III Conferência Estadual de Saúde Mental - Intersetorial Saúde Mental, direito e compromisso de todos: consolidar avanços e enfrentar desafios. Local: Hotel Fazenda Mato Grosso 20 e 21 de maio de 2010 RELATÓRIO FINAL Governo do Estado de Mato Grosso Secretaria de Estado de Saúde SES RELATÓRIO FINAL DA III CONFERÊNCIA ESTADUAL DE SAÚDE MENTAL DO ESTADO DE MATO GROSSO Cuiabá, Maio de 2010 FICHA CATALOGRÁFICA C 748 Conferência Estadual de Saúde Mental do Estado de Mato Grosso. (3: 2010:Cuiabá, MT). Relatório Final da III Conferencia Estadual de Saúde Mental do Estado de Mato Grosso./ Cuiabá: SES – Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso, 2010. 1.Saúde Mental. 2.Reforma. I.Título. CDU 159.91 Elaboração e informações: Conselho Estadual de Saúde – CES Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso Superintendência de Atenção à Saúde – SAS Conselho Estadual de Saúde - CES Coordenadoria de Ações Programáticas e Estratégicas – COAPRE Área Técnica Saúde Mental Centro Político Administrativo, Bl 05, CEP 78.050-970, Cuiabá-MT Tels. (65) 3613-5469/5339 E-mail: [email protected] Organizadores deste Relatório: Áurea Assis Lambert Karem Dall’aqua Vargas Maria Aparecida G. Corrêa Milhomem Marion Barros Ferreira Almeida Silvana Cardoso Gomes EXPEDIENTE Governador do Estado de Mato Grosso Silval Barbosa Presidente do Conselho Estadual de Saúde e Secretário de Estado de Saúde de Mato Grosso Augusto Carlos Patti do Amaral Secretário de Estado Adjunto de Saúde de Mato Grosso Vander Fernandes Secretaria Geral do Conselho Estadual de Saúde Ivan Utsch Seba Superintendente de Atenção Integral à Saúde Maria Conceição E. Villa Coordenadora de Ações Programáticas Estratégicas Áurea Assis Lambert 240 Apoio Técnico Aline Régia Ferreira Ribeiro 242 Apresentações culturais - Grupo Mandala - Os Bengalas - Grupo Tibanaré - Batata Quente Instituições colaboradoras Associação de Usuários, familiares e amigos da saúde mental “Maria da Praça” Associação Matogrossense de Psiquiatria Centro Universitário de Várzea Grande - UNIVAG Conselho de Entorpecentes – Conselho Estadual de Políticas sobre Drogas Conselho de Secretários Municipais de Saúde de Mato Grosso COSEMS Conselho Estadual de Direitos da Pessoa Humana Conselho Regional de Enfermagem - COREN Conselho Regional de Psicologia - CRP Conselho Regional de Serviço Social - CRESS Secretaria de Estado de Cultura – SEC Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Publica – SEJUSP Secretaria de Estado de Educação - SEDUC Secretaria de Estado de Trabalho, Emprego e Cidadania - SETECS Universidade Federal de Mato Grosso – Faculdade de Ciências Médicas SUMÁRIO PÁGINA 1. Apresentação..................................... 08 2. Organização e Estrutura..................... 10 3. Propostas aprovadas.......................... 18 4. Moções............................................... 33 5. Considerações Finais......................... 35 6. Anexos................................................ 37 APRESENTAÇÃO Conferência de Saúde é um mecanismo democrático e espaço legal de participação e controle social pela qual a sociedade, de forma representativa direta avalia as ações da gestão governamental e propõe diretrizes para as políticas públicas do SUS. Neste sentido, o Estado de Mato Grosso se esforça para a construção de ações intersetoriais, que é um dos principais desafios colocados à atenção em saúde mental, onde a co-responsabilização dos diferentes setores pela garantia da saúde como direito humano e de cidadania, pode promover intervenções para melhoria da qualidade de vida. Em Mato Grosso aconteceram duas Conferências de Saúde Mental (1991 e 2001), que produziram importantes deliberações e subsídios para a Política Estadual de Saúde Mental. Nesta III Conferência Estadual de Saúde Mental – Intersetorial (IIICESMT-I) reafirmam-se os ideais da Reforma Psiquiátrica, que nestes quase 10 anos de existência sob a vigência da Lei Federal 10.216/2001, o SUS Mato Grosso ampliou significativamente a rede de serviços extra-hospitalares. A III CESM-I origina-se do Decreto nº 2495 de 22 de abril de 2010 da Resolução nº 08/2010 do Conselho Estadual de Saúde de Mato Grosso, homologada pelo Secretário Estadual de Saúde em 17/03/2010. Esta foi uma das etapas para a realização da IV Conferência Nacional de Saúde Mental – Intersetorial – IV CNSM-I. Este evento representou mais uma conquista do SUS Mato Grosso, do Conselho Estadual de Saúde em conjunto com a Coordenação de Ações Programáticas Estratégicas-COAPRE/Área Técnica de Saúde Mental, da Secretaria de Estado de Saúde, pois foi um momento reflexivo e analítico para avançar a partir de experiências no cuidado e na gestão. Esta Conferência, em seus objetivos e eixos, adotou como conceitoschave direitos humanos, cidadania, organização de rede de assistência, a questão da democracia e das políticas públicas, revelando a abrangência, a novidade e o forte caráter interdisciplinar e intersetorial da Saúde Mental. A intersetorialidade tem uma relação direta com a proposta internacional de promoção da saúde debatida por meio das Conferências Internacionais de Promoção da Saúde as quais defenderam a responsabilidade e o empenho de todos para a conquista da qualidade de vida. Para tanto é necessário que a sociedade se mobilize com vistas para a construção de municípios saudáveis voltados para a valorização das pessoas respeitando as diversidades físicas, étnicas e culturais. Organização e Estrutura A realização da III CESM-I de Mato Grosso baseou-se na chamada para a IV Nacional de Saúde Mental – Intersetorial com as seguintes motivações: 1. A última conferência de saúde mental (III CNSM) aconteceu em 2001, portanto configura tempo extrapolado para realização de conferências, já que é recomendado que se realize a cada 4 anos. 2. Na XIII Conferência Nacional de Saúde, em 2007, ocorreu uma Moção, a de nº 12, que apoiava da realização da IV CNSM. 3. A necessidade de atualização do debate da saúde mental com os diversos setores da sociedade. 4. O atual cenário da Reforma Psiquiátrica, que indica novos desafios para a melhoria do cuidado em SM no território, sendo fundamental o desenvolvimento de ações intersetoriais, com ênfase nos direitos humanos, assistência social, educação, justiça, cultura, trabalho, transporte, entre outros. 5. A reivindicação dos usuários e familiares da saúde mental pela realização da IV CNSM apresentada em audiência realizada no MS, em outros ministérios e órgãos de governo, durante a Marcha da Saúde Mental, em 30 de setembro de 2009. 6. Recomendação da reunião ampliada da Comissão Intersetorial de Saúde Mental, (CISM), 21 e 22 de outubro de 2009. 7. Resolução do Conselho Nacional de Saúde Nº 433-205, em reunião ordinária, nos dias 13 e 14 de jan/2010. As considerações a nível estadual foram: 1. O espaço considerável de tempo sem realizar uma conferência com a temática de saúde mental. A última foi em 2001. 2. A grande demanda de ações para a assistência às pessoas com dependência química, considerando a conjuntura mundial de vulnerabilidades para a iniciação ao uso e abuso de substâncias psicoativas. 3. A necessidade de fortalecimento das relações e ações intersetoriais. O tema Central da III CESM-I foi: Saúde Mental: direito e compromisso de todos - consolidar avanços e enfrentar desafios, seguindo o tema nacional da IV CNSM-I. Os eixos e sub-eixos: Eixo I: Saúde Mental e Políticas de Estado: pactuar caminhos intersetoriais Eixo II: Consolidando a rede de atenção psicossocial e fortalecendo os movimentos sociais. Eixo III: Direitos humanos e cidadania como desafio ético e intersetorial. Objetivos da III CESM-I de Mato Grosso: a) Debater temas relevantes para o campo da Saúde Mental, assim como os avanços e desafios da Política Estadual de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, na perspectiva da intersetorialidade. b) Promover o debate da saúde mental com os diversos setores da sociedade no atual cenário da Reforma Psiquiátrica, contemplando ações intersetoriais, com ênfase nos direitos humanos, assistência social, educação, cultura, justiça, trabalho e esporte, entre outros. c) Deliberar propostas de melhoria das políticas públicas para as três esferas de governo, na atenção às pessoas com transtornos mentais e dependência química, focando a articulação e responsabilização das diversas políticas sociais setoriais. A Comissão Organizadora promoveu uma Reunião Ampliada com o objetivo de fomentar a reflexão e discussão para elaboração de propostas de melhorias na atenção à saúde mental de âmbito estadual. Local: Escola de Saúde Pública Data: 03 de maio de 2010 Nº de Participantes: 67 Carga horária: 8 horas Programação da Reunião Ampliada: - Ms Áurea Assis Lambert – COAPRE/SES/MT área técnica Saúde Mental - Profª Dra. Wildce da Graça Araújo Costa ISC/UFMT e Presidente da Comissão de Estudos de Direito Sanitário e Defesa do Direito à Saúde/OAB/MT - Representantes da Educação, Assistência Social, Justiça (NUPS). Fórum da Economia Solidaria 8:45 h Apresentação da situação atual da saúde mental em MT 9:05 h Tema Central: “Saúde Mental direito e compromisso de todos: consolidar avanços e enfrentar desafios.” 9:50 h Painel sobre Intersetorialidade 10:50 h Debate 11:20 h Trabalho de Grupos 15:30 h Plenária Final: Levantamento de propostas Número de Conferências de Saúde Mental realizadas em Mato Grosso, segundo modalidade. Mato Grosso, 2010. Tipo de Conferência Municipal Intermunicipal Microrregional Regional Total Quantidade 23 02 07 12 44 Foram realizadas 2 reuniões ampliadas em dois municípios. Ao todo, no Estado de Mato Grosso, aproximadamente 5.500 pessoas estiveram envolvidas nas conferências municipais, intermunicipais, microrregionais, macrorregionais e regionais. PROGRAMAÇÃO DA III CESM - I - Credenciamento e entrega de material - Solenidade de abertura - Apresentação Cultural (Instituto Mandala – Mandala Soul) - Leitura do Regulamento da III Conferência Estadual de Saúde Mental - Intersetorial - Conferências de Abertura: 1º TEMA: Saúde mental e políticas de Estado: pactuar caminhos intersetoriais Alfredo Schechtman - Representante do Ministério da Saúde Ms. Áurea Assis Lambert - Coordenadora Estadual de Saúde Mental 2º TEMA: Consolidar a rede de atenção psicossocial e fortalecer os movimentos sociais Dr. Luciano Elia – Supervisor da rede infanto-juvenil do RJ, consultor do Ministério da Saúde 3º TEMA: Direitos humanos e cidadania como desafio ético e intersetorial Dra Silvana Correa Viana – Procuradora de Justiça da Procuradoria Especial de Defesa do Patrimônio Público - Mário Nascimento Correa – Presidente da Associação Matogrossense de Usuários, familiares e parceiros de Saúde Mental “Maria da Praça” - Debate - Almoço - Alongamento Divertido – Alberto Yassuo Yoshiara - Grupos Temáticos - Coffee Break - apresentação cultural com o grupo Batata Quente - Continuação Grupos Temáticos - Mostra de Saúde Mental - Plenária Final - Almoço - Apresentação Cultural – Vida de Palhaço com Eloah Pimenta e Alberto Yassuo Yoshiara - Plenária final - Coffee Break - Apresentação cultural – Os Bengalas (Instituto dos Cegos) - Eleição de delegados para a IV Conferência Nacional de Saúde Mental e Encerramento Durante a realização da III CESM-I foi realizada a Mostra de Saúde Mental com exposição de 16 trabalhos na modalidade “Poster”. Segue abaixo a relação dos posters apresentados: AUTORES 1 2 1. Ana Lúcia Leandro Gouveia 2. Glauci Maria Ferreira 3. Renata Simões Picerne 1. Soraya Danniza B. M. Simon 2. Renata Cristina Giroto F. da Silva 1. Veline Filomena Simioni TÍTULO INSTITUIÇÃO Uma Experiência em Cinema CIAPS Adauto Botelho Projeto Terapêutico e ações matriciais em saúde mental: relato da experiência do CAPS II de Várzea Grande. O lugar da família na CAPS II DE Várzea Grande UNIVAG e CIAPS 2. Tatiane Crozetta 3 Juliana Borges de Oliveira 4 5 6 7 1. Elizabeth Hertel L. Botelho 2. Flávia Ramos Duarte 3. Michéli da Silva Jacobi 4. Pâmella Suelen Alvarez Porto 5. Regina da Silva Ramalho 6. Rosangela Kátia S. M. Ribeiro 7. Clóvis Botelho 1. Delma Perpétua Oliveira de Souza 2. Virgínia de Albuquerque Mota. 1. Soraya D. B. Miter Simon 2. Cristina Zuita de F. Dias Ferreira 3. Marli Marilda R. Bittencourt 1. Juliana Borges de Oliveira 8 9 1. Celi Bernardes Valença 2. Luciana Gomes de Souza 10 Robson Alves de Paula 1. Valéria Vuolo 2. Marina Fiorenza 11 3. Greice Rosa Ponce 4. Luciane Cassini. 