Agnaldo Araújo Nepomuceno MINHA HISTÓRIA MINHA VIDA Porto Velho (RO), março de 2013. Revisão de Texto Profs: Heva Catarina Breger João Batista Gonçalves Silva Lay Out e Digitação: Agnaldo Araújo Nepomuceno Capa, Diagramação e Arte Final: Gráfica Imediata Ltda Foto da capa: Rodrigo Erse Impressão: Gráfica Imediata Tiragem: 5.000 exemplares Ficha Catalográfica N441 Nepomuceno, Agnado Araújo Minha História, Minha Vida /Agnaldo Araújo Nepomuceno Porto Velho: Gráfica... 2013 96p: il; 15cm Título da capa: A Força de um Ideal: 1. Nepomuceno, Agnaldo Araújo – Autobiografia 2. Sucesso I. Título CDU – 929Nepomuceno 2013 - 5ª Edição Impresso no Brasil/Printed in Brazil Dedico esta obra a todos os que sonham e verdadeiramente trabalham para transformar os seus sonhos em realidades, e a todos que, de forma direta ou indireta, contribuíram para a realização deste trabalho. AGRADECIMENTOS Agradeço, primeiramente, a Deus por ter-me dado vida, pureza de pensamento, capacidade de sonhar a força para fazer dos sonhos realidades; agradeço pela harmonia que invade minha alma, a paz que sinto em meu ser e a chama de felicidade que queima, que devora a angústia e a tristeza antes que estas se aproximem de mim; agradeço pela capacidade de amar as pessoas, o Divino e o belo; por, mesmo em meio a toda correria, conservar em mim a calma, mantenedora da perseverança. Agradeço a minha mãe Maria do Carmo, pela sua existência e, por ter-me gerado em seu ventre, pelo amor de mãe que certamente sentira por mim e pela compreensão em me perder, para não me ver sofrer, o que prova o seu verdadeiro amor. Agradeço Arlindo Araújo Nepomuceno, o rapaz destemido e corajoso que me adotou e levou-me para a casa dos seus pais e hoje considero mais que um irmão. E, profundamente, agradeço, Orminda Gomes da Silva e Benigno Araújo Nepomuceno, por fazerem por mim o que não tinham obrigação de fazer, sendo assim uma prova cabal de que pais não são só aqueles que nos colocam no mundo, mas, sobretudo, aqueles que cuidam, que alimentam, educam, pois é exatamente esta a parte mais difícil. Diante destas pessoas reconheço que palavras não recompensam, o que me faz ter plena consciência de que tudo que fizer por eles será pouco, diante do que fizeram por mim. Só Deus pode recompensá-los, e é o que peço e desejo de coração. Finalmente, agradeço a todas as pessoas que direta ou indiretamente contribuíram para que eu pudesse chegar até aqui e escrever estas linhas. PREFÁCIO A primeira vez que eu ouvi falar em Agnaldo foi quando se elegeu vereador por Porto Velho. Um jovem, militar, sem recursos e desatrelado de máquinas partidárias ser eleito, principalmente para quem se interessa por marketing eleitoral, é, sem dúvida, um fenômeno digno de estudo. Interessei- me por maiores detalhes sobre sua história, mas, nos últimos tempos, por ter me afastado da política partidária, acabei restrito ao que a imprensa veiculou sobre sua eleição o que não esclarecia muito. No entanto, a interrogação sobre o sucesso político de um jovem desconhecido ficou pairada sem resposta na minha imaginação e, vez por outra, quando o citavam, a curiosidade retornava como se faltasse uma peça num quebra-cabeça. Assim não tive como esconder um certo espanto, quando fui surpreendido por um pedido para prefaciar o seu livro. De um lado, é sempre uma honra ser convidado para tal tarefa; por outro, há a responsabilidade de ser verdadeiro quanto ao Autor e sua obra, o que, para mim a parte artística e estética, significa, muitas vezes, colocar a verdade acima do carinho, da amizade e do pressuposto do elogio que todo escritor, que tem um pouco de Narciso, aguarda. Felizmente, ao ler o livro, me senti inteiramente desvinculado de qualquer compromisso pelo desejo manifesto nele de ser verdadeiro. De forma que me sinto completamente à vontade para dizer que se trata de mais um desafio que este jovem determinado venceu. Não é, obviamente, uma obra-prima, mas uma obra que prima pela demonstração de uma personalidade obstinada, por uma história de vida, onde a crença se fez mais forte que as circunstâncias. Agnaldo demonstra que com objetivos, vontade e fé, as possibilidades humanas são infinitas e o faz com a simplicidade de quem percorreu o caminho, nem sempre florido, das populações rurais mais pobres do nosso país. Se, em muitos pontos, há lacunas, somente comprovam a autenticidade de sua trajetória e o que poderia ser considerado um ponto fraco se torna um sinal da vitalidade do livro que é, como seu Autor, um ser em formação, mas com metas e ideais que, certamente, serão atingidos. Se não posso (ainda) anunciar em Agnaldo um escritor, todavia já posso denunciar um escritor que consegue, apesar das dificuldades, transmitir uma mensagem clara de amor e otimismo. Creio, que em última análise, posso recomendar o livro como sendo o compromisso de um jovem vitorioso de seguir em frente, crescendo em busca de obter a máxima vitória humana de uma vida melhor. Que a estrela da sorte, amante dos ousados, continue iluminando o seu caminho, são meus votos e, em especial, aos jovens, aconselho que o leiam. Vale a pena. Silvio Persivo NOTA DO AUTOR Peço a compreensão dos caros leitores ao ler esta obra, pois ela não foi produzida por um profissional da literatura brasileira. Ainda não sou um escritor, o que certamente serei no futuro, apenas coloquei no papel algumas experiências acumuladas ao longo do tempo. Mesmo sem grande conhecimento da língua portuguesa, procurei, à minha maneira, de forma simples, porém sem fugir a verdade, trazer a público parte da minha vida, bem como alguns conhecimentos adquiridos a partir das dificuldades enfrentadas e vencidas. Esta obra não foi produzida com a intenção de ganhar dinheiro. O meu objetivo é tão somente retransmitir, sobretudo ao público estudantil, o que a vida concedeu-me, a oportunidade de aprender. Não posso guardar apenas comigo, o aprendizado advindo dos obstáculos e se assim o fizesse, estaria sendo egoísta demais. Sinto em meu eu a necessidade de escrever estas linhas, esta é a oportunidade. Não posso esperar por tempos mais adequados, pois a vida passa rápido e, certamente, daqui a alguns anos, não existirei mais em matéria. Mas, desta forma, as minhas experiências ficarão registradas e, se de cada mil pessoas que as lerem, uma ou duas tirarem conclusões positivas para as suas vidas, valeu meu esforço, estarei feliz por alcançar o meu objetivo. Sei que não estou livre das críticas, mas se elas vierem usá-las-ei como armas lapidadoras do aperfeiçoamento e, desta forma, em um futuro próximo, escreverei bem melhor. Por enquanto é o que posso produzir. Pode não ser o melhor, não ser o mais sofisticado, mas retrata o que verdadeiramente sou, pois para reproduzi-la usei as máquinas, mas escrevi com o coração. Uma boa leitura. Fecho os olhos e te vejo, mãe querida, musa, inspiradora, deusa, divina precursora de minha vida. Ah! Que vontade de repousar-me em teus abraços apertar as tuas mãos sentir o teu calor. Confesso, mãe! Que estou ansioso para te encontrar. Em teu ombro minha face debruçar experimentar de perto o seu amor sentir a sensação de paz da mulher que me gerou. Mãe! O amor que sinto em meu peito não deixa lugar para raivas, revoltas ou traumas. Procuro ver o mundo pelos teus olhos, olhos de menina frágil, menina pura, diante das circunstâncias. Aí vejo que o que fizeste, foi pensando em meu bem, o que prova a tua sensibilidade e o teu divino amor. Mãe! Onde estás? Quero te encontrar te abraçar e falar muitas coisas guardadas no meu peito. Um dia, quem sabe!! SUMÁRIO PARTE I 1.1 - Minha História............................................................................17 1.2 - Como me tornei policia..............................................................30 1.3 - O Despertar Político...................................................................34 1.4 - Parte Afetiva...............................................................................38 PARTE II 1.1 - Passado.......................................................................................41 1.2 - Presente.......................................................................................46 1.3 - Futuro.........................................................................................49 PARTE III 3.1 – Jovem, Estudante, Sucesso........................................................53 3.2 – As Diferenças.............................................................................64 3.3 – Engrenagem da Vida..................................................................67 3.4 – Caminhos para o Sucesso...........................................................70 3.5 – Uma Experiência........................................................................74 PARTE IV 4.1 –Atualizações................................................................................76 4.2 –Eleições 1998..............................................................................77 4.3 –Eleições 2000..............................................................................78 4.4 –Eleições 2002..............................................................................79 4.5 –Eleições 2004/2006/2008/2010/2012..........................................80 4.6 –Conclusão do Curso de Direito...................................................81 4.7 –Ingresso no Magistério Superior.................................................83 4.8 –A Morte de meu pai.....................................................................84 4.9 –Encontro com meus tios e primos...............................................85 4.10 –Retorno ao local onde nasci......................................................88 4.11 –Doutorado..................................................................................90 4.12 –Secretário..................................................................................91 4.13 –Querida Mãe Orminda..............................................................92 CONCLUSÃO....................................................................................95 PARTE I Se queres ser feliz de verdade seja sereno e carrega contigo o espírito de humanidade, pois as maldades são como as borrachas esticadas quando não se partem ao meio, ao serem soltas, voltam ao seu ponto de origem causando danos a quem as esticou. Portanto, ser mau com os outros é ser mau a si mesmo. MINHA HISTÓRIA, MINHA VIDA D eixo fluir, aqui, do meu interior para o papel, minha verdadeira história. Sei que não tenho palavras bonitas para chamar atenção. Contudo, faço questão de, eu mesmo, escrever minha história, pois entendo que, se deixar que outra pessoa escreva por mim, Esta foto recorda os meus 06 por mais bonitas que forem suas pameses de idade lavras, jamais transmitirá os meus verdadeiros sentimentos. Assim sendo, mesmo de forma superficial, porém, sem fugir à verdade, contarei minha história. Ressalvo, contudo, que o trecho compreendido entre o meu nascimento e os meus seis anos, tudo que sei dele, foi-me contado pela minha mãe adotiva. Sem entrar no mérito da questão “destino”, digo apenas que em minha vida ocorreram e ocorrem, constantemente, fatos muito engraçados e até curiosos, que merecem ser registrados. Tudo começou, no início de 1967, na pacata cidade do interior do Estado do Paraná, chamada Goioerê, quando uma bela jovem de 19 anos, de cabelos compridos e olhos azuis, chamada Maria do Carmo conheceu José Ferreira. Os dois jovens foram envolvidos por uma paixão sem precedente que, com o passar dos dias, transformou-se em amor incontrolável. Do relacionamento mais íntimo surgiu uma gravidez, e lá estava eu, apenas um embrião, mas, já existia, para enlevo de meus pais. Tudo parecia flores, havia planos de casamento, de curtir o filho, de construir uma família. Porém, Maria do Carmo foi surpreendida -17- com o sono profundo e eterno, ou seja a morte de José Ferreira, fato, que deixou-a desamparada e exposta à dura realidade: ser mãe solteira. E agora, o que fazer? Apesar dos seus 19 anos, Maria do Carmo era ainda muito jovem e não sabia como encarar o fato e dizer aos seu pais toda a verdade. Por outro lado, eu não queria nem saber, e só estava crescendo. Assim, logo, tudo veio à tona. Maria do Carmo passa a sofrer grandes pressões. Seu pai, de idade avançada e patriarcal, carregava consigo a ignorância de que lhe seria a maior das desonras, ter em sua casa uma filha mãe solteira. Passou a agredir a filha com palavras de baixo calão e até, a expulsá-la de sua casa. Exigiu a destruição da criança antes que o fato se tornasse público, uma vez que isso lhe causaria uma vergonha inaceitável. Maria do Carmo – minha querida mãe que ainda não conheço, mas que vou conhecer – sem ter para onde ir, e nem o que fazer, agüenta firme. E a cada agressão responde em seu íntimo: filho eu te amo, quero ver você grande, inteligente e bonito. Assim, nove meses se passaram, e lá estava eu, pronto para nascer. No dia 21/10/1967, Maria do Carmo queixa-se de fortes dores. Seu pai, diante dos acontecimentos, determina, com sua voz de império, que a mãe e as irmãs de Maria do Carmo lhe acompanhem, ausentando-se todos, deixando Maria do Carmo abandonada, sozinha em casa, para que ela viesse a falecer juntamente com a criança, na hora do parto. Maria do Carmo, mesmo fragilizada pelas dores das contrações e do abandono, mantém-se firme e pede a uma criança, que por ali brincava, para ir à procura de alguém que pudesse lhe fazer companhia naquele instante difícil, onde a emoção e a alegria se confundiam com a dor e o abandono. Minutos depois -18- chega, ali Dª Orminda Gomes de Silva, parteira, que faz o parto. Ao procurar as roupinhas da criança, não as encontra, pois sequer tinha. Rasga o vestido de Maria do Carmo e costura à mão um jalequinho. Veste a criança e vai embora. Quatro meses depois, não suportando mais as pressões e diante da impossibilidade de cuidar bem do seu filho amado, uma