Trilhas & Trilhos
Atividade:
GARIMPO URBANO: o inédito viável
A aprendizagem na educação de jovens e adultos: a urgência de diferentes saberes na
ressignificação de práticas escolares
Contribuição: Ana Maria Reis Macedo – Escola Municipal Ana Alves Teixeira
Público-alvo: Ensinantes e aprendentes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) com
envolvimento da comunidade (pais, mães, avós, avôs, ex-estudantes, lideranças
comunitárias, etc.)
Disciplinas envolvidas: As diretrizes curriculares para a EJA estão fundadas em
quatro áreas do conhecimento: Linguagens, Matemática, Ciências Humanas e
Ciências da Natureza, tendo como eixos norteadores quatro dimensões formadoras:
Trabalho, Espaço/Cidade e Territorialidade, Tempo e Memória e Corporeidade,
estabelecendo a Cultura como eixo macro.
Justificativa: A ação de ensinar não se constitui da mera transmissão do saber científico nem da simplificação deste. O ensinar deve estar compromissado com o aprender, e
para isso torna-se necessário realizar a conversão do saber científico em conteúdo de
ensino para que ele se torne ensinável. Esse processo complexo de conversão se
expressa na Metodologia da Mediação Dialética e preconiza os processos centrados
na problematização de situações capazes de gerar contradições entre o ponto de
partida (imediato) e o ponto de chegada (mediato), provocando superação do imediato
no mediato, possibilitando assim a aprendizagem por compreensão e pela elaboração
de sínteses cognitivas.
Objetivos:
Articular saberes e informações construídas a partir da visitação do Museu de
Artes e Ofícios (MAO), com temáticas contemporâneas;
Associar a temática do Garimpo com situações do cotidiano, articulando com
as novas demandas do pensar nas proposições contemporâneas;
Estimular a visitação e compreender os museus como espaços culturais
dedicados à preservação e difusão da história do país e de seu povo;
Compreender os impactos ambientais provocados pela exploração mineral;
Tomar conhecimento da Lei e da Política Nacional dos Resíduos Sólidos;
Criar espaços de recolhimento de lixo eletrônico;
Refletir sobre o desenfreado consumo de computadores e celulares e a consequente preocupação com o impacto no ambiente;
Possibilitar diferentes registros das experiências vivenciadas na Escola e
comunidade.
Problematização: Embasados nesta concepção, e principalmente por estarmos num
dos principais Estados geradores de riquezas minerais, os educadores da Escola
Municipal Ana Alves Teixeira/EJA/Turmas Externas propõem um recorte dentro da
visita ao MAO para aprofundamento do conhecimento e decide pela escolha dos
Ofícios da Mineração. Sem perder de vista a articulação do estudo com a contemporaneidade, decide-se também envolver a promoção contínua da temática da sustentabilidade, através de um novo debate inserido recentemente no contexto mundial: a
acelerada obsolescência dos equipamentos eletroeletrônicos e consequentemente o
acúmulo de lixo eletrônico (e-lixo).
Desenvolvimento: Considerando o assunto GARIMPO URBANO, formulamos
problemas para, através de pesquisas, serem investigados a partir de fontes bibliográficas. Posteriormente, assistimos ao documentário “História das Coisas”, relatando as
cinco etapas da economia de matérias: a extração, produção, distribuição, consumo e
tratamento do lixo. O vídeo nos mostra como colaboramos diariamente para a destruição do Planeta e o comportamento das pessoas diante da questão. Ampliando nossas
relações comunitárias, elaboramos propostas para descarte dos aparelhos eletroeletrônicos (e-lixo). Na expectativa de continuarmos nossa proposta de atrair parceiros para
os nossos trabalhos, dialogamos com a diretoria da Associação do Bairro Milionários
para inaugurarmos um posto de coleta do e-lixo. Ao mesmo tempo, fizemos contato
com a ONG Zeladoria do Planeta para que esta fornecesse os recipientes adequados
para o e-lixo recolhido.
Conclusão: Estamos trabalhando para que os estudantes e educadores participem de
uma experiência de inovação, conquistando seu envolvimento tanto nas práticas da
aprendizagem e no processo avaliativo, quanto na expressão de seus resultados finais
articulados com a vida comunitária. O projeto também tem por finalidade contribuir
para o ensino na modalidade EJA, respaldando-se no redimensionamento das relações
entre ensinantes e aprendentes, problematizando a corresponsabilidade de ambos
com a criação de condições para a promoção da aprendizagem. Trata-se de um
convite e um desafio para que possamos, coletivamente, “fazer a aula”.
