PUBLICAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA
DE DISTRIBUIDORES VOLKSWAGEN
ANO 29 • Nº 236
S E T E M B RO 2 0 0 6
O
Tempo
de cada um
Os carros da estação
Lá no fim do mundo;
lá na PATAGÔNIA
ALBERTO SARAIVA,
”
O “DR.
HABIB´S
Recado
C
SOBRE O TEMPO
E O FIM DO MUNDO
aro leitor, não se impressione. As mudanças de Showroom não chegam a
tanto. Esta mensagem não é um texto esotérico ou catastrófico. Ela apenas revela
dois dos principais temas desta edição. O primeiro, sobre o tempo, está longe de
ser um estudo climático, mas sim uma rápida análise a respeito do ritmo - e daí a
palavra tempo - de cada um. A intenção foi abordar a individualidade do ser
humano e o fato de cada um de nós ter horários produtivos diferentes. Hoje já
não é mal visto o trabalhador das madrugadas, assim como já merece respeito,
mais do que compreensão, o funcionário meticuloso, que trabalha mais
lentamente mas com grande precisão. Nesse rol de tipos e personalidades, são
citados ainda os acelerados e os atrasados crônicos, aqueles que apesar de
ostentarem um belo relógio de pulso nunca conseguem chegar no horário. A
matéria, enfim, diz respeito ao comportamento humano, que por ser humano é
falho e precisa de particular atenção, principalmente das empresas. Já o outro
assunto referido no título diz respeito a um dos lugares mais bonitos e inóspitos
do Planeta, a Patagônia, popularmente conhecida como “o fim do mundo”. Como
se sabe, a Patagônia é o ponto mais “austral” da Terra e só por isso já desperta
grande interesse. Mas o mais fantástico dessa geleira é a quantidade de belezas
naturais que reúne. Cada vez mais visitada por adeptos dos esportes de aventura, a
Patagônia começa a ser um destino viável para o turista médio. Mesmo sendo
pouquíssimo povoada, ela oferece conforto para os hóspedes, boa gastronomia e
surpresas incomparáveis.
Mas para não ficar o “tempo” todo falando do “fim do mundo”, esta edição traz
ainda uma simpática entrevista com Alberto Saraiva, presidente da Rede Habib´s,
que fala sem problemas sobre o sucesso do seu empreendimento e sua vontade de
crescer ainda mais, e as novas colunas de Joel Leite, conhecido jornalista do setor
automotivo, nestas páginas em versão free ou, como ele mesmo diz, “com o freio
solto” e do presidente da Associação Brasileira de Sommeliers, Arthur Azevedo.
Por fim e não por último falamos sobre o mercado de veículos e as novidades
que vão estrear no Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro.
Boa leitura.
CONSELHO EDITORIAL
Cartas
Expediente
PUBLICAÇÃO MENSAL DA
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DISTRIBUIDORES VOLKSWAGEN
Ano 29 – Edição 236 – Setembro de 2006
Conselho Editorial
Antonio Francischinelli Jr. , Carlos Alberto Riquena,
Evaldo Ouriques, Juan Carlos Escorza Dominguez,
Mauro I.C. Imperatori e Silvia Teresa Bella Ramunno.
Bens intangíveis
Que bom saber que há no
mundo gente investindo
mais em idéias, ciência e
pessoas do que em
máquinas. A matéria
“Durabilidade dos
intangíveis” (Edição 234 Julho 2006) desta revista me
animou bastante. Talvez,
como professor de
adolescentes possa, enfim,
fazer com que me ouçam e
entendam que a área de
Humanas continua em alta,
aliás, desde a Grécia antiga.
JOÃO R. MARCIOSIDE
PROFESSOR - SÃO PAULO - SP
Os dois jeitos de
trabalhar
Parabéns, a nova Showroom
entrou belíssima.
Nestes sete anos em que a
Revista participa conosco,
fazendo parte do nosso dia-adia, ela traz idéias e reflexões
principalmente voltadas aos
nossos negócios e práticas
altamente educativas, eficazes
e motivadoras, importantes
para a tomada de decisões
não só na empresa, mas
também em nossa vida
pessoal.
Nesta edição de agosto (nº
235), particularmente, adorei
a entrevista com Roberto
Shinyashiki. Parece que ele
viveu todo esse tempo dentro
de nossas empresas, tão
verdadeiras foram suas
declarações. Quando diz: “há
dois jeitos de trabalhar: um
para ganhar mercado e outro
para manter o emprego”, não
há verdade mais crua...
Também achei extremamente
simpática a seção Quem
Passou Por Aqui, uma forma
singela de prestigiar quem
nos visitou e de mostrar ao
público a importância da
Assobrav e do GrupoDisal.
Enfim, desejo a todos os
envolvidos no processo de
produção de Showroom
muito sucesso e que a
publicação continue com essa
força.
SHIRLEY L. O. LEAL
VW BELCAR - GOIÂNIA - GO
4
Mais leve
Desejo parabenizar a
nova cara da revista
Showroom. Pude
perceber na última
edição alguns aspectos
interessantes: leveza
sobre os assuntos
tratados, tornando-a
ainda mais convidativa à
leitura. Não obstante,
senti maior seriedade
aliada a tal leveza. E a
diversidade de assuntos
continua estimulante e
informativa.
ARMANDO CORREA DE
SIQUEIRA NETO
PSICÓLOGO - MOGI MIRIM - SP
Surpresa
Confesso que fiquei
surpreendido ao ver a
nova Showroom. Não sei
bem como avaliá-la por
enquanto. Preciso de
mais edições para fazer
um julgamento, mas
posso adiantar que os
temas da Capa e
entrevista (Edição 235 –
Agosto 2006) foram
bons e ficaram bem
resolvidos.
RICARDO MOREIRA
EMPRESÁRIO - SÃO PAULO - SP
Editoria e Redação
Trade AT Once - Comunicação e Websites Ltda.
Rua Itápolis, 815 – CEP 01245-000 – São Paulo – SP
Tel (11) 5078-5427 / 3825–1980
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Editora e Jornalista Responsável
Silvia Teresa Bella Ramunno (13.452/MT)
Redação - Rosângela Lotfi (23.254/MT)
Projeto Gráfico e Direção de Arte
Azevedo Publicidade - Marcelo Azevedo
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Impressão Gráfica Itú
Tiragem 6.000 exemplares
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Permitida a reprodução total ou parcial, desde que
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Diretoria Executiva
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Vice-presidentes: Carlos Roberto Franco de Mattos
Jr., Evandro Cesar Garms, Heloisa Souza Ribeiro
Ferreira, Luiz Sérgio de Oliveira Maia,
Mauro Pinto de Moraes Filho, Mauro Saddi, Nilo
Augusto Moraes Coelho Filho, Rogério Wink e Walter
Keiti Yaginuma.
Presidentes dos Conselhos Regionais
Região I: Rodrigo Gaspar de Faria
Região II: Luiz Alberto Reze
Região III: Roberto Petersen
Região IV: Carlos Francisco Restier
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Conselho de Ex-Presidentes
Sérgio Antonio Reze, Paulo Pires Simões, João
Cláudio Pentagna Guimarães, Orlando S. Álvares de
Moura, Amaury Rodrigues de Amorim,
Carlos Roberto Franco de Mattos,
Roberto Torres Neves Osório, Elmano Moisés Nigri e
Rui Flávio Chúfalo Guião.
Foto de capa: stock.xchng
stock.xchng
CAPA
A PASSEIO
OUTLOOK
Sumário
3 RECADO
28 A PASSEIO
A mensagem do Conselho Editorial.
Viagem ao fim do mundo. A Patagônia, suas belezas,
riquezas e curiosidades.
6 QUEM PASSOU POR AQUI
Amigos e personalidades que visitaram a Assobrav e o
Grupo Disal.
33 REDENEWS
O que acontece na Rede Volkswagen.
8 CONSULTA SEBRAE
34 SUCESSÃO
As recomendações dos consultores do SEBRAE.
O eterno dilema de pais e filhos em empresas familiares.
10 GENTE
35 FREIO SOLTO
Entrevista com Alberto Saraiva, fundador e presidente do
Habib´s. O médico que em apenas 18 anos transformou
uma padaria acanhada e sem recursos na maior rede
franqueada de comida árabe no mundo e na maior de
capital nacional no segmento fast food. Simples, simpático,
acessível e divertido, Saraiva fala, sem pestanejar, que é
possível ter lucro vendendo esfihas a R$ 0,39 a unidade.
O jornalista Joel Leite fala sobre tudo, inclusive sobre
carros, utilitários, motocicletas...
14 OUTLOOK
36 NOVIDADES
O que há de novo em eletrônica digital, periféricos de
informática e outras “utilidades”.
37 LIVROS&AFINS
Novidades, comentários e lançamentos do setor
automotivo.
O recomendado “O novo Jogo dos Negócios – Por que as
empresas estão decepcionando as pessoas e a próxima etapa
do capitalismo”, de Shoshana Zuboff e James Maxmin.
20 CAPA
38 VINHOS&VIDEIRAS
Tempo. Preocupação intrínseca do Homem. “Quanto tempo
tenho” é a pergunta que ressoa em nossa mente sem parar,
seja em momentos de reflexão com relação à duração de
nossa vida na Terra, seja no dia-a-dia, nas rotinas mais
prosaicas a que estamos sujeitos. Se com o tempo não é
possível negociar, só há uma alternativa: administrá-lo bem
e vivê-lo da melhor e mais feliz forma possível.
A coluna de Arthur Azevedo, presidente da Associação
Brasileira de Sommeliers – SP, editor da Wine Style e
consultor da Artwine.
38 MESA POSTA
Histórias de receitas e de cozinheiros.
5
Quem passou po r aqui
Pedro Henrique Gomes,
diretor da Dale
Carnegie Training, no
solário da sede do
Consórcio dos
Concessionários
Volkswagen, para
apresentar novidades
em treinamento...
Leonardo Palmeira Sampaio, superintendente geral da Mapel
de Maceió, que trocou por 48 horas a água de côco de
Alagoas por um chá com os amigos paulistanos...
Timothy Geoffrey
Copley, diretor da
Itacuã, de
Ribeirão Preto,
do alto de sua
simpatia, para
reunião do
Conselho
Regional II...
6
Em pausa para o café, Leandro Cardoso, do Marketing
de P&A da VWB, para dar prosseguimento ao novo
Protocolo de Peças e Acessórios...
Paulo Sérgio
Kakinoff, diretor
de Vendas e
Marketing
da VWB, para
ajustar algumas
coisas...
Guilherme Afif Domingos, presidente da Indiana
Seguros, e sua ousada elegância em gravata de
camelos, para o relançamento do Seguro dos
Concessionários Volkswagen...
Canevo Cavano, diretor de cinema, em
demonstração de Tae Kwon Do, para
checar locações para futuros vídeos...
Paulo Lima,
superintendente da
área comercial da
Bradesco Seguros, para
apontar diretrizes do
Seguro de Vida
Prestamista...
Andrea Furuichi Maia, do Planejamento e Programas
de Marketing - Pós-venda da VWB, para conhecer
bem de perto o ambiente da Assobrav...
7
Co nsulta SEBRAE
O QUE É MAIS CUSTOSO: DEIXAR DE
ATENDER UM CLIENTE PELA FALTA DE
PRODUTOS OU ARRISCAR FAZER UM
ESTOQUE MAIOR E ACABAR GERANDO
O TEMIDO ENCALHE?
ESTOQUE É DINHEIRO
O
Por Júlio Tadeu Alencar
que é preciso para ter sucesso no comércio?
Um bom ponto-de-venda, um ótimo atendimento,
produtos variados e de qualidade!
Se você tem tudo isso, mas quando chega ao final
do mês nem sempre conta com resultados
financeiros satisfatórios, pode ter certeza que uma
das causas mais prováveis é que boa parte de seu
rico dinheirinho está repousando no estoque.
Nesse ponto talvez resida a questão que mais
atormenta os empresários do comércio. Afinal, o
que se deve fazer para administrar os estoques? O
que é mais custoso: deixar de atender um cliente
pela falta de produtos ou arriscar fazer um estoque
maior e acabar gerando o temido encalhe?
