CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA PAULA SOUZA - ETEC PROF. MÁRIO ANTÔNIO VERZA CURSO TÉCNICO EM CONTABILIDADE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DE CUSTOS E SUA IMPORTÂNCIA NO SETOR DE MANUTENÇÃO ANA CÉLIA GONÇALVES JOÃO PEDRO PEDROSO PIRES MARIA ANTONIA MONTEIRO METTIFOGO MICHELE RODRIGUES ROSA BUENO SUELI DOS SANTOS SABINO WALTER JOSÉ MONTEIRO JUNIOR PALMITAL - SP 2011 ANA CÉLIA GONÇALVES JOÃO PEDRO PEDROSO PIRES MARIA ANTONIA MONTEIRO METTIFOGO MICHELE RODRIGUES ROSA BUENO SUELI DOS SANTOS SABINO WALTER JOSÉ MONTEIRO JUNIOR PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DE CUSTOS E SUA IMPORTÂNCIA NO SETOR DE MANUTENÇÃO Trabalho de conclusão de curso apresentado à ETEC Prof. Mário Antônio Verza, como parte dos requisitos necessários para a obtenção do título de Técnico em Contabilidade. Orientador: Prof. Cleison Faria Coutinho. PALMITAL 2011 CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA PAULA SOUZA ETEC PROF. MÁRIO ANTÔNIO VERZA ANA CÉLIA GONÇALVES JOÃO PEDRO PEDROSO PIRES MARIA ANTONIA MONTEIRO METTIFOGO MICHELE RODRIGUES ROSA BUENO SUELI DOS SANTOS SABINO WALTER JOSÉ MONTEIRO JUNIOR PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DE CUSTOS E SUA IMPORTÂNCIA NO SETOR DE MANUTENÇÃO APROVADO EM ____/____/____ BANCA EXAMINADORA: ______________________________________________________ CLEISON FARIA COUTINHO – ORIENTADOR ______________________________________________________ JOSÉ MARCELINO CALEGARI – EXAMINADOR ______________________________________________________ ROBERTO GABRIEL RONQUI – EXAMINADOR DEDICATÓRIA Dedicamos este trabalho a Deus pelo esplendor da vida, presente em todas as atividades; aos amigos pelo incentivo; às nossas famílias, filhos, esposas e maridos pelo apoio, compreensão, carinho e paciência durante todo este curso, principalmente nos momentos de dificuldades. EPÍGRAFE "Por mais longa que seja a caminhada, o mais importante é dar o primeiro passo." (Vinicius de Moraes) GONÇALVES, Ana Célia; PIRES, João Pedro Pedroso; METTIFOGO, Maria Antonia Monteiro; BUENO, Michele Rodrigues Rosa; SABINO, Sueli dos Santos; MONTEIRO, Walter José Junior. Planejamento estratégico de custos e sua importância no setor de manutenção. 2011. 58 f. Trabalho de Conclusão de Curso no Ensino Técnico apresentado à ETEC Prof. Mário Antônio Verza, como parte dos requisitos necessários para a obtenção do título de Técnico em Contabilidade. RESUMO O presente Trabalho de Conclusão do Curso Técnico de Contabilidade abordará o tema de Planejamento Estratégico de custos e sua Importância no Setor de Manutenção, da Empresa Sucroalcooleira Destilaria Pyles Ltda, localizada na cidade de Platina, no interior do estado de São Paulo, visando reduzir seus custos de manutenção através da análise minuciosa dos dados extraídos na mesma e de terceiras, na região. Para o desenvolvimento do trabalho foi abordado os tipos de custos, custeios, fixação de custos, manutenções e as comparações entre os dados fornecidos no decorrer do estudo, possibilitando a reflexão do grupo na proposta a ser apresentada à empresa, uma alternativa de redução de custos para aferir o resultado positivo no setor financeiro e contábil. Palavras-chave: Planejamento; Estratégia; Custo; Manutenção. LISTA DE TABELAS TABELA 01 – Cálculo da hora trabalhada do mecânico ........................................ 41 TABELA 02 – Cálculo da hora trabalhada do motorista ......................................... 42 TABELA 03 – Cálculo do deslocamento do veículo por litro de combustível ......... 43 TABELA 04 – Troca de óleo e componentes a cada 14.000 km - cálculos ............ 44 TABELA 05 – Análise do motor do veículo a cada 14.000 km – cálculos .............. 45 TABELA 06 – Manutenção preventiva - cálculos ................................................... 46 TABELA 07 – Escala de parada para manutenção ................................................ 47 TABELA 08 – Manutenção corretiva 01 - cálculos ...................................................... 48 TABELA 09 – Manutenção corretiva 02 - cálculos ................................................ 49 TABELA 10 – Valores totais de manutenção - cálculos ........................................ 50 TABELA 11 – Custos de manutenção pré-corretivas versus retífica de motor cálculos .................................................................................................................. 50 TABELA 12 – Custos de manutenção pré-corretivas versus troca do motor cálculos .................................................................................................................. 51 LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICO 01 – Custos versus nível de manutenção .............................................. 34 GRÁFICO 02 – Lucro versus disponibilidade .......................................................... 35 GRÁFICO 03 – Custos de manutenção versus retífica do motor ............................ 52 GRÁFICO 04 – Custos de manutenção versus troca de motor .............................. 53 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas CFC – Conselho Federal de Contabilidade RFB – Receita Federal do Brasil CRC – Conselho Regional de Contabilidade TCC – Trabalho de Conclusão de Curso SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO .................................................................................................... 11 1.1 OBJETIVOS ...................................................................................................... 12 1.2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS .......................................................... 12 2. PLANEJAMENTO E ESTRATÉGIA ................................................................... 14 3. TERMINOLOGIAS .............................................................................................. 17 4. DEFINIÇÕES DA CONTABILIDADE DE CUSTOS ............................................ 18 4.1 CUSTOS DIRETOS .......................................................................................... 18 4.2 CUSTOS INDIRETOS ....................................................................................... 19 4.3 CUSTO INTEGRAL ........................................................................................... 19 4.4 CUSTOS FIXOS ................................................................................................ 20 4.5 CUSTOS VARIÁVEIS........................................................................................ 20 4.6 CUSTO MISTO ................................................................................................. 21 5. MÉTODO DE CUSTEIO TRADICIONAIS ........................................................... 22 5.1 CUSTEIO POR ABSORÇÃO ........................................................................... 22 5.2 CUSTEIO VARIÁVEL .................................................................................................. 23 5.3 MÉTODOS DE CUSTEIO ABC ......................................................................... 24 5.4 CUSTO PADRÃO .............................................................................................. 25 5.4.1 Tipos de Custo Padrão .................................................................................. 26 5.4.2 Utilização do Custo Padrão ........................................................................... 27 5.4.3 Fixação do Padrão ........................................................................................ 28 5.4.4 Problema da Fixação do Custo Padrão ......................................................... 28 5.4.5 Variações e Custo Padrão ............................................................................. 29 5.4.6 Tipos de Variações ....................................................................................... 29 5.5 CUSTOS CONTROLÁVEIS E CUSTOS NÃO CONTROLÁVEIS ..................... 30 5.6 CONSTRUÇÃO DO PADRÃO .......................................................................... 30 6. CUSTO DE MANUTENÇÃO ............................................................................... 32 6.1 CUSTOS POR FALTA DE MANUTENÇÃO ..................................................... 32 7. TIPOS DE MANUTENÇÃO ................................................................................. 36 7.1 MANUTENÇÃO PREDITIVA ............................................................................ 36 7.2 MANUTENÇÃO DETECTIVA ........................................................................... 37 7.3 MANUTENÇÃO PREVENTIVA ........................................................................ 37 7.4 MANUTENÇÃO CORRETIVA ........................................................................... 38 8. ESTUDO DE CASO ............................................................................................ 40 8.1 MANUTENÇÃO PREDITIVA - CÁLCULOS ...................................................... 44 8.2 MANUTENÇÃO DETECTIVA - CÁLCULOS .................................................... 45 8.3 MANUTENÇÃO PREVENTIVA - CÁLCULOS .................................................. 46 8.4 MANUTENÇÃO CORRETIVA - CÁCULOS....................................................... 48 9. CONCLUSÃO ..................................................................................................... 54 REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 56 11 1. INTRODUÇÃO A necessidade das empresas em adotar sistemáticas de planejamento estratégico passou a ser mais criteriosa, estudada, analisada e implantada pelos contadores, o mesmo não pode se restringir apenas em contabilizar os dados obtidos no processo de produção e receita, mas em oferecer inúmeras informações para tomadas de decisões. Uma boa análise dos custos dos produtos e serviços das empresas é de suma importância para que o contabilista tenha condições de avaliar as contribuições do departamento de manutenção para uma correta otimização de custos. Para obter uma análise mais detalhada, o trabalho utilizará pesquisa de campo com o estudo de caso e o levantamento bibliográfico como base teórica sobre planejamento estratégico de custos no setor de manutenção explorando custos diretos, indiretos, entre outros e principalmente, utilizando como referencia custo padrão; entretanto todos os métodos proporcionam extraordinários recursos para o desenvolvimento de mecanismos de sustentação da vantagem competitiva. A identificação, e classificação dos custos nas empresas são de grande importância para agrega-los corretamente a planilha de custos das mesmas, possibilitando gerenciar melhor seu serviço de manutenção e obtendo uma análise coerente dos dados nela apresentados. Há uma grande dificuldade nas empresas em definir qual método de custeio é mais adequado para elaboração do planejamento de custo, pois a escolha é de extrema importância para definir as estratégias a serem tomadas para redução dos custos, e definir quais alternativas traz maior rentabilidade. O Processo de planejamento sendo permanente e dinâmico nas empresas é capaz de incorporar as mudanças do ambiente e deve durar enquanto a empresa estiver no mercado. A mobilização agrupa forças e envolve todas as pessoas e setores da empresa como um todo, em direção ao sucesso, possibilitando a construção do futuro e não prever ou adivinhar o mesmo, mas sim construí-lo, os planejamentos são classificados como: planejamento estratégico, tático e operacional. O presente trabalho explora o planejamento organizacional e análise de custos, dentre vários métodos de custeio, o custo de manutenção como sendo uma 12 a estratégia a ser adotada para redução e padronização dos serviços de manutenção da empresa, onde a análise de custos de manutenção classifica-se em preditiva, detectiva, preventiva e corretiva, na qual serão abordadas detalhadamente. 