UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
AVM FACULDADE INTEGRADA
O PROCESSO DE APOSENTADORIA E O PAPEL DO RH
Por: Danielle Mathildes de Souza
Orientador
Prof. Carlos Cereja
Rio de Janeiro
2011
2
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
AVM FACULDADE INTEGRADA
O PROCESSO DE APOSENTADORIA E O PAPEL DO RH
Apresentação de monografia à AVM Faculdade
Integrada como requisito parcial para obtenção do
grau de especialista em Gestão de Recursos
Humanos.
Por: Danielle M. de Souza
3
AGRADECIMENTOS
Agradeço aos meus pais pelo incentivo
de sempre; agradeço ao meu irmão por
toda a torcida; agradeço ao meu noivo
pela
compreensão;
agradeço
aos
amigos que na AVM fiz Luana Galdo,
Luís Gotelipe e Régia Lima por serem
as minhas companhias durante toda a
pós; agradeço em especial as minhas
avós - inspirações para a escolha do
tema dessa monografia - e a Deus, por
mais essa conquista.
4
DEDICATÓRIA
Dedico essa monografia a minha ex-chefa
e atual amiga, Ana Paula Braga, que me
mostrou uma visão diferente de como
trabalhar em Recursos Humanos e me
ensinou - e ensina - como ser um
exemplo de profissional na função que
tanto amo e me orgulho de desempenhar.
5
RESUMO
O presente trabalho tem como objetivo propor reflexões sobre as
relações entre trabalho, aposentadoria e envelhecimento, segmento que hoje
representa uma parcela significativa da população. Considera-se o trabalho
fundamental para a qualidade de vida dos sujeitos, que muitas vezes são
excluídos do mercado de trabalho, sem grandes possibilidades de reinserção.
E as diferentes formas pelas quais os idosos percebem o trabalho e a
aposentadoria pode ser ressaltada pela história de vida de cada um. Sendo
assim, cabe aos Recursos Humanos conduzir esse processo tratando o idoso
como um agente histórico, crítico e que tem uma vida retratada por memórias e
experienciais pessoais e profissionais.
6
METODOLOGIA
A metodologia utilizada para esse trabalho foi constituída por pesquisa
bibliográfica através de livros e sites para formatação do referencial teórico;
recursos esses que me garantiram material para desenvolver tal pesquisa
supracitada.
7
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
08
CAPÍTULO I - Envelhecimento
11
CAPÍTULO II - O Idoso e o Trabalho
22
CAPÍTULO III – A Aposentadoria e o RH
27
CONCLUSÃO
37
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
40
ÍNDICE
42
8
INTRODUÇÃO
A escolha da temática se deu devido, especialmente, à minha
experiência na área de Recursos Humanos, a minha formação em Serviço
Social e o meu envolvimento com funcionários que estão prestes a ser
aposentar. Dessa forma, considerando as motivações mais especificas que
envolvam a escolha por essa temática, o processo de aposentadoria e o papel
do RH, esse é um assunto que me interessa pessoalmente e se torna cada vez
mais significativa no âmbito nacional.
E como o departamento de Recursos Humanos deve conduzir o
processo de aposentadoria dos seus funcionários, afim de tornar esse
processo o mais suave e proveitoso possível? Considera-se o trabalho
fundamental para a qualidade de vida dos sujeitos, que muitas vezes são
excluídos do mercado de trabalho, sem grandes possibilidades de reinserção.
E as diferentes formas pelas quais os idosos percebem o trabalho e a
aposentadoria pode ser ressaltada pela história de vida de cada um. Logo, os
processos de envelhecimento e de aposentadoria ocorrem de maneiras
diversas, estando diretamente ligados a mudanças na vida social e no mundo
do trabalho, à estrutura familiar – especialmente a que se vê na sociedade
contemporânea -, ao convívio dentro e fora do trabalho, à forma que a rotina
laborativa foi conduzida, aos papéis sociais desempenhados, ao status do
indivíduo, aos projetos de vida; entre tanto outros fatores. É importante,
portanto, compreender o velho em suas formas de ser, respeitando suas
maneiras de viver, pois o fato de as pessoas terem determinada faixa etária
não significa que tenham passado pelas mesmas vivências e que apresentem
a mesma necessidade e as mesmas características. Sendo assim, cabe aos
Recursos Humanos conduzir esse processo tratando o idoso como um agente
histórico, crítico e que tem uma vida retratada por memórias e experienciais
pessoais e profissionais.
9
E esse é meu objetivo com esse trabalho, promover uma analise sobre a
importância do papel da área de Recursos Humanos no suporte ao processo
de aposentadoria de seus colaboradores.
Para responder a pergunta do problema que norteou a pesquisa, ou
seja, como o setor de Recursos Humanos pode agir em prol do processo de
aposentadoria de seus colaboradores, é preciso levar em consideração o fato
de que, na maioria dos casos, o empregado prestes a se aposentar, não tem
uma preparação para o encerramento da vida profissional e por conta disso
pode ficar desestimulado, refletindo na produtividade no trabalho. O
envelhecimento e a aposentadoria podem trazer diminuição de proventos,
perda de referencial de trabalho e de identidade pessoal e sentimento de
inutilidade sócio-psicológica, o que leva a problemas de saúde física e mental
do colaborador para o resto de sua vida.
O primeiro capítulo, denominado Envelhecimento, trata dos assuntos e
do contexto em que esse assunto está tendo atualmente na sociedade e em
especial o impacto que esse assunto causará sobre a mesma. O segundo
capítulo, O Idoso e o Trabalho; trata sobre o fato que aas experiências vividas
e os saberes acumulados são ganhos que propiciaram aos mais velhos
oportunidades de explorar novas identidades, realizar projetos abandonados
em outras etapas da vida, estabelecer relações mais profícuas com o mundo
dos mais jovens e dos mais velhos. Essas novas imagens do envelhecimento
que acompanham a construção da “Terceira Idade” transformam a experiência
de envelhecimento em uma experiência mais gratificante.
E por último, o
terceiro capítulo, Aposentadoria e RH; mostra sobre que o setor de Recursos
Humanos tem papel crucial na condução desse processo, através de iniciativas
como, por exemplo, o PPA (Programa de Preparação para Aposentadoria) que
desconstrói a idéia de que a aposentadoria é um “fantasma”, contribuindo para
que indivíduos entre 55, 60 anos ou mais estejam em plena maturidade e vigor,
apesar de estarem próximos do fim da carreira.
10
Sistematicamente, cada capítulo e sub-capítulo tratam de assuntos que
se correlacionam uns com os outros, abordando várias faces da mesma
temática, sempre buscando chamar a atenção para a importância do setor de
Recursos Humanos na vida do idoso nessa fase tão marcante de sua vida.
11
CÁPITULO I
ENVELHECIMENTO
O CONCEITO
O presente capítulo tem como objetivo realizar uma breve consideração
acerca de conceitos relacionados à temática do envelhecimento, sociedade e
experiência tendo como direcionamento o envelhecimento como fenômeno
social e o trabalho.
1.1 O envelhecimento como fenômeno social
A abrangência da velhice nos vários âmbitos da vida social é revelada
muito mais pelo lado depreciativo do que pela possibilidade do encontro de
novos olhares e novas percepções. No entanto, a necessidade de encararmos
a velhice como uma fase natural da vida, constitutiva do nosso ciclo vital é
essencial. Dessa forma, se as experiências estão integradas num processo que
vai desde o nascimento até a morte, a velhice é uma fase do desenvolvimento
humano tão importante quanto às demais e merece, portanto, esse
reconhecimento por parte dos estudiosos do assunto, da família, da sociedade
e das empresas.