Para enfrentar este problema, existem diversos
sistemas informatizados acessíveis aos donos de
pequenos negócios que podem ser utilizados como
ferramentas para a realização de uma boa
administração e manutenção de estoques.
Estes sistemas aplicam técnicas e conceitos de gestão
de estoques, possibilitando o planejamento dos
recursos financeiros investidos no estoque de forma
metódica e analítica, levando-se em conta o volume
de vendas passadas, o volume disponível na loja
para venda imediata e o que se espera vender no
período futuro.
8
Estas técnicas de gestão buscam reduzir ou eliminar
as faltas e excessos de produtos. As faltas geram
perdas nas vendas, descontentamento nos clientes e
enfraquecimento do negócio; já os excessos trazem
transtornos e perdas por vencimento do prazo de
validade, além de complicar o fluxo de caixa do
negócio.
Um dos principais erros cometidos pelas empresas
começa na formação do primeiro estoque, onde o
empresário deveria se perguntar constantemente:
• qual é a demanda esperada de vendas? Vou
comprar por experiência ou intuição?
• quanto tempo leva sua reposição? Conheço todos
os meus fornecedores?
• quanto custa perder um cliente por falta de um
produto?
• quanto custa manter o estoque? (lembre-se:
estoque é dinheiro!)
• existe área suficiente para o estoque dos produtos?
Partindo do princípio que estoque é dinheiro,
nenhuma empresa gosta e nem deve mantê-lo
parado.
Saber administrá-lo corretamente é uma forma de
evitar o comprometimento de recursos financeiros da
empresa, além de atingir o ponto de equilíbrio entre
as compras, vendas, recebimento e estoques.
Júlio Tadeu Alencar é consultor do Sebrae-SP
O utloo k
14
O LEITOR UM POUCO
MAIS MADURO CERTAMENTE
LEMBRA QUE ATÉ MEADOS DA
DÉCADA DE 1990, A ÉPOCA DE
LANÇAMENTOS DAS MONTADORAS
ERA NO FIM DE CADA ANO.
OUTUBRO ERA UM MÊS ESPERADO
POR AFICIONADOS, AINDA MAIS A
CADA DOIS ANOS, COM A
REALIZAÇÃO DO SALÃO
INTERNACIONAL DO AUTOMÓVEL
QUE EXIBIA AS NOVIDADES.
PROFUSÃO DE
LANÇAMENTOS
Por Rosângela Lotfi
A
abertura do mercado, a maior competitividade entre as
marcas, o ciclo de vida menor dos produtos e a rápida
evolução tecnológica mudou esse calendário. Hoje, todo mês
é tempo de lançamentos. Estratégia que agrada a alguns, mas
não a todos.
Na última década tornou-se mais comum as montadoras
anteciparem os lançamentos, e o mercado passou a conviver
com uma variedade de combinações entre o ano de produção
e os modelos. A Resolução N.º 498/75 do CONTRAN
(Conselho Nacional de Trânsito), que antes obrigava apenas o
registro do ano/fabricação no Certificado de Propriedade do
Veículo, passou a exigir também o ano/modelo. O Denatran
autoriza que os fabricantes estabeleçam o ano/modelo igual,
imediatamente anterior ou posterior ao ano de fabricação.
Assim, um veículo produzido em 2006 poderá ser
2006/2005, 2006/2006 ou 2006/2007, que é o que
constará na Nota Fiscal e no CRV. O ano/fabricação tem
validade apenas nas questões tributárias, como para a
cobrança de IPVA, por exemplo.
José Rinaldo Caporal Filho, diretor e sócio da
Megadealer, uma consultoria dedicada ao negócio de
concessionárias de veículos, lembra que a percursora
dessa tendência foi a General Motors, quando em abril
de 1993 lançou a primeira geração do Vectra com o
ano/modelo 1994. A Fiat seguiu à risca, lançando os
Fiat Tipo e Tempra. E de lá para cá, em maior ou menor
grau, a estratégia contagiou todas as montadoras.
O mercado de usados teve que se adaptar à nova
realidade e criar regras para a avaliação e
comercialização dos veículos. Vítor Meizikas, gerente de
avaliação da Molicar, explica que os comerciantes de
veículos usados compravam o carro pelo ano/fabricação
e vendiam pelo ano/modelo, o que causava distorções
no mercado e muitas queixas de consumidores, que se
sentiam lesados. O primeiro dono do carro pagou mais
pelo produto, que traz inovações e atualizações, e ao
revendê-lo tende a exigir que esta diferença seja
recompensada. Para dar transparência às negociações,
estabeleceu-se uma praxe, não uma regra: as avaliações
são feitas sempre pelo ano/modelo. “Na prática, para a
avaliação na loja, um carro 07/07 recém saído da
concessionária vai ter seu valor calculado no mesmo patamar de
um veículo 06/07 com alguns meses de uso”, explica. A
aparente desvantagem para o consumidor só ocorre em trocas
muito rápidas e freqüentes. Com maior tempo de uso essa
depreciação tende a se igualar.
“CARRO É UM BEM DE CONSUMO COMO
UMA TV OU GELADEIRA”
A redução do valor de um carro depende dessa e de muitas
outras variáveis, que vão desde o estado em que o veículo se
encontra, passando pela cor e a que segmento pertence.
Veículos básicos, também chamados veículos de entrada, como
15
O utloo k
Marcos Alves
o Gol, Palio, Mille, Celta e Fox, que
responderam por 38% das vendas no
primeiro semestre de 2006 depreciam,
em média, 6% ao ano. Compactos
premium e sedãs médios têm
depreciação maior, cerca de 15%.
Quem determina é a lei do mercado.
O consumidor de zero quilômetro,
além de confuso, fica irado quando
acabou de comprar um modelo e, logo
depois, as montadoras antecipam o
Caporal, da Megadealer
ano seguinte. Teoricamente, tem um
carro novo já desatualizado. “O consumidor olha o ano/modelo
e o fato de ser do ano seguinte é um atrativo extra”, diz
Meizikas. Parte do problema está na percepção antiga, que vê o
carro como investimento e ao comprá-lo já pensa na revenda.
“Isso não vale mais. Carro é um bem de consumo, tal qual um
aparelho de TV ou uma geladeira”, diz Caporal.
Se o cliente não for afeito a novidades, não tiver pressa de ser o
primeiro a comprar a nova linha, não se importar com pequenas
mudanças de estilo e acabamento – a maioria das alterações é
superficial –, pode se beneficiar da estratégia de marketing das
montadoras e da abundância de lançamentos. O preço fica
convidativo e os descontos crescem na mesma proporção que os
estoques das concessionárias convivem com a variedade de
versões do mesmo modelo. O valor fica mais baixo em
decorrência dos bônus das montadoras, das promoções e das
condições facilitadas de pagamento. São artifícios para desovar
os estoques, mas há outras vantagens: dependendo do
16
ano/modelo, pode-se pagar IPVA mais baixo no ano seguinte, já
que o primeiro licenciamento tem alíquota fixa,
independentemente do ano de fabricação. Por fim, as novas
linhas chegam sem abatimento para segurar o preço da
novidade e para não queimar a versão antiga. “O consumidor
precisa ficar atento, pois essas práticas (promoções e
facilidades), quando o mercado está aquecido, podem ser o
indício de que vêm modificações por aí. Se o desconto não for
muito atraente, vale a pena esperar a linha nova, no caso a
06/07”, aconselha o gerente da Molicar.
“O MONOCOMBUSTÍVEL FICA NO ESTOQUE”
Para as montadoras e concessionárias, só o fato de ser
anunciado como lançamento já é um apelo que impulsiona as
vendas. “É saudável e estimula as vendas”, afirma Caporal. O
marketing tende a tornar obsoleto o que já existe, mas há outros
apelos para colocar essa estratégia em ação: em um mercado
competitivo como o brasileiro, campanhas publicitárias,
lançamento para a mídia especializada (que gera propaganda
espontânea e gratuita) destacam o modelo em relação aos
concorrentes e chamam a atenção do consumidor. Por isso,
muitas vezes, antes mesmo do carro estar disponível,
informações e imagens disputam a atenção da imprensa,
despertando o desejo de compra em alguns e adiando – à
espera da novidade – a decisão de compra de outros. Pesam
nessa estratégia volumes de venda, o segmento de mercado em
que o carro está inserido, a atualização tecnológica e outros. A
adequação dos motores monocombustíveis para flex fuel, por
exemplo, inaugurou o calendário 2006. As montadoras
Marcos Alves
correram para atualizar os
modelos que não contavam com
esta opção. Na metade de
fevereiro, a Citroën apresentou
seu lançamento mais importante
do ano: o C3 1.4i Flex, com
motor bicombustível. Em março
foi a vez da Volkswagen lançar o
Meizikas, da Molicar Golf 1.6 Total Flex. Os flex, em
julho passado, respondiam por 76,6% de participação de
mercado. “Hoje, modelos monocombustíveis encalham nos
estoques”, explica o gerente da Molicar.
Novidades, carros inéditos de fato, movimentam seus
segmentos, como aconteceu com o lançamento do novo
Vectra (linha 2006), em outubro do ano passado. Depois
dele, o mercado brasileiro de sedãs médios e grandes
ganhou vida nova. A Honda começou a importar o Accord
do México, depois atualizou o Civic, provocando a dança
das cadeiras da liderança no segmento. Com eles
concorrem, ainda, o Toyota Corolla e as novidades Peugeot
307 Sedan, Renault Mégane, Ford Fusion e os Volkwagen
Jetta e Bora.
“Consumidores de carros básicos são sensíveis a preço
(R$ 200,00 no preço final pode motivar até mudança de
marca) e gostam que os veículos sejam consagrados. Já
quem compra carros médios e de luxo gosta que sejam
atualizados em relação a design e tecnologia. Apreciam o
status e, como trocam de carro a cada um ou dois anos de
uso, compram novidade”, analisa Meizikas.
Na outra ponta, as montadoras pensam (ou deveriam
pensar) muito antes de tornar obsoletos veículos de entrada.
“Inovações custam e têm que ser repassadas ao preço. Em
um país onde 80% da população não têm acesso a veículos
0KM, será que os carros populares têm que se tornar
obsoletos o tempo todo ou deveriam ganhar escala e, assim,
ser acessíveis a mais pessoas?”, questiona Caporal.
O QUE VAI TER NO SALÃO
Com o calendário às avessas, até outubro as montadoras
põem o pé no breque e guardam as novidades esperando
pelo Salão Internacional do Automóvel. O 24º Salão
acontecerá entre 19 a 29 de outubro, no Anhembi, em São
Paulo. Trata-se de um megaevento que contará com 400
veículos expostos, de 31 marcas. Mas com tantos
lançamentos sobram novidades para mostrar? Os especialistas
ouvidos acreditam que, neste cenário, o Salão perde e deixa
de ser atrativo para o público. “Continua a ser uma
ferramenta de marketing importante para os fabricantes, mas
sem novidades diminui a importância para o público”, analisa
Rinaldo Caporal. Nos Salões internacionais, de relevância
mundial, as matrizes das montadoras mostram show cars,
protótipos futuristas que o público gosta de ver, e que
raramente chegam ao Brasil.
Para as montadoras o evento não perde a importância, pois
há muito é utilizado para trabalhar a imagem institucional
da marca, para aproximar-se do consumidor, testar a
aceitação de novas cores e componentes e mostrar novas
tecnologias que agreguem valor. Por isso as especulações
continuam. O que as montadoras vão exibir? A Volks já
anunciou o Polo reestilizado, o cupê Eos que é a grande
sensação do momento na Alemanha e, entre outros, o
Passat e o Passat Variant com motor 2.0 FSI Turbo de
200 cavalos de potência e transmissão automática
Tiptronic com 6 velocidades. Produzido em Endem, na
Alemanha, tem design reformulado com as
características da nova identidade da marca. Já o Eos,
produzido em Portugal, é resultado do carro-conceito
Concept C e tem capacidade de se transformar de cupê
em cabriolet em segundos. Ambos devem chegar ao
Brasil em 2007.
