COMPREENDER AS POLÍTICAS DA UNIÃO EUROPEIA Saúde pública Melhorar a saúde dos cidadãos da UE A U E es t á em p enhad a em p r o t eger e m el ho r ar a s aúd e d e t o d o s o s eur o p eus em t o d as as f as es d a vida ÍNDICE Por que necessitamos de uma política de saúde pública . . . . . 3 COMPREENDER AS POLÍTICAS DA UNIÃO EUROPEIA A abordagem da União Europeia . . . 5 O que faz a União Europeia . . . . . . . 6 Perspetivas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 Saiba mais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 A presente publicação faz parte de uma coleção que descreve a ação da União Europeia em vários domínios, as razões da sua intervenção e os resultados obtidos. A coleção está disponível em linha: http://europa.eu/pol/index_pt.htm http://europa.eu/!JF89wH Como funciona a União Europeia A Europa em 12 lições «Europa 2020»: a estratégia europeia de crescimento Os pais fundadores da União Europeia Ação climática Agenda digital Agricultura Ajuda humanitária e proteção civil Alargamento Alfândegas Ambiente Assuntos marítimos e pescas Bancos e finanças Comércio Concorrência Consumidores Cooperação internacional e desenvolvimento Cultura e audiovisual Educação, formação, juventude e desporto Emprego e assuntos sociais Empresas Energia Fiscalidade Fronteiras e segurança Investigação e inovação Justiça, direitos fundamentais e igualdade Luta contra a fraude Mercado interno Migração e asilo Orçamento Política externa e de segurança Política regional Saúde pública Segurança alimentar Transportes União Económica e Monetária e o euro Compreender as políticas da União Europeia: Saúde pública Comissão Europeia Direção-Geral da Comunicação Informação dos cidadãos 1049 Bruxelas BÉLGICA Manuscrito atualizado em novembro de 2014 Capa e imagem da página 2: © BananaStock/Jupiterimages 16 p. — 21 × 29,7 cm ISBN 978-92-79-42350-5 doi:10.2775/70786 Luxemburgo: Serviço das Publicações da União Europeia, 2014 © União Europeia, 2014 Reprodução autorizada. As fotografias só podem ser utilizadas ou reproduzidas separadamente mediante a autorização prévia dos titulares dos direitos de autor. S A Ú D E 3 P Ú B L I C A Por que necessitamos de uma política de saúde pública A saúde dos cidadãos é uma prioridade fundamental da União Europeia (UE). A política de saúde da UE complementa as políticas nacionais de forma a garantir a todos os que vivem na UE têm acesso a cuidados de saúde de qualidade. Os principais objetivos da política de saúde da UE são os seguintes: • • • • • • • • • • prevenir a doença; promover um estilo de vida saudável; promover o bem‑estar; proteger os cidadãos de ameaças transfronteiriças graves para a saúde; melhorar o acesso aos cuidados de saúde; promover a informação e da educação em matéria de saúde; melhorar a segurança dos doentes; apoiar sistemas de saúde dinâmicos e as novas tecnologias; estabelecer normas de qualidade e segurança elevadas para os órgãos e outras substâncias de origem humana; garantir medicamentos e dispositivos para uso médico de elevada qualidade, seguros e eficazes. © Shutterstock, Inc./Alexander Raths Embora a organização e a prestação de cuidados de saúde sejam da responsabilidade de cada Estado‑Membro, a UE desempenha um papel importante ao ajudar os países a alcançar objetivos comuns. A política de saúde da UE proporciona economias de escala através da partilha de recursos e ajuda os países dar resposta a desafios comuns, como as ameaças para a saúde, nomeadamente as pandemias, os fatores de risco associados às doenças crónicas ou as repercussões do aumento da esperança de vida nos sistemas de saúde. A União Europeia procura melhorar os cuidados da saúde para todos os seus cidadãos. Principais desafios Para assegurar um elevado nível de proteção da saúde e a prestação de cuidados de saúde de qualidade em toda a UE, é necessário dar resposta a múltiplos desafios, tais como: •Sustentabilidade: os sistemas de saúde devem adaptar‑se à evolução demográfica e ao aumento da procura de cuidados de saúde, tirando o maior partido possível das tecnologias inovadoras no domínio da saúde. A reforma dos sistemas de saúde deve melhorar a sua eficiência e sustentabilidade financeira e garantir o acesso de todos a cuidados de elevada qualidade. • Envelhecimento da população: a esperança de vida dos cidadãos europeus está a aumentar, ultrapassando significativamente a idade de reforma, mas a média de esperança de vida saudável continua a ser a mesma, o que coloca sob pressão a sociedade e a economia, bem como os sistemas de saúde. À medida que a população envelhece, aumenta também a incidência de determinadas patologias, como a doença de Alzheimer e a demência. Até 2020, a UE procura aumentar significativamente a esperança de vida saudável para ajudar os europeus a permanecer ativos e produtivos durante o máximo de tempo possível. • Reduzir a incidência das doenças que podem ser prevenidas: o cancro, as doenças cardiovasculares e respiratórias, a diabetes, a doenças mentais e outras doenças crónicas causam grande sofrimento e representam um custo elevado para a sociedade e a economia. Segundo as estimativas, o seu custo para a economia mundial atingirá cerca de 22,5 mil milhões de euros entre 2012 e 2030. Na UE, só o custo das doenças ligadas ao tabagismo representa mais de 100 mil milhões de euros. As doenças crónicas são responsáveis por 87% de todos os óbitos na UE. Muitas doenças crónicas podem ser evitadas, estando associadas a quatro fatores de risco comuns: tabagismo, consumo abusivo de álcool, má alimentação e falta de exercício físico. 