EDUCAÇÃO AMBIENTAL E A ESCOLA: RECURSOS NATURALMENTE ASSIMILÁVEIS RASMUSSEN*,Rosangela RASMUSSEN*,Rosemeri COSTA, Carmem Rodrigues da Resumo: O presente estudo ressalta a necessidade de sensibilizar as crianças, desde a tenra idade, sobre a emergencial preservação dos recursos naturais. Hodierno os meios de comunicação de massa têm propalado a defesa do meio ambiente, muito ainda há que ser feito para imprimir a prática ecológica, ou seja, há necessidade de levar os indivíduos a perceberem que são partes intrínsecas dele, e como tal, devem diminuir o consumo exagerado de produtos industrializados, gerando assim, uma quantidade menor de lixo inorgânico, evitando a exploração predatória dos recursos naturais. Entendendo que nem todos esses recursos são renováveis, como há muito se pensava, dentre outras atitudes que beneficiam a sua preservação e amplie a qualidade de vida dos seres vivos no planeta, está a educação ambiental. Concebendo-a enquanto formação continuada, visou-se engajar o educando no processo de defesa do meio ambiente, levando-o a compreender e apreender as causas e efeitos dos processos naturais de produção e reprodução de organismos. Objetivou-se a prática do respeito aos recursos naturais existentes, utilizando-os conscientemente, contribuindo com a harmonia e o equilíbrio entre o homem e a natureza. A metodologia utilizada contemplou pesquisa bibliográfica, visitas pedagógicas, intervenções psicopedagógicas, e diversas técnicas de sensibilização/ incentivação, como dinâmicas de grupo, jogos e brincadeiras. Desta forma, foi imprescindível ressaltar a necessidade de se discutir a educação ambiental dentro de uma sociedade que valoriza cada vez mais o consumismo, com o intuito de modificar hábitos e atitudes, a fim de que os alunos possam refletir sobre suas ações. Palavras-chave: Educação Ambiental; Consumismo, Recursos Naturais. Afagar a terra Conhecer os desejos da terra Cio da terra, a propícia estação E fecundar o chão (Cio da Terra, de Mílton Nascimento e Chico Buarque) Por muito tempo o crescimento econômico se sobressaiu em relação à qualidade de vida e a preservação do meio ambiente, sendo atribuída a responsabilidade pela degradação do planeta a terceiros. Quem sempre responde com seu sofrimento através dos diversos . 4516 problemas de saúde é a população mais pobre, que se obriga a morar nas periferias dos grandes centros urbanos, em locais desprovidos de saneamento básico. Quando há denúncias sobre qualquer modalidade de agressão a natureza, ainda ocorre a impunidade, consagrando o descaso pela vida presente e futura, de muitas espécies de seres vivos. A partir das últimas quatro décadas é que se vem pensando na qualidade de vida dos seres vivos e na conservação/preservação dos recursos naturais do planeta. O tema “meio ambiente” foi o gerador do processo que levou as autoras, no segundo semestre de 2005, a iniciarem intervenções na realidade escolar de trinta e um alunos da 2ª série “B”, do turno matutino, da Escola Municipal “Pedro Fávaro Cavalin”, situada no bairro da Cohapar, no município da Lapa, situada a 70 km da capital do Estado do Paraná. Através das exigências demandadas da disciplina de Pesquisa Educacional na Prática Pedagógica IV, constante no quarto período do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia da Faculdade Educacional da Lapa – FAEL partiu-se de um levantamento de dados a fim de caracterizar a realidade educativa, diagnosticando-se que aquela comunidade escolar reclamava da ação inconseqüente de muitos alunos em jogar lixo em todos os cantos da escola, principalmente papéis de balas, pacotes de salgadinhos e demais embalagens, comprometendo a limpeza e a saúde deles próprios e dos demais seres vivos. Enfocando o consumismo exagerado e suas conseqüências ambientais, através da promoção de debates sobre os fatores responsáveis pela poluição da natureza e a interferência do ser humano no planeta, e sua relação com a qualidade de vida, alcançou-se o engajamento da professora da turma, e de alguns pais, logo nas primeiras tentativas de intervenção. Em decorrência da adesão acima exposta, julgou-se necessário a sistematização da ação pedagógica para tentar mudar o hábito do educando, por meio da sensibilização, demonstrando-lhe os benefícios para ele mesmo, para a comunidade e ao planeta como um todo. O objetivo geral foi despertar os educandos para perceberem a importância da preservação do meio ambiente para se ter uma melhor qualidade de vida. A fim de sintetizar melhor esta apresentação, sistematizou-se este artigo em duas etapas: a primeira estabelece o embasamento teórico utilizado, referendado principalmente nos PCNs e em Valle, além de artigos virtuais, periódicos, entre outros; e a segunda etapa, diz respeito a justificativas metodológicas sobre as intervenções pedagógicas e psicopedagógicas, que possibilitaram essa realização. 