vez que a criança encontrava-se muito doente, e sua alimentação era apenas, papinha de abóbora cozida e amassada. (talvez seja por esta razão que eu goste tanto de legumes) Maria do Carmo, por me amar, prefere abrir mão de minha companhia, e sai à procura de alguém que possa cuidar bem de mim. Este é Arlindo Araújo Nepomuceno, o rapaz destemido e corajoso que teve a iniciativa de me adotar. Sua intenção era de me criar como filho, mas por não ter a sua própria casa, levou-me para a casa do seu pai e sua madrasta, e estes acabaram sendo os meus pais, e ele ficou como um irmão mais velho. Hoje reconheço que ele representa mais que isto. -19- Assim sendo, logo encontrou um rapaz de apenas 21 anos, que aceitou a criança e levou-a para que a madrasta dele cuidasse. Por coincidência, ou capricho do destino, sua madrasta era Dª Orminda, a parteira. Com surpresa aceitou a criança e juntamente com o Sr. Benigno Araújo Nepomuceno – pai do rapaz – cuidaram de mim. Deram-me carinho, amor e lição de vida, condição essencial para que hoje pudesse estar aqui. Por essas e outras razões considero-os meus verdadeiros pais, sem, contudo, deixar de amar Maria do Carmo, minha Deusa e personalíssima mãe. Eu tinha pouco mais de quatro meses, quando mudarmos para uma pequena vila chamada de Bela Vista, Estado do Paraná. E de lá para cá, nunca mais minha família adotiva teve notícias de Maria do Carmo. O tempo passou rápido e eu cheguei aos seis anos de idade e de agora em diante, tudo que vou narrar é fruto d e minha s experiências vivenciadas. Lembro, a esta idade já idealizava um futuro diferente do de meus pais; que era, apenas, cuidar da terra, das plantações e os animais. Naquela idade não sabia definir bem o que eu não queria, mas já tinha certeza do que eu queria. Tudo parecia dar certo. Eu era levado por dois irmãos adotivos – que formavam uma dupla sertaneja – às festas e às rádios D. Orminda, Sr. Benígno locais, onde faziam apresentae eu aos 06 anos -20- ções. Ali dava asas a imaginação, falava ao microfone, dançava e me divertia. A esta altura preparava-me para começar a estudar, fazer amigos e aprender. Mas, subitamente, veio o corte, e meus sonhos apesar de permanecerem vivos, foram silenciados. Meus pais, movidos pela vontade de ter o seu próprio pedaço de terra e embalados pelos programas governamentais de povoamento da região amazônica, resolvem, repentinamente, vir para Rondônia. Assim, em 1974 chegamos, na então Vila de Rondônia, hoje Ji-Paraná, que, na época, era completamente diferente. Logo fomos morar distante da Vila em meio à selva, onde o único meio de acesso eram as trilhas embaixo da mata virgem e, o único meio de transporte eram os cavalos e burros. A esta altura, meus sonhos silenciados dentro de mim, cediam lugar a uma nova realidade. Ao invés da música animada de meus irmãos, pois esses haviam ficado no Paraná, o rugir das onças e o coaxar dos sapos e o cricrilar dos grilos. Agora, os amigos eram os cachorros caçadores que nos garantiam a carne todos os dias. Os macacos que brincavam pulando em cima do barraco, coberto de folha de babaçu, onde morávamos. O pão eram as frutas da mata e o leite a água do igarapé. Mas, a cada dificuldade eu saia de dentro de mim e buscava uma força superior para revertê-la em alimentos para as minhas esperanças que permaneciam vivas por uma voz que dizia: tudo é passageiro e os teus sonhos são apenas forças adormecidas e um dia acordarão materializados em realidade. Com o passar do tempo, e a chegada de outras famílias, aos poucos, a região ia se desenvolvendo. Logo surgiu uma pequena escola, na verdade, um barraco sem paredes e coberto de folhas de babaçu. Renovam-se as minhas esperanças e começo a estudar. Nesta luta tinha como proteção a bondade de minha mãe – não a amável Maria do Carmo, mas sim, a espirituosa -21- Orminda Gomes da Silva. Algumas imagens permanecem vivas em minha memória e o tempo não conseguirá apagá-las. Lembro-me de Dª Orminda, mulher simples, em que as marcas do tempo se evidenciaram através dos seus cabelos brancos, encobertados por um velho pedaço de pano em forma de lenço. Com suas roupas compridas e sem luxos, em meio as águas frias e cristalinas do igarapé, levava as minhas enodoadas roupas, reflexos da traquinagem de menino da selva, de menino do campo. Enquanto isto eu, embaixo das árvores que encobertavam o sol, com um pequeno pedaço de madeira, em forma de tábua, recortava a areia fina até fazer uma base plaina. E logo, vinha ela. Enquanto aguardava o sabão amolecer as sujeiras das roupas, pegava em minha mão e com um pequenino galho de árvore em forma de lápis tentava, mesmo sem saber, fazendo da areia, caderno, ensinar-me escrever o meu nome. Logo depois retornava à água. E eu passava a remover a areia para baixo do peito fazendo-a de confortável travesseiro de onde observava os peixinhos tentando alimentar-se com as espumas do sabão. Divertia-me, sem pensar no amanhã, ao ver as bolhas estourarem ao ser tocadas pelos inocentes peixinhos. Porém, a empolgação não durou muito. A esta altura eu já estou com os meus oito, nove anos e nem mesmo havia aprendido escrever direito o meu próprio nome. O meu trabalho, apesar de infantil, se fazia necessário para aumentar a renda da família. Assim foi toda minha infância: ao invés do banco da escola do ABC, o cabo da enxada, a chuva e o sol quente. Ao invés de aprender a gramática, aprendia, mesmo com pouca força física, cultivar a terra, plantar e colher, cuidar dos animais e assumir as responsabilidades quando algo saísse errado. Meu único meio de divertimento, agora já com os meus -22- quinze, dezesseis anos, era jogar bola nos finais de domingo, mesmo assim, escondido. Pois, meu pai não aprovava, e ainda não aprova, este esporte. Meu único meio de comunicação com a cidade era um rádio velho à pilha. Lembro, que, mesmo após um dia inteiro de trabalho cansativo, eu entrava madrugadas adentro ouvindo a Rádio Caiari ou a Nacional de Brasília, pois eram as únicas com que sintonizava. A esta altura todos dormiam sem saber a dor que eu suportava, “por querer e não poder”. O único meio de extravasar este conflito eram as lágrimas. Então eu chorava no silêncio da madrugada ao ver os meus sonhos implodidos em mim, mas, logo era acalentado pela voz suave da esperança que dizia: sua vontade, sua fé concretizarão os seus sonhos. Portanto chore! Mas não perca a fé em um Deus vivo. Assim foi toda a minha adolescência, alimentada pelos sonhos de conhecer uma cidade de fazer amigos, saber falar, entrar em contato com muita gente. Porém, naquelas circunstâncias, este mundo real fantasiado em minha cabeça parecia inatingível. Aos meus 18 anos tomo uma posição firme e definitiva: Vou sair do campo, ir para a cidade e vou estudar. Meu pai, já com seus 67 anos, e minha mãe com os seus 55, ambos analfabetos, como os demais membros da família, não entendiam minha decisão e passavam a me aconselhar para não abandoná-los. Eu entendia perfeitamente as suas preocupações, pois, para alguém nascido e criado no campo, como eles, ficaria difícil acreditar que eu pudesse me dar bem na cidade. Além do mais, eu, a esta altura, sequer tinha um registro de nascimento, mal sabia assinar meu próprio nome. Não sabia o que era um programa de TV. Muito menos entendia os mistérios da cidade e o comportamento das pessoas, uma vez que, no campo uns ajudavam os outros. -23- Com muito jeito e carinho passo a explicar-lhes que não se tratava de um abandono, mas chega uma hora em que cada um tem que seguir os seus caminhos e, que era essa a minha hora. Argumentei ainda que, mesmo à distância, eu continuaria ajudando-os. E jamais os abandonaria. Estes são meus verdadeiros heróis. -24- Estes são Dona Orminda e Sr. Benigno, meus pais. São simples, mas me alimentaram, deram-me remédio quando estava doente, me acolheram e fizeram por mim o que muitos pais de sangue não fazem pelos seus filhos. Portanto, para mim eles significam muito. Hoje eles estão velhos – ele tem 79 anos e ela tem 67, o tempo desgastou as suas forças e reconheço que cabe a mim ampará-los. Mas graças ao bom Deus tive forças para lutar e hoje posso proporcionar-lhes uma vida melhor. Assim consegui convencê-los e procurei tirar toda minha documentação. Alistei-me e, aproveitando a vinda de um daqueles irmãos, que cantavam e estavam morando em Curitiba, à nossa casa, fui para Curitiba. Chegando lá, fiquei empolgado com aquela maravilha de cidade e decidi que ficaria morando lá. Mas tive que voltar para Ji-Paraná para saber se viria servir ou não. Na seleção de pessoal usei como argumento o fato de morar na lavoura, a idade de meus pais, para não vir a Porto Velho, pois o meu desejo era ir para Curitiba, e como na época havia um continente muito grande de jovens querendo servir, fui dispensado. Porém, no dia em que fui buscar a documentação, lembro-me muito bem que estávamos no ginásio de esporte Gerivaldo José de Souza (Gerivaldão), em Ji-Paraná, em duas filas: uma do pessoal que iria servir e outra dos dispensados. Eu estava na fila dos dispensados, quando o chefe da junta militar começa a andar por esta fila, chegando a minha frente, retirou dois rapazes, ordenando que eu também saísse da fila e o acompanhássemos até a sua sala. Chegando lá conversa, e libera os outros rapazes e quanto a mim apenas diz: “você vai para Porto Velho, pois o que você procura encontrará lá”. Neste momento não tive outra ação a não ser concordar. Pois este senhor, que nunca me havia visto antes, foi mais uma das manifestações de uma força superior que me trouxe a Porto Velho. Certamente estava ele sendo guiado por Deus, cumprindo a missão que lhe coube para que assim eu viesse parar nesta cidade. Aqui cheguei em 1987. Alguns dias após a incorporação no exército brasileiro, (5º BEC) quebrei regras militares e fui diretamente ao comandante pedir que me deixasse sair do quartel para estudar. Enquanto os demais recrutas esperavam -25- que eu fosse punido, ganhei, como recompensa pela minha ousadia, um documento escrito atendendo minha solicitação. Com o mencionado documento, permitindo minha Quando a gente é incorporado no Exército Brasileiro há um período de três meses, chamado de internato, durante o qual não é permitida a saída dos recrutas do quartel. Após este período fica livre a saída, desde que não se chegue após as 22 horas sobre pena de ser punido. Daí a necessidade do referido documento autorizando a minha entrada no quartel após as 22 saída e entrada no quartel após às 22 horas, começo a dar os meus primeiros passos rumo a concretização dos meus tão esperados sonhos. Procuro o colégio Padre Moretti para me submeter às provas de primeira à quarta série. Caso fosse aprovado começaria a estudar já de quinta a oitava. Assim foi feito. Foi aprovado nas demais matérias, sendo reprovado em língua portuguesa. Procuro a direção do colégio conto minha história e imploro mais uma oportunidade a qual foi concedida e outra prova foi marcada dali a uma semana. Volto para o quartel e passo a implorar a uns e outros para me ensinarem alguma coisa de língua portuguesa. Após a aprovação na referida prova ingressei no supletivo 1º grau (5ª a 8ª). Para cumprir com o meu objetivo, ia a pé do 5º BEC ao colégio Padre Moretti (aproximadamente 8km) pois sequer tinha dinheiro para pagar o ônibus, e ainda abrindo mão do meu jantar nos dias de provas, dado a incompatibilidade de horário. Na maioria das vezes não tinha dinheiro para tomar um refrigerante. Meus pais não tinham como me ajudar financeiramente, eu tinha que fazer milagres com o salário -26- pago pelo exército brasileiro. Muitas vezes fui constrangido pelos meus colegas por não acompanhá-los nas “farras” dos finais de semana. Enquanto meus amigos curtiam as festas, o cinema e as meninas, eu aproveitava a solidão do quartel para concentrarme nos estudos. Façamos aqui, caro leitor, uma divagação. Pois quero reconhecer, mais uma vez, a presença de Deus em minha vida. Caro leitor, toda minha infância e adolescência, foi turbulenta, porém não me faltou o calor de uma família. De repente me encontrei num mundo totalmente diferente, de pessoas frias e comportamentos avessos ao que eu imaginava. A saudade de casa, de minha mãe, era muito grande, mas por outro lado estava ali o começo do sonho. Não tenho vergonha e nem medo, caro leitor, de confessar a minha fragilidade diante da solidão e da saudade. Muitas vezes, chorei naquele mundo frio, sem ser aparentemente acalentado. Meus “amigos” se é que se pode chamar de amigos estas pessoas, aproveitando destes momentos de fragilidade, tentavam “ajudar-me”, convidando- me para as festas, para as casas de prostituição. Ofereciam-me bebidas, drogas, dizendo que isto traria o alívio necessário para enfrentar os problemas. Cheguei a trabalhar com soldados recém-incorporados ao exército brasileiro, como eu, que carregava, em meio às dobras da manga de sua gandola, drogas, e, ao descuido dos presentes, delas faziam uso. Mas, caro leitor, mesmo diante destes momentos de instabilidade emocional, nunca aceitei, nem sequer experimentar aquelas fantasias. Tive medo de que o mundo fantasioso das drogas, dos vícios -27- e da prostituição fantasiassem a minha vida e me afastassem dos meus objetivos. Preferi ser taxado de quadrado, roceiro, cafona e outros adjetivos. Mas, não experimentar. Porém, hoje eu entendo que este medo na verdade era o poder de Deus que me defendia daquilo que, certamente, me teria conduzido por caminhos contrários aos que sigo hoje. Prova é, caro leitor, que alguns destes que me convidavam, tiveram fins trágicos, ou seja, foram em plena juventude assassinados. Outros, assistem ao tempo corroer as suas forças atrás das grades de um presídio. (Voltemos, caro leitor, ao raciocínio anterior) Após o término do 1º grau, parti para o segundo, dessa vez no Colégio Universitário. Tudo por minha própria conta, sem ajuda da família ou de amigos. As mensalidades do colégio, somadas às