UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
ESCOLA DE MÚSICA
CURSO DE GRADUAÇÃO EM MÚSICA – LICENCIATURA
LARISSA CAROLINE OLIVEIRA DE PAIVA RODRIGUES
O CURSO BÁSICO DE MÚSICA DA EMUFRN:
uma análise sobre a interrupção das atividades do curso
NATAL
2013
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
ESCOLA DE MÚSICA
CURSO DE GRADUAÇÃO EM MÚSICA – LICENCIATURA
LARISSA CAROLINE OLIVEIRA DE PAIVA RODRIGUES
O CURSO BÁSICO DE MÚSICA DA EMUFRN:
uma análise sobre a interrupção das atividades do curso
Monografia apresentada ao curso de graduação em
música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
como requisito parcial para a obtenção do grau de
licenciada em música.
Orientadora: Catarina Shin Lima de Souza
NATAL
2013
LARISSA CAROLINE OLIVEIRA DE PAIVA RODRIGUES
O CURSO BÁSICO DE MÚSICA DA EMUFRN:
uma análise sobre a interrupção das atividades do curso
Monografia apresentada ao curso de graduação em
música da Universidade Federal do Rio Grande do
Norte como requisito parcial para a obtenção do
grau de licenciada em música.
BANCA EXAMINADORA
______________________________________________________________
PROFESSORA CATARINA SHIN LIMA DE SOUZA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE (UFRN)
(ORIENTADORA)
_______________________________________________________________
PROFESSOR DOUTOR ÁLVARO ALBERTO DE PAIVA BARROS
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE (UFRN)
(EXAMINADOR)
______________________________________________________________
PROFESSORA DOUTORA VALÉRIA LÁZARO DE CARVALHO
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE (UFRN)
(EXAMINADORA)
Dedico este trabalho e tudo em minha vida aos meus
queridos filhos Amanda e Lucas.
AGRADECIMENTOS
Agradeço ao Senhor meu Deus por ter colocado em meu caminho pessoas que Ele
mesmo escolheu e por ter tornado todas as coisas possíveis.
Agradeço a minha mãe, Margarida de Oliveira, por me apoiar e por ter assumido a
responsabilidade de cuidar dos meus filhos para que eu pudesse estar ausente em muitos
momentos.
Agradeço ao meu esposo, Carlos André, pelo respeito e carinho, por ter trabalhado
incansavelmente para que eu continuasse estudando, e por todo o incentivo para que eu
pudesse realizar esse e muitos outros sonhos.
Agradeço com carinho ao Professor Ronedilk Dantas pela oportunidade que me deu
em participar como monitora do Curso Básico (2009), que contribuiu para a aquisição de
experiência docente além da vivência fundamental para a realização deste trabalho.
Agradeço ao Professor Danilo Guanais por contribuir com informações pessoais
valiosas e pelos documentos compartilhados tão essenciais para essa pesquisa.
Agradeço a participação do Professor Eugênio Lima que contribuiu significativamente
para a conclusão deste trabalho.
Agradeço a minha orientadora, Professora Catarina Shin, por ter acreditado em minha
capacidade e apoiado minhas ideias.
Agradeço a Jemima Feitosa (Mima) pela força e pelas dicas e a Maria Isabel (Bel) pela
prontidão em ajudar e dividir comigo todo o seu material de estudo e pesquisa.
Agradeço a José Costa (tio Costa) por ter estado presente em todos os momentos que
eu precisei e por ter participado, indiretamente e inconscientemente, desta conquista.
Agradeço ao meu pai, Luis Paiva, por ter dado a mim e a meu irmão, Philipp Paiva, o
que nossa família tem de melhor: a musicalidade.
RESUMO
O presente trabalho tem como finalidade resgatar a história do Curso Básico de
Música da Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (EMUFRN) a
fim de apresentar a importância deste Curso na formação básica em música. O objetivo da
pesquisa é registrar as contribuições em educação e formação musical que este Curso
proporcionou para a comunidade. O presente trabalho se caracteriza como sendo uma
pesquisa histórica que utiliza como fonte documentos e arquivos do Curso Básico de música
da EMUFRN durante o período de sua atuação junto à Instituição, incluindo alguns relatos
pessoais de minha experiência como ex-aluna e ex-monitora do Curso, relatos de participação
e experiências de monitores bolsistas e docentes efetivos do Curso Básico, alcançados
mediante aplicação de um questionário de pesquisa, além da utilização de dados
complementares disponíveis em seminários, relatórios, artigos, monografias, regimentos,
regulamentos e livros que abordam ensino musical e outras temáticas envolvidas neste
trabalho.
Palavras chave: Ensino musical. Ensino de instrumento. Curso Básico de Música da
EMUFRN.
ABSTRACT
The present work aims to recount the history of the Basic Music Course School of
Music of the Federal University of Rio Grande do Norte (EMUFRN) in order to present the
importance of this course in basic training in music. The research objective is to record
contributions in music education and training that this course has provided to the community.
This work is characterized as being a historical research that uses as source documents and
files from the Basic Course EMUFRN music during their engagement with the institution,
including some personal accounts of my experience as a former student and former monitors
the course, reports of participation and experiences of students and faculty effective monitors
of the Basic Course, achieved through application of a survey questionnaire, besides the use
of supplementary data available at seminars, reports, articles, monographs, rules, regulations,
and books that address teaching musical and other issues involved in this work.
Keywords: Music Education. Teaching instrument. Basic Course in Music EMUFRN.
LISTA DE SIGLAS
APU
Azusa Pacific University
BPJD
Biblioteca Padre Jaime Diniz
CIART Curso de Iniciação Artística
CCHLA Centro de Ciências Humanas Letras e Artes
CONSUNI Conselho Universitário
CTM
Curso Técnico de Música
EUA Estados Unidos da América
EM
Escola de Música
EMUFRN Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
FJA
Fundação José Augusto
IEADERN Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Rio Grande do Norte
MEC Ministério da Educação e Cultura
OFEG Orquestra Filarmônica Evangélica Gênesis
ONG
Organizações Não Governamentais
PCN Parâmetros Curriculares Nacionais
THE Teste de Habilidade Específica
TI
Tecnologia da Informação
UFRN Universidade Federal do Rio Grande do Norte
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO..........................................................................................................9
1.1 METODOLOGIA ......................................................................................................10
1.2 A HISTÓRIA DA EMUFRN .................................................................................... 10
1.3 A HISTÓRIA DO CURSO BÁSICO DE MÚSICA ................................................. 11
1.4 O INGRESSO NO CURSO BÁSICO .......................................................................12
1.5 CARACTERÍSTICAS DO CURSO BÁSICO .......................................................... 13
2 ENSINO MUSICAL ...................................................................................................15
2.1 CONSIDERAÇÕES SOBRE ENSINO MUSICAL ................................................. 15
2.2 O ENSINO DE MÚSICA NAS ESCOLAS REGULARES .....................................17
2.3 O ENSINO DE CANTO/INSTRUMENTO .............................................................. 18
2.4 O ENSINO NO CURSO BÁSICO ............................................................................ 19
2.5 A EXPERIÊNCIA DA MONITORIA ......................................................................22
2.6 AS DIFICULDADES DE SALA DE AULA ............................................................ 22
2.7 DIFICULDADES DE ORIGEM PEDAGÓGICA .................................................... 24
2.8 SOLUÇÕES PROVISÓRIAS (DIFICULDADES OCORRIDAS EM SALA) ........26
2.9 A MÚSICA ERUDITA NA EDUCAÇÃO MUSICAL E NO ENSINO
DE INSTRUMENTO ......................................................................................................29
2.10 OS PROCESSOS DE AVALIAÇÃO (AULAS DE VIOLINO) ........................... 31
3 A INTERRUPÇÃO DAS ATIVIDADES DO CURSO BÁSICO ............................ 34
3.1 OS PROBLEMAS ACARRETADOS COM A INTERRUPÇÃO DAS
ATIVIDADES DO CURSO BÁSICO ............................................................................ 38
3.2 PARA ONDE VÃO OS ALUNOS CONCLUINTES DO CIART E
MUSICALIZAÇÃO, AMBOS DA EMUFRN? .............................................................. 39
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................... 46
REFERÊNCIAS ............................................................................................................ 48
ANEXO A - Programa do Curso Básico de Violino no modelo antigo até 2010 ...........52
ANEXO B - Plano de aula 2 do curso Básico com habilitação em Canto (2010)...........56
ANEXO C - Carta aos alunos do Curso Básico (2003) ................................................... 57
ANEXO D - Carta aos pais e alunos do Curso Básico de Música da
EMUFRN (2012) ............................................................................................................. 58
APÊNDICE A - QUESTIONÁRIO DE PESQUISA ..................................................... 59
9
1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho tem como finalidade resgatar a história do Curso Básico de
Música da Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (EMUFRN) a
fim de apresentar a importância deste Curso na formação básica em música. O objetivo da
pesquisa é registrar as contribuições em educação e formação musical que este Curso
proporcionou para a comunidade externa à Universidade e para a comunidade interna que
engloba docentes, discentes e monitores bolsistas que tiveram a oportunidade de atuar no
referido Curso durante o período em que o mesmo encontrava-se em atividade. A pesquisa
tenta responder a algumas questões atuais como: Porque estudar música? Porque o Curso
Básico teve suas atividades interrompidas? Quais as implicações da interrupção das
atividades do Curso Básico? Quais os Cursos de extensão que a EMUFRN possui
atualmente abertos a comunidade? Os resultados dessa pesquisa pretendem contribuir para
a reflexão do Curso Básico como referência na criação, ampliação e/ou modificação de outros
cursos de formação básica em música.
O Curso Básico de Música da EMUFRN existiu como projeto de extensão1 que foi
oferecido à comunidade em geral mediante divulgação dentro do espaço da Instituição
(quadros de aviso) e em outros espaços de divulgação local (rádio, jornal, programas de
televisão local, boletins de internet entre outras). O ingresso era feito por meio de inscrição
que selecionava alunos para preenchimento de vagas. O Curso possuía habilitação em canto
ou instrumento musical, tendo a linguagem musical (aula teórica) como disciplina
acompanhadora e obrigatória independente da habilitação pretendida pelo candidato. Os
instrumentos ofertados e a quantidade de vagas variavam. Dentre as modalidades ofertadas fui
inserida na habilitação de violino no ano de 2001. Em 2009 preenchi a vaga de monitora
bolsista da mesma modalidade através do meu vínculo como aluna dos Cursos Técnico de
Violino e Licenciatura em Música, que passei a cursar certo tempo depois de ter concluído o
Curso Básico. Exerci a função de monitora pelo período de dois semestres letivos. O processo
de seleção de monitoria do Curso Básico ocorria por meio de indicação dos professores
“A Extensão Universitária é o processo educativo, cultural e científico que articula o ensino e a
pesquisa de forma indissociável, para viabilizar relações transformadoras entre a universidade e a
sociedade, a partir de um diálogo que envolva os diferentes saberes (das ciências, das tecnologias, das
artes, das humanidades e da tradição), permitindo novas criações, socializações e mudanças
recíprocas, com o envolvimento e inserção de discentes, docentes e técnico-administrativos em
experiências interdisciplinares e multiprofissionais reais junto a diferentes grupos e populações que
com elas interagem.” (UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE, [20--?]).
1
10
orientadores, podendo acontecer em datas não programadas com o calendário da UFRN,
dependendo da necessidade de novos monitores.
1.1 METODOLOGIA
O presente trabalho se caracteriza como uma pesquisa histórica que utiliza como fonte
documentos e arquivos do Curso Básico de música da EMUFRN durante o período de sua
atuação junto à Instituição, com relatos pessoais de minha experiência como ex-aluna e exmonitora do Curso, relatos de participação e experiências de monitores bolsistas e docentes
efetivos do Curso Básico, alcançados mediante aplicação de um questionário de pesquisa,
além da utilização de dados complementares disponíveis em seminários, relatórios, artigos,
monografias, regimentos, regulamentos e livros que abordam o ensino musical e outras
temáticas envolvidas neste trabalho.
1.2 A HISTÓRIA DA EMUFRN
Segundo consta em HISTÓRICO... [20--?] a Escola de Música da foi criada em 1962 e
no mesmo ano foi incorporada à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Em
1968, com a iniciativa do Magnífico Reitor Onofre Lopes, a escola foi integrada ao Instituto
de Letras e artes e posteriormente ao Centro de Ciências Humanas Letras e Artes (CCHLA).
Em 1991, na gestão do Magnífico Reitor Daladier da Cunha Lima a Escola de
Música mudou-se para o Campus Universitário da UFRN, endereço atual.
A Escola, desde sua fundação, vem honrando seu compromisso com o
desenvolvimento musical e cultural da cidade, promovendo recitais, apresentações,
congressos, festivais e Cursos com educadores e alunos da instituição.
De acordo com o art. 3º do Regimento Interno da Escola de Música, anexo a
Resolução 69/82 do Conselho Universitário (CONSUNI) de 15/07/82, as atividades realizadas
na EMUFRN eram atividades curriculares e extracurriculares com a seguinte estruturação:
Curso de Iniciação Artística, Curso Preparatório, Médio e Final. (HISTÓRICO... [20--?]).
Em 1997, a EMUFRN iniciou o seu primeiro Curso Superior: o Bacharelado em
Música nas habilitações de canto ou instrumento. Em 1998 surgiu o Curso Técnico de Música
com habilitação em instrumento, autorizado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC).
Em 2002, a comunidade optou por elaborar um projeto que transformou a Escola de Música,
numa Unidade Acadêmica Especializada, cuja característica da unidade administrativa é
11
cumprir, isolada ou conjuntamente, objetivos especiais de ensino, pesquisa e extensão, que,
por sua complexidade, requeiram estrutura administrativa própria compatível com suas
atividades.
Em 2004 foi criado o Curso de Licenciatura plena em música (Graduação) durante a
gestão de direção do Professor Airton Fernandes Guimarães. Em 2010 surgiu o primeiro
Curso de Pós Graduação em Música: o Curso de Especialização em Educação Musical na
Educação Básica e no ano seguinte o Curso de Especialização em Práticas Interpretativas do
séc. XX e XXI. Em 2012, segundo consta em EMUFRN... (2012) através do Programa de
Pós-Graduação em Música, surgiu o Curso de Mestrado Acadêmico em Música com turmas
iniciadas em 2013.1 em educação musical, performance e criação musical.
