UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE ESCOLA DE MÚSICA CURSO DE GRADUAÇÃO EM MÚSICA – LICENCIATURA LARISSA CAROLINE OLIVEIRA DE PAIVA RODRIGUES O CURSO BÁSICO DE MÚSICA DA EMUFRN: uma análise sobre a interrupção das atividades do curso NATAL 2013 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE ESCOLA DE MÚSICA CURSO DE GRADUAÇÃO EM MÚSICA – LICENCIATURA LARISSA CAROLINE OLIVEIRA DE PAIVA RODRIGUES O CURSO BÁSICO DE MÚSICA DA EMUFRN: uma análise sobre a interrupção das atividades do curso Monografia apresentada ao curso de graduação em música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como requisito parcial para a obtenção do grau de licenciada em música. Orientadora: Catarina Shin Lima de Souza NATAL 2013 LARISSA CAROLINE OLIVEIRA DE PAIVA RODRIGUES O CURSO BÁSICO DE MÚSICA DA EMUFRN: uma análise sobre a interrupção das atividades do curso Monografia apresentada ao curso de graduação em música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como requisito parcial para a obtenção do grau de licenciada em música. BANCA EXAMINADORA ______________________________________________________________ PROFESSORA CATARINA SHIN LIMA DE SOUZA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE (UFRN) (ORIENTADORA) _______________________________________________________________ PROFESSOR DOUTOR ÁLVARO ALBERTO DE PAIVA BARROS UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE (UFRN) (EXAMINADOR) ______________________________________________________________ PROFESSORA DOUTORA VALÉRIA LÁZARO DE CARVALHO UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE (UFRN) (EXAMINADORA) Dedico este trabalho e tudo em minha vida aos meus queridos filhos Amanda e Lucas. AGRADECIMENTOS Agradeço ao Senhor meu Deus por ter colocado em meu caminho pessoas que Ele mesmo escolheu e por ter tornado todas as coisas possíveis. Agradeço a minha mãe, Margarida de Oliveira, por me apoiar e por ter assumido a responsabilidade de cuidar dos meus filhos para que eu pudesse estar ausente em muitos momentos. Agradeço ao meu esposo, Carlos André, pelo respeito e carinho, por ter trabalhado incansavelmente para que eu continuasse estudando, e por todo o incentivo para que eu pudesse realizar esse e muitos outros sonhos. Agradeço com carinho ao Professor Ronedilk Dantas pela oportunidade que me deu em participar como monitora do Curso Básico (2009), que contribuiu para a aquisição de experiência docente além da vivência fundamental para a realização deste trabalho. Agradeço ao Professor Danilo Guanais por contribuir com informações pessoais valiosas e pelos documentos compartilhados tão essenciais para essa pesquisa. Agradeço a participação do Professor Eugênio Lima que contribuiu significativamente para a conclusão deste trabalho. Agradeço a minha orientadora, Professora Catarina Shin, por ter acreditado em minha capacidade e apoiado minhas ideias. Agradeço a Jemima Feitosa (Mima) pela força e pelas dicas e a Maria Isabel (Bel) pela prontidão em ajudar e dividir comigo todo o seu material de estudo e pesquisa. Agradeço a José Costa (tio Costa) por ter estado presente em todos os momentos que eu precisei e por ter participado, indiretamente e inconscientemente, desta conquista. Agradeço ao meu pai, Luis Paiva, por ter dado a mim e a meu irmão, Philipp Paiva, o que nossa família tem de melhor: a musicalidade. RESUMO O presente trabalho tem como finalidade resgatar a história do Curso Básico de Música da Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (EMUFRN) a fim de apresentar a importância deste Curso na formação básica em música. O objetivo da pesquisa é registrar as contribuições em educação e formação musical que este Curso proporcionou para a comunidade. O presente trabalho se caracteriza como sendo uma pesquisa histórica que utiliza como fonte documentos e arquivos do Curso Básico de música da EMUFRN durante o período de sua atuação junto à Instituição, incluindo alguns relatos pessoais de minha experiência como ex-aluna e ex-monitora do Curso, relatos de participação e experiências de monitores bolsistas e docentes efetivos do Curso Básico, alcançados mediante aplicação de um questionário de pesquisa, além da utilização de dados complementares disponíveis em seminários, relatórios, artigos, monografias, regimentos, regulamentos e livros que abordam ensino musical e outras temáticas envolvidas neste trabalho. Palavras chave: Ensino musical. Ensino de instrumento. Curso Básico de Música da EMUFRN. ABSTRACT The present work aims to recount the history of the Basic Music Course School of Music of the Federal University of Rio Grande do Norte (EMUFRN) in order to present the importance of this course in basic training in music. The research objective is to record contributions in music education and training that this course has provided to the community. This work is characterized as being a historical research that uses as source documents and files from the Basic Course EMUFRN music during their engagement with the institution, including some personal accounts of my experience as a former student and former monitors the course, reports of participation and experiences of students and faculty effective monitors of the Basic Course, achieved through application of a survey questionnaire, besides the use of supplementary data available at seminars, reports, articles, monographs, rules, regulations, and books that address teaching musical and other issues involved in this work. Keywords: Music Education. Teaching instrument. Basic Course in Music EMUFRN. LISTA DE SIGLAS APU Azusa Pacific University BPJD Biblioteca Padre Jaime Diniz CIART Curso de Iniciação Artística CCHLA Centro de Ciências Humanas Letras e Artes CONSUNI Conselho Universitário CTM Curso Técnico de Música EUA Estados Unidos da América EM Escola de Música EMUFRN Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte FJA Fundação José Augusto IEADERN Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Rio Grande do Norte MEC Ministério da Educação e Cultura OFEG Orquestra Filarmônica Evangélica Gênesis ONG Organizações Não Governamentais PCN Parâmetros Curriculares Nacionais THE Teste de Habilidade Específica TI Tecnologia da Informação UFRN Universidade Federal do Rio Grande do Norte SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO..........................................................................................................9 1.1 METODOLOGIA ......................................................................................................10 1.2 A HISTÓRIA DA EMUFRN .................................................................................... 10 1.3 A HISTÓRIA DO CURSO BÁSICO DE MÚSICA ................................................. 11 1.4 O INGRESSO NO CURSO BÁSICO .......................................................................12 1.5 CARACTERÍSTICAS DO CURSO BÁSICO .......................................................... 13 2 ENSINO MUSICAL ...................................................................................................15 2.1 CONSIDERAÇÕES SOBRE ENSINO MUSICAL ................................................. 15 2.2 O ENSINO DE MÚSICA NAS ESCOLAS REGULARES .....................................17 2.3 O ENSINO DE CANTO/INSTRUMENTO .............................................................. 18 2.4 O ENSINO NO CURSO BÁSICO ............................................................................ 19 2.5 A EXPERIÊNCIA DA MONITORIA ......................................................................22 2.6 AS DIFICULDADES DE SALA DE AULA ............................................................ 22 2.7 DIFICULDADES DE ORIGEM PEDAGÓGICA .................................................... 24 2.8 SOLUÇÕES PROVISÓRIAS (DIFICULDADES OCORRIDAS EM SALA) ........26 2.9 A MÚSICA ERUDITA NA EDUCAÇÃO MUSICAL E NO ENSINO DE INSTRUMENTO ......................................................................................................29 2.10 OS PROCESSOS DE AVALIAÇÃO (AULAS DE VIOLINO) ........................... 31 3 A INTERRUPÇÃO DAS ATIVIDADES DO CURSO BÁSICO ............................ 34 3.1 OS PROBLEMAS ACARRETADOS COM A INTERRUPÇÃO DAS ATIVIDADES DO CURSO BÁSICO ............................................................................ 38 3.2 PARA ONDE VÃO OS ALUNOS CONCLUINTES DO CIART E MUSICALIZAÇÃO, AMBOS DA EMUFRN? .............................................................. 39 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................... 46 REFERÊNCIAS ............................................................................................................ 48 ANEXO A - Programa do Curso Básico de Violino no modelo antigo até 2010 ...........52 ANEXO B - Plano de aula 2 do curso Básico com habilitação em Canto (2010)...........56 ANEXO C - Carta aos alunos do Curso Básico (2003) ................................................... 57 ANEXO D - Carta aos pais e alunos do Curso Básico de Música da EMUFRN (2012) ............................................................................................................. 58 APÊNDICE A - QUESTIONÁRIO DE PESQUISA ..................................................... 59 9 1 INTRODUÇÃO O presente trabalho tem como finalidade resgatar a história do Curso Básico de Música da Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (EMUFRN) a fim de apresentar a importância deste Curso na formação básica em música. O objetivo da pesquisa é registrar as contribuições em educação e formação musical que este Curso proporcionou para a comunidade externa à Universidade e para a comunidade interna que engloba docentes, discentes e monitores bolsistas que tiveram a oportunidade de atuar no referido Curso durante o período em que o mesmo encontrava-se em atividade. A pesquisa tenta responder a algumas questões atuais como: Porque estudar música? Porque o Curso Básico teve suas atividades interrompidas? Quais as implicações da interrupção das atividades do Curso Básico? Quais os Cursos de extensão que a EMUFRN possui atualmente abertos a comunidade? Os resultados dessa pesquisa pretendem contribuir para a reflexão do Curso Básico como referência na criação, ampliação e/ou modificação de outros cursos de formação básica em música. O Curso Básico de Música da EMUFRN existiu como projeto de extensão1 que foi oferecido à comunidade em geral mediante divulgação dentro do espaço da Instituição (quadros de aviso) e em outros espaços de divulgação local (rádio, jornal, programas de televisão local, boletins de internet entre outras). O ingresso era feito por meio de inscrição que selecionava alunos para preenchimento de vagas. O Curso possuía habilitação em canto ou instrumento musical, tendo a linguagem musical (aula teórica) como disciplina acompanhadora e obrigatória independente da habilitação pretendida pelo candidato. Os instrumentos ofertados e a quantidade de vagas variavam. Dentre as modalidades ofertadas fui inserida na habilitação de violino no ano de 2001. Em 2009 preenchi a vaga de monitora bolsista da mesma modalidade através do meu vínculo como aluna dos Cursos Técnico de Violino e Licenciatura em Música, que passei a cursar certo tempo depois de ter concluído o Curso Básico. Exerci a função de monitora pelo período de dois semestres letivos. O processo de seleção de monitoria do Curso Básico ocorria por meio de indicação dos professores “A Extensão Universitária é o processo educativo, cultural e científico que articula o ensino e a pesquisa de forma indissociável, para viabilizar relações transformadoras entre a universidade e a sociedade, a partir de um diálogo que envolva os diferentes saberes (das ciências, das tecnologias, das artes, das humanidades e da tradição), permitindo novas criações, socializações e mudanças recíprocas, com o envolvimento e inserção de discentes, docentes e técnico-administrativos em experiências interdisciplinares e multiprofissionais reais junto a diferentes grupos e populações que com elas interagem.” (UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE, [20--?]). 1 10 orientadores, podendo acontecer em datas não programadas com o calendário da UFRN, dependendo da necessidade de novos monitores. 1.1 METODOLOGIA O presente trabalho se caracteriza como uma pesquisa histórica que utiliza como fonte documentos e arquivos do Curso Básico de música da EMUFRN durante o período de sua atuação junto à Instituição, com relatos pessoais de minha experiência como ex-aluna e exmonitora do Curso, relatos de participação e experiências de monitores bolsistas e docentes efetivos do Curso Básico, alcançados mediante aplicação de um questionário de pesquisa, além da utilização de dados complementares disponíveis em seminários, relatórios, artigos, monografias, regimentos, regulamentos e livros que abordam o ensino musical e outras temáticas envolvidas neste trabalho. 1.2 A HISTÓRIA DA EMUFRN Segundo consta em HISTÓRICO... [20--?] a Escola de Música da foi criada em 1962 e no mesmo ano foi incorporada à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Em 1968, com a iniciativa do Magnífico Reitor Onofre Lopes, a escola foi integrada ao Instituto de Letras e artes e posteriormente ao Centro de Ciências Humanas Letras e Artes (CCHLA). Em 1991, na gestão do Magnífico Reitor Daladier da Cunha Lima a Escola de Música mudou-se para o Campus Universitário da UFRN, endereço atual. A Escola, desde sua fundação, vem honrando seu compromisso com o desenvolvimento musical e cultural da cidade, promovendo recitais, apresentações, congressos, festivais e Cursos com educadores e alunos da instituição. De acordo com o art. 3º do Regimento Interno da Escola de Música, anexo a Resolução 69/82 do Conselho Universitário (CONSUNI) de 15/07/82, as atividades realizadas na EMUFRN eram atividades curriculares e extracurriculares com a seguinte estruturação: Curso de Iniciação Artística, Curso Preparatório, Médio e Final. (HISTÓRICO... [20--?]). Em 1997, a EMUFRN iniciou o seu primeiro Curso Superior: o Bacharelado em Música nas habilitações de canto ou instrumento. Em 1998 surgiu o Curso Técnico de Música com habilitação em instrumento, autorizado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). Em 2002, a comunidade optou por elaborar um projeto que transformou a Escola de Música, numa Unidade Acadêmica Especializada, cuja característica da unidade administrativa é 11 cumprir, isolada ou conjuntamente, objetivos especiais de ensino, pesquisa e extensão, que, por sua complexidade, requeiram estrutura administrativa própria compatível com suas atividades. Em 2004 foi criado o Curso de Licenciatura plena em música (Graduação) durante a gestão de direção do Professor Airton Fernandes Guimarães. Em 2010 surgiu o primeiro Curso de Pós Graduação em Música: o Curso de Especialização em Educação Musical na Educação Básica e no ano seguinte o Curso de Especialização em Práticas Interpretativas do séc. XX e XXI. Em 2012, segundo consta em EMUFRN... (2012) através do Programa de Pós-Graduação em Música, surgiu o Curso de Mestrado Acadêmico em Música com turmas iniciadas em 2013.1 em educação musical, performance e criação musical. 