4 C O M P R E E N D E R • Desigualdades no domínio da saúde: existem enormes diferenças nos domínios da saúde e dos cuidados de saúde entre os países e as regiões da UE e dentro de cada país e região. A incidência da doença e a esperança de vida são fortemente influenciadas por fatores como o emprego, os níveis de rendimento e de educação e a origem étnica, bem como pelo nível de acesso aos cuidados de saúde. Por exemplo, no país da UE com maior esperança de vida à nascença as pessoas vivem, em média, mais 10 anos do que no país da UE onde este indicador regista o valor mais baixo. • Problemas novos e emergentes no domínio da saúde: Estão sempre a ser descobertas novas doenças ou estirpes de doenças. A sida, por exemplo, foi clinicamente observada pela primeira vez em 1981 e o vírus correspondente (VIH) foi identificado em 1983. Em 2009, surgiu um novo tipo de pandemia de gripe A S P O L Í T I C A S D A U N I Ã O E U R O P E I A (H1N1). Algumas bactérias desenvolveram resistência aos medicamentos utilizados para as combater, o que dificulta o tratamento de infeções específicas com determinados antibióticos. As doenças mentais e os problemas de saúde mental registaram também um forte aumento. • Segurança da saúde: as ameaças transfronteiras neste domínio, como os agentes biológicos e as doenças infecciosas, os agentes químicos e os perigos para o ambiente, põem gravemente em risco a saúde, o tráfego internacional de viajantes e o comércio mundial. O surto de Ébola, que teve início na África Ocidental em 2014 e esteve na origem de várias evacuações médicas, e a pandemia de gripe H1N1 de 2009 são exemplos recentes que demonstram a importância de dispor de meios eficazes para dar resposta a ameaças para a saúde a nível plurinacional. Tendências em matéria de saúde na UE Tendências positivas: Tendências negativas: —— Aumento da esperança de vida: em média, a esperança de vida na UE passou de 65 anos na década de 50 para 80 anos em 2012. —— Desigualdade: a esperança de vida varia ainda cerca de 8,5 anos entre os países da UE. —— Redução da mortalidade infantil: globalmente, a taxa de mortalidade infantil baixou mais de 82% entre 1975 e 2012. —— Aumento da mortalidade por cancro: desde 1985, o número de mortes por cancro na UE aumentou 12% entre os homens e 9% entre as mulheres. —— Tratamento mais eficaz de afeções potencialmente mortais, como ataques cardíacos, acidentes vasculares cerebrais e tumores o cancros: as taxas de mortalidade após uma hospitalização por ataque cardíaco diminuíram 50% entre 2000 e 2009. —— Aumento da diabetes: de acordo com a Federação Internacional da Diabetes, 35 milhões de adultos sofriam de diabetes (tipos 1 e 2) na Europa em 2011, prevendo‑se que esse número aumente para 43 milhões em 2030, o que corresponde a um aumento de 23%. —— Aumento da taxa de sobrevivência a diversos tipos de cancro, nomeadamente o cancro colorretal e o cancro da mama, graças a uma deteção precoce e a tratamentos mais eficazes. —— Aumento dos casos de Alzheimer: a probabilidade de as pessoas com mais de 65 anos sofrerem de demência duplica aproximadamente de cinco em cinco anos na Europa. —— Aumento do número de médicos per capita: de 2,9 por 1 000 habitantes em 2000 para 3,4 em 2010. —— Custo elevado dos cuidados de saúde associados às doenças crónicas: 700 mil milhões de euros, ou seja, 70% a 80% do total do custo dos cuidados de saúde. Fonte: Eurostat e Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económicos. S A Ú D E 5 P Ú B L I C A A abordagem da União Europeia O âmbito de ação da UE no domínio da política de saúde está definido no artigo 168.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia. O princípio primordial consiste em assegurar que a saúde humana será bem protegida e tida em conta na elaboração de todas as políticas e atividades da UE. O Tratado estabelece também claramente que cabe aos Estados‑Membros definir as respetivas políticas de saúde e organizar e assegurar a prestação dos serviços de saúde e dos cuidados médicos, incluindo os recursos que lhes são afetados, e que a UE respeitará inteiramente essa responsabilidade. A UE limita‑se, fundamentalmente, a complementar e a apoiar as ações desenvolvidas a nível nacional em domínios nos quais a coordenação, a cooperação e o intercâmbio de informações, conhecimentos e boas práticas constituem a melhor solução. Recorre, além disso, a instrumentos legislativos para regulamentar determinados setores. Em 2007, a UE adotou uma estratégia europeia em matéria de saúde, baseada em quatro princípios fundamentais: • os europeus têm valores comuns no que respeita à saúde; • a saúde é o mais precioso dos bens; • todas as políticas devem ter em conta a saúde; • a UE deve fazer ouvir a sua voz em todas as questões que afetam a saúde mundial. Estes princípios e objetivos contribuem para a realização dos objetivos da estratégia «Europa 2020» para um crescimento inteligente e sustentável: os investimentos na saúde contribuem para aumentar a produtividade, promover a inovação, criar novas competências, reduzir as desigualdades e reforçar a sustentabilidade dos sistemas de saúde. Em fevereiro de 2013, a Comissão Europeia adotou um pacote de medidas intitulado «Investimento social a favor do crescimento e da coesão». Uma série dessas medidas diz respeito ao investimento no domínio da saúde. A principal mensagem é a de que a saúde, sendo um valor em si mesma, é também um fator determinante para a prosperidade económica. O documento salienta que investir de forma inteligente em sistemas de saúde sustentáveis e na saúde das pessoas enquanto capital humano e reduzir as desigualdades em matéria de saúde pode contribuir para o crescimento económico. A UE apoiará as reformas necessárias através do «Semestre Europeu» e dos seus instrumentos de financiamento, ou seja, os fundos estruturais e o programa «Saúde». Apoio financeiro da UE Essa estratégia define três objetivos principais: O terceiro programa plurianual da UE no domínio da saúde abrange o período de 2014 a 2020 e tem por base as realizações dos dois programas anteriores nesta área. O programa salienta a importância da saúde para melhorar a produtividade no trabalho, a competitividade económica e a qualidade e esperança de vida. A ação da UE irá complementar e apoiar os esforços nacionais em quatro domínios essenciais: • promover a saúde numa Europa em processo de envelhecimento; • proteger os cidadãos das ameaças à saúde; • apoiar sistemas de saúde dinâmicos e as novas tecnologias. • promoção da saúde e prevenção das doenças; • proteção dos cidadãos contra ameaças sanitárias transfronteiras; • sistemas de saúde inovadores e sustentáveis; • cuidados de saúde mais seguros e de melhor qualidade. O programa dispõe de um orçamento de 449 milhões de euros para o período de 2014 a 2020. O programa conta com a participação dos 28 países da UE, bem como da Islândia, do Listenstaine e da Noruega. Desde 2003, o programa europeu no domínio da saúde financiou mais de 750 projetos e concedeu subvenções de funcionamento a uma série de iniciativas. Outras fontes de apoio financeiro da UE, entre as quais os fundos estruturais e os programas-quadro de investigação, contribuem também para a realização de prioridades no domínio da saúde . 