OS SABERES DO PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA
KOGUT, Maria Cristina – PUCPR
[email protected]
SILVA, Elisclaudia Oliveira da – PUCPR
[email protected]
Eixo Temático: Didática: Teorias, Metodologias e Práticas
Agência Financiadora: Não contou com financiamento
Resumo
A prática profissional passa por diversas modificações e por causa disso os professores devem
estar em constante aperfeiçoamento dos seus saberes e eles dependem tanto da formação
profissional quanto das experiências profissionais e pessoais. A construção dos saberes dos
professores é um objeto importante dentro dos estudos no âmbito das ciências da educação,
pois busca identificar os conhecimentos e habilidades profissionais que demarcam com
especificidade o ofício docente, uma vez que os saberes estão relacionados com os
conhecimentos, o saber-fazer, com as competências e as habilidades que mobilizam os
professores tanto dentro de sala de aula como nas escolas. Para melhor compreender esse
fenômeno, o presente estudo busca responder ao questionamento: Quais os saberes do
professor de Educação Física Escolar para atuar em escolas de 5ª a 8ª série e Ensino Médio?
Para esse estudo optou-se por desenvolver uma pesquisa de caráter descritiva de forma
qualitativa e quantitativa. A análise dos resultados foi feita a partir de questionários
respondidos pelos professores. O estudo no permitiu concluir os professores ficam num
campo muito pequeno de saberes pertinentes sobre a educação física, ou seja, desenvolvem
somente os esportes tradicionais (vôlei, futebol, handebol etc.). A educação física tem muitos
outros saberes que são necessários como: a dança, os esportes alternativos, a ginásticas, as
lutas dentro das suas mais variadas doutrinas, a qualidade de vida, a fisiologia do exercício, o
desenvolvimento motor, cognitivo, afetivo, psicológico e social entre tantas outras. Todos
esses saberes tem a mesma importância dentro da escola e da educação física, pois somente
quando o trabalho docente for desenvolvido de uma forma ampla se atingirá o objetivo maior
que é desenvolver o aluno integralmente.
Palavras – chave: Saberes Docentes; Prática Pedagógica; Organização de Aulas.
Introdução
A sociedade está em constante transformação. Estamos inseridos em um sistema
dinâmico e contraditório que precisa ser compreendido como um processo em mudança e em
desenvolvimento.
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O atual mercado de trabalho exige profissionais capacitados. Por isso, as escolas estão
sendo o principal meio de transição para que as pessoas se integrem no mercado de trabalho e
para ter condições de viver como cidadãos em uma sociedade civilizada.
Nesta sociedade surge à obrigação de uma visão ampliada e global, de um saber mútuo
a respeito da civilização, sua teia de relações, instituições e suas funções. Exige-se a
superação do linear, do fragmento, do unilateral, do ponto do melhor e do mais forte do
educando... No entanto, nesses novos tempos é preciso reconhecer a necessidade de busca de
reconceitualização da escola, de sua função, do papel dos professores e de seus saberes
perante a sociedade e de seu fazer específico. Mas a construção de um novo conceito, na
relação com o já existente, é possível num ambiente livre na inibição de colocar-se em
igualdade de condições, sendo que será mais propício se ocorrer em um ambiente
democrático, lugar do divergente, da diversidade, da explicitação interativa das vontades
coletivas.
A escola tem como objetivo levar o educando ao encontro dos conhecimentos e
informações, estimulando as inteligências mentais, ou seja, os saberes lingüísticos, histórico,
matemático, geográfico, o artístico; as físico-corporais e as afetivo-sociais. Com isso esperase que a capacidade de pensar e agir seja construída, levando em conta que não há limites para
o conhecimento, pois ele é a base do desenvolvimento do homem e de sua relação com o
cotidiano em que vive.
Dentre os saberes a linguagem corporal é uma das que tem sido mais requisitada, pois
o ser humano usa de todas as expressões corporais para se comunicar nos vários ambientes
em que vive. Com isso a Educação Física que trabalha com os movimentos nas suas mais
diversas expressões torna-se importante no processo educacional das crianças, jovens, adultos
e idosos.