17
Capa
“
NÃO HÁ NADA
COMO O TEMPO
”
PARA PASSAR
20
stock.xchng
“VINÍCIUS DE MORAES”
Por Francesca Tortoriello
O
dos tempos, o homem
começou a construir medidores do tempo. O primeiro
relógio de que se tem notícia remonta ao século XXXI
aC (3.000 a.C). Era um relógio de Sol, o primeiro
Gnomon. Relógios são tão importantes para o Homem
que ele os recria sobre o mesmo princípio milenar
continuamente. Luxuosos, esportivos, práticos, grandes,
redondos ou quadrados, com mais ou menos funções,
eles são, sim, um objeto de adorno, uma demonstração
de status, mas jamais perderam sua função original:
medir o tempo.Tempo que merece rápidas olhadas ao
pulso quando estamos ansiosos, e espaçadas quando
gostaríamos que aquele tempo, aquele momento em
particular, não terminasse nunca. Sobre isso, resumiu o
impagável Einstein, gênio da Física, ao tentar explicar
em palavras pobres sua Teoria da Relatividade:
“Quando você está cortejando uma moça simpática,
uma hora parece um segundo. Quando você se senta
sobre carvão em brasa, um segundo parece uma hora.
Isso é a relatividade.” “A Teoria da Relatividade
demonstra que próximo a um corpo material o tempo e
o espaço são deformados. Quanto maior for a massa
desse objeto mais deformados estarão o espaço e o
tempo, isto é, ambos, espaço e tempo, são relativos ao
observador e às condições do universo”, explica o
professor da Universidade Mackenzie, Sérgio Szpigel,
doutor em Física e pós–doutorado pela Universidade de
Ohio, EUA.
VIAJAR NO TEMPO CONTRA O
RELÓGIO
É por certo a fugacidade da vida, o fim do tempo de
cada indivíduo, que faz do tempo uma preocupação
constante para todos nós. Já disse Santo Agostinho (354
– 430), doutor da Igreja Católica, em sua obra “As
Confissões”, que discutir sobre o tempo é algo muito
complicado, pois o tempo parece ser, quando não
tentamos discorrer sobre ele, algo simples, que todo o
mundo conhece, porém basta tentar teorizar sobre ele
Marcos Alves
O verso do poema
“O dia da Criação”,
também conhecido
passar do tempo e o
como “Porque hoje tempo futuro atormentam o
ser humano praticamente
é sábado”, do
multimídia Vinícius desde que ele se viu no
de Moraes, é apenas mundo e constatou os
mais uma reflexão movimentos cíclicos do sol,
sobre o tempo e sua que, de tanto em tanto, nascia
e morria, ininterruptamente.
democrática e
Tanto é que desde o início
implacável força.
para que nos vejamos diante de uma grande confusão. E
assim é. Para o esportista, segundos fazem a diferença entre
o pódio e o segundo lugar. Para os pensadores, a
contemplação e a reflexão podem durar dias até que um
conceito ou pensamento acabado venha à tona. Para a
mulher bonita de meia-idade, o alento é que as mais jovens,
um dia, terão a mesma idade que ela. O tempo, inexorável,
passa para todos, ricos e pobres, jovens e velhos, felizes e
infelizes, do mesmo jeito, no mesmo tempo. A única coisa
que não sabemos é qual é o tempo que teremos aqui na
Terra. Isto é, quanto de vida terrestre o acaso, o destino ou
o Criador nos deu. E é por saber de nossa finitude que nos
debatemos contra o tempo que passa e nos interessamos por
novas teorias da Física que apontam outras dimensões onde
o tempo seja “compreensível” e não mais apenas uma flecha
que corre para frente. “Define-se o tempo em Física a partir
da medida do tempo. A Teoria da Relatividade Geral e mais
21
stock.xchng
stock.xchng
Capa
tarde a Mecânica Quântica quebraram os paradigmas da
Física Clássica, elaborada por Newton, que diz: espaço e
tempo são absolutos, existem independentemente. A
Mecânica Quântica abole o conceito de trajetória dos
objetos deslocados no espaço. Para ela, na estrutura
microscópica da realidade encontram-se partículas de
energia que aparecem e desaparecem alucinadamente e
a medida desse fenômeno é o que aparece para nós. Por
isso, o tempo para a Quântica é completamente
diferente. Não há distinção entre o tempo ir para frente
ou para trás. A concepção de que o tempo é uma seta
que segue sempre em frente é um condicionamento
aceito pela nossa compleição mamífera, seres não
aparelhados biologicamente para perceber uma
realidade diferente das três dimensões – altura, largura e
profundidade – e o tempo que flui, definidos por
Newton e a Física Clássica”, diz Szpigel.
O FIM DOS TEMPOS
É também para suplantar nosso tempo de vida que
depositamos todas as esperanças numa outra vida após
a terrena e nos preocupamos em conhecer a História,
porque, afinal, é mais fácil aceitar e entender a glória e a
queda do Império Romano do que o começo, o meio e
o fim da nossa própria história. “É mais fácil pensar no
fim dos Tempos do que no nosso fim, porque por mais
que tentemos não temos a experiência da morte”, diz o
psicanalista lacaniano, Marco Antonio de Araújo Bueno,
doutorando em Educação, Conhecimento, Linguagem e
Arte pela Unicamp.
Estudar, criar, construir, viajar, transcender. Tudo isso
que move o Homem, que o faz acordar de manhã e sair
22
da cama, esquecendo-se dos inúmeros riscos a que está
exposto e do fato que “para morrer basta estar vivo”, é a
necessidade que ele tem de fazer parte do Todo, de
pertencer efetivamente a este misterioso universo, de dar
sua contribuição à História da humanidade, de sobreviver
à própria morte.
“A única fusão possível entre o tempo histórico – que é o
tempo que corre apesar da gente – e o tempo subjetivo,
que é o nosso tempo, é a arte, porque ela sobrevive aos
autores. O Homem fica imortal quando opera sobre a
realidade, até mesmo na tentativa de aliviar a opressão de
estar condenado ao tempo. Esse é o grande motor da
existência humana, e o conjunto do Todo sublimado é a
cultura”, referenda Bueno.
A DITADURA DO RELÓGIO:
UMA CONVENÇÃO
Ironicamente, para fazer jus ao tempo, que acaba sendo
sempre exíguo, o homem perde tempo. Se estressa,
desperdiça energia, é pouco produtivo, ansioso, atrasado
crônico, notívago, ou, de outro lado, mas igualmente
problemático, acelerado, centralizador, workalcoholic.
Um sem fim de adjetivos complementam diferentes
personalidades e personagens que todos nós conhecemos.
Todo mundo tem um amigo que apesar de usar relógio
não consegue chegar no horário a nenhum compromisso.
E todo mundo conhece alguém que prefere trabalhar à
noite. Há também aqueles altamente produtivos, que
excedem suas funções, adotam as tarefas dos outros,
obcecados, atemorizados constantemente com o fato de
que “não vai dar tempo” e se dilaceram varando
madrugadas para entregar o trabalho no prazo, quando,
Celso de Meneses
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de repente, o chefe diz: “Ok, pode ficar
para a semana que vem”. É aí que o
altamente produtivo, que também não
prima pelo equilíbrio emocional,
desabafa: “perdi tempo; trabalhar em
equipe e depender dos outros é mesmo
uma....”. Mas, afinal, o que o leva a correr
tanto, a ser o certinho do escritório, o cdf
do MBA?
Se o tempo, entendido como segundos,
minutos, horas, dias, meses e anos é uma
convenção acordada entre os homens, ela
pode ser mudada conforme a necessidade
Marco Bueno:
e a conveniência. Tanto o físico, quanto o
"Para a psicanálise,
psicanalista e o historiador são unânimes
o tempo
não existe".
em concordar que esse tempo dos
homens é uma convenção, e que de certa
forma somos todos escravos do relógio.
“Estamos presos à ditadura do relógio, que é uma herança
flexibilidade em relação aos horários que os funcionários
da era industrial”, ironiza o professor Sergio Szpigel, para
devem cumprir. Esta nova ordem tem a ver,
quem, como físico, definir o tempo é mais ou menos como
evidentemente, com as vantagens e desvantagens trazidas
perguntar a um peixe o que é a água. “Para o peixe que
pela internet, já que a tarefa de responder e-mails e as
nasceu na água e sempre viveu circundado por ela é muito
freqüentes conference calls com as matrizes no exterior
difícil perceber esse ambiente. Assim é para a Física a
implicam em trocar o dia pela noite para um crescente
descrição do tempo. O que é o tempo a Física não
número de profissionais. Além disso, já é mais bem
responde. A Física é capaz de fazer uma descrição muito
aceita, seja pelo RH das empresas, seja pelos colegas, a
boa do que está acontecendo e por isso é impossível para ela
irregularidade de horários dos profissionais que
dissociar o tempo do espaço. Eles vêm juntos”.
trabalham em campo como contatos e vendedores ou os
chamados criativos – publicitários, jornalistas e
marqueteiros.
“O INCONSCIENTE NÃO CONHECE
Mas não só os executivos têm a permissão de subverter o
TEMPO NEM NEGAÇÃO”
tempo convencionado. O atraso — traço nem sempre
“O tempo é uma convenção judaico-cristã, tanto que
justamente outorgado aos brasileiros — começa a ser
quando a gente sonha, sonha apenas segundos, mas quando
tolerado nas grandes capitais, onde o trânsito quase
vamos contar o sonho a alguém, esse relato pode durar
sempre é o causador de atrasos
horas e ser riquíssimo de detalhes. Não
involuntários, porque ao já exagerado
há nenhuma relação entre o tempo do
volume de carros e acidentes que
relógio e o tempo do sonho. Por isso,
congestionam as ruas, somam-se ainda
para a psicanálise a questão do tempo
as greves do transporte coletivo e
não existe, já que o inconsciente não
manifestações públicas nas principais
conhece tempo nem negação”,
avenidas, transformando tudo num
acrescenta o psicanalista Marco Bueno.
verdadeiro caos. E lá se vêem os
Talvez tenha chegado o tempo de a
trabalhadores nas intermináveis filas dos
sociedade mudar mais algumas
pontos de ônibus, que não chegam, e
convenções, e as premissas do tempo
caminhando pelas ruas em grupos,
útil, do tempo produtivo, podem ser
empreendendo a jornada para o
algumas delas. Depois de terem
trabalho a pé. Resignados afinal, porque
aderido aos horários estendidos,
não há nada a fazer diante do caos.
trabalhando inclusive aos domingos, já
se percebe nas empresas maior
23
Capa
O HORÁRIO BIOLÓGICO
DE CADA UM
Marcos Alves
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O caos nos tira a culpa pelo atraso, pela procrastinação,
palavra feia que significa adiar, transferir para outro dia,
característica comum a todos os seres humanos e que
acaba comprometendo ainda mais o nosso tempo.
Por fim, sem mais elucubrações filosóficas, cabe dizer
que, convenção cultural ou não, o tempo de que hoje
dispomos precisa ser administrado, sob pena de não
termos tempo para fazer tudo o que precisamos. E,
como o dito popular “tempo é dinheiro” é bem
verdadeiro, os administradores versados em
produtividade alertam que administrar o tempo não é
programar as tarefas pessoais e profissionais nos
mínimos detalhes, mas ter o controle sobre elas. É
preciso, sim, planejar a execução das coisas conforme
sua importância, mas é fundamental ser flexível a ponto
de interromper uma tarefa e dedicar-se a outra quando
a emergência aparece. Uma coisa importante é diferente
de uma coisa urgente.
