UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” AVM FACULDADE INTEGRADA O PROCESSO DE APOSENTADORIA E O PAPEL DO RH Por: Danielle Mathildes de Souza Orientador Prof. Carlos Cereja Rio de Janeiro 2011 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” AVM FACULDADE INTEGRADA O PROCESSO DE APOSENTADORIA E O PAPEL DO RH Apresentação de monografia à AVM Faculdade Integrada como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Gestão de Recursos Humanos. Por: Danielle M. de Souza 3 AGRADECIMENTOS Agradeço aos meus pais pelo incentivo de sempre; agradeço ao meu irmão por toda a torcida; agradeço ao meu noivo pela compreensão; agradeço aos amigos que na AVM fiz Luana Galdo, Luís Gotelipe e Régia Lima por serem as minhas companhias durante toda a pós; agradeço em especial as minhas avós - inspirações para a escolha do tema dessa monografia - e a Deus, por mais essa conquista. 4 DEDICATÓRIA Dedico essa monografia a minha ex-chefa e atual amiga, Ana Paula Braga, que me mostrou uma visão diferente de como trabalhar em Recursos Humanos e me ensinou - e ensina - como ser um exemplo de profissional na função que tanto amo e me orgulho de desempenhar. 5 RESUMO O presente trabalho tem como objetivo propor reflexões sobre as relações entre trabalho, aposentadoria e envelhecimento, segmento que hoje representa uma parcela significativa da população. Considera-se o trabalho fundamental para a qualidade de vida dos sujeitos, que muitas vezes são excluídos do mercado de trabalho, sem grandes possibilidades de reinserção. E as diferentes formas pelas quais os idosos percebem o trabalho e a aposentadoria pode ser ressaltada pela história de vida de cada um. Sendo assim, cabe aos Recursos Humanos conduzir esse processo tratando o idoso como um agente histórico, crítico e que tem uma vida retratada por memórias e experienciais pessoais e profissionais. 6 METODOLOGIA A metodologia utilizada para esse trabalho foi constituída por pesquisa bibliográfica através de livros e sites para formatação do referencial teórico; recursos esses que me garantiram material para desenvolver tal pesquisa supracitada. 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 08 CAPÍTULO I - Envelhecimento 11 CAPÍTULO II - O Idoso e o Trabalho 22 CAPÍTULO III – A Aposentadoria e o RH 27 CONCLUSÃO 37 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 40 ÍNDICE 42 8 INTRODUÇÃO A escolha da temática se deu devido, especialmente, à minha experiência na área de Recursos Humanos, a minha formação em Serviço Social e o meu envolvimento com funcionários que estão prestes a ser aposentar. Dessa forma, considerando as motivações mais especificas que envolvam a escolha por essa temática, o processo de aposentadoria e o papel do RH, esse é um assunto que me interessa pessoalmente e se torna cada vez mais significativa no âmbito nacional. E como o departamento de Recursos Humanos deve conduzir o processo de aposentadoria dos seus funcionários, afim de tornar esse processo o mais suave e proveitoso possível? Considera-se o trabalho fundamental para a qualidade de vida dos sujeitos, que muitas vezes são excluídos do mercado de trabalho, sem grandes possibilidades de reinserção. E as diferentes formas pelas quais os idosos percebem o trabalho e a aposentadoria pode ser ressaltada pela história de vida de cada um. Logo, os processos de envelhecimento e de aposentadoria ocorrem de maneiras diversas, estando diretamente ligados a mudanças na vida social e no mundo do trabalho, à estrutura familiar – especialmente a que se vê na sociedade contemporânea -, ao convívio dentro e fora do trabalho, à forma que a rotina laborativa foi conduzida, aos papéis sociais desempenhados, ao status do indivíduo, aos projetos de vida; entre tanto outros fatores. É importante, portanto, compreender o velho em suas formas de ser, respeitando suas maneiras de viver, pois o fato de as pessoas terem determinada faixa etária não significa que tenham passado pelas mesmas vivências e que apresentem a mesma necessidade e as mesmas características. Sendo assim, cabe aos Recursos Humanos conduzir esse processo tratando o idoso como um agente histórico, crítico e que tem uma vida retratada por memórias e experienciais pessoais e profissionais. 9 E esse é meu objetivo com esse trabalho, promover uma analise sobre a importância do papel da área de Recursos Humanos no suporte ao processo de aposentadoria de seus colaboradores. Para responder a pergunta do problema que norteou a pesquisa, ou seja, como o setor de Recursos Humanos pode agir em prol do processo de aposentadoria de seus colaboradores, é preciso levar em consideração o fato de que, na maioria dos casos, o empregado prestes a se aposentar, não tem uma preparação para o encerramento da vida profissional e por conta disso pode ficar desestimulado, refletindo na produtividade no trabalho. O envelhecimento e a aposentadoria podem trazer diminuição de proventos, perda de referencial de trabalho e de identidade pessoal e sentimento de inutilidade sócio-psicológica, o que leva a problemas de saúde física e mental do colaborador para o resto de sua vida. O primeiro capítulo, denominado Envelhecimento, trata dos assuntos e do contexto em que esse assunto está tendo atualmente na sociedade e em especial o impacto que esse assunto causará sobre a mesma. O segundo capítulo, O Idoso e o Trabalho; trata sobre o fato que aas experiências vividas e os saberes acumulados são ganhos que propiciaram aos mais velhos oportunidades de explorar novas identidades, realizar projetos abandonados em outras etapas da vida, estabelecer relações mais profícuas com o mundo dos mais jovens e dos mais velhos. Essas novas imagens do envelhecimento que acompanham a construção da “Terceira Idade” transformam a experiência de envelhecimento em uma experiência mais gratificante. E por último, o terceiro capítulo, Aposentadoria e RH; mostra sobre que o setor de Recursos Humanos tem papel crucial na condução desse processo, através de iniciativas como, por exemplo, o PPA (Programa de Preparação para Aposentadoria) que desconstrói a idéia de que a aposentadoria é um “fantasma”, contribuindo para que indivíduos entre 55, 60 anos ou mais estejam em plena maturidade e vigor, apesar de estarem próximos do fim da carreira. 10 Sistematicamente, cada capítulo e sub-capítulo tratam de assuntos que se correlacionam uns com os outros, abordando várias faces da mesma temática, sempre buscando chamar a atenção para a importância do setor de Recursos Humanos na vida do idoso nessa fase tão marcante de sua vida. 11 CÁPITULO I ENVELHECIMENTO O CONCEITO O presente capítulo tem como objetivo realizar uma breve consideração acerca de conceitos relacionados à temática do envelhecimento, sociedade e experiência tendo como direcionamento o envelhecimento como fenômeno social e o trabalho. 