Bachareu em Ciências Jurídicas. Não
foi fácil, mas a alegria de ver um sonho sendo realizado
não tem preço.
Na aula da saudade, passou pela minha cabeça um filme. Voltei ao passado e vi aquele menino trabalhando duro na agricultura e
sonhando um dia ser advogado. O sonho estava se realizando. Nessa
situação não contive as lágrimas.
O melhor de minha festa de formatura foi ver a alegria de meus
pais em dizer: “temos um filho doutor”. Os olhos deles brilhavam.
Aquele momento encontra-se vivo em minha memória e o tempo
não apagará.
Que momento mágico
estar ali com meu casal
de heróis. Olha como brilhava seus olhos em me
ver concluindo o curso
de Direito.
-81-
Após a empolgação da formatura, propus que seria aprovado no exame da OAB. Assim, passei a estudar cerca de doze
horas por dia e na primeira prova, saí vitorioso. Agora sim o
sonho estava completo, finalmente me tornei um advogado.
-82-
INGRESSO NO MAGISTÉRIO
SUPERIOR
L
ogo que concluí o curso de direito, começaram surgir os convites para ministrar aulas. Assim, enfrentei mais essa realidade e me tornei professor, inicialmente em cursinhos preparatórios para concursos, depois na
universidade.
No ano de 2003, pós-graduei-me em docência universitária e assim me tornei professor de nível superior.
Muitas vezes, durante as aulas, passa um filme em minha
cabeça. De onde vim? O que enfrentei para estar ali na frente
trocando experiência com pessoas tão ilustres? Mas uma coisa é
certa, Deus nos dá tudo aquilo que pedimos com fé e lutamos
para conseguir. Sem o poder de Deus em minha vida, eu não
teria conseguido nada.
-83-
A MORTE DE MEU PAI
M
ais uma vez as circunstâncias exigiram de mim
muita firmeza. No dia da solenidade de entrega
de minha carteira de advogado - OAB - meu pai
faleceu. Foi difícil encarar aquela realidade. Aquele que foi à
minha festa de formatura não pode ir à entrega de minha carteira profissional. Embora a morte seja o caminho natural de todos
nós, ela quase sempre nos pega de surpresa.
Fiz o que era possível pelo meu pai, não lhe faltou tratamento, mas sua hora chegou, não teve como evitar. Tenho saudade daquele que muito me ensinou, todavia minha consciência
é tranqüila, pois fiquei ao seu lado até a hora final, inclusive
realizei seu último sonho.
Na noite anterior à sua morte, por volta de vinte três horas,
ele, que há dias não falava mais, repentinamente voltou a falar e
com a voz fraca pediu-me, “filho, ajude-me realizar meu último
sonho: quero casar com sua mãe. Não me deixe morrer antes de
realizar este desejo”. Eles moravam juntos há trinta e oito anos
a ainda não eram casados legalmente. Não medi esforços, tomei
todas as providências e por volta das quatro horas da manhã o
casamento foi realizado. Lembro-me de seu sorriso na ora do
sim. Foi um momento em que o sentimento de alegria e de tristeza misturam-se. Por volta das nove horas daquele mesmo dia
a morte o levou.
Sr. Benigno Araújo Nepomuceno nasceu no dia 05 de abril
de 1918 na cidade de Teófilo Otoni - Minas Gerais e faleceu em
14 de agosto de 2001 na cidade de Porto Velho/RO.
-84-
ENCONTRO COM MEUS
TIOS E PRIMOS
C
ada dia, cada experiência vivenciada, calcifica em
mim a certeza de que nada, em nossa vida, acontece por acaso. Embora, muitas vezes sejamos
incapazes de entender alguns enigmas. Porém, tudo que ocorre
em nossa vida é fruto de um pensamento, de uma ação.
Na segunda metade do ano de 2003, salvo engano mês de
setembro, eu estava no Foro do Juizado Especial, localizado
na Av. Amazonas na cidade de Porto Velho/RO. Por volta de
11:00 horas, eu já estava de saída, quando, ao descer as escadas,
deparo-me com um senhor de aproximadamente 50 anos em
desespero.