6 C O M P R E E N D E R A S P O L Í T I C A S D A U N I Ã O E U R O P E I A O que faz a União Europeia Acesso aos cuidados de saúde em todos os países da UE Se, durante uma viagem a outro país da UE, ficar doente de repente e tiver de ir ao médico, não é necessário interromper a viagem e regressar ao seu país para se tratar. Consulte um médico local e apresente‑lhe o seu cartão europeu de seguro de doença. O cartão europeu de seguro de doença permite mais facilmente aos cidadãos fazer valer o direito a beneficiar de cuidados de saúde noutro país da UE, bem como na Islândia, no Listenstaine, na Noruega e na Suíça. É emitido gratuitamente pelos sistemas nacionais de saúde (na forma de um cartão separado ou integrado no verso de um cartão nacional de saúde) e confere ao seu titular o direito a obter assistência médica no âmbito do sistema público de saúde em caso de acidente ou doença imprevista durante uma estadia de curta duração em qualquer um dos países indicados. Nos termos da legislação específica sobre os cuidados de saúde transfronteiras, os cidadãos europeus: © Diego Gómez/epa/Corbis • devem ter acesso à informação sobre o direito que lhes assiste de beneficiar de cuidados de saúde em qualquer país da UE, bem como sobre a qualidade e a segurança dos cuidados prestados; • têm direito a ser reembolsados de uma parte ou da totalidade do custo de qualquer tratamento que tenham recebido noutro país da UE e ao qual teriam direito no seu próprio país; • têm a possibilidade de aviar receitas médicas noutro país da UE, onde poderão, assim, obter os medicamentos de que necessitam. Sabia que... Em 2010, 20 milhões de europeus receberam tratamento médico noutro país da UE? Luta contra ameaças transfronteiriças graves para a saúde À medida que o mundo se torne cada vez mais interligado, as ameaças biológicas, químicas ou ambientais constituem um risco cada vez maior para a saúde, o tráfego internacional de viajantes e o comércio mundial. A UE segue de perto as novas ameaças para a saúde, tais como o vírus Ébola, um novo surto de gripe como a gripe aviária, o mais recente vírus corona, ou ainda doenças de origem alimentar, como um surto de E. coli, assim como ameaças de propagação mais lenta como é o caso da resistência antimicrobiana. Em 2013, a Comissão adotou regulamentação para fazer face a ameaças transfronteiriças graves para a saúde, a fim de proteger os cidadãos europeus através de um dispositivo sólido e devidamente coordenado para dar resposta a situações de risco e de crise. Entre as novas regras, contam-se: • a extensão a todas as ameaças para a saúde causadas por fatores biológicos, químicos ou ambientais do atual mecanismo de coordenação europeu aplicável às doenças transmissíveis; • o reforço do mandato do Comité de Segurança da Saúde da UE para reagir a situações de crise; • o reconhecimento de uma «situação de emergência sanitária» a nível europeu que permite ativar legislação farmacêutica para que as vacinas possam ser disponibilizadas com maior rapidez. Com as novas regras, a compra conjunta de vacinas e medicamentos durante uma situação de pandemia ou de emergência tornou-se uma realidade na UE. Este mecanismo permite que os países da UE que assinaram o Acordo de Contratação Conjunta obtenham os medicamentos necessários mais rapidamente e a preços mais vantajosos do que no passado. A eficácia da ação da UE depende, em larga medida, do reforço da cooperação e da coordenação entre governos nacionais. Para o efeito, foram criados: O cartão europeu de seguro de doença dá-lhe acesso a tratamento médico e cuidados de saúde em toda a Europa. S A Ú D E 7 P Ú B L I C A © Shutterstock, Inc./Tomasz Nieweglowski Bactéria E. coli: em 2011, um surto desta bactéria desencadeou o sistema de alerta rápido da UE, que permitiu às autoridades dos países da UE lutar contra a ameaça de forma eficaz. • Sistemas de alerta da UE: se um país da UE detetar uma ameaça para a saúde e a segurança dos cidadãos, notifica a Comissão Europeia através de um dos sistemas de alerta rápido da UE. Esses sistemas asseguram que as informações são transmitidas rapidamente em toda a UE e que a reação será rápida. Por exemplo, o Sistema de Alerta Rápido e de Resposta (SARR) e o Sistema de Alerta Rápido para os Géneros Alimentícios e Alimentos para Animais (RASFF) foram ativados em 2011, em resposta ao surto de E. coli na Alemanha e à catástrofe nuclear de Fukushima, no Japão. • Comité de Segurança da Saúde (CSS): este comité coordena as medidas previstas em matéria de segurança da saúde, preparação e planeamento, bem O que acontece em caso de crise de saúde pública na UE? O caso E. coli... Entre maio e julho de 2011, um surto de doença causado por uma estirpe virulenta de E. coli, uma bactéria comum e normalmente inofensiva presente no aparelho digestivo dos seres humanos e dos animais, causou a morte de 55 pessoas, tendo sido também registados 850 casos de doença grave e 3000 outros casos de contaminação em toda a UE. A resposta da UE foi a seguinte: ▼ As autoridades alemãs informaram a Comissão Europeia do surto de E. coli. ▼ Os sistemas de alerta e as redes de intervenção rápida da UE foram ativados. ▼ Os cientistas identificaram rapidamente a estirpe de E. coli responsável pelo surto. como a resposta a situações de emergência. É composto por representantes de todos os países da UE. • Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (CEPCD): este centro tem por objetivo reforçar as defesas da UE contra doenças infecciosas, como o Ébola, a gripe, a tuberculose e o VIH/sida. Colabora com as autoridades de saúde nacionais de toda a UE a fim de identificar, avaliar e comunicar ameaças existentes ou emergentes para a saúde. • Redes de investigação à escala da UE: a UE financiou projetos específicos relacionados com ameaças transfronteiriças graves para a saúde, entre os quais um Sistema de Alerta para Ameaças Químicas para a Saúde (ASHT II) que reúne os centros antiveneno de diversos países da UE com vista a melhorar a capacidade de resposta a potenciais ameaças químicas transfronteiras para a saúde. ▼ A Comissão Europeia organizou reuniões diárias com as autoridades nacionais competentes em matéria de saúde pública e de segurança dos alimentos com vista a controlar o surto e a coordenar as medidas tomadas, publicando diariamente no seu sítio web dados atualizados para manter os cidadãos informados. ▼ Uma vez identificada a fonte da doença (sementes de feno‑grego importadas do Egito e utilizadas para germinação), a UE impôs a destruição de todas as sementes de feno‑grego provenientes do exportador em causa e proibiu temporariamente as importações de outros produtos potencialmente perigosos. ▼ A UE deu início a uma colaboração com as autoridades nacionais, a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) a fim de identificar os domínios onde são necessárias melhorias, mais cooperação e medidas preventivas. 