Cadeia produtiva
de produtos reciclados
Cenários econômicos e estudos setoriais
Cadeia produtiva
de produtos reciclados
Cenários econômicos e estudos setoriais
Recife | 2008
Conselho Deliberativo - Pernambuco
Banco do Brasil - BB
Banco do Nordeste do Brasil - BNB
Caixa Econômica Federal - CEF
Federação da Agricultura do Estado de Pernambuco - Faepe
Federação das Associações Comerciais e Empresariais de Pernambuco - Facep
Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Pernambuco - Fecomércio
Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco - Fiepe
Instituto Euvaldo Lodi - IEL
Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - Sebrae
Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco - SDE
Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial do Estado de Pernambuco - Senac/PE
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - Senai/PE
Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - Senar/PE
Sociedade Auxiliadora da Agricultura do Estado de Pernambuco
Universidade de Pernambuco - UPE
Presidente do Conselho Deliberativo
Josias Silva de Albuquerque
Diretor-superintendente
Murilo Guerra
Diretora técnica
Cecília Wanderley
Diretor administrativo-financeiro
Gilson Monteiro
Cadeia produtiva de produtos reciclados: cenários econômicos e estudos setoriais
Coordenação geral
Sérgio Buarque
Equipe técnica - Sebrae
João Alexandre Cavalcanti (coordenador da Unidade Observatório Empresarial)
Ana Cláudia Arruda
Equipe técnica - Multivisão
Enéas Aguiar
Ester Maria Aguiar de Sousa
Gérson Aguiar de Sousa
Izabel Favero
José Thomaz Coelho
Valdi Dantas
Coordenação da Unidade de Comunicação e Imprensa - Sebrae
Janete Lopes
Revisão
Betânia Jerônimo
Projeto gráfico e diagramação
Z.diZain Comunicação | www.zdizain.com.br
Tiragem
100 exemplares
Impressão
Reprocenter
Sebrae
Rua Tabaiares, 360 - Ilha do Retiro - CEP 50.750-230 - Recife - PE
Telefone 81 2101.8400 | www.pe.sebrae.com.br
Sumário
Lista de tabelas e figuras........................................................................................................5
Palavra do Sebrae..................................................................................................................... 7
Apresentação ............................................................................................................................9
Capítulo 1 - Caracterização da cadeia produtiva.................................................................. 11
Capítulo 2 - Desempenho recente da cadeia produtiva no Brasil.........................................14
Capítulo 3 - Desempenho recente da cadeia produtiva em Pernambuco.............................22
Capítulo 4 - Dinamismo futuro da cadeia produtiva em Pernambuco..................................24
4.1 Dinamismo futuro da atividade.........................................................................................24
4.2 Perspectiva de encadeamento e adensamento................................................................ 25
4.3 Oportunidades de negócios futuros................................................................................. 27
Capítulo 5 - Espaços das MPEs na cadeia produtiva...........................................................29
Referências............................................................................................................................. 32
Apêndices...............................................................................................................................33
3
Lista de tabelas e figuras
Tabelas
Tabela 1 - Evolução do percentual de reciclados no consumo de papel no Brasil............. 16
Tabela 2 - Reciclagem de plástico pós-consumo no Brasil - 2004 (t/ano)........................... 16
Tabela 3 - Reciclagem de latas de alumínio no Brasil........................................................... 18
Tabela 4 - Mercado de sucata de aço..................................................................................... 18
Tabela 5 - Mercado de latas.....................................................................................................19
Tabela 6 - Reciclagem de vidro no Brasil................................................................................19
Tabela 7 - Reciclagem de embalagem longa vida no Brasil................................................... 20
Tabela 8 - Reciclagem de pneus no Brasil.............................................................................. 21
Tabela 9 - Reciclagem de óleo lubrificante no Brasil............................................................. 21
Diagramas
Diagrama 1 - Cadeia produtiva de produtos reciclados......................................................... 12
Gráficos
Gráfico 1 - Evolução real das indústrias de reciclagem e transformação (1996=100).........15
Gráfico 2 - Pernambuco: evolução real da indústria de reciclagem e da indústria
de transformação (2001)...................................................................................... 23
Gráfico 3 - Taxas médias de crescimento das atividades mais dinâmicas da indústria
de transformação (trajetória mais provável) de Pernambuco........................... 26
Gráfico 4 - Evolução do volume de negócios futuros da indústria de reciclagem
(R$ milhões).........................................................................................................28
Gráfico 5 - Evolução da receita de vendas e do número de MPEs (%).............................. 30
5
Palavra do Sebrae
Os Cadernos Setoriais resultam do projeto Observatório Empresarial,
que se destina a levar tendências e cenários macroeconômicos, com vistas a
subsidiar o empresariado com informações sobre o ambiente de negócios.
Trazem assim, esses cadernos, a estrutura produtiva do setor, analisando as suas características e desempenho, capacidade de competir, dificuldades, ameaças e oportunidades.
Cabe ressaltar, ainda, a importância deste documento como indutor
de políticas públicas capazes de criar um ambiente favorável à solução de
eventuais dificuldades no pleno desenvolvimento de cada um dos setores
estudados.
Murilo Guerra
Superintendente do Sebrae em Pernambuco
7
Apresentação
Este documento apresenta uma análise da cadeia produtiva de produtos reciclados em Pernambuco, procurando identificar as futuras oportunidades de negócios e os espaços para micro e pequenas empresas. Faz parte do
projeto “Cenários e estudos de tendências setoriais” do Sebrae Pernambuco.
Além desta cadeia, o estudo analisou 12 outras cadeias produtivas: avicultura, construção civil, têxtil e de confecções, indústria naval, indústria de material plástico, refino de petróleo, poliéster, indústria sucroalcooleira, indústria
metalúrgica e produtos de metal, indústria madeiro-moveleira, logística e
turismo. Para cada uma foi produzido um relatório semelhante de análise da
dinâmica futura, das oportunidades de negócios e dos espaços para as pequenas e microempresas de Pernambuco.