Para ser o mais produtivo possível, o melhor é
descobrir qual é nosso horário biológico, isto é, quando
estamos mais dispostos, mais alertas, mais “a fins“ de
trabalhar. Identificando a duração desse período, que
podem ser três ou quatro horas, pela manhã, à tarde, à
noite ou na madrugada, a recomendação dos
consultores é que a pessoa se dedique de corpo e alma
ao que precisar fazer, sem interrupções. Naturalmente,
24
Szpigel: "Para a Física, o tempo é
como a água para o peixe".
estamos falando da tarefa mais importante a seu
encargo. Coisas rotineiras, como correspondência,
telefonemas, e-mails e recados devem ser feitos em uma
hora, no máximo, fora do seu “horário biológico”. O
problema é que quando temos algo bem importante
para fazer, em geral ele é difícil, demorado e tem prazo
de entrega. Nossa tendência natural é adiar essa tarefa e
ocupar nosso horário biológico para lidar com a rotina,
algo que estamos acostumados a tirar de letra. Porque
inconscientemente temos medo de encarar o trabalhão,
que precisa ser bem feito, e que no caso dos
perfeccionistas torna-se um verdadeiro pesadelo, já que
nunca se sentem suficientemente bem informados e
capacitados para realizar a tarefa. No fundo, trata-se de
ter horror ao fracasso, que para evitá-lo só há duas
maneiras. Ou partimos para ação – e os estudos
demonstram que as pessoas de maior sucesso são as
que tratam o mais rápido possível das tarefas difíceis ou
desagradáveis - ou para a imobilidade. Se não fizer
nada, não vou errar. É o caso típico do funcionário que
passa totalmente despercebido na empresa,
mimetizando-se nas paredes e esgueirando-se por
corredores, mas que mais dia, menos dia, acaba
puxando o próprio tapete. É como diz o célebre ditado,
a propósito, sobre o tempo: “Pode-se enganar a todos
por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o
tempo; mas não se pode enganar a todos todo o
tempo...”
A Passeio
Um pedaço belo e frio do planeta. À primeira vista, um
lugar inospitaleiro e árido cuja luz transparente
contorna, de modo sutil, colinas arredondadas, picos
pontiagudos e glaciais azuis anis. Um lugar que
convida à paz e à reflexão até que um vento
inclemente nos chama a sair desse torpor e caminhar.
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VIAGEM AO FIM DO MUNDO
28
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Quem anda vê o que há de mais belo nos cenários naturais: vastas
planícies verdes das estepes, os rios e lagos de água azulada formados
pelo derretimento da neve das montanhas e, principalmente, glaciares.
Estamos falando da Patagônia, ao sul do continente americano, quase
no fim do mundo. O lugar que foi fundamental para Charles Darwin
formular a Teoria da Evolução das Espécies, no século 19.
A Passeio
Disputa por rochedos gelados
A
imensa área de 800.000 km2, ao sul da
Cordilheira dos Andes, encravada nos territórios da
Argentina e do Chile, limitada ao norte pelo Rio Colorado,
ao sul pelo Estreito de Magalhães, a oeste pelo Oceano
Pacífico (daí os fortes ventos que caracterizam a região), e
a leste pelo Oceano Atlântico, a Patagônia é um lugar para
todos os estilos, gostos e bolsos.
Para os aficionados por esportes de aventura - adrenalina
pura – as paisagens surreais e exuberantes são o cenário
perfeito. Recebem na alta temporada – de novembro a
março – uma quantidade imensa de visitantes que
praticam trekking. Entre maio a outubro, na temporada
fria, as caminhadas são restritas aos mais determinados e
preparados, pois tornam-se um severo desafio diante da
hostilidade da natureza.
As opções não se restringem a esta modalidade: escalada,
mountain bike, rafting, canoagem, cavalgada, expedições
off road e esqui.
Para casais enamorados, simpatizantes do sossego,
amantes da leitura à beira da lareira e os fãs da boa mesa,
há outras tantas atrações. Esses encontram na Patagônia
cidades bem estruturadas, estações de inverno de nível
internacional, pousadas charmosas e estâncias – antigas
fazendas produtoras de lã de ovelha que exploram o
turismo rural – simplesmente encantadoras.
30
Próximas entre si, as “Patagônias” Argentina e Chilena são
diferentes e isoladas do resto do mundo. Em comum formam
uma das regiões menos densamente povoadas do planeta: menos
de dois habitantes por km2. O lado argentino é dividido em três
regiões: Patagônia Andina, que é a área montanhosa, Patagônia
Central, dominada pelas planícies, e Patagônia Atlântica, uma
costa marcada por penhascos. O lado chileno é dividido, ao
Norte, na província de Aisén, onde fica a Laguna San Rafael e a
estrada Carretera Austral, e ao Sul, na província de Magalhães,
onde fica o Parque Nacional Torres del Paine. Ambas formadas
por uma região montanhosa coberta por campos de gelo e uma
costa bastante entrecortada, composta por inúmeros canais,
fiordes e ilhas.
A porção mais famosa fica na Argentina. Cidades como Bariloche,
San Martin de Los Andes e Pucón, próximas a lagos e vulcões,
ideais para a prática dos esportes de neve, assim como a
igualmente celebre Terra do Fogo, estão entre as mais badaladas.
Já a Patagônia chilena é diferente, e isto graças ao seu isolamento
geográfico, no extremo do território. Encravada entre os campos
de gelo da Cordilheira dos Andes e o gelado Mar de Drake – que
separa a América do Sul da Antártida – essa porção, em termos
geológicos é uma espécie de ilha. O isolamento garante paisagens
raras, cultura e meio-ambiente preservados.
Em dezembro de 1978, Chile e Argentina quase se envolveram
em uma guerra. Disputavam três pequenas ilhas – Lennox, Picton
e Nueva –, na realidade, três rochedos estéreis no Canal de Beagle
(batizado com o nome da embarcação que levou Darwin à
região), cuja posse era considerada estratégica. Uma tempestade,
comum na região do Cabo Horn, impediu que os navios saíssem
dos portos para guerrear e deu tempo para que uma negociação
mediada pelo Papa João Paulo II evitasse o conflito. As tropas se
desarmaram, mas até hoje, no extremo sul dos dois países,
existem campos minados instalados por ambos os exércitos nas
áreas de fronteira. Na intimidade cotidiana, ambos os povos
deixaram a rivalidade de lado e transformaram o limite dos países
em mera formalidade. Há rusgas e pequenas disputas entre os
dois lados. Uma delas envolve o sugestivo título de “o lugar
habitado mais austral do planeta”.
O ponto extremo
Nesta disputa, estão pelo lado argentino, Ushuaia e, no lado
chileno, Puerto Williams.
A cidade chilena é uma base naval, com menos de 2 mil
habitantes e certamente foi declarada município pelo governo
para vencer a contenda geográfica. Já Ushuaia, no lado argentino,
é uma elegante cidade de quase 80 mil habitantes e muitas
atrações turísticas. Independente das paixões de um lado e do
outro, o lugar habitado mais austral do mundo – com exceção da
Antártida e suas bases de pesquisa – é chileno, sim, e está ainda
mais ao sul de Ushuaia e Puerto Williams. É o Cabo Horn, o
ponto extremo da Patagônia e de toda a América do Sul.
Com os Andes pelas costas, o Oceano Pacífico de um lado, o
Atlântico do outro e a Antártica à frente, o Cabo Horn abriga
apenas um farol, o chamado “farol
do fim do mundo”. Além dele,
existe a natureza selvagem e a
família do militar da Marinha
chilena que cuida do lugar. É um
belo monumento de aço em forma
de albatroz, utilizado para orientar
os navegantes. No passado, antes
do GPS e de toda a tecnologia, o
clima e os ventos de até 200
quilômetros por hora açoitavam os
aventureiros. Há mais de 100
navios naufragados naquelas águas. A bordo de um navio, o
Mare Australis, de bandeira chilena é possível conhecer o belo
e temível Horn. Há cruzeiros que partem de Punta Arenas a
Ushuaia, e vice-versa, avançando pelo estreito de Magalhães
(passagem que liga os oceanos Atlântico e Pacífico, batizada
com o nome de Fernão de Magalhães, o primeiro navegante
que descobriu o estreito e circunavegou o mundo) e passando
pelo cabo Horn. No passeio, os turistas podem observar
enseadas, baías, fiordes e bancos de areia.
Frio mesmo no verão
Ushuaia é a capital administrativa e executiva da Ilha Grande
da Terra do Fogo, assim batizada pelos primeiros exploradores
que ao aproximar-se da terra avistavam as fogueiras acessas
pelos índios. Está localizada no extremo sul do continente
americano separado da massa continental pelo Estreito de
Magalhães. Não é a cidade mais austral do Planeta, embora
ostente o título de “Cidade do Fim do Mundo” por vaidade
dos argentinos. De qualquer forma, é o orgulho dos locais,
com sua estação de esqui, uma das mais modernas dos Andes.
No inverno, os vales cobertos de neve convidam à prática de
esqui de fundo, snowshoeing (caminhada na neve utilizando
uma espécie de raquete sob o calçado para impedir que se
afunde na neve), e também a passeios com trenós de
cachorros, motos especiais e até escaladas em cachoeiras
congeladas. Para completar a diversão, existem ainda os
cassinos, hotéis de luxo, um bom centro de compras,
aeroporto e, por ser o ponto de partida para o Parque
Nacional da Terra do Fogo, uma rica área natural protegida e
o único Parque Nacional com litoral marítimo.
Por sua latitude e proximidade com a Antártida, Ushuaia é
um lugar frio. No verão, as temperaturas variam entre 12 a -2
º C. A cidade fica aos pés de um grupo de montanhas,
invariavelmente, cobertas de neve e à sua frente o canal de
Beagle, que separa a Argentina das ilhas chilenas. Ali o turista
poderá conhecer e caminhar por um bosque de Lengas –
árvores de tronco retorcido e
esbranquiçados que vivem cheias
de cipós. O trekking é comum nas
trilhas que percorrem a cordilheira
que cerca a cidade. Um dos
passeios vai até o Glaciar Martial, a
4 Km do centro. Através de um sinuoso caminho,
chega-se ao cordão Martial e ao teleférico. Após
um percurso de 1.100 metros, alcança-se a estação
base. A partir desse ponto, avista-se, de um lado, o
Canal Beagle, do outro, a geleira. Continuando a
pé, por quase 2 horas, chega-se à massa de gelo
propriamente dita.
Na alta temporada, de novembro a março, é
possível fazer um cruzeiro de catamarã para
conhecer o Canal de Beagle, a cordilheira Darwin
e o farol de Ushuaia. Além disso, pode-se visitar a
colônia de Pingüins de Magalhães na ilha Martillo
e outras ilhas, sem desembarque, para observar lobos marinhos e
cormoranes. Mas se toda essa contemplação deixar o visitante
cansado, é possível partir em expedições com veículos off road
através da cordilheira Darwin e visitar os lagos Fagnano e
Escondido em uma trilha que inclui a travessia de trechos
alagados.
A montanha que fuma
Ainda na Patagônia Argentina, vale a pena visitar as cidades de El
Calafate e El Chaltén, na província de Santa Cruz. Em El Calafete
está o gigantesco Parque Nacional Los Glaciares, e a 80 km da
cidade, o mais famoso deles, o Perito Moreno, com 5 km de
frente e 60 m de altura, um dos únicos que não pára de se mover
e protagoniza estrondosos espetáculos diários de
desmoronamento. Além de ver (e ouvir) o “show”, o turista pode
fazer uma caminhada sobre o gelo do glaciar.
El Calafete é uma aconchegante cidade turística. Ali chegam os
vôos que partem de Buenos Aires, por isso há muitas opções de
hospedarias e restaurantes. Distante dali, 40 km, o visitante pega
uma embarcação para Porto Bandera e passa pelo glaciar Upsala,
o maior da região, com 600 km2, e por vários icebergs,
branquíssimos pedaços de gelo que se soltaram dos glaciares e
bóiam sobre o lago. Vale visitar também a Península Valdes
(Puerto Madryn), uma das reservas ecológicas mais procuradas
na Argentina.
A 220 km de El Calafate, já em terra firme, os ambientes
selvagens mais surpreendentes estão em El Chaltén, uma
pequena cidade recém descoberta por turistas, com opções de
albergues para mochileiros e hotéis requintados. El Chaltén
significa “montanha que fuma” na língua dos índios telhuelches.
Era assim que eles chamavam o Fitz Roy (nome do capitão da
embarcação HMS Beagle que levou Charles Darwin à região). A
montanha de 3.445 metros se destaca na cordilheira que rodeia a
cidadezinha e que vive com fumaça em volta do pico. Para
chegar ao mirante próximo de sua base é preciso caminhar por
um ou mais dias. As trilhas beiram lagos e rios e cruzam as
florestas de Lengas. Na temporada fria, os mais
determinados são premiados com uma bela luz
de inverno que doura as árvores cobertas de
neve e os lagos congelados. Nesse caso, a
caminhada exige o uso de grampos especiais
que ajudam as botas a grudar no gelo.
