UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC
CURSO DE PSICOLOGIA
CRISTIANE ALVES DIAS
DOENÇA NA FAMÍLIA: UM DIÁLOGO SOBRE O CUIDADO
PSICOLÓGICO DO FAMILIAR CUIDADOR
CRICIÚMA, JUNHO DE 2010.
CRISTIANE ALVES DIAS
DOENÇA NA FAMÍLIA: UM DIÁLOGO SOBRE O CUIDADO
PSICOLÓGICO DO FAMILIAR CUIDADOR
Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado
para obtenção do grau de Bacharel no curso de
Psicologia da Universidade do Extremo Sul
Catarinense, UNESC.
Orientador(a): Prof. (ª) Denise Nuernberg
CRICIÚMA, JUNHO DE 2010.
2
CRISTIANE ALVES DIAS
DOENÇA NA FAMÍLIA: UM DIÁLOGO SOBRE O CUIDADO PSICOLÓGICO DO
FAMILIAR CUIDADOR
Trabalho de Conclusão de Curso aprovado pela
Banca Examinadora para obtenção do Grau de
Bacharel, no Curso de Psicologia da
Universidade do Extremo Sul Catarinense,
UNESC, com Linha de Pesquisa em Saúde e
Qualidade de Vida.
Criciúma, 28 de Junho de 2010.
BANCA EXAMINADORA
Profª. Denise Nuernberg - Especialista - (UNESC) - Orientadora
Profª. Rosa Nadir Teixeira Jerônimo - Mestre - (UNESC)
Profª. Cecília Marly Spiazzi dos Santos - Mestre - (UNESC)
3
Dedico este artigo a todas as pessoas que de
alguma maneira me ajudaram na elaboração
e conclusão deste, mas principalmente,
dedico a aqueles que são ou já passaram
pela experiência de ser cuidador familiar.
4
AGRADECIMENTOS
Primeiramente, agradeço a Deus pela vida que tenho, por minha saúde,
família e por proporcionar o privilégio de acordar e ver a cada dia um novo
amanhecer.
Aos meus pais Fátima e Valdenir, que me deram a vida, muito amor e carinho.
Agradeço também, em memória, meu irmão, que me inspirou a realizar esse
artigo.
Ao meu namorido Mateus, que me deu muito apoio para que eu concluísse o
curso.
Agradeço a todos os meus amigos, que de alguma forma me ajudaram nessa
caminhada. Em especial, Aline, Fabio e Gessé, que estiveram ao meu lado no
momento mais difícil que passei nos últimos momentos e que mesmo sem
perceber, ofereceram muita força pra me ajudar a continuar e seguir em frente,
além de claro, me proporcionar muitos momentos de alegrias e risadas.
Denise, não esqueci de você, que foi minha Mestre e Orientadora, auxiliando
na elaboração do artigo, acreditando em minha idéia e respondendo todas as
dúvidas.
A todos, que de alguma maneira me ajudaram, deixo aqui meu muito
obrigada!
5
“Amar é constituir e zelar por outras vidas
além da sua, é ser parte de um todo, o qual
chamamos de Família”.
François de Bitencourt
6
RESUMO
A doença gera grandes transformações no ambiente familiar, pois é preciso zelar,
dar atenção e cuidar do doente. O presente artigo discute as principais
necessidades da pessoa que vai cuidar do doente, pois é função deste cuidar dos
pacientes promovendo seu bem estar físico, psicológico e social, mas este
acompanhante também precisa de suporte psicológico e estrutura física adequada
para o cuidado com o doente, pois esta é uma tarefa difícil, principalmente no
aspecto psicológico. Neste sentido, este artigo objetiva-se em compreender a
importância e a necessidade de acolhimento ao acompanhante - geralmente um
familiar- do paciente hospitalizado. Trata-se de uma pesquisa de campo de natureza
qualitativa que utilizou como ferramenta de pesquisa entrevista com seis
acompanhantes de pacientes do Setor de Oncologia do Hospital São José da cidade
de Criciúma-SC. No qual se observou que estes acompanhantes necessitam de
maior acolhimento por parte do hospital e profissionais da saúde.
Palavras-chave: Doença. Família. Cuidador. Hospital.
7
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 8
2 REVISÃO DE LITERATURA ................................................................................. 10
2.1 A Família no Processo de Cuidar .................................................................... 10
2.2 O Acolhimento e a Humanização ..................................................................... 11
3 PROBLEMA ........................................................................................................... 13
4 OBJETIVOS ........................................................................................................... 13
4.1 Objetivo Geral .................................................................................................... 13
4.2 Objetivos Específicos ....................................................................................... 13
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 14
REFERENCIAS COMPLEMENTARES .................................................................... 16
NORMAS PARA PUBLICAÇÃO DA REVISTA DE CIÊNCIAS HUMANAS............. 17
ARTIGO .................................................................................................................... 23
APÊNDICE ................................................................................................................ 53
ANEXOS ................................................................................................................... 63
8
INTRODUÇÃO
O ser humano nasce, cresce e morre. Ao decorrer desse desenvolvimento
pode adoecer e não conseguir completar todas as fases. Quando a doença afeta o
sujeito, pode afetar todo o grupo familiar, tornando-se então necessária a assistência
psicológica, estendida a todos os membros da família.
Nesse sentido, destaca-se a relevância deste projeto, na tentativa de buscar
subsídios para que os futuros psicólogos possam dar suporte à família do doente, e
principalmente ao cuidador, haja vista que quando ocorre uma doença na família,
todos sofrem e dependendo do grau de afetividade entre eles, muitos problemas
emocionais podem surgir.
Observa-se que muito diferente da prática hospitalar, o paciente não deve ser
tratado apenas com medicamentos, existindo a necessidade de atendimento
psicológico, tanto aos pacientes, quanto aos familiares. Para estes, a psicologia
deverá auxiliar informando a situação em que se encontra o paciente hospitalizado,
esclarecendo aspectos relacionados à doença e que podem ser desconhecidos, o
que pode aumentar a preocupação. De modo que quando há compreensão e
aceitação da doença, se tornam mais fáceis o tratamento e a recuperação do
paciente. (ROMANO, 1999).
Constata-se que no caso de doença o paciente sofre a dor física e a
psicológica, a família sente a dor psíquica, o que poderá levá-la ao processo de
adoecer biologicamente. Assim, o psicólogo pode intervir junto à família, transmitindo
segurança, conversando sobre os medos, além de estabelecer vínculo com a equipe
hospitalar; pois os outros profissionais da área da saúde, como médicos e
enfermeiros, exercem suas funções priorizando a parte física do sujeito; no entanto,
a parte psicológica também merece a devida atenção. Por conseguinte, a atuação
multiprofissional colaboraria nesse sentido, pois tornaria as informações mais
precisas, evitando dúvidas com relação à doença. (ROMANO, 1999).
Nos casos em que existe a necessidade de internação, a situação se agrava,
pois além do desgaste psicológico, começa a existir o desgaste físico dos
acompanhantes, que não encontram um espaço adequado para descansar
enquanto permanecem no ambiente hospitalar.
9
Grupos de apoio podem ajudar nesse momento, pois se os familiares
compartilharem sentimentos com pessoas que se encontram em situação
semelhante ou piores que as suas, poderão perceber que não estão sós. Existe
então, a necessidade de um ambiente dentro do hospital, no qual os familiares ou
acompanhantes sintam-se à vontade para compartilhar experiências e descansar
enquanto estiverem no papel de cuidadores, pois é um momento em que poderão
criar vínculos, auxiliando uns aos outros, facilitando o processo que estão
enfrentando. É diante destes aspectos que se justifica o presente estudo.
10
2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 A Família no Processo de Cuidar
Conforme Prado e Damiani (1986), a família, no sentido popular, constitui
um grupo de pessoas com laços parentais que vivem numa mesma casa, como pais,
mães e filhos ou ainda, pessoas que possuem laços sanguíneos, ou seja, família
nuclear. No entanto a família não necessariamente precisa seguir esses padrões
para que seja considerada família. Pessoas que convivem diariamente, mas que não
possuem laços sanguíneos também pode ser considerado como família.
Para Osório (1996), a família possui seu ciclo vital, ou seja, ela nasce,
cresce, amadurece e se reproduz em outras famílias, que encerram seu ciclo vital
quando chegam à morte. Entre algumas funções sociais da família, pode-se
destacar o papel de cumprir as funções na promoção do desenvolvimento
biopsicossocial do individuo.
Romano (1999) descreve que a família busca sua organização e
capacidade de adaptação visando o equilíbrio, pois diante de eventos que poderão
provocar alterações na estrutura familiar, será necessário fazer adaptações, e isso
dependerá da estrutura psicológica que essa família tem.
A hospitalização de um dos membros de uma família é um evento que gera
estresse. Como o equilíbrio do sistema é interrompido pelas necessidades
internas e pelas solicitações externas, a hospitalização é percebida como
ameaçadora. Se o equilíbrio não é restaurado, tem-se uma crise. As
estratégias adaptativas usadas e seu sucesso em restaurar o equilíbrio do
sistema podem ser medidos pelas respostas individuais, tanto motoras,
quanto afetivas. (ROMANO, 1999, p. 73).
Ao cuidar de um paciente no ambiente hospitalar, o familiar poderá se
deparar com situações que serão geradoras de estresse.
De acordo com Boff (2008), o cuidar significa zelar, dar atenção, desvelo.
O cuidado somente surge quando a existência de alguém tem importância para o
cuidador. É um processo interativo onde o cuidador e paciente envolvem-se,
principalmente de forma emocional, pois tal ato envolve e demonstra amor, atenção,
preocupação, promovendo o apoio psicológico no momento em que existe
11
sofrimento do paciente. Entretanto, ao relacionar-se com o paciente, o cuidador
também sofre porque ao cuidar vivencia a dor, pois existe o envolvimento emocional
inevitável e esse não possibilita a isenção da dor. (WALDOW, 2006).
No momento da internação, o familiar normalmente não está preparado
para lidar com a situação, no entanto é a pessoa mais próxima do paciente,
consequentemente se torna a pessoa mais apta para cuidar. Neste momento,
apesar de ser a pessoa mais indicada a estar com o paciente, é a pessoa que mais
sofre, pois se depara com situações que fazem com que seu estado psicológico e
emocional que estão despreparados seja abalado, gerando sentimentos como
angústia, ansiedade e desespero, afetando diretamente o cuidador.
Deste modo, o apoio psicológico ao cuidador é fundamental, pois por
estar em contato direto com o paciente hospitalizado, o cuidador familiar influencia
no tratamento e na busca pela cura do paciente.
2.2 O Acolhimento e a Humanização
Conforme Ferreira (1999), o termo humanizar significa suavizar, tornar
mais humano e sociável, civilizar.
Segundo Barbosa e Rodrigues (2004, p. 205), humanizar é "tornar
humano, dar condição humana, agir com bondade natural, humanar”. Tornar
benévolo, afável, fazer adquirir hábitos sociais polidos, civilizar, ou seja dentre todas
as definições, pode-se entender que o ato de humanizar revela uma atitude de
inclusão com o ser.
Bolela e Jericó (2006) destacam que quando se fala em humanização,
remete-se à necessidade de um atendimento mais humano que seja capaz de focar
a dignidade das pessoas em situações de necessidade de cuidados ou atenção.
Pode-se dizer que a humanização visa à produção da saúde, logo a
humanização em saúde visa à construção de laços de cidadania, de modo a olhar
cada sujeito em sua especificidade, história de vida, mas também de olhá-lo como
sujeito de um coletivo, sujeito da história de muitas vidas. (MOTA, MARTINS E
VERAS, 2006).
12
A Política Nacional de Humanização (Brasil, 2004), afirma que a
humanização significa a valorização dos diferentes sujeitos implicados no processo
de produção de saúde, tendo como foco as necessidades dos cidadãos e a
produção de saúde; compromisso com a ambiência, melhoria das condições de
trabalho e de atendimento.
Segundo o documento, podemos entender que a humanização refere-se
à busca pelo conforto físico e mental do acompanhante e familiar durante a
internação do paciente.
Romano (1999, p. 26) corrobora que:
Humanizar significa particularizar, atender às circunstâncias e necessidades
individuais. Mas não se trata de qualidade do serviço prestado, de um algo
a mais. Humanização é obrigação, é exigência do consumidor, é
revitalização de preceitos éticos.
Nesse sentido, o acolhimento que de acordo com Ferreira (1999), pode-se
definir pelo ato de acolher, dar amparo e hospitalidade, ou ainda de acordo com o
Ministério da Saúde (2006), implica no compartilhar saberes, angustias, tomando
para si a responsabilidade de acolher em suas demandas com responsabilidade e
resolutividade sinalizada pelo caso em questão, entende-se diante desses termos,
que o ato de acolher é o ato humanizado que os profissionais do ambiente hospitalar
devem manter com os pacientes e com a família destes.
O acolhimento significa a humanização do atendimento o que implica na
garantia de acesso a todos. Diz respeito, ainda, à escuta de problemas de saúde do
usuário, dando-lhe sempre uma resposta positiva e responsabilizando-se pela
resolução do seu problema. Por consequência, ou seja, o acolhimento deve garantir
a resolução do problema do usuário. (DAMIANI, 2008).
Conforme o Ministério da Saúde (2004), o acolhimento deve ser feito
desde a chegada do paciente, de forma que o profissional esteja atento aos seus
problemas e queixas, permitindo que o familiar se sinta acolhido, expressando seus
medos e angustias, o familiar busca essa assistência acolhedora, pois seu estado
físico e emocional estão abalados, e o profissional supostamente capacitado lhe
acolhe e cuida da sua fragilidade, criando-se desta maneira um vínculo, uma ligação
afetiva e tornando uma convivência de ajuda e respeito mútuo.