1.3 A HISTÓRIA DO CURSO BÁSICO DE MÚSICA O Curso Básico de Música da EMUFRN, aberto para a comunidade, foi criado para oferecer formação musical básica para iniciantes a partir de 10 anos de idade, incluindo jovens e adultos, e para cumprir seu compromisso cultural como afirma no art.2º, III do Regimento Interno da EMUFRN, “promover o desenvolvimento musical em suas diversas modalidades no âmbito da UFRN e da sociedade local, regional e nacional” (UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE, 2008, p. 3). O Curso Básico inicialmente funcionava em 6 módulos (semestres), sendo alterado para 4 módulos em uma reformulação ocorrida entre os anos de 2003 e 2004. Nele eram oferecidas as disciplinas de canto/instrumento e linguagem musical (teoria musical). O instrumento era escolhido pelo aluno no ato da inscrição. De acordo com a disponibilidade eram ofertadas no edital as seguintes habilitações: Canto, Clarinete, Contrabaixo Acústico, Contrabaixo Elétrico, Flauta Doce, Flauta Transversal, Guitarra, Percussão, Piano, Saxofone, Trompa, Trombone, Trompete, Violão, Violino, Violoncelo. A quantidade das vagas variava de acordo com cada habilitação e disponibilidade de salas e de carga horária dos professores. A cada semestre a procura pelo Curso Básico superava a quantidade de vagas e para o preenchimento destas, e para isto era feita uma entrevista com os candidatos. A entrevista era uma conversa onde os candidatos ajudavam a construir um perfil pessoal deles. As respostas eram registradas e a análise destas servia para verificar a disponibilidade de horários de estudo (presencial e não presencial), o interesse, conhecimento musicais entre outros com o objetivo de filtrar a quantidade de inscritos. Conforme consta em CURSO... [20--?], o objetivo do Curso Básico era: 12 proporcionar para a comunidade uma sensibilização musical promovendo capacitação em linguagem musical básica e em instrumento ou canto [...] o domínio da linguagem musical básica, dos fundamentos do idioma instrumental ou vocal, e que possibilitem uma apreciação musical mais eficaz. O corpo docente do Curso Básico era formado por professores, efetivos ou substitutos, da EMUFRN e monitores, alunos do Curso Técnico de Música (CTM) e Graduação em Música (Bacharelado e Licenciatura), orientados pelos seus respectivos professores de canto ou instrumento. 1.4 O INGRESSO NO CURSO BÁSICO Durante o período em que fui monitora participei de algumas entrevistas de inscrição para o preenchimento das vagas do Curso Básico. Em muitos casos o candidato citava o conhecimento musical prévio que ele possuía, mesmo que o questionário tivesse ou não alguma questão relacionada. Constatava-se que o aluno que havia tido contato com a aprendizagem musical e procurava a Instituição para dar continuidade a esse conhecimento fazia questão de falar sobre isso, como uma forma de demonstrar o real interesse pela música. Provavelmente por acreditar que esse fator seria considerado importante para o alcance da vaga. Não existia um critério específico para o preenchimento da vaga, mas existiam pontos consideráveis para o não preenchimento dela. Ou seja, fatores que, de certa forma ajudavam na eliminação do candidato. Um deles era a falta de tempo para a dedicação ao estudo do instrumento ou canto e da teoria musical de modo que a aprendizagem obtida em sala pudesse ser praticada em casa ou na própria escola fora dos horários utilizados para a aula. Por exemplo, o candidato que fazia outros cursos extracurriculares como esportes, dança, ou curso de línguas além da sua rotina habitual de trabalho ou da escola de ensino regular não teria como encaixar em sua agenda um espaço para frequentar as aulas e estudar seu canto/instrumento de forma a assimilar os conteúdos que aprendera. E era bem comum encontrar candidatos que faziam não só uma, mas várias atividades simultâneas e, nesse caso, nem sempre conseguia a vaga. 1.5 CARACTERÍSTICAS DO CURSO BÁSICO 13 O Curso Básico por atender a um público de faixa etária bastante estendida também proporcionava um espaço de aprendizagem para músicos que não eram totalmente iniciantes. Ainda existem, até hoje, músicos autodidatas que aprendem sozinhos e tocam música de ouvido (sem usar partitura), que procuram a Instituição porque não possuem base teórica e, portanto, sentem a necessidade da compreensão de linguagem musical (teoria musical). O músico, estudante de música, que tem acesso a esse conhecimento pode utilizá-lo para diferentes fins: no registro de canções e/ou arranjos musicais de autoria particular, na ampliação do repertório através da leitura de partituras, nos exames de seleção em ingressos em cursos e concursos da área musical que exijam essa habilidade, entre muitas outras contribuições, além do vínculo com uma instituição especializada em Música. A presença de alunos com esse perfil enriquece a turma, pois os conhecimentos são trocados entre os próprios colegas e também do aluno para o professor não só do professor para o aluno como se espera. Há muitas formas de se fazer música e também diversas maneiras de se conceber esse aprendizado e o processo daqueles que aprenderam fora das escolas também era considerado e compartilhado dentro da instituição. Muito embora alguns professores se queixassem desses alunos por chegarem à escola com vícios de aprendizagem tornando mais difícil a assimilação da técnica, ou seja, acarretaria num processo mais longo pelo fato de terem que desconstruir para construir. Apesar disso o Curso Básico não deixava de recebê-los desde que os alunos e professores respectivamente aceitassem o desafio de reaprender a partir de novos modelos. Uma das características notáveis no Curso Básico era a possibilidade de atuação em dois caminhos, como afirma o Professor Eugênio Lima ao dizer que o Curso Básico dava “suporte aos que queriam estudar, mas não queriam se profissionalizar e também àqueles que aspiravam ao curso técnico.”2 Ou seja, uma parte os alunos que tinham acesso ao conhecimento musical fornecido pelo Curso Básico poderia se sentir inspirada a buscar mais conhecimento dando continuidade ao ensino em outros cursos da área musical ofertados pela EMUFRN tais como os demais projetos de extensão, o Curso Técnico de Música (CTM) e os Cursos de Graduação em música (de Bacharelado e Licenciatura) assim como ocorreu comigo, embora o Curso Básico não tenha em sua configuração a função de ser um preparatório para outros cursos, modalidades e etc. Ao mesmo tempo o Curso Básico por ter 2 Informação fornecida pelo Professor Eugênio Lima por meio de Questionário (Apêndice A), em Natal, em 22 de maio de 2013. 14 promovido formação básica em música também foi considerado suficiente para quem queria, por exemplo, apenas tocar um instrumento por hobby e/ou por motivações não profissionais. Era comum numa conversa com alguns dos alunos, no período em que atuei como monitora, ouvir comentários (principalmente dos mais adultos por já atuarem profissionalmente em outras áreas) que diziam justamente que se eles conseguissem ler a partitura, compreendê-la (no que diz respeito à duração das notas, expressões, afinação e etc.) e reproduzi-la com qualidade já estava de bom tamanho, já tinha valido o tempo investido no Curso Básico. 15 2 ENSINO MUSICAL Por que estudar música? Todo trabalho bem realizado é passível de admiração. Quando eu era criança meu pai me levava para assistir aos concertos da Orquestra Sinfônica onde ele trabalha. Nesses concertos ficava encantada ao ver aqueles músicos tocando e dominando seus instrumentos como se o instrumento fosse mais uma parte do corpo. Os dedos ágeis dos violinistas ao passear pela corda davam a sensação de que eles não faziam esforço algum. Aquela admiração ao ver o violino sendo muito bem tocado ficou comigo durante muito tempo e resolvi pedir ao meu pai para estudar música, na época eu não possuía uma preferência pelo violino ou por um instrumento determinado. Dois anos depois de iniciar num Curso de Musicalização Infantil eu ganhei um violino, e apesar de ainda não estar decidida quanto a escolha do instrumento comecei a participar de aulas de violino baseadas no Método Suzuki3. Não posso afirmar que esse processo do despertar para a musicalidade ocorre da mesma maneira para a maioria das pessoas, mas acredito que as apresentações de grupos musicais e/ou grupos profissionais de outras linguagens artísticas carregam em si uma magia própria e que esta contribui significativamente para despertar o interesse nas pessoas que tem acesso a frequentar e /ou conviver com espaços de apresentações musicais e manifestações culturais em geral. 2.1 CONSIDERAÇÕES SOBRE ENSINO MUSICAL A música sempre foi um objeto de desejo dos povos de diferentes idades, lugares, culturas e épocas em todo o mundo, bem como as demais manifestações artísticas. Na música, para ser bastante específica, este desejo está mais focado no domínio do canto e dos instrumentos musicais, do que no que diz respeito à compreensão da linguagem (notação musical ou teoria musical). O conhecimento musical em suas diversas manifestações supriu e ainda supre funções distintas. Nos povos primitivos o canto e o ritmo (batucadas) estiveram em diversas manifestações quais sejam: acalanto nas canções de liberdade no período da escravidão, funcional nas canções de ninar, entretenimento em trabalhos manuais, ornamento para as festividades, inspiração entre muitas outras funções (não considerando, nesta fala, a 3 Criado pelo Dr. Shinichi Suzuki (1898-1998) o Método Suzuki voltado para iniciantes (crianças) defende que a habilidade musical é desenvolvida através da criação e disponibilização de um ambiente musical. 16 divisão entre música ocidental e não ocidental), é importante lembrar também que a música, assim como outras linguagens da arte, não precisa necessariamente exercer uma dada função como afirma Bastian (2009) que a música possui seus próprios objetivos e que o razão para ocupar-se com a música é a própria música, e isso já basta. Com a evolução do homem também evoluiu sua capacidade de criação e o aproveitamento dos materiais disponíveis. Com ela surgiram instrumentos musicais mais elaborados e com sons mais distintos e puros, e com mais valor estético. O homem mudou o jeito de conceber a música e esta se tornou representação de pureza relacionada a dom, a divino, a imagem dos anjos e mais adiante sendo reconhecida como sinônimo de sofisticação e talento reservado às elites. Essa conceituação perdura, em parte, até os dias atuais, fazendo com que o ensino musical seja rotulado como disponível para poucos. É dessa mistura de significados que surge a procura constante pelo conhecimento musical. Mais pessoas buscam os benefícios que este conhecimento proporciona. Habilidades motoras e intelectuais são apenas dois dos exemplos de uma diversidade de elementos que são adquiridos quando se canta ou toca um instrumento musical, com ou sem auxílio da partitura como afirma Swanwick (2003) ao dizer que a música possui papel na reprodução cultural e afirmação social, e também promove o desenvolvimento individual. Além disso, estimula e promove o movimento interno e externo no homem, e uma variedade de condutas com qualidade e grau diferentes. (GAINZA, 2008). Esses motivos, entre outros, também foram considerados para trazer a educação musical de volta para o ensino básico nas escolas regulares do Brasil4. Conquista determinada pela Lei 11.769, de 18 de Agosto de 2008, sancionada pelo então presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. (BRASIL, 2008). O que foi uma conquista muito significativa para o povo brasileiro, pois apoiou a educação musical e conseguiu inseri-la na rede pública de ensino desmistificando a ideia de que música é um fazer reservado às elites, como mencionado anteriormente. Além de abrir o mercado de trabalho para os educadores musicais, aumentou também a procura pelos Cursos de Licenciatura em Música e o reconhecimento deste Curso junto às demais áreas da educação. Essa procura ocorre inclusive entre os músicos profissionais formados em outros cursos da área musical, por exemplo, o Curso de “Art. 1o O art. 26 § 6o A música deverá ser conteúdo obrigatório, mas não exclusivo, do componente curricular de que trata o § 2o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.769, de 2008). Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, Lei de Diretrizes e Bases da Educação, para dispor sobre a obrigatoriedade do ensino da música na educação básica.” (BRASIL, 2008). 4 17 Bacharelado em Música da UFRN tem parte de seus alunos formados reingressando no curso de Licenciatura na Instituição. Embora a presença da educação musical nas escolas regulares tenha criado aproximação entre a comunidade e a música, o trabalho realizado nessas escolas não substitui o trabalho que era feito no Curso Básico de música da EMUFRN ou em outra escola especializada porque o ensino musical destas possui objetivo e abordagens diferentes. 2.2 O ENSINO DE MÚSICA NAS ESCOLAS REGULARES Conforme consta nos dois primeiros itens do documento dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) do Ensino Fundamental II alguns dos objetivos gerais do ensino de música são: Alcançar progressivo desenvolvimento musical, rítmico, melódico, harmônico, tímbrico, nos processos de improvisar, compor, interpretar e apreciar [...] desenvolver a percepção auditiva e a memória musical, criando, interpretando e apreciando músicas em um ou mais sistemas musicais, como: modal, tonal e outros. (BRASIL, 1998). O mesmo documento cita, em seus demais objetivos, a apreciação e a valorização de culturas musicais diversas além do uso e do cuidado da voz como meio de expressão e comunicação. O documento que é referência nas escolas regulares não se refere à utilização de outro instrumento musical, ou seja, o ensino musical nas escolas não determina o uso de um ou mais instrumentos musicais podendo o processo de musicalização dos alunos ocorrer com ou sem o uso de instrumentos musicais convencionais. É importante lembrar que a Lei 11.769 sanciona a obrigatoriedade do conteúdo musical nas escolas, ou seja, a música não se tornou disciplina ela é uma das linguagens da disciplina de artes podendo ser ministrada por professores especializados ou não especializados na área de educação musical, conforme o veto da referida Lei, desde que de acordo com as normas vigentes da educação nacional, cumpra os objetivos do processo de educação musical/artístico. (BRASIL, 2008). Com algumas escolas regulares ainda em fase atual de adaptação para se enquadrar à Lei, principalmente as escolas pertencentes à rede pública de ensino, muitos educadores e pesquisadores musicais continuam se reunindo e debatendo o assunto. Sob algumas das expectativas de Kater (2012) pretende-se que o ensino de música nas escolas regulares seja uma educação musical que possa atrair os alunos para uma vivência musical participativa e 18 para criação de possibilidades de expressão, que estimule os vínculos e a produção de conhecimentos incluindo a formação pessoal do indivíduo, invertendo-se a predominância de uma formação para a música por uma formação pela música. 