Cadeia produtiva é entendida, neste trabalho, como a malha de interações seqüenciada de atividades e segmentos produtivos que convergem
para a produção de bens e serviços (articulação para frente e para trás), articulando o fornecimento dos insumos, o processamento, a distribuição e a
comercialização, e mediando a relação do sistema produtivo com o mercado
consumidor. A competitividade de cada uma das fases da cadeia e, principalmente, do produto final, depende do conjunto dos seus elos e, portanto,
da capacidade e eficiência produtiva de cada um deles.
9
Embora na literatura contemporânea o conceito de competitividade
sistêmica (apoiado na concepção de cluster de Michael Porter) destaque
que a eficiência produtiva da cadeia depende de um conjunto de fatores
e condições externas à mesma (externalidades) — oferta de infra-estrutura adequada, regulação da produção e comercialização, disponibilidade de
tecnologia e de mão-de-obra qualificada, sistema financeiro, entre outras, a
análise da cadeia está concentrada no processo de produção para identificação dos elos de maior oportunidade de negócios no futuro da economia de
Pernambuco. Como o objetivo do estudo não é promover o desenvolvimento
da cadeia produtiva, mas identificar na cadeia as oportunidades de negócios,
especialmente para as MPEs, partindo da hipótese sobre a sua evolução futura, não será relevante analisar os fatores sistêmicos.
A análise da cadeia produtiva foi feita com base em duas fontes principais de informação, dando tratamento técnico e organizando e confrontando
dados secundários e informações bibliográficas sobre o tema (ver referências),
além da visão de empresários e técnicos expressa em entrevistas semi-estruturadas (ver lista de entrevistados).
O documento está estruturado em cinco capítulos: o Capítulo 1 apresenta uma caracterização descritiva da cadeia produtiva e dos seus elos mais
importantes (cadeia principal, cadeia a montante e cadeia a jusante), numa
abordagem teórica geral, ainda não identificando os elos presentes e importantes em Pernambuco; no Capítulo 2, uma análise do desempenho recente das principais atividades da cadeia produtiva no Brasil, detalhada para
o Estado de Pernambuco no Capítulo 3; o Capítulo 4 procura explorar as
perspectivas futuras da cadeia produtiva nos próximos 13 anos (com base
na trajetória mais provável) e avança na identificação das grandes oportunidades de negócios que se abrem; no Capítulo 5, uma focalização dos
espaços que as MPEs podem ocupar dentro da evolução futura da cadeia
produtiva de produtos reciclados.
10
Capítulo 1
Caracterização da cadeia
produtiva
Reciclagem é o processo pelo qual um material, gerado como resíduo
pelas atividades produtivas ou pelas residências, volta a ser utilizado como
insumo e matéria-prima na economia, para obtenção do produto final, minimizando os custos de produção e os impactos ambientais. O descarte dos
resíduos (industriais, comerciais e agrícolas) da produção é organizado através de um processo de tratamento e beneficiamento para a sua reutilização. O
problema ambiental decorrente dos resíduos manifesta-se no longo tempo de
decomposição na natureza da maior parte deles — vidros, plásticos e metais,
que não são biodegradáveis ou levam milhares de anos para se decompor1.
A reciclagem evita esse depósito poluidor e ainda economiza matéria-prima,
principalmente energia para a produção dos insumos básicos.
Em todo o mundo, incluindo o Brasil, vem surgindo uma indústria de
produtos reciclados que forma uma cadeia produtiva de ampla articulação
nas economias, gerando insumos para as indústrias de metal, vidro, plástico,
papel, entre outras. Quase todo tipo de resíduo está sendo utilizado no processo de reciclagem — papel e papelão, vidro, plástico, metais (principalmente ferro e alumínio), embalagens especiais (longa vida), pneus e óleos
comestíveis.
A cadeia produtiva de produtos reciclados pode ser representada, de
forma simplificada, em três blocos complementares (Diagrama 1): bloco do
Capítulo 1 - Caracterização da cadeia produtiva
1Papel: leva de duas a quatro semanas
para se decompor (papelão, jornais,
revistas, toalha sem resíduos, embalagens
de papel); plástico: leva 450 anos para
se decompor (garrafas, embalagens
plásticas, canudinhos etc); vidro: pode
levar milhares de anos para se decompor
- ao ser reciclado, economiza-se areia e
energia elétrica; metal: leva 200 a 500
anos para se decompor (latas de bebidas,
tampas).
11
processamento ou elo principal da cadeia, onde se dá o processo de reutilização e beneficiamento, ou a reciclagem propriamente dita; bloco da atividade de coleta e triagem dos resíduos, de acordo com os diferentes tipos
e as diversas fontes (industrial, comercial, hospitalar, domiciliar etc) para
separação e remessa para fase posterior; e bloco do tratamento dos resíduos, que gera três alternativas de destino para os mesmos — o beneficiamento através da moagem, prensagem, lavagem e secagem, que produz
o insumo reciclado para utilização nos diferentes segmentos produtivos
(a jusante); a reutilização2 direta dos resíduos tratados, que não podem
ser confundidos com reciclados porque não passam por beneficiamento; e o depósito final em aterro sanitário, quando o resíduo não pode
ser reutilizado ou beneficiado.
2É necessário distinguir reuso de
reciclagem. Enquanto o primeiro é a
simples reutilização do resíduo após
a limpeza e a lavagem, a reciclagem
representa a produção de um novo
insumo pelo tratamento e beneficiamento
do resíduo, constituindo uma atividade
produtiva.