A
complexidade dessa fase do desenvolvimento humano
está
circunscrita no indivíduo e na sociedade. Logo, a velhice não é um fato estático
e sim o resultado e o prolongamento de um processo: o de envelhecer como
dimensão intrínseca ao próprio viver. É sempre percebida em relação ao outro,
visto que precisamos desse outro para nos reconhecer enquanto velhos,
entendendo
sociocultural.
esse
“outro”
como
a
sociedade
inserida
num
contexto
12
Entendendo a diferenciação do envelhecimento humano a partir de um
olhar que designa a existência de diversas idades, percebemos porque há a
demarcação de um tempo para que a velhice seja institucionalizada em todo
seu contexto.
A noção do conceito de velhice atravessou diversas épocas como algo
não definitivo e seus sentidos e significados são resultados de uma construção
social e histórica. Desde a Antiguidade Clássica, passando pela Idade Média,
até nossos dias atuais, a velhice assumiu diversas significações, revelando-se
no meio social como instituição em seus diversos níveis contraditórios.
A velhice acarreta, ainda, conseqüências psicológicas: certos
comportamentos são considerados, com razão, como característicos da
idade avançada. Como todas as situações humanas, ela tem uma
dimensão existencial: modifica a relação do indivíduo com o tempo e,
portanto, sua relação com o mundo e com sua própria história (BEAUVOIR,
1990, p.15).
O envelhecimento não é uma realidade vivida igualmente por todos os
indivíduos. Suas particularizações e configurações são definidas segundo as
condições materiais de inserção dos sujeitos no movimento da produção e
reprodução sociais, processos que definem estatutos diferenciados à velhice,
respeitando a condição de classe, status e hierarquia dentro da sociedade civil.
O processo de envelhecimento não se resume aos aspectos
demográficos. Sua complexidade exige que seja estudado por diversas
disciplinas, sob múltiplos ângulos. É um fenômeno que percorre toda a
história da humanidade, mas apresenta características diferenciadas de
acordo com a cultura, com o tempo e com o espaço (GOLDMAN, 2000,
p.61)
É notório, principalmente em nosso país, como a inter-relação desses
fatores, ambos advindos de uma práxis social, institucionaliza a velhice. O
problema é que freqüentemente a velhice é instituída pelo olhar da
homogeneidade, como se acontecesse de forma única com todos, sendo que o
que de fato acontece é exatamente ao contrário.
13
O
envelhecimento,
a
vivência
e
a
situação
do
idoso
é
marcadamente diferentemente; se ele é rico ou pobre; se é saudável ou
doente; se é homem ou mulher; se trabalha ou é aposentado; se mora em
casa ou em asilo (NERI, 1991, p.42).
É justamente porque incorpora uma dinâmica de saberes e práticas, que
para cada pessoa ela é uma experiência individualizada e heterogênea. Essa
homogeneização termina por influenciar as diversas maneiras de vivenciar a
velhice e o envelhecimento. Um exemplo, interessante é a denominação
“terceira idade”. Antes, tínhamos o “velho”, depois se criou o “idoso”, agora
temos uma categoria designada por “terceira idade”. Porém, há um aparato
comercial especial para ela, acompanhada de atividades direcionadas e
instituições que tratam especificamente disso. Logo, se trata de uma categoria
que abrange circunstâncias sócio-políticas, históricas, econômicas e culturais.
Inseridos
numa
sociedade
urbana
e
capitalista,
vivenciamos
cotidianamente o culto ao jovem. A preocupação excessiva com a aparência e
o culto ao corpo, valorizando o que é saudável e jovial, é disseminada
diariamente pela mídia enquanto o envelhecimento é recusado, condenado e
adiado. Atualmente, “(...) tentamos adiar o envelhecimento cuidando da saúde,
prevenindo as doenças que chegam com o desgaste do organismo e fazendo
uso dos recursos da indústria da beleza e do rejuvenescimento. (...)” (Mascaro,
2004, p.21).
Assim sendo o termo “velho” e “idoso” são elementos também de uma
disputa ideológica sobre que dimensões o envelhecimento deve ter em uma
sociedade em busca permanente por novidades; o que acabar por sentidos e
significados preconceituosos de várias espécies. E isso acontece devido a uma
visão estereotipada que retrata o processo de envelhecer como um quadro
sombrio. Em algumas sociedades tradicionais, os velhos eram venerados e
respeitados. Era natural que os membros da família tivessem que obedecer às
ordens do mais velho, pois este era visto como sinônimo de sabedoria. Na
sociedade atual, há uma inversão de valores, o velho é tratado com
preconceito, a começar pelo termo, prefere-se chamar idoso. Nas práticas
14
sociais, o idoso é representado como aquele que possui ideal de jovem, que
continua a desfrutar da vida; já o velho é aquele de muita idade, cheio de rugas
e resmungão. Mas, por que tanta resistência ao termo velho?
1.2 O envelhecimento no Brasil
No Brasil, verifica-se um aumento do número de pessoas com sessenta
anos ou mais de idade. Neste sentido, pode-se afirmar que há um verdadeiro, e
acelerado, processo de envelhecimento da população deste país. Em
aproximadamente vinte e cinco anos, a população brasileira alcançou um
considerável patamar de envelhecimento. Tal fato não ocorreu com outros
países, em geral os desenvolvidos (como a França), cujo quadro de
envelhecimento foi estabelecido num período bem mais longo, e de forma
gradual.
As
questões
relacionadas
à
população
idosa
tornaram-se
relevantes nas discussões em âmbito mundial. Atualmente, a população
mundial é de aproximadamente seis bilhões de pessoas, das quais cerca
de 580 milhões (9,8%) têm mais de 60 anos. Até o ano de 2025, segundo
as estimativas, perto de 14% da população será considerada velha, e a
proporção de pessoas muito idosas (75 anos ou mais) representará um
grupo em crescimento (TEIXEIRA, 2008, p. 39).
Assim, pode-se dizer que o Brasil sofreu significativas alterações
demográficas, e sua população vivencia um processo de envelhecimento.
Segundo este estudo realizado pelo IBGE1 (publicado em dezembro de 2007),
a melhoria no acesso da população aos serviços de saúde, as campanhas de
vacinação, o aumento da escolaridade, a prevenção de doenças e os avanços
da medicina apresentam-se como os principais fatores que contribuíram para a
referida mudança.
1
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mais conhecido por sua sigla IBGE. O IBGE tem
atribuições ligadas às geociências e estatísticas sociais, demográficas e econômicas, o que inclui realizar
censos e organizar as informações obtidas nesses censos, para suprir órgãos das esferas governamentais
federal, estadual e municipal, e para outras instituições e o público em geral.
15
Todavia, é válido expor que esse aumento, relativo ao número de
pessoas idosas, ou seja, acerca daqueles que possuem sessenta anos ou mais
de idade, ocorrendo de forma acelerada ou não, pode ser reportado aos países
desenvolvidos e também aos em desenvolvimento, que não somente o Brasil.
Contudo,
apesar
desse
processo
de
crescimento,
ou
melhor,
de
envelhecimento da população ser verificado em diversas sociedades, é de
suma importância ressaltar que o mesmo “(...) assume características
diferentes em cada país. (...)” (Nunes, 2004, p.51).
Assim, pode-se dizer que nos países desenvolvidos, o processo de
envelhecimento, ou, mais especificamente, a população idosa cresce de
maneira gradual. O contrário pode ser constatado nos chamados países em
desenvolvimento (destacando-se os da América Latina), onde o número de
pessoas com idade a partir de sessenta anos cresce aceleradamente, ou seja,
há um vertiginoso crescimento da população idosa.