A Educação Física é uma disciplina que trabalha praticamente com todos os aspectos
do individuo. Como o próprio nome já diz Educação do Corpo, que pode ser definida como
um processo de desenvolvimento das capacidades motoras, envolvendo a formação de
qualidades humanas, físicas, morais, intelectuais, estéticas. Tendo em vista que, a meta do
professor de Educação Física é dar uma orientação da atividade humana relacionado com o
meio social em um determinado contexto, ela deve proporcionar experiências que estimulem e
propiciem o desenvolvimento harmonioso do indivíduo. A disciplina trabalha com dois
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sujeitos, o professor e o aluno. O professor só vai conseguir atingir os objetivos da disciplina
se tiver uma grande gama de saberes que são necessários para essa disciplina.
Esse projeto visou levantar quais são os saberes necessários para o professor de
Educação Física atuar no Ensino Fundamental, sendo de 5ª a 8ª séries e no Ensino Médio,
buscando questioná-los sobre os seus domínios quanto aos saberes da Educação Física.
Saberes
A palavra saberes vem do latim sapere. Na língua portuguesa ela é o plural masculino
do verbo saber, seu significado está relacionado com a compreensão dos conhecimentos; com
a sabedoria; erudição; sensatez; ser perito e prático em certos assuntos; ter capacidade,
conhecimentos, recursos para conseguir compreender e conseguir explicar (FERREIRA,
2004).
Os questionamentos que giram em torno sobre o entendimento do que é o saber, são
levantados por Tardif (2005), sendo que, a maioria das expressões utilizadas é: “o saber dos
professores”; “os saberes dos professores”, “o saber ensinar” e “o saber docente”. Com isso o
autor levanta a seguinte reflexão: ”os profissionais do ensino desenvolvem e/ou produzem
realmente “saberes” oriundos de sua prática? O que se deve considerar como saber: suas
representações mentais, suas opiniões, suas percepções, suas razões de agir ou outros
elementos de seu discurso? O que se deve observar, exatamente?” (p. 184-185).
Segundo Tardif (2005), o saber dos professores depende e fica intitulada em duas
condições, uma é a condições concretas na quais o trabalho deles se realiza, e por outro lado é
com relação às experiências profissionais adquiridas e a personalidade dos próprios
professores. O autor ainda coloca que os saberes são definidos no âmbito da cultura da
modernidade em três maneiras: a subjetividade que “considera que saber alguma coisa é
possuir uma certeza subjetiva racional (p.194)”; o julgamento destaca que pode chamar de
saber o “juízo verdadeiro, isto é, o discurso que afirma com razão alguma coisa a respeito de
alguma coisa (p.195)”; e a argumentação chama-se de saber “toda a atividade discursiva que
consiste em tentar validar, por meio de argumentos e de operações discursivas (lógicas,
retóricas, dialéticas, empíricas, etc.) e lingüísticas, uma proposição ou uma ação (p.196)”.
As três definições anteriores são de uma maneira geral consideradas como o “lugar do
saber”, isso porque o saber é construído através da coletividade, procedente de discussões, de
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trocas discursivas entre os indivíduos, e pelo fato de associarem a natureza do saber a
exigência da racionalidade, fazendo com que gera decorrências intelectuais que são
fundamentais para a compreensão dos saberes docentes.
Os saberes docentes foram entendidos como algo plural, constituído em âmbito sóciocultural que pode ir se modificando com o tempo (BOURDIEU, 1980, apud TARDIF, 2005).
No entanto, os saberes podem ser compreendidos como uma designação mais ampla que
abrange os diferentes tipos de conhecimentos, sendo que estes incluem as informações,
crenças, concepções prévias e habilidades.
Para Tardif (2005), a relação dos docentes com os saberes não é restrita a uma função
de transmissão de conhecimentos já constituídos. Ele explica que a prática docente integra
diferentes saberes e que mantém diferentes relações com eles. Define o saber docente "[...]
como um saber plural, formado pelo amálgama, mais ou menos coerente, de saberes oriundos
da formação profissional e de saberes disciplinares, curriculares e experienciais" (TARDIF,
2005 p. 36).
Segundo Beillerot (1995 apud PERRENOUD 2001) o “saber é aquilo que, para um
determinado sujeito, é adquirido, construído, elaborado através de estudo ou da experiência
(p.28)”. Para Perrenoud (2001) o saber se situa entre dois pólos, ou seja, o saber é adquirido
ou construído através da interação entre o conhecimento e a informação, entre o sujeito e o
ambiente, sendo através dela ou como mediador.