despesas com livros consumiam cerca de 80% do meu ganho. Em 1991 conclui o 2º grau e no mesmo ano prestei vestibular na Unir no curso de Direito, mas não obtive bons resultados. Mesmo assim, não desanimei. Minha força de vontade ficou ainda maior. Nos anos de 91 e 92, fiz diversos cursos profissionalizantes, mas sempre perseguindo o objetivo de chegar à faculdade. Neste mesmo período fiz cursinho no Colégio Kepler. No início de 1993, prestei novamente vestibular para o curso de Direito e novamente fui reprovado. Porém, a obstinação e a vontade de vencer fizeram com que eu passasse a estudar sozinho revendo todas as matérias. Desta forma, passei todo o ano de 1994 preso aos livros. No final do ano, mais uma vez o vestibular. Aí sim, embalado pela determinação e pela vontade de vencer, chego à faculdade. De lá para cá, tenho sofrido as maiores dificuldades que um ser humano possa imaginar, mas nunca superiores aos meus -28- sonhos, aos meus ideais, à minha esperança e acima de tudo, a fé em Deus vivo que me ilumina em cada tomada de decisão, e que mantém a chama da fé e do amor vivos em mim. Desta forma, estou no terceiro ano do curso de Direito. No campo profissional sou o mais jovem Vereador da capital, Esta foto reflete um dos piores momentos de minha vida. Eram quatro horas da tarde e eu estava saindo do exército e não tinha lugar onde pudesse passar a noite, muito menos uma profissão ou um emprego. No bolso nenhum centavo. Nesta bolsa estava o resumo dos meus bens, ou seja, algumas calças e camisas velhas. Mas no coração a certeza de que aquele momento seria passageiro e na cabeça um ideal a seguir. Como não tinha lugar para dormir, pulei o muro para dentro do quartel, onde passei a noite escondido. No dia seguinte uma pessoa que mal conhecia acolheu-me em sua casa por dois dias, tempo em que foi divulgado o resultado do concurso realizado na Polícia Militar. Aí então fui morar na academia de Polícia Militar. Saí do quartel para enfrentar a vida, na bagagem algumas roupas velhas, mas no coração muita esperança e vontade de vencer -29- COMO ME TORNEI UM POLICIAL E m fevereiro de 1988 por ocasião do término do tempo de serviço militar, novamente vivo o lado amargo da vida, que é tão doce, pois teria que deixar o quartel do exército e não tinha sequer uma profissão ou uma casa para morar. Mas havia esperança quanto ao concurso realizado na Polícia Militar. Para minha surpresa e alegria fui aprovado. Esta foto reflete um instante em que eu não sabia qual emoção era a mais forte; se a alegria, a dor ou a saudade de alguém que está distante (meus pais) ou de alguém que conheço, mas não lembro, minha mãe Maria do Carmo. Esta foto retrata o dia de minha formatura na Polícia Militar. Reflete seis meses de intenso trabalho e estudo. A entrega da boina simboliza uma batalha vencida, ou seja, a vitória. Por isso nada mais justo que para fazer a entrega seja convidado alguém que você ama muito. Geralmente a mãe, o pai, irmãos, esposa ou namorada(o). Sabendo de minha solidão – não no campo espiritual – e que iria presenciar meus amigos compartilharem suas alegrias com os seus familiares resolvi, intuitivamente, convidar uma criança para ser minha madrinha de boina, com o propósito de que ao crescer da criança, também cresceria o meu sucesso. -30- Devo ressaltar que a garotinha da foto era desconhecida para mim, apenas sua mãe era minha professora. Não tenho explicações, mas me sinto seguro diante das crianças. Talvez pela brancura e pureza do seu amor ou por perceber em seus olhos a essência da alma humana, ou talvez por não ter tido a oportunidade de ter vivido como criança, uma vez que comecei a trabalhar muito cedo. Bem, caríssimo leitor, o motivo não vem ao caso! O certo é que adoro as crianças. Escolhi uma criança como madrinha para a entrega de boina por ter a sensação que com o crescimento da criança, cresceria o meu sucesso. Desta forma, sai diretamente do Exército para a academia da Polícia Militar. Foi mais um ano de barreiras e contratempos. Tinha de conciliar os estudos militares, a profissão e o colégio já em fase final do primeiro grau. Em julho de 1988, formo-me SD PM e também termino meu primeiro grau. Logo em seguida fui destacado para a companhia de guarda onde passei dar plantões no Presídio Ênio Pinheiro, dificultando assim a continuação de meus estudos. Posteriormente, passo a trabalhar na casa do então Governador Jerônimo Santana e, em seguida, na Assembléia Legislativa, mas sempre na escala de guarda, às vezes de 24 por 24. De 1993 a 1995 fiquei a disposição de uma deputada estadual, período em que, aprendi muito sobre política. Em1995 retorno a PM. Desta vez para o CFA (Centro de Formação e Aperfeiçoamento) antigo CEFAP. Mas como, se traçado pelo destino, e mesmo já fazendo faculdade, fui destacado, por longo período, às escalas de guardas. Finalmente, em julho de 1996 fico agregado para concorrer as eleições e aí sim, mesmo contrariando alguns integrantes -31- da corporação de postos mais elevados, fui eleito. Entendo que tudo na vida tem dois lados: um negativo e outro positivo, mas, que devemos prender-nos apenas no lado positivo. Aqui, contrário a minha forma de pensar para abrir um parênteses e dizer que os quase nove anos de polícia militar foram marcados pelas inseguranças e a incerteza dado as pressões próprias da estrutura militar, onde algumas pessoas, despreparadas e de má índole, fazem de seu posto hierárquico uma arma de subserviência e opressão contra os subordinados. Durante este período silenciaram os meus ideais, mas,não conseguiram matá-los. Sofri grandes dificuldades para estudar, mas não desisti. Não narrarei todos os fatos deste período por entender que pouco adianta levantar cadáveres. Porém, um eu não posso deixar de citar. Lembro-me duma ocasião, por estar trabalhando sempre à noite e perdendo muitas aulas, fui pedir ao meu comandante direto, que era oficial, para que me ajudasse, dando-me uma oportunidade de trabalhar durante o dia, uma vez que, outros companheiros que não estudavam, estavam trabalhando só pela manhã ou pela tarde. Pensava eu que era apenas uma questão de boa vontade e bom senso. Mas obtive como resposta um “sábio” conselho: “você já é um profissional e não precisa mais de estudo; sua profissão é o suficiente para a sua sobrevivência”. Esta foi a resposta que eu obtive. Quanto ao meu pedido foi mais uma piada de mau gosto. Imagina um soldado – que na cabeça de determinados integrantes da corporação serve apenas para cumprir ordens– querer ser advogado. Diante daquela resposta jurei, confiante em minha luta, sem mágoa e sem rancor: vou estudar e concluir um curso superior, e um dia vou mostrar para esse meu comandante a minha capacidade de trabalho e a minha competência. Não aceitei as -32- insinuações, especialmente porque vinham de uma pessoa egoísta, autoritária, ignorante, que não aceita o sucesso dos seus semelhantes. Muitos como ele, sentem-se feridos no seu orgulho, principalmente, se este sucesso for alcançado por pessoas subalternas, que na concepção deles, são seres inferiores, e portanto, incapazes. O que lhes corrói o orgulho pessoal, inimigo da humildade e da eficiência, é aceitar que outros cresçam e possam ameaçar suas estruturas. Jurei! Silenciosamente vou me formar, e um dia darei como resposta o meu trabalho. Talvez em seu favor. Aqui recordo um dos bons momentos vividos na carreira militar, onde tive a oportunidade de tornar-me mergulhador, bem como desenvolver maiores habilidade para a natação. No auge de minha juventude mergulhado na vontade de vencer na vida e, também, mergulhei nas água cristalinas dos rios amazônicos. -33- O DESPERTAR POLÍTICO N a verdade, desde criança, eu sonhava com algo – na época indefinido – que me colocasse em contato com muita gente. Aos poucos fui percebendo que a política viria ao encontro desta aspiração infantil. Daí começou a surgir a idéia de ser candidato a um cargo eletivo. Então, submeto-me a um processo mental de amadurecimento da idéia, vendo os prós e os contras. E a cada dificuldade a voz que acalentava meus sonhos na adolescência e que hoje cochicha nos meus ouvidos as soluções para os problemas, mostrava-me o meio de superá-la. Até então tudo ocorria apenas em minha cabeça. No dia 05 de janeiro de 1996, decidi que iria ser candidato a Vereador e que iria ganhar as eleições. Na época meu salário mal dava pra pagar a faculdade. Não tinha padrinho político, militança em partidos que me garantissem vaga para concorrer às eleições. Não tinha um nome divulgado, muito menos experiências com eleições. Meus amigos, inicialmente, não acreditavam em mim e tentavam ajudar-me, dizendo que deveria desistir da idéia. Diziam: “Você vai concorrer com pessoas que têm um nome na sociedade, têm experiência, têm muito dinheiro pra gastar, você só vai perder seu tempo e desgastar-se”. Olhando por este lado, sob este prisma, eles tinham razão, mas poucos sabiam que eu tinha o principal: objetivo determinado, vontade, fé, crença no que me proponho. Acredito nas possibilidades infinitas do ser humano, desde que, substanciadas em um Deus vivo. -34- Assim sendo, nas madrugadas, após chegar da faculdade, pegava um folha de papel e pedia iluminação para a Divindade. Minutos depois as idéias vinham. Então colocava- as no papel e desta forma tracei um plano de trabalho, coloquei-o em prática e o resultado foi a vitória. Dizer que foi fácil é mentir para mim mesmo. Foi um dos grandes desafios de minha vida. Mas, a cada dificuldade, há uma força oculta que me fortalece para superá-la, força esta que, quando o momento exige, faz-me superar o sono, a fome e o cansaço. Durante toda a campanha, mesmo passando por grandes dificuldades, sentia-me entusiasmado com a possibilidade de vencer cada desafio. O que para muitos parecia algo inacessível, para mim se tornava uma brincadeira. Diverti-me durante toda a campanha, pois queria ganhar, é óbvio, mas não estava com tamanha ganância porque, no fundo, já tinha certeza da vitória. Além do mais, o meu objetivo primeiro é construir minha carreira sobre bases sólidas. Foi por esta razão que tomei alguns cuidados. Não mentir, não enganar, não prometer nada fora das minhas possibilidades, enfim, tenho certeza que minha carreira está assentada sobre bases concretas e pronta para edificar muitos andares, pois continuando assim, tenho certeza que em qualquer altura que estiver, vento algum vai me derrubar. O amigo leitor pode ter certeza que as minhas aspirações são ocupar cargos bem mais elevados na carreira política. Ser Deputado, Senador, Governador do Estado, porque não? Mas podem ficar certos de uma coisa, jamais irão ver-me prometendo o que não terei possibilidade de cumprir. Sou e serei franco em dizer a verdade e até em admitir os meus erros, pois entendo ser este o caminho. Pode não ser o mais curto, mais rápido, mais -35- fácil. Mas, certamente, será mais sólido, mais florido, mais frutífero. Uma vez que, para bem construir um prédio, necessário se faz solidificar as suas bases, o que não acontece de um dia para o outro. Querer soerguer-se na vida, e aqui não me refiro apenas à carreira política, mas sim, em todas as áreas das atividades humanas, usando das máscaras dos engano, aproveitando das necessidades imperantes dos seus semelhantes para tirar vantagens pessoais, é alicerçar a sua casa sobre terras podres, é viver intranqüilo por saber que, a qualquer momento esta poderá desabar e soterrá-lo. O que mais me chamou a atenção durante essa nova experiência política, foi o carinho das crianças. Jamais havia passado pela minha cabeça receber tantos abraços e sorrisos meigos e puros. Fato este, que me emocionou e ainda me emociona a cada lembrança. Entre tantos momentos marcantes, lemobro-me de um determinado dia, já no final da tarde, quando as marcas do cansaço se evidenciavam em minha face. Transitava em uma determinada rua no Bairro Marcos Freire, quando, de repente, um senhor me chamou. “Você é o Agnaldo? Não é mesmo! Então venha cá. Olha não conhecíamos você pessoalmente, porém, todos aqui de casa vão votar em você. Mas isto você deve agradecer a seu grande cabo eleitoral”. Eu fiquei meio perplexo, porém, ao adentrar na casa, fui surpreendido por um longo, puro e carinhoso abraço de uma menina, de aproximadamente 4 anos. Diante de tal fato voltei a ser menino e permitir que as lágrimas rolassem. O senhor passa a me explicar. “Toda vez que você aparece na TV essa menina corre, abraça a televisão, grita, pula ao ver você falar”. -36- Este foi um dos momentos que me marcaram muito. Naquele instante vivi um conflito entre a emoção e a dor. Emoção pelo fato em si; dor por não ter em minha carteira nem sequer uns centavos com os quais pudesse agradar a criança com um brinquedinho ou alguns bombons. Dessa forma, fui eleito vereador na primeira tentativa. -37- S PARTE AFETIVA into que poderia escrever mil coisas, porém, se não falasse, mesmo que pouco, de minha vida afetiva, esta obra ao seria completa. A busca constante no campo profissional e a conseqüente falta de tempo têm-me afastado das aventuras amorosas. Até os 18 anos vividos no campo, preso às estruturas patriarcais e, até por falta de pessoas com as quais pudesse me relacionar, vivi sem nenhum tipo de relacionamento amoroso. Vindo para a cidade fui tomado por uma série de circunstâncias que me fez isolar em meu eu interior, buscando forças para superar as dificuldades, afastando-me, assim, dos cinemas, das festas e, consequentemente, das jovens. Meus finais de semana sempre foram dedicados aos estudos. Desta forma, ao longo destes 30 anos de lutas e de vitórias, nunca tive um relacionamento amoroso mais consistente e duradouro. Mas, entendo que tudo tem a sua hora e, um dia, irei encontrar alguém disposto a enfrentar os desafios, construir comigo uma família. Alguém, com que possa, de mãos dadas, trilhar os caminhos serenos das vitórias. Até porque é, exatamente neste campo, que assenta