4517 Meio ambiente: preocupação recente e constante A maior e também mais antiga atividade de produção econômica realizada pelo ser humano, é a agricultura. Atualmente, mais da metade da população do mundo trabalha nesta atividade e garante com isto, o sustento de quase seis bilhões de habitantes existentes no planeta. Embora a prática agrícola tenha seus dezoito mil anos, ela ainda é o que mais aproxima a natureza da sociedade. Por mais mecanizada ou moderna que seja a dinâmica de produção de alimentos, a agricultura continua tendo sua importância para toda a humanidade. Torres (2003, p. 35) afirma que [...] em contraste a outros processos produtivos, a ação antrópica1 na agricultura não é realizada com o propósito de transformar matéria prima em produto, e sim regular as condições ambientais para obter maior produção de alimento a partir da dinâmica de transformações orgânicas naturais. Desse modo, percebe-se que a consciência advinda de alguns modelos agrícolas já demonstram preocupação da “[...]necessidade de conciliar sistemas produtivos que conservem os recursos naturais e forneçam produtos mais saudáveis.” (TORRES, 2005, p. 35) Para que isso realmente ocorra é primordial que se implemente uma análise sob o prisma ecológico, no que diz respeito à produção de alimentos, uma vez que quando o agricultor lavra o solo, ele está gerando mudanças nas condições naturais e criando um novo ecossistema, ou um ecossistema simplificado, além de enfrentar muitas vezes, a perda de nutrientes causada pela erosão o que diminui a fertilidade do solo. Este problema é geralmente maximizado com a aplicação de produtos químicos, ou mesmo orgânicos quando há saturação do solo com a monocultura, ao contrário da utilização da rotação de culturas. O primeiro método, mesmo que utilizado corretamente, preservando a vida humana, pode causar sérios prejuízos ao meio ambiente, como: a contaminação do solo e a poluição de rios e lagos, alterando seu ph. Outro problema enfrentado hoje, e não somente pela ação de agricultores ou pecuarista, é o desmatamento insustentável, que em grande parte se deve a madeireiros que nem sempre agem dentro da lei. Contudo, não são somente estes problemas que causam impactos ambientais, haja vista a crescente preocupação com o lixo e a poluição que são causados pelas indústrias, hospitais e pelas pessoas – o lixo domiciliar, além dos esgotos que são liberados diretamente 1 Relativo à vida humana, experiências feita pelo homem. 4518 no leito dos rios sem nenhum tratamento, provocando prejuízos tanto para fauna como para a flora. O progresso industrial acelerou o desenvolvimento tecnológico e o meio ambiente sofreu interferências ainda maiores para atender às necessidades básicas do ser humano: alimentação, segurança; e para aumentar seu conforto. À medida que a humanidade aumenta a sua capacidade de intervir na natureza para satisfação de necessidades e desejos crescentes, surgem tensões e conflitos quanto ao uso do espaço e dos recursos em função da tecnologia disponível. (PCNs, 1997:19). Isto, porém, causou e continua causando muitas modificações no meio ambiente, tanto que chegou ao ponto de tornar-se uma questão para estudos, na tentativa de minimizar e de evitar novos danos, mas esta tarefa está cada vez mais difícil. Desde 1866 o termo ecologia é utilizado, significando o estudo da interdependência dos seres vivos entre si e com o meio onde estão inseridos. Desde então, o biólogo alemão Ernest Haerckel, já demonstrava sua preocupação com as questões ambientais. Segundo Valle (2002, p. 25) “O termo ecologia somente se tornou de uso corrente, entretanto, na década de 1970, quando os desastres ambientais começaram a ser noticiados com maior destaque pela imprensa”. Assim, nota-se que o modelo de civilização imposto nos últimos séculos trouxe a industrialização, e junto com ela a mecanização agrícola, que intensificou o uso de produtos químicos na produção de alimentos e de matéria prima. Além disso, a crescente urbanização do espaço terrestre, acelerando a massa populacional nas cidades, mostra que a relação do homem com a natureza é uma convivência pouco harmoniosa, pois: A tecnologia empregada evoluiu