1.1 OBJETIVOS Adoção da sistemática de planejamento estratégico de custos mais adequados à realidade econômica e financeira da entidade impacta em maiores rendimentos e a possibilidade de continuidade do negócio por mais tempo. Paradoxalmente a esta possibilidade é importante salientar que vários são os cuidados a serem tomados no sentido de não se cometer erros ou infrações na obtenção de redução dos custos, pois a empresa torna-se vulnerável as penalidades no setor financeiro, o que comprometeria da mesma forma a rentabilidade e continuidade do empreendimento, principalmente nas oscilações decorrentes no valor final do produto no mercado. A responsabilidade do profissional contabilista não se restringe apenas em contabilizar os dados obtidos no processo de produção e receita da empresa, mas em oferecer inúmeras informações para tomadas de decisões, o presente trabalho tende a mostrar os processos e custos de manutenção como alternativa de redução do custo no processo administrativo. 1.2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Uma boa análise dos custos dos produtos e serviços das empresas é de suma importância para que o contabilista tenha condições de avaliar a mesma e as contribuições do departamento de manutenção para uma correta otimização de custos. O presente trabalho utilizará pesquisa de campo como estudo de caso e o levantamento bibliográfico, como base teórica sobre planejamento estratégico de custos no setor de manutenção explorando custos diretos, indiretos e principalmente utilizando como referencia custo padrão; todos os métodos proporcionam extraordinários recursos para o desenvolvimento de mecanismos de sustentação da 13 vantagem competitiva. Pois, através de estudo de caso possibilita visualizar soluções em curto, médio e longo prazo possibilitando melhorar os programas pré – estabelecidos. “Ao se elaborar um processo de planejamento estratégico, diversas questões de projeto precisam ser consideradas. Não existem respostas únicas sobre as escolhas; ao invés disso, as respostas dependem da missão que estiver sendo executada pela unidade de negócios”. SHANK & GOVINDARAJAN (1997, p.121). Partindo dessa experiência novos instrumentos podem ser introduzidos no atendimento das necessidades de uma estrutura dinâmica, visando superar modelos estruturais de estratégia de manutenção. 14 2. PLANEJAMENTO E ESTRATÉGIA O planejamento estratégico de custos no setor de manutenção visa uma melhor gestão dos recursos da empresa, a palavra planejamento, conforme o dicionário Aurélio a palavra planejamento deriva-se de planejar + mento, é o ato ou efeito de planejar e constituir o trabalho para a preparação de qualquer empreendimento, seguindo o roteiro e métodos determinados visando à consecução dos objetivos. A palavra estratégia vem do latim strategía que, por sua vez, deriva de dois termos gregos: stratos (“exército”) e agein (“conduzir”, “guiar”). Portanto, o significado primário de estratégia é a arte de conduzir as operações militares. "O planejamento estratégico pode ser conceituado como um processo gerencial que possibilita aos administradores estabelecerem o rumo a ser seguido pela empresa, com vistas a obter um nível de melhoria continua na relação da empresa com seu ambiente". Oliveira (1996, p.46). Segundo STONER, James (1985, p.112), “Planejamento estratégico é o processo através do qual a empresa se mobiliza para atingir o sucesso e construir o seu futuro, por meio de um comportamento proativo, considerando seu ambiente atual e futuro”. E OLIVEIRA (2007, p.4), “O planejamento estratégico é ainda um processo contínuo, composto de várias etapas, funciona de forma não linear em decorrência de haver variabilidade nas empresas. Essa variabilidade é devida às pressões ambientais que a empresa tem de suportar”. Conforme KOTLER (1992, p.63), “planejamento estratégico é definido como o processo gerencial de desenvolver e manter uma adequação razoável entre os objetivos e recursos da empresa e as mudanças e oportunidades de mercado”. O Planejamento estratégico é o processo de seleção dos objetivos específicos de uma empresa ou organização para se atingir o rumo à consecução das metas e o estabelecimento necessário dos métodos para assegurar a execução das políticas e dos programas estratégicos. O planejamento tem o processo formalizado e de longo alcance empregado para se definir e atingir os objetivos 15 organizacionais, estruturado em processo, mobilização, construção do futuro, comportamento proativo e ambiente. O Processo sendo permanente, dinâmico, é capaz de incorporar as mudanças do ambiente, deve durar enquanto a empresa estiver no mercado. A mobilização agrupa forças e envolve todas as pessoas e setores da empresa como um todo, em direção ao sucesso, possibilitando a construção do futuro e não prever ou adivinhar o mesmo, mas sim construí-lo. Todo planejamento estratégico envolve análise do passado, presente e traça caminhos para o futuro das empresas. Fazendo com que o planejamento aproveite oportunidades frente às mudanças que ocorrem no mercado competitivo entre as empresas. Pode-se dizer que o planejamento estratégico irá posicionar o ponto de vista contábil e administrativo, desenvolvendo ações que levarão a organização ao cumprimento de suas metas elaboradas. OLIVEIRA (2007, p.4), Apud, Costa; Freire; et al. “[...] existem três grandes níveis hierárquicos, que podem ser distinguidos a seguir. Planejamento estratégico; Planejamento tático; e Planejamento operacional. Planejamento estratégico: relaciona-se com o objetivo de longo prazo e com estratégias e ações para alcançá-las no qual afetam a empresa como um todo, ou seja, é considerado como sendo o planejamento de longo alcance, no qual o horizonte de tempo é maior do que um ano. Devido ao seu planejamento temporal longo, o planejamento estratégico opera com dados que são continuamente incompletos e imprecisos. A falta desses aspectos é suprida através do desenvolvimento e implantação dos planejamentos táticos e operacionais. Planejamento tático: tem por finalidade aperfeiçoar determinada área de resultado e não a empresa como um todo. Portanto, trabalha com decomposições dos objetivos, estratégias e políticas estabelecidas no planejamento estratégico. É desenvolvido pelos níveis organizacionais intermediários, tendo como principal finalidade a utilização eficiente dos recursos disponíveis para a consecução de objetivos previamente fixados, segundo uma estratégia predeterminada, bem como as políticas para o processo decisório da empresa. 16 Planejamento operacional: é formalização, principalmente através de documentos escritos, das metodologias de desenvolvimento e implantação de resultados específicos a serem alcançados pelas áreas funcionais da empresa. O planejamento estratégico e o tático são dois aspectos de comportamento. O estratégico relaciona-se com objetivos de longo prazo e com modos de persegui-los que afetam toda a empresa; o tático relaciona-se com metas de curto prazo e com meios de atingi-los que, geralmente afetam somente uma parte da empresa. O planejamento operacional é a forma de como executar o que foi planejado no estratégico e tático”. As empresas sejam micros, pequenas, médias ou grandes necessitam de iniciativa estratégica e planejamento de custos a serem instruídas de acordo com as ferramentas gerenciais que a contabilidade pode proporcionar para o aumento da rentabilidade e otimização dos custos. Sendo assim, a contabilidade geral da o suporte para o planejamento da entidade e apóia o gestor durante as suas operações e construções de conceitos para gerir seus gastos, investimentos, custos, despesas, perdas e prejuízos conforme o sistema contábil aderido pela empresa. 17 3. TERMINOLOGIAS A contabilidade geral utiliza-se de algumas terminologias, como gastos, investimentos, custos, despesas, perda e prejuízo essas definições são de extrema importância, para diferenciá-los e obter o aprofundamento da sistemática de custos que serão abordadas com ênfase no atual Trabalho de Conclusão do Curso. Gastos é o sacrifício financeiro com que a entidade arca para a obtenção de um produto ou serviço qualquer, segundo a contabilidade, serão em última instância classificados como custos ou despesas. Investimentos representam um gasto ativado em função de sua vida útil ou benefícios atribuíveis a futuros períodos, ficam temporariamente “congelados” no ativo da entidade, e posteriormente e de forma gradual, são “descongelados” e incorporados aos custos e despesas. Custos é um gasto relativo à bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços. Portanto, estão associados aos produtos ou serviços produzidos pela entidade, é reconhecido como custo no momento da utilização dos fatores de produção para a fabricação de um produto ou para a execução de um serviço. Despesas estão relacionadas à bens ou serviços consumidos direta ou indiretamente para a obtenção de receitas. Não estão associados à produção de um produto ou serviço. São itens que reduzem o patrimônio líquido e tem a característica de representar sacrifícios no processo de obtenção de receitas. As despesas são classificadas como fixas ou variáveis. Perdas são todos os bens ou serviços consumidos de forma anormal e involuntária, sendo um gasto não intencional decorrente de fatores externos, extraordinário, ou atividades produtivas normais da empresa. Prejuízos é todo e qualquer resultado negativo das operações da empresa envolvendo as receitas menos as despesas refletindo diretamente no patrimônio liquido. Conclui – se que as terminologias utilizadas na contabilidade que diferem uma das outras em função da sua utilização, despesa ou custo, por exemplo, onde uma classificação correta possibilita a tomada de decisão certa, através de dados levantados dos custos da empresa, custos estes que será abordado a seguir. 