0 UNIVERSIDADE POTIGUAR – UnP LAUREATE INTERNATIONAL UNIVERSITIES PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO – PPGA MESTRADO PROFISSIONAL EM ADMINISTRAÇÃO ANA KARINA DOS SANTOS DE SOUZA QUEIROZ COMPROMETIMENTO ORGANIZACIONAL: Suas relações com a percepção de desempenho no trabalho NATAL 2010 1 ANA KARINA DOS SANTOS DE SOUZA QUEIROZ COMPROMETIMENTO ORGANIZACIONAL: Suas relações com a percepção de desempenho no trabalho Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Potiguar UnP, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre na área de Concentração Gestão Estratégica de Pessoas. ORIENTADORA: Profa. Dra. Fernanda Fernandes Gurgel NATAL 2010 2 Q3C QUEI ROZ, ANA KA RI NA SA NTOS DE S OUZA . Comprometimento Organizacional: Suas relações com a percepção de desempenho no trabalho / Ana Karina Santos De Souza Queiroz. – Natal, 2011. 114 f. Dissertação (Mestrado em Administração) – Universidade Potiguar. Pró-Reitoria de Pesquisa, Extensão e Pós-Graduação. Referencias: f. 95-102. 1. Administração – Dissertação. 2. Comprometimento organizacional. 3. Contrato pscológico. I Título. RN/UnP/BCM CDU: 658 (043) 3 ANA KARINA DOS SANTOS DE SOUZA QUEIROZ COMPROMETIMENTO ORGANIZACIONAL: Suas relações com a percepção de desempenho no trabalho Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Potiguar – UnP, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre na área de Concentração Gestão Estratégica de Pessoas. Aprovado em:____/____/_____ BANCA EXAMINADORA _____________________________________________ Profa. Dra. Fernanda Fernandes Gurgel Orientadora Universidade Potiguar - UnP ______________________________________________ Profa. Dra. Nilda Maria de C. P. Guerra Leone Membro Examinador Universidade Potiguar - UnP ______________________________________________ Prof. Dr. Carlos Alberto Freire Medeiros Membro Examinador Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN 4 Não me canso de olhar para vocês, Nunca, jamais me cansarei, Por isso, tenho vocês sempre comigo No peito, nos olhos, nas orações. E agradeço todos os dias Pela proteção divina em vossos corações! Agradeço por todos os sorrisos, Todos os abraços que lhes dei, Agradeço cada minuto. Onde eu estiver, estarão sempre comigo, Nas fotos em minha bolsa, Em outras no meu trabalho, Em cima de minha mesa, na tela do computador, Como pano de fundo das janelas do mundo. E quando a idade chegar. Quando não tiver forças para abraçar, Se nem mesmo puder esboçar um sorriso, Ainda que meus olhos não possam mais ver. Não me permitirei deixar de olhar para vocês. Estarão comigo, enquanto meu coração bater, Enquanto o cérebro teimar em viver, E lá, num lugar especial, lindo, Estarei abraçando, olhando, Continuarei amando e sorrindo! AS MINHAS FILHAS: Stefany Kariny dos Santos de Souza Queiroz Thifany Kaliny dos Santos de Souza Queiroz 5 AGRADECIMENTOS Primeiramente agradeço a Deus, pela força, pela luz e competências necessárias para a conclusão desta tarefa, pois sem ele nada seria possível. Agradeço aos meus pais, Francisco de Assis e Josélia Maria dos Santos, meus primeiros mestres que me ensinaram as lições fundamentais de aprender a aprender, de aprender a ser e a conviver, pelo exemplo de honradez, dignidade e dedicação total à família. Também, aos meus irmãos mesmo de longe, sempre torcendo por mim. As minhas filhas, Stefany Kariny e Thifany Kaliny, pelo apoio, estímulo, carinho, amor e paciência com que acompanharam todos os momentos da realização desta dissertação. Aos meus familiares pela compreensão, incentivo e apoio constante nas horas dedicadas à pesquisa. Agradeço às minhas amigas, Andrea Kaliany e Elvira Fernandes, pela inestimável amizade e companheirismo que compartilharam comigo, foram tantas emoções. A Munique Therense, pelo acolhimento em Natal e, especialmente, em sua casa. Agradeço à coordenação do mestrado, em especial, a professora Dra. Tereza por todos os conselhos e estímulos no âmbito profissional. Não posso esquecer também, a minha querida e eterna professora, Dra. Maria da Apresentação Barreto, por sempre me apoiar e me acompanhar nesta caminhada. Sou extremamente grata a Profª Dra. Fernanda Fernandes Gurgel por ser minha orientadora, pelo seu profissionalismo, competência e dedicação sem os quais este trabalho não seria possível. A todos os colegas do mestrado, pelo apoio, incentivo, alegria e companheirismo nesta curta jornada que se chama mestrado. A todos o meu carinho! A “Empresa X”, em Mossoró, em particular na figura do Sr. Tadeu Crisotomo, pela oportunidade de realização desta pesquisa. Por fim, a todos que contribuíram de forma direta ou indireta para execução deste trabalho. 6 Tudo posso naquele que me fortalece. Filipenses 4:13 7 RESUMO Estudos recentes sobre o comprometimento organizacional mostraram uma estrutura que envolve três dimensões propostas por Meyer e Allen (1991), precursores dos estudos sobre o tema. O comprometimento organizacional advém da categoria “contrato psicológico”, celebrado entre organização e empregado. Diante deste contexto, a presente pesquisa tem como objetivo analisar a relação entre comprometimento organizacional e desempenho no trabalho dos funcionários da “Empresa X”, da cidade de Mossoró/RN. A pesquisa é caracterizada como explicativa e estudo de caso, nela utilizou-se a análise quali-quanti. Sendo realizada por meio de aplicação de questionários, com questões fechadas, adaptados de Fonseca (2001), cuja amostra foi de 63,4%. Os dados foram analisados e interpretados por meio de estatística multivariada e descritiva, com a utilização do software SPSS. As técnicas utilizadas foram a Análise de Variância (ANOVA), a análise de agrupamento e a regressão múltipla. De acordo com os resultados obtidos, foi evidenciada a existência das três dimensões do comprometimento organizacional: afetiva, normativa e instrumental, confirmadas pela Análise de Variância. Constatou-se que os funcionários tendem a ser mais comprometidos afetivamente, uma vez que a dimensão afetiva foi predominante nas respostas deles. Há evidência de que existe associação estatisticamente significante entre os coeficientes de comprometimento e os indicadores de desempenho. O comprometimento afetivo obteve associação significava com três dos cinco indicadores de desempenho: estratégia e operações, processos internos e comportamento organizacional. Já a dimensão normativa obteve associação com os indicadores: estratégia e operações. Esses resultados corroboram com outros estudos realizados por outros autores, que apontam o comprometimento de base afetiva como melhor preditor de comportamento. Constitui-se em um mediador da relação entre comprometimento e desempenho. Palavras-chave: Comprometimento Organizacional. Desempenho no Trabalho. Contrato Psicológico. 8 ABSTRACT Recent studies have shown a commitment organizational structure that involves three dimensions proposed by Meyer and Allen (1991), precursors of the studies on the subject. The organizational commitment stems from the category "psychological contract" concluded between the organization and employee. Given this context, this research aims to analyze the relationship between organizational commitment and job performance of employees of "Company X", the town of Mossoró/RN. The research is characterized as explanatory and case study, it was used to analyze qualitative and quantitative. Being conducted through questionnaires, with closed questions, adapted from Fonseca (2001), whose sample was 63.4%. The data were analyzed and interpreted using descriptive and multivariate statistics, using SPSS software. The techniques used were analysis of variance (ANOVA), the cluster analysis and multiple regression. According to the results obtained showed the existence of three dimensions of organizational commitment: affective, normative and instrumental, as confirmed by analysis of variance. It was found that employees tend to be more emotionally engaged, since the affective dimension was predominant in their responses. There is evidence that there is a statistically significant association between the coefficients of commitment and performance indicators. The affective commitment had a significant association with three of the five performance indicators: strategy and operations, internal processes and organizational behavior. Since the normative dimension was no association with the indicators: strategy and operations. These results corroborate other studies by other authors, who point out the basic affective commitment as a better predictor of behavior. It constitutes a mediator of the relationship between commitment and performance. Keywords: Organizational Commitment. Job Performance. Psychological Contract. 9 LISTA DE FIGURAS Figura 1 Abordagens conceituais e respectivas fontes teóricas na investigação do comprometimento organizacional............................ 41 Figura 2 Modelo de três componentes de Meyer, Allen e Smith..................... 45 Figura 3 Modelo teórico conceptual – Comprometimento Organizacional...... 47 Figura 4 Fatores que podem afetar o desempenho no trabalho...................... 50 Figura 5 Ilustração Satisfação/Desempenho no trabalho................................ 51 Figura 6 Objetivos da Avaliação de Desempenho........................................... 53 Figura 7 86 Demonstrativo do resultado da Análise de Variância (ANOVA)....... 10 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 Dendrograma – Método Word........................................................ 90 11 LISTA DE QUADROS Quadro 1 Universo - taxa de retorno............................................................... 62 Quadro 2 Variáveis analíticas......................................................................... 65 Quadro 3 Níveis de concordância e grau de comprometimento.................... 71 Quadro 4 Grau de comprometimento organizacional dos grupos .................... 91 12 LISTA DE TABELAS Tabela 1 Lista de códigos associados aos indicadores – Comprometimento.......................................................................... 66 Tabela 2 Lista de códigos associados aos indicadores – Desempenho.................................................................................. 66 Tabela 3 Perfil dos pesquisados por variáveis............................................. 69 Tabela 4 Síntese do perfil dos pesquisados................................................. 69 Tabela 5 Coeficientes de Consistência Interna – Comprometimento Organizacional............................................................................... 70 Coeficientes de Consistência Interna – Desempenho no Trabalho ........................................................................................ 71 Grau de Concordância dos funcionários - Comprometimento Afetivo............................................................................................ 72 Grau de Concordância dos funcionários - Comprometimento Instrumental................................................................................... 74 Grau de Concordância dos Funcionários - Comprometimento Normativo....................................................................................... 76 Grau de Concordância dos Funcionários - Desempenho de Estratégia e Operações............................................................... 77 Grau de Concordância dos Funcionários - Desempenho de Resultado Econômico.................................................................... 78 Grau de Concordância dos Funcionários - Desempenho de Satisfação do Cliente..................................................................... 80 Grau de Concordância dos Funcionários - Desempenho de Comportamento Organizacional.................................................... 81 Grau de Concordância dos Funcionários - Desempenho de Processos Internos........................................................................ 82 Tabela 15 Estatística descritiva do tipo de comprometimento........................ 84 Tabela 16 Estatística descritiva do tipo desempenho..................................... 84 Tabela 17 Análise de Variância – Comprometimento..................................... 86 Tabela 18 Análise de Variância – Desempenho............................................. 87 Tabela 19 Teste de Pearson das dimensões do comprometimento organizacional e desempenho no trabalho.................................... 88 Tabela 6 Tabela 7 Tabela 8 Tabela 9 Tabela 10 Tabela 11 Tabela 12 Tabela 13 Tabela 14 13 Tabela 20 Frequências absolutas e relativas dos grupos............................... 91 Tabela 21 Média e desvio padrão dos conglomerados – comprometimento e desempenho............................................................................... 91 14 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO................................................................................................. 16 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO................................................................................... 19 1.2 PROBLEMATIZAÇÃO..................................................................................... 21 1.3 JUSTIFICATIVA............................................................................................... 22 1.4 OBJETIVOS..................................................................................................... 23 1.4.1 Objetivo geral................................................................................................. 22 1.4.2 Objetivos específicos.................................................................................... 24 2 REFERENCIAL TEÓRICO.............................................................................. 25 2.1 O MUNDO DO TRABALHO E SUAS TRANSFORMAÇÕES.......................... 25 2.2 BREVE EXPOSIÇÃO SOBRE O SIGNIFICADO DO TRABALHO.................. 31 2.3 COMPETITIVIDADE ORGANIZACIONAL E COMPROMETIMENTO............. 34 2.4 COMPROMETIMENTO: BASES TEÓRICAS, CONCEITOS E DEFINIÇÕES................................................................................................... 39 2.5 COMPROMETIMENTO E SUAS RELAÇÕES COM O DESEMPENHO......... 49 2.6 ESTUDOS NO BRASIL: COMPROMETIMENTO ORGANIZACIONAL E DESEMPENHO NO TRABALHO..................................................................... 57 3 MÉTODOS....................................................................................................... 61 3.1 TIPO E DESCRIÇÃO GERAL DA PESQUISA................................................ 61 3.2 POPULAÇÃO/UNIVERSO............................................................................... 61 3.3 PROCEDIMENTOS DE COLETA.................................................................... 62 3.4 QUESTIONÁRIO DE PESQUISA.................................................................... 63 3.5 VARIÁVEIS ANALÍTICAS................................................................................ 64 3.6 TRATAMENTO DOS DADOS.......................................................................... 65 4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS......................................................... 67 4.1 PERFIL DOS RESPONDENTES..................................................................... 67 15 4.2 TESTES ESTATÍSTICOS DAS AMOSTRAS – ALPHA DE CRONBACH....... 70 4.3 ANÁLISE DOS GRAUS DE COMPROMETIMENTO ORGANIZACIONAL E DESEMPENHO NO TRABALHO..................................................................... 71 4.3.1 Grau do comprometimento afetivo – CompAf............................................ 71 4.3.2 Grau do comprometimento instrumental – CompIn................................... 73 4.3.3 Grau do comprometimento normativo – CompNo...................................... 75 4.3.4 Grau do desempenho – Estratégia e operações......................................... 77 4.3.5 Grau do desempenho – Resultados econômicos....................................... 78 4.3.6 Grau do desempenho – Satisfação do cliente............................................ 79 4.3.7 Grau do desempenho – Comportamento organizacional.......................... 80 4.3.8 Grau do desempenho – Processos internos............................................... 82 4.4 ESCORES MÉDIOS DAS DIMENSÕES DO COMPROMETIMENTO E DESEMPENHONOTRABALHO....................................................................... 84 RELAÇÃO ENTRE COMPROMETIMENTO ORGANIZACIONAL E DESEMPENHO NO TRABALHO.................................................................... 85 4.6 ANÁLISE DE AGRUPAMENTO - MÉTODO DE WARD.................................. 90 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................ 94 REFERÊNCIAS............................................................................................... 97 APÊNDICES.................................................................................................... 105 4.5 16 1 INTRODUÇÃO A Revolução Industrial teve inicio na Inglaterra e espalhou-se pela Europa, Estados Unidos da América e Japão, dando origem a uma nova classe social: os trabalhadores assalariados das indústrias. Nesse período, as condições de trabalhado eram precárias, com baixos salários, uma longa jornada de tr abalho, em que crianças e mulheres trabalhavam sem ter direito a férias e aposentadoria, pois não existiam leis sociais que apoiassem os trabalhadores diante da exploração injusta e cruel. A partir daí, surgiram diversos conflitos entre os empregados e empregador, visto que de um lado os trabalhadores lutavam por melhores condições de trabalho e salários mais dignos, em contrapartida, o patrão enriquecia à custa da exploração dos operários. Nesse contexto, interesses antagônicos e conflitantes marcam a história do trabalho. Período esse caracterizado pelo conjunto de valores funcionais e mecanicistas, destinados ao alcance do objetivo organizacional: a maximização dos lucros e de resultados. É preciso que esteja claro que a produção capitalista se caracteriza pela subordinação do trabalho ao capital. Assim sendo, na visão de Marx (1993), a sociedade era injusta e irracional, na qual a classe trabalhadora deveria se organizar para tomar o poder e destruir o capitalismo, construindo uma sociedade baseada na propriedade social. O que fosse produzido ou construído pertenceria a toda a sociedade. No capitalismo, portanto, o trabalho assalariado é a fonte geradora da maisvalia. Nesse sentido, ocorre a reprodução das suas próprias condições de exploração na medida em que reproduz o capital em escala ampliada, reproduz também o operário (KUENZER, 1986, p. 37 apud STEIN, 2007, p. 22). Para Brito (2005, p.13), “o enriquecimento pessoal tem sido construído, de forma dominante, não pelo esforço do trabalho, mas pelo roubo, pela rapina e pelas guerras”. Dessa forma, ocorreram crises que abalaram a estrutura econômica e financeira mundial, refletidas em mudanças que abalaram a supremacia do capitalismo em sua forma de acumulação de riquezas. 17 Segundo Gounet (1999 apud BRITO, 2005, p. 33), O mundo capitalista constata o apogeu do taylorismo-fordismo e da fase keynesiana que entra em declínio após longos anos de acumulação de capital. [...] Dessa forma, o capital viu-se obrigado a rever seus padrões de acumulação, impulsionado pela globalização e, consequentemente, competição em escala mundial. Fatores como esses, que entram em decadência (taylorismo-fordismo), ameaçam o modelo de acumulação de riquezas utilizado pelo sistema capitalista. Com isso, no intuito de restaurar o padrão de acumulação, mediante esse novo cenário vigente, surgem modelos que se propõem a corresponder aos anseios do capital, com vistas a recuperar o seu ciclo produtivo, pois vem sendo afetado fortemente com estas transformações no mundo do trabalho, promovendo alterações imagináveis na forma de gerir e administrar a classe trabalhadora. Diante dessa realidade, torna-se urgente a reformulação de uma nova compreensão do trabalho, mediante novas expectativas em relação ao mesmo, em face dos processos de modernização produtiva. Nessa perspectiva, as pessoas são elementos-chave na estratégia competitiva das empresas, sendo esse o elemento propulsor do desempenho empresarial. De acordo com Salgado (2008), estudos apontam à preocupação de se entender a relação do homem com seu trabalho e quais os fatores que levam o indivíduo a desenvolver um comportamento de atitude proativa no âmbito organizacional. Nesse sentido, o comprometimento no trabalho vem sendo estudado em diversos focos, se expandindo no contexto internacional e nacional. Conforme Medeiros et al. (2003), as pesquisas de comprometimento têm evoluído, várias delas abordando o comprometimento como um construto multidimensional, o qual procura entender os indivíduos e seu vínculo com a organização de maneira mais complexa. O modelo mais utilizado pela academia é o de Meyer e Allen (1991), o qual pressupõe que o comprometimento é formado por três componentes distintos, em função do “estado de espírito” que une o indivíduo à organização: o afetivo, baseado em um sentimento de apego e envolvimento com a mesma; o de continuação, focado na percepção dos custos associados à saída da organização e o normativo, fundamentado em um sentimento de obrigação e dívida com a empresa. 18 Para Mathieu comprometimento e Zajac (1990 apud SALGADO, 2008, tem como uma principais organizacional das p. 21), “o variáveis antecedentes as características pessoais, tais como: idade, tempo de empresa”. Borges-Andrade (1994) condensou os estudos sobre comprometimento realizados no Brasil de 1989 a 1993 e encontrou a ênfase na dimensão afetiva. O referido autor identificou uma forte predição inversamente proporcional entre comprometimento afetivo e comportamentos como absenteísmo e rotatividade, afirmando que aquele poderia desencadear ações como lealdade e o “vestir a camisa da empresa, centralidade e lócus de controle”. Nesses termos, o interesse no tema comprometimento está baseado na evidência de que dele derivam atitudes e comportamentos que aumentam o desempenho no trabalho. Sendo assim, o funcionário mal preparado e descomprometido prejudica a qualidade da prestação de serviço, consequentemente um atendimento mal feito resulta em reclamação e na perda de cliente, sem mencionar que é feito da empresa um marketing negativo. Diante desses fatores, as empresas precisam priorizar e focar no desempenho dos funcionários, visto que eles estão diariamente com o cliente. Nessa ordem de ideias, a presente pesquisa pretende analisar a relação entre comprometimento organizacional e desempenho no trabalho dos funcionários da “Empresa X”, na cidade de Mossoró/RN. A pesquisa em questão está estruturada em 05 (cinco) capítulos. O primeiro fornece uma visão geral do trabalho, a introdução, contextualização, problematização, justificativa, objetivo geral e objetivos específicos. No segundo capítulo é apresentada a fundamentação teórica, contextualizando o mundo do trabalho e suas transformações; uma breve exposição sobre o significado do trabalho, competitividades organizacional e comprometimento; comprometimento: bases teóricas, conceitos e definições; comprometimentos e suas relações com o desempenho. O terceiro capítulo contempla a metodologia usada no trabalho, tipo de pesquisa, universo e amostra; procedimentos da coleta dos dados; instrumentos de pesquisa; variáveis analíticas e tratamentos dos dados. Por conseguinte, os tópicos apresentados no quarto capítulo, referem-se à análise dos dados e discussão dos resultados do estudo. Já o quinto e, último capítulo, expõe a conclusão deste trabalho, apresentando sugestões para futuros estudos. 