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3 PROBLEMA
Qual a importância do acolhimento psicológico ao acompanhante e
familiar do paciente hospitalizado?
4 OBJETIVOS
4.1 Objetivo Geral
Compreender a importância do acolhimento psicológico ao acompanhante e
familiar do paciente hospitalizado.
4.2 Objetivos Específicos
Identificar as estratégias encontradas pelos familiares e acompanhantes para
o enfrentamento do sofrimento frente à internação;
Averiguar de que forma o acolhimento psicológico do familiar acompanhante
podem ajudar durante o processo de hospitalização;
Descrever de que forma se dá o acolhimento psicológico aos acompanhantes
e familiares de pacientes hospitalizados.
Identificar como os cuidadores e familiares de pacientes hospitalizados
avaliam o espaço hospitalar em termos de acolhimento.
14
REFERÊNCIAS
BARBOSA, Elizabeth Carla Vasconcelos; RODRIGUES, Benedita Maria Rêgo
Deusdará. Humanização nas relações com o familiar: um desafio para a
enfermagem em UTI. Maringá, v. 26, no. 1, p. 205-212, 2004.
BOFF, Leonardo. . Saber cuidar: ética do humano - compaixão pela terra. 14.ed.
Petrópolis, RJ: Vozes, 2008. 199 p.
BOLELA, Fabiana; JERICÓ, Marli de Carvalho. Unidades de terapia intensiva:
considerações da literatura acerca das dificuldades e estratégias para sua
humanização. Esc. Anna Nery, v. 10, n. 2, Rio de Janeiro, 2006.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria -executiva. Núcleo Técnico da Política
Nacional de Humanização. HumanizaSUS: acolhimento com avaliação e
classificação de risco: um paradigma ético-estético no fazer em saúde. Brasília
2004.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da
Política Nacional de Humanização. Acolhimento nas práticas de produção de
saúde. 2. ed. Brasília, 2006.
DAMIANI, Fabiana de Fátima. UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE
Curso de Pós-Graduação Especialização em Saúde Coletiva. Acolhimento: um
caminho para humanização em saúde pública em um município da região
carbonífera. 2008. 55f. Monografia (Especialização em Saúde Coletiva) Universidade do Extremo Sul Catarinense, Criciúma, 2008.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Aurélio Século XXI: o dicionário
da língua portuguesa. 3.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2128 p.
MOTA, Roberta Araújo; MARTINS, Cileide Guedes de Melo; VERAS, Renata Meira.
Papel dos profissionais de saúde na política de humanização hospitalar. Psicol.
estud., Maringá, v. 11, n. 2, Aug. 2006 .
Disponivel em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141373722006000200011&lng=en&nrm=iso>. Acesso em 17 Nov. 2009. doi:
10.1590/S1413-73722006000200011.
OSÓRIO, Luiz Carlos. . Família hoje. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1996. 91 p.
15
PRADO, Danda; DAMIANI, Emílio. O que é família. 8 ed. São Paulo: Ed.
Brasiliense, 1986. 92 p.
ROMANO, Bellkiss Wilma. Princípios para a prática da psicologia clínica em
hospitais. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1999. 145 p.
WALDOW, Vera Regina. Cuidar: expressão humanizadora da enfermagem.
Petrópolis, RJ: Vozes, 2006. 190 p.
16
REFERENCIAS COMPLEMENTARES
CARMINATI, Fábia Liliã Luciano. . Metodologia científica e da pesquisa. Criciúma,
SC: Lider, 2001. 93 p.
GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de Pesquisa. 4ª Ed. São Paulo:
Atlas, 2002.
LEOPARDI, Mário. Metodologia da Pesquisa na Saúde. Santa Maria-RS, 2001.
MINAYO, Maria Cecília de Souza. Pesquisa Social: Teoria, Método e Criatividade.
23Ed. Petrópolis: Vozes, 2004. 80 p.
RAMOS, Paulo; RAMOS, Magda Maria; BUSNELLO, Saul José. Manual prático de
metodologia da pesquisa: artigo, resenha, projeto, tcc, monografia, dissertação e
tese. Blumenau, SC: Acadêmica Publicações, 2003. 84 p.
SILVA, Edna Lúcia da. Metodologia da pesquisa e elaboração de
dissertação/Edna. Lúcia da Silva, Estera Muszkat Menezes. – 3. ed. rev. atual. –
Florianópolis: Laboratório de Ensino a Distância da UFSC, 2001. 121p.
17
NORMAS PARA PUBLICAÇÃO DA REVISTA DE CIÊNCIAS HUMANAS
Para submeter um manuscrito
1) Os originais deverão ser encaminhados por correio, em 3 (três) vias, digitadas em
espaço duplo, com 25 a 30 páginas, incluindo figuras, tabelas, fotos e bibliografia.
2) Todos os manuscritos devem ser acompanhados
encaminhamento assinada por todos os autores.
de
uma
carta
de
3) O processo de revisão editorial só terá início se o encaminhamento do manuscrito
obedecer às condições acima. Caso contrário, será devolvido para adequação às
normas.
4) Os autores serão comunicados, imediatamente, sobre o recebimento do
manuscrito pelo Editor.
5) Os manuscritos deverão seguir a seguinte ordem:
Folha de rosto identificada
1) Título em português e em inglês (máximo de 15 palavras).
2) Sugestão de título abreviado para cabeçalho (com cinco palavras, no máximo).
3) Nome de cada autor, seguido por vínculo institucional.
4) Endereço do(s) autor(es) e a quem a correspondência deve ser enviada, com o
endereço completo, incluindo CEP, telefone, fax e e-mail.
5) Notas dos autores e agradecimentos (pessoas ou instituições financiadoras, caso
o artigo tenha se originado de projetos de pesquisa).
NOTA: como a revisão dos manuscritos é cega (blind review) quanto à identidade
dos autores, esta página deve ser o único local onde a autoria aparece. É
responsabilidade dos autores verificar se não existem elementos capazes de
identificá-los. Esta folha não será encaminhada aos consultores ad hoc.
Folha de rosto sem identificação
1) Título em português e em inglês (máximo de 15 palavras).
2) Título abreviado para cabeçalho (com cinco palavras, no máximo).
Resumos
1) Resumo, em português, com, no máximo, 150 palavras, ressaltando o tema,
objetivo, método, resultados e conclusões do trabalho.
2) Palavras-chave, em português, com, no mínimo, três e, no máximo, cinco.
3) Abstract, em inglês, compatível com o texto em português.
4) Keywords, em inglês, compatíveis com as palavras-chave.
18
Texto
O texto começa na página três (3) com o título centrado. Cada página subseqüente
deve estar numerada. Não inicie páginas novas a cada subtítulo, porém dê um
espaço antes de iniciar o próximo.
Quando o manuscrito for um relato de pesquisa, o texto deverá apresentar, além das
páginas de rosto e Resumos, Introdução, Método, Resultados, Discussão e
Referências Bibliográficas. Se necessário, outros subtítulos podem ser
acrescentados. Em alguns casos pode ser conveniente apresentar Resultados e
Discussão juntos, embora essa estratégia não seja recomendável.
Utilize o mínimo possível as notas de rodapé. Quando existirem, deverão ser
colocadas no rodapé, ordenadas por algarismos arábicos e deverão aparecer
imediatamente após o segmento do texto ao qual se refere a nota.
Os locais sugeridos para inserção de Figuras e Tabelas deverão ser indicados no
texto.
Anexos, quando contiverem informação original importante, ou detalhamento
indispensável para a compreensão de alguma seção do trabalho, deverão
acompanhar o texto, porém colocados no final.
Acrescente, no final do texto, após as Referências Bibliográficas, a data em que o
manuscrito foi submetido.
Citações no corpo do texto (ABNT / NBR 10520)
Todos os nomes de autores cujos trabalhos forem citados devem ser seguidos da
data de publicação na primeira vez em que aparecerem. Evite fazer citações
indiretas quando o original pode ser recuperado com facilidade. Neste último caso,
deve-se citar nas Referências Bibliográficas apenas a obra consultada e, no corpo
do texto, indicar autores e datas dos dois artigos, conforme o exemplo:
Piaget (1932, apud FLAVELL, 1996).
Quando o autor ou a instituição responsável estiver incluída na sentença, indica-se o
autor em caixa baixa, exceto a primeira letra, e a data e a página entre parênteses:
Segundo Morais (1955, p.32) assinala "[...] a presença de concreções de bauxita no
Rio Cricon".
Em Teatro Aberto (1963, p.79) relata-se a emergência do teatro do absurdo.
Quando o autor estiver entre parênteses, deve vir em maiúsculas, seguido por ano e
página: Apesar das aparências, a desconstrução do logocentrismo não é uma
psicanálise da filosofia". (DERRIDA, 1967, p. 293).
Especificar no texto a página, o volume, o tomo ou a seção da fonte consultada, se
houver: A produção de lítio começa em Searles Lake, Califórnia, em 1928
(MUMFORD, 1949, p. 513).
Oliveira e Leonardos (1943, p.146) dizem que a "[...]relação da série São Roque com
os granitos porfiróides pequenos é muito clara".
19
Freud (1974, v.21, p. 81-171) define a dualidade [...].
As transcrições no texto de até três linhas devem estar encerradas entre aspas
duplas. As aspas simples são utilizadas para indicar citação no interior da citação:
Barbour (1971, p. 35) descreve: "o estudo da morfologia dos terrenos [...] ativos".
"Não se mova, faça de conta que está morta" (CLARAC; BONNIN, 1985, p.72).
Segundo Pereira de Sá (1995, p. 27): [...] "por meio da mesma ‘arte da conversação’
que abrange tão extensa e significativa parte de nossa existência cotidiana".
As transcrições no texto com mais de três linhas devem ser destacadas com recuo
de 4 cm da margem esquerda, com letra menor que a do texto utilizado e sem
aspas:
A teleconferência permite ao indivíduo participar de um
encontro nacional ou regional sem a necessidade de deixar seu
local de origem. Tipos comuns de teleconferência incluem o
uso da televisão, telefone e computador. Através de
audioconferência, utilizando a companhia local de telefone, um
sinal de rádio pode ser emitido em um salão de qualquer
dimensão (NICHOLS, 1993, p.181).
Quando se tratar de comunicações pessoais (cartas, palestras, debates,
comunicações conversas telefônicas ou pessoais – mensagens, etc.) não devem ser
incluídas nas Referências Bibliográficas; nesses casos, indicar entre parênteses a
expressão "informação verbal", mencionando-se os dados disponíveis somente em
nota de rodapé:
Tricart constatou que na bacia do Resende, no Vale do Paraíba, há indícios de
cones de dejecção (informação verbal).
Para enfatizar trechos da citação, deve-se destacá-los indicando esta alteração com
a expressão grifo nosso entre parênteses, após a idealização da citação.
[...] para que não tenha lugar a produção de degenerados, quer physicos quer
moraes, misérias, verdadeiras ameaças à sociedade (SOUTO, 1916, p. 46, grifo
nosso).
Caso o destaque seja do autor consultado, usa-se a expressão "grifo do autor".
Na primeira citação de um artigo deve-se mencionar do nome de todos os autores e
a respectiva data.
Nas subseqüentes citações do mesmo artigo devem-se mencionar o primeiro autor,
seguido da expressão "et al.".
Deve-se usar, quando for o caso, expressões latinas no corpo do texto. Exemplos:
Apud (citado por, conforme, segundo): Segundo Silva (apud ABREU, 1999, p.3) diz
ser [...].
Idem ou Id. (mesmo autor): ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS,
1989, p.9.
20
Id., 2000, p.19.
Ibidem ou Ibid. (na mesma obra): Durkheim, 1925, p. 176.
Ibid., p.190
Opus citatum, opere citato ou op.cit. (obra citada): Adorno, 1996, p.38.
Adorno, op. cit., p.40
Loco citato ou loc. cit. (no lugar citado): Tomaselli; Porter, 1992, p.33-46.
Tomaselli; Porter, 1992, loc. cit.
Cf. (confira, confronte): Cf. Caldeira, 1992.
Sequentia ou et seq. (seguinte ou que se segue): Foucault, 1994, p.17 et seq.
Referências bibliográficas
Inicie uma nova página para a seção de Referências bibliográficas, que devem ser
digitadas usando espaço simples entre as linhas e espaço duplo para separá-las.
A palavra da segunda linha de cada referência inicia-se embaixo da primeira letra da
palavra da linha superior, não sendo, portanto, mais deslocada.
O sinal, na forma de travessão, colocado em uma referência cujo autor seja o
mesmo da anterior não deve mais ser colocado.
As Referências bibliográficas devem ser colocadas em ordem alfabética e, em
ordem crescente de data, para referenciar dois ou mais artigos de um mesmo autor.
Exemplos de Referências bibliográficas
Livros
HARVEY, D. The condition of postmodernity. Oxford: Brasil Blackwell, 1989. 378 p.
Capítulos de livros
CLAVAL, P. Réseaux territoriaux anracinement. In: DUPUY, G. (Org.) Réseaux
territoriaux. Caen: Paradigme, 1988, p.17-161.
Artigos em periódicos
MOURA, A. S. de. Direito de habitação às classes de baixa renda. Ciências &
Trópico, Recife, v. 11, n.1, p.71-78, jan./jun. 1983.