1.3 A HISTÓRIA DO CURSO BÁSICO DE MÚSICA
O Curso Básico de Música da EMUFRN, aberto para a comunidade, foi criado para
oferecer formação musical básica para iniciantes a partir de 10 anos de idade, incluindo
jovens e adultos, e para cumprir seu compromisso cultural como afirma no art.2º, III do
Regimento Interno da EMUFRN, “promover o desenvolvimento musical em suas diversas
modalidades no âmbito da UFRN e da sociedade local, regional e nacional”
(UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE, 2008, p. 3). O Curso Básico
inicialmente funcionava em 6 módulos (semestres), sendo alterado para 4 módulos em uma
reformulação ocorrida entre os anos de 2003 e 2004. Nele eram oferecidas as disciplinas de
canto/instrumento e linguagem musical (teoria musical). O instrumento era escolhido pelo
aluno no ato da inscrição. De acordo com a disponibilidade eram ofertadas no edital as
seguintes habilitações: Canto, Clarinete, Contrabaixo Acústico, Contrabaixo Elétrico, Flauta
Doce, Flauta Transversal, Guitarra, Percussão, Piano, Saxofone, Trompa, Trombone,
Trompete, Violão, Violino, Violoncelo.
A quantidade das vagas variava de acordo com cada habilitação e disponibilidade de
salas e de carga horária dos professores. A cada semestre a procura pelo Curso Básico
superava a quantidade de vagas e para o preenchimento destas, e para isto era feita uma
entrevista com os candidatos. A entrevista era uma conversa onde os candidatos ajudavam a
construir um perfil pessoal deles. As respostas eram registradas e a análise destas servia para
verificar a disponibilidade de horários de estudo (presencial e não presencial), o interesse,
conhecimento musicais entre outros com o objetivo de filtrar a quantidade de inscritos.
Conforme consta em CURSO... [20--?], o objetivo do Curso Básico era:
12
proporcionar para a comunidade uma sensibilização musical promovendo
capacitação em linguagem musical básica e em instrumento ou canto [...] o
domínio da linguagem musical básica, dos fundamentos do idioma
instrumental ou vocal, e que possibilitem uma apreciação musical mais
eficaz.
O corpo docente do Curso Básico era formado por professores, efetivos ou substitutos,
da EMUFRN e monitores, alunos do Curso Técnico de Música (CTM) e Graduação em
Música (Bacharelado e Licenciatura), orientados pelos seus respectivos professores de canto
ou instrumento.
1.4 O INGRESSO NO CURSO BÁSICO
Durante o período em que fui monitora participei de algumas entrevistas de inscrição
para o preenchimento das vagas do Curso Básico. Em muitos casos o candidato citava o
conhecimento musical prévio que ele possuía, mesmo que o questionário tivesse ou não
alguma questão relacionada. Constatava-se que o aluno que havia tido contato com a
aprendizagem musical e procurava a Instituição para dar continuidade a esse conhecimento
fazia questão de falar sobre isso, como uma forma de demonstrar o real interesse pela música.
Provavelmente por acreditar que esse fator seria considerado importante para o alcance da
vaga.
Não existia um critério específico para o preenchimento da vaga, mas existiam pontos
consideráveis para o não preenchimento dela. Ou seja, fatores que, de certa forma ajudavam
na eliminação do candidato. Um deles era a falta de tempo para a dedicação ao estudo do
instrumento ou canto e da teoria musical de modo que a aprendizagem obtida em sala pudesse
ser praticada em casa ou na própria escola fora dos horários utilizados para a aula. Por
exemplo, o candidato que fazia outros cursos extracurriculares como esportes, dança, ou curso
de línguas além da sua rotina habitual de trabalho ou da escola de ensino regular não teria
como encaixar em sua agenda um espaço para frequentar as aulas e estudar seu
canto/instrumento de forma a assimilar os conteúdos que aprendera. E era bem comum
encontrar candidatos que faziam não só uma, mas várias atividades simultâneas e, nesse caso,
nem sempre conseguia a vaga.
1.5 CARACTERÍSTICAS DO CURSO BÁSICO
13
O Curso Básico por atender a um público de faixa etária bastante estendida também
proporcionava um espaço de aprendizagem para músicos que não eram totalmente iniciantes.
Ainda existem, até hoje, músicos autodidatas que aprendem sozinhos e tocam música de
ouvido (sem usar partitura), que procuram a Instituição porque não possuem base teórica e,
portanto, sentem a necessidade da compreensão de linguagem musical (teoria musical). O
músico, estudante de música, que tem acesso a esse conhecimento pode utilizá-lo para
diferentes fins: no registro de canções e/ou arranjos musicais de autoria particular, na
ampliação do repertório através da leitura de partituras, nos exames de seleção em ingressos
em cursos e concursos da área musical que exijam essa habilidade, entre muitas outras
contribuições, além do vínculo com uma instituição especializada em Música. A presença de
alunos com esse perfil enriquece a turma, pois os conhecimentos são trocados entre os
próprios colegas e também do aluno para o professor não só do professor para o aluno como
se espera. Há muitas formas de se fazer música e também diversas maneiras de se conceber
esse aprendizado e o processo daqueles que aprenderam fora das escolas também era
considerado e compartilhado dentro da instituição. Muito embora alguns professores se
queixassem desses alunos por chegarem à escola com vícios de aprendizagem tornando mais
difícil a assimilação da técnica, ou seja, acarretaria num processo mais longo pelo fato de
terem que desconstruir para construir. Apesar disso o Curso Básico não deixava de recebê-los
desde que os alunos e professores respectivamente aceitassem o desafio de reaprender a partir
de novos modelos.
Uma das características notáveis no Curso Básico era a possibilidade de atuação em
dois caminhos, como afirma o Professor Eugênio Lima ao dizer que o Curso Básico dava
“suporte aos que queriam estudar, mas não queriam se profissionalizar e também àqueles que
aspiravam ao curso técnico.”2 Ou seja, uma parte os alunos que tinham acesso ao
conhecimento musical fornecido pelo Curso Básico poderia se sentir inspirada a buscar mais
conhecimento dando continuidade ao ensino em outros cursos da área musical ofertados pela
EMUFRN tais como os demais projetos de extensão, o Curso Técnico de Música (CTM) e os
Cursos de Graduação em música (de Bacharelado e Licenciatura) assim como ocorreu
comigo, embora o Curso Básico não tenha em sua configuração a função de ser um
preparatório para outros cursos, modalidades e etc. Ao mesmo tempo o Curso Básico por ter
2
Informação fornecida pelo Professor Eugênio Lima por meio de Questionário (Apêndice A), em
Natal, em 22 de maio de 2013.
14
promovido formação básica em música também foi considerado suficiente para quem queria,
por exemplo, apenas tocar um instrumento por hobby e/ou por motivações não profissionais.
Era comum numa conversa com alguns dos alunos, no período em que atuei como
monitora,
ouvir
comentários
(principalmente
dos
mais
adultos
por
já
atuarem
profissionalmente em outras áreas) que diziam justamente que se eles conseguissem ler a
partitura, compreendê-la (no que diz respeito à duração das notas, expressões, afinação e etc.)
e reproduzi-la com qualidade já estava de bom tamanho, já tinha valido o tempo investido no
Curso Básico.
15
2 ENSINO MUSICAL
Por que estudar música? Todo trabalho bem realizado é passível de admiração.
Quando eu era criança meu pai me levava para assistir aos concertos da Orquestra Sinfônica
onde ele trabalha. Nesses concertos ficava encantada ao ver aqueles músicos tocando e
dominando seus instrumentos como se o instrumento fosse mais uma parte do corpo. Os
dedos ágeis dos violinistas ao passear pela corda davam a sensação de que eles não faziam
esforço algum. Aquela admiração ao ver o violino sendo muito bem tocado ficou comigo
durante muito tempo e resolvi pedir ao meu pai para estudar música, na época eu não possuía
uma preferência pelo violino ou por um instrumento determinado. Dois anos depois de iniciar
num Curso de Musicalização Infantil eu ganhei um violino, e apesar de ainda não estar
decidida quanto a escolha do instrumento comecei a participar de aulas de violino baseadas no
Método Suzuki3. Não posso afirmar que esse processo do despertar para a musicalidade ocorre
da mesma maneira para a maioria das pessoas, mas acredito que as apresentações de grupos
musicais e/ou grupos profissionais de outras linguagens artísticas carregam em si uma magia
própria e que esta contribui significativamente para despertar o interesse nas pessoas que tem
acesso a frequentar e /ou conviver com espaços de apresentações musicais e manifestações
culturais em geral.
2.1 CONSIDERAÇÕES SOBRE ENSINO MUSICAL
A música sempre foi um objeto de desejo dos povos de diferentes idades, lugares,
culturas e épocas em todo o mundo, bem como as demais manifestações artísticas. Na música,
para ser bastante específica, este desejo está mais focado no domínio do canto e dos
instrumentos musicais, do que no que diz respeito à compreensão da linguagem (notação
musical ou teoria musical). O conhecimento musical em suas diversas manifestações supriu e
ainda supre funções distintas. Nos povos primitivos o canto e o ritmo (batucadas) estiveram
em diversas manifestações quais sejam: acalanto nas canções de liberdade no período da
escravidão, funcional nas canções de ninar, entretenimento em trabalhos manuais, ornamento
para as festividades, inspiração entre muitas outras funções (não considerando, nesta fala, a
3
Criado pelo Dr. Shinichi Suzuki (1898-1998) o Método Suzuki voltado para iniciantes (crianças)
defende que a habilidade musical é desenvolvida através da criação e disponibilização de um
ambiente musical.
16
divisão entre música ocidental e não ocidental), é importante lembrar também que a música,
assim como outras linguagens da arte, não precisa necessariamente exercer uma dada função
como afirma Bastian (2009) que a música possui seus próprios objetivos e que o razão para
ocupar-se com a música é a própria música, e isso já basta.
Com a evolução do homem também evoluiu sua capacidade de criação e o
aproveitamento dos materiais disponíveis. Com ela surgiram instrumentos musicais mais
elaborados e com sons mais distintos e puros, e com mais valor estético. O homem mudou o
jeito de conceber a música e esta se tornou representação de pureza relacionada a dom, a
divino, a imagem dos anjos e mais adiante sendo reconhecida como sinônimo de sofisticação
e talento reservado às elites. Essa conceituação perdura, em parte, até os dias atuais, fazendo
com que o ensino musical seja rotulado como disponível para poucos.
É dessa mistura de significados que surge a procura constante pelo conhecimento
musical. Mais pessoas buscam os benefícios que este conhecimento proporciona. Habilidades
motoras e intelectuais são apenas dois dos exemplos de uma diversidade de elementos que são
adquiridos quando se canta ou toca um instrumento musical, com ou sem auxílio da partitura
como afirma Swanwick (2003) ao dizer que a música possui papel na reprodução cultural e
afirmação social, e também promove o desenvolvimento individual. Além disso, estimula e
promove o movimento interno e externo no homem, e uma variedade de condutas com
qualidade e grau diferentes. (GAINZA, 2008).
Esses motivos, entre outros, também foram considerados para trazer a educação
musical de volta para o ensino básico nas escolas regulares do Brasil4. Conquista determinada
pela Lei 11.769, de 18 de Agosto de 2008, sancionada pelo então presidente da República
Luiz Inácio Lula da Silva. (BRASIL, 2008). O que foi uma conquista muito significativa para
o povo brasileiro, pois apoiou a educação musical e conseguiu inseri-la na rede pública de
ensino desmistificando a ideia de que música é um fazer reservado às elites, como
mencionado anteriormente. Além de abrir o mercado de trabalho para os educadores musicais,
aumentou também a procura pelos Cursos de Licenciatura em Música e o reconhecimento
deste Curso junto às demais áreas da educação. Essa procura ocorre inclusive entre os
músicos profissionais formados em outros cursos da área musical, por exemplo, o Curso de
“Art. 1o O art. 26 § 6o A música deverá ser conteúdo obrigatório, mas não exclusivo, do componente
curricular de que trata o § 2o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.769, de 2008). Altera a Lei no
9.394, de 20 de dezembro de 1996, Lei de Diretrizes e Bases da Educação, para dispor sobre a
obrigatoriedade do ensino da música na educação básica.” (BRASIL, 2008).
4
17
Bacharelado em Música da UFRN tem parte de seus alunos formados reingressando no curso
de Licenciatura na Instituição.
Embora a presença da educação musical nas escolas regulares tenha criado
aproximação entre a comunidade e a música, o trabalho realizado nessas escolas não substitui
o trabalho que era feito no Curso Básico de música da EMUFRN ou em outra escola
especializada porque o ensino musical destas possui objetivo e abordagens diferentes.
2.2 O ENSINO DE MÚSICA NAS ESCOLAS REGULARES
Conforme consta nos dois primeiros itens do documento dos Parâmetros Curriculares
Nacionais (PCN) do Ensino Fundamental II alguns dos objetivos gerais do ensino de música
são:
Alcançar progressivo desenvolvimento musical, rítmico, melódico,
harmônico, tímbrico, nos processos de improvisar, compor, interpretar e
apreciar [...] desenvolver a percepção auditiva e a memória musical, criando,
interpretando e apreciando músicas em um ou mais sistemas musicais, como:
modal, tonal e outros. (BRASIL, 1998).
O mesmo documento cita, em seus demais objetivos, a apreciação e a valorização de
culturas musicais diversas além do uso e do cuidado da voz como meio de expressão e
comunicação.
O documento que é referência nas escolas regulares não se refere à utilização de outro
instrumento musical, ou seja, o ensino musical nas escolas não determina o uso de um ou
mais instrumentos musicais podendo o processo de musicalização dos alunos ocorrer com ou
sem o uso de instrumentos musicais convencionais. É importante lembrar que a Lei 11.769
sanciona a obrigatoriedade do conteúdo musical nas escolas, ou seja, a música não se tornou
disciplina ela é uma das linguagens da disciplina de artes podendo ser ministrada por
professores especializados ou não especializados na área de educação musical, conforme o
veto da referida Lei, desde que de acordo com as normas vigentes da educação nacional,
cumpra os objetivos do processo de educação musical/artístico. (BRASIL, 2008).
Com algumas escolas regulares ainda em fase atual de adaptação para se enquadrar à
Lei, principalmente as escolas pertencentes à rede pública de ensino, muitos educadores e
pesquisadores musicais continuam se reunindo e debatendo o assunto. Sob algumas das
expectativas de Kater (2012) pretende-se que o ensino de música nas escolas regulares seja
uma educação musical que possa atrair os alunos para uma vivência musical participativa e
18
para criação de possibilidades de expressão, que estimule os vínculos e a produção de
conhecimentos incluindo a formação pessoal do indivíduo, invertendo-se a predominância de
uma formação para a música por uma formação pela música.
2.3 O ENSINO DE CANTO/INSTRUMENTO
O ensino de música em escolas especializadas propõe a formação musical através do
canto e/ou do instrumento musical com a proposta de possibilitar-lhe um caminho de
formação e atuação profissional entre outras possibilidades.
No ensino de instrumento, o instrumento é utilizado como ferramenta principal, mas
não única, por meio do qual se aplica o processo de musicalização. É em contato com esse
instrumento que o aluno desenvolve sua percepção auditiva, seu gosto estético, sua
coordenação motora em relação a ele. Através do contato direto com o instrumento é que os
símbolos da notação musical vão sendo substituídos por uma significação sonora literalmente
palpável.