19 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO O contexto empresarial atual vem assinalado por uma atmosfera de incerteza e imprevisibilidade. Com isso, gerir as organizações nesse cenário é um desafio até para os gestores mais experientes. Observa-se assim, que as organizações estão sendo sufocadas por muitas mudanças, seja no aspecto externo ou interno, pois um se reflete no outro. Gerenciar as organizações nesse novo contexto com práticas ineficientes que não correspondem à realidade atual, ficando difícil alcançar a eficiência e eficácia no mundo dos negócios. A única certeza diante desse contexto, é que as pessoas são a mola propulsora do desenvolvimento e a sustentação das empresas nesse novo cenário globalizado. Para Sveiby (1998), nessa realidade, os seres humanos emergem como o elemento capaz de operacionalizar essa filosofia. Segundo o mesmo autor, são os colaboradores da organização – Capital Humano (CH) – os agentes responsáveis pelo sucesso ou fracasso organizacional. Sveiby (1998, p. 09), diante desta visão, argumenta que “as pessoas são os únicos verdadeiros agentes na empresa”. Com isso, todos os ativos e toda estrutura – quer tangível ou intangível – são resultados das ações humanas. Essas transformações que afetam as organizações e os processos produtivos resultam da importância do comprometimento das pessoas com a organização como um diferencial empresarial e uma vantagem competitiva. Portanto, o comprometimento do colaborador para com sua empresa é fundamental para o sucesso da mesma, entretanto, o retorno deve ser recíproco. Este ato de empenho e lealdade entre as partes fortalece e estrutura a organização. Para tanto, as organizações buscam um processo de reestruturação e adaptação para superar vários desafios intrínsecos a este ambiente dinâmico, bem como a necessidade de padrões gerenciais mais eficientes e eficazes que dinamizem o processo de aprendizagem, a fim de responder as novas exigências do ambiente extremante competitivo. Diante das constantes mudanças observadas no cotidiano, percebe-se o dinamismo da sociedade, na qual o conhecimento passa a ser vislumbrado como uma ferramenta que proporciona vantagem competitiva. 20 As consequências disto, segundo Zariffian (2008, p.10), é que “o trabalho não se configura mais apenas como um conjunto de tarefas associadas descritivamente ao cargo, mas torna-se o prolongamento direto da competência que o indivíduo”. Nesse sentido, a relação trabalhista assume uma nova configuração, uma vez que se faz necessário uma nova postura frente ao gerenciamento das relações entre empresas e empregados, desenvolvendo mecanismo para que o funcionário “vista a camisa” da empresa e seja comprometido com seu trabalho. Este comprometimento é uma forma apropriada de estimular e avaliar o desempenho no trabalho. Lauer-leite (2006) afirma que o comprometimento organizacional advém da categoria “psicológica” celebrada entre organização e empregados. O autor define o “contrato psicológico” como um contrato implícito, não formal, que ocorre segundo a percepção do empregado com a organização, referente às promessas de direitos e obrigações de cada uma das partes. No Brasil, varias pesquisas foram desenvolvidas acerca do comprometimento organizacional. Na pesquisa de Oliveira (2006) sobre o comprometimento, ele buscou determinar as variáveis que lhe são antecedentes, correlatas e consequentes, também pelo interesse dos gerentes nos impactos por eles exercidos sobre o contexto organizacional, buscando formas de gerenciar o comprometimento de seus empregados, utilizando-o como diferencial na competitividade atual. Cervo (2007), em seus estudos, objetivou encontrar a relação entre o comprometimento organizacional e a personalidade no referencial teórico do Modelo dos Cinco Grandes Fatores – Big Five. A pesquisa desenvolvida por Rowe (2008) buscou analisar as influências dos vínculos com a carreira (entrincheiramento e comprometimento) e do vínculo com a instituição empregadora (comprometimento organizacional) - no desempenho de docentes do Ensino Superior, considerando os seus níveis de esforço instrucional e a sua produtividade acadêmica, nos contexto público e privado do Ensino Superior brasileiro. 21 1.2 PROBLEMATIZAÇÃO A capacidade transformadora do ser humano e a permanente mudança na sua forma de viver e produzir sua existência tem como elemento chave o trabalho, que é capaz de integrar as pessoas e os processos produtivos em uma organização. Por isso, entender os vários significados e a evolução que a palavra trabalho teve ao longo dos anos é um fator fundamental para as empresas na busca do comprometimento das pessoas com a corporação, pois o trabalho pode ter um significado de tortura, prazer, dádiva e liberdade. Nesse horizonte, o tema comprometimento vem ganhando espaço nos âmbitos acadêmicos e empresariais. Assim, nos anos 80, auge do movimento de globalização, foi desenvolvido estudos na área da psicologia organizacional, no campo do comportamento humano no trabalho, no que diz respeito a atitudes em relação ao trabalho e seu ambiente. Nessa perspectiva, o trabalho é um elemento que se constitui em tecnologias gerenciais para lidar com o elemento humano nas organizações, pois as pessoas são um componente preponderante para alavancar a vantagem competitiva, contribuindo para inovação e crescimento da empresa. Nesse sentido, o trabalho assume um papel indispensável na vida das pessoas, cabendo à gestão dos recursos humanos desenvolver estratégias que favoreçam um significado positivo do trabalho dentro da organização, como uma fonte de prazer, realização e liberdade. Vale salientar que, ter um funcionário comprometido com a empresa consiste na valorização dos empregados, proporcionando o desenvolvimento profissional e oportunidades iguais no planejamento de carreira. Estas são ações que excitam a satisfação do funcionário com o seu trabalho. Os estudos de comprometimento analisam o foco do compromisso. Conforme assinalam Bastos (1994), Bastos e Lira (1997) “o comprometimento pode estabelecer-se com múltiplos focos (ou entidades às quais o mesmo se dirige) c omo, por exemplo: a organização, o sindicato, a carreira, a profissão, o grupo de trabalho etc.”. Nota-se que o mercado de varejo têxtil lida com grande concorrência e alta pulverização, do qual as três maiores redes brasileiras de varejo têxtil dominam cerca de 5% do mercado nacional. 22 Diante desse contexto, com uma experiência de mais de 60 anos, as empresas X vêm vivendo em um cenário de constantes desafios, competições e aperfeiçoamentos no mercado varejista. Contudo, para permanecer competitiva a referida empresa sempre buscou revisar os seus processos, estratégias e sua preparação. Assim, em 1949, o proprietário da Empresa X, na época com 21 anos de idade, juntamente com seu pai e seus irmãos, fundou a referida empresa, dedicada ao comércio de tecidos, sediada em Fortaleza, no Ceará, na Praça do Ferreira, Rua Floriano Peixoto, centro da cidade. Atualmente, a Empresa em questão está presente em vários estados, somando 14 lojas no total, sendo todas as lojas completamente informatizadas, diversificando seu mix para loja de departamentos e transformando-se, também, em uma referência no segmento de moda do Nordeste brasileiro, contando hoje com mais de 1 milhão de clientes em sua carteira. Diante disso, se questiona: existe relação entre o comprometimento organizacional e o desempenho no trabalho dos funcionários da Empresa X? Em decorrência, os questionamentos seguintes também foram levantados: Quais as dimensões do comprometimento existem na empresa? Qual das dimensões do comprometimento organizacional é a mais predominante nos funcionários da Empresa X? O desempenho no trabalho é influenciado pelo comprometimento organizacional? As variáveis que identificam o desempenho podem ser relacionadas positivamente com os padrões de comprometimento organizacional? Quais das variáveis de desempenho podem explicar quais das dimensões do comprometimento? 1.3 JUSTIFICATIVA Em decorrência da busca por maior competitividade nos negócios e de melhores índices econômicos, produtivos e financeiros, o comprometimento é um fator que pode contribuir nos resultados da empresa. Com isso, se faz necessário construir condições propícias que favoreçam a relação de comprometimento 23 organizacional do colaborador, levando em consideração uma harmonia entre os fatores de transformações do ambiente no qual a empresa está inserida. É importante destacar, que o comprometimento faz com que as pessoas se tornem mais responsáveis, desse modo, desempenham um papel ativo e assumem cada vez mais responsabilidades, impulsionadas pela motivação na realização dos seus objetivos pessoais, porque os objetivos organizacionais estão em harmonia com os objetivos individuais. Em contrapartida, a falta de comprometimento gera grandes problemas para a empresa, como alta rotatividade, pouco interesse nas atividades desenvolvidas pela empresa, a falta de preocupação na execução das tarefas, desentendimentos e reclamações em relação aos colegas ou com a empresa, entre outros. Desse modo, o interesse do pesquisador a respeito desse tema se dá pelo fato que um o funcionário comprometimento tem grande valor no índice de produtividade, alto nível de qualidade do trabalho e das atividades desenvolvidas, maior criatividade na resolução dos problemas e velocidade de respostas para o ambiente e mercado. Nesse sentido, a pesquisa vem contribuir pelo fato que a empresa de posse dessas informações tenha ferramentas para desenvolver métodos mais eficientes na valorização dos seus funcionários e, consequentemente, um alto nível de comprometimento no seu quadro de colaboradores. Daí a importância de se estudar e pesquisar o comprometimento organizacional e a sua relação com o desempenho, visto que o comprometimento faz com que as pessoas se tornem mais responsáveis em relação aos objetivos da empresa. 1.4 OBJETIVOS 1.4.1 Objetivo geral Identificar a relação existente entre os padrões de comprometimento organizacional e desempenho no trabalho dos funcionários da empresa X, em Mossoró/RN. 24 1.4.2 Objetivos específicos Identificar o perfil demográfico dos funcionários da empresa; Identificar os níveis de comprometimento organizacional dos funcionários da empresa; Verificar qual das dimensões do comprometimento é predominante nos funcionários; Estabelecer relação entre o desempenho no trabalho e comprometimento organizacional; 25 2 REFERENCIAL TEÓRICO Este capítulo é composto de cinco partes. A primeira tem por objetivo apresentar fundamentação sobre o mundo do trabalho e suas transformações. Em seguida, é feita uma breve exposição sobre o significado do trabalho. Na terceira parte, são apresentadas as principais questões da competitividade organizacional e comprometimento, na quarta é abordado o comprometimento: bases teóricas, conceitos e definições. Por fim, é contextualizado o comprometimento e suas relações com o desempenho. 2.1 O MUNDO DO TRABALHO E SUAS TRANSFORMAÇÕES Observa-se que a história do trabalho confunde-se com a própria existência do homem na terra, tendo em vista que o trabalho já passou por tantas transformações e ainda está passando. Durante toda história do homem, o trabalho foi questão de sobrevivência e manutenção da espécie humana. Pois, para prover a sua subsistência, ele se alimentava de insetos e coletava os alimentos da natureza. Para Schmitd (2005), o homem evoluiu e desenvolveu algumas habilidades, entre elas a agilidade, uma boa visão noturna e um olfato apurado para fugir dos predadores. Com o passar do tempo, descobriu que com as mãos ele era capaz de agarrar coisas encontradas na natureza e produzir coisas que facilitavam a caça de animais maiores. Com essa evolução, o homem deixa de coletar os alimentos e passa a caçar para sobreviver, mas para isso era necessário planejamento e dedicação, ou seja, um esforço. Nesse período, o homem se torna escravo do trabalho, visto que para se alimentar necessitava empregar sua força e seu tempo na busca da sua sobrevivência. Ainda segundo Schmitd (2005), o trabalho passou a ser uma obrigação do homem, se não caçasse não tinha alimento, era necessário sair todos os dias para caçar e nem sempre tinha êxito em sua empreitada. Com isso, o cansado de sair para caçar, coisa que acontecia com frequência, descobre a utilização da terra, 26 nesse momento o homem passa a plantar, observa que colocando algumas sementes na terra, as mesmas davam origem a alimentos e se multiplicavam. Isso também trouxe alguns benefícios, pois ele não era mais obrigado a sair todos os dias pra caçar percorrendo longos territórios em busca do seu alimento. Dessa forma, a agricultura propiciou o acúmulo de alimentos, uma vez que guardava as sementes para um período futuro, porém não dava condições para melhorar seu padrão de vida, porque não sobrava tempo para se dedicar a outras coisas. Assim, o homem tinha determinados alimentos em grande quantidade e outros em pouca quantidade, propiciando o surgimento do escambo e do comércio. Portanto, na história do trabalho, até esse momento, a única finalidade era a sobrevivência. Com o decorrer da história, o homem vem desenvolvendo mecanismos para facilitar essa sobrevivência e a sua vida em relação ao trabalho, na qual seja capaz de produzir com maior rapidez uma grande quantidade de alimento, sobrando tempo para desfrutar da vida. Entretanto, com o surgimento do comércio, que era uma forma de trocar alimentos, dos quais se tinha uma necessidade mais imediata para o uso, a história do trabalho toma uma dimensão que não fica apenas na sobrevivência do homem. Com anseios de possuir coisas diferentes, surge a manufatura, na qual o trabalho era realizado por um artesão, que às vezes se organizava em grupos para dividir as etapas do processo de produção. Esse foi um momento marcante no mundo trabalhista, introduzindo alguns elementos novos na história do trabalho, como a padronização dos processos produtivos, que antes eram realizados em oficina na própria casa do artesão, utilizando poucas ferramentas, energia humana, animal e hidráulica. Também se inicia a questão de valores, ou seja, o trabalho ganha uma nova concepção, que é a introdução da moeda, e em consequência da valorização da mão-de-obra, pois agora ela era paga, dando início à especialização de uma forma bem simplória nessa ocasião. Em meados do século XVIII, com o início da Era Industrial, vem a ciência e seu método científico, conhecido como um período revolucionário. Nesse período, o desejo de todos era ganhar mais autonomia por meio do trabalho que gerasse riquezas, momento em que o mundo passa por inúmeras transformações na esfera econômica, social, política e cultural, abalando as estruturas do sistema capitalista, o qual para manter sua hegemonia se reinventa por meio de crises periódicas. 27 Nesse contexto histórico, o homem, juntamente com as máquinas, foi capaz de produzir muito mais. Esse foi o primeiro resultado da Revolução Industrial: a produção de mercadorias e a acumulação dos lucros. Mas não foi só isso, as sociedades, os países, o modo de viver e pensar dos homens, tudo se alterou em ritmo vertiginoso, em ritmo de fábrica a todo vapor. Graças à Revolução Industrial, o capitalismo pôde triunfar no mundo inteiro. Esse modelo burocrático característico da Era Industrial está chegando ao esgotamento, em consequência das rápidas mudanças e a falência do conceito industrial de trabalho e remuneração (WOOD; PICARELLI, 1996). Essa nova demanda tecnológica modificou as necessidades do mercado consumidor, uma vez que as alternâncias constantes de padrões acarretam em uma busca por diferenciais competitivos no intuito de destacar-se no mercado global (BANDEIRA et al., 2000). Essas mudanças de paradigmas, para a visão de Rezende (2000), são as mudanças culturais, organizacionais, políticas, econômicas que ocorreram recentemente. Sendo um período de transição de paradigma entre um modelo rígido, burocrático e hierarquizado, para um modelo orgânico e flexível, visto que o primeiro modelo já não corresponde às exigências do contexto. De acordo com Giddens (2005), o modelo rígido, burocrático e hierarquizado é denominado por sistemas de baixa confiança, que é caracterizado pela pouca autonomia de ação dos empregados com a execução das suas tarefas, como também a adaptação do homem a máquina, com controle e supervisão excessiva sobre a disciplina do empregado. Já o modelo orgânico e flexível é denominado por ele como um sistema de alta confiança, o qual permite que o empregado tenha mais autonomia do desempenho do seu trabalho, pois ele é quem controla o ritmo e até mesmo o conteúdo do trabalho dentro das diretrizes gerais. Ao longo de três décadas, práticas flexíveis foram introduzidas em alguns setores da economia e da sociedade em todo o mundo, tendo em vista que os padrões de consumo estavam mudando, o consumidor demandava produtos distintos como mercadorias inovadoras. Então, as práticas fordistas são um sistema baseado na decomposição das tarefas, que reduzia a ação operária, movimentos repetitivos de atividades, além da separação do planejamento e execução. Para Antunes (2002, p. 37), “a mesma operação repetida mecanicamente centenas de vezes por dia, não incentivava qualquer crescimento intelectual, não gerava qualquer identificação com o trabalho e trazia pouca satisfação”, as práticas 28 fordistas e tayloristas passaram a ser vistas como um sistema de baixa confiança, um sistema inflexível demais para responder a rápidas mudanças, pois as técnicas fordistas se ajustam melhor aos padrões da manufatura, mercadorias feitas em grande quantidade e padronizadas. Essa transição de paradigma tem repercutido em escala mundial e é caracterizada como um período preocupante de muitas transformações e incertezas. Conforme Alves et al. (1997, p. 23), “a economia mundial está passando por uma grande transformação que se manifesta tanto na base produtiva quanto no âmbito financeiro e político”. Essas mudanças afetam todos os setores da nossa sociedade, especialmente as empresas. São vários os fatores responsáveis por essas transformações, entre eles o modelo de acumulação flexível, automatização dos processos industriais, verticalização industrial, inovações tecnológicas, flexibilização da força de trabalho e explosão nas comunicações globais, entre outros. Por consequência desses fatores, as organizações buscam se adequar às novas prerrogativas do mercado global nos seus processos, na sua forma de gerenciar, pensar e de se fazer negócios. Sendo assim, a globalização trouxe um efeito profundo na maneira como as empresas devem gerir e fazer negócios, tornando-as mais independentes e estimulando as parcerias e fusões entre elas, seja por questão de sobrevivência ou por maior competitividade no ramo de atuação. Nessa perspectiva, a globalização e a tecnologia das novas comunicações estão levando a extinção de muitas empresas por falta de preparo às novas exigências ambientais, sociais e tecnológicas. Algumas funções tradicionais de hoje, com ajuda da tecnologia da informação, podem ser executadas no ciberespaço. Elas são denominadas de “teletrabalho”, ou seja, podem ser feitas em casa em vez de executadas em uma empresa com uma estrutura tradicional formada por prédios ou escritórios. Isso tem um impacto forte na gestão das pessoas, pois na medida em que as empresas investem em tecnologia, elas reduzem custos com contração de empregados. Então, mediante tantas modificações, cabe à empresa se reorganizar, iniciando um processo de autoconhecimento, organizando o ambiente interno como consequência do ambiente externo. Nessa ordem de ideias, o avanço e a influência da tecnologia e da globalização, entre outros fatores, exigem das empresas novas posturas. Tendo em vista que a pressão vinda do meio ambiente faz com que as empresas procurem 29 maneiras de apresentar cada vez mais um padrão de qualidade nos serviços ou nos produtos, buscar sempre maximização nos lucros por meio de um processo produtivo com baixos custos. Diante dessa realidade, por conta da frenética busca pela competitividade, as empresas adotam modelos e mais modelos de gerenciar essas mudanças, com o intuito de não serem engolidas pelas rápidas transformações. Por isso, todos os dias as pessoas estão sendo pressionadas para serem mais produtivas no desenvolvimento do seu trabalho, enquanto isso a organização está cada vez mais em busca da redução de custos e da melhoria da qualidade. Essas mudanças afetaram diretamente o mundo do trabalho, especialmente na forma de recrutar e selecionar as pessoas. Sendo este é um dos desafios para o profissional de RH, visto que é por meio das competências e habilidades das pessoas que a empresa se torna competitiva. Outro desafio é fazer o alinhamento dos objetivos pessoais e organizacionais mediante as novas exigências do contexto atual e o comprometimento organizacional do trabalhador com a empresa. Portanto, digerir esses impactos é introduzir novas práticas administrativas , antecipando as mudanças, pois estas sempre existiram em toda história da humanidade, mas não com essa rapidez e em curto período de tempo, sendo isto algo preocupante para as empresas que necessitam no mínimo sobreviver, crescer e ganhar novos mercados. Para isso, as empresas necessitam fazer uso dos seus recursos financeiros, materiais, tecnológicos e humanos de forma eficiente e eficaz. Não esquecendo que, dentre todos os recursos disponíveis na empresa, apenas os recursos humanos são capazes de agregar valor para os demais recursos. A valorização do conhecimento que reside na cabeça das pessoas deu início a uma nova economia sustentada pelo conhecimento, na qual elas passaram a ser o centro das atenções, a mola propulsora do desenvolvimento e o crescimento para qualquer empresa, cabendo à empresa proporcionar condições de gerenciar o conhecimento das pessoas, diminuindo o desperdício de capital intelectual que existe dentro dela. Nesse cenário de profundas transformações, ocorre uma ruptura no jeito de olhar para o homem e para o trabalho. Segundo Chanlat (2007), nesse contexto, torna-se imperativo reintroduzir as pessoas no lugar que lhes pertence no universo do trabalho, não só direcionar a atuação do homem para adequá-lo aos novos 30 processos de modernização produtiva e de globalização econômica, mas de reabilitar o ponto de vista do sujeito. De acordo com o autor supracitado, “deve-se colocar o trabalhador em equilíbrio psíquico, em que se manifesta a compreensão das particularidades do ambiente”. É preciso oportunizar uma nova abordagem da relação entre empresa e trabalhador, em que o conhecimento específico é capaz de facilitar o processo de absorção e desenvolvimento de novas ocupações, deixando as empresas mais competitivas, por meio da ação do trabalhador, só que agora de forma consciente, ou seja, com maior participação nas decisões, nos rumos da empresa e, especialmente sobre o rumo de sua própria carreira profissional. Se na era industrial o homem era considerado como parte de um grande sistema de engrenagem, caracterizado como o “homem máquina”, ou seja, era pago para alimentar as máquinas, hoje ele é pago para pensar, ser criativo, tomar decisões, negociar etc. Dessa forma, as empresas funcionam por intermédio das pessoas, em uma relação de mútua dependência, na qual o colaborador necessita das organizações para tirar sua subsistência e alcançar seus objetivos, e estas precisam de seus, a fim de dar andamento à produção, aos negócios. Então o segredo do sucesso das organizações reside nas pessoas, uma vez que sem as pessoas as organizações não existem. Se no período da Revolução Industrial as pessoas eram consideradas peças substituíveis como se fossem máquinas, era necessária uma supervisão rígida para que o trabalho fosse realizado. No entanto, hoje o cenário é bem diferente, cada vez mais os departamentos estão sumindo e algumas funções sendo extintas, o que deu lugar às equipes multidisciplinares, pessoas são locadas nos diversos setores para trabalhar em prol de um projeto, sendo algumas vezes trabalhos remotos, pois logo que o projeto é concluído as pessoas vão para outro projeto, e assim sucessivamente. Nesse cenário, gerenciar e desenvolver mecanismos que deem sustentação para a organização e efetivam o comprometido das pessoas com seu trabalho é uma questão de sobrevivência, visto que uma pessoa comprometida tem uma visão mais aguçada do que será necessário para o crescimento dele e da instituição, havendo uma parceria entre a empresa e o trabalhador. Entende-se assim, que se seus trabalhadores estiverem comprometidos, ela terá vantagens competitivas frente aos seus concorrentes, nas respostas às novas exigências atuais. Para Stein (2007, p.19), “o comprometimento terá que ser 31 entendido enquanto resultado dos processos de substituição do trabalho ao capital, tendo em vista o processo de acumulação”. Compreender o significado do trabalho e seus significados antagônicos, visualizando o comprometimento do trabalhador com seu trabalho é peça chave para estratégias empresariais. 