Variação da atividade: Atentos às possibilidades que a temática poderia nos proporcionar, especificamente nas manifestações no circuito cultural da cidade, participamos da sessão de cinema em um shopping da cidade, assistindo ao filme Serra Pelada.
A iniciativa visa buscar, através de outras linguagens, reflexão acerca das atitudes
humanas no tempo.
Trilhas & Trilhos
Atividade:
Resgatando Lembranças e Recordações
Contribuição: Carmélia Felizardo Ribeiro – Ateliê Menina Flor
Público-alvo: Mulheres adultas e na terceira Idade.
Disciplinas envolvidas: Oficina de Memória
Objetivos:
Resgatar, pelas lembranças e recordações, histórias e experiências de vida;
Identificar, na visita ao MAO, o cenário propício para reflexões de lembranças
e recordações, componentes essenciais da memória;
Proporcionar com as dinâmicas oferecidas recursos que estimulem a memória,
área cognitiva, atenção, concentração.
Problematização: A proposta acordada foi buscar, na visita ao MAO, símbolos,
palavras, expressões, instrumentos, e utensílios que fazem referência à experiência de
vida de cada uma das participantes. Buscando nas lembranças e recordações o encontro com universo do trabalho, dos ofícios, das artes, e os questionamentos que marcam
e constituem, em nossa memória, o seu papel social e afetivo.
Desenvolvimento: Num primeiro encontro planejamos a visitação ao MAO, definindo a temática de trabalho: ”Resgatando lembranças e recordações.” Depois, delimitamos nossas buscas por palavras, objetos, costumes, peças, símbolos, expressões,
instrumentos, utensílios estimulantes das memórias remotas e atuais do mundo do
trabalho. Adotamos passos da metodologia qualitativa, que visa essencialmente
documentar e interpretar a totalidade do que está sendo conhecido e reconhecido sob
o ponto de vista das pessoas envolvidas. Durante a visita, pudemos observar, participar
e registrar as referências, as lembranças, os estímulos que despertaram e aguçaram o
interesse pessoal, montando um “Caderno de Memórias”. Após a visita, fizemos um
encontro de avaliação e reflexão, discutindo sobre o mundo do trabalho; o universo
feminino e as relações de gênero; as questões econômicas, sociais e culturais; a
transformação do mundo produtivo; o trabalho invisível no lar; as dificuldades, as
limitações, mas principalmente as estratégias para sonhar, reagir e continuar nossa
história.
Conclusão: A proposta do “Ateliê Menina Flor” é criar com as “Oficinas de Memória”
uma atmosfera descontraída em que as pessoas se encontrem para trocas de experiências, alcançando a reestruturação de suas capacidades criativas e cognitivas, aflorando
a memória, as lembranças e as recordações num espaço de produção e criatividade.
Trabalhamos com o processo de cooperação, pois, como as “Oficinas de Memória”
fazem parte de uma ação não medicamentosa, para que os resultados esperados sejam
alcançados, o envolvimento dos participantes é fundamental: “Ninguém faz uma
Oficina de Memória sem se envolver”. As visitas mediadas a museus e outras instituições similares fazem a ponte unindo o saber com a proposta do nosso trabalho: a
singeleza das ações, os pequenos gestos de afeto, que dão vida e saúde à nossa memória. Esta experiência foi enriquecedora, pois abriu o espaço para que outros grupos não
inseridos no “universo formal de ensino” possam fazer um projeto de visitação orientada, mas sem que a presença de uma preocupação técnica ou de uma condução
profissional mais rígida fosse sentida nem se tornasse centro maior das intervenções.
Variação da atividade: Para enriquecer os momentos de trabalho, pode-se utilizar de
textos poéticos, reflexivos, contação de histórias, músicas, brincadeiras, cantigas de
roda e dinâmicas de grupo. Pode ser vivenciada por grupos de mulheres de geração de
renda, de Terceira Idade ou outros tantos que busquem, além de uma ótima opção de
lazer, também uma rica experiência cultural e de vida.
Trilhas & Trilhos
Atividade:
Poesias de Carlos Drummond de Andrade e
Museu de Artes e Ofícios:
Lentes para o olhar de educandos jovens e adultos sobre o mundo do trabalho
Contribuição: Joaquim Ramos – Escola Municipal Dinorah Magalhães Fabri
Público-alvo: Comunidade escolar e alunos da modalidade EJA.
Disciplinas envolvidas: Língua Portuguesa, História, Literatura, Geografia e Artes.