18 4. DEFINIÇÕES DA CONTABILIDADE DE CUSTOS O Trabalho de Conclusão de Curso abordará o planejamento estratégico de custos dentro da contabilidade de custo, com breve relato do que é contabilidade e o aprofundamento de estudo dos conceitos, e definições de custos na contabilidade gerencial. Segundo MARION (2005, p.27), “A contabilidade é o instrumento que fornece o máximo de informações úteis para a tomada de decisões dentro e fora da empresa. Ela e muito antiga e sempre existiu para auxiliar as pessoas a tomarem decisões”. A contabilidade de custos surgiu e iniciou-se com Revolução Industrial, devido ao fato da grande mudança que passou o país, no início do século XX, com a industrialização, pois foi necessário elaborar um inventário em um determinado período operacional, que se procurava identificar o valor dos produtos produzidos e vendidos. Naquela época apenas alocavam seus custos basicamente com matéria prima e mão de obra, praticamente um processo artesanal. “A partir da 1ª guerra mundial com o aumento do processo produtivo e consequentemente o aumento da concorrência entre empresas e a escassez de recursos foi necessário aperfeiçoar os mecanismos de planejamento e controle de seus custos, desde então a contabilidade de custos sofreu uma elevação considerável podendo ter infinitas ramificações em sua aplicação dependendo da área de atuação da empresa e de suas necessidades de controle de custos com a finalidade de redução dos mesmos. Sendo assim hoje em dia a contabilidade de custos pode ser aplicada na totalidade dos empreendimentos com maior e menor complexidade”. SUTIL, Terezinha Zirlei (2007, p.2). Na contabilidade de custos são subdivididos em custos diretos, custos indiretos, custo integral, custos fixos, custos variáveis. 4.1 CUSTOS DIRETOS Constituem todos aqueles elementos de custo individualizáveis com respeito ao produto ou serviço, isto é, identificam-se, imediatamente, com a produção dos mesmos, mantendo uma correspondência proporcional. Um mero ato de medição é necessário para determinar estes custos. 19 “[...] verificam se que alguns custos podem ser diretamente apropriados aos produtos, bastando haver uma medida de consumo (quilogramas de materiais consumidos, embalagens utilizadas, horas de mão de obra utilizadas e até quantidade de força consumida). São os Custos Diretos com relação aos produtos”. MARTINS (2006, p.48). Os custos diretos são aqueles que podem ser alocados diretamente à produção, ficando claro a sua utilização na composição do produto. 4.2 CUSTOS INDIRETOS Indireto é o custo que não se pode apropriar diretamente a cada tipo de bem ou função de custo no momento de sua ocorrência. Os custos indiretos são apropriados aos portadores finais mediante o emprego de critérios pré-determinados e vinculados a causas correlatas, como mão de obra indireta, rateada por horas/homem da mão de obra direta, gastos com energia, com base em horas/máquinas utilizadas, entre outros. “Os custos diretos são aqueles que podem ser identificados objetivamente com um objeto de interesse, sem a necessidade de uso de critérios de alocação. Os custos indiretos, por sua vez, são aqueles que não podem ser objetivamente identificados com determinado objeto”. GUERREIRO (2006, p.20). Os custos indiretos, são aqueles que apesar de comporem a planilha final de custo das empresas, não agem de forma direta sobre os produtos, não havendo a possibilidade de definir claramente o percentual de sua participação na composição do produto. 4.3 CUSTO INTEGRAL O custo integral pode ser utilizado quando a empresa programa sua produção a partir de encomendas específicas, pois cada produto tem características especiais de tamanho, capacidade, tipo de matéria prima, cor, entre outras características. O custo integral conforme PADOVEZE (2005, p.149), “[...] que pode ser definido como o método que apropria aos produtos, além dos custos de fabricação, o total das despesas administrativas e comerciais”. 20 Este método de custo é muito utilizado em produtos sob medida, personalizados, por encomenda, como navios, ou na construção civil, são todos aqueles produzidos somente para um determinado fim e específico. Conclui-se custo integral na apropriação de todos os custos (diretos e indiretos, fixos e variáveis) causados pelo uso de recursos da produção aos bens elaborados. 4.4 CUSTOS FIXOS Custos fixos por definição são aqueles que não variam proporcionalmente à produção, por isso não são apropriados ao produto, serão confrontados com o resultado pelo total, não pelo valor unitário. Nesse modelo, cada unidade produzida e vendida contribui para o resultado com uma parcela denominada Margem de Contribuição, que é, matematicamente, a diferença entre o preço do produto e seus custos variáveis. “É classificado como custo fixo o valor dos recursos consumidos que não guardam estreita correlação com o volume de produção e vendas. Quando o volume de produção e vendas aumenta – dentro de um determinado intervalo – o custo fixo permanece de certa forma indiferente. Os custos fixos são diretamente correlacionados com algum elemento da estrutura, por exemplo, edifícios, maquinas, contratos de prestação de serviço, espaço físico ou pessoas”. GUEREIRO (2006, p. 17). Custos fixos são todos os custos existentes independentes da produção ou não da empresa, como exemplo, o aluguel e o vigilante. 4.5 CUSTOS VARIÁVEIS Custos variáveis cujos valores globais de consumo dos materiais diretos por um período de tempo dependem diretamente do volume de produção. Quanto maior a quantidade fabricada maior o seu consumo ou vice-versa. “[...] o valor global de consumo dos materiais diretos por mês depende diretamente do volume de produção. Quanto maior a quantidade produzida, maior seu consumo. Dentro, portanto, de uma unidade de tempo (mês, neste exemplo) o valor do custo com tais materiais varia de acordo com o volume de produção; logo, materiais diretos são Custos Variáveis”. MARTINS (2006, p.49). Portanto, custo variável é alocado os recursos consumidos que possuem estreita correlação com o volume de produção e vendas, quando o volume de 21 produção e vendas aumenta, o custo aumenta; e ao diminuir o volume de produção e vendas, o custo tende a diminuir. 4.6 CUSTO MISTO Custo misto também é conhecido como semivariáveis são aqueles que variam com o nível de produção. Porém, tem uma parcela fixa mesmo que não exista produção, conforme a produção aumenta, o custo passa a ser variável e deixa de tornar se custo fixo, normalmente, apresentam componentes fixos e outros que variam em função do volume de vendas ou produção. “[...] custos mistos são aqueles que têm um componente fixo e um componente variável. Por exemplo: os funcionários que recebem um salário fixo e comissões sobre a produção. Cada unidade produzida acrescentará um valor x em seus salários”. Hasen e Mowen (2001, p. 92). Portanto, são os custos que variam de acordo com a produção, mas possuem uma parte fixa mesmo que nada seja produzido. Também são denominados semifixos e semivariáveis. Exemplos: energia elétrica, aluguel de máquinas de Xerox, entre outros. 22 5. MÉTODOS DE CUSTEIOS TRADICIONAIS A necessidade das empresas em definir qual método de custeio para elaboração do planejamento de custo torna-se de extrema importância para definir as estratégias a serem tomadas para redução dos custos e definir quais produtos e valores a serem vendidos ao mercado, com maior rentabilidade. Os três principais métodos de custeio essenciais para as empresas que são abordadas pela bibliografia de custos no Brasil, referem-se ao custeio por absorção, variável e ABC. 5.1 CUSTEIO POR ABSORÇÃO O sistema de custeio por absorção é o sistema que apura o valor dos custos dos bens ou serviços, tomando como base todos os custos da produção, quer sejam fixos ou variáveis, diretos ou indiretos. Conforme Megliorini (2001, p.3), “[...] ensina que custeio por absorção é o método de custeio que consiste em atribuir aos produtos fabricados todos os custos de produção, quer de forma direta ou indireta”. “O método de custeio denominado de custeio por absorção é aquele que distribui todos os custos de produção e um período, sejam fixos ou variáveis, direitos ou indiretos, às quantidades de produtos fabricados. O custeio por absorção está relacionado com a visão financeira da contabilidade, cuja ênfase é a avaliação dos estoques e o atendimento a normas e princípios contábeis”. GUERREIRO (2006, p.21). O custeio por absorção apresenta a vantagem por atender aos Princípios Fundamentais de Contabilidade, editados pela resolução 750/93 do Conselho Federal de Contabilidade, principalmente no que tange ao Princípio da Competência. Nesse sentido reconhece todos os custos de produção como despesas somente no momento da venda, demonstrando de forma mais apropriada à confrontação da receita com a despesa, na apuração do resultado sendo aceito pelo fisco brasileiro. 23 “[...] a dificuldade que as empresas encontram para alocar custos indiretos reside na definição da base de rateios a ser utilizada, pois é uma tarefa que envolve aspectos subjetivos e arbitrários. Se o critério adotado não for bem consistente, o resultado de custos ficará por certo deficiente para atender aos fins a que se propões”. Megliorini (2001, p.62). Há necessidade de mencionar dois fatores que se apresentam como desvantagens do sistema de custeio por absorção. Primeiro, o fato do mesmo apresentar pouca quantidade de informações para fins gerenciais, pois serve basicamente à valoração dos estoques e das despesas com produtos ou serviços vendidos. Em segundo lugar, como este sistema considera a alocação de todos os custos aos bens, mercadorias ou serviços, há a necessidade de rateio dos custos indiretos, o que torna as informações de custos frágeis, visto que os rateios estão sujeitos ao subjetivismo da ação do homem. 