2.2 BREVE EXPOSIÇÃO SOBRE O SIGNIFICADO DO TRABALHO Desde os primórdios da humanidade até os dias atuais o conceito de “trabalho” por vezes esteve ligado a uma concepção negativa, de tortura. No cotidiano, a palavra trabalho possui vários significados. O seu sentido tem como fonte fundamental a ação do homem, mas no decorrer da história o seu significado tem diversas conotações que podem trazer uma carga de emoção, o qual lembra dor, tortura, suor do rosto, fadiga, aflição, transformações da matéria, objeto de cultura, uma operação humana e identidade. De acordo com Bendassolli (2009), o trabalho é tema recorrente na história do pensamento humano desde muito tempo. Hesíodo, em sua obra O trabalho e os dias, escrita por volta de 700 a.C., descreve a luta laboral diária do agricultor contra as forças da natureza. Para o poeta grego, o trabalho era uma atividade da qual o homem não poderia escapar, já que os deuses o haviam punido, privando-o de seus favores. Segundo Bendassolli (2009, p.7), Logo a ideia, hoje em geral tão comum, de que o trabalho é a mais elevada das atividades humanas ou de que tem um poder capaz de nos definir melhor do que qualquer outra coisa foi uma construção necessária ao capitalismo para que as pessoas se engajassem nas novas exigências do sistema produtivo. No século XVIII, sobretudo no XIX, bem como em quase toda a extensão do XX (embora com novos encaminhamentos), o trabalho tornou-se um problema – questão de interesse legítimo, central. Além disso, o significado do trabalho ao longo da história vem sofrendo mudanças, recebendo novos domínios. Conforme Albornoz (2000), Aranha e Martins (1993), a palavra trabalho vem do vocábulo latino tripaliare, do substantivo tripalium, aparelho de tortura composto de três paus, ao qual eram atados os condenados, e que também servia para manter presos os animais difíceis de ferrar. 32 Albornoz (2000) escreve que para o povo grego, a palavra trabalho possui dois significados, pode designar a fabricação ou esforço, sendo oposto a ócio; também possui o significado de pena, que é próxima da fadiga. Segundo Aranha e Martins (1993), na Grécia e Roma todo trabalho manual é desvalorizado por ser feito por escravo, já a atividade teórica, era digna do homem, representava a essência fundamental de todo ser racional. Para os gregos e os romanos, o trabalho tem dois significados paradoxais, considerado como uma concepção de liberdade, quando praticado por um cidadão, cuja preocupação era de preparar o corpo e o espírito, um trabalho contemplativo, ou seja, pensar, mas quando desenvolvido por escravo, em que era necessário o esforço físico denota o significado de tortura e obrigação. O que demonstra a importância do trabalho na vida das pessoas, mas também dá uma conotação que o prazer só existe fora do trabalho. Santo Tomás tentou, por meio dos seus estudos, equiparar o trabalho contemplativo e o trabalho manual, dando igual significado, porém, preferia desenvolver um trabalho mais contemplativo. No entanto, o trabalho pode assumir um importante papel na formação da identidade do indivíduo. Conforme Freud (1997 apud DEJOURS, 2001), o trabalho pode ser o meio de se livrar das angústias e necessidades por meio do processo de sublimação. Na visão de Barreto (2007), encontram-se três noções com terminologias distintas relativas ao significado do trabalho, a ideia de pena ou sofrimento, a noção de atividade que enobrece e a noção de criação. Para Bagolini (1981, p. 34), “todo trabalho é atividade que, se bem que implique uma pena, à implicação para superála mediante o senso de conquista. No trabalho está a liberdade. Merece a liberdade e a vida aquele que todo dia consegue conquistá-la”. Além disso, a palavra trabalho é usada correntemente em vários sentidos, podendo ser esforço ou aplicação, ou como ação, atividade manual ou intelectual, produto ou resultado dessa atividade, emprego, colocação, lugar ou posto de trabalho; coletividade dos trabalhadores, classe social, é usada, por exemplo, na expressão “o capital e o trabalho”. Nesses termos, algumas formas de conceber o trabalho na Psicologia Organizacional e do trabalho ou construtos para Borges e Yamamoto (2004, p. 25), é que quando utilizar-se a palavra “trabalho,” e ela não esteja necessariamente 33 falando do mesmo objeto. Na psicologia organizacional e do trabalho, por sua vez, fala-se em construtos como motivação para o trabalho, comprometimento no trabalho, envolvimento no trabalho, aprendizagem no trabalho, socialização no trabalho, satisfação no trabalho, treinamento em trabalho, aconselhamento no trabalho, estresse no trabalho, qualidade de vida no trabalho e assim por diante. Assim, a repetição da palavra trabalho foi proposital, para ajudar a dar conta da frequência com a qual a palavra trabalho é empregada na literatura da área. Essas contradições e o entendimento das pessoas no mundo do trabalho é uma tarefa difícil para muitas empresas, pois para cada pessoa o trabalho tem um significado distinto. Com o surgimento das fábricas e a ascensão da classe burguesa, a concepção do trabalho passa a significar uma maneira de sobrevivência e libertação. No século XIX, com o desenvolvimento da ciência, o capitalismo se volta para o corpo, pela necessidade de “docilizar” os corpos, a fim de que as pessoas esqueçam o seu antigo estilo de vida para se transformar em uma força de trabalho produtiva e disciplinada. Surge então o homem-motor. De acordo com Ugarte (2004, p. 2), A questão da idéia de subordinação se deu com a Revolução Industrial, caracterizando as pessoas que vivem do seu trabalho, colocando o trabalho como a única alternativa para sua subsistência através de pagamentos de salários por sua atividade desenvolvida. Borges e Yamamoto (2004, p. 25) ressaltam a seguinte frase: “primeiro o trabalho, depois o prazer”, a frase evidencia a importância do trabalho na vida das pessoas, mas também dá uma conotação que o prazer só existe fora do trabalho. Os critérios para diferenciar os diversos âmbitos do trabalho dentro de uma organização na visão dos mesmos autores. Ressaltam também, a relação de poder dentro das organizações, podendo distinguir o trabalho subordinado das chefias intermediárias, dos gerentes, dos diretores, dos proprietários, etc. Segundo Borges e Yamamoto (2004), as classificações significados de trabalho são: a) Quanto à natureza do que fazemos: temos as mais variadas classificações das profissões e ocupações; b) Quanto aos tipos de contrato de trabalho: temos empregados, patrões, autônomos; 34 c) Quanto à formalidade do contrato: temos trabalho no mercado formal e no informal; d) Quanto à complexidade da tarefa: podemos ter classificação como trabalho simples, repetitivo, abstrato e complexo; e) Quanto ao tipo de esforço: trabalho braçal e intelectual; f) Quanto à existência da remuneração: trabalho voluntário e remunerado; g) Quanto à qualidade da remuneração trabalho: bem remunerado e malremunerado; h) Quanto a nos determos na forma de pagamento: trabalho por salário fixo, por produção e misto; i) Quanto a pensarmos nos seres vivos e não apenas no homem: temos trabalho animal e humano. Nesse sentido, existe uma variedade de critérios que podem utilizar para classificar o trabalho, tais classificações, variam o seu nível de sofisticação por meio da combinação de critérios e do aumento dos níveis utilizados em cada classificação. Esses fatores complicam ainda mais quando relacionados à busca e a inovação que se caracterizam pela introdução de novas combinações produtivas ou mudanças nas funções de produção. 2.3 COMPETITIVIDADE ORGANIZACIONAL E COMPROMETIMENTO Neste início de século XXI, as organizações estão imersas em um ambiente dinâmico, com constantes mudanças tecnológicas, sociais, econômicas e políticas. Conforme Alves et al. (1997, p. 23), “a economia mundial está passando por uma grande transformação que se manifesta tanto na base produtiva quanto no âmbito financeiro e político”. Essas questões complexas são decorrentes da atual crise de um mundo em transformação, provocando enorme impacto sobre o mundo do trabalho, tanto para as empresas modernas quanto para a sociedade contemporânea. Portanto, é recomendável que a empresa esteja atenta a este ambiente com rápidas e profundas transformações e busque novas ideias, antecipando-se e sendo agente da própria mudança. Dessa forma, as transformações oriundas da globalização trouxeram um efeito profundo de como as empresas devem gerir e fazer negócios, tornando-as mais independentes e estimulando as parcerias e fusões entre elas, seja por questão de sobrevivência, ou para ser mais competitiva no ramo de atuação. 35 A implicação desses fatores no âmbito empresarial obriga as organizações a se ajustarem as novas exigências do mercado global. Além disso, são diversos os fatores responsáveis por essas transformações, entre eles o modelo de acumulação flexível, automatização dos processos industriais, verticalização industrial, inovações tecnológicas, flexibilização da força de trabalho, explosão e expansão das comunicações globais, entre outros, acarretando mudança na mala produtiva e também nas relações trabalhistas, tendo em vista que o profissional passa a ser caracterizado como uma questão principal para o desenvolvimento empresarial. Pode-se afirmar, portanto, que são as pessoas a principal chave do sucesso ou fracasso organizacional. Destarte, gerenciar todos os impactos do sistema produtivo, sem deixar de considerar a questão tecnológica, mas também as questões objetivas das relações entre empresa e funcionários, a automação empresarial, tem resultados tanto positivos como negativos. O primeiro é a diminuição do posto de trabalho, que é resultado da modernização produtiva, a exigência de trabalhadores multifuncionais, desemprego, alto nível de escolaridade, entre outros fatores. Para Alves et al. (1997), dois fatores afetam o mundo do trabalho: primeiro o crescimento econômico, que não gera empregos no ritmo necessário para absorver a população que ingressa no mercado de trabalho; o outro é o avanço tecnológico, aplicado no âmbito empresarial. Com isso, algumas funções recebem um incremento tecnológico e são criadas outras funções que até então não existiam, fazendo com que as pessoas tenham necessidades de possuir um grau elevado de escolaridade para acompanhar as mudanças que as funções sofrem. Porquanto, as mudanças tecnológicas e organizacionais provocam impactos sobre a estrutura e as relações de emprego, bem como sobre a definição das ocupações, emergindo dentro do mercado de trabalho um novo paradigma, um profissional multiqualificado, capaz de atuar cognitivamente em contraste com o trabalhador fordista, o qual tinha como uma de suas características principais, a especialização. Essa realidade é considerada por muitos autores como irreversível, o fenômeno chamado de “globalização dos mercados”, o qual sinaliza a crescente internalização da economia (ALVES et al., 2007, p. 64). Diante destas transformações a cerca da globalização, a situação deste profissional ganha colaboração significativa nos contextos organizacionais. 36 Segundo Mascarenhas (1995, p. 46), O desafio dos profissionais passa a ser lutar para entender a natureza das forças de mudança em suas empresas, quais as respostas mais apropriadas e, acima de tudo, um modo de gerenciar de forma sinergética, as estratégias e as apropriações mais complexas. Esta nova tendência aponta para um maior volume de contratos e de trabalho temporário e flexível, em que os profissionais, de uma forma geral, e em particular os da área da administração, terão grandes oportunidades de emprego se souberem adaptar-se ao mundo da multifuncionalidade. Surge assim, nesse emaranhado de mudanças, uma nova postura da empresa para o empregado, pois ele é a principal preocupação nesse momento de mudanças, visto que são as pessoas que impulsionam todas essas mudanças dentro e fora da empresa. Um novo olhar da empresa para o ser humano, em reconhecê-lo como sua mola propulsora para seu desenvolvimento. Nesse âmbito, o funcionário deve ser valorizado, levando em conta sua capacidade profissional e seu engajamento nas metas da empresa, pois vêm deles os resultados esperados pela empresa. No que diz respeito às relações de trabalho, o comprometimento organizacional dos colaboradores deve ser conquistado, embora a relação do empregado com o empregador seja de caráter comercial, o pacto psicológico entre as partes é um fator determinante. Apesar das empresas oferecerem promessas padronizadas para seus funcionários, por meio de “contratos psicológicos”, nem todos desenvolvem o mesmo tipo de contrato. Em razão disso, as empresas adotam um discurso de mão única: deve-se dar tudo de si à organização para que o empenho possa ser reconhecido (corpo, mente e alma, de preferência), ao mesmo tempo em que se exige que o trabalhador, às suas próprias expensas, se qualifique continuamente para manter-se na organização. Logo, a possibilidade da demissão, apesar de na maioria das vezes não ser cogitada a todo tempo, é uma realidade vivida por trabalhadores da iniciativa privada. Dessa maneira, as empresas estão modificando sua forma de gerir pessoas para suprir pressões e demandas do ambiente interno e externo, uma vez que as cobranças feitas pelo capital ao trabalhador são cada vez maiores. Exige-se, portanto, flexibilidade, muitas vezes devoção para com a empresa, iniciativa e até 37 mesmo capacidade de gerir seu capital intelectual a fim de manter-se empregável. Por consequência disso, a imposição de regras e metas sem um comprometimento organizacional das partes ou até mesmo a utilização de métodos que intimidem o colaborador pode provocar um efeito contrário ao almejado pela empresa. Sendo assim, na busca do comprometimento organizacional é salutar a autoridade do saber sobrepor-se à autoridade do poder, pois o uso da argumentação na maioria das vezes é mais eficaz para contornar situações inevitáveis de pressão pelo resultado positivo. Nesse horizonte, o ato de “trabalhar” dentro da organização, mediante pressões e conflitos diversos, torna-se bastante complexo. Por isso, Spector (2002) apresenta duas abordagens distintas na concepção e análise do trabalho de um indivíduo: Abordagem Orientada ao Trabalho e Abordagem Orientada à Pessoa. A Abordagem Orientada ao Trabalho está intrinsecamente ligada à natureza das tarefas e atividades e às suas características dentro da organização. Sua incumbência é a de revelar as atividades da pessoa dentro da empresa, ou seja, fornecer uma imagem das funções desempenhadas. Já a Abordagem Orientada à Pessoa, destaca os atributos, as características e as habilidades necessárias ao sucesso no desempenho de um determinado trabalho, tais como: conhecimento, aptidões e outras características pessoais. Algumas enfocam basicamente o desempenho no trabalho, porém, outras estão relacionadas também com a adequação e a satisfação no trabalho. Diante desse cenário, gerenciar é desenvolver um mecanismo que ofereça sustentação para a organização efetiva do comprometimento das pessoas com seu trabalho, visto que uma pessoa comprometida tem uma visão mais aguçada do que será necessário para o crescimento dele e da instituição, possibilitando uma parceria entre a empresa e o trabalhador. Em decorrência da busca por maior competitividade nos negócios e de melhores índices econômicos, produtivos e financeiros, o comprometimento é um fator que pode contribuir nos resultados da empresa. Para Vergara (2000), “as disputas organizacionais por mercados têm tornado o mundo cada vez mais competitivo”. Nesta perspectiva, ter profissionais comprometidos é peça chave de sua estratégia empresarial, pois o comprometimento do colaborador para com sua empresa é fundamental para o sucesso da mesma, no entanto, o retorno deve ser recíproco. Este ato de empenho 38 e lealdade entre as partes fortalece e estrutura a organização, então se faz necessário que a empresa proporcione condições para que os trabalhadores alcancem seus objetivos pessoais, e por consequência torne a empresa mais competitiva frente aos seus concorrentes. Contudo, o maior desafio encontrado pelas empresas é desenvolver o mecanismo que propicie esse ambiente para o envolvimento das pessoas com o seu trabalho e com sua tarefa, haja vista que o compromisso não acontece por meio da imposição do poder e controle de suas ações, mas sim de forma espontânea, natural. Todavia, como obter o comprometimento dos profissionais em um mundo capitalista, se o comprometimento está sujeito às relações de poder e de subordinação do trabalho. Segundo Faria (2007, p. 89), O comprometimento deve ser observado não como uma troca eminentemente racional, em que o sujeito elabora uma relação custobenefício ou faz para si uma proposição do tipo perdas e danos, mas um processo que precisa ser analisado como uma resposta, na qual são decisivas as manifestações inconscientes do sujeito, dada a existência de fatores nem sempre racionais ou percebidos. No que concerne às variáveis consequentes, de acordo com Salancik (1977 apud SALGADO, 2008), as pessoas tornam-se comprometidas pelas implicações de suas próprias ações que vão além das regras afixadas entre a organização e o empregado. Conforme Faria (2007, p. 89), “o comprometimento do indivíduo ou de um grupo não é total, se assim fosse não seria comprometimento e sim alienação”. O desafio apresentado tem como objetivo desenvolver e fortalecer o comprometimento profissional, ratificando que são vários os fatores que estimulam a competitividade de uma empresa. Logo, o comprometimento dos colaboradores deve ser com os clientes e fornecedores e com a empresa entendendo sua missão, visão e os seus valores. Segundo Bastos (1993; 1996), Rousseau (1997), Siqueira (2001) e Rego (2003) a atenção dada ao elemento humano, por parte das organizações, justifica-se pelas constantes mudanças ocorridas no contexto laboral, que dizem respeito à 39 competitividade e aos avanços tecnológicos, as quais só são superadas com o comprometimento dos trabalhadores. Diversos estudos confirmam a importância do comprometimento no trabalho para a obtenção de vantagens competitivas e defendem que é possível desenvolver o comprometimento por meio de um conjunto articulado de políticas e práticas organizacionais que reforcem a percepção de suporte e de valorização das contribuições dos indivíduos. 2.4 COMPROMETIMENTO: BASES TEÓRICAS, CONCEITOS E DEFINIÇÕES O tema comprometimento organizacional vem avançado no Brasil com estudos realizados pelos pesquisadores brasileiros como: Bastos (1993); Bastos e Lira (1997); Siqueira (2001); Medeiros e Enders (2002); Cavalcante (2005); Faria (2007) e Rowe (2008). Mesmo assim o tema se mostra bastante confuso, devido aos vários conceitos e associações sobre o tema. Com efeito, a falta de consenso ocasiona problemas conceituais que dificultam o entendimento e desenvolvimento de futuras pesquisas mais profundas sobre a influência comportamental no comprometimento no contexto empresarial. As pesquisas sobre comprometimento organizacional começou a ganhar força no final dos anos 70 e início dos anos 80 com as pesquisas de Mowday (1982), Meyer e Allen (1984) e Reichers (1985), com a publicação textos que enfatizou a necessidade de estudos longitudinais, as quais considerassem as atitudes e ações comprometidas. Os pesquisadores Mowday et al. (1982) abordam o comprometimento afetivo, em uma perspectiva atitudinal apresentam sugestões sobre as dúvidas conceituais a respeito do tema comprometimento, sendo que uma das primeiras sugestões propostas é diferenciar por intermédio das abordagens as quais são: atitudinal e comportamentais do comprometimento organizacional. A literatura sobre comprometimento organizacional se divide em duas abordagens: Abordagem Comportamental e Abordagem Atitudinal. Na abordagem comportamental, Segundo Bastos (1995), seu enfoque é feito pela avaliação do trabalhador, a fim de compreender as maneiras como eles explicam para si próprios 40 as ações e eventos que ocorrem suas ações. No entanto, o comprometimento organizacional sob abordagem atitudinal, na concepção de Medeiros (2003), os trabalhos de Mowday e de seus colaboradores (1979; 1982) foram os mais marcantes, quando estruturaram e delimitaram o comprometimento de natureza afetiva e desenvolveram instrumento para medir o vínculo atitudinal. Nesse sentido, o enfoque afetivo dominou a literatura do comprometimento organizacional por muito tempo. De acordo com Menezes (2009, p. 20), Embora o comprometimento organizacional seja um dos construtos mais investigados dentro da área organizacional, a complexidade de sua definição e mensuração desencadeou o desenvolvimento de um conjunto de abordagens e concepções teóricas que buscam explicá-lo de distintas formas. Contudo, existem várias vertentes teóricas e conceituais do estudo sobre comprometimento organizacional. Bastos (1993) identifica as abordagens conceituais e respectivas fontes teóricas na investigação do comprometimento organizacional, ou seja, as disciplinas que trouxeram contribuições para o entendimento do tema foram: Sociologia, Teorias Organizacionais e Psicologia Social. Desse modo, os principais enfoques delas resultantes estão apresentados na figura exposta a seguir. 