A educação escolarizada é considerada como uma lente de complexidade, e pensar
nessa “complexidade é perceber que qualquer saber é dinâmico e está situado num contexto,
integrado em um conjunto de saberes, e é uma aptidão fundamental da mente humana”
(PALMA; OLIVEIRA; PALMA, 2008, p. 1).
Classificação Tipológica dos Saberes
A classificação tipológica dos saberes tem suas particularidades para os autores que
tratam desse assunto. Essas particularidades, ou seja, diferenças estão intituladas de acordo
com a visão que cada um tem com relação ao ponto de vista de suas pesquisas.
Para Tardif (2005) sua particularidade é o reconhecimento da pluralidade e
heterogeneidade do saber, dando ênfase ao saberes experimentais, sendo que, na visão do
autor esse é um saber importantíssimo, pois esse saber não é igual aos outros, e sim ao
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contrário, formados por todos os demais, sendo que eles são retraduzidos e submetidos às
certezas na prática e na experiência.
Segundo Palma, Oliveira e Palma (2008) os currículos são compostos por saberes,
sendo eles, o saber escolar que é composto pelas disciplinas escolares que compõe o currículo
e o saberes disciplinares que são os conteúdos específicos de uma determinada matéria
escolar.
Os saberes segundo Gauthier (1998, apud ALMEIDA; BIAJONE, 2007) tem a
seguinte classificação: Saber Disciplinar refere-se ao conhecimento do conteúdo a ser
ensinado; Saber Curricular, relativo à transformação da disciplina em programa de ensino;
tem o Saber da Educação, que está relacionado ao saber profissional específico que não está
diretamente relacionado com a ação pedagógica; Saber da tradição Pedagógica, refere-se ao
saber de dar aulas que será adaptado e modificado pelo saber experiencial, sendo assim
podendo ser validado pelo saber da ação pedagógica; Saber experiência, referente aos
julgamentos privados responsáveis pela elaboração, ao longo do tempo, de uma legalidade
particular; ação pedagógica, respectivo ao saber experiencial tornado público e testado.
Os saberes da formação profissional (das ciências da educação e da ideologia
pedagógica), compreendido como o conjunto de saberes transmitidos pelas instituições de
formação de professores, além do mais, proporciona um caráter clássico e científico se
apresentando por doutrinas e concepções ocorridas através de reflexões sobre a prática
pedagógica (TARDIF, 2002 apud ALMEIDA; BIAJONE, 2007).
Ainda existem os saberes disciplinares que correspondem aos diversos campos de
conhecimentos, ou seja, se encontram divididos em forma de disciplinas no interior dos
cursos de graduação (TARDIF, 2002 apud ALMEIDA; BIAJONE, 2007). “Os saberes das
disciplinas emergem da tradição cultural e dos grupos sociais produtores de saberes
(TARDIF, 2005 p. 38)”.
E por fim os saberes experienciais, que são aqueles saberes que brotam da experiência
e são por ela validados, incorporando a experiência individual e coletiva sob a forma de
habitus e de habilidades, de saber-fazer e de saber-ser (TARDIF, 2005). A experiência não é
somente construída pelo tempo de trabalho, mas desde o processo de formação docente, sendo
que, isso vai depender do seu nível de exigência, e as mesmas são a busca por cursos de
especialização, ou seja, uma pós-graduação e por cursos de curta duração (ROMANOWSKI;
WACHOWICZ; MARTINS, 2005).
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As múltiplas articulações entre a prática docente e os saberes fazem dos professores
um grupo social e profissional, sendo que, para existir precisa dominar, mobilizar e integrar
tais saberes, o que é condição para a prática.
Para Perrenoud (1996) ao analisarmos os recursos cognitivos de uma pessoa que
desenvolve uma ação apenas em termos de saberes e conhecimentos, é necessário enfrentar o
problema das competências que englobam os saberes, mas não se reduzirem a eles.
“Competências são capacidades de ação, que mobilizam saberes para ação, estabelecendo
relações com os saberes teóricos, que são críticas pragmáticas até mesmo oportunistas”
(PERRENOUD, 1996 p.135).