O Brasil, por exemplo, apresenta-se como um destes países em
desenvolvimento e, neste sentido, pode-se afirmar que sua população atingiu,
num período considerado curto, um notável patamar de envelhecimento. O
mesmo não ocorreu com a França e os Estados Unidos - distinguidos como
países desenvolvidos-, já que o quadro de envelhecimento dos mesmos se
estabeleceu num período mais longo, e num estágio mais lento.
Com isso, vale, o processo de envelhecimento iniciou-se, ainda que
lentamente, em aproximadamente cinqüenta anos antes do que nos países em
desenvolvimento; e tal fato pode ser reportado às melhores condições de vida
existentes nos primeiros.
Nos países desenvolvidos, a mudança da característica da
população se deu lentamente, possibilitando uma adaptação gradual dos
serviços, equipamentos sociais e formação profissional, capazes de
atender à demanda dos idosos. No Brasil, o mesmo fenômeno se deu em
cerca de cinqüenta anos, período tido como relativamente curto, se
16
comparado ao período onde esse fenômeno ocorreu nos países
desenvolvidos (CARDOSO, 2004, p.37).
Em meio a essa diferenciação entre países desenvolvidos e países em
desenvolvimento, vale mencionar que dentro de um mesmo país podem
ocorrer diversidades em torno do número de pessoas idosas. Em outras
palavras, em regiões diferentes de um país pode haver diferenças com relação
ao contingente de idosos. Um exemplo a ser exposto, é o relativo ao caso do
Brasil, onde o Rio de Janeiro (com destaque para o bairro de Copacabana2)
detém o maior percentual de pessoas idosas.
No início do século XX, a expectativa de vida para a população brasileira
era de aproximadamente trinta e três anos e sete meses. Entretanto, ao longo
dos anos, das décadas, e sendo influenciada por determinados fatores, essa
expectativa de vida no Brasil obteve um considerável aumento.
O Brasil não pode ser caracterizado como um país de jovens. Isto,
porque o mesmo vem apresentando um aumento do contingente de pessoas
com sessenta anos ou mais de idade, constituindo-se, então, num país cuja
população idosa cresce aceleradamente, e num espaço de tempo curto. Assim,
acerca das alterações demográficas ocorridas no país, mostram que a
expectativa de vida dos brasileiros tem aumentado consideravelmente e, aliado
a isso, que a população idosa tem crescido vertiginosamente – assumindo
assim, segundo o IBGE, o país em sexto lugar em população idosa do mundo.
Tal característica do perfil demográfico da população idosa brasileira
pode ser vinculada a um declínio concomitante nos nas taxas de natalidade
(expressa por meio da redução da fecundidade) e de mortalidade. E, assim,
pode-se dizer que, aliado ao aumento da expectativa de vida, há um
crescimento do contingente de pessoas idosas, e uma queda do número de
jovens, repercutindo, então, no envelhecimento da população brasileira.
2
Copacabana é um dos bairros mais famosos da cidade do Rio de Janeiro, Brasil. Localizado na zona sul
da cidade, Copacabana tem em torno de 150.000 habitantes de todas as classes sociais.
17
Entretanto a expansão do processo de envelhecimento, ou, mais
especificamente, esse crescimento da população idosa, em geral nos países
em desenvolvimento, pode ser reportado aos avanços tecnológicos - com
destaque para os direcionados à área médica. Basicamente, esses avanços
contribuíram para uma alteração no perfil demográfico da população brasileira,
para um aumento da longevidade, e “(...) não no aumento da qualidade de vida
da população.” (Freitas, 2002, p.32).
Assim, podem-se elencar alguns dos fatores que são caracterizados
como mudanças significativas que ocorreram no Brasil, e que são
determinantes do referido crescimento da população idosa. Eis alguns deles:
Redução de mortes por doenças infecto-contagiosas; utilização de tecnologias
que auxiliam na prevenção de doenças; entrada da mulher no mercado de
trabalho; uso de métodos anticoncepcionais e opção pela limitação do número
de filhos, devido ao alto custo de vida. Tal conjunto de fatores, então, acabou
contribuindo para a redução nos índices de mortalidade e de natalidade,
repercutindo num aumento do número de pessoas idosas, em confronto com o
de pessoas adultas e jovens.
Perante essas considerações, torna-se válido, e mesmo necessário,
uma vez que faz parte da discussão relativa ao envelhecimento da população
brasileira, expor a questão envolvendo a ótica econômica acerca do aumento
do contingente de pessoas com sessenta anos ou mais de idade.
Demógrafos, gerontólogos e outros cientistas que estudam o
envelhecimento humano usam esses dados demográficos e suas
estimativas para demonstrar a problemática do envelhecimento, tomando
pelo critério cronológico e como grupo específico, e a “ameaça” que
representa, considerando-se o crescimento das suas demandas sociais e
econômicas em todo o mundo, ou seja, uma “ameaça” ao sistema
previdenciário, de saúde e de assistência social (TEIXEIRA, 2008, p.39).
18
Neste
sentido,
o envelhecimento
da população
brasileira
gera
conseqüências (negativas) na política financeira, uma vez que se aumenta o
número de aposentados, ou seja, daqueles que necessitam das coberturas
previdenciárias e assistenciais. Assim, constantemente os governantes, por
exemplo, “(...) vêem os aposentados e pensionistas como causadores de
déficits na Previdência Pública. (...)” (Nunes, 2004, p.28)
Com o envelhecimento da população brasileira, gera-se uma constante
necessidade de se desenvolver e executar políticas e programas direcionados
para o segmento dos idosos. Entretanto, o que se constata é uma verdadeira
escassez de recursos que garantam o implemento de políticas públicas de
qualidade voltadas para essas pessoas. Dessa forma, ao se tratar de países
subdesenvolvidos, como o Brasil, as políticas sociais destinadas aos idosos,
ainda estão longe de serem executadas plenamente.
A população que chega a alcançar a idade mais avançada encontra
muitas dificuldades de se adaptar às condições de vida atual; uma vez que
além das dificuldades físicas, psíquicas, sociais e culturais – decorrentes do
envelhecimento – sente-se relegadas ao segundo plano no mercado de
trabalho, no seio da família e na sociedade em geral. Como já citado, essa
contradição é agravada por fatores culturais que idolatram o novo e moderno; e
ridicularizam o velho e antigo.
Viabilizar os direitos sociais dos idosos, principalmente em um contexto
neoliberal, requer um esforço extra na mobilização e na organização dos
movimentos sociais que representam os seus interesses – principalmente
contando com políticas públicas restritas, de orçamentos reduzidos para
setores estratégicos como saúde e educação e de falta de responsabilidade do
Estado quanto à questão social.
O aumento da longevidade, o desenvolvimento social e científico, as
transformações na estrutura da família possibilitaram transformações profundas
na sociedade e no comportamento das pessoas. Esse aumento significativo da
19
população idosa tem trazido para o universo das ciências inúmeras discussões
a respeito da velhice. A abordagem desse objeto de estudo se faz presente nas
mais diferentes áreas. Isso é o que alguns profissionais voltados para a
questão do envelhecimento pretendem buscar: novas explicações para o social
a partir de conceitos multidisciplinares; apelando para diferentes métodos e
usando certos conceitos existentes, vai se constituindo um novo campo de
coerência.