Como já mencionado, o Curso Básico possuía habilitação em canto/instrumento
musical. O ensino de instrumento era mais específico e possuía etapas que eram necessárias
ao domínio deste. Essas etapas variavam de acordo com o instrumento que estavam
aprendendo, que por vezes eram tanto sucessivas quanto simultâneas.
Como exemplo: O estudo do violino, e dos demais instrumentos da família das cordas
friccionadas ao qual ele se insere, tinha como objetivo, a partir do primeiro módulo,
desenvolver no aluno habilidades e competências para o uso correto do corpo ao tocar,
conforme consta no Programa do Curso Básico de violino até 2010.1 (Anexo A).
 Posicionar o corpo numa posição ereta e relaxada (pés e coluna);
 Posicionar o instrumento junto ao corpo (pescoço e queixo);
 Posicionar mão e braço direito para equilíbrio do arco nas cordas;
 Posicionar mão e braço esquerdo para as posições dos dedos visando às fôrmas dos
intervalos de oitava;
Outro exemplo: O estudo de canto trabalha desde as primeiras aulas com a
conscientização corporal através da técnica vocal (alongamento, relaxamento, respiração e
vocalize), conforme o Plano de aula 2 (2010) das turmas de canto módulo I (Anexo B) .
No geral, no processo de aprendizagem do canto/instrumento é comum na realização
do desenvolvimento o estudo do corpo com trabalhos de postura, alongamento, articulação,
19
respiração, posições e leitura de partitura, sendo esse último comum a todas as
habilitações/instrumentos.
2.4 O ENSINO NO CURSO BÁSICO
Segundo afirma Moraes (2008, p. 56):
Como a vida a música está em contínuo movimento, áreas inteiras suas
mudam de aspecto a cada dia que passa, propondo-nos constantemente
informações desconhecidas, provenham elas do presente ou do passado. E
diante desses signos novos, é preciso recalibrar-se continuamente a fim de
fruí-los, a fim de trocar informações com eles nesse reciclar.
Se para os estudantes/estudiosos de música, é difícil manter-se informados diante das
constantes mudanças que o fazer musical sofre ao longo do tempo, dos povos e culturas e do
ambiente onde esse fazer se insere, imagine então para aqueles que ainda não tiveram contato
com a educação musical. Considerando que existem poucas escolas especializadas (institutos,
conservatórios) disponíveis na cidade que ofertam cursos de música com habilitação em
instrumento para a comunidade, o Curso Básico de música da EMUFRN, mesmo não
podendo promover vagas de acordo com a demanda, dava oportunidade de se fazer um
contato com a educação musical dentro de uma instituição especializada. Esse contato inicial
com a música, proporcionado pelo Curso Básico, era o que permitia que a música se tornasse
um conhecimento alcançável para aquele que o buscava, já que muitos ainda o relacionam
com um conhecimento que depende exclusivamente de dom e talento. Justamente o contrário
ao que afirma Gardner (1995) de que todos os seres humanos possuem certas capacidades em
vários tipos de inteligências, como parte de herança humana genética. E também a música,
segundo Gainza (2008), é um lugar bem vasto com diversos caminhos e caminhos bem
diferentes um dos outros, onde é possível encontrar pelo menos um, que seja eficaz para cada
tipo de pessoa. Portanto, o domínio musical, em muitos casos, depende também do interesse e
disposição pessoal do próprio indivíduo. Pois é preciso antes de tudo tentar. É numa tentativa
que se estabelece contato não apenas com a música, mas com outros alunos, monitores,
professores, mestres, músicos e demais envolvidos nesse processo educacional. É na escola de
música que o individuo passa a ver até onde ele poderá chegar como músico, caso ele sinta o
despertar desse interesse. É quando ele deixa de ser um curioso, um interessado em música,
para se tornar um aluno, um estudante de música, abrindo assim um leque maior de caminhos
que a música pode proporcionar.
20
No período em que participei como aluna, o Curso Básico era composto por 06
módulos (semestres), as disciplinas eram prática de instrumento e teoria musical. As aulas de
instrumento eram individuais e a de teoria musical era coletiva, a turma de teoria musical que
eu frequentava era composta por aproximadamente 10 alunos de diferente faixa etária. No
mesmo período eu e meu irmão Philipp Paiva5 participamos de um teste de aptidão musical
para averiguar a possibilidade de antecipar a modalidade que iríamos cursar no semestre
posterior. O teste consistia de uma prova escrita de teoria musical realizado ao término do
conteúdo do primeiro módulo. Após o resultado desse teste eu e meu irmão fomos
matriculados no semestre seguinte no módulo III, tanto na teoria musical quanto na prática de
instrumento. Em relação à aula prática, os professores através de avaliação contínua
concordaram que poderíamos adiantar os módulos. A iniciativa em participarmos desse teste
foi da professora de teoria musical Cleide Alves, que, observando que nós já possuíamos o
domínio dos conteúdos ministrados em suas aulas, perguntou se queríamos participar e, como
concordamos, comunicou à coordenação. Outro teste de aptidão foi realizado, também em
comum acordo, após o término do conteúdo do módulo III. Após o resultado fomos
matriculados no módulo V. Em resumo, concluímos o Curso Básico em 4 semestres (dois
anos) cursando os módulos I, III, V e VI. O domínio, citado anteriormente que professora de
teoria musical percebeu em nós (eu e meu irmão) havia sido adquirido através das
experiências musicais anteriores, iniciadas com as aulas de musicalização infantil ministradas
pela professora Maria Helena Maranhão (aproximadamente no ano de 1993) e continuadas
através do estudo de violino com o músico Luis Paiva6, meu pai, em parceria com a
professora Marcia Pires7 (aproximadamente no ano de 1995) numa escola de música
particular que trabalhava com o Método Suzuki com aulas inicialmente coletivas (ensaios), e
individuais, que ocorriam conforme o aluno avançava no referido método.
Apesar de eu ter tido a oportunidade de frequentar outras escolas de música e de ter
adquirido conhecimento musical anteriormente, foi no Curso Básico da EMUFRN que eu
ampliei a minha prática de instrumento, embora os estudos iniciais de violino tenham sido
com o Método Suzuki e tenha alcançado bons resultados (estimativa pessoal) eu não conhecia
outros métodos, estudos e técnicas de ensino de instrumento. Os professores de violino com
quem estudei nas aulas de prática de instrumento no Curso Básico, Rucker Bezerra e Cristian
5
Bacharel em Música com Habilitação em Viola pela UFRN e músico efetivo da Orquestra Sinfônica
do Rio Grande do Norte. (Atualmente)
6
Bacharel em Música com Habilitação em Viola pela UFRN e diretor da Orquestra Sinfônica do Rio
grande do Norte. (Atualmente)
7
Pioneira na implantação do Método Suzuki no Rio Grande do Norte.
21
Craciun, não utilizavam o Método Suzuki, preferindo trabalhar com outros como, por
exemplo, os estudos de O’Sevicik e Kreutzer (Estudo de técnica e arco).
Nas primeiras aulas de violino que participei como aluna do Curso Básico, fui
induzida a perceber a maneira como eu tocava, para mim a auto percepção era uma atividade
nova porque a minha preocupação antes era: ouvir e/ou ler a partitura musical do som que eu
deveria produzir e tentar realizá-lo (repeti-lo), eu não prestava atenção em como
produzia/repetia os sons. Não me recordo se isso me ocorria porque eu ainda era criança e a
vontade de tocar musicas em quantidade era maior do que tocá-las com qualidade. O fato é
que eu não tinha o habito de estimular a percepção de mim mesma e mesmo que eu tivesse
essa consciência e preocupação com a execução para uma qualidade musical eu não possuía
as habilidades técnicas para alcança-la. Ou seja, eu precisava perceber a minha execução
musical através de vários aspectos: postura, afinação, articulação, formas de mão, arco e etc.
Identificar as dificuldades e trabalhar (estudar) com os métodos de estudo específicos para
superá-las. Para isso eu teria que reconstruir, em quase todos os aspectos, minha maneira de
tocar eliminando vícios conquistados ao longo do tempo.
Em virtude disso, e por ser muito jovem, eu quis abandonar o ensino de violino, mas
por insistência dos meus pais, permaneci nas aulas. Apesar do processo de reconstrução ter
sido árduo e lento eu fui aos poucos entendendo que não havia uma única maneira de tocar,
não havia um método, estudo ou técnica que fosse eficaz isoladamente, e que não havia
músico bom o suficiente que não precisasse mais estudar, aprender, reciclar seu repertório e
etc. Enfim, o processo pelo qual eu estava passando naquele momento iria se repetir inúmeras
vezes, e poderia ocorrer não só comigo, mas com outros alunos/músicos. Aos poucos eu iria
me aprimorar naquilo que fazia bem, e corrigir aquilo que não fazia tão bem, desde que eu
não desistisse de estudar. As aulas que antes me apavoravam passaram a me estimular a dar
continuidade ao ensino musical nesse e em outros cursos.
Em virtude desse estímulo e do incentivo familiar participei pela primeira vez do
processo seletivo do Curso Técnico de Música (CTM) em 2003 (ano seguinte à conclusão do
Curso Básico) e consegui ingressar em uma das três vagas para habilitação de instrumento –
violino, embora não cheguei a cursar mais do que 2 períodos (semestres) por motivos
pessoais. Alguns anos depois eu refiz o Teste de Habilidade Específica (THE) do CTM
Habilitação Violino e ingressei na turma de 2008.1, retomando o meu vínculo na Instituição
(EMUFRN). No final do mesmo ano realizei o THE e vestibular para o Curso de Graduação
em Música (Licenciatura) ingressando na turma de 2009.1, mesmo período em que eu assumi
a vaga de monitora/professora do Curso Básico de Música com habilitação em violino
22
(conforme mencionado anteriormente), junto com o monitor Thiago Jacó8 (que era
responsável pelas outras turmas de violino), orientada pelo Professor Ronedilk Dantas. Em
2009.2, tive a oportunidade de trabalhar também com a monitora Maria Isabel9 que assumiu
as turmas antes ministradas por Thiago Jacó.
2.5 A EXPERIÊNCIA DA MONITORIA
Minhas primeiras aulas como monitora iniciaram junto com o ano letivo de 2009.1. As
turmas que ministrei (um número de 6 a 8 turmas) eram todas formadas de iniciantes,
matriculadas no Módulo I, e eram compostas por 2 turmas de adultos e as demais turmas de
crianças. O fato das turmas serem de iniciantes me ajudou muito porque eu não possuía,
naquele momento, nenhuma experiência docente e por não ter participado de nenhum
treinamento específico antes de assumir as turmas. O processo ocorria de forma que eu
aprendia junto com eles. Quando as dúvidas surgiam, eu as anotava e procurava meios de
solucioná-las, hora por pesquisa individual ao material de estudo disponível e hora buscando
o meu Professor Ronedilk Dantas (orientador da monitoria).
A partir do segundo semestre (2009.2), percebi, após conquistar maior interação com
os alunos, que alguns deles precisavam de uma atenção maior em sala de aula para
desenvolver melhor habilidades que já possuíam e/ou para enfrentar dificuldades na
aprendizagem musical.
2.6 AS DIFICULDADES DE SALA DE AULA
Durante o período em que fui monitora enfrentei algumas dificuldades na condução
das aulas. A primeira dessas dificuldades não vinha apenas da minha falta de experiência
docente, mas também das aulas serem muito pautadas no que eu havia aprendido com meus
professores de violino em aulas individuais e pouca parte vinha da orientação e das instruções
da formação docente adquirida através da Graduação em Música (Licenciatura), porque no
mesmo período eu ainda era caloura no referido curso.
8
Aluno do curso de Bacharelado em Música e do Curso Técnico em Música com habilitação em
Violino.
9
Aluna do curso de Licenciatura em Música e do Curso Técnico em Música com habilitação em
Violino.
23
Outra dificuldade era o formato de aulas em grupo com 3 alunos por horário o que
acabava na prática não ocorrendo porque os alunos, embora sendo todos iniciantes, possuíam
necessidades diferentes e isso gerava uma divisão na sala. Ora se tinha alunos que avançavam
no estudo, mas tinham que ficar aguardando que eu reexplicasse o estudo para os demais e
essa conduta tornava a aula desestimulante para estes. Ora eu tinha o aluno com tempo de
aprendizagem mais lento que se sentia intimidado em repetir as perguntas e/ou os exercícios
em virtude dos colegas que tinham que esperar por ele (a) e com isso se sentia desestimulado
ou pressionado a avançar sem as condições mínimas de compreensão da aula que acabara de
participar. Não estou me colocando contra a prática de aulas coletivas, pois acredito que
existem muitos fatores positivos dentro desse modelo de aprendizagem, sendo o mais
importante para mim a socialização conquistada a partir da integração entre os participantes
do processo de aprendizagem, porém na prática as aulas de violino no Curso Básico não eram
de ensino coletivo como afirma, referindo-se ao Curso Básico, Petronilo (2010) ao dizer que
mesmo as aulas sendo em dupla ou trio não poderiam ser vistas como ensino coletivo pois o
trabalho não era desenvolvido com um método específico deste tipo de ensino. Em
complemento, segundo Feitosa (2012) sem que haja transformação de ambiente e de papéis,
o mero ajuntamento de pessoas na sala de aula não caracteriza o processo de ensino e
aprendizagem de ensino coletivo. Além disso, nesse modelo (formato) de aula o professor
precisa ser capacitado, capacitação que eu não possuía (como já foi mencionado) justamente
por não ter passado por nenhuma preparação ou treinamento específico para assumir a vaga
de monitora. Nesse caso em muitos momentos eu tinha a responsabilidade de tomar as
decisões que me conviesse a problemas surgidos no dia a dia. O que, em parte era um ponto
positivo pela aquisição de experiências na criação de soluções, mesmo que algumas tivessem
caráter provisório, por outro lado eu respondia sozinha pelas decisões que havia tomado e
com isso corria o risco de ser responsabilizada caso as minhas decisões ou atitudes gerassem
problemas, aborrecimentos e etc.
Quanto às aulas em grupo, como solução temporária eu dividia o horário, que tinha
duração de 50 minutos, de modo que cada aluno era observado e orientado por vez, ou seja,
individualmente, enquanto os demais observavam e consequentemente aprendia pela
observação. Eu não costumava permitir que eles aguardassem fora da sala, pois mantê-los lá
significava também saber que eles estavam bem e não correndo pelos corredores da escola
expondo-se ao risco de se machucarem e etc. Essa divisão do horário da aula se estendia
somente até que a turma encontrasse um ponto de nivelamento e só era feita nas turmas onde
essa intervenção era estritamente necessária.
24
Uma terceira dificuldade se aplicava aos meus alunos no que dizia respeito à partitura,
e não se aplicava especificamente a uma turma nem a uma determinada faixa etária, a
dificuldade era quase geral em todas as turmas em que eu atuei, salvo exceção de uma turma
formada por alunos concluintes do Curso de Iniciação Artística (CIART) da EMUFRN.