1.1 O envelhecimento como fenômeno social A abrangência da velhice nos vários âmbitos da vida social é revelada muito mais pelo lado depreciativo do que pela possibilidade do encontro de novos olhares e novas percepções. No entanto, a necessidade de encararmos a velhice como uma fase natural da vida, constitutiva do nosso ciclo vital é essencial. Dessa forma, se as experiências estão integradas num processo que vai desde o nascimento até a morte, a velhice é uma fase do desenvolvimento humano tão importante quanto às demais e merece, portanto, esse reconhecimento por parte dos estudiosos do assunto, da família, da sociedade e das empresas. A complexidade dessa fase do desenvolvimento humano está circunscrita no indivíduo e na sociedade. Logo, a velhice não é um fato estático e sim o resultado e o prolongamento de um processo: o de envelhecer como dimensão intrínseca ao próprio viver. É sempre percebida em relação ao outro, visto que precisamos desse outro para nos reconhecer enquanto velhos, entendendo sociocultural. esse “outro” como a sociedade inserida num contexto 12 Entendendo a diferenciação do envelhecimento humano a partir de um olhar que designa a existência de diversas idades, percebemos porque há a demarcação de um tempo para que a velhice seja institucionalizada em todo seu contexto. A noção do conceito de velhice atravessou diversas épocas como algo não definitivo e seus sentidos e significados são resultados de uma construção social e histórica. Desde a Antiguidade Clássica, passando pela Idade Média, até nossos dias atuais, a velhice assumiu diversas significações, revelando-se no meio social como instituição em seus diversos níveis contraditórios. A velhice acarreta, ainda, conseqüências psicológicas: certos comportamentos são considerados, com razão, como característicos da idade avançada. Como todas as situações humanas, ela tem uma dimensão existencial: modifica a relação do indivíduo com o tempo e, portanto, sua relação com o mundo e com sua própria história (BEAUVOIR, 1990, p.15). O envelhecimento não é uma realidade vivida igualmente por todos os indivíduos. Suas particularizações e configurações são definidas segundo as condições materiais de inserção dos sujeitos no movimento da produção e reprodução sociais, processos que definem estatutos diferenciados à velhice, respeitando a condição de classe, status e hierarquia dentro da sociedade civil. O processo de envelhecimento não se resume aos aspectos demográficos. Sua complexidade exige que seja estudado por diversas disciplinas, sob múltiplos ângulos. É um fenômeno que percorre toda a história da humanidade, mas apresenta características diferenciadas de acordo com a cultura, com o tempo e com o espaço (GOLDMAN, 2000, p.61) É notório, principalmente em nosso país, como a inter-relação desses fatores, ambos advindos de uma práxis social, institucionaliza a velhice. O problema é que freqüentemente a velhice é instituída pelo olhar da homogeneidade, como se acontecesse de forma única com todos, sendo que o que de fato acontece é exatamente ao contrário. 13 O envelhecimento, a vivência e a situação do idoso é marcadamente diferentemente; se ele é rico ou pobre; se é saudável ou doente; se é homem ou mulher; se trabalha ou é aposentado; se mora em casa ou em asilo (NERI, 1991, p.42). É justamente porque incorpora uma dinâmica de saberes e práticas, que para cada pessoa ela é uma experiência individualizada e heterogênea. Essa homogeneização termina por influenciar as diversas maneiras de vivenciar a velhice e o envelhecimento. Um exemplo, interessante é a denominação “terceira idade”. Antes, tínhamos o “velho”, depois se criou o “idoso”, agora temos uma categoria designada por “terceira idade”. Porém, há um aparato comercial especial para ela, acompanhada de atividades direcionadas e instituições que tratam especificamente disso. Logo, se trata de uma categoria que abrange circunstâncias sócio-políticas, históricas, econômicas e culturais. Inseridos numa sociedade urbana e capitalista, vivenciamos cotidianamente o culto ao jovem. A preocupação excessiva com a aparência e o culto ao corpo, valorizando o que é saudável e jovial, é disseminada diariamente pela mídia enquanto o envelhecimento é recusado, condenado e adiado. Atualmente, “(...) tentamos adiar o envelhecimento cuidando da saúde, prevenindo as doenças que chegam com o desgaste do organismo e fazendo uso dos recursos da indústria da beleza e do rejuvenescimento. (...)” (Mascaro, 2004, p.21). Assim sendo o termo “velho” e “idoso” são elementos também de uma disputa ideológica sobre que dimensões o envelhecimento deve ter em uma sociedade em busca permanente por novidades; o que acabar por sentidos e significados preconceituosos de várias espécies. E isso acontece devido a uma visão estereotipada que retrata o processo de envelhecer como um quadro sombrio. Em algumas sociedades tradicionais, os velhos eram venerados e respeitados. Era natural que os membros da família tivessem que obedecer às ordens do mais velho, pois este era visto como sinônimo de sabedoria. Na sociedade atual, há uma inversão de valores, o velho é tratado com preconceito, a começar pelo termo, prefere-se chamar idoso. Nas práticas 14 sociais, o idoso é representado como aquele que possui ideal de jovem, que continua a desfrutar da vida; já o velho é aquele de muita idade, cheio de rugas e resmungão. Mas, por que tanta resistência ao termo velho? 1.2 O envelhecimento no Brasil No Brasil, verifica-se um aumento do número de pessoas com sessenta anos ou mais de idade. Neste sentido, pode-se afirmar que há um verdadeiro, e acelerado, processo de envelhecimento da população deste país. Em aproximadamente vinte e cinco anos, a população brasileira alcançou um considerável patamar de envelhecimento. Tal fato não ocorreu com outros países, em geral os desenvolvidos (como a França), cujo quadro de envelhecimento foi estabelecido num período bem mais longo, e de forma gradual. As questões relacionadas à população idosa tornaram-se relevantes nas discussões em âmbito mundial. Atualmente, a população mundial é de aproximadamente seis bilhões de pessoas, das quais cerca de 580 milhões (9,8%) têm mais de 60 anos. Até o ano de 2025, segundo as estimativas, perto de 14% da população será considerada velha, e a proporção de pessoas muito idosas (75 anos ou mais) representará um grupo em crescimento (TEIXEIRA, 2008, p. 39). Assim, pode-se dizer que o Brasil sofreu significativas alterações demográficas, e sua população vivencia um processo de envelhecimento. Segundo este estudo realizado pelo IBGE1 (publicado em dezembro de 2007), a melhoria no acesso da população aos serviços de saúde, as campanhas de vacinação, o aumento da escolaridade, a prevenção de doenças e os avanços da medicina apresentam-se como os principais fatores que contribuíram para a referida mudança. 1 O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mais conhecido por sua sigla IBGE. O IBGE tem atribuições ligadas às geociências e estatísticas sociais, demográficas e econômicas, o que inclui realizar censos e organizar as informações obtidas nesses censos, para suprir órgãos das esferas governamentais federal, estadual e municipal, e para outras instituições e o público em geral. 