Ainda Perrenoud (1996) discute as várias facetas do problema, sendo a relação entre
os saberes sábios e científicos, saberem científicos e saberes de experiências, proporcionando
mostra que eles não são opostos, mas si que o saber científico pesquisa e busca objetos na
experiência.
Além desses saberes, podemos vinculá-los aos geral eles contemplam a integridade do
ser e proporcionam os quatro níveis de aprendizagem: “aprender a conhecer, isto é, adquirir
os instrumentos da compreensão; aprender a fazer, para poder agir sobre o meio envolvente;
aprender a viver juntos, a fim de participar e cooperar com os outros em todas as atividades
humanas; finalmente aprender a ser, via essencial que intera as três precedentes. È claro que
estas quatro vias do saber constituem apenas uma, dado que existem entre elas múltiplos
pontos de contato, de relacionamento e de permuta” (DELORS, 2000, p.90).
Com isso, os saberes além de serem vinculados uns aos outros eles tem sua origem na
vida cultural, profissional e social, englobando as experiências com a formação docente por
meio dos currículos, das disciplinas e da prática pedagógica.
Conceitualização da Educação Física
Entre os estudiosos que buscou definir a Educação Física está Freire (1989) que
contribui com dizendo que ela não é apenas educação do ou pelo movimento: é a educação de
corpo inteiro, entendendo-se, por isso, uma relação do corpo com os outros corpos e objetos
do espaço. Isso faz com a educação física não seja vista mais de forma fragmentada, mas sim
de uma forma global, fazendo com os alunos possam compreender suas ações, levando a uma
discussão critica do que aceitam ou discordam. Isso faz com que, tenha uma re-significação
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dos conhecimentos proporcionando a ampliação da sua cultura corporal e social de uma forma
significativa.
Segundo Darido (2005) a educação física é uma prática pedagógica que trata da
Cultural Corporal do Movimento, fazendo com que ocorra a introdução e integração do aluno
na cultura corporal.
A concepção da educação física presente nos Parâmetros Curriculares Nacionais
(PCN´s) é entendida como:
uma disciplina que introduz e integra o aluno na cultura corporal do movimento,
formando o cidadão que vai produzi-la, reproduzi-la e transformá-la,
instrumentalizando-o para usufruir dos jogos, dos esportes, das danças, das lutas e das
ginásticas em benefício do exercício crítico e da melhora da qualidade de vida
(BRASIL, 1998 p. 29).
A partir da Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996 da Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional (LDBEN) aborda-se que a educação física atual deve defender uma
proposta metodológica baseada na reflexiva que favorece a promoção da autonomia,
perspectivando o desenvolvimento integral do ser, o exercício da cidadania e seu preparo para
a vida (SCARPATO et al, 2007).
A educação física está atrelada a concepção de atividades (execução de atividades
motoras), onde os privilégios são as necessidades de ordem biológicas dos alunos, à aptidão
física e ao controle de energia, mas também as de ordem neurocomportamental, referente à
aquisição de habilidades motoras e de controle de informação (GALLARDO, 1997;
CASTELLANI FILHO, 1998 apud SCARPATO et al, 2007).
O grande desafio da educação física é propiciar ao educando o conhecimento do seu
corpo, para poder usá-lo como instrumento de expressão e satisfação, sendo que, deve-se
respeitar as suas experiências e suas capacidade para dar-lhes condições de criar novas formas
de movimento (GONÇALVES; PINTO; TEUBER, 1998). Na escola a sua função é
desenvolver o aluno integralmente, isso significa o desenvolvimento motor, cognitivo,
afetivo, psicológico e social, sendo que, o trabalho não é feito isoladamente. Através dos
esportes ela proporciona entre os alunos a cooperação e a sociabilização, conscientizando-os
da importância da coletividade ou do espírito em grupo dentro de algumas modalidades, e
principalmente para o convívio em sociedade.