2.7 DIFICULDADES DE ORIGEM PEDAGÓGICA
O processo de leitura de partitura envolve a compreensão de diferentes símbolos
distintos que agrupados geram significação sonora executável na prática pelo canto ou por um
instrumento musical, porém é necessário que o aluno conheça um a um desses símbolos,
isoladamente ou agrupados por partes, para que se alcance mais a diante a compreensão da
partitura musical, de modo que consigam ler compreender e reproduzir as informações que ela
contém. Além disso, esse processo fazia parte do conteúdo da disciplina de linguagem
musical (teoria musical) que geralmente era ministrado por outro professor/monitor diferente
do professor/monitor da aula de instrumento (prática) e que acontecia em outro espaço, em
outro horário, e por vezes até em dias diferentes da prática, fator esse que dificultava que a
aprendizagem teórica pudesse ser complementada na aula prática e vice versa, porque não
havia interação entre a aula teórica e a aula de violino, além do conteúdo musical ser novo
para os iniciantes o fator mudança gera desconforto e quebra de fluência do trabalho
realizado, ou seja, o fato de mudar de professor, de sala, de metodologia, de horário, de
companhia (colegas de classe) influencia na aprendizagem e no processo inicial de aquisição
de conhecimento. Porém cada professor utilizava sua própria didática e as metodologias que
escolhia para aplicar os conteúdos e aos poucos os alunos teriam que se adaptar aquela
situação de mudança da mesma maneira que ocorre na nossa vida, por exemplo, nas aulas das
escolas regulares onde as crianças passam de um professor polivalente da turma para ter um
professor específico para cada componente curricular (matemática, língua portuguesa e etc.),
demanda muito tempo para algumas crianças e menos tempo para outras, mas no fim todos
têm que se adaptar.
Não posso afirmar que a dificuldade inicial em unir linguagem musical (no que diz
respeito à leitura de partitura) e a prática de instrumento ocorria com os demais alunos das
outras habilitações, mas todos os alunos tinham um professor de instrumento para as aulas
práticas e outro professor para as aulas de linguagem musical (teoria musical). As aulas
teóricas eram formadas por turmas heterogêneas, que numa mesma turma englobava alunos
de conhecimentos diferentes, faixa etária diferente e que tocavam instrumentos diferentes,
25
portanto, era difícil ter uma metodologia e um conteúdo voltado a ajudar os alunos de
determinado instrumento com exemplos que o ajudassem a fazer ligações mentais entre o que
está escrito na partitura e o que deve soar no seu instrumento. Talvez os alunos da habilitação
de canto tivessem a possibilidade de unir aulas teóricas e aulas práticas no que se referem ao
conteúdo de solfejo onde a leitura da partitura era feita com o uso da voz (canto). Precisamos
desconsiderar também que alguns instrumentos possuem chaves de leituras (claves) distintas
uma das outras. No caso, por exemplo, de alunos de viola que usam a clave de dó (na 3ª linha)
em sua leitura de partituras, e os alunos de trombone e fagote que eventualmente precisam
usar a clave de dó (na 2ª linha) em passagens mais agudas de algumas peças musicais,
precisavam dominar também a leitura das claves de sol e de fá utilizadas com frequência nas
aulas de linguagem musical, fator que provavelmente atrasava o domínio da leitura de
partitura desses alunos pelo fato de ter que associar mais de uma chave de leitura, além do
fato de que cada pessoa tem o seu próprio tempo para adquirir conhecimento e domínio sobre
este. O que podemos concluir é que a tarefa desse professor/monitor das disciplinas
(componentes) de linguagem musical de tornar a aula atrativa, compreensível e alcançando
resultados dentro do programa de sua disciplina, já era bem difícil.
O que acontecia então era que as aulas práticas ministradas por mim avançavam ao
encontro de um repertório escrito e que por mais que as primeiras aulas fossem dedicadas à
postura, estudo de arco, posições e formas, todo esse processo caminhava em direção a um
repertório onde todos os estudos se aprimoravam e eram postos em prática e que, por mais
simples que fosse uma determinada canção, ela vinha acompanhada de sua respectiva
partitura. A solução provisória que eu encontrei foi instruir os alunos a memorizar a música
por meio do solfejo e da repetição e/ou, para alguns alunos, optar pela escolha do repertório
do Método Suzuki que vinha acompanhado de um CD de áudio que auxiliava na
memorização do repertório de estudo. No entanto, essa solução, mesmo bem intencionada,
limitava o material de estudo e o repertório das turmas, além de atrasar o processo de
aprendizagem.
2.8 SOLUÇÕES PROVISÓRIAS (DIFICULDADES OCORRIDAS EM SALA)
No período de 2009.2 em uma das turmas de violino formadas por jovens (entre 12 e
15 anos) observei que duas alunas, Luana e Paula10, apesar de estarem matriculadas no
10
Os nomes utilizados para citar as alunas são fictícios.
26
Módulo
II
e
pertencerem
inicialmente
à
mesma
turma/horário
avançaram em relação a terceira colega da turma, Laura, que não coincidentemente passou no
mesmo período a faltar aulas com frequência. Luana e Paula precisavam de estudo e
repertório diferenciado e para atendê-las melhor eu separei Luana para outro horário
(disponível tanto para mim quanto para ela) e Paula permaneceu no horário habitual com
Laura e, como já era previsto em virtude das constantes faltas de Laura, ficou a maior parte
das aulas apenas comigo. A medida, de ordem provisória deu certo. O avanço de Luana e
Paula tinha relação com o fato delas terem iniciado os estudos de violino em aulas que
ocorriam nas igrejas que elas frequentavam. As duas alunas pertenciam a igrejas evangélicas
da mesma denominação, mas em localidades diferentes.
Luana possuía um domínio maior da leitura de partitura e mantinha a postura de uma
forma natural e por vezes inconsciente, mas tinha questões a serem aprimoradas no que se
refere à articulação dos dedos e fôrma da mão esquerda, respiração, afinação e etc. que
precisavam ser mais bem trabalhadas.
Paula era bastante esforçada, trazia para aula e utilizava em seus estudos a maior
quantidade de informações que pudesse como, por exemplo, os métodos e repertórios que
conheceu em sua escola de música anterior, no entanto, precisava de aprimoramento no
controle do arco em movimento retilíneo, pulso, leitura, postura e esses aspectos precisavam
de atenção diferenciada e num espaço de tempo maior, ou seja, um trabalho desenvolvido em
longo prazo.
Com as duas alunas, trabalhei com estudos do Método O’Sevicick e com peças
musicais do Método Maia Bang optando por melodias simples escritas para dois violinos e
acompanhamento de piano (o que permitia que eu tocasse junto com elas a parte escrita para
outro violino) além de repertório individual que algumas poucas vezes elas escolhiam e
pediam a minha autorização para trazer para aula.
Em outra turma, formada por crianças também matriculadas no Módulo II foi
observado que mais cedo ou mais tarde pelo menos uma delas apresentava sinais de
desinteresse que tinha certa ligação com o repertório trabalhado, provavelmente porque não
reconhecia aqueles sons, ou aquelas canções em seu cotidiano. Embora não declarassem essa
insatisfação em palavras, eles deixavam transparecer pelo semblante ou pela ausência de
estudo, o que eu caracterizava como falta de interesse. Era notável que eles quisessem
explorar novos sons, um repertório diferente, mas como ainda estavam conhecendo os limites
e as capacidades de seu instrumento e de seu manuseio, eles não se aventuravam e não me
faziam muitos questionamentos, o que me intrigava porque eu tinha que cumprir o programa e
27
ao mesmo tempo manter os alunos interessados no seu próprio fazer musical. Isso ocorria
porque provavelmente eles pensavam que aprender a tocar um instrumento era sinônimo de
tocar o que quisessem, e de fato, isso é verdade porque o que se almeja no aprendizado é o
domínio do instrumento, porque o que chamo aqui de domínio literalmente significa que o
aluno conquistou a capacidade de dominar o seu instrumento a fim de que possa reconhecer o
que consegue e o que quer tocar, no entanto, é necessário que o aluno percorra todo o
caminho que o leva a esse domínio. Era justamente esse caminho que as crianças julgavam
distante demais, tão longe que o interesse se perdia na caminhada. Por um lado eu sabia onde
estava o problema, mas não sabia como resolver.
Numa aula eu conversei com as crianças e perguntei: Porque vocês escolheram
aprender a tocar violino? Numa resposta quase unânime a turma respondeu que achavam o
instrumento bonito (aqui significando a estética externa do corpo, formato, do instrumento).
Não satisfeita com a resposta eu continuei: Para que vocês querem tocar violino? Aí
apareceram respostas diferentes. Uma garota disse: “Não sei”. (informação verbal)11. Outra
aluna disse: “Para tocar na minha igreja.” (informação verbal)12. E um terceiro aluno disse:
“Para tocar parabéns nos aniversários.” (informação verbal)13. Apesar de a segunda resposta
ter sido muito interessante por diversos fatores como o uso da música para adoração, e a
possível participação dessa aluna num grupo maior como uma orquestra particular de sua
igreja, a maneira como ela discursou pareceu que ela havia dito o que eu queria ouvir e não
precisamente o que ela tinha em mente, o que acabou sendo confirmado em aulas posteriores
e que não cabe ser citado neste trabalho. A resposta que me deu o feedback que eu precisava
foi justamente a última resposta, que me chamou bastante atenção pela simplicidade e pela
relação de funcionalidade da música como elemento ornamental para momentos de celebração
(festas) que o aluno atribuiu para si, como quem diz: Vou homenagear as pessoas, ou vou
fazer festa com minha música.
Pronto, eu tinha a solução para aquela questão! Eu tinha um pedido de repertório que
era possível de ser repassado pelo nível iniciante em que os três alunos se encontravam e que
tinha uma funcionalidade comum a todos. Diante dessa descoberta convenci os alunos, numa
linguagem mais acessível, de que não havia problema algum no fato deles se interessarem por
repertórios diferentes dos que eu trazia para a aula, mas que os estudos de técnicas que eram
11
Informação fornecida pela aluna A na sala de aula do Curso Básico na UFRN, em setembro de 2009.
Informação fornecida pela aluna B na sala de aula do Curso Básico na UFRN, em setembro de 2009.
13
Informação fornecida pelo aluno C na sala de aula do Curso Básico na UFRN, em setembro de 2009.
12
28
oferecidos a eles davam o suporte necessário para que eles adquirissem domínio para tocar
não só o parabéns, mas as demais canções que fizessem parte do gosto musical de cada um e
também o material que fazia parte do nosso programa, desde que não perdessem o ideal de
aprender sempre mais, e aprimorar a qualidade do som que eles produziam independente de
terem sido escolhidos por mim, através do cumprimento do programa, ou escolhidos por eles
próprios.
Na aula seguinte eu havia me preparado para trabalhar a música parabéns com a
referida turma e para minha surpresa o aluno trouxe uma flauta doce e nela tocou a citada
canção. Quando terminou de tocar foi aplaudido por mim e pelas colegas e logo em seguida
me perguntou se as notas que ele havia feito na flauta podiam ser tocadas no violino. Eu o
respondi dizendo que sim, mas que não precisava ser porque poderiam ser feitas outras notas
para a mesma canção mudando a tonalidade, e que essa medida talvez fosse necessária para
que ele utilizasse uma forma de mão e uma posição da mão esquerda que já estivesse usando
em outro estudo e/ou repertório facilitando, assim, sua execução.
Essa situação me remeteu ao fato de que a aprendizagem do violino, e não só deste,
tem grande parte dos seus estudos e técnicas voltados para o alcance do repertório erudito.
Aliás, a maioria das escolas de música do país ainda se encaixa num modelo de conservatório
que prioriza o preparo de performer's incluindo de maneira quase exclusiva o uso de
repertório de música erudita ocidental não considerando o gosto musical dos alunos nem a
cultura destes, tão pouco suas necessidades frente ao mercado de trabalho em constante
mudança (HARDER, 2003). Acredito que isso ocorre com o violino porque o instrumento foi
criado num período de ascensão da música instrumental erudita tornando sua utilização mais
significativa a partir da segunda metade do século XV. O violino também tem numerosa
participação nas orquestras ocupando dois naipes (grupos). Porém a música erudita para qual
o instrumento é mais indicado é carregada de complexidade e desenhos mentais ainda
inerentes ao conhecimento de algumas crianças e/ou algumas pessoas que por ventura não
tiveram contato com uma cultura que se utiliza desse estilo musical em seu cotidiano,
independente da idade que possuem. Esse estilo musical e sua complexidade atribui ao violino
um rótulo de elite e, para uma parte das pessoas, fica a sensação de que este instrumento
possui uma dificuldade de aprendizagem maior do que os demais, o que não é verdade, pois
todo instrumento requer habilidades de diferentes graus, de maneira que não podemos julgar
um determinado instrumento mais difícil de ser tocado do que outro porque isso daria também
uma diferença de valorização das habilidades musicais destes ou de quem os toca.
29
Então, ao ensinar a tocar o violino era necessário também apresentar a música erudita
aos meus alunos. Que eu acredito que, embora não fossem conhecedores de todos os aspectos
da música erudita e /ou preferissem mais esse gênero que outro esses alunos se identificavam,
mesmo que minimamente, com a música erudita ou do contrário teriam escolhido estudar um
instrumento que tivesse sua origem em outro estilo e gênero musical. O meu papel como
professora, nesse caso, transcendia aos fatores próprios da execução para provocar nos alunos
um gosto musical mais abrangente que pudesse incluir também, e não somente, a música
erudita.
2.9 A MÚSICA ERUDITA NA EDUCAÇÃO MUSICAL E NO ENSINO DE
INSTRUMENTO
Sobre o ensino musical afirma Swanwich (2003, p. 46):
O ensino musical, então, torna-se não uma questão de simplesmente
transmitir a cultura, mas algo como um comprometimento com as tradições
em um caminho vivo e criativo, em uma rede de conversações que possui
muitos sotaques diferentes. Nessa conversação, todos nós temos uma „voz‟
musical e também ouvimos as „vozes‟ musicais de nossos alunos.
Ultimamente a mídia tem tido o mérito de influenciar de maneira muito significativa o
gosto musical. O pouco que meus alunos conheciam do repertório erudito vinham dos jingles
de propaganda, de toques de celular, de trilhas de cinema e/ou novelas. Porém a inserção do
repertório erudito nesses veículos de informação é mínima comparada à música de massa
(popular) além de fazer uso de imagens (cenários, paisagens e etc.) e contextos que
confirmam que esse estilo é mais sofisticado. Essa influência torna o papel do professor de
instrumento, que usa o repertório erudito, ainda mais difícil.
O que eu considero como ideal não seria a imposição da música erudita como superior
à popular porque isso seria concordar com a ideia de valorização e confirmaria sua fama
música de elite. Penso que as pessoas, independentes de serem estudantes de música, podem e
devem ter acesso e conhecimento de grande parte dos estilos e gêneros musicais para então
assim definirem suas identidades musicais mesmo que elas englobem, e que bom se isso
ocorrer, muitos e variados estilos musicais. Dessa forma, os que optarem por estudar música
com finalidades profissionais terão elementos para serem no mínimo bons intérpretes pela
diversidade de conhecimentos musicais que possuem.