15 Todavia, é válido expor que esse aumento, relativo ao número de pessoas idosas, ou seja, acerca daqueles que possuem sessenta anos ou mais de idade, ocorrendo de forma acelerada ou não, pode ser reportado aos países desenvolvidos e também aos em desenvolvimento, que não somente o Brasil. Contudo, apesar desse processo de crescimento, ou melhor, de envelhecimento da população ser verificado em diversas sociedades, é de suma importância ressaltar que o mesmo “(...) assume características diferentes em cada país. (...)” (Nunes, 2004, p.51). Assim, pode-se dizer que nos países desenvolvidos, o processo de envelhecimento, ou, mais especificamente, a população idosa cresce de maneira gradual. O contrário pode ser constatado nos chamados países em desenvolvimento (destacando-se os da América Latina), onde o número de pessoas com idade a partir de sessenta anos cresce aceleradamente, ou seja, há um vertiginoso crescimento da população idosa. O Brasil, por exemplo, apresenta-se como um destes países em desenvolvimento e, neste sentido, pode-se afirmar que sua população atingiu, num período considerado curto, um notável patamar de envelhecimento. O mesmo não ocorreu com a França e os Estados Unidos - distinguidos como países desenvolvidos-, já que o quadro de envelhecimento dos mesmos se estabeleceu num período mais longo, e num estágio mais lento. Com isso, vale, o processo de envelhecimento iniciou-se, ainda que lentamente, em aproximadamente cinqüenta anos antes do que nos países em desenvolvimento; e tal fato pode ser reportado às melhores condições de vida existentes nos primeiros. Nos países desenvolvidos, a mudança da característica da população se deu lentamente, possibilitando uma adaptação gradual dos serviços, equipamentos sociais e formação profissional, capazes de atender à demanda dos idosos. No Brasil, o mesmo fenômeno se deu em cerca de cinqüenta anos, período tido como relativamente curto, se 16 comparado ao período onde esse fenômeno ocorreu nos países desenvolvidos (CARDOSO, 2004, p.37). Em meio a essa diferenciação entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento, vale mencionar que dentro de um mesmo país podem ocorrer diversidades em torno do número de pessoas idosas. Em outras palavras, em regiões diferentes de um país pode haver diferenças com relação ao contingente de idosos. Um exemplo a ser exposto, é o relativo ao caso do Brasil, onde o Rio de Janeiro (com destaque para o bairro de Copacabana2) detém o maior percentual de pessoas idosas. No início do século XX, a expectativa de vida para a população brasileira era de aproximadamente trinta e três anos e sete meses. Entretanto, ao longo dos anos, das décadas, e sendo influenciada por determinados fatores, essa expectativa de vida no Brasil obteve um considerável aumento. O Brasil não pode ser caracterizado como um país de jovens. Isto, porque o mesmo vem apresentando um aumento do contingente de pessoas com sessenta anos ou mais de idade, constituindo-se, então, num país cuja população idosa cresce aceleradamente, e num espaço de tempo curto. Assim, acerca das alterações demográficas ocorridas no país, mostram que a expectativa de vida dos brasileiros tem aumentado consideravelmente e, aliado a isso, que a população idosa tem crescido vertiginosamente – assumindo assim, segundo o IBGE, o país em sexto lugar em população idosa do mundo. Tal característica do perfil demográfico da população idosa brasileira pode ser vinculada a um declínio concomitante nos nas taxas de natalidade (expressa por meio da redução da fecundidade) e de mortalidade. E, assim, pode-se dizer que, aliado ao aumento da expectativa de vida, há um crescimento do contingente de pessoas idosas, e uma queda do número de jovens, repercutindo, então, no envelhecimento da população brasileira. 2 Copacabana é um dos bairros mais famosos da cidade do Rio de Janeiro, Brasil. Localizado na zona sul da cidade, Copacabana tem em torno de 150.000 habitantes de todas as classes sociais. 17 Entretanto a expansão do processo de envelhecimento, ou, mais especificamente, esse crescimento da população idosa, em geral nos países em desenvolvimento, pode ser reportado aos avanços tecnológicos - com destaque para os direcionados à área médica. Basicamente, esses avanços contribuíram para uma alteração no perfil demográfico da população brasileira, para um aumento da longevidade, e “(...) não no aumento da qualidade de vida da população.” (Freitas, 2002, p.32). Assim, podem-se elencar alguns dos fatores que são caracterizados como mudanças significativas que ocorreram no Brasil, e que são determinantes do referido crescimento da população idosa. Eis alguns deles: Redução de mortes por doenças infecto-contagiosas; utilização de tecnologias que auxiliam na prevenção de doenças; entrada da mulher no mercado de trabalho; uso de métodos anticoncepcionais e opção pela limitação do número de filhos, devido ao alto custo de vida. Tal conjunto de fatores, então, acabou contribuindo para a redução nos índices de mortalidade e de natalidade, repercutindo num aumento do número de pessoas idosas, em confronto com o de pessoas adultas e jovens. Perante essas considerações, torna-se válido, e mesmo necessário, uma vez que faz parte da discussão relativa ao envelhecimento da população brasileira, expor a questão envolvendo a ótica econômica acerca do aumento do contingente de pessoas com sessenta anos ou mais de idade. Demógrafos, gerontólogos e outros cientistas que estudam o envelhecimento humano usam esses dados demográficos e suas estimativas para demonstrar a problemática do envelhecimento, tomando pelo critério cronológico e como grupo específico, e a “ameaça” que representa, considerando-se o crescimento das suas demandas sociais e econômicas em todo o mundo, ou seja, uma “ameaça” ao sistema previdenciário, de saúde e de assistência social (TEIXEIRA, 2008, p.39). 18 Neste sentido, o envelhecimento da população brasileira gera conseqüências (negativas) na política financeira, uma vez que se aumenta o número de aposentados, ou seja, daqueles que necessitam das coberturas previdenciárias e assistenciais. Assim, constantemente os governantes, por exemplo, “(...) vêem os aposentados e pensionistas como causadores de déficits na Previdência Pública. (...)” (Nunes, 2004, p.28) Com o envelhecimento da população brasileira, gera-se uma constante necessidade de se desenvolver e executar políticas e programas direcionados para o segmento dos idosos. Entretanto, o que se constata é uma verdadeira escassez de recursos que garantam o implemento de políticas públicas de qualidade voltadas para essas pessoas. Dessa forma, ao se tratar de países subdesenvolvidos, como o Brasil, as políticas sociais destinadas aos idosos, ainda estão longe de serem executadas plenamente. A população que chega a alcançar a idade mais avançada encontra muitas dificuldades de se adaptar às condições de vida atual; uma vez que além das dificuldades físicas, psíquicas, sociais e culturais – decorrentes do envelhecimento – sente-se relegadas ao segundo plano no mercado de trabalho, no seio da família e na sociedade em geral. Como já citado, essa contradição é agravada por fatores culturais que idolatram o novo e moderno; e ridicularizam o velho e antigo. Viabilizar os direitos sociais dos idosos, principalmente em um contexto neoliberal, requer um esforço extra na mobilização e na organização dos movimentos sociais que representam os seus interesses – principalmente contando com políticas públicas restritas, de orçamentos reduzidos para setores estratégicos como saúde e educação e de falta de responsabilidade do Estado quanto à questão social. O aumento da longevidade, o desenvolvimento social e científico, as transformações na estrutura da família possibilitaram transformações profundas na sociedade e no comportamento das