Artigos em jornais
COUTINHO, W. O paço da cidade retorna ao seu brilho barroco. Jornal do Brasil,
Rio de Janeiro, 6 mar. 1985. Caderno B, p.6.
Arquivos em disquete
KRAEMER, L.L.B. Apostila.doc. Curitiba, 13 de maio de 1995. 1 arquivo (605 bytes).
Disquete 3 ½. Word for Windows 6.0.
21
Base de dados em CD-ROM
INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA IBICT. Bases de dados em Ciência e Tecnologia. Brasília: IBICT, n.1, 1996. CDROM.
E-mail
MARINO, A. M. TOEFL brienfieng number [mensagem pessoal]. Mensagem
recebida por [email protected] em 12 de maio de 2000.
FTP
BRAGA, H. Deus não se agradou dele e de sua oferta. Disponível em: [email protected] em: 22 de maio de 2000.
Artigos de periódicos (on-line)
MALOFF, J. A internet e o valor da "internetização". Ciência da Informação, Brasília,
v. 26, n.3, 1997. Disponível em: http://www.ibict.br/cionline/. Acesso em: 18 maio
1998.
Trabalhos em eventos
CONGRESSO INTERNACIONAL DE FONOAUDIOLOGIA, 4.; ENCONTRO IBEROAMERICANO DE FONOAUDIOLOIA, 3., 1999, São Paulo. Anais... São Paulo: [s.n.],
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BRAYNER, A. R. A.; MEDEIROS, C. B. Incorporação do tempo em SGBD orientado
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ANDRADE, C. R. F.; SASSI, F. C. Eletromiografia e gagueira: tensão mínima e
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disfluências infantis. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE FONOAUDIOLOGIA,
4.; ENCONTRO IBERO-AMERICANO DE FONOAUDIOLOGIA, 3., 1999, São Paulo.
Anais... São Paulo [s.n.], 1999. p.470. Mesa redonda.
Dissertações e Teses
AMBONI, N. F. Estratégias organizacionais: um estudo de multicasos em sistemas
universitários federais das capitais da Região do Sul do país. 1995. 143 f.
Dissertação (Mestrado em Administração) – Curso de Pós-Graduação em
Administração, Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis.
LOPES, H. S. Analogia e aprendizado evolucionário: aplicação em diagnóstico
clínico. 1996. 179f. Tese (Doutorado em Engenharia Elétrica) - Curso de PósGraduação em Engenharia Elétrica, Universidade Federal de Santa Catarina.
Florianópolis.
22
Figuras e Tabelas
Figuras e Tabelas devem ser apresentadas com as respectivas legendas e títulos,
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DOENÇA NA FAMÍLIA: UM DIÁLOGO SOBRE O CUIDADO PSICOLÓGICO DO
FAMILIAR CUIDADOR
SICKNESS IN THE FAMILY: A DIALOGUE ABOUT THE PSYCHOLOGICAL
CARE OF FAMILY CAREGIVER
CRISTIANE ALVES DIAS
UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE – UNESC
Cristiane Alves Dias1 e Denise Nuernberg2
1
Acadêmica da 9ª fase do Curso de Psicologia da Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC.
Endereço: Rua Lourenço Zanette, Bairro: Santo Antônio, nº 335 – Bl. 10 Ap. 302 – 88809-470 – Criciúma-SC –
Brasil. Tel.: 48 91349404. E-mail: [email protected]
2
Coordenadora e professora do Curso de Psicologia da Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC e
psicóloga clínica.
Especialista em Fundamentos Psicopedagógicos do Ensino – Unesc.
Endereço: Rua Coronel Pedro Benedet, nº 363 Ed. San Vicente – Sala 809 – Centro – 88801-250 – Criciúma-SC
– Brasil. Tel.: 48 34372840. E-mail: [email protected][email protected]
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DOENÇA NA FAMÍLIA: UM DIÁLOGO SOBRE O CUIDADO PSICOLÓGICO DO
FAMILIAR CUIDADOR
SICKNESS IN THE FAMILY: A DIALOGUE ABOUT THE PSYCHOLOGICAL
CARE OF FAMILY CAREGIVER
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Resumo
A doença gera grandes transformações no ambiente familiar, pois é preciso zelar, dar atenção
e cuidar do doente. O presente artigo discute as principais necessidades da pessoa que vai
cuidar do doente, pois possui a função de cuidador, promovendo seu bem estar físico,
psicológico e social. Este acompanhante precisa de suporte psicológico e estrutura física
adequada para o cuidado com o doente, sendo esta uma tarefa difícil, principalmente no
aspecto psicológico. Neste sentido, este artigo tem como objetivo compreender a importância
e a necessidade de acolhimento ao acompanhante - geralmente um familiar- do paciente
hospitalizado. Trata-se de uma pesquisa de campo de natureza qualitativa que utilizou como
ferramenta de pesquisa entrevista com seis acompanhantes de pacientes do Setor de
Oncologia do Hospital São José da cidade de Criciúma-SC. No qual se observou que estes
acompanhantes necessitam de maior acolhimento por parte do hospital e profissionais da
saúde.
Palavras-chave: Doença. Família. Cuidador. Hospital.
Abstract
The disease causes great changes in the family, because is needed to ensure, to give attention
and to care of the patient. The present article discusses the essential needs of person who will
take care of the patient, because is your function to care of patients, promoting their physical,
psychological and social welfare, but the attendant also need of psychological support and
adequately physical structure for the care with the sick, because this is a difficult task,
especially on the psychological aspect. In this sense, this article if objective in to understand
the importance and the necessity of refuge to the accompanying - usually a family- of
hospitalized patient. It is a research of field of nature qualitative which used as instrument of
investigation an interview with six accompanying patients of the sector of Oncology Hospital
of San Jose City Criciúma-SC. In which was observed that these companions need more care
by the hospital and health professionals.
Key Words: Disease. Family. Caregiver. Hospital.
26
Introdução
O ser humano nasce, cresce e morre. Ao decorrer desse desenvolvimento pode adoecer
e não conseguir completar todas as fases. Quando a doença afeta o sujeito, pode afetar todo o
grupo familiar, tornando-se então necessária a assistência psicológica, estendida a todos os
membros da família.
Nesse sentido, destaca-se a relevância deste artigo, na tentativa de buscar subsídios
para que os futuros psicólogos possam dar suporte à família do doente, e principalmente ao
cuidador, haja vista que quando ocorre uma doença na família, todos sofrem e dependendo do
grau de afetividade entre eles, muitos problemas emocionais podem surgir.
Observa-se que muito diferente da prática hospitalar, o paciente não deve ser tratado
apenas com medicamentos, existindo a necessidade de atendimento psicológico, tanto aos
pacientes, quanto aos familiares. Para estes, a psicologia deverá auxiliar informando a
situação em que se encontra o paciente hospitalizado, esclarecendo aspectos relacionados à
doença e que podem ser desconhecidos, o que pode aumentar a preocupação. De modo que
quando há compreensão e aceitação da doença, se tornam mais fáceis o tratamento e a
recuperação do paciente (ROMANO, 1999).
Constata-se que no caso de doença o paciente sofre a dor física e a psicológica, a
família sente a dor psíquica, o que poderá levá-la ao processo de adoecer biologicamente.
Assim, o psicólogo pode intervir junto à família, transmitindo segurança, conversando sobre
os medos, além de estabelecer vínculo com a equipe hospitalar; pois os outros profissionais da
área da saúde, como médicos e enfermeiros, exercem suas funções priorizando a parte física
do sujeito; no entanto, a parte psicológica também merece a devida atenção. Por conseguinte,
a atuação multiprofissional colaboraria nesse sentido, pois tornaria as informações mais
precisas, evitando dúvidas com relação à doença (ROMANO, 1999).
27
Nos casos em que existe a necessidade de internação, a situação se agrava, pois além
do desgaste psicológico, começa a existir o desgaste físico dos acompanhantes, que não
encontram um espaço adequado para descansar enquanto permanecem no ambiente hospitalar.
Grupos de apoio podem ajudar nesse momento, pois se os familiares compartilharem
sentimentos com pessoas que se encontram em situação semelhante ou piores que as suas,
poderão perceber que não estão sós. Existe então, a necessidade de um ambiente dentro do
hospital, no qual os familiares ou acompanhantes sintam-se à vontade para compartilhar
experiências e descansar enquanto estiverem no papel de cuidadores, pois é um momento em
que poderão criar vínculos, auxiliando uns aos outros, facilitando o processo que estão
enfrentando. É diante destes aspectos que se justifica o presente artigo.
Quando a Doença Surge na Família
Conforme Prado e Damiani (1986), a palavra família, no sentido popular, significa
pessoas com laços parentais que vivem numa mesma casa como pais, mães e filhos ou ainda,
pessoas que possuem laços sanguíneos, ou seja, família nuclear. No entanto, a família não
necessariamente precisa seguir esses padrões para que seja considerada família. Pessoas que
convivem diariamente, mas que não possuem laços sanguíneos, também podem ser
consideradas como família (CARTER; MCGOLDRICK, 2001).
Minuchin (1990) demonstra que a família opera como um sistema aberto e em
transformação, que se adapta às exigências do seu ciclo vital. Esse sistema atua de forma
natural, agindo de acordo com cada cultura familiar. Para Carter e Mcgoldrick (2001), a
família vai além da soma das partes; a vida de cada sujeito acontece dentro do ciclo familiar.
De acordo com Relvas (2000, p. 10), “a família é entendida como um sistema, um
todo, uma globalidade”. Osório (1996) ressalta que a família possui seu ciclo vital, ou seja, ela
nasce, cresce, amadurece e se reproduz em outras famílias, que encerram seu ciclo vital
28
quando chegam à morte. Entre algumas funções sociais da família, pode-se destacar o papel
de cumprir as funções na promoção do desenvolvimento biopsicossocial do indivíduo.
Considerando então que a família é composta por pai, mãe e filhos, ponderando ainda
o papel que cada um tem dentro do sistema familiar, pode-se entender que dependendo de
qual membro do sistema adoece, a família reagirá diferentemente para cada caso.
Para Carter e Mcgoldrick (2001), quando um familiar adoece, todo o sistema é
afetado; no geral, a doença aproxima os membros de uma família, acionando o processo de
socialização com a enfermidade. “Os sintomas, a perda de função, as exigências de mudança,
relacionadas à doença, nos papéis práticos e afetivos, e o medo da perda através da morte,
tudo isso serve para que a família crie um novo foco interno” (CARTER; MCGOLDRICK
2001, p. 386). No entanto, os autores supra citados, afirmam que as doenças graves provocam
rupturas na família, podendo-se compreender pelo fato de que é nessa fase do ciclo de vida da
família que os indivíduos têm maiores responsabilidades (CARTER; MCGOLDRICK, 2001).
Para Romano (1999), a hospitalização de um membro familiar gera estresse no grupo,
pois é percebido como algo ameaçador. Conforme O' Connor (1983 apud ROMANO, 1999)
se o equilíbrio e organização da família são alterados frente a um evento qualquer, haverá a
necessidade de adaptação; no entanto, essas adaptações dependerão dos recursos que a família
dispõe para lidar com a crise e da importância que esse acontecimento tem para os membros.
Sa (2002) ressalta que a família que recebe o diagnóstico da doença, avalia como algo
ameaçador e grave, pois existem planos e uma cultura de vida sentidos como algo
interrompido, veem-se como se estivessem diante do fim.
A criança que vivencia na família um momento de doença e hospitalização, sente-se
deixada de lado, sendo, por exemplo, o familiar hospitalizado um irmão, poderá sentir-se
abandonada pelos pais que depositam toda atenção no filho doente. A partir de então, esses
29
filhos sentem-se culpados pela doença do outro e ainda sentem medo de adoecer também (SA,
2002).
Quando se fala em adolescência constata-se que o adoecimento de um dos pais
interfere na conquista de independência do adolescente, podendo colocá-lo como um
substituto paterno ou materno em relação aos irmãos. Quando a doença é vivenciada na
família por um cônjuge, aumentam as responsabilidades financeiras, domésticas e emocionais,
pois agora é necessário cuidar do outro e ainda assumir suas responsabilidades (CARTER;
MCGOLDRICK, 2001).
Quando o adolescente torna-se enfermo, poderá rebelar-se contra a família,
principalmente em relação aos pais. Já nos irmãos do adolescente doente, poderão despertar
sentimentos como ciúmes pela dedicação dos pais em relação ao filho doente, e poderão
sentir-se culpados por isso. O sentimento de impotência frente ao sofrimento de um familiar
doente, principalmente em casos em que o membro da família está hospitalizado, gera um
estresse emocional familiar de alta intensidade. As manifestações vivenciadas pela família no
processo de adoecer são variadas, mas o processo da família permanece essencialmente o
mesmo (CARTER; MCGOLDRICK, 2001).
Segundo Kübler-Ross (2000, p. 163), “no período da doença os familiares
desempenham papel preponderante, e suas reações muito contribuem para a própria reação do
paciente”. No entanto, ressalta a necessidade que os membros da família têm em dosar suas
energias para que não esgotem suas forças e as tenham quando for necessário.
Ainda de acordo com Carter e Mcgoldrick (2001), nos casos de doenças graves, como
o câncer, os membros da família sofrem um estresse de permanente incerteza, pois essas
doenças são muito instáveis quanto ao seu curso; logo as emoções tornam-se muito
inconstantes, pois em cada melhora do paciente vem a esperança de vida e em cada recaída, o
30
medo da morte. Essa oscilação e a constante incerteza podem esgotar a família
emocionalmente.
