Transversal Saúde e Segurança no Trabalho em Serviços de Saneamento Guia do profissional em treinamento Nível1 1 Promoção Rede Nacional de Capacitação e Extensão Tecnológica em Saneamento Ambiental – ReCESA Realização Realização Núcleo Regional Nordeste – NURENE Instituições integrantes do NURENE Universidade Federal da Bahia (líder) | Universidade Federal do Ceará | Universidade Federal da Paraíba | Universidade Federal de Pernambuco Financiamento Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério da Ciência e Tecnologia I Fundação Nacional de Saúde do Ministério da Saúde I Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades Apoio organizacional Programa de Modernização do Setor de Saneamento – PMSS Comitê Comitê gestor da ReCESA Comitê consultivo da ReCESA - Ministério das Cidades; - Associação Brasileira de Captação e Manejo de Água de Chuva – ABCMAC - Ministério da Ciência e Tecnologia; - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES - Ministério do Meio Ambiente; - Associação Brasileira de Recursos Hídricos – ABRH - Ministério da Educação; - Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública – ABLP - Ministério da Integração Nacional; - Associação das Empresas de Saneamento Básico Estaduais – AESBE - Ministério da Saúde; - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento – ASSEMAE - Banco Nacional de Desenvolvimento - Conselho de Dirigentes dos Centros Federais de Educação Tecnológica – CONCEFET Econômico Social (BNDES); - Caixa Econômica Federal (CAIXA). - Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia – CONFEA - Federação de Órgão para a Assistência Social e Educacional – FASE - Federação Nacional dos Urbanitários – FNU - Fórum Nacional de Comitês de Bacias Hidrográficas – FNCBHS - Fórum Nacional de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras – FORPROEX - Fórum Nacional Lixo e Cidadania – L&P - Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental – FNSA - Instituto Brasileiro de Administração Municipal – IBAM - Organização Pan-Americana de Saúde – OPAS - Programa Nacional de Conservação de Energia – PROCEL - Rede Brasileira de Capacitação em Recursos Hídricos – Cap-Net Brasil Parceiros do NURENE - ARCE – Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Estado do Ceará - Cagece – Companhia de Água e Esgoto do Ceará - Cagepa – Companhia de Água e Esgotos da Paraíba - CEFET Cariri – Centro Federal de Educação Tecnológica do Cariri/CE - CENTEC Cariri – Faculdade de Tecnologia CENTEC do Cariri/CE - Cerb – Companhia de Engenharia Rural da Bahia - Compesa – Companhia Pernambucana de Saneamento - Conder – Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia - EMASA – Empresa Municipal de Águas e Saneamento de Itabuna/BA - Embasa – Empresa Baiana de Águas e Saneamento - Emlur – Empresa Municipal de Limpeza Urbana de João Pessoa - Emlurb / Fortaleza – Empresa Municipal de Limpeza e Urbanização de Fortaleza - Emlurb / Recife – Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife - Limpurb – Empresa de Limpeza Urbana de Salvador - SAAE – Serviço Autônomo de Água e Esgoto do Município de Alagoinhas/BA - SECTMA – Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente do Estado de Pernambuco - SEDUR – Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Bahia - SEINF – Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Infra-Estrutura de Fortaleza - SEMAM / Fortaleza – Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Controle Urbano - SEMAM / João Pessoa – Secretaria Executiva de Meio Ambiente - SENAC / PE – Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial de Pernambuco - SENAI / CE – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Ceará - SENAI / PE – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de Pernambuco - SEPLAN – Secretaria de Planejamento de João Pessoa - SESAN – Secretaria de Saneamento do Recife - SUDEMA – Superintendência de Administração do Meio Ambiente do Estado da Paraíba - UECE – Universidade Estadual do Ceará - UFMA – Universidade Federal do Maranhão - UNICAP – Universidade Católica de Pernambuco - UPE – Universidade de Pernambuco Transversal Saúde e Segurança no Trabalho em Serviços de Saneamento Guia do profissional em treinamento Nível1 1 EXX Tema Transversais: saúde e segurança do trabalho em serviços de saneamento: nível 1 / Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental (org). – Salvador: ReCESA, 2008. 36 p. Nota: Realização do NURENE – Núcleo Regional Nordeste; coordenação de Viviana Maria Zanta, José Fernando Thomé Jucá, Heber Pimentel Gomes e Marco Aurélio Holanda de Castro. 1. Saneamento – interfaces. 2. Saúde e saneamento –. 3. Segurança do trabalho. 4. Ergonomia. 5. Riscos Ambientais I. Brasil. Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental. II. Núcleo Regional Nordeste. CDD – XXX.X Catalogação da Fonte: Coordenação Geral do NURENE Profª. Drª. Viviana Maria Zanta Profissionais que participaram da elaboração deste guia Professor Anastácio Pinto Gonçalves Filho Créditos Luiz Roberto Santos Moraes Central de Produção de Material Didático Patrícia Campos Borja | Alessandra Gomes Lopes Sampaio Silva Vivien Luciane Viaro Projeto Gráfico Marco Severo | Rachel Barreto | Romero Ronconi Impressão Fast Design É permitida a reprodução total ou parcial desta publicação, desde que citada a fonte. Apresentação da ReCESA A criação do Ministério das Cidades no A ReCESA tem o propósito de reunir um Governo do Presidente Luiz Inácio Lula da conjunto de instituições e entidades com Silva, em 2003, permitiu que os imensos o desafios desenvolvimento urbanos passassem a ser objetivo de coordenar de o propostas encarados como política de Estado. Nesse pedagógicas e de material didático, bem contexto, como promover ações de intercâmbio e de a Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental (SNSA) inaugurou extensão um paradigma que inscreve o saneamento consideração as peculiaridades regionais e como político pública, com dimensão as urbana tecnologias e ambiental, desenvolvimento promotora e de redução das tecnológica diferentes que políticas, visando profissionais para levem técnicas em e capacitar a operação, desigualdades sociais. Uma concepção de manutenção e gestão dos sistemas e saneamento serviços em tecnologia são prestação de que a técnica colocadas um a serviço e favor público a Para a estruturação da ReCESA foram formados Núcleos Regionais e um Comitê Gestor, em nível nacional. missão da SNSA ganhou maior relevância e efetividade com a agenda do saneamento para o quadriênio 20072010, haja vista a decisão do Governo Federal saneamento. e essencial. A de da de destinar, dos recursos reservados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), 40 bilhões de reais para investimentos em saneamento. Por fim, cabe destacar que este projeto tem sido bastante desafiador para todos nós: um grupo predominantemente formado por profissionais da área de engenharia que compreendeu a necessidade de agregar outros olhares e saberes, ainda que para isso tenha sido necessário "contornar todos os meandros do rio, antes de chegar ao seu curso Nesse novo cenário, a SNSA conduz ações de capacitação instrumentos como estratégicos um para dos a modificação de paradigmas, o alcance de melhorias de desempenho e da qualidade na prestação dos serviços e a integração de políticas setoriais. O projeto de estruturação da Rede de Capacitação e Extensão Tecnológica em Saneamento Saneamento Ambiental – ReCESA constitui importante iniciativa nessa direção. principal". Comitê Gestor da ReCESA NURENE Os Guias O Núcleo Regional Nordeste (NURENE) tem A por objetivo materiais didáticos de produzidos pelo NURENE é composta de 19 guias que serão utilizados nas Oficinas da de desenvolvimento de atividades de capacitação de profissionais área o coletânea quatro de Capacitação para profissionais que estados da região Nordeste do Brasil: saneamento, em atuam na área de saneamento. Quatro Bahia, Ceará, Paraíba e Pernambuco. guias tratam de temas transversais, quatro abordam o manejo das águas O NURENE é coordenado pela pluviais, três estão relacionados aos Universidade Federal da Bahia (UFBA), sistemas de abastecimento de água, três tendo como instituições co-executoras a são sobre esgotamento sanitário e cinco Universidade Federal do Ceará (UFC), a versam sobre o manejo dos resíduos Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e a sólidos e limpeza pública. Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O público alvo do NURENE envolve profissionais que atuam na área dos O NURENE espera que suas atividades serviços de saneamento e que possuem possam contribuir para a alteração do um grau de escolaridade que varia do quadro semi-alfabetizado ao terceiro grau. sanitário do Nordeste e, consequentemente, para a melhoria da qualidade de vida da população dessa Os guias representam um esforço do região marcada pela desigualdade social. NURENE no sentido de abordar as temáticas de saneamento segundo uma Coordenadores Institucionais do NURENE proposta pedagógica pautada no reconhecimento das práticas atuais e em uma reflexão crítica sobre essas ações para a produção de uma nova prática capaz de contribuir para a promoção de um saneamento de qualidade para todos. Equipe da Central de Produção de Material Didático – CPMD Apresentação da área temática Tema transversal A natureza das ações de saneamento ambiental exige um pensar que ultrapasse a visão disciplinar e fragmentada, herdada do pensamento ocidental. Com esse intuito, o NURENE incorporou a transversalidade às temáticas das oficinas de capacitação. Desse modo, busca-se um espaço para a reintegração de aspectos que ficam isolados uns dos outros em decorrência do tratamento disciplinar. Assim, questões como a saúde do trabalhador, as políticas e os planos de saneamento, o saneamento integrado, as tecnologias apropriadas e os projetos de captação de recursos passam a constituir temas que possibilitam uma abordagem mais integral e ampla do saneamento. Equipe da Central de Produção de Material Didático – CPMD Guia do profissional em treinamento – ReCESA 9 SUMÁRIO Apresentação ...................................................................................................................... 11 Dinâmica de interação .............................................................................................. 12 Ambiente de trabalho .......................................................................................................... 13 Onde é o Ambiente de trabalho................................................................................. 13 Riscos existentes no ambiente de trabalho ........................................................................... 15 Classificação dos riscos..............................................................................................15 Doenças e acidentes do trabalho.......................................................................................... 