Justificativa: A densidade da obra de Carlos Drummond de Andrade e a maneira sutil de
abordar os mais variados temas da vida cotidiana constituíram motes para as aulas e
suscitou nos educandos jovens e adultos formas variadas de “viajar” através da arte
literária. Durante os estudos de alguns poemas, os educandos destacaram aspectos
vividos por eles presentes na obra e, na sequência, realizamos uma visita ao Museu de
Artes e Ofícios (MAO) na tentativa de associar os escritos do poeta ao mundo do trabalho.
Dessa maneira, colocamos em prática o que está prescrito nos Parâmetros Curriculares
Nacionais (PCN) para a EJA: é necessário ter a certeza de que todos são capazes de
aprender e que possamos nos ater ao fato de que os jovens e adultos deste país precisam
construir diferentes capacidades e que a apropriação de conhecimentos socialmente
elaborados é base para a construção da cidadania e de sua identidade.
Objetivos:
Destacar a relevância da obra de Carlos Drummond de Andrade no contexto da
literatura e da vida social brasileira;
Utilizar parte da obra para refletir sobre aspectos do cotidiano, em especial, sobre
questões relacionadas ao mundo do trabalho;
Utilizar alguns textos do escritor para refletir sobre a ação humana no mundo do
trabalho;
Ler poesias, crônicas e contos do escritor itabirano;
Fazer releituras da obra de Drummond, através da arte;
Conhecer a cidade de Itabira.
Problematização: O ano de 2013 marca os 26 anos de morte do escritor mineiro Carlos
Drummond de Andrade. Desde o primeiro semestre, os estudos e as reflexões realizados
na EJA ocorreram em torno de sua vida e obra. Tanto a prosa quanto a poesia de
Drummond tem aproximação com as trivialidades da vida cotidiana das pessoas simples e
isso foi relevante e constituiu um facilitador para desenvolvimento do trabalho com o
público atendido na EJA. Dessa maneira, a relação estabelecida entre os escritos de
Drummond, o Museu de Artes e Ofícios e a história de vida dos educandos constituíram
uma tríade de fácil diálogo.
Desenvolvimento: Iniciamos as atividades com pesquisas sobre a cidade de Itabira e
sobre Carlos Drummond de Andrade. Os educandos se debruçaram nessa empreitada
com determinação: livros, revistas, jornais, pesquisas na internet. Todo material que
fizesse alusão ao tema ganhou destaque nas aulas. Em sala de aula, foram feitas releituras
diversas e dramatizações da obra de Drummond. Um grupo de educandos, com idade
entre 15 e 26 anos, visitou o Museu de Artes e Ofícios. A viagem foi feita de ônibus e de
metrô. Com alguns poemas selecionados em mãos, fomos recitando-os durante o trajeto.
No Museu, ficaram tomados de encantamento. Cada cantinho foi visitado, apreciado,
fotografado e comentado. Um detalhe a ser destacado: os educandos deram grande
ênfase às armas expostas no museu e sobre elas foi necessário conversarmos longamente.
Fizemos um sarau com a participação de todos da escola e, em seguida, visitamos a
cidade de Itabira.
Conclusão: O presente trabalho procurou vincular as aprendizagens contidas na
Proposta Pedagógica da escola às demandas de escolarização trazidas pelos jovens,
adultos e idosos que frequentam a EJA da E.M. Dinorah Magalhães Fabri.
Variação da atividade: Como planejamento, algumas atividades serão realizadas em
torno de questões tratadas nesse trabalho: continuidade das discussões sobre o meioambiente, com estudos relacionados ao Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, na
Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Trilhas & Trilhos
Atividade:
A Matemática nas profissões
Contribuição: Eduardo Estevão Machado e Silvana A. Ferreira B. Carvalhaes
Público-alvo: Alunos do 8º ano do Ensino Fundamental II
Disciplina envolvida: Matemática
Objetivos:
Discutir a historicidade das profissões;
Estabelecer conexão entre a Matemática e as manifestações artísticas;
Relacionar a importância da Matemática nas profissões;
Incentivar o processo de reflexão sobre a escolha das carreiras dos alunos;
Propiciar um momento de integração entre família e escola.
Problematização:
Será que iremos aplicar os conhecimentos acadêmicos adquiridos em Matemática na vida
cotidiana? E nas profissões?
Desenvolvimento:
Ação educativa realizada por educadores do Museu de Artes e Ofícios, na escola
(Aula de Museu);
Visita ao Museu de Artes e Ofícios;
Em cada turma, dois pais de alunos do 8º ano foram convidados para dar uma
mini-palestra sobre a influência da Matemática no exercício da sua profissão;
Elaboração e aplicação de uma pesquisa que foi respondida pelos pais dos
alunos, com foco na utilização da matemática em suas profissões e na discussão das
pretensões da escolha das futuras carreiras de seus filhos;
Tabulação, organização e apresentação dos resultados em gráficos (construídos
em Excel);
Análise dos resultados;
Produção de um texto relatando a participação e conclusão do projeto.
