O AVESSO DA PAISAGEM CULTURAL EM LAGUNA REITZ, LUCAS (1); YUNES, GILBERTO S. (2) . 1. Universidade Federal de Santa Catarina. Departamento de Arquitetura e Urbanismo. Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade/ PGAU -Cidade. Núcleo de Investigação em Configuração e Morfologia na Arquitetura e no Urbanismo. Centro Tecnológico, Campus Universitário – Trindade. 88040-900 – Florianópolis – SC. [email protected] 2. Universidade Federal de Santa Catarina. Professor Adjunto do Departamento de Arquitetura e Urbanismo e do Programa de Pós-Graduação em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade/ PGAU -Cidade.Coordenador e Pesquisador do Núcleo de Investigação em Configuração e Morfologia na Arquitetura e no Urbanismo. Centro Tecnológico, Campus Universitário – Trindade. 88040-900 – Florianópolis – SC. [email protected] RESUMO O artigo utiliza a aquarela que representa a paisagem do município de Laguna, Santa Catarina, elaborada em 1827 por Jean-Baptiste Debret, para o entendimento da definição da cidade como paisagem cultural. Analisa sua interpretação dos elementos que compõem o registro e identificam seu tempo. Não existem evidencias oficiais da visita do artista à cidade e a imagem foi criada a partir de relatos, resultando de filtros que a tornam constituída de elementos selecionados por sua subjetividade e construção cultural. Utilizando-se do conceito de Pechman, de que a “imagem não é mais uma paisagem, embora simule sê-la” (2012), parte-se da ideia de uma representação definida como o avesso da paisagem, calcada na técnica e subjetividade do artista. A partir do estudo do “avesso da paisagem”, o artigo desenvolve a hipótese e verifica como as imagens percebidas e registradas contribuem para a criação de ficções e invenção de urbanidades, tomando como estudo de caso a cidade de Laguna. Resultado do processo histórico de ocupação e da morfologia natural, o conjunto paisagístico do município desempenhou importante papel nacional. Inicialmente como ponto divisor do Tratado de Tordesilhas, foi posteriormente palco da Guerra dos Farrapos, sendo também importante porto e polo cultural catarinense. Esta paisagem começa a ser valorizada a partir da década de 1950, quando recebe sua primeira ação de preservação com o tombamento pontual da Casa de Câmara e Cadeia. Consecutivamente, variadas edificações isoladas são tombadas no âmbito municipal e estadual até o ano de 1978, coincidindo com a elaboração do plano diretor. Nota-se uma tendência de tombamento de edificações de tempos e linguagens específicas, além de algumas com caráter monumental. A partir deste final de década, ocorre a expansão mais significativa do núcleo inicial em direção ao oceano, com a criação do balneário praia do Mar Grosso, cujo adensamento vai ocasionar uma mudança no caráter econômico e espacial da cidade. Em 1985, o núcleo fundador é tombado pelo IPHAN, por considera-lo “fundamental para a manutenção da identidade dos brasileiros e da paisagem urbana de Laguna” (CITTADIN,2010). É definida uma poligonal de tombamento que estabelece os limites de preservação da paisagem no município, um recorte espacial identificado como o mais representativo de sua eleição como imagem desejada. A partir deste tombamento de seu núcleo fundador e seu contexto paisagístico, Laguna passa a ser um destino turístico de interesse também por sua imagem histórica divulgada, desprestigiando as continuidades espaciais da cidade que configuram seu conjunto urbano como processo de construção coletiva. Assim, identifica-se que, também os estudos realizados atualmente acerca de sua definição como paisagem cultural, tendem a valorizar a paisagem natural, a morfologia do núcleo fundador e algumas relações antrópicas pontuais. A partir do estudo das cartografias e documentação visual, chega-se à conclusão de que a construção da paisagem cultural aqui ocorrida, ao eleger elementos específicos do passado para seu entendimento presente, mantém relação com a interpretação de Debret. Esta também seleciona elementos escolhidos como significativos para a elaboração de uma imagem institucionalizada, reforçando a versão do avesso da paisagem em Laguna. Palavras-chave: Paisagem; Urbanização; Representação; Laguna. 3° COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO - DESAFIOS E PERSPECTIVAS Belo Horizonte, de 15 a 17 de setembro A Laguna de Debret e o Avesso da Paisagem As imagens registradas do passado nos ajudam a remontar os modos de representar e pensar de uma época. Nos anos de consolidação do território brasileiro, as pinturas de paisagem foram um dos registros responsáveis por noticiar um Brasil pouco conhecido. Destacamos aqui, a Missão Francesa de 1816, que objetivava revolucionar as artes na colônia e imprimir no novo mundo as marcas profundas e úteis dos artistas franceses (Souza e Silva, 2009). Um de seus maiores expoentes, Jean-Baptiste Debret, contribuiu fortemente com relatos escritos e pictóricos, culminando na publicação de Viagem pitoresca e histórica ao Brasil, entre 1834 e 1839. O artista dedicou-se a retratar um Brasil a partir de temáticas civilizatórias, como a relação europeus-indígenas e economia escravocrata. Entretanto, não podemos considerar a sua, como uma visão pura e real – “virtualmente inexistente”, já que ele parte de uma reelaboração da tradição neoclássica e iconográfica europeia (Squeff, 2008). Assim, pode-se dizer que: “A obra de Debret, como qualquer outra produção humana, não escapa a inexorabilidade de constituir-se numa interpretação construída por um sujeito inserido no mundo. Seu plano de interpretação do Brasil só pode ser pensado como possuindo firme alicerce nas ideias de seu tempo e no referencial de seu passado europeu” (Batista, 2013). O eco de suas obras remonta à exposição itinerante, “Debret – Viagem ao Sul do Brasil”, curada por Anna Paola Batista em 2011. Nela, um conjunto de aquarelas e desenhos realizados pelo artista por volta de 1827, retrata as paisagens sul-brasileiras, apontadas como “uma das principais fontes da memória da sociedade brasileira na primeira metade do século XIX” (Batista, 2013) Dentre elas, destacamos o panorama a partir do hospital, em Laguna – influente porto e centro urbano no século XIX, ao sul do estado se Santa Catarina. Nessa aquarela, concluída em 1828, Debret contraria sua marcante característica de intimidade e proximidade com a cena, retratando o porto de um ponto de observação distante e alto (Batista, 2013). Nas paisagens do Sul do Brasil, Debret repete “um cacoete compositivo (...), os personagens de costas a caminho ou observando a localidade retratada” (Batista, 2013). Alguns historiadores acreditam que essa constante distância, se deve ao fato de que a viagem ao sul nunca fora realizada, tendo o artista “se utilizado de relatos e desenhos de outros viajantes para compor os trabalhos” (Batista, 2013). 3° COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO - DESAFIOS E PERSPECTIVAS Belo Horizonte, de 15 a 17 de setembro Debret também se utiliza de aspectos morfológicos e signos na paisagem não correspondentes aos reais, estes ganham um caráter homogêneo e simbólico. Conforme observa-se na Figura 1, os morros muito lembram as paisagens europeias; o balcão asséptico do hospital; os inúmeros barcos denotando a vocação da cidade e o espectador desconhecido; todos compõem uma feição “etérea que apontam pra a construção visual do conceito de sublime” (Batista, 2013). Figura 1 - A imagem representando o olhar de distância de Debret sobre a paisagem. Jean Baptiste Debret – Vista de Hospital em Laguna, 1827. (Fonte: Museus Castro Maya) Endente-se que a aquarela de Debret pode ser considera uma representação do real, interpretada pela ótica da técnica e da subjetividade do pintor. Portanto, como representação, essa “imagem não é mais uma paisagem, embora simule sê-la”, conforme propõe Pechman (2012). Para entender como essa paisagem não constitui um registro, se recorre ao conceito de avesso. Por essa ótica, a paisagem, dotada de processos espaciais no tempo é o antagônico da imagem, destituída de passado. Sobretudo na paisagem urbana, a imagem destrói a própria cidade, compõe um lugar imaginário de desterritorialização contemporânea: “(...) a cidade com o peso de sua história, com a presença de sua arquitetura e com a veemência de sua urbanidade passa a ser temida como um empecilho à travessia dos fluxos e de toda a natureza” (Pechman, 2012, p.258) Assim, a imagem opera como um simulacro na “transformação da cidade numa imagem de cidade” (Pechman, 2012), transformando e desmanchando a urbanidade. Portanto, mesmo com a possível inexistência da viagem da viagem de Debret ao sul do Brasil, as representações nos servem como construção artística e mental da paisagem de um tempo, para todos os efeitos: um avesso. 3° COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO - DESAFIOS E PERSPECTIVAS Belo Horizonte, de 15 a 17 de setembro Hoje Laguna carrega um importante legado na história do Brasil. No ano de 1494, a cidade foi apontada como ponto divisor das terras portuguesas e espanholas no Tratado de Tordesilhas, onde pela primeira vez configura nos domínios da corte. Desempenhou, posteriormente, importante papel no século XVII, durante as expansões territoriais, além de ser palco da Guerra dos Farrapos e da República Juliana no século XIX. É um município localizado ao litoral sul do estado de Santa Catarina, aproximadamente a 120km de Florianópolis, inserido no Complexo Lagunar Sul Catarinense. Seu nome deriva de sua conformação geográfica, já que sua área central caracteriza uma porção de terra banhada por uma laguna – lagoa alimentada por águas fluviais e oceânicas. As primeiras ocupações do território lagunense remontam aos grupos sambaquianos. No século XIV, as terras são registradas por jesuítas, até serem ocupadas por bandeirantes e vicentistas em 1676. A cidade começa sua consolidação