5.2 CUSTEIO VARIÁVEL O sistema de custeio variável procura amenizar as distorções existentes nos critérios de rateios exigidos no sistema de custeio por absorção. No custeio por absorção os custos fixos são rateados aos produtos e/ou serviços enquanto que no custeio variável estes custos são tratados como despesas, e vão direto para o resultado. “[...] é aquele que distribui apenas os custos variáveis de produção às quantidades de produtos produzidos no período. Os custos fixos de produção não fazem parte do custo do produto e são tratados como gastos de período da mesma forma que as despesas administrativas, comerciais e financeiras. Tendo em vista que os custos fixos não são rateados aos produtos, o custo unitário do produto não sofre o impacto das oscilações de critérios de rateio e das oscilações do volume de produção e vendas”. (GUERREIRO, 2006, P.24). Conforme abordando comentários acerca dos custos fixos, Megliorini (2001, p.137) afirma que “[...] enquanto no custeio por absorção eles são rateados aos produtos, no custeio variável são tratados como custos do período, indo diretamente para o resultado igualmente às despesas”. A diminuição da necessidade de rateio deve-se ao fato de que no sistema de custeio variável, são alocados aos produtos e/ou serviços, somente os custos 24 variáveis e, como na maioria dos casos, os custos variáveis também são diretos, expurgam-se assim os rateios dos custos indiretos. A vantagem do custeio variável é a apresentação de informações gerenciais para o gestor. Conforme Megliorini (2001, p.137) “[...] este método permite aos administradores utilizar os custos como ferramenta auxiliar na tomada de decisões”. Quando expurga os custos indiretos da composição dos custos unitários de cada produto e/ou serviço e o leva direto ao resultado, permite-se demonstrar quanto cada produto e/ou serviço contribuiu para o resultado final da entidade por meio da margem de contribuição de cada produto. Nesse contexto se permite avaliar, individualmente o resultado de cada unidade sobre o todo. Como desvantagem apresenta-se a não obediência aos Princípios Fundamentais de Contabilidade, por não atender principalmente o princípio da competência, uma vez que os custos fixos, referentes a produtos e/ou serviços, ainda não vendidos, são levados diretamente para o resultado. O custeio variável não é aceito pela Legislação Tributária vigente no país, devido ao fato que o custo fixo ao ser absorvido ao produto aumenta seu custo e maquie o resultado obtido nas transações de receitas e despesas, afetando diretamente a apuração do resultado e consequentemente o lucro líquido do período. 5.3 MÉTODO DE CUSTEIO ABC O sistema de custeio baseado em atividades (ABC – Activity Based Costing) procura, igualmente, amenizar as distorções provocadas pelo uso do rateio, necessários aos sistemas tratados anteriormente, principalmente no que tange ao sistema de custeio por absorção. Martins (2003, p.87), afirma que o Custeio Baseado em Atividades “[...] é uma metodologia de custeio que procura reduzir sensivelmente as distorções provocadas pelo rateio arbitrário dos custos indiretos”. O sistema tem como fundamento básico a busca do princípio da causação, ou seja, procura identificar de forma clara, por meio de rastreamento, o agente causador do custo, para lhe imputar o valor. A ideia básica é atribuir primeiramente os custos às atividades e posteriormente atribuir custos das atividades aos produtos. Sendo assim, 25 primeiramente faz-se o rastreamento dos custos que cada atividade causou, atribuindo-lhes estes custos, e posteriormente verificam-se como os portadores finais de custos consumiram serviços das atividades, atribuindo-lhes os custos definidos. Para LEONE (2004, p.191), “A margem de contribuição é o resultado da diferença entre a receita e os custos variáveis e diretos incorridos para a sua realização”. Conforme Eller (2000, p.82), “[...] o Custeio Baseado em Atividades parte da premissa de que as diversas atividades desenvolvidas geram custos e que os produtos consomem essas atividades”. Segundo Martins (2003, p.96), “[...] para atribuir custos às atividades e aos produtos utilizam se de direcionadores”. Martins (2003, p.96) ensina ainda que “[...] há que se distinguir dois tipos de direcionador: direcionador de custos de recursos, e os direcionadores de custos de atividades”. O autor cita e continua afirmando, que “[...] o primeiro identifica a maneira como as atividades consomem recursos e serve para custear as atividades”, e que “[...] o segundo identifica a maneira como os produtos consomem atividades e serve para custear produtos”. Contudo Nakagawa (2001, p.42), conceitua atividade “[...] como um processo que combina, de forma adequada, pessoas, tecnologias, materiais, métodos e seu ambiente, tendo como objetivo a produção de produtos”. O estudo do método ABC deve-se ponderar sobre as atividades envolvidas em cada processo de produção, seja de uma mercadoria ou um serviço. 5.4 CUSTO PADRÃO Corrobora PADOVEZE (1996, p.263), “Custo-Padrão é uma técnica para avaliar e substituir a utilização do custo real”, não podendo ser confundido com custo real. 26 “O método do custo padrão tem como função principal fornecer suporte para o controle de custos da empresa, proporcionando um padrão de comportamento para os custos. O custo padrão é a determinação antecipada dos componentes do produto, em quantidade e valor, apoiada na utilização de dados de várias fontes, com validade para determinado espaço de tempo". Dutra (1992, p.166). Consoante IUDÍCIBUS (1991, p.190), “Custo-Padrão é um sistema de custeamento de produtos e tem filosofia de controle das operações da empresa”. “Custo-Padrão trata-se de custo determinado a priori, ou seja, predeterminado, e que se fundamenta em princípios científicos e observa cada componente de custos (matérias, mão de obra e gastos gerais de fabricação) dentro de suas medidas de verdadeira participação no processo de produção, representando o quanto deve custar cada unidade em bases racionais de fabricação”. LEONE (1977, p.281). Conforme citado por LEONE (1977, p.281), Custo-Padrão, “[...] é uma previsão ou predeterminação do que os custos reais devem ser dentro de condições projetadas, servindo como uma base para o controle de custos e como uma medida da eficiência de produção”. Em resumo, a citação de LEONE descrita abaixo aborda a conclusão do grupo de trabalho do TCC, de forma clara e sucinta. "[...] o objetivo principal do custo-padrão é estabelecer uma medida planejada que será usada para compará-los com os custos reais ou históricos, aqueles que aconteceram e foram registrados pela Contabilidade, com a finalidade de revelar desvios que serão analisados e corrigidos, mantendo, assim, o desempenho operacional dentro dos rumos previamente estabelecidos". LEONE (1997, p.281). Ao citar o custo padrão há necessidade de abordar os tipos de custos envolvidos no mesmo. 5.4.1 TIPOS DE CUSTOS PADRÃO Normalmente, o custo-padrão é dividido em dois tipos: padrão básico e padrão corrente. Padrão Básico: Um padrão básico é uma medida-padrão pela qual se comparam tanto os desempenhos previstos como os reais. Pode comparar-se a um número índice, pelo qual se medem todos os resultados posteriores. Tal padrão não 27 se modifica, a menos que se modifiquem os métodos de produção, os produtos, as manutenções ou outros componentes básicos importantes. Padrão Corrente: Padrão corrente é um padrão para um determinado período, para certas condições e para certas circunstâncias. Toma o lugar de um custo real e se endereça para os livros de contas e, mesmo, talvez, para os demonstrativos financeiros. Quaisquer variações entre custos reais e padrão são encaradas como lucros ou perdas, devidos a eficiências ou ineficiências relativas. Revisa-se tal padrão, para refletir a modificação de métodos e de preços. A maioria das empresas adota o padrão corrente e não o básico. 5.4.2 UTILIZAÇÃO DO CUSTO PADRÃO O custo-padrão pode ser utilizado para diversas metas ou objetivos. O principal objetivo dos padrões é medir diferenças entre os que são custos e quais deveriam ser para propósitos de controle; mas, o maior objetivo do custo-padrão está ligado aos conceitos de controlabilidade empresarial. Os objetivos mais importantes do custo-padrão são: a) determinar o custo que deve ser o custo correto; b) definição de responsabilidades e obtenção do comprometimento dos responsáveis por cada atividade padronizada; c) avaliação de desempenho e eficácia operacional. Pode-se ainda identificar outros aspectos importantes do custo-padrão, como por exemplo: a) Substituir o custo real, que representa o custo acontecido. Como instrumento de planejamento estratégico, o custo real não tem nenhum significado. O mesmo serve apenas para avaliação de inventário e atender às necessidades legais e fiscais da contabilidade empresarial. b) Formação de preços de serviços de manutenção: É uma das melhores utilizações do custo-padrão. Apesar de, teoricamente, ser o mercado que determina o preço do serviço de manutenção, ele deve ser inicialmente calculado em cima de condições de custo das empresas. Dessa forma, como elemento inicial para formação de preços de manutenção, devemos utilizar o custo-padrão, pois ele traz 28 todos os elementos necessários para parametrizar um preço de serviço de manutenção ideal. c) Outra utilização do custo-padrão é no acompanhamento da inflação interna da empresa. Mensalmente, utiliza-se estruturar padrões para avaliar o crescimento do nível dos custos internos da empresa. Conclui-se que o custo padrão são os custos predeterminados cientificamente para alocar os materiais, horas de mão de obra exigidas e custos indiretos aplicados a um produto ou serviço. 5.4.3 FIXAÇÃO DO PADRÃO O padrão a ser estabelecido deve, sempre que possível, ser fixado em quantidades físicas e valores monetários, quer de mão de obra, kWh, horasmáquinas, entre outros. A fixação final do Custo-Padrão de cada serviço realizado depende de um trabalho conjunto entre a oficina de manutenção na qual cabe fazer as fixações físicas e a Contabilidade de Custos é responsável por transformar as fixações físicas em valores monetários. Segundo MARTINS (1995, p.336), “[...] recomenda que sua implantação não seja imposta à empresa totalmente e sim a certos produtos ou departamentos ou para certos tipos de custos, pois deve ser instalado onde se julgue necessário”. Mesmo seguindo todos os pré requesitos para estabelecer o custo padrão às empresas se deparam com algumas dificuldades de fixação. 5.4.4 PROBLEMA DA FIXAÇÃO DO CUSTO PADRÃO A comparação entre o Custo-Padrão e o custo real, fica evidente quando existem grandes variações, devem-se alertar os responsáveis pelo controle desses objetos de custeio. Logo, os contadores de custos, em conjunto com o pessoal de operações e da administração do setor de manutenção, definem o que são variações grandes e pequenas. 