A Química Somando Forças: Ensino e Pesquisa com Empreendedorismo e Inovação
Ensino de reações químicas e balanceamento de equações utilizando
miçangas como modelos de moléculas para alunos cegos.
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B.N. da Silva (IC)* , M.M.M. Rubinger (PQ)
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Departamento de Química, Universidade Federal de Viçosa, Avenida P. H. Rolfs s/n, 36570-000, Viçosa, Minas Gerais, Brasil
*e-mail: [email protected]
Palavras chave: ensino para cegos, miçangas, reações químicas
INTRODUÇÃO
O número de alunos cegos matriculados no ensino
regular tem aumentado nos últimos anos e a maioria
dos professores, principalmente os de Química, não
estão preparados para lidar com essa situação devido
à falta de conhecimentos e recursos didáticos para
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ensinar a esse público . Para que um aluno com
deficiência visual possa construir conhecimento de
forma efetiva é necessário que ele tenha contato com o
ambiente físico, já que isso facilita o entendimento de
conceitos e permite o treinamento da sensibilidade
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tátil . Neste trabalho propomos a realização de uma
reação química e sua representação utilizando modelos
dos compostos construídos com miçangas e linha de
costura. Além disso, abordamos o balanceamento de
equações utilizando esses modelos. O experimento e
materiais apresentados foram testados em aulas para
uma aluna cega que cursa o 1º ano do Ensino Médio
em uma escola pública de Viçosa-MG.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Para explicar o assunto de reações químicas
propusemos um experimento no qual a aluna pudesse
ter uma percepção tátil de que esse fenômeno ocorreu.
Assim realizamos a decomposição do peróxido de
hidrogênio utilizando dióxido de manganês como
catalisador, kitazato, rolha e um balão de festas.
Colocamos o peróxido no kitazato e adaptamos o balão
ao bico de saída. A estudante auxiliou na montagem e
tateou todo o equipamento. Acrescentamos o dióxido
de manganês e tampamos o recipiente com a rolha.
Quando a decomposição começou a ocorrer, o balão
foi enchendo-se de gás (oxigênio). Esse fato indicou
que ocorreu uma reação já que não havia nenhuma
substância gasosa alí anteriormente. A aluna tateou o
sistema e percebeu que após algum tempo o balão
parou de se encher, indicando o final da reação. Depois
de retirado o balão ela balançou o kitazato percebendo
a presença de líquido. Foi informado a ela que este
líquido agora era água. A partir dessa atividade, os
conceitos de reações e a composição das moléculas
envolvidas foram aprofundados através da organização
verbal. Em seguida utilizamos modelos feitos com
miçangas para representar todas as moléculas
presentes nessa reação. Foram utilizadas miçangas de
diferentes tamanhos, representando as diferentes
dimensões dos átomos envolvidos. As peças foram
unidas previamente com agulha e linha, a qual
representava as ligações. A estudante pegou uma
molécula de peróxido e contou a quantidade de átomos
que ela possuía diferenciando-os em oxigênio e
hidrogênio. O mesmo foi feito com uma unidade das
moléculas que representam os produtos da reação a
água e o oxigênio. Com base nas leis de Proust e
Lavoisier já estudadas anteriormente, a aluna percebeu
que a quantidade de átomos nos reagentes e produtos
era diferente e que isso não poderia ocorrer. A
estudante, com auxílio do educador, contou a
quantidade de átomos e de moléculas do reagente
necessárias para formar os produtos, balanceando
assim a equação tridimensional da reação realizada
(Figura 1). Assim, foi introduzido o conceito de
balanceamento de uma equação química.
Figura 1. Modelo de reação de decomposição do
peróxido de oxigênio.
Depois de aplicada a aula experimental, outros
problemas de balanceamento foram passados à
estudante, que os resolveu inicialmente com a ajuda de
miçangas: Formação de NH3 a partir de N2 e O2,
decomposição da água em O2 e H2. Por fim, todas as
equações foram escritas em Braille pela estudante.
CONCLUSÕES
A aluna tinha conhecimento desses conceitos apenas
através da memorização. Depois das atividades, ela
relatou que compreendeu o que acontecia em uma
reação química e como os átomos se rearranjavam
para formar os produtos. Em sua opinião o experimento
e os modelos foram úteis para o entendimento do
processo de balanceamento de equações. Conclui-se,
então, que o material e a metodologia proposta foram
satisfatórios, pois houve construção de conhecimento.
Este material é também adequado para aulas em
turmas mistas com alunos videntes e cegos,
promovendo a inclusão educacional dos alunos cegos.
AGRADECIMENTOS
A CAPES-PIBID, ao MEC-PROEXT e à estudante
REFERÊNCIAS
1
PIRES, R.F.M.; Raposo, P.N.; MOL. G.S. Adaptação de um livro didático de
química para alunos com deficiência visual. Disponível em:
http://www.nutes.ufrj.br/abrapec/vienpec/CR2/p657.pdf. Acesso em: 4 de jun.
2014.
2
CERQUEIRA, J. B.; FERREIRA, E. M. B. Recursos didáticos na educação
especial. Rev. Benjamim Constat, Rio de Jeneiro,15 ed. 2000. Disponível em:
< http://www.ibc.gov.br/ >. Acesso em: 1 mai. 2014.
XXVIII Encontro Regional da Sociedade Brasileira de Química – MG, 10 a 12 de Novembro de 2014, Poços de Caldas - MG
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