12
Na cadeia a montante, situam-se as atividades que devem fornecer os insumos e serviços necessários ao funcionamento da cadeia
principal e que, portanto, recebem demandas crescentes com o
aumento da reciclagem; nesta cadeia, destacam-se, antes de tudo,
as unidades empresariais ou familiares que produzem resíduo
reciclável, principal insumo da indústria de reciclados. Diferen-
Cadeia produtiva de produtos reciclados
tes tipos de resíduos e de fontes produtoras são aproveitados no
processo, particularmente entulhos da construção civil, resíduos
de comércio e serviços (inclusive de saúde), lixo domiciliar, resíduos industriais, rejeitos eletro-eletrônicos e produtos orgânicos.
Além desta atividade, devem ser lembrados os produtos químicos
para os processos de beneficiamento e tratamento dos resíduos, as
máquinas e equipamentos para as diversas etapas da reciclagem, e
as transportadoras e comercializadoras de resíduos.
Finalmente, na cadeia a jusante, todas as atividades produtivas
que utilizam insumos reciclados, principalmente as indústrias de embalagem, material plástico, papel e papelão, vidro, metalurgia e construção civil. Também merece destaque a geração de energia, com base no
gás que se forma nos aterros sanitários e que pode ser negociado no mercado de crédito de carbono.
Capítulo 1 - Caracterização da cadeia produtiva
13
Capítulo 2
Desempenho recente da cadeia
produtiva no Brasil
Embora ainda seja uma atividade emergente no Brasil, a reciclagem
já ocupa uma parte importante das matérias-primas de vários segmentos
industriais brasileiros, seguindo uma tendência mundial que combina
redução de custos, racionalização na utilização de energia e moderação
das pressões antrópicas das atividades econômicas. O crescimento excessivo dos resíduos das atividades produtivas e das famílias e a crescente degradação ambiental deles decorrente geraram uma ampla preocupação com o tratamento e as formas de utilização para evitar o simples
depósito na natureza. Como resultado, novas tecnologias foram desenvolvidas e difundidos processos e mecanismos de reaproveitamento e
reciclagem que reduzem os impactos e melhoram o desempenho das
empresas.
Como mostra o Gráfico 1, nos últimos oito anos a indústria de
reciclados cresceu quase 400% (a partir do ano 2000, vem distanciando do ritmo de expansão da indústria de transformação).
A importância e o peso dos reciclados são diferenciados nas
atividades produtivas que utilizam os seus produtos, embora haja
uma tendência geral de expansão no conjunto da economia brasileira. A análise dos diferentes tipos de reciclagem evidencia o
crescimento da mesma na economia brasileira.
14
Cadeia produtiva de produtos reciclados
. Papel
Segundo dados da Associação Brasileira de Celulose e Papel, em 2004 o
setor de reciclagem recuperou 3.360,2 mil toneladas de papel, 11,82% a mais
do que no ano anterior. Deste total, 64,2% são caixas de papelão ondulado.
Atualmente, há no país 135 recicladores de papel — a maioria atuando
nos Estados de São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais e Paraná. Conforme
estimativas da Associação Nacional dos Aparistas de Papel, somente nas regiões Sul e Sudeste, mais de um milhão de empregos estão, direta ou indiretamente, ligados ao setor. Com este desempenho, o Brasil continua figurando
entre as dez nações com maior taxa de reciclagem de papel no mundo, tendo
atingido, em 2004, cerca de 45,8% do consumo aparente de todos os tipos de
papel (Tabela 1). Em quatro anos, a taxa de recuperação de resíduos de papel
cresceu de 38,3%, em 2000, para 45,8%, em 2004.
. Plástico
A indústria de reciclagem de plásticos no Brasil é formada por cerca de
490 empresas, 80% delas concentradas na Região Sudeste, que juntas faturam cerca de R$ 1,22 bilhão e geram 11.500 empregos diretos. As empresas
têm capacidade instalada para reciclar 1,05 milhão de toneladas por ano,
consomem 777 mil toneladas e produzem 703 mil toneladas de plásticos
Capítulo 2 - Desempenho recente da cadeia produtiva no Brasil
15
reciclados. A campeã na reciclagem de plástico pós-consumo é a Região
Sudeste, com 58%, seguida pelas regiões Sul (24,9%) e Nordeste (14,5%),
de acordo com a Tabela 2.
O índice brasileiro de reciclagem de plástico está entre os mais altos
do mundo, situando-se bem acima de nações como Grécia (1,95%), Portugal
(2,9%), Irlanda (7,8%), Inglaterra (8%), Suécia (8,3%), França (9,2%) e Dinamarca (10,3%); o índice de reciclagem mecânica de plásticos (transformação em grânulos) no Brasil é de 16,5%, sendo superado apenas pela Alemanha (31,1%) e pela Áustria (19,1%). O processo de reciclagem de plástico no
Tabela 1 • Evolução do percentual de reciclados no consumo de papel no Brasil
Ano
Consumo aparente de papel
Recuperação de papéis
Taxa de
de todos os tipos (mil t)
recicláveis (mil t)
recuperação (%)
2000
6.814
2.612
38,33
2001
6.702
2.777
41,4
2002
6.879
3.017
43,9
2003
6.716
3.005
44,7
2004
7.333
3.360,20
45,8
Fonte: Anip/DNC.
Tabela 2 • Reciclagem de plástico pós-consumo no Brasil - 2004 (t/ano)
Tipo de resíduo
plástico
PET
PEAD
PVC
Centro-oeste
Norte
Nordeste
Sul
Sudeste
Brasil
0
0
23.221
37.472
88.615
149.308
3.742
0
10.817
14.177
33.871
62.607
0
0
4.903
4.669
7.481
17.053
PEBD/PELBD
3.575
0
5.796
24.198
46.272
79.841
PP
1.618
0
7.480
5.383
26.558
41.039
OS
0
0
0
2.753
3.550
6.303
0
0
0
925
2.058
2.983
8.935
0
52.217
89.577
208.405
359.134
Outros
Total
Fonte: Anip/DNC.
