Nº 19 VIVER MELHOR maio / junho 2014 Uma publicação do Centro Capixaba de Oncologia - Cecon • www.cecon.med.br Força extra Sentir-se bem com a aparência é importante em todos os momentos da vida. Que o diga durante um tratamento de câncer. Nessa situação, quando a pessoa está com a autoestima em dia, maior é a sua segurança e tranquilidade, tornando a luta contra a doença mais eficaz. Apesar das preocupações estéticas serem mais comuns entre as mulheres, os homens também ficam abalados com a queda de cabelo, o ressecamento da pele, a perda ou o ganho de peso e com outros efeitos colaterais. O assunto é abordado na nossa matéria de capa, que destaca que, quando eles se sentem mais bonitos, ganham uma força extra na batalha em busca da cura. A nossa Oficina de Lenços, Laços e Fitas, realizada anualmente, é um gol de placa contra a baixa autoestima. Na terceira edição do evento, o Cecon trouxe a Vitória a empresária e blogueira Vânia Castanheira, um fenômeno da internet. Ela falou da sua experiência com o câncer e ensinou alguns truques de beleza para as participantes. Foi um show de simpatia! Nesta edição, apresentamos também como a fitoterapia pode auxiliar o tratamento oncológico. Quais plantas são usadas para tratar o câncer? Em que locais elas podem ser compradas? Qualquer tipo de planta faz bem à saúde? A homeopata Henriqueta Sacramento tirou essas e outras dúvidas durante uma oficina promovida pelo Cecon. Outro destaque do Viver Melhor são os 21 anos da clínica. Queremos compartilhar com você essa data tão especial. Aproveite a leitura! Diretoria do Cecon T O impacto do câncer na vaidade masculina odos sabem que o câncer põe a vaidade feminina em xeque. Mas o que dizer do público masculino? Cada vez mais adeptos de cuidados estéticos, os homens também ficam abalados quando se veem acometidos por uma doença grave que depende de um tratamento agressivo que modifica o seu corpo. Diante da preocupação primordial com a sobrevivência, como eles lidam com a perda de cabelo, a falta de sobrancelhas e de cílios e com as alterações na pele, entre outros efeitos colaterais? Há remédios que até deixam os fios de cabelos brancos, como é o caso de um medicamento usado no combate ao câncer de rim. Aos 25 anos, o administrador de empresas Tiago Klein Potratz teve de encarar um tumor no sistema linfático. Mas, mesmo com as mudanças na aparência provocadas pelo tratamento, ele procurou não se abater. “O principal impacto foi a queda de cabelo, mas não deixei isso me afetar. Usava boné para disfarçar. Também procurei cuidar da cabeça. Passei a fazer aulas de dança folclórica para não ficar pensando só na doença. Quando cuidamos do emocional e do psicológico, isso se reflete de forma positiva na aparência”, contou. Tiago, hoje com 30 anos, venceu a batalha contra o câncer e acredita que manter a autoestima elevada foi muito importante no caminho em busca da cura. “Fazer atividades físicas e cuidar do corpo e da mente são atitudes que fazem toda a diferença”, garantiu. Visual em dia Segundo o oncologista do Cecon Gláucio Bertollo, os cuidados com o corpo são importantes para ambos os sexos. “Em mulheres, é mais comum essa preocupação, mas existe entre os homens também. E cuidar da aparência faz muito bem, pois ajuda na aceitação da doença e tira um pouco o foco do tratamento. Assim como as mulheres, o homem que é vaidoso e que se sente mais bonito eleva a sua autoestima, o que traz resultados bastante positivos para o indivíduo”, afirmou. O médico ressaltou que é preciso evitar alguns procedimentos na hora de cuidar do visual. Durante a quimioterapia, por exemplo, a pessoa não pode tomar sol, fazer limpeza de pele, peeling ou outros tratamentos invasivos na pele e no cabelo, nem tirar cutículas. 