urbana quando é elevada à categoria de vila, em 1714, se desenvolvendo apoiada na economia portuária e como caminho das rotas de charque e gado para o Rio Grande do Sul. Após o desvio da rota do gado, entre 1748 e 1756, chegam os imigrantes açorianos, que mudam drasticamente os hábitos da cidade, redefinindo os costumes e padrões de ocupação do solo (Campos, 2007, p.35-40). Em 1847, a vila é elevada à cidade por Decreto Imperial. Nesta época, a população de 9000 habitantes era composta de comerciantes, militares e trabalhadores portuários de classe média e baixa, que testemunhavam a chegada de imigrantes italianos e alemães. Na virada do século XIX, a cidade vê um desenvolvimento da economia portuária aliado ao comercio e indústrias da região, o que a põe em uma “posição econômica invejável possibilitando com isso, melhores condições de vida a toda a população” (Campos, 2007, p.41-45). O fim do século XIX e o início do século XX caracterizam a “época áurea” de Laguna, onde são implantados variados equipamentos urbanos, de lazer e serviços, ainda concentrados próximos ao núcleo fundador. Esse período testemunha alterações drásticas nos padrões de ocupação e modificadores da paisagem urbana. A queda subsequente da economia portuária entre e pós guerras no século XX, traz o declínio econômico a cidade, fator que leva a ocupação e consolidação para os bairros além do centro, provocado pelo deslocamento do porto. 3° COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO - DESAFIOS E PERSPECTIVAS Belo Horizonte, de 15 a 17 de setembro Ao longo da segunda metade do século XX, a cidade vive um período de incerteza econômica, o que a faz explorar, a partir da década de 1970, a atividade turística, criando o balneário Praia do Mar Grosso, oposto geográfico ao núcleo fundador (Campos, 2007, p.41-45). Desse modo, testemunhou-se um deslocamento de algumas importantes atividades, como os festejos de carnaval, para outras áreas da península central, como o bairro Magalhães e Mar Grosso. Atualmente, a cidade vê os resultados da consolidação como balneário, enquanto a economia se apoia na sazonalidade litorânea, na exploração do turismo com apelo histórico, em atividades comercias e pesqueiras locais, e, mais recentemente, como polo universitário. As visões de Laguna pela paisagem Para abordar os aspectos naturais e antrópicos da paisagem em Laguna, se faz uso da dissertação de Mestrado de Ana Paula Cittadin, arquiteta responsável pelo Escritório Técnico do Iphan em Laguna. No trabalho, a autora pretende “introduzir objetivos de proteção ao patrimônio cultural e natural da paisagem na elaboração de diretrizes de política urbana para o município de Laguna.” (CITTADIN, 2010, p. 9). Assim, compreende os elementos naturais do território, elementos antrópicos do processo de ocupação e as unidades de paisagem. A partir daí, elenca variados aspectos para a caracterização. Os elementos naturais do território são estudados pela ótica de subcategorias que juntas englobam: geomorfologia, hidrografia, dunas e vegetação; traçando um quadro geral de elementos que articulam a paisagem do município. Compreende-se a inserção de Laguna na Unidade Geomorfológica da Serra do Tabuleiro e a posição divisora das feições geomorfológicas do litoral brasileiro do Cabo de Santa Marta; a importância da inserção no complexo lagunar sul catarinense; a conformação das dunas e a inserção no bioma da mata atlântica. Já os elementos antrópicos do processo de ocupação, abrangem a “ação conjunta e prolongada, ao longo do tempo, de fatores bióticos e abióticos sobre o território” (p. 76). Destaca-se a contribuição humana na modificação e construção da paisagem, vista através da passagem do tempo e estabelecimento das culturas. Aqui, se aborda as diferentes ocupações dos grupos Sambaquianos, Jês e Guaranis e mais tarde das ocupações europeias, chegando até os dias atuais. Aponta estudos desde o primeiro núcleo urbano da cidade, atual Centro, até a atual ocupação do território. 3° COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO - DESAFIOS E PERSPECTIVAS Belo Horizonte, de 15 a 17 de setembro Enfim, a autora avalia a paisagem de Laguna em três etapas: Paisagem Atual Rural e Urbana, identificando “características do ambiente, densidade de assentamentos urbanos e infraestrutura disponível”; Identificação e Valoração da Paisagem, apontando "as paisagens reconhecidas legalmente e os valores de paisagem encontrados em cada unidade”; Dinâmicas e Processos que incidem na Paisagem, definindo quais paisagens são resultados de processos entre múltiplas dinâmicas atuando em diferentes escalas, como o crescimento urbano. Para a complementação do presente estudo, elencando a paisagem como categoria, evidencia-se que esta não pode ser entendida apenas a partir da visão de uma porção do espaço, ou de uma única ótica. Para tanto, se recorre aos padrões ocupacionais e ao traçado, segundo Cosgrove (2008), vestígio histórico