31
A Passeio
A PATAGÔNIA QUE EU VI
Por Paulo Altenfelder Santos
A decisão foi rápida, mas planejada. Em dezembro de 2002,
O lugar mais bonito do mundo
No Chile, um dos lugares mais belos é o Parque Nacional
de Torres del Paine, criado em 1959 e declarado “Reserva
da Biosfera” pela UNESCO. O parque é considerado um
paraíso para os amantes da fauna e flora, com seus lagos
azul-turquesa e o imponente maciço de Paine, que esconde
uma das maiores reservas de condores da América. Ali é
possível cruzar, em um bote, o lago Pehue com destino ao
acampamento do mesmo nome, caminhar de três a quatro
horas no gelo por entre as fendas da geleira Grey e
hospedar-se em um acampamento com toda infra-estrutura
e completamente integrado à natureza.
O parque situa-se na pequena e pacata cidade de Puerto
Natales, no extremo sul do Chile. Mas o entorno de Natales
oferece muitos mais destinos além de Torres del Paine.
Trilha leves, como a que se faz entre Puerto Prat e a estância
Consuelo, contornando o canal Señoret, ou mais pesadas,
que exigem preparo físico como a trilha dos Alacalufes. Mas
a caminhada mais famosa da região é mesmo o circuito ao
redor de Torres del Paine, que requer bom preparo físico e
planejamento responsável. São sete dias a pé, pernoitando
nos refúgios franciscanos.
Ao redor de Puerto Natales, as montanhas, os fiordes e as
geleiras dominam a natureza. Há pelo menos uma dezena
dessas massas de gelo que há milhões de anos, com seu
movimento de vaivém, esculpem a topografia da região com
o esmero de um artista. Tudo isso faz de Puerto Natales e
do Torres del Paine o lugar mais bonito do mundo, de
acordo com uma pesquisa internacional de turismo
ecológico realizada nos anos 90.
32
Serviço e fotos:
Pisa Trekking Viagens e Turismo
Al. Dos Tupiniquins, 202 – Moema – SP
Tel. (11) 5052- 4085
www.pisatrekking.com.br
reuni meus três filhos e convidei duas sobrinhas. Com minha
mulher, éramos sete na Toyota SW 4. Malas, barraca e alimentos
foram acomodados na capota. Tudo armado, saímos para a
aventura. Percorremos 12 mil quilômetros em 30 dias, entre ir e
voltar. Partimos de São Paulo e fomos descendo em direção à
Argentina. O espetáculo de acompanhar a Cordilheira dos Andes é
indescritível. A região é belíssima, cheia de lagos, geleiras e
parques. Aliás foram os parques nossas moradas. Conhecemos
todos os parques nacionais, e ali acampávamos para recuperar
energias. Durante esse trajeto que percorre os parques é
freqüente encontrar grupos de pessoas fazendo caminhadas, e
por isso a região torna-se ainda mais interessante. Chegamos a
Bariloche no dia 31 de dezembro e festejamos lá o ano novo,
com tudo o que tínhamos direito. Foi nossa única parada com
grande conforto. Logo depois retomamos a estrada e seguimos
para Ushuaia. Essa
região que vai em
direção ao Oceano
Atlântico é um grande
platô desértico. São
quilômetros e
quilômetros no meio do
nada, mas mesmo assim
impressionante. Há algo
de inóspito e
misterioso nos desertos
que nos encanta
também. Na volta,
beirando o Atlântico, a
estrada permite ver paisagens e freqüentadores inusitados. São
ilhotas repletas de animais marinhos, como é o caso da Península
Valdez com seus leões e elefantes marinhos, e outras que
abrigam focas e simpáticos pingüins. Para as crianças foi uma
diversão única. Tanto que ao chegar ao Brasil foram convidadas a
escrever suas impressões sobre a Patagônia para a Folhinha, do
jornal Folha de São Paulo. A matéria, assinada por meus filhos
Flávia e Fernando, à época com 12 e 9 anos, mostra o quanto
ficaram impressionados. Eles falam dos fortes ventos que
dificultavam a montagem da barraca e faziam a gente dobrar o
corpo para trás, mas principalmente da oportunidade que tiveram
de ver animais diferentes como o pica-pau-de-cabeça-vermelha, o
condor, os guanacos – um tipo de lhama - e até um puma, além
de todos os animais marinhos que reinam absolutos naquela
paisagem.
Enfim, a viagem, além de fascinante do ponto de vista turístico e
cultural, foi também emocionante, enfrentando estradas de pedra
com ventos fortíssimos e longos trechos desérticos. Sem dúvida,
um aprendizado para os mais jovens e uma recordação
inesquecível para todos.
Paulo Altenfelder Santos
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“O SACA-ROLHAS”
Se você é daqueles que não tem um sabre bem
DVD PLAYER
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36
afiado e nem a habilidade de abrir uma garrafa de
vinho desse modo milenar, isso não quer dizer
que o ritual ficará desprovido de charme. A
Screwpull, empresa do grupo francês Le
Creuset, líder na fabricação de panelas
de ferro fundido e esmaltados utensílios de cozinha que são ícones e
sonho de consumo de muitos
gourmets -, traz ao mercado
brasileiro o LM-400: um sacarolhas nada prosaico. A
tecnologia é espacial. Seu
inventor, um engenheiro
americano, fabricava máquinas
para indústria petrolífera e espacial. O design é futurista,
privilegiando a ergonomia. Fabricado com uma liga de metais
(cobre, zinco e alumínio) tem espiral revestida em teflon que
desliza ao penetrar a rolha, sem machucá-la, removendo-a intacta.
Dentes que se fixam à rolha facilitam ainda mais a extração.
Para baixo e para cima. Com esses dois movimentos da alavanca é
possível tirar qualquer tipo de rolha, inclusive as sintéticas. Ajustase a todos os tipos de gargalo, reduzindo o risco de danos e o
contato com o vinho. Conta ainda com um corta-cápsula acoplado.
Um modo fácil, prático, charmoso e elegante de se extrair uma
rolha. Disponível nas cores preto-metalizado e cromo-satinado.
Preço sugerido: R$ 593,00
Onde encontrar: Raul’s (Shopping Iguatemi SP) e
www.screwpull.com.br/lojas.htm
LANÇAMENTO: O NOVO
MACBOOK DA APPLE
Aguardado por uma legião de
macmaníacos e aspirantes, já está nas
lojas o novo notebook da Apple, o
MacBook: o equivalente ao Porsche dos
computadores portáteis, com processador Intel Core Duo. Em linguagem
leiga: cinco vezes mais rápido que o iBook anterior. Com o MacBook se
divertir ou trabalhar com aplicativos gráficos, além de ágil, é fácil graças
ao iLife '06, um pacote de recursos para criar e compartilhar fotos em alta
resolução; DVDs, músicas e podcasts. Para colocar tudo na web é só
arrastar e colar. Como todos os produtos da Apple, o design é um capítulo
à parte: ele é fino – 2,57 cm de espessura – tem capa de policarbonato e
o teclado é encaixado no gabinete, proporcionando um toque firme. E não
se preocupe caso tropece no fio. Ele possui uma conexão magnética ao
invés de física e o fio simplesmente se desconecta. A tela é widescreen
(diagonal) mais brilhante e a área 30% maior. O tamanho:13,3”.
Quando cansar de utilizar os aplicativos da Apple é só acessar o BootCamp
e usar o Windows. A conexão é wirelless.
Preço sugerido: entre R$ 4.999 a 6.599 (dependendo da configuração). Disponível nas
cores preto e branca. Onde encontrar: Fnac; saraiva.com.br
Liv ro s&Afins
UMA ANÁLISE CRÍTICA DO
CAPITALISMO GERENCIAL
O
“
Novo Jogo dos Negócios”, de Shoshana Zuboff e James
Maxmin (Editora Campus) é considerado um livro visionário,
fundamental para entender os anseios dos consumidores, a nova
natureza do consumo e o novo mercado que surgirá daí.
Shoshana é catedrática da Harvard Business School, e Maxmin foi
CEO da Volvo. Casados, empreenderam a aventura
comum de compreender a questão expressa no
subtítulo do livro: “Por que as empresas estão
decepcionando as pessoas e a próxima etapa do
capitalismo”. Para isso, mergulharam fundo em
diversas áreas do conhecimento como história,
psicologia, sociologia e economia. Partindo da
premissa que as pessoas mudaram mais do que as
empresas das quais depende seu bem-estar
(consumo e renda), os autores descrevem o
abismo, o estresse, a frustração e a fúria que
advém dessa relação. Para eles, nos últimos 100
anos, desde que Henry Ford descobriu a possibilidade de um novo
tipo de convergência entre os desejos dos consumidores, os
recursos tecnológicos, as inovações organizacionais e criou a
produção em massa, as empresas trabalham com os mesmos
pressupostos. “Essa lógica empresarial, baseada no capitalismo
gerencial, foi inventada para a produção e distribuição de bens.
Não foi facilmente adaptada à oferta de serviços. Porém, nem as
mercadorias nem os serviços suprem adequadamente as
necessidades dos mercados atuais”.
Não espere a proposta de vários outros livros de negócios:
soluções para os sintomas e não para as causas. “O Novo Jogo
dos Negócios” é um estudo profundo, abrangente. Com linguagem
agradável e instigante, examina uma profusão de pesquisas,
estudos acadêmicos, fornece números e estatísticas e, com esses
dados, realiza uma análise crítica do capitalismo gerencial. Não
um manifesto contra, mas a favor de uma nova ordem nos
negócios e na sociedade. Também não é um livro de consultor
que aponta os problemas e pronto. O leitor disposto a
destrinchar seu conteúdo, inclusive notas de rodapé, é exposto a
idéias novas, oportunidades e, de quebra, saberá mais sobre o
papel das mulheres como força para as mudanças econômicas.
“O NOVO JOGO
NEGÓCIOS - POR QUE AS EMPRESAS ESTÃO DECEPCIONANDO AS
PESSOAS E A PRÓXIMA ETAPA DO CAPITALISMO” DE SHOSHANA ZUBOFF E JAMES MAXMIN
EDITORA CAMPUS (WWW.CAMPUS.COM.BR)
PREÇO SUGERIDO: R$ 60,90
DOS
XEQUE-MATE,
A JOGADA
CERTA PARA
VER
U
m filme para ser visto na tela
grande. Assim é Xeque-Mate, que estreou
15 de setembro nos cinemas. Com um
grande elenco e personagens fortes, o
filme é um thriller na acepção do
gênero. Mistura comédia, muita ação e
um bizarro suspense onde nada é o que
parece. A trama se desenrola no
submundo criminal de Nova York, onde
uns caras muito maus encontram um
mocinho bem legal mas com um lado
obscuro (Josh Hartnett ) cujo maior
pecado é estar no lugar errado, na hora
errada. Incrivelmente azarado, ele é
confundido com alguém que deve muita
grana para o Chefe (Morgan Freeman).
Para ter a dívida quitada, ele deve matar
o filho do maior rival do Chefe, o Rabino
interpretado por Ben Kingsley. Dois
atores premiados, Freeman e Kingsley
partilham a tela pela primeira vez e
protagonizam uma cena memorável em
que a guerra de forças entre eles é
explicitada apenas por expressões faciais
já que ficam amarrados, costas com
costas, e atuam somente do pescoço
para cima.
TÍTULO ORIGINAL: LUCKY NUMBER SLEVIN
DIRETOR: JASON SMILOVIC
ELENCO: JOSH HARTNETT, MORGAN FREEMAN, LUCY LIU,
BEN KINGSLEY, BRUCE WILLIS
DISTRIBUIDORA: IMAGEM FILMES
37
Redenews
FOCO NO CLIENTE
TOP 10 EM DUBAI
J
á está valendo a Campanha
TOP 10 da Volkswagen. E neste
segundo ano em que ela
acontece, os prêmios são ainda melhores. Os 10 titulares
com a melhor performance ganharão, em viagem prevista
para abril de 2007, um curso de pilotagem em uma
Lamborghini no autódromo de Duabai, um Safári 4X4 em um
Touareg no deserto de Dubai e, naturalmente, hospedagem
no Burj al Arab, hoje, o hotel mais luxuoso do mundo.