Então a educação física deve dar oportunidades a todos os alunos para possam
desenvolver as suas potencialidades, de uma forma democrática e não-seletiva, oportunizando
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o aprimoramento como seres humanos, e fazendo com que dentro da cultura corporal haja
uma associação entre o saber movimenta-se, o sentir o movimento e o saber sobre esse
movimento, para formá-lo um cidadão capaz de produzir, reproduzir e transformar esse
movimento como instrumento para usufruir dos esportes, danças, ginásticas, lutas e jogos em
benefício individual e comunitário
Os objetivos da educação física enfatizam inserir o aluno na cultura corporal do
movimento, sendo que, só há princípio da inclusão e não da exclusão. Para os PCNs (1998
apud DARIDO, 2005) o ensino fortalece a construção de uma educação básica para todos,
pois, o eixo principal é o princípio da inclusão.
Na educação física, o aluno ser autônomo com relação à cultura corporal é: ”ter
condições de manter um programa de atividade física regular, apreciar um jogo, posicionar-se
criticamente perante o uso de anabolizantes, da violência e outros, sem o auxilio de
especialista” (DARIDO, 2005, p. 40).
Darido (2005) ressalta que durante as aulas a autonomia pode ser estimulada quando o
professor da a possibilidade dos alunos escolherem os times, de formarem grupos,
participarem de uma construção e adequação de materiais e da elaboração e modificação das
regras de algum jogo ou atividade.
No entanto, para promover a autonomia durante as aulas o professor deverá ter que
tornar as suas aluas diferenciadas tanto com relação aos conteúdos como pela metodologia
utilizada.
Os PCN´s (1998, p. 47) da Educação Física pontuam os seguintes objetivos:
a)
Participar de atividades corporais, estabelecendo relações equilibradas e
construtivas com os outros, reconhecendo e respeitando características físicas e de
desempenho se si próprio e dos outros, sem discriminar por características pessoais,
físicas, sexuais ou sociais.
b)
Adotar atitudes de respeito mútuo, dignidade e solidariedade em situações
lúdicas e esportivas, repudiando qualquer espécie de violência; conhecer, valorizar,
respeitar e desfrutar da pluralidade de manifestações de cultura corporal no Brasil e
no mundo, percebendo-as como recurso valioso para a integração entre pessoas de
diferentes grupos sociais.
c)
Reconhecer-se como elemento integrante do ambiente, adotando hábitos
saudáveis de higiene, alimentação, atividades corporais; solucionar problemas de
ordem corporal em diferentes contextos, regulando e dosando o esforço em nível
compatível com as possibilidades.
d)
Conhecer a diversidade padrões de saúde, beleza e estética corporal que
existem nos diferentes grupos sociais.
e)
Conhecer, organizar e interferir no espaço de forma autônoma, bem como
reivindicar locais adequados para promover atividades corporais e de lazer,
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reconhecendo-as como uma necessidade básica do ser humano e um direito do
cidadão.
Sendo assim, os conteúdos formam a base objetiva da instrução-conhecimento
sistematizada e são viabilizados pelos métodos de transmissão e assimilação (DARIDO, 2005,
p. 65). Então quando mencionamos os conteúdos logo englobamos conceitos, idéias, fatos,
processos, princípios, regras, habilidades cognoscitivas, valores convicções e atitudes
(DARIDO, 2005).
Para Coll (2000 apud DARIDO, 2005) ao elaborarmos os conteúdos devemos levar
em consideração as seguintes questões: “o que se deve saber?”, “o que se deve saber fazer?” e
“como se deve ser?”, com a finalidade de alcançar os objetivos educacionais.
Dentro dessas questões Darido (2005) apresenta três dimensões relacionando com
Coll: a dimensão conceitual que é o que se deve saber; a dimensão procedimental que é o que
se deve fazer; e a dimensão atitudinal que é como se deve ser.
Os conteúdos da educação Física para o Ensino Fundamental estabelecidos pelo PCNs
(1998) propõem uma organização em três blocos:
a) “Esportes, jogos, lutas e ginásticas”.
b) “Atividades rítmicas e expressivas”
c) “Conhecimento sobre o corpo.”
Dessa forma, os conteúdos propostos possibilitam a efetivação da cultura corporal
produzida historicamente, ou seja, a sistematização escolar do jogo, a dança, a ginástica e a
luta na escola, os quais correspondem à manifestação dessa construção histórica da
humanidade.
Nessa perspectiva, a Educação Física prioriza todas as dimensões envolvidas em cada
prática corporal.