urbano de mais longa duração e consequente testemunho da ação antrópica no território. A partir dessas categorias, se busca o entendimento da paisagem como um “processo dinâmico de transformações biofísicas, sociais, econômicas e políticas a partir da escala urbana” (Alcantara, 2012). Apresentam-se os processos de ocupação na área central do município, destacando os motores de ocupação e processos socioeconômicos que as caracterizam. Aqui, se realiza um recorte mais preciso na paisagem, focando na península central da cidade, lugar onde os processos da passagem do tempo na paisagem são mais evidentes. As primeiras impressões deixadas cidade de forma consolidada concentram-se numa área restrita, ocupada estrategicamente protegida do mar aberto, entre os morros e a Lagoa de Santo Antônio dos Anjos, para a proteção de ataques. O traçado se constitui a partir de duas praças – atualmente Vidal Ramos e República Juliana e uma fonte – Bica da Carioca, e sua conexão com a laguna, onde se situava o porto. A área era ocupada por edificações em fita, em sua grande maioria, constituindo uma paisagem tendendo a hegemonia quanto a tipos e unidade de fachada, indicada pela mancha vermelha no infográfico da Figura 2. Já a virada do século XIX para o XX, é marcada pela ação de modificação do homem na paisagem, seja por obras de infraestrutura ou de expansão da ocupação, como indicado na mancha azul do infográfico da Figura 2. Nesta mesma época, começam as obras dos molhes da barra, para possibilitar um melhor acesso a Laguna e do porto no bairro Magalhães. 3° COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO - DESAFIOS E PERSPECTIVAS Belo Horizonte, de 15 a 17 de setembro Enfatiza-se que no início do século XX, havia “dois portos; assim, poder-se-ia dizer que a mudança de localização do porto principal acompanhou a dinâmica da economia carvoeira” (Elíbio, 2005). Simultaneamente, aterram-se uma faixa da orla do centro e as terras pantanosas do bairro Campo de Fora para a ampliação da ferrovia e recepção da estação ferroviária, configurando as mesmas tipologias de ocupação do Centro. O bairro Magalhães se constitui predominantemente de edificações residenciais isoladas no lote, tendo como maior exemplar o Palacete de Polidoro Santiago, administrador do porto no começo do século. Desenvolve-se ao longo da estrada de ligação entre o novo porto e o centro. A desativação do porto localizado no Centro acontece no estado novo, entre 1947 e 1945, período próximo em que o porto, no então bairro Magalhães, chega ao seu pico de movimentação de embarcações e carga, em 1948 (Elíbio, 2005). O período de declínio começa a acentuar em 1954, com a ascensão do porto de Imbituba. A partir daí, começa a operar como porto pesqueiro, de forma local e em reduzida escala. É na década de 1970 que começa a exploração como balneário turístico, definindo o traçado atual do Bairro Mar Grosso. Aqui, as vias são reguladas por pequenos loteamentos e desmembramentos, e a interação com a orla marítima, além da continuação das vias de acesso ao centro e bairro Magalhães. Essa expansão é indicada pela mancha verde do infográfico da Figura 2. Os gabaritos nas edificações sobem, não extrapolando a média de trinta metros de altura. O bairro se consolida por edificações residenciais e comércio local, adotando a faixa de areia como o grande espaço público. Mais recentemente, no fim do século XX e começo do XIX, observa-se o loteamento e ocupação da Praia do Gi, caracterizado por grandes lotes e condomínios particulares murados. Nota-se uma tentativa, atualmente sem resultados palpáveis, de deslocamento do balneário Mar Grosso para a Praia do Gi. 3° COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO - DESAFIOS E PERSPECTIVAS Belo Horizonte, de 15 a 17 de setembro Figura 2 - Infográfico. Acima a localização do município. Abaixo, mapa da península central de laguna, indicando as manchas de expansão mais significativas em relação ao traçado e espacialidade na paisagem da cidade.(Fonte: Prefeitura Municipal de Laguna, GoogleMaps e Wikipedia – Adaptado pelo autor) 3° COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO - DESAFIOS E PERSPECTIVAS Belo Horizonte, de 15 a 17 de setembro Dado este conjunto paisagístico singular, em 1954 surge a primeira ação de preservação em Laguna, ainda em âmbito municipal, investida na Casa de Câmara e Cadeia. A intenção de manutenção do bem é marcada pelo centenário da morte da onipresente lagunense, Anita Garibaldi, em 1949. O edifício, então, passa a hospedar o museu intitulado pela heroína da República Juliana. Já a partir da década de 1970, o centro fundador começa a apresentar sinais de desvalorização e esvaziamento de usos, por ser palco de uma “vida urbana tradicional”, frente aos novos hábitos da modernidade. Diz-se que o deslocamento acelerado para a região balneária da cidade “proporcionou efeitos não tão benéficos para a área” (Lucena, 2011). Além disso, em 1978, com