rapidamente com conseqüências indesejáveis que se agravam com igual rapidez. A exploração dos recursos naturais passou a ser feita de forma demasiadamente intensiva. Recursos não renováveis,..., ameaçam escassear. De onde se retirava uma árvore, agora retiram-se centenas. Onde moravam algumas famílias, consumindo alguma água e produzindo poucos detritos, agora moram milhões de famílias gerando milhares de toneladas de lixo por dia. (PCNs, 1997:19) Portanto, tudo isto, continua contribuindo para a degradação do meio ambiente, levando-o ao desequilíbrio. E neste modelo socioeconômico, a riqueza que é gerada não impede que a miséria e a fome continuem co-existindo, e se ampliando. Desta forma, as conseqüências do exagero humano recaem na natureza, que indefesa, pede socorro. 4519 O lixo, a poluição e suas conseqüências O lixo, hoje é um agravante, pois o destino correto nem sempre acontece, são pouquíssimas as cidades que contam com o aterro sanitário e a coleta seletiva do lixo / reaproveitamento, e sendo assim, o seu destino é incerto, recaindo na natureza, o que vem a poluí-la e a destruí-la aos poucos, bem como também, destruirá com o tempo, as espécies vegetais e animais daquele ecossistema. Mas, o que vem a ser o lixo? Por que é produzido em grande escala? Segundo o Dicionário da Língua Portuguesa Laurosse cultural (1992: 694), o lixo pode ser “Restos domésticos ou industriais; despejos, resíduos inaproveitáveis”. No entanto, este conceito vem sofrendo algumas alterações, pois nem tudo o que se joga fora é realmente inaproveitável. Tanto, que a reciclagem está aí para provar o contrário, sendo o sustento de milhares de famílias, que o reaproveitam vendendo o material coletado para indústrias especializadas em reciclar produtos, como por exemplo, o plástico, o papel, o alumínio, entre outros. Em se fazendo a reciclagem haverá uma geração de lucros e os recursos naturais serão poupados. O lixo orgânico poderá se transformar em adubo natural, o que certamente não causará tantos males para o solo por não conter produtos químicos indesejáveis. Estes atos minimizariam a degradação do ambiente. Entretanto, isso é raridade. O que se vê, na grande maioria das cidades, é a poluição do meio ambiente através do acúmulo de lixo deixado a céu aberto - entulho, que além de contaminar o solo, contamina também os lençóis freáticos dos rios, sem contar que causa a poluição visual e do ar, podendo também, ocasionar doenças. Assim, pode-se dizer que reciclar é recompor o ciclo utilizando materiais que, quando transformados, não perdem seu valor inicial, não devendo ser confundida, portanto, com o reaproveitamento, que é a reutilização dos recipientes, sem transformá-los. Pode-se afirmar que a produção do lixo em grande escala advém do excesso de consumo de uma sociedade capitalista, que influenciados pela mídia, não reflete sobre as suas reais necessidades, ocasionando então, a descontrolada poluição do planeta. A poluição pode ser entendida como sendo uma agressão à natureza, ao meio ambiente em que o homem vive. Este problema tem sua essência no homem, que está diretamente envolvido com os processos industriais e também com a grande urbanização das civilizações. Estes fatores podem explicar os atuais índices dessa crescente poluição. Os fatores poluentes são diversos e modificam o solo, o ar, a água, etc. 4520 De acordo com o Dicionário Enciclopédico Tudo (1987: 1346), a poluição pode ser entendida como sendo a Contaminação de uma substância por outra, tornando a primeira inadequada para um determinado uso. Num sentido mais amplo, é a adição de um poluente – qualquer substância ou forma de energia em concentrações superiores à normal – a qualquer recurso ambiental natural, do qual depende a vida ou a qualidade de vida. Sendo assim, é possível perceber que os recursos naturais são os que mais sofrem devido a poluição. As formas mais comuns de poluição são os esgotos e os lixos urbanos, e ainda, o derramamento de petróleo no mar ou nas estradas, que representam um perigo eminente, pois prejudicam em demasia o ecossistema local, interferindo na qualidade de vida dos seres vivos. Desta forma, pode-se perceber que a poluição ocorre sempre em que há uma interferência prejudicial ao equilíbrio natural do planeta, alterando seus elementos naturais e a qualidade de vida dos seres. Segundo Vargas e Mendes (2005, p. 1), as formas de poluição encontradas são: visual: dá-se pelo excesso de cartazes, entulhos, propagandas, entre outros, que alteram a paisagem natural ou urbana. Ou, conforme as palavras do autor, poluição visual [...]