um dos grandes sonhos de minha vida. O fato de não ter tido uma infância e uma adolescência normal no sentido familiar, deixa- me ávido de vontade de construir a minha própria família. Tenho uma imensa vontade de ter filhos. Mas carrego sobre os ombros a responsabilidade de só ter filhos no dia que tiver condições de dar a eles o que não tive e, acima de tudo, ter ao meu lado a mãe dos meus filhos e jamais deixá-los abandonados à própria sorte. -38- Parecem sonhos de adolescente, mas quero alguém – e que certamente já está em algum lugar deste universo – para nos completarmos. E, assim, unidos construirmos uma vida. Alguém que queira, como eu, alcançar o sucesso a partir dos seus próprios méritos e não alguém que só queira se dar bem na vida às custas do trabalho alheio. Alguém em que possa confiar e que também tenha confiança em mim e assim, caminharmos juntos, emocionados com o doce prazer de amar. Espero, portanto, pacientemente, pois tenho a certeza que no momento certo encontrarei minha musa inspiradora. Assim, poderei construir a família que sonho, que idealizo. -39- PARTE II Educar as crianças de hoje é educar os adultos de amanhã. Durante 1997 – primeiro ano como vereador do Município de Porto Velho – entre os vários trabalhos que realizei, consta uma campanha desenvolvida com crianças, objetivando mostrar a elas a importância de mantermos a nossa cidade limpa. Procurei fazer um trabalho diferente. Criei uma historinha em quadrinhos onde dois personagens se digladiam: um simbolizando a sujeira e outro a limpeza. Este primeiro, por nome de Meleca, chega e começa a sujar toda a cidade, destruir as paradas de ônibus, as escolas, jogar lixo nas ruas, gerando, assim, muitas doenças. O outro personagem, por nome de Zé Vassoura, mata a Meleca e passa a explicar às crianças a importância de se ter uma cidade limpa. (Cont. Parte III). -40- PASSADO Esta foto recorda os meus 17 anos. Foi neste local interior do Município de Ji- Paraná, onde vivi a minha infância. Era um lugar até bonito cercado por pequenas montanhas. Porém, a esta altura a mata virgem já havia cedido lugar para as plantações e para as pastagens. Era vaqueiro, tirava leite e amansava cavalos bravos e, se for necessário, farei tudo novamente. -41- R eferir-me aos dias transcorridos em minha vida com expressão outra que não seja aprendizado é, no mínimo, ser injusto com a mãe natureza. Não por não ter havido dificuldades. Elas existiram, e muitas. Porém, de cada momento difícil vieram novos conhecimentos, os quais hoje me proporcionam tirar conclusões positivas de situações negativas e, além do mais, aprendi que as dificuldades são as bases para as mais cristalinas vitórias. Portanto, analisar o meu passado com lágrimas copiosas seria no mínimo fraqueza de espírito. Assim sendo, aqui o faço, não sob os prismas dos lamentos, mas sim, como reflexão moderadora de minhas ações para o presente e para o futuro, até porque, as lamentações não encontram assento em meu íntimo pessoal. Elas são pequenas demais, e não dignas de ocupar os meus espaços. Ao invés de perder tempo com as dificuldades do passado, prefiro projetar vitórias para o futuro. Minha infância, apesar de turbulenta, foi alimentada pela fé. Por sonhos floridos – não pelas flores amarelas do ipê que, em contraste com outras flores da região amazônica, dão um colorido especial à selva, esconderijo dos mistérios – mas, sim pela cor viva da esperança. Em minha infância os brinquedos eletrônicos eram os macacos pulando de galho em galho nas árvores, e os desenhos animados eram o cair das folhas que, após cumprir a função de fotossíntese, desprendiam-se dos galhos e flutuavam levemente pelo ar até atingir o solo, para servir de adubo às arvorezinhas em formação. Meio branco, meio índio, eu brincava em meio aos troncos que, pela formação espontânea e desordenada, entrelaçavam-se entre si formando um verdadeiro paredão verde sem fim. As arvorezinhas pareciam conhecer a ousadia dos meus sonhos, -42- contorciam-se todas embaladas pelo vento, cada vez que as fazia de meus cavalos galopantes, nos troncos adultos, sentia-me seguro da solidão, do vento forte, do sol quente e da chuva fria. Neste devaneio eu dormia, até ser acordado pelos gritos de minha mãe, para o cumprimento das obrigações caseiras. Então corria de volta, inocentemente pelas trilhas, ao seu encontro, sem saber que a aura misteriosa da selva trabalhava em minha formação, o que hoje se evidencia através da percepção aguçada dos acontecimentos de amanhã e a forte intuição nas tomadas de decisões. Meus pais não tinham conhecimento da psicologia moderna no relacionamento pais e filhos. Por esta razão, custei a entender que me amavam, pois seus amores eram intrínsecos e eu inocente demais para perceber, custando a adaptar-me às situações. Seus ensinamentos eram duros. Seus conselhos doíam mais que a chibata trançada de couro cru que açoita o lombo dos cavalos no tanger dos bois. Suas palavras, ou até mesmo seus olhares de “rabo de olho”, faziam-me transpirar de medo e de vergonha. Talvez seja por estas razões que guardo comigo seus ensinamentos tão úteis e tão raros nos dias atuais. Pela própria circunstância, não tiveram como ensinar- me a gramática. Porém, proporcionaram-me uma lição de vida não menos importante do que aprender a ler e escrever: “ensinaram-me a ser responsável em minhas ações, trilhar sempre pelos caminhos do bem e da verdade”. Desde muito pequeno, podia quebrar tudo dentro da casa, se indagado, quanto a autoria dos acontecimentos, respondesse a verdade. – “Pai, fui eu”, (quem quebrou). Ele apenas passava as mãos em minha cabeça e dava conselhos. Eram doídos, mas eram somente conselhos. Porém, se ao contrário, mentisse e ele descobrisse depois, podia esperar os açoites da chibata. Assim foi minha formação. -43- Por outro lado, carregados de boa vontade e na certeza de estarem ensinando apenas a verdade, pregaram conceitos equivocados, frutos das lendas que lhes haviam sido passadas como verdades absolutas. Ao chegar à cidade compreendi a necessidade de adaptação e, conseqüentemente a quebra dos paradigmas, para absorver as novas realidades. Paradigmas estes, que se evidenciavam em todas as áreas. Desde noções básicas de higiene, como por exemplo, saber escovar corretamente os dentes, até as formas mais elementares de expressar-me. Lá aprendi que o correto era dizer “nós vai”, “nós foi”. Mas, quando aqui cheguei, tive de reaprender, o que me deixou inicialmente embaraçado pois, como poderia compreender de pronto a substituição daquilo que tinha como verdadeiro. Mas, aos poucos fui compreendendo e adaptando- me ao processo de transformação, até integrar-me completamente a esta nova realidade. Porém, não rato sou obrigado a retornar a realidade antiga, quando de visita aos meus pais – o que ocorre constantemente – e aos amigos que continuam residindo no lugar onde me criei, sob pena de não ser compreendido ou de ser taxado como alguém que quer se exibir. Este processo súbito de transformação, em certos momentos, deixava-me totalmente inseguro. Insegurança que se modificava cada vez que eu iria à procura de alguém que pudesse dar-me uma luz na absorção dos novos conceitos. Mas, as pessoas, nos seus afazeres e no corre corre do dia a dia, não tinham tempo para alguém que andava de chinelos havaianas, não sabia se expressar e que elas mal conhecia. Mesmo as poucas que me davam atenção, quando, no encontro com outros amigos, sentiam-se envergonhadas de me apresentar como seu amigo. Nestes momentos eu retrocedia à infância e à selva, pois -44- naquela época as árvores pareciam dar-me atenção. Os troncos eram sempre os mesmos e não mudavam de lugar e nem de comportamento. Só ficavam mais alegres, com o cair da chuva e o cantar dos pássaros. Mas, foi exatamente este entrelaçar de situações frustrantes que me fez auto descobri-me. Aprendi, a partir dos “nãos”, que as soluções para os nossos problemas não se encontram nas outras pessoas, mas sim, dentro de nós mesmos. Não adianta atribuir a culpa dos insucessos aos outros, bem como buscar as soluções dos problemas neles. A solução para os problemas que nos afligem está dentro de cada um de nós. Foi exatamente nos momentos mais difíceis de minha vida, onde sequer tinha alguém para compartilhar as alegrias das primeiras conquistas, que me voltei para mim e descobri, em um Deus vivo, a essência da vida e os meios para superar a insegurança, solucionar os problemas e ser feliz. Descobri que através da fé eu poderia vencer quaisquer barreiras, ir além dos limites impostos por aqueles que se dizem poderosos, mas, que na verdade, não sabem o que é poder por se prender apenas aos bens materiais e, muitas vezes, na ânsia de se afortunar facilmente usam sua inteligência para a prática do mal. Aprendi que Deus está dentro de cada um de nós e é só através da fé que descobrimos esta verdade. -45- PRESENTE Aqui recordo o começo de minha carreira política onde estava proferindo um discurso na tribuna da Câmara Municipal de Porto Velho. Não falo para agradar, falo o que penso e defendo com firmeza os meus pontos de vista. Porém sempre paro para ouvir os mais experientes, não por ser o Vereador mais jovem da Capital, mas sim, por entender que este é o caminho seguido por aqueles que buscam se aperfeiçoar cada vez mais. Não falo pra agradar, falo o que penso. -46- P ara falar do presente faz-se necessário retroceder ao passado para melhor projetar o futuro. O momento que vivo é fruto do trabalho e da experiência acumulada ao longo dos dias que se foram. Mas, é sobretudo, o agora, a grande oportunidade de melhor projetar este futuro. Entendo que o cargo que exerço, bem como os que certamente exercerei, serão passageiros, e ao sair deles outras pessoas assumirão o meu lugar. Desta forma, em um futuro mais distante, quando não mais existir em matéria, serei lembrado apenas pelos meus feitos. Daí, uma vez cumprindo bem a minha função, serei lembrado, como exemplo a ser seguido. Mas, se nada fizer talvez nem seja lembrado e, se for, será como exemplo a ser esquecido, evitado. Portanto, o momento atual é de reflexão e aprendizado. Frequentemente me tenho submetido a questionamentos na certeza de encontrar respostas para melhor solidificar os dias de amanhã e, consequentemente, o meu crescimento, tanto profissional como espiritual. Daí perguntar o segredo do sucesso: o que leva uns subir rapidamente e depois cair na mesma proporção, muitas vezes ficando pior que antes? Por outro lado, outros permanecem vivos em suas atividades, desenvolvendo o seu trabalho em um contínuo prosperar? Tenho me questionado sobre o comportamento daqueles que deixaram um legado de ensinamentos positivos. Ensinamentos úteis a nossa vida. Deixaram suas contribuições positivas para o engrandecimento da humanidade. O que tinham de diferente? Como se posicionavam no meio em que viviam e como tratavam os seus semelhantes? Aos poucos chego às seguintes conclusões: aquelas pessoas eram, acima de tudo, extremamente humildes. Viam, em cada pessoa, outro ser humano e não um objeto saciador de suas -47- ambições e, sobretudo, eram pessoas extremamente ligadas a um ser superior. Eu me pergunto: se tiveram sucesso agindo assim, porque não agir da mesma forma. Através de tais observações chego a conclusões que certamente servirão para lapidar as minhas ações na busca de meus ideais, pois sou um ser humano e como tal dotado de virtudes e de defeitos. Assim sendo, devo apresentar-me às pessoas como sou e jamais colocar a máscara da mentira, do engano e da ambição sem limites, o que, muitas vezes, faz o ser humano subtrair de outros o que não lhe pertence. Sei que, se assim agir, não terei sucesso, e se tiver, será passageiro. Diante disso, a minha preocupação com o presente é dar o máximo de mim para fazer o melhor em tudo que me propuser a desenvolver, ou seja, cumprir bem a minha missão, para que, no futuro, não seja castigado pelo arrependimento tardio de algo que não ficou bem feito. -48- F FUTURO alar do futuro é refletir o presente, pois são as nossas projeções mentais, ou seja, os nossos pensamentos, e as nossas ações efetivas no presente que aos poucos vão definindo o futuro. Por isso, estou bem mais preocupado com o hoje, em dar tudo de mim para fazer o melhor, o máximo, desenvolvendo as minhas ações por completo, pautando-as pela coerência na busca do ponto de equilíbrio, pois o trabalho efetivo e as ações certas deixam-me seguro quanto aos meus planos de amanhã. Dão-me a sensação de palpar, no futuro, os sonhos e o que nos separa é apenas a questão “tempo”, posto que não posso esperar o futuro para construir os meus sonhos, eles devem ser construídos hoje, agora. Entendo que cada um de nós, seres humanos, estamos aqui para cumprir uma missão e esta deve ser bem cumprida, sob pena de sermos penalizados pelo Pai maior. Portanto, o ideal, base de minha vida, é realizar, da melhor forma possível, tudo que me proponho a fazer, executar o meu trabalho, seja ele qual for, com respeito, carinho e amor. Sei que não é fácil ser certo, honesto, num país em que a cultura da desonestidade impera, sobretudo no campo político. Para tal, necessário se faz, transcender os limites do mundo físico para, no divino, encontrar forças suficientes, espírito de guerreiro, para trabalhar ardentemente, agüentar as pressões e conviver com as ameaças constantes. Mas, eu acredito, caríssimo leitor, que é possível caminhar de cabeça erguida, encarar de frente os desafios, pois aqueles que têm Deus como principal em sua vida pisam sobre espinhos e não ferem seus pés. Não tenho medo, portanto, de seguir firmemente pelos caminhos certos, pois aprendi que na matemática do sucesso: errado com errado, resulta em errado. Certo com errado se anulam. Mas, -49- certo com certo, resulta em certo. Na carreira política idealizo ocupar outras posições bem elevadas. Mas, sei que para isso, tenho que passar por posições intermediárias, onde terei