1. Alcindo José Rosa 2. Euller Jamison L. 12 Sacramento 3. Lorival Golfe 4. Rafael José Triches Nunes 5. Samir Rodrigues Faria saúde mental: considerações sobre o trabalho clínicoinstitucional nas internações e pronto atendimento do CIAPS Adauto Botelho Relato de um Grupo Cultural no CAPS ad sob a ótica da Terapia Ocupacional Adauto Botelho Motivação como fator responsável pelo sucesso na cessação do tabagismo ISC /UFMT UNIC Uso de Álcool e Alcoolismo: Problema de Saúde Pública. ISC/UFMT Oficinas Terapêuticas como instrumento de humanização na assistência aos usuários de álcool e outras drogas A Contribuição das Oficinas Terapêutica na reabilitação do usuário do Centro de Atenção Psicossocial de Várzea Grande-MT Oficina Terapêutica Aniversariantes do Mês CAPS II de Várzea Grande Apresentação do CAPSAD e suas ações de integralidade visando a promoção da saúde CAPS AD CIAPS Adauto Botelho CAPS II – Várzea Grande MT CAPS Infantil de Cuiabá/ SES/MT. SES/CIAPS/CAPSAD CAPSi Cuiabá-MT Projeto terapêutico global do CAPSi de Cuiabá-MT Características de um serviço asilar e suas interfaces com a rede de saúde mental em Rondonópolis-MT UFMTRondonópolis 6. Thiago Hudson de Sousa Bianchini 1.Luiza Neves de Oliveira 13 Reno 2. Nadir Maria Metzner 3. Priscila Batistuta Nóbrega 4. Sandra Cristina de Figueiredo 5. Abdalla T. Angeli Povoas 6. Vera Lúcia Camargo Marques Grupo terapêutico – uma ferramenta para operacionalização da justiça terapêutica em Cuiabá-MT NUPS/JECRIMTJ/MT Demonstrativo dos participantes da III CESM-I de Mato Grosso, segundo a modalidade Modalidade de Participação Nº Delegados Convidados Observadores Ouvintes TOTAL 156 66 20 30 272 Setores e instituições envolvidas na organização da III CESM-I Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT Universidade de Cuiabá – UNIC Centro Universitário Cândido Rondon - UNIRONDON Centro Universitário Várzea Grande - UNIVAG Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública - SEJUSP Secretaria de Estado de Saúde - SES Secretaria de Estado de Educação - SEDUC Secretarias Municipais de Saúde – CAPS, Atenção Básica Secretaria de Estado de Cultura - SEC Poder Judiciário – Núcleo Psicossocial (NUPS) Distrito Sanitário Especial Indígena - DSEI Xavante Ministério Público Estadual - MT Conselho Municipal de Políticas Anti-Drogras - COMAD Cuiabá Conselho Estadual de Políticas Anti-Drogas - CONEN Centro de Referência de Saúde do Trabalhador - CEREST Fundação Nacional de Saúde - FUNASA Conselho Estadual de Saúde - CES Conselho de Secretários Municipais de Saúde - COSEMS Organização Não Governamental - Resgate da Vida Fundação Nova Suíça Conselho Estadual de Segurança Alimentar - CONSEA Hospital Universitário Júlio Muller - HUJM Associação de Usuários e Familiares da Saúde Mental Maria da Praça Conselho Regional de Enfermagem - COREN Conselho Regional de Psicologia - CRP Conselho Regional de Serviço Social - CRESS Associação Matogrossense de Psiquiatria – AMP ORGANIZADORES DA III CONFERÊNCIA ESTADUAL DE SAÚDE MENTAL – INTERSETORIAL DE MATO GROSSO Coordenadora Geral: - Áurea Assis Lambert Coordenadoras Adjuntas: - Maria Aparecida de Amorim Fernandes - Geny Catarina Francisca Rodrigues Lopes - Marion Barros Ferreira Almeida Secretária Geral: - Ana Maria Boabaid Carvalho Couto Secretária Adjunta: - Soraia Pinto Tamberi Rodrigues Maciel - Marlanda Freire Aragão Relatoras: - Silvana Cardoso Gomes - Maria Aparecida G. Corrêa Milhomem - Karem Dall”Acqua Vargas - Edilanne Tomazelli - Soraya Daniza Barbosa Miter Simon - Priscila Batistuta de Nóbrega Comissão de Orçamento, Finanças, Administrativo - Alessandra Bárbara Pereira Leite -José Alves Martins - Marivanda Inez R. P Eilert - Vera Verney Leal dos Santos - Maria Francisca Silva Comissão Científica e Temática - Rita de Cássia Desidério Cutiaro - Maria Helena Bragança - Ângela Cristina César Terzian - Débora Blanco Canavarros Infraestrutura e Apoio - Daniela Santos Bezerra - Adriana Guirado Rao - Irene Maurício do Nascimento de Lima - Terezina Fátima Paes de Arruda - Cláudia Cristiane de Abreu - Hulda de Souza Prado Comissão de Informação, Comunicação e Cultura - Eunice Fátima Pedreira - Jaqueline Nunes de Siqueira - Vânia I. B. M. Nardelli - Isdenil Evangelista da Silva - Maria Luciley de Magalhães Comissão de Apoio às Regionais - Arnaldo Borges Filho - Edvânia Lourdes da Silva Lima de Oliveira - Orlando Francisco - Juliane Trindade Alves PROPOSTAS APROVADAS NA III CESM-I A legenda abaixo é a mesma adotada pela comissão de relatoria da IV CNSM-I e este formato é o mesmo que foi enviado para o sistema de informação do Ministério da Saúde (FormSUS). Legenda – classificação das propostas: PPN: Proposta Prioritária para nível nacional PPE: Proposta Prioritária para nível estadual PNPN: Proposta Não Prioritária para nível nacional PNPE: Proposta Não Prioritária para nível estadual PNPSE: Proposta Não Prioritária sem especificação de nível. EIXO 1 – SAÚDE MENTAL E POLÍTICAS DE ESTADO: PACTUAR CAMINHOS INTERSETORIAIS (Eixo da Política e da Pactuação) A política de saúde mental legitimada por seu arcabouço legal propõe a construção de uma rede de atenção à saúde mental inclusiva e substitutiva àquela centrada nos hospitais psiquiátricos. A palavra “rede” tem origem do latim e diversas definições foram somando-se a esta expressão ao longo dos tempos, dentre elas podemos destacar: são sistemas que reúnem indivíduos e instituições de uma forma democrática e participativa voltados à conquista de um objetivo comum; são modelos organizacionais horizontais voltados para a resolução de problemas; ou, redes são estruturas abertas com capacidade de expansão ilimitada (OPAS, 2008). Ainda que as definições não se esgotem nestas aqui apresentadas, é possível identificarmos a pertinência das mesmas ao repensarmos a organização da rede de atenção à saúde mental, cujo serviço integrador deve ser o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) responsável por dar acesso, integrar e matriciar os demais serviços na busca pela integralidade da atenção aos usuários de saúde mental. Ao falarmos em redes de atenção à saúde, não podemos deixar de citar a proposta de modelagem de redes defendida por Mendes (2007). O autor propõe uma modelagem destas redes que considere as diferentes realidades do país e, para isto, ressalta três elementos fundamentais: uma população definida, a existência de pontos de atenção à saúde integrados por um ponto comunicador e, um modelo de atenção adequado para a realidade previamente diagnosticada. Nesta proposta os pontos de atenção devem estar organizados em níveis de atenção com densidades tecnológicas crescentes e distribuídos num território sanitário ora de forma dispersa, ora de forma concentrada. Aqueles pontos de atenção cuja distância se constitui num fator fundamental para a garantia do acesso e a resolubilidade das ações devem estar mais próximos dos usuários, a exemplo disto podemos citar as unidades de atenção básica. Já aqueles que se beneficiam das economias de escala e de escopo podem concentrar-se a fim de garantir a continuidade da atenção com vistas para a qualidade, a exemplo disto podemos apresentar os CAPS. No entanto, o autor adverte que nos pontos concentrados deve-se ter um olhar especial para o princípio do acesso e este se sobrepõe aos da economia de escala e escopo, pois a razão de existir de uma rede de atenção à saúde é a garantia do direito à saúde de seus usuários. A intersetorialidade tem uma relação direta com a proposta internacional de promoção da saúde debatida por meio das Conferências Internacionais de Promoção da Saúde as quais defenderam a responsabilidade e o empenho de todos para a conquista da qualidade de vida. Para tanto é necessário que a sociedade se mobilize com vistas para a construção de municípios saudáveis voltados para a valorização das pessoas respeitando as diversidades físicas, étnicas e culturais. Outra proposta amplamente debatida durante a III Conferência Estadual de Saúde Mental – Intersetorial do Estado de Mato Grosso foi a regulamentação da Emenda Constitucional 29 cuja razão se justifica diante da instabilidade do financiamento do setor saúde desde a criação do Sistema Único de Saúde (SUS). Sendo assim, as propostas abaixo apresentadas têm como objetivo democratizar a contínua construção da política de saúde mental, bem como expressa o exercício da cidadania por meio do princípio de participação e controle social do SUS. Sub-eixo 01: Organização e consolidação da rede 01: PNPE Efetivar os fluxos de referência e contra-referência aos usuários de saúde mental. 02: PPN Criar políticas públicas para atendimento de usuários de crack (pasta base) em unidade de saúde fechada para desintoxicação de no mínimo 30 dias. 03: PPE Garantir leitos psiquiátricos para usuários de saúde mental e leitos clínicos para desintoxicação em hospitais gerais para usuários da saúde mental. 04: PNPE Efetivar a atenção primária em saúde mental na Estratégia Saúde da Família. 05: PPE Garantir a atenção integral aos portadores de transtornos mentais em toda a rede de atenção à saúde, inclusive àqueles usuários privados de liberdade. 06: PNPE Implantar referência e contra-referência informatizadas (em rede) CRAS, CREAS, CAPS, SUS, Educação e Secretaria de Saúde. 07: PNPE Implantar CAPS em todas as modalidades de acordo com as necessidades microrregionais. 08: PNPE Implantar o NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família) garantindo profissional capacitado em Saúde Mental em cada município. 09: PNPE Implantar Serviço de Atendimento Móvel de Urgência Municipal que inclua o atendimento qualificado em Saúde Mental. 