é o limite a partir do qual, o meio não consegue mais digerir os elementos causadores das transformações em curso, e acaba por perder as características naturais que lhe deram origem. No caso, o meio é a visão, os elementos causadores são as imagens, e as características iniciais, seriam a capacidade do meio de transmitir mensagens. (VARGAS E MENDES, 2005, p. 1) • sonora: dá-se pelo excesso de ruídos em um ambiente, o que pode provocar uma alteração na audição, e com o tempo, até a surdez, e também problemas psicológicos, como a insônia, a irritabilidade, por exemplo. De acordo com o professor José Afonso da Silva, citado por Filho (2005, p. 1): “a poluição sonora consiste na emissão de barulho, ruídos e sons em limites perturbadores da comodidade auditiva”. (Filho, 2005: 1) • do Ar: é entendida como sendo “a contaminação da atmosfera por vapores prejudiciais, aerossóis e partículas de poeira, provocada principalmente pelas atividades do homem e, em menor grau por processos naturais”. (DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO TUDO, 1987, p. 1346). Ela se dá pela queima do lixo, a fumaça de cigarros, pelo monóxido de carbono (descarga de combustão dos veículos em 4521 geral), que afetam os seres vivos. Como processo natural, um exemplo seria a fumaça lançada antes da erupção do vulcão e partículas de pólen carregadas pelo vento. • radiativa: são sobras ou resíduos radioativos gerados por usinas nucleares ou provocados por vazamento. O lixo atômico por ser tóxico requer um cuidado especial, tanto no seu manuseio quanto a seu destino final, uma vez que não podem ser tratados. • do Solo: ocorre devido ao excesso de defensivos agrícolas como herbicidas e pesticidas utilizados na agricultura, que impregnam o solo com substâncias tóxicas, além do excedente de lixo jogado a céu aberto, que também destroem a fauna e flora da região, degradando o solo. Outros fatores prejudiciais são a queimada, a erosão e a exploração de jazidas, que causam o desmatamento e o empobrecimento do solo. De acordo com Valle (2002, p. 62), a contaminação do solo dá-se usualmente pela disposição, de forma imprópria, de resíduos e produtos contaminados, possibilitando que os agentes poluentes neles contidos se difundam[...] (VALLE, 2002:, p. . Atualmente, este assunto é de grande relevância, pois a contaminação dos solos é causada também pela aglomeração urbana que gera uma grande quantidade de lixo e com isso, fica difícil desfazer-se destes resíduos, agravado pela quantidade de lixões e aterros clandestinos. • das Águas: dá-se em decorrência do lixo (doméstico e industrial) e de esgotos lançados diretamente no leito dos rios, sem o devido tratamento. Com a destruição da mata ciliar, os defensivos agrícolas, o solo e outras substâncias, com as enxurradas vão parar diretamente nos rios e provocam assim, o assoreamento e a poluição dos rios que se enchem de entulhos. Além disso, a falta da mata ciliar favorece a evaporação, o que causa a diminuição do nível de água dos rios, que podem aos poucos, desaparecerem. Referendando estas considerações teóricas, as intervenções realizadas através da educação ambiental aos alunos daquela escola pública municipal consolidou a aquisição destas noções pela demonstração em fotos, músicas e histórias que contemplam esta temática. Na sala, realizou-se uma demonstração sobre a correta destinação dada ao lixo (separação do lixo). Também fora realizada uma visita ao córrego que passa ao lado da Rua Itamar Cortes, próximo da instituição, para posterior discussão sobre o assunto. (obs: o córrego não possui nome). Por Educação Ambiental entende-se os processos de consolidação de atitudes e ações de educadores em geral, que favoreçam a outros a considerarem o meio ambiente em sua totalidade, o que deve ocorrer dentro e fora da escola. Ela apregoa como objetivo examinar as 4522 questões ambientais locais, nacionais e internacionais, sob um enfoque interdisciplinar, buscando minimizar efeitos possivelmente destruidores da ação do homem. Percebe-se, assim, a importância de serem desenvolvidas atividades voltadas à Educação Ambiental, como forma de desvelar o universo de implicações que resultam da constatação de que quaisquer ações negativas que o homem praticar contra a natureza e o meio ambiente, certamente incidirão em prejuízos para a própria humanidade. (OLIVEIRA, 2006, p. 33) Recursos naturais Recursos naturais são todos os elementos advindos da natureza e que o ser humano aproveita