a oportunidade de provar a minha capacidade para superar os desafios em buscar sempre o bem comum, ganhando, desta forma, consciência tranqüila para conquistar a confiança popular, condição essencial para quem almeja progredir na carreira política. Ocuparei tais posições por entender serem elas uma oportunidade de deixar legado de ações positivas para a sociedade em que vivi, mas não por tamanha ganância de querer o poder pelo poder. Até porque entendo que o poder dos homens é nada. E o que eles chamam de poder eu classifico como: liberdade de tirar de uns para dar a outros, ou de tirar – no caso daqueles desprovidos de princípios – de outros para si. O verdadeiro poder é não se deixar levar pelo aparente poder dos homens, mas sim, confiar no verdadeiro poder, que é o de Deus. A despeito disto traçamos aqui, caríssimo leitor, simples considerações que provam não ser o poder dos homens, verdadeiro poder. Pois, se o poder dos homens fosse real, eles evitariam tudo aquilo que não fosse de suas vontades, ou seja, eles não adoeceriam, não ficariam velho, não faleceriam (morreriam), não sentiriam dor, seus filhos não ficariam doentes, não sofreriam acidentes, não teriam problemas... Mas, pelo contrário, por mais elevado que seja o cargo que uma pessoa exerça na sociedade, ela não está livre de tudo isto. Voltando ao texto, caríssimo leitor. O futuro não me preocupa. Carrego a certeza que ele será repleto de flores. O que me preocupa são as minhas ações do presente, as quais me fazem carregar comigo a tranqüilidade de, quando já não tiver tantas forças físicas, ter a certeza que fiz o melhor. Assim espero, não -50- ser tomado pelo pressentimento de algo que ficou incompleto e o conflito interior por não mais poder voltar no tempo e refazê-lo. Tenho consciência que não farei tudo, mas farei a minha parte. Sou um pingo d’água no oceano, mas não esperarei que o oceano molhe a terra. Por onde passar, eu mesmo vou molhá-la, e nestes lugares farei germinar algo de produtivo. Quero, nos últimos anos de minha permanência aqui, ter a tranqüilidade para curtir a família que certamente construirei, esposa, filhos, netos. E, acima de tudo, ocupar o espaço de minha velhice física – pois o espírito permanecerá para sempre jovem – escrevendo as experiências acumuladas ao longo do tempo. Entendo que, de cada barreira, de cada obstáculo vencido, devemos tirar um ensinamento positivo para a nossa vida e estes ensinamentos não podem ser guardados apenas conosco, mas sim, repassados sobretudo, aos mais jovens, retransmitidos às outras pessoas. Assim espero, quando daqui me for, ser lembrado como alguém que passou e deixou algo de positivo, que contribuiu, positivamente com a sociedade de que fez parte, e não alguém que apenas viveu sem nada fazer. -51- PARTE III Investir nas crianças é acreditar no futuro Levei, pessoalmente, esta mensagem às salas de aulas onde tive a oportunidade de conversar com mais de trinta mil crianças. Fiz este trabalho por entender que trabalhar para a educação das crianças de hoje é contribuir com a sociedade do futuro. Assim sendo, tenho plena consciência de que os frutos deste trabalho podem não ser colhidos de imediato, mas certamente no amanhã e assim ficarei tranqüilo por estar dando a minha parcela de contribuição. Consciente de que não farei tudo, porém, o que não me permito é passar pela vida sem nada fazer. -52- JOVEM, ESTUDANTE, SUCESSO S into-me transbordando de alegria pela oportunidade e pela iluminação divina em poder retratar, mesmo que de forma singela, alguns conhecimentos adquiridos a partir das dificuldades enfrentadas no dia-a-dia, ao longo de minha vida. Refiro-me aos jovens, mas não apenas àqueles de pouca idade, por entender que a juventude não reside na idade do home, mas sim, em seu espírito. Desta forma não é raro presenciarmos jovens na idade, porém velhos por não terem aspirações na vida, se deixarem levar pelas dificuldades, não reunindo forças suficientes para superá-las e assim atribuindo a culpa do seu insucesso à má sorte ou à falta de oportunidade. Não adianta ter pouca idade e grande vigor físico, pois jovens sem ideais definidos, sem aspirações para a vida, são velhos a beira do túmulo, prestes a alimentarem os vermes na terra fria. Por outro lado, encontramos velhos na idade, porém crianças na busca de seus ideais, superando desafios e transpondo obstáculos com ar de superioridade na idealização de um novo amanhã. Esses são verdadeiros espíritos jovens. Não se acomodam com o que já conquistaram. Ao atingir um objetivo propõem-se imediatamente superar os seus limites, na certeza de conquistar algo ainda mais significante, e assim sucessivamente. Refiro-me aos estudantes, mas não apenas àqueles que freqüentam regularmente uma sala de aula, pois acredito sermos todos estudantes, uma vez que a vida é uma grande escola e constantemente estamos aprendendo novas lições, advindas dos desafios ou das decepções. Mas, seja qual for a sua origem, as lições de vida são o alicerce para um futuro melhor, pois é -53- através delas que aprendemos a coibir erros outrora cometidos. Basta termos a sensibilidade de percebê-los e a vontade de querer evitá-los. Quanto ao sucesso, não existem fórmulas pré-estabelecidas, você não pode comprá-lo no supermercado ou na farmácia, mas, pode adquiri-lo, a partir de sua persistência e fé. Desta forma, este texto servirá a todos que buscam a concretização dos seus ideais, que não se atêm aos maus pensamentos. Até porque estes não têm razões para ocupar espaços em nossa mente, pois, se permitirmos que isto ocorra, estamos nos auto condenando a uma vida de miséria e de lamentações. Os espaços de nossa mente foram criados para alojar os bons pensamentos, base para o desenvolvimento pessoal em todos os aspectos. Assim, o saber, seja ele advindo dos bancos escolares ou das experiências do dia-a-dia, constitui a grande chave com a qual abriremos as portas para as conquistas, para a concretização de nossas aspirações. É por esta razão que os verdadeiros sábios não sentem a necessidade de dizer que sabem. Procuram apenas se concentrar em Deus, e materializar a sua sabedoria através de suas obras, do seu trabalho voltado para o bem da humanidade. Não são, portanto, prepotentes, arrogantes ou orgulhosos. Não buscam a fortuna a todo custo, mas, são ricos por entender as leis divinas e por estarem em conformidade com elas. Pois a verdadeira essência do saber reside no fato de buscar a justiça, não a justiça imperfeita dos homens, mas sim a justiça de Deus. As conquistas não ocorrem por acaso. Não basta ser jovem, bonito e galante. Para a conquista, necessário se faz ter objetivos sérios, definidos de forma a não prejudicar a outras pessoas, sermos determinados e acima de tudo ter -54- muita fé. Partiremos agora, caríssimo leitor, para uma parte prática. Assim sendo, convido-o para alguns exercícios de imaginação. Observe este desenho! Muito bem, observou? Acompanhe comigo então. O ponto central significa uma pessoa, que pode ser eu, você, nossos amigos. Os pontos circulares significam objetivos a serem alcançados. Ou seja, o carro dos seus sonhos, a casa que você sempre quis, a profissão desejada, a mulher ou o homem idealizados... -55- Agora se imagine no centro da circunferência. Muito bem, imaginou. Olhe bem em sua volta e me responda o seguinte: É possível você chegar a todos estes pontos que o circulam ao mesmo tempo, de uma só vez? Se você respondeu não, meus parabéns! Você acaba de descobrir um dos passos para o sucesso, ou seja definir objetivos. Caríssimo leitor, fiz estas considerações para alertá-lo de que a grande maioria de nós passamos toda a nossa ju-56- ventude presos a uma série de fantasias as quais nos impedem de definirmos os nossos objetivos enquanto jovens. Deixamos que o tempo passe despercebido e só atentamos para a necessidade de tomarmos um rumo na vida, definir uma profissão, após muito tempo perdido e, sobretudo, quando começamos a sentir sobre os ombros o peso da responsabilidade. Mas, aí já perdemos tempo demais. Se por outro lado, definirmos as nossas metas enquanto jovens levamos uma grande vantagem. A possibilidade de alcançarmos o sucesso é bem maior. Digo isto, caríssimo leitor, por entender que se não sabemos quais as nossas aspirações, e o que queremos para o futuro fica difícil, senão impossível, conquistar alguma coisa. Se não sei para onde quero ir como poderei chegar a algum lugar? Quando saímos de nossa casa, trancamos o portão e colocamos os pés na rua, já temos em mente um lugar definido para irmos, ou seja, já pensamos: vou ao meu trabalho, ao supermercado, ao colégio, à casa de um amigo. Pois se, ao sairmos de casa, não soubermos para onde queremos ir, iremos ficar perdidos e não chegaremos a lugar nenhum. Portanto, o primeiro passo para o sucesso é definir um objetivo e trabalhar determinadamente para conquistá-lo. Se hoje quisermos uma coisa, amanhã outra, acabaremos por não chegar a lugar nenhum. Um pensamento negativo anula um pensamento positivo. O ser humano não pode andar se um perna for pra frente e outra para trás. É necessário que as duas se movimentem para o mesmo rumo, pois, só assim será possível a locomoção. Então, vamos, caríssimo leitor, definir entre todos os pontos um prioritário. Para tal é necessária a elaboração de um pla- -57- no a estas perguntas podem nos ajudar. O que quero da minha vida daqui a um ano? A seis meses? A dez anos? Onde quero estar? O que quero ter? Como eu sou e como quero ser? As respostas destes e outros questionamentos certamente nos conduzirão à definição dos nossos objetivos. Suponhamos que o caro leitor(a) é um estudante e acaba de definir que quer ser advogado. Pois bem. Agora volte ao centro da circunferência e visualize, apenas, o seu objetivo definido. Visualizou? O que percebe agora? Vamos! Dê mais uma olhada. Muito bem! Meus parabéns! Você notou que há uma distância entre você e o seu objetivo. -58- Mas uma vez, caríssimo leitor, lhe pergunto: Sua mãe, seu pai, seu namorado (a) esposo(a) amigos(as) professores(as) podem percorrer por você a distância que lhe separa do seu objetivo? Se a sua resposta foi não, novamente meus parabéns. Você acaba de descobrir que cabe a nós percorrer a distância que nos separa dos nossos ideais. Os outros poderão até nos ajudar, mas nem tudo poderão fazer por nós. Exemplo claro disto está nas salas de aula. Os professores nos ajudam, mas não podem aprender por nós. Isto só nós poderemos fazer. Visualize, agora, caríssimo leitor, o seu objetivo determinado: Visualizou? O que vê além da distância? Nada! Nada mesmo? Pois saiba que, entre você e o seu objetivo, existem vários pontinhos objetivando prender a sua atenção e lhe desviar dos seus ideais, outrora definidos. Que pontinhos são estes, caríssimo leitor? Muito bem! Você acertou, são os obstáculos, as barreiras. Mas o que é obstáculo para você? Fiz esta pergunta porque muitos de nós não sabemos identificar os obstáculos e os imaginamos uma coisa monstruosa. Mas não, eles são pequeninos pontos presentes em nossa vida. Não podem ser medidos. Mas, se pudéssemos medi-59- -los, e a imagem de cada obstáculo fosse do tamanho de um pedaço de giz presente em sua vida todos os dias, no final de um ano seriam 365 pedaços que já dariam uma caixa. E no final de dois anos; de dez, de trinta, de sessenta, de que tamanho não estariam estes obstáculos e quantas coisas eles já haveriam lhe impedido de conquistar. Portanto, caríssimo leitor, identificar os obstáculos é outro importante passo para o sucesso. Pois eles são inteligentes e não nos apresentam com uma faixa na testa escrito: “eu sou obstáculo”. Se fosse assim, seria fácil desviar- me deles. Mas, pelo contrário, eles se apresentam com uma roupagem nova. Florida, bonita, dando-nos a sensação de prazer e de alegria. Os obstáculos podem apresentar-se das mais variadas formas: festas, drogas, más companhias, bebidas, vícios prejudiciais à saúde, falta de interesse para os estudos, orgulho, arrogância, prepotência,... Estas ilusões podem até nos dar a sensação de prazer e alegria, mas com o passar de tempo, nos fazem perder de vista o objetivo outrora determinado. E aí a alegria e o prazer aparente se transformam em profunda tristeza e grande dor. Portanto, para chegar ao objetivo proposto, necessário se faz andar constantemente em linha reta, sem desviar para os lados, pois se ficarmos hoje aqui, amanhã ali, não chegaremosa lugar nenhum. Caríssimo leitor, tomo a liberdade para pedir-lhe que abra mão destas fantasias. Você pode até ir a uma festa, reunir com seus amigos, divertir-se. Mas, não se deixa levar. Coloque as festas em terceiro, quarto plano. Primeiro as coisas produtivas. Os seus estudos, seu trabalho, sua família, seus ideais, seus sonhos. Não se zangue! Só lhe peço isto, porque gostaria que experimentasse o inexplicável sabor das conquistas. -60- A crença é o remédio divino que cura todas as doenças, sejam elas físicas ou mentais. Derrota a preguiça, o corpo mole e nos faz sentir como seres iluminados. A crença nos proporciona luz própria e nos faz ver flores onde outros vêem campos secos e improdutivos. Acredite! Mas acredite mesmo, pois fomos feitos para as conquistas e não para as derrotas. Não permitam que as fantasias, outrora mencionadas, desviem-nos dos seus ideais e os faça sofrer mais tarde, quando as suas forças estiverem diminuídas pela ação do tempo e já não houver mais como recomeçar. Faça de sua juventude alicerce para a sua velhice. Caríssimo leitor, desculpe-me, mas estou muito cansado, tive um dia inteiro de intenso trabalho e agora já é madrugada do dia 16/05/97 – sábado. Para descansar um pouco, vou sair de mim, flutuar pela cidade e narrar o que vejo. -61- “Vejo festas, danças, corpos colados, amando-se ou se odiando; vejo bares cheios; ouço comentários “a vida não é só trabalho, ninguém é de ferro, é preciso dar um tempo pra cabeça”. Observo carros e caminhões freneticamente pelas