30
Porém, o trabalho de repertório com música erudita é bastante importante porque boa
parte dos alunos não teve contato significativo com este gênero musical antes de passar a
frequentar uma escola de música, e o pouco que conheciam deste é carregado de mito que é
passado pelas conversas informais entre indivíduos ou que é imposto, conscientemente ou
não, pela mídia como já foi dito. Isso se dá também pela tradição cultural de cada região que
no caso do Brasil e especificamente no nordeste a cultura musical é mais forte no meio
popular com exceção das classes de profissionais que trabalham com o repertório erudito nas
escolas especializadas e/ou em grupos musicais profissionais e que foram inseridos nesse
contexto cultural por tradição familiar ou pela relação deles com os conservatórios musicais
que frequentaram quando eram estudantes.
Fica então para as instituições de ensino o papel de inserir esse gênero musical na vida
desses alunos, que antes de se tornarem intérpretes são também ouvintes, a fim de que a
música erudita se torne cotidiana, tão acessível quanto qualquer outro gênero musical. Assim,
podendo o aluno tocar tanto o erudito quanto o popular, mesmo num instrumento que tenha
sua história pautada na música erudita. Nesse sentido afirma Swanwick (2003, p. 113):
[...] Em minha opinião tanto nas aulas das escolas quanto na faculdade, a
questão contemporânea da pluralidade musical é crucial. Por reconhecermos
as raízes sociais de toda música, podemos algumas vezes ter de ignorar os
rótulos culturais e ajudar a tirar do caminho algumas das barreiras de
possessão e exclusividade tribal.
Nesse caso, o uso do repertório erudito não deve ser imposto ao aluno como uma
obrigação do intérprete (performer) sem que haja no mínimo uma boa explicação para essa
opção. É necessário que a música erudita seja apresentada ao aluno pela sua importância
histórica e pela funcionalidade musical. Como por exemplo, o violino, e não somente este
instrumento musical, tem no repertório erudito uma imensidade de obras que são utilizadas
também como comprovação do nível (capacidade) musical do performer. O domínio de
grandes obras da música erudita possibilita e oportuniza a formação profissional desse aluno
intérprete que pode inserir-se num grupo profissional como Orquestras e Bandas entre outras
possibilidades, porque são justamente peças musicais de repertório erudito que são cobradas
nas audições de processos seletivos e concursos para estagiário-bolsistas músicos e/ou
músicos efetivos de Bandas e Orquestras profissionais.
Cabe ao professor explicar a funcionalidade deste e de outros repertórios musicais para
que os alunos tenham sempre a consciência do motivo que os leva a estar aprendendo,
estudando, executando aquele repertório, seja ele erudito ou popular.
31
A música erudita também é um conhecimento riquíssimo que vai desde dados
históricos de sua origem até influência que ela exerceu nos povos enquanto arte em cada
período histórico. Ao tomar conhecimento da história da música erudita o intérprete é
convidado a aprender mais sobre o compositor, a obra, o período e contexto de sua criação, a
localidade, as intenções do autor. Informações que não somente ampliam o conhecimento
teórico do aluno, mas também lhe possibilita uma melhor execução (prática) da peça musical.
Muitas vezes o professor de instrumento não tem tempo disponível em sala de aula
para dar todas as informações teóricas sobre a obra musical e/ou sobre as técnicas de estudo
aos seus alunos porque precisa dar direcionamento à prática, muitas vezes tendo que tocar
para que o aluno compreendesse como deveria ser feito. Eu, por exemplo, durante o período
da monitoria não levei meus alunos às aulas audiovisuais, mesmo a EMUFRN possuindo um
bom acervo de vídeos e áudios em sua biblioteca setorial14 que podiam ser utilizados na
videoteca pelos professores e monitores com o devido agendamento do espaço. Não utilizei
esse recurso porque tinha que usar o horário da aula, por ser um horário comum a todos, e
como as aulas só acontecia uma vez por semana eu sentia-me na obrigação de ouvi-los tocar
para verificar a aprendizagem do conteúdo da aula anterior e ao mesmo tempo dar
continuidade ao conteúdo do programa. Portanto, ficava para o aluno, após ser orientado à
pesquisa, usar do seu tempo de estudo individual para buscar, quer fossem em casa ou em
outros espaços, essas informações que seriam também úteis ao seu fazer musical.
2.10 OS PROCESSOS DE AVALIAÇÃO (AULAS DE VIOLINO)
O processo avaliativo que era utilizado enquanto atuei como monitora de violino
caracterizava-se por avaliação contínua, não havendo, portanto, uma prova prática com
conteúdo específica e data marcada para a avaliação. A opção pela avaliação contínua se deu
porque a maioria dos meus alunos era iniciantes e pertencia a turmas de módulos I e II e ainda
se encontrava em fase de adaptação ao instrumento. Ao término do semestre de 2009.2, já
próximo do encerramento do ano letivo, eu e a monitora Maria Isabel, por iniciativa dela,
organizamos um recital classe de violino do Curso Básico que incluíam alunos das turmas
ministradas por mim e por ela. A iniciativa correspondia à sugestão do Professor Ronedilk
Dantas em promover recital de conclusão do semestre como forma de avaliação. Eu,
particularmente, não optei pela ideia de maneira a substituir a avaliação contínua que era feita,
14
Biblioteca Setorial Padre Jaime Diniz (BPJD).
32
mas como complemento desta. O recital (evento) exercia a função de impulsionar os alunos a
estudarem mais e a exercitarem a performance de tocar diante de um público além de integrar
os alunos de turmas distintas, possibilitar a interação com instrumento harmônico
acompanhador entre outras. Deste recital participaram todos os alunos que concordaram e que
poderiam comparecer ao evento, independente do módulo e do nível de habilidade musical
em que se encontravam.
No processo de preparação para o recital foram marcados alguns encontros extras
(ensaios) que ocorreram uma ou duas vezes em horários diferentes da aula. Alguns alunos
compareceram acompanhados de sua mãe o que foi muito importante tanto para eles quanto
para mim porque a presença delas reforçava as nossas orientações e elas mesmas
reconheceram a importância do treinamento (estudo) individual dos seus filhos para o
desenvolvimento musical e consequentemente para um bom desempenho ao se apresentarem
neste e em outros eventos musicais. A presença de pessoas estranhas aos alunos como mães
de outros alunos, alunos de outras turmas e outra monitora (as turmas de Isabel e as minhas
estavam juntas) serviu também para simular a situação de plateia e nesse caso os alunos
puderam ter uma ideia do que poderia ocorrer também no dia da apresentação, ou seja, a
incidência de fatores emocionais e psicológicos como nervosismo, ansiedade, timidez e etc.
muito comuns de ocorrer quando se está numa situação onde se expõe o trabalho musical
(artístico) conquistado com as aulas e com esforço pessoal de cada um. Embora saibamos que
esse processo de controle emocional e psicológico varia de pessoa para pessoa, da faixa etária,
das experiências e de outros fatores, acredito que os ensaios proporcionavam uma simulação
do evento onde os alunos poderiam aprender com o ensaio ao mesmo tempo em que
compartilhavam o que já tinham aprendido com os colegas e com o público (expectadores do
ensaio).
Para a maioria dos alunos da minha turma, que eram iniciantes, aquele recital foi a
primeira apresentação musical do qual eles participaram. Isso também gerava em nós
monitoras uma preocupação de que a experiência não fosse ruim tão pouco traumática de
modo que nos preocupávamos em organizar tudo de maneira sutil e deixa-los os mais seguros
possíveis (no que se refere à habilidade musical) do repertório que iriam tocar e quem iria
acompanha-los, se eles tocariam repertório solo ou duetos e etc. De modo que os ensaios
serviram como base principalmente para nós monitoras porque a partir desses ensaios eram
calculados o espaço e tempo que utilizaríamos, a quantidade de alunos que iriam se
apresentar, quem seria o co-repetidor, qual seria o melhor horário para que a maioria dos
alunos pudesse comparecer acompanhados dos seus pais (responsáveis) e convidados.
33
No dia marcado para o recital compareceram cinco alunos das minhas turmas e seus
acompanhantes e convidados, metade dos alunos que estavam frequentando regularmente as
aulas, a outra metade era composta pelos alunos que não puderam participar desde o
surgimento dos ensaios por motivo de trabalho e incompatibilidade no horário optado pela
maioria (dois adultos), outra aluna adulta que, por motivo de uma viagem, adiantou a
atividade proposta no recital tocando, acompanhada por um coo-repetidor, para mim e para o
Professor Ronedilk Dantas, e outros dois alunos por motivos não declarados, mas acredito
tenha sido por falta de controle emocional havendo desistido após participar dos ensaios e/ou
porque eventualmente não conseguiu comparecer ao local e horário marcado. Mesmo assim, o
recital obteve bom êxito com a presença dos alunos das turmas da monitora Maria Isabel e a
presença dos convidados e acompanhantes destes. Além dos alunos, participaram como corepetidores Edson Rufino e Fernanda Silvério que gentilmente atenderam ao convite de Maria
Isabel.
O repertório interpretado pelos alunos de violino foi baseado nos métodos Suzuki e
Maia Bang15. A escolha do repertório se deu em comum acordo de forma que eu previamente
escolhia um número aproximado de três peças musicais, e os alunos escolhiam aquela que os
interessava dentro das três opções. Para nortear as escolhas eu tocava as músicas para eles
ouvirem e optarem. Alguns escolheram peças musicais pela beleza da melodia, outros pelo
grau de dificuldade que conseguiam identificar, nesse caso preferindo a mais fácil, embora
dentre as três opções de peças musicais ofertadas, diferentemente para cada aluno, possuíssem
níveis de habilidades musicais equivalentes entre si. O recital foi uma importante ferramenta
de avaliação não só pelo resultado pronto apresentado no evento, mas também pelo processo
de construção que envolveu algumas aulas e ensaios em sua elaboração, e o caminho
percorrido pelos alunos durante esse processo também foram considerados na avaliação.
15
O Método Maia Bang Violin Method foi desenvolvido por Maia Bang e consiste numa coleção de 7
livros que abordam a técnica de violino do nível inicial ao avançado. (PETRONILO, 2010)
34
3 A INTERRUPÇÃO DAS ATIVIDADES DO CURSO BÁSICO
Porque o Curso Básico teve suas atividades interrompidas? O Curso Básico no
qual me referi, até o presente momento, teve sua última turma ingressante em 2010, conforme
informado pela secretaria do Curso. Suas atividades regulares foram interrompidas para uma
reformulação. O Curso Básico já havia passado por outras reformulações. Entre as tais cito
uma reformulação ocorrida no ano de 2003. Neste ano foi publicado um Comunicado aos
alunos (Anexo C), assinado pelo Professor Danilo Guanais16 e o Professor Álvaro Barros17,
que comunicava as modificações que seriam implantadas pela coordenação para a
reestruturação do Curso Básico. As modificações passaram a vigorar nos períodos letivos de
2003.2 e 2004.1. As modificações ocorridas foram:
 No quadro de professores, que foi alterado pela suspensão, por término de prazo
legal, do programa de monitoria na EMUFRN, o que afetou principalmente os Cursos
Básicos.
 No horário das aulas, que passou a observar o horário universitário.
 Na conjunção de algumas turmas individuais em turmas coletivas, um
procedimento característico do Curso (GUANAIS; BARROS, 2003).
As modificações implantadas em 2004.1 seriam fruto de discussões e debates entre
alunos, professores, coordenação e direção. Entre os pontos de mudança que já haviam sido
previstos em estavam:
 A adoção de um modelo de auto-gestão para os Cursos Básicos (uma vez que,
oficialmente, não havia repasse do Governo Federal para estes cursos).
 A redução do tempo de curso para 4 semestres (instrumento, canto, linguagem e
leitura musical), com certificação baseada em módulos, ou seja, cada semestre assume o perfil
de um minicurso.
 A suspensão do teste de seleção como requisito para matrícula, que passa a ser feita
por ordem de chegada (instrumento, canto, linguagem e leitura musical).
 O critério de avaliação, que passaria a basear-se essencialmente na presença,
participação e produção.
 A implantação de um calendário pedagógico fixo, composto de reuniões para
discussão e planejamento.
16
Coordenador do Curso Básico na época da publicação do comunicado (2003).
Vice coordenador do Curso Básico na época da publicação do comunicado (2003).
17
35
 O estabelecimento de uma política mais coerente no que diz respeito à isenção de
taxas e ao programa de estágio.
 A dissociação dos Cursos de Teoria Musical dos Cursos de instrumento e canto (o
curso de Teoria que foram divididos em dois novos Cursos: Leitura Musical e Linguagem
Musical que passaram a ser optativos).
 A adaptação das taxas de inscrição à nova realidade de auto-gestão. (GUANAIS;
BARROS, 2003).
Essas mudanças proposta pela reformulação realizada entre 2003 e 2004 apontam que
o Curso Básico já vinha enfrentando dificuldades, mas que a coordenação deste estava sempre
buscando melhorias, detectando possíveis dificuldades e propondo sugestões e modificações a
estas.
A interrupção de suas atividades regulares, portanto, não se deve a um fenômeno
isolado, tão pouco a um fato ou situação recente, algumas de suas dificuldades já haviam sido
discutidas ao longo dos anos de funcionamento regular do Curso, em semanas pedagógicas da
EMUFRN, reuniões internas com o corpo docente, coordenação do Curso Básico, e direção
da Instituição e também foram temas de pesquisas que resultaram em um Seminário de
avaliação dos cursos Básicos (extensão) apresentado em 2008, e artigos apresentados nos
encontros da Associação Brasileira de Educação Musical (ABEM) como os trabalhos de
Torres (2009), Gomes (2010) e Petronilo (2010) que apontaram dificuldades e apresentaram
sugestões.
No Seminário apresentado em 2008, pelo Professor Danilo Guanais e equipe de
professores e funcionários do Curso Básico foram apontados, entre outros, alguns problemas
que segundo Guanais (2008) seriam:
 Heterogeneidade de perfis de alunos do Básico;
 Falta de prática de grupo no Curso Básico;
 Falta de material pedagógico.
A essas questões o próprio Seminário sugeriu, entre outras sugestões a:
 Criação de práticas de grupo para alunos do Básico (Prática de Coral / Prática de
Orquestra);
 Criação da disciplina de Apreciação Musical para alunos do Básico;
 Elaboração e aquisição de material pedagógico.
Entre as dificuldades do Curso foram apontadas por Torres (2009), fatores como:
 A falta de um Projeto Político-Pedagógico;
36
 O fato de o Curso possuir uma proposta curricular resumida a um programa
composto apenas de conteúdos;
 Conteúdo teórico não adaptado para a realidade dos alunos.