Tais representações têm implicações na vida cotidiana e nos
comportamentos adotados por um grupo de pessoas acerca de um objeto, que
são resultantes do modo como os atores sociais representam socialmente esse
objeto e do significado que estes adquirem em suas vidas. Essas crenças e
valores que atribuem à velhice uma fase de profundas perdas são construídos
na formas de representações, nas conversações diárias dos grupos. Essas
representações são “são equivalentes, em nossa sociedade, aos mitos e
sistemas de crenças das sociedades tradicionais; elas podem até mesmo ser
vistas como uma versão contemporânea do senso comum”. (MOSCOVICI,
1981, p.181)
É muito importante a análise das manifestações nas mentalidades e nas
ações dos sujeitos sobre a condição do idoso. Isso porque as representações
sociais são produzidas através das interações e comunicações no interior dos
grupos sociais e refletem a situação das pessoas acerca dos assuntos que são
objeto do seu cotidiano; ou seja, evidenciam como as imagens da velhice são
compartilhadas entre os diversos grupos e como estas acabam por muitas
vezes, se tornando estereótipos e preconceitos.
Entre os idosos, as percepções de perdas, das incapacidades e das
doenças são aspectos relevantes das representações da velhice. Se tais
representações se sustentarem sempre nessa noção de declínio, acarretarão
em conseqüências negativas no comportamento não somente deles, mas
também daqueles que ainda não são idosos. Por isso a idéia de que elas se
20
constituem como saber prático. Designam um processo que atravessa o tempo
e influencia as relações sociais.
Em uma sociedade globalizada é visto que símbolos, imagens e
estereótipos são expressos a todo o momento, principalmente através dos
meios de comunicação de massa. Diariamente é veiculado na televisão, um
comércio intenso de produtos que garantem a fórmula da juventude e a
longevidade.
Portanto as idéias que a mídia expressa em relação ao
envelhecimento e à velhice são muito significativas, pois podem exercer a
função de ponto de referência para os próprios idosos, influenciando seu
comportamento e suas atitudes, e também as idéias da criança, do jovem e
do adulto, a respeito do que significa envelhecer em nossa sociedade.
(MASCARO, 2004, p.65)
Logo, o envelhecimento adquire feições sociais que vão determinar uma
série de preocupações de cunho social e político, visto que o aumento da
expectativa de vida traz para o meio social a discussão sobre os custos do
Estado e da família com os idosos relativos à saúde, previdência social e
políticas públicas.
Ou seja, na busca por parceiros na luta a favor dos direitos dos idosos, o
profissional de Recursos Humanos deve agir de forma interdisciplinar,
especialmente na área da seguridade social – formada pelo tripé: saúde,
previdência e assistência social.
Dessa forma, a atuação do profissional dessa área se faz inquestionável
em todas as direções referentes ao segmento do futuro aposentado. Assim
sendo, o modo de pensar a vida, as políticas e o envelhecimento se dão na
sociedade civil, é lá que estão às disputas entre diferentes concepções.
Dessa forma, devemos pensar na sociedade civil para entender como
envelhecimento é entendido, compreendido e produzido como prática dentro da
sociedade civil. A sociedade civil torna-se assim, o lugar de construção da
21
hegemonia, de formação das consciências e de um novo bloco histórico,
determinando maneiras e significados para o envelhecimento – a modo de
produzir ou esvaziar a experiência humana.
Assim sendo, a marginalização do idoso se faz mais presente em
sociedades que atingiram certo nível de urbanização e industrialização e que
devido à produção capitalista exigem uma demanda maior de trabalho jovem.
Cabe ao setor de Recursos Humanos “humanizar” essa relação, e o PPA é
uma excelente ferramenta, conforme veremos a seguir.
22
CÁPITULO II
O IDOSO E O TRABALHO
O CONCEITO
Em nossa sociedade – marcada pelas mais diversas contradições – o
idoso acaba por estar vinculado por uma noção tão entranhada do trabalho e
das relações sociais que, aos poucos, configuram de fato uma classe. E duas
vezes oprimida: pela dependência social e pela velhice, conforme veremos
nesse capítulo.
2.1 Experiências e Trabalho
É correto afirmar que o que define a classe social é a posição ocupada
pelo sujeito nas relações objetivas de trabalho (Bosi, 1995,p.18). Assim sendo,
quando se fala em certa camada da população subjugada pela dependência,
essa palavra ganha como sinônimo a palavra opressão. Cabe aqui apresentar
a temática deste trabalho que, embora aborde as representações sociais de
maneira geral, trata mais especificamente da memória de velhos trabalhadores
brasileiros.
Os idosos ainda têm heranças fortes de valorização de experiências.
Experiências ligadas a um forte contexto de classes, gêneros e um conteúdo
geracional. Ou seja, tiveram uma forte atuação no campo do trabalho, ou
tiveram a sua vida familiar determinada pelo trabalho – como, por exemplo, o
caso de mulheres que deixaram de trabalhar para ocupar o cargo de
reprodução de família -. Recuperar e narrar essa experiência implica em ter
uma memória dessa experiência e memória é socialmente produzida. Porém o
que eu lembro o que eu esqueço é determinado pelo presente. O presente hoje
em uma sociedade moderna, em uma sociedade rápida e aligeirada e fulgaz é
23
um presente que produz e o esquecimento, assim como produz um tipo de
memória muito fragmentada.
Ao analisar o significado da palavra “experiência”, obteremos como
resultado que experiência é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos
toca. Não o que se passa, não o que acontece, ou o que toca (Larossa, 2002).
Atualmente a sociedade vive uma constante necessidade por informação e
excesso de opinião, porém pouca ou nenhuma informação. A informação não é
experiência. A experiência é algo que nos aconteça ou nos toque, é algo único.
Apesar de consumir a maior parte do tempo diário, a maioria
esmagadora dos trabalhadores não sente o tempo de trabalho como tempo
de vida próprio, mas como tempo morto e vazio, arrebatado à vida como
um pesadelo. Quando, enfim, libertos da ditadura do trabalho abstrato, mas
sem condições de sobreviver sem as políticas sociais, “exacerbam-se as
necessidades, pela impossibilidade de satisfazê-las, o trabalhador sente
que a vida lhe foi suprimida, que não tem mais lugar no mundo”, seu tempo
cotidiano continua vazio e sem sentido (TEIXEIRA, 2008, P54-55.).
A falta de tempo e o excesso de trabalho são grandes agentes no que
diz respeito à anulação da experiência.
2.2 O idoso hoje
O que existe hoje é uma sociedade fabricada e manipulada pelos
aparatos da informação e da opinião; reproduzindo o efeito dos meios de
comunicação de massas.
A velocidade com que nos são dados os acontecimentos e a
obsessão pela novidade, pelo novo, que caracteriza o mundo moderno,
impedem a conexão significativa entre acontecimentos. Impedem também a
memória, já que cada acontecimento é imediatamente substituído por outro
que igualmente nos excita por um momento, mas sem deixar qualquer
vestígio. O sujeito moderno não só está informado e opina, mas também é
um consumidor voraz e insaciável de notícias, de novidades, um curioso
24
impenitente,
eternamente
insatisfeito.
Quer
estar
permanentemente
excitado e já se tornou incapaz de silêncio. Ao sujeito do estímulo, da
vivência pontual, tudo o atravessa tudo o excita, tudo o agita, tudo o choca,
mas nada lhe acontece. Por isso a velocidades e o que ela provoca, a falta
de silêncio e de memória, é também inimiga mortal da experiência
(LAROSSA, 2002, p.04).
Ao longo da História o idoso sempre foi respeitado por sua sabedoria e
considerado uma figura de importância, sempre admirado pelos mais jovens;
hoje vive numa sociedade capitalista que sofre modificações a todos os
momentos nos seus diferentes seguimentos; modificações estas que ocorrem
nos arranjos societários, onde o idoso vê-se inserido de uma forma
diferenciada, sofrendo assim um conflito sócio-cultural; como já citado
anteriormente.