2.3 O ENSINO DE CANTO/INSTRUMENTO O ensino de música em escolas especializadas propõe a formação musical através do canto e/ou do instrumento musical com a proposta de possibilitar-lhe um caminho de formação e atuação profissional entre outras possibilidades. No ensino de instrumento, o instrumento é utilizado como ferramenta principal, mas não única, por meio do qual se aplica o processo de musicalização. É em contato com esse instrumento que o aluno desenvolve sua percepção auditiva, seu gosto estético, sua coordenação motora em relação a ele. Através do contato direto com o instrumento é que os símbolos da notação musical vão sendo substituídos por uma significação sonora literalmente palpável. Como já mencionado, o Curso Básico possuía habilitação em canto/instrumento musical. O ensino de instrumento era mais específico e possuía etapas que eram necessárias ao domínio deste. Essas etapas variavam de acordo com o instrumento que estavam aprendendo, que por vezes eram tanto sucessivas quanto simultâneas. Como exemplo: O estudo do violino, e dos demais instrumentos da família das cordas friccionadas ao qual ele se insere, tinha como objetivo, a partir do primeiro módulo, desenvolver no aluno habilidades e competências para o uso correto do corpo ao tocar, conforme consta no Programa do Curso Básico de violino até 2010.1 (Anexo A). Posicionar o corpo numa posição ereta e relaxada (pés e coluna); Posicionar o instrumento junto ao corpo (pescoço e queixo); Posicionar mão e braço direito para equilíbrio do arco nas cordas; Posicionar mão e braço esquerdo para as posições dos dedos visando às fôrmas dos intervalos de oitava; Outro exemplo: O estudo de canto trabalha desde as primeiras aulas com a conscientização corporal através da técnica vocal (alongamento, relaxamento, respiração e vocalize), conforme o Plano de aula 2 (2010) das turmas de canto módulo I (Anexo B) . No geral, no processo de aprendizagem do canto/instrumento é comum na realização do desenvolvimento o estudo do corpo com trabalhos de postura, alongamento, articulação, 19 respiração, posições e leitura de partitura, sendo esse último comum a todas as habilitações/instrumentos. 2.4 O ENSINO NO CURSO BÁSICO Segundo afirma Moraes (2008, p. 56): Como a vida a música está em contínuo movimento, áreas inteiras suas mudam de aspecto a cada dia que passa, propondo-nos constantemente informações desconhecidas, provenham elas do presente ou do passado. E diante desses signos novos, é preciso recalibrar-se continuamente a fim de fruí-los, a fim de trocar informações com eles nesse reciclar. Se para os estudantes/estudiosos de música, é difícil manter-se informados diante das constantes mudanças que o fazer musical sofre ao longo do tempo, dos povos e culturas e do ambiente onde esse fazer se insere, imagine então para aqueles que ainda não tiveram contato com a educação musical. Considerando que existem poucas escolas especializadas (institutos, conservatórios) disponíveis na cidade que ofertam cursos de música com habilitação em instrumento para a comunidade, o Curso Básico de música da EMUFRN, mesmo não podendo promover vagas de acordo com a demanda, dava oportunidade de se fazer um contato com a educação musical dentro de uma instituição especializada. Esse contato inicial com a música, proporcionado pelo Curso Básico, era o que permitia que a música se tornasse um conhecimento alcançável para aquele que o buscava, já que muitos ainda o relacionam com um conhecimento que depende exclusivamente de dom e talento. Justamente o contrário ao que afirma Gardner (1995) de que todos os seres humanos possuem certas capacidades em vários tipos de inteligências, como parte de herança humana genética. E também a música, segundo Gainza (2008), é um lugar bem vasto com diversos caminhos e caminhos bem diferentes um dos outros, onde é possível encontrar pelo menos um, que seja eficaz para cada tipo de pessoa. Portanto, o domínio musical, em muitos casos, depende também do interesse e disposição pessoal do próprio indivíduo. Pois é preciso antes de tudo tentar. É numa tentativa que se estabelece contato não apenas com a música, mas com outros alunos, monitores, professores, mestres, músicos e demais envolvidos nesse processo educacional. É na escola de música que o individuo passa a ver até onde ele poderá chegar como músico, caso ele sinta o despertar desse interesse. É quando ele deixa de ser um curioso, um interessado em música, para se tornar um aluno, um estudante de música, abrindo assim um leque maior de caminhos que a música pode proporcionar. 20 No período em que participei como aluna, o Curso Básico era composto por 06 módulos (semestres), as disciplinas eram prática de instrumento e teoria musical. As aulas de instrumento eram individuais e a de teoria musical era coletiva, a turma de teoria musical que eu frequentava era composta por aproximadamente 10 alunos de diferente faixa etária. No mesmo período eu e meu irmão Philipp Paiva5 participamos de um teste de aptidão musical para averiguar a possibilidade de antecipar a modalidade que iríamos cursar no semestre posterior. O teste consistia de uma prova escrita de teoria musical realizado ao término do conteúdo do primeiro módulo. Após o resultado desse teste eu e meu irmão fomos matriculados no semestre seguinte no módulo III, tanto na teoria musical quanto na prática de instrumento. Em relação à aula prática, os professores através de avaliação contínua concordaram que poderíamos adiantar os módulos. A iniciativa em participarmos desse teste foi da professora de teoria musical Cleide Alves, que, observando que nós já possuíamos o domínio dos conteúdos ministrados em suas aulas, perguntou se queríamos participar e, como concordamos, comunicou à coordenação. Outro teste de aptidão foi realizado, também em comum acordo, após o término do conteúdo do módulo III. Após o resultado fomos matriculados no módulo V. Em resumo, concluímos o Curso Básico em 4 semestres (dois anos) cursando os módulos I, III, V e VI. O domínio, citado anteriormente que professora de teoria musical percebeu em nós (eu e meu irmão) havia sido adquirido através das experiências musicais anteriores, iniciadas com as aulas de musicalização infantil ministradas pela professora Maria Helena Maranhão (aproximadamente no ano de 1993) e continuadas através do estudo de violino com o músico Luis Paiva6, meu pai, em parceria com a professora Marcia Pires7 (aproximadamente no ano de 1995) numa escola de música particular que trabalhava com o Método Suzuki com aulas inicialmente coletivas (ensaios), e individuais, que ocorriam conforme o aluno avançava no referido método. Apesar de eu ter tido a oportunidade de frequentar outras escolas de música e de ter adquirido conhecimento musical anteriormente, foi no Curso Básico da EMUFRN que eu ampliei a minha prática de instrumento, embora os estudos iniciais de violino tenham sido com o Método Suzuki e tenha alcançado bons resultados (estimativa pessoal) eu não conhecia outros métodos, estudos e técnicas de ensino de instrumento. Os professores de violino com quem estudei nas aulas de prática de instrumento no Curso Básico, Rucker Bezerra e Cristian 5 Bacharel em Música com Habilitação em Viola pela UFRN e músico efetivo da Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte. (Atualmente) 6 Bacharel em Música com Habilitação em Viola pela UFRN e diretor da Orquestra Sinfônica do Rio grande do Norte. (Atualmente) 7 Pioneira na implantação do Método Suzuki no Rio Grande do Norte. 21 Craciun, não utilizavam o Método Suzuki, preferindo trabalhar com outros como, por exemplo, os estudos de O’Sevicik e Kreutzer (Estudo de técnica e arco). Nas primeiras aulas de violino que participei como aluna do Curso Básico, fui induzida a perceber a maneira como eu tocava, para mim a auto percepção era uma atividade nova porque a minha preocupação antes era: ouvir e/ou ler a partitura musical do som que eu deveria produzir e tentar realizá-lo (repeti-lo), eu não prestava atenção em como produzia/repetia os sons. Não me recordo se isso me ocorria porque eu ainda era criança e a vontade de tocar musicas em quantidade era maior do que tocá-las com qualidade. O fato é que eu não tinha o habito de estimular a percepção de mim mesma e mesmo que eu tivesse essa consciência e preocupação com a execução para uma qualidade musical eu não possuía as habilidades técnicas para alcança-la. Ou seja, eu precisava perceber a minha execução musical através de vários aspectos: postura, afinação, articulação, formas de mão, arco e etc. Identificar as dificuldades e trabalhar (estudar) com os métodos de estudo específicos para superá-las. Para isso eu teria que reconstruir, em quase todos os aspectos, minha maneira de tocar eliminando vícios conquistados ao longo do tempo. Em virtude disso, e por ser muito jovem, eu quis abandonar o ensino de violino, mas por insistência dos meus pais, permaneci nas aulas. Apesar do processo de reconstrução ter sido árduo e lento eu fui aos poucos entendendo que não havia uma única maneira de tocar, não havia um método, estudo ou técnica que fosse eficaz isoladamente, e que não havia músico bom o suficiente que não precisasse mais estudar, aprender, reciclar seu repertório e etc. Enfim, o processo pelo qual eu estava passando naquele momento iria se repetir inúmeras vezes, e poderia ocorrer não só comigo, mas com outros alunos/músicos. Aos poucos eu iria me aprimorar naquilo que fazia bem, e corrigir aquilo que não fazia tão bem, desde que eu não desistisse de estudar. As aulas que antes me apavoravam passaram a me estimular a dar continuidade ao ensino musical nesse e em outros cursos. Em virtude desse estímulo e do incentivo familiar participei pela primeira vez do processo seletivo do Curso Técnico de Música (CTM) em 2003 (ano seguinte à conclusão do Curso Básico) e consegui ingressar em uma das três vagas para habilitação de instrumento – violino, embora não cheguei a cursar mais do que 2 períodos (semestres) por motivos pessoais. Alguns anos depois eu refiz o Teste de Habilidade Específica (THE) do CTM Habilitação Violino e ingressei na turma de 2008.1, retomando o meu vínculo na Instituição (EMUFRN). No final do mesmo ano realizei o THE e vestibular para o Curso de Graduação em Música (Licenciatura) ingressando na turma de 2009.1, mesmo período em que eu assumi a vaga de monitora/professora do Curso Básico de Música com habilitação em violino 22 (conforme mencionado anteriormente), junto com o monitor Thiago Jacó8 (que era responsável pelas outras turmas de violino), orientada pelo Professor Ronedilk Dantas. Em 2009.2, tive a oportunidade de trabalhar também com a monitora Maria Isabel9 que assumiu as turmas antes ministradas por Thiago Jacó. 2.5 A EXPERIÊNCIA DA MONITORIA Minhas primeiras aulas como monitora iniciaram junto com o ano letivo de 2009.1. As turmas que ministrei (um número de 6 a 8 turmas) eram todas formadas de iniciantes, matriculadas no Módulo I, e eram compostas por 2 turmas de adultos e as demais turmas de crianças. O fato das turmas serem de iniciantes me ajudou muito porque eu não possuía, naquele momento, nenhuma experiência docente e por não ter participado de nenhum treinamento específico antes de assumir as turmas. O processo ocorria de forma que eu aprendia junto com eles. Quando as dúvidas surgiam, eu as anotava e procurava meios de solucioná-las, hora por pesquisa individual ao material de estudo disponível e hora buscando o meu Professor Ronedilk Dantas (orientador da monitoria). A partir do segundo semestre (2009.2), percebi, após conquistar maior interação com os alunos, que alguns deles precisavam de uma atenção maior em sala de aula para desenvolver melhor habilidades que já possuíam e/ou para enfrentar dificuldades na aprendizagem musical. 2.6 AS DIFICULDADES DE SALA DE AULA Durante o período em que fui monitora enfrentei algumas dificuldades na condução das aulas. A primeira dessas dificuldades não vinha apenas da minha falta de experiência docente, mas também das aulas serem muito pautadas no que eu havia aprendido com meus professores de violino em aulas individuais e pouca parte vinha da orientação e das instruções da formação docente adquirida através da Graduação em Música (Licenciatura), porque no mesmo período eu ainda era caloura no referido curso. 8 Aluno do curso de Bacharelado em Música e do Curso Técnico em Música com habilitação em Violino. 9 Aluna do curso de Licenciatura em Música e do Curso Técnico em Música com habilitação em Violino. 23 Outra dificuldade era o formato de aulas em grupo com 3 alunos por horário o que acabava na prática não ocorrendo porque os alunos, embora sendo todos iniciantes, possuíam necessidades diferentes e isso gerava uma divisão na sala. Ora se tinha alunos que avançavam no estudo, mas tinham que ficar aguardando que eu reexplicasse o estudo para os demais e essa conduta tornava a aula desestimulante para estes. Ora eu tinha o aluno com tempo de aprendizagem mais lento que se sentia intimidado em repetir as perguntas e/ou os exercícios em virtude dos colegas que tinham que esperar por ele (a) e com isso se sentia desestimulado ou pressionado a avançar sem as condições mínimas de compreensão da aula que acabara de participar. Não estou me colocando contra a prática de aulas coletivas, pois acredito que existem muitos fatores positivos dentro desse modelo de aprendizagem, sendo o mais importante para mim a socialização conquistada a partir da integração entre os participantes do processo de aprendizagem, porém na prática as aulas de violino no Curso Básico não eram de ensino coletivo como afirma, referindo-se ao Curso Básico, Petronilo (2010) ao dizer que mesmo as aulas sendo em dupla ou trio não poderiam ser vistas como ensino coletivo pois o trabalho não era desenvolvido com um método específico deste tipo de ensino. Em complemento, segundo Feitosa (2012) sem que haja transformação de ambiente e de papéis, o mero ajuntamento de pessoas na sala de aula não caracteriza o processo de ensino e aprendizagem de ensino coletivo. Além disso, nesse modelo (formato) de aula o professor precisa ser capacitado, capacitação que eu não possuía (como já foi mencionado) justamente por não ter passado por nenhuma preparação ou treinamento específico para assumir a vaga de monitora. Nesse caso em muitos momentos eu tinha a responsabilidade de tomar as decisões que me conviesse a problemas surgidos no dia a dia. O que, em parte era um ponto positivo pela aquisição de experiências na criação de soluções, mesmo que algumas tivessem caráter provisório, por outro lado eu respondia sozinha pelas decisões que havia tomado e com isso corria o risco de ser responsabilizada caso as minhas decisões ou atitudes gerassem problemas, aborrecimentos e etc. Quanto às aulas em grupo, como solução temporária eu dividia o horário, que tinha duração de 50 minutos, de modo que cada aluno era observado e orientado por vez, ou seja, individualmente, enquanto os demais observavam e consequentemente aprendia pela observação. Eu não costumava permitir que eles aguardassem fora da sala, pois mantê-los lá significava também saber que eles estavam bem e não correndo pelos corredores da escola expondo-se ao risco de se machucarem e etc. Essa divisão do horário da aula se estendia somente até que a turma encontrasse um ponto de nivelamento e só era feita nas turmas onde essa intervenção era estritamente necessária. 24 Uma terceira dificuldade se aplicava aos meus alunos no que dizia respeito à partitura, e não se aplicava especificamente a uma turma nem a uma determinada faixa etária, a dificuldade era quase geral em todas as turmas em que eu atuei, salvo exceção de uma turma formada por alunos concluintes do Curso de Iniciação Artística (CIART) da EMUFRN. 