10: PNPN Garantir a implantação de Unidades de CAPS - Centro de Atenção Psicossocial (com recurso financeiro necessário e capacitação profissional) de acordo com a demanda dos municípios independente de número de habitantes. 11: PNPE Agilizar a regulação para a avaliação neurológica e psiquiátrica no serviço de média e alta complexidade. 12: PPN Rever a portaria ministerial 336 para implantar serviço de saúde mental por indicação epidemiológica. 13: PNPSE Garantir a priorização da Saúde Mental nas pactuações em três níveis de atenção do SUS. 14: PNPN Reformular os Núcleos de Assistência da Saúde da Família (NASF) para inclusão dos municípios de pequeno porte. 15: PNPE Implantar centros de recuperação intersetorial com equipe multiprofissional capacitada para trabalhar no atendimento a usuários de álcool e drogas em nível regional/estadual. 16: PNPE Implantar pronto atendimento em saúde mental nos hospitais regionais do estado. 17: PPE Garantir acessibilidade aos serviços de saúde mental. 18: PNPE Garantir a pactuação de leitos psiquiátricos em hospitais públicos e privados (hospitais gerais) juntamente com outros serviços de média e alta complexidade conforme a política nacional de Saúde Mental. 19: PNPE Agilizar a municipalização do plano operativo de saúde no sistema prisional, garantindo a melhoria da atenção em saúde aos privados de liberdade. 20: PNPN Que a FUNASA articule junto ao serviço público visando o cumprimento da legislação vigente, garantindo transporte de ida e volta e o acesso da população indígena aos serviços especializados em saúde mental para (álcool e drogas) CAPS AD. 21: PNPSE Fazer cumprir a Lei 10.216/2001 em especial o acesso ao tratamento na rede substitutiva, centros de convivência e projetos de inclusão produtiva. Sub-eixo 02: Financiamento 22: PNPSE Reavaliar tetos financeiros das diversas modalidades de CAPS. 23: PNPN Assegurar recursos financeiros através do Ministério da Saúde para construção, ampliação e aquisição de equipamentos em saúde mental extrahospitares. 24: PNPSE Destinar parte dos valores arrecadados sobre a veiculação de propagandas de drogas lícitas para o financiamento de políticas de saúde mental. 25: PNPN Regulamentar a EC nº 29. 26: PNPE Criar incentivo financeiro aos hospitais gerais que ampliarem sua estrutura física para atender a nível municipal e/ou regional disponibilizando leitos psiquiátricos. 27: PNPSE Garantir que o custeio dos tratamentos aos usuários de saúde mental, bem como as ações de promoção de qualidade de vida e de proteção e prevenção de transtornos mentais e drogadição sejam garantidos pelas três esferas de governo. 28: PNPSE Garantir recursos financeiros para implantação de equipes multidisciplinares nos municípios menores para acompanhamento dos pacientes. 29: PNPSE Ampliar os recursos estaduais e federais para a implantação e manutenção de CAPS nos municípios com população acima de 20 mil habitantes. 30: PNPE Garantir recursos financeiros estaduais destinados à implantação e manutenção de CAPS nos municípios com menos de 20 mil habitantes. 31: PNPSE Disponibilizar financiamento tripartite para publicidade preventiva, educativa e informativa à sociedade sobre saúde mental. 32: PNPSE Viabilizar financiamento para projetos de construção, equipamentos e manutenção de centros de convivência em saúde mental. 33: PNPSE Garantir recurso tripartite de incentivo à interiorização para equipe multidisciplinar em saúde mental. 34: PNPSE Realocar um percentual fixo dos recursos financeiros destinados à saúde para a saúde mental. 35: PNPSE Garantir que as verbas provenientes da desativação de leitos psiquiátricos sejam integralmente aplicados na implementação e manutenção da rede extra-hospitalar: CAPS, hospital-dia, ambulatórios especializados, residências terapêuticas, leitos psiquiátricos em hospitais gerais com critérios definidos de utilização e tempo de permanência e centros de convivência em saúde mental. 36: PNPSE Garantir incentivo fiscal às empresas que invistam na saúde mental. 37: PNPN Proporcionar e garantir que a arrecadação de impostos sobre bebidas alcoólicas sejam destinadas para programas de saúde mental. 38: PNPE Elaborar uma estratégia de financiamento diferenciada para hospitais gerais que disponibilizam leitos psiquiátricos. 39: PNPSE Estabelecer um percentual mínimo na LDO e LOA para aplicação em saúde mental nas três esferas de governo. 40: PNPE Ter as ações de saúde mental formalizadas e pactuadas nas agendas de saúde estadual e municipal, planos estadual e municipal de saúde para fortalecimento e garantia da aplicação desses recursos financeiros pactuados. 41: PNPSE Garantir políticas e financiamento específicos para a atenção aos dependentes químicos em nível ambulatorial e hospitalar. 42: PNPE Assegurar que os recursos financeiros produzidos e destinados aos CAPS sejam utilizados exclusivamente nas suas ações. 43: PNPSE Garantir que os gestores apresentem planilha dos recursos e gastos realizados com os CAPS para a transparência dos mesmos. Sub-eixo 03: Gestão do trabalho em saúde mental 44: PNPE Efetivar através de concurso público a equipe multidisciplinar que atua na Saúde Mental. 45: PNPE Integrar e ampliar o diálogo dentro da rede de saúde para possibilitar acesso a informações e serviços. 46: PNPSE Incluir na política nacional, estadual e municipal de saúde mental estratégias de valorização e cuidado para servidores da saúde mental do SUS. 47: PNPSE Estimular práticas de gestão democrática do trabalho em saúde mental. 48: PNPSE Garantir aos profissionais da área de saúde mental carga horária de 30 horas semanais. 49: PNPE Criar comissão de saúde e segurança do trabalhador da saúde mental a fim de rever seus direitos (carga horária, adoecimento em serviço) em parceria com o CEREST. Sub-eixo 04: Política de assistência farmacêutica 50: PNPE Garantir que o profissional farmacêutico faça a Assistência Farmacêutica integral, inserido na rede de saúde mental. 51: PNPN Complementar os Recursos Financeiros para aquisição de medicamentos básicos de Saúde Mental por parte do município e aumento do repasse do Ministério da Saúde relativo à cesta básica de medicamentos. 52: PNPE Incluir no CAPS uma farmácia estruturada e um profissional farmacêutico. 53: PNPE Garantir a política de assistência farmacêutica para medicamentos contemplados na farmácia de alto custo. 54: PNPE Ampliar e garantir a lista de medicação no recurso da farmácia básica para aquisição de medicamentos destinados ao tratamento de saúde mental. 55: PNPN Rever a Portaria Estadual e a do Ministério da Saúde, bem como os Protocolos Clínicos de concessão de medicamentos especiais (alto custo) excetuando-se a portaria 344/98. 56: PNPN Reformular a portaria do alto custo para que todos os CIDs referentes à saúde mental sejam contemplados. 57: PNPE Criar uma comissão multiprofissional para participar e acompanhar o processo licitatório de compra de medicamentos. 58: PNPE Garantir através de concurso público a inserção do profissional farmacêutico para os Escritórios Regionais de Saúde a fim de realizar os trâmites legais das medicações psicotrópicas e de alto custo. Sub-eixo 05: Participação social, formulação de políticas e controle social 59: PNPSE Que os Conselhos Nacional, Estadual e Municipal de Saúde criem mecanismos para dar visibilidade e garantir o cumprimento do disposto na Lei 10.216/2001 que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais. 60: PNPE Garantir que as propostas oriundas das conferências sejam encaminhadas aos gestores municipais para sua efetivação política. 61: PNPE Formular políticas voltadas à atenção integral às crianças e adolescentes usuárias de substâncias psicoativas, com inserção no PPA e LOA. 62: PNPN Implantar no Programa Saúde e Prevenção nas Escolas o eixo transversal "saúde mental e violência". 63: PNPSE Formular políticas de inserção de usuários de saúde mental na sociedade. 64: PNPSE Garantir que as Conferências Nacional, Estadual e Municipal em Saúde Mental sejam realizadas a cada três (03) anos. 65: PNPE Desenvolver política de incentivo financeiro na área de saúde mental em municípios que não estão contemplados na portaria 336/02GM, cujo perfil epidemiológico expresse indicadores relevantes de transtornos mentais. 66: PNPE Reformular a política estadual de saúde mental definindo uma contrapartida de financiamento do Estado. 67: PNPE Elaborar uma política estadual de saúde mental infanto-juvenil. 68: PNPE Garantir que o gestor trabalhe em consonância com o conselho municipal de saúde para obter a transparência dos recursos destinados à saúde mental. 69: PNPN Exigir o cumprimento da PEC 29 garantindo recursos para os Projetos de Saúde Mental respeitando os princípios do SUS e da Reforma Psiquiátrica. 70: PNPSE Criar mecanismos institucionais de divulgação dos direitos dos usuários de saúde mental. 71: PNPSE Elaborar uma agenda periódica conjunta entre os conselhos municipais que discorra sobre saúde mental. Sub-eixo 06: gestão da informação, planejamento em saúde mental avaliação, monitoramento e 72: PNPN Implantar um sistema de informação específico para a Saúde Mental, alimentando, monitorando e avaliando adequadamente os indicadores a fim de traçar novas estratégias de atuação. 73: PNPSE Incluir a Saúde Mental no Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB, AGHOS etc). 74: PNPN Criar e monitorar os indicadores pactuados referente ao controle de álcool e drogas e saúde mental. 75: PNPE Elaboração e implantação do Plano Estadual de Saúde Mental. 76: PNPN Efetivar o Cartão SUS e implantar o Prontuário Eletrônico. Sub-eixo 07: políticas sociais e gestão intersetorial 77: PNPSE Elaborar políticas públicas nos diversos níveis voltadas para a inclusão social dos usuários da saúde mental. 78: PNPSE Implementar e garantir atividades profissionalizantes através de parcerias inter-institucionais com propósito de envolver os usuários na sociedade para que possam exercer sua cidadania. 79: PNPSE Garantir Direitos Sociais inclusive o de trabalho para as pessoas com transtorno mental. 80: PNPSE Articular com outras instituições para inclusão em suas políticas, ações voltadas aos pacientes de Saúde Mental. 81: PNPSE Motivar as autoridades responsáveis a criar ações intersetoriais que fortaleçam a rede de saúde mental. 82: PNPSE Elaborar políticas de incentivos fiscais para empresas que empregarem portadores de transtornos mentais. 83: PNPSE Integrar e efetivar as ações de saúde mental entre os gestores para resolver as demandas, cabendo a cada segmento sua respectiva responsabilidade (saúde, educação, assistência, justiça, etc.) dentro das três esferas do governo 84: PNPSE Efetivar a intersetorialidade no âmbito das três esferas: municipal, estadual e federal. 85: PNPSE Mobilizar as organizações sociais para discussão, reflexão e construção de ações voltadas para a população em situação de vulnerabilidade em relação aos agravos de saúde mental. 86: PNPSE Adotar políticas intersetoriais efetivas para usuários de álcool e outras drogas. 