A angústia vivida por aquele senhor chamou-me atenção.
Parei e começamos a conversar. Ele então me explicou que seu
filho estava sendo acusado da prática de um crime. Que sua audiência era dali a alguns minutos e ele não tinha dinheiro para
contratar um advogado.
Mesmo sem conhecer aquele senhor e seu filho, propusme a ajudá-los. Ajuda que foi prontamente aceita. Felizmente
tudo correu bem e o rapaz não foi condenado. Muito agradecido
o senhor solicitou-me o número de meu telefone e foi embora.
Os dias se passaram, nem lembrava mais do ocorrido,
quando, de repente, toca o telefone. Era aquele senhor me convidando a fazer uma visita à sua casa. Na ocasião argumentou
que sua esposa estava muito agradecida pela ajuda que prestei
a seu filho e que gostaria de me conhecer. Assim, combinamos
o dia e a hora, e lá fui eu, sem nenhuma idéia do que iria acontecer.
-85-
Após horas de conversa e um café delicioso, tomei conhecimento que aquela senhora viera da cidade de Goioerê/PR, ou seja, do
lugar, onde nasci. Assim, foi inevitável falar um pouco sobre minha
história. Mas o melhor ainda estava para acontecer.
Com empolgação, a senhora revelou-me que sua família ainda
morava em Goioerê/PR e que tinha uma irmã que conhecia muita
gente ligada a programas de rádio e que iria pedi-la que me ajudasse
a encontrar minha família de sangue.
Meses depois, recebi uma ligação da irmã da referida senhora,
que emocionada me revelou: “encontrei sua família paterna. Alguns
moram, ainda aqui em Goioerê/PR, outros na cidade de São Paulo/
Capital”.
Após inúmeros contatos via telefone, em Dezembro de 2005 eu
e minha mãe, pegamos a estrada. Fomos até a cidade de São Paulo/
Capital e Goioerê/PR. Dessa forma, conheci meus tios, tias e primos,
e também aquela moça que gentilmente me ajudou a encontrá-los.
Assim, pela primeira vez, encontrei alguém de minha família
consangüínea. Tive a oportunidade de conhecer o local onde nasci.
Saber que toda a história relatada a mim por minha mãe, D. Orminda, foi verdadeira.
Foi emocionante conhecê-los. Ouvir os relatos sobre meu pai
e meus avós paternos. Foi maravilhoso ter sido recebido com tanto
carinho por todos eles, ver a satisfação de D. Orminda em relatar:
“cuidei bem do sobrinho de vocês”
São minhas tias, tios e primos por parte de pai.
-86-
Minhas tias relataram-me o arrependimento de meu avô e
o quanto minha avó reclamava que gostaria de encontrar-me.
Infelizmente faleceram antes.
Meus avós paternos
Foi bom ouvir os relatos sobre o meu pai. Ver sua fotografia.
O quanto era querido pela família.
Isso me possibilitou formular uma
imagem de como ele era. É muito
importante para mim esse referencial familiar, contudo os laços da
convivência
são insubstituíveis.
Assim, nada substitui o carinho e a
gratidão que tenho pela família que
me adotou.
Foto de meu pai ainda muito jovem
-87-
O RETORNO AO LOCAL ONDE NASCI
A
pós alguns dias em São Paulo, eu e D. Orminda, pegamos a estrada e fomos para o interior do Paraná em
busca do lugar onde nasci.
Foi gratificante ter o privilégio de levá-la ao local onde alguns
anos atrás fez o parto de minha mãe Maria do Carmo, e ganhou-me
de presente.
Aquele foi um momento mágico, para mim e minha mãe D.