29 5.4.5 VARIAÇÕES E CUSTO PADRÃO Entende-se como variação, qualquer distanciamento de uma variável em relação a um parâmetro pré-estabelecido, e dessa maneira já fica evidente de que será necessário haver uma base quantitativa para se mensurar o evento, custo padrão, a fim de permitir uma avaliação qualitativa dos desvios a partir da variação, necessitando assim a utilização de modelos matemáticos e estatísticos para o estudo do significado das variações e seus efeitos no resultado desejado. 5.4.6 TIPOS DE VARIAÇÕES Sendo Fixado o padrão e colocado em prática, sua formação final abrangerá matéria prima, mão de obra direta e custos indiretos de fabricação, e cuja realização trará desvios em quatro significativos aspectos: Variações de custos são compreendidas em qualquer desvio entre o custo estabelecido e o custo realizado. O mercado é o responsável por tais variações e o critério de reduzi-las ao mínimo é através de estudo econômico baseado no conceito de valor de mercado. Variações de quantidades é a relação entre a quantidade de peças estabelecida para a manutenção sobanálise e aquela efetivamente incorrida. São variações de natureza técnica, e a melhor forma de controle é aquela realizada simultaneamente ao processo de manutenção. Variação mista ocorre o efeito das oscilações de valores em relação à variação de quantidades e seu isolamento deve ser realizado, dando ênfase nas análises. Variação por mudança técnica deve existir quando a ocorrência for transitória, caso contrário far-se-ia necessário a fixação de novos padrões. É o instrumento que permite verificar os resultados de ensaios gerados no processo por técnicas inovadoras ou em casos de falta de recursos em um determinado período sem alteração básica no serviço. 30 5.5 CUSTOS CONTROLÁVEIS E CUSTOS NÃO CONTROLÁVEIS Os custos controláveis e não controláveis podem incorrer em um determinado centro de custo. Entretanto, seu controle pode escapar de seu responsável e diante desse problema existe uma contradição entre a acumulação tradicional de custos em centros de custos e suas consequentes variações entre previsões de padrão e realizações. E a necessidade de se atribuírem responsabilidades em nível de gerencia, pelo desempenho. No entanto, os custos ou parte dos custos de um departamento podem ser influenciados por decisões eficientes e ineficientes originadas em outros departamentos. “[...] são os passíveis de serem influenciados diretamente por um supervisor ou gerente durante um lapso de tempo. Sabe-se que o maior ou menor grau de controle de um responsável sobre um item de custo está diretamente associado ao nível de especificação de sua autoridade”. IUDÍCIBUS (1986, p.250). O ponto de vista de contabilidade por responsabilidade pura, somente deveriam ser reportados como responsabilidade de um setor os custos controláveis pelo responsável do mesmo, eliminando os custos não controláveis, que seriam alocados como responsabilidade de mais alguém, dentro da entidade. 5.6 CONSTRUÇÃO DO PADRÃO O mais comum das situações de construção de um padrão são relacionadas como materiais diretos, mão de obra direta e custos indiretos variáveis: Materiais diretos: A fixação dos padrões físicos cabe à Engenharia de Produção, no entanto a Contabilidade de Custos deverá trabalhar na tradução monetária desses padrões físicos. Muitas manutenções, principalmente as que são elaboradas por processo contínuo, utilizando certas matérias-primas, têm determinado grau de perda ou refugo, que, dentro de condições técnicas ou científicas, deve ser incorporado ao padrão de quantidade. 31 Mão de obra direta: A mão de obra também deve ser especificada quantitativamente pela engenharia de produção e posteriormente traduzida em valores monetários pela contabilidade de custos. Normalmente, a mão de obra direta padrão é determinada pela quantidade de horas necessárias do pessoal, ou da quantidade de funcionários diretos, em todas as fases do processo de manutenção. A base para a construção dos padrões de mão de obra direta é, portanto, o processo de manutenção. Todas as atividades e processos necessários para fazer a manutenção requerem operários para manuseio dos materiais ou dos equipamentos durante os processos. As estimativas ou padrões de necessidade de mão de obra direta podem ser cientificamente calculados quando se trabalha em ambientes de alta tecnologia de manutenção, gerenciados computacionalmente. Podem se fazer estudos de tempo, por meio de operações simuladas antecipadamente em ambientes reais. A base para a valorização dos custos de mão de obra direta deve incluir toda a remuneração dos trabalhadores mais os encargos sociais de caráter genérico. De modo geral, utiliza-se o critério de custo médio horário dos salários de cada departamento de produção ou da célula/atividade de processo por onde passa o produto, por meio dos centros de custos ou centros de acumulação por atividades. Custos indiretos variáveis: Os custos indiretos variáveis são padronizados normalmente por meio da construção de taxas predeterminadas em relação a uma medida de atividade escolhida. Deve-se evitar o uso de taxas baseadas em valores, uma vez que isso impede a correta mensuração das variações de quantidade que ocorrerão, bem como o padrão fica sujeito a eventuais problemas de variação nos preços. A atividade a ser escolhida como base para a construção das taxas predeterminadas de custos indiretos variáveis deve ter uma relação causal com os diversos custos indiretos variáveis. Também a base de atividade escolhida deve ser simples de ser entendida, para posterior atribuição de responsabilidades. A construção do padrão tem como base a fixação das quantidades de materiais diretos, de mão de obra direta e da construção de taxas predeterminadas de custos indiretos variáveis para aplicação na fabricação ou execução de serviços das empresas. 32 6. CUSTO DE MANUTENÇÃO Os custos de manutenção devem ser identificados como um tipo de medição universal do desempenho de manutenção, incorporando uma medida relevante e importante dentro de todo o planejamento da gestão de manutenção. Pode somente um gestor afirmar qual a melhor maneira de se fazer a manutenção após o levantamento dos custos, em qual periodicidade e como fazer. “A norma inglesa BS-3811/1993, define manutenção como a combinação de qualquer ação para reter um item ou restaurá-lo, de acordo com um padrão aceitável. Formalmente, a manutenção é definida como a combinação de ações técnicas e administrativas, incluindo as de supervisão, destinadas a manter ou recolocar um item em um estado no qual possa desempenhar uma função requerida” (NBR 5462-1994). O planejamento de custo a ser apropriado pela empresa deve seguir regras e normas adequadas a Legislação Contábil, para não gerar problemas de ordem fiscal e tributária, mesmo que há necessidade de redução dos custos. “Na atual conjuntura competitiva, quando se busca a inserção, no mundo globalizado do comércio, da pequena e média empresa, a questão manutenção tem fator preponderante na redução de custos. Essa matéria deveria ser tratada como investimento e não como despesa, pois, além de manter determinado bem em funcionamento, mantém também o processo produtivo - razão de existir da organização. Algumas empresas de médio e/ou pequeno porte, no entanto, não têm estabelecido seus processos de manutenção por entenderem ser “complicado e caro”, quando, na verdade, é relativamente simples e, deveria ser encarado, como já dito, como investimento”. CHIOCHETTA (2004, p.1). O custo de manutenção não é propriamente dito uma despesa, mas sim uma estratégia da gestão em redução de custos, onde poucas empresas adotam a manutenção como redução dos custos, pois, além de manter determinado bem ou serviço em funcionamento, mantém também o processo produtivo da empresa. 6.1 CUSTOS POR FALTA DE MANUTENÇÃO A necessidade da realização de manutenções em geral, as preventivas podem gerar resultados significativos para as empresas. 33 Conforme SILVA (2004, P.19), “Manter significa fazer tudo que for preciso para assegurar que um equipamento continue a desempenhar as funções para as quais foi projetado, num nível de desempenho exigido”. Mirshawa & Olmedo complementam a ideia de Silva, conforme a citação a seguir: “[...] os custos gerados pela função manutenção são apenas a ponta de um iceberg. Essa ponta visível corresponde aos custos com mão de obra, ferramentas e instrumentos, material aplicado nos reparos, custo com subcontratação e outros referentes à instalação ocupada pela equipe de manutenção”. Mirshawa & Olmedo (1993, p.23). Relacionando a importância do conceito do significado em manter ou fazer tudo o que for preciso para assegurar a manutenção, ou seja, entre a parte visível e invisível do iceberg, onde se encontram os maiores custos decorrentes da manutenção na empresa, gerando em alguns casos a indisponibilidade do veículo ou equipamento na produção. “O custo da indisponibilidade concentra-se naqueles decorrentes da perda de produção, da não qualidade dos produtos, da recomposição da produção e das penalidades comerciais, com possíveis consequências sobre a imagem da empresa”. Mirshawa & Olmedo (1993, p.26). Os aspectos também foram tratados por Cattini (1992, p.25), quando aponta os custos ligados à indisponibilidade e deterioração dos equipamentos como consequência da falta de manutenção. A relação entre custo de manutenção, custo da indisponibilidade e produtividade foi estudada no modelo matemático apresentado por Chiu & Huang (1996, p.27), cuja sua conclusão aponta para uma melhor relação custo-benefício quando a manutenção e a mesma são tratadas de forma preventiva ao invés de situações de descontrole do processo produtivo pela falta de manutenção. Adquirindo a manutenção como premissa para a redução dos custos da produção, deve-se definir o melhor modelo a ser adotado para diminuição de custos. A análise pode ser observada no gráfico clássico mostrado a seguir: 34 Gráfico 01 - Custos versus nível de manutenção. Fonte: Mirshawa & Olmedo, (1993, p.19). O gráfico ilustra a relação entre o custo com manutenção preventiva e o custo da falha. Entre os custos decorrentes da falha estão, basicamente, as peças e a mão de obra necessária ao reparo e, principalmente, o custo da indisponibilidade do equipamento, o mesmo mostra que investimentos crescentes em manutenção preventiva reduzem os custos decorrentes das falhas e, em consequência, diminuem o custo total da manutenção, em que se somam os custos de manutenção preventiva com os custos de falha. Entretanto, o gráfico mostra também que, a partir do ponto ótimo em investimento com manutenção preventiva, mais investimentos trazem poucos benefícios para a redução dos custos da falha e acabam elevando o custo total. Essa questão foi estudada por Murty & Naikan (1995, p.25 - 42), que trabalham os limites da disponibilidade e apresentam um modelo matemático para o cálculo do ponto ótimo de disponibilidade, como mostrado no gráfico da figura 2. 