para viver, como o ar, o solo, os minerais, a água, as plantas e os animais. Para tanto, preservá-los é indispensável para a diversidade biológica do planeta - seu equilíbrio, e também, para a qualidade de vida da humanidade. A água enquanto recurso natural tem sido alvo de uso irracional pela sociedade. Como a água é fonte de vida, há que economizá-la, pois sua quantidade no planeta é estável e constante, e isso pode ser percebido por meio da observação de seu ciclo. Como se pode perceber, este precioso líquido é indispensável para a vida de todo e qualquer ser vivo, sendo encontrada na natureza em três estados: sólido, líquido e gasoso. De acordo com o artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos da Água, citado por Torres et all (2003, p. 49) A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos. “ (TORRES, 2003 et.all., s.d.: 49). Portanto, preservar os rios e mananciais é um dever de todos os habitantes, que mudando algumas de suas atitudes ou hábitos diários podem vir a contribuir para a melhoria da qualidade deste líquido. Além disso, é extremamente necessário diminuir também o seu desperdício, a fim de minimizar num futuro próximo, a sua escassez. Evitar o mau uso do solo requer paciência e perseverança, uma vez que a sua exploração causa o desgaste e diminui a sua fertilidade. Para tanto, necessita-se conscientizar os agricultores a fim de que passem a fazer o manejo correto do solo durante o cultivo, a fim de evitar o seu empobrecimento e a erosão. Outras maneiras de conservá-lo é a utilização da prática do plantio direto que evita a erosão, pois assim, o solo fica protegido por uma cobertura que ajuda na conservação da atividade biológica, mantendo umidade suficiente para as plantas, além da rotatividade de cultura. Isto garante uma boa produtividade e fertilidade. 4523 Com a crescente industrialização e o aumento do número de veículos que circulam diariamente, a qualidade do ar fica comprometida. Segundo Valle (2002, p. 64), isso poderia ser alterado, pois [...].hoje não mais existem razões técnicas para que uma indústria continue a lançar poluentes no ar, graças aos progressos alcançados no projeto de instalações de filtragem e de tratamento de gases e vapores expelidos nos processos industriais. Portanto, não mais se aceitam justificativas infundadas por parte das indústrias, que insistem, muitas vezes em desrespeitar a natureza e com isso, prejudicam os próprios consumidores. Desta forma, para o bem da própria humanidade e de sua qualidade de vida, é imprescindível a preservação da natureza, pois sem ela não há vida. A controvérsia da Educação Ambiental preservacionista e o consumismo A sociedade brasileira, por adotar o modo de produção capitalista, valoriza mais a aquisição de bens, ou o possuir, estando assim mais comprometida em consumir, objetivando sempre o lucro, sem refletir sobre as conseqüências de seus atos com relação ao planeta. Neste sentido, aplica bilhões de reais em marketing / propagandas veiculadas pela mídia, que para induzir a compra de seus produtos, utiliza-se de métodos diversos. Como resultado deste consumismo desenfreado, tem-se o excesso de resíduos sólidos. Contudo, esta questão é bastante polêmica, devendo ser tratada com cautela, pois envolve vários aspectos, tais como a ética, a responsabilidade, o respeito mútuo, entre outros valores que devem ser resgatados tanto pela família quanto pela escola. Este processo é contínuo e construtivo, uma vez que é necessário educar o indivíduo para consumir moderadamente, ou seja, conscientemente. Na busca exagerada em satisfazer as vontades e promover o conforto a qualquer preço, muitos indivíduos não levam em consideração o planejamento, tão importante para promover a sua estabilidade financeira e com isso, acabam em um círculo vicioso, onde muitos não se contentando com o que possuem, estão sempre desejando mais e mais. Assim sendo, para atender esses caprichos, o homem explora cada vez mais os recursos naturais, pouco se importando com a sua escassez. Para tanto, é necessário persistir em uma educação ambiental de qualidade para que o futuro cidadão possa demonstrar interesse em contribuir para a minimização com relação a degradação do planeta. 