A Campanha TOP 10 tem como objetivo incentivar os
concessionários a cumprir seus objetivos, fortalecendo,
ao mesmo tempo, a imagem da Rede Volkswagen. Os
critérios qualitativos levados em conta para a
premiação são: rentabilidade, SIQ, Best-drive, CRM,
CarDisplay completo, Market Sare, Profissionais 5
Estrelas e Identificação Padrão. Já os pontos
quantitativos consideram as vendas, as vendas especiais
e a comercialização de peças. O período de avaliação
dos concessionários começou agora em setembro e
termina em fevereiro do ano que vem
TREINAMENTO 1ª Turma formada
E
sta é a primeira turma formada pelo curso “Formação
de Vendedores – ITC”, desenvolvido nos moldes do ITC
VWAG (International Trainning Concept / Alemanha) e
adequado pelo departamento de Treinamento de Pessoal da
Rede da Volkswagen do Brasil.
O público-alvo são os vendedores da Rede VW,
recém admitidos ou com até seis meses de
contratação, independente de qualquer experiência
profissional em vendas. São 15 dias de
treinamento, em três módulos de cinco dias cada
um. Entre um módulo e outro existe um intervalo
de dois meses que garante aos participantes a
oportunidade de praticar os conhecimentos
adquiridos. Após a conclusão do 3º módulo, é
aplicada uma avaliação em caráter de fixação e
mensuração de conteúdo adquirido e, atingido a
média/nota 7, o participante recebe o “Certificado
de Vendedor VW – ITC”. Caso a média não seja
atingida, o participante será aconselhado e
orientado pela equipe do Treinamento a participar
de outros cursos ofertados pelo setor da fábrica. O
intuito, evidentemente, é o de sanar a deficiência
apontada em sua avaliação e reforçar o conteúdo
que não foi suficientemente assimilado.
33
Freio solto
A DOMINAÇÃO PELAS
PALAVRAS
CHAME O DESIGNER DE DESENHISTA;
ELE FICARÁ OFENDIDO.
O
Por Joel Silveira Leite
s governos controlam a sociedade pela conversa ou à bala.
Antigamente, o domínio era feito pela força: a não obediência
era paga com a vida. A ousadia, a coragem, a rebeldia,
custavam caro aos seus autores. Com a conquista da
democracia e dos direitos humanos, as sociedades foram
ganhando novo perfil, o cidadão passou a reivindicar liberdade.
Os governantes tiveram que aceitar essa nova situação, evitando
eliminar fisicamente os inimigos.
Como fazer então para exercer o domínio, o controle do Estado
sobre a sociedade? Ora, optando pela forma mais eficiente
depois do derramamento de sangue: a palavra. O poder passou
a controlar a mídia, a impor a cultura, com uma vantagem de,
em caso de necessidade, ainda ter o Exército de reserva.
A submissão de um povo na sociedade moderna passa pela
submissão cultural, que se dá quase sempre sem resistência,
pois sem consciência.
Vamos falar diretamente sobre o mal que nos aflige, nós
escribas, profissionais ou amadores. Já pensaram como somos
instrumentos eficazes de disseminação da cultura de
dominação? Eles nos enfiam goela abaixo termos e expressões
nas línguas dos dominadores, e nós reproduzimos, sem
cerimônia, sem culpa. Muitos sem percepção do que fazem.
Palavras e expressões usadas no setor automobilístico são bons
exemplos. Eu disse setor automobilístico? Perdão, senhores:
quis dizer automotivo. Mas qual é a diferença? Automotivo –
diz, quem usa essa palavra – é um conceito “mais amplo” de
indústria automobilística. Inclui todos os setores e processos
e não apenas as montadoras. Falácia! Automotivo vem de
automotive, que é automobilístico em inglês. Assim como
designer. Chame o designer de desenhista; ele ficará
ofendido.
Em relação à estrutura da língua já nos submetemos ao
inglês: assim como eles, colocamos o adjetivo antes do
subjuntivo: “O novo Passat tem duplo comando de válvulas”.
A forma denotativa dessa frase em português é “o Passat novo
tem comando de válvulas duplo”.
A palavra condutor é outra que está se disseminando. Em
pouco tempo vai substituir motorista. Terá um “sentido mais
amplo”, dirão. E “motorista”, escrita assim, em português,
terá um significado “menor”, designará, talvez, o profissional
do volante.
Não pretendo defender aqui a rigidez semântica, o purismo
da língua. Viva, a língua está em constante modificação. As
palavras ganham novos significados com o uso, transformamse e transformam. É o processo semiótico. Apenas constato,
tristemente, que por trás dessa postura está a submissão
cultural, a idéia de que o que vem de fora é melhor, o que
tem sotaque estrangeiro é mais “chique”. A baixa auto-estima
faz o brasileiro aceitar sem críticas tudo o que vem do
chamado Primeiro Mundo. Se o estadunidense faz, eu quero
fazer igual. Ops! Opa, opa!!! Estadunidense? Que palavrão é
esse? Ora, e não está correto? Que culpa tenho eu se aquele
país não tem nome próprio? Nem por isso devemos aceitar
que eles (os estadunidenses) nos roubem o título de
americano. Pois americanos somos todos nós, brasileiros,
argentinos, hondurenhos, canadenses, estadunidenses. Nem
mesmo a palavra norte-americano está correta para designar
“dos Estados Unidos”, pois também norte-americanos são os
mexicanos e canadenses.
A palavra não é neutra. Ela é a
expressão da cultura de
um povo, reflexo das
Joel Silveira Leite é
relações sociais, da
jornalista, formado pela
Faculdade Cásper Líbero, com
dominação. Representa
pós-graduação em Semiótica,
as relações de poder na
Comunicação Visual e Meio
Ambiente. Diretor da Agência
sociedade. Não sejamos
AutoInforme, assina colunas
radicais, os neologismos
em jornais, revistas rádio, TV
são bem-vindos,
e internet. Sempre se pautou
pela independência
a influência estrangeira
jornalística, mas faz questão
enriquece nossa língua
de destacar que “não existe
jornalismo imparcial..... como
e nossa cultura. Mas
não existe pessoa imparcial”.
também não sejamos
Não tem nenhum livro
inocentes: é um tiro da
editado e nunca ganhou
nenhum prêmio de
nossa cultura.
jornalismo. Nem se inscreveu.
35
Sucessão
DESTRUIDORES
DE SONHOS
com seu físico. Era muito severo e
exigente com meu irmão mais
velho, e obrigara-o a seguir um
caminho universitário rigoroso.
Agora, estava prestes a revelar o
futuro de suas filhas trigêmeas.
Uma sensação de suspense
envolveu-me quando ele começou
dizendo a Erika, a mais frágil das
três, que ela seguiria um curso
universitário. Depois disse a Eva, a
menos motivada, que ela receberia
uma educação não-especializada.
Finalmente, seus olhos voltaram-se para mim e rezei para
que ele me permitisse realizar o sonho de tornar-me
médica, que ele certamente não ignorava. Mas nunca
esquecerei o momento que se seguiu.
– Elizabeth, você vai trabalhar na minha empresa – disse
ele – preciso de uma secretária eficiente e inteligente. É o
lugar certo para você.
- Não, muito obrigada! – retruquei bruscamente.
- Se não quer trabalhar comigo, então pode passar o resto
da sua vida como criada! – gritou, e entrou furioso no
escritório.
- Para mim está bom – respondi com aspereza -, e estava
sendo sincera. Preferia trabalhar como criada e aferrar-me
à minha independência do que deixar que qualquer
pessoa, até mesmo meu pai, me condenasse a trabalhar
como guarda-livros ou secretária para o resto da vida. Seria
o mesmo que ir para a prisão”.
Este depoimento de uma adolescente nascida na Suíça em
1926 ainda continua, infelizmente, digno de divulgação
porque não perdeu atualidade.
Resta-me apenas uma recomendação aos pais brilhantes,
famosos e que obtiveram sucesso em suas vidas
pessoais e profissionais: permitam
aos seus filhos a
Renato Bernhoeft é
manifestação mais genuína
presidente da Bernhoeftdos seus sonhos e
Consultoria, autor de 12
aspirações. E saibam, ser
livros, conferencista e
filho de pais brilhantes
consultor de empresas nas
não é fácil. Mesmo
áreas de profissionalização e
sucessão de empresas
quando os pais,
familiares e formação de
conscientemente, não
sucessores.
exercem nenhuma
www.bernhoeft.com
pressão, seu sucesso já
é pesado o suficiente.
RARAS SÃO AS FAMÍLIAS DE
EMPRESÁRIOS, PROFISSIONAIS
LIBERAIS, ARTISTAS,
EXECUTIVOS E TANTAS OUTRAS
ATIVIDADES, ONDE O SUCESSO
DOS PAIS NÃO TERMINA
TORNANDO-SE UMA
REFERÊNCIA QUE DIFICULTA
AOS FILHOS DESCOBRIR SEUS
PRÓPRIOS SONHOS.
Por
Renato
Bernhoeft
E
34
mais ainda, sem necessariamente serem
pressionados a percorrer os mesmos caminhos e obter
sucesso da mesma forma. Para a realidade brasileira
este tema ainda é tabu. Muitos pais partem da premissa
– equivocada – que seus filhos não possuem todo
instrumental e informações que lhes permitam
caminhar pelas próprias pernas. Mesmo que seja para
errar e reconsiderar suas escolhas.
Por lidar constantemente com situações como estas é
que fiquei sensibilizado pela leitura do livro “A roda da
vida” de Elizabeth Kubler-Ross, M.D (Ed. Sextante),
que se tornou uma reconhecida médica especialista no
tratamento de pacientes terminais. O que importa é a
descrição que ela faz do primeiro confronto que teve
com seu pai para abordar sua opção de vida e trabalho.
Diz ela que “ao longo da vida surgem pistas que nos
indicam para que direção devemos seguir. Se não
damos atenção a essas pistas, fazemos opções erradas e
acabamos levando uma vida infeliz. Se ficamos atentos,
aprendemos nossas lições e temos uma vida plena e
boa, assim como uma boa morte. O maior dom que
Deus nos concedeu foi o livre-arbítrio. O livre-arbítrio
põe sobre nossos ombros a responsabilidade por fazer
as melhores escolhas possíveis.”
Mais adiante, a autora relembra um jantar onde seu pai
fez uma declaração importante para toda a família: “Ele
era um homem forte e rijo, com opiniões coerentes
Vinhos & Videiras
O vinho é uma bebida que se
comporta como um ser vivo,
tendo infância, juventude,
maturidade, velhice e morte.
Por Arthur Azevedo
O
interesse pelos vinhos vem
crescendo de forma extraordinária em
todo o mundo. Este é um fato
incontestável e pode ter várias
explicações. Talvez o homem
finalmente tenha se dado conta
desse amigo muito particular, que freqüenta sua
mesa desde 5.400 a.C., segundo recentes pesquisas
arqueológicas, e tenha resolvido conhecê-lo mais
profundamente.
Desde o seu nascimento, na Enotria, uma região que
corresponde hoje à Turquia, ao sul do Mar Negro, o
vinho desperta a curiosidade por suas características
únicas. Só para citar a mais intrigante de todas, o
vinho é uma bebida que se comporta como um ser
vivo, tendo infância, juventude, maturidade, velhice
e morte. Ao longo de sua vida, no entanto, pode dar
muitas alegrias a quem o consome, marcando de
forma indelével momentos inesquecíveis.
O VINHO É TURCO
Mesa Posta
N
Arthur Azevedo é presidente da Associação Brasileira de Sommeliers
- SP (www.abs-sp.com.br), jornalista, editor da revista Wine Style e
consultor da Artwine (www.artwine.com.br)
DE GROSSETO, NA TOSCANA,
“IL CONIGLIO IN DOLCEFORTE”
ão é exagero dizer que a cozinha tradicional da
Toscana remonta a três mil anos, pois amplas
evidências da dieta Etrusca foram encontradas em
inúmeros sítios arqueológicos, cujos achados
confirmam que os hábitos alimentares da Toscana
foram continuamente mantidos através dos séculos.