pessoas. Esse aumento significativo da 19 população idosa tem trazido para o universo das ciências inúmeras discussões a respeito da velhice. A abordagem desse objeto de estudo se faz presente nas mais diferentes áreas. Isso é o que alguns profissionais voltados para a questão do envelhecimento pretendem buscar: novas explicações para o social a partir de conceitos multidisciplinares; apelando para diferentes métodos e usando certos conceitos existentes, vai se constituindo um novo campo de coerência. Tais representações têm implicações na vida cotidiana e nos comportamentos adotados por um grupo de pessoas acerca de um objeto, que são resultantes do modo como os atores sociais representam socialmente esse objeto e do significado que estes adquirem em suas vidas. Essas crenças e valores que atribuem à velhice uma fase de profundas perdas são construídos na formas de representações, nas conversações diárias dos grupos. Essas representações são “são equivalentes, em nossa sociedade, aos mitos e sistemas de crenças das sociedades tradicionais; elas podem até mesmo ser vistas como uma versão contemporânea do senso comum”. (MOSCOVICI, 1981, p.181) É muito importante a análise das manifestações nas mentalidades e nas ações dos sujeitos sobre a condição do idoso. Isso porque as representações sociais são produzidas através das interações e comunicações no interior dos grupos sociais e refletem a situação das pessoas acerca dos assuntos que são objeto do seu cotidiano; ou seja, evidenciam como as imagens da velhice são compartilhadas entre os diversos grupos e como estas acabam por muitas vezes, se tornando estereótipos e preconceitos. Entre os idosos, as percepções de perdas, das incapacidades e das doenças são aspectos relevantes das representações da velhice. Se tais representações se sustentarem sempre nessa noção de declínio, acarretarão em conseqüências negativas no comportamento não somente deles, mas também daqueles que ainda não são idosos. Por isso a idéia de que elas se 20 constituem como saber prático. Designam um processo que atravessa o tempo e influencia as relações sociais. Em uma sociedade globalizada é visto que símbolos, imagens e estereótipos são expressos a todo o momento, principalmente através dos meios de comunicação de massa. Diariamente é veiculado na televisão, um comércio intenso de produtos que garantem a fórmula da juventude e a longevidade. Portanto as idéias que a mídia expressa em relação ao envelhecimento e à velhice são muito significativas, pois podem exercer a função de ponto de referência para os próprios idosos, influenciando seu comportamento e suas atitudes, e também as idéias da criança, do jovem e do adulto, a respeito do que significa envelhecer em nossa sociedade. (MASCARO, 2004, p.65) Logo, o envelhecimento adquire feições sociais que vão determinar uma série de preocupações de cunho social e político, visto que o aumento da expectativa de vida traz para o meio social a discussão sobre os custos do Estado e da família com os idosos relativos à saúde, previdência social e políticas públicas. Ou seja, na busca por parceiros na luta a favor dos direitos dos idosos, o profissional de Recursos Humanos deve agir de forma interdisciplinar, especialmente na área da seguridade social – formada pelo tripé: saúde, previdência e assistência social. Dessa forma, a atuação do profissional dessa área se faz inquestionável em todas as direções referentes ao segmento do futuro aposentado. Assim sendo, o modo de pensar a vida, as políticas e o envelhecimento se dão na sociedade civil, é lá que estão às disputas entre diferentes concepções. Dessa forma, devemos pensar na sociedade civil para entender como envelhecimento é entendido, compreendido e produzido como prática dentro da sociedade civil. A sociedade civil torna-se assim, o lugar de construção da 21 hegemonia, de formação das consciências e de um novo bloco histórico, determinando maneiras e significados para o envelhecimento – a modo de produzir ou esvaziar a experiência humana. Assim sendo, a marginalização do idoso se faz mais presente em sociedades que atingiram certo nível de urbanização e industrialização e que devido à produção capitalista exigem uma demanda maior de trabalho jovem. Cabe ao setor de Recursos Humanos “humanizar” essa relação, e o PPA é uma excelente ferramenta, conforme veremos a seguir. 22 CÁPITULO II O IDOSO E O TRABALHO O CONCEITO Em nossa sociedade – marcada pelas mais diversas contradições – o idoso acaba por estar vinculado por uma noção tão entranhada do trabalho e das relações sociais que, aos poucos, configuram de fato uma classe. E duas vezes oprimida: pela dependência social e pela velhice, conforme veremos nesse capítulo. 2.1 Experiências e Trabalho É correto afirmar que o que define a classe social é a posição ocupada pelo sujeito nas relações objetivas de trabalho (Bosi, 1995,p.18). Assim sendo, quando se fala em certa camada da população subjugada pela dependência, essa palavra ganha como sinônimo a palavra opressão. Cabe aqui apresentar a temática deste trabalho que, embora aborde as representações sociais de maneira geral, trata mais especificamente da memória de velhos trabalhadores brasileiros. Os idosos ainda têm heranças fortes de valorização de experiências. Experiências ligadas a um forte contexto de classes, gêneros e um conteúdo geracional. Ou seja, tiveram uma forte atuação no campo do trabalho, ou tiveram a sua vida familiar determinada pelo trabalho – como, por exemplo, o caso de mulheres que deixaram de trabalhar para ocupar o cargo de reprodução de família -. Recuperar e narrar essa experiência implica em ter uma memória dessa experiência e memória é socialmente produzida. Porém o que eu lembro o que eu esqueço é determinado pelo presente. O presente hoje em uma sociedade moderna, em uma sociedade rápida e aligeirada e fulgaz é 23 um presente que produz e o esquecimento, assim como produz um tipo de memória muito fragmentada. Ao analisar o significado da palavra “experiência”, obteremos como resultado que experiência é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca. Não o que se passa, não o que acontece, ou o que toca (Larossa, 2002). Atualmente a sociedade vive uma constante necessidade por informação e excesso de opinião, porém pouca ou nenhuma informação. A informação não é experiência. A experiência é algo que nos aconteça ou nos toque, é algo único. Apesar de consumir a maior parte do tempo diário, a maioria esmagadora dos trabalhadores não sente o tempo de trabalho como tempo de vida próprio, mas como tempo morto e vazio, arrebatado à vida como um pesadelo. Quando, enfim, libertos da ditadura do trabalho abstrato, mas sem condições de sobreviver sem as políticas sociais, “exacerbam-se as necessidades, pela impossibilidade de satisfazê-las, o trabalhador sente que a vida lhe foi suprimida, que não tem mais lugar no mundo”, seu tempo cotidiano continua vazio e sem sentido (TEIXEIRA, 2008, P54-55.). A falta de tempo e o excesso de trabalho são grandes agentes no que diz respeito à anulação da experiência. 