16
Cadeia produtiva de produtos reciclados
Brasil também está amplamente difundido no território, embora a maior quantidade esteja, naturalmente, concentrada nos
Estados e municípios de maior produção de resíduos e demanda
de reciclados. De qualquer forma, atualmente, menos de 5% dos
municípios brasileiros (somente 237) são dotados de uma coleta
seletiva de resíduos.
. Metais (alumínio e aço)
O Brasil tem se destacado na reciclagem dos resíduos metálicos,
especialmente com o alumínio, representando, em 2004, quase 58%
de todo o resíduo reciclado no país. De qualquer forma, nos últimos
oito anos os não-metálicos vêm elevando a sua participação no volume total de reciclagem, embora os resíduos metálicos ainda estejam na
liderança.
Pelo quarto ano consecutivo, em 2004 o Brasil bateu recorde mundial de reciclagem de latas de alumínio para bebidas. O país atingiu o índice de 95,7%, o que significa 6,7 pontos percentuais acima da sua marca
anterior. Foram recicladas 121,3 mil toneladas, o equivalente a nove bilhões
de latas.
Segundo a Associação Brasileira de Alumínio, a compra e a reciclagem
de latas usadas injetam R$ 450 milhões anualmente na economia nacional,
tendo gerado, em 2004, cerca de 160 mil ocupações apenas na coleta e seleção do resíduo de alumínio (Tabela 3). Uma lata que sai da fábrica leva apenas 30 dias, em média, para voltar ao mercado como matéria-prima de uma
nova latinha.
Tabela 3 • Reciclagem de latas de alumínio no Brasil
Discriminação
2003
2004
Latas consumidas (bilhões)
9.3
Latas recicladas (bilhões)
8.2
9
Índice de reciclagem (%)
89
95.7
Recursos gerados (R$ milhões)
Empregos gerados
9.4
N.D.
450
160 mil
160 mil
Fonte: Abal.
Capítulo 2 - Desempenho recente da cadeia produtiva no Brasil
17
A embalagem de alumínio é inteiramente reciclada e o processo economiza 95% da energia elétrica necessária para a produção do metal a partir da bauxita. Para se ter uma idéia, o volume de energia poupada em 2004
— cerca de 1.700 GWh — é suficiente para abastecer uma cidade com mais
de um milhão de habitantes como Campinas, no interior de São Paulo. Além
disso, a reciclagem de alumínio representa renda gerada na economia (quase meio bilhão de reais) e redução da extração de minérios (600 mil toneladas em 2004).
A sucata é outro resíduo metálico crescentemente reciclado e utilizado na indústria siderúrgica do Brasil. De acordo com o Instituto Brasileiro de
Siderurgia, o país produziu, em 2004, 32,9 milhões de toneladas de aço (quase 6% a mais em relação a 2003). O uso de sucata na produção de aço alcançou cerca de 8,5 milhões de toneladas, em 2004, representando 26% da produção total da indústria siderúrgica (Tabelas 4 e 5). Em 2004, foram recicladas
sete mil toneladas de latas, elevando o percentual de reciclagem de 78% para
88% em apenas um ano (2003 a 2004).
A Metalic3 é a única produtora de latas de aço de duas peças (embalagem produzida sem soldas ou junções, acrescida da tampa) para bebidas
da América Latina. A empresa coleta as embalagens e, por meio de outra
empresa do grupo — a Reciclaço, compra a sucata, estimulando os catadores
e sucateiros a trabalhar com a embalagem.
Tabela 4 • Mercado de sucata de aço
2003
2004
Aço produzido (milhões de toneladas)
31.1
32.9
Sucata utilizada para produção de novo aço
26%
26%
8.1
8
Volume de sucata usada para produção de aço (milhões de toneladas)
Fonte: Abralatas.
Tabela 5 • Mercado de latas
2003
3A Cia. Metalic Nordeste é uma sociedade
anônima de capital fechado, que tem
como principal acionista a Companhia
Siderúrgica Nacional, maior usina
integrada da América Latina, única
produtora de folha de flandres para
embalagens no Brasil e auto-suficiente em
minério e energia. Localizada no município
de Maracanaú, no Ceará, a Metalic
colabora no desenvolvimento do Norte/
Nordeste.
18
2004
Volume reciclado (mil toneladas)
5
7
Evolução do índice de reciclagem
78%
88%
55
55
Empregos gerados* (mil)
* Diretos e indiretos
Fonte: Abralatas.
Cadeia produtiva de produtos reciclados
. Vidro
A reciclagem de vidro também vem apresentando um crescimento sólido no país, tendo apresentado, em 2004, um índice de reciclagem de 47% da produção total brasileira da indústria; este percentual representa um volume de 423 mil toneladas
de vidro reciclado, segundo a Associação Brasileira da Indústria de
Vidro. Como mostra a Tabela 6, foram investidos na atividade, em
2004, R$ 800 mil, gerando um faturamento de R$ 67 milhões (quase
20% acima do registrado em 2003). Com um quilo de rejeito de vidro,
pode ser produzido outro quilo de vidro, com perda zero e sem poluição
para o meio ambiente. A reciclagem também permite poupar matériasprimas naturais como areia, barrilha e calcário.
. Embalagem longa vida
Em 2004, a taxa de reciclagem de embalagens longa vida no Brasil
foi de 22,1%, totalizando 34,6 mil toneladas, um incremento de 16,32% em
relação a 2003 (Tabela 7). Há uma expectativa de alcançar 25% em 2006.
No ranking mundial, o Brasil perde apenas para Alemanha e Espanha na
reciclagem de embalagens longa vida, países com índices de reciclagem de
65% e 30%, respectivamente. No Brasil, a reciclagem de embalagem longa
vida gera cerca de 500 empregos diretos.