18 Conceito de doenças do trabalho...............................................................................18 Conceito de acidentes do trabalho.............................................................................18 Principais doenças do trabalho no saneamento ambiental..........................................19 Acidentes de trabalho no saneamento ambiental.......................................................20 Eliminação dos riscos e medidas de proteção coletiva.............................................................22 Eliminação dos riscos..................................................................................................22 Ergonomia..............................................................................................................................24 Conceito de Ergonomia...............................................................................................24 Análise ergonômica do trabalho..................................................................................26 Equipamentos de proteção individual – EPI.............................................................................27 Seleção do EPI...........................................................................................................27 Causas de acidentes de trabalho............................................................................................32 Concepção de multicausal de acidentes de trabalho...................................................32 Legislação relativa à saúde e segurança no trabalho...............................................................34 Constituição federal de 1988......................................................................................34 Consolidação das leis do trabalho – CLT.....................................................................34 Referências Bibliográficas......................................................................................................36 Apresentação Existem escassas informações em e segurança no trabalho para técnicos de relação ao setor de saneamento ambiental nível no que se refere às condições de trabalho, saneamento ambiental, para que possam, aos impactos sobre a saúde, à exposição com os conhecimentos adquiridos na sua aos vida profissional, realizar suas atividades de riscos, às políticas e gestão de segurança e saúde no trabalho. médio trabalhadores envolvidos com saneamento as diretamente atividades ambiental formam de uma população exposta aos riscos existentes no ambiente de trabalho. A exposição se dá notadamente pelos riscos de acidentes de trabalho provocados treinamento, pela pela falta ausência de atuam na área de forma segura, contribuir para a melhoria do ambiente Os que de condições adequadas de trabalho e pela inadequação da tecnologia utilizada à realidade dos países em desenvolvimento; e pelos riscos de contaminação pelo contato direto e mais próximo do instante da geração do lixo, com maiores probabilidades da presença ativa de microorganismos infecciosos. O conhecimento desses riscos é fundamental para a prevenção de doenças e acidentes do trabalho. Este material didático tem o objetivo fornecer conhecimento básico sobre saúde do trabalho, doenças e acidentes. e prevenindo DINÂMICA DE INTERAÇÃO OBJETIVOS - Apresentação dos participantes. - Compartilhar as expectativas quanto à oficina. - Apresentar a ReCESA. - Apresentar e pactuar a dinâmica da oficina e das atividades. 1) Neste primeiro momento vamos conhecer a ReCESA (Rede Nacional de Capacitação e Extensão Tecnológica em Saneamento Ambiental), seus objetivos e as atividades em desenvolvimento, como, por exemplo, esta atividade de capacitação. 2) Também é o momento para conhecermos nosso grupo e os profissionais envolvidos nesta atividade, assim como a expectativa de cada um de nós quando decidimos participar desta oficina. 3) Solicitamos o preenchimento das informações contidas no crachá e a apresentação de cada Identificação do Participante participante. Núcleo Regional Nordeste da Rede Nacional de Capacitação e Extensão Tecnológica em Saneamento Ambiental Oficina: Saúde e segurança do trabalho em serviços de saneamento Nome: _________________________________ Município: ____________________________ Instituição em que trabalha: ________________________________________ Função: ________________________________ Guia do profissional em treinamento – ReCESA 12 Ambiente de trabalho OBJETIVOS O objetivo deste capítulo é conhecer o ambiente de trabalho onde são Onde é o ambiente de trabalho feitas as atividades do Quando o trabalhador está executando sua tarefa, como por trabalhador. exemplo, varrer rua ou coletar lixo, o local onde ele está fazendo São apresentados essas atividades chama-se ambiente de trabalho. Assim, o ambiente exemplos de ambientes de trabalho do varredor é a rua que ele está varrendo (figura 1), o de trabalhos nas ambiente do coletor de lixo é o local onde ele está coletando o lixo atividades de (figura 2). Fonte: www.urbam.com.br/admin/files/noticias/1174597094.jpg&imgrefurl Fonte: www.yesmarilia.com.br/fotos_materias/20050708_varredor.jpg&imgrefurl saneamento ambiental. Figuras 1e 2 - mostra o ambiente de trabalho do varredor e coletor de lixo. Para os trabalhadores que exercem atividades de limpeza de esgoto, o ambiente de trabalho é o esgoto (figura 3). Guia do profissional em treinamento – ReCESA 13 varesco.jpg&imgrefurl Fonte:www.saoluis.ma.gov.br/Imagens/LimpezaGalerias_3fotoRafaelBa Figura 3 – limpeza de esgoto O AMBIENTE DE TRABALHO É ONDE O TRABALHADOR REALIZA SUAS TAREFAS. TRABALHO EM EQUIPE EQUIPE DividamDividam-se em grupos para: Descrever o ambiente de trabalho das figuras figuras 1, 2 e 3. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Guia do profissional em treinamento – ReCESA 14 Riscos existentes nos ambiente trabalho OBJETIVOS O objetivo deste capítulo Classificação dos riscos é apresentar e classificar os riscos existentes no No ambiente de trabalho podem existir riscos que, dependendo da intensidade, do tipo e do tempo que o trabalhador fica exposto, são ambiente de trabalho. capazes de prejudicar a saúde. Para a preservação da saúde dos Serão apresentados trabalhadores, é importante que eles conheçam todos esses riscos e se protejam adequadamente. exemplos de riscos existentes nas atividades de saneamento ambiental, que podem acarretar danos à saúde. CONHECER OS RISCOS EXISTENTES NO AMBIENTE DE TRABALHO É IMPORTANTE PARA A PROTEÇÃO DOS TRABALHADORES. Os riscos existentes no ambiente de trabalho são classificados em: Riscos Físicos – são classificados como físicos os seguintes riscos: o ruído, os raios solares, o calor, o frio, a umidade e as vibrações. Riscos Químicos – são classificados como riscos químicos as substâncias, compostos ou produtos que podem penetrar no organismo pela via respiratória. Riscos Biológicos Biológicos - são classificados como riscos biológicos as bactérias, fungos, vírus, protozoários, entre outros. Guia do profissional em treinamento – ReCESA 15 Riscos de Acidentes – são classificados como riscos de acidentes os riscos de perfurações e cortes com materiais cortantes como vidro, metais etc, os riscos de quedas, choques elétricos, choques contra objetos, atropelamentos, entre outros. Os varredores de rua, quando estão fazendo suas tarefas, ficam expostos, de modo geral, aos seguintes riscos existentes em seu ambiente de trabalho: Riscos Físicos – ruído do trânsito de automóveis, calor e raios solares. Riscos Químicos – poeira originada pela varrição, gases originados pelo trânsito de veículos e produtos químicos presentes no lixo. Riscos Biológicos – bactérias, vírus, protozoários, entres outros que possam estar presente no lixo. Riscos de Acidentes – atropelamento, perfuração, corte. Os trabalhadores que exercem a atividade de coleta de lixo ficam expostos aos seguintes riscos presentes no ambiente de trabalho: Riscos Físicos – ruído do veículo de coleta e do trânsito de automóveis, vibração do estribo dos veículos, calor e raios solares. Riscos Químicos - poeira originada da movimentação do veículo de coleta, gases originados pelo trânsito de veículos. Riscos Biológicos – protozoários, fungos, bactérias e vírus presentes no lixo. Riscos de Acidentes – cortes e perfurações por cacos de vidro e outros materiais cortantes, queda do veículo de coleta e atropelamento. Os riscos a que estão submetidos os trabalhadores variam de acordo com a atividade que estão exercendo e com o ambiente de trabalho onde esta atividade é exercida. Assim, uma mesma atividade pode apresentar riscos diferentes dependendo de onde e como ela é exercida. Por exemplo, a atividade de varrição em uma capital do estado da Região do Nordeste pode apresentar riscos diferentes se for feita em uma capital da Região Sul. Guia do profissional em treinamento – ReCESA 16 TRABALHO EM EQUIPE Dividam Dividamdam-se em grupos para: Identificar os riscos físicos, químicos e biológicos existentes no ambiente de trabalho dos membros da equipe. __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ Guia do profissional em treinamento – ReCESA 17 Doenças e acidentes do trabalho OBJETIVOS Conceito de doenças do trabalho O deste objetivo capítulo é As doenças do trabalho são aquelas causadas ou agravadas pelos riscos existentes no ambiente de trabalho. apresentar o conceito de Às vezes aparecem de forma lenta e seus sintomas apresentam doenças e acidentes do quando os efeitos já evoluíram. Podem levar até 20 anos em alguns casos, o que dificulta estabelecer a relação entre a doença e os trabalho e identificar as principais doenças riscos existentes no ambiente de trabalho, pois acontece do trabalhador já ter deixado o trabalho ou aposentado. relacionadas ao trabalho no saneamento ambiental. Também são consideradas doenças do trabalho aquelas causadas pela contaminação acidental durante a execução da atividade, e as doenças endêmicas, quando contraídas por exposição ou contato direto, devido ao trabalho realizado (BRASIL, 2002). AS DOENÇAS DO TRABALHO SÃO CAUSADAS PELOS RISCOS EXISTENTES NO AMBIENTE DE TRABALHO. Conceito de acidentes do trabalho Acidente do Trabalho são todos os acidentes que ocorrem durante a execução da atividade no trabalho. São aqueles que ocorrem quando o trabalhador está indo de casa para o trabalho ou do trabalho para casa. São também considerados como acidentes de trabalho aqueles que, embora não tenham causa única, contribuíram diretamente para a ocorrência de uma doença. Os acidentes do trabalho podem ocasionar morte ou lesão, a qual poderá levar à redução temporária ou permanente da capacidade para o trabalho (BRASIL, 2002). Guia do profissional em treinamento – ReCESA 18 OS ACIDENTES ACIDENTES DO TRABALHO OCORREM DURANTE A EXECUÇÃO DA TAREFA OU DURANTE A IDA DE CASA PARA O TRALHO OU NA VOLTA DO TRABALHO PARA CASA. Principais doenças do trabalho no saneamento ambiental: ambiental: O mau cheiro dos resíduos pode causar mal estar, dores de cabeça e vômitos em trabalhadores de varrição e coleta