Se no passado, o status e o prestígio dos idosos era elevado, nos
últimos
anos,
à
medida
que
este
processo
de
urbanização
e
industrialização se amplia, também aumenta a discriminação dirigida às
pessoas
idosas, subestimando-se a sabedoria
e o conhecimento
acumulados por elas no decorrer de suas vidas (VERAS,1999, p.43).
Com relação às mudanças nas relações sociais, esse é um fator
determinante, uma vez que este processo de envelhecimento se dá numa
sociedade contemporânea heterogênea que por sua vez tem reproduzido
processos
cada
vez
maiores
de
individualização
resultando
no
enfraquecimento de esforços coletivos; promovendo assim valores atrelados à
ausência de compromisso com a realidade social na qual se vive.
Entretanto, (...) centra-se numa problemática que afeta os
aposentados e pensionistas numa dimensão sociocultural, ou seja, o
sentimento de desvalorização por estar fora do mundo do trabalho e das
condições de reprodução social, de inutilidade e inatividade, a perda de
papéis sociais, as mudanças de hábito e do emprego do tempo, da solidão,
isolamento social, os estereótipos negativos, dentre outros (TEIXEIRA,
2008, p.103).
25
Além de ser um destino do individuo, a velhice é uma categoria social. E
quando as pessoas absorvem tais ideais da classe dominante, agem como
loucas porque delineiam assim seu próprio futuro (Bosi, 1995, p.20). Ou seja,
quando se vive o auge da comercialização do homem, a idade causa
desvalorização e preconceito.
O velho para se comunicar com outras pessoas precisa de objetos, tais
como lentes, aparelhos auditivos, próteses e etc. Os que não possuem
condições financeiras
para
adquirir tais
aparatos ficam privados
de
comunicação.
Quando o trabalhador esgota a sua forca de trabalho, é comum que
este seja grato por sua própria aposentadoria – como se fosse um favor ou
uma esmola. Também acontece do trabalhador se sentir inútil após seu
ingresso na aposentadoria, e se isso acontece é porque em todo tempo o
sentido de sua vida foi roubado; como já mencionado anteriormente. Afinal,
a palavra experiência tem ex de exterior, de estrangeiro, de exílio, de
estranho e também o ex de existência. A experiência é a passagem da
existência, a passagem de um ser que não tem essência ou razão ou
fundamento, mas que simplesmente existe de uma forma sempre singular,
finita, imanente, contingente (LAROSSA, 2002, p.04).
É praticamente impossível reparar os danos que as pessoas sofrem,
desde o nascimento, e cuidados já na velhice não devolvem a saúde física e
mental destruída ao longo dos anos. A abolição de asilos e a construção de
casas descentes para a velhice seria um grande avanço, porém ainda estariam
longe da resolução dos problemas.
Porém, as iniciativas filantrópicas no trabalho social com idosos, por
meio de programas com objetivos de integração e valoração social, legitimadas
26
pela PNI – Política Nacional do Idoso3 – no atendimento ao envelhecimento,
associada a outras formas de convívio, participação e ocupação de idosos,
garante e incentiva a atuação do mix público / privado no trato histórico das
refrações da questão social (TEIXEIRA, 2008, p.25).
Esses programas remetem o enfrentamento da problemática social do
envelhecimento dos trabalhadores, agregada na problemática do grupo etário
como um todo, tanto para o âmbito da sociedade civil e das suas várias
expressões; tais como família, comunidade, ONG´s entre outras. E é
justamente nesse contexto que o setor de Recursos Humanos ganha um
fundamental papel no processo de aposentadoria.
3 PNI: Tem como objetivo assegurar os direitos sociais do idoso,para assim promover sua autonomia,
integração e participação efetiva na sociedade. No artigo 3º, estabelece: A família, a sociedade e o Estado
têm o dever de assegurar ao idoso todos os direitos da cidadania, garantindo sua participação na
comunidade, defendendo a sua dignidade, bem-estar e direito à vida; A regulamentação da Política
Nacional do Idoso foi publicada no dia 3 de junho de 1996, previstos na lei 8.842/94 e estabelecendo as
competências dos órgãos e das entidades públicas envolvidas no processo.
27
CÁPITULO III
APOSENTADORIA E O RH
O CONCEITO
O último capítulo deste presente trabalho chama atenção para o desafio
do setor de Recursos Humanos ao atuar na implantação e manutenção de
Programas de Preparação para Aposentadoria (PPA), buscando minimizar os
efeitos do fenômeno da aposentadoria junto aos funcionários das empresas.
3.1 O momento da Aposentadoria
O envelhecer é compreendido como um tempo de perda de capacidades
físicas e psicológicas e, em conseqüência, surge também à perda de papéis
sociais e o abandono.
O envelhecimento não é uma realidade vivida igualmente por todos
os indivíduos, suas particularizações e configurações são definidas
segundo as condições materiais de inserção dos sujeitos no movimento da
produção e reprodução sociais, processos que imprimem estatutos
diferenciados a velhice, respeitando a condição de classe, status e
hierarquia social”. (TEIXEIRA, 2008, p.16)
Com a idéia da aposentadoria, vem junto a questão do tempo livre e
como preenche-lo. “A verdade é que, mesmo para os que desejam se
aposentar e tenham planos para o futuro, é comum o surgimento de certa
ansiedade lidar com essa nova possibilidade, principalmente porque sabem
que a aposentadoria poderá provocar uma série de mudanças”. (FRANÇA,
1992, p.47).
Muitas são as contradições que giram em torno do tema da
aposentadoria, principalmente num país que é repleto de desigualdades sociais
como é o caso do Brasil. “Grande parte da adaptação à aposentadoria irá
28
depender do envolvimento de cada indivíduo com o trabalho, da sua história de
vida e de como ele deseja viver seus próximos anos, suas expectativas e suas
limitações.” (FRANÇA, 2002, p.13)
No Brasil as pessoas se aposentam por tempo de contribuição, ou por
idade que seria 60 anos para mulheres e 65 anos para homens. Como
começam a trabalhar muito jovem à expectativa de vida vem aumentando,
quem se aposenta entre 45 e 50 anos de idade tem ainda uma média de 20
anos de vida pela frente.
A
aposentadoria
por tempo
de
contribuição
constitui
benefício
previdenciário devido ao segurado que comprove 35 ou 30 anos de
contribuição, se homem ou mulher, respectivamente, é o período mínimo de
carência legalmente exigido.
Sob o ponto psicológico e social a aposentadoria é um momento
delicado na vida de qualquer trabalhador. Existe uma mistura entre a sensação
de liberdade e um sentimento de exclusão, que, em alguns casos pode se levar
a depressão e outros malefícios.
A questão da aposentadoria é muito grave, porque as sociedades
atuais têm atribuído ao trabalho o valor essencial da vida. Isso é a maioria
dos indivíduos vive em função de duas grandes dimensões: trabalho e
família. O que acontece na época da aposentadoria é que os indivíduos
vêem rompido esse elo de interesse. Dessa forma, vivem um fenômeno
psicológico, social e emocional de esvaziamento de papeis (DELGADO,
2003, p.308).
Essas mudanças geralmente coincidem com a “crise da meia idade” que
é definida não pela faixa etária, mas como certo momento em que as pessoas
realizam as escolhas feitas em sua vida. Além disso, ocasionalmente, é
imprescindível que o aposentado continue com um trabalho remunerado para
complemento de sua renda; e nesse caso, é necessário priorizar as atividades
que lhe tragam maior satisfação. Mesmo para aqueles que precisam retornar
29
ao mercado, é importante ressalvar a distribuição equilibrada entre o tempo
para a atividade laborativa, o cuidado da saúde, com sua vida social e, até
mesmo, tempo para si ou para o ócio, se assim desejarem e for possível.