2 Informativo cecon espiritualidade Gratidão, receita para mais saúde Cuidados ao comprar plantas medicinais E rvas, folhas e medicamentos preparados à base de plantas são alternativas eficientes contra doenças, mas é preciso adotar alguns cuidados na hora de comprar e consumir esses produtos. Na oficina “Benefícios das plantas medicinais para a saúde e a imunidade”, promovida em abril pelo Cecon, a médica homeopata Henriqueta Tereza Sacramento explicou que é preciso adquirir as ervas em locais seguros, como hortas de pessoas que fazem o cultivo sem o uso de agrotóxicos e livre de contaminações. A higienização das plantas é outro cuidado fundamental, reforçou Henriqueta. “Elas devem ser deixadas de molho em um litro de água com uma colher de água sanitária, por um período de meia hora”. Evento científico O Cecon reuniu médicos convidados em um evento científico realizado no dia 22 de maio. Na ocasião, o cirurgião José Humberto Simões Corrêa, do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), falou sobre “Tratamento do câncer de reto localmente avançado”. Segundo o oncologista Luiz Fernando Mazzini Gomes, responsável pelo evento, o objetivo do Cecon é realizar esses encontros a cada dois meses, a fim de promover a troca de conhecimentos e a disseminação das mais avançadas técnicas para o tratamento do câncer. E s p e c i a l i s ta Cigarro mata cerca de dez pessoas por minuto “No dia 31 de maio, foi comemorado o Dia Mundial Sem Tabaco. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que é extensa a lista de males provocados pelo tabagismo, que mata cerca de 6 milhões de pessoas no mundo por ano, o que significa que a substância é responsável pela morte de aproximadamente dez pessoas por minuto. Impotência sexual, doenças respiratórias, como a asma, doenças pulmonares e cardiovasculares, diversos tipos de câncer e infecções respiratórias são alguns problemas causados pelo fumo. E nem mesmo aqueles que não são adeptos do cigarro estão livres dos seus malefícios. As doenças atingem também os chamados tabagistas passivos, ou seja, pessoas que convivem com quem fuma e que inalam a fumaça nociva. Mais de 10% dos óbitos no mundo são de não fumantes. Infecções respiratórias, asma, distúrbios do sono e alergias são patologias que atingem os tabagistas passivos, sobretudo as crianças. As gestantes que fumam também podem causar vários danos ao bebê, pois, durante a gravidez, o feto absorve tudo o que a mãe ingere ou inala. Isso quer dizer que o bebê ‘fuma’ junto com ela. Com isso, aumentam os riscos de a criança nascer prematura, com o peso abaixo do normal e com outras doenças. A decisão de parar de fumar deve ser acompanhada de uma mudança de hábito do indivíduo. O tratamento envolve o combate químico contra a nicotina e um acompanhamento psicológico e de condicionamento físico do paciente. Sempre é tempo de dar um basta nesse hábito nocivo e de iniciar uma vida saudável e bem longe do cigarro.” Talvez seja difícil compreender como o sentimento de gratidão interfere na qualidade de vida e na saúde de cada um de nós. De fato, nem sempre essa relação é clara, mas está fartamente demonstrado que ser grato contribui para aumentar a satisfação com a vida (Pieta e Freitas, 2009) e a longevidade (Mengarda, 2002), e melhorar a saúde e a qualidade de vida (Emmons e McCullough, 2003). Filha do amadurecimento psicológico, a gratidão enriquece de paz e alegria todo aquele que a cultiva, e pode ser compreendida como um sentimento em resposta à percepção de um benefício recebido. Para André Conte-Sponville (Pequeno tratado das grandes virtudes. Ed. Martins Fontes, 1999), é a mais agradável das virtudes, levando o beneficiado a agir em prol de quem a suscita. Um caminho possível para se entender o impacto positivo da gratidão na saúde é a pesquisa pioneira do Dr. Kazuo Murakami (O código divino da vida. Ed. Barany, 2008): ele demonstrou que nossos genes são equipados com mecanismos liga-desliga ativados por nossa atitude mental. Assim, ao vivenciarmos sentimentos positivos, nossos genes recebem ordens de promover um funcionamento corporal harmonioso. Ele aponta uma receita para termos mais saúde: cultivar intenções nobres, viver com atitude de gratidão e ter pensamentos positivos. Ao encarar positivamente até mesmo situações difíceis (como as doenças), o indivíduo assume um melhor entendimento desses acontecimentos existenciais, caminhando para o perdão e fugindo da revolta. Daí decorrem mais afetos