41 Figura 1 – Abordagens conceituais e respectivas fontes teóricas na investigação do comprometimento organizacional Fonte: Bastos (1993) Bastos et al. (1997), também chamam a atenção para a diferenciação significativa existente entre a concepção de base normativa e a abordagem sociológica. No eixo normativo ocorre a internalização e identificação com os valores, missão e objetivos organizacionais. Diversamente, no enfoque sociológico a relação com normas e valores é de submissão e obediência, enquanto a punição jaz subliminarmente ou explicitamente. Em conformidade organizacional: com Bastos (1993), tipos de comprometimento 42 a) Afetivo-atitudinal: enfatiza a natureza afetiva do processo de identificação do indivíduo com os objetivos e os valores da organização; b) Instrumental-side-bets: o comprometimento é produto das recompensas e dos custos associados à permanência na organização; c) Normativo: o comprometimento é tido como um conjunto de pressões normativas internalizadas para que o indivíduo se comporte congruentemente com os objetivos e metas da organização; d) Comportamental: o comprometimento existe em relação a comportamentos ou atos com cognições que fortalecem tais vínculos; e) Sociológico: o vínculo é conceituado em termos da relação de autoridade que governa o controle do empregador e a subordinação do empregado. Menezes (2009, p. 33) ressalta que “ainda são insuficientes os estudos que procuram investigar o comprometimento organizacional a partir da integração entre os planos atitudinal e comportamental para a análise do construto”. Na literatura encontram-se vários significados para a palavra comprometimento, porém as várias definições compartilham um tema comum, isto é, ter um vínculo ou ligação do indivíduo com a organização (MATHIEU; ZAJAC, 1990). Isso ocorre em virtude das pesquisas sobre comprometimento organizacional encontrarem-se, de certa forma, fragmentadas em diferentes abordagens do fenômeno. Essa diversificação de definições pode ser entendida a partir de suas raízes em diferentes disciplinas científicas (Sociologia, Teorias Organizacionais e Psicologia Social) conforme já foi citado anteriormente, além das diversas operacionalizações do construto. Fonseca (2001) destaca o fato de que há pouco consenso com relação ao uso do termo “comprometimento”, consequência direta da diversidade conceitual que se verifica na literatura. Assim sendo, seguem posteriormente, sob a ótica de vários autores, alguns conceitos e definições encontradas na literatura sobre comprometimento organizacional. Na visão de Bastos (1994), a palavra comprometimento é usada para descrever não só ações, mas o estado esboçado pelo indivíduo, por meio de sentimentos ou reações afetivas, se materializando em lealdade a algo. Ainda segundo o referido autor, o comprometimento é uma propensão à ação, de se comportar de determinada forma, de ser um indivíduo disposto a agir. De acordo com Scheible (2004 apud OLIVEIRA, 2006, p. 24), observa-se que “as definições de comprometimento, em geral, referem-se ao fato de que comprometimento é uma força que estabiliza e direciona o comportamento”. Sob outro ângulo de visão, Senge (1998) aborda que comprometimento pressupõe um sentimento total de responsabilidade na transformação das metas e 43 objetivos em realidade, então o comprometimento é aquilo que transforma uma promessa em realidade, dependendo do grau em que um empregado se identifica com a empresa e seus objetivos, o qual induz o indivíduo o desejo de manter-se como parte da organização. Em relação à conceituação do comprometimento organizacional, este é entendido por Siqueira (1995) como vínculos de base psicológica, da ligação entre o empregado e a organização de trabalho. Para Rousseau (1990 apud SIQUEIRA, 2001), o termo contrato psicológico refere-se às crenças que indivíduo possui acerca dos termos e condições de um acordo mútuo de troca entre ele e outra parte, nesse caso a organização. Tal conceito pressupõe que uma promessa junto com uma oferta como troca, ligando as partes em um conjunto de obrigações recíproc as. Corrobora Borges-Andrade (1994), que é compreendido, também, como um forte preditor de comportamentos relevantes para o contexto do trabalho como desempenho, absenteísmo e rotatividade. Já Medeiros et al. (2003) defini comprometimento em termos de retenção de pessoas nas organizações, razão pela qual elas buscam imprimir em seus processos de seleção, cada vez mais critérios, envolvendo comprometimento. Isso adquire contornos de relevância na medida em que ocasionam algumas medidas de flexibilização e esfacelamento. Para Bastos (1993), as definições de comprometimento, em certos momentos, trazem em si a noção de “algo que amarra, ata, une” o indivíduo a alguma coisa. Na esfera científica, comprometimento passou a significar uma adesão, um forte envolvimento do indivíduo com variados aspectos do ambiente de trabalho. Conforme afirmam Bastos e Lira (1997), o comprometimento pode estabelecer-se com múltiplos focos como, por exemplo: a organização, o sindicato, a carreira, a profissão, o grupo de trabalho etc. Segundo Naves e Coleta (2003), o comprometimento é uma decorrência que estimula o indivíduo a realizar um esforço considerável em prol da empresa. Já para Davenport (2001, p. 38-40), “refere-se ao elo entre as pessoas e a organização, de base emocional ou intelectual, sendo dividido por ele em três categorias”: a) Atitudinal: pessoas que se identificam e se envolvem com a organização 44 e gostam de fazer parte dela. Comungam dos mesmos interesses da empresa, o que os motiva a trabalhar por ela; b) Programático: pessoas que fazem parte da empresa somente porque os custos de deixá-la são muito altos. Preferem não se arriscar, embora insatisfeitas, continuam na empresa, mas não investem efetivamente seu capital humano; c) Baseado na lealdade: pessoas que se sentem amarradas à organização por um senso de obrigação; esses trabalhadores desejam fazer aquilo que crêem ser o certo para a organização. Mesmo que de forma mais modesta da que ocorre no comprometimento atitudinal, produz dedicação e absorção dos objetivos organizacionais por parte do trabalhador. Nessa ordem de ideias, Bastos (1994) faz a análise das definições apresentadas pelos autores de pesquisas sobre os tipos de comprometimento estudados, revelando algumas dimensões de significado comuns, a saber: o desejo de permanecer, de continuar; além do sentimento de orgulho por pertencer; identificação com objetivos, valores; engajamento, exercer esforço, empenho em favor da organização. No Brasil, o modelo de conceitualização de três componentes do comprometimento organizacional de Meyer e Allen (1991) foi validado por Medeiros e Enders (1997) e Bandeira, Marques e Veiga (1999). Nesse contexto, o comprometimento foi validado nos dois segmentos, público e privado: especialmente nas empresas privadas de pequeno porte, cujo ramo de atuação era indústria, comércio e prestação de serviços. Bastos et al. (1996), também identificaram formas de se mensurar o comprometimento comportamental, em que os indicadores ocorrem em duas dimensões distintas: indicação de comportamento e ações, tais como apontar falhas ou soluções e ações associadas à especificação de maneiras como a ação ou o seu produto são considerados comprometidos, bem como realizar bem o trabalho ou realizar as tarefas com empenho. Entretanto, existe consenso entre alguns teóricos de que o comprometimento é multidimensional, o construto possui vários conceitos e definições. Os modelos multidimensionais que abordam três enfoques conceituais predominaram no estudo do comprometimento organizacional: afetivo, instrumental/calculativo e normativo. Sendo esse modelo do comprometimento organizacional que tem revelado maior consistência nos diversos estudos em que foi utilizado, é o “Modelo das TrêsComponentes” de Meyer e Allen (1991). Os autores Meyer e Allen (1997) propõem, também, três escalas que permitem a medição das componentes afetiva, calculativa e normativa do comprometimento organizacional. 45 Estabelecidos pelos pesquisadores John Meyer e Natalie Allen (1991) e o modelo do vínculo psicológico do empregado de O'Reilly e Chatman (1986). Os autores supracitados conceituam o comprometimento organizacional em três dimensões, as quais são apresentadas na figura a seguir: Figura 2 – Modelo de três componentes de Meyer, Allen e Smith (1993) Fonte: Rego (2003) Nessa perspectiva, a base do vínculo afetivo destaca a natureza emocional que pode unir indivíduo e organização, em função do atendimento de expectativas e necessidades pessoais. É expressa por intermédio de sentimentos de gostar e desejar se esforçar em prol da organização. De acordo com Meyer e Allen (apud BANDEIRA et al. 2000, p.137), Empregados com um forte comprometimento afetivo permanecem na organização porque assim o querem [...]. Aqueles cuja ligação está baseada no comprometimento instrumental continuam empregados porque precisam [...]. Empregados com alto grau de comprometimento normativo sentem que devem permanecer na organização. A dimensão afetiva é conceitualizada por Mowday, Porter e Steers (1982, p. 27) como “uma forte crença e a aceitação dos objetivos e valores da organização”. Para os referidos pesquisadores, significa o envolvimento causado pela harmonia entre os valores individuais e organizacionais. Entretanto, o comprometimento afiliativo é distinto do comprometimento afetivo, posto que o primeiro denota um 46 sentimento de integração, já o afetivo leva o funcionário à forte crença de aceitação entre os objetivos pessoal e organizacional, bem como a introjecção dos valores organizacionais. Proposta por Gouldner (1960 apud MOWDAY; PORTER; STEERS, 1982), o chamado de envolvimento moral está baseado na internalização dos objetivos, valores e normas da organização, sendo este envolvimento positivo e intenso na direção dos objetivos organizacionais. Segundo Nascimento et al. (2008), há escala de comprometimento afetivo, escala de comprometimento calculativo e escala de comprometimento normativo. Considerando o comprometimento organizacional como um constructo multidimensional, cada uma das suas três componentes, afectiva, calculativa e normativa, pode ser medida através de uma escala específica: Estas escalas são constituídas por afirmações representativas da dimensão específica que está a ser medida. A resposta é dada numa escala de tipo Likert de 7 pontos, na qual (1) corresponde a “Discordo Totalmente” e (7) a “Concordo Totalmente” (NASCIMENTO et al., 2008, p. 119). Já o comprometimento normativo pode significar um sentimento de obrigação em permanecer na organização ou sentimento de obrigação pela performance em relação ao seu desempenho. Essa dimensão recebe influência por parte das organizações, tais como normas e regulamentos ou ainda como uma missão forte e disseminada dentro da organização (ROWE, 2008). Quanto ao comprometimento instrumental ou calculativo, para Etzioni (1975, apud MOWDAY et al., 1982), é definido em relação de troca que se desenvolvem entre o membro e sua organização. Esse sentimento de falta de recompensas e oportunidades. Na visão de Rowe (2008), o trabalhador permanece na organização em razão dos custos e benefícios associados a sua saída, que seriam as trocas laterais. Com isso, passa a se engajar em linhas consistentes de atividade para se manter no emprego. Conforme Meyer e Allen (1991 apud ROWE, 2008), o comprometimento instrumental é percebido como custos associados a deixar a organização. Já os trabalhadores com comprometimento instrumental permanecem na organização porque precisam. Em 1979, foi validado um instrumento usado para medir o comprometimento, composto de um questionário formado por quinze indicativos, utilizado para se medir comprometimento na dimensão afetiva desenvolvida por equipe de pesquisadores. 47 Consoante Allen e Meyer (1990), quando o instrumento foi validado pela primeira vez, as escalas de comprometimento eram constituídas por 8 (oito) itens cada, em um total de 24 (vinte e quatro) itens, apresentando uma consistência interna, medida pelo coeficiente Alpha de Cronbach, de 0,87 para a afetiva, de 0,75 para a calculativa e de 0,79 para a normativa. Diante disso, os pesquisadores Meyer e Allen (1997) revisaram novamente as escalas, passando a serem constituídas por 6 (seis) itens para a afetiva, 7 (sete) para a calculativa e 6 (seis) para a normativa. Na versão revista, apresentam uma consistência interna aceitável. Com resultados de coeficientes Alpha de Cronbach: 0,85 para a escala afetiva, 0,79 para a calculativo ou instrumental e 0,73 para a normativa, como se observa na figura apresentada a seguir. Figura 3 – Modelo Teórico Conceptual – Comprometimento Organizacional Fonte: Meyer e Allen (1997 apud NASCIMENTO et al., 2008) De acordo com Muller et al. (2005), os estudos sobre comprometimento possuem uma premissa em comum de que comprometimento sozinho não garante o 48 sucesso da empresa, entretanto um elevado grau de comprometimento com a organização contribui para que as empresas alcancem seus objetivos. Pode-se afirmar também, sobre a relação entre comprometimento com muitos comportamentos do empregado, segundo Meyer, Allen e Smith (1993), que diversos estudos vêm tentando associar a noção de comprometimento a outros elementos, além da organização, tais como as metas de resultados, a profissão, a carreira e o sindicato (BASTOS; BORGES-ANDRADE, 2002). Sendo evidenciados por Bastos (1998), outros aspectos que influenciam no comprometimento, a despeito de não estarem relacionados diretamente à esfera de trabalho do indivíduo, tais como sua família, religião ou orientação política. Dessa forma, [...] tentando entender os indivíduos e seu vínculo com a organização de maneira mais complexa. É consenso hoje na literatura que o comprometimento possui múltiplos focos como organização e carreira e bases, como afetiva, normativa instrumental (MEDEIROS et al., 2003, p. 189). Robbins (2002, p. 67) afirma que o envolvimento com o trabalho é o grau em que uma pessoa se identifica com ele, participa ativamente dele e considera seu desempenho como uma coisa valiosa. Para Bastos e Lira (1997), o comprometimento é resultante de vínculos profundos e duradouros que o indivíduo desenvolve na relação com a organização e outros aspectos ligados ao seu trabalho, com componentes afetivos, cognitivos e de ação. Sendo assim, o comprometimento organizacional advém da categoria “contrato psicológico” celebrado entre organização e empregados. Em relação às promessas de direitos e obrigações de cada uma das partes, Siqueira (2001) percebe o conceito de comprometimento como um mecanismo que produz comportamento sólido, entendendo-o como o fato das pessoas se engajarem em linhas consistentes de atividades que elas elegeram para a obtenção dos seus propósitos. Em conformidade com Hunt et al. (1985 apud SALVIDI, 2006), um alto comprometimento entre os empregados conduz a um baixo turnover e, consequentemente, a um alto desempenho organizacional. Nesse sentido, o comprometimento pode ser equiparado com sentimentos de autorresponsabilidade por um determinado ato, especialmente se eles são percebidos como livremente escolhidos, públicos e irrevogáveis. Desse modo, as pessoas tornam-se 49 comprometidas a partir de suas próprias ações, formando um círculo de autorreforçamento, no qual cada comportamento gera novas atitudes que levam a comportamentos futuros, em uma tentativa de manter a consistência. Em síntese, a pesquisa sobre comprometimento é promissora e continuará a apresentar avanços com as mudanças globais na tecnologia, na economia e nos valores. Cohen (2003 apud ROWE, 2008) destaca que o estudo do comprometimento organizacional pode ser mais interessante e promissor atualmente do que há três décadas, por causa das mudanças contemporâneas no mundo do trabalho quanto ao progresso das pesquisas deste fenômeno. 2.5 COMPROMETIMENTO E SUAS RELAÇÕES COM O DESEMPENHO O cenário de competitividade é influenciado por diversos aspectos organizacionais e ambientais. Para Fink (1992 apud CAVALCANTE, 2005) uma organização é um sistema dinâmico e vivo. E o comprometimento dos empregados é apenas um dos fatores que afetam o desempenho. A competição acirrada requer um aprendizado mais eficaz, resultados positivos e um alto desempenho organizacional. Esses são fatores de competitividade no tempo atual. Contudo, deve-se entender o papel das pessoas e o comportamento delas para se poder alcançar esses fatores, visto que são aspectos como esses que distinguem uma pessoa de outra e uma empresa de outra empresa. Assim, o destaque é justificado pelo impacto causado por essas variáveis no desempenho dos trabalhadores, o qual implica diretamente nos resultados organizacionais. As expectativas esperadas em relação às pessoas têm-se voltado mais fortemente para as suas habilidades, os seus desempenhos e as suas produtividades, para o comprometimento e motivação na organização. Sendo assim indispensável conhecer as forças responsáveis que auxiliam a gestão do fator humano em um cenário cada vez mais competitivo, visando auxiliar o alcance dos objetivos, e, sobretudo, criar um ambiente de colaboração entre as pessoas e, com isso, obter resultados eficazes para a empresa. Sem esquecer que o desempenho profissional considerado tanto nos aspectos subjetivos, que são as necessidades das pessoas dentro do ambiente de 50 trabalho, quanto as suas expectativas – que são os sentimentos do indivíduo sobre o que ele vai realizar, pois as pessoas necessitam encontrar significado ou propósito para o que estão executando. Nesse contexto, percebe-se que o líder tem papel fundamental para que esse significado aconteça, propiciando autonomia às pessoas e aos grupos, criando um ambiente mais leve, livre de conflitos intergrupais, proporcionando e estabelecendo uma liberdade pessoal, e a facilidade da troca de conhecimento e aprendizagem. No entanto, não é só isso que vai garantir um maior desempenho e comprometimento do profissional. De acordo com Oliveira-Castro, Lima e Veiga (1996 apud FONSECA, 2001), existem fatores que podem afetar o desempenho no trabalho. Na figura, a seguir exposta, será apontada uma multiplicidade de variáveis que impactam o desempenho no trabalho, tornando necessário ampliar a busca da fonte dos problemas de desempenho. Figura 4 - Fatores que podem afetar o desempenho no trabalho Fonte: Oliveira-Castro, Lima e Veiga (1996 apud FONSECA, 2001) Para que uma organização sobreviva, independentemente de suas características, de seus objetivos ou de sua tecnologia, faz-se necessário a 51 existência do trabalho cooperativo entre as pessoas e as organizações tendo em vista que, com o passar do tempo, valorizar o capital humano tornou-se uma estratégia empresarial na busca permanente pela competitividade na excelência de seus produtos e serviços. Sendo assim, é necessário que se trabalhe a motivação e satisfaça os anseios e desejos das pessoas na execução do seu trabalho, uma vez que sabe-se que a motivação do indivíduo influencia no desempenho organizacional das pessoas. Para Robbins (2002), o envolvimento com o trabalho é o grau em que uma pessoa se identifica com ele, participa ativamente dele e considera o seu desempenho como uma coisa valiosa. Já para Spector (2002, p. 221-243), “a satisfação no trabalho é pessoal e está relacionada diretamente ao sentimento justo em relação a diversas características ambientais, salariais e naturais”. Em outras palavras, é um conjunto de atitudes que reflete o grau de contentamento de um indivíduo para com o seu trabalho. Figura 5 - Ilustração Satisfação/Desempenho no trabalho Fonte: Spector (2002, p. 230) Nessa ordem de ideias, boas práticas de RH, ou seja, bem desenvolvidas, podem ser usadas para criar um ambiente de satisfação, gerando, desse modo, atitudes positivas das pessoas, aumentando os seus desempenhos dentro da empresa. E em contrapartida a corporação terá um funcionário satisfeito e produtivo e bons resultados econômicos. As organizações estão dispostas a continuar investindo os seus recursos em atitudes positivas, na medida em que obtenham retorno e resultado satisfatório com os seus investimentos. Com isso, vender o produto para o cliente interno passou a 52 ser tão importante quanto para o externo. Sabe-se que tornar o cliente interno um parceiro do negócio e responsável pelo sucesso da corporação é uma estratégia que aumenta a motivação, a satisfação e o desempenho dele. Para Fleury e Fleury (1997), a gestão deve ser marcada por princípios de incentivo ao desenvolvimento e comprometimento das pessoas. No entanto, com a contrapartida da exigência crescente de resultados. A estabilidade das relações empregatícias fica, assim, condicionada ao desempenho das pessoas e a sua relevância para a realização das estratégias da organização. Esses fatores têm impacto nas políticas de RH e, consequentemente, no comprometimento organizacional, pois ele é um estado psicológico que liga o indivíduo à organização. Segundo Robbins (2002), atitudes são afirmações avaliadoras ou julgamentos que dizem respeito a objetos, pessoas ou eventos. O autor afirma ainda que as atitudes são afirmações favoráveis ou desfavoráveis em relação a objetos, pessoas ou eventos, ou seja, eles refletem como o indivíduo se sente em relação a alguma coisa. Diante do exposto, percebe-se que o estudo das atitudes das pessoas no trabalho torna-se relevante porque elas afetam o comportamento dos indivíduos dentro das organizações. Assim, a medição de desempenho tem ganhado importância nos últimos anos, especialmente pela ênfase das medidas não financeiras nas tomadas de decisões. Flapper, Fortuin e Stoop (1996) definem desempenho como o modo como a organização conduz os seus objetivos em direção ao resultado. Desta forma, é possível apreender que os indicadores de desempenho são importantes para todos os interessados dentro da organização, porquanto informam o que tem de ser mensurado e quais são os limites de controle do desempenho atual que estariam ao alcance. Nesses termos, o desempenho no trabalho é um tema que vem despertando interesse em várias áreas, em especial na área da psicologia do trabalho, já que conhecer alguns constructos para a apropriação de trabalho pela psicologia é uma questão chave na elaboração de estratégias para o