87: PNPN Recomendar a criação de novas Normas Regulamentadoras juntamente com Ministério do Trabalho, Previdência e Saúde, específicas para o trabalhador da Saúde Mental. Sub-eixo 08: Formação, educação permanente e pesquisa em saúde mental 88: PNPE Capacitar toda a equipe de profissionais (recepcionista, técnico e auxiliar de enfermagem, enfermeiro e médico) para o atendimento em emergência psiquiátrica e outros atendimentos (dependentes químicos) em saúde mental. 89: PNPSE Ampliar o acesso a formação dos profissionais de saúde mental que atuam na rede priorizando o campo psicossocial, novas concepções e a produção do conhecimento que vem de encontro com as reais necessidades da população. 90: PNPE Capacitar os conselheiros municipais de saúde em gestão e políticas públicas de saúde e saúde mental para fiscalizar os recursos financeiros destinados a estas áreas. 91: PNPSE Capacitar os profissionais da saúde sobre acolhimento, encaminhamento e tratamento dos pacientes de saúde mental em situação de surto psicótico/urgência e emergência. 92: PNPE Realizar capacitação permanentemente em saúde mental dentro dos princípios da Reforma Psiquiátrica oferecida pela Secretaria Municipal de Saúde, em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde, para os trabalhadores da saúde e seus familiares. 93: PNPSE Aumentar na grade curricular dos cursos de níveis técnicos, de graduação e pós-graduação nas áreas de saúde e educação, conteúdos de saúde mental nas disciplinas específicas que contemplem esses conteúdos. 94: PNPN Recomendar às instituições formadoras que implantem a disciplina de Saúde Mental em suas grades curriculares em todos os cursos de graduação e nível técnico e em todas as áreas afins. 95: PNPSE Recomendar aos órgãos competentes a ampliação do estágio profissionalizante nos serviços do SUS. 96: PNPN Inserir Projetos de Educação Permanente em Saúde Mental (Transtorno Mental e Dependência Química) na Comissão Intersetorial de Ensino em Serviço – CIES. 97: PNPSE Criar incentivos fiscais para as empresas que financiarem pesquisas e projetos em saúde mental. 98: PNPSE Garantir parcerias entre os municípios e as Instituições de Ensino Superior para a realização de capacitações e realização de pesquisas em saúde mental. 99: PNPSE Recomendar aos gestores a participação nas assembléias, mobilizações e capacitações com as quais se envolvam ativamente nas questões da saúde mental. 100: PNPE Implantar uma política vigente intersetorial (SENAI, SESC, SESI, Universidades e Escola de Saúde Pública) para desenvolvimento de curso que visa uma qualificação do profissional de saúde frente ao atendimento ao portador de transtorno mental. 101: PNPSE Garantir educação permanente em saúde mental. 102: PNPE Fomentar, através de órgãos financiadores estaduais, pesquisas em saúde mental para níveis de graduação e pós-graduação. Sub-eixo 09: Reforma psiquiátrica, reforma sanitária e o SUS 103: PNPE Formular políticas em saúde mental voltadas a atenção integral de pessoas em situação de violência doméstica e sexual e familiares com a garantia de recursos inseridos na LOA e PPA. EIXO 2: CONSOLIDAR A REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL E FORTALECER OS MOVIMENTOS SOCIAIS (Eixo do cuidado) O processo da Reforma Psiquiátrica que vêm se consolidando através do fortalecimento da rede de atenção em Saúde Mental, se constitui um desafio para os vários atores que atuam nesse campo. O que se preconiza é a promoção da saúde e a efetividade da participação e protagonismo dos usuários, familiares e profissionais para a transformação do cuidado da pessoa com transtorno mental. Convém salientar a expansão da rede de Centros de Atenção Psicossocial no Estado de Mato Grosso, ocorrida nos últimos dez anos, no entanto, o momento pede que busquemos a superação dos desafios para que a atenção seja ampliada, com outros dispositivos estratégicos que desenvolvam práticas psicossociais seguindo a lógica da inclusão social e o exercício da cidadania. Desta forma apresentamos as propostas aprovadas: Sub-eixo 1: Cotidiano dos serviços: trabalhadores, usuários e familiares na produção do cuidado 104: PNPSE Garantir que a supervisão clínica e institucional seja feita com recursos municipais, estaduais e federal, tendo em vista a excelência do cuidado em todas as unidades de saúde mental. 105: PNPE Efetivar o terceiro turno no CAPS AD. 106: PPE Praticar cuidados em saúde mental de forma integral, o que implica em incluir o usuário e sua família. 107: PNPE Democratizar as informações institucionais para os trabalhadores da saúde, usuários e familiares possibilitando uma maior apropriação da Política de saúde mental. 108: PPE Garantir através de estatuto municipal e estadual que o coordenador de CAPS seja servidor de carreira escolhido de forma democrática pelos usuários, familiares e servidores da unidade de saúde. 109: PNPE Promover ações que estabeleçam vínculos entre usuários, familiares, comunidade e rede de serviços de saúde mental. 110: PNPSE Implantar Centro de Referência em Saúde Mental e/ou local para atividades terapêuticas nos municípios onde não há CAPS. Sub-eixo 2: Práticas clínicas no território 111: PNPSE Implantar a formação de Terapia Comunitária nos municípios que ainda não foram contemplados e fortalecer aqueles que já estão em desenvolvimento. Sub-eixo 3: Centros de atenção psicossocial como dispositivo estratégico da reforma psiquiátrica 112: PPE Garantir recursos financeiros para manutenção da estrutura física, material e capacitação profissional para os CAPS. 113: PPE Garantir que os profissionais efetivos sejam lotados em uma única unidade de saúde, desenvolvendo uma única função sem acumular outras atribuições. 114: PPN Ampliar a composição da equipe mínima para os CAPS constante na Portaria 336, assegurando a interdisciplinaridade da atenção. Sub-eixo 4: Atenção às pessoas em crise na diversidade do serviço 115: PPE Reestruturar a rede de atenção a crise (CAPS, SAMU, Corpo de Bombeiros, Hospital Municipal, Pronto Atendimento e Atenção Básica). 116: PPE Garantir o atendimento clínico e leitos em Hospitais Gerais a todos os usuários da Saúde Mental (Urgência e Emergências), nos Prontos Atendimentos, nos Prontos Socorros e Unidades Móveis de Emergências (SAMU e Bombeiros). 117: PPE Criar emergência psiquiátrica nos 05 hospitais regionais do estado. 118: PPE Construir em toda a rede de saúde mental protocolos clínicos de intervenção para atenção a crise. Sub-eixo 5. Desinstitucionalização, inclusão e proteção social: residências terapêuticas, programa de volta para casa e articulação intersetorial no território. 119: PPN Ampliar a Portaria 106/2000 de forma a contemplar a atenção e proteção aos usuários de saúde mental, sem referência familiar, para oferecer o cuidado necessário, independente de ser egresso de hospital psiquiátrico. 120: PNPSE Garantir recursos para implantação de Centro de Convivência. Sub-eixo 6: Saúde mental, atenção primária e promoção da saúde 121: PNPE Implementar na atenção básica atendimento em saúde mental dentro de um processo de educação permanente e da lógica de matriciamento de forma integrada com o serviço especializado de referência. 122: PNPE Ampliar estratégias de tratamento não medicamentoso na atenção básica e secundária (psicoterapia, clínica ampliada, terapia comunitária, oficinas terapêuticas, ações intersetoriais). 123: PNPE Criar equipes volante técnica e qualificada para atendimento e assessoramento às equipes de saúde da família. 124: PNPE Incentivar a criação do NASF em todos os municípios. 125: PNPE Recomendar o programa “Saúde e Prevenção nas Escolas”. 126: PPE Formar equipe de saúde mental dentro da ESF com a participação da comunidade e do CAPS. Sub-eixo 7: Álcool e outras drogas como desafio para a saúde e as políticas intersetoriais 127: PNPSE Expandir a rede especializada de cuidados em saúde mental para usuários de álcool e outras drogas. 128: PNPE Desenvolver projetos de prevenção em saúde mental, álcool e drogas, através de parcerias com as secretarias municipais. 129: PNPSE Ampliar e efetivar políticas de Redução de Danos. 130: PNPE Garantir e monitorar a implementação do Plano Emergencial de Álcool e Drogas junto aos municípios. Sub-eixo 8: Saúde mental na infância, adolescência e juventude: uma agenda prioritária para a atenção integral e intersetorialidade 131: PNPE Expandir a rede de atenção psicossocial infanto-juvenil. 132: PNPE Implementar a assistência em Saúde Mental infanto-juvenil na atenção secundária incluindo a abordagem em álcool e drogas com a garantia de recursos financeiros para sua implantação. 133: PNPE Construir uma política de Saúde Mental intersetorial da criança e do adolescente, desenvolvendo ações transdisciplinares e intersetoriais de promoção e assistência à saúde, respeitando o Estatuto da Criança e do Adolescente, as políticas de inclusão, os dados epidemiológicos e as demandas específicas, reavaliando os serviços já existentes e garantindo acessibilidade, fluxo e priorização de casos de maior gravidade. Sub-eixo 9: Garantia do acesso universal em saúde mental: enfrentamento da desigualdade e iniqüidades em relação a raça/etnia, gênero, orientação sexual e identidade de gênero, grupos geracionais, população em situação de rua, em privação de liberdade e outros condicionantes sociais na determinação da saúde mental 134: PNPE Recomendar aos municípios a implantação de projetos destinados aos usuários moradores de rua, de acordo com projeto ministerial de incentivo a consultórios de rua. EIXO 3: DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA COMO DESAFIO ÉTICO E INTERSETORIAL (Eixo da intersetorialidade) Esta III CESM-I trouxe de novidade a intersetorialidade como tema para discussão que há muito é anseio dos envolvidos com o campo da saúde mental e agora encontra espaço neste instrumento importante de participação social. O cuidado em saúde mental é multifacetado e por isso necessita do envolvimento dos múltiplos recursos da sociedade. As discussões percorreram o campo dos direitos humanos, das formas diversas de geração de renda, da diversidade cultural, da garantia dos direitos, da ética, da educação, da seguridade social, entre outros. Segue abaixo as propostas, todas consideradas como prioritárias: Sub-eixo 1: Direitos humanos e cidadania 135: PPE Criar dispositivos através dos Conselhos de Direitos que garantam o trabalho intersetorial com a área de políticas sociais (educação, saúde, habitação, cultura, assistência social, previdência, lazer, esporte, ONG‟s). 136: PPN Desburocratizar os processos que compreendem a lei vigente no Brasil referente ao cuidador do usuário de saúde mental garantindo-lhe o direito de ausentar-se do trabalho para acompanhar o mesmo aos atendimentos necessários, ou participar de atividades inerentes ao tratamento, mediante laudo médico para afastamento prolongado e declaração de técnicos de serviços de saúde mental para ausências eventuais. 