Em relação à questão político-pedagógica implicava mais claramente a falta de
preparo dos monitores/professores que não possuíam um treinamento específico e comum a
todos os monitores de modo a se criar no mínimo um modelo padrão de metodologias,
didáticas e etc. (como foi citado em meus relatos de experiência apresentados no corpo deste
trabalho) permitindo que cada monitor/professor trabalhasse conforme lhe conviesse desde
que cumprisse o conteúdo do programa da habilitação ministrada por ele.
Quanto ao conteúdo teórico não adaptado constatou-se que as atividades planejadas
não focalizavam uma sensibilização auditiva, não buscava a contextualização e não possuía
adaptações metodológicas para turmas formadas por adultos, jovens e crianças a partir dos 10
anos de idade, além da ênfase da escrita que retratava alunos passivos e receptores de
informações prontas. (TORRES, 2009).
Outras dificuldades apontadas pelos próprios alunos como pontos negativos foram
apresentadas por Gomes (2010):
 Repertório exclusivamente erudito;
 Falta de integração entre teoria-prática;
 Quantidade e tempo de aulas não suficientes;
 Aulas com metodologias e procedimentos não diversificados;
 Falta de acompanhamento professores/orientadores em sala de aula aos monitores;
 Falta de contato entre os professores de teoria e prática;
Esses fatores também estiveram presentes dentro do corpo de texto em meus relatos de
experiência no período de monitoria.
A estes e outros fatores os próprios alunos sugeriram como solução apresentada por
Gomes (2010).
 Escutar e conhecer mais música nacional;
 Mais de um professor de teoria em sala;
 Mais aulas de teoria e prática (aumento de carga horária) e pelo menos uma hora e
meia de cada aula;
 Elaboração de apostilas com programa específico do Curso;
 Alunos dos Cursos de Graduação em Música (Bacharelado e Licenciatura)
ministrando também as aulas.
37
Segundo Petronilo (2010) foram encontradas dificuldades de ordem pedagógica,
administrativa, e internas (sala de aula), entre as quais estão:
 Alunos com conhecimento prévio e alunos totalmente iniciantes, matriculados na
mesma turma;
 Falta de acompanhamento harmônico (pianistas co-repetidores disponíveis para
acompanhar os alunos do Curso Básico nos Recitais);
 Ausência de formação continuada para os alunos concluintes do Curso Básico.
Quanto ao problema de infraestrutura em relação à quantidade de salas, no período em
que atuei como monitora, como solução a coordenação/direção da EMUFRN implantou um
sistema de controle das chaves das salas que limitava a utilização das salas de aula para
estudo individual (porque essas mesmas salas eram e são, até os dias atuais, utilizadas para
estudo individual) apenas nos horários não reservados para aulas do Curso Básico e outros
Cursos da EMUFRN e com um tempo determinado para a permanência na sala. A
coordenação também organizou os horários de aula de cada turma, habilitação e curso.
Disponibilizou na sala do apoio pedagógico, local onde as chaves eram guardadas (e ainda
são), uma tabela pela qual os funcionários passaram a ter um controle informando o horário
das aulas, a respectiva sala a ser utilizada e o professor/monitor da referida aula. Essa solução
amenizou a questão de espaço físico e parece por vezes até incoerente, pois a EMUFRN não
tem uma infraestrutura a baixo dos padrões, porém possuía muitos cursos e atividades
acontecendo e um número grande de alunos, funcionários, docentes e gestores circulando em
toda a instituição. Só no Curso Básico no ano de 2010 a EMUFRN atendeu a 348 alunos,
aproximadamente 200 turmas de aulas práticas de instrumentos/habilitação e 35 turmas de
aulas teóricas, além de 30 monitores e 06 professores efetivos que atuavam nessas turmas, e
consequentemente por haver uma sobrecarga na quantidade de pessoas frequentando o mesmo
espaço físico, apesar dos ajustes mencionados, foi mais um fator, embora não principal, que
junto a outros contribuiu para a interrupção das atividades do deste.
Em resposta ao Questionário de Pesquisa (Apêndice A), elaborado e aplicado por mim
durante o processo de elaboração deste trabalho, afirma o Prof. Dr. Danilo Guanais que o
Curso Básico teve suas atividades interrompidas por uma combinação de fatores entre eles: as
mudanças no perfil administrativo, acadêmico e financeiro da UFRN; a escassez de
professores qualificados; a necessidade de aumento de taxas a níveis quase proibitivos aos
alunos (isso quando pensamos em atingir um número grande de participantes); a escassez de
espaços, que eram cada vez mais cedidos às necessidades urgentes dos outros cursos; e a
38
impossibilidade de acompanhamento dos professores efetivos aos professores/bolsistas, por
motivos de carga horária18.
A princípio a interrupção se deu para um processo de reformulação, e essa ação tinha
como objetivo a implantação de um novo curso de iniciação à música que pudesse atender de
maneira mais eficaz a necessidade da comunidade conforme descrito em Guanais (2012) na
Carta destinada aos pais e alunos do Curso Básico (Anexo D). O documento também
indicava que esse novo curso teria sido pensado para um período mais extenso com uma
equipe de professores mais preparada e com novas ferramentas pedagógicas, com a melhor
equipagem espaços físicos do curso e com material didático próprio com previsão de abertura
de turmas a partir de 2013 (GUANAIS, 2012). No entanto, até o presente momento isso não
ocorreu.
Atualmente honrando seu compromisso com a comunidade em sua função de
desenvolver a música e cultura da cidade, através de cursos com educadores e alunos da
Instituição entre outros, a EMUFRN conta com outros Cursos de Extensão, sendo eles: Curso
de Iniciação Artística (CIART) e Musicalização (permanentes), Canto, Piano, Acordeon,
Contrabaixo acústico, Contra baixo elétrico, Violão popular, Violonista Mirim, Oboé,
Musicografia braile, e Flauta doce para pessoas com deficiência visual (estes, com duração
não permanente e tendo cada um sua própria organização com uma duração diferenciada
conforme estipuladas pela coordenação de Extensão junto ao professor responsável).
3.1 OS PROBLEMAS ACARRETADOS COM A INTERRUPÇÃO DAS ATIVIDADES DO
CURSO BÁSICO.
Com a interrupção do curso nos moldes que se conhecia antes e sem previsão para
uma possível reativação deste, toda a comunidade a quem o curso era oferecido perdeu
provisoriamente o seu espaço de referência de formação musical básica. Na situação de
interrupção, me pergunto: para onde vão as pessoas que querem começar a estudar canto ou
um instrumento musical?
Existem projetos sociais apoiados por órgãos municipais, estaduais e/ou instituições
particulares e/ou Organizações Não Governamentais (ONG) que fornecem ensino de canto ou
instrumentos musicais além de teoria musical. Esses projetos também possuem educação
musical em nível inicial, alguns em formatos de oficinas e que tem como pontos positivos: a
18
Informação fornecida pelo Professor Danilo Guanais por meio de Questionário (Apêndice A), em
Natal (3 de maio de 2013).
39
gratuidade do ensino, professores com boa formação musical, instrumentos de próprios da
instituição que são disponibilizados para os alunos em doação ou em caráter de empréstimo
provisório. Porém, em sua maioria, atendem a bairros carentes onde o trabalho é voltado para
atender aos moradores de baixa renda selecionados de acordo com a política pedagógica do
projeto e/ou de acordo com a quantidade de vagas disponibilizadas pela instituição, com faixa
etária limitada, com habilitações/instrumentos musicais menos diversificados e com foco num
objetivo social de utilizar a música como meio ou processo artístico na construção ou resgate
cultural daquela determinada região.
Existem também as aulas particulares que tem como boas características, por exemplo:
o trabalho individualizado onde o professor atende as necessidades de um único aluno, não
possui limitações de faixa etária, aulas podem ocorrer em domicílio ou local escolhido entre
as partes interessadas, horários flexíveis, e em alguns casos, um programa com estudos e
repertório voltado a atender o interesse do perfil de cada aluno. No entanto, as aulas
particulares possui valor estipulado pelo próprio professor que pode variar em hora/aula ou
mensalidade, as aulas nem sempre são ministradas por um profissional de formação
específica, não tem duração em modalidades/etapas bem definidas, não possui certificação por
não se enquadrar num determinado curso vinculado a uma instituição, e não proporciona ao
aluno a socialização com uma comunidade escolar que geralmente ocorre através do convívio
com os demais frequentadores de uma instituição.
3.2 PARA ONDE VÃO OS ALUNOS CONCLUINTES DO CIART E MUSICALIZAÇÃO,
AMBOS DA EMUFRN?
O Curso de Iniciação Artística (CIART) da EMUFRN funciona desde 1962. Conforme
informações obtidas em CIART [20--?] este Curso é voltado para a educação musical tendo o
teatro, as artes plásticas e a literatura como meios integrados de modo a enriquecer a
experiência musical. O curso tem duração de três anos, preparando a criança para aquisição de
consciência artística, além de trabalhar a independência, criatividade, coletividade e
concentração, e é destinado a crianças a partir de 06 anos de idade.
O Curso de Musicalização da EMUFRN possui aproximadamente 15 anos de
existência e, segundo consta em MUSICALIZAÇÃO [20--?], tem como objetivo incentivar o
interesse pelo fazer musical desenvolvendo a percepção auditiva da criança na pratica vocal e
instrumental através de atividades realizadas em Coro, Bandinha Rítmica e Flauta Doce. A
musicalização atende a uma faixa etária entre 8 e 10 anos de idade.
40
Esses dois Cursos no período em que atuei como monitora eram os cursos destinados
às crianças e mantinham maior proximidade com o Curso Básico em relação a outros, pois
durante o funcionamento regular de suas atividades as crianças concluintes do CIART ou do
Musicalização eram indicadas a optar por uma das habilitações ofertadas para, através do
estudo do instrumento escolhido, dar continuidade ao trabalho musical que desempenhavam
anteriormente. As crianças que concluíam o CIART não eram indicadas a cursarem a
Musicalização porque o trabalho musical realizado é semelhante, apenas sendo destinada a
outra faixa etária.
Com a interrupção temporária do Curso Básico, as crianças realmente interessadas em
música tiveram que deixar a escola e aguardar a possível reabertura deste ou buscar a
continuidade da formação musical em outros lugares. Infelizmente, nem todos os pais
encontram esse espaço e essas crianças acabam por ter sua trajetória musical interrompida por
tempo indeterminado. O que é uma perda significativa, pois as crianças estão em contínuo
processo de aquisição de conhecimento, como afirma Fonterrada (2012) ao dizer que a música
contribui para o desenvolvimento infantil e por meio da relação que se estabelece com a
música a criança desenvolve suas habilidades corporais, perceptivas e sensíveis.
Provavelmente as crianças concluintes do CIART ou da Musicalização por terem uma
participação musical ativa e apresentarem interesse em se candidatar ao ingresso no Curso
Básico (conforme mencionado anteriormente), sentiam-se realizadas em poder escolher um
instrumento musical de sua preferência, o que não ocorria nos cursos anteriores frequentados
(CIART e Musicalização), pois estes não trabalham com um único instrumento/habilitação.
Essa relação entre os cursos CIART, Musicalização e Curso Básico era tão incentivada que os
alunos formados nas turmas do CIART e/ou Musicalização, caso tivessem interesse, tinham
direito a vaga reservada no instrumento /habilitação escolhido, ou seja, não concorriam com
as vagas gerais destinadas à comunidade. Além disso, o Curso Básico era destinado à faixa
etária a partir dos 10 anos, equivalente a dos alunos concluintes dos Cursos citados.
Outra área que pode ter sofrido implicações com a interrupção das atividades regulares
do curso Básico foi a de monitoria, pois havia uma grande quantidade de bolsas destinadas ao
curso Básico. Apesar de o Curso Básico ter enfrentado dificuldades que se relacionaram à
monitoria como falta de um treinamento de capacitação destinado aos monitores (conforme já
foi mencionado), os alunos dos cursos de Graduação (Bacharelado e Licenciatura) e curso
Técnico (CTM) perderam a oportunidade de adquirir experiência de atuação profissional que
41
era proporcionada através do programa de monitoria19 que tem como objetivos, conforme
afirma no cap. II Art. 3º “Contribuir para a melhoria do desempenho acadêmico dos cursos de
Graduação [...] para o processo de formação do discente e incentivar no monitor o interesse
pela carreira docente.” (BRASIL, 2012). Além da aquisição de conhecimento profissional e
da interação social da vivência entre o monitor e o professor/orientador e entre o monitor e
seus alunos, o programa de monitoria documentava a participação desses monitores através de
declaração devidamente assinada pela coordenação do Curso Básico. Esse documento servia
para comprovar a participação deste como monitor/professor e consequentemente atestava sua
experiência naquela área de atuação. Considerando a legitimidade e o comprometimento das
ações da Instituição (EMUFRN) e do respeito que ela possui diante da comunidade e do
mercado de trabalho, a participação deste aluno numa monitoria era altamente reconhecida
inclusive dentro da comunidade escolar desta Instituição por parte dos seus próprios colegas e
professores independente deste aluno ainda se encontrar em processo de formação acadêmica,
pois se subentende que a sua participação na monitoria era derivada de uma competência que
este aluno possuía e que a própria Instituição reconhecia, ao conceber o preenchimento da
vaga de monitoria através de indicação de um professor orientador. Por exemplo, comigo
ocorre, até os dias atuais, a referência ao período em que eu atuava como monitora da
Instituição e através dessa experiência e de sua comprovação documental surgiu outras
oportunidades de trabalho com atividades semelhantes às que eram realizadas durante a
monitoria.
Os alunos do Curso de Bacharelado e /ou do Técnico em Música interessados em
bolsas de monitoria foram redirecionados e se concentram atuando como performers com o
surgimento das bolsas destinadas aos músicos da Orquestra Sinfônica da UFRN que são em
sua maioria destinadas a alunos com vínculos ativos nesses cursos. Para o preenchimento
dessas vagas o candidato passa por um processo seletivo constituído de prova prática onde o
candidato precisa executar as peças musicais exigidas em edital de seleção e que são
divulgadas através do endereço eletrônico e fixadas nos murais (quadro de avisos) da
EMUFRN. Atualmente os alunos do Curso de Licenciatura por se tratar de um curso
destinado a formação de educadores, atuam em programas de monitoria (bolsas) que se
Cap. I “Art. 2o O Programa de Monitoria da UFRN é uma ação institucional, efetivada por meio de
projetos de ensino direcionados à melhoria do processo de ensino e aprendizagem dos cursos de
Graduação e ao incentivo à formação docente, envolvendo professores e alunos na condição de
orientadores e monitores, respectivamente.” (BRASIL, 2012).
19
42
concentram em sua maioria, mas não de forma exclusiva, no CIART (EMUFRN) e/ou no
Programa de Iniciação à Docência (PIBID)20 que funciona em escolas regulares da rede
pública de ensino que possuem parceria com a UFRN. Os licenciandos bolsistas são
selecionados para o CIART de acordo com a necessidade e as vagas são divulgadas pela
coordenação do Curso através de correio eletrônico circular ou fixada nos murais (quadro de
avisos) da própria EMUFRN. Os candidatos se inscrevem enviando seus dados à coordenação
do CIART onde depois de analisados são convocados a comparecerem a uma entrevista com a
coordenação. Para ingressar no PIBID os alunos são selecionados mediante edital específico
da UFRN/PROGRAD/PIBID- UFRN. (BRASIL, 2013).