35 Gráfico 02 - Lucro versus disponibilidade. Fonte: Murty & Naikan, (1993, p.19). O gráfico da figura 2 mostra que a busca por falha zero (100% de disponibilidade) requer gastos cada vez maiores com manutenção, o que acarreta uma consequente redução do lucro da operação. Encontrar o ponto ótimo de disponibilidade, em que o custo da manutenção proporciona um nível de disponibilidade capaz de gerar máximo lucro à operação é o grande desafio na gestão da manutenção, como afirma Cabrita (2002). Para ele, a manutenção deve garantir a produtividade e o lucro dos negócios da empresa com o menor custo possível. Importante observar que a busca do ponto ótimo é a forma de adoção da manutenção, levando em consideração aspectos como; a importância do equipamento para o processo, o custo dele para empresa, a sua reposição, e as consequências da falha do mesmo no processo. 36 7. TIPOS DE MANUTENÇÃO Atualmente, existem quatro tipos de manutenção relevantes nas empresas, sendo que as mais utilizadas são: a preditiva, a detectiva, a preventiva, e a corretiva. 7.1 MANUTENÇÃO PREDITIVA Manutenção preditiva é a atuação realizada com base em modificação de parâmetro de condição ou desempenho, cujo acompanhamento obedece a uma sistemática. O objetivo deste tipo de manutenção é prevenir falhas nos equipamentos ou sistemas através de acompanhamento de parâmetros diversos, permitindo a operação contínua do equipamento pelo maior tempo possível. É a primeira grande quebra de paradigma na manutenção e tanto mais se intensifica, quanto mais o conhecimento tecnológico desenvolve equipamentos que permitam avaliação confiável das instalações e sistemas operacionais em funcionamento. Condições básicas: • O equipamento, o sistema ou a instalação devem permitir algum tipo de monitoramento/medição; • O equipamento, o sistema ou a instalação devem merecer esse tipo de ação, em função dos custos envolvidos; • As falhas devem ser oriundas de causas que possam ser monitoradas e ter sua progressão acompanhada; • Deve ser estabelecido um programa de acompanhamento, análise e diagnóstico, sistematizado; • É fundamental que a mão de obra da manutenção responsável pela análise e diagnóstico seja bem treinada. Não basta apenas medir; é preciso analisar os resultados e formular diagnósticos. É uma variação da manutenção preventiva, onde os componentes são trocados ou verificados antes que apresentem qualquer defeito. 37 7.2 MANUTENÇÃO DETECTIVA Manutenção detectiva é a atuação efetuada em sistemas de proteção buscando detectar falhas ocultas ou não perceptíveis ao pessoal de operação e manutenção. A identificação de falhas ocultas é primordial para garantir a confiabilidade em sistemas complexos, as ações só devem ser levadas a efeito por pessoal da área de manutenção, com treinamento e habilitação para tal, assessorado pelo pessoal de operação. É cada vez maior a utilização de computadores digitais em instrumentação e controle de processo nos mais diversos tipos de plantas industriais, de manutenção entre outros. São sistemas de aquisição de dados, controladores lógicos programáveis, sistemas digitais de controle distribuídos - SDCD, multi-loops com computador supervisório e outra infinidade de arquiteturas de controle somente possíveis com o advento de computadores de processo. A principal diferença é o nível de automatização na manutenção preditiva, fazse necessário, o diagnóstico a partir da medição de parâmetros; na manutenção detectiva, o diagnóstico é obtido de forma direta a partir do processamento das informações colhidas junto ao veículo. Há apenas que se considerar, a possibilidade de falha nos próprios sistemas de detecção de falhas, sendo esta possibilidade muito remota. De uma forma ou de outra, a redução dos níveis de paradas indesejadas por manutenções não programadas fica extremamente reduzida. 7.3 MANUTENÇÃO PREVENTIVA A Manutenção Preventiva consiste em um trabalho de prevenção de defeitos que possam originar a parada ou um baixo rendimento dos veículos em operação. Esta prevenção é feita baseada em estudos estatísticos nas empresas, pelo estado do equipamento, local de instalação, condições elétricas que o suprem, dados fornecidos pelo fabricante (condições ótimas de funcionamento, pontos e periodicidade de lubrificação, etc.), entre outros. 38 Com a manutenção preventiva pode-se citar algumas vantagens para as empresas: • Diminuição do número total de intervenções corretivas, aligeirando o custo da corretiva; • Grande diminuição do número de intervenções corretivas ocorrendo em momentos inoportunos como por ex: em períodos noturnos, em fins de semana, durante períodos críticos de produção e distribuição, entre outros; • Aumento considerável da taxa de utilização anual dos sistemas de produção e de distribuição É o procedimento mais barato e garantido, ou seja, corrigir os defeitos antes que se manifestem ou que causem danos maiores. A vantagem de manutenção preventiva é que ela pode ser programada, assim o equipamento não é pego de surpresa. Os procedimentos de manutenção preventiva podem evitar a maior parte dos defeitos dos equipamentos diminuindo ao máximo as manutenções corretivas, que são de longe, as mais caras e prejudiciais para quem depende do equipamento. 7.4 MANUTENÇÃO CORRETIVA A manutenção corretiva é a forma mais óbvia e a mais primária de manutenção pode sintetizar-se pelo ciclo "quebra-repara", ou seja, o reparo dos veículos após a avaria. Constitui a forma mais cara de manutenção quando encarada do ponto de vista total do sistema. A corretiva simplesmente conduz a: • Baixa utilização anual dos veículos, equipamentos e máquinas e, portanto, das cadeias produtivas; • Diminuição da vida útil dos equipamentos, máquinas e instalações; • Paradas para manutenção em momentos aleatórios e muitas vezes, inoportunos por corresponderem à época de ponta de produção, a períodos de cronograma apertado, ou até as épocas de crise geral; Este é o tipo mais comum de manutenção, infelizmente. O equipamento quebra ou deixa de funcionar de acordo com o esperado, aí então se aciona o profissional de manutenção para "dar um jeito" na situação. O interessante é que, 39 aparentemente, os equipamentos quebram quando mais se precisa deles. Na qual, o ideal seria que a manutenção corretiva acontecesse raramente, ou seja, deveria ser realmente um acidente. 40 8. ESTUDO DE CASO O presente trabalho de conclusão de curso abordará o estudo de caso concedido pela Destilaria Pyles que surgiu da iniciativa do Engenheiro Civil Henrique Pyles, que em 1924 adquiriu terras onde hoje é o município de Platina/SP, localizada no bairro Água da Mumbuca s/n, inscrita no CNPJ: 49.381.734/0001-57; onde se dedicou as atividades agrícolas. Por volta de 1936, Pyles começou a produzir açúcar, período em que o produto era controlado por cotas impostas pelo governo federal. Na década seguinte, passou a fabricar aguardente que chegou a ter marca própria. A produção de aguardente era de, aproximadamente 100 mil litros por ano. Entre 1942 e 1946 a empresa esteve arrendada, pois Henrique Pyles precisou se afastar para tratamento de saúde. O filho Milton Gondim Pyles, Engenheiro Químico, retomou o comando da empresa em 1946, fabricando apenas aguardente e, a partir de 1980 passou também a produzir etanol. Milton Gondim Pyles permaneceu no comando da empresa até 1981, ano de seu falecimento. O atual Diretor Presidente, Milton Pamplona Pyles (Engenheiro Mecânico), o Superintendente, Carlos Henrique Pamplona Pyles (Engenheiro Civil), filhos de Milton Gondim, são, portanto, a terceira geração da empresa familiar. Desde 1999 à Destilaria Pyles fabrica somente etanol (anidro e hidratado). A empresa já conta com a quarta geração da família colaborando na direção da mesma. Sendo empresa sucroalcooleira os principais produtos têm os valores definidos pelo mercado e sazonalidades, quanto em época de safra o valor do produto tende a cair e na entre safra o valor aumenta, mas neste período não apresenta produção devido ao ciclo produtivo da cana de açúcar. A empresa, para obtenção de resultados favoráveis, considera que o gerenciamento dos seus custos, principalmente de manutenção se torna imprescindível durante e após a operação de safra, com a finalidade de propiciar resultados positivos nas suas demonstrações financeiras e contábeis. Diante disso, o presente trabalho faz um levantamento de dados relativos ao custo de manutenção de um dos caminhões Mercedes Benz, modelo AXOR 2831, número de frota 2021, da empresa Destilaria Pyles Ltda, situada no município de Platina, estado de São Paulo, e dados adquiridos de terceiros na mesma região, após a obtenção dos mesmos, foram elaboradas as planilhas de demonstração, e 41 comparações dos custos relativos a prevenção e correção dos problemas relacionado a não prevenção, que darão o suporte aos números apresentados, como veremos a seguir. Alguns parâmetros para os cálculos de manutenções serão demonstrados nas tabelas abaixo, como os custos da mão de obra do mecânico e do motorista apresentados pela Destilaria Pyles que serão utilizados mais adiante. Tabela 01 - Cálculo da hora trabalhada do mecânico CALCULO DE SALÁRIO DE FUNCIONÁRIOS DA EMPRESA % Salário Base do Mecânico VALOR R$ 1.100,00 INSS Empresa 20,00% R$ 220,00 RAT (2 X 0,8503) 1,7006% R$ 18,71 Outras Entidades 5,80% R$ 63,80 FGTS do Salário 8,00% R$ 88,00 Total do Salário Mensal com Impostos FÉRIAS DO PERÍODO DE 12 MESES R$ 1.490,51 % VALOR Salário Base R$ 1.100,00 1/3 de Férias R$ 366,67 INSS da Empresa 20,00% R$ 220,00 INSS Empresa de 1/3 Férias 2,70% R$ 9,90 RAT (2 X 0,8503) 1,7006% R$ 24,94 Outras Entidades 5,80% R$ 85,07 FGTS do Salário 8,00% R$ 88,00 Total do Salário Mensal com Impostos 13º SALÁRIO NO PERÍODO DE 12 MESES R$ 1.894,58 % Salário Base VALOR R$ 1.100,00 INSS Empresa 20,00% R$ 220,00 RAT (2 X 0,8503) 1,7006% R$ 18,71 Outras Entidades 5,80% R$ 63,80 FGTS do Salário 8,00% R$ 88,00 Total do 13º Salário com Impostos R$ 1.490,51 42 CÁLCULO DAS HORAS TRABALHADAS QTDE VALOR Salário Base X Numero de Meses do Ano 12 R$ 17.886,08 Férias do Período de 12 Meses R$ 1.894,58 13º Salário do Período de 12 Meses R$ 1.490,51 Subtotal R$ 21.271,16 Subtotal / Numero de Meses do Ano 12 R$ 1.772,60 Valor da Hora Trabalhada do Mecânico 220 R$ 8,06 Fonte: Elaborado pelos autores (2011) Tabela 02 - Cálculo da hora trabalhada do motorista CALCULO DE SALÁRIO DE FUNCIONÁRIOS DA EMPRESA % Salário Base do Motorista VALOR R$ 1.220,00 INSS Empresa 20,00% R$ 244,00 