dos sistemas de manuseio, transporte e destinação final. Ruídos elevados podem promover a perda parcial ou permanente da audição, dores de cabeça, tensão nervosa, estresse, hipertensão arterial. Um agente comum nas atividades com lixo é a poeira, que pode ser responsável por desconforto e perda momentânea da visão, e por problemas respiratórios e pulmonares. Em algumas circunstâncias, a vibração, presentes no veículo de coleta, por exemplo, pode provocar lombalgias e dores no corpo, além de estresse. Uma variedade muito grande de produtos químicos pode ser encontrada no lixo, dentre os quais merecem destaque pela presença mais constante: pilhas e baterias; óleos e graxas; pesticidas/herbicidas; solventes; tintas; produtos de limpeza; cosméticos; remédios; aerossóis. Esses produtos químicos são classificados como perigosos e podem ter efeitos prejudiciais à saúde humana e ao ambiente. Metais pesados como chumbo, cádmio e mercúrio, têm efeito acumulativo e podem provocar diversas doenças como saturnismo e distúrbios no sistema nervoso, entre outras. Pesticidas e herbicidas podem provocar intoxicações agudas no ser humano (são neurotóxicos), assim como efeitos crônicos. Microorganismos causadores de várias doenças ocorrem no lixo contendo lenços de papel, curativos, fraldas descartáveis, papel higiênico, absorventes, agulhas e seringas descartáveis e camisinhas; do lixo de pequenas clínicas, farmácias e laboratórios e, na maioria dos casos, dos resíduos hospitalares, misturados aos resíduos domiciliares. Os microorganismos que merecem destaque são os responsáveis por doenças intestinais, o vírus causador da hepatite (principalmente do tipo B), e o vírus causador da AIDS. Além desses, Guia do profissional em treinamento – ReCESA 19 devem também ser referidos os microorganismos responsáveis por doenças de pele, como as micoses (FERREIRA e ANJOS, 2001). A exposição prolongada ao sol, além de causar desidratação, afeta a pele, podendo causar, em curto prazo, irritação e coceiras e, a longo prazo, câncer de pele (BAHIA, 2005). O uso do cloro gasoso, nas estações de tratamento de água, pode ocasionar alterações nas vias respiratórias. O cloro líquido pode causar lesão ocular em caso de respingo, além de alterações cutâneas como graves irritações e bolhas (BRASIL, 2002b) Acidentes do trabalho trabalho no saneamento ambiental Os acidentes de trabalho dependem da atividade exercida pelo trabalhador. Alguns dos acidentes mais freqüentes entre trabalhadores da atividade de saneamento ambiental são descritos a seguir (FERREIRA e ANJOS, 2001; SILVEIRA, ROBAZZI E LUIS, 1998): • Cortes com vidros: é o acidente mais comum entre trabalhadores da coleta domiciliar de lixo. A principal causa destes acidentes é a falta de informação e conscientização da população em geral, que não se preocupa em isolar ou separar vidros quebrados dos resíduos apresentados à coleta domiciliar. A adoção obrigatória de sacos plásticos para o acondicionamento dos resíduos sólidos, com efeitos positivos na qualidade dos serviços de limpeza urbana, infelizmente amplia os riscos pela opacidade dos mesmos e ausência de qualquer rigidez que possa proteger o trabalhador. A utilização de luvas pelo trabalhador atenua, mas não impede a maior parte dos acidentes, que não atingem apenas as mãos, mas também braços e pernas. • Cortes e perfurações perfurações com outros objetos pontiagudos: espinhos, pregos, agulhas de seringas e espetos são responsáveis por corriqueiros acidentes envolvendo trabalhadores. Os motivos são semelhantes aos do item anterior. • Queda do veículo: no sistema de limpeza urbana, em especial na coleta domiciliar e a varrição de rua acabam por obrigar o transporte dos trabalhadores nos mesmos veículos utilizados para a coleta e transporte dos resíduos. Isso faz com que as quedas de veículos sejam comuns. Dois aspectos são importantes como causas destes acidentes, muitos dos quais fatais: a inadequação dos veículos para tal transporte, onde o exemplo maior é o veículo de coleta em que os trabalhadores são transportados dependurados no estribo traseiro, sem nenhuma proteção (os veículos de coleta são construídos com base na tecnologia dos países desenvolvidos, onde a coleta é realizada por guarnições de no máximo dois homens, que viajam na cabine junto com o motorista). Guia do profissional em treinamento – ReCESA 20 • Atropelamentos: a eles estão expostos tanto os trabalhadores da coleta domiciliar e varrição de rua como os trabalhadores de locais de transferência e destinação final dos resíduos. Além dos riscos inerentes à atividade, contribuem para os atropelamentos a sobrecarga e a velocidade de trabalho a que estão sujeitos os trabalhadores e o pouco respeito que os motoristas em geral têm para os limites e regras estabelecidas para o trânsito. Também deve ser lembrada a ausência de uniformes adequados (roupas visíveis, sapatos resistentes e antiderrapantes) como um fator de agravamento dos riscos de atropelamento. • Outros: queda no mesmo nível por escorregão ou tropeção, ferimentos e perdas de membros por prensagem em equipamentos de compactação, mordidas de animais (cães, ratos) e picadas de formigas, estes também fazem parte da relação de acidentes. TRABALHO EM EQUIPE DividamDividam-se em grupos para: Com base nos riscos físicos, químicos e biológicos existentes no ambiente de trabalho dos membros da equipe, identificar as doenças e os acidentes que podem ocorrer nesses ambientes. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Guia do profissional em treinamento – ReCESA 21 Eliminação dos riscos e medidas de proteção coletiva OBJETIVOS Eliminação dos riscos Objetivo deste capítulo é mostrar a importância da eliminação dos riscos Os riscos existentes no ambiente de trabalho são causas de doenças existentes no e acidentes do trabalho, devendo, portanto, serem identificadas e ambiente de trabalho adotadas medidas de proteção coletiva, necessárias e suficientes, para prevenir as com o objetivo de proteger a saúde e a integridade física dos doenças e os trabalhadores. acidentes. As medidas de proteção coletiva deverão ser acompanhadas de treinamento dos trabalhadores quanto aos procedimentos que assegurem a sua eficiência e de informação sobre eventuais limitações de proteção que ofereçam. OS RISCOS EXISTENTES NO AMBIENTE DE TRABALHO DEVEM SER ELIMINADOS POR MEIO DE COLETIVA. MEDIDAS DE PROTEÇÃO São exemplos de medidas de proteção coletiva com a eliminação ou redução dos riscos: • Adquirir veículos novos para reduzir os níveis de ruídos; • Instalar dispositivos amortecedores de impacto em estribos dos veículos de coleta de lixo para reduzir as vibrações; • Alterar os métodos de acondicionamento do lixo por meio de campanhas educativas junto à população, de programas públicos que estimulem a coleta seletiva para reduzir os riscos de acidentes de perfuração e corte; • Umidificar as ruas as serem varridas para eliminar a poeira; • Realizar coleta em horários de menor trânsito de veículos para reduzir a exposição ao ruído e risco de atropelamento. Guia do profissional em treinamento – ReCESA 22 TRABALHO EM EQUIPE DividamDividam-se em grupos para responder: responder: Quais as medidas de proteção coletiva que foram adotadas no ambiente de trabalho dos membros da equipe? Dê exemplo de medidas de proteção coletiva que poderiam ser adotadas nesses ambientes? ambientes? _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Guia do profissional em treinamento – ReCESA 23 Ergonomia Conceito de ergonomia OBJETIVOS Ergonomia é uma forma de pensar e planejar o trabalho, Este capítulo tem o adequando-o as capacidades e necessidades das pessoas que objetivo de apresentar o realizam. o conceito de Os problemas mais comuns de saúde resultam, muitas vezes, da ergonomia e dar relação do homem o com o trabalho. Uma sobrecarga em nossa exemplos de boas estrutura óssea e muscular pode acarretar, por exemplo, problemas nas costas, articulações ou músculos. práticas ergonômicas. Muitas doenças, como as ulceras gástricas, hipertensão arterial e problemas cardíacos, podem ter como causa o estresse no trabalho (OIT, 1996). A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO, OS EQUIPAMENTOS E AS FERRAMENTAS DEVEM SER ADAPTADOS AO HOMEM E NÃO O CONTRÁRIO. As pessoas têm alturas e porte físico diferentes, sendo umas mais fortes do que outras. A capacidade de suportar sobrecarga física e mental varia, portanto. E, como estas características individuais não podem ser modificadas, elas devem ser levadas em consideração no planejamento das tarefas e das condições de trabalho. Nas atividades do saneamento básico existe inadequação do trabalho ao homem, tanto no que diz respeito à sobrecarga física como mental, necessitando de um estudo ergonômico nessas atividades. São exemplos de inadequações do trabalho ao homem, necessitando de análise ergonômica na tarefa (BRASIL, 2002b): Guia do profissional em treinamento – ReCESA 24 • Para coletores de resíduos, esforço físico exacerbado, envolvendo caminhar/correr até 40 km/dia (em algumas cidades de relevo acidentado o esforço é muito aumentado), subir e descer inúmeras vezes ao dia do estribo do caminhão de coleta; • Carregar peso; • Varrer locais após grandes eventos, como por exemplo o carnaval, sem que estejam instituídas intervalos para repouso; • Sobrecarga muscular estática e dinâmica para coletores; • Trabalho de pé, flexão e torção repetida do corpo, sem que estejam instituídos intervalos para descanso; • Coleta e trabalhos nos aterros em horário noturno; • Trabalhos repetitivos e monótonos. TRABALHO EM EQUIPE DividamDividam-se em grupos para: Identificar na figura figura 2, as falhas falhas ergonômicas existentes. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Guia do profissional em treinamento – ReCESA 25 Análise ergonômica do trabalho Medidas para melhorar as condições de trabalho, adequando-o ao homem podem ser feitas, após uma análise ergonômica da atividade que será executada. A análise a ergonômica do trabalho deverá levar em conta que as condições de trabalho devem ser adaptadas às características psicofisiológicas dos trabalhadores e contemplar no mínimo o seguinte (BRASIL, 2002b): • Aspectos relacionados à sobrecarga estática e/ou dinâmica do corpo, tais como esforço físico exigido, levantamento de peso, movimento do corpo exigido; • Questões relacionadas ao trabalho, como produtividade, horas-extra, trabalho em turnos e análise da satisfação no trabalho; • Deverá indicar a necessidade ou não de pausas e alternância de tarefas; • As condições gerais de máquinas e equipamentos utilizados; • Deverão ser colhidas as impressões e sugestões dos trabalhadores sobre os aspectos acima listados. TRABALHO EM EQUIPE DividamDividam-se em grupos para discutir: discutir: Que medidas ergonômicas poderiam ser adotadas no ambiente de trabalho dos membros da equipe? _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ Guia do profissional em treinamento – ReCESA 26 Equipamentos de proteção