8 C O M P R E E N D E R Proteção contra bactérias resistentes Os agentes antimicrobianos, nomeadamente os antibióticos, são substâncias que destroem ou reduzem a multiplicação de microrganismos como as bactérias, os fungos e os parasitas. Desempenham, assim, um papel essencial da medicina moderna e reduziram drasticamente o número de mortes causadas por doenças infeciosas desde a sua aparição, há 70 anos. No entanto, a generalização e a utilização inadequada deste tipo de medicamentos levou certos organismos desenvolver uma resistência à sua ação. Estima‑se que essa resistência aos agentes antimicrobianos esteja na origem de 25 000 mortes por ano e represente uma despesa de 1 500 milhões de euros em cuidados de saúde adicionais e perdas de produtividade. Desde que o problema foi reconhecido pela primeira vez nos anos 90, o programa «Saúde» da UE financiou vários projetos e apoiou a investigação no domínio da resistência aos agentes antimicrobianos. Por exemplo, em 2009, foi lançado um estudo sobre essa resistência aos agentes antimicrobianos e a prescrição de antibióticos às crianças. A UE acompanha também a evolução da resistência antimicrobiana com o apoio do ECDC e da EFSA. Em 2011, a Comissão Europeia lançou um plano de ação para lutar contra as ameaças crescentes resultantes da resistência antimicrobiana, tendo sido identificados sete domínios de ação: • utilização adequada dos agentes antimicrobianos tanto nos seres humanos como nos animais; • prevenção das infeções microbianas e da sua propagação; • desenvolvimento de novos agentes antimicrobianos eficazes ou de tratamentos alternativos; • cooperação internacional para reduzir os riscos de resistência; • melhor acompanhamento e vigilância da utilização dos antibióticos; • investigação e inovação; • melhor comunicação, educação e formação. A S P O L Í T I C A S D A U N I Ã O E U R O P E I A Melhorar a qualidade, a segurança e a eficácia dos medicamentos A UE estabeleceu regras claras em matéria de autorização e distribuição de medicamentos. Estes, antes de serem comercializados, devem ser autorizados por cada Estado‑Membro ou pela própria UE (através da Agência Europeia de Avaliação de Medicamentos, com sede em Londres, e da Comissão Europeia) para poderem ser vendidos em toda a UE. Os doentes têm assim a garantia de serem tratados com medicamentos que cumprem normas rigorosas de qualidade, segurança e eficácia. A regulamentação da UE contribui para assegurar aos doentes um elevado nível de segurança, conferindo‑lhes simultaneamente liberdade de escolha dos medicamentos, incluindo medicamentos inovadores, medicamentos para tratamento de doenças raras («medicamentos órfãos») e medicamentos para uso pediátrico. Depois de um medicamento ser autorizado e comercializado na União, a sua segurança é controlada durante todo o seu ciclo de vida para que possam ser rapidamente tomadas medidas adequadas em caso de reações adversas, incluindo advertências complementares, restrições de utilização ou mesmo a retirada do medicamento em causa. Para reforçar esse controlo, a UE decidiu introduzir um novo símbolo com a forma de um triângulo preto invertido com vista a identificar os medicamentos que são objeto de especial vigilância. A partir de setembro de 2013, esse novo símbolo será impresso na bula dos medicamentos em causa e acrescentado ao resumo das suas características, juntamente com informações sobre o procedimento a seguir para notificar efeitos secundários suspeitos. —— Cerca de 35% dos europeus tomaram antibióticos em 2013? —— Um em cada dois doentes pensa erradamente que os antibióticos são eficazes contra os vírus? —— Todos os anos, na UE, cerca de 4,1 milhões de pessoas contraem infeções ao receberem cuidados de saúde, muitas vezes causadas por bactérias resistentes? © Shutterstock, Inc./phloxii Sabia que... As regras da UE asseguram que os doentes são tratados com medicamentos que respeitam normas rigorosas de qualidade, segurança e eficácia. S A Ú D E P Ú B L I C A 9 Este aspeto é particularmente importante, uma vez que os doentes têm agora o direito de assinalar presumíveis efeitos secundários diretamente às autoridades nacionais competentes. A pedra angular da legislação é a supervisão de todas as etapas do sistema de distribuição dos medicamentos, desde o fabrico à distribuição, nomeadamente através de regras específicas para a venda de medicamentos pela Internet. Para proteger os doentes dos riscos associados aos medicamentos «falsos» ou medicamentos «falsificados» não autorizados, a UE estabeleceu regras rigorosas que entraram em vigor no início de 2013, nomeadamente: A venda de medicamentos falsificados pela Internet é também objeto de especial atenção. Até ao final de 2014, tornar-se-á obrigatória a utilização de um logótipo comum definido pela UE, que permitirá identificar as farmácias/ /revendedores em linha legalmente registados. Segurança e qualidade das dádivas de sangue, tecidos, células e órgãos A doação de sangue, tecidos, células e órgãos é indispensável ao tratamento de uma série de doenças graves e potencialmente mortais, como o cancro e os problemas cardíacos. Na UE, só em 2011, foram transplantados 30 000 órgãos, cujos dador e recetor se encontravam, em muitos casos, em países diferentes. Para garantir a qualidade do material doado e a segurança dos doentes, a UE estabeleceu regras e procedimentos comuns aplicáveis em toda a UE, de forma a assegurar que todas as dádivas de substâncias de origem humana são de qualidade e criteriosamente selecionas a fim de impedir a transmissão de doenças como a sida ou a hepatite. Isso permite assegurar um elevado nível de proteção dos doentes em toda a UE e facilita a cooperação entre Estados‑Membros em caso de escassez. A UE estabeleceu também regras rigorosas em matéria de procedimentos de doação, recolha e rastreabilidade de substâncias de origem humana. A doação de órgãos deve © Shutterstock, Inc./Kinetic Imagery • regras relativas à importação de substâncias ativas provenientes de países terceiros e ao respetivo controlo e inspeção; • regras relativas à elaboração de registos por parte dos distribuidores por grosso; • regras de inspeção; • regras que obrigam os fabricantes e os distribuidores