Tabela 6 • Reciclagem de vidro no Brasil
2003
Capacidade instalada de produção (mil toneladas)
Empregos na produção (mil)
Faturamento (R$ milhões)
Volume reciclado (mil toneladas)
Índice de reciclagem
Recursos investidos para reciclagem (R$ milhões)
Recursos gerados com reciclagem (R$ milhões)
Empregos diretos e indiretos gerados na reciclagem (mil)
2004
1.293
1.277
5.6
5.4
1.034
1.100
400
423
45%
47%
700
800
56
67
11.2
11.2
Fonte: Abividro.
Capítulo 2 - Desempenho recente da cadeia produtiva no Brasil
19
Tabela 7 • Reciclagem de embalagem longa vida no Brasil
2003
Volume de produção (mil toneladas)
Volume reciclado (mil toneladas)
2004
149,4
156,8
28,3
34,6
19
22,1
Índice de reciclagem (%)
Fonte: Cempre.
O mercado de reciclagem de embalagens cartonadas é muito grande,
pois envolve cooperativas de catadores, indústrias papeleiras e de plástico,
fabricantes de placas e telhas de alta tecnologia. Além disso, a reciclagem de
embalagens longa vida também contribui para o crescimento do mercado de
produtos reciclados (os fabricados a partir de papel reciclado), de plástico reciclado (vassouras) e de placas e telhas recicladas, abrindo um amplo leque de
oportunidades com o uso de matérias-primas alternativas.
. Pneus
De acordo com números da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos, em 2004 foram reciclados 80 milhões de pneus de passeio, quase o
dobro do número registrado um ano antes. No mesmo ano, foram destinadas
63 mil toneladas de pneus para reciclagem e investidos R$ 20 milhões para
reciclagem de pneus que não servem mais (Tabela 8).
. Óleo lubrificante
O óleo usado, apesar de ser um resíduo, é comprado pelos refinadores, desestimulando o seu despejo nas redes de esgotos. No Brasil, os óleos são geralmente trocados em garagens e postos de gasolina — só posteriormente são coletados por empresas refinadoras cadastradas na Anip.
Dados de 2005 revelam que a coleta neste ano foi de 268,29 milhões
de litros, portanto, em torno de 26,57% (a partir de outubro de 2001, tornou-se obrigatória a coleta de 30% de óleo do volume comercializado).
O volume de óleo usado coletado possibilitou, em 2005, a fabricação
de 183,5 milhões de litros de óleo básico refinado (Tabela 9).
. Composto urbano
Composto urbano é a denominação que se dá para um processo de transformação de resíduos sólidos orgânicos não perigosos — restos vegetais e animais — em um adubo bom e barato.
Os resíduos urbanos, ou seja, os restos de cozinha (vege-
20
Cadeia produtiva de produtos reciclados
tais e animais), de podas de jardins e de quintais classificados como lixo domiciliar dão, por decomposição efetuada por
microrganismos encontrados nesses mesmos materiais orgânicos, dois novos e importantes componentes: sais minerais contendo nutrientes para as raízes das plantas e húmus (material de
coloração escura, melhorador e condicionador do solo). Apenas 3%,
aproximadamente, do lixo sólido orgânico urbano gerado no Brasil
são reciclados.
Tabela 8 • Reciclagem de pneus no Brasil
2003
Recursos investidos para reciclagem de pneus inservíveis (R$ milhões)
2004
6
20
Volume destinado para reciclagem (mil toneladas)
36
63
Número de pneus de passeio reciclados (milhões)
48
80
Volume de pneus produzidos (milhões)
Volume de pneus trocados (milhões)
49
52
22,6
24,6
Pneus usados que retornam ao mercado (%)
–
46,8
Pneus inservíveis do total que retornam ao mercado (%)
–
53,2
–
26
Pneus inservíveis disponíveis para a coleta e destinação ambientalmente
correta (%)
Fonte: Anip.
Tabela 9 • Reciclagem de óleo lubrificante no Brasil
Óleo/m3
2003
2004
2005
Totais
Volumes comercializados (produtores)
896.016
1.049.727
1.009.501
2.955.244
Volumes dispensados (coletas)
197.408
201.020
201.900
629.328
Volumes base para coleta
698.608
819.707
807.601
2.325.916
Volumes contratados
235.233
268.283
245.691
749.207
Fonte: Anip/DNC.
Capítulo 2 - Desempenho recente da cadeia produtiva no Brasil
21
Capítulo 3
Desempenho recente da cadeia
produtiva em Pernambuco
A cadeia produtiva de produtos reciclados em Pernambuco, embora
ainda representando muito pouco do PIB e da própria produção industrial
de Pernambuco, vem crescendo bastante nos últimos anos, sendo os dados
do IBGE amplamente confirmados pelos entrevistados4. A estrutura já existente oferece grandes oportunidades de negócios, mas está subutilizada,
uma vez que boa parte dos produtos recicláveis ainda vai para os aterros
e lixões. Pernambuco é o grande mercado de material reciclado do Nordeste, pois possui a única fábrica de vidro e alumínio da região, além de
uma grande fábrica de PET e papelão, e várias fábricas de plásticos. Esta
cadeia sinalizou também uma situação favorável do ponto de vista da
comercialização e da logística.
Da mesma forma que o Brasil, a economia de Pernambuco registra uma acelerada expansão da produção da indústria de reciclagem,
nas diversas categorias de resíduos e efluentes. Como mostra o Gráfi4Para um dos entrevistados, o aumento do
preço das matérias-primas recicláveis é
um indício de dinamismo da cadeia. A
tendência nacional mostra uma demanda
aquecida, com preços altos, o que
encarece as operações produtivas por falta
de material e eleva os custos devido à
pouca oferta.
22
co 2, em oito anos (1996-2004) a produção de reciclados cresceu quase 140% em termos reais, bem acima do movimento da indústria de
transformação pernambucana, mas muito abaixo do desempenho
da indústria nacional de reciclados (crescimento de quase 400%).