Conclusão:
A pergunta que deu origem ao projeto foi respondida à medida que os alunos foram
percebendo a importância e aplicabilidade da Matemática em todas as profissões. Tanto
nas antigas profissões como nas atuais a Matemática sempre foi um instrumento essencial,
não deixando de considerar que algumas profissões a usam mais e outras menos.
Trilhas & Trilhos
Atividade:
Conhecer o Museu de Artes e Ofícios com
os Olhos Vendados
Sentir o que o meu filho sente. Ver o mundo como ele vê?
Contribuição: Silvania Morais Rosa / Instituto São Rafael
Público-alvo: As mães dos alunos do Instituto São Rafael, dos turnos manhã e tarde.
Disciplinas envolvidas: não envolvemos diretamente as disciplinas, mas sim as famílias.
Justificativa: O mundo em que vivemos e todas as coisas que sentimos, tocamos e vemos
passam por nossos cinco sentidos, mas o significado que damos às coisas vai depender de
como percebemos e armazenamos cada imagem, som, palavras, emoções e sensações do
mundo vivido. Portanto, é a partir do acúmulo das experiências, conhecimentos e
percepções que formamos nosso aprendizado, que orientam nossas escolhas e influenciam nosso comportamento por toda a vida. As pessoas deficientes visuais têm no tato um
dos principais sentidos que as proporcionam perceber o mundo e tudo que as cercam
cotidianamente, sendo de fundamental importância para o seu crescimento. Sendo assim,
tocar e sentir o mundo de olhos vendados, mesmo que seja por um curto tempo, nos faz
sentir por um breve momento o que as pessoas cegas sentem, sejam elas os nossos filhos,
alunos, amigos, pais. Não iremos ver o mundo como eles veem: iremos sentir um pouco
do que eles sentem, aprender um pouco de como eles aprendem a se relacionar com o
mundo. Para que este sentir se realize, todas as mães devem vivenciar em um ambiente
fora de sua zona de conforto - a casa, a escola - o que os seus filhos vivenciam quando
estão participando de uma atividade extraclasse, fora da escola.
Objetivos:
Promover nas mães de nossos alunos um sentimento que as despertem para o
mundo sentido, visto e apreendido através do tato;
Investir na formação das mães e estimulá-las a visitar espaços culturais, para que
possam levar os seus filhos, e/ou incentivar que eles o façam sozinhos ou a partir das
atividades extraclasse;
Conscientizar as famílias sobre a importância das atividades extraclasse como
visitas a exposições, ir ao cinema, parques, teatro, dentre outros ambientes culturais.
Problematização: Por que, na maioria das atividades extraclasse que a escola se propõe
a fazer com os educandos, há sempre ausência da maioria de nossos alunos? Será falta de
conhecimento e desejo, curiosidade de conhecer o novo?
Desenvolvimento: A atividade consiste em levar as mães a uma visita no MAO com o
objetivo de despertar nelas um sentimento de entrega, confiança, respeito, solidariedade.
Todas devem ser recebidas próximo à porta do museu, sem ao menos poder ver sua
entrada principal. Ali, terão os olhos vendados até o fim da visita, perfazendo um percurso
comum aos nossos alunos (seus filhos), e somente em uma segunda visita no mês seguinte,
farão o mesmo percurso de olhos sem vendas. Todo este trabalho visa promover descobertas internas em cada uma, para que elas possam sentir um pouco das expectativas,
dificuldades, angústias e alegrias que os seus filhos sentem ao estar em ambientes diferentes e estranhos ao seu convívio.
Conclusão: Podemos concluir com o trabalho que “só os que conseguem ver além do
que pode ser visto haverão de compreender o indubitável valor do toque.” Passamos a
entender que as famílias não davam valor às atividades extraclasse, porque achavam que
isto representava perder tempo, e que a troca de conhecimentos na sala de aula era muito
mais importante. Por isto, não traziam os filhos para a aula no dia das atividades fora do
ambiente escolar. A relação com as famílias melhorou significativamente. Os pais se
envolvem mais com a educação de seus filhos e, mantêm uma frequência mais assídua de
todos. O ato de estudar tem um novo sentido.
Variação da atividade: Essa proposta pode ser realizada com os pais e outros familiares,
bem como professores videntes de escolas regulares que tenham em suas turmas alunos
cegos.
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Lâminas do Guia do Educador 2013