4524 Outros fatores que contribuiriam para a diminuição do impacto ambiental seriam: • redução do desperdício de produtos naturais que estão em fase se extinção como a água. Isso envolve a adoção de medidas para evitar o descarte de produtos, implicando em uma restrição considerável no consumo e do desperdício; • reutilização destes produtos, englobando as atividades que aproveitam produtos antes do seu descarte, o reuso direto para criar novos produtos como o artesanato; • reciclagem – surgiu como uma maneira de reintroduzir no sistema uma parte da matéria e energia que se tornaria lixo, reutilização de materiais que seriam jogados fora, tendo assim, suas características alteradas. Muito embora a reciclagem contribua para diminuir a quantidade de lixo, também consome energia e água, e ainda libera gases poluentes quando novamente reutilizados pela indústria. Desta forma, faz-se necessário repensar qual o processo que seria menos nocivo para o meio ambiente, pois em se tratando de reduzir o consumo e o desperdício estaria também diminuindo a necessidade de produção, deixando assim, de retirar da natureza vários de seus recursos. Segundo os PCNs (1997, p. 354), Concebe-se que cada criança é única, e sendo assim, o ritmo de aprendizagem difere de aluno para aluno e isso deve ser respeitado. São reflexões como estas que justificam e delineiam os propósitos de uma educação do consumidor: propiciar aos alunos o desenvolvimento de capacidades que lhe permitam compreender sua condição de consumidor, com os conhecimentos necessários para construir critérios de discernimento, atuar de forma crítica, perceber a importância da organização, solidariedade e cooperação para valer seus direitos e assumir atitudes responsáveis em relação a si próprio e a sociedade. (PCNs, 1997: 354) Assim sendo, percebe-se cada vez mais a necessidade de se discutir sobre o meio ambiente e sua relação com o homem, reforçando deste modo, uma mudança de hábitos e atitudes no que diz respeito ao impacto que o consumismo exerce sobre a sociedade e suas conseqüências para a natureza. Considerações sobre as práticas interventivas e a educação ambiental. Baseadas nos conceitos anteriormente relacionados, concretizou-se as práticas interventivas na Escola Municipal “Pedro Fávaro Cavalin” Educação Infantil e Ensino Fundamental, que atende a uma clientela desde a Educação Infantil (Pré–Escola), até o quarto ano do ensino fundamental. Localizada em um bairro de classe média-baixa, chamado 4525 Cohapar, à Rua Dr. Luiz Correa de Lacerda, nº 263, no município da Lapa, apregoa como filosofia “parte do princípio de que trabalha por uma educação de qualidade, de forma a cumprir sua finalidade, que é ensinar e ensinar bem” (Proposta Pedagógica da escola). Com o auxílio da equipe técnico-pedagógica foi escolhida a turma 2ª série “B” do Ensino Fundamental, do turno matutino, com 31 alunos. A fim de se estabelecer contato com a referida turma, para se ter um maior entrosamento e também para conhecer o espaço físico da escola, agendaram-se visitas iniciadas no mês de julho de 2005. Após o diagnóstico da realidade educativa, foram elaboradas e aplicadas dez intervenções pedagógicas sobre a temática “meio ambiente”, sendo que duas foram psicopedagógicas. Há que se ter em vista que para se obter uma qualidade de vida condizente com o que o ser humano almeja, faz-se necessário que ele busque novas alternativas de desenvolvimento sustentável sem agredir ainda mais o meio ambiente. A Educação Ambiental emerge, primeiramente, em um contexto paralelo à cultura da produção e visava, de princípio, combater as mazelas provocadas pela ação desordenada do homem. No entanto, com o passar dos tempos, assume posicionamentos radicais, segundo o entendimento de Morin (2001), pois se revela também subversiva, na medida em que “propõe mudanças radicais em pensamentos e formas de agir”. (OLIVEIRA, 2006:33) Referenda-se esta concepção, compreendendo que a educação ambiental é imprescindível, no contexto escolar, principalmente porque se deve incentivar o compromisso do aluno com a defesa de seu futuro, desde cedo, uma vez que se ele próprio não preservar o planeta, será a principal vítima do seu descuido. Além disso, concebe-se que cada criança é única, e sendo assim, o ritmo de aprendizagem difere de aluno para aluno, e quando se leva a cabo o respeito por ele, alcançase o engajamento da maioria na efetivação das atividades propostas. Oliveira (2006:69) considera que Em geral, a aprendizagem é provocada por situações que denotam o diferente envolvimento de seus agentes no processo de construção do conhecimento. Depreende-se, assim, que para conhecer um objeto, não basta simplesmente olhar e fazer uma cópia mental, ou imagem, do mesmo. Para conhecê-lo é necessário agir sobre ele. Conhecer é modificar, transformar o objeto e compreender o processo dessa transformação e, conseqüentemente, o modo como o objeto é construído. Uma operação é, assim, a essência do conhecimento. É uma ação interiorizada que modifica o objeto do conhecimento. 