ruas; as pessoas que vejo não parecem ser as mesmas de sexta- feira, enquanto trabalhavam. Seus comportamentos agora são outros, seus olhares brilham movidos pela sensação ilusória de prazer. Por alguns instantes, elas esqueceram de suas casas, de si próprias, de seus ideais. Esqueceram de tudo para render-se às fantasias e fugir da realidade. Agora, elas esqueceram a razão e agem pela emoção coletiva, o que as faz gastar mais do previsto. Compram algo acima do valor enquanto, a alguns metros, alguém se agarra no simples direito de respirar e existir, esperando por algumas moedas, sobra do supérfluo que lhe possa garantir o pão no dia seguinte. Enquanto isso a massa se diverte. Observo, porém, que alguns, ao deixarem o grupo indo ao encontro do seu carro para retornar a sua casa, parecem ter voltados para si e o seu dinheiro ter adquirido valores que os impeçam de desprender de algumas moedas para o miserável que não tem o que comer.” Agora flutuo no tempo e vou ao futuro. É madrugada do primeiro dia de 1998, vejo uma multidão frenética, suada, mesmo os mais tímidos pulam sem parar. Uns pulam comemorando as conquista do ano que se passou, outros não têm o que comemorar, mas pulam mesmo assim. Porém, todos acreditam em um futuro melhor. Aproximo-me mais e vejo alguém diferente. É um ser humano de pouca idade seus pés estão descalços suas vestes estão sujas e rasgadas. Com seus braços frágeis carrega em sua frente uma caixa, incompatível com o seu tamanho, cheia de doces. Perambula em meio as pernas dançantes, olha para cima e ofe-62- rece os seus doces na tentativa de ganhar alguns centavos, com os quais poderá comprar o café da manhã. Mas, as pessoas nem olham, não querem os seus doces. Então, cansado, ele se esconde em um canto. Senta no chão frio, coloca a caixa sobre as pernas, debruça sobre ela, protege os doces e dorme. Apesar de sua idade ser incompatível com a madrugada seu sono é leve, mas a sua dor é profunda. Seu choro silencioso é abafado pelos gritos de “alegria” da multidão. Alguém o acorda e ordena: vai embora moleque este não é o seu lugar. As pessoas aqui estão comprando uma cerveja pelo dobro do preço mas não compram os seus doces por alguns centavos. O garoto sai, bêbado de sono, lá fora lhe toma a caixa, comem os seus doces, debocham da sua dor e fazem-no correr. Enquanto isto a multidão, embalada pela música palpitante, se agita e tudo passa despercebido. Menos para aquele garoto que se questiona: como será meu amanhã, este novo ano, o meu futuro. Como será? Como será? Sua casa é longe e ele tem medo de ir embora, então se esconde em meio aos carros e as lágrimas rolam, mas ninguém as vê. Eu me pergunto que mundo é esse, onde estou, mas não sei definir... Volto no tempo, volto para mim, caríssimo leitor, e não me permito mais, sair daqui. Pois se assim fizer, não concluirei o meu objetivo que é repousar no papel esta mensagem. Abro mão das fantasias para que no amanhecer do dia seguinte, eu possa chegar ao ponto determinado ao anoitecer. -63- AS DIFERENÇAS F alarei a você das diferenças imperceptíveis, mas que,com o passar do tempo, causam grandes transtornos em nossa vida. Para melhor ou para pior. Tomaremos inicialmente, como exemplo o caso dos atletas que passam a maior parte de seu tempo treinando para as olimpíadas. Nas provas de atletismo ou natação, você já observou o que diferencia o primeiro do segundo ou terceiro lugar? Não são frações de segundos? Um passo a mais, uma braçada ou até mesmo o tocar de um dedo. São diferenças tão pequeninas que, às vezes, a olho nu, não percebemos quem foi o vitorioso. São diferenças mínimas. Mas são essas milimétricas diferenças que fazem uns explodirem de alegria, ostentar para o mundo inteiro uma medalha de ouro e a fama de melhor, de campeão, e outros chorarem a desilusão por ver tão próximo, em um tocar de dedos, o seu objetivo, e não alcançá-lo. Eu lhe pergunto, caríssimo leitor. Qual o mistério? O que está por trás daqueles sorrisos ou daquelas lágrimas? Caríssimo leitor, eu não vejo nenhum mistério. Vejo sim, diferenças na fé, na verdadeira dedicação. Talvez aquela diferença mínima foi conquistada com meia hora a mais de treinamento, enquanto o concorrente tomava uma cervejinha no bar da esquina. Pense nisso, pense sobre o seu dia-a-dia e suas ações na busca de seus objetivos. Vamos pensar de novo! Imagine caro leitor, você, no pleno de sua juventude, com aproximadamente 16 anos de idade. Você é estudante e está na sala. A professora está explicando concordância verbal. E você está ali apenas de corpo, sua mente está longe. Pensando no final de semana com a turma, na festa -64- com os amigos, ou na namoradinha(o). Deixa que tudo passe despercebido. Termina a aula e você não aprendeu nada. E aí você pensa: “Depois eu estudo e aprendo”. Acontece que o tempo passa muito rápido. Os anos se passaram e agora você já tem 28 anos. Está desempregado. Seu pai não lhe quer sustentar mais. Você está apaixonado(a) e quer se casar. E agora? O que fazer! Mas, para sua felicidade abre em sua cidade um concurso público, ou qualquer outra possibilidade de um bom emprego, com boas perspectivas de ganhos, ou seja, um salário que pode até definir sua vida financeiramente. Você se anima, faz as provas e ao verificar os resultados, a frustração. Pois você errou uma só questão e foi exatamente sobre concordância verbal. Seu arrependimento aumenta ao ver que o seu amigo de sala que sempre estudou direitinho, acertou todas as questões e tem o emprego garantido. Viu o resultado de uma pequena distração! Caro leitor, não permita que fatos assim ocorram com você. Seja dedicado em tudo que se propuser a fazer. Pois, a dor em dedicarmos com responsabilidade na busca de nossos objetivos é muito menor que a alegria das conquistas. Você já parou para observar o comportamento das pessoas diante das grandes conquistas? Estas ficam tão felizes que movidas pela emoção, o riso se transforma em lágrimas. Você já observou o comportamento dos jogadores, campeões no final de uma copa do mundo? Eles saem de si, se abraçam, se beijam e rolam pelo chão, a emoção é tão grande que fica incontrolável segurar as lágrimas. Mas para a conquista da vitória quanto sofrimento: dor, concentração longe de casa, da esposa, dos filhos, pressão da torcida adversária, desgaste físico, tombos, chutes, ansiedade. Mas, aquele momento é sublime, o máximo. Significa a conquista de um objetivo o que os faz esquecer o -65- sofrimento outrora passado. Assim devemos proceder. Por outro lado, devemos ter a capacidade de nos emocionarmos também com as pequenas conquistas do dia a dia. Pois, só assim, atrairemos as grandes, além de que, a partir do momento em que descobrimos o sabor da vitória, nunca mais queremos viver derrotas, pois este sabor nos faz superar a dor, o cansaço e tudo mais. Não gaste, portanto, as energias de sua juventude com bobagens, com meras fantasias que não contribuem para nada. Canalize as suas forças para as ações produtivas. Busque a paz, a harmonia, saiba viver. Não deixe lugar para o arrependimento. Pense nisso!!!!!! -66- ENGRENAGEM DA VIDA A vida é movida por uma sucessão constante de fatos onde todo final é o prenúncio para um novo começo. Os dias se sucedem de maneira que o presente está sempre substituindo o passado, ao passo que este é substituído pelo futuro. O final do domingo é a segunda-feira que acaba com a chegada de uma nova terça, nunca igual a nenhuma outra. Assim, é a nossa vida na sociedade organizada. A partir do nosso nascimento passamos a fazer parte de uma geração una, com características próprias. Gostos e anseios diferentes das demais. Desta forma, cada geração reflete uma realidade. Os jovens contemporâneos possuem um comportamento diferente do de seus pais. Seus gostos, suas aspirações e suas necessidades são próprias e como tal, muitas vezes incompreendidas pelos mais velhos. Assim, uma breve reflexão nos fez ver a necessidade cada vez mais imperante de nos organizarmos para ocupar os espaços que a nós se fazem justos na sociedade futurística. Somos a geração do próximo milênio e, como tal, caberá a nós conduzir os destinos do país. Não podemos mais admitir o conservadorismo, a subserveniência e a manipulação. Chegou a hora de impor os nossos ideais, lutar para a satisfação das nossas necessidades. A estrada está aberta, basta que caminhemos com firmeza, coragem e fé. Contudo, não podemos deixar de agradecer profundamente àqueles que nos deixaram um legado de ensinamentos positivos, o que certamente servirá de referencial para as nossas ações. Da mesma forma repudiamos, veemente, aqueles que nada fizeram. -67- Vamos! Acordem jovens! Pois caberá a nós gerenciar a sociedade do futuro. É do seio da juventude que nascerão os futuros empresários, médicos, professores ou políticos. É no meio dos jovens que florescerão os futuros Presidentes, Governadores, Senadores, Deputados, Prefeitos e Vereadores. Mas, para tal, faz-se necessário descruzar os braços e participarmos dessa luta incessante. Com estas considerações quero convidá-los a participar das discussões políticas do seu Estado e do seu Município, pois a presença do público, seja nas Câmaras Municipais, ou nas Assembléias Legislativas, certamente por si só inibirá aqueles mal intencionados da prática de atos contrários aos interesses da maioria. Acompanhe aquela pessoa em quem você acreditou; cobre do seu Vereador ou do seu Deputado, mas cobre benefícios para a coletividade. E acima de tudo, não se deixe enganar por fantasias em épocas de campanhas, não troque o seu voto por promessas mirabolantes, ou até mesmo por dinheiro. Se alguém lhe der dinheiro ou outros benefícios pessoais e instantâneos em troca de votos, deve-se, de imediato, concluir três coisas: 1) O dinheiro não é de quem está dando; 2) Foi ganho de forma muito fácil; 3) No futuro a pessoa vai recuperar tudo em dobro. -68- Analise comigo: 1) Se o dinheiro não é de quem está dando é de outra pessoa; e se é de outra pessoa, esta, certamente, quer receber em dobro, posteriormente. 2) Se foi ganho fácil, há grandes possibilidades de não ter sido honesto. Pois você mesmo sabe o quanto é difícil ganhar dinheiro, trabalhando honestamente. 3) Se a intenção é recuperar em dobro, fica aí uma advertência, pois apenas com o salário de um cargo político é impossível recupera em dobro o que muitos candidatos gastam em épocas de campanha. Pelos pontos analisados, podemos concluir que os candidatos que gastam mundos e fundos para se elegerem, se expõem a grande possibilidade de não serem honestos, e se não são honestos, não são dignos de representar o povo, onde quer que seja. Portanto, caríssimo leitor, não troque o seu voto por benefícios pessoais instantâneos. Se assim fizer, estará se submetendo ao mundo dos enganos, pois o que ora recebe será o martírio de, no mínimo, quatro anos. Além do mais, perderá o direito de cobrar da pessoa os benefícios que se fazem necessários para a sua cidade, para o seu bairro, ou para a sua rua. Pense nisso!!!!!! -69- CAMINHOS PARA O SUCESSO P ara se chegar ao verdadeiro sucesso é necessário que se levem em consideração uma série de pormenores. São pequeninos detalhes impostos pela mãe natureza e que, as vezes, na ânsia da conquista a todo custo, acabamos por esquecê-los, o que nos leva a pagar um preço muito alto, que pode ser até a angústia, a dor, de viver o fracasso após um período de aparente sucesso. Para se chegar ao verdadeiro sucesso não existem regras mágicas e nem caminhos pré-determinados a seguir. Mas, uma coisa é certa: todos nós nascemos para sermos vencedores, e acima de tudo, bem sucedidos. Dentro de cada um de nós, portanto, existe a semente de verdadeiras vitórias, basta que a cultivemos para o seu florescer e assim colhermos os seus frutos. Pena é, que a maioria desconhece esta verdade e esquece de si, para buscar o sucesso nas outras pessoas. Mero engano, pois o verdadeiro sucesso só será possível de dentro para fora e jamais de fora para dentro. O leitor há de me indagar: Mas, eu conheço um determinado fulano que nunca levantou uma palha, teve a sorte de nascer em berço de ouro e possui muito dinheiro. O caro leitor tem razão, mas o que eu quero dizer é que o verdadeiro sucesso não consiste apenas nas questões materiais. Só pelo fato de uma pessoa possuir muitos bens: casa, carro, fazendas, poder e etc., não significa que ela é realmente bem sucedida. Ela pode possuir tudo isto, mas pode ser mal amada, infeliz, viver de aparência, não viver bem consigo mesma. Uma pessoa só pode ser considerada bem sucedida quando ela agrupa aos bens materiais as virtudes espirituais e, acima de tudo, é feliz com ela mesma. Se a pessoa em questão possui -70- todos estes atributos, ela é realmente bem sucedida, caríssimo leitor! Mas, pode observar que ela nunca deixa de ser ela mesma, e o seu sucesso se faz notar bem mais pela forma de se comportar diante da riqueza e do poder, que pela própria riqueza ou pelo próprio poder. Está aí, um dos pormenores que deve ser observado por todos aqueles que almejam o verdadeiro sucesso. O mundo está cheio de imitadores, e eu e você não podemos ser mais um. Achar que as pessoas só vão gostar de nós se agirmos desta ou daquela maneira, imitando uns e outros, os galãs de novelas, procurando, os estilos das pessoas famosas – famosas porque as fazemos famosas – é sucumbir no mundo dos enganos e deixar de acreditar em si mesmo, no seu potencial, no seu eu. Procurar o estilo alheio é se auto desvalorizar como ser humano, pois não há em todo o universo duas pessoas exatamente iguais. Procurar o estilo alheio é desacreditar em si e em sua própria criatividade. Deve-se traçar o seu próprio estilo, construir o seu próprio caminho e fazer a sua própria história. Agir assim é acreditar em si mesmo. Pois, se nós não acreditarmos em nós e no que fazemos, como podemos esperar que os outros acreditem? Antes de exigirmos a crença alheia, necessário se faz que