137: PPE Implementar a humanização dos serviços de saúde mental através de palestras nas escolas e na comunidade sobre a conscientização dos direitos humanos e cidadania. Sub-eixo 2: Trabalho, geração de renda e economia solidária 138: PPE Fortalecer parcerias com outros segmentos da administração (ação social e educação) a fim de inserir os usuários com transtorno mental bem como sua família em cursos de formação técnica. 139: PPE Incentivar e fortalecer parcerias junto ao poder público e privado para inserir os portadores de transtorno mental no campo de trabalho visando a inclusão social. 140: PPE Implantar cooperativas, programas e projetos de geração de renda, com parceria intersetorial e comércio, estimular a confecção e a exposição de trabalhos produzidos, visando a reintegração e inserção no mercado de trabalho aos usuários da saúde mental e suas respectivas famílias. 141: PPN Assegurar legalmente que os atestados de sanidade mental exigidos para inserção de cargos públicos sejam substituídos por atestado de capacidade para o trabalho visto que os atestados de sanidade mental excluem o portador de Transtorno Mental, ainda que a doença não o torne permanentemente incapacitado para o trabalho. 142: PPE Fortalecer a economia solidária em saúde mental na rede pública de saúde firmando parcerias com diversas entidades, dentre elas o núcleo Unitrabalho/Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT. Sub-eixo 3: Cultura e diversidade cultural 143: PPN Fomentar políticas de educação e lazer, com ênfase nas atividades de dança, teatro, poesia e práticas esportivas, e viabilizar co-financiamento junto ao Ministério da Cultura, objetivando a inserção social. Sub-eixo 4: Justiça e sistema de garantia de direitos 144: PPN Fortalecer e garantir a intersetorialidade entre a saúde e a justiça, em função da Lei 11.343/2006 que prevê o tratamento aos usuários de substâncias psicoativas, e do provimento nº. 04/2010 do Conselho Nacional de Justiça que determina que os Tribunais de Justiça implantem serviços multiprofissionais em todas as comarcas do País para acompanhar esse tratamento. Sub-eixo 5: Educação, inclusão e cidadania 145: PPE Fortalecer a parceria entre a Saúde e Educação com ações voltadas para a prevenção e promoção da saúde mental. Sub-eixo 6: Seguridade social: previdência, assistência social e saúde 146: PPN Rever critérios para concessão e ampliação de Benefício de Prestação Continuada junto ao INSS, considerando os relatórios da equipe técnica para garantir o benefício aos pacientes com transtorno mental, e que a perícia seja realizada por médico psiquiatra, conforme os princípios da reforma psiquiátrica, incluindo a terminologia através de emenda nas normas e diretrizes da LOAS. 147: PPN Recomendar a inclusão do portador de transtorno mental e acompanhante legalmente constituído, na lei de acessibilidade de forma a garantir acesso ao transporte intermunicipal e interestadual gratuitos nos moldes do portador de necessidades especiais. Sub-eixo 7: Organização e mobilização dos usuários e familiares de saúde mental 148: PPE Incentivar a legalização e regularização das associações de usuários e famílias para conseguir recursos e incentivos. Sub-eixo 8: Comunicação, informação e relação com a mídia 149: PPN Preconizar a realização de campanhas educativas utilizando os meios de comunicação para favorecer a conscientização sobre saúde mental e publicizar em rede nacional. Sub-eixo 9: Violência e saúde mental 150: PPE Elaborar projetos e programas preventivos e curativos com parceria intersetorial vinculada às áreas de destaque a todo tipo de violência, ampliando a atenção para com as vítimas. MOÇÕES A delegação apresentou 5 moções: 01 de parabéns e 04 de repúdio. Estas propostas foram lidas e aprovadas pela plenária. Abaixo apresentamos o quadro demonstrativo das moções apresentadas na III CESM-I, segundo o tipo, o teor, autor e quantidade de assinantes. Tipo Parabéns Repúdio Repúdio Repúdio Repúdio Teor Parabeniza as doze novas credenciadas das Associações Brasil Central e Brasileira de Arteterapia. Repudia a disparidade com relação ao número de delegados dos municípios participantes, com exceção aos de Cuiabá e Várzea Grande. Repudia a Comissão Organizadora pela elaboração do regimento, com relação à participação diferenciada do número de delegados das cidades de Cuiabá e Várzea Grande. Sugere que a eleição dos delegados seja regionalizada. Repudia a estrutura física dos CAPS de Várzea Grande. Repudia o Ato Médico. Autor Qdade. de Assinantes Ândrea Peno Silva 19 Cleuza Alves Diniz 15 Ramayane da Silva Vieira de Araújo – Marcelândia 11 Márcio Domingos Barbosa 21 Mauro Augusto de Oliveira Kock 26 A III CESM-I elegeu delegados para a fase nacional, por segmento, como está demonstrado abaixo: Nome do Delegado Segmento 1. Angela Cristina Cesar Terzian 2. Vânia Regina da Silva 3. Walter Jorge Mutran Junior 4. Simone dos Santos Oliveira 5. Ediane de Miranda Castro Dalcin 6. Paulo Ricardo C. Leobet 7. Mauro Augusto de Oliveira Kock 8. Bemoro Metyktire 9. José Carlos Gomes 10. Edson Apolinário 11. Airton de Oliveira Alves 12. Rosemar Santos Marchetto 13. Cristiano Ribeiro de Matos 14. Adriana Guirado Ráo 15. Maria Helena Bragança 16. Rita de Cássia Silva Desidério Cutiaro 17. Pablo Theodoro Barros Brito 18. Soraya Danniza Barbosa Miter 19. Rogério dos Santos 20. Márcia Regina dos Anjos Caldeira 21. Valdivina de Souza Lima Ribeiro 22. Áurea Assis Lambert 23. Maria Aparecida Amorim Fernandes Intersetorial Intersetorial Intersetorial Intersetorial Intersetorial Usuário Usuário Usuário Usuário Usuário Usuário Usuário Usuário Trabalhador Trabalhador Trabalhador Trabalhador Gestor/Prestador Gestor/Prestador Gestor/Prestador Gestor/Prestador Observador Observador Considerações Finais Em Mato Grosso, até a década de 90, o cenário da assistência em saúde mental estava sob o modelo manicomial, tendo como equipamento de saúde apenas o Hospital Psiquiátrico e, enquanto em alguns Estados já iniciava o movimento da Reforma Psiquiátrica e a desinstitucionalização das pessoas em sofrimento psíquico, nosso Estado andava na contra mão da história, construindo e habilitando instituições asilares, como os Hospitais Psiquiátricos. A assistência em Saúde Mental no Estado iniciou as mudanças fundadas nos princípios da Reforma Psiquiátrica a partir da realização das Conferências Estaduais de Saúde Mental (1991, 2001), quando mobilizou a gestão dos serviços públicos e seus usuários, profissionais e a população em geral para um momento de reflexão e decisões de melhorias no campo da saúde mental. Considera-se que as Conferências Estaduais impactaram substancialmente a área da saúde e alguns avanços significativos foram observados tais como a implantação de serviços substitutivos ao modelo hospitalar (CAPS, Hospital Dia e ambulatórios). Atualmente no Estado existe uma rede de serviços de saúde mental com 36 CAPS (I, II, infanto juvenil, álcool e outras drogas), 6 ambulatórios especializados, 4 policlínicas com ações de Saúde Mental e 15 Núcleos de Apoio à Saúde da Família - NASF com profissional de saúde mental e 50% das ESF realizam ações de saúde mental. Ainda existem 202 leitos que se dividem em 2 hospitais psiquiátrico, um na capital e outro em Rondonópolis, no sul do Estado. Neste contexto, admite-se grandes desafios para as transformações necessárias à atenção em Saúde Mental em todo Estado de Mato Grosso considerando também os princípios e diretrizes da administração pública e do SUS. A integralidade do cuidado vai além da esfera da saúde e implica no envolvimento e comprometimento de outros campos das políticas sociais. É necessário que as intervenções enfatizem mais o critério da “intersetorialidade”, das ações conjuntas com outros setores da sociedade em geral. Ressaltamos algumas prioridades e desafios para Mato Grosso: 1. Criar leitos em psiquiatria nos hospitais gerais e universitários; 2. Expansão das ações de saúde mental em 100% das Equipes de Saúde da Família; 3. Ampliar cobertura de serviços substitutivos em Saúde Mental (CAPSad, CAPS III, CAPS II, centros de convivência, oficinas geração de renda e outros); 4. Proposta de ações de Saúde Mental em promoção e prevenção intersetoriais; 5. Implantar Sistemas de Regulação Regionais em Saúde mental. A Comissão Organizadora da III CESM-I de Mato Grosso considerou este evento muito positivo, tendo em vista o envolvimento de 125 municípios do Estado, com participação e mobilização de aproximadamente 5.500 pessoas nas etapas municipais e/ou regionais e 272 pessoas na etapa estadual, entre delegados, convidados, ouvintes e observadores. O Conjunto das 150 propostas emanadas da III CESM-I mostrou a necessidade de contínua democratização e construção da política de saúde mental. A essência das propostas também expressa o exercício da cidadania por meio do princípio de participação e controle social no SUS. Ao final da III CESM-I produziu-se um material áudio-visual, em 3 (três) volumes - DVDs e 1 CD apenas com a gravação de áudio. ANEXOS 1-Resumos da Mostra 2-Decreto nº 2495/2010, que dispõe sobre a convocação da III Conferencia Estadual de Saúde Mental – Intersetorial. 3-Resolução CES nº 008/2010, que aprova a realização da III Conferencia Estadual de Saúde Mental – Intersetorial. 4-Portaria nº 054/2010/GBSES, que institui a estrutura e composição da Comissão Organizadora da III Conferencia Estadual de Saúde Mental – Intersetorial. A CONTRIBUIÇÃO DAS OFICINAS TERAPÊUTICA NA REABILITAÇÃO DO USUÁRIO DO CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL DE VÁRZEA GRANDE MT Juliana Borges de Oliveira1 Este trabalho tem como objetivo relatar a experiência em um Centro de Atenção Psicossocial, através das oficinas terapêuticas como atividades promotoras da autonomia da pessoa portadora de transtorno mental e o seu papel no processo terapêutico e de inserção social. O CAPS II de Várzea Grande MT, lócus do presente trabalho, traz entre seus objetivos, o suporte terapêutico aos portadores de transtornos mentais e a seus familiares, preconizando a reabilitação psicossocial mediante princípios como o respeito e recontextualização das suas diferenças, inclusão social e cidadania preconizados pela Reforma Psiquiátrica. As oficinas terapêuticas estimulam a descoberta por novas habilidades, o desenvolvimento do potencial criativo e a reorganização interior alem de fomentar possibilidades de ampliar o campo das relações sociais e o papel do sujeito na sociedade. São realizadas as oficinas de papel reciclado e papel machê, jornal, bordado, produção de bonecos, bijouteria, fuxico, Argila e Tapetes. Os usuários participam das oficinas 1 CAPS AD CIAPS Adauto Botelho- Cuiabá-MT/CAPS II–Várzea Grande/MT [email protected] conforme projeto terapêutico individual construído pela equipe multiprofissional através de avaliação e estudo de caso, respeitando suas habilidades, limitações e desejo. Observa-se uma mudança no comportamento dos participantes durante as oficinas terapêuticas, quando chegam as vezes estão introspectivos ou com grande necessidade de serem ouvido e com a práxis empobrecida, o fato de estarem junto a um grupo com a proposta de se construir algo favorece a socialização, melhora no humor, contato com a realidade e