a elaboração do primeiro plano diretor, permite-se edificações de até quatro pavimentos, incentivando a mudança nos padrões ocupacionais da área: “este fato dá início ao rompimento da volumetria e morfologia do centro” (Cittadin, 2010). Junto ao plano, edificações são tombadas de forma isolada no bairro Centro e Cadeia e Magalhães. Após estudos realizados por Tavares (1983), se começa a pensar o tombamento de fração da cidade em âmbito nacional. Este movimento resulta, em 1985, no tombamento de uma porção do território do centro fundador, caracterizando uma poligonal de tombamento, indicado pelo tracejado cinza na Figura 2. Vale ressaltar que algumas edificações de valor cultural inestimável passaram por processo de demolição na mesma década. Este recurso abrange uma totalidade aproximada de 700 edificações: “Estas formam um conjunto com características singulares construídas a partir do séc. XVIII. São residências térreas, sobrados, edificações de grande volumetria, em estilos arquitetônicos variados como lusobrasileiro, eclético, art deco, modernistas, entre outros” (Campos, 2007, p.44) Na época, a poligonal é inscrita em dois livros de preservação, o Livro do Tombo Histórico e o Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico. É, importante destacar que, juntamente ao tombamento das edificações, já há uma preocupação em relação a paisagem. No relatório do IPHAN (1985) com as recomendações do tombo, o arquiteto Luiz Fernando P. N. Franco expressa que “em sua dimensão estritamente arquitetônica, o patrimônio construído do Centro Histórico de Laguna não apresenta as características de excepcionalidade normalmente adotadas como critério para decidir sobre a oportunidade do tombamento”. Assim, nota-se que a inserção e posição geográfica adotada pela ocupação é fator decisivo para a preservação. 3° COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO - DESAFIOS E PERSPECTIVAS Belo Horizonte, de 15 a 17 de setembro Lucena (2011) ainda defende que, no caso de Laguna, o tombo trata-se de uma “análise estritamente material do objeto para a preservação”, não levando em consideração os aspectos históricos e socioeconômicos, associando a paisagem como moldura e cenário do objeto material principal a ser preservado: o centro histórico. A autora também destaca esta como uma tendência seguida após as recomendações da Carta de Veneza (1964), a exemplos de sítios como Paraty e Porto Seguro. Essa primeira leva de ações de preservação em Laguna engloba somente registros de patrimônios materiais, compreendendo as modificações tangíveis do homem na paisagem. É a partir do fim da década de 1980 e começo da década de 1990, que questões relacionadas ao patrimônio imaterial começam a despontar com força no Brasil, desencadeados por uma tendência mundial. É importante assinalar que a constituição de 1988, Cap. III, Art.216, já demonstra tal preocupação, classificando “bens de natureza material ou imaterial, incluindo o patrimônio paisagístico que merecem fazer parte do futuro.” (BRASIL, 2004). Porém, somente no ano de 2000, com a lei nº 3551 que o patrimônio imaterial começa a constar num livro próprio. Em 2009, com a portaria nº127, enfim é estabelecida a Chancela de Paisagem Cultural, regendo a manutenção e gestão das relações antrópicas na/com a paisagem. Em Laguna, o primeiro marco do registro imaterial ocorre em 1997, com a Lei municipal nº 521, onde “os habitantes de Laguna, na qualidade de cidadãos, declaram os botos (golfinhos) da Lagoa de Santo Antônio dos Anjos, patrimônio do município” (Brasil, 1997). Neste ato a prefeitura se compromete a monitorar, proteger, divulgar e articular cientificamente a questão da pesca com o auxílio dos golfinhos. Esta prática, mais frequente nos meses de pesca da tainha, é um, se não o maior, exemplo eleito da interação homem-natureza na paisagem do município. De cinquenta golfinhos que vivem no Complexo Lagunar, cerca de vinte – entre adultos e filhotes, cooperam diretamente com a pesca (G1, 2013). A partir daí, destacam-se estudos para a compreensão do valor material e imaterial da paisagem de Laguna, apresentados nos trabalhos de Lucena (2011), Campos (2007) e Cittadin (2010). Lucena (2011), faz um apelo aos espaços públicos da cidade, sendo estes “espaços que a sociedade manifesta publicamente seus valores socioculturais, seus anseios, suas necessidades - do lazer, da palavra, da sociabilidade” (p.12), encarnando aí, a imaterialidade, ou a urbanidade, no centro da cidade. A autora ainda discorre sobre a intervenção da 3° COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO - DESAFIOS E PERSPECTIVAS Belo Horizonte, de 15 a 17 de setembro chancela da paisagem cultural em Laguna sob duas alçadas, ambas partindo do centro da cidade: “Dentro do centro”: onde a manutenção pela chancela ocorreria nos espaços públicos e na vida urbana nele inserida – festas, manifestações culturais e religiosas, rotina e atividades econômicas como