acreditemos em nós mesmos. Quando as pessoas se aproximam de nós, seja para uma amizade, seja buscando uma associação afetiva para pedir um conselho, uma orientação, contar as suas experiências... elas estão confiando em nós como realmente somos. Mas, se um dia elas descobrirem que nós vivemos imitando uns e outros, substituindo o nosso eu no engano em achar que os outros são melhores e mais inteligentes, não só estamos nos auto decepcionando, como decepcionando as pessoas que ora confiam em nós. E ao -71- descobrir que o que elas vêem não passa de aparências, ficarão tão decepcionadas que sentirão vergonha de um dia nos terem conhecido. O verdadeiro valor de uma pessoa consiste em ser ela mesma, como imitadores somos falsos e a falsificação não tem valor, é nada, e nada é nada... Portanto para conquistar o verdadeiro sucesso, necessário se faz que sejamos naturais. Não podemos colocar máscaras, pois as máscaras não duram para sempre. Um dia elas acabarão e neste dia cairá por terra a crença das pessoas em nós e, conseqüentemente, o nosso aparente sucesso. Depreendemos daí que um dos requisitos para o verdadeiro sucesso é sermos naturais apresentando-nos para as pessoas como realmente somos, com nossas virtudes e nossos defeitos. Pois se assim conquistarmos a confiança popular, poderemos andar de cabeça erguida, despreocupados e sem medo, ao contrário daqueles que escondem o que verdadeiramente são. Por outro lado, o sucesso só é realmente sucesso para aqueles que sabem conviver com ele. Se por conquistar um poderzinho deixarmos de ser o que sempre fomos, colocarmos um “rei na barriga”, e nos acharmos o dono da verdade e não ouvirmos mais ninguém, estamos construindo caminhos que nos conduzirão às covas escuras, frias e solitárias do fracasso. Pois, à medida que deixamos o poder “subir para a nossa cabeça” iremos por outro lado – como em uma gangorra – descendo para o mundo dos imbecis, dos burros, afastando- nos assim dos inteligentes e reduzindo-nos a seres prepotentes, arrogantes e envergonhados, que tropeçam em seus erros, mas, presos no seu “eu” autoritário, têm medo de pedir uma opinião, e se pedir, dificilmente acharão quem a dê. -72- Pessoas assim vivem sós e se reduzem a vulcões de iras, de ódio, e de maldade, esquecem o amor, são infelizes e sem valor. Mas, o que é pior, seus olhos são vendados pela escuridão da maldade o que lhes impede de enxergar o seu comportamento, ver os seus erros e corrigi-los. Não percebem que causam medo, no lugar da admiração e do respeito. São fracassadas e vivem no engano achando que são bem sucedidas. Concluo, portanto, caríssimo leitor, que “A humildade é o caminho seguido pelos sábios”. Pense nisso!!!!!! -73- C UMA EXPERIÊNCIA erta vez, conheci uma pessoa, era uma mulher, de meia idade, experiente, dois cursos superiores, aparência tranqüila e olhar misterioso. De repente, estávamos caminhando por uma estrada deserta, era tarde, o sol se punha e o soprar do verde (vento que emergia da floresta) refrescava as nossas faces. Estávamos calados. Percebi que a ausência de barulho lhe causava um enorme vazio, comecei a observar em seu comportamento uma intranqüilidade. Então paramos em um “quiosque”, sentamos e fomos servidos com água de coco gelada. À Medida que o sol acenava até amanhã, a sua intranqüilidade aumentava. Aí, em um ato de misticismo, tomei-lhe as suas mãos e comecei a imaginar lá no alto um lugar sereno, tranqüilo, calmo. Vi um campo azulado, sem começo e sem fim, iluminado por uma enorme luz resplandecente. Senti-me atraído para aquele lugar, por aquela luz e mesmo com os olhos abertos eu não consegui enxergar outra coisa. Mas uma vez o silêncio tomou conta de nós e com os olhos da mente comecei a ver algo diferente. Começaram a emergir daquele lugar, daquela luz algumas palavras: paz, alegria, tranqüilidade, amor, harmonia, Deus, fé... e em forma de ondas vibrantes começaram a descer e atingir a minha mente. Foram entrando pelo alto de minha cabeça, foram misturando-se em meu sangue e correndo pelas minhas veias. Outras continuaram chegando e em pouco tempo invadiram completamente o meu ser e transbordaram pelas pontas de meus dedos atingindo a mulher, que pasma, me observava. -74- Estas palavras em formas de ondas vibrantes foram aos poucos invadindo o corpo da mulher até atingir a sua mente. Em poucos instantes, seus olhos ficaram mortiços e ela começou a abrir a boca, como quem estivesse com muito sono e aí exclamou: “Parece que me deram calmante, não sei o que está acontecendo comigo, estou com sono. Estou me sentindo tão segura, calma e confiante. Que sensação estranha tomou conta do meu corpo. É uma sensação maravilhosa, mas não consigo explicar.” Fiquei sem ação e não sabia o que falar, pois na verdade não previa aquele resultado. Foi tudo repentino, impensado. Mas valeu a experiência. Aprendi de forma a não esquecer o poder dessas palavras e descobri onde buscá-las. Agora elas fazem parte de mim, do meu ser e não deixam lugar para palavras de efeitos contrários. Poderia eu, caríssimo leitor, aprofundar-me neste assunto, mas prefiro deixar para uma próxima oportunidade. No meu próximo livro, quem sabe. Até breve!!! Obrigado por ler esta obra. -75- A PARTE IV ATUALIZAÇÕES o pretender lançar a 5ª edição desta obra, faz- se necessário incluir alguns fatos ocorridos após as edições anteriores. Contudo, não se trata de detalhar todos os acontecimentos ocorridos em minha vida, apenas abordarei alguns fatos mais importantes. Tais como: eleições 1998, eleições 2000, eleições 2002, eleições 2004/2006/2008/2010 e 2012, a conclusão do curso de Direito, ingresso no magistério superior, a doença e morte de meu pai, Sr Benigno, o encontro com minhas tias e primos, o retorno ao local onde nasci, o curso de doutorado e o exercício do cargo de secretario municipal. O tempo é cruel, corrói nossas forças, faz brotar rugas em nossa pele, cair ou embranquecer os cabelos e avolumar a barriga. Todavia, nos possibilita enxergar os erros e os acertos cometidos no passado. Dessa forma, seus efeitos são compensados pela soma das experiências vividas, e assim, nos possibilita projetarmos um mundo diferente. Graças a Deus, o tempo não causou em mim todos os efeitos citados anteriormente. Porém possibilitou-me vivenciar muitas experiências, umas boas, outras não. Hoje me sinto mais preparado para as adversidades da vida, mas não há arrependimento por atos que cometi no passado, a não ser por pequenos detalhes. Assim, darei seqüência à minha história, narrando, com muita satisfação, algumas experiências vividas nos últimos anos. -76- E ELEIÇÕES 1998 m 1998, mesmo sem dinheiro para disputar eleições, num ato de pura coragem enfrentei uma campanha para Deputado Estadual. Apresentei-me ao povo do Estado de Rondônia, sem falsas promessas, sem enganação, de formas humilde, porém levei uma mensagem sadia. A falta de recursos financeiros não me permitiu fazer uma grande campanha, mas plantei uma sementinha em cada lugar deste Estado. Assim, apesar de não ter sido eleito Deputado Estadual, o fim proposto foi alcançado. Obtive votos em praticamente todos os municípios do Estado de Rondônia. -77- N ELEIÇÕES 2000 o ano de 2000, disputei a reeleição para o cargo de Vereador da cidade de Porto Velho/RO. Aquele foi um dos momentos mais difíceis dentro de minha carreira política. Na ocasião estava filiado no partido do então Governador José de Abrel Bianco. Tudo estava indo muito bem. Meu trabalho estava sendo reconhecido pela sociedade, tanto é que em janeiro daquele ano as pesquisas apontavam-me em 1º lugar para reeleição. Infelizmente ocorreu o pior. Meses antes das eleições, o Governo do Estado tomou uma medida extremamente, anti-popular, demitiu milhares de funcionários públicos Estaduais. A repercussão e o desgaste político daquela medida estenderam-se a todos os membros do partido. Sentir na pele a dor de um ato que não cometi. Mesmo assim, enfrentei uma candidatura e obtive 810 votos. Infelizmente a legenda foi muito alta e não consegui êxito. Contudo, tenho a consciência tranqüila que exerci o cargo de vereador de forma honesta. Em nenhum momento se ouviu dizer que Agnaldo Nepomuceno envolveu-se com qualquer tipo de falcatruas. Dei ao povo de minha cidade uma contribuição humilde, porém, sincera e honesta. -78- E ELEIÇÕES 2002 m 2002 não tinha nenhuma intenção de disputar as eleições. Mas, dada a insistência do partido, acabei saindo candidato a Deputado Federal. Mais uma vez fiz uma campanha extremamente humilde, não tive condição de percorrer todo o Estado. Foi uma campanha entre amigos, com pouquíssimos recursos financeiros. Porém, o resultado foi satisfatório frente aquela situação. As sementes plantadas no passado renderam frutos. Obtive o dobro dos votos obtidos em 1988. -79- ELEIÇÕES 2004/2006/2008/2010/2012 N as eleições de 2004,2006,2010 e 2012, apesar de gostar da política, não concorri a nenhum cargo. Dei total prioridade a minha carreira profissional, pois, entendo que a política não pode ser utilizada como meio de vida, isto é, para ganhar o pão de cada dia. Deve-se fazer política por gosto e utilizá-la em benefício dos que realmente necessitam. Política não é meio de vida, mas sim, uma atividade pela qual devemos prestar um serviço a sociedade. Dessa forma, busquei meu aperfeiçoamento profissional. assim, sobrevivo de meu trabalho, não dependo do exercício de cargos políticos para o meu sustento e de minha família. Continuarei fazendo política por gostar e entender que posso ser útil ao povo do Município, de meu Estado e de meu País. Entendo que, atualmente, estou melhor preparado para o exercício da atividade política. A vida me impôs muitos obstáculos, o que me fez acumular experiência que certamente serão úteis no exercício de cargo público. Assim, continuarei trabalhando e tenho certeza que minha trajetória pública será coroada de êxito. Não lamento os acontecimentos do passado, procuro utilizar o presente para construir um futuro melhor. Não me abalo. Vivo cada realidade e confio em um Deus que tudo pode. Enfrento, sem preguiça, qualquer trabalho, digno, para sustentar minha família. Em 2008, disputei as eleições para o cargo de vereador, obtendo 1184 votos, porém não foi suficiente para vitória. -80- CONCLUSÃO DO CURSO DE DIREITO E m 06 de julho de 2001, realizei um dos meus maiores sonhos. Tornei-me Bachareu em Ciências Jurídicas. Não foi fácil, mas a alegria de ver um sonho sendo realizado não tem preço. Na aula da saudade, passou pela minha cabeça um filme. Voltei ao passado e vi aquele menino trabalhando duro na agricultura e sonhando um dia ser advogado. O sonho estava se realizando. Nessa situação não contive as lágrimas. O melhor de minha festa de formatura foi ver a alegria de meus pais em dizer: “temos um filho doutor”. Os olhos deles brilhavam. Aquele momento encontra-se vivo em minha memória e o tempo não apagará. Que momento mágico estar ali com meu casal de heróis. Olha como brilhava seus olhos em me ver concluindo o curso de Direito. -81- Após a empolgação da formatura, propus que seria aprovado no exame da OAB. Assim, passei a estudar cerca de doze horas por dia e na primeira prova, saí vitorioso. Agora sim o sonho estava completo, finalmente me tornei um advogado. -82- INGRESSO NO MAGISTÉRIO SUPERIOR L ogo que concluí o curso de direito, começaram surgir os convites para ministrar aulas. Assim, enfrentei mais essa realidade e me tornei professor, inicialmente em cursinhos preparatórios para concursos, depois na universidade. No ano de 2003, pós-graduei-me em docência universitária e assim me tornei professor de nível superior. Muitas vezes, durante as aulas, passa um filme em minha cabeça. De onde vim? O que enfrentei para estar ali na frente trocando experiência com pessoas tão ilustres? Mas uma coisa é certa, Deus nos dá tudo aquilo que pedimos com fé e lutamos para conseguir. Sem o poder de Deus em minha vida, eu não teria conseguido nada. -83- A MORTE DE MEU PAI M ais uma vez as circunstâncias exigiram de mim muita firmeza. No dia da solenidade de entrega de minha carteira de advogado - OAB - meu pai faleceu. Foi difícil encarar aquela realidade. Aquele que foi à minha festa de formatura não pode ir à entrega de minha carteira profissional. Embora a morte seja o caminho natural de todos nós, ela quase sempre nos pega de surpresa. Fiz o que era possível pelo meu pai, não lhe faltou tratamento, mas sua hora chegou, não teve como evitar. Tenho saudade daquele que muito me ensinou, todavia minha consciência é tranqüila, pois fiquei ao seu lado até a hora final, inclusive realizei seu último sonho. Na noite anterior à sua morte, por volta de vinte três horas, ele, que há dias não falava mais, repentinamente voltou a falar e com a voz fraca pediu-me, “filho, ajude-me realizar meu último sonho: quero casar com sua mãe. Não me deixe morrer antes de realizar este desejo”. Eles moravam juntos há trinta e oito anos a ainda não eram casados legalmente. Não medi esforços, tomei todas as providências e por volta das quatro horas da manhã o casamento foi realizado. Lembro-me de seu sorriso na ora do sim. Foi um momento em que o sentimento de alegria e de tristeza misturam-se. Por volta das nove horas daquele mesmo dia a morte o levou. Sr. Benigno Araújo Nepomuceno nasceu no dia 05 de abril de 1918 na cidade de Teófilo Otoni - Minas Gerais e faleceu em 14 de agosto de 2001 na cidade de Porto Velho/RO. -84- ENCONTRO COM MEUS TIOS E PRIMOS C ada dia, cada experiência vivenciada, calcifica em mim a certeza de que nada, em nossa vida, acontece por acaso. Embora, muitas vezes sejamos incapazes de entender alguns enigmas. Porém, tudo que ocorre em nossa vida é fruto de um pensamento, de uma ação. Na segunda metade do ano de 2003, salvo engano mês de setembro, eu estava no Foro do Juizado Especial, localizado na Av. Amazonas na cidade de Porto Velho/RO. Por volta de 11:00 horas, eu já estava de saída, quando, ao descer as escadas, deparo-me