expressão de forma concreta e subjetiva. Se busca não reproduzir nas oficinas o pensamento que vigorava na lógica do tratamento moral, onde a ocupação era considerada apenas como forma de passar o tempo dos indivíduos e manter a ordem institucional. Conclui-se que as oficinas terapêuticas são parte importante de um novo modelo de cuidado da pessoa com transtornos mentais, das novas relações que se estabelecem com estes sujeitos e da ressignificação de sua participação na sociedade. Palavras-Chave: Oficinas Terapêuticas, CAPS, Cuidado GRUPO TERAPÊUTICO – UMA FERRAMENTA PARA OPERACIONALIZAÇÃO DA JUSTIÇA TERAPÊUTICA EM CUIABÁ-MT Luiza Neves de Oliveira Reno2 Nadir Maria Metzner3 Priscila Batistuta Nóbrega4 Sandra Cristina de Figueiredo Abdalla5 Tatiane Angeli Povoas6 Vera Lúcia Camargo Marques7 Essa experiência está sendo realizada no Núcleo Psicossocial Forense do Juizado Especial Criminal Unificado de Cuiabá/MT. O NUPS é um setor do JECRIM que surgiu em 2002 a partir da preocupação do MM. Juiz de Direito em oferecer tratamento aos infratores que cometem crimes de pequeno potencial ofensivo associados a dependência de álcool e outras drogas. O 2 NUPS/JECRIM-TJ/MT NUPS/JECRIM-TJ/MT 4 NUPS/JECRIM-TJ/MT - [email protected] 5 NUPS/JECRIM-TJ/MT 6 NUPS/JECRIM-TJ/MT 7 NUPS/JECRIM-TJ/MT 3 trabalho é baseado nos princípios da Justiça Terapêutica, objetivando compreender o infrator numa totalidade, aproximando a aplicação da Lei ao conhecimento da saúde, de que a dependência de substâncias químicas, deve ser vista como problema de saúde pública, necessitando assim de tratamento. Neste contexto, em função do descaso das políticas de saúde mental municipal e a pouca oferta de serviços para atender usuários de álcool e drogas em Cuiabá, o NUPS, visando um melhor atendimento, propôs a realização dos Grupos Terapêuticos para atender os usuários que não aderiram à medida sócio-educativa proposta inicialmente, e que vem apresentando dificuldades em freqüentar o CAPS e o Grupo de AA. O objetivo do Grupo é criar um espaço terapêutico, onde os usuários possam expressar seus sentimentos com relação à adicção, trocar experiências, refletirem sobre seus atos e o envolvimento com a Justiça, sendo motivados a uma mudança no comportamento. O primeiro Grupo Terapêutico teve a duração de três meses, no período de 28/05/09 a 27/08/09, sendo realizados encontros semanais com duração de 02 (duas) horas, totalizando 13 encontros. Para tanto foram utilizadas técnicas como dinâmicas de grupo, dramatizações, músicas, vídeos e depoimentos de usuários que já passaram pela intervenção da Justiça Terapêutica e tiveram resultados positivos. O grupo iniciou com 20 participantes, mas somente 17 assinaram o termo de compromisso. No decorrer dos encontros um participante foi preso, um foi internado para desintoxicação e cinco abandonaram o grupo. O grupo finalizou com dez participantes, a avaliação foi positiva, pois alcançou os objetivos propostos e despertou reflexão sobre o comportamento da adicção. Sendo assim a equipe do NUPS está dando continuidade ao segundo Grupo Terapêutico, o que mostra que no judiciário, através da atuação de equipes psicossociais, pode-se aproximar a aplicação da lei à subjetividade do indivíduo. Palavras-chave: justiça terapêutica; drogadição; trabalho em grupo. OFICINA TERAPÊUTICA ANIVERSARIANTES DO MÊS Celi Bernardes Valença8 Luciana Gomes de Souza9 Introdução: A oficina terapêutica “Aniversariante do Mês”, se estabelece no menu de atividades terapêuticas do CAPS Infantil e trabalha as relações familiares através dos ritos de tradição, o que se justifica a medida que a criança/adolescente acometida por transtorno mental, tem potencialmente sua possibilidade de desenvolvimento, bem como de alívio e melhora de seu sofrimento através da própria família, que deve ser seu continente e sua fonte de estímulos para seu ser/estar no mundo dentro de suas potencialidades, já que os transtornos mentais, especialmente os severos acometem a vida da criança/adolescente a ele submetido de forma integral. Objetivos: Resgatar, (re)criar, e estabelecer uma fonte de transmissão de valores afetivos, valores relacionais e de estar no mundo, através de um rito de tradição familiar dado pela comemoração do dia de nascimento da criança/adolescente, como meio de promover sua própria auto-estima, a estima de seus familiares por sua existência, e o espaço de expressão desses afetos de valor e significado entre os entes da família, gerando por fim um espaço de aprendizagem para todos 8 9 CAPS Infantil de Cuiabá/ SES/MT - [email protected] CAPS Infantil de Cuiabá/ SES/MT - [email protected] acerca de seus papéis e dinâmica de relacionamentos intra-familiares, que se traduz no sentido de pertencimento naquela família, efetivando ou possibilitando uma forma de inclusão sócio-familiar da criança/adolescente. Metodologia: Realizada em dois momentos, a mãe da criança/adolescente é convidada a participar da atividade dirigida de preparo e confecção do bolo do aniversariante, momento este que acompanhada de um técnico, pode refletir esse fazer, seus motivos, seus meios de realização e seus significados nas relações de sua própria família. Em paralelo a criança/adolescente e demais participantes, acompanhada de um técnico participa de uma atividade dirigida de preparo de itens para decoração. No segundo momento a mãe colabora na decoração do ambiente, então na seqüência é realizada a comemoração (com o parabéns a você, o bolo, fotos e mensagens ao aniversariante). Neste dia há autorização para trazerem três convidados à escolha da criança/adolescente e/ou família. Resultados e Discussão: É observado a mobilização de variados afetos e comportamentos, conteúdos estes que continuam a ser trabalhados a posterior e na continuidade do cuidado à criança/adolescente e sua família no CAPSi. Considerações Finais: A oficina acaba por promover a (re)criação do rito, como espaço de expressão de afetos e transmissão de valores entre seus entes. Palavras-Chave: terapêutica, rito, família PROJETO TERAPÊUTICO GLOBAL DO CAPSi DE CUIABÁ-MT Valéria Vuolo10 Marina Fiorenza11 Greice Rosa Ponce12 Luciane Cassini13 Introdução: o projeto terapêutico do Capsi foi direcionado para duas vertentes básicas: a política e a clínica. Teve como objetivo disponibilizar ao portador de transtorno mental severo, grave e/ou agudo um espaço de assistência psicossocial, assim como para sua família/responsáveis. Buscou-se também a implantação e fortalecimento da rede de proteção infanto-juvenil como forma de garantir a assistência integral à criança e ao adolescente. Objetivos: fortalecer e intensificar a proposta de abordagem psicossocial à criança e ao adolescente 10 CAPS INFANTIL DE CUIABÁ/ SES/MT - [email protected] CAPS INFANTIL DE CUIABÁ/ SES/MT - [email protected] 12 CAPS INFANTIL DE CUIABÁ/ SES/MT - [email protected] 13 CAPS INFANTIL DE CUIABÁ/ SES/MT - [email protected] 11 do município de Cuiabá que fosse portador de transtorno mental severo, construindo recursos para uma assistência que alcance além da remissão de sinais e sintomas investindo também na abertura de espaço, possibilidade e alcance social. Metodologia: o nosso projeto inclui momentos distintos de trabalho, que vão de acordo com a necessidade individual do usuário. Assim que chega, o sujeito e sua família são acolhidos em grupos distintos. Após essa primeira escuta, inserimos ou não a criança/adolescente para tratamento no serviço. Caso não seja inserido na casa, mas haja necessidade de alguma outra intervenção, o serviço realiza os devidos encaminhamentos à rede de assistência. Tratando-se de transtorno mental, o tratamento é realizado dentro do CAPSi. O primeiro momento dentro da casa é chamado de “Prisma”, que consiste na coleta de informações a respeito das condutas, atitudes e comportamentos do sujeito e de sua família. Essa primeira fase já ameniza o sofrimento, principalmente em casos agudos, como em surtos psicóticos. Passado o Prisma, já estabelecido um vinculo com o serviço, o paciente entra no momento “Mosaico”, que consiste na construção do projeto terapêutico individual de assistência e tratamento ao usuário e seu responsável. Resultados e discussões: é observado em nossa prática uma melhora significativa dos sintomas clínicos assim como uma maior inserção e interação desta criança/adolescente no contexto social – família, escola, comunidade. Considerações finais: o projeto terapêutico global é a sustentação que baseia a direção do tratamento, que é dada a cada caso, sendo construído com saberes de toda a equipe, obtidos através da prática e do estudo continuado das necessidades das crianças/adolescentes. USO DE ÁLCOOL E ALCOOLISMO: PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA. Prof.ª Dr.ª Delma Perpétua Oliveira de Souza14 Virgínia de Albuquerque Mota15 Introdução: O presente trabalho faz parte do projeto de pesquisa em andamento (2009 – 2011) no Programa de Pós-Graduação de Saúde Coletiva da UFMT, sobre uso de álcool, alcoolismo e fatores associados entre servidores da UFMT – Campus Cuiabá. Objetivo: Identificar e apresentar dados de estudos de base populacional sobre prevalência de consumo de álcool e alcoolismo realizados no período de 2000 a 2010 no Brasil. Metodologia: Revisão de Literatura. Discussão: Além do impacto na causalidade de outras morbidades, segundo estimativas de 2002, o alcoolismo é o quinto maior fator de risco para morte prematura e incapacidade no mundo, atingindo as faixas etárias mais jovens em ambos os sexos (WHO, 2007). No I 14 15 Instituto de Saúde Coletiva – Universidade Federal de Mato Grosso. Contato: (65) 3615-8882 Instituto de Saúde Coletiva – Universidade Federal de Mato Grosso. Levantamento do Padrão de Consumo de Álcool no Brasil, foi constatado que 52% dos brasileiros fazem uso de bebida alcoólica, sendo que 29% são considerados bebedores de risco (LARANJEIRAS et al., 2007). O II Levantamento Domiciliar sobre o uso de drogas psicotrópicas nas 108 maiores cidades do Brasil apresentou que 12,7% da população da região Centro-Oeste eram dependentes de álcool (CARLINI, 2005). Considerações finais: Em geral, os estudos de série histórica apontam que o uso do álcool e alcoolismo vem aumentando gradativamente no Brasil e na região Centro-Oeste, e que efetivamente tem provocado prejuízos nos aspectos pessoal e profissional da nossa sociedade atual, configurando-se como um problema de saúde pública. APRESENTAÇÃO DO CAPS-AD E SUAS AÇÕES DE INTEGRALIDADE VISANDO A PROMOÇÃO DA SAÚDE Robson Alves de Paula16 Introdução: O CAPS ad (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas) para atendimento de clientela adulta com transtornos decorrentes do uso e dependência de substâncias psicoativas em Cuiabá propõe uma compreensão e abordagem interdisciplinar para a questão da dependência química, suas conseqüências e prejuízos. O trabalho da unidade busca desenvolver a responsabilidade por escolhas pessoais, questionando a autonomia e individualidades X dependência; bem como, promover uma acolhida em espaço receptivo, aberto