Segundo a adaptação à aposentadoria difere no homem para a
mulher. A mulher parece se dividir melhor entre as suas várias funções na
sociedade (como esposa, avó, mãe e filha) e a ausência do trabalho poderá
não ser tão significativa. Todavia, quando se refere a um trabalho que
envolva realizações intelectuais, a perda pode ser tão traumatizante para a
mulher quanto para o homem. (FRANÇA, 2000, p. 245)
As atitudes dos trabalhadores após a aposentadoria parecem depender
do envolvimento e da satisfação atribuídas ao trabalho, bem como de suas
outras funções na sociedade. Uma forma de analisar as probabilidades de
adaptação à aposentadoria é investigar como os grupos de trabalhadores,
distribuem o tempo entre seus interesses, e quais são as suas expectativas
para o futuro sem o trabalho.
O PPA estimula que os pré-aposentados busquem novas participações
nos mais diferentes grupos sociais e resgatem as antigas amizades. A procura
do pré-aposentado pelo programa provavelmente terá um enriquecimento e
sentido para a vida.
3.2 O papel do RH
Conforme já comentado anteriormente, de acordo com dados do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os últimos censos revelam um
declínio na taxa de fecundidade e de mortalidade, o que provoca um rápido
processo de envelhecimento da população. Hoje, existem cerca de 14,5
milhões de pessoas com mais de 60 anos no Brasil e outros milhares se
aproximam desta idade. A realidade e o estilo de vida das pessoas fazem com
que indivíduos entre 55 e 60 anos estejam em plena maturidade e vigor e,
30
apesar de estarem próximos do fim da carreira, vêem a aposentadoria como
um “fantasma” que os aterroriza.
O colaborador pré-aposentado, que não tem uma preparação para o
encerramento da vida profissional pode ficar desestimulado, o que reflete na
produtividade no trabalho. O envelhecimento e a aposentadoria podem trazer
diminuição de proventos, perda de referencial de trabalho e de identidade
pessoal e sentimento de inutilidade sócio-psicológica, o que leva a problemas
de saúde física e mental.
Ou seja, desapegar-se da rotina do ambiente organizacional, bem como
das atividades laborais rotineiras, com a chegada da aposentadoria, pode ser
motivo de alegria para muitos trabalhadores, uma vez que após vários anos de
trabalho terão a oportunidade de desfrutar das vantagens do tão desejado
benefício. Porém, para muitos outros trabalhadores, o fim da carreira
profissional pode ser considerado como um período difícil, tendo em vista a
mudança de hábitos diante da nova realidade, que para alguns pode significar
uma vida de ociosidade ou um processo de se julgar como não sendo mais útil
e/ou produtivo.
Para que os funcionários aproveitem bem cada momento até deixarem o
mercado, é de fundamental importância que as empresas invistam em ações
destinadas à responsabilidade social, valorizando, assim, aquele que é o seu
maior capital: os colaboradores.
Inclusive a legislação já está bem adiantada no que diz a respeito sobre
esse assunto. O Art. 28 da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 20034, do
4 Art. 28. O Poder Público criará e estimulará programas de: I - profissionalização especializada para os
idosos, aproveitando seus potenciais e habilidades para atividades regulares e remuneradas; II preparação dos trabalhadores para a aposentadoria, com antecedência mínima de 1 (um) ano, por meio de
estímulo a novos projetos sociais, conforme seus interesses, e de esclarecimento sobre os direitos sociais e
de cidadania; III - estímulo às empresas privadas para admissão de idosos ao trabalho.
31
Estatuto do Idoso5; determina que o Poder Público crie e estimule programas
que preparem, com um ano de antecedência, seus funcionários para a
aposentadoria,
por
meio
de
estímulos
a
novos
projetos
sociais,
esclarecimentos sobre direitos e cidadania; conforme o interesse dos idosos.
E por esse motivo, que muitas empresas – não só de cunho público,
mas inclusive empresas privadas- investem em programas como o PPA
(Programa de Preparação para Aposentadoria), onde ocorrem atividades como,
por exemplo, a realização de oficinas de qualidade de vida e palestras sobre o
tema.
3.3 Programa de Preparação para Aposentadoria – PPA
Enfatiza que o limite cronológico proposto pela ONU6, em 1982, para o
início da chamada terceira idade, toma por base a idade da aposentadoria
estabelecida na maioria dos países. Tal limite induz à associação corrente
entre velhice e aposentadoria, o que remete a uma representação coletiva em
que o velho é percebido como não mais produtor de bens e serviços e,
portanto, marginalizado nos contextos sociais pautados pelo valor produtivo.
Diante dessas considerações, são sugeridas nas empresas a aplicação
do Programas de Preparo para Aposentadoria - PPA, com a finalidade de
desfazer essa associação, estabelecendo um novo paradigma segundo o qual
aposentadoria não é sinônimo de senilidade, inutilidade, inatividade ou
estagnação.
5
O Estatuto do Idoso, de iniciativa do Projeto de lei nº 3.561 de 1997 de autoria do então deputado
federal Paulo Paim,[1] foi fruto da organização e mobilização dos aposentados, pensionistas e idosos
vinculados à Confederação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas (COBAP), resultado de uma grande
conquista para a população idosa e para a sociedade.
6
Organização das Nações Unidas (ONU), ou simplesmente Nações Unidas (NU), é uma organização
internacional cujo objetivo declarado é facilitar a cooperação em matéria de direito internacional,
segurança internacional, desenvolvimento econômico, progresso social, direitos humanos e a realização
da paz mundial. A ONU foi fundada em 1945 após a Segunda Guerra Mundial para substituir a Liga das
Nações, com o objetivo de deter guerras entre países e para fornecer uma plataforma para o diálogo. Ela
contém várias organizações subsidiárias para realizar suas missões.
32
Nos últimos tempos, um número crescente de organizações vem se
preocupando com o processo de aposentadoria dos seus empregados.
Compreendendo as expectativas e ansiedades pelas quais passa o indivíduo
no período de pré-aposentadoria, essas organizações vêm desenvolvendo
Programas de Preparo para Aposentadoria (PPA). De uma forma geral, as
organizações entenderam que, além de auxiliarem no cumprimento de suas
responsabilidades
gerenciais.
Ao
sociais,
assumirem
tais programas
essa
são excelentes ferramentas
responsabilidade,
fazem
um
duplo
investimento. O primeiro, sobre os empregados que estão se aposentando,
que sentem-se valorizados e mantém um bom desempenho. O segundo, sobre
os demais empregados, que observam o cuidado e o respeito que a
organização tem pelas pessoas, constatação esta que vem a fortalecer as
relações de trabalho.
O programa é uma importante etapa de um processo que tem
como objetivo principal a ressocialização do pré-aposentado, baseada no
respeito ao ser humano e na consciência das modificações profundas que
ocorrem no modo de viver desses indivíduos e da necessidade de
reelaborar possíveis prejuízos que possam advir como conseqüência do
rompimento da rotina de trabalho. (ZANELLI, 1996, p.76)
Para o empregado, o programa é uma oportunidade de obter
informações adequadas sobre a aposentadoria; identificar alternativas de
atividades pós-aposentadoria; conhecer os recursos que a comunidade dispõe
(como associações, programas específicos etc.); e discutir, com pessoas que
estão vivenciando um momento semelhante (seus medos, ansiedades, sonhos
e aspirações).
Nos diversos países onde se desenvolvem os PPAs, vários são os
modelos adotados. Todos, porém, parecem seguir o padrão norte-americano,
adotado desde 1950, que consiste na realização de cursos, em que são
discutidas com os participantes, questões tidas como de interesse para
33
pessoas que estão prestes a se aposentar; como por exemplo: finanças,
saúde, mercado de trabalho etc.