Orminda. Vi a emoção tomar conta de seu corpo, lágrimas brotar de
seus olhos e um filme passar em sua memória. Abraçamo-nos e ela
me disse “filho realmente este é o lugar onde você nasceu, embora
hoje tudo esteja diferente, mas na minha memória vejo cada detalhe
que existia naquela época; a casinha que existia aqui, as árvores.
Vejo tudo. Vejo você nascendo em meus braços, nunca imaginei que
iria voltar aqui neste lugar”.
A seta indica o lugar onde ficava a casa em que nasci. Ali morava minha mãe Maria do Carmo. Quando de nossa visita tudo estáva
tomado pelo plantio de soja. Restam, apenas, os vestígios da residência onde vim ao mundo.
Foto do lugar onde nasci
-88-
Após conhecer o lugar onde nasci, eu e Dona Ormida fomos a igreja onde fui batizado. Ao entrar ao interior da igreja,
mais uma vez, Dona Orminda se emocionou.
Na frente da referida igreja, há uma pracinha muito agradável. Ficamos ali, por um bom tempo, comendo pipocas e eu
ouvindo Dona Orminda relatar detalhes do passado.
Quanto à minha mãe Maria do Carmo não tenho nenhuma
notícia, continuo a procurá-la e espero um dia encontrá-la. Gostaria da abraçá-la. Não tenho nenhuma mágoa em meu peito,
mas sim, muito amor para oferecê-la.
Esta igreja fica no centro de Goiorê/PR e nela fui batizado.
-89-
DOUTORADO EM BUENO AIRES
N
o campo dos estudos continuo progredindo. Atualmente estou cursando Doutorado em Ciências
Jurídicas e Sociais pela UNIVERDAD DEL MUSEO SOCIAL ARGENTINO-UMSA, na cidade de Buenos Aires, Argentina. Uma vez concluído os módulos, terei dois anos
para defender a tese de Doutorado, sendo aprovado, o que confio ser, serei realmente Doutor. E sem dúvida, uma experiência
o fato de poder aprofundar nos estudos, bem como conhecer
um pouco mais da cultura e da forma de viver de outra nação. O
convívio com alunos de diferentes partes do Brasil e de outros
países possibilita uma experiência extremamente positiva para
as atividades do dia a dia.
O conhecimento custa caro, seja em relação a dinheiro
propriamente dito, seja na questão tempo e dedicação. Contudo,
nos possibilita desenvolver ações com resultados possitivo para
a população. Razão pela qual, busco a todo custo me aperfeiçoar a cada dia.
-90-
SECRETÁRIO MUNICIPAL
JUNHO DE 2011 A DEZEMBRO DE 2012
E
m junho de 2011 fui nomeado Secretario Municipal
de Desenvolvimento Sócio Econômico e Turismo
do Município de Porto Velho/RO, cujo cargo exercício até 31 de dezembro de 2012. Uma secretaria com múltiplas funções e um grau razoável de complexidade. Mas graças a
Deus e toda a equipe que compunha a secretaria desenvolvemos
satisfatoriamente todas as nossas atividades.
A secretaria durante a nossa gestão atingiu com louvor a
finalidade prevista em lei. Desenvolvemos vários programas,
sobretudo nas áreas sociais. Tudo sem envolver em nenhum
escândalo, sai com as mãos limpas, a consciência tranqüila e
cabeça erguida.
Foi importante exercer o cargo de Secretario Municipal
em Porto Velho, pois me proporcionou maior experiência no
executivo. No exercício do cargo de vereador tive experiência
no legislativo, cuja função e completamente diferente. Agora
sinto melhor preparado para o exercício de qualquer cargo publico que venha exercer.
Todos os cargos publicos ou privados que ocupei ao logo
de minha vida, exercí com dignidade, com respeito a lei e, principalmente, com respeito ao povo. Meu nome nunca foi envolvido em qualquer esquema criminoso. O que tenho é fruto do
suor de meu rosto, do meu trabalho, construido ou logo do tempo, tijolo a tijolo, com sacrificio, mas com dignidade. E, assim,
seguirei.Enquanto tiver neste plano material buscarei suprir minhas necessidades por meio da minha força de trabalho.