Metodologia
Para esse estudo optou-se por desenvolver uma pesquisa de caráter descritiva de forma
qualitativa e quantitativa. Para Thomas e Nelson (2002, p. 34) “a pesquisa descritiva está
relacionada com o status”, sendo que, a técnica mais preponderante é o questionário. Segundo
Andrade (1999) no estudo descritivo os fatos são observados, registrados, analisados,
classificados e interpretados sem a interferência do pesquisador, e uma de suas características
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é a técnica padronizada para a coleta de dados que é realizada através da aplicação de
questionários ou da observação sistemática.
A realização da coleta de dados foi feita através de questionários, somente para os
professores, composto de questões abertas e fechadas, formatado a partir do problema e
objetivos do estudo.
A população do estudo foi composta por professores de Educação Física do Ensino
Fundamental e Médio da rede Estadual de Ensino de Curitiba, localizadas no Núcleo Regional
de Educação (NRE) do Bairro Novo, sendo que, o total de professores nesse NRE é de 97
professores de Educação Física. Sendo que, a amostra foi composta por 19 professores de
Educação Física do NRE do Bairro Novo, sendo que, eles foram sorteados aleatoriamente por
escolas.
Resultados
Após recolher os questionários foi verificado que somente 42% dos questionários
foram respondidos. Os 58% que faltaram foi visto que muito dos professores se recusaram em
responder e entregaram os questionários em branco. Ao analisar os oitos questionários
recolhidos pudemos constatar que todos os professores tem graduação em Licenciatura, cinco
professores possuem Especialização, abrangendo as seguintes áreas: Educação Física Escolar
e Atividade Física Adaptada; Metodologia do Ensino Superior; Ciência do Movimento
Humano; Magistério de 1º e 2º graus; e Ensino e Aprendizagem de 1º e 2º graus.
Na primeira questão foi solicitado aos professores opinassem sobre o conceito de
Educação Física e dentro da escola de hoje quais seriam seus objetivos. De um modo geral,
todos responderam que a Educação Física é uma disciplina que está ligada à cultura corporal,
ao movimento do corpo, a atividade física, sendo que, a integração desses elementos leva a
um desenvolvimento do social, cognitivo e motor proporcionando uma melhora na qualidade
de vida dos alunos. Podemos perceber que o grupo tem uma perspectiva atual sobre a
Educação Física. Exemplo pode ser percebido na resposta dada pelo professor nº 7:
“A Educação é um componente importante na construção da cidadania, formando o
cidadão para usufruir dos jogos, lutas, dança, esportes e ginásticas para a melhora da
qualidade de vida”.
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Na mesma questão foi solicitado que associassem o conceito com o(s) objetivo(s) da
Educação Física na escola. Os professores relataram que seus objetivos em geral são:
sociabilização entre os alunos; a formação corporal, psicológica, social e intelectual;
proporcionar e incentivar a participação de todos na prática corporal de forma democrática e
não seletiva; proporcionar a melhora na qualidade de vida; e incentivar o conhecimento sobre
as regras básicas. Pode-se afirmar que esse grupo de profissionais percebe a contribuição da
Educação Física para os alunos. Destacamos a posição assumida por um dos respondentes que
demonstra bem essa característica:
“É a integração do aluno na disciplina onde possa produzi-la, transformá-la em
beneficio do exercício crítico da cidadania e da melhora da qualidade de vida”
(professor nº 1).
Ao contrário do que foi enfatizado pela maioria dos professores, um deles colocou a
seguinte resposta:
“O objetivo principal nas minhas aulas é fazer com que o aluno desenvolva a
atividade e não fique parado” (Professor 6).
A posição assumida pelo grupo de participantes está de acordo com o que os
estudiosos tem defendido. Podemos destacar Darido (2005, p.47) que ressalta os objetivos da
Educação Física na escola:
Democratizar o acesso às suas vivências para todos os alunos, possibilitar aos
alunos autonomia em relação a compreensão e a prática de atividades físicas, tornálo crítico para que saiba utilizá-la como componente importante em sua vida,
enquanto saúde e lazer.