Cadeia produtiva de produtos reciclados
Capítulo 3 - Desempenho recente da cadeia produtiva em Pernambuco
23
Capítulo 4
Dinamismo futuro da cadeia
produtiva em Pernambuco
A dinâmica futura da economia pernambucana, segundo a trajetória
mais provável5, facilitada pela recuperação econômica do Brasil, principalmente a partir de 2011, e pela estabilidade internacional com ampliação e
abertura do comércio, arrastará o conjunto das atividades produtivas do
Estado. Em todo caso, as atividades da cadeia produtiva de produtos reciclados deverão crescer em ritmo superior à média do PIB pernambucano,
na medida em que as preocupações com o meio ambiente e a racionalização no consumo de energia estimulem a expansão futura da reciclagem
de diferentes tipos de resíduos.
4.1 Dinamismo futuro da atividade
De acordo com as hipóteses consideradas na trajetória mais provável, nos próximos 13 anos, a cadeia produtiva de produtos reciclados deverá crescer a uma taxa média de 10,5% ao ano, pouco mais
de dois pontos percentuais acima da média da indústria de transformação (portanto, bem acima da média de expansão da economia pernambucana, estimada em 6,27%). O movimento de expan5Sebrae/Multivisão. Cenários alternativos
de Pernambuco. Recife, 2007.
24
são econômica desta cadeia se ampliará de forma continuada no
futuro, como resultado da importância crescente da conserva-
Cadeia produtiva de produtos reciclados
ção ambiental e da redução de desperdício na economia nacional e também mundial. Na medida em que a economia pernambucana ganha impulso, principalmente devido às atividades de
construção civil, plástico e metalurgia, amplia-se o percentual de
reaproveitamento e reciclagem de rejeitos em Pernambuco.
Assim, depois de um crescimento próximo da média estadual
em 2007 — cerca de 5,5%, a cadeia de reciclados ampliará a expansão nos últimos três anos da década — em torno de 6,6% ao ano, acelerando-se na cena seguinte, com taxas anuais de aproximadamente
12,6% ao ano (Gráfico 3), precisamente quando serão intensificadas as
medidas de controle ambiental e difusão de tecnologias de reciclagem
dos resíduos. De um modo geral, os entrevistados (ver lista de entrevistados) confirmaram essa expectativa de crescimento rápido da cadeia de
produtos reciclados em Pernambuco.
De acordo com as hipóteses para a mudança da estrutura produtiva da economia pernambucana, a cadeia de produtos reciclados tenderá a
registrar o segundo melhor desempenho, abaixo apenas da cadeia têxtil e
de confecções. Embora iniciando mais cedo o seu crescimento, a agressividade da política industrial chinesa, nos primeiros anos, ainda impedirá uma
retomada do dinamismo das atividades da cadeia de produtos reciclados no
Estado. Além disso, convém considerar que esta parte de uma base muito
baixa, já que tem uma participação muito pequena na indústria de transformação pernambucana (pouco menos de 0,3%).
4.2 Perspectivas de encadeamento e adensamento
Pela sua natureza, a cadeia de produtos reciclados tende a uma forte
interação com várias outras atividades produtivas, principalmente a jusante, na medida em que responde pela demanda de insumos e matérias-primas
das mesmas. O crescimento das preocupações ambientais com a ampliação
do rigor no controle e na gestão dos processos produtivos — afora a inovação
tecnológica — tende a reforçar a demanda por insumos decorrentes do beneficiamento e do tratamento de resíduos. Essa percepção do potencial de encadeamento futuro da cadeia produtiva de produtos reciclados foi reforçada
pelos entrevistados, que destacaram que Pernambuco já conta com grandes
fábricas que utilizam produtos recicláveis como matéria-prima. Como afirma um dos entrevistados, o “Estado será o mercado de vários produtos reciclados. As expectativas em relação a isso são muito boas”.
Capítulo 4 - Dinamismo futuro da cadeia produtiva em Pernambuco
25
O crescimento dessa cadeia, através do aumento da geração de
resíduos com novos investimentos em Pernambuco e aproveitamento do
potencial do lixo doméstico com coleta seletiva, irá gerar um encadeamento significativo entre algumas atividades a montante, sobretudo
nos setores de transporte e comercialização de resíduos, e a jusante,
com várias indústrias aumentando sua produção a partir de materiais reciclados. Hoje as indústrias que trabalham com produtos recicláveis em Pernambuco absorvem uma quantidade aquém da sua
capacidade, por falta de estrutura das instituições de coleta e triagem. Com o crescimento da cadeia principal, haverá um aumento
das suas necessidades, que serão supridas pela cadeia a montante, gerando um dinamismo na mesma.
26
Cadeia produtiva de produtos reciclados
Fazendo alusão específica ao lixo doméstico, há um sentimento de formação de um mercado potencial que, ano após ano,
vem sendo desperdiçado. Serão necessárias políticas públicas e
organização setorial para aproveitar todo esse potencial de negócios. “Várias empresas seriam criadas e inseridas neste contexto,
caso existisse um sistema de coleta seletiva na cidade do Recife. A
movimentação seria muito grande”, segundo outro entrevistado.
4.3 Oportunidades de negócios futuros
Partindo das hipóteses da trajetória mais provável da economia
de Pernambuco, a questão ambiental deverá ganhar importância crescente — no Brasil e também no Estado — na gestão dos negócios, tanto
pelo controle das políticas ambientais quanto pela imagem e, em grande
parte, pela racionalização dos custos de produção. Esta tendência ganha
força desde agora, mas será intensificada na virada da década, na medida em que forem amadurecidas as políticas vigentes e desenvolvidas novas
tecnologias.
Nessas condições, o volume de negócios da cadeia de produtos reciclados deverá crescer de forma continuada e ascendente, nos próximos 13
anos, registrando uma taxa média anual de 10,5% no período — as taxas só
irão acelerar a partir de 2011. Como mostra o Gráfico 4, o volume de negócios desta cadeia mais do que triplicará no período (2007-2020), passando de
R$ 29,7 milhões, em 2007, para R$ 94,1 milhões, em 2020 (em 2010 já deverá
chegar a cerca de R$ 36,9 milhões)6.