2.2 O idoso hoje O que existe hoje é uma sociedade fabricada e manipulada pelos aparatos da informação e da opinião; reproduzindo o efeito dos meios de comunicação de massas. A velocidade com que nos são dados os acontecimentos e a obsessão pela novidade, pelo novo, que caracteriza o mundo moderno, impedem a conexão significativa entre acontecimentos. Impedem também a memória, já que cada acontecimento é imediatamente substituído por outro que igualmente nos excita por um momento, mas sem deixar qualquer vestígio. O sujeito moderno não só está informado e opina, mas também é um consumidor voraz e insaciável de notícias, de novidades, um curioso 24 impenitente, eternamente insatisfeito. Quer estar permanentemente excitado e já se tornou incapaz de silêncio. Ao sujeito do estímulo, da vivência pontual, tudo o atravessa tudo o excita, tudo o agita, tudo o choca, mas nada lhe acontece. Por isso a velocidades e o que ela provoca, a falta de silêncio e de memória, é também inimiga mortal da experiência (LAROSSA, 2002, p.04). Ao longo da História o idoso sempre foi respeitado por sua sabedoria e considerado uma figura de importância, sempre admirado pelos mais jovens; hoje vive numa sociedade capitalista que sofre modificações a todos os momentos nos seus diferentes seguimentos; modificações estas que ocorrem nos arranjos societários, onde o idoso vê-se inserido de uma forma diferenciada, sofrendo assim um conflito sócio-cultural; como já citado anteriormente. Se no passado, o status e o prestígio dos idosos era elevado, nos últimos anos, à medida que este processo de urbanização e industrialização se amplia, também aumenta a discriminação dirigida às pessoas idosas, subestimando-se a sabedoria e o conhecimento acumulados por elas no decorrer de suas vidas (VERAS,1999, p.43). Com relação às mudanças nas relações sociais, esse é um fator determinante, uma vez que este processo de envelhecimento se dá numa sociedade contemporânea heterogênea que por sua vez tem reproduzido processos cada vez maiores de individualização resultando no enfraquecimento de esforços coletivos; promovendo assim valores atrelados à ausência de compromisso com a realidade social na qual se vive. Entretanto, (...) centra-se numa problemática que afeta os aposentados e pensionistas numa dimensão sociocultural, ou seja, o sentimento de desvalorização por estar fora do mundo do trabalho e das condições de reprodução social, de inutilidade e inatividade, a perda de papéis sociais, as mudanças de hábito e do emprego do tempo, da solidão, isolamento social, os estereótipos negativos, dentre outros (TEIXEIRA, 2008, p.103). 25 Além de ser um destino do individuo, a velhice é uma categoria social. E quando as pessoas absorvem tais ideais da classe dominante, agem como loucas porque delineiam assim seu próprio futuro (Bosi, 1995, p.20). Ou seja, quando se vive o auge da comercialização do homem, a idade causa desvalorização e preconceito. O velho para se comunicar com outras pessoas precisa de objetos, tais como lentes, aparelhos auditivos, próteses e etc. Os que não possuem condições financeiras para adquirir tais aparatos ficam privados de comunicação. Quando o trabalhador esgota a sua forca de trabalho, é comum que este seja grato por sua própria aposentadoria – como se fosse um favor ou uma esmola. Também acontece do trabalhador se sentir inútil após seu ingresso na aposentadoria, e se isso acontece é porque em todo tempo o sentido de sua vida foi roubado; como já mencionado anteriormente. Afinal, a palavra experiência tem ex de exterior, de estrangeiro, de exílio, de estranho e também o ex de existência. A experiência é a passagem da existência, a passagem de um ser que não tem essência ou razão ou fundamento, mas que simplesmente existe de uma forma sempre singular, finita, imanente, contingente (LAROSSA, 2002, p.04). É praticamente impossível reparar os danos que as pessoas sofrem, desde o nascimento, e cuidados já na velhice não devolvem a saúde física e mental destruída ao longo dos anos. A abolição de asilos e a construção de casas descentes para a velhice seria um grande avanço, porém ainda estariam longe da resolução dos problemas. Porém, as iniciativas filantrópicas no trabalho social com idosos, por meio de programas com objetivos de integração e valoração social, legitimadas 26 pela PNI – Política Nacional do Idoso3 – no atendimento ao envelhecimento, associada a outras formas de convívio, participação e ocupação de idosos, garante e incentiva a atuação do mix público / privado no trato histórico das refrações da questão social (TEIXEIRA, 2008, p.25). Esses programas remetem o enfrentamento da problemática social do envelhecimento dos trabalhadores, agregada na problemática do grupo etário como um todo, tanto para o âmbito da sociedade civil e das suas várias expressões; tais como família, comunidade, ONG´s entre outras. E é justamente nesse contexto que o setor de Recursos Humanos ganha um fundamental papel no processo de aposentadoria. 3 PNI: Tem como objetivo assegurar os direitos sociais do idoso,para assim promover sua autonomia, integração e participação efetiva na sociedade. No artigo 3º, estabelece: A família, a sociedade e o Estado têm o dever de assegurar ao idoso todos os direitos da cidadania, garantindo sua participação na comunidade, defendendo a sua dignidade, bem-estar e direito à vida; A regulamentação da Política Nacional do Idoso foi publicada no dia 3 de junho de 1996, previstos na lei 8.842/94 e estabelecendo as competências dos órgãos e das entidades públicas envolvidas no processo. 27 CÁPITULO III APOSENTADORIA E O RH O CONCEITO O último capítulo deste presente trabalho chama atenção para o desafio do setor de Recursos Humanos ao atuar na implantação e manutenção de Programas de Preparação para Aposentadoria (PPA), buscando minimizar os efeitos do fenômeno da aposentadoria junto aos funcionários das empresas. 3.1 O momento da Aposentadoria O envelhecer é compreendido como um tempo de perda de capacidades físicas e psicológicas e, em conseqüência, surge também à perda de papéis sociais e o abandono. O envelhecimento não é uma realidade vivida igualmente por todos os indivíduos, suas particularizações e configurações são definidas segundo as condições materiais de inserção dos sujeitos no movimento da produção e reprodução sociais, processos que imprimem estatutos diferenciados a velhice, respeitando a condição de classe, status e hierarquia social”. (TEIXEIRA, 2008, p.16) Com a idéia da aposentadoria, vem junto a questão do tempo livre e como preenche-lo. “A verdade é que, mesmo para os que desejam se aposentar e tenham planos para o futuro, é comum o surgimento de certa ansiedade lidar com essa nova possibilidade, principalmente porque sabem que a aposentadoria poderá provocar uma série de mudanças”. (FRANÇA, 1992, p.47). Muitas são as contradições que giram em torno do tema da aposentadoria, principalmente num país que é repleto de desigualdades sociais como é o caso do Brasil. “Grande parte da adaptação à aposentadoria irá 28 depender do envolvimento de cada indivíduo com o trabalho, da sua história de vida e de como ele deseja viver seus próximos anos, suas expectativas e suas limitações.” (FRANÇA, 2002, p.13) No Brasil as pessoas se aposentam por tempo de contribuição, ou por idade que seria 60 anos para mulheres e 65 anos para homens. Como começam a trabalhar muito jovem à expectativa de vida vem aumentando, quem se aposenta entre 45 e 50 anos de idade tem ainda uma média de 20 anos de vida pela frente. A aposentadoria