comprometimento organização. Detectar e conduzir essas ações mostra a importância da participação e do envolvimento dos funcionários a partir do referencial do grupo e vai exigir do gestor uma habilidade gerencial competente. Cabe ao gestor, após a verificação das 53 necessidades e do alinhamento dos funcionários nos enquadramentos da competência e da motivação, articular a integração das metas organizacionais com as metas pessoais. Assim, espera-se dele a sensibilidade para olhar para cada pessoa em sua totalidade, considerando os seus sentimentos, emoções, expectativas, habilidades técnicas e operacionais, capacidade de se relacionar com as pessoas e os aspectos que aguçam as suas motivações, além de verificar a adaptabilidade e o ajustamento dela no cargo, com o seu superior, com os pares e com a cultura da empresa. Para Bendassolli (2009), na psicologia do trabalho existem duas orientações em relação ao desempenho no trabalho: uma normativa e outra descritiva. Na normativa o foco é sobre o desempenho do indivíduo na execução de suas tarefas, ou seja, uma ação do indivíduo que leva-o a atingir ou não determinados padrões estabelecidos. Já as orientações descritivas referem-se às características do comportamento ou ao conjunto de comportamentos que geram resultados no ambiente. A figura, a seguir apresentada, retrata os objetivos da avaliação de desempenho. Figura 6 - Objetivos da Avaliação de Desempenho Fonte: Davis e Newtrom (1998, p. 99) A medição de desempenho é uma operação estratégica que pode gerar informações centrais de gestão, por meio dela a empresa pode obter relatórios e indicadores que demonstram como ela está com relação às metas estabelecidas. Para Fink (1992 apud CAVALCANTE, 2005) a mensuração do desempenho é uma tarefa que tem se tornado cada vez mais complicada por diversas razões, tais 54 como: aumento da complexidade do trabalho, necessidade de maior interação e cooperação, alta frequência de mudanças, alto grau de imprevisibilidade e aumento da ênfase em aspectos qualitativos em detrimento dos quantitativos. Assim, com tudo isso as aferições de performance tornaram-se muito mais complexas e subjetivas. Nesses termos, o desempenho é afetado pela percepção como a pessoa se sente em relação a sua meta, ou seja, o grau de comprometimento que ela tem com a meta que lhe foi estabelecida. Para isso, o foco tem que ser bem estabelecido dentro da capacidade de realização. Em outras palavras, deve-se perceber se a pessoa consegue o resultado estabelecido como meta. A literatura distingue os aspectos do desempenho que representam as obrigações e as atividades que fazem parte do trabalho daqueles aspectos que, na sua essência, vão além do que se espera de uma determinada função. O comprometimento com a meta deve ser uma exigência cuidadosamente trabalhada porque se ela for difícil de ser alcançada, gerará desmotivação e insatisfação e influenciará no comprometimento do indivíduo com a empresa. Partindo dessa premissa, Wagner e Hollenbeck (2006) relatam na pesquisa realizada por eles que a meta tem significado simbólico, porquanto há uma diferença quando ela é publicada em mural para todos da empresa verem e quando ela é privada, ou seja, só a pessoa toma conhecimento do que deseja alcançar. De acordo com os autores a pesquisa confirmou que quando a meta é publicada em mural, ela se torna mais desafiadora, gerando uma relação positiva significante entre a necessidade de realização e o comprometimento para alcançá-la. Outro fator importante percebido por eles é quando a meta é fixada pelas próprias pessoas, em vez de ser atribuída por terceiros ou superiores. O funcionário quando participa da fixação da meta, aumenta invariavelmente o seu desempenho e o comprometimento, pois é um resultado que foi traçado por ele com base na possibilidade de ser efetivada. Todavia, também é necessário levar em consideração alguns fatores para verificar os efeitos positivos e negativos da fixação da meta realizada pelas próprias pessoas em vez de terceiros, para não fugir dos objetivos de resultados organizacionais. Entretanto, vale ressaltar que o princípio da avaliação é sempre o mesmo, independentemente da finalidade ou do método escolhido: Avaliar o desempenho dos funcionários; 55 Verificar se o desempenho condiz com as exigências do cargo; Verificar se o trabalho está alinhado aos objetivos e metas estipuladas; Comparar resultados. Robbins (2003) afirma que existem pelos menos três razões para isso acontecer. A primeira razão é que muitos gerentes, às vezes, se sentem desconfortáveis ao discutir as deficiências de desempenho diretamente com os funcionários; a segunda é o medo do confronto da avaliação negativa e de o funcionário não querer melhorar o seu desempenho, fazendo com que ele fique na defensiva quando forem apontadas as suas deficiências, levando, com isso, a avaliação para o lado pessoal e a terceira e, última razão, diz respeito à percepção dos funcionários, os quais tendem a ter uma avaliação “mais alta” de seus próprios desempenhos. Diante do exposto percebe-se que a avaliação de desempenho ainda é algo deficiente dentro da maioria das empresas, pois para grande parte dos gerentes ela é uma situação complicada de ser desempenhada. Desse modo, eles não se sentem bem na hora de realizar a avaliação, nem tão pouco a divulgação dos resultados com os seus funcionários. Na literatura existem vários conceitos de avaliação de desempenho. Rocha (2007) define-a como a sistemática apreciação do comportamento do indivíduo na função que ele ocupa, suportada na análise objetiva do comportamento do homem no trabalho e comunicação ao mesmo do resultado da avaliação. Implica, dessa forma em: a) observação do comportamento a medir, b) medição do comportamento, c) comunicação do resultado, de forma a incentivar e motivar o trabalhador. Nessa perspectiva, de acordo com Halachmi (1995 apud ROCHA, 2007) a avaliação de desempenho não se esgota somente nos objetivos de observar, medir e comunicar os resultados decorrentes do comportamento. Ela constitui um mecanismo que permite a contribuição dos subordinados para o desenvolvimento organizacional. O autor adverte ainda que a avaliação de desempenho: Ajuda o empregado a compreender a responsabilidade do seu contributo para os objetivos da organização; Informação dos subordinados das expectativas da direção; Dá aos subordinados uma visão periódica de como vão ao encontro dos Standards de desempenho; Desenvolve a documentação necessária para o tratamento dos recursos humanos e das suas carreiras; 56 Constituição de uma base de dados para lidar com instituições exteriores à organização, como sejam os tribunais e sindicatos; Obtenção de dados para finalidades puramente internas, como sejam análises das funções, a estrutura organizacional, manual de procedimentos, processos de seleção e métodos de trabalho; Forma de acreditação da organização dentro do sistema mais geral; Manutenção da autoridade de modelo da direção sobre os subordinados. Cada empresa tem os seus critérios próprios na hora de adotar métodos de avaliação institucional. Assim, a variável que mais influencia na adoção de qualquer procedimento de avaliação é a cultura, a qual associada ao estilo de liderança, às estratégias, ao ambiente organizacional e ao estilo administrativo da empresa define o tipo de avaliação que será aplicada na empresa. Sintetizando a diferença de cada um na contribuição para o desempenho no trabalho, Meyer, Allen e Smith (1983) afirmam que o comprometimento afetivo e, em menor grau, o comprometimento normativo, podem afetar positivamente o desempenho dos colaboradores, enquanto o comprometimento instrumental não tem relação ou pode estar negativamente relacionado. É compreendido comprometimento também, como um forte preditor de comportamentos relevantes para o contexto do trabalho como o desempenho, o absenteísmo e a rotatividade (BORGES-ANDRADE, 1994). Quanto ao desempenho, os resultados mostram fracas correlações com o comprometimento, especialmente se ele é avaliado a partir do próprio produto do trabalho. Esse resultado não é surpreendente por se saber que o desempenho é produto de um complexo de fatores situacionais e individuais (BASTOS, 1993, p. 62). De acordo com Meyer e Allen (1997), o comprometimento afetivo também tem sido relacionado à participação na tomada de decisões, à abrangência das atividades, à autonomia nas tarefas, à receptividade dos gestores às ideias dos colaboradores, ao escopo do trabalho, aos desafios, às promoções e às sistemas de remuneração por desempenho grupal. 57 2.6 ESTUDOS NO BRASIL: DESEMPENHO NO TRABALHO COMPROMETIMENTO ORGANIZACIONAL E Neste estudo, têm-se como variáveis analíticas o comprometimento e o desempenho. Sendo assim, é relevante uma discussão das pesquisas realizadas no Brasil sobre o tema comprometimento organizacional e desempenho no trabalho. Nos estudos sobre comprometimento, muitos autores argumentam que os trabalhadores comprometidos aumentam os níveis de desempenho das suas tarefas nas performances das organizações e têm forte adesão às metas organizacionais. Scheible (2004), em sua dissertação de mestrado, aborda as práticas de gestão democrática como algo mediador da relação entre o comprometimento e o desempenho. No referido estudo foram utilizados três instrumentos: o instrumento de Meyer, Allen e Smith (1993), Mowday (1982) e Blau (1985); o construído pela autora a partir dos estudos de Kiesler (1971) e Salancik (1977), referendados em Humphrey (1989, 1997); e o terceiro e, último instrumento foi o obtido por meio do instrumento de avaliação utilizado pela organização-alvo em suas práticas de administração das relações humanas. A pesquisa contou com a participação de 104 sujeitos. Diante disso, Scheible encontrou resultados negativos sobre as relações significativas existentes entre os padrões do comprometimento e do desempenho. Todavia, já as correlações entre comprometimento afetivo com a organização e o desempenho autorelatado foram positivas. Percebe-se que a hipótese de que a relação comprometimento-desempenho é mediada por diversos fatores, identificando a estrutura democrática do pacto como preditora de desempenho, sendo, com isso, influenciada pelo comprometimento. Além dessa autora, há também Morais (2004), o qual apresenta uma contribuição para as pesquisas relacionadas ao comprometimento e ao desempenho organizacional no sistema público de ensino da cidade da Bahia. A pesquisa dele foi desenvolvida em quatro etapas. A análise dos dados da pesquisa de Morais permitiu observar a relação existente entre o comprometimento organizacional (coeficiente = 0,309); com o comprometimento com a profissão do professor (coeficiente = 0.297); e com o comprometimento com a profissão do diretor (coeficiente = 0.307) com o 58 desempenho. Esses resultados confirmam a ideia de que o comprometimento implica diretamente nos níveis de desempenho das escolas e comprovam a hipótese principal do estudo: trabalhadores comprometidos aumentam os níveis de desempenho da organização. Pinto Júnior (2005) estudou o impacto de características pessoais, o comprometimento e o clima organizacional no desempenho em uma empresa de teleatendimento na cidade de Uberlândia. O estudo utilizou um conjunto de variáveis micro e macro-organizacionais, especificamente, Clima Organizacional, Comprometimentos Afetivo e Calculativo e os cinco fatores globais de personalidade aferidos pelo teste de personalidade 16PF. A amostra foi composta por 660 colaboradores de uma empresa de Call Center, e ele utilizou a avaliação proposta pela empresa. Os resultados apontaram para o Absenteísmo, a Coesão e o Fator Rigidez de Pensamento (Fator secundário do 16PF), explicando 6,19% da variação de Nota de desempenho junto à amostra de Receptivo. E Absenteísmo e Recompensa, explicam 16,6% da variação de Nota de desempenho junto à amostra de ativo. Recompensa explica 2,5% da variação de nota de qualidade junto à amostra do ativo. Já Tempo de casa e Recompensa explicam 2,2% da variação de nota de qualidade junto à amostra de Receptivo. Os fatores Recompensa e Absenteísmo justificam grande parte do resultado operacional e de desempenho junto a operações do ativo, talvez em razão da remuneração variável que existe junto a esta operação. Quanto ao Receptivo, o desempenho se vincula mais ao apoio da chefia, coesão entre colegas e absenteísmo. Medeiros e Albuquerque (2005) desenvolveram uma pesquisa sobre o comprometimento organizacional e o desempenho em três capitais brasileiras. O foco foi direcionado para as empresas do ramo hoteleiro. Assim, a pesquisa objetivou examinar as relações existentes entre características organizacionais, dimensões latentes do comprometimento organizacional e o desempenho das organizações. Para isso, foram entrevistados 269 empregados de 82 hotéis, localizados nas três capitais. O instrumento utilizado foi composto por 28 indicadores, os quase serviram para mensurar o comprometimento. Além desses indicadores foram coletados também dados sobre a taxa de ocupação dos hotéis e sobre os três conjuntos de características organizacionais: estrutura organizacional; sistemas de recursos humanos e de filosofia e os valores organizacionais. 59 A conclusão dessa pesquisa mostrou que um conjunto de características organizacionais influi nas dimensões latentes do comprometimento organizacional, que, por conseguinte, influem no desempenho dos hotéis. Além desses estudos será apresentada a pesquisa de Doutorado de Saldivia (2006), doutorando do Instituto de Pesquisa Energéticas e Nucleares Autarquia associada à Universidade de São Paulo. A pesquisa dele teve como finalidade analisar a relação causal entre o comprometimento e o desempenho em um centro de pesquisa. Os métodos de pesquisa foram divididos em duas etapas: na primeira foi realizada uma pesquisa exploratória e na segunda foram entrevistados 52 servidores. A pesquisa utilizou 18 indicadores de comprometimento e 18 de desempenho, todos extraídos do instrumento de Meyer, Allen e Smith (1993). Além desses, foram utilizadas 7 variáveis demográficas e 71 variáveis de desempenho, construídas a partir da revisão teórica. Os resultados obtidos identificaram os quatro fatores de desempenho citados no referencial teórico, confirmando, dessa forma, a hipótese de que os servidores que apresentam maior grau de comprometimento tendem a um maior grau de desempenho. Assim sendo, obteve-se um modelo de relacionamento causal mais fortalecido para explicar as variáveis envolvidas. Já Siqueira (2008) identificou a relação entre o comprometimento organizacional e a rotatividade no setor de armazém de uma empresa X. A pesquisa realizada mostrou que há um grau de comprometimento alto nos supervisores. Um comprometimento movido pela autoestima, pelo desejo de crescimento e desenvolvimento profissional e, também, pela satisfação de trabalhar em uma empresa que reconhece seu trabalho. Contudo, conclui-se que existe um baixo grau de comprometimento nos funcionários da referida empresa, uma vez que há insatisfação com o salário, os benefícios, o ambiente de trabalho, a falta de oportunidade de crescimento, o desenvolvimento profissional, fatores esses que se mostram coerentes com a pesquisa realizada com os ex-funcionários. Percebe-se que a rotatividade na empresa estudada ocorre por esses fatores apresentados pelos funcionários e exfuncionários. As pesquisas nacionais sobre o comprometimento organizacional e o desempenho no trabalho consideram como antecedentes variáveis individuais, características pessoais e variáveis situacionais. Nos modelos apresentados, foi 60 possível perceber a relação entre o comprometimento e o desempenho com os vários focos de comprometimento, simultaneamente, visto que cada modelo apresentou o comprometimento como variável antecedente. Assim sendo, constatou-se que os trabalhadores comprometidos têm um melhor desempenho no trabalho. 61 3 MÉTODOS Este capítulo descreve os procedimentos metodológicos utilizados na presente pesquisa. Nele serão apresentados: o tipo de pesquisa que foi conduzido, as características da população, a definição da amostra, os instrumentos de coleta de dados e as técnicas de análises dessas informações. 3.1 TIPO E DESCRIÇÃO GERAL DA PESQUISA Vergara (2000) qualifica a pesquisa em relação a dois aspectos: fins e meios. Quanto aos fins, de acordo com o mencionado autor, esta pesquisa é considerada explicativa, tendo como objetivo primordial esclarecer que fatores e de que estes contribuem para ocorrência de determinado fenômeno. Quanto aos meios de investigação, nela optou-se por fazer um estudo de caso, por ser baseado na realidade de uma única organização e, também, por ser uma pesquisa de campo, já que os dados foram coletados entre os próprios colaboradores da organização estudada. Nessa perspectiva, a pesquisa baseou-se na coleta por meio de questionário e análise de dados quantitativos para investigar a existência de relações entre variáveis pré-definidas, mas sem a pretensão de estabelecer causalidade. A pesquisa teve como objetivo Identificar a relação existente entre os padrões de comprometimento organizacional e desempenho no trabalho dos funcionários da empresa X, em Mossoró/RN. 3.2 POPULAÇÃO/UNIVERSO O estudo pesquisou todos os setores da empresa X da cidade de Mossoró, a qual possuía o universo total de 63 funcionários. Os questionários foram distribuídos para todos eles. A pesquisa foi censitária e a aplicação dos questionários se deu no 62 mês de agosto de 2010. Dos questionários entregues foram devolvidos 40 questionários preenchidos, representando, assim, uma taxa de retorno de 63,49%. Conforme mostra o quadro a seguir. O restante dos questionários não foi devolvido em virtude dos seguintes motivos: 8 (oito) funcionários se encontravam afastados por motivo de férias ou licença maternidade, 10 (dez) deles trabalhavam em serviços gerais e a pedido da gerência não foram aplicados questionários a esse grupo, visto que, segundo o referido setor, o grau de escolaridade deles era baixo e 5 (cinco) alegaram não terem entregado por esquecimento. O quadro a seguir, apresenta a taxa de retorno dos respondentes da pesquisa. Função Atual Caixa Líder de Departamento Atendimento ao público Gerente de setor Vendedor Outros Total F 06 01 13 02 07 11 40 Quadro 1 – Universo - taxa de retorno Fonte: Pesquisa (agosto 2010) 3.3 PROCEDIMENTOS DE COLETA Para a realização desta pesquisa inicialmente foi solicitada a autorização ao Gerente Geral da empresa X, bem como foi informado a ele o objetivo do estudo. A coleta de dados ocorreu da seguinte forma: primeiramente os questionários foram levados à empresa pela pesquisadora, no dia 18/08/2010, todos envelopados para proporcionar maior sigilo aos dados coletados. Os questionários foram acompanhados por cartas de apresentação, as quais explicavam o propósito da pesquisa (APÊNDICE A). Eles foram confeccionados em três partes. A primeira parte do questionário objetivou medir o comprometimento organizacional, a segunda o desempenho no trabalho, e, por fim, a última parte fez um levantamento dos dados biográficos e funcionais dos funcionários. 63 Nesse horizonte, no dia 25 de agosto de 2010 os questionários foram entregues pelo Gerente Geral juntamente com o pessoal do RH aos funcionários no decorrer de uma reunião realizada pela empresa. Assim, após um prazo de 3 (três) dias eles foram recolhidos, lacrados. 3.4 QUESTIONÁRIO DE PESQUISA O instrumento utilizado nesta pesquisa foi confeccionado por Fonseca (2001), e foi dividido em três partes. Na primeira parte do instrumento foi utilizada a escala de Meyer, Allen e Smith (1993), cuja finalidade é medir o grau de comprometimento desenvolvido pelos indivíduos no contexto do trabalho. As perguntas foram constituídas de forma fechada e operacionalizadas no formato likert, admitindo como resposta uma das opções de uma escala de cinco possibilidades de opinião, que são as seguintes: 1) discordo totalmente; 2) discordo; 3) não sei; 4) concordo; 5) concordo totalmente. Ele foi elaborado com 18 questões, sendo 6 de cada dimensão de comprometimento. As 18 questões do questionário se dividiram em três tipos de estados psicológicos do indivíduo: as questões 1 a 6 foram relacionadas ao vínculo emocional dos funcionários com relação à organização, o sentimento de desejo de permanecerem na organização, ou seja, o comprometimento afetivo deles; as questões 7 a 12 trataram sobre o sentimento de necessidade de permanecer na organização ou o sentimento de sacrifício pessoal, se referindo, dessa forma, ao comprometimento instrumental; as questões 13 a 18 abordaram o sentimento de dever ou obrigação deles de permanecer na organização, sendo assim o comprometimento normativo. Já na segunda parte, o questionário empregou a escala do tipo likert, a qual foi composta por 31 itens todas escritas positivamente. Nesta parte do questionário foi avaliado o desempenho no trabalho em relação a sua equipe de trabalho. Segundo Fonseca (2001), a escala compreende 5 (cinco) fatores: estratégia e operações (itens de 1 a 5), resultado econômico (itens de 6 a 10), satisfação do cliente (11, 13 a 16 e 31), comportamento organizacional (12,17 a 21 e 30), e processos internos (22 a 29). 64 E, por fim, na terceira parte do questionário foram mapeados os dados biográficos e funcionais dos pesquisados. 3.5 VARIÁVEIS ANALÍTICAS Neste estudo foram consideradas as seguintes variáveis: Comprometimento organizacional o Afetivo; o Normativo; o Instrumental. Desempenho no trabalho o Estratégia de operação; o Resultados econômicos; o Satisfação do cliente; o Comportamento organizacional; o Processos internos. No quadro a seguir, pode-se observar o planejamento em relação às diversas ferramentas estatísticas que serão previamente propostos neste estudo. utilizadas, para atender aos objetivos 65 VARIÁVEIS ANALÍTICAS OBJETIVO GERAL: Identificar a relação existente entre os padrões de comprometimento organizacional e desempenho no trabalho dos funcionários da empresa X, em Mossoró/RN. Objetivos Específicos Variáveis Instrumento Análise dos dados Identificar o perfil demográfico dos funcionários da empresa; Identificar os níveis de comprometimento organizacional dos funcionários da empresa; Verificar qual das dimensões do comprometimento é predominante nos funcionários; Estabelecer relação entre o desempenho no trabalho e comprometimento organizacional; Idade, gênero, estado civil, escolaridade, função e tempo de empresa Afetivo, normativo e instrumental Afetivo, normativo e instrumental PARTE III: Instrumento de Meyer, Allen e Smith (1993) Estatística descritiva PARTE I : Instrumento de Meyer, Allen e Smith (1993) Estatística descritiva Análise de variância PARTE I: Instrumento de Meyer, Allen e Smith (1993) PARTE II E PARTE I Estratégia de operação; Instrumento de Meyer, resultados econômicos; Allen e Smith (1993) e satisfação do cliente; Instrumento de Fonseca comportamento (2001). organizacional e processos internos e Afetivo, normativo e instrumental Estatística descritiva Análise de variância Estatística descritiva Analise de Variância (ANOVA) Teste de regressão multipla Quadro 2 - Variáveis analíticas Fonte: Pesquisa (agosto, 2010) 3.6 TRATAMENTO DOS DADOS Os dados foram analisados e interpretados por meio de estatística multivariada e descritiva. Inicialmente foi feita a tabulação dos dados usando o MsExcel® 2007 para auxiliar no levantamento dos dados e nos cálculos da análise estatística. A seguir foram criados códigos para simplificar a identificação dos indicadores e das perguntas associadas a eles. Além disso, também foi desenvolvida uma lista de perguntas associadas aos indicadores, tais como: padrões de comprometimento organizacional (APÊNDICE B), conforme se verifica nas tabelas seguintes. 