individual – EPI OBJETIVOS Seleção do EPI O objetivo deste O EPI somente deverá ser usado quando não for possível adotar capítulo é apresentar medidas de proteção coletiva para eliminação ou redução do risco. os diversos tipos de EPI e suas limitações O EPI poderá também ser usado como complementar as medidas de proteção coletiva ou ainda de forma emergencial, enquanto as medidas de proteção coletiva não forem adotadas. de proteção ao risco. O EPI (luvas, capacetes, protetores auriculares, botas, luvas, dentre outros) deverá ser adequado tecnicamente ao risco a que o trabalhador está exposto e à atividade exercida, considerando-se a eficiência necessária para proteção da exposição ao risco e o conforto oferecido, segundo avaliação do próprio trabalhador. O empregador ou instituição deverá treinar o trabalhador quanto à correta utilização e orientar sobre as limitações de proteção que o EPI oferece como também estabelecer normas ou procedimentos para o fornecimento, que deverá ser gratuito, o uso, a guarda, a higienização, a conservação, a manutenção e a reposição do EPI (BRASIL,1995). A durabilidade dos EPI depende do tipo de trabalho em que são utilizados, da qualidade do material com que são produzidos, do uso correto, assim como o cuidado que é dispensado a esses equipamentos, após as jornadas de trabalho, pois, deixá-los jogados em qualquer lugar, impregnados de substâncias agressivas, expostos ao tempo, pode produzir uma deteriorização precoce do material, diminuindo consequentemente o grau de proteção oferecido ao trabalhador e acelerando o processo de descarte. O uso do EPI é obrigatório por parte do trabalhador, que não poderá se recusar a usá-lo, sob pena de sofrer sanções por parte do empregador, que pode ser até a demissão por justa causa. Todos os EPI fornecidos aos empregados devem ter o Certificado de Aprovação - CA expedido pelo Ministério de Trabalho e Emprego (BRASIL, 2001). Guia do profissional em treinamento – ReCESA 27 Fonte: http://www.segurancaetrabalho.com.br/t-protecao.php Fonte: http://www.segurancaetrabalho.com.br/t-protecao.php Figura 4 - protetor auricular tipo concha e tipo plug. Figura 5 – uso do capacete, protetor auricular tipo concha e plug, óculos e máscara. Guia do profissional em treinamento – ReCESA 28 OS EPI DEVEM SER ADEQUADO AO RISCO, NÃO ATRAPALHAR A EXECUÇÃO DA TAFERA, http://www.wsborrachas.com.br/produtos/epis_arquivos/botas.jpg Fonte: NÃO INTERFERIR NO USO DOS DOS OUTROS EPI E SER CONFORTÁVEL AO USUÁRIO . Figura 7 - luvas Fonte: http://www.fbferramentas.com.br/site/epis/luva-latex.jpg Figura 6 - botas Guia do profissional em treinamento – ReCESA 29 Fonte: Fonte: wwwp.feb.unesp.br/guarneti/Cap2010.ppt Fonte: wwwp.feb.unesp.br/guarneti/Cap2010.ppt Figura 8 – uso do protetor auricular tipo plug Figura 9 – uso do protetor auricular tipo concha Para a adequada seleção do EPI os aspectos abaixo deverão ser levantados e analisados: • Tipo e intensidade do risco que se pretende proteger o trabalhador – o tipo de risco e sua intensidade são importantes para a escolha adequada do EPI. Deverá ser selecionado o EPI para proteger contra os riscos identificados e avaliados quanto à intensidade. Exemplo: protetor auricular para proteger contra o ruído em ambientes ruidosos, luvas nas atividades que tem risco de acidentes nas mãos, como cortes e perfurações, boné para proteger contra os raios solares. • Atividade que será executada – atividade que será executada deverá ser levada em consideração para a escolha do EPI a ser utilizado, pois muitas vezes acontece do EPI Guia do profissional em treinamento – ReCESA 30 selecionado atrapalhar a execução da tarefa, dificultando o uso pelo trabalhador. Exemplo: atividades que exijam que o trabalhador segure firme um equipamento com as mãos, como o cabo da vassoura, não podem ser usadas luvas que atrapalhe esta condição, ou seja deverá ser selecionada uma luva que não interfira no tato. • Interferência com outros EPI – algumas tarefas exigem que o trabalhador use mais de um EPI, como protetor auricular, óculos e capacete. Dependendo do tipo de protetor auricular selecionado (tipo concha ou plug), este pode atrapalhar o uso dos óculos ou capacete; • Conforto dos usuários usuários – o conforto do trabalhador é fundamental para que ele use o EPI, a escolha de EPI desconfortáveis dificulta o seu uso. Portanto, deverá ser levado em consideração o clima da região, a qualidade do EPI, etc. TRABALHO EM EQUIPE DividamDividam-se em grupos para responder: Os EPI utilizados no seu trabalho são adequados ao risco e confortáveis? Os EPI interferem na atividade exercida? Como efeito o fornecimento, aguarda, higienização e a reposição dos EPI no seu trabalho? Seleciona os EPI adequados para a atividade da figura 3. _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ Guia do profissional em treinamento – ReCESA 31 Causas de acidente do trabalho Concepção de multicausal de acidente de trabalho OBJETIVOS O objetivo deste No Brasil, grande parte das investigações de acidentes de trabalho, capítulo é apresentar realizadas por força de normas legais pela maioria das empresas, a concepção ainda baseia-se na concepção de ato inseguro e condições multicausal e os inseguras, frequentemente atribuindo a culpa pelo acidente a vítima, fatores causais recomendando medidas de prevenção orientadas para mudanças de comportamento do trabalhador. responsáveis pelos os acidentes de trabalho. A concepção atual de acidente de trabalho aborda estes eventos como fenômeno