4526 Por isso, ocorrem situações em que é necessário ao educador fazer uso de métodos diferenciados para que os objetivos por ele propostos sejam atingidos, com a finalidade de contribuir com o educando, para que assim, haja progresso na sua jornada escolar. Assim, o professor deve estar sempre atento e em busca de novas teorias que o auxiliem a solucionar os problemas que possam estar dificultando o desempenho de algum aluno em sala de aula – ser um pesquisador. Neste ínterim, a intervenção psicopedagógica é um recurso que auxilia o professor na elaboração de métodos que possam contribuir com o aprendizado do aluno. Portanto, a intervenção consiste em propiciar situações tais que o aluno é chamado a agir mentalmente para interagir suas ações no sistema, ou em outras palavras, é propor ao aluno desafios a fim de estimular o seu pensamento e raciocínio, levantando hipóteses ou questionamentos que o levem a autonomia de ação. Desta forma, objetiva-se possibilitar ao aluno condições de aprender normalmente, propondo-lhe o desaparecimento ou a minimização da dificuldade. E, como um dos recursos psicopedagógicos, têm-se o jogo, que pode e deve ser uma ferramenta que auxilia e até facilita a compreensão dos conteúdos transmitidos, pois, quando bem direcionado, ajuda a criança a entender / elaborar regras, além de socializar, interagir, desenvolver o raciocínio, a atenção, e ainda permitir que a criança aprenda a lidar com o seu emocional. Contudo, é preciso que o professor tenha clareza do que pretende trabalhar com o seu aluno, introduzindo na brincadeira, o conteúdo que não foi atingido. Segundo Matos e Fialho (2004: 155), “Por meio dos jogos e brincadeiras, a criança ativa o domínio da inteligência, contribuindo para a evolução do pensamento e de todas as funções superiores”. Assim, a criança sente liberdade para expandir-se e resgatar aos poucos a autoconfiança, e também, a sua auto-estima e autonomia. Confirma-se, conforme os referidos autores, que o lúdico contribui enormemente para a formação da criança, uma vez que: Nas brincadeiras, a realidade interna predomina sobre a externa. Esta realidade é caracterizada pelo prazer e alegria. Enquanto brinca, a criança sorri e se satisfaz, favorecendo-a em seus aspectos físico, moral, social e emocional. (Matos e Fialho, 2004: 154) Há muito tempo, Vygotsky (1989) já falava sobre a importância do jogo para o desenvolvimento da criança, dizendo que “O brinquedo fornece um estágio de transição” (VYGOTSKY, 1989, p. 111). 4527 No brinquedo, a criança opera com significados desligados dos objetos e ações aos quais estão habitualmente vinculados; entretanto, uma contradição muito interessante surge, uma vez que, no brinquedo, ela inclui, também, ações reais e objetos reais. Isto caracteriza a natureza de transposição da atividade do brinquedo: é um estágio entre as restrições puramente situacionais da primeira infância e o pensamento adulto, que pode ser totalmente desvinculado de situações reais. (VYGOTSKY, 1989, p. 112) Assim, vê-se que o lúdico estimula a vontade da criança de maneira que ela mesma consiga aos poucos superar-se, pois desta forma, ela começará a apreender conceitos que antes não sabia e sem dúvida, irá sentir-se mais tranqüila ao realizar suas atividades. Além do mais, como já dizia Vygotsky (1989), é na interação com os colegas que a criança constrói o seu conhecimento. A importância do lúdico se evidencia através dos jogos e brincadeiras, pois a criança aprende a conhecer a si própria, o que é extremamente necessário para propiciar-lhe a percepção de suas dificuldades / limitações e, a partir de então, começar a superá-las com o auxílio dos colegas, do professor, da família, e de outros profissionais, quando houver necessidade. Portanto, a aprendizagem lúdica enriquece o seu próprio desenvolvimento e facilita sua atividade cognitiva, além de fazer com que a criança sinta-se motivada / desafiada, pois “[...]a interação lúdica associa às significações...” (BROUGÉRE, 2001, p. 68), ou seja, a aprendizagem tende a ser significativa para ela. Pensando assim, a equipe procurou enriquecer o aprofundamento do tema nas intervenções anteriores, quando então, cada uma das estagiarias fez a aplicação de uma intervenção psicopedagógica, a fim de ressaltar o conteúdo, oferecendo outra estratégia de ação com