66 Tabela 1 – Lista de códigos associados aos indicadores – Comprometimento Parte I Indicador Código Comprometimento Afetivo (itens de 1 a 6) CompAf Comprometimento Instrumental (itens 7 a 12) CompIn Comportamento Normativo (itens 13 a 18) CompNo Fonte: Dados da pesquisa (2010). Tabela 2 - Lista de códigos associados aos indicadores – Desempenho Parte II Indicador Código Estratégias e Operações (itens de 1 a 5) EstOper Resultados Econômicos (itens de 6 a 10) ResEco Satisfação do Cliente (itens 11, 13 a 16 e 31) SatCli Comportamento Organizacional (itens 12, 17 a 21 e 30) Processos Internos (itens 22 a 29) CompOr ProcIn Fonte: Dados da pesquisa (2010). Para realizar a análise descritiva foi utilizado o software SPSS versão free 17.0 e o EXCEL 2007, e na análise de agrupamento e análise de regressão múltipla foi utilizado o software livre estatístico R, versão 2.9.1. No primeiro momento foi realizada estatística descritiva, para análise dos dados sobre as dimensões do comprometimento organizacional dos funcionários da empresa X, com intuito de verificar a existência de diferenças significativas entre as três dimensões do comprometimento organizacional e os indicadores de desempenho, foi realizada a Análise de Variância (ANOVA). Essa estatística empregou como base a frequência das variáveis escolhidas, correlações e porcentagens, sendo demonstrados através de tabelas e gráficos (APÊNDICE C e D). 67 4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS O presente capítulo tem o propósito de apresentar e discutir os resultados obtidos por meio da aplicação de questionários, bem como a análise e a interpretação deles com base nos conceitos teóricos apresentados anteriormente na fundamentação teórica. Nesse sentido, primeiramente será apresentada a caracterização do perfil dos entrevistados da pesquisa. E em seguida, será expresso o nível de comprometimento organizacional nas três dimensões e, com isso, identificar-se-á a dimensão predominante na empresa. Além disso, serão apresentados os dados que foram levantados com relação ao desempenho no trabalho, buscando analisar as relações entre as variáveis que integraram a pesquisa. E para finalizar será analisada a relação entre desempenho e comprometimento organizacional. Essas informações foram analisadas estatisticamente e serão ilustradas por meio de gráficos e tabelas. 4.1 PERFIL DOS RESPONDENTES Nesta seção buscou-se caracterizar o perfil dos respondentes da pesquisa por meio de dados biográficos e funcionais, uma vez que este é o primeiro objetivo específico dela, conforme se verifica nas tabelas expostas a seguir. Assim, inicialmente procurou-se identificar o gênero dos respondentes, sendo possível verificar que há a predominância do gênero feminino, com um percentual de 55%, enquanto que o gênero masculino apresenta o percentual de 45%. Quanto à faixa etária dos funcionários pesquisados, verifica-se que há diferenças quanto às faixas de idades, visto que predomina, com percentual de 30%, o quantitativo de funcionários com idade entre 18 e 25 anos. Enquanto que na segunda faixa etária houve um empate, já que, com o percentual de 20%, ficaram os que afirmaram possuir a idade entre 26 e 30 anos e entre 31 e 35 anos. 68 Com relação à distribuição dos dados dos funcionários por grau de escolaridade, constatou-se que o maior percentual, com 95% dos respondentes, foi dos que afirmaram possuir o Ensino Médio completo, seguido dos graduados com o percentual de 5%. Já com relação ao estado civil, os dados demonstram que mais da metade dos entrevistados se encontra na categoria dos casados, com um percentual de 55%. A segunda categoria mais afirmada por eles foi a dos solteiros, com 42,5% e a terceira, dos divorciados, ficou em terceiro com o percentual de 2,5%. No que se refere ao tempo de serviço dos funcionários pesquisados, notou-se que existe uma predominância daqueles que estão na empresa há mais de 3 anos, totalizando 60%, enquanto que 22,50% asseguraram que estão entre 1 ano e 3 anos e 17,50% afirmaram que estão há menos de 1 ano. 69 Tabela 3 – Perfil dos pesquisados por variáveis Sexo do entrevistado Sexo Frequência absoluta % Feminino 22 55,00 Masculino 18 45,00 Total 40 Faixa etária do entrevistado Frequência absoluta 12 8 8 4 2 4 2 100,00 40 Grau de escolaridade do entrevistado Frequência absoluta 100,00 Faixa Etária 18 a 25 anos 26 a 30 anos 31 a 35 anos 36 a 40 anos 41 a 45 anos 46 a 50 anos Acima de 50 anos Total Grau de estudo Ensino Médio Ensino Superior Total 38 2 40 % 30,00 20,00 20,00 10,00 5,00 10,00 5,00 % 95,00 5,00 100,00 Estado civil do entrevistado Estado civil Frequência absoluta % Casado 22 55,00 Solteiro 17 42,50 Divorciado 1 2,50 Total 40 100,00 Tempo Menos de 1 ano Entre 1 e 3 anos Acima de 3 anos Total Tempo de serviço e no setor na organização Frequência absoluta 7 9 24 40 Fonte: Dados da pesquisa (2010) % 17,50 22,50 60,00 100,00 A seguir será exposta uma tabela com a síntese do perfil dos pesquisados. Tabela 4 – Síntese do perfil dos pesquisados Perfil demográfico Predominante % Gênero Feminino 55,00 Estado civil Casado 55,00 Faixa etária Entre 18 a 25 anos 30,00 Grau de escolaridade Ensino Médio completo 95,00 Acima de 3 anos Fonte: Dados da pesquisa (2010). 60,00 Tempo de serviço 70 4.2 TESTES ESTATÍSTICOS DAS AMOSTRAS ALPHA DE CRONBACH O teste estatístico Alpha de Cronbach visa confirmar os índices de consistência interna das escalas utilizadas. Dessa forma, foram calculados os coeficientes Alpha para as amostras de comprometimento e os indicadores de desempenho. De acordo com Morais (2004), utilizou-se o indicador Alpha de Cronbach para estimar o coeficiente de confiabilidade das escalas. Nessa ordem de ideias, para o estudo do comprometimento organizacional foi escolhido o “Modelo dos três componentes do comprometimento organizacional” de Meyer, Allen e Smith (1993), o qual foi proposto e validado por Medeiros e Enders (1997), no contexto nacional, com a utilização de técnicas multivariadas, a análise fatorial e a de cluster. Na tabela seguinte, encontrar-se-á resultados obtidos deste estudo, em relação aos coeficientes Alpha de Cronbach Comprometimento. Tabela 5 – Coeficientes de Consistência Interna – Comprometimento Organizacional Comprometimento Organizacional Código da escala CompAf CompIn CompNo Medeiros e Enders (1997) (validação brasileira) Queiroz (2010) (neste estudo) α = 0,68 α = 0,70 α = 0,61 α =0,60 α =0,59 α =0,75 Fonte: Dados da pesquisa (2010). Os resultados deste estudo apresentam de consistência interna moderada em cada uma das três dimensões. Segundo Hair et al (1998 apud MEDEIROS, 2003) o valor mínimo aceitável é de 0,55 para Alpha de Cronbach. Observa-se que os coeficientes encontrados do comprometimento situam-se entre 0,59 a 0,75. Já os resultados dos indicadores de desempenho no trabalho situam-se entre 0,73 a 0,89, como se pode observar na tabela a seguir. De acordo com Cronbach (1996 apud RIBEIRO, 2008), esses valores são considerados resultados de boa qualidade. 71 Tabela 6 – Coeficientes de Consistência Interna – Desempenho no Trabalho Desempenho no Trabalho Queiroz (2010) Código de escala Indicadores de Desempenho (neste estudo) EstOper Estratégia e operações α = 0,79 ResEco Resultado econômico α = 0,73 SatCli Satisfação do cliente α = 0,86 CompOr Comportamento organizacional α = 0,89 ProcIn Processos internos α = 0,87 EstOper Estratégia e operações α = 0,79 Fonte: Dados da pesquisa (2010) 4.3 ANÁLISE DOS GRAUS DE COMPROMETIMENTO ORGANIZACIONAL E DESEMPENHO NO TRABALHO Nesta seção serão apresentados os resultados da análise de dados, os quais compreendem as três dimensões de comprometimento organizacional: afetiva, instrumental e normativa e os indicadores de desempenho no trabalho propostos por Fonseca (2001). Para melhor compreensão das análises dos resultados foram utilizadas como parâmetro as seguintes denominações: grau baixo, grau moderado e grau elevado, os quais foram aplicadas as três dimensões do comprometimento organizacional, segundo se constata no quadro a seguir. Níveis de concordância Grau de comprometimento 1 a 2 respostas de concordância Baixo 3 a 4 respostas de concordância Moderado 5 a 6 respostas de concordância Elevado Quadro 3 - Níveis de concordância e grau de comprometimento Fonte: Elaborado por Araújo (2010) 4.3.1 Grau do comprometimento afetivo – CompAf Na tabela seguinte, encontrar-se-á a referência ao grau de concordância dos funcionários em relação ao comprometimento afetivo. Segundo Meyer, Allen e Smith (1993), a dimensão afetiva é percebida como um apego, um envolvimento, no qual 72 ocorre identificação com a organização. De acordo com Medeiros et al. (2005), o comprometimento afetivo divide-se em: “internalização de valores e objetivos”. Tabela 7 – Grau de Concordância dos funcionários - Comprometimento Afetivo Eu seria Eu Eu não Eu não muito Eu não me realmente me sinto me sinto Esta feliz em sinto sinto os um forte como organização dedicar o emocional problemas senso de uma tem um Grau de resto da mente da integraçã pessoa imenso Concordância minha vinculado a organizaçã o com de casa significado carreira esta o como se esta nesta pessoal para nesta organizaçã fossem organiza organiza mim. organiza o. meus. ção. ção. ção. Concordo 14 16 2 9 3 29 totalmente 35.00 (%) 40.00 (%) 5.00 (%) 22.50 (%) 7.50 (%) 72.50 (%) 9 14 2 1 5 4 Concordo 22.50 (%) 35.00 (%) 5.00 (%) 2.50 (%) 12.50 (%) 10.00 (%) 5 1 3 2 2 2 Não sei 12.50 (%) 2.50 (%) 7.50 (%) 5.00 (%) 5.00 (%) 5.00 (%) 2 1 8 6 3 2 Discordo 5.00 (%) 2.50 (%) 20.00 (%) 15.00 (%) 7.50 (%) 5.00 (%) Discordo 10 8 25 22 27 3 totalmente 25.00 (%) 20.00 (%) 62.50 (%) 55.00 (%) 67.50 (%) 7.50 (%) 40 40 40 40 40 40 Total 100.00 100.00 100.00 100.00 (%) 100.00 (%) 100.00 (%) (%) (%) (%) Fonte: Dados da pesquisa (2010) Dessa forma, os dados demonstram que, os dois primeiros indicadores do comprometimento afetivo: “eu seria muito feliz em dedic ar o resto da minha carreira nesta organização” e “eu realmente sinto os problemas desta organização como se fossem meus”, apresentaram percentuais de 35% e 40% para o grau “concordo totalmente”, sinalizando positivamente para a dimensão afetiva. Ainda sobre o comprometimento afetivo, Bertoldo (2006, p. 41) ressalta que os resultados também sugerem que o comprometimento afetivo pode ter benefícios para os empregados tanto quanto para as organizações. Já com relação aos três indicadores seguintes, “eu não me sinto um forte senso de integração com a organização”; “eu não me sinto emocionalmente vinculado a esta organização” e “eu não me sinto como uma pessoa de casa nesta organização”, cujos percentuais foram, respectivamente, de 62,50%, 55% e 67,50%, mesmo apresentando altos índices para o grau “discorda totalmente”, deve-se lembrar que, no instrumento de pesquisa, eles possuem os valores invertidos. Portanto, quando os entrevistados respondem discordo, na verdade estão concordando. Logo, nas afirmativas observa-se a possibilidade de existência de um 73 vínculo afetivo do indivíduo com a organização e com as tarefas executadas. O que caracterizar indícios de comprometimento afetivo nos funcionários da empresa. O último indicador, “esta organização tem um imenso significado pessoal para mim”, alcançou 72,50% em concordo totalmente. Para Medeiros (2003), o enfoque afetivo está relacionado à internalização dos valores e aos objetivos da organização, sendo assim o comprometimento afetivo responsável pela convergência entre os valores individuais e os organizacionais. De acordo com Siqueira e Gomide Junior (2004 apud ROWE, 2008), afirmam que a dimensão do vínculo afetivo com a organização tende a se tornar mais fortalecida à medida que os empregados percebem que a empresa está comprometida com eles. Diante do exposto, percebe-se que os resultados demonstram a existência de um grau elevado da dimensão afetiva entre os funcionários da empresa pesquisada. 4.3.2 Grau do comprometimento instrumental – CompIn Na tabela seguinte, encontrar-se-á a referência ao grau de concordância dos funcionários em relação ao comprometimento instrumental. Conforme Meyer, Allen e Smith (1993), o comprometimento da dimensão instrumental é percebido como os custos associados ao deixar a organização. De acordo com Medeiros et al (2005) o comprometimento instrumental divide-se em: “poucas alternativas e recompensas e oportunidade”. 74 Tabela 8 – Grau de Concordância dos funcionários - Comprometimento Instrumental Uma das Se eu já Na poucas Mesmo se Se eu não situação consequên eu decidisse Eu acho tivesse atual ficar cias quisesse deixar que teria dado tanto com a negativas seria minha poucas de mim minha de deixar muito organizaçã alternativa nesta Grau de organizaçã esta difícil, o agora, s se organizaçã Concordância o é na organizaçã para mim, minha vida deixasse o, eu realidade o seria a deixar ficaria esta poderia uma escassez minha bastante organizaç considerar necessida de organizaç desestrutu ão. trabalhar de quanto alternativa ão agora. rada. em outro um desejo. s lugar. imediatas. Concordo 10 16 20 13 9 9 totalmente 25.00 (%) 40.00 (%) 50.00 (%) 32.50 (%) 22.50 (%) 22.50 (%) 8 8 5 8 5 5 Concordo 20.00 (%) 20.00 (%) 12.50 (%) 20.00 (%) 12.50 (%) 12.50 (%) 1 7 2 2 3 2 Não sei 2.50 (%) 17.50 (%) 5.00 (%) 5.00 (%) 7.50 (%) 5.00 (%) 9 5 6 6 6 6 Discordo 22.50 (%) 12.50 (%) 15.00 (%) 15.00 (%) 15.00 (%) 15.00 (%) Discordo 12 4 7 11 17 18 totalmente 30.00 (%) 10.00 (%) 17.50 (%) 27.50 (%) 42.50 (%) 45.00 (%) 40 40 40 40 40 40 Total 100.00 (%) 100.00 (%) 100.00 (%) 100.00 (%) 100.00 (%) 100.00 (%) Fonte: Dados da pesquisa (2010) Verifica-se que a maioria dos respondentes assinalou concordo nas afirmativas . O primeiro indicador, “na situação atual, ficar com a minha organização é na realidade uma necessidade tanto quanto um desejo” atingiu um percentual de 30% para “discordo totalmente”, enquanto que 25% afirmaram “concordo totalmente”. Por conseguinte, os resultados foram equiparados. O segundo indicador, “mesmo se eu quisesse seria muito difícil, para mim, deixar minha organização agora”, apresentou percentual de 40% para os que responderam “concordo totalmente”. Segundo Faria (2007, p. 89), o comprometimento deve ser observado não como uma troca eminentemente racional, [...] mas um processo que precisa ser analisado [...], no qual são decisivas as manifestações inconscientes do sujeito, dada a existência de fatores nem sempre racionais ou percebidos. O terceiro indicador relaciona-se às poucas alternativas do funcionário em deixar a empresa, “se eu decidisse deixar minha organização agora, minha vida ficaria bastante desestruturada”. Esse indicador obteve um percentual de 50% em “concordo totalmente”. Já o indicador: “se eu já não tivesse dado tanto de mim nesta organização, eu poderia considerar trabalhar em outro lugar”, refere-se às recompensas e 75 oportunidades vistas pelo funcionário com percentuais de 45%. Enquanto que o indicador, “uma das poucas consequências negativas de deixar esta organização seria a escassez de alternativas imediatas”, ou seja, a falta de alternativas deu 42,50%, “discordo totalmente”. Segundo Medeiros et al. (2005, p.12), a afirmação “eu acho que teria poucas alternativas se deixasse esta organização”, obteve os seguintes percentuais, respectivamente, em “concordo totalmente” e “discordo totalmente”: 32,50% e 27,50%. O comprometimento instrumental não anula totalmente o prazer encontrado no trabalho, nem tão pouco a possibilidade de o trabalhador se envolver com suas tarefas. Entretanto, apresenta como consequência o baixo desempenho. (ROWE, 2008). Diante dos resultados apresentados, fica demonstrada por meio da tabela, a existência de um moderado grau de envolvimento na dimensão instrumental por parte dos funcionários da empresa. 4.3.3 Grau do comprometimento normativo – CompNo Na tabela a seguir, encontrar-se-á o grau de concordância dos funcionários referente ao comprometimento normativo. Conforme Meyer, Allen e Smith (1993), o comprometimento normativo está relacionado a um alto nível de comprometimento por parte do funcionário em relação à organização. De acordo com Medeiros et al. (2005) o comprometimento normativo divide-se em “obrigação em permanecer e obrigação pelo desempenho”. 76 Tabela 9 – Grau de Concordância dos Funcionários - Comprometimento Normativo Grau de Concordância Concordo totalmente Concordo Não sei Discordo Discordo totalmente Total Mesmo se Eu não Eu não fosse Eu me deixaria me sinto vantagem sentiria minha nenhuma para mim, culpado Esta organização obrigação eu sinto se organizaçã agora, em que não deixasse o merece a porque eu permanec seria certo minha minha tenho uma er na deixar organiza lealdade. obrigação minha minha ção moral com empresa. organizaçã agora. as pessoas o agora. daqui. 15 13 15 31 16 37.50 (%) 32.50 (%) 37.50 (%) 77.50 (%) 40.00 (%) 4 10 5 4 6 10.00 (%) 25.00 (%) 12.50 (%) 10.00 (%) 15.00 (%) 7 5 2 1 4 17.50 (%) 12.50 (%) 5.00 (%) 2.50 (%) 10.00 (%) 1 1 5 2 3 2.50 (%) 2.50 (%) 12.50 (%) 5.00 (%) 7.50 (%) 13 11 13 2 11 32.50 (%) 27.50 (%) 32.50 (%) 5.00 (%) 27.50 (%) 40 40 40 40 40 100.00 100.00 100.00 (%) 100.00 (%) 100.00 (%) (%) (%) Fonte: Dados da pesquisa (2010) Eu devo muito a esta organizaçã o. 17 42.50 (%) 12 30.00 (%) 2 5.00 (%) 6 15.00 (%) 3 7.50 (%) 40 100.00 (%) Em relação aos dados do primeiro e do quinto indicador: “eu não me sinto nenhuma obrigação em permanecer na minha empresa” e “eu não deixaria minha organização agora, porque eu não eu tenho uma obrigação moral com as pessoas daqui”, apresentam os seguinte percentuais: para o primeiro indicador 37,50% para “concordo totalmente” e 32,50% para “discordo totalmente”. De acordo com Siqueira e Gomide Jr. (2004 apud ROWE, 2008, p. 28), o comprometimento normativo é capaz de predizer, de forma direta, os níveis de satisfação no trabalho. E para o quinto indicador, 40% para “concordo totalmente” e 27,50% para “discordo totalmente”. Neste caso, deve-se atentar para o fato de que, esses indicadores possuem o valor invertido. E, observando os indicadores: “esta organização merece minha lealdade”, com 77,50% de “concordo totalmente” e o indicador: “eu devo muito a esta organização” com percentuais de 42,50% de respostas “concordo totalmente”. É interessante observar a internalização das normas como, por exemplo, razão de permanência e o sentimento de obrigação. Quanto ao indicador “Mesmo se fosse vantagem para mim, eu sinto que não seria certo deixar minha organização agora”, tem-se 32,50% para “concordo 77 totalmente” e 27,50% para “discordo totalmente”. Enquanto a afirmação “Eu me sentiria culpado se deixasse minha organização agora”, tem o percentual de 37,50% para “concordo totalmente” e 32,50% para “discordo totalmente”. Os dados evidenciam a existência de um comportamento normativo moderado nos funcionários da empresa X, causado pela necessidade de respeitar as regras propostas pelo grupo. Segundo Faria (2007), o comprometimento normativo é o único, entre os demais, que parece realmente estar no caminho de explicar as razões ou motivações do comprometimento. 4.3.4 Grau do desempenho – Estratégia e operações Na tabela seguinte, encontrar-se-á o grau de concordância dos funcionários, sobre o indicador de desempenho estratégia e operações. Tabela 10 – Grau de Concordância dos Funcionários – Desempenho de Estratégia e Operações Conhecem a Comprometemconcorrência Estabelecem se com os ReposicionamGrau de e o mercado Direcionam intercâmbio objetivos da se e Concordância em que suas ações a com outras unidade e da redirecionam atuam, partir do equipes ou empresa, suas ações em utilizando as conhecimento unidades para implementando razão de informações da estrutura e garantir o ações para o mudanças nos para o as políticas alcance dos atingimento objetivos planejamento da empresa objetivos das metas estratégicos de suas organizacionais estabelecidas. ações. Concordo 21 21 14 23 12 totalmente 52.50 (%) 52.50 (%) 35.00 (%) 57.50 (%) 30.00 (%) 10 10 17 8 16 Concordo 25.00 (%) 25.00 (%) 42.50 (%) 20.00 (%) 40.00 (%) 3 8 3 4 10 Não sei 7.50 (%) 20.00 (%) 7.50 (%) 10.00 (%) 25.00 (%) 3 1 2 3 2 Discordo 7.50 (%) 2.50 (%) 5.00 (%) 7.50 (%) 5.00 (%) Discordo 3 0 4 2 0 totalmente 7.50 (%) 0.00 (%) 10.00 (%) 5.00 (%) 0.00 (%) 40 40 40 40 40 Total 100.00 (%) 100.00 (%) 100.00 (%) 100.00 (%) 100.00 (%) Fonte: Dados da pesquisa (2010) Observa-se que os dois primeiros indicadores: “comprometem-se com os objetivos da unidade e da empresa, implementando ações para o atingimento das 78 metas estabelecidas” e “Conhecem a concorrência e o mercado em que atuam, utilizando as informações para o planejamento de suas ações”, apresentaram percentuais de 52,50% em “concordo totalmente” e 25% para o grau “concordo”. Já os indicadores seguintes: “Direcionam suas ações a partir do conhecimento da estrutura e as políticas da empresa” e “Reposicionam-se e redirecionam suas ações em razão de mudanças nos objetivos estratégicos”, cujos percentuais são 42,50% e 40% para o grau de concordância “concordo”. Enquanto a afirmação: “Estabelecem intercâmbio com outras equipes ou unidades para garantir o alcance dos objetivos organizacionais”, teve percentual de 57,50% para “concordo totalmente” e 20% para “concordo”. 4.3.5 Grau do desempenho – Resultados econômicos Na tabela seguinte, encontrar-se-á o grau de concordância dos funcionários, sobre o indicador de desempenho resultado econômico. Tabela 11 – Grau de Concordância dos Funcionários - Desempenho de Resultado Econômico Direciona m suas Argumentam de Mantêm-se Mantêm-se ações maneira atualizadas atualizadas Avaliam risco para convincente, Grau de quanto ao quanto ao e potencial no atingir a obtendo Concordânc conhecimento conhecimento direcionament produção resultados que ia técnico em sua técnico em sua o de produtos esperada, atendam às área de área de e serviços com expectativas das atuação atuação economia partes envolvidas de recursos Concordo 20 20 8 13 19 totalmente 50.00 (%) 50.00 (%) 20.00 (%) 32.50 (%) 47.50 (%) 14 12 12 16 12 Concordo 35.00 (%) 30.00 (%) 30.00 (%) 40.00 (%) 30.00 (%) 2 4 10 6 6 Não sei 5.00 (%) 10.00 (%) 25.00 (%) 15.00 (%) 15.00 (%) 2 1 6 2 2 Discordo 5.00 (%) 2.50 (%) 15.00 (%) 5.00 (%) 5.00 (%) Discordo 2 3 4 3 1 totalmente 5.00 (%) 10.00 (%) 10.00 (%) 7.50 (%) 2.50 (%) 40 40 40 40 40 Total 100.00 100.00 (%) 100.00 (%) 100.00 (%) 100.00 (%) (%) Fonte: Dados da pesquisa (2010). 