por tempo de contribuição constitui benefício previdenciário devido ao segurado que comprove 35 ou 30 anos de contribuição, se homem ou mulher, respectivamente, é o período mínimo de carência legalmente exigido. Sob o ponto psicológico e social a aposentadoria é um momento delicado na vida de qualquer trabalhador. Existe uma mistura entre a sensação de liberdade e um sentimento de exclusão, que, em alguns casos pode se levar a depressão e outros malefícios. A questão da aposentadoria é muito grave, porque as sociedades atuais têm atribuído ao trabalho o valor essencial da vida. Isso é a maioria dos indivíduos vive em função de duas grandes dimensões: trabalho e família. O que acontece na época da aposentadoria é que os indivíduos vêem rompido esse elo de interesse. Dessa forma, vivem um fenômeno psicológico, social e emocional de esvaziamento de papeis (DELGADO, 2003, p.308). Essas mudanças geralmente coincidem com a “crise da meia idade” que é definida não pela faixa etária, mas como certo momento em que as pessoas realizam as escolhas feitas em sua vida. Além disso, ocasionalmente, é imprescindível que o aposentado continue com um trabalho remunerado para complemento de sua renda; e nesse caso, é necessário priorizar as atividades que lhe tragam maior satisfação. Mesmo para aqueles que precisam retornar 29 ao mercado, é importante ressalvar a distribuição equilibrada entre o tempo para a atividade laborativa, o cuidado da saúde, com sua vida social e, até mesmo, tempo para si ou para o ócio, se assim desejarem e for possível. Segundo a adaptação à aposentadoria difere no homem para a mulher. A mulher parece se dividir melhor entre as suas várias funções na sociedade (como esposa, avó, mãe e filha) e a ausência do trabalho poderá não ser tão significativa. Todavia, quando se refere a um trabalho que envolva realizações intelectuais, a perda pode ser tão traumatizante para a mulher quanto para o homem. (FRANÇA, 2000, p. 245) As atitudes dos trabalhadores após a aposentadoria parecem depender do envolvimento e da satisfação atribuídas ao trabalho, bem como de suas outras funções na sociedade. Uma forma de analisar as probabilidades de adaptação à aposentadoria é investigar como os grupos de trabalhadores, distribuem o tempo entre seus interesses, e quais são as suas expectativas para o futuro sem o trabalho. O PPA estimula que os pré-aposentados busquem novas participações nos mais diferentes grupos sociais e resgatem as antigas amizades. A procura do pré-aposentado pelo programa provavelmente terá um enriquecimento e sentido para a vida. 3.2 O papel do RH Conforme já comentado anteriormente, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os últimos censos revelam um declínio na taxa de fecundidade e de mortalidade, o que provoca um rápido processo de envelhecimento da população. Hoje, existem cerca de 14,5 milhões de pessoas com mais de 60 anos no Brasil e outros milhares se aproximam desta idade. A realidade e o estilo de vida das pessoas fazem com que indivíduos entre 55 e 60 anos estejam em plena maturidade e vigor e, 30 apesar de estarem próximos do fim da carreira, vêem a aposentadoria como um “fantasma” que os aterroriza. O colaborador pré-aposentado, que não tem uma preparação para o encerramento da vida profissional pode ficar desestimulado, o que reflete na produtividade no trabalho. O envelhecimento e a aposentadoria podem trazer diminuição de proventos, perda de referencial de trabalho e de identidade pessoal e sentimento de inutilidade sócio-psicológica, o que leva a problemas de saúde física e mental. Ou seja, desapegar-se da rotina do ambiente organizacional, bem como das atividades laborais rotineiras, com a chegada da aposentadoria, pode ser motivo de alegria para muitos trabalhadores, uma vez que após vários anos de trabalho terão a oportunidade de desfrutar das vantagens do tão desejado benefício. Porém, para muitos outros trabalhadores, o fim da carreira profissional pode ser considerado como um período difícil, tendo em vista a mudança de hábitos diante da nova realidade, que para alguns pode significar uma vida de ociosidade ou um processo de se julgar como não sendo mais útil e/ou produtivo. Para que os funcionários aproveitem bem cada momento até deixarem o mercado, é de fundamental importância que as empresas invistam em ações destinadas à responsabilidade social, valorizando, assim, aquele que é o seu maior capital: os colaboradores. Inclusive a legislação já está bem adiantada no que diz a respeito sobre esse assunto. O Art. 28 da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 20034, do 4 Art. 28. O Poder Público criará e estimulará programas de: I - profissionalização especializada para os idosos, aproveitando seus potenciais e habilidades para atividades regulares e remuneradas; II preparação dos trabalhadores para a aposentadoria, com antecedência mínima de 1 (um) ano, por meio de estímulo a novos projetos sociais, conforme seus interesses, e de esclarecimento sobre os direitos sociais e de cidadania; III - estímulo às empresas privadas para admissão de idosos ao trabalho. 31 Estatuto do Idoso5; determina que o Poder Público crie e estimule programas que preparem, com um ano de antecedência, seus funcionários para a aposentadoria, por meio de estímulos a novos projetos sociais, esclarecimentos sobre direitos e cidadania; conforme o interesse dos idosos. E por esse motivo, que muitas empresas – não só de cunho público, mas inclusive empresas privadas- investem em programas como o PPA (Programa de Preparação para Aposentadoria), onde ocorrem atividades como, por exemplo, a realização de oficinas de qualidade de vida e palestras sobre o tema. 3.3 Programa de Preparação para Aposentadoria – PPA Enfatiza que o limite cronológico proposto pela ONU6, em 1982, para o início da chamada terceira idade, toma por base a idade da aposentadoria estabelecida na maioria dos países. Tal limite induz à associação corrente entre velhice e aposentadoria, o que remete a uma representação coletiva em que o velho é percebido como não mais produtor de bens e serviços e, portanto, marginalizado nos contextos sociais pautados pelo valor produtivo. Diante dessas considerações, são sugeridas nas empresas a aplicação do Programas de Preparo para Aposentadoria - PPA, com a finalidade de desfazer essa associação, estabelecendo um novo paradigma segundo o qual aposentadoria não é sinônimo de senilidade, inutilidade, inatividade ou estagnação. 5 O Estatuto do Idoso, de iniciativa do Projeto de lei nº 3.561 de 1997 de autoria do então deputado federal Paulo Paim,[1] foi fruto da organização e mobilização dos aposentados, pensionistas e idosos vinculados à Confederação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas (COBAP), resultado de uma grande conquista para a população idosa e para a sociedade. 6 Organização das Nações Unidas (ONU), ou simplesmente Nações Unidas (NU), é uma organização internacional cujo objetivo declarado é facilitar a cooperação em matéria de direito internacional, segurança internacional, desenvolvimento econômico, progresso social, direitos humanos e a realização da paz mundial. A ONU foi fundada em 1945 após a Segunda Guerra Mundial para substituir a Liga das Nações, com o objetivo de deter guerras entre países e para fornecer uma plataforma para o diálogo. Ela contém várias organizações subsidiárias para realizar suas missões. 