A questão posterior buscou questionar o professor de educação física em relação ao
seu entendimento, as finalidades e a organização de vários itens como: planejamento, escolha
de conteúdos, distribuição das aulas teóricas e práticas, organização das aulas e
acompanhamento dos resultados obtidos durante as suas aulas de educação física.
O primeiro item questionado foi com relação ao planejamento escolar. Para a maioria
dos professores, o planejamento é uma organização metodológica com o objetivo de facilitar
o trabalho docente, porém essas ações não são fixas, elas devem ser adequadas com a
realidade sócio-econômica dos alunos. É interessante destacar as seguintes opiniões dos
professores:
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“é uma das etapas do projeto pedagógico. É uma etapa que as metas são articuladas
à estratégia e ambas ajustadas às possibilidades reais. Tenho sempre um
planejamento flexível e aberto” (Professor 7).
“é necessário ter e seguir um planejamento para que nossos alunos tenham uma
consciência crítica e abrangente sobre a importância da educação física na escola”
(Professor 8).
O ato de planejar está presente em nossas vidas e inserido no nosso cotidiano. E como
professores temos que compreender que, ao mesmo tempo em que pensamos, planejamos e
prevemos as nossas ações no dia-a-dia, também devemos pensar no que vamos ensinar e quais
métodos vamos utilizar para ensinar, sendo que, esses conteúdos devem estar de acordo com o
projeto político pedagógico da escola.
O item posterior ao do planejamento interrogava os professores sobre as suas escolhas
de conteúdos. Para todos exceto um professor, a escolha dos conteúdos deve ser feita de
acordo com a faixa etária, série e contexto social em que o aluno ou a turma estão inseridos,
buscando também integrar os conteúdos com a realidade da escola e com temas atuais da
sociedade. Enfatizando o que os professores responderam nesse item, Scarpato et al (2007)
afirma que os conteúdos precisam ser significativos, relacionado-os à realidade e ao interesse
dos alunos, no entanto, levando em consideração a realidade da comunidade escolar, sem
descartar o momento histórico que estão vivendo.
Além de organizar os conteúdos anteriormente discutidos, dois professores levaram
em consideração em suas escolhas os eixos norteadores da educação física:
“escolho os conteúdos dentro dos eixos norteadores: esporte, jogos, ginástica e a
dança” (Professor 7).
OS PCN´s colocam a ginástica, a luta, o esporte e os jogos inseridos dentro de uma
divisão em três blocos, sendo que os demais englobam o conhecimento sobre o corpo e
atividade rítmicas e expressivas (BRASIL, 1998). Darido (2005) afirma que além desses
conteúdos tradicionais existentes na educação física, podemos através de projetos
interdisciplinares e transdisciplinares integrando os eixos transversais que são a ética, a
pluralidade cultural, o meio ambiente, o trabalho e consumo, a orientação sexual e a saúde,
ampliar a perspectiva do que o aluno deverá conhecer nas aulas. Essa utilização de temas
transversais ou de um projeto interdisciplinar dentro da educação física faz com que o haja
uma ampliação tanto no campo de estudo quanto no campo de trabalho, proporcionando uma
visão mais crítica as diversas mudanças da sociedade.
5708
No entanto, existem professores que ainda seguem um método mais tradicionalista se
utilizando de livros didáticos que possuem conteúdos prontos:
“temos um livro didático de educação física onde já temos os conteúdos preparados”
(PROFESSOR 5).
A partir da escolhas dos conteúdos buscou-se questionar os professores com relação
distribuição das aulas práticas e teóricas. A maioria respondeu que de um modo geral a sua
distribuição de aulas ficam atreladas somente a prática, pois deixam as aulas teóricas para os
dias em que está chovendo e não tem possibilidade de utilizar as quadras ou ainda somente
quando sentir a necessidade de dar aulas teóricas. É interessante ressaltar a opinião do
professor 7:
“não acho relevante a utilização das aulas teóricas do modo tradicional, ela deve
estar vinculada a aula prática”.
Dois professores que tiveram a opinião diferenciada colocaram que utilizam as aulas
teóricas como preparação e conhecimento histórico e de alguns temas atuais, e as aulas
práticas só acontecem a partir desse conhecimento teórico. Podemos destacar a contribuição
do professor 1:
“são aplicadas três aulas semanais, onde em uma é realizada as atividades teóricas e
estudos específicos dos temas abordados e as outras duas são práticas onde o
objetivo específico dessas aulas é a assimilação dos conteúdos e a avaliação é
qualitativa e diagnóstica dos alunos”.