Com a interrupção das atividades do Curso Básico também perdemos, enquanto
professores, provisoriamente a possibilidade de sonhar para os nossos alunos um caminho de
continuidade e permanência na EMUFRN de modo que os alunos formados no curso Básico
pudessem sentir interesse em participar de outros cursos na Instituição, e num sonho mais alto
a participação deles no processo seletivo do Curso Técnico de Musica (CTM). Esse processo
seletivo consiste em um Teste de Habilidade Específica (THE) que é composto por duas
provas, sendo uma teórica (linguagem musical) e uma prática (audição de peças musicais). Na
prova prática, exige-se um domínio mais aprofundado do canto/instrumento ao qual se
pretende a vaga. O Curso Básico não possuía em seus objetivos a função de treinar os alunos
para ingresso no CTM, pois o conteúdo trabalhado nele tanto no que se refere às aulas de
linguagem musical (teoria musical) quanto às aulas práticas de canto/instrumento
possibilitava acesso a uma formação musical em nível básico, porém, em minha opinião, os
alunos que quisessem e/ou pudessem estudar, partiriam do ponto iniciado no Curso Básico
para buscar aprimoramento individual no conhecimento musical e nos conteúdos exigidos nas
provas do processo seletivo do CTM e dessa forma poderiam concorrer à vaga com mais
chance de ingressar do que candidatos que não tiveram a oportunidade de adquirir nenhuma
formação musical básica nem a oportunidade de frequentar escolas de música especializadas.
Eu sempre quis e expus em minhas aulas a vontade de que pelo menos um dos meus alunos
enxergasse no CTM e/ou Graduação em Música (Bacharelado e Licenciatura) a possibilidade
de se aprimorarem no processo de aprendizagem musical que havia sido iniciado no curso
20
O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência da Universidade Federal do Rio Grande
do Norte (PIBID-UFRN) compartilha os objetivos gerais do PIBID expostos no Artigo 3º do Decreto
nº 7.219, de 24 de Junho de 2010, visando, essencialmente, fomentar a iniciação à docência de
futuros professores dos cursos de licenciatura para atuarem no âmbito da Educação Básica,
articulando teoria e prática, universidade e escolas, de forma a estimular o desenvolvimento do
espírito científico nos licenciandos e nos alunos das escolas públicas envolvidas neste Programa.
(BRASIL, 2013).
43
Básico, e quem sabe se profissionalizarem na área musical a fim de atuarem no mercado de
trabalho destinado a esses profissionais.
O processo seletivo (THE) para ingresso no CTM exige um domínio e habilidade
musical em nível não iniciante, portanto os candidatos que geralmente conseguem ingressar
no CTM precisam ter tido acesso a um conhecimento musical de qualidade, em linguagem
musical (teoria musical) e em canto/instrumento, para se candidatarem às vagas disponíveis.
Esses candidatos provavelmente são: Alunos que iniciaram seus estudos musicais no Núcleo
de Formação de Instrumentistas da Zona Norte21, na Escola de Música Waldemar de Almeida
da Fundação José Augusto (FJA), na Escola de Música Casa Talento, membros componentes
de bandas sinfônicas ou grupos musicais das cidades do interior do Estado do Rio Grande do
Norte como Cruzeta22, Serra Caiada, Serra Negra entre outros, alunos da Escola de Música da
Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Rio Grande do Norte (IEADERN) componentes da
Orquestra Filarmônica Evangélica Gênesis (OFEG) da IEADERN e ou da Escola de Música
Municipal da cidade de Macaíba/RN23. Além de alunos que estudaram no Curso Básico e
continuaram a formação musical na própria Instituição (EMUFRN) entre os quais posso citar
(além da minha própria trajetória como já foi mencionada):André Kolodiuk Bacharel em
Música com Habilitação em Violino pela UFRN e Mestre em Música pela Azusa Pacific
University (APU) Califórnia/EUA, Ana Claudia Morais Licenciada em Música pela UFRN e
aluna do Curso de Bacharelado em Música com Habilitação em Percussão e do Curso de
Mestrado em Música pela UFRN, Leciana Oliveira Técnica e Bacharel em Música com
Habilitação em Canto e aluna do Curso de Graduação em Música (Licenciatura) pela UFRN,
Philipp Paiva Bacharel em Música com Habilitação em Viola pela UFRN, Israel Victor aluno
do Curso de Graduação em Música (Bacharelado) com Habilitação em Violino (EMUFRN).
Em resumo, apesar de o Curso Básico ter enfrentado dificuldades ao longo dos anos de
funcionamento regular, e de não ter em seus objetivos a função de ser preparatório ele
cumpria, indiretamente, também tinha o papel de incentivar a formação musical continuada.
A essa questão o Professor Danilo Guanais junto com a equipe de professores e
colaboradores envolvidos haviam apresentado em 2008 um Seminário de avaliação dos
Cursos Básicos (extensão) que sugeria, também e não somente, a criação de um Curso Básico
Avançado (Básico II) que entre outros aspectos possibilitaria a permanência dos alunos na
21
Atualmente Escola de Música do Serviço Social da Indústria (SESI).
Atualmente (2012/2013) contemplada com o os Curso Técnico de Música do PROGRAMA
NACIONAL DE ACESSO AO ENSINO TÉCNICO E EMPREGO (PRONATEC).
23
Fundada em junho de 2006 através de convenio firmado com a Escola de Música da Universidade
Federal do Rio Grande do Norte.
22
44
instituição e a continuidade do desenvolvimento musical, e serviria também como
preparatório para a participação dos alunos no processo seletivo (THE) de ingresso no CTM.
Infelizmente, pelas dificuldades já enfrentadas pelo Curso Básico, e pelo esforço empenhado
em encontrar soluções para essas dificuldades de modo a permitir que o Curso Básico
existente não chegasse a ter suas atividades regulares interrompidas, ou seja, pela urgência na
resolução de outras questões inerentes ao Curso não foi possível transformar a ideia do Básico
II em realidade porque este segundo Curso dependia do funcionamento pleno das atividades
regulares do primeiro.
Em geral a interrupção das atividades regulares do Curso Básico deixou a formação
musical sem base inicial, não apenas ao que se refere à habilidade em canto ou instrumento
proporcionada pelo estudo musical direcionado a uma habilitação específica, mas também ao
que se refere à linguagem musical (teoria musical) tão significativa para a aquisição de
conhecimento. Além de uma base inicial de qualidade a jornada musical precisa ter também
um caminho contínuo e ascendente. Ou seja, a formação musical iniciada através do CIART e
Musicalização ou nos demais cursos da EMURFN voltados para iniciantes servem de base e
necessitam de um caminho de continuidade por onde os alunos possam seguir até alcançarem
o Curso Técnico de Música (CTM) e/ou os Cursos de Graduação em Música (Bacharelado e
Licenciatura).
Acredito que para que a EMUFRN tenha em suas classes alunos com excelentes
habilidades musicais da forma mais homogênea possível, sem ferir as saudáveis diferenças,
será necessário investir na formação inicial, ou seja, na base desses alunos. Assim como
ocorria nos antigos Cursos da Escola de Música (EM):24 Preparatório, Médio e Final, que
demandavam em sua totalidade aproximadamente 9 anos de estudo e permanência na
Instituição.
Segundo o Professor Eugênio Lima (que ingressou no ano de 1975 como aluno dos
Cursos Preparatório, Médio e Final) a participação nos Cursos da Escola de Música (EM)
mudou a sua vida direcionando-o para a formação musical profissional que sempre foi sua
vocação, além de contribuir significativamente para sua efetivação como professor da EM
através de concurso e a realização do Curso de Mestrado em Música pela Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo ele, apesar de seu ingresso no Mestrado ter sido
legalmente possível através do diploma de Graduação em Educação Artística pela UFRN (que
possuía) sua aprovação na seleção se tornou possível através das habilidades adquiridas nos
24
A Escola de Música ao qual me refiro seguida da sigla EM no período ainda não era uma Unidade
Acadêmica Especializada, funcionava como um órgão suplementar da UFRN.
45
Cursos da Escola de Música. Esses Cursos eram de tão boa qualidade que muitos que dele
participaram como aluno se tornaram professores da EMUFRN entre os quais cito os
professores Álvaro Barros, Danilo Guanais, Ronaldo Ferreira, Betânia Franklin, Maria Helena
Barreto, e Catarina Shin.25 E ainda “tive a alegria de ter alunos que iniciaram estudando
comigo no curso Preparatório e Médio, e hoje são professores da EMUFRN, inclusive o
professor Dr. Zilmar Rodrigues de Souza que hoje é o diretor.” 26
25
Informação fornecida pelo Professor Eugênio Lima por meio de Questionário (Apêndice A), em
Natal, em 22 de maio de 2013.
26
INFORMAÇÃO..., loc. cit.
46
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Durante a pesquisa sobre a história do Curso Básico encontrei algumas barreiras que
impediram um aprofundamento maior nos dados quantitativos que pudessem enumerar partes
integrantes e importantes daqueles que atuaram no curso no decorrer dos anos. Esses dados
auxiliariam na reconstrução da importância do curso na formação musical de alunos e também
na formação musical de monitores que tiveram durante seu período de estágio a oportunidade
de vivenciar as experiências da atuação frente a uma sala de aula, não apenas sendo
multiplicadores dos conhecimentos pedagógico e técnico que recebiam do seu
professor/orientador, mas também por serem receptores do feedback dos seus próprios alunos.
Parte dessas barreiras se dava ao fato da secretaria/coordenação do Curso Básico ter
passado, também, por diversas mudanças (reformulações) em seu quadro de bolsistas e
funcionários efetivos. Apesar desse setor ter contado com a ajuda de grandes colaboradores
atuantes no Curso Básico e pelo Curso Básico até a interrupção de suas atividades regulares, a
grande maioria deles não permaneceu atuando no setor tempo suficiente para que fosse
possível, por mais boa vontade que tivessem esses profissionais envolvidos, juntar as partes
que faltavam de uma ou de outra gestão que, por vezes, não manteve controle dos registros
quantitativos dos alunos ingressos, egressos e concluintes durante o período total de
funcionamento.
Houve um determinado período em que a secretaria do Curso Básico pôde contar com
um serviço de informação cadastral informatizada, através de um sistema interno de
computação criado pela colaboração de um funcionário da Instituição, coordenador do setor
de Tecnologia da Informação (TI). Durante o período destinado à minha pesquisa houve uma
tentativa de se acessar os arquivos deste sistema, mas os dados arquivados não puderam ser
acessados em sua totalidade porque o sistema estava desabilitado e não pôde ser recuperado a
tempo de conclusão desta pesquisa.
Diante das dificuldades apresentadas neste trabalho concluo que o Curso Básico não
estava mais funcionando dentro da ideia na qual havia sido pensado. As reorganizações
ocorridas ao longo dos anos de funcionamento alteraram o ensino de instrumento individual
para coletivo e o trabalho de professores efetivos por monitores/bolsistas que, diferentemente
da intenção, não corresponderam ao curso como deveriam, em consequência de não terem
sido capacitados e/ou orientados como deveriam. Esses fatores junto a outros mencionados e
pontuados nesse trabalho fizeram com que ele não conseguisse mais atender as expectativas e
consequentemente não estava mais alcançando os resultados de outrora. Ou seja, o Curso
47
Básico que me acolheu como monitora não era o mesmo Curso Básico que havia
proporcionado inspiração pessoal, conhecimentos, habilidades técnicas musicais capazes de
permitir um caminho musical de continuidade que me levou ao curso Técnico (CTM) e à
Graduação (Licenciatura), embora o Curso em nenhum momento declarasse esses objetivos.
Provavelmente, em virtude das mudanças sofridas ao longo de sua trajetória, o Curso Básico
nos últimos anos de funcionamento de suas atividades não possibilitou aos meus alunos e/ou
aos demais alunos os subsídios necessários a uma educação musical continuada dentro da
própria instituição, criando assim uma distância significativa entre o curso Básico e os outros
cursos da EMUFRN.
Em virtude dos obstáculos que foram surgindo ao longo da trajetória do Curso Básico
a interrupção de suas atividades para uma reformulação foi realmente necessária, pois essa
medida apontou uma tentativa de se resolver questões acumuladas que não se aplicavam a
uma área isolada, mas a diferentes pontos que ocorriam em parte na relação de aprendizagem
dos
alunos,
nas
metodologias
e
ferramentas
de
ensino
utilizadas
por
alguns
monitores/professores e também na organização da administração/coordenação como foi
mencionado anteriormente. É importante ressaltar que uma dificuldade inicialmente ocorrida
numa determinada área pode ter afetado outras áreas subsequentes.
De minha parte acredito na importância de registrar não só as propostas que deram
certo e os caminhos que alcançaram bons resultados, como também e principalmente os
pontos negativos, as ideias que não tiveram êxito, os erros, as dificuldades e etc. de modo que
a partir desses registros a EMUFRN possa usar essas referências para a tão esperada
reformulação. As informações apresentadas neste trabalho também podem servir para nortear
a criação e/ou ampliação de outros cursos de formação musical básica na EMUFRN ou em
outras Instituições que tenham interesse em promover cursos de iniciação musical com
proposta semelhante. Esse trabalho aponta dentro do corpo do texto sugestões de
pesquisadores engajados em contribuir para melhorias e modificações que foram apresentadas
na tentativa de que o curso permanecesse ativo. Hoje, considerando que as atividades do
Curso permanecem interrompidas mesmo com a coordenação deste, que reunida com alguns
professores demais envolvidos tenha tentado se antecipar a algumas questões que infelizmente
não foram suficientes para impedir a medida provisória de reformulação que encerrou as
atividades do Curso e incentivou a criação de outras modalidades de Cursos de Extensão,
reforço a utilização desses materiais (citados nesse trabalho) como fonte para uma melhor
compreensão do assunto de modo que as possíveis soluções sugeridas pelos pesquisadores
não sejam descartadas ou caiam no esquecimento.
48
Reconheço que uma possível reativação do Curso Básico demandaria num estudo
consistente que vise fatores como: um espaço que comporte uma demanda que pode ser
menor; um projeto político pedagógico que contemple a faixa etária que também pode ter
abrangência reduzida; uma boa equipe de professores efetivos atuantes junto com monitores
capacitados e treinados para essa função e etc. Enfim, não seria uma tarefa fácil, porém não
impossível. Além de necessária, pois é preciso continuar contribuindo na formação musical de
qualidade que fará com que os alunos sejam mais do que bons músicos como afirma
Koellreutter (1977):27
Apenas um tipo de educação musical é capaz de fazer justiça a essa situação:
a que aceita como sua missão a tarefa de transformar critérios e ideias
artísticos em nova realidade, sobre o fundo das mudanças sociais; um tipo de
educação musical para o treinamento de músicos que estarão capacitados a
encarar sua arte como arte aplicada - isto é, como um complemento estético
aos vários setores da vida e da atividade do homem moderno - e preparados
para colocar suas atividades a serviço da sociedade. Em outras palavras, esta
seria uma educação musical cujas categorias de treinamento, conteúdo e
padrões de instrução iriam proporcionar uma relação realística entre o estudo
e as realidades da vida profissional e que iria preparar os jovens músicos
para uma carreira de real relevância na sociedade em que vivem.