2.7 DIFICULDADES DE ORIGEM PEDAGÓGICA O processo de leitura de partitura envolve a compreensão de diferentes símbolos distintos que agrupados geram significação sonora executável na prática pelo canto ou por um instrumento musical, porém é necessário que o aluno conheça um a um desses símbolos, isoladamente ou agrupados por partes, para que se alcance mais a diante a compreensão da partitura musical, de modo que consigam ler compreender e reproduzir as informações que ela contém. Além disso, esse processo fazia parte do conteúdo da disciplina de linguagem musical (teoria musical) que geralmente era ministrado por outro professor/monitor diferente do professor/monitor da aula de instrumento (prática) e que acontecia em outro espaço, em outro horário, e por vezes até em dias diferentes da prática, fator esse que dificultava que a aprendizagem teórica pudesse ser complementada na aula prática e vice versa, porque não havia interação entre a aula teórica e a aula de violino, além do conteúdo musical ser novo para os iniciantes o fator mudança gera desconforto e quebra de fluência do trabalho realizado, ou seja, o fato de mudar de professor, de sala, de metodologia, de horário, de companhia (colegas de classe) influencia na aprendizagem e no processo inicial de aquisição de conhecimento. Porém cada professor utilizava sua própria didática e as metodologias que escolhia para aplicar os conteúdos e aos poucos os alunos teriam que se adaptar aquela situação de mudança da mesma maneira que ocorre na nossa vida, por exemplo, nas aulas das escolas regulares onde as crianças passam de um professor polivalente da turma para ter um professor específico para cada componente curricular (matemática, língua portuguesa e etc.), demanda muito tempo para algumas crianças e menos tempo para outras, mas no fim todos têm que se adaptar. Não posso afirmar que a dificuldade inicial em unir linguagem musical (no que diz respeito à leitura de partitura) e a prática de instrumento ocorria com os demais alunos das outras habilitações, mas todos os alunos tinham um professor de instrumento para as aulas práticas e outro professor para as aulas de linguagem musical (teoria musical). As aulas teóricas eram formadas por turmas heterogêneas, que numa mesma turma englobava alunos de conhecimentos diferentes, faixa etária diferente e que tocavam instrumentos diferentes, 25 portanto, era difícil ter uma metodologia e um conteúdo voltado a ajudar os alunos de determinado instrumento com exemplos que o ajudassem a fazer ligações mentais entre o que está escrito na partitura e o que deve soar no seu instrumento. Talvez os alunos da habilitação de canto tivessem a possibilidade de unir aulas teóricas e aulas práticas no que se referem ao conteúdo de solfejo onde a leitura da partitura era feita com o uso da voz (canto). Precisamos desconsiderar também que alguns instrumentos possuem chaves de leituras (claves) distintas uma das outras. No caso, por exemplo, de alunos de viola que usam a clave de dó (na 3ª linha) em sua leitura de partituras, e os alunos de trombone e fagote que eventualmente precisam usar a clave de dó (na 2ª linha) em passagens mais agudas de algumas peças musicais, precisavam dominar também a leitura das claves de sol e de fá utilizadas com frequência nas aulas de linguagem musical, fator que provavelmente atrasava o domínio da leitura de partitura desses alunos pelo fato de ter que associar mais de uma chave de leitura, além do fato de que cada pessoa tem o seu próprio tempo para adquirir conhecimento e domínio sobre este. O que podemos concluir é que a tarefa desse professor/monitor das disciplinas (componentes) de linguagem musical de tornar a aula atrativa, compreensível e alcançando resultados dentro do programa de sua disciplina, já era bem difícil. O que acontecia então era que as aulas práticas ministradas por mim avançavam ao encontro de um repertório escrito e que por mais que as primeiras aulas fossem dedicadas à postura, estudo de arco, posições e formas, todo esse processo caminhava em direção a um repertório onde todos os estudos se aprimoravam e eram postos em prática e que, por mais simples que fosse uma determinada canção, ela vinha acompanhada de sua respectiva partitura. A solução provisória que eu encontrei foi instruir os alunos a memorizar a música por meio do solfejo e da repetição e/ou, para alguns alunos, optar pela escolha do repertório do Método Suzuki que vinha acompanhado de um CD de áudio que auxiliava na memorização do repertório de estudo. No entanto, essa solução, mesmo bem intencionada, limitava o material de estudo e o repertório das turmas, além de atrasar o processo de aprendizagem. 2.8 SOLUÇÕES PROVISÓRIAS (DIFICULDADES OCORRIDAS EM SALA) No período de 2009.2 em uma das turmas de violino formadas por jovens (entre 12 e 15 anos) observei que duas alunas, Luana e Paula10, apesar de estarem matriculadas no 10 Os nomes utilizados para citar as alunas são fictícios. 26 Módulo II e pertencerem inicialmente à mesma turma/horário avançaram em relação a terceira colega da turma, Laura, que não coincidentemente passou no mesmo período a faltar aulas com frequência. Luana e Paula precisavam de estudo e repertório diferenciado e para atendê-las melhor eu separei Luana para outro horário (disponível tanto para mim quanto para ela) e Paula permaneceu no horário habitual com Laura e, como já era previsto em virtude das constantes faltas de Laura, ficou a maior parte das aulas apenas comigo. A medida, de ordem provisória deu certo. O avanço de Luana e Paula tinha relação com o fato delas terem iniciado os estudos de violino em aulas que ocorriam nas igrejas que elas frequentavam. As duas alunas pertenciam a igrejas evangélicas da mesma denominação, mas em localidades diferentes. Luana possuía um domínio maior da leitura de partitura e mantinha a postura de uma forma natural e por vezes inconsciente, mas tinha questões a serem aprimoradas no que se refere à articulação dos dedos e fôrma da mão esquerda, respiração, afinação e etc. que precisavam ser mais bem trabalhadas. Paula era bastante esforçada, trazia para aula e utilizava em seus estudos a maior quantidade de informações que pudesse como, por exemplo, os métodos e repertórios que conheceu em sua escola de música anterior, no entanto, precisava de aprimoramento no controle do arco em movimento retilíneo, pulso, leitura, postura e esses aspectos precisavam de atenção diferenciada e num espaço de tempo maior, ou seja, um trabalho desenvolvido em longo prazo. Com as duas alunas, trabalhei com estudos do Método O’Sevicick e com peças musicais do Método Maia Bang optando por melodias simples escritas para dois violinos e acompanhamento de piano (o que permitia que eu tocasse junto com elas a parte escrita para outro violino) além de repertório individual que algumas poucas vezes elas escolhiam e pediam a minha autorização para trazer para aula. Em outra turma, formada por crianças também matriculadas no Módulo II foi observado que mais cedo ou mais tarde pelo menos uma delas apresentava sinais de desinteresse que tinha certa ligação com o repertório trabalhado, provavelmente porque não reconhecia aqueles sons, ou aquelas canções em seu cotidiano. Embora não declarassem essa insatisfação em palavras, eles deixavam transparecer pelo semblante ou pela ausência de estudo, o que eu caracterizava como falta de interesse. Era notável que eles quisessem explorar novos sons, um repertório diferente, mas como ainda estavam conhecendo os limites e as capacidades de seu instrumento e de seu manuseio, eles não se aventuravam e não me faziam muitos questionamentos, o que me intrigava porque eu tinha que cumprir o programa e 27 ao mesmo tempo manter os alunos interessados no seu próprio fazer musical. Isso ocorria porque provavelmente eles pensavam que aprender a tocar um instrumento era sinônimo de tocar o que quisessem, e de fato, isso é verdade porque o que se almeja no aprendizado é o domínio do instrumento, porque o que chamo aqui de domínio literalmente significa que o aluno conquistou a capacidade de dominar o seu instrumento a fim de que possa reconhecer o que consegue e o que quer tocar, no entanto, é necessário que o aluno percorra todo o caminho que o leva a esse domínio. Era justamente esse caminho que as crianças julgavam distante demais, tão longe que o interesse se perdia na caminhada. Por um lado eu sabia onde estava o problema, mas não sabia como resolver. Numa aula eu conversei com as crianças e perguntei: Porque vocês escolheram aprender a tocar violino? Numa resposta quase unânime a turma respondeu que achavam o instrumento bonito (aqui significando a estética externa do corpo, formato, do instrumento). Não satisfeita com a resposta eu continuei: Para que vocês querem tocar violino? Aí apareceram respostas diferentes. Uma garota disse: “Não sei”. (informação verbal)11. Outra aluna disse: “Para tocar na minha igreja.” (informação verbal)12. E um terceiro aluno disse: “Para tocar parabéns nos aniversários.” (informação verbal)13. Apesar de a segunda resposta ter sido muito interessante por diversos fatores como o uso da música para adoração, e a possível participação dessa aluna num grupo maior como uma orquestra particular de sua igreja, a maneira como ela discursou pareceu que ela havia dito o que eu queria ouvir e não precisamente o que ela tinha em mente, o que acabou sendo confirmado em aulas posteriores e que não cabe ser citado neste trabalho. A resposta que me deu o feedback que eu precisava foi justamente a última resposta, que me chamou bastante atenção pela simplicidade e pela relação de funcionalidade da música como elemento ornamental para momentos de celebração (festas) que o aluno atribuiu para si, como quem diz: Vou homenagear as pessoas, ou vou fazer festa com minha música. Pronto, eu tinha a solução para aquela questão! Eu tinha um pedido de repertório que era possível de ser repassado pelo nível iniciante em que os três alunos se encontravam e que tinha uma funcionalidade comum a todos. Diante dessa descoberta convenci os alunos, numa linguagem mais acessível, de que não havia problema algum no fato deles se interessarem por repertórios diferentes dos que eu trazia para a aula, mas que os estudos de técnicas que eram 11 Informação fornecida pela aluna A na sala de aula do Curso Básico na UFRN, em setembro de 2009. Informação fornecida pela aluna B na sala de aula do Curso Básico na UFRN, em setembro de 2009. 13 Informação fornecida pelo aluno C na sala de aula do Curso Básico na UFRN, em setembro de 2009. 12 28 oferecidos a eles davam o suporte necessário para que eles adquirissem domínio para tocar não só o parabéns, mas as demais canções que fizessem parte do gosto musical de cada um e também o material que fazia parte do nosso programa, desde que não perdessem o ideal de aprender sempre mais, e aprimorar a qualidade do som que eles produziam independente de terem sido escolhidos por mim, através do cumprimento do programa, ou escolhidos por eles próprios. Na aula seguinte eu havia me preparado para trabalhar a música parabéns com a referida turma e para minha surpresa o aluno trouxe uma flauta doce e nela tocou a citada canção. Quando terminou de tocar foi aplaudido por mim e pelas colegas e logo em seguida me perguntou se as notas que ele havia feito na flauta podiam ser tocadas no violino. Eu o respondi dizendo que sim, mas que não precisava ser porque poderiam ser feitas outras notas para a mesma canção mudando a tonalidade, e que essa medida talvez fosse necessária para que ele utilizasse uma forma de mão e uma posição da mão esquerda que já estivesse usando em outro estudo e/ou repertório facilitando, assim, sua execução. Essa situação me remeteu ao fato de que a aprendizagem do violino, e não só deste, tem grande parte dos seus estudos e técnicas voltados para o alcance do repertório erudito. Aliás, a maioria das escolas de música do país ainda se encaixa num modelo de conservatório que prioriza o preparo de performer's incluindo de maneira quase exclusiva o uso de repertório de música erudita ocidental não considerando o gosto musical dos alunos nem a cultura destes, tão pouco suas necessidades frente ao mercado de trabalho em constante mudança (HARDER, 2003). Acredito que isso ocorre com o violino porque o instrumento foi criado num período de ascensão da música instrumental erudita tornando sua utilização mais significativa a partir da segunda metade do século XV. O violino também tem numerosa participação nas orquestras ocupando dois naipes (grupos). Porém a música erudita para qual o instrumento é mais indicado é carregada de complexidade e desenhos mentais ainda inerentes ao conhecimento de algumas crianças e/ou algumas pessoas que por ventura não tiveram contato com uma cultura que se utiliza desse estilo musical em seu cotidiano, independente da idade que possuem. Esse estilo musical e sua complexidade atribui ao violino um rótulo de elite e, para uma parte das pessoas, fica a sensação de que este instrumento possui uma dificuldade de aprendizagem maior do que os demais, o que não é verdade, pois todo instrumento requer habilidades de diferentes graus, de maneira que não podemos julgar um determinado instrumento mais difícil de ser tocado do que outro porque isso daria também uma diferença de valorização das habilidades musicais destes ou de quem os toca. 29 Então, ao ensinar a tocar o violino era necessário também apresentar a música erudita aos meus alunos. Que eu acredito que, embora não fossem conhecedores de todos os aspectos da música erudita e /ou preferissem mais esse gênero que outro esses alunos se identificavam, mesmo que minimamente, com a música erudita ou do contrário teriam escolhido estudar um instrumento que tivesse sua origem em outro estilo e gênero musical. O meu papel como professora, nesse caso, transcendia aos fatores próprios da execução para provocar nos alunos um gosto musical mais abrangente que pudesse incluir também, e não somente, a música erudita. 2.9 A MÚSICA ERUDITA NA EDUCAÇÃO MUSICAL E NO ENSINO DE INSTRUMENTO Sobre o ensino musical afirma Swanwich (2003, p. 46): O ensino musical, então, torna-se não uma questão de simplesmente transmitir a cultura, mas algo como um comprometimento com as tradições em um caminho vivo e criativo, em uma rede de conversações que possui muitos sotaques diferentes. Nessa conversação, todos nós temos uma „voz‟ musical e também ouvimos as „vozes‟ musicais de nossos alunos. Ultimamente a mídia tem tido o mérito de influenciar de maneira muito significativa o gosto musical. O pouco que meus alunos conheciam do repertório erudito vinham dos jingles de propaganda, de toques de celular, de trilhas de cinema e/ou novelas. Porém a inserção do repertório erudito nesses veículos de informação é mínima comparada à música de massa (popular) além de fazer uso de imagens (cenários, paisagens e etc.) e contextos que confirmam que esse estilo é mais sofisticado. Essa influência torna o papel do professor de instrumento, que usa o repertório erudito, ainda mais difícil. O que eu considero como ideal não seria a imposição da música erudita como superior à popular porque isso seria concordar com a ideia de valorização e confirmaria sua fama música de elite. Penso que as pessoas, independentes de serem estudantes de música, podem e devem ter acesso e conhecimento de grande parte dos estilos e gêneros musicais para então assim definirem suas identidades musicais mesmo que elas englobem, e que bom se isso ocorrer, muitos e variados estilos musicais. Dessa forma, os que optarem por estudar música com finalidades profissionais terão elementos para serem no mínimo bons intérpretes pela diversidade de conhecimentos musicais que possuem. 