De acordo com a pesquisa realizada por Celich e Batistella (2007) com familiares
cuidadores de portadores da Doença de Alzheimer na cidade de Erechim/RS, tomam-se como
exemplo, as narrativas dos entrevistados que se referem ao sofrimento que passam
diariamente esses cuidadores. Nos relatos, os entrevistados falam que enfrentam diversas
dificuldades como o cansaço e referem-se ainda à necessidade de serem cuidados também,
além de falta de tempo para dedicação à família. Apresentam ainda sintomas físicos como
dificuldade para dormir, depressões e estresse.
Para Kübler - Ross (2000), a falta de comunicação pode afetar o sistema familiar
durante a doença. É natural que os familiares ocultem dos pacientes os sentimentos, tentando
passar para ele força. No entanto, a autora argumenta que o paciente também poderá ajudar os
familiares fazendo com que encarem sua morte, participando dos pensamentos e sentimentos
dos membros da família. Ressalta ainda que se o paciente for capaz de enfrentar a morte com
tranquilidade, os familiares a suportarão e terão força ao se lembrarem da tranquilidade do
paciente.
Conforme Waldow (2007), a hospitalização é um evento que gera temor nas pessoas,
pois a doença é vista como ameaçadora e o estar doente é algo que se caracteriza por uma
ruptura na relação do indivíduo com o mundo, visto que as capacidades que eram possíveis
agora já não são mais.
De uma forma geral, Romano (1999) ressalta que o adoecimento e hospitalização de
um dos membros da família geram estresse no grupo familiar, pois é entendido como algo
ameaçador, causando um desequilíbrio no grupo, e se o equilíbrio da família não é restaurado,
gera então uma crise que pode ser evidenciada pelas respostas físicas ou emocionais dos
membros. Alguns sinais em resposta a crise devem ser observados e podem ser
31
exemplificados como: dormir menos e com baixa qualidade de sono ou até mesmo dificuldade
para dormir, alteração na alimentação, uso de drogas lícitas como cigarros, álcool e calmantes.
Alguns sentimentos tais como culpa, sentimento de abandono, menos valia, medo e raiva,
provenientes da ansiedade, também são manifestados no grupo familiar.
Existe ainda o medo da morte, que segundo Feifel (1959 apud KOVÁCS, 2008), esse
é diferente para cada indivíduo conforme a maturidade psicológica de cada um, a capacidade
de enfrentamento, a religiosidade e até mesmo a idade do sujeito.
O medo da morte inicia-se na infância, não é algo inato, a criança entra em contato
com a morte gradativamente por meio das experiências de seus pais. Então, tal temor
dependerá da natureza e é inerente ao processo do crescimento (KOVÁCS, 2008).
Nos casos de familiares de pacientes hospitalizados, esse medo poderá surgir quando o
paciente tem uma melhora em que surge uma esperança de cura que é seguida por uma
recaída.
O Cuidador
O verbo cuidar, de acordo com Grandi (1998), significa assistir, ter atenção e cuidados
com alguém ou consigo mesmo, ou ainda, significa dar amparo, assistência, proteção e
representação, uma vez que o cuidador torna-se mediador e o executor das atividades entre o
paciente e a realidade que o cerca. O cuidar significa zelar, dar atenção, desvelo. O cuidado
somente surge quando a existência de alguém tem importância para o cuidador. (BOFF,
2008).
“Cuidar é estimular e incentivar a maior autonomia e independência possível do
paciente, permitindo a superação de obstáculos” (GRANDI, 1998, p. 72). Para Waldow
(2007), o ato de cuidar inclui afeto e consideração, significa agir no sentido de promover o
32
bem-estar do outro. Osório (2003) afirma que os cuidadores têm a função de cuidar dos
pacientes promovendo seu bem-estar físico, psicológico e social.
O ato de cuidar é algo que já existe há muito tempo. De acordo com Foucault (1981
apud LAHAM, 2004), os hospitais não tinham a função de cuidar dos pacientes, funcionavam
apenas como locais onde as pessoas eram depositadas quando fossem morrer. Lá havia pobres
e miseráveis que seriam isolados da sociedade a fim de não contagiar o resto da população
com doenças. Essa população era cuidada por religiosos ou leigos, e a alta sociedade recebia
cuidados domiciliares por médicos.
Albuquerque (2003 apud LAHAM, 2004) pontua que a prática de cuidado domiciliar
vem desde o Antigo Testamento, pois ali é citado o cuidado de Jesus com enfermos em suas
residências. Já no século XIX, os cuidados domiciliares eram praticados por associações de
enfermeiras e no século XX, esses cuidados foram feitos por médicos.
Laham (2004) cita que em 1947, nos EUA, após muitos anos de assistência hospitalar
começou-se a praticar o cuidado domiciliar. Em 1951, na França, em virtude das
superlotações hospitalares voltou-se então, ao atendimento domiciliar. A partir daí, o cuidado
domiciliar voltou a ser praticado, espalhando-se por toda a Europa. Já no Brasil, em 1968, o
Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo foi pioneiro dessa prática. Atualmente, o
cuidado domiciliar tem a participação de diversos profissionais, oferecendo ao paciente a
prevenção de problemas de saúde ou então, a assistência para doenças já instaladas (LAHAM
2004).
Conforme Waldow (2007, p. 39), “O ser humano, ao longo de seu desenvolvimento,
adquire formas e expressões de cuidar que se sofisticam”. Assim sendo, o cuidar inicia-se
primeiramente como forma de sobrevivência, em seguida como uma expressão de interesse e
carinho. A primeira forma evidencia-se em todas as espécies de seres vivos. Já a segunda é
uma particularidade dos seres humanos.
33
Observa-se que ao longo da história, os cuidados com o parto eram de
responsabilidade das mulheres, que se assemelhavam aos animais, pelo fato de lamber, nutrir
e proteger as suas crias. Pode-se concluir, que desde então, o modo de expressar cuidado é
mais evidente entre as mulheres (WALDOW, 2007).
Grandi (1998) acrescenta que o ato de cuidar normalmente é praticado por mulheres,
isso porque a mulher ocupa o primeiro lugar entre os cuidadores em potencial, por estarem
ligadas historicamente à responsabilidade pelos cuidados dos membros da família.
O cuidador é o responsável direto pelos cuidados do paciente, tanto o físico como o
psicológico e o social, tornando-se este, cada vez mais, dependente daquele que o cuida.
Assim, o cuidador torna-se a segunda vítima, pois o ato de cuidar gera sobrecarga física e
emocional (GRANDI, 1998).
O papel de cuidador não é algo preestabelecido e ninguém está preparado para tal, por
isso, quando surge a necessidade de cuidar, cada qual reage de uma maneira, de acordo com
suas características particulares. O cuidador assume um papel que foi imposto pela ocasião, e
apesar de existir um desejo muito grande de ajudar o familiar, o cuidador não tem noção da
atenção que lhe será exigida. Na ansiedade de ajudar, muitas vezes, o familiar acompanhante
ou cuidador esquece que pertence há um grupo familiar e que estes podem colaborar,
revezando o acompanhamento e o cuidado ao paciente. Esquece inclusive que também tem
uma família, a qual necessita de sua presença (SA, 2002).
Conforme Machado (2008), o cuidador vivencia angústias, medo, desesperança e
desamparo. Esses sentimentos geram sofrimento, e nos casos em que o cuidador é familiar do
paciente, esse sofrimento aumenta, pois existe o envolvimento afetivo e o cuidador sofre com
a dor do paciente.
O ato de acompanhar um paciente hospitalizado é algo difícil e que gera estresse, pois
o cuidador familiar sofre dois impactos: primeiramente o do diagnóstico, de saber que alguém
34
que ele ama vai sofrer com a doença, e sofre o impacto de se ver diante a uma situação de
acompanhante, de ter que dar força e auxílio total ao paciente familiar, no decorrer da
hospitalização (SA, 2002).
Para Grandi (1998, p. 72), “a atitude de cuidar não é inata, e sim imposta por
circunstâncias”. Assim sendo, essa experiência pode ser vivenciada de forma dolorosa pelo
cuidador. Normalmente os familiares cumprem os papéis de cuidadores, e são chamados
cuidadores informais, pois não há remuneração para tal.
O cuidar é um processo interativo, no qual o cuidador e o paciente envolvem-se,
principalmente de forma emocional, pois o ato de cuidar inclui e demonstra amor, atenção,
preocupação, promovendo o apoio psicológico no momento em que existe sofrimento do
paciente. Entretanto, ao relacionar-se com o paciente, o cuidador também sofre porque ao
cuidar vivencia a dor, pois existe o envolvimento emocional inevitável e esse não possibilita a
isenção da dor (WALDOW, 2006).
No momento da internação, o familiar normalmente não está preparado para lidar com
a situação, no entanto é a pessoa mais próxima do paciente, consequentemente se torna a
pessoa mais apta para cuidar. Neste momento o familiar apesar de ser a pessoa mais indicada
para estar com paciente, é a pessoa que mais sofre, pois se depara com situações que fazem
com que seu estado psicológico e emocional que estão despreparados, seja abalado, gerando
sentimentos como angústia, ansiedade e desespero, afetando diretamente o cuidador.
(WALDOW, 2006).
Existem os cuidadores formais, como enfermeiros e médicos. De acordo com
Machado (2008), os trabalhadores de ambientes hospitalares, muitas vezes, sofrem junto ao
paciente, e isso é tratado de forma natural pelos profissionais, ou ainda podem ignorar a
situação, pois para tais profissionais o sofrimento faz parte da rotina do trabalho, portanto
deve ser aceito sem lamento; no entanto, esses mecanismos de defesa podem afetar o
35
profissional. “Contudo, esconder esses sentimentos não parece ser o melhor caminho para
significar e compreender tais sentimentos a ponto de não se tornarem perigosos para a saúde
psíquica desses profissionais” (MACHADO, 2008, p. 449).
Osório (2003) ressalta que os cuidadores também merecem cuidados para que não
venham a adoecer, seja com a saúde física ou com a saúde mental. Deste modo, o apoio
psicológico ao cuidador é fundamental, pois este por estar em contato direto com o paciente
hospitalizado, influencia no tratamento e na busca pela cura do mesmo.
O Acolhimento Psicológico do Cuidador Familiar
Ferreira (1999) define o acolhimento como o ato de acolher, dar amparo e
hospitalidade, ou ainda conforme o Ministério da Saúde (2006), o acolhimento implica no
compartilhar saberes, angústias, tomando para si a responsabilidade de acolher em suas
demandas com responsabilidade e resolutividade.
De acordo com Damiani (2008), o acolhimento significa a humanização do
atendimento, o que implica na garantia de acesso a todos. Diz respeito, ainda, à escuta de
problemas de saúde do usuário, dando-lhe sempre uma resposta positiva e responsabilizandose pela resolução do seu problema. Por consequência, o acolhimento deve garantir a resolução
do problema do usuário.
Segundo Schneider et al. (2008), o acolhimento visa à escuta, valorização das queixas
e identificação das necessidades do paciente e do familiar, é algo embasado no diálogo em
que as pessoas se envolvem, estabelecendo uma relação. Ao acolher permite-se o
relacionamento humanizado entre profissionais de saúde e a família/paciente. “É relevante
estabelecer vínculos de confiança entre trabalhadores da saúde e a paciente/família. Quando
não ocorre a cumplicidade entre ambos, pode dificultar a terapêutica proposta” (SCHNEIDER
et al. 2008, p. 83).
36
A equipe profissional deve estar preparada para estabelecer uma relação humanizada
com o paciente e a família deste. O acolhimento é um processo contínuo do atendimento em
saúde, pois é no momento da hospitalização de um familiar que muitos indivíduos tornam-se
fragilizados e temerosos, visto que existe o sofrimento e a angústia da insegurança que a
doença gera, assim, paciente e familiar necessitarão da atenção dos profissionais da saúde que
são vistos como possuidores de respostas para as dúvidas que emergem (SCHNEIDER et al.
2008).
De acordo com Kovács (2008), profissionais da área médica são treinados, há uma
“dessensibilização” para que não sofram com a morte; então as pessoas são transformadas em
órgãos, o paciente vira apenas um número ou um órgão doente. É necessário que os
profissionais da saúde estejam preparados para lidar não apenas com conhecimentos técnicos
e científicos, mas também com sensibilidade suficiente para lidar com situações de sobrecarga
emocional dos pacientes e dos familiares, o que requer habilidade para manter um cuidado
humanizado pelo outro (SCHNEIDER et al. 2008).
Diante desses termos, pode-se entender que o ato de acolher é o ato humanizado que
os profissionais do ambiente hospitalar devem manter com os pacientes, cuidadores e
familiares. Conforme Schneider et al. (2008) o acolhimento deve ser feito desde a chegada do
paciente, de forma que o profissional esteja atento aos seus problemas e queixas, permitindo
que o familiar se sinta acolhido, expressando seus medos e angústias. O familiar busca essa
assistência acolhedora, pois seu estado físico e emocional está abalado, e o profissional lhe
acolhe e cuida da sua fragilidade, criando desta maneira um vínculo, uma ligação afetiva e
tornando-se uma convivência de ajuda e respeito recíproco.
Kovács (2008) afirma que quando há interação entre pacientes e familiares com a
equipe profissional, os pacientes sentem-se mais acolhidos, um pouco menos frustrados e
mais conformados e com a sensação de terem sido acolhidos e atendidos. Por mais que
37
existam muitos pacientes, é importante a interação profissional-paciente ou familiar cuidador,
pois o olho no olho possibilita o envolvimento profissional com o paciente; assim o paciente
se sente acolhido e o profissional se aperfeiçoa por ter um contato mais humano.