79 Os dois primeiros indicadores “Mantêm-se atualizadas quanto ao conhecimento técnico em sua área de atuação” e “Mantêm-se atualizadas quanto ao conhecimento técnico em sua área de atuação”, apresentaram percentuais de 50% em “concordo totalmente”. Já os indicadores seguintes: “Avaliam risco e potencial no direcionamento de produtos e serviços” e “Argumentam de maneira convincente, obtendo resultados que atendam às expectativas das partes envolvidas”, cujos percentuais são 30% e 40% para o grau de concordância “concordo”. Enquanto a afirmação: “Direcionam suas ações para atingir a produção esperada, com economia de recursos”, teve percentual de 47,50% para “concordo totalmente” e 30% para “concordo”. Contudo, na percepção dos funcionários o indicador resultados econômicos depende mais do rendimento global e da performance dos equipamentos do que propriamente do trabalho. 4.3.6 Grau do desempenho – Satisfação do cliente Na tabela seguinte, encontrar-se-á o grau de concordância dos funcionários, sobre o indicador de desempenho satisfação do cliente. Os dados demonstram que os indicadores “Identificam produtos e serviços que satisfaçam o cliente e proporcionem maior rentabilidade para a empresa”; “Consideram as observações, críticas e sugestões dos clientes, utilizando-as para melhorar o atendimento”; “Ouvem os clientes com atenção e cortesia, tratando-os de maneira a evidenciar sua importância”; “Antecipam-se às necessidades do cliente, oferecendo soluções e orientações adequadas” e “Percebem o cliente como foco do trabalho, priorizando seu atendimento frente a outras demandas” apresentaram com os seguintes percentuais em “concordo totalmente”, respectivamente: 65%, 55%, 45%, 50% e 55%. Já sobre a afirmação “Conhecem as necessidades e expectativas dos clientes de sua área de atuação”, teve maior porcentagem em “concordo” com 55%. 80 Tabela 12 – Grau de Concordância dos Funcionários - Desempenho de Satisfação do Cliente Ouvem Percebem os Identificam Consideram o cliente clientes Antecipamprodutos e as Conhecem como com se às serviços que observações, as foco do atenção e necessidad satisfaçam o críticas e necessidade trabalho, cortesia, es do Grau de cliente e sugestões se priorizan tratandocliente, Concordância proporcionem dos clientes, expectativas do seu os de oferecendo maior utilizando-as dos clientes atendime maneira a soluções e rentabilidade para de sua área nto frente evidencia orientações para a melhorar o de atuação a outras r sua adequadas empresa atendimento demanda importân s cia Concordo 26 22 18 13 20 22 totalmente 65.00 (%) 55.00 (%) 45.00 (%) 32.50 (%) 50.00 (%) 55.00 (%) 7 10 14 22 16 13 Concordo 17.50 (%) 25.00 (%) 35.00 (%) 55.00 (%) 40.00 (%) 32.50 (%) 1 1 1 1 3 2 Não sei 2.50 (%) 2.50 (%) 2.50 (%) 2.50 (%) 7.50 (%) 5.00 (%) 3 5 5 2 1 3 Discordo 12.50 (%) 12.50 (%) 12.50 (%) 5.00 (%) 2.50 (%) 7.50 (%) Discordo 3 2 2 2 0 0 totalmente 5.00 (%) 5.00 (%) 5.00 (%) 5.00 (%) 0.00 (%) 0.00 (%) 40 40 40 40 40 40 Total 100.00 100.00 100.00 (%) 100.00 (%) 100.00 (%) 100.00 (%) (%) (%) Fonte: Dados da Pesquisa (2010). 4.3.7 Grau do desempenho - Comportamento organizacional Na tabela seguinte, encontrar-se-á o grau de concordância dos funcionários, sobre o indicador de desempenho Comportamento organizacional. 81 Tabela 13 – Grau de Concordância dos Funcionários - Desempenho de Comportamento Organizacional Grau de Concordân cia Comprome tem-se com as metas estabelecid as pela organizaçã o Concordo totalmente 24 60.00 (%) Concordo 10 25.00 (%) Não sei 0 0.00 (%) Discordo 2 5.00 (%) Discordo totalmente 4 10.00 (%) Total 40 100.00 (%) Agem no sentido de obter o compromi sso, independe ntemente de cargo e função Buscar resolver os conflitos com justiça, de forma participa tiva, contribui ndo para o desenvo lvimento da equipe Mantêm canal permanent e de comunica ção, favorecen do a interação com outras pessoas Expressa m-se de forma clara e objetiva. Utilizam os instrument os disponívei s para o desenvolvi mento dos funcionári os e conseqüe nte melhoria dos resultados 18 19 13 45.00 47.50 (%) 32.50 (%) (%) 10 13 10 10 25.00 32.50 (%) 25.00 (%) 25.00 (%) (%) 6 4 6 7 15.00 10.00 (%) 15.00 (%) 17.50 (%) (%) 5 2 2 4 12.50 5.00 (%) 5.00 (%) 10.00 (%) (%) 1 1 3 6 2.50 (%) 2.50 (%) 7.50 (%) 15.00 (%) 40 40 40 40 100.00 100.00 (%) 100.00 (%) 100.00 (%) (%) Fonte: Dados da Pesquisa (2010). 20 50.00 (%) Utilizam os instrume ntos disponív eis para o desenvol vimento dos funcioná rios e conseqü ente melhoria dos resultad os 13 32.50 (%) 17 42.50 (%) 2 5.00 (%) 3 7.50 (%) 5 12.50 (%) 40 100.00 (%) Percebe mo cliente como foco de trabalho, priorizan do seu atendim ento frente a outras demand as 19 47.50 (%) 17 42.50 (%) 1 2.50 (%) 2 5.00 (%) 1 2.50 (%) 40 100.00 (%) Os dados demonstram que os indicadores “Comprometem-se com as metas estabelecidas pela organização”; “Agem no sentido de obter o compromisso, independentemente de cargo e função”; “Buscar resolver os conflitos com justiça, de forma participativa, contribuindo para o desenvolvimento da equipe”; “Mantêm canal permanente de comunicação, favorecendo a interação com outras pessoas”; “Expressam-se de forma clara e objetiva. Utilizam os instrumentos disponíveis para o desenvolvimento dos funcionários e conseqüente melhoria dos resultados” e “Percebem o cliente como foco de trabalho, priorizando seu atendimento frente a outras demandas” apresentaram os seguintes percentuais em “concordo totalmente”, respectivamente: 60%, 50%, 45%, 47,50%, 32,50% e 47,50%. Já sobre a afirmação: “Utilizam os instrumentos disponíveis para o desenvolvimento dos 82 funcionários e consequente melhoria dos resultados”, teve maior porcentagem em “concordo” com 42,50%. 4.3.8 Grau do Desempenho – Processos Internos Na tabela seguinte, encontrar-se-á o grau de concordância dos funcionários, sobre o indicador de desempenho Processos interno. Tabela 14 – Grau de Concordância dos Funcionários - Desempenho de Processos Internos Estabel ecem a Acompan relação Estabel ham o Contrib entre a ecem Implemen Desenv Otimizam desenvolv uem origem priorida tam a Adapta olvem os imento com ea des em alternativ m-se a seus recursos das alterna finalida seu a que alteraç trabalh disponív atividades tivas de do trabalho melhor ões os de eis, sob sua para trabalho Grau de , contribui ocorri acordo possibilit responsa soluçã , Concordâ definind para o das com os ando a bilidade, o de compre ncia o ações, resultado, nos padrõe continuid implement proble endend prazos considera proces s de ade do ando mas e oo e ndo a sos de excelên processo ações melhor impacto recurso relação trabalh cia de adequada ia de de suas s custo/ben o estabel trabalho s, quando proces opções necessá efício ecidos detectado sos sobre rios s desvios as outras áreas 14 19 23 24 21 Concordo 20 18 14 35.00 47.50 57.50 60.00 52.50 totalmente 50.00 (%) 45.00 (%) 35.00 (%) (%) (%) (%) (%) (%) 17 12 10 10 10 13 13 13 Concordo 42.50 30.00 25.00 25.00 25.00 32.50 (%) 32.50 (%) 32.50 (%) (%) (%) (%) (%) (%) 4 3 2 4 6 4 7 6 Não sei 10.00 7.50 5.00 7.50 (%) 15.00 10.00 (%) 17.50 (%) 15.00 (%) (%) (%) (%) (%) 4 2 2 3 3 1 0 3 Discordo 10.00 5.00 5.00 7.50 (%) 7.50 (%) 2.50 (%) 0.00 (%) 7.50 (%) (%) (%) (%) 4 3 0 0 Discordo 1 2 2 4 10.00 7.50 0.00 (%) 0.00 (%) totalmente 2.50 (%) 5.00 (%) 5.00 (%) 10.00 (%) (%) (%) 40 40 40 40 40 40 40 40 Total 100.00 100.00 100.00 100.00 100.00 100.00 100.00 (%) 100.00 (%) (%) (%) (%) (%) (%) (%) Fonte: Dados da Pesquisa (2010) 83 Os dados demonstram que os indicadores: “Otimizam os recursos disponíveis, possibilitando a continuidade do processo de trabalho”; “Implementam a alternativa que melhor contribui para o resultado, considerando a relação custo/benefício”; “Acompanham o desenvolvimento das atividades sob sua responsabilidade, implementando ações adequadas, quando detectados desvios”; “Contribuem com alternativas para solução de problemas e melhoria de processos”; “Adaptam-se a alterações ocorridas nos processos de trabalho”; “Desenvolvem seus trabalhos de acordo com os padrões de excelência estabelecidos” e “Estabelecem a relação entre a origem e a finalidade do trabalho, compreendendo o impacto de suas opções sobre as outras áreas” com os seguintes percentuais em “concordo totalmente”, apresentaram os seguintes percentuais, respectivamente: 50%, 45%, 35%, 47,50%, 57,50%, 60% e 52,50%. Já sobre a afirmação “Estabelecem prioridades em seu trabalho, definindo ações, prazos e recursos necessários”, teve maior porcentagem em “concordo” com 42,50%. 84 4.4 ESCORES MÉDIOS DAS DIMENSÕES DO DESEMPENHO NO TRABALHO COMPROMETIMENTO E Em relação à estatística descritiva do tipo de comprometimento, na tabela exposta a seguir, observa-se que das três dimensões estudadas, a dimensão afetiva apresentou índice mais elevado na empresa X, com média igual a 3,95, que se enquadra a um nível de concordância entre parcial e total. A segunda melhor avaliação foi atribuída à dimensão normativa, com média de 3,49, mais próxima do ponto, na qual nem se concorda e nem se discorda, do ponto de concordância. Por fim, a dimensão com menor média foi à dimensão instrumental, com a média 3,07. Dessa forma, mediante os resultados avaliados por meio da Análise de Variância, comprova-se a existência das três dimensões: afetiva, instrumental e normativa, entre os funcionários da empresa X. Essa análise confirma o resultado da estatística descritiva, conforme se observa na tabela a seguir. Tabela 15 – Estatística descritiva do tipo de comprometimento Desvio padrão Média Mínimo Máximo Comprometimento 5,00 0,967 3,07 1,17 5,00 3,49 1,67 5,00 Fonte: Dados da pesquisa (2010). 0,944 Afetivo 3,95 Instrumental Normativo 1,67 0,965 Quanto à variabilidade, nota-se no desvio-padrão que a variabilidade entre as dimensões de comprometimento organizacional possui um comportamento semelhante e com variabilidade pequena. Na tabela a seguir será exposta a estatística descritiva do tipo desempenho Tabela 16 – Estatística descritiva do tipo desempenho Média Mínimo Máximo Desvio padrão Desempenho Estratégia e Operações 4,07 2,00 5,00 0,798 Resultado Econômico 3,93 1,40 5,00 0,851 Satisfação do Cliente 4,19 2,00 5,00 0,783 3,99 2,14 5,00 0,830 4,11 1,88 5,00 Fonte: Dados da pesquisa (2010) 0,803 Comportamento Organizacional Processos Internos 85 Assim, observa-se na referida tabela, em relação os indicadores de desempenho, a maior média que os respondentes atribuíram foram para satisfação do cliente com média de 4,19, seguido por processos internos com média 4,11, estratégia e operações com média 4,07, comportamento organizacional com média e resultado econômico, com as respectivas médias: 3,99 e 3,93. Em relação à variabilidade, observa-se no desvio-padrão que a variabilidade entre os cinco indicadores de desempenho possui um comportamento semelhante e com variabilidade pequena. Entretanto, por se tratar de uma análise descritiva, para ter evidência de ocorrência de diferença significativa é necessário aplicar testes estatísticos. 4.5 RELAÇÃO ENTRE COMPROMETIMENTO DESEMPENHO NO TRABALHO ORGANIZACIONAL E Para responder o quarto objetivo especifico, o qual trata de estabelecer relação entre o desempenho no trabalho e comprometimento organizacional, utilizou-se a estatística multivariada, cuja finalidade é verificar se existe diferença e associação entre os três tipos de comprometimentos e os cinco indicadores de desempenhos utilizando os testes estatísticos de Pearson, análise variância univariada e multivariada. No primeiro momento foi feita a análise de variância (ANOVA), um teste paramétrico usado para verificar se existe uma diferença significativa entre as médias e se os fatores estão influenciando na variável resposta. Nesse sentido, esta técnica estatística permite que vários grupos sejam comparados, esses fatores podem ser classificados como qualitativa ou quantitativa, mas a variável resposta sempre tem que ser contínua. Já no segundo momento, foi aplicado o teste de Tukey, que é um teste estatístico usado geralmente quando análise de variância (ANOVA) é significativa. Com isso, torna-se necessário verificar em quais fatores está ocorrendo essa diferença significativa. Por último, desenvolveu-se uma comparação de todos os pares possíveis dos fatores, sendo baseada na distribuição q que é similar a distribuição t. 86 Na tabela seguinte, observa-se o resultado da Análise de Variância (ANOVA), resultado do comparativo das médias dos três tipos de comprometimento organizacional, cuja análise foi feita para verificar a existência de diferenças entre elas. Mediante os dados encontrados, verificou-se que para um nível de significância de 5%, dado que o Valor-p é muito baixo 0.0004, há evidência de que existe diferença significativa entre os três tipos de comprometimentos estudados. Tabela 17 – Análise de Variância – Comprometimento Resposta: Média dos comprometimentos GL SQ QM Fo Valor-p Tipo de 2 15.351 7.675 8.3492 0.0004 Comprometimento Resíduos 117 107.559 0.919 Fonte: Dados da pesquisa (2010). Nessa perspectiva, o resultado das análises estatísticas demonstrou a existência das três dimensões: afetiva, normativa e instrumental, confirmada pela Análise de Variância, a qual definiu a predominância da dimensão afetiva entre os funcionários, como se verifica na figura a seguir. Figura 7 – Demonstrativo do resultado da Análise de Variância (ANOVA) Fonte: Dados da pesquisa (2010). Na aplicação do teste de correlação de Pearson, um teste estatístico 87 paramétrico que tem como objetivo verificar se existe dependência significativa dos dados, ou seja, averiguar se os dados são correlacionados entre si, para um nível de significância de 5%, usando a tabela de Análise de Variância, observa-se a evidência que existe diferença significativa apenas no comprometimento afetivo com instrumental, ou seja, a média do comprometimento afetivo é maior que o comprometimento instrumental. Além disso, no gráfico de Box-plot e no desvio padrão mostrado na figura já supracitada, que a variabilidade entre os três comprometimentos possui um comportamento semelhante. De acordo com os resultados da Análise de Variância (ANOVA), resultado do comparativo das médias dos cinco indicadores de desempenho, cuja análise foi feita para verificar a existência de diferenças entre elas os dados encontrados, conforme se observa na tabela a seguir, constatou-se que para um nível de significância de 5 %, usando o teste de Análise de Variância, observa-se a evidência de que não existe diferença significativa entre os cinco desempenhos estudados. Tabela 18 – Análise de Variância – Desempenho Resposta: Média dos desempenhos GL SQ QM Fo Valor-p Tipo de 4 1.651 0.413 0.6237 0.6462 Desempenho Resíduos 195 129.076 0.662 Fonte: Dados da pesquisa (2010). Nesse contexto, o teste de regressão entre os fatores das dimensões do comprometimento e os indicadores de desempenho apresentados na tabela 14, quando comparada a um nível de significância de 5%, observa-se evidência na realização dos cruzamentos entre os três coeficientes de comprometimento e os indicadores de desempenho demonstram índices moderados em relação à força da correlação, ou seja, existe associação estatisticamente significante entre os coeficientes de comprometimento. Entretanto, entre os três coeficientes de comprometimento foi encontrada uma consonância positiva entre o comprometimento afetivo e os indicadores de desempenho, sendo uma associação estatisticamente significativa para este estudo. Pois, o teste de Pearson afirma que na medida em que a média de um indicador aumenta o referente indicador também tende a aumentar. Portanto, segundo Medeiros (2003), uma das premissas comuns ao estudo do comprometimento no 88 trabalho é que níveis elevados de comprometimento contribuem para níveis elevados de desempenho. Na tabela exposta a seguir, verificam-se os resultados encontrados na regressão dos três tipos de comprometimento organizacional com os indicadores de desempenho no trabalho. Tabela 19 – Teste de Pearson das dimensões do comprometimento organizacional e desempenho no trabalho. Comprometimento afetivo: CompAf Cruzamento Resultado do software R Correlação *Afetivo com estratégia e t = 4.4665, GL = 38, valor-p = 0.000 0.59 operações Afetivo com resultado t = 1.1667, GL = 38, valor-p = 0.2506 0.19 econômico Afetivo com satisfação do cliente t = 1.4725, GL = 38, valor-p = 0.1491 0.23 **Afetivo com comportamento organizacional t = 2.4733, GL = 38, valor-p = 0.0120 0.37 ***Afetivo com processos internos t = 2.8491, GL = 38, valor-p = 0.0070 Comprometimento Instrumental – ComIn Cruzamento Resultado do software R Instrumental com estratégia e t = 0.0604, GL = 38, valor-p = 0.9521 operações Instrumental com resultado t = 0.1558, GL = 38, valor-p = 0.8770 econômico Instrumental com satisfação do t = 0.3728, GL = 38, valor-p = 0.7113 cliente Instrumental com t = 0.2173, GL = 38, valor-p = 0.8291 comportamento organizacional Instrumental com processos t = -0.9132, GL = 38, valor-p = 0.3669 internos Comprometimento Normativo- CompNo Cruzamento Resultado do software R *Normativo com estratégia e t = 2.136, GL = 38, valor-p = 0.03918 operações Normativo com resultado t = 0.6386, GL = 38, valor-p = 0.5269 econômico Normativo com satisfação do t = 0.3728, GL = 38, valor-p = 0.7113 cliente Normativo com comportamento t = 0.2173, GL = 38, valor-p = 0.8291 organizacional Normativo com processos t = -0.9132, GL = 38, valor-p = 0.3669 internos Fonte: Dados da pesquisa (2010). 0.42 Correlação 0.01 0.02 0.06 0.04 -0.15 Correlação 0.33 0.10 0.21 0.22 0.15 Diante do exposto, analisando as combinações, a partir das três dimensões do comprometimento e dos cinco indicadores de desempenho, foi encontrada associação significativa em apenas uma das dimensões, a afetiva, ou seja, 89 estruturalmente o comprometimento afetivo tem associação significava com três dos cinco indicadores de desempenho, os quais foram: * Afetivo com estratégia e operações (r= 0,59); ** Afetivo com processos internos (r=0,42); *** Afetivo com comportamento organizacional (r=0,4). De acordo com Randall (1990) e Riketta (2002, apud SCHEIBLE; BASTOS, 2007), afirmam que o desempenho autorrelatado possui níveis de correlação mais altos com comprometimento afetivo. Na dimensão instrumental não foi encontrada nenhuma associação significativa. De acordo com Camargo (2009), nas pesquisas realizadas o comprometimento instrumental apresenta uma relação negativa desempenho no trabalho. Sendo assim, empregados com alto grau de comprometimento instrumental tendem a ser menos motivados e a apresentarem menor nível de desempenho no trabalho. Já na dimensão normativa ocorreu apenas uma associação com o indicador de desempenho estratégia e operações (r=0,33). Este resultado pode ser justificado pelo fato de que o comprometimento normativo e estratégia e operações estarem relacionados ao cumprimento de regras e a questão do dever e obrigação com a empresa. Conforme Wiener (1982 apud RIBEIRO, 2008), a visão normativa do comprometimento sugere um foco centrado nos controles normativos, como normas e regulamentos ou uma missão forte e disseminada. Estes resultados corroboram com os estudos de Meyer e Allen (1991 apud SCHEIBLE; BASTOS, 2007), que apontam o comprometimento de base af etiva como melhor preditor de comportamento. [...] constitui-se em um mediador da relação entre comprometimento e desempenho. Este achado encontra-se em consonância com os estudos de Scheible e Bastos (2007), os quais afirmam que existem correlações significativas entre as três medidas de comprometimento com o desempenho. 90 4.6 ANÁLISE DE AGRUPAMENTO - MÉTODO DE WARD A análise de agrupamento será realizada neste estudo com objetivo de dividir os 40 indivíduos entrevistados em grupos, de forma que os indivíduos pertencentes a um mesmo grupo sejam similares entre si quanto às três variáveis de comprometimento e as cinco variáveis de desempenho. Com isso, foi utilizada a análise de agrupamento, o método de Ward, usando a distância euclidiana. O critério usado para definir o número final de grupos, foi o gráfico de dendograma, exposto a seguir, no qual verificou se há pontos de saltos na distância euclidiana, ou seja, onde ocorrer um ponto de salto relativamente grande, em relação aos demais valores de distância, será a decisão para o número final de grupos. Gráfico 1 – Dendrograma – Método Word Fonte: Dados da pesquisa (2010). Por meio do gráfico supracitado, percebe-se que o número final de grupos é de quatro, ou seja, os indivíduos pertencentes ao mesmo grupo são homogêneos e heterogêneos entre os quatro grupos quanto às três variáveis de comprometimento estudadas nessa instituição. Na tabela seguinte, encontra-se a frequência absoluta e relativa de cada grupo de conglomerados. O grupo 1 formado por 22 indivíduos, apresentando um percentual de 55,00%, considerado o maior percentual entre todos os outros. Já o grupo 2, com 4 indivíduos, obteve o menor percentual de 10,00%, seguido do grupo 3 formado por 6 indivíduos, tendo percentuais de 15,00%, enquanto que o grupo 4 91 com 8 indivíduos, com percentual de 20,00%, totalizando assim, um percentual de 100%. Tabela 20 – Frequências absolutas e relativas dos grupos Formação dos conglomerados Conglomerados 1 2 3 4 Total Frequência absoluta 22 4 6 8 40 Fonte: Dados da pesquisa (2010) Percentual 55,00 10,00 15,00 20,00 100,00 No quadro a seguir, a classificação dos graus de comprometimento organizacional, seguida pelas análises dos respectivos grupos. 3,5 a 5,0 Grau elevado 2,5 a 3,5 Grau moderado 1,0 a 2,5 Grau baixo Quadro 4 – Grau de comprometimento organizacional dos grupos Fonte: Araujo (2010). Quanto à média e desvio padrão para as dimensões do comprometimento organizacional e desempenho, a tabela seguinte apresenta 4 (quatro) conglomerados. O conglomerado 1 é formado por 22 pessoas, com percentual de 55,00%. Esse grupo apresentou as seguintes médias: afetivo 3.81, instrumental 2.88, normativo 3.60, estratégia e operações 3.94, resultado econômico 3.59, satisfação do cliente 3.97, comportamento organizacional 3.77 e processos internos 4.00. Tabela 21 – Média e desvio padrão dos conglomerados – comprometimento e desempenho Comprometimento Conglom erados 1 2 3 4 ComAf CompIn 3,81 0,847 2,42 1,099 4,47 0,476 4,69 0,348 2,88 0,984 3,71 0,345 2,50 0,753 3,71 0,716 CompNo Desempenho EstOper ResEco SatCli CompOr ProcIn 3,60 3,94 3,59 0,701 0,503 0,762 2,54 2,40 3,35 0,750 0,283 1,063 2,30 4,70 4,60 0,580 0,329 0,253 4,54 4,80 4,67 0,468 0,283 0,440 Fonte: Dados da pesquisa (2010) 3,97 0,753 3,37 0,940 4,80 0,245 4,77 0,235 3,77 0,689 2,68 0,292 4,69 0,332 4,71 0,382 4,00 0,499 2,47 0,614 4,94 0,104 4,60 0,497 92 Observa-se assim, que o conglomerado 1 é formado por 22 pessoas, com percentual de 55,00%. Este conglomerado é denominado Afetivo/Normativo, apresentando um elevado grau de comprometimento organizacional na dimensão afetiva (3,81) e na dimensão normativa (3,60). Já na dimensão instrumental (2,88), apresentou um grau moderado de comprometimento, e no aspecto desempenho este grupo apresentou a maior média, no que diz respeito ao indicador processos internos (4.00). Percebe-se assim, que este grupo apresenta maior variabilidade normativa. Sendo composto na sua maioria de funcionário do sexo feminino (59,09), com estado civil casado (59,09), com Ensino Médio completo (95,45), entre a faixa etária de 18 e 25 anos (40,91) e o tempo de serviço superior a 3 anos (59,09), ocupando o cargo de atendimento ao público (31,82). Segundo Bertoldo (2006), o comprometido afetivo-normativo é considerado o melhor padrão de comprometimento, pois representam clientes internos com maior valor do trabalho na vida, melhor relacionamento social, maior nível salarial e com o equilíbrio entre vida pessoal. Quanto ao conglomerado 2, é formado por 4 (quatro) pessoas, com percentual de 10,00%. Este conglomerado é denominado por instrumental, apresentando um grau elevado na dimensão do comprometimento instrumental (3,71), um grau baixo de comprometimento nas dimensões afetivo (2.42) e normativo (2.54). Para os indicadores de desempenho, o índice mais elevado foi satisfação do cliente, com média de 3,37. Observa-se que este grupo apresenta maior variabilidade na dimensão instrumental. Neste grupo há uma predominância do gênero masculino (75,00), com estado civil casado (75,00), com Ensino Médio completo (100,00), na faixa etária de 46 e 50 anos (50,00) e o tempo de serviço superior a 3 anos (100,00), no cargo de vendedor (75,00). De acordo Camargo (2009), empregados com alto grau de comprometimento instrumental tendem a ser menos motivados e a apresentarem menor nível de desempenho no trabalho. Para alguns autores, esse vínculo é muito frágil, pois mantém o funcionário na organização somente enquanto ele não encontra outra oportunidade de trabalho. 