32 Nos últimos tempos, um número crescente de organizações vem se preocupando com o processo de aposentadoria dos seus empregados. Compreendendo as expectativas e ansiedades pelas quais passa o indivíduo no período de pré-aposentadoria, essas organizações vêm desenvolvendo Programas de Preparo para Aposentadoria (PPA). De uma forma geral, as organizações entenderam que, além de auxiliarem no cumprimento de suas responsabilidades gerenciais. Ao sociais, assumirem tais programas essa são excelentes ferramentas responsabilidade, fazem um duplo investimento. O primeiro, sobre os empregados que estão se aposentando, que sentem-se valorizados e mantém um bom desempenho. O segundo, sobre os demais empregados, que observam o cuidado e o respeito que a organização tem pelas pessoas, constatação esta que vem a fortalecer as relações de trabalho. O programa é uma importante etapa de um processo que tem como objetivo principal a ressocialização do pré-aposentado, baseada no respeito ao ser humano e na consciência das modificações profundas que ocorrem no modo de viver desses indivíduos e da necessidade de reelaborar possíveis prejuízos que possam advir como conseqüência do rompimento da rotina de trabalho. (ZANELLI, 1996, p.76) Para o empregado, o programa é uma oportunidade de obter informações adequadas sobre a aposentadoria; identificar alternativas de atividades pós-aposentadoria; conhecer os recursos que a comunidade dispõe (como associações, programas específicos etc.); e discutir, com pessoas que estão vivenciando um momento semelhante (seus medos, ansiedades, sonhos e aspirações). Nos diversos países onde se desenvolvem os PPAs, vários são os modelos adotados. Todos, porém, parecem seguir o padrão norte-americano, adotado desde 1950, que consiste na realização de cursos, em que são discutidas com os participantes, questões tidas como de interesse para 33 pessoas que estão prestes a se aposentar; como por exemplo: finanças, saúde, mercado de trabalho etc. No Brasil, esse trabalho foi iniciado pelo SESC/São Paulo, incluindo o programa desenvolvido, informações sobre a questão do envelhecimento, de recursos sócio-culturais e de serviços da comunidade para os quais os aposentados possam se voltar, a partir da aposentadoria (MAGNANI, MENDES, MELO, BARBOSA & BUENO, 1993, p.304). Hoje, é correto dizer que o PPA é de suma importância para aqueles participantes que se aproximam do momento decisivo. Todo programa deve ser preparado e planejado de forma bastante detalhada, observando a especificidade de seu público alvo, relacionando todas as expectativas, carências, agruras, dúvidas, medos, finanças, sonhos, famílias, entre outras coisas. É necessário observar que, até mesmo as pessoas que desejam incondicionalmente a aposentadoria, precisam ser monitoradas e acompanhadas, para evitar que criem expectativas fantasiosas, que poderão não ser alcançadas, levando-as às frustrações. Tem, também, o papel fundamental de fazer com que o participante se prepare para o futuro, considerando-o um salto para além e, não, uma estagnação. Já as empresas devem notar que, essa preparação para a tão sonhada aposentadoria, haverá de render bons frutos, com funcionários dispostos e preparados para enfrentarem quaisquer desafios que tenham, não só após a aposentadoria, mas, e principalmente, no processo para a mesma, que pode durar anos. PPA (Programa de Preparação para Aposentadoria) deverá ser pautado numa ponte dinâmica de discussão e de avaliação à luz dos fatos, dos riscos e das expectativas que os participantes queiram atingir no futuro. Sendo assim, a preparação deve ser organizada como um processo educativo, contínuo e relacionado a um planejamento de vida. (FRANÇA, 2000, p.30) 34 Sobretudo, o PPA deve esclarecer ao participante que a aposentadoria não é uma forma de exclusão e de separação dos colegas de trabalho, e inatividade, mas a possibilidade de vivenciar novas formas de se viver a vida. É preciso repensar sobre o processo de aposentadoria, considerando a valorização integral do ser humano. Entretanto, para a implementação do PPA, não existe uma “formula pronta”, entretanto, os profissionais de RH devem levar em consideração os seguintes objetivos: disponibilizar para funcionários em fase de aposentadoria um espaço para que situações, emoções e sentimentos sejam expressos; minimizar angústias que podem ser conseqüência da chegada da aposentadoria; orientar a busca de informações sobre o processo de aposentadoria; possibilitar desenvolvimento de novas habilidades e atividades, bem como o resgate de potencialidades; proporcionar oportunidade de determinação de um planejamento de vida após a aposentadoria (contemplando aspectos sociais, econômicos, de saúde, afetivos). Além disso, para sucesso do programa, cabe ao setor de Recursos Humanos incentivar o futuro aposentado a participar do PPA; onde deverá preparar reuniões que devem contar com palestrantes de diversas áreas, tais como, médicos, psicólogos, assistentes sociais, como também um agente do INSS e advogados, especializados na área previdenciária pública e privada. Cabe ainda como sugestão, logo na iniciação do programa, que a empresa deveria firme um convênio com o INSS – Instituto Nacional de Seguro Social 7, pois assim pessoas especializadas no assunto poderiam esclarecer aos pré-aposentados o que é o INSS e os ajudaria a fazer os cálculos e saber realmente o quanto vai receber de aposentadoria, pois muito dos funcionários não conhecem a previdência e não sabem os seus direitos, ficando assim mais tranqüilo diante de tanta burocracia. 7 O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é uma autarquia do Governo Federal do Brasil que recebe as contribuições para a manutenção do Regime Geral da Previdência Social, sendo responsável pelo pagamento da aposentadoria, pensão por morte, auxílio-doença, auxílio-acidente, entre outros benefícios previstos em lei. O INSS trabalha junto com a Dataprev, empresa de tecnologia que faz o processamento de todos os dados da Previdência. Está vinculado ao Ministério da Previdência Social. 35 Entretanto, compete à equipe profissional ajustar a proposta de acordo com a realidade da empresa, em função dos recursos disponíveis e das estratégias adotadas para a proposta. Conforme citado anteriormente, a aposentadoria representa, sob o ponto de vista psicológico e social, um momento estressante e de muita expectativa na vida do indivíduo, que suscita reações muito ambivalentes, desde uma sensação de liberdade até um sentimento de exclusão. As mudanças advindas com a aposentadoria requerem uma adaptação, nem sempre atingida pela maioria das pessoas. Caso não haja essa adaptação, os resultados negativos deste novo período podem ser muito sérios, manifestando-se através de depressão, isolamento, dificuldades de relacionamento com a família, etc. A aposentadoria, que durante a vida profissional podia ser considerada um objetivo, agora pode representar perdas como do status social para a condição de inativo, perda do padrão de vida, além do tédio ocasionado pela dificuldade de administrar o tempo livre. (NACARATO 1996, p. 279) Os PPAs surgem assim como formas de intervenção, objetivando facilitar a tomada das decisões necessárias ao indivíduo para sua adaptação à nova condição social. Ou seja, programa possibilita a revisão de conceitos sobre aposentadoria e trabalhar questões de saúde, hábitos, rotinas e estilos de vida possibilitando a construção ou o aprimoramento de um projeto de vida pessoal ou profissional. Em última reflexão, pode-se concluir, sem hesitação, que a empresa que disponibiliza para os seus colaboradores, o PPA, colherá os frutos adicionais da maior produtividade. Afinal, o participante deve olhar para a sua aposentadoria como um recomeço, um renascimento privilegiado, fazendo do PPA não somente um preparo para a aposentadoria, mas, sim, para o amanhã, possibilitando-lhe a revisão de conceitos sobre o conceito da aposentadoria, como também trabalhar as questões relacionadas a saúde, hábitos, rotinas e estilos de vida, permitindo o aprimoramento de um projeto de vida pessoal. 