30 Porém, o trabalho de repertório com música erudita é bastante importante porque boa parte dos alunos não teve contato significativo com este gênero musical antes de passar a frequentar uma escola de música, e o pouco que conheciam deste é carregado de mito que é passado pelas conversas informais entre indivíduos ou que é imposto, conscientemente ou não, pela mídia como já foi dito. Isso se dá também pela tradição cultural de cada região que no caso do Brasil e especificamente no nordeste a cultura musical é mais forte no meio popular com exceção das classes de profissionais que trabalham com o repertório erudito nas escolas especializadas e/ou em grupos musicais profissionais e que foram inseridos nesse contexto cultural por tradição familiar ou pela relação deles com os conservatórios musicais que frequentaram quando eram estudantes. Fica então para as instituições de ensino o papel de inserir esse gênero musical na vida desses alunos, que antes de se tornarem intérpretes são também ouvintes, a fim de que a música erudita se torne cotidiana, tão acessível quanto qualquer outro gênero musical. Assim, podendo o aluno tocar tanto o erudito quanto o popular, mesmo num instrumento que tenha sua história pautada na música erudita. Nesse sentido afirma Swanwick (2003, p. 113): [...] Em minha opinião tanto nas aulas das escolas quanto na faculdade, a questão contemporânea da pluralidade musical é crucial. Por reconhecermos as raízes sociais de toda música, podemos algumas vezes ter de ignorar os rótulos culturais e ajudar a tirar do caminho algumas das barreiras de possessão e exclusividade tribal. Nesse caso, o uso do repertório erudito não deve ser imposto ao aluno como uma obrigação do intérprete (performer) sem que haja no mínimo uma boa explicação para essa opção. É necessário que a música erudita seja apresentada ao aluno pela sua importância histórica e pela funcionalidade musical. Como por exemplo, o violino, e não somente este instrumento musical, tem no repertório erudito uma imensidade de obras que são utilizadas também como comprovação do nível (capacidade) musical do performer. O domínio de grandes obras da música erudita possibilita e oportuniza a formação profissional desse aluno intérprete que pode inserir-se num grupo profissional como Orquestras e Bandas entre outras possibilidades, porque são justamente peças musicais de repertório erudito que são cobradas nas audições de processos seletivos e concursos para estagiário-bolsistas músicos e/ou músicos efetivos de Bandas e Orquestras profissionais. Cabe ao professor explicar a funcionalidade deste e de outros repertórios musicais para que os alunos tenham sempre a consciência do motivo que os leva a estar aprendendo, estudando, executando aquele repertório, seja ele erudito ou popular. 31 A música erudita também é um conhecimento riquíssimo que vai desde dados históricos de sua origem até influência que ela exerceu nos povos enquanto arte em cada período histórico. Ao tomar conhecimento da história da música erudita o intérprete é convidado a aprender mais sobre o compositor, a obra, o período e contexto de sua criação, a localidade, as intenções do autor. Informações que não somente ampliam o conhecimento teórico do aluno, mas também lhe possibilita uma melhor execução (prática) da peça musical. Muitas vezes o professor de instrumento não tem tempo disponível em sala de aula para dar todas as informações teóricas sobre a obra musical e/ou sobre as técnicas de estudo aos seus alunos porque precisa dar direcionamento à prática, muitas vezes tendo que tocar para que o aluno compreendesse como deveria ser feito. Eu, por exemplo, durante o período da monitoria não levei meus alunos às aulas audiovisuais, mesmo a EMUFRN possuindo um bom acervo de vídeos e áudios em sua biblioteca setorial14 que podiam ser utilizados na videoteca pelos professores e monitores com o devido agendamento do espaço. Não utilizei esse recurso porque tinha que usar o horário da aula, por ser um horário comum a todos, e como as aulas só acontecia uma vez por semana eu sentia-me na obrigação de ouvi-los tocar para verificar a aprendizagem do conteúdo da aula anterior e ao mesmo tempo dar continuidade ao conteúdo do programa. Portanto, ficava para o aluno, após ser orientado à pesquisa, usar do seu tempo de estudo individual para buscar, quer fossem em casa ou em outros espaços, essas informações que seriam também úteis ao seu fazer musical. 2.10 OS PROCESSOS DE AVALIAÇÃO (AULAS DE VIOLINO) O processo avaliativo que era utilizado enquanto atuei como monitora de violino caracterizava-se por avaliação contínua, não havendo, portanto, uma prova prática com conteúdo específica e data marcada para a avaliação. A opção pela avaliação contínua se deu porque a maioria dos meus alunos era iniciantes e pertencia a turmas de módulos I e II e ainda se encontrava em fase de adaptação ao instrumento. Ao término do semestre de 2009.2, já próximo do encerramento do ano letivo, eu e a monitora Maria Isabel, por iniciativa dela, organizamos um recital classe de violino do Curso Básico que incluíam alunos das turmas ministradas por mim e por ela. A iniciativa correspondia à sugestão do Professor Ronedilk Dantas em promover recital de conclusão do semestre como forma de avaliação. Eu, particularmente, não optei pela ideia de maneira a substituir a avaliação contínua que era feita, 14 Biblioteca Setorial Padre Jaime Diniz (BPJD). 32 mas como complemento desta. O recital (evento) exercia a função de impulsionar os alunos a estudarem mais e a exercitarem a performance de tocar diante de um público além de integrar os alunos de turmas distintas, possibilitar a interação com instrumento harmônico acompanhador entre outras. Deste recital participaram todos os alunos que concordaram e que poderiam comparecer ao evento, independente do módulo e do nível de habilidade musical em que se encontravam. No processo de preparação para o recital foram marcados alguns encontros extras (ensaios) que ocorreram uma ou duas vezes em horários diferentes da aula. Alguns alunos compareceram acompanhados de sua mãe o que foi muito importante tanto para eles quanto para mim porque a presença delas reforçava as nossas orientações e elas mesmas reconheceram a importância do treinamento (estudo) individual dos seus filhos para o desenvolvimento musical e consequentemente para um bom desempenho ao se apresentarem neste e em outros eventos musicais. A presença de pessoas estranhas aos alunos como mães de outros alunos, alunos de outras turmas e outra monitora (as turmas de Isabel e as minhas estavam juntas) serviu também para simular a situação de plateia e nesse caso os alunos puderam ter uma ideia do que poderia ocorrer também no dia da apresentação, ou seja, a incidência de fatores emocionais e psicológicos como nervosismo, ansiedade, timidez e etc. muito comuns de ocorrer quando se está numa situação onde se expõe o trabalho musical (artístico) conquistado com as aulas e com esforço pessoal de cada um. Embora saibamos que esse processo de controle emocional e psicológico varia de pessoa para pessoa, da faixa etária, das experiências e de outros fatores, acredito que os ensaios proporcionavam uma simulação do evento onde os alunos poderiam aprender com o ensaio ao mesmo tempo em que compartilhavam o que já tinham aprendido com os colegas e com o público (expectadores do ensaio). Para a maioria dos alunos da minha turma, que eram iniciantes, aquele recital foi a primeira apresentação musical do qual eles participaram. Isso também gerava em nós monitoras uma preocupação de que a experiência não fosse ruim tão pouco traumática de modo que nos preocupávamos em organizar tudo de maneira sutil e deixa-los os mais seguros possíveis (no que se refere à habilidade musical) do repertório que iriam tocar e quem iria acompanha-los, se eles tocariam repertório solo ou duetos e etc. De modo que os ensaios serviram como base principalmente para nós monitoras porque a partir desses ensaios eram calculados o espaço e tempo que utilizaríamos, a quantidade de alunos que iriam se apresentar, quem seria o co-repetidor, qual seria o melhor horário para que a maioria dos alunos pudesse comparecer acompanhados dos seus pais (responsáveis) e convidados. 33 No dia marcado para o recital compareceram cinco alunos das minhas turmas e seus acompanhantes e convidados, metade dos alunos que estavam frequentando regularmente as aulas, a outra metade era composta pelos alunos que não puderam participar desde o surgimento dos ensaios por motivo de trabalho e incompatibilidade no horário optado pela maioria (dois adultos), outra aluna adulta que, por motivo de uma viagem, adiantou a atividade proposta no recital tocando, acompanhada por um coo-repetidor, para mim e para o Professor Ronedilk Dantas, e outros dois alunos por motivos não declarados, mas acredito tenha sido por falta de controle emocional havendo desistido após participar dos ensaios e/ou porque eventualmente não conseguiu comparecer ao local e horário marcado. Mesmo assim, o recital obteve bom êxito com a presença dos alunos das turmas da monitora Maria Isabel e a presença dos convidados e acompanhantes destes. Além dos alunos, participaram como corepetidores Edson Rufino e Fernanda Silvério que gentilmente atenderam ao convite de Maria Isabel. O repertório interpretado pelos alunos de violino foi baseado nos métodos Suzuki e Maia Bang15. A escolha do repertório se deu em comum acordo de forma que eu previamente escolhia um número aproximado de três peças musicais, e os alunos escolhiam aquela que os interessava dentro das três opções. Para nortear as escolhas eu tocava as músicas para eles ouvirem e optarem. Alguns escolheram peças musicais pela beleza da melodia, outros pelo grau de dificuldade que conseguiam identificar, nesse caso preferindo a mais fácil, embora dentre as três opções de peças musicais ofertadas, diferentemente para cada aluno, possuíssem níveis de habilidades musicais equivalentes entre si. O recital foi uma importante ferramenta de avaliação não só pelo resultado pronto apresentado no evento, mas também pelo processo de construção que envolveu algumas aulas e ensaios em sua elaboração, e o caminho percorrido pelos alunos durante esse processo também foram considerados na avaliação. 15 O Método Maia Bang Violin Method foi desenvolvido por Maia Bang e consiste numa coleção de 7 livros que abordam a técnica de violino do nível inicial ao avançado. (PETRONILO, 2010) 34 3 A INTERRUPÇÃO DAS ATIVIDADES DO CURSO BÁSICO Porque o Curso Básico teve suas atividades interrompidas? O Curso Básico no qual me referi, até o presente momento, teve sua última turma ingressante em 2010, conforme informado pela secretaria do Curso. Suas atividades regulares foram interrompidas para uma reformulação. O Curso Básico já havia passado por outras reformulações. Entre as tais cito uma reformulação ocorrida no ano de 2003. Neste ano foi publicado um Comunicado aos alunos (Anexo C), assinado pelo Professor Danilo Guanais16 e o Professor Álvaro Barros17, que comunicava as modificações que seriam implantadas pela coordenação para a reestruturação do Curso Básico. As modificações passaram a vigorar nos períodos letivos de 2003.2 e 2004.1. As modificações ocorridas foram: No quadro de professores, que foi alterado pela suspensão, por término de prazo legal, do programa de monitoria na EMUFRN, o que afetou principalmente os Cursos Básicos. No horário das aulas, que passou a observar o horário universitário. Na conjunção de algumas turmas individuais em turmas coletivas, um procedimento característico do Curso (GUANAIS; BARROS, 2003). As modificações implantadas em 2004.1 seriam fruto de discussões e debates entre alunos, professores, coordenação e direção. Entre os pontos de mudança que já haviam sido previstos em estavam: A adoção de um modelo de auto-gestão para os Cursos Básicos (uma vez que, oficialmente, não havia repasse do Governo Federal para estes cursos). A redução do tempo de curso para 4 semestres (instrumento, canto, linguagem e leitura musical), com certificação baseada em módulos, ou seja, cada semestre assume o perfil de um minicurso. A suspensão do teste de seleção como requisito para matrícula, que passa a ser feita por ordem de chegada (instrumento, canto, linguagem e leitura musical). O critério de avaliação, que passaria a basear-se essencialmente na presença, participação e produção. A implantação de um calendário pedagógico fixo, composto de reuniões para discussão e planejamento. 16 Coordenador do Curso Básico na época da publicação do comunicado (2003). Vice coordenador do Curso Básico na época da publicação do comunicado (2003). 17 35 O estabelecimento de uma política mais coerente no que diz respeito à isenção de taxas e ao programa de estágio. A dissociação dos Cursos de Teoria Musical dos Cursos de instrumento e canto (o curso de Teoria que foram divididos em dois novos Cursos: Leitura Musical e Linguagem Musical que passaram a ser optativos). A adaptação das taxas de inscrição à nova realidade de auto-gestão. (GUANAIS; BARROS, 2003). Essas mudanças proposta pela reformulação realizada entre 2003 e 2004 apontam que o Curso Básico já vinha enfrentando dificuldades, mas que a coordenação deste estava sempre buscando melhorias, detectando possíveis dificuldades e propondo sugestões e modificações a estas. A interrupção de suas atividades regulares, portanto, não se deve a um fenômeno isolado, tão pouco a um fato ou situação recente, algumas de suas dificuldades já haviam sido discutidas ao longo dos anos de funcionamento regular do Curso, em semanas pedagógicas da EMUFRN, reuniões internas com o corpo docente, coordenação do Curso Básico, e direção da Instituição e também foram temas de pesquisas que resultaram em um Seminário de avaliação dos cursos Básicos (extensão) apresentado em 2008, e artigos apresentados nos encontros da Associação Brasileira de Educação Musical (ABEM) como os trabalhos de Torres (2009), Gomes (2010) e Petronilo (2010) que apontaram dificuldades e apresentaram sugestões. No Seminário apresentado em 2008, pelo Professor Danilo Guanais e equipe de professores e funcionários do Curso Básico foram apontados, entre outros, alguns problemas que segundo Guanais (2008) seriam: Heterogeneidade de perfis de alunos do Básico; Falta de prática de grupo no Curso Básico; Falta de material pedagógico. A essas questões o próprio Seminário sugeriu, entre outras sugestões a: Criação de práticas de grupo para alunos do Básico (Prática de Coral / Prática de Orquestra); Criação da disciplina de Apreciação Musical para alunos do Básico; Elaboração e aquisição de material pedagógico. Entre as dificuldades do Curso foram apontadas por Torres (2009), fatores como: A falta de um Projeto Político-Pedagógico; 36 O fato de o Curso possuir uma proposta curricular resumida a um programa composto apenas de conteúdos; Conteúdo teórico não adaptado para a realidade dos alunos. Em relação à questão político-pedagógica implicava mais claramente a falta de preparo dos monitores/professores que não possuíam um treinamento específico e comum a todos os monitores de modo a se criar no mínimo um modelo padrão de metodologias, didáticas e etc. (como foi citado em meus relatos de experiência apresentados no corpo deste trabalho) permitindo que cada monitor/professor trabalhasse conforme lhe conviesse desde que cumprisse o conteúdo do programa da habilitação ministrada por ele. Quanto ao conteúdo teórico não adaptado constatou-se que as atividades planejadas não focalizavam uma sensibilização auditiva, não buscava a contextualização e não possuía adaptações metodológicas para turmas formadas por adultos, jovens e crianças a partir dos 10 anos de idade, além da ênfase da escrita que retratava alunos passivos e receptores de informações prontas. (TORRES, 2009). Outras dificuldades apontadas pelos próprios alunos como pontos negativos foram apresentadas por Gomes (2010): Repertório exclusivamente erudito; Falta de integração entre teoria-prática; Quantidade e tempo de aulas não suficientes; Aulas com metodologias e procedimentos não diversificados; Falta de acompanhamento professores/orientadores em sala de aula aos monitores; Falta de contato entre os professores de teoria e prática; Esses fatores também estiveram presentes dentro do corpo de texto em meus relatos de experiência no período de monitoria. A estes e outros fatores os próprios alunos sugeriram como solução apresentada por Gomes (2010). Escutar e conhecer mais música nacional; Mais de um professor de teoria em sala; Mais aulas de teoria e prática (aumento de carga horária) e pelo menos uma hora e meia de cada aula; Elaboração de apostilas com programa específico do Curso; Alunos dos Cursos de Graduação em Música (Bacharelado e Licenciatura) ministrando também as aulas. 