a notificar as suas suspeitas relativamente a medicamentos falsificados. Uma vez que cada vez mais pessoas compram medicamentos na Internet, a UE ajuda a identificar as farmácias em linha legalmente registadas. ser voluntária e não remunerada e a sua rastreabilidade deve ser assegurada. Nos termos das regras da UE, as autoridades nacionais devem trocar e armazenar informações sobre o intercâmbio transfronteiras de órgãos e disponibilizar um serviço permanente (24 horas por dia, 7 dias por semana) em caso de incidentes ou reações adversas ou graves. Uma vez que a necessidade deste tipo de tratamentos aumenta, a UE está a tomar medidas para incentivar a doação voluntária de órgãos. Cerca de metade dos países da UE assinalam regularmente situações de escassez e cerca de 50 000 doentes na UE estão numa lista de espera para um transplante. Em média, por dia, 12 desses doentes morrerão por falta de órgãos disponíveis. Um elemento importante do plano de ação da UE em matéria de doação e transplante de órgãos é a nomeação, a nível dos hospitais, de coordenadores das doações para transplante com vista a pôr em prática programas pró‑ativos de procura de dadores potenciais. Foram feitos estudos que demonstraram que se trata de um meio eficaz para simplificar o processo de doação de órgãos. A UE financia também projetos relacionados com a doação de sangue, células, tecidos e órgãos. Um dos exemplos mais recentes é a criação do «EFRETOS», um novo registo pan‑europeu de dados relativos ao transplante de órgãos. 10 C O M P R E E N D E R Sabia que... 37% dos europeus que participaram num inquérito Eurobarómetro em 2010 afirmaram ter doado sangue pelo menos uma vez na sua vida? Luta contra as doenças raras As doenças raras são doenças debilitantes crónicas ou potencialmente mortais que afetam menos de uma em cada 2 000 pessoas. Embora cada doença rara afete um número reduzido de pessoas, o número total de europeus com doenças raras situa‑se entre 27 e 36 milhões. As consequências destas doenças para os doentes e respetivas famílias e pessoas que os acompanham são consideráveis, ao que acresce o facto de estas doenças, muitas vezes, não serem diagnosticadas por falta de conhecimentos científicos e médicos ou devido à dificuldade de acesso a competências médicas especializadas. A UE apoia projetos de investigação no domínio das doenças raras com vista a aumentar as taxas de diagnóstico e concede uma série de incentivos às empresas farmacêuticas (por exemplo, 10 anos de exclusividade de mercado) destinadas a promover a investigação, o desenvolvimento e a comercialização de novos medicamentos «órfãos» para o diagnóstico, a prevenção e o tratamento das doenças raras. Sem estas medidas de incentivo, o desenvolvimento desses medicamentos não seria rentável. A UE apoia igualmente a divulgação de informação sobre as doenças raras, nomeadamente através da Orphanet, uma base de dados sobre doenças raras, e da Eurordis (Organização Europeia para as Doenças Raras), que reúne mais de 350 associações de doentes com doenças raras de toda a UE. Sabia que... —— A base de dados Orphanet contém informações sobre 5 958 doenças raras? —— Entre 6% e 8% (27 a 36 milhões de cidadãos) da população total da UE é ou virá a ser afetada por uma doença rara? A S P O L Í T I C A S U N I Ã O E U R O P E I A opinião pública, incentivando a adoção de medidas por parte das empresas e ONG e apoiando iniciativas a nível nacional e ações específicas, tais como ações para ajudar as pessoas a deixar de fumar. Reduzir o consumo do tabaco O tabagismo é a principal causa de mortalidade evitável na UE, provocando cerca de 700 000 mortes por ano. Apesar disso, um terço dos cidadãos europeus fuma regularmente. Para reduzir o consumo do tabaco em toda a UE, a Comissão segue uma política global de controlo do tabagismo. A ação neste domínio inclui legislação e colaboração com os países da UE em matéria de prevenção, ajuda ao abandono do tabagismo e criação de ambientes sem fumo. A legislação da UE aplicável aos produtos do tabaco constitui um pilar essencial do controlo do consumo de tabaco. A ação neste domínio levou à aposição obrigatória de rótulos em todos os produtos do tabaco advertindo os consumidores dos efeitos nocivos do tabaco contendo menções como, por exemplo, «Fumar mata», «Fumar provoca o cancro pulmonar mortal», «Fumar provoca ataques cardíacos e enfartes» e «Fumar durante a gravidez prejudica a saúde do seu filho». Em 2014, as disposições relativas aos produtos do tabaco foram revistas e atualizadas, a fim de tornar o tabaco menos atraente. Os principais elementos da nova regulamentação são os seguintes: • proibição dos produtos do tabaco com aromas acentuados, tais como baunilha ou chocolate; • advertências gráficas obrigatórias colocadas na parte superior de ambos os lados dos maços de cigarros e de tabaco de enrolar, para alertar as pessoas para as graves consequências do tabagismo para a saúde; • manutenção da proibição do tabaco para uso oral (snus), exceto na Suécia, onde é de uso corrente; • disposições de segurança e qualidade aplicáveis aos cigarros eletrónicos que contêm nicotina; • regulamentação específica para a venda transfronteiras à distância de produtos do tabaco Luta contra os fatores de risco das doenças crónicas O aparecimento e o desenvolvimento de muitas doenças crónicas são influenciados por fatores de risco comuns, como o tabagismo, o consumo excessivo de álcool, uma má alimentação e a falta de exercício físico. Essas doenças podem ser muitas vezes evitadas mudando de estilo de vida. A UE está a tentar resolver o problema de várias formas, por exemplo organizando campanhas de informação junto da D A Deixar de fumar. S A Ú D E 11 P Ú B L I C A © Shutterstock, Inc./Gang Liu • um novo sistema de localização e seguimento a nível da UE para lutar contra o comércio ilícito dos produtos do tabaco. Estas medidas entrarão em vigor em 2016. Consideradas no seu conjunto, têm por objetivo reduzir em 2% até 2020 o número de fumadores na UE. Respondem de forma adequada à evolução da situação internacional, consubstanciada na Convenção-Quadro da OMS para a Luta Antitabaco, que entrou em vigor em 2005. A legislação da UE proíbe igualmente a publicidade ao tabaco na imprensa, na rádio e na Internet na UE, bem como o patrocínio de eventos internacionais e acontecimentos desportivos por parte da indústria tabaqueira. Entre 2005 e 2013, a UE lançou várias campanhas de sensibilização à escala europeia com o objetivo