e questionador, modificando o paradigma da idéia de isolamento social como tratamento. O tratamento visa oferecer recursos para o resgate do sujeito, buscando a resignificação de seus conteúdos, a re-inserção 16 SES/CIAPS/CAPS-AD – Cuiabá-MT social como enfrentamento de suas escolhas, através da escuta individual, grupal, bem como da atenção aos familiares. A compreensão do trabalho desenvolvido no CAPS-AD deve ser compartilhada com os profissionais dos demais serviços de saúde. Objetivos: Promover a atenção à saúde de forma integral de modo a fortalecer e ampliar a atenção e a compreensão dos demais serviços de saúde com relação ao paciente usuário de Substâncias Psicoativas e suas conseqüências no ponto de vista da saúde, diferenciando-o do juízo moral ou valores pessoais. Metodologia: A metodologia do trabalho “Encontro Com Unidades de Saúde da Região Sul” consiste na estratificação das unidades de saúde circunvizinhas ao CAPS ad, visando criar um elo de maior aproximação, através da promoção de visitas técnicas, reuniões e encontros, para a melhoria contínua do atendimento à clientela, bem como uma atuação conjunta que envolve PSFs, Policlínicas, Postos de Saúde e Escolas da respectiva região, tendo como finalidade ainda, a qualificação dos profissionais das respectivas unidades, em conhecimentos sobre Saúde Mental, Álcool e Drogas e a atuação do CAPS-AD, sendo estabelecido um Fórum Permanente no qual serão tratadas mensalmente questões em comum e estudos de caso para definição de abordagem/procedimentos para casos específicos. Apresentação através de Banner. Metodologia: Pesquisa da clientela (Gráfico) através de prontuários, Reuniões, Consulta sobre Legislação em Saúde Mental, Visitas a outros serviços de saúde e estabelecimento de espaço permanente para discussões técnicas. Considerações: Buscando a Integralidade, o CAPS ad procura estreitar o relacionamento com as diversas Unidades de Saúde, bem como unidades de atenção especializada como o atendimento odontológico, por exemplo, e atenção junto a outras especialidades e serviços para atender a outras doenças clínicas identificadas na clientela, bem como dar respaldo técnico para profissionais de outras unidades ou escolas da região quanto ao “manejo”, abordagem e orientação de tratamento dessa clientela. Palavras-chave: Interdisciplinaridade, Integralidade e Rede de Atenção Regionalizada MOTIVAÇÃO COMO FATOR RESPONSÁVEL PELO SUCESSO NA CESSAÇÃO DO TABAGISMO Elizabeth Hertel Lenhardt Botelho17 Flávia Ramos Duarte 18 Michéli da Silva Jacobi19 Pâmella Suelen Alvarez Porto20 Regina da Silva Ramalho21 Rosangela Kátia S. Mazzorana Ribeiro22 Clóvis Botelho23 17 Instituto de Saúde Coletiva /UFMT Universidade de Cuiabá/UNIC 19 Universidade de Cuiabá/UNIC 20 Universidade de Cuiabá/UNIC 21 Universidade de Cuiabá/UNIC 22 Universidade de Cuiabá/UNIC 23 Instituto de Saúde Coletiva /UFMT; 18 . Dentre os fatores dificultadores da cessação do tabagismo, a baixa motivação destaca-se e é a pedra angular no tratamento do tabagismo, pois os pacientes diferem entre si em relação ao grau de disposição para parar de fumar. Este estudo teve como objetivo avaliar a motivação para a cessação do tabagismo, relacionada aos fatores externos vinculados ao planejamento e fatores individuais (insigth) vinculados a cessação sem planejamento. Refere-se a um estudo transversal, de base populacional, realizado com uma amostra de 118 ex-fumantes, de ambos os sexos, com idade entre 25 e 84 anos, residentes na cidade de Cuiabá-MT. Como instrumento foi usado questionário estruturado. Como resultado observou-se que dentre os ex-fumantes analisados 39.83% são do sexo feminino e 60.16% do sexo masculino. A maior percentagem de cessação sem planejamento (insight) foi entre os homens com (52.11% vs 47.89%). Já as mulheres tiveram menor percentual de cessação sem planejamento (44.7% vs 55.3%). Quando comparou-se com ou sem planejamento, a maioria dos homens e mulheres que pararam de fumar sem nenhum planejamento relataram não ter tido dificuldade ao deixar de fumar, negaram a presença de sintomas da síndrome de abstinência. Portanto conclui-se que a motivação individual foi o fator fundamental para a cessação do tabagismo, visto que a maioria parou de fumar sem planejamento e destes, a maioria não apresentou dificuldade com a síndrome de abstinência, fissura, ansiedade e nervosismo, reforçando a hipótese de que pessoas que param de fumar por insight tem maior facilidade de se libertarem da dependência nicotínica. Palavras-chave: Motivação, tabagismo, cessação OFICINAS TERAPÊUTICAS COMO INSTRUMENTO DE HUMANIZACÃO NA ASSISTÊNCIA AOS USUÁRIOS DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS. Soraya Danniza Barbosa Miter Simon24 Cristina Zuita de Franca Dias Ferreira25, Marli Marilda Rosa Bittercourt26, Introdução: As instituições hospitalares representavam, principalmente no campo da saúde mental, formas de alienação e segregação, quanto aos usuários de álcool e outras drogas.Com a formulação de uma Política do Ministério da Saúde para atenção aos usuários de Álcool e outras Drogas, a saúde traz para si o compromisso com a “promoção, prevenção e tratamento, Contato dos autores: [email protected] (65) 3023-7443 / 8414-3398 24 [email protected] [email protected] 26 [email protected] 25 na perspectiva da integração social e produção de autonomia das pessoas...”.(1) As ações de reabilitação e de humanização, respaldada e legitimada através da Lei 10.216, de abril de 2001 (1), garante aos usuários dos serviços de saúde mental- e entre eles os usuários de álcool e outras drogas, o cumprimento dos princípios do Sistema Único de Saúde, sendo a “equidade como disposição de atender igualmente o direito de cada um, e justiça social como garantia de acesso aos direitos humanos universais”. (2) O presente trabalho traz como objetivo a descrição de oficinas terapêuticas realizadas no tratamento de desintoxicação oferecidas aos usuários de álcool e outras drogas, do Complexo Dr. José Eduardo Curvo- Unidade III do Centro Integrado de Apoio Psicossocial (CIAPS) Adauto Botelho. Metodologia: Os usuários em tratamento, na referida Unidade são acolhidos por profissional da enfermagem, e nos primeiros dias de internação são atendidos individualmente por outros profissionais de saúde, com o objetivo de construir o Projeto Terapêutico Individual.Foram escolhidas as atividades: Oficina de Artes, Oficina do Corpo e Oficina de Relações Humanas. Resultados: As oficinas terapêuticas são espaços de construção de cidadania, diálogo e humanização. Os efeitos observados nos usuários que freqüentam as oficinas terapêuticas são: adesão ao tratamento, fortalecimento do vinculo com o terapeuta, instrumentos terapêuticos importantes para a recuperação e reabilitação psicossocial. Conclusão: O modelo de assistência hospitalar tem como marco importante no processo de mudança, a regulamentação do Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (PNHAH) (3), ele propõe um conjunto de ações integradas que visam mudar substancialmente o padrão de assistência aos usuários nos hospitais públicos do Brasil, melhorando a qualidade e sua eficácia. Estas atividades mostram que a arte, a auto-estima e as relações interpessoais são pecas importantes para quebrar o estigma do dependente químico, e auxiliam no processo de recuperação e da humanização na assistência. RELATO DE UM GRUPO CULTURAL NO CAPS AD SOB A ÓTICA DA TERAPIA OCUPACIONAL Juliana Borges de Oliveira27 A Terapia Ocupacional enquanto profissão é o campo do conhecimento e de Intervenção em saúde, na educação e na esfera social, reunindo tecnologias 27 CAPS AD CIAPS Adauto Botelho- Cuiabá-MT/ CAPS II – Várzea Grande/MT [email protected] orientadas para emancipação e autonomia de pessoas que apresentam, por razões ligadas a problemáticas específicas (mental, social ou física), temporária ou definitivamente, dificuldades na inserção e na participação da vida social. Este profissional esta inserido na equipe profissional do CAPS Ad, que é um serviço especializado em saúde mental que atende pessoas com problemas decorrentes do uso ou abuso de álcool e outras drogas, integrando a rede de atenção em substituição a internação psiquiátrica cujo principio é o resgate da autonomia e ressocialização em todos os espaços de convívio social. Sendo assim surgiu o Grupo Cultural no CAPS ad de Cuiabá MT, realizado por membros da equipe multidisciplinar sendo estes o serviço social, enfermagem e nutrição incluindo a Terapia Ocupacional. Propõem-se neste grupo como objetivo favorecer a retomada de um convívio social saudável com novas possibilidades de lazer e a busca por opções que propiciem o reencontro ou descoberta do papel ocupacional do sujeito dependente de álcool e outras drogas, em tratamento. Oportunizando o conhecimento de locais que sejam de cunho profissionalizante, cultural e de Lazer, fazendo com que se sintam pertencentes a sociedade e a estes locais de livre acesso a todo cidadão. O grupo acontece semanalmente, o local a ser visitado é pré-estabelecido pelos participantes, sendo feito o prévio agendamento do local escolhido. Além da escolha do local, o deslocamento ocorre por conta do cliente conotando a sua responsabilização levando-o ao acesso “espaços saudáveis”, um rumo diferente do seu costumeiro. Após a confirmação da atividade é elaborado um roteiro de orientações sobre como chegar ao local e onde será realizada a atividade, contendo: Data, horário, endereço, ponto de ônibus utilizado e ponto de encontro. Ao final de cada atividade é realizada uma avaliação em conjunto com os participantes a cerca de sua impressão do local e programado novo encontro. Conclui-se que a construção deste espaço terapêutico externo permitiu ao cliente o estabelecimento de novas relações e outras formas de atuar no cotidiano que não só através de drogas, dando suporte para a reconstrução do sujeito e de sua auto-estima, favorecendo novas oportunidades de escolhas em sua vida laboral e de lazer e promovendo a retomada de atividades antes realizadas que permaneciam esquecidas ou a percepção da acessibilidade a locais para os quais não percebiam a adequação. Palavras-chave: Terapia Ocupacional, CAPS ad, Atividade terapêutica externa CARACTERÍSTICAS DE UM SERVIÇO ASILAR E SUAS INTERFACES COM A REDE DE SAÚDE MENTAL EM RONDONÓPOLIS/MT Alcindo José Rosa28 Euller Jamison Lopes Sacramento29 Lorival Golfe30 Rafael José Triches Nunes31 Samir Rodrigues Faria32 28 Prof. Doutor/Orientador - UFMT - Rondonópolis/MT- [email protected] Universidade Federal de Mato Grosso – Rondonópolis/MT - [email protected] 30 Universidade Federal de Mato Grosso – Rondonópolis/MT - [email protected] 31 Universidade Federal de Mato Grosso – Rondonópolis/MT [email protected] 32 Universidade Federal de Mato Grosso – Rondonópolis/MT 29 Thiago Hudson de Sousa Bianchini33 O estudo tem a finalidade de analisar, à luz das diretrizes brasileiras de saúde mental, uma instituição filantrópica que presta serviço asilar em RondonópolisMT e que tem acolhido grande número de usuários