A educação física tem sua prática muito impregnada dentro da sua concepção pelo
senso comum, sendo que é a práxis e primordial para que se possa entendê-la para além do
movimento corporal (VASQUEZ, 1977 apud LEAL, 2002). Isso nos mostra que a sociedade,
tem uma visão muito ligada a prática ou ao movimento. O responsável por essa visão são os
profissionais da área. A prática é muito importante dentro da educação física, mas, porém isso
não quer dizer que não se precisa de uma fundamentação teórica. Pois segundo Vasquez
(1977 apud LEAL, 2002) uma depende da outra, sendo que a prática é fundamentada da
teoria.
Sendo assim, fica claro que para os professores atuarem em escolas de 5ª a 8ª séries e
ensino médio é necessário que haja uma conscientização dos mesmos para com relação à
educação física, pois essa disciplina não é somente prática e sim muito fundamentada na
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teoria. Com relação aos saberes sobre a educação física, os professores ficam num campo
muito pequeno, ou seja, aplicam somente os esporte tradicionais (vôlei, futebol, handebol
etc.), sendo que, a educação física tem muitos outros saberes que são necessários como: a
dança, os esportes alternativos, a ginásticas, as lutas dentro das suas mais variadas doutrinas, a
qualidade de vida, a fisiologia do exercício, o desenvolvimento motor, cognitivo, afetivo,
psicológico e social entre tantas outras
Conclusão
O ato de ensinar exige rigorosidade metodológica, pesquisa, respeito aos saberes dos
alunos e as suas capacidades, criticidade, ética e estética, domínio do conteúdo e da entonação
vogal, exige também riscos, pois não sabe se haverá aceitação ou rejeição, uma reflexão
crítica sobre a sua prática levando em consideração os pontos positivos e negativos.
Evidencia-se que a Educação Física na escola deve ser tida como uma atividade
humana, que se manifesta na sociedade por meio das práticas sociais com interesses e
enfoques filosóficos, científicos e pedagógicos diferenciados que podem ser analisados
epistemologicamente em decorrência das visões, explicitas ou implicitamente, colocadas
sobre o homem no mundo a sociedade.
Como matéria na escola, está organizada numa estrutura curricular educacional, pois é
um conjunto de conhecimentos advindo das Ciências Humanas, Naturais e exatas que são
utilizadas para atualizar em caráter interdisciplinar os blocos de conteúdos propostos para a
Educação Física escolar.
Fica claro que a ação profissional do professor de Educação Física no contexto escolar
trabalha tendo com base num currículo que, quando orientado intencionalmente para sua
inserção filosófico-pedagógica em um projeto de sociedade deve ser realizado para a
superação do modelo de sociedade capitalista. Para tanto, requer, dentre outros aspectos, a
estruturação de processos de planejamento dinâmico-dialógicos, comprometidos efetivamente
com essa tarefa.
Dessa forma para o professor assumir uma perspectiva de trabalho pedagógico
fundamentado numa abordagem crítica de Educação e de Educação Física, significa atuar na
perspectiva de formação de sujeitos críticos, com fundamentos teórico-práticos suficientes
para discernir quais os fatores objetivos e subjetivos que determinam a corporeidade humana
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desde os pontos de vista filosóficos e científicos; a favor de quem e contra quem se está no
momento de optar e exercer nossas ações profissionais, por que, como, onde e com quem se
constrói a proposta de educação que se defende.
Enfim, este trabalho foi marcado por momentos difíceis, porém, compensados por
descobertas, e por somar conhecimentos tanto teóricos como práticos para a efetivação da
Educação Física no âmbito escolar.
Contudo, também compreende que esse saber não termina com essa pesquisa, mas que
esse saber precisa ser mediado pelo conhecimento, científico e filosófico, constantemente
adquirido e recriado pelo próprio educador, com a finalidade da prática com a corporeidade
humana nos contextos socioculturais do jogo, do esporte, da ginástica, da dança e lutas, dentre
outras manifestações semelhantes (objeto da Educação Física Escolar) para o aprimoramento
da competência social.
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