de reduzir o tabagismo. A primeira dessas iniciativas, a campanha multimédia «HELP — Por uma vida sem tabaco», destinou-se a sensibilizar os jovens dos 15 aos 25 anos. Seguiu-se a campanha «Os ex fumadores são imparáveis», para salientar as vantagens de deixar de fumar. Esta campanha que durou três anos, apelava aos fumadores para que deixassem de fumar, explicando as vantagens desta opção e proporcionando ajuda prática através da plataforma digital inovadora iCoach. Luta contra a obesidade Estima‑se que mais de 200 milhões de adultos (mais de metade da população adulta) têm excesso de peso ou sofrem de obesidade na UE. Uma em cada quatro crianças tem também excesso de peso ou é obesa. A obesidade provoca graves problemas de saúde física e mental, nomeadamente doenças cardiovasculares, diabetes, cancro e problemas psicológicos. Representa, além disso, 8% do custo dos cuidados de saúde na UE. A obesidade é um problema complexo, pelo que é indispensável reunir um vasto leque de competências especializadas a nível local, nacional e internacional, sendo a coordenação a nível da UE fundamental. Criada em 2005, a Plataforma de Ação da UE da União Europeia para a Alimentação, a Atividade Física e a Saúde, reúne um grande número de organizações europeias empenhadas na luta contra a má alimentação e a inatividade física. Até à data, foram promovidas 300 ações por importantes intervenientes do setor alimentar e da sociedade civil, entre as quais a proibição da publicidade a bebidas açucaradas para crianças, a disponibilização de informação nutricional de melhor qualidade nos restaurantes, a elaboração de receitas com teores de sal, açúcar e gordura reduzidos e a promoção do desporto nas escolas. A UE colabora com organizações dos Estados-Membros e de países terceiros para tentar resolver os problemas associados à má alimentação e à obesidade. Em 2007, a UE criou um grupo de alto nível sobre questões de nutrição e atividade física, que reúne representantes dos governos de todos os países da UE, bem como da Noruega e da Suíça, com vista a encontrar soluções para os problemas de saúde associados à obesidade. Foram ainda tomadas outras medidas, como a adoção de regras comuns a nível da UE em matéria de rotulagem dos alimentos. Graças a essas regras, os consumidores dos países da UE podem confiar nos rótulos dos alimentos para obter informações precisas sobre a saúde e o valor nutricional dos alimentos. Por exemplo, se o rótulo de um alimento indicar que este é «bom para o coração», é necessário que essa informação esteja cientificamente comprovada. A rotulagem nutricional deve conter também informações claras e pormenorizadas sobre o número de calorias e o teor de matérias gordas, ácidos gordos saturados, hidratos de carbono, sal e açúcar. Por último, com o objetivo de reduzir e prevenir a obesidade, muitos projetos são apoiados pelo programa «Saúde» e o programa‑quadro de investigação da UE. Entre 2007 e 2011, a UE contribuiu para o financiamento de 27 projetos relacionados com a diabetes e a obesidade, num montante total de 123 milhões de euros. Reduzir os efeitos nocivos do consumo de álcool O consumo excessivo de álcool é a terceira causa de morte prematura e de doença na UE, a seguir ao tabagismo e à hipertensão, Sendo anualmente responsável por cerca de 195 000 mortes na UE. A UE colabora com as autoridades nacionais (responsáveis pelas políticas nacionais em matéria de luta contra o alcoolismo), as empresas e as restantes partes 12 C O M P R E E N D E R interessadas para resolver o problema do alcoolismo e da comercialização irresponsável de bebidas alcoólicas. Desde 2006, a UE incentiva o consumo responsável de álcool através da estratégia da UE para reduzir os efeitos nocivos do álcool. Esta estratégia estabelece cinco prioridades: • proteger os jovens e as crianças; • prevenir a condução sob influência do álcool; • reduzir os efeitos nocivos do consumo do álcool nos adultos; • promover a sensibilização para as consequências para a saúde de um consumo excessivo e nocivo de álcool; • recolher dados fiáveis sobre o consumo de álcool e sobre o impacto das medidas adotadas. Em setembro de 2014, o Comité de Política e Ação Nacionais em matéria de Álcool (CNPA) da Comissão Europeia adotou um plano de ação sobre o alcoolismo dos jovens e o consumo excessivo pontual de álcool (binge drinking). Este plano de dois anos contribuirá para a consecução dos objetivos da estratégia da UE para ajudar os Estados-Membros a reduzir os efeitos nocivos do consumo de álcool. Em 2007, a UE criou um «Fórum sobre álcool e saúde» cujo objetivo é mobilizar os diferentes intervenientes da sociedade para que se comprometam a tomar medidas de apoio à estratégia da UE. Esse Fórum reúne as principais partes interessadas, como os produtores de álcool, os anunciantes e os distribuidores, bem como profissionais da saúde, representantes da juventude e ONG do setor da saúde. Até à data, foram assumidos 246 compromissos pelos membros do Fórum. Paralelamente, o Comité de política e ação nacionais em matéria de álcool permite aos países da UE partilhar informações e promover as melhores práticas. A S P O L Í T I C A S D A U N I Ã O E U R O P E I A Luta contra o cancro O cancro é um grande problema de saúde pública, com enormes encargos para a sociedade. Todos os anos são diagnosticados cerca de 2 milhões e meio de casos de cancro na UE. Mediante a colaboração com as autoridades nacionais, a UE partilha conhecimentos e competências específicas e técnicas e luta contra o cancro na Europa de uma forma mais eficaz. As políticas da UE abrangem os seguintes aspetos: · Prevenção do cancro: lutar contra os fatores de risco, sobretudo o consumo do tabaco. ·Colaboração: a Parceria Europeia de Ação contra o Cancro, que decorreu de 2009 a 2013, reuniu os principais intervenientes a nível europeu. Esta ação conjunta financiada pela UE traduziu se em progressos em termos de promoção da saúde, rastreio e diagnóstico precoce, identificação das melhores práticas em matéria de cuidados de saúde oncológicos e recolha e análise de dados sobre o cancro. Os Estados-Membros já começaram a cooperar no âmbito da CANCON 2014-2016, uma nova ação conjunta de luta contra o cancro. Esta ação assenta nos bons resultados da EPAAC, a Parceria Europeia de Ação contra o Cancro, que visa reduzir a incidência do cancro em 15% até 2020. ·Rastreio: os ministros da saúde dos países da UE adotaram, em 2003, uma série de princípios em matéria de boas práticas