O Ministério da Saúde (2006) indica que há necessidade de preparação de projetos
terapêuticos individuais e coletivos com equipes de referência em atenção diária para que
estendam a esses cuidadores uma postura acolhedora, que implica no compartilhamento de
saberes e angústias. O ato da escuta e a produção de vínculo como ação terapêutica demonstra
ao cuidador que ele não é apenas mais um, e sim que ele é importante e que deve ser ouvido.
Conforme Laham (2004), o psicólogo dentro de uma equipe de saúde, assume a função não só
de auxiliar o cuidador, mas também, de informar a equipe profissional como o paciente e a
família estão reagindo à doença; isso poderá contribuir no tratamento do paciente, haja vista
que se o cuidador está bem, passa essa segurança para o paciente que poderá reagir melhor ao
tratamento.
Metodologia
Essa pesquisa se caracteriza como pesquisa de campo, do tipo exploratória e de
natureza qualitativa. Segundo Gil (2002) a pesquisa tipo exploratória têm como objetivo
proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a
construir hipóteses, pode-se dizer que o objetivo principal e o aprimoramento de idéias ou
descoberta de intuições. Seu planejamento é bastante flexível, de modo que possibilite a
consideração dos mais variados aspectos relativo ao fato estudado.
Leopardi (2001) define a pesquisa qualitativa como sendo aquela que não está
focalizada em contar o número de vezes em que uma variável aparece, mas sim que qualidade
ela apresenta. Através dessa pesquisa, tenta-se compreender um problema da perspectiva dos
sujeitos que o vivenciam; ou seja, parte de sua vida diária, sua satisfação, desapontamentos,
surpresas e outras emoções, sentimentos e desejos.
38
A pesquisa foi realizada em maio de 2010, tendo como local o Setor de Oncologia do
Hospital São José da cidade de Criciúma-SC. A escolha desse local deve-se à grande
quantidade de pessoas hospitalizadas tendo como principais cuidadores os familiares, que são
os sujeitos deste trabalho.
A população desse estudo foi composta por 06 pessoas, 01 do sexo masculino e 05 do
sexo feminino, sendo eles acompanhantes de pacientes internados no setor. Como critério de
inclusão foram indicados pelo enfermeiro responsável pelo setor os cuidadores que estiveram
aptos a responder as questões da pesquisa.
A coleta de dados contou como instrumento uma entrevista semi-estruturada, que foi
aplicada com os acompanhantes e cuidadores dos pacientes internados no Setor de Oncologia
do Hospital São José de Criciúma-SC. As entrevistas foram gravadas, e posteriormente
transcritas, com consentimento dos participantes. Esta se deu de forma individual. De acordo
com Minayo (2004, p. 57) “a entrevista é o procedimento mais usual no trabalho de campo. E
pode ser coletiva ou individual”.
A pesquisa foi fundamentada nas normas que regulamentam a Pesquisa envolvendo
seres humanos, conforme resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. O Projeto de
Pesquisa para o presente Artigo foi submetido ao Comitê de Ética e Pesquisa do Hospital São
José e aprovado. (Projeto n°. 146/ 2010).
Apresentação e Análise Dos Dados
O principal objetivo desse estudo é compreender a importância do acolhimento
psicológico ao acompanhante e familiar do paciente hospitalizado, a partir das narrativas que
apareceram nas entrevistas. A metodologia utilizada para a análise dos dados foi a análise de
conteúdo, interpretando os discursos que foram obtidos por meio de aplicação do instrumento
de pesquisa que se encontra em apêndice.
39
A coleta dos dados foi efetuada em um encontro realizado nas dependências do
Hospital São José, da cidade de Criciúma-SC. Os sujeitos da pesquisa foram seis
acompanhantes, sendo estes familiares dos pacientes hospitalizados. A pesquisadora se
apresentou aos sujeitos de forma individual, divulgando o objetivo da pesquisa, seguindo com
a entrevista semi-estruturada, contendo dez questões. Utilizou-se para cada participante uma
numeração a fim de identificá-los, mantendo sigilo de suas identidades.
Os participantes responderam questões referentes à idade, sexo, grau de parentesco
com o paciente hospitalizado, tempo de internação desse sujeito, quais os sentimentos
existentes no cuidado de um familiar doente e hospitalizado, de que forma a família está se
sentindo em relação à doença e a internação, se há preparo emocional desse cuidador para
lidar com o paciente. Bem como, se esse cuidador necessita de apoio para isso, quais os
maiores medos em relação ao cuidado com o doente, e se os cuidadores recebem apoio
emocional da instituição para lidar com a situação.
Durante a pesquisa, buscou-se compreender como esses acompanhantes sentem-se ao
cuidar de um familiar hospitalizado, os sentimentos, emoções e o preparo psicológico que
estes têm. As questões da entrevista foram baseadas nos objetivos da pesquisa que eram
compreender a importância do acolhimento psicológico ao acompanhante e familiar do
paciente
hospitalizado;
identificar
as
estratégias
encontradas
pelos
familiares
e
acompanhantes para o enfrentamento do sofrimento frente à internação; averiguar de que
forma o acolhimento psicológico do familiar e acompanhante podem ajudar durante o
processo de hospitalização; descrever de que forma se dá o acolhimento psicológico aos
acompanhantes e familiares de pacientes hospitalizados; identificar como os cuidadores e
familiares de pacientes hospitalizados avaliam o espaço hospitalar em termos de acolhimento.
Dos entrevistados, as idades variam entre 31 e 71 anos. Destes, cinco são do sexo
feminino e um do sexo masculino. O grau de parentesco dos sujeitos da pesquisa é: duas
40
filhas, três esposas e um esposo. De acordo com Waldow (2007), ao longo da história, os
cuidados com os que necessitavam já eram de responsabilidade das mulheres, concluindo-se
que o modo de expressar cuidado, é mais evidente entre as mulheres. Em nossa literatura é
enfatizado o papel da mulher enquanto cuidadora e, por conseguinte, promotora de saúde de
seus familiares. Esse papel lhe possibilitou desenvolver habilidades necessárias para cumprir
o cuidado junto à pessoa doente e tornar-se parceira dos serviços de saúde (ALONSO, 2003).
Grandi (1998) acrescenta que o ato de cuidar normalmente é praticado por mulheres
porque esta ocupa o primeiro lugar entre os cuidadores em potencial, por estarem ligadas
historicamente à responsabilidade pelos cuidados dos membros da família. Dentre esses
fatores, o que leva as mulheres a serem os cuidadores em maior potencial, é o fato de terem
experiência em relação às atividades domésticas aprendidas naturalmente cuidando de outras
pessoas, como crianças e adultos doentes.
Com relação ao tempo de internação desses pacientes, varia entre três e trinta e três
dias, e alguns já estão em processo de internação há um ano; portanto quando há uma
melhora, recebem alta e vão para casa, ficam por lá em média uma semana e retornam ao
hospital, desgastando ainda mais a saúde física e psicológica desses cuidadores, que por
muitas vezes, tornam o ambiente hospitalar como lar temporário. Assim, pode-se verificar na
fala do entrevistado número 06 que relata:
“Faz 33 dias que eu estou aqui direto, mas porque eu que quero. Dia e noite. Meus
filhos trabalham, eu não. Então eu fico aqui. Eu deito de dia, descanso. Na medida que ele tá
bonzinho eu descanso,[...]. Se ele dorme de dia eu também durmo, na medida que ele dorme
eu também durmo. Então eu não fico muito cansada. Mas ultimamente eu tô morando no
hospital, vou, fico no máximo uma semana em casa”. (Esposa, 55 anos).
Nesse mesmo sentido o entrevistado número 02 fala:
Tenho um filho de 04 anos que fica com a minha filha enquanto eu tô aqui. Eu fico
41
aqui e a minha sogra também, mas é bem pouco. A maioria sou eu”. (Esposa, 45 anos).
Confirmando a fala dos entrevistados, Sa (2002) ressalta que esses cuidadores
esquecem que têm uma família que também necessita da sua presença; esquecem que também
precisam de cuidados, que pertencem a um grupo familiar e que estes podem colaborar
revezando o acompanhamento e o cuidado desses pacientes. Para os cuidadores em que não
há revezamento do cuidado com o paciente, percebe-se um maior cansaço, mesmo que não
seja físico. O estado psicológico desses cuidadores é afetado por não estarem descansando
como deveriam.
No que se refere ao sentimento de cuidar de um familiar hospitalizado, os
entrevistados relataram que não se sentem bem em estar no ambiente hospitalar, o
entrevistado 02 afirmou:
“Ninguém quer estar aqui dentro [...], é péssimo tá aqui. Queria ir pra casa”.
(Esposa, 45 anos).
O entrevistado 05 descreve:
“Olha é uma dificuldade, que nos primeiros momentos que a gente soube do fato o
choque foi grande. Mas em razão da precisão a gente vai se superando, se acostumando estar
aqui. Mas de vez em quando a gente não consegue nem falar, sofre muito”. (Esposo, 53
anos). O entrevistado 06 também se referiu:
“Aqui não é um bom ambiente né, mas a gente tem que aceitar. Na hora que a gente
recebe a notícia não fica bem, mas tem que aceitar né”. (Esposa, 55 anos).
Diante dessas falas pode-se compreender que para os cuidadores o fato de estar num
ambiente hospitalar, longe de casa é algo desgastante. Conforme Waldow (2007), o ser
humano, adquire formas e manifestações de cuidar que se sofisticam. Assim sendo, o cuidar
inicia-se primeiramente como forma de sobrevivência, em seguida como uma expressão de
interesse e carinho. A primeira forma mostra-se em todas as espécies de seres vivos. Já a
42
segunda é uma particularidade dos seres humanos. Então, segundo as falas dos entrevistados,
o fato de estar no hospital não é algo acolhedor, mas por amor ao familiar se submetem ao
fato de estar nesse ambiente.
De acordo com Grandi (1998), o cuidador torna-se a segunda vítima, pois o ato de
cuidar gera sobrecarga física e emocional. De acordo com Sa (2002), o papel de cuidador não
é algo preestabelecido e ninguém está preparado para tal, por isso, quando surge à
necessidade de cuidar, cada qual reage de uma maneira, de acordo com suas características
particulares. O cuidador assume um papel que foi imposto pela ocasião. Durante as
entrevistas, observou-se uma sensibilidade intensa em todos os entrevistados. Alguns, por
razão de religiosidade mostravam-se um pouco mais seguros com relação à doença; no
entanto, todos, sem nenhuma exceção, durante a entrevista se emocionaram, demonstrando
fragilidade perante a situação.
Com relação à família do paciente hospitalizado, os entrevistados na sua grande
maioria mencionaram o apoio e o papel fundamental que esta exerce no processo de cuidar.
Afirmam ainda que todo o núcleo familiar é afetado. Verifica-se isso através das colocações
do entrevistado 03:
“Eles me dão muito apoio, dizem que quando ele faltar, sozinha eu não vou ficar. [...]
A minha família tá tudo aborrecido. Tão tudo querendo que ele melhore pra ir embora. [...] A
gente reveza bem, pra cuidar dele, vem neto, vem neta, vem filho, vem filha, vem genro. A
família ajuda bastante graças a Deus”. (Esposa, 71 anos).
Ainda percebem-se tais afirmações na fala do entrevistado 04:
“Olha, eu moro em Mato Grosso do Sul, então vim pra ajudar os meus irmãos a
cuidarem do meu pai. Porque ele tem que ter sempre alguém, então se fica sempre um só, a
gente não aguenta, então tem que tá se revezando, senão ninguém guenta”. (Filha, 38 anos).
Assim sendo, comprova-se a afirmação de Kübler-Ross (2000) de que os familiares
43
desempenham papel preponderante durante o adoecimento de um membro do grupo, e suas
reações muito contribuem para a própria reação do paciente. Ressalta ainda a necessidade que
os membros da família têm em dosar suas energias para que não se esgotem suas forças e as
tenham quando for necessário. Essa atitude evidencia-se pelo fato de os cuidadores
revezarem-se para o cuidado com o paciente.
Conforme Waldow (2007), a hospitalização é um evento que gera temor nas pessoas,
pois a doença é vista como ameaçadora e o estar doente é algo que se caracteriza por uma
ruptura na relação do indivíduo com o mundo, pois as capacidades que eram possíveis agora
já não são mais. Pode-se evidenciar essa afirmação com a fala do entrevistado 05, que relata
as alterações de rotina no ambiente familiar:
“[...] sai do meu serviço pra cuidar dela, só pra me dedicar. [...]. Minha casa mudou
da noite pro dia né, antes era ela agora eu tenho que atender ela. Eu chegava do serviço, a
mesinha tava pronta, agora eu tenho que fazer a comida, bolo, sou eu que faço. E ainda
tenho que cuidar dela né. Até quinta feira passada eu ficava sozinho aqui, mas semana
passada ela deu uma crise, então a médica pediu pra se revezar um pouquinho, um
conversava com o outro pra poder se superar. Eu e a cumadre fazemo o cuidado durante o
dia”. (Esposo, 53 anos).
Assim sendo, para Carter e Mcgoldrick (2001), quando um familiar adoece, o sistema
é afetado, no geral, a doença aproxima os membros de uma família, acionando nesta o
processo de socialização com a enfermidade. É nessa fase do ciclo de vida da família que os
indivíduos têm maiores responsabilidades.