Mesmo impossibilitada de anunciar a previsão de uma possível reativação do Curso ou
afirmar que haverá uma reformulação capaz de reativá-lo, acredito na qualidade das ações da
EMUFRN, que continua sendo exemplo de excelência e referência incontestáveis no ensino
musical, o que me permite concluir que ela é capaz de realizar todo e qualquer esforço que
acredite ser necessário para a formação musical básica, e de permanência dos seus alunos de
modo a contribuir para uma formação musical continuada plena e eficaz em todas as suas
áreas.
27
Documento online não paginado.
49
REFERÊNCIAS
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no convívio social da criança. Tradução de Paulo F. Valério. São Paulo: Paulinas, 2009.
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terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental: arte. Brasília: MEC/SEF, 1998. Disponível
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de 20 de dezembro de 1996, Lei de Diretrizes e Bases da Educação, para dispor sobre a
obrigatoriedade do ensino da música na educação básica. Brasília, DF, 18 ago. 2008.
Disponível em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/lei/
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Resolução No 221/2012-CONSEPE, de 24 de outubro de 2012. Estabelece normas para o
Programa de Monitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Disponível
em:<http://www.sistemas.ufrn.br/shared/verArquivo?idArquivo=1341198
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______. ______. ______. Resolução no 033/2013-CONSEPE, de 12 de março de 2013.
Aprova Regulamento Interno do Programa Institucional de Iniciação à Docência - PIBIDUFRN. Disponível em:<http://www.sistemas.ufrn.br/shared/verArquivo? idArquivo=
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Escola de Música da IEADERN. 2012. 52 f. Monografia (Graduação) – Escola de Música,
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TORRES, Raquel Carmona. O diagnóstico na organização curricular da teoria musical do
Curso Básico da Escola de Música da UFRN. In: ENCONTRO REGIONAL NORDESTE
51
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Anais... Mossoró/RN: ABEM, 2009. p. 1-9.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE. Escola de Música.
Regimento Interno. Natal, 2008. (Anexo da Resolução de no 007/2008-CONSUNI, de 29 de
agosto de 2008).
______. Pró-Reitoria de Extensão (PROEX). Minuta da revisão normativa da Extensão da
UFRN: das normas que regulamentam as ações de extensão universitária. [20--?]. Disponível
em:< http://www.proex.ufrn.br/publicacao.php?aba=5&id=54542581>Acesso em: 22 maio
2013.
52
ANEXO A - Programa do Curso Básico de Violino no modelo antigo até 2010.1.
Unidade I
Diretrizes pedagógicas:
Aquisição de uma postura geral correta para a produção dos primeiros sons.
Desenvolver no aluno habilidades e competências para usar o corpo corretamente ao
tocar.
Objetivos:
Posicionar os pés;
Alinhar costas e pélvis;
Relaxar ombros;
Posicionar músculos do pescoço evitando a torção do músculo trapézio;
Posicionar o violino observando a anatomia, o material ergonômico (queixeira e
espaleira), o tamanho do violino e os ângulos em relação ao corpo do aluno e o chão;
Posicionar mão e braço direito visando o equilíbrio do arco;
Posicionar mão e braço esquerdo de acordo com seu tamanho na altura correta para
a primeira posição visando à forma do intervalo de oitava;
Relaxar o cotovelo esquerdo.
Técnica:
Movimento básico do membro superior direito nº 1;
Exercícios para manter o arco paralelo;
Arcadas elementares com variações rítmicas básicas;
Iniciação ao sistema de afinação por reverberação com exercícios de comparação da
afinação do terceiro dedo e corda solta utilizando pizzicatto;
Movimentos Básicos do membro superior direito nº 2 e 3;
Posicionamento do 2º e 1º dedos.
Repertório:
Suzuki Violin School volume 1;
R. Bruce Weber: Der Frolich Violion vol. 1;
B. Barber: Solos for young violinists vol. 1.
Bibliografia:
Kempter S.: How muscles learn;
Fischer S.: Basics;
Bosísio, P. Lavigne M.: Técnicas fundamentais de arco para violino e viola;
Ross B.: A guide for a exquisity entonation.
53
Unidade II
Diretrizes pedagógicas:
Aquisição de técnicas básicas de leitura, técnicas básicas de estudo individual,
aprimoramento da independência e dissociação muscular.
Objetivos:
Aumento de peso e rapidez à técnica de arco evitando tensão desnecessária;
Aprendizado da articulação e independência dos dedos da mão esquerda;
Percepção da afinação;
Ampliação do repertório;
Consciência corporal;
Aprendizado dos símbolos básicos referentes à linguagem idiomática do violino.
Técnica:
Arcadas com arco inteiro;
Colocação do quarto dedo tendo como referencial a corda solta mais grave;
Movimentos básicos do membro superior direito nº 4 e 5;
Escalas e arpejos em uma oitava nas tonalidades correspondentes as cordas solta;
Exercícios de passagens de cordas;
Exercício de fortalecimento da musculatura dos membros superiores.
Repertório:
Suzuki Violin School volume 2;
R. Bruce Weber: Der Frolich Violion vol. 1;
B. Barber: Solos for young violinists vol. 2.
Bibliografia:
Fischer S.: Basics.
Bosísio, P. Lavigne M.: Técnicas fundamentais de arco para violino e viola.
Ross B.: A guide for a exquisity entonation.
Unidade III
Diretrizes pedagógicas:
Aquisição de subsídios interpretativos e símbolos de dinâmica com sua utilização
prática, desenvolvimento e ampliação do repertório, preparação para a performance no
palco.
Objetivos:
Adquirir capacidade de leitura musical através dos símbolos da partitura
principalmente aqueles referentes ao uso do arco;
54
Ter a capacidade de reproduzir a partitura;
Desenvolver noções básicas de expressão musical;
Desenvolver técnicas e estratégias para a performance em público.
Técnica:
Movimento básico do membro superior direito nº 6 e revisão dos anteriores;
Movimento do cotovelo esquerdo em escalas de duas oitavas;
Exercícios preparatórios para mudança de posição com utilização do harmônico
natural uma oitava acima da corda solta;
Arpejos em 2 oitavas;
Exercícios de respiração relacionados á expressão musical e relaxamento;
Exercícios de iniciação ao vibrato;
Golpes de arco básicos.
Repertório:
Suzuki Violin School volume 3;
R. Bruce Weber: Der Frolich Violion vol. 2;
B. Barber: Solos for young violinists vol. 3.
Bibliografia:
Kempter S.: How muscles learn;
Fischer S.: Basics;
Bosísio, P. Lavigne M.: Técnicas fundamentais de arco para violino e viola; Notas
sobre o estudo das escalas maiores;
Flesh C.: The Art of Violin.
Unidade IV
Diretrizes pedagógicas:
Consolidação das competências e habilidades musicais utilizando a técnica e o
repertório aprendido desenvolvendo naturalidade ao tocar.
Objetivos:
Identificar suas próprias necessidades através do som produzido desenvolvendo a
capacidade de estudar sozinho.
Técnica:
Exercícios para desenvolver o controle do vibrato;
Golpes de arco avançados;
Tipos de mudança de posição;
55
Escalas e arpejos em diversos tons;
Exercícios progressivos em primeira posição;
Estudos com mudanças de posições simples.
Repertório:
Suzuki Violin School volume 4 e 5;
R. Bruce Weber: Der Frolich Violion vol. 3;
B. Barber: Solos for young violinists vol. 4, 5.
Bibliografia:
Kempter S.: How muscles learn;
Fischer S.: Basics;
Bosísio, P. Lavigne M.: Técnicas fundamentais de arco para violino e viola, Notas
sobre o estudo das escalas maiores;
Ross B.: A guide for a exquisity entonation;
Flesh C.: The Art of Violin;
Sitt H.: 100 Estudos vol. 1 e 2
56
ANEXO B – Plano de aula 2 do curso Básico com habilitação em Canto (2010)
PLANO DE AULA 2
1ª Unidade
Conteúdo:
Técnica vocal: alongamento, relaxamento, respiração e vocalize.
Vaccaj, lição I, (em grupo).
Objetivos:
1. Iniciar o trabalho de conscientização corporal, através da técnica vocal;
2. Começar o estudo do método Vaccaj.
Descrição e comentário das atividades:
Fazer exercícios de relaxamento, alongamento, respiração e vocalizações.
Utilizando o próprio exemplo vocal, o professor inicia o estudo da lição I do Método
Vaccaj.
Material utilizado:
Piano, partitura do método Vaccaj, quadro branco e lápis para quadro.
57
ANEXO C - Carta aos alunos do Curso Básico (2003)
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Escola de Música
Cursos Básicos em Música
Caros alunos,
Com as matrículas desta semana damos início às atividades acadêmicas para o semestre
2003.2. A partir do semestre 2004.1 estarão implantadas todas as modificações propostas pela
coordenação para a reestruturação dos cursos básicos, visando a sua oficialização definitiva e o
estabelecimento de uma proposta político-pedagógica que garanta maior eficácia de ensino e
administração.
A consolidação dessa nova proposta torna este semestre um período de importantes
adaptações e transições. As características de funcionamento acadêmico, as taxas de inscrição,
emissão de certificados e declarações, registros, etc permanecerão inalterados por enquanto. As
aulas, desde já, tenderão a sofrer modificações, principalmente no que diz respeito:
-
ao quadro de professores, alterado pela suspensão, por término de prazo legal, do programa
de monitoria na EMUFRN, o que afetou principalmente os Cursos Básicos.
ao horário das aulas, que passa a observar o horário universitário.
à conjunção de algumas turmas individuais em turmas coletivas, um procedimento
característico do curso.
Outras modificações serão implantadas somente a partir do semestre 2004.1 e serão fruto de
discussões e debates entre alunos, professores, coordenação e direção. Entre os pontos de mudança
já previstos estão:
-
-
-
a adoção de um modelo de auto-gestão para os Cursos Básicos (uma vez que, oficialmente,
não há repasse do governo federal para estes cursos).
a redução do tempo de curso para 4 semestres (instrumento, canto, linguagem e leitura
musical), com certificação baseada em módulos, ou seja, cada semestre assume o perfil de
um mini-curso.
a suspensão do teste de seleção como requisito para matrícula, que passa a ser feita por
ordem de chegada (instrumento, canto, linguagem e leitura musical).
o critério de avaliação, que passa a basear-se essencialmente na presença, participação e
produção.
a implantação de um calendário pedagógico fixo, composto de reuniões para discussão e
planejamento.
o estabelecimento de uma política mais coerente no que diz respeito à isenção de taxas e ao
programa de estágio.
a dissociação dos cursos de Teoria Musical dos cursos de instrumento e canto (o curso de
Teoria será dividido em dois novos cursos: Leitura Musical e Linguagem Musical que
passarão a ser optativos).
a adaptação das taxas de inscrição à nova realidade de auto-gestão.
Como qualquer processo de mudança, a reestruturação dos Cursos Básicos da EMUFRN exigirá
de todos nós uma parcela significativa de comprometimento e compreensão para que as medidas,
que objetivam o melhor aproveitamento do esforço da coletividade em educar para a formação de um
cidadão mais pleno e mais sensível, tenha o efeito esperado.
Atenciosamente,
Danilo Guanais, coordenador.
Alvaro Barros, vice-coordenador.
Natal, 18 de agosto de 2003.
_________________________________________________________________________________
58
ANEXO D – Carta aos pais e alunos do Curso Básico de Música da EMUFRN (2012)
Carta aos pais e alunos do Curso Básico de Música da EMUFRN
Caros Pais e alunos,
O Curso Básico de Música da EMUFRN encontra-se em processo de reformulação. Portanto,
não teremos ofertas de vagas para 2012. O objetivo desta ação é a implantação de um novo
curso de iniciação à Música, que atenda de maneira mais eficaz aos anseios e necessidades da
nossa comunidade e da nossa cidade. O novo curso de iniciação à Música será implantado
durante o ano de 2012, para matrículas de novos alunos a partir de 2013. Ele foi pensado para
um período maior, com uma nova equipe de professores, mais preparada e com novas
ferramentas pedagógicas, com a melhor equipagem dos espaços físicos do curso e com
material didático próprio.
Desta maneira, os alunos matriculados até o presente momento receberão um certificado de
conclusão do módulo em que se encontram. Este certificado será uma das ferramentas a ser
utilizadas nos exames de seleção para o novo curso em 2013. Todos os procedimentos
relativos às transferências de alunos entre o Curso de Iniciação Artística (CIART) e
Musicalização Infantil para o curso básico, agora encerrado, não ocorrerão no ano de 2012,
que servirá como um período de transição. Eles serão transferidos para o semestre inicial de
2013.
Para que esse necessário período de transição ocorra com o menor transtorno possível aos
alunos, a EMUFRN está programando para o ano de 2012 a oferta de cursos sazonais de dois
semestres em diversas modalidades e destinados a diversos perfis de alunos. As informações
sobre esses cursos estarão disponíveis na coordenação de extensão (3215-3635) a partir de 05
de março de 2012.
Essas ações relacionam-se exclusivamente aos cursos básicos. Os cursos de Iniciação artística
(CIART) e de Musicalização infantil seguirão suas atividades normalmente em 2012.
Atenciosamente,
Danilo Guanais
Coordenador do Curso Básico
59
APÊNDICE A - QUESTIONÁRIO DE PESQUISA
Monografia / Tema: Curso Básico de Música da EMUFRN
Autora: Larissa Paiva
Identificação/Nome:
______________________________________________________________________
Data da Aplicação: ___________________________
1 – O Senhor (a) participou ou conheceu o Curso de Extensão que antecedeu o curso Básico
de Música da EMUFRN?
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
2 – Caso tenha participado. Qual foi a contribuição deste Curso para você?
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
3 – O que aconteceu nos últimos anos para as mudanças nas políticas de extensão que
resultaram na abertura do curso Básico ?
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
4 – Em que você contribuiu, enquanto professor, para o curso Básico?
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
5 – Como o curso Básico foi pensado. Quais eram os seus objetivos?
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
6 – Porque o Curso Básico teve suas atividades interrompidas?
60
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
7 – Em sua opinião o curso Básico tem possibilidade de ser reativado? Justifique.
______________________________________________________________________
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8 – De que forma a EMUFRN pretende contemplar a demanda externa que havia para o curso
Básico?
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RODRIGUES, Larissa Caroline_O Curso Básico de música_2013