-91-
QUERIDA MÃE ORMINDA
C
omo a maioria do povo brasileiro, eu também, tenho uma vida marcada por muitas dificuldades. Filha de uma família humilde, não tive condições de
freqüentar um banco de escola. Tudo que sei apreendi com a
escola da vida. Aos quatorze anos, casei-me e logo vieram um
casal de filhos.
Eu e meu esposo trabalhávamos na agricultura, em terras
dos outros, para sustentar nossos filhos.
No ano de 1962, saímos do Estado de Minas Gerais em
busca de uma vida melhor no Estado do Paraná, região de Goioerê. Lá, chegando, fomos trabalhar em lavoura de café.
Dois anos após ter chegado no Estado do Paraná, Inesperadamente meu esposo faleceu. Assim, fiquei sozinha com meus
dois filhos ainda pequenos. Enfrentei a nova realidade e continuei trabalhando no cultivo do café para sustentar meus filhos.
Tempos após a morte de meu esposo, chega àquela localidade um viúvo, muito pobre de recursos financeiros, acompanhado de seis filhos pequenos. A referida família foi morar
próximo à minha casa e, dessa forma, passei a ajudá-la, desempenhando o papel de mãe para aquelas crianças órfãs.
Tempos depois, eu e o viúvo fomos morar juntos, constituído, assim, uma nova família, composta por oito filhos pequenos.
Eu e meu segundo esposo, o Sr. Benigno, trabalhávamos
de domingo a domingo no cultivo do café. O salário era muito
pouco, mal dava para sustentar nossos filhos, mas não tinha outra saída.
Além de trabalhar duro na roça, cuidar dos filhos, eu, ainda, era freqüentemente requisitada para desempenhar a atividade de parteira. Aos vinte e dois anos de idade herdei este dom e
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exerci essa atividade até aos meus 69 anos. Não tenho idéia de
quantas crianças nasceram em minhas mãos.
No dia 21 de outubro de 1967, lembro-me como se fosse
hoje, era um sábado estava chovendo e muito frio, por volta
das duas horas da tarde fui chamada para fazer o parto de uma
senhora que morava nas redondezas.
Ao chegar a casa da ferida mulher, estranhei, pois, estava sozinha no quarto. Tomei as devidas providências e horas
depois a criança nasceu. Era um lindo menino de olhos verdes
como os da mãe, pesava 4 quilos e 100 gramas.
Procurei as roupinhas da criança e não encontrei. Não tinha nada, nem mesmo alimentos para dar àquela mulher. Assim,
rasguei um de seus vestidos e enrolei o menino para protegê-lo
do frio. Logo depois, recorri aos vizinhos no sentido de arrumar
alguma coisa para Maria do Carmo comer.
Lembro-me do choro daquela mãe ao olhar seu filho. Lembro-me de seus comentários: “eu te amo muito meu filho, você
será um grande homem, quem sabe um gerente de banco”. Eu
não podia ficar ali então retornei a minha rotina.
Quatro meses depois, meu enteado, chega à casa com o
menino revelando que tinha adotado a criança. Eu então lhe
falei “esse será meu”. Assim, tomei em meus braços Agnaldo
Nepomuceno e hei de cuidá-lo enquanto vida tiver.
Agnaldo, sempre foi um bom filho, muito inteligente. Desde pequeno queria saber das coisas, perguntava muito e exigia
explicação para tudo que escutava. Muito corajoso, fabricava
seus próprios brinquedos e gostava de brincar sozinho.
Sou sua confidente. A mim ele revela, até hoje, seus sonhos. Ainda muito pequeno já despertava interesse pelos estudos e queria ser advogado e político. Lembro-me de seus pedidos para eu interceder junto a seu pai, no sentido de deixá-lo vir
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morar na cidade. Porém, Sr. Benigno, jamais, permitiu que um
filho seu saísse de casa antes dos dezoito anos.