37 Segundo Petronilo (2010) foram encontradas dificuldades de ordem pedagógica, administrativa, e internas (sala de aula), entre as quais estão: Alunos com conhecimento prévio e alunos totalmente iniciantes, matriculados na mesma turma; Falta de acompanhamento harmônico (pianistas co-repetidores disponíveis para acompanhar os alunos do Curso Básico nos Recitais); Ausência de formação continuada para os alunos concluintes do Curso Básico. Quanto ao problema de infraestrutura em relação à quantidade de salas, no período em que atuei como monitora, como solução a coordenação/direção da EMUFRN implantou um sistema de controle das chaves das salas que limitava a utilização das salas de aula para estudo individual (porque essas mesmas salas eram e são, até os dias atuais, utilizadas para estudo individual) apenas nos horários não reservados para aulas do Curso Básico e outros Cursos da EMUFRN e com um tempo determinado para a permanência na sala. A coordenação também organizou os horários de aula de cada turma, habilitação e curso. Disponibilizou na sala do apoio pedagógico, local onde as chaves eram guardadas (e ainda são), uma tabela pela qual os funcionários passaram a ter um controle informando o horário das aulas, a respectiva sala a ser utilizada e o professor/monitor da referida aula. Essa solução amenizou a questão de espaço físico e parece por vezes até incoerente, pois a EMUFRN não tem uma infraestrutura a baixo dos padrões, porém possuía muitos cursos e atividades acontecendo e um número grande de alunos, funcionários, docentes e gestores circulando em toda a instituição. Só no Curso Básico no ano de 2010 a EMUFRN atendeu a 348 alunos, aproximadamente 200 turmas de aulas práticas de instrumentos/habilitação e 35 turmas de aulas teóricas, além de 30 monitores e 06 professores efetivos que atuavam nessas turmas, e consequentemente por haver uma sobrecarga na quantidade de pessoas frequentando o mesmo espaço físico, apesar dos ajustes mencionados, foi mais um fator, embora não principal, que junto a outros contribuiu para a interrupção das atividades do deste. Em resposta ao Questionário de Pesquisa (Apêndice A), elaborado e aplicado por mim durante o processo de elaboração deste trabalho, afirma o Prof. Dr. Danilo Guanais que o Curso Básico teve suas atividades interrompidas por uma combinação de fatores entre eles: as mudanças no perfil administrativo, acadêmico e financeiro da UFRN; a escassez de professores qualificados; a necessidade de aumento de taxas a níveis quase proibitivos aos alunos (isso quando pensamos em atingir um número grande de participantes); a escassez de espaços, que eram cada vez mais cedidos às necessidades urgentes dos outros cursos; e a 38 impossibilidade de acompanhamento dos professores efetivos aos professores/bolsistas, por motivos de carga horária18. A princípio a interrupção se deu para um processo de reformulação, e essa ação tinha como objetivo a implantação de um novo curso de iniciação à música que pudesse atender de maneira mais eficaz a necessidade da comunidade conforme descrito em Guanais (2012) na Carta destinada aos pais e alunos do Curso Básico (Anexo D). O documento também indicava que esse novo curso teria sido pensado para um período mais extenso com uma equipe de professores mais preparada e com novas ferramentas pedagógicas, com a melhor equipagem espaços físicos do curso e com material didático próprio com previsão de abertura de turmas a partir de 2013 (GUANAIS, 2012). No entanto, até o presente momento isso não ocorreu. Atualmente honrando seu compromisso com a comunidade em sua função de desenvolver a música e cultura da cidade, através de cursos com educadores e alunos da Instituição entre outros, a EMUFRN conta com outros Cursos de Extensão, sendo eles: Curso de Iniciação Artística (CIART) e Musicalização (permanentes), Canto, Piano, Acordeon, Contrabaixo acústico, Contra baixo elétrico, Violão popular, Violonista Mirim, Oboé, Musicografia braile, e Flauta doce para pessoas com deficiência visual (estes, com duração não permanente e tendo cada um sua própria organização com uma duração diferenciada conforme estipuladas pela coordenação de Extensão junto ao professor responsável). 3.1 OS PROBLEMAS ACARRETADOS COM A INTERRUPÇÃO DAS ATIVIDADES DO CURSO BÁSICO. Com a interrupção do curso nos moldes que se conhecia antes e sem previsão para uma possível reativação deste, toda a comunidade a quem o curso era oferecido perdeu provisoriamente o seu espaço de referência de formação musical básica. Na situação de interrupção, me pergunto: para onde vão as pessoas que querem começar a estudar canto ou um instrumento musical? Existem projetos sociais apoiados por órgãos municipais, estaduais e/ou instituições particulares e/ou Organizações Não Governamentais (ONG) que fornecem ensino de canto ou instrumentos musicais além de teoria musical. Esses projetos também possuem educação musical em nível inicial, alguns em formatos de oficinas e que tem como pontos positivos: a 18 Informação fornecida pelo Professor Danilo Guanais por meio de Questionário (Apêndice A), em Natal (3 de maio de 2013). 39 gratuidade do ensino, professores com boa formação musical, instrumentos de próprios da instituição que são disponibilizados para os alunos em doação ou em caráter de empréstimo provisório. Porém, em sua maioria, atendem a bairros carentes onde o trabalho é voltado para atender aos moradores de baixa renda selecionados de acordo com a política pedagógica do projeto e/ou de acordo com a quantidade de vagas disponibilizadas pela instituição, com faixa etária limitada, com habilitações/instrumentos musicais menos diversificados e com foco num objetivo social de utilizar a música como meio ou processo artístico na construção ou resgate cultural daquela determinada região. Existem também as aulas particulares que tem como boas características, por exemplo: o trabalho individualizado onde o professor atende as necessidades de um único aluno, não possui limitações de faixa etária, aulas podem ocorrer em domicílio ou local escolhido entre as partes interessadas, horários flexíveis, e em alguns casos, um programa com estudos e repertório voltado a atender o interesse do perfil de cada aluno. No entanto, as aulas particulares possui valor estipulado pelo próprio professor que pode variar em hora/aula ou mensalidade, as aulas nem sempre são ministradas por um profissional de formação específica, não tem duração em modalidades/etapas bem definidas, não possui certificação por não se enquadrar num determinado curso vinculado a uma instituição, e não proporciona ao aluno a socialização com uma comunidade escolar que geralmente ocorre através do convívio com os demais frequentadores de uma instituição. 3.2 PARA ONDE VÃO OS ALUNOS CONCLUINTES DO CIART E MUSICALIZAÇÃO, AMBOS DA EMUFRN? O Curso de Iniciação Artística (CIART) da EMUFRN funciona desde 1962. Conforme informações obtidas em CIART [20--?] este Curso é voltado para a educação musical tendo o teatro, as artes plásticas e a literatura como meios integrados de modo a enriquecer a experiência musical. O curso tem duração de três anos, preparando a criança para aquisição de consciência artística, além de trabalhar a independência, criatividade, coletividade e concentração, e é destinado a crianças a partir de 06 anos de idade. O Curso de Musicalização da EMUFRN possui aproximadamente 15 anos de existência e, segundo consta em MUSICALIZAÇÃO [20--?], tem como objetivo incentivar o interesse pelo fazer musical desenvolvendo a percepção auditiva da criança na pratica vocal e instrumental através de atividades realizadas em Coro, Bandinha Rítmica e Flauta Doce. A musicalização atende a uma faixa etária entre 8 e 10 anos de idade. 40 Esses dois Cursos no período em que atuei como monitora eram os cursos destinados às crianças e mantinham maior proximidade com o Curso Básico em relação a outros, pois durante o funcionamento regular de suas atividades as crianças concluintes do CIART ou do Musicalização eram indicadas a optar por uma das habilitações ofertadas para, através do estudo do instrumento escolhido, dar continuidade ao trabalho musical que desempenhavam anteriormente. As crianças que concluíam o CIART não eram indicadas a cursarem a Musicalização porque o trabalho musical realizado é semelhante, apenas sendo destinada a outra faixa etária. Com a interrupção temporária do Curso Básico, as crianças realmente interessadas em música tiveram que deixar a escola e aguardar a possível reabertura deste ou buscar a continuidade da formação musical em outros lugares. Infelizmente, nem todos os pais encontram esse espaço e essas crianças acabam por ter sua trajetória musical interrompida por tempo indeterminado. O que é uma perda significativa, pois as crianças estão em contínuo processo de aquisição de conhecimento, como afirma Fonterrada (2012) ao dizer que a música contribui para o desenvolvimento infantil e por meio da relação que se estabelece com a música a criança desenvolve suas habilidades corporais, perceptivas e sensíveis. Provavelmente as crianças concluintes do CIART ou da Musicalização por terem uma participação musical ativa e apresentarem interesse em se candidatar ao ingresso no Curso Básico (conforme mencionado anteriormente), sentiam-se realizadas em poder escolher um instrumento musical de sua preferência, o que não ocorria nos cursos anteriores frequentados (CIART e Musicalização), pois estes não trabalham com um único instrumento/habilitação. Essa relação entre os cursos CIART, Musicalização e Curso Básico era tão incentivada que os alunos formados nas turmas do CIART e/ou Musicalização, caso tivessem interesse, tinham direito a vaga reservada no instrumento /habilitação escolhido, ou seja, não concorriam com as vagas gerais destinadas à comunidade. Além disso, o Curso Básico era destinado à faixa etária a partir dos 10 anos, equivalente a dos alunos concluintes dos Cursos citados. Outra área que pode ter sofrido implicações com a interrupção das atividades regulares do curso Básico foi a de monitoria, pois havia uma grande quantidade de bolsas destinadas ao curso Básico. Apesar de o Curso Básico ter enfrentado dificuldades que se relacionaram à monitoria como falta de um treinamento de capacitação destinado aos monitores (conforme já foi mencionado), os alunos dos cursos de Graduação (Bacharelado e Licenciatura) e curso Técnico (CTM) perderam a oportunidade de adquirir experiência de atuação profissional que 41 era proporcionada através do programa de monitoria19 que tem como objetivos, conforme afirma no cap. II Art. 3º “Contribuir para a melhoria do desempenho acadêmico dos cursos de Graduação [...] para o processo de formação do discente e incentivar no monitor o interesse pela carreira docente.” (BRASIL, 2012). Além da aquisição de conhecimento profissional e da interação social da vivência entre o monitor e o professor/orientador e entre o monitor e seus alunos, o programa de monitoria documentava a participação desses monitores através de declaração devidamente assinada pela coordenação do Curso Básico. Esse documento servia para comprovar a participação deste como monitor/professor e consequentemente atestava sua experiência naquela área de atuação. Considerando a legitimidade e o comprometimento das ações da Instituição (EMUFRN) e do respeito que ela possui diante da comunidade e do mercado de trabalho, a participação deste aluno numa monitoria era altamente reconhecida inclusive dentro da comunidade escolar desta Instituição por parte dos seus próprios colegas e professores independente deste aluno ainda se encontrar em processo de formação acadêmica, pois se subentende que a sua participação na monitoria era derivada de uma competência que este aluno possuía e que a própria Instituição reconhecia, ao conceber o preenchimento da vaga de monitoria através de indicação de um professor orientador. Por exemplo, comigo ocorre, até os dias atuais, a referência ao período em que eu atuava como monitora da Instituição e através dessa experiência e de sua comprovação documental surgiu outras oportunidades de trabalho com atividades semelhantes às que eram realizadas durante a monitoria. Os alunos do Curso de Bacharelado e /ou do Técnico em Música interessados em bolsas de monitoria foram redirecionados e se concentram atuando como performers com o surgimento das bolsas destinadas aos músicos da Orquestra Sinfônica da UFRN que são em sua maioria destinadas a alunos com vínculos ativos nesses cursos. Para o preenchimento dessas vagas o candidato passa por um processo seletivo constituído de prova prática onde o candidato precisa executar as peças musicais exigidas em edital de seleção e que são divulgadas através do endereço eletrônico e fixadas nos murais (quadro de avisos) da EMUFRN. Atualmente os alunos do Curso de Licenciatura por se tratar de um curso destinado a formação de educadores, atuam em programas de monitoria (bolsas) que se Cap. I “Art. 2o O Programa de Monitoria da UFRN é uma ação institucional, efetivada por meio de projetos de ensino direcionados à melhoria do processo de ensino e aprendizagem dos cursos de Graduação e ao incentivo à formação docente, envolvendo professores e alunos na condição de orientadores e monitores, respectivamente.” (BRASIL, 2012). 