de rastreio e deteção precoce do cancro. Desde então, a UE publicou igualmente orientações para o rastreio do cancro da mama, do colo do útero e colorretal. ·Investigação: A UE é um importante financiador da investigação do cancro. Nos últimos sete anos, a UE investiu mais de 1 400 milhões de euros na investigação © Shutterstock, Inc./Monkey Business Images O rastreio periódico do cancro é um dos melhores meios para lutar eficazmente contra esta doença. S A Ú D E 13 P Ú B L I C A em colaboração internacional, na investigação de fronteira, em programas de mobilidade, em parcerias público-privadas e na coordenação dos esforços nacionais de investigação sobre o cancro. · Código Europeu contra o Cancro: trata-se de uma lista de recomendações baseadas em dados científicos que aconselha os cidadãos a tomarem medidas preventivas contra o cancro. Foi elaborado pela primeira vez em 1987, tendo a última edição sido lançada em outubro de 2014. Prevenção da sida e apoio aos que vivem com a doença Todos os anos são diagnosticados na UE e nos países vizinhos mais de 50 000 casos de VIH/sida . Embora os atuais tratamentos possam retardar o desenvolvimento da doença e permitir uma vida melhor e mais longa aos doentes, ainda não existe nenhuma vacina nem tratamento que garanta a cura. A Comunicação da Comissão «Luta contra o VIH/sida na UE e nos países vizinhos, 2009-2013» consagra um instrumento político à escala de UE para completar os dispositivos nacionais em matéria de luta contra o VIH/sida. Visa contribuir para a redução das infeções pelo VIH na UE, melhorar o acesso aos meios de prevenção, à prestação de cuidados, ao tratamento e ao apoio, assim como dar maior qualidade de vida às pessoas que na UE e nos países vizinhos vivem com VIH/sida. Para cumprir estes objetivos, a comunicação é completada por um plano de ação, inicialmente previsto para vigorar de 2009 a 2013 e prolongado até 2016. A fim de compreender, melhorar e trocar informações e dados científicos sobre o VIH/sida, a UE trabalha em estreita colaboração com o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC). A UE financiou igualmente projetos sobre o VIH/sida através do programa «Saúde» e do programa‑quadro de investigação. O projeto Correlation II, por exemplo, beneficiou de um financiamento de 900 000 euros. Este projeto disponibiliza ajuda e informações às pessoas que se prostituem, aos consumidores de droga e aos imigrantes ilegais que devem ter acesso aos serviços de saúde que asseguram tratamento contra as infeções transmissíveis por via sanguínea, nomeadamente a hepatite C e o VIH. Promover o envelhecimento ativo e saudável Os europeus vivem mais tempo, mas o número de anos de vida com boa saúde não tem aumentado. Em média, os cidadãos europeus passam 20% das suas vidas com uma saúde precária, o que afeta a sua qualidade de vida e coloca sob grande pressão os sistemas de saúde nacionais. Em 2011, a UE lançou a Parceria Europeia para a Inovação no domínio do Envelhecimento Ativo e Saudável, que reúne investigadores, autoridades competentes no domínio da saúde, profissionais da saúde, empresas, entidades reguladoras e associações de doentes com vista a analisar formas de reduzir a pressão sobre os cuidados de saúde e de contribuir para o crescimento sustentável. O objetivo geral desta parceria é aumentar em dois anos a esperança de vida saudável até 2020, para que mais pessoas possam viver durante mais tempo. Exemplos de outras iniciativas da UE: © Shutterstock, Inc./Nixx Photography A Comissão trabalha em conjunto com a sociedade civil e os Estados-Membros, no âmbito do Fórum da Sociedade Civil sobre o VIH/sida e o Grupo de Reflexão sobre o VIH/sida, a fim de facilitar a programação e a concretização da resposta ao VIH/sida. • A iniciativa europeia em matéria de doença de Alzheimer e outras formas de demência (2009), ao abrigo da qual a UE apoia iniciativas nacionais em quatro domínios essenciais: prevenção da demência, diagnóstico precoce, melhor coordenação dos esforços de investigação na Europa, questões éticas associadas aos direitos dos cidadãos, autonomia e dignidade das pessoas que sofrem de demência. Esta iniciativa foi posta em prática no âmbito da ação conjunta ALCOVE, que reúne 19 países da UE com o objetivo de promover o intercâmbio de boas práticas e formular recomendações sobre as políticas na matéria, e do programa conjunto no domínio das doenças A UE desenvolve esforços para prevenir o VIH/sida e melhorar o tratamento das pessoas que sofrem da doença. 14 C O M P R E E N D E R © Shutterstock, Inc./Alexander Raths À medida que os europeus têm uma vida mais longa, os problemas associados à demência aumentam. neurodegenerativas, que constitui a maior iniciativa de investigação a nível mundial para dar resposta a este tipo de doenças. •O Pacto Europeu para a Saúde Mental e o Bem‑Estar (2008). As perturbações mentais, muitas vezes associadas à estigmatização e à exclusão social, tornaram‑se uma das categorias de doenças mais frequentes na UE, sendo uma das principais causas do absenteísmo dos trabalhadores, das pensões de invalidez e dos pedidos de reforma antecipada. Este pacto confere aos países da UE, às organizações não governamentais e às partes interessadas um enquadramento a nível da UE para a troca de informações sobre os desafios ligados à saúde mental. As melhores práticas são registadas na base de dados em linha da UE sobre saúde mental e bem‑estar. Avaliação científica dos riscos Os comités científicos que aconselham a Comissão Europeia emitem pareceres científicos independentes e de elevada qualidade sobre a segurança dos consumidores, os riscos para a saúde e o ambiente e os riscos para a saúde emergentes e recentemente identificados. Desde o início do seu novo mandato em abril de 2013, os comités científicos analisaram 51 questões ligadas à saúde, entre as quais questões relacionadas com os campos eletromagnéticos, as nanopartículas de prata, os implantes mamários à base de silicone, as amálgamas dentárias, as próteses da anca de metal-metal e alguns ingredientes dos cosméticos, como o alumínio. O trabalho da AESA e da OMS complementa a ação da UE em matéria de avaliação científica dos riscos. A S P O L Í T I C A S D A U N I Ã O E U R O P E I A Melhorar o acesso à informação no domínio da saúde A melhoria do acesso à informação é uma componente essencial da ação da UE para promover a saúde e reduzir as desigualdades neste domínio. O sítio web sobre saúde pública da Comissão Europeia