positivos, como resiliência, felicidade, esperança e vitalidade, assim como comportamento pró-social, empatia, religiosidade e espiritualidade (McCullough, Emmons e Tsang – 2002). Quem é capaz de expressar gratidão também é capaz de ajudar outras pessoas. Criase um ciclo virtuoso, em que o agraciado inspira ações positivas no beneficiador, que, no futuro, tenderá a repeti-las. Essa cadeia de eventos promove organizações mais harmoniosas e coerentes (Paludo SS e Koller, SH. Gratidão em contextos de risco: uma relação possível? Psicodebate 7: Psicologia, Cultura e Sociedade. pag. 55-66, 2005). Dessa forma, a gratidão assume um importante papel no equilíbrio das relações e na coesão social (Pieta MAM e Freitas LBL. Sobre a gratidão. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 61 (1):100-108, 2009), assim como na saúde integral do ser humano, agraciando as nossas mais legítimas expectativas de uma sociedade melhor e mais agradável. Paulo Batistuta Cíntia Givigi, oncologista é diretor do Cecon 3 Informativo cecon Autoestima e confiança na Oficina de Lenços, Laços e Fitas D escontração, troca de experiências e dicas de beleza marcaram a terceira edição da Oficina de Lenços, Laços e Fitas, promovida pelo Cecon no último dia 29 de maio. As participantes puderam conferir como a autoestima e a confiança são ótimos remédios contra o câncer. Neste ano, a convidada especial foi a empresária, jornalista e blogueira Vânia Castanheira, que nasceu em Moçambique, mas vive há alguns anos no Brasil, na cidade paulista de São José dos Campos. Vânia descobriu um câncer na mama esquerda em janeiro de 2013, quando se preparava para ter filhos. Com força e coragem, ela criou o blog “Minha Vida Comigo”, em que partilha, com boas doses de humor, a sua experiência com a doença. A blogueira também se prepara para lançar um livro no Brasil, neste segundo semestre, que vai se chamar “O Câncer Foi a Minha Cura”. Segundo Vânia, a autoestima é uma grande aliada contra o câncer. “Dei algumas dicas para as mulheres ficarem mais bonitas e estilosas. A vaidade é uma boa ferramenta para elas enfrentarem mais facilmente os desafios do dia a dia”, afirmou. A novidade dessa edição foi a caracterização dos funcionários do Cecon, que usaram lenços, chapéus e outros acessórios durante o evento. “Foi uma forma de mostrar que estamos envolvidos com a luta dos nossos pacientes. Qualquer um pode estar nessa condição um dia, portanto, temos de olhar para as pessoas de forma acolhedora”, destacou a assistente social do Cecon, Bianca Beraldi Xavier. Cecon: trajetória de sucesso O Cecon acaba de completar 21 anos com um trabalho focado em quatro pilares principais: diagnóstico, tratamento humanizado contra o câncer, prevenção e reabilitação. Referência na área oncológica no Espírito Santo, a clínica beneficia as pessoas com abordagens transdisciplinares e terapias personalizadas. Essa missão, cumprida diariamente há mais de duas décadas, é motivo de orgulho entre os funcionários da instituição de saúde, como é o caso da copeira Luzinette Santana do Carmo, a Betinha. Funcionária do Cecon há 18 anos, ela não esconde a alegria de fazer parte da equipe. “Tenho muita satisfação de levar o nome da minha empresa no peito, porque aqui é realizado um trabalho diferenciado e humanizado. Cuidamos das pessoas no momento em que elas mais precisam. Faço tudo com muito amor e tenho o maior prazer em servir”, afirmou. A secretária Sebastiana Ferreira dos Santos, mais conhecida como Tiana, também tem 18 anos de história com o Cecon. “Gosto muito de dar a minha contribuição, oferecendo atenção e os meus serviços. Faço porque gosto e também porque é uma filosofia da empresa acolher a todos. Já fiz muitas amizades com pacientes e seus familiares. A gente acaba se envolvendo com as pessoas e ficamos muito felizes quando elas conseguem superar os desafios”, contou Tiana. 