Firenze, Siena, Lucca, Arezzo, Livorno e Grosseto,
destacam-se como fontes de receitas memoráveis
desse povo, que faz das cores de suas casas e
palácios e das suas estupendas paisagens, o caminho
para trazer à mesa magníficos pratos, inspirados em
seu amor por três elementos básicos: o vinho
generoso, o azeite perfumado extraído sob pressão e
o saboroso pão, feito com o trigo recentemente
moído. Deste cenário e de Grosseto, nos vem o
“Coniglio in dolceforte"
38
Desde o início da década de 1990, quando a importação
de vinhos foi liberada no Brasil, uma avalanche de rótulos
invadiu as prateleiras de lojas e supermercados, criando a
necessidade por parte do consumidor brasileiro de saber
mais sobre vinhos. A partir desta edição vamos conversar
sobre o vinho e sua cultura, indicando caminhos e
tendências, descobrindo segredos e novos sabores. Vamos
percorrer juntos as principais regiões, conhecendo os
melhores produtores e seus vinhos. Bem-vindo ao
fascinante mundo do vinho!
Por Isabel Caldeira
Para seis pessoas você vai precisar de 1,8 kg de coelho já cortado em pedaços
do tamanho para servir, colocados em marinada no refrigerador por 24 horas,
assim preparada: 1 garrafa de “cabernet suvignon” ou “merlot”chileno; 2
cebolas médias cortadas em quartos; 2 cenouras cortadas em rodelas; 2 talos
de salsão sem as nervuras, picados; 2 folhas de louro rasgadas; 1 colher de
sopa de bagas de zimbro; e 2 cravos da Índia.
Duas horas antes de iniciar a preparação, retirar o coelho do refrigerador e da
marinada, para trazer a carne à temperatura ambiente, enxugando-o bem com
papel toalha. Aquecer numa panela de fundo grosso 3 colheres de sopa de
azeite extra virgem e fritar os pedaços de coelho até que fiquem dourados em
todos os lados.
Coar a marinada, reservando os ingredientes e o líquido. Uma vez dourados os
pedaços de coelho, juntar os ingredientes sólidos da marinada e um copo do
líquido reservado, temperando com sal e pimenta do reino preta, moída.
Cozinhar em fogo bem baixo por duas horas, juntando sempre e aos poucos o
restante do líquido da marinada.
Em separado, numa pequena panela, colocar 60 gramas de açúcar cristal
juntamente com dois dentes de alho amassados e levar ao fogo baixo para
derreter e formar um caramelo. Retirar do fogo, juntar 250 ml de vinagre de
vinho tinto e mexer até que o caramelo esteja todo dissolvido.
Quando o coelho estiver cozido, juntar esse molho, cozinhar por mais 10
minutos em fogo baixo. Transferir tudo para uma travessa bem aquecida e
servir acompanhado de uma polenta com consistência média, ou, se preferir,
de um purê de batatas.
Isabel Caldeira é cozinheira, estudiosa e especialista em receitas e
cardápios especiais. Contato: [email protected]
COMIDA PRA BRASILEIRO
Tomei o título emprestado do vice-presidente
da Assobrav, Walter Keiti Yaginuma. Foi como
ele definiu o cardápio do Habib´s, quando
falávamos sobre esse case do fast food - a
maior rede franqueada de comida árabe do
mundo e a maior no segmento do Brasil - e o
seu fundador e presidente, Alberto Saraiva,
médico de formação, filantropo e autor do best
seller Os Mandamentos da Lucratividade.
S
10
Por Silvia Bella
imples, farto, variado e, claro, barato, comer no Habib´s é
sempre uma festa. Geralmente cheias, as lanchonetes são
animadas por um coral de vozes onde se identificam todas as
idades. É um lugar para todos, desde o pai de família que pede
um whisky, uma taça de vinho ou uma dose de vodca – todos
nacionais -, até a senhora que se contenta com uma salada ou as
crianças que preferem a famosa combinação hamburger – batata
frita. Mas onde estão afinal as especialidades árabes que dão
nome ao restaurante? Ali mesmo naquele cardápio, tudo
misturado.
Com medo de me perder, cheguei meia hora adiantada para
entrevistar Alberto Saraiva, lá no quartel general da empresa na
Av. Interlagos. Com tempo, fui almoçar no Habib´s em frente,
uma das lanchonetes não franqueadas da rede. Àquela hora da
tarde não havia muita gente, mas fui recebida por uma moça
muito amável que me indicou “uma boa mesa”, relativamente
distante do salão de festas, onde uma classe de “pré” com 35
crianças fazia a maior farra. Na minha frente, dois homens de
meia-idade discutiam sobre negócios enquanto saboreavam
charutinhos de uva com pão árabe e coalhada e uma cerveja
“no ponto”. Logo o garçom se aproximou de mim e perguntou
o que queria. Pedi só uma esfiha de ricota e um refrigerante
light para poder comer um Pastel de Belém de sobremesa, sem
remorso. Enquanto analisava o cardápio - para dizer o mínimo,
multicolorido -, fui surpreendida pela voz grave de um
rapagão, do tipo sarado e tatuado, que chegou ao balcão e
pediu: - Me vê 25 esfihas de carne e um litro de suco de
laranja? O atendente perguntou: - Pra viagem, né? - Não, vou
comer aqui mesmo, disse normalmente, e foi sentando por ali.
Devo ter olhado para ele um tanto surpresa (e não sem inveja)
porque, sorrindo, me disse: — O único problema do Habib´s é
que a gente come muito.
Naquele rápido almoço pude entender o que é o Habib´s e por
que, desde a sua fundação, há 18 anos, nunca deixou de ser
lucrativo e não pára de crescer. Todo o clima do Habib´s está
focado no cliente. Ele oferece preço baixo, diversificação de
produtos e atendimento: gente amável, ambiente arejado,
banheiros perfumados e nada de mesquinharia. Em cada mesa
há um kit de temperos e um porta-guardanapos cheio, coisa
rara na concorrência que atua nesse segmento. E o Habib´s não
tem preconceito. Não importa a que classe social você aparente
pertencer, o tratamento é o mesmo: respeita a ordem de
chegada, todo mundo é acompanhado à mesa pela
recepcionista e os garçons anotam os pedidos com atenção,
sem se importar de repetir várias vezes a mesma explicação.
São particularmente gentis com as crianças e não pressionam
Marcos Alves
Gente
os clientes para consumir mais alguma coisa ou liberar as mesas.
Quando chamei o garçom para pedir a sobremesa, ele simplesmente
perguntou: — Já vai, moça? Respondi que tinha uma hora marcada
com o Dr. Alberto Saraiva no prédio em frente, e que não queria me
atrasar já que ele era um homem muito ocupado. – Ah!, não se
preocupe, não, o Dr. Alberto é muito gente boa. Ele não é metido, ele
é assim, como a gente..., disse, com toda a naturalidade.
Minha única frustração no Habib´s foi não ter tomado um café
“espresso” puro, sem açúcar e sem adoçante, para acompanhar o
delicioso Pastel de Belém, quentinho, feito na hora.
– Desculpe, não temos café, disse o garçom. Sem entender o porquê
não havia café em um restaurante tão eclético, com uma infinidade de
pratos e bebidas, decidi que esta seria minha primeira pergunta a
Alberto Saraiva.
Revista Showroom O seu restaurante não tem café. Certamente o
senhor tem uma explicação baseada em pesquisas sobre as preferências
do seu público-alvo, porque sempre soube que o café dá lucro...
Alberto Saraiva (sorrindo) Não, não. Alguns restaurantes têm, outros
não. O café é uma das decisões dos franqueados. Pessoalmente acho
que o café não combina muito em lanchonetes de fast food, porque
ele não tem a mesma “rapidez” que os outros alimentos. O café após a
refeição convida os clientes a permanecerem mais nas mesas, então,
conforme o tamanho das lojas e do movimento que elas têm, o café
pode atrapalhar um pouco o fluxo e as nossas lojas, felizmente,
costumam ser bem cheias.
Showroom O Habib´s quebra boa parte das regras de marketing e de
comunicação...É um negócio aparentemente sem foco, que em teoria se
diz árabe, mas tem um cardápio que oferece de tudo um pouco...
Saraiva (continua sorrindo) Eu tenho nos meus restaurantes o que o
público gosta de comer. Há um atrativo inicial que é a comida árabe,
mas isso não significa que lá você não possa encontrar batata frita,
hamburger, whisky e Pastel de Belém. Aliás, quando decidi fabricar o
Pastel de Belém recebi todos os contras que você possa imaginar. Nem
o meu diretor de Marketing que está comigo há anos nem a agência de
propaganda queriam isso. Diziam que não tinha nada a ver ter um
doce português no restaurante árabe. Mas o que eu observei em uma
de minhas viagens à minha terra, Portugal, é que franceses, iugoslavos,
dinamarqueses, brasileiros, chineses, todo mundo comia Pastel de
Belém e achava uma delícia. Ora, se o doce é bom, não importa se é
japonês, holandês ou português. Fui atrás da receita original, demorei
seis meses para desenvolvê-la e poder produzi-la a custo adequado e
com qualidade. Ele é feito na hora e servido quentinho. Uma delícia.
Showroom Sem dúvida, o senhor é um gourmet...
Saraiva Certamente, gosto de comer e de cozinhar, mas
principalmente sou um observador de pessoas. Tenho a sensibilidade
de ver o que as pessoas gostam de comer e o que não gostam. Por
exemplo, nós não temos comidas sofisticadas, elaboradas, tudo é
simples. Nunca inventei de colocar no nosso cardápio uma perna de
carneiro, que é um prato eminentemente árabe.
Showroom Preço baixo é o seu ponto forte. Mas como consegue
associar qualidade vendendo tão barato?
Saraiva Barato com qualidade parece um binômio antagônico, não?
Mas é possível vender um produto bom a preço baixo. Só que nessa
equação entram alguns fatores: o controle rigoroso de despesas é um
deles. É preciso andar com o mapa de despesas no bolso. E por
que no bolso? Porque o bolso está à mão, você o consulta
sempre. Além disso, há outros mandamentos importantes: um
deles é a folha de pagamentos e o outro é o conhecimento dos
valores individuais de cada item. Ou seja, não pode haver
desperdício, não pode haver regalias. Administrar uma loja
Habib´s é agir como uma boa dona de casa: ela sabe que tem
R$ 100,00 para gastar na feira, então prioriza o básico e
abandona o supérfluo. Não se excede em nada, porque a
gastança começa de pouco em pouco.
Showroom Mas como o senhor consegue ter boa lucratividade
vendendo a preços tão baixos?
Saraiva Outro item fundamental é o relacionado a vendas: tem
que ter qualificação de vendas, e daí saem mais três
mandamentos importantes: começo pensando ”o que vou
vender”; depois, quais são os produtos que posso vender mais,
por sua facilidade, por sua simpatia pelo publico, enfim, quais
são os que podem vir a tem mais saída. Por exemplo, bebidas.
Há maneiras de vender uma ou duas bebidas para o mesmo
cliente ou uma bebida e meia para um e meia para outro, mas
é preciso ter este plano de vendas agregadas. Também é o caso
das sobremesas: como vendo mais sobremesa? Como faço,
enfim, para aumentar o meu ticket médio? E, claro, outro
ponto fundamental para ter lucro nesse binômio preçoqualidade são as pessoas. O grau de produtividade das pessoas
está diretamente relacionado ao grau de motivação que têm.
Motivação que deve ser financeira, de incentivo, de
reconhecimento, de treinamento, de perspectiva de progresso.
Com isso quero dizer que para qualquer negócio ter sucesso é
preciso investir em qualificação do pessoal constantemente.
Quando recebo uma reclamação de que tal restaurante não está
dando certo vou ver e confirmo que o problema está na pessoa
ou nas pessoas. Mudamos as pessoas e a coisa dá lucro, e olha
que é o mesmo restaurante, no mesmo local, com os mesmos
produtos, o mesmo preço e a mesma filosofia de gestão.