destaca o trabalho realizado pela Comissão em matéria de saúde pública e contém artigos de imprensa, documentos jurídicos, vídeos, informações sobre eventos, estatísticas e notícias sobre a saúde na Europa. Investigação e conhecimentos especializados na área da saúde A UE coordena e apoia a investigação europeia em muitos domínios, entre os quais a saúde. Desde 2007, a UE afetou 6 mil milhões de euros à investigação no domínio da saúde, dando prioridade aos seguintes aspetos: • aplicações clínicas dos resultados da investigação fundamental; • desenvolvimento e validação de novas terapias; • definição de estratégias de promoção da saúde e de prevenção; • aperfeiçoamento das ferramentas de diagnóstico e das tecnologias médicas; • reforço da sustentabilidade e da eficácia dos sistemas de saúde. Foram também criadas redes europeias de centros de referência numa vasta gama de questões em matéria de saúde, desde a poluição atmosférica à saúde materna. Essas redes ajudam as autoridades nacionais e os profissionais da saúde a partilhar boas práticas e conhecimentos especializados. Entre os projetos recentes financiados pela UE neste domínio, contam‑se várias iniciativas para promover os registos de saúde eletrónicos, bem como o Sistema Europeu de Informação sobre a Saúde e a Esperança de Vida. S A Ú D E 15 P Ú B L I C A Perspetivas Sistemas de saúde sustentáveis e economicamente viáveis As iniciativas da UE irão consolidar as ações existentes no domínio da saúde e dos cuidados de saúde, tendo em vista em especial ajudar os Estados-Membros no que respeita à melhoria da sustentabilidade dos sistemas de saúde. Com todos os países da UE a braços com uma procura crescente de serviços de saúde e opções tecnológicas cada vez mais complexas, num contexto de fortes condicionalismos impostos pelas finanças públicas, a UE procurará: • continuar a desenvolver conhecimentos especializados em análises de desempenho dos sistemas de saúde; • construir bases de conhecimento nacionais e transnacionais sobre, por exemplo, qualidade e produtividade dos profissionais da saúde da UE e qualidade e eficácia das despesas públicas com a saúde. O propósito deste património de conhecimentos será servir de suporte informativo para as políticas nacionais e europeias e para os trabalhos do Semestre Europeu de coordenação das políticas económicas. Aumentar a utilização da saúde em linha e da telemedicina A saúde em linha, ou seja, a utilização da tecnologia digital para melhorar o acesso e a qualidade dos cuidados de saúde e tornar este setor mais eficaz, desempenhará um papel cada vez mais importante na política de saúde da UE. Entre as ações realizadas pela UE neste domínio conta-se a criação, em 2011, de uma rede de saúde em linha, de utilização facultativa, para promover a utilização de sistemas eletrónicos e de novas soluções inovadoras no domínio dos cuidados de saúde. A saúde em linha permite: • ser tratado e acompanhado à distância; • o acesso a registos médicos eletrónicos por parte dos médicos e dos doentes; • uma rápida comunicação de dados, tais como resultados de exames ou receitas médicas; • uma melhor coordenação dos cuidados prestados transfronteiras; • uma melhor colaboração entre os fornecedores de serviços de saúde; • um maior controlo da saúde por parte dos doentes. Entre os futuros objetivos em matéria de saúde em linha está, nomeadamente, a criação de um vasto sistema normalizado de registos de saúde eletrónicos e de novas redes de informação médica entre diferentes centros de cuidados de saúde. Outro dos objetivos é a coordenação da resposta às ameaças à saúde e o desenvolvimento de serviços de saúde em linha, tais como teleconsultas, receitas eletrónicas, transferência eletrónica de dossiês e reembolso eletrónico. Regras mais rigorosas para os dispositivos médicos Existem cerca de 500 000 dispositivos médicos diferentes no mercado europeu, desde um simples penso às próteses articulares, passando pelos aparelhos de diálise renal. Os dispositivos médicos abrangem também os instrumentos, aparelhos, implantes ou dispositivos análogos utilizados no diagnóstico, tratamento, cura ou prevenção de doenças ou de outro estado patológico. Os dispositivos médicos in vitro incluem, nomeadamente, testes de diagnóstico, tais como os testes de gravidez ou as análises de sangue utilizadas para o colesterol e o VIH. Em setembro de 2012, a UE propôs novas regras para reforçar a segurança, a eficiência e a inovação no setor dos dispositivos médicos. Essa regulamentação tem por objetivo melhorar a rastreabilidade e a coordenação entre as autoridades nacionais de fiscalização, clarificar os direitos e as responsabilidades dos fabricantes, dos importadores e dos distribuidores, estabelecer requisitos mais estritos em matéria de dados clínicos e financiar uma vasta base de dados pública sobre os dispositivos médicos disponíveis no mercado europeu. As novas disposições deverão entrar em vigor em 2015. C O M P R E E N D E R Intensificar o combate contra a resistência antimicrobiana (RAM) Em setembro de 2014, a Comissão propôs que se modernizasse as disposições aplicáveis aos medicamentos veterinários e aos alimentos medicamentosos, tendo aproveitado a oportunidade para tratar da problemática da RAM. A S P O L Í T I C A S D A U N I Ã O E U R O P E I A em animais, de determinados agentes antimicrobianos reservados ao tratamento de infeções humanas. A proposta relativa aos alimentos medicamentosos irá tratar a problemática das RAM através de medidas como a proibição da utilização preventiva de alimentos medicamentosos enquanto estimuladores de crescimento. Estas novas disposições deverão entrar em vigor dentro de dois a três anos. A proposta relativa aos medicamentos veterinários visa preservar a eficácia dos antibióticos de uso humano e de uso veterinário, introduzindo para o efeito a possibilidade de limitar a autorização e a utilização, Saiba mais XX Saúde pública [http://ec.europa.eu/health/index_en.htm] XX Direção-Geral da Comissão Europeia «Saúde e Consumidores» [http://ec.europa.eu/dgs/health_consumer/index_en.htm] XX Direção-Geral da Comissão Europeia «Empresas e Indústria» [http://ec.europa.eu/enterprise/index_pt.htm] XX «Os ex-fumadores são imparáveis»: celebrar as vitórias dos ex-fumadores em toda a Europa [http://www.exsmokers.eu/] XX Perguntas sobre a UE? O serviço Europe Direct pode ajudá-lo: 00 800 6 7 8 9 10 11 (http://europedirect.europa.eu) ISBN 978-92-79-42350-5 doi:10.2775/70786 NA-06-14-046-PT-C 16