com um senhor de aproximadamente 50 anos em desespero. A angústia vivida por aquele senhor chamou-me atenção. Parei e começamos a conversar. Ele então me explicou que seu filho estava sendo acusado da prática de um crime. Que sua audiência era dali a alguns minutos e ele não tinha dinheiro para contratar um advogado. Mesmo sem conhecer aquele senhor e seu filho, propusme a ajudá-los. Ajuda que foi prontamente aceita. Felizmente tudo correu bem e o rapaz não foi condenado. Muito agradecido o senhor solicitou-me o número de meu telefone e foi embora. Os dias se passaram, nem lembrava mais do ocorrido, quando, de repente, toca o telefone. Era aquele senhor me convidando a fazer uma visita à sua casa. Na ocasião argumentou que sua esposa estava muito agradecida pela ajuda que prestei a seu filho e que gostaria de me conhecer. Assim, combinamos o dia e a hora, e lá fui eu, sem nenhuma idéia do que iria acontecer. -85- Após horas de conversa e um café delicioso, tomei conhecimento que aquela senhora viera da cidade de Goioerê/PR, ou seja, do lugar, onde nasci. Assim, foi inevitável falar um pouco sobre minha história. Mas o melhor ainda estava para acontecer. Com empolgação, a senhora revelou-me que sua família ainda morava em Goioerê/PR e que tinha uma irmã que conhecia muita gente ligada a programas de rádio e que iria pedi-la que me ajudasse a encontrar minha família de sangue. Meses depois, recebi uma ligação da irmã da referida senhora, que emocionada me revelou: “encontrei sua família paterna. Alguns moram, ainda aqui em Goioerê/PR, outros na cidade de São Paulo/ Capital”. Após inúmeros contatos via telefone, em Dezembro de 2005 eu e minha mãe, pegamos a estrada. Fomos até a cidade de São Paulo/ Capital e Goioerê/PR. Dessa forma, conheci meus tios, tias e primos, e também aquela moça que gentilmente me ajudou a encontrá-los. Assim, pela primeira vez, encontrei alguém de minha família consangüínea. Tive a oportunidade de conhecer o local onde nasci. Saber que toda a história relatada a mim por minha mãe, D. Orminda, foi verdadeira. Foi emocionante conhecê-los. Ouvir os relatos sobre meu pai e meus avós paternos. Foi maravilhoso ter sido recebido com tanto carinho por todos eles, ver a satisfação de D. Orminda em relatar: “cuidei bem do sobrinho de vocês” São minhas tias, tios e primos por parte de pai. -86- Minhas tias relataram-me o arrependimento de meu avô e o quanto minha avó reclamava que gostaria de encontrar-me. Infelizmente faleceram antes. Meus avós paternos Foi bom ouvir os relatos sobre o meu pai. Ver sua fotografia. O quanto era querido pela família. Isso me possibilitou formular uma imagem de como ele era. É muito importante para mim esse referencial familiar, contudo os laços da convivência são insubstituíveis. Assim, nada substitui o carinho e a gratidão que tenho pela família que me adotou. Foto de meu pai ainda muito jovem -87- O RETORNO AO LOCAL ONDE NASCI A pós alguns dias em São Paulo, eu e D. Orminda, pegamos a estrada e fomos para o interior do Paraná em busca do lugar onde nasci. Foi gratificante ter o privilégio de levá-la ao local onde alguns anos atrás fez o parto de minha mãe Maria do Carmo, e ganhou-me de presente. Aquele foi um momento mágico, para mim e minha mãe D. Orminda. Vi a emoção tomar conta de seu corpo, lágrimas brotar de seus olhos e um filme passar em sua memória. Abraçamo-nos e ela me disse “filho realmente este é o lugar onde você nasceu, embora hoje tudo esteja diferente, mas na minha memória vejo cada detalhe que existia naquela época; a casinha que existia aqui, as árvores. Vejo tudo. Vejo você nascendo em meus braços, nunca imaginei que iria voltar aqui neste lugar”. A seta indica o lugar onde ficava a casa em que nasci. Ali morava minha mãe Maria do Carmo. Quando de nossa visita tudo estáva tomado pelo plantio de soja. Restam, apenas, os vestígios da residência onde vim ao mundo. Foto do lugar onde nasci -88- Após conhecer o lugar onde nasci, eu e Dona Ormida fomos a igreja onde fui batizado. Ao entrar ao interior da igreja, mais uma vez, Dona Orminda se emocionou. Na frente da referida igreja, há uma pracinha muito agradável. Ficamos ali, por um bom tempo, comendo pipocas e eu ouvindo Dona Orminda relatar detalhes do passado. Quanto à minha mãe Maria do Carmo não tenho nenhuma notícia, continuo a procurá-la e espero um dia encontrá-la. Gostaria da abraçá-la. Não tenho nenhuma mágoa em meu peito, mas sim, muito amor para oferecê-la. Esta igreja fica no centro de Goiorê/PR e nela fui batizado. -89- DOUTORADO EM BUENO AIRES N o campo dos estudos continuo progredindo. Atualmente estou cursando Doutorado em Ciências Jurídicas e Sociais pela UNIVERDAD DEL MUSEO SOCIAL ARGENTINO-UMSA, na cidade de Buenos Aires, Argentina. Uma vez concluído os módulos, terei dois anos para defender a tese de Doutorado, sendo aprovado, o que confio ser, serei realmente Doutor. E sem dúvida, uma experiência o fato de poder aprofundar nos estudos, bem como conhecer um pouco mais da cultura e da forma de viver de outra nação. O convívio com alunos de diferentes partes do Brasil e de outros países possibilita uma experiência extremamente positiva para as atividades do dia a dia. O conhecimento custa caro, seja em relação a dinheiro propriamente dito, seja na questão tempo e dedicação. Contudo, nos possibilita desenvolver ações com resultados possitivo para a população. Razão pela qual, busco a todo custo me aperfeiçoar a cada dia. -90- SECRETÁRIO MUNICIPAL JUNHO DE 2011 A DEZEMBRO DE 2012 E m junho de 2011 fui nomeado Secretario Municipal de Desenvolvimento Sócio Econômico e Turismo do Município de Porto Velho/RO, cujo cargo exercício até 31 de dezembro de 2012. Uma secretaria com múltiplas funções e um grau razoável de complexidade. Mas graças a Deus e toda a equipe que compunha a secretaria desenvolvemos satisfatoriamente todas as nossas atividades. A secretaria durante a nossa gestão atingiu com louvor a finalidade prevista em lei. Desenvolvemos vários programas, sobretudo nas áreas sociais. Tudo sem envolver em nenhum escândalo, sai com as mãos limpas, a consciência tranqüila e cabeça erguida. Foi importante exercer o cargo de Secretario Municipal em Porto Velho, pois me proporcionou maior experiência no executivo. No exercício do cargo de vereador tive experiência no legislativo, cuja função e completamente diferente. Agora sinto melhor preparado para o exercício de qualquer cargo publico que venha exercer. Todos os cargos publicos ou privados que ocupei ao logo de minha vida, exercí com dignidade, com respeito a lei e, principalmente, com respeito ao povo. Meu nome nunca foi envolvido em qualquer esquema criminoso. O que tenho é fruto do suor de meu rosto, do meu trabalho, construido ou logo do tempo, tijolo a tijolo, com sacrificio, mas com dignidade. E, assim, seguirei.Enquanto tiver neste plano material buscarei suprir minhas necessidades por meio da minha força de trabalho. -91- QUERIDA MÃE ORMINDA C omo a maioria do povo brasileiro, eu também, tenho uma vida marcada por muitas dificuldades. Filha de uma família humilde, não tive condições de freqüentar um banco de escola. Tudo que sei apreendi com a escola da vida. Aos quatorze anos, casei-me e logo vieram um casal de filhos. Eu e meu esposo trabalhávamos na agricultura, em terras dos outros, para sustentar nossos filhos. No ano de 1962, saímos do Estado de Minas Gerais em busca de uma vida melhor no Estado do Paraná, região de Goioerê. Lá, chegando, fomos trabalhar em lavoura de café. Dois anos após ter chegado no Estado do Paraná, Inesperadamente meu esposo faleceu. Assim, fiquei sozinha com meus dois filhos ainda pequenos. Enfrentei a nova realidade e continuei trabalhando no cultivo do café para sustentar meus filhos. Tempos após a morte de meu esposo, chega àquela localidade um viúvo, muito pobre de recursos financeiros, acompanhado de seis filhos pequenos. A referida família foi morar próximo à minha casa e, dessa forma, passei a ajudá-la, desempenhando o papel de mãe para aquelas crianças órfãs. Tempos depois, eu e o viúvo fomos morar juntos, constituído, assim, uma nova família, composta por oito filhos pequenos. Eu e meu segundo esposo, o Sr. Benigno, trabalhávamos de domingo a domingo no cultivo do café. O salário era muito pouco, mal dava para sustentar nossos filhos, mas não tinha outra saída. Além de trabalhar duro na roça, cuidar dos filhos, eu, ainda, era freqüentemente requisitada para desempenhar a atividade de parteira. Aos vinte e dois anos de idade herdei este dom e -92- exerci essa atividade até aos meus 69 anos. Não tenho idéia de quantas crianças nasceram em minhas mãos. No dia 21 de outubro de 1967, lembro-me como se fosse hoje, era um sábado estava chovendo e muito frio, por volta das duas horas da tarde fui chamada para fazer o parto de uma senhora que morava nas redondezas. Ao chegar a casa da ferida mulher, estranhei, pois, estava sozinha no quarto. Tomei as devidas providências e horas depois a criança nasceu. Era um lindo menino de olhos verdes como os da mãe, pesava 4 quilos e 100 gramas. Procurei as roupinhas da criança e não encontrei. Não tinha nada, nem mesmo alimentos para dar àquela mulher. Assim, rasguei um de seus vestidos e enrolei o menino para protegê-lo do frio. Logo depois, recorri aos vizinhos no sentido de arrumar alguma coisa para Maria do Carmo comer. Lembro-me do choro daquela mãe ao olhar seu filho. Lembro-me de seus comentários: “eu te amo muito meu filho, você será um grande homem, quem sabe um gerente de banco”. Eu não podia ficar ali então retornei a minha rotina. Quatro meses depois, meu enteado, chega à casa com o menino revelando que tinha adotado a criança. Eu então lhe falei “esse será meu”. Assim, tomei em meus braços Agnaldo Nepomuceno e hei de cuidá-lo enquanto vida tiver. Agnaldo, sempre foi um bom filho, muito inteligente. Desde pequeno queria saber das coisas, perguntava muito e exigia explicação para tudo que escutava. Muito corajoso, fabricava seus próprios brinquedos e gostava de brincar sozinho. Sou sua confidente. A mim ele revela, até hoje, seus sonhos. Ainda muito pequeno já despertava interesse pelos estudos e queria ser advogado e político. Lembro-me de seus pedidos para eu interceder junto a seu pai, no sentido de deixá-lo vir -93- morar na cidade. Porém, Sr. Benigno, jamais, permitiu que um filho seu saísse de casa antes dos dezoito anos. Assim, acompanhei o drama e a luta de meu filho. Muitas vezes acalentei seu choro por não ter como vir em busca de seus sonhos. Quando saiu de casa senti muita sua falta, mas sabia de seus propósitos. Assim, ao invés de lamentar, colocava-me de joelhos e orava a Deus para guiar seus caminhos. Mesmo longe, Agnaldo nunca nos abandonou. Sempre se mostrou preocupado comigo e meu velho. Na primeira oportunidade que teve nos acolheu em sua casa e nos proporcionou todo conforto que lhe era possível. Atualmente estou com 84 anos, minhas forças são poucas, porém conto com o carinho e os cuidados de meu filho. Não me deixa faltar nada, agradeço a Deus pelo filho que me deu. Nenhum dos outros que cuidei, nem mesmo meus filhos legítimos têm me amparado tanto. Hoje sou muito feliz morando na companhia de meu filho. -94- E CONCLUSÃO screver estas linhas foi mais um dos desafios enfrentados e vencidos. Muitas vezes me senti impotente diante do que queria expressar e a falta de intimidade com o jogo de palavras. Mesmo assim, não pensei em desistir, em parar, pois se assim, tivesse procedido não teria chegado à conclusão deste trabalho. Certamente se já fosse um escritor experiente e estivesse em um apartamento com vista para o mar, observando as águas se amontoarem alegres pela chegada de mais um dia, ou recebendo a brisa da madrugada, enquanto a cidade dorme, não tivesse outra preocupação a não ser a de bem escrever, teria produzido algo bem melhor. Mas, muito pelo contrário. Estas linhas foram escritas nas madrugadas, após um dia inteiro de trabalho cansativo, o que acaba acarretando um enorme desgaste mental diminuindo assim a capacidade de raciocínio em um ano em que a minha vida sofreu uma grande transformação, exigindo, de mim, exaustivas adaptações à nova realidade de um mundo, onde se “salva quem puder.” Esta é a primeira obra que produzo, fechado em meu mundo e longe dos experientes. Mas, valeu, uma vez que para escrever a próxima, já vou contar com alguma experiência advinda com a prática. Contudo dei tudo de mim para fazer o melhor e, assim, este livro me retrata, pois as palavras aqui colocadas podem não ser elegantes, mas são verdadeiras. Escrevi o que sinto e o que penso. Não tenho medo e nem preocupações em contar a minha vida. Teria sim, se estivesse mentindo. Críticas! Se as tiver, usá-las-ei para o aperfeiçoamento. Portanto, ao concluir este trabalho agradeço a Deus por -95- mais esta oportunidade em minha vida, e agradeço a você pela honra em tê-lo como leitor destas linhas que são simples, porém, verdadeiras, refletindo, assim, o meu eu, a minha vida. Até o próximo trabalho se o bom Deus assim permitir. Um grande abraço. As atualizações que hora faço não esgota o assunto. Apenas abordei alguns tópicos que considerei marcantes em minha vida. Outros acontecimentos poderiam ser narrados. Mas, se assim fosse feito, não se trataria de atualizações e sim de outro livro. No cenário político, por exemplo, tive experiências boas e experiências péssimas. Conheci pessoas que são verdadeiras amigas e apoiadores de meus projetos. Conheci pessoas negativas, invejosas que trabalharam muito para a minha derrota. Assim é a vida, o tempo passa, as forças diminuem mas as experiências aumentam. Sinto que estou vivendo um excelente momento em todos os sentidos e que, ainda, terei muita história para contar. Espero em Deus muita força e caminhos mais livres para seguir. Contato com Agnaldo Nepomuceno: E-mail: [email protected] Site: www.agnaldonepomuceno.com.br Facebook:[email protected] -96-