RAT (2 X 0,8503) 1,7006% R$ 20,75 Outras Entidades 5,80% R$ 70,76 FGTS do Salário 8,00% R$ 97,60 Total do Salário Mensal com Impostos FÉRIAS DO PERÍODO DE 12 MESES R$ 1.653,11 % VALOR Salário Base R$ 1.220,00 1/3 de Férias R$ 406,67 INSS da Empresa 20,00% R$ 244,00 INSS Empresa de 1/3 Férias 2,70% R$ 10,98 RAT (2 X 0,8503) 1,7006% R$ 27,66 Outras Entidades 5,80% R$ 94,35 FGTS do Salário 8,00% R$ 97,60 Total do Salário Mensal com Impostos 13º SALÁRIO NO PERÍODO DE 12 MESES R$ 2.101,26 % Salário Base VALOR R$ 1.220,00 INSS Empresa 20,00% R$ 244,00 RAT (2 X 0,8503) 1,7006% R$ 20,75 Outras Entidades 5,80% R$ 70,76 FGTS do Salário 8,00% R$ 97,60 Total do 13º Salário com Impostos R$ 1.653,11 43 CÁLCULO DAS HORAS TRABALHADAS QTDE VALOR Salário Base X Numero de Meses do Ano 12 R$ 19.837,29 Férias do Período de 12 Meses R$ 2.101,26 13º Salário do Período de 12 Meses R$ 1.653,11 Subtotal R$ 23.591,65 Subtotal / Numero de Meses do Ano 12 R$ 1.965,97 Valor da Hora Trabalhada do Motorista 220 R$ 8,94 Fonte: Elaborado pelos autores (2011) As tabelas de horas trabalhadas apresentam o salário base e impostos incorridos nas mesmas, o cálculo se dá com a multiplicação do salário base e impostos por 12 meses e somando com as férias, mais 1/3 férias com impostos e o 13º salário mais impostos, obtendo o subtotal dividido pelas horas trabalhadas mensais, resultando no valor final da hora trabalhada em ambas as tabelas. Após a apresentação do cálculo do valor das horas trabalhadas dos funcionários da empresa Pyles, necessita também, apresentar no estudo de caso o valor do deslocamento do veículo até a manutenção. Tomando como ponto de partida a kilometragem desenvolvida pelo veículo por litro de combustível, conforme demonstrado na tabela abaixo: Tabela 03 - Cálculo do deslocamento do veículo por litro de combustível DESLOCAMENTO DO VEÍCULO Km Valor Total Quantidade Km percorrido por litro de combustível 2,30 Valor do litro de combustível / por Km percorrido por litro 2,30 R$ 1,99 R$ 0,87 70 R$ 0,87 R$ 60,57 Valor Total do Deslocamento Fonte: Elaborado pelos autores (2011) Os cálculos iniciam com o valor do combustível divido pela quantidade de km percorrido por litro, gerando o valor de cálculo por km, multiplica-se este valor com a quantidade de deslocamento praticado pelo veículo até a manutenção e obtém o valor final do percurso. Com as devidos cálculos apresentados nas tabelas 01, 02 e 03 a melhor forma de apresentar os custos é demonstrando as tabelas de manutenção preditiva, 44 manutenção detectiva, manutenção preventiva e de manutenção corretiva, decorrente do resultado de estudo na empresa Pyles, na concessionária e de terceiros na mesma região. 8.1 MANUTENÇÃO PREDITIVA - CÁLCULOS A Manutenção preditiva, já apresentada anteriormente, é a atuação realizada com base em modificação de parâmetro de condição ou desempenho, cujo acompanhamento obedece a uma sistemática. O veículo em estudo apresenta a sistemática de trocada de óleo e componentes, recomenda pelo fabricante a cada 14.000 km, conforme a tabela 04 descrita abaixo: Tabela 04 - Troca de óleo e componentes a cada 14.000 km - cálculos VEÍCULO: CAMINHÃO MERCEDES BENZ AXOR 2831 Descrição Serviço na Concessionária Serviço Próprio - Pyles Qtde Vr unit. Vr Total Qtde Vr unit. Vr Total Óleo Lubrificante 30 R$ 9,20 R$ 276,00 30 R$ 6,99 R$ 209,70 Filtro do Lubrificante 1 R$ 53,30 R$ 53,30 1 R$ 28,00 R$ 28,00 Filtro de Combustível 1 R$ 59,30 R$ 59,30 1 R$ 35,50 R$ 35,50 Filtro de Combustível Racor 1 R$ 73,50 R$ 73,50 1 R$ 44,00 R$ 44,00 Filtro de Ar do Motor 1 R$ 210,00 R$ 210,00 1 R$ 190,00 R$ 190,00 Subtotal R$ 672,10 Subtotal R$ 507,20 3 R$ 50,00 R$ 150,00 3 R$ 8,06 R$ 24,17 5 R$ 8,94 R$ 44,68 3 R$ 8,94 R$ 26,81 70 R$ 0,83 R$ 58,10 0 R$ 0,83 R$ 0,00 Subtotal R$ 252,78 Subtotal R$ 50,98 Total R$ 924,88 Total R$ 558,18 Mão de obra mecânico (horas) Mão de obra do motorista (horas) Deslocamento do veículo para manutenção (km) Valor Total da Manutenção Fonte: Elaborado pelos autores (2011) A tabela apresentada acima calcula a troca de óleo e componentes ocorridos em empresas distintas, concessionária e Destilaria Pyles. Pode-se observar que 45 nesta tabela, os itens analisados mantêm a mesma quantidade e qualidade, apresentando uma variação nos valores dos produtos devido a negociações de compras adquiridas pela Destilaria em relação ao valor da concessionária, e variação na quantidade da mão de obra do motorista e deslocamento do veículo para a manutenção devido ao fato do cálculo da mão de obra na empresa Pyles ser inferior ao valor apresentado pela concessionária. 8.2 MANUTENÇÃO DETECTIVA - CÁLCULOS O ponto principal da manutenção detectiva é a atuação efetuada em sistemas de proteção buscando detectar falhas ocultas ou não perceptíveis ao pessoal de operação e manutenção. Nesse tipo de manutenção ocorre apenas nas concessionárias autorizadas, credenciadas, com profissionais especializados e treinados pelo fabricante do caminhão, cujo software e o hardware da manutenção não são disponibilizados para terceiros ou a empresa em estudo conforme colocado na tabela abaixo: Tabela 05 - Análise do motor do veículo a cada 14.000 km - cálculos Análise do motor do veículo a cada 14.000 km Serviço na Concessionária Qtde Vr unit. Vr Total Análise do óleo do motor 1 R$ 80,00 R$ 80,00 Diagnóstico eletrônico do motor 1 R$ 110,00 R$ 110,00 Mão de obra do motorista (horas) 5 R$ 8,94 R$ 44,68 Deslocamento do veículo para manutenção (km) 70 R$ 0,83 R$ 58,10 Total R$ 292,78 Fonte: Elaborado pelos autores (2011) Esta tabela apresenta o valor da análise de óleo, diagnóstico eletrônico do motor e em seu cálculo os fatores mão de obra do motorista e deslocamento do veículo são imprescindíveis para finalização do valor desta manutenção. 46 A manutenção detectiva tem o propósito de identificar problemas ocultos no motor, como falhas nos cilindros, desgaste dos componentes internos, anomalia do sistema eletrônico, propiciando maior segurança ao motor do caminhão. 8.3 MANUTENÇÃO PREVENTIVA - CÁLCULOS Conforme a manutenção preventiva propriamente dita consiste em um trabalho de prevenção de defeitos que possam originar a parada ou um baixo rendimento do caminhão em operação. Esta prevenção é feita baseada em estudos estatísticos nas empresas, pelo estado do equipamento, local de instalação, condições elétricas que o suprem, dados fornecidos pelo fabricante (condições ótimas de funcionamento, pontos e periodicidade de lubrificação, etc.), entre outros, como apresentados na tabela abaixo: Tabela 06 - Manutenção preventiva - cálculos MANUTENÇÃO DO VEÍCULO SEMANAL A CADA 2.000 km Serviço na Concessionária Serviço Próprio - Pyles Tempo de Execução: 03 HORAS VISTORIA MECÃNICA Verificar o vencimento da troca de óleo motor Verificar o nível de óleo motor Verificar possíveis vazamentos de óleos do motor Verificar o nível de água do reservatório Verificar possíveis vazamentos de água Limpeza no elemento do filtro de ar Limpeza nos radiadores de água e intercooler Engraxar os componentes de desgaste do veículo Vistoria nos terminais e barra de direção Verificar o sulco dos pneus Calibragem dos pneus Vistoria no sistema e lonas de freio Verificar possíveis vazamentos de ar no sistema de freios Qtde Vr unit. Vr Total Qtde Vr unit. Vr Total 1 R$ 8,27 R$ 8,27 1 R$ 2,22 R$ 2,22 1 R$ 8,27 R$ 8,27 1 R$ 2,22 R$ 2,22 1 R$ 8,27 R$ 8,27 1 R$ 2,22 R$ 2,22 1 R$ 8,27 R$ 8,27 1 R$ 2,22 R$ 2,22 1 R$ 8,27 R$ 8,27 1 R$ 2,22 R$ 2,22 1 R$ 8,27 R$ 8,27 1 R$ 2,22 R$ 2,22 1 R$ 8,27 R$ 8,27 1 R$ 2,22 R$ 2,22 1 R$ 8,27 R$ 8,27 1 R$ 2,22 R$ 2,22 1 R$ 8,27 R$ 8,27 1 R$ 2,22 R$ 2,22 1 R$ 8,27 R$ 8,27 1 R$ 2,22 R$ 2,22 1 R$ 8,27 R$ 8,27 1 R$ 2,22 R$ 2,22 1 R$ 8,27 R$ 8,27 1 R$ 2,22 R$ 2,22 1 R$ 8,27 R$ 8,27 1 R$ 2,22 R$ 2,22 Subtotal R$ 107,55 Subtotal R$ 28,82 VISTORIA ELÉTRICA Qtde Vr unit. Vr Total Qtde Vr unit. Vr Total Conferir o painel de instrumentos 1 R$ 8,27 R$ 8,27 1 R$ 2,22 R$ 2,22 47 do veículo Verificar parte elétrica do climatizador 1 R$ 8,27 R$ 8,27 1 R$ 2,22 R$ 2,22 Verificar a água do climatiza dor 1 R$ 8,27 R$ 8,27 1 R$ 2,22 R$ 2,22 Verificar filtro manta do climatizador 1 R$ 8,27 R$ 8,27 1 R$ 2,22 R$ 2,22 Verificar as palhetas do para brisa 1 R$ 8,27 R$ 8,27 1 R$ 2,22 R$ 2,22 Vistoria das lâmpadas do veículo 1 R$ 8,27 R$ 8,27 1 R$ 2,22 R$ 2,22 1 R$ 8,27 R$ 8,27 1 R$ 2,22 R$ 2,22 1 R$ 8,27 R$ 8,27 1 R$ 2,22 R$ 2,22 1 R$ 8,27 R$ 8,27 1 R$ 2,22 R$ 2,22 1 R$ 8,27 R$ 8,27 1 R$ 2,22 R$ 2,22 Subtotal R$ 82,73 Subtotal R$ 22,17 Total R$ 190,29 Total R$ 50,98 Conferir o engate rápido do veículo Verificar as conexões elétricas do reboque Verificar a pintura e lacre da placa do veículo Conferir a sirene de alerta da ré TOTAL DA MÃO DE OBRA MECÂNICO E MOTORISTA Fonte: Elaborado pelos autores (2011) A tabela descrita acima apresenta opção da manutenção preventiva entre as empresas, concessionária e Destilaria Pyles, este cálculo foi realizado em cima do tempo de parada de três horas do caminhão, o valor da mão de obra dos mecânicos, motorista envolvidos no processo, o deslocamento do mesmo até o ponto de manutenção e dividido pela quantidade de serviços a serem executados no período de tempo da manutenção em ambas as empresas. Esta manutenção tem por necessidade sua parada semanal obrigatória para a obtenção de resultados satisfatórios, devido a este fato, está sendo sugerida para a empresa Pyles a implantação da tabela 07, podendo ser utilizada para os caminhões envolvidos no processo produtivo da empresa, como demonstrado abaixo: Tabela 07 - Escala de parada para manutenção FROTA SETOR MECANIZADO 2010 M BENZ AXOR 2831 2011 M BENZ AXOR 2831 2013 M BENZ AXOR 2831 2021 M BENZ AXOR 2831 S S D S T Q Q S S D S T Q Q S S D S T Q Q S S D S T Q Q S S X X X X X X X X X X X Fonte: Elaborado pelos autores (2011) X X X X X X X 48 Através desta tabela de escala de parada semanal da manutenção preventiva, a empresa pode controlar e monitorar todos os seus caminhões, veículos, tratores, colhedoras, entre outros, conforme seu número de frota, propiciando maior eficácia, desde que se torne obrigatória, frequente e controlada pela mesma. 