Concernente à sétima questão, os entrevistados demonstraram que nem todos os
familiares estão preparados para lidar com o cuidado de um familiar doente. De acordo com
Sa (2002), o papel de cuidador não é algo preestabelecido e ninguém está preparado para tal,
por isso, cada sujeito reage de uma maneira ao se deparar com tal situação. Grandi (1998) fala
44
que o cuidar não é algo inato, e sim algo imposto pela ocasião. Assim, o cuidador poderá
vivenciar essa experiência de forma dolorosa. Quando questionado sobre o preparo emocional
o entrevistado 05 afirma:
“[...] não tenho não. Na hora do choque é brabo. Eu passei um choque quando a
médica e a psicóloga me deram explicação, eu me senti... Eu to me esforçando pra controlar
o equilíbrio, a união da família, dos filhos. Mas eu sempre choro. Eu converso com eles tudo,
mas numa certa hora eu sempre choro”. (Esposo, 53 anos).
Conforme Waldow (2006), o familiar normalmente não está preparado para lidar com
a situação, contudo é a pessoa mais próxima do paciente, e se torna à pessoa mais apta para
cuidar. Embora seja a pessoa mais indicada a estar com o paciente, este também sofre, pois se
depara com situações que fazem com que seu estado psicológico e emocional que estão
despreparados seja abalado, gerando sentimentos como angústia, ansiedade e desespero. O
entrevistado 04 relata:
“A primeira vez que ele adoeceu a gente, eu e a mãe, a gente se revezava. Eu dizia,
mãe, vamo arrumar outra pessoa porque eu não tenho condição. Não dormia a noite, ficava
muito debilitada. Mas agora a gente tenta ser forte, não sei, acho que Deus dá graça e a
gente consegue. A gente sofre, chora, mas não adianta se descabelar, não vai adiantar
nada.” (Filha, 38 anos).
Embora haja sofrimento com a internação de um familiar, alguns indivíduos se
apegam na fé para o enfrentamento da dor, de acordo com Feifel (1959 apud KOVÁCS,
2008), para as pessoas que mantêm algum tipo de religiosidade o enfrentamento da doença se
dá de forma mais suave. O entrevistado 06 narra:
“A gente que é da igreja tá sempre em oração, rezando. E isso dá bastante força. Os
meus filhos são também, eles participam”. (Esposa, 55 anos).
O entrevistado 04 afirma:
45
“[...] a gente tá triste com isso, mas a gente tem que ter força, se apega a Deus, na fé.
Ele também dá força pra gente”. (Filha, 38 anos).
Percebe - se que para os cuidadores que têm algum tipo de religiosidade, essa se torna
uma válvula de escape, pois mencionam a fé como sendo algo confortador e que lhes dá força.
Durante a entrevista, quando citavam a fé e a religiosidade, esses cuidadores demonstravam
uma serenidade, embora existisse a dor do sofrimento, nesse instante mostravam-se
confortados.
Quando questionados se necessitam de apoio para lidar com os cuidados do familiar
num ambiente hospitalar, os entrevistados relataram que sim e descrevem como principal
aliado à família. De acordo com Osório (2003), os cuidadores merecem o devido apoio, tanto
físico como emocional, para que não venham a adoecer. Assim, o cuidado psicológico
dedicado a estes cuidadores é essencial, pois além de cuidar da própria saúde, o cuidador está
em contato direto com o paciente e poderá influenciar no tratamento. O entrevistado 01
menciona:
“Foi muito interessante num dia em que deram muita morfina pra ele e ele ficou muito
fora, [...] e ele brigava comigo,[...].E ai eu comecei a chorar. Sai fora do quarto e veio uma
enfermeira e conversou comigo e disse, é assim mesmo ele nem sabe que está fazendo isso.
[...] se não tivesse alguém que viesse conversar comigo talvez eu ia precisar de alguém em
casa, e o meu dia teria ficado insuportável”. (Filha, 31 anos).
Neste sentido, quando questionado o entrevistado 05 fala:
“Claro. Tanto eu como a família. Nós somos muito unidos. E isso que dá força”.
(Esposo, 53 anos).
Conforme Grandi (1998), o cuidador é o responsável direto pelo paciente, é ele que
zela tanto o estado físico como o psicológico e social, tornando-se então, cada vez mais
46
dependente do que o cuida. Assim, o cuidador torna-se a segunda vítima, pois o ato de cuidar
gera sobrecarga física e emocional.
O principal medo dos acompanhantes com relação à doença e a hospitalização do
familiar é o de vivenciar um momento de dor. Segundo Sa (2002), o cuidador sofre com a
descoberta da doença, e sofre ao ver seu familiar sofrendo. Tais fatos geram na família grande
fragilidade diante do medo de enfrentar a doença. O entrevistado 01 relata:
“O meu medo é que ele sofra, o meu medo é que ele comece a sentir muita dor e a
gente não consiga controlar isso. Eu não quero que ele sofra. O meu medo é de ver ele
chorando, sofrendo”. (Filha, 31 anos).
O entrevistado 04 afirma:
“A gente tem medo de ele vim a sentir muita dor. (...) a gente não sabe o que pode vim
acontecer. A gente tem medo de ele vim a sofrer muito”. (Filha, 38 anos).
Evidenciou-se a questão do medo de presenciar o sofrimento do outro. Esse
sentimento gera sensação de impotência frente à situação, pois para o familiar que
acompanha, não há o que fazer frente ao momento de dor. O momento é de total fragilidade
para os familiares que cuidam do paciente, o fato de cuidar de alguém que amam e de ver o
momento de dor deste, gera para o cuidador uma angústia muito grande, pois não há nada que
se possa fazer para evitar.
É importante destacar que para esses acompanhantes a equipe profissional que compõe
o ambiente hospitalar é vista como possuidores das respostas. As enfermeiras, principalmente,
desempenham papel de auxiliadoras nesse processo de cuidar. Por mais que os
acompanhantes mantenham constante contato com a família, dentro do hospital são as
enfermeiras e enfermeiros que desempenham muitas vezes, o papel de apoio. O entrevistado
01 faz essa afirmação:
”[...] num dia em que deram muita morfina pra ele e ele ficou muito fora, e ai eu dizia
47
pai olha pra mim e ele brigava comigo, dizia ai para guria, para, vai embora! E ai eu
comecei a chorar. Sai fora do quarto e veio uma enfermeira e conversou comigo e disse, é
assim mesmo ele nem sabe que está fazendo isso. Então nessa hora eu precisei de alguém”.
(Filha, 31 anos).
É fundamental que a equipe de saúde identifique quem é o cuidador, aproximando-se
deste, dando-lhe apoio e estabelecendo uma relação de confiança. O cuidador deve ser uma
preocupação constante para a equipe de saúde, necessitando ser fortalecido e instigado a olhar
para si próprio e assim poder cuidar do familiar doente. (MOTTA, 2004).
Desta forma, segundo Schneider et al. (2008), o acolhimento dentro do ambiente
hospitalar é necessário e a equipe profissional deve estar preparada para tanto. O acolhimento
visa à escuta, valorização das queixas e identificação das necessidades do paciente e do
familiar. Compreende-se assim, o sentido dessa pesquisa, que demonstrou através das
entrevistas as hipóteses levantadas no projeto, afirmando a necessidade de um tratamento
adequado aos familiares acompanhantes de pacientes hospitalizados.
Os familiares cuidadores deverão aprender novas habilidades para cuidar desses
pacientes, além de que necessitam não apenas de conhecimentos técnicos, mas também de
apoio do ponto de vista psicológico para poder superar situações delicadas tais como: cuidar
do familiar que agora está limitado ao leito hospitalar. O fato de esses pacientes tornarem-se
dependentes totais desse cuidador, entre outras situações gera sobrecarga emocional nos
cuidadores que necessitam da devida atenção para que se sintam psicologicamente fortes e
lidem com a situação da forma mais natural possível.
Considerações Finais
A internação de um familiar doente gera uma crise no grupo familiar e do cuidador,
que geralmente será alguém da família que tem forte ligação afetiva com o doente. Através do
48
instrumento de pesquisa utilizado, foi possível fazer uma análise das mudanças ocorridas na
vida dos familiares cuidadores de pacientes hospitalizados. Constatou-se que quando uma
doença atinge um membro da família, todo o grupo familiar é afetado, desde a criança, que
sente a ausência da mãe no lar, até o esposo, que no papel de cuidador assume as tarefas que
antes eram da esposa. De uma forma geral, esses cuidadores adoecem psicologicamente, pois
além de receberem a notícia de que um familiar, uma pessoa que amam passará por um
momento de doença, recebem ainda o impacto de cuidar desse paciente.
Embora os familiares cuidadores demonstrassem nas entrevistas que se sentem bem
em estar ao lado de quem amam num momento difícil, evidenciam a fragilidade que passam
juntamente com todo o grupo familiar, que também é afetado. De uma forma geral, esses
familiares sofrem as mudanças no cotidiano e as mudanças físicas, como dormir mal, o
estresse e a ansiedade. O medo de ver o familiar sofrendo por si só, já gera toda essa mudança
na vida e na saúde desses acompanhantes.
Com esse estudo, foi possível responder o problema da pesquisa que buscava
compreender qual a importância do acolhimento psicológico ao acompanhante familiar do
paciente hospitalizado.
Durante o processo, compreendeu-se a necessidade de assistência psicológica aos
acompanhantes, embora na sua maioria tenham o apoio da família, dentro do ambiente
hospitalar sentem-se angustiados ao se depararem com situações que não fazem parte do
cotidiano familiar. O simples fato de receberem informações do estado de saúde do paciente,
já conforta esses familiares, que muitas vezes, sem saber do real diagnóstico, ficam na
angústia da dúvida. O esclarecimento das dúvidas e o conhecimento da real condição do
familiar ameniza o sofrimento desses cuidadores.
Durante a internação, os cuidadores encontram formas de acolhimento dentro do
hospital que aliviam a ansiedade da espera, como criar vínculos de amizades com os outros
49
acompanhantes que estão no hospital. O simples fato de ter alguém para poder compartilhar
os sentimentos e as experiências já vividas, alivia o sofrimento dos cuidadores, pois percebem
que não estão sozinhos e que não são os únicos a sofrerem. De acordo com as respostas dos
entrevistados, há necessidade de um profissional que explique com precisão o estado de saúde
do familiar, que ajude esses acompanhantes a enfrentarem o momento, buscando com esses o
auxílio emocional, confortando no momento em que recebem tais informações, que
geralmente é algo desagradável.
Diante disso, finaliza-se constatando que os cuidadores sofrem um grande desgaste
emocional e físico, e por isso precisam de um tratamento mais humanizado por parte das
instituições e profissionais de saúde, que nos dados da pesquisa se mostra deficiente e muitas
vezes, inexistente. Portanto, é preciso um novo olhar destes profissionais para a ajuda e o
suporte emocional dos cuidadores, haja vista que estes são o principal apoio que os
profissionais da saúde e os próprios doentes recebem.
50
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Vozes, 2006. 190 p.
WALDOW, Vera Regina. Cuidar: expressão humanizadora da enfermagem. 2. ed Petrópolis,
RJ: Vozes, 2007. 190 p.
53
APÊNDICE
54
APÊNDICE 01
QUESTIONÁRIO
1.
Idade:
2.
Sexo:
3.
Grau de parentesco:
4.
Há quanto tempo o paciente está internado?
5.
Como você se sente ao cuidar de um familiar seu que esteja doente e hospitalizado?
6.
Como a sua família está se sentindo em relação a essa internação/doença?
7.
Você sente-se emocionalmente preparado para ajudar seu familiar doente?
8.
Você necessita de apoio para isso?
9.
Quais os seus maiores medos em relação ao cuidado com o doente?
10.
Você tem recebido apoio emocional dessa unidade de saúde para ajudar o doente?
55
APÊNDICE 02
ENTREVISTAS COM OS FAMILIARES CUIDADORES DE PACIENTES
HOSPITALIZADOS
Entrevista 01
1.
Idade:
31
2. Sexo:
(x) Feminino
( )Masculino
3.
Grau de parentesco:
Filha
4.
Há quanto tempo o paciente está internado?
22 dias
5.
Como você se sente ao cuidar de um familiar seu que esteja doente e
hospitalizado/internado?
São diversos fatores né, assim, eu cuidando do meu pai é tranqüilo, eu cuidando do meu pai,
só que além de eu cuidar do paciente da gente a gente acompanha outros pacientes do quarto
também. As vezes esses outros pacientes mechem mais com a gente do que o meu próprio pai,
porque a gente acompanha ele, toma cuidado com ele,dá carinho, converso, agora o que
chama a atenção é outros pacientes que derrepente não tem tanta estrutura psicológica pra
cuidar dessa pessoa ou ate mesmo estrutura financeira, porque tem gente que não tem nem
dinheiro pra comprar fraudas descartáveis, e isso acaba abalando mais do que eu com o meu
pai, porque eu sei o que o meu pai tem e vou fazer de tudo pra ajudar ele, então eu to ciente
disso, e isso já não meche mais comigo, meche quando ele sai um pouquinho fora por causa
dos remédios fortes que ele toma, ai ele briga com a gente, meu pai nunca brigou comigo,
então meche sim. Por isso que é interessante o acompanhamento, porque eu vejo aqui no
hospital que muita gente precisa de acompanhamento, porque imagina, eu já estou nesse
hospital há 22 dias, imagina o que eu já não vi, até mãe perder paciência com filho na hora de
dar banho e deixar La no chuveiro sozinho. Porque tanto fica irritado e estressado o paciente e
o acompanhante.