a pesca. “Dentro para fora do Centro”: o “entorno imediato, formado pelos elementos naturais que interagem e intervém no modo de vida das pessoas” (p.16). Abrange aí a Lagoa – cenário da pesca e rotas de transporte; e os morros, que ao longo dos anos, ganharam significado religioso e memorial. Enfim, ressalta que para o uso da Chancela da Paisagem Cultural, deve-se buscar uma gestão público-privada, que auxiliem na criação de: “Instrumentos normativos, de obras de revitalização, de políticas que valorizem e preservem as configurações sociais existentes no centro histórico, que estimulam o lúdico, o cultural e a memória urbana nestes espaços” (Lucena, 2011, p.19) Nota-se uma preocupação evidente no resgate da urbanidade tradicional, do papel do “centro histórico” na memória da cidade, e na eleição de elementos pré-industriais na paisagem como catalizadores da relevância patrimonial frente às demandas contemporâneas. Já Campos (2007), através da história oral temática, tenta entender como os órgãos de preservação atuam no centro de Laguna, de forma a realizar o “desejo em visualizar uma cidade que agrade tanto aos que residem quanto aos visitantes” (p. 94). Tenta entender como as questões estéticas, funcionais e de gestão podem estar intimamente ligadas com a questão patrimonial do município. Enfim, acentua que, em Laguna, “o patrimônio como símbolo ainda não está totalmente construído (...) suas ligações com a memória individual e coletiva são mais presentes do que com a idéia de futuro, e de possibilidades” (p.94). E termina assinalando que o patrimônio ganha sentindo quando relaciona as memórias, o passado, com as dialéticas da atualidade. A autora propõe um debate acerca de dois tempos na cidade: no passado, onde ocorreu a produção do patrimônio atual, e o presente, legando este patrimônio para o futuro. Por fim, Cittadin (2010), após avaliar as questões naturais e antrópicas na paisagem da cidade, como supracitado, gera propostas para a preservação da paisagem natural e cultural de Laguna. Entende a chancela como uma proteção integrada do patrimônio, apontando: 3° COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO - DESAFIOS E PERSPECTIVAS Belo Horizonte, de 15 a 17 de setembro A preservação do patrimônio, material e imaterial, e da paisagem, para valorização da história e melhora na qualidade de vida os cidadãos. Organização dos núcleos populacionais, seguindo critérios de ocupação estabelecidos pelo plano diretor participativo Manutenção das paisagens naturais para a integração de atividades como turismo, agropecuária, recursos naturais e laser. Este estudo, diferentemente dos outros, extrapola os limites da poligonal de tombamento no centro fundador da cidade, entendendo a paisagem como questão integradora. Assim não segmenta, ou o faz de forma menos evidente, a paisagem em territórios não articulados, dividindo-os apenas como recorte de estudos. Nota-se que o foco de ambas as pesquisas é o legado das ações pré-industriais ao presente, considerando como relevância na paisagem natural, edificada, em suma, cultural, o saber fazer e as ações antrópicas ditas “tradicionais”. A situação no tempo atual e identificação na história do tempo presente não relegadas ao enaltecimento de ações e registros materiais passados. Pouco se aborda sobre as novas dinâmicas da cidade, como o Carnaval e a balneabilidade, observando-se uma tendência acadêmico-institucional de manter a imagem de “Laguna tradicional”. Representações e interpretações da paisagem É nas representações populares, no cotidiano, que podemos ver como as marcas das políticas de preservação incidem nas questões de identidade. Não seria a questão patrimonial, um catalizador de influências para esta representação? Para Canclini (2000), o patrimônio na modernidade alça questionamentos específicos. Entende que a perenidade dos bens – materiais e imateriais, os elevam a um valor inquestionável, tornando-os “fonte de consenso coletivo” (p.160). De fato, é a partir da preservação, da intervenção com o pretexto de perdurar que, oficialmente, um bem coletivo passa a dotar de uma “aura” oficializada. A diferença das manifestações coletivas populares à erudição, e a denominação de algumas delas sob a égide de denominações como o folclore, ajudam a alimentar essa “teatralização” do patrimônio coletivo – seja através de pinturas, comemorações, monumentos ou museus (Canclini, 2000). 3° COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO - DESAFIOS E PERSPECTIVAS Belo Horizonte, de 15 a 17 de setembro Em Laguna, não é diferente. A valorização da memória na cidade e da cidade, encontra variadas maneiras de se manifestar e materializar. Assim, fica evidente que “preservar um lugar histórico (...) e costumes, é uma tarefa sem outro fim que não o de guardar modelos estéticos e simbólicos” (Canclini, 2000, p.161). Aí, é comum testemunhar manifestações artísticas que retratam a mesma temática; estabelecimentos comerciais, instituições e logradouros nomeados aos mesmos heróis e simulações de espaços para a valorização. Observam-se ações questionáveis sobre a institucionalização de um tempo na cidade, lançada, principalmente pelos órgãos de preservação. Ao longo do centro fundador e dos bairros próximos, se vê uma profusão de estabelecimentos homenageando a República Juliana e a heroína Anita Garibaldi. O Café República (item número 1 da Figura 3) e o Café Garibaldi (item número 2 da Figura 3), são exemplos desta tendência. Na categoria do uso do patrimônio aliado ao apelo turístico, se pode elencar dois exemplos, os Museu Casa de Anita (item número 3 da Figura 3) e o Museu Anita Garibaldi (item número 4 da Figura 3). O primeiro, erguido em 1711, ao lado da Igreja Matriz, foi o local onde a heroína vestiu-se para seu primeiro casamento. Hoje, é dedicado a contar a história de Anita, se afirmando como “relicário histórico” da lagunense. O fato de carregar o nome de “casa”, lugar de morada, desmonta a historicidade de seu verdadeiro lar, localizado algumas ruas dali. Já o Museu Anita Garibaldi, a antiga Casa de Câmara e Cadeia, é dedicado à Guerra dos Farrapos e a República Juliana, instaurada na mesma praça onde se situa o museu. Ao carregar o nome de Anita, o espaço de limita a atribuir os acontecimentos a uma única personagem, valorizando-a em prol de um evento com variados protagonistas. A ponte de nova ligação da rodovia BR-101, com obras iniciadas em 2010, importante fluxo para o sul do estado e entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, também recebe o nome de Anita (item número 5 da Figura 3). Aqui, além de confirmar a onipresença de Garibaldi, a ponte configura um marco colossal na paisagem da Laguna de Santo Antônio dos Anjos e sombreia a importância histórica de suas ligações anteriores, marcos essenciais dos ciclos econômicos alavancados pelo automóvel e pela ferrovia, marcados pela atual ponte de automóveis e a antiga ponte ferroviária de Cabeçuda (item número 6 da Figura 3). 3° COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO - DESAFIOS E PERSPECTIVAS Belo Horizonte, de 15 a 17 de setembro Figura 3 - As representações e interpretações do passado marcando a paisagem de Laguna. 1 - Café Rebpública; 2 - Café Gabribaldi; 3 - Museu Casa de Anita; 4 - Museu Anita Garibaldi; 5 - Ponte Anita Garibaldi; 6 - Ponte Cabeçuda. (Fonte: Prefeitura Municipal de Laguna, IPHAN, GuiaLitoralSul, Ronaldo Amboni – Adaptado pelo autor) Já no contra caminho da representação de elementos pré-estabelecidos – principalmente os ditos “históricos”, algumas produções e instituições se desenvolvem encontrando o caminho contemporâneo da cidade. Estes atores buscam a convivência com o antigo, entendem seu 3° COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO - DESAFIOS E PERSPECTIVAS Belo Horizonte, de 15 a 17 de setembro espaço no tempo, e crescem juntos na busca de um futuro integrado também com o presente, sem evidenciar somente um tempo. Esta é uma geração disposta a “movimentar a cidade e criar uma alternativa de música, fotografia e artes plásticas” (Bett, 2013). Juntam-se aos coletivos NEO Cult e With Art Colletive, o Espaço Cultural Richard Calil Bulos – Chachá, as oficinas e cursos do Sesc e algumas ações conjuntas e parcerias organizadas pela Universidade do Estado de Santa Catarina. Assim tentam “vivenciar um ambiente que exala história e apreciar os trabalhos de artistas locais” (Bett, 2013) Também contemporâneo este acrítico sobre tela de Artur Cook (Figura 4), pintor radicado na cidade, é intitulado “Laguna”. Nele, se pode observar a densidade de símbolos convivendo no mesmo espaço físico, compondo uma espécie de alegoria da paisagem lagunense. Figura 4 - A repetição de símbolos na representação da paisagem em Laguna. Artur Cook - Laguna, acrílico sobre tela. (Fonte: http://arturcook.blogspot.com.br/p/obras.html Compõem na mesma representação um panteão de representações (da esquerda para a direita): a Bica da Carioca, a Casa de Câmara e Cadeia (atual museu Anita Garibaldi), manifestações folclóricas de Boi de Mamão, estátua de Anita Garibaldi, a fonte da Praça Vidal Ramos, a igreja matriz, a estátua de Nossa Senhora da Glória, o museu Casa de Anita, a pesca, a Pedra do Frade e o Farol de Santa Marta. Assim, de forma orquestrada, Cook representa os símbolos, cores e elementos institucionalizados: os patrimônios culturais de Laguna. Como síntese das representações citadas, eterniza estes elementos, elegendo-os como os mais significativos de serem impressos no tempo e espaço. À sua forma, também cria uma nova paisagem, um novo avesso. 3° COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO - DESAFIOS E PERSPECTIVAS Belo Horizonte, de 15 a 17 de setembro Expressado como a ideia de patrimônio se construiu na cidade de Laguna, e a reverberação cultural que ela gerou, pode-se agora traçar perguntas para estruturar o pensamento do avesso. Ao desconstruir o conceito de Pechman (2012), entende-se que o avesso da paisagem cultural em Laguna, deve muito às das políticas de preservação, que ajudam à mitificação de elementos e signos em detrimento de outros. Neste caso, a paisagem urbana não corresponde mais a uma cidade, e sim um “lugar imaginário, uma cenografia urbana” (Pechman, 2012, p.257). Testemunha-se uma repetição das representações na cidade. Assim, a paisagem cultural em Laguna pode transformar-se “num cenário que não é mais um lugar, mas um décor para a teatralização de fantasias” (Pechman, 2012, p.257). Pode-se perceber tal fenômeno “de imagem em imagem”: a representação do desconhecido em Debret; a poligonal de tombamento traçada no centro fundador, ignorando as continuidades da paisagem; as manifestações artísticas contemporâneas, frutos da eleição de um tempo. Ao iniciar esta análise em Debret, entende-se a transformação da paisagem em imagem, a destituição da realidade. O entendimento da preservação como representação é fundamental para construir a imagem da atual paisagem lagunense, calcada nesse enaltecimento do passado e da tradição. Ao institucionalizar “recantos” da paisagem em Laguna, órgãos e instituições correm o perigo de desencadear uma alteração da espontaneidade em prol da massificação da cultura, já que adotam um tempo como “o tempo”. Aos poucos, o “cenário vai substituindo a paisagem da cidade, provendo-a, sobretudo, de um novo sentido, levando a perda de seu sentido original” (Pechman, 2012, p.258). À iminência de transformar-se num artifício, num simulacro, deve-se atentar para as questões que realmente fazem da paisagem de Laguna um bem cultural. É importante entender que, a paisagem cultural em Laguna necessita do apoio no passado para o entendimento do presente e construção futura. Entretanto é salutar atentar-se a outros fenômenos de transformação na paisagem pelo homem, que acontecem hoje ou que necessitam acontecer num futuro próximo, destituídos da teatralização e mitificação do passado. Conclui-se que mais importante que buscar questões sobre a imagem da paisagem cultural, é nos perguntar constantemente se já vivemos do avesso dela. 3° COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO - DESAFIOS E PERSPECTIVAS Belo Horizonte, de 15 a 17 de setembro Referências Alcantara, Denise de in Terra, Rubens de Andrade Carlos. Observações sobre o centro in Avesso da Paisagem: Percepção Artístico-urbana e Imaginário Socioespacial. Rio Book’s. Rio de Janeiro, 2012. Batista, Anna Paola. Debret: Viagem ao Sul do Brasil. Memória Visual – Fotografia, Produção Editorial e Preservação de Acervos Ltda. Bahia, 2013. Bett, Jéssica Souza. A arte trazendo o olhar para o espaço: Utilização de galpões ociosos nas margens da Lagoa de Sto. Antônio dos Anjos de Laguna (SC). XIII Simpurb, UERJ. Rio de Janeiro, 2013. Campos, Gisely Cesconetto. Patrimônio Edificado de Laguna: Conhecer, interpretar e preservar. Dissertação de Mestrado (Curso de Mestrado em Ciências da Linguagem). Universidade do Sul de Santa Catarina. Tubarão, 2007. Canclini, Nestor Garcia. Culturas híbridas: estratégias para entrar e sair da modernidade. Cap. 4: O porvir do Passado. São Paulo: EDUSP, 2000 Cittadin, Ana Paula. Laguna, Paisagem e Preservação: o Patrimônio Cultural e Natural do Município. Dissertação de Mestrado (Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo). Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 2010. Cosgrove, Denis. Geography and vision: Seeing, imagining and representing the world, Carto-city. I.B. Tauris, 2008. Elíbio, Soraya Vieira. Trajetórias de desenvolvimento: Porto de Laguna e Porto de Imbituba. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado Ciências Econômicas), Universidade Federal de Santa Catarina, 2005. Lucena, Liliane Monfardini Fernandes. A memória das cidades e os novos instrumentos de preservação: proposições para o caso de Laguna/SC. XII SIMPURB, 2011. Pechman, Robert Moses in Terra, Rubens de Andrade Carlos. Por que és o avesso, do avesso, do avesso...paisagens travestidas da cidade in Avesso da Paisagem: Percepção Artístico-urbana e Imaginário Socioespacial. Rio Book’s. Rio de Janeiro, 2012. Souza e Silva, Dalmo de Oliveira. Missão Artística Francesa “A colônia de Artistas Le Bretton”. Pesquisa em Debate, Ed. 10, Vol. 6, Nº 1. Janeiro/Junho, 2009. 3° COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO - DESAFIOS E PERSPECTIVAS Belo Horizonte, de 15 a 17 de setembro Squeff, Latícia. Revendo a Missão Francesa: A missão Artística de 1816, de Afonso d’Escragnolle Taunay. I Encontro de História da Arte – IFCH/UNICAMP. Universidade de Campinas. Campinas, 2005. Tavares, Jeanine Mara. Valorização do sítio histórico da Laguna. Trabalho de conclusão de curso (Bacharelado em Arquitetura e Urbanismo), Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 1983. 3° COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO - DESAFIOS E PERSPECTIVAS Belo Horizonte, de 15 a 17 de setembro