4 Informativo cecon E u S o u ceco n Nesta edição, estreamos a coluna “Eu sou Cecon”, em que vamos bater um papo rápido com os funcionários que fazem parte da nossa equipe. O nosso primeiro entrevistado é o recepcionista Hipólito Machado Júnior. Sempre atencioso e educado, ele acredita que as pessoas devem se sentir acolhidas antes mesmo de entrar no consultório médico, por isso, faz questão de oferecer o melhor atendimento possível aos pacientes e seus familiares. Júnior afirmou que seu trabalho lhe ensinou muitas lições. Dentre elas, a certeza de que somos todos iguais. Há quanto tempo trabalha no Cecon? Há 13 anos. Sou recep- Lição de humildade e perseverança O câncer tem ensinado o aposentado Albertino Matias dos Santos, 55, a ser mais humilde. Ele descobriu um tumor na próstata há dois anos e, pouco tempo depois, soube que a doença havia atingido também os ossos. Sempre muito ativo, Albertino foi obrigado a se adaptar a uma nova realidade, pois o tratamento limitou as suas forças. Mas engana-se quem pensa que ele desanimou. Com o apoio da família e agarrado a sua fé, o paciente luta cheio de esperança, e procura pensar nas boas lições que aprendeu na adversidade. “O câncer me mostrou que somos todos iguais, e o melhor que temos a fazer é levar a vida com humildade. Ninguém é melhor do que ninguém”, afirmou. Quando você descobriu a doença? Há dois anos, fui fazer exame e descobri que tinha câncer de próstata. O pior foi quando o médico pediu uns exames complementares, que detectaram metástase nos ossos. Como está sendo o tratamento? Fiz 10 sessões de quimioterapia, depois o médico solicitou mais seis. Também uso outros medicamentos. Como o tratamento ainda está em andamento, não sei como serão as etapas seguintes, mas tenho mui- VIVER MELHOR ta fé e acredito que as terapias terão um bom resultado. cionista de dois médicos, o Dr. José Roberto Vasconcelos de Podestá e o Dr. Jeferson Lenzi. Gosta do que faz? Muito. Trabalho com boa vontade, gosto desse contato com os pacientes e sinto-me feliz em sa- Como a doença alterou a sua rotina? Sempre fui uma pessoa muito ativa, gostava de trabalhar e de fazer atividades físicas. Com a doença, já não posso me esforçar tanto fisicamente. Essa foi a principal mudança na minha vida. Por causa de alguns medicamentos, fico um pouco debilitado. Mas vou vivendo um dia de cada vez e com boas expectativas. ber que estou ajudando Sua família tem te ajudado a superar esse momento difícil? Sem dúvida. Não sei o que seria de mim sem minha esposa e meus filhos. Eles não me deixam desanimar e ficam ao meu lado o tempo todo. São a força que me fortalece nos momentos de fraqueza. enxergar que somos iguais e que todos nós O que tudo isso deixa de aprendizado para você? Que somos todos iguais e o melhor que temos a fazer é levar a vida com humildade. Quando nos deparamos com uma situação assim, é que vemos que não somos melhores do que ninguém. Aprendi também a não desanimar. Vou brigar com essa doença e sei que vou vencer. Jamais irei desistir. Uma publicação do Centro Capixaba de Oncologia (Cecon) Rua Manoel Feu Subtil, nº 120 - Enseada do Suá – Vitória/ES (27) 2127-4444 • w w w. c e c o n . m e d . b r de alguma forma. Tento oferecer o melhor atendimento possível e trato todos pelo nome. E, claro, fico na torcida para que eles recuperem logo a saúde. Nesse contato com pacientes e familiares, consegue tirar algum aprendizado para a sua vida? Sem dúvida. Meu trabalho me ajudou a estamos sujeitos a problemas. Doenças não escolhem classe social, cor, idade, sexo, religião ou grau de instrução. Estamos todos no mesmo barco. Conseguir perceber isso é um grande aprendizado. Que mensagem você deixa aos pacientes e seus familiares? Sei que é difícil, mas nunca deixem de acreditar que a doença é só uma fase. A superação também vai depender da fé de que tudo dará certo. Não é fácil, mas é preciso acreditar. Confie em Deus e nos profissionais que estão no comando do tratamento, e creia que a doença será vencida, com toda a certeza. Edição CONECTA COMUNICAÇÃO (27) 3227-5242 - [email protected] MÉDICO RESPONSÁVEL Paulo Batistuta Jornalista responsável Katiuscia Comarella (MTB 1180/ES) Colaboração Alessandra Tonini e Caroline Tardin Fotos Mosaico Imagem e arquivo Projeto Gráfico e Editoração Bios | Impressão Gráfica Lisboa Tiragem 2000 exemplares