93 Em relação ao conglomerado 3, é formado por 6 (seis) pessoas, com percentual de 15,00%. Este conglomerado é chamado de afetivo, e apresenta um elevado grau de comprometimento organizacional na dimensão afetiva (4.47), baixo grau comprometimento na dimensão instrumental (2.50) e dimensão normativa (2.30). Já nos indicadores de desempenho, o indicador processos internos apresentou média elevada (4.94). Nota-se que o grupo apresentou um desvio padrão com maior variabilidade na dimensão afetiva. Observa-se, portanto a predominância do gênero feminino (66,67), estado civil casado (66,67), com faixas etárias de 31 e 35 anos (50,00), com Ensino Médio completo (100,00), tempo de serviço entre 1 a 3 anos (50,00) e acima de 3 anos (50,00), cargo exercido na empresa outros com percentual (50,00). Diante das características apresentadas neste grupo, supõe que ele é formado por funcionários que possuem equilíbrio entre vida pessoal (centrada na família) e profissional (centrado no trabalho). Conforme Medeiros (1997), este é o grupo que tem, em sua formação, indivíduos que internalizam os valores e as normas da organização, como também são centrados no trabalho. De acordo com Bertoldo (2006), as pessoas comprometidas afetivamente possuem uma vida mais centrada na família e o trabalho remete a garantia do sustento da mesma. Já o conglomerado 4, é formado por 8 (oito) pessoas, com percentual de (20,00%). Este conglomerado é conceituado como comprometido nas três dimensões – este grupo apresentou grau elevado de comprometimento organizacional nas três dimensões, afetiva (4,69) instrumental (3,71) e normativa (4,54). Já nos indicadores de desempenho foi estratégia e operações (4.80) que obteve maior média. Este grupo apresenta maior variabilidade na dimensão afetiva, sendo formado pelos dois gêneros: feminino e masculino com 50,00 cada um, constituídos por solteiros (75,00), na faixa etária entre 26 e 30 anos (50,00%), com Ensino Médio completo (87,50), e com um tempo de serviço superior a 3 anos na empresa (50,00), cargo exercido na empresa, sendo este líder de departamento. Segundo Medeiros (1997), os indivíduos que formaram esse grupo são aqueles em que o trabalho tem um grande valor em suas vidas e, portanto, estão mais centrados no trabalho do que na organização. 94 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta parte de conclusões e recomedanções será apresentada a síntese dos principais resultados, as contribuições e as limitações da pesquisa, bem como as recomendações para estudos futuros. O propósito principal do presente trabalho foi identificar a relação existente entre os padrões de comprometimento organizacional e desempenho no trabalho dos funcionários da empresa X, em Mossoró/RN. Assim, para atingir essa finalidade utilizou-se um questionário com 18 questões, instrumento de Meyer, Allen e Smith (1993), o qual contempla as três dimensões do comprometimento organizacional e, também, 31 questões sobre a percepção das pessoas quanto ao desempenho das suas equipes de trabalho, sem se preocuparem com indicadores financeiros. Vale ressaltar que todos os objetivos propostos nesta pesquisa, tanto o geral quanto os específicos, foram atendidos. O primeiro objetivo específico pretendeu identificar o perfil demográfico dos funcionários da empresa X, verificando a predominância do gênero feminino, estado civil dos casados, com Ensino Médio completo, na faixa etária entre 18 e 25 anos, com mais de idade e com mais 3 anos de empresa. O segundo e o terceiro tiveram como intenção identificar os níveis de comprometimento organizacional dos funcionários da empresa em estudo e verificar qual das dimensões do comprometimento é predominante nos funcionários. Para tanto, o resultado demonstrou a existência das três dimensões: afetiva, normativa e instrumental, confirmada pela Análise de Variância, definindo a predominância da dimensão afetiva entre os funcionários. O quarto objetivo específico teve com intenção estabelecer relação entre o desempenho no trabalho e comprometimento organizacional. Nesses termos, há evidência que existe relação entre dois coeficientes de comprometimento e três dos indicadores de desempenho, os quais demonstram índices positivos em relação à força da correlação, ou seja, existe associação estatisticamente significante entre os coeficientes de comprometimento e os indicadores de desempenho. O comprometimento afetivo tem associação significava com três dos cinco indicadores de desempenho: *Afetivo com estratégia e operações; 95 **Afetivo com processos internos; ***Afetivo com comportamento organizacional, normativa c om estratégia e operações. Estes resultados corroboram com os estudos Scheible e Bas tos, os quais apontam o comprometimento de base afetiva como melhor preditor de comportamento. [...] constitui-se em um mediador da relação entre comprometimento e desempenho. Foi realizada uma análise de agrupamento, com objetivo de dividir os 40 indivíduos entrevistados em grupos, de forma que os indivíduos pertencentes a um mesmo grupo sejam similares entre si quanto às três variáveis de comprometimento e as cinco variáveis de desempenho. Com isso foi identificado 4 grupos,: Grupo 1 – Comprometidos nas dimensões afetiva/normativo; Grupos 2 – Comprometidos na dimensão instrumental; Grupos 3 – Comprometidos na dimensão afetiva; Grupos 4 – Comprometidos nas três dimensões Afetiva/Instrumental/normativa. Conclui-se que os objetivos da pesquisa foram atingidos pelos resultados obtidos. Compreende-se assim, que os resultados obtidos não estão livres de limitações metodológicas. Uma delas é que a pesquisa se restringe a realidade de uma única empresa. Por isso sugere-se que sejam desenvolvidas outras pesquisas com empresas que atuam no varejo para que os seus resultados sejam confrontados, é importante destacar que os resultados desta investigação trazem importantes contribuições à área empresarial pelos resultados encontrados, e que tais implicações fornecem contribuições para a compreensão do processo de comprometimento do indivíduo. Nesse sentido, este estudo possibilitará aos administradores e gerentes de Recursos Humanos na elaboração de estratégia empresarial, no que diz respeito ao alcance de maiores índices de produtividade mediante ao tipo de comprometimento. Assim, maiores investigações são necessárias com o intuito de testar o modelo em questão em outras amostras. Além disso, sabe-se que estudos posteriores devem ampliar o conhecimento sobre o construto comprometimento organizacional, com a identificação de seus consequentes em modelos de investigação, ou seja, de seu impacto sobre o empregado e a organização, 96 fornecendo, dessa forma, maiores contribuições ao desenvolvimento da área. Nessa perspectiva, acredita-se que estudos mais aprofundados poderão gerar informações mais detalhadas sobre a natureza das relações dinâmicas encontradas na presente pesquisa, contribuindo para o aprimoramento da base de conhecimento existente sobre este importante tema que é o comprometimento organizacional, o desempenho e suas relações. Por fim, esclarece-se que as recomendações não são conclusivas, elas apenas ressaltam a necessidade de atualização e de realização constante de pesquisas, a fim de melhor entender a área do varejo, contribuindo para que o ambiente de trabalho seja acolhedor, possibilitando que desenvolver melhor as suas capacidades. o funcionário possa 97 REFERÊNCIAS ALBORNOZ, S. O que é trabalho. 6. ed. São Paulo: Brasiliense, 2000. ALVES, E. (Org.). Modernização produtiva e ralação de trabalho: perspectivas de políticas públicas.Rio de Janeiro: Vozes, 1997. ANTUNES, R. Adeus ao trabalho? Ensaio sobre as metamorfoses e centralidade no mundo do trabalho. São Paulo: Cortez, 2002. ARANHA, M. A; MARTINS, M. H. P. Filosofando: introdução à filosofia. 2. ed. São Paulo: Moderna, 1993. ARAÚJO, S. M. Comprometimento organizacional à luz do modelo conceitual das três dimensões de Meyer e Allen: Um estudo de caso no IFRN – Campus Natal/Central. 2010. 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T.; PECARELLI, F. V. Remuneração Estratégica. São Paulo: Atlas,1996. ZARIFFIAN, P. Objetivo competência: por uma nova lógica. São Paulo: Atlas, 2008. 105 APÊNDICES 106 APÊNDICE A – Questionário PESQUISA Prezado Colaborador, Sou aluna do Curso Mestrado Profissional em Administração da UNP e o meu trabalho final consiste numa pesquisa sobre Comprometimento no Trabalho, de finalidade estritamente acadêmica. Estou lhe encaminhando um questionário ANÔNIMO, e peço que responda com o máximo de sinceridade. Além de não ter a sua identificação, os questionários serão examinados por mim mesma. Essas informações serão de suma importância para minha pesquisa. Por isto, conto com a sua colaboração no preenchimento cuidadoso e verdadeiro desse questionário. Desde já agradeço, Ana Karina dos Santos de Souza Queiroz Universidade Potiguar – UnP 107 Nos itens a seguir, favor assinalar com um X o número que melhor corresponda à sua avaliação. Para tanto, use como critério os códigos abaixo: 1 Discordo Plenamente 2 3 Discordo Em Pouco dúvida 4 5 Concordo Concordo Pouco Plenamente PRIMEIRA PARTE 1. Eu seria muito feliz em dedicar o resto de minha carreira nesta organização. 1 2 3 4 5 2. Eu realmente sinto os problemas da organização como se fossem meus. 1 2 3 4 5 3. Eu não sinto, em mim, um forte senso de integração com esta organização. 1 2 3 4 5 4. Eu não me sinto emocionalmente vinculado a esta organização. 1 2 3 4 5 5. Eu não me sinto como uma pessoa de casa nesta organização. 1 2 3 4 5 6. Esta organização tem um imenso significado pessoal para mim. 1 2 3 4 5 7. Na situação atual, ficar nesta organização é, na realidade, uma necessidade mais do que um desejo. 1 2 3 4 5 8. Mesmo que eu quisesse, seria muito difícil para mim deixar esta organização agora. 1 2 3 4 5 9. Se eu decidisse deixar esta organização agora, minha vida ficaria bastante desestruturada. 1 2 3 4 5 10. Eu acho que teria poucas alternativas se deixasse esta organização. 1 2 3 4 5 11. Se eu já não tivesse dado tanto de mim nesta organização, eu poderia pensar em trabalhar num outro lugar. 1 2 3 4 5 12. Se eu já não tivesse dado tanto de mim nesta organização, eu poderia pensar em trabalhar num outro lugar. 1 2 3 4 5 13. Eu não sinto nenhuma obrigação de permanecer nesta organização. 1 2 3 4 5 14. Mesmo se fosse vantagem para mim, sinto que não seria certo deixar esta organização agora. 1 2 3 4 5 15. Eu me sentiria culpado se deixasse esta organização agora. 108 1 2 3 4 16. Esta organização merece minha lealdade. 1 2 3 4 17. Eu não deixaria esta organização agora, porque com as pessoas daqui. 1 2 3 4 18. Eu devo muito a esta organização. 1 2 3 4 5 5 tenho uma obrigação moral 5 5 Nos itens a seguir, favor assinalar com um X o número que melhor corresponda à sua avaliação. Para tanto, use como critério os códigos abaixo: 1 2 3 4 5 Discordo Discordo Em dúvida Concordo Concordo Plenamente Pouco Pouco Plenamente SEGUNDA PARTE Avalie os itens a seguir considerando que eles dizem respeito às pessoas próximas com quem você trabalha, ou seja, sua equipe de trabalho. 1. Comprometem-se com os objetivos da unidade e da empresa, implementando ações para o atingimento das metas estabelecidas. 1 2 3 4 5 2. Conhecem a concorrência e o mercado em que atuam,utilizando as informações para o planejamento de suas ações. 1 2 3 4 5 3. Direcionam suas ações a partir do conhecimento da estrutura e das políticas da empresa. 1 2 3 4 5 4. Estabelecem intercâmbio com outras equipes ou unidades para garantir o alcance dos objetivos organizacionais. 1 2 3 4 5 5. Reposicionam-se e redirecionam suas ações em razão de mudanças nos objetivos estratégicos. 1 2 3 4 5 6. Mantêm-se atualizadas quanto ao conhecimento técnico em sua área de atuação. 1 2 3 4 5 109 7. Mantêm-se atualizadas quanto ao conhecimento técnico em sua área de atuação. 1 2 3 4 5 8. Avaliam risco e potencial no direcionamento de produtos e serviços. 1 2 3 4 5 9. Argumentam de maneira convincente, obtendo resultados que atendam às expectativas das partes envolvidas. 1 2 3 4 5 10. Direcionam suas ações para atingir a produção esperada, com economia de recursos. 1 2 3 4 5 11. Identificam produtos e serviços que satisfaçam o cliente e proporcionem maior rentabilidade para a empresa. 1 2 3 4 5 12. Comprometem-se com as metas estabelecidas pela organização. 1 2 3 4 5 13. Consideram as observações, críticas e sugestões dos clientes, utilizando-as para melhorar o atendimento. 1 2 3 4 5 14. Ouvem os clientes com atenção e cortesia, tratando-os de maneira a evidenciar sua importância. 1 2 3 4 5 15. Conhecem as necessidades e expectativas dos clientes de sua área de atuação. 1 2 3 4 5 16. Antecipam-se às necessidades do cliente, oferecendo soluções e orientações adequadas. 1 2 3 4 5 17. Agem no sentido de obter o compromisso, independentemente de cargo e função. 1 2 3 4 5 18. Buscam resolver os conflitos com justiça, de forma participativa, contribuindo para o desenvolvimento da equipe. 1 2 3 4 5 19. Mantêm canal permanente de comunicação, favorecendo a interação com outras pessoas. 1 2 3 4 5 20. Expressam-se de forma clara e objetiva. Utilizam os instrumentos disponíveis para o desenvolvimento dos funcionários e conseqüente melhoria dos resultados. 1 2 3 4 5 21. Utilizam os instrumentos disponíveis para o desenvolvimento dos funcionários e conseqüente melhoria dos resultados. 1 2 3 4 5 22. Estabelecem prioridades em seu trabalho, definindo ações, prazos e recursos necessários. 1 2 3 4 5 23. Otimizam os recursos disponíveis, possibilitando a continuidade do processo de trabalho. 110 1 2 3 4 5 24. Implementam a alternativa que melhor contribui para o resultado, considerando a relação custo / benefício. 1 2 3 4 5 25. Acompanham o desenvolvimento das atividades sob sua responsabilidade, implementando ações adequadas, quando detectados desvios. 1 2 3 4 5 26. Contribuem com alternativas para solução de problemas e melhoria de processos. 1 2 3 4 5 27. Adaptam-se a alterações ocorridas nos processos de trabalho. 1 2 3 4 5 28. Desenvolvem seus trabalhos de acordo com os padrões de excelência estabelecidos. 1 2 3 4 5 29. Estabelecem a relação entre a origem e a finalidade do trabalho, compreendendo o impacto de suas ações sobre as outras áreas. 1 2 3 4 5 30. Identificam-se com os valores desta empresa?. 1 2 3 4 5 31. Percebem o cliente como foco do trabalho, priorizando seu atendimento frente a outras demandas. 1 2 3 4 5 PARTE FINAL – (CARACTERIZAÇÃO) Favor informar os dados a seguir: 1.Gênero ( ) Masculino ( ) Feminino 2. Idade ( ) 18 a 25 anos ( ) 36 a 40 anos ( ) 26 a 30 anos ( ) 41 45 anos ( ) 31 a 35 anos ( ) 46 a 50 anos ( ) acima de 50 anos 2.Escolaridade ( ) 2º grau completo ( ) especialização ( ) superior incompleto ( ) mestrado ( ) superior completo ( ) doutorado 3.Estado civil ( ) solteiro(a) ( ) viúvo(a) ( ) casado(a) ( ) outros ( ) separado(a) / divorciado(a) 111 5. Há quanto tempo você trabalha nesta empresa? ........anos e ........meses 6. Há quanto tempo você trabalha no setor onde se encontra atualmente desempenhando suas funções?........anos e ........meses 7. Você exerce função comissionada? ( ) sim ( ) não Quantos subordinados? ........... 8. Qual a sua função atual? ( ) caixa ( ) gerente de setor ( ) Líder de departamento ( ) vendedor (a) ( ) atendimento ao publico ( ) outros............. 12. Utilize esse espaço para fazer alguma observação que desejar. ........................................................................................................................................ ........................................................................................................................................ ........................................................................................................................................ ........................................................................................................................................ ........................................................................................................................................ ............................................................................................................ 112 APÊNDICE B – Questionário da Lista de perguntas associados aos indicadores Padrões de comprometimento organizacional. Padrões de comprometimento organizacional 1 Eu seria muito feliz em dedicar o resto de minha carreira CompAf1 nesta organização. 2 Eu realmente sinto os problemas da organização como se CompAf2 fossem meus. 3 Eu não sinto, em mim, um forte senso de integração com esta CompAf3 organização. 4 Eu não me organização. 5 Eu não me sinto como uma pessoa de casa nesta CompAf5 organização. 6 Esta organização tem um imenso significado pessoal para CompAf6 mim. 7 Na situação atual, ficar nesta organização é, na realidade, CompIn1 uma necessidade mais do que um desejo. 8 Mesmo que eu quisesse, seria muito difícil para mim deixar CompIn2 esta organização agora. 9 Se eu decidisse deixar esta organização agora, minha vida CompIn3 ficaria bastante desestruturada. 10 Eu acho que teria poucas alternativas se deixasse esta CompIn4 organização. 11 Se eu já não tivesse dado tanto de mim nesta organização, CompIn6 eu poderia pensar em trabalhar num outro lugar. 12 Eu não sinto nenhuma obrigação de permanecer nesta CompNo1 organização. 13 Mesmo se fosse vantagem para mim, sinto que não seria CompNo2 certo deixar esta organização agora. sinto emocionalmente vinculado a esta CompAf4 14 Eu me sentiria culpado se deixasse esta organização agora. CompNo3 15 Esta organização merece minha lealdade. CompNo4 17 Eu não deixaria esta organização agora, porque tenho uma CompNo5 obrigação moral com as pessoas daqui. 18 Eu devo muito a esta organização. CompNo6 Fonte: Desenvolvida pela autora: código de indicadores da escola de Comprometimento 113 APÊNDICE C – Perfil do entrevistado 114 115 APÊNDICE D – Teste de Regressão Tabela 21: Teste de Pearson Cruzamento Resultado do software R Correlação Normativo com instrumental t = 1.3338, GL = 38, valor-p = 0.1902 0.21 Normativo com afetivo t = 1.518, GL = 38, valor-p = 0.1373 0.24 Afetivo com instrumental t = -0.4212, GL = 38, valor-p = 0.676 -0.07 Afetivo com estratégia e operações t = 4.4665, GL = 38, valor-p = 0.000 0.59 Afetivo com resultado econômico t = 1.1667, GL = 38, valor-p = 0.2506 0.19 Afetivo com satisfação do cliente t = 1.4725, GL = 38, valor-p = 0.1491 0.23 t = 2.4733, GL = 38, valor-p = 0.0120 0.37 t = 2.8491, GL = 38, valor-p = 0.0070 0.42 t = 0.0604, GL = 38, valor-p = 0.9521 0.01 t = 0.1558, GL = 38, valor-p = 0.8770 0.02 t = 0.3728, GL = 38, valor-p = 0.7113 0.06 t = 0.2173, GL = 38, valor-p = 0.8291 0.04 t = -0.9132, GL = 38, valor-p = 0.3669 -0.15 t = 2.136, GL = 38, valor-p = 0.03918 0.33 t = 0.6386, GL = 38, valor-p = 0.5269 0.10 t = 0.3728, GL = 38, valor-p = 0.7113 0.21 t = 0.2173, GL = 38, valor-p = 0.8291 0.22 t = -0.9132, GL = 38, valor-p = 0.3669 0.15 t = 2.6847, GL = 38, valor-p = 0.01070 0.40 t = 3.6057, GL = 38, valor-p = 0.0009 0.50 t = 4.9658, GL = 38, valor-p = 0.0000 0.63 t = 6.409, GL = 38, valor-p = 0.0000 0.72 Afetivo com comportamento organizacional Afetivo com processos internos Instrumental com estratégia e operações Instrumental com resultado econômico Instrumental com satisfação do cliente Instrumental com comportamento organizacional Instrumental com processos internos Normativo com estratégia e operações Normativo com resultado econômico Normativo com satisfação do cliente Normativo com comportamento organizacional Normativo com processos internos Estratégia e operações com resultado econômico Estratégia e operações com satisfação do cliente Estratégia e operações com comportamento organizacional Estratégia e operações com 116 processos internos Resultado econômico com satisfação do cliente Resultado econômico com comportamento organizacional Resultado econômico com processos internos Satisfação do cliente com comportamento organizacional Satisfação do cliente com processo interno Comportamento organizacional com processo interno t = 4.7065, GL = 38, valor-p = 0.000 0.61 t = 3.5915, GL = 38, valor-p = 0.0009 0.50 t = 3.5699, GL = 38, valor-p = 0.0010 0.50 t = 8.3249, GL = 38, valor-p = 0.0000 0.80 t = 4.9754, GL = 38, valor-p = 0.0000 0.63 t = 7.1172, GL = 38, valor-p = 0.0000 0.76 117 APÊNDICE E – Perfil do entrevistado por conglomerado Tabela 22 - Perfil do entrevistado por conglomerado Características Feminino Masculino Casado Solteiro Divorciado 18 a 25 anos 26 a 30 anos 31 a 35 anos 36 a 40 anos 41 a 45 anos 46 a 50 anos Acima de 50 anos Ensino Médio Ensino Superior Menos de 1 ano Entre 1 e 3 anos Acima de 3 anos Caixa Vendedor (a) Gerente de setor Líder de departamento Atendimento ao público Outros Conglomerado 2 3 Sexo 59,09 66,67 25,00 75,00 49,01 33,33 Estado civil 59,09 75,00 66,67 36,36 25,00 33,33 4,55 0,00 0,00 Faixa etária 40,91 0,00 16,67 13,64 0,00 16,67 50,00 18,18 0,00 9,09 25,00 16,67 9,09 0,00 0,00 50,00 9,09 0,00 0,00 25,00 0,00 Grau de escolaridade 95,45 100,00 100,00 4,55 0,00 0,00 Tempo de serviço na instituição 22,73 0,00 0,00 50,00 18,18 0,00 59,09 100,00 50,00 Cargo exercido na instituição 27,27 0,00 0,00 75,00 13,64 16,67 0,00 0,00 16,67 1 4 50,00 50,00 25,00 75,00 0,00 25,00 50,00 12,50 0,00 0,00 0,00 12,50 87,50 12,50 25,00 25,00 50,00 0,00 0,00 12,50 0,00 0,00 0,00 12,50 31,82 0,00 16,67 37,50 27,27 25,00 50,00 16,67 118 APÊNDICE F – Teste de agrupamento