Além do crescimento dos resíduos que já são fortes na economia de Pernambuco — latas de ferro, alumínio, plástico (garrafas PET), papel e papelão,
deverá haver uma expansão significativa, nos próximos 13 anos, da coleta, do
tratamento e do beneficiamento de materiais plásticos, madeira, borracha e
pneus. E também novos negócios poderão ser constituídos em torno da reciclagem de resíduos eletro-eletrônicos, entulhos da construção civil e óleo de
cozinha.
O dinamismo da cadeia de produtos reciclados abre grandes oportunidades de negócios futuros no processo produtivo central. Na cadeia principal, destacam-se os seguintes elos produtivos com maiores oportunidades de
negócios:
•coleta e triagem de resíduos (material hospitalar, entulhos da construção civil, lixo domiciliar, produtos químicos, eletro-eletrônicos,
produtos orgânicos e resíduos industriais);
Capítulo 4 - Dinamismo futuro da cadeia produtiva em Pernambuco
6Para maiores detalhes sobre a metodologia,
ver Apêndice B.
27
•beneficiamento (moagem, prensagem, lavagem, secagem);
•tratamento de resíduos (reutilização, aterro sanitário);
•usina de entulhos que processa resíduos da construção civil.
A montante, as oportunidades de negócios em Pernambuco nessa
cadeia produtiva se concentram nas seguintes atividades:
•máquinas e equipamentos para unidades de coleta, tratamento e
reprocessamento dos resíduos;
•equipamentos e material de proteção;
•fardamentos especiais;
•transporte e comercialização de resíduos;
•produtos químicos para reprocessamento de resíduos;
•resíduos recicláveis.
As maiores oportunidades na cadeia a jusante evidenciam-se nas
seguintes atividades:
•indústria de embalagem;
•indústria de material plástico;
•indústria de papel e produtos de papel reciclado;
•produtos de vidro;
•indústria metalúrgica e produtos de metal (ferro e alumínio);
•geração de bioenergia com aproveitamento dos resíduos
orgânicos não aproveitados (reciclados);
•construção civil.
28
Cadeia produtiva de produtos reciclados
Capítulo 5
Espaços das MPEs na cadeia produtiva
Considerando a participação das MPEs no número de empresas da
indústria e estimando o volume de negócios dos pequenos negócios, com
base nos dados do IBGE para a indústria do Nordeste, em 2004, é possível
calcular a ordem de grandeza das oportunidades que se abrem no futuro da
cadeia produtiva de produtos reciclados. Acompanhando o dinamismo geral
desta cadeia, particularmente da cadeia principal, deverá surgir espaço futuro para a criação, até 2020, de 155 novas MPEs em Pernambuco. O Gráfico 5
mostra as estimativas de aumento do número de pequenos empreendimentos
(incluindo cooperativas): de 129, em 2007 (em 2004 seriam apenas 93), para
165, em 2010, evoluindo para 284, em 2020. Em média, haveria uma oportunidade para o surgindo de 12 novas MPEs por ano no período.
A ampliação desse número de empresas será, evidentemente, acompanhada do aumento do volume total de negócios, estimado em cerca de R$
3,49 milhões, em 2004, com base nos dados do IBGE. De acordo com o ritmo
geral de crescimento dos negócios na cadeia de produtos reciclados, as MPEs
tenderão a registrar uma continuada expansão das suas receitas — chegando a pouco mais de R$ 5 milhões, em 2007, passará para R$ 7,4 milhões, em
2010, e para cerca de R$ 25,9 milhões, em 2020. Assim, o volume de negócios (receita de vendas) das MPEs de reciclagem em Pernambuco crescerá
mais de cinco vezes nos 13 anos da trajetória futura mais provável7.
Capítulo 4 - Dinamismo futuro da cadeia produtiva em Pernambuco
7Para maiores detalhes sobre a metodologia,
ver Apêndice C.
29
As MPEs (incluindo cooperativas e associações de catadores) poderão
aumentar a coleta e até mesmo o beneficiamento de resíduos tradicionais e
já explorados (vidro, plásticos, papel, alumínio), devendo ampliar os tipos
de resíduos ainda não aproveitados devidamente — isopor, papéis carbono
e celofane, borrachas e pneus, óleos, entulhos da construção civil e eletroeletrônicos8. Entre as oportunidades de negócios da cadeia de produtos reciclados em Pernambuco, aquelas com maior consistência frente às características das MPEs (pequena escala eficiente, limitadas barreiras à entrada,
tecnologias acessíveis) são as seguintes:
•beneficiamento de produtos mais simples (prensagem, lavagem etc);
8Uma série de produtos encontrados dentro
•coleta e triagem de resíduos tradicionais (papel, plástico, vidro,
metal)9;
dos aparelhos eletro-eletrônicos: ouro, lítio,
cádio etc, que não podem ser descartados a
esmo, abrindo oportunidades de negócios.
•coleta e triagem de resíduos não tradicionais (entulhos da cons-
9Atualmente não existe espaço para as micro
trução civil, produtos orgânicos, isopor, papéis carbono e celofa-
e pequenas empresas na coleta de resíduos
recicláveis, dentro da administração pública
federal, conforme Decreto 5.940, de 25 de
outubro de 2006, que diz: “A separação
dos resíduos recicláveis descartados pelos
órgãos e entidades da administração
pública federal, direta e indireta, na fonte
geradora, e a sua destinação às associações
e cooperativas dos catadores de materiais
recicláveis são reguladas pelas disposições
deste decreto”.