6.
Como a sua família está se sentindo em relação a essa internação/doença?
Nossa família é bem grande e bem unida, então sempre fica um durante o dia e outro a noite, a
gente sempre se reveza.
Minha família já vem sofrendo com um infarto que a minha mãe teve.ela ficou bem mal, ficou
na UTI, ficou 30 e poucos dias no hospital. A mãe chegando do hospital, o pai começou a
passar mal, sentir dores. Essa internação dele tem 22 dias, mas já teve outras. Então a mãe não
fica em casa sozinha, fica na casa da minha Irma porque esta se recuperando da cirurgia.
Então pra nos é mais complicado ainda, porque a gente passa La pela casa da mãe e ta tudo
fechado, e porque eles não estão mais em casa. Eles eram a base pra gente, tipo, o que nos
vamos fazer hoje a noite? Vamos La na mãe! E os almoços de domingo era sempre lá na mãe.
agora não tem mais isso. Agora a gente passa lá e ta tudo fechado. Mudou nossa rotina. E isso
abalou a família.
7.
Você sente-se emocionalmente preparado para ajudar seu familiar doente?
Eu me sinto preparada. Eu estou cansada já, mas é uma coisa que eu tenho que fazer, não tem
escolha. Eu tenho que fazer e eu quero fazer, eu quero cuidar. Eu acredito que eu estou
preparada, mas eu só vou saber se estou preparada a hora que começar a complicar mais, eu
56
penso que estou, mas não sei realmente. Eu tenho que levantar a minha cabeça e dizer que eu
estou bem, mas lá dentro assim a gente sofre porque a gente ama né.
8.
Você necessita de apoio para isso?
Sim. Foi muito interessante num dia em que deram muita morfina pra ele e ele ficou muito
fora, e ai eu dizia pai olha pra mim e ele brigava comigo, dizia ai para guria, para, vai embora!
E ai eu comecei a chorar. Sai fora do quarto e veio uma enfermeira e conversou comigo e
disse, é assim mesmo ele nem sabe que está fazendo isso. Então nessa hora eu precisei de
alguém, se não tivesse alguém que viesse conversar comigo talvez eu ia precisar de alguém
em casa , e o meu dia teria ficado insuportável. Nessa hora foi muito importante alguém
chegar em mim e me dar esse apoio. Nesses 22 dias que eu estou aqui não passou nenhuma
psicóloga pra falar com a gente.
9.
Quais os seus maiores medos em relação ao cuidado com o doente?
Eu não sinto medo que ele morra, porque assim, eu vejo o sofrimento dele e eu não quero isso
pro meu pai. Porque a doença dele é nos ossos, é como se fosse uma tracinha que vai roendo o
osso. Então tu só imagina a dor que ele não ta sentindo, tu vai levar ele no banheiro ele grita
de dor, tu vira ele na cama, ele grita de dor. Então por isso eu não tenho medo de morte. Eu to
satisfeita com que ele viveu ate hoje. Então assim, hoje eu entrego ele, a hora que tiver que ser
a hora dele assim eu vou estar satisfeita com que vivi com ele ate hoje. O meu medo é que ele
sofra, o meu medo é que ele comece a sentir muita dor e a gente não consiga controlar isso.
Eu não quero que ele sofra. O meu medo é de ver ele chorando, sofrendo. O meu pai foi uma
pessoa muito boa a vida inteira, e eu acho que ele não merece passar por isso. Na verdade
ninguém merece. Mas é meu pai né.
10.
Você tem recebido apoio emocional dessa unidade de saúde para ajudar o
doente?
Teve um dia que o pai tava bem ruim e uma freira veio aqui e me disse: teu pai ta ruim, não
vai passar de hoje, vamos dar a estrema unção nele? Eu disse vamos, mas eu sei que meu pai
ta ruim, eu sei que se ele sofrer muito é melhor ele ir, mas ninguém merece alguém chegar e
te dizer isso, principalmente uma freira, que a imagem que a gente tem dela é de dar apoio. E
depois ele deu uma melhorada, e ela voltou e disse, ai ele não se foi ainda né, ta penando. Me
deu vontade de pegar ela pelos cabelinhos e levar pra rua. Porque eu sei que isso vai
acontecer, mas não há necessidade disso. Foi precipitado da parte dela. Ela poderia ter dado
extrema unção, mas não falar dessa forma. Eu sei que isso vai acontecer, mas ninguém quer
ouvir isso dessa forma. Acabou comigo. Teve uma medica que me tratou super bem, me
esclareceu as coisas, e isso foi bom, porque ele me passou a informação de uma forma boa, de
uma maneira diferente. E me deu força pra passar pra passar legal pras pessoas em casa,
porque se eu recebo bem eu passo bem, agora se eu recebo a informação de uma forma rude
eu passo assim também.
Entrevista 02
1.
Idade:
45
2.
Sexo:
(x) Feminino
( )Masculino
3.
Grau de parentesco:
Esposa
4.
Há quanto tempo o paciente está internado?
Faz 15 dias. Essa semana ele já sai. Ele sofreu um acidente, mas não sei ainda o que
aconteceu, porque ele não fala ainda. Ficou em coma, uma semana, e ficou entubado, ai pegou
pneumonia.
57
5.
Como você se sente ao cuidar de um familiar seu que esteja doente e
hospitalizado/internado?
Ninguém quer estar aqui dentro né, ui é péssimo ta aqui. Queria ir pra casa. Tenho um filho de
04 anos que fica com a minha filha enquanto eu to aqui.
Eu fico aqui e a minha sogra também, mas é bem pouco. A maioria sou eu.
6.
Como a sua família está se sentindo em relação a essa internação/doença?
No momento que a gente soube do acidente foi muito ruim, não tinha nem vaga na UTI, eu ia
ter que pagar ainda bem que apareceu uma.
7.
Você sente-se emocionalmente preparado para ajudar seu familiar doente?
Não né, eu não to preparada pra isso. Eu chorei muito. A gente vê muita coisa ruim aqui,
agora mesmo tava chorando. Mas agora ele já ta bom. Mas é triste porque eu tenho um
menino em casa. Ai eu vou rapidinho em casa. Mas eu fico triste por lá e aqui.
8.
Você necessita de apoio para isso?
A gente precisa né. Nessa hora todo mundo precisa de um apoio. Porque na verdade tu ta
aqui, aquela pessoa ta ali, u vê que pra botar uma sonda ele sofre e tu sofre também. A gente
sofre junto com ele. E a gente não pode fazer nada. É uma coisa terrível. E se tu maltrata a
enfermeira, e ela ta fazendo pro bem dele, tu depende dela, então a tua cabeça fica... tu
desparafusa. E a gente fica aqui direto, dorme mal, come mal, hoje eu nem comi ainda. To
esperando alguém chegar porque não posso sair e deixar ele sozinho.
Eu trabalho e me liberaram no serviço. Eu peguei um atestado com o médico.
9.
Quais os seus maiores medos em relação ao cuidado com o doente?
Só o sofrimento dele mesmo. É ruim ver ele sofrendo de dor, usa sonda e tudo, deve doer.
10. Você tem recebido apoio emocional dessa unidade de saúde para ajudar o doente?
Os enfermeiros são pessoas muito boas. Mas eu sinto falta de ter alguém pra conversar,
desabafar às vezes. Porque assim, eles são muito bons, mas assim, a gente pergunta como que
ele ta, mas o médico sempre vem rapidinho rapidinho e nunca fala pra gente o que ele tem.
Eles não param pra conversar com a gente direito, eu sei, eu entendo, mas eu quero saber o
que acontece com ele né, porque foi uma batida na cabeça. É visitinha de medico mesmo.
Entrevista 03
1.
Idade:
71
2.
Sexo:
(x)Feminino
( )Masculino
3.
Grau de parentesco:
Esposa
4.
Há quanto tempo o paciente está internado?
Olha, já ta em 04 meses, mas não direto, ele vai pra casa e volta. Nessa ultima vez não ficou 3
dias, já voltou pra cá.
5.
Como você se sente ao cuidar de um familiar seu que esteja doente e
hospitalizado/internado?
Como que eu vou te dizer... A gente se sente contente de ta cuidando né, mas... pra mim é
bom, porque eu sei que eu to aqui junto. Não to contente de ta no hospital, contente de ta aqui
junto. Eu faço aquilo que eu posso. Eu cuido, eu trato, boto a comida na boca.
6.
Como a sua família está se sentindo em relação a essa internação/doença?
58
Eles me dão muito apoio, dizem que quando ele faltar sozinha eu não vou ficar. Querem que
eu venda minha morada e venha morar com eles. Mas eu sempre digo que não vou abandonar
a minha casa, não é abandonar, é vender, mas nada como a casa da gente. Por mais bem
tratada que eu seja, por mais bom ele eles seje né, são muito bom pra mim.
A minha família ta tudo aborrecido. Tão tudo querendo que ele melhore pra ir embora. Porque
ele não come bem, então a família só quer que ele vá pra casa quando ele começar a comer
bem né. Olha eu sou de sombrio. Então eu to parando na casa da minha filha que mora aqui
em criciúma ai é mais perto do hospital. Lá morava só nois dois.
A gente reveza bem, pra cuidar dele, vem neto, vem neta, vem filho, vem filha, vem genro. A
família ajuda bastante graças a deus. Mas eu não durmo aqui, eles não deixam porque eu sou
de idade né, só me deixam de dia. Só venho nas horas de mais precisão.
Essa já é a quinta internação dentro de cinco meses. É brabo deixar a minha casa, é difícil,
mas antes deixar a casa lá e estar aqui com ele né. Então a casa ta lá e eu to aqui né.
7.
Você sente-se emocionalmente preparado para ajudar seu familiar doente?
Sim. Mas eu fico nervosa quando ele passa mal. Eu fico nervosa mais resisto.
8.
Você necessita de apoio para isso?
Olha, eu tenho bastante apoio da minha família, a gente se reveza muito, aqui dentro preciso
de apoio das enfermeiras né, pra ajudar tomar banho que eu não consigo, dói muito minha
coluna.
9.
Quais os seus maiores medos em relação ao cuidado com o doente?
Eu tenho medo de ficar aqui sozinha com ele e ele passar mal sozinho comigo, mas se vim
acontecer, Deus sabe de tudo né. Passa tudo pela cabeça da gente, tenho medo dele faltar e eu
ficar sozinha (choro), porque meus filhos são tudo casados, tenho medo de ele faltar e eu
ficar, mas pra Deus nada é impossível, talvez ele melhore e eu me vá antes né.
10. Você tem recebido apoio emocional dessa unidade de saúde para ajudar o doente?
Sim, sim, as enfermeiras são tudo boa, trato a gente bem, são muito bom pra ele, os padre
também, as freira, mas assim, pra conversar não. O que mais eu gosto de conversar bastante,
to sempre conversando. Sou muito conversadeira. Hoje eu ainda tava dizendo, saiu esses
daqui né, eram bem bonzinho, bem conversador, então eu sinto falta de conversar com
alguém. A gente sempre fica amigo nos quartos. A gente se apóia e fica amigo. Até quando
sai do quarto a gente sente.
Entrevista 04
1.
Idade:
38
2.
Sexo:
(x) Feminino
( ) Masculino
3.
Grau de parentesco:
Filha
4.
Há quanto tempo o paciente está internado?
1 mês.
5.
Como você se sente ao cuidar de um familiar seu que esteja doente e
hospitalizado/internado?
É bom cuidar dele, de estar junto, e também ao mesmo tempo é bom estar aqui porque está
em contato com o hospital e busca informações.
Ah, assim também, conforto a gente não tem,e não pode querer isso, mas o objetivo da gente
ta aqui é dar conforto pra ele, acompanhar ele, fazer o que é possível, é ser presente, ta junto,
59
porque a gente não sabe quanto tempo de vida ele ainda tem. A gente vê muito caso de gente
idosa que fica assim doente e não tem ninguém junto da família, eu acho muito, triste sofrido.
Graças a deus no nosso caso a família toda se uniu e muita gente tio, primo, amigo se oferece
de ajudar e é conforto pra família isso também.
6.
Como a sua família está se sentindo em relação a essa internação/doença?
Olha, eu moro em mato grosso do sul, então vim pra ajudar os meus irmãos a cuidarem do
meu pai. Porque ele tem que ter sempre alguém, então se fica sempre um só a gente não
agüenta, então tem que ta se revezando, senão ninguém guenta.
A gente teve noticia da doença dele já em maio do ano passado, e a gente já soube que não
tinha o que fazer, nem quimioterapia, nem transplante. Mas ele é uma pessoa de muita fé e fez
com que a gente se motivasse e buscasse outras alternativas. Mas no começo assim, a gente se
sentiu muito abalado né. Mas assim, sofremos mas na frente dele sempre dando força pra ele,
não demonstrar que a gente ta triste com isso, mas a gente tem que ter força, se apega a Deus,
na fé. Ele também dá força pra gente. Mas a gente sabe que a situação dele é bem complicada.
Porque não adianta quimioterapia, não vai fazer efeito, vai só fazer ele sofrer.
7.
Você sente-se emocionalmente preparado para ajudar seu familiar doente?
A gente nunca sabe. A primeira vez que ele adoeceu a gente, eu e a mãe, a gente se revezava.
Eu dizia, mãe, vamo arrumar outra pessoa porque eu não tenho condição. Não dormia a noite,
ficava muito debilitada. Mas agora a gente tenta ser forte, não sei, acho que Deus dá graça e a
gente consegue.