No Brasil, esse trabalho foi iniciado pelo SESC/São Paulo,
incluindo o programa desenvolvido, informações sobre a questão do
envelhecimento, de recursos sócio-culturais e de serviços da comunidade
para os quais os aposentados possam se voltar, a partir da aposentadoria
(MAGNANI, MENDES, MELO, BARBOSA & BUENO, 1993, p.304).
Hoje, é correto dizer que o PPA é de suma importância para aqueles
participantes que se aproximam do momento decisivo. Todo programa deve ser
preparado
e
planejado
de forma
bastante
detalhada,
observando
a
especificidade de seu público alvo, relacionando todas as expectativas,
carências, agruras, dúvidas, medos, finanças, sonhos, famílias, entre outras
coisas. É necessário observar que, até mesmo as pessoas que desejam
incondicionalmente
a
aposentadoria,
precisam
ser
monitoradas
e
acompanhadas, para evitar que criem expectativas fantasiosas, que poderão
não ser alcançadas, levando-as às frustrações.
Tem, também, o papel fundamental de fazer com que o participante se
prepare para o futuro, considerando-o um salto para além e, não, uma
estagnação. Já as empresas devem notar que, essa preparação para a tão
sonhada aposentadoria, haverá de render bons frutos, com funcionários
dispostos e preparados para enfrentarem quaisquer desafios que tenham, não
só após a aposentadoria, mas, e principalmente, no processo para a mesma,
que pode durar anos.
PPA (Programa de Preparação para Aposentadoria) deverá ser
pautado numa ponte dinâmica de discussão e de avaliação à luz dos fatos,
dos riscos e das expectativas que os participantes queiram atingir no futuro.
Sendo assim, a preparação deve ser organizada como um processo
educativo, contínuo e relacionado a um planejamento de vida. (FRANÇA,
2000, p.30)
34
Sobretudo, o PPA deve esclarecer ao participante que a aposentadoria
não é uma forma de exclusão e de separação dos colegas de trabalho, e
inatividade, mas a possibilidade de vivenciar novas formas de se viver a vida. É
preciso repensar sobre o processo de aposentadoria, considerando a
valorização integral do ser humano.
Entretanto, para a implementação do PPA, não existe uma “formula
pronta”, entretanto, os profissionais de RH devem levar em consideração os
seguintes objetivos: disponibilizar para funcionários em fase de aposentadoria
um espaço para que situações, emoções e sentimentos sejam expressos;
minimizar
angústias
que
podem
ser
conseqüência
da
chegada
da
aposentadoria; orientar a busca de informações sobre o processo de
aposentadoria; possibilitar desenvolvimento de novas habilidades e atividades,
bem como o resgate de potencialidades; proporcionar oportunidade de
determinação
de
um
planejamento
de
vida
após
a
aposentadoria
(contemplando aspectos sociais, econômicos, de saúde, afetivos).
Além disso, para sucesso do programa, cabe ao setor de Recursos
Humanos incentivar o futuro aposentado a participar do PPA; onde deverá
preparar reuniões que devem contar com palestrantes de diversas áreas, tais
como, médicos, psicólogos, assistentes sociais, como também um agente do
INSS e advogados, especializados na área previdenciária pública e privada.
Cabe ainda como sugestão, logo na iniciação do programa, que a
empresa deveria firme um convênio com o INSS – Instituto Nacional de Seguro
Social 7, pois assim pessoas especializadas no assunto poderiam esclarecer
aos pré-aposentados o que é o INSS e os ajudaria a fazer os cálculos e saber
realmente o quanto vai receber de aposentadoria, pois muito dos funcionários
não conhecem a previdência e não sabem os seus direitos, ficando assim mais
tranqüilo diante de tanta burocracia.
7
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é uma autarquia do Governo Federal do Brasil que recebe
as contribuições para a manutenção do Regime Geral da Previdência Social, sendo responsável pelo
pagamento da aposentadoria, pensão por morte, auxílio-doença, auxílio-acidente, entre outros benefícios
previstos em lei. O INSS trabalha junto com a Dataprev, empresa de tecnologia que faz o processamento
de todos os dados da Previdência. Está vinculado ao Ministério da Previdência Social.
35
Entretanto, compete à equipe profissional ajustar a proposta de acordo
com a realidade da empresa, em função dos recursos disponíveis e das
estratégias adotadas para a proposta.
Conforme citado anteriormente, a aposentadoria representa, sob o ponto
de vista psicológico e social, um momento estressante e de muita expectativa
na vida do indivíduo, que suscita reações muito ambivalentes, desde uma
sensação de liberdade até um sentimento de exclusão. As mudanças advindas
com a aposentadoria requerem uma adaptação, nem sempre atingida pela
maioria das pessoas. Caso não haja essa adaptação, os resultados negativos
deste novo período podem ser muito sérios, manifestando-se através de
depressão, isolamento, dificuldades de relacionamento com a família, etc.
A aposentadoria, que durante a vida profissional podia ser considerada
um objetivo, agora pode representar perdas como do status social para a
condição de inativo, perda do padrão de vida, além do tédio ocasionado pela
dificuldade de administrar o tempo livre. (NACARATO 1996, p. 279)
Os PPAs surgem assim como formas de intervenção, objetivando
facilitar a tomada das decisões necessárias ao indivíduo para sua adaptação à
nova condição social. Ou seja, programa possibilita a revisão de conceitos
sobre aposentadoria e trabalhar questões de saúde, hábitos, rotinas e estilos
de vida possibilitando a construção ou o aprimoramento de um projeto de vida
pessoal ou profissional.
Em última reflexão, pode-se concluir, sem hesitação, que a empresa que
disponibiliza para os seus colaboradores, o PPA, colherá os frutos adicionais
da maior produtividade. Afinal, o participante deve olhar para a sua
aposentadoria como um recomeço, um renascimento privilegiado, fazendo do
PPA não somente um preparo para a aposentadoria, mas, sim, para o amanhã,
possibilitando-lhe a revisão de conceitos sobre o conceito da aposentadoria,
como também trabalhar as questões relacionadas a saúde, hábitos, rotinas e
estilos de vida, permitindo o aprimoramento de um projeto de vida pessoal.
36
É direito de cada empresa exigir comprometimento no presente, que
deverá ser recompensado, dentre outros, pelo sentimento do dever bem
cumprido. Entretanto, é dever da mesma empresa estimular, em seu
colaborador, o nascimento do ideal que envolve o valor do planejamento
respeitante ao seu futuro, despertando-o para a necessidade de aprender a
reconhecer, em cada crise, uma oportunidade de mudança, e, em cada
mudança, uma nova e promissora oportunidade.
Logo, a empresa que investir em PPA, além de nada ter a perder, e
muito ter a ganhar, estará caminhando, como nenhuma outra, rumo à plenitude
no cumprimento de sua função social.
37
CONCLUSÃO
Com o rápido crescimento da população idosa, são necessárias
intervenções direcionadas à saúde, inserção no mercado de trabalho, medidas
de proteção social e garantias para uma boa qualidade de vida futura para os
idosos. Além de aprofundar os estudos teóricos sobre o processo de
envelhecimento, compete aos profissionais realizar investigações na área,
desvelando a realidade da vida das pessoas que estão na denominada terceira
idade, em seus diversos aspectos.
Pesquisas feitas nas Organizações das Nações Unidas revelam que
16% dos habitantes do planeta têm mais de 60 anos. Segundo a ONU esse
contingente será de 20% na metade do século XXI. E no Brasil há 14 milhões
de idosos, cerca de 9% da população. Quando se trata de processo de
envelhecimento, um assunto muito abordado é a questão da aposentadoria,
pois esta não garante uma boa qualidade de vida para os idosos, apesar de ser
um direito conquistado pelos trabalhadores. Muitos idosos são hoje, os
mantenedores da família, necessitando reinserção no mercado de trabalho, e
em alguns casos, se submetendo a atividades precárias e sem proteção social.