30
ne, produtos químicos e eletro-eletrônicos);
•limpeza de navios extraindo subprodutos recicláveis;
•transporte e comercialização de resíduos;
•compostagem;
•artesanato com produtos recicláveis;
•serviços de manutenção e reparação de equipamentos de
coleta, tratamento e processamento de resíduos;
Cadeia produtiva de produtos reciclados
•fornecimento de uniformes e acessórios de segurança
para empresas de reciclagem de resíduos (produção e
comercialização);
•serviços técnicos especializados para cooperativas e associações (gestão, logística, informática, contábil, jurídico,
administrativo etc);
•qualificação profissional (treinamento);
•serviços de segurança e vigilância patrimonial.
Considerando a forte integração das atividades da cadeia principal com os segmentos produtivos que demandam e utilizam insumos
reciclados, o tratamento das MPEs da cadeia principal deverá ser feito
em conjunto e articulado com as atividades a jusante.
Capítulo 5 - Espaços das MPEs na cadeia produtiva
31
Referências
CEMPRE. Microcenários setoriais - Perspectivas da reciclagem no Brasil.
2005.
HÖEWELL, Indian M. (1998). Cempre - Viva o meio ambiente com arte na
era da reciclagem. 1998.
SPINACÉ, Márcia; PAOLI, Marco Aurélio. A tecnologia da reciclagem de
polímeros. Campinas. 2005.
WEBERING, Susana Iglesias. Relatório da oficina sobre resíduos sólidos
urbanos - Cadeia produtiva da reciclagem. 2006.
32
Apêndices
A - Lista de entrevistados
AJosé Cardoso (presidente do Pró-Recife)
Gilzete Teixeira Viana (presidente do Cedecom)
Maria Botelho (assessora do Frompet)
Bertrand Sampaio (Aspan)
Andrés Luís Trancoso Gómez (Klabin)
Rodolfo Aureliano (consultor)
Paulo Roberto Rodrigues (CIV)
Tahiana Gurgel (Gerdau)
José Eduardo da Costa (Gerdau)
33
Maria Cristina Martins(Instituto Verde)
Maurício Correia (Sebrae)
Verônica Campos (Sebrae)
Graça Vasconcelos (Instituto Verde)
B - Metodologia de simulação macroeconômica
Para mais detalhes sobre a metodologia de simulação da evolução futura da participação dos setores produtivos no PIB agregado, sugerimos a leitura do texto “Desempenho econômico e desempenho industrial no Brasil”, de
Regis Bonelli e Armando Castelar (IPEA, 2003), no qual os autores destacam
que a distribuição setorial de longo prazo do PIB segue um padrão de mudança onde, num primeiro momento, as atividades agropecuárias perdem peso
em relação à indústria que, mais à frente, perde espaço para o setor de serviços. Ademais, a intensidade e o ritmo da transformação estrutural da economia pernambucana foram condicionados pelo resultado combinado de cinco
processos referidos na trajetória futura mais provável: a distribuição setorial
dos investimentos produtivos; os impactos previsíveis dos grandes investimentos na estrutura produtiva; os investimentos em infra-estrutura previstos influenciando a competitividade de atividades e potencialidades de
Pernambuco; os fatores externos (mundiais e nacionais) com impacto na
estrutura produtiva do Estado; e a distribuição da demanda de bens e serviços de consumo final, que resulta da renda gerada na economia (efei10De acordo com o manual de instrução
de preenchimento da Rais, devem
declarar anualmente, entre outros
estabelecimentos e entidades do setor
formal, todos os estabelecimentos
inscritos no CNPJ, com ou sem
empregados. Assim, os estabelecimentos
que não mantiveram vínculos
empregatícios ou mantiveram suas
atividades paralisadas, durante o
ano-base, estão obrigados a entregar
a Rais denominada “negativa”. A base
estatística Estabelecimento (ESTB),
utilizada neste estudo e distribuída no
âmbito do Programa de Disseminação de
Estatísticas do MTE, considera todos os
estabelecimentos declarantes com ou sem
empregados.
34
to renda).
C - Metodologia de simulação do market share das MPEs
A metodologia de simulação da expansão do número de empresas e do volume de vendas em cada segmento foi construída a partir dos dados disponíveis nas seguintes fontes: Rais/MTE, ano-base 200410; PAS/IBGE, ano-base 2004 e PIA/IBGE, ano-base 2004.
Estes relatórios forneceram os dados relativos ao número de
empresas (com ou sem empregados), ao volume de vendas e ao
valor da produção no ano-base 2004. A estimativa do volume de
vendas futuras de um dado segmento produtivo ‘i’, em um ano
‘j’, foi obtida multiplicando-se o PIB do segmento ‘i’ (importado
das simulações macroeconômicas), no ano ‘j’, pela relação entre
o volume de vendas e o PIB do segmento ‘i’, no ano-base 2004
(obtido das fontes citadas). Tal relação, para simplificação, foi considerada constante ao longo do horizonte. A simulação da evolução
futura do número de empresa do segmento ‘i’, no ano ‘j’, foi, por sua
vez, obtida dividindo-se o valor do volume de vendas do segmento ‘i’,
no ano ‘j’, pelo valor médio das vendas do segmento no ano ‘j’, o qual
foi estimado como uma proporção da receita média do setor, no ano ‘j’.
Esta proporção (dada pela relação entre as vendas do segmento ‘i’ e as
vendas do setor em 2004) foi mantida constante ao longo do horizonte. A
simulação da evolução do contingente de MPEs e dos respectivos volumes de negócios para o segmento ‘i’, no ano ‘j’, foi feita multiplicandose os valores alcançados para o segmento ‘i’, no ano ‘j’, pelas relações de
participação das MPEs no número de empresas e no volume de negócios,
verificadas em 2004. Vale mencionar que a participação no número total de
empresas foi mantida constante ao longo da projeção, mas a participação
nas vendas evoluiu linearmente ao longo do horizonte, partindo, em 2004,
de 14,9% para 20%, em 2020.
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