A gente sofre, chora, mas não adianta se descabelar, não vai adiantar nada. A única coisa que
a gente pode fazer é marcar presença, porque resolver não vai, o medico mesmo já falou.
8.
Você necessita de apoio para isso?
A gente tem o apoio do padre, que vem no quarto, das irmãs também que vem no quarto dá a
unção. A gente tem bastante apoio da família e dos amigos também, hoje ainda tivemos uns
amigos aqui que viajaram 03 horas pra ver ele, então é bom pra gente e pra ele também.
Quando tava no hospital tava mais perto de casa ele recebia muita visita. Mas aqui é mais
longe então pouca gente vem, porque ele é de São João do Sul, dá 03 horas de viajem. Mas
vem todo dia alguém de lá pra ficar com ele aqui. Vem um, volta um.
9.
Quais os seus maiores medos em relação ao cuidado com o doente?
A gente tem medo de ele vim a sentir muita dor, porque ele não sente nada de insuportável
assim, a gente não sabe o que pode vim acontecer. A gente tem medo de ele vim a sofrer
muito. Por enquanto ta difícil, mas nada de grave. Então a gente tem medo de agravar.
10. Você tem recebido apoio emocional dessa unidade de saúde para ajudar o doente?
Das irmãs, do padre, que sempre dão a comunhão. O Andersom que é chefe dos enfermeiros
sempre dá muito apoio pra gente. É como um irmão aqui dentro.
Entrevista 05
1.
Idade:
53
2.
Sexo:
( )Feminino
( x)Masculino
3.
Grau de parentesco:
Esposo
4.
Há quanto tempo o paciente está internado?
Há 14 anos ela descobriu a doença. Ai operou na panturrilha, depois voltou na virilha e agora
voltou na cabeça. A primeira cirurgia na cabeça foi em outubro. Agora voltou a se internar faz
15 dias.
60
5.
Como você se sente ao cuidar de um familiar seu que esteja doente e
hospitalizado/internado?
Olha é uma dificuldade, que nos primeiros momentos que a gente soube do fato o choque foi
grande. Mas em razão da precisão a gente vai se superando, se acostumando estar aqui. Mas
de vez em quando a gente não consegue nem falar, sofre muito.
6.
Como a sua família está se sentindo em relação a essa internação/doença?
A gente acaba percebendo depois das declarações do medico que não tem mais cura. A gente
vai devagarzinho botando as energias. Eu e a minha filha do meio tamo aceitando a entrega
dela, os outros filhos mais novos ainda não tem noção disso, eles não aceitam. Eu queria
muito ser que nem a minha filha que diz que a mãe vai melhorar, mas eu não consigo, eu sei
que não vai, porque em casa era eu que ficava com ela, então de lá pra cá eu vi ela só piorar. E
ta ficando cada vez mais ruim, não tem como melhorar. Eu fico vendo a dificuldade, tanto
dela quanto a nossa. A minha dificuldade é aceitar uma mãe dedicada aos filhos, dedicada ao
serviço da casa, se encontrar assim dependendo da nossa conta. No começo ela não queria
aceitar nem usar a frauda, a gente a colocar nela né. Mas ela foi perdendo a fala, os
movimentos, ela nem percebia mais se tava com frio, a gente que tinha que sentir por ela.
Eu trabalhava, já sou aposentado mas trabalhava de zelador, ai eu sai do meu serviço pra
cuidar dela, só pra me dedicar.
Minha casa mudou da noite pro dia né, antes era ela agora eu tenho que atender ela. Eu
chegava do serviço a mesinha tava pronta, agora eu tenho que fazer a comida, bolo, sou eu
que faço. E ainda tenho que cuidar dela né.
Até quinta feira passada eu ficava sozinho aqui, mas semana passada ela deu uma crise, então
a médica pediu pra se revezar um pouquinho, um conversava com o outro pra poder se
superar. Eu e a cumadre fazemo o cuidado durante o dia.
7.
Você sente-se emocionalmente preparado para ajudar seu familiar doente?
Olha eu vou te dizer uma coisa, não tenho não. Na hora do choque é brabo. Eu passei um
choque quando a medica e a psicóloga me deram explicação, eu me senti... elas me falaram
que eu posso entregar ela, porque um lado do corpo não ta mais funcionando, os rins, o
coração, ta tudo com dificuldade, ela não responde a mais nada. Depois de receber o choque
eu senti muita dor no peito, mas acho que pelo fato da minha respiração. Mas a gente tem que
se conformar porque tenho 04 filhos e uma casa com um pilar quebrado já entorta, imagina
com os dois? É difícil pros filhos. Eu to me esforçando pra controlar o equilíbrio, a união da
família, dos filhos.
Mas eu sempre choro. Eu converso com eles tudo, mas uma certa hora eu sempre choro.
8.
Você necessita de apoio para isso?
Claro. Tanto eu como a família. Nós semo muito unido. E isso que dá força.
9.
Quais os seus maiores medos em relação ao cuidado com o doente?
Com relação ao sofrimento dela né, porque é ruim ver ela assim, desse modo, sofrendo. Mas o
meu desejo é que
10. Você tem recebido apoio emocional dessa unidade de saúde para ajudar o doente?
Sim, eles deixam a gente ficar em dois aqui com ele, não dizem assim né, mas eles sabem e
ajudam a gente aqui. E o pessoal que trabalha aqui sente também, a gente percebe né. O
conhecimento pessoal que eu tenho com a Dra. Psicóloga de fora do hospital, lá da academia
me ajudou, porque ela veio aqui pessoalmente com a Dra médica e me disse que eu tenho que
ser forte e entregar porque às vezes a pessoa não vai porque a família ta segurando, pedindo
que não vá. Ai a vitima fica sofrendo mais. Mas o meu desejo é que ela vá em paz. Não
precisa ficar pensando na família que a minha missão eu vou continuar (choro). Não é fácil!
61
Entrevista 06
1.
Idade:
55
2.
Sexo:
(x) Feminino
( )Masculino
3.
Grau de parentesco:
Esposa
4.
Há quanto tempo o paciente está internado?
Dessa vez agora ta 33 dias. Faz um ano que ele descobriu a doença, vai pra casa e volta pro
hospital.
5.
Como você se sente ao cuidar de um familiar seu que esteja doente e
hospitalizado/internado?
Aqui não é um bom ambiente né mas a gente tem que aceitar. Na hora que a gente recebe a
noticia não fica bem, mas tem que aceitar né. E não dá pra fazer cirurgia, o Dr. Falou que se
operar ele não volta da mesa de cirurgia, mas pra mim era melhor operar porque parece que
vai melhorar, na minha cabeça né, ma a gente vai é pelos médicos. Então é só mesmo a
radioterapia.
Faz 33 dias que eu estou aqui direto, mas porque eu que quero. Dia e noite. Meus filhos
trabalham, eu não. Então eu fico aqui. Eu deito de dia, descanso. Na medida que ele tá
bonzinho eu descanso assim também né. Se ele dorme de dia eu também durmo, na medida
que ele dorme eu também durmo. Então eu não fico muito cansada. Mas ultimamente eu tô
morando no hospital, vou fico no máximo uma semana em casa.
6.
Como a sua família está se sentindo em relação a essa internação/doença
Todos se sentimos abalados né. Mas pro pai eles se mostram bem, ficam firmes. Mas a gente
vai na igreja né e se apega, segura na mão de Deus. Como diz a minha filha, a gente não
adianta abaixar a cabeça, tem que levantar a cabeça e dar força pra ele também. Não adianta a
gente aparecer triste na frente dele, tem que dar força né, sempre de cabeça erguida. As
enfermeiras sempre dizem que me vêem sorrido, isso que tem q passar pra ele. Mas se eu
sinto vontade de chorar eu vou no banheiro. Não tenho que me apavorar. Eu fico triste quando
eu vejo que as coisas não vão pra frente, em vez de ir pra frente vai sempre pra traz. E depois
que ele adoeceu eu abandonei a casa né, então meu filho se vira né, faz comida, às vezes eu
vou em casa e ele já lavou a roupa dele. E a roupa dele é bem difícil de lavar, é da mina né.
7.
Você sente-se emocionalmente preparado para ajudar seu familiar doente?
Aham. A gente que é da igreja ta sempre em oração, rezando. E isso dá bastante força. Os
meus filhos são também, eles participam.
8.
Você necessita de apoio para isso?
Eu acho que não. Olha eu tô bem, meus filhos e meus irmãos e cunhadas me ajudam direto.
Fora a ajuda deles eu tô bem. Fisicamente e cabeça também eu tô bem.
9.
Quais os seus maiores medos em relação ao cuidado com o doente?
Medo? É que ele venha a falecer e a gente não vai poder fazer nada né. Mas a gente já ta
ciente disso né, meus filhos também. O médico já falou que o caso dele é sério, não tem
cirurgia... (choro).
10. Você tem recebido apoio emocional dessa unidade de saúde para ajudar o doente?
Quem vem de vez em quando é a psicóloga da radioterapia, ela conversa comigo e com ele.
As enfermeiras são boas também. Depois que ele ficou doente ele ficou quieto. No começo
ele ficou bem depressivo, como se ele não tivesse aceitando. Agora não, agora ele tá mais
calmo. Mas a gente sofre com ele também, não é fácil. A gente tem que ta junto sempre. Eu
abri mão de tudo que eu tava fazendo na igreja, passeio, família, tudo! (choro). Isso me causa
sofrimento, agora que a gente ia viver a nossa vida, ele tá nesse estado. Os filhos crescem a
62
gente tinha uma vida pra gente ai vem essa doença que é pra acabar né! Eu sofro, mas não dá
pra demonstrar isso pra ele. Ele fala que vai morrer mas eu digo que não, dou força pra ele. A
gente não fala na igreja, na saúde e na doença? Então, essa é a minha missão né. A gente vê
aqui no hospital essas pessoas que não se apegam com Deus, que essas pessoas caem junto
com o doente. A gente fala de Deus, mas eles não acreditam.
63
ANEXO
64
ANEXO 01
TERMO DE CONSENTIMENTO
Eu, _______________________________________________________________________
residente à rua _______________________________________________________________
na cidade de _________________, declaro conhecer todas as implicações da participação da
pesquisa realizada pela acadêmica CRISTIANE ALVES DIAS , cujo tema é “DOENÇA NA
FAMÍLIA: UM DIÁLOGO SOBRE O CUIDADO PSICOLÓGICO DOS FAMILIARES E
DO CUIDADOR” para fins de elaboração do trabalho monográfico, em caráter obrigatório para
obtenção do título de Psicólogo na Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC. Assim
sendo, estou ciente de estar colaborando no fornecimento de dados, permitindo o uso das
informações recolhidas através de entrevistas sem identificação e o não ressarcimento pela
participação na mesma. Autorizo também a gravação da entrevista.
Para tanto, declaro participar por consentimento livre e esclarecido da pesquisa.
_____________________________________
Entrevistado
Criciúma, ________________________ de 2010.
Acadêmica: Cristiane Alves Dias - 91349404
Orientadora: Denise Nuernberg – Tel.: 99847762
65
ANEXO 02
TERMO DE CONSENTIMENTO
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO DO PARTICIPANTE
Estamos realizando um projeto para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC)
intitulado “DOENÇA NA FAMÍLIA: UM DIÁLOGO SOBRE O CUIDADO PSICOLÓGICO
DOS FAMILIARES E DO CUIDADOR”. O (a) sr(a). foi plenamente esclarecido de que
participando deste projeto, estará participando de um estudo de cunho acadêmico, que tem como um
dos objetivos
Objetivo Geral
Compreender a importância do acolhimento psicológico ao acompanhante e familiar
do paciente hospitalizado.
Objetivos Específicos
Identificar as estratégias encontradas pelos familiares e acompanhantes para o
enfrentamento do sofrimento frente à internação;
Averiguar de que forma o acolhimento psicológico do familiar e acompanhante
podem ajudar durante o processo de hospitalização;
Descrever de que forma se dá o acolhimento psicológico aos acompanhantes e
familiares de pacientes hospitalizados.
Identificar como os cuidadores e familiares de pacientes hospitalizados avaliam o
espaço hospitalar em termos de acolhimento.
Embora o (a) sr(a) venha a aceitar a participar neste projeto, estará garantido que o (a) sr (a)
poderá desistir a qualquer momento bastando para isso informar sua decisão. Foi esclarecido ainda
que, por ser uma participação voluntária e sem interesse financeiro o (a) sr (a) não terá direito a
nenhuma remuneração. Desconhecemos qualquer risco ou prejuízos por participar dela. Os dados
referentes ao sr (a) serão sigilosos e privados, preceitos estes assegurados pela Resolução nº 196/96
do Conselho Nacional de Saúde, sendo que o (a) sr (a) poderá solicitar informações durante todas as
66
fases do projeto, inclusive após a publicação dos dados obtidos a partir desta. Autoriza ainda a
gravação da voz na oportunidade da entrevista.
A coleta de dados será realizada pela acadêmica CRISTIANE ALVES DIAS (fone: 48
9134-9404) da 9ª fase da Graduação de PSICOLOGIA da UNESC e orientado pela professora
DENISE NUERNBERG (48 9984-7762). O telefone do Comitê de Ética é 3431.1526. E-mail –
[email protected]
Criciúma (SC)____de______________de 2010.
______________________________________________________
Assinatura do Participante
67
ANEXO 03
68
ANEXO 04
69
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