Assim, acompanhei o drama e a luta de meu filho. Muitas
vezes acalentei seu choro por não ter como vir em busca de seus
sonhos.
Quando saiu de casa senti muita sua falta, mas sabia de
seus propósitos. Assim, ao invés de lamentar, colocava-me de
joelhos e orava a Deus para guiar seus caminhos.
Mesmo longe, Agnaldo nunca nos abandonou. Sempre se
mostrou preocupado comigo e meu velho. Na primeira oportunidade que teve nos acolheu em sua casa e nos proporcionou
todo conforto que lhe era possível.
Atualmente
estou com 84 anos,
minhas forças são
poucas, porém conto com o carinho
e os cuidados de
meu filho. Não me
deixa faltar nada,
agradeço a Deus
pelo filho que me
deu. Nenhum dos
outros que cuidei,
nem mesmo meus
filhos legítimos têm
me amparado tanto. Hoje sou muito
feliz morando na
companhia de meu
filho.
-94-
E
CONCLUSÃO
screver estas linhas foi mais um dos desafios enfrentados e vencidos. Muitas vezes me senti impotente diante do que queria expressar e a falta de
intimidade com o jogo de palavras. Mesmo assim, não pensei
em desistir, em parar, pois se assim, tivesse procedido não teria
chegado à conclusão deste trabalho.
Certamente se já fosse um escritor experiente e estivesse
em um apartamento com vista para o mar, observando as águas
se amontoarem alegres pela chegada de mais um dia, ou recebendo a brisa da madrugada, enquanto a cidade dorme, não
tivesse outra preocupação a não ser a de bem escrever, teria
produzido algo bem melhor. Mas, muito pelo contrário. Estas
linhas foram escritas nas madrugadas, após um dia inteiro de
trabalho cansativo, o que acaba acarretando um enorme desgaste mental diminuindo assim a capacidade de raciocínio em
um ano em que a minha vida sofreu uma grande transformação,
exigindo, de mim, exaustivas adaptações à nova realidade de
um mundo, onde se “salva quem puder.”
Esta é a primeira obra que produzo, fechado em meu mundo e longe dos experientes. Mas, valeu, uma vez que para escrever a próxima, já vou contar com alguma experiência advinda
com a prática.
Contudo dei tudo de mim para fazer o melhor e, assim,
este livro me retrata, pois as palavras aqui colocadas podem não
ser elegantes, mas são verdadeiras. Escrevi o que sinto e o que
penso. Não tenho medo e nem preocupações em contar a minha
vida. Teria sim, se estivesse mentindo. Críticas! Se as tiver, usá-las-ei para o aperfeiçoamento.
Portanto, ao concluir este trabalho agradeço a Deus por
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mais esta oportunidade em minha vida, e agradeço a você pela
honra em tê-lo como leitor destas linhas que são simples, porém, verdadeiras, refletindo, assim, o meu eu, a minha vida.
Até o próximo trabalho se o bom Deus assim permitir. Um
grande abraço.
As atualizações que hora faço não esgota o assunto. Apenas abordei alguns tópicos que considerei marcantes em minha
vida. Outros acontecimentos poderiam ser narrados. Mas, se
assim fosse feito, não se trataria de atualizações e sim de outro
livro.
No cenário político, por exemplo, tive experiências boas
e experiências péssimas. Conheci pessoas que são verdadeiras
amigas e apoiadores de meus projetos. Conheci pessoas negativas, invejosas que trabalharam muito para a minha derrota.
Assim é a vida, o tempo passa, as forças diminuem mas as
experiências aumentam. Sinto que estou vivendo um excelente
momento em todos os sentidos e que, ainda, terei muita história
para contar.
Espero em Deus muita força e caminhos mais livres para
seguir.
Contato com Agnaldo Nepomuceno:
E-mail: [email protected]
Site: www.agnaldonepomuceno.com.br
Facebook:[email protected]
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Download

minha vida - Agnaldo Nepomuceno