a finalidade de atingir a meta proposta. Com estas duas intervenções psicopedagógicas, a equipe espera ter contribuído para o rendimento em classe, ou seja, que a atenção, a concentração e o raciocínio espacial, além da percepção visual e auditiva, entre outros, estejam estimulados e que isto possa contribuir para a melhoria de seus desempenhos acadêmicos. Com o desenvolvimento e aplicação deste trabalho, a equipe conseguiu ampliar o seu conhecimento transformando a ação pedagógica em uma crescente prática. Desta forma, também se espera ter conseguido passar a proposta de maneira clara, objetivando que esses alunos se tornem cidadãos cônscios de sua responsabilidade perante a natureza. Pois como o aprendizado se dá ao longo da vida e este trabalho já se findou, há a esperança de se ter plantado várias sementes e que mais tarde produzam bons frutos e 4528 disseminem esta consciência ecológica, uma vez que sem a natureza nem o ser humano conseguirá sobreviver, mesmo com as mais modernas de todas as suas novas tecnologias. No entanto, espera-se mais tarde encontrar esses cidadãos agindo em consonância com a natureza. Contudo, pode-se dizer que o resultado final dar-se-á em longo prazo. Por conseguinte, houve também, uma preocupação em fazer com que o educando pensasse e refletisse sobre formas alternativas – atitudes práticas que promovam à preservação ambiental, como o consumo racional de bens materiais, a reciclagem, o reaproveitamento, entre outras formas de valorizar o ambiente e os elementos naturais, evitando a exploração predatória, enfim, o desrespeito pela Mãe Natureza. Além de enriquecer as experiências, a vivência permite o confronto entre a teoria estudada e a prática, e leva a uma reflexão da práxis pedagógica, pois sempre é possível aprender mais, desenvolvendo assim uma melhor atuação em sala de aula. Os resultados das intervenções foram positivos e de grande valia, pois o assunto trabalhado despertou o interesse da classe, e isso fez com que a equipe conseguisse atingir a meta estabelecida, que era conscientizar os alunos sobre a importância da preservação, por meio de debates e conversações, com a finalidade de desenvolver o senso crítico e de responsabilidade perante o meio ambiente. As intervenções foram muito satisfatórias, pois apesar do pouco tempo disponível, os conteúdos foram transmitidos com clareza e objetividade, reforçando assim, que os objetivos propostos no inicio do projeto foram atingidos. Como já explanado nos tópicos anteriores, é imprescindível sempre retomar o tema meio ambiente com a finalidade de avivar na memória atitudes ecológicas, despertando no educando a sua consciência ambiental, pois o trabalho não está concluído, uma vez que esta é uma prática a ser adquirida ao longo da existência do homem. REFERÊNCIAS BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: meio ambiente/ saúde. Brasília: MEC, 1997. ___. ___. Parâmetros curriculares nacionais: trabalho e consumo. Brasília: MEC, 1997. BROUGÉRE, G. Brinquedo e cultura. São Paulo: Cortez, 2001. CARVALHO, Isabel Cristina de M. A invenção ecológica: narrativas e trajetórias da 4529 Educação Ambiental no Brasil. 2. ed. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2002. DICIONÁRIO DA LÍNGUA PORTUGUESA LAROUSSE CULTURAL. São Paulo: Nova Cultural, 1992. DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO TUDO. São Paulo: Nova Cultural, 1987. v.5. MATOS, E. L. M. & FIALHO, F.A.P. Tecnologias além do virtual. Educacional. Curitiba: PUCPR. v.4, n.13 (set./ dez. 2004). In: Revista Diálogo OLIVEIRA, André Luis de. Educação ambiental: concepções e práticas de professores de ciências do ensino fundamental. Dissertação de Mestrado do Programa de Pós-graduação Stricto Sensu Educação para a ciência e o ensino de matemática Universidade Estadual de Maringá, 2006. Disponível em www.dominiopublico.org.br. Acessado em 14 de agosto de 2007. PREFEITURA MUNICIPAL DA LAPA: Secretaria Municipal de Educação. PROPOSTA PEDAGÓGICA da Escola Municipal “Pedro Fávaro Cavalin”. Lapa, 2005. TORRES, P.L. (org.) et. All. Uma leitura para os temas transversais: ensino fundamental. Curitiba: SENAR-PR, 2003. VALLE, C. E. do. Qualidade ambiental: isso 14000. 4.ed. São Paulo: SENAC, 2002. ___. ___. 5.ed. São Paulo: SENAC, 2004. VARGAS, H. C. & MENDES, C. F. Poluição visual e paisagem urbana: quem lucra com o caus. Disponível em www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq.000/esp116.asp; acessado em 13/11/2005. VYGOTSKY, L. 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