36 É direito de cada empresa exigir comprometimento no presente, que deverá ser recompensado, dentre outros, pelo sentimento do dever bem cumprido. Entretanto, é dever da mesma empresa estimular, em seu colaborador, o nascimento do ideal que envolve o valor do planejamento respeitante ao seu futuro, despertando-o para a necessidade de aprender a reconhecer, em cada crise, uma oportunidade de mudança, e, em cada mudança, uma nova e promissora oportunidade. Logo, a empresa que investir em PPA, além de nada ter a perder, e muito ter a ganhar, estará caminhando, como nenhuma outra, rumo à plenitude no cumprimento de sua função social. 37 CONCLUSÃO Com o rápido crescimento da população idosa, são necessárias intervenções direcionadas à saúde, inserção no mercado de trabalho, medidas de proteção social e garantias para uma boa qualidade de vida futura para os idosos. Além de aprofundar os estudos teóricos sobre o processo de envelhecimento, compete aos profissionais realizar investigações na área, desvelando a realidade da vida das pessoas que estão na denominada terceira idade, em seus diversos aspectos. Pesquisas feitas nas Organizações das Nações Unidas revelam que 16% dos habitantes do planeta têm mais de 60 anos. Segundo a ONU esse contingente será de 20% na metade do século XXI. E no Brasil há 14 milhões de idosos, cerca de 9% da população. Quando se trata de processo de envelhecimento, um assunto muito abordado é a questão da aposentadoria, pois esta não garante uma boa qualidade de vida para os idosos, apesar de ser um direito conquistado pelos trabalhadores. Muitos idosos são hoje, os mantenedores da família, necessitando reinserção no mercado de trabalho, e em alguns casos, se submetendo a atividades precárias e sem proteção social. Existem variadas formas pelas quais os sujeitos idosos percebem o trabalho e a aposentadoria, e esse processo está ligado à história de vida de casa um. Sendo assim, as vivências e o trabalho estão inúmeras vezes destacadas nas lembranças dos velhos. Esses idosos, tantas vezes tachados como não mais úteis, foram e ainda são trabalhadores. No passado, trabalharam mais de forma “braçal”, atualmente, trabalham principalmente com as recordações, porque recordar não se restringe a rever ou reviver algo. De acordo com a minha experiência na área de RH, pude perceber que toda transformação traz consigo a ruptura de hábitos, ocasião em que se acaba por descobrir que a tão sonhada aposentadoria poderá trazer dissabores à vida de cada um, transformando-a, de uma situação cômoda e tranquila, num 38 estado de total desequilíbrio emocional e financeiro, quando, então, os “sonhos” serão substituídos pelas preocupações. Logo, algo que a tão pouco tempo era positivo se torna extremamente negativo e as dificuldades advindas da nova situação, que surpreende, preferencialmente, aqueles que não se planejaram, atingem todas as dimensões da vida humana, inclusive provocando desajustes que podem ocasionar na dissolução da célula familiar, e, não raro, podem desencadear doenças as mais diversas, dentre as quais a depressão ocupa lugar de destaque. É preciso iniciar um processo de reflexão e discussão com a participação de todos os segmentos da sociedade que estejam envolvidos com situações relativas ao trabalho e à aposentadoria, visando à realização de pesquisas e projetos sobre a situação dos aposentados, a discussão sobre como viabilizar o pagamento de aposentadorias mais justas e ao mesmo tempo permitir a continuidade no trabalho aos aposentados que ainda queiram continuar no mercado de trabalho. Finalmente, é importante buscar uma resposta para a pergunta: qual o objetivo do trabalho realizado junto ao pré-aposentado? O que se pretende promover? Concluímos que, na realidade, trata-se de despertá-los para a capacidade que cada um possui de definir suas metas, e para as fontes de poder disponíveis (ou a serem promovidas) para sua efetivação, tais como o compromisso, a disciplina, o sistema de apoio social e finalmente a orientação interior. Na minha opinião, iniciativas como o PPA devem ser encarado como um processo contínuo e deve ser discutido não só pelos pré-aposentados como também pelos jovens que ingressam no mercado de trabalho. A inclusão do programa reflete na imagem da empresa perante o funcionário e a sociedade. Além disso, o PPA pode ser incluído dentro do pacote de benefícios de uma empresa – inclusive sendo considerado uma vantagem competitiva - mostrando assim o quanto valoriza cada um dentro da empresa. 39 Em outras palavras, cabe ao RH fazer com que seus colaboradores se apropriem de sua identidade. Só assim podem reconhecer seu papel na sociedade. Trata-se, ainda, de que os profissionais de Recursos Humanos tenham profissionalismo e sensibilidade para conduzir esses trabalhadores a olhar para sua aposentadoria como um recomeço, tornando-se o PPA não apenas um preparo para uma aposentadoria, mas uma preparação para uma nova etapa, que poderá vir a ser bastante gratificante. 40 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA BEAUVOIR, Simone de. A velhice. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990. BOSI, Ecléa. Memória e sociedade - Lembranças de velhos. 3ed. São Paulo: Cia das Letras, 1995. CARDOSO, Doris de Morais. “Longevidade e Tempo Livre: Novas Propostas de Participação Social e Valorização do Idoso”. 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C., MENDES, M. B., MELLO, P. M. de, BARBOSA, S. A., & BUENO, K. C. D. Programas de Preparo para a Aposentadoria (PPA): sua importância e necessidade na sociedade brasileira contemporânea. Curitiba: Faculdade de Direito de Curitiba, 1993. MASCARO, S. de A. O que é velhice. São Paulo: Brasiliense, 2004 (Coleção Primeiros Passos). MOSCOVICI,Serge. On social representations. In: J. P. FORGAS (Ed.). Social cognition: perspectives on everyday understanding. London, Academic Press, 1981. NACARATO, A. E. C. B. Stress no idoso: efeitos diferenciais da ocupação profissional. In M. E. N. Lipp (Org.), Pesquisas sobre stress no Brasil: Saúde, ocupações e grupos de risco. Campinas, 1996. NERI, A. L. Atitudes em relação à velhice. Evidências da pesquisa brasileira. Gerontologia, São Paulo, 1991. NUNES, Alzira Teresa Garcia Lobato. “Os programas de idosos como espaços de participação social: estratégias de fortalecimento da participação dos idosos.” RJ, mimeografado, 2004. 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