19 42 concentram em sua maioria, mas não de forma exclusiva, no CIART (EMUFRN) e/ou no Programa de Iniciação à Docência (PIBID)20 que funciona em escolas regulares da rede pública de ensino que possuem parceria com a UFRN. Os licenciandos bolsistas são selecionados para o CIART de acordo com a necessidade e as vagas são divulgadas pela coordenação do Curso através de correio eletrônico circular ou fixada nos murais (quadro de avisos) da própria EMUFRN. Os candidatos se inscrevem enviando seus dados à coordenação do CIART onde depois de analisados são convocados a comparecerem a uma entrevista com a coordenação. Para ingressar no PIBID os alunos são selecionados mediante edital específico da UFRN/PROGRAD/PIBID- UFRN. (BRASIL, 2013). Com a interrupção das atividades do Curso Básico também perdemos, enquanto professores, provisoriamente a possibilidade de sonhar para os nossos alunos um caminho de continuidade e permanência na EMUFRN de modo que os alunos formados no curso Básico pudessem sentir interesse em participar de outros cursos na Instituição, e num sonho mais alto a participação deles no processo seletivo do Curso Técnico de Musica (CTM). Esse processo seletivo consiste em um Teste de Habilidade Específica (THE) que é composto por duas provas, sendo uma teórica (linguagem musical) e uma prática (audição de peças musicais). Na prova prática, exige-se um domínio mais aprofundado do canto/instrumento ao qual se pretende a vaga. O Curso Básico não possuía em seus objetivos a função de treinar os alunos para ingresso no CTM, pois o conteúdo trabalhado nele tanto no que se refere às aulas de linguagem musical (teoria musical) quanto às aulas práticas de canto/instrumento possibilitava acesso a uma formação musical em nível básico, porém, em minha opinião, os alunos que quisessem e/ou pudessem estudar, partiriam do ponto iniciado no Curso Básico para buscar aprimoramento individual no conhecimento musical e nos conteúdos exigidos nas provas do processo seletivo do CTM e dessa forma poderiam concorrer à vaga com mais chance de ingressar do que candidatos que não tiveram a oportunidade de adquirir nenhuma formação musical básica nem a oportunidade de frequentar escolas de música especializadas. Eu sempre quis e expus em minhas aulas a vontade de que pelo menos um dos meus alunos enxergasse no CTM e/ou Graduação em Música (Bacharelado e Licenciatura) a possibilidade de se aprimorarem no processo de aprendizagem musical que havia sido iniciado no curso 20 O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (PIBID-UFRN) compartilha os objetivos gerais do PIBID expostos no Artigo 3º do Decreto nº 7.219, de 24 de Junho de 2010, visando, essencialmente, fomentar a iniciação à docência de futuros professores dos cursos de licenciatura para atuarem no âmbito da Educação Básica, articulando teoria e prática, universidade e escolas, de forma a estimular o desenvolvimento do espírito científico nos licenciandos e nos alunos das escolas públicas envolvidas neste Programa. (BRASIL, 2013). 43 Básico, e quem sabe se profissionalizarem na área musical a fim de atuarem no mercado de trabalho destinado a esses profissionais. O processo seletivo (THE) para ingresso no CTM exige um domínio e habilidade musical em nível não iniciante, portanto os candidatos que geralmente conseguem ingressar no CTM precisam ter tido acesso a um conhecimento musical de qualidade, em linguagem musical (teoria musical) e em canto/instrumento, para se candidatarem às vagas disponíveis. Esses candidatos provavelmente são: Alunos que iniciaram seus estudos musicais no Núcleo de Formação de Instrumentistas da Zona Norte21, na Escola de Música Waldemar de Almeida da Fundação José Augusto (FJA), na Escola de Música Casa Talento, membros componentes de bandas sinfônicas ou grupos musicais das cidades do interior do Estado do Rio Grande do Norte como Cruzeta22, Serra Caiada, Serra Negra entre outros, alunos da Escola de Música da Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Rio Grande do Norte (IEADERN) componentes da Orquestra Filarmônica Evangélica Gênesis (OFEG) da IEADERN e ou da Escola de Música Municipal da cidade de Macaíba/RN23. Além de alunos que estudaram no Curso Básico e continuaram a formação musical na própria Instituição (EMUFRN) entre os quais posso citar (além da minha própria trajetória como já foi mencionada):André Kolodiuk Bacharel em Música com Habilitação em Violino pela UFRN e Mestre em Música pela Azusa Pacific University (APU) Califórnia/EUA, Ana Claudia Morais Licenciada em Música pela UFRN e aluna do Curso de Bacharelado em Música com Habilitação em Percussão e do Curso de Mestrado em Música pela UFRN, Leciana Oliveira Técnica e Bacharel em Música com Habilitação em Canto e aluna do Curso de Graduação em Música (Licenciatura) pela UFRN, Philipp Paiva Bacharel em Música com Habilitação em Viola pela UFRN, Israel Victor aluno do Curso de Graduação em Música (Bacharelado) com Habilitação em Violino (EMUFRN). Em resumo, apesar de o Curso Básico ter enfrentado dificuldades ao longo dos anos de funcionamento regular, e de não ter em seus objetivos a função de ser preparatório ele cumpria, indiretamente, também tinha o papel de incentivar a formação musical continuada. A essa questão o Professor Danilo Guanais junto com a equipe de professores e colaboradores envolvidos haviam apresentado em 2008 um Seminário de avaliação dos Cursos Básicos (extensão) que sugeria, também e não somente, a criação de um Curso Básico Avançado (Básico II) que entre outros aspectos possibilitaria a permanência dos alunos na 21 Atualmente Escola de Música do Serviço Social da Indústria (SESI). Atualmente (2012/2013) contemplada com o os Curso Técnico de Música do PROGRAMA NACIONAL DE ACESSO AO ENSINO TÉCNICO E EMPREGO (PRONATEC). 23 Fundada em junho de 2006 através de convenio firmado com a Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. 22 44 instituição e a continuidade do desenvolvimento musical, e serviria também como preparatório para a participação dos alunos no processo seletivo (THE) de ingresso no CTM. Infelizmente, pelas dificuldades já enfrentadas pelo Curso Básico, e pelo esforço empenhado em encontrar soluções para essas dificuldades de modo a permitir que o Curso Básico existente não chegasse a ter suas atividades regulares interrompidas, ou seja, pela urgência na resolução de outras questões inerentes ao Curso não foi possível transformar a ideia do Básico II em realidade porque este segundo Curso dependia do funcionamento pleno das atividades regulares do primeiro. Em geral a interrupção das atividades regulares do Curso Básico deixou a formação musical sem base inicial, não apenas ao que se refere à habilidade em canto ou instrumento proporcionada pelo estudo musical direcionado a uma habilitação específica, mas também ao que se refere à linguagem musical (teoria musical) tão significativa para a aquisição de conhecimento. Além de uma base inicial de qualidade a jornada musical precisa ter também um caminho contínuo e ascendente. Ou seja, a formação musical iniciada através do CIART e Musicalização ou nos demais cursos da EMURFN voltados para iniciantes servem de base e necessitam de um caminho de continuidade por onde os alunos possam seguir até alcançarem o Curso Técnico de Música (CTM) e/ou os Cursos de Graduação em Música (Bacharelado e Licenciatura). Acredito que para que a EMUFRN tenha em suas classes alunos com excelentes habilidades musicais da forma mais homogênea possível, sem ferir as saudáveis diferenças, será necessário investir na formação inicial, ou seja, na base desses alunos. Assim como ocorria nos antigos Cursos da Escola de Música (EM):24 Preparatório, Médio e Final, que demandavam em sua totalidade aproximadamente 9 anos de estudo e permanência na Instituição. Segundo o Professor Eugênio Lima (que ingressou no ano de 1975 como aluno dos Cursos Preparatório, Médio e Final) a participação nos Cursos da Escola de Música (EM) mudou a sua vida direcionando-o para a formação musical profissional que sempre foi sua vocação, além de contribuir significativamente para sua efetivação como professor da EM através de concurso e a realização do Curso de Mestrado em Música pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo ele, apesar de seu ingresso no Mestrado ter sido legalmente possível através do diploma de Graduação em Educação Artística pela UFRN (que possuía) sua aprovação na seleção se tornou possível através das habilidades adquiridas nos 24 A Escola de Música ao qual me refiro seguida da sigla EM no período ainda não era uma Unidade Acadêmica Especializada, funcionava como um órgão suplementar da UFRN. 45 Cursos da Escola de Música. Esses Cursos eram de tão boa qualidade que muitos que dele participaram como aluno se tornaram professores da EMUFRN entre os quais cito os professores Álvaro Barros, Danilo Guanais, Ronaldo Ferreira, Betânia Franklin, Maria Helena Barreto, e Catarina Shin.25 E ainda “tive a alegria de ter alunos que iniciaram estudando comigo no curso Preparatório e Médio, e hoje são professores da EMUFRN, inclusive o professor Dr. Zilmar Rodrigues de Souza que hoje é o diretor.” 26 25 Informação fornecida pelo Professor Eugênio Lima por meio de Questionário (Apêndice A), em Natal, em 22 de maio de 2013. 26 INFORMAÇÃO..., loc. cit. 46 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Durante a pesquisa sobre a história do Curso Básico encontrei algumas barreiras que impediram um aprofundamento maior nos dados quantitativos que pudessem enumerar partes integrantes e importantes daqueles que atuaram no curso no decorrer dos anos. Esses dados auxiliariam na reconstrução da importância do curso na formação musical de alunos e também na formação musical de monitores que tiveram durante seu período de estágio a oportunidade de vivenciar as experiências da atuação frente a uma sala de aula, não apenas sendo multiplicadores dos conhecimentos pedagógico e técnico que recebiam do seu professor/orientador, mas também por serem receptores do feedback dos seus próprios alunos. Parte dessas barreiras se dava ao fato da secretaria/coordenação do Curso Básico ter passado, também, por diversas mudanças (reformulações) em seu quadro de bolsistas e funcionários efetivos. Apesar desse setor ter contado com a ajuda de grandes colaboradores atuantes no Curso Básico e pelo Curso Básico até a interrupção de suas atividades regulares, a grande maioria deles não permaneceu atuando no setor tempo suficiente para que fosse possível, por mais boa vontade que tivessem esses profissionais envolvidos, juntar as partes que faltavam de uma ou de outra gestão que, por vezes, não manteve controle dos registros quantitativos dos alunos ingressos, egressos e concluintes durante o período total de funcionamento. Houve um determinado período em que a secretaria do Curso Básico pôde contar com um serviço de informação cadastral informatizada, através de um sistema interno de computação criado pela colaboração de um funcionário da Instituição, coordenador do setor de Tecnologia da Informação (TI). Durante o período destinado à minha pesquisa houve uma tentativa de se acessar os arquivos deste sistema, mas os dados arquivados não puderam ser acessados em sua totalidade porque o sistema estava desabilitado e não pôde ser recuperado a tempo de conclusão desta pesquisa. Diante das dificuldades apresentadas neste trabalho concluo que o Curso Básico não estava mais funcionando dentro da ideia na qual havia sido pensado. As reorganizações ocorridas ao longo dos anos de funcionamento alteraram o ensino de instrumento individual para coletivo e o trabalho de professores efetivos por monitores/bolsistas que, diferentemente da intenção, não corresponderam ao curso como deveriam, em consequência de não terem sido capacitados e/ou orientados como deveriam. Esses fatores junto a outros mencionados e pontuados nesse trabalho fizeram com que ele não conseguisse mais atender as expectativas e consequentemente não estava mais alcançando os resultados de outrora. Ou seja, o Curso 47 Básico que me acolheu como monitora não era o mesmo Curso Básico que havia proporcionado inspiração pessoal, conhecimentos, habilidades técnicas musicais capazes de permitir um caminho musical de continuidade que me levou ao curso Técnico (CTM) e à Graduação (Licenciatura), embora o Curso em nenhum momento declarasse esses objetivos. Provavelmente, em virtude das mudanças sofridas ao longo de sua trajetória, o Curso Básico nos últimos anos de funcionamento de suas atividades não possibilitou aos meus alunos e/ou aos demais alunos os subsídios necessários a uma educação musical continuada dentro da própria instituição, criando assim uma distância significativa entre o curso Básico e os outros cursos da EMUFRN. Em virtude dos obstáculos que foram surgindo ao longo da trajetória do Curso Básico a interrupção de suas atividades para uma reformulação foi realmente necessária, pois essa medida apontou uma tentativa de se resolver questões acumuladas que não se aplicavam a uma área isolada, mas a diferentes pontos que ocorriam em parte na relação de aprendizagem dos alunos, nas metodologias e ferramentas de ensino utilizadas por alguns monitores/professores e também na organização da administração/coordenação como foi mencionado anteriormente. É importante ressaltar que uma dificuldade inicialmente ocorrida numa determinada área pode ter afetado outras áreas subsequentes. De minha parte acredito na importância de registrar não só as propostas que deram certo e os caminhos que alcançaram bons resultados, como também e principalmente os pontos negativos, as ideias que não tiveram êxito, os erros, as dificuldades e etc. de modo que a partir desses registros a EMUFRN possa usar essas referências para a tão esperada reformulação. As informações apresentadas neste trabalho também podem servir para nortear a criação e/ou ampliação de outros cursos de formação musical básica na EMUFRN ou em outras Instituições que tenham interesse em promover cursos de iniciação musical com proposta semelhante. Esse trabalho aponta dentro do corpo do texto sugestões de pesquisadores engajados em contribuir para melhorias e modificações que foram apresentadas na tentativa de que o curso permanecesse ativo. Hoje, considerando que as atividades do Curso permanecem interrompidas mesmo com a coordenação deste, que reunida com alguns professores demais envolvidos tenha tentado se antecipar a algumas questões que infelizmente não foram suficientes para impedir a medida provisória de reformulação que encerrou as atividades do Curso e incentivou a criação de outras modalidades de Cursos de Extensão, reforço a utilização desses materiais (citados nesse trabalho) como fonte para uma melhor compreensão do assunto de modo que as possíveis soluções sugeridas pelos pesquisadores não sejam descartadas ou caiam no esquecimento. 48 Reconheço que uma possível reativação do Curso Básico demandaria num estudo consistente que vise fatores como: um espaço que comporte uma demanda que pode ser menor; um projeto político pedagógico que contemple a faixa etária que também pode ter abrangência reduzida; uma boa equipe de professores efetivos atuantes junto com monitores capacitados e treinados para essa função e etc. Enfim, não seria uma tarefa fácil, porém não impossível. Além de necessária, pois é preciso continuar contribuindo na formação musical de qualidade que fará com que os alunos sejam mais do que bons músicos como afirma Koellreutter (1977):27 Apenas um tipo de educação musical é capaz de fazer justiça a essa situação: a que aceita como sua missão a tarefa de transformar critérios e ideias artísticos em nova realidade, sobre o fundo das mudanças sociais; um tipo de educação musical para o treinamento de músicos que estarão capacitados a encarar sua arte como arte aplicada - isto é, como um complemento estético aos vários setores da vida e da atividade do homem moderno - e preparados para colocar suas atividades a serviço da sociedade. Em outras palavras, esta seria uma educação musical cujas categorias de treinamento, conteúdo e padrões de instrução iriam proporcionar uma relação realística entre o estudo e as realidades da vida profissional e que iria preparar os jovens músicos para uma carreira de real relevância na sociedade em que vivem. Mesmo impossibilitada de anunciar a previsão de uma possível reativação do Curso ou afirmar que haverá uma reformulação capaz de reativá-lo, acredito na qualidade das ações da EMUFRN, que continua sendo exemplo de excelência e referência incontestáveis no ensino musical, o que me permite concluir que ela é capaz de realizar todo e qualquer esforço que acredite ser necessário para a formação musical básica, e de permanência dos seus alunos de modo a contribuir para uma formação musical continuada plena e eficaz em todas as suas áreas. 