Showroom O senhor pode revelar o quanto a Rede Habib´s é
lucrativa?
Saraiva Nossa rede tem uma lucratividade em torno de 19% a
20% contra 5% a 7% das redes de fast food concorrentes. Isto
é, no mesmo segmento, nós lucramos de duas a três vezes
mais, e vendendo a que preços, a esses aí: esfiha a R$ 0,39.
Porque o lucro na minha vida nunca foi prioridade. Nunca fiz
nada pensando em quanto ia ganhar, se era muito ou pouco,
mas o lucro sempre veio como conseqüência do meu negócio
estar sempre focado no bem-estar do cliente, na busca
incessante de atender cada vez melhor o cliente e de atrair mais
clientes. Quanto mais eu qualifico, quanto mais eu invisto no
cliente, mais o lucro me aparece.
Showroom O senhor se inspirou em alguém para adotar a
equação preço baixo, qualidade e atendimento?
Saraiva Olha, eu aprendi com a necessidade. Costumo dizer
que se você não estudou na escola um assunto profundamente
para tornar-se um expert nesse assunto, a outra via é a
dificuldade. Este foi o meu caso. Eu precisei aprender na
11
Marcos Alves
Gente
12
prática, mas não é prerrogativa minha vender barato e ter lucro.
Veja a Gol, companhia aérea. Ela fez uma promoção onde você
voava pelo mesmo preço de uma passagem de ônibus para a
mesma localidade. Na oportunidade, ele aumentou de 50% para
80% a ocupação de suas aeronaves. E existem outros casos, como
o de uma vinícola norte-americana que produz um excelente
vinho na Califórnia e decidiu vender a garrafa a U$ 1,99,
enquanto seu concorrente direto, produtor na mesma região,
portanto, com o mesmo tipo de uvas, solo e condições climáticas,
vendia a garrafa a US$ 70,00. Ora, imagine o resultado: o cara
vendeu 72 milhões de garrafas de vinho e teve o maior lucro da
história da vida dele.
Showroom Bem, suponho que a promoção da esfiha a R$ 0,39
também tenha dado lucro, já que ela continuou além do mês de
fevereiro...
Saraiva (entusiasmado) Foi um desafio. Nossa expectativa para
fevereiro era ter uma queda de 10% nas vendas, como é normal
em todo o comércio nesse mês. A explicação é que, além de ser
um mês mais curto, as pessoas estão sem dinheiro porque saíram
de férias, gastaram no carnaval, tem a matrícula da escola, IPVA
etc. Então, partindo do princípio que fevereiro não daria mais do
que 12% de média, fiz uma planificação em toda a rede com boa
campanha publicitária e decidi colocar a esfiha a R$ 0,39. Antes
custava R$ 0,59 - há quatro anos sem aumento -, que já era barato,
mas, Nossa!, a R$ 0,39 começou a chover gente. Vendemos tanto que
o mês de fevereiro superou o mês de dezembro – o melhor de todos –
o que nos permitiu estender a promoção por mais seis meses. Foi a
retribuição à clientela fiel que compareceu em massa aos nossos
restaurantes. Tivemos 40% a mais de clientes nas lojas com essa
promoção...
Showroom O senhor gosta bem de promoções, não?
Saraiva Eu costumo dizer que tem gente que faz promoção de verão,
promoção de Natal, eu faço promoção o tempo todo. A promoção é
uma coisa muito interessante. Vocês, quando fazem aqueles feirões,
não vendem, proporcionalmente, bem mais num fim de semana do
que no mês inteiro? Então, por que não fazem feirões sempre?
Showroom O senhor é um caso típico de sucessão não planejada que
acabou dando muito certo. Na verdade sua intenção era exercer a
medicina, não é?
Saraiva Às vezes a gente tem uma planificação teórica muito bem
elaborada e ela não dá certo. Outras vezes, as coisas acontecem meio
ao acaso e funcionam. A minha história se encaixa na segunda opção.
Eu saí da fase de estudante de Medicina para ser dono de padaria sem
ter a menor noção de como administrar aquele negócio, e isso se deu
em cima de uma tragédia. Dezenove dias depois de ter comprado a
padaria meu pai foi assassinado em um assalto. Como filho mais
velho, larguei o primeiro ano da faculdade e fui tocar aquilo, que era a
nossa única fonte de sustento. Foi muito difícil porque eu tinha o
sonho de ser médico desde menino e precisei estudar muito para
entrar na Santa Casa, já que vinha com uma base fraca da escola
pública do Paraná. Mas foi também no meio da tragédia que eu trouxe
à tona a melhor herança que meu pai me deixou, que é a garra, a
determinação, a persistência, a esperança e a vontade de vencer. Ele
próprio já havia feito isso quando se mudou de Portugal para o Brasil
e depois do Paraná para São Paulo. Então, eu assumi aquela padaria,
que era velha, sem recursos, sem tradição, no meio de muitas outras
bem-sucedidas, disposto a mudá-la. A primeira coisa que fiz foi
aprender a fazer pão. Vi que havia poucos padeiros realmente bons,
caprichosos, então, eu me especializei em fazer pão, que é a linha
mestra das padarias. Depois coloquei o preço do pãozinho, à época
tabelado pela Sunab e motivo de queixa de todos os patrícios que
diziam que o pãozinho não dava lucro, 30% mais barato que toda a
concorrência. Conclusão: comecei a vender pão assustadoramente,
inclusive para os padeiros que vendiam na rua. E mais, criei uma
promoção para quem comprasse 10 pãezinhos pudesse levar 12. Com
isso fiz escala de volume e essa padaria passou a ser a melhor da
região. Um ano e meio depois eu a vendi com um lucro exorbitante. E
foi essa padaria que despertou em mim o desejo de ser um grande
comerciante e a certeza de que em qualquer negócio é preciso ter um
diferencial.
Showroom Depois disso o senhor voltou para a Faculdade, se formou,
mas nunca exerceu a Medicina porque se realizou como grande
comerciante. É isso?
Saraiva Exatamente. Eu não vou dizer que não lamento o fato de
nunca ter exercido a Medicina, porque, como disse, era um sonho
Marcos Alves
antigo. Minha experiência na profissão não foi além da
Residência na Santa Casa, mas por outro lado, durante os seis
anos do curso tive paralelamente outros negócios no ramo da
alimentação: lanchonetes, pastelarias, churrascarias...Agora, o
Habib´s mesmo só nasceu depois da Faculdade.
Showroom Hoje, 18 anos depois, a experiência Habib´s daria
certo?
Saraiva Sim. Eu passei por todas as fases e todas as crises sempre
tendo lucro. Vivi a inflação de 70% ao mês, passei por períodos
de forte desemprego da classe trabalhadora — minha clientelaalvo — e desde o primeiro dia de funcionamento da primeira loja
Habib´s tive lucro. Nunca houve um período de baixa, nunca
precisamos tomar medidas radicais. Claro que temos a vantagem
de atuar numa faixa grande de público, que é a base da pirâmide,
onde nossa concorrência é fraca (riscando com energia o desenho
que faz no papel), mas vender pelo menor preço possível vale
para qualquer produto: pode ser esfiha, cadeira ou carro. É uma
filosofia que sempre dá certo no comércio. O problema é que os
empresários, em média, pensam: se já estou dando preço baixo
por que vou dar conforto, ar-condicionado, organização, limpeza,
atendimento com recepcionista? Aí é que está o erro. É
fundamental oferecer atendimento, porque é disto que as pessoas
gostam e por isso elas voltam. Esse investimento é significativo só
no começo do negócio, depois, ele se dilui no dia-a-dia e a
rentabilidade aparece no final.
Showroom O senhor exige essa postura dos seus franqueados,
mesmo sendo uma franquia cara (em torno de R$1milhão)?
Saraiva Sem sombra de dúvida. Se o interessado já começa
perguntando quanto é a média de rentabilidade de uma
lanchonete Habib´s, ele já está descartado. Essa pessoa
certamente é um investidor e o negócio Habib´s precisa de um
outro perfil de empresário. Nosso franqueado é alguém que
trabalha com afinco, que dá empregos (na média, cada loja
começa com 50 funcionários), que dá o primeiro emprego (o
Habib´s é uma das poucas redes a adotar essa política), que tem
prazer em administrar um negócio de sucesso, com a casa
sempre cheia.
Showroom Pelo visto eles estão satisfeitos, já que hoje a maioria
das lojas é franqueada...
Saraiva Muito, inclusive boa parte de nossos franqueados tem
mais de um ponto Habib´s e muitos deles são ex-funcionários, o
que é motivo de grande orgulho para nós. Hoje temos 284 lojas
no Brasil e 55% delas são franqueadas, empregamos 14 mil
funcionários e a previsão até o fim deste ano é termos vendido
800 milhões de bib´sfihas, o produto mais vendido no segmento
de fast food.
Showroom Soube que o senhor é contra a terceirização...
Saraiva Totalmente contra. Não posso comparar o preço do
sorvete que eu faço com qualidade, e até melhor, com o preço do
sorvete da concorrência. Para a concorrência eu tenho que pagar
os salários dos executivos, o nome da marca, a propaganda que
ela faz, enfim, tenho que pagar um monte de coisas.
Tudo o que eu posso fazer – e as exceções são a farinha e a carne
– eu faço em casa. O problema é que a verticalização dá trabalho.
Você tem que ter estrutura, diretores, gerentes, funcionários... e,
como eu tenho, posso ter a mesma qualidade e vender 50% mais
barato para as minhas lojas e de conseqüência para os clientes. O
meu pão de hamburger, por exemplo, chega às nossas lojas a 60%
do valor do pão que chega às lojas da concorrência, então, para o
nosso cliente ele pode ser vendido 40% mais barato. O mesmo
ocorre com a minha pizza, que leva 300 gramas de mozzarella,
tem uma massa fina deliciosa e custa R$ 8,90, enquanto os
menores preços da concorrência ficam entre R$ 15,00 e R$ 17,00.
Isto porque temos nosso próprio laticínio.
Showroom O senhor acaba de inaugurar o primeiro restaurante da
Rede Ragazzo, sua mais recente iniciativa. Ela segue o mesmo
princípio do Habib´s?
Saraiva Sim, chegou a hora de expandir a rede Ragazzo porque foi
a alternativa encontrada para montar novas lanchonetes de fast
food que não concorressem diretamente com as lojas Habib´s, que
são muitas e localizadas nos melhores pontos. Já temos toda a
estrutura montada: a central de produção, as equipes e o plano de
gestão que é o mesmo do Habib´s. No dia da inauguração do
Ragazzo do Morumbi tivemos três horas de fila na porta. Não há
prazer maior que esse para um empresário. Ver que a sua idéia deu
certo é muito mais gratificante que o retorno financeiro que ela
possa trazer.
Showroom Quer dizer que a Rede Ragazzo tem nome italiano,
uma base de pratos da cozinha italiana, mas o cardápio é
igualmente variado como o do Habib´s?
Saraiva Exatamente. O princípio é o mesmo: preço baixo,
qualidade, variedade e atendimento diferenciado. Veja: (com o
cardápio na mão) Ravioli de mozzarella de búfalo – R$ 5,90,
Gnocchi – R$ 4,90, Capelletti – R$ 5,50. Temos também as saladas
a R$ 4,90, com quatro molhos e o diferencial que podem ser
montadas pelo cliente com sete ingredientes entre mais de 20
oferecidos. Tudo fresquinho. Para jovens e crianças temos os
sanduíches, mas também diferenciados, pois são oferecidos com
cinco tipos de carne e podem ser servidos no pão ou no prato.
Depois, temos uma linha de salgados e a pizza com uma massa
diferente, fina, cuja aceitação é total. As sobremesas têm algo de
italiano, claro, como o tiramissu, mas a há outras também. Ou
seja, é um cardápio que não tem rejeição. Veja as redes norteamericanas que entraram só para vender frango frito ou rosbife.
Quem não gosta disso, não vai, então elas fecharam. Quando você
abre o leque, você tem mais clientes.
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