Existem variadas formas pelas quais os sujeitos idosos percebem o
trabalho e a aposentadoria, e esse processo está ligado à história de vida de
casa um. Sendo assim, as vivências e o trabalho estão inúmeras vezes
destacadas nas lembranças dos velhos. Esses idosos, tantas vezes tachados
como não mais úteis, foram e ainda são trabalhadores. No passado,
trabalharam mais de forma “braçal”, atualmente, trabalham principalmente com
as recordações, porque recordar não se restringe a rever ou reviver algo.
De acordo com a minha experiência na área de RH, pude perceber que
toda transformação traz consigo a ruptura de hábitos, ocasião em que se acaba
por descobrir que a tão sonhada aposentadoria poderá trazer dissabores à vida
de cada um, transformando-a, de uma situação cômoda e tranquila, num
38
estado de total desequilíbrio emocional e financeiro, quando, então, os
“sonhos” serão substituídos pelas preocupações. Logo, algo que a tão pouco
tempo era positivo se torna extremamente negativo e as dificuldades advindas
da nova situação, que surpreende, preferencialmente, aqueles que não se
planejaram, atingem todas as dimensões da vida humana, inclusive
provocando desajustes que podem ocasionar na dissolução da célula familiar,
e, não raro, podem desencadear doenças as mais diversas, dentre as quais a
depressão ocupa lugar de destaque.
É preciso iniciar um processo de reflexão e discussão com a
participação de todos os segmentos da sociedade que estejam envolvidos com
situações relativas ao trabalho e à aposentadoria, visando à realização de
pesquisas e projetos sobre a situação dos aposentados, a discussão sobre
como viabilizar o pagamento de aposentadorias mais justas e ao mesmo tempo
permitir a continuidade no trabalho aos aposentados que ainda queiram
continuar no mercado de trabalho.
Finalmente, é importante buscar uma resposta para a pergunta: qual o
objetivo do trabalho realizado junto ao pré-aposentado? O que se pretende
promover? Concluímos que, na realidade, trata-se de despertá-los para a
capacidade que cada um possui de definir suas metas, e para as fontes de
poder disponíveis (ou a serem promovidas) para sua efetivação, tais como o
compromisso, a disciplina, o sistema de apoio social e finalmente a orientação
interior.
Na minha opinião, iniciativas como o PPA devem ser encarado como um
processo contínuo e deve ser discutido não só pelos pré-aposentados como
também pelos jovens que ingressam no mercado de trabalho. A inclusão do
programa reflete na imagem da empresa perante o funcionário e a sociedade.
Além disso, o PPA pode ser incluído dentro do pacote de benefícios de uma
empresa – inclusive sendo considerado uma vantagem competitiva - mostrando
assim o quanto valoriza cada um dentro da empresa.
39
Em outras palavras, cabe ao RH fazer com que seus colaboradores se
apropriem de sua identidade. Só assim podem reconhecer seu papel na
sociedade.
Trata-se, ainda, de que os profissionais de Recursos Humanos tenham
profissionalismo e sensibilidade para conduzir esses trabalhadores a olhar para
sua aposentadoria como um recomeço, tornando-se o PPA não apenas um
preparo para uma aposentadoria, mas uma preparação para uma nova etapa,
que poderá vir a ser bastante gratificante.
40
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
BEAUVOIR, Simone de. A velhice. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990.
BOSI, Ecléa. Memória e sociedade - Lembranças de velhos. 3ed. São Paulo:
Cia das Letras, 1995.
CARDOSO, Doris de Morais. “Longevidade e Tempo Livre: Novas Propostas
de Participação Social e Valorização do Idoso”. In: A Terceira Idade. São
Paulo, v.15, nº 30, 2004, pp.30-54.
DELGADO, Josimara Aparecida.
Experiência e significado: um estudo das
memórias de velhos trabalhadores. Dissertação de mestrado apresentada ao
Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da Faculdade de Serviço
Social da UFRJ. Rio de Janeiro: UFRJ, 2003. (mimeo).
FRANÇA, L. H. Repensando a aposentadoria com qualidade: um manual para
facilitadores de programas de educação para aposentadoria em comunidade.
Rio de Janeiro: Relume-Dumará:UnATI-UERJ, 2002.
FREITAS, Elizabeth Viana. “Demografia e epidemiologia do envelhecimento.”
In: Tempo de Envelhecer: percursos e dimensões psico-sociais. Rio de Janeiro.
NAV Editora, 2002. pp. 19- 38.
GOLDMAN, S. N. Velhice e direitos socais. In: PAZ, S. F. et al. (Orgs.).
Envelhecer com cidadania: quem sabe um dia? Rio de Janeiro: CBCISS: ANG /
Seção, 2000.
LARROSA, Jorge. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Revista
Brasileira de Educação. 27 cia.
41
MAGNANI, L. A. C., MENDES, M. B., MELLO, P. M. de, BARBOSA, S. A., &
BUENO, K. C. D. Programas de Preparo para a Aposentadoria (PPA): sua
importância e necessidade na sociedade brasileira contemporânea. Curitiba:
Faculdade de Direito de Curitiba, 1993.
MASCARO, S. de A. O que é velhice. São Paulo: Brasiliense, 2004 (Coleção
Primeiros Passos).
MOSCOVICI,Serge. On social representations. In: J. P. FORGAS (Ed.). Social
cognition: perspectives on everyday understanding. London, Academic Press,
1981.
NACARATO, A. E. C. B. Stress no idoso: efeitos diferenciais da ocupação
profissional. In M. E. N. Lipp (Org.), Pesquisas sobre stress no Brasil: Saúde,
ocupações e grupos de risco. Campinas, 1996.
NERI, A. L. Atitudes em relação à velhice. Evidências da pesquisa brasileira.
Gerontologia, São Paulo, 1991.
NUNES, Alzira Teresa Garcia Lobato. “Os programas de idosos como espaços
de participação social: estratégias de fortalecimento da participação dos
idosos.” RJ, mimeografado, 2004.
POLÍTICA NACIONAL DO IDOSO (1998). Programa Nacional de Direitos
Humanos. Secretaria Nacional dos Direitos Humanos. Poder Executivo.
Ministério da Justiça. Brasília, DF.
VERAS, R. P. O Brasil envelhecido e o preconceito social. In: ____ (Org.).
Terceira Idade: alternativas para uma sociedade em transição. Rio de Janeiro:
Relume-Dumará: UnATI-UERJ, 1999.
ZANELLI, J. C. & SILVA, N. Programa de Preparação para a Aposentadoria.
Florianópolis, Insular, 1996.
42
ÍNDICE
FOLHA DE ROSTO
2
AGRADECIMENTO
3
DEDICATÓRIA
4
RESUMO
5
METODOLOGIA
6
SUMÁRIO
7
INTRODUÇÃO
8
CAPÍTULO I
ENVELHECIMENTO
11
1.1 – O Envelhecimento como Fenômeno Social
11
1.2 – O Envelhecimento no Brasil
14
CAPÍTULO II
O IDOSO E O TRABALHO
22
2.1 – Experiência e Trabalho
22
2.2 – O idoso hoje
23
CAPÍTULO III
APOSENTADORIA E O RH
27
3.1 – O momento da Aposentadoria
27
3.2 – O papel do RH
29
3.3 – Programa de Preparação para Aposentadoria
31
CONCLUSÃO
37
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
40
ÍNDICE
42
Download

universidade candido mendes pós-graduação “lato sensu” avm