complexo, pluricausal (várias causas) e revelador de problemas na empresa, considerada como um sistema sócio-técnico aberto (BINDER e ALMEIDA, 1997). OS ACIDENTES DE TRABALHO TRABALHO POSSUEM VÁRIAS CAUSAS E REVELA PROBLEMAS NA EMPRESA. A CONCEPÇÃO QUE ATRIBUI A CULPA AO ACIDENTADO É ULTRAPASSADA. Guia do profissional em treinamento – ReCESA 32 TRABALHO EM EQUIPE DividamDividam-se em grupos para discutir: Houve algum acidente de trabalho no seu trabalho? Quais foram as causas? _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Guia do profissional em treinamento – ReCESA 33 LEGISLAÇÃO RELATIVA À SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO OBJETIVOS O objetivo deste capítulo é apresentar a legislação trabalhista que trata Constituição federal de 1988 A Constituição Federal de 1988 estabelece que é direito dos trabalhadores, entre outros, a redução dos riscos no ambiente de trabalho por meio de normas de saúde, higiene e segurança. sobre a segurança e saúde no trabalho. Consolidação das leis do trabalho – CLT A CLT é a principal norma legal que rege as relações de trabalho no Brasil e trata, no seu capítulo V, da segurança e saúde no trabalho. Essa lei remete para o Ministério do Trabalho e Emprego a competência para editar normas regulamentadoras que tratam de diversos temas relativos a segurança e saúde no trabalho. O Ministério do Trabalho e Emprego já editou trinta e três Normas Regulamentadoras – NR, entre elas, merecem destaque as seguintes: Guia do profissional em treinamento – ReCESA 34 NORMA REGULAMENTADORA TEMA Trata da Comissão Interna de Prevenção de Norma Regulamentadora n° 5 Acidentes - CIPA Trata do Equipamento de Proteção Individual Norma Regulamentadora n° 6 - EPI Trata do Programa de Controle Médico de Norma Regulamentadora n° 7 Saúde Ocupacional - EPI Define e estrutura o Programa de Prevenção Norma Regulamentadora no. 9 de Riscos Ambientais – PPRA. Norma Regulamentadora n° 15 Estabelece as características sobre as atividades e operações insalubres e estabelece requisitos de controle e proteção e limites de tolerância. Estabelece as condições para o direito ao Norma Regulamentadora n° 16 adicional de periculosidade. Define as condições voltadas a ergonomia e Norma Regulamentadora n° 17 dentre os quais os parâmetros para conforto. Relativas Norma Regulamentadora n° 24 às condições sanitárias e de conforto no ambiente de trabalho. Tabela 1 – Principais Normas Regulamentadoras Fonte: http://www.mte.gov.br/legislacao/normas_regulamentadoras/default.asp As Normas Regulamentadoras - NR são de observância obrigatória pelas empresas e instituição que possuam empregados regidos pela CLT. A observância das NR não desobriga as empresas do cumprimento de outras normas e leis que, com relação ao tema, sejam editadas pelos Estados e Municípios, e outras originadas em convenções e acordos coletivos de trabalho. Também fazem parte da legislação brasileira normas relativas à saúde e segurança no trabalho, as Convenções da Organização Internacional do Trabalho - OIT que foram confirmadas pelo Brasil. AS NORMAS TRATAM DE SEGURANÇA REGULAMENTADORAS TEMAS NO SOBRE TRABALHO SAÚDE E E SÃO EDITADAS PELO MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Guia do profissional em treinamento – ReCESA 35 REFERÊNCIAS BAHIA. SECRETARIA DE SAÚDE DO ESTADO DA BAHIA. Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador. Cartilha de Saúde do Trabalhador. Doenças de Pele. Bahia, 2005. BINDER, M. C. P.; I.M. de. Estudo de caso de dois acidentes do trabalho investigados com o método de árvore de causas. Cadernos de Saúde Pública. v.13, n.4. p.749-760. Rio de Janeiro, 1997. BRASIL. MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Portaria nº 26, publicada no DOU de 15.02.1995. Dar nova redação a Norma Regulamentadora NR-9 – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais. BRASIL. MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Portaria nº 26, publicada no DOU de 25.10.2001. Dar nova redação a Norma Regulamentadora NR-6 – Equipamento de Proteção Individual. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Políticas de Saúde. Cadernos de Atenção Básica nº. 5. Saúde do Trabalhador. Brasília, 2002. BRASIL. MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Secretaria de Inspeção do Trabalho. Manual de procedimentos para auditoria no setor saneamento básico. Brasília, 2002b. FERREIRA, J. A.; ANJOS, L. A. dos. Aspectos de saúde coletiva e ocupacional associados à gestão dos resíduos sólidos municipais. Cadernos de Saúde Pública. v.17, n.3, p.689-696. 2001. OIT. Segurança, saúde e condições de trabalho. Manual de Treinamento. Tradução: Joyce Lenora Douglas. 120p. Suécia, 1996. SILVEIRA, E. A. da; ROBAZZI, M.L.C.C.; LUIS, M. A.V. Varredores de rua: acidentes de trabalho ocorrido na cidade de Ribeirão Preto, estado de São Paulo, Brasil. Revista Latino-Americana de Enfermagem. v. 6 n.1 p. 60-72. Ribeirão Preto, 1998. Sites Consultados www.yesmarilia.com.br/fotos_materias/20050708_varredor.jpg&imgrefurl www.urbam.com.br/admin/files/noticias/1174597094.jpg&imgrefurl www.saoluis.ma.gov.br/Imagens/LimpezaGalerias_3fotoRafaelBavaresco.jpg&imgrefurl http://www.segurancaetrabalho.com.br/t-protecao.php http://www.wsborrachas.com.br/produtos/epis_arquivos/botas.jpg http://www.fbferramentas.com.br/site/epis/luva-latex.jpg Fonte: Fonte: wwwp.feb.unesp.br/guarneti/Cap2010.ppt http://www.mte.gov.br/legislacao/normas_regulamentadoras/default.asp Guia do profissional em treinamento – ReCESA 36