da rede de saúde mental. Para o levantamento de dados, foram coletados depoimentos e realizadas entrevistas com administradores da instituição. Para compreensão do cenário municipal de saúde, foi realizado levantamento de dados primários dos serviços públicos de saúde mental e secundários junto ao DATASUS. O município de Rondonópolis está localizado na região sul do Estado de Mato Grosso e, segundo estimativas, sua população ultrapassou a cifra de 181.000 habitantes. De maneira geral, tem sido importante o direcionamento dado pelas diretrizes da Política Nacional de Saúde Mental no sentido de sensibilizar os gestores de saúde e instituições para que efetivem a Reforma Psiquiátrica, de modo que acelere a substituição dos leitos psiquiátricos por serviços substitutivos, fortalecendo, com isso, a rede de atenção psicossocial. Neste sentido, o município conta com os seguintes serviços e instituições que trabalham com saúde mental: a) Serviços Públicos: 01 CAPS Álcool e Drogas; 01 CAPS Infantil; 01 Serviço Ambulatorial de Saúde Mental do Centro de Saúde Jardim Guanabara; 01 Centro de Reabilitação (Nilmo Junior). b) Serviços Filantrópicos (Conveniados ao SUS): 01 Hospital Psiquiátrico; 01 CAPS II (os dois serviços são mantidos pela Associação Beneficente Paulo de Tarso). c) Instituições Filantrópicas (não conveniados ao SUS): 02 instituições de asilamento (Lar Cristão, com cerca de 140 internos e o Lar dos Idosos, com cerca de 100 internos). Tendo em vista o teor dos dados levantados e que no município de Rondonópolis, não há moradores em hospital psiquiátrico, e considerando que as instituições asilares, como abrigos e lares de idosos, não estão subordinadas às diretrizes de saúde mental, levantamos a hipótese de que estes estão abrigando a população que outrora era encaminhada aos hospitais psiquiátricos. Assim, se por um lado houve considerável avanço na redução de leitos ocupados por moradores de hospitais psiquiátricos, por outro, os asilos continuam superlotados, o que parece indicar a estagnação da reforma psiquiátrica, pois os leitos psiquiátricos estão migrando para os asilos. Percebe-se ainda, que devido à forma de administração adotada pela instituição estudada, há dificuldade de diálogo com os demais serviços da rede de saúde mental e de assistência social, o que favorece ainda mais a exclusão social do asilado. Com isso, enquanto observamos fila de espera na instituição asilar a demanda por residências terapêuticas permanecesse reprimida. O agravante da situação observada é o fato de que, na referida instituição, grande parte dos asilados necessitam de cuidados intensivos de saúde mental e não os recebem. Os cuidados se pautam apenas pela oferta dos procedimentos necessários à sobrevivência, o que a caracteriza como uma instituição total, local de mera deposição de pessoas. Com isso, há indicação da necessidade de implantação do CAPS III, de residências terapêuticas e de reformulação dos serviços já existentes no município de Rondonópolis-MT, de 33 Universidade Federal de Mato Grosso – Rondonópolis/MT - [email protected] modo que atendam as diretrizes de saúde mental. Ademais, tem-se percebido que os trabalhadores de saúde mental, bem como os trabalhadores sociais necessitam de formação permanente para que rompam com a visão hospitalocêntrica. Palavras-chave: Reforma Psiquiátrica, asilo, saúde mental. O LUGAR DA FAMÍLIA NA SAÚDE MENTAL: CONSIDERAÇÕES SOBRE O TRABALHO CLÍNICO-INSTITUCIONAL NAS INTERNAÇÕES E PRONTOATENDIMENTO DO CIAPS ADAUTO BOTELHO Veline Filomena Simioni Silva34 Tatiane Crozetta35 34 Psicóloga, Mestre em Educação, Prof. do UNIVAG, Prof. substituta na UFMT, técnica da Secretaria de Estado de Saúde/CIAPS Adauto Botelho. E-mail: [email protected] No cotidiano das unidades de internação e Pronto Atendimento do CIAPS Adauto Botelho, por serem unidades que atendem casos de surto psicótico ou crise aguda, vários questionamentos surgem no cotidiano das equipes, entre eles qual a importância e o lugar da família no tratamento. A partir de um resgate histórico da loucura no ocidente, retoma-se a psiquiatria de Pinel, que propunha o tratamento moral e o isolamento do alienado. Birman (1978) apresenta as idéias de Pinel a respeito do tratamento nos hospícios do século XIX, em que o paciente era excluído da sociedade e, sobretudo de sua própria família, considerada prejudicial para a expectativa de “cura” da época. Essa forma de tratamento perdurou por quase dois séculos, até o início de outros movimentos que vieram questionar esses postulados. No Brasil, a partir da Reforma Psiquiátrica iniciada no final da década de 70 e a conseqüente elaboração da política de saúde mental, a proposta do modo psicossocial convoca a família para o cuidado ao portador de transtorno mental que passa a ter resguardado o direito de conviver em sociedade como todo cidadão. Ao invés do afastamento exigido pelo tratamento moral e da guarda exercida pelo hospital, a família torna-se responsável pelo portador de transtorno mental e, portanto, um dos focos de atendimento das equipes. A clínica nas unidades de saúde mental passa a ser discutida mediante os impasses trazidos pela família, visto que para que o direito do cidadão se efetive, é preciso que o tratamento tenha uma direção a partir de um sentido que é sempre construído pelo sujeito, uma vez que para a Psicanálise é fundamental incluir a clínica do sujeito à política e aos direitos do cidadão (RINALDI, 2005). Numa unidade de internação, constatamos que geralmente a família recorre à instituição quando já esgotou todos os recursos possíveis de cuidado e convivência. Nessa perspectiva, no corrente ano iniciou-se um trabalho de reuniões mensais com os familiares na Unidade I e no Pronto Atendimento do CIAPS com o objetivo de acolhê-los, bem como fornecer orientações quanto ao funcionamento dessas unidades e da rede de atenção em saúde mental. Nas reuniões observa-se a troca de experiências entre os familiares, o que oportuniza discussões sobre as dificuldades no convívio e sobre as possibilidades de suporte das unidades de saúde mental dos territórios, ampliando o viés da „queixa da família‟ para sua implicação no processo de tratamento do portador de transtorno mental, considerando-se a singularidade dos casos. Palavras-Chave: Família. Saúde Mental. Tratamento. PROJETO TERAPÊUTICO E AÇÕES MATRICIAIS EM SAÚDE MENTAL: RELATO DA EXPERIÊNCIA DO CAPS II DE VÁRZEA GRANDE. Soraya Danniza B. M. Simon36 Renata Cristina Giroto.F da Silva37 35 36 Psicóloga. E-mail: [email protected] Assistente Social, Coordenadora do CAPS II de Várzea Grande e mestranda em Política Social/UFMT - [email protected] 37 Psicóloga do CAPS II de Várzea Grande - [email protected] A reforma psiquiátrica surge para modificar a forma de tratamento oferecida aos portadores de transtorno mental, visando principalmente à inserção social. Assim, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são serviços substitutivos dos hospitais psiquiátricos e funcionam como dispositivos para a consolidação e efetividade dos princípios preconizados pela Reforma Psiquiátrica. O presente trabalho objetiva relatar a experiência de um CAPS na construção de um projeto terapêutico pautado na singularidade do sujeito, incluindo para isso seu território de moradia, as equipes de saúde da família e os demais setores envolvidos no processo de inserção social do portador de transtorno mental. O projeto terapêutico é o instrumento utilizado pela equipe para planejar, avaliar e reformular as ações desenvolvidas no tratamento do usuário. Tal instrumento não se limita as atividades desenvolvidas na Unidade, nem apenas ao usuário, ele tem como princípio ser o meio pelo qual os objetivos do tratamento sejam alcançados. Assim, o CAPS II de Várzea Grande, em seu projeto terapêutico, implantou a metodologia do técnico de referência como estratégia de ação diante da realidade do município, das dificuldades apresentadas pela rede de atenção básica e do próprio desenvolvimento do trabalho da equipe do CAPS II de Várzea Grande. Com isso os usuários têm um contínuo acompanhamento do seu projeto terapêutico singular e o apoio matricial à atenção básica /saúde da família se efetiva como transformador do modelo assistencial tradicional. As ações de saúde mental realizada junto à rede de atenção básica já mostram progressos, entre eles a ampliação do acesso do usuário, sensibilização das equipes para abordagem ao portador de transtorno mental, desmistificação do “louco”, melhor manejo na abordagem, crescente aproximação das equipes, maior conhecimento do território pelo profissional da saúde mental e maior efetividade das ações para fora da instituição. Estes importantes avanços caracterizam o serviço transformador que não só este, mas todos os CAPS devem desempenhar. Palavras-chave: projeto terapêutico, técnico de referência, apoio matricial. UMA EXPERIÊNCIA EM CINEMA Ana Lúcia Leandro Gouveia38 Glauci Maria Ferreira39 Renata Simões Picerne40 38 39 CIAPS Adauto Botelho - Arteterapêuta CIAPS Adauto Botelho - Arteterapêuta . Introdução: O projeto de cinema no CIAPS Adauto Botelho surgiu em 2008, com o intuito de inserir momentos de cultura e lazer no âmbito hospitalar durante o período noturno, visto que todas as atividades terapêuticas propostas aos internos ocorrem em horário diurno. Pensado também para pacientes que passam por longos períodos de internação e ficam privados de momentos culturais que acontecem na sociedade, desta forma sentiu-se a necessidade de experimentar algo que contemplasse os requisitos acima. Objetivos: Difundir o conceito de Arte e Cultura associados ao de terapia, pelas diversas linguagens que as mesmas proporcionam; Promover ambiência prazerosa minimizando o impacto da internação; Sensibilizar os internos nas suas possibilidades de autoconhecimento e de participante do coletivo, restaurando a qualidade de contato com o seu mundo subjetivo, com a realidade e o mundo externo. Metodologia: sendo o projeto voltado para pacientes com faixa etárias que variam de 18 a 60 anos, de ambos os gêneros e com transtornos variados, a dinâmica foi voltada para a singularidade de cada caso. Os temas são escolhidos em reuniões multidisciplinares, considerando enredo, dinamismo, musicais, evitando temas que tragam em cena, violência, pânico, sexo explícito, enfim que não contribuam com sintomas das patologias e primem para o interesse dos pacientes. Considerações finais: Durante o período de execução do projeto, vivenciamos a adesão da grande maioria dos pacientes de ambos os gêneros, tanto dos moradores quanto os de regime de rotação. Foi constatado que tanto a escolha de temas favoráveis quanto à menor duração foram decisivos na permanência dos pacientes até o termino das projeções. Com o decorrer do tempo, houve aumento da credibilidade e interação de outros profissionais na atividade que até então era assistida somente pelos profissionais responsáveis pelo projeto. Palavras-chave: Atividades terapêuticas, cultura, saúde mental 40 CIAPS Adauto Botelho - Terapeuta Ocupacional