27 Documento online não paginado. 49 REFERÊNCIAS BASTIAN, Hans G. Música na escola: a contribuição do ensino da música no aprendizado e no convívio social da criança. Tradução de Paulo F. Valério. São Paulo: Paulinas, 2009. (Coleção clave de sol. Série de musica e educação). BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental: arte. Brasília: MEC/SEF, 1998. Disponível em:<http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/arte.pdf>. Acesso em: 27 abr. 2013. ______. Congresso Nacional. Lei nº 11.769, de 18 de agosto de 2008. Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, Lei de Diretrizes e Bases da Educação, para dispor sobre a obrigatoriedade do ensino da música na educação básica. Brasília, DF, 18 ago. 2008. Disponível em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/lei/ L11769.htm>. Acesso em: 21 abr. 2013. ______. Ministério da Educação. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Resolução No 221/2012-CONSEPE, de 24 de outubro de 2012. Estabelece normas para o Programa de Monitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Disponível em:<http://www.sistemas.ufrn.br/shared/verArquivo?idArquivo=1341198 &key=61720265a0d455c89df3bf6470de1cef.> Acesso em: 22 maio 2013. ______. ______. ______. Resolução no 033/2013-CONSEPE, de 12 de março de 2013. Aprova Regulamento Interno do Programa Institucional de Iniciação à Docência - PIBIDUFRN. Disponível em:<http://www.sistemas.ufrn.br/shared/verArquivo? idArquivo= 1409139&key=5a6aac397fe99e33ead751912a25c0ae> Acesso em: 21 abr. 2013. CIART. [20--?]. Disponível em:<http://www.musica.ufrn.br/em/?page_id=67> Acesso em: 24 mar. 2013. CURSO Básico. [20--?]. Disponível em:<http://www.musica.ufrn.br/em/?page_ id=63>. Acesso em: 4 mar. 2013. EMUFRN abre vagas para Mestrado Acadêmico. 2012. Disponível em: <http://www.musica. ufrn.br/em/?p=3864>. Acesso em: 8 jun. 2013 FEITOSA, Jemima de Moura Carvalho. Ensino coletivo de teclado: um estudo realizado na Escola de Música da IEADERN. 2012. 52 f. Monografia (Graduação) – Escola de Música, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal. 2012. FONTERRADA, Marisa Trench. de O. Educação musical: propostas criativas. In: JORDÃO, G. et al (Coord). A música na escola. São Paulo: Allucci & Associados Comunicações, 2012. p. 96-100. 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Mossoró/RN: ABEM, 2009. p. 1-9. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE. Escola de Música. Regimento Interno. Natal, 2008. (Anexo da Resolução de no 007/2008-CONSUNI, de 29 de agosto de 2008). ______. Pró-Reitoria de Extensão (PROEX). Minuta da revisão normativa da Extensão da UFRN: das normas que regulamentam as ações de extensão universitária. [20--?]. Disponível em:< http://www.proex.ufrn.br/publicacao.php?aba=5&id=54542581>Acesso em: 22 maio 2013. 52 ANEXO A - Programa do Curso Básico de Violino no modelo antigo até 2010.1. Unidade I Diretrizes pedagógicas: Aquisição de uma postura geral correta para a produção dos primeiros sons. Desenvolver no aluno habilidades e competências para usar o corpo corretamente ao tocar. Objetivos: Posicionar os pés; Alinhar costas e pélvis; Relaxar ombros; Posicionar músculos do pescoço evitando a torção do músculo trapézio; Posicionar o violino observando a anatomia, o material ergonômico (queixeira e espaleira), o tamanho do violino e os ângulos em relação ao corpo do aluno e o chão; Posicionar mão e braço direito visando o equilíbrio do arco; Posicionar mão e braço esquerdo de acordo com seu tamanho na altura correta para a primeira posição visando à forma do intervalo de oitava; Relaxar o cotovelo esquerdo. Técnica: Movimento básico do membro superior direito nº 1; Exercícios para manter o arco paralelo; Arcadas elementares com variações rítmicas básicas; Iniciação ao sistema de afinação por reverberação com exercícios de comparação da afinação do terceiro dedo e corda solta utilizando pizzicatto; Movimentos Básicos do membro superior direito nº 2 e 3; Posicionamento do 2º e 1º dedos. Repertório: Suzuki Violin School volume 1; R. Bruce Weber: Der Frolich Violion vol. 1; B. Barber: Solos for young violinists vol. 1. Bibliografia: Kempter S.: How muscles learn; Fischer S.: Basics; Bosísio, P. Lavigne M.: Técnicas fundamentais de arco para violino e viola; Ross B.: A guide for a exquisity entonation. 53 Unidade II Diretrizes pedagógicas: Aquisição de técnicas básicas de leitura, técnicas básicas de estudo individual, aprimoramento da independência e dissociação muscular. Objetivos: Aumento de peso e rapidez à técnica de arco evitando tensão desnecessária; Aprendizado da articulação e independência dos dedos da mão esquerda; Percepção da afinação; Ampliação do repertório; Consciência corporal; Aprendizado dos símbolos básicos referentes à linguagem idiomática do violino. Técnica: Arcadas com arco inteiro; Colocação do quarto dedo tendo como referencial a corda solta mais grave; Movimentos básicos do membro superior direito nº 4 e 5; Escalas e arpejos em uma oitava nas tonalidades correspondentes as cordas solta; Exercícios de passagens de cordas; Exercício de fortalecimento da musculatura dos membros superiores. Repertório: Suzuki Violin School volume 2; R. Bruce Weber: Der Frolich Violion vol. 1; B. Barber: Solos for young violinists vol. 2. Bibliografia: Fischer S.: Basics. Bosísio, P. Lavigne M.: Técnicas fundamentais de arco para violino e viola. Ross B.: A guide for a exquisity entonation. Unidade III Diretrizes pedagógicas: Aquisição de subsídios interpretativos e símbolos de dinâmica com sua utilização prática, desenvolvimento e ampliação do repertório, preparação para a performance no palco. Objetivos: Adquirir capacidade de leitura musical através dos símbolos da partitura principalmente aqueles referentes ao uso do arco; 54 Ter a capacidade de reproduzir a partitura; Desenvolver noções básicas de expressão musical; Desenvolver técnicas e estratégias para a performance em público. Técnica: Movimento básico do membro superior direito nº 6 e revisão dos anteriores; Movimento do cotovelo esquerdo em escalas de duas oitavas; Exercícios preparatórios para mudança de posição com utilização do harmônico natural uma oitava acima da corda solta; Arpejos em 2 oitavas; Exercícios de respiração relacionados á expressão musical e relaxamento; Exercícios de iniciação ao vibrato; Golpes de arco básicos. Repertório: Suzuki Violin School volume 3; R. Bruce Weber: Der Frolich Violion vol. 2; B. Barber: Solos for young violinists vol. 3. Bibliografia: Kempter S.: How muscles learn; Fischer S.: Basics; Bosísio, P. Lavigne M.: Técnicas fundamentais de arco para violino e viola; Notas sobre o estudo das escalas maiores; Flesh C.: The Art of Violin. Unidade IV Diretrizes pedagógicas: Consolidação das competências e habilidades musicais utilizando a técnica e o repertório aprendido desenvolvendo naturalidade ao tocar. Objetivos: Identificar suas próprias necessidades através do som produzido desenvolvendo a capacidade de estudar sozinho. Técnica: Exercícios para desenvolver o controle do vibrato; Golpes de arco avançados; Tipos de mudança de posição; 55 Escalas e arpejos em diversos tons; Exercícios progressivos em primeira posição; Estudos com mudanças de posições simples. Repertório: Suzuki Violin School volume 4 e 5; R. Bruce Weber: Der Frolich Violion vol. 3; B. Barber: Solos for young violinists vol. 4, 5. Bibliografia: Kempter S.: How muscles learn; Fischer S.: Basics; Bosísio, P. Lavigne M.: Técnicas fundamentais de arco para violino e viola, Notas sobre o estudo das escalas maiores; Ross B.: A guide for a exquisity entonation; Flesh C.: The Art of Violin; Sitt H.: 100 Estudos vol. 1 e 2 56 ANEXO B – Plano de aula 2 do curso Básico com habilitação em Canto (2010) PLANO DE AULA 2 1ª Unidade Conteúdo: Técnica vocal: alongamento, relaxamento, respiração e vocalize. Vaccaj, lição I, (em grupo). Objetivos: 1. Iniciar o trabalho de conscientização corporal, através da técnica vocal; 2. Começar o estudo do método Vaccaj. Descrição e comentário das atividades: Fazer exercícios de relaxamento, alongamento, respiração e vocalizações. Utilizando o próprio exemplo vocal, o professor inicia o estudo da lição I do Método Vaccaj. Material utilizado: Piano, partitura do método Vaccaj, quadro branco e lápis para quadro. 57 ANEXO C - Carta aos alunos do Curso Básico (2003) Universidade Federal do Rio Grande do Norte Escola de Música Cursos Básicos em Música Caros alunos, Com as matrículas desta semana damos início às atividades acadêmicas para o semestre 2003.2. A partir do semestre 2004.1 estarão implantadas todas as modificações propostas pela coordenação para a reestruturação dos cursos básicos, visando a sua oficialização definitiva e o estabelecimento de uma proposta político-pedagógica que garanta maior eficácia de ensino e administração. A consolidação dessa nova proposta torna este semestre um período de importantes adaptações e transições. As características de funcionamento acadêmico, as taxas de inscrição, emissão de certificados e declarações, registros, etc permanecerão inalterados por enquanto. As aulas, desde já, tenderão a sofrer modificações, principalmente no que diz respeito: - ao quadro de professores, alterado pela suspensão, por término de prazo legal, do programa de monitoria na EMUFRN, o que afetou principalmente os Cursos Básicos. ao horário das aulas, que passa a observar o horário universitário. à conjunção de algumas turmas individuais em turmas coletivas, um procedimento característico do curso. Outras modificações serão implantadas somente a partir do semestre 2004.1 e serão fruto de discussões e debates entre alunos, professores, coordenação e direção. Entre os pontos de mudança já previstos estão: - - - a adoção de um modelo de auto-gestão para os Cursos Básicos (uma vez que, oficialmente, não há repasse do governo federal para estes cursos). a redução do tempo de curso para 4 semestres (instrumento, canto, linguagem e leitura musical), com certificação baseada em módulos, ou seja, cada semestre assume o perfil de um mini-curso. a suspensão do teste de seleção como requisito para matrícula, que passa a ser feita por ordem de chegada (instrumento, canto, linguagem e leitura musical). o critério de avaliação, que passa a basear-se essencialmente na presença, participação e produção. a implantação de um calendário pedagógico fixo, composto de reuniões para discussão e planejamento. o estabelecimento de uma política mais coerente no que diz respeito à isenção de taxas e ao programa de estágio. a dissociação dos cursos de Teoria Musical dos cursos de instrumento e canto (o curso de Teoria será dividido em dois novos cursos: Leitura Musical e Linguagem Musical que passarão a ser optativos). a adaptação das taxas de inscrição à nova realidade de auto-gestão. Como qualquer processo de mudança, a reestruturação dos Cursos Básicos da EMUFRN exigirá de todos nós uma parcela significativa de comprometimento e compreensão para que as medidas, que objetivam o melhor aproveitamento do esforço da coletividade em educar para a formação de um cidadão mais pleno e mais sensível, tenha o efeito esperado. Atenciosamente, Danilo Guanais, coordenador. Alvaro Barros, vice-coordenador. Natal, 18 de agosto de 2003. _________________________________________________________________________________ 58 ANEXO D – Carta aos pais e alunos do Curso Básico de Música da EMUFRN (2012) Carta aos pais e alunos do Curso Básico de Música da EMUFRN Caros Pais e alunos, O Curso Básico de Música da EMUFRN encontra-se em processo de reformulação. Portanto, não teremos ofertas de vagas para 2012. O objetivo desta ação é a implantação de um novo curso de iniciação à Música, que atenda de maneira mais eficaz aos anseios e necessidades da nossa comunidade e da nossa cidade. O novo curso de iniciação à Música será implantado durante o ano de 2012, para matrículas de novos alunos a partir de 2013. Ele foi pensado para um período maior, com uma nova equipe de professores, mais preparada e com novas ferramentas pedagógicas, com a melhor equipagem dos espaços físicos do curso e com material didático próprio. Desta maneira, os alunos matriculados até o presente momento receberão um certificado de conclusão do módulo em que se encontram. Este certificado será uma das ferramentas a ser utilizadas nos exames de seleção para o novo curso em 2013. Todos os procedimentos relativos às transferências de alunos entre o Curso de Iniciação Artística (CIART) e Musicalização Infantil para o curso básico, agora encerrado, não ocorrerão no ano de 2012, que servirá como um período de transição. Eles serão transferidos para o semestre inicial de 2013. Para que esse necessário período de transição ocorra com o menor transtorno possível aos alunos, a EMUFRN está programando para o ano de 2012 a oferta de cursos sazonais de dois semestres em diversas modalidades e destinados a diversos perfis de alunos. As informações sobre esses cursos estarão disponíveis na coordenação de extensão (3215-3635) a partir de 05 de março de 2012. Essas ações relacionam-se exclusivamente aos cursos básicos. Os cursos de Iniciação artística (CIART) e de Musicalização infantil seguirão suas atividades normalmente em 2012. Atenciosamente, Danilo Guanais Coordenador do Curso Básico 59 APÊNDICE A - QUESTIONÁRIO DE PESQUISA Monografia / Tema: Curso Básico de Música da EMUFRN Autora: Larissa Paiva Identificação/Nome: ______________________________________________________________________ Data da Aplicação: ___________________________ 1 – O Senhor (a) participou ou conheceu o Curso de Extensão que antecedeu o curso Básico de Música da EMUFRN? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 2 – Caso tenha participado. Qual foi a contribuição deste Curso para você? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 3 – O que aconteceu nos últimos anos para as mudanças nas políticas de extensão que resultaram na abertura do curso Básico ? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 4 – Em que você contribuiu, enquanto professor, para o curso Básico? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 5 – Como o curso Básico foi pensado. Quais eram os seus objetivos? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 6 – Porque o Curso Básico teve suas atividades interrompidas? 60 ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 7 – Em sua opinião o curso Básico tem possibilidade de ser reativado? Justifique. ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 8 – De que forma a EMUFRN pretende contemplar a demanda externa que havia para o curso Básico? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________