8.4 MANUTENÇÃO CORRETIVA - CÁLCULOS Este é o tipo mais comum de manutenção, infelizmente o equipamento quebra ou deixa de funcionar de acordo com o esperado, aí então, se aciona o profissional de manutenção para "dar um jeito" na situação. O interessante é que, aparentemente, os equipamentos quebram quando mais se precisam deles. A manutenção corretiva é a forma mais óbvia e a mais primária de manutenção pode sintetizar-se pelo ciclo "quebra-repara", ou seja, o reparo dos veículos após a avaria. Constitui a forma mais cara de manutenção quando encarada do ponto de vista total do sistema. As tabelas 08 e 09 demonstram a problemática que as empresas enfrentam em fazer a manutenção corretiva para sanar problemas do veículo por falta de manutenções preditiva, detectiva e preventiva, primeiramente será demonstrado o valor do custo da troca do motor em concessionária ou retíficas terceirizadas: Tabela 08 - Manutenção corretiva 01 - cálculos MANUTENÇÃO CORRETIVA DO MOTOR 01 Serviço na Concessionária Serviço em Retíficas Conserto do Motor Qtde Vr unit. Vr Total Qtde Vr unit. Vr Total Usinagem do motor 1 R$ 2.300,00 R$ 2.300,00 1 R$ 1.794,81 R$ 1.794,81 Retifica das injetoras 1 R$ 1.800,00 R$ 1.800,00 1 R$ 1.800,00 R$ 1.800,00 Peças do motor 1 R$ 14.500,00 R$ 14.500,00 1 R$ 14.500,00 R$ 14.500,00 Mão de obra (07 dias uteis) 1 R$ 1.800,00 R$ 1.800,00 1 R$ 1.805,19 R$ 1.805,19 7 R$ 214,47 R$ 1.501,29 7 R$ 214,47 R$ 1.501,29 70 R$ 0,87 R$ 60,57 70 R$ 0,83 R$ 58,10 Total R$ 21.961,85 Total R$ 21.459,39 Mão de obra de 03 motoristas (07 dias uteis) Deslocamento do veículo para manutenção (km) Fonte: Elaborado pelos autores (2011) 49 A seguir, será apresentada a outra possibilidade da empresa para manutenção corretiva, como a troca total do motor em concessionária ou retíficas terceirizada, caso não apresente o conserto do mesmo, conforme demonstra a tabela abaixo: Tabela 09 - Manutenção corretiva 02 - cálculos MANUTENÇÃO CORRETIVA DO MOTOR 02 Troca do Motor Serviço na Concessionária Serviço em Retíficas Qtde Vr unit. Vr Total Qtde Motor novo do veículo 1 R$ 42.000,00 R$ 42.000,00 1 R$ 42.000,00 R$ 42.000,00 Mão de obra (07 dias uteis) 1 R$ 1.800,00 R$ 1.800,00 1 R$ 1.805,19 R$ 1.805,19 7 R$ 214,47 R$ 1.501,29 7 R$ 214,47 R$ 1.501,29 70 R$ 0,83 R$ 58,10 70 R$ 0,83 R$ 58,10 Total R$ 45.359,39 Total R$ 45.364,58 Mão de obra de 03 motoristas (07 dias uteis) Deslocamento do veículo para manutenção (km) Vr unit. Vr Total Fonte: Elaborado pelos autores (2011) As tabelas apresentam a retifica e troca do motor em concessionária ou em retíficas terceirizadas, este tipo de serviço somente pode ser realizado em empresas especializadas como descritas acima. O cálculo tem como base o valor do serviço, a usinagem, a retífica das injetoras, as peças do motor envolvidas na montagem, a mão de obra dos mecânicos, os três turnos diários dos motoristas em sete dias uteis devido ao tempo de parada do caminhão para a correção do problema e o deslocamento do mesmo até o conserto. Na próxima tabela serão apresentados os totais dos valores das manutenções como preditiva, detectiva, preventiva e corretiva, no período anual ou de 42.000 km conforme dados apurados no estudo de caso. 50 Tabela 10 - Valores totais de manutenções - cálculos Qtde Anual ou 42.000 km Própria ou Terceiros Concessionária Variação % Manutenção Preditiva 3 R$ 1.674,54 R$ 2.774,64 R$ 1.100,10 65,70% Manutenção Detectiva 3 R$ 878,34 R$ 878,34 R$ 0,00 0,00% Manutenção Preventiva 52 R$ 2.650,98 R$ 9.894,89 R$ 7.243,90 273,25% R$ 5.203,87 R$ 13.547,87 R$ 8.344,00 160,34% R$ 21.961,85 R$ 21.459,39 -R$ 502,47 -2,29% Custos de manutenções em 42.000 km ou Anual Total da Pré-Corretiva Manutenção Corretiva 1 Fonte: Elaborado pelos autores (2011) Estes cálculos são baseados em dados fornecidos nas tabelas 04, 05, 06 e 08, e multiplicados pelo fator quantidade e frequência do serviço executado no período anual ou a cada 42.000 km, sendo que a manutenções são analisadas entre manutenção própria ou em concessionária, apresentando a variação de valores entre as mesmas. Pode-se definir que as manutenções que antecedem a manutenção corretiva, tais como as manutenções, preditiva, detectiva e preventiva, devem ser classificadas como manutenção pré-corretiva como demonstrada na tabela acima. A partir deste fato, podem-se aprimorar as comparações entre as tabelas de pré-corretiva com as de retífica ou troca de motor do caminhão. Na próxima tabela será apresentado os custos de manutenções pré-corretivas em relação à corretiva de motor em retíficas de terceiros ou concessionária. Tabela 11 - Custos de manutenção pré-corretivas versus retífica de motor – cálculos Custos de Manutenções e Retífica do Motor Pré Corretiva Corretiva de Terceiros Variação % Empresa Pyles R$ 5.203,87 R$ 21.459,39 R$ 16.255,52 312,37% Concessionária R$ 13.547,87 R$ 21.459,39 R$ 7.911,51 58,40% Custos de Manutenções e Retífica do Motor Pré Corretiva Corretiva na Concessionária Variação % Empresa Pyles R$ 5.203,87 R$ 16.757,98 R$ 16.757,98 322,03% Concessionária R$ 13.547,87 R$ 8.413,98 R$ 8.413,98 62,11% Fonte: Elaborado pelos autores (2011) 51 Claramente, pode-se afirmar que o custo da pré-corretiva realizada na empresa Pyles está abaixo em 312,37% do custo total da corretiva de terceiros e abaixo em 322,03% do custo total da corretiva em concessionárias. A tabela apresenta outra opção da pré-corretiva realizada em concessionária que o seu custo também está abaixo em 58,04% do custo total da corretiva de terceiros e abaixo em 62,11% do custo total da corretiva em concessionárias. A tabela subsequente apresentará também os custos de manutenção précorretiva em relação à troca do motor em terceiros ou concessionárias, caso o motor não apresente retifica. Tabela 12 - Custos de manutenção pré-corretivas versus troca do motor – cálculos Custos da Troca do Motor Pré Corretiva Corretiva de Terceiros Variação % Empresa Pyles R$ 5.203,87 R$ 45.364,58 R$ 40.160,71 771,75% Concessionária R$ 13.547,87 R$ 45.364,58 R$ 31.816,70 234,85% Custos da Troca do Motor Pré Corretiva Corretiva na Concessionária Variação % Empresa Pyles R$ 5.203,87 R$ 45.359,39 R$ 40.155,52 771,65% Concessionária R$ 13.547,87 R$ 45.359,39 R$ 31.811,51 234,81% Fonte: Elaborado pelos autores (2011) Pode-se afirmar que o custo da pré-corretiva realizada na empresa Pyles está abaixo em 771,75% do custo total da corretiva de terceiros e abaixo em 771,65% do custo total da corretiva em concessionárias. A tabela apresenta outra opção da précorretiva realizada na concessionária que o seu custo também está abaixo em 234,85% do custo total da corretiva de terceiros e abaixo em 234,81% do custo total da corretiva em concessionárias. Através da apresentação dos custos da pré-corretiva e corretiva nas tabelas 11 e 12, será demonstrado, em gráficos abaixo, a visualização dos custos referentes às manutenções citadas acima, que serão mostradas para análise do estudo de caso, uma vez que a manutenção corretiva pode ser evitada de acordo com a realização das manutenções pré-corretivas envolvidas na vida útil do motor do caminhão. 52 Este gráfico está relacionado à tabela 11. Gráfico 03 - Custos de manutenção versus retífica do motor Fonte: Elaborado pelos autores (2011) O gráfico 03 demonstra a vantagem da empresa Pyles em realizar a sua manutenção pré-corretiva na própria oficina em relação à pré-corretiva na concessionária, ficando muito mais visível a necessidade da pré-corretiva em relação à corretiva de retífica do motor tanto realizada em terceiros ou concessionárias. 53 O próximo gráfico está relacionado à tabela 12. Gráfico 04 - Custos de manutenção versus troca do motor Fonte: Elaborado pelos autores (2011) Ambos os gráficos 03 e 04 apresentam vantagem das pré-corretivas da Destilaria Pyles em relação da concessionária e as corretivas de terceiros ou concessionária, cujos valores totais das manutenções baseiam-se em período anual ou a cada 42.000 km percorridos do caminhão. 54 9. CONCLUSÃO O método adotado no trabalho baseia-se no custo padrão e tendo como objetivo fornecer o suporte para o controle de custos da empresa, proporcionando um padrão de comportamento para os custos. Estes custos determinam a antecipação dos componentes do produto, em quantidade e valor, apoiada na utilização de dados de várias fontes, com validade para determinado espaço de tempo. O custo padrão se fundamenta em princípios científicos e observa cada componente de custos (matérias, peças, mão de obra e gastos gerais de manutenção, entre outros) dentro de suas medidas de verdadeira participação no processo geral da manutenção. Com a visualização dos custos é possível afirmar que a manutenção précorretiva não supera o valor da retífica ou troca do motor, passando a ser analisada como uma gestão de redução de custos e não como um gasto desnecessário, mas sim um investimento necessário para o contínuo trabalho desenvolvido pelo caminhão neste caso em questão, pois o mesmo é peça fundamental na produção de derivados da cana de açúcar desenvolvida pela Destilaria Pyles. A manutenção pré-corretiva prolonga a vida útil do motor, sendo que a concessionária e fabricante do veículo alegam que a vida útil depende de inúmeros fatores dentro dos quais está envolvida a manutenção do caminhão, temperatura de trabalho do motor, as diversidades de terreno, a dirigibilidade dos condutores, entre outros. Quanto maior a preocupação da empresa em realizar as devidas précorretivas do caminhão apresentará melhor desempenho na cadeia produtiva. Define-se mesmo com os gastos anuais em manutenções pré-corretiva na Destilaria Pyles ou em concessionária, como sendo viáveis em relação à corretiva praticada por terceiros ou concessionária para o processo de continuidade do caminhão na produção da empresa. Os cálculos apresentados nas tabelas 11 e 12 e demonstrados nos gráficos 03 e 04, estão de forma clara e objetiva, mostrando que a manutenção pré-corretiva na própria empresa torna-se vantajosa e com menor custo benefício para a mesma, pode-se afirmar que o custo da pré-corretiva passa a ser um investimento da 55 empresa em manter o caminhão em perfeito estado de funcionamento e a précorretiva como principal meio de redução de custos futuros com a corretiva. O trabalho apresenta de forma explícita que a empresa não deve optar pela manutenção corretiva do veículo como meio de manutenção, uma vez que os cálculos demonstram valores altos entre a retífica ou a troca do motor versus as précorretiva da própria empresa e concessionária, apresentadas nos gráficos 03 e 04. Todavia, as empresas atualmente, necessitam da redução de custos na sua produção para manterem-se no mercado cada vez mais competitivo, sendo a melhor forma a redução de custos com qualidade e competência. Contudo, a empresa estando consciente em praticar os conceitos desenvolvidos neste trabalho pode aferir o resultado positivo no setor financeiro e contábil da mesma. 56 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. NBR 6023. CABRITA, G. A manutenção na indústria automotiva. Revista Manutenção, São Paulo, 20-26. mar./mai./02. CATTINI, O. Derrubando os Mitos da Manutenção. São Paulo: STS Publicações e Serviços Ltda., 1992. 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